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1 
 
 
Júlia Morbeck – @med.morbeck 
 
ANATOMIA VESICAL 
↠ A bexiga é um órgão de armazenamento de urina 
com a capacidade de acomodar grandes elevações no 
volume urinário com pouco ou nenhum aumento na 
pressão intravesical (HOFFMAN et al., 2014). 
↠ A parede da bexiga é composta de múltiplas camadas: 
mucosa, submucosa, muscular e adventícia (HOFFMAN 
et al., 2014). 
 
 
↠ O epitélio vesical, denominado uroepitélio, consiste em 
camadas celulares distintas. A mais superficial é a camada 
de células de transição, e supõe-se que sua 
impermeabilidade seja responsável pela barreira primária 
urina-plasma (HOFFMAN et al., 2014). 
↠ A função normal do trato urinário requer integração 
dos sistemas nervosos central e periférico. O sistema 
nervoso periférico contém as divisões somática e 
autonômica. Dessas, o componente somático inerva os 
músculos estriados, enquanto o autonômico inerva a 
musculatura lisa (HOFFMAN et al., 2014). 
↠ O sistema nervoso autônomo controla o movimento 
involuntário e é subdividido em simpático e 
parassimpático. O sistema simpático faz a mediação dos 
efeitos nos órgãos-alvo por meio de epinefrina e 
norepinefrina, atuando nos receptores alfa ou beta 
adrenérgicos. O parassimpático atua por meio da ligação 
da acetilcolina aos receptores muscarínicos ou nicotínicos. 
Na pelve, as fibras autônomas que inervam as vísceras 
pélvicas cursam nos plexos superior e inferior do nervo 
hipogástrico (HOFFMAN et al., 2014). 
 
 A estimulação de receptores b-adrenérgicos na cúpula 
vesical resulta em relaxamento da musculatura lisa e auxilia no 
armazenamento da urina. Por outro lado, os receptores alfa-
adrenérgicos predominam na base da bexiga e na uretra. Esses 
receptores são estimulados pela norepinefrina, que dá início a uma 
cascata de eventos que preferencialmente leva à contração uretral e 
ajuda no armazenamento de urina e na continência. Esses efeitos de 
alfa-estimulação são a base do tratamento da IUE com imipramina, um 
antidepressivo tricíclico com propriedades agonistas adrenérgicas 
(HOFFMAN et al., 2014). 
 
 
 
 Quando o momento para o esvaziamento vesical se 
aproxima, reduz-se a estimulação simpática e desencadeia-se a 
estimulação parassimpática. Especificamente, impulsos neurais 
transmitidos pelos nervos pélvicos estimulam a liberação da acetil- 
colina, levando à contração do músculo detrusor. Junto com a 
estimulação do detrusor, a acetilcolina também estimula receptores na 
A cúpula da bexiga é rica em receptores muscarínicos parassimpáticos 
(M) e em receptores b-adrenérgicos simpáticos (beta). O colo vesical 
contém maior densidade de receptores simpáticos a-adrenérgicos (alfa). 
2 
 
 
Júlia Morbeck – @med.morbeck 
 
uretra, levando ao relaxamento do trato de saída para permitir a 
micção (HOFFMAN et al., 2014). 
 Os subtipos de receptor M2-M3 foram identificados 
como os predominantemente responsáveis pela contração da 
musculatura lisa do detrusor. Assim, o tratamento com medicamentos 
antagonistas muscarínicos reduz a contração do detrusor para 
melhorar a continência. Especificamente, fármacos para continência 
tendo como alvo apenas o receptor M3 são mais eficazes ao mesmo 
tempo em que minimizam a ativação dos demais receptores 
muscarínicos e os efeitos colaterais (HOFFMAN et al., 2014). 
 
