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Prévia do material em texto

ClíniCa
Prof.ª Amanda de Ávila Bicca Martins
imunologia
Indaial – 2021
1a Edição
Impresso por:
Elaboração:
 Prof.a Amanda de Ávila Bicca Martins
Copyright © UNIASSELVI 2021
 Revisão, Diagramação e Produção:
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
M386i
Martins, Amanda de Ávila Bicca
Imunologia clínica. / Amanda de Ávila Bicca Martins. – Indaial: 
UNIASSELVI, 2021.
198 p.; il.
ISBN 978-65-5663-616-0
ISBN Digital 978-65-5663-615-3
1. Imunologia. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
CDD 610
Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao Livro Didático em Imunologia Clínica, que 
trata da imunologia em um contexto aplicado, ou seja, a imunologia no laboratório 
clínico. Assim, todos os conceitos aprendidos em disciplinas de imunologia básica serão 
a base para compreender como funcionam as principais metodologias utilizadas na 
rotina laboratorial, bem como o significado clínico dos resultados obtidos.
Ao longo da Unidade 1, veremos os conceitos básicos relacionados ao 
funcionamento do sistema imune, como as doenças reumáticas, o modo como se 
desenvolvem e a relação que os processos fisiopatológicos dessas doenças têm com as 
provas imunológicas disponíveis atualmente.
A Unidade 2 apresentará a aplicação da imunologia no diagnóstico e no 
prognóstico do pré-natal e de doenças autoimunes. Nesse contexto, trataremos 
tanto das dinâmicas fisiológicas, relacionadas ao período gestacional e seus principais 
exames, quanto das características referentes a doenças autoimunes e das análises 
clínicas atreladas a elas.
Por fim, na Unidade 3, aprofundaremos a aplicação da imunologia no diagnóstico 
e prognóstico de doenças infecciosas e autoimunes. Assim, serão abordadas as 
doenças infecciosas como sífilis, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids), 
hepatites, coronavírus (Covid-19), além de doenças autoimunes, como a doença celíaca 
e a tireoidite de Hashimoto.
Ao longo desse livro, será possível observar quão interessante e relevante são 
os tópicos abordados, embora isso não os tornem menos complexos. Para compreender 
e absorver os conhecimentos da melhor forma possível, sugerimos que o acadêmico 
utilize todos os recursos educacionais disponibilizados pela instituição, como leituras 
complementares, realização das autoatividades e demais recursos disponíveis no seu 
ambiente virtual e na trilha de aprendizagem.
Bons estudos!
Prof.ª Amanda de Ávila Bicca Martins 
APRESENTAÇÃO
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – 
e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR 
Codes completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite 
que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para 
utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, 
é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.
GIO
Olá, eu sou a Gio!
No livro didático, você encontrará blocos com informações 
adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento 
acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender 
melhor o que são essas informações adicionais e por que você 
poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
e outras fontes de conhecimento que complementam o 
assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos 
os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. 
A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um 
novo visual – com um formato mais prático, que cabe na 
bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada 
também digital, em que você pode acompanhar os recursos 
adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo 
deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura 
interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no 
texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
também contribui para diminuir a extração de árvores para 
produção de folhas de papel, por exemplo.
Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, 
apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, 
acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com 
versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Preparamos também um novo layout. Diante disso, você 
verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses 
ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, 
para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os 
seus estudos com um material atualizado e de qualidade.
QR CODE
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
SUMÁRIO
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E 
PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS ........................................ 1
TÓPICO 1 — CONSIDERAÇÕES SOBRE IMUNOLOGIA CLÍNICA ............................. 3
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 3
2 CONCEITOS EM IMUNOLOGIA BÁSICA ............................................................... 3
2.1 RESPOSTA INATA ..................................................................................................................6
2.1.1 Barreiras físicas ............................................................................................................6
2.1.2 Barreiras químicas .......................................................................................................7
2.1.3 Fagócitos .......................................................................................................................7
2.1.4 Processo inflamatório ................................................................................................7
2.1.5 Sistema complemento ..............................................................................................7
2.2 RESPOSTA IMUNE ADAPTATIVA ...................................................................................... 8
3 INTRODUÇÃO AOS ENSAIOS IMUNOLÓGICOS ................................................... 9
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................... 14
AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 15
TÓPICO 2 — COMPREENDENDO AS DINÂMICAS SOBRE DOENÇAS 
REUMÁTICAS .....................................................................................17
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................17
2 ETIOPATOGENIA DAS DOENÇAS REUMÁTICAS ................................................17
3 OSTEOARTRITE .................................................................................................. 18
4 ARTRITE REUMATOIDE (AR) .............................................................................19
5 FEBRE REUMÁTICA............................................................................................23
RESUMO DO TÓPICO 2 ..........................................................................................26
AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 27
TÓPICO 3 — MARCADORES DE DOENÇAS REUMÁTICAS ...................................29
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................29
2 PROTEÍNA C-REATIVA .......................................................................................29
3 FATOR REUMATOIDE .........................................................................................32
4 ANTIESTREPTOLISINA O ...................................................................................34
RESUMO DO TÓPICO 3 ..........................................................................................36
AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 37
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA INVESTIGAÇÃO 
DE DOENÇAS REUMÁTICAS .............................................................39
1 AGLUTINAÇÃO EM LÁTEX ..................................................................................39
2 NEFELOMETRIA ................................................................................................. 41
3 TURBIDIMETRIA .................................................................................................42
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................. 44
RESUMO DO TÓPICO 4 .......................................................................................... 51
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................52
REFERÊNCIAS .......................................................................................................53
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E 
PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL ........................................................57
TÓPICO 1 — DEMANDAS IMUNOLÓGICAS E A IMPORTÂNCIA DO 
ACOMPANHAMENTO IMUNOLÓGICO NO PERÍODO PRÉ-NATAL .....59
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................59
2 GONADOTROFINA CORIÔNICA HUMANA ......................................................... 61
2.1 DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL ...................................................................64
RESUMO DO TÓPICO 1 ..........................................................................................66
AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 67
TÓPICO 2 — TOXOPLASMOSE...............................................................................69
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................69
2 TOXOPLASMOSE ................................................................................................69
2.1 CICLO BIOLÓGICO .............................................................................................................. 70
