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TCC_Biossolubilização e desempenho agronômico de fosfatos naturais do grupo Bambuí

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CATALÃO 
UNIDADE ACADÊMICA DE ENGENHARIA 
CURSO DE ENGENHARIA DE MINAS 
 
 
 
 
NAYANE CRISTINA DA SILVA ARAÚJO 
 
 
 
 
 
 
 
BIOSSOLUBILIZAÇÃO E DESEMPENHO AGRONÔMICO DE FOSFATOS 
NATURAIS DO GRUPO BAMBUÍ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Catalão/GO 
Abril, 2021 
 
 
NAYANE CRISTINA DA SILVA ARAÚJO 
 
 
 
 
 
 
 
BIOSSOLUBILIZAÇÃO E DESEMPENHO AGRONÔMICO DE FOSFATOS 
NATURAIS REATIVOS DO GRUPO BAMBUÍ 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado 
ao curso de Engenharia de Minas da 
Universidade Federal de Catalão, como 
requisito parcial para a obtenção do título de 
Bacharel em Engenharia de Minas. 
 
Orientador: Prof. Dr. Antonio Nilson Zamunér 
Filho 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Catalão/GO 
Abril, 2021 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço a toda minha família pelo apoio ao longo de toda minha trajetória e por não 
me deixarem desistir dos meus sonhos. 
Agradeço especialmente ao meu noivo, Gustavo, pelo companheirismo, apoio e 
incentivo para me fazer acreditar que eu posso conquistar todos os meus sonhos e me fazer ser 
melhor a cada dia. 
Agradeço aos parceiros que contribuíram para concretização deste trabalho. Sou grata a 
Paula Machado, do laboratório Bioagrocert Soluções Agrícolas, que fez ser possível a 
realização dos testes biológicos e se fez disponível para repassar todo conhecimento sobre o 
assunto. Agradeço também a nossa outra parceria com a empresa de consultoria Conteagro 
Soluções Agronômicas, que permitiu a realização dos testes em casa de vegetação. A Rialma 
fertilizantes pela disponibilização das amostras utilizadas neste estudo e fornecimento do 
conhecimento geológico dos materiais. 
Não poderia deixar de agradecer ao meu orientador, Antonio, por todas as oportunidades 
que me deu durante a graduação com orientação em projetos de pesquisa, que me possibilitou 
enxergar minha carreira com outros olhos, e me fez crescer como pessoa e como profissional. 
Por fim, agradeço a todos os professores que contribuíram para minha formação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
O Brasil está entre os maiores produtores de alimentos do mundo, o que o torna uma grande 
potência no agronegócio. Contudo, os solos brasileiros requerem grandes quantidades de 
fertilizantes para torná-los produtivos, o que faz com que o país também seja um dos maiores 
consumidores de fertilizantes. Este cenário gera uma dependência de importações desses 
insumos para atender a demanda dos produtores agrícolas, sendo essencial a busca por 
alternativas para a fertilização dos solos, como por exemplo o uso de fosfatos naturais. No 
entanto, apesar desses materiais oferecerem os nutrientes exigidos pelas plantas, a liberação 
deles ocorre de forma relativamente lenta devido à baixa solubilidade. Logo, para acelerar o 
processo de solubilização podem ser utilizados microrganismos para proporcionar a dissolução 
dos elementos presentes nas rochas e disponibilizá-los. Neste trabalho foram utilizadas 13 
bactérias solubilizadoras de fosfato para avaliar a biossolubilização de fosfatos naturais, sendo 
que 92% desses microrganismos apresentaram capacidade solubilizadora. A área de estudo está 
localizada na região de Taipas do Tocantins/TO onde são encontrados os fosfatos sedimentares 
das formações Serra de Santa Helena e Sete lagoas, pertencentes ao grupo Bambuí. As rochas 
avaliadas possuem teores de P2O5 de 2,49, 6,16 e 9,55% e quando testados nos meios de cultura 
NBRIP e Aleksandrov apresentaram índice de solubilização de fosfato abaixo de 2, indicando 
baixa solubilização. O comportamento em casa de vegetação, em Neossolo Quartzarênico e 
Latossolo Vermelho distrófico, aos 50 dias após o plantio, foi positivo para o solo argiloso e as 
plantas tiveram desenvolvimento satisfatório, especialmente para a altura, com valores 
variaram de 40,2cm a 51,6cm. Apesar do teste F ter sido significativo, ao realizar o teste de 
média Scott-Knott não foi possível verificar a diferença significativa na média das alturas ao 
nível de 5% para o capim Marandu (Urochloa brizantha). 
 
Palavras-chave: Fosfato sedimentar; Solubilização biológica, Bacillus sp. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
Brazil is one of the largest food producers in the world, and considered a great power in 
agribusiness. However, Brazilian soils require large amounts of fertilizers to make them 
productive, which makes the country also one of the largest consumers of fertilizers. This 
scenario causes an external dependence on fertilizers to meet agricultural producers demand. 
Thus, it is essential to search for new alternatives for soil fertilization such as the application of 
natural phosphates for plant nutrition. Even though these materials offer the nutrients required 
by plants, their release occurs relatively slowly due to low solubility. In order to speed up the 
solubilization process, microorganisms can be used to dissolve the nutrients present in the rocks 
and make them available to the plant. In this work, thirteen phosphate-solubilizing bacteria 
were used to evaluate the biosolubilization of phosphate rocks, so that 92% of these 
microorganisms showed solubilizing capacity. The study area is located in Taipas do Tocantins 
/ TO, where the sedimentary phosphates of the Serra de Santa Helena and Sete Lagoas 
formations are found, belonging to the Bambuí group. The sampled materials have P2O5 
contents ranging from 2% to 9% that enable their use as natural fertilizers, and together with 
the action of phosphorus-solubilizing microorganisms, they allow the provision of essential 
nutrients for plant development. When testing these materials as fertilizers in sandy and clayed 
soil the second soil showed good results of plant growth when applied the natural phosphates 
of Taipas do Tocantins as fertilization. 
 
Keywords: Sedimentary phosphate; biological solubilization; Bacillus sp. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 1 - Consumo, produção e importação de fertilizantes no Brasil entre 2015 e 2019 .... 13 
Figura 2 - Funções dos macronutrientes nas plantas ............................................................... 15 
Figura 3 - Demonstração das relações solo-planta-microrganismos no solo .......................... 19 
Figura 4 - Localização da área de estudo ................................................................................ 22 
Figura 5 - Representação da distribuição geográfica do grupo Bambuí ................................. 23 
Figura 6 - Estratigrafia do Grupo Bambuí ............................................................................... 24 
Figura 7 - Fluxograma da metodologia adotada ...................................................................... 26 
Figura 8 - Placas contendo os meios e microrganismos inoculados ....................................... 30 
Figura 9 - Desenvolvimento das plantas com Neossolo Quartzarênico .................................. 33 
Figura 10 - Desenvolvimento das plantas com Latossolo Vermelho ...................................... 35 
Figura 11 – Demonstração do crescimento do halo em torno das colônias das bactérias ....... 37 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 1 – Linhagens bacterianas avaliadas quanto à biossolubilização de P. ....................... 29 
Tabela 2 - Parâmetros físico-químicos das amostras de fosfato sedimentar. .......................... 31 
Tabela 3 - Teores dos elementos químicos nas amostras de fosfato sedimentar. .................... 32 
Tabela 4 - Média dos resultados de altura das plantas com Neossolo Quartzarênico. ............ 33 
Tabela 5 - Análise de Variância para altura de plantas em Neossolo Quartzarênico. ............. 34 
Tabela 6 - Média dos resultados agronômicos nas plantas com Latossolo Vermelho. ........... 34Tabela 7 - Análise de Variância para altura de plantas em Latossolo Vermelho. ................... 35 
Tabela 8 - Teste Scott-Knott para altura de plantas em Latossolo Vermelho. ........................ 36 
Tabela 9 - Índices de solubilização de P para cada bactéria em diferentes amostras e meios. 37 
Tabela 10 - Análise de Variância dos índices de solubilização para meio NBRIP. ................ 38 
Tabela 11 - Agrupamento usando método de Tukey para o meio NBRIP. ............................. 39 
Tabela 12 - Análise de Variância dos índices de solubilização para meio Aleksandrov. ....... 39 
Tabela 13 - Agrupamento usando método de Tukey para o meio Aleksandrov. .................... 40 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 9 
2 OBJETIVOS .................................................................................................................... 10 
2.1 Objetivo geral .................................................................................................................... 10 
2.2 Objetivos específicos ......................................................................................................... 10 
3 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................ 11 
4 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ....................................................................................... 12 
4.1 Mercado de fertilizantes no Brasil ..................................................................................... 12 
4.2 Fosfato na nutrição de plantas ........................................................................................... 14 
4.3 Fosfato natural ................................................................................................................... 16 
4.4 Biossolubilização ............................................................................................................... 18 
4.5 Localização e geologia do depósito ................................................................................... 21 
5 MATERIAIS E MÉTODOS ........................................................................................... 26 
5.1 Caracterização química das rochas .................................................................................... 26 
5.2 Ensaios em casa de vegetação ........................................................................................... 27 
5.3 Análise da biossolubilização de fósforo ............................................................................ 28 
6 RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................................. 31 
6.1 Caracterização química das rochas .................................................................................... 31 
6.2 Ensaios em casa de vegetação ........................................................................................... 32 
6.3 Análise da biossolubilização de fósforo ............................................................................ 36 
6.4 Discussões finais ............................................................................................................... 41 
7 CONCLUSÃO ................................................................................................................. 43 
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 45 
 
