Prévia do material em texto
DISCIPLINA: MARKETING DE RELACIONAMENTO AULA 5 Prof.ª Shirlei Camargo 2 CONVERSA INICIAL Você alguma vez deixou de comprar de uma empresa simplesmente pelo fato de ser mal atendido por algum funcionário? Provavelmente sim. Mas por incrível que pareça, muitas empresas não têm essa preocupação. Nesta aula, você irá aprender a importância do atendimento aos clientes para o marketing de relacionamento. Também verá que estes bons relacionamentos não devem ser só com os clientes, mas sim com todos os stakeholders, incluindo aqueles da cadeia de suprimentos. Também, você perceberá como o marketing de relacionamento e a criação de valor para o cliente devem ser tratados no contexto B2B. Aliás, você sabe o que é B2B? Se não sabe ainda, não tem problema, irá aprender. CONTEXTUALIZANDO “Atender bem o cliente é uma arte extinta ou será que é mais difícil agradar o cliente hoje em dia?” (QUER MELHORAR..., 2012). Segundo um artigo no site da Warthon University of Pennsylvan, empresas que têm um bom atendimento ao consumidor sabem que fornecer a ele experiências sofisticadas estimulam a lealdade e melhoram o desempenho das vendas, repercutindo no lucro. Essas empresas tratam bem seus funcionários com incentivos, planos de carreira, além de outros benefícios, e investem muito em treinamento. Essas empresas também acreditam que o atendimento ao cliente é um importante critério na mensuração de suas receitas. Veja o exemplo: Em 2006, a American Express, administradora de cartão de crédito, lançou um programa interno de treinamento e incentivo para seus funcionários, cujo objetivo era fazer com que os clientes da empresa fossem mais participativos. A American mudou seu serviço tradicional de telefone: livrou-se dos scripts e do tempo estabelecido para cada ligação, o que permitiu aos funcionários da empresa decidir quanto tempo deveriam gastar nas chamadas. A empresa mudou também a estrutura de salário dos empregados, vinculando-o diretamente a um incentivo generoso sempre que o cliente retornasse a ligação. Resultado: os clientes da empresa aumentaram seus gastos com os produtos da Amex em torno de 8% a 10% ampliando as margens de serviços em geral (QUER MELHORAR..., 2012). 3 Mas e nas empresas pequenas, como será que funciona este atendimento ao cliente? Como elas podem se destacar e manter a fidelidade de seus clientes? TEMA 1 - ATENDIMENTO AO CLIENTE E MARKETING DE RELACIONAMENTO Um funcionário frustrado disse certa vez: “já poderia ter terminado meu trabalho se não fosse o tempo que desperdiço conversando com clientes” (VAVRA, 1993). O que você acha desse pensamento? Está correto? Se pensarmos que é por meio do diálogo que as relações são construídas (MCKENNA, 1999), esse funcionário está completamente equivocado, pois a ideia não é justamente criar um relacionamento com os clientes? Como crio relacionamentos se não quero/não gosto de conversar com as pessoas? Sérgio Almeida, um dos maiores especialistas em atendimento ao cliente, disse: “um fantástico atendimento ao cliente é uma forma de diferenciar-se da ‘mesmice’ dos produtos e preços”. Esse mesmo autor lembra que o atendimento ao cliente inicia com o chamado “momento da verdade” (ALMEIDA, 2001, p. 20). Você sabe o que é “momento da verdade”? É um termo criado pelo ex-presidente da empresa aérea SAS, Jan Carlzon, usado para se referir ao momento de interação entre cliente e empresa. Segundo ele, de nada adianta a empresa melhorar seus produtos/serviços, pois o seu futuro irá depender desses “momentos da verdade” que ocorrem entre funcionários e clientes (VAVRA, 1993). Como Almeida (2001) alerta, esse “momento da verdade” não se refere somente ao primeiro contato, mas sim a todos os contatos entre o cliente/empresa que ocorrerão. Portanto as empresas devem se preocupar não só com seus funcionários da linha de frente, mas ainda com outros que também podem ter que se relacionar com os clientes, via telefone, internet ou até pessoalmente, como no caso de entrega das mercadorias. 