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¹ Estudante de Direito pelo Instituto Amazônico de Ensino Superior - IAMES 
 
 
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) 
 
Simone Helen Drumond Ischkanian¹ 
 
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é uma lei (Lei 8.069/1990) que trata dos 
direitos das crianças e adolescentes. Esse instrumento normativo foi promulgado em 13 de julho de 
1990, durante o governo de Fernando Collor. 
O ECA reconhece que as crianças e adolescentes são sujeitos de direito em condição de 
desenvolvimento e, portanto, devem ser prioridade absoluta do Estado. 
Essa lei prevê às crianças e adolescentes os direitos à vida, à saúde, à alimentação, ao esporte, 
ao lazer, à profissionalização, à educação, à cultura, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e 
comunitária. 
De acordo com o ECA são: 
 Crianças: indivíduos com até 12 anos incompletos. 
 Adolescentes: indivíduos entre 12 e 18 anos. 
 
Para que serve o ECA? O objetivo do estatuto é garantir às crianças e adolescentes condições 
de desenvolvimento moral, físico, social e mental, de modo que possam estar preparados para a vida 
adulta em sociedadeA proteção das crianças e adolescentes é responsabilidade da família, sociedade e 
do Estado. Eles devem ser privados de qualquer tipo de discriminação, violência, negligência, crueldade 
e opressão. De acordo com o artigo 7º da lei: A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à 
saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o 
desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência. 
O Estatuto da Criança e do Adolescente faz valer o disposto no artigo 227 da Constituição de 
1988 e segue as diretrizes da Convenção sobre os Direitos das Crianças das Nações Unidas. 
O estatuto é composto por dois livros. O livro I refere-se à parte geral, que vai do artigo 1º ao 
artigo 85 e trata dos direitos fundamentais e da prevenção à violação dos direitos. 
Conselhos tutelares: Os conselhos tutelares são os órgãos responsáveis por zelar pelo 
cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes estabelecidos no ECA. Os conselhos têm a 
obrigação de atender as crianças e adolescentes e os pais ou responsáveis e informá-los sobre seus 
direitos e deveres. 
Todos os municípios devem contar com, pelo menos, um conselho tutelar, que é composto por 
membros eleitos pela comunidade, respeitando as disposições legais para eleição e posse. Sempre que 
houver suspeita ou confirmação de casos como maus-tratos, exploração, violência ou negligência, é 
possível realizar uma denúncia (anônima ou não) no conselho tutelar da cidade. 
Atos Infracionais do ECA: O artigo 103 do ECA determina que qualquer conduta que fosse 
considerada crime ou contravenção penal por um adulto, é um ato infracional se cometida por criança ou 
adolescente. 
 
Para os casos de atos infracionais, o ECA estabelece a adoção de medidas protetivas e medidas 
socioeducativas, sendo as medidas socioeducativas passíveis de aplicação apenas aos adolescentes. so 
significa que, se uma criança cometer um ato infracional, a ela cabem apenas as medidas protetivas. 
Veja quais são as medidas protetivas e as medidas socioeducativas: 
 
Medidas protetivas 
 Encaminhamento para os pais ou responsáveis; 
 Matrícula e frequência na escola; 
 Participação em programas de auxílio familiar; 
 Tratamento médico, psicológico, psiquiátrico e toxicológico; 
 Colocação em família substituta. 
 
Medidas socioeducativas sem privação de liberdade 
 Advertência: advertência oral; 
 Obrigação de reparar o dano: medida que repare o dano ou compense o prejuízo à vítima; 
 Prestação de serviços à comunidade: com duração máxima de 6 meses; 
 Liberdade assistida: juiz determina um orientador, que fará o acompanhamento da vida 
comunitária, escolar e familiar do infrator. 
 
