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Parto Vaginal Natalia fortuny – medicina uam TXII Paciente Ana, de 23 anos, primigesta, 39 semanas pré-natal impecável (sorologias negativas – AIDS, hepatite B e C, sífilis, termo, estreptococo negativo), sem antecedentes mórbido. Paciente se encontra no CPN com 9 cm de dilatação. Acompanhante da paciente chama o médico e diz que está em trabalho de parto Sinais vitais: FC: 95; O2: 99; PAS: 116/75; PAP 25/12; CO2: 36 Parto • Mecanismo endógeno (induzido ou conduzido) • Baixo risco materno-fetal • Concepção -> nascimento • RN nasce mais comumente em apresentação cefálica em 37-42 semanas Termos: • PSNV (Parto Simples Normal em Vértice) • PSAC (Parto Simples Artificial por Cesárea) • PSAF (Parto Simples assistido por Fórceps) • PDAC (Parto Duplo Artificial Por Cesárea) Obs: • Normal em vértice: parto natural • Simples: somente a um único feto • Artificial: procedimentos realizados que fogem do parto natural (utilização de fórceps ou da própria decisão de parto cesárea) • Duplo: mais de um feto no mesmo parto Trabalho de Parto • Presença de contrações uterinas rítmicas, regulares • Promovem a dilatação e o esvaecimento cervical • Contrações que não diminuem com o repouso da gestante • Contrações uterinas + dilatação cervical: 2 ou + contrações > 10min, cada contração deve possuir, pelo menos, 40s de duração; dilatação cervical no mínimo de 3-4cm; a formação da bolsa das águas (bolsa amniótica); eliminação do tampão mucoso • Dilatação > 3cm = trabalho de parto Roteiro Assistência ao Parto • Objetivo: avaliação da condição da mãe e do feto • Avaliação: dados do trabalho de parto; anamnese rigorosa; história do pré-natal e partograma • Exame físico: exame geral (PA; FC; FR; temperatura e peso) + exame obstétrico (padrão das contrações uterinas; palpação obstétrica – Manobras de Leopold); toque vaginal e vitalidade fetal • Exames laboratoriais: tipagem sanguínea ABO; fator RH; coombs indireto; VDRL; teste rápido para HIV Obs: o teste de coombs indireto procura por anticorpos contra células vermelhas no sangue com fator Rh +. Esses anticorpos são produzidos se uma pessoa Rh - entra em contato com sangue Rh +. • Sinais anteriores ao trabalho de parto (pródromos): são as primeiras contrações do útero, a fase pré-trabalho de parto ou também conhecida como “fase latente”. Nessa fase, as contrações são espaçadas e não-ritmadas, isto é, embora venham com alguma regularidade, não há um padrão consistente (como uma contração a cada 10 minutos ou de 5 em 5 minutos) Componentes Sob o ponto de vista do mecanismo do parto, o feto (objeto/concepto) percorre o trajeto (bacia + partes moles do canal de parto (vai do útero até a fenda vulvar)) impulsionado por um motor (contração uterina). Mecanismo do parto: conjuntos de movimentos que o feto realiza para facilitar a sua expulsão Tempo no Parto • Orientar sobre dor por conta do período da fase latente (1º período). • É preciso pedir paciência • São 3 tempos: insinuação; descida e desprendimento • Mecanismo do parto fisiológico: apresentação cefálica fletida em bacia ginecoide Insinuação: • Passagem do maior diâmetro do pólo fetal apresentado pelo estreito superior da bacia materna • Ponto de referência óssea fetal: plano de 0 de DeLee (ao nível das espinhas isquiáticas materna) • Primigestas: insinuação do feto se dá cerca de 15 dias antes do parto. • Quando a sutura sagital se aproxima do púbis → assinclitismo posterior • Quando a sutura sagital está mais próxima ao sacro → assinclitismo anterior • Quando a sutura sagital se encontra à mesma distancia entre o púbis e o promontório → cabeça em sinclitismo Mecanismo do Parto Descida: • Passagem do pólo fetal (estreito superior -> inferior) • Movimentos rotação • Tempos de descida: rotação interna da cabeça + insinuação das escápulas • O grau de rotação varia conforme a variedade de posição da cabeça Desprendimento: • É a saída do polo que se apresenta para fora do canal do parto • Desprendimento cefálico + desprendimento das escápulas • O ombro anterior coloca-se sobre a arcada púbica e o posterior em contato com o cóccix materno Partes Moles • Segmento inferior do útero • Cérvice • Vagina • Região vulvoperineal Cintura Óssea • Bacia • Pelve Formatos da bacia: Ginecoide: bacia normal feminina; 50%; estreito superior arredondado; melhor prognóstico para o perto Antropoide: bacia dos macacos; 25%; estreito superior elíptico antero-superior; prognóstico (aumento de variedades posteriores; risco de distocia apenas no estreito superior) Distocia é a ocorrência de anormalidades de tamanho ou posição fetal, resultando em dificuldades no parto Androide: bacia masculina; 20%; estreito superior triangular; prognostico (distócias crescentes com a progressão da apresentação) Platipelóide: bacia achatada; 5%; estreito superior elíptico transversal; prognostico (insinuação nos diâmetros transversos; distocia maior na insinuação, amenizando posteriormente) Estreitos da bacia: Estreito superior: é o limite superior da pelve obstétrica Estreito médio: formado pelo terço inferior do saco + espinhas isquiáticas + borda inferior da sínfise púbica Estreito inferior: vai da borda inferior da sínfise púbica + ramos ísquio púbicos + ligamentos sacro espinhosos + ponta do cóccix Conjugatas: São as medidas que podemos ter desses estreitos/trajeto e que podemos fazer uma avaliação da pelve feminina para ver se essa pelve é favorável ou não para o parto. Conjugata anatômica: distância que vai do promontório à borda da sínfise púbica (11cm) Conjugata obstétrica: do promontório à face posterior do púbis; (10,5cm) Conjugata diagonolis: não é do estreito superior nem do inferior; é um recurso clínico para avaliar os outros diâmetros de maneira indireta; (12cm) Conjugata exitus: cóccix subpúbico; (9,5cm); ela é móvel (aumenta de acordo com a posição que a mulher está durante o parto, podendo chegar até 11cm) Avaliação Bacia feminina: Pelvimetria interna: durante o exame do toque vaginal, avaliamos as espinhas isquiáticas através da palpação (que ficam nas paredes laterais da vagina) para termos noção do estreito que o bebe vai ter que passar. Além disso, precisamos ver se alcançamos o promontório e o cóccix. Então, se tocarmos o cóccix, a gente vai fazer com a mão, embaixo da sínfise púbica até o cóccix (conjugata exitus) e a diagonalis, tentamos tocar o promontório, sentindo a borda inferior da sínfise púbica até o promontório (conjugata diagonalis) e a partir daí, conseguimos inferir a conjugata obstétrica que fica em torno de 1,5cm menor. 1. Situação fetal 2. Apresentação fetal 3. Posição fetal 4. Atitude ou postura 5. Variedade de posição 6. Sinclitismo e assinclitismo 7. Altura da apresentação Relação Útero Fetal Atitude ou hábito fetal: relação das partes fetais entre si e depende da disposição dos membros e da coluna vertebral (forma ovoide fetal) Situação fetal: relação entre o maior eixo do útero e o maior eixo fetal → situação longitudinal (99%). Quando perpendicular → situação transversa. Quando cruzados → situação oblíqua ou inclinada. Apresentação: região fetal que ocupa a área do estreito superior da bacia interna • 6º mês de gestação: cabeça no fundo uterino • Rotação axial do feto por cambalhota: polo cefálico em direção a porção inferior do útero (onde se mantém) Situação transversa → apresentação córmica Situação longitudinal → apresentação cefálica; apresentação pélvica Posição: é a relação do dorso fetal com o dorso materno, podendo ser → direita, esquerda, anterior, posterior e transversa. Manobras deLeopold • 1ª manobra: avaliamos o fundo uterino + situação fetal (se o feto está paralelo ou transverso em relação a longitudinal do útero). • 2ª manobra: avaliamos para qual lado o dorso do feto está (se está direita ou a esquerda; ver a posição do feto • 3ª manobra: avaliamos a apresentação fetal (se é cefálico ou pélvico) • 4ª manobra: avaliar se essa apresentação já está insinuada na bacia Situação Fetal • Relação entre o eixo longitudinal fetal e o da mãe • Mais comuns: situação longitudinal e transversal • Posição oblíqua (45%): sempre se torna transversal ou longitudinal durante o trabalho de parto • Situações transversais: gestantes multíparas; com placenta anterior; polidrâmnio e anomalias uterinas Longitudinal: é quando o