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AULA 1 
FINANÇAS CORPORATIVAS 
Prof. Franciele Lourenco 
 
 
2 
INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS EMPRESARIAIS 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
• Revisar os principais conceitos da matemática financeira. 
• Conhecer o orçamento de capital. 
• Estudar o desenvolvimento prático de um orçamento de capital. 
• Conceituar a avaliação de ativos. 
• Examinar os modelos de avaliações de ativos. 
INTRODUÇÃO 
 As finanças, independente de serem pessoais ou empresariais, devem ter 
pré-requisitos bem alinhados, afinal, estamos lidando com entradas e saídas de 
dinheiro de nosso fluxo de caixa. 
Mesmo assim, é sabido que a maioria das empresas não realizam um 
bom controle de suas despesas/receitas, muitas vezes até misturam o que é 
particular com o que é de ordem jurídica. Isso acaba por promover descontroles 
e resultados negativos em suas contas. 
Por isso que os serviços financeiros e a administração financeira são as 
principais áreas das finanças, no entanto, deve-se planejar financeiramente os 
recursos (investimentos). Serviços financeiros estão sendo ofertados 24 horas 
por dia, mas cabe ao gestor gerir a administração de suas finanças com 
responsabilidade, para que obtenha continuidade de seus negócios; assegure a 
integridade do seu capital; analise os impactos que seus investimentos poderão 
ocasionar ou sofrer. 
 Obviamente, que os gestores devem ter um planejamento que busque 
maximizar os resultados financeiros e econômicos, afinal, a intenção é de que os 
riscos sejam reduzidos e a liquidez ampliada, tanto em curto quanto longo prazo. 
 Por isso, é importante revisar os principais conceitos da matemática 
financeira, a fim de avaliar a melhor alternativa em termos de juros simples e/ou 
compostos. 
 Conhecer as opções de investimentos, por meio da análise do orçamento 
de capital, bem como estudar o desenvolvimento prático de um orçamento de 
capital. 
 
 
3 
 E, por fim, conceituar a avaliação de ativos, para que seja examinado e 
escolhido o melhor modelo de avaliações de ativos. 
TEMA 1 – CONCEITOS E DEFINIÇÕES 
 “A função financeira de uma organização tem por objetivos proteger e 
utilizar eficazmente os recursos financeiros” (Maximiano, 2012, p. 7). 
 Maximiano (2012, p.7) destaca as decisões que envolvem a função 
financeira: 
Planejamento: previsão das necessidades de recursos financeiros para 
todos os tipos de operações e atividades; Financiamento: identificação 
e escolha de alternativas de fontes de recursos; Controle: 
acompanhamento e avaliação dos resultados financeiros da 
organização; Investimento: seleção de alternativas para aplicação dos 
resultados financeiros da organização. 
 Tendo em vista que a administração envolve as funções financeiras 
citadas (todas interligadas) e o processo administrativo, que irá basear todas as 
suas decisões na resolução de três aspectos: 
Figura 1 – Três definições de aspectos da administração 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Elaborado com base em Maximiano (2012, p. 10). 
A figura 1 mostra que na (o): 
• tomada de decisões deve-se avaliar o reconhecimento de decisões, de 
acordo com cada tipo de situação; o diagnóstico das causas/efeitos dos 
possíveis problemas; e a avaliação da criatividade e críticas – utilizadas 
como alternativas à resolução de problemas; 
• para administração de pessoas é necessário o engajamento de pessoas, 
e que estas estejam dispostas a agir em equipe, realizando objetivos e 
alcançando resultados promissores em conjunto; 
TOMAR 
DECISÕES 
ADMINISTRAR 
PESSOAS 
 TRABALHAR COM 
INFORMAÇÕES 
 
