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TOPOGRAFIA APLICADA À ARQUITETURA E URBANISMO Nilton Romero , 2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO À TOPOGRAFIA ................................................................. 3 2 ELEMENTOS DA TOPOGRAFIA ............................................................... 13 3 ORIENTAÇÃO ......................................................................................... 24 4 ESTUDO DE CAMPO ............................................................................... 35 5 MEMORIAL DESCRITIVO E NIVELAMENTO ............................................. 45 6 GEORREFERENCIAMENTO E LOCAÇÃO TOPOGRÁFICA .......................... 56 , 3 1 INTRODUÇÃO À TOPOGRAFIA Apresentação Neste início de estudo sobre a topografia, você vai entender o que é esta ciência que descreve a superfície e seus elementos, e a importância dela na arquitetura. Compreenderá, também, a diferença entre a topografia e a geodésia, assim como as principais grandezas medidas em um levantamento topográfico. Além de conseguir interpretar e relacionar a escala de um projeto com o seu tamanho real. Também ficará compreensível a diferença entre levantamento topográfico e a locação de um projeto. 1.1 CONCEITO A topografia é a ciência que estuda uma porção limitada da superfície terrestre. Sua definição deriva das palavras gregas "TOPOS" (lugar) e "GRAPHEN" (descrever), o que significa a descrição exata e minuciosa de um lugar. (DOMINGUES, 1979) Ela tem por finalidade determinar o contorno, dimensão e posição relativa de uma porção limitada da superfície terrestre, do fundo dos mares ou do interior de minas, desconsiderando a curvatura resultante da esfericidade da Terra. Compete ainda à topografia, a locação no terreno de projetos elaborados de engenharia. (DOMINGUES, 1979). Domingues (1979) citou a engenharia, mas os projetos arquitetônicos precisam caminhar em consonância à topografia, pois só assim é possível executar um projeto arquitetônico com perfeição. , 4 Fonte: DifferR. Via: Shutterstock Figura 1.1 – Destaque de um local delimitado por coordenadas A topografia é a base para qualquer projeto, estudo ou obra realizada por arquitetos. Pode ser aplicada nos trabalhos de obras viárias, núcleos habitacionais, edifícios, aeroportos, hidrografia, usinas hidrelétricas, telecomunicações, sistemas de água e esgoto, planejamento, urbanismo, paisagismo etc. Fonte: ClassicVector. Via: Shutterstock Figura 1.2 – Canteiro de obras com o topógrafo Todo projeto arquitetônico que tem como base o solo, deve começar com o estudo topográfico desta superfície, ou seja, começar pelo levantamento topográfico. O , 5 levantamento topográfico mostra detalhes minuciosos do terreno e seus elementos, o que é fundamental para qualquer etapa do projeto – desde o início até a sua execução. A topografia não pode ser confundida com a geodésia, pois apesar de serem usados os mesmos equipamentos e, praticamente, os mesmos métodos para o mapeamento da superfície terrestre, elas são coisas diferentes. Enquanto a topografia tem por finalidade mapear uma pequena porção de uma superfície (área de raio até 30km) – a NBR 13.133 admite um plano de até 80km –; a geodésia tem por finalidade mapear grandes porções desta mesma superfície, levando em consideração as deformações devido à sua esfericidade. Portanto, pode-se afirmar que a topografia, menos complexa e restrita, é apenas um capítulo da geodésia, ciência muito mais abrangente. De acordo com a NBR 13.133/1994, p.3, o levantamento topográfico pode ser representado pelo levantamento expedito, que explora o terreno com a finalidade de seu reconhecimento simples, sem prevalecer os critérios de exatidão. É uma forma rápida e econômica de se iniciar um estudo sobre o terreno. Pode ser representado, também, pelo levantamento topográfico planimétrico, que é o conjunto de operações para a determinação de pontos e feições do terreno que serão projetados sobre um plano horizontal de referência, através de suas coordenadas X e Y (representação bidimensional). Levantamento topográfico planimétrico (ou levantamento planimétrico, ou levantamento perimétrico). Levantamento dos limites e confrontações de uma propriedade, pela determinação do seu perímetro, incluindo, quando houver, o alinhamento da via ou logradouro com o qual faça frente, bem como a sua orientação e a sua amarração a pontos materializados no terreno de uma rede de referência cadastral, ou, no caso de sua inexistência, a pontos notáveis e estáveis nas suas imediações. (NBR 13.133/1994, p. 3) , 6 Fonte: Bardocz Peter. Via: Shutterstock Figura 1.3 – Planta de uma casa O levantamento topográfico altimétrico compreende o conjunto de operações necessárias para a determinação de pontos e feições do terreno que, além de serem projetados sobre um plano horizontal de referência, terão sua representação em relação a um plano de referência vertical ou de nível, através de suas coordenadas X, Y e Z (representação tridimensional). Levantamento topográfico altimétrico (ou nivelamento). Levantamento que objetiva, exclusivamente, a determinação das alturas relativas a uma superfície de referência, dos pontos de apoio e/ou dos pontos de detalhes, pressupondo-se o conhecimento de suas posições planimétricas, visando à representação altimétrica da superfície levantada. (NBR 13.133/1994, p. 3) Ao conjunto de métodos abrangidos pela planimetria e pela altimetria dá-se o nome de topometria, mais conhecida como planialtimetria. Este é o tipo de projeto que engloba plantas e cortes (perfis), isto é, um projeto completo. É o projeto topográfico mais indicado para a elaboração de um projeto arquitetônico, com o melhor aproveitamento do espaço superficial topográfico. , 7 Fonte: Fonte: Svjatoslav Andreichyn. Via: Shutterstock Figura 1.4 – Exemplo de projeto planialtimétrico Fonte: Korisbo. Via: Shutterstock Figura 1.5 – Figura mostrando a otimização do terreno 1.2 GRANDEZAS MEDIDAS EM UM LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO Como já foi visto anteriormente, em um levantamento topográfico temos medidas X, Y e Z, ou seja, as grandezas medidas podem ser de dois tipos: angulares e lineares. Grandezas angulares são os ângulos Horizontais (Hz) que são medidos entre as projeções de dois alinhamentos do terreno, no plano horizontal; e ângulo Vertical que , 8 é medido entre um alinhamento do terreno e o plano do horizonte. Pode ser ascendente (+) ou descendente (-), conforme se encontre acima (aclive) ou abaixo (declive) deste plano. Grandezas lineares são as distâncias Horizontais (DH). Distâncias medidas entre dois pontos, no plano horizontal. Distância vertical ou diferença de nível (DV ou DN) é a distância medida entre dois pontos, num plano vertical, que é perpendicular ao plano horizontal. Este plano vertical pode passar por qualquer um dos pontos já mencionados. Distância inclinada (DI) é a distância medida entre dois pontos, em planos que seguem a inclinação da superfície do terreno. É importante relembrar que as grandezas representadas pela planimetria são distância horizontal e ângulos horizontais (planta), enquanto as grandezas representadas pela altimetria são distância vertical e ângulos verticais, representados em planta através das curvas de nível, ou, através de um perfil. Na topografia, além dessas duas grandezas, temos também a grandeza que representa o volume, que será tratada mais à frente. Alguns exemplos de medidas são: • metros (m): para medir distâncias ou tamanhos; • metros quadrados (m2): para medir áreas; • metros cúbicos (m3): para medir volumes. As grandezas medidas em um levantamento topográfico também envolvem coordenadas que podem ser dadas em graus (coordenadas geográficas) ou em metros (coordenadas UTM). Essas grandezas,as coordenadas, servem para determinar a localização da área ou objeto de estudo. , 9 Fonte: adp. de Siberian Art. Via: Shutterstock Figura 1.6 – Globo com seus Meridianos e Paralelos 1.3 ERROS EM TOPOGRAFIA Por melhores que sejam os equipamentos utilizados em um projeto topográfico e por mais cuidadosas que sejam as pessoas que irão proceder um levantamento topográfico, as medidas obtidas jamais estarão isentas à imprecisão. Assim, os erros pertinentes às medições topográficas podem ser classificados como: a. Naturais: são aqueles ocasionados por fatores ambientais, ou seja, temperatura, vento, refração e pressão atmosféricas, ação da gravidade etc. Alguns destes erros são classificados como erros sistemáticos e dificilmente podem ser evitados. São passíveis de correção, desde que sejam tomadas as devidas precauções durante a medição. b. Instrumentais: são aqueles ocasionados por defeitos ou imperfeições dos instrumentos ou aparelhos utilizados nas medições. Alguns destes erros são classificados como erros acidentais e ocorrem ocasionalmente, podendo ser evitados e/ou corrigidos com a aferição e calibragem constante dos aparelhos. , 10 c. Pessoais: são aqueles ocasionados pela falta de cuidado do operador. Os mais comuns são: erro na leitura dos ângulos, erro na leitura da régua graduada, na contagem do número de trenadas, ponto visado errado, aparelho fora de prumo, aparelho fora de nível etc. São classificados como erros grosseiros e não devem ocorrer jamais, pois não são passíveis de correção. É importante ressaltar que alguns erros se anulam durante a medição ou durante o processo de cálculo. Portanto, um levantamento que, aparentemente, não apresenta erros, não significa que está totalmente correto, sem nenhum erro, apenas significa que este é um levantamento que seus erros estão dentro dos padrões permitidos nas normas. 