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1 O CAPITAL HUMANO DA ORGANIZAÇÃO 1 Sumário NOSSA HISTÓRIA .......................................................................................... 2 INTRODUÇÃO................................................................................................. 3 RECURSOS HUMANOS X GESTÃO DE PESSOAS ...................................... 5 UM TERRENO DINÂMICO ............................................................................ 10 FAZER PESSOAS, MAIS DO QUE EQUIPAMENTOS ................................. 12 DESAFIOS PRINCIPAIS ENFRENTAMENTOS PELA GESTÃO MODERNA - E O DEPARTAMENTO DE RH COMO FORÇA ORGANIZACIONAL POSITIVA .... 14 REFERÊNCIAS: ............................................................................................ 18 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 INTRODUÇÃO A área de Recursos Humanos deixou de ser um mero departamento de pessoal para se tornar o personagem principal de transformação dentro da organização. Há pouco tempo atrás, o departamento de Recursos Humanos atuava de forma mecanicista, no qual a visão do empregado prevalecia sobre a obediência, a execução da tarefa, e ao chefe, o controle centralizado. Hoje o cenário é diferente: os empregados são chamados de colaboradores, e os chefes de gestores. Pode-se afirmar que gerir pessoas não é mais um fator de uma visão mecanicista, sistemática, metódica, ou mesmo sinônimo de controle, tarefa e obediência. É sim discutir e entender o disparate entre as técnicas tidas como obsoletas e tradicionais, com as modernas, juntamente com a gestão da participação e do conhecimento. A gestão de pessoas visa à valorização dos profissionais e do ser humano, diferentemente do setor de Recursos Humanos, que visava à técnica e ao mecanicismo do profissional. A gestão do conhecimento e capital humano é considerada um conjunto de conhecimentos, treino e capacidades das pessoas, que lhes permite realizar trabalhos úteis, com diferentes graus de complexidade e especialização. 4 No sistema da gestão organizacional, os tomadores de decisão não mais precisam adivinhar ou copiar o que os outros fazem, pois, com esta nova ciência, eles saberão quais práticas exclusivamente se encaixam na organização. Lidar com pessoas é função que demanda uma sensibilidade constante e a complexidade do assunto exige um contínuo aperfeiçoamento técnico. Muitos consideram as pessoas como recursos, alguns estudiosos preferem considerá-las como talentos. Talentos humanos são o que temos para ser desenvolvido, aproveitado e incentivado nas organizações. Mas a sociedade os denomina humanos e, assim, temos de seguir pensando em pessoas como capital ou, em outras palavras, como recursos humanos. Sabe-se que só o ser humano, sem o patrimônio, não constitui uma organização, assim como o patrimônio sem esse elemento humano também não constitui uma organização. Fica claro que uma instituição, seja ela do ramo que for, é um conjunto de pessoas e patrimônio. A pessoa é que dá a vida, é que dá movimento ao patrimônio: é o principal elemento numa sociedade. Cada vez mais os fatores humanos são considerados como inequívocas forças agentes transformadoras e agregáveis. Diante do exposto, vale a pena a reflexão sobre as competências gerenciais do enfermeiro na gestão do conhecimento e capital humano nas organizações de saúde. 5 RECURSOS HUMANOS X GESTÃO DE PESSOAS Vivemos na sociedade do conhecimento, onde o talento humano e suas capacidades são vistos como fatores competitivos no mercado de trabalho globalizado. Porém, esse talento e essa capacidade têm que ser vistos com outros olhos, olhos de colaboradores e não de concorrentes. Necessitamos assim resgatar o papel do ser humano na organização, a fim de torná-los competentes para atuar em suas atividades como colaboradores. É com esse cenário que as organizações devem ter a visão de que o Capital Humano será seu grande diferencial. Assim, surge um novo conceito em gestão de pessoas. Os avanços observados nas últimas décadas têm levado as organizações a buscarem novas formas de gestão com o intuito de melhorar o desempenho, alcançar resultados e atingir a missão institucional para o pleno atendimento das necessidades dos clientes. Nota-se também que o sucesso das organizações modernas depende, e muito, do investimento nas pessoas, com a identificação, aproveitamento e desenvolvimento do capital intelectual. Observa-se que existe um grande esforço no sentido de mudar do antigo modelo burocrático para um modelo de gestão gerencial, que em muitos casos tiveram grandes avanços, como por exemplo a introdução de novas técnicas orçamentárias, descentralização administrativa de alguns setores, redução de hierarquias e implementação de instrumentos de avaliação de desempenho organizacional. 