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1 www.soeducador.com.br Educação digital 2 www.soeducador.com.br Educação digital SUMÁRIO NOVAS TECNOLOGIAS, NOVOS DESAFIOS ............................................................................. 4 INOVAÇÃO CONSERVADORA ..................................................................................................... 5 CONCEITUANDO AS TECNOLOGIAS DIGITAIS DE INFORMAÇÃO E DE COMUNICAÇÃO ............................................................................................................................ 6 LECIONAR E APRENDER NA ERA TECNOLÓGICA .................................................................. 8 TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO .................................................................................................. 10 FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO ........................................................................................ 14 A TECNOLOGIA NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM ................................................. 16 O PROFESSOR DIANTE DA EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA ..................................................... 18 O PAPEL DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO ENSINO ............................................................... 19 INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA NA ESCOLA COM USO DA NFORMÁTICA ............... 20 PEDAGOGIAS CONSTRUTIVISTAS NO ENSINO E APRENDIZAGEM DAS NOVAS TECNOLOGIAS. ........................................................................................................................... 21 A CRIAÇÃO DO CONHECIMENTO USANDO AS NOVAS TECNOLOGIAS ............................. 22 AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM: O MOODLE ......................................................... 23 PROJETOS DE INOVAÇÃO TECNOLOGICA NA EDUCAÇÃO................................................. 26 MATERIAIS DIDÁTICOS E AS NOVAS TECNOLOGIAS ........................................................... 28 O PAPEL DO PROFESSOR NA ELABORAÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS ........................ 29 PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES NAS TICS........................................................................ 31 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NAS AULAS COM TICS ..................................................... 33 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO .............................................................. 34 TECNOLOGIAS E SALA DE AULA ............................................................................................. 42 O COMPUTADOR NA SALA DE AULA ....................................................................................... 47 JOGOS DIGITAIS EDUCACIONAIS ............................................................................................ 48 POTENCIALIDADES DOS JOGOS DIGITAIS ............................................................................ 50 CONSTRUTIVISMO: UM CONCEITO DE CONSTRUÇÃO ........................................................ 52 TEORIA PEDAGÓGICA E NOVAS TECNOLOGIAS .................................................................. 54 3 www.soeducador.com.br Educação digital SEYMOUR PAPERT .................................................................................................................... 61 TEORIA DE PIAGET E EAD ........................................................................................................ 65 APRENDIZAGEM COLABORATIVA E COOPERATIVA............................................................. 66 A UTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS A FAVOR DO CONHECIMENTO .................................. 67 O CONSTRUTIVISMO PARA ALÉM DA ESCOLA ..................................................................... 69 COOPERAÇÃO, COLABORAÇÃO E INTERAÇÃO .................................................................... 71 A TECNOLOGIA COMBATENDO A INDISCIPLINA ................................................................... 75 REAL UTILIZAÇÃO DAS TIC ....................................................................................................... 77 RELAÇÕES ENTRE O CONSTRUTIVISMO E A PEDAGOGIA ................................................. 79 RELAÇÃO DOS ALUNOS COM A TECNOLOGIA ...................................................................... 81 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO ................................................................................................. 83 A METODOLOGIA DE PROJETOS E AS NOVAS TECNOLOGIAS .......................................... 87 FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA DE PROJETOS ............................................................. 88 TECNOLOGIAS DIGITAIS (TDS) X TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS (TES) ........................... 90 PROJETOS DE APRENDIZAGEM COM TECNOLOGIAS DIGITAIS ........................................ 93 COMO IMPLEMENTAR AS TDS NOS PROJETOS DE APRENDIZAGEM? ............................. 93 PONTOS POSITIVOS NO USO DA TECNOLOGIA EDUCACIONAL NA EDUCAÇÃO ............ 95 PONTOS NEGATIVOS NO USO DA TECNOLOGIA EDUCACIONAL NA EDUCAÇÃO .......... 97 APRENDIZAGEM COOPERATIVA COMO POTENCIALIDADE PARA AS NOVAS TECNOLOGIAS ............................................................................................................................ 99 O USO DO BLOG COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA ...................................................... 101 COMPONENTES DO SISTEMA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA ............................................ 103 APRENDIZAGEM X ENSINO APOIADA ÀS NOVAS TECNOLOGIAS .................................... 105 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................... 108 4 www.soeducador.com.br Educação digital NOVAS TECNOLOGIAS, NOVOS DESAFIOS A influência da TV e das redes sociais nos processos escolares e a utilização da mídia como instrumento didático pedagógico. Iremos discutir sobre a qualidade do ensino, sobre novos desafios, sobre novas abordagens da comunicação mediada pelas tecnologias da informática. Ao tratarmos de novas abordagens de comunicação na escola, mediadas pelas novas tecnologias da informação, estamos tratando de Tecnologia Educacional. O uso de artefatos tecnológicos na escola tem sido uma história de insucessos, caracterizada por vantagens educacionais do seu uso, complementadas por um discurso dos proponentes salientando a obsolescência da escola. Após algum tempo são lançadas políticas públicas de introdução da nova tecnologia nos sistemas escolares, terminando pela adoção limitada por professores, sem a ocorrência de ganhos acadêmicos significativos. Estudos apontam prováveis causas do pouco sucesso da inovação, tais como falta de recursos, resistência dos professores, burocracia institucional, equipamentos inadequados. O trecho de um discurso de Thomas Edison, inventor do telégrafo, do gramofone e da lâmpada elétrica, prevê, em 1913, que os livros didáticos se tornariam obsoletos nas escolas e que, usando filmes, seria possível instruir sobre qualquer ramo do conhecimento humano. Em 1922, Edison ainda afirmava que “... o filme está destinado a revolucionar nosso sistema educacional e em poucos anos suplantará em muito, senão inteiramente, o uso de livros didáticos”. Nossa utopia é sempre tentar mudar a história futura para melhor, e não defendo posições tradicionalistas ou contrárias à tecnologia na educação. Vejo as novas tecnologias como mais um dos elementos que podem contribuir para 5 www.soeducador.com.br Educação digital melhoria de algumas atividades nas nossas salas de aula. Por outro lado, também não adoto o discurso dos defensoresda nova tecnologia educacional, que mostram as mazelas das escolas (algo muito fácil de se fazer), deixando implícito que nossos professores são dinossauros avessos a mudanças. No Brasil, na década de 80, a contradição entre tecnologia de ponta e escolas precárias era mais evidente, uma vez que os computadores eram máquinas mais caras e não estavam tão disseminados na sociedade como hoje. Aprendemos que a expectativa de administradores, professores, alunos e pais era que se ensinasse informática na escola, não no sentido de uso pedagógico de computadores, nos levando a explorar a introdução da informática na escola como uma mistura de informática na educação e de preparação para o trabalho. INOVAÇÃO CONSERVADORA A história da tecnologia educacional contém muitos exemplos de inovação conservadora, de ênfase no meio e não no conteúdo. Devido ao efeito dramático, sedutor, da mídia, em certos casos a atenção era concentrada na aparência da aula, tomando-se como algo “dado” o conteúdo veiculado, seja na sala de aula por transparências ou filmes, ou pela difusão ampla de conteúdos, através da TV, do rádio ou mesmo de livros textos cheios de figuras, cores, desenhos, fotos. Atualmente a inovação conservadora mais interessante é o uso de programas de projeção de tela de computadores, notadamente o PowerPoint, com o qual o espetáculo visual (e auditivo) pode tornar-se um elemento de divagação, enquanto o professor solitário na frente da sala recita sua lição com ajuda de efeitos especiais, mostrando objetos que se movimentam, fórmulas, generalizações, imagens que podem ter pouco sentido para a maioria de um grupo de aprendizes. A inatividade física e mental) do aprendiz é reforçada pelo ambiente da sala, geralmente à meia luz e com ar condicionado. Mas tal tipo de artefato pode também ter efeitos contrários, gerando situações onde o aluno não precisa nem mais copiar - a coisa já vem pronta e acabada para se levar para casa e memorizar para a prova. Tal tipo de mídia pode também reforçar no aluno uma falsa sensação de ter aprendido a lição, pois tudo 6 www.soeducador.com.br Educação digital que o mestre escreveu está ali, gravado, do jeito dele, com os mesmos espaços, tamanhos, etc. Outro exemplo comum é a digitação de trabalhos escolares convencionais, dentro ou fora da sala de aula e sem a orientação do professor. Neste caso, a tecnologia pode até facilitar ou dissimular a cópia plagiadora de pedaços de enciclopédias, de páginas da Internet, de livros de texto e de materiais gráficos escaneados. Tais produções de alunos podem impressionar professores sem experiência de computadores, pelo aspecto gráfico esmerado dos trabalhos e pela extensão do texto (em alguns casos feitos por outra pessoa, algo mais difícil de ocorrer quando o professor conhece a caligrafia do aprendiz). A presença da tecnologia na escola, mesmo com bons software, não estimula os professores a repensarem seus modos de ensinar nem os alunos a adotarem novos modos de aprender. Como ocorre em outras áreas da atividade humana, professores e alunos precisam aprender a tirar vantagens de tais artefatos. Estamos diante de um novo século, com uma nova sociedade, a sociedade da informação, com novo formato de receber e transmitir informação, e de uma busca interminável de conhecimento. As pessoas hoje em dia, têm acesso ao mundo e as suas tradições culturais, com muita mais eficácia e rapidez que ontem. Com a explosão da computação e, consequentemente da internet, passou-se a considerar que disponibilizar informação em uma página da internet seria um processo educativo contínuo e a formação da língua escrita dessa pessoa, estaria sendo realmente transmitida, de forma correta. Será mesmo? E qual seriam realmente as vantagens e desvantagens dessa interferência digital em nossos dias? As recordações da educação nos dizem que, educar não é adestrar, nem governar informações para um indivíduo e sim servir como mediador desse processo. CONCEITUANDO AS TECNOLOGIAS DIGITAIS DE INFORMAÇÃO E DE COMUNICAÇÃO O que se entende por novas tecnologias digitais? Entendemos por novas A Tecnologia de Comunicação designa toda forma de veicular informação. Têm o seu 7 www.soeducador.com.br Educação digital processamento, são os computadores e os robôs, e exemplos de aparelhos que possibilitam a sua reprodução são a máquina de fotocopiar, o retroprojetor, o projetor de slides (data show). Tecnologias de Informação e Comunicação (chamadas de TIC) exercem um papel cada vez mais importante na forma de nos comunicarmos, aprendermos e vivermos. As novas tecnologias de informação e de comunicação (TIC), usadas na comunicação social, estão cada vez mais interativas, pois permitem a troca de dados dos seus usuários com recursos que lhes permitem alternativas e aberturas das mais diferentes, os programas de multimídia, como o vídeo interativo, a Internet. São essas novas tecnologias que permitem a preparação e manipulação contínua de teores específicos por parte do professor/aluno (emissor) e do aluno/professor (receptor), codificando-os, decodificando-os, recodificando-os conforme as suas realidades, as suas histórias de vida e a tradições em que vivem; permitindo um entendimento mais eficaz, alternando os papéis de emissor e receptor, como co-protagonistas e contribuintes da ação cognitiva. Nos dias de hoje, os diferentes usos dessas mídias (tecnologias) se confundem e passam a ser característicos das Tecnologias de Informação e de Comunicação, que mudam os padrões de trabalho, do lazer, da educação, do tempo, da saúde e da indústria e criam, assim, uma nova sociedade, novas atmosferas de trabalho, novos ambientes de aprendizagem. Criando-se um novo tipo de aluno que necessita de um novo tipo de professor. Um professor ligado e compromissado com o que está acontecendo ao seu redor. Tecnologias colaborativas são as que consentem à otimização do trabalho em equipe. Explicitando, as novas tecnologias de informação e de comunicação podem ser utilizadas para se alcançar objetivos individuais isoladamente. Assim, quando um professor pesquisa certo assunto, em bases de dados da Internet e, ao descobrir documentos importantes, guarda-os para seu uso particular em sua biblioteca virtual individual (CD-ROM ou no disco rígido do seu computador), os seus objetivos individuais não estão sendo admirados. Se, por outro lado, comunica a existência desses textos a outros professores que estão trabalhando com ele (de forma interdisciplinar) em um projeto comum, propondo uma discussão conjunta através dos serviços da própria Internet (e-mail, teleconferência), essa tecnologia se reveste de uma característica que otimiza a 8 www.soeducador.com.br Educação digital colaboração, daí ser então denominada reveste de uma característica que otimiza a colaboração, daí ser então denominada de tecnologia colaborativa. LECIONAR E APRENDER NA ERA TECNOLÓGICA Trabalhar com as tecnologias (novas ou não) de forma interativa nas salas de aula requer: a responsabilidade de aperfeiçoar as compreensões de alunos sobre o mundo natural e cultural em que vivem. Faz-se, indispensável o desenvolvimento contínuo de intercâmbios cumulativos desses alunos com dados e informações sobre o mundo e a história de sua natureza, de sua cultura, posicionando-se e expressando-se, de modo significativo, com os elementos observados, elaborados que serão melhor avaliados. Ao se trabalhar, adequadamente, com essas novas tecnologias, Kenski constata-se que: a aprendizagem pode se dar com o envolvimento integral do indivíduo, isto é, do emocional, do racional, do seu imaginário, do intuitivo,do sensorial em interação, a partir de desafios, da exploração de possibilidades, do assumir de responsabilidades, do criar e do refletir juntos. (KENSKI,1996, p. 20). Esta é a parte visível da introdução de novas tecnologias na educação. A estrutura das salas de aula deverá mudar como já mudaram em algumas instituições de ensino no Brasil e estão mudando em muitas regiões do mundo. A implantação (mudança) se inicia e continua com a criação de certa infraestrutura tecnológica e de um programa de utilização em que os professores sejam treinados operacionalmente, capacitados metodologicamente e filosoficamente para a utilização dessas novas tecnologias na sua prática pedagógica. O papel dos professores tem que mudar também, e os cursos superiores precisam preparar esses novos docentes para não perderem o controle das tecnologias digitais que são requeridas ou se dispõem a usar em suas salas de aulas. Os professores precisam aprender a manusear as novas tecnologias e ajudar os alunos a, e eles também, aprenderem como manipulá-las e não se permitirem serem manipulados por elas. Mas para tanto, precisam usá-las para educar, saber de sua existência, aproximar-se das mesmas, familiarizar-se com elas, apoderar-se de suas potencialidades, e dominar sua eficiência e seu uso, 9 www.soeducador.com.br Educação digital criando novos saberes e novos usos, para poderem estar, no domínio das mesmas e poderem orientar seus alunos a “lerem” e “escreverem” com elas. Os professores não devem substituir as “velhas tecnologias” pelas “novas tecnologias”, devem, antes de tudo, se adequar das novas para aquilo que elas são únicas e resgatar os usos das velhas em organização com as novas, isto é, usar cada uma naquilo que ela tem de peculiar e, portanto, melhor do que a outra. O uso e influência das novas tecnologias devem servir ao docente não só em relação à sua atividade de ensino, mas também na sua atividade de pesquisa continuada. E a pesquisa com as novas tecnologias tem características diferentes que estão diretamente ligadas à procura da constante informação. Os docentes devem construir e trabalhar em conjunto com seus alunos não só para ajudá-los a aumentar capacidade, métodos, táticas para coletar e selecionar elementos, mas, especialmente, para ajudá-los a desenvolverem conceitos. Considerações que serão o alicerce para a edificação de seus novos conhecimentos. Como descrever Gadotti, o professor “deixará de ser um lecionador para ser um organizador do conhecimento e da aprendizagem (...) um mediador do conhecimento, um aprendiz permanente, um construtor de sentidos, um cooperador, e sobretudo, um organizador de aprendizagem” (Gadotti, 2002). Não podemos deixar de destacar a importância de se repensar os métodos docente a partir de uma maior valorização da metodologia de interação e colaboração mutua que devem estar presentes proporcionalmente na educação à distância quanto na educação presencial, escolha metodológica tão discutida hoje em dia e que vem sendo exercitada por profissionais das áreas mais variadas da educação. É muito inquietante como os professores estão se afastando dessas práticas alternativas, apresentando, com isso, muita oposição e resistência. A educação precisa repensar seus métodos curriculares e preparar seus docentes tanto para se apropriarem das novas tecnologias de informação e comunicação quanto para a prática da educação a distância que se vê viabilizada. Os Cursos de Educação à Distância são exemplos desta iniciativa. 10 www.soeducador.com.br Educação digital TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO Aprendizagem, proporcionando novas formas de ensinar e aprender. O professor deve ser alguém criativo, competente e comprometido com o advento das novas tecnologias, interagindo em meio à sociedade do conhecimento, repensando a educação e buscando os fundamentos para o uso dessas novas tecnologias, que causam grande impacto na educação e determinam uma nova cultura e novos valores na sociedade. Hoje, as tecnologias contribuem para um melhor processo de ensino A partir de mudanças na forma de ensinar e com a inserção de tecnologias nesse diálogo entre professor e aluno; hoje há uma troca de informações em sala de aula, na qual o professor não é mais o detentor de todo o conhecimento, de modo que o aluno passa a ser o principal responsável pela construção do seu conhecimento, tendo um papel mais ativo, na busca de soluções das suas necessidades. Segundo Moran: A concepção de ensino e aprendizagem revela-se na prática de sala de aula e na forma como professores e alunos utilizam os recursos tecnológicos disponíveis. A presença dos recursos tecnológicos na sala de aula não garante mudanças na forma de ensinar e aprender. A tecnologia deve servir para enriquecer o ambiente educacional, propiciando a construção de conhecimentos por meio de uma atuação ativa, crítica e criativa por parte de alunos e professores. (MORAN, 1995, apud MAINART; SANTOS, 2010, p. 04) O principal objetivo do processo de ensino-aprendizagem por meio da tecnologia é formar alunos mais ativos, de modo que o educador e a tecnologia se tornem mediadores desse processo, devendo estar unificados para que a aprendizagem se torne eficaz. Por meio da utilização das tecnologias, a associação das práticas pedagógicas, juntamente com o aprendizado, representa uma possibilidade a mais para os professores, pois estimula o aprendizado, de modo que os participantes desse processo passam a investigar as soluções para os problemas e para as situações em estudo. Essa nova maneira está relacionada a uma nova visão de construção do conhecimento, em um processo que envolve todos os participantes, 11 www.soeducador.com.br Educação digital professores e alunos, superando as formas tradicionais na relação de ensino- aprendizagem. TECNOLOGIAS Segundo o dicionário de Língua Portuguesa Tecnologia é uma “ciência cujo objeto é a aplicação do conhecimento técnico e científico para fins industriais e comerciais” e um “conjunto dos termos técnicos de uma arte ou de uma ciência”. A base da tecnologia encontra se no conhecimento, técnica e experiência. É por meio deste conjunto que novas tecnologias são criadas e que aos poucos são transformados os indivíduos e a sociedade, independente da utilização que se faça dessa tecnologia. Essa absorção da tecnologia pela cultura ocorre a partir de valores preestabelecidos pela sociedade. Para Kenski, “[...] as tecnologias são tão antigas quanto a espécie humana” (2012, p. 15). Elas existem desde a idade da pedra, quando os mais fortes se destacavam com ideias para a sua própria sobrevivência e, à medida que iam sobrevivendo, surgiram novas necessidades, de modo que novas tecnologias foram sendo criadas. Esse processo ocorre até os dias atuais, isto é, no decorrer da evolução originaram-se diferentes tecnologias. Atualmente, temos uma evolução tecnológica bem diferente da realidade da idade da pedra, mas que possui os mesmos objetivos, sempre buscando novas formas de melhorar os processos existentes que ocorrem nos diversos setores da sociedade, desenvolvendo mudanças tanto na vida coletiva, como na vida individual. Em muitos casos não é uma nova tecnologia que está surgindo, mas sim uma inovação de uma tecnologia já existente. É muito rápido o processo de desenvolvimento tecnológico atual, em que fica difícil definir o que é um novo conhecimento, instrumento e procedimento ou o que é uma inovação de uma tecnologia já existente. O critério para a identificação de novas tecnologias pode ser visto pela sua natureza técnica e pelas estratégias de apropriação e de uso. Atualmente, as novastecnologias estão relacionadas aos processos e produtos originários da eletrônica, da microeletrônica e das telecomunicações, as quais caracterizam-se por serem áreas evolutivas, em permanente transformação. 12 www.soeducador.com.br Educação digital Hoje são comuns as expressões “sociedade tecnológica”, “a tecnologia invadiu nosso cotidiano”, o que, às vezes, causa certo receio nas pessoas, as quais se assustam com as possibilidades demonstradas nos filmes de ficção científica, em que a tecnologia passa a ter domínio sobre os seres humanos. A tecnologia faz parte de nossa vida em todos os aspectos, por exemplo, comer só é possível graças à tecnologia dos talheres, pratos, geladeira, fogão, micro-ondas etc. E, dessa mesma forma, a tecnologia está presente em todas as atividades da nossa rotina e, para a realização das mesmas, são necessários produtos e equipamentos resultantes de estudos, planejamentos e construções. Pensando dessa forma, não é só agora que se vive a “era tecnológica”. Essa “era” já existe desde os primórdios, porém em cada época existiu um tipo de tecnologia diferente, que, cada uma a sua maneira, tinha o objetivo de melhorar a qualidade dos processos. As tecnologias atuais representam mudança de comportamento. Um exemplo simples é a internet, que, apesar de ser uma tecnologia já antiga (em 1960 já se falava de internet), possibilita a comunicação das pessoas sem que estas estejam no mesmo local e a Educação a Distância, que permite àqueles que não têm a possibilidade de cursar o Ensino Superior de forma presencial ou que não possuem recursos para arcar com esse investimento. Outros exemplos: televisão, computadores, celulares etc. As pessoas já estão dependentes de toda a tecnologia existente. Hoje é muito comum uma criança já saber utilizar um celular e/ou os programas de computador. Uma realidade muito diferente de anos atrás, já que o acesso a essas tecnologias se dava apenas quando fossem jovens e/ou adultos. A escola e o professor precisam explorar esse conhecimento que já possuem, permitindo assim novas formas de ensinar e aprender e também incluir aqueles que ainda estão nas estatísticas de exclusão digital, pois, apesar das facilidades de acesso às tecnologias, ainda existe desigualdade social nesse âmbito. Este é outro ponto importante da utilização das tecnologias no processo de ensino-aprendizagem, já que a escola passa a fazer um trabalho social, inserindo essas pessoas no mundo tecnológico, eliminando assim todas as barreiras que possam existir, sejam elas sociais, culturais ou intelectuais. 13 www.soeducador.com.br Educação digital AS PRINCIPAIS TECNOLOGIAS UTILIZADAS EM EAD • Mídia impressa: texto impresso, caderno de estudos, jornais e boletins, notas de aulas, livros didáticos, apostilas etc. • Mídia sob a forma de áudio e vídeo: fitas gravadas, CD-ROM. • Rádio e televisão: programas ao vivo e gravados: Com o surgimento da internet tornou-se possível uma nova forma de disseminação por vídeo, denominada vídeo transmissível, ou seja, vídeo no formato digital que permite que as pessoas façam DOWNLOAD na forma compacta, direto de um servidor da WEB. • Tecnologia de telecomunicação interativa, que pode ser via áudio, audiografia (agrega imagens visuais ao áudio), vídeo e computador. • Audioconferência: os participantes são conectados por linhas telefônicas. • Audiográfico: tecnologia que agrega imagens visuais, o áudio e também é transmitida por linhas telefônicas. • Videoconferência: permite a transmissão nos dois sentidos de imagens televisivas via satélite ou a cabo. Outros tipos de equipamento, como monitores de televisão, gravadores/ aparelhos de videocassete, microfone, câmeras e computadores também são usados. • Aprendizado com o uso do computador: programas de estudo auto gerenciado que o aluno usa sozinho no computador. O programa educacional pode ser disponibilizado em CD-ROM ou conectado à internet para ter acesso ao hipertexto (conteúdo, página ou texto de internet) e hipermídia (permite ao usuário a interatividade de acesso pelas “ligações” existentes no conteúdo ou página ou documentos da internet). 