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MARKETING ESTRATÉGICO Amanda Santos Felix Planejamento de marketing Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir planejamento de marketing. Identificar os principais pontos de um planejamento de marketing. Desenvolver modelos de planejamento de marketing para diferentes tipos de empresa. Introdução Cada vez mais, as empresas precisam refletir sobre como operar em am- bienteis mutáveis e competitivos, visto que o cenário atual exige inovação, criatividade e capacidade de adaptação. Nesse sentido, o planejamento estratégico de marketing (PEM) viabiliza o alinhamento entre objetivos, habilidades, recursos da organização e oportunidades provenientes de um mercado volátil. Neste capítulo, você aprenderá sobre o planejamento de marketing, bem como identificará os seus principais pontos. Além disso, desenvolverá modelos de planejamento de marketing para diferentes tipos de empresa. Planejamento estratégico de marketing Ao agregar o conceito de marketing ao planejamento estratégico, amplia-se bastante o seu escopo. O resultado disso é a orientação da empresa para o mercado, o que a torna mais competitiva. O planejamento estratégico de marketing (PEM) é composto por seis fases, conforme mostra a Figura 1. Figura 1. Planejamento estratégico de marketing (PEM). Fonte: Adaptada de Silva et al. (2011). Visão, missão, valores e políticas Fatores críticos de sucesso e análise de cenários Identificação de oportunidades e ameaças Controle e feedback Objetivos e metas estratégicas: corporativa, competitiva, cadeia de valor, posicionamento e mix de marketing Implementação e avaliação A primeira etapa do PEM é a definição de visão, missão, valores e políticas do negócio da empresa. O segundo passo contempla os fatores críticos de su- cesso e a análise de cenários, e por meio dessa análise, é possível identificar as oportunidades e ameaças (terceiro passo). Vale ressaltar que os três primeiros passos do PEM não são sequenciais; eles podem ser feitos concomitantemente, pois estão atrelados. No quarto passo, deve-se estabelecer: objetivos, metas, estratégias corporativas e competitivas, cadeia de valor, posicionamento e mix de marketing. Para Silva et al. (2011), essa costuma ser a etapa mais complexa do PEM, pois exige muita capacidade analítica na tomada de decisão. Vale ressaltar que de nada adianta ter um plano muito bem estruturado se ele não for implementado. Por isso, o quinto passo indica como colocar o plano em prática. Ou seja, nessa etapa, deve-se estabelecer ações que serão realizadas para atingir os objetivos da empresa. Por fim, o sexto passo refere-se ao controle e feedback do PEM. O retorno do mercado permite perceber se as ações planejadas estão atendendo ao objetivo desejado. Planejamento de marketing2 A utilização do método descrito serve de subsídio para a implementação do plano de marketing, pois, por meio dele, é possível identificar os possíveis cenários, assim como as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. Uma importante consideração ao reunir toda essa informação é manter uma visão panorâmica enquanto se presta atenção aos detalhes. Isso exige que se olhe para o plano de marketing de forma holística, e não como um conjunto de elementos relacionados. Para Rocha, Ferreira e Silva (2012), o plano de marketing tem como objetivo responder a três questões estratégicas: 1. Qual é a nossa posição atual no que se refere a clientes e mercados? 2. Que posição desejamos ocupar no futuro com relação a esses clientes e mercados? 