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UNIVERSIDADE PAULISTA CURSO TECNOLÓGICO GESTÃO AMBIENTAL ANTONIA LUCIANE COSTA DOS SANTOS RA1742079 SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL IMPLANTADO À INDUSTRIA MOVELEIRA Mãe do Rio-PA 2019 ANTONIA LUCIANE COSTA DOS SANTOS RA1742079 SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL IMPLANTADO À INDUSTRIA MOVELEIRA PROJETO INTEGRADO MULTIDISCIPLINAR VI Projeto integrado multidisciplinar – PIM II – apresentado à Universidade Paulista – UNIP, para avaliação no curso de Gestão Ambiental. Orientador: Julia de Lima Pinheiro Mãe do Rio-PA 2019 SUMÁRIO RESUMO .......................................................................................................... 4 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................... 5 2. REFERENCIAL TEÓRICO ......................................................................... 6 3. METODOLOGIA ....................................................................................... 10 4 IMPLEMENTAÇÃO E OPERAÇÃO: ......................................................... 18 5.CONCLUSÕES ............................................................................................ 20 6. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................ 21 RESUMO A indústria moveleira tem se caracterizado como um ramo crescente e cada vez mais significativo para a economia, todavia, esse crescimento também se reflete em problemas ambientais, tais como a geração de resíduos sólidos e emissões atmosféricas. A elaboração de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) pode ser aplicada a diversos setores da indústria e mostra-se como uma alternativa para que sejam alcançados níveis ideais de produção sustentável, além de trazer benefícios econômicos àquelas organizações que optam por sua implantação. O objetivo desta pesquisa é propor a elaboração de um SGA para uma indústria moveleira. Para atingir este objetivo, foram utilizadas ferramentas para analisar a atual situação da empresa, tais como a matriz de aspectos e impactos e suas respectivas significâncias e a análise de Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats (SWOT). O SGA proposto tem seus requisitos embasados no que está previsto na norma Internacional Organization for Standardization (ISO) 14001:2004. Os programas elaborados nesta proposta estão voltados à gestão de resíduos, lançamentos de efluentes líquidos e atmosféricos e à educação ambiental. O estudo possibilitou constatar que a empresa procura adotar uma postura ambientalmente correta, embora necessite ainda de alguns pontos abordados no SGA. Palavra-chave: ISO 14001, gerenciamento ambiental, programas ambientais. 1. INTRODUÇÃO Com a crescente demanda pela exploração de recursos naturais, torna-se cada vez mais necessária a adoção de medidas que visem priorizar a consciência ambiental da sociedade e das empresas. Com isso, o gerenciamento ambiental dos processos realizados pelas indústrias é de grande importância tanto para a preservação ambiental quanto para a inserção e manutenção das mesmas no mercado. Segundo Nascimento et al (2012) existe uma diferença entre gestão ambiental e o SGA. O primeiro trata de forma isolada os problemas ambientais, enquanto o segundo interrelaciona o envolvimento de diferentes segmentos da empresa. O SGA pode basear-se na norma Internacional Organization for Standardization (ISO) 14.001 adotando os requisitos previstos na mesma para a realização de procedimentos e tomada de decisões. A forma como são realizadas essas ações não está pré-determinada pela norma em questão, além disso, é obrigatório que o sistema de gestão esteja de acordo com a legislação ambiental local. Para Machado Júnior et al (2013), a certificação pela norma ISO 14.001 é uma alternativa para o atual estágio da gestão ambiental, já que contempla um conjunto de requisitos norteadores que podem ser incorporados à conduta ambiental das organizações. Segundo Mafessoni (2012) o primeiro polo moveleiro do Brasil surgiu na cidade de São Paulo no início da década de 50, porém, esse setor evoluiu somente no final da década de 80 e início dos anos 90. A indústria contava com aproximadamente 15 mil empresas e o crescimento