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1 Laís Flauzino | Urgências em Clínica Médica Arritmias 4M1 – TAQUIARRITMIAS E BRADICARDIAS TAQUIARRITMIAS: Taquicardia: FC acima de 100bpm. Fisiopatologia: Os principais mecanismos são: • Automatismo aumentado • Circuitos de reentrada Mas existem também as arritmias por atividade deflagrada. • Automatismo: conjunto de células miocárdicas despolariza com limiar menor. A despolarização ocorre em frequência aumentada e assume o ritmo cardíaco. São frequentemente precipitadas por estimulação adrenérgica, tendem a acelerar até a FC máxima. Possuem variabilidade a cada batimento e desacelera gradualmente. Ex: taquicardia atrial focal e taquicardia juncional. • Reentrada: há duas vias de condução do estímulo elétrico – uma de condução rápida e outra de condução lenta. São precipitadas por contrações prematuras e iniciam com FC máxima. Não há variação de frequência entre os batimentos (RR regular) e cessam abruptamente, sem desaceleração. Ex: flutter atrial, taquicardia por reentrada nodal e taquicardia por reentrada atrioventricular. • Atividade deflagrada: quando o potencial de ação pode deflagrar despolarizações anormais adicionais. Ex: torsades de pointes e arritmias associadas a digoxina. Sinais e sintomas: • Mal estar inespecífico • Dor torácica • Dispneia • Palpitações • Hipotensão • Alterações nível de consciência Nem sempre o pct se apresenta com sinais de palpitação. Em casos de sincope é importante pensar em arritmia. Quadro clínico: Não é possível identificar uma arritmia apenas pelo quadro clínico. Deve-se caracterizar as palpitações: • Duração • Início • Percepção de entrada e saída do episódio Anamnese: • Histórico de arritmias • Cardiopatias • Doenças respiratórias, endocrinológicas • Fatores de risco para DHE (hipo e hipercalemia) • Medicamentos – antiarrítmico, amiodarona? • Abuso de drogas – muitas vezes tem dor torácica associada (adicionar benzodiazepínico a conduta se essa suspeita) Na anamnese: Interrogar ativamente sobre: • Dispneia • Síncope • Precordialgia • Tontura • Episódios de confusão mental. Nos antecedentes patológicos: • Histórico de arritmias – tipos e tratamentos • Cardiopatias – infarto, insuficiência cardíaca • Doenças respiratórias • Endocrinológicas – hipertireoidismo, feocromocitoma 2 Laís Flauzino | Urgências em Clínica Médica • Fatores de risco para DHE – doença renal crônica, vômitos, diarreia. Indivíduos com sinais de gravidade devem ser examinados na sala de emergência, ao mesmo tempo que são monitorizados e recebem o tratamento inicial. Exame físico: • Regularidade do pulso e comparação com FC • Pulsação visível em fúrcula (frogging) • Medida de PA em ambos os membros e/ou decúbito dorsal e posição ortostática. • Ausculta cardíaca: avaliar presença de B3 ou B4, atrito pericárdico ou abafamento de bulhas. • Atentar para edema assimétrico de MMII • Sinais de hipertireoidismo Instabilidade: • Hipotensão • Rebaixamento do nível de consciência • Dor precordial • Dispneia A primeira coisa é definir se o pct está instável ou estável – isso vai mudar a conduta. Definido isso o pct vai para a sala vermelha e faz ECG. Sinais e sintomas de instabilidade podem indicar tratamento imediato com cardioversão ou desfibrilação elétrica. São critérios de instabilidade: • Hipotensão, choque. • Rebaixamento do nível de consciência. • Dor precordial. • Dispneia (insuficiência cardíaca/edema agudo de pulmão). Vale lembrar que essas condições clínicas podem não ser secundárias à taquiarritmia. Exemplo disso é o paciente com choque séptico que também apresenta uma taquicardia supraventricular. Provavelmente, tratar