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Prévia do material em texto

2019
Formação Econômica 
do Brasil
Profª. Andréa Oliveira Hopf Diaz
Profª. Josélia Elvira Teixeira
Copyright © UNIASSELVI 2019
Elaboração:
Profª. Andréa Oliveira Hopf Diaz
Profª. Josélia Elvira Teixeira
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
D542f
 Diaz, Andréa Oliveira Hopf
 Formação econômica do Brasil. / Andréa Oliveira Hopf Diaz; 
Josélia Elvira Teixeira. – Indaial: UNIASSELVI, 2019.
 183 p.; il.
 ISBN 978-85-515-0254-9
1.Brasil – Condições econômicas – Brasil. I. Teixeira, Josélia Elvira. II. 
Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
CDD 330.981
III
aprEsEntação
Seja bem-vindo a nova jornada que iniciaremos com o nosso livro de 
estudos da Disciplina Formação Econômica do Brasil.
É imprescindível para a compreensão da história e desenvolvimento 
econômico do Brasil que tomemos conhecimento das condições sociais, 
econômicas e políticas presentes em cada etapa de consolidação do país, 
desde o contexto de descobrimento, o período colonial e sua participação 
nos processos seguintes de desenvolvimento econômico e posteriores 
consequências.
Como futuro profissional da área da economia, ter conhecimento da 
gênese de nosso país em relação a esses aspectos o capacitará a relacionar, 
elucidar e articular os acontecimentos, inclusive, com aqueles associados 
a transformações externas, quanto à cultura, a interesses e à dinâmica dos 
efeitos na formação de uma sociedade.
Pense nos seguintes questionamentos: qual a influência europeia 
na formação da economia brasileira? Quais as raízes ou os fundamentos 
do nosso processo de industrialização? Como este contexto se relaciona 
diante do processo de redemocratização e dos nossos problemas? Serão estes 
nossos problemas econômicos estruturais? Isto é, relacionados justamente a 
condições de formação política de nosso país? 
Tranquilize-se, pois vamos apresentar uma série de episódios que 
certamente colaborarão para elucidar essas e outras questões que surgirão 
ao longo da leitura e da realização das autoatividades! Serão inúmeras 
descobertas! Vamos lá!?
Na Unidade 1, será apresentado o contexto de expansão europeia 
e a colonização. Para que a leitura e o ensino a distância sejam mais bem 
aproveitados, os conteúdos das unidades foram organizados em três tópicos. 
Veja os tópicos desta unidade: as grandes navegações; os fundamentos da 
colonização: formação e expansão econômica no período colonial; e o modelo 
primário exportador no Brasil. Em cada momento, podemos perceber a 
cronologia de eventos que vai, aos poucos, dando certa identidade e cultura, 
também produtiva ao nosso país.
Na Unidade 2, é apresentada a introdução do processo de 
industrialização brasileiro. Para isso, a divisão também em tópicos, o auxiliará 
a relacionar os acontecimentos, diante de inúmeros interesses e desafios do 
país, que nem sempre convergem, mas que são dinâmicos e requerem uma 
IV
atenção mais especial. Enquanto o Tópico 1 trata das origens do capitalismo 
no século XIX; o Tópico 2, destaca o desenvolvimento da indústria no início 
do século XX; seguido do processo de substituição de importações, iniciado 
na década de 1930, assunto que continua na unidade a seguir, mas que já 
ganha destaque aqui, no Tópico 3 desta unidade. 
Finalmente, a última unidade do livro de Formação Econômica 
do Brasil foi organizada para que você compreenda e reflita sobre o 
desenvolvimento da economia brasileira entre as décadas de 1950 e 1990. Deste 
modo, iniciaremos com a revisão de alguns conceitos elementares a respeito 
do Plano de Metas com o propósito de trilhar o caminho do planejamento 
econômico brasileiro até o final da década de 1980.
O Tópico 1 é denominado “industrialização e desenvolvimento” e no 
qual se procura conhecer a importância do planejamento para a economia 
da década de 1950 por meio do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek. 
Além deste tema, ainda neste tópico estudaremos a participação do capital 
estrangeiro na economia brasileira com a atuação de grandes oligopólios. No 
Tópico 2, “milagre econômico”, a ênfase estará na análise relativa à década 
de 1970, período de forte crescimento da economia e de um projeto de 
desenvolvimento posto em prática para o país. Entretanto, este tópico parte da 
crise interna brasileira dos 1960 e do importante avanço com o Plano Trienal. 
Por fim, o livro é concluído com o Tópico 3, reservado ao exame da crise 
econômica dos anos 1980, com foco na dívida externa e na desestruturação 
interna. Deste modo, são revisadas as principais medidas utilizadas para 
conter o processo de hiperinflação com os planos de estabilização econômica 
e o processo de redemocratização trazido pelas eleições diretas no Brasil.
Fique atento, que ao final de cada tópico, presente em cada unidade, 
são propostas autoatividades que contribuirão para a reflexão e aprendizado 
dos assuntos abordados. A leitura complementar, um texto a parte presente 
no livro de estudos, tem como objetivo trazer algo inédito e permitir a relação 
com o que foi abordado ao longo dos estudos. Qualquer dúvida, não hesite! 
Busque os tutores!
Esperamos que este estudo se converta em uma etapa de grande 
avanço em seu conhecimento, e vá ao encontro de suas aspirações, sejam 
pessoais e profissionais.
Desejamos uma excelente jornada de estudos! Grande abraço!
V
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
VI
VII
UNIDADE 1 – EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO ......................................................... 1
TÓPICO 1 – AS GRANDES NAVEGAÇÕES MARÍTIMAS NO SÉCULO XV ........................... 3
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 A EUROPA NO FINAL DA IDADE MÉDIA ................................................................................... 4
3 POR QUE AS ESPECIÁRIAS ERAM IMPORTANTES NO SÉCULO XV? ............................... 6
4 POR QUE PORTUGAL FOI O PRIMEIRO PAÍS A DAR INÍCIO ÀS
 GRANDES NAVEGAÇÕES DO SÉCULO XV? .............................................................................. 7
5 ESPANHA NAS DESCOBERTAS MARÍTIMAS DO SÉCULO XV ........................................... 13
6 MUDANÇAS E CONSEQUÊNCIAS DA EXPANSÃO MARÍTIMA DO SÉCULO XV ......... 20
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................23
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 24
TÓPICO 2 – FUNDAMENTOS DA COLONIZAÇÃO: FORMAÇÃO E
 EXPANSÃO ECONÔMICA NO PERÍODO COLONIAL ......................................... 27
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 27
2 INÍCIO DA OCUPAÇÃO PORTUGUESA NO BRASIL .............................................................. 28
3 O INÍCIO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS NO BRASIL ..................................................... 32
3.1 A EXPLORAÇÃO DO PAU-BRASIL E O POVOAMENTO DA COLÔNIA .......................... 32
3.2 O POVOAMENTO E O FORTALECIMENTO DE ATIVIDADES
 ECONÔMICAS NA COLÔNIA ..................................................................................................... 33
3.3 A CULTURA DO AÇÚCAR NA COLÔNIA ............................................................................... 35
3.4 O CICLO DA MINERAÇÃO (SÉCULO XVIII) ........................................................................... 42
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 46
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 47
TÓPICO 3 – O MODELO PRIMÁRIO EXPORTADOR NO BRASIL ........................................... 49
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 49
2 A INSTALAÇÃO DA FAMÍLIA PORTUGUESA NO BRASIL E AS
 TRANSFORMAÇÕES NO BRASIL .................................................................................................. 49
3 O CULTIVO DO CAFÉ E A CONSOLIDAÇÃO DO MODELO
 PRIMÁRIO-EXPORTADOR ............................................................................................................... 50
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 55
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 56
UNIDADE 2 – A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO
 BRASILEIRO ................................................................................................................. 57
TÓPICO 1 – AS ORIGENS DO CAPITALISMO NO SÉCULO XIX.............................................. 59
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 59
2 REPÚBLICA VELHA: AMBIENTE POLÍTICO E ECONÔMICO ............................................... 60
sumário
VIII
2.1 A DINÂMICA DE INTERESSES .................................................................................................... 60
2.2 A ECONOMIA MONETÁRIA INCIPIENTE ............................................................................... 64
3 A BASE ECONÔMICA CAFEEIRA .................................................................................................. 70
3.1 AS CONDIÇÕES DE OCORRÊNCIA E MERCADO ................................................................ 70
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 81
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 82
TÓPICO 2 – O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA NO INÍCIO DO SÉCULO XX ........ 83
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 83
2 A QUESTÃO DO TRABALHO NA CAFEICULTURA ................................................................. 83
2.1 IMIGRAÇÃO E DINAMISMO ECONÔMICO............................................................................ 84
3 O DESENVOLVIMENTISMO E NACIONALISMO ECONÔMICO ....................................... 91
3.1 OS PRECEDENTES DE UM PROJETO MAIOR ......................................................................... 91
3.2 O POPULISMO COMO VIA ECONÔMICA ............................................................................... 96
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................104
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................105
TÓPICO 3 – O PROCESSO DE SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES (SI):
 A PARTIR DE 1930 ..........................................................................................................107
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................107
2 A CRISE E O CRESCIMENTO ECONÔMICO .............................................................................107
3 AS CONDIÇÕES E O DECORRER DO PROCESSO (SI) ..........................................................113
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................118
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................121
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................122
UNIDADE 3 – A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX ...................................................123
TÓPICO 1 – INDUSTRIALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ..................................................125
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................125
2 A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO ECONÔMICO .......................................................126
3 JUSCELINO KUBITSCHEK E O PLANO DE METAS (1956-1961) ...........................................130
4 PARTICIPAÇÃO DO CAPITAL ESTRANGEIRO E OLIGOPÓLIOS ....................................135
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................139
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................140
TÓPICO 2 – MILAGRE ECONÔMICO.............................................................................................141
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................141
2 A CRISE INDUSTRIAL ENDÓGENA NO INÍCIO DA DÉCADA DE 1960 ..........................141
3 CRESCIMENTO ECONÔMICO NO GOVERNO JOÃO GOULART (1961-1964):
 CRISE POLÍTICA E O PLANO TRIENAL DE CELSO FURTADO ..........................................144
4 GOLPE MILITAR DE 1964 E O MODELO DEPENDENTE E ASSOCIADO .........................148
5 PROGRAMA DE ACELERAÇÃO ECONÔMICA DO GOVERNO (1964-1967): 
 ESTABILIZAÇÃO E MUDANÇAS INSTITUCIONAIS .............................................................149
6 O PROJETO NACIONAL-DESENVOLVIMENTISTA DO GOVERNO MILITAR ..............154
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................158
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................160
TÓPICO 3 – REDEMOCRATIZAÇÃO E INFLAÇÃO ....................................................................161
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................1612 A CRISE ECONÔMICA DOS ANOS 1980: DÍVIDA EXTERNA E
 DESESTRUTURAÇÃO INTERNA .................................................................................................161
IX
3 ESTAGNAÇÃO E INFLAÇÃO BRASILEIRA: OS PLANOS DE ESTABILIZAÇÃO
 ECONÔMICA ......................................................................................................................................165
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................174
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................176
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................177
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................179
X
1
UNIDADE 1
EXPANSÃO EUROPEIA E 
COLONIZAÇÃO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender como se encontrava a estrutura política, econômica e social nos 
fins do século XIV;
• compreender como nasceu a ideia das navegações marítimas no século XV;
• entender por que as especiarias eram importantes para o comércio 
europeu;
• observar as fases da expansão marítima portuguesa;
• analisar como a Espanha entrou como concorrente de Portugal na expansão 
marítima do século XV;
• entender o que foi o Tratado de Tordesilhas;
• analisar quais foram fatores que levaram ao declínio da Espanha;
• entender as mudanças e consequências da expansão marítima no século XV;
• compreender o processo histórico das grandes navegações e os fatores 
econômicos que determinaram a busca por novos territórios;
• entender como as grandes navegações mudaram a economia, a sociedade 
e a política da Europa;
• analisar como se deu a colonização do Brasil e se estabeleceram as 
primeiras atividades econômicas;
• identificar os principais ciclos econômicos na formação econômica do 
Brasil e suas consequências no desenvolvimento;
• compreender por que a Inglaterra foi beneficiada com a vinda dos 
portugueses para o Brasil;
• analisar o que foi a Abertura dos Portos;
• entender que tipo de economia foi se propagando no Brasil colônia;
• relacionar economia e trabalho no período monárquico no Brasil;
• entender por que a abolição foi extinta;
• analisar as vantagens das oligarquias cafeeiras do café no Brasil.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – AS GRANDES NAVEGAÇÕES MARÍTIMAS NO SÉCULO XV
TÓPICO 2 – FUNDAMENTOS DA COLONIZAÇÃO: FORMAÇÃO E 
EXPANSÃO ECONÔMICA NO PERÍODO COLONIAL
TÓPICO 3 – O MODELO PRIMÁRIO EXPORTADOR NO BRASIL
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
AS GRANDES NAVEGAÇÕES MARÍTIMAS NO SÉCULO XV
1 INTRODUÇÃO
Este tópico tem como proposta entender os motivos que levaram os reinos 
como (Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda) a buscar por novas rotas 
de comércio por mares até então desconhecidos como o Oceano Atlântico e 
Índico. Veremos que estes reinos estavam em busca das especiarias na África e 
Ásia para comerciarem na Europa, pois o comércio era de domínio dos genoveses 
e venezianos pelo mar Mediterrâneo. 
As Grandes Navegações do século XV foram impulsionadas desde os 
fins do século XIV, em decorrência das Cruzadas, que estimularam os europeus 
perseguirem novos e mais rápidos acessos a Jerusalém. Além disso, o contato com 
outras mercadorias do Oriente criou novas demandas para os povos europeus, 
que viram oportunidades de comércio desses produtos. Surgia, assim, uma classe 
social burguesa que almejava prosperar por meio da inovação comercial, que 
posteriormente deu início a Revolução Comercial.
Portugal também passava por conflitos internos, conhecidos como a 
Reconquista, que também foi um dos fatores que o levaram a lutar pela sua 
autonomia política formando um só reino. Portugal apareceu como o primeiro 
país a se lançar aos mares. A sua posição geográfica favorável, o comércio 
pesqueiro, a ideia de divulgar o cristianismo, a conquista de novas terras e metais 
preciosos, que estavam escassos na Europa, foram os principais fatores que 
impulsionam o pioneirismo português nas grandes navegações e colonização. No 
entanto, a Espanha após a sua unificação por meio dos reinos cristãos e retomada 
dos territórios do domínio dos mouros voltou-se para as explorações marítimas, 
concorrendo com Portugal pelo domínio de outros territórios, como África e Ásia.
Desta forma, caros acadêmicos, vamos discutir especialmente as grandes 
navegações lideradas por Portugal e Espanha. Assim, poderemos compreender 
os primórdios da formação econômica das Américas e, especialmente, como 
a colonização irá marcar historicamente e ditar os rumos da economia e 
desenvolvimento do Brasil pelos outros séculos. Vamos voltar às raízes da 
formação econômica brasileira, que será fundamental para você analisar como 
esse percurso influencia até os dias correntes a posição do Brasil no comércio 
internacional, na formação estrutural da economia agrário-exportadora e de 
como os traços dos primeiros colonizadores ainda prevalecem como herança 
cultural no povo brasileiro.
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
4
2 A EUROPA NO FINAL DA IDADE MÉDIA
Para compreender como nasceu a ideia de navegar para outros lugares do 
mundo no século XV, é importante retroceder no tempo para analisar como os 
europeus viveram e estavam vivendo na Alta e Baixa Idade Média, período que 
corresponde aos séculos V ao XV, buscando relacionar a forma da organização 
social, política e econômica conhecida como feudalismo.
Na Idade Média, a economia feudal era autossuficiente, o comércio 
praticamente não existia e as trocas ocorriam por meio de poucos produtos 
necessários para a manutenção dos feudos. O poder político era descentralizado, 
impedia a organização da arrecadação fiscal, o que impossibilitava a formação 
de um exército ou de polícia, bem como estruturar canais de comercialização de 
excedentes produtivos. As estradas eram muito precárias, de difícil trânsito. Cada 
feudo tinha suas próprias regras, pois eram independentes e utilizavam as mais 
variadas formas de pesos, medidas e moedas, impossibilitando a monetização da 
economia. A sociedade feudal não possibilitava mudanças de classe social, quem 
nascia em uma determinada classe era difícil de obter ascensão. A economia 
baseava-se na produção de subsistência. A forma de organização do trabalho era 
compulsória. O servo estava obrigado a produzir para o seu sustento, de sua 
família e ainda para o senhor feudal que era o dono da terra (MENDONÇA; 
PIRES, 2002).
Todavia, é no final da Idade Média que começaram a surgir as feiras que 
impulsionaram o comércio. Portanto, percebe-se que essa organização social, 
econômica e política não era adequada para o modelo de expansão comercial 
que estava surgindo com o apoio da burguesia e que tinha grande interesse em 
aumentar os seus negócios.
Na transição da Idade Média de 1453 para a Idade Moderna, em 1789, 
muitos acontecimentos importantes ocorreram na Europa como: a queda de 
Constantinopla, a Revolução Francesa, descobrimentos marítimos, Renascimento 
e a Reforma Protestante. A ascendência ao capitalismo com a queda do feudalismo, 
o poder é centralizado nas mãos dos reis e o absolutismo substituiu os senhores 
feudais. As descobertas de novas terras em busca de metais preciosos e o domínio 
de novos continentes como Ásia, África e as Américas também serão fundamentais 
para as transformações que estavam ocorrendo para sistema de Economia Mundo. 
No entanto, os países como Inglaterra, França, Holanda também se aventuraram 
nos mares no século XV, mas os que mais se destacaram nesta fase das Grandes 
Navegações foram Portugal, que já havia se consolidadocomo nação monárquica, 
e, em seguida, a Espanha após resolver conflitos existentes com a reconquista de 
seus territórios que eram dominados pelos mouros (SANTOS,1984).
TÓPICO 1 | AS GRANDES NAVEGAÇÕES MARÍTIMAS NO SÉCULO XV
5
FIGURA 1 – AS GRANDES NAVEGAÇÕES NO SÉCULO XV
FONTE: <https://image.slidesharecdn.com/asgrandesnavegaes-150330144711-conversion-
gate01/95/as-grandes-navegaes-1-638.jpg?cb=1427744902>. Acesso em: 14 jul. 2018.
NOTA
VOCÊ SABIA?
 
 “Portugal se afirmava no conjunto da Europa como um país autônomo, com tendência 
a voltar-se para fora. Os portugueses já tinham experiência, acumulada ao longo dos séculos 
XIII e XIV, no comércio de longa distância, embora não se comparassem ainda a venezianos e 
genoveses, a quem iriam ultrapassar. Aliás, antes de os portugueses assumirem o controle de 
seu comércio internacional, os genoveses investiram na sua expansão, transformando Lisboa 
em um grande centro mercantil sob sua hegemonia. A experiência comercial foi facilitada 
também pelo envolvimento econômico de Portugal com o mundo islâmico do Mediterrâneo, 
onde o avanço das trocas pode ser medido pela crescente utilização da moeda como meio 
de pagamento. Sem dúvida, a atração para o mar foi incentivada pela posição geográfica 
do país, próximo às ilhas do Atlântico e à costa da África. Dada a tecnologia da época, era 
importante contar com correntes marítimas favoráveis, e elas começavam exatamente nos 
portos portugueses ou nos situados no sudoeste da Espanha.
 Por último, lembremos que, no início do século XV, a expansão correspondia aos 
interesses diversos das classes, grupos sociais e instituições que compunham a sociedade 
portuguesa. Para os comerciantes era a perspectiva de um bom negócio; para o rei era 
a oportunidade de criar novas fontes de receita em uma época em que os rendimentos 
da Coroa tinham diminuído muito, além de ser uma boa forma de ocupar os nobres e 
motivo de prestígio; para os nobres e os membros da Igreja, servir ao rei ou servir a Deus 
cristianizando "povos bárbaros" resultava em recompensas e em cargos cada vez mais 
difíceis de conseguir, nos estreitos quadros da Metrópole; para o povo, lançar-se ao mar 
significava sobretudo emigrar, tentar uma vida melhor, fugir de um sistema de opressões. 
Dessa convergência de interesses só ficavam de fora os empresários agrícolas, para quem 
a saída de braços do país provocava o encarecimento da mão de obra. Daí a expansão ter-
se convertido em uma espécie de grande projeto nacional, ao qual todos, ou quase todos, 
aderiram e que atravessou os séculos”.
FONTE: FAUSTO, Boris. História do Brasil: história do Brasil cobre um período de mais de 
quinhentos anos, desde as raízes da colonização portuguesa até nossos dias. São Paulo: Edusp, 
1996. Disponível em: <http://www.intaead.com.br/ebooks1/livros/hist%F3ria/12.Hist%F3ria%20
do%20Brasil%20-%20Boris%20Fausto%20(Col%F4nia).pdf>. Acesso em: 21 jul. 2018.
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
6
Percebe-se que a economia europeia no século XV encontrava-se em 
expansão pressionado pela nova classe burguesa das cidades e por outro lado um 
aumento demográfico, mas havia entraves para o desenvolvimento das atividades 
ligadas ao comércio. Portugal e Espanha buscavam novas rotas para atingirem o 
comércio com Oriente e a África em busca das especiarias, tais como cravo, noz-
moscada, pimenta, gengibre, canela, açafrão, artigos de luxo como porcelanas, 
tecidos de seda marfim, ouro e outros para vender na Europa que eram fonte de 
muita riqueza na época (SOUTO MAIOR, 1976).
3 POR QUE AS ESPECIÁRIAS ERAM IMPORTANTES 
NO SÉCULO XV?
 O comércio de especiarias existia deste a Antiguidade, mas foi ampliada 
no período das Cruzadas na Idade Média. Eram importantes para conservar e 
melhorar o sabor dos alimentos, inclusive utilizadas como perfume, afrodisíaco, 
incenso etc. Elas tinham longa durabilidade, suportavam meses de viagem sem 
perder sua qualidade aromática e medicinal. Ocorreu uma corrida de países 
europeus em busca nas regiões tropicais do sul e sudeste da Ásia pelas especiarias 
(figura a seguir):
FIGURA 2 – AS PRINCIPAIS ESPECIARIAS COMERCIALIZADAS NO SÉCULO XV
Canela Gengibre
Noz Moscada
Pimenta
FONTE: <http://4.bp.blogspot.com/-6MHcINfEpTY/TrLwu-20GgI/AAAAAAAAA6M/lY0vMUK50Vw/
s400/Especiarias.png>. Acesso em: 20 jul. 2018.
 “A emulação que as riquezas italianas produziam e o espírito 
aventureiro que se apossou de Portugal com a chegada dos carregamentos 
de malagueta, ouro, marfim e escravos, foram consolidando a política 
marítima traçada pelo Infante D. Henrique” (REZENDE, 2007, p. 39).
TÓPICO 1 | AS GRANDES NAVEGAÇÕES MARÍTIMAS NO SÉCULO XV
7
Segundo Fausto (1996, p. 14), “ouro e especiarias foram bens sempre muito 
procurados nos séculos XV e XVI, mas havia outros, como o peixe, a madeira, 
os corantes, as drogas medicinais e, pouco a pouco, um instrumento dotado de 
voz – os escravos africanos”. Portugal assumiu o comércio da pimenta que era 
monopólio de Veneza, considerada, na época, a especiaria mais cara da Índia, 
produto que passou a dar muito lucro para os portugueses (SIMONSEN,1967).
Podemos observar, na figura a seguir, a rotas das especiarias no século XV. 
FIGURA 3 – ROTAS DAS ESPECIARIAS NO SÉCULO XV
Rota das Especiarias no Século XV
FONTE: <https://image.slidesharecdn.com/aula01antecedentesdaproduodoespaobrasileiro-
150219171925-conversion-gate01/95/antecedentes-da-produo-do-espao-brasileiro-18-638.
jpg?cb=1424388101>. Acesso: 14 jul. 2018.
Para Rezende (2007) os metais preciosos, os alimentos e as especiarias foram 
a mola propulsora para o desenvolvimento da expansão marítima de Portugal, 
porque os turcos haviam bloqueados o Mediterrâneo Oriental, então passaram a 
buscar outras rotas para trazer direto da fonte. Essa pode ser considerada uma 
hipótese para a exploração de Portugal no Golfo da Guiné em 1473, denominada 
Costa do Ouro.
4 POR QUE PORTUGAL FOI O PRIMEIRO PAÍS A DAR 
INÍCIO ÀS GRANDES NAVEGAÇÕES DO SÉCULO XV?
As melhorias nas técnicas de navegação proporcionaram o abandono da 
navegação por cabotagem para percursos mais longos.
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
8
Na Idade Média no período do feudalismo, a estrutura política, econômica e 
jurídica não era adequada a expansão comercial. No entanto, com o desenvolvimento 
do comércio, surgiu uma classe social que era a burguesia que compactuava 
com as novas ideias que passaria a romper com as antigas estruturas feudais 
aliando-se ao poder monárquico. Consequentemente, a centralização política 
ocorreu sucessivamente por meio de financiamento de exércitos mercenários. Em 
compensação, os reis passaram a garantir os meios para a expansão do comércio, 
planejando as grandes navegações com objetivo de obtenção de novos mercados 
e as novas fontes fornecedoras de metais preciosos (MENDONÇA; PIRES, 2002).
O objetivo principal da expansão ultramarina, do século XV, estava 
relacionado ao desejo de conquistar os metais preciosos que a Europa almejava 
desde o século XIII. Percebe-se que em 1415 as rotas de exploração de ouro foi 
Ceuta no norte da África e também produtor de trigo. Como Portugal sobreviveu 
a várias crises a expansão ultramarina, seria um estímulo para reerguer a sua 
economia (REZENDE, 2007).
No início do século XV Portugal tornou-se o pioneiro nas Grandes 
Navegações, por vários motivos. Entre eles, a luta ente cristãos contra os mouros 
pela reconquista dos territórios dominados pelos árabes e também pela posição 
geográfica que favorecia o desenvolvimento do comércio no litoral lusitano desde o 
século XII, surgindo uma classe de pessoas ligadas ao comércio. Porém, esse grupo 
de burgueses não tinham controle sobre o poder político e o conflito perdurou de 
1140 até 1383 quando Portugal tornou-se uma monarquia centralizada com o auxílio 
de uma classe mercantil que obteve benefícios como terras e títulos de nobreza ao 
ajudar no financiamento do exército (MENDONÇA; PIRES, 2002).
Neste momento, a sociedadeeuropeia portuguesa passa a ter uma 
mobilidade de servos que passam a ser colonos ou artesãos e até pequenos 
proprietários, e os antigos senhores feudais começaram a fazer a transferência 
de renda para essa classe mercantil. Isso deveu-se à guerra da Reconquista, 
que permitiu a Portugal, a partir do início do século XV, o denominado périplo 
africano, que se estendeu por toda a costa da África, construindo feitorias e 
comercializando produtos que tinham demanda para os consumidores europeus 
(MENDONÇA; PIRES, 2002).
Então os portugueses descobriram as ilhas de Açores, Madeira, Cabo 
Verde e desenvolveram técnicas de cultivo e refino com as quais passaram a 
produzir açúcar em grande escala, especiaria com muito demanda e com mão de 
obra escrava. Portanto, no século XV, percebe-se que Portugal vivia um processo 
de desenvolvimento comercial que resultaria na organização das grandes 
navegações, o qual tinha o objetivo de acordo com Mendonça e Pires (2002):
• a expansão do comércio;
• obter metais preciosos pela escassez para a cunhagem de moedas;
• terras para produção de alimentos;
• busca das especiarias na Ásia e África;
• igreja católica tinha grande influência religiosas. 
TÓPICO 1 | AS GRANDES NAVEGAÇÕES MARÍTIMAS NO SÉCULO XV
9
FIGURA 4 – INSTRUMENTOS NÁUTICOS
Esfera armilar Ballestilla Cuadrante
Brujula Astrolabio Nocturlabio Reloj de arena
FONTE: Adaptado de: <file:///C:/Users/07608717955/Desktop/download%20(1).jpg>.
Acesso em: 18 jul. 2018.
Portugal possuía a Escola de Sagres, que formava navegadores e que 
proporcionou um avanço tecnológico naval na época como a construção das 
caravelas. Entre outras embarcações de maior ou menor porte, ocorreu entre os 
séculos XV e XVI (SANTOS, 1984).
Para levar mercadorias do mar Mediterrâneo para o norte da Europa 
eram utilizados os portos de Portugal. Com o poder centralizado, após a crise 
feudal, a burguesia começou a investir em instrumentos náuticos como a bússola, 
o astrolábio, o quadrante (figura a seguir) para fazer longas viagens navegando 
pelos oceanos, o que favoreceu para serem o primeiro país europeu a fazer 
viagens por oceanos desconhecidos (SANTOS, 1984).
UNI
ESCOLA DE SAGRES 
 Para navegar, os portugueses foram os pioneiros no uso duplo da vela quadrada e 
da vela latina, que puderam usar os ventos alísios, instrumentos náuticos que contribuíram 
para o comércio ao longo da costa com os indígenas e assim é que foram buscar ao sul 
do Saara a pimenta malagueta, o marfim, o ouro e escravos, ameaçando o monopólio de 
Veneza (SIMONSEN, 1967). 
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
10
No entanto, havia muitos mitos sobre águas do oceano Atlântico para 
fazer comércio com o oriente, pois se tornara um desafi o para os portugueses 
que lideraram a expansão marítima no decorrer do século XV. João de Santarém 
e Pedro de Escobar seriam os incumbidos por Afonso V, de descobrirem novas 
terras, e, de fato, alcançaram boa parte da costa da África Ocidental, a partir 
da cronologia de descobrimentos a partir de 1400. Bartolomeu Dias chegou até 
o Cabo das Tormentas; isto é, foi o primeiro europeu a cruzar o Cabo da Boa 
Esperança, ao sul da África, contornando parte do continente africano, conforme 
observamos na fi gura a seguir (SOUTO MAIOR, 1976).
FIGURA 5 – PÉRIPLO AFRICANO
FONTE: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/21/Caminho_maritimo_para_a_
India.png>. Acesso: 18 jul. 2018.
O quadro a seguir apresenta as principais fases da expansão marítima 
portuguesa.
QUADRO 1 – FASES DA EXPANSÃO MARÍTIMA PORTUGUESA – SÉCULO XV
Período Fase
1415
Conquista de Ceuta – localizado no Estreito de Gibraltar – 
dominado pelos muçulmanos – ponto de partida para chegar ao 
litoral da África.
1434 Gil Eanes ultrapassou o Cabo do Bojador.
TÓPICO 1 | AS GRANDES NAVEGAÇÕES MARÍTIMAS NO SÉCULO XV
11
FONTE: Adaptado de Santos (1984)
Quando Vasco da Gama aportou nas Índias em 1498, ao voltar para 
Portugal, trouxe muitas especiarias, possibilitando lucros extraordinários para 
os investidores. Ele abriu caminho para os portugueses erguerem as feitorias 
que tinham a função de entrepostos comerciais. Portugal utiliza-se de feitorias 
para defender o litoral das terras colonizadas dos seus concorrentes. Ele temia 
invasões de outros povos como os franceses, ingleses e holandês (SANTOS, 1984).
NOTA
Antes de partir, Cabral manteve vários encontros com Vasco da Gama. O 
descobridor da Índia redigiu instruções náuticas detalhadas para o futuro descobridor do 
Brasil. Esse documento – que Cabral levou consigo a bordo – sobreviveu aos séculos e 
o rascunho dele está preservado na torre do Tombo, em Lisboa. Depois de 44 dias de 
viagem, no entardecer de 22 de abril de 1500, quando a frota, por motivo nunca plenamente 
compreendido, encontrava-se muito mais a oeste do que o necessário para contornar o 
cabo da Boa Esperança (a última ponta da África), Cabral e seus homens vislumbraram um 
morro alto e redondo, que batizaram de monte Pascoal. Esse morro fica no sul da Bahia. Foi 
a descoberta oficial do Brasil pelos portugueses. Os fatos e desdobramentos da jornada de 
Cabral estão narrados em detalhes no livro A viagem do descobrimento, primeiro volume 
da Coleção Brasilis.
FONTE: BUENO, Eduardo. As primeiras expedições brasileiras: náufragos, traficantes e degredados. 
Disponível em: <http://www.esextante.com.br/media/upload/livros/Naufragostraficantesdegredados_
Trecho.pdf>. Acesso em: 24 jul. 2018.
Período Fase
1488
Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, no extremo 
sul da África.
1498
Vasco da Gama chegou a Calicute, na Índia, realizando um novo 
caminho para o Oriente.
1500 Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil.
De acordo com Souto Maior (1976) Portugal atingiu o auge quando passou 
a colonizar o Brasil. Nesse período, Portugal possuía outras colônias, como 
podemos observar na figura a seguir. Dessa forma, as novas colônias fomentavam 
a economia portuguesa com os produtos extraídos e comercializados no mercado 
europeu por Portugal.
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
12
FIGURA 6 – PRINCIPAIS FEITORIAS E POSSESSÕES PORTUGUESAS NA ÁFRICA
FONTE: <file:///C:/Users/07608717955/Desktop/download%20(2).jpg>. Acesso em: 22 jul. 2018.
NOTA
O que era a feitoria?
Uma Feitoria é um lugar ou estabelecimento, que pode ou não ser fortificado, geralmente 
situado junto a um porto, e que funcionava como um entreposto comercial para as trocas 
comerciais com os naturais da região ou com os mercadores que aí se deslocavam. Muito do 
comércio português nos territórios descobertos na época dos Descobrimentos era efetuado 
através das feitorias aí fundadas. A primeira dessas feitorias foi a Feitoria de Arguim na costa 
africana. No Golfo da Guiné foi fundada uma outra feitoria, a Feitoria da Mina, na qual se 
desenvolvia o comércio de escravos, marfim, malagueta e ouro. No Oriente foi fundada 
uma extensa rede de feitorias que permitiram a Portugal tornar-se o mais poderoso Estado 
mercantil do mundo.
Disponível em: <https://www.sohistoria.com.br/dicionario/palavra.php?id=57>. Acesso em: 
22 jul. 2018.
Em uma das viagens para a América, portugueses e espanhóis estavam 
navegando juntos, e Américo Vespúcio descreveu, em uma de suas cartas, o 
novo mundo: “Pode-se dizer que não encontramos nada de proveito”. Porém, 
observaram na costa brasileira uma espécie vegetal que era o pau-brasil do qual 
era extraído um corante que poderia tingir tecidos. Denominaram esse vegetal 
de Caesalpinia Echinata (PRADO JR, 1994). Apesar das primeiras impressões 
sobre as novas terras não serem muito boas, pois buscavam especialmente ouro e 
prata, logo começaram a extração de outros produtos e a implantar a agricultura 
(produção de açúcar), o que fortaleceu a economia de Portugal e Espanha.
TÓPICO 1 | AS GRANDES NAVEGAÇÕES MARÍTIMAS NO SÉCULO XV
13
5 ESPANHA NAS DESCOBERTAS MARÍTIMAS DO SÉCULO XV
Assim como os portugueses, os espanhóis passaram a concorrer em busca 
de novas terras e riquezas que encontrassemo além-mar. Com a unificação dos 
reinos no século XV e a união matrimonial de Fernando, do Reino de Aragão, e 
Isabel, do Reino de Castela, a economia passa por um processo de transformação 
que culminará no esplendor de riquezas espanholas. Porém, continuaram 
utilizando o sistema de irrigação implementado pelos mouros na agricultura nas 
produções de trigo, frutas, laranjas, cana-de-açúcar, azeite das oliveiras. Eram 
famosas as manufaturas de couro de Córdoba, as armas, lãs e sedas de Toledo, as 
luvas de Ocana, os panos de Saragoça, Barcelona e Valença (SIMONSEN, 1967).
Observe na figura a seguir as principais rotas estabelecidas pelos espanhóis 
e portugueses.
FIGURA 7 – MAPA DAS ROTAS PORTUGUESAS E ESPANHOLAS (SÉC. XV E XVI)
FONTE: <https://images.slideplayer.com.br/6/5652141/slides/slide_2.jpg>.
Acesso em: 18 jul. 2018.
ROTAS DAS VIAGENS MARÍTIMAS PORTUGUESAS E ESPANHOLAS DOS SÉCULOS XV E XVI
Cristóvão Colombo foi para Castela, em 1486, e apresentou o seu projeto 
para os reis católicos Fernando e Isabel que colaboraram com a realização de 
Colombo. Cristóvão Colombo era um homem do mar e desde sua adolescência se 
tornou conhecedor de geografia, náutica, física e cartografia por meio das viagens 
que realizou como navegador. Ele casou-se com Felipa Moniz Perestrello, filha 
de um navegador e governador português Bartolomeu Perestrello, um exímio 
cosmógrafo. Estudiosos dizem que por meio de relatos, a esposa de Bartolomeu 
Perestrello, foi que entregou ao genro cartas náuticas que pertenciam ao seu 
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
14
FIGURA 8 – DESCOBRIMENTO DA AMÉRICA
FEZ UM
ÓTIMO
NEGÓCIO!
CARAVELAS
USADAS
epois de recusados por Portugal, Cristóvão 
Colombo apresentou seus planos aos reis
da Espanha.
D
MAJESTADE,
ANTES DE TUDO,
QUERO EXPLICAR
UMA COISA:
A TERRA É
REDONDA!
GRANDE
NOVIDADE:
DESCOBRIU A
AMÉRICA!
NÃO!
ISSO AINDA
NÃO FIZ!
PARA PROVAR O QUE EU DISSE,
PLANEJO VIAJAR PELO OCIDENTE
 ATÉ CHEGAR ÀS
 ÍNDIAS, NO
 ORIENTE!
SABE
COMO É?
ESTOU MEIO
DURO E
PRECISO
DE UM
FINANCIAMENTO!
CERTO, CRISE!
VOU ASSINAR ESTE
CHEQUE PARA A
COMPRA DAS
CARAVELAS!
VOU LEVAR
ESSAS TRÊS!
SANTA
MARIA PI
NTA
NIÑA
E EU
COM
ISSO?
FONTE: <http://www.cartunista.com.br/descobrimento1.html>. Acesso em: 19 jul. 2018.
esposo falecido o que levou a curiosidade de Colombo a desvendar outras terras 
desconhecidas. Para fi nanciar sua viagem, Colombo pediu ajuda ao rei de Portugal, 
apresentando um projeto de que poderia chegar às Índia pelo Ocidente, porém, 
não foi aceita, conforme observamos na fi gura a seguir (SOUTO MAIOR, 1976).
TÓPICO 1 | AS GRANDES NAVEGAÇÕES MARÍTIMAS NO SÉCULO XV
15
O objetivo dos reis espanhóis Fernando e Isabel era de investir em Colombo 
sempre pensando na procura de uma rota acessível ao comércio das especiarias 
que, até aquele momento, pertenciam e enriqueciam os venezianos. As especiarias 
(pimenta, gengibre, o cravo, noz-moscada, a canela e o sal que era um produto 
mais barato), eram importantes porque utilizadas como conservantes para não 
apodrecer os alimentos e tinham um valor econômico importante (SIMONSEN, 
1967). Os projetos de Colombo visavam encontrar novas rotas para chegar ao 
Oriente, ele acreditava que navegando sempre em direção ao Ocidente baseando-
se no princípio da esfericidade da Terra chegaria às Índias. 
Assim, com apoio de Pinzón, partiram no dia 3 de agosto de 1492 do Porto 
de Palos, com três caravelas: Santa Maria, Pinta e Nina, e em 12 de outubro de 1492, 
somente mais tarde, descobriram que era um novo continente que posteriormente 
se chamaria América, terras essas que ele denominou de San Salvador e eram 
chamadas pelos indígenas de Guanaani. Ao explorar outras ilhas do arquipélago 
como Cuba, acabou homenageando D. João com o nome da ilha de Juana e no 
Haiti com o nome de Hispaniola (SOUTO MAIOR, 1976).
UNI
As Viagens de Colombo
 Conforme relato da primeira viagem, Colombo alcançou e tomou posse de ilhas 
nos arquipélagos das Bahamas e das Antilhas, como Colba (Cuba) e Espanhola (Haiti e 
República Dominicana), a partir das quais explorou as costas do norte, banhadas pelo mar 
das Bahamas. Acreditava ter chegado às ilhas orientais que fariam parte da Ásia. Construiu 
o forte La Navidad e encontrou algum ouro em Espanhola. A rebeldia de Martin Alonso e a 
perda da Santa Maria não obscureceram o sucesso dessa viagem. 
 A segunda expedição, segundo Colombo, havia sido organizada para responder 
às grandes expectativas de expansão territorial e de busca de riquezas; reuniu 17 navios 
abastecidos para seis meses de viagem e uma tripulação de 1.200 membros, entre marinheiros, 
militares e colonos. Colombo tomou posse de novas ilhas do arquipélago das Antilhas e deu 
sequência à exploração de Cuba e de Espanhola, pelas costas do sul, no mar do Caribe; 
iniciou a construção do assentamento de La Isabela, em Espanhola, e encontrou minas 
de ouro (aluvião). Contudo, os problemas desse amplo empreendimento se ampliariam, 
exacerbando confrontos entre os próprios viajantes e a exploração dos nativos.
 A frota da terceira viagem era formada por seis navios, divididos em dois grupos. 
Colombo modificou a rota para uma latitude mais próxima da linha equinocial, descobriu a ilha 
de Trinidad e o delta do Orinoco, na atual Venezuela, tendo sido o primeiro europeu a avistar 
terras continentais do novo mundo na sua porção sul. Dirigiu-se para o estabelecimento de 
Santo Domingo, Espanhola, para defrontar-se com uma situação de guerra entre os próprios 
castelhanos e de extermínio e sujeição dos nativos a trabalhos forçados para produção 
de alimentos e mineração do ouro. As desavenças entre os colonizadores resultaram na 
destituição de Colombo, que retornou como prisioneiro à Espanha.
FONTE: VELOSO FILHO, Francisco de Assis. A expansão europeia dos séculos XV e XVI: 
contribuições para uma nova descrição geral da terra. Revista Equador (UFPI), v. 1, n. 1, p. 
4-25, jun./dez., 2012, p. 7-8.
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
16
Colombo, depois que retornou à Espanha, efetuou ainda outras três 
viagens nas terras que havia encontrado com apoio de Isabel, porém quando 
ela faleceu, Fernando não quis mais ajudá-lo. No entanto, só descobriram que 
não eram as Índias quando outro navegador fez o mesmo trajeto de Colombo 
e concluiu que era uma nova terra e, como reconhecimento, recebeu o nome 
América (SOUTO MAIOR, 1976). 
Alguns estudiosos dizem que Colombo morreu sem saber que havia 
chegado em um novo continente pela rota que havia traçado. A divulgação de 
um novo caminho fez com que os portugueses ficassem preocupados, levando a 
estabelecer direito de posse das terras encontradas (SOUTO MAIOR, 1976).
Primeiramente em 4 de maio de 1493 foi elaborado um documento 
com o nome de Bula Inter Coetera assinado pelo papa Alexandre VI, 
no qual ficava estabelecida a divisão de 100 léguas a oeste das Ilhas de 
Cabo Verde para a Espanha e a leste para Portugal, porém esse acordo 
não foi firmado, porque a Espanha teria muitas vantagens em relação 
a Portugal. Então em 1494 Portugal e Espanha passaram a disputar a 
posse das terras e acordaram um novo acordo conhecido como Tratado 
de Tordesilhas o qual ficou estabelecido Tratado de Tordesilhas que 
determinava a divisão das terras sendo pertencentes à Espanha 370 
léguas oeste, e à Portugal 370 léguas a leste da ilha de Cabo Verde em 
que outros países ficariam exclusos da partilha (RAINER, 2018, s.p.). 
Com o Tratado de Tordesilhas (1494) firmado por Espanha e Portugal, 
o Brasil seria de domínio português. O rei Francisco I, da França ironizou o 
Tratado, questionando sobre onde estaria a cláusula do testamento de Adão, que 
delegasse somente a Portugal e Espanha a posse das novas terras descobertas 
(PRADO JÚNIOR, 1984).
NOTA
Bulas
 Durante os séculos XV e XVI, o poder não se restringia aos reis, figurando como 
sujeito no âmbito internacional, o Papa. Época em que o SumoPontífice exercia através do 
seu poder temporal e espiritual significativa influência e interferência nos conflitos ocorridos 
entre os Estados, quadro que começaria a ser modificado somente no século XVII, pelo 
Tratado de Paz de Westfália (1648), quando os Estados passariam a ter menos influência do 
Catolicismo
 Interesses não só divididos entre os países ibéricos católicos, como compartilhado 
com a Santa Sé, que ao mesmo tempo em que Portugal e Espanha avançavam em suas 
conquistas, expandia junto dela sua jurisdição fora da Europa, com a conversão dos povos 
não cristãos através de sua aculturação.
 Desta forma, representou à intervenção papal a primeira base ou fundamento da 
exploração, ocupação e colonização de terras ultramarinas por países da Europa, de maneira 
a legitimá-la sob o ponto de vista religioso.
TÓPICO 1 | AS GRANDES NAVEGAÇÕES MARÍTIMAS NO SÉCULO XV
17
 Ainda nesse período é marcante a influência do papa como autoridade eclesiástica, 
usando de seu poder, que se manifestava ou se exteriorizava, através dessas bulas que faziam 
expedir.
 
