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Guilherme Schibichewski Guilherme Schibichewski SUMÁRIO 1. Fibrinólise in vivo ........................................................ 3 2. Fibrinólise terapêutica .............................................. 6 3. Principais indicações de fibrinólise terapêutica 6 4. Mecanismo de ação dos fibrinolíticos ................ 6 5. Drogas ............................................................................ 6 6. Como fazer a escolha da melhor droga fibrinolítica? ........................................13 7. Contraindicações absolutas e relativas de trombólise ............................................13 8. Inibidores da fibrinólise ..........................................14 Referências Bibliográficas .........................................18 Guilherme Schibichewski 3FIBRINOLÍTICOS 1. FIBRINÓLISE IN VIVO O sistema fibrinolítico dissolve os co- águlos intravasculares em decorrên- cia da ação da plasmina, uma enzima que digere a fibrina. O plasminogênio, um precursor inativo, é convertido em plasmina através da clivagem de uma única ligação peptídica. A plasmina é uma protease relativamente inespe- cífica, que digere os coágulos de fibri- na e outras proteínas plasmáticas, in- cluindo vários fatores da coagulação. Esse sistema é regulado de tal modo que os trombos de fibrina desneces- sários são removidos, enquanto a fi- brina nas feridas persiste para manu- tenção da hemostasia. O ativador do plasminogênio tecidual (t-PA) é liberado pelas células endo- teliais em resposta a diversos sinais, incluindo estase venosa produzida pela oclusão vascular. Este é rapida- mente depurado do sangue ou inibido pelos inibidores circulantes, o inibidor do ativador de plasminogênio 1 (PAI- 1) e o inibidor do ativador de plasmi- nogênio 2 (PAI-2) e, portanto, exerce pouco efeito sobre o plasminogênio circulante. O t-PA liga-se a fibrina e converte o plasminogênio, que também se liga a fibrina, em plasmina. O plasmino- gênio e a plasmina ligam-se a fibrina em sítios de ligação localizados pró- ximos das suas extremidades amino- terminais, que são ricas em resídu- os de lisina. Tais locais também são necessários para ligação da plasmina ao inibidor α2-antiplasmina. Por isso, a plasmina ligada a fibrina fica prote- gida da inibição. Qualquer plasmina que escape desse meio local é rapi- damente inibida. Quando se admi- nistram ativadores do plasminogênio como terapia trombolítica, ocorre fi- brinólise maciça, e os controles inibi- tórios são bloqueados. Embora a plasmina degrade não so- mente a fibrina, mas, também, o fibri- nogênio, fator V e fator VIII, em con- dições fisiológicas, a fibrinólise ocorre como processo que é altamente es- pecífico para a fibrina, portanto tem ativação localizada e restrita, e não sistêmica, cumprindo, assim, sua fun- ção de remover o excesso de fibri- na do espaço intravascular de modo equilibrado. 4FIBRINOLÍTICOS Figura 1. Fibrinólise. Fonte: Goodman & Gilman – As Bases Farmacológicas da Terapêutica, 2018. A diferença principal existente entre os fatores de ativação do plasmino- gênio reside basicamente nos tipos de trombo que cada um ajuda a dis- solver. O t-PA (tissue-type plasmi- nogen activator) é ativado de forma a dissolver trombos situados no meio intravascular, enquanto o u-PA (urokynase-type plasminogen ac- tivator) potencializa a dissolução de trombos presentes nos meios intra- vascular e extravascular. SAIBA MAIS! A diferença principal existente entre os fatores de ativação do plasminogênio reside basica- mente nos tipos de trombo que cada um ajuda a dissolver. O t-PA (tissue-type plasminogen activator) é ativado de forma a dissolver trombos situados no meio intravascular, enquanto o u-PA (urokynase-type plasminogen activator) potencializa a dissolução de trombos presen- tes nos meios intravascular e extravascular. 