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APG 4 – “OSSOS DO ORIFÍCIO E UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL” 
SÍND. DO MANGUITO ROTADOR E SÍND. DO TÚNEL DO CARPO 
Magny Emanuele Lima – Medicina 
 
Objetivos 
1. Revisar a anatomofisiologia da mão e do 
ombro. 
2. Compreender a etiologia, epidemiologia, 
fatores de risco, quadro clínico, 
diagnóstico e tratamento da síndrome do 
manguito rotador e da síndrome do túnel 
do carpo. 
3. Discutir os aspectos legais da saúde do 
trabalhador. 
Anatomofisiologia 
Ombro 
O corpo humano possui 2 cíngulos dos membros 
superiores que prendem os ossos dos membros 
superiores ao esqueleto axial. Cada um dos dois 
cíngulos dos MMSS consiste em uma clavícula e 
uma escápula. 
 A clavícula é o osso anterior e se articula 
com o manúbrio do esterno na articulação 
esternoclavicular. 
 A escápula se articula com a clavícula na 
articulação acromioclavicular e com o 
úmero na articulação do ombro. 
Os cíngulos dos membros superiores não se 
articulam com a coluna vertebral e são mantidos 
em posição e estabilizados por um grupo de 
grandes músculos que se estendem da coluna 
vertebral e das costelas à escápula. O complexo 
articular do ombro é composto por 5 articulações, 
sendo a principal a glenoumeral, a mais móvel. 
Articulação Glenoumeral: é sinovial do tipo 
esferoíde, que permite uma grande amplitude de 
movimentos, porém é menos estável que as 
outras. É formada pela cabeça do úmero e a 
cavidade glenoidal da escápula, que acomoda 
apenas cerca de 1/3 da cabeça do úmero. 
 É a mais móvel do corpo humano. 
 Possibilita flexão, extensão, hiperextensão, 
abdução, adução, rotação medial, 
rotação lateral e circundução do braço. 
 Os ligamentos glenoumerais, transverso 
umeral e coracoumeral fazem parte da 
membrana fibrosa que circunda a 
articulação e reforçam a cápsula anterior. 
O arco coracoacromial é uma estrutura muito 
importante que contém o ligamento 
coracoacromial, que impede o deslocamento 
superior da cabeça do úmero. 
Além dos ligamentos e da cápsula articular, alguns 
músculos são responsáveis por manter essas 
estruturas unidas: o músculo supraespinhal, 
infraespinhal, redondo menor e subescapular, que 
juntos formam o manguito rotador. 
 A maior parte da estabilidade da 
articulação do ombro é conferida pela 
disposição dos músculos do manguito 
rotador. 
 
Articulação Esternoclavicular: é o único ponto de 
transmissão de choques do membro superior 
para o esqueleto axial. 
APG 4 – “OSSOS DO ORIFÍCIO E UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL” 
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Magny Emanuele Lima – Medicina 
 
 É sinovial do tipo selar e dividida em dois 
compartimentos por um DISCO ARTICULAR 
(maior durabilidade dessa articulação). 
Esse disco está fixado aos ligamentos 
esternoclaviculares anterior e posterior e ao 
ligamento interclavicular. O ligamento 
interclavicular se estende de uma clavícula a 
outra, na extremidade esternal superior, o que 
torna a articulação muito forte. 
 
Articulação Acromioclavicular: é sinovial, plana, 
formada pela extremidade acromial da clavícula 
e o acrômio da escápula. A membrana fibrosa 
reveste a cápsula articular; internamente, é 
revestida pela membrana sinovial. Essa 
articulação é reforçada pelo ligamento 
acromioclavicular, ligamento coracoacromial e 
pelo ligamento coracoclavicular, que é composto 
pelo ligamento conoide e trapezoide. 
Articulação Escapulotorácica: não possui uma 
classificação própria! Anatomicamente = falsa / 
biomecânica = muito importante! 
Possui, entre as superfícies ósseas da escápula e 
da caixa torácica, um músculo subescapular (que 
fixa a escápula nas costelas), que não compõe 
nenhuma classificação de articulações. 
 Define a saúde da articulação 
glenoumeral. 
 É uma articulação funcional, não é 
sinovial. 
 É diartrose = permite movimentos amplos, 
e em várias direções = multiaxial. 
Articulação Subacromial: não possui classificação 
própria, sendo um espaço abaixo do acrômio. 
Representa 90% das lesões que acometem o 
ombro. É uma articulação funcional e diartrose: 
permite movimentos amplos (menos que as outras, 
10º). 
Mão 
A mão é aparte mais distal do esqueleto 
apendicular superior, formada pelo carpo, 
metacarpo e falanges, é uma região muito rica 
em terminações nervosas sensitivas (tato, dor e 
temperatura).
 