 
4 
• trabalho com informações torna-se indispensável o filtro das que sejam 
mais importantes, a promoção de relatórios e a disponibilidade de 
informações, assim como sua relevância e o que fará com essas. 
Assim, percebemos que os recursos financeiros se destinarão a todas as 
funções organizacionais, seja ela da organização produtiva ao estímulo à 
inovação e pesquisas e desenvolvimento. 
 Portanto, um gestor eficiente e inteligente toma decisões que aumentam o 
valor corrente das ações da empresa e a riqueza de seus acionistas. Esta pode 
ser destinada a qualquer propósito (Brealey; Myers; Allen, 2013). 
Por isso, maximizar a riqueza dos acionistas é um objetivo sensível 
quando estes têm acesso a mercados financeiros que funcionam a 
contento. Os mercados financeiros permitem que eles compartilhem 
riscos e transportem economias pelo tempo e lhes concedem a 
flexibilidade de gerir suas próprias poupancas e seus planos de 
investimentos, deixando aos gestores financeiros uma única tarefa: 
aumentar o valor de mercado da organização (Brealey; Myers; Allen, 
2013, p. 9) 
 Vale destacar que os acionistas não precisam necessariamente da ajuda 
do gestor financeiro para alcançar melhores resultados, o quê determinará seu 
sucesso é o desenvolvimento e livre acesso a mercados financeiros 
competitivos. Além disso, os tipos de contratos, as características de risco aos 
quais serão submetidos e seus prazos. 
 A única forma de um gestor financeiro ajudar os acionistas da empresa é 
aumentando suas riquezas por meio do valor de mercado da organização. Por 
exemplo, fomentando as atividades da empresa, adequando seus 
produtos/serviços às necessidades do mercado e, com boas práticas de 
governança corporativa, garantindo assim, a confiabilidade dos acionistas, a 
promoção de negociações justas e honestas e a redução de conflitos de 
interesses. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
Figura 2 – Desejo dos acionistas 
 
Crédito: Pro Symbols/Shutterstock. 
 
Brealey; Myers e Allen (2013, p.10) dizem que cada acionista deseja três 
coisas: 
• ser tão rico quanto possível, ou seja, maximizar sua riqueza atual; 
• transformar essa riqueza no padrão temporal de consumo que mais 
deseja, quer contraindo empréstimo para gastar agora ou investir para 
gastar depois; e 
• escolher as características do risco desse plano de consumo. 
Por outro lado, quando se trata de empresas, as quais não possuem 
capital aberto, a dinâmica torna-se um pouco diferente, já que pertencem a um 
grupo seleto e geralmente familiar, e seu capital é proveniente da injeção de 
recursos de seus sócios/acionistas. 
As empresas de capital fechado, geralmente, são controladas por 
escritórios de contabilidade, que serão vistoriados pelos gestores empresariais. 
Suas formas de captação de recursos são mais difíceis, tendo em vista que 
dependem do quadro societário dispor de interesse e de recursos para adquirí-
lo. 
 
 
6 
 Sendo assim, as empresas devem ser geridas com base nos interesses 
de todos os envolvidos. Função essa elaborada pela aplicação dos princípios da 
governança corporativa. 
A governança corporativa ajuda a alinhar os interesses dos gestores e 
dos acionistas, de modo que os primeiros podem prestar atenção ao valor da 
empresa (Brealey; Myers; Allen, 2013, p. 15). 
Logo, a governança corporativa preocupa-se com o alinhamento entre os 
interesses dos acionistas e gestores. 
TEMA 2 – REVISÃO DE MATEMÁTICA FINANCEIRA 
"Tempo é dinheiro - diz o mais vulgar ditado conhecido por qualquer idade 
ou pessoa. Coloque-o ao contrário e você obtém a mais preciosa verdade - 
dinheiro é tempo" (George Gissing). 
Antes de qualquer coisa, é importante fazer uma reflexão em termos 
gerais sobre a matemática financeira, principalmente em relação ao valor do 
dinheiro no tempo, já que as finanças, independente do ramo em que atuam, 
irão se preocupar com a estabilidade financeira e uma política de investimentos 
rentável. 
Por isso, a matemática financeira visa estudar o valor do dinheiro no 
tempo, nas aplicações do dinheiro e nos pagamentos de empréstimos (Hazzan; 
Pompeo, 2007, p. 1). 
Também é importante falar sobre o Capital – que é o valor monetário que 
pessoas físicas e jurídicas possuem e que emprestam a juros, durante certo 
período de tempo o – e os juros, que são consideradas remunerações/custo queé cobrado mediante o empréstimo. 
Segundo Castanheira e Macedo (2008, p. 14-15), o conceito de juro pode 
ser introduzido por meio das expressões: 
 valor pago pelo uso de dinheiro emprestado, ou seja, custo de capital de 
terceiros colocado à nossa disposição; 
 remuneração do capital empregado em atividades produtivas; 
 remuneração paga pelas instituições financeiras sobre o capital nelas 
aplicado; e 
 remuneração do capital emprestado, podendo ser entendido, de forma 
simplificada, como sendo o aluguel pago pelo uso do dinheiro. 
 
