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TOPOGRAFIA APLICADA À 
ARQUITETURA E URBANISMO 
Nilton Romero 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
, 
 
 
2 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO À TOPOGRAFIA ................................................................. 3 
2 ELEMENTOS DA TOPOGRAFIA ............................................................... 13 
3 ORIENTAÇÃO ......................................................................................... 24 
4 ESTUDO DE CAMPO ............................................................................... 35 
5 MEMORIAL DESCRITIVO E NIVELAMENTO ............................................. 45 
6 GEORREFERENCIAMENTO E LOCAÇÃO TOPOGRÁFICA .......................... 56 
 
 
, 
 
 
3 
 
 
1 INTRODUÇÃO À TOPOGRAFIA 
Apresentação 
Neste início de estudo sobre a topografia, você vai entender o que é esta ciência que 
descreve a superfície e seus elementos, e a importância dela na arquitetura. 
Compreenderá, também, a diferença entre a topografia e a geodésia, assim como as 
principais grandezas medidas em um levantamento topográfico. Além de conseguir 
interpretar e relacionar a escala de um projeto com o seu tamanho real. 
Também ficará compreensível a diferença entre levantamento topográfico e a locação 
de um projeto. 
1.1 CONCEITO 
A topografia é a ciência que estuda uma porção limitada da superfície terrestre. Sua 
definição deriva das palavras gregas "TOPOS" (lugar) e "GRAPHEN" (descrever), o que 
significa a descrição exata e minuciosa de um lugar. (DOMINGUES, 1979) 
Ela tem por finalidade determinar o contorno, dimensão e posição relativa de uma 
porção limitada da superfície terrestre, do fundo dos mares ou do interior de minas, 
desconsiderando a curvatura resultante da esfericidade da Terra. Compete ainda à 
topografia, a locação no terreno de projetos elaborados de engenharia. (DOMINGUES, 
1979). 
Domingues (1979) citou a engenharia, mas os projetos arquitetônicos precisam 
caminhar em consonância à topografia, pois só assim é possível executar um projeto 
arquitetônico com perfeição. 
, 
 
 
4 
 
 
Fonte: DifferR. Via: Shutterstock 
Figura 1.1 – Destaque de um local delimitado por coordenadas 
A topografia é a base para qualquer projeto, estudo ou obra realizada por arquitetos. 
Pode ser aplicada nos trabalhos de obras viárias, núcleos habitacionais, edifícios, 
aeroportos, hidrografia, usinas hidrelétricas, telecomunicações, sistemas de água e 
esgoto, planejamento, urbanismo, paisagismo etc. 
 
Fonte: ClassicVector. Via: Shutterstock 
Figura 1.2 – Canteiro de obras com o topógrafo 
Todo projeto arquitetônico que tem como base o solo, deve começar com o estudo 
topográfico desta superfície, ou seja, começar pelo levantamento topográfico. O 
, 
 
 
5 
 
levantamento topográfico mostra detalhes minuciosos do terreno e seus elementos, o 
que é fundamental para qualquer etapa do projeto – desde o início até a sua execução. 
A topografia não pode ser confundida com a geodésia, pois apesar de serem usados os 
mesmos equipamentos e, praticamente, os mesmos métodos para o mapeamento da 
superfície terrestre, elas são coisas diferentes. Enquanto a topografia tem por 
finalidade mapear uma pequena porção de uma superfície (área de raio até 30km) – a 
NBR 13.133 admite um plano de até 80km –; a geodésia tem por finalidade mapear 
grandes porções desta mesma superfície, levando em consideração as deformações 
devido à sua esfericidade. Portanto, pode-se afirmar que a topografia, menos 
complexa e restrita, é apenas um capítulo da geodésia, ciência muito mais abrangente. 
De acordo com a NBR 13.133/1994, p.3, o levantamento topográfico pode ser 
representado pelo levantamento expedito, que explora o terreno com a finalidade de 
seu reconhecimento simples, sem prevalecer os critérios de exatidão. É uma forma 
rápida e econômica de se iniciar um estudo sobre o terreno. Pode ser representado, 
também, pelo levantamento topográfico planimétrico, que é o conjunto de operações 
para a determinação de pontos e feições do terreno que serão projetados sobre um 
plano horizontal de referência, através de suas coordenadas X e Y (representação 
bidimensional). 
Levantamento topográfico planimétrico (ou levantamento planimétrico, ou 
levantamento perimétrico). Levantamento dos limites e confrontações de 
uma propriedade, pela determinação do seu perímetro, incluindo, quando 
houver, o alinhamento da via ou logradouro com o qual faça frente, bem 
como a sua orientação e a sua amarração a pontos materializados no 
terreno de uma rede de referência cadastral, ou, no caso de sua 
inexistência, a pontos notáveis e estáveis nas suas imediações. (NBR 
13.133/1994, p. 3) 
 
, 
 
 
6 
 
 
Fonte: Bardocz Peter. Via: Shutterstock 
Figura 1.3 – Planta de uma casa 
O levantamento topográfico altimétrico compreende o conjunto de operações 
necessárias para a determinação de pontos e feições do terreno que, além de serem 
projetados sobre um plano horizontal de referência, terão sua representação em 
relação a um plano de referência vertical ou de nível, através de suas coordenadas X, Y 
e Z (representação tridimensional). 
Levantamento topográfico altimétrico (ou nivelamento). Levantamento que 
objetiva, exclusivamente, a determinação das alturas relativas a uma 
superfície de referência, dos pontos de apoio e/ou dos pontos de detalhes, 
pressupondo-se o conhecimento de suas posições planimétricas, visando à 
representação altimétrica da superfície levantada. (NBR 13.133/1994, p. 3) 
Ao conjunto de métodos abrangidos pela planimetria e pela altimetria dá-se o nome 
de topometria, mais conhecida como planialtimetria. Este é o tipo de projeto que 
engloba plantas e cortes (perfis), isto é, um projeto completo. É o projeto topográfico 
mais indicado para a elaboração de um projeto arquitetônico, com o melhor 
aproveitamento do espaço superficial topográfico. 
, 
 
 
7 
 
 
Fonte: Fonte: Svjatoslav Andreichyn. Via: Shutterstock 
Figura 1.4 – Exemplo de projeto planialtimétrico 
 
Fonte: Korisbo. Via: Shutterstock 
Figura 1.5 – Figura mostrando a otimização do terreno 
1.2 GRANDEZAS MEDIDAS EM UM LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO 
Como já foi visto anteriormente, em um levantamento topográfico temos medidas X, Y 
e Z, ou seja, as grandezas medidas podem ser de dois tipos: angulares e lineares. 
Grandezas angulares são os ângulos Horizontais (Hz) que são medidos entre as 
projeções de dois alinhamentos do terreno, no plano horizontal; e ângulo Vertical que 
, 
 
 
8 
 
é medido entre um alinhamento do terreno e o plano do horizonte. Pode ser 
ascendente (+) ou descendente (-), conforme se encontre acima (aclive) ou abaixo 
(declive) deste plano. 
Grandezas lineares são as distâncias Horizontais (DH). Distâncias medidas entre dois 
pontos, no plano horizontal. 
Distância vertical ou diferença de nível (DV ou DN) é a distância medida entre dois 
pontos, num plano vertical, que é perpendicular ao plano horizontal. Este plano 
vertical pode passar por qualquer um dos pontos já mencionados. Distância inclinada 
(DI) é a distância medida entre dois pontos, em planos que seguem a inclinação da 
superfície do terreno. 
É importante relembrar que as grandezas representadas pela planimetria são distância 
horizontal e ângulos horizontais (planta), enquanto as grandezas representadas pela 
altimetria são distância vertical e ângulos verticais, representados em planta através 
das curvas de nível, ou, através de um perfil. 
Na topografia, além dessas duas grandezas, temos também a grandeza que representa 
o volume, que será tratada mais à frente. 
Alguns exemplos de medidas são: 
• metros (m): para medir distâncias ou tamanhos; 
• metros quadrados (m2): para medir áreas; 
• metros cúbicos (m3): para medir volumes. 
As grandezas medidas em um levantamento topográfico também envolvem 
coordenadas que podem ser dadas em graus (coordenadas geográficas) ou em metros 
(coordenadas UTM). Essas grandezas,as coordenadas, servem para determinar a 
localização da área ou objeto de estudo. 
, 
 
 
9 
 
 
Fonte: adp. de Siberian Art. Via: Shutterstock 
Figura 1.6 – Globo com seus Meridianos e Paralelos 
1.3 ERROS EM TOPOGRAFIA 
Por melhores que sejam os equipamentos utilizados em um projeto topográfico e por 
mais cuidadosas que sejam as pessoas que irão proceder um levantamento 
topográfico, as medidas obtidas jamais estarão isentas à imprecisão. Assim, os erros 
pertinentes às medições topográficas podem ser classificados como: 
a. Naturais: são aqueles ocasionados por fatores ambientais, ou seja, 
temperatura, vento, refração e pressão atmosféricas, ação da gravidade etc. 
Alguns destes erros são classificados como erros sistemáticos e dificilmente 
podem ser evitados. São passíveis de correção, desde que sejam tomadas as 
devidas precauções durante a medição. 
b. Instrumentais: são aqueles ocasionados por defeitos ou imperfeições dos 
instrumentos ou aparelhos utilizados nas medições. Alguns destes erros são 
classificados como erros acidentais e ocorrem ocasionalmente, podendo ser 
evitados e/ou corrigidos com a aferição e calibragem constante dos aparelhos. 
, 
 
 
10 
 
c. Pessoais: são aqueles ocasionados pela falta de cuidado do operador. Os mais 
comuns são: erro na leitura dos ângulos, erro na leitura da régua graduada, na 
contagem do número de trenadas, ponto visado errado, aparelho fora de 
prumo, aparelho fora de nível etc. São classificados como erros grosseiros e 
não devem ocorrer jamais, pois não são passíveis de correção. 
É importante ressaltar que alguns erros se anulam durante a medição ou durante o 
processo de cálculo. Portanto, um levantamento que, aparentemente, não apresenta 
erros, não significa que está totalmente correto, sem nenhum erro, apenas significa 
que este é um levantamento que seus erros estão dentro dos padrões permitidos nas 
normas. 
1.3.1 PRECISÃO E ACURÁCIA 
A precisão está ligada a repetibilidade de medidas sucessivas feitas em condições 
semelhantes, estando vinculada somente a efeitos aleatórios. A acurácia (exatidão) 
expressa o grau de aderência das observações em relação ao seu valor verdadeiro, 
estando vinculada à efeitos aleatórios e sistemáticos. A figura ilustra estes conceitos: 
 
