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PROCEDIMENTOS PRÉ E PÓS-CIRURGIA ESTÉTICA Patrícia Viana da Rosa Procedimentos estéticos em lifting corporal Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer os cuidados no pré e no pós-operatório de lifting corporal. � Listar as técnicas estéticas aplicadas no pré e no pós-operatório de lifting corporal. � Descrever as indicações e as contraindicações das técnicas estéticas nos procedimentos de lifting corporal. Introdução Após perda substancial de peso ou devido ao processo de envelheci- mento, muitas vezes a pele e os tecidos ficam sem elasticidade e, como consequência, passam a não ter a mesma sustentação, o que poderá levar à flacidez. O lifting corporal torna-se uma alternativa para essas situações, me- lhorando a forma e o tônus dos tecidos subjacentes, que sustentam a gordura e a pele, e, dessa forma, proporcionando uma aparência mais saudável, com contornos mais suaves. A formação do profissional esteticista permite desenvolver habilidades e conhecimentos para a realização do cuidado pré e pós-operatório de forma adequada. Neste capítulo, você poderá conhecer mais sobre os procedimentos estéticos em lifting corporal, sendo apresentado a cuidados necessários, técnicas disponíveis e indicações e contraindicações para os casos e os tipos de tratamento. 1 Cuidados no pré e no pós-operatório de lifting corporal Segundo Gerk (2007), o lifting corporal geralmente é indicado para indivíduos que tiveram grandes perdas ponderais de peso e ficaram com excesso de sobras de pele. Isso porque, junto a essa nova imagem corporal, ocorre uma importante flacidez da pele associada à ptose das diversas regiões anatômicas, como mamas, braços, coxas, glúteos e tronco. Com frequência, essa situação causa dermatites, intertrigo, limitações funcionais para deambulação, micção, dificuldade de higiene e prejuízo na atividade sexual, ocasionando uma perda de qualidade de vida (ORPHEU et al., 2009). A cirurgia plástica costuma ser o procedimento escolhido para tratar o excesso de pele, e é comum que ela seja considerada desafiadora, pois, na maioria das vezes, atinge grandes regiões do corpo do paciente e, desse modo, requerer estratégias da equipe interdisciplinar que minimizem as complica- ções, seja no cuidado integral, seja no planejamento das ações nos períodos pré e pós-operatório. Nesse sentido, Macedo e Oliveira (2011) afirmam que o resultado cirúrgico está associado com a adequada realização de cuidados pré e pós-operatórios para a prevenção de possíveis complicações e a promoção de um resultado satisfatório. Profissionais da estética estão inovando os procedimentos ambulatoriais e, se estiverem preparados, podem atuar em equipes multidisciplinares, nas quais, entre outros, poderão estar presentes os seguintes profissionais: clínico geral, cirurgião plástico, equipe de enfermagem, nutricionistas, fonoaudiólogos, psicólogos e fisioterapeutas (ROMÃO, 2016). As esteticistas têm contribuído no pré e no pós-operatório de modo a preve- nir ou tratar as respostas advindas das cirurgias plásticas e, ainda, possibilitar a diminuição da ansiedade, de edemas produzidos pelo trauma cirúrgico, fibroses e cicatrizes. Cuidados no pré-operatório Uma das principais funções do profissional esteticista é a realização de um adequado cuidado pré-operatório. De forma geral, é nessa fase que é feita a avaliação do paciente e que lhe são fornecidas as orientações gerais sobre como deverá ser o preparo para a cirurgia, momento em que ele conhecerá suas limitações. Essa avaliação é de fundamental importância para que o procedimento cirúrgico e o pós-operatório resultem no sucesso esperado, e é a partir dela que se inicia a definição de um plano de tratamento pós-cirúrgico. Procedimentos estéticos em lifting corporal2 Na realização do cuidado pré-operatório, deverão ser avaliados os seguintes aspectos: as condições associadas à disfunção estética, a história do paciente, seu estado geral de saúde, sua experiência prévia com outros procedimentos cirúrgicos e/ou de cuidados estéticos, suas condições de cicatrização, entre outros (KEDE; SABATOVICH, 2015). Segundo Borges (2006), o principal objetivo do cuidado nessa fase está relacionado com a prevenção