essa taquicardia não vai ajudar o paciente, enquanto que o tratamento da sepse deve resolver ou diminuir a taquicardia. Para fazer a diferenciação, a frequência cardíaca e a idade do paciente podem ajudar. Um parâmetro subjetivo que pode ser usado é a equação de Karvonen. Essa equação prediz a frequência cardíaca máxima do paciente como: 220 – idade. Então compara-se a frequência cardíaca do paciente com esse resultado. Se a frequência cardíaca do paciente ultrapassa a máxima predita pela equação ou está próxima, é possível que a clínica do paciente seja secundária à taquiarritmia em si. Exames complementares: O ECG é fundamental para o diagnóstico. A depender dos diagnósticos diferenciais, outros exames podem ser solicitados, como eletrólitos, função renal, marcadores de necrose miocárdica, dosagem sérica de substâncias (p. ex., digoxina). Diante de uma taquicardia, fazemos 3 perguntas: • QRS estreito ou largo? • Ritmo regular ou irregular? • Onda P? Se existe, qual a relação com QRS? Esses questionamentos ajudam na conduta. 1 quadrado pequeno tem 0,04s, que corresponde a 40ms. Para ver se o ritmo é regular analisa a distância de várias ondas R e observa se essa distância é regular ou variável. 3 Laís Flauzino | Urgências em Clínica Médica QRS estreito? • QRS < 120 ms (3 quadradinhos) • Condução entre átrio e ventrículo ocorre pelo nó AV. • São supraventriculares – pct pode conviver de forma permanente RR regular: • Taquicardia sinusal • Taquicardia supraventricular • Flutter atrial RR irregular: • Fibrilação atrial • Flutter atrial com BAV variável • Taquicardia atrial multifocal – ritmo atrial caótico, diversas tentativas de seguir um QRS A maioria das arritmias com QRS estreito tem origem atrial. Quando o QRS é largo, as arritmias tem comprometimento mais ventricular. QRS estreito: • FC > 100 bpm e QRS < 120ms. • QRS estreito indica que a condução entre átrio e ventrículo ocorre pelo nó atrioventricular. • Todas são taquicardias supraventriculares • Podem ser divididas em RR regular e RR irregular. RR regular: • Diante de uma taqui de QRS estreito e RR regular, deve-se buscar pelas ondas P. (DII e V1) • Comparar o número de ondas P com o número de QRS. Ondas P não identificáveis: Quando as ondas P não são identificáveis, podemos tentar algumas possibilidades: uma é usar as derivações de Lewis e Gallop, a outra é uso de adenosina. Com o bloqueio temporário do nó AV induzido pela adenosina, poderá haver reversão da arritmia, ou nos casos em que não há reversão da arritmia o bloqueio de condução para o ventrículo permite discernir as ondas P e fazer o diagnóstico da taquiarritmia. Diagnósticos possíveis com RR regular e ondas P não identificáveis: • Taquicardia juncional • Taquicardia atrial • Taquicardia por reentrada nodal Ondas P > complexos QRS: • Há mais ativação do átrio do que QRS • Há duas possibilidades • Flutter atrial • Taquicardia atrial Relação 1:1 de ondas P e QRS: • Olhar a distância entre cada onda P e o complexo QRS seguinte e o que procede. • RP longo: taquicardia sinusal, taquicardia por reentrada nodal atípica, taquicardia juncional reciprocante (Coumel), taquicardia atrial. • RP curto: taquicardia por reentrada nodal típica, taquicardia por reentrada atrioventricular ortodrômica, taquicardia atrial com bloqueio atrioventricular de primeiro grau, taquicardia originária do seio coronariano ou juncional. RR irregular: Possibilidades diagnósticas: • Fibrilação atrial • Flutter atrial de condução AV variável • Taquicardia atrial QRS largo? • QRS > 120 ms (mais que 3 quadradinhos). • Maioria ritmos ventriculares 4 Laís Flauzino | Urgências