2.2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS ............................................................................................72
2.3 LABORATÓRIO CLÍNICO NA TOXOPLASMOSE .............................................................74
2.3.1 Infecção recente........................................................................................................75
2.3.2 Transição imunológica ............................................................................................76
2.3.3 Infecção latente ou crônica ...................................................................................76
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................... 79
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................80
TÓPICO 3 — CITOMEGALOVÍRUS E RUBÉOLA ..................................................... 81
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 81
2 CITOMEGALOVÍRUS ........................................................................................... 81
2.1 LABORATÓRIO CLÍNICO APLICADO AO CITOMEGALOVÍRUS ...................................83
3 RUBÉOLA ........................................................................................................... 84
3.1 LABORATÓRIO CLÍNICO APLICADO À RUBÉOLA ........................................................86
RESUMO DO TÓPICO 3 ..........................................................................................88
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................89
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA DIAGNÓSTICO E 
PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL ....................................................... 91
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 91
2 IMUNOCROMATOGRAFIA .................................................................................. 91
2.1 FLUXO LATERAL ................................................................................................................. 92
2.2 DUPLA MIGRAÇÃO OU DUPLO PERCURSO (DPP) .................................................... 93
2.3 IMUNOCONCENTRAÇÃO ................................................................................................ 93
3 ENSAIO IMUNOENZIMÁTICO (ELISA) ...............................................................96
4 ENSAIO IMUNOENZIMÁTICO DE MICROPARTÍCULAS ................................... 101
5 HEMAGLUTINAÇÃO .........................................................................................103
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................104
RESUMO DO TÓPICO 4 ........................................................................................109
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 110
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 113
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES ..................117
TÓPICO 1 — SÍFILIS ..............................................................................................119
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................119
2 SÍFILIS ...............................................................................................................119
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO DA 
SÍFILIS .............................................................................................................. 123
3.1 TESTES NÃO TREPONÊMICOS .......................................................................................123
3.1.1 Floculação: VDRL ......................................................................................................125
3.1.2 Ensaio RPR ................................................................................................................129
3.2 TESTES TREPONÊMICOS .............................................................................................. 130
3.2.1 Imunofluorescência indireta – FTA-Abs ........................................................... 130
3.2.2 Teste treponêmico imunoenzimático – ELISA ................................................132
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................ 136
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 137TÓPICO 2 — SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA 
(SIDA OU AIDS) ............................................................................... 139
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 139
2 VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV) .............................................140
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO 
DO HIV/AIDS ....................................................................................................144
RESUMO DO TÓPICO 2 .........................................................................................151
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 152
TÓPICO 3 — HEPATITES VIRAIS ......................................................................... 153
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 153
2 HEPATITES VIRAIS .......................................................................................... 153
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO 
DAS HEPATITES VIRAIS .................................................................................. 157
3.1 HEPATITE A ........................................................................................................................ 158
3.2 HEPATITE B ...................................................................................................................... 158
3.3 HEPATITE C ...................................................................................................................... 159
3.4 HEPATITE D ...................................................................................................................... 159
3.5 HEPATITE E ....................................................................................................................... 160
RESUMO DO TÓPICO 3 .........................................................................................161
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 162
TÓPICO 4 — CORONAVÍRUS ............................................................................... 165
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 165
2 CORONAVÍRUS ................................................................................................. 165
2.1 SARS-COV-1 .......................................................................................................................167
2.2 SARS-CoV-2 ..................................................................................................................... 169
3 O LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO 
DE SARS-COV-1 E SARS-COV-2 ..................................................................... 173
3.1 DETECÇÃO DE ANTÍGENO PARA SARS-COV – IMUNOCROMATOGRAFIA 
DE FLUXO............................................................................................................................174
3.2 DETECÇÃO DE ANTICORPOS PARA SARS-COV – ELISA .......................................179
RESUMO DO TÓPICO 4 ........................................................................................ 181
AUTOATIVIDADE .................................................................................................183
TÓPICO 5 — LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO ...............................................185
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................185
2 LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO .................................................................185
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO DO LÚPUS .................................188
3.1 ANTICORPOS ANTINUCLEARES (ANA/FAN) ............................................................. 188
LEITURA COMPLEMENTAR .................................................................................191
RESUMO DO TÓPICO 5 ........................................................................................ 192
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 193
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 195
1
UNIDADE 1 — 
APLICAÇÃO 
DA IMUNOLOGIA 
NO DIAGNÓSTICO 
E PROGNÓSTICO DE 
DOENÇAS REUMÁTICAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender conceitos de imunologia básica;
• compreender as dinâmicas relacionadas a doenças reumáticas;
• reconhecer a etiopatogenia das doenças reumáticas;
• desenvolver uma visão abrangente sobre os mecanismos de desenvolvimento das 
doenças reumáticas;
•	 identificar	aspectos	relacionados	às	principais	técnicas	imunológicas	utilizadas	para	
investigação de patologias reumáticas.
	 Esta	unidade	está	dividida	em	quatro	tópicos.	No	decorrer	dela,	você	encontrará	
autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO	1	–	 CONSIDERAÇÕES	SOBRE	IMUNOLOGIA	CLÍNICA
TÓPICO	2	–	 COMPREENDENDO	AS	DINÂMICAS	SOBRE	DOENÇAS	REUMÁTICAS
TÓPICO	3	–	 MARCADORES	DE	DOENÇAS	REUMÁTICAS
TÓPICO	4	–	METODOLOGIAS	UTILIZADAS	PARA	INVESTIGAÇÃO	DE	DOENÇAS	
REUMÁTICAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
Acesse o 
QR Code abaixo:
3
CONSIDERAÇÕES SOBRE 
IMUNOLOGIA CLÍNICA
TÓPICO 1 — UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Entre	 os	 vários	 sistemas	 que	 possuímos,	 vamos	 destacar	 a	 importância	 do	
sistema	imunológico	e	seu	papel	em	todo	nosso	organismo.	
