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Problema 3 1 Problema 3 Anatomia da pelve 2- Discutir sobre o parto sinais e sintomas vias de parto (indicações- vantagens e desvantagens) mecanismo do parto evolução do parto Dequitação de placenta avaliação do BCFs episiotomia importância e preenchimento do partograma Períneo Região em forma de losango posicionada inferiormente ao assoalho da pelve entre as coxas (entre a sínfise púbica e o cóccix) ⚠ Seu limite periférico é a saída pélvica; seu teto é o diafragma da pelve (músculos levantadores do ânus e coccígeo); e suas estreitas paredes laterais são formadas pelas paredes da cavidade da pelve abaixo da inserção do músculo levantador do ânus períneo é dividido em trígono urogenital anteriormente e trígono anal posteriormente. O trígono urogenital está associado aos óstios do sistema urinário e do sistema genital, e serve para ancorar os genitais externos. O trígono anal contém o ânus e o músculo esfíncter externo do ânus. O nervo pudendo (S2 a S4) e a artéria pudenda interna são os principais nervo e artéria dessa região Problema 3 2 Limites e teto A margem do períneo é marcada pela borda inferior da sínfise púbica, em seu ponto anterior, pelo ápice do cóccix, em seu ponto posterior, e pelos túberes isquiáticos, em cada um de seus pontos laterais Problema 3 3 ⚠ O períneo é dividido em dois triângulos por uma linha imaginária entre os dois túberes isquiáticos . Anteriormente à linha, encontra‐se o trígono urogenital e, posteriormente à linha, encontra‐se o trígono anal. Significativamente, os dois trígonos não se encontram no mesmo plano. Na posição anatômica, o trígono urogenital está orientado no plano horizontal, enquanto o trígono anal se angula para cima na linha transtubercular de forma que ele está voltado para a face posterior O teto do períneo é formado principalmente pelos músculos levantadores do ânus, que separam a cavidade da pelve, acima, e do períneo, abaixo. Um de cada lado, esses músculos formam o diafragma da pelve. Membrana do períneo e espaço profundo do períneo A membrana do períneo é uma folha fibrosa espessa que preenche o trígono urogenital . Ela possui uma margem posterior livre, que se ancora na linha mediana para o corpo do períneo e se insere lateralmente ao arco púbico. Imediatamente acima da membrana do períneo, existe uma região fina denominada espaço profundo do períneo, que contém uma camada de músculo esquelético e tecidos neurovasculares. Entre os músculos esqueléticos existentes no espaço, encontra‐se o músculo esfíncter externo da uretra. A membrana do períneo e o espaço profundo do períneo fornecem sustentação para os genitais externos, que estão inseridos em sua superfície inferior. Além disso, as partes da membrana do períneo e do espaço profundo do períneo inferiores ao hiato urogenital no músculo levantador do ânus fornecem sustentação para as vísceras da pelve, localizadas superiormente. A uretra deixa a cavidade da pelve e entra no períneo, passando pelo espaço profundo do períneo e da membrana do períneo. Nas mulheres, a vagina também passa por essas estruturas posteriormente à uretra. Trígono anal O trígono anal do períneo está voltado posteroinferiormente e é definido lateralmente pelas margens mediais dos ligamentos sacrotuberais, anteriormente por uma linha horizontal entre os dois túberes isquiáticos e posteriormente pelo cóccix. O teto do trígono anal é composto pelo diafragma da pelve, que é formado pelos músculos levantador do ânus e cocígeo. O ânus se localiza no centro do trígono Problema 3 4 anal e está relacionado à fossa isquioanal de cada lado. O principal músculo no trígono anal é o músculo esfíncter externo do ânus. O músculo esfíncter externo do ânus, que envolve o canal anal, é formado por músculo esquelético e consiste em três partes — profunda, superficial e subcutânea — arranjadas sequencialmente ao longo do canal de cima para baixo Trígono urogenital O trígono urogenital do períneo é a metade anterior do períneo e está orientado no plano horizontal. Ele contém as raízes