14 www.soeducador.com.br Educação digital AMBIENTES EDUCATIVOS VIRTUAIS Muitas plataformas ou ambientes educativos foram criados para promover o aprendizado com o uso do computador conectado à internet. Esses ambientes favorecem o acesso às tecnologias educacionais. Como exemplos de plataformas ou ambientes de aprendizagem, cito: • PVANet: ambiente virtual de aprendizagem, desenvolvido na Universidade Federal de Viçosa/MG para cursos na modalidade a distância. Esse ambiente permite criar, manter e administrar cursos baseados na internet. Para saber mais, acesse: https://www2.cead.ufv.br/sistemas/ pvanet/geral/login.php • AulaNet: ambiente desenvolvido em julho de 1997, pelo Laboratório de Engenharia de Software do Departamento de Informática da PUCRio. Esse ambiente permite criar, manter e administrar cursos baseados na internet. Para saber mais, acesse: http://www.aulanet.com.br/ • ProInfo: ambiente desenvolvido na década de 1990, pelo Programa Nacional de Informática na Educação do MEC. Seu objetivo inicial era auxiliar a formação continuada de professores; atualmente esse ambiente está disponível para outros projetos vinculados ao MEC. • TelEduc: ambiente desenvolvido por pesquisadores do Núcleo de Informática Aplicada à Educação da UNICAMP. Seu objetivo era a produção, participação e administração de cursos na internet. Hoje em dia essa plataforma de ensino é livre, para uso de qualquer instituição de ensino para cursos na modalidade a distância. • Moodle: ambiente desenvolvido na década de 1990, pela Curtin University of Tecnology, na Austrália. Possui ferramentas que permitem a criação e integração de conteúdos. Na versão em português, é muito utilizado para projetos educacionais a distância, inclusive pelo MEC. FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO Cada plataforma e/ou ambiente possui características próprias, mas, no geral, todos eles apresentam ferramentas para promover a comunicação em tempo real (síncrona) ou não (assíncrona), que podem ser denominadas conforme cada 15 www.soeducador.com.br Educação digital ambiente virtual de aprendizagem. Uma ferramenta de comunicação assíncrona permite a interação dos participantes sem que estes estejam necessariamente conectados ao mesmo tempo. Já a comunicação síncrona permite a comunicação de forma mais interativa e dinâmica. Dentre as ferramentas de comunicação e gerenciamento encontradas nas plataformas e/ou ambientes de ensino em EAD, podemos citar: • Correio eletrônico ou e-mail: esta é uma das ferramentas de comunicação assíncrona muito utilizada em cursos a distância. E, como tal, permite a interação dos participantes sem a necessidade de estarem conectados ao mesmo tempo. Indicado para enviar e receber arquivos anexados às mensagens, esclarecer dúvidas, dar sugestões etc. • Chat ou bate-papo: é uma ferramenta que permite a comunicação 9.3 em tempo real, ou seja, de forma síncrona. Com essa ferramenta, é possível que o professor e os alunos encontrem-se virtualmente para esclarecimentos de dúvidas e grupos de alunos encontrem-se para debater sobre trabalhos em equipes. Para que o sistema funcione, porém, é indispensável que os participantes do chat estejam conectados simultaneamente no ambiente virtual do curso. • Fórum: esta é uma das ferramentas de comunicação assíncrona muito utilizada em cursos de EAD no desenvolvimento de debates. Permite o debate de temas coma inclusão de opiniões em qualquer tempo. Não é necessário que todos os participantes estejam conectados ao mesmo instante para interagir, como na comunicação síncrona. O fórum é organizado de acordo com a postagem dos assuntos, mantendo a relação entre o tópico lançado, respostas e respostas das respostas. • Mural: é uma ferramenta que pode ser utilizada pelo professor e alunos para colocar avisos, informações de interesse coletivo da turma, registros de aulas práticas, resultados e notas de atividades etc. A comunicação através dessa ferramenta pode acontecer em qualquer tempo, não sendo necessário os participantes estarem conectados ao mesmo tempo. • Perguntas e Respostas/FAQ: é uma ferramenta utilizada para facilitar o envio de dúvidas pelos alunos, ao mesmo tempo em que permite que o professor envie respostas às perguntas mais frequentes. Propicia economia de tempo para o 16 www.soeducador.com.br Educação digital estudante, já que ele pode consultar essa ferramenta para verificar se já existe uma resposta para sua dúvida disponibilizada no ambiente virtual da aula. • Relatórios: os relatórios gerados a partir dos fóruns de discussão são ferramentas de gerenciamento. Essa ferramenta geralmente apresenta informações que auxiliam o acompanhamento do estudante pelo professor, assim como o autoacompanhamento por parte do estudante. Os relatórios apresentam informações relativas ao histórico de acesso ao ambiente de aprendizagem pelos estudantes, bem como notas, frequência de acesso, histórico dos artigos lidos e mensagens postadas para o fórum e correio, participação em sessões de chat e mapas de interação entre os professores e estudantes. • Avaliação on-line: ferramenta de gerenciamento/comunicação. Essa ferramenta envolve as avaliações que devem ser feitas pelos estudantes e os recursos on-line para que o professor corrija as avaliações. Do mesmo modo, fornece informações a respeito das notas, o registro das avaliações que foram feitas pelos estudantes, tempo gasto para resposta etc. Recomenda-se, no entanto, para os cursos de EAD, a utilização de mais de uma tecnologia e várias mídias para promover a comunicação e disponibilizar os conteúdos do curso. O objetivo maior é atingir todos os estudantes, não excluindo aqueles que porventura tenham dificuldades de acesso às tecnologias de comunicação e informação mais recentes, como, por exemplo, internet e o computador. A TECNOLOGIA NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM A incorporação das inovações tecnológicas só tem sentido se contribuir para a melhoria da qualidade do ensino. A simples presença de novas tecnologias na escola não é, por si só, garantia de maior qualidade na educação, pois a aparente modernidade pode mascarar um ensino tradicional baseado na memorização de informações. A concepção de ensino e aprendizagem revela-se na prática de sala de aula e na forma como professores e alunos utilizam os recursos tecnológicos disponível livro didático, giz e quadro, televisão ou computador. A presença desse aparato tecnológico na sala de aula não garante mudanças na forma de ensinar e aprender. A tecnologia deve servir para enriquecer o ambiente educacional, 17 www.soeducador.com.br Educação digital propiciando a construção de conhecimentos por meio de uma atuação ativa, crítica e criativa por parte de alunos e professores. O Brasil é um país com grande diversidade regional, cultural e com grandes desigualdades sociais; portanto, não é possível pensar em um modelo único para incorporação de recursos tecnológicos na educação. É necessário pensar em propostas que atendam aos interesses e necessidades de cada região ou comunidade. Se a escola for entendida como um local de construção do conhecimento e de socialização do saber, como um ambiente de discussão, troca de experiências e de elaboração de uma nova sociedade, é fundamental que a utilização dos recursos seja amplamente discutida e elaborada conjuntamente com a comunidade escolar, ou seja, que não fique restrita às decisões e recomendações de outros. Tanto no Brasil como em outros países, a maioria das experiências com uso de tecnologias informacionais na escola estão apoiadas em uma concepção tradicional de ensino e aprendizagem. Esse fato deve alertar para a importância da reflexão sobre qual é a educação que se quer oferecer aos alunos, para que a incorporação da tecnologia não seja apenas o "antigo" travestido de "moderno". Os meios eletrônicos de comunicação oferecem amplas possibilidades para ficarem restritos à transmissão e memorização de informações. Permitem a interação com diferentes formas de representação simbólica - gráficos, textos, notas musicais, movimentos, ícones, imagens -, e podem ser importantes fontes de informação, da mesma forma que textos, livros, revistas, jornais da mídia impressa. Entrevistas, debates, documentários, filmes, novelas, músicas, noticiários, softwares, CD-ROM, BBS e Internet são apenas alguns exemplos de formatos diferentes de comunicação e informação possíveis utilizando-se esses meios. O computador, em particular, permite novas formas de trabalho, possibilitando a criação de ambientes de aprendizagem em que os alunos possam pesquisar, fazer antecipações e simulações, confirmar ideias prévias, experimentar, criar soluções e construir novas formas. Além disso, permite a interação com outros indivíduos e comunidades, utilizando os sistemas interativos de comunicação: as redes de computadores. 18 www.soeducador.com.br Educação digital O PROFESSOR DIANTE DA EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA As orientações e práticas pedagógicas de instrução, os paradigmas de investigação e as modelos de formação tecnológicas podem ser adaptados, e são dependentes das perspectivas sobre a natureza do conhecimento, do pensamento e das diferentes teorias da aprendizagem. Ou seja, as orientações metodológicas e curriculares, as práticas, derivam e fundamentam-se, pois, nas teorias da aprendizagem e do desenvolvimento, sendo, então, os seus pilares a Filosofia e a Psicologia, dentre outros. A grande evolução e utilização das novas tecnologias informacionais vem provocando transformações radicais nas concepções de ciência, e impulsiona as pessoas a conviverem com a ideia de aprendizagem sem fronteiras e sem prérequisitos. Tudo isso implica em novas ideias de conhecimento, de ensino e de aprendizagem, exigindo o repensar do currículo, da função da escola, do papel do professor e do aluno. Uma mudança qualitativa no processo de ensino/aprendizagem acontece quando se consegue integrar dentro de uma visão inovadora todas as tecnologias: as telemáticas, as audiovisuais, as textuais, as orais, musicais, lúdicas e corporais. Houve uma passagem muito rápida do livro para a televisão e vídeo e destes para o computador e a Internet, sem que houvesse a aprendizagem e a exploração de todas as possibilidades de cada meio. As habilidades relacionadas ao uso de tecnologia delineiam um novo modelo para a escola. Os recursos oferecidos pelos computadores, pela Internet e outras redes de comunicação evidenciam a necessidade de se estabelecerem vínculos entre os conteúdos das disciplinas escolares, as diversas aprendizagens no âmbito da escola e a realidade cotidiana. Notadamente as informações circulantes são mais ricas em forma e mais diversificadas em conteúdo do que as existentes na escola tradicional. Até o advento das tecnologias de informação e comunicação, a escola era o lugar para onde as pessoas se destinavam a fim de adquirir conhecimento sistematizado, o lugar onde estavam as informações mais importantes e o professor era visto, então, como o detentor e provedorde saberes. Com a profusão de mídias e facilidade de acesso oferecido pelas tecnologias de informação e 19 www.soeducador.com.br Educação digital comunicação, a escola redefine-se no que diz respeito a ser repositório de informações e o professor passa a ter o papel de mediador e orientador da aprendizagem, devendo ser hábil no uso das tecnologias para a educação. Para empreender um trabalho, no espaço escolar, comprometido com uma nova realidade tecnológica, o professor precisa criar novas metodologias de ensino que tenham como ponto de ancoragem a realidade da escola e de seus protagonistas, relacionando o cotidiano escolar a contextos mais amplos, articulando o senso comum ao saber sistematizado e socialmente construído, integrando e contextualizando os diversos componentes curriculares à nova realidade social. Dadas as transformações socioculturais que ocorrem numa velocidade jamais vista, os profissionais da educação devem estar continuamente se informando, se transformando, se formando. O PAPEL DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO ENSINO Das abordagens de integração das TIC no contexto educativo, hoje podem considerar-se mais relevantes a do computador visto como uma ferramenta e instrumento de trabalho e a promovida pela utilização da internet no ensino e aprendizagem, na perspectiva do computador como máquina de fornecer informação e ferramenta auxiliar para a construção de conhecimento. A internet está revolucionando os métodos de pesquisa e deste modo, embora a sua utilidade, é necessário avaliar adequadamente a sua informação, nomeadamente os alunos, dado que muitos confiam e utilizam a internet como primeira fonte de informação sem formação formal sobre as dificuldades envolvidas. A utilização das TIC deve ser sempre justificável à luz dos benefícios e vantagens para o processo de ensino-aprendizagem. No entanto, o aproveitamento otimizado destas novas tecnologias implica uma mudança nas nossas formas de ensinar e de aprender. Isto é, a integração das TIC pode ser ainda mais efetiva ao explorar novos modelos pedagógicos diferenciados, onde se enquadram as pedagogias construtivistas. Sugere-nos a necessidade de um modelo flexível para a experimentação e inovação curricular. Assim, a flexibilização beneficia a construção de caminhos 20 www.soeducador.com.br Educação digital conducentes à obtenção de competências diversificadas, produzidas e desenvolvidas tanto ao nível de competências cognitivas, como pessoais e sociais, designadamente, através de métodos participativos que posicionem os alunos no centro do processo de ensino-aprendizagem e fomentem a sua autonomia, preconizados pelas pedagogias construtivistas. A ideia da concepção construtivista do ensino e da aprendizagem é normalmente utilizada para designar uma posição com alargado enfoque, no qual convergem diversas teorias psicológicas e educativas, que partilham o pressuposto de que o conhecimento e a aprendizagem não se constituem como uma cópia da realidade, mas sim como uma construção ativa do sujeito em interação com um ambiente sociocultural. INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA NA ESCOLA COM USO DA NFORMÁTICA Facilitação da construção do conhecimento • Desenvolvimento do raciocínio lógico • Desenvolvimento da sequência lógico-temporal • Aumento da flexibilidade do pensamento • Aumento da organização na realização de tarefas • Aumento da atenção na realização de tarefas • Possibilidade de lidar com diferentes exigências temporais • Possibilidade de lidar com os próprios erros de forma produtiva • Estímulo à curiosidade (exploração do novo) Desenvolvimento da imaginação/criatividade Fortalecimento da autonomia • Tomada de decisões, escolhas mais rápidas • "Melhoria" da autoestima • Desenvolvimento da leitura informativa • Interpretar e seguir ordens • Rapidez na leitura (ritmos diferentes) • Rapidez na resposta 21 www.soeducador.com.br Educação digital PEDAGOGIAS CONSTRUTIVISTAS NO ENSINO E APRENDIZAGEM DAS NOVAS TECNOLOGIAS. Os modelos centrados no aluno assentam na perspectiva filosófica de John Dewey e de outros educadores progressistas do século XX, designadamente, a pedagogia de Montessori ou a Escola Nova de Freinet, assim como, de psicólogos defensores do pensamento cognitivo, como Piaget e Vygotsky. A perspectiva construtivista defende que o conhecimento é algo pessoal e o significado é construído pelo aluno através da experiência. A aprendizagem é vista como uma atividade social e cultural em que os próprios alunos constroem os significados e são influenciados pela interação entre o conhecimento previamente adquirido e as novas experiências de aprendizagem. Consequentemente, as pedagogias construtivistas podem mais facilmente promover a criação e o desenvolvimento de competências diversificadas, tanto ao nível cognitivo como comportamental, ao orientarem os alunos para a construção do próprio significado, e assumindo estes um desempenho ativo nessa construção. Em geral, podemos dizer que a competência integra conhecimentos, capacidades e atitudes. Ou seja, trata-se do processo de ativar recursos, em diversos tipos de situações, associado a algum grau de autonomia em relação ao uso do saber. Desta forma, os professores devem recorrer a pedagogias diferenciadas que perspectivem a progressão individual dos alunos. Esta técnica permite abarcar diferentes estádios de desenvolvimento dos alunos, respeitar diferentes ritmos de aprendizagem, valorizar processos complexos de pensamento e a aquisição de competências, como a autonomia, a liderança democrática e a autorresponsabilização. Nos grupos de trabalho, os alunos podem organizar-se de forma que cada grupo investigue um aspeto sobre determinado tema, tendo depois cada grupo a responsabilidade de apresentar aos restantes o conhecimento então construído. Assim, a aprendizagem feita em comum permite a todos a possibilidade de poder “aprender a aprender”, mas também desenvolver competências ao nível do saber, ser capaz e o estar. As práticas educacionais diferenciadoras distinguem-se, tendo em conta que a base estruturante do trabalho é a autonomia e a responsabilização do aluno em que se pressupõe um princípio de heterogeneidade e trabalho colaborativo. O 22 www.soeducador.com.br Educação digital método educacional das novas tecnologias também define para cada aluno um plano de trabalho autónomo. Este é um mapa de planeamento das atividades e da verificação do seu cumprimento, onde se pode observar o trabalho de estudo e treino de competências que cada aluno se propõe realizar. Esta organização cooperativa usando as novas tecnologias promove o desenvolvimento moral, cívico e social dos alunos, propiciando um ambiente facilitador da criação e incremento de competências diversificadas. A CRIAÇÃO DO CONHECIMENTO USANDO AS NOVAS TECNOLOGIAS A utilização das novas TIC no âmbito da didática, como recurso complementar de outros, sobretudo com base no paradigma construtivista, inclui hoje o uso da internet. Esta, entre outras vantagens, facilita o acesso a fontes; contribui para o desenvolvimento do espírito crítico; permite experimentar formas de trabalho; ajuda à construção de conceitos; incentiva a transdisciplinaridade; desenvolve o sentido de cooperação e autonomia dos alunos. No entanto, a exploração didática das TIC envolve uma enorme complexidade, obrigando à mobilização de saberes multidisciplinares, tendo os professores que integrar as variáveis pedagógicas e tecnológicas. Não basta colocar os equipamentos nas salas de aula, para que o ensino seja eficaz,sendo essencial planear e analisar de que forma se pode promover ativamente a integração das TIC no processo de ensino e aprendizagem. Nesta perspectiva, as TIC não devem ser simplesmente um fenômeno informativo ou comunicativo orientado para o processo de informação, mas sim um instrumento de desenvolvimento cognitivo, que permita a transformação da informação em conhecimento. Assim, o caminho a seguir na educação para a autonomia dos alunos é tirar partido da concepção e realização de projetos, tanto individuais como coletivos, com a orientação e mediação do professor. Segundo uma visão construtivista e sociocultural dos processos de ensino e aprendizagem, categorizam três formas de uso das TIC pelos alunos: 1) como suporte, seguimento e apoio do professor; 2) como apoio ao trabalho colaborativo dos alunos em pequeno grupo; 3) como apoio à reflexão e regulação dos alunos sobre o seu próprio processo de trabalho e aprendizagem. 23 www.soeducador.com.br Educação digital Adicionalmente, as TIC podem ser utilizadas como ferramentas de suporte à comunicação entre professor e aluno e também entre alunos e, simultaneamente, conceber-se como contextos virtuais alargados relativamente à atividade presencial, combinando o presencial e o virtual no processo de ensino- aprendizagem. Desta forma, o professor, para além das aulas presenciais, pode prestar um apoio personalizado ao trabalho autónomo dos alunos de forma assíncrona, através da utilização das TIC, com o uso do Moodle, email, blogs ou sites. Ligadas ao aspeto da autonomização, as TIC constituem um aspeto da inovação nos sistemas educativos. Pelo que, a integração destas nos processos de ensino e aprendizagem, para além de permitirem a produção e desenvolvimento de competências, podem conduzir à criação e construção de conhecimento. AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM: O MOODLE Para a promoção de cursos a distância, ambientes virtuais estruturados são desenvolvidos com o objetivo de promover a aprendizagem. São espaços eletrônicos construídos para permitir a veiculação e interação de conhecimentos e usuários, Esses ambientes são chamados de Sistemas de Gerenciamento de Aprendizagem (do inglês: Learning Management Systems – LMS). São softwares projetados para atuarem como salas de aula virtuais e têm como características o gerenciamento de integrantes, relatório de acesso e atividades, promoção da interação entre os participantes, publicação de conteúdos. Os LMS são Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), que diferentemente de outros, oferecerem características de controle e gerenciamento inexistentes em outras interfaces da web. Os ambientes de aprendizagem se caracterizam e se diferenciam de outros ambientes da web porque eles têm uma dinâmica própria para atender ao fazer pedagógico, o qual é orientado no sentido de que se estabelecem metas para o aluno atingir. Outro diferencial é o oferecimento de feedback. O feedback é fundamental para que os alunos possam avaliar se estão atingindo os objetivos estabelecidos para o curso. Objetivos orientados a feedback são um dos aspectos críticos de um ambiente de aprendizagem, pois, se o aluno não recebe comentário sobre as atividades que ele 24 www.soeducador.com.br Educação digital desenvolveu em um curso ele não tem como saber se está ou não atingindo os objetivos estabelecidos. Nos AVA’s, os recursos que dão suporte à educação a distância são os mesmos da internet: correio, fórum, chat, conferência, banco de recurso. O gerenciamento desses ambientes engloba diferentes aspectos, dos quais destacamos a gestão das estratégias de comunicação e mobilização dos participantes, a gestão da participação dos alunos por meio de registro das produções, interações e caminhos percorridos, a gestão de apoio e orientação dos formadores aos alunos e a gestão da avaliação. Pelo fato de ser um software livre, gratuito e aberto, o Moodle pode ser carregado, utilizado, modificado e distribuído. Ele é um projeto de desenvolvimento contínuo, por isso, podemos receber atualizações constantes, tendo também os próprios usuários como seus construtores. Por propor uma aprendizagem colaborativa on-line, ele é considerado um ambiente baseado numa proposta socioconstrutivistas. Sendo assim, o Moodle é um ambiente que permite a adequação das necessidades das instituições e dos usuários, e, enquanto ambiente virtual de aprendizagem, foi desenvolvido levando em consideração que a aprendizagem acontece, através da colaboração do conhecimento. Percebe-se na filosofia do desenvolvimento do Moodle uma clara expressão das intenções de promover a colaboração e cooperação do outro para com o outro, buscando desenvolver uma cultura baseada em conhecimentos compartilhados entre o grupo. O fato de o Moodle ser um ambiente de aprendizagem que possibilita o feedback, a própria construção do ambiente e a construção do conhecimento compartilhado conduz que se adote uma concepção social para a compreensão de sua dinâmica de aprendizagem. Para o desenvolvimento das atividades são utilizados recursos que reforçam os princípios sócio interacionistas pelo fato de oportunizarem a comunicação e a intervenção do usuário durante o processo. Esses recursos são disponibilizados no ambiente e oportunizam a interação dos alunos com os conteúdos e com colegas e professores. Essas ferramentas são consideradas de informação e comunicação. No caso das interfaces de comunicação destacam-se as ferramentas de interatividade 25 www.soeducador.com.br Educação digital síncronas e as assíncronas. As ferramentas de comunicação síncronas são as que permitem a participação de alunos e professores em eventos marcados, com horários específicos, via internet, a exemplo dos chats. Para esse tipo de interatividade, a comunicação em tempo real, possibilita aos envolvidos uma sensação de grupo, de comunidade, o que pode ser determinante para a continuidade do curso, uma vez que preserva a motivação, a interação em tempo real, o retorno e a crítica imediata, encontros regulares, etc. Já as ferramentas de comunicação assíncronas como o Fórum, o Diário, o diálogo, as lições, entre outros, são consideradas como revolucionárias pelo fato de possibilitar que o usuário faça sua intervenção de forma mais organizada, uma vez que ele terá tempo para sistematizar sua opinião, comentário, respostas, etc. Cada uma dessas ferramentas tem uma função definida no ambiente e com possibilidades limitadas e cabe ao professor selecioná-las, conforme os objetivos de seu curso. Todavia se acrescenta que como o Moodle é um ambiente de construção pública e livre, ele pode ser alterado e novas ferramentas podem surgir e serem agregadas a já existentes. As ferramentas mais comuns no ambiente Moodle são as seguintes: arquivo de Materiais, Lição, Fórum, Tarefa, Questionário, Chat, SCORM, Glossário, Pesquisa de Opinião, wiki, Pesquisa de Avaliação, Diário, Diálogo. O emprego das NTICs (Novas Tecnologias de Informação e Comunicação) na educação possibilita a criação de ambientes novos com estruturas flexíveis, abertas, integrando várias mídias e possibilitando a interação entre os participantes do processo. Mas o uso da tecnologia reforça a existência de um projeto educativo com definição de perfil de alunos, objetivos, parâmetros pedagógicos, conteúdo e avaliação dos conteúdos que serão ministrados, além de ajustes no decorrer do processo ensino e aprendizagem. E o grau de interatividade presente nelas vai, em muito, depender da mediação pedagógica que subjaz ao processo de ensino e aprendizagem a que se propõe o curso, o professor. 26www.soeducador.com.br Educação digital http://pramidias-pmf.blogspot.com.br/2011_03_01_archive.html PROJETOS DE INOVAÇÃO TECNOLOGICA NA EDUCAÇÃO O principal aspecto a ser questionado sobre a elaboração de materiais didáticos mediatizados por novas tecnologias da informação e da comunicação é a sua contribuição para novas concepções da aprendizagem. Essa questão é polêmica, visto que parece não haver um ponto de vista único entre os especialistas da área. Muitas pessoas consideram que a contribuição da informática é apenas de ordem tecnológica e não conceitual, o que significa que ela não oferece subsídio para a elaboração de novas ideias acerca dos processos de aprendizagem ou ensino. Desde que usadas como fundamento do processo de ensino e aprendizagem forma de pensar e sentir ainda em construção, vislumbrando, assim, um papel importante para elas na elaboração do pensamento. Vista dessa perspectiva, a concepção de materiais didáticos que incorporem novas tecnologias, capazes de oferecer uma reestruturação do processo de aprendizagem, depende do esforço de relacionar novas abordagens teóricas sobre a aprendizagem a seu desenho instrucional. Tomando, porém, como exemplo a pesquisa no campo da informática educativa nos últimos dez anos, pode-se observar que a transferência de descobertas nas ciências cognitivas e sociais para a prática do planejamento de 27 www.soeducador.com.br Educação digital materiais didáticos raramente é um processo tão direto, o que representa o grande desafio para os projetos de inovações tecnológicas na escola. O construtivismo tem sido ultimamente a abordagem teórica mais utilizada para orientar o desenvolvimento de materiais didáticos informatizados, principalmente o de ambientes multimídia de aprendizagem. Podemos considerá-lo como um guarda-chuva que tem dado origem a diferentes propostas educativas que incorporam novas tecnologias, às vezes de forma implícita, às vezes de forma explícita. O fato de a abordagem construtivista ser hoje predominante não significa uma tendência única refletida nos materiais didáticos, mesmo porque a ideia de construção do conhecimento está presente na obra de vários autores, como Piaget, Vygotsky, Wallon, Paulo Freire, Freud, entre outros e, dependendo de qual deles seja o referencial eleito, configura-se uma proposta pedagógica um pouco diferenciada. Apesar das diferenças entre as concepções teóricas desses autores sobre o construtivismo, há elementos comuns que são fundamentais. Talvez o mais marcante seja a consideração do indivíduo como agente ativo de seu próprio conhecimento, o que no contexto educativo desloca a preocupação com o processo de ensino (visão tradicional) para o processo de aprendizagem. Na visão construtivista, o estudante constrói representações por meio de sua interação com a realidade, as quais irão constituir seu conhecimento, processo insubstituível e incompatível com a ideia de que o conhecimento possa ser adquirido ou transmitido. Assumir esses pressupostos significa mudar alguns aspectos centrais do processo de ensino-aprendizagem em relação à visão tradicional. À medida que professores e elaboradores de materiais didáticos que incorporam as novas tecnologias apropriam-se dos pressupostos teóricos construtivistas, estes tomam uma feição diferenciada, parecendo mesmo apoiarem-se em abordagens diferentes. Isso pode, de fato, acontecer porque não há uma correlação perfeita entre pressupostos teóricos do construtivismo e as características técnicas de materiais didáticos. A transferência da teoria para a prática do desenho instrucional não é fácil nem óbvia e, muitas vezes, as iniciativas de usar os pressupostos construtivistas no desenvolvimento de ambientes tecnológicos de ensino-aprendizagem ficam aquém da intenção inicial. Procurando colocá-los em prática, materiais didáticos que 28 www.soeducador.com.br Educação digital incorporam as novas tecnologias têm como característica principal passar para as mãos do estudante o controle de sua aprendizagem, tornando possível uma interação na qual ele “ensina” à tecnologia mais do que aprende com ela. A epistemologia construtivista relaciona-se fundamentalmente com a ideia de construção, o que no planejamento de materiais didáticos informatizados pode ser traduzido na criação de ambientes de aprendizagem que permitam e deem suporte à construção de alguma coisa ou ao envolvimento ativo do estudante na realização de uma tarefa, que pode ser individual ou em grupo, e a contextualização dessa tarefa. Para isso, oferecem ferramentas e meios para criação e manipulação de artefatos ao invés de apresentarem conceitos prontos ao estudante. A oposição entre os papéis ativo e passivo do aluno frente à aprendizagem é insuficiente. Com o conceito de abordagem profunda, a TIC pretende dar ênfase à apropriação das estratégias metacognitivas pelo aluno na interação com materiais didáticos informatizados. Essa perspectiva quer marcar a diferença em relação ao processo tradicional de ensino, no qual