Qualquer	pessoa	que	tenha	tido	o	privilégio	de	ouvir	o	desempenho	
de uma brilhante orquestra executando uma sinfonia composta 
por um dos maiores maestros sabe que cada instrumento musical, 
cuidadosamente	 afinado, contribui para o som coletivamente 
harmonioso	produzido	pelos	músicos.	(COICO;	SUNSHINE,	2010,	p.	1).
Em	uma	analogia	com	o	corpo	humano,	podemos	dizer	que,	para	desfrutar	de	
coisas	simples,	como	assistir	a	um	filme,	existe	uma	“orquestra	biológica”	não	apenas	
gigante,	mas	também	bastante	diversa,	que,	com	uma	sinergia	singular,	faz	com	que	
todos	os	sistemas	funcionem	de	modo	coordenado,	24	horas	por	dia,	para	manter	a	
estabilidade	interna,	chamada	homeostase.
Nesse	 aspecto,	 para	 compreender	 as	 dinâmicas	 relacionadas	 à	 imunologia	
clínica,	 revisaremos	 alguns	 conceitos	 básicos	 sobre	 a	 imunologia, abordando os 
principais aspectos clínicos associados a esta disciplina.
2 CONCEITOS EM IMUNOLOGIA BÁSICA
O	sistema	imunológico	tem	como	principal	função	proteger	o	organismo	contra	
agressores	 externos.	 Para	 isso,	 conta	 com	 diferentes	 tipos	 celulares	 e	 moléculas	
mediadoras que atuarão de modo a manter o equilíbrio dos demais sistemas. Quando o 
corpo	é	exposto	a	algum	tipo	de	microrganismo	ou	de	um	agente	agressor	que	coloca	em	
risco	o	equilíbrio	–	e,	por	conseguinte,	a	saúde	–	dos	indivíduos,	ocorre	uma	mobilização	
do	sistema	imune,	no	sentido	de	gerar	uma	resposta	para	eliminar	o	potencial	agente	de	
risco	(LUNDY;	FOX;	GIZINSKI,	2015).
As	 respostas	desencadeadas	pelo	sistema	 imune	ocorrem,	ordenadamente,	em	
quatro processos principais:
•	 identificação	de	antígenos	estranhos;
• determinação do potencial prejudicial do agressor;
•	 ativação	de	células	e	mediadores	próprios	para	eliminar	o	agressor;
• desenvolvimento da resposta efetora para eliminação do agente e restabelecimento 
do equilíbrio homeostático.
Lais
Realce
Lais
Realce
4
Para	que	todos	esses	passos	sejam	executados	com	sucesso,	contamos	com	
diferentes	tipos	celulares	pertencentes	ao	sistema	 imune.	A	medula	óssea	é	a	fonte	
de	 origem	 de	 células-tronco	 hematopoiéticas	 pluripotentes,	 que,	 após	 sucessivasdiferenciações,	podem	originar	diferentes	células	com	diferentes	funções	(Figura	1). 
FIGU
RA
 1 – TIPO
S D
E CÉLU
LAS D
O
 SISTEM
A
 IM
U
N
E E SU
AS FU
N
ÇÕ
ES
FO
N
TE: Silverthorn (2017, p. 760)
Lais
Realce
5
Entre	as	funções	descritas	na	Figura	1,	podemos	perceber	que	os	linfócitos	B	
secretam	anticorpos.	Afinal,	o	que	são	esses	anticorpos?
 Os anticorpos	são	moléculas	proteicas,	classificadas	como	imunoglobulinas,	
que	 conseguem	 identificar	 agentes	 estranhos,	 presentes	 tanto	 na	 superfície	 de	
patógenos	quanto	em	porções	de	toxinas	produzidas	por	eles.	Esses	agentes	estranhos	
são	moléculas	grandes	que	recebem	o	nome	de	antígenos.	Assim,	o	anticorpo	liga-se	
a uma pequena porção do antígeno chamada epítopo antigênico,	semelhantemente	
ao	 modelo	 de	 chave/fechadura	 estudado	 em	 enzimas	 (ABBAS;	 LICHTMAN;	 POBER,	
2008).	Essa	ligação	é	muito	importante	na	rotina	laboratorial,	uma	vez	que	é	justamente	
a ligação entre antígeno e anticorpo,	ou	seja,	a	formação	desse	imunocomplexo,	o	
qual	é	base	para	diversos	ensaios	imunológicos, que veremos ao longo desta disciplina.
FIGURA 2 – REAÇÃO ANTÍGENO ANTICORPO
FONTE: <https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/HELIOJOSEMONTASSIER/aula-8-
interacao-ag-ac-testes-sorologicos-primarios-e-secundarios.pdf>. Acesso em: 15 jan. 2021.
O	reconhecimento	de	potenciais	agressores	e	a	abordagem	resolutiva,	por	parte	
das	células	e	moléculas	relacionadas	ao	sistema	imune,	podem	ocorrer	por	intermédio	
de	dois	tipos	diferentes	de	resposta:	inata	ou	adaptativa	(Figura	3),	que	trabalham	de	
modo	coordenado	para	neutralizar	qualquer	ameaça	ao	equilíbrio	dos	órgãos	e	tecidos	
(ABBAS;	LICHTMAN;	POBER,	2008).
