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história
ensino médio
organizadora
edições sm
Obra coletiva concebida, desenvolvida
e produzida por Edições SM.
competências
EnEm
São Paulo,
1ª- edição 2014
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Ser protagonista : história : competências ENEM :
ensino médio, volume único / obra coletiva
concebida, desenvolvida e produzida por Edições SM.
— 1. ed. — São Paulo : Edições SM, 2014. —
(Coleção ser protagonista)
Bibliografia.
ISBN 978-85-418-0374-8 (aluno)
ISBN 978-85-418-0375-5 (professor)
1. ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio
2. História (Ensino médio) I. Série.
14-00656 CDD-907
Índices para catálogo sistemático:
1. História : Ensino médio 907
1ª edição, 2014
Ser Protagonista História – Competências ENEM
© Edições SM Ltda.
Todos os direitos reservados
Direção editorial Juliane Matsubara Barroso
Gerência editorial Angelo Stefanovits
Gerência de processos editoriais Rosimeire Tada da Cunha
Colaboração Leandro Salman Torelli
Coordenação de edição Ana Paula Landi, Cláudia Carvalho Neves
Edição Cláudio Cavalcanti
Assistência administrativa editorial Alzira Aparecida Bertholim Meana, Camila de Lima Cunha, Fernanda Fortunato,
Flávia Romancini Rossi Chaluppe, Silvana Siqueira
Preparação e revisão Cláudia Rodrigues do Espírito Santo (Coord.), Izilda de Oliveira Pereira,
Rosinei Aparecida Rodrigues Araujo, Valéria Cristina Borsanelli
Coordenação de design Erika Tiemi Yamauchi Asato
Coordenação de Arte Ulisses Pires
Edição de Arte Melissa Steiner Rocha Antunes
Projeto gráfico Erika Tiemi Yamauchi Asato
Capa Alysson Ribeiro, Erika Tiemi Yamauchi Asato, Adilson Casarotti
Iconografia Priscila Ferraz (Coord.), Bianca Fanelli
Tratamento de imagem Robson Mereu
Editoração eletrônica [sic] comunicação
Fabricação Alexander Maeda
Impressão
Edições SM Ltda.
Rua Tenente Lycurgo Lopes da Cruz, 55
Água Branca 05036-120 São Paulo SP Brasil
Tel. 11 2111-7400
edicoessm@grupo-sm.com
www.edicoessm.com.br
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Apresentação
Este livro, complementar à coleção Ser Protagonista, contém aproxi-
madamente cem questões elaboradas segundo o modelo das competên-
cias e habilidades, introduzido no universo educacional pioneiramente
pelo Enem e depois adotado por muitos vestibulares do país. A maioria
das questões é do próprio Enem; as demais foram elaboradas pela equi-
pe editorial de Edições SM.
O volume proporciona prática mais do que suficiente para dar ao
aluno o domínio das estratégias de resolução adequadas. Além disso,
ao evidenciar o binômio competência-habilidade explorado em cada
questão, contribui para que ele adquira mais consciência do processo
de aprendizagem e, consequentemente, mais autonomia.
Antes de começar a resolver as questões, recomenda-se a leitura da
seção Para conhecer o Enem, que fornece informações detalhadas sobre
a história do Enem e apresenta a matriz de competências e habilidades
de cada área do conhecimento.
Edições SM
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Conheça seu livro
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C4 – H19
4. (SM) Leia o texto e observe o mapa:
4. Alternativa b.
Os rios Tigre, Eufrates, Nilo e Jordão foram es-
senciais para o desenvolvimento da agricultu-
ra, atividade primordial na formação das pri-
meiras comunidades neolíticas do Crescente
Fértil. O desenvolvimento da agricultura cons-
tituiu o principal fator da transformação do
homem nômade em sedentário, o que propi-
ciou a urbanização e o surgimento do comér-
cio, do Estado e da estratificação social. Sobre
as demais alternativas: as trocas comerciais
eram atividades secundárias das comunidades
neolíticas: a produção agrícola era a prática
mais importante (a); as obras de fortificação
das cidades tiveram início na Idade dos Metais
(c); os homens do Paleolítico não dominavam a
agricultura, viviam basicamente da caça, da
pesca e da coleta (d); as características des-
critas na alternativa não são dos paleolíticos,
mas sim da transição entre o Neolítico e a
Idade dos Metais (e).
Fonte de pesquisa: HilGEMaNN, Werner; KiNDEr, Hermann. Atlas
historique. Paris: Perrin, 2006. p. 12.
Com o Neolítico [...] dá-se o aparecimento de comunidades
camponesas algumas das quais, como ÇatalHüyük na Anató-
lia ou Jericó na Palestina, são suficientemente importantes
para serem qualificadas de cidades. As trocas de produtos es-
tão sem dúvida longe de serem excluídas entre comunidades,
mas é o trabalho da terra que constitui a riqueza essencial. É
organizado pela própria comunidade, que possui e controla
a totalidade dos solos, fixa a tarefa de cada um e distribui os
bens sociais produzidos pelo trabalho de todos.
lÉVÊQUE, Pierre. As primeiras civilizações. Lisboa: Edições 70, 1990.
v. 1. p. 17.
Na região do Crescente Fértil a Revolução Neolítica:
a) foi resultado da associação de grupos humanos que desen-
volveram a capacidade de produzir seus próprios alimen-
tos e promover, prioritariamente, as trocas comerciais.
b) teve como uma das causas mais importantes a abundância de
água doce, que permitiu o desenvolvimento da agricultura,
atividade essencial das comunidades que ali se formaram.
c) foi resultado da necessidade de grandes obras de fortifica-
ção nas áreas sedentarizadas, feitas para atender aos inte-
resses apenas das camadas dirigentes das comunidades.
d) foi importante para que as técnicas agrícolas desenvolvi-
das durante o Paleolítico fossem preservadas.
e) resultou na divisão social das comunidades paleolíticas,
que passaram a ser comandadas por reis que controlavam
a exploração do solo e determinavam a distribuição dos
resultados do trabalho.
Mar
Mediterrâneo
30°N
30°L 50°L
40°N
Mar
Cáspio
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Mar Negro
Rio Eufrates
Rio Tigre
Golfo
Pérsico
EGITO
Mesopotâmia
Jericó
Çatalhüyük
Chipre
Península Arábica
principais cidades
crescente Fértil
0 385 770 km
1 cm – 385 km
O Crescente Fértil ID/
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47. (Enem)
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MOREAUX, F. R. Proclamação da Independência.
Disponível em: <www.tvbrasil.org.br.>. Acesso em: 14 jun. 2010.
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FERREZ, M. D. Pedro II.
sCHWarCZ, L. M. As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca
nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
As imagens, que retratam D. Pedro I e D. Pedro II, procuram
transmitir determinadas representações políticas a cerca dos
dois monarcas e de seus contextos de atuação. A ideia que
cada imagem evoca é, respectivamente:
a) Habilidade militar – riqueza pessoal.
b) Liderança popular – estabilidade política.
c) Instabilidade econômica – herança europeia.
d) Isolamento político – centralização do poder.
e) Nacionalismo exacerbado – inovação administrativa.
47. Alternativa b.
A tela de Moreaux representa dom Pedro I no
ato de proclamar a Independência, aclamado
por um grande número de militares e pessoas
do povo, destacando assim uma suposta lide-
rança popular do imperador. Já a fotografia de
dom Pedro II não induz a pensar em estabilida-
de política. Talvez sugira sabedoria, ou despo-
jamento. Trata-se de um imperador já idoso
que não se fez fotografar com símbolos de ri-
queza ou poder. As demais alternativas são in-
corretas: a fotografia de dom Pedro II não alu-
de à riqueza pessoal (a); a tela de Moreaux
não sugere nem instabilidade econômica, nem
isolamento político de dom Pedro I (c e d); na
fotografia, dom Pedro II parece um tanto can-
sado e nada indica inovação administrativa em
seu governo (e).17
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5. (Enem) O Egito é visitado anualmente por milhões de turis-
tas de todos os quadrantes do planeta, desejosos de ver com
os próprios olhos a grandiosidade do poder esculpida em pe-
dra há milênios: as pirâmides de Gizé, as tumbas do Vale dos
Reis e os numerosos templos construídos ao longo do Nilo.
O que hoje se transformou em atração turística era, no pas-
sado, interpretado de forma muito diferente, pois:
a) significava, entre outros aspectos, o poder que os faraós
tinham para escravizar grandes contingentes populacio-
nais que trabalhavam nesses monumentos.
b) representava para as populações do alto Egito a possibi-
lidade de migrar para o sul e encontrar trabalho nos can-
teiros faraônicos.
c) significava a solução para os problemas econômicos, uma
vez que os faraós sacrificavam aos deuses suas riquezas,
construindo templos.
d) representava a possibilidade de o faraó ordenar a socie-
dade, obrigando os desocupados a trabalharem em obras
públicas, que engrandeceram o próprio Egito.
e) significava um peso para a população egípcia, que
condenava o luxo faraônico e a religião baseada em
crenças e superstições.
C6 – H29
6. (Enem) Ao visitar o Egito do seu tempo, o historiador grego
Heródoto (484-420/30 a.C.) interessou-se por fenômenos que
lhe pareceram incomuns, como as cheias regulares do rio Nilo.
A propósito do assunto, escreveu o seguinte:
Eu queria saber por que o Nilo sobe no começo do
verão e subindo continua durante cem dias; por que ele
se retrai e a sua corrente baixa, assim que termina esse
número de dias, sendo que permanece baixo o inverno
inteiro, até um novo verão.
Alguns gregos apresentam explicações para os fe-
nômenos do rio Nilo. Eles afirmam que os ventos do
noroeste provocam a subida do rio, ao impedir que suas
águas corram para o mar. Não obstante, com certa fre-
quência, esses ventos deixam de soprar, sem que o rio
pare de subir da forma habitual. Além disso, se os ventos
do noroeste produzissem esse efeito, os outros rios que
correm na direção contrária aos ventos deveriam apre-
sentar os mesmos efeitos que o Nilo, mesmo porque eles
todos são pequenos, de menor corrente.
HErÓDOTO. História. (Trad.). livro II, 19-23. 2. ed. Chicago:
Encyclopaedia Britannica Inc., 1990. p. 52-3. (Adaptado.)
5. Alternativa a.
A construção de grandes monumentos no Egito
Antigo só foi possível porque o faraó detinha
um enorme poder político e religioso. Ele mo-
bilizava grandes contingentes humanos na
construção de obras públicas, templos e pirâ-
mides. Há controvérsias sobre se esses traba-
lhadores eram todos escravos ou não. Muitos
historiadores afirmam que eram homens livres.
A alternativa b é incorreta porque a maior par-
te dos grandes monumentos foi construída no
norte, ou entre o centro e o norte do Egito, e
não no sul. Assim, as pessoas não migravam
para o sul com o objetivo de encontrar traba-
lho. A alternativa c também não procede, já
que os faraós não sacrificavam suas riquezas
na construção de templos. A ideia de que ha-
via muitos desocupados e que o faraó obrigava
essas pessoas a trabalhar nas obras públicas
não tem bases de sustentação empíricas (d).
Também não tem fundamento a afirmação de
que a população egípcia condenava o luxo fa-
raônico (e).
Apresenta questões
selecionadas das provas
do Enem e também
questões inéditas,
desenvolvidas com base
na Matriz de Referência
do Enem (identificadas
pela sigla SM).
Todas as questões
trazem a indicação
da competência e da
habilidade que está
sendo trabalhada.
Este espaço é
destinado a
resoluções de
exercícios e
anotações.
O Ser Protagonista Competências Enem
possibilita um trabalho sistemático e
contínuo com as principais habilidades
exigidas pelo Enem.
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sumário
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Para conhecer o Enem 6
� Uma breve história do Enem 6
O contexto, a análise e a reflexão interdisciplinar 8
Os eixos cognitivos 9
Competências e habilidades 10
As áreas de conhecimento 10
� Ser Protagonista Competências Enem 13
� Atividades 14
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Para ConheCer o eneM
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tornou-se o exame mais importante
realizado pelos alunos que concluem a formação básica. Sem dúvida, essa avaliação
ganhou destaque nos últimos anos, na medida em que é, atualmente, a principal for-
ma de ingresso no Ensino Superior público e, em grande medida, também no Ensino
Superior privado.
Por conta disso, em 2013, a edição do Enem teve mais de 7 milhões de candidatos
inscritos. O objetivo de quem faz o exame no contexto atual é, fundamentalmente, in-
gressar no Ensino Superior. As informações disponíveis neste material foram elaboradas
no sentido de auxiliá-lo nessa tarefa.
Uma breve história do Enem
A primeira edição do Enem é de 1998. As características daquela avaliação eram di-
ferentes da atual. Apesar de poucas mudanças pedagógicas, há muitas diferenças no que
diz respeito à estrutura do exame.
Em 1998, a prova tinha 63 questões com uma proposta interdisciplinar e mais uma
redação, realizada em apenas um dia. Muito diferente do formato atual, no qual as pro-
vas são divididas em quatro áreas do conhecimento – Ciências Humanas, Ciências da
Natureza, Linguagens e Códigos e Matemática e suas respectivas tecnologias – e mais a
redação. Além disso, com 180 questões, a prova ficou muito maior e mais abrangente,
exigindo maior capacidade de organização e concentração dos candidatos em dois dias
de aplicação.
É importante compreender os sentidos dessas mudanças e os seus significados. Em
suma, é relevante esclarecer por que e como o Enem se tornou o exame mais importan-
te do país.
Em meados da década de 1990, uma proposta de reforma no sistema educacional
brasileiro foi finalmente posta em prática com a criação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB, Lei n. 9 394/1996).
A nova lei apresentava uma proposta, inovadora à época, de organização da chamada
educação básica, incluindo nela o Ensino Médio, como última etapa dessa formação. No
artigo 35, a lei apresentava os objetivos gerais do Ensino Médio:
O Ensino Médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos,
terá como finalidades:
I — a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino
fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;
II — a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar
aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de
ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
III — o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação
ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico;
IV — a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos pro-
dutivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.
Brasil. Presidência da República. Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n. 9 394, de 20 de dezembro de 1996).
Brasília, DF, 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm>. Acesso em: 11 fev. 2014.
Assim, o Ensino Médio se tornava parte integrante da formação básica dos estudantes
brasileiros e seu papel seria a continuação dos estudos, a preparação para o mundo do
trabalho e da cidadania, o desenvolvimento dos valores humanos e éticos e a formação
básica no que tangem aos aspectos científicos e tecnológicos.
Tentava-se, assim, aproximar a educação brasileira das questões contemporâneas, do-
tá-la de capacidade para enfrentar os dilemas do mundo rápido, tecnológico e globaliza-
do que começava a se solidificar naquele momento.
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Nesse caminho, pouco mais de dois anos depois, o Ministério da Educação apresen-
tou ao país os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. A proposta deelaborar um currículo baseado em competências e habilidades, sustentados na organi-
zação de eixo cognitivos e em áreas de conhecimento, foi a estrutura básica dos Parâme-
tros e a característica fundamental do modelo pedagógico que se tentava implementar
no país a partir de então.
A preocupação era, novamente, dotar os educandos de uma formação adequada para
o novo mundo tecnológico, de mudanças rápidas que exigem adaptação quase instan-
tânea a realidades que nem bem se cristalizam já estão sendo transformadas. Por isso, a
ideia de organizar o currículo a partir de competências que garantam a atuação do indi-
víduo numa nova realidade social, econômica e política:
A revolução tecnológica, por usa vez, cria novas formas de socialização, processos
de produção e, até mesmo, novas definições de identidade individual e coletiva. Diante
desse mundo globalizado, que apresenta múltiplos desafios para o homem, a educação
surge como uma utopia necessária indispensável à humanidade na sua construção da
paz, da liberdade e da justiça social. [...]
Considerando-se tal contexto, buscou-se construir novas alternativas de organiza-
ção curricular para o Ensino Médio comprometidas, de um lado, com o novo significado
do trabalho no contexto da globalização e, de outro, com o sujeito ativo, a pessoa hu-
mana que se apropriará desses conhecimentos para se aprimorar, como tal, no mundo
do trabalho e na prática social. Há, portanto, necessidade de se romper com modelos
tradicionais, para se alcancem os objetivos propostos para o Ensino Médio.
Brasil. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais:
Ensino Médio. Brasília: Ministério da Educação, 1999. p. 25.
Foi com base nesses documentos e na visão que eles carregam sobre o significado da
educação da última etapa da formação básica, isto é, uma educação voltada para a cida-
dania no contexto de um país e um mundo em constante transformação, que o Enem foi
pensado como um exame de avaliação do Ensino Médio brasileiro.
Em 1998, na sua primeira versão, o Enem pretendia dar subsídios para a avaliação
do desempenho geral dos alunos ao final da educação básica, buscando aferir o nível de
desenvolvimento das habilidades e das competências propostas na LDB e nos Parâmetros
Curriculares Nacionais.
O exame tornava-se, assim, uma ferramenta de avaliação que os próprios estudan-
tes poderiam utilizar para analisar sua formação geral e, conforme indicavam os do-
cumentos que sustentaram sua criação, como uma forma alternativa para processos
de seleção para novas modalidades de ensino após a formação básica e mesmo para o
mundo do trabalho.
Inscrições para o Sistema
de Seleção Unificada – SiSU
na Universidade Federal do
Maranhão (UFMA) em 2012.
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Para conhecer o eneM
Ao longo dos anos, o número de inscritos foi crescendo, chegando à casa dos milhões
desde 2001, e a prova passou a ser utilizada em vários processos seletivos de universida-
des públicas e privadas. Essa transformação tem um momento decisivo no ano de 2004,
quando o governo federal criou o Programa Universidade para Todos (ProUni) – onde
alunos de baixa renda, oriundos da escola pública ou bolsistas integrais de escolas priva-
das, podem cursar o Ensino Superior privado com bolsas de 100% ou 50%.
Nesse momento, quando várias escolas de nível superior privado aderiram ao
ProUni, o Enem ganhou uma dimensão gigantesca, com mais de três milhões de inscri-
tos em 2005.
Em 2009, com a criação do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), no qual a maio-
ria das vagas nas universidades federais é disputada pelos candidatos que realizaram o
Enem numa plataforma virtual, o exame do Enem passou por uma profunda reformula-
ção. Desde então, a avaliação se realiza em dois dias, no último fim de semana do mês de
outubro, com 180 questões e uma redação.
A forma de pontuação também mudou. Inspirado no sistema estadunidense, o Minis-
tério da Educação implementou a Teoria de Resposta ao Item (TRI), na qual cada ques-
tão passa por classificações de dificuldade e complexidade e a pontuação varia de acor-
do com essa classificação, as consideradas mais difíceis recebem uma pontuação maior
que as consideradas mais fáceis. Além disso, é possível, segundo a TRI, verificar possíveis
“chutes”, caso o candidato acerte questões difíceis e erre as fáceis sobre assuntos pareci-
dos. Assim, desde então, provas de anos diferentes podem ser comparadas e os resulta-
dos do Enem podem ser analisados globalmente.
Com a adesão de mais de 80% das universidades federais ao SiSU e com quase 200
mil bolsas oferecidas em universidades privadas pelo ProUni, o Enem se tornou o exame
mais importante do país. Além de avaliar o desempenho dos alunos, ele passou a ser de-
cisivo para o ingresso nas escolas de Ensino Superior em todo o país.
O contexto, a análise e a reflexão interdisciplinar
Desde sua primeira formulação, o Enem sempre se apoiou na proposta de ser uma
prova interdisciplinar. Desde 2009, no entanto, o exame mantém a interdisciplinari-
dade, mas dentro das áreas de conhecimento. Assim, a interdisciplinaridade se reali-
za entre as disciplinas das quatro grandes áreas: Linguagens e Códigos, Matemática,
Ciências Humanas e Ciências da Natureza.
Em geral, as questões exigem dos candidatos capacidade de análise e reflexão sobre
contextos. Procura-se, portanto, estabelecer a relação entre o conhecimento adquirido
e a realidade cotidiana que nos cerca, abordando as múltiplas facetas da vida social,
desde aspectos culturais até os tecnoló-
gico e científico.
As capacidades de leitura e de inter-
pretação, nas suas diversas modalidades
– textos, documentos, gráficos, tabelas,
charges, obras de arte, estruturas arquite-
tônicas, etc. –, são elementos centrais da
proposta pedagógica do exame. O domí-
nio dessas competências se aplica a toda
a prova, na medida em que não há, no
Enem, questões que exijam apenas me-
morização. Na verdade, elas exigem capa-
cidade de análise crítica a partir da leitura
e da interpretação de situações-problema
apresentadas.
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Portanto, em geral, o Enem apresenta diferenças de estilo e proposta pedagógica
quando comparado aos vestibulares tradicionais. Entretanto, isso não quer dizer que a
prova não exija uma boa formação no Ensino Médio. Ao contrário, esta é essencial para
que o desempenho seja satisfatório, já que o exame procura valorizar todo o conheci-
mento obtido e relacionado ao cotidiano. Além disso, verifica-se, nos últimos anos, uma
aproximação dos vestibulares à proposta do Enem, tornando-os mais reflexivos e críti-
cos, em detrimento do caráter memorizador que algumas provas apresentavam anterior-
mente, o que vem exigindo também uma reformulação dos currículos e das propostas
pedagógicas das escolas.
Dessa forma, não se trata de analisar se o Enem é mais fácil ou mais difícil que os exa-
mes vestibulares tradicionais, mas de compreender as suas características e se preparar
para realizar a prova da melhor maneira possível.
Os eixos cognitivos
O Enem está estruturado em torno de eixos cognitivos. Eles são a base para todas as
áreas do conhecimento e se referem, essencialmente, aos domínios básicos que os candi-
datos devem ter para enfrentar, compreender e resolver as questões que a prova apresen-
ta. Mas, principalmente, são as referências básicas do que precisamos dominar para atuar
na realidade social, política, econômica, cultural e tecnológica que nos cerca.
A Matriz de Referência do Enem apresenta os cinco eixos cognitivos:
I. Dominar linguagens (DL): dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer
uso das linguagens matemática, artística e científica edas línguas espanhola e
inglesa.
II. Compreender fenômenos (CF): construir e aplicar conceitos das várias áreas do
conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-
-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.
III. Enfrentar situações-problema (SP): selecionar, organizar, relacionar, interpretar
dados e informações representados de diferentes formas, para tomar decisões e en-
frentar situações-problema.
IV. Construir argumentação (CA): relacionar informações, representadas em dife-
rentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir
argumentação consistente.
V. Elaborar propostas (EP): recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola
para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os
valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.
Brasil. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Matriz de
Referência para o Enem. Brasília, 2009. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=310+enen.br>.
Acesso em: 12 fev. 2014.
Conforme podemos perceber pela leitura atenta, os eixos cognitivos são essenciais
para a compreensão, o diagnóstico e a ação diante de qualquer situação que se apresen-
te a nós. A ideia é que, dominando esses eixos, os candidatos sejam capazes de solucio-
nar os desafios colocados diante deles nas provas e na vida. Assim, propõe-se um exa-
me que valorize aspectos da vida real, apresentando problemas para que os candidatos
demonstrem capacidade de compreensão e diagnóstico, de encarar a situação, analisan-
do seu contexto, de construir argumentação em torno do desafio para, por fim, elaborar
uma proposta de ação.
Os eixos cognitivos, chamados, até o Enem 2008, de competências gerais, são a es-
trutura básica do exame, o sustentáculo pedagógico que dá sentido à prova, na medida
em que garante a ela uma coerência, já que todos os desafios apresentados na avaliação
têm de se fundamentar nesses eixos.
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10
Para conhecer o eneM
Competências e habilidades
As diversas áreas do conhecimento possuem as suas competências e habilidades espe-
cíficas, que procuram evidenciar as características das abordagens de cada uma das áreas.
Mas afinal, qual a diferença entre competência e habilidade? O que elas significam?
A base para a elaboração da matriz de referência do Enem são os Parâmetros Curri-
culares Nacionais para o Ensino Médio. Vejamos, então, como ali se apresenta a ideia de
competência:
De que competências se está falando? Da capacidade de abstração, do desenvol-
vimento do pensamento sistêmico, ao contrário da compreensão parcial e fragmen-
tada dos fenômenos, da criatividade, da curiosidade, da capacidade de pensar múl-
tiplas alternativas para a solução de um problema, ou seja, do desenvolvimento do
pensamento divergente, da capacidade de trabalhar em equipe, da disposição para
procurar e aceitar críticas, da disposição para o risco, do desenvolvimento do pensa-
mento crítico, do saber comunicar-se, da capacidade de buscar conhecimento. Estas
são competências que devem estar presentes na esfera social, cultural, nas atividades
políticas e sociais como um todo, e que são condições para o exercício da cidadania
num contexto democrático.
Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais:
ensino médio. Brasília: Ministério da Educação, 1999. p. 24.
Ora, as competências são entendidas como mecanismos fundamentais para a com-
preensão do mundo e atuação nele, isto é, o saber fazer, conhecer, viver e ser. Não basta
o domínio dos conteúdos, mas é necessário aplicá-lo ao contexto em que se encontra.
Isso é competência: a capacidade de contextualizar o saber, ou seja, comparar, classificar,
analisar, discutir, descrever, opinar, julgar, fazer generalizações, analogias e diagnósticos.
As habilidades são as ferramentas que podemos dispor para desenvolver competên-
cias. Logo, para saber fazer, conhecer, viver e ser, precisamos de instrumentais que nos
conduzam para que a ação se torne eficaz. As habilidades são esses instrumentais que,
manejados, possibilitam atingir os objetivos e desenvolver a competência.
Podemos concluir, portanto, que no Exame Nacional do Ensino Médio o conteúdo
que aprendemos na escola deve ser utilizado como instrumento de vivência e de apli-
cabilidade real, por isso a necessidade de desenvolver competências e habilidades que
permitam isso. Assim, os diferentes conteúdos das diversas áreas do conhecimento
estão presentes na prova, mas de forma estrategicamente pensada e aplicada a situações da
realidade social, política, econômica, cultural, científica e tecnológica.
As áreas de conhecimento
Ciências Humanas e suas Tecnologias
A área de Ciências Humanas envolve as disciplinas de História, Geografia, Sociologia
e Filosofia. Nessa área, as exigências giram em torno da capacidade da análise das mu-
danças e permanências, no tempo e no espaço, bem como nos campos social, político,
econômico e cultural.
A preocupação da prova é analisar aspectos da identidade, das transformações como
fenômenos das relações de poder, da importância das instituições políticas, sociais e eco-
nômicas, assim como os impactos das tecnologias nas relações humanas, a valorização
da democracia e da cidadania e, por fim, os impactos causados pelo homem na natureza.
As competências e habilidades da área são as seguintes:
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Competência de área 1
Compreender os elementos culturais que constituem as identidades.
H1
Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca
de aspectos da cultura.
H2 Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas.
H3 Associar as manifestações culturais do presente aos seus processos históricos.
H4
Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado
aspecto da cultura.
H5
Identificar as manifestações ou representações da diversidade do patrimônio
cultural e artístico em diferentes sociedades.
Competência de área 2
Compreender as transformações dos espaços geográficos como produto
das relações socioeconômicas e culturais de poder.
H6
Interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços
geográficos.
H7 Identificar os significados histórico-geográficos das relações de poder entre as nações.
H8
Analisar a ação dos estados nacionais no que se refere à dinâmica dos fluxos
populacionais e no enfrentamento de problemas de ordem econômico-social.
H9
Comparar o significado histórico-geográfico das organizações políticas e
socioeconômicas em escala local, regional ou mundial.
H10
Reconhecer a dinâmica da organização dos movimentos sociais e a
importância da participação da coletividade na transformação da realidade
histórico-geográfica.
Competência de área 3
Compreender a produção e o papel histórico das instituições
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos,
conflitos e movimentos sociais.
H11 Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.
H12 Analisar o papel da justiça como instituição na organização das sociedades.
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12
Para conhecer o eneM
H13
Analisar a atuação dos movimentos sociais que contribuíram para mudanças ou
rupturas em processos de disputa pelo poder.
H14
Comparar diferentes pontos de vista, presentes em textos analíticos e
interpretativos, sobre situação ou fatos de natureza histórico-geográfica acerca
das instituições sociais, políticas e econômicas.
H15
Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou
ambientais ao longo da história.
Competência de área 4
Entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto
nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimentoe na vida social.
H16
Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do
trabalho e/ou da vida social.
H17
Analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de
territorialização da produção.
H18
Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas
implicações socioespaciais.
H19
Reconhecer as transformações técnicas e tecnológicas que determinam as várias
formas de uso e apropriação dos espaços rural e urbano.
H20
Selecionar argumentos favoráveis ou contrários às modificações impostas pelas
novas tecnologias à vida social e ao mundo do trabalho.
Competência de área 5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar os
fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma atuação
consciente do indivíduo na sociedade.
H21 Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social.
H22
Analisar as lutas sociais e conquistas obtidas no que se refere às mudanças nas
legislações ou nas políticas públicas.
H23 Analisar a importância dos valores éticos na estruturação política das sociedades.
H24 Relacionar cidadania e democracia na organização das sociedades.
H25 Identificar estratégias que promovam formas de inclusão social.
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13
Ser Protagonista Competências Enem
Desde sua formulação, os livros da coleção Ser Protagonista concebem a educação
com base nos referenciais das competências e habilidades a serem desenvolvidas em cada
uma das áreas do conhecimento. Os exercícios elaborados para os livros procuram traba-
lhar esses elementos, destacando-se na contextualização e no propósito de envolver pro-
blemas da multifacetada realidade da sociedade atual.
A intenção é ampliar esse olhar, apresentando um material adicional no qual o pro-
pósito da coleção é ainda mais aprofundado. Neste caderno, você tem acesso a um
material específico, focado no desenvolvimento dos eixos cognitivos e nas competên-
cias e habilidades do Enem. O objetivo é complementar e fortalecer o projeto pedagó-
gico da coleção Ser Protagonista, com a intenção de fortalecer ainda mais a proposta
pedagógica praticada.
Competência de área 6
Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no
espaço em diferentes contextos históricos e geográficos.
H26
Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as
relações da vida humana com a paisagem.
H27
Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando
em consideração aspectos históricos e(ou) geográficos.
H28
Relacionar o uso das tecnologias com os impactos sócio-ambientais em
diferentes contextos histórico-geográficos.
H29
Reconhecer a função dos recursos naturais na produção do espaço
geográfico, relacionando-os com as mudanças provocadas pelas
ações humanas.
H30
Avaliar as relações entre preservação e degradação da vida no planeta nas
diferentes escalas.
Brasil. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Matriz
de referência para o Enem. Brasília, 2009. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=310+enen.br>.
Acesso em: 12 fev. 2014.
Para obter mais informações sobre o Enem, consulte <http://portal.inep.gov.br/web/
enem>. Acesso em: 27 fev. 2014.
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14
Atividades
C1 – H5
1. (Enem) Os quatro calendários apresentados abaixo mostram
a variedade na contagem do tempo em diversas sociedades.
1O de janeiro
de 2000
24 de Ramadã
de 1378
23 de Tevet de
5760
7O dia do 12o
mês do Ano
do Coelho
OCIDENTAL
(Gregoriano) ISLÂMICO JUDAICO CHINÊS
Baseado no ciclo
solar, tem como
referência o
nascimento de
Cristo.
A base é a Lua.
Inicia-se com a
fuga de Maomé
de Meca, em
622 d.C.
Calendário
lunar, parte
da criação do
mundo conforme
a Bíblia.
Referência lunar.
Iniciado em
2697 a.C., ano do
patriarca chinês
Huangti.
