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SP4 - Ma� e� s� esto� u� pouc� cansad�.. 1. Descrever a fisiopatologia, diagnóstico, prognóstico e tratamento das poliposes colorretais. Fisiopatologia - Pólipos são massas de tecido que se projetam para a luz intestinal. O pólipo intestinal é uma alteração causada pelo um crescimento anormal da mucosa do intestino grosso (cólon e reto). A maioria dos pólipos do cólon e do reto (90%) não é neoplásica e é classificada como pólipos hiperplásicos, hamartomatosos e inflamatórios. Pólipos hiperplásicos: hiperproliferação das células normais da mucosa, resultante das alterações na divisão celular no interior da cripta de Lieberkühn. Pólipos hamartomatosos: Juvenis - Lesões que contêm uma mistura de vários tecidos normais que compõem a lâmina própria do cólon. A formação está diretamente ligada à inflamação e ulceração da mucosa do cólon. Isso oblitera (faz desaparecer pouco a pouco) pequenas glândulas, que se dilatam e proliferam, formando inúmeros cistos de conteúdo mucinoso, fazendo a protrusão da luz intestinal. Pólipos inflamatórios: Lesões resultantes de uma reação inflamatória da mucosa cólica, manifestando-se como tecido de granulação em regeneração. Ocorre como resultado da ulceração que compromete todo o epitélio intestinal Diagnóstico - - Anamnese (incluindo a história familiar) - O exame físico pode evidenciar hepatomegalia dolorosa, ou massas abdominais. - O toque retal permite diagnosticar o câncer de reto distal. - O laboratório pode confirmar anemia ferropriva ou revelar alterações das enzimas hepáticas, sugerindo metástase. - O diagnóstico de câncer de cólon é estabelecido pelo exame histopatológico de espécime tumoral obtido através da colonoscopia ou do exame de peça cirúrgica. - A colonoscopia é o método preferencial de diagnóstico por permitir o exame de todo o intestino grosso e a remoção ou biópsia de pólipos que possam estar localizados fora da área de ressecção da lesão principal, oferecendo vantagem sobre a colonografia por tomografia. Prognóstico - Os fatores determinantes para maior risco de malignização para o pólipo adenomatoso são: O tamanho: quanto maior a dimensão maior é o risco O grau e a extensão da displasia presente no pólipo Seu padrão histológico: os pólipos vilosos são os de maior risco enquanto que os tubulares são os de menor risco de malignização. Maior risco quanto maior o número de pólipos adenomatosos diagnosticados. Sua forma, sendo as lesões planas e/ou sésseis as commaior risco de malignização. Pólipomaligno e bomprognóstico: - Células carcinomatosas bem ou moderadamente diferenciadas - Invasão até a camada muscular da mucosa ou inferior a 1mm na submucosa - Margens de ressecção endoscópica livres de tumor em, pelo menos, 2mm (laterais e profundas) - Sem invasão intravascular - Sem invasão dos vasos linfáticos - Ausência de brotamento (presença de grupos de células neoplásicas malignas- de 5 a 10 células na submucosa, próximos ao câncer) Pólipomaligno emau prognóstico: - Células carcinomatosas indiferenciadas - Invasão da camada submucosa maior a 1mm (medida a partir da muscular da mucosa) - Margens de ressecção endoscópica inadequadas, menor que 2 mm (laterais e profundas) - Presença de invasão tumoral linfonodal - Presença de embolia vascular Tratamento - Por apresentarem uma predisposição importante para a transformação maligna (precursores do CA colorretal), quando diagnosticados, os pólipos devem ser, em princípio, ressecados. Polipectomia endoscópica: Todo pólipo ressecado deverá ser encaminhado para exame histopatológico, para especificar o tipo do pólipo e se tem alteração displásica. Ressecção cirúrgica: As biópsias realizadas nos pólipos adenomatosos não têm valor para avaliar a presença ou o grau de displasia, nem a possibilidade de sua malignização. Por isso, todos os adenomas impossibilitados de ressecção endoscópica deverão ser retirados por cirurgia. Pode ser por laparoscopia ou, para os pólipos retais, ressecção transanal. ACOMPANHAMENTO Todos os pacientes que já tiveram ressecado um ou mais pólipos adenomatosos colorretais devem ser acompanhados pela colonoscopia, por causa da possibilidade de poderem desenvolver novos adenomas, de 1 a 5 anos após a polipectomia. Pólipos são massas de tecido que se projetam para a luz intestinal. As lesões podem ser: - Quanto à base de implantação: sésseis (base ampla) ou pediculadas (base estreita); - Quanto ao número: isoladas (esporádicas) ou múltiplas (síndromes hereditárias); - Quanto à origem: neoplásicas (adenomas - adenocarcinoma) ou não neoplásicas. Tamanho: pode variar de 1mm a mais de 10cm, classificados como: gigante (> 40 mm), grande (20 a 40 mm), médio (5 a 20 mm) e pequeno (> 5 mm). FISIOPATOLOGIA O pólipo intestinal é uma alteração causada pelo um crescimento anormal da mucosa do intestino grosso (cólon e reto). A parede intestinal é composta de mucosa, submucosa, muscular própria e serosa, essas lesões podem originar-se em qualquer uma delas. Presume-se que começam como lesões pequenas e sésseis e, em muitos casos, devido a uma tração exercida sobre a superfície, pode criar uma haste, constituindo assim um pólipo pediculado. A maioria das neoplasias colorretais, independentemente de sua etiologia, surge de pólipos adenomatosos. Apenas os adenomas são claramente pré-malignos e apenas a menor parte dos pólipos adenomatosos evolui para o câncer. Classificação: Pólipos não neoplásicos: A maioria dos pólipos do cólon e do reto (90%) não é neoplásica e é classificada como pólipos hiperplásicos, hamartomatosos e inflamatórios. Pólipos hiperplásicos: - São os mais frequentes, - geralmente pequenos (0,1 a 1,0 cm), - sésseis e múltiplos; - sua frequência aumenta com a idade (mais comum na sexta década de vida) - mais comuns no retossigmoide. - Não apresentam potencial de evolução maligna. - Resultam da diminuição do turnover das células epiteliais nas criptas colônicas, levando ao empilhamento das células e ao aspecto serrilhado. Formados pela hiperproliferação das células normais da mucosa, resultante das alterações na divisão celular no interior da cripta de Lieberkühn (glândulas tubulares simples encontradas entre as vilosidades da parede do intestino delgado e intestino grosso), com expansão da zona de replicação celular em sua base, resultando na elevação polipoide. Localizam-se, de preferência, em cólon esquerdo, têm tamanho menor de 10 mm e raramente malignizam. Em geral, são assintomáticos e são encontrados nas colonoscopias. Pólipos da submucosa e muscular própria: Lesões da submucosa que conferem aspecto polipóide à mucosa intestinal, como os agregados linfóides, lipomas, leiomiomas, pneumatose cistóide intestinal, hemangiomas, fibromas e lesões metastáticas. O pólipo linfoide benigno é um tipo. Pólipos hamartomatosos: Lesões que contêm uma mistura de vários tecidos normais que compõem a lâmina própria do cólon. Apresentam-se de formas e de tamanhos variados e têm pequeno potencial maligno. A formação está diretamente ligada à inflamação e ulceração da mucosa do cólon. Isso oblitera (faz desaparecer pouco a pouco) pequenas glândulas, que se dilatam e proliferam, formando inúmeros cistos de conteúdo mucinoso, fazendo a protrusão da luz intestinal. O movimento do bolo fecal traciona essa protusão, formando então o pedículo, desprovido de muscular da mucosa. - Lesões constituídas por tecidos próprios do local, com maturação preservada, mas em quantidade aumentada e com estrutura desorganizada, formando massas (pólipos). - Podem ser isolados (esporádicos) ou associados a síndromes hereditárias. - Inicialmente considerados como malformações, sem potencial de malignidade, atualmente sabe-se que podem apresentar mutações herdadas em oncogenes e genes supressores de tumor, com risco de evoluir para câncer no trato gastrointestinal e em outros órgãos. Os principais pólipos hamartomatosos: * Pólipo juvenil origina-se principalmente no reto de crianças menores de cinco anos, mas pode aparecer em jovens ou adultos. As lesões são geralmente solitárias (esporádicas),consideradas como malformações (pólipos de retenção). Apresentam-se como tumoração pardo-avermelhada, geralmente pediculada, de 1,0 a 3,0 cm, que pode sofrer torção, infarto e auto amputação, sendo eliminada nas fezes. Pólipos juvenis múltiplos no cólon, intestino delgado e estômago caracterizam a síndrome da polipose juvenil, de herança autossômica dominante, commaior risco de desenvolvimento de adenoma e adenocarcinoma. * Síndrome de Peutz-Jeghers, de herança autossômica dominante, é rara; caracteriza-se por: (1) pólipos hamartomatosos múltiplos no trato gastrointestinal: intestino delgado (100%), cólon e reto (30%) e estômago (25%) e, por vezes, nas vias respiratórias e na bexiga; * Pólipos inflamatórios (pseudopólipos): São lesões nodulares de 0,2 a 1,5 cm, associadas a inflamações no cólon, com ulceração e reparo da mucosa. As lesões são constituídas por ilhas de mucosa preservada adjacentes às úlceras, as quais se projetam na luz intestinal. Tais pólipos ocorrem em pacientes com doença inflamatória intestinal de longa duração e em indivíduos com prolapso da mucosa do reto. Lesões resultantes de uma reação inflamatória da mucosa cólica, manifestando-se como tecido de granulação em regeneração. Ocorre como resultado da ulceração que compromete todo o epitélio intestinal (principalmente em alguns processos crônicos do cólon, como na doença de Crohn). Em sua maioria, são únicos e podem ser grandes, pediculados e causar sintomas, como sangramento e obstrução. Sem risco de malignização. São encontrados em 1% das crianças. Quando presentes em todo o cólon, caracterizam a polipose juvenil do cólon. Pólipos neoplásicos: Os pólipos neoplásicos mais comuns são adenomas, os quais têm potencial de evoluir para adenocarcinoma. Podem ser únicos ou múltiplos e têm tamanho e aspecto variados. Sua prevalência aumenta com a idade, não havendo diferença entre homens e mulheres. Mais de 70% dos adenomas localizam-se no retossigmoide, 20% no sigmóide e os 10% restantes nas porções proximais do cólon. Os pólipos neoplásicos (adenomas), são considerados uma neoplasia benigna que se originam nas glândulas da mucosa de todo o trato digestivo. O pólipo adenomatoso caracteriza-se, do ponto de vista histológico, por apresentar: - Perda de controle do crescimento epitelial - Mitoses generalizadas em todas as camas das criptas da mucosa - Importante distúrbio na renovação celular - Menor diferenciação celular - Maior produção de muco Seu potencial de malignização é cerca de 10%, com um período de evolução estimado entre 4 a 10 anos, e por isso, sendo consideradas lesões pré-malignas. Os adenomas têm uma alta incidência, sendo diagnosticados, em média, de uma a cada quatro colonoscopias. Em indivíduos com idade acima dos 60 anos, confirma-se essa alta incidência, estando os pólipos presentes em aproximadamente 25% dos cólons examinados. A maioria (80%) é menor que 1 cm e sua incidência aumenta com a idade. Quando os adenomas são removidos, possibilita uma queda dramática no aparecimento do adenocarcinoma colorretal. adenocarcinoma serrilhado é hiperplásico . Classificação Histológica Os adenomas são classificados como tubular, viloso ou tubuloviloso. O aspecto mais importante quando se examina um adenoma é identificar se a lesão apresenta focos de carcinoma intramucoso ou invasivo. A probabilidade de se encontrar adenoarcinoma em adenoma correlaciona-se com o tamanho da lesão (maior que 2 cm), com sua estrutura histológica (tubular ou vilosa) e com o grau de displasia. Adenoma tubular: É o tipo mais comum, compreendendo cerca de 75% dos pólipos neoplásicos, podendo ser solitário (esporádico) ou múltiplo (associado à síndrome de polipose familiar). A lesão é mais comum no cólon e no reto (90%), mas pode ocorrer em outros locais, como estômago e intestino delgado. As lesões são geralmente pequenas (menores que 1 cm) e sésseis; quando crescem, tornam-se pediculadas. Adenoma viloso: É menos frequente do que o adenoma tubular, compreendendo cerca de 10% dos pólipos neoplásicos. O adenoma viloso tem pior prognóstico: o risco de transformação maligna é dez vezes maior do que o do adenoma tubular. O tumor localiza-se nos 25 cm distais do intestino grosso e manifesta-se em indivíduos após a sexta década. A lesão é geralmente única, maior do que o adenoma tubular, e apresenta manifestações clínicas mais frequentes do que os demais tipos de adenomas. O tumor apresenta projeções papilíferas na superfície; sua base de implantação é séssil, ampla. Adenoma tubuloviloso: Compreende 15 a 20% dos pólipos neoplásicos, tem a mesma localização dos adenomas tubulares e apresenta-se como tumoração séssil ou pediculada, contendo estruturas tubulares e vilosas. O risco de transformação maligna é proporcional à quantidade do componente viloso na lesão. Adenoma/pólipo séssil serrilhado: Trata-se de lesão séssil ou plana que se origina predominantemente no cólon proximal. A arquitetura serrilhada das criptas é similar à do pólipo hiperplásico, embora nos adenomas o aspecto serrilhado ocorra em toda extensão das glândulas, incluindo a base das criptas e as suas ramificações laterais. A lesão é importante, porque é precursora do câncer do cólon associado a instabilidade de microssatélites. CLASSIFICAÇÃO (adenomas) Adenoma Simples: tamanho inferior a 10 mm; sem componente viloso; sem displasia ou com displasia de baixo grau. Adenoma Avançado: tamanho maior que 10 mm; presença de componente viloso, presença de displasia de alto grau. Importante para definir qual o melhor intervalo de tempo para a realização da vigilância endoscópica (colonoscopia) nesses pacientes, decorrente do seu risco maior de CA colorretal. Tumor carcinóide: A progressão de adenoma para carcinoma abrange alterações de genética molecular, entre estas a ativação de oncogenes e a inativação de genes supressores de tumor. O mais estudado destes oncogenes é o Kras (ras é uma proteína receptora do fator de crescimento). Essas mutações permitem ao gene transformar células e induzir neoplasias. Originam-se nas células cromo e afins de Kulchitsky, localizadas nas camadas mais profundas da mucosa. Quase sempre são assintomáticos, raros e de diagnóstico acidental durante a colonoscopia. Pólipos malignos: Os pólipos adenomatosos podem sofrer malignização, devido a mutações genéticas, fatores exógenos (dietéticos) e endógenos (sais biliares). Essas alterações são chamadas de “sequência adenomacarcinoma”, relacionadas com mutações genéticas sequenciais. O pólipo deve ser chamado de maligno quando ele tiver a presença de um carcinoma. Carcinogênese na sequência adenoma-carcinoma: O câncer do cólon pode desenvolver-se por duas vias: (1) via APC/β-catenina, que é ativada na sequência adenoma-carcinoma - caracteriza-se por mutações precoces no gene APC. Como se trata de gene supressor de tumor, ambas as cópias do gene precisam ser afetadas (mutações ou alterações epigenéticas) para que o fenótipo neoplásico se manifeste. O produto do gene APC é um regulador negativo da β-catenina, proteína citoplasmática que faz parte da via de sinalização WNT. Em condições normais, a proteína APC liga-se à β-catenina, levando à degradação desta. Com a perda da função da proteína APC, a β-catenina fica livre e desloca-se ao núcleo, onde ativa fatores de transcrição (MYC e ciclina D1) e induz proliferação celular. Mutações adicionais ocorrem, incluindo ativação do oncogene K-RAS, que favorece a proliferação celular e diminui a apoptose. Mutações no gene TP53 são encontradas em 70% dos cânceres do cólon, surgem na etapa de progressão da neoplasia e levam a instabilidade genômica, que é uma das principais características da via de carcinogênese APC/β-catenina. (2) via de instabilidade de microssatélites, relacionada com defeitos no reparo do DNA. Os produtos desses genes (hMSH2, hMLH1, MSH6, hPMS1 e hPMS2) são “revisores” do DNA, pois detectam erros ocorridos durante a sua replicação (erros de pareamento). Sem reparo do DNA, erros de replicação não são corrigidos, resultando em acúmulode mutações no genoma. Microssatélites são pequenas sequências repetitivas de nucleotídeos (três a cinco pares de bases) altamente polimórficas no genoma e muito sujeitas a mutações. Mutações em microssatélites são um bom marcador de defeitos nos genes de reparo do DNA. Em ambas as vias, há acúmulo de mutações, sucessivas e somativas, mas que diferem nos genes envolvidos e nos mecanismos de aparecimento. Alterações epigenéticas, como silenciamento de genes por metilação do DNA ou microRNA, favorecem a progressão da neoplasia. Carcinomas com instabilidade de microssatélites ocorrem na síndrome de Lynch ou do câncer do cólon hereditário não associado à polipose (HNPCC). A síndrome HNPCC é responsável por apenas 2 a 4% dos casos de câncer colônico; os tumores ocorrem em indivíduos jovens (abaixo de 50 anos), predominam no cólon direito, são adenocarcinomas pouco diferenciados ou mucinosos, têm reação linfoide e apresentam evolução clínica mais favorável. A maioria das neoplasias colorretais, independentemente de sua etiologia, surge de pólipos adenomatosos. Várias alterações moleculares são observadas nos pólipos adenomatosos e nas neoplasias colorretais. Elas parecem refletir um processo em múltiplas etapas da evolução da mucosa colônica normal até ao carcinoma