5FIBRINOLÍTICOS HORA DA REVISAO! Em 1964, Macfarlane e Davie & Ratnoff propuseram a hipótese da “cascata” para explicar a fisiologia da coagulação do sangue. Nesse modelo (figura 2), a coagula- ção ocorre por meio de ativação proteolítica, sequencial de zimógenos, por protea- ses do plasma, resultando na formação de trombina que, então, converte a molécu- la de fibrinogênio em fibrina. O esquema divide a coagulação em uma via extrínseca (envolvendo componentes do sangue, mas, também, elementos que usualmente não estão presentes no es- paço intravascular) e uma via intrínseca (iniciada por componentes presentes no intravascular), que convergem no ponto de ativação do fator X (via final comum). Na via extrínseca, o fator VII plasmático na presença do seu cofator, o fator tecidual ou tromboplastina, ativa diretamente o fator X. Na via intrínseca, a ativação do fator XII ocorre quando o sangue entra em contato com uma superfície contendo cargas elétricas negativas. Tal processo é denomi- nado ativação por contato e requer ainda a presença de outros componentes do plasma, como a pré-calicreína (serinoprotease) e o cininogênio de alto peso mole- cular (cofator não enzimático). O fator XIIa ativa o fator XI que, por sua vez, ativa o fator IX. O fator IXa, na presença de fator VIII, ativa o fator X da coagulação, desen- cadeando a geração de trombina e subsequente formação de fibrina. Embora haja a tradição de se dividir o sistema de coagulação do sangue em in- trínseco e extrínseco, tal separação é atualmente entendida como inadequada do ponto de vista de fisiologia da coagulação, haja vista que essa divisão não ocorre in vivo. Figura 2. Esquema da cascata de coagulação. Fonte: Fisiologia da coagulação, an- ticoagulação e fibrinólise, Franco et al., 2002. 6FIBRINOLÍTICOS 2. FIBRINÓLISE TERAPÊUTICA A terapia fibrinolítica, também conhe- cida como terapia trombolítica, tem sido um meio importante para o esta- belecimento da reperfusão. É utilizada para degradar coágulos sanguíneos (trombos) formados de forma aguda pela ativação do plasminogênio, re- sultando na formação de plasmina, sendo esta a responsável pela cliva- gem das ligações peptídicas das fibri- nas, causando dissolução do trombo. A terapia com agentes trombolíticos tende a dissolver tanto os trombos patológicos quanto os depósitos de fibrina em locais de lesão vascular. 3. PRINCIPAIS INDICAÇÕES DE FIBRINÓLISE TERAPÊUTICA A terapia fibrinolítica é utilizada para o tratamento das seguintes condições: • Infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmen- to ST (IAMCSSST); • Acidente Vascular Encefálico isquêmico; • Tromboembolismo pulmonar e trombose venosa profunda aguda → indicações menos comuns. SAIBA MAIS! Para que tenha benefícios, a terapia fibrinolítica durante o IAMCSSST deve ser instituída den- tro de 24 horas do início dos sintomas. 