Com base nas informações apresentadas, pode-se afirmar que:
a) o final do milênio, 1999/2000, é um fator comum às dife-
rentes culturas e tradições.
b) embora o calendário cristão seja hoje adotado em âmbito
internacional, cada cultura registra seus eventos marcan-
tes em calendário próprio.
c) o calendário cristão foi adotado universalmente porque,
sendo solar, é mais preciso que os demais.
d) a religião não foi determinante na definição dos calendários.
e) o calendário cristão tornou-se dominante por sua antiguidade.
C6 – H28
2. (Enem)
Se compararmos a idade do planeta Terra, avaliada em
quatro e meio bilhões de anos (4,5×109 anos), com a de
uma pessoa de 45 anos, então, quando começaram a flo-
rescer os primeiros vegetais, a Terra já teria 42 anos. Ela
só conviveu com o homem moderno nas últimas quatro
horas e, há cerca de uma hora, viu-o começar a plantar e
a colher. Há menos de um minuto percebeu o ruído de
máquinas e de indústrias e, como denuncia uma ONG de
defesa do meio ambiente, foi nesses últimos sessenta se-
gundos que se produziu todo o lixo do planeta!
O texto permite concluir que a agricultura começou a ser pra-
ticada há cerca de:
1. Alternativa b.
O calendário cristão foi adotado por quase to-
das as regiões do planeta como resultado da
expansão dos países europeus a partir do sé-
culo XV. Ao subjugar povos de outros continen-
tes, os europeus impuseram a eles sua cultura
e, particularmente, a religião cristã. Alguns
desses povos, contudo, conservaram seus ca-
lendários originais. Desse modo, a diversidade
das formas de contagem do tempo se manteve
dentro de certos limites. As demais alternati-
vas são incorretas porque: o final do
milênio não é o mesmo para todas as religiões
e culturas (a); o calendário cristão não foi
adotado por outros povos por ser solar (c);
a religião teve papel fundamental na definição
dos calendários (nascimento de Jesus Cristo,
fuga de Maomé, etc.) (d); não foi o fato de ser
antigo que tornou dominante o calendário
cristão (e).
2. Alternativa d.
A agricultura começou a ser praticada há cer-
ca de 10 mil anos. A observação segundo a
qual foi nos últimos sessenta segundos que se
produziu todo o lixo do planeta refere-se à
Revolução Industrial e aos seus desdobramen-
tos. De fato, foi a partir desse momento que
os seres humanos começaram a produzir lixo
industrial em grande escala. Sobre as demais
alternativas: há 365 anos (século XVII), o ser
humano já tinha uma longa experiência com a
agricultura (a); o mesmo se pode dizer de
1553, há aproximadamente 460 anos (b); em
1113, há cerca de 900 anos, a Europa estava na
Idade Média e em quase todos os continentes
já se cultivavam produtos agrícolas como tri-
go, arroz, cevada, milho, feijão, abóbora, etc.
(c); há 460 mil anos, o ser humano moderno
ainda não existia, logo, não havia agricultura
nessa época (e).
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a) 365 anos.
b) 460 anos.
c) 900 anos.
d) 10 000 anos.
e) 460 000 anos.
C1 – H1
3. (Enem)
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Pintura rupestre da toca do Pajaú (PI).
Disponível em: <http://www.betocelli.com.br>.
Acesso em: 28 set. 2012.
A pintura rupestre mostrada na figura anterior, que é um pa-
trimônio cultural brasileiro, expressa:
a) o conflito entre os povos indígenas e os europeus durante
o processo de colonização do Brasil.
b) a organização social e política de um povo indígena e a
hierarquia entre seus membros.
c) aspectos da vida cotidiana de grupos que viveram duran-
te a chamada pré-história do Brasil.
d) os rituais que envolvem sacrifícios de grandes dinossau-
ros atualmente extintos.
e) a constante guerra entre diferentes grupos paleoíndios da
América durante o período colonial.
3. Alternativa c.
A pintura rupestre representa paleoíndios em
diferentes atividades cotidianas. Há um grande
animal à direita que pareceser objeto de caça
de diversos homens. Há também outros animais
menores e pessoas desempenhando diversas
atividades. Acima do animal da direita, dois pa-
leoíndios sustentam o que pode ser um objeto
ritual semelhante a uma pequena árvore estili-
zada. Na época em que a pintura foi feita, os
europeus ainda não haviam chegado à América
(a) e os dinossauros estavam extintos havia mi-
lhões de anos (d). A cena também não repre-
senta nem a hierarquia social desses povos (b)
nem uma guerra (e).
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16
C4 – H19
4. (SM) Leia o texto e observe o mapa:
4. Alternativa b.
Os rios Tigre, Eufrates, Nilo e Jordão foram es-
senciais para o desenvolvimento da agricultu-
ra, atividade primordial na formação das pri-
meiras comunidades neolíticas do Crescente
Fértil. O desenvolvimento da agricultura cons-
tituiu o principal fator da transformação do
homem nômade em sedentário, o que propi-
ciou a urbanização e o surgimento do comér-
cio, do Estado e da estratificação social. Sobre
as demais alternativas: as trocas comerciais
eram atividades secundárias das comunidades
neolíticas: a produção agrícola era a prática
mais importante (a); as obras de fortificação
das cidades tiveram início na Idade dos Metais
(c); os homens do Paleolítico não dominavam a
agricultura, viviam basicamente da caça, da
pesca e da coleta (d); as características des-
critas na alternativa não são dos paleolíticos,
mas sim da transição entre o Neolítico e a
Idade dos Metais (e).
Fonte de pesquisa: Hilgemann, Werner; Kinder, Hermann. Atlas
historique. Paris: Perrin, 2006. p. 12.
Com o Neolítico [...] dá-se o aparecimento de comunidades
camponesas algumas das quais, como ÇatalHüyük na Anató-
lia ou Jericó na Palestina, são suficientemente importantes
para serem qualificadas de cidades. As trocas de produtos es-
tão sem dúvida longe de serem excluídas entre comunidades,
mas é o trabalho da terra que constitui a riqueza essencial. É
organizado pela própria comunidade, que possui e controla
a totalidade dos solos, fixa a tarefa de cada um e distribui os
bens sociais produzidos pelo trabalho de todos.
lévêque, Pierre. As primeiras civilizações. Lisboa: Edições 70, 1990.
v. 1. p. 17.
Na região do Crescente Fértil a Revolução Neolítica:
a) foi resultado da associação de grupos humanos que desen-
volveram a capacidade de produzir seus próprios alimen-
tos e promover, prioritariamente, as trocas comerciais.
b) teve como uma das causas mais importantes a abundância de
água doce, que permitiu o desenvolvimento da agricultura,
atividade essencial das comunidades que ali se formaram.
c) foi resultado da necessidade de grandes obras de fortifica-
ção nas áreas sedentarizadas, feitas para atender aos inte-
resses apenas das camadas dirigentes das comunidades.
d) foi importante para que as técnicas agrícolas desenvolvi-
das durante o Paleolítico fossem preservadas.
e) resultou na divisão social das comunidades paleolíticas,
que passaram a ser comandadas por reis que controlavam
a exploração do solo e determinavam a distribuição dos
resultados do trabalho.
Mar
Mediterrâneo
30°N
30°L 50°L
40°N
Mar
Cáspio
M
ar
Verm
elho
R
io
N
ilo
Mar Negro
Rio Eufrates
Rio Tigre
Golfo
Pérsico
EGITO
Mesopotâmia
Jericó
Çatalhüyük
Chipre
Península Arábica
principais cidades
crescente Fértil
0 385 770 km
1 cm – 385 km
O Crescente Fértil ID/
B
R
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C3 – H11
5. (Enem) O Egito é visitado anualmente por milhões de turis-
tas de todos os quadrantes do planeta, desejosos de ver com
os próprios olhos a grandiosidade do poder esculpida em pe-
dra há milênios: as pirâmides de Gizé, as tumbas do Vale dos
Reis e os numerosos templos construídos ao longo do Nilo.
O que hoje se transformou em atração turística era, no pas-
sado, interpretado de forma muito diferente, pois:
a) significava, entre outros aspectos, o poder que os faraós
tinham para escravizar grandes contingentes populacio-
nais que trabalhavam nesses monumentos.
b) representava para as populações do alto Egito a possibi-
lidade de migrar para o sul e encontrar trabalho nos can-
teiros faraônicos.
c) significava a solução para os problemas econômicos, uma
vez que os faraós sacrificavam aos deuses suas riquezas,
construindo templos.
d) representava a possibilidade de o faraó ordenar a socie-
dade, obrigando os desocupados a trabalharem em obras
públicas, que engrandeceram o próprio Egito.
e) significava um peso para a população egípcia, que
condenava o luxo faraônico e a religião baseada em
crenças e superstições.
C6 – H29
6. (Enem) Ao visitar o Egito do seu tempo, o historiador grego
Heródoto (484-420/30 a.C.) interessou-se por fenômenos que
lhe pareceram incomuns, como as cheias regulares do rio Nilo.
A propósito do assunto, escreveu o seguinte:
Eu queria saber por que o Nilo sobe no começo do
verão e subindo continua durante cem dias; por que ele
se retrai e a sua corrente baixa, assim que termina esse
número de dias, sendo que permanece baixo o inverno
inteiro, até um novo verão.
Alguns gregos apresentam explicações para os fe-
nômenos do rio Nilo. Eles afirmam que os ventos do
noroeste provocam a subida do rio, ao impedir que suas
águas corram para o mar. Não obstante, com certa fre-
quência, esses ventos deixam de soprar, sem que o rio
pare de subir da forma habitual. Além disso, se os ventos
do noroeste produzissem esse efeito, os outros rios que
correm na direção contrária aos ventos deveriam apre-
sentar os mesmos efeitos que o Nilo, mesmo porque eles
todos são pequenos, de menor corrente.
Heródoto. História. (Trad.). livro II, 19-23. 2. ed. Chicago:
Encyclopaedia Britannica Inc., 1990. p. 52-3. (Adaptado.)
5. Alternativa a.
A construção de grandes monumentos no Egito
Antigo só foi possível porque o faraó detinha
um enorme poder político e religioso. Ele mo-
bilizava grandes contingentes humanos na
construção de obras públicas, templos e pirâ-
mides. Há controvérsias sobre se esses traba-
lhadores eram todos escravos ou não. Muitos
historiadores afirmam que eram homens livres.
A alternativa b é incorreta porque a maior par-
te dos grandes monumentos foi construída no
norte, ou entre o centro e o norte do Egito, e
não no sul. Assim, as pessoas não migravam
para o sul com o objetivo de encontrar traba-
lho. A alternativa c também não procede, já
que os faraós não sacrificavam suas riquezas
na construção de templos. A ideia de que ha-
via muitos desocupados e que o faraó obrigava
essas pessoas a trabalhar nas obras públicas
não tem bases de sustentação empíricas (d).
Também não tem fundamento a afirmação de
que a população egípcia condenava o luxo fa-
raônico (e).
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18
Nessa passagem, Heródoto critica a explicação de alguns
gregos para os fenômenos do rio Nilo. De acordo com o texto,
julgue as afirmativas a seguir.
I. Para alguns gregos, as cheias do Nilo devem-se ao fato
de que suas águas são impedidas de correr para o mar
pela força dos ventos do noroeste.
II. O argumento embasado na influência dos ventos do
noroeste nas cheias do Nilo sustenta-se no fato de que,
quando os ventos param, o rio Nilo não sobe.
III. A explicação de alguns gregos para as cheias do Nilo basea-
va-se no fato de que fenômeno igual ocorria com rios de me-
nor porte que seguiam na mesma direção dos ventos.
É correto apenas o que se afirma em:
a) I. d) I e III.
b) II. e) II e III.
c) I e II.
C1 – H1
7. (SM) Leia o texto abaixo:
A morte entre os antigos gregos
Muitos estudiosos chegaram a acreditar que o sentimen-
to do homem grego diante da morte não fosse de dor e de
desespero. Afinal, em muitas circunstâncias, o próprio pai
decidia não criar o filho ou a filha e determinava a sua mor-
te por exposição ao relento. Entretanto, há documentos de
sobra que atestamque a morte chocava e era muito sentida,
principalmente quando quem morria era jovem. [...]
Os documentos atestam também que a execução dos ri-
tos funerários consistia em um momento privilegiado no qual
uma família, ou um grupo social, podia exibir suas glórias, sua
riqueza, sua importância na comunidade. Entre os gregos isso
se traduziu em uma tendência à sofisticação e à monumenta-
lidade das sepulturas. Tendência que se observa claramente
nas leis que buscaram restringir as despesas com os mortos.
Florenzano, Maria Beatriz Borba. Nascer, viver e morrer na Grécia
Antiga. 3. ed. São Paulo: Atual, 1996. p. 64-66.
Com base no texto, podemos considerar que, entre os
gregos antigos:
a) os rituais funerários eram considerados apenas um motivo
para demonstrar a superioridade social da família do morto.
b) a morte era encarada com naturalidade, já que a concep-
ção religiosa dos gregos levava à indiferença em relação à
perda de parentes.
6. Alternativa a.
Segundo alguns gregos, a força dos ventos
provenientes do noroeste impediria o avanço
das águas do Nilo em direção ao mar e seria
essa a causa das cheias. Heródoto rejeita essa
explicação, apoiando seus argumentos em ob-
servações empíricas, e não em ideias precon-
cebidas. Ele afirma que as águas do Nilo conti-
nuavam a subir mesmo quando os ventos para-
vam de soprar e que os outros rios não so-
friam os mesmos efeitos do Nilo (item I). Os
itens II e III são incorretos porque: quando os
ventos paravam, o Nilo continuava a subir (II);
os rios de menor porte a que se refere
Heródoto corriam em direção contrária aos
ventos, e não na mesma direção, como afirma
o item III. Vale lembrar que as cheias do Nilo
eram provocadas pelas chuvas de verão em
sua nascente.
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s
c) apesar dos documentos mostrarem o contrário, alguns
historiadores consideravam que os gregos não tinham
sentimentos diante da morte.
d) a visão que se tinha da morte era extremamente pragmá-
tica, já que a comoção se manifestava apenas em ocasiões
nas quais morriam pessoas jovens.
e) a morte era seguida pelo sentimento de perda, sobretudo
se o morto fosse jovem, mas os ritos funerários eram en-
carados como eventos sociais.
C3 – H13
8. (SM) Sob a República romana (509-27 a.C.), os plebeus tive-
ram de lutar muito para conquistar direitos e serem conside-
rados cidadãos. Leia o texto a seguir:
Somente depois de mais de dois séculos de luta en-
tre plebeus insatisfeitos e patrícios poderosos é que os
plebeus conseguiram progressivamente obter direitos
políticos iguais aos nobres. Por volta de 450 a.C., os
plebeus conseguiram que as leis segundo as quais as
pessoas seriam julgadas fossem registradas por escri-
to, numa tentativa de evitar injustiças do tempo em
que as leis não eram escritas e os cônsules, sempre da
nobreza de sangue, administravam a justiça como bem
entendiam, conforme suas conveniências. O conjunto
de normas finalmente redigidas foi chamado “A Lei das
Doze Tábuas”, que se tornou um dos textos fundamen-
tais do Direito romano, uma das principais heranças
romanas que chegaram até nós. A publicação dessas
leis, na forma de tábuas que qualquer um podia consul-
tar, [...] foi importante, pois o conhecimento das “re-
gras do jogo” da vida em sociedade é um instrumento
favorável ao homem comum e potencialmente limita-
dor da hegemonia e arbítrio dos poderosos.
Funari, Pedro Paulo. Grécia e Roma. 4. ed. São Paulo: Contexto,
2009. p. 83.
Considerando as informações do texto, escolha um ou mais
entre os itens abaixo:
I. A Lei das Doze Tábuas foi um instrumento fundamen-
tal de apropriação do poder por parte dos patrícios em
prejuízo dos plebeus.
II. A luta plebeia por direitos e garantias na forma de leis
escritas foi um passo histórico importante na luta pela
conquista da cidadania.
7. Alternativa e.
O texto revela que os sentimentos de desespero
e dor diante da morte se manifestavam entre os
gregos, principalmente quando o falecido era
jovem. Entretanto, os ritos funerários eram
encarados como eventos sociais, nos quais
eram exibidos o poder e a riqueza dos paren-
tes do morto. Sobre as demais alternativas:
apesar de procurarem exibir sua posição so-
cial, as famílias também demonstravam senti-
mentos de dor com a perda do ente querido
(a); não há relação entre uma suposta indife-
rença diante da morte e a religião dos gregos
antigos (b); a documentação revela que a mor-
te, sobretudo dos jovens, chocava e causava
dor entre os gregos (c); apesar de a comoção
ser maior quando o morto era jovem, o senti-
mento de perda também se manifestava quan-
do a morte atingia pessoas mais velhas (d).
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20
III. A forma de preservação da lei por meio da tradição
oral era algo que garantia a todos os antigos romanos
acesso irrestrito aos seus direitos.
IV. O Direito Romano constitui um dos legados mais
importantes da sociedade romana à cultura ociden-
tal contemporânea.
São corretos apenas os itens:
a) I e II. d) II e IV.
b) III e IV. e) II e III.
c) I e III.
C5 – H22
9. (Enem)
Durante a realeza, e nos primeiros anos republicanos, as
leis eram transmitidas oralmente de uma geração para outra.
A ausência de uma legislação escrita permitia aos patrícios
manipular a justiça conforme seus interesses. Em 451 a.C.,
porém, os plebeus conseguiram eleger uma comissão de dez
pessoas — os decênviros — para escrever as leis. Dois deles
viajaram a Atenas, na Grécia, para estudar a legislação de Sólon.
Coulanges, F. A cidade antiga. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
A superação da tradição jurídica oral no mundo antigo, des-
crita no texto, esteve relacionada à:
a) adoção do sufrágio universal masculino.
b) extensão da cidadania aos homens livres.
c) afirmação de instituições democráticas.
d) implantação de direitos sociais.
e) tripartição dos poderes políticos.
C1 – H3
10. (Enem) A Idade Média é um extenso período da História do
Ocidente cuja memória é construída e reconstruída segun-
do as circunstâncias das épocas posteriores. Assim, desde
o Renascimento, esse período vem sendo alvo de diversas
interpretações que dizem mais sobre o contexto histórico em
que são produzidas do que propriamente sobre o Medievo.
Um exemplo acerca do que está exposto no texto acima é:
a) a associação que Hitler estabeleceu entre o III Reich e o
Sacro Império Romano-Germânico.
b) o retorno dos valores cristãos medievais, presentes nos
documentos do Concílio Vaticano II.
8. Alternativa d.
A Lei das Doze Tábuas foi um passo decisivo
no processo que levou à conquista da cidada-
nia pelos plebeus. Já o Direito Romano foi fun-
damental para a constituição das normas jurí-
dicas das sociedades ocidentais contemporâ-
neas. Os demais itens são incorretos porque: a
Lei das Doze Tábuas não tinha por objetivo ser
um instrumento de apropriação do poder por
parte dos patrícios em prejuízo dos plebeus
(I); as leis não escritas beneficiavam os patrí-
cios, pois estes controlavam os cargos que jul-
gavam as leis conforme os interesses de seu
próprio grupo social (III).
9. Alternativa b.
Após a eleição dos decênviros, o Senado foi
obrigado a promulgar a Lei das Doze Tábuas,
que substituíram as leis transmitidas oralmen-
te. Essa conquista abriu caminho para a exten-
são da cidadania aos plebeus. Ela foi resultado
de um longo processo de lutas sociais iniciado
em 494 a.C., quando os plebeus conquistaram
o direito de eleger um representante, o
Tribuno da Plebe, para dialogar com os pode-
res controlados pelos patrícios. A partir de en-
tão, eles conquistaram diversos outros direi-
tos, como o de casar-se com patrícios, o aces-
so a magistraturas, etc. Sobre as demais alter-
nativas: o sufrágio universal masculino e a tri-
partição dos poderes não estavam em cogita-
ção nesse momentos (a e e); a extensão da ci-
dadania, evidentemente, afirmoucertas insti-
tuições democráticas, como o Conselho da
Plebe, mas essa afirmação veio como conse-
quência da extensão da cidadania (c); os direi-
tos sociais eram objeto de lutas entre patrí-
cios e plebeus, como mostrariam as vicissitu-
des da proposta de reforma agrária dos irmãos
Graco no século II a.C., mas não foram
“implantados” na época a que se refere o
texto.
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c) a luta dos negros sul-africanos contra o apartheid, inspira-
da por valores dos primeiros cristãos.
d) o fortalecimento político de Napoleão Bonaparte, que se justi-
ficava na amplitude de poderes que tivera Carlos Magno.
e) a tradição heroica da cavalaria medieval, que foi afe-
tada negativamente pelas produções cinematográficas
de Hollywood.
C1 – H3
11. (SM) Leia o texto e observe o mapa.
Os muçulmanos mantiveram as noções de justiça so-
cial, igualdade, tolerância e de uma compaixão prática
na frente da consciência muçulmana há séculos. Os mu-
çulmanos nem sempre corresponderam a esses ideais e
frequentemente têm dificuldade de incorporá-los a suas
instituições sociais e políticas. Mas a luta para chegar a
isso foi, durante séculos, a mola mestra da espiritualida-
de islâmica. Os ocidentais devem ter consciência de que
também é do seu interesse que o Islã permaneça saudável
e forte. O Ocidente não tem sido inteiramente respon-
sável pelas formas extremadas de islamismo, que culti-
vam uma violência que viola os cânones mais sagrados da
religião. Mas o Ocidente, por certo, contribuiu para esse
processo e, para diminuir o medo e o desespero que se
encontram na raiz de toda visão fundamentalista, deveria
cultivar uma avaliação mais acurada do Islã no terceiro
milênio.
armstrong, Karen. O islã. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 245.
BRUNEI
GÂMBIA
SERRA LEOA
1 2
3
4
5
6
7
89
10
1112
13
14
15
16
17 18
19
20
IRÃ
ÍNDIA
CASAQUISTÃO
LÍBIA
SUDÃO
ARGÉLIA
MALI NÍGER
EGITO
JORDÂNIA
CHADE
ETIÓPIA
TURQUIA
NIGÉRIA
ARÁBIA
SAUDITA
PAQUISTÃO
TANZÂNIA
MAURITÂNIA
IRAQUE
IÊMEN
OMÃ
SOMÁLIA
AFEGANISTÃO
MOÇAMBIQUE
UZBEQUISTÃO
SÍRIA
MARROCOS
CAMARÕES
TUNÍSIA
QUIRGUISTÃO
SENEGAL
SÉRVIA
SAARA
TADJIQUISTÃO
INDONÉSIA
MALAUÍ
MALÁSIA
GEÓRGIA
LIBÉRIA
GUINÉ
EQUATORIAL
BANGLADESH
DJIBUTI
KUWAIT
CHIPRE
MAURÍCIO
COMORES
MALDIVAS
CINGAPURA
EUROPAEUROPA
ÁSIAÁSIA
OCEANIA
OCEANO
ÍNDICO
OCEANO
PACÍFICOOCEANO
ATLÂNTICO
180°135°L90°L45°L0°
35°N
0°
35°S
Trópico de Capricórnio
Equador
M
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G
re
en
w
ic
h
Trópico de CâncerTrópico de Câncer
0 2 270 4 540 km
1 cm – 2 270 km
11 – Turcomenistão
2 – Guiné 12 – Azerbaijão
5 – República
Centro-Africana
14 – Bulgária4 – Burkina Faso
3 – Costa do Mar�m
6 – Eritreia
7 – Benin
1 – Guiné-Bissau
13 – Líbano
9 – Gana
10 – Israel
8 – Togo
15 – Bósnia-Herzegovina
16 – Kosovo
17 – Albânia
18 – Armênia
19 – Sudão do Sul
20 – Emirados Árabes
Unidos
80% ou mais
% de muçulmanos
50% a 79%
30% a 49%
10% a 29%
O islamismo hoje
Fonte de pesquisa: o'brien, Joanne; Palmer, Martin. O atlas das religiões: o
mapeamento completo de todas as crenças. São Paulo: Publifolha, 2008. p. 24-25.
10. Alternativa a.
Adolf Hitler assumiu o poder em 1933, momen-
to em que a Alemanha estava em crise devido
à derrota na Primeira Guerra Mundial. Um de
seus objetivos era resgatar a grandeza do po-
vo alemão. Para isso, procurou exaltar o nacio-
nalismo e o antissemitismo, difundindo a ideia
falsa de uma suposta superioridade da “raça”
ariana. Como parte dessa ideologia, fundou o
que chamou de Terceiro Reich (Terceiro Reino),
apresentando-o como continuação do Sacro
Império Romano-Germânico, uma instituição
medieval, e do Império Alemão, fundado em
1871. Sobre as demais alternativas: o Concílio
Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, repre-
sentou uma tentativa de atualização da Igreja
católica, e não um retorno a valores medievais
(b); a luta dos negros da África do Sul contra o
apartheid não se inspirou em valores medie-
vais (c); Napoleão Bonaparte utilizou a figura
de Carlos Magno para fortalecer seu governo,
mas a base de sua legitimidade foram as con-
quistas da Revolução Francesa, que ele difun-
diu pela Europa, investindo contra instituições
medievais, como o feudalismo (d); a tradição
da cavalaria medieval não foi afetada negati-
vamente pelo cinema de Hollywood, embora
suas produções não a representem com rigor
histórico (e).
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Analise os itens abaixo:
I. Apesar de ser a religião que mais cresce no mundo, o
islamismo ainda se concentra especialmente no Orien-
te Médio e no norte do continente africano.
II. Todos os islâmicos são árabes, destacando-se o fato de que
aqueles que aderem à religião mudam também de etnia.
III. Atualmente, os seguidores do islamismo chegam a
80%, ou mais, dos habitantes de países como Arábia
Saudita, Irã, Líbia e Egito.
IV. Após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos
Estados Unidos, o convívio entre islâmicos e cris-
tãos se intensificou, especialmente porque o gover-
no estadunidense, por meio da imprensa, procurou
criar uma visão positiva e não preconceituosa em re-
lação à fé muçulmana.
V. Apesar de o islamismo cultivar valores e ideais de
justiça social, igualdade, tolerância e compaixão, há
movimentos muçulmanos que pregam e praticam a
violência estimulados pela incompreensão e intolerân-
cia do Ocidente.
Estão corretos somente os itens:
a) II, III e IV. d) II, IV e V.
b) I, II e III. e) I, IV e V.
c) I, III e V.
C4 – H18
12. (Enem)
Se a mania de fechar, verdadeiro habitus da menta-
lidade medieval nascido talvez de um profundo sen-
timento de insegurança, estava difundida no mundo
rural, estava do mesmo modo no meio urbano, pois
que uma das características da cidade era de ser limi-
tada por portas e por uma muralha.
duby, G. et al. Séculos XIV-XV. In: ariès, P.; duby, G.
História da vida privada da Europa Feudal à Renascença.
São Paulo: Cia. das Letras, 1990. (Adaptado.)
As práticas e os usos das muralhas sofreram importantes mu-
danças no final da Idade Média, quando elas assumiram a
função de pontos de passagem ou pórticos. Este processo
está diretamente relacionado com:
a) o crescimento das atividades comerciais e urbanas.
b) a migração de camponeses e artesãos.
11. Alternativa c.
O islamismo não prega a violência. Entretanto,
certas circunstâncias históricas estimularam o
surgimento de grupos islâmicos que pregam e
praticam a violência. Entre essas circunstân-
cias, ocupa um lugar importante a incom-
preensão e a intolerância com que os muçul-
manos são tratados por amplos setores e mes-
mo governos dos países ocidentais. Também
contribuem para isso a história das Cruzadas e
a opressão do povo palestino pelo Estado de
Israel, sempre apoiado pelos Estados Unidos.
Sobre as demais afirmativas: nem todos os
islâmicos são árabes e não há mudança de
etnia por adesão à religião (II); após os aten-
tados de 11 de setembro de 2001, as relações
entre o Ocidente e o mundo islâmico pioraram
muito, o que fortaleceu as visões preconceituo-
sas em relação aos praticantes da fé muçulma-
na (IV).
12. Alternativa a.
As cidades medievais eram geralmente cerca-
das por muralhas. Nos últimos séculos da
Idade Média, porém, a expansão das ativida-
des comerciais, a circulação mais rápida das
riquezas e as feiras provocaram mudanças no
espaço urbano, que já não podia continuar tão
fechado quanto antes. Dessa forma, as mura-
lhas se tornaram pontos de passagem com
seus pórticos abertos para viajantes e merca-
dores. Sobre as demais alternativas: embora a
migração de camponeses fosse importante,
por si só não teria exigido a abertura dos pór-
ticos, pois eles não eram tão bem-vindos às ci-
dades quanto os mercadores, que faziam cir-
cular as riquezas (b); a expansão dos parques
industriais e fabris sóocorreria a partir de
meados do século XVIII na Inglaterra, com a
Revolução Industrial (c); o aumento do número
de castelos e feudos, caso houvesse, não leva-
ria à abertura das muralhas urbanas, pois eles
constituíam propriedades fechadas e autossu-
ficientes; os senhores feudais, portanto, não
estavam tão interessados no comércio quanto
os burgueses das cidades (d); ao contrário,
com a abertura das muralhas aumentava o ris-
co de propagação das epidemias, devido ao
aumento do contato entre as pessoas (e).
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c) a expansão dos parques industriais e fabris.
d) o aumento do número de castelos e feudos.
e) a contenção das epidemias e doenças.
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13. (Enem)
Quando ninguém duvida da existência de um outro
mundo, a morte é uma passagem que deve ser celebrada
entre parentes e vizinhos. O homem da Idade Média tem
a ressurreição. Pois nada se detém e tudo continua na
eternidade. A perda contemporânea do sentimento reli-
gioso fez da morte uma provação aterrorizante, um tram-
polim para as trevas e o desconhecido.
duby, G. Ano 2000 na pista do nossos medos. São Paulo: Unesp,
1998. (Adaptado.)
Ao comparar as maneiras com que as sociedades têm lidado
com a morte, o autor considera que houve um processo de:
a) mercantilização das crenças religiosas.
b) transformação das representações sociais.
c) disseminação do ateísmo nos países de maioria cristã.
d) diminuição da distância entre saber científico e eclesiástico.
e) amadurecimento da consciência ligada à civilização moderna.
C4 – H18
14. (SM) Leia o texto abaixo.
Entre meados do século XII e meados do século XIII, a
recrudescência das condenações da usura é explicada pelo
temor da Igreja ao ver a sociedade abalada pela proliferação
das práticas usurárias. O terceiro Concílio de Latrão (1179)
declara que muitos homens abandonam sua condição so-
cial, sua profissão para tornarem-se usurários. No século
XIII, o papa Inocêncio IV e o grande canonista Hostiensis
temem a deserção dos campos, devido ao fato de os campo-
neses terem se tornado usurários ou estarem privados de
gado e de instrumentos de trabalho pelos possuidores de ter-
ras, eles próprios atraídos pelos ganhos da usura. A atração
pela usura faz aparecer a ameaça de um recuo da ocupação
dos solos e da agricultura, e com ela o espectro da fome.
le goFF, Jacques. A bolsa e a vida: a usura na Idade Média. 2. ed.
São Paulo: Brasiliense, 2004. p. 25.
Considerando as informações do texto, a prática da usura, na
Baixa Idade Média:
13. Alternativa b.
Na Idade Média, segundo o autor, as pessoas
encaravam a morte como um momento de pas-
sagem da vida terrena, material, para a vida
eterna. Nessas circunstâncias, a morte não de-
veria causar terror. No mundo contemporâneo,
porém, a perda da religiosidade teria contri-
buído para uma nova representação social da
morte como algo aterrorizante, um salto para
as trevas. Sobre as outras alternativas não há
menção no texto à mercantilização das cren-
ças religiosas (a); o autor se refere à “perda
contemporânea do sentimento religioso”, não
apenas nos países cristãos (c); a diminuição da
distância entre o saber científico e o saber
eclesiástico não provocaria necessariamente a
perda de religiosidade (d); da mesma forma, o
amadurecimento da consciência ligada à civili-
zação moderna tampouco levaria obrigatoria-
mente à perda da religiosidade (e).