invasivo potencialmente fatal. Algumas etapas desse processo de carcinogênese são: ➔ Mutações pontuais no proto-oncogene K-ras ➔ Hipometilação do DNA, levando à ativação de genes; ➔ Perda de DNA (perda alélica) no local de um gene supressor tumoral (o gene de polipose adenomatosa do cólon [APC, de adenomatous polyposis coli]), no braço longo do cromossomo 5 (5q21); ➔ Perda alélica no local de um gene supressor tumoral localizado no cromossomo 18q (o gene deletado no câncer colorretal [DCC, de deleted in colorectal cancer]); ➔ Perda alélica no cromossomo 17p, associada a mutações do gene supressor tumoral p53. Assim, as alterações do padrão proliferativo na mucosa colônica – que acarretam progressão para pólipo e, em seguida, para carcinoma – podem envolver a ativação mutacional de um oncogene, seguida e combinada à perda de genes que normalmente suprimem a tumorigênese. Acredita-se que o câncer ocorra apenas nos pólipos onde a maior parte desses eventos mutacionais (se não todos eles) ocorre. Clinicamente, a possibilidade de um pólipo adenomatoso evoluir para câncer depende de seu aspecto macroscópico, das características histológicas e do tamanho. Os cânceres invasivos desenvolvem-se, com mais frequência, em pólipos sésseis e serrilhados (i.e., “planos”). Os adenomas vilosos, a maioria dos quais é séssil, apresentam três vezes mais chances de se tornarem malignos do que os adenomas tubulares. Carcinoma colorretal: O carcinoma colorretal inclui os tipos: (1) esporádico (não hereditário), que corresponde à maioria dos casos e ocorre em indivíduos sem história familiar; (2) hereditário, que inclui: (a) polipose familial do cólon (familial adenomatous poliposis – FAP), de herança autossômica dominante; (b) carcinoma hereditário sem polipose (hereditary nonpoliposis colorectal cancer – HNPCC). Fatores ambientais, particularmente hábitos alimentares e estilo de vida, constituem os principais fatores de risco para o desenvolvimento de câncer do cólon. Estudos de genética molecular demonstram que múltiplas alterações envolvendo perda da função de genes supressores de tumor e ativação de oncogenes são necessárias para aquisição do fenótipo maligno. Fatores de risco: Dieta: A etiologia da maioria dos casos de câncer de cólon parece relacionada a fatores ambientais. - mais comum em populações de nível socioeconômico superior e que vivem em áreas urbanas. - A mortalidade está diretamente relacionada ao consumo per capita de calorias, proteínas de carne, bem como gorduras e óleo na dieta e a elevação no colesterol sérico e mortalidade por doença arterial coronariana. Gorduras animais: Uma hipótese é de que a ingestão de gorduras animais encontradas em carnes vermelhas ou carnes processadas aumenta a proporção de bactérias anaeróbias na microflora intestinal, o que possibilita a conversão dos ácidos biliares normais em carcinógenos. Vários relatos de aumento na quantidade de bactérias anaeróbias nas fezes de pacientes com câncer colorretal apoiam essa intrigante hipótese. Resistência à insulina: O grande número de calorias nas dietas ocidentais, associado à inatividade física, está relacionado a uma prevalência maior de obesidade. Os indivíduos obesos desenvolvem resistência à insulina, com aumento dos níveis circulantes de insulina, resultando em concentrações circulantes mais elevadas do fator de crescimento semelhante à insulina tipo I (IGF-I). Esse fator de crescimento parece estimular a proliferação da mucosa intestinal. Síndromes e fatores hereditários: Até 25% dos pacientes com câncer colorretal apresentam história familiar da doença, o que sugere predisposição hereditária. Dentre as assertivas abaixo são fatores de risco para câncer colorretais: *Idade avançada e raça negra. SÍNDROMES POLIPOIDES Polipose adenomatosa familiar (PAF) = Polipose adenomatosa colônica: A maioria dos casos de PAF deve-se a mutações no gene APC no cromossomo 5q21. Essas mutações são herdadas de modo autossômico dominante. O gene APC é um gene supressor tumoral, cujo produto interage com genes de proliferação celular de importância crítica, em parte pela sua interação com o fator de transcrição, a beta-catenina. A PAF está associada a centenas de milhares de pólipos por todo o colo. Uma forma atenuada de PAF é caracterizada por um menor número de pólipos e início mais tardio do câncer colorretal. O uso de inibidores da COX-2 pode resultar na regressão de alguns pólipos. Em torno dos 10 anos de idade, 15% dos portadores terão adenomas; aos 20 anos, 75% irão apresentar adenomas; e, aos 30 anos, mais de 90% terão adenomas. O rastreamento dos familiares de primeiro grau deve ser realizado em torno dos 10 anos. O tratamento consiste em proctocolectomia total. A PAF é responsável por <1% dos cânceres de colo e está associada à hipertrofia congênita do pigmento retiniano, a tumores desmoides (síndrome de Gardner) e a tumores cerebrais (síndrome de Turcot). Existem doentes que apresentam uma forma mais ligeira da doença, designada polipose adenomatosa familiar atenuada, manifestando-se por uma polipose menos extensa e uma idade média de início dos sintomas mais tardia. Nesta forma da doença é mais frequente não serem identificadas mutações no gene APC. Uma outra forma de vir a desenvolver PAF é através das mutações bi-alélicas do gene MUTYH, que está localizado no cromossoma 1p34. Estas são responsáveis por uma porção significativa de casos de PAF clássica que são negativos para mutação no gene APC é responsável por uma quantidade ainda maior de casos de PAF atenuada. A polipose adenomatosa colônica (polipose familiar do cólon) é uma doença rara, caracterizada pelo surgimento de milhares de pólipos adenomatosos por todo o intestino grosso. A predisposição genética apresenta uma herança autossômica dominante; os pacientes eventuais, sem história familiar, provavelmente sofreram mutação espontânea que originou a doença. A polipose adenomatosa colônica está associada à supressão do braço longo do cromossomo 5 (incluindo o gene APC) nas células neoplásicas (mutação somática) e normais (mutação da linha germinativa). A perda desse material genético (perda alélica) resulta em ausência dos genes supressores de tumor, cujos produtos proteicos inibiriam, em condições normais, o crescimento neoplásico. A presença de polipose adenomatosa colônica associada a tumores dos tecidos moles e dos ossos, hipertrofia congênita do epitélio pigmentar retiniano, tumores desmoides no mesentério e neoplasias ampulares caracterizam um subconjunto das poliposes colônicas denominado síndrome de Gardner. O surgimento de tumores malignos do sistema nervoso central associados à polipose adenomatosa colônica define a síndrome de Turcot. Em todas essas doenças, os póliposcolônicos são raros antes da puberdade, mas, aos 25 anos, já estão presentes nos indivíduos acometidos. Se a polipose não for tratada cirurgicamente, ocorrerá desenvolvimento de câncer colorretal em quase todos os pacientes com < 40 anos de idade. A polipose adenomatosa colônica se deve a um defeito na mucosa colônica que leva a um padrão proliferativo anormal e à deficiência dos mecanismos de reparo de DNA. Uma vez detectados os pólipos múltiplos, os pacientes devem ser submetidos à colectomia total. O tratamento clínico com medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como sulindaco, e com inibidores seletivos da cicloxigenase 2, como celecoxibe, pode diminuir o número e o tamanho dos pólipos. Entretanto, esse efeito é apenas temporário, e a utilização de AINEs não reduz o risco de câncer. A colectomia continua sendo o principal tratamento/prevenção. Os descendentes de pacientes com polipose adenomatosa colônica, em geral pré-púberes quando o diagnóstico é feito no progenitor, apresentam 50% de chance de desenvolver essa doença pré-maligna, devendo ser cuidadosamente avaliados com sigmoidoscopia flexível anual até os 35 anos. A polipose adenomatosa familiar - PAF é uma doença relacionada com o Câncer Colorretal, com uma proporção de 1 caso para 10.000 habitantes, corresponde a menos de 1% dos cânceres colorretais e de característica autossômica dominantes. Dentre os genes relacionados a essa doença destacamos: *APC Polipose adenomatosa familiar Qual a causa? * É uma doença hereditária em que muitos pólipos pré-cancerosos se desenvolvem ao longo do intestino grosso e no reto, durante a infância ou na adolescência. É uma doença hereditária autossômica dominante, causada por uma mutação no Adenomatous polyposis coli (APC), localizado no cromossomo 5q 21. É feito diagnóstico quando são encontrados >100 pólipos em uma endoscopia. Qual o tratamento? * Remoção cirúrgica do cólon e, algumas vezes, do reto Possivelmente anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) Uma vez que quase todas as pessoas com polipose adenomatosa familiar apresentam câncer, os médicos geralmente recomendam a realização de cirurgia logo após o diagnóstico ser confirmado. Há vários procedimentos. A extração completa do intestino grosso e do reto (chamada colectomia total ou proctocolectomia) elimina o risco de câncer. Como a pessoa não terá mais reto, a extremidade cortada do intestino delgado é permanentemente conectada a uma abertura cirúrgica na parede abdominal (ileostomia). Os resíduos corporais são eliminados por ileostomia e depositados em uma bolsa descartável. Ainda, após tratamento cirúrgico em cólon, é feita EDA a cada 1-3 anos como screening de tumores gástricos/duodenais. Qual a possibilidade de transformação neoplásica se não for tratada? *Quase todos os doentes com PAF que não são diagnosticados ou que não sejam submetidos a tratamento adequado desde uma fase precoce, vêm a desenvolver carcinoma colorectal. Contudo, atualmente, é pouco frequente os doentes chegarem efetivamente a desenvolver carcinoma colo-retal, uma vez que a maior parte destes são diagnosticados antes do surgimento de cancro. Quimioprevenção é eficaz? Quais drogas podem ser utilizadas? * O uso de inibidores da COX-2 pode resultar na regressão de alguns pólipos. Sulindac (um anti-inflamatório não esteroidal - AINES = inibidores seletivos que inibem a COX 2) ou celecoxib (inibidor da COX-2). O mecanismo envolve apoptose com redução no tamanho e número dos pólipos, mas sem impacto na redução do risco de câncer. Exame preventivo/rastreamento em crianças - familiares. Síndrome de Turcot (Glioma-Polipose): O termo síndrome de Turcot se aplica à síndrome da polipose colônica familiar com tumores primários no sistema nervoso central. A síndrome de Turcot pode ser considerada uma variante verdadeira da PAF. Logo, se um integrante da família for identificado com a síndrome, os outros devem passar por colonoscopia, assim como estudos de imagens do cérebro. Síndrome de Peutz-Jeghers: Trata-se de uma síndrome de herança autossômica dominante, causada por uma mutação no gene STK11 (LKB1), caracterizada por múltiplos pólipos no trato gastrointestinal, associados à pigmentação mucocutânea, especialmente na borda dos lábios. Sua incidência é estimada entre 1:50.000 a 1:200.000 pessoas. As lesões mucocutâneas pigmentadas são encontradas em 95% dos casos, e podem ser o primeiro achado clínico, costumam aumentar durante a infância, e ocorrem ao redor da boca, narinas, períneo, dedos, mãos e pés. Os pólipos podem ser encontrados por todo o trato gastrointestinal, mas a maioria está localizada no intestino delgado (60% a 94%) e no cólon (50% a 64%). Os pólipos podem causar sangramento gastrointestinal, anemia e dor abdominal secundária à intussuscepção, obstrução ou infarto. Em relação ao seguimento desse paciente a colonoscopia é recomendada a cada 3 anos, a partir do início dos sintomas, ou na adolescência nos casos assintomáticos. A endoscopia digestiva alta e o exame contrastado do trato gastrointestinal superior devem ser feitos a cada 2 anos, a partir dos 10 anos de idade. Os pólipos, sempre que possível, devem ser removidos. (Imaging Chalenge – NEJM) A 45-year-old man presented to the emergency department with sudden-onset abdominal pain and vomiting. On physical examination, his abdomen was diffusely tender, and he had hyperpigmented macules on the lips, oral mucosa, and nose. What is the most likely underlying diagnosis? *Peutz-Jeghers syndrome Um homem de 45 anos procurou o serviço de emergência com dor abdominal e vômitos de início súbito. Ao exame físico, apresentava abdome difusamente doloroso, com máculas hiperpigmentadas nos lábios, mucosa oral e nariz. Qual é o diagnóstico subjacente mais provável? Síndrome da Polipose Juvenil: Esta síndrome caracteriza-se pelo desenvolvimento de múltiplos pólipos juvenis no trato gastrointestinal e apresenta herança autossômica dominante. Ocorre uma mutação e desregulação na inibição do fator de crescimento TGFβ levando aos múltiplos pólipos gastrointestinais. Os sintomas costumam aparecer antes dos 20 anos de idade, apresentam incidência aproximada de 1:100.000 indivíduos, diferentemente dos pólipos juvenis isolados cuja incidência é de 2% em crianças. Clinicamente a síndrome se apresenta como múltiplos pólipos no cólon, embora pólipos gástricos e no intestino delgado também sejam observados, ademais esses podem encontrar prolapso retal e anemia, hipoproteinemia, desnutrição e distúrbios hidroeletrolíticos. O diagnóstico da síndrome da polipose juvenil é realizado por endoscopia. Para a triagem desses pacientes deve ser realizado colonoscopia no início dos sintomas ou no início da adolescência na ausência de sintomas, o intervalo é determinado pelo número de pólipos, mas é realizado ao menos a cada 3 anos, já a endoscopia gastrointestinal superior a cada 3 anos, a partir do início da adolescência. Doença de Cowden: Também chamada de síndrome dos hamartomas múltiplos, consiste em pólipos hamartomatosos no estômago, intestino delgado e cólon, juntamente com manifestações extraintestinais que incluem hamartomas orocutâneos, doença fibrocística, câncer de mama, bócio atóxico e câncer da tireoide. Os achados patognomônicos são: trichilemmomas (pápulas verrucóides assintomáticas), papilomas nas cavidades mucosas, queratose acral nas mãos e pés, doença de Lhermitte-Duclos (gangliocitoma displásico do cerebelo), os quais são menos frequentes na infância que em adultos. Os sintomas gastrointestinais e o câncer colorretal parecem ser incomuns nessa síndrome. Síndrome da Polipose Hiperplásica (SPH): Definição de SPH pela Organização Mundial de Saúde é a apresentação de pelo menos cinco pólipos hiperplásicos diagnosticados histologicamente próximos ao cólon sigmóide, dos quais dois sejam maiores do que 10 mm, ou qualquer número de pólipos hiperplásicos ocorrendo próximo ao cólon sigmóide em uma pessoa que apresente um parente de primeiro grau com SPH, ou mais de 30 pólipos distribuídos atravésde todo o cólon. Os adenomas comumente coexistem, mas o câncer colorretal aparentemente é incomum. Sugere-se vigilância colonoscópica a cada 1 a 3 anos. Câncer de cólon sem polipose hereditária (CCSPH) = câncer colorretal não poliposo hereditário = Câncer de cólon hereditário sempolipose (HNPCC): Também chamado de síndrome de Lynch, é outro traço de caráter autossômico dominante. Apresenta como característica a presença de três ou mais parentes com câncer colorretal confirmado histologicamente, sendo um deles parente de primeiro grau dos outros dois; um ou mais casos de câncer colorretal na família diagnosticados antes dos 50 anos; e câncer colorretal em pelo menos duas gerações. Diferentemente da polipose adenomatosa colônica, o HNPCC está associado a uma frequência elevada de câncer no cólon proximal. A mediana de idade para o surgimento de um adenocarcinoma encontra-se antes dos 50 anos, 10 a 15 anos menos do que a mediana de idade esperada para a ocorrência na população geral. Apesar de pouco diferenciados, com aparência histológicamucinosa, os tumores do cólon proximal que caracterizam o HNPCC apresentam melhor prognóstico do que os tumores esporádicos para pacientes de idades semelhantes. Famílias com HNPCC em geral apresentam indivíduos com múltiplas neoplasias primárias. Em mulheres, é especialmente importante destacar a associação de câncer colorretal a carcinomas de ovário e endométrio. Recomenda-se que os membros dessas famílias façam colonoscopia anual ou bianual a partir dos 25 anos, devendo-se oferecer ultrassonografia pélvica e biópsia do endométrio, realizadas de maneira intermitente, a mulheres em risco. Contudo, essa estratégia de rastreamento ainda não foi validada. O HNPCC está associado a mutações na linhagem germinativa de vários genes, em particular o hMSH2 no cromossomo 2 e o hMLH1 no cromossomo 3. Essas mutações levam a erros na replicação do DNA e resultam em sua instabilidade, pois o reparo defeituoso do pareamento do DNA leva a um crescimento celular anormal e ao desenvolvimento do tumor. A realização de testes em células tumorais por meio de análise molecular do DNA para “instabilidade de microssatélites” ou detecção imuno-histoquímica de deficiência de proteínas de reparo de mau pareamento em pacientes com câncer colorretal e história familiar positiva de câncer colorretal ou de endométrio pode identificar probandos com HNPCC. O diagnóstico da síndrome HNPCC baseia-se nos critérios de Bethesda e Amsterdam: (1) pelo menos três membros da família devem ser portadores de carcinoma do cólon, comprovado histologicamente, devendo