 
7 
Especificamente, o valor do dinheiro no tempo é determinado pelas 
fórmulas de juros simples e compostos: 
Juros simples: J= C*i*n 
J= Juros 
C= Capital 
i = taxa 
n = período/tempo 
 Segundo Castanheira e Macedo (2008, p. 20), nos juros simples “o juro é 
calculado, sempre, sobre o valor do capital inicial”. 
 E ainda temos o juro ordinário, quando se trabalha com o ano comercial, 
que é igual a 360 dias. No caso do juro exato, trata-se do número de dias que 
cada mês do ano civil possui os 365 dias ou, em caso de ano bissexto, 
consideram-se 366 dias. 
Juros compostos: M = 𝑪𝑪 ∗ (𝟏𝟏 + 𝒊𝒊)𝒏𝒏 
M= Montante 
C= Capital 
i = taxa 
n = período/tempo 
 Estas fórmulas representam as movimentações ocorridas nos fluxos de 
caixa, e como essas se comportam em função do tempo, custos e benefícios. 
 Por exemplo, uma pessoa aplicou R$ 60.000,00 em um banco e recebeu 
R$ 6.500,00 de juros após 12 meses. O fluxo de caixa, do ponto de vista do 
aplicador, foi: 
Figura 4 – Fluxo de Caixa de uma aplicação de 60.000,00 e recebimento de 
66.500,00 
 
66.500,00 
 
 
 
12 
0 
60.000,00 
 
Fonte: Elaborado com base em Hazzan; Pompeo, 2007). 
 Por outro lado, os principais conceitos são (Hazzan; Pompeo, 2007, p. 
42): 
• Valor Presente (PV – do inglês Present Value): representa o capital; 
 
 
8 
• Valor Futuro (FV – do inglês Value Future): representa o montante; 
• Taxa de juros: i – representa a taxa de juros acordada; e 
• Períodos de Capitalização (n): representa o número de períodos; 
Complementando, temos o Risco, que envolve a incerteza quanto ao 
pagamento/recebimento da dívida; os Custos Administrativos, que envolvem 
todo o processo de concessão/tomada de uma transação de empréstimo e, o 
Lucro, traduzido pelo ganho obtido. 
TEMA 3 – ORÇAMENTO DE CAPITAL 
O Orçamento de Capital dá significado a todo o levantamento realizado 
pela empresa, para que se possa levantar, catalogar e avaliar os investimentos e 
retornos disponíveis e possíveis, bem como os que sejam mais lucrativos em 
dado período de tempo. 
Segundo Mellagi Filho (2003, p.114), “o valor de qualquer empresa é a 
soma do valor de mercado de suas obrigações com o valor de mercado de suas 
ações”. 
 Por isso, o orçamento de capital é composto por três indicadores: o 
Payback Simples, a Taxa Interna de Retorno e o Valor Presente Líquido. 
O Payback Simples, como a própria palavra diz, significa retorno. Ele 
indica os retornos dos investimentos, em termos de períodos, ou seja, é uma 
forma de planejamento financeiro utilizado pelas empresas, tendo em vista que 
considera as entradas/saídas. 
Por isso, os riscos de cada investimento ou, melhor dizendo, os 
desembolsos serão contrastados com os recursos, sem que estes sejam 
comprometidos, ou seja, é o momento quem que o investimento inicial é igual ao 
lucro líquido acumulado, o que resultará no tempo que a empresa terá o retorno 
de seu investimento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
Figura 1 – Método do payback 
 
Crédito: valiantsin suprunovich/Shutterstock. 
A grosso modo, a partir do momento em que os resultados tornam-se 
positivos significa que está havendo o retorno do investimento, a partir de tal 
momento, sem considerar o valor do dinheiro no tempo. 
O Payback Simples é calculado pela seguinte fórmula: 
 