6 A real vantagem competitiva no mercado não está somente representada no financeiro ou nos altos investimentos em tecnologia, entre outros exemplos que poderíamos citar, mas sim nas pessoas que compõem a organização, que movimentam tudo isto no cotidiano. A partir da década de 90, com as profundas mudanças nos cenários nacional e internacional, como a globalização, houve a necessidade urgente de buscar novos paradigmas de gestão. Assim, é necessário quebrar os velhos paradigmas para entender a empresa e as pessoas como gestoras e colaboradoras bem como entender o novo conceito de gestão de pessoas. Se analisar o papel do colaborador, é mais participativo; ele tem maior autonomia em suas atividades, cooperação nas decisões com seus gestores, facilidade na interação, aprendizagem, conhecem a empresa e participam dos negócios. Porém, o discurso tem que ser unido com a prática, ou seja, a gestão de pessoas tem que efetivamente acontecer na prática. Entretanto, algumas questões cruciais permanecem pendentes e precisam ser enfrentadas. Um dos caminhos que poderão ser percorridos é o aprimoramento da gestão de pessoas, tendo como premissas a valorização do capital intelectual e a modernização do processo produtivo. O setor de Recursos Humanos era um mero departamento mecanicista que cuidava da folha de pagamento e da contratação do profissional que exigia dele apenas experiência e técnica; não havia um programa de capacitação continuada. A Gestão de Pessoas é caracterizada pela participação, capacitação, envolvimento e desenvolvimento do bem mais precioso de uma organização, o Capital Humano, que nada mais é do que as pessoas que a compõe. 7 Cabe à área de Gestão de Pessoas a nobre função de humanizar as empresas. Apesar da Gestão de Pessoas ser um assunto tãoatual na área de Administração, ainda é um discurso para muitas organizações, ou pelo menos não se tornou uma ação prática. Compete ao Departamento de Recursos Humanos promover, planejar, coordenar e controlar as atividades desenvolvidas relacionadas à seleção, orientação, avaliação de desempenho funcional e comportamental, capacitação, qualificação, acompanhamento do pessoal da instituição num todo, assim como as atividades relativas à preservação da saúde e da segurança no ambiente de trabalho da Instituição. O setor de Gestão de Pessoas tem uma grande responsabilidade na formação do profissional que a instituição deseja, objetivando o desenvolvimento e crescimento da instituição como o do próprio funcionário, tido como colaborador para adquirir os resultados esperados. Para isso, a gestão de pessoas procura conscientizar esse colaborador de que suas ações devem ser respaldadas nos seguintes princípios: desenvolvimento responsável e ético de suas atividades; capacidade de atuação baseada nos princípios da gestão empreendedora; capacidade de realização de tarefas que incorporem inovações tecnológicas; capacidade de trabalhar em rede; capacidade de atuar de forma flexível; conhecimento da missão e dos objetivos institucionais das organizações em que atuam; dominar o conteúdo da área de negócio da organização; 8 capacidade de atuar como consultor interno das organizações em que trabalham, entre outros. Para desenvolver essas ações, o gestor também deve ter: visão sistêmica, trabalho em equipe, bom relacionamento interpessoal, planejamento, capacidade empreendedora, capacidade de adaptação e flexibilidade, cultura da qualidade, criatividade e comunicação, liderança, iniciativa e dinamismo. O desenvolvimento dessas habilidades e competências é importante, tanto para o gestor como para o colaborador, pois envolvem elementos da personalidade das pessoas aplicados à sua práxis profissional, representando assim um processo de integração entre as características individuais e as qualidades requeridas para missões profissionais específicas. A Instituição, atualmente, deve se preocupar, construir e manter permanentemente um ambiente e clima de trabalho propício ao bem-estar, à motivação e à satisfação de todos os servidores, através de sistemáticas próprias objetivando o bem-estar e a satisfação dos colaboradores. Existem algumas premissas básicas para um bom ambiente de trabalho que devem ser fomentadas pela Gestão de Pessoas e desenvolvidas por todos na instituição: admitir uma filosofia social de inspiração humanística o ser humano é o sujeito, fundamento e fim da vida social; reconhecer o potencial humano como o recurso estratégico mais importante para o