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AULA 3 TEORIA DA COMUNICAÇÃO E COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA Profª Valéria Navarro 2 CONVERSA INICIAL Para compreender o universo da Comunicação Analógica e da Comunicação Digital, temos, antes de tudo, que compreender o significado destes dois termos: analógico e digital. Assim, posteriormente podemos analisar seu funcionamento dentro da Comunicação. A comunicação humana é subdividida em sintaxe, semântica e pragmática. A sintaxe abrange as questões da transmissão da informação, como a codificação e descodificação, os canais utilizados, a capacidade comunicativa, os ruídos e redundâncias. A semântica analisa o significado da mensagem de acordo com a relação estabelecida entre o transmissor e o receptor. O pragmatismo vai estudar a relação entre a comunicação e o comportamento humano: não apenas a linguagem falada ou escrita representa a comunicação, mas todas as demais expressões envolvidas no ato comunicativo também estão carregadas de significados. Simplificadamente, podemos dizer que a linguagem analógica é a comunicação não verbal, expressa na postura corporal, nos gestos e nas expressões faciais. Ela é semântica. A linguagem digital, por sua vez, é a sintaxe, pois é a comunicação verbal, com seus dígitos e simbologias, descritos verbal ou graficamente. TEMA 1 – ANALOGIA Analogia é uma análise de determinada situação em que se utiliza uma forma comparativa para procurar demonstrar a ideia que se deseja fazer chegar ao receptor. Dessa maneira, o emissor busca em seus conhecimentos prévios um meio para explicar um objeto ou tema A de acordo com outro exemplo prático B, não de igual significado, mas semelhante o suficiente e mais simplificado a ponto de fazer com que o interlocutor possa perceber a ideia A, mais complexa. Na Filosofia, a analogia averigua a semelhança entre objetos ou ideias. Na Gramática, é a criação de uma nova forma de linguagem. O processo de transferência da informação ou de significado de um objeto para outro cria um argumento gerado por meio da indução e da dedução. A semelhança é o ponto de partida, a premissa básica para a compreensão. 3 Por exemplo, podemos fazer uma comparação entre uma árvore e um ser humano: ambos são seres vivos, ambos nascem e crescem. Importante salientar que as analogias são sempre fluídas e criativas, mas imperfeitas por natureza, já que o objeto A não é igual ao B, mas mesmo assim permite comparações racionais. Elas podem ser utilizadas para a solução de problemas, para a tomada de decisões, para nos expressarmos e até para exercitarmos nossa capacidade de raciocínio e nossa criatividade. Willian Gordon criou a técnica da Cinética objetivando o desenvolvimento do pensamento criativo. Ele sugere que usar uma metáfora no processo criativo pressupõe a retirada de uma ideia de um contexto para, por semelhança, atribuí- lo a outro contexto. Para ele, essa analogia pode acontecer de forma direta, pessoal ou por conflito comprimido. Na analogia direta, há uma comparação metafórica entre um elemento central do problema que se quer solucionar com um conceito similar. Na analogia pessoal, há a tentativa de criar empatia com o problema, usando a imaginação para sentir o que o objeto de estudo sentiria em determinada situação. E, no conflito comprimido, novas ideias surgem pela combinação da descrição de duas palavras que se contradizem entre si. 1.1 Meio de comunicação puramente analógico Em um meio de comunicação puramente analógico, as representações abstratas ou simbólicas não estão presentes nos dados transmitidos. Isso impossibilita sua manipulação, bem como sua conservação. No entanto, como já vimos anteriormente, as distorções ou ruídos de comunicação são inevitáveis em qualquer transmissão de dados. Por isso, podemos considerar que o meio analógico restringe os dados ainda que possam ser considerados mais palpáveis que os digitais. Ao contrário dos meios digitais, os analógicos não podem ser transformados ou armazenados. O relógio analógico, por exemplo, tem um funcionamento contínuo, linear e expressa tão somente três dados: hora, minuto e segundo. Uma vez lido esse sinal, já não será mais o mesmo do segundo anterior. Na tecnologia, a transmissão de dados pode acontecer de forma analógica ou digital, de acordo com o tipo de sinais utilizados nos sistemas: o sinal analógico é contínuo e varia somente em função do tempo. Recebe-se um sinal de áudio ou vídeo traduzindo-o em pulsos eletrônicos. 