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a) foi um fenômeno isolado, que não podia abalar as estru-
turas da sociedade feudal, mas que a Igreja reprimiu por
superstições e preconceito.
b) era expressão de uma nova forma de acumular riqueza
que se chocava com a visão de mundo pregada pela Igreja
católica e abalava as tradicionais formas de organização
da sociedade medieval.
c) enfraqueceu sobremaneira o poder da Igreja, que reagiu
condenando-a e destruindo o avanço da urbanização e do
comércio medievais.
d) favoreceu o surgimento e o enriquecimento de uma nova
classe social, a burguesia, que, com a Igreja, apoiou a melho-
ria da produção agrícola e a fixação do camponês na terra.
e) impediu o pleno desenvolvimento econômico da Europa
Ocidental, que continuou presa aos velhos paradigmas
tecnológicos do período feudal.
C1 – H1
15. (Enem)
Acompanhando a intenção da burguesia renascen-
tista de ampliar seu domínio sobre a natureza e sobre
o espaço geográfico, através da pesquisa científica e
da invenção tecnológica, os cientistas também iriam
se atirar nessa aventura, tentando conquistar a for-
ma, o movimento, o espaço, a luz, a cor e mesmo a
expressão e o sentimento.
sevCenKo, N. O Renascimento. Campinas: Unicamp, 1984.
O texto apresenta um espírito de época que afetou também
a produção artística, marcada pela constante relação entre:
a) fé e misticismo. d) política e economia.
b) ciência e arte. e) astronomia e religião.
c) cultura e comércio.
C6 – H27
16. (SM) Leia o texto abaixo.
Parece-me, portanto, que o vasto âmbito de atividades
e realizações de Leonardo da Vinci, o arquétipo do uomo
universale, pode ser mais bem examinado nas três catego-
rias de artista, criador e cientista. Na sua própria síntese,
as atividades de inventor, ou criador, assim como aquelas
de artista, estão inextricavelmente relacionados a scientia, o
14. Alternativa b.
O texto do enunciado discute a reação da
Igreja ao aumento da prática da usura e as ra-
zões alegadas pela instituição para condená-
-la. A Igreja considerava que a usura represen-
tava um perigo para a estabilidade da ordem
feudal. Essa forma de acumular riqueza era al-
go imoral, que se chocava com a visão de
mundo pregada por ela. Sobre as demais alter-
nativas: não foi um fenômeno isolado, pois re-
fletia profundas mudanças em curso na socie-
dade feudal, como a expansão do comércio e
da urbanização e o novo valor atribuído ao di-
nheiro (a); a Igreja condenava a usura, mas
não conseguiu conter o avanço da urbanização
e do comércio durante a Idade Média (c); a
usura favoreceu sem dúvida o enriquecimento
da burguesia, mas esta não apoiou a fixação
dos camponeses na terra (d); as novas práti-
cas econômicas, entre elas a usura, permiti-
ram o avanço do comércio, da urbanização,
das finanças e, portanto, a superação do feu-
dalismo na Europa (e).
15. Alternativa b.
A relação entre ciência e arte foi marcante
durante o Renascimento. O “espírito de épo-
ca” desse período era o da valorização do
ser humano (antropocentrismo) e do conheci-
mento científico. Uma síntese dessa relação
pode ser vista na produção de Leonardo da
Vinci, que era ao mesmo tempo pintor, cien-
tista, pesquisador e inventor, com investiga-
ções em áreas do conhecimento como a hi-
drodinâmica, a engenharia civil, a anatomia,
etc. Estão incorretas as demais alternativas,
porque: o misticismo era considerado um res-
quício da Idade Média (a); a relação entre
cultura e comércio era importante, já que
grandes comerciantes patrocinavam os artis-
tas, mas não era determinante, no sentido de
influenciar a produção artística (c); o mesmo
se pode dizer da relação entre política e eco-
nomia (d) e entre astronomia e religião (e).
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conhecimento dos princípios naturais. Ele se referia a si mes-
mo, em uma de suas expressões mais interessantes, como “o
inventor é o intérprete entre o homem e a natureza”.
CaPra, Fritjof. A ciência de Leonardo da Vinci: um mergulho
profundo na mente do grande gênio da Renascença. São Paulo:
Cultrix, 2008. p. 59.
Conforme o texto e o que sabemos sobre o Renascimento, po-
demos considerar que:
a) Leonardo da Vinci sintetiza alguns dos valores fundamen-
tais do Renascimento, especialmente a relação intrínseca
entre o conhecimento da natureza e do ser humano, por um
lado, e, por outro, a capacidade de produzir artee ciência.
b) apesar dos profundos conhecimentos científicos de Leo-
nardo da Vinci, sua obra artística expressava uma visão
ultrapassada do ser humano e da natureza.
c) ao ser criador, artista e cientista, Leonardo da Vinci se mos-
trava capaz de superar os limitados sonhos renascentistas,
que pretendiam apenas incorporar parte da produção inte-
lectual da Antiguidade Clássica ao pensamento moderno.
d) Leonardo da Vinci revolucionou a ciência ao transformar a
natureza em escrava dos desejos humanos de avanço tec-
nológico, independentemente dos impactos ambientais
que tais transformações pudessem causar.
e) as propostas renascentistas de transformação do mundo esbar-
raram na incapacidade dos seus expoentes máximos em pen-
sar saídas para a crise da relação entre arte, criação e ciência.
C5 – H23
17. (Enem)
Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que
temido ou temido que amado. Responda-se que ambas as
coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, é
muito mais seguro ser temido que amado, quando haja
de faltar uma das duas. Porque dos homens se pode dizer,
duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, simulado-
res, covardes e ávidos de lucro, e quanto lhes fazem bem
são inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os bens, a
vida e os filhos, quando, como acima disse, o perigo está
longe; mas quando ele chega, revoltam-se.
maquiavel, N. O Príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991.
A partir da análise histórica do comportamento humano em
suas relações sociais e políticas, Maquiavel define o homem
como um ser:
16. Alternativa a.
Artista, criador e cientista: o texto deixa claro
que Leonardo da Vinci pode ser considerado o
gênio humanista que conseguiu como nenhum
outro desenvolver a fundo a relação entre a
natureza, o ser humano, a arte e a ciência.
Sobre as demais alternativas: a obra de
Leonardo foi inovadora e expressou uma visão
moderna do ser humano ao colocá-lo no cen-
tro de suas preocupações e investigações (b);
os sonhos renascentistas não estavam limita-
dos à incorporação da produção intelectual
clássica, mas envolviam amplos projetos basea-
dos no antropocentrismo, no individualismo e
no racionalismo (c); Da Vinci não tinha inten-
ção de transformar a natureza em escrava do
homem e a questão ambiental ainda não era
uma fonte de preocupação (d); a relação entre
arte, criação e ciência não estava em crise;
além disso, os pensadores renascentistas con-
tribuíram para transformações em diversos
campos da ação humana (e).
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a) munido de virtude, com disposição nata a praticar o bem
a si e aos outros.
b) possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para alcan-
çar êxito na política.
c) guiado por interesses, de modo que suas ações são impre-
visíveis e inconstantes.
d) naturalmente racional, vivendo em um estado pré-social e
portando seus direitos naturais.
e) sociável por natureza, mantendo relações pacíficas com
seus pares.
C2 – H7
18. (Enem)
A identidade negra não surge da tomada de consciência
de uma diferença de pigmentação ou de uma diferença bio-
lógica entre populações negras e brancas e(ou) negras e ama-
relas. Ela resulta de um longo processo histórico que começa
com o descobrimento, no século XV, do continente africano
e de seus habitantes pelos navegadores portugueses, desco-
brimento esse que abriu o caminho às relações mercantilis-
tas com a África, ao tráfico negreiro, à escravidão e, enfim, à
colonização do continente africano e de seus povos.
munanga, K. Algumas considerações sobre a diversidade e a
identidade negra no Brasil. In: Diversidade na educação: reflexões
e experiências. Brasília: Semtec/MEC, 2003. p. 37.
Com relação ao assunto tratado no texto, é correto afirmar que:
a) a colonização da África pelos europeus foi simultânea ao
descobrimento desse continente.
b) a existência de lucrativo comércio na África levou os por-
tugueses a desenvolverem esse continente.
c) o surgimento do tráfico negreiro foi posterior ao início da
escravidão no Brasil.
d) a exploração da África decorreu do movimento de expan-
são europeia do início da Idade Moderna.
e) a colonização da África antecedeu as relações comerciais
entre esse continente e a Europa.
C1 – H3
19. (SM) Leia o texto abaixo:
A história da África é importante para nós, brasi-
leiros, porque ajuda a explicar-nos. Mas é importante
também por seu valor próprio e porque nos faz melhor
compreender o grande continente que fica em nossa
17. Alternativa c.
Maquiavel não tinha uma opinião muito lison-
jeira dos homens. Ingratos, volúveis, covardes
são algumas das características atribuídas a
eles pelo autor de O príncipe. Não se podia,
portanto, confiar demasiado em seu apoio ou
simpatia. Por isso, se tivesse de escolher en-
tre uma coisa e outra, recomendava o realismo
político que o príncipe preferisse ser temido,
em vez de amado. As demais alternativas são
incorretas porque: para Maquiavel, os homens
não tinham disposição inata para a prática do
bem (a); a posse de riquezas não faz parte da
reflexão de Maquiavel nessa parte do texto
(b); o autor não afirma que o ser humano seja
naturalmente racional (d) ou sociável por na-
tureza (e).
18. Alternativa d.
De fato, a chegada dos portugueses ao norte
da África (Ceuta, 1415) e, mais tarde, seu péri-
plo pela costa atlântica do continente africano
deram início às Grandes Navegações e à ex-
pansão europeia no começo da Idade Moderna.
A exploração da África foi uma decorrência
dessa expansão. Sobre as demais alternativas:
não se pode falar em “descobrimento” da
África, continente conhecido dos europeus
bem antes das Grandes Navegações. Além dis-
so, não houve colonização simultânea à chega-
da dos europeus, interessados em escravizar
os africanos e em obter lucros com o tráfico
negreiro (a); nem os portugueses nem outros
europeus se preocuparam em desenvolver o
continente africano (b); a escravização de in-
dígenas é anterior ao tráfico negreiro para o
Brasil. Entretanto, os portugueses começaram
a traficar africanos escravizados para a Europa
por volta de 1450, ou seja, bem antes de che-
garem ao Brasil (c). A questão não especifica
se o tráfico a que se refere era para a América
ou se estavam aí incluídos outros continentes;
as relações comerciais entre a Europa e a
África são bem anteriores à colonização do
continente africano (e).
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fronteira leste e de onde proveio quase a metade de
nossos antepassados. Não pode continuar o seu estudo
afastado de nossos currículos, como se fosse matéria
exótica. Ainda que disto não tenhamos consciência, o
obá do Benin ou o angola a quiluanje estão mais próxi-
mos de nós do que os antigos reis da França.
silva, Alberto da Costa e. Um rio chamado Atlântico. 2. ed. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 2011. p. 240.
Da leitura do texto é possível depreender que:
a) a África e o Brasil mantêm relações culturais intensas, o
que fundamenta o grande interesse existente no Brasil
pela história do continente africano.
b) apesar da significativa importância da história europeia
para o Brasil, insiste-se no país em se valorizar a cultura e
a história africanas, de importância menor.
c) apesar de afastada dos currículos escolares, a história do
continente africano é fundamental para a compreensão
da identidade cultural brasileira.
d) em razão de sua importância para a compreensão da so-
ciedade e da cultura brasileiras, a história da África tem
sido mais valorizada do que a história europeia.
e) não se pode pensar a história brasileira sem colocar em
condição de igualdade a importância cultural e política
dos reis africanos e europeus para a nossa formação.
C1 – H3
20. (Enem)
Seguiam-se vinte criados custosamente vestidos e monta-
dos em soberbos cavalos; depois destes, marchava o Embai-
xador do Rei do Congo magnificamente ornadode seda azul
para anunciar ao Senado que a vinda do Rei estava destinada
para o dia dezesseis. Em resposta obteve repetidas vivas do
povo que concorreu alegre e admirado de tanta grandeza.
Coroação do Rei do Congo em Santo Amaro, Bahia apud del
Priore, M. Festas e utopias no Brasil colonial. In: Catelli Jr., R.
Um olhar sobre as festas populares brasileiras. São Paulo: Brasiliense,
1994. (Adaptado.)
Originária dos tempos coloniais, a festa da Coroação do Rei
do Congo evidencia um processo de:
a) exclusão social.
b) imposição religiosa.
c) acomodação política.
d) supressão simbólica.
e) ressignificação cultural.
19. Alternativa c.
A questão permite que seja discutida a impor-
tância da história e da cultura africanas para a
formação da identidade do povo brasileiro,
mostrando como muitas das nossas caracterís-
ticas culturais se ligam, historicamente, a as-
pectos da cultura africana.
O texto citado enfatiza a importância da África
para a construção da identidade cultural brasi-
leira. O autor observa que, apesar disso, a his-
tória africana permanece distante dos currícu-
los escolares (vale lembrar que uma lei federal
de 2003 tornou obrigatório o estudo da cultu-
ra afro-brasileira e da história da África nos
estabelecimentos de ensino do Brasil). Sobre
as demais alternativas: embora seja verdade
que as relações culturais entre Brasil e África
são intensas, não havia até pouco tempo atrás
grande interesse no Brasil pela história do
continente africano (a); a afirmação de que a
história europeia é mais importante para o
Brasil do que a africana está em oposição ao
texto do enunciado (b); o texto afirma que a
história africana, apesar de sua importância,
tem sido desprezada no Brasil (d); o texto con-
sidera que temos mais ligações com os reis
africanos do que com os europeus, ou seja, eles
não estariam em condições de igualdade (e).
20. Alternativa e.
O Congado, ou Festa de Coroação do Rei do
Congo, é um festejo de origem africana cele-
brado no Brasil desde o período colonial. Ao
repetir no exílio, e sob a opressão do trabalho
cumpulsório, a coroação de um rei de seu con-
tinente, os africanos e afrodescendentes es-
cravizados reafirmavam sua identidade e res-
significavam suas tradições em um contexto
hostil. A festa, portanto, não podia evidenciar
exclusão social, imposição religiosa ou acomo-
dação política (a, b e c). Não era tampouco
uma manifestação de supressão simbólica (e),
pois o simbolismo da festa estava voltado para
a afirmação simbólica de um rei africano.
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C1 – H2
21. (Enem)
A África também já serviu como ponto de partida para
comédias bem vulgares, mas de muito sucesso, como Um
príncipe em Nova York e Ace Ventura: um maluco na África;
em ambas, a África parece um lugar cheio de tribos doidas
e rituais de desenho animado. A animação O rei Leão, da
Disney, o mais bem-sucedido filme americano ambienta-
do na África, não chegava a contar com elenco de seres
humanos.
leibowitz, E. Filmes de Hollywood sobre África ficam no clichê.
Disponível em: <http://noticias.uol.com.br>. Acesso em: 17 abr. 2010.
A produção cinematográfica referida no texto contribui para
a constituição de uma memória sobre a África e seus habi-
tantes. Essa memória enfatiza e negligencia, respectivamente,
os seguintes aspectos do continente africano:
a) a história e a natureza.
b) o exotismo e as culturas.
c) a sociedade e a economia.
d) o comércio e o ambiente.
e) a diversidade e a política.
C1 - H3
22. (Enem)
A recuperação da herança cultural africana deve levar
em conta o que é próprio do processo cultural: seu mo-
vimento, pluralidade e complexidade. Não se trata, por-
tanto, do resgate ingênuo do passado nem do seu cultivo
nostálgico, mas de procurar perceber o próprio rosto cul-
tural brasileiro. O que se quer é captar seu movimento
para melhor compreendê-lo historicamente.
minas gerais. Cadernos do Arquivo 1: escravidão em Minas Gerais.
Belo Horizonte: Arquivo Público Mineiro, 1988.
Com base no texto, a análise de manifestações culturais de
origem africana, como a capoeira ou o candomblé, deve con-
siderar que elas:
a) permanecem como reprodução dos valores e costu-
mes africanos.
b) perderam a relação com o seu passado histórico.
c) derivam da interação entre valores africanos e a experiên-
cia histórica brasileira.
21. Alternativa b.
Desde o primeiro filme de Tarzan, em 1918,
Hollywood tem abordado a África de forma
preconceituosa e quase sempre racista, em
produções que representam a cultura africana
de modo fantasioso e arbitrário, e exploram o
que as sociedades ocidentais consideram o
“exotismo” do continente africano. As demais
alternativas são incorretas porque nenhum fil-
me hollywoodiano enfatiza a história (a), a so-
ciedade (c), o comércio (d) ou a diversidade
cultural da África (e).
22. Alternativa c.
O texto citado fala do resgate da herança cul-
tural africana no Brasil, considerando que ela
não se constitui de formas puras transplantadas
da África para o Brasil. “O que se procura é
captar seu movimento”, sua pluralidade e sua
complexidade. Manifestações como o candom-
blé e a capoeira, por exemplo, são na verdade
resultado de um processo de adaptação de
manifestações culturais africanas às condições
históricas, sociais e culturais que envolveram
a formação da colônia portuguesa. Sobre as
demais alternativas: as manifestações cultu-
rais afro-brasileiras não são uma simples re-
produção dos valores e dos costumes africa-
nos (a), embora não tenham perdido a relação
com seu passado (b); essas manifestações
contribuem para a aproximação cultural entre
brancos e negros no Brasil, e não para seu dis-
tanciamento (d); o texto não sugere “superio-
ridade” de um ou de outro grupo (e).
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C
ad
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d
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s
d) contribuem para o distanciamento cultural entre negros e
brancos no Brasil atual.
e) demonstram a maior complexidade cultural dos africanos
em relação aos europeus.
C2 – H9
23. (Enem) O Império Inca, que corresponde principalmen-
te aos territórios da Bolívia e do Peru, chegou a englobar
enorme contingente populacional. Cuzco, a cidade sagrada,
era o centro administrativo, com uma sociedade fortemente
estratificada e composta por imperadores, nobres, sacer-
dotes, funcionários do governo, artesãos, camponeses, es-
cravos e soldados. A religião contava com vários deuses,
e a base da economia era a agricultura, principalmente o
cultivo da batata e do milho.
A principal característica da sociedade inca era a:
a) ditadura teocrática, que igualava a todos.
b) existência da igualdade social e da coletivização da terra.
c) estrutura social desigual compensada pela coletivização
de todos os bens.
d) existência de mobilidade social, o que levou à composi-
ção da elite pelo mérito.
e) impossibilidade de se mudar de estrato social e a existên-
cia de uma aristocracia hereditária.
C3 – H11
24. (SM) Observe as imagens a seguir e escolha a alternativa
correta.
A
la
m
y
A grande esfinge com a pirâmide de Quéfren ao fundo. Gizé, Egito, foto
de 2012.
23. Alternativa e.
Como o enunciado da questão assinala, a so-
ciedade inca era "fortemente estratificada". O
lugar das pessoas era definido por seu nasci-
mento. O poder estava nas mãos de uma no-
breza hereditária, dos sacerdotes e da buro-
cracia do Estado. Acima deles reinava o impe-
rador. Não havia, portanto, igualdade social
(alternativas a e b), os bens não estavam to-
dos coletivizados (c) e a elite não era definida
pelo mérito (d).
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Pedra do Sol, popularmente conhecida como calendário asteca.
G
et
ty
Im
ag
es
I. Do ponto de vista do exercício do poder político, os
dois Estados eram centralizados em torno do líder, que
tinha seu poder associado a uma origem divina.
II. As grandesconstruções e as obras públicas eram executa-
das por grupos sociais subalternos, principalmente escra-
vos, existentes em larga quantidade nos dois impérios.
III. As sociedades egípcia e asteca eram altamente es-
tratificadas, o que tornava a mobilidade social algo
restrito; a base de ambas era formada essencial-
mente por camponeses.
IV. Apesar de a economia das duas sociedades depender
da agricultura, desenvolveram-se nelas trocas comer-
ciais intensas com os povos vizinhos, sobretudo por
meio de rotas marítimas.
Estão corretas somente as afirmações:
a) I e II. d) I e III.
b) III e IV. e) II e IV.
c) I e IV.
C3 – H11
25. (Enem)
Os vestígios dos povos Tupi-Guarani encontram-se des-
de as Missões e o rio da Prata, ao sul, até o Nordeste, com
algumas ocorrências ainda mal conhecidas no sul da Ama-
zônia. A leste ocupava toda a faixa litorânea, desde o Rio
24. Alternativa d.
As imagens fazem referência a duas socieda-
des antigas, a egípcia e a asteca. Em ambas,
o poder político estava centralizado em torno
de um líder considerado divino. Altamente es-
tratificadas, elas tinham no camponês a sua
base social fundamental. As demais alternati-
vas estão incorretas porque: as obras públi-
cas e as construções, especialmente as reali-
zadas no Egito Antigo, eram feitas com mão
de obra livre e remunerada (II); a economia
egípcia e a asteca eram dependentes da agri-
cultura, mas apenas os astecas tinham uma
rede comercial intensa, ao contrário dos
egípcios, que, em geral, tendiam à autossufi-
ciência. Além disso, nenhum dos dois povos
dominava rotas marítimas, embora os egíp-
cios comercializassem com os fenícios e ou-
tros povos do Crescente Fértil (IV).
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Grande do Sul até o Maranhão. A oeste, aparece (no rio da
Prata) no Paraguai e nas terras baixas da Bolívia. Evitam as
terras inundáveis do Pantanal e marcam sua presença discre-
tamente nos cerrados do Brasil central. De fato, ocuparam,
de preferência, as regiões de floresta tropical e subtropical.
Prous, A. O Brasil antes dos brasileiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar
Editor, 2005.
Os povos indígenas citados possuíam tradições culturais es-
pecíficas que os distinguiam de outras sociedades indígenas
e dos colonizadores europeus. Entre as tradições tupis-gua-
ranis, destacava-se:
a) a organização em aldeias politicamente independentes, dirigi-
das por um chefe, eleito pelos indivíduos mais velhos da tribo.
b) a ritualização da guerra entre as tribos e o caráter semis-
sedentário de sua organização social.
c) a conquista de terras mediante operações militares, o que
permitiu seu domínio sobre vasto território.
d) o caráter pastoril de sua economia, que prescindia da
agricultura para investir na criação de animais.
e) o desprezo pelos rituais antropofágicos praticados em
outras sociedades indígenas.
C1 – H1
26. (Enem)
Em geral, os nossos tupinambás ficam bem admira-
dos ao ver os franceses e os outros dos países longínquos
terem tanto trabalho para buscar o seu arabotã, isto é,
pau-brasil. Houve uma vez um ancião da tribo que me fez
esta pergunta: “Por que vindes vós outros, mairs e perós
(franceses e portugueses), buscar lenha de tão longe para
vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra?”
léry, J. Viagem à terra do Brasil. In: Fernandes, F. Mudanças sociais
no Brasil. São Paulo: Difel, 1974.
O viajante francês Jean de Léry (1534-1611) reproduz um
diálogo travado, em 1557, com um ancião tupinambá, o qual
demonstra uma diferença entre a sociedade europeia e a in-
dígena no sentido:
a) do destino dado ao produto do trabalho nos seus sis-
temas culturais.
b) da preocupação com a preservação dos recursos ambientais.
c) do interesse de ambas em uma exploração comercial mais
lucrativa do pau-brasil.
25. Alternativa b.
Em 1500, quando a esquadra de Pedro Álvares
Cabral chegou ao Brasil, a organização social
dos indígenas tupi-guaranis tinha um caráter
semissedentário. Eles viviam em aldeias e cul-
tivavam produtos agrícolas como a mandioca.
Entretanto, sua maior fonte de subsistência
eram a caça e a coleta. Quando faltavam esses
recursos, eles se transferiam para outro lugar.
A guerra tinha função ritual, contribuindo para
o equilíbrio entre as aldeias. As demais alter-
nativas são incorretas porque: a alternativa a
omite o caráter semissedentário dos Tupi-
-Guarani; os Tupi-Guarani se deslocavam de
tempos em tempos à procura de recursos es-
gotados nas regiões onde haviam estado an-
tes, mas empreendiam ações militares para
conquistar terras (c); sua economia não tinha
caráter pastoril, mas combinava agricultura
rudimentar com caça, pesca e coleta (d); eles
não desprezavam os rituais antropofágicos, e
sim os praticavam (e).
26. Alternativa a.
O aluno deve perceber a diferença entre os
dois “sistemas culturais”. Para o indígena, era
incompreensível que os europeus viessem de
tão longe para buscar pau-brasil. Os indígenas
utilizavam a madeira como lenha, enquanto os
europeus a queriam por seu valor comercial, o
que não tinha sentido para o velho tupinambá.
Na Europa, o pau-brasil era utilizado na produ-
ção de um corante para tecidos, em uma épo-
ca na qual os produtos têxteis de boa qualida-
de eram vendidos em grande escala na Europa.
As demais alternativas são incorretas porque:
não havia uma preocupação deliberada com a
preservação dos recursos naturais, embora os
indígenas tivessem com a natureza uma rela-
ção de equilíbrio (b); os indígenas não tinham
interesses comerciais (c); não havia “abertura
cultural recíproca”; na verdade, os portugue-
ses destruíram a cultura indígena (d); tampou-
co havia preocupação em armazenar madeira
para o inverno, já que nos trópicos os invernos
não são tão rigorosos como na Europa (e).
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d) da curiosidade, reverência e abertura cultural recíprocas.
e) da preocupação com o armazenamento de madeira para
os períodos de inverno.
C1 – H1
27. (Enem)
De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e
muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar,
muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos
ver senão terra com arvoredos, que nos parecia mui-
to longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja
ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro;
nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons
ares [...]. Porém o melhor fruto que dela se pode tirar me
parece que será salvar esta gente.
Carta de Pero Vaz de Caminha. In: marques, A; berutti, F.; Faria, R.
História moderna através de textos. São Paulo: Contexto, 2001.
A carta de Pero Vaz de Caminha permite entender o projeto
colonizador para a nova terra. Nesse trecho, o relato enfatiza
o seguinte objetivo:
a) Valorizar a catequese a ser realizada sobre os povos nativos.
b) Descrever a cultura local para enaltecer a prosperida-
de portuguesa.
c) Transmitir o conhecimento dos indígenas sobre o poten-
cial econômico existente.
d) Realçar a pobreza dos habitantes nativos para demarcar a
superioridade europeia.
e) Criticar o modo de vida dos povos autóctones para evi-
denciar a ausência de trabalho.
C3 – H15
28. (Enem)
Chegança
Sou Pataxó,
Sou Xavante e Carriri,
Ianomâmi, sou Tupi
Guarani, sou Carajá.
Sou Pancaruru,
Carijó, Tupinajé,
Sou Potiguar, sou Caeté,
27. Alternativa a.
Nesse trecho de sua carta ao rei, Caminha
exalta as qualidades da terra, que seria “chã”,
“formosa” e “de bons ares”, e relata que não
avistaram ouro e que o melhor a fazer seria
“salvar esta gente”, ou seja, catequizar os in-
dígenas. Sobre as demais alternativas: em ou-
tros trechos da carta, Caminha descreve as-
pectos da cultura indígena, mas não com o
propósito de enaltecer a prosperidade portu-
guesa (b); Caminha não se refere ao potencial
econômico da região, apenas observa que não
havia sinais da existência de ouro e outros
metais (c); o olhar de Caminha é deadmiração
em relação aos nativos (d), e não de crítica ao
seu modo de vida (e).
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Ful-ni-ô, Tupinambá
Eu atraquei num porto muito seguro,
Céu azul, paz e ar puro...
Botei as pernas pro ar.
Logo sonhei que estava no paraíso,
Onde nem era preciso dormir para sonhar.
Mas de repente me acordei com a surpresa:
Uma esquadra portuguesa veio na praia atracar.
Da grande-nau
Um branco de barba escura,
Vestindo uma armadura me apontou pra me pegar.
E assustado dei um pulo da rede,
Pressenti a fome, a sede,
Eu pensei: “vão me acabar”.
Levantei-me de Borduna já na mão.
Aí, senti no coração,
O Brasil vai começar.
nóbrega, A.; Freire, W. Pernambuco falando
para o mundo, 1998. 1 CD.
A letra da canção apresenta um tema recorrente na história
da colonização brasileira, as relações de poder entre portu-
gueses e povos nativos, e representa uma crítica à ideia pre-
sente no chamado mito:
a) da democracia racial, originado das relações cordiais es-
tabelecidas entre portugueses e nativos no período ante-
rior ao início da colonização brasileira.
b) da cordialidade brasileira, advinda da forma como os po-
vos nativos se associaram economicamente aos portugue-
ses, participando dos negócios coloniais açucareiros.
c) do brasileiro receptivo, oriundo da facilidade com que
os nativos brasileiros aceitaram as regras impostas pelo
colonizador, o que garantiu o sucesso da colonização.
d) da natural miscigenação, resultante da forma como a
metrópole incentivou a união entre colonos, ex-escra-
vas e nativas para acelerar o povoamento da colônia.
e) do encontro, que identifica a colonização portuguesa
como pacífica em função das relações de troca estabele-
cidas nos primeiros contatos entre portugueses e nativos.
28. Alternativa e.
A canção desconstrói o mito do encontro cor-
dial entre portugueses e indígenas. Embora no
primeiro momento tenha havido colaboração
entre europeus e alguns grupos de nativos na
exploração do pau-brasil, as tentativas de es-
cravização de indígenas pelos portugueses le-
varam a confrontos cada vez mais violentos.
Escravização dos nativos em grande escala,
genocídio, destruição de culturas e de povos
inteiros: eis o saldo desse encontro. Sobre as
outras alternativas: o mito da democracia ra-
cial envolvia também os africanos escraviza-
dos e seus descendentes (a); os nativos não se
associaram economicamente aos portugueses
(b); os nativos não aceitaram facilmente as re-
gras impostas pelo colonizador (c); a metrópo-
le não incentivou a união entre colonos, ex-es-
cravas e nativas (d).
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29. (Enem)
Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra
de sete ou oito. Eram pardos, todos nus. Nas mãos tra-
ziam arcos com suas setas. Não fazem o menor caso de
encobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta
inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os
beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos bran-
cos e verdadeiros. Os cabelos seus são corredios.
CaminHa, P. V. Carta. ribeiro, D. et al. Viagem pela história do Brasil:
documentos. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. (Adaptado.)
O texto é parte da famosa Carta de Pero Vaz de Caminha, do-
cumento fundamental para a formação da identidade brasi-
leira. Tratando da relação que, desde esse primeiro contato,
se estabeleceu entre portugueses e indígenas, esse trecho da
carta revela a:
a) preocupação em garantir a integridade do colonizador
diante da resistência dos índios à ocupação da terra.
b) postura etnocêntrica do europeu diante das característi-
cas físicas e práticas culturais do indígena.
c) orientação da política da Coroa Portuguesa quanto à
utilização dos nativos como mão de obra para colonizar
a nova terra.
d) oposição de interesses entre portugueses e índios, que di-
ficultava o trabalho catequético e exigia amplos recursos
para a defesa da posse da nova terra.
e) abundância da terra descoberta, o que possibilitou a sua
incorporação aos interesses mercantis portugueses, por
meio da exploração econômica dos índios.
C1 – H5
30. (SM) Leia o texto abaixo:
O Brasil possui uma imensa diversidade étnica e lin-
guística, estando entre as maiores do mundo. São cerca
de 220 povos indígenas, mais de 80 grupos de índios iso-
lados, sobre os quais ainda não há informações objetivas.