9 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
De acordo com o último relatório da Organização das Nações Unidas (ONU, 2019) a 
população mundial deve aumentar em 2 bilhões de pessoas nos próximos 30 anos, alcançando 
9,7 bilhões de habitantes até 2050 e cerca de 11 bilhões até 2100. Com isso, surge o desafio de 
atender o crescimento da demanda por alimentos, o que impulsiona a necessidade de aumentar 
também a produtividade dos solos com o uso de novas tecnologias. 
Dessa forma, o Brasil, país de dimensões continentais, pode ser considerado uma 
potência no agronegócio, setor que teve participação em cerca de 26,6% do PIB em 2020 
(Cepea/CNA, 2020). Porém, para atingir altos níveis de produção, o país necessita consumir 
altas quantidades de fertilizantes, sendo necessário importar grande parte destes insumos. Esta 
dependência da importação em conjunto com o aumento no consumo ressalta a relevância na 
busca de alternativas tecnológicas para a fertilização dos solos (LAPIDO-LOUREIRO, 2009). 
Uma alternativa é o uso de fosfatos naturais, que são materiais de origem mineral de 
composição fosfática que não tenham passado por tratamento químico ou térmico, apenas 
processos físicos de classificação granulométrica, e que, ainda, tenham capacidade de 
disponibilizar os macro e micronutrientes necessários para o desenvolvimento das plantas 
(SILVA, 2011). 
No entanto, apesar desses materiais apresentarem características adequadas à nutrição 
vegetal, a disponibilização dos elementos presentes nos minerais ocorre de forma relativamente 
lenta quando em condições climáticas normais. Uma possibilidade para acelerar a liberação 
desses nutrientes é a utilização de microrganismos como inoculantes no solo, os quais têm 
capacidade de interagir com a superfície dos minerais, extraindo e direcionando os nutrientes 
através do solo até a planta (BRANDÃO, 2012). O uso de microrganismos para a 
disponibilização de nutrientes para as plantas é o processo conhecido como biossolubilização, 
em que bactérias e fungos atuam na solubilização de nutrientes encontrados no solo e nos 
minerais de rochas (PAIVA, 2013). 
Em locais característicos de solos tropicais a presença de fósforo é fundamental para um 
desenvolvimento e crescimento vegetal adequado (GOLFETTO, 2016). Dessa forma, este 
estudo apresenta uma alternativa sustentável de utilização de materiais inexplorados de um 
depósito de fosfato sedimentar do grupo Bambuí através da avaliação do potencial de 
biossolubilização desses materiais com microrganismos solubilizadores de fósforo, bem como 
por meio de testes agronômicos em casa de vegetação de forma a analisar a ação das rochas na 
nutrição de plantas. 
10 
 
 
 
2 OBJETIVOS 
 
2.1 Objetivo geral 
 
O desenvolvimento deste trabalho contempla a análise da biossolubilização de fósforo 
e do desempenho agronômico de uma rocha fosfática sedimentar, da região de Taipas do 
Tocantins/TO. 
 
2.2 Objetivos específicos 
 
Com base no objetivo geral, têm-se os seguintes objetivos específicos: 
 Avaliar a composição química das rochas fosfáticas estudadas; 
 Analisar o comportamento de microrganismos para a solubilização de fósforo; e 
 Analisar o potencial das rochas como fonte de fósforo para a nutrição de plantas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
 
 
3 JUSTIFICATIVA 
 
Na mineração, grande parte das rochas de um depósito não são aproveitadas. Neste 
sentido, qualquer forma de aproveitamento desses materiais pode se tornar atrativa tanto 
economicamente, quanto ambientalmente. 
Além disso, o agronegócio é um setor de grande importância para economia brasileira, 
principalmente com relação a produção agrícola. Logo, a mineração está cada vez mais inserida 
no contexto da agricultura, e este tema de estudo traz justamente a proposta de utilização de 
materiais ainda não aproveitados nas mineradoras como um insumo agrícola. 
Diante desse cenário, este trabalho tem como meta avaliar o desempenho de rochas 
fosfáticas sedimentares como fonte de fósforo, um macroelemento primário na nutrição de 
plantas. Ainda, verificar o potencial de biossolubilização dessas rochas. 
A partir da realização de uma revisão em duas bases de dados científicos, Scopus e 
Sciencedirect, foram encontrados três trabalhos com a palavra-chave “biossolubilização”; 91 
trabalhoscom o termo “solubilização de fósforo”; e 28 trabalhos com a palavra-chave “fosfato 
natural”. Porém, com a combinação das palavras “biossolubilização” e “fosfatos sedimentares” 
a pesquisa não retornou resultados. Já com a utilização de termos em língua inglesa foram 
encontrados 2093 trabalhos para o termo “phosphorus solubilization”; 710 para “natural 
phosphate”; e um resultado para “biossolubilization”, não obtendo trabalhos com a 
combinação de “biossolubilization” e “sedimentary phosphate”. 
Isto prova que o tema é de relevância frente à comunidade científica mundial, mas que 
ainda é um assunto pouco explorado, principalmente no Brasil, o que ressalta a necessidade de 
estudos para obtenção de mais conhecimento. 
Logo, o estudo da biossolubilização de fósforo se torna um assunto cada vez mais 
importante, tanto do ponto de vista econômico quanto tecnológico, pois além de propiciar o 
aproveitamento de rochas outrora inexploradas, também contribui para a preservação das 
reservas de fosfato apresentando, ainda, uma alternativa sustentável para a fertilização dos solos 
nacionais. 
 
 
 
 
 
 
12 
 
 
 
4 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 
 
4.1 Mercado de fertilizantes no Brasil 
 
O agronegócio é um dos setores mais importantes para o crescimento da economia 
brasileira, de forma que o Brasil está entre os maiores fornecedores de alimentos do mundo. 
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e a Confederação de 
Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em 2020 todos os bens e serviços resultantes do 
agronegócio representaram participação de 26,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o 
qual totalizou quase R$ 2 trilhões. 
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), no ano 
de 2020 houve um crescimento de 24,2% do PIB do ramo agrícola brasileiro se comparado com 
o mesmo período dos anos anteriores. Uma justificativa para esse crescimento se dá pelo 
aumento da produção de grãos, além da exportação do agronegócio nacional, que somou um 
valor de US$100,7 bilhões no final de 2020 (MAPA, 2021). 
De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico 
(OCDE) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil 
está entre os maiores produtores de alimentos do mundo e tem potencial para contribuir com 
30% da demanda mundial adicional entre os anos de 2020 e 2029. 
Estes dados comprovam a relevância da agricultura brasileira. Contudo, em 
contrapartida, o país apresenta solos ácidos e deficientes em nutrientes, os quais demandam uso 
de grandes quantidades de fertilizantes e corretivos para torná-los produtivos (GOLFETTO, 
2016). 
Além disso, com o aumento significativo da população ao longo dos últimos anos, 
gerou-se a necessidade de aumento de produtividade agrícola. Dessa forma, o uso de 
fertilizantes torna-se essencial na agricultura, dado que os solos são capazes de disponibilizar 
nutrientes necessários para as plantas, mas não nas quantidades requeridas para atender a alta 
produtividade (IFOPE, 2020; GOLFETTO, 2016). 
Logo, o fato do Brasil ser uma grande potência no agronegócio e estar entre os principais 
produtores de alimentos do mundo faz com que o país também seja um dos maiores 
consumidores de fertilizantes (LAPIDO-LOUREIRO; NASCIMENTO, 2004). 
No final de 2019 a quantidade de fertilizantes entregues ao mercado nacional totalizou 
36.238.381 toneladas. Porém, nesse mesmo ano, a produção nacional de fertilizantes foi de 
13 
 
 
 
7.122.834 toneladas, sendo necessário a importação de 29.511.628 toneladas, as quais 
representaram 81% do consumo de fertilizantes em 2019 (ANDA, 2020). 
Assim, nota-se que a forte dependência das importações de fertilizantes constitui uma 
das principais fragilidades do agronegócio brasileiro, devido ao fato do país consumir muito 
mais fertilizantes do que produz, desfavorecendo a balança comercial (EMBRAPA, 2018). 
Este comportamento é histórico e se repete ao longo do tempo, como ilustra a Figura 1, 
a partir da qual é possível notar o constante crescimento das importações e redução da produção 
interna de fertilizantes. Além disso, se verifica um aumento no consumo desses insumos 
agrícolas, com taxa média de crescimento anual de 5% (ANDA, 2020). 
 
Figura 1 - Consumo, produção e importação de fertilizantes no Brasil entre 2015 e 2019 
 
Fonte: Adaptado de ANDA (2020). 
 