feto está paralelo ao eixo uterino Oblíqua: quando o feto está um pouco inclinado em relação ao eixo uterino Transversal: quando o feto está totalmente perpendicular ao eixo uterino Apresentação Fetal • Porção do corpo fetal mais anterior ao canal de parto • Apresentação cefálica e pélvica (situação longitudinal) • Situação transversa: o ombro é a parte sentida durante o toque vaginal Situação Longitudinal: a apresentação ao canal de parto é cefálica (cabeça para baixo); pélvica (bumbum para baixo) Situação transversal: a apresentação é córmica Posição Fetal • É a relação da parte apresentada pelo feto com o lado direito ou esquerdo do canal de parto • Em cada apresentação, pode haver duas posições: direita e esquerda • O dorso pode estar à direita em relação a paciente: • O dorso pode estar à esquerda em relação a paciente Atitude ou Postura Apresentação cefálica: O polo cefálico pode apresentar-se fletido, com o mento próximo à face anterior do tórax (fletido; vértice) O polo cefálico pode apresentar-se defletido, com o mento afastado do tórax (defletido; bregma ou fronte ou face) Se o polo pélvico estiver no estreito superior, a apresentação pode ser: 1. Apresentação pélvica completa (pelvipodálica) → coxas e pernas estão fletidas 2. Apresentação pélvica incompleta (pélvica simples) → modo nádegas (coxas fletidas contra a bacia e as pernas ficam estendidas sobre a face anterior do tronco) Posição correta do feto: O feto tem que ter uma atitude fletida, então, quanto mais fletido, mais fácil ele passa pelo canal de parto (diâmetro cefálico menor em relação ao trajeto) Essa flexão faz com que esse diâmetro cefálico diminua para apresentar esse trajeto do canal de parto. Quanto mais fletido o feto, menor o diâmetro cefálico, mais fácil do feto passar pelo canal de parto Apresentações no feto: • A. apresentação cefálica fletida • B. apresentação cefálica defletida de 1º grau • C. apresentação cefálica defletida 2º grau • D. apresentação cefálica defletida 3º grau • E. apresentação pélvica completa (pelvipodálica) • F. apresentação pélvica incompleta • G. apresentação córmica dorso-anterior • H. apresentação córmica dorso-posterior Variedade de Posição Relação dos pontos de referência maternos e fetais Pontos maternos: Púbis, eminências ileopectíneas, extremidades do diâmetro transverso máximo, sinostose sacro ilíaca e sacro Pontos fetais: variam de acordo com as apresentações • Lâmbda: nas apresentações cefálicas fletidas • Extremidade anterior do bregma: nas apresentações cefálicas defletidas de 1º grau (bregmáticas) • Glabela ou raiz do nariz: nas de 2º grau (fronte) • Mento: nas de 3º grau (face) • Sacro: nas apresentações pélvicas • Acrômio: apresentações transversais Linha de referência: A linha de orientação é a linha fetal que se põe em relação com o diâmetro materno de insinuação e possibilita acompanhar os movimentos da apresentação durante o trabalho de parto: A. Lambda e sutura sagital B. Extremidade anterior do bregma e sutura sagitometópica C. Glabela e sutura metópica D. Mento e linha facial E. Sacro e sulco interglúteo F. Gradeado costal e acrômio • A: apresentação cefálica/occipital (occipitoanterior) → sínfise púbica como marco da parte anterior • B: apresentação cefálica/occipital (occipitoposterior) → mais próximo da parte sacral da pelve Nomenclatura da variedade de posição: 1ª letra: é o ponto de referência óssea da apresentação fetal • O – Occipício • B – Bregma • N – Naso • M – Mento • S – Sacro • A – Acrômio 2ª letra: lado materno para o qual está voltado o ponto de referência fetal • D – Direita • E – Esquerda 3ª letra: indica a variedade de posição, conforme o feto esteja voltado para o ponto de referência materno • A – Anterior (eminencia íleo-pectínea) • T – Transversa (extremidade do diâmetro transverso) • P – Púbis ou posterior (sinostose sacro-ilíaca ou púbis) • S – Sacro • OP: occipitopubiana; • OEA: occípito-esquerda-anterior • OET: occípito-esquerda-transversa; • OEP: occípito-esquerda-posterior; • OS: occipitossacra; • ODP: occípito-direita-posterior; • ODT: occípito-direita-transversa; • ODA: occípito-direita-anterior Se a apresentação for