desenvolvimento e sucesso institucional; envolver e comprometer todos os servidores no trabalho de melhoria do serviço público, com ênfase na participação dos mesmos no processo de gestão; reconhecer que é necessário capacitar e profissionalizar o servidor para que desenvolva e utilize seu pleno potencial de modo coerente e convergente com os objetivos estratégicos da instituição; manter todos os esforços para criar e manter uma cultura organizacional que conduza à excelência do desempenho a ao crescimento individual e institucional; 9 reconhecer os elementos da sociedade os cidadãos, considerados individualmente ou em suas entidades associativas, e as instituições de direito público e privado como clientes naturais da instituição; centrar o foco das atividades das instituições nos clientes, conhecendo-os, relacionando-se com eles, medindo-lhes o nível de satisfação e induzindo-os ao controle social. O treinamento é provavelmente a função de gestão de pessoal mais destacada na literatura teórica e prática sobre a melhoria da qualidade. Na chamada Era do Conhecimento, o treinamento é apresentado como o mais importante fator crítico de sucesso. Para isso acontecer é necessário formular e coordenar a execução de um plano de capacitação anual voltado para o desenvolvimento do funcionário, compatível com as necessidades da Instituição e com os recursos disponíveis; desenvolver ações no sentido da formação de gerentes com postura participativa, capacitando-os para o exercício do papel de orientador e estimulador do desenvolvimento e desempenho dos colaboradores; possuir instrumentos de avaliação da satisfação dos funcionários e indicadores organizacionais, bem como ações para identificação, análise e solução de problemas e melhoria dos serviços. A gestão de pessoas, em geral, ainda está muito vinculada ao paradigma mecanicista, tendo absorvido pouco do paradigma holístico, que abrange muito mais profundamente as áreas de atuação humana, com vistas à melhoria contínua do processo de Gestão de Pessoas, que vem sendo desenvolvido por várias instituições por meio do pensamento sistêmico. 10 UM TERRENO DINÂMICO As organizações, o mundo, a economia e a gestão são terrenos dinâmicos. Antes de iniciar a jornada de exploração da teoria da gestão de pessoas e do capital humano, importa então que o leitor considere o seguinte: ⎯ No momento em que escrevemos estas linhas, empresas e autores à volta do mundo tentam identificar novas formas de responder aos problemas concretos que enfrentam. Pensadores influentes, como Gary Hamel, referem mesmo a falência do modelo de gestão dominante e a necessidade de proceder à reinvenção das tecnologias gestionárias. Múltiplas organizações experimentam novas designações para os seus tradicionais departamentos de recursos humanos: ativos humanos, capital humano, pessoas e competências, employee care, people development. ⎯ A gestão em geral e a de pessoas em particular ocorrem em ambientes progressivamente mais internacionais. A dimensão especificamente transcultural da gestão de pessoas é explorada noutra obra por dois dos autores deste livro (veja Caixa I.3). A prática de gestão de pessoas é, todavia, fortemente influenciada pelos modelos americanos dominantes. A sua relevância para as empresas operando em Portugal deve por isso ser considerada com cautela. Há evidência colhida em diversos contextos, de Portugal ao Japão, que sugere que as práticas de gestão de muitas empresas resultam da combinação da história local com as «melhores práticas» globais, i.e. de origem americana.(2) ⎯ As expectativas das pessoas têm aumentado. Muitas esperam hoje que a empresa adote práticas de equilíbrio trabalho-família, faculte oportunidades de experiência internacional e, mais recentemente, adote políticas amigas do ambiente(1). 11 Estas expectativas continuarão presumivelmente a aumentar no futuro. E provirão não apenas dos empregados e dos candidatos a um lugar na empresa, mas também de outros stakeholders, nomeadamente os associados às políticas ambientais(2). CAIXA I.3. GESTÃO TRANSCULTURAL DE RECURSOS HUMANO ⎯ As expectativas das pessoas têm aumentado. Muitas esperam hoje que a empresa adote práticas de equilíbrio trabalho-família, faculte oportunidades de experiência internacional e, mais recentemente, adote políticas amigas do ambiente.1 Estas expectativas continuarão presumivelmente a aumentar no futuro. E provirão não apenas dos empregados e dos candidatos a um lugar na empresa, mas também de outros stakeholders, nomeadamente os associados às políticas ambientais.2 Não deixa aliás de ser sintomático que a Chamartín Imobiliária, proprietária dos centros comerciais Dolce Vita, tenha um DEPARTAMENTO DE RECURSOS HUMANOS E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL3 (exemplos adicionais de empresas com departamentos de sustentabilidade são a SECIL e a EDP). Ou seja: as empresas que não responderem adequadamente a estes novos desafios terão mais dificuldade em cativar candidatos talentosos,em mantê-los e em obter reconhecimento e reputação na sociedade e nas comunidades. 