o aluno interage com o conteúdo visando apenas à avaliação. Para que o aluno desenvolva uma abordagem profunda à sua aprendizagem, é necessário que ele adquira a consciência do que consiste aprender, etapa que será fundamental no processo. Em outras palavras, o mais importante é aprender como aprender, como construir e refinar novos significados. A metacognição pode, assim, ser associada à resolução de problemas, quando, além de refletir sobre a solução, o indivíduo reflete sobre suas próprias abordagens ao problema. Essa reflexão pode gerar estratégias alternativas mais produtivas. O alvo do processo educativo passa a ser a habilidade de reflexividade e não o de memorização. MATERIAIS DIDÁTICOS E AS NOVAS TECNOLOGIAS Na perspectiva construtivista, o tecnólogo educacional deve ter todo o cuidado para que o desenho instrucional dos ambientes de aprendizagem atenda aos seus pressupostos teóricos, pois, sendo a informática uma ferramenta que funciona segundo uma linguagem binária, ela se ajusta muito mais facilmente a pressupostos comportamentalistas do tipo “sim/não”, “certo/errado”, “seguir/voltar” 29 www.soeducador.com.br Educação digital do que a padrões de interação criativos que explorem o raciocínio e a criatividade do estudante. As principais características das novas tecnologias da informação e da comunicação presentes na elaboração de materiais didáticos e projetos fundamentados na abordagem construtivista são: (1) a possibilidade de interatividade; (2) as possibilidades que o computador tem de simular aspectos da realidade; (3) a possibilidade que as novas tecnologias de comunicação, acopladas com a informática, oferecem de interação a distância e (4) a possibilidade de armazenamento e organização de informações representadas de várias formas, tais como textos, vídeos, gráficos, animações e áudios, possível nos bancos de dados eletrônicos e sistemas multimídia. Essas possibilidades têm sido experimentadas em propostas educativas de utilização das novas tecnologias na perspectiva construtivista por professores, tecnólogos educacionais e elaboradores de materiais. O PAPEL DO PROFESSOR NA ELABORAÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Embora seja consensual que a utilização das tecnologias da informação e da comunicação na educação não vai substituir o professor, reconhece-se, hoje em dia, que o trabalho docente pode ser apoiado por esses meios. O trabalho do professor é fundamental nos projetos de inovações tecnológicas até porque “a qualidade educativa destes meios de ensino depende, mais do que de suas característicastécnicas, do uso ou exploração didática que realiza o docente e do contexto em que se desenvolve” (LIGUORI, 1997, p. 38). Referindo-se à informática educativa e, mais recentemente, à utilização da Internet no processo educativo, vários autores discutem de que forma o papel do professor poderia adequar-se ao uso das novas tecnologias educacionais na concepção construtivista da aprendizagem. O professor deixa de ser o repassador do conhecimento para ser o criador de ambientes de aprendizagem e facilitador do processo pelo qual o aluno adquire conhecimento. O papel do professor, cuja função básica não é mais dar aula, pois 30 www.soeducador.com.br Educação digital isso pode ser feito através da televisão ou do microcomputador, apresenta-se como o orientador do processo reconstrutivo do aluno, através da avaliação permanente, do suporte em termos de materiais a serem trabalhados, da motivação constante e da organização sistemática do processo. O ensino com as novas mídias deveria questionar as relações convencionais entre professores e alunos. Para tanto, define o perfil desse novo professor - ser aberto, humano, valorizar a busca, o estímulo, o apoio e ser capaz de estabelecer formas democráticas de pesquisa e comunicação. Nas atividades pedagógicas realizadas através da Internet, o professor e o aluno tornam-se participantes de um “novo” jogo discursivo que não reconhece a autoridade ou os privilégios de monopólio da fala presentes, com frequência, nas relações de ensino- aprendizagem tradicionais, inaugurando, assim, relações comunicativas e interpessoais mais simétricas. Na Aprendizagem baseada em Problemas, por exemplo, a atividade mais crítica do professor está relacionada com as questões que ele irá formular aos estudantes. É essencial que elas valorizem e desafiem o pensamento do aprendiz, não o induzindo sobre o que fazer ou como pensar. O mais importante, ao contrário, é que o ensino questione o pensamento do estudante. O papel do professor, na abordagem construtivista, aproxima-se de uma concepção de profissional que facilita a construção de significados por parte do aluno nas suas interpretações do mundo. Assim, este profissional será melhor denominado de facilitador pedagógico. Para que possa ajudar o aluno, o facilitador pedagógico, primeiramente, deverá possuir uma concepção clara da construção de conhecimento enquanto processo dinâmico e relacional advindo da reflexão conjunta sobre o mundo real. Deverá possuir base teórica consistente, clara concepção do objetivo da aprendizagem e da metodologia a ser utilizada, assim como do processo de avaliação de acordo com a visão construtivista de conhecimento. Em sua prática, o facilitador pedagógico poderá, entre outras atividades: (l) desenvolver poucos conceitos com maior produtividade; (2) encorajar o aluno a buscar outros pontos de vista e a desejar aprender e entender; 31 www.soeducador.com.br Educação digital (3) propiciar a análise de experiências significativas e a sua reflexão crítica; (4) promover a comunicação entre os alunos e grupos de alunos e o intercâmbio de experiências. Na realidade, as relações convencionais professor-aluno estão em pauta de discussão dessa aula não só como consequência da visão construtivista de aprendizagem, mas também porque o professor deixou de ser o único a ter acesso à informação nessa relação. Esse dado está levando o professor a mudar de postura, abdicando do poder que detinha enquanto único possuidor do conhecimento relevante no contexto escolar, favorecendo uma relação mais simétrica com o aluno. PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES NAS TICS. O planejamento instrucional tradicional tinha uma função primordialmente prescritiva, incluindo as etapas de análise das necessidades, seleção dos materiais e métodos instrucionais e avaliação. Na análise de necessidades, eram identificadas as subtarefas que deveriam ser cumpridas pelo estudante e cada parte do conhecimento que ele deveria adquirir. A partir dessa fase, os passos que o aluno deveria seguir para adquirir conhecimento podiam ser planejados. Nesse processo, surgiam os objetivos, que eram subdivididos em objetivos específicos. Os objetivos específicos eram, então, estabelecidos em termos de comportamentos observáveis e mensuráveis. A partir dos objetivos especificados, o planejador escolhia os métodos e recursos instrucionais necessários para que os objetivos fossem alcançados. Esse tipo de planejamento, hoje considerado demasiadamente mecânico e prescritivo, é ainda seguido, por exemplo, para elaborar software educacionais tutoriais ou de exercício e prática. A perspectiva construtivista, ao questionar a aprendizagem por uma sequência instrucional imposta, volta-se para as formas de facilitar o processo construtivo de aprendizagem. Essa perspectiva leva a uma abordagem muito mais centrada na provisão de experiências de aprendizagem ao aluno do que no planejamento da instrução. Por não ser prescritivo, o planejamento pedagógico, no paradigma construtivista, impõe grandes desafios a serem enfrentados pelo 32 www.soeducador.com.br Educação digital professor, pois não há uma fórmula (e será muito difícil encontrar uma) que permita a transferência imediata de seus princípios à prática. Esse processo exige um planejamento cuidadoso, pois romper com modelos tradicionais de ensino e aprendizagem não quer dizer que o planejamento seja dispensável, ao contrário, a natureza complexa das interações em ambientes tecnológicos de aprendizagem exige a articulação de princípios e modelos conceituais à criação de espaços que ofereçam suporte em diferentes experiências de aprendizagem, estimulem a participação e a meta-aprendizagem do aluno. A contextualização da aprendizagem defendida pelo construtivismo exige o planejamento de tarefas de aprendizagem inseridas em contextos de resolução de problemas que sejam relevantes no mundo real. A análise de tarefas procura evitar a decomposição das atividades de aprendizagem e passa a se preocupar com a criação de problemas contextualizados relevantes e realísticos. Preferencialmente, os problemas enfrentados têm que mostrar a relevância que as habilidades e os conhecimentos envolvidos na sua solução podem ter para a vida do aluno. O domínio de fatos e conhecimentos, objetivo da educação tradicional, deu lugar às habilidades e aos processos necessários para tornar o aluno um especialista que pode operar construtivamente dentro de um conteúdo/contexto. O engajamento em colaboração, a apreciação de múltiplas perspectivas, a avaliação e o uso ativo do conhecimento tornam-se o alvo do planejamento. Por isso, não faz sentido dividir o conteúdo em pequenos módulos e ordená-los de acordo com níveis crescentes de dificuldade. Da mesma forma, não é possível fazer afirmações genéricas sobre como a informação será usada pelo aluno, o que torna difícil pensar em objetivos específicos predeterminados. Ao contrário do previsto na visão tradicional, os objetivos específicos surgem na realização de tarefas autênticas e durante a resolução de problemas significativos para o estudante. Também não basta planejar uma única tarefa ou problema. A construção do conhecimento, sendo um processo individual e particular, não permite o planejamento de tarefas únicas para um determinado perfil médio de alunos. Para atender a essa nova abordagem, é necessário que o desenho instrucional do ambiente de aprendizagem possa ajustar-se às necessidades particulares de cada 33 www.soeducador.com.br Educação digital aluno, o que ainda é um grande desafio para o planejamentona área de tecnologia educacional. AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NAS AULAS COM TICS Da mesma forma que o planejamento, a avaliação, na perspectiva construtivista, é diferenciada da tradicional. Apesar de ser uma questão em aberto, há algumas diretrizes que podem orientar o processo de avaliação do desempenho do estudante em projetos educacionais com utilização de novas tecnologias nesse novo paradigma. Se, na abordagem construtivista, o estudante irá desenvolver diferentes perspectivas da realidade por meio de processos individuais de construção do conhecimento, os processos de avaliação deveriam acomodar uma variedade mais ampla de opções de respostas aos problemas. Além disso, sendo priorizada a avaliação dos processos mentais do aluno em relação aos produtos finais, os conceitos de certo ou errado tornam-se secundários na medida que o aluno deve ser capaz não só de chegar a uma resposta, mas também de justificar e defender seus julgamentos e decisões durante a resolução de problemas. Enquanto, convencionalmente, os resultados da aprendizagem são definidos em termos do conhecimento e das habilidades adquiridas pelo estudante, os construtivistas argumentam que experimentar e tornar-se proficiente no processo do conhecimento é mais importante. Nesse sentido, uma atividade de avaliação coerente com os pressupostos construtivistas é a reflexão do estudante sobre sua própria aprendizagem e o registro do processo através do qual ele construiu sua visão do conteúdo. A tendência da avaliação é servir menos como reforço ou instrumento de controle e mais como ferramenta de auto-análise. A avaliação objetiva, aplicada como uma medida separada do resultado da aprendizagem, não funciona no paradigma construtivista. Ele defende a avaliação da aprendizagem em função da solução bem sucedida de uma tarefa. O julgamento da resolução do problema deve então, ser feito pelo professor, com base na consideração de todas as evidências disponíveis. Os autores construtivistas consideram importante a avaliação da aprendizagem inserida em um contexto. Professores tradicionais também têm 34 www.soeducador.com.br Educação digital reconhecido que as habilidades importantes não são cobradas em testes desvinculados do contexto da aprendizagem. A procura de melhores meios de avaliação, porém, ainda é uma questão em aberto. As alternativas oferecidas pelos construtivistas ainda soam imprecisas. Elas precisam tornar-se mais claras, mostrarem-se válidas economicamente e atenderem às demandas das diferentes partes interessadas. TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO Tecnologia da informação e comunicação (TIC) pode ser definida como um conjunto de recursos tecnológicos, utilizados de forma integrada, com um objetivo comum. As TICs são utilizadas das mais diversas formas, na indústria (no processo de automação), no comércio (no gerenciamento, nas diversas formas de publicidade), no setor de investimentos (informação simultânea, comunicação imediata) e na educação (no processo de ensino aprendizagem, na Educação a Distância). O desenvolvimento de hardwares e softwares garante a operacionalização da comunicação e dos processos decorrentes em meios virtuais. No entanto, foi a popularização da internet que potencializou o uso das TICs em diversos campos. Através da internet, novos sistemas de comunicação e informação foram criados, formando uma verdadeira rede. Criações como o e-mail, o chat, os fóruns, a agenda de grupo online, comunidades virtuais, web cam, entre outros, revolucionaram os relacionamentos humanos. Através do trabalho colaborativo, profissionais distantes geograficamente trabalham em equipe. O intercâmbio de informações gera novos conhecimentos e competências entre os profissionais. Novas formas de integração das TICs são criadas. Uma das áreas mais favorecidas com as TICs é a educacional. Na educação presencial, as TICs são vistas como potencializadoras dos processos de ensino – aprendizagem. Além disso, a tecnologia traz a possibilidade de maior desenvolvimento – aprendizagem – comunicação entre as pessoas com necessidades educacionais especiais. As TICs representam ainda um avanço na educação a distância. Com a criação de ambientes virtuais de aprendizagem, os alunos têm a possibilidade de 35 www.soeducador.com.br Educação digital se relacionar, trocando informações e experiências. Os professores e/ou tutores têm a possibilidade de realizar trabalhos em grupos, debates, fóruns, dentre outras formas de tornar a aprendizagem mais significativa. Nesse sentido, a gestão do próprio conhecimento depende da infraestrutura e da vontade de cada indivíduo. A democratização da informação, aliada à inclusão digital, pode se tornar um marco dessa civilização. Contudo, é necessário que se diferencie informação de conhecimento. Sem dúvida, vivemos na Era da Informação. INTERATIVIDADE E INTERAÇÃO NAS AULAS COM TICS O ensino a distância on-line tem sido divulgado como uma alternativa que se configura hoje pela inserção das novas tecnologias de informação e comunicação e junto com elas a ideia da interatividade. Conceito que vem sendo muito discutido, pelo fato de amparar valores e concepções que têm variado no tempo e na história. Existem três reações frequentes ao termo “interatividade”: a primeira como oportunista, ou seja, como modismo, nome novo para coisas velhas. A segunda como estratégia de marketing para expansão do mercado e a terceira como uma estratégia de dominação da técnica, que promove a regressão do homem à condição de máquina. A terminologia interatividade surge para atender a uma nova modalidade comunicacional, a interativa, que se caracteriza pelo modo dialógico com que os usuários interagem uns com os outros. A interatividade é vista como um fenômeno que emerge da Sociedade da Informação. Apenas a disponibilização da informação não caracteriza a Sociedade da Informação, mas o diferencial e o que é mais importante é desencadeamento de um continuado processo de aprendizagem. Assim, dizemos que as novas tecnologias que permitem a interatividade também promovem uma nova relação do aluno com o conhecimento, com outros alunos e com o professor, a partir do momento, em que se propõe um ensino que considera como prioridade as formas de aprendizagens e, consequentemente, os aprendentes. A possibilidade de interagir, através das ferramentas tecnológicas, implica rever todos os papéis dos envolvidos no processo ensino e aprendizagem e como também a metodologia utilizada para a promoção dessa aprendizagem. 36 www.soeducador.com.br Educação digital O papel do professor se amplia. Ele deve promover, por força de uma intervenção pedagógica, a autonomia do aluno, no sentido de ajudá-lo a reelaborar o conhecimento existente. Ao professor cabe o papel de promotor-interventor. O professor na perspectiva da interatividade deixa de ser o contador de histórias, conselheiro, parceiro ou mesmo facilitador e passa a ser um sistematizador de experiências. Os alunos, desta forma, deixam de aprender passivamente, como acontece com o ensino instrucionista, em que a máquina ou o professor transmitem ou repassam as informações, e passam a exigir mais, tanto dos proponentes quanto de si mesmos, exigindo liberdade e autonomia. Autonomia significa o estabelecimento das relações que o aluno construir com o mundo exterior e os outros. Na visão sócio interacionista, o homem constitui-se como tal, por meio de suas interações sociais, portanto, ele é visto como alguém que transforma e é transformado nas relações produzidas em uma determinada cultura. Na interação com o outro e com o meio, o indivíduo sedeparará com situações conflitantes, que exigirão que ele encontre as possíveis soluções, o que possibilitará a aprendizagem e consequentemente, o seu desenvolvimento intelectual. No contexto de EAD, o favorecimento da interação é marcado pela ação dialógica entre o sujeito e a técnica. Com as tecnologias disponibilizadas, a educação a distância oportuniza, portanto, maior interatividade entre professor e aluno, alunos e alunos, todos e máquina, ampliando, renovando e construindo conhecimentos porque as novas tecnologias comunicacionais permitem ampla liberdade para o usuário fazer as conexões que lhe forem convenientes, de forma a atualizarem-se e de produzirem as intervenções que mais lhe convierem. Assim, temos um movimento entre interação e interatividade que vai além do humano e máquina, uma vez que a interação é relação necessária entre sujeito e objeto para a aquisição do conhecimento e interatividade condição para a acessibilidade à comunicação em rede, consequentemente, essas relações estão tão imbricadas, que uma não se diz sem a outra em EaD. Investir na interatividade significa investir em novos caminhos, em novos desafios, que serão superados no fazer coletivo, na superação individual. A educação a distância, que oportuniza instrumentos tecnológicos para aproximar pessoas, para garantir a reelaboração do conhecimento e o acesso ao 37 www.soeducador.com.br Educação digital conhecimento científico, tem como objetivo preparar o indivíduo para a vida, para intervir no mundo de forma madura e autônoma, autonomia no sentido de compreensão, de poder de decisão e de escolha e ainda de construção. Que esse indivíduo compreenda que ele faz parte de uma sociedade, que se transforma e que ele, enquanto agente dela, tem que estar preparado para acompanhar e participar dessas transformações. Assim sendo, a proposta de Educação a Distância que pretende a promoção do ensino, ensejando que o aluno aprenda com as novas tecnologias interativas, pretende sim a sua promoção social, por meio da interação pela interatividade. O conceito de interatividade, como mais um recurso para a intervenção do aluno no processo de aprendizagem, de forma que a sua participação possa influenciar outros e a si mesmo. Todavia, caberá ao professor pesquisar e propor situações e/ou atividades que levem em consideração os recursos que a tecnologia oferece para ampliar o mundo do aluno, numa perspectiva de reconstrução e de aprendizagem colaborativa. As novas tecnologias interativas permitem a participação, a intervenção, a bidirecionalidade e a multiplicidade de conexões. A INFLUÊNCIA DE VYGOTSKY PARA AS NOVAS TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS O processo de aprendizagem pelo qual o sujeito passa quando está diante de um objeto de conhecimento pode ser observado sob várias concepções, todavia, quando se entende que a aprendizagem é um processo ativo que conduz a transformações no homem, o olhar se desvia para uma orientação em que o processo se estabelece pelas relações, sobretudo, pelas relações sociais. Esta ideia nos remete a Vygotsky (1998), para quem a questão da relação entre os processos de desenvolvimento e de aprendizagem é central. Mas é o aprendizado que possibilita o despertar de processos internos de desenvolvimento, ou seja, o aprendizado precede o desenvolvimento. Quanto mais se oferece à criança mais chance ela tem para se desenvolver. Com base nos estudos de Vygotsky (1998), apresentamos alguns conceitos que são fundamentais para que se compreenda a formulação da concepção sócio interacionista e sua influência para a educação, em especial, para a educação a 38 www.soeducador.com.br Educação digital distância. A teoria da dupla formação das funções psicológicas superiores, a internalização, a mediação e a zona de desenvolvimento proximal. As funções psicológicas superiores, que compreendem a consciência, a intenção e o planejamento, dizem respeito ao estabelecimento das relações sociais que aparecem, primeiramente sob a forma de processos intermentais, ou interpessoais, que significa que o conhecimento se dá entre as pessoas, num contexto externo para depois passar para processos intramentais ou individuais, o processo é, neste caso, interno. Portanto, é do social para o individual que o homem se constitui, de fora para dentro, o que significa dizer que o homem tem características próprias, mas necessita da experiência do outro para viver melhor. Já para o entendimento do processo de internalização compreende-se que a aprendizagem se dá mediante a reconstrução interna de uma operação externa, ou seja, quando o sujeito consegue reconstruir um conhecimento existente, resultado dos processos interpsicológico e intrapsicológico. Todos esses processos cognitivos têm como base a mediação: enquanto sujeito do conhecimento o homem não tem acesso direto aos objetos, mas acesso mediado, através de recortes do real, operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe, portanto enfatiza a construção do conhecimento como uma interação mediada por várias relações. Por último, destaco o conceito da zona de desenvolvimento proximal, como um dos níveis de desenvolvimento pelo qual a criança passa no processo de aquisição do conhecimento e que serve para indicar o nível de desenvolvimento em que se deve intervir para que a criança avance e aprenda o conhecimento em potencial. Segundo Vygotsky (1998), a capacidade de a criança realizar tarefas sozinha representa o nível de desenvolvimento real, que representa resultado de processos maduros. Neste nível, a criança já tem consolidado o conhecimento. Já o nível de desenvolvimento potencial, significa o conhecimento que está por vir, aquele que pode ser internalizado, e que foi detectado na zona de desenvolvimento proximal. Representa o conhecimento que pode ser alcançado com a ajuda do outro, de um colega, pais, professores, ou mesmo, por qualquer objeto sociocultural. Por isso, as potencialidades do indivíduo devem ser levadas em conta 39 www.soeducador.com.br Educação digital durante o processo de ensino-aprendizagem, como forma ativar os seus esquemas cognitivos ou comportamentais nas variadas situações de aprendizagem. Em termos gerais, Vygotsky (1998) trouxe para a educação reflexões que permitem pensar a prática pedagógica sob ótica da aprendizagem. Para ele a concepção de ensino e aprendizagem inclui, por um lado, a ideia de que quem ensina e quem aprende não se refere necessariamente a situações em que haja um educador fisicamente presente e que a presença do outro social pode se manifestar por meio de objetos, do próprio ambiente, dos significados que rodeia o mundo cultural do indivíduo. Neste contexto sóciointeracionista, vislumbra-se a Educação a Distância como uma modalidade que se utiliza de dinâmicas participativas de cooperação e de comunicação, regras flexíveis, do desenvolvimento da criatividade e da individualidade. O aluno é quem constrói seu próprio conhecimento, sendo auxiliado pelo Tutor/Professor, que o ajuda, instiga-o a avançar e a aguçar a curiosidade. Acompanha o processo de construção do conhecimento do aluno, sempre atento ao fato de que cada ser humano tem sua forma peculiar de aprendizagem, exercendo, assim, papel de mediador da aprendizagem. Esta teoria pode ser aplicada em EAD, pois respeita o ritmo do aluno, considerando-o como um ser único, sendo ele, aluno, o sujeito da aprendizagem. O fato de o ensino e a aprendizagem serem veiculados e processados por uma máquina, não minimiza, como já foi dito, o papel do professor, que nesta propositura tem a função de mediador e, portanto, será responsável pelo material didático postadono ambiente virtual. De acordo com a concepção sócio interacionista, o material deverá ser atrativo, favorecer o questionamento, a reflexão e, consequentemente, a reelaboração do conhecimento. Também, deverão prezar pela interação entre os colegas e, por conseguinte, pela socialização do conhecimento. A aprendizagem é, pois, vista como atividade de elaboração conceitual em um ambiente caracterizado pela interação. As atividades propostas para a educação a distância, portanto, devem considerar a questão da capacidade individual do aluno e por isso, oferecer atividades que venham a contribuir com o seu avanço intelectual. Para tanto, deve- se propor atividades que permitam o feedback, a devolutiva com as orientações necessárias, de forma que o aluno seja obrigado e motivado a repensar o 40 www.soeducador.com.br Educação digital conhecimento existente. A proposta deve ser desafiadora e problematizadora. O professor, enquanto mediador, deve avaliar o aluno, a partir de sua capacidade de entendimento e de sua produção oral e escrita. Os conteúdos propostos devem considerar o contexto sócio-históricocultura, no qual estão inseridos os alunos, e os objetivos do curso. ADESÃO E CRÍTICA A NOVAS TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS A educação desprovida de novas tecnologias resumida ao uso das tecnologias antigas e no simples discurso do professor admite que o espaço da aula se transfigure num ambiente de monotonia sem estímulo algum aos principais elementos de mobilidade do processo. Cabe ao professor buscar o conhecimento sobre o uso adequado das novas tecnologias, uma vez que todo e qualquer instrumento utilizado para mediar à interação professor/aluno é considerado ferramenta tecnológica. Os educadores devem ter um papel dentro da sociedade que vai muito além do fazer de conta. É papel do educador possibilitar a inserção na comunidade estudantil de serviços que ajudem no seu desenvolvimento, além de, pesquisas a fim de contribuir, de alguma forma, para o crescimento intelectual dos alunos. É necessário ainda que haja uma interação entre educador e sociedade para que juntos detectem os problemas e as deficiências existentes, em especial nas escolas públicas, no que diz respeito ao alcance das novas tecnologias e busquem soluções eficientes que levem ao desenvolvimento adequado do processo de ensino/aprendizagem. Quando pensamos em tecnologia a favor da educação, devemos vê-la como um conjunto de ferramentas que proporciona ao professor várias vantagens, como a praticidade para adquirir as informações necessárias à construção do conhecimento ao longo da sua vida. A soma dos métodos antigos com as novas descobertas linguísticas e tecnológicas vem dando aos professores, que a aderiu, suporte necessário no desenvolvimento das suas atividades. Usar a tecnologia a favor da educação é saber utilizá-la como suporte auxiliar na busca da qualidade do processo educacional. Os novos recursos 41 www.soeducador.com.br Educação digital tecnológicos são para ajudar o professor no processo de ensino aprendizagem e cabe ao professor perceber qual recurso deve, quando e como usar. A pesquisa científica deve fazer parte da vida do educador. Assim o professor supera um conhecimento já existente sobre um determinado assunto e abre um novo mundo de descoberta por meio da curiosidade e do interesse de cada um sabendo, claro, separar o que é seu, do que é do outro, respeitando as informações que foram obtidas por meio desta busca. O educador precisa ser flexível, paciente ou crítico naquilo que se propõe fazer e ser. Esse mesmo compromisso deve assumir ao orientar seus alunos para a vida. Mostrar ao jovem aluno que é necessário sempre fazer uma seleção coerente e planejar tudo que se pretende alcançar. Assim também deve acumular conhecimentos de