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Eletricidade Básica II APRESENTAÇÃO Um circuito eletrônico consiste, basicamente, em um conjunto de componentes que juntos fazem alguma modificação no sinal elétrico. A modificação do sinal pode ocorrer de diversas formas. Os capacitores e os diodos retificadores são amplamente empregados para o processamento de sinal. Já os LEDs são usados para sinalizar alguma condição interna, ou mesmo para transmitir um sinal, via infravermelho, por exemplo. É possível filtrar componentes de altas frequências, retificar um sinal para usar apenas os ciclos positivos e limitar as tensões mínima e máxima que serão passadas para a próxima etapa do circuito. Nesta Unidade de Aprendizagem, você irá conhecer os capacitores, os diodos retificadores e os LEDs. Será apresentada a função básica de cada um desses componentes, aplicadas aos circuitos microcontrolados, como nos circuitos montados com o Arduino, por exemplo. Serão mostrados, ainda, alguns circuitos básicos que podem ser montados com esses elementos e, por fim, serão analisadas algumas aplicações práticas que podem ser construídas com esses dispositivos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar capacitores, diodos e LEDs.• Relacionar as grandezas envolvidas nos circuitos utilizando capacitores, diodos e LEDs.• Analisar a aplicação de capacitores, diodos e LEDs nos circuitos.• DESAFIO Fontes de alimentação são essenciais em nosso dia a dia. Elas são responsáveis por transformar a energia disponível nas tomadas a um nível de tensão que não seja prejudicial a um equipamento elétrico/eletrônico. Neste Desafio, você deve projetar um circuito de retificação e de filtragem para uma fonte de alimentação usando somente resistores, capacitores, diodos, retificadores e LEDs. A tensão que deve ser retificada e filtrada é de 18V pico a pico senoidal alternada com uma frequência de 125kHz. Além disso, o equipamento que será alimentado por essa fonte é muito sensível. Dessa forma, a ondulação (ripple) não pode ser maior do que 1% da tensão de saída da fonte. A corrente máxima que a fonte deve fornecer é de 1A. É necessário que haja, também, a indicação visual de que a fonte está operacional. INFOGRÁFICO Os capacitores são componentes que conseguem armazenar cargas elétricas por meio do princípio de atração de cargas elétricas. Eles são formados por duas placas metálicas denominadas armaduras, isoladas por um material isolante chamado dielétrico. Conforme o tipo de dielétrico usado, temos tipos diferentes de capacitores. Entre os muitos modelos que existem na eletrônica, os mais comuns são os cerâmicos, os de poliéster, os eletrolíticos de alumínio e os eletrolíticos de tântalo. Muitas vezes, os capacitores são componentes bem pequenos. Para pode identificar o seu valor nominal, a norma do Comitê Internacional de Eletrotécnica (IEC) padronizou, pela norma IEC 60062, um sistema para identificação de resistores e de capacitores. Essa norma permite que o valor nominal dos capacitores seja grafado por meio de um código numérico, de um código de cores ou da grafia direta do seu valor nominal. Neste Infográfico, você vai entender como ler o valor nominal desses componentes utilizando esse método. CONTEÚDO DO LIVRO Os capacitores e os diodos são componentes eletrônicos amplamente empregados na maioria dos circuitos eletrônicos. Os capacitores conseguem armazenar carga, o que é especialmente útil nos filtros de tensão. Os diodos retificadores controlam o fluxo da corrente elétrica. Existem, ainda, alguns diodos especiais que conseguem emitir luz quando a corrente elétrica passa por eles: os LEDs. No capítulo Eletricidade Básica II, da obra Robótica, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você irá entender mais a respeito dos capacitores, dos diodos e dos LEDs. Boa leitura. ROBÓTICA Cleiton Silvano Goulart Eletricidade básica II Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar capacitores, diodos e LEDs. � Relacionar as grandezas envolvidas nos circuitos utilizando capacitores, diodos