3. Que estratégia nos permitirá passar da situação atual à situação futura desejada? Independentemente do modelo usado para desenvolvê-lo, uma boa estrutura de plano é: Abrangente: fundamental para garantir que não haverá desconsideração de informações importantes. Nem sempre todos os elementos propostos nos diversos modelos de plano serão pertinentes à situação da empresa, mas, pelo menos, cada elemento recebe consideração. Flexível: o modelo escolhido deve ser suficientemente flexível para ser modificado e adequar-se às necessidades específicas de cada empresa. As empresas têm particularidades e objetivos distintos, por isso, a adoção de um modelo muito rígido é prejudicial para o processo de planejamento. Integrado: a sinergia entre o plano de marketing e os planos das demais áreas é uma consideração importante. Manter a integração permite que os executivos e funcionários que estão fora do marketing entendam o plano de marketing e o processo de planejamento. Lógico: o plano de marketing deverá, em última análise, convencer os altos executivos. Ou seja, as questões colocadas no plano precisam fluir de maneira lógica. Uma estrutura sem lógica pode fazer a diretoria rejeitar o plano de marketing. 3Planejamento de marketing Principais pontos de um planejamento de marketing O planejamento de marketing envolve o uso de diversos modelos e métodos. Algumas empresas, inclusive, desenvolvem seus próprios modelos e métodos. O planejamento de marketing deve ser adaptado para cada tipo de organização. Portanto, os modelos e métodos apresentados a seguir devem ser entendidos como instrumentos de apoio na formulação do planejamento de marketing, e não como um modelo único e fechado. Independentemente do modelo que será utilizado, o primeiro ponto do processo de planejamento de marketing consiste na análise do ambiente externo e do ambiente interno da empresa, às vezes chamada análise da situação. Para a análise dos ambientes, Rocha, Ferreira e Silva (2012) recomendam a utilização da análise SWOT. A análise SWOT examina fatores internos (forças e fraquezas) e externos (oportunidades e ameaças) que proporcionam à empresa vantagens e desvantagens na satisfação das necessidades do público-alvo. Essas forças, fraquezas, oportunidades e ameaças devem ser analisadas em relação às necessidades do mercado e à concorrência (KOTLER; KELLER, 2012). De acordo com Ferrell e Hartline (2009), a análise de SWOT é muito utilizada por ser uma estrutura simples para organizar e avaliar a posição estratégica de uma empresa.. Entretanto, como qualquer outra ferramenta, pode ser mal utilizada, se as pesquisas não forem efetuadas corretamente. Um erro comum é não separar as questões internas das externas. Oportunidades e ameaças são questões externas, pois ocorrem independentemente das ações da empresa. Já as forças e fraquezas são questões internas da empresa, ou seja, a empresa tem o poder de intervir diretamente. A Figura 2, a seguir, apresenta a aplicação da análise de SWOT de um teatro. Planejamento de marketing4 Figura 2. Aplicação da análise de SWOT de um teatro. Fatores externos Oportunidades • Interesse do público universitário em atividades culturais • Interesse do público da terceira idade em peças teatrais • Teatros concorrentes em decadência • Oferta de outros serviços vinculados ao teatro • Preço popular • Forte divulgação da programação • Parcerias com empresas locais • Localização de fácil acesso • Falta de recursos para investimento • Os ingressos são vendidos somente no teatro • Baixa competência em atendimento ao público • Falta de segurança nas proximidades do teatro • Falta de hábito, da população jovem, de assistir a peças • Baixo nível de instrução da população • Corte de verbas do governo para atividades culturais • Surgimento de novas atividades culturais Ameaças Pontos fortes Pontos fracos Fatores internos Fatores favoráveis Fatores desfavoráveis O ambiente interno A análise da situação envolve a avaliação do ambiente interno da empresa no que diz respeito a objetivos, estratégias, disponibilidades de recursos, estrutura organizacional e ambiente do consumidor, mix de marketing, estratégias do produto e de posicionamento. O responsável pelo marketing deve avaliar os objetivos, a estratégia e o desempenho de marketing atuais da empresa. Uma análiseperiódica dos objetivos é necessária para assegurar que estes permaneçam ajustados com as mudanças externas e com a missão da empresa. Muitas vezes, faz-se necessário alterar as metas da empresa, se os resultados se mostram ineficazes. Além disso, deve-se analisar aspectos como: participação no mercado, volume de vendas, retorno