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Afecções do Sistema Respiratório de Cães e Gatos - Clínica Médica de Animais de Companhia

Material clínico sobre espirros, secreção nasal e tosse em cães e gatos, definindo reflexos e tipos (espirros agudos, crônicos e "espirro reverso"), caracterizando secreções, listando causas (virais, bacterianas, fúngicas, parasitárias, congênitas, neoplasias) e orientações diagnósticas.

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Kara Hermin

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● Espirros e Secreção Nasal: São sinais de 
doença na cavidade nasal e tecidos paranasais. 
 ➤ Espirros: Reflexo superficial que se origina 
nas mucosas que revestem a cavidade nasal, 
sendo facilmente induzido por estímulos químicos 
ou mecânicos. É resultado da expulsão forçada do 
ar que passa através das vias respiratórias com 
grande velocidade. 
 ☞ Classificação: 
Espirros Agudos Paroxísticos: São episódios 
súbitos e intensos de espirros, caracterizados por 
uma série rápida e repetitiva. Geralmente estão 
associados a infecções virais, corpo estranho 
intranasal, alergia, hemorragia ou trauma. 
Espirros Crônicos: É a presença persistente do 
espirro ao longo de meses. Geralmente estão as-
sociados à síndrome da imobilidade dos cílios e 
fenda palatina nos neonatos, traumas anteriores, 
corpos estranhos, rinite alérgica, doenças in-
fecciosas, abscessos dentários, osteomielite, 
parasitas, pólipos, tumores ou cistos nos condutos 
paranasais. 
Respiração Paroxística Inspiratória: É chamado 
de “espirro reverso”, sendo um padrão respirató-
rio com ciclos repetitivos de inspiração forte e 
rápida por alguns segundos, iniciada por irritação 
nasofaríngea. Geralmente são de casos idiopáti-
cos, mas podem estar associados a corpos es- 
tranhos e infecções virais. 
 ☞ Causas: 
Cães: Corpo estranho nasal é a principal 
causa de espirros agudos; infecção por Aspergillus 
e Penicillium, ou infiltração linfoplasmocítica são 
causas importantes de quadros crônicos. 
Gatos: Infecção viral (Herpervirus, Calicivi-
rus) representa a maior parte de quadros agudos. 
Já Criptococcose e doença nasal secundária a in-
fecções agudas com agentes de doença respira-
tória superior como FeLV e FIV, promovem qua-
dros crônicos. 
➤ Secreção Nasal: Qualquer material elimi-
nado das vias respiratórias através das narinas. 
Sua presença está mais comumente associada 
com desordens localizadas na cavidade nasal e 
seios paranasais, mas pode se desenvolver com 
desordens do trato respiratório inferior, como 
pneumonias, traqueobronquites ou desordens sis-
têmicas. 
 ☞ Características: Se apresenta como serosa 
em fase inicial da maiorias das doenças e em cará-
ter agudo; mucosa quando alergia, micose ou neo-
plasias. Quando são contínuas e de longa duração, 
costuma indicar afecções irritativas. Em caso de 
mucopurulência, há viroses ou processo inflama-
tório de longa duração com proliferação bacteria-
na. Hemorrágica quando ocorre traumatismo, co-
agulopatias, hipertensão sistêmica, vasculite e mi-
coses. 
 ☞ Causas: 
Congênitas: Estenose nasal, fenda palatina, 
palato mole alongado. 
Virais: Rinotraqueíte felina, calicivirose feli-
na,reovírus, vírus da cinomose. 
Bacterianas: Chlamydia, Mycoplasma, etc. 
Fúngicas: Aspergillus e Penicillium, Crypto-
coccus neoformans. 
Parasitárias: Linguatula serrata, Pneumonys-
soides. 
Outras: Neoplasias, alergias, pólipos, hiper-
tensão sistêmica, afecção dentária, otite média, 
traumatismos, corpos estranhos, coagulopatias. 