e LEDs. � Analisar a aplicação de capacitores, diodos e LEDs nos circuitos. Introdução Neste capítulo, você vai conhecer os capacitores, os diodos e um tipo especial de diodo que emite luz, o LED. Esses componentes, juntamente aos resistores, formam um grupo de componentes básicos que são in- dispensáveis para a maioria dos circuitos eletrônicos. Você estudará o conceito fundamental de cada um desses componentes, para que consiga diferenciá-los, e verá noções fundamentais de análise de circuitos envol- vendo esses componentes. Por fim, você vai estudar algumas aplicações simples para cada componente, com uma discussão a respeito do seu funcionamento elétrico. Capacitores, diodos e LEDs Vamos começar estudando o que são os capacitores e os diodos, com uma descrição breve de sua função e sua aplicação básica. Veremos ainda os prin- cipais tipos desses componentes existentes no mercado e como você pode identificá-los a fim de conseguir construir circuitos eletrônicos. Capacitores O capacitor é um componente eletrônico cuja função essencial é armazenar carga elétrica. A capacidade de armazenamento dessa carga é denominada capacitância e sua unidade fundamental é o Farad, representado por F. O Farad é uma unidade considerada muito grande para circuitos práticos, por isso é muito comum usarmos submúltiplos do Farad, como o microfarad (μF), o nanofarad (nF) ou mesmo o picofarad (pF), sendo: � μ = 10−6 � n = 10−9 � p = 10−12 Outro termo que pode ser usado para designar o capacitor é condensador, porém ele está em desuso. Se pesquisar em fontes antigas, talvez você encontre esse termo. Alguns países de língua portuguesa ainda consideram o termo usual (GUSSOW, 2009). Grosso modo, um capacitor é formado por duas placas metálicas, deno- minadas armaduras, que são isoladas entre si por algum material isolante, o dielétrico, conforme mostra a Figura 1. Seguindo o princípio de atração de cargas elétricas, é possível armazenar certa quantidade de carga nesse par de placas. Na prática, a construção física do capacitor varia quanto à geometria das placas e ao dielétrico utilizado. Eletricidade básica II2 Figura 1. Estrutura esquemática de um capacitor, formado pelas armaduras e pelo dielétrico. Fonte: Adaptada de Gussow (2009). armaduras dielétrico Normalmente, os capacitores são classificados em relação ao seu dielétrico. Os principais tipos são os cerâmicos e os eletrolíticos (GUSSOW, 2009). Existem outros tipos de capacitores, mas esses dois são os mais comuns nos circuitos eletrônicos. Os símbolos usuais para representar os capacitores fixos estão ilustrados na Figura 2a. Existem ainda os capacitores variáveis, os quais, por meio de um arranjo mecânico, permitem que a capacidade de armazenar carga seja alterada. O símbolo para esquemas eletrônicos desses capacitores está ilustrado na Figura 2b. 3Eletricidade básica II Figura 2. Símbolos empregados para os capacitores fixos (a) e variáveis (b). Fonte: Adaptada de Gussow (2009). ( ( (a) (b) Os capacitores cerâmicos são elementos compactos e apresentam um custo muito baixo. Eles podem ser tubulares ou de disco. O dielétrico desses capacitores é feito de um material cerâmico e possuem uma capacitância baixa, da ordem de até 1μF, sendo mais comuns valores na ordem de nF e pF. Por esse motivo, esses capacitores utilizam um código para indicar o seu valor nominal de capacitância, formado por três números: os dois primeiros dão o valor nominal do capacitor em pF e o terceiro indica o expoente do fator de multiplicação em termos de potência de 10 que deve ser aplicado. Um capacitor cerâmico com a inscrição 22 possui uma capacitância nominal de 22pF. Já um com a inscrição 104 possui a seguinte capacitância: 10pF × 104 = 100.000pF = 100nF = 0,1μF Eletricidadebásica II4 Existe ainda um código de letras para indicar sua tolerância conforme a norma do Comité Internacional de Eletrotécnica IEC 60062. Esses capacitores também apresentam uma boa resistência a altas temperaturas e são muito usados como filtros de sinais. Nos capacitores