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HÉRNIAS DA PAREDE ABDOMINAL Introdução: Definição: Protrusão anormal de um órgão ou tecido por um defeito em suas paredes circundantes - Mais comum na região inguinal - Mais frequentes em homens (25x mais) - Aumenta com a idade HÉRNIA INGUINAL: Elementos do cordão espermático: • Músculo cremastérico • Artérias e veias testiculares (plexo pampiniforme) • Ramo genital do nervo gênito femoral • Ducto deferente • Vasos cremastéricos • Linfáticos • Túnica vaginal Triângulo de Hesselbach: - Local em que ocorre a hérnia inguinal direta - Hérnia indireta ocorre lateral ao triângulo - Lateralmente à borda lateral do músculo reto abdominal, pelo ligamento inguinal e pelos vasos epigástricos inferiores. •Hérnia inguinal indireta: desce junto com os elementos do cordão juntamente com o canal inguinal •Hérnia inguinal direta: desce diretamente da parede abdominal Nervos da região: -N. Ílio-hipogástrico -N. Ílioinguinal o Sensibilidade da pele da região inguinal, base do pênis, coxa superior e medial ipsilateral -Ramo genital do N. Genitofemoral* - Inerva músculo cremaster e pele do lado lateral da bolsa escrotal e/ou vulva (acompanha vasos cremastéricos) *o mais importante TIPOS: ▸Indireta (2/3 - mais comum) - Saco herniário passa pelo anel inguinal interno e externo - Mais comum à direita - Descida do testículo D ocorre depois ▸Direta (1/3) - Medial ao anel inguinal interno e aos vasos epigástricos inferiores - Comum em adultos ▸Combinada (hérnia tipo pantalona) Hérnia Inguinal Indireta *Desce junto com os elementos do cordão juntamente com o canal inguinal *Persistência do conduto peritônio vaginal •Cirúrgico Herniorrafia inguinal: Fechamento do conduto peritônio vaginal No diagnóstico quando sintomático História natural: - Aumento progressivo do volume - Enfraquecimento da parede abdominal e/ou inguinal - Potencial de encarceramento e estrangulamento Passos da Cirurgia: - Identificação e isolamento dos elementos do cordão - Identificação do Saco herniário - Examinar conteúdo do saco - Liga saco na altura do anel inguinal interno Hérnia Inguinal Direta *Fraqueza da parede abdominal *Hérnia vem diretamente da parede abdominal CLÍNICA: •Abaulamento / Massa na região inguinal •Dor local - Estrangulamento→ necrosa - Encarceramento •Desconforto na região inguinal •Assintomático (1/3) •Parestesias - Compressão dos nervos inguinais Diagnóstico: Anamnese + Exame físico •Posição ortostática - Inspeção / Palpação inguinal - Assimetria - Abaulamentos/massa - Solicitar ao paciente fazer força/ tosse/ manobra de valsalva (↑ p intra abdominal) - Ponta do dedo no canal inguinal: Manobra de Landivar (introduz o dedo no canal inguinal e vê se sente a hérnia no dedo caso sentir lateralmente: é direta e se sentir em cima do dedo é indireta) - USG - (TC)→ para casos extremos - Hérnias obscuras e incomuns - Massas atípicas da região inguinal - Laparoscopia - Diagnóstico e tratamento •Cirúrgico: Herniorrafia inguinal com reforço da parede abdominal → Técnica livre de tensão: Técnica de Lichtenstein (*melhor escolha) → Técnicas de reparo do tecido sob tensão - Técnica de Shouldice - Técnica de Bassini - Técnica de Mcvay Cirurgia livre de tensão: Técnica de Lichtenstein* - Uso de prótese/tela - Mais usada - Menor taxa de recidiva Diagnóstico diferencial de tumores na região inguinal: Classificação de Nyhus de Hérnia Inguinal: •Tipo I: Hérnia inguinal indireta - anel inguinal interno normal (ex:hérnia pediátrica) •Tipo II: Hérnia inguinal indireta - anel inguinal interno dilatado mas parede inguinal posterior intacta, vasos epigástricos profundos inferiores não deslocados •Tipo III: Defeito da parede posterior: Região do triângulo de hesselbach A. Hérnia inguinal direta B. Hérnia inguinal indireta - anel inguinal interno dilatado, invadindo os limites medialmente ou destruindo a fáscia transversal do triângulo de hesselbach (ex: hérnia escrotal maciça, por deslizamento ou em pantalonas) C. Hérnia femoral •Tipo IV: Hérnia recidivada A. Direta B. Indireta C. Femoral D. Combinada HÉRNIA FEMORAL Anatomia da Região Limites do canal femoral: - Superior: Ligamento inguinal (Trato iliopúbico) - Inferior: Ligamento de Cooper - Medial: Ligamento lacunar (Junção trato iliopúbico com ligamento de Cooper) - Lateral: Veia femoral Manifestação: Protuberância abaixo do ligamento inguinal Diagnóstico: Anamnese + Exame físico - Posição ortostática - Inspeção / Palpação - Assimetria - Abaulamentos/massa - Solicitar ao paciente fazer força/tosse/manobra de valsalva •USG→ importante para confirmar a hipotese •(TC) • Laparoscopia - Diagnóstico e tratamento Considerações: • Aproximadamente 50% homens: associação com HI direta • 2%mulheres • Alta incidência de estrangulamento • Portanto todas devem ser reparadas • Avaliar viabilidade do conteúdo do saco • Comprometimento intestinal contra indica uso de tela • Recidiva 2% Tratamento • Cirúrgico: Herniorrafia femoral • Tempos cirúrgicos - Dissecção e redução do saco herniário •Obliteração do defeito na canal femoral - Aproximação trato iliopúbico ao ligamento de Cooper: Técnica McVay* - (Colocação de prótese) HÉRNIAS VENTRAIS → Hérnia Umbilical → Hérnia Epigástrica → Hérnia Incisional Musculatura lateral: 3 camadas • Fascículos direcionados obliquamente em ângulos diferentes • Inserem na linha alba Linha arqueada (3 a 6 cm abaixo do umbigo): • Ausência da bainha posterior do reto linha alba bainha posterior do reto - aponeurose Inervação: • NN intercostais 7 a 12 • 1° e 2° N. lombar Parede abdominal anterior: Irrigação sanguínea • 3 a 4 AA intercostais inferiores e lombares • A. ilíaca circunflexa profunda •Músculo reto abdominal: -A. epigástrica superior (ramo terminal da A. mamária interna) -A. epigástrica inferior (ramo da A. ilíaca externa) - Anastomose epigástrica superior e inferior próximo ao umbigo •Área periumbilical: -Vasos perfurantes críticos (mais fininhos) Diagnóstico: • Exame físico em pé e supina • Manobra de valsalva - Local e tamanho da hérnia •Exames de imagem: -USG* -(TC) HÉRNIA UMBILICAL -Cicatriz umbilical: Anel umbilical -Intra abdominal: • Ligamento redondo do fígado (veia umbilical obliterada) • Artérias paraumbilicais • Ligamento umbilical médio (Úraco obliterado) •Crianças: -Congênitas -Comuns -Resolução espontânea (2 a 4 anos) -Complicações incomuns •Adultos: -Adquiridas (maioria) -Mais comum nas mulheres -Pacientes com aumento da pressão abdominal - Gravidez - Obesidade - Ascite - Distensão abdominal Complicações: - Estrangulamento é incomum - Ruptura em ascite crônica (peritonite – morte) Conduta: -Reparo - Sintomas - Hérnia volumosa - Encarceramento - Adelgaçamento da pele sobrejacente - Ascite incontrolável - Tratamento Cirúrgico: Herniorrafia Umbilical técnica de Mayo - Jaquetão com imbricamento aponeurótico - Taxa de recidiva 30% - Tela (Defeitos maiores 3cm) HÉRNIA EPIGÁSTRICA Definição: qualquer hérnia entre o processo xifóide e a cicatriz umbilical - 3 a 5% das hérnias - Mais comum em homens (2 a 3X) - Geralmente 5 a 6cm do umbigo - Defeitos pequenos - Dor fora da proporção do tamanho - Encarceramento de gordura pré-peritoneal - Múltiplos em até 20% - 80% na linha média Tratamento: •Cirurgia: Herniorrafia epigástrica -Pela herniação de gordura pré-peritoneal de difícil redução - Excisão do tecido pré-peritoneal encarcerado - Fechamento simples do defeito fascial -Defeitos pequenos: anestesia local -Defeito grande: raro - Pode conter omento ou víscera intra abdominal - Uso de tela HÉRNIA INCISIONAL • 15 a 20% das hérnias • Mais comum emmulheres (2X) • Maior dificuldade de tratamento • Adquiridas - Incisão cirúrgica prévia - Tensão excessiva - Cicatrização inadequada - Associação frequente a infecção do sítio cirúrgico - Aumento no volume com o tempo Clínica: - Abaulamento - Dor - Obstrução intestinal - Encarceramento - Estrangulamento Fatores de Predisposição: - Obesidade (maior tensão na parede abdominal) - Idade avançada - Condições que aumentam pressão intra abdominal- Ascite - Gravidez - Prostatismo - Doença pulmonar obstrutiva crônica - Cicatrização deficiente - Desnutrição - DM - Uso de corticoides - Agentes quimioterápicos - Infecção do sítio cirúrgico Perda da domínio abdominal: - Hérnias volumosas - Incapacidade de fechar o abdome primariamente: - Síndrome compartimental / Insuficiência respiratória - Compromete a rigidez da parede abdominal: M. abdominal retraída - Disfunção respiratória: Movimento respiratório abdominal paradoxal - Consequências - Edema do intestino: Estase do sistema venoso esplâncnico - Retenção urinária - Constipação Estadiamento: Morbidade • Largura da hérnia (maior hérnia) • Presença de contaminação • Piora a situação do paciente e do cirurgião Tratamento Cirúrgico: -Defeito pequeno(< = 2 a 3cm de diâmetro):Reparo Primário - Hérnia por erro