Epítopo
Antígeno
Anticorpo
6
FIGURA 3 – PRINCIPAIS MECANISMOS DA IMUNIDADE INATA E ADQUIRIDA
FONTE: Abbas; Lichtman; Pober (2008, p. 3)
2.1 RESPOSTA INATA
A	resposta	inata	corresponde	à	primeira	resposta	do	sistema	imune	diante	de	
um	dano	 tecidual.	Trata-se	de	uma	 resposta	 rápida,	 composta	por	mecanismos	que	
precedem	a	existência	da	 infecção	(ABBAS;	LICHTMAN;	POBER,	2008).	O	objetivo	da	
imunidade	inata	é	controlar	e	impedir	o	avanço	da	infecção,	o	que	ocorre	via	ativação	
de	 mecanismos	 inespecíficos	 para	 o	 patógeno	 em	 questão.	 São	 exemplos	 desses	
mecanismos	 inatos:	 barreiras	 físicas,	 barreiras	 químicas,	 fagócitos,	 processo	 inflamatório	 
e sistema complemento.
2.1.1 Barreiras físicas
• Junções intercelulares ocludentes	 –	 tornam	 as	 células	 epiteliais	 “seladas”,	
dificultando	o	acesso	de	invasores	ao	ambiente	interno.
• Muco	 –	produzido	pelas	células	mucosas	presentes	no	trato	 respiratório,	no	trato	
gastrointestinal	e	no	trato	genital,	trata-se	de	uma	secreção	glicoproteica.	Sua	função	
é	recobrir	as	superfícies	dos	 locais	em	que	está	presente,	 impedindo	a	 invasão	de	
microrganismos	ao	epitélio,	uma	vez	que	eles	são	aderidos	ao	muco.
• Cílios	–	auxiliam	na	expulsão	de	agentes	patogênicos,	uma	vez	que	sua	movimentação	
impele	o	muco	com	potenciais	agressores	para	fora	do	local	em	que	estão	presentes,	 
por	exemplo,	o	trato	respiratório.
Lais
Realce
7
• Microbiota	 –	 presentes	 em	 boa	 parte	 das	 superfícies	 epiteliais,	 é	 composta	 por	
microrganismos	não	patogênicos,	que	auxiliam	no	combate	a	patógenos	por	competir	
pelos	nutrientes	disponíveis,	além	de	produzir	moléculas	antimicrobianas.
• Lágrimas e saliva	–	compostas	por	fosfolipase	A	e	lisozima,	moléculas	com	proprie-
dades antimicrobianas.
2.1.2 Barreiras químicas
O pH e as enzimas digestivas compõem uma barreira química que impede a 
proliferação de boa parte dos possíveis invasores no trato digestivo.
2.1.3 Fagócitos
Células	 responsáveis	por	 reconhecer,	englobar	e	destruir	patógenos,	além	de	
sinalizarem	 ao	 sistema	 imunológico	 que	 esses	 patógenos	 estão	 atacando	 órgãos	 e	
tecidos.	Os	fagócitos	mononucleares	podem	ser:
• Monócitos	–	células	precursoras	de	macrófagos,	presentes	na	circulação	sanguínea.
• Macrófagos	–	células	presentes	nos	tecidos	dotadas	de	capacidade	fagocítica,	que	
podem	expressar	diferentes	características,	de	acordo	com	o	estímulo	de	ativação	
recebido.
•	 Neutrófilos	 –	 células	 presentes	 em	 grande	 quantidade	 no	 nosso	 organismo,	
responsáveis	pelo	combate	a	microrganismos	como	bactérias	e	fungos.
2.1.4 Processo inflamatório
Respostas	geradas	para	defender	o	organismo	de	um	potencial	agressor,	com	o	
intuito de curar ou reparar danos. Trata-se de um processo mediado pela conjunção de 
ações	imunoendócrinas,	que	apresentam,	como	sinais	e	sintomas	característicos,	calor,	
dor,	rubor,	edema	e	limitação	ou	perda	funcional	do	local	em	que	o	processo	inflamatório	
se	estabeleceu	(ABBAS;	LICHTMAN;	POBER,	2008).
2.1.5 Sistema complemento 
Além	dos	mecanismos	e	componentes	do	sistema	 inato	descritos	anteriormente,	
temos	 também	o	sistema complemento,	 que	 atua	 tanto	na	 resposta	 inata	 quanto	
na	resposta	adquirida,	é	composto	por	30	proteínas	plasmáticas	inativadas	presentes	
na	nossa	corrente	sanguínea.	Sua	ativação	pode	acontecer	de	três	modos	diferentes,	
chamados vias de ativação do sistema complemento: 
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• Via clássica	 –	 a	 ativação	 ocorre	 por	 intermédio	 da	 ligação	 de	 certos	 tipos	 de	
anticorpos ligados aos antígenos.
• Via das lecitinas – ativada pela ligação da lecitina plasmática aos resíduos de 
manose	localizados	na	superfície	de	agentes	agressores.
• Via alternativa	–	a	ativação	ocorre	via	superfície	de	membrana	do	agente	agressor,	
na	ausência	de	anticorpos.
Qualquer	uma	das	três	vias	de	ativação	resultará	na	clivagem	(divisão)	da	proteína	
C3.	Com	a	ativação	da	C3,	são	ativadas	proteínas	uma	após	a	outra,	levando	a	um	efeito	
de ativação em cascata que resulta na geração de mecanismos efetores contra o agente 
agressor. Entre os mecanismos efetores,	podemos	destacar	a	oponização,	a	fagocitose,	
o	 complexo	 de	 ataque	 à	 membrana	 e	 o	 recrutamento	 de	 células	 pró-inflamatórias	
(VOLTARELLI,	2009).
Agora	que	reconhecemos	alguns	mecanismos	associados	à	 imunidade	 inata,	
abordaremos a resposta imune adquirida. 