eletrolíticos, o dielétrico é constituído por uma fina camada de óxido sobre a armadura positiva. Uma solução eletrolítica, muitas vezes na forma de um gel, é depositada sobre a camada de óxido para com- por a armadura negativa do capacitor. Por essa razão esses capacitores têm polaridade e, caso a polaridade não seja respeitada na hora de fazer a ligação elétrica, o capacitor pode ser danificado de forma permanente. Os capacitores eletrolíticos possuem uma alta capacidade de armazenamento de carga, conseguindo atingir, com facilidade, valores da ordem de 400μF (GUSSOW, 2009). Esses capacitores são muito empregados nos filtros das fontes de alimentação, o que veremos em detalhes mais adiante. Os capacitores eletrolíticos podem ser subdivididos ainda quanto ao material da armadura positiva, que pode ser de alumínio ou de tântalo (GUSSOW, 2009). Os capacitores eletrolíticos de alumínio são os mais comuns. Já os capacitores eletrolíticos de tântalo apresentam uma maior capacitância por volume e, consequentemente, um menor espaço ocupado pelo dispositivo em termos comparativos. Por causa do uso do tântalo, esses capacitores têm um custo alto, quando comparados com os demais, porém, mesmo sendo mais caros, eles são muito usados em produtos de informática, por exemplo, por serem compactos. Diodos O diodo é um dispositivo semicondutor, composto por uma parte de material semicondutor tipo N e outra parte de material semicondutor tipo P, conforme a estrutura representada na Figura 3. Um material semicondutor é construído a partir de alguma substância que tenha propriedades semicondutoras (como o silício, o germânio, etc.), dopadas por alguma outra substância. 5Eletricidade básica II Dopar aqui quer dizer “deixar impuro”, isto é, para obter material semicondutor tipo N deve-se “pegar” um pedaço de silício puro e “contaminá-lo” com um pouco de fósforo, por exemplo. Todo material semicondutor consegue conduzir uma corrente elétrica, desde que seja satisfeita alguma condição. No caso dos diodos de silício, por exemplo, a condição é que a corrente flua do ânodo para o cátodo (polos positivos e negativos, respectivamente) e que a diferença de potencial seja de, no mínimo, ≈ 0,7V. Figura 3. Símbolo e construção típica do diodo. Fonte: Adaptada de Malvino e Bates (2016). Ânodo P N Cátodo Eletricidade básica II6 Uma característica marcante dos diodos é que eles funcionam como se fossem uma válvula de retenção em uma tubulação hidráulica, isto é, eles só permitem que a corrente elétrica flua por um sentido. Além disso, alguns diodos podem ser fabricados de forma a exibir algum comportamento especial. Temos os diodos retificadores, cuja principal função é, justamente, fazer com que a corrente elétrica flua somente em um sentido (MALVINO; BATES, 2016). O diodo zener é outro tipo de diodo bastante comum, cuja principal característica especial é a de manter constante a tensão entre seus terminais, podendo ser usado como um regulador de tensão. Existem alguns diodos que conseguem emitir fótons, isto é, luz, com a passagem da corrente elétrica — estes diodos são conhecidos como LEDs, e serão descritos logo mais. Além do LED, existem ainda os fotodiodos, que são diodos que mudam sua curva de resposta em função da luz incidente na junção PN. Os diodos geralmente são componentes pequenos. Seu encapsulamento pode ser de plástico, vidro ou resina epóxi. Os diodos contam ainda com uma faixa de cor branca ou preta, para indicar qual perna é o cátodo do diodo. Um diodo especial que emite luz — o LED A palavra LED vem da sigla em inglês de Light-Emitting Diode (diodo emissor de luz). O LED é um tipo de diodo especial, no qual, mediante a passagem da energia elétrica, ocorre a emissão de fótons. Ele pode ser fabricado para emitir luz em qualquer faixa do espectro visível e ainda na região do infravermelho (que não é visível para o olho humano). Os LEDs são uma fonte luminosa bastante versátil. Eles consomem pouca energia e sua luz tem uma alta monocromaticidade. Seu encapsulamento ge- ralmente é feito a partir de alguma resina translúcida, colorida ou transparente (MALVINO; BATES, 2016). Os LEDs mantêm a característica básica dos diodos, que é a de permitir a passagem da corrente elétrica em somente um sentido, e, geralmente, possuem uma perna menor do que a outra, conforme ilustrado na Figura 4; a perna mais curta é o cátodo do LED. Alguns possuem também um chanfro do mesmo lado do cátodo, também indicado na Figura 4. 