Fonte: adp. de Chemistrygod. Via: Shutterstock 
Figura 1.7 – Destaque de um local delimitado por coordenadas 
Não temos como listar todos os erros que podem ocorrer em um levantamento 
topográfico, apenas lembramos em destaque dos erros mais comuns. Alguns erros são 
cometidos na hora da elaboração do projeto, em escritório; outros em campo, no 
, 
 
 
11 
 
levantamento ou na hora da locação da obra; ainda existem outros que são cometidos 
na execução do projeto. Por isso é tão complexo estudar os erros em topografia. 
Aproveitando, vamos esclarecer quais são as etapas de um projeto topográfico 
completo: 
1. Levantamento topográfico (feito em campo); 
2. Elaboração do projeto (feito no escritório); 
3. Locação do projeto (feito em campo). 
1.3.2 ESCALA 
Escala é a relação entre o tamanho real de um elemento/objeto e seu desenho no 
papel, isto é, podemos representar em apenas alguns centímetros quadrados um 
terreno com 200 metros quadrados. 
Em uma escala de 1/100 (podemos escrever também 1:100), qualquer objeto que 
tenha 1 cm no papel (desenho), apresenta 100 cm (ou 1m) na realidade. Outro 
exemplo pode ser dado com a escala de 1/1000, qualquer objeto que tenha 1 cm no 
papel, apresenta 1000 cm na realidade. 
A escala pode ser apresentada sob a forma de: 
• fração: 1/100, 1/2000 etc; 
• proporção: 1:100, 1:2000 etc. 
A escala sempre está relacionada com grandezas de mesma unidade, por isso ela é 
considerada grandeza adimensional, ou seja, representada apenas por números. 
Segundo Domingues (1979), a escala gráfica fornece, rapidamente e sem cálculos, o 
valor real das medidas executadas sobre um desenho, mesmo que esse tenha sofrido 
uma redução ou ampliação. 
É importante perceber que, dependendo da escala, a denominação da representação é 
substituída para planta, carta ou mapa. Veja a tabela a seguir: 
, 
 
 
12 
 
Tabela 1.1 – Denominação das escalas 
APLICAÇÃO ESCALA 
Plantas de pequenos lotes 1:100 
Cartas de municípios 1:50.000 
Mapas de estados 1:200.000 podendo chegar até 
1:10.000.000 
 
Conclusão 
Nesse bloco foi feita a introdução ao estudo da topografia, explicando o seu significado 
e mostrando suas aplicações nos projetos arquitetônicos. Também foi mostrado a NBR 
que regulamenta os serviços de topografia, as aplicações de escala e as etapas de um 
projeto completo de topografia. 
REFERÊNCIAS 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13.133. Execução de 
Levantamento Topográfico. Rio de Janeiro, 1994. 
DOMINGUES, F. A. A. - Topografia e astronomia de posição para engenheiros e 
arquitetos. Editora McGraw-Hill do Brasil, 1979, São Paulo/SP, 403p. 
 
 
 
 
 
 
, 
 
 
13 
 
 
2 ELEMENTOS DA TOPOGRAFIA 
Apresentação 
Neste bloco de estudo você vai entender o que é um sistema de referência, a 
importância destas referências e quais são as diferenças entre elas. Como já estamos 
avançando no estudo da topografia precisamos entender melhor como os sistemas de 
coordenadas nos auxilia na hora de locar um projeto arquitetônico. Por isso, a 
importância de conhecermos os tipos de coordenadas que são referenciadas, através 
das superfícies de referências e do DATUM usado em todo o território brasileiro. Ainda 
neste bloco, serão apresentados os equipamentos, teodolito, nível e estação total, e 
acessórios como tripé, prisma e mira, para medidas de distâncias e para a execução 
dos levantamentos topográficos em geral. 
2.1 SUPERFÍCIES DE REFERÊNCIA 
Quando vamos trabalhar com topografia (principalmente quando se trata de 
coordenadas reais, coordenadas geográficas ou coordenadas UTM) a nossa superfície 
de referência não é a superfície onde estamos com os nossos pés, pois os aparelhos 
usados utilizam informações geocêntricas ou projeções de retas que sairiam do núcleo 
da Terra. 
As superfícies de referência podem ser estudadas com as seguintes classificações: 
• Superfície terreno: é o modelo real da Terra, ele não dispõe de definições 
matemáticas adequadas a sua superfície topográfica. 
• Superfície geoidal: é uma superfície fictícia, formada pelo nível médio dos 
mares, prolongada pelos continentes, em uma superfície irregular, 
equipotencial (aceleração da gravidade – g – é igual a todos os pontos). 
• Superfície elipsoidal: com deformações relativamente maiores que a Geoidal, é 
a mais usual entre os modelos anteriores, em função de existir um modelo 
matemático. 
, 
 
 
14 
 
 
Fonte: adp. de Adenilson Giovanini. Via: Shutterstock 
Figura 2.1 – As três superfícies consideradas na topografia 
Veja a seguir como é evidente a diferença entre as superfícies de referência que 
utilizamos para minimizar os erros de localização no globo. 
• Vertical: Reta que passa por um ponto do espaço e é perpendicular ao geóide. 
É a direção fornecida pelo fio de prumo. 
• Normal: Reta que passa por um ponto do espaço e é perpendicular ao 
elipsoide. Para conversão de altitudes geométricas em ortométricas e vice-
versa, é necessário obter a ondulação Geoidal Local (diferença entre as duas 
medidas). 
, 
 
 
15 
 
 
Fonte: o autor 
Figura 2.2 – Diferença entre a vertical e a normal 
Observe como é possível fazer a conversão de uma altitude em outra utilizando apenas 
uma fórmula simples. Para converter a altitude elipsoidal ou geométrica (h), obtida 
através de receptores GNSS, em altitude ortométrica (H), é necessário utilizar o valor 
da altura geoidal (N), fornecida por um modelo de ondulação geoidal, utilizando a 
seguinte Fórmula: 
𝑯 = 𝒉 − 𝑵 
Lembrando que mesmo estando com o aparelho na superfície terrestre o sinal 
utilizado para referenciar a nossa localização na superfícienão vem desta própria 
superfície, mas sim do modelo geoidal ou elipsoidal. 
Hoje em dia os trabalhos geodésicos e topográficos passaram a ser realizados de forma 
mais rápida, precisa e econômica, devido a evolução das técnicas e da tecnologia dos 
aparelhos. À medida que as técnicas de posicionamento evoluem as informações se 
tornam mais rápidas e precisas. 
A RBMC (Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo dos Sistemas GNSS) são estações 
materializadas através de pinos de centragem forçada e cravados em pilares estáveis. 
A maioria dos receptores da rede possui a capacidade de rastrear satélites GPS e 
GLONASS. São distribuídas pelo Brasil com 112 estações atualmente. 
, 
 
 
16 
 
Uma outra referência muito importante é o DATUM, um sistema de referência 
utilizado para o cálculo ou correlação dos resultados de um levantamento topográfico. 
Na verdade, existem dois tipos de DATUM: o horizontal e o vertical. O DATUM 
horizontal é utilizado no referenciamento das posições tomadas sobre a superfície 
terrestre. Ele é definido pelas coordenadas geográficas de um ponto inicial, pela 
direção da linha entre este ponto inicial e um segundo ponto especificado, e pelas 
duas dimensões (a e b), que são os responsáveis por definir o elipsóide que é utilizado, 
para representação da superfície terrestre. O DATUM vertical, por sua vez, é uma 
superfície de nível utilizada no referenciamento das altitudes tomadas sobre a 
superfície terrestre nos levantamentos topográficos. No país o ponto de referência 
para o DATUM vertical é o Marégrafo de Imbituba, em Santa Catarina. Entre 25 de 
fevereiro de 2005 e 25 de fevereiro de 2015, admitia-se o uso, além do SIRGAS2000, 
dos referenciais obtidos pelo SAD 69 (South American Datum 1969), porém, para ter o 
seu trabalho amparado pela lei, este precisa ser feito com o SIRGAS2000, que desde 25 
de fevereiro de 2015, é o único sistema geodésico de referência oficialmente adotado 
no Brasil. A diferença entre o SAD69 e o SIRGAS2000 é que eles são sistemas de 
concepção diferentes. Enquanto a definição/orientação do SAD69 é topocêntrica, ou 
seja, o ponto de origem e orientação está na superfície terrestre, a 
definição/orientação do SIRGAS2000 é geocêntrica. Isso significa que esse sistema 
adota um referencial de um ponto calculado computacionalmente no centro da terra 
(geóide). Esta característica torna o SIRGAS2000 um sistema com maior precisão. Pode 
acontecer, no exercício da profissão de arquiteto, a necessidade de conversão dos 
DATUM, isto é, quando uma planta tem como referência um DATUM SAD69 e 
precisamos mudar para o DATUM SIRGAS2000, pois há um deslocamento horizontal 
entre os dois DATUM, para isso temos a calculadora geográfica que é disponibilizada 
pelo INPE e a maioria dos softwares já fazem esta conversão. 
 
 
 
, 
 
 
17 
 
2.2 MEDIDAS DE DISTÂNCIAS 
Como já foi visto, a distância horizontal (DH) entre dois pontos, em topografia, é o 
comprimento do segmento de reta entre esses pontos, projetado sobre um plano 
horizontal. Para a obtenção desta distância, existem alguns processos, que veremos a 
seguir. 
Medida indireta de distância 
A distância é medida de maneira indireta, quando no campo são observadas com 
equipamentos e acessórios que, através de modelos matemáticos conhecidos, 
realizamos alguns cálculos sobre as medidas coletadas em campo, assim se obtêm 
indiretamente o valor da distância. 
Medida direta de distância 
A medida de distância é direta quando o instrumento de medida utilizado é aplicado 
diretamente sobre o terreno, por exemplo, uma trena, que precisa ser esticada sobre o 
terreno. 
Veja a seguir alguns acessórios utilizados para medir distâncias: 
a. Fita e trena de aço que são feitas de uma lâmina de aço inoxidável. O 
comprimento das utilizadas em levantamentos topográficos é de 30, 60, 100 e 
150 metros. O comprimento das de bolso varia de 1 a 7,50 metros, porém as de 
5 metros são as mais utilizadas. Elas são leves e indeformáveis e proporcionam 
medidas confiáveis, no entanto, as de fabricação antiga enferrujam com 
facilidade e tem-se o risco de choques elétricos. 
, 
 
 
18 
 
 
Fonte: Leonardo Juliano. Via: Shutterstock 
Figura 2.3 – Trena de aço 
b. A trena de lona é graduada em metros, centímetros e milímetros e apresenta 
indicação dos decímetros; não é um dispositivo preciso pois deforma com a 
temperatura, tensão e umidade. 
 
