Prévia do material em texto
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO DELTA DO PARNAÍBA (UFDPAR) COORDENAÇÃO DO CURSO DE BACHARELADO EM BIOMEDICINA LANA KARLA HOLANDA FREITAS Relatório de Prática PARNAÍBA / PIAUÍ 2023 LANA KARLA HOLANDA FREITAS PRÁTICA 2: CÁLCULOS APLICADOS AO LABORATÓRIO Relatório de práticas IV em Biomedicina como parte dos requisitos para a obtenção de nota e aprovação na disciplina. PARNAÍBA / PIAUÍ 2023 1. INTRODUÇÃO Uma solução é uma mistura homogênea de duas ou mais substâncias. As soluções podem ser de gases, líquidos e sólidos. Cada uma das substâncias em uma solução é chamada de componente da solução. A substância presente em maior quantidade é normalmente chamada de solvente, enquanto o componente que há em menor quantidade é chamado de soluto. Elas são utilizadas rotineiramente no laboratório e são frequentemente compradas ou preparadas na forma concentrada, sendo chamadas de soluções estoque. (BROWN et al., 2005) A solução de baixa concentração pode ser obtida com adição de água, reagente e/ou solução salina. Esse processo é chamado de diluição. Vale ressaltar que, quando o solvente é adicionado à solução, a quantidade de matéria do soluto permanece inalterada. Na diluição seriada, ocorre a amplificação do fator de diluição de uma diluição simples, que é o número total de volumes em que a amostra será dissolvida, sendo utilizada a diluição anterior como fonte para a diluição seguinte. O fator de diluição é o mesmo para toda a série. Por exemplo, se a diluição for 1/2, o fator de diluição é 2. Então, todas as diluições seguintes serão multiplicadas por 2 (1/2 x 2 = 1/4 x 2 = 1/8 x 2 = 1/16…) Vários métodos laboratoriais indicam o uso de uma série de diluições, em alguns exames com resultados positivos, como por exemplo VDRL, ASO LÁTEX, PCR e Fator Reumatoide (aglutinação em látex), a diluição seriada é utilizada para ver em qual diluição da série houve o último sinal de reatividade. 2. OBJETIVO O propósito da prática foi entender a importância do processo de diluição simples e seriada no Laboratório de Imunologia médica, além de realizar o processo de diluição seriada e determinar o fator de diluição. 3. DESENVOLVIMENTO Para a prática de diluição seriada fez-se uso dos seguintes materiais: · Micropipetador P 10 à P100; · Micropipetador P 20 à P200; · Micropipetador P1000; · Ponteiras Amarelas; · Ponteiras Azuis; · Solução Colorida Amarela; · Solução diluente; · Tubos de Ensaio. Antes de iniciar a diluição propriamente dita, foi preciso calcular os valores necessários de amostra e diluente, a fim de prevenir erros e confusões na hora da técnica. Para isso, foi de suma importância ter conhecimento dos seguintes cálculos: · Volume final da solução: · Volume final = diluente + alíquota · Volume necessário da alíquota: · Volume final X Fator da diluição · Volume necessário de diluente: · Volume total - Volume da alíquota · Fator da diluição: · Volume final / Volume da alíquota Para um volume final estabelecido em 400 μL e fazendo os cálculos, obtivemos os seguintes resultados: · Volume final da solução: 400 μL · Volume necessário da alíquota: · 400 μL x 1/2 = 200 μL · 400 μL x 1/4 = 100 μL · 400 μL x 1/8 = 50 μL · 400 μL x 1/16 = 25 μL · Quantidade de diluente: · 400 μL – 200 μL = 200 μL · 400 μL - 100 μL= 300 μL · 400 μL - 50 μL = 350 μL · 400 μL - 25 μL = 375 μL · Fator de diluição: · 400 μL / 200 μL = 2 Feitos os cálculos, a diluição seriada foi iniciada com 1/2 para 4 pontos a partir da amostra pura (solução salina). Então, tivemos 4 tubos de ensaio identificados da seguinte forma: 1/2, 1/4, 1/8 e 1/16. Em seguida, foi iniciada a pipetagem, sempre começando do maior para o menor volume. Foram preparados 5 tubos de ensaio com 200 μL do de diluente em cada um. A amostra não diluída (solução colorida amarela) foi adicionada ao primeiro tubo na proporção de 1/2, com 200 μL de amostra mais 200 μL de diluente (que já estavam no tubo) e, em seguida, diluída em série nos tubos seguintes. Ao final da diluição, foi realizado o cálculo da proporção da diluição final da diluição seriada. A proporção total da diluição pode ser encontrada multiplicando-se o fator de diluição de cada etapa até a etapa final. Assim, Dt = D1 x D2 x D3 x … x Dn, onde Dt é o fator de diluição total e Dn é a proporção da diluição. Exemplificando, a diluição realizada pelo grupo foi de “1:2” do líquido 4 vezes. Ou seja, substituindo o fator de diluição à equação: Dt = 2 x 2 x 2 x 2 x 2 = 32. O fator de diluição final do quinto tubo na diluição