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Campo de Atuação 
da Educação Física: 
Código de Ética
Carine Ferreira da Costa 
Wagner José Nogueira
Campo de Atuação da 
Educação Física: Código 
de Ética
2
Introdução
Você está no conteúdo de Campo de Atuação da Educação Física: código de ética. 
Conheça aqui os fatos que motivaram a elaboração do código de ética dos profissionais 
de Educação Física, seus principais eixos norteadores, bem como os seus direitos e 
deveres na prática profissional. Além disso, você vai ver também alguns dos principais 
campos de atuação dos profissionais de educação bacharéis ou licenciados.
Bons estudos!
3
O Código de Ética do Profissional de Educação 
Física
O código de ética dos profissionais de Educação Física é recente, sua última versão 
foi homologada em 2015. Ele é resultado do movimento em favor da regulamentação 
da profissão, materializado no sistema Confef/Cref. O Código de Ética foi construído 
a partir de documentos norteadores de caráter nacional e internacional e se propõe a 
nortear as responsabilidades e consequências para o modo como se exerce o ofício 
da profissão, se esforçando para contemplar os segmentos de licenciados e bacharéis, 
na perspectiva do conceito da ética na sociedade em que vivemos.
Ética
Figura 1 - Ética.
Fonte: Olivier Le Moal, Shutterstock, 2020
#PraCegoVer: Na imagem vemos uma bússola, cujo ponteiro está apontando a 
palavra Ética.
O conceito de ética é proveniente dos estudos da Filosofia, dessa forma, muitos 
pensadores se debruçaram sobre tentar entende-la, dando ao conceito um caráter 
digno de cada perspectiva filosófica defendida. O filosofo Aristóteles, que baseava seus 
estudos no conceito de virtude, entendia que a ética era o indivíduo evitar extremos e 
buscar ser feliz. Já Kant afirmava que a ética era guiar os homens no sentido da razão, 
além de outros tantos que contribuíram para esse debate.
4
A palavra ética tem sua origem na língua grega ethos, onde seu entendimento 
pressupõe um exercício de caráter padronizado convencionalmente, a fim de respeitar 
a si e ao próximo.
Na organização da atuação profissional a ética tem um sentido de valores, um conjunto 
de medidas e condutas que visa orientar a forma como o profissional conduz suas 
ações nas suas relações de trabalho.
Por ética se entende também uma conduta conveniente com a perspectiva estrutural 
da sociedade, no nosso caso, uma sociedade democrática, onde existe a garantia da 
liberdade de expressão e o respeito aos direitos e deveres dos cidadãos.
A primeira versão do código de ética dos profissionais de Educação Física, divulgado 
pela Resolução nº 25/2000 do Confef (2000), considera que a ética tem como objetivo
(...) estabelecer um consenso suficientemente capaz de comprometer 
todos os integrantes de uma categoria profissional a assumir um papel 
social, fazendo com que, através da intersubjetividade, migre do plano das 
realizações individuais para o plano da realização social e coletiva.
Ainda tentando contextualizar o sentido de ética para a gama de profissionais 
atendidos pelo sistema CONFEF/CREF, são atribuídas as seguintes características 
para o entendimento de ética pela Resolução nº 25 de 2000:
• Como parte da existência da história da moral, enquanto conjunto de normais 
que regu- lam o comportamento individual e social do homem, tendo como 
ponto de partida seus valores, princípios e normas, buscando atender aos an-
seios da sociedade;
• A qualidade e competência da atuação profissional, evitando a redução de 
uma atividade normativa ou pragmática que a transformaria em um objeto do 
senso comum ou até mesmo de normas adquiridas informalmente.
Nessa premissa, entendemos que o exercício ético deve ser exercido de forma justa, 
onde os interesses individuais não prevalecem sobre os interesses coletivos e os 
profissionais exercem seus ofícios visando a manutenção da vida e a contribuição 
social.
Documentos Norteadores
O movimento para a construção do código de ética do profissional de Educação Física 
foi elaborado pelo sistema CONFEF/CREF, tendo sido aprovado em um debate realizado 
no espaço do Congresso Internacional da Educação Física em 2000. O documento foi 
5
inspirado nas Declarações Universais dos Direitos Humanos, na Agenda 21 e na Carta 
Brasileira de Educação Física divulgada no ano 2000, além de considerar princípios 
reguladores das Agências Nacionais e Internacionais de Controle de Dopagem, 
segunda consta no descritivo do próprio documento homologado.
