direitos políticos e partidos políticos
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direitos políticos e partidos políticos


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ele mesmo, candidatar-se à reeleição, mas se tenha afastado do cargo até seis meses antes do pleito. 1. A evolução do Direito Eleitoral brasileiro, no campo das inelegibilidades, girou durante décadas em torno do princípio basilar da vedação de reeleição para o período imediato dos titulares do Poder Executivo: regra introduzida, como única previsão constitucional de inelegibilidade, na primeira Carta Política da República (Const. 1891, art. 47, § 4º), a proibição se manteve incólume ao advento dos textos posteriores, incluídos os que regeram as fases de mais acendrado autoritarismo (assim, na Carta de 1937, os arts. 75 a 84, embora equívocos, não chegaram à admissão explícita da reeleição; e a de 1969 (art. 151, § 1º, a) manteve-lhe o veto absoluto). 2. As inspirações da irreelegibilidade dos titulares serviram de explicação legitimadora da inelegibilidade de seus familiares próximos, de modo a obviar que, por meio da eleição deles, se pudesse conduzir ao continuísmo familiar. 3. Com essa tradição uniforme do constitucionalismo republicano, rompeu, entretanto, a EC 16/97, que, com a norma permissiva do § 5º do art. 14 CF, explicitou a viabilidade de uma reeleição imediata para os Chefes do Executivo. 4. Subsistiu, no entanto, a letra do § 7º, atinente a inelegibilidade dos cônjuges e parentes, consangüíneos ou afins, dos titulares tornados reelegíveis, que, interpretado no absolutismo da sua literalidade, conduz a disparidade ilógica de tratamento e gera perplexidades invencíveis. 5. Mas, é lugar comum que o ordenamento jurídico e a Constituição, sobretudo, não são aglomerados caóticos de normas; presumem-se um conjunto harmônico de regras e de princípios: por isso, é impossível negar o impacto da Emenda Constitucional nº 16 sobre o § 7º do art. 14 da Constituição, sob pena de consagrar-se o paradoxo de impor-se ao cônjuge ou parente do causante da inelegibilidade o que a este não se negou: permanecer todo o tempo do mandato, se candidato à reeleição, ou afastar-se seis meses, para concorrer a qualquer outro mandato eletivo. 6. Nesse sentido, a evolução da jurisprudência do TSE, que o STF endossa, abandonando o seu entendimento anterior (STF \u2013 RE 344882 \u2013 Relator: Min. Sepúlveda Pertence \u2013 Julgamento: 07/04/2003)
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Súmula vinculante número 18: A DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE OU DO VÍNCULO CONJUGAL, NO CURSO DO MANDATO, NÃO AFASTA A INELEGIBILIDADE PREVISTA NO § 7º DO ARTIGO 14 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
Inelegibilidade dos militares: art. 14, parágrafo 8o, CRFB: a) menos de dez anos de serviço: deverá afastar-se da atividade; b) mais de dez anos de serviço: será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
Outras inelegibilidades: Lei Complementar 64/1990. Exceções: captação ilícita de sufrágio (art. 41-A, Lei 9504/1997), conforme ADI 3592 e a proibição de inauguração de obra três meses antes do pleito (art. 77, Lei 9504/1997), conforme ADI 3305.
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Privação de direitos políticos: perda (definitiva) ou suspensão (temporária) de direitos políticos.
Perda dos direitos políticos (arts. 15, I e IV, e 12, parágrafo 4o, II, da CRFB):
Cancelamento de naturalização por sentença transitada em julgado: indivíduo volta à condição de estrangeiro;
Recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. Reaquisição depende da disposição em prestar o serviço alternativo \u2013 art. 5o, VIII, CRFB.
Perda da nacionalidade brasileira em virtude da aquisição de outra
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Suspensão de direitos políticos: (art. 15, II, III e V, e 55, II, e parágrafo 1º, CRFB):
Incapacidade civil absoluta;
Condenação criminal transitada em julgado;
Improbidade administrativa, nos termos do art. 37, parágrafo 4o, CRFB;
Exercício assegurado pela cláusula de reciprocidade (art. 12, parágrafo 1o, CRFB, c/c art. 17.3 do Decreto 3927/2001): brasileiro que estiver, nos termos do Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta com Portugal, exercendo naquele país direitos políticos terá a suspensão destes direitos no Brasil e vice-versa
Violação do decoro parlamentar
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Servidor público e exercício de mandato eletivo: art. 38, CRFB.
Tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou função;
Investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar por sua remuneração
Investido no mandato de vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não havendo compatibilidade, será aplicada a norma anteriormente descrita
Tempo de serviço conta para todos os efeitos legais, exceto promoção por merecimento. Para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores serão determinados como se no exercício estivesse
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Partido político: organização de pessoas reunidas em torno de um mesmo programa político com a finalidade de assumir o poder e de mantê-lo ou, ao menos, de influenciar na gestão da coisa pública através de críticas e oposição (Celso Ribeiro Bastos).
Liberdade de organização partidária: art. 17, caput, CRFB. Não é absoluta, deve respeitar a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observar os seguintes preceitos: a) caráter nacional; b) proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes; c) prestação de contas à Justiça Eleitoral; d) funcionamento parlamentar de acordo com a lei; e) vedação da utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar
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Assegura-se aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna, organização e funcionamento, devendo constar nos estatutos partidários normas a respeito da fidelidade e disciplina partidárias \u2013 art. 17, parágrafo 1º, CRFB.
Partidos políticos são pessoas jurídicas de direito privado e sua constituição consolida-se na forma da lei civil, perante o Registro Civil das Pessoas Jurídicas competente e, uma vez adquirida a personalidade jurídica, formaliza-se o registro de seus estatutos perante o TSE.
Ato do TSE que analisa o pedido de registro partidário não tem caráter jurisdicional, mas, conforme asseverou STF , tem natureza administrativa.
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Os partidos políticos, uma vez constituídos e com registro perante o TSE tem direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei \u2013 art. 17, parágrafo 3º, CRFB \u2013 sendo beneficiados pela imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c, CRFB.
Direito de antena: utilização gratuita do horário de rádio e televisão pelo partido político.
PARTIDO POLÍTICO - FUNCIONAMENTO PARLAMENTAR - PROPAGANDA PARTIDÁRIA GRATUITA - FUNDO PARTIDÁRIO. Surge conflitante com a Constituição Federal lei que, em face da gradação de votos obtidos por partido político, afasta o funcionamento parlamentar e reduz, substancialmente, o tempo de propaganda partidária gratuita e a participação no rateio do Fundo Partidário (STF \u2013 ADI 1351 \u2013 Rel. Min. Marco Aurélio \u2013 Julgamento: 07/12/2006).
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STF julgou assim inconstitucional a chamada cláusula de barreira prevista no art. 13 da Lei 9096/1995 \u2013 ADI 1351 e ADI 1354, julgadas em 7/12/20076.
Art. 16 da CRFB: A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência. 
O alcance deste dispositivo constitucional foi discutido recentemente em duas ocasiões pelo STF: na apreciação do alcance da modificação ao art. 17, I, CRFB introduzida pela EC 52/2006 (fim da verticalização) e no julgamento da aplicabilidade ou não da Lei Complementar