2.2 RESPOSTA IMUNE ADAPTATIVA
A	resposta	imune	adquirida,	também	conhecida	como	resposta	imune	especí-
fica,	que,	como	o	próprio	nome	revela,	é	uma	resposta	adquirida	à	medida	que	o	orga-
nismo	é	exposto	aos	agressores.	Assim,	quando	em	contato	com	um	novo	patógeno,	a	
imunidade	adaptativa	memoriza	quais	mecanismos	específicos	são	mais	eficazes	para	
defender	órgãos	e	tecidos	contra	o	patógeno	em	questão.	A	especificidade	dessa	res-
posta	é	o	que	a	torna	tão	eficaz,	no	que	tange	à	proteção	do	organismo.	Desse	modo,	
diante	de	uma	nova	exposição	ao	agressor	previamente	“memorizado”,	o	sistema	imune	
adaptativo	já	sabe	os	mecanismos	necessários	para	eliminá-lo	(LUNDY;	FOX;	GIZINSKI,	
2015).
O	reconhecimento	ocorre	pela	identificação	dos	antígenos	específicos	presentes	
na	constituição	de	cada	patógeno.	Dessa	forma,	os	linfócitos	identificam	esses	antígenos,	
por	meio	de	receptores	de	membrana	capazes	de	realizar	esse	reconhecimento.	A	partir	
daí,	 é	 desencadeado	um	processo	de	multiplicação	de	 células	 de	defesa,	 que	 serão	
divididas	em	dois	tipos:	células	efetoras,	que	farão	a	defesa	contra	o	patógeno,	e	células	
de	memória,	 que	 serão	 ativadas	 apenas	 quando	houver	 uma	 segunda	 exposição	 ao	
mesmo	patógeno	(LUNDY;	FOX;	GIZINSKI,	2015).
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O QUE SAO RECEPTORES
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Acadêmico, para aprimorar seu conhecimento relacionado às diferenças 
entre os linfócitos B e T leia o artigo Sistema imunitário – parte II. Fundamentos 
da resposta imunológica mediada por linfócitos T e B, acessando: https://www.
scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-50042010000500008. 
Boa leitura!
DICA
A	 seguir,	 conheceremos	 tópicos	 introdutórios	 relacionados	 aos	 ensaios	
imunológicos	e	suaaplicação	clínica	em	diferentes	tipos	de	patologia.
3 INTRODUÇÃO AOS ENSAIOS IMUNOLÓGICOS
Após	 relembrar	 alguns	 conceitos	 importantes	 relacionados	 à	 imunologia,	 é	
importante	entender	alguns	conceitos	relacionados	aos	ensaios	imunológicos.
Você já parou para pensar como são realizados os testes que indicam 
se você está passando por um processo infeccioso e como o médico 
consegue, através de exames, saber se a vacina estimulou a produção 
de anticorpos suficientes para o proteger de um vírus ou se você está 
passando por um processo infeccioso recente? 
A chave para essas perguntas está relacionada ao tipo de reação que 
ocorre nas técnicas usadas em ensaios imunológicos: a interação entre 
antígeno e anticorpos.
INTERESSANTE
Os	ensaios	 imunológicos	 são	técnicas	que	determinam	 respostas	 imunes	de	
anticorpos,	antígenos	ou	 linfócitos	para	detectar	de	forma	exata	a	presença	de	agentes	
agressores	no	organismo.	A	base	que	fundamenta	esses	testes	é	a	interação	que	ocorre	
entre	antígeno	e	anticorpo,	de	modo	que	nós	podemos	utilizar	como	reagentes	tanto	
anticorpos quanto antígenos e seus componentes.
	 Por	 exemplo,	 quando	 você	 realiza	 uma	 técnica	 que	 busca	 identificar	 um	
determinado	anticorpo,	à	composição	do	reagente	utilizada	para	o	teste	será	adicionado	
um	antígeno,	sendo	esse	tipo	de	teste	classificado	como	ensaio direto.	Por	outro	lado,	
quando	o	objetivo	é	identificar	a	presença	de	determinado	antígeno	o	reagente	deverá	
conter	o	anticorpo	para	esse	antígeno,	e	esse	teste	será	classificado	como	um	ensaio 
indireto.
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Para	entender	como	essas	técnicas	podem,	entre	tantos	antígenos	e	anticorpos	
existentes,	 quantificar	 especificamente	 um	 determinado	 antígeno	 ou	 anticorpo,	
deve-se	 compreender	 que	 os	 testes	 imunológicos	 são	 baseados	 no	 princípio da 
especificidade	 que	 a	 resposta	 imune	 possui.	 Existem	 diferentes	 métodos	 para	
detecção	de	antígenos	e	anticorpos,	cada	um	com	suas	vantagens	e	desvantagens.	Por	
exemplo,	há	metodologias	que	podem	apresentar	reagentes marcados e reagentes 
não marcados.	Quando	a	metodologia	é	do	tipo	que	apresenta	reagentes	marcados,	
uma	 substância	 como	 um	fluoróforo,	 por	 exemplo,	 é	 adicionada	 ao	 reagente	 com	 o	
intuito	de	aumentar	a	sensibilidade	de	detecção	do	ensaio	(VOLTARELLI,	2009).
Nesse	 momento,	 podemos	 pensar	 nas	 características	 que	 são	 importantes	
para	 entender	 qual	 a	melhor	metodologia	 a	 ser	 utilizada.	Assim,	 para	 optar	 por	 uma	
metodologia,	critérios	como	sensibilidade	e	especificidade devem ser observados. 
A	sensibilidade	de	um	teste	corresponde	à	menor	concentração	da	ligação	antígeno-
anticorpo	que	o	 imunoensaio	é	capaz	de	detectar.	 Isso	significa	que,	quanto	maior	a	
sensibilidade	do	teste,	menores	são	as	concentrações	que	ele	é	capaz	de	quantificar.	