cefálica: o nosso ponto de referência é o occipício (que se estiver virado ao púbis, é OP e se ele estiver virado ao sacro, é OS) Se o eixo for transverso, ou seja, sutura sagital, o feto vai estar transversal em relação a bacia. E se o feto estiver à direita, vai ser occipício a direita transverso. Se tiver a esquerdo, vai ser occipício a esquerda transverso. Toque vaginal: Durante o trabalho de parto, a identificação da variedade de posição é feita pelo toque vaginal! • Identificar a sutura sagital, em qual posição ela está em relação as nossa referencias anatômicas (púbis e sacro) • Fazer a diferenciação das fontanelas pelo exame vaginal Sinclitismo e Assinclitismo Precisamos avaliar se o feto está paralelo ao eixo do parto. Se a sutura sagital vem insinuando na pelve e no meio (sinclitismo normal). Mas esse bebe pode fazer um movimento latero-lateral da cabeça, então se ele faz esse movimento lateral e apresenta o seu osso parietal anterior, nós temos um assinclitismo anterior (de naegele). Agora, se o feto apresenta o seu parietal posterior, ele é um assinclitismo posterior (obliquidade de litzmann) O ponto de referência nesse caso é o osso parietal do feto, não é a posição anatômica mãe! Cuidado para não confundir! Ex: o feto está virado para o anterior da mãe, mas é um assinclitismo posterior pois o ponto de referência nesse caso é parietal! Planos de DeLee: As referências anatômicas para esses planos são as espinhas isquiáticas. Então, quando a cabeça está na altura das espinhas isquiáticas, esse é o ponto zero de DeLee. A partir daí, nós contamos se está mais para cima (é negativo) e se esta para baixo (é positivo) aonde chega perto do introito vulvar Conceitos São contrações uterinas que empurram o feto através do trajeto • Segmento ativo: tônus mais aumentado • Segmento passivo: tônus que se distende passivamente • Marcapassos: se encontram no fundo do útero que dão inicio a essas contrações. E essas contrações estão presentes desde o início da gravidez uma vez que o miométrio, esse músculo e as fibras têm essas capacidades contrateis durante toda a gestação. • Contrações inibidas pela progesterona: a mãe não tem as contrações antes da hora por conta desse mecanismo hormonal pela progesterona. • Situações de stress: liberação de catecolaminas + estimulo das fibras do miométrio → contração antes da hora → trabalho de parto prematuro Tipos de Contrações Contração tipo A: • Desde o começo da gestação • Menor intensidade • Grande frequência • Mais localizadas (não são eficazes em fazer a progressão do feto em relação ao trajeto) → cólica Contração tipo B: • São as contraçõesde treinamento (Braxton-Hicks) • Após 28 semanas • Maior intensidade • 4 semanas antes do parto Triplo gradiente descendente: • Essas contrações começam primeiro, são mais intensas com maior duração no fundo do útero; fazendo com que o feto seja empurrado de cima para baixo • Força maior no fundo que faz com que esse gradiente se propague para baixo, havendo 2 consequências: ➢ Dilatação do colo: na hora que o objeto é empurrado, o colo do útero vai se afinando e dilatando ➢ Progressão fetal no trajeto Esvaecimento x dilatação: Multípara A: pode se ter uma dilatação mesmo sem o colo ter apagado, esvaecido. Então, no exame do toque vaginal, o que sentimos é o trajeto do colo, o canal e a sua espessura (esvaecimento é a espessura). Nesse caso, é um colo que pode estar grosso, mas já pode estar dilatado. Então, primeiro ele vai dilatar para depois esvaecer. Primípara A: é o inverso, ou seja, enquanto o colo não está esvaecido, ele se encontra bem fechado/longo/grosso e, a partir daí, o colo vai afinando/esvaecendo e, por último, vai ter a dilatação. Expulsão do feto: • Puxos: “vontade de empurrar” • Antes do parto: situação de repouso de contrações • Dilatação: situação ativa de contrações • Expulsão: prensa abdominal + musculatura abdominal Períodos Trab Parto º Conceitos • Internação hospitalar • Dieta livre • NÃO: tricotomia (remoção total ou parcial de pelos na área a ser operada), lavagem intestinal, fleet enema (líquido recomendado para o alívio da prisão de ventre, no pré e pós-parto e/ou no pré e