 Bula, palavra cujo conceito se faz necessário elucidar. A palavra bula significa, 
etimologicamente, medalha ou selo. Como, porém, desde a antiguidade, fora empregada 
para designar o selo de chumbo ou de ouro, que normalmente pendia das escrituras solenes 
imperiais ou pontificiais, o seu âmbito de significado passou a compreender também os 
próprios documentos selados [...]. 
FONTE: PONTIN, Rafael de Almeida Leme. As bulas e tratados dos séculos XV, XVI e XVIII na 
história do direito brasileiro: seus reflexos na América portuguesa. Disponível em: <http://
www.salesianocampinas.com.br/unisal/downloads/art07cad04.pdf>. Acesso em: 22 jul. 2018.
O Tratado de Tordesilhas estabelecia que 370 léguas ao Oeste das Ilhas de 
Cabo Verde pertenceriam à Espanha e a 370 léguas ao Leste seriam de Portugal. 
Na figura a seguir, observa-se o novo acordo, firmado em Tordesilhas sobre a 
distribuição dos territórios encontrados.
FIGURA 9 – TRATADO DE TORDESILHAS – 1494
FONTE: <https://i0.wp.com/files.professor-leandro.webnode.com.br/200000227-82a2284978/
cabral2.png>. Acesso em: 19 jul. 2018.
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
18
Depois de Colombo, outras viagens marítimas ocorreram. O navegador 
Vicente Pinzón descobriu a foz do rio Amazonas em 1500; Vasco Nunes de Balboa 
atingiu o Oceano Pacífico em 1513; Fernão Magalhães iniciou a primeira viagem 
de circunavegação da Terra em 1519 e só foi completada em 1521 por Sebastião 
d’el Cano (SOUTO MAIOR, 1976).
Para Mendonça (2002), assim como Portugal, a Espanha teve interesse 
em conquistar novas terras. Com o poder centralizado, pode-se lançar ao mar 
em busca de novas terras e metais preciosos, explorando o México (1519) e o 
Peru (1532) e mais tarde as minas de Potosí (Bolívia). No século XVI, tornou-se 
a maior potência europeia, obteve benefícios com os conhecimentos marítimos 
proporcionados pelo pioneirismo de Portugal, a expansão marítima.
Após o anúncio das terras da América, os espanhóis só se ocuparam 
com a política colonial quando as riquezas dos incas e astecas começaram a ser 
saqueadas. Portugal lutava a mão armada contra os asiáticos, enquanto que os 
espanhóis viam os povos na América como povos atrasados e que poderiam 
explorar sem usar armas. Retiravam de suas colônias como México e Peru, a 
partir de 1541, cerca de 300 toneladas de prata com facilidade (SIMONSEN, 1967).
Em Potosi, na Bolívia (1545 e 1558), foram descobertas minas de prata e as 
Zacatecas e Guanajuato no México. Em meados do século XVII, a prata englobava 
mais de 99% das exportações da América hispânica (GALEANO, 1989). 
UNI
Relato sobre o tesouro extraído da América pelos espanhóis
 “[...] nossos espanhóis descobriram, percorreram, converteram enormemente terras em 
sessenta anos de conquista. Nunca nenhum rei e nenhuma nação percorreram e subjugaram 
tantas coisas em tão pouco tempo, como nós fizemos, nem fizeram nem mereceram o 
que nossas gentes fizeram e mereceram pelas armas, pela navegação, pela pregação do 
Santo Evangelho e pela conversão dos idólatras. É por essa razão que os espanhóis são 
perfeitamente dignos de louvor. Abençoado seja Deus que lhes deu essa graça e esse poder” 
(MENDONÇA; PIRES, 2002, p. 22).
Segundo Mendonça (2002), os metais extraídos da América espanhola não 
ficaram somente na metrópole, pois mesmo antes de 1530 tiveram que enviar 
como forma de pagamento para outros países, inclusive para os Países Baixos.
O modelo de colonização que permeou as colônias espanholas na América 
foi de exploração com mão de obra escrava, que se viu vitoriosa pelos milhares de 
toneladas de metais preciosos e frágil diante de outras nações concorrentes como 
Holanda, Inglaterra e a França.
TÓPICO 1 | AS GRANDES NAVEGAÇÕES MARÍTIMAS NO SÉCULO XV
19
Caro acadêmico, na fi gura a seguir, você pode observar a divisão dos 
territórios na América entre as nações europeias.
FIGURA 10 – DIVISÃO DOS TERRITÓRIOS ENTRE OS IMPÉRIOS COLONIAIS
FONTE: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:European_Empires.svg>. Acesso em: 19 jul. 2018.
Frente às riquezas encontradas pelos espanhóis de ouro e prata nas 
Américas, quais as causas que levaram a Espanha entrar em decadência? Uma 
das causas que pode ser elencada para essa decadência são os metais preciosos 
que chegavam continuadamente até a Espanha e que abasteciam as colônias de 
dominação espanhola que eram repassados para as indústrias de outros países. 
Outra causa é que mesmo que a Espanha, assim como Portugal, tenha sido uma 
das primeiras nações a explorar as Américas, também apareceram nesse cenário 
outras nações que passariam a ser concorrentes da Espanha (SIMONSEN, 1967).
Simonsen (1967, p. 42) elencou alguns fatores que contribuíram para a 
decadência da Espanha:
• Concorrência comercial: Holanda, Inglaterra e França.
• A Igreja tinha forte infl uência religiosa.
• Expulsão dos mouros e judeus que acabou atingindo o trabalho de produção 
industrial e agrícola.
• Aumento de uma classe de nobres que não trabalhavam.
• Empréstimos adquiridos com banqueiros italianos e alemães para pagar 
dívidas de guerras.
Nota-se que dois países ibéricos não conseguiram manter o monopólio 
das Américas sem a interferência de outros países concorrentes.
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
20
A descoberta de novos caminhos para o Oriente e para as Américas fez 
com que outras nações europeias passassem a disputar e se apropriar das terras 
em busca do lucro do comércio mercantilista. Enquanto a tão poderosa Espanha 
perdia seus domínios, a sua concorrente Portugal continuou com seu império 
colonial.
6 MUDANÇAS E CONSEQUÊNCIAS DA EXPANSÃO 
MARÍTIMA DO SÉCULO XV
As grandes navegações do século XV foram propulsoras de nações 
europeias como Portugal e Espanha que passaram por várias mudanças nas 
estruturas econômicas, sociais, políticas, religiosas e culturais. Primeiramente 
com a implantação de uma tecnologia náutica que puderam fazer longas viagens 
dominando mares desconhecidos para chegar em outros continentes conhecidos 
como: Ásia e África em busca das chamadas especiarias, que eram fonte de 
riqueza naquela época e que ajudaram a restabelecer a economia dessas nações.
Em relação à sociedade, ocorreu uma união entre a classe burguesa e o 
rei por interesses econômicos, extinguindo o poder dos senhores feudais. Estava 
nascendo, com essa nova visão econômica, a revolução comercial com um 
governo centralizado, moeda única e interesses em outros lugares que passaram 
a ser suas colônias. E, consequentemente, os povos nativos dessas regiões foram 
explorados, as suas riquezas foram extraídas e a eles foi imposto mão de obra 
escrava. No século XV, a economia da Europa estava em expansão, impulsionada 
pela burguesia das cidades. A população estava em crescimento. Todavia, havia 
muitos obstáculos à expansão das atividades comerciais. Esses obstáculos foram 
os fatores de natureza econômica dos descobrimentos.No século XV, a economia da Europa estava em expansão, impulsionada 
pela burguesia das cidades. A população estava em crescimento. No entanto, 
havia muitos obstáculos à expansão das atividades comerciais. Esses obstáculos 
foram os fatores de natureza econômica dos descobrimentos. O quadro a seguir 
apresenta as principais motivações que induziram estes reinos a lançarem-se ao 
oceano e consequências.
TÓPICO 1 | AS GRANDES NAVEGAÇÕES MARÍTIMAS NO SÉCULO XV
21
QUADRO 2 – FATORES MOTIVADORES DAS GRANDES NAVEGAÇÕES E CONSEQUÊNCIAS
Fatores Interesses e consequências
Econômicos • descobrir novas rotas de comércio, pois 
o Mediterrâneo estava dominado pelos 
muçulmanos;
• descobrir novas terras para a agricultura;
• abrir novos mercados fornecedores de 
matérias-primas, sobretudo de produtos 
alimentícios;
• ampliar o mercado consumidor para os 
produtos fabricados na Europa;
• adquirir metais preciosos para fortalecer as 
moedas nacionais europeias.
Políticos O fortalecimento do poder real, que pôde 
assim ajudar os comerciantes nas viagens 
marítimas.
Sociais O enriquecimento dos comerciantes e artesãos, 
que formavam a burguesia comercial.
Religiosos O interesse da Igreja e dos monarcas cristãos 
da Europa em difundir o Cristianismo entre os 
povos das novas terras descobertas.
Culturais Os progressos técnicos, com o desenvolvimento 
dos estudos da Astronomia, e a descoberta de 
novos instrumentos de navegação (bússola 
e astrolábio), a construção de embarcações 
apropriadas para as longas viagens e a 
fabricação de armas de fogo, que facilitavam 
a dominação dos povos primitivos. 
FONTE: Santos (1984, p. 144-145)
É importante salientar que as nações como Portugal e Espanha dominaram 
a expansão ultramarina do século XV, levando o comércio europeu a navegar 
novas rotas como o oceano Atlântico e o Índico para o acesso às Índias, à África 
e ao novo mundo, as Américas, conquistando novas terras, metais preciosos e 
aculturando povos que ali encontraram.
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
22
DICAS
Assista ao vídeo intitulado Grandes navegações, que relata as tecnologias na 
Era das Navegações. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=lS_UYBPSTds>. 
Acesso em: 16 jul. 2018. 
NOTA
Para saber mais sobre a Era das Navegações, na Espanha, assista ao filme 
A Conquista do Paraíso de 1492, que narra toda a viagem do navegador genovês 
Cristóvão Colombo e a descoberta da América em 1492, e o primeiro contato os índios. 
 Colombo conhece uma pessoa que poderá conseguir uma audiência com a rainha Isabel, 
da Espanha e viabilizar sua expedição. Por meio do filme, você poderá analisar o papel 
social dos banqueiros no contexto das Grandes Navegações. Disponível em: <https://www.
youtube.com/watch?v=ip9H_2MjWJY>. Acesso em: 14 jul. 2018.
23
Neste tópico, você aprendeu: 
• Como era a estrutura econômica, social e política na Europa no final do século 
XIV, conhecida como sistema feudal.
• Como Portugal e Espanha conseguiram encontrar novas rotas para o comércio 
das especiarias além do mar Mediterrâneo, atingindo os continentes África e 
Ásia, pelos oceanos Atlântico e Índico.
• Como Portugal se tornou o primeiro país a conquistar as navegações marítimas 
por encontrar-se numa localização privilegiada e em um poder político 
centralizado.
• O que foi o Périplo africano em que Bartolomeu Dias chegou até o Cabo das 
Tormentas; isto é, o caminho para se chegar as Índias foi contornado pelo 
continente africano.
• Que os espanhóis também passaram a concorrer em busca de novas terras 
e riquezas que encontrassem além-mar por um caminho ao contrário dos 
portugueses chegando as índias pelo Ocidente.
• A importância do Tratado de Tordesilhas para os espanhóis e portugueses no 
qual ficou estabelecido que o limite de 370 léguas ao oeste da ilha de Cabo 
Verde na África ficaria para a Espanha e 370 léguas ao leste da ilha de Cabo 
Verde ficaria para Portugal.
• Os fatores que levaram ao declínio da Espanha foram: a concorrência comercial 
com outras nações vizinhas como a Holanda, Inglaterra e França; o poder da 
Igreja Católica sobre o trabalho e como a expulsão dos mouros e judeus atingiu 
a produção industrial e agrícola na Espanha.
RESUMO DO TÓPICO 1
24
1 Explique por que Portugal foi o primeiro país a dar início às Grandes 
Navegações.
2 Qual foi o interesse dos europeus nas Índias? E por quê?
3 Explique por que Portugal não aceitou a Bula Inter Coetera e foi estabelecido 
um novo acordo conhecido como Tratado de Tordesilhas.
4 Explique por que as especiarias eram tão importantes para o mercado 
europeu no século XV. 
5 O que levou a Espanha, no século XV, a entrar na corrida das Grandes 
Navegações Marítimas?
6 Descreva como os espanhóis chegaram ao novo mundo.
7 Elabore um texto sobre as principais características das grandes navegações 
portuguesas no século XV, seguindo o mapa conceitual.
8 Leia o trecho do diário de Colombo e em seguida analise como ele viu os 
povos ao chegar no novo continente.
AUTOATIVIDADE
Trechos do diário da descoberta da América por Cristóvão 
Colombo ao encontrar outros povos.
“O que se segue são palavras textuais do Almirante, em seu livro 
sobre a primeira viagem e descobrimento dessas Índias: Eu – diz ele –, 
porque nos demonstraram grande amizade, pois percebi que eram pessoas 
que melhor se entregariam e converteriam à nossa fé pelo amor e não 
pela força, dei a algumas delas uns gorros coloridos e umas miçangas que 
puseram no pescoço, além de outras coisas de pouco valor, o que lhes 
causou grande prazer e ficaram tão nossos amigos que era uma maravilha. 
Depois vieram nadando até os barcos dos navios onde estávamos, trazendo 
papagaios e fio de algodão em novelos e lanças e muitas outras coisas, que 
trocamos por coisas que tínhamos conosco, como miçangas e guizos. Enfim, 
tudo aceitavam e davam do que tinham com a maior boa vontade. Mas 
me pareceu que era gente que não possuía praticamente nada. Andavam 
nus como a mãe lhes deu à luz; inclusive as mulheres, embora só tenha 
visto uma robusta rapariga. E todos os que vi eram jovens, nenhum com 
mais de trinta anos de idade: muito bem-feitos, de corpos muito bonitos e 
cara muito boa; os cabelos grossos, quase como o pelo do rabo de cavalos, 
e curtos, caem por cima das sobrancelhas, menos uns fios na nuca que 
25
mantêm longos, sem nunca cortar. Eles se pintam de preto, e são da cor dos 
canários, nem negros nem brancos, e se pintam de branco, e de encarnado, 
e do que bem entendem, e pintam a cara, o corpo todo, e alguns somente 
os olhos ou o nariz. Não andam com armas, que nem conhecem, pois lhes 
mostrei espadas, que pegaram pelo fio e se cortaram por ignorância. Não 
tem nenhum ferro: as suas lanças são varas sem ferro, sendo que algumas 
têm no cabo um dente de peixe e outras uma variedade de coisas. Todos, 
sem exceção, são de boa estatura, e fazem gesto bonito, elegantes. Vi alguns 
com marcas de ferida no corpo e, por gestos, perguntei o que era aquilo 
e eles, da mesma maneira, demonstraram que ali aparecia gente de outras 
ilhas das imediações com a intenção de capturá-los e então se defendiam. E 
eu achei e acho que aqui vêm procedentes da terra firme para levá-los para 
o cativeiro. Devem ser bons serviçais e habilidosos, pois noto que repetem 
logo o que a gente diz e creio que depressa se fariam cristãos; me pareceu 
que não tinham nenhuma religião. Eu, comprazendo a Nosso Senhor, levarei 
daqui, por ocasião de minha partida, seis deles para Vossas Majestades, para 
que aprendam a falar. Não vi nesta ilha nenhum animal de espécie alguma, 
a não ser papagaios”. Todas as palavras que acabo de transcrever são do 
Almirante e nelas se refletem as impressões que colheu no primeiro contato 
com os índios”. 
FONTE: COLOMBO, Cristóvão. Diários da descoberta da América: as quatro viagens e o 
testamento. Disponível em: <http://www.lpm.com.br/livros/Imagens/diarios_da_descoberta_
da_america.pdf>. Acesso em: 21 jul. 2018.
26
27TÓPICO 2
FUNDAMENTOS DA COLONIZAÇÃO: FORMAÇÃO E 
EXPANSÃO ECONÔMICA NO PERÍODO COLONIAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
As condições em que o Brasil foi ocupado são decorrentes das 
transformações históricas que se consolidaram entre o século XV e XVI e que 
derivou a denominação de economia-mundo europeia. Para Wallerstein, a 
economia-mundo era algo diferente, um sistema mundial, não porque englobava 
todo o mundo, mas incluía impérios, cidades-Estado e as nações-estado. Nesse 
sentido, a colonização é inerente a este sistema mundial que se configurava 
(MENDONÇA; PIRES, 2002). Como se viu no tópico anterior, todos estavam 
interessados no comércio além do continente europeu, o que permitiu o 
desenvolvimento da expansão ultramarina.
Então, você já pensou por que foram os portugueses que colonizaram o 
Brasil?
O pioneirismo português se deu em decorrência do fechamento do 
Mediterrâneo pelos turcos que dominaram Constantinopla, em 1453. Portugal, 
devido a sua condição geográfica, da centralização do poder monárquico, foi 
privilegiado na corrida por novas rotas de comércio com o oriente (MENDONÇA; 
PIRES, 2002). De acordo com Prado Júnior (1976), o termo colonizar como era 
visto antes da colonização da América sofreu alterações. Isto se explica pelo 
fato de porque o novo continente não apresentava uma população que oferesse 
produtos para fins mercantis, além disso, eram terras hostis e primitivas. Neste 
sentido, decorreu a necessidade de povoar o novo mundo, fundar povoamentos 
capazes de administrar as benfeitorias, administração e armada.
Neste tópico discutiremos como os portugueses foram pioneiros e iniciaram 
a ocupação e quais os principais objetivos econômicos que se estabeleceram para 
o novo mundo que estava sendo desbravado.
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
28
DICAS
Indicação de filme: A colonização, disponível em: <https://www.youtube.
com/watch?v=zpNr6KKH8d8&t=432s>. Acesso em: 15 jul. 2018. Resumo: o documentário 
apresenta os costumes dos primeiros colonos portugueses e sua interação com os povos 
nativos, bem como os desdobramentos econômicos de suas atividades.
2 INÍCIO DA OCUPAÇÃO PORTUGUESA NO BRASIL
O pioneirismo português em colonizar novas terras já havia se 
apresentado em ilhas do Atlântico, ainda no século XVI. Os novos desafios se 
apresentavam em como estabelecer a fonte mais segura de rendimentos dos 
novos territórios conquistados. A princípio, o extrativismo é a primeira fonte 
de recursos, como a extração do pau-brasil, metais preciosos, entre outras 
atividades extrativas (PRADO JÚNIOR, 1976). Esta ocupação só seria viável se os 
portugueses encontrassem meios de acumular riquezas. Portanto, expedições de 
franceses e holandeses constituiam-se numa ameaça permanente, o que restava 
aos portugueses era a ocupação como meio de preservar o domínio da colônia e 
monopólio dos recursos do seu território (MENDONÇA; PIRES, 2002).
 Logo, é fácil compreender porque a colonização se alicerçou primeiro no 
extrativismo e a primeira cultura que foi incentivada foi a de cana-de-açúcar, pela 
questão dos altos lucros gerados pelo açúcar no mercado europeu. De acordo 
com Furtado (1980), o fato dos primeiros exploradores não terem encontrado 
metais preciosos frustrou-os, mas Cabral teve o cuidado de assegurar a posse das 
Terras de Vera Cruz (denominação dada para o Brasil inicialmente), deixando 
alguns exploradores para conviver com os nativos, e assim aprender o idioma e os 
costumes, para facilitar a vinda das próximas esquadras. Várias outras expedições 
vieram entre os anos de 1501 a 1503, quando Américo Vespúcio atracou na Bahia 
de Todos os Santos, e construíram um forte.
Entretanto, o Brasil não apresentava condições iniciais para a exploração 
de metais preciosos e estabelecer comércio, como era com o Oriente, posto que 
os nativos ainda viviam em condições da era pré-neolítica (FURTADO, 1980). 
Então, como o Brasil entra nos jogos do interesse da Coroa Portuguesa, que havia 
se transformado em um dos principais atores mais arrojados do capitalismo 
comercial?
TÓPICO 2 | FUNDAMENTOS DA COLONIZAÇÃO: FORMAÇÃO E EXPANSÃO ECONÔMICA NO PERÍODO COLONIAL
29
UNI
Roland Mousnier assim descreveu os habitantes do território brasileiro antes da 
chegada dos portugueses: “Desde a Venezuela até o Rio da Prata encontravam-se dispersas 
tribos Tupis-Guaranis. As mais conhecidas eram as dos Tupinambás que, no século XVI e 
no começo do século XVII, ocupavam a costa oriental do continente americano, desde 
a foz do Amazonas até a do Rio da Prata [...] Os Tupis-Guaranis encontravam-se num 
estágio do neolítico anterior ao dos Maias. Ignoravam o metal, salvo o ouro, mas este fora 
introduzido por via comercial. Serviam-se de machados de pedra azul-negra, de gume 
semicircular, fabricados todos os meses, no primeiro dia de quarto crescente. Durante o 
trabalho, suas mullheres e filhas dançavam e cantavam à luz da lua. Assim, acreditavam que 
seriam invencíveis. Fabricavam facas de pedra. Dentes de pecaris ou de roedores serviam 
como buris ou conzeis. A concha de caracóis desempenhava muito bem o papel de plainas. 
Espinhos recurvados funcionavam como anzois. O chuço endurecido ao fogo era o único 
instrumento agrícola. Sua arma preferida era a maçã. Utilizavam também grandes arcos com 
ponta de osso, de dente de tubarão ou cauda de arraia. Usavam escudos redondos, feitos de 
couro de tapir, de madeira leve ou de casca de árvores ou construíam, com cascas, canoas 
para 30 a 60 homens, nas quais remavam em pé. Eram hábeis navegadores [...] O essencial 
de sua alimentação era-lhes fornecido pela agricultura. Praticavam a cultura da queimada, 
na floresta. Cultivavam mandioca, milho, batata da Índia, feijão, amendoim, pimenta, abacaxi, 
fumo, banana e cana-de-açúcar. Possuíam árvores de fruto, tais como caju, manga, mamão, 
cabaceira. Acrescentavam a isto o produto de caça e da pesca”.
FONTE: MOUSNIER, Roland. As civilizações indígenas à chegada dos europeus. Apud 
MENDONÇA, Marina Gusmão de; PIRES, Marcos Cordeiro. Formação econômica do Brasil. 
São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002, p. 32.
A organização tribal desses povos indígenas os permitia viver do 
extrativismo e de uma agricultura rudimentar. Não trabalhavam com os metais e 
não atendiam às ambições do descobridor. Além disso, Portugal dispunha de uma 
população de um milhão de habitantes no início do século XVI, o que dificultava 
o envio de recursos humanos para povoar os novos territórios conquistados. 
Entretanto, entre 1493 a 1520, o comércio do ouro foi intenso, bem como a 
comercialização de produtos como tecidos, lenços e mantas por ouro, marfim, 
escravos, goma-arábica entre outros, na costa africana como Canárias, Açores e 
Cabo Verde, pois essas ilhas ofereciam a produção de açúcar, que tinha demanda 
crescente no mercado europeu. Além do promissor comércio com o Oriente, 
logo o Brasil estava num plano secundário (FURTADO, 1980). Assim, somente a 
produção de um artigo tão demandado na Europa como o açúcar justificaria os 
riscos e o custo do transporte oceânico, poderia gerar a lucratividade necessária 
para os portugueses (PIRES, 2010).
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
30
DICAS
Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo intitulado Imagens do Brasil: o 
século XVI, que aborda as percepções dos primeiros exploradores do Brasil sobre os costumes 
dos nativos no século XVI. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0103-40141990000300005>. Acesso em: 16 jul. 2018.
Para facilitar sua compreensão dese período histórico, observe a síntese 
no quadro a seguir com os principais acontecimentos que marcaram as fases da 
colonização portuguesa e a ocupação no Brasil. De acordo com Furtado (1980), a 
partir de 1808, o Brasil pode ser considerado independente economicamente de 
Portugal, devido à mudança da monarquia portuguesa para o Brasil.
QUADRO 3 – FASES DA ECONOMIA PORTUGUESA
Período Fases
1500 - 1580
Período áureo do comércio e dopoderio 
português que, de fato, se estendeu até 1595.
1580 - 1640
Período filipino em que Portugal esteve 
submisso à Coroa Espanhola, ocorrendo a 
fragmentação de sua economia.
1640 - 1668
Período que se caracteriza pelas concessões 
comerciais feitas pela Coroa portuguesa às 
grandes potências, principalmente à Inglaterra, 
para manter seu império.
1668 - 1777
Período em que ocorreu a restauração 
econômica de Portugal.
1777 – 1808 Período em que o comércio floresceu.
FONTE: Furtado (1980, p. 10)
Cabral enviou ao Rei D. Manuel I amostras do pau-brasil das novas terras 
e o apresentou como a única mercadoria de valor que poderia gerar demanda 
dos mercadores portugueses, devido ao interesse por substâncias tintoriais. A 
expedição de 1501 retornou a Portugal com um carregamento dessa madeira, 
e D. Manuel tornou o pau-brasil monopólio da Coroa. Além disso, D. Manuel 
arrendou a D. Fernão de Loronha (um rico mercador), que parece que teve vários 
associados (SIMONSEN, 1967).
O que parece certo é que de fato esse arrendamento, feito inicialmente 
por três anos, foi com ele ou com outros renovado por algumas vezes; 
que, por exigência do arrendatário, o soberano português concordou 
em suprimir a importação do Brasil asiático e, que, por sua vez, o 
arrendatário ou, mais tarde, o arrendatário, porque parece que Fernão 
de Loronha teve posteriormente vários associados, se obrigaram 
a mandar anualmente três naus à terra de Santa Cruz, a descobrir 
300 léguas de costa e pagar 1/5 do valor da madeira ao soberano 
TÓPICO 2 | FUNDAMENTOS DA COLONIZAÇÃO: FORMAÇÃO E EXPANSÃO ECONÔMICA NO PERÍODO COLONIAL
31
português. Obrigaram-se, ainda, a instalar fortalezas para a defesa dos 
novos territórios (SIMONSEN, 1967, p. 53).
A exploração do pau-Brasil seria conveniente para a Coroa portuguesa, e 
os comerciantes reconheceram o valor do que encontraram em abundância nas 
terras de Santa Cruz .
UNI
Curiosidade sobre o Rei de Portugal e 1º Rei do Brasil: Quem era D. Manuel I?
 Décimo quarto rei de Portugal, nono filho do infante D. 
Fernando e de D. Brites. 
“Filho adotivo do príncipe D. João II, devido à morte do seu irmão D. 
Diogo, o conduziu a que fosse aclamado rei em Alcácer do Sal (27 de 
outubro de 1495). Realizou três casamentos, o primeiro em 1497 com D. 
Isabel (viúva de D. Afonso), o segundo em 1500 com a infanta D. Maria 
de Castela e o terceiro em 1518, com D. Leonor, irmã de Carlos V. 
Como político, teve sempre em conta o interesse nacional. 
Recebeu o governo exatamente no momento em que a Nação 
se preparava para alcançar a mais elevada projeção. Os vinte e seis 
anos do seu reinado conheceram grande atividade nos domínios 
da política interna, da política ultramarina e da política externa. 
1) O poder que viera parar às suas mãos era forte, centralizado e o seu governo tendeu 
abertamente para o absolutismo. Com efeito reuniu cortes logo quando subiu ao trono, 
em Montemor-o-Novo e só mais três vezes, em 1498, 1499 e 1502, e sempre em Lisboa, 
o que é significativo. Nas cortes de Montemor-o-Novo, toma medidas no sentido duma 
centralização mais profunda de toda a administração pública: mandou confirmar todos 
os privilégios, liberdades e cartas de mercê, pelos principais letrados do reino que elegeu, 
reforma os tribunais superiores e toma uma política de tolerância em relação aos nobres 
emigrados por razões políticas e judeus castelhanos que D. João II reduzira à escravatura. 
Pelo decreto de 1496 obriga todos os judeus que não se quisessem batizar a abandonar o 
país no prazo de dez meses, sob pena de confisco e morte. Pela lei de 4 de maio de 1497, 
proibiu que se indagasse das crenças dos novos convertidos e, por alvará de 1499, dificulta 
a saída do reino aos conversos. O objetivo era agradar aos Reis Católicos e ao mesmo 
tempo, evitar que os judeus continuassem a ser um todo independente dentro do reino. 
Pelas Ordenações Afonsinas, deixa de reconhecer individualidade jurídica aos judeus; faz a 
reforma dos forais, com o fito económico de atualizar os encargos tributários e para eliminar 
a vida local; em 1502 saiu o regimento dos oficiais das cidades, vilas e lugares (Livro dos 
Ofícios); em 1509 o das Casas da Índia e Mina e em 1512 saiu o novo regimento de sisas. 
Por outro lado, com D. Manuel inaugura-se o Estado burocrático e mercantilista, mandando 
cunhar índios, o português ou escudo de prata. 
2) D. Manuel herdou o impulso dos descobrimentos. Partiu para a índia (8 de julho de 1497) a 
armada de Vasco da Gama, que chegou a Calecut em 20 de maio de 1498. Em 1500 uma 
armada comandada por Pedro Álvares Cabral, com o objetivo da Índia, rumou intencionalmente 
(opinião atual) para sudoeste, atingindo a Terra de Santa Cruz. Soube D. Manuel em matéria de 
política externa, usar de grande habilidade e diplomacia. No aspecto cultural, reconheceu o 
atraso do ensino universitário, mandando promover a reforma da universidade, estabelecendo 
entre 1500 e 1504 novos planos de estudo e uma nova administração escolar. 
FONTE: O PORTAL DA HISTÓRIA. História de Portugal. Disponível em: <http://www.arqnet.
pt/portal/portugal/temashistoria/manuel1.html>. Acesso em: 17 jul. 2018.
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
32
3 O INÍCIO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS NO BRASIL
Entendido alguns aspectos relevantes da base da colonização, como sua 
formação e expansão neste período, podemos avançar agora, para o contexto 
de desenvolvimento das atividades econômicas iniciais e que determinaram os 
rumos e a cultura produtiva por um longo período.
Começamos pela exploração do pau-brasil e suas relações com o 
povoamento da colônia, em seguida, vamos apresentar como se deu a cultura do 
açúcar e suas vantagens, e por fim, as atividades de mineração no século XVIII. 
3.1 A EXPLORAÇÃO DO PAU-BRASIL E O POVOAMENTO 
DA COLÔNIA
A exploração do pau-brasil no início da ocupação foi a mais relevante no 
início da ocupação portuguesa do Brasil, mas como caracterizou Simonsen (1967), 
pode-se dizer que foi uma destruição das florestas. O pau-brasil conhecido como 
arabutã era cortado em grandes quantidades. Mas pode-se apontar, ainda, a 
exploração de outras espécies vegetais como o ibirapitanga, que também fornecia 
tintura e fornecia madeira para carpintaria. Também destacava-se o jacarandá. O 
principal trecho de exploração da madeira tintorial era o Cabo de São Roque (RN) 
e Cabo Frio (RJ), e entre Cabo de Santo Agostinho e o Rio Real. Prado Jr. (1976) 
reforçou a destruição das florestas, por meio do tráfico tanto português como dos 
franceses que se aproximavam da costa brasileira para carregar seus navios de 
pau-brasil, e também contavam com os indígenas que traziam a mercadoria em 
troca de objetos e ferramentas.
No entanto, a rentabilidade da mercadoria pau-brasil era baixa se 
comparada com os outros produtos comercializados do Oriente. O interesse 
em comercializar o produto começou a diminuir, quando o pau-brasil começou 
a extinguir-se na costa e aumentou seu custo de exploração. Mas, como já 
mencionado, havia outras riquezas vegetais que poderiam ganhar aceitação no 
mercado europeu, e Portugal não podia deixar essas terras abandonadas com 
seus arrendatários e sem defesa. Assim, decorrem as feitorias (FURTADO, 
1980). De acordo Com Prado Jr. (1997), o que se fala de colonização nada mais é 
do que a instalação das feitorias comerciais, estabelecendo um povoamento.
As feitorias foram definadas por Furtado (1980) como:
 As feitorias eram construções rústicas, erguidas por grupos reduzidos 
de homens – na maioria degredados, desertores e náufragos – sediados 
no litoral e encarregados da derrubada e transporte de toros para a 
praia, normalmente em local de fácil atracação das naus. O serviço era 
executado com a colaboração dos indígenas, na base do escambo, pelo 
qual recebiam quinquilharias que os deslumbravam. A feitoria tornava-
se, assim, um posto de resgate de toros de madeira com os indígenas, 
que os derrubavam a machado e, muitas vezes, os carregavam de15 a 
TÓPICO 2 | FUNDAMENTOS DA COLONIZAÇÃO: FORMAÇÃO E EXPANSÃO ECONÔMICA NO PERÍODO COLONIAL
33
20 léguas (90 a 120 quilômetros). Acumulada a madeira nas feitorias, 
com a chegada das naus, os nativos transportavam os toros para 
bordo, quando o serviço não era executado pela tripulação. Na falta 
de feitoria, a tripulação das naus realizava o abatimento, o transporte 
e o carregamento dos troncos” (FURTADO, 1980, p. 13). 
As feitorias foram relevantes no processo de povoamento e colonização da 
colônia. Em algumas feitorias ocorreram as primeiras tentativas de agroindústrias 
açucareiras. Além disso, observou-se a intensa miscigenação entre portugueses e 
indígenas (FURTADO, 1980).
O espírito aventureiro do português, a sua ânsia por prosperidade material 
rápida o traria às terras brasileiras. Entretanto, embora as condições do novo 
mundo se apresentaram muito difíceis para o habitante da Ibéria, os portugueses 
se demonstraram capazes de aprender com os nativos e se adaptar às condições do 
clima, geográfica e alimentação para melhor sobreviver (HOLANDA, 1995). Essa 
índole aventureira e a capacidade de adaptação acrescida da expectativa dos lucros 
impuslsionaram os colonos para desbravar as terras do Novo Mundo, o Brasil.
3.2 O POVOAMENTO E O FORTALECIMENTO DE 
ATIVIDADES ECONÔMICAS NA COLÔNIA
Em 1530, D. João III (1521-1557) permitiu que uma expedição com o 
objetivo de colonizar fosse comandada por Martim Afonso de Sousa. Este fez 
reconhecimento do litoral ao sul, e fundou na ilha de São Vicente, a primeira 
vila no Brasil, em 1532. Dessa forma, seu trabalho colonizador deixou espécies 
de plantas, gado e até mesmo escravos da Guiné em vários lugares do litoral, 
especialmente em São Vicente. Entretanto, a Coroa portuguesa, neste momento, 
não tinha como fazer grandes investimentos na colonização de tão extensas 
terras e uma ampla costa marítima, assim surgem as donatarias. As donatarias já 
haviam sido adotadas pelos portugueses nas ilhas atlânticas (FURTADO, 1980). 
Os portugueses também tinham medo da invasão dos franceses, a ocupação 
da colônia por meio de doações de terra seria uma solução para o povoamento 
(MENDES, 2012).
No Brasil os territórios seriam doados e divididos entre a iniciativa 
privada (FURTADO, 1980):
A área do Brasil de então, estimada em cerca de 80.000 léguas 
quadradas (480.000 km2), foi dividida em 14 lotes de 50 léguas de 
costa em paralelas perpendiculares à linha de Tordesilhas. E esses 
lotes foram doados – entre 1534 e 1536 – a doze donatários ou capitães, 
aos quais eram delegados poderes para governar soberanamente, 
administrar justiça e mobilizar recursos para lutar contra o eventual 
invasor. Eram, na maioria fidalgos, e muitos, financiados por capitais 
estrangeiros. O total das áreas doadas abrangia, de modo geral, um 
terço do atual território brasileiro. Foram criadas, posteriormente, 
outras donatarias, pela expansão da fronteira política e pelo valor 
econômico adquirido por certas regiões (FURTADO, 1980, p. 16).
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
34
Desses doze donatários, indivíduos de pouca expressão econômica e 
social, apenas dois tiveram êxito, sendo um amplamente auxiliado pelo Rei, os 
demais fracassaram e alguns perderam tudo e até mesmo a vida na colonização 
(PRADO JÚNIOR, 1976). Os donatários tinham direito de deixar suas terras aos 
seus sucessores, fez com que as capitanias também tivessem a possibilidade de 
serem hereditárias. A receita da Coroa Portuguesa advinha das condições que 
foram impostas nestas cartas de doação e que também lhes concediam direitos 
aos donatários (quadro a seguir):
QUADRO 4 – DIREITOS DOS DONATÁRIOS
Imposições da Coroa Portuguesa 
Uso efetivo de 20% das terras da donataria, sendo que os 80% restantes deveriam ser divididos 
em sesmarias entregues aos cristãos que as requeressem para cultivar, mediante o pagamento 
de tributo.
Exploração das marinhas de sal, moendas de água e quaisquer engenhos, não podendo, inclusive, 
outra pessoa instalá-las sem sua prévia licença e sem lhes pagar o foro devido.
Escravização dos indígenas em número limitado e autorização para a venda de uma certa 
quota – em média, 19 indígenas –, por ano, no mercado de Lisboa.
Recebimento de 50% do valor do pau-brasil e do pescado, que eram monopólio da Coroa 
portuguesa.
Cobrança de impostos, principalmente da redízima que correspondia a 10% da dízima recolhida 
pelo Tesouro Real.
FONTE: Furtado (1980, p. 16)
UNI
VOCÊ ENTENDEU O QUE ERAM AS DONATARIAS?
A Coroa Portuguesa dividiu em lotes as terras e doou para 12 donatários ou capitães. Assim, 
a Coroa assegurava-se do apoio da iniciativa privada para iniciar o processo de colonização, 
com pouco investimento e além de tudo, conseguiria estabelecer novas receitas.
Os direitos e deveres dos donatários eram, de acordo com Simonsen (1967, 
p. 83):
1º) obrigaram-se, com sua gente, filhos, agregados ou escravos a servir com o 
capitão em caso de guerra;
2ª) pagarem ao alcaide-mor das vilas e povoados os foros, direitos e tributos que 
se pagavam no reino, de acordo com as ordenações (para fazer mercê aos 
colonos e donatários, comprometia-se El-Rei a não consentir em que houvesse, 
em tempo algum, na capitania, direitos de sisa, nem de saboaria, nem tributo 
de sal, nem outro algum, além dos que se consignavam no foral);
TÓPICO 2 | FUNDAMENTOS DA COLONIZAÇÃO: FORMAÇÃO E EXPANSÃO ECONÔMICA NO PERÍODO COLONIAL
35
3ª) direito de pedir e receber sesmarias sem maiores ônus que o dízimo devido ao 
Mestrado de Cristo;
4ª) o serviço de culto, pago por El- Rei.
A vantagem para os donatários é que podiam enviar qualquer produto aos 
mercados estrangeiros sem pagar impostos (com exceção de artigos estabelecidos 
pela Coroa). Os navios dos senhores que viessem do reino ao Brasil também 
estavam isentos de impostos, contanto que tivessem pago nas alfândegas do 
reino. O comércio entre os capitães e os moradores de outras capitanias também 
estava isento de impostos. E os navios não podiam ser carregados sem a licença 
dos capitães (SIMONSEN, 1967).
O colono era um colono branco que buscava recursos para a produção 
de bens e produtos de valor comercial e o trabalho era recrutado por meio da 
escravidão, seja do negro africano ou dos nativos indígenas (PRADO JÚNIOR, 
1997). De acordo com Mendonça e Pires (2002), o perfil dos colonizadores que 
desbravaram as terras brasileiras não valorizava o trabalho manual. Os poucos 
artesãos que vieram para a colônia não se mantinham por muito tempo em seu 
ofício. Esse desprezo pelas atividades manuais somado com as crenças da Igreja 
Católica para manter a ordem feudal em Portugal resultaram na fraca instalação 
da indústria de manufaturas em Portugal e se estendeu essa condição para a 
colônia. A falta de sucessão nos negócios impedia o aumento da produtividade 
e desenvolvimento produtivo. A falta de interesse pelos trabalhos manuais 
e a percepção católica são fatores apontados como impeditivos ao progresso 
econômico e desenvolvimento da indústria manufatureira no Brasil.
Como veremos na sequência, o Brasil colônia fortaleceu sua economia 
pautado em ciclos econômicos. A agricultura de monocultura de grande 
propriedade rural apresentava um problema que desde os primeiros colonos que 
vieram para o Brasil já identificaram, a necessidade de abastecimento. No entanto, 
vejamos primeiro como se estabeleceu a plantation de cana-de-açúcar para depois 
discutirmos os problemas de abastecimento.
3.3 A CULTURA DO AÇÚCAR NA COLÔNIA
A orientação da Coroa portuguesa em povoar a Colônia e utilizar-se dos 
donatários com seus investimentos próprios para tal fim marca a virada de uma 
economia coletora para uma economia voltada para a produção de gêneros que 
tivessem interesse mercantil na Europa, neste caso surgem as plantações de cana-
de-açúcar. Dessa forma, há a intensificação do tráfico negreiro como mão de obra 
escrava para a produção de açúcar no Brasil.
O Brasil nasce como elo colonial inserido no modode produção 
capitalista. Desde o início da nossa formação econômica, política, social 
e cultural nos realizamos como sistema produtor de mercadorias para 
a exportação. Superada a fase coletora e extrativa, passamos a produzir 
uma especiaria, o acúcar, para remunerar o capital comercial investido 
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
36
nas plantations – grandes propriedades rurais monocultoras, baseadas 
no trabalho escravo, cujo destino do produto era o mercado externo 
(BORGES apud REGO; MARQUES, 2003).
A produção do açúcar foi marcante na formação econômica do Brasil. 
Assim, o Brasil torna-se uma economia agroexportadora no mercado internacional, 
fato que até hoje prevalece. Segundo Mendonça e Pires (2002), foi o cultivo da 
cana-de-açúcar que fez com que Portugal mantivesse seu domínio sobre essas 
terras por tanto tempo. A reorganização da produção em larga escala (Plantation) 
da cana-de açúcar pelos portugueses até a implantação da indústria açucareira no 
Brasil, garantiu altos lucros para a Coroa.
O açúcar era usado pelos europeus com fins medicinais e até o sec. XIV 
era produzido em pequenas quantidades e a Europa importava como artigo de 
luxo. O barateamento da produção por meio de novas técnicas de plantio de cana-
de-açúcar e produção possibilitou que atingisse mercados mais abrangentes. 
Os portugueses contribuíram com o seu barateamento aumentando no século 
XV a oferta do produto. Em 1496, o rei D. Manuel I teve que baixar decretos 
para diminuir a produção, para tentar impedir que o preço da mercadoria caísse 
(MENDONÇA; PIRES, 2002). 
Devido ao clima brasileiro, já se esperava que essa cultura de cana-
de-açúcar prosperasse, além disso, o solo também apresentou-se propício. 
Inicialmente, a costa brasileira se demonstrou com solos e clima favoráveis ao 
seu cultivo. Destacou-se o extremo-nordeste, na planície litorânea (atualmente 
é o Estado de Pernambuco), e a costa da baía de Todos os Santos. O sistema de 
donatarias se estabeleceu mediante a doação de grandes extensões de terra, o que 
determinou o tipo de propriedade no Brasil, de grandes senhores e latifundiários. 
Assim, a cultura de cana-de-açúcar se estabeleceu em grandes propriedades o 
que tornava a produção inviável para pequenos produtores. O latifúndio e 
a monocultura serão os pilares da organização produtiva no Brasil. Assim, o 
trabalho escravo tornou-se uma necessidade. Primeiro, pela diminuta população 
portuguesa, segundo porque os portugueses não eram afeitos aos trabalhos 
manuais e os colonos portugueses não emigrariam para o Novo Mundo com o 
interesse de realizar trabalhos assalariados do campo (PRADO JÚNIOR, 1976).
Data de 1534 o primeiro engenho que produziu grandes quantidades de 
açúcar no Brasil. Este engenho fundado por Martim Afonso de Souza, em São 
Vicente. O primeiro engenho de Pernambuco tem registro de 1539 e o da Bahia, 
de 1546. Por volta de 1560, aproximadamente 57 engenhos estavam produzindo no 
Brasil, enquanto outros cinco estavam sendo construídos (MENDONÇA; PIRES, 
2002). No Brasil, devido aos altos custos das instalações coloniais, devido à questão 
da proteção e segurança, transporte e embarque, que os engenhos deveriam desde o 
início de porte médio, produzindo acima de três mil arrobas anuais, que pudessem 
chegar à produção acima de 10 mil arrobas (SIMONSEN, 1967).
Em 1548, estavam constituídas no litoral do Brasil 16 vilas e povoados que 
exportavam para Portugal algodão, açúcar, fumo, pau-Brasil e outros produtos 
TÓPICO 2 | FUNDAMENTOS DA COLONIZAÇÃO: FORMAÇÃO E EXPANSÃO ECONÔMICA NO PERÍODO COLONIAL
37
da agricultura. Com a finalidade de garantir maior segurança ao trabalho dos 
donatários devido à agressividade dos ataques indígenas e propiciar maior 
cooperação entre as donatarias, o governo português criou, em 1549, o Governo 
Geral do Brasil e Tomé de Sousa foi nomeado o primeiro Governador Geral do 
Brasil (SIMONSEN, 1967).
 A princípio, os colonos investiram na escravidão dos indígenas, mas não 
foi sem luta. Por vezes, os indígenas tomavam de assalto os estabecimentos dos 
colonos e destruíam tudo. A carta régia, datada de 1570, estabelecia que os nativos 
poderiam ser aprisionados e escravizados se oferecessem resistência aos colonos 
ou fossem agressivos. A escravidão indígena foi inteiramente sumplantada no 
século XVIII. O processo da substituição da mão de obra indígena pela negra 
foi feito até o fim do tempo colonial (PRADO JÚNIOR, 1976). Assim, constituiu-
se a estrutura da produção na colônia: monocultura, propriedade latifundiária e 
trabalho escravo.
Os dados da demografia na época colonial são muito imprecisos “não 
apenas o seu tamanho durante os mais de três séculos iniciais da formação 
econômica brasileira, mas também os seus componentes regionais e sua dinâmica 
e padrão de crescimento” (REGO; MARQUES, 2003, p. 14). Não se sabe com toda 
segurança quando os africanos escravizados chegaram ao Brasil. Ao que tudo 
indica podem ter aportado pela primeira vez nessas terras, na primeira expedição 
oficial de povoadores de 1532 (PRADO JÚNIOR, 1976). A tabela a seguir apresenta 
uma estimativa no século XVII de escravos africanos no Brasil, apresentadas por 
autores diferentes de história econômica.
TABELA 1 – TRÁFICO DE ESCRAVOS AFRICANOS/SÉCULO XVII
Autores Estimativa
Roberto Simonen 350.000
Maurício Goulart 550.000
Philip Curtin 560.000
FONTE: Rego e Marques (2003, p. 15)
COMO ERA O NAVIO NEGREIRO?
O navio negreiro – ou “tumbeiro” – foi o tipo de cargueiro usado para 
trazer mais de 11 milhões de africanos para serem escravizados na América. 
“Em caravelas ou barcos a vapor, europeus, americanos e até mesmo 
negros se metiam no “infame comércio”. Os traficados eram, na maioria, 
meninos e jovens de 8 a 25 anos. Isso mudou nos últimos anos do tráfico. 
“Tudo quanto se podia trazer foi trazido: o manco, o cego, o surdo, tudo; 
príncipes, chefes religiosos, mulheres com bebês e mulheres grávidas”, disse o 
ex-traficante Joseph Cliffer, em depoimento ao Parlamento Britânico, em 1840. 
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
38
Como não havia fabricação de navios apenas para o comércio de escravos, 
até hoje já foram identificados pelo menos 60 tipos de embarcações adaptadas 
como tumbeiros. Se houve uma regra, é que eles ficaram menores e mais 
velozes no século XIX, à medida que o tráfico se tornou ilegal e passou a ser 
perseguido pela política antiescravista dos ingleses a partir da aprovação da 
lei Bill Aberdeen, em 1845”. 
FONTE: PARRON, Tâmis. Como era um navio negreiro na época da escravidão? 22 jun. 2010. 
Revista Superinteressante. Disponível em: <https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-
era-um-navio-negreiro-da-epoca-da-escravidao/>. Acesso em: 19 jul. 2018.
A utilização do trabalho escravo de povos africanos resolvia o problema 
de produção para o mercado doméstico e solucionava as necessidades de atender 
ao principal mercado que era o externo. Além disso, o baixo custo para mantê-
los, em troca de subsistência, submetidos aos colonos por meios atrozes. Outro 
aspecto era a rentabilidade que o tráfico negreiro gerava, pois consistiam numa 
mercadoria que enriqueceu os comerciantes das principais cidades das capitanias 
e províncias (PIRES, 2010). De acordo com com Prado Jr. (1976), o problema do 
tráfico negreiro era a mortalidade devido às condições precárias de higiene que 
estes vinham nos navios negreiros (figura a seguir). Em média, apenas 50% dos 
escravos africanos chegavam vivos ao Brasil, e assim mesmo, em condições de 
saúde complicadas. Desta forma, o seu valor era elevado, e somente as regiões 
mais ricas poderiam aceder a sua compra.
FIGURA 11 – NAVIO NEGREIRO – QUADRO DE JOHAN MORITZ RUGENDAS
FONTE: <https://historiadesaopaulo.files.wordpress.com/2010/12/navionegreiro_poro_thumb.
jpg?w=452&h=278>. Acesso em: 5 dez. 2018.
Na tabela a seguir, podemos observar que o tráfico de escravos da África 
não cessou, o que reforça a ideia de que o tráfico apresentava rentabilidade.No 
período entre 1531 a 1820, a estimativa foi de 2.859.200 pessoas que desembarcaram 
no Brasil escravizadas.
TÓPICO 2 | FUNDAMENTOS DA COLONIZAÇÃO: FORMAÇÃO E EXPANSÃO ECONÔMICA NO PERÍODO COLONIAL
39
TABELA 2 – ESTIMATIVAS DE DESEMBARQUE DE AFRICANOS NO BRASIL (1531 – 1820)
PERÍODO TOTAL MÉDIA ANUAL
1531 - 1575 10.000 222
1576 - 1600 40.000 1.600
1601 - 1625 100.000 4.000
1626 - 1650 100.000 4.000
1651 -1670 185.000 7.400
1671 - 1700 175.000 7.000
1701 - 1710 153.700 15.370
1711 -1720 139.000 13.900
1721 - 1730 146.300 14.630
1731 - 1740 166.100 16.610
1741 - 1750 185.100 18.510
1751 - 1760 169.400 16.940
1761 - 1770 164.600 16.460
1771 - 1780 161.300 16.130
1781 - 1790 63.100 16.090
1786 - 1790 97.800 19.560
1791 -1795 125.000 23.370
1796 - 1800 108.700 21.740
1801 - 1805 117.900 24.140
1806 - 1810 123.500 23.580
1811 - 1815 139.400 32.770
1816 - 1820 188.300 37.660
FONTE: IBGE (1990 apud PIRES, 2010, p. 19)
DICAS
Para fixar melhor os conteúdos, assista aos seguintes documentários: 
• A escravidão no Brasil. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=KC2Hiw
3wG4c>.Acesso em: 19 jul. 2018.
 Documentário feito pela BBC aborda desde o início da colônia, os ciclos econômicos 
e enfatiza o sistema produtivo e de trabalho escravo imposto pelos portugueses no Brasil.
Com a alta geral dos preços das mercadorias, devido ao fluxo de ouro e prata 
encontrado pelos espanhóis, o preço do açúcar também acompanhou o mercado 
internacional. Portugal, desde meados do século XV, já apresentava supremacia 
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
40
na produção do açúcar no mercado internacional. Com o estabelecimento do 
governo geral, Portugal estimulou a ascenção da indústria açucareira no Brasil. 
Portugal tomou medidas de estímulo como na Capitania Real de São Salvador, 
em que isentou de impostos por 10 anos os novos engenhos e também concedia 
privilégios de nobreza aos senhores de engenho (SIMONSEN, 1967). 
O engenho era a fábrica, compreendendo as instalações para o manuseio 
e fabricação do açúcar. O nome de engenho foi utilizado posteriormente 
também para designar a propriedade, suas terras e plantações, assim, engenho 
e propriedade canavieira tornaram-se sinônimos. Entretanto, nem todas as 
propriedades possuíam engenhos, devido ao custo das instalações necessárias. 
Geralmente, nos engenhos, se produzia o açúcar e as destilarias produziam a 
aguardente (PRADO JÚNIOR, 1976).
UNI
Como era o engenho?
 “[...) O engenho é um estabelecimento complexo, compreendendo numerosas 
construções e aparelhos mecânicos: moenda (onde a cana é espremida), caldeira, que 
fornece o calor necessário ao processo de purificação do caldo; casa de purgar, onde se 
completa essa purificação. Além de outras, o que todas as propriedades possuem é, em 
regra, a casa-grande, a habitação do senhor; a senzala dos escravos; e instalações acessórias 
ou suntuárias: oficinas, estrebarias, etc. Suas terras, além dos canaviais, são reservadas 
para outros fins: pastagens para animais de trabalho; culturas alimentares para o pessoal 
numeroso; matas para fornecimento de lenha e madeira de construção. A grande propriedade 
açucareira é um verdadeiro mundo em miniatura em que se concentra e resume a vida toda 
de uma pequena parcela da humanidade” (PRADO JÚNIOR, 1976, p. 38).
Nos engenhos poucos trabalhadores eram livres, a maioria era composta 
pelo trabalho escravo, e para ser considerado um bom engenho geralmente tinha 
entre 80 a 100 escravos. O emprego do trabalho escravo cresceu e se tem notícias 
no século XVIII de engenhos com mais de 1000 escravos (PRADO JÚNIOR, 1976).
Durante o século XVII, a Companhia das Índias Ocidentais contribuiu, 
financiando o plantio e comercialização do açúcar, o que decorreu na ocupação 
efetiva das terras brasileiras. A produção do açúcar não chegou a desaparecer, 
mesmo com outros ciclos se iniciando, como apresenta a tabela a seguir. 
TÓPICO 2 | FUNDAMENTOS DA COLONIZAÇÃO: FORMAÇÃO E EXPANSÃO ECONÔMICA NO PERÍODO COLONIAL
41
TABELA 3 – BRASIL: PRODUÇÃO DE AÇÚCAR – DADOS SELECIONADOS (1570 – 1760)
Ano
Número de 
engenhos
Arrobas Valor em libras
1570 60 180.000 270.406
1580 118 350.000 528.181
1600 200 2.800.000 n/d
1600 400 4.000.000 n/d
1630 n/d 1.500.000 2.454.140
1640 n/d 1.800.000 3.598.860
1650 n/d 2.100.000 3.765.620
1670 n/d 2.000.000 2.247.920
1710 650 600.000 1.726.230
1760 n/d 2.500.000 2.379.710
FONTE: Linhares (1996 apud PIRES, 2010, p. 15)
UNI
Você sabia...
 “Na Idade Média, em Portugal, a palavra ´negro´ tornara-se quase sinônimo de 
escravo, e com certeza no século XVI ainda tinha implicações de servilismo. Seu uso para 
qualificar os índios patenteia o modo como os portugueses encaravam os africanos e os 
indígenas, não tanto com respeito à cor da pele, mas à sua posição social e cultural em 
relação aos portugueses. No decorrer do século XVI, o emprego comum de termo ´negro 
da terra` desapareceu gradualmente à medida que aumentou o número de africanos 
introduzidos na colônia. Esse desaparecimento foi, na verdade, concomitante à extinção da 
escravidão indígena". 
FONTE: MENDONÇA, Marina Gusmão de; PIRES, Marcos Cordeiro. Formação econômica 
do Brasil. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002, p. 66.
Além do açúcar, iniciou-se a cultura do tabaco no começo do século XVII. 
O tabaco era uma planta indígena e teve bastante aceitação na Europa. O tabaco 
também servia de escambo na costa da África para o tráfico de escravos.
Basicamente, a economia da colônia estava centralizada na produção de 
larga escala do açúcar e um pouco menos relevante de tabaco, e a cultura de 
subsistência. Na economia de subsistência entrava a pecuária, que apresentava, na 
época, baixa produtividade. Mas com rapidez as fazendas foram multiplicando-
se pelo crescente consumo no litoral (PRADO JÚNIOR, 1976). O gado brasileiro 
colonial tem origem das raças ibéricas, e foram trazidos pelo portugueses, 
“acréscido dos contingentes do Vice-reinado do Peru, via Paraguai, dos da região 
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
42
platina, via Missões, Colônia do Sacramento e, finalmente, da contribuição 
holandesa e francesa, durante a permanência destes europeus no Brasil” 
(SIMONSEN, 1967, p. 165).
O problema da monocultura era a falta de alimentos para abastecer 
os povoamentos na costa, desde o início da colônia um grave problema de 
abastecimento teve que ser enfrentado pelos portugueses, inclusive pela 
legislação, pois a maioria dos colonos apresentavam subnutrição. Os colonos que 
chegaram estavam preocupados em construir instalações e gerar lucros, então, 
não tinham tempo de se ocuparem com a agricultura de subsistência. Como os 
nativos já praticavam a agricultura, houve um aprendizado e assimilição dos 
costumes alimentares dos nativos. A agricultura de subsistência foi pautada nos 
produtos que os próprios indígenas já cultivavam, como a mandioca, depois o 
milho que também servia de forragem para a criação dos animais. Além disso, o 
arroz e feijão começaram a ser cultivados pelos colonos europeus e as verduras 
não tinham grande apreciação, mas a quantidade e variedade de frutas nativas 
começaram a ser introduzidas na alimentação diária como a banana e a laranja 
(PRADO, 1976).
No século XVIII, com o aumento da população nos povoamentos, o 
problema do abastecimento alimentar começou a ficar mais grave o que levou a 
serem estabelecidas medidas legislativas para obrigar os senhores de engenho a 
produzir mandioca e gêneros alimentícios. As melhores terras, certamente, estavam 
distribuídas para os grandes senhores de engenho que não se interessariam em 
produzir gêneros para a subsistência e sim, dedicavam a empresa à produção de 
açúcar que lhes conferia grande rentabilidade. Logo, o problema de alimentação 
não seria resolvido facilmente, mesmo com leis (PRADO, 1976).
3.4 O CICLO DA MINERAÇÃO (SÉCULO XVIII)
A mineração contribuiu para povoar o interior do país. O número de 
trabalhadores que se exigiapara tal atividade, criava aglomerações e assim foram 
fundadas várias cidades e vilas.
A mineração requisitava artigos para o consumo e sobrevivência dos 
mineiros e construção de instalações, deste modo, o transporte com muares 
também foi utilizado como facilitador inclusive para os carregamentos de ouro. 
Dessa forma, a figura do tropeiro com a utilização de mulas seria um elemento 
de ligação e comunicação entre o interior e a costa. No entanto, as minas de ouro 
somente começaram a ser encontradas no Brasil e tomar importância econômica 
para Portugal no início do século XVII. Portugal, após várias guerras estava se 
refazendo e recém tinha conseguido sua independência do domínio do Reino de 
Castela e incentivava a encontrar o metal precioso nas terras da África e Brasil. 
Os primeiros achados massivos de produção de ouro foram em São Paulo e 
Minas Gerais, a produção foi aumentando com a participação de Mato Grosso e 
Goiás, a partir de 1720 a 1726 (SIMONSEN, 1967). Ademais do ouro, também, na 
TÓPICO 2 | FUNDAMENTOS DA COLONIZAÇÃO: FORMAÇÃO E EXPANSÃO ECONÔMICA NO PERÍODO COLONIAL
43
mesma época, foram encontrados diamantes, sendo o Brasil o primeiro grande 
produtor moderno, tornando monopólio brasileiro no século XVIII. A atividade 
mineradora sofreu, desde as primeiras descobertas, forte fiscalização e controle 
da Coroa Portuguesa, o que gerou as primeiras tentativas de independência da 
colônia (PRADO JÚNIOR, 1976). 
A Coroa portuguesa cobrava como tributo a quinta parte de todo o ouro 
extraído. Em 1702, foi criado o “Regimento dos superintendentes, guarda-mores 
e oficiais deputados para as minas de ouro”. Ou seja, esta lei criava a Intendência 
de Minas, com a administração de um superintendente em cada capitania que 
se encontrasse ouro, seria criada uma dessas intendências, e se subordinava 
diretamente ao governo metropolitano de Lisboa. Os achados de jazidas deveriam 
ser comunicados à intendência da capitania respectiva (PRADO JÚNIOR, 1976).
Os rendimentos da Coroa portuguesa foram garantidos no século XVIII 
pelo quintos do ouro e também pelas jazidas de diamantes, que se tornaram 
monopólio do Estado. Houve aumento dos preços dos produtos de exportação 
do Norte e Nordeste, e assim aumentou-se o dízimo ao Rei. Além disso, com o 
aumento da população aumentou o tráfico de africanos escravizados, refletindo 
nas taxas alfandegárias, o monopólio do tabaco, do sal e do sabão e outras rendas 
auferidas devido ao imposto de circulação das mercadorias no interior da colônia, 
aumentava o rendimento da Coroa portuguesa. O século XVIII foi de fartura 
para a Coroa e a reconstrução de Lisboa foi paga com rendas advindas do Brasil 
colônia (SIMONSEN, 1976).
A tabela a seguir apresenta o apogeu e o declínio do ciclo da mineração 
do ouro. Observe que no final do século XVIII a produção de ouro já começa a 
diminuir.
TABELA 4 – BRASIL – PRODUÇÃO DE OURO (1691-1820)
Período Nº anos Total kg Média anual kg
1691-1700 10 15.000 1.500
1701-1720 20 55.000 2.750
1721-1740 20 177.000 8.850
1741-1760 20 292.000 14.600
1761-1780 20 207.000 10.350
1781-1800 20 109.000 5.450
1801-1810 10 37.500 3.750
1811-1820 10 17.600 1.760
1821-1830 10 22.000 2.200
1831-1840 10 30.000 3.000
1841-1850 10 24.000 2.400
FONTE: Simonsen (1967, p. 298)
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
44
A decadência do ciclo observa-se já em meados do século XVIII, dá-se, 
fundamentalmente, porque o ouro encontrado nas jazidas começou a se extinguir, 
devido às próprias características geológicas do ouro brasileiro que é de aluvião 
e se encontrava nos leitos dos rios ou próximo as suas margens. A outra questão 
era a técnica problemática de exploração e retirada do ouro das rochas matrizes, 
faltava conhecimento técnico (PRADO JÚNIOR, 1976).
Desde o início da colonização faltaram moedas metálicas para as transações 
comerciais. Com a diminuição dos preços do açúcar e do tabaco, os colonos foram 
obrigados a pagar em moeda, pois os comerciantes da metrópole passaram a 
rejeitar pagamentos em mercadorias. Dessa forma, o governo português resolveu 
criar uma moeda para a colônia. Com a mineração e extração do ouro, o governo 
português criou a Casa da Moeda do Brasil para poder fundir e criar moedas 
de ouro e prata para resolver o problema dos meios de pagamento na colônia. O 
papel-moeda só foi criado na colônia em 1771. Entretanto, o problema de escassez 
de moedas ainda foi totalmente resolvido na colônia (FURTADO, 1980).
Para você fixar melhor os principais acontecimentos relacionados aos 
ciclos econômicos, o quadro a seguir apresenta sintetizado cada período e suas 
principais influências.
QUADRO 5 – RESUMO DOS CICLOS ECONÔMICOS NO BRASIL COLÔNIA (1500-1808)
Período Ciclo Fatos 
1500-1532 Pau-brasil
A extração dessa madeira avermelhada utilizada no 
tingimento de tecidos, consistiu na primeira atividade 
exploratória dos portugueses na colônia, que instalaram um 
sistema de feitorias e utilizaram a exploração do trabalho 
indígena ou o escambo para a obtenção da mercadoria.
1532-meados 
do século XVII
Açúcar
O açúcar de cana, em meados do século XVI, obteve preços 
no mercado europeu o que possibilitou a sua produção e 
comercialização pelos portugueses no litoral brasileiro. A 
unidade produtiva era o engenho. O sistema administrativo 
da colônia era composto por um conjunto de capitanias 
hereditárias, sob as formas produtivas do latifúndio e 
da monocultura. O eixo da colônia estabeleceu-se no 
Nordeste.
Século XVIII Mineração
Contribuiu para o povoamento no interior do Brasil. Entre 
1709 a 1721, finalmente, foram encontradas riquezas 
minerais, como ouro, prata e pedras preciosas na capitania 
de São Paulo e Minas Gerais. O esgotamento das jazidas 
daria o fim desse ciclo no final do século XVIII. 
FONTE: Pires (2010, p. 14-16)
Paralelo ao ciclo do ouro, outras atividades regionais tiveram importância, 
como por exemplo a produção e a exportação do algodão no Maranhão no final 
do séc. XVII e início do séc. XIX, a produção do charque na região Sul, no século 
XVIII e XIX (PIRES, 2010).
TÓPICO 2 | FUNDAMENTOS DA COLONIZAÇÃO: FORMAÇÃO E EXPANSÃO ECONÔMICA NO PERÍODO COLONIAL
45
UNI
Você sabe quando foi fundada a Casa da Moeda do Brasil?
 “A Casa da Moeda do Brasil (CMB) é uma empresa pública vinculada ao Ministério 
da Fazenda. Fundada em 8 de março de 1694, acumula 322 anos de existência. Foi criada no 
Brasil Colônia pelos governantes portugueses para fabricar moedas com o ouro proveniente 
das minerações. Na época, a extração de ouro era muito expressiva no Brasil e o crescimento 
do comércio começava a causar um caos monetário devido à falta de um suprimento local 
de moedas. Um ano após a fundação, a cunhagem das primeiras moedas genuinamente 
brasileiras foi iniciada na cidade de Salvador, primeira sede da CMB, permitindo, assim, que 
fossem progressivamente substituídas as diversas moedas estrangeiras que aqui circulavam. 
Em 1695, foram cunhadas as primeiras moedas oficiais do Brasil, de 1.000, 2.000 e 4.000 
réis, em ouro, e de 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis, em prata, que ficaram conhecidas como 
a “série das patacas”. Desde então, por meio da produção de moedas e, posteriormente, 
também de cédulas e outros produtos de segurança, a história da CMB se confunde com a 
própria história do Brasil. Em 1843, utilizando técnicas “intaglio”, a Casa da Moeda imprimiu 
o selo “Olho de Boi”, o primeiro das Américas e o terceiro do mundo. Após alguns anos 
de atividade no nordeste do Brasil e em Minas Gerais, a CMB foi transferida para o Rio de 
Janeiro. Operou em instalações provisórias e, mais tarde, em amplo prédio construído no 
Campo de Santana, atual Praça da República, inaugurado em 1868 e hoje pertencente ao 
Arquivo Nacional. Essa planta foi modernizada no período de 1964 a 1969, com o propósito 
de assegurar ao país a autossuficiência na produção de seu meio circulante”. 
FONTE: CASA DA MOEDA DO BRASIL. História da casa da moeda. Disponível em: <http://www.casadamoeda.gov.br/portal/socioambiental/cultural/historia-da-cmb.html>. Acesso 
em: 21 jul. 2018.
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RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os portugueses quando chegaram no Brasil (Terra de Santa Cruz) encontraram 
nativos que viviam em tribos nômades, praticavam a agricultura, mas em meio 
a tanta abundância de fontes naturais de alimentação, a agricultura não era 
essencial para a sobrevivência.
• A expansão marítima dos portugueses se deu com a finalidade de encontrar 
produtos com valor e demanda no mercado europeu que justificassem tamanha 
empresa e custos para cruzar o oceano.
• As buscas por ouro e prata pelos portugueses no início da colonização foram 
frustradas e a primeira atividade econômica que gerou rentabilidade para 
os portugueses foi a extração do pau-brasil, que era usado no tingimento de 
tecidos.
• A organização da colônia a princípio se deu por meio das feitorias, que também 
foram responsáveis por organizar o comércio e estabelecer o povoamento. 
• O estabelecimento da produção do açúcar se deu por razões do aumento do 
preço no mercado europeu e aumento pela demanda desta mercadoria. O 
clima e solo no litoral brasileiro favoreciam o cultivo da cana-de-açúcar. Para 
estimular o desenvolvimento da atividade, o Governo português estabeleceu 
um modelo de donatarias que mais tarde seriam hereditárias também. Este 
modelo estimulou o investimento privado e o povoamento na colônia. O 
desenvolvimento do ciclo do açúcar pautou-se em monocultura, produção em 
escala, grande propriedade e trabalho escravo.
• O declínio do ciclo do açúcar e os achados de metais preciosos em Minas Gerais 
e São Paulo direciona as atividades econômicas para a mineração. A mineração 
contribuiu para a interiorização do povoamento no Brasil. O trabalho escravo 
ainda permanecia. A Coroa portuguesa buscava enrigecer o controle das 
atividades de mineração desde o início, cobrando tributos, criando medidas de 
controle. 
47
1 Descreva as principais motivações que trouxeram os primeiros colonos para 
o Brasil.
2 Explique como foi a estratégia de ocupação das terras brasileiras e quais os 
principais produtos que tornaram-se alvo para o comércio externo.
3 Por que a Coroa portuguesa estabeleceu as donatarias na colônia? Como 
foram organizadas?
4 Por que o cultivo da cana-de-açúcar cresceu na colônia e o engenho 
transformou a economia colonial?
5 Discorra sobre a importância da mineração no Brasil colônia para as rendas 
da Coroa Portuguesa e como as descobertas de ouro evoluíram no período 
colonial?
6 Quais foram os motivos que levaram ao declínio da exploração da mineração 
no Brasil?
AUTOATIVIDADE
48
49
TÓPICO 3
O MODELO PRIMÁRIO EXPORTADOR NO BRASIL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, você entenderá como se deu o modelo primário exportador 
no Brasil no período do século XVIII ao XIX. Primeiramente é importante saber 
como estava a política e a economia da França, Inglaterra e de Portugal neste 
período e que influência tiveram para a economia do Brasil.
Portanto, a Europa passava por uma crise política, na qual Napoleão 
queria ter o domínio, como alguns países não aceitaram essa imposição, inclusive 
Portugal que era aliado da Inglaterra acabou quebrando a assinatura do Bloqueio 
Continental firmado por Napoleão Bonaparte. Este é um dos motivos que fez 
com que os portugueses viessem para o Brasil escoltados pelos ingleses. Portugal 
determinou o fechamento de oficinas manufatureiras, porém, quando Dom João 
chega ao Brasil, uma das medidas foi a abertura dos portos, o que facilitou o 
comércio para os ingleses que obtiveram benefícios.
Muitas transformações ocorreram com a chegada de Dom João ao Brasil 
como: sociais, econômicas, políticas e culturais. Outro embate é como foi a política 
econômica no governo monárquico no Brasil, que passou por várias crises políticas, 
sociais e econômicas. Retornando a Portugal, Dom João deixou seu filho D. Pedro I 
para governar o Brasil e posteriormente D. Pedro II. A política econômica do Brasil se 
deu por luta pela independência contra a Metrópole. O Brasil obteve as suas fontes de 
riqueza desde a colonização com a produção da cana-de-açúcar, depois a mineração 
e, com o esgotamento, passaram a investir em outros cultivos como o café, que foi um 
dos maiores produdores. Outro aspecto que contribuiu para o desenvolvimento do 
Brasil foi a utilização da mão de obra barata que foi a escravidão. 
2 A INSTALAÇÃO DA FAMÍLIA PORTUGUESA NO BRASIL E 
AS TRANSFORMAÇÕES NO BRASIL
Portugal, sob a administração de Pombal, assinou a Carta Régia de 1766, 
que determinava o fechamento das oficinas dos ourives no Rio de Janeiro, que 
acabou por prejudicar o desenvolvimento de outras atividades manufatureiras no 
Brasil (FURTADO, 1980). A vinda do Regente D. João e a corte portuguesa para o 
Brasil marcou profundamente a história e encerramento da colônia e propiciou a 
independência deste da metrópole. Tão logo de desembarcar no Brasil, o regente 
assinou o decreto que abriu os portos da calônia para todas as nações.
50
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
 Além disso, revogou o alvará de 1785, que proibiu as atividades industriais 
na colônia. Como a metrópole estava sob domínio napoleônico, a abertura dos 
portos brasileiros era uma providência momentânea para não isolar-se do comércio 
internacional. A Inglaterra acabou tornando-se a grande beneficiária dessa mudança 
do Regente português ao Brasil. Pois um comandante inglês liderarou a retomada 
de Portugal libertado das tropas francesas em 1809 (PRADO JÚNIOR, 1976). 
Basicamente, a Inglaterra exportava para o Brasil artigos de algodão e lã, porcelanas, 
metais brutos e trabalhados, produtos alimentícios e instrumentos náuticos. A 
Inglaterra comercializava também diretamente os produtos primários brasileiros, 
como o algodão em rama, tabaco, charque, couros, peles, baunilha, cachaça, anil, 
cacau, madeiras, café, arroz, azeite de baleia, entre outros (FURTADO, 1980).
Enquanto a Inglaterra vivia a expansão do capitalismo industrial, 
seguida por França, Bélgica, Holanda e Estados Unidos, os países ibéricos ainda 
estavam atrelados aos princípios mercantilistas-colonialistas. O desenvolvimento 
industrial daqueles países fez com que eles importassem mais produtos primários 
em grande escala de países como o Brasil (FURTADO, 1980).
Portugal passou a ser insignificante no comércio brasileiro, após assinar o 
decreto para a sua aliada Inglaterra, em 1810. O Brasil passaria por uma série de 
mudanças econômicas e administrativas com a corte portuguesa instalada aqui. 
O Rio de Janeiro tornou-se sede política, administrativa, econômica e financeira 
da monarquia (PRADO JÚNIOR, 1976). 
A continuidade do modelo econômico primário exportador se mantém após 
1808, mas agora com o cultivo do café. Neste caso, inicia-se o ciclo do café pelos 
mesmos motivos da produção do açúcar, os ganhos devidos à alta do preço nos 
mercados europeus e americano. O Brasil também chegou a ocupar a hegemonia no 
comércio internacional do café. O café passou a liderar o crescimento das exportações 
brasileiras. Na segunda metade do século XIX, verificou-se uma forte expansão do 
produto. Como consequência, estradas de ferro começaram a ser construídas, iniciou-
se a imigração estrangeira (a abolição dos escravos gerou necessidade de nova mão 
de obra), o telégrafo, a fundação de casas bancárias, aumentou o mercado doméstico 
e o número de aglomerações urbanas na parte Sul do país, tudo isso motivado para 
atender à prosperidade da cultura do café que foi desencadeada (PIRES, 2010). No 
começo da década de 1820, o engenho, apesar de decadente, continuava sendo a 
principal atividade econômica. O café começava a despontar como uma atividade 
importante, fundamentalmente no estado do Rio de Janeiro, em alguns lugares de 
São Paulo e no Vale do Paraíba (REGO; MARQUES, 2003).
3 O CULTIVO DO CAFÉ E A CONSOLIDAÇÃO DO 
MODELO PRIMÁRIO-EXPORTADOR
Em 1822, a Independência dametrópole foi proclamada. Entretanto, os 
laços com a metropóle não permitiria uma mudança transformadora do cenário 
brasileiro. Os latifundiários escravistas, que contribuíram para o rompimento 
TÓPICO 3 | O MODELO PRIMÁRIO EXPORTADOR NO BRASIL
51
UNI
Você lembra dessa fase da história do Brasil?
“As  revoltas  ocorridas no  Período Regencial  preocupavam os 
proprietários de escravos e terras. Temia-se que a anarquia levasse o 
Império à desintegração. Liberais e conservadores, com medo de perder 
o controle político da nação e em nome da preservação da unidade 
nacional, concordavam que somente D. Pedro de Alcântara poderia 
pacificar e unir o Império brasileiro”... Tivesse o país um Imperador e 
a ordem se implantaria providencialmente..." A solução, portanto, era 
antecipar da maioridade do Príncipe herdeiro, conseguida por uma 
mudança na Constituição, permitindo que um adolescente de catorze 
anos de idade assumisse o trono do Brasil. O Governo pessoal de D. 
Pedro II foi o mais longo da nossa história – 1840-1889. 
FONTE: PREFEITURA DA CIDADE RIO. SECRETARIA DA EDUCAÇÃO. Disponível em: <http://
www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/gov_dpedro.html>. Acesso em: 22 jul. 2018.
O modelo escravocrata tinha sido abolido pelo Império Britânico e o 
tráfico havia sido proibido desde 1807. Os ingleses passaram a tentar impedir 
o tráfico e a vigiar e impor limites para outros países, inclusive ao Brasil. Em 
1817, a Inglaterra conseguiu o direito de inspecionar os navios portugueses e os 
brasileiros que pudessem estar com carregamentos de escravos. Após a declaração 
da independência, o reconhecimento inglês impôs a condição do Brasil abolir o 
tráfico. Em 1831, foi proibido o tráfico no Brasil de escravos, o que na prática não 
se concretizou. O tráfico de africanos escravizados seguiu devido ao crescimento 
da lavoura cafeeira até 1850. As restrições inglesas ao tráfico fizeram com que os 
escravos fossem mais valorizados (REGO; MARQUES, 2003).
com a metrópole, tinham interesses divergentes entre D. Pedro I e esta classe 
vitoriosa, fato que levou à instabilidade política do regente que abdicou do 
Império. Estes fatos também contribuíram para a substituição do controle político 
de Portugal do Brasil pela subordinação dos interesses da Inglaterra. Desta forma, 
a perpetuação da exportação primária brasileira atendeu aos interesses britânicos, 
como o mercado potencial brasileiro constituído por grande parte de escravos. 
No entanto, D. Pedro II reinou mantendo por mais meio século a escravidão e 
conservando o modelo agrário exportador (PIRES, 2010).
52
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
Os fazendeiros escravocratas brasileiros reclamavam que as imposições 
da Inglaterra abalavam a soberania do país, e consideravam a utilização da mão 
de obra escrava um assunto da política interna do Brasil. Em 1845, o parlamento 
inglês enrigesseu mais as leis, autorizando a inspeção e confisco dos navios 
detectados sendo utilizados pelos traficantes de escravos. No Brasil, em 1850, a 
Lei Eusébio de Queirós, ministro da Justiça na época, propôs a eliminação do 
tráfico de escravos. A população escrava começou a declinar após a proibição 
do tráfico. Sob a perspectiva dos fazendeiros do café, que possuíam uma cultura 
escravocrata, os negros escravizados nada mais eram que um investimento em 
capital fixo, que lhe confereria lucros por meio de seu trabalho (REGO; MARQUES, 
2003). Portanto, embora tenha reduzido o número de escravos, a escravidão não 
havia sido extinta ainda após a metade do século XIX.
A tabela a seguir mostra estimativas da população realizada pelos 
bispados do Brasil. Observe que no início do século XIX, embora o número de 
pessoas livres fosse maior, o contingênte de escravos e índios era muito grande. 
Nesse sentido, a produção voltava-se para o mercado exteno e não para atender 
o mercado doméstico.
TABELA 5 – ESTIMATIVA DOS BISPADOS DA POPULAÇÃO DO BRASIL
NO INÍCIO DO SÉCULO XIX
  População
Soma
  Livre Escrava
Pará 121.246 51.840 173.086
Maranhão 261.220 201.176 462.396
Pernambuco 455.248 192.559 647.807
Bahia 419.432 173.476 592.908
Rio de Janeiro 505.543 200.506 706.049
São Paulo 269.379 122.622 392.001
Mato Grosso 33.806 13.280 47.086
FIGURA 12 – GRUPO DE ESCRAVOS TRABALHANDO NO CULTIVO DO CAFÉ
FONTE: <http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/exp_cafeeira.html>.
Acesso em: 22 jul. 2018.
TÓPICO 3 | O MODELO PRIMÁRIO EXPORTADOR NO BRASIL
53
FONTE: Simonsen (1967, p. 450)
Em 13 de maio de 1888 foi decretada a Lei Áurea, que abolia a escravidão 
no Brasil, quase sem oposição. Entretanto, com o crescimento da cultura do café, 
a força de trabalho deveria ser substituída imediatamente para não tornar-se um 
impeditivo à produção cafeeira. Desde a Independência, o Brasil já experimentara 
algumas práticas de imigração, como em 1824, que teve início a imigração alemã 
especialmente para o sul do país. A política do Império era atrair homens brancos 
e livres com o propósito de serem proprietários de terras no Brasil. Outras 
experiências para atrair imigrantes europeus também foram tentadas no decorrer 
do século (REGO; MARQUES, 2003).
A tabela a seguir apresenta a crescente importância da exportação de café 
como atividade econômica para o Brasil. O aumento do preço do café e a crescente 
oferta do produto contribuiu para a expansão econômica e desenvolvimento do 
Brasil.
Goiás 21.250 16.000 37.250
Minas Gerais 456.675 165.210 621.885
Total da população conhecida 2.543.799 1.136.669 3.680.468
Índios ou selvagens     800.000
Total da população do Brasil     4.480.468
TABELA 6 – EXPORTAÇÃO DO CAFÉ DO BRASIL (1873-1878)
Ano Sacos de 60 kg 1873=100
1873 2.774.000 100
1874 3.853.000 139
1875 3.407.000 123
1876 3.553.000 128
1877 3.843.000 139
1878 4.904.000 177
FONTE: Pires (2010, p. 40)
As estruturas fundamentais da economia do Brasil colônia não se 
modificaram com a independência. O Brasil constituiu-se de oligarquias de 
grandes proprietários que praticavam a monocultura para obter lucros por meio 
dos preços das mercadorias no mercado internacional (ciclos produtivos de 
acordo com a demanda do mercado externo), e sustentavam sua lucratividade 
com a produção em escala. O modelo agroexportador consolidou-se como a 
estrutura de manutenção de uma elite e, assim, definiu-se a forma de inserção do 
Brasil no comércio internacional, ora dependente da metrópole, ora dependente 
do Império Britânico. 
54
UNIDADE 1 | EXPANSÃO EUROPEIA E COLONIZAÇÃO
A tabela a seguir evidencia a estreita relação comercial que o Brasil 
desenvolveu com a Grã-Bretanha e, consecutivamente, o mercado norte-
americano também foi se expandindo e tornando-se em um dos principais 
parceiros comerciais do Brasil já no século XIX. Observa-se que a participação de 
Portugal era muito insipiente.
TABELA 7 – BRASIL: DISTRIBUIÇÃO DAS IMPORTAÇÕES E EXPORTAÇÕES POR PAÍS (EM MILHÕES)
País
Exportações Importações
1853-1854 1870-1871 1853-1854 1870-1871
1857-1858 1872-1873 1857-1858 1872-1873
Grã-Bretanha 32,90 39,40 54,80 53,40
Estados Unidos 28,10 28,80 12,70 12,20
França 7,80 7,50 6,30 7,00
Alemanha 6,00 5,90 5,90 6,50
Portugal 5,90 5,80 7,00 5,40
Bélgica 1,80 1,00 2,00 2,50
Espanha 0,90 0,80 1,10 1,60
Países Escandinavos 3,70 0,70 0,40 0,80
Estados Austríacos 1,60 0,00 0,70 0,20
Itália 1,40 0,50 0,70 0,50
Diversos 9,90 9,60 8,80 9,90
Total 100,00 100,00 100,00 100,00
FONTE: Relatório do Ministério da Fazenda – 1854 e 1880 (apud PIRES, 2010, p. 31)
O cultivo do café se assentou no século XIX sobre o trabalho escravo, 
após a abolição já no final do século, a participação do trabalho dos imigrantes 
europeus foi importante para a continuidade do ciclo. O declínio do café veio 
somente com a crise de superprodução por volta de 1930.
55
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• A vinda da monarquia portuguesa para o Brasil marca o fim do Brasil colônia, 
mas a estrutura da economia brasileira mantém-se em atividadesprimárias, 
voltadas para a exportação, com trabalho escravo e latifúndios e marcadamente 
dependente da metrópole ou das relações com a Grã-Bretanha. O café torna-se 
um produto importante para a exportação do Brasil, que em 1840 se torna o 
principal exportador do produto no mundo.
• Que o governo de Pombal assinou a Carta Régia de 1766 que determinava 
o fechamento das oficinas dos ourives no Rio de Janeiro, que prejudicou as 
atividades manufatureiras.
• D. João se instala no Brasil e abre o comércio para outras nações por meio 
da abertura dos portos e a Inglaterra acaba se tornando a grande beneficiária 
dessa mudança do Regente português ao Brasil.
• A Inglaterra exportava para o Brasil artigos de algodão e lã, porcelanas, metais 
brutos e trabalhados, produtos alimentícios e instrumentos náuticos. Ela vivia 
a expansão do capitalismo industrial, seguida por França, Bélgica, Holanda 
e Estados Unidos, os países ibéricos ainda estavam atrelados aos princípios 
mercantilistas-colonialistas.
• Portugal passa a ser insignificante no comércio brasileiro, após assinar o decreto 
para a sua aliada Inglaterra, em 1810.
• O Brasil também chegou a ocupar a hegemonia no comércio internacional do 
café. O café passou a liderar o crescimento das exportações brasileiras. Como 
consequência, estradas de ferro começaram a ser construídas, iniciou-se a imigração 
estrangeira (a abolição dos escravos gerou necessidade de nova mão de obra).
• Em 1822, a Independência da metrópole foi proclamada, entretanto, os laços 
com a metropóle não permitiria uma mudança transformadora do cenário 
brasileiro.
• Em 1850, a Lei Eusébio de Queirós propôs a eliminação do tráfico de escravos, mas 
em 13 de maio de 1888, foi decretada a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil.
• O crescimento da cultura do café, a força de trabalho deveria ser substituída 
para não tornar-se um impeditivo à produção cafeeira.
• As estruturas fundamentais da economia do Brasil colônia não se modificaram 
com a independência. O modelo agroexportador consolidou-se como a 
estrutura de manutenção de uma elite.
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1 Quais foram os impactos da mudança da família real para o Brasil?
2 Por que mesmo com a independência da metrópole, o Brasil não teve uma 
ruptura das estruturas estabelecidas na fase colonial?
3 Como explicaria a permanência do trabalho escravo no Brasil mesmo com a 
pressão da Grã-Bretanha?
4 Construa argumentos favoráveis ou contrários sobre a utilização da mão de 
obra escrava no sistema capitalista.
5 Por que a Inglaterra se beneficiou do comércio com o Brasil após a vinda da 
família real para o Brasil?
6 Como se explica o crescimento do cultivo do café do Brasil?
7 Quais são os fatores que levaram o Brasil a manter uma economia 
agroexportadora?
AUTOATIVIDADE
57
UNIDADE 2
A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE 
INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você será capaz de:
• apresentar as origens do Capitalismo Brasileiro no Século XIX, através da 
apresentação do sistema político-econômico republicano e seu ambiente 
de conflitos de interesses e o café como a base econômica predominante;
• entender como avançou o processo de desenvolvimento industrial no 
início do século XX, a questão do trabalho na cafeicultura e as práticas 
políticas baseadas no pensamento desenvolvimentista, através do modelo 
de gestão populista nacionalista;
• relacionar os objetivos alcançados, sob a perspectiva do Processo de 
Substituição de Importações (SI) a partir de 1930, as transformações 
econômicas em andamento e os desafios do processo de industrialização, 
que permanecem e continuarão a serem abordados no estudo dessa 
disciplina.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado
TÓPICO 1 – AS ORIGENS DO CAPITALISMO NO SÉCULO XIX
TÓPICO 2 – O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA NO INÍCIO DO 
SÉCULO XX
TÓPICO 3 – O PROCESSO DE SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES (SI) A 
PARTIR DE 1930
58
59
TÓPICO 1
AS ORIGENS DO CAPITALISMO NO SÉCULO XIX
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Olá, estimado acadêmico! Na continuidade desta jornada de conhecer o 
processo de formação econômica do Brasil, vamos agora ingressar nas origens 
do Processo de Industrialização Brasileiro, partindo dos contextos ou cenários 
históricos a partir da instauração da República em 1889.
Para relembrarmos o conhecimento recente, na Unidade 1, conhecemos 
como se deu a expansão europeia e a colonização, como parte de um processo 
maior de ampliação do poder econômico de certos países. As consequências desse 
período, permaneceram até os dias de hoje, e ainda influenciam as conduções e 
desfechos do processo de desenvolvimento econômico de nosso País.
Você já refletiu sobre a origem de muitos de nossos problemas econômicos, 
políticos e sociais? Ou porque possuímos determinadas vantagens ou “vocações” 
de certas culturas, produtividades, atores sociais ou setores? 
Ou ainda, por que as políticas públicas sempre promoveram beneficiar 
determinados interesses?
Enfim, se você ainda não fez esses questionamentos, talvez seja o momento 
oportuno de fazê-los! Convido você a isso!
Para auxiliá-lo nesse desafio, o Tópico 1 apresentará as origens do 
capitalismo brasileiro no século XIX, através do resgate de características do 
sistema político-econômico Republicano e sua dinâmica de interesses, a qual, 
diante da base econômica cafeeira, revelou os elementos, entraves, desafios e as 
possibilidades possíveis para a formação e desenvolvimento econômico brasileiro 
até o período atual.
Desejamos uma experiência excelente de leitura e aprendizado! E fique 
atento às dicas e notas destacadas ao longo do tópico, bem como, a realização da 
autoatividade ao final, imprescindível para o alcance dos seus resultados nesta 
disciplina! Vamos lá!
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
60
2 REPÚBLICA VELHA: AMBIENTE POLÍTICO E 
ECONÔMICO
Neste subtópico, apresentaremos o ambiente da República Velha, isto é, 
quais condições e cenários políticos e econômicos atuaram como desafios para 
a implantação da República, desde os interesses em jogo até as dificuldades das 
políticas monetárias internas. Vamos lá!
2.1 A DINÂMICA DE INTERESSES
O processo de transição do Brasil colônia para sua independência (1808-
1822) se deu diante da crise do sistema colonial mercantilista, pode-se dizer, 
diante da superação da etapa de acumulação de capital primitiva, precedente ao 
sistema capitalista, logo, compreensível enquanto sua inevitabilidade.
De acordo com Gremaud, de Saes e Junior (1997), a acumulação primitiva 
de capital é a situação na qual o capital começa a se dirigir às mãos de uma classe 
social, no caso a burguesa, que passa, a partir de seus interesses, a generalizar as 
relações mercantis, inclusive aquelas com a força de trabalho, embora gradual. Aí 
estão a base capitalista no tocante as condições econômicas principais.
No caso brasileiro, ficou evidente a existência de inúmeros interesses internos 
e externos, quanto ao processo de independência. A Inglaterra, grande protagonista, 
atuou no sentido de influenciar e financiar esse processo que, na prática, ainda 
submeteu o Brasil a certa colonização por parte dos interesses ingleses. 
Apesar da Independência do Brasil não ter modificado de imediato a 
prática escravista da produção colonial, “ela permitiu mudanças [...]. Embora o 
novo Estado estivesse sujeito a limitações políticas e financeiras, ele passou a ter 
um novo referencial para sua atuação (que não é mais o interesse da metrópole)” 
(GREMAUD; SAES; JÚNIOR, 1997, p. 25). Era a perda do exclusivo-comercial.
Sob esse novo referencial, as classes sociais agora despertavam novos 
interesses, mais diversificados, diante de dificuldades quanto à formação inicial de 
um sistema administrativo autônomo e endividado externamente, incentivando 
a mobilização e expansão mercantilinterna da economia cafeeira, como solução 
para construção de uma base econômica exportadora. 
Assim, sob as condições adversas, que impediam durante o período 
imperial, qualquer projeto de desenvolvimento industrial, foi então o café, 
acompanhando os benefícios da Revolução Industrial, que promoveu as 
condições para a formação de um mercado integrado e abrangente, quanto aos 
seus objetivos econômicos classistas.
Sobre o período do Império precedente à República (1822-1889), Costa 
(2007), chama a atenção à estagnação e mínima exploração do potencial brasileiro 
TÓPICO 1 | AS ORIGENS DO CAPITALISMO NO SÉCULO XIX
61
em muitos quesitos. A monocultura do açúcar bem-sucedida por longo tempo 
não apresentava mais os mesmos sinais de vitalidade, essa circunstância seria 
amenizada pela economia do ouro e o novo fôlego dado por ele à colônia.
Apesar desse potencial, o Brasil perdeu durante o Império a maior 
oportunidade da nossa história de alcançar os países abastados 
na geração de riqueza. A principal razão foi a resposta inadequada 
e insuficiente do Império à explosão do capitalismo industrial. 
Este gerou, ao longo do século XIX, crescimento econômico sem 
precedentes na história da humanidade, ao mesmo tempo em que 
aumentou como nunca a diferença entre países ricos e países pobres. 
As respostas do império foram insuficientes, tanto na gestão do 
crescimento populacional quanto na escolha do modelo econômico 
(COSTA, 2007, p. 95). 
O autor ressalta que, em 1820, por exemplo, a população brasileira era 
metade da população americana, num momento em que o trabalho era um dos 
fatores mais relevantes, deixou-se de promover uma mão de obra urbana e rural 
qualificada e as atividades voltadas exclusivamente ao setor primário exportador, 
afastando-nos de um projeto industrial. “Em termos absolutos, o PIB brasileiro 
despencou de 23% do norte americano, em 1820, para apenas 7% em 1870. A 
consequência mais grave [...] foi que se tornou progressivamente mais difícil 
eliminar o atraso da economia brasileira” (COSTA, 2007, p. 97). 
Os primeiros anos após a República (1889) foram desafiadores para a 
estrutura da economia brasileira, entre tantas propostas em pauta, as principais 
estavam associadas ao processo de transição do escravismo e do Império, para 
um sistema que pudesse oferecer liberdade política e econômica para as classes 
da cafeicultura administrarem seus negócios aos fins do século XIX.
A figura a seguir apresenta os presidentes republicanos nesse período, 
comprovando a alteridade de atores e interesses político pelo poder.
FIGURA 1 – OS PRESIDENTES DA PRIMEIRA REPÚBLICA BRASILEIRA (1889-1930)
1889
Mal. Deodoro
da Fonseca
1891
Mal. Floriano
Peixoto
1894
Prudente de 
Morais
1898
Campos Sales
1902
Rodrigues Alves
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
62
1918
Moreira da Costa
1919
Epitácio Pessoa
1922
Artur Bernardes
1926
Washington Luís
1906
Afonso Pena
1909
Nilo Peçanha
1910
Mal. Hermes da 
Fonseca
1914
Venceslau Brás
1918
Rodrigues Alves
FONTE: <https://pt.slideshare.net/RicardoJatahy/presidentes-do-brasil-repblica-velha>.
Acesso em: 7 jun. 2018.
NOTA
“Em 15 de novembro de 1889 foi instaurado o regime republicano e, juntamente, 
o fim da soberania de D. Pedro de Alcântara, Pedro II. Tudo aconteceu no Rio de Janeiro, por 
meio de um golpe militar liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca. Uma vez que ele era 
o líder, tornou-se o primeiro chefe de estado do Brasil acompanhado de seu vice, Floriano 
Peixoto. O ocorrido se deu onde hoje é a Praça da República, no Rio de Janeiro. Na mesma 
época, houve a publicação de uma ata da proclamação, chamada de Decreto nº 1, em que 
se estabeleciam as regras governamentais que entrariam em vigor. Inaugurou-se em 1891, 
último ano de governo de Marechal Deodoro”. 
FONTE: <http://presidentes-do-brasil.info/>. Acesso em: 23 jul. 2018.
Também, neste link, você encontra as principais ações políticas e econômicas de cada 
Presidente Brasileiro desde a Velha República.
Diante de um contexto político efervescente, a abolição da escravatura, 
em 1888, representaria mais uma inevitável ação cedendo à pressão inglesa por 
ampliação do mercado e substituição, mesmo que gradual, por mão de obra livre, 
TÓPICO 1 | AS ORIGENS DO CAPITALISMO NO SÉCULO XIX
63
do que uma iniciativa social ou de consciência humanitária, embora houvesse 
também interesses internos nesse sentido. 
Admite-se que, a “escravidão tinha mais importância como base de um 
sistema regional de poder do que como forma de organização da produção. 
Abolido o trabalho escravo, em nenhuma parte houve modificações de real 
significação na forma de organização da produção e mesmo da distribuição de 
renda [...]” (FURTADO apud GREMAUD; SAES; JÚNIOR, 1997, p. 32). Assim, 
sob esse viés, representava um entrave ao desenvolvimento econômico do país.
Os processos de fim da escravatura e proclamação da república, enquanto 
episódios sequenciais, representaram um movimento de classes. Enquanto o 
primeiro, inicialmente equivaleu a uma perda ao setor cafeeiro, também serviu 
de pretexto para esta mesma classe se organizar e buscar intervir no aparelho 
do Estado, a favor de seus interesses, enquanto o segundo processo, com a 
conformação da classe burguesa, contribuiu para a realização de um Estado que 
lhe servisse via uma democracia presidencial federalista. 
Sob o advento da República pelas classes médias emergentes, os autores 
identificam como o “abolicionismo republicano” da classe média, assim,
O fim do escravismo transformaria todos os trabalhadores em 
trabalhadores livres e iguais (juridicamente), [...]. A República, ao 
destruir o direito escravista do Estado Imperial, abriria as portas 
do Estado aos membros da classe média, por exemplo, pelo fim do 
voto censitário (comprovação de renda para poder ser eleito) ou pela 
instituição de critérios burocráticos (pelo mérito) para ingresso no 
serviço público (em lugar de apadrinhamento). Nesta perspectiva, 
torna-se mais fácil entender a participação ativa da classe média 
urbana no Movimento Abolicionista e também seu papel proeminente 
(principalmente pelos militares) na derrubada do Império e nos anos 
iniciais da República (GREMAUD; SAES; JÚNIOR, 1997, p. 36).
Entretanto, apesar das transformações que seguiram de cunho político 
e social, em relação a herança colonial no período Republicano, a economia 
brasileira continuaria mantendo a base exportadora primária. Isso dificultou o 
desenvolvimento do trabalho assalariado e a atualização da cultura de trabalho. 
NOTA
A abolição da escravatura segue uma cronologia de eventos, desde 1815, que vão 
culminar de fato no episódio em 1888, com a Lei Áurea. Com base em interesses nacionais e 
internacionais, promoveu a libertação, mas sem indenização, pouca ou nenhuma preocupação 
com direitos ou inserção social. Para saber mais, leia o texto “A abolição da escravatura 
brasileira”, acessando o link : <http://www.politize.com.br/abolicao-da-escravatura-brasileira/>. 
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
64
2.2 A ECONOMIA MONETÁRIA INCIPIENTE
Mesmo com o advento da Primeira República, a economia seguiria 
dependente de mercado externo, e, consequentemente, vítima das variações 
cíclicas externas, que afetavam fortemente sua política monetária e cambial, 
inviabilizando ainda mais uma inversão desse padrão na economia internacional. 
A fim de iniciar um planejamento em torno da política macroeconômica 
do país, a primeira República tratou de estabelecer prioridades quanto à busca de 
equilibrar as contas externas e priorizar os interesses oligárquicos. 
Em relação à abertura comercial, observou-se quase nenhuma melhoria, 
porém, em relação ao investimento internacional, sua participação era substancial, 
cerca de 30% do total da América Latina. No período de 1913, por exemplo, 
esse indicador contribuiria para o crescimento também da dívida externa, já 
promovida desde a independênciado país. 
Esse cenário comprovou a importância dos mercados financeiros 
internacionais, inclusive para a primeira década do século XX. As dificuldades 
inerentes à área econômica, referiram-se, predominantemente, a desvalorizações 
do câmbio, cujas depreciações provocaram déficits de conta corrente seguidos e 
promovedores de crises (FRANCO, 1990). As pioras dos termos de troca entravavam 
as importações e agravavam os choques comerciais decorrentes das flutuações do 
preço do café, associada a políticas fiscais ou monetárias expansionistas. 
Importante também ressaltar os efeitos da monetização da economia por 
conta do avanço do trabalho assalariado, mesmo que não muito significativo 
nesse primeiro momento, Franco (1990, p. 16-17) destaca o impacto monetário 
dessa ocorrência,
[...] o pagamento de salários multiplicaria em muitas vezes, por 
exemplo, a necessidade de capital de giro na atividade agrícola, 
com isso, elevando o grau de monetização e a demanda por moeda 
na economia [...]. Argumentava-se nesse sentido que as demandas 
sazonais de crédito associadas às safras (de café, açúcar etc.) poderiam 
agora [...] ter sérias consequências no tocante à liquidez, caso não 
fossem implementados esquemas destinados a prover acomodação 
para essa elevação once and for all (uma vez por todas) da procura da 
moeda [...]. Esquemas nesse sentido encontraram diversos tipos de 
obstáculos. De um lado, o incipiente desenvolvimento do sistema 
bancário [...] a baixa propensão do público para reter moeda sob 
forma de depósitos bancários impunha uma limitação estrutural a 
capacidade dos bancos em expandir seus empréstimos.
Essa questão remeteu ao compromisso dos Estados em ampliar essas 
ofertas monetárias, e a discussão do padrão ouro tomou força, juntamente com 
linhas de créditos para os compensar as perdas agrícolas. 
A figura a seguir demonstra a política monetária de emissão de moeda 
decorrente da necessidade na economia, nos primeiros governos.
TÓPICO 1 | AS ORIGENS DO CAPITALISMO NO SÉCULO XIX
65
FIGURA 2 – EMISSÃO DE MOEDA E AGREGADOS (1888-1900)
OBS.: 
MO (Base Monetária = Papel Moeda emitido) = 1ª Linha (próximo ao eixo).
M1 (Papel Moeda em Poder do Público, mais Depósitos a vista) = 2ª Linha (do meio).
M2 (M1 + Depósitos Remunerados, Títulos e afins) = 3ª Linha (de cima).
FONTE: <https://financasfaceis.wordpress.com/2010/05/16/brasil-republica-ii/>.
Acesso em: 5 jun. 2018.
O que se observa acima foi a expansão da moeda, isto é, política monetária 
expansionista, em que se amplia a base monetária (MO). Assim, o M1 (papel 
moeda em poder do público mais depósitos à vista) e M2 (M1 mais depósitos 
remunerados, títulos e afins) repercutem esse aumento e também o avanço nas 
atribuições dos bancos e diversificação dos serviços. 
Definitivamente, o trabalho assalariado em fase de crescimento, exigiu o 
aumento de necessidade e oferta de moeda, inclusive de serviços relacionados a 
essa ocorrência na economia.
Franco (1990) destaca resumidamente em dois pontos, as políticas 
econômicas nessa primeira década da República: 
1) A Lei Bancária em 1890, visando garantir um lastro de emissões bancárias 
baseado em um lastro de dívidas públicas. Controle da especulação e mercado 
de câmbio.
2) O Plano de Refinanciamento de dívida externa, em meados de 1892, o Funding 
Loan, baseado em controle ou saneamento fiscal em monetário interno, em 
troca de negociação das dívidas.
De forma geral, a década de 1890 registrou um cronograma de políticas 
conservadoras, que influenciariam a condução nos próximos anos.
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
66
NOTA
O Funding Loan representou uma medida econômica na atuação de Campos 
Sales (1889), originada em uma viagem à Europa, a fim de buscar soluções para o problema 
de disponibilidade de moedas tanto interna como externamente. Via folgas, prazos e 
garantias, na modalidade de empréstimo, concedidos pelos Ingleses, a fim de cobrir juros 
e montante de empréstimos anteriores. Para saber mais detalhes desse Fundo, consulte 
o Texto “FUNDING LOANS (1898, 1914 e 1931)”, no Link <https://cpdoc.fgv.br/sites/default/
files/verbetes/primeirarepublica/FUNDING%20LOANS.pdf>, que apresenta as condições de 
uso desse fundo nos principais cenários econômicos do período.
Fritsch (1990) considera esses problemas como estruturais, graças aos 
desequilíbrios externos, associado ao quadro institucional da época, pós-guerra 
e quedas generalizadas de investimento. Uma das consequências de se ter uma 
economia primária-exportadora era a forte vulnerabilidade externa.
Essa vulnerabilidade, por um lado, representou efeitos das variações 
repentinas da oferta do café e sua baixa elasticidade, que afetavam os ganhos 
decorrentes do comércio internacional, por outro lado, representaram efeitos 
nos fluxos de capital e de demanda internacional, que tenderiam novamente a 
reduzir-se como resposta a esse contexto. 
As principais ações do governo mantiveram-se nos ajustes cambiais 
internos, no padrão ouro, no endividamento externo e no controle direto do 
preço do café. 
NOTA
O que temos até agora, é uma conjunção de fatores, que tornaram mais 
relacionados entre si os problemas econômicos que viriam a revelar-se nas próximas 
décadas, confirmando o caráter estrutural. Isto é, a migração para uma mão de obra livre, 
o aumento da mobilização ou demanda por moeda e a forte dependência ao mercado 
externo do café, que ocorreram sem uma política adequada ou antecipada, que amenizasse 
efeitos sociais e econômicos consequentes. 
Entretanto, o período descrito como a era de Ouro (1900-1913), 
representou um alívio em todos os sentidos, tanto de crescimento, como de 
ênfase ao padrão ouro. Esse período, anterior à primeira guerra, possibilitou que 
o país experimentasse um crescimento sem igual, com o início de uma formação 
de capital na indústria, grandes investimentos em infraestrutura, obras públicas 
e certa estabilidade de preços.
TÓPICO 1 | AS ORIGENS DO CAPITALISMO NO SÉCULO XIX
67
Esse crescimento foi atribuído ao dinamismo das exportações de Borracha 
e dos investimentos europeus internamente, ocorridos no Governo de Rodrigo 
Alves. Por outro lado, a situação do câmbio ainda permanecia preocupante e 
sua desvalorização, prejudicava ainda mais os cafeicultores, que sofriam com a 
ocorrência de safras abundantes.
 A tabela a seguir apresenta a forte relação entre as taxas de câmbio e 
os preços do café, comprovando que as desvalorizações cambiais promoviam 
prejuízos ao preço externo do produto e, consequentemente, ao mercado 
exportador desse item.
TABELA 1 – TAXA DE CÂMBIO (PENCE/MIL RÉIS) E PREÇOS DO CAFÉ, 1889-1898
Ano Taxa Cambial Preço Interno Preço Externo
1889 26 7/16 100 100
1890 22 9/16 120 113
1891 14 29/32 171 90
1892 12 1/32 201 87
1893 11 19/32 276 103
1894 10 3/32 290 92
1895 9 15/16 262 91
1896 9 1/16 252 69
1897 7 23/32 180 47
1898 7 3/16 163 41
FONTE: IBGE (apud TORELLI, 2007, p. 2)
O debate sobre a reforma monetária tomaria ainda força, junto com a 
criação da Caixa de Conversão em 1906 e do Convênio de Taubaté. Entretanto, 
uma série de crises internacionais afetaram a eficácia dessas políticas, inclusive a 
descrença no padrão ouro, insistentemente mantida, frente à crise de liquidez e 
inevitável recessão iminente (FRITSCH, 1990, p. 40).
A Guerra se aproximava, mas seus efeitos já eram sentidos. Os fluxos de 
recursos de todo tipo se restringiram e, consequentemente, toda indústria e a 
receita com tributação. A prática de medidas, consideradas de emergência, como 
o fechamento da Caixa de Conversão e emissão de notas de Tesouro e títulos 
federais a longo prazo, viriam a mitigar, porém, temporariamente os danos, 
inclusive nas importações. 
Essas foram as medidas adotadas, tanto nos anos da Primeira Guerra e 
entrada na década de 1920, sob um contexto de crises de fluxos internacionais, 
restrição do crescimento industrial interno e do comércio internacional. O 
sistema bancário ineficientecontinuava não dando conta da demanda de moeda, 
diante agora, do grande entesouramento praticado pela população envolvida nas 
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
68
atividades comerciais remuneradas. Não havia crédito suficiente, e essa situação 
se estendeu em todas as atividades econômicas, urbanas ou não. 
Nesse período, o Banco do Brasil cresceu em atribuições e expectativas, 
contribuindo para amenizar a crise de liquidez, ajudando o Brasil a adaptar-se às 
mudanças e consequências originadas diante de um cenário externo fortemente 
afetado e ameaçador, sem previsões de normalidade.
Entre 1927-1930, a ênfase ao padrão ouro pelo Presidente Washington Luís 
relevaria a política econômica cedendo a pressões das oligarquias na busca pela 
estabilização da moeda. Criou-se a Caixa de Estabilização, com a mesma função 
da anterior Caixa de Conversão, que buscaria ampliar a reserva de ouro no país 
até ser possível a conversibilidade plena das notas, criando o Cruzeiro (em 1942) 
com mesma paridade do mil-réis, cedida ao controle do Banco do Brasil. 
A figura a seguir traz a imagem da moeda emitida no período de vigência 
da Caixa de Estabilização.
FIGURA 3 – PAPEL MOEDA BRASILEIRO NO VALOR DE 5 MIL RÉIS 
FONTE: <http://www.dplnumismatica.com.br/cd%20reis/r100c%20f1.jpg>.
Acesso em: 31 jul. 2018.
IMPORTANT
E
Você sabia que a Caixa de Conversão e a Caixa de Estabilização (1906-1913 e 
1926-1930) foram instrumentos que buscavam permitir a emissão de títulos com lastros em 
ouro ou moeda nacional ou estrangeira? E também recolher ouro em barra e trocar por 
moeda papel!
Isto representava a busca por alternativas em ampliar a oferta de moeda na economia, o 
que era vital para o funcionamento das atividades, inclusive de comércio exterior. Na esfera 
política foi o Convênio de Taubaté, com o acordo entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de 
Janeiro em ampliar o preço do café, que buscou contribuir para essa missão.
TÓPICO 1 | AS ORIGENS DO CAPITALISMO NO SÉCULO XIX
69
Os efeitos expansionistas beneficiaram os preços das comoditties e atraíram 
novamente investimentos externos, junto à ociosidade da base industrial, segundo 
Fritsch (1990, p. 58).
O autor, entretanto, admite,
A exuberante recuperação de 1927-28 sustentava-se em bases 
frágeis, já que dependia crucialmente da manutenção de condições 
econômicas internacionais extremamente favoráveis verificadas desde 
1926. Como a experiência antes da Guerra havia demonstrado, dada 
a instabilidade de fluxos financeiros para a periferia, normalmente 
variando em sincronia com os preços internacionais de produtos 
primários, a adoção de padrão ouro em ciclos de endividamento 
externo aumentava a vulnerabilidade do equilíbrio macroeconômico 
doméstico. Isto porque, como as condições favoráveis de balanço de 
pagamentos que induziriam a adoção do padrão ouro podiam reverter-
se abruptamente, a perda de reservas automaticamente submeteria 
economia a violentas pressões deflacionarias (FRITSCH, 1990, p. 58).
Nenhuma das políticas teria alcançado algum êxito, mesmo que 
temporário, diante da forte instabilidade internacional e nossa vulnerabilidade, 
se não houvesse o que ficou reconhecido como “pacto oligárquico”. Isto é, todas 
as discussões ocorriam sob um cenário político determinante, composto pelo 
governo central e os demais interesses estaduais, permitindo a estabilidade de um 
parlamento, submisso ao Presidente da República, que criara elevadas condições 
de governabilidade. 
Sob esse pacto, admite-se que se caracterizou por uma forma de governar 
centralizado na figura do Presidente, o qual conseguiu aglutinar interesses 
de classes políticas produtivas, donos de capital, especialmente destinadas à 
produção do café. 
Entretanto, a partir da segunda década, começaram a ocorrer divergências 
entre as elites de São Paulo, Minas Gerais e os Estados com menores poderes 
políticos. Aliado a isso, acrescenta-se o descontentamento de outras classes sociais 
que ampliavam suas demandas e interesses.
Finalmente havia o protesto insistentemente veiculado por uma 
minoria de políticos dissidentes, intelectuais e setores de imprensa 
independente, contra a natureza antidemocrática e centralizadora 
do regime, que encontrou crescente ressonância nas classes médias 
urbanas emergentes e nas camadas mais jovens da oficialidade das 
forças armadas, especialmente nos anos 20. Este descontentamento 
foi, de fato, a fonte de recorrentes crises políticas e, juntamente com 
as profundas divergências entre os estados dominantes durante a 
sucessão presidencial de 1930 e o impacto devastador do início da 
Grande Depressão, contribuiu de forma decisiva para o colapso da 
Primeira República (FRITSCH, 1990, p. 36).
É evidente que a partir desse momento, as crises se tornariam também 
políticas e contaminariam pensamentos, formas de conduzir e representar 
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
70
o país através dos múltiplos interesses. Passada a sucessão de crises desse 
período e marcados pelos desequilíbrios externos e mudanças sociais internas, 
desencadeados na Revolução de 30, persistentes e novos e desafios políticos e 
econômicos estariam por vir.
 