de aderências. Além disso, o pré-operatório também visa a melhorar a circulação sanguínea e linfática da região a ser ope- rada, desobstruindo possíveis congestionamentos que possam estar presentes. É importante que se tente resolver essa situação antes da cirurgia. Para encontrar boas informações sobre as cirurgias de contorno corporal, visite o site da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery) e acesse a subseção “Cirurgia de Contorno Corporal”, presente na seção “Cirurgia Plástica do Corpo”, que, por sua vez, está contida em “Procedimentos”. A presença de fibroses e aderências poderá ocasionar alterações funcionais, o que deverá ser adequadamente avaliado no pré-operatório, buscando-se identificar condições, como encurtamentos musculares e teciduais, desvios posturais, entre outros (MACEDO; OLIVEIRA, 2011). Ademais, Borges (2006) salienta a importância de realizar no cuidado pré-operatório a aplicação de manobras que serão realizadas posteriormente, visando a eliminar eventuais medos e receios do paciente em sua provável aplicação futura. Cuidados no pós-operatório A definição do cuidado que será executado no pós-operatório deverá ser estabelecida de acordo com o tipo de procedimento, a fase de cicatrização, as condições da cicatriz naquele momento, entre outros (MACEDO; OLIVEIRA, 2011). 3Procedimentos estéticos em lifting corporal Borges (2006) cita alguns aspectos a serem observados no pós-operatório, como: � o reconhecimento dos problemas, a fim de indicar o tipo e a profun- didade dos tecidos envolvidos, identificando a natureza da patologia e determinando o estágio da cicatrização para, a partir daí, reconhecer as contraindicações das modalidades terapêuticas; � a priorização dos problemas, construindo a ordem lógica de tratamento com base na relação causa e efeito entre a patologia e os sinais e sintomas; � o estabelecimento de metas, desenvolvendo a estrutura e a sequência do plano de tratamento, o planejamento do tratamento, a definição das modalidades a serem utilizadas e sua sequência, tudo isso com base nos problemas do paciente e nas metas de tratamento. Guirro e Guirro (2004) afirmam que os cuidados no pós-operatório vão exercer grande influência, evitando sequelas indesejáveis que poderiam ser provenientes do ato cirúrgico, como alterações transitórias de sensibilidade e de pigmentação; alterações do relevo cutâneo; cicatrizes aderentes, deprimi- das, hipertróficas ou queloideanas; hematomas; fibroses; seroma; sofrimento cutâneo; edema; deiscência de sutura; infecções; e lesões nervosas. Portanto, será importante a realização de uma avaliação do paciente pós- -operado para o reconhecimento dos problemas, a identificação do tipo e a profundidade dos tecidos envolvidos, a natureza da patologia, o estágio da cicatrização e o reconhecimento de quaisquer contraindicações para o uso das modalidades terapêuticas (MACEDO; OLIVEIRA, 2011). Ainda, para Saldanha et al. (2014), é importante que, durante a permanência do paciente no hospital, se observem os cuidados profiláticos para trombose e/ou infecção. Após a realização do procedimento, deve-se adotar o repouso em uma postura adequada, normalmente em posição supina e com elevação do tronco. Em alguns procedimentos, é utilizada cinta abdominal para compressão ci- rúrgica (EVANS, 2007). No que diz respeito à tensão sobre as feridas operatórias, ela pode gerar o alargamento delas, acarretando, assim, cicatrizes inestéticas, alargadas e dolorosas. Vale ressaltar que a compressão da parede abdominal mediante o uso de bandagem não deve ser demasiadamente forte, pois pode causar necrose. Procedimentos estéticos em liftingcorporal4 Para um retorno precoce às atividades de vida diária, é importante que sejam respeitadas as orientações e recomendações no pós-operatório quanto à utilização da cinta, à ingestão adequada de líquidos, à alimentação balanceada, à proteção solar, ao repouso moderado e aos cuidados de higiene e hidratação da cicatriz, além de ser pertinente que se evitem subidas e descidas de escadas (sobretudo no pós-operatório de lifitng de coxas) e que se privilegie o posicio- namento adequado (BORGES, 2010; COUTINHO et al., 2006). O tempo de pós-operatório vai influenciar diretamente na efetividade das condutas para a recuperação do paciente que realizou cirurgia plástica; ade- mais, o encaminhamento tardio poderá privar o paciente de uma recuperação saudável, mais curta, com menos sofrimento, além de, muitas vezes, interferir no resultado final da cirurgia (COUTINHO et al., 2006). 