4 Ao assistir sua televisão analógica, você estará recebendo os dados transmitidos por uma torre e esses dados se alteram em função do tempo de transmissão. Portanto, a transmissão analógica de dados faz circular as informações na forma de onda em um suporte físico de transmissão. De acordo com essa “onda”, a transmissão de dados analógica pode ser por modulação de amplitude, de fase ou de frequência. Durante muitas décadas, os meios foram puramente analógicos. Atualmente, os meios digitais estão se incorporando ou substituindo os meios analógicos. O modem foi a solução encontrada para transmitir dados digitais de forma analógica. Sua função é justamente converter dados digitais em sinais analógicos e vice-versa. O sistema analógico utilizado no rádio e na televisão acontece por meio de ondas eletromagnéticas, sendo representado por uma sequência contínua de valores: os sons e imagens, dessa forma, vão se desgastando a cada nova transmissão ou cópia. TEMA 2 – DIGITAL A palavra digital vem da analogia com os dedos, com nossas impressões digitais. Na Aritmética, está relacionada ao dígito, ou seja, ao algarismo. Na tecnologia digital, temos a representação de informações por meio de caracteres ou números (informação binária). A tecnologia digital transforma qualquer linguagem em um dado numérico, e, ao contrário da analógica, independe de meios materiais para sua transmissão e pode ser reconstituída inúmeras vezes. Com a chegada da chamada Era Digital e da Internet, a transmissão de dados é muito mais rápida, passível de repetições inúmeras e de armazenamento de dados contínuos. Dessa forma, a comunicação digital revolucionou as relações e hoje, diferentemente da época em que a comunicação de massa era feita unicamente por meio do rádio, da televisão e da imprensa escrita, coloca o homem comum em condição de ser aquele que produz e transmite informações, saindo do papel de mero espectador passivo. A Era Digital afetou todo o conjunto de relações sociais e a própria comunicação, oferecendo as mesmas possibilidades do rádio, televisão e imprensa escrita, mas com a vantagem da velocidade na transmissão dos dados e a capacidade de gerar interação. Por isso, cada vez mais aparelhos e 5 softwares são criados para facilitar e modernizar o processo digital, basta constatar a TV Digital e a intensa adesão às mídias sociais. TEMA 3 – OS PILARES DA COMUNICAÇÃO DIGITAL A comunicação digital levou à própria digitalização dos meios de comunicação, por meio da web, das redes sociais e dos dispositivos móveis – que a cada dia revolucionam e se atualizam e modernizam. Essa nova realidade exige uma maior aproximação com o público, criando, do ponto de vista físico, um distanciamento no ato comunicativo, mas, do ponto de vista geral, uma incrível aproximação entre as pessoas fisicamente distantes. Essa relação pode parecer mais profunda, no sentido de que um de seus pilares é o engajamento com o público-alvo, em busca de fidelização. As redes sociais são a principal ferramenta dos novos canais de relacionamento da Era Digital. Empresas, pessoas, grupos e instituições querem enviar diretamente suas mensagens, conversando, trocando ideias, ouvindo o público, trazendo dicas, estabelecendo canais empáticos, recebendo notícias, links, áudios e imagens das mais diversas fontes, confrontando dados, marcando o cenárioem que estão inseridas. Para que essa comunicação seja eficaz, o conteúdo deve estar adaptado ao novo meio. Websites requerem constantes atualizações, assim como páginas pessoais; caso contrário, podem se tornar espaços abandonados de conteúdo irrelevante. A responsabilidade passa não somente pela atualização, mas pela checagem da veracidade dos conteúdos, sob a pena de perda de credibilidade junto ao público-alvo. Um bom conteúdo exige pesquisa, criatividade, canais abertos para possíveis retornos e questionamentos sanados em tempo real. As projeções das principais consultorias da área nos remetem a uma perspectiva de quase 30 bilhões de dispositivos conectados na próxima década. Uma realidade que não pode ser ignorada por aqueles que desejam estar perto do público em geral. Para empresas, instituições e movimentos, o principal objetivo é estabelecer uma presença online, interagindo com o público dentro dessa nova realidade e tirando proveito dessa nova realidade que, se pararmos para pensar, quebra a hegemonia dos meios de comunicação tradicionais, possibilitando ao cidadão comum pautar o que é informação. O planejamento dentro da comunicação digital passa por instrumentos que envolvem a criação de sites, o serviço