AMBIENTAL_CEJ_DanielleMoreira_2005
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AMBIENTAL_CEJ_DanielleMoreira_2005


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eu até trago para vocês, vou dar depois meu e-mail para quem quiser tirar alguma dúvida, para quem quiser alguma indicação bibliográfica específica para mandar e-mail para mim, fiquem à vontade para mandar e-mail. Quem tiver interesse nessa dissertação, manda um e-mail que eu passo as referências. 
E agente vê como essa idéia de cautela, de cuidado antecipado ganha importância nesse conceito de sociedade de risco, nesse conceito de incerteza, de dúvida que há também na sociedade. 
Eu vou ditar para vocês também um outro artigo, que é um artigo do Paulo Afonso de Leme Machado que é um artigo especificamente sobre o Princípio da Precaução no direito ambiental e é interessante que ele faz uma análise da adoção do Princípio da Precaução pela jurisprudência estrangeira, então tem vários exemplos interessantes que falam da incerteza do dano. 
Ele faz uma análise muito interessante, vale a pena vocês lerem este artigo. Vocês vão perceber que em um determinado momento quando ele fala do Princípio da Precaução, quando ele fala In Dúbio Pro Ambiente e ele analisa a questão dos riscos do desenvolvimento e da incerteza científica sobre determinadas atividades, faz um contraponto dessa incerteza com o desenvolvimento e a continuidade do desenvolvimento, será que a adoção do Princípio da Precaução não significaria um obstáculo e as empresas não mais estariam interessadas, se desinteressariam pelo estudo porque poderiam ser responsabilizadas de qualquer forma, porque na verdade até se encontrar, até se ter certeza científica, será que temos 100% de certeza científica, será que é possível analisar o grau de certeza e a opção que é feita pela sociedade. 
A que nível de risco nós queremos estar expostos? Aí ele faz um contraponto com a questão da sociedade capitalista que tem como objetivo o lucro o mais rápido possível e uma visão extremamente imediatista que é incompatível com o Princípio da Precaução. A precaução diz: vamos estudar mai um pouquinho, vamos esperar mais um tempo antes de termos uma tecnologia que possa trazer mais conforto e benefícios para a população como um todo.
E aí ele fala, vou passar para vocês aqui dois trechos interessantes captando dois autores estrangeiros e aí ele cita um autor francês e depois cita um autor italiano Scovazzi, Túlio Scovazzi \u2013 ele fala o seguinte:
\u201c Que a precaução se caracteriza pela ação antecipada do risco ou do perigo. O mundo da precaução é um mundo onde há interrogação, onde os saberes são colocados em questão.\u201d Na sociedade de risco agente encontra cada vez mais imprevisibilidade então os saberes são realmente questionados.
No mundo da precaução há uma dupla fonte de incertezas: o perigo em si mesmo considerado e a ausência de conhecimento científico sobre o perigo. A precaução ele tem como objetivo exatamente gerir a esfera da informação, a esfera da pesquisa.\u201d
E mais adiante ele diz que essa precaução ela age como \u201ca diferença temporal entre a necessidade imediata de ação e o momento em que os nossos conhecimentos científicos são modificados. \u201c Então o autor italiano ele diz: \u201cDiante das atividades humanas dois comportamentos são tomados\u201d e aí é uma questão de opção, \u201cou se privilegia a presunção do risco\u201d e isso quer dizer: se eu não sei que coisa sucederá, não devo agir. E a outra opção, o outro comportamento é: \u201cPrivilegiando de modo francamente excessivo\u201d na opinião dele \u201c o risco e a assunção do conhecimento após os efeitos\u201d e aí significa se eu não sei que coisa acontecerá, posso agir, dessa forma ao final saberei o que fiz.
