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Educação Digital: Novas Tecnologias e Desafios

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Educação digital 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Educação digital 
SUMÁRIO 
 
NOVAS TECNOLOGIAS, NOVOS DESAFIOS ............................................................................. 4 
INOVAÇÃO CONSERVADORA ..................................................................................................... 5 
CONCEITUANDO AS TECNOLOGIAS DIGITAIS DE INFORMAÇÃO E DE 
COMUNICAÇÃO ............................................................................................................................ 6 
LECIONAR E APRENDER NA ERA TECNOLÓGICA .................................................................. 8 
TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO .................................................................................................. 10 
FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO ........................................................................................ 14 
A TECNOLOGIA NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM ................................................. 16 
O PROFESSOR DIANTE DA EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA ..................................................... 18 
O PAPEL DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO ENSINO ............................................................... 19 
INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA NA ESCOLA COM USO DA NFORMÁTICA ............... 20 
PEDAGOGIAS CONSTRUTIVISTAS NO ENSINO E APRENDIZAGEM DAS NOVAS 
TECNOLOGIAS. ........................................................................................................................... 21 
A CRIAÇÃO DO CONHECIMENTO USANDO AS NOVAS TECNOLOGIAS ............................. 22 
AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM: O MOODLE ......................................................... 23 
PROJETOS DE INOVAÇÃO TECNOLOGICA NA EDUCAÇÃO................................................. 26 
MATERIAIS DIDÁTICOS E AS NOVAS TECNOLOGIAS ........................................................... 28 
O PAPEL DO PROFESSOR NA ELABORAÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS ........................ 29 
PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES NAS TICS........................................................................ 31 
AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NAS AULAS COM TICS ..................................................... 33 
TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO .............................................................. 34 
TECNOLOGIAS E SALA DE AULA ............................................................................................. 42 
O COMPUTADOR NA SALA DE AULA ....................................................................................... 47 
JOGOS DIGITAIS EDUCACIONAIS ............................................................................................ 48 
POTENCIALIDADES DOS JOGOS DIGITAIS ............................................................................ 50 
CONSTRUTIVISMO: UM CONCEITO DE CONSTRUÇÃO ........................................................ 52 
TEORIA PEDAGÓGICA E NOVAS TECNOLOGIAS .................................................................. 54 
 
 
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Educação digital 
SEYMOUR PAPERT .................................................................................................................... 61 
TEORIA DE PIAGET E EAD ........................................................................................................ 65 
APRENDIZAGEM COLABORATIVA E COOPERATIVA............................................................. 66 
A UTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS A FAVOR DO CONHECIMENTO .................................. 67 
O CONSTRUTIVISMO PARA ALÉM DA ESCOLA ..................................................................... 69 
COOPERAÇÃO, COLABORAÇÃO E INTERAÇÃO .................................................................... 71 
A TECNOLOGIA COMBATENDO A INDISCIPLINA ................................................................... 75 
REAL UTILIZAÇÃO DAS TIC ....................................................................................................... 77 
RELAÇÕES ENTRE O CONSTRUTIVISMO E A PEDAGOGIA ................................................. 79 
RELAÇÃO DOS ALUNOS COM A TECNOLOGIA ...................................................................... 81 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO ................................................................................................. 83 
A METODOLOGIA DE PROJETOS E AS NOVAS TECNOLOGIAS .......................................... 87 
FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA DE PROJETOS ............................................................. 88 
TECNOLOGIAS DIGITAIS (TDS) X TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS (TES) ........................... 90 
PROJETOS DE APRENDIZAGEM COM TECNOLOGIAS DIGITAIS ........................................ 93 
COMO IMPLEMENTAR AS TDS NOS PROJETOS DE APRENDIZAGEM? ............................. 93 
PONTOS POSITIVOS NO USO DA TECNOLOGIA EDUCACIONAL NA EDUCAÇÃO ............ 95 
PONTOS NEGATIVOS NO USO DA TECNOLOGIA EDUCACIONAL NA EDUCAÇÃO .......... 97 
APRENDIZAGEM COOPERATIVA COMO POTENCIALIDADE PARA AS NOVAS 
TECNOLOGIAS ............................................................................................................................ 99 
O USO DO BLOG COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA ...................................................... 101 
COMPONENTES DO SISTEMA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA ............................................ 103 
APRENDIZAGEM X ENSINO APOIADA ÀS NOVAS TECNOLOGIAS .................................... 105 
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................... 108 
 
 
 
 
 
 
 
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Educação digital 
 
NOVAS TECNOLOGIAS, NOVOS DESAFIOS 
 
 
A influência da TV e das redes sociais nos processos escolares e a 
utilização da mídia como instrumento didático pedagógico. Iremos discutir sobre a 
qualidade do ensino, sobre novos desafios, sobre novas abordagens da 
comunicação mediada pelas tecnologias da informática. 
Ao tratarmos de novas abordagens de comunicação na escola, mediadas 
pelas novas tecnologias da informação, estamos tratando de Tecnologia 
Educacional. O uso de artefatos tecnológicos na escola tem sido uma história de 
insucessos, caracterizada por vantagens educacionais do seu uso, 
complementadas por um discurso dos proponentes salientando a obsolescência da 
escola. Após algum tempo são lançadas políticas públicas de introdução da nova 
tecnologia nos sistemas escolares, terminando pela adoção limitada por 
professores, sem a ocorrência de ganhos acadêmicos significativos. Estudos 
apontam prováveis causas do pouco sucesso da inovação, tais como falta de 
recursos, resistência dos professores, burocracia institucional, equipamentos 
inadequados. 
O trecho de um discurso de Thomas Edison, inventor do telégrafo, do 
gramofone e da lâmpada elétrica, prevê, em 1913, que os livros didáticos se 
tornariam obsoletos nas escolas e que, usando filmes, seria possível instruir sobre 
qualquer ramo do conhecimento humano. Em 1922, Edison ainda afirmava que “... 
o filme está destinado a revolucionar nosso sistema educacional e em poucos anos 
suplantará em muito, senão inteiramente, o uso de livros didáticos”. 
Nossa utopia é sempre tentar mudar a história futura para melhor, e não 
defendo posições tradicionalistas ou contrárias à tecnologia na educação. Vejo as 
novas tecnologias como mais um dos elementos que podem contribuir para 
 
 
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Educação digital 
melhoria de algumas atividades nas nossas salas de aula. Por outro lado, também 
não adoto o discurso dos defensoresda nova tecnologia educacional, que mostram 
as mazelas das escolas (algo muito fácil de se fazer), deixando implícito que 
nossos professores são dinossauros avessos a mudanças. 
No Brasil, na década de 80, a contradição entre tecnologia de ponta e 
escolas precárias era mais evidente, uma vez que os computadores eram 
máquinas mais caras e não estavam tão disseminados na sociedade como hoje. 
Aprendemos que a expectativa de administradores, professores, alunos e pais era 
que se ensinasse informática na escola, não no sentido de uso pedagógico de 
computadores, nos levando a explorar a introdução da informática na escola como 
uma mistura de informática na educação e de preparação para o trabalho. 
 
INOVAÇÃO CONSERVADORA 
 
A história da tecnologia educacional contém muitos exemplos de inovação 
conservadora, de ênfase no meio e não no conteúdo. Devido ao efeito dramático, 
sedutor, da mídia, em certos casos a atenção era concentrada na aparência da 
aula, tomando-se como algo “dado” o conteúdo veiculado, seja na sala de aula por 
transparências ou filmes, ou pela difusão ampla de conteúdos, através da TV, do 
rádio ou mesmo de livros textos cheios de figuras, cores, desenhos, fotos. 
Atualmente a inovação conservadora mais interessante é o uso de 
programas de projeção de tela de computadores, notadamente o PowerPoint, com 
o qual o espetáculo visual (e auditivo) pode tornar-se um elemento de divagação, 
enquanto o professor solitário na frente da sala recita sua lição com ajuda de 
efeitos especiais, mostrando objetos que se movimentam, fórmulas, 
generalizações, imagens que podem ter pouco sentido para a maioria de um grupo 
de aprendizes. A inatividade física e mental) do aprendiz é reforçada pelo ambiente 
da sala, geralmente à meia luz e com ar condicionado. 
Mas tal tipo de artefato pode também ter efeitos contrários, gerando 
situações onde o aluno não precisa nem mais copiar - a coisa já vem pronta e 
acabada para se levar para casa e memorizar para a prova. Tal tipo de mídia pode 
também reforçar no aluno uma falsa sensação de ter aprendido a lição, pois tudo 
 
 
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Educação digital 
que o mestre escreveu está ali, gravado, do jeito dele, com os mesmos espaços, 
tamanhos, etc. 
Outro exemplo comum é a digitação de trabalhos escolares convencionais, 
dentro ou fora da sala de aula e sem a orientação do professor. Neste caso, a 
tecnologia pode até facilitar ou dissimular a cópia plagiadora de pedaços de 
enciclopédias, de páginas da Internet, de livros de texto e de materiais gráficos 
escaneados. Tais produções de alunos podem impressionar professores sem 
experiência de computadores, pelo aspecto gráfico esmerado dos trabalhos e pela 
extensão do texto (em alguns casos feitos por outra pessoa, algo mais difícil de 
ocorrer quando o professor conhece a caligrafia do aprendiz). 
A presença da tecnologia na escola, mesmo com bons software, não 
estimula os professores a repensarem seus modos de ensinar nem os alunos a 
adotarem novos modos de aprender. Como ocorre em outras áreas da atividade 
humana, professores e alunos precisam aprender a tirar vantagens de tais 
artefatos. 
Estamos diante de um novo século, com uma nova sociedade, a sociedade 
da informação, com novo formato de receber e transmitir informação, e de uma 
busca interminável de conhecimento. As pessoas hoje em dia, têm acesso ao 
mundo e as suas tradições culturais, com muita mais eficácia e rapidez que ontem. 
Com a explosão da computação e, consequentemente da internet, passou-se a 
considerar que disponibilizar informação em uma página da internet seria um 
processo educativo contínuo e a formação da língua escrita dessa pessoa, estaria 
sendo realmente transmitida, de forma correta. Será mesmo? E qual seriam 
realmente as vantagens e desvantagens dessa interferência digital em nossos 
dias? As recordações da educação nos dizem que, educar não é adestrar, nem 
governar informações para um indivíduo e sim servir como mediador desse 
processo. 
 
CONCEITUANDO AS TECNOLOGIAS DIGITAIS DE INFORMAÇÃO E DE 
COMUNICAÇÃO 
 
O que se entende por novas tecnologias digitais? Entendemos por novas A 
Tecnologia de Comunicação designa toda forma de veicular informação. Têm o seu 
 
 
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Educação digital 
processamento, são os computadores e os robôs, e exemplos de aparelhos que 
possibilitam a sua reprodução são a máquina de fotocopiar, o retroprojetor, o 
projetor de slides (data show). 
Tecnologias de Informação e Comunicação (chamadas de TIC) exercem 
um papel cada vez mais importante na forma de nos comunicarmos, aprendermos 
e vivermos. As novas tecnologias de informação e de comunicação (TIC), usadas 
na comunicação social, estão cada vez mais interativas, pois permitem a troca de 
dados dos seus usuários com recursos que lhes permitem alternativas e aberturas 
das mais diferentes, os programas de multimídia, como o vídeo interativo, a 
Internet. São essas novas tecnologias que permitem a preparação e manipulação 
contínua de teores específicos por parte do professor/aluno (emissor) e do 
aluno/professor (receptor), codificando-os, decodificando-os, recodificando-os 
conforme as suas realidades, as suas histórias de vida e a tradições em que vivem; 
permitindo um entendimento mais eficaz, alternando os papéis de emissor e 
receptor, como co-protagonistas e contribuintes da ação cognitiva. 
Nos dias de hoje, os diferentes usos dessas mídias (tecnologias) se 
confundem e passam a ser característicos das Tecnologias de Informação e de 
Comunicação, que mudam os padrões de trabalho, do lazer, da educação, do 
tempo, da saúde e da indústria e criam, assim, uma nova sociedade, novas 
atmosferas de trabalho, novos ambientes de aprendizagem. Criando-se um novo 
tipo de aluno que necessita de um novo tipo de professor. Um professor ligado e 
compromissado com o que está acontecendo ao seu redor. Tecnologias 
colaborativas são as que consentem à otimização do trabalho em equipe. 
Explicitando, as novas tecnologias de informação e de comunicação podem ser 
utilizadas para se alcançar objetivos individuais isoladamente. 
Assim, quando um professor pesquisa certo assunto, em bases de dados 
da Internet e, ao descobrir documentos importantes, guarda-os para seu uso 
particular em sua biblioteca virtual individual (CD-ROM ou no disco rígido do seu 
computador), os seus objetivos individuais não estão sendo admirados. Se, por 
outro lado, comunica a existência desses textos a outros professores que estão 
trabalhando com ele (de forma interdisciplinar) em um projeto comum, propondo 
uma discussão conjunta através dos serviços da própria Internet (e-mail, 
teleconferência), essa tecnologia se reveste de uma característica que otimiza a 
 
 
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Educação digital 
colaboração, daí ser então denominada reveste de uma característica que otimiza a 
colaboração, daí ser então denominada de tecnologia colaborativa. 
 
LECIONAR E APRENDER NA ERA TECNOLÓGICA 
 
Trabalhar com as tecnologias (novas ou não) de forma interativa nas salas 
de aula requer: a responsabilidade de aperfeiçoar as compreensões de alunos 
sobre o mundo natural e cultural em que vivem. Faz-se, indispensável o 
desenvolvimento contínuo de intercâmbios cumulativos desses alunos com dados e 
informações sobre o mundo e a história de sua natureza, de sua cultura, 
posicionando-se e expressando-se, de modo significativo, com os elementos 
observados, elaborados que serão melhor avaliados. Ao se trabalhar, 
adequadamente, com essas novas tecnologias, Kenski constata-se que: a 
aprendizagem pode se dar com o envolvimento integral do indivíduo, isto é, do 
emocional, do racional, do seu imaginário, do intuitivo,do sensorial em interação, a 
partir de desafios, da exploração de possibilidades, do assumir de 
responsabilidades, do criar e do refletir juntos. (KENSKI,1996, p. 20). 
Esta é a parte visível da introdução de novas tecnologias na educação. A 
estrutura das salas de aula deverá mudar como já mudaram em algumas 
instituições de ensino no Brasil e estão mudando em muitas regiões do mundo. A 
implantação (mudança) se inicia e continua com a criação de certa infraestrutura 
tecnológica e de um programa de utilização em que os professores sejam treinados 
operacionalmente, capacitados metodologicamente e filosoficamente para a 
utilização dessas novas tecnologias na sua prática pedagógica. 
O papel dos professores tem que mudar também, e os cursos superiores 
precisam preparar esses novos docentes para não perderem o controle das 
tecnologias digitais que são requeridas ou se dispõem a usar em suas salas de 
aulas. Os professores precisam aprender a manusear as novas tecnologias e 
ajudar os alunos a, e eles também, aprenderem como manipulá-las e não se 
permitirem serem manipulados por elas. Mas para tanto, precisam usá-las para 
educar, saber de sua existência, aproximar-se das mesmas, familiarizar-se com 
elas, apoderar-se de suas potencialidades, e dominar sua eficiência e seu uso, 
 
 
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Educação digital 
criando novos saberes e novos usos, para poderem estar, no domínio das mesmas 
e poderem orientar seus alunos a “lerem” e “escreverem” com elas. 
Os professores não devem substituir as “velhas tecnologias” pelas “novas 
tecnologias”, devem, antes de tudo, se adequar das novas para aquilo que elas são 
únicas e resgatar os usos das velhas em organização com as novas, isto é, usar 
cada uma naquilo que ela tem de peculiar e, portanto, melhor do que a outra. O uso 
e influência das novas tecnologias devem servir ao docente não só em relação à 
sua atividade de ensino, mas também na sua atividade de pesquisa continuada. E a 
pesquisa com as novas tecnologias tem características diferentes que estão 
diretamente ligadas à procura da constante informação. 
Os docentes devem construir e trabalhar em conjunto com seus alunos não 
só para ajudá-los a aumentar capacidade, métodos, táticas para coletar e 
selecionar elementos, mas, especialmente, para ajudá-los a desenvolverem 
conceitos. Considerações que serão o alicerce para a edificação de seus novos 
conhecimentos. 
Como descrever Gadotti, o professor “deixará de ser um lecionador para 
ser um organizador do conhecimento e da aprendizagem (...) um mediador do 
conhecimento, um aprendiz permanente, um construtor de sentidos, um 
cooperador, e sobretudo, um organizador de aprendizagem” (Gadotti, 2002). 
Não podemos deixar de destacar a importância de se repensar os métodos 
docente a partir de uma maior valorização da metodologia de interação e 
colaboração mutua que devem estar presentes proporcionalmente na educação à 
distância quanto na educação presencial, escolha metodológica tão discutida hoje 
em dia e que vem sendo exercitada por profissionais das áreas mais variadas da 
educação. É muito inquietante como os professores estão se afastando dessas 
práticas alternativas, apresentando, com isso, muita oposição e resistência. 
A educação precisa repensar seus métodos curriculares e preparar seus 
docentes tanto para se apropriarem das novas tecnologias de informação e 
comunicação quanto para a prática da educação a distância que se vê viabilizada. 
Os Cursos de Educação à Distância são exemplos desta iniciativa. 
 
 
 
 
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Educação digital 
TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO 
 
Aprendizagem, proporcionando novas formas de ensinar e aprender. O 
professor deve ser alguém criativo, competente e comprometido com o advento das 
novas tecnologias, interagindo em meio à sociedade do conhecimento, repensando 
a educação e buscando os fundamentos para o uso dessas novas tecnologias, que 
causam grande impacto na educação e determinam uma nova cultura e novos 
valores na sociedade. Hoje, as tecnologias contribuem para um melhor processo de 
ensino A partir de mudanças na forma de ensinar e com a inserção de tecnologias 
nesse diálogo entre professor e aluno; hoje há uma troca de informações em sala 
de aula, na qual o professor não é mais o detentor de todo o conhecimento, de 
modo que o aluno passa a ser o principal responsável pela construção do seu 
conhecimento, tendo um papel mais ativo, na busca de soluções das suas 
necessidades. 
Segundo Moran: 
A concepção de ensino e aprendizagem revela-se na prática de sala de 
aula e na forma como professores e alunos utilizam os recursos tecnológicos 
disponíveis. A presença dos recursos tecnológicos na sala de aula não garante 
mudanças na forma de ensinar e aprender. A tecnologia deve servir para 
enriquecer o ambiente educacional, propiciando a construção de conhecimentos 
por meio de uma atuação ativa, crítica e criativa por parte de alunos e professores. 
(MORAN, 1995, apud MAINART; SANTOS, 2010, p. 04) 
O principal objetivo do processo de ensino-aprendizagem por meio da 
tecnologia é formar alunos mais ativos, de modo que o educador e a tecnologia se 
tornem mediadores desse processo, devendo estar unificados para que a 
aprendizagem se torne eficaz. 
Por meio da utilização das tecnologias, a associação das práticas 
pedagógicas, juntamente com o aprendizado, representa uma possibilidade a mais 
para os professores, pois estimula o aprendizado, de modo que os participantes 
desse processo passam a investigar as soluções para os problemas e para as 
situações em estudo. Essa nova maneira está relacionada a uma nova visão de 
construção do conhecimento, em um processo que envolve todos os participantes, 
 
 
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Educação digital 
professores e alunos, superando as formas tradicionais na relação de ensino-
aprendizagem. 
 
 TECNOLOGIAS 
 
Segundo o dicionário de Língua Portuguesa Tecnologia é uma “ciência cujo 
objeto é a aplicação do conhecimento técnico e científico para fins industriais e 
comerciais” e um “conjunto dos termos técnicos de uma arte ou de uma ciência”. A 
base da tecnologia encontra se no conhecimento, técnica e experiência. É por meio 
deste conjunto que novas tecnologias são criadas e que aos poucos são 
transformados os indivíduos e a sociedade, independente da utilização que se faça 
dessa tecnologia. Essa absorção da tecnologia pela cultura ocorre a partir de 
valores preestabelecidos pela sociedade. 
Para Kenski, “[...] as tecnologias são tão antigas quanto a espécie humana” 
(2012, p. 15). Elas existem desde a idade da pedra, quando os mais fortes se 
destacavam com ideias para a sua própria sobrevivência e, à medida que iam 
sobrevivendo, surgiram novas necessidades, de modo que novas tecnologias foram 
sendo criadas. Esse processo ocorre até os dias atuais, isto é, no decorrer da 
evolução originaram-se diferentes tecnologias. Atualmente, temos uma evolução 
tecnológica bem diferente da realidade da idade da pedra, mas que possui os 
mesmos objetivos, sempre buscando novas formas de melhorar os processos 
existentes que ocorrem nos diversos setores da sociedade, desenvolvendo 
mudanças tanto na vida coletiva, como na vida individual. 
Em muitos casos não é uma nova tecnologia que está surgindo, mas sim 
uma inovação de uma tecnologia já existente. É muito rápido o processo de 
desenvolvimento tecnológico atual, em que fica difícil definir o que é um novo 
conhecimento, instrumento e procedimento ou o que é uma inovação de uma 
tecnologia já existente. 
O critério para a identificação de novas tecnologias pode ser visto pela sua 
natureza técnica e pelas estratégias de apropriação e de uso. Atualmente, as novastecnologias estão relacionadas aos processos e produtos originários da eletrônica, 
da microeletrônica e das telecomunicações, as quais caracterizam-se por serem 
áreas evolutivas, em permanente transformação. 
 
 
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Hoje são comuns as expressões “sociedade tecnológica”, “a tecnologia 
invadiu nosso cotidiano”, o que, às vezes, causa certo receio nas pessoas, as quais 
se assustam com as possibilidades demonstradas nos filmes de ficção científica, 
em que a tecnologia passa a ter domínio sobre os seres humanos. A tecnologia faz 
parte de nossa vida em todos os aspectos, por exemplo, comer só é possível 
graças à tecnologia dos talheres, pratos, geladeira, fogão, micro-ondas etc. E, 
dessa mesma forma, a tecnologia está presente em todas as atividades da nossa 
rotina e, para a realização das mesmas, são necessários produtos e equipamentos 
resultantes de estudos, planejamentos e construções. Pensando dessa forma, não 
é só agora que se vive a “era tecnológica”. Essa “era” já existe desde os primórdios, 
porém em cada época existiu um tipo de tecnologia diferente, que, cada uma a sua 
maneira, tinha o objetivo de melhorar a qualidade dos processos. 
As tecnologias atuais representam mudança de comportamento. Um 
exemplo simples é a internet, que, apesar de ser uma tecnologia já antiga (em 1960 
já se falava de internet), possibilita a comunicação das pessoas sem que estas 
estejam no mesmo local e a Educação a Distância, que permite àqueles que não 
têm a possibilidade de cursar o Ensino Superior de forma presencial ou que não 
possuem recursos para arcar com esse investimento. Outros exemplos: televisão, 
computadores, celulares etc. 
As pessoas já estão dependentes de toda a tecnologia existente. Hoje é 
muito comum uma criança já saber utilizar um celular e/ou os programas de 
computador. 
Uma realidade muito diferente de anos atrás, já que o acesso a essas 
tecnologias se dava apenas quando fossem jovens e/ou adultos. 
A escola e o professor precisam explorar esse conhecimento que já 
possuem, permitindo assim novas formas de ensinar e aprender e também incluir 
aqueles que ainda estão nas estatísticas de exclusão digital, pois, apesar das 
facilidades de acesso às tecnologias, ainda existe desigualdade social nesse 
âmbito. Este é outro ponto importante da utilização das tecnologias no processo de 
ensino-aprendizagem, já que a escola passa a fazer um trabalho social, inserindo 
essas pessoas no mundo tecnológico, eliminando assim todas as barreiras que 
possam existir, sejam elas sociais, culturais ou intelectuais. 
 
 
 
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AS PRINCIPAIS TECNOLOGIAS UTILIZADAS EM EAD 
 
• Mídia impressa: texto impresso, caderno de estudos, jornais e boletins, 
notas de aulas, livros didáticos, apostilas etc. 
• Mídia sob a forma de áudio e vídeo: fitas gravadas, CD-ROM. 
• Rádio e televisão: programas ao vivo e gravados: 
 
Com o surgimento da internet tornou-se possível uma nova forma de 
disseminação por vídeo, denominada vídeo transmissível, ou seja, vídeo no formato 
digital que permite que as pessoas façam DOWNLOAD na forma compacta, direto 
de um servidor da WEB. 
• Tecnologia de telecomunicação interativa, que pode ser via áudio, 
audiografia (agrega imagens visuais ao áudio), vídeo e computador. 
• Audioconferência: os participantes são conectados por linhas 
telefônicas. 
• Audiográfico: tecnologia que agrega imagens visuais, o áudio e 
também é transmitida por linhas telefônicas. 
• Videoconferência: permite a transmissão nos dois sentidos de imagens 
televisivas via satélite ou a cabo. Outros tipos de equipamento, como monitores de 
televisão, gravadores/ aparelhos de videocassete, microfone, câmeras e 
computadores também são usados. 
• Aprendizado com o uso do computador: programas de estudo auto 
gerenciado que o aluno usa sozinho no computador. O programa educacional pode 
ser disponibilizado em CD-ROM ou conectado à internet para ter acesso ao 
hipertexto (conteúdo, página ou texto de internet) e hipermídia (permite ao usuário 
a interatividade de acesso pelas “ligações” existentes no conteúdo ou página ou 
documentos da internet). 
 
 
 
 
 
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AMBIENTES EDUCATIVOS VIRTUAIS 
 
Muitas plataformas ou ambientes educativos foram criados para promover o 
aprendizado com o uso do computador conectado à internet. Esses ambientes 
favorecem o acesso às tecnologias educacionais. Como exemplos de plataformas 
ou ambientes de aprendizagem, cito: 
• PVANet: ambiente virtual de aprendizagem, desenvolvido na 
Universidade Federal de Viçosa/MG para cursos na modalidade a distância. Esse 
ambiente permite criar, manter e administrar cursos baseados na internet. Para 
saber mais, acesse: https://www2.cead.ufv.br/sistemas/ pvanet/geral/login.php 
• AulaNet: ambiente desenvolvido em julho de 1997, pelo Laboratório 
de Engenharia de Software do Departamento de Informática da PUCRio. Esse 
ambiente permite criar, manter e administrar cursos baseados na internet. Para 
saber mais, acesse: http://www.aulanet.com.br/ 
• ProInfo: ambiente desenvolvido na década de 1990, pelo Programa 
Nacional de Informática na Educação do MEC. Seu objetivo inicial era auxiliar a 
formação continuada de professores; atualmente esse ambiente está disponível 
para outros projetos vinculados ao MEC. 
• TelEduc: ambiente desenvolvido por pesquisadores do Núcleo de 
Informática Aplicada à Educação da UNICAMP. Seu objetivo era a produção, 
participação e administração de cursos na internet. Hoje em dia essa plataforma de 
ensino é livre, para uso de qualquer instituição de ensino para cursos na 
modalidade a distância. 
• Moodle: ambiente desenvolvido na década de 1990, pela Curtin 
University of Tecnology, na Austrália. Possui ferramentas que permitem a criação e 
integração de conteúdos. Na versão em português, é muito utilizado para projetos 
educacionais a distância, inclusive pelo MEC. 
 
FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO 
 
Cada plataforma e/ou ambiente possui características próprias, mas, no 
geral, todos eles apresentam ferramentas para promover a comunicação em tempo 
real (síncrona) ou não (assíncrona), que podem ser denominadas conforme cada 
 
 
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Educação digital 
ambiente virtual de aprendizagem. Uma ferramenta de comunicação assíncrona 
permite a interação dos participantes sem que estes estejam necessariamente 
conectados ao mesmo tempo. Já a comunicação síncrona permite a comunicação 
de forma mais interativa e dinâmica. 
Dentre as ferramentas de comunicação e gerenciamento encontradas nas 
plataformas e/ou ambientes de ensino em EAD, podemos citar: 
• Correio eletrônico ou e-mail: esta é uma das ferramentas de comunicação 
assíncrona muito utilizada em cursos a distância. E, como tal, permite a interação 
dos participantes sem a necessidade de estarem conectados ao mesmo tempo. 
Indicado para enviar e receber arquivos anexados às mensagens, esclarecer 
dúvidas, dar sugestões etc. 
• Chat ou bate-papo: é uma ferramenta que permite a comunicação 9.3 
em tempo real, ou seja, de forma síncrona. Com essa ferramenta, é possível que o 
professor e os alunos encontrem-se virtualmente para esclarecimentos de dúvidas 
e grupos de alunos encontrem-se para debater sobre trabalhos em equipes. Para 
que o sistema funcione, porém, é indispensável que os participantes do chat 
estejam conectados simultaneamente no ambiente virtual do curso. 
• Fórum: esta é uma das ferramentas de comunicação assíncrona muito 
utilizada em cursos de EAD no desenvolvimento de debates. Permite o debate de 
temas coma inclusão de opiniões em qualquer tempo. Não é necessário que todos 
os participantes estejam conectados ao mesmo instante para interagir, como na 
comunicação síncrona. O fórum é organizado de acordo com a postagem dos 
assuntos, mantendo a relação entre o tópico lançado, respostas e respostas das 
respostas. 
• Mural: é uma ferramenta que pode ser utilizada pelo professor e 
alunos para colocar avisos, informações de interesse coletivo da turma, registros de 
aulas práticas, resultados e notas de atividades etc. A comunicação através dessa 
ferramenta pode acontecer em qualquer tempo, não sendo necessário os 
participantes estarem conectados ao mesmo tempo. 
• Perguntas e Respostas/FAQ: é uma ferramenta utilizada para facilitar 
o envio de dúvidas pelos alunos, ao mesmo tempo em que permite que o professor 
envie respostas às perguntas mais frequentes. Propicia economia de tempo para o 
 
 
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Educação digital 
estudante, já que ele pode consultar essa ferramenta para verificar se já existe uma 
resposta para sua dúvida disponibilizada no ambiente virtual da aula. 
• Relatórios: os relatórios gerados a partir dos fóruns de discussão são 
ferramentas de gerenciamento. Essa ferramenta geralmente apresenta informações 
que auxiliam o acompanhamento do estudante pelo professor, assim como o 
autoacompanhamento por parte do estudante. Os relatórios apresentam 
informações relativas ao histórico de acesso ao ambiente de aprendizagem pelos 
estudantes, bem como notas, frequência de acesso, histórico dos artigos lidos e 
mensagens postadas para o fórum e correio, participação em sessões de chat e 
mapas de interação entre os professores e estudantes. 
• Avaliação on-line: ferramenta de gerenciamento/comunicação. Essa 
ferramenta envolve as avaliações que devem ser feitas pelos estudantes e os 
recursos on-line para que o professor corrija as avaliações. Do mesmo modo, 
fornece informações a respeito das notas, o registro das avaliações que foram 
feitas pelos estudantes, tempo gasto para resposta etc. 
Recomenda-se, no entanto, para os cursos de EAD, a utilização de mais de 
uma tecnologia e várias mídias para promover a comunicação e disponibilizar os 
conteúdos do curso. O objetivo maior é atingir todos os estudantes, não excluindo 
aqueles que porventura tenham dificuldades de acesso às tecnologias de 
comunicação e informação mais recentes, como, por exemplo, internet e o 
computador. 
 A TECNOLOGIA NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM 
 
A incorporação das inovações tecnológicas só tem sentido se contribuir 
para a melhoria da qualidade do ensino. A simples presença de novas tecnologias 
na escola não é, por si só, garantia de maior qualidade na educação, pois a 
aparente modernidade pode mascarar um ensino tradicional baseado na 
memorização de informações. 
A concepção de ensino e aprendizagem revela-se na prática de sala de 
aula e na forma como professores e alunos utilizam os recursos tecnológicos 
disponível livro didático, giz e quadro, televisão ou computador. A presença desse 
aparato tecnológico na sala de aula não garante mudanças na forma de ensinar e 
aprender. A tecnologia deve servir para enriquecer o ambiente educacional, 
 
 
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Educação digital 
propiciando a construção de conhecimentos por meio de uma atuação ativa, crítica 
e criativa por parte de alunos e professores. 
O Brasil é um país com grande diversidade regional, cultural e com grandes 
desigualdades sociais; portanto, não é possível pensar em um modelo único para 
incorporação de recursos tecnológicos na educação. É necessário pensar em 
propostas que atendam aos interesses e necessidades de cada região ou 
comunidade. 
Se a escola for entendida como um local de construção do conhecimento e 
de socialização do saber, como um ambiente de discussão, troca de experiências e 
de elaboração de uma nova sociedade, é fundamental que a utilização dos 
recursos seja amplamente discutida e elaborada conjuntamente com a comunidade 
escolar, ou seja, que não fique restrita às decisões e recomendações de outros. 
Tanto no Brasil como em outros países, a maioria das experiências com uso de 
tecnologias informacionais na escola estão apoiadas em uma concepção tradicional 
de ensino e aprendizagem. Esse fato deve alertar para a importância da reflexão 
sobre qual é a educação que se quer oferecer aos alunos, para que a incorporação 
da tecnologia não seja apenas o "antigo" travestido de "moderno". 
Os meios eletrônicos de comunicação oferecem amplas possibilidades para 
ficarem restritos à transmissão e memorização de informações. Permitem a 
interação com diferentes formas de representação simbólica - gráficos, textos, 
notas musicais, movimentos, ícones, imagens -, e podem ser importantes fontes de 
informação, da mesma forma que textos, livros, revistas, jornais da mídia impressa. 
Entrevistas, debates, documentários, filmes, novelas, músicas, noticiários, 
softwares, CD-ROM, BBS e Internet são apenas alguns exemplos de formatos 
diferentes de comunicação e informação possíveis utilizando-se esses meios. 
O computador, em particular, permite novas formas de trabalho, 
possibilitando a criação de ambientes de aprendizagem em que os alunos possam 
pesquisar, fazer antecipações e simulações, confirmar ideias prévias, experimentar, 
criar soluções e construir novas formas. Além disso, permite a interação com outros 
indivíduos e comunidades, utilizando os sistemas interativos de comunicação: as 
redes de computadores. 
 
 
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Educação digital 
 
O PROFESSOR DIANTE DA EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA 
 
As orientações e práticas pedagógicas de instrução, os paradigmas de 
investigação e as modelos de formação tecnológicas podem ser adaptados, e são 
dependentes das perspectivas sobre a natureza do conhecimento, do pensamento 
e das diferentes teorias da aprendizagem. Ou seja, as orientações metodológicas e 
curriculares, as práticas, derivam e fundamentam-se, pois, nas teorias da 
aprendizagem e do desenvolvimento, sendo, então, os seus pilares a Filosofia e a 
Psicologia, dentre outros. 
A grande evolução e utilização das novas tecnologias informacionais vem 
provocando transformações radicais nas concepções de ciência, e impulsiona as 
pessoas a conviverem com a ideia de aprendizagem sem fronteiras e sem 
prérequisitos. Tudo isso implica em novas ideias de conhecimento, de ensino e de 
aprendizagem, exigindo o repensar do currículo, da função da escola, do papel do 
professor e do aluno. 
Uma mudança qualitativa no processo de ensino/aprendizagem acontece 
quando se consegue integrar dentro de uma visão inovadora todas as tecnologias: 
as telemáticas, as audiovisuais, as textuais, as orais, musicais, lúdicas e corporais. 
Houve uma passagem muito rápida do livro para a televisão e vídeo e 
destes para o computador e a Internet, sem que houvesse a aprendizagem e a 
exploração de todas as possibilidades de cada meio. As habilidades relacionadas 
ao uso de tecnologia delineiam um novo modelo para a escola. Os recursos 
oferecidos pelos computadores, pela Internet e outras redes de comunicação 
evidenciam a necessidade de se estabelecerem vínculos entre os conteúdos das 
disciplinas escolares, as diversas aprendizagens no âmbito da escola e a realidade 
cotidiana. Notadamente as informações circulantes são mais ricas em forma e mais 
diversificadas em conteúdo do que as existentes na escola tradicional. 
Até o advento das tecnologias de informação e comunicação, a escola era 
o lugar para onde as pessoas se destinavam a fim de adquirir conhecimento 
sistematizado, o lugar onde estavam as informações mais importantes e o 
professor era visto, então, como o detentor e provedorde saberes. Com a profusão 
de mídias e facilidade de acesso oferecido pelas tecnologias de informação e 
 
 
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Educação digital 
comunicação, a escola redefine-se no que diz respeito a ser repositório de 
informações e o professor passa a ter o papel de mediador e orientador da 
aprendizagem, devendo ser hábil no uso das tecnologias para a educação. 
Para empreender um trabalho, no espaço escolar, comprometido com uma 
nova realidade tecnológica, o professor precisa criar novas metodologias de ensino 
que tenham como ponto de ancoragem a realidade da escola e de seus 
protagonistas, relacionando o cotidiano escolar a contextos mais amplos, 
articulando o senso comum ao saber sistematizado e socialmente construído, 
integrando e contextualizando os diversos componentes curriculares à nova 
realidade social. Dadas as transformações socioculturais que ocorrem numa 
velocidade jamais vista, os profissionais da educação devem estar continuamente 
se informando, se transformando, se formando. 
 
O PAPEL DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO ENSINO 
 
Das abordagens de integração das TIC no contexto educativo, hoje podem 
considerar-se mais relevantes a do computador visto como uma ferramenta e 
instrumento de trabalho e a promovida pela utilização da internet no ensino e 
aprendizagem, na perspectiva do computador como máquina de fornecer 
informação e ferramenta auxiliar para a construção de conhecimento. 
A internet está revolucionando os métodos de pesquisa e deste modo, 
embora a sua utilidade, é necessário avaliar adequadamente a sua informação, 
nomeadamente os alunos, dado que muitos confiam e utilizam a internet como 
primeira fonte de informação sem formação formal sobre as dificuldades 
envolvidas. 
A utilização das TIC deve ser sempre justificável à luz dos benefícios e 
vantagens para o processo de ensino-aprendizagem. No entanto, o aproveitamento 
otimizado destas novas tecnologias implica uma mudança nas nossas formas de 
ensinar e de aprender. Isto é, a integração das TIC pode ser ainda mais efetiva ao 
explorar novos modelos pedagógicos diferenciados, onde se enquadram as 
pedagogias construtivistas. 
Sugere-nos a necessidade de um modelo flexível para a experimentação e 
inovação curricular. Assim, a flexibilização beneficia a construção de caminhos 
 
 
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Educação digital 
conducentes à obtenção de competências diversificadas, produzidas e 
desenvolvidas tanto ao nível de competências cognitivas, como pessoais e sociais, 
designadamente, através de métodos participativos que posicionem os alunos no 
centro do processo de ensino-aprendizagem e fomentem a sua autonomia, 
preconizados pelas pedagogias construtivistas. 
A ideia da concepção construtivista do ensino e da aprendizagem é 
normalmente utilizada para designar uma posição com alargado enfoque, no qual 
convergem diversas teorias psicológicas e educativas, que partilham o pressuposto 
de que o conhecimento e a aprendizagem não se constituem como uma cópia da 
realidade, mas sim como uma construção ativa do sujeito em interação com um 
ambiente sociocultural. 
 
INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA NA ESCOLA COM USO DA NFORMÁTICA 
 
Facilitação da construção do conhecimento 
• Desenvolvimento do raciocínio lógico 
• Desenvolvimento da sequência lógico-temporal 
• Aumento da flexibilidade do pensamento 
• Aumento da organização na realização de tarefas 
• Aumento da atenção na realização de tarefas 
• Possibilidade de lidar com diferentes exigências temporais 
• Possibilidade de lidar com os próprios erros de forma produtiva 
• Estímulo à curiosidade (exploração do novo) Desenvolvimento da 
imaginação/criatividade Fortalecimento da autonomia 
• Tomada de decisões, escolhas mais rápidas 
• "Melhoria" da autoestima 
• Desenvolvimento da leitura informativa 
• Interpretar e seguir ordens 
• Rapidez na leitura (ritmos diferentes) 
• Rapidez na resposta 
 
 
 
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Educação digital 
PEDAGOGIAS CONSTRUTIVISTAS NO ENSINO E APRENDIZAGEM DAS 
NOVAS TECNOLOGIAS. 
Os modelos centrados no aluno assentam na perspectiva filosófica de John 
Dewey e de outros educadores progressistas do século XX, designadamente, a 
pedagogia de Montessori ou a Escola Nova de Freinet, assim como, de psicólogos 
defensores do pensamento cognitivo, como Piaget e Vygotsky. A perspectiva 
construtivista defende que o conhecimento é algo pessoal e o significado é 
construído pelo aluno através da experiência. A aprendizagem é vista como uma 
atividade social e cultural em que os próprios alunos constroem os significados e 
são influenciados pela interação entre o conhecimento previamente adquirido e as 
novas experiências de aprendizagem. Consequentemente, as pedagogias 
construtivistas podem mais facilmente promover a criação e o desenvolvimento de 
competências diversificadas, tanto ao nível cognitivo como comportamental, ao 
orientarem os alunos para a construção do próprio significado, e assumindo estes 
um desempenho ativo nessa construção. Em geral, podemos dizer que a 
competência integra conhecimentos, capacidades e atitudes. Ou seja, trata-se do 
processo de ativar recursos, em diversos tipos de situações, associado a algum 
grau de autonomia em relação ao uso do saber. 
Desta forma, os professores devem recorrer a pedagogias diferenciadas 
que perspectivem a progressão individual dos alunos. Esta técnica permite abarcar 
diferentes estádios de desenvolvimento dos alunos, respeitar diferentes ritmos de 
aprendizagem, valorizar processos complexos de pensamento e a aquisição de 
competências, como a autonomia, a liderança democrática e a 
autorresponsabilização. 
Nos grupos de trabalho, os alunos podem organizar-se de forma que cada 
grupo investigue um aspeto sobre determinado tema, tendo depois cada grupo a 
responsabilidade de apresentar aos restantes o conhecimento então construído. 
Assim, a aprendizagem feita em comum permite a todos a possibilidade de poder 
“aprender a aprender”, mas também desenvolver competências ao nível do saber, 
ser capaz e o estar. 
As práticas educacionais diferenciadoras distinguem-se, tendo em conta 
que a base estruturante do trabalho é a autonomia e a responsabilização do aluno 
em que se pressupõe um princípio de heterogeneidade e trabalho colaborativo. O 
 
 
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Educação digital 
método educacional das novas tecnologias também define para cada aluno um 
plano de trabalho autónomo. Este é um mapa de planeamento das atividades e da 
verificação do seu cumprimento, onde se pode observar o trabalho de estudo e 
treino de competências que cada aluno se propõe realizar. Esta organização 
cooperativa usando as novas tecnologias promove o desenvolvimento moral, cívico 
e social dos alunos, propiciando um ambiente facilitador da criação e incremento de 
competências diversificadas. 
 
A CRIAÇÃO DO CONHECIMENTO USANDO AS NOVAS TECNOLOGIAS 
 
A utilização das novas TIC no âmbito da didática, como recurso 
complementar de outros, sobretudo com base no paradigma construtivista, inclui 
hoje o uso da internet. Esta, entre outras vantagens, facilita o acesso a fontes; 
contribui para o desenvolvimento do espírito crítico; permite experimentar formas de 
trabalho; ajuda à construção de conceitos; incentiva a transdisciplinaridade; 
desenvolve o sentido de cooperação e autonomia dos alunos. No entanto, a 
exploração didática das TIC envolve uma enorme complexidade, obrigando à 
mobilização de saberes multidisciplinares, tendo os professores que integrar as 
variáveis pedagógicas e tecnológicas. Não basta colocar os equipamentos nas 
salas de aula, para que o ensino seja eficaz,sendo essencial planear e analisar de 
que forma se pode promover ativamente a integração das TIC no processo de 
ensino e aprendizagem. 
Nesta perspectiva, as TIC não devem ser simplesmente um fenômeno 
informativo ou comunicativo orientado para o processo de informação, mas sim um 
instrumento de desenvolvimento cognitivo, que permita a transformação da 
informação em conhecimento. Assim, o caminho a seguir na educação para a 
autonomia dos alunos é tirar partido da concepção e realização de projetos, tanto 
individuais como coletivos, com a orientação e mediação do professor. 
Segundo uma visão construtivista e sociocultural dos processos de ensino 
e aprendizagem, categorizam três formas de uso das TIC pelos alunos: 1) como 
suporte, seguimento e apoio do professor; 2) como apoio ao trabalho colaborativo 
dos alunos em pequeno grupo; 3) como apoio à reflexão e regulação dos alunos 
sobre o seu próprio processo de trabalho e aprendizagem. 
 
 
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Educação digital 
Adicionalmente, as TIC podem ser utilizadas como ferramentas de suporte 
à comunicação entre professor e aluno e também entre alunos e, simultaneamente, 
conceber-se como contextos virtuais alargados relativamente à atividade 
presencial, combinando o presencial e o virtual no processo de ensino-
aprendizagem. Desta forma, o professor, para além das aulas presenciais, pode 
prestar um apoio personalizado ao trabalho autónomo dos alunos de forma 
assíncrona, através da utilização das TIC, com o uso do Moodle, email, blogs ou 
sites. 
Ligadas ao aspeto da autonomização, as TIC constituem um aspeto da 
inovação nos sistemas educativos. Pelo que, a integração destas nos processos de 
ensino e aprendizagem, para além de permitirem a produção e desenvolvimento de 
competências, podem conduzir à criação e construção de conhecimento. 
 
 AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM: O MOODLE 
 
Para a promoção de cursos a distância, ambientes virtuais estruturados são 
desenvolvidos com o objetivo de promover a aprendizagem. São espaços 
eletrônicos construídos para permitir a veiculação e interação de conhecimentos e 
usuários, Esses ambientes são chamados de Sistemas de Gerenciamento de 
Aprendizagem (do inglês: Learning Management Systems – LMS). São softwares 
projetados para atuarem como salas de aula virtuais e têm como características o 
gerenciamento de integrantes, relatório de acesso e atividades, promoção da 
interação entre os participantes, publicação de conteúdos. 
Os LMS são Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), que 
diferentemente de outros, oferecerem características de controle e gerenciamento 
inexistentes em outras interfaces da web. Os ambientes de aprendizagem se 
caracterizam e se diferenciam de outros ambientes da web porque eles têm uma 
dinâmica própria para atender ao fazer pedagógico, o qual é orientado no sentido 
de que se estabelecem metas para o aluno atingir. Outro diferencial é o 
oferecimento de feedback. O feedback é fundamental para que os alunos possam 
avaliar se estão atingindo os objetivos estabelecidos para o curso. Objetivos 
orientados a feedback são um dos aspectos críticos de um ambiente de 
aprendizagem, pois, se o aluno não recebe comentário sobre as atividades que ele 
 
 
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Educação digital 
desenvolveu em um curso ele não tem como saber se está ou não atingindo os 
objetivos estabelecidos. 
Nos AVA’s, os recursos que dão suporte à educação a distância são os 
mesmos da internet: correio, fórum, chat, conferência, banco de recurso. O 
gerenciamento desses ambientes engloba diferentes aspectos, dos quais 
destacamos a gestão das estratégias de comunicação e mobilização dos 
participantes, a gestão da participação dos alunos por meio de registro das 
produções, interações e caminhos percorridos, a gestão de apoio e orientação dos 
formadores aos alunos e a gestão da avaliação. 
Pelo fato de ser um software livre, gratuito e aberto, o Moodle pode ser 
carregado, utilizado, modificado e distribuído. Ele é um projeto de desenvolvimento 
contínuo, por isso, podemos receber atualizações constantes, tendo também os 
próprios usuários como seus construtores. Por propor uma aprendizagem 
colaborativa on-line, ele é considerado um ambiente baseado numa proposta 
socioconstrutivistas. 
Sendo assim, o Moodle é um ambiente que permite a adequação das 
necessidades das instituições e dos usuários, e, enquanto ambiente virtual de 
aprendizagem, foi desenvolvido levando em consideração que a aprendizagem 
acontece, através da colaboração do conhecimento. Percebe-se na filosofia do 
desenvolvimento do Moodle uma clara expressão das intenções de promover a 
colaboração e cooperação do outro para com o outro, buscando desenvolver uma 
cultura baseada em conhecimentos compartilhados entre o grupo. 
O fato de o Moodle ser um ambiente de aprendizagem que possibilita o 
feedback, a própria construção do ambiente e a construção do conhecimento 
compartilhado conduz que se adote uma concepção social para a compreensão de 
sua dinâmica de aprendizagem. 
Para o desenvolvimento das atividades são utilizados recursos que 
reforçam os princípios sócio interacionistas pelo fato de oportunizarem a 
comunicação e a intervenção do usuário durante o processo. Esses recursos são 
disponibilizados no ambiente e oportunizam a interação dos alunos com os 
conteúdos e com colegas e professores. 
Essas ferramentas são consideradas de informação e comunicação. No 
caso das interfaces de comunicação destacam-se as ferramentas de interatividade 
 
 
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Educação digital 
síncronas e as assíncronas. As ferramentas de comunicação síncronas são as que 
permitem a participação de alunos e professores em eventos marcados, com 
horários específicos, via internet, a exemplo dos chats. Para esse tipo de 
interatividade, a comunicação em tempo real, possibilita aos envolvidos uma 
sensação de grupo, de comunidade, o que pode ser determinante para a 
continuidade do curso, uma vez que preserva a motivação, a interação em tempo 
real, o retorno e a crítica imediata, encontros regulares, etc. 
Já as ferramentas de comunicação assíncronas como o Fórum, o Diário, o 
diálogo, as lições, entre outros, são consideradas como revolucionárias pelo fato de 
possibilitar que o usuário faça sua intervenção de forma mais organizada, uma vez 
que ele terá tempo para sistematizar sua opinião, comentário, respostas, etc. 
Cada uma dessas ferramentas tem uma função definida no ambiente e com 
possibilidades limitadas e cabe ao professor selecioná-las, conforme os objetivos 
de seu curso. Todavia se acrescenta que como o Moodle é um ambiente de 
construção pública e livre, ele pode ser alterado e novas ferramentas podem surgir 
e serem agregadas a já existentes. 
As ferramentas mais comuns no ambiente Moodle são as seguintes: 
arquivo de Materiais, Lição, Fórum, Tarefa, Questionário, Chat, SCORM, Glossário, 
Pesquisa de Opinião, wiki, Pesquisa de Avaliação, Diário, Diálogo. 
O emprego das NTICs (Novas Tecnologias de Informação e Comunicação) 
na educação possibilita a criação de ambientes novos com estruturas flexíveis, 
abertas, integrando várias mídias e possibilitando a interação entre os participantes 
do processo. Mas o uso da tecnologia reforça a existência de um projeto educativo 
com definição de perfil de alunos, objetivos, parâmetros pedagógicos, conteúdo e 
avaliação dos conteúdos que serão ministrados, além de ajustes no decorrer do 
processo ensino e aprendizagem. E o grau de interatividade presente nelas vai, em 
muito, depender da mediação pedagógica que subjaz ao processo de ensino e 
aprendizagem a que se propõe o curso, o professor. 
 
 
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Educação digital 
 
http://pramidias-pmf.blogspot.com.br/2011_03_01_archive.html 
 
PROJETOS DE INOVAÇÃO TECNOLOGICA NA EDUCAÇÃO 
 
O principal aspecto a ser questionado sobre a elaboração de materiais 
didáticos mediatizados por novas tecnologias da informação e da comunicação é a 
sua contribuição para novas concepções da aprendizagem. Essa questão é 
polêmica, visto que parece não haver um ponto de vista único entre os 
especialistas da área. Muitas pessoas consideram que a contribuição da 
informática é apenas de ordem tecnológica e não conceitual, o que significa que ela 
não oferece subsídio para a elaboração de novas ideias acerca dos processos de 
aprendizagem ou ensino. 
Desde que usadas como fundamento do processo de ensino e 
aprendizagem forma de pensar e sentir ainda em construção, vislumbrando, assim, 
um papel importante para elas na elaboração do pensamento. Vista dessa 
perspectiva, a concepção de materiais didáticos que incorporem novas tecnologias, 
capazes de oferecer uma reestruturação do processo de aprendizagem, depende 
do esforço de relacionar novas abordagens teóricas sobre a aprendizagem a seu 
desenho instrucional. 
Tomando, porém, como exemplo a pesquisa no campo da informática 
educativa nos últimos dez anos, pode-se observar que a transferência de 
descobertas nas ciências cognitivas e sociais para a prática do planejamento de 
 
 
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Educação digital 
materiais didáticos raramente é um processo tão direto, o que representa o grande 
desafio para os projetos de inovações tecnológicas na escola. O construtivismo tem 
sido ultimamente a abordagem teórica mais utilizada para orientar o 
desenvolvimento de materiais didáticos informatizados, principalmente o de 
ambientes multimídia de aprendizagem. 
Podemos considerá-lo como um guarda-chuva que tem dado origem a 
diferentes propostas educativas que incorporam novas tecnologias, às vezes de 
forma implícita, às vezes de forma explícita. O fato de a abordagem construtivista 
ser hoje predominante não significa uma tendência única refletida nos materiais 
didáticos, mesmo porque a ideia de construção do conhecimento está presente na 
obra de vários autores, como Piaget, Vygotsky, Wallon, Paulo Freire, Freud, entre 
outros e, dependendo de qual deles seja o referencial eleito, configura-se uma 
proposta pedagógica um pouco diferenciada. 
Apesar das diferenças entre as concepções teóricas desses autores sobre 
o construtivismo, há elementos comuns que são fundamentais. Talvez o mais 
marcante seja a consideração do indivíduo como agente ativo de seu próprio 
conhecimento, o que no contexto educativo desloca a preocupação com o processo 
de ensino (visão tradicional) para o processo de aprendizagem. Na visão 
construtivista, o estudante constrói representações por meio de sua interação com 
a realidade, as quais irão constituir seu conhecimento, processo insubstituível e 
incompatível com a ideia de que o conhecimento possa ser adquirido ou 
transmitido. Assumir esses pressupostos significa mudar alguns aspectos centrais 
do processo de ensino-aprendizagem em relação à visão tradicional. À medida que 
professores e elaboradores de materiais didáticos que incorporam as novas 
tecnologias apropriam-se dos pressupostos teóricos construtivistas, estes tomam 
uma feição diferenciada, parecendo mesmo apoiarem-se em abordagens 
diferentes. Isso pode, de fato, acontecer porque não há uma correlação perfeita 
entre pressupostos teóricos do construtivismo e as características técnicas de 
materiais didáticos. 
A transferência da teoria para a prática do desenho instrucional não é fácil 
nem óbvia e, muitas vezes, as iniciativas de usar os pressupostos construtivistas no 
desenvolvimento de ambientes tecnológicos de ensino-aprendizagem ficam aquém 
da intenção inicial. Procurando colocá-los em prática, materiais didáticos que 
 
 
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Educação digital 
incorporam as novas tecnologias têm como característica principal passar para as 
mãos do estudante o controle de sua aprendizagem, tornando possível uma 
interação na qual ele “ensina” à tecnologia mais do que aprende com ela. 
A epistemologia construtivista relaciona-se fundamentalmente com a ideia 
de construção, o que no planejamento de materiais didáticos informatizados pode 
ser traduzido na criação de ambientes de aprendizagem que permitam e deem 
suporte à construção de alguma coisa ou ao envolvimento ativo do estudante na 
realização de uma tarefa, que pode ser individual ou em grupo, e a 
contextualização dessa tarefa. Para isso, oferecem ferramentas e meios para 
criação e manipulação de artefatos ao invés de apresentarem conceitos prontos ao 
estudante. 
A oposição entre os papéis ativo e passivo do aluno frente à aprendizagem 
é insuficiente. Com o conceito de abordagem profunda, a TIC pretende dar ênfase 
à apropriação das estratégias metacognitivas pelo aluno na interação com materiais 
didáticos informatizados. Essa perspectiva quer marcar a diferença em relação ao 
processo tradicional de ensino, no qual o aluno interage com o conteúdo visando 
apenas à avaliação. Para que o aluno desenvolva uma abordagem profunda à sua 
aprendizagem, é necessário que ele adquira a consciência do que consiste 
aprender, etapa que será fundamental no processo. 
Em outras palavras, o mais importante é aprender como aprender, como 
construir e refinar novos significados. A metacognição pode, assim, ser associada à 
resolução de problemas, quando, além de refletir sobre a solução, o indivíduo 
reflete sobre suas próprias abordagens ao problema. Essa reflexão pode gerar 
estratégias alternativas mais produtivas. O alvo do processo educativo passa a ser 
a habilidade de reflexividade e não o de memorização. 
 