de assessorias especializadas, a 6 adequação da imagem, o monitoramento das mídias sociais e até mesmo estratégias de marketing, como o uso de técnicas de posicionamento nos sites de busca, como a Tecnologia de Posicionamento Inteligente – TPI. São técnicas aplicadas por empresas especializadas que colocam a empresa ou instituição entre os primeiros posicionamentos nos buscadores, criando mais visibilidade e, consequentemente, mais oportunidades. TEMA 4 – SITES, WHATSAPP, YOUTUBERS, FACEBOOK E OUTROS Na Era Digital, os meios são muitos. Estes têm sido explorados, cada vez mais, pelos usuários e grupos específicos de interesses. Temos portais e sites das mais diversas empresas e instituições. Por meio deles, é possível informar ao público a história de um dado movimento ou organização, seus objetivos, metas, ideais, seus feitos e ações, estabelecendo contato direto com o público- alvo e vencendo as barreiras que outrora existiram. Para que uma empresa, movimento ou instituição obtenha sucesso em seu portal ou site, é necessária constante atualização das informações, acesso ou canal direto de comunicação com o usuário, por meio de chats online integrados à página ou de e-mails respondidos com a maior brevidade possível. Ao entrar em um site, o usuário quer encontrar o máximo de informações necessárias a respeito de seu objeto de interesse: onde está localizado, como iniciou sua trajetória, quais seus objetivos, sua filosofia de trabalho, seus contatos, suas principais ações e conquistas. O uso de fotos e imagens é sempre um grande facilitador na interação do ato comunicativo digital, tornando o visual mais leve e agradável, acrescentando à linguagem escrita um caráter complementar mais lúdico. Dificilmente uma organização que esteja querendo conquistar o grande público ou público-alvo específico deixará de investir em um site oficial. Da mesma forma que não poderá abrir mão de interagir com ele por meio das redes sociais: páginas de Facebook são cada vez mais comuns, não somente para pessoas físicas, mas para a organização de eventos e para angariar novos seguidores que se identifiquem com as propostas nesse espaço oferecidas. Se cada vez mais a comunicação interpessoal passa pelas redes sociais, também, cada vez mais, a comunicação organizacional depende das redes para estabelecer contato com o público. 7 Basta dizer que, recentemente, nas últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos e no Brasil, o WhatsApp foi ferramenta essencial para a definição de cenários e, aqui, entramos em uma área específica de interesse ao estudarmos o fenômeno das redes sociais: as fake news. Sendo o WhatsApp um aplicativo multiplataforma comprado pelos proprietários do próprio Facebook, em 2014, não podemos deixar de pensar em fatores de cunho político ideológico ligados ao seu uso. Segundo dados da própria empresa, o WhatsApp alcançou a marca de um bilhão de usuários em 2016. No Brasil, mais de 80% dos lares utilizam aplicativos de mensagens instantâneas em sua comunicação diária. A verdade é que, desde o início do uso dos aparelhos celulares, a realidade do ato comunicativo vem mudando drasticamente. A primeira rede de telefonia celular, em território nacional, foi lançada em 1990 e, atualmente, estima-se que nosso país é o sexto maior mercado do mundo em telefonia celular, com uma média de duzentos e cinquenta milhões de usuários. Se antes era comum vermos ao menos um rádio de pilha nos lares mais humildes – fato que garantiu a eficiência desse meio por longas décadas, hoje é comum que desde as classes sociais menos favorecidas possuam ao menos um celular por família. O WhatsApp é o principal aplicativo de mensagens instantâneas no mundo atual. Realiza chamadas de voz, envia textos, imagens, vídeos, documentos em PDF. Em algumas ocasiões em que esteve suspenso por algumas horas por ordem judicial, no Brasil, gerou quase que uma onda de pânico e revolta entre os usuários, tamanha a dependência do aplicativo. Após sua instalação, o aplicativo cria uma conta de usuário usando o próprio número de telefone e todos os contatos da agenda são automaticamente sincronizados. Portanto, fica evidente que o software identifica os usuários e coleta dados de todos os usuários, fato que vem levantando suspeitas e questionamentos a respeito de questões de privacidade. Estudos realizados por entidades de cibersegurança apontam a vulnerabilidade desse aplicativo, que pode ser acessado por terceiros, não possibilita a real identificação dos contatos, as mensagens repassadas podem conter