4 Assim sendo, o atendimento prestado por uma empresa aos seus clientes pode ser seu principal diferencial em relação aos concorrentes. Sendo assim, é extremamente importante capacitar e valorizar os funcionários (ALMEIDA, 2001). Bee e Bee (2000) também consideram o atendimento ao cliente como uma questão muito importante, pois, segundo eles, o atendimento é que será responsável pela sobrevivência da empresa. Você já tinha pensando em como é importante o atendimento ao cliente? Para Teixeira e Freitas (2004), existem diversos fatores que tornam o atendimento ao cliente tão importante a ponto de serem diferenciais. Por exemplo, clientes satisfeitos falam de sua satisfação para os outros, influenciando na reputação da empresa. Também, clientes satisfeitos deixam os funcionários satisfeitos, o que pode ajudar a motivar uma equipe. Além disso, eles provocam menos estresse e tomam menos tempo. Bee e Bee (2000) também apresentam quatro princípios fundamentais de excelência em atendimento ao cliente: Toda empresa tem como foco o cliente e presta um atendimento excelente a eles; Todos os funcionários têm conhecimento dessa visão, na qual o cliente deve ser o foco, e estão realmente empenhados em prestar um excelente atendimento; Todos os funcionários recebem treinamento para prestar um atendimento ótimo aos clientes; Sistemas e procedimentos são projetados para facilitar o atendimento ao cliente. Freemantle (1994) afirmou que as empresas falham porque não realizam corretamente coisas simples — mas que dependem de uma boa administração — ou porque concentram todas suas forças nos produtos ou no desempenho financeiro ficando o cliente em segundo plano. Assista a este pequeno vídeo que faz uma sátira muito engraçada a um exemplo de péssimo atendimento ao cliente: https://www.youtube.com/watch?v=Un4r52t-cuk https://www.youtube.com/watch?v=Un4r52t-cuk 5 Porém, uma relativamente nova e interessante maneira de saber como anda o atendimento ao cliente é por meio da contratação de “clientes ocultos”. Ou seja, a empresa contrata o serviço de “cliente oculto” de uma empresa especializada, que enviará pessoas disfarçadas de clientes reais e que irão avaliar como realmente está o atendimento, como está a “hora da verdade”. Saiba mais Leia esta reportagem sobre “cliente oculto”: http://g1.globo.com/economia/pme/noticia/2011/09/empresas-usam-cliente- oculto-para-avaliar-qualidade-do-atendimento.html Enfim, o atendimento ao cliente é essencial para a sobrevivência das empresas, mas existem algumas que estão mais preocupadas com seus produtos ou ganhos do que com seus clientes. Ou ainda, não sabem o que realmente acontece na hora da verdade, já que se tornaram reféns de seus funcionários da linha de frente. Para resolver esse problema, hoje existe a solução da contratação do “cliente oculto”: pessoas contratadas para avaliar como está realmente o atendimento ao cliente. Finalmente, não podemos esquecer a velha máxima: a empresa são seus clientes! TEMA 2 - A IMPORTÂNCIA DA CADEIA DE SUPRIMENTOS NO MARKETING DE RELACIONAMENTO Não basta ter um bom produto, com um preço adequado, com uma comunicação eficaz se o produto não está no lugar certo, na hora certa. Para as empresas gerarem um produto e disponibilizá-lo é necessário ter bons relacionamentos com os fornecedores e com os revendedores. Ou seja, os fornecedores e revendedores ajudam a criar valor para os clientes. Você já entendeu (Aula 1, tema 2) que é extremamente importante que as empresas entreguem valor para seus clientes antes de iniciarem qualquer relacionamento http://g1.globo.com/economia/pme/noticia/2011/09/empresas-usam-cliente-oculto-para-avaliar-qualidade-do-atendimento.htmlhttp://g1.globo.com/economia/pme/noticia/2011/09/empresas-usam-cliente-oculto-para-avaliar-qualidade-do-atendimento.html 6 com eles, certo? Porém, para que elas consigam isso, é necessário, antes de tudo, que tenham capacidade de integrar as competências de seus fornecedores, gerando valor para seus clientes (SLACK et al., 2002). Eu diria mais, que as empresas não deveriam apenas se preocupar com seus fornecedores, mas sim com toda cadeia de suprimentos. Aliás, você