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LEI DE TERRORISMO

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Edição 2022
Lei de Terrorismo
Edição 2023.1
Revisada
Atualizada
Ampliada
 Lei 13.260/2016
 
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CS – TERRORISMO 2023.1 1 
 
TERRORISMO – LEI 13.260/16 
APRESENTAÇÃO................................................................................................................................ 2 
1. MANDADOS DE CRIMINALIZAÇÃO (MANDADOS DE PENALIZAÇÃO) ................................. 3 
 CONCEITO ............................................................................................................................ 3 
 EXEMPLOS ........................................................................................................................... 3 
2. CONTEXTO FÁTICO ................................................................................................................... 3 
3. LEI 13.260/2016 ........................................................................................................................... 4 
4. TERRORISMO ............................................................................................................................. 4 
 (IN)EXISTÊNCIA DO CRIME DE TERRORISMO NO BRASIL ANTES DA LEI 13.260/16 5 
 CONCEITO E PREVISÃO LEGAL ........................................................................................ 5 
 BEM JURÍDICO TUTELADO ................................................................................................ 7 
 SUJEITOS DO CRIME .......................................................................................................... 7 
4.4.1. Sujeito ativo .................................................................................................................... 7 
4.4.2. Sujeito passivo ............................................................................................................... 8 
 TIPO OBJETIVO ................................................................................................................... 8 
 TIPO SUBJETIVO ................................................................................................................. 8 
4.6.1. Dolo ................................................................................................................................ 8 
4.6.2. Especial motivo de agir .................................................................................................. 8 
4.6.3. Especial fim de agir ........................................................................................................ 9 
 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA .......................................................................................... 10 
 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA DO CRIME DE TERRORISMO DO ART. 2º, CAPUT 
DA LEI 13.260/2016 ....................................................................................................................... 10 
 DISTINÇÃO ENTRE TERRORISMO E ATOS DE TERRORISMO ................................... 10 
 MANIFESTAÇÕES SOCIAIS E TERRORISMO ................................................................ 11 
5. ORGANIZAÇÃO TERRORISTA ................................................................................................. 11 
 PREVISÃO LEGAL ............................................................................................................. 11 
 CONCEITO .......................................................................................................................... 12 
6. PREPARAÇÃO DE TERRORISMO ........................................................................................... 12 
 PREVISÃO LEGAL ............................................................................................................. 12 
 ITER CRIMINIS ................................................................................................................... 12 
 RECRUTAMENTO DE COMBATENTES TERRORISTA .................................................. 13 
7. FINANCIAMENTO AO TERRORISMO E ÀS ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS ................... 14 
 PREVISÃO .......................................................................................................................... 14 
 CLASSIFICAÇÃO ................................................................................................................ 15 
8. DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ NA LEI 13.260/2016 ............ 15 
9. JUIZ NATURAL PARA O PROCESSO E JULGAMENTO DOS CRIMES PREVISTOS NA LEI 
13.260/2016 ....................................................................................................................................... 16 
10. ATRIBUIÇÕES INVESTIGATÓRIAS EM RELAÇÃO AOS CRIMES PREVISTOS NA LEI 
13.260/2016 ....................................................................................................................................... 16 
11. APLICAÇÃO DAS DISPOSIÇÕES DA LEI DAS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS PARA A 
INVESTIGAÇÃO, PROCESSO E JULGAMENTO DOS CRIMES PREVISTO NA LEI 
ANTITERRORISMO .......................................................................................................................... 16 
12. CABIMENTO DE PRISÃO TEMPORÁRIA ............................................................................. 17 
 
 
 