4. MECANISMO DE AÇÃO DOS FIBRINOLÍTICOS As drogas trombolíticas dissolvem os trombos pela ativação do plasmino- gênio, formando um produto clivado – a plasmina. A plasmina é uma en- zima proteolítica capaz de clivar as li- gações peptídicas existentes entre as moléculas de fibrina, degradando os coágulos sanguíneos. Devido a essas ações, tais drogas também são cha- madas de ativadores do plasminogê- nio e fibrinolíticas. Essas drogas são ativadoras de plas- minogênio infundidas de forma endo- venosa para ativar o sistema sanguí- neo de fibrinólise. 5. DROGAS Existem três principais classes de fibri- nolíticos: ativadores do plasminogê- nio tecidual (t-PA), estreptoquinase (SK) e uroquinase (UK). Enquanto to- das essas classes são capazes de dis- solver os coágulos sanguíneos, elas se diferem quanto à sua seletividade pelos coágulos de fibrina. 7FIBRINOLÍTICOS • Ativador do plasminogênio teci- dual (t-PA) → Trata-se de um ati- vador do plasminogênio fraco na ausência de fibrina. O t-PA liga-se a fibrina através de locais de liga- ção de lisina na sua extremidade aminoterminal e ativa o plasmino- gênio ligado mais rapidamente do que o plasminogênio presente na circulação. Em condições fisiológi- cas, a especificidade do t-PA pela fibrinalimita a formação sistêmica de plasmina e a indução de um es- tado lítico sistêmico. A depuração do t-PA ocorre primaria- mente por metabolismo hepático e a meia-vida desta proteína é de 5-10 minutos. Representantes: Alteplase (t-PA) É a droga mais utilizada, produzida pela tecnologia do DNA recombinan- te. É indicada para casos de infarto agudo do miocárdio com supra de segmento ST (IAMCSSST), aciden- te vascular encefálico isquêmico e tromboembolismo pulmonar (TEP). Em relação a dose, varia de acordo com a indicação, sendo: • IAMCSSST → O esquema atual recomendado para trombólise co- ronariana consiste em um bolus IV de 15 mg, seguido de 0,75 mg/kg de peso corporal durante 30 min e de 0,5 mg/kg na hora seguinte. • AVE isquêmico → 0,9 mg/kg, sen- do 10% da dose em 1 minuto e o restante em infusão contínua por 60 minutos. Diluir 1 ampola em 50 ml (< 56 kg) e 2 ampolas em 100 ml (> 56 kg). • TEP → 100 mg em infusão contí- nua de 2 horas. A alteplase é uma droga de admi- nistração endovenosa com tempo de meia-vida curto, variando de 3 a 4 minutos. Além disso, os efeitos co- laterais incluem febre, hipertensão intracraniana, hemorragia de leve a grave, hipotensão, arritmias, náusea, vômitos, hemorragia gastrintestinal (presente em 4% dos casos), alergia, erupção cutânea, anafilaxia, urticária, edema de laringe e sepse. Em relação ao custo, o preço do frasco da am- pola de 50 mg varia de R$1338,47 a R$1528,00, segundo o Banco de Preços em Saúde, sendo uma droga disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na forma de ampolas de 10, 20 e 50 mg. 8FIBRINOLÍTICOS SAIBA MAIS! Você sabia que a literatura aponta que, nos casos de AVE isquêmico, o tratamento de primeira linha com alteplase para a fase aguda desta entidade apresenta benefícios sig- nificativos para o paciente? Porém, para receberem tal terapêutica, os pacientes devem ser devidamente selecionados, sendo enquadrados em uma extensa lista de critérios de inclusão e exclusão. Os critérios de inclusão são: • AVE isquêmico em qualquer território encefálico; • Possibilidade de se iniciar a infusão do t-PA dentro de 3 horas do início dos sintomas; • Tomografia computadorizada de crânio ou ressonância magnética sem evidência de hemorragia; • Idade superior a 18 anos. Em relação aos critérios de exclusão, temos: • Uso de anticoagulantes orais com tempo de protrombina (TP) >15s, Relação Normati- zada Internacional (RNI) >1,5; • Uso de heparina nas últimas 48 