Carpo 
São 8 ossos do carpo, dispostos em duas fileiras, 
que deslizam entre si, ampliando os movimentos 
da articulação do punho. Na fileira proximal, de 
lateral para medial encontram-se: 
 Escafoide: que apresenta o tubérculo do 
escafoide; 
 Semilunar: que possui uma forma de lua; 
 Piramidal: osso em forma de pirâmide; 
 Pisiforme: situado na face palmar do 
piramidal. 
Na fileira distal do carpo, também de lateral para 
medial, encontramos: 
 Trapézio: que tem quatro faces; 
 Trapezoide: um osso cuneiforme; 
 Capitato: o maior osso carpal; 
 Hamato: também de formato cuneiforme, 
que apresenta uma proeminência em 
gancho na porção anterior, o hámulo do 
hamato. 
Metacarpo 
O metacarpo é constituído por 5 ossos, formando 
o esqueleto da palma da mão. Esses ossos têm 
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uma base, que se relaciona com os ossos carpais, 
um corpo e uma cabeça, que se articula com as 
falanges proximais. 
Falanges 
Cada dedo possui três falanges, a proximal, a 
média e distal, com exceção do primeiro 
quirodáctilo, que possui apenas a falange 
proximal e a distal. 
As falanges, assim como os metacarpos, possuem 
uma base proximal, um corpo e uma cabeça 
distal; as proximais são maiores e as terminais, 
achatadas nas extremidades sob os leitos 
ungueais. 
As raízes (ramos anteriores) dos nervos espinais C5-
C8 e T1 foram o plexo braquial, que se estende 
inferior e lateralmente em ambos os lados das 
últimas quatro vértebras cervicais e da 1ª vértebra 
torácica. Ele passa acima da 1ª costela, 
posteriormente à clavícula, e então entra na axila. 
Esse plexo fornece quase toda a inervação dos 
ombros e dos MMSS e 5 grandes ramos terminais se 
originam do plexo braquial: 
1) O nervo axilar supre os músculos deltoide e 
redondo menor; 
2) O nervo musculocutâneo inerva os músculos 
anteriores do braço; 
3) O nervo radial supre os músculos da região 
posterior do braço e do antebraço; 
4) O nervo mediano inerva a maioria dos músculos 
da região antebraquial anterior e alguns músculos 
da mão; 
5) O nervo ulnar supre os músculos anteromediais 
do antebraço e a maioria dos músculos da mão. 
O espaço côncavo anterior formado pelo 
pisiforme e hamato (no lado ulnar) e escafoide e 
trapézio (no lado radial), com a cobertura superior 
do retináculo dos músculos flexores (fortes feixes 
fibrosos de tecido conjuntivo), consiste no túnel do 
carpo. Os longos tendões dos flexores dos dedos e 
do polegar, além do nervo mediano, passam pelo 
túnel do carpo. 
 Então, o túnel do carpo é uma passagem 
por onde o nervo mediano corre junto com 
tendões dos músculos flexor longo do 
polegar, flexor superficial dos dedos e 
flexor profundo dos dedos, que vão para 
os dedos desde o antebraço até a palma 
da mão. 
 