1.3.1 PRECISÃO E ACURÁCIA A precisão está ligada a repetibilidade de medidas sucessivas feitas em condições semelhantes, estando vinculada somente a efeitos aleatórios. A acurácia (exatidão) expressa o grau de aderência das observações em relação ao seu valor verdadeiro, estando vinculada à efeitos aleatórios e sistemáticos. A figura ilustra estes conceitos: Fonte: adp. de Chemistrygod. Via: Shutterstock Figura 1.7 – Destaque de um local delimitado por coordenadas Não temos como listar todos os erros que podem ocorrer em um levantamento topográfico, apenas lembramos em destaque dos erros mais comuns. Alguns erros são cometidos na hora da elaboração do projeto, em escritório; outros em campo, no , 11 levantamento ou na hora da locação da obra; ainda existem outros que são cometidos na execução do projeto. Por isso é tão complexo estudar os erros em topografia. Aproveitando, vamos esclarecer quais são as etapas de um projeto topográfico completo: 1. Levantamento topográfico (feito em campo); 2. Elaboração do projeto (feito no escritório); 3. Locação do projeto (feito em campo). 1.3.2 ESCALA Escala é a relação entre o tamanho real de um elemento/objeto e seu desenho no papel, isto é, podemos representar em apenas alguns centímetros quadrados um terreno com 200 metros quadrados. Em uma escala de 1/100 (podemos escrever também 1:100), qualquer objeto que tenha 1 cm no papel (desenho), apresenta 100 cm (ou 1m) na realidade. Outro exemplo pode ser dado com a escala de 1/1000, qualquer objeto que tenha 1 cm no papel, apresenta 1000 cm na realidade. A escala pode ser apresentada sob a forma de: • fração: 1/100, 1/2000 etc; • proporção: 1:100, 1:2000 etc. A escala sempre está relacionada com grandezas de mesma unidade, por isso ela é considerada grandeza adimensional, ou seja, representada apenas por números. Segundo Domingues (1979), a escala gráfica fornece, rapidamente e sem cálculos, o valor real das medidas executadas sobre um desenho, mesmo que esse tenha sofrido uma redução ou ampliação. É importante perceber que, dependendo da escala, a denominação da representação é substituída para planta, carta ou mapa. Veja a tabela a seguir: , 12 Tabela 1.1 – Denominação das escalas APLICAÇÃO ESCALA Plantas de pequenos lotes 1:100 Cartas de municípios 1:50.000 Mapas de estados 1:200.000 podendo chegar até 1:10.000.000 Conclusão Nesse bloco foi feita a introdução ao estudo da topografia, explicando o seu significado e mostrando suas aplicações nos projetos arquitetônicos. Também foi mostrado a NBR que regulamenta os serviços de topografia, as aplicações de escala e as etapas de um projeto completo de topografia. REFERÊNCIAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13.133. Execução de Levantamento Topográfico. Rio de Janeiro, 1994. DOMINGUES, F. A. A. - Topografia e astronomia de posição para engenheiros e arquitetos. Editora McGraw-Hill do Brasil, 1979, São Paulo/SP, 403p. , 13 2 ELEMENTOS DA TOPOGRAFIA Apresentação Neste bloco de estudo você vai entender o que é um sistema de referência, a importância destas referências e quais são as diferenças entre elas. Como já estamos avançando no estudo da topografia precisamos entender melhor como os sistemas de coordenadas nos auxilia na hora de locar um projeto arquitetônico. Por isso, a importância de conhecermos os tipos de coordenadas que são referenciadas, através das superfícies de referências e do DATUM usado em todo o território brasileiro. Ainda neste bloco, serão apresentados os equipamentos, teodolito, nível e estação total, e acessórios como tripé, prisma e mira, para medidas de distâncias e para a execução dos levantamentos topográficos em geral. 2.1 SUPERFÍCIES DE REFERÊNCIA Quando vamos trabalhar com topografia (principalmente quando se trata de coordenadas reais, coordenadas geográficas ou coordenadas UTM) a nossa superfície de referência não é a superfície onde estamos com os nossos pés, pois os aparelhos usados utilizam informações geocêntricas ou projeções de retas que sairiam do núcleo da Terra. As superfícies de referência podem ser estudadas com as seguintes classificações: • Superfície terreno: é o modelo real da Terra, ele não dispõe de definições matemáticas adequadas a sua superfície topográfica. • Superfície geoidal: é uma superfície fictícia, formada pelo nível médio dos mares, prolongada pelos continentes, em uma superfície irregular, equipotencial (aceleração da gravidade – g – é igual a todos os pontos). • Superfície elipsoidal: com deformações relativamente maiores que a Geoidal, é a mais usual entre os modelos anteriores, em função de existir um modelo matemático. , 14 Fonte: adp. de Adenilson Giovanini. Via: Shutterstock Figura 2.1 – As três superfícies consideradas na topografia Veja a seguir como é evidente a diferença entre as superfícies de referência que utilizamos para minimizar os erros de localização no globo. • Vertical: Reta que passa por um ponto do espaço e é perpendicular ao geóide. É a direção fornecida pelo fio de prumo. • Normal: Reta que passa por um ponto do espaço e é perpendicular ao elipsoide. Para conversão de altitudes geométricas em ortométricas e vice- versa, é necessário obter a ondulação Geoidal Local (diferença entre as duas medidas). , 15 Fonte: o autor Figura 2.2 – Diferença entre a vertical e a normal Observe como é possível fazer a conversão de uma altitude em outra utilizando apenas uma fórmula simples. Para converter a altitude elipsoidal ou geométrica (h), obtida através de receptores GNSS, em altitude ortométrica (H), é necessário utilizar o valor da altura geoidal (N), fornecida por um modelo de ondulação geoidal, utilizando a seguinte Fórmula: 𝑯 = 𝒉 − 𝑵 Lembrando que mesmo estando com o aparelho na superfície terrestre o sinal utilizado para referenciar a nossa localização na superfícienão vem desta própria superfície, mas sim do modelo geoidal ou elipsoidal. Hoje em dia os trabalhos geodésicos e topográficos passaram a ser realizados de forma mais rápida, precisa e econômica, devido a evolução das técnicas e da tecnologia dos aparelhos. À medida que as técnicas de posicionamento evoluem as informações se tornam mais rápidas e precisas. A RBMC (Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo dos Sistemas GNSS) são estações materializadas através de pinos de centragem forçada e cravados em pilares estáveis. A maioria dos receptores da rede possui a capacidade de rastrear satélites GPS e GLONASS. São distribuídas pelo Brasil com 112 estações atualmente. , 16 Uma outra referência muito importante é o DATUM, um sistema de referência utilizado para o cálculo ou correlação dos resultados de um levantamento topográfico. Na verdade, existem dois tipos de DATUM: o horizontal e o vertical. O DATUM horizontal é utilizado no referenciamento das posições tomadas sobre a superfície terrestre. Ele é definido pelas coordenadas geográficas de um ponto inicial, pela direção da linha entre este ponto inicial e um segundo ponto especificado, e pelas duas dimensões (a e b), que são os responsáveis por definir o elipsóide que é utilizado, para representação da superfície terrestre. O DATUM vertical, por sua vez, é uma superfície de nível utilizada no referenciamento das altitudes tomadas sobre a superfície terrestre nos levantamentos topográficos. No país o ponto de referência para o DATUM vertical é o Marégrafo de Imbituba, em Santa Catarina. Entre 25 de fevereiro de 2005 e 25 de fevereiro de 2015, admitia-se o uso, além do SIRGAS2000, dos referenciais obtidos pelo SAD 69 (South American Datum 1969), porém, para ter o seu trabalho amparado pela lei, este precisa ser feito com o SIRGAS2000, que desde 25 de fevereiro de 2015, é o único sistema geodésico de referência oficialmente adotado no Brasil. A diferença entre o SAD69 e o SIRGAS2000 é que eles são sistemas de concepção diferentes. Enquanto a definição/orientação do SAD69 é topocêntrica, ou seja, o ponto de origem e orientação está na superfície terrestre, a definição/orientação do SIRGAS2000 é geocêntrica. Isso significa que esse sistema adota um referencial de um ponto calculado computacionalmente no centro da terra (geóide). Esta característica torna o SIRGAS2000 um sistema com maior precisão. Pode acontecer, no exercício da profissão de arquiteto, a necessidade de conversão dos DATUM, isto é, quando uma planta tem como referência um DATUM SAD69 e precisamos mudar para o DATUM SIRGAS2000, pois há um deslocamento horizontal entre os dois DATUM, para isso temos a calculadora geográfica que é disponibilizada pelo INPE e a maioria dos softwares já fazem esta conversão. , 17 2.2 MEDIDAS DE DISTÂNCIAS Como já foi visto, a distância horizontal (DH) entre dois pontos, em topografia, é o comprimento do segmento de reta entre esses pontos, projetado sobre um plano horizontal. Para a obtenção desta distância, existem alguns processos, que veremos a seguir. Medida indireta de distância A distância é medida de maneira indireta, quando no campo são observadas com equipamentos e acessórios que, através de modelos matemáticos conhecidos, realizamos alguns cálculos sobre as medidas coletadas em campo, assim se obtêm indiretamente o valor da distância. Medida direta de distância A medida de distância é direta quando o instrumento de medida utilizado é aplicado diretamente sobre o terreno, por exemplo, uma trena, que precisa ser esticada sobre o terreno. Veja a seguir alguns acessórios utilizados para medir distâncias: a. Fita e trena de aço que são feitas de uma lâmina de aço inoxidável. O comprimento das utilizadas em levantamentos topográficos é de 30, 