7Eletricidade básica II Figura 4. Estrutura de um LED. Fonte: Adaptada de Malvino e Bates (2016). Fio de conexão Lente/encapsulamento de epoxi Cavidade re exiva Pastilha de semicondutor Batente Suporte Estrutura de condutores Chanfro Ânodo Cátodo Além disso, existem LEDs que são fabricados para serem soldados em superfícies. Esses são tão pequenos que é necessário utilizar pinças para manipulá-los. Existem ainda os LEDs de alta potência, que precisam de radia- dor de calor para manter sua temperatura em um nível seguro para operação. Circuitos elétricos Circuitos com capacitores Nos circuitos com capacitores, a capacitância C é dada pela Equação 1, onde (GUSSOW, 2009): V = tensão entre as armaduras do capacitor, expressa em volts. Q = carga elétrica armazenada em Coulombs. A capacitância equivalente Ceq para capacitores em série, conforme mostra Figura 5a, é dada pelo somatório da Equação 2. Para capacitores em paralelo (Figura 5b), a capacitância é dada pela Equação 3. O termo Cn nas Equações 2 e 3 representa cada um dos n-ésimos capacitores associados. Eletricidade básica II8 C = Q V 1 Ceq 1 Cn = ∑ Ceq = ∑Cn (1) (2) (3) Figura 5. Associação de capacitores: (a) capacitores em série; (b) capacitores em paralelo. Fonte: Adaptada de Gussow (2009). C1 C1C2 C2Cn Cn (a) (b) Circuitos com diodos Os diodos geralmente apresentam uma curva de resposta conforme ilustrado na Figura 6. Quando o diodo está polarizado na região direta, isto é, com a corrente elétrica fluindo do ânodo para o cátodo, conforme a Figura 7a, o diodo permite a passagem da corrente elétrica sem maiores restrições (MALVINO; BATES, 2016). Já com o diodo polarizado na região inversa — corrente fluindo do cátodo para o ânodo, conforme a Figura 7b —, o diodo impede a passagem de corrente elétrica até que a tensão ultrapasse o valor de ruptura do diodo (MALVINO; BATES, 2016). É possível fazer uma analogia dos diodos com chaves. Um diodo polarizado na região direta é equivalente a uma chave fechada. Já um diodo polarizado na região inversa é análogo a uma chave aberta. Os diodos apresentam ainda uma tensão de joelho (para os diodos de silício é de ≈ 0,7V) a qual representa a tensão mínima que deve ser aplicada para que o diodo permita a passagem de corrente elétrica. 9Eletricidade básica II Figura 6. Curva de resposta típica para o diodo. Fonte: Adaptada de Malvino e Bates (2016). Ruptura Corrente inversa Região direta Região inversa Joelho ≈ 0,7 V ID VD Figura 7. Circuitos de polarização dos diodos: (a) polarização direta; (b) polarização indireta. Fonte: Adaptada de Malvino e Bates (2016). V VR R I (a) (b) A potência dissipada P por um diodo pode ser calculada de acordo com a Equação 4, onde V representa a tensão sobre o diodo e I representa a corrente elétrica que flui pelo diodo (MALVINO; BATES, 2016). Cada diodo possui um limite de potência que é capaz de dissipar, bem como uma corrente e tensão máximas com que ele consegue trabalhar de forma segura. P = V . I (4) Eletricidade básica II10 O limite de potência que pode ser dissipada, a corrente e a tensão máximas variam muito de modelo para modelo. Você pode encontrarestas informações nas especificações técnicas do componente. Os fabricantes publicam os datasheets, que nada mais são do que um conjunto de especificações técnicas do componente, o qual inclui esta e muitas outras informações sobre o componente escolhido (MALVINO; BATES, 2016). Circuitos com LEDs Um aspecto significativo a respeito dos LEDs é a tensão de joelho. Enquanto para os diodos de silício essa tensão é da ordem de ≈ 0,7V, para os LEDs essa tensão varia na média de 1,2V até 2,5V. O valor