dos genitais externos e os óstios do sistema urogenital O trígono urogenital é definido: lateralmente pelos ramos isquiopúbicos; posteriormente por uma linha imaginária entre os túberes isquiáticos; e anteriormente pela margem inferior da sínfise púbica. O teto do trígono urogenital é composto pelo músculo levantador do ânus. Problema 3 5 O trígono urogenital contém uma forte plataforma fibromuscular de sustentação, a membrana do períneo e o espaço profundo do períneo, que se insere no arco púbico. Existem extensões anteriores das fossas isquioanais entre o espaço profundo do períneo e o músculo levantador do ânus de cada lado. Entre a membrana do períneo e a lâmina membranácea da fáscia superficial, existe o espaço superficial do períneo. As principais estruturas nesse espaço são os tecidos eréteis do pênis e do clitóris e os músculos esqueléticos associados. Estruturas no espaço superficial do períneo O espaço superficial do períneo contém: estruturas eréteis que se juntam para formar o pênis, nos homens, e o clitóris, nas mulheres; e músculos esqueléticos que estão associados, principalmente, a partes das estruturas eréteis inseridas na membrana do períneo e no osso adjacente. Cada estrutura erétil consiste em um núcleo central de tecido vascular expansível e em sua cápsula de tecido conjuntivo envoltória. Nas mulheres, um par de estruturas eréteis, denominadas bulbos do vestíbulo, situam‐se uma de cada lado no óstio da vagina e estão firmemente ancoradas na membrana do períneo. Pequenas faixas de tecido erétil conectam as extremidades anteriores desses bulbos a uma pequena e única massa de tecido erétil em forma de ervilha, a glande do clitóris, que está situada na linha mediana na extremidade do corpo do clitóris e anteriormente ao óstio externo da uretra Problema 3 6 Clitóris O corpo do clitóris, que é formado apenas pelas partes livres dos dois corpos cavernosos, angula‐se posteriormente e está ligado aos tecidos conjuntivos do períneo. O corpo do clitóris é sustentado por um ligamento suspensor que se fixa superiormente à sínfise púbica. A glande do clitóris é ligada à extremidade distal do corpo e está conectada os bulbos do vestíbulo por duas pequenas faixas de tecido erétil. A glande do clitóris está exposta no períneo, e o corpo do clitóris pode ser palpado pela pele. Glândulas vestibulares maiores As glândulas vestibulares maiores são observadas nas mulheres. Elas são pequenas glândulas mucosas em forma de ervilha que se localizam posteriormente aos bulbos do vestíbulo em cada lado do óstio da vagina. As glândulas vestibulares maiores estão localizadas no espaço superficial do períneo. O ducto de cada glândula vestibular maior se abre no vestíbulo da vagina ao longo da margem posterolateral do óstio da vagina. As glândulas vestibulares maiores produzem secreção durante a estimulação sexual. Músculos O espaço superficial do períneo contém três pares de músculos: o isquiocavernoso, o bulboesponjoso e o transverso superficial do períneo . Dois desses três pares de músculos estão associados às raízes do pênis e do clitóris; o outro par está associado ao corpo do períneo Problema 3 7 Nervos somáticos Nervo pudendo O principal nervo somático do períneo é o nervo pudendo. Esse nervo se origina do plexo sacral e leva fibras dos níveis medulares de S2 a S4.O nervo pudendo possui três ramos principais — o nervo anal inferior, o nervo perineal e o nervo dorsal do pênis ou do clitóris —, que são acompanhados por ramos da artéria pudenda interna Nervo anal (retal) inferior é, frequentemente, múltiplo, penetra através da fáscia do canal do pudendo e segue medialmente pela fossa isquioanal para inervar o músculo esfíncter externo do ânus e as regiões relacionada aos músculos levantadores do ânus. O nervo é também sensorial geral para a pele do trígono anal. O nervo perineal passa pelotrígono urogenital e dá origem aos ramos motor e cutâneo. Os ramos motores suprem os músculos esqueléticos nos espaços superficial e profundo do períneo. O maior dos ramos sensoriais é o nervo escrotal posterior, nos