Cada um desses documentos tem um contexto histórico para sua criação ligado a 
um objetivo visando o bem comum, em linhas gerais, uma síntese da sua importância 
internacional, sendo eles:
Declaração universal dos direitos humanos
Documento que surgiu como resultado das demandas internacionais oriundas 
da segunda guerra mundial. Objetiva compor um ideal comum a ser atingido entre 
todos os povos e nações. Tem entre suas principais bandeiras: que todos os seres 
humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos, tem direito à vida, à liberdade 
e à segurança pessoal, todos podem invocar os direitos e liberdades proclamados na 
declaração, ninguém será mantido em escravatura ou em servidão e todos são iguais 
perante a lei.
Agenda 21
É consequência de um evento realizado pela Organização das Nações Unidas – ONU, 
na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1992. Uma conferência sobre o Meio Ambiente 
e o Desenvolvimento Humano. O documento visa o desenvolvimento de sociedades 
sustentáveis de bases geográficas distintas em concordância sobre a justiça social e 
eficiência econômica.
Carta Brasileira da Educação Física do ano 2000
Considera os princípios do Manifesto Mundial da Educação Física do mesmo ano, 
divulgado pela Fédération Internationale D’Education Physique (FIEP), defendendo o 
reconhecimento, formação acadêmica sólida e o registro no sistema CONFEF/CREF 
para os profissionais de Educação Física. Objetiva que a Educação Física seja um 
caminho de desenvolvimento de estilos de vida ativos nos brasileiros para contribuição 
de qualidade de vida da população. Estabelece ações para uma Educação Física de 
qualidade no Brasil e para a preparação de profissionais e defende a manutenção da 
Educação Física nas escolas e demais espaços.
Princípios Reguladores das Agências Nacionais e Internacionais do controle de 
Dopagem
6
É um documento da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, que tem como 
missão consolidar uma cultura antidopagem no âmbito nacional, por meio de ações 
de educação e controle em todas as manifestações esportivas e possui três objetivos: 
promover e expandir a cultura antidopagem no Brasil, aprimorar processos de gestão 
e governança da ABCD e fiscalizar e gerir os procedimento de controle de dopagem 
em âmbito nacional.
O código de ética dos profissionais de Educação Física por sua vez, objetiva “normatizar 
a articulação das dimensões éticas” afim de garantir o desempenho satisfatório 
do profissional de Educação Física em “união de conhecimento cientifico e atitude, 
referendando a necessidade de um saber e de um saber fazer que venham efetivar-se 
como um saber bem e um saber fazer bem” (CONFEF, 2015).
Sobre o conceito do código de ética Cherman, Tomei (2005, p. 101) o definem como 
“um Documento formal distinto, que especifica obrigações éticas conscientes para a 
conduta organizacional, só existindo se for formulado com o propósito único de ser 
guiado por padrões morais para condutas éticas”.
Dessa maneira, instituiu-se o código de ética, que deve ser sugerido pelos profissionais 
de Educação Física registrados no sistema CONFEF/CREF, o registro inclusive é 
acompanhado da aceitação do profissional ao código.
Disposições Gerais
No contexto propício a homologação do código de ética dos profissionais de Educação 
Física, elementos centrais da atuação profissional não podem ser ignorados, como 
os elementos históricos centrais e os princípios norteadores desse documento 
homologado através do DOU nº 221 de 19 de novembro de 2015,que dispõe sobre o 
Código de Ética dos profissionais de Educação Física registrados no sistema CONFEF/
CREF, resolução n. 307/2015.