 
 ➤ Diagnóstico: dos Espirros e Secreção. 
 ☞ Anamnese e Sinais: Animais jovens, idosos e 
imunossuprimidos são mais susceptíveis a infec-
ções. Quando neonatos, deve-se considerar doen-
ças congênitas. As raças braquicefálicas costumam 
ter estenose das narinas. Cães idosos e gatos tem 
tendência a neoplasias nasais e problemas dentá-
rios. A hipertensão sistêmica costuma ser causa 
em animais idosos. 
 ☞ Exame Clínico e Plano: Verificação do fluxo 
de ar, avaliação hematológica (pouco específica), 
citologia obtida com swab, sorologia, cultura e na-
tibiograma, exame das cavidades oral e nasal sob 
anestesia. As radiografias torácicas e nasais são in-
dicadas para animais com doença crônica, sendo 
oservado aumento da radiopacidade, assimetria, 
aumento de volume ou lesões em massa, perda da 
estrutura dos turbinados e destruição óssea. 
Testes de coagulação, contagem de plaquetas, ri-
noscopia, aspirado e biópsia. 
● Tosse: Expulsão repentina e ruidosa de ar dos 
pulmões por reflexo protetor normal, cujo objeti-
vo é remover material indesejável das vias respira-
tórias. Costuma ser de efeito benéfico para limpe-
za das vias respiratórias. 
 ➤ Causas: 
 ☞ Mecânicas Físicas e Químicas: Irritação por 
gás, poeira, variação térmica; traumatismos; cor-
pos estranhos na traqueia ou brônquios; bronco-
pneumonia por falsa via; migração parasitária de 
Toxocara canis; compressão brônquica de origem 
cardíaca. 
 ☞ Infecciosas: Agudas do aparelho respirató-
rio superior, amidalite crônica, infecção traqueo-
brônquica crônica, bronco-pneumopatias bacteri-
anas, infecções fúngicas e parasitárias. 
 ☞ Alérgicas: Asma felina, bronco-pneumopa-
tias eosinofílicas, pneumonias granulomatosas. 
 ☞ Circulatórias: Congestão passiva de origem 
cardíaca, edema pulmonar vasoativo, embolia pul-
monar. 
 ☞ Neoplásicas: Tumores primários do aparelho 
respiratório; pulmonares metastáticos; compres-
são de origem extrínseca. 
 ☞ Outras: Congênitas, síndrome da imobilidade 
ciliar, mineralização, obesidade (Síndrome de Pick-
wick). 
➤ Diagnóstico: 
 ☞ Predisposição: Raças toy são predispostas à 
colapso traqueal; raças pequenas, à doença crô-
nica da valva mitral; raças gigantes, à cardio-
miopatias adquiridas; boxers, à neoplasias da base 
do coração e pulmão; raças braquicefálicas; à de-
sordem obstrutiva de vias superiores. 
 ☞ Anamnese: Ambiente com doenças endêmi-
cas e poluentes ambientais. Doenças prévias, ex-
posição a outros animais, vacinação. A descrição 
da tosse é importante, reconhecendo o apareci-
mento e duração, progressão, eventos precipitan-
tes, tipo de tosse, presença de secreção nasal e es-
tridores, capacidade de dormir a noite, tolerância 
ao exercício, relação da tosse com ingestão de ali-
mentos. 
Descrição da Tosse: Seca, ruidosa e áspera 
costumam ser sinais de irritação ou inflamação da 
laringe, traqueia e brônquios principais. Quando 
“grasnar de ganso” é associado a colapso tra-
queal. Úmida e produtiva indica desordens asso-
ciadas à produção de muco e secreções em pneu-
monias. Hemoptise é associada com embolia pul-
monar por dilofilária, neoplasias, traumas, corpo-
estranho, granuloma, insuficiência cardíaca com-
gestiva fulminantes, coagulopatias associadas a 
rodenticidas. 