do parque industrial exigia aumento constante do consumo de matéria-prima. Nesse sentido, para as empresas que não possuem o SGA, é importante estruturarem seus métodos de implantação, delineando um estudo a fim de identificar os principais problemas ambientais da empresa, enquadrá- la em uma política ambiental e trabalhar a criação de programas a serem implantados, proporcionando benefícios socioeconômicos e ambientais à mesma. Com isso o presente trabalho tem como objetivo propor a elaboração de um SGA para uma indústria do setor moveleiro, considerando a ISSO 14001. Identificando os principais aspectos e impactos ambientais da referida empresa, além de propor a criação de programas ambientais, a partir da identificação das não conformidades. 2. REFERENCIAL TEÓRICO A implantação do SGA assim como qualquer atividade técnica, utiliza alguns termos necessários e comuns no desenvolver das atividades, sendo assim, há necessidade de esclarecer alguns desses conceitos relevantes. A norma ISO 14001 no decorrer de suas premissas descreve conceitos importantes para a implantação de um SGA sendo eles relacionados ao meio ambiente, aspecto ambiental, impacto, ação corretiva, melhoria contínua e auditoria ambiental. 2.1 MEIO AMBIENTE Refere-se à circunvizinhança em que uma organização opera incluindo-se ar, água, solo, recursos naturais, flora, fauna, seres humanos e suas inter- relações (ISO 14001:2004). A Política Nacional do Meio Ambiente, Lei 6.983, de 31 de agosto de 1981 em seu art. 3° define como: Conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.(BRASIL,Politica Nacional de Meio Ambiente, art 3,1981) 2.2 SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL É a parte da gestão voltada para o desenvolvimento e implantação da política ambiental no intuito de gerenciar os aspectos ambientais inerentes àquela organização (ISO 14001:2004). Para Gomes, de Sousa e Santana (2011) o sistema de gestão ambiental é todo procedimento efetuado em uma entidade para que se possam diminuir os impactos ambientais negativos, oriundos de seu processo produtivo, fazendo com que a empresa obtenha mais lucro e insira em seu meio uma produção mais limpa. 2.3 ASPECTOS AMBIENTAIS São quaisquer elementos das atividades, produtos ou serviços de uma organização que venham a interagir com o meio ambiente. Dependendo da significância do aspecto ambiental, o mesmo pode vir a causar impacto ambiental (ISO 14001:2004). IMPACTO AMBIENTAL Segundo o Artigo 1º da Resolução n.º 001/86 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), impacto ambiental é: Qualquer alteração das propriedades físicas, químicas, biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que afetem diretamente ou indiretamente: a saúde, a segurança, e o bem estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias ambientais; a qualidade dos recursos ambientais. (BRASIL, CONAMA, 1986). Já para a ISO 14001:2004, é qualquer modificação adversa ou benéfica do meio ambiente que seja resultante totalmente ou em parte da interação dos aspectos ambientais da organização com o meio. 2.4 AÇÃO CORRETIVA É qualquer ação para corrigir uma não conformidade, caso ela exista. As ações corretivas agem sobre qualquer atividadedo sistema que venha a causar impactos ambientais, ou que não estejam seguindo a politica ambiental da empresa (ISO 14001:2004). 2.5 MELHORIA CONTÍNUA É um processo de constante aprimoramento do sistema de gestão ambiental a fim de otimizar os resultados ambientais obtidos pelo mesmo, sempre tendo como base as diretrizes propostas na política ambiental da empresa (ISO 14001:2004). 2.6 AUDITORIA AMBIENTAL A norma ISO 14001:2004 define auditoria como um processo sistemático, independente e documentado para obter evidência e avaliá-la objetivamente para determinar a extensão na qual os critérios de auditoria do SGA são estabelecidos pela organização. Além dos conceitos esclarecidos na ISO, podem ser ressaltadas outras definições importantes para o entendimento da pesquisa e implantação do sistema de gestão tais como: desenvolvimento sustentável, resíduos, efluentes industriais e produção mais limpa. Para Romeiro (2012) o desenvolvimento sustentável pode ser atingido aliando a melhoria da qualidade de vida das pessoas