Estes desafios, cenários e seus desfechos serão abordados na continuação 
desta unidade e no decorrer da nossa disciplina. Agora vamos continuar e finalizar 
o Tópico 1 com o próximo assunto!
3 A BASE ECONÔMICA CAFEEIRA
Neste momento, seguiremos com a apresentação das bases produtivas 
internas, no momento da República, que, predominantemente agrícolas e atreladas 
aos desafios de mão de obra e mercado, contribuirão para uma economia com 
fortes vulnerabilidades externas. Vamos lá!
3.1 AS CONDIÇÕES DE OCORRÊNCIA E MERCADO 
Até agora já vimos os principais efeitos econômicos de acontecimentos políticos 
e sociais, que na tentativa de encaminhar o rumo da República, sejam nos objetivos 
econômicos ou de desenvolvimento, começaram a despertar as áreas de interesses 
produtivos no país, que ora se tornarão entraves, ora impulsionarão objetivos.
É importante relembrar que num sistema econômico vão se destacar 
objetivos, coincidentes com as especialidades produtivas que se sobressaem, isto 
é, de acordo com a disponibilidade de fatores ou habilidades de uma nação. Essas 
são as bases produtivas de uma sociedade, que lhe proporcionarão ganhos de 
escala comparados a outras sociedades com habilidades diferentes.
É assim que nossa base produtiva também se desenvolveu, desde o século 
XVI. Como já foi apresentado na Unidade 1 desta disciplina, nossa vocação 
agrícola desde esse século, conformou uma estrutura espacial com diferentes 
culturas em diferentes espaços, mas todas elas, moldando fortemente grande 
parte de nossas estruturas sociais e econômicas até os dias de hoje.
Cano (2009) destaca a gênese da “agricultura itinerante”, decorrente da 
grande disponibilidade do fator terra, diferente da população livre, combinação 
ideal para a promoção de alta concentração fundiária e agricultura mercantil-
exportadora, entretanto, sem abandonar a de subsistência, abastecida pelas crises 
de atividades ou culturas (por exemplo, a mineração e açucareira), e exclusão de 
mão de obra provocada, sobretudo, pelo fim da escravidão. 
Esse contexto foi responsável pelo baixo nível técnico na zona rural e 
reforçou ainda mais a economia de subsistência e a miséria nesse período anterior 
ao café. 
TÓPICO 1 | AS ORIGENS DO CAPITALISMO NO SÉCULO XIX
71
Entretanto, a agricultura cafeeira, a partir de 1880, especificamente 
na região de São Paulo, mais dinâmica e abastecida, destacar-se-ia de outros 
processos, por apresentar,
[...] além da fronteira móvel – por indução da ferrovia –, uma “oferta 
elástica” de mão de obra imigrada do exterior e facilmente submissível 
ao trabalho, graças ao não acesso à propriedade da terra. Expandiu-se, 
incorporando novas terras, mão de obra, infraestrutura, gerando nível 
mais alto de produtividade e diversificandoa estrutura produtiva (a 
partir da primeira metade do século XX) ao estimular o surgimento 
de uma dinâmica mercantil (alimentos e matérias primas) na mesma 
região. Finalmente, ao avançar sua urbanização (CANO, 2009, p. 28).
A cultura cafeeira, neste momento, viria a amenizar o declínio das culturas 
de algodão e açúcar no século XIX. O desenvolvimento de economias e mercados 
promissores, como os Estados Unidos, acelerou o desenvolvimento do sudeste 
do Brasil através dessa produção e possuía todos os requisitos de ascensão: 
um mercado externo promissor e uma classe com capital disposta a investir, 
amparado politicamente em um Estado, também disposto a coordenar todo tipo 
de política monetária e fiscal, a fim de valorização do negócio.
O único empecilho inicial foi na disponibilidade de mão de obra escrava. 
Com a limitação do mercado de escravos, primeiro externo, depois interno, embora 
o fim da escravidão de fato, só ocorreria após algumas décadas, o problema viria 
a ser superado com a mão de obra imigrante que ganhava gradualmente espaço, 
confiança e qualidade em suas atribuições.
Uma situação favorável à economia cafeeira teria sido a sua capacidade de 
rapidamente se monopolizar e aglutinar condições que favoreciam sua cultura. 
Associado a condições de mão de obra e terras de boa qualidade, a oferta se 
converteria em elástica, sem grandes dificuldades. E “devida a relativa estabilidade 
de salários [...], a taxa de lucro da cafeicultura era bastante elevada, alimentando a 
constante acumulação e decorrente expansão da lavoura” (FURTADO, 2009, p. 84). 
Assim, diante de um contexto que favoreceu o setor produtivo cafeeiro, e 
aliado à influência política da República do “café-com-leite”, dado o predomínio 
de São Paulo e Minas Gerais nos círculos de poder, essa cultura se fortaleceu e 
desenvolveu status de produto e commodity de grande atratividade de capital e 
influência política em todos os cenários de crises e recuperações.
É reconhecido que essa produção foi determinante por aproximadamente 
quatro décadas para economia brasileira, dado, principalmente, sua enorme 
participação no cenário de comércio internacional (40% a 80% chegaram a 
representar as exportações na velha república). 
Ademais, produtos como borracha, açúcar, algodão, fumo, entre outros, 
também gradativamente avançaram sua produção, entretanto, voltadas agora 
mais para a demanda interna, em plena ascensão. Aliás, demanda essa, também 
resultante de um efeito multiplicador da dinâmica cafeeira, cuja indústria 
pioneira, inevitavelmente viria a contribuir para o processo de urbanização.
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
72
A tabela a seguir apresenta os principais produtos que compunham a pauta 
de exportações brasileiras nas primeiras décadas republicanas, destacando que, 
apesar das dificuldades externas, o café apresentava forte e crescente dinamismo 
no mercado internacional.
TABELA 2 – PRINCIPAIS PRODUTOS AGRÍCOLAS DE
EXPORTAÇÃO DO BRASIL (1889-1933)
Participação (em %) na Receita das Exportações
Período Café Açúcar Cacau Mate Fumo Algodão Borracha
Couro 
e Pele
Outros
1889-1897 67,6 6,6 1,5 1,1 1,2 2,9 11,8 2,4 4,9
1989-1910 52,7 1,9 2,7 2,7 2,8 2,1 25,7 4,2 5,2
1911-1913 61,7 0,3 2,3 3,1 1,9 2,1 20,0 4,2 4,4
1914-1918 47,4 3,9 4,2 3,4 2,8 1,4 12,0 7,5 17,4
1919-1923 58,8 4,7 3,3 2,4 2,6 3,4 3,0 5,3 16,5
1924-1929 72,5 0,4 3,3 2,9 2,0 1,9 2,8 4,5 9,7
1930-1933 69,1 0,6 3,5 3,0 1,8 1,4 0,8 4,3 15,5
FONTE: <https://www.slideshare.net/marpim/histria-do-brasil-da-repblica-a-era-vargas>.
Acesso em: 9 jun. 2018.
A atividade cafeeira teria iniciado no Rio de Janeiro e percorrido solos 
brasileiros, seguindo para o sul de Minas Gerais e para o Vale do Paraíba, em São 
Paulo, e o seu interior. A fertilidade do solo era o fator determinante, por isso sua 
qualificação itinerante, a fim de suprir suas exigências de condições.
Em relação à contribuição dessas regiões na produtividade, estima-se 
que, em meados de 1880, a região do Rio de Janeiro produziu em torno de 60% do 
total da produção brasileira, enquanto São Paulo destinou-se a suprir o restante, 
porém, ao longo da primeira década republicana, essa situação se inverteria.
Conforme quadro a seguir, é verificado a mudança do impulso produtivo, 
decorrente das condições não apenas do produto, mas também sociais e 
econômicas, que apresentaremos mais adiante.
QUADRO 1 – BRASIL: PRODUÇÃO TOTAL DE CAFÉ E PARTICIPAÇÃO DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO E DE SÃO PAULO, 1884 – 1899 (QUANTIDADE EM 1000 SACAS DE 60 KG) 
ANO BRASIL RIO DE JANEIRO (%) SÃO PAULO (%)
1884/85 6.206 70,2 29,8
1885/86 5,565 68,6 31,4
1886/87 6.078 65,7 34,3
1887/88 3.033 64,0 36,0
1888/89 6.827 63,6 36,4
TÓPICO 1 | AS ORIGENS DO CAPITALISMO NO SÉCULO XIX
73
FONTE: Gremaud, Saes e Júnior (1996, p. 45)
Assim, essa inversão se daria não só pelo caráter dinâmico dessa cultura, 
decorrente da exaustão do solo, mas também, por outras razões de ordem histórica. 
Ainda, no que tange a outras condições, no Oeste Paulista, [...] cujas terras eram 
muito mais planas e extensas, permitindo a cultura em maior escala [...] devido 
sua topografia mais favorável, também se prestava melhor para infraestrutura 
ferroviária [...] (FURTADO, 2009, p. 83).
A abolição da escravidão acarretou efeitos bem menores na região paulista, 
onde a imigração já se sentia presente, anterior ao processo, fortalecendo a oferta 
de mão de obra para esse setor. De certa forma, o fim da escravidão propôs uma 
nova redistribuição produtiva do café, impactando negativamente áreas que 
dependiam em maioria da mão de obra escrava para a realização.
Como ressalta Furtado (2009, p. 83),
O grande problema para a expansão desse sistema produtivo residia 
na disponibilidade de mão de obra escrava. Desde o início do século 
XIX, como foi visto, o Brasil enfrentava o boicote britânico ao tráfico 
de escravos. A partir da metade daquele século, o governo do País 
finalmente proibiu [...]. As fazendas de café começam a enfrentar 
crescentes problemas de mão de obra, e, durante algum tempo, 
chegou-se a acreditar que o sistema de produção da plantation tropical 
não conseguiria sobreviver ao final da escravidão.
De fato, esse risco era real, mas a possibilidade da substituição pela mão 
de obra imigrante europeia preencheu essa lacuna de forma eficaz, conforme 
veremos mais profundamente no tópico seguinte.
Existia uma grande reorganização, inclusive do Estado, a fim de promover 
e financiar a vinda, e de certa forma, as condições mínimas de permanência dos 
imigrantes no país, custeando suas necessidades, inclusive de transportes, até 
que fosse alocado no mercado de trabalho, no caso, os cafezais em fazendas (tema 
que voltaremos mais adiante). Essa era a função por exemplo, das hospedarias 
1889/90 4.260 61,6 38,4
1890/91 5.358 56,45 43,6
1891/92 7.397 64,4 45,6
1892/93 6.202 52,3 47,7
1893/94 4.309 51,2 48,8
1894/95 6.695 48,1 51,9
1895/96 5.476 47,9 52,1
1896/97 8.860 45,5 54,5
1897/98 10.462 43,7 56,3
1898/99 8.771 40,3 59,7
1899/00 8.959 39,5 60,5
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
74
dos imigrantes em São Paulo e Rio de Janeiro. A figura a seguir nos dá uma ideia 
de como era a estrutura física de suporte a chegada do Imigrante em São Paulo 
nesse período.
FIGURA 4 – HOSPEDARIA DO IMIGRANTE – SP
FONTE: <http://museudaimigracao.org.br/hospedaria-de-imigrantes-de-sao-paulo-tudo-
comecou-ha-130-anos/>. Acesso em: 23 jul. 2018.
Quanto ao financiamento e disponibilidade do fator capital para a produção 
do café, chama-se a atenção para a eficácia do processo comercial do negócio do café, 
dado que a formação das plantações e o processamento exigiam recursos, os quais 
as volatilidades externas do capital e dificuldades do desenvolvimento das relações 
bancárias com os fazendeiros acarretou ao comerciante a prática dessa função. 
Assim, atribuiu-se à comercialização do produto o mecanismo principal 
de realização doslucros, e a forma de captar recursos diretos para sua reprodução. 
Na cafeicultura, não ocorreu o autofinanciamento, prática comum ao sistema 
capitalista por exemplo. A dinâmica era a seguinte: nessa cultura, o comerciante 
(ou comissários) tinha uma função ou status superior. Primeiramente, o caráter de 
longo prazo desde seu plantio até a colheita exigiria o investimento com retornos 
também a longo prazo. Outro fator importante para a ocorrência da necessidade 
de capital durante a produção de café, era a manutenção da qualidade do produto, 
que deveria sujeitar-se às especificidades da demanda internacional para a 
garantia de sua produtividade final. Contribuindo então para a necessidade 
de capital, estavam a mão de obra remunerada e, consequentemente, o elevado 
capital de giro para o negócio (LACERDA et al., 2000). 
Ainda conforme os autores, 
[...] deve ser destacada a ênfase no relacionamento entre o comerciante 
e o fazendeiro: não se tratava simplesmente de uma intermediação 
comercial, e sim de uma relação complexa na qual a função financiadora 
do primeiro adquiria relevo essencial. Cabia ao comerciante a função 
de prover ao fazendeiro os recursos necessários para a formação 
da lavoura e para o trato do cafezal e a colheita do café. Em outras 
palavras, cabia ao comerciante fornecer os recursos para a formação do 
TÓPICO 1 | AS ORIGENS DO CAPITALISMO NO SÉCULO XIX
75
capital fixo e dos giros da produção. Era o comerciante, o “banqueiro” 
da lavoura. Na ausência de um sistema bancário, público ou privado, 
ligado diretamente à produção, o comerciante de café chamava para si 
o papel fundamental de suprir o crédito necessário. Em contrapartida, 
exigia reciprocidade do fazendeiro, pois a produção era entregue aos 
seus cuidados, que consistia no preparo e na venda do café, ganhando 
uma comissão que na época era fixada em 3% do valor da venda. O 
comerciante fornecia o crédito ao fazendeiro; em troca, adquiria um 
cliente cativo. Não era, contudo, um “cativeiro” tão difícil de suportar 
(p. LACERDA et al., 2000, p. 34).
NOTA
“As relações transcendiam os limites comerciais. Ao dar-se crédito aos escritos 
da época, as relações entre o fazendeiro e o comissário, durante longo tempo, não 
apenas eram amistosas, mas transcendiam os limites dos negócios. Ao objetivo do lucro, 
fazendeiros e comissários mesclaram uma forte dose de sentimentalismo das relações de 
família, do viver patriarcal que levavam. O comissário não se limitava a ser o comerciante 
incumbido da venda do café do fazendeiro e o seu fornecedor de capitais; era também o 
mentor, o parente ou amigo mais avisado que lhe impunha moderação nas despesas e o 
assistia nas principais emergências da vida com seus conselhos e seus recursos. Achou-
se assim, assumir funções que por muito tempo manteve, de regulador da atividade dos 
lavradores, disciplinando-os na exploração das lavouras já existentes e estabelecendo-lhes 
a justa medida na expansão de novas culturas. [...] A ação assim do comissário com relação 
ao fazendeiro ultrapassava, pois, os limites comerciais. Além do fornecimento de crédito e 
da venda do café por ele produzido, o comissário encarregava-se da prestação de inúmeros 
serviços pessoais aos fazendeiros [...] evidentemente, as relações de amizade encontravam 
viabilidade e fundamento nas bases de interesses comerciais comuns”. 
FONTE: Lacerda et al. (2000, p. 34).
Com a expansão dos serviços bancários entre 1910 e 1920, os comissários 
ou comerciantes tiveram mais acessos ao crédito bancário, em lugar dos 
fazendeiros, mais distantes dos grandes centros. Assim, passaram a ter maior 
representatividade no meio financeiro, como meio de assegurar os ganhos e 
lucros, para todos os envolvidos, principalmente para estes comissários. 
Na “[...] comercialização que se realizavam os grandes negócios, 
acumulavam-se fortunas e prosperavam as empresas. [...] evidentemente 
proporcionava lucros ao fazendeiro, mas, seguramente, menores que aqueles que 
se auferiram na sua comercialização” (LACERDA, et al. 2000, p. 37).
Entretanto, essa prática foi comum até a introdução do trabalho livre na 
fazenda, que eliminou gradativamente a necessidade de recursos anteriores para 
inclusive aquisição de mão de obra escrava. Ademais, o esgotamento da relação, que 
nos períodos de crise desencadeou desconfiança na relação entre os comissionados 
comerciantes e fazendeiros, quanto às negociações com os exportadores, que carecia 
de maiores registros e detalhes da transação, quanto a custos, volumes e valores.
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
76
NOTA
Foi então a expansão do negócio do café que gerou o aparecimento das Casas 
Comissionadas, que atuavam como instituições bancárias. Estas tinham acesso ao crédito e 
podiam estocar o produto até regularizar o preço da oferta, isto é, atuavam como um regulador 
de preços e ofertante no mercado. Entretanto, sua função foi relevante até a atuação das Casas 
Exportadoras, que então passaram a representar intermediários no mercado, representantes 
de empresas internacionais. Para saber mais sobre essas atividades, também comerciais, leia o 
texto O fazendeiro de café como representante de uma casa comissionada.
Disponível em: <https://periodicos.fclar.unesp.br/perspectivas/article/viewFile/1492/1196>. 
Acesso em: 23 jul. 2018. 
Assim, alguns efeitos também indiretos da expansão do crédito para o 
setor começam a despontar “[...] a partir da Reforma Bancária [...] no começo da 
República, que forneceu recursos relativamente fáceis [...]. O mesmo efeito teve a 
expansão ferroviária: a extensão das linhas férreas em São Paulo cresceu de cerca 
de 1.600 km em 1885 para 3.300 km em 1900 [...]” (GREMAUD; SAES; JÚNIOR, 
1997, p. 47). Sem dúvida, o fator custo de transportes era decisivo para esse negócio.
Em relação ao preço desse produto no mercado externo, no período de 
1885 a 1890, este cresceu rapidamente acompanhando a demanda, mesmo diante 
do elevado montante de entrada de recursos externos decorrentes de empréstimos 
e só não ocasionou inflação interna neste momento, dado a valorização da moeda, 
consequência favorável das tentativas de estabilização buscada pelo Governo 
vista anteriormente. 
O quadro apresentado a seguir demonstra determinados indicadores 
econômicos produtivos de 1910 a 1929, em que as variações constatadas 
nesse período, em todos os setores da economia, confirmam que os efeitos se 
propagaram de forma aproximada, em todos os setores, às variações do comércio 
internacional. A ênfase maior se deu para as exportações, com destaque para 
o produto agrícola, que apresentou, em muitos momentos, variações opostas 
ao industrial, contribuindo para resultados predominantemente positivos na 
Balança Comercial. 
QUADRO 2 – TAXAS DE VARIAÇÕES DE INDICADORES ECONÔMICOS PRODUTIVOS (1910-1929)
ANO
PRODUTO
INTERNO
BRUTO
PRODUTO
INDUSTRIAL
PRODUTO
AGRÍCOLA
PRODUTO
DE
SERVIÇOS
EXPORTAÇÕES IMPORTAÇÕES
BALANÇA
COMERCIAL
1910 7,3 4,4 4,7 7,5 307,3 201,1 106,2
1911 0,4 9,0 -7,4 4,2 325,0 220,9 104,1
1912 10,6 10,7 11,0 11,9 363,3 261,0 102,3
1913 1,6 0,9 -2,2 -0,3 318,9 273,6 45,3
TÓPICO 1 | AS ORIGENS DO CAPITALISMO NO SÉCULO XIX
77
1914 1,3 -8,7 6,7 -9,3 228.6 146,0 82,5
1915 -1,2 12,9 -0,9 3,7 256,8 115,1 141,7
1916 4,4 11,4 4,2 8,8 269,4 148,3 121,1
1917 5,4 8,7 3,6 3,2 300,1 158,6 141,5
1918 2,0 -1,1 3,0 0,3 291,6 193,9 97,7
1919 5,9 14,8 -1,3 14,4 580,6 280,4 300,3
1920 10,1 5,2 13,4 11,2 408,2 381,8 26,4
1921 1,9 -1,8 4,1 -4,2 224,2 201,1 23,1
1922 7,8 18,8 0,5 9,8 366,1 231,5 134,6
1923 8,6 13,3 3,9 19,4 336,6 207,7 129,0
1924 1,4 -1,1 1,0 4,5 422,7 282,7 140,0
1925 0,0 1,1 -3,2 2,3 496.9 359,3 137,6
1926 5,2 2,4 3,2 1,8 458,1 339,6 118,5
1927 10,8 10,8 10,8 9,2 431,2 335,4 95,8
1928 11,5 7,0 18,4 12,0 473,9 388,8 85,2
1929 1,1 -2,2 0,3 -0,9 460,4 367,7 92,8
FONTE: Adaptado de Abreu (1990, p. 393)
Toda conjuntura comercial foi atrelada a condições favoráveis ou não do 
câmbio em períodosanteriores recentes, gerando efeitos nesses indicadores. Em 
meados de 1890, a início de 1900, por exemplo, a situação favorável se inverteria, 
quando os preços externos passam a entrar em queda, enquanto os preços internos, 
a subirem, frente à desvalorização crescente da moeda interna ao longo da década.
A desvalorização do mil réis seria consequência dos seguintes eventos, a 
saber: “aumento do meio circulante em função da política monetária implementada 
na República, saldos comerciais reduzidos em vários anos e limitado volume 
de empréstimos externos, provocando acentuado declínio do valor da moeda 
nacional diante da libra esterlina” (GREMAUD; SAES; JÚNIOR, 1997, p. 48).
Era uma conjunção de eventos de forma que, quando o preço externo 
do café rebaixava, mesmo que se fosse constatado um aumento do seu preço 
no mercado interno, esta condição por si só não era suficiente para sustentar o 
setor. Acumulou-se a isso o evento de supersafra, ou seja, quando as colheitas 
provenientes de anos atrás, dado o tempo de plantação e colheita, apresentaram 
resultados bem-sucedidos, mas que infelizmente, encontraram o mercado externo 
em condições bem diferentes.
As medidas nesse cenário exigiram políticas monetárias e fiscais restritivas, 
diante da incapacidade de cumprir amortizações externas, gerando ainda mais 
endividamento. Alguns efeitos destas medidas promoveram certa recuperação 
do câmbio, mas o mercado do café não seria mais o mesmo. Diante de um cenário 
com produção e preços crescentes, aliado à valorização da moeda consequente, a 
crise de superprodução se consolidaria.
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
78
É nesse momento que se estabeleceu o Convênio de Taubaté, uma 
intervenção dos governos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a fim 
de evitar o agravamento dessa questão, como já mencionado anteriormente na 
apresentação do ambiente político, mas que aqui, agora, se contextualiza sua 
atuação. Como apresenta Gremaud, de Saes e Júnior (1997, p. 49), as medidas 
baseavam-se
Na compra do excedente da safra de café pelo (s) governo (s), 2. 
Obtenção de empréstimos externos para gerar os recursos para compra 
do excedente, 3. Cobrança de um imposto, em ouro, sobre cada saca 
de café exportado a fim de captar recursos para o serviço da dívida 
externa incorrida para a compra do excedente; 4. Proibição de novas 
plantações de café naqueles Estados; e 5. Para evitar a valorização 
da moeda (em decorrência da entrada de volumosos empréstimos 
externo), seria estabelecida a Caixa de Conversão. Este seria um órgão 
emissor de moeda, com base no lastro de divisas representado pelos 
capitais externos que entravam no país (sob a forma de investimentos 
diretos). Esta emissão (e conversão do papel moeda em divisas) se 
faria a uma taxa fixa de cambio, impedindo assim a valorização da 
moeda nacional (e, consequentemente, a perda de receita em mil-réis 
do produtor de café).
Entretanto, todas as tentativas pareceram só reafirmar a tese de que 
economias primárias exportadoras tendiam a investir cada vez mais nas suas 
atividades, dado o caráter de abundância de recursos para esse fim. 
IMPORTANT
E
Justamente nesse ponto estaria seu estrangulamento: um produto com 
baixa elasticidade renda, e que, de certa forma, seus aumentos produtivos sempre seriam 
proporcionalmente maiores, por mais que as demandas crescessem, só poderia reafirmar 
seu limite de crescimento! 
Assim, o controle de safras foi a única alternativa de impedir sua 
desvalorização ininterrupta e amenizar os danos ao lucro do setor, que além 
dos seus problemas, também teve que lidar a partir da década de 1930, com 
o crescimento da concorrência internacional do produto e os efeitos da crise 
americana de 1929, que dificultou principalmente a possibilidade de obtenção de 
empréstimos para compra dos excedentes de café. 
O quadro a seguir apresenta a evolução da produção de café, sua 
exportação e os preços no mercado internacional no período de 1900-1929. 
Constata-se que até esse período, o aumento da produção teria sido acompanhado 
com o aumento das exportações do produto, mesmo que com menos dinamismo, 
mas o suficiente para manter a elevação crescente dos preços, aliado às políticas 
TÓPICO 1 | AS ORIGENS DO CAPITALISMO NO SÉCULO XIX
79
de câmbio. Só a partir de 1930, o excedente passou a ser comprado, como política 
de valorização do preço do produto, exigindo cada vez mais recursos, captados 
inclusive externamente, ademais as crises externas.
QUADRO 3 – BRASIL: PRODUÇÃO, EXPORTAÇÃO E PREÇO
INTERNACIONAL DO CAFÉ, 1900 – 1929
ANO PRODUÇÃO (I) EXPORTAÇÃO (II)
PRECO 
INTERNACIONAL (III)
1900/01 13.845 9.155 7,05
1901/02 15.076 14.760 6,94
1902/03 13.640 13.157 6,54
1903/04 11.217 12.927 6,8
1904/05 11.159 10.025 7,55
1905/06 11.652 10.821 8,35
1906/07 20.607 13.966 8,25
1907/08 11.604 15.680 7,75
1908/09 13.945 12.658 7,55
1909/10 15.567 16.881 7,7
1910/11 11.543 9.724 9,1
1911/12 14.031 11.258 11,8
1912/13 13.515 12.080 13,55
1913/14 13.754 13.268 12,45
1914/15 15.151 11.270 10,35
1915/16 15.773 17.061 9,6
1916/17 13.891 13.069 9,85
1917/18 15.606 10.606 9,55
1918/19 11.781 7.433 11,55
1919/20 8.870 12.963 19,5
1920/21 17.116 11.525 19,5
1921/22 14.276 12.369 10,7
1922/23 14.289 12.673 12,9
1923/24 15.862 14.466 13,5
1924/25 14.801 14.226 17,5
1925/26 15.997 13.482 22,3
1926/27 18.348 13.751 21,6
1927/28 27.848 15.115 18,5
1928/29 16.275 13.881 21,3
1929/30 29.179 14.281 20,4
OBS.: I e II: quantidades em mil sacas de 60 kg.
III: Preço em centavos de Dólar por libra-peso.
FONTE: Gremaud, Saes e Júnior (1997, p. 51)
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
80
De fato, o desfecho da economia cafeeira esteve subordinado a causas 
externas e não internas, dado que as condições desde fatores de produção 
apresentavam considerável disponibilidade (terra, mão de obra e custos dos 
processos ou técnicas produtivas). É possível que essas vantagens, com o tempo, 
possam também terem contribuído para as dificuldades sim, já que tendia a 
mobilizar cada vez mais recursos para a expansão da produção e não melhoria 
de técnicas ou gestão comercial.
As dificuldades foram, predominantemente, decorrentes das flutuações 
de demanda externa do produto no mercado internacional. A elasticidade-renda 
dos produtos agrícolas eram muito baixas e se agravavam em situações de crises 
internacionais, como nos Estados Unidos, grande consumidor do café brasileiro. 
Essa condição de baixa elasticidade-renda interferiu “de forma que a 
demanda dele tendia a aumentar menos do que a oferta local, que era muito 
elástica a preços. Como resultado [...] havia uma tendência muito forte para que 
os preços do café caíssem [...] (FURTADO, 2009, p. 85). 
IMPORTANT
E
Sob esse ponto de vista, admite-se que a expansão da economia cafeeira era 
bem menos um problema de condições estruturais internas, mas sim, majoritariamente, 
decorrente de um desajuste ou descompasso, com o mercado internacional, principal 
cenário do produto e do capital financeiro. Toda decisão interna dependia do setor externo 
sobre esse produto, o que era um fator positivo para nosso mercado (um produto líder), ao 
mesmo tempo atuava como ameaça e estrangulamento para a nossa economia. 
Por fim, com a introdução da mão de obra assalariada, esta viria a representar 
uma oportunidade real de certa recuperação do negócio, na medida em que vai 
contribuir para a consolidação de um mercado interno, bastante promissor, não só 
para o café, mas para todos os produtos agrícolas do setor exportador ou não, além 
do projeto de desenvolvimento industrial que viria na sequência. 
81
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que: 
• O início da República foi marcado por uma série de acontecimentos sociais e 
ampliação dos interesses políticos relacionados a esses acontecimentos. Como 
por exemplo a Abolição da Escravatura.
• A transição para mão de obra livre e uma economiaincipiente voltada para o 
setor agrícola de exportação submeteram as decisões econômicas a interesses 
também externos, consequentemente, a uma vulnerabilidade a cenários 
internacionais.
• Políticas monetárias e cambiais, via desvalorizações da moeda, monetização 
da economia e padrão-ouro, foram os instrumentos mais utilizados para 
amenizar os prejuízos gerados pela forte dependência das condições políticas 
e econômicas externas.
• O café destacou-se como a principal base produtiva, devido a vantagens de 
origens estruturais, políticas, comerciais e específicas do produto. São Paulo foi 
a região com maior destaque, dado requisitos de várias ordens.
• A ameaça persistente do câmbio, as dificuldades de financiamento e crédito, o 
evento da supersafra, aliada às crises e guerra internacionais, foram dificuldades 
que colocaram em risco o lucro do setor cafeeiro.
• A economia do café, com forte dinamismo exportador, mesmo diante das 
adversidades do mercado, contribuiu para o crescimento urbano, de demais 
serviços e produtos, favorecendo o desenvolvimento econômico do País. 
82
AUTOATIVIDADE
1 Já nos primeiros anos de República no Brasil foi possível constatar uma 
diversidade e predominância de interesses que influenciaram os rumos dos 
governos desse período. Comente essa constatação.
2 Em final do século XIX, a coincidência de problemas relacionados à área monetária 
e cambial com os desafios de ampliar a oferta dos bens e serviços na economia, 
dado o desenvolvimento do mercado interno, embora ainda em fase inicial, já 
promoveria a adoção de medidas de política econômicas mais diretivas.
Diante dessa afirmação e as medidas adotadas, classifique V para as sentenças 
verdadeiras, e F para as sentenças falsas:
( ) A necessidade de monetização da economia, decorrente, inclusive do 
crescimento da mão de obra assalariada, contribuiu para a adoção de 
políticas expansionistas, com o aumento da emissão de moeda, a partir da 
base monetária (MO).
( ) Por outro lado, essa monetização da economia se deu sob um processo 
de saneamento interno e externo, no tocante às dívidas públicas. Para 
isso, a medida do Funding Loan atuou favoravelmente, via negociações e a 
promoção de maior liquidez.
( ) O Padrão Ouro chegou a ser cogitado como medida de segurança, em 
meados de 1900, afins de propiciar ajustes cambiais internos. Porém, diante 
de um inesperado crescimento econômico anterior à primeira Guerra, a 
medida não chegou a ser aplicada.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – V. 
b) ( ) V – V – F. 
c) ( ) F – V – F. 
d) ( ) F – F – V. 
3 Explique em que consistiam as funções da Caixa de Conversão (1906) e da 
Caixa de Estabilização (1926), enquanto medidas econômicas na primeira 
República.
 