Itens Norteadores
Apresenta-se no documento que o código de ética foi construído considerando um 
estudo histórico rigoroso sobre a existência da profissão e que, a partir disso, foram 
definidos 12 itens norteadores para esse documento. De acordo com o documento 
CONFEF (2015) esses itens são:
I. O Código de Ética dos Profissionais de Educação Física, instrumento regulador 
do exercício da Profissão, formalmente vinculado às Diretrizes Regulamentares do 
7
Sistema CONFEF/CREFs. Define-se como um instrumento legitimador do exercício 
da profissão, sujeito, portanto, a um aperfeiçoamento contínuo que lhe permita 
estabelecer os sentidos educacionais, a partir de nexos de deveres e direitos;
II. O Profissional de Educação Física registrado no Sistema CONFEF/CREFs e, 
consequentemente, aderente ao presente Código de Ética, na qualidade de interventor 
social, deve assumir compromisso ético para com a sociedade, colocando-se a seu 
serviço primordialmente, independentemente de qualquer outro interesse, sobretudo 
de natureza corporativista;
IIII. Este Código de Ética define, para seus efeitos, no âmbito de toda e qualquer 
atividade física, como destinatário, o Profissional de Educação Física registrado no 
Sistema CONFEF/ CREFs e, como beneficiários das intervenções profissionais os 
indivíduos, grupos, associações e instituições que compõem a sociedade. O Sistema 
CONFEF/CREFs é a instituição mediadora, por exercer uma função educativa, além 
de atuar como reguladora e codificadora das relações e ações entre beneficiários e 
destinatários;
IV. A referência básica deste Código de Ética, em termos de operacionalização, é a 
necessidade em se caracterizar o Profissional de Educação Física diante das diretrizes 
de direitos e deveres estabelecidos normativamente pelo Sistema CONFEF/CREFs. 
Tal Sistema deve visar assegurar por definição: qualidade, competência e atualização 
técnica, científica e moral dos Profissionais nele incluídos através de inscrição legal e 
competente registro;
V. O Sistema CONFEF/CREFs deve pautar-se pela transparência em suas operações e 
decisões, devidamente complementada por acesso de direito e de fato dos beneficiários 
e destinatários à informação gerada nas relações de mediação e do pleno exercício 
legal. Considera-se pertinente e fundamental, nestas circunstâncias, a viabilização da 
transparência e do acesso ao Sistema CONFEF/CREFs, através dos meios possíveis 
de informação e de outros instrumentos que favoreçam a exposição pública;
VI. Em termos de fundamentação filosófica o Código de Ética visa assumir a 
postura de referência quanto a direitos e deveres de beneficiários e destinatários, de 
modo a assegurar o princípio da consecução aos Direitos Universais. Buscando o 
aperfeiçoamento contínuo deste Código, deve ser implementado um enfoque científico, 
que proceda sistematicamente à reanálise de definições e indicações nele contidas. 
Tal procedimento objetiva proporcionar conhecimentos sistemáticos, metódicos e, na 
medida do possível, comprováveis;
8
VII. As perspectivas filosóficas, científicas e educacionais do Sistema CONFEF/
CREFs se tornam complementares a este Código, ao se avaliarem fatos na instância 
do comportamento moral, tendo como referência um princípio ético que possa ser 
generalizável e universalizado. Em síntese, diante da força de lei ou de mandamento 
moral (costumes) de beneficiários e destinatários, a mediação do Sistema produz-se 
por meio de posturas éticas (ciência do comportamento moral), símiles à coerência e 
fundamentação das proposições científicas;
VIII. O ponto de partida do processo sistemático de implantação e aperfeiçoamento 
do Código de Ética dos Profissionais de Educação Física delimita-se pelas Declarações 
Universais de Direitos Humanos e da Cultura, como também pela Agenda 21, que situa 
a proteção do meio ambiente em termos de relações entre os homens e mulheres em 
sociedade e, ainda, através das indicações referidas na Carta Brasileira de Educação 
Física (2000), editada pelo CONFEF. Estes documentos de aceitação universal, 
elaborados pelas Nações Unidas, e o Documento de Referência da qualidade de 
atuação dos Profissionais de Educação Física, juntamente com a legislação pertinente 
à Educação Física e seus Profissionais nas esferas federal, estadual e municipal, 
constituem a base para a aplicação da função mediadora do Sistema CONFEF/CREFs, 
no que concerne ao Código de Ética;
IX. Além da ordem universalista internacional e da equivalente legal brasileira, o Código 
de Ética deverá levar em consideração valores que lhe conferem o sentido educacional 
almejado. Em princípio, tais valores como liberdade, igualdade, fraternidade e 
sustentabilidade com relação ao meio ambiente, são definidos nos documentos já 
referidos. Em particular, o valor da identidade profissional no campo da atividade 
física - definido historicamente durante séculos - deve estar presente, associado aos 
valores universais de homens e mulheres em suas relações socioculturais;
X. Tendo como referências a experiência histórica e internacional dos Profissionais de 
Educação Física no trato com questões técnicas, científicas e educacionais, típicas de 
sua profissão e de seu preparo intelectual, condições que lhes conferem qualidade, 
competência e responsabilidade, entendidas como o mais elevado e atualizado nível 
de conhecimento que possa legitimar o seu exercício, é fundamental que desenvolvam 
suas atuações visando sempre preservar a saúde de seus beneficiários nas diferentes 
intervenções ou abordagens conceituais;
XI. A preservação da saúde dos beneficiários implica sempre na responsabilidade 
social dos Profissionais de Educação Física, em todas as suas intervenções. 