a técnicas de redução de impactos causados pelo aumento do consumo e demanda sobre os recursos naturais. No que se refere a resíduos, pode ser citada a definição da norma da ABNT, NBR 10.004:2004: Resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções, técnica e economicamente, inviáveis em face à melhor tecnologia disponível. (NBR 10.004:2004) A Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305 de 2010, fornece a seguinte definição para resíduos sólidos: Material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d‟água, ou exijam para isso soluções técnicas ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível. (BRASIL, Politica Nacional de Resíduos Sólidos, 2010). Para efluentes industriais a Norma Brasileira - NBR 9800/1987 define como: o despejo líquido proveniente do estabelecimento industrial, compreendendo emanações de processo industrial, águas de refrigeração poluídas, águas pluviais poluídas e esgoto doméstico. 2.7 SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL Um SGA é a parte da gestão relacionada com a situação ambiental da organização que opta por sua implantação, se vale de várias diretrizes para aumentar seu desempenho ambiental. Utiliza uma estrutura de elementos que se inter-relacionam para atender os critérios estabelecidos na política ambiental, através de planejamentos, procedimentos, práticas, definição de responsabilidades, estabelecimentos de metas e objetivos ambientais (ISO 14001:2004). Para a elaboração do SGA são definidos os requisitos da norma ISO 14001:2004, sendo eles: requisitos gerais, política ambiental, aspectos ambientais, requisitos legais e outros, objetivos, metas e programas, recursos, funções, responsabilidades e autoridades, competência, treinamento e conscientização, comunicação, documentação, controle de documentos, controle operacional, preparação e resposta à emergência, monitoramento e medição, avaliação do atendimento a requisitos legais e outros, não conformidade, ação corretiva e preventiva, controle de registros, auditoria interna e análise pela administração (DERÍSIO, 2012). 2.8 ISO 14001 Um SGA segundo a ISO 14001:2004 permite a uma organização desenvolver uma política ambiental, estabelecer objetivos e processos para o seu cumprimento, agir, conforme necessário, para melhorar continuamente seu desempenho ambiental, verificar e demonstrar a conformidade do sistema com os requisitos legais, da norma e aqueles com os quais a organização decide voluntariamente aderir. A finalidade geral do SGA proposto na ISO 14001:2004 é equilibrar a proteção ambiental e a prevenção de poluição com as necessidades econômicas das organizações (LONGO, MACEDA E CALIXTO, 2013). Essas etapas a serem seguidas são todas apontadas e descritas detalhadamente na norma, devem ocorrer de maneira cíclica e sistemática, por isso fazem parte do chamado ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Action), ou seja, planejar, fazer, verificar e agir, conforme observado na figura 01. A política ambiental servirá de norte para o planejamento e funcionamento do SGA, que posteriormente será verificado e corrigido. Figura 1- Ciclo PDCA Fonte: Norma ISO 14001:2004. 2.9 INDÚSTRIA MOVELEIRA NO BRASIL A indústria moveleira do Brasil tem histórica especialização na produção de artigos confeccionados com madeira, já que fatores geográficos e climáticos favorecem a oferta em abundância de insumos de origem florestal no país. Alguns tipos de produtos admitem processos de fabricação com elevada automação, como os móveis retilíneos elaborados com madeiras reconstituídas (Medium-Density Fiberboard, (MDF) e Medium-Density Particleboard (MDP)), enquanto outros demandam grande quantidade de trabalhos manuais, como os móveis artesanais de madeira maciça. Coexistem no setor empresas de porte médio ou grande que produzem em massa, empregando máquinas e equipamentos de elevado conteúdo tecnológico, empresas parcialmente automatizada além de micro e pequenas empresas intensivas em trabalho. O setor é marcado também pela existência de muitos nichos que advêm de uma complexa segmentação que combina elementos como: o tipo de uso – móveis residenciais, de escritório e institucionais –, o material predominante em sua EMBALAGEM MONTAGEM ACABAMENTO USINAGEM SECAGEM RECEPÇÃO confecção, à classe de consumo para a qual é projetado (A, B, C, D ou E) e até mesmo a faixa etária dos prováveis usuários (GALINARI, TEIXEIRA JUNIOR E MORGADO, 2013). Segundo Leão e Naveiro (2015) em geral a produção se baseia nos seguintes itens (Figura 2). Figura 2- Fluxograma processo produtivo genérico Fonte: A autora (2019). 