Portanto,	 um	 teste	 com	alta	 sensibilidade	 é	 um	 teste	 capaz	 de	 quantificar	melhor	 a	
proporção	de	 indivíduos	doentes.	Dessa	forma,	podemos	afirmar	que	a	 sensibilidade	
informa	quão	boa	é	uma	metodologia	para	detectar	pacientes	que	estão,	de	fato,	com	
alguma	doença.	Isso	indica	que	um	teste	com	alta	sensibilidade	é	um	teste	com	menor	
chance de apresentar resultados falso-negativos,	isto	é,	quando	o	teste	apresentou	
resultado	 negativo	 em	 indivíduos	 que	 apresentam	a	 doença	 investigada	 (FERREIRA;	
PATINO,	2017).	Resultados	falso-negativos	podem	ocorrer	também	por	conta	do	efeito 
prozona,	um	fenômeno	que	ocorre	quando	existem	muitos	anticorpos	na	amostra	de	
soro	analisada,	em	resposta	ao	antígeno	infeccioso.	O	excesso	de	anticorpos	gera	uma	
desproporção	em	relação	aos	antígenos	presentes	no	reagente,	resultando	na	formação	
de complexos muito pequenos que não se aglomeram de modo a permitir aglutinação 
visível	(SMITH;	HOLMAN,	2004).
Sabemos que, muitas vezes, é difícil visualizar alguns conceitos 
descritos. Para facilitar sua compreensão sobre a aglutinação 
resultante da reação antígeno e anticorpo, indicamos o vídeo “Reação 
de Aglutinação”, disponibilizado pelo Canal Butantan. Assista ao vídeo 
sugerido em: https://www.youtube.com/watch?v=PAxlKvpTT5Y.
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Em	metodologias	para	análise	de	proteína	C-reativa	por	aglutinação	em	 látex,	
por	exemplo,	os	fabricantes	 indicam	a	partir	de	quais	concentrações	os	 imunoensaios	
podem	apresentar	resultados	falso-negativos	devido	ao	efeito	prozona	(Figura	4).	Esse	
resultado	falso-negativo	é	descartado	ao	serem	realizadas	diluições	seriadas,	para	que	
a amostra apresente aglutinação visível.
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FIGURA 4 – EFEITO PROZONA
FONTE: <https://imunosite.wordpress.com/category/materiais/>. Acesso em: 14 jan. 2021.
Além	da	sensibilidade	da	metodologia,	 ainda	existem	outras	circunstâncias	que	
podem	gerar	 resultados	falso-negativos,	como	a	 janela imunológica,	que	corresponde	
ao intervalo entre o momento em que o paciente teve contato com o antígeno e o 
momento em que o organismo passa a apresentar níveis detectáveis de anticorpos para 
o	antígeno	em	questão	(BRASIL,	2018).
Outra característica que merece atenção quando avaliamos a qualidade de um 
imunoensaio	é	a	especificidade.	Especificidade	é	um	termo	que	indica	a	capacidade	
de	um	teste	de	identificar	os	indivíduos	que	não	possuem	a	doença	ou	condição	clínica	
investigada.	Assim,	quanto	maior	for	a	especificidade	de	um	teste,	menor	será	o	número	
de pacientes com resultado falso-positivo.	 Resultados	 falso-positivos	 são	 aqueles	
que apresentam resultados positivos apesar de o paciente não apresentar a doença 
investigada.	 As	 circunstâncias	 que	 podem	 apresentar	 resultados	 falso-positivos	
podem ter origem tanto das limitações da metodologia do imunoensaio quanto das 
condições	clínicas	do	paciente	(FERREIRA;	PATINO,	2017).	Em	se	tratando	de	limitações	
relacionadas	à	metodologia,	um	resultado	falso-positivo	pode	ocorrer	por	conta	de	uma	
reação cruzada,	ou	seja,	quando	o	anticorpo	é	capaz	de	interagir	com	um	antígeno	
diferente daquele que o originou. Isso pode decorrer da semelhança entre o antígeno 
homólogo	(que	estimulou	a	formação	daquele	anticorpo)	e	o	antígeno	heterólogo.	Além	
disso,	a	reação	cruzada	pode	ser	resultado	de	dois	antígenos	diferentes	apresentarem	
o	mesmo	epítopo,	chamado	epítopo compartilhado	(Figura	5).
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FIGURA 5 – REAÇÕES CRUZADAS
FONTE: <https://www.microbiologybook.org/Portuguese/5.GIF>. Acesso em: 14 jan. 2021.
Diluições seriadas
Uma diluição seriada é uma técnica na qual são realizadas várias 
diluições progressivas; assim, inicia com a solução mais concentrada 
chegando a soluções menos concentradas, amplificando o fator de 
diluição rapidamente. A fonte do material de diluição (soluto) 
para cada etapa é proveniente do material diluído da etapa 
anterior. Em uma diluição em série, o fator de diluição total é o 
produto dos fatores de diluição em cada etapa. Logo, em uma 
diluição 1/2, o fator de diluição é 2 e todas as diluições seguintes 
serão multiplicadas por 2. Para ter 1 mL de solução, como mostra a 
figura a seguir, tem-se a adição de 0,1 ml do concentrado mais 0,9 mL 
do diluente.
Diluições em série são usadas para criar, com precisão, soluções 
extremamente diluídas, bem como soluções para experimentos que 
exigem uma curva de concentração com uma escala exponencial 
ou logarítmica. A técnica é útil quando há escassez do volume do 
concentrado ou do diluente, havendo necessidade de minimizar seu 
uso, ou quando há necessidade de diversas diluições, por exemplo, 
na determinação de um título ou na contagem de microrganismos.
IMPORTANTE
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ESQUEMA DE DILUIÇÃO SERIADA
FONTE: <https://kasvi.com.br/preparo-de-solucoes-laboratorio-concentracao-fator-
diluicao-seriada/>. Acesso em: 14 jan. 2021.
FONTE: Kasvi. Preparo de Soluções em Laboratório.2018. Disponível em: https://kasvi.
com.br/preparo-de-solucoes-laboratorio-concentracao-fator-diluicao-seriada/. Acesso 
em: 14 jan. 2021.
14
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
•	 As	respostas	desencadeadas	pelo	sistema	imune	podem	ser	divididas,	resumidamente,	 
em	quatro	processos	principais:	identificação	de	antígenos	estranhos;	determinação	
do	 potencial	 prejudicial	 do	 potencial	 agressor;	 ativação	 de	 células	 e	 mediadores	
próprios	para	conter	o	agressor;	e	restabelecimento	do	equilíbrio	homeostático.