sabe o que é cadeia de suprimentos? Segundo Kotler e Armstrong (2007), a cadeia de suprimentos de uma empresa é formada de parceiros “nos níveis acima” (fornecedores de matérias- primas, componentes, etc.) e nos “níveis abaixo” (canais de marketing ou de distribuição como atacadistas, varejistas, etc.). Segundo esses autores, essa cadeia ainda pode ser definida como “o conjunto de materiais necessários para o funcionamento de uma empresa, que vai desde a matéria-prima até a entrega do produto no seu destino, além do fluxo reverso de materiais para reciclagem, descarte e devoluções”. Representação gráfica de uma cadeia de suprimentos Fonte: Elaborado pela autora Fornecedores Fornecedores dos Fornecedores Consumidores Consumidores dos Consumidores Empresa Fluxo de informações, produtos e fundos 7 Mas muita gente acha que cadeia de suprimentos se refere apenas aos fornecedores de matéria-prima, porém, na verdade, ela envolve todas as empresas necessárias para o funcionamento de uma empresa, que vai desde a matéria-prima até a entrega do produto no seu destino. Portanto, a cadeia de suprimentos é importante na geração e na entrega de valor para os clientes, o que impactará no relacionamento com os clientes. De acordo com Morais (2013), há pouco tempo se pensava no marketing de relacionamento como uma abordagem apenas entre empresa-cliente. Contudo, recentemente, outros relacionamentos importantes na geração de oferta de valor para os clientes começaram a ser reconhecidos. Isso porque o aumento da concorrência fez com que as empresas criassem bons relacionamentos, tanto com fornecedores como com clientes para continuarem no mercado. Ou seja, o marketing de relacionamento começou a se preocupar também com os membros da cadeia de suprimentos. Atualmente o cliente tem acesso às informações dos processos pelos quais passam os produtos que ele consome, por isso, quanto mais os membros da cadeia forem integrados, informados e leais, mais forte serão frente a esses consumidores cada vez mais exigentes (ZEITHAML, BITNER, 2003). De acordo com Souza e Rainho (2013), citando Juran (1992), um estreitamento das relações com fornecedores garante que o produto/serviço satisfaça às “necessidades de adequação ao uso com um mínimo de inspeção de recebimento e ação corretiva” (SOUZA; RAINHO, 2013). Inclusive, eles elencam quais atividades uma empresa deve seguir para conseguir um bom relacionamento com seus fornecedores: o planejamento pré-contrato; a avaliação da aptidão do fornecedor; a seleção do fornecedor; o custo total de uma compra; planejamento conjunto; cooperação com fornecedor durante a execução de contrato. 8 Tendências variadas vêm surgindo nas relações entre membros da cadeia de suprimentos, em que as empresas estão passando de um modelo de relacionamento tipo “adversário” para um modelo mais “cooperativo”, trazendo uma série de mudanças no comportamento do produtor em relação aos seus fornecedores, como relacionamentos com menos fornecedores, mais próximos e em longo prazo (RELACIONAMENTO..., 2016). Enfim, construindo um bom relacionamento com a cadeia de suprimentos, todos saem ganhando: a empresa, os fornecedores, os distribuidores e principalmente os consumidores e os relacionamentos com eles, que devem ser o foco das ações das empresas. TEMA 3 - RELACIONAMENTO COM STAKEHOLDERS Você já ouviu a expressão stakeholders? Freeman (1984) define stakeholders como “grupos ou indivíduos que são afetados direta ou indiretamente pela empresa na sua busca em atingir seus objetivos”. Ou seja, são todos os públicos que têm interesse, real ou potencial, na empresa. No tema anterior, falamos sobre cadeia de suprimentos. Para não confundirmos os conceitos, podemos dizer que a cadeia de suprimentos é formada por stakeholders, mas que nem todo stakeholder faz parte da cadeia. Inclusive alguns deles podem ser um grande desafio na gestão da cadeia de suprimentos no que se refere à integração desta cadeia na utilização de práticas sustentáveis (ABDALA, 2013). Isso implica em questões éticas e de responsabilidade social, que serão abordadas no próximo tema. No momento, vamos entender quem são os stakeholder e qual sua influência no marketing de relacionamento. Acredita-se que a primeira utilização do termo stakeholder tenha sido em um memorando interno do Stanford Research Institute (SRI), no ano de 1963, para se referir a um “grupo, cujo apoio faltasse, a organização à mesma não sobreviveria” (SCHIAVONI et al., 2013). 