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CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 1 Motivação e Satisfação no Trabalho Aula 2 Profa. Carla Souza Profa. Carolina Walger CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 2 Conversa Inicial A satisfação no trabalho é um fenômeno que pode influenciar o exercício do trabalho, afetando o desempenho e a saúde do trabalhador (MARTINEZ; PARAGUAY, 2003). Para operacionalizar esse conceito na área de recursos humanos recorre-se ao clima organizacional. Ouvimos o termo “clima” nas diversas situações do dia a dia: “A ação do gerente ao saudar o bom dia para a equipe torna o clima se torna mais leve”, “Após a derrota, o técnico estava sem clima para continuar a dirigir o time”, “Sem clima com aliados do governo, ministro é garantido no cargo por força do presidente” (SOUZA, 2014). No contexto da área de recursos humanos o clima pode ser entendido como a percepção dos funcionários sobre a organização em que trabalham, refletindo seu grau de satisfação diante do ambiente de trabalho, das relações laborais e das políticas de recursos humanos. Contextualizando A satisfação no trabalho é fundamental para a garantia de um clima organizacional saudável e favorece o aumento do desempenho da organização como um todo. Você já esteve insatisfeito com o seu trabalho? Ou conhece alguém insatisfeito? Quais as consequências desta insatisfação para o trabalhador, a equipe e a organização? Pesquise Antes de iniciar nossos estudos, sugiro que realize uma pesquisa sobre satisfação no trabalho. Durante a sua pesquisa, avalie e reflita sobre as principais fontes de satisfação e insatisfação no trabalho. Espero que consiga enumerar as principais fontes de satisfação que VOCÊ tem no trabalho. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 3 Tema 1: Conceitos e Definição de Satisfação no Trabalho A satisfação no trabalho é um conceito multidimensional, pois é influenciado por variáveis intrínsecas e extrínsecas. Não há clareza sobre uma definição de satisfação no trabalho, segundo Martinez e Paraguay (2003), as definições mais utilizadas referem-se à satisfação no trabalho como sinônimo de motivação, como atitude ou como estado emocional. Já a visão da satisfação e insatisfação são tratadas como fenômenos distintos. Estas diferentes perspectivas, de entender a satisfação no trabalho, serão enumeradas no quadro a seguir: QUADRO 01 – Perspectivas da Satisfação no Trabalho Satisfação como sinônimo de motivação É muito comum nós vermos a associação de motivação à satisfação, e vice-versa. Motivação manifesta a tensão gerada por uma necessidade e satisfação expressa à sensação de atendimento da necessidade (MARTINEZ; PARAGUAY, 2003). Portanto, motivação é a ação (busca) e satisfação corresponde a resultado. Satisfação no trabalho como atitude Atitudes são disposições para agir, decorrentes de conceitos, informações e emoções. Podemos considerar que algumas atitudes podem ser decorrentes da satisfação no trabalho, mas não a sua definição Satisfação versus insatisfação no trabalho Satisfação e insatisfação no trabalho são consideradas como os dois extremos de um mesmo fenômeno, sendo frequentes os estudos que adotam uma medida de satisfação por meio de escalas que vão de um extremo de "muito satisfeito" até o extremo oposto de "muito insatisfeito". Satisfação no trabalho como estado emocional Satisfação no trabalho é considerada um estado emocional agradável resultante da avaliação que o indivíduo faz de seu trabalho. Resulta da percepção da pessoa sobre como este satisfaz ou permite satisfação de seus valores importantes no trabalho. Fonte: Adaptado de Martinez e Paraguay, 2003 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 4 A satisfação no trabalho é influenciada por inúmeros fatores, iremos adotar a teoria de Locke, a qual foi citada por Martinez e Paraguay (2003), que avaliada a satisfação a partir de fatores causais relacionados ao ambiente de trabalho como: eventos/condições e agentes. QUADRO 02 – Fatores Influenciadores da Satisfação no Trabalho Eventos e condições Agentes Trabalho Diz respeito ao trabalho propriamente dito e ao conteúdo do trabalho. Inclui: um trabalho que seja pessoalmente interessante e significativo, sucesso e sentimento de realização, possibilidade de uso de habilidades