em Clínica Médica • Geram instabilidade hemodinâmica – pct não pode conviver pq pode evoluir para PCR RR regular: • TV monomórfica – pode evoluir para PCR • TSV com aberrância – mais confuso para interpretar • TAV antidrômica (taquicardiapor reentrada atrioventricular antidrômica) • Alterações toxico-metabólicas RR irregular: • TV polimórfica • Torsades de pointes – conduta com sulfato de magnésio • Fibrilação atrial com aberrância • Fibrilação atrial com via acessória (pré- existente) QRS largo: • FC > 100 bpm e QRS > 120ms • Maioria ritmos ventriculares e geram instabilidade hemodinâmica – nem toda taqui de QRS largo é ventricular. • Se houver condução por feixe acessório, bloqueios de ramo preexistentes ou induzidos pela taquicardia, uma taquicardia supraventricular pode se apresentar com QRS largo. • Em casos com potencial gravidade do quadro, é sensato considerar que toda taquicardia regular com QRS largo é uma taquicardia ventricular. • Caso o paciente tenha um ECG de base com bloqueio de ramo e a taquicardia tenha exatamente a mesma morfologia, trata-se de taquicardia supraventricular. Nos outros casos, a abordagem deve ser como taquicardia ventricular. TAQUICARDIA SINUSAL: • Onda P precedendo cada complexo QRS, orientação normal – porém com frequência aumentada • Apropriada para a condição clínica • Não necessariamente precisa tratamento específico mas deve tratar a causa subjacente que está causando a elevação da FC (infecção, uso de drogas, dor). Não trata com medidas específicas para controlar a FC. Taquicardia sinusal: • Ondas P precedendo cada QRS • Onda P com orientação normal (eixo entre 0 e 90°) Se não tiver orientação normal, é taquicardia atrial. Pode ser causada por: • Hipoxemia • Anemia • Febre • Hipertireoidismo • Hipovolemia • Choque • Tromboembolismo pulmonar • Ansiedade • Atividade física • Medicamentos • Abstinência ECG: • Ondas P precedendo QRS, positivas em DI, DII, DIII, aVF e negativa em aVR. Se o ritmo for >150bpm, pode ser flutter atrial. Fisiopatologia: Hiperautomatismo do nó sinusal, sem necessariamente representar uma condição patológica. Na maioria das vezes a taquicardia é apropriada para uma condição clínica do paciente (hemorragia ou febre, p. ex.), e raramente uma taquicardia não apropriada. Deve-se procurar tratar a causa de base. 5 Laís Flauzino | Urgências em Clínica Médica TAQUICARDIA POR REENTRADA NODAL Taquicardia supraventricular • Sem alterações cardíacas estruturais • Circuito de reentrada dentro do nó AV com via anterógrada lenta e retrógrada rápida • Ausência de onda P • Pseudo-S em DII/DIII • Pseudo-r’ em VI É um ritmo bem regular. Tenta fazer a onda s e a r mas não dá. Tratamento: Estável: • Manobras vagais Compressão do seio carotídeo, Manobra de valsava modificada – o objetivo é dar uma pausa, interromper, uma parada de condução do nó AV. Contraindicação da compressão do seio carotídeo é a idade – pct pode ter trombo/placas. O limite para fazer é 65 anos. A manobra de valsava não tem contraindicação. • Adenosina 6mg – repetir até duas vezes caso não haja sucesso 12 mg Quando o pct tem contraindicação à manobra ou não a manobra não funcionou. Objetivo é interromper o mecanismo de reentrada do nó AV. essa medicação é muito lábil – quase não chega no nó, então precisa ser adm com flush para alcançar o coração. O ideal são acessos proximais. 