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Apostila_Introdução à Sociologia da Violência (1)

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Acorda Raimundo... Acorda! (1990), de Alfredo Alves. 
Pelos meus olhos (Espanha, 2002), de Icíar Bollain. 
 
Consulte os sites: 
www.violenciamulher.org.br 
www.patriciagalvao.org.br 
 
 
Nesta aula, você: 
- Analisou três tipos de violência presentes na nossa sociedade. 
- Atentou para o fato de que a violência simbólica não está relacionada a uma agressão 
física, mas a um processo de socialização coercitivo que inviabiliza a igualdade entre os 
indivíduos e à plena liberdade. 
- Deu-se conta que o debate sobre a violência escolar traz a discussão sobre a 
autoridade do professor e como é construída (ou não) dentro do atual modelo 
pedagógico. 
- Avaliou a importância de observar os aspectos privados existentes na violência contra a 
mulher. 
 
 
Na próxima aula, abordaremos as percepções sobre a violência. Neste sentido, o “medo” 
aparece como um sentimento importante que direciona as condutas individuais. Também 
será discutido o sentimento de insegurança e de segurança, o papel da mídia e as 
pesquisas de vitimização - estas podem se configurar em instrumentos úteis para o 
conhecimento da dinâmica criminal e o perfil das vítimas de violência e crimes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Bomeny, Helena, Coelho, Maria Cláudia & Sento-Sé, João Trajano. Violência nas Escolas 
Públicas do Rio de Janeiro: notas exploratórias sobre a autoridade docente e as 
percepções da violência. Rio de Janeiro, 2009, p.70 a 109. 
Maria Drosila Vasconcelos - PIERRE BOURDIEU: A HERANÇA SOCIOLÓGICA Educação & 
Sociedade. Educ. Soc. vol. 23 no.78 Campinas, Apr. 2002. 
 
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-73302002000200006&script=sci_arttext 
Luís Eduardo Soares, Barbara Musumeci e Leandro Piquet “Violência contra a mulher: as 
DEAMs e os pactos domésticos”, IN Soares, L.E. e colaboradores. Violência e Política no 
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, ISER. 1996. Relume Dumará., p. 65 a 106. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 3: Percepções sobre violência 
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: 
1) Descrever a contribuição teórica de cada autor; 
2) Usar a contribuição dos autores para analisar fenômenos sociais; 
3) Criticar as teorias sociais estudadas; 
4) Descrever as principais questões que envolvem os temas estudados. 
 
 
Estudo dirigido da aula 
 
1. Leia o texto condutor da aula. 
2. Participe do fórum de discussão desta aula. 
3. Realize a atividade proposta. 
4. Leia a síntese da sua aula. 
5. Leia a chamada para a aula seguinte. 
6. Realize os exercícios de autocorreção. 
 
Olá! Seja bem-vindo à aula Percepções sobre violência. 
 
Nesta aula, iremos discutir as percepções da violência. Para tanto, em um primeiro 
momento será abordada a questão do medo como fator fundamental na forma como as 
pessoas lidam com as interações sociais e que pautam as suas dinâmicas individuais, 
este ponto possibilita discutir os aspectos objetivo e subjetivo da segurança. Neste 
módulo também abordaremos uma reação decorrente do medo e da violência que é o 
recurso a formas privadas de segurança e proteção, bem como a relação entre mídia(s) e 
violência. 
 
Outro ponto que será abordado aqui é a pesquisa de vitimização, que consiste em um 
instrumento criado para se conhecer o perfil das pessoas que são vitimas da violência 
bem como as suas percepções sobre violência e as instituições de segurança pública e 
justiça criminal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Percepção coletiva de (in)segurança: sentimento de paz e de medo 
 
A literatura sobre sociologia da violência observa que a (in)segurança possui duas 
dimensões: 
 
- A (in)segurança concreta ou (in)segurança objetiva, que está relacionada ao 
risco real de sofrer vitimização, de forma que quanto menor a ameaça maior será a 
segurança concreta; 
 – O sentimento de (in)segurança ou (in)segurança subjetiva, sendo a sua maior 
expressão o medo de ser vitimizado, independentemente de qualquer ameaça concreta. 
Assim, o medo é proporcional ao sentimento de insegurança, mas independente ou 
desproporcional ao risco real. 
 
