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1 LOGÍSTICA INTERNACIONAL AULA 2 Prof. João Alfredo Lopes Nyegray 2 CONVERSA INICIAL Você já se perguntou de onde vêm a riqueza das nações? Países prósperos como da América do Norte ou Europa, ou ainda países que tem crescido fortemente como China e Índia. Qual será o motor de crescimento desses países todos? Obviamente que esta não é uma resposta fácil. Educação de qualidade, facilidade para empreender e se fazer negócios e capacidade das empresas em inovar e gerar novos produtos e oportunidades sem dúvida pesam bastante na resposta a essa questão. No entanto, há outro ponto importante: o comércio. Não o comércio de rua ou dos grandes shoppings, mas o comércio internacional, que é, sem dúvida, um dos grandes motores do desenvolvimento econômico de países como China e Índia. Nesses locais, fabricam-se bens mais diversos bens, alguns com matéria prima importada, que depois são exportados para todo o mundo. Ao se analisar essa questão, se percebe que o crescimento do comércio internacional é um dos fortes motores do crescimento e do desenvolvimento das nações. No entanto, não são só mercadorias que podem ser comercializadas: tem-se os serviços também! Todas essas trocas são compreendidas pelas relações econômicas internacionais, as quais veremos adiante. CONTEXTUALIZANDO Se as relações econômicas internacionais são parte importante do desenvolvimento das nações, isso quer dizer também que as empresas e governos – participantes que fazem essas relações acontecerem, seja através de operações de comércio seja através de incentivo – tem papel fundamental. Mas afinal, por qual motivo as nações comercializam? Será que é apenas para vender e lucrar? Veja o trecho abaixo: O comércio permite aos países usar seus recursos nacionais de modo mais eficiente por meio da especialização. O comércio permite a indústrias e operários serem mais produtivos. O comércio também 3 permite às nações atingirem padrões de vida mais elevados e manterem baixo o custo de muitos produtos de uso cotidiano. Sem o comércio internacional, a maioria delas ficaria impossibilitada de alimentar, vestir e abrigar seus cidadãos nos níveis atuais. Até as economias ricas em recursos como os Estados Unidos sofreriam sem comércio. Alguns tipos de alimento ficariam indisponíveis ou só poderiam ser obtidos a preços exorbitantes. Café e açúcar passariam a ser artigos de luxo. As fontes de energia derivadas de petróleo escasseariam. Os veículos parariam de rodar, as cargas deixariam de ser entregues, e as pessoas não poderiam aquecer seus lares no inverno. Em suma, não se trata somente de nações, empresas e cidadãos beneficiarem-se do comércio internacional; a vida moderna é praticamente impossível sem ele. (Cavusgil; Knight; Riesenberger, 2010) E você, já havia pensado por essa perspectiva? Considere a imagem abaixo: Figura 1 Fonte: http://www.businessinsider.com/shanghai-1990-vs-2010-2010-6 Essa imagem mostra a cidade chinesa de Shangai em 1990 e depois em 2010. Que mudança radical, não é mesmo? E o que houve nesse curto espaço de tempo? Houve relação econômica: facilitação da vida do empreendedor e dedicação às relações econômicas internacionais, não só nas exportações de produtos ou serviços, mas também nos serviços financeiros e na atração de investimentos e inovações. Espantoso, não é? PESQUISE Como você acha que é o desempenho do Brasil no comércio internacional? 4 O que nosso país poderia fazer para melhorar sua participação comercial no mundo? TEMA 01: COMÉRCIO EXTERIOR E AS CORRENTES DE COMÉRCIO INTERNACIONAL Você já se perguntou porque as nações comercializam? Por qual razão os países não tentam viver isolados, fabricando tudo o que podem por conta própria? Imaginemos por um minuto: se não fosse pelo comércio exterior e internacional, de onde viriam as máquinas de nossa indústria? Como o resto do mundo teria acesso à soja, suco de laranja e proteínas animais, fabricados aqui no Brasil? Por conta dessas dificuldades se afirma que o comércio internacional permite que as nações atinjam padrões de vida mais elevados, forçando empresas a serem mais e mais eficientes. Para alguns, é possível sim viver sem o comércio exterior, ainda que com todos esses inconvenientes. Hoje, essas pessoas são exceção, mas há algum tempo se acreditava que quanto mais poderosa fosse uma nação, mais independente ela deveria ser. Foi