● Doenças Nasais: 
 ➤ Micoses Nasais: 
 ☞ Cryptococose: Doença causada pelo agente 
Cryptococcus neoformans, sendo uma condição 
que acomete mais gatos do que cães. O agente 
entra pelo trato respiratório e pode se disseminar 
por outros órgãos, inclusive quando acomete cães, 
é mais comum haver sinais de sistema nervoso. 
Sinais: Secreção nasal uni ou bilateral, le-
sões granulomatosas nas narinas, deformidade fa-
cial, lesões ulcerativas no plano nasal, linfadeno-
patia mandibular, massas cutâneas ou subcutâ-
neas, uveíte anterior, coriorretinite ou neurite óp-
tica. Quando afeta o sistema nervoso, causa me-
ningoencefalite focal ou difusa, formação de gra-
nuloma focal com depressão, alterações de com-
portamento, convulsões, cegueira, ataxia, andar 
em círculos, anosmia e paresia. 
 
 Diagnóstico: Teste positivo para o antígeno, 
citologia, histopatológico, cultura. 
Tratamento: Anfotericina B em caso de disse-
minação grave. Cetoconazol, itraconazol ou fluco-
nazol em tratamento prolongado por 1-2 dias após 
a resolução dos sinais clínicos. 
 ☞ Aspergilose: Doença causada pelo agente 
Aspergillus fumigatus, um habitante natural da ca-
vidade nasal que se torna patogênicos em, princi-
pamente, cães. Pode estar associado à outras 
doenças, possuindo um caráter oportunista. 
Sinais: Secreção um-
coide, mucopurulenta com 
ou sem sangue ou pura-
mente hemorrágica. Sensi-
bilidade à palpação facial e 
ulceração externa das 
narinas. 
Diagnóstico: Radiografia com áreas de menor 
radiopacidade bem definidas na cavidade nasal e 
maior radiopacidade rostral e dos seios frontais. 
Rinoscopia, citologia, cultura (risco de falso positi-
vo), biópsia. 
Tratamento: Tópicocom Clotrimazol após o 
debridamento das placas fúngicas. Oral com itra-
conazol oral na dose de 5mg/kg por 60-90 dias, 
sendo mais simples, porém menos eficaz e com 
maior potencial de efeitos adversos. 
 ➤ Tumores Nasais: : A maioria é maligna, lo-
calmente invasivos que causam secreção nasal, 
obstrução de fluxo de ar e deformidades faciais. 
 ☞ Cães: Adenocarcinoma, carcinoma de célu-
las escamosas, carcinomas indiferenciados. 
 ☞ Gatos: Adenocarcinomas e linfomas. 
 ➤ Rinite Alérgica: Observada em cães atópi-
cos, sendo uma resposta de hipersensibilidade na 
cavidade nasal e seios paranasais. Os sinais in-
cluem: espirros e secreção nasal serosa ou muco-
purulenta, podendo estarem associados a esta-
ções do ano, alterações ambientais, ambiente e 
fumaças. 
● Traqueobronquite Infecciosa Canina: 
Conhecida como “tosse dos canis”, sendo um con-
junto de doenças infecciosas altamente contagio-
sas do trato respiratório canino, que causam tra-
queobronquite súbita com tosse curta e repetida 
paroxística que dura vários dias a algumas sema-
nas. 
 ➤ Etiologia: Bordetella bronchiseptica, Vírus da 
Parainfluenza canina (VPC), Adenovirus canino ti-
po 2 (AVC-2), Herpesvirus canino, Reovírus canino, 
Micoplasmas e ureaplasmas. 
 ➤ Transmissão: Aerossol por tosse e espirros 
de animais infectados, fômites. O período de incu-
bação é de 3-10 dias. 
 ➤ Patogenia: Infecções mistas com efeitos si-
nergísticos, lesão do epitélio das vias aéreas supe-
riores com inflamação aguda e disfunção dos cí-
lios. Pode haver invasão secundária com pneumo-
nia. 