Para a fertilização de solos, o mais comum é o uso de fertilizantes solúveis, que exigem 
durante sua fabricação processos químicos que utilizam fontes de energia não-renováveis, 
estando associados à baixa eficiência na utilização de nutrientes, bem como a geração de 
impactos ambientais que afetam o solo e o equilíbrio ecológico (MARTINS et al., 2010). 
Diante dos produtos disponíveis e do cenário de dependência externa de fertilizantes, 
aumenta-se a preocupação dos pesquisadores e agricultores na busca de sistemas agrícolas 
autossustentáveis, que além de permitir a solução de problemas econômicos, possa contribuir 
na redução do uso de fertilizantes químicos e, consequentemente, na preservação de recursos 
naturais (THEODORO; LEONARDOS; ALMEIDA, 2010). 
14 
 
 
 
4.2 Fosfato na nutrição de plantas 
 
As plantas demandam nutrientes em quantidades adequadas para seu crescimento e 
desenvolvimento. Esses nutrientes geralmente são absorvidos via raízes, portanto, eles devem 
encontrar-se disponíveis na solução do solo para que a planta consiga absorvê-los. Mas se a 
velocidade de transformação do nutriente em solução for baixa, em comparação com a 
necessidade de absorção da planta, ocorre a deficiência nutricional. Esta é uma das principais 
limitações na agricultura, pois grande parte dos solos são ácidos e apresentam baixa fertilidade 
natural por conta da carência em nutrientes (DALCIN, 2008; REETZ, 2017). 
Assim, para uma maior produtividade e qualidade dos alimentos, o solo precisa 
apresentar composição mineral adequada, a qual irá fornecer os elementos necessários para o 
desenvolvimento das plantas (KISSOON; JACOB; OTTE, 2011). 
Para o crescimento vegetal, 17 elementos são considerados essenciais, sendo que a falta de 
um deles impede a finalização do ciclo de vida da planta, pois nenhum desses elementos pode ser 
substituído por outro. Três dos elementos essenciais são fornecidos pelo próprio ar e pela água, que 
são carbono (C), hidrogênio (H) e oxigênio (O). Os outros elementos se dividem em macro e 
micronutrientes, em que os macronutrientes são aqueles exigidos em maiores quantidades, como 
nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), enxofre (S) e magnésio (Mg), enquanto os 
micronutrientes, como zinco (Zn), cobre (Cu), ferro (Fe), boro (B), manganês (Mn), cloro (Cl), 
molibdênio (Mb) e níquel (Ni), são requeridos em quantidades menores. Existem ainda nutrientes 
que apesar de serem benéficos, não são exigidos por todas as plantas, como cobalto (Co), alumínio 
(Al), sódio (Na) e silício (Si) (REETZ, 2017). Sobretudo os macronutrientes N, P e K desempenham 
papéis fundamentais no desenvolvimento das plantas, como ilustra a Figura 2, com destaque para o 
fósforo que será foco deste estudo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
 
 
Figura 2 - Funções dos macronutrientes nas plantas 
 
Fonte: Adaptado de Malavolta (2006). 
 
Na maioria das vezes o solo não possui os elementos nutricionais nas quantidades ideais 
ao crescimento vegetal, então torna-se necessária a aplicação de insumos agrícolas, como 
fertilizantes fosfatados, para atender às exigências da planta a ser cultivada (SÉKULA, 2011). 
Fertilizantes fosfatados são produtos derivados da extração de rochas ígneas ou 
sedimentares de depósitos de fosfato que apresentam concentração considerável do elemento 
fósforo. Dos fertilizantes fosfatados disponíveis, 90% são obtidos por via química, 2% via 
térmica e 6% de forma natural, em que os 2% restantes são obtidos por outrasmaneiras 
específicas de cada aplicação (LAPIDO-LOUREIRO; MONTE; NASCIMENTO, 2005). 
Portanto, a principal fonte de fósforo são os fertilizantes solúveis tradicionais derivados 
de rochas fosfáticas, que passam por uma série de processos químicos para se tornarem solúveis 
para o solo. Assim, a rocha obtida pela indústria mineral passa por etapas de beneficiamento 
ELEMENTO FUNÇÕES
Mg
Componente central da molécula 
da clorofila
Clorose nas folhas 
velhas; 
Folhas de coloração 
alaranjada
Essencial no ciclo de energia da 
célula e na formação de raízes e 
sementes; 
Auxilia na floração e maturação 
dos frutos
Folhas velhas com 
manchas pardas; 
Atraso no 
florescimento
K
Importante na produção de 
carboidratos e fotossíntese; 
Vital na relação água planta; 
Importante na produção de frutos
Clorose e necrose 
das margens e 
pontas das folhas; 
Diminuição do 
crescimento vertical
Regula o transporte de outros 
nutrientes; 
Ativa enzimas
Manchas entre as 
nervuras da folha; 
Crescimento 
irregular das folhas
Ca
S
Componente de aminoácidos e 
vitaminas; 
Atua na formação dos 
cloroplastos
Clorose nas folhas 
novas; 
Folhas pequenas e 
enroladas nas 
margens
CONSEQUÊNCIAS DA 
DEFICIÊNCIA
P
N
Componente essencial de todas 
as proteínas; 
Promove a formação da clorofila
Folhas amareladas; 
Crescimento lento; 
Folhas menores
16 
 
 
 
para gerar o concentrado fosfático, segue para a acidulação com ácido sulfúrico ou ácido 
fosfórico para obtenção do fertilizante fosfatado com alto teor de fósforo (REIS, 2019). Porém, 
esse processo pode acarretar diversos impactos ambientais por se tratar de uma rota química e 
gerar grande quantidade de resíduos, originando produtos considerados não sustentáveis. Além 
disso, a disponibilidade das reservas de fosfato que atendem esse tipo de processo é limitada e 
estima-se seu esgotamento dentro dos próximos 80 anos. Dessa forma, a necessidade de buscar 
novos materiais fonte de fósforo e métodos de disponibilização para as plantas se torna cada 
vez mais essencial (MOREIRA; SIQUEIRA, 2006; REETZ, 2017; SILVEIRA, 2016). 
Com base neste cenário, uma alternativa viável que será abordada neste trabalho é o uso 
de fosfato natural na nutrição de plantas. 
 
4.3 Fosfato natural 
 
Uma alternativa aos fertilizantes fosfatados tradicionais é a utilização de fontes menos 
solúveis, como os fosfatos naturais (REZENDE, 2013). Fosfatos naturais são concentrados 
fosfatados obtidos a partir da moagem e peneiramento de rochas fosfáticas ocorrentes em 
depósitos minerais, que não passam por tratamentos químicos ou térmicos (SILVA, 2011). 
Rochas fosfáticas são uma das únicas fontes viáveis de fósforo no mundo, sendo 
encontradas principalmente em depósitos sedimentares e ígneos. Os depósitos sedimentares 
estão entre os mais importantes do ponto de vista econômico, visto que fazem parte de 
aproximadamente 85% da oferta mundial de rocha fosfatada (SOUZA; FONSECA, 2009). 
As rochas de origem sedimentar apresentam características mais adequadas para 
aplicação direta como fertilizante na agricultura em comparação com as demais, pois são 
compostas por agregados microcristalinos de variedades de minerais como carbonatoapatita 
[Ca5(PO4, CO3)3.(OH, F)] e carbonatofluorapatita [Ca5(PO4, CO3)3.(F, OH)] (francolita) 
(LAPIDO-LOUREIRO; MONTE; NASCIMENTO, 2005). 
A classificação dos fosfatos naturais é feita principalmente com base na origem 
geológica do material, podendo ser de origem vulcânica ou sedimentar, mas apresentam em 
comum a composição de minerais do grupo da apatita. Dessa forma, por conta das 
características intrínsecas, como grau de cristalinidade, substituição isomórfica e 
granulometria, os fosfatos naturais de origem vulcânica se apresentam menos solúveis em 
comparação com os sedimentares, pois estes possuem maior grau de substituição isomórfica 
em sua estrutura, o que os tornam mais reativos e com maior eficiência agronômica 
(KLIEMANN; LIMA, 2001; KAMINSKI; PERUZZO, 1997). 
17 
 
 
 
A eficiência agronômica de um fertilizante pode ser medida pela sua capacidade de 
fornecer ao sistema solo-planta os nutrientes presentes nesse insumo, de forma a modificar a 
produtividade do meio, ou seja, o rendimento da cultura está relacionado com a quantidade de 
nutrientes disponíveis. A eficiência agrícola dos fosfatos naturais também é influenciada pela 
forma de aplicação, uma vez que a dissolução mineral depende da superfície de contato, sendo 
mais comum a incorporação do fertilizante ao solo. Dessa forma, como os fosfatos naturais 
apresentam baixa solubilidade em água, quanto menor o tamanho das partículas e maior o 
contato com o solo, maior será a liberação do fósforo para a planta (KAMINSKI; PERUZZO, 
1997; HOROWITZ; MEURER, 2003; SILVA, 2011). 
É comum que as jazidas de minério de fosfato possuam rochas com teores de P2O5 
inferiores aos necessários para aplicação na fertilização de solos. Por isso, para obter o 
concentrado fosfático, denominado fosfato natural concentrado, é preciso realizar processos de 
beneficiamento, como moagem e peneiramento, para separar os minerais que estão unidos, de 
forma que as rochas apresentem teores de fósforo mais adequados para sua utilização como 
fertilizante (BENEDITO, 2007). 
A legislação brasileira determina por meio da Instrução Normativa nº 39 que, para 
fosfatos naturais, o material deve ter um teor mínimo de 5% de P2O5 total, sendo pelo menos 
15% do P2O5 total solúvel em ácido cítrico a 2% na relação 1:100. Além disso, os materiais 
devem ser obtidos por moagem e peneiramento de rocha fosfática (BRASIL, 2018). 
No mercado de insumos agrícolas podem ser encontrados diversos tipos de fertilizantes 
fosfatados, que apresentam diferenças tanto com relação a concentração de fosfato quanto em 
termos de solubilidade. Dentre essas fontes, os fosfatos naturais têm ocupado importante 
destaque como alternativa aos fertilizantes solúveis (RICHART et al., 2006). Como os fosfatos 
solúveis fornecem maiores teores de fosfato e agem com maior intensidade no solo, são 
considerados fontes mais eficientes a curto prazo. Porém, os fosfatos naturais, que reagem no 
solo mais lentamente por possuir teores de fosfato mais baixos, podem apresentar um efeito 
residual que compensa a longo prazo, pois o somatório da sua eficiência por períodos longos 
pode se igualar aos fertilizantes solúveis. Isto ocorre porque os fosfatos solúveis possuem 
elevada eficiência inicial, mas que decresce ao longo do tempo, diferente dos fosfatos naturais, 
em que ocorre o contrário (KAMINSKI; PERUZZO, 1997; REZENDE, 2013). 
Logo, visto que os fosfatos naturais apresentam eficiência agronômica semelhante à das 
fontes solúveis, isto pode ser uma vantagem devido ao melhor custo-benefício, que compensa 
o uso dos fertilizantes fosfatados naturais. Além disso, outra vantagem é a possibilidade de 
18 
 
 
 
aplicação dos fosfatos naturais na adubação de sistemas de produção orgânicos e 
agroecológicos (SILVA et al., 2012; SOUZA; ALCÂNTARA, 2008). 
Assim, os fosfatos naturais podem ser utilizados na agricultura como uma fonte de 
fósforo de longo prazo, aplicada principalmente em solos ácidos, visto que uma de suas 
principais características é a disponibilização gradual de P (RICHART et al., 2006; 
RESENDE et al., 2006). 
 
