INSSDireitoPrevidenciarioCOMPLETO_2010
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até o início da ação fiscal, o que ocorre normalmente antes do recebimento da denúncia. Logo, o § 2.º do artigo 168-A antecipa o momento para o pagamento. Sendo norma mais severa, não retroage para atingir os comportamentos praticados até 14.10. 2000.
Frisa-se que o \u201cinício da ação fiscal\u201d ocorre, segundo entendimento majoritário, com a notificação do lançamento do tributo e não com a simples formalização do Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF).
	Data do fato
	Termo final
	Diploma legal
	Efeito
	Até 14.10.2000
	Antes do recebimento da denúncia
	Artigo 34 da Lei n. 9.249/95
	Extinção da punibilidade
	A partir de 15.10.2000 (Lei n. 9.983/2000)
	Antes do início da ação fiscal
	§ 2.º do artigo 168-A do Código Penal
	Extinção da punibilidade
g) Perdão judicial ou aplicação exclusiva de multa
	Nos termos do § 3.º do artigo 168-A, é facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a pena de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela Previdência Social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.
Os pressupostos para a aplicação do perdão judicial ou exclusivamente da pena pecuniária pressupõem ser o agente primário e de bons antecedentes. Sem essas condições é, desde logo, inaplicável o § 3.º do artigo 168-A do Código Penal.
Satisfeitos os pressupostos, um dos requisitos previstos nos incisos I e II do § 3.º do artigo 168-A devem estar presentes. O primeiro deles (inciso I) consiste no pagamento da contribuição social previdenciária e seus acessórios antes do oferecimento da denúncia. Lembramos que o Pleno do Supremo Tribunal Federal entendeu que o simples parcelamento da dívida celebrado com a Previdência Social, sem a quitação de todas as parcelas antes do recebimento da denúncia, não equivale a pagamento (Inq. n. 1.028/RS, rel. Moreira Alves; HC n. 74.133-9/DF, rel. Celso de Mello). O outro requisito, inserido no inciso II, refere-se ao valor mínimo estatuído pela Previdência Social para o ajuizamento de suas execuções fiscais que, segundo o Memo n. INSS/PG/36/98, é de R$ 5.000,00 (cinco mil reais).
	A análise do caso concreto levará o juiz a decidir se aplica o perdão judicial ou, exclusivamente, a multa. O benefício do perdão é evidentemente mais benéfico, porquanto a sentença que o concede é meramente declaratória (Súmula n. 18 do STJ), não gerando, inclusive, os efeitos da reincidência (art. 120 do CP). A imposição da pena pecuniária pressupõe a prolação de uma sentença condenatória e que gerará a reincidência (art. 63 do CP).
Frisa-se que a Medida Provisória n. 2.176/79, de 23.8.2001, que dispõe sobre o Cadastro Informativo (Cadin) dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais, no seu artigo 20, dispõe que \u201cserão arquivados, sem baixa na distribuição, os autos das execuções fiscais de débitos inscritos como Dívida Ativa da União pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ou por ela cobrados, de valor consolidado igual ou inferior a R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais)\u201d. Não ocorrerá o arquivamento, entretanto, se a execução fiscal referir-se a contribuições devidas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) (§ 3.º do art. 20). Sustenta-se que, na hipótese do artigo 20 da Medida Provisória n. 2.176/79, poder-se-ia aplicar o princípio da insignificância, excludente da tipicidade.
	
Veja o quadro abaixo:
	Débitos até R$ 2.500,001
	Débitos acima de R$ 2.500,00 e que não superem R$ 5.000,002
	Exclusão da tipicidade, ante a aplicação do princípio da insignificância
	Perdão judicial ou multa (art. 168, § 3.º, inc. II)
Medida Provisória n. 2.176/79, artigo 20.