 
 
DEFINIÇÃO 
↠ Define-se incontinência urinária como perda 
involuntária de qualquer volume de urina. Além da uretra, 
é possível haver extravasamento de urina de fontes 
extrauretrais, como fístulas ou malformações congênitas 
do trato urinário inferior (HOFFMAN et al., 2014). 
 Define-se incontinência urinária aos esforços (IUE) como 
perda involuntária de urina relacionada com esforço físico ou com 
espirro ou tosse. A incontinência urinária de urgência é a perda 
involuntária de urina acompanhada ou imediatamente precedida por 
sensação de necessidade iminente de urinar (HOFFMAN et al., 2014). 
↠ Um quadro relacionado – a bexiga hiperativa – é 
descrito como urgência urinária com ou sem 
incontinência, geralmente acompanhado por aumento da 
frequência urinária diurna e por nictúria (HOFFMAN et al., 
2014). 
CONTINÊNCIA: capacidade de armazenar urina associada à possibilidade 
conveniente e socialmente aceitável de esvaziamento voluntário. 
 De acordo com as diretrizes da International Continence Society, 
a incontinência urinária é um sintoma, um sinal e uma alteração no 
estado de saúde (HOFFMAN et al., 2014). 
EPIDEMIOLOGIA 
↠ Entre as pacientes ambulatoriais com incontinência 
urinária, a condição mais comum é a IUE, que representa 
29 a 75% dos casos. A incontinência urinária de urgência 
responde por até 33% dos casos de incontinência, e o 
restante é atribuído a formas mistas (HOFFMAN et al., 
2014). 
↠ A incontinência urinária pode prejudicar 
significativamente a qualidade de vida, levando a 
rompimento de relações sociais, distúrbios psicológicos, 
por vergonha e frustração, hospitalizações por problemas 
cutâneos e infecção do trato urinário, assim como 
internação em instituições de idosos (HOFFMAN et al., 
2014). 
 Apenas 25% das mulheres afetadas procuram atendimento 
FATORES DE RISCO 
 
3 
 
 
Júlia Morbeck – @med.morbeck 
 
IDADE 
↠ A prevalência de incontinência parece aumentar 
gradualmente durante a vida adulta jovem (HOFFMAN et 
al., 2014). 
↠ A incontinência não deve ser entendida como uma 
consequência normal do envelhecimento. Entretanto, 
diversas alterações fisiológicas do trato urinário inferior 
relacionadas com a idade podem predispor à 
incontinência, à hiperatividade vesical ou a outras 
dificuldades miccionais (HOFFMAN et al., 2014). 
 Em mulheres, a redução pós-menopáusica nos níveis de 
estrogênio resulta em atrofia do selo mucoso uretral, perda de 
complacência e irritação vesical que predispõem às incontinências de 
esforço e de urgência (HOFFMAN et al., 2014). 
OBESIDADE 
↠ Teoricamente, o aumento na pressão intra-abdominal 
que coincide com um aumento do IMC resulta em 
pressão intravesical proporcionalmente mais alta. Essa 
pressão aumentada supera a pressão de fechamento 
uretral e leva à incontinência (HOFFMAN et al., 2014). 
MENOPAUSA 
↠ Supõe-se que a deficiência estrogênica com atrofia 
urogenital resultante seja responsável, em parte, pelos 
sintomas sensório-urinários após a menopausa 
(HOFFMAN et al., 2014). 
GESTAÇÃO E PARTO 
↠ Os efeitos do parto sobre a incontinência podem 
resultar de lesão direta da musculatura pélvica e dos 
tecidos conectivos de ligamento. Além disso, o dano de 
nervos por trauma ou lesão de estiramento pode resultar 
em disfunção da musculatura pélvica (HOFFMAN et al., 
2014). 
 Em um estudo epidemiológico de grande porte, foram 
identificados parâmetros de parto vaginal que podem afetar o risco de 
incontinência urinária mais tarde na vida. Primeiro, o peso ao nascer 
maior ou igual a 4.000 g aumentou o risco de todos os tipos de 
incontinência urinária. Em segundo lugar, o parto cesariano talvez tenha 
efeito protetor de curto prazo para prevenção de incontinência 
urinária (HOFFMAN et al., 2014). 
TABAGISMO E DOENÇA PULMONAR CRÔNICA 
↠ Teoricamente, a tosse crônica dos fumantes leva a 
aumento persistente na pressão intra-abdominal e a 
síntese de colágeno é reduzida por efeitos 
antiestrogênicos do tabagismo (HOFFMAN et al., 2014). 
DIAGNÓSTICO 
ANAMNESE 
• Número de micções e de absorventes usados 
por dia, tipo de absorvente utilizado, frequência 
de troca e grau de saturação do absorvente → 
fornecem informação sobre a intensidade dos 
sintomas e seus efeitos sobre a atividade da 
paciente. 
• Investigar as circunstâncias nas quais ocorrem as 
perdas de urina e as manobras específicas que 
as ocasionam. 
• Perda urinária aos esforços – graduar os 
esforços. 
• Consegue chegar até o banheiro – diferenciar 
urgência miccional de incontinência. 
• Quanto ingere de líquidos no dia. 
•Uso de diuréticos e medicações. 
• Patologias descompensadas (DM2, ICC). 
• Consumo excessivo de café e álcool. 
• Radioterapia – pode causar fibrose dos tecidos 
e ligamentos. 
• Lesões em assoalho pélvico. 
• Tabagismo. 
• Tosse crônica. 
• Ritmo intestinal. 
 Com a anamnese, em geral é possível agrupar os sintomas e 
classificá-los entre aqueles associados com maior frequência à IUE ou 
à incontinência urinária de urgência. Em alguns casos, ocorre 
sobreposição significativa de queixas dos dois grupos, o que pode 
refletir concomitância de IUE e incontinência urinária de urgência, ou 
seja, incontinência urinária mista. Por essas razões, a identificação de 
padrões é útil e pode direcionar os exames diagnósticos, assim como 
a terapia empírica inicial (HOFFMAN et al., 2014). 
 