60, 100 e 150 metros. O comprimento das de bolso varia de 1 a 7,50 metros, porém as de 5 metros são as mais utilizadas. Elas são leves e indeformáveis e proporcionam medidas confiáveis, no entanto, as de fabricação antiga enferrujam com facilidade e tem-se o risco de choques elétricos. , 18 Fonte: Leonardo Juliano. Via: Shutterstock Figura 2.3 – Trena de aço b. A trena de lona é graduada em metros, centímetros e milímetros e apresenta indicação dos decímetros; não é um dispositivo preciso pois deforma com a temperatura, tensão e umidade. Fonte: Noicherrybeans. Via: Shutterstock Figura 2.4 – Trena de lona , 19 c. A trena de fibra de vidro tem o formato de uma cruzeta; elas sempre apresentam manoplas nas suas extremidades; não se deteriora facilmente e é resistente à umidade e à produtos químicos. Fonte: Natatravel. Via: Shutterstock Figura 2.5 – Mostra a Trena de fibra de vidro Veja agora alguns dos principais acessórios para medidas de distâncias. d. Os piquetes são feitos de madeira, com a superfície no topo plana e seu comprimento varia de 15 a 30cm. Sua principal função é a materialização de um ponto topográfico no terreno. e. As estacas são utilizadas como testemunhas da posição do piquete, elas são cravadas próximas ao piquete cerca de 30 a 50cm. Seu comprimento varia de 15 a 40cm. 2.3 EQUIPAMENTOS DE TOPOGRAFIA • Teodolito: Instrumento destinado a medir ângulos horizontais e verticais. Podem ser mecânicos ou eletrônicos com o visor digital. Para a utilização deste tipo de equipamento é necessária uma caderneta de campo, onde são feitas as anotações, pois este equipamento não apresenta memória para registrar as informações coletadas em campo. , 20 Fonte: Ibenk_88. Via: Shutterstock Figura 2.6 – Teodolito Eletrônico Este tipo de equipamento é pouco usado, pois ele foi substituído pela estação total. • Estação Total: a modernização fez com que o teodolito eletrônico e o distanciômetro evoluisse para um único instrumento, em que pode ser medido ângulos horizontais, verticais e distâncias, além disso, consegue armazenar os dados coletados durante o levantamento e também executa alguns cálculos no campo com programas na memória interna. Fonte: Olha Kabakova. Via: Shutterstock Figura 2.7 – Estação Total , 21 No entanto para a execução de um levantamento topográfico com uma estação total é necessário o conjunto completo para a operação do equipamento. Este conjunto apresenta: • Tripé: onde é apoiada a estação total; Fonte: Ball Lunla. Via: Shutterstock Figura 2.8 – Tripé apoiando uma Estação Total • Prisma: instrumento destinado para reflexão de sinal emitido por uma estação total; Fonte: Andrej Kochkin. Via: Shutterstock Figura 2.9 – Prisma , 22 O conjunto completo para o prisma é formado juntamente com o bastão do prisma, onde ele é apoiado e pode ser elevado (até 6m) para facilitar a leitura pela estação total. Fonte: Emotions Studio. Via: Shutterstock Figura 2.10 – Conjunto de bastão e Prisma • Nível: Instrumento destinado a orientação do plano horizontal de referência, para calcular os desníveis entre pontos. Podem ser automáticos, eletrônicos ou digitais. Este aparelho não apresenta o movimento vertical da luneta. Fonte: ASP-Media. Via: Shutterstock Figura 2.11 – Nível em um tripé , 23 O seu conjunto fica completo com a mira, que pode ser igualada a uma régua graduada de uma forma que facilita a leitura de grandes distâncias. Fonte: Krisskorn. Via: Shutterstock Figura 2.12 – Mostra o conjunto: Nível, Tripé e Mira Conclusão Nesse bloco estudamos as superfícies de referência e suas influências nos levantamentos topográficos, devido aos DATUM utilizados, pois há um deslocamento horizontal de um DATUM par outro. Também foi estudado e apresentado os equipamentos e acessórios necessários para a realização dos serviços topográficos. REFERÊNCIAS DOMINGUES, F. A. A. Topografia e astronomia de posição para engenheiros e arquitetos.Editora McGraw-Hill do Brasil, 1979, São Paulo – SP. , 24 3 ORIENTAÇÃO Apresentação Neste bloco você vai estudar sobre as referências e orientações necessárias e extremamente importantes para um levantamento topográfico. Aqui, começamos a introduzir as técnicas necessárias para executarmos um trabalho de topografia em campo. Todas as informações presentes neste bloco são direcionadas para um levantamento topográfico realizado com qualquer tipo de estação total, pois a linguagem e os métodos podem diferir quando se utiliza outro tipo de equipamento de topografia. Além disso, os termos usados neste material estão todos de acordo com a NBR, portanto, não são termos regionalizados ou usuais que podem mudar a qualquer instante, são termos técnicos. 3.1 NORTE MAGNÉTICO E GEOGRÁFICO Atualmente, a topografia não está mais com sua orientação totalmente baseada em bússolas, pois os equipamentos e softwares utilizados hoje em dia nos proporciona uma orientação do “Norte” muito mais precisa e aferida do que se fossemos nos orientar com uma simples bússola. Algumas teses mostram que o globo terrestre pode ser considerado um imã, pois ocorre circulação da corrente elétrica em seu núcleo. E essas correntes elétricas em seu núcleo criam um campo magnético ao redor do globo, esse último tem a forma aproximada do campo magnético ao redor de um imã de barra simples. Esse campo magnético exerce uma força de atração sobre a agulha da bússola, fazendo com que ela entre em movimento e se estabilize quando sua ponta imantada estiver apontando para o Norte magnético. Na cartografia existem três tipos de Norte, porém nosso estudo vai se limitar a explicar a diferença entre os dois mais utilizados na topografia, que são: • Norte Geográfico: é o norte indicado por todo meridiano geográfico, isto é, todo meridiano que vai na direção da rotação da Globo; , 25 • Norte Magnético: é a direção indicada pelo polo magnético, mostrado na agulha imantada de uma bússola. O Norte da Quadrícula, que é o terceiro Norte, não será estudado neste momento. Para ficar bem claro a diferença entre os dois Nortes, geográfico (verdadeiro) e magnético, veja a figura a seguir: Fonte: adp. de SIberian Art. Via: Shutterstock Figura 3.1 – Nortes geográfico (verdadeiro) e magnético e o campo magnético do Globo O eixo magnético da Terra indica a direção do Norte magnético, enquanto o eixo imaginário central de rotação da Terra (que acompanha sua inclinação) indica a direção do Norte geográfico ou Norte verdadeiro da Terra. Na figura a seguir ficará mais explícita esta diferença, pois a direção Norte-Sul geográfica está mostrada em uma linha contínua, enquanto e a direção Norte-Sul magnética está representada por uma linha tracejada. , 26 Fonte: adp. de OSweetNature. Via: Shutterstock Figura 3.2 – Diferença entre as direções Nortes geográfico e magnético Na maior parte do Globo terrestre a direção Norte geográfico e Norte magnético não se coincidem, exceto alguns pontos específicos e em determinadas épocas do ano. A esta diferença na direção Norte geográfico e Norte magnético atribuímos o nome de declinação magnética, ou seja, a declinação magnética é o ângulo formado entre o meridiano verdadeiro e o meridiano magnético. Esta declinação magnética varia de acordo com a época do ano e também de um ano para o outro. Veja na figura a seguir: , 27 Fonte: adp. de Peter Hermes Furian. Via: Shutterstock Figura 3.3 – Variação anual das direções do Norte magnético 3.2 AZIMUTES E RUMOS Azimute de uma direção é o ângulo formado entre a meridiana de origem que contém os Polos, magnéticos ou geográficos, e a direção considerada. É medido a partir do Norte, no sentido horário e varia de 0º a 360º (figura). , 28 Fonte: Adenilson Giovanni. Via: Shutterstock Figura 3.4 – Ângulos azimutes Rumo é o menor ângulo formado pela meridiana que materializa o alinhamento Norte Sul e a direção considerada. Varia de 0º a 90º, sendo contado do Norte ou do Sul por leste e oeste, conforme mostra a figura a seguir Fonte: o autor Figura 3.5 – Quadrantes e Rumos Este sistema expressa o ângulo em função do quadrante em que se encontra. Além do valor numérico do ângulo acrescenta-se uma sigla (NE, SE, SW, NW), cuja primeira letra indica a origem a partir do qual se realiza a contagem e a segunda indica a , 29 direção do giro ou quadrante. Independente da orientação do sistema (geográfico ou magnético) a forma de contagem do Azimute e do Rumo, bem como a conversão entre os mesmos, ocorrem da mesma forma. Sempre que possível é recomendável a transformação dos rumos em azimutes, tendo em vista a praticidade nos cálculos de coordenadas, e também para a orientação de estruturas em campo. Para entender melhor o processo de transformação, observe a tabela a seguir Tabela 3.1 – Processo de transformação dos rumos em azimute Quadrante Azimute → Rumo Rumo → Azimute 1º 𝑹 = 𝑨𝒛 (𝑵𝑬) 𝑨𝒛 = 𝑹 2º 𝑹 = 𝟏𝟖𝟎° − 𝑨𝒛 (𝑺𝑬) 𝑨𝒛 = 𝟏𝟖𝟎° − 𝑹 3º 𝑹 = 𝑨𝒛 − 𝟏𝟖𝟎° (𝑺𝑾) 𝑨𝒛 = 𝑹 + 𝟏𝟖𝟎° 4º 𝑹 = 𝟑𝟔𝟎° − 𝑨𝒛 (𝑵𝑾) 𝑨𝒛 = 𝟑𝟔𝟎° − 𝑹 Em um levantamento topográfico usamos, na prática, o azimute como referência para a coleta de pontos, principalmente quando utilizamos o equipamento estação total para fazer o levantamento. No entanto, o azimute não necessariamente, no dia a dia da prática, parte do norte, ele pode ser fixado (zerado) em um ponto permanente da área (sempre fixar em um elemento da superfície que não será retirado facilmente do local, como por exemplo: uma árvore pode ser “facilmente” cortada ou arrancada com o vento, então, uma árvore, não é um ponto indicado para se fixar um azimute) que será utilizado como referência em um futuro levantamento da mesma área. 3.3 LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO Qualquer levantamento