um deles ser parente em primeiro grau dos outros dois; deve ser excluída polipose familial do cólon; (2) pelo menos duas gerações sucessivas devem ser afetadas; (3) o carcinoma deve ocorrer antes de 50 anos em pelo menos um dos pacientes. A identificação de pacientes com a síndrome HNPCC é importante pelo alto risco de desenvolvimento de segundo tumor no cólon e em outros órgãos, como endométrio, ovário, pâncreas e pelas diferenças no tratamento e prognóstico. O CCSPH deve-se a uma mutação em genes de reparo de combinação imprópria (p. ex., MLH1, MSH2), levando a uma instabilidade de microssatélites e erros na replicação do DNA. O CCSPH, de herança autossômica dominante, pode responder por até 6% de todos os cânceres de colo. A idade mediana para o desenvolvimento do câncer de colo é de menos de 50 anos. Os tumores no lado direito são muito mais comuns do que os tumores localizados do lado esquerdo. O CCSPH está associado ao câncer endometrial, câncer de ovário, cânceres do trato gastrintestinal superior e cânceres de células de transição da pelve renal/ureter. Um indivíduo tem probabilidade de pertencer a uma família com CCSPH e exige a realização de teste genético quando: três ou mais parentes tiveram câncer de colo (ou outro câncer associado ao CCSPH, como câncer de útero, do intestino delgado, uretral ou pélvico renal) e pelo menos um deles é um parente de primeiro grau, duas ou mais gerações da família apresentam câncer de colo, ou um ou mais parentes foram diagnosticados com câncer de colo antes dos 50 anos de idade. O rastreamento deve ser iniciado em torno dos 21 anos em pacientes acometidos e, posteriormente, deve ser realizado pelo menos a cada 5 anos. Esses critérios para a identificação do CCSPH são designados como critérios de Amsterdam II. Os critérios de Bethesda modificam os critérios de Amsterdam II para incluir, na avaliação, os pacientes que tiveram familiares com pólipos adenomatosos colônicos, além do câncer de colo. Critérios de Amsterdam 1. Presença de ca colônico ou qualquer outro ca relacionado à HPNCC diagnosticado histologicamente em 3 ou mais familiares, sendo que um deles tem que ser obrigatoriamente parente de primeiro grau dos outros dois. 2. Pelo menos um caso de ca colorretal se desenvolve antes dos 50 anos 3. Ca colorretal envolvendo pelo menos 2 gerações 4. Ausência de uma síndrome de polipose hereditária. Polipose associada a MYH: A polipose associada a MYH (MAP, de MYH-associated polyposis) é uma síndrome autossômica recessiva rara causada por uma mutação bialélica no gene MUT4H. Ela pode ter várias apresentações clínicas, semelhantes à polipose adenomatosa colônica ou ao câncer retal que ocorre em indivíduos mais jovens, sem polipose. O gene MYH é um gene de reparo de excisão de bases, localizado no braço curto do cromossomo 1. Mutações homozigóticas do gene MYH foram associadas a uma síndrome que se manifesta na forma de múltiplos pólipos colônicos e câncer colorretal. Essa síndrome é herdada de modo autossômico recessivo. Acredita-se que as mutações MYH sejam responsáveis por menos de 1% dos cânceres colorretais. Doença inflamatória intestinal: Pacientes com doença inflamatória intestinal (DII) de longa duração apresentam um maior risco de câncer do intestino grosso. As neoplasias desenvolvem-se mais comumente em pacientes com retocolite ulcerativa do que naqueles com colite granulomatosa. O risco de doença colorretal em um paciente com DII é relativamente baixo nos primeiros 10 anos da doença, mas, em seguida, parece aumentar entre 0,5 e 1% ao ano. Após 25 anos de doença, 8 a 30% dos pacientes podem ter câncer. O risco é maior em pacientes jovens com pancolite. DIAGNÓSTICO A anamnese (incluindo a história familiar) é fundamental. Suspeitar de carcinoma colorretal em todo paciente com sangramento retal, dor abdominal, modificação dos hábitos intestinais, anemia ferropriva e emagrecimento, principalmente se for idoso. O exame físico pode evidenciar hepatomegalia dolorosa, ou massas abdominais. O toque retal permite diagnosticar o câncer de reto distal. O laboratório pode confirmar anemia ferropriva ou revelar alterações das enzimas hepáticas, sugerindo metástase. O diagnóstico de câncer de cólon é estabelecido pelo exame histopatológico de espécime tumoral obtido através da colonoscopia ou do exame de peça cirúrgica. A colonoscopia é o método preferencial de diagnóstico por permitir o exame de todo o intestino grosso e a remoção ou biópsia de pólipos que possam estar localizados fora da área de ressecção da lesão principal, oferecendo vantagem sobre a colonografia por tomografia. O diagnóstico da doença por exame radiológico contrastado do cólon (enema opaco) deve ser reservado para quando não houver acesso à colonoscopia ou quando existir contraindicação médica para esse exame. A investigação de possíveis metástases intra-abdominais e pélvicas deve ser feita alternativamente por meio de exame ultrassonográfico, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, a critério médico. A investigação de metástases pulmonares deve ser efetuada por meio de radiografia simples de tórax ou tomografia computadorizada, também a critério médico. Na suspeita de câncer retal pela história clínica é mandatória a realização de um exame proctológico (toque retal). A identificação correta do local da lesão e a possibilidade de obtenção de espécime para exame histopatológico fazem com que a retossigmoidoscopia(rígida ou flexível) seja sempre indicada na suspeita de câncer retal. Nos casos confirmados da doença, a infiltração e extensão do tumor de reto devem ser avaliadas quando possível pela ultrassonografia endorretal, que tem acurácia comparável à tomografia computadorizada pélvica. O exame de tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT) é útil na investigação de doença metastática à distância em doentes de alto risco com tumor potencialmente ressecável, em particular nos casos de metástase hepática isolada. Exame proctológico Deve ser realizado em todos os pacientes. A inspeção, palpação e anuscopia, em geral, não auxiliam no diagnóstico de pólipos colorretais, embora pólipos retais possam ser vistos a anuscopia (com espéculo, olho nu). Os pólipos pediculados poderão prolapsar pelo ânus, causando incômodo e sangramento, confundindo-se com a doença hemorroidária ou a papila hipertrófica. Toque Retal: Pólipos retais distais isolados ou polipose podem ser detectados pela identificação tátil durante o toque retal. Retossigmoidoscopia: Exame de fácil execução e baixo custo feito pela inserção de um tubo flexível com uma câmera na ponta no ânus do paciente. Deve ser sempre realizado, já na primeira consulta. Importante para diagnóstico dos pólipos localizados até o cólon sigmóide. Funciona como exame de triagem iniciando-se aos 50 anos, porém 50% dos pólipos adenomatosos proximais de alto risco de malignização não são detectados apenas com a retossigmoidoscopia. Sempre que houver presença ou suspeita de um pólipo, deve-se realizar uma colonoscopia. Colonoscopia: Passa a válvula ileocecal e vai até aprox. 10 cm do íleo distal. Nas angulações do cólon, temos alguns “pontos cegos” que podem impedir a visão de lesões polipóides pequenas, além de o ceco ser pouco alcançado nos exames, o que impede a avaliação completa do cólon. É sempre importante atentar-se à presença de pólipos múltiplos. A cromoscopia com corantes, como azul de metileno, pode ser utilizada durante a colonoscopia para melhor identificar pequenos pólipos. Há colonoscópios com sistemas de coloração eletrônica na mucosa intestinal. Também há colonoscópios com magnificação de imagem com capacidade de ampliação endoscópica entre 100 a 200 vezes, que permite observar mais detalhadamente a mucosa cólica, identificando o padrão de suas glândulas, conseguindo diferenciar vários tipos histológicos de pólipos colorretais, já durante a realização da colonoscopia. Ecocolonoscopia: Realizada com colonoscópio com tubo específico com indicação precisa para alguns pólipos para determinar a camada da qual esta lesão se origina, além de permitir a punção ecoguiada para avaliação histopatológica. Exames por imagem O ultrassom, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética têm baixa sensibilidade e especificidade para a visão de lesões pólipos intestinais. Exame Radiológico Contrastado doCólon: Enema opaco com duplo contraste. Identifica melhor os pólipos colorretais maiores. Colonografia (por TC): Avaliação morfológica do intestino grosso por recursos de tomografia computadorizada. Alto custo e quando um pólipo é identificado na imagem o paciente deverá ser submetido a uma colonoscopia na tentativa de removê-lo (polipectomia). Sangue oculto nas fezes: A pesquisa de sangue oculto nas fezes (teste do Guaiaco e FIT- fecal imuno test) é raramente utilizada no diagnóstico e no rastreamento de paciente com pólipo colorretal por apresentar baixa especificidade. Os pólipos que sangram são poucos e quando o fazem são de maneira descontínua, dificultando a positividade destes testes. Esse teste é mais indicado para rastreamento de CA colorretal, sensibilidade superior a 80%. Existe outro exame chamado de Teste de DNA fecal que analisa a presença de alterações genéticas em células encontradas nas fezes oriundas da descamação de um possível tumor. Os marcadores tumorais mais utilizados são: CEA e o CA 19.9. Exames laboratoriais Não há exames que ajudem a determinar se um paciente é ou não portador de pólipo colorretal. Os testes genéticos, como a trucagem de proteínas (mRNA) de PAC, quando positivos, somente indicam suscetibilidade, não a presença real de um pólipo. PROGNÓSTICO Os fatores determinantes para maior risco de malignização para o pólipo adenomatoso são: - O tamanho: quanto maior a dimensão maior é o risco - O grau e a extensão da displasia presente no pólipo - Seu padrão histológico: os pólipos vilosos são os de maior risco enquanto que os tubulares são os de menor risco de malignização. - Maior risco quanto maior o número de pólipos adenomatosos diagnosticados - Sua forma, sendo as lesões planas e/ou sésseis as com maior risco de malignização. Pólipomaligno e bomprognóstico: - Células carcinomatosas bem ou moderadamente diferenciadas - Invasão até a camada muscular da mucosa ou inferior a 1mm na submucosa - Margens de ressecção endoscópica livres de tumor em, pelo menos, 2mm (laterais e profundas) - Sem invasão intravascular - Sem invasão dos vasos linfáticos - Ausência de brotamento (presença de grupos de células neoplásicas malignas- de 5 a 10 células na submucosa, próximos ao câncer) Pólipomaligno emau prognóstico: - Células carcinomatosas indiferenciadas - Invasão da camada submucosa maior a 1mm (medida a partir da muscular da mucosa) - Margens de ressecção endoscópica inadequadas, menor que 2 mm (laterais e profundas) - Presença de invasão tumoral linfonodal - Presença de embolia vascular TRATAMENTO Por apresentarem uma predisposição importante para a transformação maligna (precursores do CA colorretal), quando diagnosticados, os pólipos devem ser, em princípio, ressecados. Polipectomia endoscópica: Procedimento seguro, de baixo custo e pequena morbimortalidade. É feito com sedação de rotina para o exame. As complicações são pouco frequentes, mas podem ocorrer por sangramento ou perfuração da área de ressecção do pólipo. Pode ser feito por meio de corrente elétrica de baixa frequência e alta intensidade. Retira-se com o colonoscópio por meio de aspiração. Todo pólipo ressecado deverá ser encaminhado para exame histopatológico, para especificar o tipo do pólipo e se tem alteração displásica. A displasia é uma alteração epitelial neoplásica benigna presente nos pólipos adenomatosos e restrita à membrana basal ou à lâmina própria da mucosa do trato digestivo, com alto potencial para malignização. Pode ser por diminuição da diferenciação celular, ausência de controle do mecanismo de crescimento celular. E pode ser de baixo ou alto grau. Ressecção cirúrgica: As biópsias realizadas nos pólipos adenomatosos não têm valor para avaliar a presença ou o grau de displasia, nem a possibilidade de sua malignização. Por isso, todos os adenomas impossibilitados de ressecção endoscópica deverão ser retirados por cirurgia. Pode ser por laparoscopia ou, para os pólipos retais, ressecção transanal. ACOMPANHAMENTO Todos os pacientes que já tiveram ressecado um ou mais pólipos adenomatosos colorretais devem ser acompanhados pela colonoscopia, por causa da possibilidade de poderem desenvolver novos adenomas, de 1 a 5 anos após a polipectomia. Durante a realização da colonoscopia, é possível deixar de ver um pólipo pequeno e/ou plano no paciente que retirou um “adenoma simples”, o intervalo de vigilância entre as colonoscopias poderá ser maior, entre 2 e 3 anos. Já em um paciente com “adenoma avançado”, o intervalo deve ser menor, de 1 ano. Maria, 65 anos, professora, sem comorbidades ou uso de medicações até o momento, procura coloproctologista, pois, há um ano sua mãe faleceu de câncer colo retal, ficou muito chocada com uso da colostomia e pelo sofrimento no dia a dia de sua mãe até a terminalidade. Foi realizado exame de colonoscopia onde foi observado o achado da foto. Qual o tratamento? *Após uma polipectomia endoscópica, se o exame histopatológico evidenciar um pólipo maligno, deverá ser analisado se o paciente pode ser considerado curado pela polipectomia e se, caso houver um pólipo adenomatoso com carcinoma intramucoso,a polipectomia endoscópica poderá ser considerada curativa. Em contrapartida, nos pólipos que o exame histopatológico confirma a presença de um carcinoma invadindo a muscular da mucosa do pólipo adenomatoso, a polipectomia não pode ser considerada curativa e deve-se realizar uma complementação cirúrgica, ou seja, uma colectomia segmentar da região em que se localizava o pólipo com carcinoma invasivo. O tratamento padrão para o CCR é a ressecção tumoral, associada a retirada dos linfonodos regionais. A quimioterapia e a radioterapia quando indicados apresentam um papel importante para o sucesso do tratamento. Para ser considerada adequada a ressecção cirúrgica deve garantir uma margem livre de infiltração neoplásica (idealmente de 5cm da margem proximal e distal para tumores do cólon e 2cm para tumores retais) e a retirada de no mínimo 12 linfonodos. Quais os padrões histopatológicos dos pólipos intestinais? *Um pólipo é qualquer lesão expansiva do trato gastrointestinal. De acordo com a maneira na qual aparecem na mucosa são classificados em sésseis ou pediculados. Os pólipos podem ser: hiperplásicos (tamanho pequeno, localizados geralmente na porção terminal do colo, baixo risco de transformação maligna e não requer tratamento na maioria dos casos). Os pólipos adenomatosos (displásicos = lesão pré maligna) podem ser classificados em adenoma tubular (quando possuem glândulas tubulares ramificadas), adenomas vilosos (tem projeções digitiformes) ou adenomas túbulo-vilosos (possui ambas as características). Os adenomas são caracterizados pela presença de atipia celular. A maioria dos adenomas, não evoluem para adenocarcinoma, mas um percentual dá origem ao CCR. Geralmente há menos atipia celular nos adenomas tubulares e muita atipia ou displasia nos adenomas vilosos. Podem ser não neoplásicos (inflamatórios, hiperplásicos, hamartomatosos...) e neoplásicos (adenoma simples ou avançado que evolui para carcinoma, as síndromes...). O tamanho do pólipo tem influência na degeneraçãomaligna? *o tamanho e o tipo histológico do pólipo aumenta a incidência de carcinoma invasivo. Qual a indicação de rastreio do câncer colorretal com base nos "guidelines" do MS e como é feito? *A base para o diagnóstico do CCR se dá através de uma anamnese minuciosa, levando em conta sinais, sintomas e fatores de risco, acompanhado pelo exame físico geral e proctológico. Exame proctológico com inspeção, palpação, anuscopia, toque retal, retossigmoidoscopia... Se tem histórico familiar, colonoscopia. Sangue oculto nas fezes também é um exame que pode ser utilizado para rastreio de CA. No Brasil, o Caderno de Atenção Primária Rastreamento, emitido pelo Ministério da Saúde, recomenda o rastreamento do câncer de cólon e reto em adultos de 50 a 75 anos de idade, usando-se pesquisa de sangue oculto nas fezes, colonoscopia ou sigmoidoscopia. O rastreamento deve ser individualizado segundo o risco de desenvolvimento da doença. Exames que diagnosticam principalmente o câncer (Exames nas fezes): - Exame imunoquímico fecal (FIT), anualmente. - Exame de sangue oculto nas fezes pelo teste do guaiacol, anualmente. - Exame de DNA nas fezes, a cada 3 anos. Exames que diagnosticam pólipos e câncer: - Colonoscopia, a cada 10 anos. - Colonografia CT (colonoscopia virtual), a cada 5 anos. - Sigmoidoscopia flexível, a cada 5 anos. Paciente feminina, 42 anos , educadora física, relatando sangramento nas fezes, às vezes misturado ao bolo fecal e outras vezes vermelho vivo, acompanhado de pequena quantidade de substância gelatinosa. Sem comorbidades ou história familiar significativa. Estilo de vida e alimentação saudáveis. Exame físico normal. Exame laboratorial normal. Solicitado colonoscopia que mostrou lesão vegetante e ulcerada de 5 cm, no reto, distando 10 cm de linha pectínea. foi submetida a retossigmoidectomia videolaparoscópica com ileostomia de segurança. O resultado