horas com tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) elevado; • AVE isquêmico ou traumatismo cranioencefálico grave nos últimos 3 meses; • História pregressa de hemorragia intracraniana ou de má-formação vascular cerebral; • TC de crânio com hipodensidade precoce > 1/3 do território da artéria cerebral média (ACM); • Pressão arterial (PA) sistólica >185 mmHg ou diastólica >110 mmHg (em 3 ocasiões, com 10 minutos de intervalo) refratária ao tratamento anti-hipertensivo; • Melhora rápida e completa dos sinais e sintomas no período anterior ao início da trombólise; • Déficits neurológicos leves (sem repercussão funcional significativa); • Cirurgia de grande porte ou procedimento invasivo nos últimos 14 dias; Hemorragia geniturinária ou gastrointestinal nos últimos 21 dias, ou história de varizes esofagianas; • Punção arterial em local não compressível na última semana; • Coagulopatia com TP prolongado (RNI>1,5), TTPa elevado, ou plaquetas <100000/ mm3; • Glicemia < 50 mg/dl com reversão dos sintomas após a correção; • Evidência de endocardite ou êmbolo séptico • Gravidez; • Infarto do miocárdio recente (3 meses); • Suspeita clínica de hemorragia subaracnóide ou dissecção aguda de aorta. 9FIBRINOLÍTICOS Tenecteplase (TNK) É o produto da recombinação gênica do alteplase, com mutações em múlti- plos pontos de seu material genético. É 14 vezes mais seletivo para a fibri- na e apresenta uma resistência 80x maior de ser inibido pelo PAI-1 do que o alteplase. O seu uso é indica- do apenas nos casos de IAMCSSST. A dosagem varia com o peso do pa- ciente, sendo possível o uso de fras- cos com ampolas de 30, 40 e 50 mL. A via de administração é endovenosa, sendo administrado em injeção única em bolus rápido (em 5 segundos). O tenecteplase tem meia-vida maior que o alteplase, aproximadamente de 5 minutos. Como efeitos colaterais há possibilidade da ocorrência de he- morragias, distúrbios da coagulação, hematomas, acidente vascular cere- bral hemorrágico, anafilaxia, angioe- dema, edema de laringe, urticária, mi- croembolia por colesterol, disfunção renal, náuseas e vômitos, infarto es- pinal, ruptura miocárdica, pericardite, derrame pericárdico, BAV, PCR e ICC. Em relação ao custo, o preço do fras- co da ampola de 40 mg gira em torno de R$4580,00, enquanto o frasco da ampola de 50 mg custa R$5660,00. É um fármaco disponível no SUS em frascos de 30, 40 e 50 mg. SAIBA MAIS! PESO DOSE < 60 kg 30 mg – 6 ml 60-70 kg 35 ml – 7 ml 70-80 kg 40 mg- 8 ml Kg 45 mg- 9 ml > 90 kg 50 mg – 10 ml Tabela 1. Dosagem de administração de tenecteplase (TNK) por peso. Blackbook – Clínica Médica – 2ª ed., 2014. Reteplase (r-PA) Recombinant plasminogen activa- tor, é uma variante mutante por de- leção do t-PA, cuja eficácia e toxici- dade assemelham-se às da alteplase, sendo esta uma droga não disponível no Brasil. Seu uso está indicado nos casos de IAMCSSST e TEP. A admi- nistração é feita por via endovenosa em dois bolus de 10 U administrados com 30 minutos de intervalo entre eles. A reteplase tem menor seletividade pela fibrina e apresenta um tempo de meia-vida maior que a alteplase. Tem potência de ação mais elevada e age mais rapidamente que o t-PA. Como 10FIBRINOLÍTICOS efeitos colaterais destacam-se he- morragias e arritmias. Lanoteplase (n-PA) Produto da deleção e mutação de um único ponto do material genético do t-PA. Seu uso clínico é limitado pelo aumento dos casos de acidente vas- cular encefálico hemorrágico causa- dos por sua