4 A partir de meados de 1890, a expansão da produção cafeeira na região de 
São Paulo passa a frente da produção do Rio de Janeiro, “essa inversão se 
daria não só pelo caráter dinâmico dessa cultura [...] mas também, por outras 
razões de ordem histórica” (Unidade 2, Tópico 1 em: A base econômica 
cafeeira). Justifique essa afirmação:
5 Apresente, de forma sintetizada, em que consistia a política de valorização 
do café a partir de 1929.
83
TÓPICO 2
O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA NO 
INÍCIO DO SÉCULO XX
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Olá! Tudo bem até aqui? Vamos dar continuidade a nossa exploração 
sobre a Formação Econômica do Brasil! No Tópico 1, apresentamos as origens 
do capitalismo no século XIX, sob os contextos de formação e consolidação de 
elementos da República Velha.
Para isto, consideramos a dinâmica e efeitos de múltiplos interesses de 
classes, aliados à economia do Café e a suas condições de mercado, nem sempre 
favoráveis aos objetivos dos agentes econômicos envolvidos, porém, na medida 
em que esclarecemos muitos questionamentos, abrem-se espaços para outros! E 
para isso, nessa etapa de nossos estudos, vamos avançar para o período onde já 
constatamos o início do processo de desenvolvimento da indústria, já no século XX.
No Tópico 2 aprofundaremos um pouco mais as condições que 
possibilitaram, não só para a economia do café, mas também para o avanço da 
própria industrialização, como a resolução para a questão de mão de obra e suas 
consequências na reestruturação dos mercados.
Em seguida, avançaremos em acontecimentos e governos econômicos 
que se destacaram diante do desafio de aplicar e implementar um modelo 
desenvolvimentista e nacionalista, na perseguição de metas de crescimento e 
industrialização brasileira.
Vamos juntos adiante novamente! Boa jornada!
2 A QUESTÃO DO TRABALHO NA CAFEICULTURA
Neste subtópico, será abordada um pouco mais a questão da mão de 
obra, referente à ocorrência da imigração e como essa mudança no fator trabalho 
atingiu os planos de desenvolvimento econômico e seu curso, no decorrer da 
República, promovendo um dinamismo com múltiplos efeitos. 
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
84
2.1 IMIGRAÇÃO E DINAMISMO ECONÔMICO
A mão de obra escravista no Brasil foi determinante no período colonial, 
especialmente no século XVIII. Todo o desenrolar do processo de fim do Império 
a instauração da República, bem como, as decisões de pautas de reivindicações 
e interesses, estão relacionados, de alguma forma, a questões do tipo de mão de 
obra empregada.
Razões como a amplitude do território brasileiro, as necessidades de 
colonização, os benefícios do negócio de tráfico de escravos, o interesse em 
manter a grande propriedade nas mãos de grandes latifundiários e a própria 
economia brasileira agrícola exportadora, eram algumas das principais razões de 
manutenção do esquema escravocrata.
A figura a seguir apresenta o elevado crescimento de escravos no Brasil, 
entre 1831-1953, comprovando a relevância desse tipo de mão de obra, facilmente 
absorvido em nossa economia.
FIGURA 5 – DESEMBARQUE DE ESCRAVOS AFRICANOS NO BRASIL (1831-1853) 
Ano Escravos Ano Escravos
1831 138 1844 22.849
1835 745 1845 19.453
1836 4.966 1846 50.234
1837 35.209 1847 56.172
1838 40.256 1848 60.000
1839 42.182 1849 54.061
1840 20.796 1850 22.856
1841 13.804 1851 3.287
1842 17.435 1852 800
1843 19.095 1853 ---
FONTE: <http://olhonahistoria.blogspot.com/2011/07/atividades-de-historia-do-brasil_20.html>. 
Acesso em: 15 jun. 2018.
Entretanto, o republicanismo trouxe em suas proposições de mudanças, 
também a intenção de mudanças sociais, garantias e distribuição de direitos, nos 
quais a mudança econômica foi inadiável, a fim de acomodar todos os interesses 
econômicos de todas as classes, inclusive dos proprietários de terras e escravos.
 
Os entraves ou inviabilidade da escravidão começariam a dar sinais na 
primeira metade do século XIX e levariam a sua extinção, na metade seguinte. “O 
esgotamento do ciclo do ouro, a decadência da exportação dos produtos agrícolas 
devido à concorrência movida por outras áreas coloniais, além da sistemática 
oposição da maior potência capitalista da época – a Grã-Bretanha – ao tráfico de 
escravos [...]” (OLIVEIRA, 2012, p. 48). 
TÓPICO 2 | O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA NO INÍCIO DO SÉCULO XX
85
O processo de acomodação das classes defendido pelo republicanismo, 
justamente necessitava de uma economia com mão de obra livre. Essa condição 
já era presente na Europa e, além das questões de ordem moral ou religiosas, que 
condenavam essa prática, existia um ambiente que favoreceria essa defesa.
Esse ambiente seria promovido pela Revolução Industrial, que, sob um 
sistema capitalista e industrial crescente, exigiu a ampliação dos mercados, 
especialmente, os internacionais.
Cabe notar que o crescimento demográfico e a generalização das 
relações capitalistas de trabalho nos países mais avançados e suas 
colônias disseminavam-se cada vez mais em face da crescente 
disponibilidade de mão de obra livre, que acentuava as vantagens 
desta frente aos escravos. Afinal, a aquisição de escravos sempre 
foi custosa e seu tempo de vida produtivaimprevisível [...]. Já o 
trabalhador assalariado, numa conjuntura histórica em que inexistiam 
quaisquer direitos trabalhistas, além de receber um rendimento ínfimo 
que mal cobria suas necessidades básicas de subsistência, podia ser 
dispensado sempre que houvesse uma queda na demanda dos artigos 
que produzia (OLIVEIRA, 2012, p. 49).
 