 ☞ Forma Suave: É a forma mais comum, apre-
senta um início agudo de tosse curta seca e repeti-
da, frequentemente acompanhada por engasgos 
ou ânsia de vômito. Costuma ser sinalizada duran-
te exercícios ou alterações térmica ou de umidade. 
O cão continua a comer, permanece ativo e sem 
febre. Curso clínico de 7-14 dias. 
 ☞ Forma Severa: Em geral ocorre concomitante 
com outras infecções e em filhotes não vacinados. 
Aqui, pode ocorrer broncopneumonia bacteriana, 
febre e risco de óbito. 
 ➤ Diagnóstico: Evidências circunstanciais e his-
tórico de exposição. O hemograma da forma suave 
indica apenas estresse, enquanto na forma severa 
já há leucocitose neutrofílica. Pode ser realizado 
radiografias, citologia, culturas e virologia. 
 ➤ Tratamento: Indicado durante a forma seve-
ra, ou de suporte à forma suave. Antibióticos por 
10 dias, se necessário. Considerar nebulização 
com gentamicina 50mg em 2-3mL de soro fisioló-
gico. O suporte pode ser feito com fluidoterapia e 
repouso. Broncodilatadores reduzem o desconfor-
to e tosse, podendo ser usado aminofilina, teofili-
na, terbutalina ou albuterol. Antitussígenos como 
codeína 0,25mg/kg, Butorfanol 0,5mg/kg ou Dro-
popizina. 
● Colapso de Traqueia Canina: Condição 
caracterizada pelo estreitamento ou deformidade 
da traqueia em que a membrana traqueal dorsal 
prolapsa para dentro do lúmen. Pode estar asso-
ciada à deficiência de condroitina ou glicosamino-
glicanos. É de etiologia desconhecida e pode ser 
adquirida em animais de meia idade. 
 ➤ Achados Clínicos: É uma causa comum de 
obstrução das vias aéreas em cães da raças pe-
quenas. Pode causar síndrome de angústia respi-
ratória, tosse crônica de alta sonoridade (grasnar) 
que pode exacerbar por agitação ou alimentação. 
Pode ocorrer cianose e síncope. 
 ➤ Tratamento: Emagrecimento em caso de o-
besidade, uso de guias peitorais, supressores da 
tosse, broncodilatadores, prednisona 0,5-1,0mg/ 
kg em casos de crises, sulfato de condroitina. Ci-
rúrgico por uso de stents. 
● Bronquite Crônica Canina: Síndrome de-
finida como tosse que ocorre na maioria dos dias 
por dois ou mais meses consecutivos no ano na 
ausência de outras doenças. É consequência de 
processo inflamatório persistente que pode ter 
sido iniciado por infecção, alergia, agentes irritan-
tes ou toxinas inaladas. Cães de porte pequeno de 
meia idade costumam ser acometidos. 
 ➤ Fisiopatologia: O ciclo contínuo de inflama-
ção promove dano grave à mucosa e consequente 
hipersecreção de muco, causando obstrução das 
vias aéreas, que dificulta a limpeza mucociliar. 
 ➤ Sinais Clínicos: Tosse áspera e sonora, po-
dendo ser produtiva ou não. É progressiva, pioran-
do com exercício e apresentando crises de disp-
neia. Não há sinais sistêmicos. 
 ➤ Diagnóstico: Costuma ser de exclusão. 
 ☞ Anamnese: Característica da tosse, higieni-
zação e localização do ambiente, doenças cocomi-
tantes como doença valvar, exposição a agentes 
infecciosos. 
 ☞ Exame Físico: Sons respiratórios altos, crepi-
tações e sibilos, cliques ao final da expiração. 
 ☞ Radiografia Torácica: Apresenta padrão 
bronquial com infiltrados intersticiais e alterações 
suaves. É importante descartas outras doenças. 