6mg – 12mg – 18mg • Controle da FC com drogas específicas – Metoprolol, diltiazem, verapramil, deslanosídeio A taqui supra é uma arritmia que causa mal estar, é súbita. Então preferencialmente tem que mudar o ritmo. Instável: • CVE sincronizada – 50 a 100J Botão SINC – não é desfibrilação, é cardioversão elétrica. Fazer sedoanalgesia pq o pct vai receber choque – fentanil preferencialmente e drogas de sedação de meia vida curta (propofol). QRS estreito, com RR regular sem onda P – taqui supra ventricular. Diferenciar estável ou instabilidade. QRS estreito, sem onda P com RR irregular é FA. O mecanismo não é o de reentrada, mas o de hiperautomatismo. Taquicardia por reentrada nodal: É uma taqui supra – causa mais comum de palpitações em pct sem alteração cardíaca estrutural. É tipicamente paroxística. Pode ocorrer espontaneamente ou ser provocada por exercícios físicos, ingestão de café, chá ou álcool. Fisiopatologia: circuito de reentrada formado dentro do nó AV com via anterógrada lenta e retrógrada rápida. ECG forma típica: • FC 150-250 bpm • Ausência de onda P precedendo QRS • QRS estreito e RR regular • pode haver presença de onda pseudo-s em DII/DIII e onda pseudo-r’ em V1, ou “infra de segmento ST” nas derivações inferiores (DII, DIII e aVF) – trata-se de onda P retrógrada. A forma atípica envolve o circuito invertido no nó AV – via anterógrada rápida e retrógrada lenta. RP é longo. Sintomas: • dor torácica anginosa – pct com DAC • dispneia • ansiedade • poliúria – secundária a liberação de peptídeo natriurético atrial. Tratamento: TRN estável: • Manobras vagais para diagnóstico e tto. 6 Laís Flauzino | Urgências em Clínica Médica • Se não houver reversão para o ritmo sinusal por meio das manobras: adenosina (interrompe a condução do impulso elétrico proveniente dos átrios) – 6mg diluído em 10-20ml de solução fisiológica, em bolus rápido. A dose pode ser repetida até 2x (12 e 18mg). Orientar que a medicação causa desconforto importante. • Pcts jovens uma alternativa é: bloqueadores de canal de cálcio EV (diltiazem e verapamil) – revertem a reentrada sem o desconforto provocado pela adenosina. Não havendo reversão da taquiarritmia supraventricular com essas estratégias, assumimos que se trata de mecanismo por automatismo ou então reentrada que não envolve o nó AV (p. ex., fibrilação atrial, flutter etc.), sendo indicado controle da FC com drogas específicas. Disposição: pacientes com TRN revertida e assintomáticos podem receber alta hospitalar com acompanhamento ambulatorial sem necessidade de exames complementares. FIBRILAÇÃO ATRIAL: • Hiperautomatismo de várias regiões do átrio ao mesmo tempo – vários focos querendo iniciar o ritmo. • Ausência da onda P • Presença de ondas irregulares – F • QRS estreito • RR irregular A frequência do RR é variável – a FA pode evoluir para uma taquicardia ou a frequência pode ser dentro do normal ou baixa. Então depende de quanto tempo está com essa arritmia para definir tratamento. 7 Laís Flauzino | Urgências em Clínica Médica FA com baixa resposta ventricular: QRS que aparecem lentamente, menos de 60 QRS por minuto – bradicardia. FA com alta resposta ventricular: é uma taquicardia. Para ter repercussão é de acordo com o tempo de instalação – foi agudo? E a FC também – se for muito rápida, o pct vai sentir desconforto. Tratamento: < 48H Estável: • Controle FC = diltiazem, digitálico, b bloqueador. Instável: • CVE sincronizada 120 a 200J Se for mais de 48h não conduz da forma aguda pq pode existir trombo. E o objetivo da cardioversão é trazer o ritmo sinusal de volta. Precisa ter certeza – pedir ECG prévio. Em relação a instabilidade: as vezes o pct está séptico e faz FA, então a descompensação é pela sepse – resolve a sepse. Se tiver instável pela arritmia a indicação é CVE. Critérios de instabilidade: nível de consciência rebaixado, dor precordial, dispneia, hipotensão. Sedar o doente para CVE, deixar