e capacidades, possibilidade de crescimento, variedade de tarefas, responsabilidade, autonomia na tomada de decisões, clareza de papéis e ausência de conflito de papéis, avaliação positiva do desempenho no trabalho, harmonia e integração interpessoal, ausência de fadiga física e de monotonia. Colegas e subordinados Envolve relações de confiança, competência, colaboração e amizade, bem como o compartilhamento de valores. Pagamento Compreende equidade (em comparação ao que outros estão recebendo), quantidade (suficiente para suas despesas no contexto de seu estilo de vida preferido), forma de pagamento e benefícios (assistência médica, aposentadoria, férias, seguro desemprego e outros). Os autores também acrescentam a segurança (estabilidade) no emprego como um fator importante no pagamento porque significa uma segurança de recebimento de pagamentos. Supervisão e gerenciamento Empregados esperam que seus supervisores sejam atenciosos (o que inclui facilitar o alcance de seus valores), justos, competentes, que reconheçam e recompensem o bom desenvolvimento dos empregados e permitam alguma participação no processo de tomada de decisões. Devem, também, demonstrar respeito aos empregados como seres humanos, incluindo comportamento pautado por valores éticos e adequada comunicação de informações. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 5 Promoção Inclui oportunidades, justiça e clareza (no sistema de promoções) e disponibilidade (nem todos os empregados querem promoção). Empresa/organização: Refere-se a como as empresas demonstram respeito pelos empregados e por seus valores, bem como à política de benefícios e pagamentos, e, também, a competência da organização (sentido de direção, gerenciamento eficaz, geração de um bom produto). Reconhecimento Inclui receber créditos pelas realizações, elogios, desde um anúncio público na empresa até comentários informais. Condições e ambiente de trabalho Englobam recursos disponíveis (tempo, dinheiro, equipamentos, suporte) para realização do trabalho, jornada de trabalho, pausas, turnos de trabalho, condições físicas (ruído, ventilação, umidade, temperatura, arranjo físico e posto de trabalho) e segurança (ausência de riscos). Fonte: Adaptado de Martinez e Paraguay, 2003 Tema 2: Clima Organizacional e Satisfação no Trabalho O que é clima organizacional? Quando ouvimos falar sobre clima, imagina-se que estamos nos referindo à temperatura e condições meteorológicas. Nas organizações, clima apresenta outra ênfase (SOUZA, 2014). Assim, para essa autora, dentro do contexto organizacional, o clima corresponde a um aspecto meteorológico que diz respeito à avaliação das pessoas sobre as condições organizacionais: estrutura, relações de poder, práticas de recursos humanos. Segundo Maximiano (1995, p. 107), “o clima é representado pelos conceitos e sentimentos que as pessoas partilham a respeito da organização e que afetam de maneira positiva ou negativa sua satisfação e motivação no trabalho”. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 6 Entender o clima organizacional possibilita que os gestores de pessoas compreendam que práticas administrativas podem favorecer o desempenho dos colaboradores, ou até prejudicar. Por isso, o conhecimento do clima organizacional visa possibilitar aumentar a motivação e satisfação dos colaboradores (SOUZA, 2014). Outroconceito é apresentado por Robbins, Judge e Sobral (2010), em que o clima organizacional é um reflexo das percepções comuns que os colaboradores da organização têm sobre ela e o ambiente do trabalho. Stefano, Zampier e Maçaneiro (2007), por sua vez, definem o clima de uma organização como a forma de comportamento de seus recursos humanos diante dos diferentes aspectos internos e externos, que se apresenta de forma diferenciada em cada período. No que se refere às influências, Araújo e Tagliocolo (2007) afirmam que o clima organizacional se dá no meio ambiente organizacional, onde é afetado por quatro grandes dimensões: resistência à mudança, estresse, liderança e motivação, as quais serão descritas a seguir: A dimensão resistência à mudança está relacionada com as alterações das rotinas de trabalho por outra mais eficiente e envolve a participação dos funcionários neste processo de implantação e adequação a um novo sistema. A dimensão estresse está relacionada com as ações rotineiras, o que envolve o relacionamento com as demais pessoas. O estresse afeta a produtividade do funcionário e pode ser causado tanto por fatores pessoais quanto organizacionais, cabe ao administrador desenvolver ações que amenizem os impactos negativos do estresse. A dimensão liderança relaciona líder e colaborador. Bons líderes influenciam a motivação de seus colaboradores, sua equipe de trabalho, e, assim, a organização se torna mais eficiente e eficaz. Bons líderes geram mais resultados positivos. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 7 A dimensão motivação está mais ligada a aspectos internos do que externos, as organizações podem gerar estímulos externos, mas cada funcionário terá uma percepção se o motiva ou não. Os conceitos acima apresentados revelam que o clima organizacional é algo perceptual e mutável da organização. Por isso, torna-se relevante identificar os elementos que são significativos para os colaboradores no desenvolvimento de seu trabalho e na interação social. Tema 3: Tipos de Clima Organizacional Segundo Maximiano (1995), o clima organizacional se manifesta de duas maneiras: clima organizacional favorável ou positivo e clima organizacional desfavorável. O clima organizacional pode ser classificado de duas formas distintas: o clima organizacional favorável ou positivo e o clima organizacional desfavorável ou negativo, de forma que ambos poderão acarretar consequências para a empresa (SOUZA, 2014). Segundo Souza (2014), o clima organizacional favorável ocorre quando predominam na empresa atitudes positivas, como: uma boa comunicação interna, integração entre departamentos, tônica favorável, alegria, confiança, entusiasmo, dedicação. Já o clima organizacional desfavorável existe quando algumas variáveis organizacionais e/ou ambientais afetam de maneira negativa o animo da maioria dos funcionários, gerando tensões, discórdia, rivalidades, resistências às ordens, sabotagem, roubos, falta de participação, entre outros (SOUZA, 2014). Outra tipologia de clima organizacional é apresentada por Bispo (2006), classificando-o como clima favorável, mais ou menos e desfavorável. A seguir são apresentadas as principais consequências do clima organizacional: CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 8 QUADRO 03 - Tipologias de Clima Organizacional Clima organizacional Desfavorável Mais ou menos Favorável Frustração Indiferença Satisfação Desmotivação Apatia Motivação Falta de integração empresa/funcionários Baixa integração empesa/funcionários Alta integração empesa/funcionários Falta de credibilidade mútua empresa/funcionários Baixa credibilidade mútua empresa/funcionários Alta credibilidade mútua empresa/funcionários Falta de retenção de talentos Baixa retenção de talentos Alta retenção de talentos Improdutividade Baixa produtividade Alta produtividade Pouca adaptação à mudança Média adaptação à mudança Maior adaptação à mudança Alta rotatividade Média rotatividade Baixa rotatividade Alta abstenção Média abstenção Baixa abstenção Pouca dedicação Média dedicação Alta dedicação Baixo comprometimento com a qualidade Médio comprometimento com a qualidade Alto comprometimento com a qualidade Clientes insatisfeitos Clientes indiferentes Clientes satisfeitos Pouco aproveitamento nos treinamentos Médio aproveitamento nos treinamentos Maior aproveitamento nos treinamentos Falta de envolvimento nos negócios Pouco envolvimento nos negócios Maior envolvimento nos negócios Crescimento de doenças psicossomáticas Algumas doenças psicossomáticas Raras doenças psicossomáticas Insucesso nos negócios Estagnação nos negócios Sucesso nos negócios Fonte: Adaptado de Bispo (2006). Vale destacar que um clima organizacional neutro requer atenção e cuidado (PASETTO; MESADRI, 2012). O clima neutro revela que a pessoa ainda não tem opinião formada sobre como percebem a organização em que trabalha. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 9 Isto irá requerer dos profissionais a implantação das políticas de recursos humanos de forma mais pontual. Tema 4: Indicadores de Clima Organizacional e Satisfação no Trabalho Nas organizações há uma série de fatores que afetam positivamente ou negativamente a forma de agir e comportamento das pessoas, bem como o clima organizacional (SOUZA, 2014). Neste sentido, a literatura sobre o tema nos apresenta algumas abordagens que objetivam a mensuração do clima organizacional por meio de indicadores. Portanto, nesta seção estudaremos algumas das mais populares. Consegue-se perceber certa familiaridade entre elas, mas é importante atentar- se para suas particularidades. 