 
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APRESENTAÇÃO 
 
Olá! 
Inicialmente gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja 
útil na sua preparação, em todas as fases. Quanto mais contato temos com uma mesma fonte de 
estudo, mais familiarizados ficamos, o que ajuda na memorização e na compreensão da matéria. 
O Caderno Legislação Penal Especial – Terrorismo possui como base as aulas do professor 
Renato Brasileiro, do Curso G7 Jurídico. 
Dois livros foram utilizados para complementar nosso CS de Legislação Penal Especial: a) 
Legislação Criminal para Concursos (Fábio Roque, Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar), 
ano 2019 e b) Legislação Criminal Comentada (Renato Brasileiro), ano 2020, ambos da Editora 
Juspodivm. 
Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito 
(www.dizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum de 
Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito). 
Destacamos: é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da 
semana para ler no site do Dizer o Direito. 
Ademais, no Caderno constam os principais artigos da lei, mas, ressaltamos, que é 
necessária leitura conjunta do seu Vade Mecum, muitas questões são retiradas da legislação. 
Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina 
+ informativos + súmulas + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você 
faça uma boa prova. 
Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito 
importante! As bancas costumam repetir certos temas. 
Vamos juntos! Bons estudos! 
Equipe Cadernos Sistematizados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1. MANDADOS DE CRIMINALIZAÇÃO (MANDADOS DE PENALIZAÇÃO) 
 CONCEITO 
Segundo Alberto Silva Franco (Crimes Hediondos), mandado de criminalização é uma 
norma constitucional que cria para o legislador infraconstitucional a obrigação de criminalizar certas 
condutas que atentam contra o bem jurídico. Significa dizer que o bem jurídico é relevante, por isso 
a própria Constituição Federal traz a previsão. 
 EXEMPLOS 
Há, ao longo da CF, uma série de mandados de criminalização. Assim segue: 
• Art. 5º, XLII: a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à 
pena de reclusão, nos termos da lei; 
• Art. 5º, XLIII: a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a 
prática da tortura (Lei 9.455/97), o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins (Lei 
11.343/06), o terrorismoe os definidos como crimes hediondos (Lei 8072/90), por eles 
respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; 
O terrorismo foi o último mandado de criminalização a ser atendido 
pelo legislador infraconstitucional, 28 anos após a promulgação da 
CF/88. 
• Art. 5º, XLIX: constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, 
civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; 
• Art. 173, § 5º: a lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da pessoa 
jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a às punições compatíveis 
com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem econômica e financeira e contra 
a economia popular; 
• Art. 225, § 3º: as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente 
sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, 
independentemente da obrigação de reparar os danos causados; 
• Art. 226, § 8º: o Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos 
que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações; 
• Art. 227, § 4º: a lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da 
criança e do adolescente. 
2. CONTEXTO FÁTICO 
Apenas em 2016 foi editada a Lei Antiterrorismo, sendo um legado dos jogos olímpicos 
ocorridos na Cidade do Rio de Janeiro, uma vez que foi imposta ao Brasil pela comunidade 
 
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internacional. Além disso, o Brasil sofria pressão internacional para a criminalização do terrorismo 
em razão do crime de lavagem de capitais. 
3. LEI 13.260/2016 
Art. 1º Esta Lei regulamenta o disposto no inciso XLIII do art. 5º da 
Constituição Federal, disciplinando o terrorismo, tratando de disposições 
investigatórias e processuais e reformulando o conceito de organização 
terrorista. 
 
Ressalta-se que a Lei 13.260/2016 criou 4 figuras delituosas, quais sejam: 
1) Terrorismo (art. 2º); 
2) Organização terrorista (art. 3º); 
3) Atos preparatórios de terrorismo (art. 5º); 
4) Financiamento de terrorismo (art. 6º). 
É mister evidenciar, em continuidade, o disposto no inciso XLIII do art. 5º da Constituição 
Federal: 
Art. 5º, XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça 
ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, 
o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os 
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; 
 
Observando-se o dispositivo constitucional acima exposto, percebe-se que apenas o crime 
de terrorismo é equiparado a hediondo. Diante disso, indaga-se: todas as figuras delituosas estão 
abrangidas ou apenas a do art. 2º da Lei 13.260/2016? 
Há, na doutrina, 2 correntes: 
• 1ª corrente (ampliativa): todos os crimes previstos na Lei 13.260/2016 (terrorismo, 
organização terrorista, atos preparatórios de terrorismo e financiamento ao terrorismo) 
são equiparados a hediondo. 
• 2ª corrente (restritiva): apenas o delito do art. 2º é considerado terrorismo. Portanto, 
apenas este será considerado hediondo. 
Obs.: os demais delitos, apesar de não serem equiparados a 
hediondos, terão as disposições da Lei dos Crimes Hediondos 
aplicadas, conforme o art. 17 da Lei 13.260/2016. 
Art. 17. Aplicam-se as disposições da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, 
aos crimes previstos nesta Lei. 
4. TERRORISMO 
 
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 (IN)EXISTÊNCIA DO CRIME DE TERRORISMO NO BRASIL ANTES DA LEI 13.260/16 
Entre o advento da Constituição Federal de 1988 e a Lei 13.260/2016, que entrou em vigor 
em 18 de março de 2016, há divergência em relação à previsão do delito de terrorismo na legislação 
brasileira. 
Verifica-se, para tanto, as correntes que tratam sobre o assunto: 
• 1ª corrente (minoritária): entende-se que a antiga Lei 7.170/83 (Lei de Segurança 
Nacional), em seu art. 20, já trazia a previsão do delito de terrorismo 
Art. 20 - Devastar, saquear, extorquir, roubar, sequestrar, manter em cárcere 
privado, incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou 
atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos 
destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou 
subversivas. 
 