9 Contudo apenas nos anos 2000 que os autores Walker e Marr (2001) afirmaram que a era do poder do stakeholder tinha chegado e que essa deveria ser a nova estratégia dos negócios. Segundo eles, os gerentes começaram a focar mais nas pessoas, indo diretamente ao centro do significado de relacionamento: obter comprometimento das pessoas (SCHIAVONI et al., 2013). Os stakeholders podem ser divididos em externos (por exemplo, consumidores, concorrentes, fornecedores, sindicatos, grupos com interesses especiais, órgãos governamentais, etc.) e internos (como empregados, colaboradores e acionistas) (SILVA et al., 2015). Como eu contei para você no primeiro parágrafo: os fornecedores e distribuidores (cadeia de suprimentos) são stakeholders, mas nem todos os stakeholders são da cadeia de suprimentos! Ficou clara a diferença? Stakeholders são todos os grupos que podem afetar ou serem afetados pela empresa. Stakeholders Fonte: Adaptado de Freeman (1984, p. 25) Comunidades locais Proprietários Advogados dos consumidores Consumidores Concorrentes ImprensaEmpregados Grupos de interesses especiais Ambientalistas Fornecedores Governo Empresa 10 Portanto, manter bons relacionamentos com os stakeholder traz muitas vantagens para a empresa, como criação de capital social, intelectual, ambiental e financeiro, que são fundamentais para a sustentabilidade em longo prazo e crescimento da empresa (SCHIAVONI et al., 2013). Também pode-se aumentar a sinergia criando uma relação positiva, na qual um grupo de stakeholder pode influenciar os outros (SVENDSEN, 1998). Um exemplo disso é a empresa Natura, que utiliza o trabalho de uma série de comunidades de pequenos produtos rurais para elaboração de produtos de sua linha Ekos — feitos com produtos da Amazônia. Ao mesmo tempo, a empresa gera renda para essas pequenas comunidades e ganha a admiração e simpatia dos consumidores e demais públicos. Leitura obrigatória Outro grupo importante de stakeholders são os funcionários da empresa. Leia esta reportagem e aprenda mais sobre o stakeholders funcionários: https://endeavor.org.br/estrategia-e-gestao/stakeholders/ Porém, nem sempre os interesses dos stakeholders são convergentes. Por exemplo, os acionistas estão interessados em bons retornos para seus investimentos já os consumidores querem produtos/serviços com o melhor custo-benefício possível. Essas situações necessitam de diferenças no relacionamento entre os stakeholders (TRINDADE, 2011). Ou seja, a empresa vai ter que conseguir harmoniosamente satisfazer a todos para manter bons relacionamentos, o que convenhamos, não é nada fácil! Assim sendo: “As organizações necessitam tratar com sensibilidade as demandas de seus ambientes e as demandas dos stakeholdersque apoiam sua manutenção e desenvolvimento, buscando um equilíbrio em seus relacionamentos com esses diversos stakeholders” (BARROS, 2005). Dessa forma a empresa conseguira manter bons e duradouros relacionamentos com e entre os stakeholders, principalmente com seus consumidores. http://comatitude.com.br/2011/01/20/boa-reputacao-de-marca-depende-do-relacionamento-com-stakeholders/ http://comatitude.com.br/2011/01/20/boa-reputacao-de-marca-depende-do-relacionamento-com-stakeholders/ https://endeavor.org.br/estrategia-e-gestao/stakeholders/ 11 TEMA 4 - O MARKETING DE RELACIONAMENTO NO MERCADO B2B Já havíamos falado a respeito das “sopas de letrinhas” no tema 1 da aula 4, sobre os 4C’s do marketing de relacionamento. Pois bem, temos mais “letrinhas” quando nos referimos às diferentes transações entre diferentes mercados. O mais comum, que havíamos tratado até então, são as relações do tipo B2C (Business to Consumer), que ocorrem entre empresa e consumidor, mas