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ENDOCRINOLOGIA – DIABETES MELLITUS 
DIABETES MELLITUS 
Definição 
A Diabetes Mellitus (DM) não pode ser considerada uma 
única patologia, mas sim um conjunto variado de distúrbios 
metabólicos. O principal fator é a presença de hiperglicemia, 
causada por deficiências na ação da insulina, na sua 
secreção, ou em ambos os processos. 
Epidemiologia 
Devido à sua natureza crônica e às complicações graves que 
acarreta, a Diabetes Mellitus é uma enfermidade que impõe 
um alto custo ao sistema de saúde. 
Em diabéticos, as doenças cardiovasculares e 
cerebrovasculares representam as principais causas de 
morte. 
Quadro Clínico 
Em grande parte dos casos, os pacientes com diabetes são 
assintomáticos. O diagnóstico é geralmente feito por meio de 
exames de rotina. No entanto, em casos de descompensação 
acentuada, podem ser observados sintomas como aumento 
da produção de urina (poliúria), aumento da sede 
(polidipsia), aumento do apetite (polifagia) e perda de peso 
significativa. 
Rastreamento 
Quando rastrear DM assintomática: 
• adultos com IMC ≥ 25 kg/m 2 + 1 fator de risco 
• crianças com sobrepeso + 2 fatores de risco 
Sendo os fatores de risco: 
• sedentarismo 
• história familiar de DM em parentes de 1° grau 
• descendência latina ou negra 
• história de filho com peso ao nascer > 4,1 kg, 
• história pessoal de diabetes gestacional, 
• HAS 
• DLP (HDL ≤ 35 mg/dL ou TG ≥ 250 mg/dL) 
• síndrome dos ovários policísticos, outras condições 
clínicas associadas à resistência à insulina 
(obesidade, acantose nigricans) 
• risco aumentado de diabetes em exames prévios, 
• história de doença vascular arterial 
Se o teste for normal, deve ser repetido após 3 anos. 
Pacientes com risco aumentado de DM em exames 
anteriores devem realizar o rastreamento anualmente. 
Diagnóstico 
Sempre deve ser confirmado com 2 testes, exceto na 
presença de glicemia > 200 mg/dL com sintomas inequívocos 
de hiperglicemia. – Tabela 1 
 
 
Tabela 1 
 Glicemia 
jejum (8h) 
2h após 
TOTG 
Glicemia 
casual com 
sintomas 
HbA1C 
Glicemia normal <100 <140 - <5,7% 
Risco para DM Entre 100 e 
126 
Entre 140 
e 200 
- 5,7 a 
6,4% 
DM > ou = 126 > ou = 200 > ou = 200 > ou = 
6,5% 
 
Classificação 
DM tipo 1: secundário à destruição das células beta, levando 
à deficiência absoluta de insulina. Pode ser autoimune ou 
idiopático. 
DM tipo 2: secundário à deficiência progressiva na secreção 
de insulina associada à resistência à insulina. 
Metas Glicêmicas 
Jejum → Glicemia = 90-130 mg/dL 
Pré-prandial → Glicemia < 130 mg/dL 
Pós-prandial → Glicemia < 180 mg/dL 
Ao deitar → Glicemia 90-150 mg/dL 
Hb glicada (HbA1C): coletar a cada 3 meses (ou a cada 6 
meses após atingir alvo glicêmico). Níveis toleráveis: 
• < 7% em adultos 
• < 8% em idosos 
• < 8,5% em 0-6 anos de idade 
• < 8% em 6-12 anos de idade 
• < 7,5% em 13-19 anos de idade 
• < 6% na gravidez 
Tratamento 
DM TIPO 1: É iniciado no momento do diagnóstico, introduzir 
esquema basal – bolus de insulina. A dose total diária de 
insulina é variável conforme fatores como idade, peso, 
atividade física e tempo de diagnóstico. De forma geral, 
inicia-se com 0,5-1 UI/kg/dia. Tipos de insulina e tempo de 
ação: 
Insulina Início Pico Duração 
NPH – ação 
intermediária 
2-4h 4-10h 10-18h 
Regular – 
ação rápida 
30min-1h 2-3h 5-8h 
Ação prolongada – análogos: 
Glargina 2-4h Sem pico 20-24h 
Determir 1-3h 6-8h 18-22h 
Degludeca 20-40 min Sem pico 42h 
Ação ultrarrápida – análogos: 
Lispro < 15 min 30min-2h 4-5h 
Asparte 1-2h 4-6h 
Glulisina 30min-2h 3-4h 
 