homens, e o nervo labial posterior, nas mulheres. O nervo dorsal do pênis e do clitóris entra no espaço profundo do períneo. Ele passa ao longo da margem lateral do espaço e então sai, passando inferiormente pela membrana do períneo em uma posição logo abaixo da sínfise púbica, na qual ele encontra o corpo do clitóris ou do pênis. Ele segue ao longo Problema 3 8 da superfície dorsal do corpo para atingir a glande. O nervo dorsal é sensorial para o pênis e para o clitóris, particularmente para a glande. Nervos viscerais Os nervos viscerais entram no períneo por duas vias: Os que seguem para a pele, que consistem principalmente em fibras simpáticas pós‐ganglionares, são levados para a região ao longo do nervo pudendo. Essas fibras se unem ao nervo pudendo a partir dos ramos comunicantes cinzentos que conectam as partes pélvicas dos troncos simpáticos aos ramos anteriores dos nervos espinais sacrais. Os que seguem para os tecidos eréteis entram na região principalmente através do espaço profundo do períneo a partir do plexo hipogástrico inferior na cavidade da pelve. As fibras que estimulam a ereção são as fibras parassimpáticas, que entram no plexo hipogástrico inferior pelos nervos esplâncnicos a partir dos níveis medulares de S2 a S4 Vasos sanguíneos Artérias A artéria mais significativa do períneo é a artéria pudenda interna. Outras artérias que entram nessa área são as artérias pudenda externa, testiculares e cremastéricas. Artéria pudenda interna A artéria pudenda interna se origina como um ramo do tronco anterior da artéria ilíaca interna na pelve. Juntamente com o nervo pudendo, ela deixa a pelve através do forame isquiático maior abaixo do músculo piriforme. Ela passa ao redor da espinha isquiática, na qual a artéria se situa lateralmente ao nervo, entra no períneo passando através do forame isquiático menor, e acompanha o nervo pudendo no canal pudendo na parede lateral da fossa isquioanal. Os ramos da artéria pudenda interna são similares àqueles do nervo pudendo no períneo e incluem as artérias retal inferior e perineal e ramos para os tecidos eréteis do pênis e do clitóris Artérias retais inferiores Uma ou mais artérias retais inferiores se originam da artéria pudenda interna no trígono anal e cruzam a fossa isquioanal medialmente para se ramificar e suprir o músculo e a pele relacionada. Elas se anastomosam às artérias retal média e superior da artéria ilíaca interna e à artéria mesentérica inferior, respectivamente, para formar uma rede de vasos que irrigam o reto e o canal anal. Problema 3 9 Artéria perineal A artéria perineal se origina próximo à extremidade anterior do canal do pudendo, originando um ramo perineal transverso e uma artéria escrotal ou labial posterior para os tecidos e pele adjacentes Parte terminal da artéria pudenda interna A parte terminal da artéria pudenda interna acompanha o nervo dorsal do pênis ou do clitóris no espaço profundo do períneo e fornece ramos para os tecidos no espaço profundo do períneo e para os tecidos eréteis. Veias As veias no períneo geralmente acompanham as artérias e se juntam às veias pudendas internas, que se conectam às veias ilíacas internas na pelve . A exceção é a veia dorsal profunda do pênis ou do clitóris, que drena, principalmente, a glande e os corpos cavernosos. A veia dorsal profunda segue ao longo da linha mediana, entre as artérias dorsais de cada lado do corpo do pênis ou do clitóris, passando pelo espaço entre o ligamento inferior do púbis e o espaço profundo do períneo, e se conecta com o plexo venoso ao redor da próstata, nos homens, ou da bexiga, nas mulheres. Anatomia de superficie FISIOLOGIA DAS CONTRAÇÕES UTERINAS A unidade geradora de contração uterina é formada por um complexo proteico (actina-miosina) disposto em fuso dentro do citoplasma. Problema 3 10 → Depende da interação dos componentes do complexo proteico entre si, que é modulada pela ação da enzima cínase da cadeia leve de miosina. Essa enzima é influenciada por três sistemas reguladores: cálcio, calmodulina e monofosfato de adenosina cíclico (AMP