Padrão Bronquial: Paredes bronquiais mais 
espessas, com sinais característicos de donuts e li-
nhas de trem. Geralmente associado com bronqui-
tes e bronquiectasia. Em casos avançados, pode 
haver calcificação de cartilagens e infiltração peri-
bronquial. 
 ☞ Complementares: Lavado traqueal e bronco-
alveolar. Broncoscopia. 
 ➤ Tratamento: É sintomático e individualizado, 
sendo importante minimizar fatores de exacerba-
ção, como estresse e poluentes. O tratamento pe-
riodontal diminui a microbiota, a hidratação das 
vias aéreas pode ser feita com nebulizações e flui-
doterapias. Em animais obesos é importante pro-
tocolo de emagrecimento. 
 ☞ Medicamentos: Broncodilatadores como te-
ofilina, simpatomiméticos terbutalina e albuterol; 
glicocorticoides como prednisona; supressores da 
tosse como dextrometorfano, butorfanol e hidro-
codona. 
● Cinomose Canina: Doença viral multissistê-
mica, altamente contagiosa e severa dos cães e 
outros carnívoros. 
 ➤ Etiologia: Vírus da cinomose, um morbilivirus 
da família Paramyxoviridae, sendo um vírus que 
sobrevive poucas horas fora do hospedeiro e é fa-
cilmente destruído por ressecamento e desinfe-
tante. Incide em todas as idades em cães não 
vacinados. 
 ➤ Transmissão: Secreções e excreções corpo-
rais, aerossóis. A eliminação viral do portador ces-
as 1-2 semanas após a recuperação do animal. 
 ➤ Patogenia: A exposição aerógena por inala-
ção permite que o vírus invada macrófagos das 
tonsilas e linfonodos brônquicos, alcançando e se 
alastrando por meio do sistema linfático até os te-
cidos linfóides sistêmicos em 2 a 6 dias. O primeiro 
pico febril acontece e o sistema nervoso central e 
epitelial é acometido no período de 8-14 dias. 
 ☞ Boa Resposta Imune: Promove a recupera-
ção do animal e eliminação do vírus do organismo. 
 ☞ Resposta Imune Lenta ou Fraca: Há ausência 
de sinais multissistêmicos, e o sistema nervoso 
central expressa encefalomielite crônica com apa-
recimento retadado. 
 ☞ Falha na Resposta Imune: Há disseminação 
rápida até o sistema nervoso central e sinais mul-
tissistêmicos em 2-3 semanas com segundo pico 
febril. 
 ➤ Sinais Clínicos: Variáveis. Geralmente há a-
norexia, depressão, febre diafásica de até 41°C. O 
sistema respiratório expressa rinite e conjuntivite 
com secreção serosa a mucopurulenta; pneumo-
nia intersticial que evoluir para broncopneumonia 
por infecção secundária. O sistema gastrintestinal 
apresenta vômitos e diarreia. Olhos podem ter ce-
ratoconjutivite, coriorretinite e neurite. O sistema 
nervoso expressa encefalomielite aguda por des-
truição da substância cinzenta, caracterizada por 
convulsões, dismetria, andar em círculos e altera-
ções de comportamento; pode haver encefalomi-
elite não supurativa subaguda ou crônica devido a 
imunimediação de anticorpos antimielina; e, caso 
acometa cérebro e cerebelo, há ataxia e distúrbios 
de equilíbrio e andadura; em caso de alteração da 
medula espinhal, pode haver incoordenação, pa-
resia e propriocepção alterada; outros sinais são: 
mioclonias e neuropatias periféricas. Pode haver 
também, hipoplasia do esmalte dentário, hiper-
queratose dos coxins e plano nasal, e dermatite 
pustular.➤ Diagnóstico: Sinais clínicos típicos com his-
tórico de vacinações ausentes e em ambiente de 
risco. 
 ☞ Hemograma: Linfopenia, leucopenia precoce 
que evolui para leucocitose neutrofílica, e trombo-
citopenia. 