do exame anatomopatológico foi: Adenocarcinoma bem diferenciado T1 N0 M0. A ileostomia de segurança foi fechada 45 dias após o procedimento. Realizados exames para seguimento que foram normais por 30 meses, quando então o exame de (Antígeno Carcinoembrionário - CEA) expressou o resultado de 33 ng/ml. Quais os exames devem ser solicitados para rastreio e o estadiamento clínico? * Colonoscopia completa, radiografia de tórax, tomografía computadorizada de abdome e pelve e continuar acompanhando os níveis CEA. Qual conduta subsequente está indicada? *Cirurgia ou ressecção endoscópica. Qual o significado da elevação domarcador CEA e qual deve ser a conduta? * O exame CEA é mais utilizado para acompanhamento do paciente em tratamento de câncer colorretal, podendo ser observada normalização da concentração dessa proteína após cerca de 6 semanas após a cirurgia, por exemplo. O antígeno carcinoembrionário (CEA) é uma proteína produzida pelas células que revestem o trato gastrointestinal do feto. Nos adultos também é produzida normalmente, mas em pequenas quantidades. Seu valor de referência é 3,5 ng/ml em não fumantes e 7 ng/ml em fumantes. Quando o câncer recorre, geralmente aumenta o nível sanguíneo de CEA. Quais são os principais sítios metastáticos desse tipo de tumor? *Pulmão, fígado, peritônio e linfonodos. Tumores do canal anal: O canal anal corresponde à porção terminal do cólon limitada no terço superior pelo anel anorretal e inferiormente pelo ânus. Histologicamente, a porção superior é constituída por epitélio glandular do reto, seguindo-se uma área de epitélio de transição, enquanto o terço inferior (distal) é revestido por epitélio estratificado pavimentoso. Os tumores do canal anal compreendem o carcinoma de células escamosas associado a infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV), o carcinoma basaloide (cloacogênico) derivado das células basais imaturas do epitélio de transição e o adenocarcinoma derivado da mucosa retal. O carcinoma de células escamosas é o mais comum, compreende 75% dos casos e acomete de preferência indivíduos idosos (sexta ou sétima décadas), com pequena preponderância em mulheres; em imunossuprimidos (infectados pelo HIV), pode aparecer em indivíduos mais jovens. Homossexuais masculinos são grupo de risco, tendo a doença relação com a infecção pelo HPV. Macroscopicamente, o tumor apresenta-se como pequena úlcera ou fissura que se infiltra na parede da região. Microscopicamente, trata-se de carcinoma de células escamosas com diferentes graus de diferenciação, sendo frequente diferenciação basaloide. Os dados mais importantes para o prognóstico são o estádio do tumor (pT) e acometimento linfonodal. Linfomas: O trato gastrointestinal é o local mais frequente de linfomas extranodais. Mais da metade dos casos ocorrem no estômago, 20 a 30% no intestino delgado e 5 a 20% no colon. O principal fator de risco para as doenças linfoproliferativas intestinais são imunodeficiências. Os linfomas de células B são mais frequentes do que os de células T, enquanto as lesões agressivas, de alto grau, predominam sobre os linfomas indolentes. Duas entidades ocorrem somente no trato gastrointestinal: a doença imunoproliferativa do intestino delgado (DIPID) e o linfoma de células T enteropático ● Linfomas de células B do tipo MALT intestinal: a maioria dos linfomas de células B do intestino é do tipo MALT (tipo ocidental), que deve ser distinguido da doença imunoproliferativa do intestino delgado por suas características clínicas e epidemiológicas. Os linfomas MALT intestinais ocorrem em pessoas idosas e manifestam-se por melena ou sinais de obstrução intestinal. Quando no intestino grosso, pode haver história prévia de doença inflamatória intestinal. Na maioria dos casos, as lesões são únicas, e qualquer região do intestino pode estar envolvida. Acometimento de linfonodos mesentéricos é comum, mas disseminação além da cavidade abdominal é rara. O comportamento clínico não é favorável como nos linfomas gástricos. Nas lesões de baixo grau, há folículos linfoides evidentes rodeados por infiltrado neoplásico de células semelhantes a centrócitos, frequentementecom diferenciação plasmocitária. Os linfomas de alto grau são mais comuns, mas com frequência encontra-se um componente de baixo grau subjacente. ● Doença imunoproliferativa do intestino delgado (DIPID): Corresponde a um tipo de linfoma MALT descrito inicialmente em populações da região mediterrânea e que se distingue dos demais por aspectos epidemiológicos e pela síntese anormal de uma proteína (cadeia pesada da imunoglobulina A) pelas células neoplásicas. O tumor surge em adultos jovens que apresentammá absorção intestinal acentuada e infiltrado linfoplasmocitário difuso na mucosa do intestino delgado. Na maioria das vezes, há espessamento da parede do intestino proximal e aumento de linfonodos mesentéricos, identificando-se massas tumorais nas fases mais avançadas. Reconhecem-se três estágios da doença: (a) infiltrado linfoplasmocitário confinado à mucosa e aos linfonodos mesentéricos; (b) infiltrado linfoide nodular na mucosa, que se estende à submucosa; (c) massa tumoral, com transformação para linfoma de alto grau. O infiltrado plasmocitário alarga as vilosidades intestinais, mas as células não invadem a parede nem se identificam mitoses. Células neoplásicas com padrão de centrócitos formam agregados pequenos (estágio A) ou grandes (estágio B) em torno das criptas epiteliais, formando as lesões linfoepiteliais. Os folículos reacionais variam em número, e sua colonização pelas células neoplásicas resulta na formação dos nódulos linfoides do estágio B. Os linfonodos mesentéricos, que estão envolvidos desde as fases iniciais da doença, apresentam sinusoides repletos de plasmócitos e, em fase mais avançada, colonização folicular neoplásica. ● Linfoma de células do manto: É um tipo agressivo de linfoma de células B que forma múltiplas lesões polipoides na mucosa, daí a designação polipose linfomatosa, as quais podem simular polipose familiar. A lesão é incomum, ocorre em indivíduos idosos, preferencialmente masculinos, e se manifesta com dor abdominal, às vezes acompanhada de melena. Qualquer segmento do trato gastrointestinal pode ser acometido, mas as lesões predominam na região ileocecal. A neoplasia dissemina-se para o fígado, baço, medula óssea e linfonodos periféricos. Os linfonodos mesentéricos são geralmente acometidos. Histologicamente, as lesões menores são constituídas por um único nódulo linfoide; as maiores apresentam infiltrado linfoide difuso ou nodular que desloca e oblitera as glândulas, mas não se encontram lesões linfoepiteliais. ● Linfoma de Burkitt: Trata-se de linfoma que se manifesta em crianças ou adultos jovens. Pode ser endêmico ou esporádico. Linfoma de Burkitt endêmico pode acometer o trato gastrointestinal, mas apresentação primária nesta sede é incomum. Ao contrário, o linfoma de Burkitt esporádico, ou Burkitt-like, apresenta-se na maioria das vezes como linfoma intestinal, na região ileocecal; manifesta-se com dor abdominal, intussuscepção e sintomas obstrutivos. Há evidências de que esse linfoma origina-se do tecido linfoide associado à mucosa, mas suas características clínicas e patológicas são distintas dos linfomas MALT. ● Linfoma de células T enteropáticas: Este linfoma é de alto grau, origina-se de linfócitos intra epiteliais da mucosa do intestino delgado e constitui complicação da doença celíaca. Mais frequente no jejuno, caracteriza-se por lesões múltiplas que formam úlceras circunferenciais. Acomete indivíduos idosos, com discreto predomínio no gênero masculino; em geral, há história de má absorção desde a infância. Há casos que apresentammá absorção intestinal, ulceração da mucosa e linfocitose intraepitelial maciça, porém sem resposta à retirada do glúten da alimentação. A mucosa jejunal não acometida apresenta atrofia e linfocitose intraepitelial. A lesão se dissemina para o fígado, baço, medula óssea e linfonodos mesentéricos. 2. Identificar a epidemiologia dos tumores colorretais. O câncer colorretal (CCR) compreende uma gama de tumores malignos que afetam o intestino grosso e o reto. No Brasil, de acordo com informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), o CCR é a terceira maior causa de câncer, sendo o terceiro tumor maligno mais frequente em homens e o segundo em mulheres. Em relação à mortalidade, no Brasil o CCR é a quarta causa de morte por câncer em homens, e a terceira causa em mulheres. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Brasil a incidência do CCR varia conforme a região analisada, com maior proporção nas regiões sul e sudeste, com incidência de 19-21 casos/100.000 indivíduos, e menor nas regiões centro-oeste, nordeste e norte. Sabe-se que a incidência de CCR aumenta com a idade, sobretudo em maiores de 50 anos, sendo 90% dos casos ocorrendo acima dessa faixa etária. É possível dividir esse câncer em três tipos: esporádico, que representa 75% dos casos, origem familiar que corresponde a 20% dos casos e os demais estão relacionados com síndromes hereditárias e doença inflamatória intestinal. Nos casos esporádicos, o CCR costuma se manifestar como lesão colônica ou retal isolada. A principal etiologia nesses casos está relacionada aos pólipos adenomatosos que apesar de ser uma doença benigna, podem se tornar malignos com o decorrer do tempo. Outros fatores de risco também estão implicados na gênese do CCR, como hábitos de alimentação, nutrição e atividade física. As síndromes hereditárias mais frequentes no CCR são a Síndrome de Lynch (HNPCC) e a Polipose Adenomatosa Familiar, além do histórico familiar, esses tumores geralmente acometem indivíduos mais jovens e frequentemente se associam a outros tipos de tumores. O tipo histopatológico mais comum é o adenocarcinoma, chegando a ocupar, de acordo com algumas literaturas, 90 a 95% dos casos de CCR. Esse tipo de câncer pode ser classificado de acordo com o seu grau de diferenciação em bem diferenciado (grau I), moderadamente diferenciado (grau II) e mal diferenciado (grau III). O CCR tem cura se detectado em estágios precoces da doença. Inicialmente a maioria dos CCRs são assintomáticos, retardando o diagnóstico e tratamento. Por isso, o rastreio em pessoas maiores de 50 anos, tem grande importância na detecção e remoção de lesões precursoras ou até na detecção do câncer numa fase precoce. Sendo que quanto mais precoce o diagnóstico e tratamento, melhor a sobrevida do CCR. O câncer colorretal é o segundo tumor maligno, excluindo o câncer de pele não melanoma, mais comum em homens e mulheres, atrás apenas, respectivamente, de câncer de próstata e mama. São 41 mil novos casos previstos para 2021, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). No Brasil, a doença é mais prevalente nos estados de São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Entre os homens, São Paulo registra 33,1 casos para cada 100 mil, seguido por Santa Catarina (32,4) e Rio de Janeiro (25,3). Entre as mulheres, Santa Catarina lidera com 25,1 casos para cada 100 mil, seguido por São Paulo (20,9%) e Rio de Janeiro (18,7%). Por região, a maior prevalência se dá na região Sudeste, no qual o câncer colorretal representa 11,3% de todos os cânceres em homens e 10% de todos os casos emmulheres. Comparativamente, na região Norte, a doença representa 5,3% dos casos de câncer em homens e 6,3% dos cânceres diagnosticados nas mulheres. 3. Identificar os fatores desencadeantes e de prevenção destes tumores. Os fatores alimentares mais intimamente associados ao aumento das taxas de câncer colorretal são a baixa ingestão de fibra vegetal não absorvível e o alto consumo de carboidratos refinados e gordura. Além da modificação dietética, a quimioprevenção farmacológica tornou-se uma área de grande interesse. Vários estudos epidemiológicos sugerem que o ácido acetilsalicílico ou outros AINEs apresentam efeito protetor. Isso é consistente com estudos que mostram que alguns AINEs causam regressão de pólipos em pacientes com PAF nos quais o reto foi mantido após colectomia. Suspeita-se que esse efeito seja mediado pela inibição da enzima cicloxigenase-2 (COX-2), que é altamente expressa em 90% dos carcinomas colorretaise entre 40% a 90% dos adenomas, e é conhecida por promover a proliferação epitelial, particularmente em resposta à injúria. O CCR pode se diferenciar em três tipos de acordo com a sua etiologia. Dessa forma, as síndromes de polipose adenomatosa familiar e a síndrome de câncer colorretal hereditário não polipose (síndrome de Lynch) são fatores de risco importantes. No entanto, o CCR esporádico que corresponde a maioria de todos os cânceres colorretais, além de está intimamente relacionado ao pólipo adenomatoso esporádico, também tem outros fatores relacionados com a sua gênese. Vários estudos têm demonstrado a presença de fatores protetores para o CCR. Sabe-se que dietas ricas em frutas e fibras, além da prática de atividade física atuam como protetores. Além disso, acredita-se que o ácido acetilsalicílico ou outros AINEs através da inibição da enzima cicloxigenase-2 (COX-2), ajuda a impedir a proliferação epitelial nas lesões cancerígenas e nos adenomas. Prevenção Cessação do tabagismo e alcoolismo: o câncer de pulmão e os cânceres de laringe, orofaringe, esôfago, rins, bexiga, cólon, pâncreas e estômago estão todos relacionados com o tabaco. O câncer de esôfago está ligado aos carcinógenos do tabaco dissolvidos na saliva e deglutidos. Atividade física: a atividade física está associada a uma redução do risco de cânceres de cólon e de mama. Uma variedade de mecanismos foi proposta. Todavia, tais estudos tendem a apresentar pontos de confusão, como viés de memória, associação do exercício a outras práticas relacionadas com a saúde e efeitos de cânceres pré-clínicos no hábito da prática de exercícios (causalidade reversa). Modificação da dieta: estudos epidemiológicos internacionais sugerem que as dietas ricas em gordura estão associadas a um aumento do risco de cânceres de mama, cólon, próstata e endométrio. Esses cânceres apresentam incidência e taxas de mortalidade mais elevadas em culturas ocidentais, em que a gordura compõe uma média de um terço do total de calorias consumidas. Em estudos observacionais, as fibras alimentares estão associadas a um menor risco de desenvolvimento de pólipos colônicos e câncer invasivo do cólon. Uma alimentação saudável é composta, principalmente, por alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, grãos e sementes. Além disso deve-se evitar o consumo de carnes processadas (por exemplo salsicha, mortadela, linguiça, presunto, bacon, blanquet de peru, peito de peru, salame) e limitar o consumo de carnes vermelhas até 500 gramas de carne cozida por semana. Esse padrão de alimentação é rico em fibras e, além de promover o bom funcionamento do intestino, também ajuda no controle do peso corporal. Manter o peso dentro dos limites da normalidade e fazer atividade física, movimentando-se diariamente ou na maior parte da semana, são fatores importantes para a prevenção deste tipo de câncer. Equilíbrio energético: O risco de determinados tipos de câncer parece aumentar modestamente (o risco relativo situa-se, em geral, na faixa de 1,0 a 2,0) à medida que o índice de massa corporal (IMC) aumenta e ultrapassa 25 kg/m2. Um estudo de coortes de > 5 milhões de adultos constatou que cada aumento de 5 kg/m2 no IMC estava linearmente associado ao desenvolvimento de cânceres de útero, vesícula biliar, rim, colo do útero, tireoide e leucemia. Foram também observadas associações positivas entre o IMC e os cânceres de cólon, fígado, ovário e mama na pós-menopausa. Prevenção primária – quimioprevenção Foi proposta a utilização de vários medicamentos de uso oral para inibir o câncer de cólon. Os mais eficazes na quimioprevenção são o ácido acetilsalicílico e outros AINEs. Acredita-se que eles inibam a proliferação celular ao bloquearem a síntese de prostaglandinas. O uso regular de ácido acetilsalicílico reduz o risco de adenomas e carcinomas de cólon, bem como o de morte por câncer do intestino grosso. Esses medicamentos parecem diminuir também a possibilidade do surgimento de outros adenomas pré-malignos após o tratamento com sucesso de um carcinoma de cólon. Esse efeito do ácido acetilsalicílico na carcinogênese colônica aumenta de acordo com a duração do uso e a dosagem do medicamento. Com base em uma revisão sistemática, o equilíbrio entre benefício e prejuízo favorecia a instituição do ácido acetilsalicílico em dose baixa para a prevenção do câncer colorretal em adultos de 50 a 59 anos de idade quando apresentavam um risco de doença cardiovascular em 10 anos de 10% ou mais. Os inibidores da cicloxigenase 2 (COX-2) também foram considerados para câncer colorretal e prevenção de pólipos. Ainda, podem participar da quimioprevenção: ➔ Vit D - Dados recentes que associam a presença de níveis plasmáticos adequados de vitamina D a uma redução do risco de pólipos adenomatosos e câncer colorretal parecem ser promissores. O valor da vitamina D, como forma de quimioprevenção, ainda está sendo investigado. ➔ Estrogênio e progesterona - A terapia de reposição com estrogênio foi associada a uma redução no risco de câncer colorretal em mulheres, provavelmente por seu efeito na síntese e na composição de ácidos biliares ou pela diminuição da síntese de IGF-I. Estudos demonstaram que as mulheres na pós-menopausa que receberam estrogênio e progestina apresentaram um risco 44% menor de câncer colorretal quando comparadas com as mulheres que tomaram placebo. O efeito positivo sobre o câncer de cólon é atenuado pelo modesto aumento dos riscos cardiovasculares e de câncer de mama associados à terapia combinada de estrogênio e progestina. ➔ Cálcio - Estudos epidemiológicos sugerem que as dietas ricas em cálcio diminuem o risco de câncer de cólon. O cálcio liga-se à bile e aos ácidos graxos, que causam a proliferação do epitélio colônico. Formulou-se a hipótese de que o cálcio reduz a exposição intraluminal a esses compostos. Por outro lado, alguns estudos têm associado baixos níveis de cálcio na dieta a um risco aumentado de câncer colorretal. Prevenção secundária Identificação da população de risco, rastreamento de lesões precursoras, instituição de exames periódicos e diagnóstico precoce do câncer. 