4.4 Biossolubilização 
 
Como os fosfatos naturais apresentam lenta solubilidade dos minerais no solo, apesar 
de a longo prazo isso ser compensatório, pode também ser uma limitação para seu uso “in 
natura”. Dessa forma, uma opção é o uso de microrganismos solubilizadores de fósforo para 
estimular a solubilização (RICHART et al., 2006). 
Biossolubilização é a utilização de microrganismos para solubilizar nutrientes 
encontrados no soloe nos minerais das rochas fosfatadas. Deste modo, sem a solubilização dos 
nutrientes, como o fósforo, as plantas não seriam capazes de absorvê-lo eficientemente, 
ocasionando deficiências de desenvolvimento vegetal e também na produtividade das culturas 
(PAIVA, 2013). 
Existem diversos microrganismos que apresentam capacidade de solubilizar rochas 
fosfáticas no solo, podendo ser fungos ou bactérias, comumente encontrados nos próprios solos, 
mas também nas sementes e nas rochas das jazidas minerais (DALCIN, 2008). 
Muitas rochas e minerais contêm nutrientes essenciais para o crescimento microbiano. 
Com isso, na superfície terrestre, onde há maior quantidade de oxigênio, há predominância de 
microrganismos aeróbicos, os quais tendem a reagir com minerais a fim de obter seus nutrientes 
e usá-los como proteção em locais prejudiciais à sua sobrevivência. Neste sentido, os 
microrganismos produzem substâncias extracelulares para se fixarem na superfície mineral e 
para biossolubilizar os minerais para obter os nutrientes de interesse. Já em subsolo, onde as 
condições oferecem menos oxigênio, atuam os microrganismos anaeróbicos, que geralmente 
conseguem realizar a dissolução dos minerais pela utilização de formas oxidadas de metais em 
substituição ao oxigênio (SCHUELER et al., 2019). 
Desse modo, os microrganismos influenciam não somente na disponibilidade e 
aquisição do fósforo, mas também no deslocamento do nutriente dentro da planta. Assim, o 
crescimento vegetal pode ser proporcionado pelos microrganismos por meio de atividades 
biológicas que ocorrem na rizosfera, como o aceleramento da dissolução mineral por meio da 
19 
 
 
 
liberação de íons que vão interagir com a superfície dos minerais presentes nas rochas 
(MOREIRA; SIQUEIRA, 2006; NARLOCH, 2002; SILVEIRA, 2016). 
Portanto, o objetivo principal da ação dos microrganismos nesses processos de 
solubilização é obter energia suficiente que permita manter suas atividades metabólicas, bem 
como realizar a multiplicação e o crescimento celular (DONG, 2010). 
A diversidade de nutrientes existentes no solo está relacionada com a existência de 
microrganismos neste meio, os quais podem ser encontrados na rizosfera, região do solo com 
maior concentração de nutrientes provindos das raízes; na micorrizosfera, que é o solo 
envolvido por raízes micorrízicas; e na mineralosfera, que são as superfícies minerais. As 
bactérias e fungos presentes nas raízes das plantas tendem a desestabilizar as partículas minerais 
e, consequentemente, propiciar a liberação dos nutrientes presentes nelas (SCHUELER et al., 
2019). A Figura 3 ilustra as relações solo-planta-microrganismos. 
 
Figura 3 - Demonstração das relações solo-planta-microrganismos no solo 
 
Fonte: SCHUELER et al. (2019). 
 
No solo, as relações entre as plantas e os microrganismos são processos conhecidos 
como simbioses, que facilitam a evolução das plantas de forma a contribuir para a nutrição 
20 
 
 
 
vegetal e, consequentemente, para o aumento da produtividade agronômica (MOREIRA; 
SIQUEIRA, 2006; NARLOCH, 2002). 
Com isso, o uso de microrganismos solubilizadores de fosfato em conjunto com os 
fertilizantes naturais oferecem uma vantagem estratégica e sustentável para o agronegócio 
(GYANESHWAR et al., 2002; RODRIGUEZ et al., 2006). Essas bactérias e fungos permitem 
melhor e mais rápida absorção de fósforo pelas plantas, graças à produção de enzimas 
extracelulares e ácidos orgânicos, derivados da solubilização mineral, propiciando aumento no 
crescimento das plantas em solos com baixa porcentagem de fósforo solúvel (TRIPURA; 
SASHIDHAR; PODILE, 2007; BEDDINGTON, 2010). 
Logo, os resultados da solubilização estão relacionados com a diminuição do pH e com 
a produção de ácidos orgânicos, de modo a facilitar a absorção e acessibilidade de fósforo pelas 
plantas por meio de vários mecanismos. As bactérias podem ocasionar alterações biológicas e 
fisiológicas nas plantas, em especial nas raízes, o que resulta na melhor absorção de P. Já os 
fungos, possuem a capacidade de aumentar a absorção de fósforo através de mecanismos 
físicos, químicos e fisiológicos (MOREIRA; SIQUEIRA, 2006). 
Dentre os microrganismos disponíveis, existem aqueles que podem ser encontrados nas 
próprias plantas, como os microrganismos endofíticos, que podem estar presentes no interior 
das plantas e em suas raízes, que são uma das principais portas de entrada para os nutrientes. 
Os microrganismos endofíticos vivem em simbiose com as plantas, de forma a ocorrer 
benefícios recíprocos dessa relação, como a proteção das plantas de crescimento lento pela 
produção de compostos bioativos. Outras vantagens do uso desses microrganismos incluem a 
promoção do crescimento de raízes, folhas e caule, aumento do peso da matéria seca, da área 
foliar e da velocidade de germinação das sementes, além de incrementos na absorção de 
minerais. Diante disso, praticamente todas as espécies vegetais possuem microrganismos 
endofíticos, incluindo fungos e bactérias, o que mostra sua importância biotecnológica. Além 
disso, diversas bactérias endofíticas já foram utilizadas na agricultura como uma alternativa de 
estimular o crescimento vegetal, sendo comprovada a capacidade das mesmas em melhorar a 
obtenção de nutrientes (OLIVEIRA, 2010; POLLI et al., 2012). 
As populações microbianas se tornam componentes essenciais para as interações solo-planta, 
de forma a influenciar no desenvolvimento das plantas. Com ênfase na biossolubilização de fósforo, 
os microrganismos solubilizadores de P são capazes de solubilizar e mineralizar este elemento 
derivando tanto em suas formas inorgânicas quanto orgânicas e podem ser usados como inoculantes 
21 
 
 
 
no solo para aumentar a disponibilidade de fósforo para a planta, mesmo quando este elemento está 
complexado a Ca, Al e Fe (OLIVEIRA et al., 2013). 
Diversos estudos envolvendo a seleção de microrganismos solubilizadores de fosfato já 
foram desenvolvidos pela equipe de pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo, com resultados que 
culminaram no desenvolvimento de um inoculante biológico chamado comercialmente de 
BiomaPhos®. Este produto foi desenvolvido com a finalidade de disponibilizar fósforo para as 
plantas por meio de duas bactérias (Bacillus subtilis e Bacillus megaterium) que apresentam 
capacidade de solubilizar minerais fosfáticos no solo e, assim, disponibilizar o fosfato antes 
insolúvel em uma forma absorvível para as plantas. Assim, essas bactérias são capazes de 
acelerar o desenvolvimento de raízes logo nos estágios iniciais, proporcionando maior 
produtividade inicial e acúmulo de fósforo nas culturas (OLIVEIRA, et al, 2020). 
 
4.5 Localização e geologia do depósito 
 
O depósito de estudo é denominado de Morro das Brechas e está localizado próximo à 
cidade de Taipas do Tocantins, a qual se encontra na porção sudeste do estado de Tocantins. 
Este depósito, com cerca de 2,6 km de extensão, é composto pelas formações 
metassedimentares neoproterozóicas Serra de Santa Helena e Sete Lagoas, as quais fazem parte 
do Grupo Bambuí. 
Além disso, o Morro das Brechas está embasado geologicamente pela suíte granítica 
Almas e pela formação Morro do Carneiro1. A Figura 4 ilustra a localização da área de estudo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 Informações fornecidas pelo geólogo Hammel Macedo. 
 