carrinho de VA avançada – pode ter intercorrência, PCR. Pct que não vai cardioverter: avalia anticoagulação, dose de betabloqueador com objetivo de baixar a FC (alvo de 60bpm). Escala de CHADS-VASc – decisão de anticoagulação. Fibrilação atrial: Arritmia sustentada. Hiperautomatismo de veias pulmonares gerando impulsos mais precocemente que o nó sinoatrial. ECG: • Ausência de onda P • Presença de ondas irregulares – ondas f • QRS estreito • RR irregularFLUTTER ATRIAL: • Arritmia supraventricular causada por circuito de macroreentrada no átrio direito. • QRS estreito • Ondas F em dente de serra mais bem vistas em DII, DIII, aVF RR regular FC variável – as vezes não é tão próxima, as vezes mais distante. Tratamento: Estável: • Controle FC com fármacos – escolha em pct que não se conhece o tempo, se tem trombo Quando pct estável também pode escolher CVE pela possibilidade de reversão do ritmo. Instável: • CVE sincronizada 50 a 100J CVE se for agudo. É uma reversão mais fácil – 50J já resolve. Flutter atrial: Arritmia supraventricular causada por circuito de macrorrentrada no átrio direito. ECG: • Taquicardia de QRS estreito • Ondas F – em dente de serra (DII, DIII, aVF) • Frequência das ondas F 250-350 bpm • frequência ventricular mais comum de 150 bpm com condução atrioventricular 2:1 TAQUICARDIA VENTRICULAR MONOMÓRFICA Monomórfica – RR regular QRS largo Pode degenerar para um ritmo de PCR 8 Laís Flauzino | Urgências em Clínica Médica Tem que fazer medidas de cardioversão. Pode tentar amiodarona se pct estável. Estável: • Procainamida – não disponível no Brasil • Amiodarona 150mg em 10 min (Ataque) + manutenção 1mg/min por 6h, 0,5mg/min por 18h ou • Lidocaína 1mg/kg em 2-5 min • CVE é opção mais segura – devido ao risco de PCR Instável: • CVE – 100J – aumento progressivo Botão de sincronizar, sedar o doente • UTI – CDI? Dispositivo implantável que programa um choque diante de uma arritmia a qualquer momento. TAQUICARDIA VENTRICULAR POLIMÓRFICA: • Polimórfica (QT nomal) • Torsades de point (associada a QT longo): contração ventricular prematura atinge onda T: fenômeno R sobre T • Sulf mag 10%: 2g (4ml) ataque em 10 min / 1-4g/h – parar infusão se Mg >7 mg/dl Inversão de polaridade – ao mesmo tempo que faz QRS positivo, inverte e faz negativo. Não faz nem cardioversão e sim desfibrilação – ritmo de parada. Mesmo se pct tiver pulso, é arritmia maligna e faz a desfibrilação. Uma pré-disposição para ter essa arritmia é ter o intervalo QT longo. Faz a desfibrilação 200J + sulfato de magnésio. Esse magnésio é diluído, não é em bolus. Pct tem que ir para UTI. Tratamento: • Considerar sempre instável • Desfibrilar 200J Taquicardia ventricular: Comumente associadas a cardiomiopatias – isquêmica, dilatada, hipertrófica, doença de Chagas, estenose aórtica. Representam complicação importante do IAM. Podem ser: • Monomórficas – FC >130bpm, QRS alargado e regular, com mesma morfologia, dissociação entre as ondas P e o complexo QRS. • Polimórficas Também são classificadas em: • Sustentadas: ocorrem por mais de 30s ou geram instabilidade hemodinâmica. • Não sustentadas: ocorrem por menos de 30s e não geram instabilidade. O tratamento consiste em tratar a causa base (hipomagnesemia, hipocalemia, isquemia, hipóxia). Não há indicação de antiarrítmico. Tratamento: Pct deve ser levado para a sala de emergência e monitorizado. Pode haver degeneração para PCR (FV). Nas taquicardias ventriculares monomórficas instáveis e com pulso devemos realizar cardioversão elétrica sincronizada a princípio com 100 J, podendo-se aumentar a carga progressivamente. Os pacientes devem ser admitidos na unidade de terapia intensiva (UTI) para investigação etiológica e avaliar necessidade de cardioversor desfibrilador implantável (CDI). 