sobre o investimento (ROI), lucratividade. Também é relevante analisar o desempenho geral do setor. Em segundo lugar, o responsável pelo marketing deve rever o nível atual e o previsto para as ações de marketing. Essa avaliação inclui uma análise dos recursos humanos, financeiros e materiais disponíveis para o marketing. Em períodos de crise econômica, a escassez de recursos financeiros atrai maior 5Planejamento de marketing atenção, e é justamente nesse momento que fazer mais com menos se torna a regra da vez. Além das turbulências econômicas, muitos autores, como Ferrell e Hartline (2009), preveem que a escassez da mão de obra qualificada será o principal problema dos próximos anos. Os autores argumentam que o problema não é o número de trabalhadores inexperientes, mas sim o conjunto de habilidades que cada um possui em relação ao trabalho. Com a velocidade com que ocorrem as mudanças tecnológicas, os profissionais precisam, agora, estar em constante processo de atualização, para que possam se adaptar às novas tecnologias. Os profissionais do século XXI precisam também possuir um conjunto de habilidades relacionado à empatia, ou seja, colocar-se no lugar do outro. Em terceiro lugar, os responsáveis pelo marketing devem avaliar as ques- tões culturais e estruturais que podem afetar as atividades do marketing. É comum, em muitas empresas, a falta de entendimento entre os setores de marketing e produção. Por um lado, o marketing estrutura ações que visam ao maior nível possível de vendas. Por outro lado, a produção, muitas vezes, não consegue acompanhar o volume de vendas repentino. Cabe então ao responsável pelo marketing estruturar ações de forma integrada com todos os setores da empresa. De nada adianta ter uma fila de clientes que desejam adquirir seu produto se não há estoque suficiente para atender a essa demanda. Outro ponto importante nesse aspecto envolve a cultura interna da empresa. Em algumas empresas, o marketing não ocupa uma posição de relevância na estrutura organizacional. Tal situação pode gerar dificuldades para captar recursos para as ações de marketing. A cultura interna também se refere à postura de comportamento das pessoas que trabalham na empresa. O gerente financeiro, por exemplo, pode ter dificuldade para lidar com o gerente de marketing por achar que gastos com marketing são desnecessários. Outras questões culturais são o envolvimento dos funcionários com a empresa, fatores motivacionais, organizacionais, ênfase de ações a curto, médio e longo prazo. Em quatro lugar, a empresa deve desenvolver um mix de marketing in- tegrado, composto de fatores sob seu controle — produto, preço, praça e promoção (os 4Ps). Para desenvolver o mix de marketing mais adequado, a empresa deve se engajar na análise, no planejamento, na implementação e no controle de marketing, pois, por meio dessas atividades, ela observa e se adapta às forças do ambiente (KOTLER; ARMSTRONG, 2007). Em quinto lugar, deve-se elaborar a estratégia do produto. De todas as decisões estratégicas a serem tomadas no planejamento de marketing, o design, o desenvolvimento e o posicionamento do produto são talvez as mais importantes. No cerne de toda empresa há um ou mais produtos/serviços que Planejamento de marketing6 definem o que ela faz e por que existe. Uma das mais importantes decisões relacionados à estratégia de produto é a que trata do lançamento de novos produtos. O sucesso de novos produtos depende de sua adequação às forças da empresa e de uma oportunidade observada no mercado. As empresas podem planejar suas ações de marketing para posicionar a imagem de uma oferta de produto na mente do mercado-alvo. Para criar uma imagem positiva para um produto, a empresa pode escolher uma entre várias estratégias de posicionamento, tais como fortalecer a posição atual, reposicionar-se ou tentar reposicionar a concorrência, descritas a seguir: Fortalecer a posição atual: elevar constantemente as expectativas do consumidor e ser percebida como a única empresa capaz de ocupar esse espaço. Reposicionar-se: muitas vezes, a diminuição nas vendas