pós-operatório) • Deambulação livre • Partograma • Ausculta intermitente (30 min e a cada 15 min no período expulsivo) • Amnioscopia • Ausculta cardiofetal é NECESSÁRIA! Primíparas e multíparas: • 1º período: progressão do trabalho de parto • Processo dinâmico • Primíparas: progressão mais lenta (a cada 1,5h → dilatação de 1cm) • Multíparas: progressão mais rápida (a cada 1h → dilatação de 1cm) O “apagamento” ocorre quando toda a estrutura do colo foi “colada” ao corpo do útero. E o último fenômeno que aparece nesse intervalo é a bolsa das águas (bolsa amniótica) colada o colo, que se projeta para dentro da vagina (possível observar através da inspeção vaginal) • Primigestas: ocorre 1º todo o apagamento do colo para depois acontecer a dilatação • Multíparas: esses eventos ocorrem ao mesmo tempo Analgesia: Não farmacológica: banho; massagem; orientação postural; acupuntura; hipnose Farmacológica: escopolamina; opiáceos; óxido nitroso; bloqueio neuroeixo; bloqueio regional (pudendo) → bloqueio peridural ou analgésicos Fase de Latência Contrações de Braxton Hicks: útero começa aumentar o tônus de forma desorganizada e de duração variável (contrações de treinamento irregulares) • Dilatação/apagamento cervical < 4cm • Contrações responsáveis pela dilatação e apagamento cervical • Período mais longo (20 hrs nas nulíparas e 14hrs nas multíparas) Obs: no final da gestação essas contrações vão ficando mais uniformes, regulares e efetivas. • A paciente não tem indicação de internação na maternidade • Descartar sinais de alerta: ➢ Sofrimento fetal (ex: bradicardia fetal) ➢ Patologias maternas que levem a uma evolução desfavorável (pré- eclâmpsia) Toque vaginal: É feito com o início do trabalho de parto e depois da dilatação cervical com o intuito de diferenciar as diversas apresentações possíveis • Apresentação fetal • Apagamento cervical • Posição do colo (se centralizado, posterior ou anterior) • Bolsa das águas (se íntegra ou rota) • Presença de fezes no reto Passo a passo: Localizando e diferenciando as suturas e fontanelas pelo exame vaginal: Fase Ativa (trabalho de parto) • Contrações regulares, intensas, duradouras e frequentes • Dilatação do colo do útero com facilidade • Dilatação > 4cm e evolui na média de 1cm/h A cada hora, é preciso fazer: • Controle dinâmica uterina: durante 10min, são avaliados: frequência, intensidade e duração das contrações e palpação dos pulsos • A cada 4h: medimos a temperatura, aferimos a PA e toque vaginal 2 contrações em 10 min, com duração de cada contração de, no mínimo, 40 s, associado a uma dilatação ≥4 cm. A dilatação neste período é de 1 cm a cada hora, podendo ter modificações. Obs: o colo em uma gestação sem estar em trabalho de parto é posterior, grosso e fechado. À medida que se aproxima o período do trabalho de parto ativo, o peso do bebê e as contrações de treinamento fazem com que o colo vá, aos poucos, centralizando, esvaecendo (afinando, “apagando”) e dilatando. De modo geral, na nulíparas, ocorre primeiro o esvaecimento e a dilatação, enquanto na multípara esses processos são simultâneos. º Conceitos • 16 minutos até 3,6h • Dilatação completa de 10cm que dura até a saída do bebe • “Vontade de defecar” + pressão na vagina: a descida da apresentação fetal promove a compressão do períneo, sobretudo dos músculos levantadores do ânus • Prestar atenção nas complicações: distócias de ombros, assinclitismos • O médico irá deixar que o bebê realize a rotação externa da cabeça ao sair da vagina e, depois, irá ajudá-lo na saída do ombro anterior, caso seja necessário. • Assistência adicional ao RN pela pediatra • Clampeamento do cordão umbilical Insinuação e descida do polo cefálico (apresentação mais comum, OAE – occipitoanterior esquerdo); a rotação interna no polo cefálico, com posterior fixação do occipito fetal no púbis materno; extensão; a sua rotação externa; liberação dos ombros e recepção do RN. Mecanismo Parto 1. Insinuação. 2. Descida: passagem do polo cefálico (ou da apresentação fetal em geral) do estreito superior para o estreito inferior da pelve materna. 3. Rotação interna. 4. Desprendimento do polo cefálico. 5. Rotação externa (OP). 