existem muitos outros, como C2B e C2C; B2E e E2E (“E” de Employee/Empregado); B2G, G2B e G2G (“G” de Governement/Governo). Porém o foco agora será o B2B (Business to Business) - transações comerciais entre empresas, ou seja, quando uma empresa vende para outra bens/serviços que serão utilizados na fabricação de outros bens/serviços, os quais serão entregues ao consumidor final. Ou seja, quando uma empresa vende para outra empresa. Se no mercado B2C os relacionamentos são importantes, imagine um mercado no qual as decisões de compra são mais complexas, envolvendo grandes somas, sendo técnicas e racionais e tendo mais pessoas envolvidas. Leitura obrigatória Leia no seu livro-texto base, na página 75, as características dos mercados organizacionais (B2B). Ou seja, o processo é mais complexo, longo e formal. E justamente nesse mercado “inóspito” é que vendedor e comprador trabalham diretamente um com o outro, construindo relacionamentos mais duradouros. Porém, como nesse caso o cliente é outra empresa, as abordagens para alcançar o comprador organizacional, geralmente a pessoa responsável pela compra da empresa, devem ser diferentes das utilizadas para alcançar o consumidor final. O processo já deve ser diferente na própria forma de alcançar esse consumidor. Portanto o marketing deve enfatizar a venda pessoal em vez de anúncios (TV, rádio) para atingir esses prováveis compradores. Somente uma parte deve ser investida em propaganda específica (revistas da área, 12 mala-direta) que servirá de base para o trabalho do vendedor (HUTT; SPEH, 2007). Em seguida, é necessário conhecer muito bem quem é (são) o(s) responsável(eis) pelas compras da empresa, que Kotler e Pfoertsch (2007) chamam de “centro de compras”: todos os indivíduos que desempenham algum papel no processo de decisão de compra. O que dificulta esse processo é que nem sempre o centro de compras é uma unidade estabelecida e formalmente identificada dentro da empresa (um departamento), pois ele pode estar “espalhado” pela empresa. Portanto as empresas precisam identificar essas pessoas espalhadas pela organização: quem participa da decisão, qual sua influência, e qual critério de avaliação. Depois de identificadas essas pessoas que representam o cliente, deve-se buscar criar um relacionamento com elas. No contexto B2B, esses relacionamentos devem ser ainda mais estreitos e duradouros, em que o fechamento de uma venda não significa o encerramento, e sim o início de um relacionamento. Resumindo, o vendedor industrial deve identificar quem são os responsáveis por essas compras, mas também entender os aspectos técnicos das necessidades da empresa e como podem ser atendidas para, então, criar um relacionamento mais estreito e duradouro por ter criado valor para o cliente, justamente nosso próximo tema. Saiba mais Leia esse artigo sobre relacionamento no contexto B2B: http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/relacionamento-antes-do- marketing/2016/05/23/4-passos-fundamentais-para-o-relacionamento-b2b/ http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/relacionamento-antes-do-marketing/2016/05/23/4-passos-fundamentais-para-o-relacionamento-b2b/ http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/relacionamento-antes-do-marketing/2016/05/23/4-passos-fundamentais-para-o-relacionamento-b2b/ 13 TEMA 5 - CRIAÇÃO DE VALOR NO MERCADO B2B Como comentamos no tema anterior, as caraterísticas do mercado B2B são diferentes. Por exemplo, no B2B, para atingir os compradores em potencial, o mais importante são as vendas pessoais. Apenas uma pequena parte é investida em propaganda, geralmente revistas específicas e mala-direta, que servirão de base para o trabalho posterior do vendedor. Do mesmo modo, a criação de valor nesse mercado também é um pouco distinta. Você lembra do valor “para” o cliente do tema 2 de nossa primeira aula? Então, o conceito “valor para o cliente” é o mesmo tanto no B2B como no B2C, o que muda é como consegui-lo! Ou seja, apesar das diferentes características no mercado B2B, também é necessário criar valor para o