2 Técnicas estéticas aplicadas no pré e no pós-operatório de lifting corporal No pré-operatório Embora pareça desnecessário para alguns cirurgiões, o atendimento estético no pré-operatório da cirurgia plástica é de extrema importância para a reabilitação do paciente. De forma geral, o esteticista deverá orientar e preparar o paciente para o procedimento a que será submetido (MACEDO; OLIVEIRA, 2011). Para a manutenção de uma condição geral de saúde mais adequada, é necessário que se observem alguns cuidados gerais, como uma alimenta- ção adequada, voltada à manutenção do peso corporal e à oferta adequada de nutrientes que colaboram para a cicatrização. Além disso, a adoção de hábitos de vida saudáveis e de uma rotina de atividades físicas contribui para a manutenção da condição geral de saúde e para o fortalecimento muscular (GUIRRO; GUIRRO, 2004). Segundo Guirro e Guirro (2004), técnicas específicas utilizadas no pré- -operatório têm por objetivo estimular vasos sanguíneos e linfáticos da região a ser operada, desobstruindo possíveis congestionamentos. O procedimento cirúrgico vai ocasionar algum tipo de dano tecidual, o qual deverá ser objeto de cuidado posterior. Para esse tratamento, o profissional esteticista poderá utilizar técnicas pré-operatórias que vão minimizar tal dano, como esfoliação corporal cosmética; hidratação profunda associada a ionização; microcorren- tes; radiofrequência e diodos emissores de luz, para estímulo circulatório e neocolagênese; massoterapia, com finalidade de estimular a vascularização 5Procedimentos estéticos em lifting corporal local e a permeação de ativos; e, ainda, a drenagem linfática, para remoção de líquidos e toxinas (BORGES, 2010). Esses recursos potencializarão a recuperação no pós-operatório a fim de que seja alcançado o resultado final desejado. No pós-operatório Cabe ao profissional da área da estética atuar com todos os recursos dispo- níveis para minimizar efeitos adversos e complicações, além de identificar adequadamente as alterações funcionais do paciente (COUTINHO et al., 2006; MACEDO; OLIVEIRA, 2011). Nesse sentido, o profissional esteticista dispõe de uma gama de alternativas que podem ser utilizadas para controlar o edema, melhorar a vascularização do tecido, acelerar a cicatrização, entre outros benefícios (GUIRRO; GUIRRO, 2004). A seguir, serão apresentadas algumas dessas opções terapêuticas disponíveis. Crioterapia Segundo Borges (2010), a crioterapia promove como principal efeito fisioló- gico uma vasoconstrição. Esse efeito está relacionado a estímulos do sistema nervoso simpático, alteração da permeabilidade vascular e, consequentemente, diminuição do edema. A redução da circulação contribui para a redução do edema, associado a um mecanismo de vasoconstrição de arteríolas e redução do líquido no espaço intersticial (MACEDO; OLIVEIRA, 2011). Drenagem linfática A drenagem linfática (DL) é indicada no pós-operatório da cirurgia plástica para retirada do edema excessivo encontrado no interstício. Sua utilização ocorre na primeira semana do pós-operatório — em alguns casos, já entre o 2º e o 3º pós-operatório (BORGES, 2010). Contudo, a redução significativa desse quadro só vai ocorrer entre 20 a 40 dias após o procedimento, devido à diminuição do cortisol liberado no processo inflamatório; e, ainda, também a formação do tecido cicatricial contribuirá com essa redução (BRUNICARDI et al., 2013). Procedimentos estéticos em lifting corporal6 O tratamento com a DL deverá ser iniciado na fase subaguda, pois ela é um recurso que trata as consequências das alterações vasculares características da fase inicial (edema) do pós-operatório. Guirro e Guirro (2004) salientam a importância do cuidado na aplicação dessa técnica na fase inflamatória, devendo-se evitar deslizamentos e trações excessivas. Durante a realização da DL, a pressão deverá ser de até 40 mmHg, a direção deverá ser no sentido do retorno venoso e linfático, em um ritmo lento