ou na partici- pação do mercado pode sinalizar que os produtos não atendem mais à necessidade dos clientes. Nesse caso, reposicionar-se talvez seja a única solução. O reposicionamento pode envolver uma mudança fundamental em qualquer um dos compostos de marketing ou em todos eles. Por exemplo, a Cadillac precisou reposicionar a marca para atender a um público mais jovem. Os recentes programas de marketing da Cadillac têm focado em design e tecnologia, a fim de conquistar o novo público (FERRELL; HARTLINE, 2009). Reposicionar a concorrência: em determinados casos, é melhor tentar reposicionar a concorrência, em vez de alterar a própria posição. Uma ação direta sobre a força do concorrente pode colocar seus produtos sob uma posição menos favorável ou mesmo forçá-lo a mudar sua estratégia de posicionamento. Por exemplo, A Ulker, uma grande empresa da Turquia, contratou o ator norte-americano Chevy Chase para promover seu novo refrigerante, a Cola Turka. Os anúncios foram elaborados para reposicionar as concorrentes, Coca-Cola e Pepsi, como “americanos”, em vez de refrigerantes. A estratégia se aproveita do sentimento antia- mericano que existe na Turquia para apresentar a Cola Turka como o “verdadeiro” refrigerante (FERRELL; HARTLINE, 2009). Ciclo de vida do produto Os mercados cada vez mais se comportam de forma distinta. Avanços na tecnologia fazem surgir rapidamente produtos substitutos muito superiores aos existentes. Por exemplo, produtos/serviços que tinham um mercado só- 7Planejamento de marketing lido, como o serviço de táxi, são substituídos por novos produtos/serviços, mais adequados às necessidades do consumidor, como os aplicativos para transporte de pessoas. O microambiente e o macroambiente também podem afetar o surgimento de novos mercados. O fenômeno da evolução dos mercados é comum à grande maioria dos produtos e serviços, embora os padrões específicos não sejam facilmente determináveis. Tais mudanças podem ser lentas e graduais e refletir as tendências de longo prazo, ou podem ser rápidas, exigindo da empresa uma rápida capacidade de resposta (ROCHA; FERREIRA; SILVA, 2012). Uma das mais relevantes teorias que abordam o processo de evolução dos mercados é o modelo de clico de vida do produto (CVP). O modelo CVP consi- dera que a vida dos produtos/serviços no mercado não é eterna, e que eles têm uma trajetória similar a dos seres vivos: nascem, crescem, amadurem e morrem. A Figura 3, a seguir, mostra uma curva típica do CVP, mostrando os quatro estágios de produto/serviço: introdução, crescimento, maturidade e declínio. Figura 3. Ciclo de vida do produto. Fonte: Adaptada de Tavares (2012). $ t Introdução Crescimento Maturidade Declínio Estágio 1: introdução do produto/serviço. Inicia-se com o lançamento do produto no mercado. Existem duas situações principais que levam ao lançamento de um produto: necessidades detectadas no mercado e desenvolvimento de nova tecnologia ou alguma inovação com potencial a ser aplicada do mercado, como, por exemplo, substituição do telefone fixo pelo móvel. Planejamento de marketing8 Estágio 2: crescimento. Começa com o aumento da demanda pelo produto, geralmente acompanhada pelo surgimento da concorrência. O aumento do número de concorrentes leva a um aumento do número de centros de distribuição, e as vendas dão um salto (KOTLER; AR- MSTRONG, 2007). Estágio 3: maturidade. Em algum momento, o crescimento de vendas do produto diminui e tem início o estágio de maturidade.Esse estágio, normalmente, dura mais tempo que os estágios anteriores e apresenta grandes desafios para os gestores de marketing (KOTLER; ARMS- TRONG, 2007). As margens de lucro tendem a ser mais baixas nesse período do que no estágio de crescimento. Estágio 4: declínio: nessa etapa, as vendas do produto reduzem ou acabam. As vendas declinam por muitas razões, entre elas avanços tecnológicos, mudanças nos gostos do consumidor e aumento da con- corrência. À medida que as vendas e os lucros diminuem, algumas empresas saem do mercado. As que permanecem tendem a diminuir a quantidade de produtos a oferecer. O ambiente do