 ☞ Radiografias: Pneumonia com infiltrados in-
terticiais ou alveolares. 
 ☞ Fator de Crescimento Epitelial: Aumento da 
concentração de proteínas e da contagem celular. 
Presença de anticorpos anti-vírus da cinomose. 
 ☞ Outros: Virologia, sorologia. 
 ➤ Tratamento: Antibióticos de largo espectro 
em caso de pneumonia, umidificação das vias aé-
reas, expectorantes e broncodilatadores, suporte 
para vômitos e diarreia, fenobarbital para convul-
sões. 
● Doença Respiratória Viral Felina: Apre-
senta duas formas distintas: quadro agudo de apa-
recimento súbito, febre, anorexia e desidratação; 
e portadores crônicos com poucos sinais eviden-
tes. Acomete principalmente filhotes de 8 a 10 se-
manas, em regiões de alta densidade populacional 
em conjunto com outras doenças como FeLV. 
 ➤ Calicivirus Felino: Apresentam muitos va-
riantes sorológicos, que contaminas por fômites. É 
inativado por desinfecção com hipoclorito ou com-
postos de amônio quaternário. 
 ☞ Infecção: O quadro agudo é frequente em fi-
lhotes não vacinados e mantidos em grandes gru-
pos, visto transmissão por contato direto com se-
creções orais e oculonasais. O período de incuba-
ção é de 3-5 dias. O paciente portador pode ser 
assintomático ou com sinais de conjuntivite 
branda, gengivite ou doença periodontal. 
Sinais Clínicos Quadro Agudo: Pirexia, anorexia, 
fraqueza, secreção oculonasal serosa, úlceras o-
rais e nasais. Pode haver pneumonia, traqueo-
bronquite, diarreia, mialgia, andar rígido e hi-
perestesias. 
 ➤ Vírus da Rinotraqueíte Felina: Um alfa-her-
pesvirus altamente espécie-específico, lábil no 
ambiente, sobrevivendo por até 18 horas no 
ambiente, e marcante tropismo epitelial. Estima-
se que 90% do gatos já foram expostos. O princi-
pal mecanismo de infecção é a transferência direta 
do vírus por meio de espirros. 
 ☞ Patogenia: Inoculação oral, nasal ou conjun-
tival com rápida replicação nas células epiteliais 
causando citólise, rinite, conjuntivite e úlcera de 
córnea. Pode haver ulceração da mucosa e secre-
ções sanguinolentas em caso de citólise severa. 
Pode haver exposição de osso e cartilagem com 
remodelamento e sinusite crônica em caso de ero-
são da mucosa nasal. 
 ☞ Sinais Clínicos: A doença primária é autoli-
mitante em 10-20 dias, e afeta somente o trato 
respiratório superior e olhos. Há rinite e com-
juntivite com secreções serosas e sanguinolentas 
que podem evoluir para mucopurulentas; o animal 
também pode apresentar anorexia, febre, fra-
queza e conjuntivite hiperêmica com úlceras de 
córnea. Quando recrudescente há ceratoconjunti-
vite, rinosinusite e ceratite. 
 ➤ Tratamentos: Quando de suporte, objetiva 
prevenir infecções secundária e manter a adequa-
da nutrição e hidratação para conforto do pacien-
te, se usando de ambiente aquecido e umidificado 
com boa ventilação. Pode ser usado soro fisiológi-
co para limpeza dos olhos e nariz, nebulização por 
15-30 minutos até 3x ao dia. 
 ☞ Medicamentos: Descongestionantes nasais 
pediátricos como 0,25% fenilefrina, e 0,025% oxi-
metazolina. Antibóticos sistêmicos e oftálmicos 
como Amoxicilina 22mg/kg/12h, e Cloranfenicol e 
Doxiciclina 5-10mg/kg BID em caso de Chlamydia 
ou Mycoplasma. Evitar glicocorticóides, medica-
ções com DAINE podem potencializar a persistên-
cia do antígeno. Agentes antivirais devem ser con-
siderados quando os sinais são graves ou 
envolvem a córnea, podendo ser Trifluridina, Ido-
xuridina, Vidarabina, Aciclovir ou Famciclovir. 