• 2ª corrente (majoritária): para o doutrinador Alberto Silva Franco, não havia previsão 
legal. Sustentava-se que considerar o terrorismo como crime, nos termos do art. 20 da 
Lei 7.170/83, era uma clara violação ao princípio da legalidade, por se referir 
genericamente a atos de terrorismo, sem definir seu significado. 
No mesmo sentido, o STF segue a 2ª corrente (PPE 730), afirmando que o delito de 
terrorismo não estaria previsto no ordenamento jurídico brasileiro. 
Contudo, com a vigência da Lei 13.260/2016, o terrorismo passou a ser previsto pelo 
ordenamento jurídico brasileiro. 
 CONCEITO E PREVISÃO LEGAL 
O delito de terrorismo está previsto no art. 2º da Lei 13.260/2016, in verbis: 
Art. 2º O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos 
previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito 
de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar 
terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz 
pública ou a incolumidade pública. 
§ 1º São atos de terrorismo: 
I - Usar ou ameaçar usar, transportar, guardar, portar ou trazer consigo 
explosivos, gases tóxicos, venenos, conteúdos biológicos, químicos, 
nucleares ou outros meios capazes de causar danos ou promover destruição 
em massa; 
IV - sabotar o funcionamento ou apoderar-se, com violência, grave ameaça a 
pessoa ou servindo-se de mecanismos cibernéticos, do controle total ou 
parcial, ainda que de modo temporário, de meio de comunicação ou de 
transporte, de portos, aeroportos, estações ferroviárias ou rodoviárias, 
hospitais, casas de saúde, escolas, estádios esportivos, instalações públicas 
ou locais onde funcionem serviços públicos essenciais, instalações de 
geração ou transmissão de energia, instalações militares, instalações de 
exploração, refino e processamento de petróleo e gás e instituições bancárias 
e sua rede de atendimento; 
 
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V - atentar contra a vida ou a integridade física de pessoa: 
Pena - reclusão, de doze a trinta anos, além das sanções correspondentes à 
ameaça ou à violência. 
§ 2º O disposto neste artigo não se aplica à conduta individual ou coletiva de 
pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, 
religiosos, de classe ou de categoria profissional, direcionados por propósitos 
sociais ou reivindicatórios, visando a contestar, criticar, protestar ou apoiar, 
com o objetivo de defender direitos, garantias e liberdades constitucionais, 
sem prejuízo da tipificação penal contida em lei. 
 
Destaca-se que a maioria dos atos descritos já são considerados crimes pelo CP, mas serão 
considerados crime de terrorismo quando cometidos por razões de xenofobia, discriminação ou 
preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror 
social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade 
pública. 
Tem-se, ademais, as seguintes observações acerca do delito de terrorismo: 
• O terrorismo é um crime unissubjetivo, uma vez que pode ser cometido individualmente, 
sem prejuízo de ser praticado em concurso de pessoas; 
• O delito de terrorismo possui um especial motivo de agir (razões de xenofobia, 
discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião). Por isso, os ataques do PCC, 
por exemplo, não podem ser considerados como atentados terrorista; 
• O crime de terrorismo, além de ter um especial interesse de agir (motivo),possui um 
especial fim de agir (para que), qual seja: provocar terror social ou generalizado; 
• Trata-se de crime de perigo concreto, pois é necessária a demonstração que o ato de 
terrorismo expôs, efetivamente, a situação de perigo; 
• O parágrafo primeiro não traz crimes de terrorismo, mas sim atos que levam a prática do 
delito (rol taxativo). Representam, portanto, condutas-meio para que o crime seja 
executado. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC-CE - Escrivão de Polícia - IDECAN - 2021): Configura ato de terrorismo 
sabotar o funcionamento de instituições bancárias com o objetivo de provocar 
terror social, servindo-se de mecanismos cibernéticos. Correto. 
 
(PC-SP - Delegado - VUNESP - 2018): São atos de terrorismo incendiar, 
depredar, saquear, destruir ou explodir meios de transporte ou qualquer bem 
público ou privado. Errado. 
 
(PC-SP - Delegado - VUNESP - 2018): São atos de terrorismo incendiar, 
interferir, sabotar ou danificar sistemas de informática ou bancos de dados, 
quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado. 
Errado. 
 
(ABIN - Oficial de Inteligência - CESPE - 2018): Para que o uso de 
explosivos, gases tóxicos, conteúdos biológicos ou nucleares capazes de 
causar danos ou destruição em massa caracterize terrorismo, deve-se expor 
 
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a perigo a incolumidade pública com a finalidade de provocar terror 
generalizado, por motivo de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, 
cor, etnia e religião. Correto. 
 