Essa é uma visão tradicional e aí é uma questão de colocar na balança. Quando agente está falando de um direito, isso nunca é demais falar, porque por vezes agente não associa, mas agente está falando de um direito que é um direito de 3ª geração, direito difuso, relacionado a um valor existencial, relacionado à dignidade da pessoa humana que é um dos pilares da República, então agente está falando de um direito humano fundamental que é o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Agente vai ver que tem um outro princípio interessante do direito ambiental que é o Princípio da Defesa do Meio Ambiente, na ordem econômica, previsto lá no 170, ele tem expressamente como um dos princípios o Princípio da Defesa do Meio Ambiente.
Então a questão ambiental não pode mais deixar de ser avaliada no desenvolvimento de atividade econômica. Ela necessariamente tem que ser considerada.
Mas a conclusão que agente chega com relação ao Princípio da Precaução, mais um ponto interessante é que por trazer esta idéia do In Dúbio Pro Ambiente, o Princípio da Precaução ele vai começar a ser utilizado para transformar também, não só os procedimentos de licenciamento ambiental e os estudos de impactos ambientais, o cuidado maior que deve ser tomado, ele vai não só ter aplicações nessa seara, mas também na própria responsabilidade civil. O Princípio da Precaução ele vai ser utilizado, eu até trouxe um artigo muito bom para vocês, na pasta é um artigo do Álvaro Mirra, o nome do artigo é direito ambiental: O princípio da Precaução e sua aplicação judicial. Ele vai analisar neste artigo é como que o Princípio da Precaução vai influenciar nas mudanças necessárias na estrutura tradicional da responsabilidade civil para que o instituto da responsabilidade civil seja efetivamente um instrumento capaz de ajudar, de auxiliar na defesa do meio ambiente. 
È interessante perceber que essa idéia, o argumento In Dúbio Pro Ambiente, na dúvida eu decido a favor do meio ambiente, isso traz uma reformulação na orientação tradicional e portanto a certeza cede lugar à probabilidade e aí o direito toca na incerteza o tempo todo. A questão do dano certo, como é que fica na responsabilidade ambiental? 
Quando se aplica na dúvida eu decido em favor do meio ambiente, a responsabilidade tem que ser capaz de lidar com probabilidade e não mais certeza. Por outro lado, a verdade cede lugar à verossimilhança e aí como que o Princípio da Precaução vai poder ser utilizado como um dos fundamentos para que? Para que idéias de presunção de dano, presunção de relação de causalidade, inversão do ônus da prova, como agente pode argumentar, quais são os fundamentos e aí não vai ser só este, mas este certamente é um dos fundamentos para se defender a idéia de que havendo um indício, forte e suficiente de que um dano tem tamanha dimensão, ele é tal, e indícios fortes e suficientes - não certeza -, de que aquele dano que se presume, tenha aquela dimensão foi causado, ou foi causado também, houve a contribuição de um determinado, de um suposto poluidor, que isso seria suficiente para se inverter o ônus da prova e para trazer este suposto poluidor para demonstrar o contrário, de dizer que o dano não existe, ou que o dano não tem aquela dimensão e que aquele dano que existe, ele não absolutamente nenhuma relação de causalidade com a sua conduta.
Agente vai ver isso com bastante calma depois, mas o Princípio da Precaução vai ser utilizado por aí, para dizer que tem presunção de dano e presunção de nexo e conseqüentemente inversão do ônus da prova. Nós vamos trabalhar com a questão da responsabilidade ambiental em situações onde não existe certeza, em situações em que a verdade a princípio é difícil de ser estabelecida, de ser averiguada. 
Diante dessa incerteza, a ciência não vai ser capaz de determinar, de dizer qual foi, de que forma uma determinada biodiversidade de uma área foi atingida, qual foi o dano, porque agente não conhece a biodiversidade totalmente, então agente vai lidar com situações de incerteza mesmo, não só antes do desenvolvimento de determinadas atividades, mas depois de determinados danos ambientais. 
Agente vai ver que existe muitas vezes essa incerteza e o Princípio da Precaução vai ser importante também para essa finalidade na medida em que ele promove a subsunção do critério da certeza ao critério da probabilidade e do critério da verdade pelo critério da verossimilhança.
Que mais sobre Precaução? Agente viu os exemplos principais, In Dúbio Pro Ambiente,