Síndrome do Manguito Rotador 
A dor no ombro constitui a 2ª maior queixa que 
leva os pacientes a procurar um consultório 
ortopédico, perdendo apenas para a dor lombar. 
Dentre as causas de dor no ombro, a maioria é 
referente às patologias do manguito rotador (MR), 
destacando-se as roturas dessa estrutura 
musculotendínea. Em razão da dor e da limitação 
funcional que causa nos pacientes (o ombro é 
peça fundamental no posicionamento da mão no 
espaço), pode acarretar prejuízo nas atividades 
habituais, esportivas e profissionais. 
Epidemiologia 
A rotura do MR tem incidência variável na 
população, em estudos anatômicos apenas 6% 
de cadáveres com <60 anos apresentaramlesões 
nos ombros, enquanto aqueles com mais idade 
apresentam lesões em 30%. A rotura parcial é mais 
frequente em indivíduos jovens e a completa, em 
idosos, por causa do caráter degenerativo. A 
rotura parcial apresenta o dobro de incidência. 
Etiopatogenia 
Aspectos anatômicos: O MR é formado pela 
confluência dos tendões dos músculos 
supraespinhal (SE), infraespinhal (IE), redondo 
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menor (RME) e subescapular (SUB). Ele abraça 2/3 
da cabeça do úmero como se fosse uma coifa e, 
além de reforçar a cápsula articular a ele 
aderente, mantém, dinamicamente, a cabeça 
do úmero aposta à rasa cavidade glenoide. 
Não há consenso entre os autores a respeito das 
causas das patologias do manguito rotador, mas 
destaca-se: 
 Trauma: o paciente refere que caiu sobre 
o membro afetado, que sofreu uma 
luxação glenoumeral traumática, que um 
estiramento abrupto aconteceu enquanto 
realizava alguma atividade com os 
membros elevados, entre outras causas. 
Obs: É preciso estar atento aos casos de ruptura 
do MR associada a luxação glenoumeral 
traumática, especialmente em paciente >40anos. 
 Hipovascularização na inserção músculo 
supraespinhal; 
 Impacto subacromial primário 
As roturas do MR podem ser classificadas quanto 
a duração e etiologia, espessura, extensão e 
formato da lesão. 
DURAÇÃO E ETIOLOGIA 
Roturas agudas ou traumáticas: decorrentes de 
um evento traumático bem estabelecido. 
Roturas crônicas ou degenerativas: paciente com 
longo período de evolução dos sintomas. 
Extensão aguda de uma rotura crônica: quando 
um trauma ocorre num ombro já previamente 
sintomático, com piora clínica. 
ESPESSURA 
Rotura pacial: ocorre a rotura sem o 
comprometimento de toda do tendão e sem 
comunicação do espaço articular com o 
subacromial. Pode ser subdividida em: 
Articular: quando ocorre na superfície inferior do 
tendão, face articular (é a mais comum) 
Bursal: superfície superior, face bursal 
Intrassubstancial (mais rara) 
 
EXTENSÃO 
 Pequena (< 1cm); 
 Média (< 3 cm); 
 Grande (< 5 cm) 
 Extensa (> 5 cm) = geralmente 2 ou mais 
tendões estão rotos. 
 
FORMATO DA LESÃO 
Os formatos são classificados em “V”, “U”, “C” ou 
“L” 
Fisiopatologia 
De acordo com Neer, a lesão dos tendões que 
recobrem a cabeça umeral é de caráter 
evolutivo, passando por três estágios. 
Estágio I: mais comum em jovens devido ao 
excesso do uso do MMSS no esporte ou trabalho, 
mas pode ocorrer em qualquer idade, há 
hemorragia na área do impacto seguida de 
processo inflamatório e edema local. Nessa fase, 
pode ser reversível se interrompida a atividade 
que o desencadeia e instituído tratamento 
eficiente (medicamento anti-inflamatório e 
fisioterapia). 
Estágio II: mais frequente em pacientes entre 25 e 
40 anos, ocorre fibrose do tendão que se forma a 
partir do processo inflamatório e edematoso 
persistente, como consequência da repetição dos 
microtraumatismos. O tendão do SE fica 
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espessado, bem como as paredes da bolsa serosa 
subacromial e eventualmente também o tendão 
da cabeça longa do bíceps (CLB). 
Estágio III: Ruptura completa do MR com 
alterações ósseas típicas ao raio X (esclerose 
óssea, cistos subcondrais, osteófitos na porção 
anterior e na articulação acromioclavicular e 
contato da cabeça do úmero com o acrômio, nos 
casos de ruptura maciça). Inicia a partir dos 45 a 
50 anos e é caracterizado pelas roturas tendíneas 
e suas consequências. 
 A rotura se inicia, no tendão do SE, a partir 
da “área crítica”, podendo progredir para 
os demais tendões 
 