vírus ou simplesmente serem manipuladas (fake news), o código não é aberto e o projeto de segurança não está documentado conforme os padrões estabelecidos. No auge da digitalização, destacamos os youtubers, novidade que virou profissão entre os usuários da web. O YouTube é uma plataforma de vídeos que 8 possibilita a criação de canais e a postagem de materiais independentes. Segundo fontes oficiais, a plataforma já possui um bilhão de usuários. Quanto maior o número de visualizações, de seguidores inscritos no canal e de “likes” nas publicações, maior o poder de um youtuber. Sair do anonimato e alcançar a fama antes restrita a poucos escolhidos, querer passar conhecimentos ou criar material de lazer e, principalmente, ter lucros tanto com o número de acessos quanto pelos contratos secundários oriundos da fama, são algumas das motivações que envolvem, sobretudo, os mais jovens, extremamente influenciados por esse canal. Mas muitas empresas, políticos e instituições passaram a utilizar esse meio como forma de liderança e de influência. Da mesma forma que há conteúdos relevantes nesse canal, a grande maioria nos faz refletir a respeito da “idiotização” de toda uma geração, cada vez mais alheia aos livros, aos estudos e ao conhecimento e pensamento crítico e cada vez mais alienados em conteúdos altamente preconceituosos e inúteis. O pagamento dos youtubers é feito pelo canal em dólares e a partir da seguinte regra: a cada mil visualizações (views), o autor do vídeo ganha de 0,25 a 4,50 dólares. Isto é, para realmente obter lucros a ponto de considerar esta uma profissão, o youtuber precisa produzir muitos vídeos por mês de modo que cada um deles tenha alta quantidade de visualizações. O canal Porta dos Fundos, que apresenta conteúdo social político crítico baseado no humor, possui quase 15 milhões de inscritos e uma média de mais de setenta milhões de visualizações mensais, com ganho estimado entre 17 e 285 mil dólares. TEMA 5 – MÍDIAS ALTERNATIVAS X HEGEMONIA DOS MEIOS TRADICIONAIS E ASFAKENEWS Mídias alternativas são meios de comunicação que utilizam meios inusitados para trabalhar de forma alternativa e independente em relação aos meios tradicionais, muitas vezes, contrapondo-os. Como na maioria dos casos não estão ligados a grandes grupos econômicos, trabalham independentes do Estado e muitos estão vinculados aos movimentos de luta pela democratização da sociedade. No Brasil, a histórias das mídias alternativas tem início no Século XIX, com os impressos clandestinos que informavam a respeito das lutas pelo fim da 9 escravidão. Depois, vieram os movimentos operários que utilizava também impressos não oficiais para reivindicar direitos nas lutas dos trabalhadores. No período da Ditadura Militar, surgiram jornais alternativos como, o Movimento e o Pasquim. Já no período da redemocratização, as rádios comunitárias tiveram papel fundamental como instrumentos de lutas das mídias alternativas. Recentemente, com a internet, essas mídias têm encontrado grande espaço de crescimento. Entre elas, podemos citar: Jornalistas Livres, Tijolaço, Revista Fórum, Carta Capital, Brasil de Fato, Viomundo, o Cafezinho, Esquerda Online, Mídia Ninja, Brasil 247, Portal Vermelho, Ópera Mundi, Observatório do Terceiro Setor, Observatório da Imprensa, Barão de Itararé, O Diário do Centro do Mundo — DCM —, GGN de Luís Nassif, entre outros. O jornalista Paulo Henrique Amorim foi um dos primeiros a criar um canal, o Conversa Afiada, no qual gravava vídeos questionadores das notícias veiculadas pela mídia tradicional, veiculados no site de mesmo nome. E ele conhece bem o meio, pois até seu falecimento (2019) trabalhava na Record. Vale citar também importantes exemplos da mídia alternativa estrangeira, como o El País, BBC, Intercept e Deutsche Welle. Recentemente, em Curitiba, a demissão do jornalista Rogério Galindo resultou na criação do site alternativo Plural, em parceria com o publicitário Maurício Ramos e contando com a parceria de diversos colunistas e cartunistas locais. Segundo o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística — IBGE —, o Brasil já apresentava mais de 115 milhões de pessoas ligadas à internet ainda em 2016. Imagine o potencial desse canal aliado ao conhecimento daqueles que estão mais próximos do povo, pois fazem parte do próprio povo. Sim, geralmente as mídias alternativas nascem no meio do povo, nos bairros, nas periferias, nos movimentos sociais, entre os contestadores que não se conformam com o papel dos meios hegemônicos na construção de uma mídia totalizante