(MPE-GO - Promotor de Justiça - MPE-GO - 2016): É ato de terrorismo a 
conduta de apenas uma pessoa que, movida por preconceito religioso, 
ameaça usar gases tóxicos capazes de promover destruição em massa com 
a finalidade de provocar terror generalizado mediante a exposição da paz 
pública a perigo. Correto. 
 BEM JURÍDICO TUTELADO 
Na doutrina estrangeira, o crime de terrorismo possui, pelo menos, 3 bens jurídicos diversos, 
bem como 3 correntes, sendo elas: 
• 1ª corrente: mesmo bem jurídico tutelado pelo ato de terrorismo, haveria uma dupla 
punição. Por exemplo, explodir uma bomba que mata dez pessoas, haveria dez 
homicídios e o terrorismo. Confunde crime de terrorismo com atos de terrorismo, por isso 
deve ser descartada. 
• 2ª corrente: o terrorismo é um atentado contra a democracia, pois é um ato praticado 
por motivações políticas. Em alguns países, o crime de terrorismo possui em sua 
tipificação a finalidade de mudanças políticas. Contudo, não é o que acontece no Brasil, 
razão pela qual deve ser desconsiderada. 
• 3ª corrente: tutela-se a paz pública (sentimento coletivo de confiança/segurança). 
Segundo Renato Brasileiro, essa deve ser a corrente adotada em provas de concurso, uma 
vez que no Projeto de Novo Código Penal está inserido no Capítulo de Crimes contra a Paz Pública. 
 SUJEITOS DO CRIME 
4.4.1. Sujeito ativo 
Trata-se de crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa. Não se exige 
qualidade especial do agente. 
Nesse sentido, terrorismo é quando, com uma ou mais condutas, provoca-se um sentimento 
coletivo de pânico. Assim, é necessária uma qualidade organizacional como elementar do crime de 
terrorismo? Há divergência, conforme correntes abaixo: 
• 1ª corrente (minoritária): o crime de terrorismo pressupõe uma organização terrorista. 
Portanto, só pode ser praticado por mais de uma pessoa (crime plurissubjetivo). 
• 2ª corrente (majoritária): é um crime unissubjetivo (art. 2º da Lei 13.260/2016), sendo 
perfeitamente possível de ser praticado por um único indivíduo, a exemplo dos franco-
atiradores de W.D.C. 
Lobo solitário (lone wolf): é aquele que organiza e executa atos de 
terrorismo sozinho, sem estar conectado a um grupo e sem apoio 
 
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material para execução. O FBI tem evitado usar a expressão “lobo 
solitário”, preferindo a denominação “rato solitário”. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC-CE - Escrivão de Polícia - IDECAN - 2021): Para a prática de terrorismo 
exige-se a atuação de mais de um indivíduo. Errado. 
4.4.2. Sujeito passivo 
É a coletividade, pois trata-se de crime vago. 
 TIPO OBJETIVO 
Consiste na execução reiterada e aleatória de crimes contra bens jurídicos 
relevantes/essenciais. 
O parágrafo primeiro do art. 2º, em um rol taxativo, traz a descrição dos atos de terrorismo, 
ou seja, os meios de execução para a prática do terrorismo. 
 TIPO SUBJETIVO 
Em regra, os crimes trazem apenas o dolo (consciência e vontade) como elemento subjetivo. 
Contudo, há determinados delitos que exigem, além do dolo, um especial fim de agir, a exemplo do 
crime de terrorismo que estamos analisando. 
O dolo do crime de terrorismo é a vontade e a consciência de praticar os atos de terrorismo, 
descritos no § 2º da Lei 13.260/2016, somado ao especial motivo de agir (xenofobia, discriminação, 
preconceito de ração, cor, etnia e religião) e ao especial fim de agir (provocar temor generalizado). 
4.6.1. Dolo 
O dolo poderá ser direto ou eventual. 
Destaca-se que NÃO há terrorismo culposo. 
4.6.2. Especial motivo de agir 
Nos termos do caput do art. 2º da Lei 13.260/2016, o especial motivo de agir se dá em vitude 
das seguintes razões: 
DOLO
ESPECIAL 
MOTIVO DE 
AGIR
ESPECIAL FIM 
DE AGIR
TIPO 
SUBJETIVO 
DO 
TERRORISMO
 
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1) Xenofobia 
A expressão xenofobia é formada por dois termos: xenos (estrangeiros) + phóbos (medo), 
significando, portanto, aversão ao estrangeiro. 
2) Discriminação 
Significa promover distinção, exclusão, restrição ou preferência. Para ser crime, 
obrigatoriamente, deve ser acompanhada de preconceito. 
A discriminação poderá ser: 
a) Positiva: está presente nas ações afirmativas (mecanismos para corrigir determinados 
desvios). Ex.: cotas raciais. 
b) Negativa: tratamento desigual entre pessoas que possuem características iguais. 
3) Preconceito 
É uma opinião formada antecipadamente. 
Para caracterização da discriminação e preconceito deve haver ligação com a raça, com a 
cor, com a etnia ou com a religião. 
Obs.: o preconceito contra a orientação sexual não entra aqui. 
4) Raça 
Identificação do indivíduo segundo características físicas ou biológicas semelhantes. 
A doutrina moderna critica o conceito de raça, pois não é possível estabelecer diferenças 
entre seres humanos, uma vez que todos são iguais. 
5) Cor 
É a tonalidade da pele. 
6) Etnia 
Vínculos culturais semelhantes, a exemplo da língua. 
7) Religião 
Modo de manifestação da fé. 
4.6.3. Especial fim de agir 
É a intenção de causar terror social ou generalizado. 
Para a definição do especial fim de agir é necessário compreender o método terrorista, 
caracterizado por: 
1) Caráter aleatório ou indiscriminado de escolhas das vítimas (vítimas sem rosto); 
 