Não foi uma tarefa fácil, embora sob inúmeras justificativas, o processo 
abolicionista no Brasil seria árduo e longo. A pressão da Inglaterra foi intermitente, 
várias medias e dificuldades comerciais e políticas foram acirradas com o Brasil. 
Havia um grande desinteresse por parte dos latifundiários que mais se beneficiavam 
com a escravidão, em adotar a tendência mundial. Entretanto, após o esvaziamento 
do debate em torno do futuro da oferta dessa mão de obra, em 1888, a Lei Áurea 
daria um fim irreversível à escravidão com já foi apresentado em tópico anterior.
Certamente, o fim da escravidão representa uma necessidade de se adaptar 
à nova necessidade do país, de desenvolvimento econômico, a fim de desenvolver 
a indústria. Até procura-se justificar que essa mão de obra não seria útil, dado as 
habilidades exigidas pela industrialização ou processos mais elaborados.
Furtado apud Furtado (2009, p. 82) sobre a introdução da mão de obra 
europeia, destaca que,
[...] seu sucesso estava na sua efetiva integração aos circuitos comerciais 
da economia mundial em gestação a partir da Revolução Industrial. O 
êxito da imigração não estava na economia de subsistência, mas na sua 
efetiva inserção dentro dos fluxos monetários e comerciais da economia 
global [...]. No Brasil, a inserção da imigração europeia ocorreu de uma 
forma singular, por meio do trabalho assalariado nas grandes plantações 
de café, durante a metade do século XIX. Constitui-se um caso inédito 
em que a imigração europeia foi direcionada para a produção agrícolas 
tropicais [...]. Nesse contexto, de mudança de relações de trabalho, [...] 
a Abolição da escravatura não trouxe melhoras significativas para a 
população trabalhadora, mais pobre na maior parte do país.
É importante estar atento para uma questão já apresentada, que é um fator 
decisivo para a alternativa da imigração europeia sob o contexto de expansão da 
produção cafeeira na metade do século XIX. Esse contexto custou o pagamento 
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
86
de salários, para a manutenção da lógica cafeeira e promoveu a integração dos 
setores exportadores com o mercado interno em crescimento. 
A tabela a seguir apresenta o dinamismo da imigração, já anterior a 
República, com destaque para a década de 1920, decorrente, principalmente, da 
economia do café e indústria (mesmo que incipiente), com destaque aos italianos.
TABELA 3 – IMIGRAÇÃO LÍQUIDA: BRASIL, 1881 – 1930 ( EM MILHARES)
Chegadas Portugueses Italianos Espanhóis Alemães Japoneses
1881-1885 133,4 32 47 8 8 –
1886-1890 391,6 19 59 8 3 –
1891-1895 659,7 20 57 14 1 –
1896-1900 470,3 15 64 13 1 –
1901-1905 279,7 26 48 16 1 –
1906-1910 391,6 37 21 22 4 1
1911-1915 611,4 40 17 21 3 2
1916-1920 186,4 42 15 22 3 7
1921-1925 386,6 32 16 12 13 5
1926-1930 453,6 36 9 7 6 13
3.964,3 29 36 14 5 3
FONTE: <http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos20/CafeEIndustria/Imigracao>. 
Acesso em: 15 jun. 2018.
Não bastasse essas necessidades, as crises de desequilíbrio externo na 
década de 30 promoveram o recondicionamento do foco ao mercado externo, ao 
foco ao mercado interno, como alternativa de desenvolvimento. Sem dúvidas, 
esse momento foi a gênese da tomada de consciência de que a industrialização 
seria a meta de crescimento a partir desse momento. O que veremos mais adiante.
A região de maior assimilação da mão de obra livre, inicialmente imigrante, 
foi a região Sudeste. “Em fins do século XIX, os imigrantes representavam cerca 
de metade da população adulta de São Paulo e mais de 10% do país” (LACERDA 
et al., 2000, p. 42).
NOTA
Uma investigação parcial dos recursos de mão de obra efetuada em 1882 
demonstrou que de cerca de 5 milhões de pessoas na idade de 13 a 45 anos que viviam nas 6 
maiores províncias do país – Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Pernambuco e Ceará 
–, 651 mil, ou 13% eram escravos. O número de pessoas livres que se dedicavam a qualquer 
trabalho era igual a 1,4 milhão, ou 29%. As demais 2,9 milhões, ou 58% de toda população apta 
ao trabalho, foram qualificadas como “indivíduos sem ocupação certa” (LACERDA et al., 2000).
TÓPICO 2 | O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA NO INÍCIO DO SÉCULO XX
87
Aqui constatamos, no gráfi co a seguir, a procedência dos imigrantes 
majoritariamente italiana, com maior destino a São Paulo, diante do impulso à 
economia e urbanização atuante, que promoveu e acomodou, cada vez mais, o 
processo imigratório em seu desenvolvimento. 
GRÁFICO 1 – PROCEDÊNCIA DOS IMIGRANTES NA VELHA REPÚBLICA
23%
33%
15%
29%
São Paulo recebeu o maior número de 
imigrantes (57%), devido à expansão 
cafeeira e incentivo do governo à 
imigração.
Alemães, japoneses, sírios-libaneses, 
russo, lituanos e austríacos, entre 
outros.
Italianos
Portugueses
Outros
Espanhóis
 OBS.: 33% Italianos, 29% Portugueses, 23% Outros e 15% Espanhóis.
 FONTE: <https://www.slideshare.net/marpim/histria-do-brasil-da-repblica-a-era-vargas>. 
Acesso em: 15 jun. 2018.
Havia certa preferência por imigrantes com algum tipo de qualifi cação e 
os brasileiros eram mais estabelecidos em atividades mais tradicionais, sempre 
em condições ainda piores de contratação. Admite-se que seu custo, apesar de 
todo aparato, podia ainda ser inferior à manutenção de um escravo. Associação 
de total descaso econômico com desinteresse social, tanto com a situação dos ex-
escravos, quanto aos brasileiros natos não escravos, que subsistiam num sistema 
ainda mais miserável de exploração.
DICAS
Assista ao vídeo-documentário, “A imigração italiana em São Paulo”. Disponível 
em:<http://www.kinemafilmes.com.br/video-documentario/video-documentario-
imigracao-italiana-em-sao-paulo>, que apresenta um pouco mais sobre essa história, parte da 
formação econômica do Brasil, a partir do acervo de vídeos e fotos do Museu do Imigrantes.
Ademais, à ausência de condições de desenvolvimento da força de 
trabalho assalariada acrescenta-se o agravamento da monopolização das terras e 
baixa distribuição ou ausência de direitos a propriedades, a ponto de não restar 
outra alternativa, a não ser a submissão a um sistema prejudicial e explorador da 
mão de obra livre nascente. 
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
88
Sob o cenário de formação de mercado interno, uma necessidade diante 
dos desafios impostos no cenário externo para nossa base primária exportadora, o 
surgimento do trabalho assalariado e livre do imigrante europeu na lavoura cafeeira, 
foi um marco na criação de consumidores e desenvolvimento das forças produtivas.
A figura a seguir demonstra um cenário de colheita do café, já realizada por 
Imigrantes ou colonos. Parte deles foi absorvida na produção agrícola, especialmente 
nos cafezais, embora a justificativa inicial fosse para abastecer as fábricas nas regiões 
mais urbanizadas, em pleno processo de extensão internamente.
FIGURA 6 – COLHEITA DO CAFÉ – SÃO PAULO
FONTE: <http://www.familiavaccaro.com.br/historia-da-familia-vaccaro.php>.
Acesso em: 23 jul. 2018.
Detalhado em um contrato, fazendeiros e colonos definiam valores 
monetários e de produção. Isto é, uma quantidade da plantação ou lote de 
terra aos cuidados do colono, e valores correspondentes por produtividade 
colhida posteriormente. De certa forma, havia uma pequena margem para uma 
atividade extra de subsistência, na própria terra destinada ao café, cujas maiores 
necessidades eram adquiridas via o consumo no mercado urbano local. 
Por mais limitado e precário que fosse esse trabalho remunerado em parte, 
porém livre, ele ainda assim permitiu a ocorrência de efeitos multiplicadoresde 
movimentação de mão de obra rural para urbana, certa dinâmica de comércio e 
produção de manufaturados, mobilização de recursos para esfera das cidades e 
atividades relacionadas, mobilizadas por necessidades das famílias de bens de 
consumo, só alcançadas graças a disponibilidade do dinheiro ou renda.
 