Tal responsabilidade não deve e nem pode ser compartilhada com pessoas não 
credenciadas, seja de modo formal, institucional ou legal;
9
XII. Levando-se em consideração os preceitos estabelecidos pela bioética, quando 
de seu exercício, os Profissionais de Educação Física estarão sujeitos sempre a 
assumirem as responsabilidades que lhes cabem.
Observa-se que os doze itens norteadores foram distribuídos historicamente no 
sentido da função não só dos profissionais, como também do sistema CONFEF/CREF.
Apesar a regulamentação da profissão, o sistema CONFEF/CREF rege diretrizes 
apenas para uma fatia dos profissionais de Educação Física do mercado brasileiro.
Ressalta-se aqui que o código de ética apresentado pode ser 
aplicado apenas aos profissionais que possuem registro no 
conselho de classe, considerando que os licenciados não precisam 
do registro para atuarem nas escolas.
Curiosidade
Princípios e Diretrizes
Os princípios e diretrizes do código de ética dos profissionais de Educação Física 
do sistema CONFEF/CREF corroboram com a perspectiva da responsabilidade social 
para a promoção da saúde.
Segundo o código de ética CONFEF (2015) os princípios norteadores de um profissional 
de Educação Física devem ser:
I. o respeito à vida, à dignidade, à integridade e aos direitos do indivíduo;
II. a responsabilidade social;
III. a ausência de discriminação ou preconceito de qualquer natureza;
IV. o respeito à ética nas diversas atividades profissionais;
V. a valorização da identidade profissional no campo das atividades físicas, esportivas 
e similares;
VI. a sustentabilidade do meio ambiente;
10
VII. a prestação, sempre, do melhor serviço a um número cada vez maior de pessoas, 
com competência, responsabilidade e honestidade;
VIII. a atuação dentro das especificidades do seu campo e área do conhecimento, no 
sentido da educação e desenvolvimento das potencialidades humanas, daqueles aos 
quais presta serviços.
Já as diretrizes transitam entre a responsabilidade do conselho nacional e as 
responsabilidades dos profissionais de Educação Física. Confira a lista de diretrizes 
a seguir:
I. comprometimento com apreservação da saúde do indivíduo e da coletividade, e 
com o desenvolvimento físico, intelectual, cultural e social do beneficiário de sua ação;
II. aperfeiçoamento técnico, científico, ético e moral dos Profissionais registrados no 
Sistema CONFEF/CREFs;
III. transparência em suas ações e decisões, garantida por meio do pleno acesso 
dos beneficiários e destinatários às informações relacionadas ao exercício de sua 
competência legal e regimental;
IV. autonomia no exercício da profissão, respeitados os preceitos legais e éticos e os 
princípios da bioética;
V. priorização do compromisso ético para com a sociedade, cujo interesse será 
colocado acima de qualquer outro, sobretudo do de natureza corporativista;
VI. integração com o trabalho de profissionais de outras áreas, baseada no respeito, 
na liberdade e independência profissional de cada um e na defesa do interesse e do 
bem-estar dos seus beneficiários.
É preciso salientar que as diretrizes e os princípios, quando tratam do profissional 
de Educação Física, representam a unidade da ação e não a dicotomia presente no 
processo de formação em nível de graduação.
