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Artes Visuais Fotografia JORGE KIMIECK J O R G E K IM IE C K A R T E S V IS U A IS - F O T O G R A F IA Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6637-7 9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 3 7 7 Código Logístico 59401 Esta obra busca apresentar e discutir a fotografia desde os seus primórdios até os dias atuais; os equipamentos uti- lizados, seus princípios técnicos e teóricos; e os processos de pós-produção inerentes à arte fotográfica. Além disso, procura diferenciar os gêneros fotográficos mais impor- tantes e apresentar as principais técnicas de fotografia para ensaio externo e em estúdio. Tendo como um dos objetivos a utilização da fotografia como ferramenta pedagógica, em cada capítulo são sugeridas atividades práticas que poderão ser realizadas com o intuito de aplicar os conceitos estuda- dos na aula de Arte. Artes visuais - Fotografia Jorge Kimieck IESDE BRASIL 2020 © 2020 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: pio3/ Koldunov/Shutterstock Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ K62a Kimieck, Jorge Artes visuais : fotografia / Jorge Kimieck. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2020. 138 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-387-6637-7 1. Artes. 2. Fotografia - História. I. Título. 20-64232 CDD: 700.9 CDU: 77(09) Jorge Kimieck Mestre em Tecnologia – Educação Tecnológica pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Especialista em Metodologia do Ensino Superior pelo Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão (IBPEX). Graduado em Educação Artística – Licenciatura Plena pela Faculdade de Educação Musical do Paraná (Femp). Professor de graduação em cursos de Design, Arquitetura e Urbanismo, Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Pedagogia e em especializações direcionadas à formação de professores. Pesquisador na área de novas tecnologias em educação. Atua também como artista multimeios e fotógrafo conceitual. SUMÁRIO Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! SUMÁRIO Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! 1 História da fotografia 9 1.1 Os primórdios: a câmara escura, o daguerreótipo e o filme fotográfico 9 1.2 O papel do fotojornalismo na fotografia 17 1.3 A fotografia no Brasil 21 1.4 Fotógrafos que marcaram a história 23 1.5 O surgimento da fotografia digital 26 2 Equipamento fotográfico 31 2.1 Câmeras analógicas 31 2.2 Câmeras digitais 34 2.3 Smartphones: a mobgrafia 37 2.4 Equipamentos de iluminação 40 2.5 Lentes fotográficas 43 3 Princípios da fotografia 49 3.1 A luz na fotografia 49 3.2 Relações entre abertura, velocidade e ISO 53 3.3 Fotometria básica 58 4 Composição fotográfica 65 4.1 Forma e imagem 65 4.2 Regras de composição: razão áurea e regra dos terços 70 4.3 Regras de composição: ponto de vista e perspectiva 72 4.4 Outros estilos de composição 78 5 Edição e tratamento de imagens 83 5.1 Softwares para edição de imagens 84 5.2 Aplicativos para edição de imagens 90 5.3 Fluxo de trabalho (workflow) 92 5.4 Formatos de imagem e sua aplicação 98 6 Gêneros fotográficos 104 6.1 Paisagem e natureza-morta 104 6.2 Retrato e modelo vivo 109 6.3 O fotojornalismo 113 6.4 A fotografia artística 116 6.5 A fotografia publicitária 117 7 Ensaio fotográfico 122 7.1 Ensaio externo 122 7.2 Ensaio em estúdio e técnicas de iluminação 127 7.3 Fotometria em estúdio 133 7.4 A direção de modelos 135 APRESENTAÇÃO Esta obra busca apresentar e discutir a fotografia desde os seus primórdios até os dias atuais; os equipamentos utilizados, seus princípios técnicos e teóricos; e os processos de pós-produção inerentes à arte fotográfica. Além disso, procura diferenciar os gêneros fotográficos mais importantes e apresentar as principais técnicas de fotografia para ensaio externo e em estúdio. Tendo como um dos objetivos a utilização da fotografia como ferramenta pedagógica, em cada capítulo sugerimos atividades práticas que poderão ser realizadas com o intuito de aplicar os conceitos estudados na aula de Arte. Desse modo, no primeiro capítulo conheceremos a história e a evolução da fotografia, além dos principais fotógrafos que influenciaram a fotografia no Brasil e no mundo. No segundo capítulo, abordaremos os equipamentos fotográficos visando compreender as principais diferenças entre as câmeras fotográficas analógicas, digitais e de smartphones; conhecer equipamentos de iluminação e os tipos de lentes fotográficas; e entender como podemos tornar o smartphone um equipamento fotográfico na aula de Arte. Para entendermos os princípios básicos da fotografia, discutiremos no terceiro capítulo sua matéria-prima: a luz. Também abordaremos o processo de fotometria básico, recurso presente nas câmeras digitais atuais. Para a aula de Arte, sugerimos uma atividade estabelecendo relações entre a luz na fotografia e na arte pictórica. Um diferencial na fotografia é saber como fazer um bom enquadramento. Para isso, no quarto capítulo, exploraremos a composição fotográfica, entendendo as principais regras de composição e diferenciando seus elementos formais. Ao final, preparamos uma atividade prática para exercitar o olhar fotográfico. Nos dias atuais, praticamente todas as imagens sofrem alterações e tratamento digital. Para compreendermos como ocorre esse processo, no quinto capítulo, conheceremos as técnicas e os aplicativos mais usados para realizar o tratamento de imagens, e o fluxo de trabalho na pós-produção em fotografia. O sexto capítulo busca apresentar os gêneros fotográficos – fotografia de paisagem, retrato, fotojornalismo, fotografia artística e fotografia publicitária – e suas particularidades, para que saibamos diferenciá-los e escolher adequadamente as lentes e os equipamentos apropriados para cada um deles. O último capítulo é dedicado ao ensaio fotográfico, tanto externo como em estúdio, e apresenta as técnicas de iluminação em estúdio, os processos de fotometria e a direção de modelos. Bons estudos! Vídeo História da fotografia 9 1 História da fotografia A fotografia é uma arte que coexiste com a tecnologia desde os seus pri- mórdios, no desenvolvimento de dispositivos fotográficos e de mídias para a gravação e reprodução das imagens capturadas, combinando óptica, física e química e, atualmente, computadores e meios digitais. A partir de meados do século XIX, sua popularização gerou vários experi- mentos, tanto técnicos como estéticos. Isso fez com que a fotografia fosse con- siderada arte por alguns, enquanto outros chegaram a declará-la um inimigo da arte, reduzindo-a ao mero resultado obtido por um dispositivo técnico e sem valor artístico. Neste capítulo, abordaremos a história da fotografia e como ela seguiu cami- nhos que a popularizaram, da câmara escura até o advento das câmeras digitais presentes em nosso cotidiano. Além disso, conheceremos alguns fotógrafos que marcaram época. Para complementar,sugerimos algumas propostas de ativida- des para serem aplicadas em aulas de arte. 1.1 Os primórdios: a câmara escura, o daguerreótipo e o filme fotográfico Vídeo A palavra fotografia tem origem grega (foto = luz; grafia = escrita) e significa “escrita com a luz”. Segundo o dicionário Houaiss (2020), “é a arte ou processo de reproduzir imagens sobre uma superfície fotossensível (como um filme), pela ação de energia radiante, a luz”. O desenvolvimento da óptica fotográfica, ou seja, de lentes e dis- positivos, é relacionado à astronomia, com as pesquisas e descober- tas de Galileo (1564-1642), Kepler (1571-1630), Newton (1643-1727), Maxwel (1831-1879), Einstein (1879-1955) e Hubble (1889-1953). A história da fotografia tem como marco inicial a primeira ima- gem capturada por Joseph Nicéphore Niépce, em 1827. No entanto, ao analisarmos o desenvolvimento tecnológico necessário para que esse fato ocorresse, podemos dizer que a fotografia iniciou-se bem antes, tendo suas origens em dispositivos como a câmara escura. Biografia Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833) foi um inventor francês, conhecido por registrar a primeira fotografia perma- nente do mundo, processo denominado, por ele, como heliografia, ou seja, gravura com a luz solar. Da de ro t/ W ik im ed ia C om m on s 10 Artes visuais - Fotografia 1.1.1 A câmara escura As origens da câmara escura, ou câmara obscura, são controversas. Alguns his- toriadores atribuem seu princípio óptico ao chinês Mo Tzu, no século V a.C., en- quanto outros ao filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.), que teria esboçado os primeiros esquemas do dispositivo. Essa câmara foi muito utilizada na antiguidade para observação de eclipses solares e por artistas, para auxiliar no processo de desenho e pintura de retratos e paisagens. Em 1021, o físico e matemático árabe Alhazen (965-1040) definiu, cientificamen- te, as bases da natureza da luz e da óptica no sétimo volume de sua obra, intitulada Book of Optics, livro considerado o mais importante sobre o assunto durante os 600 anos seguintes. Ele foi o primeiro a utilizar métodos lógicos e experimentais para definir aspectos essenciais da luz, a saber: que emanava de uma fonte de luz ex- terna e que a luz viajava em raios, os quais viajavam em linhas retas. Dessa forma, ele fundamentou como construir uma câmara escura e como ampliar um objeto de maneira nítida, reduzindo-se o tamanho do pinhole (pin = alfinete; hole = orifício); quanto menor ele for, maior será sua nitidez. A câmara escura consistia, basicamente, em uma sala totalmente escura. Po- rém, em um dos seus lados havia um pequeno orifício, denominado pinhole, pelo qual a luz passava e projetava a imagem invertida na parede oposta. Esse disposi- tivo, que era do tamanho de uma sala (Figura 1), foi descri- to e ilustrado em 1646, pelo jesuíta Athanasius Kircher. Em 1685, Johan Zahn descreveu a utilização de um espelho acoplado ao dis- positivo, que possibilitava redirecionar a imagem ao plano horizontal, facilitando o processo do desenho. Durante o Renascimento (1300-1600), a ideia do uso do pinhole na câmara escura foi amplamente discutida por: Leonardo da Vinci, na obra Codex Atlanticus, de 1502; por Gemma Frisius, no livro De Radio Astro- nomico Et Geometric Liber, de 1545; e por Giovanni Battista della Porta, no livro Magiae Naturalis, de 1558. Enquanto isso, Girolama Cardano, em 1550, e Daniel Barbaro, em 1569, sugeriram aperfeiçoamen- tos ópticos à câmara escura. Durante esse período, esse dispositivo tornou-se am- plamente utilizado para fins científicos e artísticos. Em 1604, Johannes Kepler publicou, em seu livro The optical part of Astronomy, o primeiro projeto de uma câmara escura portátil, com uma lente rotativa e um espelho para projetar a imagem em uma superfície de desenho, como podemos observar na Figura 2. Isso facilitava o trabalho do artista, que podia levar o disposi- tivo para o local onde estava trabalhando a fim de capturar e desenhar a imagem que desejava. Autor desconhecido/Wikimedia Commons Figura 1 Câmara escura História da fotografia 11 Figura 2 Primeira câmara escura portátil Qu ar tle y/ W ik im ed ia C om m on s Em 1727, Johann Heinrich Schulze (1687-1744) descobriu que o nitrato de prata ficava escuro quando exposto a uma fonte de luz. Ao deixar uma garrafa cheia de cal com nitrato de prata sobre uma mesa, ele verificou que o lado da garrafa que estava exposto à luz havia escurecido, enquanto o outro lado não. A partir de então, passaram-se cem anos para que Joseph Nicéphore Niépce utilizasse esse princípio e realizasse a primeira fotografia permanente obtida com uma câmera. Figura 3 Vista da janela em Le Gras, fotografada por Nicéphore Niépce, entre 1826 e 1827. Jo se ph N ic ép ho re N ié oc e/ W ik im ed ia C om m on s 12 Artes visuais - Fotografia Para se registrar a imagem, foram necessárias oito horas de exposição 1 . Essa foto (Figura 3) é conhecida como Vista da janela em Le Gras e foi tirada entre 1826 e 1827 – não há precisão no registro da data correta em que Niépce a fotografou. Na prática Que tal montar sua própria câmara escura? Na aula de Arte, podemos explorar o conceito da câmara escura produzindo um dispositivo para que os alunos possam entender o processo de captura de uma imagem. Você pode adaptar essa atividade para diversas faixas etárias e anos escolares. 1. Prepare a caixa: forre-a internamente com o papel preto ou pinte-a internamente com tinta preta; faça um tubo de papel preto com o diâmetro da lente da lupa; retire a lente do suporte original e fixe-a no tubo, utilizando fita isolante; em um dos lados da caixa, faça um orifício, do tamanho do tubo da lente, centralizado na caixa; na face oposta, recorte uma “janela” quadrada ou retangular. 2. Cole a folha de papel vegetal na “janela”. 3. Certifique-se de que não há nenhuma entrada de luz no interior da caixa. • 1 caixa de sapatos (ou similar). • Papel preto ou tinta preta. • 1 folha A4 de papel vegetal. • Tesoura. • Cola. • Fita isolante ou fita adesiva preta. • Lupa de escritório. Materiais necessários: Modo de fazer: Pronto! Agora é só apontar o dispositivo para uma cena iluminada e, na “janela”, aparecerá a imagem invertida, como nas primeiras câmaras escuras. Experimente ajustar o foco da imagem usando o tubo, como se fosse o zoom de uma lente fotográfica. Você pode explorar mais conceitos envolvidos, como distância focal, propriedades da luz etc. Pode, tam- bém, convidar o professor de Ciências para realizar a atividade de modo interdisciplinar. O fator surpresa é fundamental, então deixe para mostrar imagens das primeiras câmaras escuras e comentar fotos e fatos da história da fotografia depois que os alunos já tiverem montado e experimen- tado suas câmaras escuras, fazendo com que inúmeras perguntas, como “por quê?” e “como?”, surjam naturalmente para serem elucidadas por você, professor. Jo rg e Ki m ie ck Figura 4 Montagem da câmara O tempo de exposição refere-se ao tempo em que o obturador da câmara fica aberto, expondo o material sensível à luz para se registrar a imagem. 1 Explique o funcionamento de uma câmara escura. Atividade 1 História da fotografia 13 1.1.2 O daguerreótipo Em colaboração com Niépce, Louis Daguerre (1787-1851) criou o da- guerreótipo (Figura 5), que consistia em uma câmara escura de tamanho reduzido, contendo uma chapa de metal sensibilizada com nitrato de pra- ta, que, após sua exposição, revelava a imagem impressa na chapa e que era fixada utilizando-se vapor de mercúrio. Esse dispositivo foi apresen- tado à Academia Francesa de Ciências em 1839. A partir de então, sur- giram vários daguerreotipistas, que registravam as imagens da época. Na Figura 6, podemos observar a primeira fotografia com pessoas vivas, que foi tirada entre 1838 e 1839 por Daguerre, com seu daguerreó- tipo. Presume-se que o tempo de exposição tenha sido de aproximadamente dez minutos; dessa forma,muito do movimento não foi registrado, tendo em vista que, quando a exposição é prolongada, as pessoas que passam diante da câmera não são registradas na fotografia. Assim, notamos de imediato apenas a imagem de um homem, no canto inferior direito, polindo sua bota, e um outro homem lendo um jornal, em um banco à esquerda. Se olharmos com atenção, notaremos outros personagens que foram capturados na imagem. Figura 6 Boulevard tu Temple, fotografada por Daguerre, entre 1838 e 1839. Lo ui s Da gu er re /W ik im ed ia C om m on s A desvantagem do daguerreótipo era a impossibilidade de tirar cópias da ima- gem obtida, o que levou William Henry Fox Talbot (1800-1877), em 1839, a desen- volver o sistema negativo/positivo. Para isso, ele utilizou papel coberto com nitrato de prata e, no processo de revelação, um banho de hipossulfito de sódio, o qual eliminava o nitrato de prata que não havia se fixado no papel para, depois, ser justaposto em outro papel sensibilizado com nitrato de prata, sendo ambos pren- sados entre chapas de vidro e expostos à luz solar, o que invertia o resultado, trans- formando o negativo em positivo. Esse processo foi denominado de talbotipia ou calotipia. Na Figura 7, temos um exemplo de uma fotografia obtida nesse método. Figura 5 Daguerreótipo Liudmila e Nelso n/Wikim edia Co mmons Biografia Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851), inventor de origem basca, foi pintor, cenógrafo e inventor. Patenteou o daguerreó- tipo em 1835, sendo a primeira patente registrada para um processo fotográfico. Je an -B ap tis te S ab at ie r-B lo t/ W ik im ed ia c om m on s Biografia Willian Henry Fox Talbot (1800-1877) foi membro do parlamento britânico, escritor e cientista. Responsável por descobrir como fixar imagens fotográficas em papel por meio de processos químicos. Jo hn M of fa t/ W ik im ed ia c om m on s 14 Artes visuais - Fotografia Figura 7 Carpinteiros no trabalho, por William Talbot, entre 1842 e 1843. W ill ia m T al bo t/ W ik im ed ia C om m on s Talbot e Daguerre protagonizaram uma verdadeira competição no desenvolvi- mento e criação de processos fotográficos revolucionários. Daguerre venceu em popularidade e sucesso, mas foi Talbot que, com seu processo, produziu imagens negativas no papel, as quais podiam ser reproduzidas como positivas, estabelecen- do as bases dos métodos fotográficos modernos. 1.1.3 O filme fotográfico As placas de metal e vidro, além de frágeis, eram pesadas, difíceis de trabalhar e tinham custo elevado. Com isso em mente, George Eastman, que tinha como lema “você aperta o botão e nós fazemos o resto” (apud GURIGLIA, 1996), criou, em 1888, um rolo de filme de fácil manuseio, o que transformou a empresa Eastman Kodak em uma força motriz na popularização mundial da fotografia. Figura 8 Anúncio da Kodak em 1888 Ar tis ta g rá fic o de sc on he ci do /W ik im ed ia C om m on s Biografia George Eastman (1854-1932) fundou a Kodak e inventou o filme em rolo, o que popularizou a fotografia. M eg ap ix ie /W ik im ed ia c om m on s História da fotografia 15 Em 1889, a Kodak lançou oficialmente no mercado o primeiro rolo de filme celu- loide transparente e flexível, dando início à fotografia amadora. Com essa invenção, a fotografia entrou em uma nova era, permitindo que um grande número de fotó- grafos amadores pudesse produzir imagens fotográficas de modo menos complexo. Esse rolo de filme consistia em uma tira de plástico transparente e flexível com um de seus lados coberto com uma emulsão gelatinosa de cristais de halogeneto de prata sensíveis à luz. Quando esses componentes químicos são expostos à luz por uma câmera fotográfica, eles se alteram quimicamente e, dependendo da quanti- dade de luz absorvida por cada cristal, essas alterações criam uma imagem invisível na emulsão, que, após sofrer um processo de revelação, tornando-a visível, é fixada e transferida para um papel fotográfico por meio de processos específicos. Nos filmes em preto e branco há uma camada de halogeneto de prata, enquanto os filmes coloridos são compostos de, no mínimo, três camadas, cada uma sensível a uma cor diferente. Com base nessa ideia, foram introduzidos no mercado fotográfico diferentes formatos de filmes, direcionados tanto a fotógrafos iniciantes quanto a profissio- nais. A Kodak lançou, em 1901, o filme no formato 120 mm (médio formato), com um quadro de 9x12 cm, para ser utilizado em sua câmera Brownie 2. Com esse fil- me, permitia-se obter vários formatos de imagem, sendo o mais comum o formato quadrado de 56x56 mm. Os formatos retangulares possuem 6x9 cm, também cha- mado de 120 full frame, e 6x4,5 cm, chamado de half frame. O Quadro 1 apresenta os tamanhos padrão, obtidos com o filme 120 mm. Quadro 1 Tamanhos de quadro de filme 120 mm. Tamanho Tamanho nominal Quadros Centímetros Polegadas Milímetros 6x4,5 ------------ 56x44 15 ou 16 6x6 2¼ x 2¼ 56x56 12 6x7 ------------ 56x70 10 6x8 ------------ 56x75 9 6x9 2¼ x 3¼ 56x84 8 6x10 ------------ 56x93 7 Fonte: Adaptado de Camerapedia, 2020. Outro formato que se tornou popular foi o filme de 35 mm, desenvolvido e pro- duzido em escala experimental nos laboratórios de Thomas A. Edison, com base em um filme de 70 mm, utilizado principalmente para filmes e câmeras fotográficas em miniatura, denominação para as câmeras portáteis da época. O quadro de imagem de um filme de 35 mm possuía as dimensões de 18x24 mm, em formato vertical. 16 Artes visuais - Fotografia Embora o primeiro design de uma câmera que utilizava esse formato tenha sido patenteado em 1908, a primeira câmera de 35 mm foi disponibilizada comercial- mente somente em 1913 – a Tourist Multiple, que era utilizada tanto para filmes quanto para fotografias. O filme 35 mm passou por aperfeiçoamentos, que culmi- naram com o formato 24x36 mm, resultando em um 35 mm horizontal, padrão que se tornou o mais popular em toda a história da fotografia, sendo utilizado até hoje, inclusive nas câmeras digitais profissionais full-frame, nas quais o sensor CCD, que é análogo ao filme, possui esse tamanho. No Quadro 2, podemos observar os formatos de filme quanto ao seu tamanho, modelo/tipo e período de produção. Quadro 2 Formatos de filme e período de produção. Tamanho (mm) Modelo/tipo Período de produção 70 116 1899-1984 60 120 1901-presente 220 1965-presente 620 1932-1995 40 127 1912-presente 35 126 1963-2008 135 1934-presente 828 1935-1985 24 APS 1996-2011 16 110 1972-presente Fonte: Elaborado pelo autor com base em The Dark Room, 2020. Os rolos de filmes possuem tamanhos diferenciados, de acordo com o seu for- mato. Podemos observar isso na Figura 9, que apresenta os rolos de filme 135 (35 mm), 127 (40 mm) e 120 (60 mm), produzidos pela Kodak e outras empresas. Os primeiros filmes coloridos surgiram na década de 1930, porém as imagens que produziam eram muito escuras. Em uma tentativa de contornar esse fato, a Kodak, em 1936, começou a co- mercializar o Kodachrome, um filme que utilizava o método de co- res subtrativas para ser utilizado em fotografias caseiras e câmeras fotográficas. A novidade ainda produzia imagens escuras e tinha um custo mais elevado do que os filmes em preto e branco (PB), que eram padrão na época. Somente após 40 anos, o filme colorido tornou-se padrão e o filme em preto e branco passou a ser mais utilizado na fotografia de arte. Inclusive, surgiram novos processos para revelação dos fil- mes, alguns de modo caseiro com a utilização de produtos de fácil obtenção, como café instantâneo, vitamina C, carbonato de cálcio (utilizado para limpeza de piscinas) etc., abrindo um horizonte para a experimentação artística da fotografia analógica. Figura 9 Comparação entre os rolos de filme 135, 127 e 120. Sm ia l/W ik im ed ia C om m on s História da fotografia 17 Desse modo, mesmo com a popularização da fotografia digital, empresas como a Kodak, Fujifilm,Cinestill, Rollei, entre outras, continuam produzindo alguns tipos de filmes para utilização em câmeras analógicas, com o foco direcionado aos entu- siastas desse modo de fotografia. Podemos, então, separar os tipos de filmes fotográficos de acordo com sua apli- cação, a saber: • Negativo colorido: foi muito popular entre retratistas e fotógrafos de casa- mento devido às cores vivas e ao alto contraste obtido. • Positivo colorido: utilizado para produzir slides, com imagens de cores vibrantes. • Negativo PB: apresentado em dois tipos, o tradicional e o C-41. O tradicional usa pequenos cristais de sal de prata dispersos sobre uma gelatina, sendo considerado o mais estável e com processo de revelação simplificado. Já o C-41 possui várias camadas sensíveis à luz, o que pode torná-lo instável, ge- rando resultados inconsistentes. • Filme infravermelho: é um filme sensível a um espectro mais amplo de luz que a visão humana pode ver, o que produz imagens com uma aparência surreal, desde que exposto corretamente. As pesquisas e o desenvolvimento de novas técnicas de produção de filmes fo- tográficos, a redução de peso e de tamanho dos equipamentos e o aporte tec- nológico foram sendo implementados de maneira que os fotógrafos passaram a documentar os fatos, que antes eram narrados na sua forma escrita, por meio do registro da imagem, criando novas maneiras de narrativa. De acordo com Grácio (2012, p. 32), com o aperfeiçoamento de algumas técnicas a fotografia documental [mudou] radicalmente devido à facilidade do seu uso, aos filmes maleáveis e aos aparelhos portáteis. A fotografia [deu] origem a uma nova forma de documentação, até aí reservada à escrita. Alguns fotógrafos [começaram] a compreender a força de denúncia que uma fotografia [poderia] conter. Isso significa que o desenvolvimento de novas tecnologias – as quais impacta- ram diretamente na redução do tamanho das câmeras fotográficas e na melhora dos processos de gravação e revelação das imagens – fez com que a fotografia se tornasse o principal meio de registro de fatos importantes da história e, assim, uma ferramenta essencial aos fotojornalistas. Acesse o site Caffenol e encontre todas as dicas e receitas para revelar um fil- me analógico PB, utilizando um processo alternativo, com produtos como café instantâneo, vitamina C e carbonato de cálcio. Disponível em: https://caffenol.com. br. Acesso em: 29 abr. 2020. Site Elabore uma linha do tempo representando a história da fotografia até o surgimento dos filmes coloridos. Atividade 2 1.2 O papel do fotojornalismo na fotografia Vídeo O conceito de fotojornalismo surge da necessidade humana de se infor- mar e contar um fato ou assunto de interesse jornalístico por meio de imagens. Kobré (2011, p. 21) assinala que “o estilo fotojornalístico depende da captura de momentos espontâneos, [e que] bons jornalistas desenvolveram a intuição de es- tar no lugar certo, no momento certo, com a objetiva certa e a câmera certa”. Em 1842, o fotógrafo Carl F. Stelzner, utilizando um daguerreótipo, retrata a primeira fotografia de um evento, que foi um incêndio que devastou um bairro da 18 Artes visuais - Fotografia cidade de Hamburgo. A imagem foi reproduzida e impressa em halftone, na revista semanal The Illustrated London News. A primeira reportagem fotográfica que se tem registro é atribuída a Roger Fenton (1819-1869), que realizou a cobertura da Guerra da Crimeia (1853-1856). Nota-se que as imagens não retratavam o conflito, pois, como os soldados tinham conhecimento da presença do fotógrafo, acabavam representando situações previamente acorda- das. Essa situação pode ser observada na Figura 10, em que os oficiais posam para a foto, passando um ar de tranquilidade; dessa forma, Fenton retratou apenas os acam- pamentos e situações que não representavam os verdadeiros horrores da batalha. Figura 10 Fotografia de Roger Fenton na Guerra da Crimeia, em 1855. Ro ge r F en to n/ W ik im ed ia C om m on s A cobertura da Guerra da Secessão (1861-1865) é tida como a primeira realizada para um meio impresso, em que Mathew Brady (1822-1896), Alexander Gardner (1821-1882), George N. Barnard (1819-1902) e Timothy O’Sullivan (1840-1882) for- maram a primeira associação de fotógrafos, semelhante a uma agência de foto- grafia dos tempos atuais. Em 1863, O’Sullivan retratou os horrores dessa guerra ao fotografar cadáveres cobrindo o solo em um campo de batalha, na fotografia intitulada A Ceifa da Morte (Figura 11), tornando público que a guerra era uma cena cruel, ao contrário das imagens que Fenton havia feito em 1855. halftone: meio tom, reprodução de uma fotografia ou outra imagem na qual os diversos tons de cinza, ou cores, são produzidos por vários tamanhos de pontos de tinta (Lexico, 2020, tradução nossa). Glossário História da fotografia 19 Figura 11 A Ceifa da Morte, por Timothy O´Sullivan, em 4 de julho de 1863. Ti m ot hy H . O ´S ul liv an /W ik im ed ia C om m on s Aos poucos, o fotojornalismo foi consolidando um novo modelo de documentação fotográfica e, por volta dos anos 1930, os fotógrafos passaram a retratar cenas do coti- diano, personagens anônimos, problemas sociais, lugares e cidades remotas. Somente a partir do século XX, contudo, a fotografia tem o seu valor jornalístico reconhecido. Don McCullin (1935- ), já no século XX, explora em suas fotografias a dor e a fome que as guerras causam, provocando questionamentos sobre sua validade. Sua esté- tica fica conhecida como a “estética do horror” devido ao forte apelo emocional de- monstrado nas imagens retratadas. Nas palavras de McCullin (2020, tradução nossa): “fotografia para mim não é olhar, é sentir. Se você não consegue sentir o que está vendo, nunca fará com que outras pessoas sintam algo quando olharem suas fotos”. Em outro viés, no início do século XX, Erich Salomon (1886-1944) inicia um tra- balho de retratar pessoas influentes da época em momentos espontâneos e sem pose, muitas vezes utilizando uma câmera escondida e sem uso de flash, para regis- trar pessoas e locais onde os fotógrafos não eram permitidos, fato que lhe conferiu o apelido de “o rei dos indiscretos”. É, ainda, considerado um dos pais do foto- jornalismo como hoje conhecemos. Em uma foto de 1931 (Figura 12), o primeiro ministro francês, Aristide Briand, surpreendeu Salomon ao percebê-lo tirando uma fotografia, ato que o fotógrafo sempre fazia com sigilo. Quando Hitler chegou ao poder, em 1933, Salomon, por ser judeu, foi persegui- do, capturado e levado com sua mulher e filho caçula para Auschwitz, onde foram assassinados, em 1944. Acesse o site Flickr e con- fira um álbum de imagens contendo 22 fotos tiradas por McCullin, que retratam os horrores da guerra do Vietnã, em 1968. Disponível em: https://flic.kr/s/aHsm- G17xYJ. Acesso em: 29 abr. 2020. Site https://flic.kr/s/aHsmG17xYJ https://flic.kr/s/aHsmG17xYJ 20 Artes visuais - Fotografia Figura 12 Paul Reynaud e Aristide Briand, fotografados por Erich Salomon, em 1931. Er ic h Sa lo m on /W ik im ed ia C om m on s Esse estilo ficou conhecido como fotografia cândida, que é obtida sem que o fotógrafo seja percebido, na busca de capturar um instante em um cenário urbano, geralmente de situações por vezes despercebidas pelas pessoas e sem criar uma aparência posada. Desse modo, engloba a fotografia de cenas urbanas noturnas e a fotografia de rua (street photography), como podemos ver na imagem de Andre Kertesz (Figura 13), na qual a fotografia flagra um casal espiando por um buraco na cerca de um circo em Budapest. Figura 13 Circus, Budapest, fotografia cândida de Andre Kertesz, em 1920. nd re K er te sz /W ik im ed ia C om m on s História da fotografia 21 A partir da publicação de fotografias em jornais da época, como o Daily Mirror, desencadeia-se uma enorme busca por imagens e fotógrafos, fazendo com que sur- gissem fotorrepórteres, normalmente provenientes da aristocracia,bem formados e com conhecimentos de belas artes. Os avanços tecnológicos, como o flash de lâm- pada, o formato 35 mm e as lentes intercambiáveis introduzidos pela Leica, fazem surgir uma geração de fotógrafos de imprensa, como Carl Mydans (1907-2004), Robert Capa (1913-1954), Henri Cartier-Bresson (1908-2004), Margaret Bourke-White (1904-1971), George Brassaï (1899-1984), Robert Doisneau (1912-1994), David Douglas Duncan (1916-2018), David Seymour (1911-1956), entre outros que estabe- leceram as raízes e fundamentos do fotojornalismo contemporâneo. Biografia Hercule Florence (1804-1879) foi desenhista, tipógrafo, naturalista e fotógrafo. Participou como segundo desenhista da expedição Langsdorff, entre 1825 e 1829, na qual era responsável por retratar a natureza e os habitantes indígenas do Brasil por meio de desenhos. Os ca r P er ei ra d a Si lva /W ik im ed ia c om m on s 1.3 A fotografia no Brasil Vídeo A fotografia no Brasil tem seu marco histórico com a chegada do primeiro daguerreótipo ao Rio de Janeiro, no ano de 1839, e do fran- cês Hercule Florence (1804-1879). De acordo com Kossoy (2006, p. 295), Florence registra, no dia 24 de junho de 1833, em seu diário intitulado Livre d’annotations et de premiers matériaux 2 , a indagação: “não teria eu iniciado a arte mais do que maravilhosa de desenhar qualquer objeto, sem dar-me ao trabalho de o fazer com a própria mão?”, referindo-se ao seu experimento em produzir rótulos para frascos farmacêuticos. Nesse experimento, sobre uma chapa de vi- dro escurecida com fuligem e goma arábica, e utilizando-se de uma agulha, ele fazia o desenho sobre esta superfície, que era a matriz, a qual, após ser prensada com um papel sensibilizado por cloreto de prata ou ouro e exposta à luz solar, tinha como resultado uma ima- gem positiva. Mais tarde, Florence construiu uma câmera escura ru- dimentar e conseguiu obter uma imagem da vista da janela de sua casa. Infelizmente, essa fotografia ficou perdida no tempo. Apesar de suas descobertas, seu método fotográfico somente foi comprovado cientificamente em 1976, quando testado nos labora- tórios do Rochester Institute of Technology, nos Estados Unidos. Em 1980, o pesquisador Boris Kossoy (1941- ) publicou o livro 1833: a descoberta isolada da fotografia no Brasil, tornando Hercule Florence conhecido internacionalmente pelo seu feito. Entre as décadas de 1840 e 1860, a fotografia é difundida no país por fotógrafos como Victor Frond (1821-1881), Marc Ferrez (1843-1923), Augusto Malta (1864-1957), José Christiano Júnior (1832-1902), entre outros, os quais regis- tram de maneira documental a sociedade brasileira da época. Podemos observar como exemplos a Figura 14, que apresenta um retrato de uma mãe e sua filha, e a Figura 15, que registra a visita do imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina às obras do Túnel da Mantiqueira, em 1882. 2 Do francês, “livro de anotações e primeiros materiais”. 22 Artes visuais - Fotografia Figura 14 Mãe e filha, fotografia de José Christiano Junior, em cerca de 1865. Figura 15 Inauguração do Túnel da Man- tiqueira, fotografada por Marc Ferrez, em 25 de junho de 1882. Jo sé C hr is tia no J ún io r/ W ik im ed ia C om m on s M ar c Fe rre z/ W ik im ed ia C om m on s Em fins da década de 1940, a fotografia no Brasil se aproxima da arte, em especial dos movimentos concretista e neoconcretista, conforme aponta Etcheverry (2010, p. 208), o contexto é de crescimento econômico, atrelado a uma urbanização acelera- da, principalmente em São Paulo, e a um fomento da cultura através da cria- ção de espaços de arte. Em contraposição ao figurativismo, o campo artístico desenvolvia-se em direção à abstração e, então, o concretismo e o neocon- cretismo eram os principais movimentos. Assim, o horizonte de perspectivas de desenvolvimento para estes fotógrafos [Geraldo de Barros e José Oiticica Filho] era, pode-se perceber, promissor. Ao lado de artistas americanos e europeus – como Man Ray, Moholy-Nagy, Rodchenko e Alvin Langdon Coburn, que buscavam se expressar por meio da fotografia, rompendo com o modelo figurativo tradicional –, Geraldo de Barros (1923-1998) utilizava técnicas de sobreposição de imagens, que originaram a série Fotoformas, expostas no Museu de Arte de São Paulo (Masp), em 1951, e que estão disponíveis no álbum Fotoformas do SESCSP, no Flickr 3 . José Oiticica Filho (1906-1964), por sua vez, teve uma trajetória diversificada. No início, se dedicou à fotografia utilitária, fotografava insetos, passando posterior- mente para uma fase simbolista, com um grande rigor compositivo. Após contato com a arte moderna e grupos de vanguarda, começou a explorar e dedicar-se à fotografia abstrata e, em seguida, à fotografia concreta 4 . A partir da década de 1950, surge um mercado editorial brasileiro direcionado à fotografia, com a criação de revistas especializadas, por exemplo, a Novidades Fotoptica, e a expansão do fotojornalismo, com revistas como a Manchete, na qual a fotografia se torna o elemento ativo da reportagem. Os jornais, como o Última Hora, Conheça o Fotoformas acessando o Flickr. Disponível em: https:// www.flickr.com/photos/sescsp/ albums/72157621667478371/. Acesso em: 30 abr. 2020. 