MATERIAIS DIDÁTICOS E AS NOVAS TECNOLOGIAS 
 
Na perspectiva construtivista, o tecnólogo educacional deve ter todo o 
cuidado para que o desenho instrucional dos ambientes de aprendizagem atenda 
aos seus pressupostos teóricos, pois, sendo a informática uma ferramenta que 
funciona segundo uma linguagem binária, ela se ajusta muito mais facilmente a 
pressupostos comportamentalistas do tipo “sim/não”, “certo/errado”, “seguir/voltar” 
 
 
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Educação digital 
do que a padrões de interação criativos que explorem o raciocínio e a criatividade 
do estudante. 
As principais características das novas tecnologias da informação e da 
comunicação presentes na elaboração de materiais didáticos e projetos 
fundamentados na abordagem construtivista são: 
(1) a possibilidade de interatividade; 
(2) as possibilidades que o computador tem de simular aspectos da 
realidade; 
(3) a possibilidade que as novas tecnologias de comunicação, acopladas 
com a informática, oferecem de interação a distância e 
(4) a possibilidade de armazenamento e organização de informações 
representadas de várias formas, tais como textos, vídeos, gráficos, animações e 
áudios, possível nos bancos de dados eletrônicos e sistemas multimídia. 
Essas possibilidades têm sido experimentadas em propostas educativas de 
utilização das novas tecnologias na perspectiva construtivista por professores, 
tecnólogos educacionais e elaboradores de materiais. 
 
 O PAPEL DO PROFESSOR NA ELABORAÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS 
 
Embora seja consensual que a utilização das tecnologias da informação e 
da comunicação na educação não vai substituir o professor, reconhece-se, hoje em 
dia, que o trabalho docente pode ser apoiado por esses meios. O trabalho do 
professor é fundamental nos projetos de inovações tecnológicas até porque “a 
qualidade educativa destes meios de ensino depende, mais do que de suas 
característicastécnicas, do uso ou exploração didática que realiza o docente e do 
contexto em que se desenvolve” (LIGUORI, 1997, p. 38). Referindo-se à informática 
educativa e, mais recentemente, à utilização da Internet no processo educativo, 
vários autores discutem de que forma o papel do professor poderia adequar-se ao 
uso das novas tecnologias educacionais na concepção construtivista da 
aprendizagem. 
O professor deixa de ser o repassador do conhecimento para ser o criador 
de ambientes de aprendizagem e facilitador do processo pelo qual o aluno adquire 
conhecimento. O papel do professor, cuja função básica não é mais dar aula, pois 
 
 
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Educação digital 
isso pode ser feito através da televisão ou do microcomputador, apresenta-se como 
o orientador do processo reconstrutivo do aluno, através da avaliação permanente, 
do suporte em termos de materiais a serem trabalhados, da motivação constante e 
da organização sistemática do processo. 
O ensino com as novas mídias deveria questionar as relações 
convencionais entre professores e alunos. Para tanto, define o perfil desse novo 
professor - ser aberto, humano, valorizar a busca, o estímulo, o apoio e ser capaz 
de estabelecer formas democráticas de pesquisa e comunicação. Nas atividades 
pedagógicas realizadas através da Internet, o professor e o aluno tornam-se 
participantes de um “novo” jogo discursivo que não reconhece a autoridade ou os 
privilégios de monopólio da fala presentes, com frequência, nas relações de ensino-
aprendizagem tradicionais, inaugurando, assim, relações comunicativas e 
interpessoais mais simétricas. 
Na Aprendizagem baseada em Problemas, por exemplo, a atividade mais 
crítica do professor está relacionada com as questões que ele irá formular aos 
estudantes. É essencial que elas valorizem e desafiem o pensamento do aprendiz, 
não o induzindo sobre o que fazer ou como pensar. O mais importante, ao 
contrário, é que o ensino questione o pensamento do estudante. 
O papel do professor, na abordagem construtivista, aproxima-se de uma 
concepção de profissional que facilita a construção de significados por parte do 
aluno nas suas interpretações do mundo. Assim, este profissional será melhor 
denominado de facilitador pedagógico. Para que possa ajudar o aluno, o facilitador 
pedagógico, primeiramente, deverá possuir uma concepção clara da construção de 
conhecimento enquanto processo dinâmico e relacional advindo da reflexão 
conjunta sobre o mundo real. Deverá possuir base teórica consistente, clara 
concepção do objetivo da aprendizagem e da metodologia a ser utilizada, assim 
como do processo de avaliação de acordo com a visão construtivista de 
conhecimento. 
Em sua prática, o facilitador pedagógico poderá, entre outras atividades: 
(l) desenvolver poucos conceitos com maior produtividade; 
(2) encorajar o aluno a buscar outros pontos de vista e a desejar aprender 
e entender; 
 
 
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Educação digital 
(3) propiciar a análise de experiências significativas e a sua reflexão 
crítica; 
(4) promover a comunicação entre os alunos e grupos de alunos e o 
intercâmbio de experiências. 
Na realidade, as relações convencionais professor-aluno estão em pauta de 
discussão dessa aula não só como consequência da visão construtivista de 
aprendizagem, mas também porque o professor deixou de ser o único a ter acesso 
à informação nessa relação. Esse dado está levando o professor a mudar de 
postura, abdicando do poder que detinha enquanto único possuidor do 
conhecimento relevante no contexto escolar, favorecendo uma relação mais 
simétrica com o aluno. 
 
PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES NAS TICS. 
 
O planejamento instrucional tradicional tinha uma função primordialmente 
prescritiva, incluindo as etapas de análise das necessidades, seleção dos materiais 
e métodos instrucionais e avaliação. Na análise de necessidades, eram 
identificadas as subtarefas que deveriam ser cumpridas pelo estudante e cada 
parte do conhecimento que ele deveria adquirir. A partir dessa fase, os passos que 
o aluno deveria seguir para adquirir conhecimento podiam ser planejados. Nesse 
processo, surgiam os objetivos, que eram subdivididos em objetivos específicos. Os 
objetivos específicos eram, então, estabelecidos em termos de comportamentos 
observáveis e mensuráveis. A partir dos objetivos especificados, o planejador 
escolhia os métodos e recursos instrucionais necessários para que os objetivos 
fossem alcançados. Esse tipo de planejamento, hoje considerado demasiadamente 
mecânico e prescritivo, é ainda seguido, por exemplo, para elaborar software 
educacionais tutoriais ou de exercício e prática. 
A perspectiva construtivista, ao questionar a aprendizagem por uma 
sequência instrucional imposta, volta-se para as formas de facilitar o processo 
construtivo de aprendizagem. Essa perspectiva leva a uma abordagem muito mais 
centrada na provisão de experiências de aprendizagem ao aluno do que no 
planejamento da instrução. Por não ser prescritivo, o planejamento pedagógico, no 
paradigma construtivista, impõe grandes desafios a serem enfrentados pelo 
 
 
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Educação digital 
professor, pois não há uma fórmula (e será muito difícil encontrar uma) que permita 
a transferência imediata de seus princípios à prática. 
Esse processo exige um planejamento cuidadoso, pois romper com 
modelos tradicionais de ensino e aprendizagem não quer dizer que o planejamento 
seja dispensável, ao contrário, a natureza complexa das interações em ambientes 
tecnológicos de aprendizagem exige a articulação de princípios e modelos 
conceituais à criação de espaços que ofereçam suporte em diferentes experiências 
de aprendizagem, estimulem a participação e a meta-aprendizagem do aluno. 
A contextualização da aprendizagem defendida pelo construtivismo exige o 
planejamento de tarefas de aprendizagem inseridas em contextos de resolução de 
problemas que sejam relevantes no mundo real. A análise de tarefas procura evitar 
a decomposição das atividades de aprendizagem e passa a se preocupar com a 
criação de problemas contextualizados relevantes e realísticos. Preferencialmente, 
os problemas enfrentados têm que mostrar a relevância que as habilidades e os 
conhecimentos envolvidos na sua solução podem ter para a vida do aluno. 
O domínio de fatos e conhecimentos, objetivo da educação tradicional, deu 
lugar às habilidades e aos processos necessários para tornar o aluno um 
especialista que pode operar construtivamente dentro de um conteúdo/contexto. O 
engajamento em colaboração, a apreciação de múltiplas perspectivas, a avaliação 
e o uso ativo do conhecimento tornam-se o alvo do planejamento. 
Por isso, não faz sentido dividir o conteúdo em pequenos módulos e 
ordená-los de acordo com níveis crescentes de dificuldade. Da mesma forma, não 
é possível fazer afirmações genéricas sobre como a informação será usada pelo 
aluno, o que torna difícil pensar em objetivos específicos predeterminados. Ao 
contrário do previsto na visão tradicional, os objetivos específicos surgem na 
realização de tarefas autênticas e durante a resolução de problemas significativos 
para o estudante. 
Também não basta planejar uma única tarefa ou problema. A construção 
do conhecimento, sendo um processo individual e particular, não permite o 
planejamento de tarefas únicas para um determinado perfil médio de alunos. Para 
atender a essa nova abordagem, é necessário que o desenho instrucional do 
ambiente de aprendizagem possa ajustar-se às necessidades particulares de cada 
 
 
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Educação digital 
aluno, o que ainda é um grande desafio para o planejamentona área de tecnologia 
educacional. 
 
AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NAS AULAS COM TICS 
 
Da mesma forma que o planejamento, a avaliação, na perspectiva 
construtivista, é diferenciada da tradicional. Apesar de ser uma questão em aberto, 
há algumas diretrizes que podem orientar o processo de avaliação do desempenho 
do estudante em projetos educacionais com utilização de novas tecnologias nesse 
novo paradigma. 
Se, na abordagem construtivista, o estudante irá desenvolver diferentes 
perspectivas da realidade por meio de processos individuais de construção do 
conhecimento, os processos de avaliação deveriam acomodar uma variedade mais 
ampla de opções de respostas aos problemas. Além disso, sendo priorizada a 
avaliação dos processos mentais do aluno em relação aos produtos finais, os 
conceitos de certo ou errado tornam-se secundários na medida que o aluno deve 
ser capaz não só de chegar a uma resposta, mas também de justificar e defender 
seus julgamentos e decisões durante a resolução de problemas. 
Enquanto, convencionalmente, os resultados da aprendizagem são 
definidos em termos do conhecimento e das habilidades adquiridas pelo estudante, 
os construtivistas argumentam que experimentar e tornar-se proficiente no 
processo do conhecimento é mais importante. Nesse sentido, uma atividade de 
avaliação coerente com os pressupostos construtivistas é a reflexão do estudante 
sobre sua própria aprendizagem e o registro do processo através do qual ele 
construiu sua visão do conteúdo. A tendência da avaliação é servir menos como 
reforço ou instrumento de controle e mais como ferramenta de auto-análise. 
A avaliação objetiva, aplicada como uma medida separada do resultado da 
aprendizagem, não funciona no paradigma construtivista. Ele defende a avaliação 
da aprendizagem em função da solução bem sucedida de uma tarefa. O julgamento 
da resolução do problema deve então, ser feito pelo professor, com base na 
consideração de todas as evidências disponíveis. 
Os autores construtivistas consideram importante a avaliação da 
aprendizagem inserida em um contexto. Professores tradicionais também têm 
 
 
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Educação digital 
reconhecido que as habilidades importantes não são cobradas em testes 
desvinculados do contexto da aprendizagem. A procura de melhores meios de 
avaliação, porém, ainda é uma questão em aberto. As alternativas oferecidas pelos 
construtivistas ainda soam imprecisas. Elas precisam tornar-se mais claras, 
mostrarem-se válidas economicamente e atenderem às demandas das diferentes 
partes interessadas. 
 
TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO 
 
 Tecnologia da informação e comunicação (TIC) pode ser definida como um 
conjunto de recursos tecnológicos, utilizados de forma integrada, com um objetivo 
comum. As TICs são utilizadas das mais diversas formas, na indústria (no processo 
de automação), no comércio (no gerenciamento, nas diversas formas de 
publicidade), no setor de investimentos (informação simultânea, comunicação 
imediata) e na educação (no processo de ensino aprendizagem, na Educação a 
Distância). 
O desenvolvimento de hardwares e softwares garante a operacionalização 
da comunicação e dos processos decorrentes em meios virtuais. No entanto, foi a 
popularização da internet que potencializou o uso das TICs em diversos campos. 
Através da internet, novos sistemas de comunicação e informação foram 
criados, formando uma verdadeira rede. Criações como o e-mail, o chat, os fóruns, 
a agenda de grupo online, comunidades virtuais, web cam, entre outros, 
revolucionaram os relacionamentos humanos. 
Através do trabalho colaborativo, profissionais distantes geograficamente 
trabalham em equipe. O intercâmbio de informações gera novos conhecimentos e 
competências entre os profissionais. 
Novas formas de integração das TICs são criadas. Uma das áreas mais 
favorecidas com as TICs é a educacional. Na educação presencial, as TICs são 
vistas como potencializadoras dos processos de ensino – aprendizagem. Além 
disso, a tecnologia traz a possibilidade de maior desenvolvimento – aprendizagem 
– comunicação entre as pessoas com necessidades educacionais especiais. 
As TICs representam ainda um avanço na educação a distância. Com a 
criação de ambientes virtuais de aprendizagem, os alunos têm a possibilidade de 
 
 
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Educação digital 
se relacionar, trocando informações e experiências. Os professores e/ou tutores 
têm a possibilidade de realizar trabalhos em grupos, debates, fóruns, dentre outras 
formas de tornar a aprendizagem mais significativa. Nesse sentido, a gestão do 
próprio conhecimento depende da infraestrutura e da vontade de cada indivíduo. 
A democratização da informação, aliada à inclusão digital, pode se tornar 
um marco dessa civilização. Contudo, é necessário que se diferencie informação de 
conhecimento. Sem dúvida, vivemos na Era da Informação. 
 
INTERATIVIDADE E INTERAÇÃO NAS AULAS COM TICS 
 
O ensino a distância on-line tem sido divulgado como uma alternativa que 
se configura hoje pela inserção das novas tecnologias de informação e 
comunicação e junto com elas a ideia da interatividade. Conceito que vem sendo 
muito discutido, pelo fato de amparar valores e concepções que têm variado no 
tempo e na história. 
Existem três reações frequentes ao termo “interatividade”: a primeira como 
oportunista, ou seja, como modismo, nome novo para coisas velhas. A segunda 
como estratégia de marketing para expansão do mercado e a terceira como uma 
estratégia de dominação da técnica, que promove a regressão do homem à 
condição de máquina. A terminologia interatividade surge para atender a uma nova 
modalidade comunicacional, a interativa, que se caracteriza pelo modo dialógico 
com que os usuários interagem uns com os outros. A interatividade é vista como 
um fenômeno que emerge da Sociedade da Informação. 
Apenas a disponibilização da informação não caracteriza a Sociedade da 
Informação, mas o diferencial e o que é mais importante é desencadeamento de 
um continuado processo de aprendizagem. Assim, dizemos que as novas 
tecnologias que permitem a interatividade também promovem uma nova relação do 
aluno com o conhecimento, com outros alunos e com o professor, a partir do 
momento, em que se propõe um ensino que considera como prioridade as formas 
de aprendizagens e, consequentemente, os aprendentes. A possibilidade de 
interagir, através das ferramentas tecnológicas, implica rever todos os papéis dos 
envolvidos no processo ensino e aprendizagem e como também a metodologia 
utilizada para a promoção dessa aprendizagem. 
 
 
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Educação digital 
O papel do professor se amplia. Ele deve promover, por força de uma 
intervenção pedagógica, a autonomia do aluno, no sentido de ajudá-lo a reelaborar 
o conhecimento existente. Ao professor cabe o papel de promotor-interventor. O 
professor na perspectiva da interatividade deixa de ser o contador de histórias, 
conselheiro, parceiro ou mesmo facilitador e passa a ser um sistematizador de 
experiências. Os alunos, desta forma, deixam de aprender passivamente, como 
acontece com o ensino instrucionista, em que a máquina ou o professor transmitem 
ou repassam as informações, e passam a exigir mais, tanto dos proponentes 
quanto de si mesmos, exigindo liberdade e autonomia. Autonomia significa o 
estabelecimento das relações que o aluno construir com o mundo exterior e os 
outros. 
Na visão sócio interacionista, o homem constitui-se como tal, por meio de 
suas interações sociais, portanto, ele é visto como alguém que transforma e é 
transformado nas relações produzidas em uma determinada cultura. Na interação 
com o outro e com o meio, o indivíduo sedeparará com situações conflitantes, que 
exigirão que ele encontre as possíveis soluções, o que possibilitará a aprendizagem 
e consequentemente, o seu desenvolvimento intelectual. 
No contexto de EAD, o favorecimento da interação é marcado pela ação 
dialógica entre o sujeito e a técnica. Com as tecnologias disponibilizadas, a 
educação a distância oportuniza, portanto, maior interatividade entre professor e 
aluno, alunos e alunos, todos e máquina, ampliando, renovando e construindo 
conhecimentos porque as novas tecnologias comunicacionais permitem ampla 
liberdade para o usuário fazer as conexões que lhe forem convenientes, de forma a 
atualizarem-se e de produzirem as intervenções que mais lhe convierem. 
Assim, temos um movimento entre interação e interatividade que vai além 
do humano e máquina, uma vez que a interação é relação necessária entre sujeito 
e objeto para a aquisição do conhecimento e interatividade condição para a 
acessibilidade à comunicação em rede, consequentemente, essas relações estão 
tão imbricadas, que uma não se diz sem a outra em EaD. 
Investir na interatividade significa investir em novos caminhos, em novos 
desafios, que serão superados no fazer coletivo, na superação individual. A 
educação a distância, que oportuniza instrumentos tecnológicos para aproximar 
pessoas, para garantir a reelaboração do conhecimento e o acesso ao 
 
 
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Educação digital 
conhecimento científico, tem como objetivo preparar o indivíduo para a vida, para 
intervir no mundo de forma madura e autônoma, autonomia no sentido de 
compreensão, de poder de decisão e de escolha e ainda de construção. Que esse 
indivíduo compreenda que ele faz parte de uma sociedade, que se transforma e 
que ele, enquanto agente dela, tem que estar preparado para acompanhar e 
participar dessas transformações. 
Assim sendo, a proposta de Educação a Distância que pretende a 
promoção do ensino, ensejando que o aluno aprenda com as novas tecnologias 
interativas, pretende sim a sua promoção social, por meio da interação pela 
interatividade. O conceito de interatividade, como mais um recurso para a 
intervenção do aluno no processo de aprendizagem, de forma que a sua 
participação possa influenciar outros e a si mesmo. Todavia, caberá ao professor 
pesquisar e propor situações e/ou atividades que levem em consideração os 
recursos que a tecnologia oferece para ampliar o mundo do aluno, numa 
perspectiva de reconstrução e de aprendizagem colaborativa. As novas tecnologias 
interativas permitem a participação, a intervenção, a bidirecionalidade e a 
multiplicidade de conexões. 
 
A INFLUÊNCIA DE VYGOTSKY PARA AS NOVAS TECNOLOGIAS 
EDUCACIONAIS 
O processo de aprendizagem pelo qual o sujeito passa quando está diante 
de um objeto de conhecimento pode ser observado sob várias concepções, todavia, 
quando se entende que a aprendizagem é um processo ativo que conduz a 
transformações no homem, o olhar se desvia para uma orientação em que o 
processo se estabelece pelas relações, sobretudo, pelas relações sociais. Esta 
ideia nos remete a Vygotsky (1998), para quem a questão da relação entre os 
processos de desenvolvimento e de aprendizagem é central. Mas é o aprendizado 
que possibilita o despertar de processos internos de desenvolvimento, ou seja, o 
aprendizado precede o desenvolvimento. Quanto mais se oferece à criança mais 
chance ela tem para se desenvolver. 
Com base nos estudos de Vygotsky (1998), apresentamos alguns conceitos 
que são fundamentais para que se compreenda a formulação da concepção sócio 
interacionista e sua influência para a educação, em especial, para a educação a 
 
 
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Educação digital 
distância. A teoria da dupla formação das funções psicológicas superiores, a 
internalização, a mediação e a zona de desenvolvimento proximal. 
As funções psicológicas superiores, que compreendem a consciência, a 
intenção e o planejamento, dizem respeito ao estabelecimento das relações sociais 
que aparecem, primeiramente sob a forma de processos intermentais, ou 
interpessoais, que significa que o conhecimento se dá entre as pessoas, num 
contexto externo para depois passar para processos intramentais ou individuais, o 
processo é, neste caso, interno. 
Portanto, é do social para o individual que o homem se constitui, de fora 
para dentro, o que significa dizer que o homem tem características próprias, mas 
necessita da experiência do outro para viver melhor. Já para o entendimento do 
processo de internalização compreende-se que a aprendizagem se dá mediante a 
reconstrução interna de uma operação externa, ou seja, quando o sujeito consegue 
reconstruir um conhecimento existente, resultado dos processos interpsicológico e 
intrapsicológico. 
Todos esses processos cognitivos têm como base a mediação: enquanto 
sujeito do conhecimento o homem não tem acesso direto aos objetos, mas acesso 
mediado, através de recortes do real, operados pelos sistemas simbólicos de que 
dispõe, portanto enfatiza a construção do conhecimento como uma interação 
mediada por várias relações. 
Por último, destaco o conceito da zona de desenvolvimento proximal, como 
um dos níveis de desenvolvimento pelo qual a criança passa no processo de 
aquisição do conhecimento e que serve para indicar o nível de desenvolvimento em 
que se deve intervir para que a criança avance e aprenda o conhecimento em 
potencial. 
Segundo Vygotsky (1998), a capacidade de a criança realizar tarefas 
sozinha representa o nível de desenvolvimento real, que representa resultado de 
processos maduros. Neste nível, a criança já tem consolidado o conhecimento. Já o 
nível de desenvolvimento potencial, significa o conhecimento que está por vir, 
aquele que pode ser internalizado, e que foi detectado na zona de desenvolvimento 
proximal. Representa o conhecimento que pode ser alcançado com a ajuda do 
outro, de um colega, pais, professores, ou mesmo, por qualquer objeto 
sociocultural. Por isso, as potencialidades do indivíduo devem ser levadas em conta 
 
 
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Educação digital 
durante o processo de ensino-aprendizagem, como forma ativar os seus esquemas 
cognitivos ou comportamentais nas variadas situações de aprendizagem. 
Em termos gerais, Vygotsky (1998) trouxe para a educação reflexões que 
permitem pensar a prática pedagógica sob ótica da aprendizagem. Para ele a 
concepção de ensino e aprendizagem inclui, por um lado, a ideia de que quem 
ensina e quem aprende não se refere necessariamente a situações em que haja 
um educador fisicamente presente e que a presença do outro social pode se 
manifestar por meio de objetos, do próprio ambiente, dos significados que rodeia o 
mundo cultural do indivíduo. 
Neste contexto sóciointeracionista, vislumbra-se a Educação a Distância 
como uma modalidade que se utiliza de dinâmicas participativas de cooperação e 
de comunicação, regras flexíveis, do desenvolvimento da criatividade e da 
individualidade. O aluno é quem constrói seu próprio conhecimento, sendo 
auxiliado pelo Tutor/Professor, que o ajuda, instiga-o a avançar e a aguçar a 
curiosidade. Acompanha o processo de construção do conhecimento do aluno, 
sempre atento ao fato de que cada ser humano tem sua forma peculiar de 
aprendizagem, exercendo, assim, papel de mediador da aprendizagem. 
Esta teoria pode ser aplicada em EAD, pois respeita o ritmo do aluno, 
considerando-o como um ser único, sendo ele, aluno, o sujeito da aprendizagem. O 
fato de o ensino e a aprendizagem serem veiculados e processados por uma 
máquina, não minimiza, como já foi dito, o papel do professor, que nesta 
propositura tem a função de mediador e, portanto, será responsável pelo material 
didático postadono ambiente virtual. De acordo com a concepção sócio 
interacionista, o material deverá ser atrativo, favorecer o questionamento, a reflexão 
e, consequentemente, a reelaboração do conhecimento. Também, deverão prezar 
pela interação entre os colegas e, por conseguinte, pela socialização do 
conhecimento. A aprendizagem é, pois, vista como atividade de elaboração 
conceitual em um ambiente caracterizado pela interação. 
As atividades propostas para a educação a distância, portanto, devem 
considerar a questão da capacidade individual do aluno e por isso, oferecer 
atividades que venham a contribuir com o seu avanço intelectual. Para tanto, deve-
se propor atividades que permitam o feedback, a devolutiva com as orientações 
necessárias, de forma que o aluno seja obrigado e motivado a repensar o 
 
 
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Educação digital 
conhecimento existente. A proposta deve ser desafiadora e problematizadora. O 
professor, enquanto mediador, deve avaliar o aluno, a partir de sua capacidade de 
entendimento e de sua produção oral e escrita. Os conteúdos propostos devem 
considerar o contexto sócio-históricocultura, no qual estão inseridos os alunos, e os 
objetivos do curso. 
 
ADESÃO E CRÍTICA A NOVAS TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS 
 
A educação desprovida de novas tecnologias resumida ao uso das 
tecnologias antigas e no simples discurso do professor admite que o espaço da 
aula se transfigure num ambiente de monotonia sem estímulo algum aos principais 
elementos de mobilidade do processo. Cabe ao professor buscar o conhecimento 
sobre o uso adequado das novas tecnologias, uma vez que todo e qualquer 
instrumento utilizado para mediar à interação professor/aluno é considerado 
ferramenta tecnológica. 
Os educadores devem ter um papel dentro da sociedade que vai muito 
além do fazer de conta. É papel do educador possibilitar a inserção na comunidade 
estudantil de serviços que ajudem no seu desenvolvimento, além de, pesquisas a 
fim de contribuir, de alguma forma, para o crescimento intelectual dos alunos. É 
necessário ainda que haja uma interação entre educador e sociedade para que 
juntos detectem os problemas e as deficiências existentes, em especial nas escolas 
públicas, no que diz respeito ao alcance das novas tecnologias e busquem 
soluções eficientes que levem ao desenvolvimento adequado do processo de 
ensino/aprendizagem. 
Quando pensamos em tecnologia a favor da educação, devemos vê-la 
como um conjunto de ferramentas que proporciona ao professor várias vantagens, 
como a praticidade para adquirir as informações necessárias à construção do 
conhecimento ao longo da sua vida. A soma dos métodos antigos com as novas 
descobertas linguísticas e tecnológicas vem dando aos professores, que a aderiu, 
suporte necessário no desenvolvimento das suas atividades. 
Usar a tecnologia a favor da educação é saber utilizá-la como suporte 
auxiliar na busca da qualidade do processo educacional. Os novos recursos 
 
 
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Educação digital 
tecnológicos são para ajudar o professor no processo de ensino aprendizagem e 
cabe ao professor perceber qual recurso deve, quando e como usar. 
A pesquisa científica deve fazer parte da vida do educador. Assim o 
professor supera um conhecimento já existente sobre um determinado assunto e 
abre um novo mundo de descoberta por meio da curiosidade e do interesse de 
cada um sabendo, claro, separar o que é seu, do que é do outro, respeitando as 
informações que foram obtidas por meio desta busca. 
O educador precisa ser flexível, paciente ou crítico naquilo que se propõe 
fazer e ser. Esse mesmo compromisso deve assumir ao orientar seus alunos para a 
vida. Mostrar ao jovem aluno que é necessário sempre fazer uma seleção coerente 
e planejar tudo que se pretende alcançar. Assim também deve acumular 
conhecimentos de modo que venha atender às exigências que a vida pode estar 
propondo futuramente. 
A Educação sempre foi e sempre será um processo composto de detalhes 
que se utiliza de algum meio de comunicação como instrumento ou suporte visando 
alcançar a qualidade no processo de ensino/aprendizagem e objetivando o melhor 
desempenho na ação do professor, na interação pessoal e direta com seu público. 
As tecnologias na escola elevarão o nível de desenvolvimento dos sentidos, 
e as novas tecnologias estimularão a ampliação dos limites dos sentidos e com isso 
o potencial cognitivo do ser humano. As ferramentas tecnológicas vêm provocando 
visíveis transformações nos métodos de ensinar e na própria forma do discurso 
escrito que apresentam considerável adaptação ás novas tecnologias. 
A resistência à aquisição de novos conhecimentos é um fator negativo no 
processo de formação cultural intelectual do indivíduo na relação ensino 
aprendizagem. Assim, como enfrentar os novos desafios? 
Como ferramenta pedagógica, a Internet deve ser utilizada com cautela 
para que não prejudique o desenvolvimento de suas principais habilidades como o 
saber fazer, dando-lhe informações prontas que podem ser “copiadas e coladas” 
sem sequer ter sido feita uma leitura prévia. Essa prática tem sido comum e vem 
despertando a aplicação, por parte de alguns administradores, da censura 
restringindo o uso da internet e impedindo o acesso, principalmente, de páginas 
sociais como Orkut, MSN e mesmo a vídeos do YouTube. Os problemas, no 
entanto, não param por aí. As novas tecnologias usadas na educação requerem 
 
 
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Educação digital 
professores capacitados que saibam como utilizá-las em benefícios do aprendizado 
do aluno, mas o que se percebe é uma reação negativa de muitos educadores a 
essas inovações. Muitos insistem em utilizar métodos tradicionais de ensino por 
não saberem lidar com novos instrumentos tecnológicos. “[...] o homem está 
irremediavelmente preso às ferramentas tecnológicas em uma relação dialética 
entre a adesão e a crítica ao novo”. (PAIVA, 2008. p.1). 
A adesão das novas tecnologias na educação é extremamente importante, 
uma vez que facilita o acesso ao conhecimento e permite que o aprendiz tenha 
autonomia para escolher entre as diversas fontes de pesquisas. “Os recursos da 
web 2 oferecem ao aprendiz tecnologia que lhe permite, efetivamente, usar a língua 
em experiência diversificadas de comunicação”. (PAIVA, 2008. p.10). As novas 
tecnologias levarão o homem a uma evolução mais rápida e ao conhecimento mais 
preciso. É necessário, apenas, dominá-las. 
 