topográfico, para qualquer finalidade, é realizado a partir de uma referência em campo. Esta referência pode ou não ser um marco referenciado e registrado pelo IBGE, INCRA ou qualquer outro órgão regulamentador. Somente para serviços de georreferenciamento (que exige coordenadas e cotas verdadeiras) que , 30 esses marcos precisam, necessariamente, serem regulamentados e referenciados pelos órgãos competentes. Em um trabalho de levantamento topográfico, são determinados pontos de apoio ao levantamento e, a partir destes pontos de apoio é que são feitos os levantamentos dos demais pontos, fazendo com que a área levantada seja representada em um projeto. De acordo com a NBR 13133 (ABNT, 1994), que é o documento em que regulamenta e normatiza todos os levantamentos topográfico do Brasil, os pontos de apoio topográficos são convenientemente distribuídos de forma que amarram ao terreno o levantamento topográfico, e devem ser materializados por estacas, piquetes, marcos de concreto, pinos de metal, tinta, dependendo da sua importância e permanência. Veja a seguir alguns exemplos de marcos topográficos Fonte: VicVa. Via: Shutterstock Figura 3.6 – Materialização de um ponto com tinta , 31 Fonte: J5M Figura 3.7 – Materialização de um ponto com marco Fonte: Gdef. Via: Shutterstock Figura 3.8 – Materialização de um ponto com marco de concreto , 32 Fonte: Oleg Kovtun Hydrobio. Via: Shutterstock Figura 3.9 – Materialização de um ponto com marco de concreto 3.3.1 TÉCNICAS DE LEVANTAMENTO PLANIMÉTRICO A poligonação é um dos métodos para determinar coordenadas de pontos em topografia, principalmente, para a definição de pontos de apoio planimétricos. Uma poligonal consiste em uma série de linhas consecutivas onde são conhecidos os comprimentos e direções, obtidos através de medições em campo. A poligonal não tem uma quantidade certa de pontos ou linhas, vai depender do tamanho e dos obstáculos presentesna área a ser levantada, pois cada mudança de “estação” (local onde a estação total é estacionada) é um ponto que irá formar a poligonal do levantamento. Essa poligonal formada pode ser aberta ou fechada, como veremos um pouco mais à frente neste material. O levantamento de uma poligonal é realizado através do método de caminhamento, percorrendo-se o contorno de um itinerário definido por uma série de pontos, medindo-se todos os ângulos, lados e uma orientação inicial. A partir destes dados e de uma coordenada de partida, é possível calcular as coordenadas de todos os pontos. Estas coordenadas podem ser coordenadas reais (UTM ou Geográficas) ou podem ser coordenadas arbitrárias (inventadas pelo topógrafo). , 33 A NBR 13133 (ABNT, 1994) classifica as poligonais em principal, secundária e auxiliar. A poligonal principal é aquela que determina os pontos de apoio topográfico de primeira ordem; a poligonal secundária pode ser definida como aquela que, apoiada nos vértices da poligonal principal, determina os pontos de apoio topográfico de segunda ordem, isto é, para ela existir é preciso que já exista a poligonal principal. E a poligonal auxiliar é a poligonal que, baseada nos pontos de apoio topográfico planimétrico, tem seus vértices distribuídos no campo ou terreno a ser levantado, de forma que seja possível coletar os pontos de detalhes julgados importantes e que devem estar presentes no projeto. As poligonais levantadas em campo poderão ser fechadas, enquadradas ou abertas, veja a diferença de cada uma delas: • A Poligonal fechada parte de um ponto com coordenadas conhecidas e retorna ao mesmo ponto, ou seja, ela forma uma figura geométrica. A grande vantagem deste tipo de poligonal é permitir a verificação de erro de fechamento angular e linear. • A poligonal enquadrada parte de dois pontos com coordenadas conhecidas e acaba em outros dois pontos com coordenadas conhecidas. Este tipo de poligonal é mais trabalhoso, porém permite a verificação do erro de fechamento angular e linear. • Por último temos a poligonal aberta, que parte de um ponto com coordenadas conhecidas e acaba em um ponto cujas coordenadas deseja-se determinar, isto é, não são conhecidas as coordenadas deste ponto. Neste tipo de poligonal não é possível determinar erros de fechamento. Como visto anteriormente neste estudo, para o levantamento de uma poligonal é preciso que se tenha no mínimo um ponto com coordenadas conhecidas (arbitrárias ou reais) e uma orientação. De acordo com a NBR 13133 (ABNT, 1994, p.7), na hipótese de o apoio topográfico estar vinculado à rede geodésica (Sistema Geodésico Brasileiro – SGB), a situação ideal é que pelo menos dois pontos de coordenadas conhecidas sejam comuns. Neste caso é , 34 possível, a partir dos dois pontos, determinar um azimute de partida, que seria um referencial para o levantamento em campo da poligonal. Esses dois pontos não necessitam ser os primeiros de uma poligonal. Para minimizar os erros de um levantamento topográfico é indicado que todo o levantamento, desde o nivelamento da estação até o último ponto, seja feito pela mesma pessoa. Logo a frente neste mesmo material estudaremos os tipos de visadas, que é uma parte muito importante do levantamento topográfico. Conclusão Nesse bloco você aprendeu sobre referências e orientações de um levantamento topográfico, técnicas imprescindíveis em qualquer trabalho ou projeto realizado em campo. Sobre a orientação, aprendemos o norte geográfico e norte magnético, além dos ângulos azimute e rumo, que também servem como orientações para os projetos topográficos. Já em relação aos pontos de referências, aprendemos que eles são materializados através dos marcos, que podem ser georreferenciados através de coordenadas reais, ou não, isto é, podem ser apenas marcações com coordenadas arbitrárias, que tenham a função de localizar um ponto de partida para um projeto de levantamento ou locação. REFERÊNCIAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13.133. Execução de Levantamento Topográfico. Rio de Janeiro, 1994. , 35 4 ESTUDO DE CAMPO Apresentação Neste bloco iremos tratar das práticas realizadas em campo para a execução de um levantamento topográfico até a transferência dos dados da estação total, para um computador no escritório. Aqui, serão estruturadas, de forma cronológica, as etapas de realização de todo o levantamento topográfico, que é necessário para a execução de um projeto arquitetônico bem feito. Além disso, também vamos conhecer os três tipos, mais comuns, de levantamentos topográficos realizados na área da arquitetura. 4.1 ETAPAS DE UM LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO Todo levantamento topográfico é feito com “visadas” que são observações feitas em pontos estratégicos de uma área com o auxílio de aparelhos topográficos, porém, neste estudo, vamos falar especificamente do equipamento estação total. O local onde será primeiramente instalada a estação total, chamamos de estação 01, E01, que é a estação ocupada. Esse local deve ter vista (sem obstáculos) para pelo menos outros dois pontos (E00 e o E02), em que será futuramente instalada a estação total. O sentido de caminhamento para o levantamento da poligonal será o sentido horário. No sentido de caminhamento da poligonal, a estação anterior denomina-se de estação ré e a estação seguinte de vante. Neste exemplo, o E00 será a visada a ré e o E02 será a visada à vante. Lembrando sempre que, o ponto E00 que é a ré, é um ponto conhecido, isto significa que é um ponto com coordenadas, podendo ser arbitrárias ou coordenadas geográficas reais. Outro fato importante é sempre fazer um planejamento prévio na área a ser levantada, antes de realmente instalar a estação total no terreno. Se possível, é sempre indicado fazer um croqui com os pontos onde serão instalados a estação total, que são os pontos que irão formar a poligonal. Outro detalhe que já foi visto, mas vale a pena ser reforçado, é que a poligonal é formada pelos pontos por onde passamos, estacionamos, a estação total, e não se refere ao perímetro do terreno. Esta poligonal pode até ser feita fora dos limites do terreno a , 36 ser levantado, com tanto que se tenha uma visão limpa, sem obstáculos aos vértices do terreno. É muito importante e imprescindível que, logo após estacionar e nivelar a estação total no ponto E01, seja inserido as coordenadas da “estação ocupada”, ou seja, as coordenadas de onde iremos começar nosso levantamento. Estas coordenadas não precisam ser reais (coordenadas inventadas são chamadas de coordenadas arbitrárias) e como sugestão, insira os seguintes valores de coordenadas: N: 250000,00 E: 150000,00 Z: 500,00 Após este procedimento é necessário fazer a visada no ponto E00, que é a ré. Feito isso, a estação já está referenciada, ou seja, já é possível começar a dar as visadas em pontos estratégicos e necessários no terreno a ser levantado. Essas visadas chamamos de irradiações e são elas que irão “mostrar” todos os elementos e vértices do terreno. Porém, é aconselhado que antes de irradiar as visadas, seja feita a leitura do ponto E02, que é a visada à vante, pois isso irá minimizar o erro. A estação total é um equipamento muito sensível e qualquer movimento brusco causa erro na visada, por isso é aconselhável, que antes de irradiar os pontos a serem visados, se faça a visada à vante. Neste exemplo de levantamento é necessário ter gravado na estação total a leitura feita na vante (E02), antes de mudar a estação total de lugar, pois o procedimento padrão é leva-la para o ponto E02, nivela-la, e dar uma visada à ré no ponto E01, para que a estação total continue referenciada (é como se você dissesse para a estação total