em série é “1:16”. Logo, a concentração da substância foi de 16 mil vezes menor que a solução não diluída original. Além disso, é possível determinar a concentração da solução após a diluição. Para isso, faz-se uso da seguinte equação química: Cfinal = Cinicial / D onde Cfinal é a concentração final da solução diluída, Cinicial é a concentração inicial da solução original e D é a proporção previamente determinada da diluição. Em testes rápidos há a presença do termo Cutt off (CO) ou limiar de reatividade de um teste. Ele determina o valor limite acima do qual deve-se considerar aquele resultado como reagente. Esse CO pode variar de acordo com a técnica empregada, o antígeno utilizado nessa técnica e também de acordo com a doença pesquisada, por isso, deve sempre vir descrito no kit a ser utilizado. Um exemplo de diluição seriada amplamente utilizado em laboratórios é o teste de VDRL, que é um teste não-treponêmico, que utiliza como antígeno a cardiolipina, não específico para os antígenos do Treponema pallidum, mas que se apresenta elevado em pacientes com sífilis. Este teste consiste em uma reação de floculação, apresentando alta sensibilidade e baixa especificidade, pois a sensibilidade varia de acordo com a fase da sífilis. Além disso, ele é semiquantitativo e as titulações são obtidas através de diluições seriadas do soro, sendo o título final a última diluição que apresentar reatividade no teste. Outro teste bastante utilizado é o de “ELISA” (Enzyme Linked ImmunonoSorbent Assay). Ele baseia-se em reações antígeno-anticorpo detectáveis por meio de reações enzimáticas. A enzima mais utilizada nestas provas é a peroxidase, que catalisa a reação de desdobramento da água oxigenada (H2O2) em H2O mais O2. Existem vários modelos de testes de ELISA, porém, a sua forma mais simples é chamada ELISA indireto. Nela um antígeno aderido a um suporte sólido (placa de ELISA) é preparado e, em seguida coloca-se sobre este os soros em teste (ex. soro humano), na busca de anticorpos contra o antígeno. Se houver anticorpos no soro em teste ocorrerá a formação da ligação antígeno-anticorpo, que posteriormente é detectada pela adição de um segundo anticorpo dirigido contra imunoglobulinas da espécie onde se busca detectar os anticorpos (humana, no caso), a qual é ligada à peroxidase. Já o exame ASLO, também chamado de ASO, AEO ou da antiestreptolisina O, tem como objetivo identificar a presença de uma toxina liberada pela bactéria Streptococcus pyogenes, a estreptolisina O, que está normalmente associada a casos de faringite ou febre reumática e glomerulonefrite, nos casos mais graves. Nele é feita uma prova quantitativa a partir de uma série de diluições do soro entre 1:2 e 1:128 (podendo ir além deste título), numerando 7 tubos (1:2, 1:4, 1:8,1:16, 1:32, 1:64 e 1:128), acrescentando a seguir 0,5 mL de tampão glicina pH 8,2 em cada um deles, e 0,5 mL da amostra no primeiro tubo, homogeneizando e transferindo 0,5 mL desta diluição para o próximo tubo, e assim por diante, desprezando a última alíquota. 4. CONCLUSÃO Ao fim da prática realizada foi possível compreender a importância do processo de diluição simples e seriada no Laboratório, bem como realizar o processo de diluição seriada e determinar o fator de diluição. Vale salientar que essas técnicas são de suma importância na rotina laboratoriais, pois vários testes indicam o seu uso, como VDRL, ELISA e ASO LÁTEX e a soluções são frequentemente compradasou preparadas na forma concentrada. 5. REFERÊNCIAS Abbas AK, Lichtman AH, Pillai SHIV. Imunologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015 BROWN, LEMAY & BURSTEN, Química A Ciência Central - 9.ed. Pearson Prentice Hall ed. 2005 CÂMARA, Bruno. Biomedicina Padrão – Como fazer e calcular diluições. Disponível em: <https://www.biomedicinapadrao.com.br/2011/09/como-fazer-e-calcular-diluicoes.html> Acesso em: 17 de fevereiro de 2023. MARIZ, Flávia Viana. Procedimento teste de VDRL. POP UAD.049. Universidade Federal de Campina Grande – Hospital Universitário Júlio Bandeira de Mello. Disponível em: <https://www.gov.br/ebserh/ptbr/hospitaisuniversitarios/regiaonordeste/hujbufcg/acesso-a-informacao/gestao-documental/gerencia-de-atencao-a-saude/pop-049-pop-do-teste-do-vdrl-1.pdf> Acesso em: 17 de fevereiro de 2023. UEMURA, Elisa Hizuru. ASO LÁTEX POP LABORCLIN. Laborclin Produtos para Laboratórios Ltda. Disponível em: < https://www.laborclin.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Aso_latex_551018_551020_551021.pdf> Acesso em: 17 de fevereiro de 2023.