180 línguas, pelo menos, são faladas pelos membros des-
tas sociedades, que pertencem a mais de 30 famílias lin-
guísticas diferentes. [...]
No que diz respeito à identidade étnica, as mudanças
ocorridas em várias sociedades indígenas, como o fato de
falarem português, vestirem roupas iguais às dos outros
29. Alternativa b.
Esse trecho da carta de Caminha revela o cho-
que cultural sentido pelos portugueses ao se de-
pararem com indígenas a caminhar despidos pe-
la praia, com os lábios inferiores atravessados
por ossos. O aluno deve perceber que a nudez e
o costume de furar os lábios, que tanto estra-
nhamento causaram aos europeus, faziam parte
da cultura dos indígenas. Caminha expressa, as-
sim, uma atitude eurocêntrica (etnocêntrica) em
relação ao “outro”, nesse caso os indígenas que
habitavam as terras a que ele e Cabral haviam
acabado de chegar. O texto não se refere à re-
sistência dos indígenas (a), à orientação da
Coroa portuguesa (c), ao trabalho catequético
(d) ou à abundância da terra (e).
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membros da sociedade nacional com que estão em contato,
utilizarem modernas tecnologias (como câmeras de vídeo,
máquinas fotográficas e aparelhos de fax), não fazem com
que percam sua identidade étnica e deixem de ser indígenas.
Fundação naCional do Índio (FUNAI). Índios no Brasil. Disponível
em: <www.funai.gov.br>. Acesso em: 16 nov. 2013.
As comunidades indígenas existentes no Brasil lutam pela
preservação de sua identidade cultural. Com base nessa
afirmação e no texto acima, podemos considerar que as
comunidades indígenas:
a) constituem suas identidades apenas quando se misturam
aos demais grupos étnicos que compõem o povo brasileiro.
b) perdem boa parte de sua identidade cultural quando utili-
zam os recursos tecnológicos propiciados pela sociedade
de consumo.
c) perdem, cada vez mais, os componentes básicos de sua
identidade cultural, pois vestem-se como os outros gru-
pos étnicos e abandonaram completamente suas lín-
guas nativas.
d) dispõem de mecanismos para preservar sua cultura, prin-
cipalmente por meio do isolamento em relação às demais
comunidades étnicas brasileiras.
e) recriam suas identidades culturais com base nas caracte-
rísticas de sua comunidade e no contato com as demais
etnias que compõem o povo brasileiro.
C3 – H15
31. (Enem)
O canto triste dos conquistados:
os últimos dias de Tenochtitlán
Nos caminhos jazem dardos quebrados;
os cabelos estão espalhados.
Destelhadas estão as casas,
Vermelhas estão as águas, os rios, como se alguém as ti-
vesse tingido,
Nos escudos esteve nosso resguardo,
mas os escudos não detêm a desolação...
PinsKy J. et al. História da América através de textos. São Paulo:
Contexto, 2007 (fragmento).
O texto é um registro asteca, cujo sentido está relacionado ao(à):
a) tragédia causada pela destruição da cultura desse povo.
b) tentativa frustrada de resistência a um poder considerado
superior.
30. Alternativa e.
Os indígenas têm sofrido processos de acultu-
ração desde que os portugueses deram início
à conquista do território brasileiro. Apesar dis-
so, muitos grupos indígenas têm conseguido
preservar o núcleo de suas identidades cultu-
rais por meio de processos de constante re-
criação, sem recorrer ao isolamento em rela-
ção às outras etnias brasileiras. Sobre as de-
mais alternativas: não é por meio da mistura
com outras etnias que as comunidades indíge-
nas conservam sua identidadecultural (a);
conforme o texto, o contato com os recursos
tecnológicos não destrói a identidade cultural
indígena (b); os indígenas não abandonaram os
componentes básicos de sua identidade, pre-
servando entre outras coisas suas línguas
nativas (c); o isolamento não é a principal
maneira de preservação da identidade cultural
indígena (d).
31. Alternativa c.
O texto se refere a dardos quebrados, casas des-
telhadas e rios de águas vermelhas, uma descri-
ção típica de destruição e extermínio.
A alternativa a também é correta, mas o texto
faz alusão especificamente às águas dos rios
tingidas de vermelho, em alusão à quantidade
gigantesca de pessoas exterminadas pelos espa-
nhóis em Tenochtitlán. Quanto às demais alter-
nativas: a alusão a dardos quebrados e escudos
é um indício de que houve luta entre os astecas
e os espanhóis, mas a atenção de quem escre-
veu o texto estava voltada para o extermínio e
não para a resistência asteca (b); o texto não é
um lamento sobre dissolução da memória (d),
nem é uma profecia (e), é uma narrativa de fatos
acontecidos.
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c) extermínio das populações indígenas pelo Exército espanhol.
d) dissolução da memória sobre os feitos de seus antepassados.
e) profetização das consequências da colonização da América.
C4 – H18
32. (SM) Sobre a produção açucareira no Brasil colonial, a histo-
riadora Vera Ferlini afirma:
Em suma, a organização fundiária colonial estava
estreitamente ligada às determinações mais gerais da
política metropolitana. A atividade agrícola não cons-
tituía, para o colono, fator de acumulação de capitais,
mas de riquezas, no sentido de resultar na ampliação
do fundo de terras e de escravos. O nobre negócio do
açúcar, sob a tutela do Estado, dele recebia, como fa-
vor, as condições de realização e reprodução. A explo-
ração, grande compromisso entre a Coroa, os comer-
ciantes e a classe proprietária colonial, não era uma
exterioridade imposta pela metrópole, mas presença
totalizante, a fazer da terra a base de superlucros reali-
záveis no mercado externo e fonte de perpetuação do
poder interno.
Ferlini, Vera. Terra, trabalho e poder: o mundo dos engenhos no
Nordeste colonial. Bauru: Edusc, 2003. p. 285.
Considerando o texto acima, podemos concluir que:
a) a organização da exploração fundiária estava de acordo
com uma política de distribuição de terras e redução sis-
temática de escravizados.
b) a exploração de terras e escravizados era condição essen-
cial para a manutenção do poder dos senhores de engenho
e para a acumulação de riquezas por parte dos comercian-
tes e da Coroa portuguesa.
c) a produção de cana-de-açúcar era submetida ao controle
estatal, sendo os comerciantes e os proprietários colo-
niais reduzidos a meros serviçais do Estado português.
d) não havia um projeto sistemático de exploração de terras
e de escravizados na América portuguesa, já que o Estado
português era incapaz de organizar essa produção, que fi-
cou a cargo exclusivamente da iniciativa privada.
e) apenas os senhores de engenho é que lucravam com a ex-
ploração das terras e dos escravizados na América portu-
guesa, pois a Coroa e os comerciantes ficavam com fatias
menores dos lucros desse negócio.
32. Alternativa b.
A produção de açúcar na colônia atendia às
exigências de lucros e acumulação de riquezas
da Coroa portuguesa, dos senhores de enge-
nho e dos comerciantes. A comercialização ga-
rantia a realização desses lucros no mercado
externo, enquanto a propriedade da terra as-
segurava a manutenção do poder na colônia.
Sobre as demais alternativas: não havia inten-
ção de reduzir a escravidão naquele contexto,
mas exatamente o contrário (a); o Estado por-
tuguês desempenhava um papel importante,
pois concedia as condições de realização e re-
produção do negócio do açúcar, mas os comer-
ciantes e os senhores de engenho não eram
meros serviçais dele (c); a organização produ-
tiva foi feita num misto de iniciativa privada e
controle estatal (d); na verdade, a maior parte
das riquezas ficava com a metrópole e com os
comerciantes e apenas uma parte delas se
mantinha na colônia (e).
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33. (SM) Leia o texto abaixo:
Palmares cresceu com o avanço da economia açucareira
e o aumento do tráfico africano em substituição ao cativeiro
indígena no litoral. O medo causado por Palmares assustou
os poderosos da capitania desde o início do quilombo [...]. O
número de quilombolas de Palmares cresceu muito nas dé-
cadas de 1630-1650, pois as guerras luso-flamengas enfra-
queceram o controle senhorial, facilitando a fuga de escravos
[...]. O experiente capitão-mor Fernão Carrilho, depois de di-
versas batalhas, deu Palmares por destruído, em 1678, mas
na verdade só prendera muitos líderes palmarinos, dentre os
quais os parentes de Ganga Zumba, líder dos quilombolas.
Com esse trunfo, o governador Aires Souza e Castro pres-
sionou o “rei de Palmares” para firmar o “acordo do Recife”
[...]. O acordo deu início a nova fase na história do quilombo:
provocou dissidências e fez surgir a liderança de Zumbi, que
insistiu na guerra [...]. Em 1695, Zumbi foi morto pelos ban-
deirantes, sendo degolado e tendo sua cabeça enviada para
o Recife como troféu. A importância da vitória sobre Palma-
res foi tamanha para a metrópole que chegou a ser chamada
de “gloriosa Restauração de Palmares”, sendo comparada ao
triunfo sobre os holandeses.
Hermann, Jacqueline. Palmares. In: vainFas, Ronaldo (Dir.).
Dicionário do Brasil colonial (1500-1808). Rio de Janeiro: Objetiva,
2000. p. 467-468.
A importância do quilombo dos Palmares para a história dos
afro-brasileiros está relacionada:
a) ao seu fracasso, que possibilitou as negociações pelo
fim da escravidão.
b) à sua força política, já que foi capaz de impor seus inte-
resses aos líderes dos colonizadores.
c) às suas lideranças, principalmente Ganga Zumba e Zumbi,
mortos na resistência aos ataques.
d) ao seu insucesso, representado pelas seguidas derrotas
militares impostas pelos colonizadores.
e) ao seu simbolismo, pois representa a luta dos africanos
contra a escravidão e a exploração.
C1 – H1
34. (Enem)
O açúcar e suas técnicas de produção foram levados
à Europa pelos árabes no século VIII, durante a Idade
Média, mas foi principalmente a partir das Cruzadas
33. Alternativa e.
A resistência à escravidão dos africanos trazi-
dos para o Brasil, e de seus descendentes, te-
ve sua maior expressão no quilombo dos
Palmares. A força de seu simbolismo, não só
para os afrodescendentes, mas também para
toda a população brasileira, se reflete na insti-
tuição do Dia da Consciência Negra (20 de no-
vembro, dia da morte de Zumbi, em 1695), que
celebra a resistência contra a escravidão e a
luta pela liberdade dos africanos que vieram
para o Brasil na condição de escravizados e de
seus descendentes. Sobre as demais alternati-
vas: embora esmagado militarmente, Palmares
se impôs do ponto de vista histórico como
marco das lutas pela liberdade (a); os palmari-
nos não conseguiram impor seus interesses às
lideranças coloniais (b); Ganga Zumba foi mor-
to pela disputa de poder entre os próprios qui-
lombolas, envenenado por um partidário de
Zumbi (c). Nesse caso, não se pode falar de in-
sucesso, já que o quilombo resistiu por muitas
décadas e se tornou um símbolo nacional da
luta contra a opressão.
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38
(séculos XI e XIII) que a sua procura foi aumentando.
Nessa época passou a ser importado do Oriente Médio e
produzido em pequena escala no sul da Itália, mas con-
tinuou a ser um produto de luxo, extremamente caro,
chegando a figurar nos dotes de princesas casadoiras.
CamPos, R. Grandeza do Brasil no tempo de Antonil (1681-1716).
São Paulo: Atual, 1996.
Considerando o conceito do Antigo Sistema Colonial, o açú-
carfoi o produto escolhido por Portugal para dar início à co-
lonização brasileira, em virtude de:
a) o lucro obtido com o seu comércio ser muito vantajoso.
b) os árabes serem aliados históricos dos portugueses.
c) a mão de obra necessária para o cultivo ser insuficiente.
d) as feitorias africanas facilitarem a comercialização
desse produto.
e) os nativos da América dominarem uma técnica de cul-
tivo semelhante.
C1 – H3
35. (Enem)
Os tropeiros foram figuras decisivas na formação de vi-
larejos e cidades do Brasil colonial. A palavra tropeiro vem de
“tropa”, que, no passado, se referia ao conjunto de homens
que transportava gado e mercadoria. Por volta do século
XVIII, muita coisa era levada de um lugar a outro no lombo
de mulas. O tropeirismo acabou associado à atividade mi-
neradora, cujo auge foi a exploração de ouro em Minas Ge-
rais e, mais tarde, em Goiás. A extração de pedras preciosas
também atraiu grandes contingentes populacionais para as
novas áreas e, por isso, era cada vez mais necessário dispor
de alimentos e produtos básicos. A alimentação dos tro-
peiros era constituída por toucinho, feijão-preto, farinha,
pimenta-do-reino, café, fubá e coité (um molho de vinagre
com fruto cáustico espremido).
Nos pousos, os tropeiros comiam feijão quase sem molho
com pedaços de carne de sol e toucinho, que era servido com
farofa e couve picada. O feijão tropeiro é um dos pratos típicos
da cozinha mineira e recebe esse nome porque era preparado
pelos cozinheiros das tropas que conduziam o gado.
Disponível em: <http://www.tribunadoplanalto.com.br>.
Acesso em: 27 nov. 2008.
A criação do feijão tropeiro na culinária brasileira está
relacionada à:
34. Alternativa a.
O texto se refere à lucratividade proporciona-
da pela produção e comercialização do açúcar
desde a época das Cruzadas. A escolha dos
portugueses por sua produção no Brasil tinha
em vista essa lucratividade. As demais alter-
nativas são incorretas porque: os árabes não
eram aliados históricos dos portugueses (b).
Pelo contrário, o condado Portucalense, feudo
que deu origem a Portugal em 1139, se formou
como parte do processo de Reconquista, du-
rante o qual os cristãos expulsaram os muçul-
manos da península Ibérica; com a escraviza-
ção de indígenas e, sobretudo, de africanos,
não havia insuficiência de mão de obra (c); a
comercialização do açúcar não era feita por
meio de feitorias africanas; estas eram utiliza-
das no tráfico de africanos escravizados (d);
os nativos da América não dominavam uma
técnica de cultivo semelhante; os que viviam
na região do Brasil atual praticavam uma agri-
cultura rudimentar e desconheciam a cana-de-
-açúcar (e).
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a) atividade comercial exercida pelos homens que trabalha-
vam nas minas.
b) atividade culinária exercida pelos moradores cozinheiros
que viviam nas regiões das minas.
c) atividade mercantil exercida pelos homens que transpor-
tavam gado e mercadoria.
d) atividade agropecuária exercida pelos tropeiros que ne-
cessitavam dispor de alimentos.
e) atividade mineradora exercida pelos tropeiros no auge da
exploração do ouro.
C3 – H13
36. (Enem)
Em 4 de julho de 1776, as treze colônias que vieram ini-
cialmente a constituir os Estados Unidos da América (EUA)
declaravam sua independência e justificavam a ruptura do
Pacto Colonial. Em palavras profundamente subversivas para
a época, afirmavam a igualdade dos homens e apregoavam
como seus direitos inalienáveis: o direito à vida, à liberdade e à
busca da felicidade. Afirmavam que o poder dos governantes,
aos quais cabia a defesa daqueles direitos, derivava dos gover-
nados. Esses conceitos revolucionários que ecoavam o Ilumi-
nismo foram retomados com maior vigor e amplitude treze
anos mais tarde, em 1789, na França.
Costa, Emília Viotti da. Apresentação da coleção. In: Pomar,
Wladimir. Revolução Chinesa. São Paulo: Unesp, 2003. (Adaptado.)
Considerando o texto acima, acerca da independência dos
EUA e da Revolução Francesa, assinale a opção correta.
a) A independência dos EUA e a Revolução Francesa inte-
gravam o mesmo contexto histórico, mas se baseavam em
princípios e ideais opostos.
b) O processo revolucionário francês identificou-se com o
movimento de independência norte-americana no apoio
ao absolutismo esclarecido.
c) Tanto nos EUA quanto na França, as teses iluministas sus-
tentavam a luta pelo reconhecimento dos direitos consi-
derados essenciais à dignidade humana.
d) Por ter sido pioneira, a Revolução Francesa exerceu
forte influência no desencadeamento da independên-
cia norte-americana.
e) Ao romper o Pacto Colonial, a Revolução Francesa abriu o
caminho para as independências das colônias ibéricas si-
tuadas na América.
35. Alternativa c.
A demanda por alimentos nas regiões minera-
doras estimulou a atividade mercantil dos tro-
peiros, os quais precisavam atravessar longas
distâncias para o transporte de gado e merca-
dorias. Deveriam, assim, levar seus próprios
mantimentos, adaptados às condições do
transporte e do clima brasileiro. O feijão tro-
peiro foi a resposta ideal a essa necessidade.
Sobre as demais alternativas: os homens que
trabalhavam nas minas não exerciam ativida-
des comerciais (a); não havia uma especializa-
ção de atividades nas minas que nos permita
falar de “moradores cozinheiros”; além disso,
não foi no contexto das minas que surgiu o fei-
jão tropeiro, cujo nome, aliás, já indica suas
origens (b); os tropeiros não se dedicavam à
agropecuária (d) nem à atividade mineradora
(e), mas sim ao transporte de mercadorias e à
sua comercialização.
36. Alternativa c.
O Iluminismo, com sua crítica ao absolutismo e
sua defesa dos direitos fundamentais da pes-
soa humana, da liberdade e da igualdade jurí-
dica, teve influência decisiva na formação dos
líderes que comandaram a independência dos
EUA e na fermentação ideológica e política
que preparou a Revolução Francesa. As alter-
nativas a e b não têm sentido, já que a inde-
pendência dos EUA e a Revolução Francesa
não se baseavam em ideais e princípios opos-
tos (a) nem apoiavam o despotismo esclareci-
do (b); a d situa a Revolução Francesa (1789)
antes da independência estadunidense (1776),
o que é incorreto; o rompimento do Pacto
Colonial começou com a independência dos
EUA, e não com a Revolução Francesa (e).
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C1 – H5
37. (Enem)
O que se entende por Corte do antigo regime é, em
primeiro lugar, a casa de habitação dos reis de França,
de suas famílias, de todas as pessoas que, de perto ou de
longe, dela fazem parte. As despesas da Corte, da imensa
casa dos reis, são consignadas no registro das despesas do
reino da França sob a rubrica significativa de Casas Reais.
Elias, N. A sociedade de corte. Lisboa: Estampa, 1987.
Algumas casas de habitação dos reis tiveram grande efetivi-
dade política e terminaram por se transformar em patrimô-
nio artístico e cultural, cujo exemplo é:
a) o palácio de Versalhes.
b) o Museu Britânico.
c) a catedral de Colônia.
d) a Casa Branca.
e) a pirâmide do faraó Quéops.
C4 – H19
38. (Enem)
Os cercamentos do século XVIII podem ser conside-
rados como sínteses das transformações que levaram à
consolidação do capitalismo na Inglaterra. Em primeiro
lugar, porque sua especialização exigiu uma articulação
fundamental com o mercado. Como se concentravam na
atividade de produção de lã, a realização da renda depen-
deu dos mercados, de novas tecnologias de beneficiamen-
to do produto e do emprego de novos tipos de ovelhas.
Em segundo lugar, concentrou-se na inter-relação do
campo com a cidade e, num primeiro momento, também
se vinculou à liberação de mão de obra.
RodRiguEs, A. E. M. Revoluções burguesas. In: REis Filho, D. A. et al
(Org.). O século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.
v. 1. (Adaptado.)
Outra consequência dos cercamentosque teria contribuído
para a Revolução Industrial na Inglaterra foi o:
a) aumento do consumo interno.
b) congelamento do salário mínimo.
c) fortalecimento dos sindicatos proletários.
d) enfraquecimento da burguesia industrial.
e) desmembramento das propriedades improdutivas.
37. Alternativa a.
O palácio de Versalhes é hoje um dos patrimô-
nios da cultura francesa. Construído a mando
do rei Luís XIV, ele simbolizava a autoridade do
monarca absolutista por excelência: o “Rei
Sol”, como era chamado. Seus luxuosos cômo-
dos foram concebidos para expressar a gran-
diosidade da monarquia francesa. Tudo isso
veio abaixo com a Revolução Francesa, em 1789.
Versalhes, porém, permaneceu de pé como
testemunho de uma época. Sobre as demais
alternativas: o Museu Britânico nunca serviu
de habitação, foi construído entre 1753 e 1759
com o objetivo de funcionar especificamente
como museu (b); a Casa Branca, em
Washington, serve de residência ao presidente
dos EUA, e não a reis (d); as pirâmides do
Egito foram construídas para servir não de ha-
bitação, mas de túmulo aos faraós (e).
38. Alternativa a.
Com os cercamentos, os grandes proprietários
passaram a investir em novas tecnologias e na
melhoria da produção agrícola. Novas técnicas
de plantio foram adotadas, como a rotação de
culturas sem pousio, a drenagem de solos pan-
tanosos, a seleção de sementes, etc. Essas no-
vas práticas levaram a um aumento importan-
te da produtividade agrícola. Ao mesmo tem-
po, nas cidades e no campo a burguesia am-
pliava seu consumo. Da mesma forma, embora
recebessem baixos salários, os camponeses
transformados em operários também passa-
ram a consumir produtos que antes desconhe-
ciam. Sobre as demais alternativas: o salário
mínimo e os sindicatos proletários são con-
quistas bem posteriores dos trabalhadores (b
e c); em vez de se enfraquecer, a burguesia in-
dustrial foi a principal beneficiária da
Revolução Industrial (d); os cercamentos não
tiveram como consequência o desmembramen-
to das propriedades improdutivas (e).
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39. (Enem)
A prosperidade induzida pela emergência das máquinas
de tear escondia uma acentuada perda de prestígio. Foi nes-
sa idade de ouro que os artesãos, ou os tecelões temporários,
passaram a ser denominados, de modo genérico, tecelões de
teares manuais. Exceto em alguns ramos especializados, os ve-
lhos artesãos foram colocados lado a lado com novos imigran-
tes, enquanto pequenos fazendeiros-tecelões abandonaram
suas pequenas propriedades para se concentrar na atividade
de tecer. Reduzidos à completa dependência dos teares me-
canizados ou dos fornecedores de matéria-prima, os tecelões
ficaram expostos a sucessivas reduções dos rendimentos.
Thompson, E. P. The making of the english working class.
Harmondsworth: Penguin Books, 1979. (Adaptado.)
Com a mudança tecnológica ocorrida durante a Revolução In-
dustrial, a forma de trabalhar alterou-se porque:
a) a invenção do tear propiciou o surgimento de novas
relações sociais.
b) os tecelões mais hábeis prevaleceram sobre os inexperientes.
c) os novos teares exigiam treinamento especializado para
serem operados.
d) os artesãos, no período anterior, combinavam a tecela-
gem com o cultivo de subsistência.
e) os trabalhadores não especializados se apropriaram dos
lugares dos antigos artesãos nas fábricas.
C4 – H19
40. (Enem)
A Inglaterra pedia lucros e recebia lucros. Tudo se
transformava em lucro. As cidades tinham sua sujeira lu-
crativa, suas favelas lucrativas, sua fumaça lucrativa, sua
desordem lucrativa, sua ignorância lucrativa, seu deses-
pero lucrativo. As novas fábricas e os novos altos-fornos
eram como as Pirâmides, mostrando mais a escravização
do homem que seu poder.
dEanE, P. A Revolução Industrial. Rio de Janeiro: Zahar, 1979. (Adaptado.)
Qual relação é estabelecida no texto entre os avanços tec-
nológicos ocorridos no contexto da Revolução Industrial
Inglesa e as características das cidades industriais no início
do século XIX?
39. Alternativa a.
Tal como está formulada, a questão é de difícil
resolução. Por um lado, a invenção do tear deu
lugar a novas relações sociais de produção, al-
terando a forma de trabalhar durante a
Revolução Industrial. Por outro, a forma de
trabalhar dos agricultores-tecelões também
foi alterada. O texto de Thompson afirma que
os “pequenos fazendeiros-tecelões” (na ver-
dade, agricultores, e não fazendeiros no senti-
do que damos a essa palavra no Brasil) aban-
donaram suas propriedades para se concentrar
na atividade de tecer. Isso pressupõe que no
período anterior eles “combinavam a tecela-
gem com o cultivo de subsistência”. Desse
modo, a alternativa d também pode ser consi-
derada correta. Entretanto, o fator determi-
nante foi a mudança tecnológica, a introdução
do tear, que desorganizou o trabalho dos agri-
cultores-tecelões e os obrigou a instalar-se
nas fábricas apenas como tecelões. Sobre as
demais alternativas: os tecelões mais antigos
e mais hábeis perderam prestígio e foram
igualados aos novos migrantes (b); os novos
teares não exigiam treinamento especializado
para serem operados (c); não houve apropria-
ção dos postos de trabalho dos antigos tece-
lões pelos trabalhadores não especializados; o
que ocorreu foi que os antigos tecelões foram
colocados lado a lado com os novos migrantes
numa espécie de “nivelamento por baixo” (e).
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a) A facilidade em se estabelecerem relações lucrativas trans-
formava as cidades em espaços privilegiados para a livre-
-iniciativa, característica da nova sociedade capitalista.
b) O desenvolvimento de métodos de planejamento urbano
aumentava a eficiência do trabalho industrial.
c) A construção de núcleos urbanos integrados por meios de
transporte facilitava o deslocamento dos trabalhadores
das periferias até as fábricas.
d) A grandiosidade dos prédios onde se localizavam as fábri-
cas revelava os avanços da engenharia e da arquitetura do
período, transformando as cidades em locais de experi-
mentação estética e artística.
e) O alto nível de exploração dos trabalhadores industriais
ocasionava o surgimento de aglomerados urbanos marca-
dos por péssimas condições de moradia, saúde e higiene.
C3 – H14
41. (SM) Leia e compare os textos a seguir:
Texto I
Há uma espécie humana de indivíduos tão inferiores
a outros como o corpo o é em relação à alma, ou a fera
ao homem; são os homens nos quais o emprego da força
física é o melhor que deles se obtêm. Partindo dos nos-
sos princípios, tais indivíduos são destinados, por natu-
reza, à escravidão; porque, para eles, nada é mais fácil que
obedecer. Tal é o escravo por instinto: pode pertencer a
outrem (também lhe pertence ele de fato), e não possui
razão além do necessário para dela experimentar um sen-
timento vago; não possui a plenitude da razão.
aRisTóTElEs. A política. 15. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1988. p. 16.
Texto II
Assim, de qualquer lado que se considerem as coisas,
direito de escravidão é nulo, não somente porque é ilegítimo,
senão porque é absurdo e nada significa. As palavras escra-
vatura e direito são contraditórias, e, por conseguinte, ex-
cluem-se mutuamente. Quer seja de um homem a outro
homem, quer seja de um homem a um povo, este raciocí-
nio será sempre igualmente insensato: “Estabeleço contigo
uma convenção, toda a teu cargo e tudo em meu proveito, que
observarei durante o tempo que me aprouver, enquanto tu o
cumprirás durante o tempo que me convier”.
RoussEau, Jean-Jacques. O contrato social. 17. ed. Rio de Janeiro:
Ediouro, 1996. p. 33.
40. Alternativa e.
O texto comenta a contradição entre a lucrati-
vidade proporcionada aos patrões pela
Revolução Industrial e as condições de vida
dos trabalhadores urbanos nas cidades indus-
triais no início do século XIX (“favelas lucrati-
vas”, “fumaçalucrativa”, etc.). A alternativa a
é correta, mas não responde ao que se pede
no enunciado da questão. Sobre as demais al-
ternativas: o autor do texto citado não se re-
fere a planejamento urbano, aliás inexistente
(b, c e d). Não havia "núcleos urbanos integra-
dos por meios de transporte" para facilitar o
deslocamento dos trabalhadores (c). Em vez
de “experimentação estética e artística”, as
cidades industriais ofereciam um panorama
desolador ("desordem lucrativa”, "desespero
lucrativo”) (d).
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Da comparação entre os dois textos, podemos concluir que:
a) tanto a filosofia de Aristóteles quanto a de Rousseau de-
fendem a escravidão como resultado da superioridade
moral de alguns homens em relação a outros.
b) para o pensamento filosófico clássico, a escravidão é re-
sultante de roubo, enquanto os iluministas acreditavam
que a escravidão era resultante de uma debilidade moral.
c) tanto os clássicos quanto os iluministas defendem o fim
da escravidão, embora os iluministas acreditassem na in-
tenção de muitos escravos permanecerem cativos.
d) para os iluministas, a escravidão é resultado da opressão
política da nobreza sobre os servos, enquanto a filosofia
clássica considerava a escravidão condenável.
e) Aristóteles considerava a escravidão algo natural, en-
quanto para Rousseau ela era ilegítima.
C5 – H24
42. (Enem)
Para que não haja abuso, é preciso organizar as coisas
de maneira que o poder seja contido pelo poder. Tudo es-
taria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo dos
principais, ou dos nobres, ou do povo, exercesse esses três
poderes: o de fazer leis, o de executar as resoluções públicas
e o de julgar os crimes ou as divergências dos indivíduos.
Assim, criam-se os poderes Legislativo, Executivo e Judiciá-
rio, atuando de forma independente para a efetivação da
liberdade, sendo que esta não existe se uma mesma pessoa
ou grupo exercer os referidos poderes concomitantemente.
monTEsquiEu, B. Do espírito das leis. São Paulo: Abril Cultural,
1979. (Adaptado.)
A divisão e a independência entre os poderes são condi-
ções necessárias para que possa haver liberdade em um
Estado. Isso pode ocorrer apenas sob um modelo político
em que haja:
a) exercício de tutela sobre atividades jurídicas e políticas.
b) consagração do poder político pela autoridade religiosa.
c) concentração do poder nas mãos de elites técnico-científicas.
d) estabelecimento de limites aos atores públicos e às insti-
tuições do governo.
e) reunião das funções de legislar, julgar e executar nas mãos
de um governante eleito.
41. Alternativa e.
Aristóteles acreditava que a escravidão seria
algo natural, inato a alguns seres humanos. Já
Rousseau argumenta que a escravidão é ilegí-
tima e injustificada em qualquer circunstância.
Sobre as demais alternativas: o pensamento
iluminista é contrário à escravidão; Aristóteles
a considera algo natural (a); Aristóteles não
considera a escravidão um roubo. Já Rousseau
não se refere a questões morais, mas jurídi-
cas, para se opor à escravidão (b); Aristóteles
defende a escravidão e a justifica. Rousseau é
contrário a ela e não fala sobre o desejo de al-
guém ser escravo (c); Rousseau não faz aqui
alusão à opressão da nobreza sobre os servos,
enquanto Aristóteles não considerava a escra-
vidão condenável (d).
42. Alternativa d.
Montesquieu não propõe no texto nem o exer-
cício de tutela sobre atividades jurídicas e po-
líticas (a), nem a consagração do poder políti-
co pela autoridade religiosa (b), tampouco de-
fende a concentração do poder nas mãos de
uma elite (c) ou a reunião das funções de le-
gislar, julgar e executar nas mãos de um go-
vernante (e). Sua proposta, que se tornaria
uma das bases da democracia moderna, é a di-
visão das instituições do Estado em três pode-
res autônomos: Executivo, Legislativo e
Judiciário, de tal forma que sejam evitados
abusos e o poder possa controlar o poder.
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C5 – H22
43. (Enem)
Em nosso país queremos substituir o egoísmo pela mo-
ral, a honra pela probidade, os usos pelos princípios, as con-
veniências pelos deveres, a tirania da moda pelo império da
razão, o desprezo à desgraça pelo desprezo ao vício, a inso-
lência pelo orgulho, a vaidade pela grandeza de alma, o amor
ao dinheiro pelo amor à glória, a boa companhia pelas boas
pessoas, a intriga pelo mérito, o espirituoso pelo gênio, o bri-
lho pela verdade, o tédio da volúpia pelo encanto da felicida-
de, a mesquinharia dos grandes pela grandeza do homem.
hunT, L. Revolução Francesa e vida privada. In: pERRoT, M. (Org.).