Fonte: Noicherrybeans. Via: Shutterstock 
Figura 2.4 – Trena de lona 
 
, 
 
 
19 
 
c. A trena de fibra de vidro tem o formato de uma cruzeta; elas sempre 
apresentam manoplas nas suas extremidades; não se deteriora facilmente e é 
resistente à umidade e à produtos químicos. 
 
Fonte: Natatravel. Via: Shutterstock 
Figura 2.5 – Mostra a Trena de fibra de vidro 
Veja agora alguns dos principais acessórios para medidas de distâncias. 
d. Os piquetes são feitos de madeira, com a superfície no topo plana e seu 
comprimento varia de 15 a 30cm. Sua principal função é a materialização de 
um ponto topográfico no terreno. 
e. As estacas são utilizadas como testemunhas da posição do piquete, elas são 
cravadas próximas ao piquete cerca de 30 a 50cm. Seu comprimento varia de 
15 a 40cm. 
2.3 EQUIPAMENTOS DE TOPOGRAFIA 
• Teodolito: Instrumento destinado a medir ângulos horizontais e verticais. 
Podem ser mecânicos ou eletrônicos com o visor digital. Para a utilização deste 
tipo de equipamento é necessária uma caderneta de campo, onde são feitas as 
anotações, pois este equipamento não apresenta memória para registrar as 
informações coletadas em campo. 
, 
 
 
20 
 
 
Fonte: Ibenk_88. Via: Shutterstock 
Figura 2.6 – Teodolito Eletrônico 
Este tipo de equipamento é pouco usado, pois ele foi substituído pela estação total. 
• Estação Total: a modernização fez com que o teodolito eletrônico e o 
distanciômetro evoluisse para um único instrumento, em que pode ser medido 
ângulos horizontais, verticais e distâncias, além disso, consegue armazenar os 
dados coletados durante o levantamento e também executa alguns cálculos no 
campo com programas na memória interna. 
 
Fonte: Olha Kabakova. Via: Shutterstock 
Figura 2.7 – Estação Total 
, 
 
 
21 
 
No entanto para a execução de um levantamento topográfico com uma estação total é 
necessário o conjunto completo para a operação do equipamento. Este conjunto 
apresenta: 
• Tripé: onde é apoiada a estação total; 
 
Fonte: Ball Lunla. Via: Shutterstock 
Figura 2.8 – Tripé apoiando uma Estação Total 
• Prisma: instrumento destinado para reflexão de sinal emitido por uma estação 
total; 
 
Fonte: Andrej Kochkin. Via: Shutterstock 
Figura 2.9 – Prisma 
, 
 
 
22 
 
O conjunto completo para o prisma é formado juntamente com o bastão do prisma, 
onde ele é apoiado e pode ser elevado (até 6m) para facilitar a leitura pela estação 
total. 
 
Fonte: Emotions Studio. Via: Shutterstock 
Figura 2.10 – Conjunto de bastão e Prisma 
• Nível: Instrumento destinado a orientação do plano horizontal de referência, 
para calcular os desníveis entre pontos. Podem ser automáticos, eletrônicos ou 
digitais. Este aparelho não apresenta o movimento vertical da luneta. 
 
Fonte: ASP-Media. Via: Shutterstock 
Figura 2.11 – Nível em um tripé 
, 
 
 
23 
 
O seu conjunto fica completo com a mira, que pode ser igualada a uma régua 
graduada de uma forma que facilita a leitura de grandes distâncias. 
 
Fonte: Krisskorn. Via: Shutterstock 
Figura 2.12 – Mostra o conjunto: Nível, Tripé e Mira 
Conclusão 
Nesse bloco estudamos as superfícies de referência e suas influências nos 
levantamentos topográficos, devido aos DATUM utilizados, pois há um deslocamento 
horizontal de um DATUM par outro. Também foi estudado e apresentado os 
equipamentos e acessórios necessários para a realização dos serviços topográficos. 
REFERÊNCIAS 
DOMINGUES, F. A. A. Topografia e astronomia de posição para engenheiros e 
arquitetos.Editora McGraw-Hill do Brasil, 1979, São Paulo – SP. 
 
 
 
 
 
, 
 
 
24 
 
 
3 ORIENTAÇÃO 
Apresentação 
Neste bloco você vai estudar sobre as referências e orientações necessárias e 
extremamente importantes para um levantamento topográfico. Aqui, começamos a 
introduzir as técnicas necessárias para executarmos um trabalho de topografia em 
campo. Todas as informações presentes neste bloco são direcionadas para um 
levantamento topográfico realizado com qualquer tipo de estação total, pois a 
linguagem e os métodos podem diferir quando se utiliza outro tipo de equipamento de 
topografia. Além disso, os termos usados neste material estão todos de acordo com a 
NBR, portanto, não são termos regionalizados ou usuais que podem mudar a qualquer 
instante, são termos técnicos. 
3.1 NORTE MAGNÉTICO E GEOGRÁFICO 
Atualmente, a topografia não está mais com sua orientação totalmente baseada em 
bússolas, pois os equipamentos e softwares utilizados hoje em dia nos proporciona 
uma orientação do “Norte” muito mais precisa e aferida do que se fossemos nos 
orientar com uma simples bússola. Algumas teses mostram que o globo terrestre pode 
ser considerado um imã, pois ocorre circulação da corrente elétrica em seu núcleo. E 
essas correntes elétricas em seu núcleo criam um campo magnético ao redor do globo, 
esse último tem a forma aproximada do campo magnético ao redor de um imã de 
barra simples. Esse campo magnético exerce uma força de atração sobre a agulha da 
bússola, fazendo com que ela entre em movimento e se estabilize quando sua ponta 
imantada estiver apontando para o Norte magnético. 
Na cartografia existem três tipos de Norte, porém nosso estudo vai se limitar a explicar 
a diferença entre os dois mais utilizados na topografia, que são: 
• Norte Geográfico: é o norte indicado por todo meridiano geográfico, isto é, 
todo meridiano que vai na direção da rotação da Globo; 
, 
 
 
25 
 
• Norte Magnético: é a direção indicada pelo polo magnético, mostrado na 
agulha imantada de uma bússola. 
O Norte da Quadrícula, que é o terceiro Norte, não será estudado neste momento. 
Para ficar bem claro a diferença entre os dois Nortes, geográfico (verdadeiro) e 
magnético, veja a figura a seguir: 
 
Fonte: adp. de SIberian Art. Via: Shutterstock 
Figura 3.1 – Nortes geográfico (verdadeiro) e magnético e o campo magnético do 
Globo 
O eixo magnético da Terra indica a direção do Norte magnético, enquanto o eixo 
imaginário central de rotação da Terra (que acompanha sua inclinação) indica a 
direção do Norte geográfico ou Norte verdadeiro da Terra. Na figura a seguir ficará 
mais explícita esta diferença, pois a direção Norte-Sul geográfica está mostrada em 
uma linha contínua, enquanto e a direção Norte-Sul magnética está representada por 
uma linha tracejada. 
, 
 
 
26 
 
 
Fonte: adp. de OSweetNature. Via: Shutterstock 
Figura 3.2 – Diferença entre as direções Nortes geográfico e magnético 
Na maior parte do Globo terrestre a direção Norte geográfico e Norte magnético não 
se coincidem, exceto alguns pontos específicos e em determinadas épocas do ano. A 
esta diferença na direção Norte geográfico e Norte magnético atribuímos o nome de 
declinação magnética, ou seja, a declinação magnética é o ângulo formado entre o 
meridiano verdadeiro e o meridiano magnético. 
Esta declinação magnética varia de acordo com a época do ano e também de um ano 
para o outro. Veja na figura a seguir: 
, 
 
 
27 
 
 
Fonte: adp. de Peter Hermes Furian. Via: Shutterstock 
Figura 3.3 – Variação anual das direções do Norte magnético 
3.2 AZIMUTES E RUMOS 
Azimute de uma direção é o ângulo formado entre a meridiana de origem que contém 
os Polos, magnéticos ou geográficos, e a direção considerada. É medido a partir do 
Norte, no sentido horário e varia de 0º a 360º (figura). 
, 
 
 
28 
 
 
Fonte: Adenilson Giovanni. Via: Shutterstock 
Figura 3.4 – Ângulos azimutes 
Rumo é o menor ângulo formado pela meridiana que materializa o alinhamento Norte 
Sul e a direção considerada. Varia de 0º a 90º, sendo contado do Norte ou do Sul por 
leste e oeste, conforme mostra a figura a seguir 
 
Fonte: o autor 
Figura 3.5 – Quadrantes e Rumos 
Este sistema expressa o ângulo em função do quadrante em que se encontra. Além do 
valor numérico do ângulo acrescenta-se uma sigla (NE, SE, SW, NW), cuja primeira 
letra indica a origem a partir do qual se realiza a contagem e a segunda indica a 
, 
 
 
29 
 
direção do giro ou quadrante. Independente da orientação do sistema (geográfico ou 
magnético) a forma de contagem do Azimute e do Rumo, bem como a conversão entre 
os mesmos, ocorrem da mesma forma. 
Sempre que possível é recomendável a transformação dos rumos em azimutes, tendo 
em vista a praticidade nos cálculos de coordenadas, e também para a orientação de 
estruturas em campo. 
Para entender melhor o processo de transformação, observe a tabela a seguir 
Tabela 3.1 – Processo de transformação dos rumos em azimute 
Quadrante Azimute → Rumo Rumo → Azimute 
1º 𝑹 = 𝑨𝒛 (𝑵𝑬) 𝑨𝒛 = 𝑹 
2º 𝑹 = 𝟏𝟖𝟎° − 𝑨𝒛 (𝑺𝑬) 𝑨𝒛 = 𝟏𝟖𝟎° − 𝑹 
3º 𝑹 = 𝑨𝒛 − 𝟏𝟖𝟎° (𝑺𝑾) 𝑨𝒛 = 𝑹 + 𝟏𝟖𝟎° 
4º 𝑹 = 𝟑𝟔𝟎° − 𝑨𝒛 (𝑵𝑾) 𝑨𝒛 = 𝟑𝟔𝟎° − 𝑹 
 