Neer enfatiza a importância dos fatores 
extrínsecos como as principais causas das roturas 
do MR, sendo representados pela morfologia do 
desfiladeiro do supraespinal e o excesso de uso do 
membro superior. 
Fatores extrínsecos - Morfologia do desfiladeiro do 
supraespinal: para realizar o movimento de 
elevação do braço, a cabeça do úmero, os 
tendões que nela se inserem e as bolsas serosas 
que a envolvem, deve deslizar harmonicamente 
sob o arco coracoacromial (acrômio e ligamento 
coacromial) e sob a articulação 
acromioclavicular, que formam um verdadeiro 
teto para o úmero. O contorno e o diâmetro 
vertical do desfiladeiro dependem do formato e 
da inclinação do acrômio e do formato da 
superfície inferior da articulação 
acromioclavicular. 
• Acrômios tipos II e III e ângulos de inclinação 
mais agudos diminuem a luz do desfiladeiro. 
• O os acromiale, que é a ausência de fusão entre 
os núcleos de ossificação do acrômio, também 
pode ser causa do impacto subacromial. 
Excesso de uso do membro superior O uso forçado 
das articulações e dos músculos costuma 
provocar alterações fisiológicas e estruturais que o 
próprio organismo tem condições de corrigir, se 
houver tempo e repouso suficientes. Várias causas 
são responsáveis pelos distúrbios musculares 
decorrentes da sobrecarga funcional, como: 
lesões inflamatórias por perturbação do 
metabolismo do cálcio muscular; alterações por 
hipóxia; acúmulo de ácido láctico; sobrecarga 
das fibras musculares do tipo 1 ou alteração do 
padrão de estimulação gama do músculo. 
O resultado final será perturbação da força e do 
sincronismo musculares e, consequentemente, 
falência dos mecanismos motores e 
estabilizadores dinâmicos do ombro. 
Outro fator importante é o estiramento excessivo 
do MR, dos ligamentos e da cápsula articular aos 
esforços exagerados e prolongados, que provoca 
deformações plásticas irreversíveis e lesões 
estruturais microtraumáticas (microrroturas). Isso 
pode ocorrer nos ombros de esportistas de alto 
nível (nadadores, ginastas, tenistas e atletas 
arremessadores em geral) e principalmente de 
esportistas amadores, quase sempre menos 
preparados fisicamente. 
Fatores intrínsecos hipovascularização tendínea, 
defendida por Uhthoff, é referente ao 
envelhecimento biológico do tendão e a 
características vasculares locais. 
Envelhecimento biológico dos tendões: é 
importante para as roturas do MR, uma vez que 
provoca alterações morfológicas e bioquímicas 
nos tendões caracterizadas pela diminuição dos 
tenoblastos, adelgaçamento dos tenócitos e 
diminuição das organelas citoplasmáticas, além 
de alteração da matriz colágena, diminuição dos 
mucopolissacarídeos e do teor aquoso. 
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Vascularização do manguito rotador: quando o 
braço está em abdução, os vasos do tendão do 
SE, da superior do tendão do tendão do IE e da 
CLB estão livres e cheio de sangue, enquanto, 
com o braço ao lado do corpo, quando os 
referidos tendões, além de tracionados, ficam 
comprimidos contra a cabeça do úmero, há neles 
uma área, centrada no SE e junto ao tubérculo 
maior, de constante hipovascularidade, onde 
acontece a degeneração tendínea. 
 Ainda existe controvérsia sobre a 
patogênese da rotura do MR, e acredita-
se que tanto fatores intrínsecos como 
extrínsecos são responsáveis para que ela 
ocorra. 
 Tanto em idosos como em esportistas, a 
maioria delas se inicia pela superfície 
articular e parecem ser primariamente de 
origem degenerativa. 
Estudos demonstraram que a zona crítica de 
menor vascularização ocorre 
predominantemente na superfície articular, sendo 
a superfície bursal mais bem irrigada. 
Resumo fisiopatologia 
A lesão inicia, em geral, no tendão supraespinal, 
