Buscar

TEMA 1 - AULA 4 - Princípio da Anterioridade

Prévia do material em texto

07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
Módulo:
Princípios das Ciências 
Criminais
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
4
Aula 04 – Anterioridade
Com previsão expressa contigua ao Princípio da Legalidade, no art. 5º, XXXIX, da 
Constituição Federal, a Anterioridade estabelece que as leis incriminadoras só podem ser 
aplicadas para fatos póstumos, portanto praticados após o início de sua vigência. 
Este princípio é vital para a eficácia da Legalidade, garantindo prévia ciência aos 
destinatários, quanto aos comportamentos definidos como ilícitos, bem como a respecti-
va reprimenda a eles cominada, permitindo que, munidos desse conhecimento, optem por 
infringir ou não a norma incriminadora.  
Por certo, a missão da Anterioridade é conferir ao sujeito a proteção contra abusos 
pelo Estado, assegurando que não se crie sanção especificamente voltada a determinado 
comportamento pretérito.   
Em verdade, restaria inócuo restringir a atuação do Estado aos casos disciplina-
dos em lei, se esta pudesse retroagir aos fatos já praticados, assim ensejando a imposição 
de reprimenda, até então sequer prevista. Fosse assim, estaríamos admitindo a vulnerabi-
lidade do cidadão, uma vez sujeito a incertezas e imprevisões quanto a proibição de seus 
atos.  
Justamente para evitar tal disparate, segue-se a regra1 imposta pela Anteriorida-
de, segundo a qual a lei incriminadora tem alcance limitado, compreendendo somente os 
fatos praticados após a sua concepção.  
Em última análise, depreende-se que a Anterioridade confere segurança jurídi-
ca ao cidadão, impedindo que seja responsabilizado por algo concretamente perpetrado, 
quando ainda não regulamentado. 
 
Anterioridade em relação a sanção 
 
Repetindo o preceito constitucional, o art. 1º do Código Penal prevê, ao final, 
que  não há pena sem prévia cominação legal, garantindo não ser a anterioridade 
característica exclusiva da previsão do comportamento típico, mas também da co-
minação das reprimendas. 
Nesse passo, a Anterioridade determina o dever de cientificar ao sujeito não apenas 
o comportamento vedado pela norma, mas a respectiva resposta penal conferida, em caso 
de descumprimento. 
Ademais, impõe a fixação prévia dos limites mínimo e máximo das penas, dispon-
do acerca da longevidade pela qual pode se estender a limitação da liberdade do infrator, 
pelo Estado. 
Como cediço, não pode o Estado cercear a liberdade do sentenciando por prazo 
indeterminado, uma vez inadmissível a existência de título judicial penal incerto. Em outras 
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
5 Princípios das Ciências Criminais
palavras, as sentenças condenatórias devem respeitar as balizas legais, fixando reprimen-
das por tempo certo, assim determinadas de acordo com a previsão anterior contida em 
lei. 
Sob esse aspecto, diversas críticas são levantadas quanto a ausência de prazo 
máximo de execução das medidas de segurança, uma vez extensíveis por período indeter-
minado aos inimputáveis, embora conferidas em razão da prática de determinada infração, 
para qual são previstos limites legais de cerceamento pelo Estado. 
Por fim, não só em relação aos limites temporais, mas também quanto as espécies 
de sanções cominadas, a Anterioridade deve ser respeitada, não se podendo estipular re-
primenda distinta daquela(s) cominada(s) para a prática delitiva. 
Em síntese, acerca das sanções, igualmente a Anterioridade funciona como vetor 
para a efetivação da Legalidade, restringindo a imposição das reprimendas àquelas pre-
viamente cominadas aos tipos penais incriminadores.  
O presente estudo busca demonstrar e avaliar o problema da ineficácia 
do princípio da anterioridade da lei penal como mecanismo de controle 
intertemporal da arbitrariedade judicial, bem como, com fulcro nas teses 
apresentadas pela doutrina, propor uma solução e a sua melhor forma de 
implantação. Tal intento se justifica pelo fato de que, atualmente, e principal-
mente nos países de modernidade periférica como o Brasil, a jurisdição se 
tornou fonte direta de medidas de exceção utilizando-se da ineficácia desse 
princípio, o que passou a ser realizado de forma ativa pelos membros do 
Poder Judiciário pátrio. Para atingir o objetivo almejado, inicialmente será 
exposta a relação do Direito com a Exceção, momento em que se defini-
rá o conceito desta, a evolução histórica das teorias que abrem margem 
para sua implantação, sua relação com o Direito Penal e, ademais, o seu 
ingresso pela via da discricionariedade da jurisdição no controle da inter-
temporalidade jurídica penal. Em segundo lugar, será estudado o princípio 
da anterioridade da lei penal como mecanismo de controle intertemporal no 
Direito penal, oportunidade em que se apresentará sua origem atrelada à 
legalidade, os fundamentos declarados e ocultos que os sustentam, e o que 
a doutrina majoritária defende para sua implantação para, posteriormente, 
serem apresentadas as causas velhas e novas de sua ineficácia. Por fim, 
serão apresentadas as teorias trazidas pela doutrina para solucionar o tema 
e as críticas direcionadas a cada uma delas, para, em seguida, tomar-se 
uma posição e propor uma forma para sua aplicação.
Constituição da República Federativa do Brasil
 