3 Você pode ver algumas das obras fotográficas de José Oiticica Filho na Enciclopedia Itaú Cultural. Disponível em: https:// enciclopedia.itaucultural.org.br/ pessoa10674/jose-oiticica-filho. Acesso em: 30 abr. 2020. 4 História da fotografia 23 passam a dar destaque à fotografia, contratando alguns fotógrafos profissionais, entre eles Orlando Brito (1950- ) e Pedro Martinelli (1950- ). Nas décadas de 1960 e 1970, a fotografia no Brasil passa a transitar entre o do- cumental e o experimental, em que os fotógrafos focam questões sociais e políticas na realidade social, em cenas urbanas e no retrato do cotidiano. Atualmente, o panorama da fotografia no Brasil acompanha as tendências mun- diais, segmentando-se em diversas áreas, seja nas artes visuais, no fotojornalismo ou no registro do cotidiano por pessoas comuns, munidas de seus smartphones, cada uma contribuindo para a documentação visual da sociedade contemporânea. Elabore uma síntese sobre a fotografia no Brasil. Atividade 3 1.4 Fotógrafos que marcaram a história Vídeo Alguns fotógrafos tiveram um papel fundamental para o desen- volvimento da fotografia, tanto na arte quanto no mercado editorial e no fotojornalismo, com grandes contribuições para a nossa com- preensão do poder de comunicação de uma imagem. A seguir, fare- mos uma breve apresentação de alguns deles. Robert Doisneau (1912-1994) “Fotografo para mostrar que o mundo em que gostaria de viver existe.” (DOISNEAU apud BARRADAS, 2013) De origem francesa, Robert Doisneau foi um fotógrafo de rua, que registrava o cotidiano das pessoas que moravam em Paris. Ele afirmava que não fotografava a vida tal qual ela é, mas, sim, como gostaria que a vida fosse. Sua fotografia mais conhecida é O Beijo do Hotel de Ville, feita na França, no ano de 1950, retratando um casal se beijando em uma rua de Paris. A cópia original, que estava com Fran- çoise Bornet, a moça que aparece na fotografia, foi leiloada em 2005 por 155 mil euros. Henri Cartier-Bresson (1908-2004) “Fotografar é colocar no mesmo eixo a cabeça, o olho e o coração.” (CARTIER-BRESSON apud BARRADAS, 2013) Foi responsável pelo conceito de instante decisivo, ou seja, o mo- mento exato em que o fotógrafo aperta o botão da sua máquina foto- gráfica. De acordo com ele, nesse momento se alinham a cabeça, o olho e o coração. Em 1947, fundou a agência Magnum Photos com os fotógrafos Robert Capa, George Rodger, David Seymour e William Vandivert, estabelecendo um modelo do que seriam as atuais agên- cias fotográficas. É considerado um dos pais do fotojornalismo, sendo pioneiro no uso de câmeras com filme 35 mm, uma Leica I. Trabalhou, ainda, para revistas como Vogue, Life e Harpe’s Bazaar.Site No site GettyImages, você tem acesso às fotografias de Robert Doisneau. Disponível em: https://www.gettyima- ges.pt/fotos/robert-doisneau. Acesso em: 29 abr. 2020. Site Acesse o site Flickr e conhe- ça uma parte do trabalho de Henri Cartier-Bresson. Disponível em: https://www.flickr. com/photos/136879256@N02/ with/36338162823/. Acesso em: 29 abr. 2020. https://www.gettyimages.pt/fotos/robert-doisneau https://www.gettyimages.pt/fotos/robert-doisneau 24 Artes visuais - Fotografia Robert Capa (1913-1954) “Se uma foto não está suficientemente boa, é porque você não se aproximou o suficiente do fato.” (CAPA apud BARRADAS, 2013) Integrante da agência Magnum Photos, foi um fotógrafo de guerra que cobriu a Guerra Civil Espanhola, a Guerra da Indochina, a Segunda Guerra Mundial, além de guerras do mundo árabe. Sua foto mais famosa é a Morte de um Miliciano ou O Soldado Caído, de 1936, publicada na revista Time, que mostra um soldado sendo atingido por uma rajada de metralhadora. Utilizava lentes de curto alcance, pois, para ele, se suas fotos não estão boas o suficiente, você não está perto o suficiente. Morreu na guerra da Indochina, em 1954, quando pisou em uma mina terrestre. Dorothea Lange (1895-1965) “A câmera é um instrumento que ensina as pessoas a verem sem câmera.” (LANGE apud BARRADAS, 2013) Conhecida como a fotógrafa da Grande Depressão, que ocorreu nos EUA du- rante a década de 1930, por documentar o impacto da crise econômica na socieda- de americana e por denunciar o preconceito vivido por imigrantes. Sua fotografia mais famosa foi Mãe migrante (Figura 16), de 1936, na qual ela retrata a migrante Florence Owens Thompson com três de seus sete filhos. Figura 16 Mãe migrante, por Dorothea Lange, em 1936. Do ro th ea L an ge /W ik im ed ia C om m on s Entre 1935 e 1939, Dorothea Lange, trabalhando para o departamento de go- verno FSA (Farm Security Administration), registrou o sofrimento dos pobres e das famílias rurais que migravam para as cidades em busca de emprego. Acesse o site Fashion Forward e conheça mais sobre o trabalho de Robert Capa. Disponível em: https://ffw.uol.com. br/noticias/cultura-pop/icones-da- -fotografia-robert-capa-entre-a- -guerra-e-o-new-look/galeria/1/. Acesso em: 29 abr. 2020. Site Acesse o vídeo Dorothea Lange – Fotos diversas da fotógrafa estadunidense, publicado pelo canal senhorfotografia.com, e conheça o trabalho da fotógrafa. Disponível em: https://youtu.be/G-F- 3d7or9pM. Acesso em: 29 abr. 2020. Vídeo https://ffw.uol.com.br/noticias/cultura-pop/icones-da-fotografia-robert-capa-entre-a-guerra-e-o-new-look/galeria/1/ https://ffw.uol.com.br/noticias/cultura-pop/icones-da-fotografia-robert-capa-entre-a-guerra-e-o-new-look/galeria/1/ https://ffw.uol.com.br/noticias/cultura-pop/icones-da-fotografia-robert-capa-entre-a-guerra-e-o-new-look/galeria/1/ https://ffw.uol.com.br/noticias/cultura-pop/icones-da-fotografia-robert-capa-entre-a-guerra-e-o-new-look/galeria/1/ História da fotografia 25 Sebastião Salgado (1944- ) “Você não fotografa com sua máquina, você fotografa com toda sua cultura.” (SALGADO apud BARRADAS, 2013) Fotógrafo brasileiro, inicia, em 1974, seu trabalho na agência Sygma e, depois, na Gamma, em Paris, documentando os acontecimentos sociais e políticos da Europa e África. Em 1979, começa a trabalhar para a agência Magnum Photos até 1994, quando cria sua própria agência, a Amazonas Imagens. Passa, então, a documen- tar as condições de vida de camponeses e índios da América Latina, publicando as fotografias no livro Autres Ameriques, em 1986. A série Trabalhadores, realizada entre 1986 e 1992, retrata e documenta o trabalho manual em diversas regiões do mundo. No seu livro Gênesis, projeto realizado entre 2004 e 2012, apresenta a natureza em 500 páginas, organizadas em: Extremo Sul do Planeta, Extremo Norte do Planeta, África, Amazônia/Pantanal e Santuários do Planeta. Annie Leibovitz (1949- ) “Quando digo que quero fotografar alguém, o que realmente significa é que gostaria de conhecê-las.” (LEIBOVITZ apud MUNARI, 2020) Fotógrafa americana, iniciou seu trabalho na década de 1960, sendo conhecida por retratos e fotografias de moda. Foi a primeira mulher a expor na conceituada National Portrait Gallery, de Londres. Também é a fotógrafa de celebridades, como Andy Warhol, Brad Pitt, Angelina Jolie, Adele, Yoko Ono, John Lennon, entre outros. Fez o último registro de John Lennon, horas antes de ele ser assassinado, em de- zembro de 1980. Steve McCurry (1950- ) “Se você esperar, as pessoas vão esquecer a sua câmera e a alma do fotografado transparece.” (MCCURRY apud SANTOS, 2017) Membro da Magnum Photos desde 1986, foi ganhador do prêmio Robert Capa Medal pela melhor reportagem fotográfica do exterior, quando cobriu a invasão da Rússia no Afeganistão. Sua fotografia mais famosa é a Menina Afegã, capa de junho de 1985 da revista National Geographic. A imagem da menina Sharbat Gula tornou- -se um símbolo do conflito entre os afegãos. Ansel Adams (1902-1984) “Não há regras de boas fotografias, existem apenas boas fotografias.” (ADAMS apud BARRADAS, 2013) Conhecido pelas fotografias do vale Yosemite, nos Estados Unidos, Ansel Adams realizou sua primeira mostra individual em 1928. Defensor de causas ambien- tais, sua fotografia mais famosa é Monolith, the Face of Half Dome, feita no parque Yosemite, em 1926. Criou o sistema de zonas, estabelecendo dez zonas de tom, que vão do preto puro, passando por tons de cinza e culminando no branco máximo, para predeterminar, com precisão, o tom de cada parte de uma cena fotografada. Acesse o vídeo Melhores fotos do mestre Sebastião Salgado, publicado pelo canal Alex K, e conheça mais sobre o trabalho desse artista. Disponível em: https://youtu. be/3QyOj9Y8qfA. Acesso em: 29 abr. 2020. Vídeo Assista a este documentá- rio, Annie Leibovitz - A vida através das lentes, publicado pelo canal de Manoel Júnior, e conheça um pouco mais da história de Annie Leibovitz. Disponível em: https://youtu.be/ ZvulXR9TUiU. Acesso em: 29 abr. 2020. Vídeo Acesse o site Steve McCurry e conheça a galeria desse fotógrafo. Disponível em: https://www. stevemccurry.com/galleries. Acesso em: 29 abr. 2020. Site No site Oscar en Fotos, você pode ter acesso a uma galeria de Ansel Adams. Disponível em: https://oscarenfotos. com/2012/11/28/galeria_ansel_ adam/. Acesso em: 29 abr. 2020. Site https://youtu.be/ZvulXR9TUiU https://youtu.be/ZvulXR9TUiU https://www.stevemccurry.com/galleries https://www.stevemccurry.com/galleries 26 Artes visuais - Fotografia Nesta amostra, elencamos oito fotógrafos que influenciaram e continuam a ins- pirar novos fotógrafos a buscar a sua imagem perfeita, seja ela documental, jor- nalística, publicitária ou artística. Cabe sempre ao fotógrafo estimular seu olhar, recortando a realidade e congelando o momento de acordo com sua percepção de tempo e espaço, transformando-a em um registro único e exclusivo. Na prática Em um mundo saturado diariamente por imagens, você pode estimular seus alunos nas aulas de Arte com atividades que explorem mais detalhadamente o trabalho dos fotógrafos, percebendo detalhes de composição, uso da luz e sombra, dos contrastes, das cores, imaginando o momento em que foi dado o clique, qual a narrativa da imagem etc., e, dessa forma, propiciando meios efetivos para o desenvolvi- mento de uma percepção visual mais apurada. Escolha uma ou mais imagens, projete e instigue seus alunos a analisar elementos característicos, a narrativa da imagem. Outra maneira seria projetar duas imagens com narrativas semelhantes, mas de fotógrafos diferentes, para buscar a leitura das imagens em relação aos fatores comparativos e estimular questionamentos, como: o que as torna diferentes? 1.5 O surgimento da fotografia digital Vídeo A primeira fotografia digitalmente obtida foi criada nos laboratórios da Kodak, em 1975. O dispositivo (Figura 17) pesava em torno de quatroquilos, produzia imagens somente em preto e branco e levava 23 segundos para capturar uma imagem de 0,01 MP 5 , que era gravada em uma fita cassete, sendo que as câmeras fotográficas atuais, inclusive as de smartphones, capturam imagens acima de dez megapixels. A substituição do filme analógico se deu graças ao desenvolvimento do CCD (charge-coupled- -device) (Figura 18), que consiste em um sensor de imagem com a função de converter a luz em códi- gos digitais para serem processados e armazena- dos digitalmente. Os primeiros CCDs foram desenvolvidos por George Smith e Willard Boyle, dos Laboratórios Bell, em 1969, e incorporados em câmeras de vídeo a partir de 1970. Entre as primeiras câmeras digitais, nas décadas de 1980 e 1990, havia vários modelos que eram tidos como point-and-shoot, ou seja, bastava apontar para o assunto e clicar no botão, sem necessitar de ajustes prévios, pois todo o processo de fotometria era automatiza- do, o que limitava seu uso profissionalmente. Em 1981, a Sony lan- çou a Mavica (Magnetic Video Camera), uma câmera de vídeo que capturava fotografias de 0,72 MP e as gravava em um disquete de computador. Figura 17 Primeira câmera digital da Kodak Ko da k/ Fl ic kr 0,01 megapixel – um pixel equivale a menor unidade que compõe uma imagem. Já um megapixel é igual a um milhão de pixels. 5 Figura 18 CCD de uma câmera digital Ah m ed 2I Q/ W ik im ed ia C om m on s História da fotografia 27 Desde 1989 até o início dos anos 2000, a Fujifilm e a Kodak colaboraram com as empresas Canon e Nikon para desenvolver câmeras voltadas ao público pro- fissional. Outras empresas também se aventuraram a produzir câmeras digitais, como a Apple Quicktake-100, em 1994, e a Casio QV-10, de 1995 (Figura 19), que foi a primeira câmera a possuir uma tela LCD em sua parte posterior, permitindo a pré-visualização das imagens pelo fotógrafo. Figura 19 Apple Quicktake-100 e Casio QV-10 Ha nn es G ro be ; M or io ; C hr is W hy te he ad /W ik im ed ia C om m on s Philippe Kahn, engenheiro e um pioneiro das tecnologias de transmissão de dados sem fio, criou, em 1997, um protótipo de telefone celular equipado com uma câmera e compartilhou uma imagem de sua filha recém-nascida (Figura 20) para cerca de 2 mil pessoas, indicando novos rumos para a fotografia digital. Figura 20 Primeira fotografia de uma câmera de telefone celular Ph ili pp e Ka hn /W ik im ed ia C om m on s 28 Artes visuais - Fotografia Em 1999, a Nikon lançou o modelo D1 (Figura 21), estabelecendo um marco na produção de câmeras profissionais com sistema digital, as DSLRs (Digital Single Lens Reflex). A câmera possuía um sensor de 2,7 MP e permitia a utilização de len- tes intercambiáveis. A Canon, por sua vez, deu um salto significativo ao lançar, em 2000, a câ- mera EOS D30 (Figura 22). Com um sensor de 8,2 MP, contando com ajustes manuais e automáticos, expandiu seu uso para fotógrafos amadores e pro- fissionais, além de utilizar lentes intercambiáveis. Em 2004, a Canon fabricou um sensor CCD, capaz de capturar uma ima- gem com resolução superior à de um filme 35 mm Kodachrome padrão, e equipou a câmera Canon EOS 1D Mark II. A partir de 2006, a Nikon deixa de fabricar grande parte de suas câmeras analógicas, dedicando-se a desen- volver sistemas digitais para suas DSLRs. Atualmente, as câmeras digitais e as imagens digitais são utilizadas em todo o mundo, para diversos propósitos, de acordo com dados publicados pela plataforma de com- partilhamento de fotos, Flickr 6 . Em seu re- latório anual, denominado Year in review, de 2017, os uploads de fotos originárias de câmeras de smartphones representa- vam 50% de todas as imagens do site, con- tra 33% de câmeras DSLR e 12% de câmeras point-and-shoot (JENKINS, 2017). Isso se deve ao fato de que os dispositivos de cap- tura de imagem estão disponíveis em telefones celulares (smartphones), câmeras de fotografia e vídeo, câmeras de segurança, drones, entre outros, democratizando o acesso à fotografia. CONSIDERAÇÕES FINAIS Como pudemos observar, a fotografia evoluiu por meio de esforços de pesqui- sadores de diversas áreas ao longo do tempo. A cada dia que passa, o acesso a dis- positivos que capturam imagens se torna mais acessível e popular, transformando praticamente todas as pessoas em fotógrafas ocasionais, que registram seu cotidiano, documentam sua vida e o mundo ao seu redor. Entretanto, com a elevada disseminação de imagens nas redes sociais, já é per- ceptível a produção de imagens em excesso, de pouco significado e sem expressi- vidade. Dessa forma, devemos voltar nossa atenção para a história da fotografia e buscar inspiração nos grandes fotógrafos, que se permitiram a um olhar mais atento à sua volta, buscando situações, contextos e momentos decisivos para, só então, apertar o botão da câmera, capturando momentos únicos e inesquecíveis, que, hoje, fazem parte de nossa memória. Figura 21 Corpo da câmera Nikon D1 DSLR sem lentes As hl ey P om er oy /W ik im ed ia C om m on s Figura 22 Canon EOS D30, corpo da câmera sem lentes. Va ltt er i V uo rik os ki /W ik im ed ia C om m on s O Flickr é uma plataforma de compartilhamento de fotografias que “processa milhões de fotos e vídeos todos os dias, com bilhões de fotos online. É utilizada por mais de 100 milhões de fotógra- fos registrados” (FLICKR, 2020, tradução nossa). 6 No site Time 100 Photos, você tem acesso às fotos que mais influenciaram a história. Você pode nave- gar pelas fotos e explorar cada uma delas. Disponível em: http://100photos. time.com. Acesso em: 29 abr. 2020. Site http://100photos.time.com http://100photos.time.com História da fotografia 29 REFERÊNCIAS BARRADAS, J. 20 frases de fotógrafos sobre fotografia. Fotografia Total, 2013. Disponível em: https:// fotografiatotal.com/20-frases-de-fotografos-sobre-fotografia. Acesso em: 29 abr. 2020. CAMERAPEDIA. 120 film. Fandom. Disponível em: http://camerapedia.fandom.com/wiki/120_film. Acesso em: 30 abr. 2020. ETCHEVERRY, C. Geraldo de Barros e José Oiticica Filho: experimentação em fotografia (1950-1964). Anais do Museu Paulista. São Paulo, v. 18, n. 1, p. 207-228, jan./jul. 2010. FLICKR. Work at Flickr, 2020. Disponível em: https://www.flickr.com/jobs/. Acesso em: 18 mar. 2020. GRÁCIO, M. F. S. A comunicação através da imagem e a linguagem fotográfica na imprensa. Portugal/Tomar: Instituto Politécnico de Tomar, 2012. GURIGLIA, A. M. Fotografia fez fortuna e fama locais. Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 nov. 1996. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/11/25/turismo/31.html. Acesso em: 30 abr. 2020. HOUAISS. Grande Dicionário Houaiss. 2020. Disponível em: https://houaiss.uol.com.br/pub/apps/www/ v5-2/html/index.php#0. Acesso em: 29 abr. 2020. JENKINS, Z. Top Devices of 2017 on Flickr. Flickr, 2017. Disponível em: https://blog.flickr.net/en/2017/12/07/ top-devices-of-2017/. Acesso em: 18 mar. 2020. KOBRÉ, K. Fotojornalismo: uma abordagem profissional. 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O princípio básico do funcionamento de uma câmara escura está em se ter uma caixa ou sala, total- mente selada da entrada de luz, e um pequeno orifício, chamado de pinhole, em um de seus lados. Dessa forma, a luz que entra por esse orifício é projetada na parede oposta e invertida. Quanto me- nor o diâmetro do pinhole, maior será a nitidez da imagem projetada. 2. Linha do tempo da história da fotografia até o surgimento dos filmes coloridos: • 1021 – Alhazen (965 d.C.-1040) – Book of optics – define cientificamente as bases da natureza da luz da óptica: bases para a câmara escura. • 1502 – Pinhole: no Codex Atlanticus – Leonardo da Vinci. • 1545 – Pinhole: De Radio Astronomico et geometric liber – Gemma Frisius. • 1550 – Girolama Cardano – aperfeiçoamentos ópticos à câmara escura. • 1558 – Pinhole: Magiae Naturalis – Giovanni Battista della Porta. • 1569 – Daniel Barbaro – aperfeiçoamento ópticos à câmara escura. • 1604 – Johannes Kepler – The optical part of astonomy: projeto de câmara escura portátil, com lente rotativa. • 1727 – Johann Heinrich Schulze descobre que o nitrato de prata ficava escuro quando exposto a uma fonte de luz. • 1839 – Niépce e Louis Daguerre criam o daguerreótipo. • 1839 – Primeira fotografia, em um daguerreótipo, de pessoas vivas. • 1839 – William Henry Fox Talbot desenvolve o sistema negativo/positivo. 30 Artes visuais - Fotografia • 1888 – George Eastman (Eastman Kodak) cria um rolo de filme de fácil manuseio. • 1889 – Eastman Kodak lança o primeiro rolo de filme de celuloide transparente e flexível. • 1901 – A Kodak lança o filme 120 mm (médio formato). • 1908 – Os laboratórios Thomas A. Edison patenteiam o filme de 35 mm. • 1913 – Primeira câmera com filme de 35 mm é disponibilizada comercialmente. • 1930 – Surgem os primeiros filmes coloridos. • 1936 – A Kodak lança o Kodachrome, com cores subtrativas. 3. A fotografia no Brasil teve início em 1839, com a chegada do primeiro daguerreótipo ao Rio de Janeiro e a vinda do desenhista francês Hercule Florence, para a expedição Langsdorff, que foi realiza- da entre 1825 e 1829. Florence construiu uma câmara escura rudimentar e desenvolveu processos de reprodução de desenhos de rótulos farmacêuticos utilizando técnicas fotográficas. Entre 1840 e 1860, a fotografia documental é difundida no país por fotógrafos como Marc Ferrez, por exemplo. No final da década de 1940, a fotografia brasileira se aproxima da arte, relacionando-se com os movimentos concretista e neoconcretista. A partir de 1950, surge o mercado editorial brasileiro, relacionado di- retamente à fotografia, e há uma expansão no fotojornalismo. Entre as décadas de 1960 e 1970, a fotografia no Brasil passa a transitar entre o documental e o experimental, retratando a política e a sociedade. Equipamento fotográfico 31 2 Equipamento fotográfico Os equipamentos fotográficos estão em constante evolução tecnológi- ca. A cada dia, surpreendemo-nos com novas lentes e novos acessórios e com a incorporação de recursos avançados de fotografia em smartphones, incrementando cada vez mais a qualidade de imagem e os recursos em dispositivos móveis. Neste capítulo, abordaremos as câmeras analógicas e digitais, seus ti- pos e funcionamentos, o uso de smartphones no movimento mobgrafia e os equipamentos de iluminação. Trataremos, também, das lentes, do ân- gulo de visão e da distância focal. Pensando em arte-educação, sugerimos uma atividade envolvendo os conceitos da mobgrafia para ser aplicada em aulas de Arte. 2.1 Câmeras analógicas Vídeo Apesar da constante evolução da tecnologia de imagem digital, as câmeras ana- lógicas continuam sendo dispositivos utilizados por fotógrafos e artistas apaixona- dos por processos de criação que envolvam as técnicas consagradas pela fotografia ao longo do tempo. Em 1913, Oskar Barnack, um engenheiro da empresa alemã Leitz, projetou e paten- teou o protótipo Ur-Leica, uma câmera fotográfica que utilizava o filme de 35 mm, horizontalmente, produzindo um quadro de 24x36 mm (full frame). Somente em 1925, no entanto, a Leitz lançou a Leica I (Figura 1), com base no protótipo de 1913, o qual se tornou um sucesso de vendas à época. Em 1934, a Kodak, para concorrer com a consa- grada Leica I, lançou a câmera Retina (Figura 2), que foi produzida até 1960, também usando o filme de 35 mm, horizontalmente. As câmeras analógicas capturam imagens expondo o filme fotográfi- co à luz devido à reação química entre os halogenetos de prata e a pró- pria luz. O filme é, então, revelado e transformado em uma impressão fotográfica real. Parece um processo fácil, mas é complicado, por con- ta das implicações técnicas que exige, pois um simples erro pode ser fatal, perdendo-se, definitivamente, o registro de uma ou mais imagens. Figura 1 Leica I Ka m er ap ro je kt G ra z 20 15 /W ik im ed ia C om m on s Dn al or 0 1/ W ik im ed ia C om m on s Figura 2 Kodak Retina, de 1934 32 Artes visuais - Fotografia Em síntese, trabalhar com fotografia analógica e, portanto, com filme é, por nature- za, mais complicado do que trabalhar com a fotografia digital, conforme alguns fatores: • A quantidade de fotos em um filme é limitada, desse modo, é preciso ser alta- mente criterioso na escolha da imagem que se deseja registrar. • Não há uma opção de se cortar elementos indesejados ou ajustar a exposição de uma imagem muito escura de modo automatizado. • O processo de transformar o filme em uma fotografia real é trabalhoso e complicado, exigindo conhecimento técnico, equipamentos específicos, insu- mos e técnicas adequadas. Existem vários tipos de câmeras analógicas. Apresentaremos, a seguir, as caracte- rísticas das que foram mais utilizadas no auge da fotografia analógica e que, apesar de as câmeras digitais estarem cada dia mais acessíveis, persistem em uso por alguns entusiastas e artistas visuais. SLR (Single-Lens Reflex) Esse tipo de câmera é equivalente às atuais DSLR (Digital Single Lens Reflex). Ela possui um mecanismo interno com um espelho, permitindo visualizar o que a lente está focando, propiciando uma prévia da imagem. Também utiliza len- tes intercambiáveis, aumentando suas possibilidades de uso. A câmera SLR (Figura 3) apresenta alguns mecanismos principais, conforme po- demos observar na Figura 4. Figura 4 Mecanismos principais da câmera SLR Cb ur ne tt/ W ik im ed ia C om m on s Conjunto de lentes frontal (intercambiável) Espelho reflex a um ângulo de 45º Tela de foco Lente de condensação Pentaprisma ou pentamirror (vidro óptico) Eyepiece 1 Plano focal Filme TLR (Twin-Lens Reflex) Ra lf Ro le ts ch ek /W ik im ed ia C om m on s Figura 3 Câmera SLR Eyepiece é um visualizador óptico, geralmente com ajuste de dioptria para correção de visualização, conforme o olho do fotógrafo. 1 Equipamento fotográfico 33 São câmeras equipadas com lentes objetivas duplas (Figura 5), de distâncias fo- cais idênticas, e capazes de exibir continuamente a cena visualizada. Uma lente é utilizada para visualização enquanto a outra faz a exposição do filme, ou seja, você pode examinar a cena enquanto tira a foto, muito útil quando se exige uma velocidade mais alta do obturador. Point-and-shoot Desprovidas de espelhos ou de qualquer mecanismo mais complexo, geral- mente são câmeras leves e compactas, sendo que alguns modelos lançados eram descartáveis e não podiam ser recarregados com um novo filme. Ao terminar de tirar as fotos, a câmera completa era enviada para o serviço de revelação; já ou- tras desse tipo eram reutilizáveis, bastando substituir o filme por um novo. A Figura 6 apresenta um modelo de câmera point-and-shoot reutilizável que foi muito comum em sua época. Esse tipo de câmera não possui qualquer outro coman- do, tendo foco e exposição automatizados. Sua lente tem uma distância focal fixa, impossibilitando ao usuário aumentar ou diminuir o zoom. Os modelos des- cartáveis ainda estão disponíveis paravenda pela Kodak, pela Fujifilm e por outras marcas, geralmente com filmes de 27 poses, e podem ser usados como brindes, distribuídos em festas de casamento ou em outras ocasiões para que os próprios convidados registrem os momentos. Câmeras instantâneas As câmeras instantâneas são equivalentes às point-and-shoot, mas revelam as imagens imediatamente após serem fotografadas. Alguns modelos contam com controles para ajustar o brilho ou escolher o tipo de cena. A fabricante Polaroid (Figura 7) é uma das mais importantes nesse segmento e seus produtos ainda são encontrados para venda no mercado. No Brasil, a Fujifilm produz a Instax Mini, que possui recursos como espelho na lente frontal para selfie, acoplamento para lente macro, filtros coloridos e outros recursos interessantes. Toy câmeras Normalmente, são câmeras confeccionadas de plástico, como a apresentada na Figura 8, com muita facilidade de manuseio, tornando-as adequadas para crianças. O movimento Lomogra- fia, iniciado em 1992 por um grupo de estudantes vie- nenses, utilizou uma câmera de origem russa, a Lomo LC-A, para capturar imagens de acor- do com as dez regras de ouro da lomografia 2 . Na Figura 9, pode- mos observar um exemplo dessa arte. Figura 5 Câmera TLR Iv an B on da re nk o/ Sh ut te rs to ck Figura 6 Câmera point-and-shoot reutilizável com filme 35 Ge or ge R ex /W ki m ed ia C om m on s Figura 7 Câmera instantânea Polaroid Iv an _S he ne ts /S hu tte rs to ck Figura 8 Câmera Lomo (toy câmera) An dr ey S av in /S hu tte rs to ck Você pode conferir as dez regras de ouro da lomografia acessando o artigo disponível em: https://www.dxfoto.com.br/10-regras-da- -lomografia/. Acesso em: 20 maio 2020. 2 34 Artes visuais - Fotografia Figura 9 Lomografia abstrata com fundo borrado e psicodélico Ga la ct io n/ Sh ut te rs to ck Hoje, mais populares entre entusiastas da fotografia e artistas, as câmeras ana- lógicas ainda persistem e podem ser utilizadas como recurso didático em aulas de Arte, Ciências, Matemática e outras disciplinas para a realização de atividades interdisciplinares, explorando processos e conceitos da fotografia. 2.2 Câmeras digitais Vídeo Desde o desenvolvimento do primeiro dispositivo digital, pela Kodak, em 1975, para captura de fotografias, as câmeras digitais continuam em plena evolução, pro- curando cada vez mais melhorar seu desempenho e sua qualidade, atingindo reso- luções de imagem até então inimagináveis. Essas câmeras possuem uma terminologia própria para suas partes, seus comandos e suas funções, conforme o fabricante e o modelo, como podemos observar no Quadro 1, de maneira genérica. Portanto devemos sempre consultar o manual de nossa câmera para compreender o seu funcionamento antes de come- çar a fotografar, a fim de explorarmos ao máximo os seus recursos. Quadro 1 Partes de uma câmera digital Nomenclatura Descrição Viewfinder É o visor da câmera, que pode ser óptico ou digital, utilizado para visua- lizar a imagem a ser fotografada e para referência na realização de alguns ajustes. Corpo da câmera É a parte física, na qual se encontram botões, sensor, visor, obturador, entradas e saídas, slot de cartão de memória, sapata de flash etc. Objetiva É a lente propriamente dita. Pode ser intercambiável ou fixa no corpo da câmera. Diafragma É a estrutura que controla a quantidade de luz que passará pela lente. Obturador É o dispositivo que controla o tempo de exposição, ou seja, quanto tempo o diafragma ficará aberto. Fonte: Elaborado pelo autor. Visite o site oficial da Lomography Society para conhecer várias informa- ções sobre o movimento da lomografia e ter acesso a galerias de lomografias produzidas no Brasil. Disponível em: https://www. lomography.com/countries/ 30-brazil/photos. Acesso em: 20 maio 2020. Site Explique os fatores que tornam a fotografia analógica mais compli- cada que a fotografia digital. Atividade 1 Equipamento fotográfico 35 Podemos separar as câmeras digitais em categorias que atendem os fotó- grafos amador/casual, entusiasta e profissional. Desse modo, teremos câmeras compactas, compactas com zoom, compactas avançadas, de ação, DSLRs, com- pactas mirrorless e de médio formato. Câmera digital compacta Também conhecidas como point-and-shoot, são câmeras direcionadas aos fotó- grafos amadores e casuais, como as analógicas, de bai- xo custo e com recursos limitados. São leves, possuem tamanho pequeno e, geralmente, não têm um viewfin- der óptico, o qual é substituído por uma tela de LCD na sua parte posterior, para visualização. Dada a sua simplicidade de operação, basta enquadrar o assunto e pressionar o botão, e todos os ajustes necessários são realizados pelo dispositivo, sem que o fotógrafo neces- site intervir. Geralmente, esse tipo de câmera possui flash embutido e lentes zoom. Alguns modelos de câme- ras permitem, ainda, determinado grau de controle da fotografia. Câmera digital compacta com zoom Nesse tipo, enquadram-se as câmeras que são equipadas com lente zoom na fai- xa de 28 a 300 mm e que, geralmente, possuem controles automáticos e manuais, além de oferecerem gravação de vídeo em HD (high-definition). Muitos modelos têm, pelo menos, 12 MP de resolução, o que os tornam excelen- tes para imagens pessoais, como registros de viagens, retratos de família, entre outros. Mas, como no caso de outros tipos de câmeras compactas, não têm seu uso profissional recomendado. Câmera digital compacta avançada Essas câmeras são adequadas para o fotógrafo amador entusiasta que deseja um maior controle em suas fotos do que o obtido por câmeras compactas básicas. Esse tipo de equipamento possui modo manual para ajustes de exposição e foco, além das opções automáticas e de outras tecnologias embarca- das, como Wi-Fi e NFC. Sua resolução, geralmente, é maior do que a de muitas câmeras que equipam os smartphones atuais, gravando vídeos em for- mato 4K e com recursos de slow motion (câmera lenta). Câmera de ação São câmeras compactas prepara- das para enfrentar condições severas de clima e uso, às vezes, à prova d’água e de choque. Praticamente todas as suas funções são automá- ticas e os modelos mais atuais permitem a grava- ção de vídeos em resoluções até 4K – quatro vezes maior que a resolução de um vídeo HDTV, isto é, 4096 x 2160 pixels. São recomendadas para captu- rar imagens e ângulos inusitados nos mais diver- Figura 10 Câmera fotográfica digital compacta RT im ag es /S hu tte rs to ck Figura 11 Câmera digital compacta com zoom Sp ec ul os /W ik im ed ia C om m on s Figura 12 Câmera digital compacta avançada Lg ar ro n/ W ik im ed ia C om m on s NFC: do inglês, Near Field Communication, é uma tecno- logia de comunicação sem fio que requer aproximação entre os dispositivos. Glossário Figura 13 Câmera de ação E 20 14 /W ik im ed ia C om m on s 36 Artes visuais - Fotografia sos esportes, como no ciclismo, acoplada em uma bicicleta em meio a um circuito; em escaladas de montanhas; em saltos de paraquedas; em mergulhos; em drones; entre outros. Câmeras DSLRs As câmeras DSLRs são recomendadas para fotógrafos amadores avançados e profissionais. São equipamentos mais pesados e maiores que os compactos e seu design e sua função derivam das SRLs analógicas de 35 mm. Algumas pos- suem sensor “cropado” (APS-C), ou seja, a imagem que é visualizada no viewfin- der é cortada em sua abrangência pelo sensor CCD. Geralmente, essas câmeras são mais acessíveis em relação ao custo de uma câmera DSLR full frame. Elas utilizam lentes intercambiáveis, o que permite o manuseio de diversos tipos de lentes, atendendo, de maneira abrangente, às especificidades de cada fotó- grafo. Seus controles abrangem os modos totalmente manuais, parcialmente manuais e automatizados, chamados de controles criativos. Câmera compacta mirrorless As câmeras compactas mirrorless são consideradas uma tendência para o futuro da fotografiadigital. Elas oferecem os recursos das câmeras DSLRs, mas são pequenas, leves e mais acessíveis. Versáteis e de alta performance, permi- tem controle total sobre a captura da imagem, com controles manuais e au- tomáticos, e contam com lentes intercambiáveis. Também possuem recursos embarcados, como reconhecimento facial, Wi-Fi, NFC, gravação de vídeo em 4K, pré-edição de fotos e vídeos, entre outros. O nome mirrorless se deve ao fato de que essa câmera não possui um espe- lho para refletir a imagem capturada pela lente para visualização no viewfinder. A luz vinda através da lente é capturada pelo sensor CCD que, então, transmite a imagem para uma tela LCD na parte posterior da câmera, permitindo, assim, uma prévia visualização antes de fotografar. Câmera digital de formato médio Trata-se das câmeras baseadas nos filmes de tamanho 120, utilizados nos modelos Hasselblad V. Sua versão digital possui um sensor maior do que o das câmeras DSLRs full frame. Geralmente, são utilizadas para fotografar campanhas publicitárias, nas quais são exigidas imagens de altíssimas resoluções. São equi- pamentos de uso específico e profissional que não atendem um público genérico, além de possuírem alto custo. Para efeito de comparação, realizamos um experimento utilizando cinco tipos de câmeras diferentes para fotografar um mesmo motivo em iguais condições de iluminação. Foram usadas as seguintes câmeras, todas ajustadas no modo auto- mático: Canon 6D, full frame, com uma lente fixa de 50 mm; Canon 60D, cropada, com a mesma lente fixa de 50 mm; Samsung ES75 compacta; Canon G12 compacta avançada; GoPro Hero 6 de ação. O resultado pode ser observado na Figura 17. Figura 14 Câmera DSLR Ho si ke n/ W ik im ed ia C om m on s Figura 15 Câmera mirrorless Yi te ch /W ik im ed ia C om m on s Figura 16 Câmera digital de médio formato Id a Gu st af /W ik im ed ia C om m on s Equipamento fotográfico 37 Figura 17 Comparativo de resultados entre tipos diferentes de câmeras DSLR – cropada Câmera compacta Câmera de ação Câmera compacta avançada DSLR: fotos obtidas no modo automático com lente de 50 mm Canon 6D: full frame Canon 60D: cropada Compacta: Samsung ES75 Avançada: Canon G12 Ação: GoPro Hero 6 DSLR – full frame Conforme podemos notar na Figura 17, nas DSLRs, há diferença entre o campo de visão obtido pela câmera full frame e pela com sensor cropado. Quanto às com- pactas, a diferença mais perceptível é relacionada com a qualidade de contraste en- tre as cores da imagem. Já a imagem obtida pela câmera de ação apresentou uma distorção do campo visual, devido à sua lente ser uma grande angular, utilizada para propiciar maior área no campo visual, necessária para imagens de atividades esportivas; em contrapartida, o contraste e as cores ficaram mais vivos. Como vimos, existem vários tipos de câmeras fotográficas digitais, cada um com suas particularidades e especificidades. Devemos sempre estar atentos ao tipo de imagem que nos propomos a registrar, para não incorrer no risco de fazer um alto investimento em um equipamento que será subutilizado. 