AMBIENTAL_CEJ_DanielleMoreira_2005
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AMBIENTAL_CEJ_DanielleMoreira_2005


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É impedir o exercício da atividade de cara? De plano? Não é essa a idéia do Princípio da Precaução, essa seria uma interpretação ultrapassada do Princípio da Precaução e aí sim impediria o desenvolvimento.
Na verdade quando se fala In Dúbio Pro Ambiente, a idéia é que medidas preventivas não deixem de ser tomadas, que haja, no mínimo, um controle o mais rigoroso possível dessas atividades e não impedir que elas sejam desenvolvidas. É claro que em determinados casos a lei exige o licenciamento ambiental e o licenciamento ambiental e o estudo completo e detalhado que é o EIA-RIMA \u2013 Estudo De Impacto Ambiental que vem acompanhado Do Relatório De Impacto sobre o Meio Ambiente, esse estudo é que é capaz de avaliar, de identificar qual o nível de incerteza, qual o grau de incerteza que paira sobre uma determinada atividade. 
Se houver uma incerteza gigantesca, nenhum estudo que tiver sido feito, nenhuma pesquisa que tiver sido desenvolvida, poderá ser utilizada como argumento para que aquela atividade seja liberada naquele momento, mas dependendo do estudo elaborado, se o grau de incerteza, se estudos já tiverem sido desenvolvidos, se aquela análise feita no EIA-RIMA for capaz de conseguir determinar quais são as medidas de controle necessárias e forem vendo aos pouquinhos e determinando que vão pesquisar por mais 5 anos e depois : \u201cah agente libera para comercialização, para plantio em larga escala\u201d ou: \u201cagente já estudou muito, já podemos liberar em doses pequenas o plantio do organismo geneticamente modificado\u201d, tudo com fundamento técnico. O grau de incerteza é que deverá determinar o nível de controle que deverá ser exigido naquela atividade.
Fato é, que a incerteza em si, ao contrário do que se dizia anteriormente, a incerteza não pode, a existência dessa incerteza não pode justificar a não adoção de medidas preventivas.
E o que se vê na questão dos Organismos geneticamente modificados é que, na verdade a força econômica e política, como acontece em muitos casos, nesse caso do organismo geneticamente modificado conseguiu aprovação de uma lei, a Lei 11.105 que eu mencionei aqui já também, essa Lei revogou a Lei 8974/95 que era a antiga lei de Bio-segurança, entre outros diplomas que também tratavam do assunto, mas especificamente a Lei de Bio-segurança de 95 foi revogada e aí a grande crítica que é feita, fora as questões das pesquisas na utilização de células tronco embrionárias, que é uma questão de bio-ética, uma questão não especificamente relacionada ao meio ambiente, na questão dos transgênicos a grande crítica que é feita é que um poder extremo foi reconhecido à Comissão Técnica Nacional de Bio-Segurança \u2013 CTN-BIO, porque à CTN-BIO agora cabe decidir em última instância, sem qualquer interferência do Ministério do Meio Ambiente do Ministério da Agricultura, do IBAMA, decidir quando que a liberação no meio ambiente de um organismo geneticamente modificado deverá ser precedida de licenciamento ambiental.
A análise que é feita por esta CTN-BIO não corresponde à análise que é feita em um procedimento de um licenciamento ambiental. A análise é feita muita mais com relação a questão de Bio-segurança, outras questões mais genéricas e mais profundas e mais detalhados que são realmente realizadas num estudo de licenciamento ambiental que conta com a participação popular também, para identificar o interesse de como que a coletividade, o que é que a coletividade que é titular de um direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, o que ela pensa sobre o assunto, levar ao conhecimento da população detalhes sobre a liberação de determinado OGM no meio ambiente, isso tudo pode ser deixado de lado em função da edição da nova lei. 
Então está tendo uma discussão muito grande, ainda mais que a CTN-BIO é composta por representante de diversos Ministérios e sem um grande número, não me lembro o número agora, de pesquisadores indicados pelo Governo Federal. Na verdade ela é chamada de Comissão Técnica, mas ela não é lá tão técnica assim, é uma comissão muito mais vulnerável a influências políticas do que em tese pelo menos um órgão ambiental é.