cíclico). Fases clínicas do parto O parto é caracterizado por contrações das fibras miometriais, cujas principais funções são a dilatação cervical e a expulsão do feto através do canal de parto. Essas contrações são dolorosas, porém, antes do seu início, o útero sofre modificações fisiológicas e bioquímicas locais concomitantes ao aumento da frequência de contrações indolores (contrações de Braxton Hicks), até que o verdadeiro trabalho de parto seja deflagrado. O processo fisiológico que regula tais modificações não possui um marco bem definido como as fases clínicas do parto, contudo, pode ser dividido em quatro etapas:1-3,8 Quiescência (fase 1). Ativação (fase 2). Estimulação (fase 3). Involução (fase 4) Quiescência (fase 1) relativa ausência de resposta a agentes que determinam a contratilidade uterina se inicia com a implantação do zigoto e perdura por quase toda a gestação Ativação (fase 2). Problema 3 11 prepara o útero e o canal cervical para o trabalho de parto e dura aproximadamente 6 a 8 semanas ocorre modificações cervicais e caracteriza-se pela descida do fundo uterino Estimulação (fase 3). dividida em três períodos (dilatação, expulsão e dequitação) e cujo fenômeno mais importante são as contrações uterinas efetivas essas contrações devem apresentar uma frequência regular entre duas e cinco contrações a cada 10 minutos, intensidade de 20 a 60 mmHg (média de 40 mmHg) e duração entre 30 e 90 segundos (média de 60 segundos) Involução (fase 4). destaca-se pelo retorno ao estado pré-gravídico (puerpério). Seu início ocorre após a dequitação e é caracterizado por uma contração persistente que promove a involução uterina Dilatação (primeiro período) inicia-se com as primeiras contrações dolorosas, cuja principal ação é a modificação da cérvix termina com a dilatação completa do colo uterino (10 cm) de modo a permitir a passagem fetal ⚠ O esvaecimento e a dilatação cervical são fenômenos distintos. Nas primíparas, ocorrem nessa ordem, sucessivamente: primeiro o esvaecimento, de cima para baixo, e depois a dilatação do orifício externo; já nas multíparas, são simultâneos O esvaecimento ou apagamento do canal cervical consiste na incorporação do colo à cavidade uterina, terminando com a formação de um degrau ao centro da abóbada cervical Problema 3 12 A dilatação do orifício externo do colo tem como principal finalidade ampliar o canal de parto e completar a continuidade entre útero e vagina À medida que a dilatação cervical progride, surge um espaço entre o polo cefálico e as membranas ovulares (âmnio e cório), no qual ficará coletado o líquido amniótico (bolsa das águas), cuja função é auxiliar as contrações uterinas no deslocamento do istmo. A bolsa das águas se forma no polo inferior do ovo no decorrer do trabalho de parto, e sua rotura causa a saída parcial do seu conteúdo líquido, ocorrendo, via de regra, no período em que a dilatação cervical é de 6 cm (rotura oportuna). Todavia, essa rotura pode ser precoce (no início do trabalho de parto e, portanto, antes dos 6 cm de dilatação cervical) ou tardia (dilatação cervical de 8 cm ou mais). Quando a rotura ocorre contemporânea à expulsão do feto, é denominada nascimento de feto empelicado. Problema 3 13 A dilatação cervical é representada por uma curva sigmoide dividida em fase latente e fase ativa, sendo esta última composta, segundo Friedman citado por Deláscio e Guariento,28 de três subdivisões (Figura 3): Aceleração: em que a velocidade de dilatação começa a modificar-se e a curva se eleva; Dilatação ou aceleração máxima: quando a dilatação passa de 2 a 3 cm para 8 a 9 cm; Desaceleração:que precede a dilatação completa Tempo é um dos parâmetros mais importantes para identificar alterações na evolução do parto. Assim, de forma geral, segundo Friedman,10 a fase latente normalmente dura 8 horas, porém com variações conforme a paridade e mesmo entre gestantes de mesma paridade. A dilatação nessa fase é em torno de 0,35 cm/h, e sua evolução e duração dependem das modificações que ocorrem nas duas semanas que precedem o parto A fase ativa