na época do Mercantilismo, que é uma corrente de pensamento econômico que acreditava que toda vez que um país importava alguma coisa, e saía pagamento de seus cofres para quitar a importação, essa nação ficava mais pobre e, consequentemente, menos poderosa. Não à toa iniciam-se as Grandes Navegações, buscando encontrar novas reservas de ouro e prata, para enriquecer e empoderar as nações europeias: A definição mais aceita de mercantilismo informa que este termo compreende um conjunto de ideias e práticas econômicas dos Estados da Europa ocidental entre os séculos XV, XVI e XVII voltadas para o comércio, principalmente, e baseadas no controle da economia pelo Estado. Mercantilismo dá nome, nesse sentido, às diferentes práticas e teorias econômicas do período do Absolutismo europeu. (Silva, 2006) Mas, se ninguém quer importar, como alguém exportará? Impossível, não é mesmo? Passados alguns séculos após o surgimento das ideias Mercantilistas, o escocês Adam Smith escreve um livro contestando as práticas 5 comerciais internacionais de então. Em “A Riqueza das Nações”, Smith “argumentava que a verdadeira base da riqueza de um país era medida pela quantidade e qualidade de seus bens e serviços, não por suas reservas de metais preciosos” (Perry, 2002). Assim, surge o princípio econômico das Vantagens Absolutas: Smith afirma que um país se beneficia ao fabricar somente aqueles produtos em que detém vantagem absoluta ou em que utilizará menos recursos do que qualquer outro. O país ganha ao se especializar na manufatura de alguns produtos, exportá-los e importar aqueles para os quais não detém vantagem absoluta. Cada país aumenta sua riqueza ao se especializar determinados bens e importar outros, uma vez que isso leva ao aumento do consumo. (Cavusgil; Knight; Riesenberger, 2010) Durante cerca de 30 anos as ideias de Adam Smith tornam-se praticamente unânimes no cenário internacional, até que o britânico David Ricardo traz novas proposições: o comércio internacional pode ser vantajoso para duas nações até mesmo quando apenas uma delas possui vantagens na produção de dois itens diferentes. Assim, passa-se a questionar e tentar entender o comércio pela ótica da eficiência. Desde os escritos de Ricardo, em 1813, vários outros economistas debruçaram-se sobre esse tema. Leontieff, Heckscher-Ohlin e, mais recentemente, Michael Porter em seu “Vantagem Competitiva das Nações”. Você deve saber, no entanto, que nenhuma das várias correntes de pensamento e análise do Comércio Internacional consegue explicar o todo das transações mundiais e a lógica subjacente a elas. Assim, vale a pena que você entenda um pouco a respeito de cada uma! Texto de leitura obrigatória: NYEGRAY, J. A. L. Projetos internacionais: estratégias para expansão empresarial. Curitiba: Intersaberes, 2016. Ler o segundo capítulo. 6 TEMA 2: O BRASIL NO COMÉRCIO INTERNACIONAL As trocas internacionais são crescentes ou se mantém estáveis? Se considerarmos o mundo como um todo, percebemos que o comércio internacional tem crescido continuamente nos últimos anos, o que é confirmado por estatísticas da Organização Mundial do Comércio: Figura 2 Fonte: Organização Mundial do Comércio, 2014. Percebemos assim como, ano após ano, o mundo tem comercializado mais, trocado mais e, como consequência, utilizado maisserviços logísticos. Mas e o Brasil, como fica nesse cenário? Será que aumentamos nossa participação no comércio global? Infelizmente não. De acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC) somos apenas o 22º exportador. Figura 3 Posição País 1 China 2 Estados Unidos 3 Alemanha 4 Japão 7 5 Holanda 6 França 7 Coréia do Sul 8 Reino Unido 9 Hong Kong 10 Rússia 11 Itália 12 Bélgica 13 Canadá 14 Singapura 15 México 16 Emirados Árabes Unidos 17 Arábia Saudita 18 Espanha 19 Índia 20 Taipei 21 Austrália 22 Brasil 23 Suíça 24 Tailândia 25 Malásia 26 Polônia 27 Indonésia 28 Áustria 29 Suécia 30 República Tcheca Fonte: O autor, dados OMC. Esse dado nos mostra que, mesmo o Brasil sendo um país territorialmente extenso, promissor em diversas áreas, não conseguimos nos destacar no comércio internacional. A concorrência com outros países mais eficientes, com melhor infraestrutura e apoio às exportações têm dificultado a atuação das empresas brasileiras. Um dos maiores responsáveis pelo nosso desempenho ruim é a burocracia. O Brasil possui mais de 3600 normas de comércio exterior, o que faz com que o país perca em competitividade; e afugenta os empresários locais da atuação global. 