● Rinosinusite Crônica: Costumam ser assin-
tomáticos ou com secreção oculonasal mucopuru-
lenta e episódios de espirros e respiração ruidosa. 
 ☞ Etiologia: Rinite linfocítica plasmocitária a-
lérgica ou imunomediada; fúngica por Cryptococ-
cus neoformans; bacteriana secundária à fraturas, 
corpos estranhos, parasitas, fístulas, pólipos e tu-
mores. 
 ☞ Patogenia: Vírus e bactérias destroem a es-
trutura e função imunológica da mucosa nasal, 
proliferando bactérias e inflamando o tecido com 
secreção que oclui a conexão entre o seio frontal 
e cavidade nasal. 
 ☞ Tratamento: Cirúrgico possui sucesso varia-
do com trepanação dos seios frontais, rinotomia 
ou turbinectomia, curetagem e obliteração dos 
seios frontais. Clínico promove alívio adequado e 
usa-se antibióticos, nebulização e descongestio-
nante nasal pediátrico. 
● Efusões Pleurais: 
 ➤ Etiologia: Causas primárias podem ser oriun-
das da própria pleura, como em pleurite supurati-
va (piotórax), vasculite exsudativa (PIF) ou neopla-
siaprimária da pleura (mesotelioma); ou secundá-
rias a outras desordens como em neoplasias me-
diastínicas e broncopulmonares, rompimento lin-
fático (quilotórax), doença cardíaca e traumas. 
Causas raras podem ser torção de lobo pulmonar, 
cirrose, hipoproteinemia, pancreatite, infarto pul-
monar, cistos tímicos e parasitismo por Aeluro-
strongylus. 
 ➤ Sinais Clínicos: Dispneia inspiratória com 
encurtamento da respiração e padrão dissincrôni-
co, tosse, intolerância a exercícios, postura orto-
pneica, cianose, anorexia, depressão, perda de pe-
so, desidratação e anemia. 
 ➤ Diagnóstico: 
 ☞ Exame Físico: Inspeção visual, febre, auscul-
tação com abafamento dos sons respiratórios e 
cardíacos, percussão, oftalmoscopia, sinais exter-
nos de trauma. 
 ☞ Radiografia Torácica: Estabelecer a priori-
dade de estabilizar o animal e não o estressar. De-
ve ser feito antes e depois da drenagem, em posi-
ções adequadas. 
Características: Obscurecimento dos contor-
nos cardíacos e diafragmáticos, separação dos lo-
bos pulmonares da pleura parietal e esterno, 
preenchimento das fissuras interlobares, arredon-
damento dos bordos pulmonares, alargamento do 
mediastino, achatamento do ângulo costo-frênico 
 ☞ Ultrassonografia: Mais rápido e menos es-
tressante, permite diferenciar líquidos de massa e 
serve de guia para punção. 
 ➤ Toracocentese: Permite, além da terapêuti-
ca de melhorar a respiração, coletar amostras e 
melhorar a visualização radiográfica. É, porém, 
contraindicado em casos de desordens de coagu-
lação. 
 ☞ Preparação: Sedação caso animal esteja agi-
tado, posicionamento em decúbito esternal, sen-
tado ou apoiado. Tricotomia, antissepsia e infiltra-
ção anestésica local com lidocaína 2% subcutânea. 
 ☞ Procedimento: Aplicação de cateter no terço 
ventral do 6º. 7º ou 8º espaço intercostal, logo a-
baixo da articulação costo-condral, evitando a 
margem caudal da costela (risco de puncionar ar-
téria); posicionando a agulha em ângulo de 45° 
para evitar laceração pulmonar. 