2.3 Smartphones: a mobgrafia Vídeo O primeiro telefone celular equipado com uma câmera foi lançado pela Samsung, no ano 2000, e contava com um sensor de apenas 0,35 MP. Mas o marco histórico que colocou os celulares como alternativas às câmeras digitais se deu em 2010, com o lançamento dos primeiros smartphones e o incremento tecnológico em suas câmeras, aumentando a resolução e incorporando os novos recursos de captura e processamento de imagens nesses dispositivos. Apesar de todo o desenvolvimento tecnológico, ainda há algumas restrições na utilização desses dispositivos de modo profissional, como a falta de profundidade de campo, o alcance de zoom e, também, a qualidade obtida para determinadas aplicações. Por outro lado, eles têm democratizado e popularizado o ato fotográfi- co, permitindo o acesso a processos que outrora eram exclusivos de especialistas do ramo da fotografia. De acordo com Cakebread (2017, tradução nossa), “graças aos smartphones, milhões de pessoas em todo o mundo estão se transformando em fotógrafos pro- líficos. De acordo com estimativas da InfoTrends, as pessoas tirarão cem bilhões de 38 Artes visuais - Fotografia fotos a mais em 2017 do que em 2016. A grande maioria, 85%, destas fotos será tirada em smartphones”. Esse fato se deve à popularidade das mídias sociais, como Facebook e Instagram, que, de certa maneira, estimulam as pessoas a registrarem o seu cotidiano e a documentarem a sua vida e o mundo ao seu redor, provocando à experimenta- ção fotográfica, sem o devido cuidado com a memória. Fontcuberta (2012, p. 65) afirma que “a fotografia sobre processo de ‘desindexilização’, a representação fo- tográfica se liberta da memória, o objeto se ausenta, o índice se evapora”. Assim, de acordo com o autor, essa nova fase da fotografia pode ser denominada como post-fotografia, na qual se amplia e fortalece o poder de registrar os fatos no exato momento em que acontecem. A post-fotografia e a mobilidade propiciada pelo smartphone estimularam a formação de um coletivo artístico no Brasil, chamado de mObgraphia, liderado pe- los fotógrafos Cadu Lemos e Ricardo Rojas. Esse coletivo faz parte do movimento mobgrafia – palavra derivada da junção de mob = mobile, e grafia = escrita (retirada da palavra fotografia) –, relacionado com a produção de imagens por dispositivos móveis, e que “estimula a arte fotográfica e visual produzida (captada, editada e compartilhada) em plataformas móveis. Celulares, tablets, não importa. Tudo é arte, imagem e conteúdo” (ROJAS, 2020). A mobgrafia tem suas origens em movimentos culturais que, desde 2011, vêm engajando pessoas a treinarem seu olhar artístico e compartilharem suas imagens com o mundo. Várias exposições têm sido realizadas com o intuito de fomentar esse compartilhamento, como o FLAMOB (Festival Latino-Americano de Mobgrafias), que acontece desde 2013 durante a programação do evento “Maio Fotografia”, realizado pelo Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Na Figura 18, podemos observar um exemplo de mobgrafia sendo realizada ao pôr do sol que poderia estar na categoria paisagem. Figura 18 Mobgrafia de um pôr de sol Le M an na /S hu tte rs to ck Em 2020, o evento passa a ser denominado “Mobile Photo Festival”, sendo considerado o maior evento da América Latina que trata da cultura fotográfica mobile, com categorias como arte, retrato, preto e branco, paisagem, documental, mobcollege e street. Para participar, o fotógrafo deve apenas tirar a foto com o celular e postar no seu Instagram com a hashtag #mobgraphia e uma outra específica da categoria, conforme o regulamento, que pode ser acessado no link a seguir. Disponível em: mobgraphia.com. Acesso em: 20 maio 2020. Saiba mais Equipamento fotográfico 39 Atualmente, existem vários modelos de smartphones de diversos fabricantes, todos equipados com câmeras que propiciam imagens de excelente qualidade, principalmente para visualização em tela, alguns com câmeras duplas, triplas, quá- druplas, com zoom óptico e digital aprimorados e vários outros recursos tecnológi- cos que impactam diretamente o preço do dispositivo, sendo fundamental analisar qual a relação custo-benefício antes de adquirir determinado equipamento. Por- tanto, na hora de selecionar o seu smartphone para usar como câmera, pesquise atentamente e foque, principalmente, os recursos de fotografia que ele propicia, estando de acordo com as suas necessidades. Na prática Que tal realizar um festival de mobgrafias na escola? Para a geração atual, denominada de nativos digitais, ou seja, que já nasceram durante o evento da popularização dos meios digitais, utilizar um smartphone para registrar seus momentos é uma atividade corriqueira. O que podemos fazer é direcionar o olhar de nossos alunos para que a criatividade esteja presente no ato fotográfico, estimulando apesquisa e a ex- ploração de conceitos de composição, luz, sombra, cor, contraste, entre outros do campo das artes visuais. Materiais necessários: • Celulares, smartphones ou tablets. • Acesso à internet. Modo de fazer: 1. Apresente a ideia de mobgrafia 3 e faça um brainstorming com os alunos. 2. Estipule categorias, como selfies, natureza, lugares, esportes, cotidiano etc. e atribua hashtags a elas. 3. Defina um cronograma, estabelecendo prazos e datas para postagem das imagens em um regula- mento simples. 4. Acesse as hashtags e selecione as fotos vencedoras, na data definida. Você pode criar uma comissão de avaliação integrando professores de outras áreas, estimulando, também, a interdisciplinaridade. Caso seja possível, que tal premiar as melhores imagens de cada categoria? Pode ser a impressão da foto ou outro prêmio que estimule a participação. Recomendação: alunos do ensino fundamental anos finais e ensino médio. Conceitos e técnicas utilizados/abordados nesta atividade: mobgrafia; composição fotográfica; elementos visuais; técnicas de grupo (brainstorming); interdisciplinaridade; novas tecnologias em educa- ção; técnicas de organização e métodos. Aplicar atividades que estimulem os alunos a utilizar seus dispositivos digitais de modo integrado com o conteúdo programático é uma maneira de evitar o uso compulsório e gratuito, que gera distrações indesejadas e falhas no processo de ensino-aprendizagem, pois as ferramentas digitais estão cada vez mais ao alcance de crianças e jovens. Cabe aos educadores direcionar os estudantes para que essas ferramentas sejam aliadas à educação, e não um obstáculo à aprendizagem. Você pode assistir aos vídeos do fotógrafo brasileiro Gal Oppido e apresentá-los aos alunos. Vídeo 1 – Fotografia mobile: o que uma câmera DSRL não faz, com Gal Oppido – 2min40. Disponível em: https://youtu.be/ xJnAOUCpWsU. Acesso em: 20 maio 2020. Vídeo 2 – Fotografia Mobile – Gal Oppido/Design Culture – 5min34. Disponível em: https:// youtu.be/tDNHl447RQ8. Acesso em: 20 maio 2020. 3 Faça uma síntese sobre o uso de smartphones na fotografia e explique o que significa mobgrafia. Atividade 2 Visite o site Iphotochannel e confira dez dicas de como fazer melhores fotos com o smartphone. Disponível em: https:// iphotochannel.com.br/ dicas-de-fotografia/10-dicas-pa- ra-obter-melhores-fotos-com- -o-smartphone. Acesso em: 20 maio 2020. Site 40 Artes visuais - Fotografia 2.4 Equipamentos de iluminação Vídeo A fotografia depende da luz, e nada como a luz natural para obtermos uma bela foto. Contudo, em algumas situações, como fotografias em ambientes internos, em estúdios fotográficos e noturnas, devemos utilizar equipamentos ou a luz disponí- vel para iluminar a cena ou o objeto que estamos a fotografar. No mercado, há diversos tipos de equipamentos exclusivos para uso em foto- grafia, mas, também, podemos improvisar alguns, como veremos adiante. Confor- me aponta Hurter (2010, p. 19), “o fotógrafo que treinou para ver a luz poderá olhar para qualquer fotografia e discernir precisamente como foi iluminada”. Ou seja, devemos conhecer tecnicamente como a iluminação é realizada, treinando nosso olhar para escolher a melhor alternativa a cada fotografia. Como fontes de luz disponíveis, Präkel (2010, p. 73) explica que, quando se fala em fotografia com luz disponível, geralmente se pensa em criar imagens com pouca luz, embora nem sempre seja o caso. [...] É função do fotógrafo fazer a melhor fotografia com a luz existente, tanto em termos de quantidade quanto de qualidade. Essa iluminação pode conter ou não al- guma quantidade de luz natural, também chamada de luz “ambiente”. Dessa forma, podemos citar como luz disponível: chamas de velas, lamparinas ou outra fonte de fogo; lâmpadas incandescentes; luz fluorescente; luz de rua (da iluminação pública); luz neon; entre outras fontes que podem ser utilizadas para iluminar determinado assunto. De acordo com Präkel (2010), o lar da luz fotográfica é o estúdio, e podemos dividi-la em duas categorias: contínua e de flash. Equipamentos de luz contínua pressupõem que ficam ligados o tempo todo, dessa forma, o que você está vendo é o que será fotografado, o que facilita o trabalho, sendo geralmente a iluminação preferida de fotógrafos iniciantes que não necessitam de equipamentos especiais para medir a intensidade da luz, pois qualquer câmera conta com um fotômetro interno capaz de realizar tal tarefa. Por outro lado, a luz de flash costuma ser mais complexa, necessitando, em situações como fotografia em estúdio, de equipamentos específicos para medir a intensidade da luz e definir os parâmetros corretos para a câmera fotográfica. 2.4.1 Equipamentos de luz contínua A seguir, abordaremos alguns equipamentos de luz contínua utilizados para fo- tografar em ambientes internos, por exemplo, estúdios fotográficos. Fresnel Semelhante à luz de cinema, o Fresnel para luz contínua possui uma lâmpada halógena de 1.000 watts e uma lente especial que pode abrir ou pontuar (fechar) a luz, bem como uma bandeira quádrupla removível com suporte para utilização de filtros coloridos, chamados de gelatina. Figura 19 Fresnel com lâmpada halógena la pa nd r/ Sh ut te rs to ck Equipamento fotográfico 41 Painéis e bastões iluminadores LED Atualmente, existem muitas opções de iluminadores LED, de diversos tama- nhos, formatos e modelos, e com uma tecnologia que os faz mais leves e eficien- tes para uso com a fotografia digital. Alguns painéis podem chegar a conter 1 mil LEDs, mas o modelo mais utilizado é o de 160 LEDs (Figura 20). Possuem ajustes de intensidade da luz e, em alguns modelos, de temperatura de cor. Geralmente, utilizam baterias recarregáveis de alta duração, o que os torna práticos para uso em locais onde não há disponibilidade de uma fonte de energia elétrica. Os bas- tões de LED (Figura 21) têm recursos como variação de cores em RGB, luz fria e luz quente. Podem, ainda, ser utilizados para geração de efeitos de luz em fotos de longa exposição. Figura 21 Bastão de iluminação LED Yo ng nu o. D ivu lg aç ão . Figura 20 Painel LED Dm itr i M a/ Sh ut te rs to ck Iluminadores LED circulares Também chamados de ring light, esses iluminadores são ideais para fotografias de retrato, vídeo, macrofotografia, fotografia médica e odontológica, entre outras aplicações que necessitem de iluminação sem sombra. Alimentados por fon- tes de alimentação ou baterias, com pesos e tamanhos reduzidos, são mui- to utilizados por youtubers, para selfies e fotos de maquiagem, como no exemplo da Figura 22. Também, podemos adaptar outras fontes de luz para usar como ilu- minação contínua, por exemplo, abajures, luminárias de mesa, painéis de LED convencionais, luzes LED de Natal etc., obtendo resultados satis- fatórios – basta soltar a imaginação e experimentar! 2.4.2 Equipamentos de luz de flash Desde a sua invenção, em 1930, por Johann Ostermeyer, o flash fotográfico tem sido utilizado para iluminar cenas fotográficas quando a luz existente não é sufi- ciente para a correta exposição da fotografia. Na Figura 23, podemos comparar a evolução nos modelos de flash portáteis – o exemplo à esquerda é da década de 1950, já as fotos central e à direita são da atualidade. Figura 22 Iluminador circular Luiza Kamalova/Shutterstock 42 Artes visuais - Fotografia Figura 23 Comparativo entre os primeiros modelos de flash e os atuais Jo e Ha up t/ A sh le y P om er oy /W ik im ed ia C om m on s Os flashes portáteis atuais são muito úteis para iluminar pequenas áreas de som- bra ou para criar efeitos de fundo. Podem ser utilizados tanto no modo automático quanto manual, e sua comunicação com a câmera é realizada por meio de uma sa- pata na qual o flash é encaixado. Também podem ser usados como “escravos”, sendo posicionados fora da câmera e disparados por outro flash. Algumas câmeras têm flash embutido ou escamoteável, o que é conveniente, mas poucopotente, além de utilizar a bateria da câmera, reduzindo o número de fotografias possíveis, a depender da carga. Esse tipo provoca o efeito de olhos ver- melhos 4 , devido à sua proximidade com o eixo da lente, e não possui grande área de cobertura. Apesar disso, é bastante útil para preencher sombras e fornecer luz de enchimento em fotografias contraluz. Já os flashes denominados profissionais têm alta potência, recarga rápida e, ge- ralmente, utilizam um conjunto separado de baterias, conferindo maior eficiência ao dispositivo. Os flashes de estúdio são utilizados em estúdios fotográficos e possuem uma po- tência bem mais elevada que a dos flashes compactos. São alimentados pela rede elétrica e sua carga pode ser ajustada previamente, de acordo com a iluminação desejada. Alguns modelos contam com comandos totalmente digitais e com alta precisão, além de conexão com um computador para ajustes remotos. Esse tipo de equipamento tem, ainda, uma lâmpada que funciona como “luz de modelagem”, com a qual o fotógrafo pode prever o resultado de seus ajustes de iluminação para a cena a ser fotografada. Conforme ressalta Genérico (2011, p. 27), “a praticidade desses equipamentos [...] promoveu, e continua promovendo, uma grande variedade de acessórios que alteram sua qualidade de luz conforme o estilo ou a necessidade de cada especiali- dade fotográfica”. Esses acessórios são sombrinhas, hazies, octos, entre outros, que abordaremos mais tarde. Na Figura 24, podemos observar um flash de estúdio montado em um tripé e equipado com uma sombrinha difusora de luz, usada para tornar a luz mais suave. No detalhe, a lâmpada de modelagem ao centro do refletor. Os olhos vermelhos em fotogra- fia ocorrem pela iluminação do sangue na retina que é então fotografado. 4 Equipamento fotográfico 43 Figura 24 Flash de estúdio D im itr y M ak ee v/ W ik im ed ia C om m on s Nos flashes compactos e embutidos, a câmera efetua os ajustes necessários para se obter a correta exposição da fotografia. Isso não ocorre nos flashes de estú- dio que necessitam de um flashmeter, equipamento auxiliar com a função de medir a intensidade do disparo do flash e sugerir a melhor abertura para se obter a expo- sição correta da cena a ser fotografada. Ainda, alguns modelos de flash são desenvolvidos para aplicações exclusivas, como flashes circulares para uso em odontologia, medicina, práticas forenses e macrofotografia. Sem luz, não há fotografia, portanto, o fotógrafo deve aprender a controlar e dominar a luz para revelar ou esconder linhas, formas, volumes, espaço, texturas, luz e cor, ou seja, os elementos formais da composição visual, tendo clareza de seus objetivos antes de utilizar qualquer equipamento. 2.5 Lentes fotográficas Vídeo As lentes fotográficas atuais possuem componentes eletrônicos e mecânicos de alta complexidade que são utilizados para compensar vibrações, ajustar o foco automático, o zoom e o foco manual, entre outros. Estão disponíveis diversos tipos de lentes, que podem ser prime, com distância focal fixa, e zoom, com distância fo- cal variável. Entendemos distância focal como a distância entre o centro óptico da lente e o sensor, ou seja, o ponto em que os raios de luz se cruzam, como podemos observar na Figura 25. Figura 25 Distância focal e centro óptico centro óptico elementos ópticos 44 Artes visuais - Fotografia O ângulo de visão varia conforme a distância focal das lentes, como na Figura 26; quanto maior a distância focal da lente, menor o ângulo de visão obti- do por ela. Figura 26 Ângulo de visão de acordo com a distância focal Dessa forma, as lentes são classificadas de acordo com a distância focal, o ân- gulo de visão, a capacidade de zoom, o foco automático ou manual, a abertura, a velocidade e de acordo com a sua utilização. No Quadro 2, apresentamos os tipos de lente classificados de acordo com a dis- tância focal e o ângulo de visão, bem como suas funções e aplicações mais comuns. Quadro2 Tipo de lente x distância focal x aplicações comuns Tipo de lente Distância focal (para um sensor full frame) Aplicações comuns Olho de peixe (fisheye) Até 16 mm Especializada, criativa, skate etc. Supergrande angular Até 24 mm Paisagens, arquitetura, interiores Grande angular Até 35 mm Paisagens, arquitetura, interiores Normal 40 mm a 85 mm Retratos Telefoto média 75 mm a 300 mm Retratos, esportes, vida selvagem Supertelefoto Mais de 300 mm Esportes, vida selvagem Fonte: Adaptado de Tipos..., 2014. Equipamento fotográfico 45 As lentes olho de peixe possuem um ângulo de visão bastante aberto, de 180º, e uma distância focal entre 11 mm e 16 mm, geralmente causando uma distorção na imagem, como podemos observar na Figura 27. Figura 27 Fotografia com lente fisheye ou olho de peixe S tu ar t M on k/ Sh ut te rs to ck As lentes grande angular e supergrande angular, com distâncias focais que va- riam de 18 mm a 35 mm, têm ângulos de visão entre 100º e 62º, perfeitas para se obter imagens de paisagens e fotos de ambientes e arquitetura que necessitam de uma maior amplitude no campo de visão, sem que haja distorções, como ocorre nas lentes olho de peixe. Na Figura 28, temos um exemplo de uma fotografia obtida com uma lente supergrande angular. Figura 28 Fotografia da ponte Golden Gate com uma lente supergrande angular St as V ol ik /S hu tte rs to ck 46 Artes visuais - Fotografia As lentes normais possuem distância fo- cal entre 40 mm e 85 mm e ângulo de visão entre 46º e 28º30’, sendo mais populares as lentes de 50 mm, as quais se equiparam à visão humana, conferindo um aspecto mais natural à imagem, ideal para uso em retratos e, também, em fotografias de produto em estúdio. Na Figura 29, o retrato em preto e branco foi executado com luz natural e uma lente de 50 mm. As lentes telefoto contam com uma dis- tância focal de 75 mm a mais de 300 mm; em contrapartida, seu ângulo de visão fica restrito entre 28º e 8º. São lentes grandes e pesadas, geralmente utilizadas para co- bertura de esportes, como futebol (Figura 30), corridas de automóveis, vida selvagem etc., ou seja, situações nas quais o fotógra- fo não pode estar muito perto do assunto a ser fotografado. Algumas lentes possibilitam a macrofo- tografia, pois proporcionam uma taxa de reprodução de 1:1. Por exemplo, ao se fo- tografar um objeto de 20 mm, sua imagem, quando projetada no CCD (sensor), terá também os mesmos 20 mm. Geralmente, nas lentes macro, há uma inscrição em seu corpo indicando esse recurso. Somente com lentes desse tipo conse- guimos obter todos os detalhes de uma imagem. Na Figura 31, podemos conferir os detalhes de uma borboleta capturados por uma macro. Figura 29 Retrato com lente de 50 mm to ka re sh a/ Sh ut te rs to ck Figura 30 Fotógrafo com lente telefoto cobrindo partida de futebol Xi m eg /W ik im ed ia C om m on s Figura 31 Fotografia com lente macro Jg 44 .8 9/ W ik im ed ia C om m on s Equipamento fotográfico 47 Para uso em smartphones, existem kits com lentes e adaptadores (Figura 32) para simular alguns dos efeitos das lentes que abordamos, mas os resultados obtidos nunca serão tão satisfatórios quanto os com lentes apropriadas. As lentes são elementos essenciais na fotografia, seja profissional ou amadora. As câmeras DSLRs, geralmente, são comercializadas com um kit básico, que compreende o corpo da máquina, e uma lente padrão, que atende à maioria das situações nas quais o fotógra- fo procura registrar. Contudo, dependendo da sua especializa- ção e profissionalização, é recomendável investir em lentes de alta qualidade e apropriadas para o seu trabalho. Atividade 3 Explique distância focal, centro óptico e ângulo de visão. Figura 32 Kit de lentes para smartphones Ph ot o W in 1/ Sh ut te rs to ck CONSIDERAÇÕES FINAIS Saber escolher os equipamentos fotográficos adequados é fundamental para capturar a imagem de acordo com a sua finalidade e, mais ainda, é saberutilizá-los de maneira correta, explorando todos os seus recursos. Com o advento da inserção dos smartphones e seu uso como câmeras fotográficas, muitas pessoas têm esquecido os fundamentos essenciais de uma boa fotografia, portanto, é necessário pararmos e repensarmos se o equipamento que estamos utilizando é o adequado ao trabalho a ser desenvolvido. A fotografia é o registro da luz, desse modo, iluminar bem ou buscar a melhor ilu- minação é fundamental para se obter melhores resultados. Nesse aspecto, podemos usar a nossa criatividade e adaptar fontes de iluminação comuns, transformando-as em um recurso que será um fator diferencial em nossas fotografias. REFERÊNCIAS CAKEBREAD, C. People will take 1.2 trillion digital photos this year – thanks to smartphones. Business insider, 31 ago. 2017. Disponível em: https://www.businessinsider.com/12-trillion-photos-to-be-taken-in- 2017-thanks-to-smartphones-chart-2017-8. Acesso em: 20 maio 2020. FONTCUBERTA, J. A câmera de pandora: a fotografi@ depois da fotografia. São Paulo: Gustavo Gili, 2012. GENÉRICO, T. Estúdio: fotografia, arte, publicidade e splashes. Balneário Camboriú: Photos, 2011. HURTER, B. A luz perfeita: guia de iluminação para fotógrafos. Balneário Camboriú: Photos, 2010. PRÄKEL, D. Iluminação. Porto Alegre: Bookman, 2010. ROJAS, R. mObgraphia: Mobile photo festival. mObgraphia, 2020. Disponível em: http://mobgraphia. com/#about. Acesso em: 20 maio 2020. TIPOS de Lentes Fotográficas, suas Funções e Aplicações. CameraNeon, 13 ago. 2014. Disponível em: http://cameraneon.com/acessorios/tipos-de-lentes-fotograficas-suas-funcoes-e-aplicacoes/. Acesso em: 20 maio 2020. 48 Artes visuais - Fotografia GABARITO 1. A quantidade limitada de fotos em um rolo de filme faz com que o fotógrafo seja mais criterioso na hora de fotografar. Não há, também, modos automatizados para se efetuar ajustes de exposição na câmera. Ainda, esse tipo de fotografia exige mais conhecimento técnico e equipamentos específicos para se revelar a foto. Todos esses fatores fazem com que a fotografia analógica tenha maior nível de complexidade. 2. Os primeiros telefones celulares com câmera surgiram no ano 2000, mas somente em 2010 foram lan- çados os primeiros smartphones com câmeras de maior resolução e conectividade. Apesar de todos os incrementos tecnológicos, ainda contamos com algumas restrições de uso de modo profissional. As mídias sociais estimulam a captura de imagens do cotidiano pelas pessoas, popularizando a foto- grafia e estimulando a experimentação fotográfica. A mobgrafia (mobile + grafia) é um movimento artístico-cultural que promove a arte fotográfica e visual em plataformas móveis. 3. A distância focal é a distância entre o centro óptico da lente e o sensor da câmera. O primeiro é o ponto exato no qual os raios de luz se cruzam no interior da lente. Já o segundo está relacionado com a distância focal da lente; quando maior essa distância, menor o ângulo de visão que pode ser obtido. Princípios da fotografia 49 3 Princípios da fotografia Os artistas visuais procuraram registrar a luz da melhor maneira possível em suas pinturas, utilizando os recursos e os conhecimentos disponíveis de acordo com a época. Fotografar é registrar a luz. Assim, devemos conhecer a sua composição, as suas propriedades físicas e como podemos modificá-la para obter os resulta- dos esperados. Desde o advento da fotografia analógica até atualmente, com os meios digi- tais disponíveis, as bases ainda permanecem estruturadas no triângulo fotográ- fico: velocidade, abertura e ISO. Neste capítulo, estudaremos as características da luz na fotografia e os ajustes necessários a serem feitos na câmera fotográfica para obtermos a melhor exposição possível. Também compreenderemos a importância de se realizar uma fotometria adequada, de acordo com a iluminação utilizada, e observaremos uma atividade que pode ser aplicada às aulas de Arte, buscando integrar os conhecimentos sobre a luz fotográfica e a luz em obras de grandes mestres da pintura. 3.1 A luz na fotografia Vídeo Para obtermos bons resultados quando fotografamos, devemos compreender a composição da luz, bem como as suas regras bási- cas. De acordo com Präkel (2010, p. 11), “a luz é uma faixa estreita de radiação eletromagnética à qual o olho humano é sensível [...], em geral nossos olhos são sensíveis a uma variação de comprimento de onda entre 400 e 700 nânometros”. Observe a Figura 1, que ilustra esse espectro. Figura 1 Espectro de cores visíveis entre 400 e 700 nânometros, do violeta ao vermelho gr its al ak k ar al ak /S hu tte rs to ck Infravermelho Ultravioleta nanômetro: corresponde a um milionésimo de milímetro. Glossário 50 Artes visuais - Fotografia As cores que conseguimos ver no espectro da Figura 1 são denominadas espectrais, comumente conhecidas como as cores do arco-íris. Acima do violeta, a luz é descrita como ultravioleta, e abaixo do vermelho, como infravermelha. Alguns dispositivos de captura de imagens, tanto analógicos quanto digitais, conseguem tornar essas cores visíveis. A luz possui três propriedades físicas diretamente relacionadas com a fotografia: • Amplitude (ou intensidade): pode ser descrita como o brilho da luz. • Comprimento (ou frequência de onda): determina a cor da luz. • Ângulo de vibração (ou polarização): quase não é percebido, mas pode ser manipulado por meio de filtros polarizadores. Já que a luz viaja em linha reta, podemos refleti-la ou rebatê-la utilizando espe- lhos, superfícies espelhadas ou rebatedores, alterando a sua direção de incidência e modelando a forma que o assunto ou o objeto está sendo iluminado, além de eliminarmos possíveis sombras indesejadas. A cor da luz varia de acordo com o comprimento ou a frequência de onda, e é medida em graus Kelvin (K), sendo conhecida como temperatura de cor. Hurter (2010, p. 40) demonstra as temperaturas de cor sob a luz natural e a luz artificial, conforme verificamos no Quadro 1. Quadro 1 Temperaturas de cor de luz TEMPERATURAS DE COR DE LUZ NATURAL (SOL) – Kelvin Céu azul límpido 8000 – 27000K Luz de dia enevoado 7200 – 8500K Nublado 6500 – 7200K Sol direto, céu azul 5700 – 6500K Sol do meio-dia (9h-15h) 5400 – 5700K Sol das 12h 5000 – 5400K De manhã cedo ou à tardinha 4900 – 5600K Alvorada ou crepúsculo 2000 – 3000K TEMPERATURAS DE COR DE LUZ ARTIFICIAL (LÂMPADAS) Fluorescente “luz do dia” 6500K Flash eletrônico 6200 – 6800K Fluorescente, branco frio 4300K Fotoflood 3400K Tungstênio-halogênio 3200K Fluorescente, branco quente 3000K Lâmpadas de uso geral (200-500W) 2900K Lâmpadas caseiras (40-150W) 2500 – 2900K Luz de vela 2000K Fonte: Hurter, 2010, p. 40, grifo nosso. Princípios da fotografia 51 A importância de se conhecer as temperaturas reside no fato de que o fotógra- fo pode, dessa forma, obter o equilíbrio de cor desejado em uma imagem, com- pensando a cor da fonte de luz. Isso pode ser realizado também diretamente nas câmeras DSLR, na configuração do balanço de branco (White balance – WB), que possuem ajustes já predeterminados. Em alguns modelos de câmeras de uso pro- fissional, é possível entrar diretamente com o valor em graus K para determinar a temperatura de cor exata da fonte de luz que estamos utilizando. Esse valor é obti- do medindo-se a iluminação com alguns equipamentos, como espectrofotômetros ou medidores de croma. Na Figura 2, observamos a alteração das cores quando o balanço de brancos (WB) da câmera é alterado. Isso pode ser utilizado de modo criativo, ao modificar as cores de uma imagem diretamente em sua captura. Figura 2 Imagens capturadas com alteração do WB 8000 K 5400 K 2000 K 6200 K 2500 K Para fotografar a imagem da Figura 2, foi utilizado um colorchecker iluminado por um flash. Na câmera, o valor de K foi alterado conforme os dados obtidos no Quadro 1 (em destaque). Como a fonte de luz ficou inalterada, notamos que as co- res foram modificadas de acordo com a temperatura ajustadana câmera, o que pode ser empregado como um recurso criativo. Outro acessório para se obter a fidelidade de cores é o cartão cinza (Figura 3). Quando fotografado, serve de referência para a câmera calcular o valor correto da temperatura de cor a fim de garantir a correção do balanço de brancos. Em relação à qualidade da luz, quando a fonte é pequena e distante, é chamada de luz dura; quando a fonte está próxima e é grande, é denominada luz difusa. A luz dura tem como principal característica a sua sombra, que é bem defini- da. Se o material a ser fotografado for reflexivo, como metais, vidros, gotas d’água etc., o reflexo será um ponto brilhante, conforme podemos observar na Figura 4. Outra característica que notamos ao utilizarmos a luz dura é quanto ao brilho e às cores, os quais se tornam mais vibrantes, vivos, e há um aumento considerável no contraste que evidencia as texturas dos objetos. colorchecker: acessório utilizado como referência de cor para calibragem de câmeras, telas e impressoras, garantindo que a cor reproduzida fique o mais próxima possível da real. Glossário Figura 3 Cartão cinza para correção do balanço de brancos kh ei ra b en ka da /S hu tte rs to ck 52 Artes visuais - Fotografia Figura 4 Luz dura Reflexo pontual Sombra definida Já na luz difusa, a sombra possui contornos graduais e suaves, ficando mais escu- ra próximo ao objeto e clareando à medida que se afasta dele. Nos materiais reflexi- vos, o reflexo é mais extenso, registrado como uma faixa de luz, caso do exemplo da Figura 5. Trata-se de uma luz mais suave, que pode ser obtida utilizando-se modifi- cadores entre a fonte de luz e o assunto, como softboxes, rebatedores ou difusores. Figura 5 Luz difusa Reflexo mais extenso Sombra suave/gradual Em algumas situações, pode haver uma mistura entre fontes de luz dura e difu- sa, obtida por meio de refletores ou difusores. A dura é usada para realçar texturas enquanto se mantém uma luz mais suave, e a difusa em outras áreas da imagem. Em situações nas quais se fotografa sob a luz natural, a luz do Sol em um céu sem nuvens é considerada dura. Basta olharmos para as sombras que ficam bem delineadas no solo, como no exemplo da Figura 6. Por outro lado, em um dia nubla- do, ou com o céu com alguma cobertura de nuvens, teremos uma luz mais difusa e com sombras mais graduais e suaves. Princípios da fotografia 53 Figura 6 Fotografia com luz natural É necessário observarmos também a reflexão e a absorção da luz, pois o que fotografamos não são os objetos, e sim a luz que é refletida ou absorvida por eles. Por exemplo, ao registrarmos um objeto branco, a maior parte da luz que incide é refletida, enquanto em objetos mais escuros ou pretos, a luz é absorvida. Por- tanto, a seguir, entenderemos as relações entre a abertura da lente, a velocidade do obturador e a sensibilidade ISO (International Organization for Standards) para ajustarmos nossa câmera corretamente. No artigo Aprenda a perceber a luz na fotografia, o fotógrafo italiano Danilo Russo, autor do livro “Iluminação: teoria e prática”, dá algumas dicas valiosas sobre sobre como treinar sua sensibilidade à luz. Disponível em: https://iphotochannel. com.br/dicas-de-fotografia/apren- da-a-perceber-a-luz-na-fotografia. Acesso em: 10 jun. 2020. Saiba mais Explique as diferenças entre luz difusa e luz dura e apresente um exemplo de cada uma. Atividade 1 3.2 Relações entre abertura, velocidade e ISO Vídeo Atualmente, todas as câmeras digitais possuem controles automatizados que calculam a abertura da lente, a velocidade do obturador e a sensibilidade ISO para determinada cena que estamos fotografando. Isso permite ao fotógra- fo uma maior concentração ao tema central da foto e à composição. Por outro lado, os resultados obtidos na iluminação da cena talvez possam não ser os desejados pelo fotógrafo, principalmente quando se quer uma foto com alguns toques mais artísticos. Saber utilizar o modo manual da câmera, geralmente representado pela letra M, é imprescindível para obtermos melhores resultados. A correta exposição para uma foto é a simples combinação de três fatores: abertura, velocidade e ISO. Peterson (1990, p. 16) se refere a esses fatores como triângulo fotográfico, e salienta que, desde o início da fotografia, têm sido o coração de cada exposição fotográfica. 