técnico da cirurgia inicial (falha da sutura) - Com tecido viável adjacente - Defeitos maiores (> 2 a 3cm de diâmetro) Elevada taxa de recidiva se fechamento primário (10 a 50%) - Uso de tela (diminui pela metade) - Fechamento do defeito - Colocação da tela de polipropileno Características desejáveis para tela: -Inerte -Resistente a estresse mecânico -Boa complacência -Esterilizável -Não carcinogênica -Baixa reação inflamatória (hipoalergênica) Posições da Tela: •Sobre a porção anterior da fáscia Vantagem: - Tela fora da cavidade abdominal - Evita interação com víscera abdominal Desvantagem: - Grande dissecção do subcutâneo - Maior probabilidade de formação de seroma - Localização superficial da tela - Risco de contaminação se infecção de ferida - Reparo geralmente sobre tensão - Taxa de recorrência 28% •Tela intraperitoneal (Tela específica) - Útil para defeitos grandes - Abordagem laparoscópica (4cm de margem) o - Evita grandes incisões - Evita enfraquecimento subcutâneo •Espaço retrorretal (retromuscular) - Forças abdominais atuam para manter a tela no local -------------------------------------------------------------------------- -------- Hérnias: Complicações e Incomuns Redução do Conteúdo herniado: - Redutível • Conteúdo pode ser reposicionado - Irredutível ou Encarcerada • Não pode ser reduzida / aprisionada - Estrangulada • Compromete o suprimento sanguíneo do conteúdo • Grave / Potencialmente fatal • Mais frequente nas hérnias grandes com pequenos orifícios - Colo pequeno obstrui o fluxo sanguíneo arterial, drenagem venosa ou ambos • Aderências do conteúdo da hérnia e o revestimento peritoneal - Ponto de ancoramento que aprisiona os conteúdos da hérnia - Predispõe à obstrução intestinal e ao estrangulamento - Habitada • Orifícios grandes • Sem dano ao conteúdo herniado Complicações: Encarceramento/Estrangulamento - Mais comum - Mais grave e Potencialmente fatal - Maior incidência nos extremos de idade • Idosos • Prematuros - Hérnias femorais tem maior taxa de estrangulamento: 15-20% • Correção cirúrgica assim que diagnosticado - 1 a 3% das Hérnias Inguinais: • Maioria HI indireta - Clínica • Massa irredutível • Endurecida • Muita dor local • Parada de eliminação de gases e fezes • Sinais tardios - Hiperemia da parede - Alteração da coloração local - Calor local - Fístula enterocutânea - Diagnóstico • Anamnese + Exame físico • USG • (TC) Complicações: Estrangulamento - Compromete irrigação do conteúdo herniado - Sofrimento do órgão e potencial necrose do mesmo • Pode ser necessária ressecção intestinal • Compressão dos elementos do cordão - Sofrimento testicular Conduta na Hérnia Inguinal encarcerada: • Redução manual da hérnia: observação / Cirurgia antes da alta • Cirurgia de urgência: • Não conseguiu reduzir • Sinais claros de estrangulamento - Contra indica tela quando ressecção intestinal (Risco de infecção) - Fazer reparo do tecido Complicações: Hérnia Estrangulada - Tratamento cirúrgico: Inguinotomia (tomia- corte) - Exposição do conteúdo do saco herniário - Avaliação do conteúdo e viabilidade do órgão - Liberação do anel constritor - Redução da víscera se viável - Necessidade de ressecção intestinal • Abertura do peritônio com ressecção pelo próprio acesso Laparotomia: -Não foi possível avaliar conteúdo herniado pela redução inadvertida (indução) - Apresenta sinais de sofrimento: - Líquido hemorrágico/escurecido - Saída de conteúdo entérico -Dificuldade do reparo pela abordagem pré-peritoneal Complicações: Hérnia por deslizamento - Órgão interno integra porção da parede do saco herniário - Mais comum: Cólon e Bexiga - Maioria HI indireta - Risco • Não identificação da víscera no saco herniário • Lesão do órgão Complicações: Recidiva - Incidência: 1,7 - 10% • Incidência mais alta na recidiva secundária - Reparos sem tensão temmenor taxa de recorrência que os reparos teciduais -Mais comum nas hérnias diretas -Aumento do tempo operatório -Maior taxa de complicações Causas: • Fatores técnicos - Tensão excessiva no reparo - Falha em incluir margemmuscular aponeurótica no reparo - Tamanho inadequado da tela - Falha de fechar o anel inguinal interno alargado • Pressão intra-abdominal cronicamente elevada • Tosse crônica • Infecções incisionais profundas • Formação de colágeno deficiente na ferida Tratamento: • Reparo desafiador • Maioria exige uso de tela/prótese - Excessão: prótese infectada associada com hérnia recorrente