6. Desprendimento do ovóide córmico. Trajetos Trajeto mole: • Corpo uterino • Segmento inferior • Colo uterino • Vagina • Região vulvoperineal Trajeto duro: Bacia Episiotomia Indicação seletiva: • Feto não consegue sair pelo impedimento causado pela parede muscular ou quando sua saída poderá levar a lacerações perineais graves • Sofrimento fetal • Distocia de ombros • Uso de fórceps e extrator à vácuo • Fetos microssômicos • Período expulsivo prolongado Técnica: secção perilateral do músculo levantador do ânus por uma tesoura com aplicação de anestesia local (xilocaína sem vasoconstrictor). Obs: só é realizada se o feto se encontrar em posição OP (occipto púbico) pois ele precisa da musculatura para defletir e, casoa episio seja realizada em OS (occipto sacral) ele não conseguirá rodar e haverá uma distorcia no parto Laceração É o rompimento natural da pele ou de outras estruturas do períneo para possibilitar que o bebê consiga sair. Ela pode ocorrer porque o canal do parto é muito estreito ou então porque a zona do períneo não conta com a elasticidade suficiente para facilitar esse processo. Períneo: É a situada na parte inferior da pelve. É formado por um conjunto de músculos denominados assoalho pélvico; e por tecidos (fáscias e ligamentos), além de ser ricamente inervado e vascularizado. O períneo feminino localiza-se entre e vagina e o ânus. Perineoplastia: É uma operação que tem como finalidade principal reparar as lesões do tecido local após partos vaginais. A cirurgia visa promover a estrutura inicial que o períneo tem antes da gravidez. Isso é possível através de técnicas cirúrgicas que reconstroem e apertam os músculos locais. Amniotomia É a rotura ou ruptura artificial das membranas ovulares através de um instrumento esterilizado inserido na cérvice por meio do toquevaginal, que pode ser realizada no início, durante ou no final do trabalho de parto, sendo indicado como método de indução de parto e também recomendado em presença de gestação a termo e estando o colo favorável e amadurecido com apresentação cefálica insinuada • Final da contração • Monitorização BCF posterior • Prolapso de cordão Manobra Ritgen • Ajuda do médico na hora da expulsão • Tornar mais fácil a saída • Movimento de retração • Empurra a musculatura perineal para trás protegendo de rotura • Desprendimento da cintura escapular º Conceito • É o 2º parto: parto da placenta ou “dequitação” • A placenta pode levar de 5-30 minutos para desprender totalmente do útero • Período: expulsão do concepto até a expulsão da placenta. Rotação da Placenta • Placenta se apresenta no introito vaginal • Solicitar a mulher que exerça pequena pressão abdominal para sua completa expulsão • Roda-se a placenta para o seu desprendimento das membranas • Manobra de Jacobs • Após a sua retirada: avaliação expulsão completa e revisar integridade de cotilédones e membranas. Se dúvidas → curetagem Curetagem: Se após 30min a placenta não sair, o obstetra pode fazer a extração manual ou curetagem • Raspagem da cavidade uterina • Retira material placentário ou endometrial do útero • Cureta: instrumento cirúrgico utilizado para a limpeza da superfície de um tecido afetado • Utilizado em casos de aborto Término da Dequitação • Revisar canal do parto • Procurar lacerações que serão suturadas assim como episiotomia, se for feita • Pacientes com antecedentes de cesárea são submetidas a revisão do segmento uterino para afastar a hipótese de rotura da cicatriz de cesárea (risco de sangramento no puerpério imediato) Saída da placenta: º Conceito • 1ª hora após a saída da placenta • Maior complicações hemorrágicas • Monitorização: ➢ Visualização sangramento (a cada 30min) ➢ Analisar sinais vitais: pulso, oximetria, temperatura ➢ Integridade do canal de parto ➢ Perda volêmica ➢ Globo de segurança de pinard Globo de segurança de pinard: • Contração uterina fixa para oclusão dos vasos da porção muscular • Se não formar o globo → puerpério hemorrágico (HPP) → episiorrafia (se episiotomia anterior) Após a saída do bebê, o útero continua contraindo. Porém, como agora não tem o feto, a placenta e âmnio ocupam um grande volume dentro do