4. Explicar os sinais e sintomas apresentados durante a evolução dos tumores colorretais: A maior parte dos indivíduos com CCR são assintomáticos no início da doença, retardando o diagnóstico para fases mais avançadas quando surgem os primeiros sintomas. Existe uma correlação entre a localização do tumor e as manifestações clínicas apresentadas. Isso ocorre devido a características anatômicas do intestino grosso e reto. Os sintomas variam de acordo com a localização anatômica do tumor. Como as fezes ainda estão relativamente líquidas ao passarem pela valva ileocecal e entrarem no cólon direito, os tumores do ceco e do cólon ascendente podem crescer bastante antes de causarem sintomas obstrutivos ou outras alterações nos hábitos intestinais. O cólon direito tem maior diâmetromaior que o esquerdo, por isso, em tumores à direita (cólon ascendente), há a tendência do câncer evoluir como lesão exofítica, ou seja, para dentro da luz intestinal. As lesões do cólon direito costumam ulcerar, causando perda sanguínea crônica e insidiosa, mas que não altera o aspecto das fezes. Às vezes o sangramento pode se exteriorizar como melena (sangramento escuro devido ao sangue já digerido). Portanto, os pacientes com tumores do cólon direito apresentam, muitas vezes, sintomas como fadiga, palpitação ou até angina pectoris, além de anemia hipocrômica e microcítica, indicando deficiência de ferro. Como os cânceres podem apresentar um padrão de sangramento intermitente, uma pesquisa aleatória de sangue oculto nas fezes pode ser negativa. Assim, a presença inexplicada de anemia ferropriva em qualquer adulto (com a possível exceção de uma mulher multípara na pré-menopausa) exige uma avaliação endoscópica e/ou radiológica detalhada de todo o intestino grosso. No cólon esquerdo a lesão geralmente invade a parede do órgão e como odiâmetro do cólon desse lado é menor, ocorre maior incidência de estenose e obstrução, essas lesões são anulares e produzem constrições. Como as fezes são formadas ao passarem pelos cólons transverso e descendente, os tumores que surgem nessa região tendem a obstruir sua passagem, provocando cólicas abdominais, obstruções eventuais e até perfuração. As radiografias do abdome muitas vezes revelam lesões constritivas anulares (em “maçã mordida” ou em “anel de guardanapo”). As neoplasias que surgem no retossigmoide estão muitas vezes associadas a hematoquezia (hemorragia via retal de cor avermelhada ou marrom), tenesmo e diminuição do calibre das fezes. Anemia é um achado incomum. Tais sintomas podem levar o paciente ou o médico a suspeitar de hemorróidas, porém o surgimento de sangramento retal ou de alteração dos hábitos intestinais exige investigação imediata com toque retal e proctossigmoidoscopia (Observação com um endoscópio do reto e da ansa sigmóide do cólon). Os cânceres do lado esquerdo do cólon, sigmóide e reto, podem se manifestar com sangramento oculto, mudanças nos hábitos intestinais, distensão abdominal, sangramento vivo ou desconforto em fossa ilíaca esquerda. A presença da alternância entre constipação e diarreia pode estar presente. Outros sintomas como náuseas, vômitos e dor abdominal podem estar presentes em casos de obstrução intestinal. Outro achado, é a presença de perda de peso importante e não intencional em um curto espaço de tempo, caracterizando a síndrome disabsortiva. Além disso, apesar de infrequente, pode ocorrer febre, abcessos e complicações, como perfuração, obstrução e hemorragias. No câncer retal, o sintoma mais frequente é a perda de sangue e tenesmo (vontade intensa de evacuar, mas a sensação é de não ocorrer esvaziamento completo ou nem ocorrer a evacuação) , associada a presença de fezes commuco ou não. Além disso, o CCR pode se manifestar com sintomas referentes aos órgãos para onde sofreu metástase. Desse modo, o paciente pode apresentar dor em hipocôndrio direito, associada a plenitude prandial e saciedade precoce quando ocorre metástase hepática. Nos casos de metástase peritoneal, o indivíduo pode se apresentar com ascite, distensão e dor abdominal. Também é possível a presença de linfonodomegalias inguinais, periumbilicais ou supraclaviculares nos casos de metástase linfonodal ou até derrame pleural, dores ósseas e fraturas patológicas no caso de metástase pulmonar e óssea respectivamente. Um tumor no cólon esquerdo (descendente) pode causar obstrução em sua fase inicial, já que o cólon esquerdo tem um diâmetro menor e as fezes passam por ele em estado semi sólido. A pessoa pode ser levada ao médico devido à sensação de cólicas, dores abdominais intensas e constipação. Um tumor no cólon direito (ascendente) só causa obstrução em uma fase mais avançada do câncer, visto que o cólon ascendente tem um diâmetro maior e o conteúdo que corre através dele é líquido. Portanto, quando o tumor é finalmente descoberto, ele pode ser maior que o tumor no cólon esquerdo. Sintomas gerais: Presença de sangue nas fezes; Dor e cólica na barriga com mais de 30 dias de duração; Alteração no ritmo intestinal (quando você tinha o funcionamento intestinal normal e recentemente vem apresentando diarreia ou constipação); massa (tumoração) abdominal; alteração na forma das fezes; Perda de peso rápida e não intencional; Anemia, cansaço e fraqueza; Esses sinais e sintomas também estão presentes em problemas como hemorroidas, verminose, úlcera gástrica e outros, e devem ser investigados para seu diagnóstico correto e tratamento específico. Cite 5 manifestações clínicas de câncer colorretal? * 1 – Hematoquezia. 2 – Alteração de hábito intestinal. 3 – Dor abdominal. 4 – Sintomas B (Febre ou perda ponderal ou sudorese noturna). 5 – Qualquer um dos sinais de suboclusão ou oclusão intestinal. Dona Maria, 55 anos, procura a UBS por queixa de astenia, fadiga, palidez, não consegue mais varrer a casa devido ao cansaço, relata que está tendo dores em região de flanco D do abdome e diarreia com muco, pus e sangue, relata que teve 1 parceiro sexual, fez o Papanicolau a 1 ano (exame normal), no hemograma apresenta anemia ferropriva com hemoglobina de 6,0 g/dL. Dentre os exames complementares abaixo o mais indicado conforme o caso clínico acima seria: *Colonoscopia. 5. Caracterizar o rastreamento, diagnóstico e estadiamento do CA colorretal: Rastreamento Estratégias de rastreamento para o CA colorretal: ➔ Exame por toque retal ➔ Exame das fezes ● Sangue oculto ● DNA fecal ➔ Exames de imagem ● Enema baritado com contraste ● Virtual (i.e., colonografia por tomografia computadorizada) ➔ Endoscopia ● Sigmoidoscopia flexível ● Colonoscopia A justificativa para programas de rastreamento para o câncer colorretal baseia-se no fato de que a remoção de pólipos adenomatosos irá prevenir o câncer colorretal e de que a detecção precoce de neoplasias superficiais e localizadas, em pacientes assintomáticos, aumentará a taxa de cura cirúrgica. Esses programas de rastreamento são particularmente importantes para indivíduos com uma história familiar de doença em parentes de primeiro grau. O risco relativo para o desenvolvimento de câncer colorretal aumenta para 1,75 nesses indivíduos e pode ser ainda maior se seu parente tiver sido afetado pela doença antes dos 60 anos. Anteriormente, o rastreamento era feito com a proctossigmoidoscopia rígida, uma vez que 60% das lesões precoces se localizam no retossigmoide. No entanto, por motivos desconhecidos, a proporção de neoplasias do intestino grosso que surgem no reto tem diminuído nas últimas décadas, com um correspondente aumento da proporção de neoplasias no cólon descendente, mais proximal. Por isso, tem-se questionado se a proctossigmoidoscopia rígida é capaz de detectar um número suficiente de neoplasias ocultas para tornar a razão custo/benefício do procedimento favorável. A pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF), o toque retal (TR), a sigmoidoscopia rígida e flexível, a colonoscopia e a colonografia por tomografia computadorizada (TC) têm sido utilizados no rastreamento para o câncer colorretal. O rastreamento do CCR visa a detecção desse tumor em estágios iniciais ou a identificação de lesões pré-cancerosas em pessoas assintomáticas. Segundo a Associação Americana de Gastroenterologia, o rastreamento está indicado para pessoas de risco médio (pessoas sem histórico familiar de alto risco de neoplasia colorretal) a partir dos 50 anos, sendo que se pode interromper a triagem quando a expectativa de vida for menor que 10 anos. Nesses casos, o paciente pode optar por realizar um dos testes de rastreio abaixo: ● Colonoscopia a cada 10 anos se a primeira for negativa; ● Colonografia por TC a cada 5 anos naqueles que não farão colonoscopia; ● Retossigmoidoscopia flexível a cada 10 anos isolada ou em associação com o sangue oculto nas fezes anualmente; Três amostras de sangue oculto nas fezes anualmente (com guaiaco ou método imunoquímico); ou Teste de DNA de umaamostra de fezes a cada cinco anos. Em pacientes de alto risco para CCR (história familiar de CCR em parentes de primeiro grau, história pessoal de CCR ou pólipo maior que 1 cm ou múltiplos pólipos de qualquer tamanho e portadores de doença inflamatória), deverão iniciar a triagem aos 40 anos ou 10 anos antes do diagnóstico do CCR no parente de primeiro grau. Nesses casos, valerá o que iniciar primeiro e a triagem deverá ser realizada com colonoscopia a cada 5 anos. Em pacientes com PAF, recomenda-se a realização de retossigmoidoscopia flexível entre 10-12 anos que deve ser repetida entre 1-12 anos até a idade de 35 anos, quando o rastreio deverá ser realizado a cada 3 anos. Em pacientes com CCHNP, recomenda-se a realização de colonoscopia a partir de 20-25 anos, repetindo a cada 2 anos. Após os 40 anos, o rastreamento deve ser anual. Além disso, recomenda-se o rastreio específico para os cânceres extracolonicos que podem ocorrer nessa síndrome. Diagnóstico EXAMES LABORATORIAIS:No CCR podemos encontrar no hemograma anemia microcítica e hipocrômica compatível com anemia ferropriva. Além disso, a pesquisa de sangue oculto nas fezes apesar de ter baixa sensibilidade, pode ser utilizada como método de rastreamento populacional, mas não como recurso diagnóstico. Existe outro exame chamado de Teste de DNA fecal que analisa a presença de alterações genéticas em células encontradas nas fezes oriundas da descamação de um possível tumor. Os marcadores tumorais mais utilizados são: CEA e o CA. COLONOSCOPIA: A colonoscopia é o padrão ouro para auxiliar no diagnóstico desses tumores pois fornece a localização e extensão do tumor. Além disso, fornece a possibilidade de ser diagnóstico e terapêutico, pois é capaz de detectar e remover lesões pré-malignas. Ademais, possibilita a realização de biópsias para a análise histopatológica da lesão. Existe a possibilidade de realização de uma retossigmoidoscopia flexível em pacientes com massa palpável ao toque retal que não permite a passagem do colonoscópio. No entanto, esse exame não substitui a colonoscopia, pois só consegue chegar até 60 cm do ânus. EXAMES DE IMAGEM: O Clister opaco é um exame radiológico que utiliza duplo contraste (bário e ar) para avaliar o cólon. Porém atualmente se encontra em desuso devido ao aparecimento de métodos mais eficazes. Ademais, exames de imagem são necessários para o estadiamento adequado do tumor. Nesses casos, o exame de escolha para o estadiamento é a tomografia computadorizada que serve para avaliar o comprometimento extramural no câncer do reto e para a detecção de metástases. A ultrassonografia abdominal permite a avaliação hepática, principal sítio de metástases colônicas, entretanto não é possível a avaliação de linfonodos peritoneais, como na tomografia. Em casos de dúvidas diagnósticas também é possível o uso de ressonância magnética e a tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT). O uso da radiografia de abdome convencional fica reservado para pacientes com quadro de abdome agudo obstrutivo pelo tumor. No entanto, a radiografia de tórax deve ser considerada, para avaliação de metástases pulmonares. A videolaparoscopia diagnóstica não é um exame utilizado de rotina a ser realizado no CCR. No entanto, pode ser útil na confirmação da suspeita de metástases hepáticas ou peritoneais. Novos métodos como a ultrassonografia endorretal (USER), permite a definição detalhada das camadas da parede retal e dos tecidos circunjacentes, permitindo detectar o grau de infiltração do tumor na parede do reto e o acometimento linfonodal. Entretanto, a USER é pouco disponível no Brasil. Estadiamento O prognóstico dos pacientes com câncer colorretal depende da profundidade da invasão tumoral na parede intestinal, do acometimento dos linfonodos regionais e de metástases a distância. Essas variáveis são incorporadas em um método de classificação TNM. Não é possível determinar com precisão o estágio da doença antes da ressecção cirúrgica e do estudo histopatológico das peças cirúrgicas, exceto nos casos em que há doença metastática evidente. Preditores de prognósticos mais reservados após ressecção cirúrgica total do CA colorretal: ★ Disseminação do tumor para linfonodos regionais ★ Número de linfonodos regionais envolvidos ★ Penetração do tumor através da parede intestinal ★ Histologia pouco diferenciada ★ Perfuração ★ Aderência do tumor a órgãos adjacentes ★ Elevação pré operatória do título de CEA (>5ng/mL) ★ Supressão cromossômica específica (ex. mutação do gene b-raf) ★ Localização do tumor primário do lado direito Após o diagnóstico de câncer colorretal é necessário fazer o estadiamento da doença. Com isso, pode-se estabelecer a extensão locorregional da lesão, alémda presença demetástases, prognóstico e o tipo de terapia a ser empregada. O estadiamento é feito com exames de imagem, como a tomografia e a radiografia. A colonoscopia só serve nesses casos para excluir a presença de lesões sincrônicas do cólon. Com isso, geralmente diante do diagnóstico de CCR deve ser solicitado, dosagem de CEA, TC de abdome, tórax e pelve e colonoscopia. Já nos cânceres retais extraperitoneais, além desses exames, também é recomendado a realização de uma ressonância magnética ou USG endoanal. ➔ Atualmente, existem dois sistemas de estadiamento, o Sistema de Dukes, baseado na observação da profundidade de invasão do carcinoma e o Sistema TNM (Union for International Cancer Control - UICC, 2017) que é o mais utilizado. Segundo a classificação TNM: ➔ T: Tumor primário – tamanho/grau de invasão na parede intestinal. ➔ N: Linfonodos – Número e características dos linfonodos acometidos. ➔ M:Metástase à distância. Com a combinação dessas características é possível formar grupos de I a IV que classificam o estágio da doença. Escala TNM: T representa a profundidade de penetração do tumor, N, a presença de comprometimento de linfonodos, e M, a presença ou ausência de metástases a distância. As lesões superficiais que não envolvem os linfonodos regionais e não penetram a submucosa (T1) ou a muscular (T2) são denominadas doença em estágio I (T1-2N0M0); os tumores que penetram a muscular, mas não se disseminam para os linfonodos, são chamados de doença em estágio II (T3-4N0M0); o envolvimento de linfonodos regionais define a doença em estágio III (TXN1-2M0); e a disseminação metastática para locais como fígado, pulmões ou ossos indica doença em estágio IV (TXNXM1). Não é possível determinar com precisão o estágio da doença antes da ressecção cirúrgica e do estudo histopatológico das peças cirúrgicas, exceto nos casos em que há doença metastática evidente. Investigação de eventuais metástases intra-abdominais e pélvicas deve ser feita por meio de exame ultra-sonográfico (US) e/ou por tomografia computadorizada (TC), à critério clínico. Sistemade Dukes (modificado por Astler-Coller): ➔ A: limitado à submucosa, sem linfonodo acometido. ➔ B1: limitado à muscular própria, sem linfonodo acometido. ➔ B2: limitado à subserosa, sem linfonodo acometido. ➔ B3: invasão de órgãos adjacentes, sem linfonodo acometido. ➔ C1: corresponde ao estágio B1, mas com acometimento de linfonodos regionais. ➔ C2: B2 + linfonodos regionais acometidos. ➔ C3: B3 + linfonodos regionais acometidos. ➔ D:metástases à distância. Excluindo os estágios das pontas (A e D), se não houver linfonodo acometido, estágio B; já se positivo para acometimento linfonodal, estágio C. Prognóstico: A maioria das recidivas após a ressecção cirúrgica de um tumor do intestino grosso ocorre nos primeiros 4 anos, o que torna a sobrevida após 5 anos um indicador bastante confiável de cura. A probabilidade de sobrevida em 5 anos dos pacientes está associada ao estadiamento do tumor e melhorou durante as últimas décadas, quando foram comparados estágios cirúrgicos semelhantes. A explicação mais plausível para essa melhora é um estadiamento cirúrgico e patológico mais cuidadoso. Em especial, uma maior atenção aos detalhes patológicos revelou que o prognóstico após a ressecção de câncer colorretal não está associado apenas à presença ou à ausência de comprometimento de linfonodos regionais; em vez disso, o prognóstico pode ser mais preciso quando associado ao número de linfonodos comprometidos (1-3 linfonodos [“N1”] vs. 4 ou mais linfonodos [“N2”]) e ao número de nódulos examinados. Um mínimo de 12 amostras de linfonodos é considerado necessário para definir com acurácia o estágio do tumor, e quanto maior o número de linfonodos examinados, melhor. Outros fatores que indicam um prognóstico ruim após a ressecção cirúrgica total são a penetração do tumor através da parede intestinal até a gordura pericólica, a histologia pouco diferenciada, a perfuração e/ou a aderência do tumor aos órgãos adjacentes (que aumenta o risco de recidiva anatomicamente adjacente), bem como a invasão venosa pelo tumor. Os tumores que surgem no cólon esquerdo estão associados a um melhor prognóstico do que aqueles que se desenvolvem cólon direito, provavelmente devido a diferenças nos padrões moleculares.Diferentemente da maioria dos outros tumores, o prognóstico do câncer colorretal não depende do tamanho da lesão primária, quando ajustado para o comprometimento linfonodal e a diferenciação histológica. Cirurgia - peça mais linfonodos (12) Seguimento pós operatório: T4 - Terapia adjuvante - CEA - Colonoscopia - Tomografia Depois de um tempo CEA aumentado - pet scan CEA - pré operatório para ter um parâmetro para fazer novo exame depois do tratamento (valor de acompanhamento). 