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2) Instrumentalização das vítimas (intimidação massiva); 
De acordo com a doutrina, há 2 formas de instrumentalização, quais sejam: 
a) Instrumentalização em primeiro grau: as vítimas do ataque terrorista são usadas como 
meio necessário para disseminação do terror em um grupo mais amplo da sociedade; 
b) Instrumentalização em segundo grau: visa atingir o Governo para se buscar certas 
finalidades políticas. 
3) Perspectiva de reiteração dos atos. Não se trata de um crime habitual; 
4) Terrorismo e mídia: mesmo sem querer, a mídia distribui os atentados terroristas, 
contribuindo com a disseminação do terror geral. 
Obs.: não há necessidade de finalidade política no Brasil. 
 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
O crime de terrorismo estará consumado quando restar consumado um dos atos terroristas, 
presente o especial fim de agir e o especial modo de agir. 
A tentativa é possível em algumas hipóteses, desdeque o agente inicie a execução do ato 
terrorista, mas não consiga concluir a conduta típica. Em tal hipótese, deve ser aplicada a regra do 
art. 14, parágrafo único, do Código Penal, que prevê redução da pena de 1/3 até 2/3. 
 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA DO CRIME DE TERRORISMO DO ART. 2º, CAPUT 
DA LEI 13.260/2016 
1) Crime comum: praticado por qualquer pessoa; 
2) Crime unissubjetivo: pode ser praticado por um único indivíduo; 
3) Crime de perigo concreto: exige-se a criação de uma situação de perigo; 
4) Crime formal: a produção do resultado não é necessária para a consumação do delito; 
5) Crime de ação múltipla ou conteúdo variado: há vários núcleos; 
6) Crime de intenção: exige-se um agir com ânimo; 
7) Crime de resultado cortado: será caracterizado mesmo que não cause terror social. 
 DISTINÇÃO ENTRE TERRORISMO E ATOS DE TERRORISMO 
O crime de terrorismo está previsto no caput do art. 2º e não se confunde com os atos de 
terrorismo previsto no § 1º do art. 2º da Lei 13.260/2016. 
Destaca-se que é norma penal em branco homogênea homovitelina, considerando que o 
complemento é oriundo da mesma fonte legislativa, conforme pode ser visualizado abaixo: 
 
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Art. 2º O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos 
previstos neste artigo (norma penal em branco), por razões de xenofobia, 
discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos 
com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo 
pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública. 
 MANIFESTAÇÕES SOCIAIS E TERRORISMO 
As manifestações sociais não podem ser consideradas como terrorismo, nos termos do art. 
2º, § 2º da Lei Antiterrorismo, in verbis: 
Art. 2º, § 2º O disposto neste artigo não se aplica à conduta individual ou 
coletiva de pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, 
sindicais, religiosos, de classe ou de categoria profissional, direcionados por 
propósitos sociais ou reivindicatórios, visando a contestar, criticar, protestar 
ou apoiar, com o objetivo de defender direitos, garantias e liberdades 
constitucionais, sem prejuízo da tipificação penal contida em lei. 
 
O disposto acima deve ser aplicado aos demais crimes previstos na Lei 13.260/2016, em 
uma interpretação extensiva. 
Salienta-se que as manifestações sociais não configuram terrorismo, mas podem 
caracterizar outras tipificações penais, a exemplo do crime de dano. 
Para o doutrinador Victor Eduardo Rios Gonçalves, o não enquadramento como crime de 
terrorismo em razão desse dispositivo somente será possível quando restar plenamente 
comprovado no caso concreto que o intuito dos envolvidos na manifestação ou no movimento era 
exclusivamente o de contestar, criticar, apoiar ou defender direitos, garantias, liberdades etc. 
De outro lado, se ficar provado que apenas usaram o movimento como “fachada” para, em 
verdade, de algum modo provocar terror social ou generalizado – tal como mencionado no caput – 
estará tipificado o delito. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC-CE - Escrivão de Polícia - IDECAN - 2021): É possível tipificação de 
terrorismo à conduta coletiva de pessoas em manifestações políticas com 
propósitos reivindicatórios. Errado. 
5. ORGANIZAÇÃO TERRORISTA 
 PREVISÃO LEGAL 
Está disposto no art. 3º da Lei Antiterrorismo: 
Art. 3º Promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por 
interposta pessoa, a organização terrorista: 
Pena - reclusão, de cinco a oito anos, e multa. 
 