Coleta de Amostras: Tubo de EDTA para conta-
gem de células e citologia, tubo para bioquímico, 
tubo estéril para cultura, lâminas com esfregaço. 
Analise do Fluido: pH <6,9 se houver infecção 
bacteriana. Se glicose diminuída indica piotórax ou 
neoplasia. Pode ser detectado peritonite in-
fecciosa felina na amostra. 
 Transudato Transudato 
Modificado 
Exsudato 
Asséptico 
Exsudato 
Séptico 
Quilo 
Cor 
Incolor ou 
amarelo 
pálido 
Amarelo 
ou róseo 
Amarelo 
ou róseo 
Amarelo 
a verme-
lho tijolo 
Leito-
so 
Proteína 
(g/dl) 
<1,5 2,5-5,0 3,0-6,0 3,0-7,0 
2,5 -
6,0 
Fibrina Ausente Ausente Presente Presente Varia 
Bactéria Ausente Ausente Ausente Presente Aus. 
Células 
Nucl. 
<1.000 
1.000-
7.000 
5.000-
20.000 
5.000-
300.000 
1.000-
20000 
Citologia 
Célula 
mesotelial 
Macrófago 
PMN 
Neoplasias 
Macrófa. 
PMN 
Neopla. 
PMN 
degen. e 
Macróf. 
Peq. 
linfóc. 
PMN e 
Macró 
Doenças 
Assoc. 
Albumine-
mia 
ICC Crônica 
Neoplasia 
PIF 
Neoplas. 
Torção 
Pancreat. 
Pleurite 
Séptica 
Piotórax 
Quilo-
tórax 
 
 ➤ Piotórax: Derrame pleural contaminado por 
meio de septicemia, infecções adjacentes ou in-
trodução direta do agente por traumas penetran-
tes. 
 ☞ Achados: Leucocitose, exsudatopurulento 
do líquido peritoneal, resultados de cultura positi-
va. 
 ☞ Tratamento: Antibioticoterapia inicial focada 
para microrganismos anaeróbicos, como Clinda-
micina ou Metronidazol, sendo primariamente in-
travenosos. Deve-se combinar Penicilinas (Amoxi-
cilina) para grams + com Cefalosporinas para 
grams -; por no mínimo 3 semanas a 3 meses. 
Lavagem: Usa-se um tubo de drenagem to-
rácica, introduzindo-o à cavidade por meio de to-
racostomia. Realiza-se lavagens 2 vezes ao dia com 
soro fisiológico morno. O tratamento finaliza 
quando a radiografia se mostrar limpa por 48h, a 
produção de líquido é menor que 15mL por 24h, 
sendo ausente e purulência e com citologia nega-
tiva. 
 ➤ Quilotórax: Acúmulo de linfa na cavidade a 
partir do rompimento, obstrução ou dilatação do 
ducto torácico. Pode ser causado por massas 
mediastínicas craniais, traumas, doenças cardíacas 
ou de maneira idiopática. 
 ☞ Achados: Tosse, líquido rico em triglicerí-
deos, corado em Sudan. 
 ➤ Hemotórax: Acúmulo de sangue na cavidade 
por causa de traumas torácicos, desordens de he-
mostasia ou neoplasias intratorácicas. 
 ➤ Pneumotórax: Acúmulo de ar livre no espaço 
pleural por meio de trauma torácico penetrante 
ou fechado, podendo ser causado de maneira ia-
trogênica. 
 ☞ Classificação: Simples, aberto ou por tensão 
 ☞ Diagnóstico: Sinais como dispneia, angústia, 
ortopneia, sons cardíacos e pulmonares diminuí-
dos ou distantes, hiperresonância na percussão, 
enfisema subcutâneo e radiografia. 
 ☞ Tratamento: Emergencial em casos de feri-
das abertas e necessidade de drenagem, sendo ci-
rurgico por toracotomia. O paciente deve ser mo-
nitorado.