modo que venha atender às exigências que a vida pode estar propondo futuramente. A Educação sempre foi e sempre será um processo composto de detalhes que se utiliza de algum meio de comunicação como instrumento ou suporte visando alcançar a qualidade no processo de ensino/aprendizagem e objetivando o melhor desempenho na ação do professor, na interação pessoal e direta com seu público. As tecnologias na escola elevarão o nível de desenvolvimento dos sentidos, e as novas tecnologias estimularão a ampliação dos limites dos sentidos e com isso o potencial cognitivo do ser humano. As ferramentas tecnológicas vêm provocando visíveis transformações nos métodos de ensinar e na própria forma do discurso escrito que apresentam considerável adaptação ás novas tecnologias. A resistência à aquisição de novos conhecimentos é um fator negativo no processo de formação cultural intelectual do indivíduo na relação ensino aprendizagem. Assim, como enfrentar os novos desafios? Como ferramenta pedagógica, a Internet deve ser utilizada com cautela para que não prejudique o desenvolvimento de suas principais habilidades como o saber fazer, dando-lhe informações prontas que podem ser “copiadas e coladas” sem sequer ter sido feita uma leitura prévia. Essa prática tem sido comum e vem despertando a aplicação, por parte de alguns administradores, da censura restringindo o uso da internet e impedindo o acesso, principalmente, de páginas sociais como Orkut, MSN e mesmo a vídeos do YouTube. Os problemas, no entanto, não param por aí. As novas tecnologias usadas na educação requerem 42 www.soeducador.com.br Educação digital professores capacitados que saibam como utilizá-las em benefícios do aprendizado do aluno, mas o que se percebe é uma reação negativa de muitos educadores a essas inovações. Muitos insistem em utilizar métodos tradicionais de ensino por não saberem lidar com novos instrumentos tecnológicos. “[...] o homem está irremediavelmente preso às ferramentas tecnológicas em uma relação dialética entre a adesão e a crítica ao novo”. (PAIVA, 2008. p.1). A adesão das novas tecnologias na educação é extremamente importante, uma vez que facilita o acesso ao conhecimento e permite que o aprendiz tenha autonomia para escolher entre as diversas fontes de pesquisas. “Os recursos da web 2 oferecem ao aprendiz tecnologia que lhe permite, efetivamente, usar a língua em experiência diversificadas de comunicação”. (PAIVA, 2008. p.10). As novas tecnologias levarão o homem a uma evolução mais rápida e ao conhecimento mais preciso. É necessário, apenas, dominá-las. TECNOLOGIAS E SALA DE AULA As diversas possibilidades de acesso às tecnologias proporcionaram novas formas de viver, de trabalhar e de se organizar na sociedade. Um exemplo é a constante comunicação entre as pessoas, localizadas em locais diferentes e, muitas vezes, distantes, através de aparelhos celulares, de e-mails, de comunicadores instantâneos ou de redes sociais. Com base nisso, percebe-se que essas novas possibilidades tecnológicas não interferem apenas na vida cotidiana, mas passam a interferir em todas as ações, nas condições de pensar e de representar a realidade e, no caso da educação, na maneira de trabalhar em atividades ligadas à educação escolar. De acordo com as tradições, o ensinar era tarefa exclusiva da escola. Os conhecimentos eram apresentados às crianças ao entrarem nas escolas e esses eram finitos e determinados; ao final de uma determinada formação, o aluno era considerado uma pessoa formada, já que possuía conhecimentos necessários para o ingresso em alguma profissão. Atualmente, não é possível ter esse mesmo pensamento, pois as rápidas mudanças tecnológicas atribuem novas formas à atividade de ensinar e aprender, estando constantemente em processo de 43 www.soeducador.com.brEducação digital aprendizagem e adaptação, não sendo mais possível considerar uma pessoa completamente formada, independente do seu grau de formação. A escola de hoje faz parte desse momento tecnológico revolucionário e, para atender sua função social, ela deve estar atenta e aberta para incorporar esses novos parâmetros comportamentais, hábitos e demandas, participando ativamente dos processos de transformação e construção da sociedade. Deste modo, é necessário que os alunos desenvolvam habilidades para utilizar os recursos tecnológicos, cabendo à escola integrar a cultura tecnológica ao seu cotidiano. A utilização das tecnologias no processo de ensino-aprendizagem institui um fator de inovação pedagógica, possibilitando novas modalidades de trabalho na escola, devendo esta acompanhar as transformações sociais. A escola precisa se tornar mais atraente, estreitando a linha que a divide do mundo externo, no qual o aluno vai absorver grande parte das informações. A escola precisa transformar-se de simples transmissora de conhecimentos em organizadora de aprendizagens e reconhecer que já não detém a posse da transmissão dos saberes, proporcionando ao aluno os meios necessários para aprender a obter a informação, para construir o conhecimento e adquirir competências, desenvolvendo o espírito crítico. Educar é colaborar para que professores e alunos transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional e a tornarem-se cidadãos realizados e produtivos. Na sociedade da informação todos estão reaprendendo a conhecer, a comunicar-se, a ensinar e a aprender; a integrar o humano e o tecnológico; a integrar o individual, o grupal e o social. Uma mudança qualitativa no processo de ensino-aprendizagem acontece quando se consegue integrar dentro de uma visão inovadora todas as tecnologias: as telemáticas, as audiovisuais, as textuais, as orais, os musicais, as lúdicas e as corporais. Passamos muito rapidamente do livro para a televisão e vídeo e destes para o computador e a internet, sem aprender e explorar todas as possibilidades de cada meio. (MORAN, 2000, p. 26) A utilização das tecnologias no processo educativo proporciona novos ambientes de ensinar e aprender diferentes dos ambientes tradicionais, e as reais contribuições das tecnologias para a educação surgem à medida que são utilizadas 44 www.soeducador.com.br Educação digital como mediadoras para a construção do conhecimento. A presença das tecnologias na educação é indispensável, pois estas objetivam escolarizar as atividades da sociedade, adequando-as aos seus objetivos, permitindo assim uma compreensão profunda do mundo e enriquecendo o conhecimento. Atualmente, existe uma infinidade de tecnologias que contribuem na parte pedagógica, que proporcionam novas formas de transmissão e articulação do conhecimento, mais atrativas, mais dinâmicas, tornando a aprendizagem do aluno mais interessante, por exemplo, TV, DVD, câmeras, videocassete, retroprojetor, rádio, computador, projetor, internet etc. Por meio dessas tecnologias, como o computador conectado a um projetor e com som, é possível ilustrar as aulas, tornando-as mais atrativas, possibilitando aos alunos vivenciar situações reais do conteúdo que está sendo abordado. Um filme, um documentário, ilustrações ou até mesmo uma simples apresentação de slides, complementando a aula expositiva, torna-a mais dinâmica, atraindo a atenção dos alunos, gerando, dessa forma, maiores possibilidades de construção do conhecimento. E uma aula com internet? Quantas possibilidades não são encontradas na rede mundial de computadores? Quem nunca utilizou a internet como recurso didático-pedagógico? Hoje, tudo o que se precisa é encontrado na internet. Através dela são possíveis “viagens” incríveis, ter acesso a bibliotecas, ambientes, jogos, simulações, que possibilitam uma infinidade de novos conhecimentos e que vem a complementar o processo de ensino-aprendizagem. Por exemplo, existem diversos sites de jogos educativos, onde, brincando, os alunos aprendem, explorando o conteúdo em estudo de uma forma totalmente diferente da tradicional. Também existem diversos sites que possibilitam a aplicação de simulações e desafios, permitindo ver na prática a teoria estudada. Outro exemplo que também pode ser citado são os blogs construídos por professores, que sempre são atualizados com informações que agregam conhecimento aos alunos, por meio de leituras complementares relacionadas com os conteúdos em estudo, e os próprios alunos também podem fazer comentários, gerando assim uma construção coletiva e colaborativa do conhecimento. São apenas essas as aplicações da tecnologia? São só esses os exemplos de tecnologias? Não, existem muitas aplicações e muitas tecnologias disponíveis, 45 www.soeducador.com.br Educação digital permitindo uma diversidade de formas de utilização, possibilitando a diversificação na sala de aula. Da união entre tecnologia e conteúdos nascem oportunidades de ensino, entretanto é necessário analisar se essas oportunidades são significativas, por exemplo, quando as tecnologias ajudam a enfrentar desafios atuais, como encontrar informações na internet e se localizar em um mapa virtual. Em outros casos, porém, ela é dispensável, como no crescimento de uma semente, que não faz sentido ver em uma animação se é possível ter a experiência real. AS TECNOLOGIAS E O PROFESSOR Atualmente o aprender não é mais um trabalho mecânico, mas sim um processo de construção e transformação do conhecimento, no qual o papel do professor é de fundamental importância como questionador, investigador e incentivador dessa construção e transformação. É necessário ao professor mudar, aperfeiçoar, repensar suas práticas pedagógicas e trabalhar de forma que sempre instigue no aluno a posição de questionamento, permitindo que expresse suas ideias, sentimentos e emoções, além de pensar sobre suas escolhas e na concretização dos seus objetivos. A utilização da tecnologia na educação propõe uma nova forma de atuação dos professores, não se limitando apenas a uma simples utilização tecnológica, mas sim a uma nova forma de ensinar e aprender, deixando o professor de ser um transmissor do conhecimento e passando a ser um facilitador desse conhecimento, por meio de aulas diferentes, dinâmicas, que atendam a essa nova geração tecnológica, na qual estamos vivendo. Dessa forma, o cenário tecnológico exige novos hábitos, uma nova gestão do conhecimento, na forma de conceber, armazenar e transmitir o saber, dando origem, assim, a novas formas de simbolização e representação do conhecimento. Diante desses avanços tecnológicos, existe o desafio da mudança no trabalho do professor, pois este precisa se adequar a uma nova postura, deixando de ser um simples transmissor do conhecimento, para ser um orientador do processo de ensino aprendizagem, pois os alunos já vêm com uma grande bagagem de informações de casa, proporcionadas pela TV, rádio, internet, celular, 46 www.soeducador.com.br Educação digital sendo necessária a organização dessas informações para que a construção do conhecimento realmente aconteça; caso contrário, de nada adianta toda essa tecnologia se não conseguimos fazer com que o aluno adquira esse conhecimento. São notáveis os benefícios da tecnologia na educação, entretanto ainda é encontrada grande discussão entre os professores sobre o uso dessas tecnologias. Existem duas vertentes: aqueles professores interessados na utilização da tecnologia, que se preparam, buscam o conhecimento para o uso desses recursose os aplicam em sala de aula, proporcionando novas formas de ensinar e aprender, auxiliando no processo de ensino-aprendizagem, e aqueles professores indecisos, inseguros, hesitantes com esse novo método, principalmente por achar que os recursos vão substituí-los. Uma forma equivocada de se pensar, pois o professor nunca será substituído, já que ele é fundamental. A mudança é dada pela substituição das formas do processo de ensino aprendizagem e, à medida que evoluímos, precisamos acompanhar as mudanças e adequá-las à nossa prática docente, deixando de lado apenas o trabalho com o modo tradicional de ensino, embutindo nesse modo os avanços existentes, que proporcionam uma nova forma de aprender mais concreta. O professor deve ter em mente que a tecnologia vem como um recurso, um suporte a mais para o processo de ensino-aprendizagem, como uma ferramenta de apoio, um instrumento inovador, tornando a aprendizagem mais eficiente e eficaz, e o professor deve estar em processo permanente de aprendizagem e ter uma postura de pesquisador, investigador e crítico. A própria sociedade atual exige a mudança dos professores, porque ela demanda profissionais críticos, criativos, com capacidade para aprender a aprender, de trabalhar em equipe e conhecedores de diversos saberes, incumbindo ao professor formar esse profissional que construa o seu próprio conhecimento e que desenvolva as competências exigidas pelo mercado de trabalho. Precisamos de professores conscientes, que saibam utilizar os benefícios dos recursos tecnológicos em favor da formação dos alunos, cientes das possibilidades que essa nova forma de ensino-aprendizagem proporciona para o futuro cidadão. Observamos as mudanças de paradigmas que estão ocorrendo, tratando as abordagens de aprendizagem como abordagem heterônoma e 47 www.soeducador.com.br Educação digital abordagem autônoma, que, embora tenham suas particularidades metodológicas, possuem o mesmo objetivo, ou seja, a aprendizagem. A abordagem heterônoma, que é a aprendizagem tradicional, é aquela que conhecemos, que vivenciamos na escola, onde o professor é o responsável pelo processo de ensino-aprendizagem, porém, atualmente, com as mudanças e evoluções que estão acontecendo, estamos nos deparando com uma nova prática pedagógica, isto é, a abordagem autônoma, em que o aluno passa a ser o responsável pela construção do conhecimento, o responsável pelo processo de ensino aprendizagem e o professor é um facilitador, mediador e orientador desse processo. Os alunos têm acesso a quaisquer informações, de qualquer lugar do mundo, de forma rápida, prática e atrativa; sendo assim, é imprescindível o replanejamento do processo de ensino-aprendizagem, sendo o principal ponto desse processo, não mais o professor, mas sim o aluno, o que ele precisa aprender. O COMPUTADOR NA SALA DE AULA Os computadores podem favorecer sobremaneira ao processo de educação escolar. Para que se possa delinear as contribuições de tais equipamentos ao processo ensino/aprendizagem, faz-se necessário buscar uma definição para informática educativa, entendida como uma área científica que tem como objeto de estudo o uso de equipamentos e procedimentos da área de processamento de dados no desenvolvimento das capacidades do ser humano, visando à sua melhor integração individual e social. Diante de tal conceito, quando se trata da implantação da informática educativa no contexto escolar, há que se considerar dois aspectos: o ensino da Informática, incluindo disciplinas sobre processamento de dados no currículo escolar; e a Informática no ensino, disponibilizando os recursos da computação para o desenvolvimento das práticas educacionais escolares. Em se tratando da primeira, sua operacionalização torna-se mais simples uma vez que a inserção de disciplinas sobre processamento de dados no currículo pode ser efetivada com a contratação de professores com formação em Ciência da Computação, construção 48 www.soeducador.com.br Educação digital de laboratório (s) com recursos computacionais, organização do horário de utilização desse(s) laboratório(s) e alocação de mais disciplinas no horário das turmas contempladas com o referido complemento curricular. Porém, sob tal aspecto, corre-se o risco de que haja uma subutilização dos recursos computacionais, pois é maior o risco de a Informática acabar servindo apenas aos fins da própria Informática e, talvez, não fazendo jus ao adjetivo "educativo". Quando se trata, do uso de computadores como ferramentas auxiliares do processo ensino/aprendizagem, há uma complexidade maior para sua operacionalização pois, para que os recursos oferecidos pelos computadores possam ser amplamente utilizados, faz-se necessário que todo corpo docente seja capacitado e para tanto, deve ter sua resistência ao novo vencida. Além disso, a organização de utilização do(s) laboratório(s) de Informática precisa disponibilizar horários e recursos para o trabalho de diversas disciplinas e não para somente uma disciplina específica. Cabe ressaltar, portanto, que; (...) a presença isolada e desarticulada dos computadores na escola não é, jamais, sinal de qualidade de ensino; mal comparando, a existência de alguns aparelhos ultramodernos de tomografia e ressonância magnética em determinado hospital ou rede de saúde não expressa, por si só, a qualidade geral do serviço prestado à população. É necessário estarmos muito alertas para o risco da transformação dos computadores no bezerro de ouro â ser adorado em Educação. (CORTELLA, 1995, p. 34). JOGOS DIGITAIS EDUCACIONAIS Os jogos de vídeo games e computadores conquistaram um espaço importante na vida de crianças, jovens e adultos e hoje é um dos setores que mais cresce na indústria de mídia e entretenimento. Estudos recentes da consultoria PricewaterhouseCoopers estimam que em 2008 o faturamento do mercado de jogos deverá superar o do setor de música, que sempre teve destaque econômico. Com um faturamento bilionário os jogos digitais já assumiram um papel de destaque na cultura contemporânea, levando diversos pesquisadores a 49 www.soeducador.com.br Educação digital desenvolverem estudos para entender porque os jogos digitais são tão atraentes e quais impactos causam na vida das pessoas. Muitos jovens seduzidos pelos jogos digitais permanecem longos períodos totalmente empenhados nos desafios e fantasias destes artefatos de mídia, dando a impressão de que são imunes a distrações e que nada é capaz de desconcentrá- los. Mas os jogos digitais costumam absorver muitas horas dos jogadores e consomem um tempo que poderia ser aproveitado em outras atividades, como o estudo, por exemplo. Isto gera reclamações entre pais e professores, pois gostariam que seus filhos e alunos aplicassem nos estudos o mesmo nível de atenção e comprometimento dedicado aos jogos. Conseguir desviar a atenção que os estudantes dão aos jogos para atividades educacionais não é tarefa simples. Por isso, tem aumentado o número de pesquisas que tentam encontrar formas de unir ensino e diversão com o desenvolvimento de jogos educacionais. Por proporcionarem práticas educacionais atrativas e inovadoras, onde o aluno tem a chance de aprender de forma mais ativa, dinâmica e motivadora, os jogos educacionais podem se tornar auxiliares importantes do processo de ensino e aprendizagem. Mas para serem utilizados com fins educacionais os jogos precisam ter objetivos de aprendizagem bem definidos e ensinar conteúdos das disciplinas aos usuários, ou então, promover o desenvolvimento de estratégias ou habilidades importantes para ampliar a capacidade cognitiva e intelectual dos alunos.Durante muitos anos se discutiu a possibilidade dos videogames influenciarem negativamente os jogadores e estimularem a violência em crianças e adolescentes. Nos últimos anos, porém, aumentou o interesse para a pesquisa dos aspectos positivos dos jogos, seus benefícios para os jogadores, potencialidades como recurso didático e uso na educação. Agora, ao invés das instituições de ensino fecharem as portas para os jogos, existe um crescente interesse entre pesquisadores e professores em descobrir de que formas os jogos digitais podem ser usados como recurso para apoiar a aprendizagem e quais são os seus benefícios. 50 www.soeducador.com.br Educação digital POTENCIALIDADES DOS JOGOS DIGITAIS Uma das principais formas de acesso ao mundo da tecnologia para crianças e jovens é o jogo digital, pois geralmente o primeiro contato com equipamentos eletrônicos acontece por meio de um vídeo game. Os jogos digitais podem ser definidos como ambientes atraentes e interativos que capturam a atenção do jogador ao oferecer desafios que exigem níveis crescentes de destreza e habilidades. Mas para serem utilizados como instrumentos educacionais os jogos devem conter ainda algumas características específicas para atender as necessidades vinculadas à aprendizagem. Por isso os softwares educacionais, entre eles os jogos, devem possuir objetivos pedagógicos e sua utilização deve estar inserida em um contexto e em uma situação de ensino baseados em uma metodologia que oriente o processo, através da interação, da motivação e da descoberta, facilitando a aprendizagem de um conteúdo. Quando preparados para o contexto educacional os jogos digitais podem receber diferentes nomenclaturas. As mais comuns são jogos educacionais ou educativos, jogos de aprendizagem ou jogos sérios (serious games), sendo que alguns tipos de simuladores também podem ser considerados jogos educacionais. Normalmente, quando se divulga a utilização de jogos educacionais, há um destaque para o poder motivador dessa mídia. Mas o potencial deles vai muito além do fator “motivação”, pois ajudam os estudantes a desenvolverem uma série de habilidades e estratégias e, por isso, começam a ser tratados como importantes materiais didáticos. A seguir são elencados alguns benefícios que os jogos digitais educacionais podem trazer aos processos de ensino e aprendizagem: • Efeito motivador: Os jogos educacionais demonstram ter alta capacidade para divertir e entreter as pessoas ao mesmo tempo em que incentivam o aprendizado por meio de ambientes interativos e dinâmicos. Conseguem provocar o interesse e motivam estudantes com desafios, curiosidade, interação e fantasia. As tecnologias dos jogos digitais proporcionam uma experiência estética visual e espacial muito rica e, com isso, são capazes de seduzir os jogadores e atraí-los para dentro de mundos fictícios que despertam sentimentos de aventura e prazer. Ter componentes de prazer e diversão inseridos nos processos de estudo é 51 www.soeducador.com.br Educação digital importante porque, com o aluno mais relaxado, geralmente há maior recepção e disposição para o aprendizado. • Facilitador do aprendizado: Jogos digitais têm a capacidade de facilitar o aprendizado em vários campos de conhecimento. Eles viabilizam a geração de elementos gráficos capazes de representar uma grande variedade de cenários. Por exemplo, auxiliam o entendimento de ciências e matemática quando se torna difícil manipular e visualizar determinados conceitos, como moléculas, células e gráficos matemáticos. Os jogos colocam o aluno no papel de tomador de decisão e o expõe a níveis crescentes de desafios para possibilitar uma aprendizagem através da tentativa e erro. Projetistas de jogos inserem o usuário num ambiente de aprendizagem e então aumentam a complexidade das situações e, à medida que as habilidades melhoram, as reações do jogador se tornam mais rápidas e as decisões são tomadas com maior velocidade. • Desenvolvimento de habilidades cognitivas: Os jogos promovem o desenvolvimento intelectual, já que para vencer os desafios o jogador precisa elaborar estratégias e entender como os diferentes elementos do jogo se relacionam. Também desenvolvem várias habilidades cognitivas, como a resolução de problemas, tomada de decisão, reconhecimento de padrões, processamento de informações, criatividade e pensamento crítico. • Aprendizado por descoberta: Desenvolvem a capacidade de explorar, experimentar e colaborar, pois o feedback instantâneo e o ambiente livre de riscos provocam a experimentação e exploração, estimulando a curiosidade, aprendizagem por descoberta e perseverança. • Experiência de novas identidades: Oferecem aos estudantes oportunidades de novas experiências de imersão em outros mundos e a vivenciar diferentes identidades. Por meio desta imersão ocorre o aprendizado de competências e conhecimentos associados com as identidades dos personagens dos jogos. Assim, num jogo ou simulador em que o estudante controla um engenheiro, médico ou piloto de avião, estará enfrentando os problemas e dilemas que fazem parte da vida destes profissionais e assimilando conteúdos e conhecimentos relativos às suas atividades. • Socialização: Outra vantagem dos jogos educacionais é que eles também podem servir como agentes de socialização à medida que aproximam os 52 www.soeducador.com.br Educação digital alunos jogadores, competitivamente ou cooperativamente, dentro do mundo virtual ou no próprio ambiente físico de uma escola ou universidade. Em rede, com outros jogadores, os alunos têm a chance de compartilhar informações e experiências, expor problemas relativos aos jogos e ajudar uns aos outros, resultando num contexto de aprendizagem distribuída. • Coordenação motora: Diversos tipos de jogos digitais promovem o desenvolvimento da coordenação motora e de habilidades espaciais. • Comportamento expert: Crianças e jovens que jogam vídeo games se tornam experts no que o jogo propõe. Isso indica que jogos com desafios educacionais podem ter o potencial de tornar seus jogadores experts nos temas abordados. Embora seja difícil encontrar em um único jogo todas as potencialidades apresentadas acima, procurou-se demonstrar como este tipo de mídia pode trazer uma série de benefícios ao ser utilizada como recurso didático nas práticas de ensino. No próximo módulo, apresentaremos as contribuições das novas tecnologias ao sistema de EAD, aplicando recursos computacionais como internet, recursos gráficos, interatividade, ambientes de aprendizagem na prática docente. CONSTRUTIVISMO: UM CONCEITO DE CONSTRUÇÃO Chamamos de aprendizagem ao processo pelo qual o indivíduo, inserido no contexto social, elabora uma representação pessoal do objeto a ser conhecido. Esta relação dinâmica ocorre no confronto do sujeito (seus conhecimentos anteriores) com a realidade histórica e culturalmente determinada. Nesta perspectiva, o conhecimento não é só transmitido de uma geração a outra, mas evolui com as novas representações mentais do mundo em função das novas experiências e interpretações da realidade realizadas por cada sujeito. Portanto, o conhecimento está em constante transformação, superação e atualização. Os estudiosos da cognição, estudiosos da inteligência e da mente, compreendem que o conhecimento é produzido internamente como uma construção mental e individual do sujeito em uma relação que envolve o conhecimento existente com o conhecimento novo. Não obstante, na prática, ainda 53 www.soeducador.com.br Educação digital prevalece um domínio dos enfoques behavioristasno tocante à área da aprendizagem, privilegiando o meio na relação de aprendizagem. Uma tendência da psicologia cognitiva, influenciada principalmente pelos trabalhos de Piaget, é o construtivismo. Nesta concepção, o pressuposto principal é do sujeito como construtor do conhecimento. A aprendizagem é reconhecida como um processo de reestruturação de conceitos prévios, que sempre existem em cada indivíduo. Com base nesses conhecimentos, os conhecimentos novos são ancorados. O construtivismo trata-se de um enfoque teórico que aborda o conhecimento como uma construção humana de significados na interpretação do mundo. Portanto, é uma teoria que busca enfocar as múltiplas faces do mundo vivido, onde os indivíduos são observadores e analisadores das experiências dessa realidade, construindo e percebendo de forma pessoal e particular, buscando interferir neste mundo. A partir das contribuições dos autores considerados como os teóricos do construtivismo, Vygotsky e Piaget, e das colocações de Jonassen, pode-se concluir que a premissa fundamental do construtivismo é a do aluno/profissional como sujeito ativo do seu próprio conhecimento. A partir deste enfoque podemos compreender melhor o papel dos atores do processo educativo; e especialmente os professores, que passam a ter postura de orientadores ou facilitadores pedagógicos e preocupam-se em prover ambientes e ferramentas que ajudem os alunos a interpretar as múltiplas perspectivas de análise do mundo real, o que possibilita a construção de suas próprias perspectivas. David Jonassen concebe a aprendizagem como possuindo algumas características fundamentais para o desenvolvimento de um ambiente de aprendizagem construtivista: Ativa/manipulativa, Construtiva, Reflexiva, Colaborativa, Intencional, Complexa, Contextual e Coloquial. A interatividade, a cooperação e a autonomia são características essenciais em um ambiente de aprendizagem construtivista. Para melhor explicitar estas categorias, torna-se essencial esclarecer que estas foram definidas com base na abordagem de autores que aprofundaram seus estudos sobre estes temas, como por exemplo: Vygotsky, Piaget, Ausubel, Novak, Wilson, Moretto, Coll, Jonassen, dentre outros. 54 www.soeducador.com.br Educação digital Vejamos agora as três caraterísticas primordiais para o aprendizado construtivista: 1. Interatividade, envolve um relacionamento entre pessoas de experiências diversas, entre ferramentas e atividades culturalmente organizadas. Ela depende da relação entre grupos, desejos, motivações, culturas, interesses individuais e sociais. Diante das considerações apresentadas, este estudo toma como pressuposto que a interatividade é uma inter-relação mediatizada pela comunicação que acontece durante o relacionamento de indivíduos e grupos em uma comunidade de aprendizagem, onde os participantes avançam em suas atividades e habilidades, realizando associações e interligando informações através da participação com os outros nas atividades planejadas pelo programa. 