 
4 
 
 
Júlia Morbeck – @med.morbeck 
 
DIÁRIO MICCIONAL: as pessoas são instruídas a registrar durante três a 
sete dias o volume e tipo de líquido ingerido por via oral, o volume de 
urina a cada micção, os episódios de perda urinária e os 
desencadeantes dos episódios de incontinência. A cada período de 24 
horas, as mulheres também devem registrar o período de sono e 
vigília. Isso possibilita uma descrição precisa dos padrões de micção 
voluntária noturna, assim como denurese. Ainda que o ideal sejam 
cinco a sete dias de documentação, três dias podem ser suficientes 
para determinar a tendência geral de incontinência (HOFFMAN et al., 
2014). 
 
EXAME FÍSICO 
Inspeção geral e avaliação neurológica 
↠ O exame físico completo de uma paciente com 
incontinência deve incluir avaliação neurológica detalhada 
do períneo (HOFFMAN et al., 2014). 
↠ A avaliação neurológica inicia-se com a tentativa de 
provocar o reflexo bulbocavernoso. Nessa manobra, um 
dos lábios maiores é tocado com um cotonete. 
Normalmente, ambos os lábios se contraem da mesma 
forma. A via aferente desse reflexo é o ramo clitoridiano do nervo 
pudendo, a via eferente é conduzida pelo ramo hemorroidário inferior 
do nervo pudendo. Esse reflexo é integrado na medula espinal entre 
S2 e S4. Assim, a ausência de reflexo pode indicar déficit neurológico 
central ou periférico (HOFFMAN et al., 2014). 
 