nas porções articular e profunda, e progride da 
parte profunda para a superficial e anterior para 
posterior, atingindo o músculo infraespinhal. A 
capacidade de manter a estabilidade 
glenoumeralé perdida, e ocorre a migração 
anterior e superior da cabeça umeral. A partir 
desse momento, o tendão longo do bíceps passa 
a exercer função estabilizadora da cabeça 
umeral, tornando-se, aos poucos, espessado e 
alargado. 
Com a progressão da lesão, o tendão do 
subescapular é acometido, assim como o 
ligamento transverso do úmero, causando 
luxação medial da porção longa do bíceps, 
gerando maior instabilidade e progredindo para 
degeneração articular, denominada cuf tear 
arthropathy (artrose glenoumeral associada à 
lesão irreparável do manguito). Uma vez que 
ocorre a ruptura do tendão, este retrai e, aos 
poucos, acontece a substituição das fibras 
musculares por gordura (lipossubstituição ou 
infiltração gordurosa). 
 Estudos demonstram que, uma vez que 
ocorre a lipossubstituição e que o padrão 
anatômico das fibras musculares se altera, 
o processo é irreversível, mesmo após o 
reparo da lesão. 
Quadro clínico 
A dor é proporcional ao grau de inflamação e 
necrose do músculo e não ao tamanho da 
ruptura. Além disso, a dor é melhor suportada de 
dia, uma vez que o braço em leve abdução e 
flexão anterior e a ação da gravidade mantém 
certa “tração” sobre o membro superior, 
diminuindo o impacto do MR contra o arco 
coracoacromial. Durante o sono, essa posição do 
braço não é possível, e a dor pelo estiramento do 
músculo inflamado ou rompido se instala. 
A dor pode ser espontânea e aumentar com os 
movimentos. Costuma ser mais intensa no músculo 
íntegro ou com ruptura parcial. Quando a ruptura 
é completa, ocorre o relaxamento das fibras do 
supraespinal, promovendo a diminuição do 
quadro doloroso. A dor Pode ser localizada ao 
redor do ombro ou irradipr-se até a região 
escapular (origem dos músculos supra e 
infraespinais) e o cotovelo (representação pelos 
dermátomos) 
Creptação é observada pela palpação com dois 
dedos à frente do acrômio, mostrando as partes 
moles raspando contra a superfície inferior do 
acrômio. Pode estar presente nas fases 2 e 3 de 
Neer. 
Força muscular: as forças de abdução e rotação 
externa tendem a estar diminuídas nas lesões 
totais. Nas lesões parciais e mesmo nas totais 
pequenas, a força pode estar normal. 
Contratura (capsulite adesiva): 14% dos casos e 
deve-se ao processo inflamatório que se instala na 
cápsula articular e à imobilidade do membro 
superior determinada pela dor. 
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Tendinite ou ruptura da cabeça longa do bíceps 
também podem ocorrer. 
Anamnese 
Profissão, prática esportiva, tempo de 
sintomatologia, padrão da dor e limitação 
funcional devem ser questionados. Além disso, 
existência de trauma, evolução da dor, presença 
de dor aos movimentos, período do dia, 
intermitência da dor e tratamentos instituídos 
devem ser abordados. 
Exame físico 
O exame físico se inicia com a inspeção estática, 
onde possíveis atrofias musculares podem ser 
detectadas, especialmente do SE e do IE nas 
roturas crônicas. Na inspeção dinâmica, é 
importante observar tanto a amplitude de 
movimento como o movimento escapulotorácico. 
O arco de movimento pode estar diminuído 
globalmente, quando estiver presente o 
componente doloroso (síndrome do impacto) ou 
existir capsulite adesiva secundária. Alterações 
geram desequilíbrios biomecânicos no ombro, 
propiciando sobrecarga aos músculos do MR, 
podendo desencadear roturas secundárias. 
Alguns testes específicos podem apresentar 
positividade variável, como os testes de impacto 
de Neer, Hawkins-Kennedy e Yocum. 
 