Medidas socioeducativas com privação de liberdade 
 Semiliberdade: os adolescentes podem trabalhar e estudar durante o dia, mas devem 
retornar à entidade especializada no período noturno; 
 Internação por tempo indeterminado: aplicada em caráter excepcional em casos mais 
graves. O adolescente tem privação total da liberdade. 
 
Proibição ao trabalho infantil 
O ECA proíbe qualquer forma de trabalho até os 13 anos de idade. A partir dos 14 anos é 
permitido o trabalho na forma de aprendiz e a partir dos 16 anos é permitida a contratação com carteira 
assinada. 
Na modalidade de aprendiz, o adolescente deve trabalhar em carga horária reduzida, deve estar 
matriculado em um curso técnico e não pode realizar atividades que prejudiquem o seu desenvolvimento 
ou que interfiram nos estudos. 
Entre os 16 e 18 anos, o adolescente pode entrar no mercado de trabalho com carteira assinada, 
porém na forma de trabalho adolescente protegido. Isto é, com a proibição de trabalho noturno, 
insalubre e perigoso. 
Também não são permitidas aos adolescentes as atividades da lista TIP do decreto 6.481/2008, 
que estabelece as piores formas de trabalho infantil. 
 
Visão Relativista Visão Universalista 
O ECA não produziu todos os efeitos 
desejados, as principais dívidas do País com a 
infância estão relacionadas à desigualdade 
social, à alta taxa de homicídios e às medidas 
socioeducativas aplicadas aos adolescentes 
infratores. 
 
Uma das pechas que acompanham o ECA é o 
mito da impunidade, como se ele fosse salvo-
conduto para "criminosos". Mas isso, segundo 
Brigitte, não é verdade: "O Estatuto estabelece 
um sistema diferenciado de responsabilização 
do adolescente por atos infracionais 
(equivalente aos crimes para adultos) já a partir 
dos 12 anos de idade". 
 
Essa responsabilização vai desde medidas mais 
simples, como a advertência, até medidas mais 
severas, como a internação. 
 
É a Constituição Federal de 1988, no Artigo 
228, que estabelece a inimputabilidade penal 
para menores de 18 anos. 
 
Isso foi instituído porque se entende que a 
criança e o adolescente estão em 
desenvolvimento, em formação 
biopsicossocial, e por isso necessitam de um 
tratamento e de uma atenção especial. 
 
 
 
O ECA garante que todas as crianças e 
adolescentes, independentemente de cor, etnia 
ou classe social, sejam tratados como pessoas 
que precisam de atenção, proteção e cuidados 
especiais para se desenvolverem e serem 
adultos saudáveis.Todos/as são sujeitos de 
direitos e devem viver a infância como 
crianças, sendo protegidos/as e tendo seus 
direitos garantidos com igual acesso. 
 
O estatuto coloca o Brasil em posição de 
destaque entre os demais países do mundo por 
ser considerado uma das leis mais avançadas 
na defesa dos direitos das crianças e dos 
adolescentes 
 
O ECA e a redução da maioridade penal, 
contextualiza que a Constituição Federal 
(artigo 228) e o ECA (artigo 104), dentre as 
garantias asseguradas às crianças e 
adolescentes, estabelecem que os menores de 
18 anos de idade são penalmente inimputáveis. 
Sabe-se que imputabilidade penal se estrutura 
a partir da análise e do entendimento da 
culpabilidade. 
 
O ECA estabelece direitos à vida, à saúde, à 
alimentação, à educação, ao lazer, à 
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao 
respeito, à liberdade, à convivência familiar e 
comunitária para meninos e meninas, e também 
aborda questões de políticas de atendimento, 
medidas protetivas ou medidas 
socioeducativas, entre outras providências. 
Trata-se de direitos diretamente relacionados à 
Constituição da República de 1988. 
 
 
Fonte: Autora, (2023) 
 
Referencia: 
BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente: doutrina e jurisprudência. São Paulo: Atlas, 2017. 
 
CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição. Coimbra: Almediana, 1998.

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