Em um levantamento topográfico usamos, na prática, o azimute como referência para 
a coleta de pontos, principalmente quando utilizamos o equipamento estação total 
para fazer o levantamento. No entanto, o azimute não necessariamente, no dia a dia 
da prática, parte do norte, ele pode ser fixado (zerado) em um ponto permanente da 
área (sempre fixar em um elemento da superfície que não será retirado facilmente do 
local, como por exemplo: uma árvore pode ser “facilmente” cortada ou arrancada com 
o vento, então, uma árvore, não é um ponto indicado para se fixar um azimute) que 
será utilizado como referência em um futuro levantamento da mesma área. 
3.3 LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO 
Qualquer levantamento topográfico, para qualquer finalidade, é realizado a partir de 
uma referência em campo. Esta referência pode ou não ser um marco referenciado e 
registrado pelo IBGE, INCRA ou qualquer outro órgão regulamentador. Somente para 
serviços de georreferenciamento (que exige coordenadas e cotas verdadeiras) que 
, 
 
 
30 
 
esses marcos precisam, necessariamente, serem regulamentados e referenciados 
pelos órgãos competentes. 
Em um trabalho de levantamento topográfico, são determinados pontos de apoio ao 
levantamento e, a partir destes pontos de apoio é que são feitos os levantamentos dos 
demais pontos, fazendo com que a área levantada seja representada em um projeto. 
De acordo com a NBR 13133 (ABNT, 1994), que é o documento em que regulamenta e 
normatiza todos os levantamentos topográfico do Brasil, os pontos de apoio 
topográficos são convenientemente distribuídos de forma que amarram ao terreno o 
levantamento topográfico, e devem ser materializados por estacas, piquetes, marcos 
de concreto, pinos de metal, tinta, dependendo da sua importância e permanência. 
Veja a seguir alguns exemplos de marcos topográficos 
 
Fonte: VicVa. Via: Shutterstock 
Figura 3.6 – Materialização de um ponto com tinta 
, 
 
 
31 
 
 
Fonte: J5M 
Figura 3.7 – Materialização de um ponto com marco 
 
Fonte: Gdef. Via: Shutterstock 
Figura 3.8 – Materialização de um ponto com marco de concreto 
, 
 
 
32 
 
 
Fonte: Oleg Kovtun Hydrobio. Via: Shutterstock 
Figura 3.9 – Materialização de um ponto com marco de concreto 
3.3.1 TÉCNICAS DE LEVANTAMENTO PLANIMÉTRICO 
A poligonação é um dos métodos para determinar coordenadas de pontos em 
topografia, principalmente, para a definição de pontos de apoio planimétricos. Uma 
poligonal consiste em uma série de linhas consecutivas onde são conhecidos os 
comprimentos e direções, obtidos através de medições em campo. A poligonal não 
tem uma quantidade certa de pontos ou linhas, vai depender do tamanho e dos 
obstáculos presentesna área a ser levantada, pois cada mudança de “estação” (local 
onde a estação total é estacionada) é um ponto que irá formar a poligonal do 
levantamento. 
Essa poligonal formada pode ser aberta ou fechada, como veremos um pouco mais à 
frente neste material. 
O levantamento de uma poligonal é realizado através do método de caminhamento, 
percorrendo-se o contorno de um itinerário definido por uma série de pontos, 
medindo-se todos os ângulos, lados e uma orientação inicial. A partir destes dados e 
de uma coordenada de partida, é possível calcular as coordenadas de todos os pontos. 
Estas coordenadas podem ser coordenadas reais (UTM ou Geográficas) ou podem ser 
coordenadas arbitrárias (inventadas pelo topógrafo). 
, 
 
 
33 
 
A NBR 13133 (ABNT, 1994) classifica as poligonais em principal, secundária e auxiliar. 
A poligonal principal é aquela que determina os pontos de apoio topográfico de 
primeira ordem; a poligonal secundária pode ser definida como aquela que, apoiada 
nos vértices da poligonal principal, determina os pontos de apoio topográfico de 
segunda ordem, isto é, para ela existir é preciso que já exista a poligonal principal. E a 
poligonal auxiliar é a poligonal que, baseada nos pontos de apoio topográfico 
planimétrico, tem seus vértices distribuídos no campo ou terreno a ser levantado, de 
forma que seja possível coletar os pontos de detalhes julgados importantes e que 
devem estar presentes no projeto. 
As poligonais levantadas em campo poderão ser fechadas, enquadradas ou abertas, 
veja a diferença de cada uma delas: 
• A Poligonal fechada parte de um ponto com coordenadas conhecidas e retorna 
ao mesmo ponto, ou seja, ela forma uma figura geométrica. A grande 
vantagem deste tipo de poligonal é permitir a verificação de erro de 
fechamento angular e linear. 
• A poligonal enquadrada parte de dois pontos com coordenadas conhecidas e 
acaba em outros dois pontos com coordenadas conhecidas. Este tipo de 
poligonal é mais trabalhoso, porém permite a verificação do erro de 
fechamento angular e linear. 
• Por último temos a poligonal aberta, que parte de um ponto com coordenadas 
conhecidas e acaba em um ponto cujas coordenadas deseja-se determinar, isto 
é, não são conhecidas as coordenadas deste ponto. Neste tipo de poligonal não 
é possível determinar erros de fechamento. Como visto anteriormente neste 
estudo, para o levantamento de uma poligonal é preciso que se tenha no 
mínimo um ponto com coordenadas conhecidas (arbitrárias ou reais) e uma 
orientação. 
De acordo com a NBR 13133 (ABNT, 1994, p.7), na hipótese de o apoio topográfico 
estar vinculado à rede geodésica (Sistema Geodésico Brasileiro – SGB), a situação ideal 
é que pelo menos dois pontos de coordenadas conhecidas sejam comuns. Neste caso é 
, 
 
 
34 
 
possível, a partir dos dois pontos, determinar um azimute de partida, que seria um 
referencial para o levantamento em campo da poligonal. Esses dois pontos não 
necessitam ser os primeiros de uma poligonal. 
Para minimizar os erros de um levantamento topográfico é indicado que todo o 
levantamento, desde o nivelamento da estação até o último ponto, seja feito pela 
mesma pessoa. Logo a frente neste mesmo material estudaremos os tipos de visadas, 
que é uma parte muito importante do levantamento topográfico. 
Conclusão 
Nesse bloco você aprendeu sobre referências e orientações de um levantamento 
topográfico, técnicas imprescindíveis em qualquer trabalho ou projeto realizado em 
campo. Sobre a orientação, aprendemos o norte geográfico e norte magnético, além 
dos ângulos azimute e rumo, que também servem como orientações para os projetos 
topográficos. Já em relação aos pontos de referências, aprendemos que eles são 
materializados através dos marcos, que podem ser georreferenciados através de 
coordenadas reais, ou não, isto é, podem ser apenas marcações com coordenadas 
arbitrárias, que tenham a função de localizar um ponto de partida para um projeto de 
levantamento ou locação. 
REFERÊNCIAS 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13.133. Execução de 
Levantamento Topográfico. Rio de Janeiro, 1994. 
 
 
 
 
 
 
, 
 
 
35 
 
 
4 ESTUDO DE CAMPO 
Apresentação 
Neste bloco iremos tratar das práticas realizadas em campo para a execução de um 
levantamento topográfico até a transferência dos dados da estação total, para um 
computador no escritório. Aqui, serão estruturadas, de forma cronológica, as etapas 
de realização de todo o levantamento topográfico, que é necessário para a execução 
de um projeto arquitetônico bem feito. Além disso, também vamos conhecer os três 
tipos, mais comuns, de levantamentos topográficos realizados na área da arquitetura. 
4.1 ETAPAS DE UM LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO 
Todo levantamento topográfico é feito com “visadas” que são observações feitas em 
pontos estratégicos de uma área com o auxílio de aparelhos topográficos, porém, 
neste estudo, vamos falar especificamente do equipamento estação total. 
O local onde será primeiramente instalada a estação total, chamamos de estação 01, 
E01, que é a estação ocupada. Esse local deve ter vista (sem obstáculos) para pelo 
menos outros dois pontos (E00 e o E02), em que será futuramente instalada a estação 
total. 
O sentido de caminhamento para o levantamento da poligonal será o sentido horário. 
No sentido de caminhamento da poligonal, a estação anterior denomina-se de estação 
ré e a estação seguinte de vante. Neste exemplo, o E00 será a visada a ré e o E02 será 
a visada à vante. Lembrando sempre que, o ponto E00 que é a ré, é um ponto 
conhecido, isto significa que é um ponto com coordenadas, podendo ser arbitrárias ou 
coordenadas geográficas reais. Outro fato importante é sempre fazer um 
planejamento prévio na área a ser levantada, antes de realmente instalar a estação 
total no terreno. Se possível, é sempre indicado fazer um croqui com os pontos onde 
serão instalados a estação total, que são os pontos que irão formar a poligonal. Outro 
detalhe que já foi visto, mas vale a pena ser reforçado, é que a poligonal é formada 
pelos pontos por onde passamos, estacionamos, a estação total, e não se refere ao 
perímetro do terreno. Esta poligonal pode até ser feita fora dos limites do terreno a 
, 
 