onde ela está). Após essa visada à ré, é feita a visada à vante no ponto E00 e irradiadasas visadas nos pontos a serem coletados no terreno. Uma ação muito importante é sempre informar à estação total as alturas do prisma e da estação total, pois sem isso fica impossível coletar informações de cotas para montar a superfície com as curvas de nível do terreno levantado. , 37 Uma dúvida constante é sobre a quantidade de pontos à serem levantados (coletados), porém, isso depende muito do tipo de serviço, quanto maior a quantidade de pontos levantados, mais detalhado será o seu projeto. A metodologia utilizada para este exemplo de levantamento é com a formação de uma poligonal fechada, no entanto, para que isso ocorra, é preciso percorrer, com a estação total, os três pontos da poligonal: E00, E01 e E02. Então, após visado à vante em E00 e à ré em E01, estando em E02, mudamos a estação total para E00, visamos à ré em E02 e ocorre o fechamento, visando à vante em E01. Dessa forma, nossos três pontos de estação foram visitados pelo equipamento e formou-se então a poligonal fechada. A figura abaixo representa o exemplo de levantamento descrito acima. Fonte: o autor Figura 4.1 – Exemplo de levantamento , 38 Neste tipo de levantamento podemos fazer o caminhamento pelas estações no sentido horário: E01 → E02 → E00 4.2 TIPOS DE LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO O exemplo de levantamento topográfico acima é uma metodologia utilizada como regra geral de levantamento topográfico para qualquer que seja a finalidade, no entanto, a quantidade de pontos levantados (que chamamos de pontos irradiados) e a instalação de marcos definitivos ou provisórios vai depender, exclusivamente, da finalidade do serviço de levantamento. Um levantamento topográfico é feito quando há a necessidade de: • Verificação da metragem (tamanho exato) do terreno: este tipo de verificação é indicado que se faça antes mesmo da compra da área, pois pode acontecer de haver improcedências no documento do imóvel, isto é, o imóvel foi registrado com uma área menor ou maior do que a área que consta na matrícula. • Elaboração de projeto: é sempre indicado fazer um levantamento topográfico prévio para a adequação ou criação do projeto de construção, com base na superfície topográfica da área em relação ao tamanho e/ou melhor aproveitamento da topografia local, para possível economia de material, aterros ou cortes na execução do projeto. Além disso, também é importante o levantamento topográfico em terreno nivelado para adequação da rede de saneamento básico (hidráulica e esgoto). O levantamento topográfico também pode ser realizado em conjuntos habitacionais, poços de monitoramento, sondagens, aterro, pedreira, escolas, PCH, redes de saneamento e esgoto, redes energéticas, rodovias, áreas urbanas e rurais, faixa de domínio e postos de combustível, além de áreas onde existam movimento de terra e necessitem de monitoramento constante. , 39 O levantamento topográfico gera uma representação da porção de terra, subterrânea ou superficial, que será a base para a planta do local onde estará instalada a obra. O trabalho de levantamento topográfico é dividido em fase de coleta, processamento e tratamento de dados, disposição e gerenciamento das informações coletadas em campo, que irão compor o relatório e planta da área em questão. Para tais finalidades os levantamentos topográficos são divididos em: • Levantamento Topográfico Planimétrico; • Levantamento Topográfico Altimétrico; • Levantamento Topográfico Planialtimétrico. Dentre estes três tipos de levantamentos o levantamento topográfico planialtimétrico é o mais completo, pois ele contempla e permite a descrição tanto das alturas e elevações do terreno, quanto das projeções horizontais. Como resultado desse levantamento, são elaboradas as plantas e memoriais descritivos, assim como toda a documentação pertinente à um projeto de qualquer finalidade. Este tipo de levantamento pode ser chamado de levantamento Cadastral, que é o levantamento mais completo, necessitando as vezes até de um GNSS (Global Navigation Satellite Systems), equipamento capaz de fornecer coordenadas geográficas. As diferenças entre eles são simples, no entanto, os procedimentos de execução em si são complexos. Basicamente, o levantamento planimétrico, que é também conhecido como planimetria, limita-se às medições horizontais da determinada área em questão. Seu principal uso é para delimitação e demarcações de lotes, sendo requerido no georreferenciamento, por exemplo. Se tratando do levantamento altimétrico, como o próprio nome diz, é feito quando o objetivo é mensurar o relevo das porções de uma determinada área. Conforme já foi explicado e mencionado acima, o trabalho do levantamento planialtimétrico é feito com uma descrição documentada de uma área em todos os seus detalhes. Trata-se da junção dos dois outros tipos de levantamentos, o , 40 levantamento altimétrico mais o levantamento planimétrico. Nele, são descritas, de maneira precisa, as diferenças de nível entre as partes do terreno (curvas de nível), os ângulos horizontais e as medidas planas. O perímetro da área e as dimensões horizontais também são descritas, além disso, todos os levantamentos contêm a orientação da área, ou seja, a posição real do Norte. De posse dos levantamentos feitos é possível elaborar, então, as plantas e memoriais descritivos, como já mencionado acima, que devem conter o registro de responsabilidade do profissional responsável pelo levantamento topográfico. Nesses documentos, as áreas são descritas de acordo com as necessidades do contratante do serviço de topografia, que poderá utilizá-las em órgãos, tais como, cartórios de registro de imóveis e prefeituras, para obter a liberação e/ou autorização de uma determinada área. É importante deixarmos registrado que todo e qualquer levantamento ou registro só pode ser elaborado por profissionais devidamente registrados em seus conselhos de classe, e realizados mediante equipamentos de precisão específicos e com as manutenções e aferições em dia. Todos estes cuidados e precauções são importantes, pois, um simples erro nesse tipo de levantamento pode ocasionar transtornos e atrasos a um projeto, gerando prejuízos. Se tratando especificamente de levantamentos para projetos arquitetônicos são, em geral, simples, pois geralmente são terrenos pouco acidentados e de fácil acesso, na maioria das vezes em áreas urbanas, que só precisam ser levantados os pontos de divisa, vértices, curvas de nível, árvores, postes e guias. Esse tipo de levantamento, todo arquiteto, devidamente registrado em seu conselho de arquitetura o CAU/BR, pode executar, tornando-se assim um profissional completo e menos dependente de terceirizações ou parcerias. No exemplo de levantamento topográfico acima usamos uma Estação Total que é um equipamento usado para medições topográficas, ela faz medições de ângulos verticais e horizontais e também de distâncias lineares, além de gravar estas informações em uma memória que pode ser transferida para um computador. Essas informações são processadas através de um software de topografia e geram um arquivo com os dados coletados em campo. , 41 Para fazer o trabalho em campo, a estação total é posicionada em um local sem a presença de obstáculos (como muros, arbustos ou qualquer outro elemento que atrapalhe as visadas) e com sua luneta mira até o prisma instalado sobre um bastão colocado sobre o ponto o qual se quer medir. Esta medição é feita através do equipamento estação total ao emitir um feixe de laser que reflete no prisma e retorna ao equipamento. Pelo tempo de resposta do feixe de laser e o ângulo de rotação da luneta da estação (em relação a reta de referência), o computador interno processa as informações e calcula os ângulos e distâncias, armazenando os pontos em sua memória interna. Após realizar a mediçãode todos os pontos necessários, os dados são transferidos para um computador, onde desenhamos o terreno ou construção aferida. Outra informação muito importante é que em um levantamento topográfico as informações obtidas são apenas pontos e não desenhos de áreas, nós é que através de um programa de computador realizamos as ligações entre estes pontos para formar a área desejada. 