administração. Estreptoquinase (SK) Produzida por estreptococos β-he- molíticos. Não apresenta atividade enzimática intrínseca, mas forma um complexo não-covalente estável de 1:1 com o plasminogênio. Este com- plexo determina uma alteração de configuração que expõe o local ativo no plasminogênio, formando a plas- mina livre. Seu uso é indicado nos ca- sos de IAMCSST e em casos graves de TEP. A dose administrada varia conforme indicação, sendo: • IAMCSSST → 1.500.000 UI por via endovenosa, diluído em 150 mL de soro glicosado isotônico para correr em 1 hora. • TEP grave → 1.500.00 UI por via endovenosa em 2 horas ou 250.000 UI em 30 minutos, segui- da de 100.000 UI por hora por 12 a 24 horas. O tempo de meia-vida da estrepto- quinase é de cerca de 40-80 min. O complexo estreptoquinase-plasmino- gênio não é inibido pela α2-antiplas- mina. Em relação aos efeitos colaterais há possibilidade de sangramentos em feridas ou gengiva, hemorragias inter- nas e agravamento de AVE não diag- nosticado. Hipotensão está presente em 15% dos casos. Além disso, pode ocorrer arritmia, vasodilatação, rubor, febre, alergia, prurido, broncoespas- mo, urticária, edema angioneurótico, anafilaxia, necrose tubular, depressão respiratória, hemorragia intraocular, edema periorbitário, náuseas, vômi- tos e dor muscular. O uso desta droga promove aumen- to do TTPa, dificultando o ajuste de doses da heparina convencional. Por ser antigênica, aumenta o risco de alergia e bloqueio do efeito quando usado mais de uma vez. Essa antige- nicidade pode causar sensibilização e reações alérgicas, particularmente se forem realizadas administrações repetidas da droga. As reações mais graves são raras; anafilaxia ocorre em menos de 0,5% dos casos. Entretan- to, sintomas menos graves como pi- rexia, rash cutâneo e tremores apare- cem em mais de 10% dos casos. A eficácia biológica da SK não é redu- zida pelas reações alérgicas. Anticor- pos anti-estreptoquinasepermane- cem elevados por mais de 7,5 anos após o tratamento, sugerindo que uma resposta subótima e uma reação 11FIBRINOLÍTICOS alérgica podem ocorrer com a utiliza- ção repetida da droga mesmo após anos da primeira exposição. Portanto, no intuito de evitar tal complicação, a administração repetida de SK no in- tervalo de um ano deve ser evitada. Em relação ao custo, este varia de acordo com os frascos. Para am- polas com 250.000 UI, R$155,00; R$442,00 para ampolas de 750.000 UI e R$850,00 para ampolas com 1.500.000 UI. O uso da estreptoquinase foi proscri- to no SUS por conta dos altos índices de mortalidade por hemorragia asso- ciados (nível de evidência 1A). Anistreplase Droga que apresenta um grupo de proteção do centro catalítico do com- plexo estreptoquinase-plasminogê- nio, prevenindo a neutralização pre- matura da droga. Apresenta muita semelhança à SK quanto à eficácia e incidência de efeitos adversos. Apre- senta antigenicidade e administra- ções repetidas dentro de um ano de- vem ser evitadas. Essa droga não está mais disponível no mercado. Quando disponível, a administração era feita em bolus de 30 UI por 2-5 minutos, via endovenosa. Uroquinase (UK) Isolada de culturas de células re- nais humanas. É um ativador do plasminogênio tecidual não seletivo. Seu uso é indicado apenas nos casos de TEP. A administração é endoveno- sa, sendo feita uma dose de ataque de 1000-4500 UI/kg, seguida de in- fusão contínua de 4400 UI/kg/h du- rante períodos variáveis. Apresenta tempo de meia-vida de 15-20 min e