9 Laís Flauzino | Urgências em Clínica Médica BRADICARDIAS: Sinais e sintomas: • Sincope • Confusão mental • Pré-síncope • Fraqueza inespecífica • Dispneia • Dor torácica • Relacionar com medicações – pode ser uma superdosagem de betabloqueador. TCE em idoso tem que fazer eletro pq ele pode ter caído por bradiarritmia. Classificação: • Bradicardia sinusal – ritmo cardíaco normal (onda P seguida de QRS), FC mais baixa Só tem atraso de condução do nó sinusal para os ventrículos – a onda P vai conduzir um QRS. Pode estar relacionada a medicamentos, mas pode ser um padrão fisiológico – atletas tem padrão Bradicárdico sinusal. Trata se tiver alteração aguda com repercussão. • Bloqueio atrioventricular Classificação: • BAV 1º grau – PR maior que 200ms (5 quadradinhos ou 1 quadradão) Conduz! Atrasa, mas chega. • BAV 2° grau – tipo I o Ondas P bloqueadas o Aumento PR progressivo – atrasa aos poucos até não conduzir, até bloquear • BAV 2° grau – tipo II o Intervalo PR constante o Onda P bloqueada aleatoriamente – não avisa quando vai bloquear • Bloqueio 2:1 o A cada duas ondas P, uma é bloqueada • BAV 3° o Não há condução do ritmo atrial para ventrículo Não tem relação nenhum do átrio e ventrículo. As ondas P estão aleatórias e os QRS não seguem nenhuma onda P. É uma emergência cardiológica – referenciar para arritmologia – BAVT 10 Laís Flauzino | Urgências em Clínica Médica BAV 3° Distúrbios de potássio podem causar isso. Bradicardia tratamento: Estável / assintomático? • Avaliar se é bloqueio avançado ou não • BAV 2° tipo II, e BAVT – internar Se for um BAVT mesmo se o pct não sentir nada, tem que considerar grave e internar. Avançado é do Mobtz tipo II em diante. Se for de primeiro grau e o pct não sentir nada, o pct vai ser tratado ambulatorialmente. Estável/sintomático: • FC < 30 bpm, sintomáticos: passagem de MP transvenoso • Atropina 0,04mg/kg bolus (max 2mg) – avaliar capacidade de resposta cronotrópica do paciente Estável: não teve hipotensão, rebaixamento do nível de consciência, dispneia ou dor torácica. Mas teve sintomas: síncope, sinais de baixo débito etc. Aí observa a FC. Se FC < 30 faz marcapasso transvenoso e pode fazer atropina até avaliar a resposta do pct. Instável: • Atropina 0,5 mg a cada 3-5 min (total 3mg) • MP transcutâneo / transvenoso • Dopamina b1 adrenérgicos – 2- 20mcg/kg/min BIC Se o doente não responde, como no BAVT, vai para MP. Até a chegada ao MP transvenoso, pode fazer o transcutâneo com pá adesiva até alcançar a resposta do pct. Vai no desfibrilador e seleciona o modo marcapasso, seleciona a frequência (60) e seleciona uma voltagem para mandar um estimulo para bater em 60. 20mw não conduziu –jogou a espicula, mas não gerou um QRS. Então vai aumentando a milivoltagem até ser suficiente para gerar um QRS. A dopamina faz o mesmo mecanismo que o marcapasso transcutâneo – faz cronotropismo/FC. Dopamina não tem necessidade de intubação como o transcutâneo. Se for BAVT não responde à atropina, tem que iniciar dopamina e encaminhar. Bradicardias: FC baixa. Absoluta quando < 60bpm. Relativa quando o pct apresenta necessidade de débito cardíaco aumentado e FC inapropriada à sua condição clínica (60 bpm no choque séptico ou hipovolemia). Pode ser normal – atletas apresentam FC <50bpm sem repercussão hemodinâmica. Também pode ser considerada normal em algumas situações de tônus vagal excessivo, 11 Laís Flauzino | Urgências em Clínica Médica como no pós-prandial de refeições copiosas, durante o sono, durante a passagem de sonda