↠ Em segundo lugar, a contração circunferencial normal 
do esfíncter anal, coloquialmente denominada “piscadela 
anal”, deve-se seguir ao toque da pele perianal com um 
cotonete. A atividade do esfíncter uretral externo requer 
pelo menos algum grau de inervação intacta entre S2 e 
S4, e esse reflexo anocutâneo é integrado neste nível 
neurológico medular. Assim, a ausência de contração 
pode indicar déficits nessa distribuição neurológica 
(HOFFMAN et al., 2014). 
Exame ginecológico 
• Hiperemia, corrimento. 
↠ Exame bimanual e retovaginal: Em geral, essa parte 
do exame pélvico revela menos pistas diagnósticas para 
causas subjacentes de incontinência. No entanto, o exame 
bimanual pode revelar massa pélvica ou útero aumentado 
por leiomiomas ou adenomiomatose. Essas condições 
podem causar incontinência em razão de aumento da 
pressão externa transmitida à bexiga. Além disso, a 
impactação de fezes é facilmente identificada pelo toque 
retal (HOFFMAN et al., 2014). 
Avaliação da sustentação pélvica 
↠ Avaliação de prolapso de órgão pélvico. O prolapso de 
órgão pélvico (POP) geralmente é acompanhado por 
insuficiência de sustentação da uretra. Por exemplo, 
mulheres com prolapso significativo com frequência são 
incapazes de esvaziar completamente a bexiga em razão 
de obstrução uretral (HOFFMAN et al., 2014). 
EXAMES COMPLEMENTARES 
Exame de urina e urocultura 
↠ Em todas as mulheres com incontinência urinária, 
deve-se excluir a possibilidade de infecção urinária e de 
patologias do trato urinário (HOFFMAN et al., 2014). 
Estudo urodinâmico 
↠ Caso o tratamento conservador inicial não seja bem-
sucedido e se esteja antecipando a necessidade de 
tratamento cirúrgico, deve-se buscar uma avaliação 
objetiva. Adicionalmente, se os sintomas e os achados 
físicos forem incongruentes, também se devem solicitar 
estudos urodinâmicos (UDS, de urodynamic study) 
objetivos, utilizando método cistométrico simples ou 
multicanal (HOFFMAN et al., 2014). 
↠ O objetivo da urodinâmica é reproduzir sintomas 
enquanto faz medições precisas para identificar as causas 
subjacentes aos sintomas e quantificar os processos 
fisiopatológicos relacionados (FEBRASGO, 2018). 
INDICAÇÕES 
↠ Indicações do estudo urodinâmico de acordo com o Comitê 
de Urodinâmica da ICS: (FEBRASGO, 2018). 
• Quando os resultados podem mudar a conduta, 
como antes da maioria dos tratamentos invasivos 
para incontinência urinária; 
• Após falha do tratamento, se for necessária mais 
informação para planejar terapia adicional; 
5 
 
 
Júlia Morbeck – @med.morbeck 
 
• Como parte da avaliação inicial e de longo prazo em 
alguns tipos de disfunção neurogênica do trato 
urinário inferior; 
• Em “incontinência complicada”, como incontinência 
recidivada ou com sintomas miccionais significantes. 
IMPORTANTE: Teste urodinâmico considerado padrão pela International 
Continence Society (ICS) inclui urofluxometria com resíduo pós-
miccional, cistometria transuretral e estudo de fluxo e pressão, sendo 
todos os testes realizados no paciente em sua posição preferida ou 
mais usual, confortavelmente sentado e/ou em pé, se possível 
fisicamente (FEBRASGO, 2018) 
UROFLUXOMETRIA 
↠ Avalia de maneira inicial o esvaziamento vesical. É um 
exame barato e rápido que necessita apenas do aparelho 
de urofluxometria, porém isoladamente não define a 
causa da disfunção miccional (FEBRASGO, 2018). 
↠ Uma urofluxometria deve informar pelo menos o fluxo 
máximo, o volume urinado e o volume pós-miccional 
(FEBRASGO, 2018). 
 Esse exame nos informa sobre a capacidade da paciente de esvaziar a 
bexiga, podendo identificar mulheres com retenção urinária e outros tipos de 
disfunção miccional. Presumindo que a paciente inicie o exame com sua bexiga 
confortavelmente cheia com 200 mL ou mais, a maioria das pacientes pode 
esvaziar a bexiga em 15 a 20 segundos com taxa de fluxo acima de 20 mL/s. 
Taxas máximas de fluxo inferiores a 15 mL/s, com volume urinário acima de 
200 mL, são geralmente consideradas excessivamente baixas (eliminação lenta) 
(HOFFMAN et al., 2014). 
↠ O bom esvaziamento vesical determina uma curva de 
fluxo suave, com alta amplitude em forma de sino 
(FEBRASGO, 2018). 
↠ Quaisquer outras formas, como curvas planas, 
assimétricas ou com múltiplos picos (flutuante e/ou 
intermitente), indicam micção anormal, mas não é 
específico para sua causa. Diminuição da força contrátil 
do detrusor e/ou aumento constante da pressão uretral 
resultará em fluxo mais baixo e curva de fluxo plana. 
Obstrução constritiva (por exemplo, estenose de uretra), 
com lúmen reduzido, resulta em curva de fluxo em platô. 
Obstrução acompanhada com aumento da pressão de 
abertura uretral mostra curva de fluxo achatada e 
assimétrica, com uma parte final que declina lentamente 
(FEBRASGO, 2018). 
RESÍDUO PÓS-MICCIONAL: O resíduo pós-miccional consiste no volume 
residual que persiste na bexiga imediatamente após uma micção 
normal. Pode ser aferido por meio da passagem de sonda uretral após 
a fluxometria livre, durante o exame urodinâmico ou pela medida por 
meio do ultrassom (FEBRASGO, 2018). 
 