Payback Simples: 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼
𝐺𝐺𝐼𝐼𝐼𝐼𝐺𝐺𝐼𝐼𝐼𝐼 𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑃𝑃𝐼𝐼𝑃𝑃Í𝐼𝐼𝑂𝑂𝐼𝐼
 
 
 Já o Payback Descontado desconta o valor do dinheiro no tempo por 
meio da taxa de juros, chamado de ROI – Retorno sobre o investimento, ou seja, 
leva-se em consideração o presente, visto que é descontado o custo de capital 
nos fluxos de caixa. A fórmula de juros compostos é: 
 
𝐹𝐹𝐹𝐹 = 𝑃𝑃𝐹𝐹. (1 + 𝑖𝑖)𝑛𝑛 
Onde: 
FV é o valor futuro 
PV é valor presente, ou valor descontado 
i é a taxa de desconto (custo de capital) 
n é o número de períodos 
Para encontrarmos o Payback Descontado, adequamos essa equação 
para: 
 
 
 
10 
𝑃𝑃𝐹𝐹 =
𝐹𝐹𝐹𝐹
(1 + 𝑖𝑖)𝑛𝑛
 
FV é o valor futuro 
Payback Descontado ou PV é valor presente 
i é a taxa de desconto (custo de capital) 
n é o número de períodos 
A Taxa Interna de Retorno – TIR, segundo Muller e Antonik (2012, p. 
317), “é a taxa que iguala as saídas previstas (investimentos) com as entradas 
estimadas (retornos) de um determinado projeto”. 
Ou seja, a TIR irá medir a viabilidade do negócio, comparada à Taxa 
Mínima de Atratividade – TMA. 
𝐹𝐹𝑃𝑃𝑉𝑉 = 0 = 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝑖𝑖𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼 𝐼𝐼𝐼𝐼𝑖𝑖𝑛𝑛𝑖𝑖𝑛𝑛𝑛𝑛 + �
𝐹𝐹𝑡𝑡
(1 + 𝑇𝑇𝐼𝐼𝑇𝑇)𝑡𝑡
𝐼𝐼
𝑡𝑡=1
 
N = último fluxo de caixa 
t = número de fluxos de caixa, vida útil contábil (legal) dos investimentos 
Fn = valor dos fluxos de caixa, independentemente de serem entradas ou saídas 
 
 A interpretação de resultados da TIR mostra que: se a TIR > TMA, então 
o retorno será recomendado, já que o investidor terá suprida sua expectativa de 
retorno esperado em uma operação de investimento/aplicação. 
 Se a TIR = TMA, então o retorno será neutro, pois o retorno será igualado 
a taxa de atratividade da operação de investimento/aplicação e, como os 
investidores buscam retorno, isso seria inviável, pois não ganharia nem ao 
menos o mínimo de retorno esperado. 
 Se a TIR < TMA, então o investimento não será recomendado e deverá 
ser rejeitado completamente, tendo em vista que investidor não ganharia 
nenhum retorno do investimento/aplicação realizado. 
 Em complemento, o Valor Presente Líquido – VPL, segundo Muller e 
Antonik (2012, p. 235), “é uma poderosa arma para calcular preços de produtos 
e serviços, verificar a viabilidade econômica de projetos ou investimentos e 
analisar a rentabilidade dos preços praticados para produtos e serviços”. 
 Além disso, o VPL “é o somatório de todos os valores do fluxo de caixa 
(saídas previstas mais receitas estimadas) no ‘instante zero’” (Muller; Antonik, 
2012, p. 235). 
𝐹𝐹𝑃𝑃𝑉𝑉 = 𝐹𝐹𝐹𝐹1 +
𝐹𝐹𝐹𝐹2
(1 + 𝑖𝑖)𝑗𝑗+1
+
𝐹𝐹𝐹𝐹3
(1 + 𝑖𝑖)𝑗𝑗+2
+ ⋯
𝐹𝐹𝐹𝐹6
(1 + 𝑖𝑖)𝑗𝑗+5
 
FC = Fluxo de caixa de cada período 
i = taxa de juros (custo do capital) da operação 
j = 1 (períodos) 
 