12 FAZER PESSOAS, MAIS DO QUE EQUIPAMENTOS Apesar da mudança, há valores imutáveis, nomeadamente a necessidade sentida pelas pessoas de realizarem trabalho com significado, em ambientes organizacionais onde impera o respeito. É porventura por essa razão que algumas organizações e líderes empresariais procuram desenvolver «empregados capazes». «Levem as instalações, as máquinas, as fábricas, mas deixem as pessoas», afirmou Andrew Carnegie (1835-1919). Konosuke Matsushita (1835-1919) afinou pelo mesmo diapasão: «Se os clientes vos perguntarem O que faz a tua empresa?, respondam-lhes que a “Matsushita Electric faz pessoas. Também fabricamos equipamentos elétricos, mas antes disso fazemos pessoas”». Ou seja, «cultivar» pessoas é uma responsabilidade profunda da empresa(2). Entendemos o gestor de pessoas como alguém genuinamente preocupado com OS LUCROS E AS PESSOAS. Como alguém que entende que as empresas não sobrevivem sem lucros – mas também que as pessoas não são um mero instrumento para alcançar o lucro. Alguém ciente de que a razão de ser última das organizações é a de produzir um impacto positivo nas pessoas – quer nas que trabalham na organização, quer nas que consomem os produtos e serviços. A função RH tem a responsabilidade e o privilégio de se preocupar com o bem- estar humano. Compete-lhe estar à altura dessa expectativa. Os profissionais da gestão de recursos humanos devem compreender que existem relações positivas: 13 ⎯ entre satisfação e desempenho; ⎯ entre desempenho social da empresa e desempenho financeiro; ⎯ entre características organizacionais autentizóticas (i.e., a organização é autêntica, de confiança e vital para as pessoas) e desempenho financeiro (veja Evidência I.1). Se a gestão de pessoas «raramente funciona como devia» – Jack Welch dixit(1) – o desafio para os gestores de recursos humanos é o de re-imaginarem o seu trabalho de tal forma que os departamentos de recursos humanos sejam uma força organizacional positiva – atuando como «departamentos da positividade», expressão que usamos noutro livro.(2) Essa força deve naturalmente servir os interesses da empresa e os dos trabalhadores. Brota de visões claras e apelativas e é executada por todos no dia-a-dia (veja Caixa I.6). Não se compagina com vagas de despedimentos executadas sem acautelar a dignidade – tanto dos que saem como dos «sobreviventes», (3). É incompatível com a liderança destrutiva ou tóxica. Se a gestão de pessoas «raramente funciona como devia» – Jack Welch dixit1 – o desafio para os gestores de recursos humanos é o de re-imaginarem o seu trabalho de tal forma que os departamentos de recursos humanos sejam uma força organizacional positiva – atuando como «departamentos da positividade», expressão que usamos noutro livro.2 Essa força deve naturalmente servir os interesses da empresa e os dos trabalhadores. Brota de visões claras e apelativas e é executada por todos no dia-a-dia (veja Caixa I.6). Não se compagina com vagas de despedimentos executadas sem acautelar a dignidade – tanto dos que saem como dos «sobreviventes».3 É incompatível com a liderança destrutiva ou tóxica. 14 DESAFIOS PRINCIPAIS ENFRENTAMENTOS PELA GESTÃO MODERNA - E O DEPARTAMENTO DE RH COMO FORÇA ORGANIZACIONAL POSITIVA A importância da gestão de pessoas para o sucesso das empresas releva especialmente quando se compreende que a «economia das chaminés»(5) há muito deu lugar à economia baseada no conhecimento. Uma quantidade progressivamente maior de empresas processa tanto conhecimento quanto matérias-primas – e numerosas empresas processam quase exclusivamente conhecimento. Pense o leitor em organizações como a Amazon, a Microsoft, a eBay ou a portuguesa Bial. Pense ainda na indústria automóvel – e na percentagem relativa de materiais versus conhecimento impregnados num veículo moderno. Este traço essencial da vida económica e empresarial requer que a gestão das empresas se oriente para o aproveitamento e o desenvolvimento do capital humano – desafio que não pode ser prosseguido com as práticas de gestão que eram apropriadas para gerir apenas «braços» humanos. Este desafio está associado a numerosas outras exigências do mundo atual. Destacam-se:6 ⎯ A envolvente das empresas mudou. É