8 Texto de leitura obrigatória: NYEGRAY, J. A. L. Legislação Aduaneira, comércio exterior e negócios internacionais. Curitiba: Intersaberes, 2016. Ler capítulo 12. Vídeo do tema proposto: https://www.youtube.com/watch?v=ahw6nogZjvg Artigo: Lee Kuan Yew, o homem responsável pelo que Cingapura tem de melhor e de pior. Disponível em: http://goo.gl/NA5JPF TEMA 3: COMÉRCIO E TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS Se o comércio internacional possibilita nações, trabalhadores e empresas mais eficientes, será que isso tudo acontece apenas por meio das exportações? Não! Existem uma série de outras atividades que podem ser desempenhadas pelas empresas além das exportações. A cada uma dessas atividades ou operações, corresponde um risco, que pode ser maior ou menor. É por essa questão do risco, que as exportações são consideradas um primeiro passo na caminhada internacional das empresas. Considera-se que as exportações oferecem um risco baixo para a empresa exportadora, além de oferecer aprendizagem paulatina sobre os mercados nos quais esta empresa está entrando. Aos poucos a empresa exportadora vai adquirindo conhecimentos a respeito das preferências e hábitos de consumidores de uma determinada localidade, o que permite que ela passe a oferecer produtos especialmente projetados para esse público. O mesmo vale para as importações: aos poucos uma determinada organização pode importar produtos para comercializar em seu país. Se o produto for aprovado pelo mercado interno, as importações podem ser aumentadas tanto em sua frequência quanto na quantidade de produtos. Por permitirem um envolvimento gradual, considera-se as exportações ou importações a forma mais básica de comércio ou transação internacional. E há vida além das exportações? Sem dúvida! O licenciamento de propriedade https://www.youtube.com/watch?v=ahw6nogZjvg http://goo.gl/NA5JPF 9 intelectual é um possível exemplo. Uma empresa brasileira fabricante de produtos infantis pode, por exemplo, querer aumentar suas vendas em mercados internacionais. Para isso, essa empresa pode obter o licenciamento da imagem de algum personagem, o que vai tornar seu produto mais atrativo. Uma outra possibilidade: a Disney, Warner Brothers, Pixar, ou qualquer outro estúdio pode licenciar a produção de itens de seus personagens a empresas fora dos Estados Unidos, seu país de origem. Com isso, os produtos finais ficam mais baratos e elas lucram com uma porcentagem das vendas da empresa licenciada. E isso não vale apenas para personagens de filmes: vale também para times de futebol ou marcas de roupa, que podem licenciar a fabricação de seus itens para empresas de outros países. Uma outra forma de envolvimento internacional são as parcerias como alianças e joint ventures. São casos nos quais duas ou mais empresas se unem para reduzir custos e riscos de entrar num mercado diferente do seu. Por exemplo: a Portugal Telecom uniu-se a empresa espanhola Telefónica para atingir o mercado brasileiro com a operadora Vivo. Perceba como, para cada uma dessas transações, corresponde um risco: os riscos das exportações e importações são menores quando comparados com os riscos de alianças e joint ventures. No entanto, o maior risco manifesta-se através do chamado Investimento Estrangeiro Direto ou Investimento Direto Estrangeiro. É o caso de uma empresa que envia uma quantidade de dinheiro para um país no exterior para abrir uma fábrica, comprar uma empresa local, adquirir um concorrente o iniciar operações no destino. Um exemplo possível é o das montadoras de automóveis: essas organizações transferem dinheiro de seus países de origem para adquirir um terreno, erguer uma fábrica, importar máquinas e contratar pessoas aqui no Brasil. É por isso que essa modalidade se chama Investimento Estrangeiro Direto. 