de velocidade, durar de 7 a 10 segundos, respeitando o fluxo linfático pela abertura dos linfangions. Terapia manual A aplicação de tensões mecânicas controladas pode colaborar com a organi- zação da cicatriz e a recuperação de sua elasticidade (AMORIM; OLIVEIRA; CERCAL, 2011). Na aplicação de técnicas de mobilização do tecido, a direção das manobras deverá respeitar os cuidados com o procedimento cirúrgico realizado para não provocar efeitos indesejados no processo de reparação tecidual, especialmente no local onde será formada a cicatriz. É importante que sejam observadas essas particularidades clínicas ao se mobilizar o tecido, e, ainda, sabe-se que se deve considerar a característica aleatória de formação do colágeno (SOUSA; BERTANI; LIMA, 2010). Para Macedo e Oliveira (2011), a terapia manual (TM) poderá auxiliar no alívio da dor, na melhora da circulação, na mobilidade tecidual e na liberação de aderências. Massoterapia Uma técnica manual muito utilizada em tratamentos estéticos é a massoterapia. Esse procedimento se caracteriza pelo uso de movimentos sobre os tecidos, por meio de manobras aplicadas de forma rítmica com pressão adequada, buscando uma melhora da circulação vascular e linfática e da mobilização tecidual (BORGES, 2010). Embora amplamente empregada, essa técnica deve ser executada com cautela, uma vez que mobiliza os tecidos e, desse modo, pode deslocar os tecidos cicatriciais. A mobilização inadequada poderá provocar o aparecimento de seromas e hematomas (MACEDO; OLIVEIRA, 2011). 7Procedimentos estéticos em lifting corporal Endermoterapia A endermoterapia associa vácuo e pressão na pele e deslocamento do tecido por meio de um equipamento próprio, sendo utilizado no tratamento de fibroses (VIEIRA; NETZ, 2012). Contudo, Borges (2010) destaca que, em fase cicatricial, essa mobilização é inadequada por causa da pressão excessiva que exerce sobre os tecidos, devendo, portanto, ser aplicada em fase tardia de cicatrização. Calor Modalidades térmicas que promovem o aumento da temperatura são utilizadas com o objetivo de melhorar a qualidade da cicatriz e prevenir a formação de aderências (GUIRRO; GUIRRO, 2004). O uso de técnicas que promovam calor normalmente é indicado a partir da fase proliferativa (MACEDO; OLIVEIRA, 2011). Ultrassom O ultrassom (US) possui, geralmente, duas frequências: 1MHz, que é utilizada para o tratamento de tecidos mais profundos, e 3MHz, empregada para o tratamento de tecidos superficiais (BORGES, 2010). A aplicação do US pode ser feita no modo contínuo ou no modo pulsado. No modo contínuo, não há interrupção, o que gera mais efeitos térmicos. Por sua vez, no modo pulsado a emissão é interrompida, dissipando o calor gerado. É importante salientar que, em tecidos que estão em fases de cicatrização inicial, não se deve utilizar a modalidade contínua, especialmente até a fase proliferativa (AGNES, 2015). A aplicação mais usual no tratamento de cicatrizes cutâneas é a frequência de 3MHz na modalidade pulsada, para auxiliar o reparo cicatricial (BORGES, 2010). Os efeitosdo US sobre a cicatriz permitem uma melhora no alinhamento da ferida e uma melhor resolução da fase inflamatória (MACEDO; OLIVEIRA, 2011). Agnes (2015) afirma que, na fase proliferativa, um parâmetro adequado é o uso do US no modo pulsado, em uma relação 1:5, em frequência de 3MHz, intensidades abaixo de 0,5W/cm². Procedimentos estéticos em lifting corporal8 Radiofrequência Segundo Agnes (2015), a radiofrequência (RF) está relacionada à produção de calor a partir da conversão de energia eletromagnética em efeito térmico, sendo amplamente utilizada no pós-operatório de cirurgias plásticas. Também Agnes (2015) expõe que o mecanismo de ação da RF se dá pelo aquecimento da pele, em que a energia térmica gerada nas camadas profundas do tecido favorece a formação de colágeno. Para o uso desse recurso, é importante que o esteticista busque informações com o médico para entender os detalhes do procedimento que foi realizado, principalmente no que diz respeito ao tempo de pós-cirúrgico e à fase de cicatrização em que o paciente se encontra. A RF poderá ser utilizada no pós-operatório, contanto que haja uma minu- ciosa avaliação para se estabelecer um procedimento com cuidados