Para avaliação do SE, utiliza-se o teste de Jobe e o 
teste do supraespinhal: 
 
Para o IE, os testes de Patte, do infraespinal e o da 
cancela; 
 
Para avaliação do SUB são empregados o teste de 
Gerber, o teste do subescapular (abdominal press 
test)1 e o bear hug test. 
 
Exames de imagem 
Radiografia: avalia sinais sugestivos de impacto e 
rotura do MR (esclerose, cistos e irregularidades no 
tubérculo maior, esclerose e presença de osteófito 
no acrômio). O formato e a espessura do acrômio, 
a presença de os acromiale e de artrose 
acromioclavicular também podem ser avaliados. 
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Ressonância magnética: é o exame de escolha 
para avaliação de possível rotura do MR, já que 
tem altos índices de especificidade e 
sensibilidade. Com sua análise, é possível mensurar 
a lesão (espessura, retração, número de tendões 
acometidos) e obter informações sobre a 
qualidade dos ventres musculares do MR 
(presença de infiltração gordurosa). Tem como 
vantagem adicional avaliar possíveis lesões 
associadas intra-articulares. 
Ultrassonografia: Apresenta especificidade e 
sensibilidade comparáveis à RM, no entanto, a US 
tem como desvantagens ser operador-
dependente e não poder avaliar as patologias 
intra-articulares concomitantes. Como vantagem, 
menor custo e melhor aceitação pelo paciente. 
Tratamento 
O tratamento das roturas do MR depende da sua 
espessura (parcial ou completa), do seu tamanho 
(extensão), da idade e do tipo de atividade do 
paciente, não esquecendo que pendências 
trabalhistas podem interferir no resultado final. 
Tratamento conservador: é indicado nas roturas 
parciais e nas roturas completas em pacientes 
com baixa demanda funcional ou sem condições 
clinicas para realização da cirurgia. Tem como 
objetivos combater a dor, restabelecer a 
amplitude de movimentos e fortalecer a 
musculatura estabilizadora e depressora da 
cabeça do úmero. Consiste em: 
 Retirada dos fatores de risco causadores 
da rotura; 
 Analgesia e medidas anti-inflamatórias: 
uso de analgésicos simples ou opioides, 
utilização de antiinflamatórios não 
hormonais orais e hormonais por via 
sistêmica (intramuscular), infiltrações do 
espaço subacromial com corticosteroides, 
uso de meios fisioterápicos e acupuntura; 
 Restabelecimento da amplitude de 
movimentos articulares (exercícios passivos 
e ativos); 
 Fortalecimento do MR para restaurar o 
mecanismo depressor da cabeça do 
úmero (exercícios isométricos, isotônicos e 
de coordenação motora); 
O tratamento conservador deve ser mantido por, 
no mínimo,3 meses, podendo se prolongar na 
dependência da melhora apresentada pelo 
paciente. 
Tratamento cirúrgico: é indicado para pacientes 
nos quais o tratamento conservador não foi 
efetivo, nas roturas completas do manguito em 
indivíduos com alta demanda funcional e 
naquelas de origem aguda/traumática. Pode ser 
realizado por via aberta ou artroscópica e consiste 
basicamente nos seguintes procedimentos: 
 Desbridamento intra-articular e 
subacromial. 
 Descompressão subacromial (DSA): seção 
do ligamento coracoacromial, 
acromioplastia anteroinferior, exérese de 
osteófitos acromioclaviculares. 
 Reparação dos tendões rotos. 
O resultado final, a longo prazo, obtido com os 
dois métodos (aberto e artroscópico) é 
semelhante, entretanto, existe vantagem no 
método artroscópico pela menor agressão ao 
deltoide, pela menor morbidade e reabilitação 
pós-operatória mais rápida. Atualmente, a 
preferência é pela técnica artroscópica. 
Síndrome do túnel do carpo 
O termo neuropatia compressiva refere-se à 
compressão do nervo periférico por estruturas 
anatômicas adjacentes em regiões bem 
conhecidas, como o punho na síndrome do túnel 
do carpo (é a mais comum!). É mais frequente em 
mulheres, tem acometimento bilateral em cerca 
de 50% dos casos e apresenta maior incidência 
entre as 4ª e 6ª décadas de vida. 
A gravidade da lesão compressiva do nervo 
periférico depende de dois fatores: intensidade 
da pressão e tempo. Pressões a partir de 20-30 
mmHg já causam prejuízo na microcirculação 
neural, e com 80-120mmHg há sua interrupção.Os 
distúrbios na microcirculação causam um 
aumento na permeabilidade dos vasos epineurais 
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Magny Emanuele Lima – Medicina 
 