cliente. Criando valor para o cliente organizacional, a empresa estará estabelecendo, desenvolvendo e mantendo os relacionamentos bem-sucedidos que as empresas tanto buscam. Porém, para agregar valor e assim conquistar o cliente e manter um relacionamento em longo prazo, o vendedor industrial deve entender muito bem dos aspectos técnicos envolvidos nas operações de seus clientes e conhecer as suas operações a fundo. Ou seja, para que este relacionamento perdure, deve- se conhecer muito bem as operações do cliente, para então conhecer as necessidades da organização e saber como estas podem ser atendidas e, assim, agregar valor aos negócios deste cliente. Segundo O'Cass e Ngos (2012), as empresas no contexto B2B devem tentar entregar dois tipos de valores para seus consumidores: 1) criando bons relacionamentos; e 2) colaborando com seus clientes. Ou seja, a empresa precisa interpretar e responder ao que seu cliente valoriza, o que eles estão buscando. Se a empresa fizer isso melhor do que os concorrentes, ela terá uma vantagem, pois estará entregando um valor superior para o cliente. Veja um exemplo de uma empresa de soluções tecnológicas que agrega valor ao oferecer uma solução omnichannel (utilização de vários canais de vendas, como loja física, internet, celular, televisão, etc.) para as empresas que atuam no B2B. Contudo, outro ponto importante é ter em mente que este “valor” muda de acordo com cada cliente e sua realidade e, portanto, não se pode generalizar, 14 pois clientes de um mesmo setor podem valorizar coisas diferentes. Ou seja, não se deve criar ofertas ou relações padronizadas. Se for o caso de não ter como customizar a oferta, então a empresa deve personalizar o relacionamento comercial com o cliente, trazendo um diferencial, agregando o valor em negócios. Portanto o “processo de individualização e customização do serviço se torna essencial no B2B” (MAGALDI, 2012). Assim sendo, um aspecto muito valorizado no mercado B2B são os serviços vinculados aos produtos que estão sendo vendidos, como a garantia, assistência técnica, treinamentos, etc., pois eles também ajudam a criar este valor. Saiba mais: assista a este vídeo para entender mais sobre como os serviços agregam valor: <https://www.youtube.com/watch?v=ZdjXqC5-Kxk>. Tudo que foi falado até aqui, como criar valor para o cliente através da oferta de produtos/serviços diferenciados que atendam às necessidades deles, mostra que, como Hooley et al. (2001) afirmaram, o desafio das empresas nos mercados B2B não é mais somente vender, mas sim se tornar a “fonte de preferência” de seus clientes. Isso se dá por meio de um relacionamento no qual o cliente quer que o vendedor conheça bem sua empresa para criar produtos e serviços que elenão poderia ter desenvolvido sozinho, fornecendo provas de que está realmente agregado valor. E assim se cria um processo que se autoalimenta. A empresa cria uma solução para o cliente e cria um relacionamento com ela. Com tal proximidade, conhece-se melhor o negócio do cliente e assim se pode oferecer mais soluções, nas quais um trabalho bem-feito leva a outro aumentando, o da confiança, criando uma espécie de dependência e deixando o relacionamento cada vez mais próximo (RIBEIRO, 2007). TROCANDO IDEIAS Olá aluno, agora é com você! Construa juntamente com seus colegas um texto coletivo sobre como criar valor no contexto B2B. Você pode usar nosso material, mas também deverá pesquisar em outros lugares para ampliar o conhecimento. 