TECNOLOGIAS E SALA DE AULA 
 
As diversas possibilidades de acesso às tecnologias proporcionaram novas 
formas de viver, de trabalhar e de se organizar na sociedade. Um exemplo é a 
constante comunicação entre as pessoas, localizadas em locais diferentes e, 
muitas vezes, distantes, através de aparelhos celulares, de e-mails, de 
comunicadores instantâneos ou de redes sociais. Com base nisso, percebe-se que 
essas novas possibilidades tecnológicas não interferem apenas na vida cotidiana, 
mas passam a interferir em todas as ações, nas condições de pensar e de 
representar a realidade e, no caso da educação, na maneira de trabalhar em 
atividades ligadas à educação escolar. 
De acordo com as tradições, o ensinar era tarefa exclusiva da escola. Os 
conhecimentos eram apresentados às crianças ao entrarem nas escolas e esses 
eram finitos e determinados; ao final de uma determinada formação, o aluno era 
considerado uma pessoa formada, já que possuía conhecimentos necessários para 
o ingresso em alguma profissão. Atualmente, não é possível ter esse mesmo 
pensamento, pois as rápidas mudanças tecnológicas atribuem novas formas à 
atividade de ensinar e aprender, estando constantemente em processo de 
 
 
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aprendizagem e adaptação, não sendo mais possível considerar uma pessoa 
completamente formada, independente do seu grau de formação. 
A escola de hoje faz parte desse momento tecnológico revolucionário e, 
para atender sua função social, ela deve estar atenta e aberta para incorporar 
esses novos parâmetros comportamentais, hábitos e demandas, participando 
ativamente dos processos de transformação e construção da sociedade. Deste 
modo, é necessário que os alunos desenvolvam habilidades para utilizar os 
recursos tecnológicos, cabendo à escola integrar a cultura tecnológica ao seu 
cotidiano. 
A utilização das tecnologias no processo de ensino-aprendizagem institui 
um fator de inovação pedagógica, possibilitando novas modalidades de trabalho na 
escola, devendo esta acompanhar as transformações sociais. A escola precisa se 
tornar mais atraente, estreitando a linha que a divide do mundo externo, no qual o 
aluno vai absorver grande parte das informações. A escola precisa transformar-se 
de simples transmissora de conhecimentos em organizadora de aprendizagens e 
reconhecer que já não detém a posse da transmissão dos saberes, proporcionando 
ao aluno os meios necessários para aprender a obter a informação, para construir o 
conhecimento e adquirir competências, desenvolvendo o espírito crítico. 
Educar é colaborar para que professores e alunos transformem suas vidas 
em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da 
sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional e a tornarem-se cidadãos 
realizados e produtivos. Na sociedade da informação todos estão reaprendendo a 
conhecer, a comunicar-se, a ensinar e a aprender; a integrar o humano e o 
tecnológico; a integrar o individual, o grupal e o social. Uma mudança qualitativa no 
processo de ensino-aprendizagem acontece quando se consegue integrar dentro 
de uma visão inovadora todas as tecnologias: as telemáticas, as audiovisuais, as 
textuais, as orais, os musicais, as lúdicas e as corporais. Passamos muito 
rapidamente do livro para a televisão e vídeo e destes para o computador e a 
internet, sem aprender e explorar todas as possibilidades de cada meio. (MORAN, 
2000, p. 26) 
A utilização das tecnologias no processo educativo proporciona novos 
ambientes de ensinar e aprender diferentes dos ambientes tradicionais, e as reais 
contribuições das tecnologias para a educação surgem à medida que são utilizadas 
 
 
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Educação digital 
como mediadoras para a construção do conhecimento. A presença das tecnologias 
na educação é indispensável, pois estas objetivam escolarizar as atividades da 
sociedade, adequando-as aos seus objetivos, permitindo assim uma compreensão 
profunda do mundo e enriquecendo o conhecimento. 
Atualmente, existe uma infinidade de tecnologias que contribuem na parte 
pedagógica, que proporcionam novas formas de transmissão e articulação do 
conhecimento, mais atrativas, mais dinâmicas, tornando a aprendizagem do aluno 
mais interessante, por exemplo, TV, DVD, câmeras, videocassete, retroprojetor, 
rádio, computador, projetor, internet etc. Por meio dessas tecnologias, como o 
computador conectado a um projetor e com som, é possível ilustrar as aulas, 
tornando-as mais atrativas, possibilitando aos alunos vivenciar situações reais do 
conteúdo que está sendo abordado. Um filme, um documentário, ilustrações ou até 
mesmo uma simples apresentação de slides, complementando a aula expositiva, 
torna-a mais dinâmica, atraindo a atenção dos alunos, gerando, dessa forma, 
maiores possibilidades de construção do conhecimento. E uma aula com internet? 
Quantas possibilidades não são encontradas na rede mundial de computadores? 
Quem nunca utilizou a internet como recurso didático-pedagógico? 
Hoje, tudo o que se precisa é encontrado na internet. Através dela são 
possíveis “viagens” incríveis, ter acesso a bibliotecas, ambientes, jogos, 
simulações, que possibilitam uma infinidade de novos conhecimentos e que vem a 
complementar o processo de ensino-aprendizagem. Por exemplo, existem diversos 
sites de jogos educativos, onde, brincando, os alunos aprendem, explorando o 
conteúdo em estudo de uma forma totalmente diferente da tradicional. Também 
existem diversos sites que possibilitam a aplicação de simulações e desafios, 
permitindo ver na prática a teoria estudada. Outro exemplo que também pode ser 
citado são os blogs construídos por professores, que sempre são atualizados com 
informações que agregam conhecimento aos alunos, por meio de leituras 
complementares relacionadas com os conteúdos em estudo, e os próprios alunos 
também podem fazer comentários, gerando assim uma construção coletiva e 
colaborativa do conhecimento. 
São apenas essas as aplicações da tecnologia? São só esses os exemplos 
de tecnologias? Não, existem muitas aplicações e muitas tecnologias disponíveis, 
 
 
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Educação digital 
permitindo uma diversidade de formas de utilização, possibilitando a diversificação 
na sala de aula. 
Da união entre tecnologia e conteúdos nascem oportunidades de ensino, 
entretanto é necessário analisar se essas oportunidades são significativas, por 
exemplo, quando as tecnologias ajudam a enfrentar desafios atuais, como 
encontrar informações na internet e se localizar em um mapa virtual. Em outros 
casos, porém, ela é dispensável, como no crescimento de uma semente, que não 
faz sentido ver em uma animação se é possível ter a experiência real. 
 
 AS TECNOLOGIAS E O PROFESSOR 
 
Atualmente o aprender não é mais um trabalho mecânico, mas sim um 
processo de construção e transformação do conhecimento, no qual o papel do 
professor é de fundamental importância como questionador, investigador e 
incentivador dessa construção e transformação. É necessário ao professor mudar, 
aperfeiçoar, repensar suas práticas pedagógicas e trabalhar de forma que sempre 
instigue no aluno a posição de questionamento, permitindo que expresse suas 
ideias, sentimentos e emoções, além de pensar sobre suas escolhas e na 
concretização dos seus objetivos. 
A utilização da tecnologia na educação propõe uma nova forma de atuação 
dos professores, não se limitando apenas a uma simples utilização tecnológica, 
mas sim a uma nova forma de ensinar e aprender, deixando o professor de ser um 
transmissor do conhecimento e passando a ser um facilitador desse conhecimento, 
por meio de aulas diferentes, dinâmicas, que atendam a essa nova geração 
tecnológica, na qual estamos vivendo. Dessa forma, o cenário tecnológico exige 
novos hábitos, uma nova gestão do conhecimento, na forma de conceber, 
armazenar e transmitir o saber, dando origem, assim, a novas formas de 
simbolização e representação do conhecimento. 
Diante desses avanços tecnológicos, existe o desafio da mudança no 
trabalho do professor, pois este precisa se adequar a uma nova postura, deixando 
de ser um simples transmissor do conhecimento, para ser um orientador do 
processo de ensino aprendizagem, pois os alunos já vêm com uma grande 
bagagem de informações de casa, proporcionadas pela TV, rádio, internet, celular, 
 
 
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Educação digital 
sendo necessária a organização dessas informações para que a construção do 
conhecimento realmente aconteça; caso contrário, de nada adianta toda essa 
tecnologia se não conseguimos fazer com que o aluno adquira esse conhecimento. 
São notáveis os benefícios da tecnologia na educação, entretanto ainda é 
encontrada grande discussão entre os professores sobre o uso dessas tecnologias. 
Existem duas vertentes: aqueles professores interessados na utilização da 
tecnologia, que se preparam, buscam o conhecimento para o uso desses recursose os aplicam em sala de aula, proporcionando novas formas de ensinar e aprender, 
auxiliando no processo de ensino-aprendizagem, e aqueles professores indecisos, 
inseguros, hesitantes com esse novo método, principalmente por achar que os 
recursos vão substituí-los. Uma forma equivocada de se pensar, pois o professor 
nunca será substituído, já que ele é fundamental. 
A mudança é dada pela substituição das formas do processo de ensino 
aprendizagem e, à medida que evoluímos, precisamos acompanhar as mudanças e 
adequá-las à nossa prática docente, deixando de lado apenas o trabalho com o 
modo tradicional de ensino, embutindo nesse modo os avanços existentes, que 
proporcionam uma nova forma de aprender mais concreta. 
O professor deve ter em mente que a tecnologia vem como um recurso, um 
suporte a mais para o processo de ensino-aprendizagem, como uma ferramenta de 
apoio, um instrumento inovador, tornando a aprendizagem mais eficiente e eficaz, e 
o professor deve estar em processo permanente de aprendizagem e ter uma 
postura de pesquisador, investigador e crítico. 
A própria sociedade atual exige a mudança dos professores, porque ela 
demanda profissionais críticos, criativos, com capacidade para aprender a 
aprender, de trabalhar em equipe e conhecedores de diversos saberes, incumbindo 
ao professor formar esse profissional que construa o seu próprio conhecimento e 
que desenvolva as competências exigidas pelo mercado de trabalho. 
Precisamos de professores conscientes, que saibam utilizar os benefícios 
dos recursos tecnológicos em favor da formação dos alunos, cientes das 
possibilidades que essa nova forma de ensino-aprendizagem proporciona para o 
futuro cidadão. Observamos as mudanças de paradigmas que estão ocorrendo, 
tratando as abordagens de aprendizagem como abordagem heterônoma e 
 
 
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Educação digital 
abordagem autônoma, que, embora tenham suas particularidades metodológicas, 
possuem o mesmo objetivo, ou seja, a aprendizagem. 
A abordagem heterônoma, que é a aprendizagem tradicional, é aquela que 
conhecemos, que vivenciamos na escola, onde o professor é o responsável pelo 
processo de ensino-aprendizagem, porém, atualmente, com as mudanças e 
evoluções que estão acontecendo, estamos nos deparando com uma nova prática 
pedagógica, isto é, a abordagem autônoma, em que o aluno passa a ser o 
responsável pela construção do conhecimento, o responsável pelo processo de 
ensino aprendizagem e o professor é um facilitador, mediador e orientador desse 
processo. 
Os alunos têm acesso a quaisquer informações, de qualquer lugar do 
mundo, de forma rápida, prática e atrativa; sendo assim, é imprescindível o 
replanejamento do processo de ensino-aprendizagem, sendo o principal ponto 
desse processo, não mais o professor, mas sim o aluno, o que ele precisa 
aprender. 
 
 
O COMPUTADOR NA SALA DE AULA 
 
Os computadores podem favorecer sobremaneira ao processo de 
educação escolar. Para que se possa delinear as contribuições de tais 
equipamentos ao processo ensino/aprendizagem, faz-se necessário buscar uma 
definição para informática educativa, entendida como uma área científica que tem 
como objeto de estudo o uso de equipamentos e procedimentos da área de 
processamento de dados no desenvolvimento das capacidades do ser humano, 
visando à sua melhor integração individual e social. 
Diante de tal conceito, quando se trata da implantação da informática 
educativa no contexto escolar, há que se considerar dois aspectos: o ensino da 
Informática, incluindo disciplinas sobre processamento de dados no currículo 
escolar; e a Informática no ensino, disponibilizando os recursos da computação 
para o desenvolvimento das práticas educacionais escolares. Em se tratando da 
primeira, sua operacionalização torna-se mais simples uma vez que a inserção de 
disciplinas sobre processamento de dados no currículo pode ser efetivada com a 
contratação de professores com formação em Ciência da Computação, construção 
 
 
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Educação digital 
de laboratório (s) com recursos computacionais, organização do horário de 
utilização desse(s) laboratório(s) e alocação de mais disciplinas no horário das 
turmas contempladas com o referido complemento curricular. 
Porém, sob tal aspecto, corre-se o risco de que haja uma subutilização dos 
recursos computacionais, pois é maior o risco de a Informática acabar servindo 
apenas aos fins da própria Informática e, talvez, não fazendo jus ao adjetivo 
"educativo". 
Quando se trata, do uso de computadores como ferramentas auxiliares do 
processo ensino/aprendizagem, há uma complexidade maior para sua 
operacionalização pois, para que os recursos oferecidos pelos computadores 
possam ser amplamente utilizados, faz-se necessário que todo corpo docente seja 
capacitado e para tanto, deve ter sua resistência ao novo vencida. Além disso, a 
organização de utilização do(s) laboratório(s) de Informática precisa disponibilizar 
horários e recursos para o trabalho de diversas disciplinas e não para somente uma 
disciplina específica. Cabe ressaltar, portanto, que; 
(...) a presença isolada e desarticulada dos computadores na escola não é, jamais, 
sinal de qualidade de ensino; mal comparando, a existência de alguns aparelhos 
ultramodernos de tomografia e ressonância magnética em determinado hospital ou 
rede de saúde não expressa, por si só, a qualidade geral do serviço prestado à 
população. É necessário estarmos muito alertas para o risco da transformação dos 
computadores no bezerro de ouro â ser adorado em Educação. (CORTELLA, 1995, 
p. 34). 
 
JOGOS DIGITAIS EDUCACIONAIS 
 
Os jogos de vídeo games e computadores conquistaram um espaço 
importante na vida de crianças, jovens e adultos e hoje é um dos setores que mais 
cresce na indústria de mídia e entretenimento. Estudos recentes da consultoria 
PricewaterhouseCoopers estimam que em 2008 o faturamento do mercado de 
jogos deverá superar o do setor de música, que sempre teve destaque econômico. 
Com um faturamento bilionário os jogos digitais já assumiram um papel de 
destaque na cultura contemporânea, levando diversos pesquisadores a 
 
 
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Educação digital 
desenvolverem estudos para entender porque os jogos digitais são tão atraentes e 
quais impactos causam na vida das pessoas. 
Muitos jovens seduzidos pelos jogos digitais permanecem longos períodos 
totalmente empenhados nos desafios e fantasias destes artefatos de mídia, dando 
a impressão de que são imunes a distrações e que nada é capaz de desconcentrá-
los. Mas os jogos digitais costumam absorver muitas horas dos jogadores e 
consomem um tempo que poderia ser aproveitado em outras atividades, como o 
estudo, por exemplo. Isto gera reclamações entre pais e professores, pois 
gostariam que seus filhos e alunos aplicassem nos estudos o mesmo nível de 
atenção e comprometimento dedicado aos jogos. 
Conseguir desviar a atenção que os estudantes dão aos jogos para 
atividades educacionais não é tarefa simples. Por isso, tem aumentado o número 
de pesquisas que tentam encontrar formas de unir ensino e diversão com o 
desenvolvimento de jogos educacionais. Por proporcionarem práticas educacionais 
atrativas e inovadoras, onde o aluno tem a chance de aprender de forma mais 
ativa, dinâmica e motivadora, os jogos educacionais podem se tornar auxiliares 
importantes do processo de ensino e aprendizagem. 
Mas para serem utilizados com fins educacionais os jogos precisam ter 
objetivos de aprendizagem bem definidos e ensinar conteúdos das disciplinas aos 
usuários, ou então, promover o desenvolvimento de estratégias ou habilidades 
importantes para ampliar a capacidade cognitiva e intelectual dos alunos.Durante muitos anos se discutiu a possibilidade dos videogames 
influenciarem negativamente os jogadores e estimularem a violência em crianças e 
adolescentes. Nos últimos anos, porém, aumentou o interesse para a pesquisa dos 
aspectos positivos dos jogos, seus benefícios para os jogadores, potencialidades 
como recurso didático e uso na educação. 
Agora, ao invés das instituições de ensino fecharem as portas para os 
jogos, existe um crescente interesse entre pesquisadores e professores em 
descobrir de que formas os jogos digitais podem ser usados como recurso para 
apoiar a aprendizagem e quais são os seus benefícios. 
 
 
 
 
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Educação digital 
POTENCIALIDADES DOS JOGOS DIGITAIS 
 
Uma das principais formas de acesso ao mundo da tecnologia para 
crianças e jovens é o jogo digital, pois geralmente o primeiro contato com 
equipamentos eletrônicos acontece por meio de um vídeo game. Os jogos digitais 
podem ser definidos como ambientes atraentes e interativos que capturam a 
atenção do jogador ao oferecer desafios que exigem níveis crescentes de destreza 
e habilidades. 
Mas para serem utilizados como instrumentos educacionais os jogos 
devem conter ainda algumas características específicas para atender as 
necessidades vinculadas à aprendizagem. Por isso os softwares educacionais, 
entre eles os jogos, devem possuir objetivos pedagógicos e sua utilização deve 
estar inserida em um contexto e em uma situação de ensino baseados em uma 
metodologia que oriente o processo, através da interação, da motivação e da 
descoberta, facilitando a aprendizagem de um conteúdo. 
Quando preparados para o contexto educacional os jogos digitais podem 
receber diferentes nomenclaturas. As mais comuns são jogos educacionais ou 
educativos, jogos de aprendizagem ou jogos sérios (serious games), sendo que 
alguns tipos de simuladores também podem ser considerados jogos educacionais. 
Normalmente, quando se divulga a utilização de jogos educacionais, há um 
destaque para o poder motivador dessa mídia. Mas o potencial deles vai muito 
além do fator “motivação”, pois ajudam os estudantes a desenvolverem uma série 
de habilidades e estratégias e, por isso, começam a ser tratados como importantes 
materiais didáticos. A seguir são elencados alguns benefícios que os jogos digitais 
educacionais podem trazer aos processos de ensino e aprendizagem: 
• Efeito motivador: Os jogos educacionais demonstram ter alta 
capacidade para divertir e entreter as pessoas ao mesmo tempo em que incentivam 
o aprendizado por meio de ambientes interativos e dinâmicos. Conseguem 
provocar o interesse e motivam estudantes com desafios, curiosidade, interação e 
fantasia. As tecnologias dos jogos digitais proporcionam uma experiência estética 
visual e espacial muito rica e, com isso, são capazes de seduzir os jogadores e 
atraí-los para dentro de mundos fictícios que despertam sentimentos de aventura e 
prazer. Ter componentes de prazer e diversão inseridos nos processos de estudo é 
 
 
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Educação digital 
importante porque, com o aluno mais relaxado, geralmente há maior recepção e 
disposição para o aprendizado. 
• Facilitador do aprendizado: Jogos digitais têm a capacidade de 
facilitar o aprendizado em vários campos de conhecimento. Eles viabilizam a 
geração de elementos gráficos capazes de representar uma grande variedade de 
cenários. Por exemplo, auxiliam o entendimento de ciências e matemática quando 
se torna difícil manipular e visualizar determinados conceitos, como moléculas, 
células e gráficos matemáticos. Os jogos colocam o aluno no papel de tomador de 
decisão e o expõe a níveis crescentes de desafios para possibilitar uma 
aprendizagem através da tentativa e erro. Projetistas de jogos inserem o usuário 
num ambiente de aprendizagem e então aumentam a complexidade das situações 
e, à medida que as habilidades melhoram, as reações do jogador se tornam mais 
rápidas e as decisões são tomadas com maior velocidade. 
• Desenvolvimento de habilidades cognitivas: Os jogos promovem o 
desenvolvimento intelectual, já que para vencer os desafios o jogador precisa 
elaborar estratégias e entender como os diferentes elementos do jogo se 
relacionam. Também desenvolvem várias habilidades cognitivas, como a resolução 
de problemas, tomada de decisão, reconhecimento de padrões, processamento de 
informações, criatividade e pensamento crítico. 
• Aprendizado por descoberta: Desenvolvem a capacidade de 
explorar, experimentar e colaborar, pois o feedback instantâneo e o ambiente livre 
de riscos provocam a experimentação e exploração, estimulando a curiosidade, 
aprendizagem por descoberta e perseverança. 
• Experiência de novas identidades: Oferecem aos estudantes 
oportunidades de novas experiências de imersão em outros mundos e a vivenciar 
diferentes identidades. Por meio desta imersão ocorre o aprendizado de 
competências e conhecimentos associados com as identidades dos personagens 
dos jogos. Assim, num jogo ou simulador em que o estudante controla um 
engenheiro, médico ou piloto de avião, estará enfrentando os problemas e dilemas 
que fazem parte da vida destes profissionais e assimilando conteúdos e 
conhecimentos relativos às suas atividades. 
• Socialização: Outra vantagem dos jogos educacionais é que eles 
também podem servir como agentes de socialização à medida que aproximam os 
 
 
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Educação digital 
alunos jogadores, competitivamente ou cooperativamente, dentro do mundo virtual 
ou no próprio ambiente físico de uma escola ou universidade. Em rede, com outros 
jogadores, os alunos têm a chance de compartilhar informações e experiências, 
expor problemas relativos aos jogos e ajudar uns aos outros, resultando num 
contexto de aprendizagem distribuída. 
• Coordenação motora: Diversos tipos de jogos digitais promovem o 
desenvolvimento da coordenação motora e de habilidades espaciais. 
• Comportamento expert: Crianças e jovens que jogam vídeo games 
se tornam experts no que o jogo propõe. Isso indica que jogos com desafios 
educacionais podem ter o potencial de tornar seus jogadores experts nos temas 
abordados. 
Embora seja difícil encontrar em um único jogo todas as potencialidades 
apresentadas acima, procurou-se demonstrar como este tipo de mídia pode trazer 
uma série de benefícios ao ser utilizada como recurso didático nas práticas de 
ensino. 
 No próximo módulo, apresentaremos as contribuições das novas 
tecnologias ao sistema de EAD, aplicando recursos computacionais como internet, 
recursos gráficos, interatividade, ambientes de aprendizagem na prática docente. 
 
CONSTRUTIVISMO: UM CONCEITO DE CONSTRUÇÃO 
 
Chamamos de aprendizagem ao processo pelo qual o indivíduo, inserido no 
contexto social, elabora uma representação pessoal do objeto a ser conhecido. 
Esta relação dinâmica ocorre no confronto do sujeito (seus conhecimentos 
anteriores) com a realidade histórica e culturalmente determinada. Nesta 
perspectiva, o conhecimento não é só transmitido de uma geração a outra, mas 
evolui com as novas representações mentais do mundo em função das novas 
experiências e interpretações da realidade realizadas por cada sujeito. Portanto, o 
conhecimento está em constante transformação, superação e atualização. 
Os estudiosos da cognição, estudiosos da inteligência e da mente, 
compreendem que o conhecimento é produzido internamente como uma 
construção mental e individual do sujeito em uma relação que envolve o 
conhecimento existente com o conhecimento novo. Não obstante, na prática, ainda 
 
 
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Educação digital 
prevalece um domínio dos enfoques behavioristasno tocante à área da 
aprendizagem, privilegiando o meio na relação de aprendizagem. 
Uma tendência da psicologia cognitiva, influenciada principalmente pelos 
trabalhos de Piaget, é o construtivismo. Nesta concepção, o pressuposto principal é 
do sujeito como construtor do conhecimento. A aprendizagem é reconhecida como 
um processo de reestruturação de conceitos prévios, que sempre existem em cada 
indivíduo. Com base nesses conhecimentos, os conhecimentos novos são 
ancorados. O construtivismo trata-se de um enfoque teórico que aborda o 
conhecimento como uma construção humana de significados na interpretação do 
mundo. Portanto, é uma teoria que busca enfocar as múltiplas faces do mundo 
vivido, onde os indivíduos são observadores e analisadores das experiências dessa 
realidade, construindo e percebendo de forma pessoal e particular, buscando 
interferir neste mundo. 
A partir das contribuições dos autores considerados como os teóricos do 
construtivismo, Vygotsky e Piaget, e das colocações de Jonassen, pode-se concluir 
que a premissa fundamental do construtivismo é a do aluno/profissional como 
sujeito ativo do seu próprio conhecimento. 
A partir deste enfoque podemos compreender melhor o papel dos atores do 
processo educativo; e especialmente os professores, que passam a ter postura de 
orientadores ou facilitadores pedagógicos e preocupam-se em prover ambientes e 
ferramentas que ajudem os alunos a interpretar as múltiplas perspectivas de 
análise do mundo real, o que possibilita a construção de suas próprias 
perspectivas. David Jonassen concebe a aprendizagem como possuindo algumas 
características fundamentais para o desenvolvimento de um ambiente de 
aprendizagem construtivista: Ativa/manipulativa, Construtiva, Reflexiva, 
Colaborativa, Intencional, Complexa, Contextual e Coloquial. 
A interatividade, a cooperação e a autonomia são características essenciais 
em um ambiente de aprendizagem construtivista. Para melhor explicitar estas 
categorias, torna-se essencial esclarecer que estas foram definidas com base na 
abordagem de autores que aprofundaram seus estudos sobre estes temas, como 
por exemplo: Vygotsky, Piaget, Ausubel, Novak, Wilson, Moretto, Coll, Jonassen, 
dentre outros. 
 
 
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Educação digital 
Vejamos agora as três caraterísticas primordiais para o aprendizado 
construtivista: 
1. Interatividade, envolve um relacionamento entre pessoas de 
experiências diversas, entre ferramentas e atividades culturalmente organizadas. 
Ela depende da relação entre grupos, desejos, motivações, culturas, interesses 
individuais e sociais. Diante das considerações apresentadas, este estudo toma 
como pressuposto que a interatividade é uma inter-relação mediatizada pela 
comunicação que acontece durante o relacionamento de indivíduos e grupos em 
uma comunidade de aprendizagem, onde os participantes avançam em suas 
atividades e habilidades, realizando associações e interligando informações através 
da participação com os outros nas atividades planejadas pelo programa. 
2. Cooperação é uma relação compartilhada estabelecida entre os 
participantes do programa no desenvolvimento da aprendizagem e na realização de 
projetos de interesse comum. Esta relação se caracteriza pela desigualdade do 
conhecimento entre os participantes, pelo sistema de combinações e 
compromissos estabelecidos na solução de problemas significativos. É uma relação 
de troca compartilhada dada pelos diferentes perfis profissionais, formas de 
atuação e experiências num contexto de trabalho complexo e multifacetado. 
3. Autonomia este estudo a considera como a capacidade que o aluno 
possui em autodeterminar-se, escolher, apropriar-se e reconstruir o conhecimento 
produzido culturalmente em função de suas necessidades e interesses. 
Caracteriza-se pela responsabilização, auto-determinação, decisão, autoavaliação 
e compromissos a partir da reflexão de suas próprias experiências e vivências. 
 