3. METODOLOGIA Para a proposta de elaboração do SGA, as etapas realizadas foram as de levantamento bibliográfico, construção da matriz de aspectos e impactos baseada no estudo de Pedroso (2010), além da construção de uma análise de Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats (SWOT), criação da Política Ambiental e sugestão de programas ambientais. A primeira etapa realizada foi o levantamento bibliográfico, por meio de pesquisas em monografias, teses, sites eletrônicos, revistas científicas, legislações federais, estaduais e municipais, além da ISO 14001, estudos de Pinto e Cruz (2013) e Longo, Maceda e Calixto (2013) que priorizaram em seus trabalhos este método como elemento inicial no processo de construção científica. Baseando-se na matriz de significância criada por Pedroso (2010) que esclarece as peculiaridades de cada aspecto e impacto identificados no decorrer do processo produtivo e traz consigo uma gama de informações a respeito do mesmo, detalhando cada setor e suas atividades e caracterizando- os a partir de alguns parâmetros, foi elaborado o quadro 03. Quadro 3 - Parâmetros utilizados para construção da matriz NÚMERO ASPECTO/PERIGO Número sequencial do aspecto/perigo SETOR Nome dos setores que geram aspectos/perigo ATIVIDADE Atividade geradora do aspecto/perigo ASPECTO/PERIGO Identifica o aspecto ambiental ou perigo a saúde e segurança no trabalho associado a atividade SITUAÇÃO DA ATIVIDADE Identifica a situação da atividade: normal (atividade de operaçãonormal), anormal (atividade de operação anormal, tal como manutenção, parada e partida de equipamentos e emergências de pequeno porte) ou emergencial (emergência de médio ou grande porte) TEMPORARIEDADE Indica se o aspecto/perigo é presente, passado ou futuro ORIENTAÇÃO Classifica entre positivo, caso traga benefícios, ou negativos quando causar malefícios LEGISLAÇÃO ASSOCIADA Relaciona se existe ou não legislação ambiental de saúde ou segurança do trabalho aplicada aos aspectos/perigos levantados. Escala: caracteriza a extensão dos impactos ambientais e riscos avaliados ESCALA Caracteriza a extensão dos impactos ambientais e riscos avaliados. SEVERIDADE (IMPORTÂNCIA) Caracteriza a importância de consequências diretas e indiretas que o impacto possa acarretar ao meio ambiente e que os riscos possam acarretar na saúde e na segurança no trabalho DURAÇÃO (TEMPO)/PROBABILIDADE Caracteriza o diferencial de tempo de permanência do impacto/risco avaliado. VALOR Calcular a significância através da seguinte fórmula: CLASSIFICAÇÃO Não significante para resultado igual a 1; Significante para resultado maior que 1 NECESSIDADE DE MEDIDA DE CONTROLE Identifica a necessidade ou não de medida de controle NÍVEL DE PRIORIZAÇÃO Prioriza por nível, os impactos/riscos significantes que necessitam de medidas de controle, utilizando o resultado do cálculo do valor. LEGISLAÇÃO ASSOCIADA Relaciona o aspecto/perigo com as legislações federais, estaduais e municipais vigentes, para seu controle. Fonte: Pedroso, 2010 A partir da matriz de significância e conclusão sobre as diversas variáveis concernentes à empresa, foi aplicada a análise de SWOT que basicamente consiste no estudo de pontos fortes e fracos, possibilidades de melhorias e os riscos a que a empresa está sujeita. 