e endoneurais, levando a edema, com aumento 
da pressão intrafascicular. Além disso, em pressões 
de 30 mmHg já ocorre desmielinização, 
decorrente de necrose e apoptose das células de 
Schwann. Alterações neurofisiológicas e sintomas 
de parestesia foram induzidos em voluntários 
humanos com aplicação de 30 a 40 mmHg de 
compressão do nervo mediano. 
O nervo mediano origina-se das cordas medial e 
lateral do plexo braquial, em seu trajeto para o 
antebraço, acompanha a artéria braquial entre o 
tendão do bíceps e o músculo braquial. O nervo 
interósseo anterior emerge do tronco do mediano 
na parte distal da fossa antecubital, que, por sua 
vez, emitirá ramos para o flexor profundo dos 
dedos (indicador e médio), o flexor longo do 
polegar e o pronador quadrado. Assim, o nervo 
mediano segue seu curso no antebraço entre os 
flexores superficiais e profundos até adentrar no 
túnel do carpo. 
A cerca de 4 a 5 cm do punho, o ramo sensitivo 
cutâneo palmar emerge para suprir a 
sensibilidade da região palmar radial. 
Fisiopatologia (mecanismos de infecção) 
O túnel do carpo é um espaço anatômico na face 
anterior do punho, constituído no seu assoalho 
côncavo pelos ossos do carpo, como uma 
canaleta, e fechado acima pelo forte e 
inextensível “ligamento carpal transverso”. Pode-
se dividir as causas relacionadas ao aparecimento 
dessa condição fundamentalmente em 3 
categorias: 
 Alterações anatômicas nas estruturas ou 
na configuração do canal carpal; 
 Condições locais (tenossinovites) ou 
sistêmicas (diabetes, hipotiroidismo, 
alcoolismo, AR, gravidez) que levem ao 
edema das estruturas que atravessam o 
túnel; 
 Esforço ou à ocupação profissional (uso 
repetitivo das mãos e pulsos, trabalhar 
com ferramentas vibratórias, extensão e 
flexão prolongadas do punho, uso das 
mãos em baixas temperaturas). 
Manifestações cínicas 
Os sintomas mais comuns são dor ou parestesia no 
território do nervo mediano. Esses sintomas 
normalmente se acentuam durante a noite: a 
dormência tem característica de ser noturna e, 
em geral, é o sintoma inicial da patologia. 
Também pode ocorrer fraqueza nas mãos, história 
de queda de objetos, alteração da sudorese e da 
temperatura da mão. É frequente a queixa de 
coceira na palma da mão. 
Mais tardiamente, podem ocorrer alterações 
motoras, como fraqueza de oponência do 
polegar e hipotrofia tenar por comprometimento 
do ramo motor do mediano para o músculo 
abdutor curto do polegar. 
Diagnóstico 
No exame físico, pode-se lançar mão de testes 
provocativos com o teste de Phalen (flexão do 
punho em 90º por 1-2 minutos), teste de Durkan 
(compressão manual direta sobre o nervo 
mediano no punho), sendo considerados positivos 
caso haja aparecimento dos sintomas de 
parestesia ou dor. 
 O teste de Phalen invertido é o mesmo 
teste, porém é realizado com os punhos 
em extensão máxima, ou seja, em posição 
de “reza”. 
O sinal de Tinel, descrito como o aparecimento de 
“choque” secundário à percussão do nervo e 
com irradiação para seu território correspondente, 
também pode estar presente. 
Os pacientes com suspeita de síndrome do túnel 
do carpo devem ser avaliados à procura de outras 
patologias do membro superior (tenossinovites, 
patologias do ombro) e cervicopatias que podem 
confundir o diagnóstico ou, como na maioria das 
vezes, coexistir com o quadro de compressão do 
nervo mediano, devendo, portanto, ser tratadas 
paralelamente. 
A eletroneuromiografia é um excelente exame 
para ajudar a confirmar a compressão nervosa. 
Nos casos típicos e de longa duração, não há 
necessidade desse exame complementar para 
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estabelecer o diagnóstico. Ele é útil quando se 
