Aula 01
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DIREITO CIVIL: AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERA L DO BRASIL
PROFESSOR L AUR O ESCOBAR
Prof. L auro Esco bar www.po ntodos concursos .com.br
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AULA 0 1
DAS PESSOAS NATURAIS
(arts. 1° ao 39; 70 a 78, CC)
Itens espec íf icos do ed ital que serã o abord ados nest a aula: Pessoa
Natur al: conceito, capacidade e incapacidade, começo e fim, direitos da
personalidade.
Subitens: Pessoa Natural. Conceito. Personalidade: Início, Individualização e
Térmi no. Nascitu ro. Domicí lio Civil . Resi dência. Direi tos da Personal i dade.
Capacidade: cl assificação. Incapacidade. Eman cipação. Registro e Ave rbação.
Meus amigos e alunos.
Recebi do Ponto dos Concursos a notícia de que nosso curso de Direito
Civil está confirmado. en viamo s a Aula De mons trativa , que tra ta d a
LINDB. A aula de hoje trata das Pessoas Naturais. Vejamos agora o nosso
cronograma completo para as próximas aulas:
Aula 02 (26 de julho): Pe ssoa Jurídica: con ceito, classif icação, começo e fim de sua
existência legal, desconsideração.
Aula 03 (02 de agosto): Bens: das diferentes classes de bens.
Aula 04 (09 de agosto): Fatos Jurídicos (1ª Parte): Ato Jurídico. Prescrição e
Decadência.
Aula 05 (16 de agosto): Fatos j urídicos (2ª Parte): Negócio Jurídico: conceito,
classificação, elementos essenciais gerais e particulares, e lementos acidentais,
defeitos, nul idade absoluta e re lativa, inva lidade.
Aula 06 (23 de agosto): Ato Ilícito. Responsabilidade Civil: reflexos no direito do
trabalho.
Aula 07 (30 de agosto): Obrigaçõe s: modal idades das obrigações, transm issão,
adimplemento, extinção e inadimp lemento.
Comecem os...
Após a an álise da L ei de Introduç ão às No rmas do Dire ito Br asileiro , qu e
não faz parte do Código Civi l, va mos ana lisar nesta aula o tema Pessoas”,
que é o primeiro ponto do Códi go Civi l (Parte G eral).
Podemos conce ituar pessoa como sendo todo ente físico ou jurídico,
suscetível de direitos e obrigações. É sinônimo de sujeit o de di reitos. No
Brasil temos duas espécies de pessoas: naturais e jurídicas. Ambas possuem
aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações. Ho je veremos as Pessoas
Naturais (termo mais técnico) ou físicas, analisando, basicamente, três
aspectos: personalidade, capacidade e emancipação.
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PERSONALI DAD E DA PE SSOA N AT URAL
É o conjunto de caracteres próprios da pessoa, reconhecida pe la orde m
jurídica a al guém, s endo a apti dão para adqu irir direitos e contra ir obr igaçõe s.
É atributo da d ignidade do homem. Pr evê o art. do C ódigo Civil que: “Toda
pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil . Ass im, o conc eito
de Pessoa inclu i homens, mulheres e crianças; qualquer ser humano sem
distinção de idade, saúde mental, sexo , cor, raça, credo, nacionalida de, etc.
Por outro lado exclui os animais (que gozam de proteção legal, mas não são
sujeitos de direito), os se res inanimados, etc.
Concluind o: Pessoa Nat ural (o u Física ) é o pró prio ser humano .
INÍCIO DA PERSONALIDADE
mu ita polêmica doutrinária envolvendo o início da perso nalidade civil.
São três as principais teor ias sobre o tema:
a) Teoria Concepcionista: a pe rso nalidade tem início c om a conce pção;
ou seja, com a própria gravidez (momento em que o óvulo fecundado pelo
espermatozoide se junta à parede do útero).
b) Teoria Natalista: a per sonalida de se inicia a partir do na scimento da
criança com vida.
c) Teoria da Viabilidade: pres supõe a possibi lidade de sobr evivênc ia da
criança. Países que adotam esta teoria entendem que se uma criança nasceu
com uma doe nça que a levará a morte em poucos dias, não haverá a aquisição
da perso nalidade.
No Brasil a doutrina se manifesta de forma divergente, pois, se por um
lado a lei estabelece que a personalidade civil tem início com o nascimento
com vid a, o me smo dispositivo a se guir assegura ao nascituro d ireitos desde
sua concepção.