normalmente se inicia com dilatação cervical de 4 cm e dura em média 6 horas nas primíparas, com velocidade de dilatação de cerca de 1,2 cm/h, e 3 horas nas multíparas, com velocidade de dilatação de 1,5 cm/h. Diagnóstico de trabalho de parto está condicionado à presença de contrações uterinas com ritmo e características peculiares, combinadas a alterações progressivas no colo uterino (esvaecimento e dilatação) e à formação da bolsa das águas. A presença de contrações uterinas (pelo menos duas em 10 minutos) associada a dilatação cervical (pelo menos 2 cm), esvaecimento cervical e/ou modificações progressivas no colo uterino. Expulsão segunda fase do parto, o feto é expelido do útero através do canal de parto por meio da ação das contrações uterinas e das contrações voluntárias dos músculos abdominais (puxos) O canal de parto é completamente formado, ou seja, o segmento inferior do útero, o canal cervical totalmente dilatado e a vagina formam uma única cavidade. Problema 3 14 Segundo período tem início com a dilatação completa e se encerra com a saída do feto A descida do polo cefálico pelo canal de parto é representada por uma curva hiperbólica e compreende duas fases bem definidas: fase pélvica e fase perineal. A primeira caracteriza-se pela dilatação completa do colo uterino e pela apresentação acima do plano +3 de De Lee, enquanto a segunda apresenta a cabeça rodada e em um plano inferior a +3 de De Lee pode durar em média 30 minutos nas multíparas e 60 minutos nas primíparas. considera o período expulsivo prolongado quando ultrapassa, em primíparas, 3 horas com analgesia ou 2 horas sem analgesia e, em multíparas, 2 horas com analgesia e 1 hora sem analgesia Dequitação secundamento ou dequitadura, o útero expele a placenta e as membranas (após o nascimento do feto) Seu descolamento ocorre em virtude da diminuição do volume uterino depois da expulsão fetal, associada às contrações uterinas vigorosas e indolores Tipos clássicos de descolamento, o central (também chamado de descolamento de Baudelocque-Schultze) e o marginal ou periférico (também chamado de descolamento de Baudelocque-Duncan), definidos, respectivamente, quando começam no centro ou lateralmente. A dequitação ocorre entre 10 minutos e 1 hora após o parto. Fisiologicamente, sabe-se que ela deve ocorrer dentro de 20 a, no máximo, 30 minutos. Porém, em 80% dos partos a dequitação se dá nos primeiros 10 minutos. Primeira hora pós-parto inicia-se imediatamente após a dequitação, sendo, dessa forma, a primeira hora do puerpério Esta hora caracteriza-se pela ocorrência dos fenômenos de miotamponamento, de trombotamponamento, pela indiferença miouterina e pela contração uterina fixa que a segue. A contração do útero causa oclusão dos vasos miometriais (miotamponamento) Problema 3 15 O trombotamponamento é a segunda linha de defesa contra a hemorragia e tem como característica a formação de trombos nos grandes vasos uteroplacentários, os quais se prolongam pelos coágulos intrauterinos que recobrem o leito placentário Mecanismo de trabalho de parto ESTATICA FETAL: RELAÇÕES UTEROFETAIS Atitude Situação Apresentação Posição Nomenclatura Frequência da situação e da apresentação Atitude Relação das diversas partes fetais entre si. Graças à flexibilidade da coluna vertebral e à articulação occipitovertebral, o feto se aloja na cavidade uterina em atitude de flexão generalizada, isso é, a coluna vertebral encurvada no seu todo e a cabeça com o mento aproximado da face anterior do tórax, o que dá ao concepto a forma ovoide, o ovoide fetal, que apresenta então dois polos: o cefálico e o pélvico, esse maior que aquele. Nos membros inferiores, as coxas se fletem sobre a bacia e as pernas, na mesma atitude, sobre as coxas. Nos membros superiores, os braços se locam na face anterior do tórax bem como os antebraços, também fletidos. O conjunto do tronco com os membros denomina-se ovoide córmico. Apresentação A apresentação é definida como a região fetal que ocupa a área do estreito superior e nela se vai insinuar é necessário que o volume da região