 
11 
Por ser proveniente de juros compostos, basta cada fluxo de caixa ser 
dividido pela taxa de desconto (SELIC) elevada ao seu respectivo período. 
TEMA 4 – NOÇÕES BÁSICAS DA AVALIAÇÃO DE ATIVOS 
 Helfert (1991) citado por Lemme (2001) cita que há oito termos de valor 
aplicados às empresas, são eles a seguir. 
1. Valor patrimonial (book value): é registrado no balanço patrimonial. (...) 
É um valor histórico, distorcido pelo passar do tempo e pela mudança das 
condições. 
2. Valor de liquidação (liquidation value): condição especial em que a 
empresa tem de liquidar total ou parcialmente seus ativos, por intensa 
pressão dos credores. Produzindo valores abaixo do valor econômico. 
3. Valor de mercado (market value): sujeito a flutuações de um ativo ou 
conjunto deles, negociado em um mercado (organizado ou não) pela 
vontade das partes. 
4. Valor de reposição (replacement value): necessário para repor um ativo 
fixo. 
5. Valor de decomposição (breakup value): dos segmentos individuais 
(áreas ou unidades de negócio) de corporações diversificadas. 
6. Valor de garantia (collateral value): ativo dado como garantia de um 
empréstimoou outro tipo de crédito. 
7. Valor econômico (economic value): capacidade de um ativo gerar fluxos 
líquidos de caixa para o seu detentor (fluxos de caixa versus tempo). 
8. Valor de tributação (assessed value): ativo é utilizado como base para a 
incidência de impostos (leva ou não em consideração o valor de 
mercado). 
Por outro lado, quando se fala em avaliação de ativos, devemos levar em 
consideração a atualização dos dados, bem como a divulgação de valores reais, 
adequados aos valores de mercado. Podendo se dividir em: 
 Avaliação de ativos imediata: realizada em casos de urgência; 
 Avaliação de ativos anual: quando os valores dos bens alteram-se 
conforme o mercado; e 
 Avaliação de ativos de longo prazo: realizada quando o mercado 
apresentar estabilidade ou o ativo sofrer poucas oscilações de valor. 
 
 
12 
E dependendo das necessidades da empresa ou de seus 
gestores/acionistas, as formas de avaliação de seus ativos serão diferentes. 
Afinal, existem empresas que necessitam angariar novos shareholders ou 
agradar aos anseios dos stakeholders, que por suas estratégias buscam 
benchmarking para que processos, produtos e serviços sejam mais lucrativos e 
que haja uma maior produtividade. 
TEMA 5 – MODELOS DE AVALIAÇÕES DE ATIVOS 
Os projetos podem ser classificados em categorias, segundo Weston e 
Brigham (2000): 
 Substituição e manutenção do negócio: são os gastos para substituição 
de equipamentos que produzam produtos viáveis e lucrativos; 
 Substituição e redução de custo: são os gastos com obsolescência de 
equipamentos e máquinas operantes; 
 Expansão dos produtos e/ou mercados existentes: são os gastos com a 
expansão da produção ou distribuição em mercados – projeção de 
crescimento da demanda; 
 Expansão de novos produtos e/ou mercados: são os gastos com novos 
produtos ou áreas antes não exploradas do mercado; 
 Projetos de segurança e/ou ambientais: são os gastos com investimentos 
sociais espontâneos, compulsórios ou projetos que não produzem 
receitas; e 
 Outros: são os gastos que não estão inclusos nos itens citados, mas que 
variam conforme empresa e se referem a forma como essas são geridas. 
Ainda temos os modelos baseados no valor de uma empresa, dados pelo 
seu comportamento na Bolsa de Valores e no Mercado de Ações. 
Segundo Pinheiro (2016, p. 538), “esse comportamento é obtido em 
função da valorização do preço de suas ações mais a rentabilidade esperada de 
seus dividendos, descontados pela volatilidade da ação”. 
No caso da valorização das ações, consideram-se os principais modelos: 
 
 
 
 
 
13 
Quadro 1 – Modelos para valorização de ações 
Valor Patrimonial 
 
Valor Contábil: Ativo Contábil – 
Passivos Exigíveis Contábeis = 
Patrimônio Líquido 
 