 TEORIA PEDAGÓGICA E NOVAS TECNOLOGIAS 
 
Os grandes mestres como Jean Piaget, Lev S. Vygotsyky e Seymour 
Papert são alguns dos vários pesquisadores em educação que apoiam o 
desenvolvimento de novas formas de despertar o interesse, desenvolver a mente, 
estimular a criatividade, desenvolver o raciocínio. Levando em consideração as 
suas ideias defendidas, pode-se dizer que o uso das Novas Tecnologias apresenta 
aspectos positivos diante dessas ideias. Partindo das perspectivas construtivistas 
(Piaget), interacionistas (Vygotsky) e construcionista (Papert), pode-se afirmar, que 
 
 
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Educação digital 
com o advento das Novas Tecnologias de informação tem início uma etapa de 
transição quantitativa e qualitativa de informações, pois uma fase de carência cede 
lugar a uma fase de abundância de canais informativos. 
Jean Piaget nasceu em Newchatel, na Suíça, no dia 09 de agosto de 1896 
e morreu no dia 16 de setembro de 1980. Pesquisador e estudioso intelectual criou 
o método clínico, onde trabalhou a gênese das estruturas lógicas do pensamento 
da criança. Suas pesquisas o levaram da biologia à filosofia e psicologia, 
aproximando progressivamente a Biologia, a Cibernética, a Psicologia e a 
Matemática para explicar o desenvolvimento da inteligência. 
Apesar de naturalista, começou a explorar outros campos, principalmente a 
sistemática dos processos mentais, entrando em contato com grandes mestres da 
psiquiatria e psicanálise na Alemanha e França. Em Paris, estagiou no Instituto 
Binet, onde ficou encarregado pela padronização francesa de alguns testes 
ingleses. 
A divulgação de Piaget no Brasil tem início no final da década de 20. 
Através do Movimento da Escola Nova abriu-se espaço para a propagação de suas 
ideias. Posteriormente essa divulgação ocorreu a partir dos anos 60, após a 
aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que criou espaço 
para a realização de experiências pedagógicas nas quais educadores e pedagogos 
poderiam elaborar e executar novas propostas e métodos de ensino. Nos anos 80 
ocorreu a febre do construtivismo escolar atingindo sistemas de ensino municipais 
e escolas particulares. 
Piaget teve uma preocupação maior com o estudo do desenvolvimento 
mental ou cognitivo, ou seja, com o desenvolvimento da forma como os indivíduos 
conhecem o mundo exterior e com ele se relacionam. No quadro estão os principais 
períodos do desenvolvimento mental e as características de cada um. 
 
 
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Educação digital 
 
Piaget considera que o processo de desenvolvimento é influenciado por 
fatores como: maturação (crescimento biológico dos órgãos), exercitação 
(funcionamento dos esquemas e órgãos que implica na formação de hábitos), 
aprendizagem social (aquisição de valores, linguagem, costumes e padrões 
culturais e sociais) e equilibração (processo de auto regulação interna do 
organismo, que se constitui na busca sucessiva de reequilíbrio após cada 
desequilíbrio sofrido). De acordo com a abordagem construtivista de Piaget, o 
indivíduo constrói significados pelas experiências de acomodação e assimilação. O 
indivíduo entende novas experiências relacionando-as com as experiências 
anteriores, o desequilíbrio ocorre. Este desequilíbrio requer que o indivíduo reajuste 
seu esquema mental ou crie um novo esquema para entender o evento que causou 
o desequilíbrio. 
A interação com o ambiente faz com que o indivíduo construa estruturas 
mentais e adquira maneiras de fazê-las funcionar. O eixo central, portanto, é a 
interação organismo-meio e essa interação acontece através de dois processos 
simultâneos: a organização interna e a adaptação ao meio, funções exercidas pelo 
organismo ao longo da vida. A cognição irá setransformando em virtude de um 
contínuo processo de experimentação dos conceitos elaborados pelo indivíduo, a 
 
 
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Educação digital 
partir da ação. A aquisição do conhecimento é resultante do conflito conceitual 
entre a realidade elaborada mentalmente pelo indivíduo e o fato concreto. 
Piaget assumiu uma posição interacionista a respeito da inteligência. Para 
Piaget o estudo da inteligência envolveria uma análise de como o ser humano se 
torna progressivamente capaz de construir o conhecimento. 
Segundo o construtivismo, todo e qualquer conhecimento é adquirido por 
um processo de interações contínuas entre esquemas mentais da pessoa que 
conhece e as peculiaridades do evento ou do objeto a conhecer. Não existem 
conhecimentos resultantes do mero registro de observações. Todo o conhecimento 
pressupõe uma organização que só os esquemas mentais do sujeito podem 
efetuar. O construtivismo não é um método didático, trata-se da descrição da forma 
geral de funcionamento dos seres vivos quando elaboram novas estruturas. O 
papel do professor se deduz a criar situações que estimulem o processo 
construtivista do organismo com vistas à elaboração de estruturas fundamentais de 
caráter universal das quais dependem as aquisições de habilidades diversas, 
segundo o modelo cultural. 
Nesse processo construtivista, Piaget distingue três tipos de funções: as 
funções do conhecimento, da representação e da afetividade. Essas funções 
possuem as seguintes características: 
• As funções do conhecimento se relacionam ao desenvolvimento 
intelectual, em especial ao do pensamento lógico, o qual constitui um instrumento 
essencial na adaptação do sujeito ao mundo exterior. 
• As funções da representação dizem respeito às vivências 
representadas por meio de símbolos (individuais) ou signos (coletivos e arbitrários), 
graças à função semiótica ou simbólica; a criança pode expressar-se, representar a 
seu modo o vivido. 
• As vivências e os desejos pessoais com carga afetiva são 
expressados preferencialmente pelo símbolo, pela imitação, pelo desenho e pelo 
jogo, enquanto os conhecimentos intelectuais são melhor expressados por signos 
coletivos. 
Essas funções se desenvolvem de maneira interdependente, indissociável 
e complementar. A ação, sendo física ou mental, para alcançar um objetivo 
necessita de instrumentos fornecidos pela inteligência, revelando um poder. Ao 
 
 
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Educação digital 
mesmo tempo é preciso o desejo, algo que mobilizará o sujeito para agir em 
direção ao objetivo, revelando um querer, o qual se encontra circunscrito na 
afetividade. Em relação à escola, segundo a visão de Piaget, deve partir dos 
esquemas de assimilação da criança, propondo atividades desafiadoras que 
provoquem desequilíbrios e reequilibrações sucessivas, promovendo a descoberta 
e a construção do conhecimento. 
Para construir esse conhecimento, as concepções infantis combinam-se às 
informações advindas do meio, na medida em que o conhecimento não é 
concebido apenas como sendo descoberto espontaneamente pela criança, nem 
transmitido de forma mecânica pelo meio exterior ou pelos adultos, mas, como 
resultado de uma interação, na qual o sujeito é sempre um elemento ativo, que 
procura ativamente compreender o mundo que o cerca, e que busca resolver as 
interrogações que esse mundo provoca. 
Pedagoga e mestre em educação, os principais objetivos da educação 
referem-se à formação de homens criativos, inventivos e descobridores, de 
pessoas críticas e ativas, e na busca constante da construção da autonomia. As 
implicações do pensamento piagetiano para a aprendizagem: 
• Os objetivos pedagógicos necessitam estar centrados no aluno, partir 
das atividades do aluno. 
• Os conteúdos não são concebidos como fins em si mesmos, mas 
como instrumentos que servem ao desenvolvimento evolutivo natural. 
• Primazia de um método que leve ao descobrimento por parte do aluno 
ao invés de receber passivamente através do professor. 
• A aprendizagem é um processo construído internamente. 
• A aprendizagem depende do nível de desenvolvimento do sujeito. 
• A aprendizagem é um processo de reorganização cognitiva. 
• A interação social favorece a aprendizagem. 
• Os conflitos cognitivos são importantes para o desenvolvimento da 
aprendizagem. 
 
 
 
 
 
 
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Educação digital 
LEV VYGOTSKY 
 
Professor e pesquisador, contemporâneo de Piaget, nasceu em Orsha, 
pequena cidade da BieloRússia, em 17 de novembro de 1896. Construiu sua teoria 
tendo por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo 
sócio-histórico, enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse 
desenvolvimento, sendo essa teoria considerada histórico social. Sua questão 
central é a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio. A 
partir de 1924, em Moscou, aprofundou sua investigação no campo da Psicologia, 
enveredando também para o da Educação de Deficientes. No período de 1925 a 
1934, desenvolveu, com outros cientistas, estudos nas áreas de Psicologia e 
anormalidades físicas e mentais. Ao concluir a formação em Medicina foi convidado 
para dirigir o Departamento de Psicologia do Instituto Soviético de Medicina 
Experimental. Faleceu em 11 de junho de 1934. 
A divulgação e circulação de suas obras foram proibidas durante muito 
tempo na União Soviética, porque embora fosse um militante do Partido Comunista, 
ele ressaltou o aspecto individual da formação da consciência e, portanto, a 
concepção de que uma coletividade constitui-se através de pessoas com 
singularidades próprias. 
Ao dizer que o sujeito constitui suas formas de ação em atividades e sua 
consciência nas relações sociais, Vygotsky aponta caminhos para a superação da 
dicotomia social/individual. As origens da vida consciente e do pensamento abstrato 
devem ser procuradas na interação do organismo com as condições de vida social, 
e nas formas histórico-sociais de vida da espécie humana. Deste modo, procurou 
analisar o reflexo do mundo exterior no mundo interior dos indivíduos, a partir da 
interação destes sujeitos com a realidade. 
As concepções de Vygotsky sobre o processo de formação de conceitos 
remetem às relações entre pensamento e linguagem, à questão cultural no 
processo de construção de significados pelos indivíduos, ao processo de 
internalização e ao papel da escola na transmissão de conhecimento, que é de 
natureza diferente daqueles aprendidos na vida cotidiana. Propõe uma visão de 
formação das funções psíquicas superiores como internalização mediada pela 
cultura. 
 
 
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Educação digital 
Os níveis de desenvolvimento de acordo com Vygotsky são representados 
pelo real e pelo potencial. O real é adquirido ou formado determinando o que a 
criança já é capaz de fazer por si própria, revela a possibilidade de uma atuação 
independente do sujeito. O potencial relaciona-se à capacidade de aprender com 
outra pessoa (VYGOTSKY, 1998). 
A aprendizagem interage com o desenvolvimento, produzindo abertura nas 
zonas de desenvolvimento proximal (ZDPs) referentes à distância entre aquilo que 
a criança faz sozinha e o que ela é capaz de fazer com a intervenção de um adulto. 
A aprendizagem e o desenvolvimento estão interrelacionados, um conceito que se 
pretenda trabalhar, como por exemplo, em Física, requer sempre um grau de 
experiência anterior para a criança. 
A zona de desenvolvimento proximal refere-se, assim, ao caminho que o 
indivíduo vai percorrer para desenvolver funções que estão em processo de 
amadurecimento e que se tornarão funções consolidadas, estabelecidas noseu 
nível de desenvolvimento real. A zona de desenvolvimento proximal é, pois, um 
domínio psicológico em constante transformação; aquilo que uma criança é capaz 
de fazer com a ajuda de alguém hoje, ela conseguirá fazer sozinha amanhã. É 
como se o processo de desenvolvimento progredisse mais lentamente que o 
processo de aprendizado; o aprendizado desperta processo de desenvolvimentos 
que, aos poucos, vão tornar-se parte das funções psicológicas consolidadas do 
indivíduo. O desenvolvimento cognitivo é produzido pelo processo de internalização 
da interação social com materiais fornecidos pela cultura, sendo que o processo se 
constrói de fora para dentro. Para Vygotsky, a atividade do sujeito refere-se ao 
domínio dos instrumentos de mediação, inclusive sua transformação por uma 
atividade mental. 
Segundo Vygostsky (1988), o sujeito não é apenas ativo, mas interativo, 
porque forma conhecimentos e se constitui a partir de relações intra e 
interpessoais. É na troca com outros sujeitos e consigo próprio que se vão 
internalizando conhecimentos, papéis e funções sociais, o que permite a formação 
de conhecimentos e da própria consciência. Trata-se de um processo que caminha 
do plano social (relações interpessoais), para o plano individual interno (relações 
intrapessoais). Não se concebe uma construção individual sem a participação do 
 
 
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Educação digital 
outro e do meio social, o que torna imprescindível a relação intersubjetiva, pois é 
nesse espaço relacional que há a possibilidade do conhecimento. 
Dessa forma a escola é o lugar onde a intervenção pedagógica intencional 
desencadeia o processo ensino-aprendizagem. A escola tem a função de favorecer 
o desenvolvimento de certas capacidades, em lugar de limitar as possibilidades de 
aprendizagem ao desenvolvimento real, como ainda acontece em nossas escolas. 
O professor tem o papel explícito de interferir no processo educacional. Portanto, é 
papel do docente provocar avanços nos alunos e isso se torna possível com sua 
interferência na zona proximal. O aluno não é tão somente o sujeito da 
aprendizagem, mas, aquele que aprende junto ao outro o que o seu grupo social 
produz, tal como: valores, linguagem e o próprio conhecimento. 
Em relação aos softwares educativos (SE) como ferramenta do processo 
de ensino-aprendizagem, deve-se esperar que possua as seguintes características 
e atuações: O SE deve ser um instrumento efetivo capaz de ampliar as 
possibilidades de conhecimento do aluno, à medida que considere necessária 
articulação dos conceitos espontâneos (conhecimentos prévios) com os 
conhecimentos que se deseja levar o aluno a construir (conhecimentos científicos), 
e que explore as possibilidades de interação intra e intergrupos visando a um 
trabalho didático capaz de privilegiar as diferentes ZDPs dos alunos. 
 
 
SEYMOUR PAPERT 
 
Seymour Papert é matemático e um dos maiores visionários do uso da 
Tecnologia na educação, considerado um dos pais do campo da Inteligência 
Artificial. Nascido e educado na África do Sul, onde participou ativamente do 
movimento antiapartheid, Papert engajou-se em pesquisas na área de matemática 
na Cambridge University no período de 1954-1958. Então trabalhou com Jean 
Piaget na University of Geneva de 1958 a 1963. Sua colaboração principal era 
considerar o uso da matemática no serviço para entender como as crianças podem 
aprender e pensar. 
Em plena década de 1960, Papert já dizia que toda criança deveria ter um 
computador em sala de aula. Na época, sua teoria parecia ficção científica. Entre 
1967 e 1968, desenvolveu uma linguagem de programação totalmente voltada para 
 
 
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Educação digital 
a educação, o Logo, tendo como base a teoria de Piaget e algumas ideias da 
Inteligência Artificial. Logo é uma linguagem de programação simples e estruturada 
voltada à educação, que tem como objetivo permitir que uma pessoa se familiarize, 
através do seu uso, com conceitos lógicos e matemáticos através da exploração de 
atividades espaciais que auxiliam o usuário a formalizar seus raciocínios cognitivos. 
Através do logo as crianças podem ser vistas como construtoras de suas 
próprias estruturas intelectuais. Ao utilizar o Logo, o computador é considerado 
uma ferramenta que propicia à criança as condições de entrar em contato com 
algumas das mais profundas ideias em ciências, matemática e criação de modelos. 
Ao trabalhar com a Linguagem Logo, o erro é tratado como uma tentativa de acerto, 
ou seja, uma fase necessária à nova estruturação cognitiva. O Logo envolve todo o 
ambiente de aprendizagem. A abordagem logo não é apenas a linguagem de 
programação, mas principalmente uma forma de conceber e de utilizar as novas 
tecnologias em Educação, abrangendo todo o ambiente de aprendizagem, que 
envolve não só o aluno, o computador e o software, mas também o professor, os 
demais recursos disponíveis no ambiente e as relações que se estabelecem entre 
esses elementos. 
Com essa concepção passa-se a adaptar e aplicar o construcionismo em 
práticas pedagógicas com outros softwares, destacando-se os mais abertos, como 
os sistemas de autoria, processadores de texto, editores de desenho, planilhas 
eletrônicas, gerenciadores de banco de dados, redes de computadores, programas 
de simulação e modelagem, etc. 
Inicialmente a linguagem logo foi implementada em computadores de 
médio e grande porte, fato que fez com que, até o surgimento dos 
microcomputadores, o uso do Logo ficasse restrito às universidades e laboratórios 
de pesquisa. As crianças e professores se deslocavam até esses centros para 
usarem o Logo e nessas circunstâncias os resultados das experiências com o Logo 
se mostraram interessantes e promissores. O Logo foi a única alternativa que 
surgiu com uma fundamentação teórica diferente no uso do computador na 
educação. Era passível de ser usado em diversos domínios do conhecimento e 
com muitos casos documentados que mostravam a sua eficácia como meio para a 
construção do conhecimento. 
 
 
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Educação digital 
A comunidade pedagógica só passou a incorporar as ideias de Papert a 
partir de 1980, quando ele lançou o livro Mindstorms: Children, Computers and 
Powerful Ideas. Esse livro mostrava caminhos para utilização das máquinas no 
ensino. Com a disseminação dos microcomputadores, o Logo passou a ser adotado 
e usado em muitas escolas. No período de 1983 até 1987 aconteceu uma 
verdadeira explosão no número de experiências, na produção de material de apoio, 
livros, publicações e conferências sobre o uso do Logo. 
 
 DIFUSÃO DO CONSTRUTIVISMO 
 
Uma das teorias mais importantes na educação, a Teoria Construtivista, 
surgiu no século XX, a partir das experiências do biólogo, filósofo e epistemólogo 
suíço Jean Piaget (1896-1980), o qual observando crianças desde o nascimento 
até a adolescência - como um recém-nascido passava do estado de não 
reconhecimento de sua individualidade frente ao mundo que o cerca indo até a 
idade de adolescentes, onde já tem-se o início de operações de raciocínio mais 
complexas - percebeu que o conhecimento se constrói na interação do sujeito com 
o meio em que ele vive. Para este autor, o conhecimento: não pode ser concebido 
como algo predeterminado nem nas estruturas internas do sujeito, porquanto estas 
resultam de uma construção efetiva e contínua, nem nas características 
preexistentes do objeto, uma vez que elas só são conhecidas graças à mediação 
necessária dessas estruturas, e que essas, ao enquadrá-las, enriquecem-nas 
(PIAGET, 2007, p.1). 
Rompendo com alguns paradigmas da educação, como a ideia de um 
universo do conhecimento dado, seja pela bagagem hereditária (apriorismo)ou 
pelo meio físico e social (empirismo) e adotada em escolas de todas as partes do 
mundo, a teoria construtivista tem sido fonte de críticas, mas também de motivação 
e de pesquisa para vários estudiosos. 
A divulgação das ideias de Piaget no Brasil tem início no final da década de 
vinte, no contexto do Movimento da Escola Nova, sendo que a crença liberal 
escolanovista de que a escola seria o instrumento adequado à criação de uma 
sociedade solidária e fraterna levou os educadores progressistas do início do 
século a acreditarem na proposta de que a realização de inovações pedagógicas 
 
 
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Educação digital 
poderia mostrar melhores resultados do que os obtidos pela escola tradicional, que 
não consolidara objetivos sociais e democráticos. 
A crítica aos métodos tradicionais e as novas propostas implicaram na 
revisão e na alteração dos pressupostos científicos de fundamentação das 
atividades pedagógicas. O movimento da Escola Nova buscou na Biologia e na 
Psicologia bases de sustentação para uma ação pedagógica que privilegiou o aluno 
no processo educacional. A Pedagogia escolanovista incluia em seus pressupostos 
os princípios de atividade e de interesse e, Piaget, acrescentou o de cooperação, 
os quais poderiam contribuir para a formação de indivíduos autônomos e solidários, 
conforme os requisitos de uma sociedade justa. A inserção do escolanovismo no 
Brasil ocorreu, principalmente, na escola pública, por meio de reformas 
educacionais realizadas nos estados, as quais incorporaram os princípios ativos 
que foram veiculados por educadores, em publicações e laboratórios de Psicologia, 
criados na época. 
Jean Piaget esteve em terras brasileiras em 1949, representando a 
Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), 
num Seminário de Educação e Alfabetização de Adultos, no Rio de Janeiro. Desde 
então, passou a ser considerado por muitos como pedagogo, embora nunca tenha 
se dedicado à Pedagogia. Porém, é inegável seu compromisso com a educação, 
assim como o são as implicações pedagógicas dos resultados de suas pesquisas 
sobre o desenvolvimento intelectual das crianças. 
Até os anos oitenta, a maioria dos piagetianos se dedicava aos aspectos 
estruturais dos estágios de desenvolvimento da criança, a partir daí houve um 
aumento de interesse pela pesquisa dos aspectos funcionais, ou seja, pela 
concepção construtivista e interacionista do desenvolvimento. Diante deste 
contexto, leituras parciais e distorcidas, bem como apropriações práticas indevidas 
da teoria construtivista se difundiram no Brasil, o que gerou confusão nos 
professores que trabalhavam de maneira tradicional e que passaram a realizar 
atividades basicamente mecânicas com as crianças, distorcendo, assim, a teoria de 
Piaget, a qual não é voltada para a ação pedagógica, mas para a construção do 
sujeito epistêmico. 
 
 
 
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Educação digital 
 
http://cmapspublic.ihmc.us/rid=1HXD6M860-27GBX79-2LS/Piaget.cmap 
 
 TEORIA DE PIAGET E EAD 
 
A teoria de Piaget explica de forma satisfatória o processo de 
aprendizagem mediante a participação do estudante na construção do próprio 
conhecimento. Sabe-se que isso contribui para um ambiente de aprendizagem 
alegre e que eleva a autoestima do aprendiz; ainda, forma indivíduos responsáveis 
e aptos a assumir iniciativa no ambiente de trabalho. 
O construtivismo é uma teoria psicopedagógica que diz respeito ao modo 
como o aprendiz constrói o conhecimento. Essa construção se dá pela ação do 
aprendiz sobre o objeto do conhecimento, mas é importante destacar que, para 
essa ação, ele traz suas experiências e seus conhecimentos prévios. Segundo 
Piaget (Piaget, 1978), há duas abordagens distintas para a implantação do 
conhecimento: 
Ensino Condicionado: implantação do ensino sem a participação do 
aprendiz. 
Ensino Cooperativo: onde o aluno participa no desenvolvimento do seu 
próprio conhecimento. 
O instrutor que tenta transpor sua metodologia educacional tradicional, 
muitas vezes condicionada, acaba enfrentando sérios problemas em um ambiente 
de EaD. Dentre os problemas gerados, o tédio é o principal fator de evasão de 
cursos on-line. A eventual desmotivação do aprendiz pode estar diretamente 
 
 
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Educação digital 
relacionada com o despreparo dos instrutores. Quanto mais motivado for o 
aprendiz, mais conhecimento será assimilado. 
Para a construção de um ambiente de EaD participativo, a teoria de Piaget 
será utilizada como motivação para se utilizar um conjunto com artefatos 
tecnológicos que permitam ao estudante interagir com o objeto de aprendizagem. 
A construção do conhecimento ocorre quando o aprendiz age, física ou 
mentalmente, sobre os objetos, provocando o desequilíbrio do conhecimento 
adquirido anteriormente. Esse desequilíbrio deve ser resolvido por meio de um 
processo de assimilação e acomodação do novo conhecimento. Assim, o equilíbrio 
será restabelecido, para, em seguida, sofrer outro desequilíbrio. 
O desenvolvimento de cada processo significa: 
Assimilação: É o processo cognitivo de novos conhecimentos. 
Acomodação: É a modificação de um esquema ou de uma estrutura 
existente. 
Equilibração: É o processo de passagem da assimilação para 
acomodação. 
 
 APRENDIZAGEM COLABORATIVA E COOPERATIVA 
 
A aprendizagem colaborativa e a cooperativa são estratégias com mérito 
motivacional reconhecido. Ligando estas formas de trabalho a processos de 
aprender a aprender, resultados de estudos apontam para a geração de 
interatividade entre o grupo e sempre que os elementos discordavam, tinham que 
negociar entre eles uma resolução, responsabilizando-se, assim, pela construção 
do próprio processo de aprendizagem. 
Existem vários pontos de contato entre a aprendizagem colaborativa e 
cooperativa com estratégias construtivistas de aprendizagem. As raízes do 
construtivismo formaram a base da aprendizagem colaborativa. Por outro lado, a 
base do trabalho cooperativo é formada por: aprendizagem centrada no aluno; 
motivação intrínseca para a aprendizagem; a construção de conhecimento ao invés 
da transmissão do conhecimento; e a aprendizagem flexível no lugar da 
demasiadamente estruturada. 
 
 
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Educação digital 
Destas bases, todas elas diamantes que poderiam ser trabalhados, 
salienta-se a motivação intrínseca para a aprendizagem. A motivação intrínseca é a 
que vem dos alunos (…) quando querem aprender pelo gosto de aprender, porque 
estão interessados no assunto. Ajudar os colegas vem (…) do gosto pelo esforço 
coletivo. Os alunos aprendem em conjunto sem o recurso a notas, prémios ou 
outras recompensas ou castigos. Dado que o gosto de aprender, por si só, 
catapulta ambos os fatores alvo da intervenção para perto da meta, a 
aprendizagem colaborativa e cooperativa não poderiam deixar de pertencer ao 
conjunto de estratégias deste projeto. Resta clarificar as diferenças entre ambas, 
salientando caraterísticas com interesse para o caso em questão. 
A base da aprendizagem cooperativa e colaborativa é o construtivismo. A 
aprendizagem colaborativa requer trabalho conjunto no sentido de um objetivo 
comum (…) os alunos são responsáveis pela aprendizagem dos outros assim como 
pela sua e atingir o objetivo implica os alunos ajudaram-se mutuamente na 
compreensão e na aprendizagem. Por outro lado, a aprendizagem cooperativa é 
um processo com o objetivo de facilitar a consecução de um produto final 
específico ou objetivo através de trabalho em grupo. A supervisão do professor é 
necessária na aprendizagem cooperativa, enquanto que na colaborativa os alunostêm praticamente toda a responsabilidade de trabalharem em conjunto, construírem 
o conhecimento em conjunto, (…) melhorarem em conjunto. 
 
A UTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS A FAVOR DO CONHECIMENTO 
 
Cada ser humano percebe o mundo de modo diferente e constrói a 
realidade à sua maneira. A apropriação dessa realidade, a construção de 
significados, o compartilhamento das percepções pessoais com outros sujeitos e a 
adaptação a novos contextos, constituem o processo de construção do 
conhecimento. Ensinar vai além de transmitir conteúdo e informação, resulta do 
entendimento que se faz das interações com o meio ambiente. Permite desde a 
interação entre professor e aluno, entre os próprios alunos e a interação entre os 
alunos e o conteúdo. 
Na atualidade, esse processo se ancora, cada vez mais, nos contextos 
elaborados pelas telecomunicações e pela informática nos quais o sujeito aprende 
 
 
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Educação digital 
permeado de informações que chegam a qualquer hora e de qualquer lugar do 
mundo, transformando as práticas tradicionais de conviver, trabalhar, educar e até 
mesmo de pensar e adquirir conhecimento, influenciando diretamente no processo 
educacional. 
A informação, o conhecimento, o saber e a aprendizagem são 
indissociáveis do processo educativo. E, dependendo da forma como a tecnologia 
da informação for utilizada, potencializará esse processo e, sabe-se que uso das 
tecnologias na prática de ensino não é recente. A implementação de programas e 
políticas públicas que objetivam a adoção e a integração de ferramentas no 
contexto educacional brasileiro está, presente há algumas décadas. 
É o caso da internet que chegou visivelmente no início da década de 80 e 
vem viabilizando a implementação de cursos à distância permitindo o encontro de 
professores e alunos não somente em salas de aula como também através de 
redes, provocando a revisão da estrutura disciplinar e mudanças básicas do ensino 
presencial brasileiro. A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, conhecida como 
Lei de Diretrizes e Bases (LDB) (BRASIL, 1996), amplia a dimensão axiológica do 
termo educação colocando-o em um sentido abrangente, tratando não apenas da 
educação formal, a não-formal, a continuada, a ambiental e outras já conhecidas, 
como também da educação a distância. 
Assim, na década de 90 com a LDB (BRASIL, 1996), percebe-se 
claramente a necessidade do ensino mediado pela tecnologia, incorporando o 
ensino a distância ao presencial. O Art. 32, parágrafo 4º da LDB (BRASIL, 1996, 
grifos do autor), aponta que como complementação da aprendizagem ou em 
situações emergenciais o Ensino Fundamental poderá ser à distância e reflete 
sobre a consequente ampliação das possibilidades de acesso ao Ensino 
Fundamental (sendo democratizante), incluindo a instrumentação eletrônica nos 
materiais de apoio ao ensino (sendo moderna), agilizando a aprendizagem 
daqueles alunos que não tiveram acesso à escola na idade própria (sendo 
compensatória) e reduzindo a distorção idade/série (sendo reequacionadora). 
Estudos também apontam os impactos das TICs no processo ensino e 
aprendizagem e refletem sobre a importância de conhecer as tecnologias presentes 
no contexto educacional e repensar as estratégias e concepções de ensino. Os 
modelos tradicionais de ensino são cada vez mais inadequados, por isso, 
 
 
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professores e alunos são desafiados a encontrar novos modelos para novas 
situações, não se limitando ao trabalho dentro de sala de aula. Poucas adaptações 
e pequenas mudanças são feitas diante às grandes possibilidades das redes 
eletrônicas. 
A educação do mundo de hoje tende a ser tecnológica, exigindo 
entendimento e interpretação de tecnologias. Não há como separar tecnologia de 
educação. 
Quanto à utilização da Internet no processo educativo, o professor deixa de 
ser o repassador do conhecimento para ser o criador de ambientes de 
aprendizagem e facilitador do processo pelo qual o aluno adquire conhecimento. 
Nessa perspectiva a presença das tecnologias no processo de ensino e 
aprendizagem abre espaço para se repensar o fazer pedagógico e numa 
abordagem interacionista, proposta por Vygotsky, possibilita a formação de um 
sujeito (aluno) mais autônomo, capaz de enfrentar os desafios que a construção do 
conhecimento proporciona e contribuir para a formação das competências 
necessárias para que os jovens venham a ter uma inserção social adequada. 
A escola é tida como o lugar principal para isso, uma vez que tem a 
possibilidade de permitir a efervescência de ambientes concretizados em várias 
dimensões e, dependendo das concepções de conhecimento e aprendizagem 
assumidas pelo professor, permite a aprendizagem de conteúdos, atitudes, 
habilidades e, consequentemente, o desenvolvimento de esquemas cognitivos. 
Destaca-se a concepção construtivista, em que o indivíduo é considerado sujeito 
ativo de seu próprio conhecimento. 
 
O CONSTRUTIVISMO PARA ALÉM DA ESCOLA 
 
O termo construtivismo foi usado pela primeira vez nos anos 70 por Piaget, 
embora seus primeiros trabalhos terem sido publicados anos antes, em 1950. 
Piaget (1896-1980) e Vygotsky (1896-1934) são os principais representantes da 
concepção interacionista construtivista e explicam o conhecimento mediante a 
participação tanto do sujeito quanto dos objetos do conhecimento, “[...] que são 
mais ricas do que os objetos podem fornecer por eles mesmos” (PIAGET, 1980, 
p.87), constituindo-se num entrelaçar entre fatores internos (maturação) e os 
 
 
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Educação digital 
fatores externos (ações do meio). Assim como as abordagens maturacionistas, 
Piaget enfatiza o processo de desenvolvimento como objeto de estudo e enfatiza o 
papel dos fatores internos, como a maturação ou a equilibração, na determinação 
desse processo e que a construção do conhecimento vai depender tanto do meio 
físico como das condições do meio. 
Já o enfoque de Vygotsky (2007) sugere que tanto o desenvolvimento 
quanto a aprendizagem são consequências das condições sociais em que o 
indivíduo está imerso, abordando assim, a perspectiva histórico-cultural e afirma 
que o meio social é determinante do desenvolvimento humano e que isso acontece 
pela aprendizagem da linguagem. Tanto Piaget como Vygotsky contribuíram para 
aproximarem os educadores do desenvolvimento da atividade da criança, para 
compreenderem seus processos de elaboração conceitual e para perceberem as 
relações que estabelecem com outras crianças e com os adultos. Tais atitudes dos 
educadores podem ajudar no entendimento de outra relação: a do ensino mediado 
pela tecnologia. Essa mediação não deve ser entendida como solução às práticas 
educacionais que insistem em reproduzir conhecimento, mas como possibilidade de 
realmente incluir professores e alunos na construção significativa do conhecimento. 
O modo como o professor lida com a prática educativa é determinado pela 
compreensão que ele tem sobre ela, podendo estar instrumentalizada e mediada 
pela teoria, ajudando-o a compreender o que ocorre em sala de aula, marcando 
suas decisões e modos de agir. Essa transferência da teoria para a prática, de usar 
os pressupostos construtivistas no cotidiano escolar para mediar o processo de 
aquisição de conhecimento, não é fácil e nem acontece de forma espontânea. 
Isso porque é importante considerar como os professores e até mesmo os 
pais aprenderam e aprendem, entender que a ideia de colocar o indivíduo como 
sujeito ativo de seu próprio conhecimento é recente e os professores de hoje 
querem aprender e não só ensinar, exigindo-lhes observação e reflexão sobre suas 
ações, novas competências em sua formação. 
O construtivismoé uma visão do conhecimento, os adultos têm o poder e o 
dever de transmitir de modo informal, no cotidiano da casa ou da vida, ou formal, no 
contexto da escola, o que crianças e jovens precisam aprender. O construtivismo 
se opõe a um modo positivista e considera não só as intervenções do meio e as 
 
 
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Educação digital 
condições hereditárias, como também a integração com a qualidade da experiência 
e um processo de autoregulação que integra essas três características. 
É, assim, uma proposta teórica e metodológica que pode e deve ser 
praticada de vários e diferentes modos, permitindo interagir, rever e incrementar 
estratégias de ensino, criar diferentes ambientes para a aprendizagem, permitir a 
troca de informação e de experiência. Um bom exemplo disso é a utilização dos 
ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs) nas escolas, destacando-se como uma 
promissora proposta pedagógica. 
Os AVAs constituem um espaço que permite o desenvolvimento das 
relações com o saber mediadas pelas tecnologias. No âmbito da escola, são 
desenvolvidas através de interações dos alunos com os conteúdos, dos alunos com 
outros alunos, dos alunos com os professores, sob a influência do seu meio afetivo 
e social, tanto dentro como fora da escola. 
 
COOPERAÇÃO, COLABORAÇÃO E INTERAÇÃO 
 
Durante muito tempo a escola teve por única tarefa transmitir à criança os 
conhecimentos adquiridos pelas gerações precedentes e exercitá-la nas técnicas 
especiais do adulto. Povoar a memória e treinar o aluno na ginástica intelectual 
pareciam, pois, ser as únicas coisas necessárias, uma vez que se concebia a 
estrutura mental da criança como idêntica à do homem feito e que portanto, parecia 
inútil formar um pensamento plenamente constituído que apenas exigia ser 
exercitado. Nessa concepção, a escola por certo supõe uma relação social 
indispensável, mas apenas entre o professor e os alunos: sendo o professor o 
detentor dos conhecimentos exatos e o perito nas técnicas a serem adquiridos, o 
ideal é a submissão da criança à sua autoridade, e todo contato intelectual das 
crianças entre si nada mais é que perda de tempo e risco de deformação ou de 
erros. Mas três tipos de observação vieram complicar essa visão simplista das 
tarefas do ensino e da educação intelectual e impor ao mesmo tempo a 
necessidade de colaboração dos alunos entre si. 
O professor hoje, não é mais o detentor do conhecimento, aquele que sabe 
tudo e seus alunos são meros receptores do conhecimento. Com os milhares de 
informações que estão ao alcance de todos principalmente na Internet, o trabalho 
 
 
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Educação digital 
isolado do professor já não satisfaz mais. As mudanças de postura, a quebra de 
paradigmas faz com que o trabalho do professor não seja mais isolado. Com isso o 
trabalho em conjunto, cooperativo vem de encontro com as necessidades dos 
alunos na busca da construção do conhecimento e o professor entra como 
mediador, orientador deste conhecimento, aquele que mostra os caminhos para 
seus alunos em conjunto buscarem de forma interativa o saber e a construção de 
novos saberes. Neste ambiente o professor continuará sendo professor, mas um 
professor mediador e orientador e não mais o detentor do conhecimento pois o 
trabalho cooperativo ele aprenderá com seus alunos. 
O trabalho cooperativo independe se o professor estará trabalhando com 
crianças, adolescentes ou adultos, o que importa nesse trabalho é a troca e a 
busca por um objetivo comum resultando na construção do saber que acontece 
através do compartilhamento de informações e conhecimentos entre os 
participantes. A cooperação, no sentido geral, consiste no ajustamento do 
pensamento próprio ou das ações pessoais ao pensamento e às ações dos outros, 
o que se faz pondo as perspectivas em relação recíproca. Assim, um controle 
mútuo das atividades é exercido entre os parceiros que cooperam. 
O trabalho cooperativo é uma forma de contribuir para o grupo de forma 
individual, onde em um grupo cada um faz a sua contribuição sem que o grupo 
discuta e reflita juntos sobre a contribuição dada. Um exemplo disso é um trabalho 
onde o grupo deve ler e fazer uma análise de um livro e o mesmo decide dividir o 
livro em capítulos e cada um lê e dá a sua contribuição da parte que ficou, e na 
apresentação cada um contribuirá apenas com a parte que leu e fez a síntese. 
Nesses casos o grupo encontra uma estratégia para solucionar um 
problema de forma colaborativa através da interação e comunicação que são 
essencialmente sociais. 
A cooperação, com efeito, é um método característico da sociedade que se 
constrói pela reciprocidade dos trabalhadores e a implica, ou seja, é precisamente 
uma norma racional e moral indispensável para a formação das personalidades, ao 
passo que a coerção fundada apenas sobre a autoridade dos mais velhos ou do 
costume, nada mais é que a cristalização da sociedade já construída e enquanto tal 
personalidade não tem justamente nada de oposto às realidades sociais, pois 
 
 
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constitui, ao contrário, o produto por excelência da cooperação. (PIAGET, 1998, p. 
141) 
Uma sociedade só cresce com a participação, cooperação e colaboração 
de todos. Sem a interação do grupo, uns cooperando e colaborando com os outros 
estaríamos ainda na "idade da pedra". Crescemos e construímos porque somos 
seres capazes de conviver em uma sociedade onde cada um isoladamente 
contribui para que a mesma se desenvolva trazendo benefícios para todos. No 
momento em que estamos participando ativamente com o meio, estamos 
aprendendo e repassando conhecimentos. A busca constante pelo aprendizado, faz 
com que as pessoas construam seus conhecimentos de forma interativa com o 
meio. 
Piaget (1998) destaca três pontos que devem ser considerados nos 
aspectos da socialização intelectual da criança para avaliar o trabalho em grupo: 
Primeiro: o indivíduo fechado no egocentrismo inconsciente, só se 
descobre quando aprende a conhecer os outros. 
Segundo: a cooperação é necessária para conduzir o indivíduo à 
objetividade, ao passo que, por si só, o eu permanece prisioneiro de sua 
perspectiva particular Terceiro: a cooperação é uma fonte de regras para o 
pensamento. 
O ponto apresentado por Piaget nos leva a pensar sobre o trabalho em 
grupo que envolve principalmente a cooperação. Mas antes da cooperação, o saber 
se abrir, conhecer os outros para poder conhecer a si mesmo é fundamental para o 
trabalho em conjunto. Como poderíamos trabalhar se não conhecêssemos os 
nossos colegas. 
No trabalho cooperativo faz-se necessário o conhecimento do objetivo 
comum do grupo, todos envolvidos em solucionar uma tarefa, alcançar o objetivo e 
para que isso aconteça o grupo deve ter um equilíbrio, onde todos participam, 
evitando os abusos de autonomia por parte do coordenador e o cuidado para não 
deixar alguém de fora, sem participar. O trabalho em grupo quando acontece de 
forma normal, onde todos cooperam, colaboram e interagem torna a aprendizagem 
significativa, pois com as trocas eles constroem o conhecimento em conjunto. 
 
 
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Educação digital 
 Com as experiências do grupo, os estudantes vão construindo seus 
conhecimentos a partir das experiências dos colegas, tornando a aprendizagem 
efetiva. 
 Para Vygotsky (1998), a interação social exerce um papel fundamental no 
desenvolvimento cognitivo. Para ele, cabe ao educador associar aquilo que o 
aprendiz sabe a uma linguagem culta ou científica para ampliar seus 
conhecimentos daquele que aprende, de forma a integrá-lo histórica e socialmente 
no mundo, ou aomenos, integrá-lo intelectualmente no seu espaço vital. Ainda 
Vygotsky, nos coloca que a aprendizagem é mais do que a aquisição de 
capacidades para pensar, é a aquisição de muitas capacidades para pensar sobre 
várias coisas. Certamente o ato de pensar faz com que a aprendizagem aconteça, 
mas temos capacidade suficiente para pensar sobre muitas coisas ao mesmo 
tempo, e construir o conhecimento a partir do ato de pensar. 
 Trazendo estes conceitos para a área da informática na educação, 
podemos considerar que, para um trabalho obter resultados positivos, podemos 
utilizar as tecnologias da informação e comunicação de forma que possam 
contribuir para o aprendizado dos estudantes. E para que isso ocorra o trabalho 
deve ser cooperativo, colaborativo e interativo. 
 Cooperativo no sentido dos trabalhos em grupos, onde todos participam, 
contribuem de forma conjunta para atingir os objetivos comuns do grupo. Esse 
trabalho pode ser feito através do Chat ou a utilização do NetMeeting com o 
compartilhamento de arquivos on-line, no caso de ser a distância, caso seja 
presencial através da troca verbal de informações e expositiva. Colaborativa 
através da troca de materiais encontrados, onde individualmente, cada integrante 
do grupo dá sua contribuição. Essas contribuições podem ser de forma presencial 
ou a distância. A distância as contribuições podem ser através de uma lista de 
discussão, email entre outros. Interativa no sentido de tornar o trabalho integrado, 
onde todos possam interagir para que o trabalho em grupo se torne significativo 
para os participantes. 
 Em ambientes de aprendizagem a distância devemos considerar 
importante todos os aspectos, principalmente os cognitivos. É um estudo que deve 
ser levado a sério, pois precisamos compreender como se dá os processos de 
aprendizagem à distância, como acontece a construção do conhecimento nesses 
 
 
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Educação digital 
ambientes. As teorias são essenciais e fundamentais para podermos entender 
esses processos e construir a nossa própria aprendizagem. 
 
A TECNOLOGIA COMBATENDO A INDISCIPLINA 
 
A indisciplina pode ser pensada como negação da disciplina, ou como 
desordem proveniente da quebra das regras estabelecidas pelo grupo. Indisciplina 
é sobretudo o professor que produz e comunica normas sociais que julga 
necessárias para exercer sua ação pedagógica, e assim prescreve determinadas 
posturas e regras a serem aceitas, muitas vezes sem a devida discussão com os 
alunos, e sem que aquelas atendam suas expectativas e necessidades. 
No âmbito escolar é muito comum ouvir que a indisciplina é um dos 
principais fatores responsáveis pelo fracasso escolar, exemplificados 
principalmente pela reprovação em massa, altos índices de evasão ou aprovação 
com baixo rendimento qualitativo. Entretanto as causas da indisciplina são 
infindáveis, complexas de analisar, produtos de uma mudança na conjuntura da 
sociedade onde a família tradicional perdeu seu espaço para os novos 
diversificados tipos de relacionamentos familiares não mais centrados na figura do 
pai, mãe e filhos, mas também na mudança de relacionamento entre pais e filhos, 
muitas vezes confundidos como “diminuição da autoridade dos pais” ou a falta do 
estabelecimento de limites locais que transfere a responsabilidade de educar os 
filhos à escola, atribuindo a ela as eventuais falhas. 
 O imediatismo também é apontado como uma das principais causas, 
impedindo os alunos de se preocuparem com o futuro, buscando viver 
intensamente o presente, sonhando em conquistar riqueza e poder sem fazer 
esforço e não analisam as consequências desse comportamento. 
A falta de objetivos e perspectivas é outro fator que não pode ser 
descartado, como alto índice de desemprego, baixos salários e grande mercado de 
trabalho informal, levam o jovem ao pessimismo e a visão errônea, achando 
impossível atribuir significados à sua realidade. 
A indisciplina tem ainda suas raízes centradas no estado de inércia das 
escolas, onde a evolução e transformação dos métodos de ensino aprendizagem 
se fazem de maneira muito lenta, não acompanhando a expectativa do aluno 
 
 
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Educação digital 
plugado numa realidade centrada em inovações e alterações rápidas e incessantes, 
totalmente adversa à vivência escolar, em descompasso com a sociedade, onde o 
mesmo tem extrema dificuldade de identificar e se perceber como parte integrante 
desse processo que completa a vida em sociedade. 
As causas familiares da indisciplina são várias. É aí que os alunos 
adquirem os modelos de comportamento que exteriorizam nas aulas. Em tempos a 
pobreza, violência doméstica e o alcoolismo foram apontados como as principais 
causas que minavam o ambiente familiar. Hoje aponta-se o dedo também à 
desagregação dos casais, droga, ausência de valores, permissividade, demissão 
dos pais da educação dos filhos, etc. Quase sempre os alunos com maiores 
problemas de indisciplina provêm de famílias onde estes existem. 
O que faz com que um aluno seja indisciplinado? Muitas vezes as razões 
de fato não são do foro da educação. Em muitos casos tratam-se de questões que 
deveriam ser tratadas no âmbito da saúde mental infantil e adolescente, da 
proteção social ou até jurídica. O grande problema é que muitas vezes as escolas 
não conseguem fazer esta triagem. Tentam resolver problemas para os quais não 
estão preparadas ou nem sequer são da sua competência. Todos os alunos são 
potencialmente indisciplinados, porque a escola é sempre sentida como uma 
imposição por parte do Estado ou da família. É por isso que as aulas são locais de 
constrangimentos e de repressão de desejos. 
A organização escolar está longe de ser um modelo de virtudes. Funciona 
em geral de modo pouco eficaz e eficiente. A excessiva dependência do Ministério 
da Educação, tende a reduzir os que nela trabalham a meros executantes, sem 
capacidade de resposta para a multiplicidade problemas que enfrentam. 
No passado o contributo dado pelas escolas para a indisciplina assentava 
na questão da seleção que operavam. As escolas eram acusadas de discriminarem 
os alunos à entrada e na constituição das turmas. A fazê-lo, criavam focos de 
revolta por parte daqueles que legitimamente se sentiam marginalizados. A questão 
ainda é colocada, mas não com acuidade que antes conheceu. Os contributos da 
escola para a indisciplina são agora outros. 
Há muito que a escola deixou de ter um papel integrador dos alunos. 
Embora seja um espaço onde estes passam grande parte do seu tempo, nem 
 
 
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Educação digital 
sempre nela chegam a perceber quais são os seus valores, regras de 
funcionamento, etc. 
Na verdade, as escolas estão mal preparadas para enfrentarem a 
complexidade dos problemas atuais, nomeadamente os que se prendem com a 
gestão das suas tensões internas. A crescente participação de alunos, pais, 
entidades públicas e privadas nas decisões tomadas nas escolas tornou-se uma 
fonte de conflitos, que não raro acabam por gerar climas propícios à irrupção de 
fenômenos de indisciplina. 
Há professores que provocam mais indisciplina que outros. As razões 
porque isto acontece é que são muito variáveis, entre as quais as principais são: 
falta de capacidade para motivarem os alunos, nomeadamente utilizando métodos 
e técnicas adequadas; falta de preparo para lidarem com situações de conflito; a 
forma agressiva como tratam os alunos estimulando reações violentas; a rotulagem 
dos alunos; baixos salários pagos para se dedicar a um ofício tão importante. 
As escolas públicas são hoje frequentadas por populações escolares muito 
heterogêneas, contando no seu seio com um crescente número de alunos queprovém de grupos sociais onde subsistem frequentemente graves problemas de 
integração social. O Estado é atualmente um dos principais promotores da 
indisciplina nas escolas. Não apenas através da regulamentação que produz sobre 
a matéria, mas também das medidas que toma ou da morosidade dos processos 
que aprecia. A ineficácia do sistema é neste domínio um poderoso estimulo à 
generalização de práticas desviantes. 
 
REAL UTILIZAÇÃO DAS TIC 
 
A introdução no uso das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação 
como recurso metodológico no espaço de ensino, tem resultado diferentes tipos de 
reações e posicionamentos entre os professores, que podem ser citados os 
seguintes: 
• Aqueles professores que concedem à TIC um poder mágico e 
acreditam que somente o seu uso pode transformar o processo de ensino e 
aprendizagem, criando uma relação cega que não permite desenvolver 
mecanismos críticos frente aos meios e criam uma certa dependência da máquina; 
 
 
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• Os que não utilizam as tecnologias porque consideram que são 
culpadas de quase todos os problemas que afetam a sociedade. Este tipo de 
professor com resistência à mudança costuma opor-se enfaticamente a utilização 
das TICs, desenvolvendo o que pode ser chamado de Tecnofobia. 
• Também se encontram na categoria da chamada Tecnofobia, os 
docentes que consideram difícil seu uso, assim como aqueles que têm medo de 
receber treinamento, porque se consideram incapazes ou envergonhados diante de 
seus alunos ou professores mais jovens que têm desenvolvido essas habilidades e 
destrezas; 
• Há ainda os professores que utilizam as tecnologias e aproveitam o 
melhor delas; realizando uma crítica permanente sobre seus aspectos positivos e 
negativos, isto é, aqueles que reconhecem a necessidade de sua vinculação com a 
educação e assumem um papel de gestores da mudança de acordo com as 
necessidades e expectativas dos alunos. 
Quanto à utilização prática das TIC’s, as realidades encontradas entre os 
docentes das escolas públicas, são da mais variada esfera onde podem ser 
encontrados professores que as utilizam em suas práticas pedagógicas de maneira 
crítica, contrastando com a situação de muitos professores que ainda não estão 
utilizando em sua prática pedagógica diária, por uma série de justificativas entre as 
quais a mudança que se processou de forma brusca, não acompanhada de um 
processo de capacitação que integrasse a maioria dos docentes. 
Além dos limites encontrados pelos educadores, que são de ordem primária 
como o acesso e o conhecimento para manuseio dessas tecnologias e também de 
ordem secundárias como a dificuldade de acompanhar a atualização do meio 
tecnológico, cada vez mais dinâmico, e os problemas com o próprio funcionamento 
dos equipamentos, existem outros obstáculos que dificultam o uso da tecnologia 
em sua potencialidade como: necessidade de empregar uma metodologia 
adequada e interativa para o aluno, ou seja, o professor necessita mudar para 
mudar o método e também mudar o aluno; o preparo de atividades utilizando as 
Novas Tecnologias, normalmente é mais trabalhoso do que ministrar aulas 
tradicionais, por isso, o professor necessita de mais tempo e criatividade para 
formular as atividades; as Novas Tecnologias não devem ser um substituto do 
quadro negro nem do professor. 
 
 
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Educação digital 
Portanto o professor precisa ser criterioso quanto ao método empregado, 
diversificando o conteúdo com textos, imagens, sons e outros atrativos, para estar 
despertando e prendendo a atenção dos alunos e assim produzir aprendizagem 
significativa; o professor necessita aprender uma maneira totalmente nova de 
comunicar a mensagem adequada ao universo do adolescente e de garantir que a 
aprendizagem aconteça utilizando as novas tecnologias; a concepção e a forma de 
avaliação devem ser adequadas às metodologias e práticas utilizadas, para que o 
processo se complemente em sintonia; é necessário aperfeiçoamento e 
aprimoramento constante do professor para desempenhar suas múltiplas funções 
tornando o ensino não só mais eficiente, mas também melhor; o professor deve 
dispor de uma formação em humanidades, preparado para integrar novas técnicas 
a seu trabalho, em termos de atitudes, conhecimentos dos meios de comunicação e 
suas possibilidades e, ainda, conhecimentos dos objetivos didáticos; o papel do 
professor é o de coordenador do processo, o responsável na “sala de aula virtual”. 
Sua tarefa inicial é a de sensibilizar os alunos, motivá-los para a importância da 
matéria, mostrando entusiasmo, ligação da matéria com os interesses dos alunos. 
 
RELAÇÕES ENTRE O CONSTRUTIVISMO E A PEDAGOGIA 
 
A partir da transposição das principais concepções da teoria de Piaget para 
o campo educacional torna-se importante a reflexão diante dos riscos de conceber 
a perspectiva construtivista como aplicação de métodos pedagógicos. 
Nessa perspectiva, ao considerar a educação como um processo mais 
amplo, espontâneo e assistemático de ensino e aprendizagem, que acontece 
quando há interação entre pessoas em diferentes meios sociais, a Pedagogia 
caracteriza-se como um campo mais restrito, de teorização sobre a ação educativa. 
Além disso, cabe à pedagogia tratar a ação educativa como ação pedagógica, 
conforme uma perspectiva reflexiva, metódica e sistemática. 
A Pedagogia é um saber de fronteira, ou seja, está permanentemente em 
diálogo com outras áreas de conhecimento. Sendo assim, está em constante 
tensão entre as demais formas de conhecimento e a especificidade de seus 
saberes. Sobretudo, um dos desafios da pedagogia consiste em transformar o fazer 
pedagógico, como experiência prática puramente espontânea, em agir pedagógico, 
que deve ser constantemente confrontado com as teorias pedagógicas de maneira 
 
 
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reflexiva, distanciando-se da teoria como instrumento para a prática, ou seja, o agir 
pedagógico como movimento questionador que está muito mais preocupado em 
formular, adequadamente, perguntas do que em buscar respostas certeiras e 
acabadas. 
Nesse sentido, as teorias desenvolvidas a partir dos estudos na área da 
Psicologia influenciam a construção das teorias pedagógicas relacionadas ao 
processo de ensino e aprendizagem na escola, pois no ato de ensinar estão 
imbricadas as noções do educador quanto à natureza da mente do aprendiz. Dessa 
forma, “uma escolha de pedagogia inevitavelmente comunica uma concepção do 
processo de aprendizagem e do aprendiz. A pedagogia jamais é isenta. Trata-se de 
um meio que carrega sua própria mensagem” (BRUNER, 2001, p. 67). 
Os principais pressupostos da teoria epistemológica de Jean Piaget 
revolucionaram a maneira de conceber o desenvolvimento humano e contribuíram 
na construção de novas teorias pedagógicas na medida em que o sujeito passa a 
ser visto como capaz de construir o conhecimento na interação com o meio físico e 
social. 
Assim, a concepção de inteligência “[...] como desenvolvimento de uma 
atividade assimiladora cujas leis funcionais são dadas a partir da vida orgânica e 
cujas sucessivas estruturas que lhe servem de órgãos são elaboradas por interação 
dela própria com o meio exterior” (PIAGET, 1987, p. 336), fundamenta teoricamente 
muitas investigações no campo educacional em busca de novas práticas 
pedagógicas embasadas no construtivismo. 
O construtivismo não é uma prática nem um método, e sim uma teoria que 
permite conceber o conhecimento como algo que não é dado e sim construído e 
constituído pelo sujeito através de sua ação e da interação com o meio. Assim, o 
sentido do construtivismo na educação diferencia-se da escola como transmissorade conhecimento, que insiste em ensinar algo já pronto através de inúmeras 
repetições como forma de aprendizagem. Na concepção construtivista a educação 
é concebida como um processo de construção de conhecimento ao qual acorrem, 
em condição de complementaridade, por um lado, os alunos e professores e, por 
outro, os problemas sociais atuais e o conhecimento já construído. 
Enquanto para Piaget o interesse maior sobre os níveis de 
desenvolvimento é teórico e epistemológico, para a escola o interesse é prático, ou 
 
 
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seja, o enfoque está nos resultados das práticas pedagógicas desenvolvidas em 
sala de aula no aprendizado da criança. Assim, para evitar uma interpretação 
apressada e a tentação de transformar uma teoria em receituário, Piaget afirmou 
que “a pedagogia está longe de ser uma simples aplicação do saber psicológico” 
(1994, p. 301). Portanto, cabe à Pedagogia, como um saber de fronteira, 
desenvolver pesquisas que contribuam para a inovação das práticas pedagógicas à 
luz das teorias de diferentes áreas, em busca de um agir pedagógico que leve os 
educadores e educandos a questionarem-se sobre a construção, desconstrução e a 
provisoriedade do conhecimento. 
 