10 Texto de leitura obrigatória: CAVUSGIL, T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. Negócios internacionais. São Paulo: Pearson, 2010. Ler páginas 326 até 346. TEMA 4: COMÉRCIO EXTERIOR E COMPETITIVIDADE Anteriormente, nós vimos como a riqueza das nações está ligada, dentre vários fatores, a sua participação nas transações financeiras internacionais. Mas então, qualquer nação altamente exportadora terá boa qualidade de vida? Qualquer nação exportadora trará oportunidades para os estudantes de logística? Infelizmente não! Vamos utilizar um país do oriente médio qualquer: esse país, de pequena população, pode ter exportações altíssimas, importações comparativamente pequenas, e ainda assim baixa qualidade de vida. Normalmente, isso acontece, pois, essa nação pode exportar muito muito petróleo, e importar todo o resto numa quantidade razoavelmente pequena, para atender sua pequena população. Nesse caso, apenas alguns poucos se beneficiam das exportações, e não a nação como um todo. É por isso que precisamos falar sobre competitividade!! Competitividade liga-se, normalmente, a vários fatores, dentre os quais capacidade de produzir e vender de forma melhor. Nesse sentido, “Um país com maior competitividade é um país que consegue com maior facilidade, colocar os bens e serviços que produz, nos mercados externos, aumentando por isso as suas exportações” (Wikipedia). Essas exportações acabam retornando em benefícios para a população, decorrentes de empregos, investimentos, crescimento econômico e desenvolvimento de uma forma geral. 11 Figura 4 Fonte: O autor, dados da OMC e Fórum Econômico Mundial. Anualmente, são divulgados diversos índices de competitividade mundial. Infelizmente, ano a ano, o Brasil vem perdendo posições, e atualmente está atrás até mesmo do Cazaquistão e do Peru. O mesmo vale para o ranking da Organização Mundial do Comércio dos maiores exportadores. Quando consideramos a posição Brasileira, no 22º lugar, percebemos em nossa frente muitos países territorialmente menores e com menores parques industriais, como Espanha e Arábia Saudita. Mesmo assim, essas nações estão na nossa frente. Veja as tabelas na caixa acima e compare os maiores exportadores com os países mais competitivos. Você consegue perceber como as coisas se relacionam? Quanto mais livre é o ambiente de um país, quanto mais suas empresas importam, mais opções de escolha tem seus consumidores. Como consequência, suas empresas nacionais buscam criar produtos melhores, mais inovadores e de maior tecnologia, para permanecerem no mercado. Por outro lado, quando o governo trava as importações, cria empecilhos ao comércio exterior – através de leis e procedimentos burocráticos e semsincronia, com muitos órgãos intervenientes – menos as empresas se engajam em atividades Maiores Exportadores Mais Competitivos China Suíça Estados Unidos Estados Unidos Alemanha Cingapura Japão Alemanha Holanda Holanda França Japão Coréia do Sul Hong Kong Reino Unido Finlândia Hong Kong Suécia Itália Reino Unido 12 internacionais. Consequentemente, esse país perde oportunidades de crescimento, desenvolvimento e exportação. Um exemplo de país que evoluiu e cresceu graças a sua dedicação às relações econômicas internacionais foi Cingapura. Esse país asiático, na década de 1960, era pobre, sem recursos naturais ou terras férteis. Através de incentivos governamentais, solidificação da moeda, respeito à propriedade privada e incentivos ao empreendedorismo e ao setor industrial, Cingapura hoje tem uma renda per capita maior do que a dos Estados Unidos e União Europeia. Esse país possui poucas regulamentações que travem a internacionalização de suas empresas, impostos baixos e zero tributos sobre as operações de importação ou exportação. E você, acha que o Brasil poderia seguir esse exemplo? Texto de leitura obrigatória: NOBRE, M.; ROBLES, L. Logística internacional. Curitiba: Intersaberes, 2016. Ler capítulo 1. TEMA 5: COMÉRCIO EXTERIOR E LOGÍSTICA Até aqui você já entendeu que o comércio exterior refere-se às trocas comerciais de uma nação com o resto do mundo. Você entendeu também que os negócios internacionais têm preocupações mais amplas, tais como o entendimento das razões pelas quais as nações comercializam e como elas o fazem. Agora, pensemos por um instante: o que seria dessas duas áreas sem a logística? Como transportar as toneladas de soja que saem do Brasil para a China, os manufaturados que saem da China para o Brasil e o suco de laranja que sai do Brasil para os Estados Unidos? Sem logística, não existe comércio exterior. Com o passar dos anos, em especial no decorrer do século XX, as trocas comerciais se intensificam, e como consequência, a logística precisa se 13 aprimorar. Junto das ideias de logística internacional para o comércio exterior, passa a haver a necessidade de aumentar a rapidez e eficiência dos transportes para satisfazer clientes