4.3 EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS Alguns acessórios são indispensáveis na hora de fazer um levantamento topográfico em campo, pois sem eles fica praticamente impossível realizar a coleta de dados com a estação total. Veja a seguir tudo o que precisamos levar à campo para trabalhar: • Estação total (equipamento calibrado e aferido); • Tripé (preferencialmente de alumínio); • Bastão com prisma (mira); • Tripé ou bipé de bastão (se houver um ajudante esse item é dispensável); • Estacas de madeira; • Bolsa para levar as estacas; • Sacola com piquetes (são menores que as estacas); • Marreta; • Canetão ou tinta (para marcações no chão ou na madeira); , 42 • Prancheta com bloco de notas (para desenhar o croqui e fazer o planejamento); • Pasta carteiro com lápis, borracha, caneta, calculadora e régua; • Trena (uma de 5m é suficiente); • Capa de chuva ou guarda sol (para proteger a estação total); • Pregos de aço (para materializar o ponto no centro do piquete). Lembrando que estamos usando como exemplo o levantamento topográfico feito com a estação total, porém para uso de outro tipo de equipamento os acessórios também serão outros e precisaremos utilizar outra metodologia de levantamento, mas o objetivo do trabalho permanece o mesmo, que é descrever, com a maior precisão possível, uma porção da superfície terrestre e seus possíveis elementos. As estações totais mais novas apresentam algumas teclas e atalhos que facilitam e potencializam o trabalho em campo, no entanto, são mais caras e, dependendo da quantidade e natureza dos trabalhos, não compensam o investimento. Se tratando da estação total, uma dica pertinente, é dar preferência para estações totais que tenham pen drive ou bluetooth para a transferência dos dados, pois aquelas com o cabo costumam apresentar problemas. Outros acessórios muito importantes são as estacas e piquetes. Geralmente a estaca fica bem mais visível, sendo usada para sinalizar a presença de um ponto materializado pelo piquete. Algumas estacas são feitas de cabo de vassoura e pintadas de cal para ficarem brancas, sendo assim mais visíveis, e outras são feitas de bambu. Não existe uma regra, tudo vai depender da adaptação e forma de usar do topógrafo. Na foto a seguir é mostrada a diferença entre as estacas que são maiores e mais largas que os piquetes, que na figura é branco e pequeno. Na maioria das vezes as estacas até levam alguma informação sobre o ponto materializado, como está representado na foto, GPS 04. , 43 Fonte: o autor Figura 4.2 – Diferença entre a estaca e o piquete (na cor branca) Os pregos de aço são usados em diversas ocasiões de trabalho, como, por exemplo, é pregado no piquete para centralizar a estação total no ponto materializado. Também, podem ser usados individualmente, sem o piquete, quando é preciso materializar um ponto em locais que não conseguimos introduzir o piquete, como na calçada de um arruamento ou até mesmo no asfalto. Desde modo, também é preciso usar tinta para marcar no chão as informações do ponto materializado com o prego. Outro acessório muito importante é a prancheta para fazermos um croqui da área a ser levantada. Com ele economizamos tempo e até minimizamos algum possível erro, pois ela viabiliza ter em mãos um planejamento do que será executado no levantamento. Esse croqui também ajudará muito no escritório, na hora da confecção do projeto. , 44 Conclusão Nesse bloco estudamos tudo sobre levantamentos topográficos realizados com a estação total. Foi explicada cada etapa do processo em campo, até os tipos de levantamentos topográficos mais frequentes, que todo arquiteto pode realizar. Foi explanada, também, a finalidade de cada um dos tipos de levantamento e listamos todos os equipamentos e acessórios utilizados no trabalho em campo aperando com a estação total. Todas as informações presentes neste bloco estão de acordo com a NBR 13.133, que regulamenta os serviços de topografia. REFERÊNCIAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13.133. Execução de Levantamento Topográfico. Rio de Janeiro, 1994. , 45 5 MEMORIAL DESCRITIVO E NIVELAMENTO Apresentação Neste bloco será exposto um manual para criação do memorial descritivo topográfico, assim como todas as informações pertinentes a esse documento. Este bloco também contemplará os tipos de nivelamentos topográficos e as metodologias aplicadas em cada um deles. 5.1 MEMORIAL DESCRITIVO Este tipo de memorial descritivo de levantamento topográfico faz parte da documentação disponível em cartório para consulta pública. Ele se refere a localização da área em questão, é um documento que explica todas as características do lote ou gleba levantado. A finalidade do memorial descritivo é descrever a área, de tal maneira que, com sua leitura, qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento técnico consiga entender a localização e perímetro de uma propriedade. É importante esclarecer que existe uma diferença entre o memorial descritivo utilizado na topografia e o utilizado na arquitetura. Isso se deve ao fato de que na topografia, o memorial descritivo é um documento que descreve a poligonal e a localização da propriedade. De acordo com a norma NBR 13.133, o memorial descritivo de uma propriedade, deve conter as seguintes informações: • O nome da propriedade e do Bairro, Distrito, Município e Estado da área levantada; • Tamanho da área, obrigatoriamente em unidades métricas (hectares, ares, centiares); • A posição de um de seus vértices em relação a um ponto notório da vizinhança e esquina mais próxima; • A descrição do seu perímetro, que deverá mencionar: http://www.compraevendadeimoveis.com/diferenca-entre-gleba-e-lote/ http://www.compraevendadeimoveis.com/diferenca-entre-gleba-e-lote/ , 46 → o sentido em que vai ser percorrido (horário ou anti-horário); → se as medidas (rumos ou azimutes e distâncias) são exatas ou aproximadas, e se os rumos ou azimutes são magnéticos ou verdadeiros. → coordenadas Arbitrarias ou Geográficas (UTM); → o ponto onde tem início as deflexões, isto é, mudanças de direção na passagem de um lado para o outro (para direita ou para a esquerda). • A caracterização de cada lado: → pelo agente divisório (cerca, vale, córregos etc.); → pelo seu rumo ou azimute (magnético ou verdadeiro); → pela coordenada do vértice; → pelos nomes dos confrontantes; → pelo comprimento dos lados; → por outras menções esclarecedoras (Ex. Linhão de alta tenção). (NBR 13.133, 1994) Atenção para a informação a seguir: Não é necessário fazer o memorial descritivo topográfico manualmente, pois a maioria dos programas usados para processar os dados coletados em campo apresentam a funcionalidade de gerar, quase que automaticamente, o memorial descritivo, desde que você tenha inserido as informações solicitantes pelo programa de forma correta e organizada. Antigamente, quando os levantamentos eram feitos todos com o equipamento teodolito, não havia programas e softwares de topografia para gerarem os projetos e os memoriais, então tudo era feito manualmente. Trabalho que demandava uma função no escritório somente para criar o memorial descritivo topográfico de cada levantamento topográfico ou cada área. , 47 5.2 NIVELAMENTO Existem vários tipos de nivelamento, e vamos conhecer todos, porém, o mais utilizado atualmente é o nivelamentogeométrico. Ele é feito com um equipamento chamado nível, pois mesmo com a popularização do uso da estação total, RTK, informações georreferenciadas e tudo mais, alguns estudiosos ainda afirmam que o nível é o equipamento mais indicado para um nivelamento preciso, por exemplo, para um projeto de barragens. Para estes serviços são necessários, além do equipamento nível ou teodolito, um acessório indispensável chamado de régua graduada ou também de mira. Ela possui 4m de extensão e apresenta as medidas, m, cm, dm e mm. A figura 5.1 mostra um nível e a régua graduada. Leitura da Mira Graduada Durante a leitura dos fios estadimétricos, em uma mira convencional, devem ser lidos quatro algarismos, os valores do metro, decímetro, centímetro e milímetro, sendo que o milímetro é obtido por uma estimativa e os demais por leitura direta dos valores indicados na mira. A mira apresentada está graduada em centímetros (traços claros e escuros). A leitura do valor do decímetro é obtida através dos números grandes, conforme figura abaixo. , 48 Fonte: Dmitry Kalinovsky. Via: Shutterstock Figura 5.1 – Conjunto de Nível e Mira Graduada Veja a seguir a diferença entre todos os tipos de nivelamentos utilizados nos serviços simples de topografia e que não utilizam equipamentos sofisticados para gerar projetos, com a finalidade apenas de trabalho em campo. 5.2.1 NIVELAMENTO TRIGONOMÉTRICO O Nivelamento Trigonométrico (NT) é constituído de operações das medidas de distâncias horizontais ou inclinadas e ângulos de inclinação entre pontos, para a determinação da cota ou altitude, através de relações trigonométricas (triângulo retângulo), em que se conhece um dos catetos (distância horizontal) ou a hipotenusa (distância inclinada) e determinamos o outro cateto (diferença de nível). E para isso, é feita a leitura do ângulo vertical. Portanto, obtém valores que podem estar relacionados ao nível verdadeiro ou nível arbitrário, dependendo da finalidade do levantamento. O nivelamento trigonométrico divide-se em pequeno alcance (com visadas até 250m) e grande alcance (com visadas acima de 250m), para visadas de , 49 grande alcance, deve considerar a influência da curvatura da Terra e da refração atmosférica sobre as medidas coletadas em Campo. Sua característica é nivelar áreas extensas e onde existam desníveis muito elevados ou, ainda, quando é necessário nivelar várias linhas de visadas, em diferentes direções, para estudos de vales e determinação das alturas de torres, morros, prédios etc. O operador com equipamento teodolito realiza a visada no bastão e obtém o ângulo Zenital, e com uma trena obtém a Distância Horizontal, para, posteriormente, fazer o cálculo do Desnível (DN). No Nivelamento Trigonométrico chamamos ângulo vertical de ângulo zenital. O aparelho após deslocado de um ponto para o outro deve ter seu erro zenital ou erro residual de seu limbo vertical verificado, que é um desvio da verticalidade de sua linha 0o - 180o. Segue abaixo, só para demonstração, as fórmulas utilizadas para os cálculos necessários neste tipo de nivelamento. , 50 5.2.2 NIVELAMENTO TAQUEOMÉTRICO A taqueometria, do grego takhys (rápido) e metren (medição), é o nivelamento onde realizamos operações que constituem um processo rápido e econômico (pouco preciso), para obter indiretamente a distância horizontal e a diferença de nível. O instrumento utilizado é o teodolito mecânico ou eletrônico provido de fios estadimétricos, que além de medir ângulos verticais e horizontais, fazem as leituras na mira. Segundo Borges (1977), as cotas obtidas através de taqueometria constituem o chamado nivelamento trigonométrico, que é menos preciso do que o nivelamento geométrico, porém, mais rápido, principalmente nos levantamentos por irradiação. Fontes de erros no nivelamento taqueométrico: • Leitura de ângulos: Se faz a leitura dos círculos vertical e ou horizontal de forma errônea, por falha ou falta de experiência do operador do teodolito. • Leitura na mira: Leituras dos fios estadimétricos horizontal incorretamente. • Pontaria: O fio estadimétrico vertical do teodolito tem que coincidir com a baliza para se fazer a leitura de ângulos verticais. • Não verticalidade da mira: Ocorre quando o auxiliar de campo não faz uso do nível de cantoneira. , 51 • Centragem do teodolito: Ocorre quando a projeção do centro do instrumento não coincide exatamente com o ponto sobre o qual se encontra estacionado, ou seja, no prumo. 