consumidor O responsável pelo marketing deve analisar a situação atual e futura referente ao consumidor. Para essa análise, é preciso que se identifi quem: a) os consumidores atuais e potenciais da empresa; b) as necessidades dos consumidores atuais e potenciais; c) as características dos produtos/serviços dos concorrentes que satisfazem às necessidades dos consumidores; d) as mudanças previstas nas necessidades dos consumidores. Ao avaliar o público-alvo da empresa, o responsável pelo marketing deve tentar entender os aspectos relevantes para o comprador e as características de uso do produto. Um método que auxilia nessa coleta de dados é o modelo 5W (Quadro 1). 9Planejamento de marketing Quem são os consumidores atuais e potenciais? Quais são as características socioeconômicas, demográficas e geográficas dos consumidores? Quem influencia na decisão da compra? Quem é financeiramente responsável pela compra? O que os consumidores fazem com nossos produtos? Em qual quantidade nosso produto costuma ser comprado? Como os grandes usuários de nossos produtos se diferenciam dos pequenos usuários? Os consumidores reciclam nossos produtos ou embalagem? Onde os consumidores compram nossos produtos? Em qual local nosso produto é comprado? Os meios digitais exercem algum efeito sobre a venda de nossos produtos? Os locais de venda atendem às necessidades dos consumidores? Quando os consumidores compram nossos produtos? A compra e o consumo dos nossos produtos são sazonais? A compra e o consumo dos nossos produtos variam de acordo com o ambiente? Por que (e como) os consumidores escolhem nossos produtos? Como os nossos produtos se comparam aos dos concorrentes? Quais necessidades do consumidor são satisfeitas pelos nossos produtos? Quais não são satisfeitas? Quais os métodos de pagamentos utilizados pelos nossos clientes? Eles satisfazem às necessidades dos consumidores? Como podemos desenvolver, manter ou intensificar o relacionamento com nossos consumidores? Quais necessidades do cliente a concorrência consegue satisfazer e a nossa empresa não consegue atender? Quadro 1. Modelo 5W para coleta de dados Planejamento de marketing10 Quem são os consumidores atuais e potenciais? Responder sobre o “quem” exige conhecimento das características principais do público-alvo. Isso inclui dados geográfi cos (região onde moram), demo- gráfi cos (faixa etária, sexo, escolaridade, renda, escolaridade) e psicográfi cos (comportamento, religião, motivação, opinião). A análise também deve identificar se o mercado-alvo poderá ser conquis- tado. Ou seja, deve-se analisar as ações que podem gerar novos consumidores. Por exemplo, muitas empresas estão percebendo o aumento da procura por alimentação saudável. Pensando nisso, o McDonald’s já inseriu em seu cardápio opções de lanches mais saudáveis, como suco de frutas, iogurte a salada. A Adidas, com sede na Alemanha, investiu mais de 100 milhões de dólares para ser a patrocinadora oficial de calçados das Olímpiadas de Pequim, em 2008 (FERRELL; HARTLINE, 2009). O que os consumidores fazem com nossos produtos? Aqui, o responsável pelo marketing deverá analisar a quantidade de consumo dos produtos, as particularidades entre pequenos e grandes usuários dos produtos e o que eles fazem com a embalagem do produto após o consumo. Onde os consumidores compram nossos produtos? Até poucos anos atrás, a distribuição era feita por meio de canais físicos, tais como atacadistas e varejistas. Hoje em dia, além dos meios de distribuição tradicionais, percebe-se o varejo sem loja física — que inclui meios digitais, quiosques eletrônicos, merchandising e televisão interativa. O mercado da música, por exemplo, tem deixado que vender álbum físico (CD, DVD) e começou a vender o serviço de streaming de música. Isso permite que os artistas diminuam o tempo de lançamento de uma canção, já que agora não são obrigados a criar um álbum (com 10 faixas. Quando os consumidores compram nossos produtos? Em que momento ou período específi co os consumidores compram os produtos? Por exemplo, deve-se analisar se a compra e o consumo dos produtos ocorrem de forma sazonal ou se variam de acordo com o ambiente. 