 
DM TIPO 2: CONDUTA INICIAL 
ENDOCRINOLOGIA – DIABETES MELLITUS 
Manifestações leves: Glicemia < 200 mg/dL + sintomas leves 
ou ausentes + ausência de doenças agudas concomitantes → 
Modificações de estilo de vida + metformina (500 mg/dia, 
intensificando até 2.000 mg/dia). 
Manifestações moderadas: Qualquer glicemia de 200- 300 
mg/dL + ausência de critérios para manifestação leve ou 
grave → Modificações de estilo de vida + metformina (500 
mg/dia, intensificando até 2.000 mg/dia) + outros 
antidiabéticos VO. 
Manifestações graves: Qualquer glicemia > 300 mg/dL ou 
perda significativa de peso ou sintomas graves e significativos 
ou presença de cetonuria → Iniciar insulinoterapia 
imediatamente + reavaliar condição clínica para eventual 
reintrodução de terapia VO após o controle adequado da 
glicemia. 
Hospitalização: Cetoacidose diabética e estado 
hiperosmolar ou doença grave intercorrente ou 
comorbidade → Iniciar a terapia de acordo com as 
recomendações e conforme o controle glicêmico obtido após 
a alta. 
ANTIDIABÉTICOS VO DISPONÍVEIS: 
Biguanidas: diminuem a resistência à insulina e a produção 
hepática de glicose. 
• Metformina 500mg. 
Posologia: 500-2.550 mg/dia (1- 3×/dia); 
Efeitos colaterais: flatulência, diarreia, desconforto 
abdominal, deficiência de vitamina B12. 
Contraindicada em: insuficiência renal (ajustar a 
dose), cardíaca e pulmonar; gravidez; lactação; 
acidose; contrastes iodados. 
Sulfonilureias: aumentam a secreção de insulina. Efeitos 
colaterais: Hipoglicemia, ganho de peso. Contraindicações: 
Gravidez, lactação, insuficiência hepática e renal (clearance 
de creatinina < 30 mg/dL) 
• Gliclazida 80 mg. 
Posologia: 80-320 mg/dia (1-3×/dia) 
• Gliclazida MR 30 mg. 
Posologia: 30-120 mg/dia (1-2×/dia) 
• Glibenclamida, 5 mg 
Posologia: 2,5-20 mg/dia 
Inibidores SGLT2 (glicosúricos): inibem SGLT2 em túbulo 
proximal renal, inibem a recaptação de glicose nos rins 
promovendo glicosúria e podem favorecer também a perda 
de peso. 
• Dapaglifozina 5-10 mg (1x/dia). 
Não deve ser usada em pacientes com disfunção 
renal moderada a grave (taxa de filtração 
glomerular estimada persistentemente < 20 
mL/min/1,73 m2, MDRD ou depuração de 
creatinina persistentemente ≤ 60 mg/min – 
Cockcroft-Gault). 
Efeitos colaterais: Infecção genital, infecção 
urinária, poliúria, cetoacidose. 
 
Glinidas: aumentam a secreção de insulina (pico de ação 
intenso, precoce e de curta duração). Contraindicados em: 
Gravidez, lactação. Efeitos colaterais: Ganho de peso, 
hipoglicemia. 
• Repaglinida 0,5-16 mg/dia (3×/dia – nas refeições) 
• Nateglinida 120-360 mg/dia (3×/dia – nas 
refeições) 
Inibidores da alfaglicosidase: retardam a absorção dos 
carboidratos. Acarbose – evitar na gravidez. 
 
Glitazonas: aumentam a sensibilidade à insulina em 
músculo, adipócito e hepatócito. Contraindicado em: 
Insuficiência cardíaca congestiva classes funcionais III e IV, 
insuficiência hepática, gravidez. Efeitos colaterais: Retenção 
hídrica, anemia, ganho ponderal, fraturas. 
• Pioglitazona 15-45 mg/dia (1×/dia) 
Inibidores da DPP-4: aumentam o nível de GLP-1, aumentam 
a síntese de insulina, diminuem a secreção de glucagon. 
Efeitos colaterais: Faringite, infecção urinária, náusea e 
cefaleia. 
• Sitagliptina 50 ou 100 mg/dia (1×/dia) 
Análogos ou agonistas do GLP-1: aumentam o efeito GLP-1. 
• Liraglutida 0,6, 1,2 ou 1,8 mg (1×/dia) 
• Semaglutida SC 0,25 mg a 1,0 mg (1×/semana) 
• Semaglutida VO (via oral) 3 mg, 7 mg ou 14 mg 
(1×/dia) 
Complicações crônicas da DM 
Deve-se realizar o rastreamento no momento do diagnóstico 
do DM tipo 2 e, após 5 anos em casos de DM tipo 1 (ou na 
puberdade). 
Repetir anualmente a análise da excreção urinária de 
albumina. 
Fazer controle anual da creatinina, independentemente do 
valor da albumina urinária, é importante para determinar a 
taxa de filtração glomerular. 
Fazer avaliação oftalmológica (fundo de olho) anualmente. 
Solicitar testes clínicos para avaliação da neuropatia 
periférica. 
Pesquisar sinais e sintomas de neuropatias autonômicas.

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