História da vida privada: da Revolução Francesa à Primeira Guerra.
São Paulo: Companhia das Letras, 1991. v. 4. (Adaptado.)
O discurso de Robespierre, de 5 de fevereiro de 1794, do qual
o trecho transcrito é parte, relaciona-se a qual dos grupos po-
lítico-sociais envolvidos na Revolução Francesa?
a) À alta burguesia, que desejava participar do poder legisla-
tivo francês como força política dominante.
b) Ao clero francês, que desejava justiça social e era ligado à
alta burguesia.
c) A militares oriundos da pequena e média burguesia, que
derrotaram as potências rivais e queriam reorganizar a
França internamente.
d) À nobreza esclarecida, que, em função do seu contato
com os intelectuais iluministas, desejava extinguir o ab-
solutismo francês.
e) Aos representantes da pequena e média burguesia e
das camadas populares, que desejavam justiça social e
direitos políticos.
C5 – H22
44. (SM) Observe a pintura abaixo:
Marat assassinado ou A morte de
Marat, pintura de Jacques-Louis
David, 1793. Óleo sobre tela,
128 cm x 165 cm. Muséeus
Royaux des Beaux-Arts de
Belgique, Bruxelas.
Th
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B
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an
A
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43. Alternativa e.
Maximilien Robespierre era o líder mais in-
fluente do grupo dos Jacobinos, que represen-
tava amplos setores da pequena e da média
burguesia. Esse grupo também tinha ascen-
dência sobre as camadas populares, que dese-
javam justiça social e direitos políticos.
Entretanto, uma vez no poder, Robespierre se
voltou não só contra os moderados e os con-
trarrevolucionários, mas também contra os se-
tores mais radicais das camadas populares,
como os líderes da Comuna de Paris de 1793,
contra os partidários de Jacques Hébert e
contra os enragés, muito dos quais foram gui-
lhotinados. O trecho citado do discurso não se
relaciona com a alta burguesia, pois esta pro-
curava controlar o ritmo da Revolução e apli-
car uma política moderada, que não colocasse
em risco seus interesses econômicos (a).
Tampouco se relaciona com o clero francês,
que não desejava justiça social – apenas al-
guns religiosos do baixo clero lutavam por ela
(b). No momento do discurso, os militares não
constituíam uma força política ou social im-
portante (c). O absolutismo já havia sido extin-
to na França à época do discurso e a nobreza
já havia perdido toda a sua influência (d).
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A pintura representa o revolucionário francês Jean-Paul
Marat, morto em sua casa no dia 13 de julho de 1793 por
uma mulher, Charlotte Corday, simpatizante da corrente
girondina, oposta aos radicais, dos quais Marat era um
dos líderes. Jornalista, médico e cientista, Marat publica-
va o jornal O Amigo do Povo, em que expunha suas posi-
ções de forma polêmica. Charlotte o apunhalou no peito
enquanto o revolucionário repousava na banheira, hábi-
to adquirido devido a uma doença de pele cujas feridas
só eram amenizadas em imersão. A pintura de David, fei-
ta no mesmo ano da morte de Marat, contribuiu para tor-
nar o líder radical um ícone da Revolução Francesa.
Sobre o momento da Revolução em que ocorreu o assassina-
to de Marat, identifique a alternativa correta.
a) As conquistasjacobinas, em especial a vitória sobre os
inimigos externos e a consolidação das conquistas revolu-
cionárias, foram enfraquecidas pela ascensão dos monar-
quistas ao poder em 1793.
b) Sob seu governo, os jacobinos lançaram diversos ataques
aos inimigos internos e externos da Revolução. Somente
após a derrota jacobina é que a normalidade democrática
foi retomada na França para nunca mais ser abandonada.
c) As conquistas populares propiciadas pela era jacobina, espe-
cialmente o sufrágio universal e a educação primária pública
e gratuita defendidas por Marat, foram ofuscadas pela práti-
ca de assassinatos dos inimigos políticos na fase do “Terror”.
d) O período jacobino mostrou-se decepcionante em termos de
conquistas populares, especialmente porque Robespierre e
seus seguidores não conseguiram vencer os inimigos exter-
nos da Revolução e perderam o poder para os girondinos.
e) Durante a fase jacobina, a Revolução Francesa tomou ou-
tro rumo: em vez de consolidar as conquistas burguesas,
os jacobinos buscaram uma reaproximação com a Igreja e
a Monarquia, o que enfureceu os sans-culottes, que passa-
ram a apoiar os girondinos.
C3 – H15
45. (Enem) No tempo da independência do Brasil, circulavam
nas classes populares do Recife trovas que faziam alusão à
revolta escrava do Haiti:
Marinheiros e caiados
Todos devem se acabar,
44. Alternativa c.
O governo jacobino foi marcado não só por
conquistas sociais, mas também pela repres-
são a todos que discordavam dele. As demais
alternativas são incorretas: os monarquistas
não assumiram o poder em 1793 (a); a demo-
cracia foi interrompida em diversas ocasiões
da história francesa após a queda do regime
jacobino. Exemplo clássico é o próprio
Napoleão, que se tornou imperador da França
(b); várias conquistas populares foram alcan-
çadas no governo jacobino e o exército fran-
cês não sofreu derrotas significativas (d); os
jacobinos não apoiaram a Igreja e a Monarquia,
ao contrário, colocaram-se frontalmente con-
tra os símbolos do Antigo Regime (e).
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46
Porque só pardos e pretos
O país hão de habitar.
amaRal, F. P. do. apud CaRvalho, A. Estudos pernambucanos.
Recife: Cultura Acadêmica, 1907.
O período da independência do Brasil registra conflitos ra-
ciais, como se depreende:
a) dos rumores acerca da revolta escrava do Haiti, que circu-
lavam entre a população escrava e entre os mestiços po-
bres, alimentando seu desejo por mudanças.
b) da rejeição aos portugueses, brancos, que significava a
rejeição à opressão da Metrópole, como ocorreu na Noite
das Garrafadas.
c) do apoio que escravos e negros forros deram à monar-
quia, com a perspectiva de receber sua proteção contra as
injustiças do sistema escravista.
d) do repúdio que os escravos trabalhadores dos portos de-
monstravam contra os marinheiros, porque estes repre-
sentavam a elite branca opressora.
e) da expulsão de vários líderes negros independentistas,
que defendiam a implantação de uma república negra, a
exemplo do Haiti.
C3 – H15
46. (Enem) Após a abdicação de D. Pedro I, o Brasil atraves-
sou um período marcado por inúmeras crises: as diversas
forças políticas lutavam pelo poder e as reivindicações
populares eram por melhores condições de vida e pelo di-
reito de participação na vida política do país. Os conflitos
representavam também o protesto contra a centralização
do governo. Nesse período, ocorreu também a expansão
da cultura cafeeira e o surgimento do poderoso grupo dos
“barões do café”, para o qual era fundamental a manuten-
ção da escravidão e do tráfico negreiro.
O contexto do Período Regencial foi marcado:
a) por revoltas populares que reclamavam a volta da monarquia.
b) por várias crises e pela submissão das forças políticas ao
poder central.
c) pela luta entre os principais grupos políticos que reivindi-
cavam melhores condições de vida.
d) pelo governo dos chamados regentes, que promoveram a
ascensão social dos “barões do café”.
e) pela convulsão política e por novas realidades econômicas
que exigiam o reforço de velhas realidades sociais.
45. Alternativa a.
No Haiti, uma rebelião de afrodescendentes es-
cravizados conquistou a independência em
1804. Essa rebelião teve forte influência sobre a
população escravizada e sobre mestiços pobres
no Brasil. Sobre as demais alternativas: a Noite
da Garrafadas ocorreu no Rio de Janeiro em
março de 1831. Não foi um conflito racial nem
pela Independência, já que esta havia sido con-
quistada em 1822 (b); não houve manifestações
de apoio dos escravizados ou de libertos à mo-
narquia (c); a expressão “marinheiros”, utiliza-
do no poema, é uma alusão aos portugueses, e
não aos militares subalternos da marinha (d);
não houve movimentos de afrodescendentes
pela Independência e muito menos expulsão de
vários líderes de ascendência africana (e).
46. Alternativa e.
O período Regencial foi agitado por diversas
rebeliões nas províncias (Cabanagem,
Balaiada, etc.). Por essa época, a cafeicultura
avançou pelo vale do Paraíba, o que deu ori-
gem aos barões do café. Tratava-se de uma
nova realidade econômica que, nos termos do
Império escravista, exigia a manutenção e o
reforço da escravidão (uma das “velhas reali-
dades sociais”). As revoltas populares não re-
clamavam a volta da monarquia, mesmo por-
que a monarquia não havia sido abolida (a); as
forças políticas que promoveram as rebeliões
não se submeteram ao poder central dos re-
gentes (b), foram esmagadas em sua maioria e
as restantes só se extinguiram após a decreta-
ção da maioridade de dom Pedro II; nas rebe-
liões havia grupos que reivindicavam melhores
condições de vida, mas eles não lutavam entre
si (c); a ascensão dos barões do café não fez
parte de uma política deliberada dos regentes,
foi resultado da expansão da cafeicultura (d).
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47. (Enem)
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Moreaux, F. R. Proclamação da Independência.
Disponível em: <www.tvbrasil.org.br.>. Acesso em: 14 jun. 2010.
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Ferrez, M. D. Pedro II.
sChwaRCz, L. M. As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca
nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
As imagens, que retratam D. Pedro I e D. Pedro II, procuram
transmitir determinadas representações políticas a cerca dos
dois monarcas e de seus contextos de atuação. A ideia que
cada imagem evoca é, respectivamente:
a) Habilidade militar – riqueza pessoal.
b) Liderança popular – estabilidade política.
c) Instabilidade econômica – herança europeia.
d) Isolamento político – centralização do poder.
e) Nacionalismo exacerbado – inovação administrativa.
47. Alternativa b.
A tela de Moreaux representa dom Pedro I no
ato de proclamar a Independência, aclamado
por um grande número de militares e pessoas
do povo, destacando assim uma suposta lide-
rança popular do imperador. Já a fotografia de
dom Pedro II não induz a pensar em estabilida-
de política. Talvez sugira sabedoria, ou despo-
jamento. Trata-se de um imperador já idoso
que não se fez fotografar com símbolos de ri-
queza ou poder. As demais alternativas são in-
corretas: a fotografia de dom Pedro II não alu-
de à riqueza pessoal (a); a tela de Moreaux
não sugere nem instabilidade econômica, nem
isolamento político de dom Pedro I (c e d); na
fotografia, dom Pedro II parece um tanto can-
sado e nada indica inovação administrativa em
seu governo (e).
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C6 – H27
48. (SM) Leia o texto a seguir.
Com a abertura dos portos, ampliaram-se imediata-
mente as possibilidades de articulação com o comércio
internacional. O Brasil continuava a ser uma imensa re-
taguarda rural para os mercados urbanos europeus, com
ligações diretas com os novos mercados e maior autono-
mia. Mas já se anunciava um movimentode migrações
internas. Com a decadência das regiões de mineração, a
população se deslocava para novas fronteiras de desen-
volvimento, visando à ocupação das terras férteis do pla-
nalto, na região leste, para a cultura do açúcar e do café,
no estado do Rio de Janeiro, na Zona da Mata mineira,
no sul de Minas Gerais e no estado de São Paulo. O rápido
aumento da população urbana nos países europeus em
industrialização assegurava uma demanda dos principais
produtos brasileiros, estimulando inclusive o aumento da
produção açucareira do Nordeste e da produção algodoei-
ra nas províncias do Norte.
REis Filho, Nestor Goulart. Urbanização e modernidade: entre
o passado e o futuro (1808-1945). In: moTa, Carlos Guilherme
(Org.). Viagem incompleta: a experiência brasileira (1500-2000).
São Paulo: Senac, 2000. p. 87.
Com base no texto e em seus conhecimentos sobre o tema,
analise as afirmações abaixo:
I. A abertura dos portos brasileiros, ocorrida em 1808, foi
decisiva para a ampliação da ligação do Brasil com os
grandes consumidores dos produtos brasileiros.
II. A posição mundial do Brasil era de exportador de pro-
dutos primários, essencialmente agrícolas, e consu-
midor de produtos industrializados provenientes do
exterior.
III. A decadência da região mineradora fortaleceu o pro-
cesso de urbanização brasileiro, que era impedido de
se realizar pela centralidade da atividade aurífera.
IV. Entre os produtos agrícolas brasileiros, o café se
destacava, naquele momento, como o mais impor-
tante, especialmente devido à decadência do açú-
car e do algodão.
Estão corretas apenas as afirmações:
a) I e II. d) II e IV.
b) III e IV. e) I e IV.
c) I e III.
48. Alternativa a.
Com a abertura dos portos, em 1808, o Brasil
passou a ter contato direto com os mercados
europeus, para onde passou a exportar produ-
tos primários sem as amarras do exclusivo
metropolitano, e consolidou sua posição de
exportador de produtos agrícolas e importador
de artigos industrializados. Sobre as outras
afirmações: na verdade, a produção aurífera
provocou um processo de urbanização como o
Brasil não havia conhecido até então (III); no
começo do século XIX, o café ainda não era
dominante; isso só ocorreu a partir de 1830 (IV).
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C3 – H13
49. (Enem)
O alfaiate pardo João de Deus, que, na altura em
que foi preso, não tinha mais do que 80 réis e oito
filhos, declarava que “Todos os brasileiros se fizessem
franceses, para viverem em igualdade e abundância”.
maxwEll, K. Condicionalismos da Independência do Brasil.
silva, M. N. (Org.). O império luso ‑brasileiro, 1750 ‑1822.
Lisboa: Estampa, 1986.
O texto faz referência à Conjuração Baiana. No contexto da
crise do sistema colonial, esse movimento se diferenciou
dos demais movimentos libertários ocorridos no Brasil por:
a) defender a igualdade econômica, extinguindo a proprie-
dade, conforme proposto nos movimentos liberais da
França napoleônica.
b) introduzir no Brasil o pensamento e o ideário liberal que
moveram os revolucionários ingleses na luta contra o
absolutismo monárquico.
c) propor a instalação de um regime nos moldes da repúbli-
ca dos Estados Unidos, sem alterar a ordem socioeconô-
mica escravista e latifundiária.
d) apresentar um caráter elitista burguês, uma vez que so-
frera influência direta da Revolução Francesa, propondo o
sistema censitário de votação.
e) defender um governo democrático que garantisse a par-
ticipação política das camadas populares, influenciado
pelo ideário da Revolução Francesa.
C2 – H7
50. (Enem)
Para o Paraguai, portanto, essa foi uma guerra pela so-
brevivência. De todo modo, uma guerra contra dois gi-
gantes estava fadada a ser um teste debilitante e severo
para uma economia de base tão estreita. Lopez precisava
de uma vitória rápida e, se não conseguisse vencer rapida-
mente, provavelmente não venceria nunca.
lynCh, J. As Repúblicas do Prata: da Independência à Guerra do
Paraguai. In: BEThEll, Leslie (Org.). História da América Latina: da
independência até 1870. São Paulo: Edusp, 2004. v. 3.
A Guerra do Paraguai teve consequências políticas importan-
tes para o Brasil, pois:
49. Alternativa e.
A Conjuração Baiana (1798) defendia a
Proclamação da República, o livre-comércio,
especialmente com a França, e outras medidas
populares. Lutava também contra o fim da es-
cravidão, o que a diferenciava da Inconfidência
Mineira e de outros movimentos da época.
As demais alternativas são incorretas: os mo-
vimentos liberais da França napoleônica não
propunham a extinção da propriedade (a); a
fonte de inspiração do movimento era a
Revolução Francesa, e não “revolucionários in-
gleses” (b); não se propunha um regime nos
moldes dos EUA, sem alterar a ordem
escravista (c); o movimento não apresentava
um caráter elitista burguês (d).
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50
a) representou a afirmação do Exército Brasileiro como um
ator político de primeira ordem.
b) confirmou a conquista da hegemonia brasileira sobre a
Bacia Platina.
c) concretizou a emancipação dos escravos negros.
d) incentivou a adoção de um regime constitucional monárquico.
e) solucionou a crise financeira, em razão das indenizações
recebidas.
C1 – H3
51. (Enem)
No final do século XIX, as Grandes Sociedades carna-
valescas alcançaram ampla popularidade entre os foliões
cariocas. Tais sociedades cultivavam um pretensioso obje-
tivo em relação à comemoração carnavalesca em si mes-
ma: com seus desfiles de carros enfeitados pelas principais
ruas da cidade, pretendiam abolir o entrudo (brincadeira
que consistia em jogar água nos foliões) e outras práticas
difundidas entre a população desde os tempos coloniais,
substituindo-os por formas de diversão que considera-
vam mais civilizadas, inspiradas nos carnavais de Veneza.
Contudo, ninguém parecia disposto a abrir mão de suas
diversões para assistir ao carnaval das sociedades. O en-
trudo, na visão dos seus animados praticantes, poderia
coexistir perfeitamente com os desfiles.
pEREiRa, C.S. Os senhores da alegria: a presença das mulheres nas
Grandes Sociedades carnavalescas cariocas em fins do século XIX.
In: Cunha, M. C. P. Carnavais e outras festas: ensaios de história
social da cultura. Campinas: Unicamp; Cecult, 2002. (Adaptado.)
Manifestações culturais como o carnaval também têm sua pró-
pria história, sendo constantemente reinventadas ao longo do
tempo. A atuação das Grandes Sociedades, descrita no texto,
mostra que o carnaval representava um momento em que as:
a) distinções sociais eram deixadas de lado em nome
da celebração.
b) aspirações cosmopolitas da elite impediam a realização
da festa fora dos clubes.
c) liberdades individuais eram extintas pelas regras das au-
toridades públicas.
d) tradições populares se transformavam em matéria de dis-
putas sociais.
e) perseguições policiais tinham caráter xenófobo por repu-
diarem tradições estrangeiras.
50. Alternativa a.
O exército brasileiro saiu fortalecido da Guerra
do Paraguai. A partir de 1870, ano em que o
conflito terminou, muitos de seus oficiais co-
meçaram a ter participação ativa na vida polí-
tica. Em 1883, o governo proibiu manifestações
de militares na imprensa. No ano seguinte, um
oficial foi punido por apoiar a causa abolicio-
nista. A indignação causada por essa e outras
punições levou um grupo de oficiais a fundar o
Clube Militar em 1887. Nos anos seguintes, a
participação de militares positivistas na
Campanha Republicana seria um dos ingre-
dientes no colapso da monarquia. O conflito
não teve como resultado a conquista pelo
Brasil da hegemonia na bacia do Prata; havia,
na verdade, um equilíbrio de forças entre o
Brasil e a Argentina (b). Tampouco os escravi-
zados obtiveram nesse momento sua emancipa-
ção (c). O regime monárquico constitucional no
Brasil era anterior à Guerra do Paraguai (d).Não houve solução da crise financeira, pois o
Brasil saiu da guerra endividado com os ban-
cos ingleses (e).
51. Alternativa d.
O texto faz referência ao caráter elitista dos
desfiles de carros alegóricos das Grandes
Sociedades carnavalescas, que pretendiam com
eles substituir o entrudo, festejo precursor do
Carnaval no Brasil e que envolvia a participa-
ção das camadas baixas da sociedade. Assim,
uma tradição popular carnavalesca passou a
ser alvo de disputas sociais. Sobre as demais
alternativas: as distinções sociais não eram
deixadas de lado, pelo contrário, estavam na
base da disputa (a); o elitismo não conseguiu
impedir a festa fora dos clubes (b); tampouco
houve extinção das liberdades individuais (c) e
repúdio a tradições estrangeiras (e).
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C3 – H14
52. (Enem)
Substitui-se então uma história crítica, profunda, por
uma crônica de detalhes onde o patriotismo e a bravura
dos nossos soldados encobrem a vilania dos motivos que
levaram a Inglaterra a armar brasileiros e argentinos para
a destruição da mais gloriosa república que já se viu na
América Latina, a do Paraguai.
ChiavEnaTTo, J. J. Genocídio americano: a Guerra do Paraguai.
São Paulo: Brasiliense, 1979. (Adaptado.)
O imperialismo inglês, “destruindo o Paraguai, man-
tém o status quo na América Meridional, impedindo a
ascensão do seu único Estado economicamente livre”.
Essa teoria conspiratória vai contra a realidade dos fa-
tos e não tem provas documentais. Contudo essa teoria
tem alguma repercussão.
doRaTioTo, F. Maldita guerra: nova história da Guerra do Paraguai.
São Paulo: Companhia das Letras, 2002. (Adaptado.)
Uma leitura dessas narrativas divergentes demonstra que
ambas estão refletindo sobre:
a) a carência de fontes para a pesquisa sobre os reais
motivos dessa Guerra.
b) o caráter positivista das diferentes versões sobre essa Guerra.
c) o resultado das intervenções britânicas nos cenários
de batalha.
d) a dificuldade de elaborar explicações convincentes sobre
os motivos dessa Guerra.
e) o nível de crueldade das ações dos exércitos brasileiro e
argentino durante o conflito.
C2 – H8
53. (Enem)
Ninguém desconhece a necessidade que todos os fa-
zendeiros têm de aumentar o número de seus trabalhado-
res. E como até há pouco supriam-se os fazendeiros dos
braços necessários? As fazendas eram alimentadas pela
aquisição de escravos, sem o menor auxílio pecuniário do
governo. Ora, se os fazendeiros se supriam de braços à
sua custa, e se é possível obtê-los ainda, posto que de ou-
tra qualidade, por que motivo não hão de procurar alcan-
çá-los pela mesma maneira, isto é, à sua custa?
Resposta de Manuel Felizardo de Souza e Mello, diretor geral das
Terras Públicas, ao Senador Vergueiro. In: alEnCasTRo, L. F. (Org.)
História da vida privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras,
1998. (Adaptado.)
52. Alternativa d.
A alternativa que mais se aproxima de uma
resposta correta é a d. Entretanto, os autores
dos dois textos não “estão refletindo” sobre a
“dificuldade de elaborar explicações convicen-
tes”, pois ambos se mostram seguros de suas
explicações. O enunciado da questão é impre-
ciso. A polêmica em torno das causas da
Guerra do Paraguai, entretanto, permanece vi-
va. Sobre as demais alternativas: não há ca-
rência de fontes para a pesquisa sobre as cau-
sas do conflito (a); o objeto de discussão entre
os dois autores não é o “caráter positivista”
das versões sobre a guerra (b); o tema do de-
bate é o papel desempenhado pela Inglaterra
no conflito, e não a ação dos ingleses nos
campos de batalha (c); tampouco está em dis-
cussão a crueldade dos exércitos brasileiro e
argentino (e).
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52
O fragmento do discurso dirigido ao parlamentar do Império refe-
re-se às mudanças então em curso no campo brasileiro, que con-
frontaram o Estado e a elite agrária em torno do objetivo de:
a) fomentar ações públicas para ocupação das terras do interior.
b) adotar o regime assalariado para proteção da mão de
obra estrangeira.
c) definir uma política de subsídio governamental para o fo-
mento da imigração.
d) regulamentar o tráfico interprovincial de cativos para so-
brevivência das fazendas.
e) financiar a fixação de famílias camponesas para estímulo
da agricultura de subsistência.
C5 – H22
54. (Enem)
A escravidão não há de ser suprimida no Brasil por
uma guerra servil, muito menos por insurreições ou aten-
tados locais. Não deve sê-lo, tampouco, por uma guerra
civil, como o foi nos Estados Unidos. Ela poderia desapa-
recer, talvez, depois de uma revolução, como aconteceu
na França, sendo essa revolução obra exclusiva da popula-
ção livre. É no Parlamento e não em fazendas ou quilom-
bos do interior, nem nas ruas e praças das cidades, que se
há de ganhar, ou perder, a causa da liberdade.
naBuCo, J. O abolicionismo [1893]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira:
São Paulo: Publifolha, 2000. (Adaptado.)
No texto, Joaquim Nabuco defende um projeto político sobre
como deveria ocorrer o fim da escravidão no Brasil, no qual:
a) copiava o modelo haitiano de emancipação negra.
b) incentivava a consquista de alforrias por meio de ações
judiciais.
c) optava pela via legalista de libertação.
d) priorizava a negociação em torno das indenizações aos
senhores.
e) antecipava a libertação paternalista dos cativos.
C5 – H22
55. (SM) Em 13 de maio de 1888, a Princesa Regente do Brasil,
dona Isabel, assinava a Lei Áurea, que determinava o fim da
escravidão no país. O término do cativeiro, contudo, não resul-
tou em completa e definitiva inclusão dos negros na sociedade
brasileira. Segundo a historiadora Emília Viotti da Costa,
53. Alternativa c.
O fragmento citado faz referência à pressão
dos fazendeiros no sentido de obter subsídios
do governo para custear a vinda de trabalha-
dores imigrantes para o Brasil durante a fase
de transição do trabalho escravo para o traba-
lho assalariado nas fazendas. Não estava em
discussão nem a ocupação de terras do inte-
rior (a), nem o tráfico interprovincial de cati-
vos (d), nem o estímulo à agricultura de sub-
sistência (e). A alternativa b é absurda, porque
a adoção do trabalho assalariado no caso do
Brasil no século XIX esteve ligada à abolição
da escravatura e nunca teve por objetivo a
proteção da mão de obra estrangeira.
54. Alternativa c.
No texto, Nabuco afirma enfaticamente que a
abolição do trabalho escravo no Brasil deveria
ser conquistada no Parlamento, e não nos qui-
lombos ou nas ruas e praças das cidades bra-
sileiras. Seu projeto, portanto, não copiava o
modelo haitiano, pelo contrário, rejeitava a
“guerra servil” (a); não estava em seus propó-
sitos substituir uma decisão do Parlamento
por meio de ações judiciais de alforrias (b),
nem priorizar negociações em torno de indeni-
zações aos fazendeiros (d); o projeto de
Nabuco tampouco é uma “antecipação”: trata-
-se de uma proposta que prioriza o Parlamento
como lugar para a condução do processo de
abolição (e).
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[...] a abolição foi apenas um primeiro passo em dire-
ção à emancipação do povo brasileiro. O arbítrio, a igno-
rância, a violência, a miséria, os preconceitos que a socie-
dade escravista criou ainda pesam sobre nós. Se é justo
comemorar o Treze de Maio, é preciso, no entanto, que a
comemoração não nos ofusque a ponto de transformar-
mos a liberdade que simboliza em um mito a serviço da
opressão e da exploração do trabalho.
CosTa, Emília Viotti da. A abolição. 8. ed. São Paulo: Unesp, 2008.
p. 131.
Segundo a autora, o fim da escravidão:
a) não criou mecanismos automáticos de inclusão social dos
negros. Por isso, o Treze de Maio deveria ser ignorado.
b) é uma data histórica da luta dos afrodescendentes no Bra-
sil, mas o passado escravista ainda semanifesta na forma
de preconceitos e discriminação contra eles.
c) deve ser comemorado como o momento mais importante
da luta contra a exclusão social no Brasil, visto que o be-
nefício instituído pela lei foi essencial para a superação
dos preconceitos.
d) simboliza a luta dos negros contra a exclusão social de
que eram vítimas. Por isso, o Treze de Maio deve ser co-
memorado, mas com moderação, já que ainda há trabalho
escravo no Brasil.
e) é algo sem importância, que só demonstra o fracasso da luta
pela cidadania no Brasil, pois a herança escravista é reforça-
da pela opressão e exploração do trabalho entre nós.
C3 – H13
56. (SM) Observe a imagem e leia o texto a seguir:
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A Liberdade guiando o povo, pintura de Eugène Delacroix,
1830. Óleo sobre tela, 260 cm x 325 cm. Louvre, Paris.
55. Alternativa b.
O texto de Emília Viotti afirma que a data da
abolição da escravidão no Brasil é importante
como símbolo da luta dos afrodescendentes
contra a opressão, mas não pode se transfor-
mar em um mito que impeça a percepção de
como nosso passado escravista ainda sustenta
preconceitos contra os afrodescendentes.
As demais alternativas são incorretas: apesar
de verdadeiro o fato de que o fim da escravi-
dão não criou mecanismos de inclusão dos
afrodescendentes na sociedade brasileira, a
autora não concorda com a ideia de que a data
da abolição deva ser ignorada (a); ela conside-
ra a data importante, mas não acredita que o
Treze de Maio tenha promovido a superação
dos preconceitos (c); a data da abolição deve
ser comemorada como uma etapa da luta con-
tra a opressão, mas não se configura como o
símbolo maior dessa luta. Além disso, o trabalho
escravo, ainda existente no Brasil, é proibido
por lei e condenado pelo poder público (d);
apesar de considerar o peso do escravismo no
preconceito e na exploração existentes no
Brasil, a autora não afirma que a data da abo-
lição não tenha importância (e).
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54
A novidade da Liberté, de Delacroix, portanto, reside
na identificação da figura feminina nua com uma mulher
real do povo, uma mulher emancipada e desempenhando
um papel atuante – de fato, de liderança – no movimento
dos homens. [...] a Liberté, de Delacroix não está sozinha,
nem representa a fraqueza. Ao contrário, ela representa a
força concentrada do povo invencível.
hoBsBawn, Eric John. Mundos do trabalho. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1987. p. 126.
Com base no texto e na imagem, podemos dizer que as mu-
lheres são:
a) associadas aos movimentos de defesa do regime monár-
quico e absolutista, fortalecidos após o Congresso de Viena,
em 1815.
b) representadas como frágeis e incapazes de liderar um mo-
vimento revolucionário de grandes proporções.
c) vinculadas aos movimentos revolucionários como lide-
ranças populares e responsabilizadas pelo seu fracasso.
d) representadas como protagonistas das ações revolucioná-
rias liberais e republicanas de 1830.
e) destituídas de papel decisivo nos processos revolucioná-
rios liberais e democráticos de 1830.
C4 – H16
57. (SM) Leia o texto abaixo:
Contudo, é claro que a transformação da estrutura
das grandes empresas, da oficina ao escritório e à conta-
bilidade, progrediu substancialmente entre 1880 e 1914.
A “mão invisível” das modernas organização e administra-
ção empresariais agora substituía a “mão invisível” do mer-
cado anônimo de Adam Smith. Assim sendo, os executivos,
engenheiros e contadores começaram a assumir as funções
dos administradores-proprietários. Agora era mais prová-
vel que o homem de negócios típico, ao menos nas grandes
empresas, não fosse mais um membro da família do fun-
dador, mas um executivo contratado, e que o encarregado
de supervisionar seu desempenho fosse um banqueiro ou
acionista, em vez de um capitalista administrador.
hoBsBawn, Eric J. A era dos impérios: 1875-1914. 7. ed. Rio de
Janeiro: Paz e Terra, 2002. p. 72.
No texto citado, o autor analisa algumas características
da sociedade:
56. Alternativa d.
No texto, Hobsbawm chama a atenção para o
que considera uma das grandes qualidades da
tela de Delacroix: a representação da mulher
como protagonista da história, particularmen-
te da Revolução de 1830 na França. Sobre as
demais alternativas: a pintura e o texto não
associam as mulheres aos movimentos monár-
quico e absolutista, ao contrário, representam
a luta contra eles (a); as mulheres são repre-
sentadas em sua capacidade de liderar movi-
mentos revolucionários, e não como criaturas
frágeis (b); não há qualquer referência a um
suposto fracasso das revoluções: vale lembrar
que a revolução triunfou em 1830 na França
(c); as mulheres são apontadas como protago-
nistas do processo revolucionário de 1830 (e).