Responsabilidade
Uma das funções em se estabelecer um código de ética para os profissionais é o 
estabelecimento de alguns elementos centrais para que o trabalho possa colaborar 
para a sociedade de forma digna e respeitosa. Veremos aqui a amplitude dos direitos 
e deveres de um profissional de Educação Física, bem como os limites estabelecidos 
para sua atuação.
11
Assim, como os demais profissionais da saúde, o profissional da Educação Física 
também é submetido a infrações e penalidades se atuam em desacordo com seu código 
de ética. Veremos aqui os principais pontos dessas esferas que são determinantes 
para a maneira com que os profissionais devem exercer seu ofício de trabalho.
Direitos e Deveres
Os direitos e deveres dos profissionais de Educação Física são distribuídos em quatro 
categorias: sua responsabilidade individual com o exercício da profissão e o sistema 
CONFEF/ CREF, o desempenho do exercício da função, o relacionamento com os 
colegas e com os órgãos e entidades representativos, considerando sempre o zelo 
pela ética e transmissão do conhecimento com qualidade para a promoção do bem 
estar.
Por sua vez, os direitos dos profissionais de Educação Física são apresentados da 
seguinte forma:
I.Exercer a Profissão sem ser discriminado por questões de religião, raça, sexo, idade, 
opinião política, cor, orientação sexual ou de qualquer outra natureza;
II.Recorrer ao Conselho Regional de Educação Física, quando impedido de cumprir a 
lei ou este Código, no exercício da profissão;
III. Requerer desagravo público ao Conselho Regional de Educação Física sempre que 
se sentir atingido em sua dignidade profissional;
IV. Recusar a adoção de medida ou o exercício de atividade profissional contrários aos 
ditames de sua consciência ética, ainda que permitidos por lei;
V. Participar de movimentos de defesa da dignidade profissional, principalmente na 
busca de aprimoramento técnico, científico e ético;
VI. Apontar falhas e/ou irregularidades nos regulamentos e normas, formalmente, por 
escrito, aos gestores de eventos e de instituições que oferecem serviços no campo 
da Educação Física quando os julgar tecnicamente incompatíveis com a dignidade da 
profissão e com este Código ou prejudiciais aos beneficiários;
VII. Receber salários ou honorários pelo seu trabalho profissional.
O código de ética também apresenta os possíveis benefícios desses profissionais, 
que garantem a organização contratual antes do início da realização do trabalho, 
submetida a legislação vigente estabelecendo a remuneração a partir de aspectos 
12
como relevância do serviço, tempo destinado ao trabalho, o impedimento da atuação 
do profissional por motivos de força maior, tempo de deslocamento, a competência, 
o renome profissional e a demanda de oferta de trabalho no segmento em questão.
Infrações e Penalidades
As infrações previstas no documento consistem no não cumprimento ou a omissão 
ao não cumprimento do código de ética, seja nas suas diretrizes, direitos e deveres 
do sistema CONFEF/ CREF e dos profissionais de Educação Física. As penalidades 
incluem advertência escrita seguida ou não de multa, censura pública, suspensão do 
exercício da profissão e cancelamento do registro profissional e divulgação do fato.
As análises acontecem pelas instâncias do próprio sistema CONFEF/CREF através 
das comissões de ética, juntas de instrução e julgamento, tribunais regionais de ética 
e o tribunal superior de ética atrelados ao Código de Ética e Processual sistema.
Críticas Sobre o Código de Ética dos Profissionais de Educação 
Física
O atual documento que referenda o código de ética dos profissionais de Educação 
Física foi homologado em 2015, mas sabe-se que ele é consequência da 
Resolução nº25/2000, oriundo de diversas manifestações do movimento a favor da 
regulamentação da profissão, que resultou também no sistema CONFEF/CREF.
Nesse cenário, já com a homologação da Resolução nº25/2000, teve sua divulgação 
online, argumentando que tal ação era justamente para que os profissionais da 
Educação Física pudessem ter acesso ao texto.
Os documentos de 2000 e 2015 não se contrapõem em essência, se pode dizer que eles 
se complementam em alguns momentos, mas, acima de tudo, a Resolução nº25/2000 
está presente no código de ética de 2015, de maneira que eles são interligados na sua 
radicalidade.