Ademais a grande atratividade que tinha o colono em desenvolver vínculos 
com a terra, e dela, juntamente com seu trabalho, tirar o máximo que pudesse para 
sua subsistência, deixando o comércio como alternativa última de suprir suas 
necessidades. Questiona-se, inclusive, se o trabalho assalariado, de fato, chegou a 
se implantar na economia brasileira agrícola no Brasil neste período, dado as suas 
singularidades. “Além do colonato, na área cafeeira, predominaram formas de 
parceria (como a meação, onde se adquire direitos por uso compartilhado) ou de 
clara dependência entre proprietário e trabalhador (como chamado “morador”) 
(GREMAUD; SAES; JÚNIOR, 1997, p. 56).
TÓPICO 2 | O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA NO INÍCIO DO SÉCULO XX
89
IMPORTANT
E
“Colonato é o nome que se dá a um sistema de exploração de grandes 
propriedades entre diversos colonos ou meeiros, que ficam incumbidos de cultivar uma 
determinada área e entregar parte da produção ao proprietário, conservando outra parte 
para seu próprio consumo. Ao longo da história, temos vários exemplos do emprego do 
regime de colonato, quase sempre ligados a uma crise ou escassez de mão de obra escrava”. 
FONTE: <https://www.infoescola.com/agricultura/colonato/>. Acesso em: 23 jul. 2018.
Sobre os fluxos migratórios, chama-se a atenção ao fato de que, 
[...] se modificaram nas primeiras décadas do século XX. Redução da 
imigração subvencionada e aumento da imigração espontânea que, com 
frequência, busca os centros urbanos e não o trabalho agrícola; redução 
da parcela de imigrantes representada por italianos com crescimento da 
imigração portuguesa, espanhola e japonesa, intenso fluxo de saída de 
imigrantes em certos períodos (por exemplo, de 1902 a 1910, apesar da 
entrada de 330 mil imigrantes, o fluxo líquido, ou seja, descontadas as saídas, 
foi de apenas 17 mil); aumento das migrações internas para São Paulo a partir 
de 1920, fazendo com que nos anos 30 essa fonte de mão de obra já fosse 
maior do que a imigração [...] (GREMAUD; SAES; JÚNIOR, 1997, p. 56).
Diante disso, fica evidente a complexidade desse trabalhador, que atraído por 
inúmeras razões, mesclou-se ao contingente local brasileiro, na busca por oportunidades 
de subsistência. Fica claro que existiu uma certa dependência maior por parte dos 
contratantes, ou fazendeiros, nesse momento, na medida em que estes eram proprietários 
e, consequentemente, controlavam a maior parte do processo de produção. 
NOTA
Certamente muitos de nós somos descendentes, decorrente de algum laço 
familiar, de um ou mais imigrantes! Com nosso histórico de colônia, é inevitável nossa 
identificação como imigrantes. Nossa cultura, hábitos, preferências, habilidades, dificuldades, 
desafios, e objetivos, inclusive pessoais, podem estar associados a essa condição! Pense nisso!
Entretanto, as condições internas da economia voltadas para a exportação 
se alteraram nas primeiras décadas do século XX, com a queda dos produtos 
primários na pauta das exportações, conforme demonstra o quadro a seguir.
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
90
QUADRO 4 – BRASIL: PARTICIPAÇÃO DOS PRINCIPAIS PRODUTOS NO VALOR DAS 
EXPORTAÇÕES 1889-1929 (%)
PERÍODO CAFÉ AÇÚCAR CACAU MATE FUMO ALGODÃO BORRACHA COUROS E PELES OUTROS
1889-1897 67,6 6,5 1,1 1,2 1,7 2,9 11,8 2,4 4,8
1898-1910 52,7 1,9 2,7 2,7 2,8 2,1 25,7 4,2 5,2
1911-1913 61,7 0,3 2,3 2,3 1,9 2,1 20,0 4,2 4,4
1914-1918 47,4 3,9 4,2 4,2 2,8 1,4 12,0 7,5 17,4
1919-1923 58,8 4,7 3,3 3,3 2,6 3,4 3,0 5,3 16,5
1224-1929 72,5 0,4 3,3 3,3 2,0 1,9 2,8 4,5 9,7
FONTE: Adaptado de Gremaud, Saes e Júnior (1997, p. 57)
Embora o café ainda se manteve como produto de maior exportação, foi 
notória a perda de dinamismo como já vimos anteriormente, inclusive dos demais 
produtos, seguido da borracha (Amazônia e Pará), cuja competitividade com a 
produção do Oriente após a Guerra, aplacariam sua produtividade. Esses efeitos, 
além de representarem reduções nos níveis produtivos, afetaram fortemente o 
fluxo de migração interna e condições de vida dessas comunidades.
Em relação ao açúcar, por exemplo, ademais as crises que afetariam 
em vários momentos do final do século XIX, seja por questões de redução de 
demanda pela guerra, competitividade com outros fornecedores, problemas com 
financiamento externo e afins, essa produção, manteve-se em destaque, graças ao 
contexto de expansão do mercado interno, incentivado ainda mais pela imigração 
e urbanização crescente. 
O resgate de certo dinamismo decorrente dos mercados regionais também 
foi constatado no cacau e no fumo (na Bahia), no mate (Paraná e Mato Grosso), 
no algodão (interior do Nordeste), e no couro e peles (dissipados no país, com 
destaque ao Rio Grande do Sul). 
A mesma tendência a produção para o mercado interno também 
se verificou na agricultura paulista. Wilson Cano identificou, já na 
segunda década do século XX, uma clara diversificação da produção 
agrícola paulista que, ao lado da exportação de café, passava a dirigir 
para o mercado interno do próprio Estado de São Paulo ou de outras 
regiões uma série de produtos alimentares. Esta caracterização da 
produção primária na Primeira República – que buscou ressaltar a 
diversidade da produção exportável e a expansão da produção para 
o mercado interno – não deve, no entanto, fazer-nos esquecer o papel 
preponderante do café na dinâmica da economia brasileira desse 
período (GREMAUD; SAES; JÚNIOR, 1997, p. 61).
Gradualmente, a mão de obra, que por um lado causou, também por 
outro lado, sofreu com os efeitos decorrentes dessas mudanças do dinamismo 
produtivo interno. 
TÓPICO 2 | O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA NO INÍCIO DO SÉCULO XX
91
As relações de trabalho, consequentemente, foram se adaptando e 
tornando-se mais elaboradas, com maiores atribuições diante de novas exigências 
de um mercado e sistema industrial crescente, que exigiu uma reorganização do 
Estado, a qual veremos mais adiante, deliberada sobre novos atores e cenários 
econômicos atuantes.
3 O DESENVOLVIMENTISMO E 
NACIONALISMO ECONÔMICO 
Na sequência, este subtópico vai apresentar a efervescência política, 
social e econômica, na qual o país é influenciado quanto à condução de seu 
projeto de desenvolvimento. O conflito e a diversificação de interesses e 
atividades serão os cenários mobilizadores da política populista, seus alcances 
e desfechos. Vamos adiante!
3.1 OS PRECEDENTES DE UM PROJETO MAIOR
Entender o processo de industrialização brasileiro incorre em buscar 
conhecer os acontecimentos que contribuíram para o declínio de uma forma de 
governar que caracterizava a velha República, através de políticas oligárquicas 
que favoreciam os interesses da política do café com leite, como já verificamos. 
São inúmeros acontecimentos políticos nesse período que revelam 
insatisfações, que foram além da abolição da escravatura. Revoltas regionais, 
militares ou federalistas, saudosistas do modo imperial, defensores de ideários 
sociais, oposições a política cafeeira, insatisfações com as políticas centralistas e 
autoritárias de muitos presidentes, além das demandas que cresciam, na medida 
em que se diversificava a lógica econômica e avançava a demanda das populações 
urbanas nas grandes cidades.
NOTA
As revoltas nesse período foram inúmeras. Algumas delas como a Guerra de 
Canudos (1896-1897) e a Guerra do Contestado (1912-1916), eram movimentos de cunhos 
sociais, populares e regionalistas, que buscavam promover uma organização política e 
social, ignorando a autoridade e atribuições da República, assim como o tenentismo. Esse, 
entretanto, era um movimento liderado pelos oficiais das forças armadas e possuía uma 
representatividademais associada às classes médias que desejavam o poder. 
Já a Revolução de 30 foi um movimento organizado pelos Estados de Minas Gerais, Paraíba 
e Rio Grande do Sul, contra o Presidente, na época de Washington Luís, também com 
aspirações de poder, via um golpe e o fim da Velha República.
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
92
DICAS
Que tal saber mais sobre cada um desses movimentos históricos com 
detalhes? O livro, “Histórias não (ou mal) contadas. Revoltas, golpes e revoluções 
no Brasil”, de Rodrigo Trespach, Editora Harper Collins, 2017, é uma excelente dica! 
FONTE: <https://bit.ly/2SU0vw1>. Acesso em: 25 out. 2018.
Entretanto, é nesse contexto, no Governo Rodrigo Alves (1902-1906), que 
se inicia o projeto de modernização das cidades, o que coincide com o declínio da 
política café com leite, graças ao excesso de oferta do produto café no mercado, 
ocasionando as pressões pela compra e armazenamento seguinte. 
De qualquer forma, a política de imigração com alternativa no governo 
de Afonso Pena (1906-1909) e Nilo Peçanha (1909-1910) encontraria melhor 
desempenho no breve desenvolvimento no governo de Wenceslau Brás (1914-
1918), com o início do processo de substituições de importações, o qual veremos 
mais adiante (COSTA, 2007).
IMPORTANT
E
As Indústrias MATARAZZO, assim como o Grupo Votorantin, são exemplos de 
grandes investimentos de empresários – imigrantes que contribuíram para consolidação da 
indústria em nosso País.
O que eles têm em comum??
Espírito empreendedor! O que contribuiu para o entendimento de que investir em todo o 
processo de produção e a diversificação dos produtos seria a base para a acumulação de 
capital e ampliação de sua competitividade a longo prazo!
FIGURA 7 – CAPA DO LIVRO 
TÓPICO 2 | O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA NO INÍCIO DO SÉCULO XX
93
NOTA
“Francisco Matarazzo chegou ao Brasil em 1881. Tinha instrução superior, alguma 
experiência comercial e o desejo de enriquecer. Estabeleceu-se inicialmente em Sorocaba-SP, 
onde se empenhou no comércio de porcos e de toucinho. Cerca de nove anos depois já havia 
conseguido acumular um capital de cerca de 4,5 mil libras esterlinas e mudou-se à capital do 
estado, onde fundou uma firma comercial especializada na importação de farinha de trigo e de 
toucinho. Nos dez anos seguintes, isto é, até 1900, aumentou ainda mais as suas propriedades 
e estabeleceu relações de amizade que o ajudaram, em particular, a obter crédito do British 
Bank of South America [...]. Em 1904, Matarazzo fundou uma fábrica têxtil, com o objetivo de 
produzir suas próprias necessidades de tecidos para confeccionar os seus sacos. Mais tarde, 
construiu uma fábrica de tecidos finos. A fim de adquirir matérias-primas sem intermediários, 
Matarazzo criou nas regiões algodoeiras uma rede de empresas de beneficiamento de algodão 
[...]. A seguir, fundou fábricas de fósforos, de massas, de círios, de conservas, serrarias, uma 
empresa de caixas de madeira, uma tipografia, assim como fábricas de seda artificial, de ácido 
sulfúrico, de cerâmica, de porcelana etc. Adquiriu vários navios e construiu uma doca própria, 
assim como uma fábrica de fundição e uma oficina mecânica para consertar os equipamentos 
de suas numerosas empresas [...]” (LACERDA et al. 1997, p., 87).
Em 1929, a crise internacional, que fez o preço e as exportações do 
café baixarem, demarcou o ápice da desestabilização econômica e política, no 
Governo de Washington Luís (1926-1930), o qual seria substituído por Getúlio 
Vargas, sob um processo de golpe de Estado. Nesse momento, encerra-se de vez 
o ciclo da República Velha e o país é lançado em um novo ciclo de transformações 
e desenvolvimento.
Toda lógica dos acontecimentos econômicos a partir desse momento 
ocorreu sob o Pensamento Desenvolvimentista, uma forma de compreender as 
causas de uma mudança de rumo do desenvolvimento que terminou por justificar 
determinadas ações e resultados, com influências até os dias de hoje.
UNI
Sobre o Desenvolvimentismo, “[...] foi uma resposta aos desafios e oportunidades 
criados pela Grande Depressão dos anos 1930. Os projetos nacionais de desenvolvimento 
e industrialização na periferia nasceram no mesmo berço que produziu o keynesianismo 
nos países centrais.  A onda desenvolvimentista e a experiência keynesiana tiveram o seu 
apogeu nas três décadas que sucederam o fim da Segunda Guerra. O clima político e social 
estava saturado da ideia de que era possível adotar estratégias nacionais e intencionais de 
crescimento, industrialização e avanço social. Os resultados, ainda que desiguais, não foram 
ruins. Comparada a qualquer outro período do capitalismo, anterior ou posterior, a era 
desenvolvimentista e keynesiana apresentou desempenho muito superior em termos de taxas 
de crescimento do PIB, de criação de empregos, de aumentos dos salários reais e, no caso 
de países como o Brasil, ficou devendo a universalização dos direitos sociais e econômicos”. 
FONTE: O Desenvolvimentismo. <http://www.centrocelsofurtado.org.br/interna.php?ID_S=72>. 
Acesso em: 23 jul. 2018.
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
94
Logo, teríamos um conjunto de elementos que ajudariam a compor os 
requisitos para o desenvolvimento do Brasil via modernização e industrialização.
A defesa dos interesses do setor exportador de café implicou a 
revalorização frequente desse produto, mesmo que sob desvalorizações de nossa 
moeda. Enquanto isso, a valorização das importações junto com o processo 
de urbanização crescente estimulou o mercado interno e industrial de bens de 
consumo populares como têxteis e alimentos. Aliado a esses eventos, a Primeira 
Guerra Mundial mais a crise de 1929 completariam o quadro que pressionou a 
renovação do parque industrial brasileiro (GENNARI; OLIVEIRA, 2009). Assim, 
A crise de 1929, as respostas adotadas pelas nações à crise no 
decorrer da década de 1930 e a Segunda Guerra Mundial provocaram 
transformações profundas na evolução da indústria no Brasil. No 
decorrer de 15 anos, as relações de troca internacionais sofreram um 
abalo gigantesco [...]. A grande instabilidade do mercado mundial 
fortaleceu a convicção, entre todas as nações, de que a continuidade 
de desenvolvimento passava, necessariamente, por um esforço 
de mobilização nacional. [...] No Brasil, [...] catalisou os conflitos 
intraoligárquicos e produziu uma convergência entre várias classes e 
grupos sociais que se opunham tanto às práticas políticas das frações 
oligárquicas lideradas por São Paulo e Minas Gerais quanto ao modelo 
agroexportador que submetia o conjunto da nação às necessidades de 
reprodução do capital vinculado ao negócio cafeeiro. [...] encararam 
esse momento político como uma oportunidade de tirar o setor 
industrial do papel de coadjuvante no cenário econômico nacional. 
Coube à Getúlio Vargas a habilidade política para articular esse 
conjunto de interesses [...] (GENNARI; OLIVEIRA, 2009, p. 334).
Coube então ao Estado Novo, em 1927, a nova atribuição de associar ao 
nacionalismo vigente uma nova rota de desenvolvimento, focada no pensamento 
desenvolvimentista.
Segundo Simonsen (apud GENNARI; OLIVEIRA, 2009), isto é, Roberto 
Cochrane Simonsen (1889-1948), grande industrial brasileiro e um dos primeiros 
defensores do desenvolvimentismo brasileiro, a consciência nacional deveria ser 
mobilizada com o objetivo de promover a industrialização plena no Brasil. Isso só 
seria possível, a partir da formação de uma forte indústria de bens de consumo, 
de capital e de base.
Dessa forma, o intervencionismo, o protecionismo e o planejamento seriam 
eficazes, coincidentemente e sem representar ameaça alguma à democracia. 
Nessa mesma linha, dever-se-ia incrementar a industrialização inclusive no setor 
agrícola, comprovando que até nesse meio, a modernização traria ainda mais 
benefícios, porém, refutando a posição mundial brasileira de acomodação apenas 
como fornecedor de matérias-primas. 
Uma abordagem interessanteainda do autor, refere-se à defesa de que,
[...] a industrialização contribuía para atenuar os efeitos das crises 
externas, pois a expansão das atividades assalariadas urbanas criava 
um mercado alternativo para a produção agrícola nacional [...] 
TÓPICO 2 | O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA NO INÍCIO DO SÉCULO XX
95
identificou uma tendência de queda na produção per capita exportada 
comparativamente às necessidades de consumo via importação, 
que cresciam ininterruptamente, abrindo a possibilidade de crises 
cambiais [...] também defendeu o controle do comércio exterior, pela 
restrição de aquisições de bens de consumo em troca de facilidades 
para a importação de bens de capital necessários ao desenvolvimento 
nacional (GENNARI; OLIVEIRA, 2009, p. 337). 
Outro grande defensor, Roberto de Oliveira Campos (apud GENNARI; 
OLIVEIRA, 2009) argumentou a impossibilidade da coincidência entre 
desenvolvimento econômico e redistribuição de renda. Assim, a prioridade seria 
o desenvolvimento econômico, que com o tempo, levaria a melhoria em termos 
de bem-estar social. Se a escolha fosse diferente, ou seja, a prioridade fosse a 
redistribuição de renda, teríamos na verdade, uma redistribuição da pobreza. 
Para Campos (apud GENNARI; OLIVEIRA, 2009, p. 349) em relação ao 
nível de industrialização no Brasil em meados de 1950, o autor admitiu ser um 
momento decisivo de mobilização,
[...] os requisitos econômicos da arrancada seriam, primeiramente, 
a criação de infraestrutura, principalmente no setor de transportes, 
em seguida, um surto na produção agrícola capaz de financiar a 
industrialização, em terceiro lugar, um nível de poupança de no 
mínimo 10% a 12% ao ano, em quarto lugar, a existência da capacidade 
de importar, seja mediante exportações, seja mediante o influxo 
de capital, para aquisição de equipamentos e matérias-primas, em 
quinto lugar, a emergência de setores de vanguarda “que deflagrem o 
processo de modernização”. Pressupõem-se, ainda, a existência de um 
núcleo empresarial capaz de absorver tecnologia. 
DICAS
Para saber mais sobre as biografias desses autores defensores do 
desenvolvimentismo, acessar: <http://biografias.netsaber.com.br/biografia-3011/biografia-de-
roberto-de-oliveira-campos> e <http://biografias.netsaber.com.br/biografia-3009/biografia-
de-roberto-cochrane-simonsen>. Boa leitura! 
Diante dessas posições, ficaria claro que um projeto desenvolvimentista estaria 
de acordo com os objetivos brasileiros de crescimento econômico e desenvolvimento, 
através da superação de dificuldades estruturais, subjacentes aos modelos até agora 
enfatizados. Esse projeto será viabilizado, como veremos a seguir.
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
96
3.2 O POPULISMO COMO VIA ECONÔMICA
Sobre o ambiente político, inflamado pelo pensamento desenvolvimentista, 
foi Getúlio Vargas (1930-1954) o responsável por deliberadamente instituir na 
prática o discurso e a era do populismo no Brasil. A figura a seguir é da imagem 
de um presidente que marcaria para sempre a governabilidade das políticas 
públicas dos Estados.
FIGURA 8 – PRESIDENTE GETÚLIO DORNELLES VARGAS (1882-1954)
FONTE: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Get%C3%BAlio_Vargas#/media/File:Getulio_Vargas_
(1930).jpg>. Acesso em: 23 jun. 2018.
Sua base política era composta por militares, aliado a oligarquias estaduais, 
que por usa vez, possuíam como apoiadores, intelectuais e técnicos preocupados 
em modernizar a economia e todos os objetivos de crescimento do país, ou seja, 
colocar em ação os planos nacionalistas.
Admite-se que além do centralismo e autoritarismo clássico dos governos 
da era Republicana, Vargas possuía o apoio das populações urbanas, nas cidades 
que cresciam e que se qualificavam tanto pelas indústrias nascentes, como nos 
atores políticos e demandas sociais cada vez mais diversas.
DICAS
Mas o que caracteriza um governante populista?
“Trata-se daquele líder que dá a entender, por seus discursos e propagandas, que sua gestão é 
para o bem de todos, tanto para os que lhe são próximos como para as diferentes partições que 
formam o povo que governa. Além disso, esse tipo de governante centra seus discursos em uma 
lógica em que todas as mazelas de seu governo são frutos daqueles que são contra ele e, por 
consequência, são contra o povo. Todavia, geralmente, o que esse líder realmente busca é a 
manipulação do ambiente sociopolítico para se fortalecer no poder” (BRAGA; SILVA, 2016, p. 179).
TÓPICO 2 | O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA NO INÍCIO DO SÉCULO XX
97
O presidente, chegando ao poder, atuou de maneira autoritária, encerrando 
o congresso, assembleias e câmaras, removendo governadores e, arbitrariamente, 
escolhendo e nominando outros indivíduos de confiança para essas funções. 
Admite-se que esse presidente teria sido o primeiro a trabalhar com a mídia da 
comunicação, de forma a contribuir e divulgar suas ações e objetivos políticos 
(COSTA, 2007).
Foi um governo que concentrou nos trabalhadores urbanos o suporte 
de seu regime político, na medida em que, em caráter de populista, atendia a 
reinvindicações dos sindicatos, ao mesmo tempo em que os subordinavam ao 
Ministério do Trabalho, controlando seu alcance e ações.
NOTA
“A CLT surgiu pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943, sancionada pelo 
então presidente Getúlio Vargas, unificou toda legislação trabalhista existente no Brasil (...). 
A Consolidação das Leis do Trabalho, cuja sigla é CLT, regulamenta as relações trabalhistas, 
tanto do trabalho urbano quanto do rural”. 
FONTE: A Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT Guia Trabalhista”. <www.guiatrabalhista.
com.br/tematicas/clt.htm>. Acesso em: 1 ago. 2018.
As bases oligárquicas também ficariam subordinadas a esse Governo. 
Políticas agrícolas e cafeicultores, agora teriam no governo seu principal regente.
A crise gerada pela brusca queda das exportações em 1929 propiciou 
ao governo controlar as importações e centralizar o câmbio no Banco 
do Brasil, aumentando o controle do governo sobre empresários de 
diversos setores de atividade. Em 1933, pela primeira vez, o produto 
industrial superou o produto agrícola, em decorrência da brutal queda 
nos preços agrícolas em 1929 e do controle das importações, que 
funcionava como um incentivo a expansão industrial. A partir desse 
momento a indústria passou a ser o setor predominante na economia 
(COSTA, 2007, p. 15). 
A crise no café, devido à grande depressão, desaqueceu a economia 
com base agrícola de exportação e atraiu capitais à indústria, em sintonia com o 
crescimento do mercado interno, inclusive para os próprios produtos agrícolas, 
o que também contribuiu para o câmbio, valorizando nossa moeda. Entretanto, 
isso ocorreu, até as importações aumentarem consideravelmente, como em 1937, 
quando a escassez de divisas levou o governo a adotar o monopólio cambial 
como forma de controle. 
As oportunidades de aumento de produção industrial interna nesse período 
foram pemitidas, primeiramente, dado à ociosidade interna de capacidade, e em 
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
98
seguida, pela oferta acessível desses bens de capitais no mercado externo. Uma 
terceira razão seria a necessidade de produtos industriais no comércio externo, 
dado a desorganização do setor nesse ambiente, ocasionado pelo contexto das 
guerras. Em 1941 então, alcancaríamos situacões mais frequentes de balanças 
comerciais favoráveis.
Dessa forma, diante da gradual reducão do papel da produção cafeeira 
no cenário econômico, sua participação política enquanto interesses passou a 
submeter-se à descentralização republicana e à organização de um projeto de 
desenvolvimento econômico maior.
Historiadores econômicos defendem que, 
[...] nos processos de industrialização no século XX, período do 
capitalismo monopolista, com predomínio das grandes coorporações, 
as escalas técnicas e financeiras requeridas para o avanço da 
industrialização estavam muito acima das forçascapitalistas locais. Por 
outro lado, somente após a segunda Guerra, o movimento de expansão 
mundial das multinacionais se intensificaria. Assim, na década de 
30, os capitais privados nacionais eram frágeis [...]. Portanto, a única 
possibilidade de implantar grandes projetos de indústria de bens de 
produção residia na ação estatal, o que era exatamente a proposta de 
Vargas (LACERDA et al., 2000, p. 75).
A tabela a seguir apresenta as taxas de crescimento da economia na década 
de 1920 e 1930, comprovando a inversão da lógica produtiva, isto é, crescimento 
da indústria e redução da atividade agrícola.
TABELA 4 – BRASIL – TAXAS MÉDIAS ANUAIS DE CRESCIMENTO DA ECONOMIA 1920-1939
1920-29
(%)
1929-33
(%)
1933-39
(%)
Produção agrícola 4,0 2,5 1,6
Produção agrícola de exportação 7,5 3,7 1,1
Produção Industrial 2,8 4,4 11,2
Produto Físico 3,9 2,9 4,9
FONTE: <http://periodicos.ses.sp.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-
76342006000100003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt>. Acesso em: 23 jun. 2018.
Entretanto, o autoritarismo não agradava aos liberais, e as tentativas de 
retirar Getúlio Vargas do poder, apenas aguçava ainda mais o seu interesse em 
permanecer, contribuindo inclusive, para a promulgação da Constituição de 
1937 e da ditadura do Estado Novo. Foram inúmeros os momentos de impasse e 
grande agitação política, até a destituição de Vargas em 1934, conhecido como o 
Golpe Comunista.
TÓPICO 2 | O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA NO INÍCIO DO SÉCULO XX
99
NOTA
Em que consistiu o ESTADO NOVO?
“Com a promulgação da Constituição de 1934, chegou ao fim o chamado governo provisório, 
instaurando uma Assembleia Nacional Constituinte, introduziu no país uma nova ordem 
jurídico-política que consagrava a democracia, com a garantia do voto com a vitória da 
Revolução de 1930. A nova Constituição elaborada por voto direto e secreto, da pluralidade 
sindical, da alternância no poder, dos direitos civis e da liberdade de expressão dos cidadãos. 
Particularmente para as mulheres, a Constituição de 1934 representou uma enorme 
conquista: pela primeira vez, tornavam-se eleitoras e elegíveis. No entanto, a Constituição 
durou pouco. Três anos depois, antes mesmo que a primeira eleição que elegeria o novo 
presidente se realizasse, Getúlio Vargas deu um golpe para manter-se no poder e instaurou 
uma ditadura, conhecida como Estado Novo”. 
FONTE: <https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/EstadoNovo>. Acesso em: 26 
jul. 2018.
FIGURA 9 – CONSTITUIÇÃO DE 1934
FONTE: <https://www.sohistoria.com.br/ef2/eravargas/p1.php>. Acesso em: 25 out. 2018.
Vargas manteve sua política de aproximação com a classe trabalhadora e 
buscou ampliar relações com as indústrias e com as tradicionais classes agrárias, 
via instrumentos ou órgãos políticos que firmavam políticas nacionais e regionais 
que alcançavam a todos.
“[...] essa teia de relações [...] com o apoio das forças armadas, garantiu 
ampla dominação [...] a ausência de mecanismos formais de representação [...] 
o caráter ditatorial [...] – era foco de permanente insatisfação de vários grupos 
sociais [...]” (GREMAUD; SAES; JÚNIOR, 1996, p. 102). Insatisfação essa, sempre 
relacionada com a insuficiente participação política sob esse regime.
É sob essa insatisfação que seu apoio popular sofreu instabilidade, quando 
em 1945 é deflagrada sua saída antes mesmo de eleições previstas, encerrando seu 
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
100
primeiro ciclo de poder. De 1930 a 1934, como chefe de governo provisório dada 
a Revolução de 30, como presidente constitucionalmente eleito de 1934 a 1937 e 
até 1945 como ditador do Estado Novo, assumindo a partir desse momento, o 
General Eurico Gaspar Dutra, com o apoio do próprio Presidente Vargas.
Ainda assim, o esforço ideológico de perseguir o desenvolvimento via 
indústria, mais a sobrevalorização do poder do governo, seriam prerrogativas 
mantidas. Ademais, apresenta-se a Constituição de 1946, com prerrogativas ainda 
mais includentes, abordando temas como igualdade, liberdade e direitos individuais. 
DICAS
Para saber mais sobre esta e todas as demais constituições brasileiras 
promulgadas, consulte o link <http://www.politize.com.br/>. 
Após a guerra, a política adotada estabelecia os princípios liberais, na 
crença de que uma política liberal de câmbio se ajustaria às necessidades dos 
mercados, beneficiando o país, atraindo capitais e equilibrando nossa balança. As 
intervenções e restrições aos fluxos e mercado seriam gradualmente retirados, com 
breves retomadas enquanto política fiscal e monetária de ajustes em momentos 
de escassez de divisas (dólares), coincidente com aumento de importações de 
máquinas e matérias-primas (LACERDA et al., 2000).
A conjugação de uma taxa de câmbio sobrevalorizada com controle 
cambial, a partir de 1947, produziu um triplo efeito em benefício 
da industraialização substitutiva de importações: um subsídio às 
importações de bens de capital e bens intermediários, protecionismo 
contra a importação de bens competitivos; e aumento da rentabilidade 
da produção do mercado interno (LACERDA et al., 2000, p. 77).
O processo de substituição das importações seria apresentado como a 
continuação de um objetivo a perseguir do crescimento da indústria brasileira. 
Durante o governo Dutra houve algum esforço em coordenar gastos 
públicos em políticas sociais, mas nada muito significativo em termos de ações. 
Entretanto, criou-se a Comissão do Vale de São Francisco e a Superintendência do 
Plano de Valorização Econômica da Amazônia, concluída em 1953. 
Getúlio Vargas voltaria ao governo em 1950, logo após o Governo de 
Dutra, sob um ambiente conflitivo quanto a uma desconfiança de que sua forma 
de governar ainda conseguiria manter controle sob os trabalhadores e amenizar 
os conflitos pelo poder, agora sob mais partidos políticos. 
Seu retorno no cenário econômico, sob eleições diretas, foi marcado pela defesa 
da indústria pesada, base do processo de substituição de importações, que veremos no 
próximo tópico, só dificultado pelos episódios de estrangulamentos cambiais. 
TÓPICO 2 | O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA NO INÍCIO DO SÉCULO XX
101
Em 1950, o cenário externo era marcado pela Guerra Fria, os demais países da 
América Latina, inclusive o Brasil, estavam livres ou abandonados para desenvolver 
seus projetos desenvolvimentistas. No caso brasileiro, a defesa do nacionalismo 
político, o projeto da Petrobras, que garantiu o monopólio do petróleo a esta empresa 
estatal, contrariando as grandes companhias de petróleo internacionais. 
Entre outros projetos iniciados neste período, segue: a Companhia 
Siderúrgica Nacional, a Eletrobrás e a criação da BNDE (Banco Nacional de 
Desenvolvimento Econômico). 
Quanto à Petrobras, 
Esse projeto era, do ponto de vista do nacionalismo, mais radical 
[...], indicando o apelo popular que havia alcançado a campanha 
“o petróleo é nosso”. Paralelamente, Vargas foi levado a acirrar sua 
postura nacionalista, pois a negociação de financiamentos junto 
ao governo norte-americano viu-se crescentemente prejudicada, 
limitando investimentos em infraestrutura planejados para a época 
(GREMAUD; SAES; JÚNIOR, 1996, p. 103).
A proposta foi de expandir o nacionalismo ao financiamento do 
desenvolvimento, isto é, foram as próprias altas taxas de lucros das atividades 
industriais, favorecidas pelas políticas de valorização do câmbio (Instrução 70 da 
SUMOC – Superintendência da Moeda e do Crédito, em 1953) e a transferência de 
recursos para o setor, que financiaram o desenvolvimento.
Entretanto, essa tentativa enfrentou crescentes conflitos entre as classes 
sustentadoras de seu governo, trabalhadores industriais e a burguesia nacional. 
Os trabalhadores, sua mais firme base de sustentação, aumentaram suas 
reivindicações, buscando participar dos ganhos de produtividade decorrentes 
do avanço da industrialização. Os empresários, mesmo os beneficiados 
direta e indiretamente por Vargas, mostrariamo seu descontentamento 
com a instrução 70, em função do aumento dos custos das importações que 
a valorização cambial provocava. A nova crise que enfrentaria a agricultura 
cafeeira também seria creditada ao governo, e seria capitalizada politicamente 
pela oposição (LACERDA et al., 2000, p. 83).
NOTA
A Instrução 70 instituía um sistema de taxas múltiplas de câmbio, isto é, livre, 
sem auxílios governamentais, e esperava-se com isso, estimular as exportações brasileiras 
tornando-as mais acessíveis ao mercado externo, reduzir as importações, e controlar a 
balança comercial protegendo a indústria interna. 
Para detalhes na íntegra, sobre essa ou outras instruções ao longo da formação econômica 
no Brasil, o Banco Central do Brasil apresenta toda a instrução. Disponível em: <https://www.
bcb.gov.br/?id=SUMOCINST&ano=1953>. 
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
102
Esse contexto acirrou oposições dentro do próprio governo, na medida em 
que existiam aliados a favor e contra o financiamento externo, limitando a ação do 
nacionalismo nessa área. Um grande levante da imprensa e de acontecimentos, 
inclusive fatídicos de atentados envolvendo o governo, culminaram na retirada 
de muitos aliados nesse período, inclusive das forças armadas. 
O quadro a seguir apresenta as variações das taxas de câmbio, durante a 
vigência da Instrução 70 (1953-1954), comprovando certa eficácia, que diante da 
ocorrência ou aumento das taxas, elevou o custo das importações, “forçando” sua 
substituição por produtos produzidos internamente.
QUADRO 5 – BRASIL: TAXAS MÉDIAS DE CÂMBIO SOB O
REGIME DA INSTRUÇÃO 70 (CR$7US$)
VALORES TAXAS 1953 1954
Taxa Oficial 18,82 18,82
Taxa de Mercado Livre 43,32 62,18
Leilões de Importação
Categoria I 32,77 39,55
Categoria II 32,18 44,63
Categoria III 44,21 57,72
Categoria IV 52,13 56,70
Categoria V 78,90 108,74
Taxa de Exportação
Café –––– 23,36
Demais Produtos –––– 28,36
OBS: As categorias referem-se a modalidades de produtos. Quanto maior a taxa, maior o objetivo 
de restringir a importação desse bem. 
FONTE: Adaptado de Lacerda et al. (2000, p. 84) 
IMPORTANT
E
Ainda sobre a Instrução 70 da SUMOC:
 “[...] Foi extinto o controle seletivo de importações e instituído o regime de leilões de divisas 
para importação, criando-se cinco categorias de bens importados definidas de acordo com 
critérios de essencialidade. A cada uma destas categorias correspondia uma taxa cambial 
estabelecida em leilão em função da demanda de bens de cada categoria e da decisão 
do governo relativa à oferta de cambiais para o leilão de cada categoria. Quanto menos 
“essencial” determinada importação, maior a restrição de oferta de divisas por parte do 
governo e mais desvalorizada a taxa cambial [...]”.
FONTE: <http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/instrucao-70>. Acesso 
em: 10 ago. 2018.
TÓPICO 2 | O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA NO INÍCIO DO SÉCULO XX
103
Entretanto, apesar da condução, em maioria bem-sucedida 
economicamente das medidas e resultados de crescimento do país, uma crise 
política conturbada, culminaria no suicídio de Vargas em 1954, concluindo a era 
Vargas e inserindo seus governos em uma prerrogativa política maior, diante do 
lamentável desfecho.
DICAS
Um vídeo com base documental política intitulado O suicídio de Getúlio Vargas, 
disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=yIYKiT_Tl-s>, acesso em: 25 jul. 2018, 
apresenta em cinco episódios o enredo desse momento tão marcante para a política do 
país, em 24 de agosto de 1954.
FIGURA 10 – MANCHETE DA MORTE DE GETÚLIO VARGAS,
NA CAPA DO JORNAL “ÚLTIMA HORA"
FONTE: <http://memorialdademocracia.com.br/card/getulio-se-mata-com-um-tiro-no-peito>. 
Acesso em: 25 jul. 2018.
As sucessões seguintes foram marcadas por tentativas de gerenciar 
conflitos no plano político, renúncias, pressões, apoios e segmentos populares 
crescentes, até 1964, quando João Goulart aceita sua deposição por militares. 
Entretanto, o processo de SI continua a ser implementado, como veremos no 
Tópico 3 a seguir.
104
RESUMO DO TÓPICO 2
Nesta unidade, você aprendeu que:
• A ênfase na economia do café e também na industrialização iminente exigiu 
soluções para suprir a carência de mão de obra, diante do fim da escravidão, 
porém, esse evento teria sido dado sob um processo com objetivos mais 
econômicos do que sociais.
• A imigração europeia conciliou seus objetivos com os objetivos da economia 
brasileira na época, diante da necessidade de trabalhadores a baixo custo e a 
formação de mercado interno, junto com outras mudanças sociais consequentes, 
como a urbanização. São Paulo e Rio de Janeiro destacaram-se inicialmente.
• O contexto de crises internacionais persistiu, a vulnerabilidade e as ações ou 
medidas econômicas também. As crises internas políticas exerciam pressão 
crescente aos governos na busca pela defesa de seus interesses, marcado por 
revoluções e revoltas. Foi preciso repensar um novo rumo para a economia, 
sob novos paradigmas.
• Surge no ambiente de governabilidade e ações práticas, o Nacional 
Desenvolvimentismo, na defesa de um projeto que assegurasse ao país, maior 
independência e segurança, financeira e política, para que possibilitasse o 
crescimento com desenvolvimento econômico a longo prazo. 
• O populismo de Getúlio Vargas destacou-se pelo seu autoritarismo carismático 
e nacionalista, que idealizou e colocou em curso o projeto Desenvolvimentista, 
via investimentos em infraestrutura, indústrias de base e medidas que deram 
início ao processo de Substituição de Importações, o qual se fortaleceria a partir 
desse momento. 
105
AUTOATIVIDADE
1 Ademais as necessidades internas de mão de obra, diante dos desafios de 
suprir a economia e mercado internamente, atribui-se que a adoção da 
política imigratória representava também, a inserção de nossa economia em 
fluxos monetários e comerciais da economia global. Explique essa afirmação:
2 É possível identificar, no processo de imigração brasileiro, características 
que se assemelham, às vezes, a um modo de produção medieval, e outras 
características, as quais o identificam com o capitalismo, diante de seus 
elementos de reprodução e sistema. Diante dessa constatação, marque 
a alternativa que melhor qualifica essa modalidade de mão de obra no 
contexto brasileiro:
( ) Não encontraram suporte ou apoio por parte dos governantes ou 
empresários em sua chegada no início do século XX. Geralmente, não 
possuíam habilidades na atividade agrícola.
( ) Era uma mão de obra livre, com custos baratos. Acomodavam-se em 
Regimes de Colonatos, e muitos deles destacaram-se, trazendo a essência 
do empreendedorismo em suas culturas.
( ) O maior fluxo de imigrantes foram os espanhóis, destinando-se a região 
sul do país. Não possuíam habilidade alguma, além daquelas voltadas 
para as atividades agrícolas.
( ) A imigração não contribuiu para a ampliação do mercado interno, na 
medida em que seus salários eram apenas de subsistência, e substituíram 
os gastos ocasionados com a escravidão.
3 No início do século XX, impactados e entusiasmados com os resultados 
da grande Revolução Industrial, era necessário elevar o papel da indústria 
internamente, porém, sempre com o desafio de conciliação dos interesses 
de grupos e classes. Diante disso, “coube ao Estado Novo em 1927, a 
nova atribuição de associar ao nacionalismo vigente uma nova rota de 
desenvolvimento, focada no pensamento desenvolvimentista aplicada 
na industrialização” (Unidade 2 – Tópico 2 em: Desenvolvimentismo e 
nacionalismo econômico). 
Considerando essa afirmação, apresente exemplos dessa nova atribuição do 
Estado a partir desse período.
4 Umas das grandes estratégias de poder, utilizada na promoção do projeto 
Desenvolvimentista no Brasil e pelo Governo Getulista, foi o populismo. 
Explique o que significa governar, com base no populismo. 
106
107
TÓPICO 3
O PROCESSO DE SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES (SI): 
A PARTIR DE 1930UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Olá, novamente! Vamos dar mais um passo em direção ao nosso último 
tópico, em busca do entendimento sobre a formação econômica do Brasil!
No Tópico 2, apresentamos as origens do capitalismo no século XIX, sob 
os contextos da imigração e sua relação econômica com a cafeicultura, em um 
cenário da República Velha em transição para um Estado Moderno.
Para isto consideramos a inserção da proposta Desenvolvimentista, na 
adoção de políticas e medidas que se converteram em impulso à industrialização 
brasileira, através do Governo, identificado como populista, de Getúlio Vargas. 
Apesar dos inúmeros desafios, persistiu esse ideal. 
Porém, na medida em que avançamos em direção à efetivação desse projeto 
de desenvolvimento econômico, identificamos sua materialização, em práticas e 
resultados que confirmam êxito, mas por outro lado, revelam novos desafios diante 
dos persistentes problemas estruturais. Para melhor compreendermos esse momento, 
nessa etapa de nossos estudos, vamos avançar por mais algumas décadas adentro.
No Tópico 3, apresentaremos o momento em que, experimentando 
um ambiente de crises e episódios de crescimento, mesmo assim, a economia 
brasileira avança no projeto de substituições de importações, que se desenvolve 
diante de um impasse político marcante para sua continuidade.
Por agora, essa unidade será concluída neste último tópico. Todavia, em 
continuação, na próxima Unidade 3, promoveremos a complementação da SI, 
na qual novas necessidades e propostas surgirão, tornando essa jornada ainda 
mais emocionante! Além do mais, ajudando-nos a compreender, principalmente 
a nossa realidade nos dias de hoje, em relação às condições de crescimento e 
desenvolvimento econômico brasileiro. Então, vamos adiante! 
2 A CRISE E O CRESCIMENTO ECONÔMICO
É possível verificar, a partir de 1930 até aproximadamente três décadas 
depois, coincidente com o término do Governo Vargas, a clara centralização do 
Estado, porém, com crescente participação política popular; enquanto no cenário 
econômico, o crescimento industrial, associado à resposta favorável de contextos 
internacionais e internos, decorrente da urbanização. 
108
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
No período que compreendeu o Governo Provisório (de 1930-1934) tivemos 
a predominância do cenário clássico externo, de queda do preço das exportações, 
redução das reservas internacionais e deterioração dos termos de intercâmbio.
As medidas em relação à política cambial foram liberais, mais no discurso 
do que na prática, pois a aplicação de moratórias seguidas em relação às dívidas 
em moedas estrangeiras era comum e o monopólio cambial do Banco do Brasil 
voltaria com o agravamento da situação: desvalorização superior a 50% da moeda 
nacional (o mil réis). Tivemos assim, um momento de grandes dificuldades, 
associado a eventos internos e externos, que restringiu o capital das firmas 
brasileiras gerando falências, e a transferência de investimentos. 
Furtado (apud Abreu 1990) admite que a origem da crise nesse momento 
foi clássica, dado a sustentação da demanda agregada por gastos públicos como a 
aquisição do café para controlar o preço e as políticas de renegociação de dívidas 
dos cafeicultores, entre outros. Havia o desafio permanente de administrar 
um conflito entre os interesses cafeeiros e a indústria nascente, que também se 
beneficiava de políticas expansionistas, como as restrições às importações.
As medidas tomadas, ora política fiscal, ora política monetária, ou ambas 
coincidentemente, confundiram os verdadeiros objetivos do Governo. Entretanto, 
destaca-se que toda e qualquer ação tinha sempre um propósito determinante, 
por exemplo, “[...] os déficits planejados tornaram-se usuais e os déficits realizados 
resultavam de gastos adicionais e não de más estimativas de receita” (ABREU, 
1990, p. 80). Esses gastos trariam benefícios à economia, especialmente, os gastos 
em relação ao café, pois eram financiados por taxações das exportações, afetando 
mais os consumidores, do que os exportadores de fato.
Assim, a recuperação do saldo do balanço comercial seria decorrente 
da desvalorização e controle cambial, o que coibia a importação de bens não 
essenciais. Estas medidas, aplicadas devido ao desequilíbrio do balanço de 
pagamentos, terminaram por beneficiar a produção interna, graças a uma 
reordenação da demanda vigente.
A partir de 1937, o Estado Novo representou o amadurecimento das 
convicções anteriores, além da normatização da centralização do poder, via as 
agências governamentais reguladoras da economia, que passaram a desenvolver 
acesso e a provisão de bens e serviços, isto é, asseguraram um nível ideal da 
balança, o que permitiu administrar a política cambial e de preços, a favor dos 
objetivos de crescimento industrial do período. 
A Segunda Guerra Mundial e as pressões dos rearranjos do comércio 
internacional, redirecionariam uma nova política cambial, a fim de garantir 
pagamento mínimo de dividas e remessas de lucros, sem que prejudicasse as 
exportações e a disponibilidade de reservas para objetivos de capital.
TÓPICO 3 | O PROCESSO DE SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES (SI): A PARTIR DE 1930
109
Assim, 
A política monetária, que havia sido moderadamente apertada entre o fim 
de 1938 e o fim de 1939, tornou-se expansionista, [...] ratificando as pressões 
inflacionárias associadas aos desequilíbrios provocados pela guerra e 
pelas políticas do governo no terreno fiscal e creditício [...]. As pressões 
inflacionárias foram estimuladas pela expansão dos saldos na balança 
comercial, associados às restrições ao acesso a importações e a competição 
entre consumo doméstico e exportações [...] (ABREU, 1990, p. 95).
Admite-se que, na prática, não havia uma definição clara em relação à 
entrada de capitais estrangeiros no Brasil. Havia, sim, a crise cambial que limitava 
a saída ou remessas de lucros, dividendos e dívidas públicas, mas um vazio de 
políticas em relação a firmas estrangeiras internamente. 
Os Estados Unidos, sob guerra, beneficiaram-se da diminuição europeia 
no mercado brasileiro, tanto na demanda do café, quanto nos investimentos na 
indústria de transformação. Entretanto, na medida que a paz se aproximava, 
ficou mais nítida a perda de influência política nesse contexto. 
No campo da normatização, como afirma Abreu (1990), a Constituição 
de 1934 e 1937 até limitaram o campo de atuação de capitais não nacionais 
quanto a áreas ou setores entendidos como estratégicos, nacionalizando o 
direito à exploração de recursos hidráulicos, petróleo, minérios e indústrias de 
transformação e utilidade pública, por exemplo. Em relação à nacionalização dos 
bancos e instituições financeiras, essas restrições seriam mais flexíveis.
 O período que compreende 1946-1951 foi a fase de ajuste no pós-guerra, 
no qual então buscou-se acomodar a visão multilateralista de uma reconstrução 
econômica, tanto sob o ponto de vista dos americanos, quanto dos europeus. 
Nesse momento, sobressaiu-se a defesa da formação de Estados Modernos fortes, 
porém, empreendedores, com visão estratégica e aglutinadores, com interferência 
mais de influência ou inspiração do que pelo poder imposto no livre mercado.
O governo Dutra deveria se ajustar aos preceitos liberais de Bretton Woods 
e aos controles administrativos no comércio exterior, baseado em convenções 
que até trouxeram alguma expectativa à fase que a economia brasileira teria que 
ingressar: de grande conversibilidade da moeda e descentralização de controles 
como do padrão-ouro e o combate à inflação.
Nesse momento, políticas fiscais e monetárias contracionistas buscaram 
sanar as dificuldades decorrentes, de modo que, 
as autoridades monetárias e cambiais, tornaram-se vítimas de uma 
espécie de “ilusão de dívidas que apoiava-se sobre três pontos: (1) 
o país parecia estar em situação bastante confortável com relação 
às suas reservas internacionais; (2) julgava-se credor dos Estados 
Unidos daAmérica pela colaboração oferecida durante a Segunda 
Guerra Mundial, e (3) acreditava que uma política liberal de câmbio 
seria capaz de atrair significativo fluxo de investimentos diretos 
estrangeiros, dando solução duradoura para o potencial desequilíbrio 
do balanço de pagamentos (VIANNA, 1990, p. 108).
110
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
NOTA
Definitivamente, o pós-guerra revelou a fragilidade de políticas tomadas durante 
a sua vigência. O reajuste das economias exigiu maior competitividade frente ao mercado 
internacional, diante dos acontecimentos:
1) Aumento de concorrentes, decorrente do aumento de demanda e
2) inevitável aumento dos preços das importações, principalmente de itens de base para 
indústria interna. 
Era a conjunção de elementos que alimentariam um processo inflacionário interno crescente, 
de forma que a perda de competitividade das exportações brasileiras foi verificada.
Em 1947, estava explícito o processo de controle das importações, com 
fins de combater o desequilíbrio externo, procurando realocar da melhor forma, 
o fundo de moedas estrangeiras, e construindo, para um projeto maior, a 
industrialização brasileira.
 Através da manutenção da taxa de câmbio sobrevalorizada associada a 
crescentes medidas discriminatórias, as importações de bens de consumos duráveis 
principalmente, não essenciais e com oferta internamente, serviram de estímulo à 
criação de uma indústria para esses bens e fortalecimento daquelas que já existiam.
O quadro a seguir apresenta a evolução dos saldos das finanças públicas 
no Brasil, entre 1944 a 1954, comprovando os déficits cada vez mais persistentes 
e maiores, certamente como consequências também, do elevado custo dessas 
políticas, para a União e Estados.
QUADRO 6 – BRASIL: FINANÇAS PÚBLICAS, 1944-54 (Cr$ Milhões)
UNIÃO ESTADOS
ANOS RECEITA DESPESA DEFICIT (–)
SUPERAVIT 
(+)
RECEITA DESPESA DEFICIT (–)
SUPERAVIT 
(+)
1944 8.311 8.399 –88 5.766 5.491 275
1945 9.845 10.939 –994 6.380 7.042 –662
1946 11.570 14.203 –2.633 8.256 8.576 –320
1947 13.853 13.393 460 8.968 10.416 –1.448
1948 15.699 15.696 3 11.193 12.375 –1.182
1949 17.917 20.727 –2.810 13.923 14.850 –927
1950 19.373 23.670 –4.297 16.375 18.540 –2.165
1951 27.428 24.609 2.819 22.905 24.336 –1.431
1952 30.740 28.461 2.790 25.337 30.801 –5.464
1953 37.057 39.926 –2.869 30.477 35.894 –5.417
1954 46.539 49.250 –2.711 39.206 44.783 –5.577
FONTE: Adaptado de Abreu (1990, p. 120)
TÓPICO 3 | O PROCESSO DE SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES (SI): A PARTIR DE 1930
111
O processo então de retomada de crescimento sob processo inflacionário 
com preocupante desequilíbrio do setor público só foi amenizado com as 
expectativas de crescimento das exportações, especialmente se beneficiando de 
melhorias no preço do café e continuidade dos processos de industrialização, 
com os custos subsidiados.
O período entre 1951-1954, com o retorno de Vargas ao poder, seria 
marcado por dois momentos, o primeiro pela busca pela estabilização econômica 
com a prática de políticas monetárias restritivas, e o segundo momento, com 
a efetivação de empreendimentos e projetos via financiamentos alcançados no 
âmbito da CMBEU (Comissão Mista Brasil-Estados Unidos).
IMPORTANT
E
Você sabe o que era a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos?
FIGURA 11 – ASSEMBLÉIA DO BANCO MUNDIAL, MÉXICO, 1952
FONTE: <https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas2/artigos/EleVoltou/
ComissaoMista>. Acesso em: 25 jul. 2018.
“Formada no âmbito do Ministério da Fazenda, e integrada por técnicos brasileiros e norte-
americanos, a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos para o Desenvolvimento Econômico 
foi resultado das negociações entre Brasil e Estados Unidos iniciadas em 1950, durante 
o governo Dutra, visando ao financiamento de um programa de reaparelhamento dos 
setores de infraestrutura da economia brasileira. A Comissão foi criada oficialmente em 
19 de julho de 1951 e encerrou seus trabalhos em 31 de julho de 1953. Era parte do plano 
norte-americano de assistência técnica para a América Latina conhecido como Ponto IV, 
tornado público em 1949, quando se formou no Brasil uma comissão [...] encarregada 
de estudar as prioridades para um programa de desenvolvimento do país. Essa comissão 
acabou estabelecendo como prioridades os setores de agricultura, energia e transporte, 
sem formular, contudo, um projeto específico de financiamento. [...]”.
FONTE: <https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas2/artigos/EleVoltou/ComissaoMista>. 
Acesso em: 25 jul. 2018.
112
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
O primeiro momento guiou-se pela busca de um saneamento econômico, 
porém, malsucedido, dado o afrouxamento por parte da grande saída de capitais via o 
balanço comercial (principalmente através de fretes de venda e compra de produtos) 
e as licenças para importações, decorrentes da melhoria da situação externa.
Em 1952, uma crise cambial novamente se instalou, com origem justamente 
nesse afrouxamento do controle sobre o comércio exterior, devido à defasagem 
entre a concessão das licenças e a efetivação, mas também a acontecimentos 
ligados à crise mundial da indústria têxtil, que rebaixou as exportações de algodão 
e outras (com exceção do café), o influxo do capital estrangeiro e a elevação de 
importações de itens essenciais por situações extraordinárias (por exemplo, o 
trigo dos EUA dado a quebra da produção Argentina).
 Não restaria outro caminho, a não ser reduzir as despesas do setor público 
e pressionar a elevação da receita dos Estados e municípios. Entretanto, a política 
creditícia seguiu caminho contrário, no quesito empréstimos do Banco do Brasil 
ao Tesouro Nacional e ao sistema bancário comercial. Essa situação favoreceu 
os investimentos privados em detrimento ao público em atividade ligadas ao 
desenvolvimento e à industrialização.
Sobre os gastos públicos, uma fonte de grande pressão foram as obras 
necessárias à infraestrutura econômica do país ao crescimento industrial, como 
“os gastos com a ampliação da capacidade de produção de energia elétrica. 
Pode-se estimar em cerca de 1 milhão de KW o déficit de capacidade de geração 
existente em princípios de 1953 (VIANNA, 1990, p. 143)”. Assim, a política 
monetária contracionista afetaria também esses investimentos, mas acreditava-
se que a inflação estaria mais associada a questões das desvalorizações cambiais, 
dado a Instrução 70 da SUMOC, do que aos próprios gastos do governo.
Em 1954, outra necessidade de expansão de crédito destacou-se nesse 
contexto já preocupante de gastos, mas agora, não por conta de uma política 
expansionista, mas sim, pela expansão do salário mínimo em 100%, decorrente 
de política populista, que afetou fortemente a indústria do café. Houve grande 
crítica por parte das classes produtivas e de militares, sinalizando um tempo 
novamente ruim para o setor (aumento de preço, queda do consumo novamente), 
disseminando dificuldades também para outras exportações.
Assim, o desfecho do plano de estabilização foi colocado em risco, a 
austeridade foi novamente ameaçada com a pressão por crédito e recursos. A 
base política populista de Vargas, baseado nos trabalhadores, demonstrou-se 
frágil, diante de tantos desafios e demandas a suprir interesses. 
Mais complexa, e muito mais importante, era a posição da indústria. Como 
já vimos, a Instrução 70 desagradava ao setor, pois as desvalorizações 
cambiais implicavam elevação de seus custos. Comparada à situação 
anterior, quando a proteção a indústria doméstica era garantida pelo 
controle de importações e suas próprias compras no exterior realizadas 
pela taxa de câmbio oficial, a mudança foi claramente desfavorável. 
TÓPICO 3 | O PROCESSO DE SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES (SI): A PARTIR DE 1930
113
Incomodava a indústria, ainda, a redução do crédito do Banco do Brasil 
às atividades econômicas. O momento decisivo para o ingresso do setor 
numa posição de franca hostilidade ao governo,entretanto, foi a fixação 
do salário mínimo (VIANNA, 1990, p. 149).
Havia crescente descontentamento e frustração também das camadas 
médias urbanas, submetidas aos danos da inflação e suscetíveis à campanha 
oposicionista, baseada nesses temas e denúncias de corrupção no governo. O 
isolamento de Vargas cresceu até culminar em seu suicídio, nas circunstâncias já 
apresentadas anteriormente.
A tabela a seguir, sobre determinados indicadores econômicos no segundo 
governo de Vargas, demonstra o avanço da inflação e mais uma vez destaca os 
déficits orçamentários. 
TABELA 5 – INDICADORES MACROECONÔMICOS DO SEGUNDO GOVERNO VARGAS
Ano PIB
(var.%)
Inflação/
IGP-DI
(var.%)
Receita da União
(Cr$ bi de 1950)*
Despesa da 
União
(Cr$ bi de 1950)*
Déf. ou Sup.
(Cr$ bi de 1950)*
Balança 
Comercial
(US$ milhões)
Balanço de 
Pagamentos
(US$ milhões)
1950 6,8 12,4 19,37 23,67 -4,30 425 52
1951 4,9 12,3 23,17 20,78 2,38 68 -291
1952 7,3 12,7 23,75 21,99 1,76 -286 -615
1953 4,7 20,6 25,16 27,11 -1,95 424 16
1954 7,8 25,8 24,86 26,31 -1,45 148 -203
FONTE: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71402005000200004>. 
Acesso em: 23 jun. 2018.
Posteriormente, outros desafios políticos surgiram, com novos atores, na 
defesa dos objetivos em andamento, da democracia e da ordem constitucional, 
o que será abordado na próxima unidade. Por agora, em nosso último tópico, 
vamos aprofundar um pouco mais nesses desafios, sob a perspectiva do processo 
de Substituições de Importações. Vamos lá!
3 AS CONDIÇÕES E O DECORRER DO PROCESSO (SI)
Em relação ao Processo de Substituição de Importações iniciado nesse 
período, admite-se que teria sido favorecido pela existência de uma capacidade 
ociosa considerável nas primeiras décadas em questão. As importações de 
máquinas e complementos de capital vieram a se tornar alternativas somente após 
o esgotamento dessa ociosidade. Esta era a única exceção para as importações. 
Num segundo momento, após a instalação de certa base, a produção interna de 
bens de capitais seria possível.
Dessa forma, verificou-se um ciclo, no qual os recursos viabilizados 
pelas exportações se converteram em novos recursos, sob a modalidade de 
114
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
investimentos, para a promoção da importação ou então a produção dos bens de 
capitais necessários, além do crescimento da economia sob esse processo. E assim 
esse ciclo se repetiu. 
Entende-se então que esse processo foi inevitável para o desenvolvimento 
de um dinamismo, que apenas com o setor exportador de produtos agrícolas 
não seria possível alcançar, diante das novas exigências de competitividade 
do mercado internacional. Embora a experiência exportadora brasileira tivesse 
promovido uma indústria incipiente de produtos relacionados, o crescimento 
ainda permaneceria vulnerável demais às condições de demanda externas, cada 
vez mais adversas diante da crescente convergência de conflitos de interesses 
nesses cenários.
Assim, sob esse contexto, a crise generalizada dessas primeiras décadas se 
transformou em uma oportunidade de o país voltar-se para dentro, e promover 
o desenvolvimento de mecanismos que aumentassem a renda interna, via 
medidas de restrição de comércio exterior, controle de taxa cambial e excedentes 
exportáveis. Manter a demanda interna, com essas restrições, inevitavelmente, 
alimentou o processo de SI, na medida em que aumentou os preços das 
importações, e estimulou a produção interna (GREMAUD; SAES; JÚNIOR, 1997).
Oliveira (2012) destaca que esse impulso se manifestou de forma 
temporária diante das circunstâncias das guerras mundiais, e que se tornaria 
definitiva diante do contexto da Crise de 1929. Ambas situações contribuíam 
para um desabastecimento do mercado mundial, seja para exportação, seja para 
importação, gerando novas oportunidades e desafios. 
A passagem da Primeira República ou República Velha para o Governo 
Vargas abriu caminho para a discussão e prática de soluções aos problemas de 
abastecimento no âmbito de SI. “Livre de constrangimentos impostos pela prática 
e pelo pensamento Liberal, o regime de Vargas buscou [...] um novo padrão 
de intervenção estatal, [...] que gradualmente passou a se dedicar à busca da 
autossuficiência industrial” (OLIVEIRA, 2012, p. 103).
O desenvolvimento de uma ampla ação, que se baseava em desde leis até 
instituições públicas e empresas voltadas à retomada do crescimento, comprovou 
a adoção do Estado de bem-estar social, sustentadas no Projeto Nacional de 
Desenvolvimentismo, já apresentado anteriormente.
No período dentre o início e final da segunda Guerra (1939-1945), o Brasil 
alcançou uma grande expansão industrial, autossuficiência em muitos produtos 
de bens não duráveis e implantação de indústrias de base, porém, sem ainda 
o dinamismo na indústria de bens de consumo duráveis, que se importavam 
amplamente, pressionando déficits nos balanços comerciais e desequilíbrios 
externos.
TÓPICO 3 | O PROCESSO DE SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES (SI): A PARTIR DE 1930
115
Assim, 
De nada adiantava o país ser autossuficiente na produção de produtos 
de plásticos, por exemplo, se o preço dessa autonomia era a contínua 
e crescente importação de máquinas de fabricação de objetos de 
plásticos e matéria-prima correspondente. Ou seja, se o processo 
de industrialização por substituição de importações efetivamente 
eliminava a necessidade de se importar alguns bens, por outro lado, 
acabava criando outras necessidades de importação. Para completar 
o quadro, inexistia uma burguesia industrial capitalizada o suficiente 
para investir nos setores relacionados à indústria pesada e de bens de 
capital (OLIVEIRA, 2012, p. 105).
Diante dos desafios, destaca-se a importância do investimento Estatal nas 
indústrias de base, eliminando dessa forma, muitos pontos de estrangulamento 
do processo de industrialização, como o abastecimento de energia, combustíveis, 
comunicações, matérias-primas industriais e afins.
Todavia, foi no governo de Juscelino Kubitschek (1956 – 1961), 
abordado na próxima unidade, que a produção de bens de consumo duráveis 
foi definitivamente impulsionada e consolidada, através da abertura comercial 
a empresas multinacionais. Mesmo que sob estratégias de protecionismo da 
modernização da indústria nacional.
NOTA
O Estado do bem-estar ou Welfare State, no caso do Brasil, nesse período, 
qualificou-se pela presença de um Estado que buscava garantir e subsidiar políticas sociais e 
econômicas que se convertessem em ganhos sociais. Entretanto, dificuldades relacionadas a 
um Estado muito centralizador, com certa ineficiência em coalizar interesses entre os setores 
produtivos e o excesso de burocracia, contribuiu para um modelo pouco redistributivo em 
relação aos ganhos. 
Quanto aos riscos submetidos a SI que poderiam se agravar com seu 
avanço, Tavares (apud GREMAUD; SAES; JÚNIOR, 1997, p. 113) destacam, 
[...] Como a prévia distribuição de renda era bastante desigual, 
delineava-se um mercado de dimensões reduzidas e cuja demanda 
era constituída por classes de renda mais elevada. O resultado dessa 
conjugação de fatores era uma indústria bastante diversificada que, 
atendendo a mercado restrito, tendia à concentração e/ou a não 
usufruir dos ganhos de escala. Na ausência de competição externa, 
tendia-se à produção com custos elevados, em particular quando 
a tecnologia utilizada se destinava a atender mercados de massas 
dos países desenvolvidos, cuja escala ótima era substancialmente 
mais elevada do que a praticada nos países latino-americanos. [...] 
a adoção de tecnologias importadas conduzia a outras ordens de 
116
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
problemas: intensivas em capital e poupadores de mão de obra, [...] 
em claro desacordo com a disponibilidade de fatores dos países latino-
americanos [...].
A autora ainda destaca que o estrangulamento externo, enquanto 
motivador do processo de SI, estarialimitado à circunstância em que a demanda 
interna contida não mais existisse, isto é, a demanda por bens de consumo 
importados fosse substituída, gerando por sua vez, novo crescimento da demanda 
por outros produtos, e assim, novo estrangulamento e novas substituições.
 Isso se daria, até o ponto em que as empresas alcançariam maturidade e 
reduziriam as possibilidades de produtos a substituir. Essa situação, seria um limite ao 
modelo, diante de uma discussão sobre a temporalidade de seus benefícios. 
Entretanto, a autora ainda admitiria que, a partir da década de 50, com 
a definitiva implantação de segmentos produtivos como de bens de produção, 
indústria pesada e de bens de consumo duráveis, o padrão de acumulação 
então passaria a se modificar, partindo de elementos endógenos, determinados 
internamente sob um processo clássico capitalista de diversificação industrial, 
com ciclos saudáveis e esperados de expansão e retração pertinentes (TAVARES 
apud GREMAUD; SAES; JÚNIOR, 1997).
Isso representaria que, uma vez estabelecido os três setores de produção 
(agrícola, industrial e serviços), a dinâmica interna de crescimento passaria a 
ocorrer e ajustar-se sob a dinâmica desses três setores ou segmentos, não mais 
articuladas apenas com interesses classistas e vinculados a produtos ou setores 
específicos dependentes de condições externas.
O quadro a seguir apresenta o produto interno bruto no período já 
assumido pela prática do processo de SI, em que se verifica a inversão do enfoque 
produtivo (do agrícola para indústria e serviços) e seu crescimento. Logo se percebe 
o declínio da participação da agricultura no PIB, expressando a transformação 
que a economia estava passando e ainda continuaria a experimentar.
QUADRO 7 – BRASIL: PRODUTO INTERNO BRUTO POR CLASSES DE ATIVIDADE ECONÔMICA, 
1947-1963 (PARTICIPAÇÃO % MÉDIA)
PERÍODO AGROPECUÁRIA INDÚSTRIA SERVIÇOS TOTAL
1947/49 22,4 24,7 52,9 100,0
1950/54 24,2 24,9 50,9 100,0
1955/59 20,1 29,0 50,9 100,0
1960/63 17,7 32,6 50,4 100,0
FONTE: Gremaud, Saes e Júnior (1997, p. 119)
Em seguida, o quadro que segue apresenta e comprova essa transformação 
da estrutura industrial nesse mesmo período aproximado, detalhando as 
TÓPICO 3 | O PROCESSO DE SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES (SI): A PARTIR DE 1930
117
QUADRO 8 – BRASIL: ESTRUTURA INDUSTRIAL, 1919, 1939, 1949, 1959
(EM % DE PRODUÇÃO A PREÇOS CORRENTES)
categorias e seus produtos, cujas dinâmicas de crescimento são específicas dentro 
de cada indústria pertinente ao processo.
CATEGORIAS 1919 1939 1949 1959
Bens de consumo não 
duráveis:
83,62 75,06 67,77 51,10
Têxtil 25,20 20,61 18,69 12,54
Vestuário e calçados 7,70 6,20 4,34 3,41
Alimentos 37,75 36,17 32,02 24,15
Bebidas 4,40 2,24 31,13 2,37
Fumo 3,34 1,53 1,38 1,12
Editorial e gráfica – 3,15 2,83 2,28
Couros e peles 2,35 1,95 1,52 1,08
Farmacêutica 0,76 1,44 1,93 1,95
Perfumaria e sabões 2,52 1,77 1,73 1,52
Plásticos – – 0,20 0,68
Bens de consumo 
duráveis e/ou bens de 
capital
2,54 5,62 6,97 15,46
Material de transporte 1,20 2,54 2,31 6,79
Material elétrico 0,07 0,91 1,60 2,85
Mecânico – 0,79 1,40 3,98
Mobiliário 1,27 1,38 1,66 1,84
Bens intermediários 13,10 18,54 24,28 32,15
Metalurgia 3,18 5,41 7,60 10,53
Minerais não metálicos 2,55 3,52 4,51 4,52
Química 2,02 4,59 5,18 8,96
Madeira 4,04 2,41 3,39 2,64
Papel e papelão 1,19 2,11 1,99 2,97
Borracha 0,12 0,50 1,61 2,53
Diversos 0,74 0,80 1,43 1,29
FONTE: Gremaud, Saes e Júnior (1997, p. 138)
Além dos dados de crescimento da produção por setores, destacando 
as áreas vinculadas à produção de bens de produção e bens de consumo não 
duráveis, embora a importação ainda se fazia presente em produtos que ainda 
eram precários de certos insumos internos, os dados apontam a expansão 
significativa diante dos desafios da época. 
118
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
São muitas as teses de defesa e crítica ao processo de SI no Brasil, como 
a possibilidade de pressão na balança de pagamentos, os benefícios aos lucros 
maiores em detrimento aos salários e às tensões sociais subsequentes. 
Estas e outras abordagens do SI voltarão a serem apresentadas, tanto 
nessa disciplina ainda, como em outras e no decorrer do curso de ciências 
econômicas. Entretanto, prevalecem os resultados, superiores às possibilidades 
de esgotamento do modelo, com novos impulsos de crescimento no final dos 
anos 1960.
Esperamos que você tenha conseguido compreender um pouco mais 
sobre essa etapa do processo de formação econômica do Brasil, e esteja mais 
entusiasmado, mas principalmente, mais apto para continuar essa jornada! 
LEITURA COMPLEMENTAR
Brasil e Estados Unidos: paradigmas de desenvolvimento em confronto
[...] Por que algumas economias lograram o desenvolvimento, e outras 
não, se repete ao longo de diversos textos de Furtado. O autor levanta a questão 
de por que se industrializaram os Estados Unidos no século XIX, enquanto o 
Brasil evoluía no sentido de transformar-se, no século XX, numa vasta região 
subdesenvolvida? A argumentação de Furtado vai muito além de questões 
relativas a políticas protecionistas, ausentes no Brasil e (supostamente) presentes 
nos Estados Unidos nas épocas de suas respectivas conquistas de independência 
política. É preciso recordar, antes de tudo, que o Brasil, em fins do primeiro 
quartel do século XIX, enfrentava severos desajustes em sua economia. Não havia 
polo dinâmico na nação que recém adquirira a independência; a grande lavoura 
açucareira encontrava-se em crise, dada pela queda dos preços internacionais 
resultante da forte concorrência das colônias antilhanas; o ciclo mineiro já se 
havia exaurido, e o café só viria a ganhar maior relevância pelo menos um par 
de décadas mais tarde. Nessa economia – na prática, de matriz ainda colonial – 
incapaz de gerar as indispensáveis divisas para seu desenvolvimento, sobreveio 
o problema adicional, para o já combalido Tesouro Público, das crescentes 
despesas inerentes ao processo de consolidação da independência – inclusive 
aquelas destinadas ao financiamento das incursões militares organizadas para 
sufocar revoltas e movimentos secessionistas. Em tais condições, conclui Furtado, 
a pressão exercida por esses fatores – crise do setor exportador e déficits públicos 
crescentes – teria de se resolver, como de fato ocorreu, mediante uma forte 
depreciação cambial. O impacto desta teria sido de tal ordem que “se se houvesse 
adotado, desde o começo, uma tarifa geral de 50% ad valorem, possivelmente 
o efeito protecionista não tivesse sido tão grande como resultou ser com a 
desvalorização da moeda” (FURTADO, 1976, p. 99-100). Analisando a economia 
norte-americana, argumenta Furtado que, em fins do século XVIII e início 
do XIX, está ainda se encontrava fortemente vinculada à economia europeia, 
TÓPICO 3 | O PROCESSO DE SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES (SI): A PARTIR DE 1930
119
sendo, portanto, equivocado associar seu desenvolvimento a medidas internas 
protecionistas. Com efeito, “o protecionismo surgiu nos EUA, como sistema 
geral de política econômica, em etapa já bem avançada do século XIX, quando 
as bases de sua economia já se haviam consolidado” (FURTADO, 1976, p. 100). 
Minimizada a relevância de políticas protecionistas, Furtado examina então certas 
condições estruturais que determinaram a formação da sociedade e da economia 
dos Estados Unidos, contrapondo-as à experiência brasileira. Em essência, o 
argumento explora a forma de colonização empreendida na América do Norte, 
em particular na Nova Inglaterra, e o tipo de atividade econômica dominante até 
o século XVII, que favoreceram o estabelecimento da pequena propriedade de 
base familiar em larga escala. As comunidades formadas com tal característica, 
embora apresentassem produtividade média inferior à das colônias baseadas na 
grande propriedade exportadora, possuíam, em contrapartida, uma estrutura 
distributiva mais homogênea, além de estarem desvinculadas do compromisso 
de remunerarvultosos capitais a elas externos. [...] E, em contraste com as colônias 
de grandes plantações, onde renda e consumo se concentravam numa reduzida 
classe de proprietários que se satisfazia com importações, “nas colônias do norte 
dos EUA os gastos de consumo se distribuíam pelo conjunto da população, sendo 
relativamente grande o mercado dos objetos de uso comum” (FURTADO, 1976, p. 
30). Desta forma, o comportamento dos grupos sociais dominantes dos dois tipos 
de colônia deveria ser necessariamente diferente, correspondendo às distintas 
estruturas econômicas. [...] Pode-se, pois, perceber que a alteridade estrutural 
das economias brasileira e norte-americana, no fim dos seus respectivos ciclos 
coloniais, está no cerne da argumentação furtadiana. Segundo Furtado (1976, 
p. 101), a classe dominante no Brasil era formada por grandes agricultores 
escravistas, enquanto nos Estados Unidos, esta era formada por proprietários 
rurais de pequeno porte e grandes comerciantes urbanos, o que implicava 
marcantes diferenças sociais, apesar de serem as duas populações semelhantes, 
em ordem de grandeza. [...] A economia norte-americana já possuía bases próprias 
para uma expansão da sua produção interna. Havia uma robusta indústria naval, 
além da aludida distribuição de renda relativamente pouco desigual, o que lhe 
adjudicava maiores potencialidades para o mercado interno. [...] Aponta Furtado 
(1976) que justamente como exportadores de matéria-prima os Estados Unidos 
assumiram, desde os primórdios, a posição de “vanguarda” da Revolução 
Industrial. Uma vez que a Revolução Industrial consistiu fundamentalmente, 
em seu princípio, na transformação da indústria têxtil por meio de: i) mecanizar 
processos manufatureiros; e ii) substituir a lã pelo algodão, assim Furtado (1976) 
constata que a Inglaterra introduzia os processos de mecanização, ao passo 
que os Estados Unidos forneciam as gigantescas quantidades de algodão que 
permitiam, em pouco tempo, transformar a oferta de tecidos em todo o mundo. 
As bases do processo de desenvolvimento norte-americano resultariam, portanto, 
de uma combinação de múltiplos fatores, entre eles: uma estrutura econômica e 
social mais homogênea (principalmente nas colônias do Norte) e o consequente 
aparecimento de agentes e instituições políticas aptas a vocalizar os interesses 
nacionais; [...] Assim, Furtado (1976) interpreta que na primeira metade do século 
XIX a atuação do Estado foi fundamental no desenvolvimento estadunidense. 
Apenas a partir da segunda metade do mesmo século, em que a influência dos 
120
UNIDADE 2 | A INTRODUÇÃO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRO
grandes negócios cresce largamente, é que a ideologia da não intervenção do 
Estado na economia passaria a prevalecer. Por sua vez, no Brasil, mais do que 
a ausência do mercado interno de base técnica e de uma classe dinâmica de 
dirigentes, faltaram aqueles estímulos externos. Os motivos estruturais para a 
conformação desse quadro se encontram em processos de formação de renda e 
acumulação de capital do sistema econômico escravista, da economia açucareira 
e, em seguida, na mineira.
FONTE: VIANNA, Salvador Teixeira Werneck; LEITE, Marcos Vinicius Chiliatto. A questão da Lei de 
Say e o retorno à teoria de subdesenvolvimento de Celso Furtado. In: ARAÚJO, Tarcisio P.; VIANNA, 
Salvador T.; MACAMBIRA, Junior (Orgs.). 50 anos de Formação Econômica do Brasil: Ensaios sobre a 
obra clássica de Celso Furtado. RJ: IPEA, 2009. Disponível em: <http://ipea.gov.br/agencia/images/
stories/PDFs/livros/livros/Livro50AnosdeFormacao_Salvador_WEB.pdf>. Acesso em: 25 jul. 2018.
121
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que: 
• O período posterior à crise de 29 e pós-Segunda Guerra contribuiu para a 
instabilidade e crise no Brasil, problemas esses, relacionados principalmente, 
aos elevados gastos públicos, aos desequilíbrios na Balança Comercial e 
consequente processo inflacionário.
• A adoção de políticas monetárias (ora contracionistas, ora expansionistas) e 
cambiais (via desvalorizações ou sobrevalorizações) continuavam a serem 
aplicadas, no intuito de amenizar os efeitos internos das crises, diante de 
aumento crescente da concorrência e competitividade internacional. 
• A defesa das exportações, em detrimento das importações, foi majoritária. 
Porém, foi necessário desenvolver setores, principalmente aqueles produtivos 
de bens de consumo duráveis, para isso cresceu a presença e investimento 
estatal em ações voltadas a esse propósito.
• Durante o processo de investimento estatal, confirmou-se então, o projeto 
maior de industrialização e autossuficiência produtiva, diante das necessidades 
internas e externas de dinamizar os mercados. Por outro lado, as pressões 
sociais aumentaram frente a interesses múltiplos por ganhos econômicos e 
políticos no decorrer das manobras governamentais.
• Foi colocado em prática o início do Processo de Substituição de Importações, 
como via de crescimento e desenvolvimento econômico. Uma via sem volta, 
em que mesmo diante de limites ou inúmeros desafios, promoveu ao país 
maturidade e ganhos de escala em todas muitas perspectivas.
122
1 Muitas das dificuldades que contribuíram para os episódios de crises na 
economia brasileira no período de 1930 a 1950 estavam relacionadas em 
nível de capital internacional e a um certo reordenamento político externo, 
em relação à condução das questões econômicas pelos Estados. 
 Diante dessa constatação, apresente em que se basearam nossos principais 
problemas econômicos nesse período.
2 Algumas medidas no âmbito da política monetária e cambial tinham como 
objetivos interferir diretamente no mercado, e de fato, conseguiram, ademais 
a temporalidade de seus fins ou alcances. Sob essa afirmação, explique em que 
consistia a “Instrução 70” da SUMOC (Superintendência de Moeda e Crédito).
3 Em relação ao processo de Substituições de Importações, facilmente 
compreendido como uma estratégia para o alcance ao desenvolvimento 
e fortalecimento da indústria interna, inicia-se um debate acerca de sua 
aplicabilidade e alcance de seus objetivos. 
Sobre essas questões, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Considera-se que o Processo de SI encontrou vantagens relacionadas à 
capacidade ociosa existente no setor industrial, inicialmente. Somente 
após certo período, as importações de máquinas viriam a ocorrer. 
( ) Os recursos oriundos das exportações não poderiam ser convertidos 
em capital para o investimento no processo de SI, dado o grande 
entesouramento por parte das classes produtivas. 
( ) Umas das condições essenciais para o êxito do processo de SI seria que sua 
dinâmica continuasse vinculada a interesses classistas e não aos setores 
produtivos na economia.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) V – F –V.
( ) F – V – F.
( ) F – V – V.
( ) V – V – F. 
4 Atribui-se que para que a consolidação do processo de SI fosse bem-
sucedida, ele deveria iniciar-se pela indústria de bens de consumo duráveis. 
Essa defesa possui importante justificativa econômica. Apresente-a. 
AUTOATIVIDADE
123
UNIDADE 3
A ECONOMIA BRASILEIRA DO 
SÉCULO XX
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer a importância do planejamento para a economia por meio do 
Plano de Metas de Juscelino Kubitschek e a participação do capital estran-
geiro na economia brasileira;
• analisar o período relativo ao “milagre” da economia brasileira e o projeto 
de desenvolvimento para o país;
• examinar a crise dos anos 1980 e as medidas utilizadas para conter o pro-
cesso de hiperinflação.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você en-
contrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – INDUSTRIALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
TÓPICO 2 – MILAGRE ECONÔMICO
TÓPICO 3 – REDEMOCRATIZAÇÃO E INFLAÇÃO
124
125
TÓPICO 1
INDUSTRIALIZAÇÃOE DESENVOLVIMENTO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico! Chegamos à terceira e última unidade do livro de 
Formação Econômica do Brasil. Nas páginas seguintes, você descobrirá de que 
forma se estruturou a economia brasileira durante o século XX, sobretudo entre 
a década de 1950 e 1990. Estudaremos desde os conceitos mais elementares a 
respeito do planejamento econômico do Plano de Metas até os planos de 
estabilização econômica ao final da década de 1980.
A economia brasileira ao longo do século XX passou por diferentes 
abordagens econômicas, ritmos de crescimento e políticas para o desenvolvimento. 
Tivemos governos eleitos diretamente pelo povo, um regime militar com forte 
autoritarismo, e uma retomada do processo democrática com um cenário 
econômico conturbado. Mesmo assim, nosso crescimento econômico chegou a 
um dos maiores do mundo, com a formação de uma indústria nacional muito 
bem integrada.
Desta forma, cabe-nos perguntar: em que momento o planejamento 
econômico passa a ser uma peça fundamental para a organização da atividade 
econômica? Até que ponto há vantagens na participação do capital estrangeiro 
na economia nacional? Qual é o impacto do golpe militar de 1964 para o 
desenvolvimento econômico e social do Brasil? Por que a década de 1980 ficou 
conhecida como a década perdida? Por que as políticas contra o processo 
inflacionário até 1990 falharam?
A fim de responder a estas e a outras perguntas, a Unidade 3 do presente 
livro conterá uma leitura fácil e dinâmica, com páginas que contam com figuras, 
tabelas, quadros, informações adicionais e dicas para você poder aprofundar o 
seu estudo.
No Tópico 1 iremos estudar a industrialização e o desenvolvimentismo 
a partir do estudo dos conceitos de planejamento, do Plano de Metas e da 
participação do capital internacional.
Desejamos ótimos estudos!
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
126
2 A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO ECONÔMICO
 É muito provável que você já tenha ouvido falar ou lido em algum 
periódico sobre o planejamento econômico e/ou a respeito do planejamento 
governamental. Pois bem, mas será que planejar a economia foi um objetivo que 
sempre existiu nos países? Ou ainda: desde que momento o ato de planejar o 
crescimento econômico tornou-se uma atribuição dos estados nacionais?
Planejamento é um conceito que pode expressar a diferença mais 
primitiva entre os homens e os demais seres vivos. Os modos pelos quais ações são 
executadas por diferentes espécies, isto é, as formas pelas quais homens e outros 
seres vivos utilizam sua força de trabalho para transformar matérias naturais 
em valores que sirvam para satisfazer necessidades próprias, nem sempre são 
diferentes.
Vejamos a analogia para o planejamento quanto ao caso da aranha e de 
um tecelão; da abelha e do arquiteto.
FIGURA 1 – HABILIDADES DAS ARANHAS E DAS ABELHAS
FONTE: <https://bit.ly/2TQ0ZmN; https://bit.ly/2VQCyY2>. Acesso em: 8 nov. 2018. 
“Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha 
envergonha mais de um arquiteto humano com a construção de suas colmeias”. 
Pois, “o que distingue, de antemão, o pior arquiteto da melhor abelha é que ele 
construiu o favo em sua cabeça, antes de construí-lo em cera” (MARX, 1985a, p. 
149). O homem não apenas modifica o meio natural, mas, realiza, ao mesmo tempo, 
seu objetivo – aquilo que já existia em sua imaginação idealmente e planejado.
IMPORTANT
E
Tanto os homens quanto os animais executam tarefas que requerem muita 
habilidade. A grande diferença dos humanos está no ato de planejar suas ações. Com o 
planejamento adequado, podemos atingir objetivos previamente determinados.
TÓPICO 1 | INDUSTRIALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
127
O que podemos começar a entender é que planejar tem a ver com a definição 
de objetivos que serão alcançados em futuro de curto, médio ou longo prazo.
Embora diferentes possíveis definições do termo planificação, ou 
planejamento, cada qual com sua especificidade, levem a fins semelhantes, tais 
como alcançar o futuro, as divergências no conceito apontam para variados 
caminhos, por exemplo:
1) incertezas e complexidades inerentes aos processos de planejar 
(MELO, 2001), pois “seu cálculo é nebuloso e sustenta-se na 
compreensão da situação” (MATUS, 1991, p. 28);
2) metodologias de aplicação a projetos, uma vez que o planejamento 
“estabelece objetivos, define linha de ação e planos detalhados” 
(LOPES, 1990, p. 24);
3) modelos sistemáticos de compreensão, ao atuar “através de um 
controle de vastas redes de órgãos e instituições interdependentes” 
(LOPES, 1990, p. 24);
4) análises de futuro, a partir do entendimento que muitas das formas 
de planejamento buscam inserir-se no futuro e, ao mesmo tempo, 
vivenciar este futuro (GUILLEZEAU, 2002).
Além dos diferentes significados por meio dos quais o planejamento 
foi sendo caracterizado, do ponto de vista de sua classificação, um sistema de 
planejamento pode ser dividido entre as escolas ou modelos, substantivo e 
procedimental de planejamento, que, respectivamente, dizem respeito: (i) ao 
fenômeno que se aplica o processo de planejamento, e (ii) aos processos, métodos 
e às técnicas das etapas de sua execução.
IMPORTANT
E
O planejamento possui muitos entendimentos através de seus variados 
conceitos. De forma mais simples, podemos separar entre o planejamento substantivo (que 
se interesse pelo contexto social e econômico, de fato) e o planejamento procedimental 
(aquele que se preocupa com as técnicas e as metodologias de planejamento).
Visto de outra forma, o planejamento pode, também, ser elaborado 
em diferentes graus, abrangendo partes ou a totalidade de uma economia. “O 
planejamento global procura dar uma visão ampla do desenvolvimento da 
economia, fixando objetivos a atingir e procurando assegurar a consistência entre 
a oferta e a demanda de bens em todos os setores” (LAFER, B., 1975, p. 16).
Pode ainda, limitar-se a determinados setores, como é o caso do 
planejamento setorial voltado para o investimento em infraestrutura, educação, 
saúde. Aí, os desequilíbrios entre oferta e demanda podem ser superados de 
maneira planejada mesmo quando os objetivos mais gerais (crescimento de renda 
ou emprego) ainda não foram fixados.
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
128
Mas, afinal, de que forma e quando o planejamento começa a ser utilizado 
pelos países do mundo?
Quanto à difusão do conceito de planejamento, é preciso dizer que se iniciou 
a planejar de maneira mais abrangente e de forma mais explícita no início do século 
XIX na Europa. Naquele momento e lugar, as cidades passaram a conviver com o 
caos urbano provocado, sobretudo, pelo avanço do capitalismo – e agravado pela 
Revolução Industrial do século XVIII – que alterou a disposição das regiões urbanas.
O planejamento e a ciência do urbanismo surgiram como tentativa de 
solucionar as questões relativas ao grande crescimento populacional nas cidades 
industriais que, por sua vez, resulta, em grande medida, da chamada acumulação 
primitiva (MARX, 1985b, p. 261), cuja dinâmica retira dos trabalhadores do campo 
seus meios de produção, tornando-os trabalhadores assalariados no interior das 
fábricas localizadas nas cidades.
As bases da formação de um planejamento urbano para as recém-criadas 
grandes cidades europeias estavam nos funcionários públicos municipais e 
reformadores, cujas preocupações, primeiramente, eram de regular os sistemas 
de saúde, obras públicas e saneamento.
Um segundo movimento em que o planejamento é difundido pelos 
países é relativo ao problema da pobreza. Já no século XX, na Europa e em países 
periféricos, a administração da pobreza faz surgir uma ampla área de intervenção 
a partir do Estado que ficou conhecida por “social”, cuja valorização de questões 
sociais e urbanas dá origem a uma ênfase à intervenção crescente e direta tanto de 
profissionais especializados em temas como pobreza, saúde, educação, saneamento, 
desemprego, como do próprio Estado em nome da promoçãodo bem-estar social.
A estreia do planejamento social na Europa, refere-se ao momento em 
que o estado assume a tarefa de levar “progresso” para a sociedade por meio de 
“um corpo de leis [...] cujo objetivo era regulamentar as condições de trabalho e 
tratar questões relacionadas com acidentes, com idosos, com o trabalho feminino, 
e com a proteção e educação de crianças” (ESCOBAR, 2000, p. 213), nivelando 
conjuntamente as condições de trabalho nas fábricas, educação nas escolas, 
regras para os hospitais e conduta nos presídios. Ao passo que a participação do 
Estado se tornava mais intensa em busca de soluções, a sociedade deveria viver 
e reproduzir aquilo que lhe havia sido “planejado” (VARGAS, 2013).
Com base nestes contextos históricos, podemos compreender a importância 
do planejamento para o funcionamento das economias mundiais entre os séculos 
XIX e XX. Tanto a formação e o crescimento acelerado das cidades propriamente 
urbanas, quanto as condições sociais são elementos que explicam a transformação 
do papel do Estado na economia.
A intervenção do Estado na condução da economia como promoção de 
desenvolvimento se dissemina no início do século XX nas políticas dos governos e nas 
ações dos Estados, regulando o direcionamento político das iniciativas econômicas.
TÓPICO 1 | INDUSTRIALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
129
Isto ocorre porque as forças do mercado (o livre mercado), com pouca 
intervenção do Estado, mostravam-se incapazes de cumprir com objetivos 
econômicos e sociais esperados. Era o caso tanto dos países considerados 
mais desenvolvidos quanto dos menos desenvolvidos. Assim, no século XX, a 
instabilidade do sistema econômico, a nova ênfase no desenvolvimento econômico 
e a luta contra a miséria “[...] levaram à elaboração de modelos racionais de 
política econômica, que permitissem dominar as forças econômicas em direção à 
alocação ótima dos recursos” (LAFER B., 1975, p. 12).
O primeiro país a planejar sua Economia foi a partir do caso da União 
Soviética com a utilização de planos econômicos de longo prazo. A partir da 
década de 1920 já se iniciava um processo de organização centralizada na União 
Soviética: o número de funcionários do Estado passou de pouco mais de 100.000 
para crescentes 5.880.000. Entre 1928 e 1933, vigora o Primeiro Plano Quinquenal 
global soviético (aprovado em maio de 1929, pelo V Congresso dos Sovietes da 
URSS), cujo processo abarca todo o sistema econômico, mas exclui formalmente 
os mecanismos usuais de mercado e formação de preços, esmiuçando o processo 
produtivo em função de metas nacionais estabelecidas pelo Estado visando uma 
rápida industrialização (MIGLIOLI, 1997).
Era o momento em que praticamente todas as economias mundiais 
enfrentavam a crise econômica, ou a grande depressão, resultado da quebra da bolsa 
de valores de Nova Iorque em 1929. No entanto, enquanto as economias capitalistas 
iam de mal a pior no período, a participação da indústria nacional soviética aumentou 
de 5% em 1929 para 18% em 1938 (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
Tais resultados deixaram políticos e técnicos dos governos de diversos 
países impressionados, fazendo com que os termos ligados ao planejamento 
fossem rapidamente utilizados nos debates econômicos até mesmo dos países 
capitalistas – cujas economias não eram centralmente planificadas. Com a 
divulgação da macroeconomia keynesiana e com o avanço dos modelos de 
crescimento econômico, o planejamento estatal passou a ser utilizado como uma 
técnica econômica em todo o mundo (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
NOTA
Relembrando: as economias de mercado são aquelas nas quais os problemas 
econômicos são resolvidos e organizados pelo próprio mercado, tendo o Estado um papel 
limitado. Nas economias planificadas, a economia é organizada integralmente pelo Estado, 
com base em mecanismos de planejamento e intervenção econômica.
Rapidamente, as técnicas e métodos do planejamento a partir do Estado 
foram sendo aperfeiçoadas com a programação linear, os modelos econométricos, 
as matrizes insumo-produto e, após a Segunda Guerra Mundial, o planejamento 
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
130
3 JUSCELINO KUBITSCHEK E O PLANO DE METAS 
(1956-1961)
As alterações ocorridas nas economias capitalistas após a década de 
1930 também atingem o Brasil, sendo que é neste período que se tem uma forte 
evolução do sistema político e econômico. Com o governo de Getúlio Vargas, 
entre 1930 e 1945, o Estado brasileiro passa a desempenhar funções cada vez mais 
complexas na economia nacional.
Há uma crescente participação e atuação do Estado na política econômica 
tanto para promover o desenvolvimento como para estabilizar crises econômicas. 
E dando continuidade a este processo de planejamento a partir do Estado, na 
década de 1940, inicia-se a estruturação de certo aparato científico e corpo técnico 
propriamente para se pensar o planejamento no Brasil (MIRANDA NETO, 1981).
Um exemplo está na Missão Cooke, que foi um dos casos de cooperação 
técnica formada com o objetivo de captar recursos financeiros, sobretudo, dos 
Estados Unidos, para a formulação de projetos econômicos no Brasil. Estas 
comissões de trabalho procuravam fazer um balanço da situação econômica da 
época e definir prioridades para os investimentos públicos. O Plano SALTE (sigla 
do Plano voltado para as áreas de saúde, alimentação, transporte e energia) teve 
origem a partir destas cooperações e foi submetido à apreciação do Congresso em 
1948 (FURTADO, 1985, p. 43).
IMPORTANT
E
Entre 1951 e 1953 foi constituída a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos 
(CMBEU) que tinha como objetivo elaborar projetos a serem financiados pelo Banco de 
Exportação e Importação dos Estados Unidos (EXIMBANK) e pelo Banco Internacional de 
Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
foi levado aos países do “Terceiro Mundo” como forma de alcançar o progresso e o 
desenvolvimento. Assim, foi possível desenvolver-se não apenas o planejamento 
global, mas também o regional e microrregional, e o planejamento setorial, 
chegando à elaboração de projetos muito bem especificados.
Estas economias ditas menos desenvolvidas almejavam uma 
industrialização rápida e o aumento da renda per capita, notadamente, nas 
décadas de 1950 e 1960 – bem como se apresenta o caso do desenvolvimento 
brasileiro. O incentivo ao crescimento econômico para estabelecer um processo 
de desenvolvimento serviu de orientação para um novo sistema de planos 
nacionais de desenvolvimento (ESCOBAR, 2000).
TÓPICO 1 | INDUSTRIALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
131
 Já em 1953 formou-se uma comissão mista de técnicos da CEPAL 
(Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) e do recentemente criado 
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), cuja chefia ficará a 
cargo do importante economista brasileiro Celso Furtado. A principal ideia do 
Grupo Misto BNDE-CEPAL era a de difundir no Brasil a Técnica de Planificação 
que se vinha desenvolvendo no interior da CEPAL (FURTADO, 1985).
Uma vez que a CEPAL e a comissão interna organizada no Brasil 
procuravam pensar uma via de desenvolvimento para o país, o Plano de Metas 
de Juscelino Kubitschek teve amplo apoio desses estudos para formular em tempo 
recorde as metas do Governo, embora o principal objetivo fosse a construção da 
nova capital do país em Brasília (ver figura a seguir) (FURTADO, 1985).
FIGURA 2 – CONSTRUÇÃO DA NOVA CAPITAL DO BRASIL DURANTE A DÉCADA DE 1950
FONTE: <http://www.jws.com.br/2018/02/documentario-sobre-a-construcao-de-brasilia/>. 
Acesso em: 8 nov. 2018. 
O trabalho do grupo misto BNDE-CEPAL foi realizar um levantamento 
dos principais pontos de estrangulamento da economia brasileira, com ênfase nos 
setores de transporte, energia e alimentação. Outro objetivo era identificar as áreas 
industriais cuja demanda era reprimida e que não poderiam ser satisfeitas a partir 
das importações. Com base em todos estes diagnósticos, caberia às comissões 
propor projetos e planos específicospara a resolução destes problemas, sendo 
um destes a consideração da criação de novos ramos industriais, como a indústria 
automobilística (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
 