Leitura Complementar
PARA LEITURA DO TEXTO
NA ÍNTEGRA, CLIQUE AQUI:
Legislação
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
https://tede.pucsp.br/bitstream/handle/22508/2/Jo%c3%a3o%20Victor%20Esteves%20Meirelles.pdf
Tema 01 - Aula 04 6
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantin-
do-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, 
à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação 
legal. 
(...) 
AGRAVO REGIMENTAL.  HABEAS CORPUS  . NULIDADE. PRÉVIA OITIVA DO  PAR-
QUET FEDERAL. PRESCINDIBILIDADE. IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL MAIS GRAVOSA. 
MATÉRIA PACIFICADA. ROUBO CONSUMADO. POSSE MANSA E PACÍFICA DOS BENS. RESP 
N. 1.499.050/RJ. AGRAVO REGIMENTAL CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Não 
há nulidade na prolação do  decisum  sem a prévia oitiva do Ministério Público Federal, 
em se tratando de matéria consolidada na jurisprudência, o que é o caso dos autos, no 
qual não houve na decisão originária, impugnada no presente writ, a devida observância 
ao princípio da irretroatividade da lei mais severa, previsto no art. 5º, XL, da Constituição 
Federal, e aos princípios da legalidade e da anterioridade da lei penal, consagrados nos 
arts. 1º do Código Penal e 5º, XXXIX, da Constituição Federal. 2. O reconhecimento da 
forma consumada do roubo no acórdão impugnado, pelo fato de que os pacientes tive-
ram a posse mansa e pacífica dos bens, encontra harmonia com o entendimento juris-
prudencial desta Corte Superior, consolidado no julgamento do REsp n. 1.499.050/RJ. 3. 
Agravo regimental conhecido e parcialmente provido apenas para manter a condenação 
pelo crime consumado deroubo, ficando a pena definitiva do paciente fixada em 6 anos de 
reclusão, no regime inicial fechado, além do pagamento de 21 dias-multa. (STJ - AgRg no 
HC 382.337 - 6.ª Turma - j. 16/2/2017 - julgado por Sebastião Reis Júnior - WEB 2/3/2017 
- Área do Direito: Penal).
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF. 
Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. 
Acesso em: 24/08/2021.
MEIRELLES, João Victor Esteves. A retroatividade da jurisprudência na seara penal: 
uma (re)leitura necessária para contenção da jurisdição como fonte de exceção. 2019. 96 
Jurisprudência
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
7 Princípios das Ciências Criminais
f. Dissertação (Mestrado em Direito) - Programa de Estudos Pós-Graduados em Direito, 
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2019.
NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Comentado. 16. ed. Rio de Janeiro: Fo-
rense, 2016.
 
NUCCI, Guilherme de Souza. Curso de Direito Penal. Rio de Janeiro: Forense, 2017. 
NUCCI, Guilherme. Dignidade Penal. Guilherme Nucci, 2019. Disponível em: < 
https://guilhermenucci.com.br/dignidade-penal/>. Acesso em: 24/08/2021.
 
NUCCI, Guilherme de Souza. Direitos Humanos Versus Segurança Pública. Rio de 
Janeiro: Forense, 2016.
NUCCI, Guilherme de Souza.  Princípios Constitucionais Penais e Processuais 
Penais. 4. ed. Rio de janeiro: Forense, 2015.
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
07
62
38
92
73
8
	art5

Continue navegando