4.1 Modelo de Litwin e Stringer Segundo Souza (2014), um dos mais antigos e populares é o modelo de Litwin e Stringer. Os autores criaram um questionário baseado em nove indicadores, que, de acordo com Bispo (2006), podem ser definidos como: Estrutura; Responsabilidade; Desafio; Recompensa; Relacionamento; Cooperação; Conflito; Identidade; Padrões. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 10 4.2 Modelo de Kolb Outro modelo importante a ser estudado é o de Kolb, o qual trabalha com apenas sete indicadores (SOUZA, 2014). Três deles já foram citados no modelo de Litwin e Stringer (responsabilidade, padrões e recompensas) e o modelo de Kolb utiliza mais os seguintes indicadores: Clareza Organizacional: o ambiente e os objetivos organizacionais estão bem definidos; Calor e Apoio: o sentimento de camaradagem e boa convivência entre os colaboradores, onde confiam e se ajudam mutuamente; Liderança: o quanto os colaboradores sentem-se à vontade para assumir a liderança, e com isso, são bem recompensadas. 4.3 Modelo de Coda Outro modelo interessante foi estruturado por Coda (1997), que utilizou empresas brasileiras (públicas e privadas) para formalizar seu estudo (SOUZA, 2014). Ele se baseou em dez tópicos, a saber: Liderança; Compensação; Maturidade empresarial; Colaboração entre áreas funcionais; Valorização profissional; Identificação com a empresa; Processo de comunicação; Sentido de trabalho; Política global de recursos humanos; Acesso. 4.4 Modelo de Sbragia O modelo de Sbragia (1983) possui 20 dimensões e foi utilizado pela primeira vez em um estudo em institutos de pesquisa (SOUZA, 2014). A seguir são apresentadas as dimensões: Estado de tensão; Conformidade exigida; CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 11 Ênfase na participação; Proximidade da supervisão; Consideração humana; Adequação da estrutura; Autonomia presente; Recompensas proporcionais; Prestígio obtido; Cooperação existente; Padrões enfatizados; Atitude frente a conflitos; Sentimento de identidade; Tolerância existente; Clareza percebida; Justiça predominante; Condições de progresso; Apoio logístico proporcionado; Reconhecimento proporcionado; Forma de controle. 4.5 Modelo de Bedani O modelo de Bedani (2006) avalia o clima organizacional a partir das dimensões psicossocial e organizacional. A Dimensão Psicossocial se refere aos sentimentos e atitudes do funcionário com relação às pessoas, ao trabalho e à própria organização, sendo composta por quatro variáveis: Estilo de Gerência; Comprometimento Organizacional; Trabalho em Equipe; Reconhecimento. A Dimensão Organizacional, por sua vez, se refere às condições proporcionadas pela organização para o desempenho do papel na função, clareza organizacional e padrão de desempenho e recompensa, e volume de trabalho, esta dimensão é composta por três fatores: Carga de Trabalho; Condições de Trabalho; Clareza Organizacional e Padrão de Desempenho. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 12 4.6 Modelo de Luz O modelo proposto por Luz (2003) foi baseado em levantamento feito junto a 17 grandes empresas nacionais e multinacionais, instaladas no município do Rio de Janeiro. A partir desta pesquisa foram identificadas as seguintes variáveis: Trabalho realizado; Salário; Benefícios; Cooperação e conflitos entre os diferentes departamentos da empresa; Supervisão (liderança) estilo gerencial; Comunicação; Treinamento/desenvolvimento/Carreira; Possibilidades de progresso profissional; Relacionamento interpessoal; Estabilidade no emprego; Processo decisório; Condição física de trabalho; Participação; Pagamento de salário; Segurança do trabalho; Objetivos organizacionais; Orientação da empresa para os resultados; Disciplina; Imagem da empresa; Estrutura organizacional; Ética e responsabilidade social; Qualidade e satisfação do cliente; Reconhecimento; Vitalidade organizacional; Direção e estratégias; Valorização dos funcionários; Envolvimento/ Comprometimento; Trabalho em Equipe; Planejamento Organizacional. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 13 Tema 5 – Outros Modelos para Mensuração do Clima Organizacional e Satisfação no Trabalho Complementando o tema quatro desta aula iremos conhecer outros modelos que fornecem indicadores para a mensuração do clima organizacional e satisfação no trabalho, os quais são apresentados por Souza (2014). 5.1 Modelo de Halpin e Grolf O Modelo de Halpin e Grolf, apresentado por Rizzatti apud Souza (2014), constitui-se de oito fatores de clima organizacional, os quais descrevem o comportamento do subordinado e comportamento do líder. Os indicadores propostos se referem a aspectos relacionais, não sendo considerados características da organização e da tarefa executada pelo empregado. Para melhor compreensão do modelo são apresentados seus indicadores: Falta de entrosamento; Obstáculo; Espírito; Amizade; Distância; Produção; Estímulo; Consideração. 5.2 Modelo de Schneider O Modelo de Schneider, segundo Rizzatti (2002) apresenta seis fatores para mensuração do clima organizacional aplicada na esfera da organização pública, a saber: Suporte administrativo; Estrutura administrativa; Preocupação com novos servidores; Independência dos servidores; Conflitos internos; Satisfação geral; CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 14 5.3 Modelo de Campbell Segundo Rizzatti (2002) citada por Souza (2014), o modelo de Campbell é um dos mais conhecidos, pois apresenta dimensões comuns utilizadas em qualquer instrumento de clima organizacional. Estas dimensões são: Autonomia individual; Grau de estrutura; Orientação para recompensa; Consideração, calor e apoio. 5.4 Modelo de La Follete e Sims O Modelo de La Follete e Sims, citado por Rizzatti (2002) apresenta indicadores que se referem a aspectos organizacionais e individuais, a saber: Grau efetivo em relação a outras pessoas da organização; Grau efetivo em relação à supervisão e/ou organização; Clareza das políticas e promoções; Pressões no trabalho e padrões; Comunicação aberta e ascendente; Risco na tomada de decisão; 5.5 Modelo de Peltz e Andrews O modelo de Peltz e Andrews, segundo Rizzatti apud Souza (2014), foi desenvolvido a partir de pesquisa realizada com cientistas e engenheiros de 11 organizações industriais, governamentais e universitárias, com o objetivo de estudar a influência da administração dos laboratórios no desempenho dos indivíduos. Os resultados que originaram os indicadores são apresentados a seguir: Liberdade; Comunicação; Diversidade; Dedicação; Motivação; Satisfação; Similaridade; Criatividade; Grupos. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 15 5.6 Modelo de Zohar O modelo de Zohar adota uma perspectiva diferenciada, pois a sua proposta de pesquisa apresenta a percepção dos indivíduos sobre as condições de segurança no trabalho (RIZZATTI apud SOUZA, 2014), a qual ele chamou de clima de segurança. Vale ressaltar que esta pesquisa pode ser aplicada em organizações onde as condições de trabalho apresentam altos níveis de periculosidade e insalubridade. Os indicadores do Modelo de Zohar são apresentados a seguir: Importância e eficiência do programa de treinamento em segurança; Atitudes da administração com relação à segurança. Efeito da conduta segura sobre as promoções; Nível do risco nos locais de trabalho; Efeitos do ritmo de trabalho necessário sobre a segurança; Status do oficial de segurança; Efeito da conduta segura no status social; Status do comitê de segurança. 5.7 Modelo de Colossi O modelo de Colossi, segundo Rizzatti (2002) apud Souza (2014), leva em consideração os seguintes fatores: Filosofia e ambiente geral na empresa; Condições físicas de trabalho; Sistema de avaliação e controle; Treinamento e desenvolvimento profissional; Progresso funcional; Comportamento das chefias; Satisfação pessoal; Sistema de assistência e benefício; Lazer; Relacionamento sindical. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 16 5.8 Modelo de Rizzatti O modelo de Rizzatti teve como objetivo desenvolver um instrumento de pesquisa de clima para aplicação em organizações universitárias (SOUZA, 2014). Os indicadores no modelo são apresentados no quadro a seguir: QUADRO 04 - Modelo de Rizzatti Indicadores Elementos Imagem institucional Satisfação usuário Sentimento de identidade Prestígio obtido Políticas de recursos humanos Políticas governamentais Políticas institucionais Ações sindicais Sistema de assistência e benefícios Plano de recursos humanos Benefícios legais Benefícios assistenciais Estrutura organizacional Tamanho da instituição Complexidade da instituição Tecnologia da instituição Organização e condições de trabalho Condições ergonômicas Controle tempo e conservação serviço Relacionamento interpessoal Relacionamento existente Cooperação existente Consideração humana Comportamento das chefias Honestidade e credibilidade Conhecimento das atividades Estilo de liderança Satisfação pessoal Satisfação no trabalho Jornada de trabalho Reconhecimento proporcionado Planejamento institucional Informação Comprometimento Participação Processo decisório Delegação Comunicação Conflitos de interesse Autonomia institucional Políticas do governo Estratégia da instituição Avaliação institucional Controle da qualidade dos serviços Cultura organizacional Fonte: Adaptadode Rizzatti (2002). CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 17 5.9 Modelo de Bispo O Modelo de Bispo (2006) tem por objetivo o alinhamento das influências internas e externas para a avaliação do clima organizacional. No que se refere aos fatores internos de influências, destacam-se: Ambiente de trabalho; Assistência aos funcionários; Burocracia; Cultura organizacional; Estrutura organizacional; Nível sociocultural; Incentivos profissionais; Remuneração; Segurança profissional; Transporte casa/trabalho; Vida profissional. No que tange os aspectos externos de influência, Bispo (2006) apresenta: Convivência familiar; Férias e lazer; Investimentos e despesas familiares; Política e Economia; Saúde; Segurança Pública; Situação financeira; Time de futebol; Vida social. Os indicadores propostos por Bispo (2006) apresentam o individual sob uma perspectiva integral e situada. Uma das principais diferenças dos outros modelos é a consideração da influência dos relacionamentos familiares e em sociedade sobre sua satisfação no trabalho. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 18 Trocando Ideias Sabe-se que o clima organizacional interfere na satisfação no trabalho. Discuta com os seus colegas, no fórum, sobre quais aspectos fazem com que esteja satisfeito no trabalho. Na Prática Estudamos que há vários elementos que interferem no clima organizacional e na satisfação no trabalho. São inúmeros indicadores que podemos nos basear para avaliar o clima e a satisfação no trabalho. Para nossa atividade prática siga os passos: 1. Escolha um dos modelos de mensuração do clima e satisfação no trabalho (apresentados nos temas 4 e 5). 2. Com os indicadores em mãos entreviste uma pessoa questionando sua percepção sobre cada um dos indicadores. 3. Após a avaliação dos indicadores questione seu entrevistado sobre quais aspectos mais o motivam no trabalho. Acompanhe a resolução dessa atividade no material on-line. Síntese A satisfação no trabalho representa o resultado dos esforços organizacionais para a garantia de um ambiente organizacional que favoreça o bom desempenho do funcionário e um clima organizacional saudável. O clima organizacional, por sua vez, pode ser entendido como a percepção dos funcionários sobre o ambiente corporativo. O clima organizacional se refere ao estado de espírito da organização, enquanto que a cultura organizacional é a identidade da organização. Conhecemos, também, os diversos modelos de indicadores que podem ser utilizados para mensurar o clima organizacional: Modelo de Litwin e Stringer, Modelo de Kolb, Modelo de Coda, Modelo de CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 19 Sbragia, Modelo de Bedani, Modelo de Luz, Modelo de Halpin e Grolf, Modelo de Schneider, Modelo de Campbell, Modelo de La Follete e Sims, Modelo de Peltz e Andrews, Modelo de Zohar, Modelo de Colossi, Modelo de Rizzatti, Modelo de Bispo. Por fim, você pode entender que o clima organizacional pode ser positivo, negativo e neutro, cada um destes resultados gera uma série de consequências para o indivíduo e para a organização. Referências ARAÚJO, G.; TAGLIOCOLO, C. Clima organizacional: um estudo sobre as quatro dimensões de análise. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA, 4., 2007, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: Seget, 2007. BEDANI, M. 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