Portanto, é em meados da década de 1950 que o planejamento no Brasil 
toma uma forma mais definida. O período de 1956 a 1961, correspondente 
ao Plano de Metas, deve ser interpretado com maior especificidade, pela 
complexidade de suas formulações, quando comparado com as tentativas 
anteriores de investimento apenas na infraestrutura do país, e pela profundidade 
de seu impacto, principalmente em virtude do sistema político vigente. Por estas 
peculiaridades o Plano de Metas pode ser considerada a primeira experiência 
brasileira de planejamento governamental, embora ainda não se trate de um 
planejamento global da economia (ALMEIDA, 2004; LAFER, C., 1975).
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
132
Todavia, os grupos de trabalho que foram formados a partir do governo 
de Kubitschek não conseguiam ter a mínima capacidade necessária de atuação. 
Paradoxalmente, a construção de Brasília avançava rapidamente. A “questão 
nordestina”, por exemplo, tornava-se um problema ao grande projeto nacional de 
Kubitschek, pois o forçava a redirecionar seu foco político. O importante Grupo 
de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN), formado a fim de 
estudar essa situação, não contava com pessoas de fato capazes de articular os 
problemas do desenvolvimento nacional e regional; seus estudos partiam do zero. 
Em verdade, todas as iniciativas que surgissem neste âmbito seriam paliativas 
por falta de investimentos regionais, uma vez que a construção de Brasília era 
prioridade (FURTADO, 1989).
Apenas com a criação da Superintendência do Desenvolvimento do 
Nordeste (SUDENE), em 1959, como novo grupo de trabalho, é que os planos 
tomam forma definida de crescimento e melhoria da qualidade de vida de uma 
população. Não é à toa que essa experiência viria a servir de referência a vários 
programas e planos regionais por todo o Brasil (BARROS, 1975).
No entanto, a política voltada à industrialização, do Plano de Metas de 
Kubitschek, após certa euforia nacional devido a altas taxas de crescimento do 
PIB, foi a grande responsável pelo início do surto inflacionário e estagnação 
econômica a partir de 1962, mesmo com os esforços do plano de estabilização 
monetária (1958-1959) implementado no fim de seu mandato (MACEDO, 1975).
Desta forma, o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek é um marco para a 
industrialização e o desenvolvimento econômico do Brasil por conter um conjunto 
de 31 metas amplas para a economia, incluindo a meta-síntese: a construção 
de Brasília. Este ambicioso plano de desenvolvimento contava com objetivos 
setoriais que convergiam à industrialização sólida da economia brasileira e que 
se referia a uma decisão importante na história econômica do país, convergindo 
ao processo de substituição de importações em andamento (LACERDA; REGO; 
MARQUES, 2000).
FIGURA 3 – JUSCELINO KUBITSCHEK E O PLANO DE METAS
FONTE: <http://pensamentojk.blogspot.com/2011/05/3-o-plano-de-metas.html>.
Acesso em: 8 nov. 2018. 
TÓPICO 1 | INDUSTRIALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
133
Os setores da economia que receberam maior parte dos investimentos 
foram os de energia, transporte, siderurgia e refino de petróleo. Além disso, 
foram oferecidos subsídios e estímulos econômicos à expansão e diversificação 
de todo o setor secundário, atingindo indústrias produtoras de equipamentos e 
insumos de alta intensidade de capital.
Assim, para que o Plano pudesse ser executado, foram criados novos 
grupos executivos de trabalho, congregando representantes públicos e privados 
para que a formulação de políticas industriais pudesse ocorrer de forma conjunta. 
Os grupos mais conhecidos e atuantes foram o Grupo Executivo da Indústria 
Automobilística (GEIA), da Construção Naval (GEICON), de Máquinas Agrícolas 
e Rodoviárias (GEIMAR), de Indústria Pesada (GEIMAP), de Exportação de 
Minério de Ferro (GEMF), de Armazenagem (Comissão Consultiva de Armazéns 
e Silos), e de Material Ferroviário (GEIMF) (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
 
O Plano de Metas trouxe uma atuação fortíssima do Estado na economia 
brasileira, representando uma forte ruptura do modelo de crescimento até então 
vigente. A política econômica do Plano dava especial atenção ao capital estrangeiro 
(tema que será visto com mais especificidade no próximo item), contando com 
fontes externas de captação de recursos.
Além desta, uma outra medida característica do Plano foi o financiamento 
dos gastos públicos e privados por meio da expansão dos meios de pagamento, ou 
seja, por meio de uma política monetária que aumentava a quantidade de moeda 
em circulação. Mas, também, este financiamento ocorria via empréstimos do 
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e de bancos localizados 
no exterior.
NOTA
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) foi criado em 1952 
pela Lei nº 1.628, de 20 de junho, com o objetivo de ser o órgão formulador e executor 
da política nacional de desenvolvimento econômico. Na década de 1980, como marca da 
integração das preocupações sociais com as econômicas, o banco recebeu a letra S em 
sua sigla, gerando a atual denominação Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e 
Social, o BNDES.
FONTE: <https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/quem-somos/nossa-historia>. Acesso 
em: 8 nov. 2018. 
O aumento do acesso ao crédito privado foi estimulado a partir do Banco do 
Brasil por meio de empréstimos de curto prazo, sobretudo, para garantir o capital 
de giro das empresas nacionais. Medida econômica que ocasionou uma pressão 
ainda maior no déficit público oriundo da execução das ações do Plano de Metas.
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
134
A tabela a seguir apresenta algumas das atuações do Estado com o Plano 
de Metas, revelando a previsão de realização de determinada ação, bem como a 
quantidade, de fato, realizada. Leia os dados da tabela:
TABELA 1 – AÇÕES DO PLANO DE METAS: PREVISÃO E RESULTADOS (1957-1961)
Meta Previsão Realizado %
Energia Elétrica (1.000 kw) 2.000 1.650 82
Carvão (1.000 ton.) 1.000 230 23
Petróleo-Produção (1.000 barris/dia) 96 75 76
Petróelo-Refino (1.000 barris/dia) 200 52 26
Ferrovias (1.000 km) 3 1 32
Rodovias-Construção (1.000 km) 13 17 138
Rodovias-Pavimentação (1.000 km) 5 – –
Aço (1.000 ton.) 1.100 650 60
Cimento (1.000 ton.) 1.400 870 62
Carros e caminhões (1.000 un.) 170 133 78
Nacionalização (carros – %) 90 75 –
Nacionalização (caminhões – %) 95 74 –
FONTE: Lacerda et al. (2000, p. 31)
Entre o período dos anos de 1951 e 1961, o Produto Interno Bruto (PIB) 
brasileiro cresceu a uma taxa anual de 8,2%, resultando em um aumento da 
renda per capita (PIB per capta) de 5,1% – variações que superaram até mesmo os 
objetivos do Plano de Metas.
O aumento do PIB e do PIB per capita são atribuídos à implantação do 
Plano, uma vez que as projeções de crescimento da economia para os próximos 
cinco anos, a partir de 1951, eram bastante pessimistas quando foram divulgadas 
pelo Grupo Misto BNDE-CEPAL.
Analisando os dados da tabela anterior com maior atenção, pode-se ver 
que as metas setoriais do Plano também alcançaram excelentes resultados com 
relação às previsões. Pois, por exemplo, dos 2 milhões de kw de geração de energia 
elétrica previstos com a execução do Plano de Metas, 1,65 milhão de kw passaram 
a ser gerados no Brasil, ou seja, 82% do previsto. Outras metas importantes foram 
a produção de petróleo, que atingiu 76% do esperado, chegando a 75.000 barris 
por dia, e a produção de carros e caminhões, com 133.000 unidades produzidas, 
representando 78% do previsto pelo Plano. Por fim, a meta que mais se destaca é 
aquela referente à construção de rodovias, cuja quantidade executada ultrapassa o 
previsto: dos 13.000 km planejados, foram construídos 17.000 km – 138% da meta.
O que se pode perceber é que muitas áreas da economia passam a receber 
incentivo diretodo Estado, garantindo que seu desenvolvimento possa ocorrer. 
Portanto, pode-se ver que grandes áreas produtivas, como é o caso do petróleo, do 
TÓPICO 1 | INDUSTRIALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
135
carvão e do aço, são privilegiadas pela ação do Estado. Já uma segunda frente de 
atuação é a partir de grandes obras de infraestrutura, no que diz respeito às rodovias, 
ao cimento e à energia, com a construção de novas usinas hidrelétricas. Os últimos 
três itens da tabela revelam que a indústria também recebe especial atenção, com a 
produção de carros e caminhões, além do movimento de nacionalização da produção.
4 PARTICIPAÇÃO DO CAPITAL ESTRANGEIRO E 
OLIGOPÓLIOS 
O crescimento econômico durante o Plano de Metas foi muito expressivo com 
relação aos períodos anteriores. Quando analisados os setores econômicos de forma 
separada, é possível melhor visualizar estes reflexos. Os departamentos da economia 
produtores de bens de capital e de bens de consumo duráveis, por exemplo, foram os 
mais relevantes: entre 1955 e 1962, as taxas de crescimento anual médias chegaram a 
26,4% e 23,9%, respectivamente (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
Na indústria de transformação, o crescimento foi a uma taxa média anual 
de 22% no período de 1955 e 1959. A economia como um todo pôde fortalecer-
se a partir dos investimentos realizados em diversas áreas, como é o caso dos 
subsetores de material elétrico, com crescimento de 38% ao ano neste mesmo 
período, de material mecânico, com 43% de crescimento ao ano, e de material de 
transporte, cujos investimentos aumentaram em 80% ao ano.
Estes três subsetores são muito representativos no interior das atividades 
produtoras de bens duráveis e, portanto, o aumento dos investimentos industriais 
nestas áreas resultou em um aumento de três vezes de sua participação no 
investimento conjunto da indústria, passando de 12% para 38% de participação 
(LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
 
Contudo, o crescimento observado desde o início do governo de Juscelino 
Kubitschek estava estruturado a partir do tripé formado por empresas estatais, 
capital privado estrangeiro e, em menor medida, capital privado nacional. E o 
objetivo exposto no Plano de Metas de implantar rapidamente o Departamento II 
da economia brasileira, bem como de desenvolver plenamente o Departamento 
I, apenas será possível com uma expressiva participação do capital estrangeiro.
NOTA
A partir de Karl Marx, dois grandes departamentos econômicos são distinguidos. 
O Departamento I, refere-se à produção de bens de capital e intermediários, ou seja, bens de 
produção; o Departamento II, restrito aos bens de consumo. Este último está subdividido entre 
bens de consumo dos capitalistas (bens de consumo de luxo ou bem duráveis) e bens de consumo 
dos trabalhadores (bens simples ou não duráveis) (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
136
A dinâmica resultante desta organização econômica financiada pelo 
capital externo trouxe uma oligopolização da economia brasileira durante a 
segunda metade da década de 1950. Assim, os principais ramos industriais no 
Brasil eram controlados por poucas e grandes empresas – reproduzindo aquilo 
que ocorrera no final do século XIX nos países considerados desenvolvidos 
(LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
 
Um fator que contribui à formação deste cenário econômico foi uma 
mudança interna nas grandes empresas estrangeiras, cujas estratégias de 
investimento avançavam sob a indústria manufatureira, revelando um movimento 
de transnacionalização de suas operações. Logo, a concorrência entre grandes 
oligopólios mundiais como os americanos, europeus e japoneses estendia-se até 
mesmo sob o espaço dos países subdesenvolvidos.
NOTA
Os oligopólios são formados quando apenas algumas empresas são 
responsáveis pela produção de determinado produto. Estas empresas não compõem 
um número expressivo, mas, trata-se de grandes corporações. Uma vez que dominam o 
mercado de certo produto, acabam formando uma barreira natural contra a entrada de 
novas empresas no setor, possibilitando que regulem os preços de mercado dos produtos 
que comercializam. 
O contexto do Brasil, que havia consolidado seu mercado interno a 
partir da política de substituição de importações, refletia-se num importante 
espaço de ampliação do capital estrangeiro por meio da instalação de empresas 
multinacionais (EMN).
Mas quais eram os países que investiam no Brasil? Os primeiros capitais 
internacionais eram oriundos de multinacionais europeias e japonesas. Apenas 
após a instalação destes grupos é que o capital norte-americano se engajaria na 
produção industrial brasileira. Isso ocorria mesmo em empresas dos Estados 
Unidos que já atuavam há muitos anos no Brasil com centros de montagem e 
distribuição de estoques, tal como é o caso da Ford e da General Motors.
Aliás, neste período inicial da entrada do capital estrangeiro, os Estados 
Unidos tiveram pouca participação. Importantes setores da economia brasileira 
não contaram com capitais norte-americanos: a indústria da construção naval 
foi possível a partir de capitais japoneses, holandeses e brasileiros; a indústria 
siderúrgica brasileira contou basicamente com capitais do BNDE (portanto, 
estatais nacionais) e japoneses; e a indústria automobilística, que foi montada 
com o apoio de capitais alemães (tais como os da Volkswagen e Mercedez-Benz), 
franceses (Simca) e nacionais (DKW).
TÓPICO 1 | INDUSTRIALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
137
Veja o potencial do capital nacional brasileiro a partir da indústria 
automobilística no período da industrialização a partir das figuras a seguir.
FIGURA 4 – FÁBRICA DA DKW-VEMAG EM SÃO PAULO (1945)
FONTE: <http://www.saopauloantiga.com.br/vemag-uma-fabrica-que-agoniza-no-tempo/>. 
Acesso em: 8 nov. 2018. 
DICAS
Assista ao vídeo institucional da fábrica da DKW-Vemag no Brasil, produzido em 
1964 pelo cineasta Jean Manzon. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=K-
efbGiDYuE>. Acesso em: 8 nov. 2018. 
FIGURA 5 – LINHA DE MONTAGEM DO FISSORE NA DKW-VEMAG (1945)
FONTE: <http://www.saopauloantiga.com.br/vemag-uma-fabrica-que-agoniza-no-tempo/>. 
Acesso em: 8 nov. 2018. 
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
138
NOTA
A Vemag foi uma empresa brasileira fundada em 1945 que atingiu seu auge nas 
décadas de 1950 e 1960 a partir da produção de veículos sob licença da fábrica alemã DKW. O 
parque fabril brasileiro tinha mais de dois milhões de metros quadrados e produziu ao longo 
de 11 anos de operação junto à DKW pouco mais de 115.000 unidades de veículos, tornando-
se um império automotivo da década de 1960 no Brasil. Com relação à política econômica 
do período, vale destacar que a Vemag foi a primeira empresa a receber incentivos fiscais do 
governo para a implantação de empresas de automóveis oriundos do Grupo Executivo da 
Indústria Automobilística (GEIA). Em 1966 a empresa é adquirida pela alemã Volkswagen e, 
então, tem suas atividades encerradas em 1967.
FONTE: <http://www.saopauloantiga.com.br/vemag-uma-fabrica-que-agoniza-no-tempo>. 
Acesso em: 8 nov. 2018.
Ancoradas em investimentos estrangeiros de diversas áreas, as empresas 
multinacionais dominaram amplamente a produção industrial brasileira. Veja os 
dados a seguir:
• Levando em conta as 1.000 maiores empresas do país por volume de vendas em 
1974, 2/3 delas eram empresas industriais. Todavia, as empresas multinacionais, 
que correspondiam a 12% do total, tinham 50% do valor das vendas e 43% do 
estoque de capital. 
• Em 1970 as empresas multinacionais eram responsáveis por 85% das vendas da 
produção de bens duráveis de consumo; e 57% das vendas de bens de capital. 
• No subsetor de bens de consumo não duráveis, que era controlado basicamente 
por empresas privadas nacionais, a participação das empresas multinacionais 
nas vendas era de 43%.
• E mesmo no subsetor produtor de bens intermediários, no qual havia forte 
participação de empresas estatais, as empresas multinacionais abarcavam 37% 
dasvendas.
Uma vez que o Brasil passou a contar com uma indústria com escala 
produtiva bastante alta e intensa em capital, foram inevitáveis a entrada e a 
supremacia do capital externo, que dominava amplamente os setores mais 
dinâmicos da economia brasileira. Assim, cabia ao capital privado nacional o 
papel de fornecedor de insumos e componentes, como é o caso da relação entre o 
setor automobilístico e o setor de autopeças.
Caro aluno, estamos nos aproximado do final de mais um tópico de estudos. 
No próximo, estudaremos o período relativo ao chamado “milagre econômico”. 
Antes disso, leia os itens do Resumo e realize as questões de Autoatividade do 
livro da disciplina.
139
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os diferentes conceitos de planejamento levam ao fim semelhante de alcançar 
o futuro, por meio de incertezas, metodologias, modelos de compreensão e 
análises próprias.
• As vertentes do planejamento econômico podem ser separadas entre o 
planejamento substantivo e o planejamento procedimental.
• O planejamento é importante para a compreensão do funcionamento da 
economia mundial entre os séculos XIX e XX, tanto devido ao crescimento das 
cidades quanto às questões sociais.
• Após a década de 1930, o Estado brasileira passa a desempenhar forte atuação 
na economia para estabilizar crises e promover o desenvolvimento.
• O Plano de Metas é considerado a primeira experiência brasileira de 
planejamento governamental, entre 1956 e 1961.
• Além de 31 metas amplas para o desenvolvimento da economia brasileira, o 
Plano de Metas tinha como meta-síntese a construção da nova capital do país 
em Brasília.
• As ações do Plano de Metas levaram ao desenvolvimento de importantes setores 
da economia como o da energia elétrica, extração de minérios, produção de aço 
e cimento, além do investimento em obras de infraestrutura.
• O crescimento econômico no início do governo de Kubitschek estava apoiado 
no tripé formado por empresas estatais, capital privado estrangeiro, capital 
privado nacional.
• Na segunda metade da década de 1950, a economia brasileira encontrava-se 
amplamente oligopolizada.
• No início do processo de industrialização brasileira, os capitais estrangeiros 
eram oriundos de países europeus e do Japão. Somente após um momento de 
consolidação é que o capital norte-americano aumenta sua participação.
RESUMO DO TÓPICO 1
140
1 Após a Segunda Guerra Mundial, as técnicas de planejamento a partir do 
Estado que vinham sendo aplicadas nos países desenvolvidos foram trazidos 
para países do “Terceiro Mundo”. Qual é o objetivo em iniciar a planejar a 
economia brasileira?
2 Escreva sobre a importância do Plano de Metas para o crescimento e 
desenvolvimento planejado da economia brasileira.
3 O capital nacional não foi suficiente para estruturar um cenário de 
crescimento sustentado da economia durante o Plano de Metas. Qual é a 
relevância do capital estrangeiro para este contexto?
AUTOATIVIDADE
141
TÓPICO 2
MILAGRE ECONÔMICO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, o tópico que você estudará a partir de agora é muito 
importante para todo o estudo da disciplina de Formação Econômica do Brasil.
De maneira mais ampla, procuraremos estudar o período do chamado 
“milagre econômico” brasileiro, que se refere às dinâmicas de intenso crescimento 
econômico industrial na década de 1960. 
Este tópico está divido em seis itens ao longo de suas páginas. Além desta 
introdução, no item 2 estudaremos a crise que a economia brasileira atravessa 
logo no início da década de 1960.
No item 3, os dados econômicos revelam a atividade econômica durante 
o governo de João Goulart, entre 1961 e 1964, bem como a atuação do Estado por 
meio do Plano Trienal.
O golpe militar de 1964 será analisado sob o ponto de vista econômico ao 
longo do item 4. E, neste também veremos o modelo dependente e associado ao 
capital externo formado pela economia brasileira.
O item 5 foi reservado ao Programa de Ação Econômica do Governo, o 
importante PAEG, uma vez que traz mudanças institucionais fortíssimas ao país.
Por fim, estudaremos com maior especificidade, os Planos Nacionais de 
Desenvolvimento, que são outras políticas econômicas muito importantes para o 
crescimento econômico do Brasil.
Tenha uma boa leitura!
2 A CRISE INDUSTRIAL ENDÓGENA NO INÍCIO DA DÉCADA 
DE 1960
 O período subsequente à execução do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek, 
com intenso crescimento do PIB, é marcado por uma desaceleração da economia que 
perdurou até 1967. Um dos dados mostra que entre 1962 e 1967 a taxa média do 
crescimento do PIB caiu para a metade quando comparada com o período anterior.
142
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
A formação bruta de capital fixo, que permite perceber o crescimento 
interno da indústria, já havia caído em 1962 e tornou-se negativa em 1963, o que 
também ocorreu com a produção industrial. O índice de inflação também subiu, 
chegando a 90% em 1964. Pois, mesmo para os padrões elevados de inflação 
do período era considerado um alto nível de aumento generalizado dos preços 
(LACERDA; REGO; MARQUES, 2000), portanto, a economia brasileira vinha 
apresentado indicadores negativos de crescimento, mas quais eram os motivos?
Em parte, a resposta estava no momento complicado que a economia 
brasileira procurava desenvolver-se, com questões econômicas estruturais e 
políticas econômicas conjunturais que pouco convergiam, em um contexto de 
constante acirramento de conflitos políticos e sindicais que antecederam o golpe 
militar de 1964.
Para José Serra e Maria Conceição Tavares, o problema inseria-se em 
uma típica crise cíclica, ocasionada pelo volume imenso de investimentos 
realizados pelo Plano de Metas. Pois, após a inserção deste gigantesco pacote 
de investimentos, a economia levaria algum tempo até absorvê-lo (LACERDA; 
REGO; MARQUES, 2000). 
NOTA
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) é um indicador que mede quanto 
as empresas aumentaram os seus bens de capital, ou seja, aqueles bens que servem para 
produzir outros bens. São basicamente máquinas, equipamentos e material de construção. 
Ele é importante porque indica se a capacidade de produção do país está crescendo e 
também se os empresários estão confiantes no futuro.
FONTE: <http://desafios.ipea.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=204
5:catid=28&Itemid=23>. Acesso em: 8 nov. 2018. 
Na análise de Nathaniel Leff havia uma grande capacidade produtiva 
inaproveitada no setor de bens de capital no Brasil. Situação percebida na 
indústria automobilística, em que a capacidade ociosa chegou a 50%. Sobretudo, 
neste período, houve uma subestimação da capacidade de competição das 
empresas já instaladas e em operação no Brasil, bem como uma superestimação 
das dimensões do mercado nacional (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
 
O Brasil do início da década de 1960 convivia com os avanços industriais 
trazidos pela política econômica do período anterior, mas, ao mesmo tempo, 
enfrentava e procurava vencer um cenário de desajustes econômico-industriais.
TÓPICO 2 | MILAGRE ECONÔMICO
143
FIGURA 6 – PRAÇA RAMOS, SÃO PAULO, 1960
FONTE: <https://noticias.bol.uol.com.br/fotos/bol-listas/2015/08/09/100-fotos-que-vao-fazer-voce-
querer-ter-vivido-no-brasil-de-antigamente.htm?fotoNav=54#fotoNav=67>. Acesso em: 8 nov. 2018. 
Outro motivo defendido para o baixo crescimento econômico brasileiro ao 
início da década de 1960 diz respeito ao setor de bens de consumo duráveis, cuja 
demanda não crescia de maneira satisfatória. A demanda reprimida que o Plano de 
Substituição de Importações buscou a atender esgotou-se rapidamente, resultando 
em uma renda per capita também decrescente e uma elevada concentração de 
renda no Brasil. Além disso, a falta de mecanismos para o financiamento de longo 
prazo da demanda trazia ainda mais dificuldades e limitações para a demanda.
Já a partir de Francisco de Oliveira é possível compreender que a queda 
dos investimentos foi resultado do aumento da atividadesindical e política dos 
trabalhadores, dinâmica que em todo o período anterior populista havia sido os 
pilares do processo de acumulação industrial brasileira.
Uma posterior interpretação de Francisco de Oliveira para a crise de 
crescimento brasileiro pós 1962 levava em conta as contradições de um modelo de 
acumulação baseado na produção de bens de consumo duráveis (departamento 
II) e as fracas bases internas do setor produtor de bens de produção (departamento 
I), uma vez que ambos os departamentos eram controlados pelo financiamento e 
pelo próprio capital estrangeiro (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
IMPORTANT
E
Uma explicação mais abrangente sobre a crise de 1962 certamente deveria 
considerar os vários aspectos abordados nas análises anteriores. Tratou-se efetivamente 
de uma crise cíclica, agravada pelo aumento da instabilidade política e pelas políticas de 
estabilização recessivas, como o Plano Trienal, num primeiro momento, e o próprio PAEG 
[Programa de Ação Econômica do Governo], a partir de 1964. Some-se a isso o fato de que 
era uma economia que se industrializara mantendo enorme dependência com relação ao 
setor externo, o que provocava frequentes crises cambiais.
FONTE: Lacerda; Rego; Marques (2000).
144
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
Desta forma, a participação do capital estrangeiro resultava em um 
grande paradoxo para a economia nacional brasileira, pois, para que o Plano de 
Metas pudesse ser colocado em prática, e rápido, a entrada de um grande volume 
de capitais era fundamental. Contudo, a dependência externa criada a partir do 
momento em que as decisões econômicas passam a ser predominantemente 
estrangeiras não cria suporte para que o Estado brasileiro elabore um projeto 
mais amplo de crescimento e desenvolvimento para a economia.
3 CRESCIMENTO ECONÔMICO NO GOVERNO JOÃO 
GOULART (1961-1964): CRISE POLÍTICA E O PLANO 
TRIENAL DE CELSO FURTADO
As eleições de 3 de outubro de 1960 elegem Jânio Quadros como presidente 
e João Goulart como vice-presidente, para o mandato de 1961 a 1965. Cabia a 
Jânio, portanto, realizar uma política econômica para enfrentar os problemas 
herdados do governo de Juscelino Kubitschek: aumento das taxas de inflação, 
déficit fiscal e pressão sobre o balanço de pagamentos.
FIGURA 7 – CHAPA JAN-JAN: JÂNIO QUADROS E JOÃO GOULART
FONTE: <https://dougnahistoria.blogspot.com/2016/08/o-governo-janio-quadros-1961.html; 
https://seuhistory.com/hoje-na-historia/joao-goulart-destituido-da-presidencia-do-brasil>. 
Acesso em: 8 nov. 2018. 
Uma das medidas ocorreu em março de 1961 por meio de uma reforma 
cambial que desvalorizava em 100% o chamado câmbio de custo, que era aplicado 
às importações preferenciais, tal como o petróleo, e o papel de imprensa. O 
objetivo era diminuir a pressão dos subsídios cambiais sobre o déficit público. 
Nos meses de maio e junho, o governo consegue obter sucesso na 
renegociação dos débitos com os credores externos e com organismos financeiros 
internacionais, com o fim de adiar os prazos de vencimento das dívidas externas 
do período entre 1961 e 1965 (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
 
TÓPICO 2 | MILAGRE ECONÔMICO
145
Contudo, em agosto de 1961, por motivos políticos e pessoais, Jânio 
Quadros envia uma carta ao Congresso Nacional explicitando seu pedido de 
renúncia ao mandato de Presidente da República do Brasil. A abrupta saída do 
governo interrompe a continuidade de sua política econômica.
Jango, como ficou conhecido João Goulart, assume a presidência em 
setembro de 1961 de forma conturbada. A Constituição do período, assim como 
a atual, mencionava que o vice-presidente deveria assumir o Governo em casos 
de renúncia, mas a classe dos militares se opunha a sua posse. Embora a classe 
política e o Congresso Nacional como um todo defendiam o cumprimento da 
legalidade em Jango assumir, os militares não retrocediam. Assim, o acordo 
conciliatório possível foi transformar o sistema político brasileiro em um regime 
parlamentarista. O vice-presidente tomaria possa, preservando a legalidade 
constitucional, mas parte de seu poder seria transferido para um primeiro-
ministro, chefe de governo. Desta forma, Tancredo Neves, ministro do Governo 
Vargas, foi nomeado primeiro-ministro do Brasil em 1961.
NOTA
Existem diversas formas de organizar os sistemas políticos dos países, tendo 
suas características definidas pelos sistemas presidencialista e parlamentarista. No 
presidencialismo, o presidente da república é escolhido pelo povo e acumula as funções de 
chefe do Estado e Chefe do Governo, desempenhando funções mais amplas do Estado e de 
políticas econômicas. No parlamentarismo, há um presidente (nem sempre escolhido pelo 
povo), que recebe a função de chefe do Estado (nas monarquias esta figura é representada 
por um/a rei/rainha), e há o cargo do primeiro-ministro, definido, na maior das vezes, pelo 
próprio parlamento.
O fato é que entre setembro de 1961 e janeiro de 1965 houve três gabinetes 
parlamentares diferentes no governo de Jango. O quadro de indefinição política 
impossibilita a implementação de uma política econômica consistente e de longo 
prazo. A taxa de inflação sobe de 33,2% em 1961 para 45,5% em 1962. O regime 
parlamentarista manteve-se apenas até janeiro de 1963, após a convocação de um 
plebiscito.
Ao fim do ano de 1962, uma resposta foi dada à crise político fiscal e 
econômica brasileira por meio da apresentação do Plano Trienal. O economista 
responsável pelo Plano Trienal foi Celso Furtado, então ministro extraordinário 
para Assuntos do Desenvolvimento Econômico. O plano procurava conter a 
aceleração do aumento das taxas de inflação e a deterioração econômica causada 
pela dívida externa para promover o desenvolvimento econômico do país.
146
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
FIGURA 8 – CELSO FURTADO (À FRENTE), IDEALIZADOR DO PLANO TRIENAL
FONTE: <https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/imagens/dossies/nav_jgoulart/fotos/Modulo6/
PNBFOTO007_s.jpg>. Acesso em: 8 nov. 2018. 
NOTA
Celso Monteiro Furtado nasceu em Pombal (PB) no dia 26 de julho de 1920 e foi 
um dos mais importantes economistas brasileiros. Suas ideias enfatizavam o desempenho do 
papel do Estado na economia para a promoção do desenvolvimento econômico. Realizou 
sua tese de doutoramento na Universidade de Paris-Sorbonne em 1948 sobre a economia 
brasileira no período colonial. Foi integrante da Comissão Econômica para a América Latina 
(CEPAL) e junto a Raúl Prebisch fizerem desta instituição o centro de debates sobre o 
desenvolvimento latino-americano no século XX. Sua principal obra foi publicada em 1959, 
sob o título “Formação Econômica do Brasil”, mas foi autor de cerca de 30 livros sobre teoria, 
política e história econômica. Além da carreira acadêmica, ocupou cargos no Governo 
Federal, tal como no Ministério do Planejamento e na Superintendência de Desenvolvimento 
do Nordeste (SUDENE). Celso Furtado faleceu em 2004, no Rio de Janeiro.
FONTE: <http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/celso-monteiro-furtado>. 
Acesso em: 8 nov. 2018.
O Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social (1961-1965) 
foi elaborado por uma equipe liderada por Celso Furtado (redesignado como 
Ministro do Planejamento), cuja proposta passou a orientar a política econômica 
do Governo João Goulart dali em diante. Procurava-se recuperar o ritmo de 
desenvolvimento do período anterior e conter a progressiva dinâmica do processo 
inflacionário.
Criado em apenas seis meses, o Plano foi um esforço ainda inicial de 
implantar-se o planejamento econômico no Brasil e, para tanto, buscou-se a 
“hierarquização de problemas, a fim de criar condições para que, dentro de uns 
poucos anos, [pudessem] ser introduzidas técnicas mais eficazes de coordenação 
das decisões” (MACEDO, 1975, p. 54).
TÓPICO 2 | MILAGRE ECONÔMICO
147
Portanto, embora o plano tenha tido o sucesso econômico esperado, foi 
responsável por abrir caminhos para outras propostas e modelos econômicospara o enfretamento das dificuldades econômicas. É com o Plano Trienal que se 
criam e iniciam as chamadas reformas de base, que são medidas econômicas e 
sociais com caráter nacionalista, em que o Estado passa a ter uma intervenção 
mais específica na economia. Neste caso, a atuação do Estado incluía os setores 
da educação, da política fiscal, agrário, urbano e bancário, com o fim de superar a 
condição de subdesenvolvimento e garantir menores desigualdades sociais para 
o Brasil.
“O Plano Trienal não alcançou realmente seus objetivos de promover o 
desenvolvimento e vencer a inflação. Mas sua contribuição foi ponderável na 
parte em que ele se propôs a intensificar o esforço de planejamento no país” 
(MACEDO, 1975, p. 68).
Um dos motivos para o insucesso do Plano Trienal foi que devido ao 
escasso conhecimento sobre o processo inflacionário não se pôde efetuar um 
correto diagnóstico. Além de outras causas, a falha no diagnóstico é a principal 
causadora do fracasso do Plano, bem como a que trouxe maiores consequências 
à economia nacional. Sem haver capacidade de controlar os níveis de inflação, o 
nível geral de preços, obviamente, se eleva gradativamente e o Produto Interno 
Bruto cresce a taxas inferiores das passadas. O incentivo ao desenvolvimento 
econômico, mesmo com a indústria interna renovada, não tem sucesso nem 
parcialmente. Deste ponto adiante, os planos políticos e econômicos precisam 
combinar a situação passada, isto é, as consequências ocasionadas pelo governo 
anterior, com o momento presente (MACEDO, 1975; MARTONE, 1975).
As medidas anti-inflacionárias adotadas, comparadas com outras 
desenvolvidas ao longo da história, foram consideradas bastante ortodoxas no 
sentido em que procuravam conter os gastos públicos e diminuir a liquidez. 
Rapidamente, as reivindicações das classes sindicais e políticas se impuseram 
contra a política de governo, com a recusa dos assalariados em suportar mais 
uma vez todo o peso do ajuste anti-inflacionário como havia sido nos períodos 
anteriores.
Os dados econômicos relativos ao PIB per capita revelam um crescimento 
negativo: enquanto em 1962 a economia cresceu 6,6%, em 1963 o crescimento foi 
de apenas 0,6%, sendo que a meta de crescimento do Plano era de 7%. Com relação 
aos níveis de inflação, a meta estabelecida pelo Plano era de 25%, mas os índices 
mostraram uma inflação anual de 83,25%. (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000; 
MACEDO, 1975).
O déficit de caixa do Tesouro Nacional, que havia sido programado para 
alcançar no máximo 300 bilhões de cruzeiros antigos, chegou a 500 bilhões. Quanto aos 
meios de pagamento, sua expansão que era prevista de 34% foi a 65%, impulsionada 
pela expansão do déficit do Tesouro e do crédito ao setor privado. O crédito ao setor 
privado também teve uma notável expansão, crescendo 54% os empréstimos do 
Banco do Brasil ao setor privado não bancário (MACEDO, 1975, p. 61). 
148
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
Em julho 1963, Celso Furtado deixa a pasta do ministério e retorna à 
Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). O acirramento 
dos conflitos sindicais e políticos, em um cenário de desestabilização interna 
devido ao baixo crescimento e alto nível de inflação, além do contexto de crise 
externa, prejudicam novamente a implementação de qualquer tipo de política com 
uma gestão mais articulada com diferentes ministérios e setores governamentais. 
O resultado é um cenário com taxas de inflação ainda maiores e o fim do governo 
do presidente democraticamente eleito, João Goulart, por meio do Golpe Militar 
brasileiro de 1º de abril de 1964.
4 GOLPE MILITAR DE 1964 E O MODELO DEPENDENTE 
E ASSOCIADO
Com a tomada do poder pelos militares em 1964, o Brasil colocou fim ao 
chamado populismo. Os governos populistas foram aqueles que incorporaram 
amplas massas urbanas ao processo político do qual haviam sido excluídos há 
muitos anos. Tal movimento ocorreu em diversas economias latino-americanas, 
como foi o caso da Argentina, com Perón e do Brasil, com Vargas.
Foi a partir deste contexto que a economia brasileira realiza a transição de 
predomínio do setor agroexportador para o urbano-industrial, pois o Processo 
de Substituição de Importações avançou com maior facilidade nos governos 
populistas, devido ao papel que os Estados nacionais assumiram em apoio a este 
processo.
Contudo, os governos populistas eram acusados pelo pensamento 
econômico mais conservador de produzirem políticas excessivamente 
redistributivas, buscando distribuir uma renda ainda inexistente. Segundo a 
crítica conservadora, o populismo econômico geraria pressões inflacionárias e 
dificultaria o processo de acumulação do capital.
Entretanto, todas as evidências empíricas sobre o caso brasileiro 
desmentem esse raciocínio: o salário mínimo, instituído em 1940, 
somente garantia condições indispensáveis à sobrevivência do 
trabalhador e de sua família, longe, portanto, de embutir qualquer 
política redistributiva ou que incorporasse os ganhos de produtividade 
(LACERDA; REGO; MARQUES, 2000, p. 103).
Ademais, se formos analisar historicamente, o salário mínimo não 
apresentou mudanças em seu valor real, quando descontada a inflação. Já o 
crescimento da atividade industrial e do PIB, entre 1930 e 1990, levou a quintuplicar 
o PIB per capita do país. O Brasil foi o país do mundo que teve maior crescimento 
do PIB entre 1870 e 1987. Considerando o aumento populacional, o aumento da 
renda per capita só foi superado pelo Japão no mesmo período. Já entre 1950 e 
1987, momento fundamental do Processo de Substituição de Importações, o Brasil 
apresentou o terceiro maior crescimento do PIB per capita do mundo, superado 
apenas pelo Japão e pela China (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
TÓPICO 2 | MILAGRE ECONÔMICO
149
Uma síntese do período militar, após 1964, revela que os militares 
eleitos de forma indireta tiveram uma postura tecnocrática-modernizante e 
comprometida em superar as políticas consideradas atrasadas e ultrapassadas de 
João Goulart. Entretanto, o novo regime manteve o discurso desenvolvimentista, 
comprometido com o crescimento econômico. 
A prioridade foi a normalização das relações com os organismos 
financeiros internacionais como forma de captação de recursos financeiros 
para o desenvolvimento econômico. Todas as ações militares propunham uma 
integração com países capitalistas mais desenvolvidos, principalmente com os 
Estados Unidos como forma de orientação econômica.
O Brasil assume, então, uma clara subordinação aos interesses 
internacionais norte-americanos que levava a um aprofundamento do modelo de 
capitalismo dependente e associados aos capitais estrangeiros – já predominante 
desde o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek.
Como resultado tem-se o aumento da internacionalização da economia 
brasileira frente aos capitais externos e a consolidação da oligopolização das 
empresas, com elevada participação das empresas multinacionais (LACERDA; 
REGO; MARQUES, 2000).
Desta forma, com o aumento da dependência externa para a execução das 
políticas econômicas e o consequente aumento do PIB, a dívida externa brasileira 
teve um enorme aumento (interessante apenas para os países mais desenvolvidos) 
– fato que se torna determinante para o desenvolvimento da economia brasileira 
até a atualidade.
5 PROGRAMA DE ACELERAÇÃO ECONÔMICA DO 
GOVERNO (1964-1967): ESTABILIZAÇÃO E MUDANÇAS 
INSTITUCIONAIS
No sentido de interpretar o desenvolvimento brasileiro do período e, mais 
precisamente, as inconsistências que conduziram ao processo inflacionário, o 
governo militar que assume após o golpe de abril de 1964 formula o Plano de Ação 
Econômica do Governo (PAEG). O governo Castelo Branco (1964-1966) prioriza 
uma política de combate específico à progressiva elevação de preços, capaz de 
eliminar os estrangulamentos que bloqueavam a economia (MARTONE, 1975).
A elaboração do PAEG ficou a cargo do recém-criado Ministério do 
Planejamento e da Coordenação Econômica. A equipe era lideradapor Roberto 
Campos, ministro do Planejamento, e por Octávio Gouvea de Bulhões, ministro 
da Fazenda (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
 
150
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
O PAEG preocupava-se ainda com duas questões mais pontuais: primeiro, 
atenuar as desigualdades regionais através da concessão prioritária aos investimentos 
para as regiões Norte e Nordeste, por meio de uma política de isenção fiscal a estas 
regiões. Segundo, incentivar as exportações para que um nível mínimo de importações 
não impedisse o crescimento da produção interna (MARTONE, 1975).
A hipótese do PAEG era de que, contida ou eliminada a inflação, o 
crescimento econômico seria uma consequência. Entretanto, os dados estatísticos 
de crescimento do PIB para o período mostram que o pressuposto se confirma 
apenas em parte. O PIB cresce, mas os padrões fora do previsto, e os preços se 
elevam em níveis muito superiores ao esperado. Todavia, se levarmos em conta os 
índices de inflação desde 1964, há uma melhora significativa (ver tabela a seguir).
TABELA 2 – TAXAS DE CRESCIMENTO DO PIB E DOS PREÇOS (1964-66)
Taxas de crescimento
1964 1965 1966
Prev. Real Prev. Real Prev. Real
PIB 6,0 3,1 6,0 3,9 6,0 4,4
Preços 80,0 93,3 25,0 28,3 10,0 37,4
FONTE: Martone (1975, p. 80).
Objetivos primordiais, com o desenvolvimento econômico, perderam 
total sentido frente à necessidade de pôr fim à inflação. O processo retroalimentar 
da inflação obriga constante atuação do Estado via políticas governamentais 
econômicas. O Governo buscava meios de intervenção, e esta “participação” 
aumenta após a intervenção militar (MARTONE, 1975).
“Essas tensões [reajuste de preços de bens de consumo das empresas, 
aumento da carga tributária, gigantismo do setor público], acumuladas ao lado 
dos custos, [...] geraram a recessão econômica que caracterizou particularmente o 
ano de 1965” (MARTONE, 1975, p. 85, grifo nosso), com o decréscimo da produção 
industrial e o baixo crescimento do PIB. Este quadro também não trouxe posição 
econômica motivadora a novos investimentos, tampouco nas regiões objetivadas 
– Norte e Nordeste – nem substancialmente ao restante do território.
FIGURA 9 – CASTELO BRANCO DISCURSANDO EM BRASÍLIA DURANTE O PAEG
FONTE: <http://www.historialivre.com/imagens/paeg5005.jpg>. Acesso em: 8 nov. 2018. 
TÓPICO 2 | MILAGRE ECONÔMICO
151
O aspecto mais importante do PAEG foram as transformações 
institucionais impostas ao país, relativas às reformas bancárias e tributárias, e na 
centralização, por meio do autoritarismo militar, do poder econômico e político. 
O regime político permitiu ao governo executar uma política econômica voltada 
ao investimento privado, incentivando ainda mais o processo de oligopolização 
da economia brasileira (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
 
Para a execução do PAEG, um diagnóstico econômico da situação brasileira 
também foi realizado, mas como foi embasado pela perspectiva ortodoxa 
monetarista, concluiu que o excesso de demanda era causado pela monetização 
dos déficits públicos, pela expansão do crédito às empresas e pelos aumentos 
salariais superiores ao aumento da produtividade. O único elemento que se 
enquadrava em uma proposta ortodoxa era que a estabilização seria alcançada 
de forma gradual com a redução do déficit público e da inflação, este último com 
previsão de 10% em 1967 – índice que resultou em 30% naquele ano.
Veja as principais ações implementadas pelo PAEG que buscavam 
controlar as contas pública, aumentar as receitas e reduzir as despesas:
Foi uma executada uma política monetária restritiva, com controle 
de emissão monetária e do crédito; e, especialmente, foi implementada 
uma dura política de contenção salarial. Essa política – uma derrota 
política dos trabalhadores e assalariados em geral – acabou provocando 
um efetivo arrocho [aperto] salarial, somente possível em um regime 
autoritário (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000, p. 105, grifo nosso).
NOTA
A política monetária apresenta dois movimentos básicos: um de expansão da 
atividade econômica e outro de contração da atividade econômica. Enquanto o primeiro 
procura aumentar a quantidade de moeda em circulação na economia para promover 
crescimento; o segundo, privilegia a diminuição da circulação monetária com o fim de 
controlar os índices de inflação e conter a aceleração da economia.
Entretanto, as políticas monetárias e fiscais foram aplicadas de forma 
intercalada ao longo do tempo, alternando entre períodos de expansão da moeda e 
do crédito e período com forte contração monetária, resultando em uma dinâmica 
econômica baste difícil para o setor privado que provocou falências, concordatas 
e no aumento do desemprego (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
 
Voltando aos aspectos institucionais do Plano de Ação Econômica do 
Governo, cabe mencionar que a reforma bancária de 1965 foi responsável por 
criar a estrutura básica do Sistema Financeiro Nacional (SFN) que temos até 
a atualidade, instituindo o Banco Central do Brasil (BACEN) e o Conselho 
Monetário Nacional (CMN).
152
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
Com um Sistema Financeiro Nacional estabelecido, o Brasil pode formar 
uma divisão entre instituições financeiras (com objetivo de financiar bens de 
consumo duráveis), bancos comerciais (que atendem o público físico e jurídico), e 
bancos de investimento (para o investimento privado e a especulação financeira). 
Além disso, criou-se a chamada correção monetária, que atualizava valores de 
toda a economia com base na inflação, o que permita convivência com altos 
níveis de inflação. Toda esta estrutura monetária serviu de estímulo para um 
forte movimento sem precedentes no Brasil de fusões e aquisições nacionais 
e estrangeiras. O resultado é de um sistema financeiro cada vez mais forte e 
competitivo economicamente, dinâmica que, obviamente, acirra ainda mais a 
formação de capitais oligopolizados.
FIGURA 10 – CONSTRUÇÃO E ATUAL EDIFÍCIO-SEDE DO BANCO CENTRAL DO BRASIL
FONTE: <https://www.bcb.gov.br/pre/Historia/HistoriaBC/historia_BC.asp>.
Acesso em: 8 nov. 2018. 
NOTA
O Edifício-Sede do Banco Central, inaugurado em 1981, em Brasília. O dobrão 
do Império, de 1725, serviu de inspiração para o projeto arquitetônico do Edifício-Sede. 
O arquiteto Hélio Ferreira Pinto modificou geometricamente as pontas da haste de Cruz 
de Cristo gravada na moeda e conferiu-lhe formas mais quadradas: daí surgiu a forma do 
prédio. Já a ideia das torres, que abrem espaço para os elevadores, nasceu dos quatro cantos 
da cruz. A área da plataforma para baixo do prédio é maior que a da plataforma para cima. 
Os seis subsolos ocupam a projeção total do terreno, de cerca de 10 mil m². Os 21 andares 
superiores têm área construída em torno de 1,8 mil m² cada.
FONTE: <https://www.bcb.gov.br/pre/Historia/HistoriaBC/historia_BC.asp>. Acesso em: 8 
nov. 2018. 
TÓPICO 2 | MILAGRE ECONÔMICO
153
FIGURA 11 – DOBRÃO DO IMPÉRIO (1725)
FONTE: <https://bit.ly/2M8s562>. Acesso em: 8 nov. 2018.
Em conjunto com a estruturação do Sistema Financeiro Nacional, criou-
se o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e o Banco Nacional da Habitação 
(BNH), que possibilitaram o fomento extraordinário da construção habitacional e 
do saneamento básico nas cidades brasileiras por meio da utilização dos recursos 
das cadernetas de poupança e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço 
(FGTS) (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000).
 