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 CONCEITO 
De acordo com Renato Brasileiro, deve-se utilizar o conceito de organização criminosa, 
previsto na Lei 12.850/13, acrescentando-se o conceito de terrorismo (art. 2º). 
Art. 1º, § 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) 
ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de 
tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou 
indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de 
infrações penais (crime de terrorismo) cujas penas máximas sejam 
superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional 
 
Para que seja considerada uma organização terrorista, é necessário que os envolvidos 
tenham se associado com a intenção de cometer atos terroristas de forma reiterada. Trata-se de 
crime formal que se consuma no momento da associação. Caso seus integrantes venham 
efetivamente a cometer algum dos crimes de terrorismo descritos no art. 2º da Lei responderão 
pelas duas infrações penais em concurso material. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC-CE - Escrivão de Polícia - IDECAN - 2021): Aquele que presta auxílio a 
organização terrorista não pratica crime descrito na Lei 13.620/2016. Errado. 
6. PREPARAÇÃO DE TERRORISMO 
 PREVISÃO LEGAL 
Art. 5º Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco 
de consumar tal delito 
Pena - a correspondente ao delito consumado, diminuída de um quarto até a 
metade. 
§ 1º Incorre nas mesmas penas o agente que, com o propósito de praticar 
atos de terrorismo: 
I - recrutar, organizar, transportar ou municiar indivíduos que viajem para país 
distinto daquele de sua residência ou nacionalidade; ou 
II - fornecer ou receber treinamento em país distinto daquele de sua 
residência ou nacionalidade. 
§ 2º Nas hipóteses do § 1º, quando a conduta não envolver treinamento ou 
viagem para país distinto daquele de sua residência ou nacionalidade, a pena 
será a correspondente ao delito consumado, diminuída de metade a dois 
terços. 
 
Pode-se verificar que no art. 5º da Lei Antiterrorismo, o legislador estabeleceu que quem 
realiza atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito incorre 
na pena do delito consumado, diminuída de 1/4 até 1/2. Tal redução de pena é menor do que aquela 
prevista no Código Penal para o crime tentado, embora, nesta última hipótese (tentativa), o agente 
já tenha percorrido parte maior do iter criminis. 
 ITER CRIMINIS 
 
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CS – TERRORISMO 2023.1 13 
 
COGITAÇÃO PREPARAÇÃO EXECUÇÃO CONSUMAÇÃO 
Pensamentos para 
prática do crime. 
 
Criação das condições 
necessárias para a 
execução do delito. 
Em regra, não são 
puníveis. 
Início dos atos. 
Todos os atos 
foram praticados 
para realização 
do crime 
 
Há delitos em que, devido a gravidade, os atos preparatórios são puníveis, a exemplo do 
crime previsto no art. 5º da Lei Antiterrorismo. 
Salienta-se que não há nenhum problema em criminalizar atos preparatórios. Contudo, o 
grande problema do art. 5º é a falta de definição do que é considerado um “ato preparatório”. Por 
isso, a doutrina questiona a constitucionalidade do caput do art. 5º da Lei de Terrorismo, em face 
da violação do princípio da legalidade e da taxatividade. 
O STJ (HC 537.118) entende que a tipificação da conduta descrita no art. 5º da Lei 
Antiterrorismo (atos preparatórios de terrorismo) exige a motivação por razões de xenofobia, 
discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, expostas no art. 2º do mesmo diploma 
legal. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC-CE - Escrivão de Polícia - IDECAN - 2021): Não constitui crime de 
terrorismo realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito de 
consumar tal delito, pois cogitação e atos preparatórios não são puníveis. 
Errado. 
 
(PC-SP - Delegado - VUNESP - 2018): Aquele que for flagrado constituindo 
uma organização terrorista, não cometerá um crime, estando sujeito a 
responsabilização por realizar atos preparatórios do terrorismo. Errado. 
 
(PC-SP - Investigador - VUNESP - 2018): Nos termos da Lei n° 13.260/16 
(Lei Antiterrorismo), aquele que realizar atos preparatórios de terrorismo com 
o propósito inequívoco de consumar tal delito responderápelo delito 
consumado com diminuição de pena. Correto. 
 
(DPE-SC - Defensor Público - FCC - 2017): A Lei Antiterrorismo (Lei no 
13.260/2016) prevê a punição de atos preparatórios de terrorismo quando 
realizado com o propósito inequívoco de consumar o delito. Correto. 
 