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA INDÚSTRIA A realização desta pesquisa possui caráter estritamente acadêmico, portanto foi firmado um termo de compromisso para não revelar a identidade da empresa no qual foi realizada a pesquisa. Dessa forma, a indústria será chamada de empresa X. A empresa X atua no mercado há 28 anos, com sede no município de Paragominas e uma filial na cidade de Belém no ramo de fabricação de móveis em geral como guarda-roupas, balcões e armários, produzidos em MDF, em um regime de funcionamento de 8 horas diárias. Possui 3 (três) linhas de produção, entre elas há uma com caráter ecológico. A área ocupada pelo empreendimento não é localizada no centro da cidade diminuindo assim, o tráfego e a possibilidade de transtornos às suas atividades. A empresa contempla uma área útil dividida entre administrativo e produção. O corpo hídrico mais próximo encontra-se a 1.250 metros, oque aliado com a baixa geração de efluentes líquidos dificulta a possibilidade de contaminação hídrica. Na circunvizinhança da indústria não há diversidade de animais visível, devido à ausência de vegetação. A matéria-prima utilizada na produção majoritariamente é MDF, que representa 87% dos insumos, porém há também a utilização de vidro e metal que representam 8 e 5%, respectivamente. Resíduos são gerados, como serragem/pó, resíduos provenientes da cabine de pintura, sobras de papéis e papelões, vidros e bordas plásticas, onde são acondicionados em containers. Resíduos provenientes do beneficiamento da madeira são destinados à queima em olaria, o restante como papéis e papelões, vidros e bordas plásticas são destinados ao aterro sanitário municipal. Para o controle das emissões atmosféricas a indústria conta com exaustor, coletor de pó, silo, cortina d‟água e filtro de manga. A empresa não possui uma política ambiental, porém já foram realizados investimentos como compras de máquinas e equipamentos com a finalidade de desenvolver produtos e/ou processos mais “limpos”, além disso, a empresa promove desenvolvimento de produtos com apelo ecológico, melhoria do ambiente de trabalho e produção mais limpa. RECEPÇÃO CORTE COLAGEM USINAGEM LIXAMENTO PINTURA EXPEDIÇÃO 3.2 CARACTERIZAÇÃO DO PROCESSO PRODUTIVO As fases do processo produtivo podem ser identificadas contendo etapas como recebimento da matéria-prima, corte, montagem (colagem, usinagem e lixamento), pintura, embalagem e expedição, conforme ilustrado na figura 5. Pelo fato da matéria-prima não ser beneficiada na indústria, a mesma já chega pronta ao empreendimento. Figura 5 - Fluxograma do processo produtivo da empresa Fonte: A autora (2019) O quadro 04 ilustra as etapas e suas respectivas entradas e saídas. Quadro 4 - Entrada e saída das fases FASE ENTRADA SAÍDA Recepção Matéria- Prima Resíduos Sólidos Corte Matéria-Prima e Energia Elétrica Ruído, Resíduos Sólidos e Emissões atmosféricas Montagem Matéria-Prima e Energia Elétrica Resíduos Sólidos Pintura Matéria-Prima e Energia Elétrica Ruído, Resíduos Sólidos, Emissões atmosféricas e Efluente Líquido Expedição Matéria-Prima Resíduos Sólidos Fonte: A autora (2019). 3.2.1 Análise de SWOT A análise de SWOT faz parte do plano de marketing, que se inicia montando um inventário de todas as forças e fraquezas internas da organização. Seu objetivo permite um olhar focado nas oportunidades e ameaças que compõem o negócio, possibilitando desenvolver e fixar uma melhor estratégia empresarial (LACHINI et al, 2014). Conhecer a rotina administrativa e produtiva da indústria possibilitou conhecer aos fatores internos (pontos fortes e fracos) e externos (oportunidades e ameaças), com a aplicação da análise de SWOT, a seguir: Quadro 7 - Análise de SWOT SWOT POSITIVOS NEGATIVOS INTERNOS PONTOS FORTES: - Localização privilegiada; - Preocupação ambiental; - Preços competitivos; - Linha com apelo ecológico; -Conhecimento do segmento; - Pessoal qualificado; e -Geração de emprego e renda. PONTOS FRACOS: - Falta de sinalização; e -Desconforto térmico no setor de produção Continua... Quadro 7 – Análise de SWOT Conclusão SWOT POSITIVOS NEGATIVOS EXTERNO OPORTUNIDADES: - Proposta inovadora; - Mercado nacional; -Quebra de barreiras de mercados internacionais; - Marketing; e - Valorização de produtos do setor moveleiro AMEAÇAS: - Concorrência; - Crise econômica; - Mudanças na legislação; - Desmatamento; e -Aparecimento de novas tecnologias Fonte: A autora (2019) Segundo Lanchini, et al (2014) os pontos fortes são todos os fatores que proporcionam benefícios competitivos da organização em relação aos concorrentes ou ao exercício de qualquer atividade, sendo eles capacidades administrativa diferenciada, recursos financeiros ou humanos, domínio de tecnologias e outros mais. A indústria apresenta como pontos fortes a localização privilegiada, por ser mais distante do centro da