é metabolizada pelo fígado. À seme- lhança da estreptoquinase, carece de especificidade pela fibrina e, portan- to, induz facilmente um estado lítico sistêmico. O efeito colateral mais co- mumente associado é a ocorrência de hemorragias intracranianas. Seu cus- to é muito elevado, limitando seu uso na prática. Não é uma droga disponi- bilizada pelo SUS. Saruplase Pró-uroquinase; uroquinase de ca- deia única. É seletiva para coágulos, ligando-se à fibrina antes da ativação. Encontra-se em fase de investigação como agente trombolítico. 12 FIB R IN O LÍTIC O S D R O G A A LTEPLA SE (T-PA ) TEN ECTEPLA SE (TN K ) R ETEPLA SE (R-PA ) LA N O TEPLA SE (N -PA ) ESTR EPTO Q U IN A SE (SK ) A N ISTR EPLA SE U R O Q U IN A SE (U K ) SA R U PLA SE Indicação(ões) de uso IA M CSSST, AV Ei e TEP IA M CSSST IA M CSSST e TEP Lim itadas IA M CSSST e casos gra- ves de TEP IA M CSSST e casos gra- ves de TEP TEP Em fase de investigação com o trom bolítico D ose Variada, conform e indicação Varia com o peso do pa- ciente (30, 40 e 50 m g) 10 U I - Variada, conform e indicação 30 U I D ose de ataque de 1000-4000 U I/kg + in- fusão contínua de 4400 U I/kg/h, por períodos variáveis - V ia de adm inistração Endovenosa B olus rápido por via endovenosa D ois bolus por via en- dovenosa adm inistrados com intervalo de 30’ cada - Endovenosa B olus por via endoveno- sa por 2-5’ Endovenosa - Farm acocinética Tem po de m eia-vida curto (3-4’) Tem po de m eia- vida de 5’ M enor seletividade para fibrina e com tem po de ação m ais elevado que o t-PA - Tem po de m eia-vida de 40-80’ Sem elhante à SK Tem po de m eia vida de 15-20’ e m etabolização hepática - Efeitos colaterais principais Febre, hipertensão in- tracraniana, hem orragia grave ou leve H em orragias, distúrbios da coagulação, hem ato- m as, AV Eh H em orragias e arritm ias - H em orragias, rash cutâ- neo, broncoespasm o, anafilaxia, Sem elhantes à SK H em orragias intracra- nianas, m ais com um ente - Custo (por frasco de am pola) R $1338,47 a R $1528,00 R $4580,00 a R $5660,00 - - R $155 a R $850 - Extrem am ente elevado - D isponibilidade Sim , inclusive no SU S (frascos de am polas de 10, 20 e 50 m g) Sim , inclusive no SU S (frascos de am polas de 30,40 e 50 m g) N ão disponível no SU S. M ediante im portação. - U so proscrito N ão está m ais disponí- vel no m ercado Produção da U K está suspensa atualm ente - Tabela 2. Tabela esquem ática resum indo as principais características dos fibrinolíticos. 13FIBRINOLÍTICOS 6. COMO FAZER A ESCOLHA DA MELHOR DROGA FIBRINOLÍTICA? Para escolha da melhor terapia fibrinolítica é necessária a avaliação de parâme- tros como indicações, tolerabilidade do paciente, disponibilidade e custo. QUAL A MELHOR DROGA? ESTREPTOQUINASE (SK) ALTEPLASE (T-PA) TENECTEPLASE (TNK) Disponibilidade Baixa Elevada, inclusive no SUS Disponível também no SUS Custo Baixo ↑↑ ↑↑↑↑ Efeitos colaterais Maior diversidade de efei- tos adversos Diversos, porém menos severos Diversos e severos Indicação(ões) IAMCSSST e casos graves de TEP IAMCSSST, AVEi e TEP IAMCSSST Total de 01 03 00 Ranking 2º 1º 3º Tabela 3. Tabela comparativa entre as principais vantagens e desvantagens dos principais fibrinolíticos utilizados na prática. Obs.: mesmo que o TNK não tenha pontuado de acordo com a tabela, ele ainda é mais utilizado do que a SK, haja vista que essa está proscrita. 