Dessa forma, algumas críticas a Resolução nº25/2000 podem ser atribuídas ao 
código homologado em 2015, por se tratar de um documento atrelado as diretrizes 
do sistema CONFEF/ CREF que, para a comunidade acadêmico científica, trata dos 
interesses neoliberais do capitalismo reproduzido pelo sistema FIEP.
A regulamentação da profissão gerou uma expectativa na comunidade da Educação 
Física retratada por Barros (2000, p.109).
13
A regulamentação da profissão de Educação Física impõe uma 
responsabilidade social mais definida e exigente, tanto ao profissional, 
quanto às Escolas e Faculdades. O futuro profissional (aluno) almeja uma 
formação que o capacite para o exercício competente da profissão no 
padrão exigido pela sociedade. Para tal, Escolas e Faculdades devem 
ajustar a estrutura dos cursos de formação profissional. Licenciatura 
e Bacharelado devem ser analisados e propostos com base nas 
necessidades e expectativas dos alunos e das características dos serviços 
a serem prestados à sociedade.
O autor ainda ressalta que a regulamentação da profissão através da lei 9696/1998 
não fez considerações específicas sobre as áreas de atuação dos bacharéis e dos 
licenciados, de forma que isso expõe a verdadeira intenção por trás da regulamentação, 
que seria a sistematização das atividades de prestação de serviços associadas 
as atividades físicas e esportivas, novamente não contemplando o espaço escolar 
(BARROS, 2000, p. 109).
Outro autor que fala sobre a questão do código de ética dos profissionais de Educação 
Física e a falta de atenção aos profissionais que atuam na escola, sendo esse o principal 
espaço de atuação dos profissionais de Educação Física até a década de 1980, é Sadi 
(2000), quando ressalta que a regulamentação da profissão e a construção do código 
de ética não evitaram dois fenômenos sobre o campo de atuação da Educação Física: 
o continuo sucateamento da escola e abandono desse campo de atuação provindo de 
um movimento iniciado na década de 1970 e as interferências de outros profissionais 
(fisioterapeutas, psicólogos, técnicos desportivos) nos segmentos que supostamente 
seriam dos profissionais de Educação Física após a ampliação dos campos de atuação 
da década de 1990, fomentadas pelas concepções neoliberais no país.
Além disso, Sadi (2000) aponta ainda que a regulamentação e a implantação de um 
código de ética que não se preocupa com as demandas da Educação Física escolar 
reforça o desprestígio dela referente as demais áreas, oriundos da concepçãoda 
organização, do modo de produção capitalista que diferencia a relação entre trabalho 
manual e intelectual.
A herança da Educação Física escolar, sendo originária do militarismo e da medicina 
higiênica perdurou (inclusive até os dias de hoje) e a regulamentação seguido do seu 
código de ética deixaram os professores da escola entregues a ética do positivismo.
O sistema CONFEF/CREF, respaldados pela regulamentação e por seu código de ética, 
se debruçaram em tentar contemplar as demandas do mercado estabelecendo um 
código de ética que, segundo Sadi (2000), “não representa a construção de uma ética, 
14
mas sim a defesa de um mercado profissional”, além de que, não existem relações do 
código de ética com o currículo da Educação Física escolar.
Nesse ínterim, ao analisarmos o código de ética dos profissionais de Educação Física 
em sua última versão, é possível verificar que a unidade da atuação dos profissionais 
de Educação Física (licenciados e bacharéis) ainda não é contemplada, o exercício 
em que se estabelece a unidade ainda é superficial, apesar de ser um pouco mais 
presente quando se compara a Resolução nº25/2000, fazendo com que as críticas 
de Barros e Sadi ainda sejam atuais para o contexto dos profissionais de Educação 
Física que tiveram seu campo de atuação ampliado, mas ainda carregam dificuldades 
sociais e econômicas na realização do seu trabalho. Isto nos permite aqui, construir 
uma síntese precisa que não almeja desqualificar ou defender, mas sim refletir: ainda 
há um percurso considerável para os profissionais de Educação Física trilharem, isso 
não há dúvidas.