6. Caracterizar os tratamentos realizados para esses tumores: O tratamento do câncer colorretal depende do tamanho, localização, extensão do tumor e saúde geral do paciente. Atualmente existem várias modalidades terapêuticas para tratamento do câncer colorretal como cirurgia (curativa ou paliativa), quimioterapia, e radioterapia, que podem ser usadas isoladas ou associadas. ❖ Cirurgia: A cirurgia consiste na retirada do tumor juntamente com a parte do cólon ou reto e os linfonodos adjacentes. A maioria dos casos consegue-se interligar novamente as porções sadias do cólon ou reto. Em todos os tumores da porção baixa do reto muitas vezes é necessário a realização de uma colostomia temporária ou permanente. As principais cirurgias realizadas no tratamento do câncer colorretal são a amputação abdominoperineal do reto (Miles), retossigmoidectomia ou ressecção anterior do reto, ressecção local por via transanal, por acesso transsacral (Kraske) ou interesfinctérico (YorkMason), e as ressecções ampliadas. Outro procedimento cirúrgico importante no tratamento do câncer colorretal é a colostomia, um procedimento de exteriorização do cólon na parede abdominal, criando um novo trajeto para saída do material fecal. Após a realização da colostomia, o paciente utiliza uma bolsa especial para a coleta do material fecal. Alguns pacientes necessitam de colostomia temporária para permitir a cicatrização da anastomose após a realização da cirurgia, sendo que 10% a 20% dos pacientes com câncer colorretal necessitam de colostomia permanente. O tratamento cirúrgico considera-se curativo quando este promove a remoção completa do tumor primário, órgãos e estruturas localmente comprometidas com metástases identificadas. É então considerado paliativo quando tem por finalidade aliviar e reduzir os sintomas em pacientes que não tenham condições de cura por ressecção (metástases irressecáveis à distância ou localmente disseminadas e invasão de estruturas vitais). ❖ Câncer de cólon: O tratamento padrão para o câncer de cólon localizado envolve a ressecção cirúrgica por via aberta do tumor primário e linfonodos regionais. A cirurgia por via laparoscópica em casos selecionados enseja a mesma taxa de sucesso terapêutico que a cirurgia por via convencional, havendo benefícios (redução mediana de 1 dia na permanência hospitalar e menor uso de analgésicos) e riscos associados ao procedimento (necessidade de conversão para cirurgia aberta em 1 a cada 5 casos). A ressecção cirúrgica padrão deve visar margem distal livre de infiltração neoplásica, quando houver na peça operatória um limite de ressecção superior a 1,5 a 2,0 cm, com ressecção de no mínimo 15 linfonodos. A realização concomitante da ooforectomia pode ser reservada apenas para doentes menopausados. Havendo suspeita de comprometimento de órgãos ou estruturas vizinhas à lesão, deve-se visar à ressecção completa emmonobloco. ❖ Câncer de reto: O tratamento padrão para o câncer do reto é a ressecção cirúrgica do tumor primário. Excetuando-se lesões T1, passíveis de excisão local em casos selecionados, a cirurgia requer a excisão total do mesorreto. A via de acesso laparoscópica permite a cirurgia com resultados oncológicos equiparáveis à via aberta. Mesmo após cirurgia ótima, a taxa de recorrência local nesta doença justifica a realização de tratamento multidisciplinar para os doentes com doença no estágio II e III. A quimiorradioterapia complementar pode ser administrada antes da cirurgia (neoadjuvante) para doentes com a doença classificada como em T3/T4 ou N1, ou após o procedimento cirúrgico (adjuvante) para doentes com doença em estágio II ou III. ❖ Quimioterapia: É um tipo de tratamento em que se utilizammedicamentos para combater o câncer. Estes medicamentos se misturam com o sangue e são levados a todas as partes do corpo, destruindo as células doentes que estão formando o tumor e impedindo, também, que se espalhem. A quimioterapia é um tratamento adjuvante com pequeno efeito sobre a sobrevida, mas que reduz o risco de recidiva do tumor. O tratamento dos pacientes é feito à base de 5-fluorouracil e ácido folínico durante seis meses, sendo administrado durante cinco dias consecutivos, com intervalos de 21 dias, totalizando seis ciclos do tratamento. Os efeitos adversos mais comuns são alterações gastrointestinais e alterações hematológicas. A quimioterapia adjuvante está indicada para doentes com câncer colorretal no estágio III e, excepcionalmente, no estágio II, a critério médico. Empregam-se esquemas terapêuticos, quimioterápicos, baseados em fluoropirimidina (5-fluorouracila ou capecitabina – para casos em estágio II), associada ou não a oxaliplatina (para casos em estágio III). O início do tratamento adjuvante deve ocorrer entre 4 e 6 semanas após a cirurgia. A quimioterapia prévia (pré-operatória) está indicada para doentes com câncer de reto no estágio II ou III, associada à radioterapia. Empregam-se esquemas terapêuticos baseados em fluoropirimidina. A quimioterapia paliativa está indicada para doentes com câncer colorretal recidivado inoperável ou com doença no estágio IV ao diagnóstico, a critério médico. Empregam-se esquemas terapêuticos baseados em fluoropirimidina, associada ou não a oxaliplatina, irinotecano, mitomicina C, bevacizumabe, cetuximabe ou panitumumabe, observando-se características clínicas do doente e condutas adotadas no hospital. Em doentes com metástases hepáticas ressecáveis (número limitado de lesões, localização intra hepática, ausência de envolvimento vascular, ausência ou mínima doença metastática extra-hepática, reserva funcional hepática adequada), a ressecção completa da doença hepática pode resultar em taxas de sobrevida em 5 anos de 25% a 40%. Doentes com metástases hepáticas irressecáveis e ausência ou mínima doença metastática extra-hepática podem se beneficiar de quimioterapia paliativa sistêmica baseada em fluoropirimidina, contendo ou não oxaliplatina ou irinotecano, com objetivo de reduzir o volume tumoral e permitir a ressecção cirúrgica. A quimioterapia intra-arterial pode promover redução do risco de metástase hepática e maior sobrevida, enquanto no tratamento paliativo de metástases hepáticas promove maior taxa de resposta e retarda a progressão da doença, mas há dúvidas se isoladamente oferece benefício adicional à quimioterapia sistêmica. Muitos esquemas de quimioterapia sistêmica podem ser usados com finalidade paliativa, contendo medicamentos tais como 5-fluorouracil, capecitabina, irinotecano, oxaliplatina, raltitrexede, bevacizumabe e cetuximabe, em monoterapia ou em associação, por até três linhas de tratamento. A seleção do tratamento deve considerar as características fisiológicas e capacidade funcional individuais, perfil de toxicidade, preferências do doente e protocolos terapêuticos institucionais. ❖ Radioterapia: A radioterapia envolve o uso de raios-x de alta energia para destruir as células cancerosas. De acordo com a localização do tumor, a radioterapia pode ser feita de duas formas: Tanto a radioterapia como a quimioterapia podem ser usadas antes da operação (terapia neoadjuvante) para redução da massa tumoral e assim facilitar a retirada cirúrgica do tumor; ou após a cirurgia (terapia adjuvante), para destruir células cancerosas que tenham permanecido na área tratada. A decisão quanto à indicação da radioterapia adjuvante para doentes com câncer de reto no estágio I deve considerar a extensão da neoplasia e o grau de diferenciação histológica do tumor: tumor bem diferenciado (Grau I), restrito à submucosa,não necessita tratamento complementar; tumor moderadamente diferenciado (Grau II) ou que atinge a muscular própria se beneficia de radioterapia adjuvante; tumor indiferenciado (Grau III) ou que atinge gordura perirretal ou que apresenta invasão vascular é de indicação de quimioradioterapia. A radioterapia é recomendada como parte do tratamento para doentes com câncer retal em estágio II ou III - uma vez que ela reduz a probabilidade de 20 a 25% de recidiva regional após ressecção cirúrgica completa de tumores nos estágios II ou III, principalmente se tiverem penetrado através da serosa - consistindo na irradiação pélvica (45Gy a 55Gy) associada à quimioterapia com fluoropirimidina, ou na irradiação exclusiva abreviada (25Gy em cinco frações). O tratamento combinado não promove ganho de sobrevida ou maiores taxas de resposta patológica e de preservação do esfíncter do que a radioterapia abreviada. A RADIOTERAPIA SÓ É REALIZADO SOMENTE EM CÂNCER RETAL. Monitorização do tratamento: Avaliação da resposta terapêutica: A avaliação da resposta ao tratamento antineoplásico sistêmico deve ser feita pelos critérios RECIST, sempre que aplicáveis: - RC (resposta completa) = desaparecimento das lesões-alvo; - RP (resposta parcial) = redução de pelo menos 30% na soma do maior diâmetro das lesões-alvo; - PD (progressão de doença) = aumento de 20% ou mais na soma do maior diâmetro das lesões alvo; - DE (doença estável) = pequenas alterações que não cumprem os critérios acima. Acompanhamento pós tratamento: O objetivo do seguimento de doentes com câncer colorretal tratado com intenção curativa (estádio I, II ou III) é diagnosticar precocemente a recorrência da doença, o aparecimento de lesões pré-malignas ou de segunda neoplasia colorretal em momento oportuno para tratamento. Neste sentido, recomenda-se: - Consultas médicas regulares, a cada 3-6 meses, nos primeiros três anos após o tratamento; a cada 6 meses até o quinto ano; e segundo indicação médica após este período; - Dosagem sérica do CEA, a cada três meses nos primeiros três anos após o término do tratamento, para doentes tratados no estágio II ou III; - Tomografia computadorizada do tórax e do abdome anual nos primeiros três anos; tomografia da pelve é recomendada para doentes com câncer retal que não receberam radioterapia; - Colonoscopia, a se realizar pelo menos um ano após a cirurgia; se normal, repetir a intervalos de 5 anos; se anormal, repetir em um ano. Doentes commaior risco para síndromes hereditárias associadas ao câncer colorretal necessitam periodicidade mais frequente deste exame; - Retossigmoidoscopia flexível, anual por cinco anos, indicada para doentes com câncer de reto no estádio II e III; doentes que não receberam irradiação pélvica necessitam ser avaliados semestralmente por cinco anos. Os exames a seguir não devem ser indicados no seguimento de doentes com câncer colorretal: hemograma e testes de função hepática; teste de sangue oculto nas fezes; radiografia de tórax; e PET-CT. 7. Caracterizar os principais sítiosmetastáticos dos tumores colorretais: Disseminação do CCR é através da via linfática, hematogênica, por contiguidade e continuidade. Pela via hematogênica os principais órgãos acometidos são fígado, pulmão, cérebro e ossos. O sítio mais comum de metástases do carcinoma colorretal é o fígado, sendo acometido em até 75% dos pacientes que desenvolvem alguma metástase desta afecção. Em 15 a 25% dos pacientes, detectam-se metástases hepáticas já ao diagnóstico do tumor primário, as quais são denominadas sincrônicas. Além disso, 12 a 40% dos pacientes desenvolvem doença metastática hepática após a ressecção do tumor primário, chamada de metacrônica, a maioria nos primeiros três anos de evolução da doença. Desta forma, cerca de metade dos pacientes portadores de CCr têm ou terão metástase hepática durante a vida, sendo que 20 a 50% destes apresentarão doença metastática somente no fígado. Pode infiltrar na camada submucosa do cólon e invadir a cadeia linfática. Invasão para outras camadas da parede intestinal, atingindo por contiguidade estruturas vizinhas (como vasos colônicos). Células neoplásicas podem se soltar da luz intestinal e se implantar na cavidade abdominal, formando carcinomatose abdominal generalizada. Caso chegue à veia porta pode ocorrer metástase hepática, veias pulmonares e vertebrais nos pulmões e cérebro. Devido à drenagem pela cava no cólon médio ou inferior, pulmões podem ser acometidos. Disseminação linfática é a mais comum, sendo que linfonodos comprometidos são removidos nos procedimentos cirúrgicos. 8. Discutir as possíveis complicações do tratamento quimioterápico, comomucosite, neutropenia febril e síndrome da lise tumoral: NEUTROPENIA: A neutropenia é uma manifestação comum de defeitos da medula óssea associados com a redução de eritrócitos e plaquetas, tendo como possíveis causas a anemia aplástica, leucemia, mielodisplasia, anemia megaloblástica e tratamentos quimioterápicos, dentre outras. Estima-se que 10-50% dos pacientes com tumores sólidos, e >80 % dos portadores de neoplasias hematológicas, desenvolverão febre em pelo menos um episódio de neutropenia ao longo do tratamento quimioterápico. Neutropenia febril: Segundo os guidelines atuais, neutropenia é uma contagem de neutrófilos <500cél/microL ou <1.000cél/microL com previsão de queda para menos de 500cél/microL nas próximas 48h. O paciente neutropênico recebe o diagnóstico de neutropenia febril quando sua temperatura oral for 38.3°C(medida única) ou ≥38°C por mais de 1h. Como a temperatura oral é 3 a 4 décimos maior do que axilar, podemos aceitar como limiar de febre uma temperatura axilar >37,8ºC para o diagnóstico. A neutropenia induzida por quimioterapia é a toxicidade hematológica mais séria e se caracteriza pela redução dos glóbulos brancos na corrente sanguínea, com uma contagem abaixo de 1,5 x109/L1. A ocorrência dessa toxicidade varia de 16% a 81% entre os pacientes que recebem algum tratamento quimioterápico. É descrita como um dos principais eventos adversos da quimioterapia antineoplásica e é a toxicidade que mais interfere na continuidade do tratamento. A neutropenia, quando associada à febre, é uma complicação potencialmente fatal, remetendo a mais cuidados e gastos com a saúde, em razão da grande taxa de hospitalização desses pacientes. Dessa forma, a ocorrência da neutropenia está associada a um aumento da mortalidade, morbidade, custos do tratamento, reduções de doses ou extensão dos intervalos de dosagens, afetando diretamente o tratamento oncológico e a sua eficácia. A neutropenia é classificada em cinco graus: grau I - 3x109 células/L; grau II - 2 a 3x109 células/L; grau III - 1 a 2 x109 células/L; grau IV - <1x109 células/L; e grau V - que indica óbito ao paciente submetido ao tratamento. Por ser um evento adverso frequente e importante para o desfecho do tratamento, existem algumas estratégias que podem ser realizadas para o controle da neutropenia na prática clínica. Estas consistem na redução de dose dos quimioterápicos, adiamento de aplicação de novos ciclos e uso de fatores estimulantes de colônias. Entretanto, essas estratégias podem interferir na qualidade final da terapia, reduzindo sua eficácia, principalmente nos casos de redução de dose e adiamento de novos ciclos. Em virtude do elevado risco de infecções graves, a baixa contagem de neutrófilos afeta diretamente a qualidade de vida dos pacientes oncológicos, que são instruídos a seguirem regras rigorosas durante o tratamento, como evitar multidões e não comer alimentos crus ou mal lavados. Patogenia: Fatores relacionados com a patogénese de NF incluem: - Efeito direto de quimioterapia no sistema imunológico e nas barreiras mucosas. - Falhas nas defesas do doente em relação com a doença oncológica subjacente. Sendo as mucosas do