2. Cooperação é uma relação compartilhada estabelecida entre os participantes do programa no desenvolvimento da aprendizagem e na realização de projetos de interesse comum. Esta relação se caracteriza pela desigualdade do conhecimento entre os participantes, pelo sistema de combinações e compromissos estabelecidos na solução de problemas significativos. É uma relação de troca compartilhada dada pelos diferentes perfis profissionais, formas de atuação e experiências num contexto de trabalho complexo e multifacetado. 3. Autonomia este estudo a considera como a capacidade que o aluno possui em autodeterminar-se, escolher, apropriar-se e reconstruir o conhecimento produzido culturalmente em função de suas necessidades e interesses. Caracteriza-se pela responsabilização, auto-determinação, decisão, autoavaliação e compromissos a partir da reflexão de suas próprias experiências e vivências. TEORIA PEDAGÓGICA E NOVAS TECNOLOGIAS Os grandes mestres como Jean Piaget, Lev S. Vygotsyky e Seymour Papert são alguns dos vários pesquisadores em educação que apoiam o desenvolvimento de novas formas de despertar o interesse, desenvolver a mente, estimular a criatividade, desenvolver o raciocínio. Levando em consideração as suas ideias defendidas, pode-se dizer que o uso das Novas Tecnologias apresenta aspectos positivos diante dessas ideias. Partindo das perspectivas construtivistas (Piaget), interacionistas (Vygotsky) e construcionista (Papert), pode-se afirmar, que 55 www.soeducador.com.br Educação digital com o advento das Novas Tecnologias de informação tem início uma etapa de transição quantitativa e qualitativa de informações, pois uma fase de carência cede lugar a uma fase de abundância de canais informativos. Jean Piaget nasceu em Newchatel, na Suíça, no dia 09 de agosto de 1896 e morreu no dia 16 de setembro de 1980. Pesquisador e estudioso intelectual criou o método clínico, onde trabalhou a gênese das estruturas lógicas do pensamento da criança. Suas pesquisas o levaram da biologia à filosofia e psicologia, aproximando progressivamente a Biologia, a Cibernética, a Psicologia e a Matemática para explicar o desenvolvimento da inteligência. Apesar de naturalista, começou a explorar outros campos, principalmente a sistemática dos processos mentais, entrando em contato com grandes mestres da psiquiatria e psicanálise na Alemanha e França. Em Paris, estagiou no Instituto Binet, onde ficou encarregado pela padronização francesa de alguns testes ingleses. A divulgação de Piaget no Brasil tem início no final da década de 20. Através do Movimento da Escola Nova abriu-se espaço para a propagação de suas ideias. Posteriormente essa divulgação ocorreu a partir dos anos 60, após a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que criou espaço para a realização de experiências pedagógicas nas quais educadores e pedagogos poderiam elaborar e executar novas propostas e métodos de ensino. Nos anos 80 ocorreu a febre do construtivismo escolar atingindo sistemas de ensino municipais e escolas particulares. Piaget teve uma preocupação maior com o estudo do desenvolvimento mental ou cognitivo, ou seja, com o desenvolvimento da forma como os indivíduos conhecem o mundo exterior e com ele se relacionam. No quadro estão os principais períodos do desenvolvimento mental e as características de cada um. 56 www.soeducador.com.br Educação digital Piaget considera que o processo de desenvolvimento é influenciado por fatores como: maturação (crescimento biológico dos órgãos), exercitação (funcionamento dos esquemas e órgãos que implica na formação de hábitos), aprendizagem social (aquisição de valores, linguagem, costumes e padrões culturais e sociais) e equilibração (processo de auto regulação interna do organismo, que se constitui na busca sucessiva de reequilíbrio após cada desequilíbrio sofrido). De acordo com a abordagem construtivista de Piaget, o indivíduo constrói significados pelas experiências de acomodação e assimilação. O indivíduo entende novas experiências relacionando-as com as experiências anteriores, o desequilíbrio ocorre. Este desequilíbrio requer que o indivíduo reajuste seu esquema mental ou crie um novo esquema para entender o evento que causou o desequilíbrio. A interação com o ambiente faz com que o indivíduo construa estruturas mentais e adquira maneiras de fazê-las funcionar. O eixo central, portanto, é a interação organismo-meio e essa interação acontece através de dois processos simultâneos: a organização interna e a adaptação ao meio, funções exercidas pelo organismo ao longo da vida. A cognição irá setransformando em virtude de um contínuo processo de experimentação dos conceitos elaborados pelo indivíduo, a 57 www.soeducador.com.br Educação digital partir da ação. A aquisição do conhecimento é resultante do conflito conceitual entre a realidade elaborada mentalmente pelo indivíduo e o fato concreto. Piaget assumiu uma posição interacionista a respeito da inteligência. Para Piaget o estudo da inteligência envolveria uma análise de como o ser humano se torna progressivamente capaz de construir o conhecimento. Segundo o construtivismo, todo e qualquer conhecimento é adquirido por um processo de interações contínuas entre esquemas mentais da pessoa que conhece e as peculiaridades do evento ou do objeto a conhecer. Não existem conhecimentos resultantes do mero registro de observações. Todo o conhecimento pressupõe uma organização que só os esquemas mentais do sujeito podem efetuar. O construtivismo não é um método didático, trata-se da descrição da forma geral de funcionamento dos seres vivos quando elaboram novas estruturas. O papel do professor se deduz a criar situações que estimulem o processo construtivista do organismo com vistas à elaboração de estruturas fundamentais de caráter universal das quais dependem as aquisições de habilidades diversas, segundo o modelo cultural. Nesse processo construtivista, Piaget distingue três tipos de funções: as funções do conhecimento, da representação e da afetividade. Essas funções possuem as seguintes características: • As funções do conhecimento se relacionam ao desenvolvimento intelectual, em especial ao do pensamento lógico, o qual constitui um instrumento essencial na adaptação do sujeito ao mundo exterior. • As funções da representação dizem respeito às vivências representadas por meio de símbolos (individuais) ou signos (coletivos e arbitrários), graças à função semiótica ou simbólica; a criança pode expressar-se, representar a seu modo o vivido. • As vivências e os desejos pessoais com carga afetiva são expressados preferencialmente pelo símbolo, pela imitação, pelo desenho e pelo jogo, enquanto os conhecimentos intelectuais são melhor expressados por signos coletivos. Essas funções se desenvolvem de maneira interdependente, indissociável e complementar. A ação, sendo física ou mental, para alcançar um objetivo necessita de instrumentos fornecidos pela inteligência, revelando um poder. Ao 58 www.soeducador.com.br Educação digital mesmo tempo é preciso o desejo, algo que mobilizará o sujeito para agir em direção ao objetivo, revelando um querer, o qual se encontra circunscrito na afetividade. Em relação à escola, segundo a visão de Piaget, deve partir dos esquemas de assimilação da criança, propondo atividades desafiadoras que provoquem desequilíbrios e reequilibrações sucessivas, promovendo a descoberta e a construção do conhecimento. Para construir esse conhecimento, as concepções infantis combinam-se às informações advindas do meio, na medida em que o conhecimento não é concebido apenas como sendo descoberto espontaneamente pela criança, nem transmitido de forma mecânica pelo meio exterior ou pelos adultos, mas, como resultado de uma interação, na qual o sujeito é sempre um elemento ativo, que procura ativamente compreender o mundo que o cerca, e que busca resolver as interrogações que esse mundo provoca. Pedagoga e mestre em educação, os principais objetivos da educação referem-se à formação de homens criativos, inventivos e descobridores, de pessoas críticas e ativas, e na busca constante da construção da autonomia. As implicações do pensamento piagetiano para a aprendizagem: • Os objetivos pedagógicos necessitam estar centrados no aluno, partir das atividades do aluno. • Os conteúdos não são concebidos como fins em si mesmos, mas como instrumentos que servem ao desenvolvimento evolutivo natural. • Primazia de um método que leve ao descobrimento por parte do aluno ao invés de receber passivamente através do professor. • A aprendizagem é um processo construído internamente. • A aprendizagem depende do nível de desenvolvimento do sujeito. • A aprendizagem é um processo de reorganização cognitiva. • A interação social favorece a aprendizagem. • Os conflitos cognitivos são importantes para o desenvolvimento da aprendizagem. 59 www.soeducador.com.br Educação digital LEV VYGOTSKY Professor e pesquisador, contemporâneo de Piaget, nasceu em Orsha, pequena cidade da BieloRússia, em 17 de novembro de 1896. Construiu sua teoria tendo por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico, enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento, sendo essa teoria considerada histórico social. Sua questão central é a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio. A partir de 1924, em Moscou, aprofundou sua investigação no campo da Psicologia, enveredando também para o da Educação de Deficientes. No período de 1925 a 1934, desenvolveu, com outros cientistas, estudos nas áreas de Psicologia e anormalidades físicas e mentais. Ao concluir a formação em Medicina foi convidado para dirigir o Departamento de Psicologia do Instituto Soviético de Medicina Experimental. Faleceu em 11 de junho de 1934. A divulgação e circulação de suas obras foram proibidas durante muito tempo na União Soviética, porque embora fosse um militante do Partido Comunista, ele ressaltou o aspecto individual da formação da consciência e, portanto, a concepção de que uma coletividade constitui-se através de pessoas com singularidades próprias. Ao dizer que o sujeito constitui suas formas de ação em atividades e sua consciência nas relações sociais, Vygotsky aponta caminhos para a superação da dicotomia social/individual. As origens da vida consciente e do pensamento abstrato devem ser procuradas na interação do organismo com as condições de vida social, e nas formas histórico-sociais de vida da espécie humana. Deste modo, procurou analisar o reflexo do mundo exterior no mundo interior dos indivíduos, a partir da interação destes sujeitos com a realidade. As concepções de Vygotsky sobre o processo de formação de conceitos remetem às relações entre pensamento e linguagem, à questão cultural no processo de construção de significados pelos indivíduos, ao processo de internalização e ao papel da escola na transmissão de conhecimento, que é de natureza diferente daqueles aprendidos na vida cotidiana. Propõe uma visão de formação das funções psíquicas superiores como internalização mediada pela cultura. 60 www.soeducador.com.br Educação digital Os níveis de desenvolvimento de acordo com Vygotsky são representados pelo real e pelo potencial. O real é adquirido ou formado determinando o que a criança já é capaz de fazer por si própria, revela a possibilidade de uma atuação independente do sujeito. O potencial relaciona-se à capacidade de aprender com outra pessoa (VYGOTSKY, 1998). A aprendizagem interage com o desenvolvimento, produzindo abertura nas zonas de desenvolvimento proximal (ZDPs) referentes à distância entre aquilo que a criança faz sozinha e o que ela é capaz de fazer com a intervenção de um adulto. A aprendizagem e o desenvolvimento estão interrelacionados, um conceito que se pretenda trabalhar, como por exemplo, em Física, requer sempre um grau de experiência anterior para a criança. A zona de desenvolvimento proximal refere-se, assim, ao caminho que o indivíduo vai percorrer para desenvolver funções que estão em processo de amadurecimento e que se tornarão funções consolidadas, estabelecidas noseu nível de desenvolvimento real. A zona de desenvolvimento proximal é, pois, um domínio psicológico em constante transformação; aquilo que uma criança é capaz de fazer com a ajuda de alguém hoje, ela conseguirá fazer sozinha amanhã. É como se o processo de desenvolvimento progredisse mais lentamente que o processo de aprendizado; o aprendizado desperta processo de desenvolvimentos que, aos poucos, vão tornar-se parte das funções psicológicas consolidadas do indivíduo. O desenvolvimento cognitivo é produzido pelo processo de internalização da interação social com materiais fornecidos pela cultura, sendo que o processo se constrói de fora para dentro. Para Vygotsky, a atividade do sujeito refere-se ao domínio dos instrumentos de mediação, inclusive sua transformação por uma atividade mental. Segundo Vygostsky (1988), o sujeito não é apenas ativo, mas interativo, porque forma conhecimentos e se constitui a partir de relações intra e interpessoais. É na troca com outros sujeitos e consigo próprio que se vão internalizando conhecimentos, papéis e funções sociais, o que permite a formação de conhecimentos e da própria consciência. Trata-se de um processo que caminha do plano social (relações interpessoais), para o plano individual interno (relações intrapessoais). Não se concebe uma construção individual sem a participação do 61 www.soeducador.com.br Educação digital outro e do meio social, o que torna imprescindível a relação intersubjetiva, pois é nesse espaço relacional que há a possibilidade do conhecimento. Dessa forma a escola é o lugar onde a intervenção pedagógica intencional desencadeia o processo ensino-aprendizagem. A escola tem a função de favorecer o desenvolvimento de certas capacidades, em lugar de limitar as possibilidades de aprendizagem ao desenvolvimento real, como ainda acontece em nossas escolas. O professor tem o papel explícito de interferir no processo educacional. Portanto, é papel do docente provocar avanços nos alunos e isso se torna possível com sua interferência na zona proximal. O aluno não é tão somente o sujeito da aprendizagem, mas, aquele que aprende junto ao outro o que o seu grupo social produz, tal como: valores, linguagem e o próprio conhecimento. Em relação aos softwares educativos (SE) como ferramenta do processo de ensino-aprendizagem, deve-se esperar que possua as seguintes características e atuações: O SE deve ser um instrumento efetivo capaz de ampliar as possibilidades de conhecimento do aluno, à medida que considere necessária articulação dos conceitos espontâneos (conhecimentos prévios) com os conhecimentos que se deseja levar o aluno a construir (conhecimentos científicos), e que explore as possibilidades de interação intra e intergrupos visando a um trabalho didático capaz de privilegiar as diferentes ZDPs dos alunos. SEYMOUR PAPERT Seymour Papert é matemático e um dos maiores visionários do uso da Tecnologia na educação, considerado um dos pais do campo da Inteligência Artificial. Nascido e educado na África do Sul, onde participou ativamente do movimento antiapartheid, Papert engajou-se em pesquisas na área de matemática na Cambridge University no período de 1954-1958. Então trabalhou com Jean Piaget na University of Geneva de 1958 a 1963. Sua colaboração principal era considerar o uso da matemática no serviço para entender como as crianças podem aprender e pensar. Em plena década de 1960, Papert já dizia que toda criança deveria ter um computador em sala de aula. Na época, sua teoria parecia ficção científica. Entre 1967 e 1968, desenvolveu uma linguagem de programação totalmente voltada para 62 www.soeducador.com.br Educação digital a educação, o Logo, tendo como base a teoria de Piaget e algumas ideias da Inteligência Artificial. Logo é uma linguagem de programação simples e estruturada voltada à educação, que tem como objetivo permitir que uma pessoa se familiarize, através do seu uso, com conceitos lógicos e matemáticos através da exploração de atividades espaciais que auxiliam o usuário a formalizar seus raciocínios cognitivos. Através do logo as crianças podem ser vistas como construtoras de suas próprias estruturas intelectuais. Ao utilizar o Logo, o computador é considerado uma ferramenta que propicia à criança as condições de entrar em contato com algumas das mais profundas ideias em ciências, matemática e criação de modelos. Ao trabalhar com a Linguagem Logo, o erro é tratado como uma tentativa de acerto, ou seja, uma fase necessária à nova estruturação cognitiva. O Logo envolve todo o ambiente de aprendizagem. A abordagem logo não é apenas a linguagem de programação, mas principalmente uma forma de conceber e de utilizar as novas tecnologias em Educação, abrangendo todo o ambiente de aprendizagem, que envolve não só o aluno, o computador e o software, mas também o professor, os demais recursos disponíveis no ambiente e as relações que se estabelecem entre esses elementos. Com essa concepção passa-se a adaptar e aplicar o construcionismo em práticas pedagógicas com outros softwares, destacando-se os mais abertos, como os sistemas de autoria, processadores de texto, editores de desenho, planilhas eletrônicas, gerenciadores de banco de dados, redes de computadores, programas de simulação e modelagem, etc. Inicialmente a linguagem logo foi implementada em computadores de médio e grande porte, fato que fez com que, até o surgimento dos microcomputadores, o uso do Logo ficasse restrito às universidades e laboratórios de pesquisa. As crianças e professores se deslocavam até esses centros para usarem o Logo e nessas circunstâncias os resultados das experiências com o Logo se mostraram interessantes e promissores. O Logo foi a única alternativa que surgiu com uma fundamentação teórica diferente no uso do computador na educação. Era passível de ser usado em diversos domínios do conhecimento e com muitos casos documentados que mostravam a sua eficácia como meio para a construção do conhecimento. 63 www.soeducador.com.br Educação digital A comunidade pedagógica só passou a incorporar as ideias de Papert a partir de 1980, quando ele lançou o livro Mindstorms: Children, Computers and Powerful Ideas. Esse livro mostrava caminhos para utilização das máquinas no ensino. Com a disseminação dos microcomputadores, o Logo passou a ser adotado e usado em muitas escolas. No período de 1983 até 1987 aconteceu uma verdadeira explosão no número de experiências, na produção de material de apoio, livros, publicações e conferências sobre o uso do Logo. DIFUSÃO DO CONSTRUTIVISMO Uma das teorias mais importantes na educação, a Teoria Construtivista, surgiu no século XX, a partir das experiências do biólogo, filósofo e epistemólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), o qual observando crianças desde o nascimento até a adolescência - como um recém-nascido passava do estado de não reconhecimento de sua individualidade frente ao mundo que o cerca indo até a idade de adolescentes, onde já tem-se o início de operações de raciocínio mais complexas - percebeu que o conhecimento se constrói na interação do sujeito com o meio em que ele vive. Para este autor, o conhecimento: não pode ser concebido como algo predeterminado nem nas estruturas internas do sujeito, porquanto estas resultam de uma construção efetiva e contínua, nem nas características preexistentes do objeto, uma vez que elas só são conhecidas graças à mediação necessária dessas estruturas, e que essas, ao enquadrá-las, enriquecem-nas (PIAGET, 2007, p.1). Rompendo com alguns paradigmas da educação, como a ideia de um universo do conhecimento dado, seja pela bagagem hereditária (apriorismo)ou pelo meio físico e social (empirismo) e adotada em escolas de todas as partes do mundo, a teoria construtivista tem sido fonte de críticas, mas também de motivação e de pesquisa para vários estudiosos. A divulgação das ideias de Piaget no Brasil tem início no final da década de vinte, no contexto do Movimento da Escola Nova, sendo que a crença liberal escolanovista de que a escola seria o instrumento adequado à criação de uma sociedade solidária e fraterna levou os educadores progressistas do início do século a acreditarem na proposta de que a realização de inovações pedagógicas 64 www.soeducador.com.br Educação digital poderia mostrar melhores resultados do que os obtidos pela escola tradicional, que não consolidara objetivos sociais e democráticos. A crítica aos métodos tradicionais e as novas propostas implicaram na revisão e na alteração dos pressupostos científicos de fundamentação das atividades pedagógicas. O movimento da Escola Nova buscou na Biologia e na Psicologia bases de sustentação para uma ação pedagógica que privilegiou o aluno no processo educacional. A Pedagogia escolanovista incluia em seus pressupostos os princípios de atividade e de interesse e, Piaget, acrescentou o de cooperação, os quais poderiam contribuir para a formação de indivíduos autônomos e solidários, conforme os requisitos de uma sociedade justa. A inserção do escolanovismo no Brasil ocorreu, principalmente, na escola pública, por meio de reformas educacionais realizadas nos estados, as quais incorporaram os princípios ativos que foram veiculados por educadores, em publicações e laboratórios de Psicologia, criados na época. Jean Piaget esteve em terras brasileiras em 1949, representando a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), num Seminário de Educação e Alfabetização de Adultos, no Rio de Janeiro. Desde então, passou a ser considerado por muitos como pedagogo, embora nunca tenha se dedicado à Pedagogia. Porém, é inegável seu compromisso com a educação, assim como o são as implicações pedagógicas dos resultados de suas pesquisas sobre o desenvolvimento intelectual das crianças. Até os anos oitenta, a maioria dos piagetianos se dedicava aos aspectos estruturais dos estágios de desenvolvimento da criança, a partir daí houve um aumento de interesse pela pesquisa dos aspectos funcionais, ou seja, pela concepção construtivista e interacionista do desenvolvimento. Diante deste contexto, leituras parciais e distorcidas, bem como apropriações práticas indevidas da teoria construtivista se difundiram no Brasil, o que gerou confusão nos professores que trabalhavam de maneira tradicional e que passaram a realizar atividades basicamente mecânicas com as crianças, distorcendo, assim, a teoria de Piaget, a qual não é voltada para a ação pedagógica, mas para a construção do sujeito epistêmico. 65 www.soeducador.com.br Educação digital http://cmapspublic.ihmc.us/rid=1HXD6M860-27GBX79-2LS/Piaget.cmap TEORIA DE PIAGET E EAD A teoria de Piaget explica de forma satisfatória o processo de aprendizagem mediante a participação do estudante na construção do próprio conhecimento. Sabe-se que isso contribui para um ambiente de aprendizagem alegre e que eleva a autoestima do aprendiz; ainda, forma indivíduos responsáveis e aptos a assumir iniciativa no ambiente de trabalho. O construtivismo é uma teoria psicopedagógica que diz respeito ao modo como o aprendiz constrói o conhecimento. Essa construção se dá pela ação do aprendiz sobre o objeto do conhecimento, mas é importante destacar que, para essa ação, ele traz suas experiências e seus conhecimentos prévios. Segundo Piaget (Piaget, 1978), há duas abordagens distintas para a implantação do conhecimento: Ensino Condicionado: implantação do ensino sem a participação do aprendiz. Ensino Cooperativo: onde o aluno participa no desenvolvimento do seu próprio conhecimento. O instrutor que tenta transpor sua metodologia educacional tradicional, muitas vezes condicionada, acaba enfrentando sérios problemas em um ambiente de EaD. Dentre os problemas gerados, o tédio é o principal fator de evasão de cursos on-line. A eventual desmotivação do aprendiz pode estar diretamente 66 www.soeducador.com.br Educação digital relacionada com o despreparo dos instrutores. Quanto mais motivado for o aprendiz, mais conhecimento será assimilado. Para a construção de um ambiente de EaD participativo, a teoria de Piaget será utilizada como motivação para se utilizar um conjunto com artefatos tecnológicos que permitam ao estudante interagir com o objeto de aprendizagem. A construção do conhecimento ocorre quando o aprendiz age, física ou mentalmente, sobre os objetos, provocando o desequilíbrio do conhecimento adquirido anteriormente. Esse desequilíbrio deve ser resolvido por meio de um processo de assimilação e acomodação do novo conhecimento. Assim, o equilíbrio será restabelecido, para, em seguida, sofrer outro desequilíbrio. O desenvolvimento de cada processo significa: Assimilação: É o processo cognitivo de novos conhecimentos. Acomodação: É a modificação de um esquema ou de uma estrutura existente. Equilibração: É o processo de passagem da assimilação para acomodação. APRENDIZAGEM COLABORATIVA E COOPERATIVA A aprendizagem colaborativa e a cooperativa são estratégias com mérito motivacional reconhecido. Ligando estas formas de trabalho a processos de aprender a aprender, resultados de estudos apontam para a geração de interatividade entre o grupo e sempre que os elementos discordavam, tinham que negociar entre eles uma resolução, responsabilizando-se, assim, pela construção do próprio processo de aprendizagem. Existem vários pontos de contato entre a aprendizagem colaborativa e cooperativa com estratégias construtivistas de aprendizagem. As raízes do construtivismo formaram a base da aprendizagem colaborativa. Por outro lado, a base do trabalho cooperativo é formada por: aprendizagem centrada no aluno; motivação intrínseca para a aprendizagem; a construção de conhecimento ao invés da transmissão do conhecimento; e a aprendizagem flexível no lugar da demasiadamente estruturada. 