Então esse é um exemplo de retrocesso da nossa legislação ambiental brasileira, né, essa dispensa de licenciamento, não só de EIA-RIMA, dispensa de licenciamento mesmo, se partiu do princípio que muitas vezes a liberação dos organismos no meio ambiente nem uma atividade potencialmente poluidora pode ser considerada, coisa que já era pacífica pelo menos desde 97, quando se tinha o reconhecimento técnico do potencial poluidor dessa atividade, então é um retrocesso significativo e é um exemplo da não aplicação do Princípio da Precaução, na prática.
Um outro exemplo, um outro assunto que é interessante, que é atual sobre o Princípio da Precaução é a questão da emissão eletromagnética, o uso de aparelhos celulares e principalmente a instalação de antenas de telefonia celular, daquelas chamadas estações rádio-base do exército, por essas empresas de telefonia celular.
A discussão é: aonde existe a incerteza? O que se conhece o que não se conhece sobre as consequências da poluição eletromagnética dessas ondas não ionizantes.
O que se fala é: os efeitos térmicos são conhecidos, já são estudados, identificados, tanto que se fala que a partir de 6 minutos, não sei nem se vocês sabiam disso, que você está falando no celular, a cada 6 minutos a temperatura do cérebro aumenta em 1 grau. Eu me lembro numa época que foram propostas duas ações civis públicas aqui no Estado do Rio de Janeiro sobre a questão da poluição eletromagnética, quando eu estava na Feema, eu me lembro dos técnicos falando. Montaram um grupo de trabalho multidisciplinar para que fossem estudadas e estabelecidas as regras específicas para o licenciamento ambiental dessas atividades de instalação de antenas de telefonia celular.
Então, no Rio de Janeiro eles falaram que os efeitos térmicos são conhecidos sim, então a produção de energia pelo cérebro dessas ondas, desses raios não ionizantes, que são os efeitos térmicos dessa poluição eletromagnética são conhecidos, tanto que não se deve falar mais do que 6 minutos no celular.
Eu lembro que na época eu li isso no jornal também, então era uma coisa que estava sendo muito discutida e é pacífica e eu lembro que até diziam que a tendência era que o design do aparelho tivesse antena para garantir uma maior distância do aparelho. As antenas estão cada vez menores né, mas essa seria uma tendência para minimizar esses impactos dos efeitos térmicos da poluição eletromagnética.
Por outro lado se esses efeitos eram conhecidos não se sabe, não se sabia e ainda não se sabe, não se tem certeza é com relação aos efeitos não térmicos do que a poluição eletromagnética pode passar para o metabolismo, para o sistema imunológico, não se sabe quais são os efeitos, não se tem certeza, não se estudou o suficiente para determinar quais são as conseqüências e, portanto, quais são as medidas de uma maneira específica e pontual que devem ser adotadas para que esses impactos sejam evitados.
Essa é a grande problemática. Tanto que esse grupo, no caso os engenheiros que fizeram pesquisas, quando buscaram profissionais com conhecimento específico nesse assunto, fizeram levantamento na legislação de outros países e aí viram que não existe parâmetro. Enquanto um país determinava uma distância mínima de 150m da instalação da antena das zonas residenciais, outros países diziam que 10 era suficiente, outros 200, outros 150, outros 100, outros 30, não existia um parâmetro porque esses efeitos não térmicos não são conhecidos.
É uma salada né, cada país tratava dessa questão de uma forma. Qual o parâmetro que o Brasil deveria utilizar? No caso qual o parâmetro que o órgão ambiental estadual deveria utilizar na condução dos procedimentos de licenciamento ambiental para instalação das estações rádio-base?
Nessa época e foi por isso que o grupo de trabalho foi montado foram propostas duas ações pelo MP estadual, uma aqui no Rio outra em Niterói em face dessas empresas de telefonia celular