Cistometrografia 
↠ Após a urofluxometria, procede-se à cistometrografia 
para determinar se a paciente apresenta incontinência 
urinária aos esforços urodinâmica (IUEU) ou hiperatividade 
do detrussor (HD) ao exame urodinâmico (HOFFMAN et 
al., 2014). 
↠ Adicionalmente, o exame nos informa sobre os 
volumes vesiculares limiares a partir dos quais a paciente 
percebe a capacidade vesical. A sensação retardada ou 
sensação de bexiga cheia apenas com grande volume podem indicar 
neuropatia. Por outro lado, a sensibilidade vesical extrema sugere 
distúrbios sensórios, como cistite intersticial(HOFFMAN et al., 
2014). 
↠ Para a realização da cistometrografia, um cateter é 
inserido via transuretral até abexiga, e um segundo 
cateter é posicionado na vagina ou no reto. Com a 
paciente sentada, a bexiga é preenchida com solução 
salina normal em temperatura ambiente, e a paciente é 
solicitada a tossir a intervalos regulares. Adicionalmente, 
durante a fase de enchimento, são anotados os volumes 
nos quais ocorre o primeiro desejo de urinar e a 
capacidade vesical máxima. A partir das leituras de 
pressão, é possível identificar HD e/ou IUEU (HOFFMAN 
et al., 2014). 
 Após a cistometrografia, uma vez que tenham sido instilados 
aproximadamente 200 mL de solução salina, determina-se a pressão 
do ponto de vazamento. Solicita-se à paciente que realize manobra de 
Valsalva, a pressão gerada pelo esforço é medida e procura-se por 
evidências de perda de urina. Caso seja observado vazamento com 
pressão gerada menor ou igual a 60 cmH2O, os critérios para o 
diagnóstico de deficiência intrínseca do esfíncter estarão presentes 
(HOFFMAN et al., 2014). 
 
FLUXOMETRIA DE PRESSA ̃O 
↠ Essa avaliação em geral se segue à cistometrografia 
e é similar à urofluxometria realizada no início do exame 
urodinâmico. Pede-se à paciente para urinar em um 
grande recipiente colocado sobre um sensor de peso 
calibrado (HOFFMAN et al., 2014). 
6 
 
 
Júlia Morbeck – @med.morbeck 
 
↠ A taxa máxima de fluxo e o resíduo pós-miccional são 
novamente registrados. Semelhante ao que ocorre com 
a urofluxometria, os dados de saída da instrumentação 
urodinâmica produzem uma representação gráfica da 
micção. De qualquer modo, a paciente atualmente tem 
instalado um cateter com microtransdutor na bexiga, que 
fornece informação adicional sobre a pressão do 
detrussor durante a micção, inclusive no ponto de 
velocidade máxima de fluxo (HOFFMAN et al., 2014). 
↠ Esse dado é particularmente útil em mulheres que 
tenham esvaziamento vesical incompleto, uma vez que a 
fluxometria de pressão pode indicar tanto um quadro 
obstrutivo elevação da pressão máxima do detrussor 
com baixa velocidade de fluxo quanto insuficiência de 
contratilidade do detrussor (baixa pressão do detrussor 
com baixa velocidade de fluxo) (HOFFMAN et al., 2014). 
 