Valor Contábil Ajustado: Ativos 
Reais – Exigível Total 
 
ou 
 
Valor Contábil Ajustado: 
Recursos Próprios – Ajustes 
O valor da empresa é estimado por seu patrimônio 
(balanço), ou por seu lucro, e desconsidera a estrutura de 
capital dela, o potencial de crescimento e a valorização dos 
ativos de um negócio em andamento, mas não seu valor 
futuro. Divide-se em Valor Contábil: valor de livros ou 
patrimônio líquido. Valor Contábil Ajustado: valor 
matemático, estimado pelo valor contábil, não 
considerando uma possível evolução futura da empresa, 
nem o valor do dinheiro no tempo. Valor de Liquidação: o 
valor, se essa fosse liquidada, encerrando suas atividades, 
com a venda de todos os seus ativos e o pagamento de 
todas as suas obrigações. Valor Substancial: valor de 
investimento necessário p/ constituir uma empresa em 
idênticas condições às da que está sendo avaliada. 
Desconto de Fluxo de Fundos 
 
-Premissas 
-Perpetuidade Fluxo Caixa 
-Custo (rentabilidade) dos 
recursos 
-Valor da empresa 
-Valor de mercado da empresa 
-Valor p/ o acionista ou valor justo 
da ação 
 
 
Determina-se uma taxa de desconto adequada para cada 
tipo de fluxo de fundos. Levando em consideração riscos e 
volatilidades passadas e o interesse de compradores e 
investidores, assim como premissas: macroeconômicas; 
setoriais e de mercado; operacionais e financeiras 
Índices Bursáteis (múltiplos) 
-Seleção de empresas 
comparáveis 
-Seleção dos múltiplos aplicados 
-Calcula-se a média do setor 
-Média da empresa a ser 
“precificada” 
Comparação p/ determinar se a empresa está cara/barata 
em termos relativos de mercado, ou seja, estima-se com 
base na média dos múltiplos observados em empresas 
semelhantes aplicados aos dados da empresa (valores dos 
demonstrativos financeiros) 
Fonte: Elaborado com base em Pinheiro (2016) e Muller e Teló (2003). 
Por outro lado, temos os modelos baseados na análise econômico-
financeira: 
A começar pelo Modelo baseado no Balanço Patrimonial, dado pela 
diferença matemática entre o valor total dos ativos e o valor total das obrigações 
da empresa com terceiros. 
“Apesar do valor contábil de seu patrimônio líquido não ser uma boa 
estimativa de seu valor real, ele às vezes é utilizado como uma estimativa do 
valor de liquidação da emprea, o valor que sobraria se seus ativos fossem 
vendidos e seus passivos, pagos” (Berk; Demarzo; Harford, 2010, p.63). 
Muller e Teló (2003, p. 99) “consideram como valor contábil de uma 
empresa, de forma líquida, o valor do patrimônio líquido, apresentado no balanço 
patrimonial, com contas como as de capital social, reservas e lucros ou prejuízos 
acumulados”. 
Assim, ao compararmos o valor de mercado ao valor contábil, temos o 
Índice market-to-book, também chamado de Índice price-to-book, dado pela 
seguinte fórmula: 
 
 
14 
Índice market-to-book = 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝑃𝑃 𝑂𝑂𝐼𝐼 𝐼𝐼𝐼𝐼𝑃𝑃𝐼𝐼𝐼𝐼𝑂𝑂𝐼𝐼 𝑂𝑂𝐼𝐼 𝑃𝑃𝐼𝐼𝐼𝐼𝑃𝑃𝐼𝐼𝐼𝐼Ô𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼 𝐼𝐼Í𝑄𝑄𝑄𝑄𝐼𝐼𝑂𝑂𝐼𝐼
𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝑃𝑃 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼Á𝐵𝐵𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑂𝑂𝐼𝐼 𝑃𝑃𝐼𝐼𝐼𝐼𝑃𝑃𝐼𝐼𝐼𝐼Ô𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼 𝐼𝐼Í𝑄𝑄𝑄𝑄𝐼𝐼𝑂𝑂𝐼𝐼
 