nasogástrica ou durante situações de estresse (por exemplo, coleta de sangue em alguns indivíduos). A bradicardia é considerada patológica apenas quando há sintomas secundários a repercussões hemodinâmicas na condição do paciente. Classificação: Bradicardia sinusal: • Ritmo normal, FC baixa • Normalmente não tem significado patológico. • Pode ser vista em situações de aumento do tônus vagal - passagem de sonda nasogástrica (SNG), coleta de sangue, após refeições copiosas, bexigoma, vômitos, compressão do seio carotídeo ou situações nas quais há hipertensão intracraniana associada (trauma, tumores, sangramentos, meningites, acidentes vascularesisquêmicos). • Pode ser consequência do uso de determinadas drogas como betabloqueadores, bloqueadores de canais de cálcio, lítio, antiarrítmicos, clonidina e digoxina. Bloqueios atrioventriculares: A falha de condução ocorre na transição entre átrios e ventrículos. A relação entre as ondas P (resultantes da despolarização atrial) e o complexo QRS (resultante da despolarização ventricular) é o que determina a classificação do bloqueio. O BAVT pode ser congênito, secundário à isquemia, doença valvar, complicação de pós-operatório de cirurgia cardíaca, secundário a miocardiopatias ou doenças neurodegenerativas. Pode haver BAVT mesmo quando não há despolarização atrial (p. ex., na fibrilação atrial). Nesse caso, haverá linha de base isoelétrica (sem ondas P) ou com ondas f de fibrilação atrial e complexos QRS regulares e bradicárdicos (FA com BAVT é um rimo regular). A dissociação atrioventricular é diagnóstico diferencial de BAVT. Nessa condição, os átrios e ventrículos atuam independentemente um do outro. Ocorre quando o nó AV ou local mais baixo no sistema de condução assume frequência maior que do NSA. Quando o ritmo atrial é maior que o ritmo ventricular, trata-se de BAVT, e quando o ritmo atrial é inferior ao ritmo ventricular pode-se tratar de dissociação atrioventricular. Tratamento: Bradicardias estáveis: • Avaliar se o bloqueio é avançado ou não. • BAV de 2° grau Mobitz II e BAVT – internação com monitorização e avaliação do cardiologista. • A passagem de marca-passo transvenoso deve ser considerada para pacientes com frequência de escape ventricular < 30bpm e QRS > 120 ms e naqueles com sintomas secundários à bradicardia. • Atropina pode ser utilizada para elucidação da capacidade de resposta cronotrópica do paciente. Dose 0,04mg/kg em bolus (não ultrapassar 2mg). Bradicardias instáveis: • Assegurar que o ritmo do pct seja a causa de instabilidade. • Abordagem inicial: estabilização, suporte de via aérea e ventilação, O2 suplementar se necessário, monitorização e avaliação de SSVV e acesso venoso central. • Avaliação do nível de consciência constante. 12 Laís Flauzino | Urgências em Clínica Médica • ECG de 12 derivações. • Exames gerais de acordo com a história clínica. • Instabilidade é definida como: rebaixamento do nível de consciência, angina, hipotensão, síncope ou sinais de choque. • Caso algum dos sinais de instabilidade esteja presente, deve providenciar-se o marca-passo transcutâneo (MCP TC) (ou droga em bomba de infusão contínua que poderá ser adrenalina ou dopamina) e, enquanto isso, deve-se administrar dose de atropina intravenosa. Logo após a instalação do marca-passo transcutâneo, deve-se providenciar a passagem do marca-passo transvenoso (MCP TV). Atropina – BAV avançado não responde a atropina. Dopamina – aumenta FC, agonista B1 adrenérgico. Dose de 2 a 20ug/kg/min. Velasco, Irineu, T. et al. Medicina de emergência: abordagem prática. Disponível em: Minha Biblioteca, (16th edição). Editora Manole, 2022.