Atuação do Bacharel em Educação Física
A atuação do bacharel em Educação Física possui uma gama de variáveis no mercado 
de trabalho. Seu mercado de trabalho ultrapassa os limites das academias de 
ginásticas. As possibilidades em torno das práticas de treinamento individual e coletivas 
atinge um crescimento contínuo nos últimos anos. Abordaremos as possibilidades 
para esse profissional e a concorrência a que é submetido nesses segmentos por 
outros profissionais que estão se capacitando e aumentando a concorrência nesses 
mercados.
15
Academias e Clubes
Figura 2 - Academia.
Fonte: lunamarina, Shutterstock, 2020.
#PraCegoVer: Na imagem vemos uma academia e um professor instruindo 
uma aluna em um exercício de musculação.
As academias e clubes representam o principal contingente de oferta de empregos 
para os bacharéis em Educação Física. Um dos argumentos para a divisão dos cursos 
de graduação, para Nunes, M.P Votre, S. J. Santos, W. (2012 p. 281) consiste em 
considerar que
A legislação para a formação do bacharel sugere conferir maior autonomia às 
instituições educacionais superiores na definição dos currículos de seus cursos, a 
partir da explicitação das competências e das habilidades que se deseja desenvolver, 
através da organização de um modelo pedagógico capaz de entender e debater a 
dinâmica das demandas da sociedade. Após definidos os marcos para construção 
da identidade do bacharel como profissional em Educação Física, as comissões 
de especialistas das diferentes áreas e campos do saber construíram diretrizes 
curriculares específicas.
16
Estes profissionais atuam como instrutor na sala de musculação, como professor 
das diversas modalidades de ginástica em academia, considerando que algumas 
modalidades em si ainda precisam de formação extra para a atuação, somente o título 
de bacharel não é o suficiente para habilitar o profissional para trabalhar com turmas 
de pilates, zumba, entre outras modalidades.
A atuação na modalidade de natação também é uma forma bem difundida em 
ambos os segmentos, seja no desenvolvimento do trabalho com adaptação aquática 
para o desenvolvimento infantil, seja na utilização da modalidade como exercício 
sistematizado.
Já os clubes possuem uma amplitude no seu atendimento por possuírem uma gama 
maior de práticas esportivas, atuando com a iniciação esportiva no treinamento do 
rendimento, bem como práticas de recreação e mobilização de grupos divididos por 
faixa etária ou modalidades de interesse, independentes das práticas realizadas no 
espaço da academia como grupos de corridas, treinamento funcional, parkour, entre 
outras. Além disso, a organização de festas e eventos esportivos nesses espaços 
também é muito comum.
Treinamento Desportivo
No segmento do treinamento desportivo, a titulação de bacharel não é suficiente 
no caso do alto rendimento para algumas modalidades que apresentam formação 
específica para os esportes disponibilizados pelas federações internacionais.
O regimento, em relação a atuação na iniciação esportiva, em alguns casos, afirma ser 
necessária formação aprofundada na modalidade para se colocar como profissional 
do segmento. No entanto, esse nicho de mercado não é exclusivo aos bacharéis, 
profissionais que atuam há muito tempo em modalidades esportivas ou de dança. A 
sua formação individual ou prática profissional os habilita para atuarem, conseguindo, 
dessa forma, obter um registro no sistema CONFEF/CREF para isso.
Atuação do Licenciado em Educação Física
Nesse tópico abordaremos os elementos centrais que influenciam na atuação 
do licenciado em Educação Física, bem como qual é a sua função no trabalho nas 
instituições de ensino básico. Além disso, realizaremos considerações sobre os 
elementos em torno da atuação do profissional de Educação Física que trabalha no 
ensino superior.
17
Legislação da Educação
O profissional com o grau de licenciado atuará, via de regra, nas instituições de ensino 
básico. Esses professores, juntamente com os licenciados plenos, são os únicos 
habilitados a atuarem nesse segmento.
Basicamente, o professor de Educação Física organiza seu plano de trabalho como 
uma extensão das leis que regem uma instituição escolar, são elas: Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação Nacional 9394/96; Projeto Político Pedagógico da Escola; Base 
Nacional Curricular Comum refletido no plano curricular dos estados, municípios e 
redes particulares.