adequados ao cliente. Diodos emissores de luz A terapia com diodos emissores de luz (LED, do inglês light-emitting diode) é usada devido a seus efeitos bioquímicos e celulares, à proliferação de fibro- blastos, à maior síntese de colágeno, a seus efeitos antioxidantes, ao aumento do metabolismo mitocondrial e à proliferação celular (GOBBATO, 2010). Essa técnica é amplamente utilizada em tratamentos da pele, estando associada ao mecanismo de fotobiomodulação (AGNES, 2015). Os LEDs emitem luz com diferentes comprimentos de onda, atingindo uma determinada profundidade no tecido. As modalidades mais utilizadas são com as luzes azul (405 nm), âmbar (590 nm), infravermelho (940 nm), entre outras. Como os tecidos biológicos possuem cromóforos que absorvem a luz (melanina, hemoglobina, hemomoléculas, etc.), a terapia com LEDs se vale dessa característica para, mediante a promoção da absorção de luz, produzir estimulação ou inibição de atividades enzimáticas e reações fotoquímicas, gerando efeitos terapêuticos (AMORIM, 2007). 9Procedimentos estéticos em lifting corporal No site da revista Negócio Estética, você poderá ler o artigo “Biomodulação nos pro- cedimentos pós-operatórios em cirurgia plástica” e aprender mais sobre o uso da fotobiomodulação no pós-operatório de cirurgia de lifting corporal. Laserterapia de baixa potência Segundo Deterling et al. (2010), o laser é uma luz amplificada produzida por radiação eletromagnética que se manifesta como luz monocromática, unidirecional, colimada. A laserterapia de baixa potência (LBP) não resulta em produção de calor e baseia-se em efeitos fotoquímicos e fotobiológicos nas células e nos tecidos (AGNES, 2015). Na LBP, os raios utilizados se situam na faixa do vermelho, com com- primentos de onda que variam entre 620 e 780 nm, e do infravermelho, que apresenta de 780 a 1400 nm (GOBBATO, 2010). Para Macedo e Oliveira (2011), a LBP reduz edemas e fibroses e aumenta a hidratação e a nutrição celular, o que contribui para a drenagem linfática e, desse modo, acelera a recuperação tecidual, estimula a produção de fibras colágenas e elásticas e minimiza a formação de queloides e de cicatrizes hipertróficas. Segundo Deterling et al. (2010), a maior rapidez na cicatrização decorre do estímulo à mitose celular, principal efeito da radiação por meio da LBP, e dos efeitos sobre a circulação, com a neoformação de vasos, que proporciona cicatrizes bem vascularizadas. A ação da LBP sobre os fibroblastos é o estímulo à sua reprodução (sobre as fibras elásticas e colágenas), minimizando o risco de distúrbios, como cicatrizes hipertróficas e queloides. Procedimentos estéticos em lifting corporal10 Microcorrentes As microcorrentes (MENS, do inglês microcurrent electrical nerve stimulator) são uma modalidade de eletroestimulação que utiliza correntes com parâmetros de intensidade na faixa dos microampères (AGNES, 2015). Essas correntes aceleram a síntese proteica de adenosina trifosfato (ATP) de 300 a 500%, incrementam o transporte de membranas e de aminoácidos de 30 a 40%, estimulam a cicatrização e liberam íons bactericidas pelo eletrodo, estimulando a fagocitose (BORGES, 2010). Para Borges (2010), as MENS são especialmente úteis para danos de tecidos moles, como feridas, traumas pós-cirúrgicos e, principalmente, em tratamentos de dor residual devido à cicatrização pós-cirúrgica. 3 Estimulação elétrica neuromuscular transcutânea Segundo Borges (2006), a estimulação elétrica neuromuscular transcutânea (TENS, do inglês transcutaneous electrical nerve stimulator) e outros re- cursos analgésicos também podem ser usados como forma de analgesia nos pós-operatórios em que haja presença de quadro álgico. Isso é comum em cirurgias de grandes áreas, como no caso do lifting corporal. Indicações e contraindicações das técnicas estéticas nos procedimentos de lifting corporal Para se obterem resultados satisfatórios, é imprescindível que o profissional esteticista conheça as indicações e as contraindicações das técnicas que po- derão ser utilizadas nos procedimentos de lifting corporal. Faz-se necessário, sobretudo, ter conhecimento de quais condutas são utilizadas em cada fase do reparo tecidual no pós-operatório. Importa ressaltar que o número de dias relativos a cada estágio do reparo é aproximado, e, além disso, os estágios se sobrepõem. Da mesma forma, também se deve considerar que há diferenças e particularidades entre os pacientes. Ao serem utilizados, esses recursos diminuem o tempo de repouso, res- tauram a funcionalidade e aceleram a recuperação do indivíduo em suas atividades sociais. 