Se o resultado do índice exceder a 1, significa que a empresa é bem-
sucedida e excede seu valor de liquidação. Além disso, há o Índice Capital de 
terceiros/Capital próprio; Índice de Liquidez Seca e Índice de Liquidez Corrente, 
que complementam tal análise. 
O Modelo baseado na demonstração de resultados “busca determinar 
o valor das empresas através do volume de lucros, vendas e outros indicadores 
de resultado que são apresentados” (Muller; Teló, 2003, p. 99). 
Berk et al (2010, p.66) dizem que esse modelo: “lista as receitas e 
despesas da empresa ao longo de determinado período. A última linha da 
demonstração de resultados mostra o lucro líquido da empresa, que é uma 
medida de sua rentabilidade durante o período”. Como complemento, temos: 
LUCRO BRUTO = Receitas de vendas – Custos 
LUCRO OPERACIONAL = Lucro Bruto – Despesas Operacionais 
EBIT (Lucro antes dos Juros e dos Impostos) = Resultado dos juros (despesa) 
LUCRO LÍQUIDO POR AÇÃO (EPS) = 𝐼𝐼𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿 𝐼𝐼í𝑞𝑞𝐿𝐿𝑞𝑞𝑞𝑞𝐿𝐿
𝐼𝐼çõ𝑒𝑒𝑠𝑠 𝑒𝑒𝑒𝑒 𝐿𝐿𝑞𝑞𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝑐𝑐𝑐𝑐çã𝐿𝐿
 
Assim como os índices de rentabilidade, eficiência de ativos, capital de 
giro, alavancagem, entre outros. 
O Modelo baseado no goodwill, “representa o valor dos ativos 
intangíveis de uma empresa, além de seus ativos tangíveis, devidamente 
apontados pela contabilidade empresarial (Muller; Teló, 2003, p.103). 
Para Schmidt e Santos (2002, p.153), 
Goodwill é o termo utilizado, tanto nas normas internacionais quanto 
nas norte-americanas, para representar um conceito similar nas 
normas brasileiras ao ágio que surge na aquisição de investimentos 
avaliados pelo método da equivalência patrimonial com fundamento 
econômico em expectativa de lucros futuros. 
Em resumo, esse modelo preza rentabilidades futuras. Além disso, 
Marques (2019) o descreve como sendo a diferença entre o que uma empresa 
paga para adquirir outra e seu valor patrimonial. 
Por não estar contida no Balanço Patrimonial, não é depreciável nem 
amortizável. Sua fórmula é: 
 
 
15 
Goodwill = Preço de Aquisição- Valor do Capital Própria da Empresa Adquirida 
Segundo Marques (2019) no Brasil, o Goodwill, 
É um termo conhecido como um superlucro baseado em expectativas 
de uma futura rentabilidade, que é basicamente o valor da diferença 
com base no valor que foi pago e o valor que o mercado pede. Já nos 
Estados Unidos, por exemplo, o termo nada mais é que a diferença 
entre o valor pago e o valor justo de todos os ativos da empresa em 
questão. 
Já o Modelo baseado no Fluxo de Caixa, segundo Berk et al (2010, p. 
75), “utiliza informações da demonstração de resultados e do balanço 
patrimonial para demonstrar quanto de dinheiro em caixa a empresa gerou e 
como esse dinheiro foi alocado durante certo período”. 
A demonstração de fluxo de caixa divide-se em três seções (Berk et al, 
2010): 
1. Atividades operacionais: utilizam as atividades operacionais da 
empresa, tais como: o Lucro Líquido; Depreciação e Amortização e todos 
os demais itens não correspondentes ao caixa, mas relacionados às 
atividades operacionais; 
2. Atividades de investimento: levam em consideração todo dinheiro 
destinado aos investimentos (desembolsos de capital); 
3. Atividades de financiamento: exibem os fluxos de caixa das atividades 
de financiamento. Assim, a diferença entre o lucro líquido de uma 
empresa e o valor que ela gasta em dividendos é chamada de lucro 
retidos. Enquanto que o payout ratio de uma empresa é o quociente 
entre seus dividendos e seu lucro líquido. Ou seja, aumentos de capital ou 
financiamentos de médio e longo prazo. 
O Modelo de criação de valor leva em consideração o Economic Value 
Added – EVA, que é tido como uma fonte de informação relacionada à criação 
de valor ao acionista. Em termos reais, simboliza a riqueza criada em dado 
período de tempo (Muller; Teló, 2003). 
E pelo objetivo principal das empresas ser o lucro, seus investidores e 
gestores se concentrarão nos excedentes gerados. 
A fórmula do Lucro Econômico (LE) se dá por: 
Lucro Operacional (Líquido do IR) 
( - ) Custo total de capital 
 