54 Artes visuais - Fotografia A abertura da lente, que é medida em f/stops, está diretamente relacionada com a profundidade de campo que desejamos obter, ou seja, quanto maior a aber- tura, mais luz estará sendo registrada, porém obteremos menor profundidade de campo; quanto menor a abertura, menor também a quantidade de luz, mas obtere- mos maior profundidade de campo. Na Figura 7, observamos os f/stops de acordo com a abertura da lente. Figura 7 Abertura das lentes e f/stop M ik ha il Gr ac hi ko v/ Sh ut te rs to ck Para compreender melhor a profundidade de campo, observe a Figura 8, na qual o mesmo objeto foi fotografado com duas aberturas distintas: a foto da es- querda com f/5.6, causando um desfoque nas áreas de fundo, e a da direita com f/22, deixando o objeto e o fundo nítidos. Esse efeito é chamado de bokeh, quando o fundo fica desfocado e o assunto principal em foco. Figura 8 Comparativo entre aberturas e profundidade de campo A velocidade do obturador vai determinar o tempo de exposição da luz ao sen- sor CCD ou ao filme da câmera fotográfica. Quanto maior a velocidade, menor a ex- posição, e quanto menor a velocidade, maior a exposição. Também é responsável pelo congelamento de um objeto em movimento, pelo registro de um borrão ou, ainda, por uma imagem tremida. Na Figura 9, temos dois exemplos: à esquerda, uma imagem obtida com uma velocidade alta, resultando no congelamento do mo- vimento do skatista; à direita, uma imagem com velocidade extremamente lenta, gerando um borrão no caminhar do casal. f/stops: relação existente entre a distância focal e a abertura do diafragma da lente. Glossário Princípios da fotografia 55 Figura 9 Velocidade do obturador Esse efeito pode ser mais bem compreendido ao observarmos a Figura 10, que demonstra a relação entre imagem em movimento e velocidade do obtura- dor, ou seja, em síntese, maior velocidade = congelamento da imagem, e menor velocidade = borrão ou tremidos na imagem. Figura 10 Velocidade do obturador nas imagens em movimento A lh ov ik /S hu tte rs to ck A velocidade é representada por uma fração: 1/x, em que 1 = 1 segundo, e x = a fração de segundo. Por exemplo: 1/500 seg, sendo um segundo dividido por 500 para se obter a velocidade, ou seja, a exposição dura 0,002 seg. Algumas câme- ras possuem a opção B (bulb), fazendo com que o obturador fique aberto enquanto o botão de disparo permanece pressionado, dando um maior controle ao fotógrafo sobre a exposição. 56 Artes visuais - Fotografia A Figura 11 ilustra como devemos utilizar o controle de velocidade do obturador para conseguir uma exposição correta. Os valores apon- tados são intermediários, podendo haver outros valores entre eles. A nomenclatura ISO tem sua origem em dois padrões utilizados para a sensibilidade de filmes analógicos, chamados de ASA e DIN, os quais foram combinados em um padrão único pela International Organization for Standards, em 1974. Desde então, os fabricantes de câmeras digitais adotaram a terminologia ISO para se referir ao mapeamento que a câ- mera utiliza para aumentar ou diminuir a intensidade de brilho que terá uma foto conforme determinada exposição à iluminação, tendo como referência a sensibilidade dos filmes analógicos. Portanto, ISO é o valor que representa a sensibilidade do filme à luz. Quanto menor o valor, menor a sua sensibilidade. Por exem- plo: um ISO 100 significa que teremos pouca sensibilidade à luz, e que necessitaremos de mais iluminação para obter a foto; já um ISO 400, por ser mais sensível à luz, necessita de menos iluminação, ideal parafotografias em áreas internas, com iluminação artificial. Nas câ- meras digitais, temos a vantagem de que podemos alterar esse valor a qualquer momento, diferentemente das câmeras analógicas, nas quais cada filme possui seu ISO predeterminado, ou seja, a cada al- teração nas condições de luz, o filme deveria ser substituído pelo que tivesse o ISO mais adequado à situação. Cada câmera digital possui uma faixa diferente de valores ISO, por vezes, no- meada como velocidade ISO. As numerações mais comuns são: ISO 100 (low ISO); ISO 200; ISO 400; ISO 800; ISO 1600; ISO 3200; e ISO 6400 (high ISO). De uma forma simples, nas câmeras digitais, quando dobramos o valor do ISO, dobramos o brilho da foto, ou seja, uma foto obtida com um valor de ISO 400 terá duas vezes mais brilho do que se fosse obtida com um ISO 200. Nas câmeras DSLR, o valor de ISO varia entre 50 – 51200, podendo chegar até 409600, como no caso da câmera Canon EOS 1D X Mark II. Mas toda essa sensibili- dade pode acarretar alguns problemas, pois, quanto maior a sensibilidade utiliza- da, maior o nível de ruído digital apresentado na imagem. Isso se deve ao fato de que a câmera, ao amplificar a intensidade de cada pixel da imagem, acaba revelan- do os pixels em cores erradas. O ruído digital, geralmente, é mais notado em áreas de sombra e em preto, nas quais veremos pixels vermelhos, amarelos e verdes misturados aos pretos, conforme podemos verificar na Figura 12, em que, durante o registro fotográfico de uma peça de teatro, foi utilizado ISO 6400, tendo em vista que, em certas situações, não podemos utilizar recursos como flash para registrar os momentos. Figura 11 Como usar a velocidade do obturador Princípios da fotografia 57 Figura 12 Ruído com ISO elevado Como o valor de ISO aumenta ou diminui o brilho de uma fotografia, isso afeta diretamente os níveis de ruído, conforme ilustra a Figura 13. Figura 13 Níveis de ruído x ISO A lh ov ik /S hu tte rs to ck Cada modelo de câmera digital possui um valor base de ISO, que é o valor com o qual podemos obter a melhor qualidade de imagem possível, mas nem sempre é viável fotografar com esse valor, pois depende muito das condições de iluminação do local. Como regra básica, podemos pensar que, para fotografar em condições nas quais a iluminação é insuficiente, devemos aumentar o valor de ISO. Já quando fotografamos em condições de iluminação mais adequadas, por exemplo, durante o dia, em locais abertos, podemos utilizar um tripé para dar mais estabilidade à câmera e, consequentemente, usar uma velocidade mais baixa e um valor de ISO menor, geralmente 100. 58 Artes visuais - Fotografia Figura 14 Síntese velocidade x abertura x ISO Ad ap ta do d e Be eB rig ht /S hu tte rs to ck f/1.4 Triângulo fotográfico Velocidade do obturador f/32 1/4 1/8000 Nitidez 100 Ab er tu ra ISO 25600 Pr of un di da de d e ca m po Ruído Em síntese, a Figura 14 apresenta as relações entre os valores de abertura, ve- locidade do obturador e ISO, as quais devem ser respeitadas para que possamos obter os melhores resultados possíveis ao se fotografar. Conforme podemos verifi- car, ao elevarmos a velocidade, obtemos uma maior nitidez em nossa foto, em con- trapartida, necessitamos de mais luz; ao aumentarmos mais a abertura, perdemos em profundidade de campo. Também podemos ampliar o ISO, mas, nesse caso, aumentaríamos a possibilidade de termos mais ruídos digitais na imagem. Portan- to, para conseguirmos um resultado satisfatório, devemos realizar um processo denominado fotometria, conforme estudaremos a seguir. 3.3 Fotometria básica Vídeo Fotometria é a técnica utilizada para medir a intensidade de luz na cena a ser fotografada. Todas as câmeras digitais possuem um dispositivo interno denomi- nado fotômetro, o qual realiza as medições necessárias e apresenta o resultado no visor (viewfinder), na tela LCD ou no visor superior da câmera, conforme podemos verificar na Figura 15. Ele consiste em uma escala, geralmente, com as indicações -3...-2...-1...0...+1...+2...+3 e um ponteiro indicador, o qual oscila os valores de acor- do com as condições de iluminação que estamos medindo. O ideal é conseguir ajustar a câmera para que o ponteiro fique sobre 0, assim, dizemos que zeramos o fotômetro para obter a quantidade ideal de luz para a fotografia. Elabore uma síntese sobre os ele- mentos que compõem o triângulo fotográfico. Atividade 2 Princípios da fotografia 59 Figura 15 Fotômetro no display LCD Si tth ip or n Ko ng te e/ In -F in ity /S te fa n M al lo ch /S hu tte rs to ck A fotometria é realizada pela câmera ao apertarmos o botão de disparo até a metade. Caso esteja em modo automático, a própria câmera buscará os melhores valores para abertura/velocidade/ISO; no entanto, se estiver em modo manual, de- vemos efetuar os ajustes necessários até que o fotômetro seja zerado. Geralmente, iniciamos ajustando a abertura, pensando na profundidade de campo necessária. Depois, regulamos o ISO de acordo com as condições de ilumi- nação, evitando o máximo possível de ruídos digitais, e acertamos a velocidade do obturador de acordo com o motivo. Ou seja, em objetos estáticos, podemos utilizar uma menor velocidade ou, caso estejam em movimento, uma maior velocidade para que possamos congelar o motivo principal e, assim, obter a exposição correta para a fotografia. Esse é um procedimento que exige bastante treino por parte do fotógrafo. Ainda, é possível utilizarmos o fotômetro de maneira criativa, compensando para mais ou para menos a iluminação, obtendo, intencionalmente, imagens subexpostas ou superexpostas, como nas técnicas high key, em que a predominância é das altas luzes, e low key, com realce nas baixas luzes, conforme ilustradas na Figura 16. Figura 16 Exemplos de high key e low key M at us ci ac A le xa nd ru /p ho to st oc kl ig ht /S hu tte rs to ck A câmera possui modos de medição de luz distintos, e cada um é apropriado para determinada situação. Os modos mais comuns são o Center Weighted Metering, o Spot Metering, o Partial Metering e o Matrix Metering ou Evaluative, e são represen- tados por ícones, como na Figura 17. 60 Artes visuais - Fotografia Figura 17 Modos de medição de luz em câmeras digitais 1– Center Weighted Metering 2– Spot Metering 3– Partial Metering 4– Matrix Metering ou Evaluative O modo Center Weighted Metering (1) é balanceado com peso na parte central, utilizando 5% do campo de visão para calcular a exposição, mas mede a luz na to- talidade da cena, com ênfase na luz do centro da imagem. É o mais indicado para fotografia de retratos ou grupos de pessoas. O Spot Metering (2) é o modo mais sensível e difícil de ser utilizado, pois avalia a luz em um único ponto da imagem e usa apenas 3% da imagem para calcular a exposição. É ideal para quando se quer dar destaque a apenas um ponto de iluminação na cena. O modo Partial Metering (3) é o mais comum, muito utilizado em cenas em con- traluz, nas quais o motivo da foto está à frente de uma fonte luminosa. Esse modo cobre, aproximadamente, 9% do campo de visão da câmera, partindo-se do centro. Já o modo Matrix Metering ou Evaluative (4) é o padrão das câmeras digitais, as quais já vêm configuradas para uso nesse modo. Ocupa 100% do campo de visão para cal- cular a exposição, o que o torna ideal para fotografar paisagens. Esse é o modo que as câmeras de smartphones utilizam para calcular a exposição. As câmeras DSLR também apresentam um histograma de luminosidade no display LCD. Ele pode ser consultado após a imagem ter sido registrada no cartão de memória da máquina. Sua leitura é relativamente simples: à esquerda, temos as baixas luzes, ou seja, as áreas mais escuras da imagem; à direita, temos as altas luzes, as áreas mais claras; e, ao centro, os meios-tons. O gráfico representará a luminosidade da imagem: se tender para a direita, está mais clara; para a esquer- da,mais escura. Caso ultrapasse os limites extremos, significa que a imagem está “estourada”, e há uma perda considerável de dados. Ao analisar o histograma, o fotógrafo tem mais condições de saber se a imagem que capturou está dentro dos parâmetros desejados. Na Figura 18, podemos veri- ficar como o gráfico se comporta nas condições de subexposição, superexposição e exposição perfeita. display LCD: representação gráfica das tonalidades em uma fotografia. Glossário Princípios da fotografia 61 Figura 18 Histograma de luminosidade SUBEXPOSIÇÃO SUPEREXPOSIÇÃO EXPOSIÇÃO PERFEITA m ej na k/ Sh ut te rs to ck Conforme aponta Vernaglia Jr. (2013, p. 11): de forma geral, a imensa maioria das cenas que registramos não tem apenas uma condição de luz, e, portanto, não tem apenas uma fotometria, [...] em muitos casos o trio de regulagens escolhido não é suficiente para lidar com todas as situações de luz presentes na cena. É aí que entra a latitude de expo- sição e a amplitude tonal. A latitude de exposição é o limite que o conjunto de sensor mais processadores de imagem de um equipamento digital impõe à captura da imagem, ou seja, com- preende o espaço entre os limites de exposição subexposto e superexposto. Na Figura 19, temos um experimento que determina a latitude de exposição da câmera DSLR Canon 6D. O objeto fotografado é de tonalidade média. O 0 apresen- ta a exposição correta; ao alcançar os limites, acima de +3 e abaixo de -3, a imagem não apresenta mais dados que possam ser recuperados digitalmente, conforme podemos verificar no histograma que representa o -4 e o +4. Figura 19 Teste de latitude de exposição 62 Artes visuais - Fotografia Ainda de acordo com Vernaglia Jr. (2013, p. 12): podemos considerar que qualquer equipamento [digital] ou filme tem uma latitude de exposição de pelo menos 3 pontos acima do médio, 3 pontos abai- xo do médio, ou seja, podemos abrir 3 pontos e o médio não irá ficar total- mente branco, e do outro lado fechamos 3 pontos e não temos o preto total. Acima desse intervalo, os riscos de perda de informação são enormes. A amplitude tonal pode ser medida pelo fotômetro da câmera ao buscarmos, na cena, algo que possua uma tonalidade média e, nesse ponto, obtermos a medição base, pressionando o disparador da câmera até o meio de seu curso. Após chegar ao ponto médio, buscamos os pontos mais claros e mais escuros, efetuando as medições. Sabendo esses três valores, podemos checar se a am- plitude tonal da cena está dentro dos limites da latitude de exposição de nosso equipamento. A Figura 20 apresenta um exemplo prático de como deve ser rea- lizada essa medição. Figura 20 Medição de amplitude tonal Pu er to M ad er o. B ue no s Ai re s, 20 13 . J or ge K im ie ck Para essa imagem de Puerto Madero, em Buenos Aires, foi utilizada uma lente supergrande angular com 10 mm de distância focal, a câmera ajustada para f/11, a uma velocidade de 1/100 seg, e um ISO 100, escolhidos para conferir uma boa profundidade de campo e nitidez. No momento, foram realizadas as medições para verificar se a amplitude tonal estava de acordo com a latitude de exposição da câmera (entre -3 e +3) nos pontos marcados na Figura 20, possibilitando o resultado esperado. Explique o que significa fotometria e qual a sua importância na fotografia. Atividade 3 Princípios da fotografia 63 Na prática Em sala de aula, você pode trabalhar com os alunos o conceito de luz como matéria-prima da fotografia, enfatizando que o domínio da técnica foi um importante aliado aos mestres da pintura. Para isso, siga os passos: 1. Apresente alguns mestres da pintura aos alunos e faça uma leitura apurada das características da luz que os artistas empregaram em suas obras, como luz dura, luz difusa/suave, amplitude, frequência, polarização, temperatura de cor, entre outras. 2. Solicite aos alunos que reproduzam a iluminação da cena utilizando recursos que estejam acessíveis, como lanternas, iluminação natural, luz disponível, luz de velas, luz de janela, luminárias etc., e foto- grafem com um smartphone ou uma câmera fotográfica digital. 3. Auxilie os alunos a projetarem o trabalho deles ao lado da pintura que serviu de referência e, então, apresentarem quais foram os conceitos e as características da luz fotográfica que foram aplicados na reprodução da obra do artista. A Figura 21 pode ser analisada da seguinte forma: luz suave/difusa iluminando a modelo à esquerda; fundo totalmente escuro. Temperatura de cor aproximada: 2000 a 2500K. Figura 21 À esquerda, Moça com brinco de pérolas, de Johannes Vermeer, de 1665. À direita, releitura utilizando a luz fotográfica wi ki m ed ia C om m on s/ fra nt ic 00 /S hu tte rs to ck VERMEER, J. 1665. Óleo sobre tela, 46,5x40 cm. Mauritshuis de Haia, Den Haag, Países Baixos. Site No site da Canon College, há um simulador de câmera Canon, no qual você pode exercitar os seus co- nhecimentos básicos de fotografia e ver o resultado na tela do seu computador. Ele está dividido em três módulos: aprender, brincar e desafio. Disponível em: https://college.canon.com.br/simulador. Acesso em: 10 jun. 2020. 64 Artes visuais - Fotografia CONSIDERAÇÕES FINAIS A luz é o elemento primordial da fotografia. Podemos afirmar que sem ela não há fotografia. Mesmo com a evolução dos meios digitais, as bases da iluminação conti- nuam iguais, podendo também serem observadas nas obras dos grandes mestres da pintura, que, com as suas tintas e os seus pincéis, registraram magistralmente a luz em inúmeros retratos e em várias paisagens. O fotógrafo deve ter um olhar treinado, capaz de observar e diferenciar as nuances de brilho, contraste e intensidade que a luz proporciona na cena a ser fotografada, além de conhecer os meios necessários para realizar a fotometria das luzes para uma correta exposição fotográfica. Dessa maneira, poderá escolher a iluminação adequada e liberar sua criatividade para obter o resultado desejado. REFERÊNCIAS HURTER, B. A luz perfeita: guia de iluminação para fotógrafos. Balneário Camboriú: Photos, 2010. PETERSON, B. Understanding Exposure. Revised Edition. Massachusetts: Amphoto Books, 1990. PRÄKEL, D. Iluminação. Porto Alegre: Bookman, 2010. VERNAGLIA JR., A. Fotometria + Flash. 1 e-book. São Paulo: iPhoto Editora, 2013. GABARITO 1. A luz difusa é mais suave, obtendo-se quando a fonte de luz está próxima e é grande. Os contornos da sombra são graduais, clareando à medida que a luz se afasta do objeto, e os reflexos são registra- dos como uma faixa de luz. A luz dura é obtida quando a fonte de luz é pequena e está distante do objeto. Os contornos de sombra são bem definidos e os reflexos são registrados como um ponto de luz sobre o objeto. 2. O triângulo fotográfico consiste na combinação de três elementos: abertura, velocidade e ISO. A aber- tura está relacionada à profundidade de campo e é medida em f/stops. A velocidade determina o tempo de exposição da luz: maior velocidade = menos exposição; menor velocidade = maior exposi- ção. E o ISO está relacionado, nas câmeras digitais, com o brilho que é atribuído à fotografia: quanto maior o valor do ISO, maior será o brilho atribuído, e maior será o ruído digital percebido na imagem. 3. Fotometria é a técnica para medir a luz em determinada cena por meio de um dispositivo denomi- nado fotômetro. Sua importância se dá devido ao fato de que o fotógrafo, ao fotometrar a cena, terá mais controle sobre o resultado obtido com as condições de iluminação. Dessa forma, a imagem obtida terá menos possibilidades de estar “estourada” (subexposta ou superexposta). Composição fotográfica 65 4 Composição fotográfica A composição pode ser entendida como a maneira que os diversos elementos estão estruturados em uma obra de arte, qual seja a sua forma. Na fotografia, desde os seus primórdios, esse tem sido tema de discussões entre fotógrafos profissionais e amadores. Os princípios de composi- ção aplicados à pinturaforam impostos à fotografia, principalmente por aqueles que a enxergavam como uma forma de arte. No entanto, a sua democratização abriu espaço para que outras áreas se apropriassem da linguagem fotográfica, como o jornalismo, a publicidade e, também, a foto- grafia casual, provocando uma ruptura na forma de se compor as imagens por meio das regras rígidas das belas artes. Por outro lado, os princípios de composição são um ponto de partida para que o fotógrafo tenha consciência da estrutura da imagem e possa rompê-los em busca de uma expressividade mais artística. Desse modo, é fundamental compreender que o nosso olho e a câmera não enxergam as mesmas coisas e que nosso cérebro filtra as imagens, eliminando alguns detalhes. Neste capítulo, apresentaremos os elementos que compõem a ima- gem e as principais regras de composição fotográfica, para que possamos dar os passos iniciais na produção de fotografias com o significado e a técnica desejados e desenvolver uma visão fotográfica do mundo que nos cerca. Aproveitamos para incluir uma proposta de atividade para a aula de Arte, explorando tais conceitos e técnicas. 4.1 Forma e imagem Vídeo Todo trabalho de criação artística, incluindo imagem, escultura, música, literatu- ra ou dança, é composto de três elementos combinados, descritos como assunto, forma e conteúdo. Na fotografia, a organização e a identificação desses elementos das artes visuais em uma imagem são primordiais em sua composição, portanto, devemos separar os elementos que a constituem, como pontos, linhas, formato, textura, padrão e cor. O ponto é o elemento mais simples na composição de uma imagem. Ele pode ser tanto apenas uma área de interesse quanto a intersecção de linhas ou áreas de interesse em uma fotografia. Como exemplos podemos citar a imagem de um pôr de Sol, na qual o ponto de interesse da fotografia é o Sol, ou o cruzamento entre 66 Artes visuais – Fotografia uma linha de vale com o contorno de uma montanha, no caso de uma paisagem com montanhas e vales, conforme ilustrado na Figura 1. Figura 1 Ponto de interesse entre uma linha de vale com o contorno de uma montanha Ga lin a An dr us hk o /S hu tte rs to ck Os pontos são elementos importantes na fotografia pelo fato de guiarem o nosso olhar para determinada área, estruturando a forma como percebemos uma imagem. As linhas nos indicam um caminho a seguir na imagem. Na fotografia, elas têm como premissa ser qualquer elemento que conecte duas partes opostas da ima- gem ou que se estenda pela sua composição. Na Figura 2 vemos uma estrada, a qual representa uma linha conectando dois extremos da imagem, guiando nosso olhar em direção a um ponto. Figura 2 A linha como conexão de extremos ES B Pr of es si on al /S hu tte rs to ck Composição fotográfica 67 As linhas têm a função, também, de conectar planos diferentes. Podemos veri- ficar isso no exemplo da Figura 3, em que o píer, no primeiro plano, liga a imagem dos bangalôs, no segundo plano, estruturando a fotografia de modo mais coerente. Figura 3 Linhas como conexão de planos W ila r/ Sh ut te rs to ck Além de conectarem pontos distintos, as linhas, em uma imagem fotográfica, levam nosso olhar a determinada direção, de acordo com a proposta do fotógrafo. O formato corresponde a qualquer elemento geométrico na fotografia, como círculos, triângulos, retângulos etc., que pode atrair a nossa atenção. Por vezes, ele se refere a um objeto, como uma forma circular da lua cheia, ou pode assumir um papel mais conceitual, como elementos curvos que conferem uma composição circular – exemplo da Figura 4, que retrata a escadaria em espiral no museu da Capela Sistina, na Cidade do Vaticano. Figura 4 Formato na fotografia Go pa l S es ha dr in at ha n/ Sh ut te rs to ck 68 Artes visuais – Fotografia A textura causa um impacto emocional, podendo até ser o principal elemento de uma foto, como uma imagem de névoas, de areia ou do mar. A Figura 5 apresen- ta a textura do fundo de um lago seco. Figura 5 Textura Ela pode ser descrita, também, como um elemento individual na composição, conferindo dimensão ao objeto fotografado, além de criadora de padrões de re- petição. Na Figura 6, vemos que a textura de tijolos evidencia e dá volume à torre. Figura 6 Textura como elemento individual Os padrões repetitivos são encontrados em toda parte, principalmente em ce- nas urbanas e arquitetônicas. Na natureza também encontramos padrões, mas de modo menos evidente, como nas ondas do mar, nos pelos de animais, nos detalhes de flores e plantas. Na Figura 7, temos quatro exemplos de padrões, um natural e os demais arquitetônicos. Composição fotográfica 69 Figura 7 Padrões repetitivos As cores são outro elemento que pode ser utilizado para a composição, sendo que cada uma transmite um estado de espírito próprio. Quando usa- mos as cores quentes vermelho, laranja e amarelo como predominantes, elas denotam mais movimento e excitação, além de evidenciarem os elementos coloridos, trazendo-os para um plano mais próximo do observador, como na Figura 8, à esquerda. Por outro lado, as cores frias, como verde, azul e violeta, transmitem um sentimento de paz e tranquilidade e podem ser utilizadas, também, para con- ferir um maior contraste, quando contrapostas a uma cor quente, como na Figura 8, à direita – o reflexo do lago em cores frias contrasta com o laranja da camiseta do personagem. Figura 8 Cores quentes e cores frias 70 Artes visuais – Fotografia Um aspecto interessante sobre a percepção de cores em uma imagem é quando, mesmo observando uma fotografia em preto e branco, temos a sensa- ção cromática dela, a qual, conforme aponta Silveira (2005, p. 151), “é construída durante toda a vida de um indivíduo”, despertando várias sensações, como a consciência da estrutura das imagens e a liberdade de torná-las coloridas por meio de nossa imaginação. 4.2 Regras de composição: razão áurea e regra dos terços Vídeo A composição cria uma comunicação visual que facilita a compreen- são da imagem e que pode ser analisada por meio de regras que de- terminam como os objetos estão dispostos na cena. De acordo com Gomes Filho (2002, p. 17), “existe uma correspondência entre a ordem que [se] escolhe para distribuir os elementos de sua ‘composição’ e os padrões de organização, desenvolvidos pelo sistema nervoso”. Dessa maneira, as pessoas tendem a perceber e distinguir como os elementos estão distribuídos na ima- gem, estabelecendo relações que fazem parte da fundamentação teórica da Gestalt 1 , como equilíbrio, continuidade, proximidade, fechamento e similari- dade. Terence Donovan (1936-1996), fotógrafo e diretor de cinema, reconhe- cido por seu trabalho na fotografia de moda, na década de 1960, costumava afirmar que o que vemos na fotografia não é o que vimos na hora de apertar o botão da câmera, pois seu resultado trata-se de uma mentira visual organi- zada (PRÄKEL, 2010). A razão áurea, descoberta no século XII, pelo matemático italiano Leonardo Pisano (também conhecido como Fibonacci), é uma regra aplicada às mais di- versas produções no campo das artes visuais, popularmente conhecida como espiral de Fibonacci, espiral de ouro, phi grid, proporção divina ou regra de ouro. Na Figura 9, temos a espiral de Fibonacci e o phi grid. Figura 9 Espiral de Fibonacci e phi grid A espiral de Fibonacci é formada por uma série de números, e sua divisão se baseia na proporção do número de ouro, identificado pela letra grega phi, que corresponde a 1,618034, ou uma razão 8:5, resultando no grid da Figura 9 – os círculos nas intersecções representam os pontos de interesse na imagem. A fotografia se apropria de elementos fundamentais das artes visuais. Cite e explique ao menos três deles. Atividade 1 Gestalt foi uma Escola de Psicologia Experimental dos fins do século XIX que atuou no campo da teoria da forma, nos estudos da percepção, entre outros. 1 Composição fotográfica 71 Ao sobrepormos ophi grid a uma foto, posicionamos os pontos de interesse. Na Figura 10, por exemplo, os pontos da direita estão posicionados sobre áreas de interesse da imagem, guiando o olhar do observador para o sujeito central da foto, no caso, o rosto da estátua. Figura 10 Aplicação do phi grid Podemos utilizar a espiral de Fibonacci para fazer a composição de uma ima- gem com a regra de ouro. Ressaltamos que essas alterações são possíveis du- rante o processo de edição por meio de softwares especializados, como Adobe Lightroom ou Adobe Photoshop, os quais contam com os grids prontos para a visualização e o corte da imagem dentro dos parâmetros de proporção corretos. Figura 11 Aplicação da espiral de Fibonacci Para escolhermos qual padrão usar entre a espiral de Fibonacci ou o phi grid, podemos seguir algumas diretrizes básicas: 1. Checar a cena: a. Qual é o assunto da foto? Qual será o ponto focal da imagem? b. Quais outros elementos você pode incluir na cena? Observar a cena e determinar se existem elementos que tiram o foco do assunto ou o incrementam. c. Há linhas guia ou curvas naturais na imagem? Linhas guia com características retas funcionam bem com o phi grid, enquanto curvas naturais se ajustam melhor com a espiral. 72 Artes visuais – Fotografia 2. Determinar qual método utilizará: a. A cena possui muitas linhas retas, como paisagens urbanas de edifícios? Nesse caso, é melhor usar o phi grid. b. A cena possui mais curvas naturais, como árvores, rios sinuosos, escadas espirais etc.? Então, a melhor escolha é a espiral de Fibonacci. 3. Imaginar a curva ou o grid sobre a imagem e, então, fotografar. 4. Fazer a edição necessária para corrigir a proporção, a fim de obter a composição perfeita na regra áurea. A regra dos terços é uma simplificação da regra áurea e, geralmente, a mais usada pelos fotógrafos, sendo que o próprio visualizador da câmera DSLR tem a possibilidade de sobrepor o grid para a sua pré-visualização. Ela consiste em dividir a cena em um grid 3x3, resultando em 9 áreas de tamanho idêntico e 4 pontos de intersecção, os quais denominamos de pontos de interesse. Para que a composição esteja de acordo com a regra dos terços, o foco de interesse da imagem deve ser posicionado nos pontos de interesse do grid, ou seja, nas suas intersecções. Figura 12 Regra dos terços Na Figura 12, observamos uma aplicação clássica da regra dos terços, o ponto de ação da foto, que, nesse caso, é o skatista fazendo uma manobra em meio a uma cena com várias distrações. Ele foi posicionado em um dos pontos de interesse, na intersecção do grid, guiando, dessa forma, o olhar do observador; o maior peso visual foi direcionado para o terço inferior direito, estabe- lecendo uma linha visual diagonal entre o assunto principal, o skatista, e os demais pedestres. Explique a diferença entre razão áurea e regra dos terços. Atividade 2 4.3 Regras de composição: ponto de vista e perspectiva Vídeo A maioria das fotografias é tomada pela linha dos olhos, apontando-se para a direção geral do assunto, mas podemos explorar outras possibilidades, evitando pontos de vista repetitivos. Quando usamos um ponto de vista alto ou baixo, a mesma imagem pode ter leituras diferentes. Um ponto de vista baixo destaca o primeiro plano, conduzindo o olhar a um movimento de baixo para cima, na imagem. Por outro lado, um ponto de vista alto distancia o observador da ação, forçando o olhar a um movimento de cima para Composição fotográfica 73 baixo. Outra forma é deslocar o ponto de vista para os lados, criando justaposições que poderiam passar despercebidas. De acordo com Präkel (2010, p. 27), “dependendo do ponto de vista, o horizonte pode ficar alto ou baixo na imagem, o que tem grande impacto sobre a interpreta- ção do espectador”. Na Figura 13, o ponto de vista ficou situado abaixo da linha de visão, próximo à linha de cintura do fotógrafo, fazendo com que a linha do horizon- te ficasse um pouco mais abaixo, conferindo mais ênfase ao céu. Figura 13 Ponto de vista abaixo da linha dos olhos Podemos, também, variar o ângulo por meio do ponto de vista, acentuando ou diminuindo a sensação de perspectiva na imagem. Para isso, utilizar um ponto de vista alto, criando um ângulo plongée (Figura 14), aumenta a profundidade da ima- gem, diminuindo a sua imponência. Figura 14 Ponto de vista alto – plongée 74 Artes visuais – Fotografia Ao usarmos um ponto de vista baixo, ou contra-plongée, uma sensação de su- perioridade é percebida. Na Figura 15, o ponto de vista ficou quase no solo, fazen- do com que o primeiro plano fosse superdimensionado, aproximando o segundo plano e distorcendo a sua escala em relação ao tamanho real. Figura 15 Ponto de vista baixo – contra-plongée Outros ângulos também são explorados para aumentar a sensação de profun- didade da imagem, como o Nadir, que é um contra-plongée mais exagerado, feito de um ponto paralelo ao plano inferior, praticamente com a câmera no chão, com a lente voltada para cima. Figura 16 Ângulo Nadir E, finalmente, o ângulo Zênite, que consiste em uma fotografia aérea com a câmera posicionada paralela ao solo e apontada para baixo, muito utilizada, atual- mente, na fotografia feita com drones. Na Figura 17, vemos um exemplo obtido com a câmera do drone totalmente paralela ao chão. Composição fotográfica 75 Figura 17 Ângulo Zênite Conforme a escolha do ponto de vista, estabelecemos uma nova leitura visual de acordo com a perspectiva que queremos transmitir em nossas imagens. A perspectiva pode ser conceituada como uma técnica que busca representar a profundidade e o volume tridimensional em uma imagem bidimensional. Dois fato- res são muito importantes: a escolha do ponto de vista e a distância focal da lente, pois influenciam diretamente na representação da perspectiva da imagem. Ainda, necessitamos compreender alguns elementos conceituais desse método que en- volvem linha do horizonte (LH), ponto de vista (PV), ponto de fuga (PF) e linhas de fuga (LF), como verificamos na Figura 18. Figura 18 Elementos conceituais da perspectiva • Linha do horizonte (LH): é uma linha imaginária que parte dos olhos do observador, podendo coincidir com a linha entre céu e terra, céu e mar. Geral- mente, de modo convencional, essa linha deve ser sempre paralela às bordas superior e inferior da imagem. No site da Cannon College, você pode verificar como as lentes com diferentes distâncias focais alteram a perspectiva e o resultado em uma fotografia de retrato. Disponível em: https://college.canon. com.br/blog/diferentes-lentes-pa- ra-o-mesmo-retrato-54. Acesso em: 19 jun. 2020. Site https://college.canon.com.br/blog/diferentes-lentes-para-o-mesmo-retrato-54 https://college.canon.com.br/blog/diferentes-lentes-para-o-mesmo-retrato-54 https://college.canon.com.br/blog/diferentes-lentes-para-o-mesmo-retrato-54 76 Artes visuais – Fotografia • Ponto de vista (PV): é o ponto que se define partindo-se de uma linha perpendicular