 
36 
 
ser levantado, com tanto que se tenha uma visão limpa, sem obstáculos aos vértices 
do terreno. 
É muito importante e imprescindível que, logo após estacionar e nivelar a estação total 
no ponto E01, seja inserido as coordenadas da “estação ocupada”, ou seja, as 
coordenadas de onde iremos começar nosso levantamento. Estas coordenadas não 
precisam ser reais (coordenadas inventadas são chamadas de coordenadas arbitrárias) 
e como sugestão, insira os seguintes valores de coordenadas: 
N: 250000,00 
E: 150000,00 
Z: 500,00 
Após este procedimento é necessário fazer a visada no ponto E00, que é a ré. Feito 
isso, a estação já está referenciada, ou seja, já é possível começar a dar as visadas em 
pontos estratégicos e necessários no terreno a ser levantado. Essas visadas chamamos 
de irradiações e são elas que irão “mostrar” todos os elementos e vértices do terreno. 
Porém, é aconselhado que antes de irradiar as visadas, seja feita a leitura do ponto 
E02, que é a visada à vante, pois isso irá minimizar o erro. A estação total é um 
equipamento muito sensível e qualquer movimento brusco causa erro na visada, por 
isso é aconselhável, que antes de irradiar os pontos a serem visados, se faça a visada à 
vante. 
Neste exemplo de levantamento é necessário ter gravado na estação total a leitura 
feita na vante (E02), antes de mudar a estação total de lugar, pois o procedimento 
padrão é leva-la para o ponto E02, nivela-la, e dar uma visada à ré no ponto E01, para 
que a estação total continue referenciada (é como se você dissesse para a estação 
total onde ela está). Após essa visada à ré, é feita a visada à vante no ponto E00 e 
irradiadasas visadas nos pontos a serem coletados no terreno. Uma ação muito 
importante é sempre informar à estação total as alturas do prisma e da estação total, 
pois sem isso fica impossível coletar informações de cotas para montar a superfície 
com as curvas de nível do terreno levantado. 
, 
 
 
37 
 
Uma dúvida constante é sobre a quantidade de pontos à serem levantados (coletados), 
porém, isso depende muito do tipo de serviço, quanto maior a quantidade de pontos 
levantados, mais detalhado será o seu projeto. 
A metodologia utilizada para este exemplo de levantamento é com a formação de uma 
poligonal fechada, no entanto, para que isso ocorra, é preciso percorrer, com a estação 
total, os três pontos da poligonal: E00, E01 e E02. Então, após visado à vante em E00 e 
à ré em E01, estando em E02, mudamos a estação total para E00, visamos à ré em E02 
e ocorre o fechamento, visando à vante em E01. Dessa forma, nossos três pontos de 
estação foram visitados pelo equipamento e formou-se então a poligonal fechada. 
A figura abaixo representa o exemplo de levantamento descrito acima. 
 
Fonte: o autor 
Figura 4.1 – Exemplo de levantamento 
, 
 
 
38 
 
 
Neste tipo de levantamento podemos fazer o caminhamento pelas estações no sentido 
horário: E01 → E02 → E00 
4.2 TIPOS DE LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO 
O exemplo de levantamento topográfico acima é uma metodologia utilizada como 
regra geral de levantamento topográfico para qualquer que seja a finalidade, no 
entanto, a quantidade de pontos levantados (que chamamos de pontos irradiados) e a 
instalação de marcos definitivos ou provisórios vai depender, exclusivamente, da 
finalidade do serviço de levantamento. 
Um levantamento topográfico é feito quando há a necessidade de: 
• Verificação da metragem (tamanho exato) do terreno: este tipo de verificação é 
indicado que se faça antes mesmo da compra da área, pois pode acontecer de 
haver improcedências no documento do imóvel, isto é, o imóvel foi registrado 
com uma área menor ou maior do que a área que consta na matrícula. 
• Elaboração de projeto: é sempre indicado fazer um levantamento topográfico 
prévio para a adequação ou criação do projeto de construção, com base na 
superfície topográfica da área em relação ao tamanho e/ou melhor 
aproveitamento da topografia local, para possível economia de material, 
aterros ou cortes na execução do projeto. Além disso, também é importante o 
levantamento topográfico em terreno nivelado para adequação da rede de 
saneamento básico (hidráulica e esgoto). 
O levantamento topográfico também pode ser realizado em conjuntos habitacionais, 
poços de monitoramento, sondagens, aterro, pedreira, escolas, PCH, redes de 
saneamento e esgoto, redes energéticas, rodovias, áreas urbanas e rurais, faixa de 
domínio e postos de combustível, além de áreas onde existam movimento de terra e 
necessitem de monitoramento constante. 
, 
 
 
39 
 
O levantamento topográfico gera uma representação da porção de terra, subterrânea 
ou superficial, que será a base para a planta do local onde estará instalada a obra. 
O trabalho de levantamento topográfico é dividido em fase de coleta, processamento 
e tratamento de dados, disposição e gerenciamento das informações coletadas em 
campo, que irão compor o relatório e planta da área em questão. 
Para tais finalidades os levantamentos topográficos são divididos em: 
• Levantamento Topográfico Planimétrico; 
• Levantamento Topográfico Altimétrico; 
• Levantamento Topográfico Planialtimétrico. 
Dentre estes três tipos de levantamentos o levantamento topográfico planialtimétrico 
é o mais completo, pois ele contempla e permite a descrição tanto das alturas e 
elevações do terreno, quanto das projeções horizontais. Como resultado desse 
levantamento, são elaboradas as plantas e memoriais descritivos, assim como toda a 
documentação pertinente à um projeto de qualquer finalidade. Este tipo de 
levantamento pode ser chamado de levantamento Cadastral, que é o levantamento 
mais completo, necessitando as vezes até de um GNSS (Global Navigation Satellite 
Systems), equipamento capaz de fornecer coordenadas geográficas. 
As diferenças entre eles são simples, no entanto, os procedimentos de execução em si 
são complexos. Basicamente, o levantamento planimétrico, que é também conhecido 
como planimetria, limita-se às medições horizontais da determinada área em questão. 
Seu principal uso é para delimitação e demarcações de lotes, sendo requerido no 
georreferenciamento, por exemplo. 
Se tratando do levantamento altimétrico, como o próprio nome diz, é feito quando o 
objetivo é mensurar o relevo das porções de uma determinada área. 
Conforme já foi explicado e mencionado acima, o trabalho do levantamento 
planialtimétrico é feito com uma descrição documentada de uma área em todos os 
seus detalhes. Trata-se da junção dos dois outros tipos de levantamentos, o 
, 
 
 
40 
 
levantamento altimétrico mais o levantamento planimétrico. Nele, são descritas, de 
maneira precisa, as diferenças de nível entre as partes do terreno (curvas de nível), os 
ângulos horizontais e as medidas planas. O perímetro da área e as dimensões 
horizontais também são descritas, além disso, todos os levantamentos contêm a 
orientação da área, ou seja, a posição real do Norte. 
De posse dos levantamentos feitos é possível elaborar, então, as plantas e memoriais 
descritivos, como já mencionado acima, que devem conter o registro de 
responsabilidade do profissional responsável pelo levantamento topográfico. Nesses 
documentos, as áreas são descritas de acordo com as necessidades do contratante do 
serviço de topografia, que poderá utilizá-las em órgãos, tais como, cartórios de registro 
de imóveis e prefeituras, para obter a liberação e/ou autorização de uma determinada 
área. É importante deixarmos registrado que todo e qualquer levantamento ou 
registro só pode ser elaborado por profissionais devidamente registrados em seus 
conselhos de classe, e realizados mediante equipamentos de precisão específicos e 
com as manutenções e aferições em dia. Todos estes cuidados e precauções são 
importantes, pois, um simples erro nesse tipo de levantamento pode ocasionar 
transtornos e atrasos a um projeto, gerando prejuízos. 
Se tratando especificamente de levantamentos para projetos arquitetônicos são, em 
geral, simples, pois geralmente são terrenos pouco acidentados e de fácil acesso, na 
maioria das vezes em áreas urbanas, que só precisam ser levantados os pontos de 
divisa, vértices, curvas de nível, árvores, postes e guias. Esse tipo de levantamento, 
todo arquiteto, devidamente registrado em seu conselho de arquitetura o CAU/BR, 
pode executar, tornando-se assim um profissional completo e menos dependente de 
terceirizações ou parcerias. 
No exemplo de levantamento topográfico acima usamos uma Estação Total que é um 
equipamento usado para medições topográficas, ela faz medições de ângulos verticais 
e horizontais e também de distâncias lineares, além de gravar estas informações em 
uma memória que pode ser transferida para um computador. Essas informações são 
processadas através de um software de topografia e geram um arquivo com os dados 
coletados em campo. 
, 
 
 
41 
 
Para fazer o trabalho em campo, a estação total é posicionada em um local sem a 
presença de obstáculos (como muros, arbustos ou qualquer outro elemento que 
atrapalhe as visadas) e com sua luneta mira até o prisma instalado sobre um bastão 
colocado sobre o ponto o qual se quer medir. Esta medição é feita através do 
equipamento estação total ao emitir um feixe de laser que reflete no prisma e retorna 
ao equipamento. 
Pelo tempo de resposta do feixe de laser e o ângulo de rotação da luneta da estação 
(em relação a reta de referência), o computador interno processa as informações e 
calcula os ângulos e distâncias, armazenando os pontos em sua memória interna. Após 
realizar a mediçãode todos os pontos necessários, os dados são transferidos para um 
computador, onde desenhamos o terreno ou construção aferida. 
Outra informação muito importante é que em um levantamento topográfico as 
informações obtidas são apenas pontos e não desenhos de áreas, nós é que através de 
um programa de computador realizamos as ligações entre estes pontos para formar a 
área desejada. 
4.3 EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS 
Alguns acessórios são indispensáveis na hora de fazer um levantamento topográfico 
em campo, pois sem eles fica praticamente impossível realizar a coleta de dados com a 
estação total. Veja a seguir tudo o que precisamos levar à campo para trabalhar: 
• Estação total (equipamento calibrado e aferido); 
• Tripé (preferencialmente de alumínio); 
• Bastão com prisma (mira); 
• Tripé ou bipé de bastão (se houver um ajudante esse item é dispensável); 
• Estacas de madeira; 
• Bolsa para levar as estacas; 
• Sacola com piquetes (são menores que as estacas); 
• Marreta; 
• Canetão ou tinta (para marcações no chão ou na madeira); 
, 
 
