INSSDireitoPrevidenciarioCOMPLETO_2010
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das condutas anteriormente praticadas. Lembramos que do artigo 95 da Lei n. 8.212/91 só eram aplicáveis as alíneas \u201cd\u201d, \u201ce\u201d e \u201cf\u201d, pois somente a elas havia previsão de sanção penal: dois a seis anos de reclusão e multa (art. 95, § 1.º, da Lei n. 8.212/91\ufffd, combinado com o art. 5.º da Lei n. 7.492/86 \u2013 define os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional). As demais, como enfatizou Luiz Flávio Gomes, eram vistas apenas como uma regra moral\ufffd.
Quadro comparativo
	Lei n. 8.212/91
	Lei n. 9.983/2000
	Artigo 95, \u201cd\u201d \u2013 \u201cDeixar de recolher, na época própria, contribuição ou outra importância devida à Seguridade Social e arrecadada dos segurados ou do público\u201d.
	
Artigo 168-A, § 1.º, inciso I, do Código Penal
	Artigo 95, \u201ce\u201d \u2013 \u201cDeixar de recolher contribuições devidas à Seguridade Social que tenham integrado custos ou despesas contábeis relativos a produtos ou serviços vendidos\u201d.
	
Artigo 168-A, § 1.º, inciso II, do Código Penal
	Art. 95, \u201cf\u201d \u2013 \u201cDeixar de pagar salário-família,salário-maternidade, auxílio-natalidade ou outro benefício devido ao segurado, Quando as respectivas quotas e valores já tiverem sido reembolsados à empresa\u201d.
	
Artigo 168-A, § 1.º, inciso III, do Código Penal
	Aos fatos praticados na vigência da Lei n. 8.212/91 devem retroagir, exclusivamente, à nova sanção prevista no artigo 168-A, mais benéfica que a anterior: dois a cinco anos de reclusão e multa.
	Luiz Flávio Gomes, em obra já mencionada, enfatiza que as primeiras decisões sobre a ocorrência ou não da abolitio criminis destoam do posicionamento acima exposto. A propósito, precedentes do Tribunal Regional Federal da 5.ª Região sustentam a extinção da punibilidade em decorrência de abolitio criminis. Nesse sentido: Apelação Criminal n. 002351/CE (2000.05.00.005018-2), rel. Castro Meira, j. em 9.11.2000; Recurso Criminal n. 000297/CE (99.05.24130-2), rel. Castro Meira, j. em 16.11.2000.
3. FIGURAS PENAIS
3.1. Apropriação Indébita Previdenciária
Artigo 168-A do Código Penal: \u201cDeixar de repassar à Previdência Social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional:
Pena \u2013 reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 1.º Nas mesmas penas incorre quem deixar de:
I \u2013 recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à Previdência Social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros, ou arrecadada do público;
II \u2013 recolher contribuições devidas à Previdência Social que tenham integrado despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços;
III \u2013 pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela Previdência Social.
§ 2.º É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à Previdência Social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal.
§ 3.º É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que:
I \u2013 tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou
II \u2013 o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela Previdência Social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.\u201d 
	Apropriar-se é fazer sua coisa alheia. No caso da apropriação indébita previdenciária, tutela-se a função arrecadadora da Previdência Social, ou, por outras palavras, os seus interesses patrimoniais. Vê-se, portanto, que o bem jurídico é coletivo.
	Segundo Luiz Flávio Gomes, o crime ora estudado é material, pois se consuma quando resulta efetivamente afetada a função arrecadadora da Previdência Social, isto é, a consumação ocorre quando expira o prazo legal para recolher ou repassar a contribuição devida, ciente o agente de que poderia fazê-lo (animus rem sibi habendi). O que se quer deixar claro é que a apropriação indébita previdenciária não se configura com o mero não- pagamento. É preciso demonstrar que o sujeito ativo agiu em desacordo com a norma legal ou convencional, quando lhe era perfeitamente possível observá-las.
	É oportuna a lição de Nélson Hungria: \u201cNotadamente quando a coisa continua em poder do agente, ou não tenha sido por ele alienada ou consumida, cumpre ter em atenção que a simples negativa de restituição ou omissão de emprego ao fim determinado não significa, ainda que contra jus, necessária e irremissivelmente, apropriação indébita: para que esta se apresente, é indispensável que a negativa ou a omissão seja precedida ou acompanhada de circunstâncias que inequivocamente revelem o arbitrário animus rem sibi habendi, ou que não haja, de todo, qualquer fundamento legal ou motivo razoável para a recusa ou a omissão. A simples mora em restituir ou a simples desídia no omitir, não é apropriação ...\u201d.\ufffd
a) Sujeito ativo
	Segundo Damásio de Jesus, o crime é próprio, ou seja, trata-se de pessoa que tem o dever legal de repassar à Previdência Social a contribuição recolhida dos contribuintes.
b) Sujeito passivo
O sujeito passivo imediato ou principal é a Previdência Social. O sujeito passivo mediato ou secundário é o segurado da Previdência Social.
c) Qualificação doutrinária
	Trata-se de crime material, de conduta e resultado. Assim, para que o crime em questão atinja a consumação exige-se que, escoado o prazo legal ou o prazo convencional, o sujeito ativo tenha deixado de repassar as contribuições recolhidas, de recolher contribuição ou outra importância destinada à Previdência Social ou, ainda, de pagar benefício devido a segurado, com a ciência de que poderia fazê-lo. 
Para Damásio de Jesus, a tentativa é impossível. Para Luiz Flávio Gomes, no entanto, é viável \u201csempre que a apropriação encerra um iter, isto é, quando a decisão de se apropriar do que é devido à previdência é perceptível exteriormente e não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente\u201d\ufffd.
Os crimes previstos no artigo 168-A do Código Penal são delitos comissivos de conduta mista, pois há uma ação positiva inicial (recolher, descontar ou inserir), seguida de outra negativa (deixar de repassar, recolher ou de pagar).
	O crime é doloso.
d) Penas
	Reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos e multa.
e) Suspensão condicional do processo
Consoante dispõe o artigo 89 da Lei n. 9.099/95, a suspensão condicional do processo só é possível quando a pena mínima cominada em abstrato ao delito não supere um ano. Como na \u201capropriação indébita previdenciária\u201d a pena mínima é de dois anos, a aplicação do instituto enfocado é, a princípio, inviável. No entanto, caso o agente efetue o pagamento das contribuições e seus acessórios após o início da ação fiscal e antes do recebimento da denúncia, incidirá o artigo 16 do Código Penal, arrependimento posterior, cuja conseqüência é a redução da pena de um a dois terços. Tomado o redutor máximo, a pena mínima abstrata passa a ser de oito meses, compatível com o artigo 89 da Lei dos Juizados Especiais Criminais.
f) Extinção da punibilidade
Extingue-se a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à Previdência Social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal, nos termos do § 2.º do artigo 168-A do Código Penal.
O novo dispositivo afastou a aplicação do artigo 34 da Lei n. 9.249/95 que estabelecia a extinção da punibilidade para os crimes contra a ordem tributária previstos na Lei n. 8.137/90 (STF, HC n. 73.418/RS, rel. Min. Carlos Velloso).
Observa-se que o § 2.º do artigo 168-A é mais severo que o art.igo 34 da Lei n. 9.249/95. Nos termos do novo dispositivo, para que haja extinção da punibilidade é necessário que o pagamento do que é devido à Previdência Social aconteça