 
 
 
 
BEXIGA HIPERATIVA 
↠ A bexiga hiperativa é uma síndrome que se caracteriza 
pela urgência miccional (não fisiológica), usualmente 
acompanhada de aumento da frequência urinária e de 
noctúria, na ausência de fatores infecciosos, metabólicos 
ou locais (FEBRASGO, 2018). 
↠ A bexiga hiperativa compromete sobremaneira a 
qualidade de vida, causando isolamento social, queda de 
produtividade, vergonha, frustração, ansiedade e baixa 
autoestima (FEBRASGO, 2018). 
 
TRATAMENTO 
↠ O tratamento comportamental refere-se ao conjunto 
de técnicas que têm por objetivo promover mudanças 
nos hábitos da paciente e que influenciam os sintomas 
das disfunções do assoalho pélvico, a fim de minimizá-los 
ou eliminá-los. Inclui orientações quanto à ingesta hídrica, 
treinamento vesical, treinamento dos músculos do 
assoalho pélvico (exercícios perineais) e educação sobre 
o trato urinário inferior (FEBRASGO, 2018). 
• Redução em torno de 25% na ingesta hídrica 
promove melhora significativa na frequência 
urinária, urgência miccional e noctúria. Além 
disso, estudos prospectivos demonstraram que 
a redução da ingestão de líquidos nas horas que 
antecedem o sono reduz de forma significativa 
os episódios de noctúria e melhora a qualidade 
de vida. 
• A ingestão excessiva de cafeína demonstrou ser 
um fator de risco independente para aumentar 
a hiperatividade do detrusor. Assim sendo, torna-
se importante que a paciente evite o consumo 
excessivo dessa substância, presente no café, 
chá-preto, refrigerantes à base de cola e 
chocolates. Preconiza-se também a diminuição 
do consumo de frutas cítricas, de vinagre e de 
bebidas alcoólicas em excesso. 
• O treinamento vesical tem por objetivo fazer 
com que a paciente readquira o controle sobre 
o reflexo da micção, deixando de experimentar 
episódios de urgência e de urgeincontinência. O 
intervalo inicial entre as micções é fixo, de 
acordo com o diário miccional de cada paciente. 
Esse intervalo inicial é, então, gradualmente 
aumentado, de tal forma que a paciente alcance 
um intervalo confortável de 2 a 4 horas entre 
as micções. 
• Os exercícios perineais têm sido indicados para 
tratar a bexiga hiperativa, mas sua real eficácia e 
mecanismo de ação ainda não estão bem 
estabelecidos. O objetivo principal é ensinar à 
paciente como e quando contrair a musculatura 
do assoalho pélvico, reduzindo a sensação de 
urgência e adquirindo a capacidade de alcançar 
o banheiro 
↠ O tratamento farmacológico é a segunda linha de 
tratamento da bexiga hiperativa. Os anticolinérgicos são 
os medicamentos mais utilizados e, idealmente, devem 
Teste urodinâmico. A cistometrografia é apresentada nas partes A, B e C. A. Em 
uma paciente com função normal, observe que a provocação com tosse ou 
manobra de Valsalva não induz aumento anormal na pressão do detrussor. B e C. 
Em uma paciente com hiperatividade do detrussor e incontinência urinária aos 
esforços urodinâmica. Primeiro, a atividade espontânea do detrussor leva a aumento 
na leitura da pressão vesical sem que a paciente tenha tossido ou realizado manobra 
de Valsalva. Segundo, um episódio de tosse isoladamente leva à perda involuntária 
de urina, independentemente de atividade do detrussor, D. Fluxometria de pressão. 
Com capacidade máxima e sob comando, é gerada contração do detrussor dando 
início à micção 
7 
 