No concurso como eu faço? Em uma pro va obje tiva o aluno deve s e
limitar ao texto expresso da lei. N a omissão da banc a opte pela teoria
natalist a que ainda é a mais aceita nos concursos. Em um prova dissertativa
cite as três teorias, e xpondo que no Br asil ferrenhos defensor es da
concepção e da natalidade, abordando os aspectos mais relevantes de cada
uma. Lembre m-se: a tendê ncia atual é pro teger, cada vez mais, o nasci turo e
seus direitos desde a concepção .
Analisando o texto legal , podemos afir mar que a personalida de da
pessoa natura l ou física inicia-se com o nascimento c om vid a, ainda que por
poucos mome ntos. Esta é a primeir a parte do a rt. do CC. Se a crianç a
nascer c om vida, ai nda que po r um in stante , já adquir e a pe rsona lidade.
Ocorre o nascimento quando a c riança é separa da do ventre materno
(parto na tura l ou po r inter vençã o cirúr gica), me smo que ainda não tenha sido
cortado o cordão umbilica l. Além disso , é necessár io que tenha respirado.
nascimen to e p arto qua ndo a cria nça, de ixando o úter o mate rno, r espira.
Portanto.. . se o recém -nascido respirou ... nasceu com vida. E é nesse
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momento que a pers onalidade civ il ter á início em s ua pleni tude, com todo s os
efeitos subsequentes, conforme veremos.
NASCITURO
O termo nascituro significa “aq uele q ue de nascer ”. É o ente que
foi gerado ou co ncebido, mas a inda não nasceu, embor a tenha vida
intrau ter ina e na ture za h umana. T ecni came nte (te oria na talis ta), e le não te m
perso nalidade, pois ainda não é pe ssoa so b o ponto de vista jurí dico. Mas
apesar de não ter perso nalidade j urídica, a lei e a salvo os d ireitos do
nascituro desde a c oncepçã o. Tra ta-se da s egun da part e do a rt. , C C. Na
realidade o nascituro tem uma expectativa de direito. Ex.: o nascituro tem o
direito de nas cer e de viver (o abor to, como regr a é co nsiderado co mo crime -
arts. 124 a 127 do Código Penal).
Proteçã o ao nascituro . Ele é titular de direito s perso nalíss imos: vida (a lei
proíbe o aborto, salvo raríss imas e xceçõe s), honr a, image m, e tc.; tem dire ito à
filiação, direito de ser contemplado por doação ou por testamento (legado o u
herança) sem pre juízo do r ecolhimento do impos to de transmissão , pode ser
nomeado cur ador para a defe sa de seus intere sses, etc. Além disso, o art.
do E statuto da Cria nça e do Ado lescente (L ei 8.06 9/90 ECA) determ ina
que a gesta nte tem co ndiçõe s de o bter judicialmente os alimentos para
garantia do bo m d esenvo lvimento do feto (alimentos gr avídi cos), adequa da
assistência pré-natal, como consultas médicas, remédios, etc.
O principal direito do nascituro é o de ter direito à sucessão. Se e le
foi concebido no momento da abertura da sucessão (morte do de cuj us)
legit ima-se a suced er de for ma le gítima (confe rir arts. 1.78 4 e 1.7 98, C C).
Também se legitimam a suceder por testamento “os filhos ainda não
concebidos de pessoas indicadas pelo t estador, desde que vivas estas ao abrir-
se a sucessão” (art. 1.79 9, I, CC).
Por tal motivo, ten do tantos “direit os”, é que está cresce ndo a teoria
concepcionista, considerando o nascituro como sendo uma Pessoa Natural .
Justific a-se es ta p osiçã o po rque some nte uma pess oa pod e se r titula r d e
direitos.. . e o art. 2°, CC afirma que o nascituro tem direitos... logo, ten do
direitos, ele pode ria ser considera do como tendo per sonalidade. A si tuação
fica ain da mais definida (segundo os s eguidores desta teor ia) co m o ar t. 5 42,
CC que estabelece: “A doação feita ao nascituro valerá, s endo aceita pelo seu
representante legal”.
Polêmicas à parte, o que se pode afirmar , se m medo de e rrar, é que o
nascituro é titular de um direito eventual. Exe mplo : homem falece
deixando a espo sa gr ávida. Não se pode conc luir o processo de invent ário e
partilha enquanto a crianç a não nascer. O nascituro, nesta hipó tese, te m
direito ao resguardo à herança. Os dire itos assegur ado s ao nasc ituro estã o
em estado potencial, sob co ndição suspensiva: s ó ter ão efic ácia se nasce r
com vida. A representação do nascituro se por intermédio de seus pais.
Nascendo com vida, as expectativas de direito se transformam em direitos
subjetivos e a sua existência, no toc ante aos seus intere sses, retroage ao
momento de sua co ncepção.