7. CONTRAINDICAÇÕES ABSOLUTAS E RELATIVAS DE TROMBÓLISE A principal toxicidade de todos os agentes trombolíticos consiste na ocorrência de hemorragia que resulta de dois fatores: (1) a lise de fibrina em “trombos fisiológicos”; (2) e um es- tado lítico sistêmico, que decorre da formação sistêmica de plasmina, que gera fibrinogenólise e destruição de outros fatores de coagulação, espe- cialmente os fatores V e VIII. Como os trombolíticos não são isentos de risco, isso significa que não devem ser utili- zados em todas as situações. Portan- to, observe o caso da paciente abai- xo e veja por qual motivo a paciente não deve sofrer trombólise química. Segue: “Paciente feminina, 73 anos, com histórico de AVCi trombolizado há 1 mês, dá entrada no PS com dor torá- cica tipo A e ECG com SST nas deri- vações anteriores. Uma vez não ten- do intervenção coronária percutânea no serviço, qual fibrinolítico usaremos para tratamento?” 14FIBRINOLÍTICOS - NENHUM! Por quê? Observe na tabela abaixo: CONTRAINDICAÇÕES ABSOLUTAS • Hemorragia intracraniana prévia • Lesão vascular cerebral estrutural conhecida • Neoplasia intracraniana maligna conhecida • AVE isquêmico dentro de 3 meses • Suspeita de dissecção de aorta • Sangramento ativo ou diátese hemorragica* • Significativo trauma craniano fechado há 3 meses • Significativo trauma facial há 3 meses RELATIVAS • HAS não controlada (PAS > 180 mmHg) • RCP traumática ou cirurgia de grande porte em 3 semanas • Recente hemorragia interna (últimas 2-4 semanas) • Punções vasculares não compressíveis • Gravidez • Úlcera péptica ativa • Uso atual de varfarina e RNI > 1,7 • Exposição prévia** (há mais de 5 dias) ou alergia Tabela 4. Contraindicações para uso de terapia fibrinolítica. * Exceto menstruação; ** Para estreptoquinase: Contraindicação da paciente do caso clínico SAIBA MAIS! Você sabia que 1 em cada 5 pacientes tratados com Alteplase (t-PA) para AVE isquêmico agudo desenvolvem angioedema orolingual? Este ocorre de forma branda e transitória, mas os casos severos, apesar de raros, são responsáveis por obstrução de vias aéreas e necessi- tam de avaliação em caráter emergencial. 8. INIBIDORES DA FIBRINÓLISE Aprotinina, ácido tranexâmico, ácido ɛ-aminocapróico, carbazocromo Mecanismo de ação Os antifibrinolíticos inibem a fibrinó- lise e, consequentemente, impedem ou diminuem a formação dos PDF (produtos de degradação da fibrina), que têm ação deletéria sobre a função plaquetária. Além dessa ação, dimi- nuem a conversão do plasminogênio em plasmina, que tem atividade pro- teolítica nos receptores plaquetários. 15FIBRINOLÍTICOS Figura 3. Mecanismo de ação do ácido tranexâmico (AT): o sítio do plasminogênio onde a fibrina se liga é ocupado pelo AT, impedindo a fibrinólise. Fonte: Santos, Splettstosser, Warpechowski et al. Antifibrinolíticos e cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea.Rev. Bras. de Anest. 2007; 57(5):549-564. Indicações Os antifibrinolíticos são indicados no controle e prevenção de hemorragias provocadas por hiperfibrinólise, como nos traumas, assim como em cirurgias cardíacas, ortopédicas, ginecológicas, urológicas, neurológicas, otorrinola- ringológicas, em pacientes hemofíli- cos, em casos de hemorragias diges- tivas e de vias aéreas, pós-extrações dentárias e nos casos de angiodema hereditário. Excreção Renal, devendo a dosagem ser redu- zida em casos de insuficiência renal aguda ou crônica, segundo clearance de creatinina (ClCr). Efeitos adversos Tontura, cefaleia, fraqueza, náuseas, vômitos, diarreia, desconforto abdo- minal, alergia, aumento do risco de tromboembolismo, hipotensão, bra- dicardia, dismenorreia e disfunção renal. O risco aumentado de tromboembo- lismo está associado à capacidade que tais drogas têm de formar coá- gulos que não são degradados pela plasmina. Por isso, são contraindica- dos nos casos de coagulação intra- vascular disseminada (CIVD), vascu- lopatia oclusiva e trombose venosa. Adicionais Entre as drogas supracitadas, a mais bem tolerada é o ácido tranexâmico. 