 
Júlia Morbeck – @med.morbeck 
 
ser indicados como adjuvantes ao tratamento 
comportamental e fisioterapêutico (FEBRASGO, 2018). 
↠ No Brasil temos quatro anticolinérgicos disponíveis, 
todos com nível 1 de evidência clínica e grau de 
recomendação A: oxibutinina, tolterodina, darifenacina e 
solifenacina (FEBRASGO, 2018). 
• O cloridrato de oxibutinina é uma amina terciária, 
com ação anticolinérgica, antiespasmódica e 
anestésica local. É agente antimuscarínico não 
seletivo, com afinidade de 7 a 12 vezes maior 
por receptores M1 e M3 em relação aos demais 
receptores muscarínicos. Possui maior afinidade 
pelas parótidas do que pela bexiga. Os 
metabólitos ativos são responsáveis por mais de 
90% da ação anticolinérgica após administração 
oral. 
• O tartarato de tolterodina é uma amina terciária, 
antagonista competitivo da acetilcolina, com a 
mesma afinidade pelos diferentes subtipos de 
receptores muscarínicos. Apresenta afinidade 
tecidual pela bexiga cerca de duas vezes maior 
do que a da oxibutinina. Além disso, sua afinidade 
pela bexiga é aproximadamente oito vezes 
maior do que pelas parótidas, o que reduz de 
forma importante a incidência de boca seca. Por 
ser pouco lipossolúvel, apresenta baixo potencial 
para atravessar a barreira hematoencefálica. 
• O bromidrato de darifenacina é uma amina 
terciária, com afinidade 60 vezes maior pelo 
receptor M3 em relação ao M2, e muito pouca 
afinidade pelo subtipo M1. Essas características 
reduzem efeitos colaterais relacionados à 
cognição (por ação em receptores M1) e 
cardíacos (por ação em receptores M2), sendo 
bem tolerada inclusive em pacientes com mais 
de 65 anos. 
• O outro anticolinérgico disponível no Brasil é o 
succinato de solifenacina. Assim como a 
darifenacina, sua ação anticolinérgica se dá 
predominantemente sobre os receptores M3. 
Apresenta ação 40 vezes menor sobre as 
glândulas salivares em comparação à oxibutinina 
e 79 vezes menor em relação à tolterodina, o 
que reduz consideravelmente a incidência de 
boca seca. 
OBS.: Diversos autores referem que os estrogênios tópicos (via vaginal) 
melhoram os sintomas de bexiga hiperativa, bem como diminuem os 
episódios de infecção urinária em mulheres na pós-menopausa 
(FEBRASGO, 2018). 
INCONTINÊNCIAURINÁRIA DE ESFORÇO 
↠ A incontinência urinária de esforço (IUE), em sua forma 
mais comum, é definida como toda perda de urina 
decorrente de algum esforço físico como pular, correr e 
tossir, e está relacionada à hipermobilidade da uretra ou 
à deficiência do esfíncter. Tal afecção compromete de 
maneira importante a qualidade de vida, determinando 
limitações físicas, sociais e emocionais, inclusive com 
aumento significativo dos sintomas depressivos 
(FEBRASGO, 2018). 
Fatores de risco: lesão de nervos e/ou musculatura, 
tabagismo, excesso de pressão intra-abdominal, 
hiperestrogenismo. 
TRATAMENTO 
• Retirar os fatores de risco modificáveis; 
• Pressário e cones vaginais; 
Os cones vaginais representam uma forma simples e prática de 
fortalecer a musculatura do assoalho pélvico. São dispositivos com 
forma e volume semelhantes, e pesos variando de 20 a 70 ou de 20 
a 100 gramas. De acordo com o peso, recebem um número que varia 
de um a cinco ou de um a nove, respectivamente. Identifica-se qual 
o cone mais pesado que a paciente consegue reter na vagina durante 
1 minuto, com ou sem contração voluntária dos músculos do assoalho 
pélvico. Diz-se ser cone ativo ou passivo, respectivamente. A sensação 
de o cone sair da vagina promove contração involuntária (reflexa) da 
musculatura do assoalho pélvico, com o objetivo de mantê-lo em sua 
posição original (FEBRASGO, 2018). 
 
Os cones vaginais estão particularmente indicados nos casos leves e 
moderados de IUE, com índices de sucesso que variam de 60% a 
78% (FEBRASGO, 2018). 
• Farmacológico: estrogênios tópicos. 
Referências 
FEBRASGO. Febrasgo - Tratado de Ginecologia. Grupo 
GEN, 2018. 
HOFFMAN, Barbara L.; SCHORGE, John O.; HALVORSON, 
Lisa M.; et al. Ginecologia de Williams. Grupo A, 2014.

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