Por sua vez, a Reforma Tributária de 1967 criou o sistema tributário 
vigente na atualidade, que aumentou a arrecadação e deu centralidade às contas 
nacionais do governo, pois, além dos impostos mais organizados, deu grande 
importância a fundos como o FGTS, o Programa de Integração Social (PIS) e o 
Programa de Assistência ao Servidor Público (PASEP).
Por fim, a avaliação do PAEG como um programa de estabilização 
econômica foi positiva, apesar dos custos gerados para uma parcela significativa 
da população. Os índices de inflação anuais reduziram para a casa dos 20% e o 
conjunto detransformações institucionais foram fundamentais para o crescimento 
econômico que se seguiria.
Contudo, as críticas ao Plano apontam para erros no diagnóstico da 
inflação de demanda, o que resultou em medidas de política monetária com 
altos custos sociais para a população. Conforme a análise (LACERDA; REGO; 
MARQUES, 2000, p. 106): “A política monetária restritiva praticada em 1966 
foi equivocada, na medida em que a ameaça da retomada do crescimento 
inflacionário devia-se a pressões dos preços agrícolas, consequência da quebra 
de safra por causa da seca”.
Além disso, outras críticas são dirigidas ao autoritarismo na implementação 
das transformações institucionais e na execução da política de estabilização. O 
regime militar trouxe crescimento econômico por meio do liberalismo econômico, 
mas em descompasso com o liberalismo político e democrático representativo 
(LACERDA; REGO; MARQUES, 2000). O projeto militar levado a cabo com o golpe 
de 1964 levou ao fortalecimento dos grandes oligopólios predominantemente 
estrangeiros, aumento da dependência externa e forte desnacionalização da 
economia – dinâmicas que interferiram na implementação de um modelo de 
desenvolvimento economicamente viável e socialmente justo.
154
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
6 O PROJETO NACIONAL-DESENVOLVIMENTISTA DO 
GOVERNO MILITAR
Antes do cessar do mandato de Castelo Branco é instaurada uma nova 
Constituição, em 1967, que de certa forma, delineia as ações do governo de 
Marechal Costa e Silva. As novas linhas de atuação foram apresentadas de forma 
demasiada genéricas quando tratavam dos problemas de política econômica, 
“versando somente sobre o homem, a humanização do desenvolvimento etc.”. 
(ALVES; SAYAD, 1975, p. 92).
Em verdade, o Plano Estratégico de Desenvolvimento (PED/1968-1970) 
estava amparado sob herança do Plano Decenal de Desenvolvimento Econômico 
e Social, cujo texto foi elaborado na última fase do governo Castelo Branco, 
pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), e seria um roteiro de 
desempenho para o Governo seguinte. Tratava-se, especificamente, de um estudo 
prospectivo global: uma análise macroeconômica para dez anos; e um conjunto 
de diagnósticos setoriais, para um período de cinco anos (ALMEIDA, 2004).
Em julho de 1967 foram definidas as Diretrizes de Política Econômica. 
Desta, surge ideia mais geral do que viria a ser o Plano Trienal do Governo, 
para o período de 1968 a 1970, no qual o PED estava inserido (o Plano Trienal 
resume-se no conjunto de medidas prioritárias apresentadas no PED). O PED foi 
constituído, essencialmente, em: “Objetivos Básicos, Diretrizes Gerais de Política 
Econômica, Programa Estratégico de Desenvolvimento, Diretrizes Setoriais 
e Desenvolvimento Regional” (ALVES; SAYAD, 1975, p. 93). O objetivo geral 
do plano, que condicionaria toda a política nacional, era o desenvolvimento 
econômico e social. Pretendia ser um “plano nacional de desenvolvimento” e 
“demonstrar a viabilidade do caso brasileiro”. Os movimentos de estabilização 
dos preços e o fortalecimento do mercado interno e da infraestrutura permanecem, 
mas de forma menos ortodoxa (ALVES; SAYAD, 1975; MIRANDA NETO, 1981).
A metodologia do PED é proveitosa. O ponto de partida do plano 
deu-se pela realização de um diagnóstico da economia brasileira no período 
de 1964 a 1966, criticando, em grande parte, a política econômica de combate 
à inflação apresentada pelo PAEG. Percebe-se certa preocupação com a 
continuidade da política anterior ou, minimamente, uma tentativa de ultrapassar 
os erros cometidos, com vistas no longo prazo. A orientação metodológica 
reconhecia “o esgotamento [...] das oportunidades de substituir importações e 
a crescente participação do setor público na economia” (ALVES; SAYAD, 1975, 
p. 94-95), através de certa concentração de investimentos em áreas dadas como 
estratégicas, apesar destas ainda resumirem-se em infraestrutura. Uma tradição 
de planejamento governamental formava-se: as autoridades governamentais já 
tinham plena consciência da necessidade de se planejar a vida econômica da nação. 
As preocupações que surgiam eram com relação à execução e implementação dos 
planos, aspectos típicos destas operações e recentes às experiências brasileiras.
TÓPICO 2 | MILAGRE ECONÔMICO
155
Com relação aos resultados obtidos, podemos dizer que esses foram 
atingidos em parte. O nível geral de preços cresceu a uma taxa inferior ao 
período passado. Entretanto, a principal causa foi à nova forma de distribuição 
e financiamento do déficit público. As despesas foram distribuídas ao longo 
do ano, e o financiamento era realizado com recursos ociosos das autoridades 
monetárias, reduzindo a participação inflacionária oriunda do déficit do Governo 
(ALVES; SAYAD, 1975).
O governo seguinte, de Emílio Médici (1969-1974), apostava no 
crescimento rápido do país. A partir do segundo ano deste governo, em outubro 
de 1970, o Ministério do Planejamento divulga o Programa de Metas e Bases para 
o Governo para o período de 1970-1973. As diretrizes deste se completavam com 
o novo orçamento plurianual – 1971-1973; e com um primeiro Plano Nacional de 
Desenvolvimento (I PND), previsto para ser implementado entre 1972 e 1974. O 
ingresso do Brasil num mundo desenvolvido até o final do século era o objetivo 
básico do Programa de Metas e Bases para o Governo. Quatro áreas foram 
definidas como prioritárias: a) educação, saúde e saneamento; b) agricultura e 
abastecimento; c) desenvolvimento científico e tecnológico; d) fortalecimento do 
poder de competição da indústria nacional. Entre as metas econômicas elencava-
se: elevar níveis de crescimento, expansão do emprego, inflação decrescente e 
elevação do investimento público (ALMEIDA, 2004; MIRANDA NETO, 1981).
O I PND objetivava elevar a economia nacional à categoria de “nação 
desenvolvida”. Para tanto, acreditava-se que a região centro-sul do país – Rio de 
Janeiro, São Paulo e Minas Gerais – fosse polo gerador e propulsor da economia, 
“capaz de assegurar a expansão das indústrias, com o aporte científico e tecnológico 
nacional decorrente de um sistema educacional avançado” (MIRANDA NETO, 
1981, p. 127).
Além de não se confirmar, esta prospecção acarretou processo contrário; 
um “polo gerador e propulsor” de massiva concentração de capital e capacidade 
produtiva, aumentando as desigualdades regionais. Nessa época foram 
implementados grandes projetos de integração nacional, como de transportes e 
de telecomunicações. A ambição clara do Plano – criar um modelo brasileiro de 
desenvolvimento; uma nação desenvolvida – dava destaque aos insumos básicos 
devido, em maior parte, à primeira crise do petróleo (1973): indústria nuclear, 
pesquisa do petróleo, programa do álcool, construção de hidrelétricas (Itaipu) e o 
investimento em novas tecnologias (ALMEIDA, 2004; MIRANDA NETO, 1981).
156
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
FIGURA 12 – CONSTRUÇÃO DA HIDRELÉTRICA DE ITAIPU – 1975
FONTE: <https://ecivilufes.wordpress.com/2011/06/14/2-usina-hidreletrica-de-itaipu/>.
Acesso em: 8 nov. 2018.
Em termos metodológicos, corresponde a um período de ascensão 
do planejamento governamental no Brasil, via forte participação do Estado, 
pois, não se restringia mais à simples elaboração de planos e à regulação geral 
da economia. Instituições públicas passaram a controlar amplos setores da 
economia e diversas políticas regionais, como planos financeiros e creditícios 
(bancos de desenvolvimento, de habitação e regionais, financiamentos a setores 
privilegiados); produtivos; de desenvolvimento regional e projetos de grande 
porte (ponte Rio-Niterói, rodovia Transamazônica, hidrelétrica Três Marias, 
barragem de Itaipu, Central Nuclear de Angra dos Reis) (ALMEIDA, 2004).
O II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND), já no governo de 
Ernesto Geisel (1974-1979), dedicou-se ao investimento em indústrias de base, 
sobretudo, siderúrgica e petroquímica. Alongava-se, portanto, além do Plano 
Decenalestabelecido com fim em 1976. Tratava a economia brasileira como 
grande potência mundial: em 1979 a renda per capita seria o dobro da década 
anterior. Em 1977, o PIB global do país conferiria ao Brasil o patamar de oitavo 
mercado mundial. Seriam desenvolvidos, paralelamente, dois planos básicos de 
desenvolvimento científico e tecnológico e o primeiro plano nacional de pós-
graduação (ALMEIDA, 2004).
Acreditava-se que a crise e os transtornos mundiais eram passageiros e 
que as condições de financiamento eram favoráveis. Com efeito, tem-se a famosa 
estratégia da “fuga para frente”. Assumia-se o risco de aumentar os déficits 
comerciais e a dívida externa, a favor de superar a crise e o subdesenvolvimento, 
hipoteticamente, pela estrutura industrial avançada que estava sendo construída 
– via transformações estruturais, ao invés das tradicionais medidas econômicas. 
Grande parte do financiamento para investimentos produtivos, em grande 
medida estatais (Eletrobrás, Petrobrás, Siderbras, Embratel), deveria vir de 
fontes externas, aumentando, consequentemente, o volume da dívida externa. 
O crescimento do PIB se eleva até 1979, mas com desequilíbrios nas transações 
correntes e aumento constante da dívida externa (ALMEIDA, 2004).
TÓPICO 2 | MILAGRE ECONÔMICO
157
O II PND altera o rumo da industrialização brasileira, até então 
centrada no consumo de bens duráveis. Contemplava investimentos nas áreas 
de (ALMEIDA, 2004): a) insumos básicos: metais não ferrosos, exploração de 
minérios, petroquímica, fertilizantes e defensivos agrícolas, papel e celulose; 
b) infraestrutura e energia: ampliação da prospecção e produção de petróleo, 
energia nuclear, ampliação da capacidade hidrelétrica (Itaipu) e substituição dos 
derivados de petróleo por energia elétrica e pelo álcool (Proálcool), expansão 
das ferrovias e a utilização de carvão; c) bens de capital: mediante garantias de 
demanda, incentivos fiscais e creditícios, reservas de mercado (lei de informática) 
e política de preços.
A figura a seguir organiza de forma temporal os principais planos 
econômicos e de desenvolvimento do Estado brasileiro vistos até este momento. 
Consulte sempre que precisar!
FIGURA 13 – PLANOS ECONÔMICOS E DE DESENVOLVIMENTO SELECIONADOS
Plano de Metas (1956 – 1961) / Juscelino Kubitschek (1951 – 1960)
I PND (1972 – 1974) / Emilio Mèdici (1969 – 1974
II PND (1974 – 1979) / Ernesto Geisel (1974 – 1979)
III PND (1979 – 1985) / João Figueiredo (1979 – 1985)
PAEG (1964 – 1966) / Castelo Branco (1964 – 1967)
Plano Decenal (1966 – 1976) / Castelo Branco (IPEA)
Plano Trienal do Governo (1968 – 1970) / Costa e Silva (1967 – 1969)
Programa de Metas e Bases (1970 – 1973) / Emilio Médici (1969 – 1974)
Plano Trienal (1963 – 1965) / João Goulart (1961 – 1964)
19
5
0
19
6
0
19
70
FONTE: Adaptado de Vargas (2014, p. 45)
Caro acadêmico, chegamos ao fim de mais um tópico de estudos relativo 
à formação econômica do Brasil. Não deixe de visualizar o resumo e realizar as 
questões de autoatividade logo a seguir!
158
Neste tópico, você aprendeu que:
• Após o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek, com intenso crescimento do 
PIB, a economia nacional foi marcada por uma desaceleração da economia que 
perdurou até 1967.
• No início da década de 1960, o país beneficiava-se com os avanços industriais 
trazidos pela política econômica aplicada, mas, ao mesmo tempo, enfrentava 
um cenário de desajustes econômico-industriais.
• Outro problema dizia respeito ao setor de bens de consumo duráveis, cuja 
demanda não crescia de maneira satisfatória.
• Com a renúncia de Jânio Quadros em 1961, João Goulart assume a presidência 
do país de forma conturbada, uma vez que a classe dos militares não apoiava 
seu governo.
• A crise política fez com a taxa de inflação subisse de 33,2% em 1961 para 45,5% 
em 1962.
• Com o Plano Trienal de Celso Furtado criaram-se as chamadas reformas de 
base, com medidas econômicas e sociais com caráter nacionalista.
• Em 1964 o cenário da economia brasileira revelava-se com um alto nível de 
inflação e chegou ao fim o governo do presidente democraticamente eleito, 
João Goulart, por meio do Golpe Militar brasileiro de 1º de abril.
• Na segunda metade da década de 1960, a economia brasileira realizou a 
transição de predomínio do setor agroexportador para o urbano-industrial.
• Alguns dos resultados do período do golpe militar foram o aumento da 
internacionalização brasileira frente aos capitais externos e a oligopolização 
das empresas com elevada participação das empresas multinacionais.
• Em 1964 foi elaborado o Plano de Ação Econômica do Governo, o PAEG, que 
priorizava uma política de combate específico à progressiva elevação de preços.
• A reforma bancária de 1965 foi responsável por criar a estrutura básica do 
Sistema Financeiro Nacional (SFN).
RESUMO DO TÓPICO 2
159
• O I Plano Nacional de Desenvolvimento (I PND, 1972-1974) dava destaque 
aos insumos básicos da economia: indústria nuclear, pesquisa do petróleo, 
programa do álcool, construção de hidrelétricas (Itaipu) e o investimento em 
novas tecnologias.
• O II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND, 1974-1979) dedicou-se ao 
investimento em indústrias de base, sobretudo, siderúrgica e petroquímica.
160
AUTOATIVIDADE
1 Cite um motivo pelo baixo dinamismo da economia brasileira ao início da 
década de 1960.
2 Celso Furtado foi um economista brasileiro com respeitável contribuição 
para o desenvolvimento da economia nacional. Comente sobre a participação 
dele nas políticas econômicas da década de 1960.
3 O Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), executado durante o 
governo de Castelo Branco (1964-1966), além de enfocar em questões 
econômicas, trouxe importante mudanças institucionais para o Brasil. Qual 
é a contribuição do PAEG quanto à reforma bancária?
161
TÓPICO 3
REDEMOCRATIZAÇÃO E INFLAÇÃO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
A década de 1980 imprimiu marcas tanto na economia quanto na 
população brasileira. Do ponto de vista econômico, passamos por dificuldades 
nunca vistas com baixíssimo crescimento do Produto Interno Bruto e altíssimo 
níveis de inflação. Para a população, representou o fim de uma ditadura militar 
extremamente autoritária que durou 20 anos.
É a partir deste contexto histórico que iremos compreender os principais 
motivos da crise econômica da década de 1980, os quais causaram um forte 
aumento da dívida externa e uma desestruturação interna no Brasil.
O processo inflacionário precisa ser visto com muito cuidado devido as 
suas especificidades, pois as causas da inflação nem sempre foram as mesmas. 
Nos anos 1980 houve diversas políticas que procuraram estabilizar a economia 
atacada pelo monstro da inflação, fato que abstraiu políticas mais amplas para o 
alcance de um desenvolvimento economicamente viável e socialmente justo.
Fique atento às dicas ao longo do tópico e bons estudos!
2 A CRISE ECONÔMICA DOS ANOS 1980: DÍVIDA EXTERNA 
E DESESTRUTURAÇÃO INTERNA
O segundo choque do petróleo, em 1979, acarreta uma forte regressão 
do alto desempenho econômico até então apresentado, bem como o declínio da 
própria ideia de planejamento econômico a partir do Estado. Pouco depois, a 
partir de 1982, a crise da dívida externa faz o país mergulhar numa longa fase 
de baixo crescimento e inflação elevadíssima, que persiste em certa medida até o 
Plano Real, em 1994. A fase final do regime militar, na década de 1980, cria uma 
atmosfera de turbulência econômica e política em virtude das eleições diretas 
para a Presidência da República.
A política econômica adotada no final do ano de 1980 e ao longo de 
1981 seguiu a perspectiva ortodoxa: controle das despesas públicas e dos gastos 
das empresas estatais; aumento da arrecadação com o Imposto de Renda e do 
Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de câmbio; e uma 
violenta contração da liquidez real e do crédito, com exceção do setor agrícola 
(LACERDA; REGO; MARQUES, 2000). 
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX162
Na tabela a seguir dois períodos são apresentados: o primeiro, de 1970 a 
1973, considerado o período do “milagre econômico”, em virtude do crescimento 
do PIB e decréscimo da taxa de inflação; o segundo, de 1981 a 1984, conhecido 
como a “década perdida”, correspondente à crise da dívida externa: os níveis do 
PIB se reduzem e as taxas de inflação sofrem aumento. Os montantes da dívida 
externa elevam-se ano a ano. São nítidos os contrastes entre os dois períodos.
TABELA 3 – INDICADORES ECONÔMICOS, BRASIL, PERÍODOS SELECIONADOS
Ano
Crescimento do PIB 
nominal (%)
Dívida externa (US$ 
milhões)
Taxa de inflação
(%)
1970 10,4 5.295 19,5
1971 11,3 6.622 20,3
1972 12,1 9.521 17,3
1973 14,0 12.572 14,9
(...) (...) (...) (...)
1981 –3,1 61.411 109,9
1982 1,1 70.198 95,5
1983 –2,8 81.319 154,5
1984 5,7 91.091 220,6
FONTE: Almeida (2004)
Os dados sobre o setor externo também trazem uma leitura da realidade 
econômica do período (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000, p. 135). A balança 
comercial brasileira (diferença entre as exportações e as importações) que havia 
apresentado déficit de US$ 2,8 bilhões em 1980, registrou superávit de US$ 1,2 
bilhão em 1980. As exportações alcançaram 8,5% do PIB em 1981, aumentando 
0,5% em relação a 1980. Já as importações caíram 1,2%, passando de 9,2% do PIB 
em 1980 para 8,0% em 1981.
Contudo, as taxas de juros internacionais aumentaram em quase 4% em 1981, 
aumentando em US$ 3 bilhões as despesas brasileiras com juros da dívida externa.
Para 1982, os indicadores econômicos são ainda mais dramáticos devido 
à pressão na balança de pagamentos ocasionada pela moratória mexicana. O 
superávit reduziu-se para US$780 milhões, em função de uma redução de US$ 3 
milhões na quantidade de exportações e de US$ 2,7 nas importações.
As despesas com os juros da dívida externa saltaram para US$ 11,4 
bilhões e o déficit em conta corrente para US$ 14,8 bilhões. Com a dificuldade de 
financiamento do déficit, as reservas líquidas brasileiras tornaram-se negativas 
em mais de US$ 2 milhões.
Em 1983 a situação econômica é ainda mais grave devido ao aumento 
dos índices de inflação. A política econômica implementada continuava 
TÓPICO 3 | REDEMOCRATIZAÇÃO E INFLAÇÃO
163
com a contração da demanda como meio de conter a inflação. Contudo, a 
maxidesvalorização cambial de 30% efetuada em fevereiro de 1983, em conjunto 
com um choque agrícola, acelerou a inflação ao nível de 155% ao ano! O aumento 
da inflação, aliado à desindexação parcial dos salários, provocou uma queda de 
15% no poder de compra dos assalariados.
Ainda, em 1983 a queda do PIB em 2,8% e do produto industrial em 5,2% 
provocam uma taxa de desemprego de 7,5% entre aqueles ligados à produção. Este 
histórico estatístico permite conhecer um pouco melhor os prejuízos econômicos 
no início da década de 1980. A recessão entre 1981 e 1983 provocou uma perda 
de 11% na renda per capita do Brasil, situação que somente havia sido enfrentada 
durante a depressão econômica mundial da década de 1930 (LACERDA; REGO; 
MARQUES, 2000). 
TABELA 4 – INDICADORES ECONÔMICOS AGREGADOS PARA OS
ANOS 1970 E 1980, BRASIL (EM PERCENTUAL)
1971 – 1980 1981 – 1990
Crescimento do PIB real 8,5 1,5
Crescimento do PIB real por habitante 5,9 – 0,4
Inflação (deflatores do PIB) 40,9 562,9
FONTE: Almeida (2004, p. 25)
Por fim, os dados da tabela anterior trazem um outro agrupamento de 
dados para as décadas de 1970 e 1980. A taxa média de crescimento do PIB real 
diminui drasticamente durante a década de 1980, bem como o crescimento do PIB 
per capita, chegando a um crescimento negativo de 0,4%. Já a variação mediana da 
inflação dá um salto gigantesco. Se na década de 1970 a inflação se manteve na 
taxa de 41%, nos anos 1980 a média da taxa chega a 563%.
FIGURA 14 – REMARCADOR DE PREÇOS: A MÁQUINA DA INFLAÇÃO, 1980
FONTE: <https://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,fotos-historicas-a-maquina-da-
inflacao,11211,0.htm>. Acesso em: 8 nov. 2018. 
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
164
NOTA
A figura anterior remete a uma cena comum no comércio antes do controle dos 
altíssimos níveis de inflação brasileiros: ver um gerente ou um funcionário com uma “arma” 
em punho circulando entre prateleiras e clientes. A “arma” era a máquina de remarcar preços, 
usada quase que diariamente em uma época de inflação fora de controle. O remarcador 
tornou-se o símbolo desta época, assim como a falta de mercadorias e o arrocho do crédito. 
Para fugir da ação da maquininha, as pessoas corriam ao supermercado para comprar de 
manhã antes que os preços subissem ou as mercadorias se esgotassem. 
FONTE: <https://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,fotos-historicas-a-maquina-da-inflacao,
11211,0.htm>. Acesso em: 8 nov. 2018.
Em 1984 há um movimento de retomada do crescimento econômico no 
país, embora o indicador de inflação continue revelando resultados preocupantes. 
Neste período, a recuperação econômica dos Estados Unidos fui muito importante 
para a economia brasileira. Em função de uma forte alta nos preços dos produtos 
primários, houveram bons níveis de exportações a partir do Brasil, repercutindo 
em um crescimento da renda agrícola e em compras de insumos e maquinários.
Acompanhe o crescimento econômico de diferentes setores em 1984:
• Indústria de transformação: 6,1%.
• Indústria extrativa mineral: 27,3%.
• Produção industrial como um todo: 7%.
• Indústria de bens de consumo duráveis: -7,5%
• Indústria de bens não-duráveis: 2,5%
• Bens de capital: 14,8%
O setor de extrativismo mineral cresceu, sobretudo, em função da 
expansão contínua do petróleo. Em 1981, a participação do petróleo nacional no 
consumo era de 21%; em 1984, era de 42%.
TABELA 5 – VARIÁVEIS MACROECONÔMICAS INTERNAS, 1978-1985, BRASIL (%)
Ano PIB Investimento/PIB IGP-DI Déficit público
1978 4,8 22,2 40,5 5,7
1979 7,2 23,0 77,2 8,3
1980 9,1 22,5 110,2 6,7
1981 –3,1 21,0 95,2 6,0
1980 1,1 20,4 99,7 7,3
1983 –2,8 16,1 211,0 4,4
1984 5,7 15,5 223,8 2,7
1985 8,4 16,7 235,1 4,3
FONTE: Lacerda, Rego e Marques (2000, p. 138)
TÓPICO 3 | REDEMOCRATIZAÇÃO E INFLAÇÃO
165
Conforme podemos visualizar na tabela anterior, o PIB teve um 
crescimento de 5,7% após um período de instabilidade. A produção agrícola 
também foi favorável, com aumento de 7,9% e um grande aumento na produção 
de alimentos para o mercado interno. A inflação, mesmo com todos os demais 
indicadores, saiu de 211% para 224% de taxa anual de inflação.
Por meio da tabela fica bastante evidente certo crescimento do PIB 
brasileiro em 1984 e 1985 quando comparado com os anos anteriores. Contudo, 
o grande vilão das políticas econômicas deste período, a inflação, seguia com 
indicadores bastante problemáticos.
DICAS
Não deixe de assistir ao documentário “Laboratório Brasil - 15 anos do Real”. 
A partir deste material produzido pela TV Câmara em 2007, você poderá ter uma ideia de 
como foi conviver com altíssimos níveis de inflação e a complicada série de tentativas de 
acabar com ela nas décadas de 1980 e 1990.
FONTE: <https://youtu.be/3LHH7nigO6A>. Acesso em: 8 nov. 2018.
3 ESTAGNAÇÃO E INFLAÇÃO BRASILEIRA: OS PLANOS DE 
ESTABILIZAÇÃO ECONÔMICA
Como vimos, durante a década de 1980, considerada “perdida”, a 
economia passa por um período de estagnação, com aumento gradual dos níveis 
de inflação. O planejamento governamental que tinha se visto até então, segue 
descontinuado. O III PND, por exemplo, permanece no papel.
Ao longo deste período, as únicas ações a partir do Estado ocorreram 
a partir de planos de estabilização da inflação. Medidas econômicas que, em 
verdade, “estabilizavam” os níveis de inflação a um patamar muito alto, gerando 
muitos prejuízos econômicos e sociais. Durante o governo de José Sarney (1985-
1990) põem-se em prática quatro principais planos (ALMEIDA, 2004): 
• Plano Cruzado (fevereiro de 1986), congela os níveis de preços, tarifas e 
câmbio, e implanta a moeda “Cruzado”; estabelece um “gatilho” salarial para 
os salários serem reajustados em cadamomento que a inflação atingisse o nível 
de 20% (que se tornou cotidiano).
• Plano Cruzado 2 (novembro de 1986), aumento de tributos e impostos, elevação 
da taxa de juros.
• Plano Bresser (junho de 1987), congela preços, salários e alugueis, desativa-se o 
“gatilho”, aumentam-se os tributos.
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
166
• Plano Verão (janeiro de 1989), congela salários e tarifas, efetua-se corte de três 
zeros do Cruzado, altera-se o nome da moeda para Cruzado Novo.
Observando-se a tabela a seguir, percebe-se que todos os planos “Sarney” 
não são nem paliativos para conter a dinâmica inflacionária, pois os índices de 
crescimento caem e os de inflação sobem ainda mais.
TABELA 6 – INDICADORES ECONÔMICOS, GOVERNO SARNEY
Ano
Crescimento do PIB 
Real (%)
Taxa de desemprego Taxa de inflação (%)
1985 7,9 5,3 235
1986 8,0 3,6 65
1987 3,6 3,7 416
1988 –0,1 3,8 1.038
1989 3,3 3,3 1.783
FONTE: Almeida (2004)
Se olharmos para um contexto mais amplo, percebemos que o cenário 
de crise, e com prospecções nada boas em que Sarney assumiu o Governo, é 
revigorado para um contexto ainda mais turbulento quando assume o Governo 
de Fernando Collor de Mello. Como medida instantânea após a sua entrada 
na Presidência da República, o chamado Plano Collor promove o choque mais 
brutal que a economia e a sociedade brasileira puderam conhecer: a nova reforma 
monetária confisca todas as aplicações financeiras e estipula um limite aos saques 
à vista. É ainda estabelecida nova moeda, o “Cruzeiro”.
A inflação é logo controlada para uma média de 3%. Entretanto, em seis 
meses, volta ao patamar de 20%. Foi determinado novo congelamento – o Plano 
Collor 2 – o que gerou novo e potencializado surto inflacionário em pouco tempo.
Agora, de volta aos planos de estabilização, cabe-nos entender um pouco 
melhor cada um deles.
Plano Cruzado
Em 28 de fevereiro de 1986 é lançado o programa brasileiro de estabilização, 
mais conhecido como Plano Cruzado, cujas propostas promoveram uma reforma 
monetária que estabeleceu o Cruzado (Cz$) como novo padrão monetário 
nacional, com o corte de três zeros em substituição a antiga moeda Cruzeiro.
O objetivo principal ali era criar uma moeda nova, com estabilidade, 
que pudesse eliminar a memória inflacionária. Contudo, não foram esclarecidas 
e estabelecidas metas para as políticas fiscais ou monetárias de médio prazo, 
devendo ficar a cargo dos condutores do plano.
TÓPICO 3 | REDEMOCRATIZAÇÃO E INFLAÇÃO
167
FIGURA 15 – PLANO CRUZADO: REMARCAÇÃO DAS CÉDULAS E PRESIDENTE SARNEY
FONTE: <https://veja.abril.com.br/blog/cacador-de-mitos/da-veja-ao-pt-todos-elogiaram-o-
plano-cruzado>; <https://www.youtube.com/watch?v=TOdzFViggrU>. Acesso em: 8 nov. 2018. 
A conversão dos salários em cruzados tomou como base o poder de 
compra médio dos seis meses anteriores. A fórmula de conversão levava em conta 
o poder de compra médio entre setembro de 1985 e fevereiro de 1986 em valores 
correntes, ou a preços de fevereiro. Admitiu-se que os salários eram pagos no 
último dia mês e gastos integralmente por ocasião de seu recebimento. Assim foi 
concedido um abono salarial de 8% a todos os trabalhadores assalariados. Esta 
decisão de cunho mais político procurava promover uma redistribuição de renda 
em favor dos assalariados, tornando-se a decisão “pela média” mais aceitável por 
parte dos trabalhadores (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000). 
Para favorecer ainda mais as classes mais baixas, o salário mínimo foi 
definido em Cz$ 804,00, valor que significava um abono de 16% em relação ao 
poder de compra médio dos seis meses anteriores.
Os salários também não foram congelados com o Plano Cruzado. As datas 
dos dissídios anuais coletivos foram todas restauradas. Devido aos dissídios, 
os salários seriam automaticamente corrigidos com base em 60% da variação 
acumulada do custo de vida. Além dos reajustes anuais, os salários passariam a ser 
corrigidos de acordo com uma escala móvel – o chamado gatilho salarial – sempre 
que a taxa de inflação acumulasse 20% (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000). 
Entretanto, os preços ao consumidor foram congelados por tempo 
indeterminado nos níveis que se encontravam em 27 de fevereiro de 1986. Não 
houve qualquer compensação pela inflação anterior. Assim, os preços públicos, 
congelados, encontravam-se defasados em relação aos custos de produção. E, 
também não havia uma determinação da forma em que o descongelamento iria 
ocorrer no futuro.
O Plano Cruzado foi considerado um sucesso, pois no curto prazo, as taxas 
de inflação caíram muito. Assim, o Plano obteve um sucesso popular tremendo, 
dando origem aos “fiscais do Sarney” integrados por cidadãos que de forma 
autônoma procuravam fiscalizar os preços congelados do presidente Sarney. O 
congelamento se tornou, assim, no elemento mais popular do Plano, o que levaria 
o governo a sustentá-lo de todas as formas possíveis, sobretudo, tratando-se do 
ano eleitoral.
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
168
O resultado, porém, não foi conforme o planejado. O aumento do poder de 
compra dos salários e o consumo reprimido pela alta inflação dos anos anteriores 
levou à despoupança da população e a uma explosão de consumo. Com o 
impacto da elevada demanda na economia real, a continuidade do congelamento 
de preços tornava-se uma tarefa muito difícil frente a uma oferta que não poderia 
acompanhar a demanda.
Ademais, alguns preços, sobretudo, de tarifas públicas encontravam-se 
defasados por não terem sido alinhados antes do congelamento. Com o passar 
dos meses, o setor privado contestava o congelamento, pois alegava que os preços 
não cobriam os custos de produção, levando ao descumprimento da regra por 
meios ilegais.
FIGURA 16 – AGENTES DA POLÍCIA FEDERAL FISCALIZAM O
SUPERMERCADO CB NO RIO DE JANEIRO, 1987
FONTE: <https://acervo.oglobo.globo.com/incoming/plano-bresser-21461686>.
Acesso em: 8 nov. 2018.
Após as eleições com vitória esmagadora aos partidos do governo, foi 
anunciado um pacote mais integrado de combate aos desequilíbrios, o chamado 
Cruzado II. Houve aumentos nos impostos diretos sobre produtos como cigarros, 
bebidas e automóveis e reajuste dos preços públicos, resultando em uma perda 
do poder de compra dos salários e uma retração da demanda agregada.
A taxa de juros também foi elevada em um cenário de incertezas 
econômicas e queda do salário real. Os antigos conflitos de distribuição de 
renda voltam a aparecer, uma vez que a memória inflacionária não havia sido 
eliminada. Em decorrência das políticas monetárias e fiscais executadas, o país 
declara moratório aos credores internacionais em fevereiro de 1987 (LACERDA; 
REGO; MARQUES, 2000).
Plano Bresser
Com a saída de Dílson Funaro em fevereiro de 1987 do ministério da 
Fazenda, Bresser Pereira assume o comanda da pasta e lança já no mês de junho 
o Plano de Estabilização Econômica, conhecido como Plano Bresser.
TÓPICO 3 | REDEMOCRATIZAÇÃO E INFLAÇÃO
169
Levando em conta os resultados do Plano Cruzado, o novo Plano une 
elementos ortodoxos e heterodoxos. O Plano não visava atingir inflação zero, mas 
controlar os índices de preços para que não se estabelecesse uma hiperinflação. 
Para tanto, o gatilho salarial foi extinto e procurou-se reduzir os gastos do governo. 
As taxas de juros foram mantidas elevadas com o fim de inibir o consumo de bens 
duráveis.
Os salários e os aluguéis foram novamente congelados ao patamar que 
se encontravam em 12 de junho. O indexador utilizado para os ajustes salariais 
a partir de setembro foi a Unidade de Referência de Preço (URP). Embora os 
preços terem sido novamente congelados, houve um alinhamento prévio antes 
do congelamento para que não ocorressem pressões inflacionárias futuras. Os 
contratos financeiros pós e pré-fixados foram respeitos por meio de uma correção, 
garantindo a continuidade do investimento. E o IPC teve sua base alterada para 
evitar que o índice do mês de julho sofresse com a inflação anterior ao Plano 
(LACERDA; REGO; MARQUES,2000). 
Deste modo, este conjunto de medidas econômicas delineados pelo 
Plano Bresser procurava aparar muitas das arestas econômicas que haviam 
ficado soltas com a execução do plano de estabilização anterior. 
FIGURA 17 – MÁRIO COVAS, FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, BRESSER PEREIRA, ULYSSES 
GUIMARÃES, LUIZ HENRIQUE E CARLOS SANT’ANNA NA APRESENTAÇÃO DO NOVO 
MINISTRO EM ABRIL DE 1987
FONTE: <https://acervo.oglobo.globo.com/incoming/plano-bresser-21461686>.
Acesso em: 8 nov. 2018.
Quanto às políticas econômicas fiscal e monetária, houve um 
comprometimento em praticá-las de forma rigorosa, reduzindo o déficit público 
e assegurando a independência do Banco Central do Brasil. O Plano era mais 
consistente e flexível que o Cruzado, conseguindo atingir alguns de seus objetivos 
tal como a redução parcial da inflação, do déficit público e propiciar a expansão dos 
saldos comerciais entre exportação e importação e a renegociação da dívida externa 
com os credos financeiros internacionais, suspendendo a moratória da dívida.
Contudo, ao longo do tempo, a política ia perdendo apoio popular 
uma vez que o histórico do congelamento de preços no longo prazo não trazia 
boas lembranças ao comércio e aos consumidores. No médio prazo, a inflação 
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
170
permanecia elevada, levando que o governo aumentasse os preços de forma 
emergencial antes do prazo de 3 meses mencionado no Plano. Em dezembro de 
1987 a taxa de inflação mensal atingiu 14,14% e antecipou o pedido de demissão 
de Bresser Pereira.
Maílson da Nóbrega: da política do feijão com arroz ao Plano Verão
O sucessor de Bresser Pereira no ministério da Fazendo foi Maílson da 
Nóbrega, cuja política econômica aplicada ao longo de 1988 foi bastante tímida, 
gradual e pouco intervencionista, por isso, denominada política do feijão com 
arroz.
O objetivo era cortar o déficit operacional de 8% para 4% e reter a inflação 
aos 15% ao mês. Entre as medidas para estabilizar a inflação e desaquecer a 
economia estava a suspensão temporária dos reajustes do funcionalismo público 
e o adiamento dos aumentos dos preços administrados.
Contudo, tais medidas não tiveram sucesso e, em julho de 1988, a inflação 
já ultrapassava os 24%. Os preços públicos foram reajustados e emitiu-se moeda 
para cobrir os superávits da balança comercial. Com a nova Constituição emitida 
em 1988, os gastos orçamentários da União ficaram ainda mais amarrados, 
dificultando a redução dos gastos públicos de forma rápida.
Em 15 de janeiro de 1989 foi anunciado o Plano Verão. Tratava-se mais 
uma vez de um plano misto entre diversas medidas. Seria o terceiro choque 
econômico e a segunda reforma monetária do governo Sarney – cuja imagem já 
estava bastante prejudicada.
Foi criada uma nova unidade monetária, o Cruzado Novo (NCz$), 
equivalente a mil cruzados. O dólar foi cotado a NCz$ 1,00, após uma 
desvalorização da moeda nacional.
FIGURA 18 – CRUZADO NOVO, MAÍLSON DA NÓBREGA E ZÉLIA CARDOSO DE MELO
FONTE: <http://www.panoramamercantil.com.br/entrevista-com-mailson-de-nobrega/>.
Acesso em: 8 nov. 2018.
TÓPICO 3 | REDEMOCRATIZAÇÃO E INFLAÇÃO
171
Seguindo os objetivos dos planos de estabilização da década de 1980, por 
meio do Plano Verão procurava-se contrair a demanda agregada e promover a 
queda nos níveis de inflação. Mantiveram-se altas as taxas reais de juros, o crédito 
ao setor privado foi restrito, houve desindexação e promessa de ajuste fiscal.
Outra vez, os preços eram congelados a partir da data de publicação da 
política, com o realinhamento de alguns preços que se encontravam defasados. 
Já os salários, foram corrigidos pelo poder de compra dos últimos 12 meses e 
reajustados em 26,1%. Com a extinção da Unidade Real de Valor (URV), caberia 
ao Congresso Nacional a decisão a respeito da política salarial.
E novamente não houveram resultados positivos. A inflação de 3% em 
fevereiro salta para 7% já em abril. O governo teve que elevar ainda mais a taxa 
de juros, descumprindo a promessa de redução do déficit público naquele ano. 
Os preços tiveram que ser descongelados e reajustados devido à desvalorização 
da moeda. Em setembro de 1989, o governo suspende novamente o pagamento 
da dívida externa.
Veja na tabela a seguir alguns indicadores econômicos do período do 
governo Sarney que revelam um pouco mais sobre a realidade econômica em que 
o Brasil atravessava na segunda metade da década de 1980.
TABELA 7 – INDICADORES ECONÔMICOS, GOVERNO SARNEY, 1985-1989
Ano
PIB, valor e crescimento Poupança % 
do PIB
Taxa de 
inflação
Taxa de 
desempregoUS$ milhões % real
1985 211,1 7,9 20,3 235 5,3
1986 257,8 8,0 18,0 65 3,6
1987 282,4 3,6 22,7 416 3,7
1988 305,7 –0,1 25,7 1.038 3,8
1989 415,9 3,3 27,1 1.783 3,3
FONTE: Almeida (2004, p. 26)
Os últimos meses do governo Sarney foram marcados por um verdadeiro 
caos político e econômico. A credibilidade do governo era baixíssima após tantas 
tentativas, e todas fracassadas, de estabilização da economia. Mesmo com três 
planos executados – Cruzado, Bresser e Verão – os níveis de inflação eram ainda 
mais preocupantes do que no período da hiperinflação.
Em 1989, a inflação anual foi de 1.764,86%, e as taxas mensais nos 
primeiros meses de 1990 foram de 64,17% em janeiro, 73,21% em fevereiro, e 
85,12% na primeira quinzena de março! (LACERDA; REGO; MARQUES, 2000). 
Com este cenário econômico trágico, em 15 de março de 1990, Fernando 
Collor de Melo assumia a presidência da República com o anúncio de um novo 
plano de estabilização econômica.
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
172
Após estudarmos tantas transições econômico-políticas ao longo da 
formação econômica do Brasil, sugerimos que você organize estas informações 
históricas de forma cronológica para facilitar os estudos. O quadro a seguir pode 
ser um ponto de partida, no qual apresentamos, de forma sucinta e objetiva, todos 
planos explícitos de governo desde os anos 1950 até a década de 1990, bem como 
suas principais medidas, metas e objetivos.
QUADRO 1 – SÍNTESE SOBRE OS PLANOS DE GOVERNO, BRASIL, 1956-1994
Plano Governo Período Medidas/Metas/Objetivos
Plano de Metas
Juscelino Kubitschek 
(1956-1961)
1956-1961
Planejamento em nível 
setorial: energia; transportes; 
alimentação; indústrias de 
base e educação. Processo de 
substituição de importações.
Plano Trienal de 
Desenvolvimento 
Econômico e Social
João Goulart (1961-
1964)
1963-1965
Recuperação do ritmo de 
desenvolvimento; contenção 
do processo inflacionário.
Implantação do planejamento 
econômico.
Plano de Ação 
Econômica do 
Governo
Castelo Branco 
(1964-1967)
1964-
1966
Cresc imento econômico; 
combate à elevação dos preços.
Plano Decenal de 
Desenvolvimento 
Econômico e Social
Castelo Branco 
(IPEA)
1966-1976
Roteiro de desempenho para o 
período 1967-1976.
Plano Trienal do 
Governo – Plano 
Estratégico de 
Desenvolvimento
Costa e Silva (1967-
1969)
1968-
1970
Aceleração do desenvolvimento 
e contenção da inf lação; 
objetivo de implantação de um 
plano nacional.
Programa de Metas e 
Bases para o Governo
Emilio Médici (1969-
1974)
1970-1973
Diretrizes para o I PND: educação; 
agricultura; desenvolvimento de 
C&T; competição industrial.
Primeiro Plano 
Nacional de 
Desenvolvimento 
Emilio Médici 1972-1974
Projetos de integração nacional; 
planos de desenvolvimento 
regional.
Segundo Plano 
Nacional de 
Desenvolvimento
Ernesto Geisel (1974-
1979)
1974-1979
Fortalecimento às indústrias 
de base; planos básicos de 
desenvolvimento de C&T; plano 
nacional de pós-graduação.
Terceiro Plano 
Nacional de 
Desenvolvimento
João Figueiredo 
(1979-1985)
1979-1985
Descontinuado por motivo de 
crise econômica após longo 
período de planejamento para 
o desenvolvimento.
Plano Cruzado
José Sarney (1985-
1990)
Fev./1986-
Nov/1986
Congelamento de preços, 
salários, tarifas e câmbio, e 
troca de moeda; “Gatilho” 
salarial.
Plano Cruzado II José Sarney
Nov./1986-
Jun/1987
Aumento de tributos e impostos; 
elevaçãoda taxa de juros.
TÓPICO 3 | REDEMOCRATIZAÇÃO E INFLAÇÃO
173
Plano Bresser José Sarney Jun./1987
Congelamento de preços, 
salários e aluguéis; desativa-se 
o “gatilho”.
Plano Verão José Sarney Jan/1989
Congelamento dos salários 
e tarifas; corte de três zeros; 
Cruzado Novo.
Plano Collor
Fernando Collor de 
Mello (1990-1992)
Mar/1990-
Fev/1991
Nova reforma monetária, 
confisco de aplicações 
financeiras e limites aos saques 
das contas à vista.
FONTE: Adaptado de Vargas (2009, p. 48-49)
Caro acadêmico! Esperamos que sua jornada ao longo da disciplina de 
Formação Econômica do Brasil tenha sido muito proveitosa. Os temas aqui 
discutidos são extremamente importantes para a compreensão da economia 
brasileira na atualidade. 
Acompanhe a leitura complementar a seguir e realize as questões de 
autoatividade para completar ainda mais esta etapa de ensino!
Plano Collor II
Fernando Collor de 
Mello
Fev./1991
Novo congelamento e 
“confisco”.
Plano Real
Itamar Franco (1992-
1994)
1993-1994
Completa reforma monetária, 
com substituição do meio 
circulante pelo Real.
Conclusão
UNIDADE 3 | A ECONOMIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
174
LEITURA COMPLEMENTAR
Plano Real: o fim de mais uma grande inflação
Roberto Ellery Jr.
Diretor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da 
Universidade de Brasília (FACE/UnB)
Quando a inflação sai de controle é criado um processo de distribuição 
de renda dos que têm rendas fixas para os que podem reajustar livremente suas 
rendas. Também ocorre um aumento da volatilidade da economia, fazendo com 
que empresários demandem maiores taxas de retorno para seus investimentos do 
que aceitariam em condições normais. Por construção, a maioria dos modelos de 
macroeconomia não consegue explicar essas questões.
A dificuldade em modelar moeda e inflação faz com que existam poucas 
teorias tratando de como reduzir altas taxas de inflação, fenômeno que assolou 
o Brasil nas décadas de 1980 e 1990. Foi a época dos choques heterodoxos, que, 
normalmente, recorriam a congelamento de preços e controle de salários. Em 
1994, apareceu o Plano Real que, de saída, rejeitou o congelamento de preços. 
Começou com uma tentativa de criar uma unidade de valor que conquistasse a 
confiança da população, a Unidade Real de Valor (URV).
A ideia era que a população passasse a ter a URV como unidade de valor 
confiável enquanto o valor da URV em termos de cruzeiros reais, a moeda da 
época, era modificado todos os dias. Esse mecanismo permitiu o ajuste dos 
preços a uma nova referência sem obrigar o Banco Central a abrir mão da política 
monetária por meio de uma dolarização ou de uma caixa de conversão. A transição 
por meio da URV foi inspirada em uma proposta de moeda indexada elaborada 
pelos economistas Pérsio Arida e André Lara Rezende. Tal engenharia econômica 
permitiu que o Brasil ficasse livre do câmbio fixo. Em vez disso, adotamos um 
regime de bandas em que era admitida alguma flutuação, de forma a acomodar 
a política monetária.
Feita a transição para a nova moeda, o resto era seguir o proposto 
por Thomas Sargent em um dos poucos artigos dedicados ao combate de 
hiperinflações: The Ends of Four Big Inflations. O início da conclusão desse texto 
resume bem o que era preciso ser feito para que a inflação não contaminasse 
o real: “The essential measure in ending hyperinflation in each of Germany, Austria, 
Hungary and Poland were, first, the creation of an independent central bank that was 
legally committed to refuse the government’s demand for additional unsecured credit, 
and, second, a simultaneous alteration in the fiscal police regime”.
Na ausência de câmbio fixo, sem uma autonomia formal do Banco Central 
e com a necessidade de expandir o gasto para atender às demandas sociais da 
Constituição, seguir as recomendações de Thomas Sargent não seria uma tarefa 
simples.
TÓPICO 3 | REDEMOCRATIZAÇÃO E INFLAÇÃO
175
Para conseguir dar credibilidade ao Banco Central e estruturar uma 
política fiscal capaz de conciliar as demandas sociais e a necessidade de minimizar 
os prejuízos à política monetária, que precisava estar acima de qualquer suspeita, 
o presidente Fernando Henrique Cardoso montou uma equipe econômica de 
altíssimo nível, da qual destaco Pedro Malan, ministro da Fazenda, e Gustavo 
Franco, presidente do Banco Central. Garantir a estabilidade do Real forçou 
uma trajetória crescente da carga tributária, a elevação da dívida pública e 
a necessidade de conviver com altíssimas taxas de juros. O aumento da carga 
tributária e da dívida pública foi a forma de atender às demandas sociais sem 
recorrer ao financiamento inflacionário. Os juros altos eram o preço a pagar pela 
credibilidade de um Banco Central sem autonomia formal.
Mesmo com as dificuldades e os custos citados anteriormente, o Plano 
Real conseguiu manter a estabilidade seguindo as linhas inicialmente propostas 
até 1999. Naquele ano, a combinação de gastos altos, dívida pública crescente, 
juros altos e câmbio já praticamente fixo não resistiu à crise dos países emergentes 
e o Brasil se viu forçado a realizar mudanças radicais na condução da política 
econômica. Foi naquela época que, já com Armínio Fraga na presidência do Banco 
Central, apareceu o tripé macroeconômico. O tripé consistiu na combinação de 
câmbio flexível, regime de metas de inflação e busca por superávits primários nas 
contas do governo. Mas essa é outra história.
“A dificuldade em modelar moeda e inflação faz com que existam poucas 
teorias tratando de como reduzir altas taxas de inflação, fenômeno que assolou o 
Brasil nas décadas de 1980 e 1990”. 
FONTE: ELLERY JR., Roberto. Plano Real: o fim de mais uma grande inflação. Desafios do 
Desenvolvimento, ano 10, 80. ed., 2014. Disponível em: <http://desafios.ipea.gov.br/index.
php?option=com_content&view=article&id=3055&catid=29&Itemid=34>. Acesso em: 23 nov. 2018. 
176
Neste tópico, você aprendeu que:
• O segundo choque do petróleo, em 1979, acarretou uma forte regressão do alto 
desempenho econômico do período.
• A política econômica entre 1980 e 1981 seguiu a perspectiva ortodoxa: 
controle das despesas públicas e dos gastos das empresas estatais; aumento da 
arrecadação com o Imposto de Renda e do Imposto sobre Operações Financeiras 
(IOF) nas operações de câmbio; e uma violenta contração da liquidez real e do 
crédito.
• O início da década de 1970 é considerado como “milagre econômico” e a 
década de 1980 como “década perdida”.
 
• Na década de 1970 a inflação manteve-se na taxa de 41%; nos anos 1980 a média 
da taxa chega a 563%.
• Em 1984 houve uma retomada do crescimento econômico brasileiro com o 
aumento da produção em setores como o agrícola.
• As políticas econômicas da década de 1980 podem ser resumidas em políticas 
de estabilização econômica em função da inflação.
• Os quatro planos (entre 1986 e 1989) do Governo Sarney não trouxeram 
resultados positivos quanto a sua capacidade de combater a inflação.
• O Plano Collor promoveu um choque na economia ao confiscar todas as 
aplicações financeiras e estipular um limite aos saques à vista. É criada a moeda 
“Cruzeiro”.
RESUMO DO TÓPICO 3
177
AUTOATIVIDADE
1 Embora a economia brasileira tenha atravessado uma recessão no início 
da década de 1980, provocando um nível de desemprego de 7,5% entre os 
trabalhadores ligados à produção, em 1984, há um movimento de retomada 
do crescimento econômico do país. Comente sobre a situação da economia 
brasileira em 1984.
2 Com o Governo Sarney (1985-1990) ocorre uma forte mobilização em torno 
dos planos de estabilizaçao econômica em decorrência dos altos níveis de 
inflação. Quais as principais do primeiro plano, o Plano Cruzado?
3 Após a execução dos Planos Cruzados I e II, Dílson Funaro deixa a pasta 
do ministério da Fazenda para Luis Carlos Bresser Pereira, e declara a 
moratória aos credores internacionais. Como podemos compreender o 
período subsequente, em que é executado o Plano Bresser?
178
179
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REGO, José Márcio; MARQUES, Rosa Maria (Org.). Formação

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