que cruza a linha do horizonte, tendo o observador como referência. • Ponto de fuga (PF): é o ponto de convergência das linhas de fuga que compõem a imagem. Pode estar situado na linha do horizonte ou fora dela. Podemos ter mais do que um ponto de fuga na imagem, dependendo do tipo de perspectiva que estamos abordando. • Linhas de fuga (LF): são imaginárias e convergem para o ponto de fuga. Nós a traçcamos visualmente, buscando a profundidade na imagem. A perspectiva linear, na qual as linhas convergem para um ponto de fuga, criando a sensação de que se encontram no horizonte distante – como ilustra a Figura 19, em que as linhas laterais convergem para um ponto –, é o exemplo clássico dessa técnica de composição. Para que esse efeito seja potencializado, podemos utilizar uma lente grande angular, aumentando a sensação de dimen- são na imagem, gerando uma deformação nas bordas e causando um exagero na perspectiva. Figura 19 Perspectiva linear A perspectiva aérea ou atmosférica se baseiana diferença entre as to- nalidades das cores pela ação da atmosfera, ou seja, as cores se tornam mais frias e com pouca saturação. Essa técnica foi muito empregada pelos pintores impressionistas, com o intuito de aumentar a sensação de profundidade em suas paisagens. Na obra de Claude Monet (Figura 20), observamos essas ques- tões, a qual emprega os tons frios para representar a atmosfera nebulosa e cá- lida de um porto ao nascer do Sol. Já na Figura 21, vemos a aplicação da técnica na fotografia, com os tons frios dominando a imagem, como camadas tonais, traduzidas com uma maior profundidade, pois as áreas mais claras nos dão a sensação de estarem mais distantes, enquanto as mais escuras aproximam o primeiro plano do espectador. Composição fotográfica 77 MONET, C. 1872. Óleo sobre tela, 48x63 cm. Museu Marmottan Monet, Paris. Jo aq ui m A lv es G as pa r/ W ik im ed ia C om m on s Cl au de M on et /W ik im ed ia C om m on s Figura 20 Impression, Soleil levant Figura 21 Perspectiva aérea na fotografia A perspectiva, na fotografia, é diretamente afetada pela distância focal da lente que estamos usando. Uma lente “padrão”, que nas câmeras analógicas de 35 mm ou nas DSLR Full frame corresponde a uma lente de 50 mm, oferece a perspectiva mais próxima da nossa visão, quando vista em um retângulo de 20x25 cm, mantido à distância de um braço. Uma objetiva telefoto (teleobjetiva), por exemplo, causa um achatamento na perspectiva e passa a sensação de que o primeiro plano está mais próximo do plano de fundo, sendo utilizada para encaixar objetos distantes no am- biente. Por outro lado, uma lente grande angular causa uma ampliação nos objetos que estão em primeiro plano, muitas vezes distorcendo a sensação de proporção entre os elementos da imagem e entre o primeiro plano e o plano de fundo. Já as lentes zoom, por possuírem distância focal variável, podem causar os dois efeitos anteriormente descritos, tanto da telefoto quanto da grande angular. A distorção da perspectiva das diferentes distâncias focais altera, de manei- ra significativa, a imagem do rosto humano. Portanto, em fotografias de retra- to, devemos ter especial atenção em qual lente estamos utilizando e quais os efeitos que sua distância focal causa no retrato. De acordo com Präkel (2010, p. 32), “para câmeras 35mm [full frame], lentes com alcance entre 75-105 mm são as ideais para retratos, e, quando rosto e ombros de uma pessoa são en- quadrados na própria máquina, elas dão uma perspectiva natural”. Isso ocorre devido à sua menor profundidade de campo, que gera um efeito bokeh e que permite ao fotógrafo manter uma maior distância do assunto, sem invadir o espaço individual do modelo. As lentes grande angular necessitam de uma distância menor para enquadrar um retrato de meio-busto (cabeça e ombros), o que causa uma distorção nas proporções do rosto. Devemos escolher a lente de acordo com as intenções que estamos al- mejando para o resultado da fotografia, pois não existem regras, mas, sim, possibilidades para cada imagem que pensamos em retratar. No site DOF Simulator, você confere um simulador completo de distância fo- cal, com vários elementos interativos, entre os quais poderá escolher a marca da lente, o tipo, a abertura, a distância focal etc., para compreender melhor como se comportam as relações de perspectiva em cada lente utilizada. Há, também, uma versão off-line, disponível para Android, iOS, Windows e Linux. Disponível em: https://dofsimulator. net/en/. Acesso em: 19 jun. 2020. Site Faça uma síntese de ponto de vista e perspectiva. Atividade 3 https://dofsimulator.net/en/ https://dofsimulator.net/en/ 78 Artes visuais – Fotografia 4.4 Outros estilos de composição Vídeo Existem várias maneiras de se enquadrar uma cena. Podemos utilizar os elementos formais das artes visuais, como linhas, formatos, texturas, espaços negativos, gradações tonais, padrões, cores, entre outros, para criar conexões em nossas composições fotográficas. Abordaremos, a seguir, estilos de composição que utilizam alguns desses elementos formais e que servem de guia e ponto de partida para explorarmos outros conceitos de maneira criativa. As diagonais são utilizadas para guiar linhas em cenas nas quais o assunto está enquadrado na regra dos terços. Dois assuntos em uma diagonal impli- cam um relacionamento entre eles, como comparação ou contraste. Podem ser usadas com pouca profundidade de campo, para permitir que o assun- to secundário contextualize o primário, ou sugerir uma passagem de tempo, como duas pessoas em diferentes níveis de uma escada. As diagonais transmitem, também, a ideia de movimento, conforme observamos na Figura 22. Ressaltamos que elas não precisam ser linhas reais, podendo ser configuradas por meio de pontos organizados na diagonal, crian- do uma linha óptica. Figura 22 Diagonais 06 ph ot o/ Sh ut te rs to ck Na simetria, o assunto principal é posicionado tendo como re- ferência um centro simétrico. O assunto secundário é, então, es- pelhado ou equilibrado em relação a esse centro, portanto, deve possuir o mesmo significado do primário, para manter o equilí- brio. A simetria implica a unidade e a estabilidade nos assuntos, mas uma direção geral do movimento pode estar implícita nas li- nhas principais ou no contexto da imagem. Essa técnica se baseia na simetria da razão áurea, determinando a melhor posição para o ponto de interesse, usando diagonais em vez de grids, o que facilita a visualização. Composição fotográfica 79 Figura 23 Simetria O triângulo dourado é uma abordagem mais avançada da regra dos terços que leva em consideração as linhas e áreas principais da imagem. O foco está na regra da posição dos terços, assim, as linhas conferem sentido ao entorno do assunto principal. Essa composição faz uso dos cantos e da geometria de conexão entre os assuntos. A linha é, geralmente, considerada como “rápida”, enquanto cada ponto do triângulo é identificado como “ancorado” ou “estático”. Sua aplicação é muito similar à regra dos terços. Traçamos uma linha diagonal de canto a canto do enquadramento e adicionamos mais duas linhas que saem dos outros dois cantos e que formam uma perpendicular com a diagonal, dividindo a cena em quatro triângulos, como ilustrado na Figura 24. Esses triângulos são utili- zados para enquadrar os vários assuntos presentes, dependendo da ênfase que se quer dar a determinado elemento da cena. Figura 24 Triângulo dourado Na composição triangular, uma área fechada é formada por três linhas entre os assuntos da imagem. A linha orienta o olho do espectador para o entorno da fo- tografia, mas também pode ser utilizada na seleção do assunto principal. Estender as linhas do triângulo resulta em uma intersecção com algum ponto composicional, como um canto ou uma posição da regra dos terços. 80 Artes visuais – Fotografia Figura 25 Composição triangular Podemos observar, na Figura 25, as relações existentes entre os elemen- tos principais da imagem, as quais delineiam as linhas ópticas, guiando o olhar para a ação da cena, ocupando os cantos da imagem e criando inter- secções com pontos de interesse da regra dos terços, mas configurando-se em uma composição triangular. Explore as possibilidades da composição fotográfica exercitando o olhar dos alunos de modo que percebam as diferenças entre as principais regras de composição. Para isso, siga basicamente estas três etapas: utilize os grids como referência visual; fotografe a cena com base na experiência anterior; selecione as melhores imagens para expor. Materiais necessários: • Modelos para imprimir dos grids de composição (regra dos terços, espiral de Fibonacci, phi grid e triân- gulo dourado), conforme Figura 26. • Papel vegetal, acetato transparente ou transparência para imprimir. Como alternativa, caso tenha aces- so a uma impressora 3D (como em FabLabs 2 ), pode-se, também, imprimir os modelos 3D dos grids, disponíveis no siteThingiverse. • Celular com câmera ou câmera fotográfica digital. Modo de fazer: 1. Inicie apresentando exemplos e ressaltando a importância da composição na construção de imagens para a comunicação visual. 2. Imprima os esquemas de composição para servirem de modelo e distribua-os entre os alunos. 3. Desenhe, no papel vegetal ou acetato transparente, os grids de composição, conforme os modelos (cada aluno pode, também, desenhar seu conjunto de grids). 4. Oriente os alunos a escolherem imagens de seu entorno, apontarem o modelo de composição escolhi- do, na distância de um braço a sua frente, e enquadrarem os motivos, conforme o grid. 5. Fotografe de acordo com o grid, não esquecendo de identificar cada imagem conforme o grid utilizado. 6. Produza, no mínimo, três fotografias de cada modelo (alterando os pontos de vista: baixo e alto). 7. Escolha e exercite a ideia de curadoria fotográfica, dispondo as imagens lado a lado para encontrar a melhor narrativa visual. 8. Organize uma exposição virtual. Disponível em: https://fablabli- vresp.art.br/o-que-e. Acesso em: 19 jun. 2020. 2 (Continua) Na prática https://fablablivresp.art.br/o-que-e https://fablablivresp.art.br/o-que-e Composição fotográfica 81 Figura 26 Modelos dos grids CONSIDERAÇÕES FINAIS Antes de fotografar, devemos pensar no propósito da imagem fotográfica, ou seja, fotografamos para compartilhar nosso cotidiano, revelar detalhes que passam desper- cebidos pela maioria das pessoas ou representar algo que não poderia ser descrito de modo verbal. A composição é um processo que identifica e organiza elementos em uma cena, de maneira que o espectador tenha as sensações que o fotógrafo deseja comunicar. Portanto, é imprescindível conhecer as regras básicas da composição para que a lin- guagem fotográfica se torne fluída e, de certo modo, inconsciente na busca da imagem perfeita, que é obtida por meio de um processo de edição mental, no qual o fotógrafo identifica e seleciona pontos de interesse que estão em consonância com seus objeti- vos para aquela fotografia. Existem várias maneiras de se fazer isso, mas somente a experiência e a prática constantes de se observar atentamente os detalhes de uma cena nos levam ao desen- volvimento de um olhar fotográfico que consiga comunicar, por meio da fotografia, a mensagem desejada. REFERÊNCIAS GOMES FILHO, J. Gestalt do objeto: sistema de leitura visual da forma. São Paulo: Escrituras, 2002. PRÄKEL, D. Composição. Porto Alegre: Bookman, 2010. SILVEIRA, L. M. A cor na fotografia em preto-e-branco: como uma flagrante manifestação cultural. Revista Tecnologia e Sociedade, Curitiba, Editora UTFPR, v. 1, n. 1, p. 151-175, jul./dez. 2005. Disponível em: https:// periodicos.utfpr.edu.br/rts/article/view/2458/1577. Acesso em: 19 jun. 2020. Acesse o Thingiverse e en- contre modelos de grades de composição fotográfica para imprimir em 3D. Disponível em: https://www.thingi- verse.com/thing:2775349. Acesso em: 19 jun. 2020. Site https://www.thingiverse.com/thing:2775349 https://www.thingiverse.com/thing:2775349 82 Artes visuais – Fotografia GABARITO 1. O ponto, as linhas e o formato. O primeiro é um elemento que pode ser uma área de interesse ou um cruzamento entre áreas de interesse, guiando o olhar para essa região. O segundo conduz o olhar do espectador pelo caminho visual a ser seguido e conecta dois pontos opostos na imagem. E o terceiro está relacionado com qualquer elemento geométrico que atraia a atenção do espectador para a ima- gem, podendo ser círculos, triângulos, retângulos etc. 2. A regra dos terços é uma simplificação da razão áurea, sendo que seu grid é composto de 9 áreas de tamanho idêntico, estabelecendo os 4 pontos de interesse. Na razão áurea, são utilizados como padrão a espiral de Fibonacci ou o phi grid, os quais são obtidos por meio de uma série de números, com sua divisão baseada na proporção do número de ouro, 1,618034, ou na razão 8:5, o que altera a posição dos pontos de interesse. 3. O ponto de vista pode ser baixo ou alto e seu posicionamento implica como será a sensação de leitura da imagem e o seu impacto visual. O ponto de vista alto pode ser denominado de plongê e aumenta a profundidade da imagem, causando menos impacto visual. Já um ponto de vista baixo, ou contraplongê, amplia a sensação de superioridade do primeiro plano e distorce a percepção dimen- sional do segundo plano. Outros ângulos são derivados desses dois, como: o Nadir (um contraplongê exagerado) e o Zênite (um plongê aéreo com a câmera paralela ao solo). A perspectiva confere pro- fundidade e volume tridimensional a uma imagem e é influenciada pela distância focal da lente, que altera a percepção da relação entre os planos da imagem. Edição e tratamento de imagens 83 5 Edição e tratamento de imagens A edição e o tratamento de imagens fazem parte da etapa de pós-produção de uma fotografia e são tratados de diferentes manei- ras e abordagens pelos fotógrafos. Alguns, em uma visão mais purista, acreditam que a imagem não deve ser alterada de nenhuma forma, ou seja, deve ser publicada como foi capturada. Isso se aplica muito ao fotojornalismo, em que o fator mais importante da fotografia é o regis- tro do fato em si, sem alterações estéticas. Por outro lado, quando a finalidade da imagem é estética, como na publicidade, esse processo é fundamental e primordial para que a fotografia transmita a mensagem para a qual foi concebida. Dois termos são recorrentes nessa etapa: a edição e o retouching, ou retoque. Alguns fotógrafos utilizam ambos para o mesmo processo, mas observamos que diferem nas ações a serem realizadas em cada um: a edição pode durar de poucos segundos a muitos minutos, de- pendendo do efeito desejado, enquanto o retoque básico chega a uma média de dez minutos, apenas removendo manchas, clareando dentes, suavizando pele ou eliminando alguns elementos indesejados, como um fio elétrico cruzando a imagem. Em síntese, esses dois vocábulos podem significar coisas diferentes, mas o mais importante é que o fotógrafo tenha clareza sobre o traba- lho que está entregando e o seu significado para o objetivo proposto pela imagem. Atualmente, existem softwares e aplicativos específicos para edição e retoque de imagens. Neste capítulo, abordaremos alguns deles e suas especificidades. Também apresentaremos um modelo de workflow, ou fluxo de trabalho, a ser realizado pelo fotógrafo, que facilita o processo, principalmente quando se trata de uma grande quantidade de ima- gens a serem tratadas. Por fim, veremos como uma imagem deve ser finalizada e quais são os formatos mais adequados para se utilizar em fotografia digital. Para a aula de Arte, iremos propor uma sugestão de atividade, explorando a edição e o tratamento de imagens com base em um movimento estético. 84 Artes visuais - Fotografia 5.1 Softwares para edição de imagens Vídeo Os softwares de edição de imagem são comerciais e dependem do pagamen- to de licença para a sua utilização. Temos, também, programas opensource 1 , ou seja, que podem ser usados de maneira gratuita. No Quadro 1, estão listados quatro desses softwares, os quais auxiliarão no processo de edição de imagens. Quadro 1 Softwares de edição de imagens gratuitos Software Descrição Link Gimp Conta com ferramentas como pincéis, filtros, en- tre outras, e oferece a possibilidade de se instalar plug-ins. Interface intuitiva. Possui versão em português. https://www.gimpbrasil.org/ PhotoScape X É um editor ideal para quem não possui muita experiência com edição, tendo várias ferramentas essenciais. Possui versão em português gratuita e versão Pro paga. http://x.photoscape.org/ Paint.NET Editor básico, com ferramentas para ajustes de imagem. Possibilita baixar complementos. Possui versão em português. https://www.getpaint.net/ Polarr Disponível em diversas plataformas, é simples e conta com ferramentas para ajustes básicos na imagem, como corte, aplicação de filtros, luz, satu- ração,entre outros. Possui uma versão gratuita e outra com assinatura mensal ou anual, que permite criar filtros persona- lizados, marcas d’água etc. https://www.polarr.com/ Fonte: Elaborado pelo autor. Acesso em: 15 jul. 2020. A maioria dos softwares para edição de imagens possui semelhanças no uso das ferramentas principais, desse modo, devemos conhecer seus princípios básicos para realizarmos a edição ou o retoque na fotografia. De acordo com Santos (2012, p. 15), “no momento em que uma fotografia é feita e a exposição ocorre, parte da sua natureza técnica e estética fica determinada, sendo com base nesse ‘negativo digital’ que todo o trabalho de pós-produção irá assentar, melho- rando e explorando as características originais de uma imagem”. Para essa finalidade, abordaremos o Adobe Photoshop Lightroom e o Adobe Photoshop, os quais são utilizados individual ou complementarmente, ten- do em vista suas representatividades no mercado de edição fotográfica. Esses softwares podem ser baixados diretamente no site da Adobe 2 , na versão de avalia- ção gratuita, para facilitar a sua compreensão e o aprendizado inicial. Adobe Lightroom A versão atual do Lightroom permite a sua utilização em dispositivos móveis, on-line ou no computador de maneira sincronizada. Assim, você pode iniciar um trabalho em seu smartphone ou tablet e continuar em seu computador, pois as alterações realizadas na imagem são aplicadas em todos os dispositivos, de modo Opensource é um modelo de desenvolvimento compartilhado de código-fonte de softwares, com licenças de redistribuição livre, acesso ao código-fonte, permissões de modificação etc. Saiba mais sobre o tema em: opensource.org. Acesso em: 15 jul. 2020. 1 Quando tratamos de software para edição de imagens, a primeira palavra que nos vem à mente é Photoshop, pois esse programa, lançado em 1990, pela Adobe Systems, tornou-se a principal referência no mercado de editores de fotografia voltados ao público profissional. Tendo em vista facilitar alguns procedimentos de retoque e edição, além de estabelecer um melhor fluxo de trabalho, a empresa lançou, em 2013, o Adobe Photoshop Lightroom, que atualmente conta com versões para computadores e dispositivos móveis. Saiba mais https://www.gimpbrasil.org/ http://x.photoscape.org/ https://www.getpaint.net/ https://www.polarr.com/ http://opensource.org Edição e tratamento de imagens 85 automático. Ainda, o aplicativo disponibiliza o recurso de armazenamento em nu- vem, com espaço de 1 terabyte. Ao contrário de alguns softwares de edição que trabalham diretamente nos pixels da imagem, o Lightroom não a edita diretamente. Ele cria um arquivo que contém as informações sobre as modificações que realizamos. Dessa maneira, o arquivo original é preservado, evitando uma possível perda de dados da imagem. Para facilitar o fluxo de trabalho, a sua interface é dividida em módulos acessíveis por meio de uma barra na parte superior direita (1), conforme a Figura 1, com os se- guintes recursos: Biblioteca, Revelação, Mapa, Livro, Apresentação de slides, Imprimir e Web. Figura 1 Interface Adobe Lightroom 1 4 2 3 Antes de iniciarmos qualquer trabalho no Lightroom, devemos criar um catá- logo e importar as imagens para ele. O procedimento é simples, basta acessar o menu Arquivo → Novo catálogo. É importante observarmos que o software, ao im- portar as imagens para o catálogo, não as copia, e, sim, estabelece links para seus locais originais. Portanto, devemos organizar as pastas que contêm as imagens originais de modo a estarem acessíveis quando formos editar alguma delas, caso contrário, não será possível finalizar a edição. O uso de catálogos é uma maneira de separar imagens de clientes diferentes, ensaios, locais fotografados etc., facilitando o trabalho de pós-produção do fotógrafo. Após criar o catálogo, basta acessar Biblioteca, escolher o local original das ima- gens, selecioná-las e clicar sobre o botão Importar (2) (Figura 1). Assim, as fotogra- fias aparecerão dispostas, como em um rolo de filme, na parte inferior da tela (3) (Figura 1), para, então, serem tratadas no módulo Revelação. No módulo Biblioteca, podemos verificar vários outros dados da imagem se- lecionada (4) (Figura 1), como o seu histograma e os seus metadados 3 , além de Os metadados são dados associa- dos à foto, descrevendo informa- ções como modelo da câmera, ISO utilizado, tamanho, formato, dados de localização (GPS), legenda, direitos autorais, data e hora da captura etc. 3 86 Artes visuais - Fotografia realizarmos uma revelação rápida, utilizando predefinições ou ajustando equilíbrio de branco, exposição, claridade e vibração, sem necessitar utilizar os recursos mais avançados do módulo Revelação. No módulo Revelação, realizamos todos os ajustes e retoques necessários em nossa imagem, de maneira mais profunda. À esquerda da tela (1), na Figura 2, en- contramos predefinições de ajustes e filtros de efeitos, as quais podem ser criadas e personalizadas pelo usuário ou importadas de modelos prontos, disponíveis na internet. Figura 2 Módulo Revelação 1 3 4 2 À direita da tela (2), estão as ferramentas para os ajustes básicos na imagem, como balanço de branco, tonalidade, presença, curva de tons, correções de lente, calibração da câmera, entre outras. Na área central (3), a tela apresenta a imagem com as alterações que estão sendo realizadas. Essa tela também pode ser dividida de modo a apresentar o antes e depois, simultaneamente, para efeito comparativo. No detalhe (4), encontramos os botões para recorte de imagem, que possuem a opção de sobreposição de guias de corte com base em grade, terços, diagonal, triângulo, proporção áurea, espiral de ouro (Fibonacci) e proporções, facilitando o trabalho de se adequar a imagem às regras de composição. Nesse mesmo item, temos os botões de correção de manchas e de olhos vermelhos e o pincel para ajustes localizados, com predefinições prontas ou personalizadas para ajustes e correção de pele, branqueamento de dentes, entre outros. O módulo Mapa apresenta um mapa on-line com a marcação das imagens onde foram obtidas. Para isso, a câmera deve possuir um sistema de localização GPS ativado, o qual grava as coordenadas do local nos metadados da fotografia, possibilitando seu mapeamento e representando um recurso útil para identificar o local exato da foto. Edição e tratamento de imagens 87 No módulo Livro, podemos criar catálogos ou fotolivros para serem impressos ou distribuídos de maneira digital (PDF), rapidamente, com modelos predefinidos, o que limita um pouco a questão referente ao design gráfico. O módulo Apresentação de slides exporta uma apresentação de imagens sele- cionadas em formato PDF ou vídeo, facilitando o trabalho do fotógrafo e eliminan- do a necessidade de utilizar outro software para essa tarefa. Isso ocorre, também, no módulo Web, no qual é possível criar um site, em forma de catálogo, para as imagens, utilizando modelos predefinidos, e publicá-los diretamente na web, sem a necessidade de programação por parte do fotógrafo. Além desses recursos, o programa conta com inúmeros outros, por exemplo, a integração com plataformas de serviço de publicação, como Adobe Stock, Facebook e Flickr, o módulo de impressão para impressora de prova, entre outros. Lembramos que, ao finalizar a edição da imagem, esta deverá ser exportada, podendo, inclusive, se inserir uma marca d’água personalizada e escolher vários outros parâmetros e características adequadas à sua publicação. Dessa maneira, a fotografia original continuará como antes da edição, e todas as alterações só se- rão aplicadas à imagem exportada, pois o Lightroom trabalha com um modo de pós-produção, que denominamos de edição não destrutiva, a qual abordaremos, com mais propriedade, no tópico sobre workflow. Photoshop O Photoshop é uma ferramenta poderosa e completa para qualquer tratamento de imagem. Sua área de trabalho pode ser customizada deacordo com a tarefa a ser desempenhada por meio dos seguintes recursos: 3D, Gráfico e Web, Movimento, Pintura e Fotografia. Na Figura 3, selecionamos a área de trabalho Fotografia e apre- sentamos os seus recursos principais, relacionados com o trabalho de edição de fotos. Figura 3 Menu Janela: escolha da área de trabalho Dessa forma, a área de trabalho ficará organizada, conforme a Figura 4, com as ferramentas mais comuns para a edição de fotos (1), além de apresentar o histogra- ma e um navegador (2), para facilitar a tarefa. Também estarão disponíveis as guias bibliotecas (3), na qual poderemos acessar as imagens arquivadas na Creative Cloud, e ajustes (4), em que serão criadas camadas, de maneira não destrutiva, conforme trataremos mais adiante. Explique qual é a função de cada módulo do software de edição Adobe Lightroom. Atividade 1 Nos links a seguir, você encontra tutoriais oficiais do Adobe Lightroom e do Photoshop: • Adobe Lightroom – Disponível em: https://helpx.adobe.com/ br/lightroom-cc/tutorials.html. Acesso em: 15 jul. 2020. • Adobe Photoshop – Disponível em: https://helpx.adobe.com/ br/photoshop/tutorials.html. Acesso em: 15 jul. 2020. Saiba mais Creative Cloud: serviço de armazenamento em nuvem da Adobe Systems. Glossário https://helpx.adobe.com/br/lightroom-cc/tutorials.html https://helpx.adobe.com/br/lightroom-cc/tutorials.html https://helpx.adobe.com/br/photoshop/tutorials.html https://helpx.adobe.com/br/photoshop/tutorials.html 88 Artes visuais - Fotografia Figura 4 Área de trabalho: Fotografia Jo rg e Ki m ie ck 1 2 3 4 A barra de ferramentas é dividida em sete grupos, conforme o Quadro 2. Quadro 2 Ferramentas Grupo Ferramentas Ícones Usos 1 Seleção Mover. Seleção: retangu- lar e elíptica, laço simples, poligonal e magnético. Seleção rápida e varinha mágica. Para selecionar determinadas áreas na imagem. 2 Corte Corte demarcado e corte em perspectiva. Para cortar a imagem de maneira livre ou de acordo com as regras compositi- vas (terços, Fibonacci etc.) e para corrigir distorções causadas pela perspectiva. 3 Medição Conta-gotas e classificador de cores. Para selecionar amostras de cores ou apresentar os valores RGB e CMYK da cor selecionada. 4 Retoque Recuperação de manchas, pincel de recuperação, correção, mover sensível ao conteúdo, borracha, clonar, desfocar, subexposição, superexposição, tornar ní- tido. Para corrigir a imagem, eliminar man- chas, reparar imperfeições etc. 5 Pintura Pincel, lápis, pincel de his- tórico, gradiente. Para desenhar traços, recuperar áreas ao estado anterior, aplicar dégradés de cores. 6 Desenho e escrita Texto, caneta, seleção de demarcador. Para aplicar textos e desenhar demarca- dores. 7 Navegação Mão, rotacionar vista, zoom. Para focalizar diferentes áreas da ima- gem. Fonte: Elaborado pelo autor. Edição e tratamento de imagens 89 Essas ferramentas atuam no grupo de operações de processamento no domínio espacial, que é o processo no qual as operações são realizadas direta- mente sobre cada pixel da imagem, de maneira isolada, sendo aplicadas no recorte, na cópia e na colagem de áreas de imagens. O Photoshop possui ferramentas para o processamento no domínio da frequência, em que as operações são realizadas de modo global, como a mudança de escala, a rotação de imagens, a transformação e distorção, a aplicação de filtros, a suavização, o realce de contraste, os ajustes de brilho, a exposição, entre outras. Essas opções são acessadas na barra superior, conforme mostra a Figura 5. Figura 5 Ferramentas de ajustes globais A diferença entre esses dois tipos de processamento pode ser observada na Figura 6. Com base na imagem original, foi realizada uma duplicação da ciclista (domínio espacial) e, na outra imagem, à direita, foi aplicado um filtro de estilização das arestas (domínio da frequência). Figura 6 Domínios espacial e da frequência Imagem original Domínio espacial Domínio da frequência O Photoshop conta com diversas ferramentas e recursos para resolver prati- camente qualquer problema em uma imagem. Devemos explorar como cada um deles funciona para que, ao nos depararmos com determinado desafio, saibamos qual é a melhor maneira de superá-lo. No vídeo Como calibrar monitor corretamente, o fotógrafo Ale Rodrigues explica como realizar esse processo para se obter resultados melhores no tratamento de imagens. Disponível em: https://youtu.be/ DZZFAkHpqbI. Acesso em: 15 jul. 2020. Vídeo Diferencie o processamento no domínio espacial e no domínio da frequência. Atividade 2 https://youtu.be/DZZFAkHpqbI https://youtu.be/DZZFAkHpqbI 90 Artes visuais - Fotografia Ressaltamos que, ao trabalhar com imagens, devemos pensar em investir em um computador equipado com processadores de alto desempenho, placa de vídeo dedicada, grande quantidade de memória RAM e muito espaço de arma- zenamento em disco, preferencialmente com discos SSD, que são mais rápidos, pois esses softwares exigem muitos recursos da máquina para processar o volu- me de dados necessário para a edição em alta resolução. Ainda, o monitor deve possuir alta resolução, preferencialmente um IPS, com boa fidelidade de cores, e estar calibrado. Máquinas com características básicas rodam os programas de maneira precária, pois são dimensionadas para tarefas simples e rotineiras, como navegação na internet e produção de textos e planilhas, deixando muito a desejar quando se trata de edição de imagens. 5.2 Aplicativos para edição de imagens Vídeo Atualmente, contamos com inúmeros aplicativos de edição de imagens para dis- positivos móveis, disponíveis na App Store, para dispositivos iOS, e na Google Play, para Android. Eles vão desde os mais simples, que apenas aplicam filtros predefi- nidos, aos mais complexos, que possuem toda a gama de ajustes necessária para exportar uma imagem de alta qualidade. Esses aplicativos são utilizados principal- mente na criação e preparação de imagens a serem disponibilizadas on-line, em redes sociais e na web, tendo em vista que as exportam em resolução de tela e em formatos específicos. Para o tratamento e a edição voltados à impressão ou a outro processo gráfico, sugerimos sempre utilizar os softwares de computador, pois te- mos maior controle sobre as ferramentas, os formatos e a resolução das imagens. A seguir, no Quadro 3, relacionamos uma seleção de alguns aplicativos para dispositivos móveis e suas características principais. Quadro 3 Aplicativos de edição de imagens para dispositivos móveis Aplicativo Plataforma Licença Adobe Lightroom Android / iOS Versões gratuita e paga. Adobe Photoshop Mix Android / iOS Gratuito. Afterlight Android / iOS Assinatura e venda de produtos no aplicativo. Autodesk Pixlr Android / iOS Gratuito e compras no aplicativo. BeFunky Photo Editor Android / iOS Gratuito e compras no aplicativo. As versões Pro e para tablets são pagas. Cupslice Photo Editor Android / iOS Android: gratuito; iOS: versão Pro paga. Fotor Editor de fotos Android / iOS Gratuito e compras no aplicativo. VSCO Android / iOS Gratuito e assinatura anual. Snapseed Android / iOS Gratuito. Fonte: Adaptado de Ciriaco, 2020, on-line. RAM: memória volátil. Dispositivo que pode receber, conservar e restituir dados. SSD: solid-state drive. Tecnologia de armazenamento sem partes móveis que utiliza circuitos integrados semicondutores para armazenamento. IPS: in-plane switching. Tecnologia de monitor LCD com alto ângulo de visão e alta taxa de atualização combinados com alta resolução, que proporciona maior qualidade visual e fidelidade das cores. Glossário Edição e tratamento de imagens 91 Adobe Lightroom (versão mobile) É um aplicativo apresentado pela Adobe como um editor profissional, gra- tuito, avançado e intuitivo. Conta com recursos gratuitos e premium (na versão paga). Com as opções gratuitas, podemos: fazer alterações na imagem aplican- do presets (predefinições) de filtros; utilizar perfis especializados,como editar a imagem para o Instagram; alterar curvas de contraste, cor, exposição e to- nalidade; entre outros ajustes básicos. É possível utilizar, também, o próprio aplicativo para capturar as imagens em modo RAW, profissional e HDR (este último depende do tipo de dispositivo utilizado). Os recursos premium incluem o armazenamento na Creative Cloud e acesso a outros dispositivos, como nos programas Lightroom e Photoshop para computador. Photoshop Mix Possui recursos para cortar e combinar, fazer colagens e compartilhar em mídias sociais, além de realizar edição não destrutiva nas imagens. Ainda, é possível enviar a imagem para o Photoshop CC, no computador, para uma edição mais avançada. Afterlight O aplicativo conta com quinze ferramentas de ajustes, vários filtros ajustá- veis e texturas. Além de ter ferramentas para corte rápido, com predefinições, exporta imagens para o formato do Instagram. A versão para Android conta com poucas atualizações, sendo que a empresa tem focado mais o seu desen- volvimento para a plataforma iOS. Autodesk Pixlr Trata-se de um editor de fotos intuitivo, com várias ferramentas e efeitos, sobreposições e filtros. Possui integração com as redes sociais para a publi- cação nos formatos corretos. Também conta com recursos automáticos de equilíbrio de cor, remoção de manchas e olhos vermelhos. BeFunky Photo Editor É um aplicativo com criador de colagens, filtros de efeitos, molduras, fer- ramentas de edição para corte e redimensionamento, exposição, tonalidade, saturação, entre outros. Possui ajustes automáticos e compartilhamento em redes sociais. Cupslice Photo Editor Editor com funcionalidades como inserção de texto e adesivos, citações, efeitos predefinidos para filtros, aplicação de molduras, ferramentas básicas para ajustes de preto e branco, brilho, contraste, saturação e equilíbrio de co- res. É voltado para a publicação de imagens em redes sociais. Fotor Editor de fotos Considerado um dos melhores aplicativos de edição de fotos, tem vários recursos, além de um sistema gerenciador da biblioteca de imagens. Suas fer- ramentas partem do básico ao avançado e contam com filtros predefinidos. RAW: do inglês, cru, formato de arquivo considerado “o negativo da fotografia digital”. HDR: recurso presente em câme- ras digitais que permite ver mais detalhes nas fotos, ampliando o alcance da exposição. Glossário 92 Artes visuais - Fotografia Possui, também, a possibilidade de licenciar a fotografia no site de imagens PxBee, permitindo rentabilizar os trabalhos. Há recursos gratuitos e pagos. VSCO Possui dez predefinições gratuitas. Importa e edita diretamente imagens no formato RAW e vídeos. Conta com as ferramentas básicas de edição. Já os recursos avançados e a edição de vídeos dependem do pagamento de assina- tura da versão premium. Snapseed Esse aplicativo foi recentemente adquirido pela Google e possui ferramen- tas profissionais de edição e manipulação de imagens, podendo ajustar cor- tes, brilho, contraste, cor e foco. Também disponibiliza um grande número de filtros. Apresentamos uma seleção de nove aplicativos para iOS e Android, os quais podem configurar uma opção para realizar a edição rápida de imagens, quando necessitamos postar em redes sociais e na internet. Essa é apenas uma amostra do universo de aplicativos para dispositivos móveis disponíveis, e nossa recomendação é que você explore os recursos de cada um deles e que procure por aquele que mais atende às suas necessidades. Considere, tam- bém, que muitas vezes um aplicativo pode complementar o outro. 