11Planejamento de marketing Por que os consumidores escolhem nossos produtos? É a identifi cação do atendimento das necessidades básicas oferecidas pelo produto aos consumidores. Essa pergunta é importante, pois os consumidores podem comprar os produtos da empresa para atender às necessidades que a empresa não havia pensado. O sal, por exemplo, além de ser utilizado para temperar a comida, também é utilizado para evitar que as roupas escuras desbotem na lavagem. A resposta também pode ajudar a identificar as necessidades não satisfeitas. Embora possa existir muitas razões para que o público-alvo não compre os produtos da empresa, alguns motivos podem ser|: existem alternativas melhores e mais baratas; o preço do produto não é compatível com o público-alvo; o público-alvo desconhece o produto; problemas com canais de distribuição. Quando se identifica os motivos pela não compra, deve-se estruturar ações para conseguir transformar o público-alvo em consumidores. Embora a con- versão nem sempre seja possível, as informações encontradas podem ajudar a identificar e selecionar públicos-alvo específicos para uma estratégia de marketing revisada. O ambiente externo O macroambiente são todos os fatores externos — econômicos, políticos/ legais, tecnológicos, socioculturais e competitivos — que exercem algum tipo de impacto nas empresas. As forças econômicas impactam toda a sociedade. Indicadores como inflação, taxa de juros, taxa de crescimento, importação e exportação geram muitas oportunidades e ameaças para os gestores (TAVARES, 2005). A ele- vada taxa de importação faz diversos produtos produzidos no Brasil terem seus preços aumentados, já que grande parte das matérias-primas vem do exterior. Os momentos de baixa inflação e alto índice de emprego permite que as pessoas gastem mais e que as empresas vendam mais. As condições econômicas desfavoráveis tornam o ambiente mais complexo e a competição mais acirrada. O trabalho do gestor também é mais complicado. Em muitos casos, não resta alternativa: é preciso demitir. Além de transmitir competências técnicas, o gestor precisa trabalhar com elementos motivacionais e estimular a criação de um ambiente que possibilite o surgimento de novas ideias. Ou seja, o gestor deve estar sempre atento. Há, também, fatores políticos/legais que podem afetar diretamente o marketing das organizações. O governo pode limitar ou impedir a entrada de Planejamento de marketing12 matérias-primas. Pode também atuar no mercado de forma indireta, estabe- lecendo exigências, como padrões de segurança, como o cinto de segurança de três pontos e o encosto de cabeça para carros. As forças políticas e legais são resultantes de mudanças nas regulamentações e leis que ocorrem em um país, em uma região ou até mesmo em âmbito global e que afetam diretamente as organizações. No Brasil, por exemplo, há a Lei nº. 11.705, de 2008, mais conhecida como Lei Seca, que impede a ingestão de álcool por quem for dirigir. Ela provocou grandes mudanças nos hábitos da população brasileira. A antigalegislação permitia a ingestão de até 6 decigramas de álcool por litro de sangue (o equi- valente a dois copos de cerveja). Depois de 2008, as pessoas mudaram seus hábitos, utilizando o transporte público, a carona ou o transporte privado para sair. Se, por um lado, muitas empresas (bares, restaurantes, casas de eventos) viram seus negócios ameaçados, outros setores, como o de transporte privado, se beneficiaram com a nova legislação. Outro aspecto do ambiente externo se refere aos fatores socioculturais, influências sociais e culturais que causam mudanças em atitudes, crenças, normas costumes e estilo de vida. Essas forças podem tanto facilitar como restringir o posicionamento estratégico de uma organização. No Irã, por exemplo, antes que os aiatolás tomassem o poder, em 1979, derrubando a monarquia pró-ocidental que controlava o país, as iranianas podiam se vestir como quisessem. Hoje, as mulheres são obrigadas a usar véu, além de obe- decerem a uma série de restrições de