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DO CRIME DE CORRUPÇÃO PASSIVA Não havendo, nos fatos, o sujeito ativo que exige o tipo penal; não havendo o elemento subjetivo do tipo na forma de dolo específico; e, não havendo a consumação da conduta, não se pode falar em tipicidade do delito. Se o flagrante for reconhecidamente forjado, ocorrerá crime impossível ou crime putativo provocado, conforme simples entendimento da Súmula no 145 do STF: "Não há crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação." E a jurisprudência segue esta linha de raciocínio: "Não ocorre o delito de corrupção passiva, embora de natureza formal, consumandose pela simples solicitação ou recebimento, se esta é impossível de ser cumprida." Tipologia da corrupção passiva O art. 317 do CP descreve o ilícito nos seguintes termos: "Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumila, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem." Para NELSON HUNGRIA, denominase passiva "quando se tem em vista a conduta do funcionário corrompido". Notase que deste tipo legal sobressaem três condutas diferentes que são: solicitar, receber ou aceitar promessa, exigindose sempre o dolo específico. Além disso, o sujeito ativo do tipo legal deve ser somente um funcionário público, tratandose de crime funcional onde se pratica um ato delituoso em razão da função que o sujeito ocupa. Em relação ao elemento subjetivo do tipo, verificase a necessidade de existir dolo específico, ou seja, que o agente além de praticar a conduta ilicíta e conscientemente, deve fazêlo com a finalidade de deixar de praticar atos inerentes ao seu ofício ou praticá los parcialmente. Então, mesmo que tenha ocorrido a solicitação, o recebimento ou a aceitação da promessa, sem a conseqüente omissão do funcionário na prática do ato funcional, não se pode falar em crime de corrupção passiva, vez que o funcionário deixou de praticar o ato funcional. Embora este tipo legal seja um crime formal, consumandose pela simples conduta dolosa do agente (consumação antecipada para NELSON HUNGRIA), é necessário que a consumação seja possível, caso contrário, não ocorrerá o crime de corrupção passiva. No âmbito da defesa, todo o cuidado necessário deve ocorrer na demonstração de ausência de dolo específico e quanto à consumação e ao chamado exaurimento da conduta, este muitas vezes aparece apenas para dar foros de verdade à forja de um crime inexistente, porque inexistentes solicitação, recebimento e aceitação de promessa para deixar de praticar ato funcional.