5.3 Fluxo de trabalho (workflow) Vídeo Tendo como premissa que a imagem obtida em câmeras digitais depende de diversos fatores e de características técnicas, como tipo e tamanho do sen- sor CCD (charge-coupled device), resolução, definições, recursos etc., chegamos à conclusão de que nem sempre a imagem capturada pela câmera está em conso- nância com os resultados que almejamos. Portanto, é necessário interferir nela por meio da pós-produção, utilizando algum software específico. É fundamental que o fotógrafo digital saiba editar suas fotos, o que pode ser considerado uma extensão do processo criativo, pois, ao editar e tratar uma imagem, não estamos somente corrigindo características técnicas, como exposição e contraste, mas, também, reforçando e realçando elementos que transmitam o sentimento a que nos propomos, aprimorando a comunicação. Esses procedimentos podem se tornar uma tarefa extenuante, principalmente quando não definimos uma sequência lógica e objetiva para chegarmos ao resultado almejado. Devemos, desse modo, estabelecer um fluxo de trabalho, também chamado de workflow, que define um roteiro de tarefas e procedi- mentos a serem seguidos na pós-produção da imagem e que organiza todo o processo. Antes de começarmos a pensar em um fluxo de trabalho, devemos conhe- cer as diferenças entre dois tipos de edição. A edição destrutiva, geralmente, O livro Curso de fotografia: Edição digital, escrito pelo fotógrafo Michael Freeman, desmistifica as complexida- des do processo de edição fotográfica digital, com instruções passo a passo. São Paulo: Bookman, 2015. Livro Edição e tratamento de imagens 93 é a mais utilizada pelos iniciantes no universo da edição e refere-se ao modo de alterar a imagem quando aplicamos algum efeito ou uma correção que não nos permite recuperar seu estado anterior, fazendo com que tenhamos que retornar ao ponto inicial e recomeçar todo o nosso trabalho. Podemos citar como exemplo o redimensionamento de imagens no Photoshop. Se reduzirmos o tamanho e, em seguida, aumentarmos, haverá perda de informação e, consequentemente, a qualidade ficará comprometida. Outro exemplo é utilizar a foto original diretamente no Photoshop e realizar alterações nela, sem duplicar a sua camada original, para proteção. Ao sal- varmos o arquivo, podemos correr o risco de sobrescrever a imagem original, causando a sua perda. Já na edição não destrutiva, todos os processos podem ser revertidos sem limitações, porque o software não altera diretamente os pixels, apenas cria um arquivo complementar com as informações de ajustes e alterações que devem ser aplicados às imagens quando estas forem exportadas, evitando, dessa for- ma, sobrescrever o arquivo original. No entanto, esse arquivo complementar não fica acessível ao usuário, sendo utilizado internamente pelo software 4 . Po- demos, também, realizar alguns procedimentos de maneira não destrutiva em outros programas, como no Photoshop, trabalhando com camadas e objetos inteligentes, por exemplo. Apresentaremos, a seguir, um modelo de fluxo de trabalho não destrutivo uti- lizando o Photoshop, pressupondo um conhecimento básico desse programa 5 . 5.3.1 Fluxo de trabalho não destrutivo no Photoshop Esse fluxo de trabalho se baseia em três etapas: 1) Preparação; 2) Ajustes; e 3) Finalização e fechamento do arquivo. 5.3.1.1 Etapa de preparação • Passo 1 – Criar um arquivo novo com a resolução recomendada (por exemplo, 300 ppi para impressão; 72 ppi para tela). • Passo 2 – Definir a área de trabalho para Fotografia. • Passo 3 – Inserir a imagem a ser editada utilizando o menu Arquivo: co- locar vinculado ou colocar incorporado. Quando usamos vinculado, a imagem não fica salva dentro do documento; é estabelecido um vínculo (link) entre os dois arquivos, o que resulta em um arquivo de trabalho mais leve. Já no modo incorporado, uma cópia fica salva dentro do ar- quivo, aumentando seu tamanho. • Passo 4 – Duplicar a camada com a imagem. Dessa maneira, teremos duas camadas com a mesma imagem, uma de segurança, que deverá ser bloqueada, e outra de trabalho. Assim, no caso de causarmos um proble- Conforme mencionamos, essa é a maneira que o Adobe Lightroom utiliza como fundamento principal. 4 objetos inteligentes: camadas que contêm dados de imagens rasterizadas ou vetoriais e que preservam o conteúdo de origem da imagem, permitindo umaedição não destrutiva. Glossário Apresente as diferenças entre a edição destrutiva e a edição não destrutiva. Atividade 3 Para conhecê-lo melhor, baixe e instale a versão gratuita de avaliação e faça alguns tutoriais disponíveis em vários canais na internet. 5 ppi: pixels por polegada. Determi- na a resolução de uma imagem. Glossário 94 Artes visuais - Fotografia ma irreversível na camada de trabalho, basta deletá-la e fazer uma nova cópia de segurança. • Passo 5 – Rasterizar a camada de trabalho para poder aplicar as corre- ções necessárias. Esse procedimento é realizado clicando com o botão direito sobre a camada correspondente e escolhendo o recurso Rasteri- zar, o que a torna editável. 5.3.1.2 Etapa de ajustes • Passo 1 – Neutralizar cores. Geralmente, uma imagem pode ter predo- minância de determinadas tonalidades, como as obtidas sob iluminação de tungstênio, que as tornam amareladas, e de luz fluorescente, que as tornam azuladas, ou o WB (white balance) da câmera pode estar ajustado incorretamente, ocasionando incorreções nas cores apresentadas. Para reparar esse efeito, utilizamos a opção Neutralizar, no painel Correspon- der cor (Figura 7), e atuamos sobre os controles deslizantes de lumines- cência, intensidade da cor e atenuação, até obter o resultado desejado. Figura 7 Neutralizar cores • Passo 2 – Subexposição ou superexposição. Devemos ajustar a luminosida- de e o contraste da imagem. Para isso, utilizamos o painel Níveis, movendo os botões (branco, cinza e preto) até obter o resultado desejado. Nesse pas- so, empregamos a aplicação de uma camada de ajuste, para evitar danos à camada de trabalho. Observe, na Figura 8, que escolhemos a ferramenta no painel pela guia Ajustes, abaixo do histograma, ao lado direito da nossa área de trabalho. Também podemos notar que o programa cria uma camada de ajuste logo acima da nossa camada de trabalho, podendo ser ativada ou desativada a qualquer momento, evitando uma aplicação direta. Edição e tratamento de imagens 95 Figura 8 Corrigir níveis • Passo 3 – Equilíbrio de cores. Aqui, ajustamos o equilíbrio das cores de acor- do com a nossa percepção e os objetivos da imagem. Movendo os contro- les deslizantes, puxamos os tons entre ciano e vermelho; magenta e verde; e amarelo e azul. Ainda, podemos indicar onde será aplicado o ajuste: nas áreas de sombra, nos meios-tons ou nos realces. Também podemos utilizar a mesma estratégia do Passo 2, criando uma camada de ajuste, em vez de aplicar diretamente sobre a imagem. Figura 9 Equilíbrio de cores Jo rg e Ki m ie ck • Passo 4 – Matiz e saturação. Agora, é o momento de trabalhar as cores de acor- do com a nossa percepção visual e os nossos objetivos, pois podemos ajustar a saturação e a matiz para obter uma imagem com o mínimo perceptível de cores, mais natural, ou com cores em nível exagerado – tudo depende de como queremos que seja percebida. Para isso, basta utilizar os controles deslizantes nos ajustes de Matiz/Saturação, conforme observamos na Figura 10. 96 Artes visuais - Fotografia Figura 10 Matiz/Saturação • Passo 5 – Sombras e realces. As sombras se referem às áreas escuras e os realces às altas luzes de uma imagem. Podemos ajustá-los e recuperar áreas que acabam não ficando visíveis, justamente por estarem ou nas sombras ou estouradas nas altas luzes. Essa regulagem é acessada por meio da barra de menu superior, em Imagem → Ajustes → Sombras/Realces. Clicando sobre ela, um painel abrirá com os controles para se efetuar as mudanças necessárias, lembrando que sempre devemos estar com a camada de trabalho seleciona- da para aplicar qualquer ajuste. Figura 11 Sombras e realces • Passo 6 – Nitidez. Um problema recorrente em imagens digitais é a fal- ta de nitidez que algumas apresentam. Para corrigir esse defeito, po- demos utilizar vários métodos; o mais simples consiste em aplicar uma máscara de nitidez. Essa ferramenta se encontra no menu Filtro → Tornar nítido → Máscara de nitidez... Sua aplicação ajusta três parâmetros: intensidade, raio e limiar (este último suaviza o efeito usado). Devemos to- mar cuidado com essa ferramenta, pois um exagero na nitidez pode gerar um halo ao redor de algumas áreas da imagem, destruindo os pixels. halo: contraste muito acentuado entre um objeto fotografado, filmado ou televisado e a área ao seu redor, sendo visto como uma auréola em torno de um objeto brilhante e claro. Glossário Edição e tratamento de imagens 97 Figura 12 Máscara de nitidez Esses passos são básicos e essenciais no tratamento de qualquer imagem. Caso haja outros defeitos ou im- perfeições, como áreas que necessitam de uma limpeza mais minuciosa, ou se deseje eliminar algum elemento da fotografia, devemos recorrer a outras ferramentas disponí- veis no Photoshop. 5.3.1.3 Etapa de finalização e fechamento do arquivo Sabendo que já estamos com a imagem de acordo com os nossos objetivos, passamos para a sua finalização, que consiste em ajustar, caso seja necessário, a rota- ção, o redimensionamento ou o reposicionamento, para enquadrá-la de acordo com a proposta compositiva. É preciso verificar a sua resolução e adequá-la conforme a sua finalidade (impressão, mídia social, tela etc.). Finalmente, devemos salvá-la em um arquivo adequado. • Passo 1 – Ajustes de rotação, redimensionamento e reposicionamento. Pode- mos cortar, rotacionar e redimensionar a nossa imagem utilizando a ferramen- ta de corte demarcado (1), que nos dará, também, a opção de sobreposição de uma guia de corte (2), com base na regra de terços, grade, diagonal, triângulo, proporção dourada ou espiral dourado; basta enquadramos a imagem confor- me o desejado e confirmar a operação. Para rotacionar, posicionamos o mouse nos cantos da imagem (3), de modo que o cursor fique curvado, e, então, ati- vamos essa opção. A Figura 13, a seguir, apresenta a sobreposição de corte utilizando a regra dos triângulos como referência. Jo rg e Ki m ie ck 1 3 Figura 13 Corte demarcado 2 98 Artes visuais - Fotografia • Passo 2 – Tamanho, resolução e modo da imagem. Antes de salvar o produto, devemos conferir a sua resolução no menu Imagem → Tamanho da imagem, e verificar se está conforme a necessidade de aplicação. Por exemplo, para foto- grafias que serão visualizadas em tela, a resolução de 72 ppi é suficiente, mas, caso a imagem seja impressa, deverá estar com 300 ppi, conforme as normas gráficas. Ainda, precisamos conferir o modo da imagem (Imagem → Modo), podendo ser tons de cinza, RGB, CMYK etc., que deverá estar de acordo com a aplicação final. • Passo 3 – Saída. A etapa final é salvar o arquivo. Para isso, devemos acessar o menu Arquivo e a opção Salvar como..., na qual escolhemos, dentre os vários formatos possíveis, o mais indicado para o nosso trabalho. É desejável salvar uma cópia de modo nativo do Photoshop, para que possamos reeditá-la, caso haja necessidade. Ressaltamos que esse fluxo de trabalho contém os passos básicos para um tra- tamento de imagem rápido e objetivo, de modo que você pode incluir alguns pas- sos intermediários para solucionar algum problema pontual. Esse processo pode, também, ser adaptado a qualquer outro editor de imagens, inclusive em aplicativos de dispositivos móveis, pois as bases conceituais são as mesmas. 5.4 Formatos de imagem e sua aplicação Vídeo Quando salvamos uma imagem no Photoshop ou em outro editor, obtemos um arquivo bitmap ou raster, que é criado por colunas de pixels em diferentes cores, denominadas mapas de pixels, compondo uma imagem. Na sua forma mais simples, o bitmap possui apenas duas cores, preto e branco, e, depen- dendo de sua complexidade, pode incluir milhões de pixels coloridos, como em fotografias. Ao finalizarmos todo o processo de edição e tratamento de uma imagem, de- vemos salvá-la em um formato adequado para a sua aplicação. A seguir, veremos uma série de formatos e as suas aplicações comuns. Os principais arquivos de bitmap, descritosno Quadro 4, têm extensões PCX, GIF, BMP, TIFF, JPEG e PNG, que determinam o formato. Quadro 4 Formatos comuns de imagens bitmaps Formato Descrição PCX Utilizado por aplicativos antigos; é orientado para o máximo de 256 cores. GIF Usado para distribuição comercial de imagens com compressão e sem perdas; pode ser um formato com animação (GIF animado), mas orientado para o máximo de 256 cores. BMP Padrão do sistema operacional da Microsoft (Windows); pode oferecer suporte à cor real. TIFF Padrão proprietário de fabricante para imagens em alta resolução espacial e em cores. JPEG (JPG) Empregado em imagens fotográficas com grande possibilidade de compressão, o que pode acarretar perda de qualidade. PNG Alternativa ao formato GIF; permite imagens com compressão, sem perdas significativas na qualidade, e possibilita transparência. PSD Formato de arquivo nativo/editável do Photoshop; preserva as camadas e é editável, mas o seu tamanho final é elevado. Fonte: Elaborado pelo autor. Edição e tratamento de imagens 99 Para salvar arquivos de fotografias, utilizamos, preferencialmente, o forma- to JPEG, que é adotado como padrão das câmeras digitais e dos laboratórios de revelação fotográfica, conhecidos como fotolabs. Ele possui grandes possi- bilidades de compressão, apesar de isso gerar possíveis perdas de detalhes da imagem. Para evitarmos essas perdas, sempre devemos, no caso do Photoshop, escolher a qualidade máxima, representada pelo numeral 12, ao salvar o arqui- vo, pois, se escolhermos algum fator menor que esse, haverá compressão na imagem e perda de qualidade proporcional ao fator de compressão, ou seja, quanto maior a compressão do arquivo, menor a sua qualidade final. O formato TIFF é interessante pelo fato de não perder detalhes, pois possui baixa ou nenhuma compressão, porém ocupa muito espaço em disco. Reco- mendamos utilizá-lo para arquivamento das imagens em discos externos ou outro tipo de mídia, ou para edição e impressão, apesar de que alguns fotolabs não aceitam imagens nesse formato de arquivo. Outro formato utilizado em fotografia é o RAW, que não sofre nenhum pro- cessamento adicional na câmera e que considera todos os dados obtidos pelo sensor CCD. Os únicos ajustes considerados são o ISO, a velocidade do obtura- dor e a abertura do diafragma regulados na câmera. Esse arquivo é gerado por alguns modelos de câmera digital e contém detalhes profundos de cor e lumi- nosidade, o que não ocorre no formato JPEG, pois este elimina algumas infor- mações da imagem para otimizar e gerar um arquivo mais leve. O formato RAW possui extensões diferentes de acordo com o fabricante da câmera fotográfica: CR2 (Canon), NEF (Nikon) e DNG (Leica, Samsung, Ricoh, Pentax, Hasselblad, DJI, entre outros). De acordo com o artigo da Canon College, fotografar em RAW apresenta al- gumas vantagens, como o tratamento de imagens: Ao importar uma imagem em RAW para um software de edição de imagem, você pode observar como os detalhes ficam muito mais sensíveis às altera- ções. Além de trazer mais possibilidades de cores e nitidez às imagens co- loridas, o RAW também é muito interessante para fotos em preto e branco. (OS BENEFÍCIOS..., 2020) Para efeito comparativo, o formato JPEG grava 256 níveis de brilho, en- quanto o RAW grava entre 4.096 e 16.384 níveis, ou seja, o JPEG captura em 8 bits e o RAW entre 12 bits e 14 bits. Isso, de maneira prática, facilita o pro- cesso de correção de imagens que, porventura, tenham sido subexpostas ou superexpostas. Para a edição de um arquivo em formato RAW, podemos utili- zar o Adobe Lightroom ou o Adobe Camera Raw (Figura 14). Este último é um plugin para a suíte da Adobe, lançado em 2003 e compatível com o Photoshop, Photoshop Elements, After Effects, Lightroom e diversos modelos de câmeras digitais disponíveis atualmente. Ele oferece suporte a arquivos RAW, oriundos de equipamentos de diversos fabricantes, e conta com várias ferramentas avan- çadas, por exemplo, controlar o tempo de exposição de uma fotografia que foi capturada subexposta ou superexposta. A Adobe fornece, também, de maneira gratuita, o software Adobe DNG Converter, que converte arquivos RAW gerados por fabricantes diferentes. A Adobe Systems lançou, em 2004, o formato Digital Negative (DNG), que é um formato de arquivo RAW gerado por diversos mo- delos de câmeras digitais. Ele se baseia na norma ISO 12234-2 (TIFF/EP), publi- cada em 2001, revisada e confirmada em 2016. Essas informações podem ser acessadas, em inglês, no link a seguir. Disponível em: https://www.iso. org/obp/ui/#iso:std:iso:12234:- -2:ed-1:v1:en. Acesso em: 15 jul. 2020. Saiba mais https://www.iso.org/obp/ui/#iso:std:iso:12234:-2:ed-1:v1:en https://www.iso.org/obp/ui/#iso:std:iso:12234:-2:ed-1:v1:en https://www.iso.org/obp/ui/#iso:std:iso:12234:-2:ed-1:v1:en 100 Artes visuais - Fotografia Figura 14 Adobe Camera Raw Contudo, uma imagem em RAW ocupa de duas a três vezes mais espaço em disco do que uma imagem em JPEG, além de demorar mais tempo para processar entre um clique e outro na câmera. Portanto, devemos ser criteriosos ao escolher entre fotografar no formato RAW ou JPEG, pesando os prós e contras ao tomar a decisão. Para auxiliar nessa etapa, podemos recorrer aos recursos de nossa câme- ra, com relação à definição de qualidade de gravação de imagem, como observa- mos no Quadro 5, que apresenta as definições da câmera Canon EOS 1Dx Mark II, como exemplo. Quadro 5 Definições do tamanho de imagem (Canon EOS 1Dx Mark II) Tamanho de imagem Resolução Formato de impressão Tamanho do ficheiro (MB) Número estimado de disparos Sequência máxima de disparos Cartão CF Cartão CFastStandard Velocidade alta JPEG L 20 M A2 6,2 1160 140 Cheio Cheio M1 13 M A3 4,3 1650 190 Cheio Cheio M2 8,9 M A3 3,4 2120 250 Cheio Cheio S 5,0 M A4 2,2 3180 740 Cheio Cheio RAW RAW 20 M A2 23,2 300 59 73 170 M RAW 11 M A3 18,5 370 72 94 330 S RAW 5,0 M A4 12,7 530 100 170 Cheio RAW+JPEG RAW L 20M 20M A2+A2 23,2+6,2 230 48 54 81 M RAW L 11 M 20 M A3+A2 18,5+6,2 280 53 65 100 S RAW L 5,0 M 20 M A4+A2 12,7+6,2 360 54 70 130 Fonte: Canon, 2016, p. 158. Edição e tratamento de imagens 101 Essas definições servem de referência para a melhor escolha de configuração, pois, se a aplicação da imagem é apenas para as redes sociais ou para uma impressão final em tamanho padrão 10x15 cm, não precisamos escolher uma con- figuração em modo RAW na maior resolução, que ocupa um espaço de mais de 23 MB no cartão de memória. Podemos, tranquilamente, fotografar em modo JPEG S, que ocupa apenas 2,2 MB, otimizando o espaço no cartão e possibilitando maior quantidade de disparos. Portanto, verifique sempre o manual de sua câmera antes de tomar qualquer decisão. 3. Instruir os discentes a fotografar elementos e/ou pessoas (produtos em embalagens de papel/papelão, rádios, aparelhos de TV e carros antigos são uma ideia interessante para explorar). 4. Não esquecer de ressaltar a importância dos fatores compositivos da imagem e a consciência do clique, estimulando o questionamento: por que estou foto- grafando isto? 5. Realizar, após a escolha de três imagens dentre as fo- tografadas, o tratamento digital delas no software ou aplicativo, sempre observando, atentamente, a ima- gem de referência. Ah, não vale utilizar filtro pronto! 6. Encaminhar os alunos para a apresentação aos seus cole- gas da imagem tratada ao lado da imagem de referência, compartilhando as suas experiências. Na prática Procedimentos: 1. Apresentar o estilo vintage aos alunos, mostrando imagens das décadas de 1950 a 1970, apontando suas características, como tonalidades de cor, texturas e padrões uti- lizados, e ressaltando as diferenças entre retrô e vintage. Por exemplo, no uso de cores: retrô = cores mais brilhantes; vintage = paletas de cores mais opacas, com brilhos mais localizados em pontos específicos 6 . 2. Orientar os alunos na realização de uma pesquisa, de modo que coletemimagens de referência sobre o vintage e o retrô. Também, poderá ser fornecido aos estudantes pa- letas de cores com essas características. Na Figura 15, apresenta- mos o exemplo de uma imagem original trata- da com base na paleta de cores Retro Vintage Color Palette 7 , na qual foram realizados ajustes de maneira não destrutiva, no Photoshop, preservando a imagem original. Que tal explorar a edição e o tratamento de imagens em uma aula de Arte? Nesta atividade, vamos abordar o estilo vintage ou retrô e realizar o tratamento de uma fotografia, buscando a semelhança entre a luminosidade e as cores de uma imagem de referência e de uma foto realizada pelos alunos. A proposta também pode ser realizada de maneira interdisciplinar entre a aula de Arte e de Informática, bem como adaptada para diferentes níveis de escolaridade. Recursos necessários: • Câmera digital ou smartphone. • Computadores com software de edição de imagens ou aplicativos instalados nos smartphones dos alunos. Figura 15 Exemplo de tratamento de imagem Disponível em: https://www.co- lor-hex.com/color-palette/18575. Acesso em: 15 jul. 2020. 7 Acessando o link, você encontra seis elementos do design vintage, com alguns exemplos. Disponível em: https://www.printi.com.br/ blog/6-elementos-do-design-vinta- ge. Acesso em: 15 jul. 2020. 6 102 Artes visuais - Fotografia CONSIDERAÇÕES FINAIS O processo de edição e tratamento de imagens pode parecer, inicialmente, uma tarefa complexa, mas, conhecendo seus princípios básicos e estabelecendo um fluxo de trabalho coerente e objetivo, torna-se uma ferramenta essencial nas mãos do fotó- grafo. Esse profissional pode, então, explorar a sua criatividade de maneira contínua, pois a fotografia não se resume ao simples ato de se apertar um botão; vai mais além, potencializando fatores composicionais, de certa forma, ignorados pela maioria dos fo- tógrafos casuais. Além disso, essas técnicas são uma excelente ferramenta pedagógica para o ensino da disciplina de Arte, explorando conceitos artísticos e correlacionando- -os com a fotografia e o uso de novas tecnologias. Tendo em mente que não importa se a imagem foi capturada por uma câmera DSLR ou por um smartphone, devemos ser igualmente criteriosos quanto aos objeti- vos primários daquela fotografia, pensando em sua composição, seus elementos e as relações existente entre eles. Depois, na edição e no tratamento da imagem, precisa- mos dar continuidade ao processo criativo, e não simplesmente recorrer à aplicação de filtros e ajustes prontos, tão comuns nos aplicativos disponíveis atualmente e que empolgam os fotógrafos casuais iniciantes. Em síntese, uma imagem deve comunicar a mensagem para a qual foi idealizada, seja na fotografia artística, publicitária, fotojornalística ou, até mesmo, no registro ca- sual de nosso cotidiano, observando os cuidados necessários na pós-produção, com uma edição consciente e coerente, que cumpra seu papel comunicativo. REFERÊNCIAS CANON. Manual Canon EOS 1Dx Mark II. Países Baixos: Canon Europa N.V., 2016. CIRIACO, D. Os 10 melhores editores de imagem para Android. Canaltech, 16 jan. 2020. Disponível em: https://canaltech.com.br/android/os-10-melhores-editores-de-imagem-para-android/. Acesso em: 15 jul. 2020. OS BENEFÍCIOS da fotografia em RAW. Canon College, 2020. Disponível em: https://college.canon.com.br/ dicas/os-beneficios-da-fotografia-em-raw-91. Acesso em: 15 jul. 2020. SANTOS, J. FOTOedição: O guia essencial de pós-produção com Photoshop Lightroom e Adobe Câmera Raw. Vila Nova de Famalicão: Centro Atlântico, 2012. GABARITO 1. Módulos: • Biblioteca: local em que podemos acessar arquivos, metadados e outros dados das imagens, bem como realizar uma revelação rápida. • Revelação: item que realiza ajustes e retoques mais profundos na imagem, podendo utilizar filtros e predefinições. • Mapa: apresenta a marcação de localização de onde a imagem foi obtida, utilizando dados GPS dos metadados. • Livro: usado para a criação de catálogos ou fotolivros com modelos predefinidos, que podem ser exportados para impressão ou veiculação digital (PDF). • Apresentação de slides: exporta apresentações em PDF ou em vídeo de imagens selecionadas. • Imprimir: utilizado para imprimir as imagens ou os catálogos diretamente na impressora de prova. • Web: empregado na criação de sites em forma de catálogo para visualização na internet, sem a necessidade de programação. Edição e tratamento de imagens 103 2. No domínio espacial, as operações são realizadas no pixel da imagem, isoladamente, por exemplo, no re- corte, na cópia e na colagem. No domínio da frequência, as operações são aplicadas no todo da imagem, ou seja, na mudança da escala, na aplicação de filtros, nos ajustes da imagem etc. 3. Na edição destrutiva, os ajustes e efeitos são aplicados diretamente sobre a imagem original, não permi- tindo retornar ao seu estado anterior, o que pode acarretar perda de informações. Na edição não des- trutiva, todos os processos permitem reversão, sem limitações, pois os ajustes realizados são gravados em um arquivo complementar, preservando a imagem original. 104 Artes visuais - Fotografia 6 Gêneros fotográficos O universo da fotografia é amplo e variado. Devemos compreender como as técnicas e a composição podem ser aplicadas a diferentes gê- neros de fotografia. Para fotografar um retrato, por exemplo, utilizamos métodos e enquadramentos distintos dos que empregamos em uma pai- sagem, em que o fator tempo interfere de maneira significativa, alterando, a cada hora do dia, a forma como a luz realça as cores e as texturas na imagem. Necessitamos, também, saber escolher o equipamento mais apropria- do para obter a melhor imagem possível, de acordo com cada gênero, o tipo de lente, o uso de filtros fotográficos, entre outros fatores. Neste capítulo, abordaremos algumas particularidades dos gêneros paisagem e natureza-morta, retrato e modelo vivo, fotojornalismo, fotografia artística e fotografia publicitária. Apresentamos alguns fotógrafos de acordo com cada gênero, para que você se conheça e se inspire durante a realiza- ção de suas fotos. Para a aula de Arte, sugerimos uma atividade prática explorando a iluminação da natureza-morta da pintura clássica, utilizando técnicas fotográficas. 6.1 Paisagem e natureza-morta Vídeo A fotografia de paisagem é, sem dúvida, a que incorpora todos os elementos da composição em uma escala ampliada. Nesse gênero, o fotógrafo necessita ser paciente para esperar a melhor luz, que realce e revele as texturas inerentes à paisagem, como as suas características geológicas e arqueológicas. Segundo Präkel (2010, p. 137), “formato e forma são revelados pela ilumina- ção do Sol e da Lua em constante movimento sobre as formas da Terra. Cada vez que mudam, as estações vestem a paisagem com uma ampla gama de co- res”. Isso é bem observado quando fotografamos durante o outono, em que as cores se tornam mais quentes, com tons de castanho, vermelho, vinho e um pouco de amarelo e verde que ainda restam das folhas da vegetação, compon- do a paisagem, como podemos observar na Figura 1. Gêneros fotográficos 105 Figura 1 Paisagem sob a luz do outono No gênero paisagem, não temos nenhum controle sobre a iluminação da cena a ser fotografada. Apenas podemos escolher o ponto de vista, aguardar e observar até que a luz esteja adequada ao momento do clique, pois a altura e a direção do Sol é que determinam a incidência dos raios na paisagem, que pode variar de acor- do com o momento do dia e a estação do ano. Quando o Sol está em seu pico, a luz é forte a ponto de não realçar as texturas e formas da paisagem. Desse modo, os melhores momentos para fotografar paisa- gens são ao amanhecer ou entardecer, geralmente a primeira hora após o nascer do Sol e a última hora antes de ele se pôr. Esses períodos são chamados de hora dourada ou golden hour, quando o Sol está mais baixo e os seus raios não refletem diretamente, iluminandosutilmente toda a cena. Figura 2 Fotografia obtida na hora dourada 106 Artes visuais - Fotografia A composição precisa levar em conta o que será recortado do cenário no qual estamos presentes, direcionando o olhar do espectador para o que deve ser visto em primeira instância. Em paisagens, a forma mais comum de composição uti- lizada é a regra dos terços, enquadrando elementos principais nos pontos de interesse. Podemos também explorar as linhas e formas, comuns principalmente nas paisagens urbanas, que são delineadas pelas linhas de edifícios e ruas. Ve- mos isso na Figura 3, que retrata uma rua em Buenos Aires, realçando as linhas férreas e as de sinalização horizontal pintadas sobre a via. Figura 3 Paisagem urbana Outro fator a ser considerado está relacionado com a profundidade de cam- po, devendo ser ampla para que todos os elementos da imagem estejam em foco. Para isso, escolhemos uma abertura de diafragma (f/stop) pequena, resultando na captura de menor quantidade de luz. Para contornar esse problema e compensar a exposição de modo que a fotografia não fique subexposta, teremos que utilizar uma velocidade do obturador mais lenta, podendo resultar em imagens tremidas. Portanto, o uso de um tripé é imprescindível quando realizamos fotografias de lon- ga exposição, por exemplo, de cachoeiras – como na Figura 4, que evidencia o efei- to de véu obtido com o auxílio de um filtro ND (Quadro 1) – ou de um céu noturno, realçando o brilho das estrelas. Figura 4 Foto de cachoeira em longa exposição Cr is tia n N Ga ita n/ Sh ut te rs to ck Gêneros fotográficos 107 As lentes mais utilizadas para a fotografia de paisagem são as grande angulares, que proporcionam uma maior amplitude de enquadramento e nitidez da cena. As lentes zoom também são usadas quando o propósito é capturar elementos distan- tes, garantindo a sua nitidez. Também podemos utilizar filtros fotográficos, acessórios para serem acoplados à lente, criando diferentes efeitos. O Quadro 1, a seguir, apresenta os tipos de filtro fotográfico e os seus efeitos. Quadro 1 Tipos de filtro fotográfico Filtro fotográfico Aplicação/Efeito final Filtro de proteção Protege a lente contra a umidade, a poeira e os choques eventuais. Não fornece nenhum efeito visual. Filtro ultravioleta (UV) Absorve a luz em excesso, diminuindo o efeito glare. Confere mais naturalidade e suavidade às ima- gens e diminui efeitos de reflexos e estouro na iluminação. Filtro skylight (1 A/B) Diminui a intensidade do azul, corrigindo e balanceando cores fortes e azuladas, e resultando em tons levemente mais quentes e vivos. O 1A é recomendado para fotografias aéreas e paisagens distantes, e o 1B melhora os contrastes em paisagens em geral. Filtro polarizador Elimina reflexos indesejados, tais como de janelas, água, vitrines, para-brisas e vidros de automóveis etc. Realça os tons e preserva a tonalidade, mesmo através de superfícies com pouca transparência. Filtro ND (densidade neutra) Possui cor cinza e reduz a quantidade de luz que incide sobre a lente, não afetando o equilíbrio da cor. É oferecido com vários fatores de absorção, podendo ser utilizado para capturar imagens com movimentos contínuos, como cachoeiras, formando o efeito de véu. Também conta com uma versão graduada, que permite ter fatores de absorção diferentes em determinadas partes do filtro, equili- brando elementos iluminados com sombreados, como a relação entre céu e mata em uma fotografia de paisagem. Fonte: Elaborado pelo autor. Outro acessório a ser considerado na fotografia de paisagem é o para-sol (lens-hood), que é encaixado na parte frontal da câmera. Sua principal finalidade é proteger a lente para que não ocorra flare ou glare. Para cada tipo de lente, há um tipo de para-sol: para lentes tele, utilizamos o cilíndrico; para angulares e grande angulares, o de formato tulipa; e para comuns, o de formato cônico, conforme ilus- tra a Figura 5. Mas, caso os efeitos de glare e flare sejam desejados, basta retirar o para-sol antes de obter a fotografia, o que pode resultar em belos efeitos visuais, conferindo um toque artístico. Figura 5 Tipos de para-sol Ge ni /W ik im ed ia C om m on s glare: grande mancha luminosa e sem definição que diminui o contraste da imagem. Glossário flare: mancha de luz bem definida criando diferentes formatos, como pentágonos, círculos e heptágonos de luz, na imagem. Glossário 108 Artes visuais - Fotografia Para fonte de inspiração, selecionamos cinco fotógrafos de paisagem e nature- za, dispostos no quadro a seguir. Quadro 2 Fotógrafos de paisagem e natureza Fotógrafo Sobre Conheça seu trabalho Ansel Adams (1902-1984) Fotógrafo e conservacionista americano; fotografou as belezas do Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia. https://www.anseladams.com Nadav Kander (1961- ) Premiado, em 2009, com o Prix Pictet Earth, pela série de paisagens Yangtze – the long river. https://www.nadavkander.com Johnny Mazzilli (1965- ) Fotógrafo brasileiro com trabalhos que retratam a aurora boreal em Lofoten, na Noruega. http://www.johnnymazzilli.com.br Araquém Alcântara (1951- ) Considerado um dos precursores da foto- grafia de natureza no Brasil, documentou todos os parques nacionais brasileiros. https://araquemalcantara.com.br Carr Clifton (1957- ) Fotógrafo californiano, especializado em paisagem e natureza. https://carrclifton.com/ Fonte: Elaborado pelo autor. Acesso em: 22 jul. 2020. Outro gênero fotográfico bastante explorado por fotógrafos e artistas visuais é a natureza-morta (still life). Podemos considerá-la o oposto da fotografia de paisa- gem e de natureza, quando tratamos de composição, pois temos o controle total da cena, da iluminação, do fundo e da técnica a ser aplicada. Consiste, basicamente, em fotografar qualquer objeto inanimado, como comida, vasos com plantas, flo- res, frutas, garrafas, objetos domésticos etc. O interessante é que, por meio dessa técnica, podemos exercitar nosso olhar com relação à iluminação, às formas, às cores e à composição de objetos que estão ao nosso alcance. A iluminação utilizada, geralmente, é simples e composta por uma fonte, poden- do ser rebatida com algum refletor. A luz natural, como a de janelas ou ao ar livre, também nos permite explorar diversas maneiras de retratar o objeto. Assim, pode- mos fotografar naturezas-mortas orgânicas encontradas no ambiente e explorar o nosso potencial criativo. Em termos de equipamentos, nesse gênero, é interessante aproveitar os recursos que temos em mãos, como a câmera do smartphone. Para um resultado com mais qualidade, podemos nos valer de lentes macro ou objetivas de 50 mm, que proporcionam um efeito bokeh interessante. Na Figura 6, apresentamos quatro exemplos desse gênero, nos quais foram explorados objetos encontrados no ambiente. Na primeira imagem, um simples arranjo entre três garrafas, fotografado de maneira a ressaltar as suas formas e a textura lisa e ondulada do vidro. Na segunda, uma espiga de milho caída no chão, fotografada sobre uma superfície polida, explorando o efeito bokeh da lente de 50 mm e evidenciando o foco na área central da imagem. Na terceira, o efeito bokeh da lente limitou a área de foco, ressaltando as texturas da ferru- gem no martelo. Na quarta, a baixa iluminação do ambiente e a oportunidade da luz das velas no interior da Catedral de Notre-Dame de Paris permitiram o desfoque do segundo plano, resultando em uma imagem que explora uma composição diagonal. https://www.anseladams.com https://www.nadavkander.com http://www.johnnymazzilli.com.br https://araquemalcantara.com.br https://carrclifton.com/ Gêneros fotográficos 109 Figura 6 Exemplos de fotografia de natureza-morta (still life) Ressaltamos, aqui, a importância de uma ressignificação dos objetos quando fotografados, pois, como salienta Cartier-Bresson (2011, p. 12): para significar o mundo, temos que nos sentir implicados no que recorta- mos através do visor. Essa atitude exige concentração,sensibilidade, senso de geometria. É por uma economia de meios e, sobretudo, um esquecimento de si mesmo que chegamos à simplicidade de expressão. [...] fotografar é num mesmo instante e numa fração de segundo, reconhecer um fato e a organização rigorosa das formas percebidas visualmente que exprimem e significam esse fato. Ao fotografarmos natureza-morta, devemos aguçar a nossa sensibilidade e re- cortar os objetos da realidade a nossa volta, simplificando a sua leitura visual e ressaltando os elementos que a compõem, como forma, cor e textura, na busca de um resultado estético que os represente visualmente. Explique por que a fotografia de natureza-morta é considerada o oposto da fotografia de paisagem. Atividade 1 6.2 Retrato e modelo vivo Vídeo O retrato é, desde a invenção da máquina fotográfica, o tema preferido de mui- tos profissionais, pois, conforme aponta Freeman (2005, p. 6), “o tema clássico da fotografia somos nós próprios. [...] como espécie, para além de sermos altamente egocêntricos, temos um apetite infinito pela observação do aspecto dos outros, o que estão a fazer, o nosso aspecto”. Ao pensarmos em fotografia de retrato, devemos nos questionar sobre o que que- remos apresentar da personalidade do retratado, quais os traços e as características que vamos evidenciar para capturar a sua essência. A palavra simplicidade é tida como a chave para um bom retrato, pois, como define Präkel (2010, p. 140), “o rosto humano é extremamente fascinante. Uma forma pronta com infinitas variações”. Cabe ao fo- tógrafo saber captar a imagem, lendo e encorajando as expressões faciais do sujeito. 