22 
 
 
 
Figura 4 - Localização da área de estudo 
 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
 
A região sudeste do estado de Tocantins é caracterizada pela presença de rochas 
sedimentares carbonáticas e terrígenas da plataforma neoproterozóica do Grupo Bambuí, cujos 
depósitos podem ser considerados como os de maior valor econômico de fosfato sedimentar no 
Brasil (ABRAM et al., 2011; MELFI et al., 2016). Este grupo é constituído por uma associação 
de litofácies formadas a partir do acúmulo de sedimentos com deposiçãosobre uma extensa 
plataforma epicontinental associada ao Cráton do São Francisco, o qual foi recoberto por águas 
marinhas ao final do Neoproterozóico (SILVEIRA, 2016). 
O Brasil apresenta importantes eventos de fosfogênese registrados nas coberturas 
neoproterozóicas do Cráton do São Francisco, com destaque aos de maior importância 
econômica conhecida, como os depósitos da bacia Bambuí, cujos processos de sedimentação 
ocorreram em ambiente marinho epicontinental após importante evento glacial (ABRAM et al., 
2011; MELFI et al., 2016). 
Segundo Lima, Uhlein e Britto (2007), os processos de formação de depósitos fosfáticos 
do Grupo Bambuí ocorreram em quatro etapas: precipitação do fosfato primário (francolita) em 
plataforma continental de baixa energia; erosão e retrabalhamento deste material primário por 
23 
 
 
 
meio da ação de ondas e de correntes, até o local de deposição final; alteração parcial dos 
sedimentos após deposição, com mudança das francolitas para apatitas e fluorapatitas; e 
intemperismo dos fosfatos autigênicos pré-existentes, seguida da geração de fosfato de 
alumínio hidratado (wavellita). 
O Grupo Bambuí é distribuído geograficamente ao longo dos estados de Minas Gerais, 
Bahia, Goiás e parte do Distrito Federal e Tocantins, como mostra a Figura 5, ocupando uma 
vasta área do Cráton do São Francisco e parte da região leste da Faixa Brasília (SILVEIRA, 
2016; ABRAM et al., 2016). 
 
Figura 5 - Representação da distribuição geográfica do grupo Bambuí 
 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
 
Com relação à estratigrafia, o Grupo Bambuí pode ser subdividido em cinco formações: 
Sete Lagoas, Serra de Santa Helena, Lagoa do Jacaré, Serra da Saudade e Três Marias 
(SILVEIRA, 2016). De acordo com Misi et al. (2007), três sequências estratigráficas fazem 
parte das coberturas neoproterozóicas do Cráton do São Francisco, enquanto as sequências 
carbonáticas foram formadas a partir de, pelo menos, dois ciclos transgressivo-regressivos. A 
estratigrafia do Grupo Bambuí é mostrada na Figura 6 abaixo. 
24 
 
 
 
Figura 6 - Estratigrafia do Grupo Bambuí 
 
Fonte: Adaptado de Dardenne (1978). 
 
Na área de estudo onde foram extraídos os materiais utilizados, o Grupo Bambuí é 
constituído da base para o topo, pela formação Sete Lagoas e formação Serra de Santa Helena. 
A formação Sete Lagoas, embasamento do Grupo Bambuí, representa uma porção 
pelito-carbonática, formada por três unidades: metacarbonática, manganezífera e metapelito-
psefítica. A primeira unidade mais superior é composta principalmente por calcários 
(calcilutitos, calcarenitos e calciruditos), calcários fosfatados e fosforitos carbonáticos. Já na 
porção manganezífera há presença de brechas e arenitos com composição predominante em 
manganês. A unidade mais basal da formação é marcada pela maior concentração de P2O5, 
sendo composta por rochas como brechas fosfatadas, arenitos fosfatados, siltitos fosfatados, 
argilitos fosfatados, fosforuditos, fosforitos e fosfolutitos2. De acordo com Abram et al. (2011), 
a fosfogênese do Sete Lagoas pode ter relação com o primeiro ciclo transgressivo-regressivo 
 
2 Informações fornecidas pelo geólogo Hammel Macedo. 
 
25 
 
 
 
do Grupo Bambuí, em que nesta formação os sedimentos foram depositados em ambientes de 
intermaré, inframaré e plataforma carbonática. 
A formação Serra de Santa Helena ocorre em regiões mais elevadas e assenta-se sobre 
a formação Sete Lagoas. A Serra de Santa Helena é representada por uma unidade siliciclástica 
de grande espessura, a qual é composta principalmente por siltitos, folhelhos e arenitos muito 
finos, bem como ritmitos e argilitos, com ocorrência de dobras (LIMA; UHLEIN; BRITTO, 
2007). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
 
 
 
5 MATERIAIS E MÉTODOS 
 
As amostras estudadas nesta pesquisa se referem a fosfatos sedimentares oriundos de 
três pontos distintos de um depósito mineral localizado na região de Taipas do Tocantins/TO. 
A mina atualmente é explorada pela empresa Rialma Fertilizantes S.A. As jazidas exploradas 
no local apresentam cerca de 12 milhões de toneladas de rocha fosfática sedimentar, sendo 
comercializados desde 2017 produtos como fosfatos naturais e calcários com teores de fósforo, 
que são resultados da moagem das rochas fosfáticas sedimentares. 
De acordo com informações da empresa, as três amostras de fosfatos naturais possuem 
teores respectivos de 2%, 4% e 6% de P2O5, os quais por não se enquadrarem nos limites 
determinados da empresa, atualmente, não são beneficiados. 
As rochas foram caracterizadas quimicamente em laboratório credenciado. Na 
sequência, foram submetidos os ensaios agronômicos em casa de vegetação e por fim, a ensaios 
de biossolubilização, também em entidade certificada. O fluxograma da Figura 7 ilustra os 
passos. 
Figura 7 - Fluxograma da metodologia adotada 
 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
5.1 Caracterização química das rochas 
 
As amostras foram enviadas para o Departamento de Ciência do Solo da ESALQ/USP, 
localizado no município de Piracicaba/SP, onde foram efetuadas as análises fisioquímicas das 
rochas. No Laboratório de Análises de Fertilizantes, Corretivos e Subprodutos foram 
determinados os parâmetros físico-químicos listados abaixo. 
27 
 
 
 
Físicos: granulometria; e 
Químicos: Reatividade (RE), Óxido de Cálcio (CaO), Óxido de Magnésio (MgO), Soma 
de Óxidos, Poder de Neutralização (PN), Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT), Sílica 
+ Insolúveis, Fósforo (P2O5) Total, Fósforo (P2O5) Ácido Cítrico, Fósforo (P2O5) CNA + Água, 
Fósforo (P2O5) Água, Potássio (K2O) Total, Potássio (K2O) Ácido Cítrico, Potássio (K2O) 
CNA+Água e Potássio (K2O) Água. 
Já no Laboratório de Análises Ambientais foram determinados os teores dos seguintes 
elementos: Arsênio, Bário, Cádmio, Chumbo, Cobalto, Cobre, Cromo, Mercúrio, Molibdênio, 
Níquel, Selênio e Zinco. 
Para determinação da granulometria e da reatividade, o material passou por agitação 
mecânica em peneiras com aberturas de malha de 2 mm (ABNT nº10), 0,84 mm (ABNT nº 20) 
e de 0,297 mm (ABNT nº 50). O poder de neutralização foi determinado por titulação, sendo 
que o PNRT foi obtido através do cálculo com PN e granulometria. Para análise dos elementos 
químicos, os resultados para sílica e insolúveis foram determinados por gravimetria em extração 
com HCl e filtração, para o óxido de Cálcio (CaO) e óxido de Magnésio (MgO) os resultados 
foram estabelecidos por complexométrico do EDTA, enquanto os teores de fósforo (P2O5 Total) 
e de potássio (K2O Total) foram extraídos em HCl. Já para a determinação dos elementos 
contaminantes foram utilizados os métodos de Digestão assistida por micro-ondas de 
sedimentos, lodos, solos e óleos (USEPA – SW 846 3051a) e o de Espectrometria de emissão 
atômica com plasma indutivamente acoplado (USEPA – SW 846 6010c). 
 
5.2 Ensaios em casa de vegetação 
 
O experimento agronômico foi realizado em parceria com a Conteagro Soluções 
Agronômicas, empresa de Consultoria Júnior do curso de Agronomia da Universidade Federal 
de Uberlândia. O ensaio foi implantado em casa de vegetação da própria empresa, localizada 
no município de Uberlândia/MG, nas coordenadas: 18.88ºS, 48.26ºW. 
O delineamento experimental foi o de Blocos Casualizados, no esquema 2x3x4+1. 
Sendo dois tipos de solos, Latossolo vermelho distrófico e Neossolo quartzarênico; três 
repetições; quatro teores de P2O5 (0, 2%, 4% e 6%) oriundos das rochas fosfáticas; e um 
tratamento testemunha padrão com adubação fosfática convencional com superfosfato triplo. 
Foram realizadas análises nos dois tipos de solo para determinação dos respectivos 
parâmetros físicos e químicos. Os dois solos foram peneirados e colocados em vasos plásticos 
28 
 