•	 Os	linfócitos	T	são	responsáveis	pela	eliminação	de	microrganismos	intracelulares	e	
pela	regulação	de	respostas	imunológicas	diante	de	antígenos).
•	 Os	 linfócitos	 B	 estimulam	 a	 geração	 de	 plasmócitos	 e	 a	 produção	 de	 anticorpos	
próprios	para	ataque	ao	antígeno	identificado.
•	 As	 respostas	 imunológicas	podem	ser	do	tipo	 inata	 (a	primeira	 linha	de	defesa	do	
corpo	 humano,	 capaz	 de	 eliminar	 micro-organismos	 invasores	 antes	 da	 ativação	
da	 resposta	adaptativa)	ou	adaptativa	 (que	corresponde	à	 imunidade	de	memória,	
desenvolvida	após	contato	com	agente	agressor	específico).
•	 As	 barreiras	 físicas	 e	 químicas,	 fagócitos	 e	 o	 processo	 inflamatório	 integram	 a	
resposta inata.
•	 Os	linfócitos	efetores	e	de	memória	integram	a	resposta	adaptativa.
•	 Janela	imunológica	é	o	intervalo	entre	o	momento	em	que	o	paciente	teve	contato	
com o antígeno e o momento em que o organismo passa a apresentar níveis 
detectáveis de anticorpos para o antígeno em questão.
•	 Resultados	falso-negativos	são	aqueles	que	o	teste	apresentou	resultado	negativo	
em indivíduos que apresentam a doença investigada.
•	 As	reações	cruzadas	favorecem	o	estabelecimento	de	resultados	falso-negativos	por	
conta	da	desproporção	entre	anticorpo	e	antígenos,	o	que	dificulta	a	visualização	da	
aglutinação.
•	 Resultados	falso-positivos	apresentam	testes	positivos	sem	que	o	paciente	tenha	a	
doença investigada.
•	 A	sensibilidade	 indica	a	menor	concentração	da	 ligação	antígeno-anticorpo	que	o	
imunoensaio	é	capaz	de	detectar.	A	especificidade	indica	a	capacidade	de	um	teste	
identificar	os	indivíduos	que	não	possuem	a	doença	ou	a	condição	clínica	investigada.
RESUMO DO TÓPICO 1
15
AUTOATIVIDADE
1	 A	imunologia	é	a	ciência	que	estuda	o	sistema	imune	e,	por	conseguinte,	todos	os	
seus mecanismos de defesa. Para que o sistema imune desenvolva sua função 
protetora,	a	atividade	das	células	de	defesa	se	faz	essencial.	Com	relação	às	células	
com	ação	importante	de	defesa,	assinale	a	alternativa	INCORRETA:
a)	 (			)	 Célula	NK.
b)	 (			)	 Linfócito	B.
c)	 (			)	 Células	da	macroglia.
d)	 (			)	 Linfócito	T.
2	 Alguns	 componentes	 caracterizam	a	 resposta	 imunológica	 inata.	 Quais	 são	 esses	
componentes	e	as	suas	funções?	
3	 O	sistema	 imunológico	pode	apresentar	dois	tipos	de	resposta	a	potenciais	agres-
sores:	 a	 resposta	 inata	 e	 a	 resposta	 adquirida.	 Nesse	 contexto,	 cada	 uma	 contém	 
mecanismos	que	interagem	com	o	patógeno	com	o	objetivo	de	eliminá-lo.	Assinale	a	
alternativa que apresenta exemplos de mecanismos pertencentes a imunidade inata e 
adquirida,	respectivamente:
a)	 (			)	 Monócitos	e	eliptócitos.
b)	 (			)	 Macrófagos	e	linfócitos	efetores.
c)	 (			)	 Linfócitos	efetores	e	células	de	memória.
d)	 (			)	 Células	de	memória	e	macrófagos.
4	 Explique	a	função	do	processo	inflamatório	no	sistema	imune.
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Texto digitado
x
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Texto digitado
x
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COMPREENDENDO AS DINÂMICAS 
SOBRE DOENÇAS REUMÁTICAS
UNIDADE 1 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO
É	muito	comum	que,	ao	apresentar	dores	nas	articulações,	as	pessoas	relacionem	
esse	sintoma	ao	reumatismo.	Apesar	desse	entendimento	fazer	parte	do	senso	comum,	
trata-se	de	uma	 ideia	distorcida.	 Isso	porque	reumatismo	não	é	uma	doença	específica,	
mas,	sim,	um	grupo	de	“diferentes	doenças	que	acometem	o	aparelho	 locomotor,	ou	
seja,	ossos,	articulações,	cartilagens,	músculos,	tendões	e	ligamentos”	(BRASIL,	2013)	
manifestando	 eventos	 dolorosos.	 Assim,	 neste	 tópico,	 abordaremos	 os	mecanismos	
etiopatológicos	atrelados	a	essas	doenças.
2 ETIOPATOGENIA DAS DOENÇAS REUMÁTICAS
De	 posse	 do	 conhecimento	 de	 que	 as	 doenças	 reumáticas	 apresentam	
eventos	 dolorosos	 relacionados	 ao	 aparelho	motor,	 é	 importante	 compreender	 quais	
mecanismos	conduzem	ao	estabelecimento	dessas	doenças.	Mesmo	não	apresentando	
mecanismos	claros	 sobre	 como	esse	grupo	de	doenças	 se	 estabelece,	 sabe-se	que	
fatores	genéticos,	imunológicos	e	infecciosos	têm	importante	relação	com	sua	causa.	
As	doenças	reumáticas	podem	ser	de	fase	aguda,	originadas	por	fatores	exógenos,	ou	
crônica.