fetal seja capaz de encontrar obstáculo na sua passagem pelo canal pelvigenital; portanto, não existe apresentação antes do sexto mês ou quando a parte fetal é um membro, visto que os respectivos diâmetros são muito inferiores aos da bacia Problema 3 16 → Quando a situação fetal é longitudinal, há duas possibilidades de apresentação: cefálica ou pélvica, dependendo do polo fetal que ocupa a região inferior do útero. → Nas situações transversas, por sua vez, duas outras possibilidades ocorrem, nas quais se distinguem as apresentações córmicas (ou de ombro), em que o dorso fetal se apresenta anterior ou posteriormente, ou as apresentações dorsais superior e inferior, em que o dorso fetal se apresenta superior ou inferiormente (nestes casos, o plano coronal fetal é perpendicular ao plano coronal materno), extremamente mais rarasi ⚠ Na gestação a termo, a situação longitudinal do feto é muito mais frequente que as situações transversas e oblíquas, assim como a apresentação cefálica fletida é mais comum do que as restantes. A atitude fisiológica da cabeça fetal pressupõe que ela esteja flexionada, com o mento aconchegado ao esterno, o que se denomina apresentação cefálica fletida, de vértice ou de occipício. Pode acontecer que a cabeça se apresente em extensão ou defletida, à custa de afastamentos do mento em relação ao esterno, de graus variados: 1. 1º grau de deflexão, surge, no centro da área do estreito superior, como ponto de referência fetal, o bregma (apresentação de bregma). 2. 2º de deflexão, surge a glabela como ponto de referência fetal (apresentação de fronte). 3. 3ºde deflexão, é o mento que surge como ponto de referência fetal (apresentação de face). Problema 3 17 Situação Relação entre os grandes eixos longitudinais fetal e uterino. Quando ambos coincidem, a situação será longitudinal; quando perpendiculares, a situação é transversa; e, se cruzados, a situação será oblíqua ou inclinada. A primeira ocorre em 99,5% das vezes, e a última representa fase de transição da situação fetal, que no momento do parto se estabilizará em longitudinal ou transversa Posição e variedade de posição Relação do dorso fetal com o lado materno. A posição fetal é esquerda (primeira posição) ou direita (segunda posição). Pontos de referência ao exame clínico de toque vaginal e suas relação com com a variedade de posição, auxiliando a reconhecê-la na prática clínica: Sutura sagital: cefálicas fletidas. Sutura sagitometópica: cefálicas defletidas de 1o grau ou bregmáticas. Sutura metópica: cefálicas defletidas de 2o grau ou de fronte. Problema 3 18 Linha facial: cefálicas defletidas de 3o grau ou de face. Sulco interglúteo: pélvicas APRESENTAÇÃO CEFÁLICA FLETIDA o mecanismo de parto é dividido em 6 tempos insinuação É a passagem do maior diâmetro da parte apresentada, perpendicular à linha de orientação fetal, pelo estreito superior da bacia materna nas apresentações cefálicas o diâmetro de insinuação corresponde ao biparietal e nas apresentações pélvicas, ao bitrocantérico A ocorrência de insinuação indica que o estreito superior é adequado para a passagem do feto, mas não permite inferir as características dos estreitos médio e inferior. A insinuação nas apresentações cefálicas fletidas varia conforme o tipo de bacia. → 60% das gestantes, o feto orienta-se de tal forma a direcionar a sutura sagital no diâmetro transversoda bacia; →em 18,5%, no primeiro oblíquo (articulação sacroilíaca direita a eminência ileopectínea esquerda); →em 16%, no segundo oblíquo (articulação sacroilíaca direita a eminência ileopectínea direita); →e em 5,5%, no diâmetro anteroposterior. As posições esquerdas são sempre mais frequentes que as direitas, representando aproximadamente dois terços das ocorrências em cada uma das variedades de posição. → Em primigestas a insinuação ocorre por volta de 15 dias antes do parto. Já em multíparas, a insinuação pode ocorrer a qualquer momento, desde antes do início do trabalho de parto até após a dilatação completa do colo uterino (segundo período) Assinclitismo e sinclitismo Problema 3 19