 
42 
 
• Prancheta com bloco de notas (para desenhar o croqui e fazer o planejamento); 
• Pasta carteiro com lápis, borracha, caneta, calculadora e régua; 
• Trena (uma de 5m é suficiente); 
• Capa de chuva ou guarda sol (para proteger a estação total); 
• Pregos de aço (para materializar o ponto no centro do piquete). 
Lembrando que estamos usando como exemplo o levantamento topográfico feito com 
a estação total, porém para uso de outro tipo de equipamento os acessórios também 
serão outros e precisaremos utilizar outra metodologia de levantamento, mas o 
objetivo do trabalho permanece o mesmo, que é descrever, com a maior precisão 
possível, uma porção da superfície terrestre e seus possíveis elementos. 
As estações totais mais novas apresentam algumas teclas e atalhos que facilitam e 
potencializam o trabalho em campo, no entanto, são mais caras e, dependendo da 
quantidade e natureza dos trabalhos, não compensam o investimento. Se tratando da 
estação total, uma dica pertinente, é dar preferência para estações totais que tenham 
pen drive ou bluetooth para a transferência dos dados, pois aquelas com o cabo 
costumam apresentar problemas. 
Outros acessórios muito importantes são as estacas e piquetes. Geralmente a estaca 
fica bem mais visível, sendo usada para sinalizar a presença de um ponto materializado 
pelo piquete. Algumas estacas são feitas de cabo de vassoura e pintadas de cal para 
ficarem brancas, sendo assim mais visíveis, e outras são feitas de bambu. Não existe 
uma regra, tudo vai depender da adaptação e forma de usar do topógrafo. 
Na foto a seguir é mostrada a diferença entre as estacas que são maiores e mais largas 
que os piquetes, que na figura é branco e pequeno. Na maioria das vezes as estacas 
até levam alguma informação sobre o ponto materializado, como está representado na 
foto, GPS 04. 
, 
 
 
43 
 
 
Fonte: o autor 
Figura 4.2 – Diferença entre a estaca e o piquete (na cor branca) 
Os pregos de aço são usados em diversas ocasiões de trabalho, como, por exemplo, é 
pregado no piquete para centralizar a estação total no ponto materializado. Também, 
podem ser usados individualmente, sem o piquete, quando é preciso materializar um 
ponto em locais que não conseguimos introduzir o piquete, como na calçada de um 
arruamento ou até mesmo no asfalto. Desde modo, também é preciso usar tinta para 
marcar no chão as informações do ponto materializado com o prego. 
Outro acessório muito importante é a prancheta para fazermos um croqui da área a 
ser levantada. Com ele economizamos tempo e até minimizamos algum possível erro, 
pois ela viabiliza ter em mãos um planejamento do que será executado no 
levantamento. Esse croqui também ajudará muito no escritório, na hora da confecção 
do projeto. 
 
, 
 
 
44 
 
Conclusão 
Nesse bloco estudamos tudo sobre levantamentos topográficos realizados com a 
estação total. Foi explicada cada etapa do processo em campo, até os tipos de 
levantamentos topográficos mais frequentes, que todo arquiteto pode realizar. Foi 
explanada, também, a finalidade de cada um dos tipos de levantamento e listamos 
todos os equipamentos e acessórios utilizados no trabalho em campo aperando com a 
estação total. 
Todas as informações presentes neste bloco estão de acordo com a NBR 13.133, que 
regulamenta os serviços de topografia. 
REFERÊNCIAS 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13.133. Execução de 
Levantamento Topográfico. Rio de Janeiro, 1994. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
, 
 
 
45 
 
 
5 MEMORIAL DESCRITIVO E NIVELAMENTO 
Apresentação 
Neste bloco será exposto um manual para criação do memorial descritivo topográfico, 
assim como todas as informações pertinentes a esse documento. Este bloco também 
contemplará os tipos de nivelamentos topográficos e as metodologias aplicadas em 
cada um deles. 
5.1 MEMORIAL DESCRITIVO 
Este tipo de memorial descritivo de levantamento topográfico faz parte da 
documentação disponível em cartório para consulta pública. Ele se refere a localização 
da área em questão, é um documento que explica todas as características do lote ou 
gleba levantado. A finalidade do memorial descritivo é descrever a área, de tal maneira 
que, com sua leitura, qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento técnico consiga 
entender a localização e perímetro de uma propriedade. 
É importante esclarecer que existe uma diferença entre o memorial descritivo utilizado 
na topografia e o utilizado na arquitetura. Isso se deve ao fato de que na topografia, o 
memorial descritivo é um documento que descreve a poligonal e a localização da 
propriedade. 
De acordo com a norma NBR 13.133, o memorial descritivo de uma propriedade, deve 
conter as seguintes informações: 
• O nome da propriedade e do Bairro, Distrito, Município e Estado da área 
levantada; 
• Tamanho da área, obrigatoriamente em unidades métricas (hectares, ares, 
centiares); 
• A posição de um de seus vértices em relação a um ponto notório da 
vizinhança e esquina mais próxima; 
• A descrição do seu perímetro, que deverá mencionar: 
http://www.compraevendadeimoveis.com/diferenca-entre-gleba-e-lote/
http://www.compraevendadeimoveis.com/diferenca-entre-gleba-e-lote/
, 
 
 
46 
 
→ o sentido em que vai ser percorrido (horário ou anti-horário); 
→ se as medidas (rumos ou azimutes e distâncias) são exatas ou 
aproximadas, e se os rumos ou azimutes são magnéticos ou 
verdadeiros. 
→ coordenadas Arbitrarias ou Geográficas (UTM); 
→ o ponto onde tem início as deflexões, isto é, mudanças de direção 
na passagem de um lado para o outro (para direita ou para a 
esquerda). 
• A caracterização de cada lado: 
→ pelo agente divisório (cerca, vale, córregos etc.); 
→ pelo seu rumo ou azimute (magnético ou verdadeiro); 
→ pela coordenada do vértice; 
→ pelos nomes dos confrontantes; 
→ pelo comprimento dos lados; 
→ por outras menções esclarecedoras (Ex. Linhão de alta tenção). 
(NBR 13.133, 1994) 
Atenção para a informação a seguir: 
Não é necessário fazer o memorial descritivo topográfico manualmente, pois a maioria 
dos programas usados para processar os dados coletados em campo apresentam a 
funcionalidade de gerar, quase que automaticamente, o memorial descritivo, desde 
que você tenha inserido as informações solicitantes pelo programa de forma correta e 
organizada. 
Antigamente, quando os levantamentos eram feitos todos com o equipamento 
teodolito, não havia programas e softwares de topografia para gerarem os projetos e 
os memoriais, então tudo era feito manualmente. Trabalho que demandava uma 
função no escritório somente para criar o memorial descritivo topográfico de cada 
levantamento topográfico ou cada área. 
 
, 
 
 
47 
 
5.2 NIVELAMENTO 
Existem vários tipos de nivelamento, e vamos conhecer todos, porém, o mais utilizado 
atualmente é o nivelamentogeométrico. Ele é feito com um equipamento chamado 
nível, pois mesmo com a popularização do uso da estação total, RTK, informações 
georreferenciadas e tudo mais, alguns estudiosos ainda afirmam que o nível é o 
equipamento mais indicado para um nivelamento preciso, por exemplo, para um 
projeto de barragens. Para estes serviços são necessários, além do equipamento nível 
ou teodolito, um acessório indispensável chamado de régua graduada ou também de 
mira. Ela possui 4m de extensão e apresenta as medidas, m, cm, dm e mm. A figura 5.1 
mostra um nível e a régua graduada. 
Leitura da Mira Graduada 
Durante a leitura dos fios estadimétricos, em uma mira convencional, devem ser lidos 
quatro algarismos, os valores do metro, decímetro, centímetro e milímetro, sendo que 
o milímetro é obtido por uma estimativa e os demais por leitura direta dos valores 
indicados na mira. A mira apresentada está graduada em centímetros (traços claros e 
escuros). A leitura do valor do decímetro é obtida através dos números grandes, 
conforme figura abaixo. 
, 
 
 
48 
 
 
Fonte: Dmitry Kalinovsky. Via: Shutterstock 
Figura 5.1 – Conjunto de Nível e Mira Graduada 
Veja a seguir a diferença entre todos os tipos de nivelamentos utilizados nos serviços 
simples de topografia e que não utilizam equipamentos sofisticados para gerar 
projetos, com a finalidade apenas de trabalho em campo. 
5.2.1 NIVELAMENTO TRIGONOMÉTRICO 
O Nivelamento Trigonométrico (NT) é constituído de operações das medidas de 
distâncias horizontais ou inclinadas e ângulos de inclinação entre pontos, para a 
determinação da cota ou altitude, através de relações trigonométricas (triângulo 
retângulo), em que se conhece um dos catetos (distância horizontal) ou a hipotenusa 
(distância inclinada) e determinamos o outro cateto (diferença de nível). E para isso, é 
feita a leitura do ângulo vertical. Portanto, obtém valores que podem estar 
relacionados ao nível verdadeiro ou nível arbitrário, dependendo da finalidade do 
levantamento. O nivelamento trigonométrico divide-se em pequeno alcance (com 
visadas até 250m) e grande alcance (com visadas acima de 250m), para visadas de 
, 
 
 
49 
 
grande alcance, deve considerar a influência da curvatura da Terra e da refração 
atmosférica sobre as medidas coletadas em Campo. Sua característica é nivelar áreas 
extensas e onde existam desníveis muito elevados ou, ainda, quando é necessário 
nivelar várias linhas de visadas, em diferentes direções, para estudos de vales e 
determinação das alturas de torres, morros, prédios etc. 
O operador com equipamento teodolito realiza a visada no bastão e obtém o ângulo 
Zenital, e com uma trena obtém a Distância Horizontal, para, posteriormente, fazer o 
cálculo do Desnível (DN). 
No Nivelamento Trigonométrico chamamos ângulo vertical de ângulo zenital. O 
aparelho após deslocado de um ponto para o outro deve ter seu erro zenital ou erro 
residual de seu limbo vertical verificado, que é um desvio da verticalidade de sua linha 
0o - 180o. 
Segue abaixo, só para demonstração, as fórmulas utilizadas para os cálculos 
necessários neste tipo de nivelamento. 
 