cada vez mais exigentes. Uma das características de nosso tempo é que hoje temos uma oferta de bens e produtos maior do que a demanda. Assim, os consumidores tornaram-se o público a ser conquistado. Mas, e o que a logística tem com isso? Tem tudo com isso. Pense por um instante nas grandes redes de lojas virtuais que você conhece. Quais são os concorrentes de Amazon, Submarino, e-Bay e Mercado Livre? Muitas vezes os concorrentes não são as demais lojas online, mas as lojas físicas nas quais o consumidor pode obter o produto que deseja sem que precise esperar sua entrega. Por conta dessa nova lógica, se tem exigido cada vez mais não só da logística, mas de seus profissionais. Justamente por isso que se pode dizer: Um dos grandes obstáculos da logística num ambiente globalizado é justamente utilizar diferentes estratégias para melhorar a eficiência da cadeia logística, fazendo com que as empresas consigam competir em diferentes mercados. (...) Este ambiente competitivo e dinâmico faz com que haja a necessidade de um ambiente integrado internamente e um nível de relacionamento forte junto às outras empresas parceiras. A logística tornou-se uma importante ferramenta para ganhar competitividade e ajustar os fluxos de materiais a esta realidade veloz, em que a redução de tempo na distribuição, estocagem e movimentação dos produtos serão a chave competitiva para o comércio internacional. (Logística Descomplicada) Você consegue perceber como o comércio exterior simplesmente não existe sem a logística? Além desse íntimo relacionamento entre essas duas áreas profissionais e do conhecimento, existe uma outra questão que passa a preocupar gestores de todo o mundo: o chamado gerenciamento da cadeia de suprimentos, que engloba todos os estágios envolvidos, direta ou indiretamente, no atendimento de um pedido de um cliente. A cadeia de suprimentos não inclui apenas fabricantes e fornecedores, mas também transportadoras, depósitos, varejistas e os próprios clientes. Dentro de cada organização, como por exemplo, uma fábrica, a cadeia de suprimentos inclui todas as funções envolvidas no pedido do cliente, como desenvolvimento de novos produtos, marketing, operações, 14 distribuição, finanças, e o serviço de atendimento ao cliente entre outras. (Chopra; Meindl, 2003, p. 2) Veja a extensão das preocupações que a cadeia de suprimentos aborda. Agora estenda esse pensamento para uma escala internacional: como fazê-lo e gerenciar da melhor forma considerando as grandes distâncias que separam os países e continentes? Além disso, existem muitas empresas que trabalham com a chamada “cadeia global de valor”: ou seja, essas organizações dividem suas atividades industriais por todo o mundo. A pesquisa de novos produtos fica num país, a matriz em outro e a fabricação num terceiro. É a logística a responsável por unir todos esses componentes e transportá-los até seus clientes pelo mundo todo. Entende porque sem a logística não há comércio internacional? Texto de leitura obrigatória: NOBRE, M.; ROBLES, L. Logística internacional. Curitiba: Intersaberes, 2016. Ler capítulo 2. TROCANDO IDEIAS Na página do link abaixo você encontrará informações sobre o gerenciamento da cadeia de suprimentos: https://pt.wikipedia.org/wiki/Gest%C3%A3o_da_cadeia_de_suprimentos Qual você acha que deve ser o seu papel para torna-la mais eficiente na empresa onde trabalha? NA PRÁTICA “Fiep realiza rodada de negócios internacionais para setor do vestuário” Encontro vai trazer importadores do Uruguai, República Dominicana, Paraguai, Panamá e Colômbia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Gest%C3%A3o_da_cadeia_de_suprimentos 15 Fabricantes do setor do vestuário do Paraná que têm interesse no mercado externo terão a oportunidade de ampliar contatos comerciais e negociar com compradores da América do Sul e América Central, no Encontro Internacional de Negócios do Setor do Vestuário, que será realizado no Campus da Indústria do Sistema Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). O encontro, promovido pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fiep vai trazer oito importadores de vestuário do Uruguai, República Dominicana, Paraguai, Panamá e Colômbia. Eles vêm ao Brasil em busca de produtos relacionados ao vestuário para adultos, jovens e crianças, esportivo e fitness, roupa íntima, moda praia, uniformes, bonés e sapatos.” Fonte: Gazeta do