11Procedimentos estéticos em lifting corporal Para Borges (2010), o pós-operatório pode ser dividido de acordo com as fases de cicatrização que determinam o processo de reparo tecidual: a fase inflamatória, a fase proliferativa e a fase de remodelação. A indicação de condutas a serem utilizadas deverá ser determinada pela fase, conforme apresentado a seguir. � Fase inflamatória: nesta fase devem ser fornecidas ao paciente orien- tações gerais, indicação de repouso; para o tratamento são indicadas a compressão, a TENS e a crioterapia e, nesse caso, devem ser observadas alterações de sensibilidade (hipoestesias). � Fase proliferativa: mantêm-se as orientações gerais e, para o trata- mento, recomendam-se a drenagem linfática manual, o uso de US, as MENS e a mobilização do tecido conjuntivo, conforme os cuidados demandados por cada cicatriz. � Fase de remodelação: mantêm-se as orientações gerais e, para o trata- mento, pode-se lançar mão da DL, do uso de US, da endermoterapia e da RF, regulando a temperatura, além da mobilização do tecido conjuntivo. Muitas complicações tardias à cirurgia de lifting corporal podem ser evi- tadas com uma boa abordagem no pós-operatório (BORGES, 2010). Desse modo, além de serem observadas as indicações dos recursos a serem usados em cada fase do processo cicatricial, é importante que o profissional conheça os principais cuidados e contraindicações de cada técnica. Com relação à crioterapia, é importante ressaltar que o resfriamento ime- diato reduz a temperatura tecidual e, portanto, limita o trauma tecidual, evi- tando a formação do edema e aliviando a dor; no entanto, deve-se dar atenção aos casos em que ocorrem áreas de hipoestesia (BORGES, 2010). A DL não oferece nenhum risco para o paciente de pós-operatório, exceto se for mal aplicada, isto é, empregando-se muita força, rapidez excessiva ou direção errada, pois, nesses casos, poderá ocorrer o cisalhamento da cica- triz. Entretanto, há contraindicações absolutas, como processos infecciosos, tumores, alterações vasculares (p. ex., tromboembolismo e trombose venosa) (GUIRRO; GUIRRO, 2004). A TM é a maneira mais eficaz e rápidade tratamento para fibroses e aderências em pós-operatórios de cirurgia plásticas, mas é necessário ter atenção para não promover movimentos de afastamento das bordas da cicatriz, especialmente na fase proliferativa (VIEIRA; NETZ, 2012). A TM é eficaz em qualquer tempo de pós-operatório, com exceção da fase inflamatória inicial. Procedimentos estéticos em lifting corporal12 A utilização ideal da TM, de forma preventiva, deve ocorrer a partir do 3º ao 5º dia pós-operatório. Um cuidado importante que se deve ter está relacionado com a intensidade do estiramento, a qual deverá respeitar a resistência que o tecido oferece, observando-a inicialmente para não provocar afastamento da cicatriz. Essa mobilização pode ocorrer de 2 a 3 vezes por semana durante a fase de reparo (aproximadamente 30 a 40 dias), associada ou não aos outros recursos fisioterapêuticos disponíveis (BORGES, 2010). A massagem é capaz de produzir estímulos mecânicos nos tecidos. Uma vez que é realizada de forma rítmica, ela é indicada como um modo de pro- mover relaxamento e auxiliar na circulação venosa e linfática, assim como é indicada para absorção de substâncias extravasadas nos tecidos (MACEDO; OLIVEIRA, 2011). A massagem só deverá ser usada, e mesmo assim com cautela, a partir da fase de maturação. Com ela, deve-se ter muita atenção, pois a massagem poderá aumentar o risco da formação de seromas e hematomas tardios. Algumas técnicas, como a TM, são mais indicadas para o tratamento do tecido cicatricial (MACEDO; OLIVEIRA, 2011). Com relação à endermoterapia, seu uso no pós-operatório deve observar a intensidade de pressão a ser utilizada, adequada à sensibilidade do paciente e na fase de cicatrização do tecido. O calor, nos pós-operatórios de cirurgias plásticas, é indicado