deseja conhecer a intensidade da compressão e 
na presença de comprometimento motor, assim 
como para auxiliar na previsão do tratamento 
cirúrgico. Apesar de ser um exame de alta 
sensibilidade e especificidade, existe 
porcentagem de positividade em pacientes 
assintomáticos (falso-positivo) ou de negatividade 
(falso-negativo) em indivíduos sintomáticos. 
Tratamento 
O tratamento da síndrome do túnel do carpo 
depende da gravidade dos sintomas e da 
magnitude da lesão, que por sua vez, é, na maior 
parte das vezes, tempo dependente. Causas 
sistêmicas devem ser identificadas e tratadas, 
como o controle da glicemia. 
Tratamento conservador: é reservado para os 
casos mais leves ou recentes (até 6 meses), sem 
atrofia tenar ou comprometimento importante de 
sensibilidade ou em situações em que o fator 
causal da compressão for transitório, como na 
gravidez. Pode-se utilizar órteses, AINEs (não 
havendo contraindicação), injeção de 
corticosteroides do canal carpal, uso oral de 
vitamina B6, US e alterações posturais e de hábitos. 
 O uso de órteses, mantendo o punho 
imobilizado em posição neutra, é eficaz 
nos estágios iniciais, e muitos pacientes 
apresentam remissão dos sintomas após o 
tratamento, sem necessidade de 
intervenção cirúrgica. 
Tratamento cirúrgico: está reservado para falhas 
do tratamento conservador e para os casos mais 
graves. Consiste na descompressão do canal 
carpal realizada por meio da secção do 
ligamento carpal transverso. A cirurgia pode ser 
aberta ou endoscópica. O tratamento cirúrgico 
tem alto índice de sucesso, no entanto, 1,7 a 3,1% 
dos pacientes permanecem sintomáticos. 
Aspectos legais da saúde do trabalhador 
A Saúde do Trabalhador é o conjunto de 
atividades do campo da saúde coletiva que se 
destina, por meio das ações de vigilância 
epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção 
e proteção da saúde dos trabalhadores, assim 
como visa à recuperação e reabilitação da saúde 
dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos 
advindos das condições de trabalho. A Vigilância 
em Saúde do Trabalhador (Visat) integra as ações 
de Vigilância em Saúde, com foco na promoção 
da saúde dos trabalhadores e prevenção de 
riscos advindos das condições laborais, 
causadores de acidentes e doenças relacionadas 
ao trabalho. 
O trabalho e as condições em que ele é realizado 
podem constituir fatores determinantes para a 
ocorrência de doenças, agravos e óbitos. Os riscos 
ocupacionais, capazes de causar danos à saúde 
do trabalhador, podem ser classificados em físicos, 
químicos, biológicos, ergonômicos, psicossociais, 
ambientais e mecânicos (de acidentes). A 
investigação epidemiológica das doenças e dos 
agravos relacionados ao trabalho – acidentes de 
trabalho; acidentes com exposição a material 
biológico; perda auditiva induzida por ruído; 
dermatoses relacionadas ao trabalho; câncer 
relacionado ao trabalho; pneumoconioses; 
transtornos mentais relacionados ao trabalho; e 
lesão por esforço repetitivo/doenças 
osteomusculares relacionadas ao trabalho 
(LER/Dort) – constitui-se uma atividade obrigatória 
a ser realizada a partir da suspeita do caso ou da 
informação sobre outros trabalhadores expostos 
aos mesmos fatores de risco. Deve-se avaliar as 
circunstâncias da ocorrência da doença ou 
agravo, assim como a relação com trabalho. Os 
casos de doenças e de agravos relacionados ao 
trabalho apresentados anteriormente devem ser 
notificados no Sistema de Informação de Agravos 
de Notificação após a confirmação da relação 
com o trabalho, por meio da investigação 
epidemiológica.

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