Povo, adaptado. Analisando a notícia acima, qual a importância desse tipo de iniciativa para a competitividade de um país? Como você, enquanto profissional de logística, pode auxiliar sua empresa a iniciar as atividades internacionais? Eventos de rodadas internacionais de negócios, como a relatada na notícia acima, são importantes pois atraem a atenção de empresários e investidores para a possibilidade de atuar internacionalmente. Esses empresários e investidores podem, por sua vez, fechar negócios que gerarão mais empregos e vendas. Esse tipo de iniciativa, quando tornada frequente, pode fazer com que mais e mais empresas de uma determinada localidade interessem-se por atuar internacionalmente. Muitas vezes, para iniciar essa atuação internacional, é necessário que as empresas aprimorem seus produtos ou serviços, para serem mais competitivas. Como consequência, o país todo acaba ganhando com isso. Nesse cenário, o papel do profissional de logística é auxiliar a empresa na qual trabalha a enviar suas cargas de forma ágil, barata, segura e eficiente, de modo que o transporte seja um aliado da empresa, barateando o custo do produto final.16 SÍNTESE O crescimento do comércio internacional é um dos fortes motores do crescimento e do desenvolvimento das nações. O comércio internacional, uma das expressões das relações econômicas, permite maior eficiência de nações e trabalhadores, o que causa uma redução de preços de produtos de uso diário, visto que aumenta-se a oferta. Com isso nós, consumidores, saímos ganhando, pois aumenta o nosso acesso a uma série de bens. Por permitirem um envolvimento gradual, considera-se as exportações ou importações a forma mais básica de comércio ou transação internacional. O licenciamento de propriedade intelectual é outra possibilidade de envolvimento internacional, mas, nesse caso, com maior risco. Uma outra forma de envolvimento internacional são as parcerias como alianças e joint ventures. São casos nos quais duas ou mais empresas se unem para reduzir custos e riscos de entrar num mercado diferente do seu. No entanto, o maior risco manifesta-se através do chamado Investimento Estrangeiro Direto ou Investimento Direto Estrangeiro. É o caso de uma empresa que envia uma quantidade de dinheiro para um país no exterior para abrir uma fábrica, comprar uma empresa local, adquirir um concorrente o iniciar operações no destino. Quanto mais livre é o ambiente de um país, quanto mais suas empresas importam, mais opções de escolha tem seus consumidores. Como consequência, suas empresas nacionais buscam criar produtos melhores, mais inovadores e de maior tecnologia, para permanecerem no mercado. Por outro lado, quando o governo trava as importações, cria empecilhos ao comércio exterior – através de leis e procedimentos burocráticos e sem sincronia, com muitos órgãos intervenientes – menos as empresas se engajam em atividades internacionais. Consequentemente, esse país perde oportunidades de crescimento, desenvolvimento e exportação. Mas as transações internacionais compreendem apenas as trocas de bens físicos? Não! O setor de serviços é parte importante não só das economias, mas também das trocas internacionais! Existem dois tipos de 17 serviços: aqueles com base em ativos e aqueles com base em um determinado atendimento. E qual a principal diferença entre o comércio de serviços e o de bens? É a imaterialidade dos serviços. Na esmagadora maioria das vezes, os serviços são “consumidos” no momento de sua prestação, visto que são imateriais. Por isso muitas vezes é difícil quantifica-los. Independentemente de qual seja a forma escolhida por empresa para iniciar seu envolvimento internacional, essa organização dificilmente começará a transação sem preocupar-se com a logística que levará seus produtos até seus consumidores de forma eficiente, ágil e barata. É justamente por isso que se diz que o comércio exterior simplesmente não pode existir sem a logística. REFERÊNCIAS AMATUCCI, M. Teorias de negócios internacionais e a economia brasileira – de 1850 a 2007. In.: Internacionalização de empresas. São Paulo: Atlas, 2009. CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. Negócios internacionais – estratégia, gestão e novas realidades. São Paulo: Pearson, 2010. CHOPRA, S.; MEINDL, P. Gerenciamento da cadeia de suprimentos – estratégia, planejamento e operação. 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