67 www.soeducador.com.br Educação digital Destas bases, todas elas diamantes que poderiam ser trabalhados, salienta-se a motivação intrínseca para a aprendizagem. A motivação intrínseca é a que vem dos alunos (…) quando querem aprender pelo gosto de aprender, porque estão interessados no assunto. Ajudar os colegas vem (…) do gosto pelo esforço coletivo. Os alunos aprendem em conjunto sem o recurso a notas, prémios ou outras recompensas ou castigos. Dado que o gosto de aprender, por si só, catapulta ambos os fatores alvo da intervenção para perto da meta, a aprendizagem colaborativa e cooperativa não poderiam deixar de pertencer ao conjunto de estratégias deste projeto. Resta clarificar as diferenças entre ambas, salientando caraterísticas com interesse para o caso em questão. A base da aprendizagem cooperativa e colaborativa é o construtivismo. A aprendizagem colaborativa requer trabalho conjunto no sentido de um objetivo comum (…) os alunos são responsáveis pela aprendizagem dos outros assim como pela sua e atingir o objetivo implica os alunos ajudaram-se mutuamente na compreensão e na aprendizagem. Por outro lado, a aprendizagem cooperativa é um processo com o objetivo de facilitar a consecução de um produto final específico ou objetivo através de trabalho em grupo. A supervisão do professor é necessária na aprendizagem cooperativa, enquanto que na colaborativa os alunostêm praticamente toda a responsabilidade de trabalharem em conjunto, construírem o conhecimento em conjunto, (…) melhorarem em conjunto. A UTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS A FAVOR DO CONHECIMENTO Cada ser humano percebe o mundo de modo diferente e constrói a realidade à sua maneira. A apropriação dessa realidade, a construção de significados, o compartilhamento das percepções pessoais com outros sujeitos e a adaptação a novos contextos, constituem o processo de construção do conhecimento. Ensinar vai além de transmitir conteúdo e informação, resulta do entendimento que se faz das interações com o meio ambiente. Permite desde a interação entre professor e aluno, entre os próprios alunos e a interação entre os alunos e o conteúdo. Na atualidade, esse processo se ancora, cada vez mais, nos contextos elaborados pelas telecomunicações e pela informática nos quais o sujeito aprende 68 www.soeducador.com.br Educação digital permeado de informações que chegam a qualquer hora e de qualquer lugar do mundo, transformando as práticas tradicionais de conviver, trabalhar, educar e até mesmo de pensar e adquirir conhecimento, influenciando diretamente no processo educacional. A informação, o conhecimento, o saber e a aprendizagem são indissociáveis do processo educativo. E, dependendo da forma como a tecnologia da informação for utilizada, potencializará esse processo e, sabe-se que uso das tecnologias na prática de ensino não é recente. A implementação de programas e políticas públicas que objetivam a adoção e a integração de ferramentas no contexto educacional brasileiro está, presente há algumas décadas. É o caso da internet que chegou visivelmente no início da década de 80 e vem viabilizando a implementação de cursos à distância permitindo o encontro de professores e alunos não somente em salas de aula como também através de redes, provocando a revisão da estrutura disciplinar e mudanças básicas do ensino presencial brasileiro. A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, conhecida como Lei de Diretrizes e Bases (LDB) (BRASIL, 1996), amplia a dimensão axiológica do termo educação colocando-o em um sentido abrangente, tratando não apenas da educação formal, a não-formal, a continuada, a ambiental e outras já conhecidas, como também da educação a distância. Assim, na década de 90 com a LDB (BRASIL, 1996), percebe-se claramente a necessidade do ensino mediado pela tecnologia, incorporando o ensino a distância ao presencial. O Art. 32, parágrafo 4º da LDB (BRASIL, 1996, grifos do autor), aponta que como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais o Ensino Fundamental poderá ser à distância e reflete sobre a consequente ampliação das possibilidades de acesso ao Ensino Fundamental (sendo democratizante), incluindo a instrumentação eletrônica nos materiais de apoio ao ensino (sendo moderna), agilizando a aprendizagem daqueles alunos que não tiveram acesso à escola na idade própria (sendo compensatória) e reduzindo a distorção idade/série (sendo reequacionadora). Estudos também apontam os impactos das TICs no processo ensino e aprendizagem e refletem sobre a importância de conhecer as tecnologias presentes no contexto educacional e repensar as estratégias e concepções de ensino. Os modelos tradicionais de ensino são cada vez mais inadequados, por isso, 69 www.soeducador.com.br Educação digital professores e alunos são desafiados a encontrar novos modelos para novas situações, não se limitando ao trabalho dentro de sala de aula. Poucas adaptações e pequenas mudanças são feitas diante às grandes possibilidades das redes eletrônicas. A educação do mundo de hoje tende a ser tecnológica, exigindo entendimento e interpretação de tecnologias. Não há como separar tecnologia de educação. Quanto à utilização da Internet no processo educativo, o professor deixa de ser o repassador do conhecimento para ser o criador de ambientes de aprendizagem e facilitador do processo pelo qual o aluno adquire conhecimento. Nessa perspectiva a presença das tecnologias no processo de ensino e aprendizagem abre espaço para se repensar o fazer pedagógico e numa abordagem interacionista, proposta por Vygotsky, possibilita a formação de um sujeito (aluno) mais autônomo, capaz de enfrentar os desafios que a construção do conhecimento proporciona e contribuir para a formação das competências necessárias para que os jovens venham a ter uma inserção social adequada. A escola é tida como o lugar principal para isso, uma vez que tem a possibilidade de permitir a efervescência de ambientes concretizados em várias dimensões e, dependendo das concepções de conhecimento e aprendizagem assumidas pelo professor, permite a aprendizagem de conteúdos, atitudes, habilidades e, consequentemente, o desenvolvimento de esquemas cognitivos. Destaca-se a concepção construtivista, em que o indivíduo é considerado sujeito ativo de seu próprio conhecimento. O CONSTRUTIVISMO PARA ALÉM DA ESCOLA O termo construtivismo foi usado pela primeira vez nos anos 70 por Piaget, embora seus primeiros trabalhos terem sido publicados anos antes, em 1950. Piaget (1896-1980) e Vygotsky (1896-1934) são os principais representantes da concepção interacionista construtivista e explicam o conhecimento mediante a participação tanto do sujeito quanto dos objetos do conhecimento, “[...] que são mais ricas do que os objetos podem fornecer por eles mesmos” (PIAGET, 1980, p.87), constituindo-se num entrelaçar entre fatores internos (maturação) e os 70 www.soeducador.com.br Educação digital fatores externos (ações do meio). Assim como as abordagens maturacionistas, Piaget enfatiza o processo de desenvolvimento como objeto de estudo e enfatiza o papel dos fatores internos, como a maturação ou a equilibração, na determinação desse processo e que a construção do conhecimento vai depender tanto do meio físico como das condições do meio. Já o enfoque de Vygotsky (2007) sugere que tanto o desenvolvimento quanto a aprendizagem são consequências das condições sociais em que o indivíduo está imerso, abordando assim, a perspectiva histórico-cultural e afirma que o meio social é determinante do desenvolvimento humano e que isso acontece pela aprendizagem da linguagem. Tanto Piaget como Vygotsky contribuíram para aproximarem os educadores do desenvolvimento da atividade da criança, para compreenderem seus processos de elaboração conceitual e para perceberem as relações que estabelecem com outras crianças e com os adultos. Tais atitudes dos educadores podem ajudar no entendimento de outra relação: a do ensino mediado pela tecnologia. Essa mediação não deve ser entendida como solução às práticas educacionais que insistem em reproduzir conhecimento, mas como possibilidade de realmente incluir professores e alunos na construção significativa do conhecimento. O modo como o professor lida com a prática educativa é determinado pela compreensão que ele tem sobre ela, podendo estar instrumentalizada e mediada pela teoria, ajudando-o a compreender o que ocorre em sala de aula, marcando suas decisões e modos de agir. Essa transferência da teoria para a prática, de usar os pressupostos construtivistas no cotidiano escolar para mediar o processo de aquisição de conhecimento, não é fácil e nem acontece de forma espontânea. Isso porque é importante considerar como os professores e até mesmo os pais aprenderam e aprendem, entender que a ideia de colocar o indivíduo como sujeito ativo de seu próprio conhecimento é recente e os professores de hoje querem aprender e não só ensinar, exigindo-lhes observação e reflexão sobre suas ações, novas competências em sua formação. O construtivismoé uma visão do conhecimento, os adultos têm o poder e o dever de transmitir de modo informal, no cotidiano da casa ou da vida, ou formal, no contexto da escola, o que crianças e jovens precisam aprender. O construtivismo se opõe a um modo positivista e considera não só as intervenções do meio e as 71 www.soeducador.com.br Educação digital condições hereditárias, como também a integração com a qualidade da experiência e um processo de autoregulação que integra essas três características. É, assim, uma proposta teórica e metodológica que pode e deve ser praticada de vários e diferentes modos, permitindo interagir, rever e incrementar estratégias de ensino, criar diferentes ambientes para a aprendizagem, permitir a troca de informação e de experiência. Um bom exemplo disso é a utilização dos ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs) nas escolas, destacando-se como uma promissora proposta pedagógica. Os AVAs constituem um espaço que permite o desenvolvimento das relações com o saber mediadas pelas tecnologias. No âmbito da escola, são desenvolvidas através de interações dos alunos com os conteúdos, dos alunos com outros alunos, dos alunos com os professores, sob a influência do seu meio afetivo e social, tanto dentro como fora da escola. COOPERAÇÃO, COLABORAÇÃO E INTERAÇÃO Durante muito tempo a escola teve por única tarefa transmitir à criança os conhecimentos adquiridos pelas gerações precedentes e exercitá-la nas técnicas especiais do adulto. Povoar a memória e treinar o aluno na ginástica intelectual pareciam, pois, ser as únicas coisas necessárias, uma vez que se concebia a estrutura mental da criança como idêntica à do homem feito e que portanto, parecia inútil formar um pensamento plenamente constituído que apenas exigia ser exercitado. Nessa concepção, a escola por certo supõe uma relação social indispensável, mas apenas entre o professor e os alunos: sendo o professor o detentor dos conhecimentos exatos e o perito nas técnicas a serem adquiridos, o ideal é a submissão da criança à sua autoridade, e todo contato intelectual das crianças entre si nada mais é que perda de tempo e risco de deformação ou de erros. Mas três tipos de observação vieram complicar essa visão simplista das tarefas do ensino e da educação intelectual e impor ao mesmo tempo a necessidade de colaboração dos alunos entre si. O professor hoje, não é mais o detentor do conhecimento, aquele que sabe tudo e seus alunos são meros receptores do conhecimento. Com os milhares de informações que estão ao alcance de todos principalmente na Internet, o trabalho 72 www.soeducador.com.br Educação digital isolado do professor já não satisfaz mais. As mudanças de postura, a quebra de paradigmas faz com que o trabalho do professor não seja mais isolado. Com isso o trabalho em conjunto, cooperativo vem de encontro com as necessidades dos alunos na busca da construção do conhecimento e o professor entra como mediador, orientador deste conhecimento, aquele que mostra os caminhos para seus alunos em conjunto buscarem de forma interativa o saber e a construção de novos saberes. Neste ambiente o professor continuará sendo professor, mas um professor mediador e orientador e não mais o detentor do conhecimento pois o trabalho cooperativo ele aprenderá com seus alunos. O trabalho cooperativo independe se o professor estará trabalhando com crianças, adolescentes ou adultos, o que importa nesse trabalho é a troca e a busca por um objetivo comum resultando na construção do saber que acontece através do compartilhamento de informações e conhecimentos entre os participantes. A cooperação, no sentido geral, consiste no ajustamento do pensamento próprio ou das ações pessoais ao pensamento e às ações dos outros, o que se faz pondo as perspectivas em relação recíproca. Assim, um controle mútuo das atividades é exercido entre os parceiros que cooperam. O trabalho cooperativo é uma forma de contribuir para o grupo de forma individual, onde em um grupo cada um faz a sua contribuição sem que o grupo discuta e reflita juntos sobre a contribuição dada. Um exemplo disso é um trabalho onde o grupo deve ler e fazer uma análise de um livro e o mesmo decide dividir o livro em capítulos e cada um lê e dá a sua contribuição da parte que ficou, e na apresentação cada um contribuirá apenas com a parte que leu e fez a síntese. Nesses casos o grupo encontra uma estratégia para solucionar um problema de forma colaborativa através da interação e comunicação que são essencialmente sociais. A cooperação, com efeito, é um método característico da sociedade que se constrói pela reciprocidade dos trabalhadores e a implica, ou seja, é precisamente uma norma racional e moral indispensável para a formação das personalidades, ao passo que a coerção fundada apenas sobre a autoridade dos mais velhos ou do costume, nada mais é que a cristalização da sociedade já construída e enquanto tal personalidade não tem justamente nada de oposto às realidades sociais, pois 73 www.soeducador.com.br Educação digital constitui, ao contrário, o produto por excelência da cooperação. (PIAGET, 1998, p. 141) Uma sociedade só cresce com a participação, cooperação e colaboração de todos. Sem a interação do grupo, uns cooperando e colaborando com os outros estaríamos ainda na "idade da pedra". Crescemos e construímos porque somos seres capazes de conviver em uma sociedade onde cada um isoladamente contribui para que a mesma se desenvolva trazendo benefícios para todos. No momento em que estamos participando ativamente com o meio, estamos aprendendo e repassando conhecimentos. A busca constante pelo aprendizado, faz com que as pessoas construam seus conhecimentos de forma interativa com o meio. Piaget (1998) destaca três pontos que devem ser considerados nos aspectos da socialização intelectual da criança para avaliar o trabalho em grupo: Primeiro: o indivíduo fechado no egocentrismo inconsciente, só se descobre quando aprende a conhecer os outros. Segundo: a cooperação é necessária para conduzir o indivíduo à objetividade, ao passo que, por si só, o eu permanece prisioneiro de sua perspectiva particular Terceiro: a cooperação é uma fonte de regras para o pensamento. O ponto apresentado por Piaget nos leva a pensar sobre o trabalho em grupo que envolve principalmente a cooperação. Mas antes da cooperação, o saber se abrir, conhecer os outros para poder conhecer a si mesmo é fundamental para o trabalho em conjunto. Como poderíamos trabalhar se não conhecêssemos os nossos colegas. No trabalho cooperativo faz-se necessário o conhecimento do objetivo comum do grupo, todos envolvidos em solucionar uma tarefa, alcançar o objetivo e para que isso aconteça o grupo deve ter um equilíbrio, onde todos participam, evitando os abusos de autonomia por parte do coordenador e o cuidado para não deixar alguém de fora, sem participar. O trabalho em grupo quando acontece de forma normal, onde todos cooperam, colaboram e interagem torna a aprendizagem significativa, pois com as trocas eles constroem o conhecimento em conjunto. 74 www.soeducador.com.br Educação digital Com as experiências do grupo, os estudantes vão construindo seus conhecimentos a partir das experiências dos colegas, tornando a aprendizagem efetiva. Para Vygotsky (1998), a interação social exerce um papel fundamental no desenvolvimento cognitivo. Para ele, cabe ao educador associar aquilo que o aprendiz sabe a uma linguagem culta ou científica para ampliar seus conhecimentos daquele que aprende, de forma a integrá-lo histórica e socialmente no mundo, ou aomenos, integrá-lo intelectualmente no seu espaço vital. Ainda Vygotsky, nos coloca que a aprendizagem é mais do que a aquisição de capacidades para pensar, é a aquisição de muitas capacidades para pensar sobre várias coisas. Certamente o ato de pensar faz com que a aprendizagem aconteça, mas temos capacidade suficiente para pensar sobre muitas coisas ao mesmo tempo, e construir o conhecimento a partir do ato de pensar. Trazendo estes conceitos para a área da informática na educação, podemos considerar que, para um trabalho obter resultados positivos, podemos utilizar as tecnologias da informação e comunicação de forma que possam contribuir para o aprendizado dos estudantes. E para que isso ocorra o trabalho deve ser cooperativo, colaborativo e interativo. Cooperativo no sentido dos trabalhos em grupos, onde todos participam, contribuem de forma conjunta para atingir os objetivos comuns do grupo. Esse trabalho pode ser feito através do Chat ou a utilização do NetMeeting com o compartilhamento de arquivos on-line, no caso de ser a distância, caso seja presencial através da troca verbal de informações e expositiva. Colaborativa através da troca de materiais encontrados, onde individualmente, cada integrante do grupo dá sua contribuição. Essas contribuições podem ser de forma presencial ou a distância. A distância as contribuições podem ser através de uma lista de discussão, email entre outros. Interativa no sentido de tornar o trabalho integrado, onde todos possam interagir para que o trabalho em grupo se torne significativo para os participantes. Em ambientes de aprendizagem a distância devemos considerar importante todos os aspectos, principalmente os cognitivos. É um estudo que deve ser levado a sério, pois precisamos compreender como se dá os processos de aprendizagem à distância, como acontece a construção do conhecimento nesses 75 www.soeducador.com.br Educação digital ambientes. As teorias são essenciais e fundamentais para podermos entender esses processos e construir a nossa própria aprendizagem. A TECNOLOGIA COMBATENDO A INDISCIPLINA A indisciplina pode ser pensada como negação da disciplina, ou como desordem proveniente da quebra das regras estabelecidas pelo grupo. Indisciplina é sobretudo o professor que produz e comunica normas sociais que julga necessárias para exercer sua ação pedagógica, e assim prescreve determinadas posturas e regras a serem aceitas, muitas vezes sem a devida discussão com os alunos, e sem que aquelas atendam suas expectativas e necessidades. No âmbito escolar é muito comum ouvir que a indisciplina é um dos principais fatores responsáveis pelo fracasso escolar, exemplificados principalmente pela reprovação em massa, altos índices de evasão ou aprovação com baixo rendimento qualitativo. Entretanto as causas da indisciplina são infindáveis, complexas de analisar, produtos de uma mudança na conjuntura da sociedade onde a família tradicional perdeu seu espaço para os novos diversificados tipos de relacionamentos familiares não mais centrados na figura do pai, mãe e filhos, mas também na mudança de relacionamento entre pais e filhos, muitas vezes confundidos como “diminuição da autoridade dos pais” ou a falta do estabelecimento de limites locais que transfere a responsabilidade de educar os filhos à escola, atribuindo a ela as eventuais falhas. O imediatismo também é apontado como uma das principais causas, impedindo os alunos de se preocuparem com o futuro, buscando viver intensamente o presente, sonhando em conquistar riqueza e poder sem fazer esforço e não analisam as consequências desse comportamento. A falta de objetivos e perspectivas é outro fator que não pode ser descartado, como alto índice de desemprego, baixos salários e grande mercado de trabalho informal, levam o jovem ao pessimismo e a visão errônea, achando impossível atribuir significados à sua realidade. A indisciplina tem ainda suas raízes centradas no estado de inércia das escolas, onde a evolução e transformação dos métodos de ensino aprendizagem se fazem de maneira muito lenta, não acompanhando a expectativa do aluno 76 www.soeducador.com.br Educação digital plugado numa realidade centrada em inovações e alterações rápidas e incessantes, totalmente adversa à vivência escolar, em descompasso com a sociedade, onde o mesmo tem extrema dificuldade de identificar e se perceber como parte integrante desse processo que completa a vida em sociedade. As causas familiares da indisciplina são várias. É aí que os alunos adquirem os modelos de comportamento que exteriorizam nas aulas. Em tempos a pobreza, violência doméstica e o alcoolismo foram apontados como as principais causas que minavam o ambiente familiar. Hoje aponta-se o dedo também à desagregação dos casais, droga, ausência de valores, permissividade, demissão dos pais da educação dos filhos, etc. Quase sempre os alunos com maiores problemas de indisciplina provêm de famílias onde estes existem. O que faz com que um aluno seja indisciplinado? Muitas vezes as razões de fato não são do foro da educação. Em muitos casos tratam-se de questões que deveriam ser tratadas no âmbito da saúde mental infantil e adolescente, da proteção social ou até jurídica. O grande problema é que muitas vezes as escolas não conseguem fazer esta triagem. Tentam resolver problemas para os quais não estão preparadas ou nem sequer são da sua competência. Todos os alunos são potencialmente indisciplinados, porque a escola é sempre sentida como uma imposição por parte do Estado ou da família. É por isso que as aulas são locais de constrangimentos e de repressão de desejos. A organização escolar está longe de ser um modelo de virtudes. Funciona em geral de modo pouco eficaz e eficiente. A excessiva dependência do Ministério da Educação, tende a reduzir os que nela trabalham a meros executantes, sem capacidade de resposta para a multiplicidade problemas que enfrentam. No passado o contributo dado pelas escolas para a indisciplina assentava na questão da seleção que operavam. As escolas eram acusadas de discriminarem os alunos à entrada e na constituição das turmas. A fazê-lo, criavam focos de revolta por parte daqueles que legitimamente se sentiam marginalizados. A questão ainda é colocada, mas não com acuidade que antes conheceu. Os contributos da escola para a indisciplina são agora outros. Há muito que a escola deixou de ter um papel integrador dos alunos. Embora seja um espaço onde estes passam grande parte do seu tempo, nem 77 www.soeducador.com.br Educação digital sempre nela chegam a perceber quais são os seus valores, regras de funcionamento, etc. Na verdade, as escolas estão mal preparadas para enfrentarem a complexidade dos problemas atuais, nomeadamente os que se prendem com a gestão das suas tensões internas. A crescente participação de alunos, pais, entidades públicas e privadas nas decisões tomadas nas escolas tornou-se uma fonte de conflitos, que não raro acabam por gerar climas propícios à irrupção de fenômenos de indisciplina. Há professores que provocam mais indisciplina que outros. As razões porque isto acontece é que são muito variáveis, entre as quais as principais são: falta de capacidade para motivarem os alunos, nomeadamente utilizando métodos e técnicas adequadas; falta de preparo para lidarem com situações de conflito; a forma agressiva como tratam os alunos estimulando reações violentas; a rotulagem dos alunos; baixos salários pagos para se dedicar a um ofício tão importante. As escolas públicas são hoje frequentadas por populações escolares muito heterogêneas, contando no seu seio com um crescente número de alunos queprovém de grupos sociais onde subsistem frequentemente graves problemas de integração social. O Estado é atualmente um dos principais promotores da indisciplina nas escolas. Não apenas através da regulamentação que produz sobre a matéria, mas também das medidas que toma ou da morosidade dos processos que aprecia. A ineficácia do sistema é neste domínio um poderoso estimulo à generalização de práticas desviantes. REAL UTILIZAÇÃO DAS TIC A introdução no uso das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação como recurso metodológico no espaço de ensino, tem resultado diferentes tipos de reações e posicionamentos entre os professores, que podem ser citados os seguintes: • Aqueles professores que concedem à TIC um poder mágico e acreditam que somente o seu uso pode transformar o processo de ensino e aprendizagem, criando uma relação cega que não permite desenvolver mecanismos críticos frente aos meios e criam uma certa dependência da máquina; 78 www.soeducador.com.br Educação digital • Os que não utilizam as tecnologias porque consideram que são culpadas de quase todos os problemas que afetam a sociedade. Este tipo de professor com resistência à mudança costuma opor-se enfaticamente a utilização das TICs, desenvolvendo o que pode ser chamado de Tecnofobia. • Também se encontram na categoria da chamada Tecnofobia, os docentes que consideram difícil seu uso, assim como aqueles que têm medo de receber treinamento, porque se consideram incapazes ou envergonhados diante de seus alunos ou professores mais jovens que têm desenvolvido essas habilidades e destrezas; • Há ainda os professores que utilizam as tecnologias e aproveitam o melhor delas; realizando uma crítica permanente sobre seus aspectos positivos e negativos, isto é, aqueles que reconhecem a necessidade de sua vinculação com a educação e assumem um papel de gestores da mudança de acordo com as necessidades e expectativas dos alunos. Quanto à utilização prática das TIC’s, as realidades encontradas entre os docentes das escolas públicas, são da mais variada esfera onde podem ser encontrados professores que as utilizam em suas práticas pedagógicas de maneira crítica, contrastando com a situação de muitos professores que ainda não estão utilizando em sua prática pedagógica diária, por uma série de justificativas entre as quais a mudança que se processou de forma brusca, não acompanhada de um processo de capacitação que integrasse a maioria dos docentes. Além dos limites encontrados pelos educadores, que são de ordem primária como o acesso e o conhecimento para manuseio dessas tecnologias e também de ordem secundárias como a dificuldade de acompanhar a atualização do meio tecnológico, cada vez mais dinâmico, e os problemas com o próprio funcionamento dos equipamentos, existem outros obstáculos que dificultam o uso da tecnologia em sua potencialidade como: necessidade de empregar uma metodologia adequada e interativa para o aluno, ou seja, o professor necessita mudar para mudar o método e também mudar o aluno; o preparo de atividades utilizando as Novas Tecnologias, normalmente é mais trabalhoso do que ministrar aulas tradicionais, por isso, o professor necessita de mais tempo e criatividade para formular as atividades; as Novas Tecnologias não devem ser um substituto do quadro negro nem do professor. 79 www.soeducador.com.br Educação digital Portanto o professor precisa ser criterioso quanto ao método empregado, diversificando o conteúdo com textos, imagens, sons e outros atrativos, para estar despertando e prendendo a atenção dos alunos e assim produzir aprendizagem significativa; o professor necessita aprender uma maneira totalmente nova de comunicar a mensagem adequada ao universo do adolescente e de garantir que a aprendizagem aconteça utilizando as novas tecnologias; a concepção e a forma de avaliação devem ser adequadas às metodologias e práticas utilizadas, para que o processo se complemente em sintonia; é necessário aperfeiçoamento e aprimoramento constante do professor para desempenhar suas múltiplas funções tornando o ensino não só mais eficiente, mas também melhor; o professor deve dispor de uma formação em humanidades, preparado para integrar novas técnicas a seu trabalho, em termos de atitudes, conhecimentos dos meios de comunicação e suas possibilidades e, ainda, conhecimentos dos objetivos didáticos; o papel do professor é o de coordenador do processo, o responsável na “sala de aula virtual”. Sua tarefa inicial é a de sensibilizar os alunos, motivá-los para a importância da matéria, mostrando entusiasmo, ligação da matéria com os interesses dos alunos. RELAÇÕES ENTRE O CONSTRUTIVISMO E A PEDAGOGIA A partir da transposição das principais concepções da teoria de Piaget para o campo educacional torna-se importante a reflexão diante dos riscos de conceber a perspectiva construtivista como aplicação de métodos pedagógicos. Nessa perspectiva, ao considerar a educação como um processo mais amplo, espontâneo e assistemático de ensino e aprendizagem, que acontece quando há interação entre pessoas em diferentes meios sociais, a Pedagogia caracteriza-se como um campo mais restrito, de teorização sobre a ação educativa. Além disso, cabe à pedagogia tratar a ação educativa como ação pedagógica, conforme uma perspectiva reflexiva, metódica e sistemática. A Pedagogia é um saber de fronteira, ou seja, está permanentemente em diálogo com outras áreas de conhecimento. Sendo assim, está em constante tensão entre as demais formas de conhecimento e a especificidade de seus saberes. Sobretudo, um dos desafios da pedagogia consiste em transformar o fazer pedagógico, como experiência prática puramente espontânea, em agir pedagógico, que deve ser constantemente confrontado com as teorias pedagógicas de maneira 80 www.soeducador.com.br Educação digital reflexiva, distanciando-se da teoria como instrumento para a prática, ou seja, o agir pedagógico como movimento questionador que está muito mais preocupado em formular, adequadamente, perguntas do que em buscar respostas certeiras e acabadas. Nesse sentido, as teorias desenvolvidas a partir dos estudos na área da Psicologia influenciam a construção das teorias pedagógicas relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem na escola, pois no ato de ensinar estão imbricadas as noções do educador quanto à natureza da mente do aprendiz. Dessa forma, “uma escolha de pedagogia inevitavelmente comunica uma concepção do processo de aprendizagem e do aprendiz. A pedagogia jamais é isenta. Trata-se de um meio que carrega sua própria mensagem” (BRUNER, 2001, p. 67). Os principais pressupostos da teoria epistemológica de Jean Piaget revolucionaram a maneira de conceber o desenvolvimento humano e contribuíram na construção de novas teorias pedagógicas na medida em que o sujeito passa a ser visto como capaz de construir o conhecimento na interação com o meio físico e social. Assim, a concepção de inteligência “[...] como desenvolvimento de uma atividade assimiladora cujas leis funcionais são dadas a partir da vida orgânica e cujas sucessivas estruturas que lhe servem de órgãos são elaboradas por interação dela própria com o meio exterior” (PIAGET, 1987, p. 336), fundamenta teoricamente muitas investigações no campo educacional em busca de novas práticas pedagógicas embasadas no construtivismo. O construtivismo não é uma prática nem um método, e sim uma teoria que permite conceber o conhecimento como algo que não é dado e sim construído e constituído pelo sujeito através de sua ação e da interação com o meio. Assim, o sentido do construtivismo na educação diferencia-se da escola como transmissorade conhecimento, que insiste em ensinar algo já pronto através de inúmeras repetições como forma de aprendizagem. Na concepção construtivista a educação é concebida como um processo de construção de conhecimento ao qual acorrem, em condição de complementaridade, por um lado, os alunos e professores e, por outro, os problemas sociais atuais e o conhecimento já construído. Enquanto para Piaget o interesse maior sobre os níveis de desenvolvimento é teórico e epistemológico, para a escola o interesse é prático, ou 81 www.soeducador.com.br Educação digital seja, o enfoque está nos resultados das práticas pedagógicas desenvolvidas em sala de aula no aprendizado da criança. Assim, para evitar uma interpretação apressada e a tentação de transformar uma teoria em receituário, Piaget afirmou que “a pedagogia está longe de ser uma simples aplicação do saber psicológico” (1994, p. 301). Portanto, cabe à Pedagogia, como um saber de fronteira, desenvolver pesquisas que contribuam para a inovação das práticas pedagógicas à luz das teorias de diferentes áreas, em busca de um agir pedagógico que leve os educadores e educandos a questionarem-se sobre a construção, desconstrução e a provisoriedade do conhecimento. RELAÇÃO DOS ALUNOS COM A TECNOLOGIA Com o uso das novas tecnologias, surgem novas linguagens, como a informática e a internet, e a soma destas novas linguagens faz surgir uma nova cultura que influencia, aos poucos, a sociedade. A escola, que evidentemente ocupa um lugar na sociedade, torna-se, também, participante desta nova cultura. A escola tem em suas mãos a grande chance da transformação social e aos professores cabe o desafio de iluminar caminhos, de realizar as aspirações humanas e sociais. O aluno não deve ser olhado pelo professor como aprendiz apenas, mas como pessoa que precisa aprender a conviver bem consigo e com os outros; aprender a descobrir, nos textos que lê os vários olhares que, normalmente, estão encobertos. A produção cultural que ocorre na escola acontece sempre mediada seja pelo professor em sala de aula, seja pelo livro em uma leitura pessoal e silenciosa, ou ainda pelo computador, quando se está no laboratório fazendo uma pesquisa na internet. O aluno não pode mais esperar sair da escola para pôr em prática o que aprendeu, mas deve relacionar o seu aprendizado com o momento de seu estudo. A escola pode estabelecer com o aluno uma relação dialógica e dinâmica, deixando o sistema tradicional da transmissão mecânica dos conhecimentos prontos e acabados. E pode também, desenvolver um novo papel: da pesquisa, do raciocínio, da crítica, da criatividade, da reflexão onde o decorar apenas, inexiste, ou seja, não tem mais lugar. 