 
16 
(WACC x Capital Investido) 
(=) Valor Econômico Agregado 
WACC = Custo médio ponderado de capital 
Capital Investido = Capital total aplicado na empresa 
 
Seu resultado indicará se a empresa está tendo excedente, em relação ao 
capital investido. 
EVA > 0, a organização em análise consegue gerar excedentes 
superiores aos necessários para remunerar os capitais investidos, de 
acordo com a remuneração exigida, verificando-se assim a criação de 
valor; - EVA = 0, a organização em análise consegue gerar excedentes 
suficientes para remunerar os capitais investidos, de acordo com a 
remuneração exigida, não se verificando contudo criação de valor 
acima do previsto; - EVA < 0, a organização em análise não consegue 
gerar excedentes suficientes para remunerar os capitais investidos, de 
acordo com a remuneração exigida, verificando-se assim a destruição 
de valor (Russo, 2014, p.18) 
Existem outros modelos de criação de valor, como o CFROI (cash flow 
return on investment), O SVA (Shareholder value added), o AEVA (adjusted 
economic value added) e o REVA (refined economic value added). 
O CFROI é um modelo parecido com o da taxa interna de retorno. O SVA 
trabalha com fluxos de caixa futuros que, devidamente descontados, procuram 
identificar o valor de uma empresa. Os demais modelos citados, AEVA e REVA 
são derivados do modelo EVA (Muller; Teló, 2003, p.110). 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
BERK, J. DeMARZO, P; HARFORD, J. Fundamentos de finanças 
empresariais. Tradução: Christiane de Brito Andrei; consultoria, supervisão e 
revisão técnica desta edição: Adriano Leal Bruni, Porto Alegre: Bookman, 2010, 
p. 760. 
BREALEY, R. A.; MYERS, S. C.; ALLEN, F. Princípios de finanças 
corporativas. Tradução: Celso Roberto Paschoa, revisão técnica: João Carlos 
Douat, 10ª ed., Porto Alegre: AMGH, 2013. 
HAZZAN, S; POMPEO, J. N. Matamática financeira, 6ª edição, São Paulo: 
Saraiva, 2007 
MARQUES, J. R. Saiba o que é goodwill e como calcular. 2019. Disponível 
em: <https://www.ibccoaching.com.br/portal/saiba-o-que-e-goodwill-e-como-
calcular/>. Acesso em: 25 ago. 2021. 
MAXIMIANO, A. C. A. Fundamentos de administração: manual compacto para 
as disciplinas TGA e introdução à administração. 2ª d., 4ª reimpressão, São 
Paulo: Atlas, 2021. 
MELLAGI FILHO, A. Curso Básico de Finanças. São Paulo: Atlas, 2003. 
MULLER, A. N.; ANTONIK, L. R. Matemática financeira: instrumentos 
financeiros para tomada de decisão em marketing, finanças e comércio. São 
Paulo: Saraiva, 2012. 
MULLER, A. N.; TELÓ, A. R. Modelos de avaliação de empresas. Revista 
FAE, Curitiba, vol. 6, nº 2, p. 97-112, maio-dez. 2003. 
PINHEIRO, J. L. Mercado de capitais. 8ª ed., São Paulo: Atlas, 2016. 
RUSSO, A. M. M. Criação de valor: estudo de caso da Marfilpe. Instituto 
Politécnico de Setúbal, Escola Superior de Ciências Empresariais, Dissertação 
de Contabilidade e Finanças, 2014. Disponível em: 
<https://core.ac.uk/download/pdf/62696164.pdf>. Acesso em: 25 ago. 2021. 
SCHMIDT, P.; SANTOS, J. L. Avaliação de ativos intangíveis. São Paulo: 
Atlas, 2002. 
WESTON, J. F.; BRIGHAM, E. F. Fundamentos da administração financeira. 
São Paulo: Makron Books, 2000.

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