cidade e não causar transtornos diretos à população, possuindo vias de acessos que facilitam a entrada e saída de produtos. Outro ponto forte é o preço competitivo e a linha com apelo ecológico, devido a indústria apresentar várias linhas de produção, incluindo a ecológica, o que abrange um maior número de clientes, além do conhecimento do segmento e do pessoal qualificado, onde os funcionários entendem sua função e sua importância para a indústria. Os pontos fracos encontrados na indústria foram relativamente poucos, podem ser citados a falta de sinalização que pode causar acidentes e transtornos, como no caso de equipamentos mal manuseados ou a falta de algum EPI e o desconforto térmico no setor de produção o que pode causar doenças aos trabalhadores e consequente diminuição da produção, além de indenizações por danos. Lanchiniet al (2014) relata que não é necessário corrigir todas as fraquezas, a grande questão é se a organização deve se limitar para as oportunidades, buscando formas de converte-las em suas forças. Tratando das oportunidades de crescimento que a empresa almeja, devem ser consideradas algumas variáveis que podem fazê-las alcançar outros patamares de desenvolvimento, por meio da observação de fatores externos que contribuem e influenciam na dinâmica da indústria. 3.2.2 Programas ambientais Os programas criados representam um conjunto de diretrizes e regras que facilitam o alcance dos objetivos e metas e estão direcionados à gestão dos principais aspectos e impactos identificados na empresa. 3.2.3 Programa de gerenciamento de efluentes industriais Este programa será aplicado na estrutura organizacional da empresa, mas principalmente no processo de pintura (cabine de pintura), e caberá ao operador desse processo executar os procedimentos do programa e ao proprietário é a dada a responsabilidade de supervisionar a execução. As responsabilidades e os requisitos de minimização em 10% de lançamento, controle, tratamento adequado e disposição final, devem estar de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos ambientais e legislações vigentes. 3.2.4 Programa de gerenciamento de resíduos sólidos (PGRS) O PGRS está direcionado a todos os setores e envolvido na produção e ao setor administrativo. Deverá ser conhecido e praticado por todos os colaboradores, assim como prevê a responsabilidade compartilhada descrita na Lei nº 12.305/2010, Política Nacional de Resíduos Sólidos. Este programa busca alcançar a diminuição esperada a fim de reduzir os impactos causados por esse aspecto ambiental, voltando-se especialmente aos resíduos provenientes do material de MDF, além de propor maneiras de gerenciar os outros tipos de resíduos produzidos pela empresa. Os principais vestígios gerados são aparas de madeira, papelões, embalagens plásticas, serragem, fitas de revestimento, lixo comum, latas de tinta e perfil de alumínio. Os resíduos sólidos deverão ser segregados de acordo com a norma NBR-10 004 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) onde os resíduos são classificados em: Classe I - Perigosos: são os que apresentam riscos ao meio ambiente e exigem tratamento e disposição especiais, ou que apresentam riscos à saúde pública; Classe IIA - Não-Inertes: são basicamente os resíduos com as características do lixo doméstico. Classe IIB - Inertes: são os resíduos que não se degradam ou não se decompõem quando dispostos no solo, são resíduos como restos de construção, os entulhos de demolição, pedras e areias retirados de escavações. 3.2.5 Programa de educação ambiental O programa de educação ambiental irá buscar a conscientização e capacitação de seus colaboradores, de modo geral, para a responsabilidade com o meio ambiente, utilizando como ferramenta, palestras abordando: Estímulo às práticas socioambientais; Aspectos, impactos e passivos ambientais; Processo produtivo e respectivos aspectos ambientais; Sistema de coleta seletiva; Política ambiental. As palestras deverão ocorrer regularmente a cada três meses, em uma jornada de dois dias. Um dia de palestras será destinado à direção da empresa que será orientada sobre como proceder na supervisão sobre a execução dos programas e procedimentos de produção. O outro dia será voltado para os colaboradores e funcionários, relacionados a produção e abordará temas acerca da importância da execução dos programas, assim como das práticas socioambientais. Por fim, deverá haver uma assembleia geral com todos os colaboradores e diretores, visando um esclarecimento, no intuito de reforçar a necessidade da cooperação geral para o propósito da melhoria da qualidade ambiental. 