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a) na transição do feudalismo para o capitalismo, durante
a qual os antigos senhorios foram transformados em mo-
dernas estruturas produtivas capitalistas.
b) na passagem do capitalismo concorrencial para o capita-
lismo monopolista, durante a qual as novas tecnologias
exigiam mudanças nas formas de gestão empresarial.
c) na transformação do capital mercantil em capital finan-
ceiro, quando o sistema bancário assumiu a liderança no
processo de acumulação de capital.
d) no processo de substituição do sistema mercantilista pelo
capitalismo industrial, que surgia sustentado por novas
tecnologias como a energia a vapor e a máquina de tear.
e) na transição do capitalismo para o socialismo, durante a
qual a “mão invisível”, de Adam Smith, dá lugar aos apa-
ratos burocráticos do Estado, que passam a ditar os rumos
do processo produtivo.
C2 – H6
58. (Enem)
O desenho do artista uruguaio Joaquín Torres-García traba-
lha com uma representação diferente da usual da América
Latina. Em artigo publicado em 1941, em que apresenta a
imagem e trata do assunto, Joaquín afirma:
Quem e com que interesse dita o que é o norte e o sul?
Defendo a chamada Escola do Sul por que, na realidade,
nosso norte é o Sul. Não deve haver norte, senão em opo-
sição ao nosso sul.
Por isso colocamos o mapa ao revés, desde já, e então
teremos a justa ideia de nossa posição, e não como que-
rem no resto do mundo. A ponta da América assinala in-
sistentemente o sul, nosso norte.
ToRREs-gaRCía, J. Universalismo constructivo.
Buenos Aires: Poseidón, 1941. (Adaptado.)
57. Alternativa b.
O texto se refere à passagem da Primeira para
a Segunda Revolução Industrial, isto é, do ca-
pitalismo concorrencial para o capitalismo mo-
nopolista. Durante esse período, as transfor-
mações tecnológicas acompanharam e estimu-
laram a concentração de capitais e a fusão do
capital industrial com o capital bancário, que
originou o capital financeiro. Essas mudanças
exigiram uma nova organização empresarial e
provocaram transformações no sistema capita-
lista. Sobre as demais alternativas: o período
de transição entre o feudalismo e o capitalis-
mo é anterior, entre os séculos XV e XVIII (a);
o capital mercantil não se transformou direta-
mente em capital financeiro, mas sim em capi-
tal industrial (c); a substituição do capitalismo
mercantilista pelo capitalismo industrial ocor-
reu com a Primeira Revolução Industrial (d); a
transição do capitalismo para o socialismo não
foi acompanhada pela formação do capitalismo
monopolista (e).
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O referido autor, no texto e imagem acima:
a) privilegiou a visão dos colonizadores da América.
b) questionou as noções eurocêntricas sobre o mundo.
c) resgatou a imagem da América como centro do mundo.
d) defendeu a Doutrina Monroe expressa no lema “América
para os americanos”.
e) propôs que o sul fosse chamado de nortee vice-versa.
C3 – H13
59. (Enem)
O movimento operário ofereceu uma nova resposta ao
grito do homem miserável no princípio do século XIX. A res-
posta foi a consciência de classe e a ambição de classe. Os po-
bres então se organizavam em uma classe específica, a classe
operária, diferente da classe dos patrões (ou capitalistas).
A Revolução Francesa lhes deu confiança; a Revolução In-
dustrial trouxe a necessidade da mobilização permanente.
hoBsBawm, E. J. A era das revoluções. São Paulo: Paz e Terra, 1977.
No texto, analisa-se o impacto das Revoluções Francesa e
Industrial para a organização da classe operária. Enquanto a
“confiança” dada pela Revolução Francesa era originária do
significado da vitória revolucionária sobre as classes domi-
nantes, a “necessidade da mobilização permanente”, trazida
pela Revolução Industrial, decorria da compreensão de que:
a) a competitividade do trabalho industrial exigia um per-
manente esforço de qualificação para o enfrentamento
do desemprego.
b) a completa transformação da economia capitalista seria
fundamental para a emancipação dos operários.
c) a introdução das máquinas no processo produtivo diminuía
as possibilidades de ganho material para os operários.
d) o progresso tecnológico geraria a distribuição de riquezas
para aqueles que estivessem adaptados aos novos tem-
pos industriais.
e) a melhoria das condições de vida dos operários seria con-
quistada com as manifestações coletivas em favor dos di-
reitos trabalhistas.
C2 – H7
60. (Enem) A primeira metade do século XX foi marcada por con-
flitos e processos que a inscreveram como um dos mais vio-
lentos períodos da história humana.
58. Alternativa b.
A nova representação do mapa da América do
Sul sugerida por Torres-García é uma crítica
contundente ao eurocentrismo (ou seja, à
Europa como centro do mundo), que está na
origem da cartografia moderna. Esta última
teve início no começo das Grandes
Navegações, quando os europeus se lançaram
à conquista de terras em outros continentes e
ditaram as formas de representação da Europa
e dos territórios conquistados. Dessa forma,
convencionou-se que o hemisfério norte, no
qual se encontra a Europa, deve estar sempre
na parte de cima dos mapas e o sul, embaixo.
Torres-García não propôs que o sul fosse cha-
mado norte e vice-versa (e), nem defendeu a
Doutrina Monroe (d); não resgatou a América
como centro do mundo (c) e muito menos pri-
vilegiou a visão dos colonizadores (a).
59. Alternativa e.
Com a Revolução Industrial, os proletários da
Inglaterra, primeiro, e, mais tarde, de outros
países se constituíram em classe social oposta
à burguesia e perceberam que a mobilização
permanente era necessária para conquistar
melhores condições de vida e de trabalho. As
demais alternativas são incorretas: a percep-
ção de que a “completa transformação da eco-
nomia capitalista seria fundamental para a
emancipação dos operários” (b) correspondeu
a um momento posterior; a introdução das má-
quinas ocorreu durante a Revolução Industrial,
mas não foi ela, por si só, que mostrou a ne-
cessidade da “mobilização permanente” (c);
se o progresso tecnológico gerasse automatica-
mente distribuição de riquezas, não haveria ne-
cessidade de mobilização dos trabalhadores (d).
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Entre os principais fatores que estiveram na origem dos con-
flitos ocorridos durante a primeira metade do século XX estão:
a) a crise do colonialismo, a ascensão do nacionalismo e do
totalitarismo.
b) o enfraquecimento do Império Britânico, a Grande De-
pressão e a corrida nuclear.
c) o declínio britânico, o fracasso da Liga das Nações e a Re-
volução Cubana.
d) a corrida armamentista, o terceiro-mundismo e o expan-
sionismo soviético.
e) a Revolução Bolchevique, o imperialismo e a unificação
da Alemanha.
C3 – H14
61. (Enem)
Até que ponto, a partir de posturas e interesses diver-
sos, as oligarquias paulista e mineira dominaram a cena
política nacional na Primeira República? A união de am-
bas foi um traço fundamental, mas que não conta toda a
história do período. A união foi feita com a preponderân-
cia de uma ou de outra das duas frações. Com o tempo,
surgiram as discussões e um grande desacerto final.
FausTo, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2004. (Adaptado.)
A imagem de um bem-sucedido acordo café com leite
entre São Paulo e Minas, um acordo de alternância de pre-
sidência entre os dois estados, não passa de uma ideali-
zação de um processo muito mais caótico e cheio de con-
flitos. Profundas divergências políticas colocavam-nos em
confronto por causa de diferentes graus de envolvimento
no comércio exterior.
Topik, S. A presença do Estado na economia política do Brasil de 1889
a 1930. Rio de Janeiro: Record, 1989. (Adaptado.)
Para a caracterização do processo político durante a Primei-
ra República, utiliza-se com frequência a expressão Política
do Café com Leite. No entanto, os textos apresentam a seguin-
te ressalva à sua utilização:
a) A riqueza gerada pelo café dava à oligarquia paulista a
prerrogativa de indicar os candidatos à presidência, sem
necessidade de alianças.
b) As divisões políticas internas de cada estado da federação
invalidavam o uso do conceito de aliança entre estados
para este período.
60. Alternativa a.
Na primeira metade do século XX ocorreram a
Primeira Guerra Mundial, a Revolução
Bolchevique de 1917 e a ascensão do totalita-
rismo (o nazismo chegou ao poder na
Alemanha em 1933; o fascismo na Itália em
1922; e o stalinismo na União Soviética em
1924). A alternativa a não está bem formulada,
porque a crise do colonialismo teve início após
a Segunda Guerra Mundial e alcançou seu apo-
geu nos anos 1960. Entretanto, como a
Primeira Guerra abalou parcialmente o colo-
nialismo italiano e alemão, pode-se considerar
a alternativa correta com ressalvas.
As demais alternativas são incorretas: a corri-
da nuclear e a Revolução Cubana ocorreram na
segunda metade do século, e não na primeira
(b e c); o terceiro-mundismo foi também um
fenômeno da segunda metade do século (d); a
unificação da Alemanha ocorreu no século XIX
e sua reunificação, em 1990, após a queda do
Muro de Berlim, em 1989 (e).
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58
c) As disputas políticas do período contradiziam a suposta
estabilidade da aliança entre mineiros e paulistas.
d) A centralização do poder no executivo federal impedia a for-
mação de uma aliança duradoura entre as oligarquias.
e) A diversificação da produção e a preocupação com o merca-
do interno unificavam os interesses das oligarquias.
C2 – H9
62. (Enem)
Para os amigos pão, para os inimigos pau; aos amigos
se faz justiça, aos inimigos aplica-se a lei.
lEal, V. N. Coronelismo, enxada e voto. São Paulo: Alfa Omega.
Esse discurso, típico do contexto histórico da República Velha e
usado por chefes políticos, expressa uma realidade caracterizada:
a) pela força política dos burocratas do nascente Estado
republicano, que utilizavam de suas prerrogativas para
controlar e dominar o poder nos municípios.
b) pelo controle político dos proprietários no interior do
país, que buscavam, por meio dos seus currais eleitorais,
enfraquecer a nascente burguesia brasileira.
c) pelo mandonismo das oligarquias no interior do Brasil,
que utilizavam diferentes mecanismos assistencialistas
e de favorecimento para garantir o controle dos votos.
d) pelo domínio político de grupos ligados às velhas institui-
ções monárquicas e que não encontraram espaço de as-
censão política na nascente república.
e) pela aliança política firmada entre as oligarquias do Nor-
te e Nordeste do Brasil, que garantiria uma alternância no
poder federal de presidentes originários dessas regiões.
63. (Enem)
Nos estados, entretanto, se instalavam as oligarquias,
de cujo perigo já nos advertia Saint-Hilaire, e sob o dis-
farce do que sechamou “a política dos governadores”. Em
círculos concêntricos, esse sistema vem cumular no pró-
prio poder central que é o sol do nosso sistema.
pRado, P. Retrato do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1972.
A crítica presente no texto remete ao acordo que fundamen-
tou o regime republicano brasileiro durante as três primeiras
décadas do século XX e fortaleceu o(a):
a) poder militar, enquanto fiador da ordem econômica.
b) presidencialismo, com o objetivo de limitar o poder
dos coronéis.
61. Alternativa c.
Ambos os textos questionam a ideia de que a
aliança entre as oligarquias de São Paulo e
Minas Gerais dominou com tranquilidade a vida
política brasileira durante a Primeira República.
No texto de Boris Fausto, a análise é cautelosa.
Topik é bem mais incisivo em sua crítica. Para
ele, “a imagem de um bem-sucedido acordo
café com leite” não passa de uma idealização,
pois o processo foi “caótico” e conflitivo. De fa-
to, a aliança entre São Paulo e Minas entrou em
crise várias vezes, a última conduziu à ruptura
de 1930. Sobre as demais alternativas: a oligar-
quia paulista não podia disputar o poder
sozinha porque a elite cafeicultora mineira tam-
bém era forte e Minas Gerais era o estado com
o maior eleitorado do país: São Paulo precisava
dos votos de Minas (a); as divisões políticas nos
estados não eram fortes o suficiente para inva-
lidar a aliança entre as oligarquias de Minas e
São Paulo; para anular essas divisões havia a
“política dos governadores” e a Comissão de
Verificação dos Poderes no Congresso Nacional
(b); o Executivo federal não era fortemente
centralizado; os estados dispunham de autono-
mia e não havia partidos nacionais (d); as oli-
garquias não estavam interessadas na diversifi-
cação da produção nem preocupadas com o
mercado interno, já que se apoiavam na mono-
cultura voltada para a exportação (e).
62. Alternativa c.
Essa alternativa remete ao coronelismo e ao
mandonismo no interior do Brasil durante a
República Velha (1889-1930). O coronel era o
chefe político local, que praticava uma política
de favores em troca do voto de cabresto das
pessoas de seu feudo político. Controlava, as-
sim, seu “curral eleitoral”, favorecendo os
amigos e perseguindo os adversários. As de-
mais alternativas são incorretas: a burocracia
central não tinha poder para controlar o man-
donismo dos coronéis e oligarcas dos estados
(a); o propósito dos coronéis não era enfra-
quecer a burguesia (b); não havia no país,
àquela altura, grupos monarquistas de expres-
são (d); não havia alternância no poder central
de representantes das oligarquias do Norte e
do Nordeste (e).
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c) domínio de grupos regionais sobre a ordem federativa.
d) intervenção nos estados, autorizada pelas normas consti-
tucionais.
e) isonomia do governo federal no tratamento das disputas locais.
C3 – H15
64. (Enem)
O mestre-sala dos mares
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo marinheiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o almirante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam nas costas
Dos negros pelas pontas das chibatas...
BlanC, A.; BosCo, J. O mestre‑sala dos mares. Disponível em:
<www.usinadeletras.com.br>. Acesso em: 19 jan. 2009.
Na história brasileira, a chamada Revolta da Chibata, lidera-
da por João Cândido e descrita na música, foi:
a) a rebelião de escravos contra os castigos físicos, ocorrida
na Bahia, em 1848, e repetida no Rio de Janeiro.
b) a revolta, no porto de Salvador, em 1860, de marinheiros
dos navios que faziam o tráfico negreiro.
c) o protesto, ocorrido no Exército, em 1865, contra o castigo de
chibatadas em soldados desertores na Guerra do Paraguai.
d) a rebelião dos marinheiros, negros e mulatos, em 1910, contra
os castigos e as condições de trabalho na Marinha de Guerra.
e) o protesto popular contra o aumento do custo de vida no Rio
de Janeiro, em 1917, dissolvido, a chibatadas, pela polícia.
C4 – H18
65. (Enem)
A crise de 1929 e dos anos subsequentes teve sua origem
no grande aumento da produção industrial e agrícola, nos
EUA, ocorrido durante a 1a Guerra Mundial, quando o merca-
do consumidor, principalmente o externo, conheceu amplia-
ção significativa. O rápido crescimento da produção e das em-
63. Alternativa c.
A “política dos governadores” consistia em um
acordo no qual o governo central se compro-
metia a apoiar as oligarquias dominantes nos
estados em troca do apoio destas no
Congresso Nacional. Sobre as demais alterna-
tivas: essa política não fortaleceu o poder mi-
litar nem limitou o poder dos coronéis (a e b);
tampouco favoreceu a intervenção do governo
central nos estados (d); não garantiu isonomia
no tratamento das disputas locais (e).
64. Alternativa d.
A canção de Aldir Blanc e João Bosco homena-
geia João Cândido, o Almirante Negro, líder da
Revolta da Chibata, rebelião de marinheiros
contra os castigos físicos e as condições de
trabalho na Marinha de Guerra brasileira, em
1910. Sobre as demais alternativas: a Revolta
da Chibata não poderia ser uma rebelião de
escravos pelo simples fato de que a escravidão
havia sido abolida em 1888 (a); em 1860 já não
havia tráfico negreiro, extinto por lei em 1850
(b); a Revolta da Chibata ocorreu em 1910, e
não em 1865 ou em 1917 (c e e).
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60
presas valorizou as ações e estimulou a especulação, respon-
sável pela “pequena crise” de 1920-21. Em outubro de 1929,
a venda cresceu nas Bolsas de Valores, criando uma tendência
de baixa no preço das ações, o que fez com que muitos inves-
tidores ou especuladores vendessem seus papéis. De 24 a 29
de outubro, a Bolsa de Nova York teve um prejuízo de US$ 40
bilhões. A redução da receita tributária que atingiu o Estado
fez com que os empréstimos ao exterior fossem suspensos e
as dívidas, cobradas; e que se criassem também altas tarifas
sobre produtos importados, tornando a crise internacional.
RECCo, C. História: a crise de 29 e a depressão do capitalismo.
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/
ult305u11504.shtml>. Acesso em: 26 out. 2008. (Adaptado.)
Os fatos apresentados permitem inferir que:
a) as despesas e prejuízos decorrentes da 1a Guerra Mun-
dial levaram à crise de 1929, devido à falta de capital
para investimentos.
b) o significativo incremento da produção industrial e
agrícola norte-americana durante a 1a Guerra Mundial
consistiu num dos fatores originários da crise de 1929.
c) a queda dos índices nas Bolsas de Valores pode ser apon-
tada como causa do aumento dos preços de ações nos
EUA em outubro de 1929.
d) a crise de 1929 eclodiu nos EUA a partir da interrupção
de empréstimos ao exterior e da criação de altas tarifas
sobre produtos de origem importada.
e) a crise de 1929 gerou uma ampliação do mercado consu-
midor externo e, consequentemente, um crescimento in-
dustrial e agrícola nos EUA.
C3 – H15
66. (Enem)
As Brigadas Internacionais foram unidades de com-
batentes formadas por voluntários de 53 nacionalidades
dispostos a lutar em defesa da República espanhola. Es-
tima-se que cerca de 60 mil cidadãos de várias partes do
mundo – incluindo 40 brasileiros – tenham se incorpora-
do a essas unidades. Apesar de coordenadas pelos comu-
nistas, as Brigadas contaram com membros socialistas,
liberais e de outras correntes político-ideológicas.
souza, I. I. A Guerra Civil Europeia. História Viva, n. 70, 2009.
(Fragmento.)
A Guerra Civil Espanhola expressou as disputas em curso na
Europa na década de 1930. A perspectiva política comum
que promoveu a mobilização descrita foi o(a):
65. Alternativa b.
De acordo com o texto da questão, a crise de
1929 “tevesua origem no grande aumento (in-
cremento) da produção industrial e agrícola,
nos EUA, ocorrido durante a Primeira Guerra
Mundial”. Com o fim do conflito, a produção
estadunidense continuou a se expandir, mas o
mercado externo se contraiu quando as econo-
mias europeias começaram a se recuperar e a
substituir produtos antes importados dos EUA.
Isso gerou uma crise de superprodução tanto
industrial quanto agrícola. Como resultado, os
preços das ações na Bolsa de Valores de Nova
York despencaram em outubro de 1929. Sobre
as demais alternativas: não havia falta de ca-
pital para investimentos nos EUA antes de 1929
(a); a queda nos índices da Bolsa de Valores
não provoca o aumento no preço das ações, e
sim sua queda (c); não houve interrupção de
empréstimos dos EUA ao exterior antes de
1929 (d); a crise de 1929 não gerou, nem podia
gerar, crescimento industrial e agrícola nos
EUA (e).
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s
a) crítica ao stalinismo.
b) combate ao fascismo.
c) rejeição ao federalismo.
d) apoio ao corporativismo.
e) adesão ao anarquismo.
C3 – H11
67. (Enem) Os regimes totalitários da primeira metade do sé-
culo XX apoiaram-se fortemente na mobilização da juventu-
de em torno da defesa de ideias grandiosas para o futuro da
nação. Nesses projetos, os jovens deveriam entender que
só havia uma pessoa digna de ser amada e obedecida, que
era o líder. Tais movimentos sociais juvenis contribuíram
para a implantação e a sustentação do nazismo, na Alema-
nha, e do fascismo, na Itália, Espanha e Portugal.
A atuação desses movimentos juvenis caracterizava-se:
a) pelo sectarismo e pela forma violenta e radical com que
enfrentavam os opositores ao regime.
b) pelas propostas de conscientização da população acerca
dos seus direitos como cidadãos.
c) pela promoção de um modo de vida saudável, que mostra-
va os jovens como exemplos a seguir.
d) pelo diálogo, ao organizar debates que opunham jovens
idealistas e velhas lideranças conservadoras.
e) pelos métodos políticos populistas e pela organização de
comícios multitudinários.
C3 – H15
68. (SM) Leia o texto abaixo:
Os eventos do verão de 1934 assinalaram o fim da
primeira fase do regime de Hitler. Ele conseguira con-
solidar seu poder, ao mesmo tempo em que mantinha
a lealdade e o apoio da maioria das elites conservado-
ras e disciplinava os elementos com um potencial de-
sagregador em suas próprias fileiras. As maiores ins-
tituições da sociedade alemã estavam alinhadas com a
causa nacional-socialista. A oposição esquerdista fora
brutalmente reprimida. A constituição de Weimar fora
substituída por um novo regime autoritário, destinado
a restaurar o orgulho alemão e promover o interesse
nacional. Em 1935, a suástica do Partido Nazista tor-
nou-se a bandeira oficial alemã.
66. Alternativa b.
A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) colocou
em confronto as tropas fascistas do general
Francisco Franco e as forças reunidas de socia-
listas, democratas, comunistas e anarquistas,
que apoiavam o governo republicano legitima-
mente eleito em fevereiro de 1936. As Brigadas
Internacionais fizeram parte dessa luta contra
o fascismo na Espanha. Sobre as demais alter-
nativas: os comunistas stalinistas apoiaram a
república e, portanto, não foram combatidos
pelas Brigadas (a); o federalismo não estava
em disputa nesse conflito (c); o corporativismo
era uma proposta fascista; portanto, as
Brigadas não lutavam em seu apoio (d); o anar-
quismo era uma das tendências em luta ao lado
das Brigadas e contra o fascismo (e).
67. Alternativa a.
Uma das características dos regimes totalitá-
rios foi a mobilização das massas, e particu-
larmente da juventude, em torno do líder e de
sua ideologia. Colocado num pedestal, o líder
era cultuado como uma figura infalível que en-
carnava os anseios da nação e apontava para
um futuro esplendoroso (por exemplo, o Reich
de Mil Anos prometido por Hitler). Nesse con-
texto, as organizações juvenis, caracterizadas
pelo fanatismo e pela intolerância própria de
seitas extremistas (sectarismo), assumiam ati-
tudes de permanente controle sobre a popula-
ção, perseguindo os opositores ao regime de
forma violenta. As demais alternativas são in-
corretas: fascistas e nazistas não estavam in-
teressados em promover os direitos dos cida-
dãos (b); embora os jovens nazistas e fascistas
praticassem ginástica, seu principal objetivo
não era promover uma vida saudável, mas sim
reprimir os opositores ao regime e preparar-se
para a guerra (c); o diálogo e o debate de
ideias não faziam parte do modo de atuar des-
ses grupos (d); os jovens fascistas e nazistas
promoviam grandes manifestações e se valiam
de métodos populistas, mas suas principais ca-
racterísticas eram o sectarismo, a intolerância
e a violência contra quem discordava de suas
ideias (e).
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A popularidade de Hitler continuava a crescer. Era di-
fícil até mesmo para os céticos não ser contagiado pelo
entusiasmo que o regime gerava. Muitos alemães esta-
vam sinceramente convencidos de que chegava a hora
do renascimento nacional. Hitler também se beneficiou
da reviravolta para melhor na economia que acompa-
nhou sua consolidação do poder. Afinal, a recuperação
econômica era a condição prévia para uma política ex-
terna ativa e para a manutenção do apoio popular. En-
quanto a economia alemã prosperasse, o poder de Hitler
permaneceria seguro.
sTaCkElBERg, Roderick. A Alemanha de Hitler: origens,
interpretações, legados. Rio de Janeiro: Imago, 2002. p. 166-167.
Segundo o texto, o poder de Hitler se consolidou, entre
outros fatores:
a) pela economia em decadência e pelo controle das ins-
tituições políticas.
b) pelo crescimento do apoio popular e pelo fracasso das
instituições políticas.
c) pelo crescimento da economia e pela repressão total
à população.
d) pelo controle das instituições políticas e pelo cresci-
mento econômico.
e) pela decadência das instituições políticas e pelo fracasso
da economia.
C2 – H7
69. (Enem)
Em discurso proferido em 17 de março de 1939, o
primeiro-ministro inglês à época, Neville Chamberlain,
sustentou sua posição política: “Não necessito defen-
der minhas visitas à Alemanha no outono passado, que
alternativa existia? Nada do que pudéssemos ter feito,
nada do que a França pudesse ter feito, ou mesmo a
Rússia, teria salvado a Tchecoslováquia da destruição.
Mas eu também tinha outro propósito ao ir até Muni-
que. Era o de prosseguir com a política por vezes cha-
mada de ‘apaziguamento europeu’, e Hitler repetiu o
que já havia dito, ou seja, que os Sudetos, região de po-
pulação alemã na Tchecoslováquia, eram a sua última
ambição territorial na Europa e que não queria incluir
na Alemanha outros povos que não os alemães”.
Disponível em: <www.johndclare.net>. (Adaptada.)
68. Alternativa d.
O texto argumenta que, uma vez no poder,
Hitler restaurou o orgulho do povo alemão e
manteve o apoio da maioria das elites conser-
vadoras. Ao mesmo tempo, assegurou para seu
grupo o controle das instituições políticas e
promoveu o crescimento econômico, que lhe
garantiu o apoio popular. Tudo isso foi funda-
mental para a concentração do poder nas
mãos dos nazistas. Sobre as demais alternati-
vas: a economia não estava decadente (a); as
instituições políticas foram controladas pelo
nazismo (b); a repressão não recaía sobre toda
a população, mas sim sobre setores dela, co-
mo os trabalhadores e militantes de esquerda,
os judeus, etc. (a); não havia decadência das
instituições e nem fracasso da economia (c).
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Sabendo-se que o compromisso assumido por Hitler em
1938, mencionado no texto, foi rompido pelo líder alemão
em 1939, infere-se que:
a) Hitler ambicionava o controle de mais territórios na Euro-
pa além daregião dos Sudetos.
b) a aliança entre a Inglaterra, a França e a Rússia poderia
ter salvado a Tchecoslováquia.
c) o rompimento desse compromisso inspirou a política de
“apaziguamento europeu”.
d) a política de Chamberlain de apaziguar o líder alemão era
contrária à posição assumida pelas potências aliadas.
e) a forma que Chamberlain escolheu para lidar com o problema
dos Sudetos deu origem à destruição da Tchecoslováquia.
C2 – H7
70. (Enem) O objetivo de tomar Paris marchando em direção ao
Oeste era, para Hitler, uma forma de consolidar sua liderança no
continente. Com esse intuito, entre abril e junho de 1940, ele
invadiu a Dinamarca, a Noruega, a Bélgica e a Holanda. As tro-
pas francesas se posicionaram na Linha Maginot, uma linha de
defesa com trincheiras, na tentativa de conter a invasão alemã.
Para a Alemanha, o resultado dessa invasão foi:
a) a ocupação de todo o território francês, usando-o como
base para a conquista da Suíça e da Espanha durante a
segunda fase da guerra.
b) a tomada do território francês, que foi então usado como
base para a ocupação nazista da África do Norte, durante
a guerra de trincheiras.
c) a posse de apenas parte do território, devido à resistência
armada do exército francês na Linha Maginot.
d) a vitória parcial, já que, após o avanço inicial, teve de re-
cuar, devido à resistência dos blindados do general De
Gaulle, em 1940.
e) a vitória militar, com ocupação de parte da França, en-
quanto outra parte ficou sob controle do governo colabo-
racionista francês.
C1 – H2
71. (Enem)
O Massacre da Floresta de Katyn foi noticiado pela pri-
meira vez pelos alemães em abril de 1943. Numa colina na
Rússia, soldados nazistas encontraram aproximadamente
69. Alternativa a.
Em setembro de 1938, na Conferência de
Munique, Hitler se comprometeu a não ocupar
outros territórios, caso os governos da França
e da Inglaterra reconhecessem seu “direito”
de anexar a região dos Sudetos. Franceses e
ingleses acreditaram na promessa. Hitler, po-
rém, faltou à palavra e, depois de ocupar os
Sudetos, invadiu a Tchecoslováquia. Devido ao
rompimento do compromisso assumido, con-
clui-se que Hitler ambicionava mais territórios.
As alternativas b e e não são incorretas, po-
rém não respondem ao que se pede. Já as al-
ternativas c e d não correspondem aos acon-
tecimentos históricos: não foi o rompimento
do compromisso de Munique que inspirou a po-
lítica de “apaziguamento” (c); tampouco essa
política era contrária à posição de outras po-
tências (d), como mostrou a atitude assumida
pela França, cujo presidente, Daladier, partici-
pou da Conferência e não se opôs à estratégia
de Chamberlain.
70. Alternativa e.
Uma parte da França foi ocupada, enquanto a
outra ficou sob o controle do governo colabo-
racionista de Vichy. Sobre as demais alternati-
vas: os nazistas não ocuparam todo o territó-
rio da França, apenas uma parte dele (a). A
guerra de trincheiras ocorreu na Primeira
Guerra Mundial, e não na Segunda (b). A Linha
Maginot dos franceses não impediu o avanço
dos alemães (c). Todo o norte da França foi
ocupado, inclusive Paris. Os alemães não
recuaram após o avanço inicial, mas marcharam
até Paris (d).
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doze mil cadáveres. Empilhado em valas estava um terço da
oficialidade do exército polonês, entre os quais, vários en-
genheiros, técnicos e cientistas. Os nazistas aproveitaram-
-se ao máximo do episódio em sua propaganda antisso-
viética. Em menos de dois anos, porém, a Alemanha foi
derrotada e a Polônia caiu na órbita da União Soviética – a
qual reescreveu a história, atribuindo o massacre de Ka-
tyn aos nazistas. A Polônia inteira sabia tratar-se de uma
mentira; mas quem o dissesse enfrentaria tortura, exílio
ou morte.
Disponível em: <http://veja.abril.com.br>. Acesso em: 19 maio
2009. (Adaptado.) Disponível em: <http://dn.sapo.pt>. Acesso em:
19 maio 2009. (Adaptado.)
Como o Massacre de Katyn e a farsa montada em torno desse
episódio se relacionam com a construção da chamada Corti-
na de Ferro?
a) A aniquilação foi planejada pelas elites dirigentes polone-
sas como parte do processo de integração de seu país ao
bloco soviético.
b) A construção de uma outra memória sobre o Massacre de
Katyn teve o sentido de tornar menos odiosa e ilegítima, aos
poloneses, a subordinação de seu país ao regime stalinista.
c) O exército polonês havia aderido ao regime nazista, o que
levou Stálin a encará-lo como um possível foco de restau-
ração do Reich após a derrota alemã.
d) A Polônia era a última fronteira capitalista do Leste europeu e
a dominação desse país garantiria acesso ao mar Adriático.
e) A aniquilação do exército polonês e a expropriação da
burguesia daquele país eram parte da estratégia de revo-
lução permanente e mundial defendida por Stálin.
C4 – H20
72. (SM) Leia o texto abaixo, sobre uma das consequências da
Guerra Fria:
Essa mesma tensão gerada pelo conflito entre EUA e
URSS promoveu um desenvolvimento científico e tecno-
lógico jamais imaginado. A importância dos investimen-
tos destinados ao setor técnico-científico já havia sido
demonstrada, sobretudo na Segunda Guerra Mundial
quando, entre outros, a bomba atômica definiu o final do
conflito no Pacífico e colocou os EUA à frente na luta pelo
poder hegemônico no cenário internacional. Entretanto,
não só a indústria bélica foi beneficiada. O computador,
a internet, os relógios digitais, as imagens via satélite
71. Alternativa b.
O regime stalinista da ex-União Soviética ten-
tou, de diversas formas, recontar a história,
apagando e deturpando acontecimentos pas-
sados segundo seus interesses. No caso do
Massacre da Floresta de Katyn, seu objetivo
era tornar menos odioso aos olhos dos polo-
neses o domínio soviético sobre a Polônia
(b). A questão se relaciona com a construção
da memória. Sobre as demais alternativas: as
elites polonesas não tinham interesse em
aniquilar a oficialidade de seu exército (a); o
exército polonês não aderiu ao nazismo, pelo
contrário, resistiu heroicamente à invasão
alemã (c); o mar Adriático, entre a Itália e a
antiga Iugoslávia, está muito distante da
Polônia (d); Stálin não defendia uma estraté-
gia de revolução permanente e mundial; essa
era a posição de Trotsky, inimigo número um
de Stálin assassinado em 1940 a mando do di-
tador soviético (e).