sistema gastrointestinal constituídas por epitélio em constante proliferação, são também das mais afetadas por terapêutica citotóxica antineoplásica. A mucosite induzida por quimioterapia ocorrepor todo o sistema gastrointestinal e a proliferação associada da flora endógena pela corrente sanguínea já foi proposta como um mecanismo frequente no desenvolvimento de episódios de NF. Obstrução de linfáticos, vias biliares, árvore brônquica, sistema urinário ou gastrointestinal pelo(s) tumor(es) ou secundária a procedimentos cirúrgicos são também causas comuns de infecção. Os defeitos imunológicos relacionados com os distúrbios hematológicos induzidos, associados aos efeitos imunossupressores da quimioterapia, também contribuem para colocar o doente em maior risco de infeção. A administração de quimioterapia não só contribui para a diminuição do número de neutrófilos como provoca defeitos funcionais nas células, nomeadamente defeitos de fagocitose. O risco de diferentes tipos específicos de infecção é influenciado pela neoplasia subjacente e pelos déficits imunológicos associados à defesa humoral ou celular. O risco de sepsis a organismos encapsulados (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Neisseria meningitidis, Capnocytophaga canimorsus e Babesia) é maior em doentes com produção anormal de anticorpos – mieloma múltiplo ou leucemia linfocítica crónica, por exemplo. Defeitos na função de células T (por exemplo, em linfomas) levam a um maior risco de infecção por organismos intracelulares (Listeria monocytogenes, Salmonella, Cryptococcus neoformans, e Mycobacterium tuberculosis). Doentes sob corticoterapia sistémica em altas doses ou com leucemia linfoblástica aguda encontram-se emmaior risco de desenvolver pneumonia a Pneumocystis jirovecii. Estratificação de Risco: Atualmente, se recomenda que o primeiro passo na abordagem do neutropênico febril seja a estratificação de risco. Esta pode ser feita por um método puramente clínico ou por um escore de risco MASCC, especificamente projetado e validado para tal. Alto Risco: QUALQUER UM dos critérios abaixo. Tais indivíduos devem ser internados no hospital para tratamento IV. 1. Expectativa de neutropenia por mais de 7 dias; 2. Disfunções orgânicas crônicas, DPOC, IRC, cirrose hepática, etc; 3. Alterações agudas da homeostase; 4. Sintomas gastrointestinais compatíveis commucosite intensa; 5. Sinais de infecção em cateter venoso profundo; Baixo risco: deve preencher TODOS os requisitos listados abaixo. Tais indivíduos podem ser manejados com tratamento VO ou IV. 1. Expectativa de neutropenia inferior a 7 dias; 2. Ausência de todos os critérios listados no Alto Risco. Joelma, 60 anos, iniciou há 20 dias com uma massa cervical, diagnosticada como linfoma difuso de grandes células B, iniciou quimioterapia, após 10 dias da quimioterapia, a paciente iniciou com quadro de febre, tosse produtiva e calafrios, procurou a emergência. Diagnosticada com neutropenia febril, sendo a definição desta: * 38oC e < 500 neutrófilos MUCOSITE: A mucosite é uma inflamação da parte interna da boca e da garganta que pode levar a úlceras dolorosas e feridas nessas regiões. Ocorre em até 40% das pessoas que recebem quimioterapia. É comum que ela apareça em pacientes em tratamento oncológico, pois as células dessas mucosas são semelhantes às cancerígenas. Como ambos os tipos de células se dividem em alta velocidade, o tratamento oncológico não consegue diferenciar as saudáveis das doentes e afeta as duas. Causas - Alguns tipos de quimioterapia. - Queda do sistema imunológico, pela quimioterapia. - Radioterapia da região da cabeça e pescoço. - Transplante de medula óssea. A irritação e a inflamação das membranas mucosas, que afligem, em particular, as mucosas oral e anal, mas que apresentam o potencial de acometer todo o trato gastrintestinal, podem acompanhar a quimioterapia citotóxica. A mucosite deve-se ao dano das células em proliferação na base do epitélio mucoso escamoso ou nas criptas intestinais. Clinicamente, a mucosite varia de lesões eritematosas pouco sintomáticas a quadros severos de ulceração e dor, que pode levar à modificação do tratamento antineoplásico ou até à necessidade da interrupção do mesmo, promovendo, assim, uma redução da qualidade de vida e/ou a sobrevida do paciente. Sabe-se que a mucosite é uma complicação especialmente comum em pacientes que recebem quimioterapia mieloblástica agressiva como, por exemplo, durante o condicionamento para transplante de medula óssea (TMO) e em pacientes que recebem terapia com radiação para cânceres de cavidade bucal, orofaringe, nasofaringe e de glândulas salivares. Pacientes com neoplasias hematológicas, como a doença de Hodgkin, têmmais propensão a desenvolver mucosite que os pacientes com tumores sólidos, talvez porque essas doenças atingem mais pacientes jovens e pelas drogas utilizadas, geralmente mucosite-indutoras. A incidência de mucosite em crianças e pacientes jovens é maior do que em pacientes idosos, mesmo quando submetidos a regimes de tratamento com quimioterápicos semelhantes e para o mesmo tipo de neoplasia, provavelmente devido ao maior índice mitótico do epitélio dos mesmos. As manifestações clínicas da mucosite variam de formas leves a severas, mas representam um espectro da mesma doença. Em sua forma leve, apresenta-se como lesão atrófica, eritematosa, na qual a mucosa permanece intacta. Nesses casos, o paciente pode ter sensibilidade, como a observada nos casos de queimadura por alimentos quentes, e pode ser facilmente tratado. Em contrapartida, pacientes com formasmais severas de mucosite desenvolvem ulcerações que penetram profundamente na submucosa e causam dor severa, o que rotineiramente exige uso de analgésicos potentes. Nesses quadros, observam-se exacerbação da dor nos momentos de higienização e respiração bucal do paciente. Pacientes com mucosite bucal severa têm significativamente mais chances de perder peso, pois possuem maiores dificuldades para deglutição e, muitas vezes, necessitam de gastrostomia para se alimentar. O sistema de graduação mais utilizado atualmente é o da Organização Mundial da Saúde (OMS) no qual se levam em consideração critérios objetivos e subjetivos, que consideram o estado geral físico e nutricional do paciente bem como a inspeção da cavidade bucal. Segundo esse órgão, a mucosite varia do grau 0 ao 4 da seguinte forma: • inexistência de alterações da mucosa; • inflamação e eritema; • eritema e úlceras (paciente consegue ingerir sólidos); • ulceração (ingestão apenas de líquidos) e • impossível a alimentação bucal; Tendo em vista que a boca possui uma ampla variedade de microorganismos, a perda da integridade epitelial, como ocorre em alguns casos de mucosite (graus 3 e 4), aumenta marcadamente o risco de bacteremia, fungemia e sepse. Terapias tópicas, incluindo os anestésicos e as preparações que criam barreiras, podem proporcionar alívio sintomático nos casos leves. A palifermina ou fator de crescimento dos queratinócitos, um membro da família dos fatores de crescimento dos fibroblastos, é efetiva na prevenção da mucosite grave no contexto da quimioterapia em altas doses com transplante de células-tronco para neoplasias hematológicas. Também pode prevenir ou melhorar a mucosite decorrente da irradiação. Prevenção Até o presente momento, não existe terapia capaz de prevenir completamente a mucosite oral. Algumas alternativas terapêuticas promovem a redução do quadro clínico e/ou da sintomatologia dolorosa em decorrência dessa condição. Bons hábitos de higiene oral associados a uma condição dentária satisfatória podem reduzir o risco e a gravidade da mucosite oral. Adicionalmente, qualquer fator irritante, tais como próteses mal adaptadas ou aparelhos ortodônticos devem ser ajustados ou removidos durante o tratamento antineoplásico. O uso de protocolos de higiene bucal deve ser utilizado em todas as modalidades de tratamento do câncer. Esses protocolos normalmente incluem a combinação de escovação, o uso do fio dental e bochecho com enxaguatório bucal uma vez ao dia para manter uma higiene oral satisfatória. A crioterapia é uma técnica terapêutica eficaz para a prevenção da mucosite oral. Recomenda-se a crioterapia na cavidadeoral, 30 minutos antes de iniciar o tratamento quimioterápico e em pacientes submetidos ao regime de condicionamento de transplante de células-tronco. Apesar do uso de anestésico tópico ser muito comum em pacientes com mucosite oral, o seu benefício é transitório no alívio da sintomatologia dolorosa dessa condição, sendo necessária a administração de analgesia sistêmica. Os analgésicos sistêmicos, principalmente os opioides, são amplamente utilizados para o controle da dor em pacientes com mucosite oral severa, devido a sua alta capacidade na redução da sensação dolorosa aguda. Em função dos efeitos secundários associados com a utilização de opióides sistêmicos, tem havido um crescente interesse na utilização desses agentes por via tópica na cavidade oral, em soluções com 2% de morfina. Agentes naturais apresentam poucos estudos na literatura. Atualmente, sugere-se o uso do zinco em pacientes com câncer na cavidade oral. As complicações quimioterápicas são frequentes e com elevado potencial de morbi-mortalidade, portanto, devemos estar atentos para prevenir e diagnosticar precocemente. Sendo assim, defina o que é mucosite, quais são os graus e como podemos prevenir e tratar? * Mucosite - Pode acometer todo o trato gastrointestinal (TGI), da cavidade oral ao ânus, e se apresenta clinicamente com lesões atróficas e avermelhadas que podem evoluir para úlceras hemorrágicas. A depender do grau de agressividade dessas lesões, o tratamento antineoplásico (de combate ao câncer) pode ficar comprometido e, muitas vezes, faz-se necessário o uso frequente de analgésicos, internação hospitalar ou até mesmo a interrupção do tratamento. Clinicamente, a mucosite varia de lesões eritematosas pouco sintomáticas a quadros severos de ulceração e dor. Tendo em vista que a boca possui uma ampla variedade de microorganismos, a perda da integridade epitelial, como ocorre em alguns casos de mucosite (graus 3 e 4), aumenta marcadamente o risco de bacteremia, fungemia e sepse. Graus 0 - mucosa normal 1 - dor, com ou sem eritema. sem ulceração. paciente se alimenta com dieta sólida 2- Presença de ulceração e eritema, porém ainda se alimenta com dieta sólida 3- Ulceração e eritema. já não se alimenta com dieta sólida 4- Ulceração e impossibilidade de se alimentar. Prevenção Existem formas de prevenir ou reduzir a intensidade da mucosite. Entre elas, estão a prática de higiene oral, os bochechos com colutórios adequados, a lubrificação labial, a nutrição adequada, o controle da xerostomia, a crioterapia, a utilização de laser de baixa potência e a suspensão de substâncias e alimentos irritantes para a mucosa, como o tabaco. A crioterapia oral, que consiste na sucção de lascas de gelo antes e durante cada quimioterapia, pode reduzir a ocorrência da mucosite. Tratamento Em geral, o tratamento da mucosite é realizado com a prescrição de analgésicos e anestésicos locais, medicamentos alcalinizantes como hidróxido de alumínio, bicarbonato de sódio. Quando há alguma infecção associada, é recomendado o uso de antifúngicos e antivirais. SÍNDROME DA LISE TUMORAL: Lise maciça de células tumorais com consequente extravasamento de seu conteúdo na circulação. A síndrome de lise tumoral (SLT) é uma complicação temível que pode ocorrer espontaneamente ou como consequência do início da quimioterapia para câncer. Esta síndrome é caracterizada por uma maciça destruição de células malignas e a liberação de seu conteúdo no espaço extracelular. Portanto, SLT pode levar ao desenvolvimento de uma lesão renal aguda, que por sua vez, pode causar alta morbidade e mortalidade. A associação entre SLT e lesão renal aguda pode aumentar os níveis de potássio e fósforo levando possivelmente à arritmia cardíaca e morte súbita. O distúrbio metabólico (hipercalemia, hiperfosfatemia, hiperuricemia e hipercalemia) permite diagnosticar a SLT biológica, enquanto as manifestações clínicas (manifestações cardíacas, renais ou neurológicas) de SLT em um quadro de SLT biológica, levam ao diagnóstico de SLT clínica. A destruição maciça de células irá levar a uma rápida liberação de ânions, cátions e produtos metabólicos de proteínas e de ácidos nucléicos intracelulares, para a corrente sanguínea. A lesão renal aguda (LRA) pode se desenvolver, o mecanismo mais comum sendo a formação de cristais de ácido úrico nos túbulos renais, subsequente à hiperuricemia. Uma outra causa pode ser a deposição de fosfatos de cálcio relacionada à hiperfosfatemia. Considerando que a LRA leva a um novo aumento nos metabólitos acima descritos, será destarte iniciado um círculo vicioso. Diversos sintomas podem surgir em consequência da SLT, sendo a lesão renal aguda o mais comum. A lesão renal aguda pode levar a uma sobrecarga de líquido e a edema pulmonar; a hipercalemia e hiperfosfatemia, intensificadas por insuficiência renal, podem induzir arritmia cardíaca e morte súbita. Finalmente, anomalias de cálcio e fosfatos não frequentemente podem levar a câimbras musculares ou a convulsões. Apesar de até um terço dos pacientes com SLT poderem apresentar lesão renal aguda, manifestações cardíacas ou neurológicas continuam raras. As manifestações são mais frequentes entre 48 a 72 horas após o início do tratamento da neoplasia. Ácido úrico: Células malignas contém uma pesada carga de produtos de ácido nucléico por causa de sua alta atividade celular e duplicação. A liberação no espaço intracelular de purinas dos ácidos nucléicos e sua subseqüente transformação em ácido úrico levarão à hiperuricemia. Hiperfosfatemia e hipocalcemia: A morte celular libera material dos núcleos inclusive nucleotídios e fosfatos. Células malignas podem conter até quatro vezes o fósforo intracelular contido em um linfócito maduro. Esta grande carga pode saturar a capacidade renal de excretar fosfatos e pode levar à precipitação de cristais de fosfatos de cálcio, nefrocalcinose, obstrução urinária e depósitos em tecidos. A deposição de cristais de fosfatos de cálcio poderia causar hipocalcemia, raramente sintomática. Hipercalemia: A alta carga de potássio liberada como conseqüência da destruição celular pode superar a capacidade excretora dos rins e levar à hipercalemia. Acidose: foi recentemente demonstrado que a acidose lática pode ser causada por perda do potencial da membrana mitocondrial durante a apoptose. Portanto, a apoptose maciça de uma massa tumoral, durante a quimioterapia para câncer pode levar a uma acidose lática e pode ser um evento patológico da síndrome de lise tumoral. Diagnóstico: Cairo Bishop Laboratorial: - >ou = 2 alterações laboratoriais compatíveis entre 3 a 7 dias após tratamento quimioterápico. Clínico: - laboratorial + lesão renal e/ou arritmia/convulsão. Quadro clínico: K+ - arritmia ou morte súbita DNA - xantina - ácido úrico - Urato - rins PO4-3 - fosfato cálcio - rins = IRA, nefrocalcinose Diminuição de Ca+2 - Cérebro = convulsões, tetania e irritabilidade muscular. Oque pode influenciar: - Volume tumoral - Sensibilidade ao tratamento citotóxico - Taxa de proliferação celular **Hidratação - estimular a diurese A síndrome de lise tumoral é caracterizada pela destruição maciça de células malignas. Embora possa ocorrer de modo espontâneo, a síndrome de lise tumoral geralmente acontece após o início do tratamento quimioterápico. Uma vez liberados, estes metabólitos podem subjugar os mecanismos homeostáticos, como depositando-se no rim e levando a insuficiência renal aguda. Sendo assim, a principal característica de Síndrome de lise tumoral é: * Hiperuricemia, hipercalemia, hipocalcemia, hiperfosfatemia. 9. Discutir acerca das implicações psicológicas da adaptação a colostomia. Marta, 28 anos, dois filhos, portadora há 13 anos de colite indeterminada, com inúmeras internações e pareceres de vários especialistas. A doença tem padrão crônico-ativo e determinou nos últimos anos severo acometimento anorretal com fistulizações perianais e vaginal. A medicação com imunobiológicos e imunossupressores não teve êxito na remissão. O intestino delgado estudado por exames deenterorressonância e cápsula endoscópica eram normais, sendo que a proctocolectomia total com ileostomia definitiva foi indicado inclusive com possibilidade de cura da doença. Explique a paciente sobre o procedimento de ileostomia definitiva, os cuidados, as implicações e adaptações físicas e psicológicas: *A ileostomia é a exteriorização da parte final do intestino delgado através da pele do abdome. As fezes eliminadas pela ileostomia são mais líquidas do que aquelas que são eliminadas pela colostomia, e ambas são coletadas em uma bolsa plástica adaptada à pele chamada de equipamento coletor. É uma abertura (estoma) criada cirurgicamente para desviar o fluxo do intestino delgado. Dessa forma, as fezes percorrem um novo caminho e passam a ser armazenadas por uma bolsa coletora, que fica acoplada à parte externa do abdômen. Ensino pré operatório e pós operatório - demarcação da ostomia, ensino do autocuidado - paciente e para sua família. Encaminhamento ao Programa de Assistência aos Ostomizados do Sistema Único de Saúde (SUS). Defina o sufixo "ostomia"? *A palavra estoma é um termo técnico de origem grega (stóma) que significa: abertura; boca; orifício ou poro diminuto. O termo Ostomia tem o mesmo significado. É um procedimento cirúrgico realizado para a construção de um trajeto entre um órgão oco e o meio exterior. "Exteriorização do sistema digestório, respiratório e urinário (colostomia, ileostomia, urostomia) cuja situação lhe torne de forma provisória ou definitiva em uma condição especial. Explique as políticas públicas destinadas aos "ostomizados". * Em 2007 - foi declarado dia 16/11 o dia nacional do ostomizado. * 2009 - Serviços de atenção à saúde das pessoas ostomizadas - no âmbito do SUS. * Lei 12. 