3.2.6 Programa de controle de poluição atmosférica Este programa será aplicado nos equipamento de controle de particulados das máquinas que são usadas durante o processo produtivo, principalmente na etapa de corte. Estabelecerá o desenvolvimento de ações para mitigar os impactos ambientais decorrentes da emissão de poluentes atmosféricos provenientes do processo produtivo, além de preservar a qualidade do ar nas localidades onde opera, por meio da utilização de meios de monitoramento e prevenção. Tendo em vista a crescente preocupação da sociedade e dos órgãos ambientais no que diz respeito ao Padrão da Qualidade do Ar, a empresa X produzirá o Programa de Controle de Poluição Atmosférica. O poluente atmosférico desta empresa será considerado de acordo com a resolução n° 3 de 28/06/1990 do CONAMA, que dispõe sobre padrões de qualidade do ar, previstos no PRONAR. De acordo com os equipamentos utilizados e análise de cada um, os filtros de manga foram considerados a melhor tecnologia a ser aplicada. Uma das vantagens desse equipamento está atrelada à economia, devido sua capacidade de filtrar grandes volumes de gases, em conformidade com os requisitos de economia de energia (NOBRE, CAMILO E ALVES, 2013). Como foi possível identificar durante o processo produtivo, a fase de corte é a que mais lança material particulado para a atmosfera, por isso necessita de medidas de controle expressivas. 4 IMPLEMENTAÇÃO E OPERAÇÃO: 4.1 ESTRUTURA E RESPONSABILIDADES: A responsabilidade final e mais importante é atribuída à alta administração da empresa. Porém, dever ser atribuídos aos diferentes setores da empresa X grupos de trabalho e suas respectivas responsabilidades com o objetivo de facilitar a aplicabilidade do sistema. 4.2 TREINAMENTO, CONSCIENTIZAÇÃO E COMPETÊNCIA: Como requisito da norma ISO 14001:2004, a empresa deverá definir que os treinamentos sejam ministrados aos seus funcionários de modo a desenvolver as competências e disseminar a cultura de preservação ambiental. Os treinamentos devem envolver palestras, seminários, cursos e eventos, a fim de incentivar o envolvimento ao SGA e o entendimento das questões a ele relacionadas. 4.3 COMUNICAÇÃO Para a realização da comunicação, poderão ser definidos meios como elaboração de cartazes, criação de murais internos, utilização de e-mail, Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), criação de site, realização de treinamentos. O sistema de comunicação é uma especificação relacionada para comunicar as partes interessadas do andamento monitorado do SGA, sendo uma ferramenta primordial entre os diferentes setores empresa X. 4.4 DOCUMENTAÇÃO DO SGA Os documentos devem ser identificados com relação à localidade correspondente na organização, além de periodicamente analisados de forma crítica, revisados como necessário e aprovados quanto a adequação por pessoal autorizado antes da emissão. As versões correntes de documentos devem estar disponíveis em todos os locais onde operações essenciais para o funcionamento efetivo do sistema sejam realizadas. Os documentos obsoletos devem ser removidos de todos os pontos de emissão e de uso ou de outra forma assegurados contra o uso não intencional. Vale ressaltar que o acesso deve ser permitido a todos. 4.5 CONTROLE OPERACIONAL A principal relevância desse procedimento é o contato direto com as operações realizadas e cada posto de trabalho. Deverão ser estabelecidos os esforços para minimizar ou eliminar ruídos, poeiras, resíduos, dentre outros. Esta fase deverá ser trabalhada de forma efetiva com os colaboradores, implementando os princípios de prevenção da poluição em situações de rotina e emergenciais. 4.6 PREPARAÇÃO E ATENDIMENTO À SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIAS É importante a criação de uma equipe de caráter ambiental para identificar potenciais de emergência e realizar simulações caso ocorram tais situações, no intuito de treinar os funcionários e aperfeiçoar o plano de emergência. 