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que cotidianamente transmitem os acontecimentos em
tempo real e até a viagem do homem à Lua são, de certa
forma, produtos da Guerra Fria. Sem a ameaça do bloco
adversário, o desenvolvimento de satélites e foguetes se
daria num ritmo muito mais lento.
FaRia, Ricardo de Moura; miRanda, Mônica Liz. Da Guerra Fria à
Nova Ordem Mundial. São Paulo: Contexto, 2003. p. 40.
O desenvolvimento tecnológico do período da Guerra Fria
pode ser associado:
a) à crise dos Mísseis.
b) à corrida espacial e armamentista.
c) à coexistência pacífica.
d) à “nova” Guerra Fria, do presidente estadunidense
Ronald Reagan.
e) ao Muro de Berlim.
C1 – H2
73. (Enem)
É difícil encontrar um texto sobre a Proclamação da
República no Brasil que não cite a afirmação de Aristides
Lobo, no Diário Popular de São Paulo, de que “o povo assis-
tiu àquilo bestializado”. Essa versão foi relida pelos enal-
tecedores da Revolução de 1930, que não descuidaram
da forma republicana, mas realçaram a exclusão social, o
militarismo e o estrangeirismo da fórmula implantada em
1889. Isto porque o Brasil brasileiro teria nascido em 1930.
mEllo, M. T. C. A república consentida: cultura democrática e científica
no final do Império. Rio de Janeiro: FGV, 2007. (Adaptado.)
O texto defende que a consolidação de uma determinada me-
mória sobre a Proclamação da República no Brasil teve, na
Revolução de 1930, um de seus momentos mais importantes.
Os defensores da Revolução de 1930 procuraram construir
umavisão negativa para os eventos de 1889, porque esta era
uma maneira de:
a) valorizar as propostas políticas democráticas e libe-
rais vitoriosas.
b) resgatar simbolicamente as figuras políticas ligadas
à Monarquia.
c) criticar a política educacional adotada durante a
República Velha.
d) legitimar a ordem política inaugurada com a chegada desse
grupo ao poder.
e) destacar a ampla participação popular obtida no processo
da Proclamação.
72. Alternativa b.
Ao mesmo tempo em que teve uma relação es-
treita com a produção de armas e com a corri-
da espacial, o desenvolvimento tecnológico al-
cançado no decorrer da Guerra Fria estimulou
avanços sem precedentes em diversas áreas.
Sobre as demais alternativas: a Crise dos
Mísseis ocorreu em 1962, envolvendo a instala-
ção de foguetes de ogiva nuclear pelos sovié-
ticos em Cuba; o início do desenvolvimento
tecnológico durante a Guerra Fria é anterior a
ela; além disso, ela foi resolvida ainda em
1962, enquanto o avanço tecnológico conti-
nuou (a); a coexistência pacífica não deteve a
corrida espacial e armamentista, nem as ino-
vações tecnológicas (c); a política de Reagan
não teve impacto no desenvolvimento tecnoló-
gico (d); recurso utilizado pelos soviéticos, o
Muro de Berlim não teve relação com as trans-
formações tecnológicas verificadas nesse
período (e).
73. Alternativa d.
Os ideólogos comprometidos com o movimento
que levou Getúlio Vargas ao poder procuraram
traçar uma linha divisória entre o antes e o
depois de 1930. Criaram para isso algumas ex-
pressões como República Velha (anterior ao
movimento) e República Nova, inaugurada na-
quele ano. Esse trabalho ideológico incluía a
crítica ao regime iniciado com a Proclamação
da República em 1889. Com essa estratégia,
eles e os ocupantes do poder procuravam legi-
timar a ordem política instaurada com o movi-
mento de 1930. As demais alternativas são in-
corretas, pois o movimento de 1930: não valo-
rizou as propostas liberais, já que tinha fortes
inclinações autoritárias (a); não pretendia res-
gatar figuras ligadas à monarquia (b); seu pro-
pósito era fundar uma nova ordem, e não fazer
a crítica pontual de aspectos da República
Velha, como sua política educacional (c); sua
crítica à Proclamação da República era oposta
ao que afirma a alternativa e: os revolucioná-
rios de 1930 condenavam na Proclamação “a
exclusão social, o militarismo e o estrangeiris-
mo da fórmula implantada em 1889”.
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74. (Enem)
A partir de 1942 e estendendo-se até o final do Esta-
do Novo, o Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio
de Getúlio Vargas falou aos ouvintes da Rádio Nacional
semanalmente, por dez minutos, no programa Hora do
Brasil. O objetivo declarado do governo era esclarecer
os trabalhadores acerca das inovações na legislação de
proteção ao trabalho.
Gomes, A. C. A invenção do trabalhismo, Revista dos Tribunais. Rio
de Janeiro: Iuperj; São Paulo: Vértice, 1988. (Adaptado.)
Os programas Hora do Brasil contribuíram para:
a) conscientizar os trabalhadores de que os direitos so-
ciais foram conquistados por seu esforço, após anos de
lutas sindicais.
b) promover a autonomia dos grupos sociais, por meio de
uma linguagem simples e de fácil entendimento.
c) estimular os movimentos grevistas, que reivindicavam
um aprofundamento dos direitos trabalhistas.
d) consolidar a imagem de Vargas como um governante pro-
tetor das massas.
e) aumentar os grupos de discussão política dos trabalhado-
res, estimulados pelas palavras do ministro.
C5 – H22
75. (Enem)
De março de 1931 a fevereiro de 1940, foram decreta-
das mais de 150 leis novas de proteção social e de regula-
mentação do trabalho em todos os seus setores.
Todas elas têm sido simplesmente uma dádiva do go-
verno. Desde aí, o trabalhador brasileiro encontra nos
quadros gerais do regime o seu verdadeiro lugar.
Dantas, M. A força nacionalizadora do Estado Novo. Rio de Janeiro:
DIP, 1942. Apud Bercito, S. R. Nos Tempos de Getúlio: da revolução
de 30 ao fim do Estado Novo. São Paulo: Atual, 1990.
A adoção de novas políticas públicas e as mudanças jurídico-
-institucionais ocorridas no Brasil, com a ascensão de Getú-
lio Vargas ao poder, evidenciam o papel histórico de certas
lideranças e a importância das lutas sociais na conquista da
cidadania. Desse processo resultou a:
74. Alternativa d.
Durante o Estado Novo (1937-1945), a Hora do
Brasil não tinha o propósito de enaltecer as lu-
tas sindicais (a), nem de promover a autonomia
dos grupos sociais (b); tampouco, o de estimu-
lar os movimentos grevistas (c) ou de aumen-
tar os grupos de discussão (e). O governo de
Getúlio Vargas, ao mesmo tempo em que con-
cedia direitos trabalhistas à classe operária,
procurava manter os sindicatos sob seu contro-
le estrito. Entre seus objetivos não estava esti-
mular ou favorecer a organização independen-
te dos trabalhadores. Na verdade, os progra-
mas Hora do Brasil contribuíram para consoli-
dar a imagem de Vargas como um governante
protetor das massas (d).
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a) criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio,
que garantiu ao operariado autonomia para o exercício de
atividades sindicais.
b) legislação previdenciária, que proibiu migrantes de ocu-
parem cargos de direção nos sindicatos.
c) criação da Justiça do Trabalho, para coibir ideologias con-
sideradas perturbadoras da “harmonia social”.
d) legislação trabalhista, que atendeu reivindicações
dos operários, garantido-lhes vários direitos e formas
de proteção.
e) decretação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT),
que impediu o controle estatal sobre as atividades políti-
cas da classe operária.
C3 – H13
76. (Enem)
A solução militar da crise política gerada pela suces-
são do presidente Washington Luís em 1929 -1930 pro-
voca profunda ruptura institucional no país. Deposto
o presidente, o Governo Provisório (1930-1934) pre-
cisa administrar as diferenças entre as correntes polí-
ticas integrantes da composição vitoriosa, herdeira da
Aliança Liberal.
Lemos, R. A revolução constitucionalista de 1932. In: siLva, R. M.;
cachapuz, P. B.; Lamarão, S. (Org.). Getúlio Vargas e seu tempo.
Rio de Janeiro: BNDES.
No contexto histórico da crise da Primeira República, ve-
rifica-se uma divisão no movimento tenentista. A atua-
ção dos integrantes do movimento, liderados por Juarez
Távora, os chamados “liberais” nos anos 1930, deve ser
entendida como:
a) a aliança com os cafeicultores paulistas em defesa de
novas eleições.
b) o retorno aos quartéis diante da desilusão política com
a “Revolução de 30”.
c) o compromisso político-institucional com o governo
provisório de Vargas.
d) a adesão ao socialismo, reforçada pelo exemplo do ex-
-tenente Luis Carlos Prestes.
e) o apoio ao governo provisório em defesa da descentra-
lização do poder político
75. Alternativa d.
O texto citado na questão é de 1942 e exalta a
ação do governo de Getúlio, afirmando que a le-
gislação trabalhista foi uma “dádiva” concedida
desse governo aos trabalhadores. Seu autor
omitiu, deliberadamente ou não, as lutas da
classe trabalhadora por esses direitos desde fins
do século XIX. O governo de Getúlio apropriou-se
das reivindicações contidas nessas lutas e desse
processo resultou a legislação trabalhista, como
assinala corretamente a alternativa d. Sobre as
demais alternativas: a criação do Ministério do
Trabalho, Indústria e Comércio em 1930 não ga-
rantiu ao operariado autonomia para o exercício
de atividades sindicais (a) e a CLT não impediu o
controle estatal sobre as atividades políticas da
classe operária, na verdade, os sindicatos esta-
vam atrelados ao Estado (e). A legislação previ-
denciária não proibiu migrantes de ocuparem car-
gos na direção dos sindicatos (b) e a Justiça do
Trabalho foi criada para resolver causas trabalhis-
tas por meioda negociação entre as partes, e não
para coibir ideologias perturbadoras (c).
76. Alternativa c.
A atuação da corrente tenentista mencionada
no texto deve ser entendida como um compro-
misso com o governo Vargas, como afirma cor-
retamente a alternativa c. Sobre as demais al-
ternativas: os tenentes dos anos 1920 e do co-
meço da década de 1930 eram inimigos dos ca-
feicultores paulistas e não se aliaram a eles
em defesa de novas eleições (a). Também não
defendiam o retorno aos quartéis e em sua
maioria não aderiram ao socialismo (b e d).
Tanto os tenentes quanto o governo provisório
eram favoráveis à centralização política e não
à descentralização (e).
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C5 – H22
77. (Enem)
peDerneiras, R. Revista da Semana, ano 35, n. 40, 15 set. 1934. In:
Lemos, R. (Org.). Uma história do Brasil através das caricaturas (1840-
-2001). Rio de Janeiro: Bom Texto; Letras e Expressões, 2001.
Na imagem da década de 1930, há uma crítica à conquista de
um direito pelas mulheres, relacionado com a:
a) redivisão do trabalho doméstico.
b) liberdade de orientação sexual.
c) garantia da equiparação salarial.
d) aprovação do direito ao divórcio.
e) obtenção da participação eleitoral.
C3 – H11
78. (Enem)
Os generais abaixo-assinados, de pleno acordo com o
Ministro da Guerra, declaram-se dispostos a promover
uma ação enérgica junto ao governo no sentido de contra-
por medidas decisivas aos planos comunistas e seus pre-
gadores e adeptos, independentemente da esfera social a
que pertençam. Assim procedem no exclusivo propósito
de salvarem o Brasil e suas instituições políticas e sociais
da hecatombe que se mostra prestes a explodir.
Ata de reunião no Ministério da Guerra, 28/09/1937. BonaviDes, P.;
amaraL. R. Textos políticos da história do Brasil. v. 5. Brasília: Senado
Federal, 2002. (Adaptado.)
77. Alternativa e.
O voto feminino foi instituído no Brasil em
1932 por meio do Código Eleitoral estabelecido
pelo governo de Getúlio Vargas. Antes dele, as
mulheres brasileiras não tinham direito ao vo-
to. A exceção era o Rio Grande do Norte, onde
ele fora implantado em 1927. A Constituição de
1934 confirmou esse direito para todas as mu-
lheres brasileiras. A charge ironiza a conquista
desse direito pelas mulheres, revelando a car-
ga de preconceitos com que ela foi vista por
setores conservadores da sociedade e da im-
prensa. As demais alternativas são incorretas:
ainda não se discutia naquele momento nem a
redivisão do trabalho doméstico (a), nem a li-
berdade de orientação sexual (b); ainda hoje, a
equiparação salarial entre homens e mulheres
não foi plenamente alcançada no Brasil (c); o
divórcio só foi oficialmente instituído no Brasil
em 1977 (d).
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Levando em conta o contexto político-institucional dos anos
1930 no Brasil, pode-se considerar o texto como uma tenta-
tiva de justificar a ação militar que iria:
a) debelar a chamada Intentona Comunista, acabando com a
possibilidade da tomada do poder pelo PCB.
b) reprimir a Aliança Nacional Libertadora, fechando todos
os seus núcleos e prendendo os seus líderes.
c) desafiar a Ação Integralista Brasileira, afastando o perigo
de uma guinada autoritária para o fascismo.
d) instituir a ditadura do Estado Novo, cancelando as elei-
ções de 1938 e reescrevendo a Constituição do país.
e) combater a Revolução Constitucionalista, evitando que
os fazendeiros paulistas retomassem o poder perdido
em 1930.
C1 – H5
79. (SM) Observe a imagem e leia o texto abaixo.
Cena do filme Alô amigos, de 1942. A personagem de Walt Disney, Pato
Donald, conhece um amigo brasileiro, Zé Carioca (à direita), e visita o
“país do Carnaval”.
A expansão das empresas holiudianas no mercado bra-
sileiro difundia, assim, a cultura americana no país. Isso,
sem dúvida, facilitou a execução do projeto de americani-
zação do Brasil [...]. As condições tornavam-se favoráveis
ao sucesso da Política de Boa Vizinhança de Roosevelt, e
a presença física de algumas figuras mitificadas pelo cine-
ma só fazia reforçar o chamado sonho “holiudiano”.
tota, Antonio Pedro. O imperialismo sedutor. São Paulo: Companhia das
Letras, 2000. p. 134.
A Política de Boa Vizinhança, do presidente dos EUA, Franklin
Roosevelt, que utilizava o cinema como instrumento de sua estra-
tégia, afetou a identidade cultural brasileira, já que:
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78. Alternativa d.
O texto citado representou uma tentativa de
justificar a ação militar que iria instituir o
Estado Novo. As demais alternativas são incor-
retas: o texto citado é de setembro de 1937. A
“Revolução Constitucionalista” e a “Intentona
Comunista” haviam ocorrido, respectivamente,
em 1932 e 1935. O enunciado da questão afir-
ma que o texto seria uma tentativa de justifi-
car uma ação militar contra duas rebeliões já
sufocadas. Trata-se de um anacronismo (a e
e). Da mesma forma, a Aliança Nacional
Libertadora deixara de existir em fins de 1935,
não poderia ser reprimida em 1937 (b). Em se-
tembro de 1937, a Ação Integralista mantinha
boas relações com o governo (c).
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70
a) a penetração de aspectos da propaganda do american way
of life eliminou várias das manifestações culturais genui-
namente nacionais.
b) a resistência cultural que aqui se praticou naquele mo-
mento enfraqueceu sobremaneira a presença de aspectos
culturais estadunidenses no país.
c) ocorreu um processo de sincretismo cultural, pelo qual al-
guns aspectos do american way of life foram reelaborados
pelas práticas culturais locais.
d) as imposições das instituições estadunidenses e brasilei-
ras, na época do Estado Novo, destruíram diversas mani-
festações da nossa cultura e identidade.
e) a propaganda do american way of life foi suficientemente
forte para se impor à cultura popular, mas não para des-
truir as práticas culturais de elite, muito mais suscetíveis
às influências europeias.
C3 – H13
80. (Enem)
Não é difícil entender o que ocorreu no Brasil nos anos
imediatamente anteriores ao golpe militar de 1964. A di-
minuição da oferta de empregos e a desvalorização dos
salários, provocadas pela inflação, levaram a uma inten-
sa mobilização política popular, marcada por sucessivas
ondas grevistas de várias categorias profissionais, o que
aprofundou as tensões sociais. “Dessa vez, as classes tra-
balhadoras se recusaram a pagar o pato pelas sobras” do
modelo econômico juscelinista.
menDonça, S. R. A industrialização brasileira. São Paulo: Moderna,
2002. (Adaptado.)
Segundo o texto, os conflitos sociais ocorridos no início dos
anos 1960 decorreram principalmente:
a) da manipulação política empreendida pelo governo
João Goulart.
b) das contradições econômicas do modelo desenvolvimentista.
c) do poder político adquirido pelos sindicatos populistas.
d) da desmobilização das classes dominantes frente ao
avanço das greves.
e) da recusa dos sindicatos em aceitar mudanças na legis-
lação trabalhista.
79. Alternativa c.
Com a política de Boa Vizinhança, do presiden-
te Roosevelt, ocorreu um processo de sincre-
tismo cultural, pelo qual alguns aspectos do
american way of life foram reelaborados pelas
práticas culturais locais. Sobre as demais al-
ternativas: a presença de aspectos culturais
novos não eliminou os pré-existentes (a); a re-
sistência oferecida não enfraqueceu a presen-
ça cultural estadunidense especialmente por
meio do cinema (b); apesar da repressão polí-
tica durante o Estado Novo e da influência cul-
tural estadunidense, a identidade cultural na-
cional não foi destruída (d); ao contrário, a
cultura popular resistiu muito mais às ofensi-
vas do american way of life do que a cultura de
elite (e).
80. Alternativa b.
O texto citado faz referência à diminuição da
oferta de empregos e à desvalorização dos sa-
lários,decorrentes da inflação. Esta última foi
provocada pela política econômica desenvolvi-
mentista posta em prática pelo governo de
Juscelino Kubitschek. Assim, os conflitos so-
ciais ocorridos no início dos anos 1960 foram
resultado principalmente das contradições
dessa política econômica. Tais conflitos não
decorreram de uma suposta manipulação polí-
tica do governo de João Goulart. Na verdade,
Jango mantinha um diálogo aberto com os sin-
dicatos de trabalhadores (a); os sindicatos de-
tinham certo poder de mobilização, mas não
teriam capacidade de promover conflitos caso
o modelo desenvolvimentista não padecesse
de contradições que afetavam diretamente as
classes trabalhadoras (c); as classes dominan-
tes não estavam desmobilizadas, pelo contrá-
rio, conspiravam para derrubar o presidente
(d); não havia propostas de mudar a legislação
trabalhista (e).
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C2 – H8
81. (Enem)
Meta do faminto
JK – Você agora tem automóvel brasileiro, para correr em estradas
pavimentadas com asfalto brasileiro, com gasolina brasileira. Que
quer mais?
JECA – Um prato de feijão brasileiro, seu doutô!
théo. In: Lemos, R. (Org.). Rio de Janeiro: Bom Texto; Letras &
Expressões, 2001. Uma história do Brasil através da caricatura
(1840-2001).
A charge ironiza a política desenvolvimentista do governo Ju-
celino Kubitschek, ao:
a) evidenciar que o incremento da malha viária diminuiu as
desigualdades regionais do país.
b) destacar que a modernização das indústrias dinamizou a
produção de alimentos para o mercado interno.
c) enfatizar que o crescimento econômico implicou aumento
das contradições socioespaciais.
d) ressaltar que o investimento no setor de bens duráveis in-
crementou os salários de trabalhadores.
e) mostrar que a ocupação de regiões interioranas abriu
frente de trabalho para a população local.
C3 – H11
82. (Enem)
Em meio às turbulências vividas na primeira metade dos
anos 1960, tinha-se a impressão de que as tendências de es-
querda estavam se fortalecendo na área cultural. O Centro
81. Alternativa c.
A charge ironiza a contradição entre o proces-
so de industrialização sob o governo de
Juscelino Kubitschek e as condições de po-
breza em que vivia (e ainda vive) boa parte da
população rural no Brasil. As demais alternati-
vas são incorretas: a charge não estabelece
nenhuma relação entre a malha viária e as de-
sigualdades regionais no país (a); a moderni-
zação da indústria não dinamizou a produção
de alimentos (b); não há menção ao incremen-
to de salários (d), nem à ocupação de regiões
interioranas (e).
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72
Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudan-
tes (UNE) encenava peças de teatro que faziam agitação e
propaganda em favor da luta pelas reformas de base e sati-
rizavam o “imperialismo” e seus “aliados internos”.
KonDer, L. História das ideias socialistas no Brasil. São Paulo:
Expressão Popular, 2003.
No início da década de 1960, enquanto vários setores da esquer-
da brasileira consideravam que o CPC da UNE era uma importan-
te forma de conscientização das classes trabalhadoras, os setores
conservadores e de direita (políticos vinculados à União Demo-
crática Nacional – UDN –, Igreja Católica, grandes empresários
etc.) entendiam que esta organização:
a) constituía mais uma ameaça para a democracia brasileira,
ao difundir a ideologia comunista.
b) contribuía com a valorização da genuína cultura nacional,
ao encenar peças de cunho popular.
c) realizava uma tarefa que deveria ser exclusiva do Estado,
ao pretender educar o povo por meio da cultura.
d) prestava um serviço importante à sociedade brasileira, ao
incentivar a participação política dos mais pobres.
e) diminuía a força dos operários urbanos, ao substituir os sin-
dicatos como instituição de pressão política sobre o governo.
C5 – H24
83. (Enem)
Fortuna. Correio da Manhã, ano 85, n. 22.264, 2 nov. 1965.
A imagem foi publicada no jornal Correio da Manhã, no dia de
Finados de 1965. Sua relação com os direitos políticos exis-
tentes no período revela a:
a) extinção dos partidos nanicos.
b) retomada dos partidos estaduais.
c) adoção do bipartidarismo regulado.
d) superação do fisiologismo tradicional.
e) valorização da representação parlamentar.
82. Alternativa a.
No começo dos anos 1960, o CPC era uma en-
tre várias entidades controladas por grupos de
esquerda, muitos dos quais de inspiração mar-
xista. Com sua proposta de “conscientização
das classes trabalhadoras” e suas críticas ao
“imperialismo”, o CPC era visto pelos militares
e pelos grupos conservadores como uma ameaça
ao capitalismo e à sociedade brasileira. As
alternativas b, d e e, portanto, são incorretas.
Da mesma forma, a alternativa c. Nas condi-
ções políticas dos primeiros anos 1960, nin-
guém entre os grupos conservadores pensaria
que a CPC estava “educando o povo”. Para es-
ses grupos, o CPC era sinônimo de “subversão”.
83. Alternativa c.
As siglas da imagem são as de diversos parti-
dos no Brasil, extintos em 1965 pelo Ato
Institucional nº 2 (AI-2). Alguns deles eram
grandes agremiações políticas, como o Partido
Trabalhista Brasileiro (PTB), o Partido Social
Democrático (PSD) e a União Democrática
Nacional (UDN). Ao mesmo tempo, o AI-2 esta-
beleceu o bipartidarismo, com um partido do
governo, a Arena, e um partido de oposição, o
MDB. As demais alternativas são incorretas:
nem todos os partidos extintos eram nanicos
(a); com a medida, não houve retomada de
partidos estaduais (b), nem superação do fi-
siologismo (d) ou valorização da representa-
ção parlamentar (e).
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84. (SM) Leia o texto abaixo:
Os mais velhos lembram-se muito bem, mas os mais
moços podem acreditar: entre 1950 e 1979, a sensação dos
brasileiros [...] era a de que faltava dar uns poucos passos
para finalmente nos tornarmos uma nação moderna. Esse
alegre otimismo [...] foi mudando a sua forma. Na década
de 1950, alguns imaginavam até que estaríamos assistindo
ao nascimento de uma nova civilização nos trópicos, que
combinava a incorporação das conquistas materiais do ca-
pitalismo com a persistência dos traços de caráter que nos
singularizam como povo: a cordialidade, a criatividade, a
tolerância. De 1967 em diante, a visão do progresso vai as-
sumindo a nova forma de uma crença na modernização,
isto é, de nosso acesso iminente ao “Primeiro Mundo”.
meLLo, João Manuel Cardoso de; novais, Fernando. Capitalismo
tardio e sociabilidade moderna. 2. ed. São Paulo: Unesp; Campinas:
Facamp, 2009. p. 7.
Segundo o texto citado, o processo de modernização brasileiro:
a) gerou desconfianças, visto que a população preferia man-
ter os traços de caráter que geralmente atribuímos a nós
mesmos, como a cordialidade, a criatividade e a tolerância.
b) foi entendido como resultado natural da superioridade da
cultura brasileira, baseada em aspectos positivos e inclu-
sivos, diferentes do restante do mundo.
c) foi desprezado pela maioria da população, já que man-
tinha as características mais negativas da nossa cultura,
especialmente a cordialidade, considerada instável no
mundo competitivo capitalista.
d) foi tratado com indiferença, na medida em que a maioria
da população, apesar de alguma resistência inicial, prefe-
riu aceitar o crescimento econômico como algo inevitável.
e) foi recebido pela população com otimismo, pois havia quem
considerasse que o crescimento econômico ocorria em con-
junto com a manutenção de nossas características culturais.
C5 – H21
85. (SM) Observe a charge abaixo:
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Nosso século. são Paulo: Abril Cultural, 1980.
84. Alternativa e.
Segundo o texto, o processo de moderniza-
ção da nossa economia, em meados do
século XX, era visto com otimismo, jáque ele
viria associado à manutenção das caracterís-
ticas culturais que costumamos atribuir a
nós mesmos. Sobre as demais alternativas:
não havia dicotomia entre crescimento eco-
nômico e características culturais da popula-
ção (a); não se fala em superioridade cultural
do brasileiro, mas em singularidade (b); a po-
pulação não considerava negativas as carac-
terísticas atribuídas à nossa cultura (c); o
crescimento econômico foi visto com otimis-
mo e entendido como base de uma nova civi-
lização nos trópicos (d).
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74
Ela se relaciona ao contexto histórico brasileiro, no qual:
a) ocorre a imposição do Estado Novo, quando o governo de
Getúlio Vargas tornou-se ditatorial.
b) o governo de Eurico Dutra adere aos dos Estados Unidos
no contexto da Guerra Fria.
c) houve um aprofundamento da ditadura militar no Brasil,
com a imposição do Ato Institucional no 5.
d) o presidente Fernando Collor determina o confisco dos re-
cursos depositados nos bancos.
e) ocorre o fim da ditadura militar e os generais que exerce-
ram a presidência foram expulsos do país.
C3 – H13
86. (Enem)
Um gigante da indústria da internet, em gesto simbó-
lico, mudou o tratamento que conferia à sua página pales-
tina. O site de buscas alterou sua página quando acessada
da Cisjordânia. Em vez de “territórios palestinos”, a em-
presa escreve agora “Palestina” logo abaixo do logotipo.
Bercito, D. Google muda tratamento de territórios palestinos.
Folha de S.Paulo, 4 maio 2013. (Adaptado.)
O gesto simbólico sinalizado pela mudança no status dos ter-
ritórios palestinos significa o:
a) surgimento de um país binacional.
b) fortalecimento de movimentos antissemitas.
c) esvaziamento de assentamentos judaicos.
d) reconhecimento de uma autoridade jurídica.
e) estabelecimento de fronteiras nacionais.
C3 – H13
87. (Enem)
O ano de 1968 ficou conhecido pela efervescência social,
tal como se pode comprovar pelo seguinte trecho, retirado
de texto sobre propostas preliminares para uma revolução
cultural: “É preciso discutir em todos os lugares e com todos.
O dever de ser responsável e pensar politicamente diz res-
peito a todos, não é privilégio de uma minoria de iniciados.
Não devemos nos surpreender com o caos das ideias, pois
essa é a condição para a emergência de novas ideias. Os pais
do regime devem compreender que autonomia não é uma
palavra vã; ela supõe a partilha do poder, ou seja, a mudança
de sua natureza. Que ninguém tente rotular o movimento
atual; ele não tem etiquetas e não precisa delas”.
Journal de la comune étudiante. Textes ET documents. Paris: Seuil,
1969. (Adaptado.)
85. Alternativa c.
A charge ironiza um dos slogans de propaganda
do regime militar: “Brasil: ame-o ou deixe-o”.
Esse estilo de propaganda se associa às
medidas de repressão tomadas a partir da pu-
blicação do Ato Institucional no 5 (1968), que
aprofundou a ditadura militar, institucionali-
zando a prisão, a tortura e o assassinato de
dissidentes políticos. Todas as demais alterna-
tivas relacionam a charge a momentos distan-
ciados no tempo em relação à sua produção:
Estado Novo (1937-1945) (a), governo Dutra
(1946-1951) (b), governo Collor (1990-1992) (d),
fim da ditadura militar (1985) (e).
86. Alternativa d.
Com esse gesto simbólico, o “gigante da inter-
net” sinaliza aos palestinos sua disposição de
reconhecer como legítima a Autoridade
Nacional Palestina (ANP), criada em 1996 como
primeiro passo para a formação de um Estado
Palestino. A hipótese de criação de um Estado
binacional (judaico-palestino) está completa-
mente fora de cogitação (a); o gesto simbólico
não fortalece movimentos antissemitas (b);
tampouco tem por objetivo esvaziar assenta-
mentos judaicos, embora a futura criação de
um Estado Palestino deva provocar a retirada
desses assentamentos na Cisjordânia (c); por
fim, as fronteiras nacionais do novo Estado só
serão definidas com sua criação, o que ainda
está longe de ocorrer (e).
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Os movimentos sociais, que marcaram o ano de 1968:
a) foram manifestações desprovidas de conotação política,
que tinham o objetivo de questionar a rigidez dos padrões
de comportamento social fundados em valores tradicio-
nais da moral religiosa.
b) restringiram-se às sociedades de países desenvolvidos,
onde a industrialização avançada, a penetração dos meios
de comunicação de massa e a alienação cultural que deles
resultava eram mais evidentes.
c) resultaram no fortalecimento do conservadorismo políti-
co, social e religioso que prevaleceu nos países ocidentais
durante as décadas de 1970 e 1980.
d) tiveram baixa repercussão no plano político, apesar de seus
fortes desdobramentos nos planos social e cultural, expres-
sos na mudança de costumes e na contracultura.
e) inspiraram futuras mobilizações, como o pacifismo, o am-
bientalismo, a promoção da equidade de gêneros e a de-
fesa dos direitos das minorias.
C5 – H22
88. (SM) Leia o texto abaixo:
A década de 1960 do século passado significou para
a América Latina desenvolvimento, mas foi também
o período da repressão das esperanças por regimes
militares. Em seguida à Revolução Cubana, à Peda-
gogia dos Oprimidos e à Teologia da Libertação, vie-
ram a morte de Che Guevara, o massacre na Praça de
Tlatelolco, a repressão do movimento Cordobazo e da
guerrilha urbana no Brasil e no Cone Sul. A década de
1980 foi marcada por novas esperanças, desencadeadas
pela vitória da guerrilha sandinista na Nicarágua, em
1979, e pelo fim paulatino dos regimes autoritários
em muitos países. Nesse período, o mote das femi-
nistas chilenas, “democracia no país e democracia em
casa”, tornou-se o símbolo dos movimentos feminis-
tas em toda a América Latina, que desempenharam
um importante papel naquela fase de transição.
potthast, Barbara. Democracia no país e democracia em casa.