(MPE-GO - Promotor de Justiça - MPE-GO - 2016): É penalmente típica a 
conduta de realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito 
inequívoco de consumar tal delito. Essa hipótese configura um crime 
obstáculo que não se compraz, segundo a Lei 13.260/2016, com a 
resipiscência. Errado. 
 RECRUTAMENTO DE COMBATENTES TERRORISTA 
 
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CS – TERRORISMO 2023.1 14 
 
É o delito previsto no art. 5º, § 1º da Lei 13.260/2016, de acordo com a doutrina. 
De acordo com o doutrinador Renato Brasileiro, o combatente terrorista estrangeiro é a 
pessoa que viaja para um Estado distinto daquele de sua nacionalidade ou de sua residência, com 
o fim de perpetrar, planejar, preparar ou participar de atos terroristas, ou fornecer ou receber 
treinamento para o terrorismo, inclusive em conexão com conflitos armados. 
Além disso, destaca-se que o treinamento para terrorismo deve ser compreendido como o 
fato de dar instruções para o fabrico ou para utilização de explosivos, armas de fogo ou de outras 
armas ou substâncias nocivas ou perigosas ou para outros métodos e técnicas específicas, 
considerando a prática de uma infração terrorista ou que contribua para sua pratica, sabendo que 
os conhecimentos específicos fornecidos visam a realização de tal objetivo. 
7. FINANCIAMENTO AO TERRORISMO E ÀS ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS 
 PREVISÃO 
Previsto no art. 6º da Lei 13.260/2016, possui a seguinte redação legal: 
Art. 6º Receber, prover, oferecer, obter, guardar, manter em depósito, 
solicitar, investir, de qualquer modo, direta ou indiretamente, recursos, ativos, 
bens, direitos, valores ou serviços de qualquer natureza, para o 
planejamento, a preparação ou a execução dos crimes previstos nesta Lei: 
Pena - reclusão, de quinze a trinta anos. 
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem oferecer ou receber, obtiver, 
guardar, mantiver em depósito, solicitar, investir ou de qualquer modo 
contribuir para a obtenção de ativo, bem ou recurso financeiro, com a 
finalidade de financiar, total ou parcialmente, pessoa, grupo de pessoas, 
associação, entidade, organização criminosa que tenha como atividade 
principal ou secundária, mesmo em caráter eventual, a prática dos crimes 
previstos nesta Lei. 
 
Trata-se de exceção à teoria monista. 
Além disso, assemelha-se ao crime de financiamento para o tráfico de drogas (art. 33 da Lei 
de Drogas). 
Sobre o tema, tem-se o seguinte julgado do STF1: 
Não se deve conceder a extradição se, na época do fato, a conduta imputada 
ao extraditando não era punida como crime no Brasil, ainda que, no momento 
do pedido de extradição, já exista lei tipificando como infração penal. Isso 
porque seria uma ofensa à irretroatividade da lei penal brasileira. Ex: 
extraditando financiou grupo terrorista em 2013; ocorre que a Lei de 
Terrorismo somente foi editada em 2016 (Lei nº 13.260/2016). Não se deve 
conceder a extradição se a conduta do extraditando de financiar grupo 
terrorista que pretendia tomar o poder caracteriza-se como crime 
 
1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Não se deve conceder a extradição se a conduta do extraditando de financiar grupo terrorista 
que pretendia tomar o poder caracteriza-se como crime político. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f1398d2c9b3610251169157332225c49>. Acesso em: 05/12/2022. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – TERRORISMO 2023.1 15 
 
político, tendo em vista a vedação prevista no art. 5º, LII, da CF/88. Não 
se deve conceder a extradição se o país requerente vem enfrentando um 
quadro de instabilidade política, tendo ocorrido a demissão de juízes e a 
prisão de opositores do governo. Isso porque, neste caso, haveria o risco de 
o extraditando ser submetido a um tribunal ou juízo de exceção (art. 82, VIII, 
da Lei nº 13.445/2017).STF. 2ª Turma. Ext 1578/DF, Rel. Min. Edson Fachin, 
julgado em 6/8/2019 (Info 946). 
 CLASSIFICAÇÃO 
1) Crime comum; 
2) Crime formal; 
3) Crime unissubjetivo; 
4) Crime instantâneo. 
8. DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ NA LEI 13.260/2016 
Insta evidenciar, a priori, o disposto nos arts. 15 e 16 do Código Penal: 
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução 
ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados 
 
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, 
reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da 
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços 
 
A Lei 13.260/2016, por outro lado, prevê em seu art. 10 que mesmo antes de iniciada a 
execução do crime de terrorismo, serão aplicados os institutos da desistência voluntária e do 
arrependimento eficaz (ponte de ouro): 
Art. 10. Mesmo antes de iniciada a execução do crime de terrorismo, na 
hipótese do art. 5o desta Lei, aplicam-se as disposições do art. 15 do Decreto-
Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal. 
 