5.2.3 NIVELAMENTO GEOMÉTRICO OU NIVELAMENTO DIRETO É aquele que realiza a medida da diferença de nível entre pontos do terreno, está baseado somente na leitura de réguas ou miras graduadas posicionadas verticalmente, não envolvendo ângulos. O aparelho (nível) utilizado, deve estar estacionado a meia distância entre os pontos (ré e vante); quando o terreno impossibilita estacionar o equipamento equidistante dos pontos a serem nivelados, usa-se métodos de visadas recíprocas, para eliminar erros de esfericidade, refração e de inclinação, dentro ou fora do alinhamento a medir. As medidas de Desnível (DN) ou Distância Vertical (DV) podem estar relacionadas ao nível verdadeiro (Altitude) ou nível aparente (Cota). Os equipamentos utilizados são: • Nível ótico que, segundo Espartel (1982), constitui-se de: → um suporte munido de três parafusos niveladores ou calantes. → uma barra horizontal. → uma luneta fixada. → duas miras ou réguas graduadas. • Nível digital é um nível que faz medição eletrônica, registro e armazenamento automático de distâncias horizontais e verticais; • Nível a laser é um nível automático cujo funcionamento está baseado na tecnologia do infravermelho; este aparelho não apresenta luneta nem visor LCD; 5.3 CONCEITOS E CÁLCULOS DO NIVELAMENTO GEOMÉTRICO Alguns conceitos de acordo com a NBR 13.133: • Visada: leitura efetuada sobre a mira. • Lance: é a medida direta do desnível entre duas miras verticais. , 52 • Seção: é a medida do desnível entre duas referências de nível e é obtida pela soma algébrica dos desníveis dos lances. • Linha de nivelamento: é o conjunto das seções compreendidas entres duas RN (referência de nível), chamadas principais. • Circuito de nivelamento: é a poligonal fechada constituída de várias linhas justapostas. • Rede de nivelamento: é a malha formada por vários circuitos justapostos. (NBR 13.133, 1994) O nivelamento geométrico simples, segundo Domingues (1979), é o método onde se instala o equipamento nível uma única vez em um ponto estratégico, ele pode estar ou não sobre a linha a nivelar e equidistante aos pontos de nivelamento. Devemos ficar atentos e ter cuidado para que o desnível entre os pontos não seja maior que o comprimento da régua, 4 metros. Após fazer a leitura dos fios estadimétricos [FS, FM (fio médio) e FI] nos pontos de ré e vante e anotar todos os valores, o desnível pode ser calculado pela relação: DN = FM RÉ - FM VANTE Se a diferença de nível (DN) for positiva, então o terreno está em aclive (isso de ré para vante). Agora se a diferença de nível (DN) for negativa, então o terreno está em declive (isso de ré para a vante). Este tipo de nivelamento não segue uma regra padrão de direcionamento e pode ser longitudinal, transversal ou radiante, porém, só é aplicado a terrenos relativamente planos. , 53 Fonte: Sorn340 Studio Images. Via: Shutterstock Figura 5.2 – Nivelamento geométrico simples Quando o terreno apresenta um desnível maior que o comprimento da mira graduada é necessário fazer o nivelamento geométrico chamado de composto. Nesse método, é necessário instalar o nível mais de uma vez. É preciso instalar o nível equidistante aos pontos de ré e intermediário (primeiro de uma série de pontos necessários ao levantamento dos extremos), para assim evitar lances muitocurtos. Desta forma, o desnível total entre os pontos extremos será encontrado através da somatória dos desníveis parciais, isto é, os desníveis de cada série. Toda a precisão no processo de nivelamento, utilizando a mira graduada, depende da leitura que o topógrafo faz na mira, por isso, quanto mais experiente for o topógrafo, menor o risco de erros na leitura desta mira. Erros nas leituras de mira • Erro de má focalização do instrumento: a má focalização do instrumento (nível), ou seja, a falta de coincidência dos fios estadimétricos é o erro mais incidente entre todas as fontes de erros na medida indireta de distâncias, utilizando a mira graduada. Quando os retículos, isto é, fios estadimétricos estão bem focalizados, eles se apresentam nítidos e escuros. , 54 • Focalização da objetiva: visando um objeto afastado e agindo no parafuso de focalização, desloca-se o conjunto ocular até que a imagem do sinal apareça bem nítida nos retículos. • Erro da refração e reverberação em torno do meio-dia: a reverberação do ar atrapalha e impossibilita a leitura da mira. Os dias em que não há sol são os melhores para execução de trabalho com mira. Nas visadas, as anomalias de refração causam desvios com os raios luminosos correspondentes aos fios estadimétricos, e isso resulta em erros na leitura da régua graduada (mira). Outro detalhe que também influencia na precisão das leituras, é o estado de conservação da pintura da mira. A NBR 13.133 preconiza uma leitura mínima de 0,500m. • Erro da graduação da mira: Os fabricantes asseguram grande precisão na graduação, no entanto, os erros de graduação têm reflexos diretos na precisão da leitura da régua e são erros sistemáticos. Na seleção de miras, podemos rejeitar àquelas que apresentarem erros superiores a 0,3mm. Para um bom trabalho não é aconselhável a utilização de miras repintadas. • Erro de inclinação da mira: quando a inclinação da mira é no plano perpendicular ao da linha de visada do operador, ele pode observá-la e corrigi-la. Porém, quando a mira está inclinada no sentido da linha de visada, o operador não percebe essa inclinação, ocasionando uma leitura equivocada, devemos fazer a utilização do nível cantoneira esférico para minimizar esse tipo de erro. Precisões e tolerâncias nos nivelamentos Os níveis são classificados segundo desvio-padrão de 1 km de duplo nivelamento, conforme a tabela. , 55 Tabela 5.1 – Classificação dos níveis Fonte: NBR13133-Execução de levantamento topográfico Conclusão Este bloco contemplou como é feito um memorial descritivo e todas as informações que devem conter nos programas, para que o memorial descritivo topográfico seja criado. Também foi estudado os tipos de nivelamentos topográficos que são realizados atualmente. REFERÊNCIAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13.133. Execução de Levantamento Topográfico. Rio de Janeiro, 1994. BORGES, A. de C. Topografia. São Paulo: Edgard Blucher, v.1.1977. p.187. DOMINGUES, F. Topografia e astronomia de posição para engenheiros e arquitetos. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1979. ESPARTEL, L. Curso de topografia. 8 ed. Rio de Janeiro: Globo, 1982. p.580. , 56 6 GEORREFERENCIAMENTO E LOCAÇÃO TOPOGRÁFICA Apresentação Neste bloco iremos estudar sobre o georreferenciamento e sua importância, também será mostrado como é realizada a operação básica de um GPS GNSS para a coleta de dados em campo. Já na parte de locação topográfica, estudaremos o processo de locação de uma obra ou pontos de uma obra. Este método de locação, usado como exemplo, é feito com estação total, mas as locações também podem ser feitas através de outros equipamentos, desde os mais simples, como uma trena, até os mais tecnológicos possíveis como os RTKs e GPS. 6.1 INTRODUÇÃO AO GEORREFERENCIAMENTO Primeiramente é preciso entender o significado de georreferenciamento, que é muito simples. O georreferenciamento é atribuir coordenadas reais aos vértices de um imóvel, no entanto, não podem ser quaisquer coordenadas, mas sim coordenadas apoiadas a um referencial geodésico. De forma que as coordenadas atribuídas aos vértices do imóvel georreferenciado permitam a identificação da localização deste imóvel em termos globais, ou seja, estas coordenadas não podem ser coordenadas arbitrárias (inventadas na hora do levantamento) e sim coordenadas obtidas através de equipamentos capazes de gerar coordenadas reais, que façam parte da rede geodésica referenciada. Fonte: Adenilson Giovanini. Via: Shutterstock Figura 6.1 – Desenho de Equipamento de Georreferenciamento e Satélites , 57 Qualquer pessoa do globo terrestre poderá encontrar este imóvel a partir das coordenadas geográficas dele, que serão únicas em todo o planeta. Atualmente, no Brasil, o referencial geodésico é o Sirgas 2000, ele foi implantado em 2005 e desde então é o único DATUM (referencial geodésico) apoiado pela lei. Qualquer trabalho de georreferenciamento que utilize outro referencial geodésico não estará de acordo com a lei brasileira. Mas, hoje em dia, encontramos facilmente programas e sites que fazem a transformação de coordenadas de um referencial geodésico para outro de forma simples. É preciso muita atenção em trabalhos com imóveis antigos, pois, provavelmente, eles estarão georreferenciados sob outro referencial geodésico, acarretando, assim, um deslocamento da localização geográfica do imóvel, principalmente no plano horizontal. Outro detalhe importante que encontramos nas descrições dos imóveis, é a utilização de coordenadas que estão em um plano de