conduta. Imagine como determinadas empresas tiveram de se adaptar às mudanças da época. Por fim, para a análise do ambiente externo, deve-se observar o com- portamento da concorrência. Um dos principais problemas ao se analisar a concorrência é observar não somente quem são, mas quem serão os futuros concorrentes. A maioria das empresas enfrenta quatro tipos de concorrência: 1. concorrentes de marca: vendem produtos similares em termos de ca- racterísticas, benefícios e preço; 2. concorrentes de produto: comercializam a mesma classe de produto, mas com características, benefícios e preço diferentes; 3. concorrentes genéricos: comercializam produtos muito distintos, mas que satisfazem à mesma necessidade básica do consumidor; 4. concorrentes de orçamento total: competem pelos limitados recursos financeiros dos mesmos consumidores. 13Planejamento de marketing Todos os quatro tipos de concorrência são importantes, mas os concorrentes de marca recebem mais atenção, pois disputam o mesmo público-alvo e pos- suem características, benefícios e preços similares, o que faz os consumidores verem diferentes marcas como substitutas diretas uma das outras. Orçamento e definição de métricas O responsável pelo marketing precisa defi nir, com antecedência, quanto deseja gastar nas suas ações prioritárias. Com o orçamento defi nido, garantirá que a empresa não ultrapasse os investimentos e acabe gerando prejuízos. Além disso, é necessário estabelecer prazos de duração para todas as ações e o custo estimado de cada uma delas, além dos responsáveis por cada atividade. Para controlar a efi cácia do plano de marketing, é preciso ter metas bem defi nidas e indicadores-chave de desempenho (KPI). Por meio desses números e índices, é possível identifi car falhas de execução e corrigi-las o quanto antes, a fi m de otimizar os resultados. Os principais KPIs utilizados para analisar as ações de marketing (principalmente no marketing digital) são: Custo por lead (CPL): determinadas campanhas de marketing têm a função específica de gerar leads — potenciais clientes que demonstra- ram interesse pela sua marca e forneceram algum meio de contato (p. ex., e-mail, telefone). Nesses casos, esse KPI pode ajudar a melhorar a eficiência das campanhas, já que um custo por lead muito elevado costuma indicar que o público não está apresentando um engajamento aceitável. Ticket médio: essa métrica refere-se à média do valor que os clientes gastam por compra. Para obter o ticket médio, divide-se toda a receita adquirida em vendas durante um intervalo de tempo pelo número de pedidos realizados nesse período. Taxa de conversão: refere-se à quantidade de visitantes do seu site que realizaram uma ação desejada, como fazer uma pergunta ou clicar em um botão de comprar. Ela é fundamental para descobrir se suas campanhas estão atraindo uma audiência qualificada, que pode efetivamente vir a comprar com a sua empresa. ROI: o retorno sobre o investimento mostra se o valor investido em uma campanha de marketing trouxe um retorno satisfatório para a empresa. Para calcular o ROI, é preciso deduzir as despesas totais do faturamento Planejamento de marketing14 e, depois, dividir o resultado pelo valor dessas mesmas despesas totais, aplicando-se a seguinte fórmula: Uma empresa investiu, no mês, R$ 3.000,00 em redes sociais e R$ 1.000,00 em e-mail marketing. O custo total foi de R$ 4.000,00. É preciso, então, somar o faturamento criado por essas diferentes estratégias de marketing digital. Supondo que a empresa tenha faturado R$ 30.000,00, pode-se colocar todos esses dados na fórmula, conforme a seguir: De acordo com o resultado do cálculo, o ROI da empresa da empresa foi de 650%. Ou seja, para cada R$ 1,00 real que a companhia investiu em marketing, ela recebeu R$ 6,50 de lucro. FERRELL, O. C; HARTLINE, M. D. Estratégia de marketing. 4. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2009. KOTLER, P.; ARMSTRONG, G. Princípios de marketing. 12. ed. São Paulo: Pearson, 2007. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. 14. ed. 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