Memo n. INSS/PG/36/98: valor mínimo para ajuizamento de execuções fiscais.
h) Pagamento efetuado após o oferecimento da denúncia, mas antes de seu recebimento
A hipótese configura o arrependimento posterior, como já aludimos anteriormente, permitindo ao juiz a redução da pena de um a dois terços (art. 16 do CP).
i) Pagamento após o recebimento da denúncia
	Aplica-se o artigo 65, inciso III, "b", do Código Penal, isto é, o pagamento das contribuições, inclusive acessórios, à Previdência Social,viabiliza, exclusivamente, uma atenuação de pena.
j) Penas alternativas
Inexiste vedação à aplicação das penas alternativas às condenações impostas com fundamento no artigo 168-A do Código Penal, desde que presentes os requisitos legais. Entre eles lembramos que a pena imposta não poderá superar quatro anos. Frisamos, também, que o juiz deverá analisar se a pena alternativa será suficiente para a reprovação da apropriação indébita previdenciária (art. 44, inc. III, do CP).
l) Suspensão condicional da pena
Desde que não seja possível substituir a pena privativa de liberdade e, não sendo a sanção superior a dois anos, presentes os demais requisitos legais (art. 77, incs. I e II, do CP), fará jus o condenado ao sursis.
Quadro geral dos efeitos do pagamento
	Momento do pagamento
	Efeito jurídico
	Fundamento legal
	Antes do início da ação fiscal
	Extinção da punibilidade
	Artigo 168, § 2.º, do Código Penal
	Após o início da ação fiscal e antes do oferecimento da denúncia
	Perdão judicial ou aplicação exclusiva de multa
	Artigo 168, § 3.º, inciso I, do Código Penal
	Após o oferecimento da denúncia e antes do seu recebimento
	Redução de um a dois terços
	Artigo 16 do Código Penal
	Após o recebimento da denúncia e antes do julgamento
	Circunstância atenuante genérica
	Artigo 65, inciso III, "b", do Código Penal
3.2. Estelionato
	Artigo 171 do Código Penal: \u201cObter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:
	(...)
	§ 3.º A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência.\u201d
	Comete estelionato quem emprega meio fraudulento visando vantagem patrimonial ilícita. 
Trata-se de crime comum, porquanto pode ser praticado por qualquer pessoa. Quanto ao sujeito passivo, exige-se que seja determinado. No estudo ora realizado, a vítima é a Previdência Social. 
O elemento subjetivo do tipo é o dolo, distinguindo-se o estelionato da apropriação indébita por meio do momento em que surge tal elemento subjetivo. No estelionato o dolo surge ab initio; na apropriação indébita o dolo é subseqüente. 
Os meios executórios estão presentes no preceito primário do artigo 171 do Código Penal: artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. Artifício é a encenação, ou como ensina Damásio de Jesus é o engodo praticado por intermédio de aparato material. O ardil, por sua vez, é o engano proporcionado pela astúcia, pela artimanha. Como \u201cqualquer outro meio fraudulento\u201d, fórmula genérica que suscita o emprego de interpretação analógica, podemos indicar a mentira, o silêncio, o emprego de documentos falsos, enfim todos os demais meios idôneos para enganar a vítima. 
O delito consuma-se com a obtenção da vantagem patrimonial ilícita, em prejuízo alheio. Tratando-se de \u201cvantagem parcelada\u201d, o estelionato consuma-se com a primeira parcela.
No que diz respeito à causa de aumento prevista no § 3.º do artigo 171 do Código Penal, lembramos que são entidades de direito público, além da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, também as autarquias e as entidades paraestatais. O aumento de um terço justifica-se pelo fato de o sujeito passivo representar o interesse coletivo. Veja, a propósito, a Súmula n. 24 do Superior Tribunal de Justiça: \u201cAplica-se ao crime de estelionato, em que figure como vítima entidade autárquica da Previdência Social, a qualificadora do § 3.º do art. 171 do Código Penal\u201d.
É possível a aplicação do artigo 16 do Código Penal