 
 
com volume de 5 dm3. Na sequência foi feita a correção da acidezdo solo, via aplicação de 
calcário dolomítico com PNRT de 90% e adubação fosfatada segundo recomendação de 
Ribeiro, Guimarães e Alvarez (1999). 
A cultura escolhida foi o capim Marandu (Urochloa brizantha), por ser uma espécie de 
rápido crescimento e comprovado desempenho em casa de vegetação. Depois de 40 dias, da 
calagem e aplicação das doses de fosfato natural, foram semeadas 10 sementes por vaso, sendo 
que aos 25 dias após o plantio (DAP) houve desbaste, deixando apenas cinco plantas por vaso. 
Aos 15 e 30 dias após o plantio foi realizada a adubação de cobertura com sulfato de 
nitrogênio na dose de 50 mg/dm3, o que resulta em aproximadamente 3 g/vaso. 
A necessidade hídrica anual da cultura é de 500 mm/ano, de acordo com Vilela (2005) 
e considerando que o ano possui 52 semanas, a planta necessita de 9 mm de água por semana. 
A irrigação do experimento foi feita através de um regador manual, sendo realizada três vezes 
por semana. Nesses dias foi aplicada uma lâmina de água de 3 mm. 
Aos 50 DAP foram realizadas as avaliações de biometria: altura (cm), diâmetro (cm), 
densidade populacional de perfilhos (DPP), peso de matéria fresca (PMF) e peso de matéria 
seca (PMS). Para este último, as plantas foram mantidas em estufa a 65ºC, por 72 horas até 
atingir umidade constante. 
Os dados de altura (cm), diâmetro (cm), densidade populacional de perfilhos (DPP), 
peso de matéria fresca (PMF) e peso de matéria seca (PMS) foram submetidos a testes 
estatísticos de análise de variância (ANOVA) para verificação da influência dos tratamentos. 
Os testes foram realizados na plataforma Kaggle, que utiliza linguagem R, onde foram 
feitos testes de Scott-Knott para as médias. Ainda, o Teste F e o Teste de Média foram testados 
em 5% de nível de significância (alpha = 0,05) para verificar se há diferenças significativas nos 
resultados. 
 
5.3 Análise da biossolubilização de fósforo 
 
Os testes de biossolubilização de fósforo foram realizados em parceria com o laboratório 
Bioagrocert Soluções Agrícolas, a qual é uma empresa especializada em pesquisa, 
desenvolvimento e inovações biotecnológicas localizada na cidade de Palmeiras de Goiás/GO. 
Foram realizadas análises qualitativas e semiquantitativas para verificar se alguns 
microrganismos, que ficam retidos no solo e são conhecidos por se associar às plantas, possuem 
afinidade para solubilizar o fósforo presente nas rochas. 
29 
 
 
 
Foram utilizadas 13 linhagens de bactérias endofíticas, conforme apresentado na Tabela 
1, pertencentes a coleção do laboratório de Microbiologia e Biomoléculas da Universidade 
Federal de São Carlos, com cadastro no Sistema Nacional de Gestão Do Patrimônio Genético 
e do Conhecimento Tradicional Associado (Cadastro nº ADD0101). As linhagens foram 
selecionadas de acordo com as diferenças morfológicas e caracterizações bioquímicas de 
interesse agrícola já avaliadas em trabalhos anteriores (MACHADO et al., 2020). 
 
Tabela 1 – Linhagens bacterianas avaliadas quanto à biossolubilização de P. 
Linhagens Identificação 
EPM 1 Bacillus sp. 
EPM 2 Serratia nematodiphila 
EPM 5 Bacillus sp. 
EPM 10 Bacillus safensis 
EPM 36A Bacillus megaterium 
EPM 41A Bacillus megaterium 
EPM 42 Microbacterium sp. 
EPM 44 Bacillus aryabhattai 
EPM 53 Bacillus pumilus 
EPM 54 Bacillus megaterium 
EPM 55A Bacillus subtilis 
EPM 89 Bacillus pumilus 
EPM 92 Bacillus aryabhattai 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
Os isolados selecionados foram testados quanto à capacidade de solubilizar fósforo com 
três diferentes amostras de rocha fosfatada. A capacidade de solubilização foi avaliada nos 
meios NBRIP ágar modificado (BATISTA et al., 2018) e meio Aleksandrov, composto por 
0,5% de glicose, 0,05% de MgSO4.7H2O, 0,0005% de FeCl3, 0,01% de CaCO3, com adição de 
0,2% da fonte de P (rocha) nos meios (HU; CHEN; GUO, 2006). Foram inoculados 10 μL de 
cada linhagem bacteriana nos diferentes tratamentos avaliados em triplicata. As placas de Petri, 
contendo os meios e os microrganismos foram incubadas a 28ºC pelo período de cinco dias. A 
30 
 
 
 
Figura 6 apresenta as placas com adição dos meios e inoculação dos microrganismos. Após o 
quinto dia de incubação, as avaliações foram realizadas verificando quais bactérias 
solubilizaram o mineral e o tamanho do halo de solubilização. 
 
Figura 8 - Placas contendo os meios e microrganismos inoculados 
 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
 
A presença de halo incolor ao redor das colônias indica a capacidade dos isolados em 
solubilizar fosfato inorgânico. Dessa forma, para fins semiquantitativos, foram medidos com 
auxílio de um paquímetro os diâmetros dos halos claros formados ao redor de cada colônia (Dh) 
e os diâmetros das colônias correspondentes (Dc). Com os dados, pôde-se calcular o índice de 
solubilização a partir da razão: (Dh)/(Dc). De modo que linhagens que solubilizam mais fosfato 
obtêm maiores razões e, portanto, apresentam maiores Índices de Solubilização de Fosfato (ISF) 
(BERRAQUERO; BAYA; CORMENZANA, 1976). De acordo com Silva Filho e Vidor 
(2000), a solubilização pode ser classificada como baixa (ISF<2), média (2<ISF<3) e alta 
(ISF>3). 
A partir dos resultados finais de crescimento dos halos foi feita uma análise de variância 
para verificar se há resultados que se diferem. Com base nesta análise de variância, os dados de 
crescimento foram submetidos ao teste de Tukey a 5% de probabilidade (p < 0,05). 
 
31 
 
 
 
6 RESULTADOS E DISCUSSÕES 
 
6.1 Caracterização química das rochas 
 
Os resultados da análise química das três amostras de fosfato sedimentar são 
apresentados na Tabela 2. 
 
Tabela 2 - Parâmetros físico-químicos das amostras de fosfato sedimentar. 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
Inicialmente se verificou que os teores reais de P2O5 diferem um pouco dos informados 
pela empresa, no recebimento das amostras. Os valores são: 2,49%, 6,16% e 9,55%. De acordo 
com a Instrução Normativa nº 39 as amostras 2 e 3 se encaixam na especificação mínima de 
5% de P2O5 total. 
Com relação à soma de bases (CaO + MgO + K2O), a amostra 1 totalizou 5,25%, a 
amostra 2 totalizou 5,88% e a amostra 3 totalizou 12,97%. 
Quanto aos elementos potencialmente tóxicos, Arsênio (As), Cadmio (Cd), Mercúrio 
(Hg) e Chumbo (Pb), os teores são apresentados na Tabela 3, juntamente com os resultados de 
outros elementos em análise. 
 
Determinações 
Amostra 
1 
Amostra 
2 
Amostra 
3 
Unidades 
Peneira 10 T.Mesh (2 mm) 69,77 66,11 66,33 % 
Peneira 20 T.Mesh (0,84mm) 59,30 51,79 57,15 % 
Peneira 50 T.Mesh (0,297mm) 43,25 35,67 39,30 % 
Fundo 43,25 35,67 39,30 % 
Reatividade (RE) 54,97 48,21 51,85 % 
Óxido de Cálcio (CaO) 3,81 5,38 11,76 % 
Óxido de Magnésio (MgO) 1,29 0,32 0,89 % 
Poder de Neutralização (PN) 3,30 3,30 2,70 % 
Poder Relativo de Neutralização Total 
(PRNT) 
1,81 1,49 1,40 % 
Sílica + Insolúveis 79,50 77,16 62,24 % 
Fósforo (P₂O₅) Total 2,49 6,16 9,55 % 
Potássio (K₂O) Total 0,15 0,18 0,32 % 
32 
 
 
 
Tabela 3 - Teores dos elementos químicos nas amostras de fosfato sedimentar. 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
Ressalta-se que para os fosfatos naturais a normativa exige especificações mínimas 
apenas para os teores de fosfato. Porém, em comparação com outros tipos de fertilizantes de 
natureza semelhante, os teores de arsênio, cádmio, chumbo e mercúrio se encontram dentro dos 
parâmetros exigidos. 
Ainda, é importante citar os teores de Zinco (Zn), dado que é um micronutriente, com 
valores de 118,43 mg/kg; 110 mg/kg; e 100,33 mg/kg respectivamente para as amostras 1, 2 e 
3. 
 
6.2 Ensaios em casa de vegetação 
 
Os latossolos vermelhos distróficos são solos argilosos, característicos da região de 
estudo, enquanto os neossolos quartzarênicos são solos essencialmente arenosos. Visto que são 
solos com características distintas, foi possível verificar os resultados agronômicos dos vegetais 
em diferentes condições. 
 Nosensaios agronômicos com Neossolo Quartzarênico as plantas não tiveram 
desenvolvimento satisfatório com 50 dias após o plantio, como pode ser visto na Figura 9. 
 
Determinações Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3 Unidades 
Arsênio 6,53 11,38 9,03 mg/kg 
Bário 711,25 1118,75 1485 mg/kg 
Cádmio <4,00 <4,00 <4,00 mg/kg 
Chumbo 10,78 10,05 5,75 mg/kg 
Cobalto 12,38 11,2 17,5 mg/kg 
Cobre 9,1 58,33 42,13 mg/kg 
Cromo 18,25 <4,00 <4,00 mg/kg 
Mercúrio <4,00 <4,00 <4,00 mg/kg 
Molibdênio <4,00 <4,00 <4,00 mg/kg 
Níquel 55,1 62,7 49,53 mg/kg 
Selênio <4,00 12,25 4,5 mg/kg 
Zinco 118,43 110 100,33 mg/kg 
33 
 
 
 
Figura 9 - Desenvolvimento das plantas com Neossolo Quartzarênico 
 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
De forma que não foram encontradas respostas para os parâmetros diâmetro (cm), 
densidade populacional de perfilhos (DPP), peso de matéria fresca (PMF) e peso de matéria 
seca (PMS), são apresentados na Tabela 4 apenas os dados de altura (cm). 
 