No Código Penal tais institutos são aplicados apenas aos casos em que já houver iniciado a 
execução do crime, diferentemente da Lei de Terrorismo, que incide já na preparação. 
Assim, se o integrante de uma organização terrorista envolve-se em atos preparatórios de 
um atentado terrorista específico, mas se arrepende antes do início da execução e desiste de tomar 
parte no delito, não incorrerá no delito do art. 5º (tomar parte em ato preparatório de ato terrorista), 
em razão da regra do art. 10. Responderá, contudo, pelo delito do art. 3º por ter integrado a 
organização terrorista. 
Frise-se, ainda, que quem integra organização terrorista e vem efetivamente a cometer ato 
terrorista responde pelos dois crimes em concurso material. 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art15
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art15
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – TERRORISMO 2023.1 16 
 
9. JUIZ NATURAL PARA O PROCESSO E JULGAMENTO DOS CRIMES PREVISTOS NA 
LEI 13.260/2016 
Está previsto no art. 11 da Lei 13.260/2016: 
Art. 11. Para todos os efeitos legais, considera-se que os crimes previstos 
nesta Lei são praticados contra o interesse da União, cabendo à Polícia 
Federal a investigação criminal, em sede de inquérito policial, e à Justiça 
Federal o seu processamento e julgamento, nos termos do inciso IV do art. 
109 da Constituição Federal. 
 
À luz do art. 11, o juiz natural seria um Juiz Federal, tendo em vista que o dispositivo legal 
acima preleciona que o crime atenta contra o interesse da União. 
Contudo, para parte da doutrina, há sério problema de inconstitucionalidade, pois tutela-se 
a paz pública, que não é um bem da União. O combate ao terrorismo é de interesse de todos e não 
apenas da União. Por isso, o correto seria afirmar que a competência é da Justiça Estadual. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC-SP - Delegado - VUNESP - 2018): Os crimes previstos na Lei no 
13.260/2016 (Lei Antiterrorismo) são praticados contra o interesse da União, 
cabendo à Polícia Federal a investigação criminal, em sede de inquérito 
policial. Correto. 
 
(MPE-GO - Promotor de Justiça - MPE-GO - 2016): A Lei do Terrorismo 
considerou que os crimes nela previstos são praticados contra o interesse da 
União, cabendo à Polícia Federal a investigação criminal, em sede de 
inquérito policial, e à Justiça Federal o seu processamento e julgamento, nos 
termos do inciso IV do art. 109 da Constituição da República. Correto. 
10. ATRIBUIÇÕES INVESTIGATÓRIAS EM RELAÇÃO AOS CRIMES PREVISTOS NA LEI 
13.260/2016 
Segundo RenatoBrasileiro, não há nenhum óbice à investigação pela polícia federal, a qual, 
de acordo com a Constituição Federal, poderá investigar crimes dotados de repercussão 
interestadual ou internacional. 
Art. 144, § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, 
organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a 
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento 
de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e 
empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha 
repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, 
segundo se dispuser em lei. 
11. APLICAÇÃO DAS DISPOSIÇÕES DA LEI DAS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS PARA A 
INVESTIGAÇÃO, PROCESSO E JULGAMENTO DOS CRIMES PREVISTO NA LEI 
ANTITERRORISMO 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – TERRORISMO 2023.1 17 
 
A Lei 13.260/2016 não tratou dos procedimentos investigatórios e, por conta disso, faz 
referência à Lei das Organizações Criminosas para a investigação, processo e julgamento de todos 
os crimes previstos, nos seguintes termos: 
Art. 16. Aplicam-se as disposições da Lei nº 12.850, de 2 agosto de 2013, 
para a investigação, processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei. 
 
Destaca-se que o julgamento dos crimes previstos na Lei de Organização Criminosa é 
regulamentado pela Lei 12.694/2012 (Juízos Colegiados). 
12. CABIMENTO DE PRISÃO TEMPORÁRIA 
Foi também inserida regra no art. 1º, III, “p”, da Lei 7.960/86, permitindo a prisão temporária 
para os envolvidos em crime de terrorismo quando tal providência for imprescindível para as 
investigações durante o inquérito policial. 
Saliente-se que esta forma de prisão cautelar só é permitida nos delitos expressamente 
elencados na mencionada Lei, razão pela qual o legislador resolveu inserir expressamente o delito 
de terrorismo no rol. 
Vê-se, entretanto, que o art. 2º, § 4º, da Lei dos Crimes Hediondos já continha regra tornando 
possível a decretação da prisão temporária para o crime de terrorismo. Em tal hipótese, inclusive, 
a prisão temporária pode ser decretada por até trinta dias, prorrogáveis por igual período em caso 
de extrema e comprovada necessidade. 
A prisão preventiva, por sua vez, será possível sempre que presentes os requisitos legais, 
nos termos dos arts. 312 e seguintes do Código de Processo Penal. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-GO - Promotor de Justiça - MPE-GO - 2016): A prisão temporária 
daquele que pratica qualquer dos crimes previstos na Lei do Terrorismo terá 
o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema 
e comprovada necessidade. Correto. 
 
 
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