16FIBRINOLÍTICOS Este é de 6-10 vezes mais potente que o ácido ɛ -aminocapróico, com maior afinidade pelo plasminogênio e ação antifibrinolítica mais sustentada por apresentar tempo de ação mais elevado. Já o carbazocromo é um anti- -hemorrágico e hemostático derivado da adrenalina, sem efeito pressórico ou vasoconstritor. É uma droga ainda pouco estudada. SAIBA MAIS! O ácido tranexâmico tem uso terapêutico para melasmas, haja vista que causa clareamento da pele hiperpigmentada. 17 FIB R IN O LÍTIC O S M A PA M EN TA L: PR IN CIPA IS FIB R IN O LÍTICO S IA M CSSST U rticária → anafilaxia IA M CSSST Efeitos adversos IA M CSSST, AV Ei, TEP D osagem variada, conform e indicação R eação alérgica Contraindicações de fibrinólise Estreptoquinase (SK ) A ntifibrinolíticos Fibrinólise in vivo Tenecteplase (TN K ) A lteplase (t-PA ) R elativas A bsolutas Inibidores da fibrinólise t-PA + plasm inogênio não se liga à fibrina Traum as, cirurgias diversas, pós-extração dentária, hem ofilia Excreção renal → avaliar se IR A ou IR C pelo C lC r Form ação de coágulos sanguíneos não degradáveis pela plasm ina ↑ ↑ da fibrinólise → m ecanism o terapêutico Janela de trom bólise Fibrinólise > antifibrinólise A té 4,5 h do início do quadro D ose única de 1.500.000 U I Fazer em bom ba de infusão contínua em 60’ Efeitos adversos H ipotensão H em orragias M aior risco de sangram ento no SN C A ngioedem a Fazer bolus em 15’ por via endovenosa + bom ba de infusão continua Injeção única em bolus de 50 m g por via endovenosa H em orragias por fibrinólise sistêm ica 18FIBRINOLÍTICOS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Goodman & Gilman – As Bases Farmacológicas da Terapêutica, 2018. Farmacologia – Rang & Dale – 8ª edição, 2018. Blackbook de Clínica Médica – 2ª edição, 2014. Gibson, MC et al. Characteristics of fibrinolytic (thrombolytic) agents and clinical trials in acute ST elevation myocardial infarction. UpToDate, 2018. Fisiologia da coagulação, anticoagulação e fibrinólise, Franco et al., 2002. Fibrinolytic Therapy (Thrombolytic Therapy) Topic Review. Healio, Cardiology Review, 2017. Santos, Splettstosser, Warpechowski et al. Antifibrinolíticos e cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea. Rev. Bras. de Anest. 2007; 57(5):549-564. Cardiovascular Pharmacology Concepts, Klabunde RE, PhD. Thrombolytic (fibrinolytic) Drugs, 2007. Diretrizes para tratamento da fase aguda do acidente vascular cerebral isquêmico – parte II. Comitê Executivo da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares e Departamento Científico de Doenças Cerebrovasculares da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). Maniva, SJCF. Uso de alteplase no tratamento do acidente vascular encefálico isquêmico agu- do: o que sabem os enfermeiros? Rev Bras Enferm, Brasília, 2012; 65(3):474-81. Política Nacional de Sangue e Hemoderivados. Ministério da Saúde. Nota técnica sobre o áci- do tranexâmico, 2016. RENAME- Relação Nacional de Medicamentos, 2020. Banco de Preços em Saúde, Ministério da Saúde, 2020. 19FIBRINOLÍTICOS