Humboldt, Goethe Institut, 2008. Disponível em: <www.goethe.de>.
Acesso em: 22 nov. 2013.
O exemplo do movimento das mulheres chilenas, citado no
texto, demonstra que:
87. Alternativa e.
Os movimentos sociais de 1968 não foram mani-
festações desprovidas de conotação política (a),
não se restringiram às sociedades de países
desenvolvidos (b), muito menos resultaram do
fortalecimento do conservadorismo (c) e não
tiveram baixa repercussão no plano político
(d). Pelo contrário, os movimentos sociais de
1968 tiveram enorme repercussão política, a
começar pela França, onde quase chegaram a
derrubar o presidente Charles De Gaulle. Não
se restringiram aos países desenvolvidos, mas
eclodiram também em sociedades do Terceiro
Mundo, como o Brasil e o México. Constituíram
um forte enfrentamento ao conservadorismo e
tiveram importantes repercussões políticas,
como no caso dos Estados Unidos, onde as agi-
tações contrárias à Guerra do Vietnã, somadas
às derrotas no campo de batalha, levaram o
governo a retirar suas tropas do país asiático.
Como afirma a alternativa e, eles inspiraram
futuras mobilizações por reivindicações que
ampliaram os limites da democracia.
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a) a reconstrução da identidade das mulheres engajadas em
movimentos feministas foi fundamental para que elas ti-
vessem papel destacado na luta pela redemocratização
dos países latino-americanos.
b) depois de muito tempo sem interesse em política, as mu-
lheres da América Latina resolveram participar do deba-
te sobre a redemocratização dos países que viveram sob
regimes ditatoriais entre as décadas de 1960 e 1980.
c) o fracasso da luta contra as ditaduras latino-americanas
se deve muito ao fato de as mulheres terem se desviado
do problema principal e se preocupado mais com a “de-
mocracia em casa”.
d) a participação feminina em vários movimentos de resis-
tência à ditadura na América Latina foi fundamental para
que as democracias retornassem, porémfoi necessário
sacrificar as lutas pela igualdade de gênero.
e) o desenvolvimento econômico associado ao fim das dita-
duras latino-americanas beneficiou as mulheres, que pu-
deram se dedicar às lutas pela “democracia em casa”, sem
se preocupar com a “democracia no país”.
C5 – H22
89. (Enem)
Tendo encarado a besta do passado olho no olho, tendo
pedido e recebido o perdão e tendo feito correções, viremos
agora a página – não para esquecê-lo mas para não deixá-lo
aprisionar-nos para sempre. Avancemos em direção a um
futuro glorioso de uma nova sociedade sul-africana, em
que as pessoas valham não em razão de irrelevâncias bio-
lógicas ou de outros estranhos atributos, mas porque são
pessoas de valor infinito criadas à imagem de Deus.
Desmond Tutu, no encerramento da comissão da verdade na África
do Sul. Disponível em: <http://td.camera.leg.br>. Acesso em: 17 dez.
2012. (Adaptado.)
No texto, relaciona-se a consolidação da democracia na Áfri-
ca do Sul à superação de um legado:
a) populista, que favorecia a cooptação de dissidentes políticos.
b) totalitarista, que bloqueava o diálogo com os movi-
mentos sociais.
c) degregacionista, que impedia a universalização da cidadania.
d) estagnacionista, que disseminava a pauperização social.
e) fundamentalista, que engendrava conflitos religiosos.
88. Alternativa a.
Para as mulheres latino-americanas, a exem-
plo das chilenas, a democracia política deveria
estar associada à democracia na vida privada,
de tal forma que mulheres e homens pudes-
sem conviver em condições de igualdade. Esse
engajamento no movimento feminista deu às
mulheres condições de participar como prota-
gonistas da luta pela redemocratização da
América Latina. As demais alternativas são in-
corretas: as mulheres sempre participaram
das lutas políticas (b); a luta contra as ditadu-
ras não fracassou e o engajamento feminino
contribuiu para o resultado final (c); a partici-
pação feminina foi importante para a retomada
da democracia, mas para isso não foi necessá-
rio sacrificar a luta pela igualdade de gêneros
(d); ao contrário do que diz a alternativa, as
lutas pela “democracia em casa” e pela “demo-
cracia no país” ocorreram ao mesmo tempo (e).
89. Alternativa c.
O passado a que se refere Desmond Tutu no
texto citado é o período no qual a África do
Sul viveu sob o apartheid, regime que estabe-
leceu oficialmente a segregação racial e sepa-
rou a população negra da população branca,
negando direitos civis aos negros e impondo a
eles diversas proibições, como a de ter acesso
à propriedade da terra. Esse regime, iniciado
em 1948, chegou ao fim em 1990. As demais
alternativas são incorretas porque: a África do
Sul não teve um passado dominado pelo popu-
lismo (a), nem pelo totalitarismo, embora o
apartheid bloqueasse o diálogo com os movi-
mentos negros (b); a economia do país não es-
tava estagnada (d); o cerne do problema era
social, político e cultural, e não religioso (e).
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C3 – H13
90. (Enem)
Movimento dos Caras-Pintadas
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>.
Acesso em: 17 abr. 2010. (Adaptado.)
O movimento representado na imagem, do início dos anos de
1990, arrebatou milhares de jovens no Brasil. Nesse contexto, a
juventude, movida por um forte sentimento cívico:
a) aliou-se aos partidos de oposição e organizou a campa-
nha Diretas Já.
b) manifestou-se contra a corrupção e pressionou pela apro-
vação da Lei da Ficha Limpa.
c) engajou-se nos protestos-relâmpago e utilizou a internet
para agendar suas manifestações.
d) espelhou-se no movimento estudantil de 1968 e protago-
nizou ações revolucionárias armadas.
e) tornou-se porta-voz da sociedade e influenciou o proces-
so de impeachment do então presidente Collor.
C2 – H7
91. (Enem)
A bandeira da Europa não é apenas o símbolo da União
Europeia, mas também da unidade e da identidade da Eu-
ropa em sentido mais lato. O círculo de estrelas douradas
representa a solidariedade e a harmonia entre os povos
da Europa.
Disponível em: <http://europa.eu/index_pt.htm>.
Acesso em: 29 abr. 2010. (Adaptado.)
A que se pode atribuir a contradição intrínseca entre o que
propõe a bandeira da Europa e o cotidiano vivenciado pelas
nações integrantes da União Europeia?
90. Alternativa e.
Com suas manifestações de rua, os jovens mo-
bilizados principalmente pela União Nacional
dos Estudantes (UNE) tornaram-se porta-vozes
da indignação de toda a sociedade contra a
corrupção no governo Collor e tiveram influên-
cia decisiva no processo que obrigou o presi-
dente a se afastar do poder. As alternativas a,
b e c são incorretas e anacrônicas, pois rela-
cionam processos muito afastados no tempo.
O movimento dos Caras-Pintadas ocorreu em
1992; o das Diretas Já!, em 1984 (a). A Lei da
Ficha Limpa foi aprovada pelo Congresso
Nacional em 2010 (b). Em 1992, não havia ain-
da redes sociais na internet, tal como temos
hoje: não foi, portanto, por meio delas que as
manifestações foram convocadas (c). O movi-
mento também não protagonizou ações arma-
das (d).
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a) Ao contexto da década de 1930, no qual a bandeira foi
forjada e em que se pretendia a fraternidade entre os po-
vos traumatizados pela Primeira Guerra Mundial.
b) Ao fato de que o ideal de equilíbrio implícito na bandeira
nem sempre se coaduna com os conflitos e rivalidades re-
gionais tradicionais.
c) Ao fato de que Alemanha e Itália ainda são vistas com
desconfiança por Inglaterra e França mesmo após déca-
das do final da Segunda Guerra Mundial.
d) Ao fato de que a bandeira foi concebida por portugueses
e espanhóis, que possuem uma convivência mais harmô-
nica do que as demais nações europeias.
e) Ao fato de que a bandeira representa as aspirações re-
ligiosas dos países de vocação católica, contrapondo-
-se ao cotidiano das nações protestantes.
C2 – H7
92. (SM) Leia o texto a seguir:
A China anunciou [...] que dobrará, para 20 bilhões de
dólares, seus créditos à África e se comprometeu a fazer
com que seus investidores também beneficiem os africa-
nos, em uma decisão que coroa a presença crescente da
segunda economia mundial no continente.
Desde 2009, a China é o principal sócio comercial da
África. O intercâmbio comercial entre China e a África al-
cançou 166,3 bilhões de dólares [em 2011], uma alta de
83% em relação a 2009, segundo o Ministério do Comér-
cio chinês, que indica que a China se tornou o primeiro
sócio comercial da África.
China anuncia 20 bilhões de dólares para investimentos na África.
Jornal Correio Braziliense, 19 jul. 2012. Disponível em:
<www.correiobraziliense.com.br>. Acesso em: 21 nov. 2013.
O aumento dos investimentos chineses no continente africa-
no se deve, entre outros fatores:
a) à necessidade de políticas humanitárias na África para re-
dução da pobreza e da mortalidade infantil.
b) às necessidades chinesas de novas fontes de alimentos e
matérias-primas, abundantes na África.
c) ao fato de a China buscar enfraquecer a significativa pre-
sença estadunidense na África.
d) ao interesse africano de procurar novos parceiros comer-
ciais que não queiram apenas explorá-la.
e) ao fracasso das parcerias que a China mantinha com a
Rússia, a Índia e o Brasil.
91. Alternativa b.
A bandeira da União Europeia (UE) é expressão
de um ideal que ainda não foi plenamente rea-
lizado. É verdade que, desde o fim da Segunda
Guerra Mundial, muito se avançou no sentido
da integração, da solidariedade e da harmonia
entre os povos europeus. Entretanto, sobrevi-
vem ainda algumas rivalidades nacionais e in-
teresses contraditórios entre esses povos.
A Inglaterra, por exemplo, mantém um certo
isolamento em relação ao restante da Europa
e não aderiu à moeda única, o euro. Em 2004,
os líderes da UE aprovaram uma Constituição
Europeia, mas elanão chegou a ter vigência,
pois antes de entrar em vigor deveria ser rati-
ficada pelos Estados-membros, em alguns de-
les por meio de plebiscitos. Nem todos os paí-
ses, porém, a aprovaram. Sobre as demais al-
ternativas: a bandeira não foi “forjada” na dé-
cada de 1930 (a); a Alemanha e a Itália já não
são vistas com desconfiança; o principal aliado
da Alemanha na proposta de unificação euro-
peia é justamente a França (c); a bandeira não
foi concebida por portugueses e espanhóis (d);
a formação da UE e a concepção de sua ban-
deira não foram condicionadas por razões reli-
giosas; os dois países que mais lutam pela uni-
ficação são a França (de maioria católica) e a
Alemanha (de maioria protestante) (e).
92. Alternativa b.
A China procura na África recursos escassos
em seu território, como matérias-primas para
a sua indústria, especialmente, e alimentos,
também necessários para a sua gigantesca po-
pulação em processo de urbanização. Sobre as
demais alternativas: apesar de prometer au-
mentar os investimentos sociais na África, o
interesse primordial da China não é esse (a); a
China tem interesses próprios no continente
africano, não está ali para disputar espaço
com os Estados Unidos (c); embora os países
africanos busquem novos parceiros comer-
ciais, não se pode atribuir a isso o fator pri-
mordial da presença chinesa (d); os países ci-
tados são parceiros comerciais importantes e
estratégicos para a China e não houve nenhum
fracasso nessas relações (e).
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93. (SM) Leia o texto a seguir:
A aceleração das inovações tecnológicas se dá agora
numa escala multiplicativa, uma autêntica reação em ca-
deia, de modo que em curtos intervalos de tempo o conjunto
do aparato tecnológico vigente passa por saltos qualitativos
em que a ampliação, a condensação e a miniaturização de
seus potenciais reconfiguram completamente o universo
de possibilidades e expectativas, tornando-o cada vez mais
imprevisível e incompreensível. Sendo assim, sentimo-nos
incapazes de prever, resistir ou entender o rumo que as coi-
sas tomam, tendemos a adotar a tradicional estratégia de
relaxar e gozar. Deixamos para pensar nos prejuízos depois,
quando pudermos. Mas o problema é exatamente esse: no
ritmo em que as mudanças ocorrem, provavelmente nunca
teremos tempo para parar e refletir, nem mesmo para reco-
nhecer o momento em que já for tarde demais.
sevcenKo, Nicolau. A corrida para o século XXI: no loop da montanha-
-russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 16-17.
Seguindo a argumentação do autor, podemos dizer que a so-
ciedade, na transição do século XX para o século XXI:
a) está completamente satisfeita com a onda de inovações
tecnológicas que ocorrem atualmente.
b) encontra-se perdida, mas começa a questionar o futuro do
planeta, refletindo sobre as consequências do crescimen-
to econômico desenfreado.
c) prefere acompanhar os acontecimentos à distância e não
vivenciá-los de forma a sentir todo o prazer que as inova-
ções tecnológicas poderiam proporcionar.
d) sente-se incapaz de reagir e de entender os acontecimen-
tos e prefere, assim, experimentar o prazer das mudanças,
sem refletir sobre elas.
e) nunca parou para refletir e, portanto, prefere resistir
às mudanças.
C5 – H23
94. (SM) Leia o texto abaixo:
Existem várias definições para o termo bioética [...].
Uma das mais completas diz que bioética é um conjunto
de pesquisas, discursos e práticas, normalmente multi-
disciplinares, cuja finalidade é esclarecer e resolver ques-
tões éticas suscitadas pelos avanços e pela aplicação da
medicina e da biologia. [...]
93. Alternativa d.
Para o autor, as pessoas se mostram incapazes
de entender as mudanças e de interferir no
rumo dos acontecimentos; preferem se deixar
levar por elas, sem refletir sobre seus signifi-
cados. Sobre as demais alternativas: não se
pode afirmar que a sociedade está satisfeita,
já que não há reflexão sobre as transforma-
ções em curso (a); é fato que a sociedade se
sente perdida em meio às mudanças, mas o
autor não identifica nenhum movimento no
sentido de questioná-las (b); na verdade, a so-
ciedade mergulhou de cabeça no prazer que
as novas tecnologias propiciam (c); o autor
não afirma que a sociedade prefere resistir às
mudanças, mas sim que prefere se deixar levar
por elas, sem reflexão (e).
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80
Entre os temas abordados, sobressaem-se o aborto, a
eutanásia, os transgênicos, a fertilização in vitro, a clona-
gem e os testes com animais.
A bioética é um campo de estudo propício ao embate
de grupos de interesses distintos, como indústrias far-
macêuticas, laboratórios de biotecnologia, organizações
ambientalistas, associações de consumidores e entidades
de classe. [...]
vasconceLos, Yuri. O que é bioética?, Planeta Sustentável, Abril,
jan. 2008. Disponível em: <www.planetasustentavel.abril.com.br>.
Acesso em: 23 nov. 2013.
Considerando a definição de bioética acima, analise os
itens a seguir:
I. A preocupação com questões éticas na aplicação da
ciência ganhou importância nos últimos anos em razão
do avanço das pesquisas científicas. Estas permitem,
por exemplo, práticas de fertilização laboratorial e clo-
nagem, que atualmente é feita em animais, mas, no
futuro, pode ser aplicada em seres humanos.
II. As organizações ambientalistas são as mais interessa-
das em debates de natureza bioética, já que as insti-
tuições de pesquisa, por exemplo, sempre se opõem a
esse tipo de debate público.
III. A possibilidade de produção de alimentos genetica-
mente modificados se configura em um dos temas mais
importantes no campo da bioética. Entretanto, o debate
tem sido boicotado pelos países pobres, que podem se
beneficiar com o aumento produtivo, a despeito dos
potenciais riscos à saúde humana que esses alimentos
podem provocar.
IV. A utilização de animais em pesquisas científicas para a
produção de medicamentos ou, até mesmo, para a ge-
ração de novos cosméticos é um dos assuntos que mais
dividem as opiniões daqueles que se envolvem com as
discussões bioéticas.
São corretos apenas os itens:
a) I e II.
b) III e IV.
c) I e IV.
d) II e III.
e) II e IV.
94. Alternativa c.
A bioética assumiu importância nos últimos
tempos em razão dos avanços das ciências bio-
lógicas, assim como da preocupação, cada vez
maior, com o uso de animais nas pesquisas
científicas. Sobre as demais alternativas: o de-
bate público sobre as questões que envolvem a
bioética é de interesse de todas as instituições
que atuam nessa área, apesar de posições, mui-
tas vezes, frontalmente divergentes (II) a ques-
tão da produção de alimentos geneticamente
modificados é um tema fundamental da bioéti-
ca, mas não é verdade que os países pobres
barram o debate em torno do assunto (III).
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95. (Enem)
Proporção de eleitorado inscrito em relação à população: 1940-2000
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50
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30
20
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0
1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000
(%)
Gomes, A. et al. A República no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.
A análise do gráfico permite identificar um intervalo de
tempo no qual uma alteração na proporção de eleito-
res inscritos resultou de uma luta histórica de setores da
sociedade brasileira. O intervalo de tempo e a conquista es-
tão associados, respectivamente, em:
a) 1940-1950 – direito de voto para os ex-escravos.
b) 1950-1960 – fim do voto secreto.
c) 1960-1970 – direito de voto para as mulheres.
d) 1970-1980 – fim do voto obrigatório.
e) 1980-1996 – direito de voto para os analfabetos.
C3 – H11
96. (SM) A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera
que ocorre trabalho infantil quando o trabalhador tiver idade infe-
rior à exigida pela legislação do país. No Brasil, essa idademínima
é de 16 anos. Segundo o Censo Demográfico realizado pelo Insti-
tuto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010 havia
no Brasil 3,4 milhões de crianças trabalhando ilegalmente. Dian-
te desse quadro, é papel do Estado brasileiro agir no sentido de
eliminar a prática do trabalho infantil. Entre diversas ações pos-
síveis, consideram-se as mais eficazes aquelas que promovam:
a) formas de incentivo ao trabalho doméstico.
b) programas de aumento salarial aos adolescentes.
c) aumento de vagas nas escolas no período noturno.
d) programas que contribuam para a diminuição da gravidez
na adolescência.
e) políticas de combate à pobreza e à desigualdade social.
95. Alternativa e.
O gráfico mostra uma progressão, às vezes por
saltos, na proporção dos eleitores inscritos.
A luta histórica a que se refere o enunciado da
questão foi a reivindicação pelo direito de voto
para os analfabetos. Essa luta foi vitoriosa em
1988, com a promulgação da nova Constituição
brasileira (intervalo de tempo: 1980-1996). As
demais alternativas estabelecem relações ana-
crônicas entre as décadas e os fatos correspon-
dentes. Sobre as demais alternativas: nunca
houve uma legislação específica que concedes-
se o direito de voto aos ex-escravos. Em 1940,
eles estavam reduzidos a um pequeno número
de pessoas, pois a escravidão foi abolida em
1888. Além disso, eles podiam votar, desde que
fossem alfabetizados, mesmo antes de 1940. (a).
O voto passou a ser secreto desde o Código
Eleitoral de 1932 e nunca foi extinto (b). O direi-
to de voto das mulheres também foi conquista-
do em 1932, e não entre 1960 e 1970 (c). Da
mesma forma, o voto obrigatório foi instituído
pelo Código Eleitoral de 1932 e se mantém até
hoje (d).
96. Alternativa e.
Várias ações podem ser empreendidas, mas a
melhor é a que elimina a necessidade do tra-
balho infantil. Portanto, políticas de combate à
pobreza e à desigualdade social são as mais
eficazes contra a exploração de crianças.
Sobre as demais alternativas: o trabalho do-
méstico pode esconder formas de trabalho in-
fantil (a). O aumento do salário dos adolescen-
tes pode incentivar empregadores que não
respeitam a lei a priorizar a utilização de mão
de obra infantil (b); aumentar vagas nas esco-
las no período noturno é uma forma de esti-
mular o trabalho infantil (c). É bom lembrar
que apenas adolescentes maiores de 16 anos
podem ser matriculados no ensino noturno; a
diminuição da gravidez na adolescência pode
ajudar a diminuir o trabalho infantil, visto que
teríamos menos crianças dependentes de pais
muito jovens. Porém, trata-se de uma política
que não ataca o problema do trabalho infantil
como um todo (d).
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C2 – H8
97. (SM) Observe os dados abaixo sobre a desigualdade social
no Brasil e leia o texto:
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11
Índice de Gini no Brasil, 1995-2011
Fonte de pesquisa: Comunicados do IPEA (Instituto de Pesquisas
Econômicas Aplicada). A década inclusiva (2001-2011): desigualdade,
pobreza e políticas de renda. Brasília, 25 set. 2012. p. 9. Disponível em:
<www.ipea.gov.br>. Acesso em: 18 nov. 2013.
Brasil atingiu em 2011 a menor desigualdade
social da história, diz IPEA
O salário dos 10% mais pobres da população brasileira
cresceu 91,2% entre 2001 e 2011. O movimento engloba cer-
ca de 23,4 milhões de pessoas saindo da pobreza. Já a renda
dos 10% mais ricos aumentou 16,6% no período, de forma
que a renda dos mais pobres cresceu 550% sobre o rendimen-
to dos mais ricos, segundo dados divulgados nesta terça-feira
pelo Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea). [...]
O crescimento dos salários é o principal indicador para
a melhoria, aponta o estudo. É o que responde por 58%
da diminuição da desigualdade. Em segundo lugar vem os
rendimentos previdenciários, com 19% de contribuição,
seguido pelo Bolsa Família, com 13%. Os 10% restantes
são benefícios de prestação continuada e outras rendas. [...]
O recorte por regiões mostra que no Nordeste a renda
subiu 72,8%, enquanto no Sudeste cresceu 45,8%, sem-
pre no mesmo período de comparação. [...]
marchesini, Lucas. País atingiu em 2011 a menor desigualdade
social da história, diz IPEA. Jornal Valor Econômico. 25 set. 2012.
Disponível em: <www.valor.com.br>. Acesso em: 18 nov. 2013.
O texto citado revela que:
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a) a desigualdade social caiu de maneira significativa, possi-
velmente como resultado da melhoria dos salários e das
políticas de transferência de renda, sobretudo no Nordeste.
b) a desigualdade social manteve-se em queda, principal-
mente em razão das políticas públicas liberais implemen-
tadas nos últimos anos, sobretudo no Nordeste.
c) a melhora das condições sociais no país foi resultado do
fracasso das políticas públicas de controle da inflação e
de distribuição de renda, não somente no Nordeste.
d) a queda dos índices de desigualdade social no Brasil se
deve somente ao aumento da oferta de empregos verifica-
do na Região Nordeste.
e) a queda na desigualdade social foi resultado de fatores
externos, especialmente o longo período sem crises eco-
nômicas significativas e o fim da seca no Nordeste.
C3 – H14
98. (Enem)
Texto I
A nossa luta é pela democratização da propriedade da ter-
ra, cada vez mais concentrada em nosso país. Cerca de 1%
de todos os proprietários controla 46% das terras. Fazemos
pressão por meio da ocupação de latifúndios improdutivos
e grandes propriedades, que não cumprem a função social,
como determina a Constituição de 1988. Também ocupamos
as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas.
Disponível em: <www.mst.org.br>. Acesso em: 25 ago. 2011. (Adaptado.)
Texto II
O pequeno proprietário rural é igual a um pequeno
proprietário de loja: quanto menor o negócio, mais difícil
de manter, pois tem de ser produtivo e os encargos são
difíceis de arcar. Sou a favor de propriedades produtivas e
sustentáveis e que gerem empregos. Apoiar uma empresa
produtiva que gere emprego é muito mais barato e gera
muito mais do que apoiar a reforma agrária.
Lessa, C. Disponível em: <www.observadorpolitico.org.br>.
Acesso em: 25 ago. 2011. (Adaptado.)
Nos fragmentos dos textos, os posicionamentos em relação à
reforma agrária se opõem. Isso acontece porque os autores
associam a reforma agrária, respectivamente, à:
a) redução do inchaço urbano e à crítica ao minifúndio camponês.
b) ampliação da renda nacional e à prioridade ao merca-
do externo.
97. Alternativa a.
O índice de Gini mede a desigualdade na distri-
buição de renda de um país. Seu coeficiente
varia entre zero e um: quanto mais próximo do
zero, menor é a desigualdade, melhor a distri-
buição de renda. Quanto mais próximo de um,
maior a concentração de renda. Segundo o
IPEA, a desigualdade diminuiu no Brasil entre
1995 e 2011 em razão do aumento dos salários
e do sucesso das políticas públicas de transfe-
rência de renda, como o programa Bolsa
Família e a Previdência Social, que tiveram for-
te impacto sobretudo na Região Nordeste.
Sobre as demais alternativas: as políticas pú-
blicas implementadas não podem ser classifi-
cadas como liberais, pois são resultantes da
intervenção do Estado (b); o controle da infla-
ção e as políticas de distribuição de renda fo-
ram importantes para a diminuição da desi-
gualdade (c); o aumento da oferta de empre-
gos não foi o único fator responsável pela
queda da desigualdade no Nordeste (d); fato-
res externos podem ter contribuído, mas não
foram preponderantes; além disso, a seca ainda
é uma constante no Nordeste (e).
98. Alternativae.
O primeiro texto citado faz referência à alta
concentração de terras em poucas mãos e à
necessidade de democratizar a propriedade da
terra. Advoga, portanto, pela correção de dis-
torções históricas. O segundo texto argumenta
a favor das empresas produtivas, ou seja, do
agronegócio, em detrimento da reforma agrária.
As demais alternativas são incorretas: não há
referências nos textos a “inchaço urbano” (a),
nem à prioridade ao mercado externo (b), ou à
mecanização agrícola (c), ou ainda à privatiza-
ção de empresas estatais (d).
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84
c) contenção da mecanização agrícola e ao combate ao
êxodo rural.
d) privatização de empresas estatais e ao estímulo ao cresci-
mento econômico.
e) correção de distorções históricas e ao prejuízo ao agrone-
gócio.
C2 – H8
99. (SM) Observe a imagem e analise os dados da tabela a seguir.
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ss
As dez maiores favelas brasileiras em 2010
Posição Estado Nome da favela População
1o RJ Rocinha 69 161
2o DF Sol Nascente 56 483
3o RJ Rio das Pedras 54 793
4o MA Coroadinho 53 945
5o PA
Baixadas da Estrada
Nova Jurunas
53 129
6o PE Casa Amarela 53 030
7o CE Pirambu 42 878
8o SP Paraisópolis 42 826
9o AM Cidade de Deus 42 476
10o SP Heliópolis 41 118
Fonte de pesquisa: Garcia, Janaina. Habitantes de favelas brasileiras ganham
menos que o salário mínimo, aponta Censo. UOL Notícias, 21 dez. 2011.
Disponível em: <www.uol.com.br>. Acesso em: 20 dez. 2013.
Com base na análise da tabela e nos conhecimentos sobre o
assunto, podemos considerar que alguns dos fatores respon-
sáveis pelo processo de favelização no Brasil (foram)
a) as desigualdades sociais e regionais, que obrigaram mi-
lhares de pessoas a migrar em direção às grandes cidades
em busca de melhores oportunidades, associada a uma
oferta de empregos inferior à demanda e à falta de plane-
jamento no processo de urbanização.
b) a falta de planejamento familiar entre a população de
baixa renda.
99. Alternativa a.
A tabela mostra as maiores favelas do país em
2010, mas não nos fornece nenhuma informa-
ção sobre como se processou a favelização no
Brasil. Entretanto, sabemos que uma das ca-
racterísticas da industrialização no Brasil foi
sua concentração em determinadas áreas do
Sudeste (São Paulo e Rio de Janeiro, principal-
mente). Essa concentração, combinada com
outros aspectos da formação socioeconômica
do Brasil, como a desigualdade na distribuição
de renda, as disparidades regionais e a extre-
ma pobreza de grandes contingentes da popu-
lação rural, provocou intensas migrações da
população das regiões mais pobres para as
grandes cidades em processo de industrializa-
ção. Entretanto, nem todos realizaram o sonho
de melhorar de vida na cidade por meio de um
emprego na indústria. Essas pessoas tiveram
de se contentar com morar na periferia e em
favelas que cresciam desordenadamente. Mais
tarde, o perfil da industrialização mudou e a
construção de Brasília passou a atrair migran-
tes do Nordeste, cujas necessidades de mora-
dia não estavam contempladas no plano-piloto.
Essas pessoas foram morar nas favelas do
Distrito Federal. Sobre as demais alternativas:
a falta de planejamento familiar da população
de baixa renda não tem relação direta com a
favelização (b); os projetos de urbanização das
favelas brasileiras sempre foram limitados e
não foi a falta de apoio popular que provocou
seu fracasso (c); nos últimos dez anos a po-
breza vem caindo sistematicamente no Brasil;
além disso, as favelas existem no país há mais
de cem anos (d); o crescimento da população
urbana não deve ser associado à queda da ati-
vidade econômica no campo (o que, aliás, não
ocorreu), mas sim ao processo de industriali-
zação do país (e).
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c) o fracasso das políticas públicas de urbanização das favelas,
decorrente da descrença da população na possibilidade de
solução do problema por meio dessas políticas.
d) o aumento da pobreza, especialmente nos últimos anos, o
que levou a população pobre a buscar essa alternativa de
moradia que, até dez anos atrás, não existia no Brasil.
e) o crescimento da população urbana, resultado do declínio
das atividades econômicas no campo, incapazes de aten-
der satisfatoriamente as demandas do mercado interno.
C5 – H22
100. (SM) Observe a foto abaixo e analise as afirmações:
I. As manifestações de junho de 2013 no Brasil começa-
ram como protesto contra o aumento do preço da tarifa
de ônibus aliado à baixa qualidade do transporte público
nas grandes cidades.
II. A maioria da população, influenciada pelos meios de
comunicação, rejeitou as manifestações, consideradas
por boa parte da opinião pública algo negativo para a
imagem do país.
III. Os governantes adotaram imediatamente medidas em
benefício da população. Os transportes públicos melho-
raram de modo sensível e os investimentos na área social
se transformaram em prioridade nas gestões públicas.
IV. Os protestos abordaram temas diversos que envolviam
desde a luta contra a corrupção até a cobrança por
maiores investimentos em educação e saúde pública.
No que se refere às Jornadas de Junho, manifestações que
ocorreram em várias cidades brasileiras durante o mês de ju-
nho de 2013, são corretas somente as afirmações:
a) I e II. d) II e IV.
b) III e IV. e) I e III.
c) I e IV.
Jo
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ap
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ss
100. Alternativa c.
A foto registra uma das manifestações popula-
res ocorrida no Brasil em junho de 2013. Os
manifestantes reivindicavam, entre outras coi-
sas, a redução das passagens dos ônibus mu-
nicipais. Exigiam também que fossem adotadas
medidas de combate à corrupção e maiores in-
vestimentos em áreas sociais como saúde e
educação. Sobre as demais alternativas: as
manifestações de junho de 2013 tiveram amplo
apoio popular e os meios de comunicação fo-
ram obrigados a rever suas posições iniciais de
desacordo em relação a elas (II); apesar da re-
tórica inicial de que transformações seriam
postas em prática, as ações dos governantes
não chegaram a atender a grande parte das
exigências das manifestações populares, em-
bora o aumento no preço das passagens de
ônibus tenha sido cancelado e o governo fede-
ral tenha instituído o programa Mais Médicos,
para responder à demanda por maior atenção
à saúde (III).
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