exato dessa tensão depende de vários fatores, entre eles da cor e da tolerância do componente (MALVINO; BATES, 2016). Os LEDs têm uma baixa capacidade de dissipar potência (com algumas exceções), de forma que é necessário usar um resistor elétrico para limitar a corrente elétrica e a potência dissipada pelo LED. O resistor é um compo- nente que oferece resistência à passagem da corrente elétrica. A corrente de operação de um LED geralmente é da ordem de 10mA a 50mA, sendo que o brilho é dependente da corrente elétrica. Quanto maior for a corrente, maior será o brilho. Na Figura 8 temos o circuito básico para acionamento de um LED, em que, além do LED, temos um resistor para limitar a corrente elétrica. Figura 8. Circuito típico para acionamento de um LED. Fonte: Adaptada de Malvino e Bates (2016). VS RS VD 11Eletricidade básica II Por meio da Equação 5, podemos relacionar a tensão, a corrente e a resis- tência elétrica. Nessa equação, IS representa a corrente que irá percorrer no LED; VS representa a tensão de alimentação da fonte; VD representa a tensão de joelho do LED e RS representa a resistência necessária para a operação do LED. IS = VS – VD RS (5) Aplicações dos capacitores e diodos Uma aplicação muito comum para diodos e capacitores são circuitos retifica- dores, que veremos a seguir. Depois, veremos como utilizar os diodos para limitar a tensão para circuitos sensíveis. Retificador em meia onda Uma aplicação simples para os diodos são os retificadores em meia onda. Na Figura 9 temos um circuito eletrônico simples, em que um diodo é colocado em série com um resistor. Figura 9. Circuito eletrônico típico do retificador em meia onda. Fonte: Adaptada de Malvino e Bates (2016). RL Eletricidade básica II12 Se for aplicado um sinal de entrada conforme ilustrado na curva de tensão em função do tempo da Figura 10a, podemos observar o sinal da Figura 10b na carga, representada pelo resistor RL. Esse sinal de saída é conhecido como sinal de meia onda, porque ele representa somente os semiciclos positivos do sinal de entrada. Dessa forma, a saída desse circuito é um sinal pulsante. O diodo funciona como uma chave, que permite a passagem da corrente elétrica somente quando a tensão de entrada for superior a 0,7V (MALVINO; BATES, 2016). Figura 10. Circuito eletrônico típico do retificador em meia onda com o sinal de entrada e saída: (a) tensão de entrada Vin; (b) tensão de saída. Fonte: Adaptada de Malvino e Bates (2016). Vp(in) vin t Vp(out) vout t (a) (b) 13Eletricidade básica II A tensão na saída da ponte retificadora Vout da Figura 10 pode ser expressa de forma aproximada pela Equação 6, onde Vin representa a tensão da fonte de alimentação e 0,7V representa a barreira de potencial para que o diodo possa conduzir (MALVINO; BATES, 2016). Nesse circuito retificador, a frequência do sinal de saída é igual à frequência do sinal de entrada. Vout = Vin – 0,7V (6) O retificador de onda completa é outro circuito, que é uma melhoria natural desse retificador, e será abordado na próxima seção. Retificador de onda completa em ponte O retificador de onda completa em ponte, representado na Figura 11, é uma variação do retificador de meia onda, cuja principal característica é reduzir a tensão pulsante na saída, conforme foi ilustrado na Figura 11b. Neste circuito, temos quatro diodos, associados em ponte, de forma que os diodos D1 e D2 irão funcionar como chave quando a fonte estiver no semiciclo positivo, enquanto os outros dois diodos estarão operando como chave aberta. Figura 11. Circuito eletrônico típico do retificador de onda completa em ponte. Fonte: Adaptada de Malvino e Bates (2016). Vin RL D3 D2 D4 D1 Eletricidade básica II14 Quando a fonte entra no semiciclo negativo, a situação inverte, isto é, os diodos D3 e D4 passam a conduzir, enquanto D1 e D2 ficam em corte. Assim, o sinal de saída medido na carga RL em função do tempo pode ser observado na Figura 12. Compare esta saída com a saída da Figura 10b. O retificador de onda completa em ponte apresenta um sinal de saída mais