4.7 AUDITORIA INTERNA Determinará se o SGA está em conformidade com os arranjosplanejados para a gestão e se foi adequadamente implantado e mantido, além de fornecer informações à administração sobre os resultados das auditorias. Os auditores podem ser selecionados internamente ou contratados. O programa de auditoria pode ser estabelecido para um ou mais anos e normalmente o mês ou dias em que a auditoria será realizada também são estabelecidos podendo a auditoria ser programada de forma parcial ao longo do ano. Resumidamente, após serem analisadas todas as diretrizes abordadas pela ISO 14001:2004 foi elaborado o quadro 09, o qual aborda em linhas gerais as conformidades e não conformidade da empresa X. Quadro 9 - Conformidade com a ISO 14001 ITEM DA NORMA CONFORMIDADE NÃO CONFORMIDADE Aspectos ambientais X Requisitos legais e outros X Objetivos, metas e programas X Estrutura e responsabilidade X Treinamento, conscientização e competência X Comunicação X Documentação do SGA X Controle operacional X Preparação e atendimento à situações de emergência X Monitoramento e medição X Avaliação do atendimento a requisitos legais e outros X Ação corretiva e ação preventiva X Controle de registros X Auditoria interna X Análise pela administração X Fonte: A autora (2019). 5. CONCLUSÕES A proposta de elaboração do SGA para a referida indústria mostrou-se importante considerando que a mesma possa corrigir suas não conformidades, aperfeiçoar seus processos e adequar-se cada vez mais ao conceito de produção sustentável. O uso da analise de SWOT mostrou-se relevante para analisar os pontos fortes e fracos da empresa permitindo que a mesma possa utilizar seus resultados para potencializar suas atividades (pontos fortes) e tentar mitigar e evitar possíveis acontecimentos que venham a prejudicar sua dinâmica (pontos fracos) Os programas ambientais foram elaborados tendo como foco os principais impactos identificados, e se faz necessária aplicação correta dos procedimentos estabelecidos para estes programas, para que assim possam ser corrigidas as não conformidades e sejam minimizados os impactos causados pela atividade da empresa. Assim como a gestão dos resíduos a empresa também mostrou-se à frente no que diz respeito ao controle de poluentes atmosféricos sendo equipada com filtros, exaustores e outras tecnologias importantes para a gestão dos lançamentos à atmosfera. O perfil da empresa estudada pode ser definido como uma organização preocupada em atender aquilo que é previsto nas legislações voltadas à questão ambiental, trazendo benefícios às sua imagem perante aos órgãos ambientais, à sociedade consumidora e ao mercado externo. No que diz respeito a prazos, estima-se para que uma implantação adequada do SGA são necessários 03 anos. 6. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR – ISO 14001 – Sistema de Gestão ambiental – Requisitos com orientações para uso. Rio de Janeiro, 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 10004: Resíduos sólidos- Classificação. Rio de Janeiro, maio de 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR –ISO 14001 – Sistema de Gestão ambiental – Requisitos com orientações para uso. Rio de Janeiro, 2004. BRASIL. Lei Nº 12.305, de 02 de agosto de 2010. Disponível em: < http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 20 de junho de 2015. BRASIL. Conselho Nacional de Meio Ambiente. Resolução Nº 001, de 23 de janeiro de 1986. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/conama>. Acesso em: 10 de julho de 2015. BRASIL. Conselho Nacional de Meio Ambiente. Resolução Nº 001, de 08 de março de 1990. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/conama>. Acesso em: 10 de julho de 2015. BRASIL. Conselho Nacional de Meio Ambiente. Resolução Nº 003, de 28 de junho de 1990. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/conama>. Acesso em: 10 de julho de 2015. BRASIL. Lei Nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Disponível em: <http/ www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938>. Acesso em: 25 de junho de 2015. CERUTI, Fabiane Cristina; SILVA, MLN da. 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