O Trabalho Didático na Escola
A Educação Física compõe o bloco das áreas do conhecimento da Linguagem, sendo 
sua responsabilidade desenvolver o trabalho através da cultura corporal de movimento 
instrumentalizado, por meio das práticas corporais sistematizadas como a Dança, 
Ginástica, Esporte, Jogos, Brincadeiras e práticas de aventura distribuídas em temas e 
subtemas que possuam uma relação intrínseca, em alguns casos. São apresentados 
em ordem crescente de complexidade entre as etapas da Educação Básica. Sobre 
essa questão Bertine Junior, N. Tassoni, E.C.M., (2013, p. 467) consideram que
A Educação Física no Brasil surge ligada intimamente à formação e 
educação corporal disciplinadora, com objetivos dos mais variados: 
militares, de saúde, estéticos, esportivos de alto rendimento ou não, 
recreativos, servindo, muitas vezes, a mecanismos de alienação ou 
propósitos políticos, valendo-se da prática ou de eventos esportivos para 
desviar a atenção das tensões políticas e das lutas ideológicas.
Com exceção da Educação Infantil, as demais etapas da Educação Básica precisam 
ter professores com graduação em Educação Física para lecionarem o componente 
curricular em questão, esse caráter é obrigatório. A discussão sobre a inclusão 
desses profissionais na Educação Infantil ainda é controversa entre os defensores, 
considerando que, nessa etapa, é de fundamental importância o desenvolvimento 
integral do indivíduo, preservando as características da primeira infância.
O Professor do Ensino Superior
A atuação dos profissionais para o Ensino Superior, em especial no curso de graduação 
em Educação Física, assim como as demais áreas do conhecimento, não está atrelada 
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ao título obtido na graduação, ambos podem atuar nesse segmento, amparados a 
partir da titulação em stricto senso determinada pelo Ministério da Educação
Uma das modalidades esportivas em ascensão no Brasil é o 
Punhobol. Essa modalidade vem crescendo internacionalmentee 
o Brasil já foi inclusive campeão mundial e atualmente temos uma 
equipe que é campeã sul-americana . O aprofundamento nessa 
modalidade também está em crescimento.
Curiosidade
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Conclusão
Neste conteúdo, você teve a oportunidade de:
• aprender o conceito de ética para a atuação profissional;
• conhecer o movimento histórico que levou a elaboração do código de ética 
dos profissionais de Educação Física;
• entender os direitos e deveres dos profissionais bem como as possíveis pena-
lidades no descumprimento do seu código de ética;
• verificar as críticas perante o código de ética dos profissionais de Educação 
Física;
• conhecer as possibilidades da atuação dos bacharéis em Educação Física;
• identificar os elementos legais em torno da atuação do professor de Educa-
ção Física escolar.
20
Referências
BARROS, José M. de C. Educação Física, profissão regulamentada. In: Revista Brasileira 
de Ciências do Esporte, RBCE, v. 21, nº 2/3, Campinas, 2000. Disponível em: http://
revista.cbce.org.br/index.php/RBCE/article/view/792. Acesso em: 18 fev. 2023.
BERTINI JUNIOR, N. TASSONI, E.C. A Educação Física, o docente e a escola: concepções 
e práticas pedagógicas, Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, (São 
Paulo) 2013 Jul-Set; 27(3):467-83, Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbefe/a/
Bqn9wHyTThPRXgf9XnSSVPD/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 13 fev. 2023.
CONFEF/CREF. Código de Ética Profissional da Educação Física. Ética e Deontologia 
da Educação Física . Rio de Janeiro, 2000.
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CHERMAN, A.; TOMEI, P. A. Códigos de ética corporativa e a tomada de decisão ética: 
instrumentos de gestão e orientação de valores organizacionais? Rev. adm. contemp. 
[online]. v.9, n.3, p. 99-120, 2005.
NUNES, M. P. VOTRE, S. J. SANTOS, W. O profissional em Educação Física no Brasil: 
Desafios e perspectivas no mundo do trabalho. Motriz, Rio Claro, v.18 n.2, p.280-290, 
abr./jun. 2012, Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/motriz/v18n2/v18n2a08.pdf. 
Acesso em: 14 fev. 2023.
SADI, R. S. O código de ética da Educação Física Caminhos da nova profissão, Revista 
Unicsul, 2000.

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