próximo do sinal contínuo do que o retificador em meia onda (MALVINO; BATES, 2016). Figura 12. Sinal de saída típico para o retificador de onda completa em ponte. Fonte: Adaptada de Malvino e Bates (2016). Vp vout t No retificador de onda completa em ponte, a tensão de saída Vout é dada pela Equação 7, em que Vin representa a tensão de entrada na ponte. O termo −1,4V contempla a perda de tensão decorrente da barreira de potência do diodo. Como nesse circuito para haver a condução são necessários no mínimo dois diodos, devemos multiplicar 2 · 0,7V = 1,4V. Para esse circuito, a frequência do sinal de saída é o dobro do sinal de entrada (MALVINO; BATES, 2016). Vout = Vin – 1,4V (7) 15Eletricidade básica II O circuito da ponte retificadora de onda completa em ponte, ilustrado na Figura 11, é tão comum que existe um componente em que os quatro diodos já estão montados dentro de um encapsulamento próprio. A Figura 13 mostra vários encapsulamentos de pontes retificadoras. Figura 13. Diodos montados na forma de ponte retificadora de onda completa. Fonte: Malvino e Bates (2016, p. 99). Retificador de onda completa em ponte com filtro Na Figura 14 você vê o retificador de onda completa em ponte com filtro. Esse circuito é análogo ao circuito da Figura 11, porém com o acréscimo de um capacitor em paralelo com a carga. O capacitor C1 é denominado capacitor de filtro. Como você viu na Figura 12, a tensão na carga (RL) é uma tensão pulsante. Para que essa tensão fique constante, este capacitor funciona armazenando parte da carga elétrica para que, quando o nível de tensão voltar a cair, ele consiga manter o nível de saída em um valor médio, relativamente constante. Eletricidade básica II16 Figura 14. Diodos montados na forma de ponte retificadora de onda completa. Fonte: Adaptada de Malvino e Bates (2016). Vin RL D3 D2 D4 C1 D1 Na Figura 15 você vê a tensão de saída em linha cheia e a tensão de entrada em linha tracejada. Observe que a presença do capacitor faz com que o nível de tensão fique mais constante quando comparado com a saída sem o capacitor de filtro da Figura 12. A ondulação percebida na Figura 15 é conhecida como rip- ple. Para a maioria das aplicações, uma pequena ondulação é aceitável. O valor de ondulação pico a pico da Figura 16 pode ser determinado pela Equação 8, onde I representa a corrente elétrica na carga RL, f representa a frequência da ondulação e C representa a capacitância do capacitor C1. VR = I fC (8) Figura 15. Nível de tensão no circuito da Figura 15. Fonte: Adaptada de Malvino e Bates (2016). Vp Vin Vout 17Eletricidade básica II Diodo como limitador de tensão Uma aplicação muito comum, simples e prática para o diodo são os ceifadores ou grampos de tensão. Na Figura 16 temos um exemplo de circuito em que os diodos operam dessa forma. Seu comportamento é análogo ao comportamento esperado nos circuitos retificadores. O objetivo desse circuito é proteger algum circuito que seja sensível a uma tensão superior a V1 e inferior a V2. Caso a entrada seja superior a V1 ou inferior a V2, os diodos irão conduzir, garantindo que a entrada para o circuito sensitivo esteja dentro dos limites estabelecidos por V1 e V2 (MALVINO; BATES, 2016). Figura 16. Diodo como grampo de tensão. Fonte: Adaptada de Malvino e Bates (2016). Entrada V1 Circuito sensitivo V2 GUSSOW, M. Eletricidadebásica. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. (Coleção Schaum). MALVINO, A.; BATES, D. Eletrônica. 8. ed. Porto Alegre: AMGH, 2016. v.1. Leituras recomendadas FOWLER, R. Fundamentos de eletricidade: corrente contínua e magnetismo. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. (Série Tekne). HOROWITZ, P.; HILL, W. The art of electronics. 3. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2015. Eletricidade básica II18 DICA DO PROFESSOR Os capacitores são componentes que conseguem armazenar cargas elétricas por meio do princípio de atração entre cargas elétricas. A construção simples facilita o processo de fabricação desses componentes. Mas essa mesma construção simples permite que a capacitância seja encontrada de forma não desejada em várias situações. A capacitância parasita é quando encontramos o mesmo efeito do capacitor em um componente ou em uma montagem na qual esse efeito não é desejado. Nesta Dica, você vai entender melhor sobre esse efeito e onde podemos encontrá-lo. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Suponha que você esteja usando um LED vermelho para sinalizar uma condição interna de um robô. O acionamento do LED será a partir de um circuito microcontrolador que consegue fornecer uma tensão de 5V e uma corrente elétrica de, no máximo, 20mA. Considere que o LED vermelho tem uma tensão de joelho de 2,2V. Como você irá montar esse circuito para que ele funcione sem problemas? A) Ligando dois LEDs em série. B) Ligando dois LEDs em paralelo. C) Ligando um resistor de 110Ω em série com o LED. D) Ligando um resistor de 140Ω em série com o LED. E) Ligando um resistor de 250Ω em série com o LED. 2) Um LED foi ligado a uma bateria automotiva para funcionar como um sinal de iluminação, cujo circuito elétrico está ilustrado na figura a seguir. Considere o resistor R1=5Ω. Se é desejado usar um LED branco, cuja potência é de 5W, qual é a tensão de limiar do LED? A) 2,23V. B) 2,55V. C) 2,68V. D) 3,05V. E) 3,42V. A partir da associação de capacitores da figura a seguir, determine qual o valor do capacitor que pode ser usado para substituir todo o circuito. 3) A) 1,13uF. B) 12,2uF. C) 12,53uF. D) 13,7uF. E) 15,2uF. Um sistema de iluminação de emergência é composto por 4 LEDs de 3W cada, conforme mostra a figura a seguir. A bateria desse sistema é de 15V. Para que os LEDs possam acender de forma segura, é necessário que haja resistores para limitar sua corrente elétrica. Qual o valor que R1 deve ter no circuito para que os LEDs acendam com sua potência máxima, sabendo que a tensão de joelho dos LEDs é de 3,4V? 4) A) 2,4Ω. B) 3,6Ω. C) 6,5Ω. D) 8,2Ω. E) 9,3Ω. Considere um circuito retificador de onda completa em ponte, conforme ilustrado a seguir. A tensão de entrada é senoidal com uma tensão Vin pico a pico de 25V e uma frequência de 250Hz. A resistência da carga é de 4,7kΩ. Qual deve ser o menor valor do capacitor C1 para que a ondulação da tensão na carga seja menor do que 0,5V? 5) A) 20,1uF. B) 21,3uF. C) 30,5uF. D) 40,2uF. E) 42,6uF. NA PRÁTICA Em um projeto de robótica, é muito comum usar os microcontroladores para fazer leituras analógicas. Para isso, são usados os ADCs - conversores analógico-digitais, os quais são incluídos como recursos desses microcontroladores. Mas devemos tomar alguns cuidados porque esses conversores são sensíveis. Se não for respeitado o limite de tensão, é possível danificar permanentemente o ADC e, às vezes, até mesmo o microcontrolador. Outro aspecto diz respeito aos ruídos: muitas vezes, ruídos externos podem induzir algumas ondulações no sinal de entrada. Essas ondulações podem ocasionar vários erros na leitura que está sendo realizada. Na Prática, você vai ver como fazer para projetar de forma adequada um circuito que usa diodos para proteger a entrada do conversor analógico-digital. Além disso, será mostrado como podemos usar capacitores para filtrar o sinal de entrada do ADC, evitando que ruídos atrapalhem o sinal que será lido. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Eletrônica - volume 1 Neste livro, você irá encontrar os fundamentos da eletrônica explicados de forma clara e sucinta. Para melhor entendimento sobre a estrutura e o funcionamento dos diodos, leia os capítulos 2, 3, 4 e 5. Eletricidade básica No capítulo 14 deste livro, você irá encontrar informações sobre os capacitores. É abordado, também, de forma bastante didática, a interpretação de circuitos capacitivos mais complexos. Eletrônica I Esta obra oferece uma visão ampla dos sistemas eletrônicos, ideal para o estudo em cursos técnicos e tecnológicos. Além disso, a abordagem atualizada de sistemas ajuda os leitores a reconhecerem a extensão das modernas tecnologias nas diversas oportunidades profissionais na indústria.