projeção, como, por exemplo, as projeções UTM, ou até as coordenadas de um plano topográfico local, mas existe, também, a possibilidade de que estas coordenadas sejam representadas por coordenadas geodésicas. A ideia é que ao invés de cada município utilizar seu próprio plano topográfico local, todos os imóveis, de todos os municípios do Brasil, utilizem uma única rede geodésica de coordenadas, facilitando todos os trabalhos de retificação e outros que envolvam documentos de registro em cartório. O georreferenciamento de imóveis é necessário para identificar perfeitamente os vértices de um imóvel, com alta qualidade de precisão. Com isso pode-se retornar a eles, com precisão, sempre que for necessário. Existem alguns imóveis registrados no passado, que possuem uma grande dificuldade para que seus vértices sejam recuperados, por estarem registrados sem coordenadas e descritos com referências absurdas que nem existem mais, por exemplo: “graus de azimute da árvore tal”, ou “ a tantos metros da cerca”. Informações que se perderam no tempo e dificilmente são recuperados com a mesma precisão. Outro motivo para se georreferenciar um imóvel é garantir a justaposição entre imóveis vizinhos, evitando assim a sobreposição e , 58 divergências de divisas. Este fato tem se repetido muitas vezes, principalmente, em loteamentos e condomínios, onde é comum que cada proprietário comece a construir em épocas diferentes e com isso, geralmente, o último a construir percebe que seu lote foi invadido alguns centímetros ou, em alguns casos, até metros. Nestes casos ocorrem muitas discussões judiciais, que poderiam ser evitadas com a prática do georreferenciamento de imóveis urbanos e rurais. Além disso, o georreferenciamento garante que a titulação das propriedades reflita a posse efetiva da propriedade. Não obstante, um problema que seria também evitado com o georreferenciamento é a grilagem de terras. Em todos os georreferenciamentos brasileiros os vértices têm suas coordenadas referenciadas no SGB (sistema geodésico brasileiro), com Sirgas 2000, contendo as informações de latitudes, longitudes e altitudes. 6.2 OPERAÇÃO COM O GPS GEODÉSICO GNSS O Sistema de Posicionamento Global (GPS) é um sistemade navegação baseado em sinais de satélite, composto de lançamentos realizados. A “constelação” do sistema russo Glonass, agora, possui 28 satélites, sendo 24 operacionais. Já o GPS conta com 32 veículos em órbita, com 30 operacionais. Por sua vez, o sistema europeu Galileo chegou a 8 satélites, com 4 operacionais e o chinês Beidou já possui 17, sendo 16 operacionais. Fonte: Oselote Via: Shutterstock Figura 6.2 – Representações de órbitas dos satélites , 59 O GPS trabalha em qualquer condição de tempo, em qualquer lugar no mundo, 24 horas por dia e sem cobrança de nenhuma taxa para o uso de seu sinal. Projetado inicialmente para fins militares, logo o sistema tornou-se disponível para uso civil em aviação, levantamentos marítimos e para o mercado geral de recreação ao ar livre. A antena do receptor GPS é o elemento responsável pela detecção das ondas eletromagnéticas vindas dos satélites, podendo ser considerada um sensor que traduz o sinal do satélite incidente em informações de amplitude e fase. A antena GPS converte a energia da onda em corrente elétrica, amplifica a força do sinal e disponibiliza os sinais ao processador do receptor. A antena GPS pode ser definida como uma estrutura associada com a região de transmissão entre uma onda guiada e uma onda de livre espaço ou vice-versa. Em transmissão, uma antena recebe energia de uma linha de transmissão e a irradia no espaço; em recepção, ela coleta energia de uma onda incidente e a incorpora em uma linha de transmissão. 6.2.1 INSTRUÇÃO DE OPERAÇÃO DO GPS PROMARK 500 Para todo serviço é necessário medir a altura do equipamento, então, veja a seguir onde deve ser feita esta medição no aparelho. 1. Indicação do local para medição da altura vertical do Equipamento; Fonte: o autor Figura 6.3 – Medição de Altura , 60 2. Agora veremos a seguir instruções de operação do GPS Promark 500; Fonte: o autor Figura 6.4 – Botões do equipamento 3. Pressionando por 3 segundos ele dá início à Coleta de dados (Coordenadas UTM). Pressionando por 3 segundos novamente ele encerra a Coleta de dados (Coordenadas UTM). Operadores no Display do equipamento , 61 Fonte: o autor Figura 6.5 – Display do equipamento 1 - Sinal de Satélite ativo Operadores no Display do equipamento. 2 - Números de satélites monitorados. 3 - Posição Fixa de coleta de dados dos satélites. 4 - Números de Satélites usados no rastreamento. 5 - Indicação de correção recebida. 6 - Tempo das correções em segundo. 7 - ícone de registro de dados Brutos. Piscando: coletando dados. Sem piscar: não coletando dados. 8 - Porcentagem da memória livre do equipamento. 9 e 10 - Indicação de bateria interna. 11 - Indicação de Alarme. 12 - Status de sinal GSM. 13 - Status de conexão USB. O trabalho em campo de obtenção de dados com GPS geodésico GNSS se divide em dois grupos: • Posicionamento absoluto; , 62 • Posicionamento relativo. Estes dois grupos podem ser facilmente diferenciados pelas seguintes características: o posicionamento absoluto é caracterizado pela utilização de um único receptor de sinal; enquanto o posicionamento relativo utiliza dois ou mais receptores, de tal maneira, que um receptor fica estacionado em um local de coordenadas conhecidas (base), e os demais receptores são utilizados para rastrear novas posições da área que se deseja levantar. O trabalho de campo com um par de GPS GNSS (Global Navigation Satellite System) é feito da seguinte forma: O equipamento é dividido em duas partes, ele apresenta a base que é o equipamento estacionado (fixo) e o rover que é a parte do equipamento móvel (levantando os pontos) que é levado até os pontos a serem levantados, como mostra a figura a seguir: Fonte: o autor Figura 6.6 – Equipamento de GNSS , 63 O GPS GNSS capta o sinal de órbitas de satélites ou constelações de satélites, por isso a necessidade de realizar os levantamentos em áreas limpas e sem árvores ou prédios que possam atrapalhar a coleta dos sinais vindos de satélites. Fonte: Adenilson Giovanini. Via: Shutterstock Figura 6.7 – Sinais Captados de satélites Em locais onde existem árvores e prédios os sinais dos satélites são refletidos e não são coletados (masked) estes dados. Fonte: o autor Figura 6.8 – Sinais de Satélites e obstáculos , 64 6.3 LOCAÇÃO TOPOGRÁFICA A locação de obra é o processo de demarcação no terreno das posições dos principais elementos da construção. É indicado começar pela fundação e alguns elementos estruturais intermediários, porém, sempre seguindo as orientações de projeto. É importante dizer que neste estudo iremos focar na locação feita com uma estação total. A locação de uma obra, ou apenas de alguns pontos da obra, é feita após a área escolhida ter sido levantada, ou seja, as informações do levantamento topográfico já foram levadas ao escritório, tratadas e inseridas novamente na estação total, pois feito isso a estação total é que irá orientar o local exato no campo, onde será localizado o ponto desejado. Essa locação pode ser feita através de coordenadas reais ou simplesmente através de coordenadas arbitrárias quaisquer. Toda locação precisa de uma reta (poligonal) de referência em campo, para que a estação total inicie a localização dos pontos em campo, a partir desta reta referenciada. Essa reta de referência pode ser chamada de poligonal aberta, pois ela só precisa conter dois pontos, um onde estará a estação (estação ocupada) e outro ponto que será a ré, para orientar a estação total. Com as coordenadas gravadas na memória da estação total é preciso ir com o prisma até o local indicado no visor da estação total. Na locação é o equipamento, estação total, que irá indicar a posição exata de onde se deve marcar o ponto, por exemplo, onde terá uma estaca de fundação da obra. A leitura do ponto exato é feita com o prisma, como fazíamos na hora do levantamento, portanto, a estação vai orientando, através do visor, a quantos metros está o prisma do local correto a ser marcado no terreno. Um detalhe importante é que a estação total não reconhece quais são as coordenadas (que já estão gravadas em sua memória) utilizadas como referências para a locação, ou seja, você precisa buscar na estação total essas coordenadas (que são salvas com um nome específico para cada obra), e orientar a estação total que elas serão usadas como referência para a locação. , 65 Veja a seguir algumas abreviações, que aparecem no visor da maioria dos modelos das estações totais, e seus significados. A figura abaixo mostra a tela inicial de um equipamento estação total da marca Ruide. Fonte: o autor Figura 6.9 – Tela de uma estação total da marca Ruide As principais siglas e seus significados: • AH = ângulo horizontal. • AV = ângulo vertical. • DH = distância horizontal. • PT = nome do ponto. • AP = altura do prisma. • DI = distância inclinada. • AI = altura do instrumento. • AZ = ângulo azimute. • CD = descrição do ponto. , 66 Conclusão Nesse último bloco estudamos os processos de georreferenciamento e sua importância para o registro e localização dos imóveis. Além disso, também estudamos o processo de locação topográfica, que é a implantação do projeto na área previamente levantada. REFERÊNCIAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13.133. Execução de Levantamento Topográfico. Rio de Janeiro, 1994. DOMINGUES, F. A. A. Topografia e astronomia de posição para engenheiros e arquitetos. Editora McGraw-Hill do Brasil, 1979, São Paulo – SP, p. 403.