110 Artes visuais - Fotografia O retrato pode ser formal ou espontâneo. Quando realizado de maneira formal, ou seja, com um acordo consensual entre fotógrafo e retratado, é importante que o profissional encoraje o seu modelo a ficar descontraído e a agir normalmente, evitando poses preestabelecidas. No caso de um retrato espontâneo, o sujeito está alheio ao fotógrafo, levando-o a agir mais naturalmente. De acordo com Sousa (2004, p. 122, grifos do original), “podem distinguir-se dois tipos de retratos, o retrato individual e o retrato de grupo ou coletivo. Podem ainda distinguir-se os retratos ambientais dos não-ambientais”. Se o enquadra- mento for contextual, incluindo o ambiente, chamamos de retrato ambiental, e se for mais íntimo, focando o rosto do retratado sem incluir o ambiente, denomina- mos de não ambiental. No caso de ser contextual, devemos observar atentamente se o cenário está complementando a pessoa fotografada, verificar se os objetos que o compõem não estão interferindo diretamente no retrato, por exemplo, um artigo de decoração que aparenta estar sobre a cabeça do indivíduo. Também é interessante utilizar lentes grande angulares, entre 20 e 35 mm, com grande profundidade de campo, para capturar o ambiente e reforçar aspectos da personalidade do retratado. Na Figura 7 foi levado em conta o ambiente de trabalho, estabelecendo uma relação contextual entre o profissional e o cenário, configurando, portanto, um retrato ambiental. Figura 7 Retrato ambiental Ro ss He le n/ Sh ut te rs to ck Quando o retrato é em close-up, isto é, mais fechado e individual, focando o rosto e os ombros do indivíduo, bem como de maneira não ambiental, precisa- mos ter muita atenção ao foco, principalmente aos olhos do retratado, para que a imagem resulte nítida. Ainda, devemos buscar algum traço da sua personalidade, como observamos no exemplo da Figura 8, em que a nitidez do foco salienta os olhos da modelo. Gêneros fotográficos 111 Quanto ao equipamento, temos que tomar o cuidado de escolher a lente correta. Geralmente, é recomendável utilizar lentes entre 50 e 105 mm, para evitar possíveis distorções no formato do rosto. Outro fator primordial para a qualidade do retrato é a iluminação, que varia de acordo com a situação na qual a foto é realizada. No caso de luz natural, em cenas exteriores, devemos observar como ela reflete no retratado, buscando o melhor ângulo em que a face esteja iluminada, sem excesso de sombras ou reflexos prejudiciais à ima- gem. O Quadro 3 apresenta como as partes do rosto reagem à iluminação. Aponte as principais características da fotografia de retrato. Atividade 2 Figura 8 Retrato em close-up Al es hy n_ An dr ei /S hu tte rs to ck Quadro 3 Incidência da luz nas áreas do rosto Área Características da luz Cabelo O cabelo fica com melhor aspecto quando parcialmente iluminado por trás, dando-lhe vida e brilho. Testa A menos que tenha a sombra do cabelo, a inclinação da testa pode refletir uma iluminação forte e parecer demasiado exposta. A luz difundida reduz esse problema. Olhos Normalmente, precisam de um bom preenchimento de sombra, para evitar que pareçam fundos. Orelhas Se o modelo tem orelhas grandes, apenas uma alteração da pose pode ajudar. Uma pose a três-quartos é melhor do que de frente. Maçãs do rosto Fator importante nos retratos, as maçãs do rosto fortes e altas são particular- mente fotogênicas. Nariz Não há problemas especiais na iluminação do nariz, embora possa ser necessário evitar que pareça demasiado proeminente. Uma luz forte e cruzada produzirá uma sombra e acentuará o nariz; uma iluminação suave será mais eficaz. Boca A boca não causa problemas de iluminação, geralmente. Tenha cuidado com os batons vermelhos, que parecerão muito escuros em uma fotografia em preto e branco; nas coloridas, a boca parecerá mais proeminente. Queixo Pode criar uma grande sombra com uma iluminação de cima, vantajosa em al- guns casos. Em retratos, é uma boa ideia colocar abaixo do queixo um refletor de alumínio amarrotado. Fonte: Elaborado pelo autor com base em Freeman, 2005. Selecionamos cinco fotógrafos de retrato para que você possa se inspirar e analisar como capturam a essência de suas fotografias, apresentados no quadro a seguir. 112 Artes visuais - Fotografia Quadro 4 Fotógrafos de retrato Fotógrafo Sobre Conheça seu trabalho Steve McCurry (1950- ) Considerado um dos mais icônicos fotógrafos con- temporâneos, por mais de trinta anos, sua foto mais famosa é a Menina afegã, capa da National Geographic. https://www.stevemccurry.com/ Sally Mann (1951- ) Fotógrafa americana conhecida pelos retratos de atmosfera lúdica e deprimente, que sugerem juven- tude e decadência. Suas obras estão no Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque, entre outros lugares. https://www.sallymann.com/ Yousuf Karsh (1908-2002) Fotógrafo armênio conhecido por seus retratos de Winston Churchill, Marilyn Monroe, Albert Einstein, Pablo Picasso, entre outros. http://www.artnet.com/artists/yousuf-karsh/ Luisa Dorr (1988- ) Fotógrafa brasileira, retratou as quarenta e seis mulhe- res mais influentes do mundo utilizando um smartphone para a revista Time, tendo doze capas publicadas. https://www.instagram.com/luisadorr/ Bob Wolfenson (1954- ) Fotógrafo brasileiro que iniciou a sua carreira aos de- zesseis anos; transita entre vários estilos. https://www.bobwolfenson.com.br/ Fonte: Elaborado pelo autor. Acesso em: 22 jul. 2020. DEMACHY, R. 1900. Fotografia, 22,2x17,0 cm. Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque. Figura 9 Académie, do fotógrafo Robert Demachy, aproxi- mando a estética fotográfica da pintura clássica Ka th y D ah ab O gênero modelo vivo tem as suas origens nas produções artísticas (pintura e escultura) a partir da segunda metade do século XVII, nas academias de arte eu- ropeias. O principal objeto era o estudo direto da figura humana, quase sempre nua. De acordo com Dias (2007, n.p.), a fotografia foi inserida nos estudos de belas-artes em meados do século XIX e gerou diversas polêmicas, sendo rejei- tada por alguns artistas que afirmavam que ela transmitia “o real e não o ver- dadeiro, pois há ausência de expressão e de alma”. Mas, no final desse mes- mo século, alguns fotógrafos do mo- vimento pictorialista – como Robert Demachy (1859-1936), queproduzia fotografias de modelos nus com mani- pulações, aproximando-as de um acaba- mento similar ao das pinturas (Figura 9), e Alfred Stieglitz (1864-1946), que reali- zava um estudo fotográfico de partes do corpo – conseguiram introduzir as foto- grafias de nu artístico em exposições e eventos de arte. https://www.stevemccurry.com/ https://www.sallymann.com/ http://www.artnet.com/artists/yousuf-karsh/ https://www.instagram.com/luisadorr/ https://www.bobwolfenson.com.br/ Gêneros fotográficos 113 A iluminação, tida como um componente da composição, é utilizada para revelar a forma e as texturas do corpo. Geralmente, as luzes são de baixa intensidade, bus- cando mostrar as sutilezas da forma humana, o que exige lentes claras com gran- des aberturas e equipamentos com boa sensibilidade para fotografar com pouca luz. Tendo em vista a exposição do modelo, nesse gênero fotográfico, existem vários protocolos a serem seguidos, como a temperatura do ambiente, os cuidados com a privacidade, a necessidade de acompanhantes, entre outros. Concordamos com Präkel (2010, p. 144) quando afirma que: a abordagem e a motivação [para esse gênero] podem ser radicalmente diferen- tes – artística, comercial, exploratória –, mas qualquer fotografia do corpo huma- no tende a provocar uma resposta emocional e algum tipo de debate. [...] exige uma habilidade excepcional e uma reflexão cuidadosa sobre questões de gosto. Portanto, devemos levar em conta quais são os nossos limites e até onde pode- mos explorar esse gênero de maneira artística e criativa. 6.3 O fotojornalismo Vídeo O fotojornalismo tem uma linguagem própria na produção de imagens, as quais estão diretamente ligadas ao fato, contando a sua história, passando pela inten- ção e pelo contexto de inserção de uma imagem fotográfica em uma mídia. Po- demos classificar as narrativas fotojornalísticas visuais como notícias, features, picture stories e fotorreportagem, conforme apresentamos a seguir. A fotografia de notícias engloba os subgêneros: spot news, general news e photo opportunities (OP). As spot news são originárias das hard news, que são acon- tecimentos inesperados, muitas vezes obras do acaso. O fotógrafo deve ter agili- dade e técnica para captar o momento único daquele fato. Já a general news confere um tempo para que o profissional possa se progra- mar, escolher os equipamentos mais adequados e planejar como será a sessão fotográfica, como em entrevistas coletivas, reuniões políticas, congressos, ceri- mônias protocolares, manifestações pacíficas, esportes etc. Um exemplo é a Figura 10, capturada durante a Marcha das Vadias, realizada em julho de 2013, em Curitiba, um evento amplamente divulga- do em redes sociais, permitindo ao fotógrafo um planejamento prévio de como seria realizada a sua cobertura fotográfica. As photo opportunities (OP) consistem em fotografias posa- das formalmente, o que acarreta dificuldade em se encontrar um ângulo diferente e criativo, como Figura 10 Exemplo de fotografia de general news 114 Artes visuais - Fotografia no exemplo da Figura 11, na qual temos uma foto posada de maneira padrão, re- tratando uma equipe de trabalho. Figura 11 Exemplo de photo opportunity (OP) fiz ke s/ Sh ut te rs to ck As features são imagens que não necessitam de um texto para serem compreendidas; ele é apenas o seu complemento, apresentando informa- ções básicas. Esse tipo de fotografia também exige agilidade do profissional para captar o momento certo, além de propiciar uma maior liberdade criati- va, pois o interesse é uma imagem incomum e forte visualmente. Conforme aponta Sousa (2004, p. 116, grifos do original), “há, principalmente, três tipos de feature photos: as fotografias de interesse humano, as fotografias de interesse pictográfico e as fotografias de animais”. No caso de retratar emoções humanas, é desejável conciliar o interesse humano com o interesse pictográfico, no qual o principal foco é o cenário em si. Figura 12 Exemplo de feature photo de interesse humano As picture stories requerem tempo, plane- jamento e muitas fotografias para que sejam integradas em um conjunto que se materialize em um relato compreensivo e desenvolvido de um tema, mostrando diversas facetas do assun- to principal. Podem ser utilizados diversos tipos de fotos isoladas (spot news, retratos etc.) para contar a história. Comumente, são distribuídas em planos gerais, médios e de conjunto para as ações principais, planos de detalhamento em ações específicas, close-up ou plano americano e fotografia de encerramento. Gêneros fotográficos 115 Sua planificação envolve uma pesquisa documental e reportagens já rea- lizadas sobre o tema, uma escolha detalhada do material a ser utilizado e a criação de um roteiro de como a história será contada por meio das imagens. O objetivo da fotorreportagem é documentar e registrar a evolução de acontecimentos reais e pessoas envolvidas, sem necessariamente demar- car um ponto de vista. Cada imagem da fotorreportagem necessita de uma foto-legenda, que pode ser substituída por um texto introdutório guia para a leitura das imagens. A fotografia de esportes, na maioria das vezes, é classificada como notí- cias em geral ou features, sem haver uma particularização desse tema. São imagens que devem transmitir ação e emoção. É importante o fotojornalista conhecer as regras e características do esporte que está cobrindo, pois, dessa maneira, será possível antever alguns momentos que merecem ser fotogra- fados e se posicionar nos melhores locais para capturá-los. Observamos isso na Figura 13, a qual retrata uma corrida infantil com a figura do “coelho”, um corredor adulto que larga antes das crianças para estimular a sua “persegui- ção”; sabendo antecipadamente dessa característica, o fotógrafo ficou posicio- nado de modo a capturar a ação inicial da largada, registrando esse momento. Figura 13 Exemplo de fotografia de esportes É um gênero que exige um bom equipamento, com câmeras de alta capa- cidade de processamento, lentes rápidas e de longo alcance (teleobjetivas). Cada modalidade esportiva tem as suas próprias especificidades, cabendo ao fotógrafo decidir qual é o melhor equipamento a ser utilizado. Um exemplo de picture stories pode ser encontra- do na reportagem Country Doctor, da revista Life, em que o fotógrafo W. Eugene Smith (1918-1978) regis- trou, durante 23 dias, o Dr. Ernest Ceriani no acom- panhamento médico diário de mais de 2.000 pessoas, nas Rocky Mountains, e contou essa história por meio de imagens. Disponível em: http://100photos.time. com/photos/country-doctor-w-euge- ne-smith. Acesso em: 22 jul. 2020. Saiba mais Podemos visualizar um exemplo na matéria Fotorreportagem: o impacto do coronavírus na rotina do RS, realizada pela equipe de editoria de imagem do jornal on-line GaúchaZH, a qual é atualizada continua- mente e editada na forma de um diário. Disponível em: https://gauchazh.cli- crbs.com.br/saude/noticia/2020/03/ fotorreportagem-o-impacto-do-co- ronavirus-na-rotina-do-rs-ck7wi06t- y05e501oac18jox51.html. Acesso em: 22 jul. 2020. Saiba mais Faça uma síntese do gênero fotojornalismo. Atividade 3 Um exemplo de picture stories pode ser encontrado na reportagem Country Doctor, da revista Life, em que o fotógrafo W. Eugene Smith (1918-1978) registrou durante 23 dias o Dr. Ernest Ceriani no acompanhamento médico diário a mais de 2.000 pessoas nas Rocky Mountains e contou essa história por meio de imagens na revista. Disponível em: http://100photos.time.com/photos/country-doctor-w-eugene-smith. Acesso em: 7 jul. 2020. Um exemplo de picture stories pode ser encontrado na reportagem Country Doctor, da revista Life, em que o fotógrafo W. Eugene Smith (1918-1978) registrou durante 23 dias o Dr. Ernest Ceriani no acompanhamento médico diário a mais de 2.000 pessoas nas Rocky Mountains e contou essa história por meio de imagens na revista. Disponível em: http://100photos.time.com/photos/country-doctor-w-eugene-smith.Acesso em: 7 jul. 2020. Um exemplo de picture stories pode ser encontrado na reportagem Country Doctor, da revista Life, em que o fotógrafo W. Eugene Smith (1918-1978) registrou durante 23 dias o Dr. Ernest Ceriani no acompanhamento médico diário a mais de 2.000 pessoas nas Rocky Mountains e contou essa história por meio de imagens na revista. Disponível em: http://100photos.time.com/photos/country-doctor-w-eugene-smith. Acesso em: 7 jul. 2020. https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2020/03/fotorreportagem-o-impacto-do-coronavirus-na-rotina-do-rs-ck7wi06ty05e501oac18jox51.html https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2020/03/fotorreportagem-o-impacto-do-coronavirus-na-rotina-do-rs-ck7wi06ty05e501oac18jox51.html https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2020/03/fotorreportagem-o-impacto-do-coronavirus-na-rotina-do-rs-ck7wi06ty05e501oac18jox51.html https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2020/03/fotorreportagem-o-impacto-do-coronavirus-na-rotina-do-rs-ck7wi06ty05e501oac18jox51.html https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2020/03/fotorreportagem-o-impacto-do-coronavirus-na-rotina-do-rs-ck7wi06ty05e501oac18jox51.html 116 Artes visuais - Fotografia 6.4 A fotografia artística Quando a fotografia transcende a técnica e é utilizada como um meio de expressividade pessoal e criativo, estamos adentrando o terreno da fotogra- fia artística, no qual o fotógrafo explora conceitos altamente elaborados com o objetivo de registrar uma visão única, subjetiva e, de certa forma, abstrata de seu trabalho, impondo as suas características estéticas e expressando as suas ideias. Cada fotógrafo busca explorar as técnicas de composição de sua manei- ra individual e única, estabelecendo relações visuais fortes e complexas e re- definindo a compreensão da realidade, como o artista francês Sébastien Del Grosso (1981- ), que mistura as técnicas de desenho e ilustração com a foto- grafia. Na sua série intitulada L’esquisse d’une vie (em português, O esboço de uma vida), apresenta vinte e sete trabalhos que, segundo ele, ilustram a sua vida, como se seus esboços tivessem dado à luz a cada um dos seus atos, seja por meio da intervenção de pessoas próximas a ele ou até de eventos que fo- ram importantes em sua vida, como o nascimento de sua filha. Esse é um gênero que explora os mais diversos tipos de equipamentos, desde câmeras fotográficas analógicas até smartphones, procurando descobrir o seu po- tencial na totalidade, de acordo com a proposta artística e a poética que se deseja transmitir por meio da obra. O artista busca qual é o melhor equipamento e a técnica para realizar o trabalho. Na Figura 14, apresentamos uma imagem obtida utilizando a técnica de splashes. Nela, foi empregado um dispositivo eletrônico controlador de disparos 1 (da câmera e do flash), resultando a fotografia intitulada Hang loose, devido à forma registrada no momento do clique. Mesmo aplicando as mesmas condi- ções e os mesmos parâmetros da foto obtida, não foi mais possível reproduzi-la, constituindo-se uma imagem única e inédita e reforçando o seu valor artístico. Figura 14 Fotografia de splash em alta velocidade KIMIECK, J. L. Hang loose. 2012. Fotografia. Acervo pessoal. Conheça o trabalho do fotógrafo Sébastien Del Grosso, que combina, de maneira inusitada, as técnicas de fotografia com o desenho digital em suas obras, nos links a seguir: Facebook – Disponível em: https://web.facebook.com/ sebastien.delgrosso. Acesso em: 22 jul. 2020. Instagram – Disponível em: https://www.instagram.com/ sebastien.del.grosso/. Acesso em: 22 jul. 2020. Tutoriais e imagens – Disponível em: https://www.behance.net/s- -d-g. Acesso em: 22 jul. 2020. Saiba mais splash: fotografia em alta velo- cidade do impacto de um líquido sobre um sólido ou outro líquido. Glossário Foi utilizado o photoduino, um controlador de câmera com base em código aberto e Arduino. Para saber mais, visite: https://kalanda. github.io/photoduino/. Acesso em: 22 jul. 2020. 1 Vídeo https://web.facebook.com/sebastien.delgrosso https://web.facebook.com/sebastien.delgrosso https://www.instagram.com/sebastien.del.grosso/ https://www.instagram.com/sebastien.del.grosso/ https://www.behance.net/s-d-g https://www.behance.net/s-d-g https://kalanda.github.io/photoduino/ https://kalanda.github.io/photoduino/ Gêneros fotográficos 117 Tendo como viés a fotografia artística, várias outras técnicas podem ser explo- radas, certos de que podemos romper com os padrões da “imagem perfeita”, em prol da expressividade artística, como no exemplo da Figura 15. Na foto de retra- to, foram explorados os conceitos de representatividade das diversas facetas que uma pessoa pode assumir em questão de segundos. Esta obra é uma série de três fotografias, retratando três pessoas diferentes, e fez parte do Salão Graciosa de Artes Plásticas de Curitiba, em 2014. Foi utilizado o recurso de sobreposição, presente na câmera Canon EOS 6D, possibilitando obter as várias imagens que compõem a obra no mesmo instante e em um único clique, reforçando a ideia inicial do artista. A iluminação empregada foi mista com luz natural e disponível (tungstênio) no local. Figura 15 Fotografia de retrato artístico utilizando sobreposições KIMIECK, J. L. Múltiplas identidades em um segundo. 2014. Fotografia, série. Salão Graciosa de Artes Plásticas, Curitiba. Acervo pessoal. Como vimos, a fotografia artística é um universo aberto a várias possibilidades, dando ferramentas e recursos para explorarmos e expressarmos a nossa criativi- dade na busca por apresentar a nossa visão particular de mundo. Cabe ao fotó- grafo estabelecer conexões entre a sua poética e as técnicas fotográficas, criando obras singulares, de acordo com a sua estética. O programa Arte na Fotografia, do canal Arte 1, é um reality show no qual os participantes são desa- fiados a criar miniensaios com base em um tema proposto, explorando os diversos gêneros fotográ- ficos com o objetivo de re- velar a linguagem artística dos participantes. No vídeo Arte 1 na Fotografia – Ho- mens e Máquinas, publicado pelo canal Manoel Júnior, você pode assistir ao primeiro episódio. Disponível em: https://youtu.be/1l- 63408PKCk. Acesso em: 22 jul. 2020. Série 6.5 A fotografia publicitária Vídeo A fotografia publicitária tem como principal objetivo produzir imagens para a di- fusão comercial de um produto nos mais diversos tipos de mídia, como jornais, re- vistas, redes sociais etc., ou ser a base para uma concretização fotográfica de ideias. De acordo com Generico (2011, p. 19), “enquanto que das excursões daguerreanas surgiram os fotojornalistas, do veio do retrato nasceu o fotógrafo de estúdio. Esta especialidade logo se subdividiu em muitas outras, sendo a mais bem-sucedida delas a fotografia publicitária”; tanto é que o mercado da fotografia publicitária não para de crescer, com demandas de vários setores da sociedade. A concepção da imagem é realizada, geralmente, pelo diretor de arte de uma agência de publicidade, que tem o contato com o cliente e que realiza um briefing da fotografia a ser produzida pelo fotógrafo. Em algumas áreas de atuação, como https://youtu.be/1l63408PKCk https://youtu.be/1l63408PKCk 118 Artes visuais - Fotografia fotografia de objetos, de comida, mock-up, casting, figurino, produção de cena e de locação, é necessária a figura de um produtor, que fica responsável pela or- ganização e produção do set fotográfico. Para cada área, há determinado tipo de produtor especializado: produtor de objetos (prop stylist); produtor de comida (food stylist); produtor de casting (modelos); figurinista e produtor de locação. Cada um tem responsabilidades específicas dentro do briefing da imagem. O fotógrafo atua como um parceiro desses produtores e dirige-os da melhor maneira para obter a cena desejada para a sua imagem. A composição, na fotografia publicitária, exige que o fotógrafo pense antecipa- damente como e onde a imagem será utilizada posteriormente, questionando-sese deverá deixar espaço para algum texto a ser inserido, se a imagem funcionará ao lado de outras, se é para um anúncio de página dupla ou simples de uma revista etc. Isso demanda um bom planejamento. No exemplo da Figura 16, a modelo tem um ar de surpresa como conceito, sobre um fundo neutro e com espaço à sua di- reita para a inserção do texto publicitário durante a pós-produção. Figura 16 Conceito OMG (Oh My God!) – Surpresa st ud io /S hu tte rs to ck Podemos separar as técnicas da fotografia publicitária em: de produtos (ou still), quando o produto é fotografado em fundo neutro para ser recortado na pós-produção; de alimentos; e de moda, como nos exemplos da Figura 17. mock-up: imitação; réplica fiel de um objeto usada quando este não pode cumprir a sua função por ra- zões como tamanho inadequado, material, resistência etc. casting: processo de pré-produção que consiste em selecionar modelos para a sessão de fotos. Glossário Figura 17a Foto de produto (still) Figura 17b Foto de alimento Figura 17c Foto de moda Ro ck a nd W as p/ Sh ut te rs to ck L M irr or /S hu tte rs to ck Jo rg e Ki m ie ck Gêneros fotográficos 119 Cabe ressaltar que, em todas as técnicas, a qualidade das fotos deve estar im- pecável, com iluminação e foco perfeitos e com uma edição realizada com bastante atenção aos detalhes. Para que isso se torne possível, devemos investir em flashes, rebatedores, tripés, fotômetros, cartão cinza, entre outros equipamentos de estú- dio, câmera DSLR de boa qualidade e lentes adequadas ao trabalho. Muitos fotó- grafos profissionais utilizam câmeras full frame e de médio formato, como as da empresa sueca Hasselblad, além de computadores e monitores apropriados para a edição de imagens. A pós-produção de fotografias com objetivo publicitário também é realizada de um modo mais profundo, retirando qualquer sujidade que porventura venha a aparecer, equilibrando as cores e a nitidez etc. Por isso, demanda muito mais tem- po de edição do que uma foto comum. Nesta atividade prática, vamos explorar a iluminação da natureza-morta das pinturas dos gran- des mestres, utilizando-as como fonte de inspiração para a criação de outras imagens, sem a pretensão de copiá-las. Trabalharemos com uma técnica de iluminação chamada light painting, em que, de fato, pintaremos os objetos com a luz. Recursos necessários: • Câmera fotográfica digital. Utilizaremos controles manuais de tempo de exposição, como velocidade e ISO; caso a câmera de smartphone possua esses recursos ou algum aplica- tivo de light paint, como o Wow Stuff Light Painting, também pode ser uma alternativa de equipamento. • Tripé. • Mesa para dispor os objetos. • Lanternas, apontador laser, lanterna do celular ou outra fonte controlável de luz. • Frutas. • Adereços: toalha, pratos, talheres, tecidos, entre outros que possam ser utilizados na pro- dução da imagem. Procedimentos: 1. Preparar os alunos, apresentando referências visuais de imagens de natureza-morta dos grandes mestres da pintura, como Caravaggio, Vincent Van Gogh e Paul Cézane, ressal- tando a utilização e aplicação da luz. A questão principal é: como o artista pensou na iluminação desta obra? 2. Distribuir os alunos em duplas ou grupos, conforme a disponibilidade de recursos (deve-se solicitar, antecipadamente, que levem frutas e adereços para a atividade). 3. Motivar cada dupla/grupo a montar uma composição na sua mesa, utilizando os objetos e as frutas. 4. Buscar o enquadramento para a composição com a câmera no tripé. 5. Atenção! Ajustamos a câmera para um resultado de subexposição, com uma velocidade de obturador bem baixa (em torno de 10 segundos) e o mínimo de abertura de lente e ISO, por exemplo: velocidade: 10”; f/32; ISO 100. Também, podemos reduzir a iluminação ambiente para melhores resultados. Isso é muito importante! 6. Enquanto um aluno dispara o obturador da câmera, outros devem “pintar” os objetos utilizando a lanterna ou o apontador laser, realizando diversas experimentações e confe- rindo o resultado após cada foto, para entender e aprimorar o processo. 7. Ao final da atividade, que tal um lanche coletivo com as frutas? Na prática 120 Artes visuais - Fotografia A técnica apresentada na atividade pode ser aplicada a diversos tipos de objetos e situações, resultando em um efeito interessante. Além de explorar as bases da fotografia, podem ser aprofundados os conceitos de composição e as técnicas de edição de imagens. Figura 18 Exemplo de resultados da atividade com light painting utilizando uma câmera DSLR Na Figura 18, à esquerda, apresentamos o setup utilizando uma câmera DSLR no tripé e o arranjo das frutas sobre a mesa; à direita, duas fotos obtidas com a técnica de light painting. A câmera DSLR com uma lente de 50 mm foi ajustada para manter o obturador aberto durante 10 segundos, f/stop 22 e ISO 100, enquanto a cena foi iluminada pontualmente com uma lanterna e um apontador laser; a ilumi- nação ambiente foi mantida acesa, mas reduzida. As imagens sofreram tratamento utilizando o software Adobe Lightroom. Figura 19 Exemplo de resultados da atividade de light painting utilizando aplicativo para smartphone Na Figura 19, realizamos a mesma atividade empregando o aplicativo para smartphone Wow Light Painting, com ajustes variando entre 30 e 60 segun- dos, enquanto ocorriam as interferências com o apontador laser e a lanterna. O smartphone foi colocado em um suporte para se manter fixo, no caso, um estabi- lizador da DJI (Osmo Mobile), mas se pode utilizar um tripé normal, o importante é manter o equipamento fixo. Com o aplicativo, visualizamos o efeito da interferência sendo aplicado em tempo real, o que pode ser um novo elemento a ser trabalhado durante a atividade. Veja mais exemplos no grupo de light painting do Flickr. Disponível em: https://www.flickr. com/groups/lightpainting/. Acesso em: 22 jul. 2020. Site https://www.flickr.com/groups/lightpainting/ https://www.flickr.com/groups/lightpainting/ Gêneros fotográficos 121 CONSIDERAÇÕES FINAIS A fotografia tem um vasto campo a ser experimentado. Com base no conhecimen- to e nas técnicas dos mais variados gêneros fotográficos, podemos explorar a nossa criatividade na busca de imagens inéditas e que consigam transmitir emoções e senti- mentos. Vimos que, em algumas das situações, temos o controle total da iluminação, como nas fotografias de retrato e natureza-morta, mas em outras não, como no caso de se fotografar uma paisagem, em que temos que esperar pela luz que ilumina e re- vela os aspectos geográficos desejados para a imagem. A composição fotográfica é outro assunto a ser discutido pontualmente, de acor- do com o gênero fotográfico. Enquanto para um fotojornalista pensar na composição demanda um tempo que ele não possui para captar o momento da ação, para um fotógrafo publicitário é um fator primordial que merece mais atenção, de modo que a imagem seja satisfatória e de acordo com o briefing que lhe foi passado. Na fotografia artística, a pesquisa preliminar e as referências consoantes com a poética do fotógrafo são fundamentais para que a imagem seja incorporada em seu fazer artístico, para que ele possa transcender uma linguagem visual padronizada, quebrando regras em prol de sua estética e, desse modo, apresentando a sua leitura visual única e particular do mundo. Por fim, ressaltamos que explorar os gêneros fotográficos na aula de Arte, além de proporcionar oportunidades de se desenvolver atividades interdisciplinares, configura-se em uma poderosa ferramenta pedagógica, estimulando a curiosidade e o autoconhecimento dos alunos. REFERÊNCIAS CARTIER-BRESSON, H. Henri Cartier-Bresson. São Paulo: Cosac Naify, 2011. DIAS, E. Um breve percurso pela história do Modelo Vivo no Século XIX – Princípios do método, a importância de Viollet Le Duc e o uso da fotografia. DezenovaVinte, Rio de Janeiro, v. 2, n. 4, n.p., out. 2007. Disponível em: http://www.dezenovevinte.net/ensino_artistico/ed_mv.htm.Acesso em: 22 jul. 2020. FREEMAN, M. Manual de Fotografia Digital: Retrato Fotográfico. Lisboa: Livros e Livros, 2005. GENERICO, T. Estúdio – Fotografia, Arte, Publicidade e Splashes. Balneário Camboriú: Photos, 2011. PRÄKEL, D. Composição. Porto Alegre: Bookman, 2010. SOUSA, J. P. Fotojornalismo: Introdução à história, às técnicas e a linguagem da fotografia na imprensa. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2004. GABARITO 1. Na fotografia de natureza-morta, o fotógrafo tem o controle total da cena, desde a iluminação até a composição final, e pode alterá-la a qualquer instante enquanto produz a imagem. Já na fotografia de paisagem, há fatores que demandam mais tempo e paciência do profissional, que necessita esperar pela hora certa, de acordo com a luz que deseja em sua fotografia, pois está à mercê do tempo. 2. O retrato deve apresentar a personalidade da pessoa a ser retratada, evidenciando traços e características que possam transmitir a sua essência. Pode ser obtido de maneira formal ou espontâ- nea, ser individual ou coletivo e, ainda, incluir o ambiente, contextualizando o retratado – nesse caso, dizemos que o retrato é ambiental. 3. O fotojornalismo possui uma linguagem própria, correlata com o fato que se está procurando re- tratar. O fotógrafo deve ter agilidade e técnica para capturar os momentos que compõem o fato. A narrativa fotojornalística visual é classificada em: notícias (englobando os subgêneros spot news, general news e photo opportunities); features (de interesse humano, de interesse pictográfico e de ani- mais); picture stories; e fotorreportagem. 122 Artes visuais - Fotografia 7 Ensaio fotográfico Um ensaio fotográfico consiste em um modo de ver particular do fotó- grafo, que expressa sua opinião de maneira artística sobre determinado tema na busca de transmitir uma ideia ou um conceito. Em relação ao tema, o ensaio fotográfico possui inúmeras possibilidades, como pessoas, comunidades, manifestações culturais ou religiosas, denúncias, sentimen- tos, entre outros. Em um ensaio, o fotógrafo estabelece um diálogo entre as imagens, buscando uma coerência entre elas, seja estética, pelo estilo de aborda- gem ou pela forma como o profissional conduz a sessão de fotos. O mais importante é explorar ao máximo a criatividade nesse tipo de trabalho, exigindo do fotógrafo um profundo conhecimento das técnicas fotográ- ficas, de iluminação, fotometria etc., que ele seja inovador e possua um amplo repertório de referências artísticas e visuais. Neste capítulo, abordaremos as principais diferenças e possibilidades de realização de ensaios fotográficos externos e em estúdio, as técnicas específicas de fotometria e iluminação, bem como a importância da dire- ção de modelos em estúdio. 7.1 Ensaio externo Vídeo A luz natural é uma fonte de iluminação que apresenta várias possibilidades para a execução de um ensaio fotográfico externo, mas está sujeita a variações de intensidade e cor de acordo com a hora do dia, o clima e a estação do ano, o que pode gerar diferenças significativas nos resultados obtidos. A principal vantagem de se fotografar modelos com luz natural está na grande intensidade de luz disponível, mas também pode haver mais áreas de sombras e, dependendo da hora do dia e das condições climáticas, resul- tar em sombras duras e desagradáveis, principalmente no rosto do modelo. Portanto, para melhores resultados, devemos escolher locais com sombra ou levemente nublados. Caso isso não seja possível, podemos utilizar reba- tedores e difusores para suavizar a luz incidente no modelo, como podemos observar na Figura 1, em que o assistente utiliza um difusor para diminuir a luz incidindo sobre o grupo a ser fotografado. Ensaio fotográfico 123 Figura 1 Ensaio externo, uso de difusor Pr oS to ck St ud io /S hu tte rs to ck Em áreas externas, o ideal é fotografar durante o período da manhã, entre 7h e 10h, pois, além de o Sol estar mais baixo, com luz mais suave, locais como parques e ruas têm menor movimento, o que acaba interferindo menos na imagem. Com relação ao local e ambiente onde se realiza a fotografia, vale ressaltar que ele é sempre o “coadjuvante”, configurando-se em um segundo plano, pois o assunto principal da imagem é o modelo. Uma técnica muito utilizada para evidenciar o assunto principal é o desfoque do fundo, ou bokeh. A técnica fotográfica apurada é um fator determinante para um bom resultado. Por exemplo, o foco deve estar travado nos olhos do modelo e, para que isso ocor- ra, devemos ter uma atenção especial, porque estamos trabalhando, geralmente, com uma profundidade de campo relativamente curta e qualquer deslize resulta em uma imagem desfocada. O enquadramento e a composição devem ser pensa- dos de modo a criar variações, como uma foto em plano geral, outra em detalhe, outra em plano médio etc. Também devemos explorar os diversos ângulos do mo- delo, possibilitando mais opções no processo de pós-produção. Antes de iniciar o ensaio fotográfico, é interessante fazer um briefing com o cliente para obter informações que possam vir a nortear o fotógrafo durante o tra- balho. Convém entender, por exemplo, o que se espera das fotos, qual é o conceito que se quer explorar e qual é o público que se quer atingir. Alves (2017) recomenda que haja algumas métricas ao se realizar um ensaio ex- terno e sugere uma referência de quantidade de fotos, conforme o quadro a seguir. Quadro 1 Métrica sugerida para quantidade de fotos em ensaios externos Quantidade de fotos (%) Tipo de foto/enquadramento 10% Plano geral, para mostrar o local e descrever o enredo do ensaio 20% Fotos espontâneas/momentos (sem pose) 30% Retrato 15% Plano médio 15% Variação entre plano americano e corpo todo (sem ser geral) 10% Detalhes Fonte: Elaborado pelo autor com base em Alves, 2017. 124 Artes visuais - Fotografia O plano geral é classificado em grande plano geral (GPG) e plano geral (PG). No GPG, o cenário é o elemento fundamental da imagem, ocupando o maior espa- ço do enquadramento. É muito utilizado em abertura de editoriais de moda para que, no processo de diagramação, seja possível inserir textos e títulos sobre a ima- gem sem interferir diretamente no modelo retratado, como na figura a seguir. Figura 2 Grande plano geral (GPG) Ch am el eo ns Ey e/ Sh ut te rs to ck Já no PG, o cenário ocupa o menor espaço do enquadramento e divide a cena com o modelo, que fica situado no ambiente da fotografia de maneira igualitária e complementar, como observamos na Figura 3. Ambos os planos gerais podem ser explorados de modo vertical ou horizontal. Figura 3 Plano geral (PG) Hi gh Ke y/ Sh ut te rs to ck Ensaio fotográfico 125 O plano médio (PM) ocorre quando, no enquadramento, o modelo ocupa qua- se toda a imagem, incluindo-o da cabeça, na margem superior, aos pés, na margem inferior. Ele também pode retratar o modelo a partir da sua cintura, na margem inferior, até sua cabeça, na margem superior, como ocorre no exemplo a seguir. Figura 4 Plano médio (PM) Ha la y A le x/ Sh ut te rs to ck O plano americano (PA) é uma variação do plano médio, sendo que, nesse caso, o modelo é retratado a partir do joelho para cima. Ressaltamos a importância de não serem feitos cortes diretamente nas articulações do modelo, como podemos notar no exemplo da Figura 5, em que o corte ficou um pouco acima dos joelhos. Figura 5 Plano americano JK st oc k/ Sh ut te rs to ck Explique a diferença entre o grande plano geral (GPG) e o plano geral (PG). Atividade 1 126 Artes visuais - Fotografia Os detalhes são obtidos com fotografias em primeiro plano (PP) ou close-up, que enquadram o modelo destacando seu rosto (Figura 6), sua expressividade, e desempenhando um papel emocional; e em fotografias em plano em detalhe (PD), que isolam uma parte do modelo dando ênfase ao detalhe, como na Figura 7, que destaca o gestual da modelo. Figura 6 Primeiro plano (PP) ou close-up Na di no /S hu tte rs to ck Figura7 Plano em detalhe (PD) A escolha dos planos de enquadramento se configura como um importante fa- tor no resultado do ensaio, seja ele realizado em ambientes externos, internos ou em estúdios fotográficos. É importante praticar essas técnicas de modo intensivo, buscando a melhor forma de narrar visualmente sua história de acordo com o brie- fing recebido ou criando um breve roteiro para simplesmente praticar. Ensaio fotográfico 127 7.2 Ensaio em estúdio e técnicas de iluminação Vídeo Com relação aos ensaios realizados em estúdio, temos o controle total de toda a iluminação a ser utilizada, o que não ocorre nos externos, em que estamos à mercê das condições climáticas e da posição do Sol em determinada hora do dia. No estú- dio, ficamos alheios a qualquer variação das condições externas. A luz pode ser dura ou difusa (suave). Quando é dura, possui sombras bem marcantes, sem difusão, criando uma atmosfera mais dramática e aumentando o contraste entre as partes iluminadas e as de sombra, com uma transição mais marcada. Quando rebatemos ou refletimos a luz, ela é direcionada para pontos em que existem sombras sobre o modelo, diminuindo o contraste e suavizando as transições de luz e sombra. Quando desejamos criar uma nuance de tonalidades, devemos fazer com que a iluminação seja difusa, quebrando a luz por meio de di- fusores. Esse tipo de iluminação auxilia na definição de volumes e relevos, evitando imagens “chapadas”. Para isso, devemos conhecer os principais recursos de ilumi- nação que precisamos ter em um estúdio, como modificadores de luz, rebatedores, flashes, iluminadores de luz contínua, entre outros. Os modificadores de luz servem para alterar a forma com que a luz incide sobre o modelo ou objeto a ser fotografado. Com eles, podemos suavizar a ilumi- nação ou intensificá-la. Por exemplo, um retrato, na maioria dos casos, sugere uma iluminação mais suave, considerando-se que a face humana, pela sua característica de possuir uma estrutura de planos, reentrâncias e saliências, fica mais atraente quando fotografada em condições que permitam uma transição entre sombra e luz mais suave. Descreva a função dos modificado- res de luz e cite um exemplo prático. Atividade 2 Figura 8 Difusão da luz Para atingirmos esse objetivo, devemos utilizar um difusor de luz, que aumenta a área da fonte de luz relativa ao modelo. Também é utilizado um difusor de ma- terial translúcido, que faz com que a luz se espalhe de maneira difusa, evitando sombras marcadas, como podemos observar na figura a seguir. Ig or K ov al ch uk /S hu tte rs to ck Figura 11 Sombrinha rebatedora O equipamento utilizado para esse fim é o haze light, ou softbox, também conhecido como caixa de luz, que, além de au- mentar a área da fonte de luz, pode possuir uma ou mais camadas de difusores, elimi- nando as sombras. Essas caixas de luz são colocadas na frente do flash e estão dispo- níveis em várias dimensões e materiais, po- dendo ter formato retangular, quadrado ou octogonal, como nos exemplos da Figura 9. Outro modo de suavizar a luz é utilizar di- fusores em forma de painéis (Figura 10), que são confeccionados em material translúcido e devem ser posicionados entre a luz e o modelo a ser fotografado. Ig or K ov al ch uk /S hu tte rs to ck Figura 10 Painel difusor Esses painéis geralmente são encontrados em forma de kit, que contém também rebatedores de luz. Rebater a luz é uma ma- neira eficaz de modificar como a luz incide sobre o modelo, criando uma luz ampla e suave. A forma mais simples é utilizar as sombrinhas rebate- doras (Figura 11), que são acopladas na frente do flash, fazendo com que a luz seja rebatida de maneira indireta sobre o modelo. Podemos utilizar rebatedo- res e sombrinhas disponíveis com revestimento branco, prateado ou doura- do. As prateadas proporcionam uma iluminação mais fria, enquanto as douradas, uma iluminação mais quente. Figura 9 Haze light ou softbox ON YX pr j/S hu tte rs to ck 128 Artes visuais - Fotografia Ensaio fotográfico 129 Bi lly W at kin s/ Sh ut te rs to ck Figura 13 Colmeia De ni sP ro du ct io n. co m /S hu tte rs to ckFigura 12 Snoot No caso de o objetivo ser uma iluminação mais dramática, po- demos criar uma luz mais dura utilizando refletores parabólicos. Eles consistem em uma meia taça acoplada na frente do flash que direciona a luz diretamente para o modelo. Outro equipamento utilizado é o snoot (Figura 12), um concentrador de luz com formato cônico que direciona a luz para um ponto específico, já que o ori- fício é menor na sua extremidade, formando um facho de luz. Esse modificador é normalmente utilizado para fazer a chamada luz de cabelo, pois, apontada por trás do mo- delo, acrescenta brilho aos cabelos e aos ombros, propor- cionando também uma luz de recorte. Para iluminação direta de fundos fotográficos podemos utilizar um refletor base, que gera uma grande concentração de luz, em conjunto com uma colmeia (Figura 13), que, por sua vez, propor- ciona uma iluminação mais suave, com sombras menos marcantes. O uso da colmeia destaca uma parte da imagem, criando um efeito mais intenso com uma luz suave e uniforme. É um tipo de acessório versátil que permite uma iluminação mais estilizada. No caso de retratos, a colmeia pode ser utilizada para adicionar luz de preenchimento ao lado do rosto, destacando texturas e cores. O posicionamento das fontes de iluminação no estúdio também influencia diretamente o resultado da fotografia. Conforme aponta Hurter (2010, p. 47), “as luzes que criam virtualmente todos os padrões e efeitos de iluminação são a luz principal e a luz de preenchi- mento”, ou seja, duas luzes primárias são sufi- cientes para qualquer fotografia, pois o efeito sempre será o mesmo (da luz principal e de uma de preenchimento). A luz principal é a responsável por criar a for- ma, produzindo um relacionamento entre luz e sombra e determinando como o modelo ou objeto será apresentado. Podemos proporcionar mais sua- vidade posicionando-a à frente do elemento a ser foto- grafado, alinhada ao eixo da câmera/modelo; ou podemos enfatizar mais as texturas ao deslocá-la ao redor do modelo/objeto, o que nos per- mite introduzir texturas e sombras onde desejarmos simplesmente alterando o posicionamento da luz principal. Já a luz de preenchimento faz com que o “lado sombrio” – ou seja, os detalhes que estão nas sombras do modelo/objeto – tornem-se visíveis. A luz de preenchi- mento não deve criar sombras visíveis. Apesar de toda fonte de luz acabar gerando sombras, uma forma de diminuir sua incidência é posicionar a luz de preenchi- mento o mais próximo possível da câmera. Dessa forma, todas as sombras que porventura forem criadas serão enviadas para trás do modelo/objeto e não serão captadas pela câmera. Outra forma de criar a luz de preenchimento é utilizar um rebatedor, que reflete a luz principal sobre o modelo/objeto, podendo ser ajustado de acordo com o ângulo e a posição desejados. Para um melhor controle da iluminação no estúdio, podemos agregar outras fontes de luz, como luz de cabelo, de fundo e de recorte. A luz de cabelo é uma pequena fonte de luz com baixa intensidade, que utiliza um concentrador e fica posicionada atrás do modelo para iluminar o cabelo, realçando seu brilho e seus detalhes. A luz de fundo também é uma luz de baixa intensidade, utili- zada para separar o plano de fundo do modelo. É posicionada, geralmente, em pequenos suportes diretamente atrás do modelo, de modo que não apareça na fotografia. A luz de recorte é similar à luz de cabelo: seu posicionamen- to confere brilho às arestas do modelo/objeto, produzindo contornos desta- cados e aumentando a sensação de profundidade na cena. Na Fi- gura 15, podemos observar um estúdio equipado com diversos instrumentos de iluminação em uma sessão de fotos de modelo. Ao fotografarmos um retrato em estúdio, deparamo-nos com dois ti- pos básicos de iluminação: amplae curta. Na iluminação ampla, a luz principal ilumina o lado do rosto que está voltado para a câmera, o que achata os contornos faciais e acaba alargando a face. Já a iluminação curta estreita a face, enfatizando a Figura 15 Fotógrafo em estúdio profis- sional com vários tipos de iluminação Figura 14 Luz principal e de preenchimento Ad ap ta da d e Af ric a St ud io /S hu tte rs to ck PRINCIPAL CABELO PREENCHIMENTO Af ric a St ud io /S hu tte rs to ck 130 Artes visuais - Fotografia Ensaio fotográfico 131 forma do rosto, o que faz com que esse tipo seja mais utilizado para a fotografia de retrato. Ela é obtida posicionando-se a luz principal de maneira que ilumine o lado do rosto voltado para longe da câmera. Também podemos obter um efeito mais dramático usando uma luz de preenchimento fraca e iluminação curta, o que gera sombras mais profundas. Aprofundando um pouco as formas de se iluminar retratos em estúdio, pode- mos aplicar os esquemas básicos de iluminação, que são divididos em: iluminação de cinema ou Paramount, iluminação circular, iluminação Rembrandt, iluminação dividida e iluminação de perfil ou borda (Figura 16). Figura 16 Esquemas básicos de iluminação A iluminação de cinema, também chamada de Paramount ou borboleta ( butterfly), é um padrão normalmente aplicado a retratos femininos e que produz uma sombra semelhante a uma borboleta logo abaixo do nariz do modelo. Esse tipo de iluminação tende a enfatizar os ossos superiores da face, além de suavizar a pele, e consiste em posicionar a luz principal no alto e diretamente em frente ao rosto do modelo, de maneira paralela à linha vertical do nariz. O posicionamento deve ser bem criterioso para que se consiga a sombra característica abaixo do nariz do modelo. A luz de preenchimento, caso seja necessária, é posicionada diretamen- te abaixo da luz principal. Também podemos optar por utilizar uma luz de cabelo, iluminando o lado oposto à luz principal e cuidando para que não haja vazamentos de luz sobre o rosto do modelo. A iluminação circular consiste em uma variação da Paramount, sendo um dos esquemas mais comumente aplicados em fotografias. Consiste em posicionar a luz principal e a de preenchimento de modo que formem um triângulo, tendo como vértice o modelo. As luzes opcionais, de cabelo e de fundo podem ser utilizadas como na iluminação Paramount. Um exemplo de uso desse tipo de iluminação pode ser encontrado em situações em que seja O Virtual Lighting Studio é um simulador on-line de iluminação em estúdio, criado pelo fotógrafo francês Olivier Prat. Ele possui várias fontes de luz, modelos 3D e acessórios modificadores para você ver, em tempo real, como resultará a iluminação. Disponível em: http://www.zvork.fr/ vls/. Acesso em: 30 jul. 2020. Site http://www.zvork.fr/vls/ http://www.zvork.fr/vls/ 132 Artes visuais - Fotografia necessário realizar fotografias de di- versas pessoas sem a preocupação de alterar a iluminação a cada clique, como nos retratos de formandos ou nas fotografias de crianças com o Pa- pai Noel em shoppings. A iluminação Rembrandt é inspi- rada na forma que o pintor holandês Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606-1669) utilizava para pintar seus retratos. É uma iluminação dramáti- ca, caracterizada por criar um peque- no triângulo de luz em um dos lados da face do modelo, no mais sombrio, como no detalhe da Figura 17. Para tanto, a luz principal deve ser posicio- nada mais baixa e mais lateral do que na circular e na Paramount, ficando praticamente na lateral do modelo. A luz de preenchimento pode ser posicio- nada do mesmo modo que na iluminação circular. Para a iluminação dividida, devemos posicionar a luz principal de modo a iluminar somente a metade do rosto e mais baixa que nos outros esquemas. A luz de preenchimento deve ser de baixa intensidade, somente para disfarçar e esconder algumas irregularidades faciais. Por fim, a iluminação de perfil ou borda é utilizada quando a cabeça do modelo está a 90 graus da lente da câmera, proporcionando um estilo dramá- tico de iluminação. A luz principal é posicionada atrás do modelo, iluminando seu perfil e deixando visualmente um contorno brilhante e definido na borda do rosto ou ao longo do corpo, como vemos em algumas fotografias de en- saios de grávidas em contraluz, nas quais a silhueta da modelo é marcada por uma borda iluminada. Com base nesses cinco esquemas básicos de iluminação podemos criar vários outros, personalizando e imprimindo nosso estilo de iluminação de maneira criativa e artística. Basta explorar cada um deles, observando com atenção o que os difere e o que se altera nas formas e nas texturas do mo- delo/objeto a cada movimentação das luzes primárias e, então, partindo para esquemas mais complexos, com mais fontes de luz. Faça uma síntese dos cinco esquemas básicos de iluminação de retratos em estúdio. Atividade 3 Figura 17 Autorretrato de Rembrandt REMBRANDT. Autorretrato com Boina. c.1655. Óleo sobre painel. 48.9x40.2 cm. Museu de História da Arte em Viena. Ensaio fotográfico 133 7.3 Fotometria em estúdio Vídeo Conforme vamos nos aprimorando no posicionamento das luzes primárias, sen- timos ser necessário contrabalançar suas intensidades para proporcionar uma lei- tura visual adequada às nossas necessidades. Dessa forma, é imprescindível medir a luz que incide sobre o modelo. No caso da iluminação em estúdio usando flashes, não é possível utilizar o fotômetro que equipa a câmera e, por isso, temos que usar um fotômetro manual ou flashmeter (Figura 18). Esse equipamento é o instru- mento utilizado para medir a intensidade correta de luz, mostrando a abertura da lente (f/stop) a ser utilizada de acordo com os parâmetros de velocidade e ISO que predeterminamos no dispositivo. Esses aparelhos também podem ser utilizados para medir a luz contínua. An na K ra yn ov a/ Sh ut te rs to ck Figura 18 Uso do flashmeter ou fotômetro manual Basicamente, podemos verificar a luz incidente medindo a luz que chega ao- modelo/objeto. Assim, proporcionamos uma maior precisão, principalmente em fotografias em still de produtos ou de objetos muito escuros. Outra forma de se fazer isso é medir a luz refletida verificando a luz que rebate no modelo/objeto e retorna. O fotômetro da câmera usa essa forma de medição, que pode ser útil em situações nas quais trabalhamos com luz contínua. Podemos obter resultados diferentes somente alterando a proporção da inten- sidade das luzes no estúdio, medindo a luz tanto na parte de sombra quanto na parte iluminada e comparando-as. No Quadro 2, podemos observar o efeito gera- do pela diferença entre luz e sombra com a câmera ajustada para a luz principal. 134 Artes visuais - Fotografia Quadro 2 Proporções na intensidade de luz DIFERENÇA EFEITO = 1/3 ponto Sutil, quase imperceptível = ½ ponto Diferença perceptível = 1 ponto Detalhes de sombra começam a ser perdidos ≥ 1 ½ pontos e ≥ 2 pontos Detalhes de sombra estão mergulhados no negro Fonte: Elaborado pelo autor. Muitas vezes, precisamos fazer com que o fundo da fotografia em estúdio fique preto ou totalmente branco, mas não possuímos um fundo adequado. Em estúdio, podemos utilizar a fotometria para auxiliar na criação de uma sensação de fundo totalmente preto ou branco utilizando bloqueadores ou refletores de luz e medindo corretamente a incidência da iluminação. No Quadro 3, apresenta- mos as diferenças de abertura (f/stops), que deve ser ajustada na câmera de modo a obter o efeito desejado. Para conseguir essas tonalidades de modo prático, devemos comparar a leitura do fotômetro no modelo/objeto com a leitura da luz do fundo e utilizar a referência do Quadro 3 para obtermos o efeito desejado. Por exemplo, no caso de querermos que o fundo fique preto, como em um caso hipotético ilustrado na Figura 18, a medi- ção no modelo resultou em f11 e, no fundo, em f5.6, o que representa a diferença de –2 pontos 1 . Paraobtermos branco nesse mesmo caso hipotético, a leitura no modelo ficaria em f8 e, no fundo, em f16, representando a diferença de +2 pontos nos f/stops. Figura 19 Fundo preto e fundo branco A fotometria requer prática e experiência, sendo um fator determinante na qua- lidade final de uma fotografia produzida com uma iluminação perfeita e adequada aos objetivos do fotógrafo, comunicados de acordo com suas ideias para o ensaio fotográfico. Quadro 3 Técnicas para fundo preto ou branco F/STOP TONALIDADE DO FUNDO –2 Preto –1 Cinza-escuro 0 Cinza-médio +1 Cinza-claro +2 Branco Fonte: Elaborado pelo autor. Lembramos que a escala de abertura (f/stops) é representada da seguinte forma: f1.4 – f2 – f4 – f5.6 – f8 – f11 – f16 – f22 – f32, e há um ponto de diferença entre cada f/stop. 1 Ensaio fotográfico 135 7.4 A direção de modelos Vídeo Para que um ensaio fotográfico seja bem realizado no estúdio ou até em locações externas, é importante que o modelo se sinta à vontade e confortável em posar, per- mitindo que o fotógrafo extraia toda a sua potencialidade. Assim, para dirigir um modelo durante um ensaio, não é suficiente apenas posicioná-lo de acordo com a iluminação ou mostrar qual é a pose que ele deve fazer; isso exige do fotógrafo um certo grau de interação que transmita segurança e tranquilidade ao modelo. No caso de se fazer um ensaio específico, como um book 2 ou um retrato, inicialmente devemos fazer um briefing com o modelo, em busca de conhecê-lo e descobrir quais são suas aspirações para o trabalho a ser realizado. Caso a pessoa não seja um modelo pro- fissional (já habituado ao ambiente), é interessante, anteriormente, mostrar o estúdio e explicar como será o desenrolar do ensaio, eli- minando uma possível ansiedade. De acordo com Jacobs Jr. (2010, p. 7, tradução nossa), “posar é uma arte que re- quer habilidade e experiência, é um desafio que exige tato, um senso de composi- ção e excelentes reflexos do fotógrafo, pois durante uma sessão, o assunto se move quase continuamente”. Dessa forma, é interessante possuir um guia de poses, que pode ser feito com fotos de ensaios já realizados, de revistas de moda, de portfólios on-line de fotógrafos que nos inspiram etc. para podermos antecipar movimentos e capturar a melhor pose do modelo (Figura 20). Figura 20 Guia de poses 10 1i m ge s/ Sh ut te rs to ck O book é um livro ou uma pasta na qual os modelos guardam suas fotos profissionais e utilizado como portfólio. 2 136 Artes visuais - Fotografia Há algumas regras básicas sobre o que devemos evitar em uma pose, como: • joelhos ou cotovelos apontados diretamente para a câmera; • peso do corpo apoiado em um dos braços; • pés plantados no chão em poses deitadas; • dedos das mãos muito retos ou tensos; • ombros tensionados. Se essas situações forem evitadas e contornadas, já obteremos melhores resul- tados na pose do modelo. Podemos também, ao mostrar o guia de poses, ir salien- tando o que deve ser evitado. Na hora de dirigir a pose do modelo, devemos ser claros e objetivos, reduzindo ao máximo os ruídos na comunicação; por exemplo, ao solicitar para o modelo “virar para o lado”, devemos indicar de maneira mais clara para qual lado, de que forma etc. Isto é, devemos solicitar, por exemplo: “mova seu ombro esquerdo mais para a frente, mantenha seu queixo alinhado, agora a perna esquerda sobre a di- reita e mova a cabeça para a direita, mantendo o olhar no mesmo ponto”. Desse modo, daremos todas as coordenadas para que o modelo execute a pose exata- mente como estamos dirigindo, otimizando o tempo e reduzindo poses desneces- sárias, realizadas por falta de direção correta. É importante nos lembrarmos de sempre falar de maneira delicada e construtiva, para manter o modelo motivado e confiante durante toda a sessão. Todos ficamos cansados, e com o modelo não é diferente. Portanto, é impor- tante descansá-lo, mudando a pose, fazendo intervalos entre uma série de fotos e outra, pausas para beber água etc. Nas primeiras fotos do ensaio, é interessante ir fotografando de modo menos focado nos detalhes da pose e mostrando para o modelo como está ficando, o que diminui seu nível de ansiedade, tornando-o mais confiante no trabalho executado pelo fotógrafo. Além disso, temos que considerar que pode haver momentos em que necessi- tamos ajeitar o cabelo ou outro elemento no modelo. É imprescindível que sempre perguntemos se podemos fazer isso, se podemos tocá-lo, pois algumas pessoas podem ficar incomodadas com a proximidade e com o toque, criando uma barreira e se fechando, tornando, assim, o ensaio improdutivo. A música ambiente também é um recurso que podemos utilizar para criar um clima mais agradável, mas é importante que, na hora do briefing, saibamos o estilo musical, as músicas, as bandas e os artistas com que o modelo se identifica. Imagine escolher bem aquela música que o modelo detesta ou que lhe lembra algo indesejado? Portan- to, é um elemento que deve ser bem pensado antes de ser aplicado durante o ensaio. Com relação à direção do olhar, podemos dividi-la em duas partes. No olhar com ausência de contato ocular, o modelo não olha para o espectador, criando um me- nor nível de tensão e gerando sensações de reflexão, descontração ou concentração. De outra forma, o olhar pode ter um contato visual estabelecido, que exerce uma função convidativa, agressiva ou exploradora e, por vezes, até intimidadora. Ressaltamos que, para obter bons resultados em ensaios fotográficos, devemos ter paciência, habilidade, conhecimento das técnicas e comprometimento, buscando No livro Book – Direção de Modelos para Fotógrafos, o autor ensina como aplicar a técnica ideal de direção de modelo para se chegar ao resultado esperado. Também são apresentados os fundamentos da direção de modelos. PEGRAM, B. Balneário Camboriú: Photos, 2009. Livro Ensaio fotográfico 137 dirigir o modelo de maneira a obter fotos com poses tecnicamente bem executadas e criativas, que ressaltem o melhor ângulo para uma expressão mais marcante. Na prática Montando um softbox caseiro Que tal montar seu próprio softbox? Nesta atividade, você e seus alunos podem criar seus próprios softboxes para montar iluminadores e fazer um ensaio fotográfico. Materiais necessários: • Papelão ou caixas de papelão. • Tesoura, estilete. • Fita isolante. • Cola. • Papel alumínio. • Papel preto (opcional). • Papel vegetal ou tecido translúcido. • Soquete para lâmpada. • Lâmpada de LED ou fria de 100w ou equivalente. ( Atenção! Utilizar somente lâmpada de LED ou fria!) • Fio com plug para tomada. • Interruptor de luminária (opcional). • Tripé (pode ser feito com tubos de PVC). Procedimentos: 1. Comece recortando um molde para os trapézios, conforme as medidas da Figura 21. 2. Depois, utilizando o molde, desenhe quatro trapézios no papelão e recorte. 3. Cole o papel alumínio nos trapézios em um lado e, no outro lado, forre com o papel preto. 4. Faça a montagem utilizando a fita isolante, de modo a criar uma caixa em formato de trapézio. 5. Depois de fechar o softbox, meça a parte menor e recorte um quadrado com o tamanho adequado; se necessário, reforce essa parte, que receberá o bocal da lâmpada. 6. Para montar em um tripé, você deve adequar um suporte de modo que o softbox fique bem fixado, o que vai depender do tipo de tripé utilizado. 7. Agora é só montar a parte elétrica e colocá-la no tripé. Seu softbox está pronto! 8. Para suavizar a luz, coloque o material translúcido cobrindo a parte frontal, que funcionará como difusor. Se quiser uma luz mais dura, basta retirá-lo. Figura 21 Softbox caseiro Separe os alunos em grupos e proponha uma atividade utilizando os esquemas de iluminação que abordamos neste capítulo. Que tal propor um ensaio criativo para eles? 138 Artes visuais - Fotografia CONSIDERAÇÕES FINAIS O ensaio fotográfico exige do fotógrafo, além de determinação e paciência, um conhecimento profundo das técnicas queenvolvem desde o manuseio da câmera até recursos e técnicas avançadas de iluminação para que seja possível obter os melhores resultados em direção aos seus objetivos. A iluminação, fator determinante de sucesso para o ensaio fotográfico, será dife- rente dependendo de a sessão ser em ambiente externo ou interno, como no caso de estúdios fotográficos, onde o fotógrafo tem todo o controle da luz e pode manipulá-la de acordo com sua vontade. Apesar de o direcionamento do ensaio fotográfico estar voltado para a produ- ção de books, campanhas publicitárias, fotografia de produtos, entre outros, po- demos também pensar em como utilizar as técnicas da fotografia e, em especial, dos ensaios fotográficos como recurso didático-pedagógico em nossas aulas de Arte, estabelecendo relações interdisciplinares no desenvolvimento das atividades e proporcionando aos alunos um conhecimento que desperta a curiosidade, a au- toestima e o senso estético. REFERÊNCIAS ALVES, V. 6 dicas de ensaio fotográfico externo. Fotografia Dicas, 30 ago. 2017. Disponível em: https:// fotografiadicas.com.br/6-dicas-de-ensaio-fotografico-externo/. Acesso em: 30 jul. 2020. HURTER, B. A Luz perfeita: guia de iluminação para fotógrafos. Balneário Camboriú: Photos, 2010. JACOBS JR., L. The art of posing: techniques for digital portrait photographers. Nova York: Amherst Media, Inc., 2010. GABARITO 1. Quando enquadramos com o objetivo de obter uma fotografia em grande plano geral (GPG), incluí- mos uma maior parte do cenário no enquadramento, de modo que haja espaço suficiente ao lado do modelo para inserção de textos ou títulos, como em editoriais de moda. Já no plano geral (PG), o modelo e o cenário dividem o espaço do enquadramento de maneira igualitária e complementar, ou seja, a cena serve para situar o modelo no ambiente da fotografia. 2. Os modificadores de luz têm a função de alterar como a luz incide sobre o assunto a ser fotografado, suavizando ou intensificando-a, alterando como percebemos as transições entre áreas de sombra e de luz. Como exemplo prático, podemos citar um ensaio externo no qual a luz está muito dura (como no Sol de meio-dia), o que cria sombras duras sobre o modelo. Utilizamos, então, um difusor posicionado de modo a criar uma iluminação mais suave sobre o modelo, reduzindo e suavizando a transição entre as áreas de sombras e luz. 3. • Iluminação de cinema: Pode também ser chamada de Paramount ou borboleta (butterfly); pa- drão geralmente feminino, produz uma sombra semelhante a uma borboleta abaixo do nariz, enfatiza os ossos superiores da face e suaviza a pele. • Iluminação circular: Variação da Paramount, é um dos esquemas mais comuns. As luzes princi- pal e de preenchimento formam um triângulo, tendo como vértice o modelo. • Iluminação Rembrandt: Iluminação dramática, inspirada na luz do pintor Rembrandt; cria um pequeno triângulo de luz no lado de sombra do modelo. • Iluminação dividida: Ilumina metade do rosto, disfarça e esconde irregularidades faciais. • Iluminação de perfil: Também chamada de iluminação de borda, proporciona um estilo dramáti- co na iluminação, deixando visível um contorno brilhante e definido nas bordas do modelo. Artes Visuais Fotografia JORGE KIMIECK J O R G E K IM IE C K A R T E S V IS U A IS - F O T O G R A F IA Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6637-7 9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 3 7 7 Código Logístico 59401 Página em branco Página em branco