Uma dimensão não se traduz necessariamente na outra. O sentimento de segurança ou 
insegurança, de um modo geral, não esta relacionado, diretamente, ao risco de ser 
vítima da violência, mas à “avaliação social a respeito da possibilidade de alguém se 
tornar vítima/autor de um crime, e às conseqüências advindas deste fato” (MIRANDA, 
2008, p.91). Cotidianamente, é possível um indivíduo se sentir seguro em um local com 
alto índice de ocorrências criminais, ou vice-versa. O impacto da redução do risco por 
uma política pública, ou por outro motivo, não significa reduzir o medo da sociedade de 
ser vítima de um crime. 
 
O medo é uma emoção que impacta o comportamento dos indivíduos, alterando a forma 
de construção e percepção da ordem social. Estratégias de redução do medo são 
diferentes daquelas empregadas para reduzir a criminalidade. 
 
Medo 
“A situação essencial para o aparecimento do medo é a percepção de um 
objeto perigoso, ou de uma condição ameaçadora. O fato fundamental na 
situação parece ser a ausência de poder ou capacidade da pessoa para 
dominar a ameaça. Surge o medo se ela não sabe como evitar a ameaça e, 
especialmente, se o seu caminho de fuga está bloqueado. O terror mais 
profundo pode ser provocado por um sentimento de impotência diante de 
forças esmagadoras, tais como as de um terremoto ou de outros 
 
 
 
 
 
 
 
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cataclismos da Natureza. Em menor escala, o mesmo sentimento pode ser 
provocado na criança pelas severas ameaças do pai, porque elas lhe 
parecem incontroláveis”. 
“Com o tempo, podemos nos habituar com os objetos perigosos e viver 
perto deles sem apreensão. Isso ocorre porque aprendemos a lidar com 
eles. Mas o medo surge se a situação imediata se transforma, de forma que 
se perturbam os nossos meios já conhecidos de lidar com esses objetos”. 
“Deve-se notar, especialmente, que alterações inesperadas em nosso 
ambiente conhecido podem provocar o medo. Tudo se passa como se 
tivéssemos organizado os nossos mundos de maneira a nos proteger, de 
forma que qualquer perturbação nessa ordem provoca, imediatamente, a 
nossa apreensão. Observa-se comumente, que uma criança muito nova se 
angustia caso ocorram mudanças em seu ambiente conhecido. O ‘terror do 
desconhecido’ não é apenas uma expressão literária, pois se verifica, 
universalmente, que o estranho e o novo podem provocar medo nos 
observadores.” 
“Com o medo, talvez mais do que qualquer outra emoção, o contágio dos 
outros é muito intenso. O fato de ver e ouvir outras pessoas em estado de 
terror provocará, muitas vezes, o pânico no observador, mesmo que nada 
mais exista, no ambiente, que possa provocá-lo”. 
(Krech, D. & Crutchfield, R. As emoções do homem. In Elementos de 
Psicologia, 1980, p.273) 
 
Alguns autores atribuem o crescente medo e insegurança da população à ênfase de 
matérias produzidas pela mídia sobre circunstâncias aterrorizantes e aos interesses 
econômicos do setor de segurança privada. Este é um ponto importante para analisar. 
Porém, não é aconselhável desconsiderar que o grau de informação sobre e de 
previsibilidade de acontecimentos que envolvam violência, assim como o nível de 
credibilidade das agências de segurança pública para garantir a ordem social, constituem 
fatores que influenciam o sentimento de segurança ou insegurança dos indivíduos. E isso 
nem as diferentes mídias nem um setor econômico podem controlar totalmente. 
 
É importante ressaltar que cada vez mais o sentimento de segurança de determinadas 
coletividades está sendo construído através de estratégias particulares que utilizam a 
segregação em ruas com cancelas e em condomínios --os quais, em alguns casos, se 
 
 
 
 
 
 
 
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assemelham a cidades devido à sua extensão e aos serviços oferecidos (CALDEIRA, 
2000)--, como também através