15 NA PRÁTICA Pesquise casos na impressa de clientes que foram mal atendidos. Depois, de acordo com o que você aprendeu, faça uma breve análise do que a empresa fez de errado e como ela deveria ter agido. Também, sugira o que ela poderá fazer para reconquistar este cliente (máximo 15 linhas). SÍNTESE Nesta última aula, você aprendeu que a forma de atender um cliente pode criar (ou destruir) um relacionamento. Também entendeu que o marketing de relacionamento deve se preocupar não só com os relacionamentos dos clientes, mas sim com todos os relacionamentos que envolvam os stakeholders, incluindo aqueles que pertencem à cadeia produtiva na qual a empresa está inserida. Por fim, percebeu as diferenças e semelhanças do marketing de relacionamento no contexto B2B, inclusive na criação de valor para esses clientes. REFERÊNCIAS ABDALA, E. C. Determinantes da gestão da cadeia de suprimentos sustentável: uma análise da relação entre as pressões e as práticas socioambientais em indústrias de transformação. Tese de doutorado em Administração da Fundação Getúlio Vargas, 2013. ALMEIDA, S. Ah! Eu não acredito! Como cativar o cliente através de um fantástico atendimento. Salvador: Casa da Qualidade, 2001. BARROS, P. M. de. Indicadores necessários a formulação de políticas públicas locais para o turismo sob a ótica dos stakeholders públicos institucionais estratégicos. Tese apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina, 2005. BEE, F.; BEE.R. Fidelizar o Cliente. São Paulo: Nobel, 2000. FREEMAN, R. E. Strategic management: a stakeholder approach. Boston, MA: Pitman, 1984. 16 FREEMANTLE, D. Incrível atendimento ao cliente. São Paulo: Makron, 1994. HOOLEY, G. J.; SAUNDERS, J. A; PIERCY, N. F. Estratégia de Marketing e Posicionamento Competitivo – Segunda edição – tradução técnica: Arão Sapiro – São Paulo: Prentice Hall, 2001, 423p. Título original: Marketing Strategy and Competitive Positioning – second edition HUTT, M. D.; SPEH, T. W. B2B: gestão de marketing em mercados industriais e organizacionais. Bookman, 2007. JURAN J. M. Planejando para a qualidade. São Paulo: Pioneira, 1992. KOTLER, P.; ARMSTRONG, G. Princípios de marketing. 12. ed., São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. KOTLER, Philip; PFOERTSCH, Waldemar. Gestão de marcas em mercados B2B. Bookman, 2007. MAGALDI, S. Desvendando o significado do valor nos negócios b2b. 02/05/2012. Disponível em: https://www.mundodomarketing.com.br/index.php/blogs/negocios- b2b/23647/desvendando-o-significado-do-valor-nos-negocios- b2b.html>.Acesso em: 12 ago. 2016. MORAIS, M. G. De. Análise do Relacionamento da Cadeia de Suprimentos do Setor de Serviços de Eventos em Goiânia – GO. V EMA - Encontro de Marketing Da ANPAD, 24, 1–16, 2012. O’CASS, A; NGO, L. V. Creating superior customer value for B2B firms through supplier firm capabilities. Industrial Marketing Management, 41(1), 125–135, 2012. SILVA, M. E. DA, OLIVEIRA. E. M.; NASCIMENTO, L. F.M. DO. Mapeamento de stakeholders sob a perspectiva da sustentabilidade: uma desk research com organizações gaúchas. Revista Metropolitana de Sustentabilidade - RMS, v. 5, n. 1, p. 60-77, jan. /abr. 2015. 17 PUC-RIO. Relacionamento na cadeia de suprimentos. Disponível em: <http://www2.dbd.puc- rio.br/pergamum/tesesabertas/0116506_05_cap_04.pdf>. Acesso em: 15 ago. 2016. RIBEIRO, C. D. S. Marketing de Relacionamento e Interculturalidade em B2B: O Caso Cia. Vale do Rio Doce no Mercado Japonês. XXXI Encontro Da Anpad, 1–16, 2007. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da produção. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. SCHIAVONI, P. M. de B., MORAES, M. C. B. CASTRO, A. C., SANTOS, J. N. Stakeholders: principais abordagens. Revista de Ciências da Administração, v. 15, n. 37, p. 187-197, dez. 2013. DE SOUZA, E. M.; RAINHO, M. J. Parcerias entre fornecedor-cliente na cadeia de suprimentos como fonte de competitividade. Pós em Revista, edição 7, 2013. SVENDSEN, A. The stakeholder strategy: profiting from collaborative business relationships. São Francisco: Berrett-Koehler Publishers, Inc., 1998. TEIXEIRA, L. R.; DE FREITAS, Z. B. Atendimento ao cliente. Cadernos Temáticos, p. 2, 2004. TRINDADE, A. Stakeholder. 07/08/2011. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/tecnologia/stakeholder/57278/>. Acesso em: 20 ago. 2016. VAVRA, T. G. Marketing de Relacionamento-After Marketing: Como manter a fidelidade de clientes através do marketing de relacionamento. São Paulo: Atlas, 1993. ZEITHAML, A. V; BITNER, J. M. Marketing de serviços: a empresa com foco no cliente. Trad. Martin Albert Haag e Carlos Alberto Silveira Netto Soares. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2003.