82 www.soeducador.com.br Educação digital Com tantas facilidades de acesso às informações, o papel do professor, também muda. Sua principal função passa a ser a de desafiar o aluno, orientá-lo a organizar de forma crítica as informações às quais tem acesso. Quem ensina precisa conhecer o conjunto de capacidades dos alunos, precisa estimular a inteligência e não, apenas, tratá-los como meros aprendizes. Papert (2008, p.51) diz que o computador mudou a situação porque ele é em si um objeto interessante para ser explorado e porque acrescentou dimensões de interesse a outras áreas de trabalho e a construção do conhecimento. Através dos meios tecnológicos, desenvolve no aluno a capacidade de busca de novas informações, de pesquisa, além de estimular a criatividade e a elaboração de conceitos. Os hábitos e os comportamentos são, geralmente, construídos pelas ferramentas existentes no meio da comunicação. Os novos comportamentos e as novas formas de comunicação, oriundas do desenvolvimento da tecnologia, refletem na escola e as práticas pedagógicas que usam as novas mídias e tecnologias como ferramentas de aprendizagem oferecem novas perspectivas aos alunos que, vivem em seu cotidiano, de uma forma ou de outra, essa realidade de acesso às novas mídias e tecnologias. A leitura e a escrita podem ser desenvolvidas por meio das tecnologias digitais e a escola pode se utilizar deste recurso tornando acessível o seu uso e propondo atividades através de sites variados como “facebook” “twiter” “instagran”. Nem todos os aplicativos foram criados com objetivos educacionais, mas se forem adaptados corretamente, podem oferecer resultados positivos, pois ocasionalmente chegam a ser mais envolventes do que as aulas tradicionais. A educação precisa ser transformada, não basta modernizá-la. Ensinar e aprender são desafios enfrentados em todas as épocas, principalmente, nesse novo modelo de gestão que enfatiza a informação e o conhecimento. A reflexão sobre a prática produz conhecimento e desafia os professores que seguem aplicações rotineiras, a deixarem de ser técnicos. Um profissional reflexivo deve sempre se propor a responder a novas problemáticas e questões desafiantes, produzindo novos saberes e novas técnicas a partir do contexto em que se encontra. A atividade da escola deve transformar-se partindo do princípio de que o aluno é um centro de atividade e não um receptáculo vazio a ser preenchido de 83 www.soeducador.com.br Educação digital conteúdos, frequentemente sem sentido e a escola precisa transformar-se cada vez mais em laboratório, e ser cada vez menos auditório. Valente acentua que, o computador não é mais o instrumento que ensina o aprendiz, mas a ferramenta com a qual o aluno desenvolve algo e, portanto, o aprendizado ocorre pelo fato de estar executando uma tarefa por intermédio do computador. O ensino pelo computador auxilia o aluno a adquirir conceitos sobre, praticamente, qualquer domínio. O computador é uma ferramenta pedagógica que permite ao aprendiz resolver problemas ou qualquer outro tipo de atividade, além de comunicar-se. SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO Conceitualmente, sociedade da informação é um sistema sócio-político e econômico em que o conhecimento e a informação constituem fontes fundamentais de bem-estar e progresso. O desenvolvimento desta nova sociedade requer a prática de princípios fundamentais como o respeito aos direitos humanos dentro de seu contexto mais amplo. Podemos colocar o direito à educação no centro desta questão. A sociedade da informação se apoia no uso intensivo das novas tecnologias, particularmente, as tecnologias da informação e da comunicação e é uma forma de organização social moderna, na qual as redes de comunicações e os recursos de tecnologia de informação são altamente desenvolvidos, o acesso equitativo e onipresente às informações, o conteúdo apropriado, em formatos acessíveis e comunicação eficiente deve possibilitar que todas as pessoas alcancem o seu potencial pleno. O controle e o domínio dessas tecnologias têm decidido a sorte das sociedades. A sociedade da informação deve ter um viés inclusivo onde todas as pessoas possam ter a liberdade e as condições para criar, receber, compartilhar e utilizar informações e conhecimentos através da educação. Fica aqui uma questão: Como a aplicação e uso dessas tecnologias na escola podem efetivamente contribuir para criar a sociedade da informação? Existem metodologias que podem ser aplicadas de forma genérica? Muitos governos, no Brasil e no mundo, estão implementando programas de reforma e modernização da administração pública e todos contemplam a 84 www.soeducador.com.br Educação digital realidade das novas tecnologias e fomentam a expansão da sociedade da informação como forma de responder aos desafios de desenvolvimento adicionais impostos pela exclusão digital. Nessa direção, têmbuscado soluções viáveis para implantar uma infraestrutura da informação e da comunicação que possibilite o acesso universal a essas tecnologias. Uma infraestrutura de redes de informação e de comunicação bem desenvolvida e acessível é essencial para o progresso social, econômico e bem-estar de todos os cidadãos e comunidades. A melhoria da conectividade e acesso às redes de comunicação das escolas é de importância especial neste sentido. IMPACTOS DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO NA EDUCAÇÃO Nenhuma outra tecnologia introduziu tantas mudanças em tão pouco tempo e com tanta profundidade, em todas as áreas da atividade humana, como a TIC, intensificada nas últimas décadas com o uso do computador e da rede mundial de computadores – a Internet. O contexto mundial apresenta um verdadeiro desafio quanto à forma de assimilar as transformações que estão ocorrendo com o desenvolvimento das telecomunicações, da informática e de suas interações com o sistema educacional. Como consequência de avanços tecnológicos, vivemos hoje uma economia, na qual a informação e o conhecimento são considerados matérias primas de muitos processos produtivos. Só este fato já seria suficiente para justificar a necessidade de uma ampla revisão do sistema educacional em todos seus níveis. Neste cenário emergente, até os ambientes de trabalho estão se transformando para ambientes de aprendizagem permanente, como forma de acompanhar e se manter atualizado com o ritmo do desenvolvimento. As informações e os conhecimentos são recursos inesgotáveis, podendo ser reutilizados na geração e produção de novos conhecimentos e informações. Por tal razão, as fontes de dados, de informações, as comunicações simbólicas, etc., são consideradas valores fundamentais da nova economia. O desenvolvimento da sociedade depende, hoje, da capacidade de gerar, transmitir, processar, armazenar e recuperar informações de forma eficiente. Por isso, a população escolar precisa ter oportunidades de acesso a esses 85 www.soeducador.com.br Educação digital instrumentos e adquirir capacidade para produzir e desenvolver conhecimentos utilizando a TIC. Isto requer a reforma e ampliação do sistema de produção e difusão do conhecimento, possibilitando o acesso à tecnologia. Entretanto, o simples acesso à tecnologia, em si, não é o aspecto mais importante, mas sim, a criação de novos ambientes de aprendizagem e de novas dinâmicas sociais a partir do uso dessas novas ferramentas. Comentamos a seguir, em caráter geral e de forma não exaustiva, alguns impactos da TIC, com o objetivo de mostrar que as novas tecnologias afetam diretamente todos os componentes e agentes do sistema educacional (Currículos, Alunos, Escolas e Professores). Currículos – A configuração tradicional dos currículos deve ser revista para incorporar necessidades da era da informação. Como a atual organização dos currículos pertence a uma era pré-digital, possivelmente os currículos serão substituídos por sistemas nos quais o conhecimento pode ser obtido quando e onde for necessário. Com o surgimento do hipertexto, da interatividade oferecida pelas novas tecnologias, da ubiquidade proporcionada pelos meios de comunicação e pelas possibilidades de acesso não linear às fontes de informação, novos modelos de aprendizagem passaram a ser praticados ultimamente. As estruturas curriculares atuais, caracterizadas por uma tradicional imobilidade, não consideram nem sequer uma fração das inúmeras possibilidades oferecidas pela TI. O uso mais apropriado das novas tecnologias em sala de aula se dá através de projetos multidisciplinares, o que não corresponde, na prática, à atual organização dos currículos. Incluir TI nos currículos não é exatamente o mesmo que incluir laboratório de informática no horário de aulas: o impacto de uma hora por semana usando computadores em um laboratório é insignificante. Alunos – No passado, os alunos viam o professor como principal, ou única, fonte de conhecimento e informação. Porém, agora têm idênticas possibilidades de acesso às bases de dados das redes mundiais de computadores: bibliotecas, livros, publicações, cursos, laboratórios virtuais, simuladores, listas de discussão, grupos de intercâmbio, projetos cooperativos, e muitas outras possibilidades, superando em todos os sentidos, as limitações do passado. Além disto, tanto os professores como os alunos podem contribuir para acrescentar informações às bases de dados existentes, de maneira simples e rápida, seja publicando eletronicamente 86 www.soeducador.com.br Educação digital resultados de seu trabalho, seja criando suas próprias páginas de informação na Internet, alterando substancialmente o paradigma educacional vigente. Escolas – O ritmo das escolas está longe de assimilar as mudanças na mesma velocidade em que ocorrem no mundo à sua volta. Por isso, encontram-se diante da urgente necessidade de promover a alfabetização digital de seus professores e técnicos, requisito indispensável para introduzir as novas tecnologias no ambiente educacional. A questão, entretanto, não se resolve apenas com a simples aquisição da tecnologia, na sua dimensão física, representada pela aquisição de equipamentos, novas instalações e até mesmo com a contratação de equipes especializadas para esta finalidade. A experiência tem demonstrado a ineficácia de simplesmente instalar computadores na escola, se as pessoas não souberem como integrá-los às diversas atividades curriculares. Professores – Em relação às novas tecnologias, os professores têm visões pessimistas, otimistas ou indiferentes. A visão otimista considera as inúmeras facilidades oferecidas pela TI e projeta para o futuro um mundo de maravilhas. Entretanto, o problema de uso sistemático e organizado da TI na educação não é tão simples como parece. A ausência de contexto, a quantidade e a velocidade da informação e a virtualidade dos novos meios de informação estão exigindo do professor um trabalho de acompanhamento e orientação muito mais intenso. No novo contexto tecnológico, o professor passa a ter uma importância ainda maior, diante de questões do tipo: Como ensinar a administrar as inúmeras possibilidades de receber informações a qualquer hora e lugar? Como formar no aluno a capacidade analítica e seletiva sobre as informações que recebe? Como aprimorar os processos intelectivos de transformação da informação em conhecimento? Como podemos ver, há muitas possibilidades, novas perspectivas, mas também grandes desafios a enfrentar. Demandas educacionais na Sociedade da Informação – O documento Sociedade da Informação no Brasil (MCT, 2000) enfatiza a necessidade de uma metodologia adequada para introduzir a TIC na escola e considera que a Educação é “o elemento-chave na construção de uma sociedade baseada na informação, no conhecimento e no aprendizado. (...) Por outro lado, educar em uma sociedade da informação significa muito mais que treinar as pessoas para o uso das tecnologias de informação e comunicação: trata-se de investir na criação de competências 87 www.soeducador.com.br Educação digital suficientemente amplas que lhes permitam ter uma atuação efetiva na produção de bens e serviços, tomar decisões fundamentadas no conhecimento, operar com fluência os novos meios e ferramentas em seu trabalho, bem como aplicar criativamente as novas mídias (...). A necessidade mais urgente criada pelas novas tecnologias é promover a alfabetização digital em âmbito nacional, necessário para preparar a sociedade para as mudanças em curso. As novas tecnologias da informação e comunicação, especialmente a Internet, ampliaram o conceito de alfabetização para muito além do meroato de ler e escrever. Cada vez mais, o cidadão se vê diante da necessidade de conhecer novos modos de representação do conhecimento, modelos de processamento simbólico e estruturas de linguagens que vão além do texto impresso, exigindo competências de hierarquia superior ao antigo conceito de alfabetização. A implementação de programas de TIC nas escolas não se limita ao provimento de infra-estrutura de recursos técnicos ou conhecimentos específicos sobre as novas tecnologias. Torna-se, pois, imprescindível investir na formação de competências pedagógicas e metodológicas voltadas para a concepção e organização de novos ambientes de aprendizagem que permitam a formação de indivíduos capazes de lidar positivamente com o novo mundo científico e tecnológico que nos rodeia. A METODOLOGIA DE PROJETOS E AS NOVAS TECNOLOGIAS A implantação da TIC na educação básica pode ser significativamente enriquecida associando-a à Metodologia de Projetos – MP. Os pressupostos e as diretrizes da MP trazem elementos úteis para evitar muitos problemas e ainda para resolver outros, normalmente encontrados nas ações de implantação dessas tecnologias, como em programas de Informática Aplicada à Educação – IAE. A aplicação da MP no contexto da IAE demanda um esforço adicional no sentido de conhecer com segurança e amplitude razoável o significado e as diretrizes da metodologia de projetos. Consideramos, entretanto, que esse esforço é compensado pelas vantagens advindas da aplicação segura de uma metodologia com potencial extraordinário de promoção de mudanças significativas no processo educacional. 88 www.soeducador.com.br Educação digital A contribuição especial que essa metodologia pode oferecer para a implantação da TIC no ensino pode ser observada tanto no desenvolvimento de aulas e laboratórios especializados de informática, como na realização de atividades de ensino, estudo e pesquisa nos conteúdos curriculares em geral. Neste sentido, estamos considerando as aplicações da TIC em várias instâncias: em aulas específicas de informática destinadas à aprendizagem dos recursos correspondentes, em atividades complementares e extracurriculares diversas, no desenvolvimento de projetos de trabalho e, sobretudo, no uso da informática nas disciplinas gerais do currículo. FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA DE PROJETOS Diversas publicações e experiências escolares apontam para o potencial da MP como contribuição para a melhoria do processo educativo, especialmente no que diz respeito à promoção de uma aprendizagem significativa, em contraposição à aprendizagem tradicional do tipo verbal, retórica, livresca, de ênfase teórica e descontextualizada. A experiência dessa metodologia tem mostrado como a valorização e o desenvolvimento de projetos de trabalho por parte de alunos e professores pode representar uma forma importante de compensar ou equilibrar os problemas decorrentes de uma ênfase exacerbada na utilização de recursos virtuais, à revelia das situações reais e contextuais. Um dos pressupostos fundamentais da MP é a consideração das situações reais, do contexto, da vida, no sentido mais amplo, que devem estar relacionados ao objeto central do projeto em desenvolvimento. Os seguintes pressupostos são fundamentais na Metodologia de Projetos: • Realização de projetos de trabalho por grupos de alunos com o número de participantes definido criteriosamente para cada experiência; • Definição de um período de tempo limite para a concretização do projeto, como fator importante no seu desenvolvimento e concretização (em geral, períodos de 2 a 6 meses); • A forma de escolha dos temas dos projetos, oferecendo liberdade para os alunos (com negociação entre alunos e professores para considerar múltiplos interesses e objetivos); 89 www.soeducador.com.br Educação digital • Os projetos devem contemplar uma finalidade útil de modo que os alunos tenham uma percepção de um sentido real dos projetos propostos; • Uso de múltiplos recursos no desenvolvimento dos projetos incluindo aqueles que os próprios alunos podem providenciar junto a outras fontes, como a comunidade em geral; • Socialização dos resultados dos projetos em diversos níveis de comunicação, como a própria sala de aula, a escola e a comunidade, incluindo a apresentação dos resultados pelos autores. As atividades orientadas pela Metodologia de Projetos possuem, ainda, as seguintes características: constituem um objeto de realização concreta; têm algum impacto no ambiente; modificam a relação professor-aluno; baseia-se em uma nova abordagem dos saberes; propiciam uma nova concepção de avaliação; apresentam-se como um desafio para os alunos; e têm uma dimensão coletiva. A adoção dos princípios da MP significa uma forma de contribuir para a superação de um modelo de educação centrada na abstração, no poder do verbo. É oportuno enfatizar que essa hegemonia da educação verbal pode tornar-se ainda mais poderosa como consequência indireta (sem que se o deseje) das novas formas de valorização do fator informação, o qual se torna cada vez mais atraente e disponível através das tecnologias da informação, reforçando, progressivamente, a dimensão "virtual". Hoje sabemos que a hegemonia do verbo se contrapõe à construção do conhecimento contextualizado. Assim, a valorização das atividades de desenvolvimento de projetos, por parte de alunos e professores, pode ser uma forma importante de compensar ou equilibrar a tendência da nova era de (re)valorização da informação, na medida em que tais atividades promovam uma interação forte com a dimensão da realidade. Destacamos o fato importante de que a realização de projetos, segundo a concepção holística atual, tem como base fundamental a interação e iteração fortes com a dimensão da realidade, do conhecimento contextualizado, na medida em que coloca como desafio básico aos atores desse processo o desenvolvimento de produtos efetivos que possam ser compartilhados como contribuições para o desenvolvimento social humano. A tendência atual na direção de valorização da chamada dimensão virtual, associada fortemente ao elemento informação, pode, em termos do 90 www.soeducador.com.br Educação digital desenvolvimento educacional dos jovens estudantes, induzir dificuldades e problemas complexos relacionados às necessidades de formação integral do ser humano, a qual demanda o desenvolvimento de um processo de ação, um equilíbrio fundamental entre os fatores relativos à abstração racional e os fatores relativos ao desenvolvimento sensível e sensório-motor. Esses fatores constitutivos do ser estão necessariamente ligados à habilidade de lidar com os elementos da realidade denominada de concreta. Esta é uma questão epistemológica básica para as pesquisas e propostas atuais relativas ao desenvolvimento de simulações e de software educativos. A proposta de ensino através de projetos representa uma forma importante de considerar todos os elementos imprescindíveis na formação integral do ser humano. Assim, a conjugação harmônica entre os princípios da MP e as proposições e demandas relativas à TIC torna-se uma necessidade de importância capital. TECNOLOGIAS DIGITAIS (TDS) X TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS (TES) Para entendermos as razões que justificam a inserção das Tecnologias Digitais por meio dos Projetos de Aprendizagem é interessante que primeiro façamos uma pequena reflexão sobre as formas como as TDs têm sido inseridas na educação e as razões pelas quais essa inserção tem fracassado em muitos casos. Os erros de implantação do uso pedagógico das TDs começa com os erros conceituais sobre o que é tecnologia e qual suarelação com a educação. O mapa conceitual mostrado a seguir tenta aclarar os conceitos de tecnologia, Tecnologia Digital (TD), Tecnologia Educacional (TE), bem como as relações e inter-relações entre eles. 91 www.soeducador.com.br Educação digital Como podemos ver nesse mapa conceitual, tecnologia é um conjunto de técnicas, processos e métodos específicos de um dado ofício ou negócio. Tecnologia Digital é qualquer tecnologia baseada na linguagem binária dos computadores. Assim, quando pensamos no uso de tecnologias nas escolas não estamos falando simplesmente no uso de “aparelhos tecnológicos digitais”, mas sim no conjunto de técnicas, processos e métodos específicos para o ofício de ensinar. Onde as TDs se inserem na educação nesse contexto? Elas se inserem da mesma forma que todos as demais tecnologias não-digitais, como a lousa, o mimeógrafo e o toca-fitas, como ferramentas auxiliares que potencializam as Tecnologias Educacionais (TEs). Veja também que nesse mapa conceitual a relação entre as TDs e a Educação não é uma relação de mão dupla e que seus laços são frágeis. A escola que hoje convive com as TDs já viveu séculos sem elas e viverá muitos outros séculos com tecnologias que ainda serão inventadas. As tecnologias mudam, a escola se adequa a seu tempo e usa essas tecnologias, mas a escola não é uma aplicação da tecnologia em si. É fundamental compreender que as tecnologias próprias da Educação, como a pedagogia, a didática, a prática de ensino e as diversas metodologias próprias de cada área do saber, não são substituíveis pela Tecnologia Digital ou por qualquer outra tecnologia. E embora isso nos pareça óbvio, não tem sido tão óbvio a ponto de que se evitassem diversos erros ao longo do processo de inserção das TDs na Educação. 92 www.soeducador.com.br Educação digital Para efeito puramente didáticos podemos dividir esses erros de concepção, implementação e uso em três categorias básicas: 1. Ideológicos: Foco na tecnologia e não na pedagogia. A escola se preocupa excessivamente em explorar o potencial das TDs e subestima sua Tecnologia Educacional (TE) própria. a) O foco correto deve ser no processo de ensino e aprendizagem (currículo, metodologias, estratégias, etc.) e as TDs precisam ser inseridas como ferramentas de apoio às TEs onde for cabível fazê-lo. b) Esse erro de concepção levou a investimentos gigantescos em equipamentos que não foram utilizados (laboratórios de informática inteiros), ou foram subutilizados e hoje se encontram obsoletos em muitas escolas, sem manutenção ou uso. 2. Estratégicos: Busca de atividades e projetos que possam ser desenvolvidas com as TDs. Pressuposto de que é preciso estabelecer projetos específicos para o uso das TDs. a) O foco correto deveria ser a busca de TDs que facilitam o processo de ensino e aprendizagem e o uso da tecnologia para o ensino e não do ensino para a tecnologia. b) Esse erro levou ao desenvolvimento de projetos e currículos que fracassaram ao ser implementados porque não se inseriram verdadeiramente no processo de ensino e aprendizagem. 3. Práticos: Capacitações de professores para o uso de softwares e TDs. Compartimentação do conhecimento (TDs X TEs). Planejamento de aulas voltado para o uso de TDs. a) O foco correto deveria ser a inclusão digital dos professores e alunos (uso efetivo das TDs nas atividades do cotidiano). Disponibilização de recursos e oportunidades e valorização da inovação que leva à melhoria da qualidade do ensino. b) Esse erro levou milhares de professores a fazerem cursos e capacitações que se mostraram inúteis porque não resultaram em um uso efetivo das TDs nas práticas escolares e nem representaram um ganho significativo para professores e alunos. 93 www.soeducador.com.br Educação digital PROJETOS DE APRENDIZAGEM COM TECNOLOGIAS DIGITAIS Os Projetos de Aprendizagem são Projetos Educacionais que possuem uma tecnologia educacional bem estabelecida. Sabemos como e porque utilizá-los. Sabemos planejá-los e executá-los. Temos objetivos para utilizá-los e estratégias para conduzi-los. Tudo isso nos dá segurança para desenvolvê-los. Permitem a ação de múltiplos agentes (interdiscilinaridade, transdiciplinaridade). Isso nos permite atingir um número maior de atores potenciais para o uso das TDs e facilitam a aprendizagem colaborativa de alunos e professores. Permitem o uso natural de diferentes TDs. Projetos possuem várias etapas, vários atores e muitas ações simultâneas ou não. Tudo isso permite que diferentes recursos tecnológicos compareçam em diferentes momentos e situações. Projetos geram oportunidades de uso para as TDs. São focados no processo e não nos resultados finais. As TDs têm a característica natural delas: apoio ao desenvolvimento, à aprendizagem, ao “fazer”; são “instrumentos para potencializar as ações” e não objetivos em si mesmas. As TDs enriquecem o processo e não são objetivos finais. Promovem a aprendizagem colaborativa. É no “aprender a aprender” e no “aprender a fazer” que as TDs são aprendidas, e a aprendizagem colaborativa é fundamental para esses processos. Os projetos têm naturalmente a característica de aprendizagem colaborativa e permitem que não apenas os alunos aprendam colaborativamente, mas também os seus professores. Todas as condições acima são favoráveis tanto para a inserção das TDs quanto para o sucesso do processo de ensino e aprendizagem que, ao fim e ao cabo, é o que se deseja em uma escola. COMO IMPLEMENTAR AS TDS NOS PROJETOS DE APRENDIZAGEM? Antes de se lançar à aventura de implementar as TDs nos Projetos de Aprendizagem, ou em qualquer outro projeto, é necessário ter em mente que precisamos: → Dispor de recursos tecnológicos (TDs) e facilitar o acesso a eles. 94 www.soeducador.com.br Educação digital Não dá para levar classes inteiras para atividades em Salas de Informática com três computadores capengas. Não dá para implementar o uso das TDs com Salas de Informática trancadas com cadeado a maior parte do tempo, computadores quebrados e obsoletos e a necessidade de uma burocracia gigantesca para seu uso. É preciso ter bons equipamentos e acesso facilitado a eles. → Planejar a inserção das TDs nas diferentes atividades do projeto em função de sua utilidade e disponibilidade, visando sempre a melhoria da qualidade dos produtos ou processos. Primeiro planejamos o projeto, montamos as sequências didáticas, listamos as atividades, etc., somente depois nos perguntamos “o que eu posso fazer melhor se usar as TDs de que disponho?”