e manipuladora. Fogem às concessões e às negociações das pautas conservadoras em favor da elite. É a mídia sendo construída de baixo para cima, em coletivos que procuram discutir as demandas locais e também as mais amplas. Para os especialistas, o modelo para manutenção das mídias alternativas não é padrão: há grupos que possuem produção de bens e serviços e utilizam parte de sua renda para a construção do coletivo; há algumas outras que 10 sobrevivem com colunistas colaboradores que não recebem, mas querem colaborar escrevendo dentro de seus campos de conhecimento; assim como ações para capitalizar financiamentos coletivos via internet, visando a custear grandes reportagens da mídia alternativa. Mas a grande verdade é que são necessárias políticas públicas voltadas à sobrevivência desse grande ecossistema de comunicação alternativa. Mas não há interesse em incluir o financiamento das mídias alternativas na agenda de prioridades do governo, muito pelo contrário. As produções da mídia alternativa têm sido cada vez mais relevantes, sobretudo com o constante crescimento e questionamento a respeito das mídias corporativas, comprometidas tão somente com os interesses do capital. Não podemos negar que as mídias tradicionais já começam a sentir o impacto do surgimento das mídias alternativas. A internet sociabilizou a mídia, mas já começam a surgir grandes empresas que começam a manipular os espaços tecnológicos, com as mentiras e a desinformação. Também é preciso saber que as mídias alternativas sofrem perseguições políticas, enfrentam dificuldades financeiras, são questionadas em sua credibilidade justamente por não serem consideradas “oficiais”. Em regimes autoritários, as mídias alternativas são instrumento de luta pela democracia. Diante dos meios hegemônicos são a revolução contra a manipulação. As chamadas fake news, ou seja, as notícias falsas fabricadas com objetivos específicos de manipulação, sempre existiram na “imprensa marrom”, mas ganharam proporções alarmantes nas redes sociais, sobretudo na política. Consiste na disseminação deliberada e intencional de boatos visando ao oposto do objetivo da comunicação: a desinformação. Geralmente, os conteúdos das fake news apelam para o emocional do leitor ou espectador, aproveitando de rótulos, preconceitos e a própria ignorância. Veiculados como se fossem dados reais, espalham o terror e o pânico e podem prejudicar pessoas ou grupos de forma irresponsável e criminosa. Uma de suas principais características é seu caráter extremamente viral, pois se espalham rapidamente e quando finalmente alguém mais consciente pesquisa o tema e derruba a fake news, o estrago já foi feito no imaginário do grande público. 11 O poder de persuasão das fake news é proporcional à escolaridade e pensamento crítico das populações. Mas pode também enganar um público mais preparado, sobretudo se as informações vão ao encontro daquilo em que acreditam, fazendo com que se identifiquem e não questionem. O termo fake news ganhou força em 2016, com a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, que contratou uma assessoria para a divulgação de conteúdos falsos contra seus oponentes. O americano Steve Bannon, “estrategista” da campanha de Trump, foi o grande responsável pela disseminação das fake news na última campanha presidencial dos Estados Unidos e rumores indicam a presença desse mesmo homem na última campanha presidencial brasileira. Durante uma entrevista à BBC News Brasil, Bannon teria dado fortes indícios disso. Formulador de retóricas agressivas e nacionalistas (beirando o neonazismo), Bannon vem sendo acusado há anos de promover uma avalanche de falsas notícias em campanhas eleitorais utilizando as redes sociais. 12 REFERÊNCIAS AZEVEDO, F. U. B. de. O negócio sujo das fake news. Amazon, 2018. D’ANCONA, M. Pós-verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de fake news. São Paulo: Faro Editorial, 2018. DAVIS, F. Comunicação não-verbal. São Paulo: Editora Summus, 1979. GIOVANNINI, G. Evolução na Comunicação – Do Sílex ao Silício. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1987. HAYKIN, S.; MOHER, M. Sistemas de Comunicação. São Paulo: Bookman, 2011. MARTINO, L. M. S. Estética da Comunicação: Da consciência comunicativa ao “eu” digital. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2000. MELO, J. M. de. Teoria da Comunicação: paradigmas latino-americanos. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1998. PEACE, A.; PEACE, B. 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Conversa inicial