para melhorar a qualidade do tecido cicatricial, tratar fibroses e aderências. A técnica de aplicação deverá ser totalmente segura para evitar queimaduras, uma vez que esses pacientes normalmente apresentam áreas de hipoestesia. Contudo, uma contraindicação é sua utilização em fase inflamatória de cicatrização (BORGES, 2010). A utilização do US no pós-operatório de cirurgias plásticas é indicada para acelerar a cicatrização, melhorar a força tênsil, prevenir cicatrizes hipertróficas e queloides e, ainda, para prevenir fibroses, sendo que a contraindicação para o seu uso está associada à definição inadequada de sua frequência e modalidade, sem respeitar a fase de cicatrização do tecido (MACEDO; OLIVEIRA, 2011). A RF é indicada para tratamento das fibroses, tanto recentes quanto tardias, podendo ser usada em uma fase precoce, desde que seja avaliada a sensibili- dade térmica do paciente e que o edema local não seja pronunciado (AGNES, 2015). Algumas contraindicações são condições como as seguintes: gestantes, uso de próteses metálicas, marca-passo, doenças oncológicas, distúrbios de coagulação e processos infecciosos (BORGES, 2010). 13Procedimentos estéticos em lifting corporal Segundo Agnes (2015), a terapia por meio dos LEDs é eficaz, não-inva- siva, indolor e livre de efeitos colaterais; além disso, é fácil de aplicar, sendo bem tolerada por todas as idades e tipos de pacientes, principalmente em pós-operatórios. O LBP é indicado no pós-operatório de cirurgias plásticas porque acelera o processo de cicatrização, diminui o edema local o processo inflamatório, entre outros. Algumas contraindicações ao uso dessa técnica envolvem aplicação na região dos olhos, paciente com marca-passo, carcinoma e presença de irritação cutânea (BORGES, 2010). Segundo Deterling et al. (2010), o LBP colabora no processo de cicatrização pós-cirurgia plástica, auxiliando na formação de uma cicatrização mais rápida e estética. Em pós-operatórios de cirurgias plásticas, as MENS são utilizadas para estimular o reparo tecidual, proporcionando uma melhor organização do tecido cicatricial. Além disso, elas possuem propriedades anti-inflamatórias, anti- -edematosas e bactericida (MACEDO; OLIVEIRA, 2011). As contraindicações para a aplicação das MENS envolvem presença de marca-passo, implantes metálicos, neoplasias e dermatoses cutâneas (GUIRRO; GUIRRO, 2004). A TENS é indicada para alívio da dor, sendo recomendada sobretudo nos pós-operatórios de cirurgias plásticas de grande porte, como é o caso do lifting corporal. As contraindicações para o uso da TENS são presença de marca-passo, alteração de sensibilidade, epilepsia e aplicação sobre o seio carotídeo (AGNES, 2015). AGNES, J. E. Eletro termo foto terapia. 4. ed. [S. l.]: Santa Maria, 2015. AMORIM, D. M.; OLIVEIRA, S. P.; CERCAL, F. Liberação tecidual funcional para fibroses instaladas em pós-operatórios de cirurgias plásticas do contorno corporal. 2011. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Curso Superior de Tecnologia em Estética e Imagem) – Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba, 2011. AMORIM, J. C. F. Ação fototóxica do laser em baixa intensidade e diodo de emissão de luz (LED) na viabilidade do fungo Trichophyton rubrum: estudo “in vitro”. 2007. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007. BORGES, F. S. Dermato-funcional: modalidades terapêuticas nas disfunções estéticas. São Paulo: Phorte, 2006. Procedimentos estéticos em lifting corporal14 BORGES, F. S. Dermato-funcional: modalidades terapêuticas nas disfunções estéticas. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Phorte, 2010. BRUNICARDI, F. C. et al. Schwartz - Princípios de cirurgia: autoavaliação, pré-teste e revisão. 9. ed. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2013. COUTINHO, M. M. et al. 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Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. VIEIRA, T. S.; NETZ, D. J. A. Formação da fibrose cicatricial no pós-cirúrgico de cirurgia estética e seus possíveis tratamentos: artigo de revisão. 2012. Trabalho de conclusão de curso (Pós-graduação lato sensu em Estética Facial e Corporal) – Universidade do Vale do Itajaí, Itajaí, 2012. Procedimentos estéticos em lifting corporal16