complexa, incerta e volátil. Os gestores debatem-se hoje com uma grande quantidade e heterogeneidade de variáveis que podem afetar os resultados da 15 empresa. Torna-se difícil compreender os nexos entre as ações das empresas e os seus efeitos no desempenho. As mudanças frequentes nas tecnologias, nos mercados, nos ciclos de vida dos produtos, nos gostos dos clientes e na vida económica, política e social rapidamente tornam obsoletos produtos, serviços e modelos de gestão outrora bem sucedidos. Algumas mudanças são radicais e irreversíveis, destruindo num ápice empresas antes consideradas exemplares. ⎯ As pessoas também mudaram. Desejam maior autonomia no trabalho. Empenham-se mais na profissão do que na organização. Devotam menor sentido de lealdade à empresa do que outrora, e procuram adquirir competências de empregabilidade que lhes permitam aproveitar oportunidades do mercado e/ou lidar com a saída involuntária da organização atual. ⎯ A natureza do trabalho mudou igualmente. As tarefas são menos programáveis. Pode programar-se a sequência de ações numa linha de fabrico, mas dificilmente se consegue programar o trabalho de um criativo, de um analista de sistemas ou, a partir de um certo ponto, de um empregado de balcão num banco ou num hotel. Cabe à gestão assegurar que as pessoas aplicam o seu capital humano, de modo eficiente e empenhado, na prossecução dos objetivos organizacionais. O vigor deste requisito é reforçado pela necessidade de as empresas inovarem permanentemente. ⎯ As exigências e as turbulências antes citadas requerem que as empresas sejam capazes de fomentar elevados rendimentos dos seus colaboradores. Tal desafio requer a seleção de pessoas abertas à mudança, a partilha generalizada da informação (de modo que os colaboradores tenham acesso à informação de que carecem para tomar decisões autonomamente), o desenvolvimento do conhecimento e da aprendizagem organizacional, assim como a recompensa do mérito. 16 Estas práticas são incompatíveis com a gestão centralizada, a lógica comando-e-controlo, o açambarcamento da informação, a hierarquização acentuada e a estruturação em torno de cubículos departamentais que dificultam a cooperação e a circulação de informação e conhecimento. A vaga de suicídios na France Télécom, nos anos de 2008 e 2009, é uma resposta trágica a um contexto organizacional excessivamente pressionante e visto como inseguro. Os efeitos da tragédia repercutiram-se gravemente na reputação (e nas contas) da empresa, que se viu impelida a despender recursos vultuosos para lidar com o grave problema (Caixa I.4). ⎯ As empresas não podem bastar-se com a adoção das «melhores práticas» – precisam de adotar práticas de gestão internamente consistentes e ajustadas à sua estratégia organizacional e de negócio. Dois exemplos: (1) muitas práticas de gestão apropriadas para uma empresa que compete com base nos custos poderão não ser apropriadas para empresas que competem com base na diferenciação; (2) uma empresa que necessita de selecionar pessoas criativas e proativas não pode adotar práticas de compensação e progressão na carreira que secundarizam as pessoas com essas características. ⎯ As complexidades da competição atual requerem que as empresas sejam capazes de avaliar os custos e os efeitos positivos das suas práticas de gestão, sob pena de o terreno competitivo ser perdido para a concorrência ou para novos entrantes.Por exemplo, uma empresa não pode simplesmente investir na formação e desenvolvimento de todos os seus colaboradores sem compreender os custos e os proveitos daí advenientes – assim como os riscos de esse investimento ser aproveitado por concorrentes que «desencaminham» os seus melhores talentos mas não pode também descurar as práticas de formação e desenvolvimento, sob pena de os custos de procurar talentos no mercado serem proibitivos quando esses talentos forem necessários. Os acontecimentos ocorridos na France Télécom são um exemplo paradigmático da necessidade de acautelar as consequências de decisões de gestão, 17 mesmo quando estas parecem corretas do ponto de vista da eficiência (Caixa I.4). 18 REFERÊNCIAS: (1) Mattioli (2007). (2) Cunha, Rego, Pinheiro & Gonçalves (2011). (2) Cunha, Rego, Lopes e Ceitil (2008). (2) Cunha (2005); Pudelko e Mendenhall (2007). (1) Hamel (2007). (3) Rego e Cunha (2009). (1) Goffee e Jones (2007); Kamoche (2007). (2) Citações retiradas de Mak (2000, p. S542). (1) Welch e Welch (2006, p. 92). (4) Goldman (2006); Padilla et al. (2007). (5) Toffler (1991). (6) Cabrera et al. (2006). (3) Veja Peterson (2004) e Rynes (2004).(3) Veja o Relatório Anual de Sustentabilidade (2007) da empresa.