, 
 
 
50 
 
 
5.2.2 NIVELAMENTO TAQUEOMÉTRICO 
A taqueometria, do grego takhys (rápido) e metren (medição), é o nivelamento onde 
realizamos operações que constituem um processo rápido e econômico (pouco 
preciso), para obter indiretamente a distância horizontal e a diferença de nível. O 
instrumento utilizado é o teodolito mecânico ou eletrônico provido de fios 
estadimétricos, que além de medir ângulos verticais e horizontais, fazem as leituras na 
mira. 
Segundo Borges (1977), as cotas obtidas através de taqueometria constituem o 
chamado nivelamento trigonométrico, que é menos preciso do que o nivelamento 
geométrico, porém, mais rápido, principalmente nos levantamentos por irradiação. 
Fontes de erros no nivelamento taqueométrico: 
• Leitura de ângulos: Se faz a leitura dos círculos vertical e ou horizontal de forma 
errônea, por falha ou falta de experiência do operador do teodolito. 
• Leitura na mira: Leituras dos fios estadimétricos horizontal incorretamente. 
• Pontaria: O fio estadimétrico vertical do teodolito tem que coincidir com a baliza 
para se fazer a leitura de ângulos verticais. 
• Não verticalidade da mira: Ocorre quando o auxiliar de campo não faz uso do 
nível de cantoneira. 
, 
 
 
51 
 
• Centragem do teodolito: Ocorre quando a projeção do centro do instrumento não 
coincide exatamente com o ponto sobre o qual se encontra estacionado, ou seja, 
no prumo. 
5.2.3 NIVELAMENTO GEOMÉTRICO OU NIVELAMENTO DIRETO 
É aquele que realiza a medida da diferença de nível entre pontos do terreno, está 
baseado somente na leitura de réguas ou miras graduadas posicionadas verticalmente, 
não envolvendo ângulos. O aparelho (nível) utilizado, deve estar estacionado a meia 
distância entre os pontos (ré e vante); quando o terreno impossibilita estacionar o 
equipamento equidistante dos pontos a serem nivelados, usa-se métodos de visadas 
recíprocas, para eliminar erros de esfericidade, refração e de inclinação, dentro ou fora 
do alinhamento a medir. As medidas de Desnível (DN) ou Distância Vertical (DV) 
podem estar relacionadas ao nível verdadeiro (Altitude) ou nível aparente (Cota). Os 
equipamentos utilizados são: 
• Nível ótico que, segundo Espartel (1982), constitui-se de: 
→ um suporte munido de três parafusos niveladores ou calantes. 
→ uma barra horizontal. 
→ uma luneta fixada. 
→ duas miras ou réguas graduadas. 
• Nível digital é um nível que faz medição eletrônica, registro e armazenamento 
automático de distâncias horizontais e verticais; 
• Nível a laser é um nível automático cujo funcionamento está baseado na 
tecnologia do infravermelho; este aparelho não apresenta luneta nem visor LCD; 
5.3 CONCEITOS E CÁLCULOS DO NIVELAMENTO GEOMÉTRICO 
Alguns conceitos de acordo com a NBR 13.133: 
• Visada: leitura efetuada sobre a mira. 
• Lance: é a medida direta do desnível entre duas miras verticais. 
, 
 
 
52 
 
• Seção: é a medida do desnível entre duas referências de nível e é obtida 
pela soma algébrica dos desníveis dos lances. 
• Linha de nivelamento: é o conjunto das seções compreendidas entres duas 
RN (referência de nível), chamadas principais. 
• Circuito de nivelamento: é a poligonal fechada constituída de várias linhas 
justapostas. 
• Rede de nivelamento: é a malha formada por vários circuitos justapostos. 
(NBR 13.133, 1994) 
O nivelamento geométrico simples, segundo Domingues (1979), é o método onde se 
instala o equipamento nível uma única vez em um ponto estratégico, ele pode estar ou 
não sobre a linha a nivelar e equidistante aos pontos de nivelamento. Devemos ficar 
atentos e ter cuidado para que o desnível entre os pontos não seja maior que o 
comprimento da régua, 4 metros. Após fazer a leitura dos fios estadimétricos [FS, FM 
(fio médio) e FI] nos pontos de ré e vante e anotar todos os valores, o desnível pode 
ser calculado pela relação: 
DN = FM RÉ - FM VANTE 
Se a diferença de nível (DN) for positiva, então o terreno está em aclive (isso de ré para 
vante). Agora se a diferença de nível (DN) for negativa, então o terreno está em declive 
(isso de ré para a vante). Este tipo de nivelamento não segue uma regra padrão de 
direcionamento e pode ser longitudinal, transversal ou radiante, porém, só é aplicado 
a terrenos relativamente planos. 
, 
 
 
53 
 
 
Fonte: Sorn340 Studio Images. Via: Shutterstock 
Figura 5.2 – Nivelamento geométrico simples 
Quando o terreno apresenta um desnível maior que o comprimento da mira graduada 
é necessário fazer o nivelamento geométrico chamado de composto. Nesse método, é 
necessário instalar o nível mais de uma vez. É preciso instalar o nível equidistante aos 
pontos de ré e intermediário (primeiro de uma série de pontos necessários ao 
levantamento dos extremos), para assim evitar lances muitocurtos. 
Desta forma, o desnível total entre os pontos extremos será encontrado através da 
somatória dos desníveis parciais, isto é, os desníveis de cada série. 
Toda a precisão no processo de nivelamento, utilizando a mira graduada, depende da 
leitura que o topógrafo faz na mira, por isso, quanto mais experiente for o topógrafo, 
menor o risco de erros na leitura desta mira. 
Erros nas leituras de mira 
• Erro de má focalização do instrumento: a má focalização do instrumento (nível), 
ou seja, a falta de coincidência dos fios estadimétricos é o erro mais incidente 
entre todas as fontes de erros na medida indireta de distâncias, utilizando a mira 
graduada. Quando os retículos, isto é, fios estadimétricos estão bem focalizados, 
eles se apresentam nítidos e escuros. 
, 
 
 
54 
 
• Focalização da objetiva: visando um objeto afastado e agindo no parafuso de 
focalização, desloca-se o conjunto ocular até que a imagem do sinal apareça bem 
nítida nos retículos. 
• Erro da refração e reverberação em torno do meio-dia: a reverberação do ar 
atrapalha e impossibilita a leitura da mira. Os dias em que não há sol são os 
melhores para execução de trabalho com mira. Nas visadas, as anomalias de 
refração causam desvios com os raios luminosos correspondentes aos fios 
estadimétricos, e isso resulta em erros na leitura da régua graduada (mira). Outro 
detalhe que também influencia na precisão das leituras, é o estado de 
conservação da pintura da mira. A NBR 13.133 preconiza uma leitura mínima de 
0,500m. 
• Erro da graduação da mira: Os fabricantes asseguram grande precisão na 
graduação, no entanto, os erros de graduação têm reflexos diretos na precisão da 
leitura da régua e são erros sistemáticos. 
Na seleção de miras, podemos rejeitar àquelas que apresentarem erros 
superiores a 0,3mm. Para um bom trabalho não é aconselhável a utilização de 
miras repintadas. 
• Erro de inclinação da mira: quando a inclinação da mira é no plano perpendicular 
ao da linha de visada do operador, ele pode observá-la e corrigi-la. Porém, 
quando a mira está inclinada no sentido da linha de visada, o operador não 
percebe essa inclinação, ocasionando uma leitura equivocada, devemos fazer a 
utilização do nível cantoneira esférico para minimizar esse tipo de erro. 
Precisões e tolerâncias nos nivelamentos 
Os níveis são classificados segundo desvio-padrão de 1 km de duplo nivelamento, 
conforme a tabela. 
 
 
 
, 
 
 
55 
 
Tabela 5.1 – Classificação dos níveis 
 
Fonte: NBR13133-Execução de levantamento topográfico 
Conclusão 
Este bloco contemplou como é feito um memorial descritivo e todas as informações 
que devem conter nos programas, para que o memorial descritivo topográfico seja 
criado. Também foi estudado os tipos de nivelamentos topográficos que são realizados 
atualmente. 
REFERÊNCIAS 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13.133. Execução de 
Levantamento Topográfico. Rio de Janeiro, 1994. 
BORGES, A. de C. Topografia. São Paulo: Edgard Blucher, v.1.1977. p.187. 
DOMINGUES, F. Topografia e astronomia de posição para engenheiros e arquitetos. 
São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1979. 
ESPARTEL, L. Curso de topografia. 8 ed. Rio de Janeiro: Globo, 1982. p.580. 
 
 
, 
 
 
56 
 
 
6 GEORREFERENCIAMENTO E LOCAÇÃO TOPOGRÁFICA 
Apresentação 
Neste bloco iremos estudar sobre o georreferenciamento e sua importância, também 
será mostrado como é realizada a operação básica de um GPS GNSS para a coleta de 
dados em campo. Já na parte de locação topográfica, estudaremos o processo de 
locação de uma obra ou pontos de uma obra. Este método de locação, usado como 
exemplo, é feito com estação total, mas as locações também podem ser feitas através 
de outros equipamentos, desde os mais simples, como uma trena, até os mais 
tecnológicos possíveis como os RTKs e GPS. 
6.1 INTRODUÇÃO AO GEORREFERENCIAMENTO 
Primeiramente é preciso entender o significado de georreferenciamento, que é muito 
simples. O georreferenciamento é atribuir coordenadas reais aos vértices de um 
imóvel, no entanto, não podem ser quaisquer coordenadas, mas sim coordenadas 
apoiadas a um referencial geodésico. De forma que as coordenadas atribuídas aos 
vértices do imóvel georreferenciado permitam a identificação da localização deste 
imóvel em termos globais, ou seja, estas coordenadas não podem ser coordenadas 
arbitrárias (inventadas na hora do levantamento) e sim coordenadas obtidas através 
de equipamentos capazes de gerar coordenadas reais, que façam parte da rede 
geodésica referenciada. 
 
