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Fichamento_ O que fazer com a Norma Padrão

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
DATA 06/11/2022
DOCENTE: SANDRA PRUDENCIO
DISCENTE: MAYARA MACHADO NASCIMENTO
CURSO: SECRETARIADO EXECUTIVO
FICHAMENTO
Texto: 7: O que fazer com a norma-padrão
Livro/Obra: Bagno, Marcos. A norma oculta: língua & poder na sociedade brasileira /
Marcos Bagno, São Paulo: Parábola Editorial, 2003.
Citações:
"É curioso como as pessoas, no que diz respeito à língua, tendem aos pensamentos
dicotômicos, do tipo "isso é certo" / "isso é errado", "isso pode" / "isso não pode", "isso é
português" / "isso não é português". Por causa dessa rigidez de critérios é que muita gente
acredita - sem nenhum pingo de razão - que os linguistas querem abolir as regras
padronizadas, que não é mais preciso corrigir os textos escritos dos alunos, que ninguém mais
vai precisar se importar com a ortografia, e outras idéias igualmente estapafúrdias. "
(Pág.182)
"Essas tolices sem tamanho aparecem, por exemplo, nas colunas de jornal e de revistas
assinadas por Pasquale Cipro Neto." (Pág. 182)
"E na reportagem do Jornal do Brasil de 1°/12/2002, assinada por Eliane Azevedo, a gente
encontra a definição de gramáticos como "guardiões da linguagem formal" e a de linguistas
como "defensores dos regionalismos, coloquialismo e espontaneísmo linguísticos", definições
que revelam, mais uma vez, a densa ignorância que impera nos meios de comunicação sobre
tudo o que diz respeito aos fenômenos da linguagem" (Pág. 183)
"Se é verdade que os linguistas advogam o estudo da língua falada na escola e o dever de
reconhecer o valor de todas as variedades linguísticas,
isso não significa que estamos dizendo que as pessoas não têm direito a aprender a
norma-padrão ou que não precisam aprender a escrever segundo as convenções de seu
tempo. Este é um direito de todos. Ensinar a norma-padrão e ensinar a escrever de
forma eficiente é um dever do Estado ( Scherre, 2002: 247)" (Pág. 184)
"É um absurdo e falso afirmar que os linguistas não se preocupam também com o ensino da
língua falada e escrita mas monitoradas. Além disso, embora sejamos obrigados a reconhecer,
numa retrospectiva histórica, que a norma-padrão tem uma origem, sim, "elitista e
coercitiva", também sabemos que está norma-padrão é objeto de desejo e tem um valor
simbólico muito grande na sociedade." (Pág. 184)
"Numa entrevista à revista Ciência Hoje (vol. 31, n°182, maio de 2002), o linguistas Ataliba
de Castilho - coordenador do grande projeto científico da Gramática do Português Falado -
deixa bem claro a "nossa inarredável obrigação de passar aos nossos alunos o modo culto,
prestigiado, de falar e escrever". No entanto, como linguista, ele tem a nítida consciência de
que "reduzir a isso a tarefa de ensino é de uma pobreza desoladora". (Pág. 185)
"Se cabe à escola ensinar as formas linguísticas padronizadas, normatizadas, isso não deve
ser visto como a tarefa única do ensino, nem como um instrumento para a adequação ou
incorporação do indivíduo oriundo de classes sociais desprestigiadas ao tipo de sociedade
excludente que é a nossa." (Pág.186)
"Como já afirmei em outros trabalhos, é necessário empreender um ensino crítico da
norma-padrão , escancarar sua origem "elitista e coercitiva", e mostrar que a necessidade de
dominá-la se prende à necessidade de que os alunos oriundos das camadas sociais
desfavorecidas (ou seja, a imensa maioria da população brasileira) possam dispor dos
mesmos instrumentos de luta dos alunos provindos das camadas privilegiadas." (Págs. 186 e
187)
"A norma-padrão, como já disse, é um elemento importante da nossa cultura e não pode ser
desprezada simplesmente porque constitui um conjunto de formas linguísticas em grande
parte obsoletas. Essas formas estão restritas à língua escrita mais monitorada, é verdade, mas
também é verdade que são justamente os gêneros textuais escritos mais monitorados os que
gozam de maior prestígio social." (Pág. 188)
"Não adianta entupir a cabeça das pessoas com regras, exceções, nomenclaturas e definições.
Não é assim que alguém vai aprender a ler e escrever. Isso não é "ensinar português" , é
simplesmente decorar a gramática normativa, e há muito tempo os linguistas e educadores
vêm demonstrando a inutilidade dessa prática secular. Só se aprende a ler e a escrever, por
mais incrível que pareça, lendo e escrevendo. A idéia de que a boa leitura e a boa produção
de textos depende do conhecimento pormenorizado da gramática normativa é uma falácia que
precisa ser combatida." (Pág. 188)
"O grande problema, no entanto, é que a ideologia perniciosa do "certo" e do "errado"
contamina tudo o que se diz sobre a língua fora dos meios especializados. Em sua entrevista,
Castilho lamenta:
[...]É uma lástima que a concepção costumeira sobre o que seja estudar uma língua
tenha chegado a nível tão baixo!"
Comentários:
Com o texto podemos concluir que: O ensino da norma-padrão do português brasileiro é algo
que precisa passar por mudanças para que seja, de fato, eficiente. Também conseguimos
entender que os linguistas não são contra o ensino da norma-padrão, entretanto eles mostram
que o modelo aplicado não é suficientemente eficiente como o ensino crítico, que direciona
os alunos a refletirem sobre o conhecimento que estão adquirindo e, não só, decorarem as
regras e exceções que há na gramática.

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