útero. Com isso, as contrações fazem o útero ficar bem pequeno, formando o Globo de segurança de Pinard: É um coágulo de sangue que se forma no útero logo após o parto para ajudar a cicatrizar as lesões dos vasos sanguíneos que irrigavam a placenta, servindo de tampão a uma eventual hemorragia no ponto onde a placenta estava inserida. Retraimento do útero: vasos miometriais são fisicamente obstruídos (miotamponamento). Após isso, ocorre a formação de coágulos nesses vasos (trombotamponamento) Hemorragia: Causas de HPP: 4T’S 1. Tônus (atonia/hipotonia) 2. Trauma 3. Tecido 4. Trombina Atonia uterina (tônus): • Massagem uterina • Compressão externa (Hamilton, peso abdominal) Medicação para contração: • Ocitocina • Ergotamine ou ergometrina • Misoprostol • Antifibrinolítico (ácido tranexâmico) Procedimentos: • Balão intra uterino (Bakri ou artesanal) • Embolização • Operatório (b-lynch, ligadura de a. uterina, histerectomia) Tempos Mecânicos Etapas: 1. Insinuação 2. Rotação Interna 3. Descida 4. Desprendimento do pólo cefálico (hipomóclio) 5. Rotação externa 6. Desprendimento do ovóide córmico (acrômios) • Insinuar: o bebe tem que se achar de lado, se insinuar • Rotação interna: como a pelve da mãe é mais larga do que comprida e como a cabeça do bebe é mais comprida do que larga, o bebe faz uma rotação interna ou pode ser uma descida também. As coisas acontecem meio que ao mesmo tempo, o bebe encaixa, vai descendo e vai rodando, como se fosse um espiral pois ele está sendo empurrado por cima pela contração uterina e ele tem que passar pelo canal de parto para conseguir sair. Até esse ponto, o obstetra começa ajudar. No 4º tempo, encaixou, desceu e rodou, em seguida, o bebe precisa nascer havendo o desprendimento do polo cefálico. • Desprendimento do pólo cefálico: ele coloca o occipício dele no púbis da mãe esticando o pescoço, fazendo uma alavanca chamada de hipomóclio como se fosse uma rotação externa • Desprendimento dos acrômios: O bebe tem 2 partes: polo cefálico (cabeça) e ovóide córnico (corpo). A cabeça do bebe é a parte mais difícil de sair do bebe. Saindo a cabeça, cola dois dedos em cima e embaixo, ajuda a rodar e depois que terminar a rotação, puxa a cabeça para baixo para ele desprender o ombro anterior, puxa a cabeça para cima para desprender o ombro posterior e, em seguida, o bebe sai. Esses são os tempos mecânicos do parto. Checklist para Parto Normal Antissepsia: Povidine tópico • 1ª gase: limpar grandes lábios e púbis • 2ª gase: limpar raiz das coxas • 3ª gase: limpar pequenos lábios e intróito vaginal • 4ª gase: limpar anus Limpar os campos: • 1º campo: limpar embaixo da paciente • 2º campo: vai em cima de uma perna • 3º campo: vai em cima de outra perna • 4º campo: vai em cima do abdome Nascimento do bebê: Seguir as 4 etapas citadas anteriormente Clampeamento do cordão umbilical: • Vamos fazer o clampeamento tardio. Esperar de 1-3min para depois clampear e, em seguida, vamos dissecionar o cordão • Em seguida, depois de dissecionar o cordão, vamos entregar o bebe para a pediatra em sala e vamos aguardar de 5- 30min a placenta sair. Assim que o médico visualizar a saída da placenta, vamos fazer a manobra onde vamos girar a placenta para ela sair inteira na sua mão • Assim que saiu a placenta, é preciso examiná-la. Colocar ela em uma mesa, esticar as membranas. Em seguida, é preciso virar a placenta e visualizar a face materna dela, pega uma compressa e enxuga a placenta e ela precisa ficar seca logo em seguida. Após esse procedimento, se ela continuar sangrando, é um sinal que pode ter sobrado um pedaço dentro da mãe • Em seguida, é preciso fazer a revisão do canal de parto para analisar se teve uma laceração e o globo de segurança de pinnar (saiu o bebe, a placenta, o liquido, o útero já vai estar pequeno e contraído na altura da cicatriz umbilical – sinal de pinnar). • Depois, realizamos uma limpeza final e fim do parto Obs: A Organização Mundial de Saúde (OMS), em manual de assistência ao parto publicado em 1996, aconselha a realização da episiotomia em situações como sofrimento fetal, progresso insuficiente do parto e lesão iminente de 3º grau do períneo4(D)