Tabela 4 - Média dos resultados de altura das plantas com Neossolo Quartzarênico. 
Tratamento Altura (cm) 
1 9,8 
2 7,1 
3 8,2 
4 7,5 
5 9,9 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
Observa-se que a espécie vegetal pouco cresceu no solo arenoso, com altura máxima de 
9,9 cm e mínima de 7,1 cm. A Tabela 5, abaixo, apresenta os resultados da ANOVA da altura 
de plantas para o Neossolo Quartzarênico. 
 
 
 
 
34 
 
 
 
Tabela 5 - Análise de Variância para altura de plantas em Neossolo Quartzarênico. 
 GL SQ QM Fc Pr>Fc 
Tratamento 4 33,5 8,375 1,96481 0,14867 
Bloco 4 10,3 2,575 0,60411 0,66528 
Resíduo 16 68,2 4,2625 
Total 24 112 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
A análise de variância indicou coeficiente de variação experimental de 24,29%. Com a 
avaliação da normalidade dos resíduos a partir do teste de Shapiro-Wilk a 5% de significância, 
cujo valor-p resultou em 0,1542051, os resíduos podem ser considerados normais. 
O teste de homogeneidade de variância determinou valor-p de 0,02349424. Dessa 
forma, a 5% de significância, as variâncias não podem ser consideradas homogêneas. 
O teste F, que realiza a comparação entre as médias, mostrou que os resultados não 
podem ser considerados diferentes. Uma vez que os tratamentos não foram significativos, pois 
Pr>Fc resultou em 0,14867, não houveram diferenças significativas de crescimento entre os 
tratamentos utilizados. 
Cabe uma ressalva que as plantas não tiveram um bom desenvolvimento no Neossolo 
Quartzarênico, comprovando sua limitação em termos físicos (armazenamento de água) e 
químicos (fonte de nutrientes de plantas). 
Com relação ao Latossolo Vermelho, os resultados dos parâmetros altura (cm), diâmetro 
(cm), densidade populacional de perfilhos (DPP), peso de matéria fresca (PMF) e peso de 
matéria seca (PMS) são apresentados na sequência, na Tabela 6. 
 
Tabela 6 - Média dos resultados agronômicos nas plantas com Latossolo Vermelho. 
Tratamento Altura (cm) Diâmetro (cm) DPP PMF PMS 
1 47,8 3,098 12 23,5 4,3 
2 49,8 3,1 12 22,02 4,17 
3 40,2 2,988 12,2 21,72 3,76 
4 51,6 3,33 13,6 29,44 4,96 
5 45,6 2,862 12,8 22,76 4,4 
Fonte: Autoria própria (2021). 
35 
 
 
 
Com relação à altura das plantas, nota-se que os valores de crescimento foram 
significativamente maiores em comparação com os resultados para o solo arenoso, o que indica 
melhor desenvolvimento vegetal com o Latossolo Vermelho, como mostra a Figura 10. A 
Tabela 7 apresenta os resultados da ANOVA da altura de plantas para o Latossolo Vermelho. 
 
Figura 10 - Desenvolvimento das plantas com Latossolo Vermelho 
 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
Tabela 7 - Análise de Variância para altura de plantas em Latossolo Vermelho. 
Fonte GL SQ QM Fc Pr>Fc 
Tratamento 4 389,2 97,30 3,2059 0,041101* 
Bloco 4 399,2 99,80 3,2883 0,037941 
Resíduo 16 485,6 30,35 
Total 24 1274 
Fonte: Autoria própria (2021). 
*teste significativo em 5% de nível de significância (alpha = 0,05). 
 
A análise de variância para o solo argiloso indicou coeficiente de variação experimental 
de 11,72%. Com a avaliação da normalidade dos resíduos a partir do teste de Shapiro-Wilk a 
5% de significância, cujo valor-p resultou em 0,3248299, os resíduos podem ser considerados 
normais. 
36 
 
 
 
Teste de homogeneidade de variância determinou valor-p de 0,6617688. Dessa forma, 
de acordo com o teste de OneillMathews a 5% de significância, as variâncias podem ser 
consideradas homogêneas. 
Uma vez que o teste de média foi significativo, pois Pr>Fc resultou em 0,041101, 
realizou-se o teste Scott-Knott para ranqueamento das alturas, cujo resultado é apresentado na 
Tabela 8. 
 
Tabela 8 - Teste Scott-Knott para altura de plantas em Latossolo Vermelho. 
ID Grupos Tratamentos Médias 
1 a 4 51,6 
2 a 2 49,8 
3 a 1 47,8 
4 a 5 45,6 
5 a 3 40,2 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
Embora existam diferenças comprovadas pela ANOVA, para altura de plantas, quando 
ranqueadas pelo teste Scott-Knott elas não segregaram em grupos distintos. Logo, embora 
numericamente diferentes, estatisticamente as médias não são diferentes. 
Os demais parâmetros, diâmetro (cm), densidade populacional de perfilhos (DPP), peso 
de matéria fresca (PMF) e peso de matéria seca (PMS) não apresentaram diferenças estatísticas. 
Estes resultados indicam potencial das rochas fosfáticas presentes no depósito de estudo, 
em relação à nutrição de plantas, quando comparado com o tratamento convencional com 
Superfosfato Triplo (41% de P2O5). 
 
6.3 Análise da biossolubilização de fósforo 
 
No total de treze linhagens bacterianas, avaliadas quanto à capacidade de solubilização 
de fosfato utilizando três diferentes amostras de rocha fosfatada como fonte de P em meio sólido 
NBRIP e meio Aleksandrov, doze isolados apresentaram halo em torno das colônias (Figura 
11). Este resultado representa 92% do total de isolados testados, o que indica o potencial de 
solubilização de fosfato pelos mesmos. 
 
37 
 
 
 
Figura 11 – Demonstração do crescimento do halo em torno das colônias das bactérias. 
 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
Os valores de índice de solubilização são apresentados na Tabela 9, sendo estes os 
resultados da média dos ISF das triplicatas. 
 
Tabela 9 - Índices de solubilização de P para cada bactéria em diferentes amostras e meios. 
Linhagens 
Amostra 
1a 
Amostra 
1b 
Amostra 
2a 
Amostra 
2b 
Amostra 
3a 
Amostra 
3b 
EPM 1 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 
EPM 2 1,1 1,4 1,1 1,2 1,1 1,2 
EPM 5 1,0 1,1 1,0 1,05 1,0 1,1 
EPM 10 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 
EPM 36A 1,0 1,3 1,0 1,2 1,0 1,2 
EPM 41A 1,0 1,4 1,0 1,3 1,0 1,3 
EPM 42 - - - - - - 
EPM 44 1,0 1,2 1,0 1,2 1,0 1,3 
EPM 53 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 
EPM 54 1,0 1,2 1,0 1,3 1,0 1,3 
EPM 55A 1,0 1,1 1,0 1,05 1,0 1,1 
EPM 89 1,0 1,1 1,0 1,0 1,0 1,0 
EPM 92 1,15 1,4 1,1 1,2 1,1 1,3 
Fonte: Autoria própria (2021). 
a Índice de Solubilização de Fosfato em meio NBRIP 
b Índice de Solubilização de Fosfato em meio Aleksandrov 
38 
 
 
 
Apesar de que todas as bactérias geraram resultados de solubilização de fosfato, com 
exceção da EPM 42, todas são classificadas como baixa solubilização (ISF < 2). Porém, os 
valores de solubilização podem ser considerados excelentes resultados por se tratarem em 
grande maioria de bactérias do gênero Bacillus, para as quais já espera-se este comportamento. 
Os resultados da análise de variância dos índices de solubilização para o meio NBRIP 
são mostrados na Tabela 10. 
 
Tabela 10 - Análise de Variância dos índices de solubilização para meio NBRIP. 
Fonte GL SQ QM Valor F Valor-P 
Tratamento 2 0,00004 0,000021 0,02 0,984 
Microrganismo 12 8,72103 0,726752 557,57 0,000 
Tratamento*Microrganismo 24 0,00051 0,000021 0,02 1,000 
Erro 78 0,10167 0,001303 
Total 116 8,82325 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
O valor-p de 0,984 para o tratamento indica que os resultados não apresentam diferença 
entre uma amostra e outra, ou seja, nãohá correlação entre os diferentes teores de fosfato 
utilizando o meio NBRIP. De forma semelhante ocorre para a interação entre o tratamento e a 
bactéria utilizados, cujo valor-p também não é menor que 0,05, indicando que o crescimento 
do halo não tem relação com a ação conjunta do microrganismo com a rocha. Porém, o valor-p 
para o microrganismo indica diferença significativa entre bactérias. 
Por meio do teste de Tukey, fez-se a comparação entre as bactérias para identificar quais 
apresentam diferenças significativas. Porém, como a Tabela 11 apresenta, a bactéria que se 
difere das demais é a EPM 42, que não gerou formação de halo de solubilização. 
 