RELAÇÃO DOS ALUNOS COM A TECNOLOGIA 
 
Com o uso das novas tecnologias, surgem novas linguagens, como a 
informática e a internet, e a soma destas novas linguagens faz surgir uma nova 
cultura que influencia, aos poucos, a sociedade. A escola, que evidentemente 
ocupa um lugar na sociedade, torna-se, também, participante desta nova cultura. 
A escola tem em suas mãos a grande chance da transformação social e 
aos professores cabe o desafio de iluminar caminhos, de realizar as aspirações 
humanas e sociais. O aluno não deve ser olhado pelo professor como aprendiz 
apenas, mas como pessoa que precisa aprender a conviver bem consigo e com os 
outros; aprender a descobrir, nos textos que lê os vários olhares que, normalmente, 
estão encobertos. 
A produção cultural que ocorre na escola acontece sempre mediada seja 
pelo professor em sala de aula, seja pelo livro em uma leitura pessoal e silenciosa, 
ou ainda pelo computador, quando se está no laboratório fazendo uma pesquisa na 
internet. O aluno não pode mais esperar sair da escola para pôr em prática o que 
aprendeu, mas deve relacionar o seu aprendizado com o momento de seu estudo. 
A escola pode estabelecer com o aluno uma relação dialógica e dinâmica, deixando 
o sistema tradicional da transmissão mecânica dos conhecimentos prontos e 
acabados. E pode também, desenvolver um novo papel: da pesquisa, do raciocínio, 
da crítica, da criatividade, da reflexão onde o decorar apenas, inexiste, ou seja, não 
tem mais lugar. 
 
 
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Com tantas facilidades de acesso às informações, o papel do professor, 
também muda. Sua principal função passa a ser a de desafiar o aluno, orientá-lo a 
organizar de forma crítica as informações às quais tem acesso. Quem ensina 
precisa conhecer o conjunto de capacidades dos alunos, precisa estimular a 
inteligência e não, apenas, tratá-los como meros aprendizes. 
Papert (2008, p.51) diz que o computador mudou a situação porque ele é 
em si um objeto interessante para ser explorado e porque acrescentou dimensões 
de interesse a outras áreas de trabalho e a construção do conhecimento. Através 
dos meios tecnológicos, desenvolve no aluno a capacidade de busca de novas 
informações, de pesquisa, além de estimular a criatividade e a elaboração de 
conceitos. Os hábitos e os comportamentos são, geralmente, construídos pelas 
ferramentas existentes no meio da comunicação. 
Os novos comportamentos e as novas formas de comunicação, oriundas do 
desenvolvimento da tecnologia, refletem na escola e as práticas pedagógicas que 
usam as novas mídias e tecnologias como ferramentas de aprendizagem oferecem 
novas perspectivas aos alunos que, vivem em seu cotidiano, de uma forma ou de 
outra, essa realidade de acesso às novas mídias e tecnologias. A leitura e a escrita 
podem ser desenvolvidas por meio das tecnologias digitais e a escola pode se 
utilizar deste recurso tornando acessível o seu uso e propondo atividades através 
de sites variados como “facebook” “twiter” “instagran”. Nem todos os aplicativos 
foram criados com objetivos educacionais, mas se forem adaptados corretamente, 
podem oferecer resultados positivos, pois ocasionalmente chegam a ser mais 
envolventes do que as aulas tradicionais. 
A educação precisa ser transformada, não basta modernizá-la. Ensinar e 
aprender são desafios enfrentados em todas as épocas, principalmente, nesse 
novo modelo de gestão que enfatiza a informação e o conhecimento. A reflexão 
sobre a prática produz conhecimento e desafia os professores que seguem 
aplicações rotineiras, a deixarem de ser técnicos. Um profissional reflexivo deve 
sempre se propor a responder a novas problemáticas e questões desafiantes, 
produzindo novos saberes e novas técnicas a partir do contexto em que se 
encontra. A atividade da escola deve transformar-se partindo do princípio de que o 
aluno é um centro de atividade e não um receptáculo vazio a ser preenchido de 
 
 
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conteúdos, frequentemente sem sentido e a escola precisa transformar-se cada vez 
mais em laboratório, e ser cada vez menos auditório. 
Valente acentua que, o computador não é mais o instrumento que ensina o 
aprendiz, mas a ferramenta com a qual o aluno desenvolve algo e, portanto, o 
aprendizado ocorre pelo fato de estar executando uma tarefa por intermédio do 
computador. O ensino pelo computador auxilia o aluno a adquirir conceitos sobre, 
praticamente, qualquer domínio. O computador é uma ferramenta pedagógica que 
permite ao aprendiz resolver problemas ou qualquer outro tipo de atividade, além 
de comunicar-se. 
 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO 
 
Conceitualmente, sociedade da informação é um sistema sócio-político e 
econômico em que o conhecimento e a informação constituem fontes fundamentais 
de bem-estar e progresso. O desenvolvimento desta nova sociedade requer a 
prática de princípios fundamentais como o respeito aos direitos humanos dentro de 
seu contexto mais amplo. Podemos colocar o direito à educação no centro desta 
questão. 
A sociedade da informação se apoia no uso intensivo das novas 
tecnologias, particularmente, as tecnologias da informação e da comunicação e é 
uma forma de organização social moderna, na qual as redes de comunicações e os 
recursos de tecnologia de informação são altamente desenvolvidos, o acesso 
equitativo e onipresente às informações, o conteúdo apropriado, em formatos 
acessíveis e comunicação eficiente deve possibilitar que todas as pessoas 
alcancem o seu potencial pleno. O controle e o domínio dessas tecnologias têm 
decidido a sorte das sociedades. 
 A sociedade da informação deve ter um viés inclusivo onde todas as 
pessoas possam ter a liberdade e as condições para criar, receber, compartilhar e 
utilizar informações e conhecimentos através da educação. Fica aqui uma questão: 
Como a aplicação e uso dessas tecnologias na escola podem efetivamente 
contribuir para criar a sociedade da informação? Existem metodologias que podem 
ser aplicadas de forma genérica? 
Muitos governos, no Brasil e no mundo, estão implementando programas 
de reforma e modernização da administração pública e todos contemplam a 
 
 
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realidade das novas tecnologias e fomentam a expansão da sociedade da 
informação como forma de responder aos desafios de desenvolvimento adicionais 
impostos pela exclusão digital. 
Nessa direção, têmbuscado soluções viáveis para implantar uma 
infraestrutura da informação e da comunicação que possibilite o acesso universal a 
essas tecnologias. Uma infraestrutura de redes de informação e de comunicação 
bem desenvolvida e acessível é essencial para o progresso social, econômico e 
bem-estar de todos os cidadãos e comunidades. A melhoria da conectividade e 
acesso às redes de comunicação das escolas é de importância especial neste 
sentido. 
 
IMPACTOS DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO NA EDUCAÇÃO 
 
 Nenhuma outra tecnologia introduziu tantas mudanças em tão pouco 
tempo e com tanta profundidade, em todas as áreas da atividade humana, como a 
TIC, intensificada nas últimas décadas com o uso do computador e da rede mundial 
de computadores – a Internet. O contexto mundial apresenta um verdadeiro desafio 
quanto à forma de assimilar as transformações que estão ocorrendo com o 
desenvolvimento das telecomunicações, da informática e de suas interações com o 
sistema educacional. 
Como consequência de avanços tecnológicos, vivemos hoje uma 
economia, na qual a informação e o conhecimento são considerados matérias 
primas de muitos processos produtivos. Só este fato já seria suficiente para 
justificar a necessidade de uma ampla revisão do sistema educacional em todos 
seus níveis. Neste cenário emergente, até os ambientes de trabalho estão se 
transformando para ambientes de aprendizagem permanente, como forma de 
acompanhar e se manter atualizado com o ritmo do desenvolvimento. As 
informações e os conhecimentos são recursos inesgotáveis, podendo ser 
reutilizados na geração e produção de novos conhecimentos e informações. Por tal 
razão, as fontes de dados, de informações, as comunicações simbólicas, etc., são 
consideradas valores fundamentais da nova economia. 
O desenvolvimento da sociedade depende, hoje, da capacidade de gerar, 
transmitir, processar, armazenar e recuperar informações de forma eficiente. Por 
isso, a população escolar precisa ter oportunidades de acesso a esses 
 
 
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instrumentos e adquirir capacidade para produzir e desenvolver conhecimentos 
utilizando a TIC. Isto requer a reforma e ampliação do sistema de produção e 
difusão do conhecimento, possibilitando o acesso à tecnologia. Entretanto, o 
simples acesso à tecnologia, em si, não é o aspecto mais importante, mas sim, a 
criação de novos ambientes de aprendizagem e de novas dinâmicas sociais a partir 
do uso dessas novas ferramentas. Comentamos a seguir, em caráter geral e de 
forma não exaustiva, alguns impactos da TIC, com o objetivo de mostrar que as 
novas tecnologias afetam diretamente todos os componentes e agentes do sistema 
educacional (Currículos, Alunos, Escolas e Professores). 
Currículos – A configuração tradicional dos currículos deve ser revista para 
incorporar necessidades da era da informação. Como a atual organização dos 
currículos pertence a uma era pré-digital, possivelmente os currículos serão 
substituídos por sistemas nos quais o conhecimento pode ser obtido quando e onde 
for necessário. Com o surgimento do hipertexto, da interatividade oferecida pelas 
novas tecnologias, da ubiquidade proporcionada pelos meios de comunicação e 
pelas possibilidades de acesso não linear às fontes de informação, novos modelos 
de aprendizagem passaram a ser praticados ultimamente. As estruturas 
curriculares atuais, caracterizadas por uma tradicional imobilidade, não consideram 
nem sequer uma fração das inúmeras possibilidades oferecidas pela TI. O uso mais 
apropriado das novas tecnologias em sala de aula se dá através de projetos 
multidisciplinares, o que não corresponde, na prática, à atual organização dos 
currículos. Incluir TI nos currículos não é exatamente o mesmo que incluir 
laboratório de informática no horário de aulas: o impacto de uma hora por semana 
usando computadores em um laboratório é insignificante. 
Alunos – No passado, os alunos viam o professor como principal, ou única, 
fonte de conhecimento e informação. Porém, agora têm idênticas possibilidades de 
acesso às bases de dados das redes mundiais de computadores: bibliotecas, livros, 
publicações, cursos, laboratórios virtuais, simuladores, listas de discussão, grupos 
de intercâmbio, projetos cooperativos, e muitas outras possibilidades, superando 
em todos os sentidos, as limitações do passado. Além disto, tanto os professores 
como os alunos podem contribuir para acrescentar informações às bases de dados 
existentes, de maneira simples e rápida, seja publicando eletronicamente 
 
 
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resultados de seu trabalho, seja criando suas próprias páginas de informação na 
Internet, alterando substancialmente o paradigma educacional vigente. 
Escolas – O ritmo das escolas está longe de assimilar as mudanças na 
mesma velocidade em que ocorrem no mundo à sua volta. Por isso, encontram-se 
diante da urgente necessidade de promover a alfabetização digital de seus 
professores e técnicos, requisito indispensável para introduzir as novas tecnologias 
no ambiente educacional. A questão, entretanto, não se resolve apenas com a 
simples aquisição da tecnologia, na sua dimensão física, representada pela 
aquisição de equipamentos, novas instalações e até mesmo com a contratação de 
equipes especializadas para esta finalidade. A experiência tem demonstrado a 
ineficácia de simplesmente instalar computadores na escola, se as pessoas não 
souberem como integrá-los às diversas atividades curriculares. 
Professores – Em relação às novas tecnologias, os professores têm visões 
pessimistas, otimistas ou indiferentes. A visão otimista considera as inúmeras 
facilidades oferecidas pela TI e projeta para o futuro um mundo de maravilhas. 
Entretanto, o problema de uso sistemático e organizado da TI na educação não é 
tão simples como parece. A ausência de contexto, a quantidade e a velocidade da 
informação e a virtualidade dos novos meios de informação estão exigindo do 
professor um trabalho de acompanhamento e orientação muito mais intenso. No 
novo contexto tecnológico, o professor passa a ter uma importância ainda maior, 
diante de questões do tipo: Como ensinar a administrar as inúmeras possibilidades 
de receber informações a qualquer hora e lugar? Como formar no aluno a 
capacidade analítica e seletiva sobre as informações que recebe? Como aprimorar 
os processos intelectivos de transformação da informação em conhecimento? 
Como podemos ver, há muitas possibilidades, novas perspectivas, mas também 
grandes desafios a enfrentar. 
Demandas educacionais na Sociedade da Informação – O documento 
Sociedade da Informação no Brasil (MCT, 2000) enfatiza a necessidade de uma 
metodologia adequada para introduzir a TIC na escola e considera que a Educação 
é “o elemento-chave na construção de uma sociedade baseada na informação, no 
conhecimento e no aprendizado. (...) Por outro lado, educar em uma sociedade da 
informação significa muito mais que treinar as pessoas para o uso das tecnologias 
de informação e comunicação: trata-se de investir na criação de competências 
 
 
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Educação digital 
suficientemente amplas que lhes permitam ter uma atuação efetiva na produção de 
bens e serviços, tomar decisões fundamentadas no conhecimento, operar com 
fluência os novos meios e ferramentas em seu trabalho, bem como aplicar 
criativamente as novas mídias (...). A necessidade mais urgente criada pelas novas 
tecnologias é promover a alfabetização digital em âmbito nacional, necessário para 
preparar a sociedade para as mudanças em curso. 
As novas tecnologias da informação e comunicação, especialmente a 
Internet, ampliaram o conceito de alfabetização para muito além do meroato de ler 
e escrever. Cada vez mais, o cidadão se vê diante da necessidade de conhecer 
novos modos de representação do conhecimento, modelos de processamento 
simbólico e estruturas de linguagens que vão além do texto impresso, exigindo 
competências de hierarquia superior ao antigo conceito de alfabetização. 
A implementação de programas de TIC nas escolas não se limita ao 
provimento de infra-estrutura de recursos técnicos ou conhecimentos específicos 
sobre as novas tecnologias. Torna-se, pois, imprescindível investir na formação de 
competências pedagógicas e metodológicas voltadas para a concepção e 
organização de novos ambientes de aprendizagem que permitam a formação de 
indivíduos capazes de lidar positivamente com o novo mundo científico e 
tecnológico que nos rodeia. 
 
A METODOLOGIA DE PROJETOS E AS NOVAS TECNOLOGIAS 
 
A implantação da TIC na educação básica pode ser significativamente 
enriquecida associando-a à Metodologia de Projetos – MP. Os pressupostos e as 
diretrizes da MP trazem elementos úteis para evitar muitos problemas e ainda para 
resolver outros, normalmente encontrados nas ações de implantação dessas 
tecnologias, como em programas de Informática Aplicada à Educação – IAE. A 
aplicação da MP no contexto da IAE demanda um esforço adicional no sentido de 
conhecer com segurança e amplitude razoável o significado e as diretrizes da 
metodologia de projetos. Consideramos, entretanto, que esse esforço é 
compensado pelas vantagens advindas da aplicação segura de uma metodologia 
com potencial extraordinário de promoção de mudanças significativas no processo 
educacional. 
 
 
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Educação digital 
A contribuição especial que essa metodologia pode oferecer para a 
implantação da TIC no ensino pode ser observada tanto no desenvolvimento de 
aulas e laboratórios especializados de informática, como na realização de 
atividades de ensino, estudo e pesquisa nos conteúdos curriculares em geral. 
Neste sentido, estamos considerando as aplicações da TIC em várias 
instâncias: em aulas específicas de informática destinadas à aprendizagem dos 
recursos correspondentes, em atividades complementares e extracurriculares 
diversas, no desenvolvimento de projetos de trabalho e, sobretudo, no uso da 
informática nas disciplinas gerais do currículo. 
 
 FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA DE PROJETOS 
 
Diversas publicações e experiências escolares apontam para o potencial da 
MP como contribuição para a melhoria do processo educativo, especialmente no 
que diz respeito à promoção de uma aprendizagem significativa, em contraposição 
à aprendizagem tradicional do tipo verbal, retórica, livresca, de ênfase teórica e 
descontextualizada. 
A experiência dessa metodologia tem mostrado como a valorização e o 
desenvolvimento de projetos de trabalho por parte de alunos e professores pode 
representar uma forma importante de compensar ou equilibrar os problemas 
decorrentes de uma ênfase exacerbada na utilização de recursos virtuais, à revelia 
das situações reais e contextuais. Um dos pressupostos fundamentais da MP é a 
consideração das situações reais, do contexto, da vida, no sentido mais amplo, que 
devem estar relacionados ao objeto central do projeto em desenvolvimento. 
Os seguintes pressupostos são fundamentais na Metodologia de Projetos: 
• Realização de projetos de trabalho por grupos de alunos com o 
número de participantes definido criteriosamente para cada experiência; 
• Definição de um período de tempo limite para a concretização do 
projeto, como fator importante no seu desenvolvimento e concretização (em geral, 
períodos de 2 a 6 meses); 
• A forma de escolha dos temas dos projetos, oferecendo liberdade 
para os alunos (com negociação entre alunos e professores para considerar 
múltiplos interesses e objetivos); 
 
 
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Educação digital 
• Os projetos devem contemplar uma finalidade útil de modo que os 
alunos tenham uma percepção de um sentido real dos projetos propostos; 
• Uso de múltiplos recursos no desenvolvimento dos projetos incluindo 
aqueles que os próprios alunos podem providenciar junto a outras fontes, como a 
comunidade em geral; 
• Socialização dos resultados dos projetos em diversos níveis de 
comunicação, como a própria sala de aula, a escola e a comunidade, incluindo a 
apresentação dos resultados pelos autores. 
As atividades orientadas pela Metodologia de Projetos possuem, ainda, as 
seguintes características: constituem um objeto de realização concreta; têm algum 
impacto no ambiente; modificam a relação professor-aluno; baseia-se em uma nova 
abordagem dos saberes; propiciam uma nova concepção de avaliação; 
apresentam-se como um desafio para os alunos; e têm uma dimensão coletiva. 
A adoção dos princípios da MP significa uma forma de contribuir para a 
superação de um modelo de educação centrada na abstração, no poder do verbo. 
É oportuno enfatizar que essa hegemonia da educação verbal pode tornar-se ainda 
mais poderosa como consequência indireta (sem que se o deseje) das novas 
formas de valorização do fator informação, o qual se torna cada vez mais atraente e 
disponível através das tecnologias da informação, reforçando, progressivamente, a 
dimensão "virtual". Hoje sabemos que a hegemonia do verbo se contrapõe à 
construção do conhecimento contextualizado. 
Assim, a valorização das atividades de desenvolvimento de projetos, por 
parte de alunos e professores, pode ser uma forma importante de compensar ou 
equilibrar a tendência da nova era de (re)valorização da informação, na medida em 
que tais atividades promovam uma interação forte com a dimensão da realidade. 
Destacamos o fato importante de que a realização de projetos, segundo a 
concepção holística atual, tem como base fundamental a interação e iteração fortes 
com a dimensão da realidade, do conhecimento contextualizado, na medida em 
que coloca como desafio básico aos atores desse processo o desenvolvimento de 
produtos efetivos que possam ser compartilhados como contribuições para o 
desenvolvimento social humano. 
A tendência atual na direção de valorização da chamada dimensão virtual, 
associada fortemente ao elemento informação, pode, em termos do 
 
 
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Educação digital 
desenvolvimento educacional dos jovens estudantes, induzir dificuldades e 
problemas complexos relacionados às necessidades de formação integral do ser 
humano, a qual demanda o desenvolvimento de um processo de ação, um 
equilíbrio fundamental entre os fatores relativos à abstração racional e os fatores 
relativos ao desenvolvimento sensível e sensório-motor. 
Esses fatores constitutivos do ser estão necessariamente ligados à 
habilidade de lidar com os elementos da realidade denominada de concreta. Esta é 
uma questão epistemológica básica para as pesquisas e propostas atuais relativas 
ao desenvolvimento de simulações e de software educativos. 
A proposta de ensino através de projetos representa uma forma importante 
de considerar todos os elementos imprescindíveis na formação integral do ser 
humano. Assim, a conjugação harmônica entre os princípios da MP e as 
proposições e demandas relativas à TIC torna-se uma necessidade de importância 
capital. 
 
TECNOLOGIAS DIGITAIS (TDS) X TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS (TES) 
 
Para entendermos as razões que justificam a inserção das Tecnologias 
Digitais por meio dos Projetos de Aprendizagem é interessante que primeiro 
façamos uma pequena reflexão sobre as formas como as TDs têm sido inseridas 
na educação e as razões pelas quais essa inserção tem fracassado em muitos 
casos. 
Os erros de implantação do uso pedagógico das TDs começa com os erros 
conceituais sobre o que é tecnologia e qual suarelação com a educação. O mapa 
conceitual mostrado a seguir tenta aclarar os conceitos de tecnologia, Tecnologia 
Digital (TD), Tecnologia Educacional (TE), bem como as relações e inter-relações 
entre eles. 
 
 
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Educação digital 
 
 Como podemos ver nesse mapa conceitual, tecnologia é um conjunto de 
técnicas, processos e métodos específicos de um dado ofício ou negócio. 
Tecnologia Digital é qualquer tecnologia baseada na linguagem binária dos 
computadores. Assim, quando pensamos no uso de tecnologias nas escolas não 
estamos falando simplesmente no uso de “aparelhos tecnológicos digitais”, mas sim 
no conjunto de técnicas, processos e métodos específicos para o ofício de ensinar. 
Onde as TDs se inserem na educação nesse contexto? Elas se inserem da 
mesma forma que todos as demais tecnologias não-digitais, como a lousa, o 
mimeógrafo e o toca-fitas, como ferramentas auxiliares que potencializam as 
Tecnologias Educacionais (TEs). 
Veja também que nesse mapa conceitual a relação entre as TDs e a 
Educação não é uma relação de mão dupla e que seus laços são frágeis. A escola 
que hoje convive com as TDs já viveu séculos sem elas e viverá muitos outros 
séculos com tecnologias que ainda serão inventadas. As tecnologias mudam, a 
escola se adequa a seu tempo e usa essas tecnologias, mas a escola não é uma 
aplicação da tecnologia em si. 
É fundamental compreender que as tecnologias próprias da Educação, 
como a pedagogia, a didática, a prática de ensino e as diversas metodologias 
próprias de cada área do saber, não são substituíveis pela Tecnologia Digital ou por 
qualquer outra tecnologia. E embora isso nos pareça óbvio, não tem sido tão óbvio 
a ponto de que se evitassem diversos erros ao longo do processo de inserção das 
TDs na Educação. 
 
 
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Educação digital 
Para efeito puramente didáticos podemos dividir esses erros de concepção, 
implementação e uso em três categorias básicas: 
1. Ideológicos: Foco na tecnologia e não na pedagogia. A escola se 
preocupa excessivamente em explorar o potencial das TDs e subestima sua 
Tecnologia Educacional (TE) própria. 
a) O foco correto deve ser no processo de ensino e aprendizagem 
(currículo, metodologias, estratégias, etc.) e as TDs precisam ser inseridas como 
ferramentas de apoio às TEs onde for cabível fazê-lo. 
b) Esse erro de concepção levou a investimentos gigantescos em 
equipamentos que não foram utilizados (laboratórios de informática inteiros), ou 
foram subutilizados e hoje se encontram obsoletos em muitas escolas, sem 
manutenção ou uso. 
2. Estratégicos: Busca de atividades e projetos que possam ser 
desenvolvidas com as TDs. Pressuposto de que é preciso estabelecer projetos 
específicos para o uso das TDs. 
a) O foco correto deveria ser a busca de TDs que facilitam o processo de 
ensino e aprendizagem e o uso da tecnologia para o ensino e não do ensino para a 
tecnologia. 
b) Esse erro levou ao desenvolvimento de projetos e currículos que 
fracassaram ao ser implementados porque não se inseriram verdadeiramente no 
processo de ensino e aprendizagem. 
3. Práticos: Capacitações de professores para o uso de softwares e TDs. 
Compartimentação do conhecimento (TDs X TEs). Planejamento de aulas voltado 
para o uso de TDs. 
a) O foco correto deveria ser a inclusão digital dos professores e alunos 
(uso efetivo das TDs nas atividades do cotidiano). Disponibilização de recursos e 
oportunidades e valorização da inovação que leva à melhoria da qualidade do 
ensino. 
b) Esse erro levou milhares de professores a fazerem cursos e 
capacitações que se mostraram inúteis porque não resultaram em um uso efetivo 
das TDs nas práticas escolares e nem representaram um ganho significativo para 
professores e alunos. 
 
 
 
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Educação digital 
 PROJETOS DE APRENDIZAGEM COM TECNOLOGIAS DIGITAIS 
 
Os Projetos de Aprendizagem são Projetos Educacionais que possuem 
uma tecnologia educacional bem estabelecida. 
Sabemos como e porque utilizá-los. Sabemos planejá-los e executá-los. 
Temos objetivos para utilizá-los e estratégias para conduzi-los. Tudo isso nos dá 
segurança para desenvolvê-los. 
Permitem a ação de múltiplos agentes (interdiscilinaridade, 
transdiciplinaridade). Isso nos permite atingir um número maior de atores potenciais 
para o uso das TDs e facilitam a aprendizagem colaborativa de alunos e 
professores. 
Permitem o uso natural de diferentes TDs. Projetos possuem várias etapas, 
vários atores e muitas ações simultâneas ou não. Tudo isso permite que diferentes 
recursos tecnológicos compareçam em diferentes momentos e situações. Projetos 
geram oportunidades de uso para as TDs. 
São focados no processo e não nos resultados finais. As TDs têm a 
característica natural delas: apoio ao desenvolvimento, à aprendizagem, ao “fazer”; 
são “instrumentos para potencializar as ações” e não objetivos em si mesmas. As 
TDs enriquecem o processo e não são objetivos finais. 
Promovem a aprendizagem colaborativa. É no “aprender a aprender” e no 
“aprender a fazer” que as TDs são aprendidas, e a aprendizagem colaborativa é 
fundamental para esses processos. Os projetos têm naturalmente a característica 
de aprendizagem colaborativa e permitem que não apenas os alunos aprendam 
colaborativamente, mas também os seus professores. 
Todas as condições acima são favoráveis tanto para a inserção das TDs 
quanto para o sucesso do processo de ensino e aprendizagem que, ao fim e ao 
cabo, é o que se deseja em uma escola. 
 
COMO IMPLEMENTAR AS TDS NOS PROJETOS DE APRENDIZAGEM? 
 
Antes de se lançar à aventura de implementar as TDs nos Projetos de 
Aprendizagem, ou em qualquer outro projeto, é necessário ter em mente que 
precisamos: 
→ Dispor de recursos tecnológicos (TDs) e facilitar o acesso a eles. 
 
 
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Educação digital 
Não dá para levar classes inteiras para atividades em Salas de Informática 
com três computadores capengas. Não dá para implementar o uso das TDs com 
Salas de Informática trancadas com cadeado a maior parte do tempo, 
computadores quebrados e obsoletos e a necessidade de uma burocracia 
gigantesca para seu uso. É preciso ter bons equipamentos e acesso facilitado a 
eles. 
→ Planejar a inserção das TDs nas diferentes atividades do projeto em 
função de sua utilidade e disponibilidade, visando sempre a melhoria da qualidade 
dos produtos ou processos. 
Primeiro planejamos o projeto, montamos as sequências didáticas, listamos 
as atividades, etc., somente depois nos perguntamos “o que eu posso fazer melhor 
se usar as TDs de que disponho?”. Propor a construção de um blog em uma escola 
onde a imensa maioria dos alunos não tem acesso à Internet tem algum propósito? 
Propor que os gráficos estatísticos sejam feitos usando-se uma planilha de cálculo 
quando nem o professor nem os alunos sabem como fazê-lo, têm algum ganho? 
Esse ganho compensa o custo-benefício da ação? 
→ Documentar, relatar, analisar e registrar o uso das TDs e seu impacto 
nos Projetos de Aprendizagem. 
Usar TDs é algo ainda novo e muito pouco documentado. Muitas ações 
envolvendo as TDs não surtem efeitos positivos. É preciso documentar e avaliar o 
impacto desse uso para a tomada de decisões para os próximos projetos. A própria 
documentação e análise do impacto do uso das TDs implica, muitas vezes, no uso 
dessas TDs (documentos digitados, planilhas, apresentações, etc.). 
→ Compartilhar experiências e aprendizagens (reuniões pedagógicas, 
formações, dia-a-dia, etc.). 
A forma mais rápida e eficaz de aprender a usar as TDs em uma escola é 
compartilhar o conhecimento que se tem delase de seu uso. Não dispomos de 
tempo para “aprender tudo sobre um dado recurso antes de usá-lo”, o aprendizado 
se dá por etapas somativas, de forma colaborativa e geralmente por tentativa e 
erro. 
→ Promover uma política de inovação constante, dar continuidade aos 
projetos e procurar envolver cada vez mais os diferentes agentes. 
 