. Propor a construção de um blog em uma escola onde a imensa maioria dos alunos não tem acesso à Internet tem algum propósito? Propor que os gráficos estatísticos sejam feitos usando-se uma planilha de cálculo quando nem o professor nem os alunos sabem como fazê-lo, têm algum ganho? Esse ganho compensa o custo-benefício da ação? → Documentar, relatar, analisar e registrar o uso das TDs e seu impacto nos Projetos de Aprendizagem. Usar TDs é algo ainda novo e muito pouco documentado. Muitas ações envolvendo as TDs não surtem efeitos positivos. É preciso documentar e avaliar o impacto desse uso para a tomada de decisões para os próximos projetos. A própria documentação e análise do impacto do uso das TDs implica, muitas vezes, no uso dessas TDs (documentos digitados, planilhas, apresentações, etc.). → Compartilhar experiências e aprendizagens (reuniões pedagógicas, formações, dia-a-dia, etc.). A forma mais rápida e eficaz de aprender a usar as TDs em uma escola é compartilhar o conhecimento que se tem delase de seu uso. Não dispomos de tempo para “aprender tudo sobre um dado recurso antes de usá-lo”, o aprendizado se dá por etapas somativas, de forma colaborativa e geralmente por tentativa e erro. → Promover uma política de inovação constante, dar continuidade aos projetos e procurar envolver cada vez mais os diferentes agentes. 95 www.soeducador.com.br Educação digital Equipamentos e softwares obsoletos e a falta de atualização sobre os novos recursos tecnológicos à disposição torna o uso das TDs desinteressante para alunos e professores. Que graça tem usar um computador velho e lento, rodando sobre um sistema operacional ultrapassado e que vive travando? Que novas ideias surgiram nos projetos anteriores e que podem ser implementadas agora? Quais são os novos agentes, alunos e professores, que podem se interessar pelo uso das TDs? Como podemos seduzi-los? → Incentivar, valorizar, expor, divulgar e premiar as inovações que produzem bons resultados. De que adianta um projeto ter feito uso produtivo das TDs se isso não for capitalizado como marketing para os próximos projetos e nem for divulgado para além dos muros da escola? Porque um professor deveria usar novamente as TDs se isso não é reconhecido nem valorizado, nem mesmo quando tudo dá certo? Que valor tem um projeto esquecido, um esforço não reconhecido ou mesmo um fracasso não compreendido? → Repensar o modelo de professor para incorporar um novo perfil profissional: o perfil do “Professor Digital“. O professor digital é o profissional que toda escola deseja ter, mas nenhuma deseja pagar. O novo perfil do professor demanda uma dedicação muito maior “fora da sala de aula” do que dentro dela. O professor digital tem o direito de errar, o compromisso de aprender sempre e a certeza de que nunca saberá o suficiente. Esse novo professor não é uma solução para os problemas da educação ou mesmo de sua escola e, além disso, traz consigo novas demandas que são muitas vezes compreendidas como problemas e não como soluções. É preciso que a gestão da escola (e os gestores das políticas públicas) compreenda as necessidades desse novo profissional e viabilizem a sua ação. PONTOS POSITIVOS NO USO DA TECNOLOGIA EDUCACIONAL NA EDUCAÇÃO O uso da tecnologia na educação pode trazer pontos positivos e negativos. Os resultados dependem da forma de utilização das ferramentas tecnológicas abaixo se pode ver uma relação desses pontos e suas implicações. 96 www.soeducador.com.br Educação digital Velocidade e abrangência A busca pela informação em mídias eletrônicas é rápida visto que é feita a partir de algoritmos complexos de análise de dados que exibem os resultados em formato de ranking, onde a informação mais relevante tende a aparecer em primeiro lugar. Os resultados de pesquisas normalmente são associados a comentários de usuários que já realizaram a mesma pesquisa no passado e avaliaram os resultados quanto à veracidade, coerência e qualidade. Inovação A tecnologia acelera a inovação visto que facilita a comunicação dos pares com os mesmos objetivos e a divulgação dos resultados em âmbito global. Muitas ideias surgiram do brainstorm (Técnica desenvolvida para explorar o potencial criativo de um indivíduo ou grupo.) Em mídias sociais, principalmente na comunidade open source (ou software livre é um padrão de desenvolvimento aberto e sem restrições de distribuição). As ideias inovadoras são geralmente patrocinadas por empresas ou investidores individuais e geram melhorias para a sociedade e oportunidades comerciais. No caso da educação a tecnologia também incentiva a inovação, pois oferece novas ferramentas de criação. Interação Softwares educativos permitem a interação do aluno com o conhecimento. O aluno pode navegar no conteúdo interagindo com o mesmo no sentido de escolher o quê, como, quando e em qual nível de detalhe quer estudar de acordo com seu nível de curiosidade sobre o assunto. Tecnologias como enciclopédias digitais, jogos educacionais, realidade aumentada e simulação bidimensional ou tridimensional podem facilitar essa interação virtual aproximando o aluno da realidade do problema apresentado e suas possíveis soluções. Cooperação A cooperação entre alunos de uma mesma sala de aula é influenciada por uma série de fatores como: o grupo de valores e interesses no qual o aluno se insere, sua personalidade, timidez ou extroversão, a disposição das carteiras na sala de aula, etc. Esses fatores podem se apresentar como barreiras para a cooperação geral entre os alunos. Essa barreira pode ser contornada ou diminuída, além do diálogo e da socialização tradicionais, pela interação digital promovida por 97 www.soeducador.com.br Educação digital meio de redes sociais, fóruns e listas de discussões. Alunos tímidos talvez se sintam mais a vontade para interagir com os colegas e para fazer perguntas ao educador. A colaboração por meio das mídias sociais é o melhor caminho para o progresso humano. Autonomia A tecnologia incentiva à autonomia. Visto que o uso do computador ou equipamento tecnológico é normalmente individual o usuário tende a ter um comportamento autônomo, executando tarefas sozinha e buscando auxílio na própria ferramenta tecnológica por meio de arquivos de ajuda, tutoriais e buscas na internet. Lúdico Os jogos educacionais, quando corretamente desenvolvidos, podem estimular um aprendizado divertido principalmente na educação infantil. Os jogos de computador ou videogames devem ser escolhidos coerentemente com a faixa etária da criança e com a fase de desenvolvimento na qual ela se encontra. Os jogos podem desenvolver o aprendizado de forma lúdica colocando em prática os efeitos benéficos descritos por Vygotsky. Operação Multitarefa Essa característica pode ser positiva, pois abre novas possibilidades para o cérebro humano. A operação multitarefa na solução de problemas pode aumentar a eficiência e a produtividade. PONTOS NEGATIVOS NO USO DA TECNOLOGIA EDUCACIONAL NA EDUCAÇÃO Além dos pontos positivos podemos observar também alguns pontos negativos do uso da tecnologia educacional na escola. Identidade O usuário pode assumir diferentes identidades na internet. A criação de um perfil em uma rede social define suas características pessoais, seus atributos e interesses. O nome real pode ser substituído por um usuário e as informações podem ou não ser totalmente verdadeiras. O perfil por sua vez, pode representar 98 www.soeducador.com.br Educação digital não necessariamente um indivíduo, mas também um grupo (banda, partido, empresa ou organização), ou uma entidade com interesses específicos. Muitos adolescentes criam perfis falsos, fazendo-se passar por outra pessoa – normalmente uma personalidade famosa da música ou do cinema ou uma entidade representando o nome de seu blog ou personagens alegóricos. Isso pode ser um problema nos estágios intermediários de desenvolvimento da criança, pois é nessa fase, a adolescência, que ela desenvolve sua identidade e personalidade como ser humano adulto. Privacidade Com a difusão em massa e em escala global a internet alterou o modo como encaramos a privacidade. A informação passa a ser disponível a qualquer pessoa conectada a rede e em qualquer parte do mundo. Essa informação pode ser distorcida e novamente encaminhada trazendo danos irreversíveis. Imediatismo A informação de fácil acesso pode ocasionar uma característica negativa nos usuários: o imediatismo. É característica dos nativos digitais o imediatismo. Para o imediatista a informação deve estar disponível nomomento em que será usada. Ao surgir uma dúvida basta pesquisar em um site de busca, ler o primeiro hiperlink, que deve ser obrigatoriamente o mais relevante. Esse é o vício que a busca rápida e de fácil acesso impõe ao internauta. Superficialidade A internet está mudando para pior o funcionamento do cérebro humano. As pessoas estão ficando “rasas”, ou seja, pensando com superficialidade. Para ele consulta-se a internet sem se preocupar com a memorização e o entendimento completo da área de conhecimento, mas apenas com o tópico de interesse imediato. A WEB 2.0 é prejudicial visto que apesar de incentivar a colaboração, esta é feita na maior parte das vezes de forma anônima em comentários sem preocupação com a escrita formal. Isolamento A dependência da tecnologia pode causar outro problema mais sério: o isolamento. A criança ou adolescente pode passar tantas horas imerso no ciberespaço que acaba cortando os laços sociais com as pessoas que o cercam. 99 www.soeducador.com.br Educação digital Essa conduta é perigosa visto que enfraquece as habilidades interpessoais, empobrecendo o convívio da pessoa com seus pares na família, escola e trabalho. Pode ser um dos fatores coadjuvantes para o aparecimento de doenças psiquiátricas como a depressão e a ansiedade. A escola não pode ser totalmente substituída (principalmente na educação infantil) devido ao seu caráter socializante e a “pedagogicidade indiscutível da materialidade do espaço” (FREIRE, 1996, p.45). É na escola que a criança descobre a importância do trabalho em equipe e aprende a se relacionar com outras crianças. Sobrecarga cognitiva Inteligência coletiva pode trazer sobrecarga cognitiva, ou seja, a alta disponibilidade de informações e formas de comunicação também pode gerar estresse. Assim, devemos aprender como a tecnologia funciona para não sermos controlados por ela. A leitura na internet pode ser condicionante visto que as pessoas têm a tendência de ler apenas as obras com as quais concordam. APRENDIZAGEM COOPERATIVA COMO POTENCIALIDADE PARA AS NOVAS TECNOLOGIAS À luz do construtivismo, pode-se tentar compreender a aprendizagem cooperativa. Segundo (Campos et al. 2003, apud KASSIS, 2007, online): No construtivismo, o conhecimento é (re)construído pelo indivíduo nas interações com o ambiente externo. O aluno é o sujeito ativo no processo de aprendizagem, por meio da experimentação, da pesquisa em grupo, do estímulo à dúvida e ao desenvolvimento do raciocínio. Os conceitos são formados no contato com o mundo e com outras pessoas. O professor assume o papel de provocador e estimulador de novas experiências e deve ser capaz de propor estratégias ou caminhos para buscar respostas. A teoria sociointeracionista de Vygotsky (1988), que prega a origem social da inteligência, entende que a aprendizagem cooperativa acontece inicialmente de forma interpsíquica, isto é, no coletivo, para depois haver a construção intrapsíquica. A teoria sociointeracionista de Vygotsky (1988), que prega a origem social da inteligência, entende que a aprendizagem cooperativa acontece inicialmente de forma interpsíquica, isto é, no coletivo, para depois haver a construção intrapsíquica. 100 www.soeducador.com.br Educação digital Partindo-se do pressuposto de que o conhecimento (ou aprendizagem) é construído pelas interações do sujeito com outros indivíduos, estas interações sociais seriam as principais desencadeadoras do aprendizado. As atividades interpessoais, segundo ele, possibilitam mudanças cognitivas através da interação com a consequente reelaboração e reconstrução das ideias. Para Vygotsky, a colaboração entre alunos ajuda a desenvolver estratégias e habilidades gerais de soluções de problemas pelo processo cognitivo implícito na interação e na comunicação. Tal ponto converge quando as formas de organização da nova sociedade serão o aprendizado cooperativo e a inteligência coletiva, definida por ele como a capacidade de trocar ideias, compartilhar informações e interesses comuns, criando comunidades e estimulando conexões. O principal desafio da escola hoje é desenvolver uma cultura da colaboração que independe de estar no virtual ou no presencial. “As escolas devem ajudar as pessoas a avaliar e reconhecer o conhecimento que está nos outros. Talvez a escola deva ser o lugar onde se aprende a gerir conhecimento e a produzi-lo coletivamente” (LEVY, 2007, online). O autor atribui um papel fundamental ao educador como mediador desse processo, pois não acredita que haja uma pura espontaneidade em aprendizagens escolares. Ela precisa ser planejada e organizada. “As únicas redes que funcionam sem mediador são as de entretenimento”. (LEVY, 2007). A partir desses conceitos percebemos a necessidade de promover situações em que prevaleça o grupo diante da individualidade, em que aprender constitua-se em viver situações em que as pessoas se sintam bem em compartilhar experiências, de forma sistematizada, trazendo seu dia a dia para a escola. Nessa proposta de aprendizagem cooperativa, cada um assume seu papel no grupo, responsabilizando-se por ele, assumindo os créditos e as perdas, num processo que promova uma dinâmica de interação. Segundo Vygotsky e Freire os sujeitos constroem seu conhecimento à medida que interagem. A interatividade, para Vygotsky, é entendida como um processo de mediação entre sujeitos, numa construção de conhecimento partilhada, sendo condição indispensável para a aprendizagem. Segundo ele, o diálogo, a cooperação e a informação são enriquecidos pela heterogeneidade do 101 www.soeducador.com.br Educação digital grupo ampliando consequentemente as capacidades individuais, sendo que as funções mentais provêm das relações sociais. Para Freire (1991), o conhecimento se dá na relação sujeito-sujeito e sujeito mundo, pressuposto básico para a educação libertadora num processo de comunhão entre os homens e as mulheres, alimentando juntos o ideal utópico da mudança da sociedade. Pierre Lévy (1999) assim o define: “O termo “interatividade” em geral ressalta a participação ativa do beneficiário de uma transação de informação. De fato, seria trivial mostrar que um receptor de informação, a menos que esteja morto, nunca é passivo”. Retomando, podemos entender interatividade como o uso de recursos tecnológicos conectados em rede, que suscitam a participação e a reação. Disso resulta um ambiente cujo domínio da mídia promove a liberdade de escolha. O conceito de interatividade é muito usado hoje de forma diversificada, mesmo quando se refere a ambientes educacionais mediados por computadores, ou a outros ambientes de aprendizagem, como a sala de aula. A partir de uma perspectiva construtivista entende-se que os ambientes online não promovem a aprendizagem baseados num clique, mas concentram-se na formação de espaços em que ideias são debatidas com liberdade e autonomia, nos quais o aprendizado constitui-se num preparo para uma atuação cidadã. Nesse sentido, a postura do educador passa a ser a de mediador e não transmissor de conhecimento, propondo situações de aprendizagem centradas no educando. O USO DO BLOG COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA Um blog, blogue, weblog ou caderno digital é uma página da WEB, que permite o acréscimo de atualizações de tamanho variável chamados artigos ou posts. Estes podem ser organizados de forma cronológica inversa ou divididos em links sequenciais, que trazem a temática da página, podendo ser escritos por várias pessoas, dependendo das suas regras. O blog conta com algumas ferramentas para classificar informações técnicas a seu respeito, todas elas são disponibilizadas na internetpor servidores e/ou usuários comuns. As ferramentas abrangem: registro de informações relativas 102 www.soeducador.com.br Educação digital a um site ou domínio da internet quanto ao número de acessos, páginas visitadas, tempo gasto, de qual site ou página o visitante veio, para onde vai do site ou página atual e uma série de outras informações. Os sistemas de criação e edição de blogs são muito atrativos pelas facilidades que oferecem, pois dispensam o conhecimento de HTML, o que atrai pessoas a criá-los. O que distingue os weblogs das páginas e sítios que se costuma encontrar na rede é a facilidade com que podem ser criados, editados e publicados, sem a necessidade de conhecimentos técnicos especializados. Dadas a essa informação e aos serviços gratuitos, os blogs tiveram um crescimento considerável. A princípio foi usado, pelos jovens, como diário virtual, porém, na virada do século, o blog passou a ser utilizado como divulgador de temas e discursos variados num leque de possibilidades, tais como: o entretenimento, corporativismo e atividades de profissionais como jornalistas, empresários, políticos, escritores, professores e alunos que aos poucos estão descobrindo e explorando a principal de suas características, a interatividade, que pode levar à formação de redes colaborativas de aprendizagem. Os Blogs são espaços interativos, onde tudo pode ser publicado e dito, sem limites para o conteúdo, nem para quem pode ter um. Quaisquer pessoas ou comunidades, de qualquer idade ou região podem criar um blog e postar as informações que julgarem importantes para tal. A principal dinâmica do blog, diferente de um diário, é que as postagens recentes ficam no princípio, ou seja: o que o blogueiro escreveu por último, o usuário vê primeiro. Alguns blogs possuem um formato diferente, de acordo com as pessoas que o alimentam. Um exemplo é um blog em que as postagens são divididas em pastas ordenadas numa sequência necessária aos propósitos do alimentador e aos objetivos que quer alcançar frente aos usuários. Uma grande vantagem do uso dos blogs é a gratuidade oferecida. Isso abre um leque de possibilidades, visto que poucos estão dispostos a pagar por este espaço na web. Pelo exposto anteriormente, a cada dia, mais pessoas aderem ao uso dos blogs, postando seus comentários num intenso processo de colaboração. Uma das aplicações mais interessante da Web para ambientes escolares é o blog, que conforme exposto anteriormente fornece a interatividade, a partir das postagens que vão desde um simples comentário até a inserção de artigos, 103 www.soeducador.com.br Educação digital imagens e vídeos. Nas palavras de Freire (1996), “ninguém ensina ninguém; tampouco ninguém aprende sozinho. Os homens aprendem em comunhão, mediatizados pelo mundo”, fica clara a importância e eficiência do blog, do ponto de vista da construção do conhecimento na relação aluno-pensamento, que vai além da relação entre professor e aluno. Os blogs são aplicativos fáceis de usar que promovem o exercício da expressão criadora, do diálogo entre textos, da colaboração. Blogs possuem historicidade, preservam a construção e não apenas o produto (arquivos); são publicações dinâmicas que favorecem a formação de redes. Os diários eletrônicos, observados nesta perspectiva, têm o poder de mudar o trabalho pedagógico promovendo o envolvimento dos participantes. Outra grande vantagem do uso do blog na educação é a facilidade de o professor fazer intervenções, corrigindo e orientando todas as postagens, sem o limite de tempo imposto pela sala de aula, e da mesma forma o aluno pode realizar suas atividades no seu ritmo, conforme sua agenda e disposição. Desta maneira o aluno tem ampliada sua liberdade de expressão, embora necessitando da ciência de que, uma vez postados, os seus comentários poderão ser vistos por todos, sem que possa controlar. Este fato amplia a responsabilidade do professor blogueiro por tudo o que estiver publicado, bem como a do aluno que participa. Moran (2007) enfatiza o uso do blog educacional afirmando que “quando focamos mais a aprendizagem dos alunos do que o ensino, a publicação da produção deles se torna fundamental”. Desta forma, essa ferramenta pode constituir-se num recurso de apoio à aprendizagem por ser um espaço de criação coletiva, que aproxima professores e alunos, sem contar que, com o uso das TICs (Tecnologia da informação e Comunicação), a escola cumpre o seu papel de preparar o aluno para os desafios impostos pela sociedade, não na intenção da continuidade, mas da transformação da realidade que ora se apresenta. COMPONENTES DO SISTEMA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O uso das ferramentas tecnológicas, que promovem a comunicação, auxilia professores e alunos no processo de ensino e aprendizagem a distância, criando novas possibilidades de ensino não presencial através da rede Internet. 104 www.soeducador.com.br Educação digital Abaixo temos quatro características necessárias para o sistema de educação a distância: O aluno como sendo o centro do processo educativo. O docente que será o motivador e possibilitador da aprendizagem cooperativa e interativa no ambiente virtual. A comunicação que poderá ser realizada através de material impresso, audiovisual, telemática (Internet, softwares, CD-ROM, vídeo interativo, hipermídia, entre outros) e a tutoria mediando o presencial e o virtual. A estrutura e organização dos materiais, da distribuição de materiais, processos de comunicação e avaliação, fazem parte do processo inicial no desenvolvimento de programas de ensino a distância. Por mais que o professor exerça esta função, faz-se necessária a ação do tutor que aqui passaria a se chamar de “monitor”, levando em consideração algumas participações e auxílio ao professor quanto ao atendimento dos alunos em diferentes horários. Na sequência, apresenta-se os diferentes modelos de ensino a distância: ♣ Ensino por correspondência: material impresso (livros didáticos). ♣ Ensino a distância clássico: material diversificado como material impresso, televisão, rádio, audiovisuais, tutores. ♣ Ensino a distância com base na pesquisa: caracterizado pela leitura de cursos de ensino a distância impressos e na frequência parcialmente obrigatória em seminários. Concede apenas o grau superior ou de mestre. ♣ Ensino a distância grupal: programações didáticas por rádio e televisão associadas a atividades regulares obrigatórias, com presença. ♣ Ensino a distância autônomo: planejar, organizar e implementar isoladamente. A universidade apenas aconselha, incentiva, assiste e fornece certificado. ♣ Ensino a distância por teleconferência: oferecido por um consórcio de universidades para estudantes das universidades-membro e também a outras instituições. ♣ Ensino a distância com base em quatro formas de teleconferência: podem participar estudantes avulsos e grupos de estudantes em seus locais de 105 www.soeducador.com.br Educação digital trabalho, ligados por sua vez à atividade docente das universidades que cooperam com o projeto. Os modelos acima apresentados, são flexíveis e variáveis, o que torna o ensino a distância adaptável às diferentes situações e necessidades. APRENDIZAGEM X ENSINO APOIADA ÀS NOVAS TECNOLOGIAS A expressão ensino-aprendizagem é um dos jargões mais frequentemente utilizado nos trabalhos que discutem pedagogia ou didática, não só em engenharia, mas em qualquer área do conhecimento. Porém, o que realmente significa ensino- aprendizagem? Por muitos séculos tem-se acreditado que o conhecimento é como algo fluído, quepossa ser repassado de um professor de “magno saber” para um aluno que nada sabe. Em outras palavras, acredita-se que é possível um professor ensinar (da origem latina “insignare”, que significa a transmissão do conhecimento, de informação ou de esclarecimentos úteis ou indispensáveis à educação e à instrução) um aluno, sendo esta a base epistemológica da educação, em todos os níveis, na maioria das instituições atuais. Os estudos científicos de Jean Piaget, realizados no século passado, sobre a maneira pela qual o ser humano adquire conhecimento, apontam para outra direção. Em sua Epistemologia Genética, Piaget considera que o desenvolvimento cognitivo ocorre como consequência de uma interação entre o sujeito e o objeto fruto de seu interesse. O cérebro humano funciona baseado em esquemas de significação, os quais estão em permanente adaptação através de processos contínuos e simultâneos de assimilação (os esquemas do sujeito modificam-se para incorporar os elementos do objeto) e acomodação (os elementos do objeto são modificados pela ação do sujeito). Assim, para o crescimento cognitivo é necessário que ocorra um desequilíbrio neste processo, o que ocasionará o aparecimento de novos esquemas a partir daqueles já existentes, desencadeando uma espiral crescente ligada a inúmeras outras, através das teias de significação individuais. Neste contexto, a aprendizagem surge como um processo individual que ocorre internamente no sujeito. 106 www.soeducador.com.br Educação digital Traduzindo-se estes conceitos para o plano pedagógico, percebe-se que a figura de um professor que “ensina” um aluno torna-se incoerente e um novo papel é designado ao professor. Nesta visão, o professor passará a auxiliar, incentivar e proporcionar ao aluno a “construção” de seu conhecimento, razão pela qual a aplicação da teoria piagetiana à educação leva o nome de Construtivismo. Considerando-se serem basicamente estas as duas principais correntes pedagógicas existentes no momento, em nossa sociedade ocidental, o termo ensino aprendizagem somente justifica-se como uma espécie de “caminho do meio”, o qual não será trilhado no presente trabalho. Em função de sua base construtivista, será adotada a promoção da aprendizagem, como vista pela teoria de Piaget, como principal função da educação, neste caso. ENSINO APOIADO ÀS NOVAS TECNOLOGIAS É ALTERNATIVA PARA CONCILIAR ESTUDOS Finalizando nossa disciplina de NOVAS TECNOLOGIAS E FORMAÇÃO DOCENTE, retomamos os aspectos relacionados ao ensino utilizando as novas tecnologias direcionadas a abordagem colaborativa, podemos refletir sobre nossa prática educacional e evoluirmos dentro da nova era tecnológica. Diante destas transformações tecnológicas, surgem novas exigências sociais refletindo na educação, impondo questionamentos no papel docente diante desta realidade. Pretende-se ressaltar elementos pertinentes à pesquisa, como a importância de existir no ambiente escolar além de recursos tecnológicos, pessoas capacitadas, para que se possa construir o conhecimento, pois a escola é o local de construção do conhecimento, socialização do saber e trocas de experiências, por isso a necessidade de debates entre educadores e equipe pedagógica para a incorporação das tecnologias no ensino. Lembrando que a escola deve estar à frente numa sociedade onde os conhecimentos científicos ficam ultrapassados num curto espaço de tempo, assim, não se pode admitir que justamente a escola, local onde se deveria produzir conhecimento, fique a margem da maior fonte de informações disponíveis e mais, não seja capaz de orientar sua utilização. 107 www.soeducador.com.br Educação digital Sendo assim, faz-se necessário outro modelo educacional, uma vez que os padrões atuais são incompatíveis a memorização, repetição de fatos e o professor exclusivo detentor do saber. Com a grande quantidade de informações, faz pensar em novas práticas pedagógicas não apenas nos conceitos disciplinares, mas a pesquisa e seleção dessas informações adquiridas, para resolver problema e analisar as possíveis soluções, as mais adequadas ao seu contexto, e também pelo fato de que as novas linguagens estão imersas na sociedade e, com isso, possibilita novas formas de leitura. No entanto, as novas tecnologias não devem ser vista apenas como veículos de transmissão de informações, mas como poderosas ferramentas de ensino, para compreender e utilizá-las para diferentes situações de aprendizagem, que envolvam desde procedimentos de problematização, observação, registro, documentação e até formulação de hipóteses. Uma das potencialidades dessas ferramentas é o acesso à internet, pois ela abre caminhos para novas maneiras de adquirir conhecimento e fonte de ilimitadas informações, que vão desde artigos científicos, livros, documentos, revistas e outros. Como qualquer recurso tecnológico, esta deve ser entendida como um dos meios alternativos para construir o conhecimento, visto que propicia ao indivíduo interligar-se com o mundo, resultando em escolas mais flexíveis, menos autoritária, cedendo lugar para ambientes aconchegantes, atrativos, estimuladores e criativos. O papel do professor consiste em mediar à pesquisa e a apresentação dos resultados, que podem ocorrer até em grupos. Entretanto, aparece o problema dos embasamentos teóricos e metodológicos do professor, uma vez que só orienta aquele que domina os conteúdos e a prática pedagógica, caso contrário, vira uma panaceia na cabeça do docente, que ao invés de facilitar, complica mais a sua vida, porque aquele que não é flexível, inovador, disposto a ouvir e trocar informações com seus alunos, bem como interagir, está simplesmente obsoleto na sociedade de conhecimento. Embora essas potencialidades sejam enriquecedoras elas apresentam limites na prática pedagógica, isso não significa não abandonar os antigos métodos de ensinar, mas utilizá-los dentro de uma visão pedagógica nova e criativa. 108 www.soeducador.com.br Educação digital REFERÊNCIAS CORTELLA, Mário Sérgio. Informatofobia e Informatolatria: Equívocos na Educação. FERREIRO, Emilia; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. 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