 
 
 
 
 
 
39 
 
 
 
Tabela 11 - Agrupamento usando método de Tukey para o meio NBRIP. 
Tratamento*Microrganismo Média Agrupamento 
Amostras com EPM 2 1,10000 A 
Amostras 2 e 3 com EPM 92 1,10000 A 
Amostra 1 com EPM 92 1,08333 A 
Amostras com EPM 36A 1,00000 A 
Amostras com EPM 10 1,00000 A 
Amostras com EPM 89 1,00000 A 
Amostras com EPM 41A 1,00000 A 
Amostras com EPM 44 1,00000 A 
Amostras com EPM 5 1,00000 A 
Amostras com EPM 54 1,00000 A 
Amostras com EPM 55A 1,00000 A 
Amostras com EPM 53 1,00000 A 
Amostras com EPM 1 1,00000 A 
Amostras com EPM 42 0,00000 B 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
Logo, para o meio NBRIP não houveram diferenças entre os resultados, com 
predominância de valor de ISF igual a 1. 
Os resultados da análise de variância para o meio Aleksandrov são apresentados na 
Tabela 12 abaixo: 
 
Tabela 12 - Análise de Variância dos índices de solubilização para meio Aleksandrov. 
Fonte GL SQ QM Valor F Valor-P 
Tratamento 2 0,0773 0,03865 8,61 0,000 
Microrganismo 12 12,9273 1,07728 240,08 0,000 
Tratamento*Microrganismo 24 0,2077 0,00865 1,93 0,016 
Erro 78 0,3500 0,00449 
Total 116 13,5623 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
40 
 
 
 
O valor-p gerado foi menor que 0,05 tanto para o tratamento, quanto para o 
microrganismo e a interação entre os dois. Isto mostra que há diferença significativa entre as 
médias para estes fatores. Com a realização do teste de Tukey, apresentado na Tabela 13, foi 
possível identificar quais resultados se diferem dos demais. 
 
Tabela 13 - Agrupamento usando método de Tukey para o meio Aleksandrov. 
Tratamento*Microrganismo Média Agrupamento 
Amostra 1 com EPM 2, EPM 41A e EPM 92 1,40000 A 
Amostra 1 com EPM 36A 1,33333 A B 
Amostra 2 com EPM 54 1,33333 A B 
Amostra 3 com EPM 44 1,33333 A B 
Amostras 2 e 3 com EPM 41A 1,30000 A B C 
Amostra 3 com EPM 54 1,30000 A B C 
Amostra 3 com EPM 92 1,28333 A B C 
Amostra 3 com EPM 2 1,23333 A B C D 
Amostra 1 com EPM 54 1,23333 A B C D 
Amostra 2 com EPM 92 1,23333 A B C D 
Amostra 2 com EPM 2 1,20000 A B C D E 
Amostras 1 e 2 com EPM 44 1,20000 A B C D E 
Amostras 2 e 3 com EPM 36A 1,20000 A B C D E 
Amostra 1 com EPM 89 1,13333 B C D E 
Amostras 1 e 3 com EPM 5 1,10000 C D E 
Amostra 1 com EPM 55A 1,10000 C D E 
Amostra 2 com EPM 5 1,05000 D E 
Amostras 2 e 3 com EPM 55A 1,00000 E 
Amostras 2 e 3 com EPM 89 1,00000 E 
Amostras com EPM 53 1,00000 E 
Amostras com EPM1 1,00000 E 
Amostras com EPM 10 1,00000 E 
Amostras com EPM 42 0,00000 F 
Fonte: Autoria própria (2021). 
 
41 
 
 
 
Foram obtidos diferentes grupos, com o destaque para as bactérias do grupo A, 
especialmente as linhagens EPM 2, EPM 41A e EPM 92, que resultaram nos maiores índices 
de solubilização de fósforo. Portanto, estatisticamente, estas bactérias podem ser consideradas 
significativamente diferentes das demais linhagens utilizadas. 
Além disso, apesar da amostra 1 possuir teor de P2O5 menor que as outras amostras ela 
foi a rocha que apresentou os melhores resultados em conjunto com as bactérias de destaque. 
Dessa forma, os resultados estatísticos indicam que não há relação direta entre o teor de fosfato 
e o índice de solubilização. 
Por meio da comparação entre as médias de solubilização de fósforo de cada meio é 
perceptível que o meio de cultivo Aleksandrov gerou resultados melhores com relação ao meio 
NBRIP, originando maiores valores de crescimento do halo de solubilização. 
 
6.4 Discussões finais 
 
Diante dos grandes volumes de rocha que ainda não são aproveitadas pelo setor mineral, 
as mineradoras estão buscando cada vez mais alternativas sustentáveis para ter máximo proveito 
dos recursos disponíveis nos depósitos. 
Dessa forma, o estudo da biossolubilização, caracterização química e análise 
agronômica permite conhecer melhor esses materiais para identificar possibilidades de 
aproveitamento na fertilização de solos. 
A realização das análises químicas permite conhecer os elementos presentes nas rochas 
e seus respectivos teores, de forma a entender como a composição mineral dos materiais pode 
influenciar o solo. A análise da biossolubilização indica qual a resposta a rocha fornece quando 
ocorre ação de microrganismos para gerar a solubilização dos nutrientes presentes. Os testes 
agronômicos em casa de vegetação identificam a reação que as rochas causam nas plantas 
quando aplicadas como um fertilizante. 
Assim, com os resultados de cada um desses estudos realizados neste trabalho é possível 
obter uma série de alternativas de aproveitamento das rochas existentes nos depósitos minerais 
do mundo todo, como por exemplo os resultados obtidos neste estudo, que mostram o quão 
promissores são os fosfatos sedimentares derivados da mineração em Taipas do Tocantins, para 
uso como fosfatos naturais. 
Isso pode gerar renda para as mineradoras com a comercialização de subprodutos, pode 
propiciar utilização de fertilizantes mais sustentáveis, ter melhor gerenciamento dos sólidos 
42 
 
 
 
descartados, além do uso inteligente dos recursos naturais, gerando sustentabilidade no setor 
mineral. 
Por isso é cada vez mais importante que o Engenheiro de Minas tenha conhecimentos 
que possibilitem uma mineração sustentável, com entendimento de práticas complementares à 
formação acadêmica e que consigam oferecer inovação para a mineração. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
43 
 
 
 
7 CONCLUSÃO 
 
A análise química mostrou que os teores de P2O5 das amostras 1, 2 e 3 são 
respectivamente 2,49%, 6,16% e 9,55%, sendo maiores do que os informados pela empresa. 
Ainda, com base nos teores as rochas representadas pelas amostras 2 e 3 poderiam ser utilizadas 
como fosfatos naturais conforme estabelecido na Instrução Normativa nº 39. 
É importante ressaltar os altos teores de zinco nas amostras estudadas (118,43 mg/kg; 
110 mg/kg; e 100,33 mg/kg respectivamente para as amostras 1, 2 e 3), um micronutriente que 
pode trazer benefícios na nutrição das plantas. 
Para a biossolubilização de fósforo utilizando 13 linhagens de bactérias endofíticas, 12 
dessas apresentaram formação de halo de solubilização nos testes. Isto representa 92% dos 
microrganismos do estudo e mostra que essas bactérias possuem potencial para 
biossolubilização de fosfatos sedimentares. 
Em termos de índice de solubilização de fosfato (ISF), todos os resultados de média 
apresentam valores abaixo de 2, indicando baixa solubilização. Ainda assim, podem ser 
considerados excelentes resultados, que foram visualizados apenas em um período de 5 dias, 
podendo inclusive haver continuação do crescimento dos halos com postergação do tempo de 
incubação. Assim, com o avanço nos testes biológicos para avaliar a solubilização de fósforo é 
possível obter melhores resultados de ISF. 
Com a realização de análises estatísticas em cada meio de cultivo utilizado foi possível 
notar que com o meio NBRIP os índices de solubilização não apresentaram diferenças entre 
bactérias ou amostras. Em geral, grande parte dos valores de ISF para o meio NBRIP resultou 
em valores iguais a 1, não havendo alta taxa de crescimento do halo.Já para o meio Aleksandrov houve diferença entre bactérias e amostras. As bactérias 
EPM 2, EPM 41A e EPM 92 foram as que geraram maiores índices de solubilização de fósforo. 
A amostra 1 foi a que se destacou, com a geração dos maiores índices de solubilização quando 
inoculada com as bactérias destacadas anteriormente. Este resultado mostra não haver 
correlação comprovada estatisticamente entre os teores de fosfato da amostra e os valores de 
solubilização de fósforo, visto que a amostra 1 é a que possui menor teor de P2O5. 
Para os ensaios agronômicos em Neossolo Quartzarênico, as plantas não tiveram 
desenvolvimento satisfatório com 50 dias após o plantio, visto que não foram encontradas 
respostas para os parâmetros diâmetro (cm), densidade populacional de perfilhos (DPP), peso 
de matéria fresca (PMF) e peso de matéria seca (PMS). 
44 
 
 
 
Contudo, em Latossolo Vermelho as plantas tiveram desenvolvimento satisfatório, 
especialmente para a altura, em que os valores variaram de 40,2cm a 51,6cm. Apesar do teste 
F ter sido significativo, ao realizar o teste de média Scott-Knott não foi possível verificar a 
diferença significativa na média das alturas ao nível de 5%. 
Em virtude do desempenho das plantas e dos resultados encontrados para os parâmetros 
altura (cm), diâmetro (cm), densidade populacional de perfilhos (DPP), peso de matéria fresca 
(PMF) e peso de matéria seca (PMS), sugere-se que o ensaio seja conduzido por 200 dias após 
o plantio, permitindo, assim, quatro colheitas. Esse tempo é importante para avaliação do 
desenvolvimento do capim Marandu (Urochloa brizantha). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
45 
 
 
 
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