 
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Educação digital 
Equipamentos e softwares obsoletos e a falta de atualização sobre os 
novos recursos tecnológicos à disposição torna o uso das TDs desinteressante 
para alunos e professores. Que graça tem usar um computador velho e lento, 
rodando sobre um sistema operacional ultrapassado e que vive travando? 
Que novas ideias surgiram nos projetos anteriores e que podem ser 
implementadas agora? Quais são os novos agentes, alunos e professores, que 
podem se interessar pelo uso das TDs? Como podemos seduzi-los? 
→ Incentivar, valorizar, expor, divulgar e premiar as inovações que 
produzem bons resultados. 
De que adianta um projeto ter feito uso produtivo das TDs se isso não for 
capitalizado como marketing para os próximos projetos e nem for divulgado para 
além dos muros da escola? 
Porque um professor deveria usar novamente as TDs se isso não é 
reconhecido nem valorizado, nem mesmo quando tudo dá certo? Que valor tem um 
projeto esquecido, um esforço não reconhecido ou mesmo um fracasso não 
compreendido? 
→ Repensar o modelo de professor para incorporar um novo perfil 
profissional: o perfil do “Professor Digital“. 
O professor digital é o profissional que toda escola deseja ter, mas 
nenhuma deseja pagar. O novo perfil do professor demanda uma dedicação muito 
maior “fora da sala de aula” do que dentro dela. O professor digital tem o direito de 
errar, o compromisso de aprender sempre e a certeza de que nunca saberá o 
suficiente. Esse novo professor não é uma solução para os problemas da educação 
ou mesmo de sua escola e, além disso, traz consigo novas demandas que são 
muitas vezes compreendidas como problemas e não como soluções. 
É preciso que a gestão da escola (e os gestores das políticas públicas) 
compreenda as necessidades desse novo profissional e viabilizem a sua ação. 
 
PONTOS POSITIVOS NO USO DA TECNOLOGIA EDUCACIONAL NA 
EDUCAÇÃO 
 
O uso da tecnologia na educação pode trazer pontos positivos e negativos. 
Os resultados dependem da forma de utilização das ferramentas tecnológicas 
abaixo se pode ver uma relação desses pontos e suas implicações. 
 
 
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Educação digital 
Velocidade e abrangência 
A busca pela informação em mídias eletrônicas é rápida visto que é feita a 
partir de algoritmos complexos de análise de dados que exibem os resultados em 
formato de ranking, onde a informação mais relevante tende a aparecer em 
primeiro lugar. Os resultados de pesquisas normalmente são associados a 
comentários de usuários que já realizaram a mesma pesquisa no passado e 
avaliaram os resultados quanto à veracidade, coerência e qualidade. 
Inovação 
A tecnologia acelera a inovação visto que facilita a comunicação dos pares 
com os mesmos objetivos e a divulgação dos resultados em âmbito global. Muitas 
ideias surgiram do brainstorm (Técnica desenvolvida para explorar o potencial 
criativo de um indivíduo ou grupo.) Em mídias sociais, principalmente na 
comunidade open source (ou software livre é um padrão de desenvolvimento aberto 
e sem restrições de distribuição). 
As ideias inovadoras são geralmente patrocinadas por empresas ou 
investidores individuais e geram melhorias para a sociedade e oportunidades 
comerciais. No caso da educação a tecnologia também incentiva a inovação, pois 
oferece novas ferramentas de criação. 
Interação 
Softwares educativos permitem a interação do aluno com o conhecimento. 
O aluno pode navegar no conteúdo interagindo com o mesmo no sentido de 
escolher o quê, como, quando e em qual nível de detalhe quer estudar de acordo 
com seu nível de curiosidade sobre o assunto. Tecnologias como enciclopédias 
digitais, jogos educacionais, realidade aumentada e simulação bidimensional ou 
tridimensional podem facilitar essa interação virtual aproximando o aluno da 
realidade do problema apresentado e suas possíveis soluções. 
Cooperação 
A cooperação entre alunos de uma mesma sala de aula é influenciada por 
uma série de fatores como: o grupo de valores e interesses no qual o aluno se 
insere, sua personalidade, timidez ou extroversão, a disposição das carteiras na 
sala de aula, etc. Esses fatores podem se apresentar como barreiras para a 
cooperação geral entre os alunos. Essa barreira pode ser contornada ou diminuída, 
além do diálogo e da socialização tradicionais, pela interação digital promovida por 
 
 
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Educação digital 
meio de redes sociais, fóruns e listas de discussões. Alunos tímidos talvez se 
sintam mais a vontade para interagir com os colegas e para fazer perguntas ao 
educador. A colaboração por meio das mídias sociais é o melhor caminho para o 
progresso humano. 
Autonomia 
A tecnologia incentiva à autonomia. Visto que o uso do computador ou 
equipamento tecnológico é normalmente individual o usuário tende a ter um 
comportamento autônomo, executando tarefas sozinha e buscando auxílio na 
própria ferramenta tecnológica por meio de arquivos de ajuda, tutoriais e buscas na 
internet. 
Lúdico 
Os jogos educacionais, quando corretamente desenvolvidos, podem 
estimular um aprendizado divertido principalmente na educação infantil. Os jogos 
de computador ou videogames devem ser escolhidos coerentemente com a faixa 
etária da criança e com a fase de desenvolvimento na qual ela se encontra. Os 
jogos podem desenvolver o aprendizado de forma lúdica colocando em prática os 
efeitos benéficos descritos por Vygotsky. 
Operação Multitarefa 
Essa característica pode ser positiva, pois abre novas possibilidades para o 
cérebro humano. A operação multitarefa na solução de problemas pode aumentar a 
eficiência e a produtividade. 
 
 PONTOS NEGATIVOS NO USO DA TECNOLOGIA EDUCACIONAL NA 
EDUCAÇÃO 
 
Além dos pontos positivos podemos observar também alguns pontos 
negativos do uso da tecnologia educacional na escola. 
Identidade 
O usuário pode assumir diferentes identidades na internet. A criação de um 
perfil em uma rede social define suas características pessoais, seus atributos e 
interesses. O nome real pode ser substituído por um usuário e as informações 
podem ou não ser totalmente verdadeiras. O perfil por sua vez, pode representar 
 
 
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Educação digital 
não necessariamente um indivíduo, mas também um grupo (banda, partido, 
empresa ou organização), ou uma entidade com interesses específicos. 
Muitos adolescentes criam perfis falsos, fazendo-se passar por outra 
pessoa – normalmente uma personalidade famosa da música ou do cinema ou uma 
entidade representando o nome de seu blog ou personagens alegóricos. Isso pode 
ser um problema nos estágios intermediários de desenvolvimento da criança, pois é 
nessa fase, a adolescência, que ela desenvolve sua identidade e personalidade 
como ser humano adulto. 
Privacidade 
Com a difusão em massa e em escala global a internet alterou o modo 
como encaramos a privacidade. A informação passa a ser disponível a qualquer 
pessoa conectada a rede e em qualquer parte do mundo. Essa informação pode 
ser distorcida e novamente encaminhada trazendo danos irreversíveis. 
Imediatismo 
A informação de fácil acesso pode ocasionar uma característica negativa 
nos usuários: o imediatismo. É característica dos nativos digitais o imediatismo. 
Para o imediatista a informação deve estar disponível nomomento em que será 
usada. Ao surgir uma dúvida basta pesquisar em um site de busca, ler o primeiro 
hiperlink, que deve ser obrigatoriamente o mais relevante. Esse é o vício que a 
busca rápida e de fácil acesso impõe ao internauta. 
Superficialidade 
A internet está mudando para pior o funcionamento do cérebro humano. 
As pessoas estão ficando “rasas”, ou seja, pensando com superficialidade. Para 
ele consulta-se a internet sem se preocupar com a memorização e o 
entendimento completo da área de conhecimento, mas apenas com o tópico de 
interesse imediato. A WEB 2.0 é prejudicial visto que apesar de incentivar a 
colaboração, esta é feita na maior parte das vezes de forma anônima em 
comentários sem preocupação com a escrita formal. 
Isolamento 
A dependência da tecnologia pode causar outro problema mais sério: o 
isolamento. A criança ou adolescente pode passar tantas horas imerso no 
ciberespaço que acaba cortando os laços sociais com as pessoas que o cercam. 
 
 
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Educação digital 
Essa conduta é perigosa visto que enfraquece as habilidades interpessoais, 
empobrecendo o convívio da pessoa com seus pares na família, escola e trabalho. 
Pode ser um dos fatores coadjuvantes para o aparecimento de doenças 
psiquiátricas como a depressão e a ansiedade. A escola não pode ser totalmente 
substituída (principalmente na educação infantil) devido ao seu caráter socializante 
e a “pedagogicidade indiscutível da materialidade do espaço” (FREIRE, 1996, 
p.45). É na escola que a criança descobre a importância do trabalho em equipe e 
aprende a se relacionar com outras crianças. 
Sobrecarga cognitiva 
Inteligência coletiva pode trazer sobrecarga cognitiva, ou seja, a alta 
disponibilidade de informações e formas de comunicação também pode gerar 
estresse. Assim, devemos aprender como a tecnologia funciona para não sermos 
controlados por ela. A leitura na internet pode ser condicionante visto que as 
pessoas têm a tendência de ler apenas as obras com as quais concordam. 
 
APRENDIZAGEM COOPERATIVA COMO POTENCIALIDADE PARA AS NOVAS 
TECNOLOGIAS 
À luz do construtivismo, pode-se tentar compreender a aprendizagem 
cooperativa. Segundo (Campos et al. 2003, apud KASSIS, 2007, online): 
No construtivismo, o conhecimento é (re)construído pelo indivíduo nas 
interações com o ambiente externo. O aluno é o sujeito ativo no processo de 
aprendizagem, por meio da experimentação, da pesquisa em grupo, do estímulo à 
dúvida e ao desenvolvimento do raciocínio. Os conceitos são formados no contato 
com o mundo e com outras pessoas. O professor assume o papel de provocador e 
estimulador de novas experiências e deve ser capaz de propor estratégias ou 
caminhos para buscar respostas. 
A teoria sociointeracionista de Vygotsky (1988), que prega a origem social 
da inteligência, entende que a aprendizagem cooperativa acontece inicialmente de 
forma interpsíquica, isto é, no coletivo, para depois haver a construção 
intrapsíquica. 
A teoria sociointeracionista de Vygotsky (1988), que prega a origem social 
da inteligência, entende que a aprendizagem cooperativa acontece inicialmente de 
forma interpsíquica, isto é, no coletivo, para depois haver a construção 
intrapsíquica. 
 
 
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Educação digital 
Partindo-se do pressuposto de que o conhecimento (ou aprendizagem) é 
construído pelas interações do sujeito com outros indivíduos, estas interações 
sociais seriam as principais desencadeadoras do aprendizado. As atividades 
interpessoais, segundo ele, possibilitam mudanças cognitivas através da interação 
com a consequente reelaboração e reconstrução das ideias. 
Para Vygotsky, a colaboração entre alunos ajuda a desenvolver estratégias 
e habilidades gerais de soluções de problemas pelo processo cognitivo implícito na 
interação e na comunicação. Tal ponto converge quando as formas de organização 
da nova sociedade serão o aprendizado cooperativo e a inteligência coletiva, 
definida por ele como a capacidade de trocar ideias, compartilhar informações e 
interesses comuns, criando comunidades e estimulando conexões. 
O principal desafio da escola hoje é desenvolver uma cultura da 
colaboração que independe de estar no virtual ou no presencial. “As escolas devem 
ajudar as pessoas a avaliar e reconhecer o conhecimento que está nos outros. 
Talvez a escola deva ser o lugar onde se aprende a gerir conhecimento e a 
produzi-lo coletivamente” (LEVY, 2007, online). O autor atribui um papel 
fundamental ao educador como mediador desse processo, pois não acredita que 
haja uma pura espontaneidade em aprendizagens escolares. Ela precisa ser 
planejada e organizada. “As únicas redes que funcionam sem mediador são as de 
entretenimento”. (LEVY, 2007). 
A partir desses conceitos percebemos a necessidade de promover 
situações em que prevaleça o grupo diante da individualidade, em que aprender 
constitua-se em viver situações em que as pessoas se sintam bem em compartilhar 
experiências, de forma sistematizada, trazendo seu dia a dia para a escola. Nessa 
proposta de aprendizagem cooperativa, cada um assume seu papel no grupo, 
responsabilizando-se por ele, assumindo os créditos e as perdas, num processo 
que promova uma dinâmica de interação. 
Segundo Vygotsky e Freire os sujeitos constroem seu conhecimento à 
medida que interagem. A interatividade, para Vygotsky, é entendida como um 
processo de mediação entre sujeitos, numa construção de conhecimento 
partilhada, sendo condição indispensável para a aprendizagem. Segundo ele, o 
diálogo, a cooperação e a informação são enriquecidos pela heterogeneidade do 
 
 
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Educação digital 
grupo ampliando consequentemente as capacidades individuais, sendo que as 
funções mentais provêm das relações sociais. 
Para Freire (1991), o conhecimento se dá na relação sujeito-sujeito e 
sujeito mundo, pressuposto básico para a educação libertadora num processo de 
comunhão entre os homens e as mulheres, alimentando juntos o ideal utópico da 
mudança da sociedade. 
Pierre Lévy (1999) assim o define: “O termo “interatividade” em geral 
ressalta a participação ativa do beneficiário de uma transação de informação. De 
fato, seria trivial mostrar que um receptor de informação, a menos que esteja morto, 
nunca é passivo”. 
Retomando, podemos entender interatividade como o uso de recursos 
tecnológicos conectados em rede, que suscitam a participação e a reação. Disso 
resulta um ambiente cujo domínio da mídia promove a liberdade de escolha. 
O conceito de interatividade é muito usado hoje de forma diversificada, 
mesmo quando se refere a ambientes educacionais mediados por computadores, 
ou a outros ambientes de aprendizagem, como a sala de aula. 
A partir de uma perspectiva construtivista entende-se que os ambientes 
online não promovem a aprendizagem baseados num clique, mas concentram-se 
na formação de espaços em que ideias são debatidas com liberdade e autonomia, 
nos quais o aprendizado constitui-se num preparo para uma atuação cidadã. Nesse 
sentido, a postura do educador passa a ser a de mediador e não transmissor de 
conhecimento, propondo situações de aprendizagem centradas no educando. 
 
 O USO DO BLOG COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA 
 
Um blog, blogue, weblog ou caderno digital é uma página da WEB, que 
permite o acréscimo de atualizações de tamanho variável chamados artigos ou 
posts. Estes podem ser organizados de forma cronológica inversa ou divididos em 
links sequenciais, que trazem a temática da página, podendo ser escritos por várias 
pessoas, dependendo das suas regras. 
O blog conta com algumas ferramentas para classificar informações 
técnicas a seu respeito, todas elas são disponibilizadas na internetpor servidores 
e/ou usuários comuns. As ferramentas abrangem: registro de informações relativas 
 
 
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Educação digital 
a um site ou domínio da internet quanto ao número de acessos, páginas visitadas, 
tempo gasto, de qual site ou página o visitante veio, para onde vai do site ou página 
atual e uma série de outras informações. Os sistemas de criação e edição de blogs 
são muito atrativos pelas facilidades que oferecem, pois dispensam o conhecimento 
de HTML, o que atrai pessoas a criá-los. 
O que distingue os weblogs das páginas e sítios que se costuma encontrar 
na rede é a facilidade com que podem ser criados, editados e publicados, sem a 
necessidade de conhecimentos técnicos especializados. Dadas a essa informação 
e aos serviços gratuitos, os blogs tiveram um crescimento considerável. A princípio 
foi usado, pelos jovens, como diário virtual, porém, na virada do século, o blog 
passou a ser utilizado como divulgador de temas e discursos variados num leque 
de possibilidades, tais como: o entretenimento, corporativismo e atividades de 
profissionais como jornalistas, empresários, políticos, escritores, professores e 
alunos que aos poucos estão descobrindo e explorando a principal de suas 
características, a interatividade, que pode levar à formação de redes colaborativas 
de aprendizagem. 
Os Blogs são espaços interativos, onde tudo pode ser publicado e dito, sem 
limites para o conteúdo, nem para quem pode ter um. Quaisquer pessoas ou 
comunidades, de qualquer idade ou região podem criar um blog e postar as 
informações que julgarem importantes para tal. A principal dinâmica do blog, 
diferente de um diário, é que as postagens recentes ficam no princípio, ou seja: o 
que o blogueiro escreveu por último, o usuário vê primeiro. 
Alguns blogs possuem um formato diferente, de acordo com as pessoas 
que o alimentam. Um exemplo é um blog em que as postagens são divididas em 
pastas ordenadas numa sequência necessária aos propósitos do alimentador e aos 
objetivos que quer alcançar frente aos usuários. Uma grande vantagem do uso dos 
blogs é a gratuidade oferecida. Isso abre um leque de possibilidades, visto que 
poucos estão dispostos a pagar por este espaço na web. Pelo exposto 
anteriormente, a cada dia, mais pessoas aderem ao uso dos blogs, postando seus 
comentários num intenso processo de colaboração. 
Uma das aplicações mais interessante da Web para ambientes escolares é 
o blog, que conforme exposto anteriormente fornece a interatividade, a partir das 
postagens que vão desde um simples comentário até a inserção de artigos, 
 
 
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Educação digital 
imagens e vídeos. Nas palavras de Freire (1996), “ninguém ensina ninguém; 
tampouco ninguém aprende sozinho. Os homens aprendem em comunhão, 
mediatizados pelo mundo”, fica clara a importância e eficiência do blog, do ponto de 
vista da construção do conhecimento na relação aluno-pensamento, que vai além 
da relação entre professor e aluno. 
Os blogs são aplicativos fáceis de usar que promovem o exercício da 
expressão criadora, do diálogo entre textos, da colaboração. Blogs possuem 
historicidade, preservam a construção e não apenas o produto (arquivos); são 
publicações dinâmicas que favorecem a formação de redes. 
Os diários eletrônicos, observados nesta perspectiva, têm o poder de 
mudar o trabalho pedagógico promovendo o envolvimento dos participantes. Outra 
grande vantagem do uso do blog na educação é a facilidade de o professor fazer 
intervenções, corrigindo e orientando todas as postagens, sem o limite de tempo 
imposto pela sala de aula, e da mesma forma o aluno pode realizar suas atividades 
no seu ritmo, conforme sua agenda e disposição. Desta maneira o aluno tem 
ampliada sua liberdade de expressão, embora necessitando da ciência de que, 
uma vez postados, os seus comentários poderão ser vistos por todos, sem que 
possa controlar. Este fato amplia a responsabilidade do professor blogueiro por 
tudo o que estiver publicado, bem como a do aluno que participa. 
Moran (2007) enfatiza o uso do blog educacional afirmando que “quando 
focamos mais a aprendizagem dos alunos do que o ensino, a publicação da 
produção deles se torna fundamental”. Desta forma, essa ferramenta pode 
constituir-se num recurso de apoio à aprendizagem por ser um espaço de criação 
coletiva, que aproxima professores e alunos, sem contar que, com o uso das TICs 
(Tecnologia da informação e Comunicação), a escola cumpre o seu papel de 
preparar o aluno para os desafios impostos pela sociedade, não na intenção da 
continuidade, mas da transformação da realidade que ora se apresenta. 
 
COMPONENTES DO SISTEMA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 
 
O uso das ferramentas tecnológicas, que promovem a comunicação, auxilia 
professores e alunos no processo de ensino e aprendizagem a distância, criando 
novas possibilidades de ensino não presencial através da rede Internet. 
 
 
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Educação digital 
Abaixo temos quatro características necessárias para o sistema de 
educação a distância: 
O aluno como sendo o centro do processo educativo. 
O docente que será o motivador e possibilitador da aprendizagem 
cooperativa e interativa no ambiente virtual. 
A comunicação que poderá ser realizada através de material impresso, 
audiovisual, telemática (Internet, softwares, CD-ROM, vídeo interativo, hipermídia, 
entre outros) e a tutoria mediando o presencial e o virtual. 
A estrutura e organização dos materiais, da distribuição de materiais, 
processos de comunicação e avaliação, fazem parte do processo inicial no 
desenvolvimento de programas de ensino a distância. 
Por mais que o professor exerça esta função, faz-se necessária a ação do 
tutor que aqui passaria a se chamar de “monitor”, levando em consideração 
algumas participações e auxílio ao professor quanto ao atendimento dos alunos em 
diferentes horários. 
Na sequência, apresenta-se os diferentes modelos de ensino a distância: 
♣ Ensino por correspondência: material impresso (livros didáticos). 
♣ Ensino a distância clássico: material diversificado como material 
impresso, televisão, rádio, audiovisuais, tutores. 
♣ Ensino a distância com base na pesquisa: caracterizado pela leitura de 
cursos de ensino a distância impressos e na frequência parcialmente obrigatória em 
seminários. Concede apenas o grau superior ou de mestre. 
♣ Ensino a distância grupal: programações didáticas por rádio e televisão 
associadas a atividades regulares obrigatórias, com presença. 
♣ Ensino a distância autônomo: planejar, organizar e implementar 
isoladamente. A universidade apenas aconselha, incentiva, assiste e fornece 
certificado. 
♣ Ensino a distância por teleconferência: oferecido por um consórcio de 
universidades para estudantes das universidades-membro e também a outras 
instituições. 
♣ Ensino a distância com base em quatro formas de teleconferência: 
podem participar estudantes avulsos e grupos de estudantes em seus locais de 
 
 
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Educação digital 
trabalho, ligados por sua vez à atividade docente das universidades que cooperam 
com o projeto. 
Os modelos acima apresentados, são flexíveis e variáveis, o que torna o 
ensino a distância adaptável às diferentes situações e necessidades. 
 
APRENDIZAGEM X ENSINO APOIADA ÀS NOVAS TECNOLOGIAS 
 
A expressão ensino-aprendizagem é um dos jargões mais frequentemente 
utilizado nos trabalhos que discutem pedagogia ou didática, não só em engenharia, 
mas em qualquer área do conhecimento. Porém, o que realmente significa ensino-
aprendizagem? 
Por muitos séculos tem-se acreditado que o conhecimento é como algo 
fluído, quepossa ser repassado de um professor de “magno saber” para um aluno 
que nada sabe. Em outras palavras, acredita-se que é possível um professor 
ensinar (da origem latina “insignare”, que significa a transmissão do conhecimento, 
de informação ou de esclarecimentos úteis ou indispensáveis à educação e à 
instrução) um aluno, sendo esta a base epistemológica da educação, em todos os 
níveis, na maioria das instituições atuais. 
Os estudos científicos de Jean Piaget, realizados no século passado, sobre 
a maneira pela qual o ser humano adquire conhecimento, apontam para outra 
direção. Em sua Epistemologia Genética, Piaget considera que o desenvolvimento 
cognitivo ocorre como consequência de uma interação entre o sujeito e o objeto 
fruto de seu interesse. O cérebro humano funciona baseado em esquemas de 
significação, os quais estão em permanente adaptação através de processos 
contínuos e simultâneos de assimilação (os esquemas do sujeito modificam-se para 
incorporar os elementos do objeto) e acomodação (os elementos do objeto são 
modificados pela ação do sujeito). 
Assim, para o crescimento cognitivo é necessário que ocorra um 
desequilíbrio neste processo, o que ocasionará o aparecimento de novos 
esquemas a partir daqueles já existentes, desencadeando uma espiral crescente 
ligada a inúmeras outras, através das teias de significação individuais. Neste 
contexto, a aprendizagem surge como um processo individual que ocorre 
internamente no sujeito. 
 
 
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Educação digital 
Traduzindo-se estes conceitos para o plano pedagógico, percebe-se que a 
figura de um professor que “ensina” um aluno torna-se incoerente e um novo papel 
é designado ao professor. Nesta visão, o professor passará a auxiliar, incentivar e 
proporcionar ao aluno a “construção” de seu conhecimento, razão pela qual a 
aplicação da teoria piagetiana à educação leva o nome de Construtivismo. 
Considerando-se serem basicamente estas as duas principais correntes 
pedagógicas existentes no momento, em nossa sociedade ocidental, o termo 
ensino aprendizagem somente justifica-se como uma espécie de “caminho do 
meio”, o qual não será trilhado no presente trabalho. Em função de sua base 
construtivista, será adotada a promoção da aprendizagem, como vista pela teoria 
de Piaget, como principal função da educação, neste caso. 
 
ENSINO APOIADO ÀS NOVAS TECNOLOGIAS É ALTERNATIVA PARA 
CONCILIAR ESTUDOS 
 
Finalizando nossa disciplina de NOVAS TECNOLOGIAS E FORMAÇÃO 
DOCENTE, retomamos os aspectos relacionados ao ensino utilizando as novas 
tecnologias direcionadas a abordagem colaborativa, podemos refletir sobre nossa 
prática educacional e evoluirmos dentro da nova era tecnológica. Diante destas 
transformações tecnológicas, surgem novas exigências sociais refletindo na 
educação, impondo questionamentos no papel docente diante desta realidade. 
Pretende-se ressaltar elementos pertinentes à pesquisa, como a 
importância de existir no ambiente escolar além de recursos tecnológicos, pessoas 
capacitadas, para que se possa construir o conhecimento, pois a escola é o local 
de construção do conhecimento, socialização do saber e trocas de experiências, 
por isso a necessidade de debates entre educadores e equipe pedagógica para a 
incorporação das tecnologias no ensino. 
Lembrando que a escola deve estar à frente numa sociedade onde os 
conhecimentos científicos ficam ultrapassados num curto espaço de tempo, assim, 
não se pode admitir que justamente a escola, local onde se deveria produzir 
conhecimento, fique a margem da maior fonte de informações disponíveis e mais, 
não seja capaz de orientar sua utilização. 
 
 
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Educação digital 
Sendo assim, faz-se necessário outro modelo educacional, uma vez que os 
padrões atuais são incompatíveis a memorização, repetição de fatos e o professor 
exclusivo detentor do saber. Com a grande quantidade de informações, faz pensar 
em novas práticas pedagógicas não apenas nos conceitos disciplinares, mas a 
pesquisa e seleção dessas informações adquiridas, para resolver problema e 
analisar as possíveis soluções, as mais adequadas ao seu contexto, e também pelo 
fato de que as novas linguagens estão imersas na sociedade e, com isso, 
possibilita novas formas de leitura. 
No entanto, as novas tecnologias não devem ser vista apenas como 
veículos de transmissão de informações, mas como poderosas ferramentas de 
ensino, para compreender e utilizá-las para diferentes situações de aprendizagem, 
que envolvam desde procedimentos de problematização, observação, registro, 
documentação e até formulação de hipóteses. 
Uma das potencialidades dessas ferramentas é o acesso à internet, pois 
ela abre caminhos para novas maneiras de adquirir conhecimento e fonte de 
ilimitadas informações, que vão desde artigos científicos, livros, documentos, 
revistas e outros. Como qualquer recurso tecnológico, esta deve ser entendida 
como um dos meios alternativos para construir o conhecimento, visto que propicia 
ao indivíduo interligar-se com o mundo, resultando em escolas mais flexíveis, 
menos autoritária, cedendo lugar para ambientes aconchegantes, atrativos, 
estimuladores e criativos. 
O papel do professor consiste em mediar à pesquisa e a apresentação dos 
resultados, que podem ocorrer até em grupos. Entretanto, aparece o problema dos 
embasamentos teóricos e metodológicos do professor, uma vez que só orienta 
aquele que domina os conteúdos e a prática pedagógica, caso contrário, vira uma 
panaceia na cabeça do docente, que ao invés de facilitar, complica mais a sua vida, 
porque aquele que não é flexível, inovador, disposto a ouvir e trocar informações 
com seus alunos, bem como interagir, está simplesmente obsoleto na sociedade de 
conhecimento. 
Embora essas potencialidades sejam enriquecedoras elas apresentam 
limites na prática pedagógica, isso não significa não abandonar os antigos métodos 
de ensinar, mas utilizá-los dentro de uma visão pedagógica nova e criativa. 
 
 
 
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Educação digital 
 
REFERÊNCIAS 
 
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KENSKI, V. M. Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação. Campinas: 
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Línguas Estrangeira: breve retrospectiva histórica. 
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