Fonte: Adenilson Giovanini. Via: Shutterstock 
Figura 6.1 – Desenho de Equipamento de Georreferenciamento e Satélites 
, 
 
 
57 
 
Qualquer pessoa do globo terrestre poderá encontrar este imóvel a partir das 
coordenadas geográficas dele, que serão únicas em todo o planeta. Atualmente, no 
Brasil, o referencial geodésico é o Sirgas 2000, ele foi implantado em 2005 e desde 
então é o único DATUM (referencial geodésico) apoiado pela lei. Qualquer trabalho de 
georreferenciamento que utilize outro referencial geodésico não estará de acordo com 
a lei brasileira. Mas, hoje em dia, encontramos facilmente programas e sites que fazem 
a transformação de coordenadas de um referencial geodésico para outro de forma 
simples. 
É preciso muita atenção em trabalhos com imóveis antigos, pois, provavelmente, eles 
estarão georreferenciados sob outro referencial geodésico, acarretando, assim, um 
deslocamento da localização geográfica do imóvel, principalmente no plano horizontal. 
Outro detalhe importante que encontramos nas descrições dos imóveis, é a utilização 
de coordenadas que estão em um plano de projeção, como, por exemplo, as projeções 
UTM, ou até as coordenadas de um plano topográfico local, mas existe, também, a 
possibilidade de que estas coordenadas sejam representadas por coordenadas 
geodésicas. 
A ideia é que ao invés de cada município utilizar seu próprio plano topográfico local, 
todos os imóveis, de todos os municípios do Brasil, utilizem uma única rede geodésica 
de coordenadas, facilitando todos os trabalhos de retificação e outros que envolvam 
documentos de registro em cartório. 
O georreferenciamento de imóveis é necessário para identificar perfeitamente os 
vértices de um imóvel, com alta qualidade de precisão. Com isso pode-se retornar a 
eles, com precisão, sempre que for necessário. Existem alguns imóveis registrados no 
passado, que possuem uma grande dificuldade para que seus vértices sejam 
recuperados, por estarem registrados sem coordenadas e descritos com referências 
absurdas que nem existem mais, por exemplo: “graus de azimute da árvore tal”, ou “ a 
tantos metros da cerca”. Informações que se perderam no tempo e dificilmente são 
recuperados com a mesma precisão. Outro motivo para se georreferenciar um imóvel 
é garantir a justaposição entre imóveis vizinhos, evitando assim a sobreposição e 
, 
 
 
58 
 
divergências de divisas. Este fato tem se repetido muitas vezes, principalmente, em 
loteamentos e condomínios, onde é comum que cada proprietário comece a construir 
em épocas diferentes e com isso, geralmente, o último a construir percebe que seu 
lote foi invadido alguns centímetros ou, em alguns casos, até metros. Nestes casos 
ocorrem muitas discussões judiciais, que poderiam ser evitadas com a prática do 
georreferenciamento de imóveis urbanos e rurais. Além disso, o georreferenciamento 
garante que a titulação das propriedades reflita a posse efetiva da propriedade. Não 
obstante, um problema que seria também evitado com o georreferenciamento é a 
grilagem de terras. 
Em todos os georreferenciamentos brasileiros os vértices têm suas coordenadas 
referenciadas no SGB (sistema geodésico brasileiro), com Sirgas 2000, contendo as 
informações de latitudes, longitudes e altitudes. 
6.2 OPERAÇÃO COM O GPS GEODÉSICO GNSS 
O Sistema de Posicionamento Global (GPS) é um sistemade navegação baseado em 
sinais de satélite, composto de lançamentos realizados. A “constelação” do sistema 
russo Glonass, agora, possui 28 satélites, sendo 24 operacionais. Já o GPS conta com 
32 veículos em órbita, com 30 operacionais. Por sua vez, o sistema europeu Galileo 
chegou a 8 satélites, com 4 operacionais e o chinês Beidou já possui 17, sendo 16 
operacionais. 
 
Fonte: Oselote Via: Shutterstock 
Figura 6.2 – Representações de órbitas dos satélites 
, 
 
 
59 
 
O GPS trabalha em qualquer condição de tempo, em qualquer lugar no mundo, 24 
horas por dia e sem cobrança de nenhuma taxa para o uso de seu sinal. Projetado 
inicialmente para fins militares, logo o sistema tornou-se disponível para uso civil em 
aviação, levantamentos marítimos e para o mercado geral de recreação ao ar livre. A 
antena do receptor GPS é o elemento responsável pela detecção das ondas 
eletromagnéticas vindas dos satélites, podendo ser considerada um sensor que traduz 
o sinal do satélite incidente em informações de amplitude e fase. 
A antena GPS converte a energia da onda em corrente elétrica, amplifica a força do 
sinal e disponibiliza os sinais ao processador do receptor. A antena GPS pode ser 
definida como uma estrutura associada com a região de transmissão entre uma onda 
guiada e uma onda de livre espaço ou vice-versa. Em transmissão, uma antena recebe 
energia de uma linha de transmissão e a irradia no espaço; em recepção, ela coleta 
energia de uma onda incidente e a incorpora em uma linha de transmissão. 
6.2.1 INSTRUÇÃO DE OPERAÇÃO DO GPS PROMARK 500 
Para todo serviço é necessário medir a altura do equipamento, então, veja a seguir 
onde deve ser feita esta medição no aparelho. 
1. Indicação do local para medição da altura vertical do Equipamento; 
 
Fonte: o autor 
Figura 6.3 – Medição de Altura 
, 
 
 
60 
 
2. Agora veremos a seguir instruções de operação do GPS Promark 500; 
 
Fonte: o autor 
Figura 6.4 – Botões do equipamento 
3. Pressionando por 3 segundos ele dá início à Coleta de dados (Coordenadas 
UTM). Pressionando por 3 segundos novamente ele encerra a Coleta de dados 
(Coordenadas UTM). 
Operadores no Display do equipamento 
, 
 
 
61 
 
 
Fonte: o autor 
Figura 6.5 – Display do equipamento 
1 - Sinal de Satélite ativo Operadores no Display do equipamento. 
2 - Números de satélites monitorados. 
3 - Posição Fixa de coleta de dados dos satélites. 
4 - Números de Satélites usados no rastreamento. 
5 - Indicação de correção recebida. 
6 - Tempo das correções em segundo. 
7 - ícone de registro de dados Brutos. Piscando: coletando dados. Sem piscar: não 
coletando dados. 
8 - Porcentagem da memória livre do equipamento. 
9 e 10 - Indicação de bateria interna. 
11 - Indicação de Alarme. 
12 - Status de sinal GSM. 
13 - Status de conexão USB. 
O trabalho em campo de obtenção de dados com GPS geodésico GNSS se divide em 
dois grupos: 
• Posicionamento absoluto; 
, 
 
 
62 
 
• Posicionamento relativo. 
Estes dois grupos podem ser facilmente diferenciados pelas seguintes características: o 
posicionamento absoluto é caracterizado pela utilização de um único receptor de 
sinal; enquanto o posicionamento relativo utiliza dois ou mais receptores, de tal 
maneira, que um receptor fica estacionado em um local de coordenadas conhecidas 
(base), e os demais receptores são utilizados para rastrear novas posições da área que 
se deseja levantar. 
O trabalho de campo com um par de GPS GNSS (Global Navigation Satellite System) é 
feito da seguinte forma: 
O equipamento é dividido em duas partes, ele apresenta a base que é o equipamento 
estacionado (fixo) e o rover que é a parte do equipamento móvel (levantando os 
pontos) que é levado até os pontos a serem levantados, como mostra a figura a seguir: 
 
Fonte: o autor 
Figura 6.6 – Equipamento de GNSS 
, 
 
 
63 
 
O GPS GNSS capta o sinal de órbitas de satélites ou constelações de satélites, por isso a 
necessidade de realizar os levantamentos em áreas limpas e sem árvores ou prédios 
que possam atrapalhar a coleta dos sinais vindos de satélites. 
 
Fonte: Adenilson Giovanini. Via: Shutterstock 
Figura 6.7 – Sinais Captados de satélites 
Em locais onde existem árvores e prédios os sinais dos satélites são refletidos e não 
são coletados (masked) estes dados. 
 
Fonte: o autor 
Figura 6.8 – Sinais de Satélites e obstáculos 
, 
 
 
64 
 
6.3 LOCAÇÃO TOPOGRÁFICA 
A locação de obra é o processo de demarcação no terreno das posições dos principais 
elementos da construção. É indicado começar pela fundação e alguns elementos 
estruturais intermediários, porém, sempre seguindo as orientações de projeto. É 
importante dizer que neste estudo iremos focar na locação feita com uma estação 
total. 
A locação de uma obra, ou apenas de alguns pontos da obra, é feita após a área 
escolhida ter sido levantada, ou seja, as informações do levantamento topográfico já 
foram levadas ao escritório, tratadas e inseridas novamente na estação total, pois feito 
isso a estação total é que irá orientar o local exato no campo, onde será localizado o 
ponto desejado. Essa locação pode ser feita através de coordenadas reais ou 
simplesmente através de coordenadas arbitrárias quaisquer. 
Toda locação precisa de uma reta (poligonal) de referência em campo, para que a 
estação total inicie a localização dos pontos em campo, a partir desta reta 
referenciada. Essa reta de referência pode ser chamada de poligonal aberta, pois ela só 
precisa conter dois pontos, um onde estará a estação (estação ocupada) e outro ponto 
que será a ré, para orientar a estação total. 
Com as coordenadas gravadas na memória da estação total é preciso ir com o prisma 
até o local indicado no visor da estação total. Na locação é o equipamento, estação 
total, que irá indicar a posição exata de onde se deve marcar o ponto, por exemplo, 
onde terá uma estaca de fundação da obra. A leitura do ponto exato é feita com o 
prisma, como fazíamos na hora do levantamento, portanto, a estação vai orientando, 
através do visor, a quantos metros está o prisma do local correto a ser marcado no 
terreno. 
Um detalhe importante é que a estação total não reconhece quais são as coordenadas 
(que já estão gravadas em sua memória) utilizadas como referências para a locação, ou 
seja, você precisa buscar na estação total essas coordenadas (que são salvas com um 
nome específico para cada obra), e orientar a estação total que elas serão usadas 
como referência para a locação. 
, 
 
 
65 
 
Veja a seguir algumas abreviações, que aparecem no visor da maioria dos modelos das 
estações totais, e seus significados. 
A figura abaixo mostra a tela inicial de um equipamento estação total da marca Ruide. 
 
Fonte: o autor 
Figura 6.9 – Tela de uma estação total da marca Ruide 
As principais siglas e seus significados: 
• AH = ângulo horizontal. 
• AV = ângulo vertical. 
• DH = distância horizontal. 
• PT = nome do ponto. 
• AP = altura do prisma. 
• DI = distância inclinada. 
• AI = altura do instrumento. 
• AZ = ângulo azimute. 
• CD = descrição do ponto. 
 
, 
 
 
66 
 
Conclusão 
Nesse último bloco estudamos os processos de georreferenciamento e sua 
importância para o registro e localização dos imóveis. Além disso, também estudamos 
o processo de locação topográfica, que é a implantação do projeto na área 
previamente levantada. 
REFERÊNCIAS 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13.133. Execução de 
Levantamento Topográfico. Rio de Janeiro, 1994. 
DOMINGUES, F. A. A. Topografia e astronomia de posição para engenheiros e 
arquitetos. Editora McGraw-Hill do Brasil, 1979, São Paulo – SP, p. 403.

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