738 de 30 de novembro de 2012 - obrigatório o fornecimento de bolsas de colostomia, ileostomia. *Os ostomizados têm direito a atendimento prioritário em órgãos da administração pública, empresas prestadoras de serviços públicos, instituições financeiras, embarque e desembarque em aeronaves e julgamento de processos. O aumento da prevalência do Câncer de Colorretal (CCR), juntamente com as Doenças Intestinais Inflamatórias (DII), acarreta a necessidade de estabelecer abordagens que integrem os aspectos psicológicos às demais dimensões do cuidado em saúde dessa população, em decorrência de tais patologias. Como modalidade de tratamento, tanto para CCR quanto para DII, é indicada a intervenção cirúrgica, que pode resultar na necessidade de confecção de estomia intestinal. Esse procedimento consiste no desvio temporário ou definitivo do efluente colônico, sendo a porção exteriorizada o íleo (ileostomia) ou cólon (colostomia). Como resultado dessa cirurgia, faz-se necessário o uso de equipamento coletor de fezes. Sua indicação ocorre na maioria dos pacientes atendidos pela especialidade de Coloproctologia em consequência de patologias crônicas como doença de Chagas, doença de Crohn, câncer, dentre outras. O paciente colostomizado, ao se deparar com o estoma no pós-operatório, passa a lidar com esta nova realidade, quando são suscitados vários sentimentos, reações e comportamentos, diferentes e individuais. Os aspectos psicossociais certamente determinam o grau de suas respostas à situação de doença e à busca de ajuda ou negação desta situação. Isto está intrinsecamente aliada ao significado que o indivíduo atribui a sua doença. O paciente terá pela frente o desafio de adquirir habilidades para conviver com o corpo alterado e experimentará transição psicossocial. O uso do equipamento coletor está associado aos sentimentos negativos, como medo, angústia, tristeza e desamparo, que podem mobilizar vivências autodepreciativas, vinculados aos sentimentos de mutilação, perda da saúde e da autoestima, além da autoeficácia reduzida e senso de inutilidade e incapacitação crônica, entre outras emoções. Os pacientes estomizados vivenciam mudanças em suas vidas, principalmente as relacionadas à sua rede social (trabalho e lazer) e à sexualidade, que podem acentuar seus sentimentos de insegurança e temor de rejeição. A criação de um ânus artificial e incontinente na parede abdominal leva o ostomizado a uma alteração na imagem corporal, autoimagem e identidade ligados à lesão do próprio corpo e perda da habilidade em controlar a eliminação das fezes, além dos conflitos pela dissociação entre a imagem idealizada a real. Isso pode gerar sentimentos de agonia e inferioridade, redução da autoestima e desvalorização do autoconceito, insegurança e a crença da rejeição pelos outros indivíduos, como consequências para os planos afetivos, intelectual e social. Todos esses sentimentos sofrem influências e também passam a influir na personalidade do indivíduo. O corpo é uma dimensão muito importante devido à relação linear e direta com as interações sociais. Para a maioria dos ostomizados, o corpo perdeu a sua função. A participação em sua comunidade e família sofre acentuada redução. Restringe as saídas de casa ao que consideram "essencial", como ir ao médico, ou para resoluções de problemas urgentes. Devido aos possíveis desfechos psicológicos negativos e às questões emocionais decorrentes da estomia, é fundamental que o paciente receba assistência integral, com abordagem interdisciplinar e especializada das necessidades do paciente e de sua família, com vistas à plena recuperação física, emocional e social, rumo à reabilitação. Para tanto, é necessário prover o preparo do paciente, principalmente durante o perioperatório, no qual ele experimenta momentos de exacerbação da ansiedade e da angústia diante do desconhecido - a “estomia”. Esse preparo consiste no ensino pré-operatório, a demarcação da estomia e do ensino do autocuidado, tanto para o paciente quanto para sua família, no pós-operatório, assim como o encaminhamento ao Programa de Assistência aos Ostomizados do Sistema Único de Saúde (SUS). O programa assistencial é voltado para o oferecimento de suporte profissional especializado ao paciente fora do meio hospitalar, auxiliando-o na transição do cuidado hospitalar para o domiciliar. Diferentes estratégias são utilizadas para auxiliá-lo no desenvolvimento de habilidades para o autocuidado, bem como são fornecidos os materiais necessários. Por isso, é imperativo que a equipe interdisciplinar conheça as características socioculturais e clínicas dessa clientela para que, assim, possa realizar o planejamento adequado da assistência e da implementação de estratégias efetivas para essa abordagem. Essa situação implica em sofrimento, dor, deterioração do corpo ou da vida, incertezas quanto ao futuro, mitos relacionados a ele, medo da rejeição social, etc. A experiência do colostomizado vai se transformando ao longo do tempo. Logo nos primeiros dias de pós-operatório, este não consegue nem mesmo olhar para o estoma ou elaborar seus sentimentos ou reações para esta realidade. Com o decorrer do tempo, dependendo da evolução da sua doença e as possibilidades de adaptação encontradas, o colostomizado desenvolve estratégias de enfrentamento com as quais passa a lidar com os problemas ou modificações cotidianas ocorridas em função da ostomia. Assim, a pessoa necessita de um tempo pessoal para refletir e adaptar-se à sua condição de ostomizado, que pode levar dias, semanas ou meses. Mesmo quando os pacientes relatam situações de boa adaptação em relação ao uso das bolsas de colostomia, estes são desafiados pela possibilidade de ocorrência de complicações ou mesmo da recidiva da própria doença. Isto implica que a presença da ostomia passa a ter um significado secundário e perpassa por um discurso que nos dá a ideia aparente de aceitação. Devemos considerar que o cuidado envolve o relacionamento interpessoal, constituído de atitudes humanas, que não podem ser previsíveis ou preestabelecidas como uma função essencialmente técnica e são influenciadas por fatores inerentes aos indivíduos envolvidos. 10 -Descrever síndrome de Lynch A Síndrome de Lynch é decorrente de uma alteração genética que aumenta a predisposiçãode um indivíduo em apresentar câncer no intestino grosso (cólon e reto). Ela é responsável por cerca de 5% dos casos de câncer de intestino. Suspeita-se da síndrome de Lynch de acordo com a história e esta é confirmada por exame genético. Os pacientes também precisam de vigilância para outros cânceres, particularmente do endométrio e do ovário. O tratamento consiste em ressecção cirúrgica. A síndrome de Lynch é uma doença autossômica dominante em que pacientes com uma das várias mutações genéticas conhecidas que prejudicam o sistema de reparo de DNA têm risco ao longo da vida de 70 a 80% de desenvolvimento de câncer colorretal. Em comparação com formas esporádicas do câncer de colo, a síndrome de Lynch ocorre em uma idade mais jovem (entre os 40 anos) e é mais provável que a lesão seja proximal à flexura esplênica. A lesão precursora geralmente é um único adenoma de colo, diferentemente dos múltiplos adenomas presentes em pacientes com polipose adenomatosa familiar, a outra forma hereditária principal de CCR. No entanto, semelhante à polipose adenomatosa familiar, ocorrem inúmeras manifestações extra colônicas. As doenças não malignas incluem as manchas café-com-leite e os tumores de glândulas sebáceas. Pode ocorrer câncer de pele de baixo grau, queratoacantoma. Outros cânceres comuns associados incluem tumores endometriais e tumores ovarianos (39% de risco de câncer endometrial e 9% de risco de câncer ovariano aos 70 anos). Os pacientes também têm alto risco de outros tipos de câncer, como câncer de estômago, trato urinário, pâncreas, árvore biliar, vesícula biliar, intestino delgado e cérebro. Sinais e sintomas Os sinais e sintomas da síndrome de Lynch são semelhantes a outras formas de câncer colorretal, e o diagnóstico e tratamento do tumor propriamente dito são os mesmos. Diagnóstico História familiar detalhada Critérios clínicos seguidos de testes para instabilidade de microssatélites (IMS) ou com imuno-histoquímica (IHC) Exame genético para confirmação Confirma-se o diagnóstico específico da síndrome de Lynch por meio de exame genético. Mas é difícil decidir quem deve ser testado porque, contrariamente à polipose adenomatosa familiar, não há nenhuma aparência fenotípica. Assim, a suspeita da síndrome de Lynch requer uma história familiar detalhada, que deve ser obtido em todos os pacientes mais jovens identificados com câncer colorretal. Para atender aos critérios de Amsterdam II para a síndrome de Lynch, os três elementos históricos a seguir devem estar presentes: - Três ou mais parentes com CCR ou câncer associado à síndrome de Lynch - CCR envolvendo pelo menos duas gerações - Pelo menos um caso de CCR antes dos 50 anos Outros modelos de previsão (p. ex., modelo PREMM5) e outros critérios (p. ex., os critérios de Bethesda [ 1]) são utilizados por alguns profissionais de saúde. Deve-se testar o tecido tumoral dos pacientes que atendem a esses critérios para instabilidade microssatélite (IMS) ou com IHC para detectar proteínas responsáveis pelo defeito de reparo de DNA; no entanto, a maior parte dos laboratórios comerciais e de patologia hospitalar agora faz rotineiramente esse teste em todas as amostras de adenocarcinoma colorretal. As diretrizes da American Gastroenterological Association de 2015 recomendam que os tumores de todos os pacientes com CCR sejam testados com IHC ou com pesquisa de IMS. Se IMS ou IHC for positivo, indica-se exame genético para procurar mutações da síndrome de Lynch específicas. Pacientes com síndrome de Lynch devem ser submetidos a uma colonoscopia de vigilância a cada 1 a 2 anos. Pacientes com síndrome de Lynch confirmada requerem triagem contínua para outros tipos de câncer. Para o câncer endometrial, é recomendável aspiração endometrial ou ultrassonografia transvaginal anuais. Para o câncer de ovário, as opções incluem ultrassonografia transvaginal anual e dosagem anual dos níveis séricos de CA 125. A histerectomia e ooforectomia profiláticas também são opções. A urianálise pode ser utilizada para o monitoramento à procura de tumores renais. Parentes de primeiro grau dos pacientes com síndrome de Lynch devem fazer testes genéticos. Se nenhum teste genético foi feito, devem fazer colonoscopia a cada 1 a 2 anos a partir dos 20 anos, e anualmente depois dos 40 anos. Os parentes de 1º grau do sexo feminino devem ser examinados anualmente a procura de câncer endometrial e ovariano. Umar A, Boland CR, Terdiman JP, et al: Revised Bethesda guidelines for hereditary nonpolyposis colorectal cancer (Lynch syndrome) and microsatellite instability. J Natl Cancer Inst 96(4):261–268, 2004. doi: 10.1093/jnci/djh034 Tratamento Ressecção cirúrgica O tratamento mais comum da síndrome de Lynch é a ressecção da lesão índice com vigilância frequente a procura de outros cânceres de cólon e quaisquer tumores associados em outros órgãos. Como a maioria dos tumores da síndrome de Lynch ocorre proximamente à flexura esplênica, a colectomia subtotal, deixando intacto o retossigmoide, tem sido sugerida como uma alternativa. Em ambos os casos, é necessário acompanhamento rigoroso. A Síndrome Lynch é uma terrível causa de câncer coloretal não polipóide e para seu diagnóstico é necessário o preenchimentos dos critérios de Amsterdã que são: *Três ou mais familiares histologicamente confirmados, sendo um em primeiro grau, duas gerações afetadas e um diagnosticado commenos de 50 anos 11- Descrever síndrome de Li-Fraumeni no Brasil (breve histórico :https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43791027). A Síndrome de Li-Fraumeni (SLF) é uma doença hereditária de predisposição ao câncer, relacionada a mutações no gene TP53. Uma das mutações neste gene, denominada R337H, é encontrada apenas no Brasil, com prevalência mais alta no sul e no sudeste do país. Forte agregação familiar de CAs, inicio precoce dos tumores e amplo espectro tumoral, incluindo os CA centrais da LPS: - sarcomas de tecidos moles - Osteosarcomas - carcinoma adrenocortical - tumores cerebrais - ca de mama emmulheres na pré-menopausa A síndrome de Li-fraumeni clássica (LFS), descoberta em 1969 pelos americanos Frederick Li e Joseph Fraumeni, é uma herança autossômica dominante caracterizada por umamutação germinativa no gene TP53, que é responsável por produzir a proteína P53. Como essa proteína é essencial para reparar erros no DNA e evitar que o câncer ocorra, os indivíduos com LFS possuem mais chance de ter diversos tipos de cânceres em idade precoce. No Brasil, uma das mutações que podem ocorrer no gene TP53 é chamada de R337H, que garante um risco menor de desenvolver câncer em relação à forma clássica. Além disso, o que também foi detectado é que a associação dessa mutação com a do gene XAF1 garantem menor agressividade à síndrome. Ogene P53 Está localizado no braço curto do cromossomo 17 (17p13.1), sendo definido por alguns autores como “guardião do genoma” por ser um gene supressor de tumor, responsável por reduzir proliferação celular, induzir apoptose e reparar erros no DNA. Por isso é importante o estudo de mutações nesse gene como forma de entender mais sobre os tumores e diagnosticá-los rapidamente, mesmo que o seu sequenciamento ainda não seja rotineiro e dependente de alguns centros de pesquisa. Epidemiologia: Por que estudar a síndrome de Li-Fraumeni? - 50% de chance de desenvolver tumores antes dos 40 anos, comparados a 1% da população. - Estima-se que 90% dos portadores desenvolvam CA até 70 anos de idade. As mulheres são as mais acometidas. - Embora seja rara em outros países, no Brasil, ela não é rara, sendo o país que mais apresenta casos no mundo. - A maioria dos portadores descendem de imigrantes portugueses e moram nos estados do RJ, SP, Pr, SC e RS. - Tipos mais comuns: CA mama, sarcomas de tecidos moles e osteosarcomas, tumores cerebrais, carcinoma adrenocortical. - Um estudo no Paraná com 160 mil RN estimou que 1 a cada 300 crianças apresenta a mutação no sul do Brasil. Por que ela é tão comumno Brasil? A possível causa é a disseminação do gene mutado trazido por umtropeiro português no século XVIII, pois a rota dos tropeiros coincide com as cidades com maior número documentado de casos. Outra possibilidade é que a mutação R337H tenha sido subdiagnosticada em outros países. Como identificar essa síndrome? Critérios clássicos da síndrome de Li-Fraumeni: - Familiar com sarcoma antes dos 45 anos de idade - Parente de primeiro grau com CA antes dos 45 anos - Outro parente de 1o ou 2o grau com qualquer tipo de CA antes dos 45 anos ou com sarcoma em qualquer idade. Testes antes do tratamento - evitar em portadores a radioterapia e quimioterapia genotóxicas (impacto das mesmas sobre os pacientes) - contribuem para o desenvolvimento de tumores primários subsequentes - priorizar tratamentos cirúrgicos ou ablativos (que pode tirar, cortar, privar de alguma coisa). Quais são os problemas sociais relacionados? - Medo de ter câncer a qualquer momento - Medo de se relacionar ou ter filhos - Abandono dos companheiros(as) - Medo de aumento do preço de convênios médicos - Sentimento de culpa por transmitir os genes A Síndrome de Li-Fraumeni não pula gerações. Isso quer dizer que a probabilidade de filhos herdarem a mutação genética dos pais é alta, mesmo que eles nunca tenham tido um câncer. A variabilidade fenotípica observada dentro de umamesma família (por exemplo, uma criança acometida por câncer e o genitor, portador da mesma variante, não sendo acometido na infância) corrobora fortemente a existência de fatores modificadores genéticos e sua identificação representa, na atualidade, um prioridade máxima no campo. É cada vez mais evidente que a expressão fenotípica em portadores de variantes causadoras de doença TP53 também depende de fatores ambientais, uma vez que variantes germinativas de TP53 podem transformar p53 em uma proteína permissiva ao estresse oncogênico. https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43791027 Rastreio: Crianças: - exame clínico + usom abdominal - a cada 6 meses - RM corpo inteiro (WBMRI) - anual - RM cerebral - a partir de 1 ano de vida Adultos: - Exame clínico anual - WBMRI - RM mama - mulheres de 20 a 65 anos - RM cerebral - até 50 anos Alterações em mosaico do TP53 (células embrionária - perda ou duplicação = 2 tipos de células com 2 tipos de material genético) **Variabilidade fenotípica observada dentro de umamesma família corrobora fortemente a existência de fatores modificadores genéticos = fatores ambientais.