	Nesse	contexto,	o	período	de	duração	da	doença	está	associado	à	retirada	do	
estímulo	exógeno,	como	o	tratamento	de	uma	infecção,	por	exemplo.	Por	outro	 lado,	
quando	as	doenças	reumáticas	apresentam	perfil	crônico,	em	geral,	trata-se	de	uma	
doença	caracterizada	por	um	processo	autoimune	que	pode	acompanhar	o	paciente	
ao	longo	da	vida,	alternando	períodos	de	manifestação	de	sinais	e	sintomas	e	períodos	
assintomáticos	(HAMMER;	MCPHEE,	2016).
As	 doenças	 reumáticas	 de	 fase	 aguda	 e	 crônica	 apresentam	 em	 comum	 o	
estabelecimento	de	um	processo	inflamatório.	A	 importância	de	destacar	o	componente	
inflamatório	dessas	doenças	é	que,	a	partir	dos	elementos	moleculares	que	configuram	
essa	inflamação,	é	possível	realizar	exames	que	serão,	em	associação	às	características	
clínicas	do	paciente,	 balizadores	a	 respeito	da	 suspeita	 clínica	 inicialmente	proposta	
pelo	 médico.	 Nesse	 contexto,	 abordaremos	 o	 processo	 inflamatório	 como	 um	 dos	
principais	 elementos	 etiopatogênicos	 das	 doenças	 reumáticas	 e	 compreender	 como	
o sistema imune interage diante dessas infecções e como percebemos essa interação 
nos	exames	laboratoriais	(HAMMER;	MCPHEE,	2016).
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Para	 isso,	 é	 necessário	 entender	 a	 fisiopatologia	 das	 principais	 doenças	
reumáticas em nível celular e molecular. 
3 OSTEOARTRITE
Nossos	ossos	são	 revestidos	em	suas	extremidades	por	uma	estrutura	chamada	
cartilagem,	cuja	função	é	absorver	o	impacto	gerado	pelos	movimentos	que	fazemos.	
Assim,	quando	um	ginasta	executa	um	salto	e	cai	em	pé,	por	exemplo,	a	cartilagem	é	
um	componente	essencial	para	que	o	choque	do	solo	com	o	pé	do	atleta	não	gere	um	
evento	doloroso	considerável	(SOCIEDADE	BRASILEIRA	DE	REUMATOLOGIA,	2019).
Na	 osteoartrite,	 também	 conhecida	 como	 artrose,	 temos	 um	 processo	
degenerativo	nas	estruturas	cartilaginosas.	Com	isso,	os	ossos	perdem	o	revestimento	
cartilaginoso,	o	que	os	expõe	diretamente	aos	 impactos	gerados	pelos	diversos	tipos	
de	movimentos	que	 realizamos,	 e	 a	 estrutura	óssea	passa	 a	 ser	 comprometida	pelo	
desgaste.	 Esse	 desgaste	 gera	 alterações	 nos	 ossos	 e	 conduz	 a	 formação	 de	 um	
processo	inflamatório	na	membrana	sinovial,	que	contribui	para	manifestação	de	dor	ao	
realizar	movimentos	(SOHN	et al.,	2012).
Lembre-se de que os ossos, ao contrário da cartilagem, são dotados 
de tecido nervoso e circulação sanguínea. Por isso, movimentos que 
normalmente seriam indolores passam a manifestar dor.
ATENÇÃO
O	processo	inflamatório	que	compõe	a	osteoartrite	está	associado	à	degene-
ração	da	cartilagem	 (Figura	7),	que,	quando	 rompida,	 libera	elementos	de	sua	matriz	
extracelular	 lesionada	no	 líquido	sinovial.	O	extravasamento	de	matriz	extracelular	(MEC)	
estimula	a	produção	de	elementos	pró-inflamatórios	no	líquido	sinovial,	que	podem,	por	
sua	vez,	estimular	a	produção	de	enzimas	que	intensificam	a	degradação	da	cartilagem	
(REZEND;	CAMPOS,	2013).
O líquido chamado de sinovial está localizado no interior da cápsula 
articular, que reveste e protege a articulação, auxiliando no alívio do 
impacto entre os ossos.
IMPORTANTE
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FIGURA 7 – OSTEOARTRITEFONTE: <https://drmarciosilveira.com/artrose-no-joelho-descricao-doenca/#Artrose_no_joelho_Primaria>. 
Acesso em: 20 dez. 2020.
Cartilagem 
articular Esporões 
ósseos
Menisco Perda de 
cartilagem
Espaço 
articular 
normal
Redução 
do espaço 
articular
Os	fatores	que	 influenciam	o	estabelecimento	desse	processo	degenerativo	são	
multifatoriais	e	podem	estar	 tanto	 relacionados	às	características	do	paciente	quanto	à	
influência	de	fatores	mecânicos.	Os	fatores	associados	às	características	dos	pacientes	
dizem	respeito	a	componentes	relacionados	a:
• hereditariedade: se já existem casos de osteoartrite na família;
•	 obesidade:	uma	vez	que	é	uma	condição	clínica	que	acarreta	sobrecarga	articular,	 
o que pode favorecer processos degenerativos;
• hipermobilidade: condição que aumenta o estresse articular e favorece a ruptura da 
malha colágena.
Quanto	 aos	 fatores	mecânicos	 atrelados	 ao	 estabelecimento	 da	 osteoartrite,	
temos	a	sobrecarga	esportiva	por	realização	de	atividades	de	alto	impacto,	a	utilização	
de	aparelhos	de	musculação	da	maneira	errada,	os	macrotraumas	e	as	alterações	na	
biomecânica articular.
4 ARTRITE REUMATOIDE (AR)
Na	artrite	 reumatoide	 (AR),	células	do	sistema	 imune	atacam	os	componentes	
teciduais	do	próprio	indivíduo,	pois	é	uma	doença	autoimune.	Trata-se	de	uma	doença	
inflamatória,	 autoimune	 sistêmica,	 que	 acomete	 aproximadamente	 1%	 da	 população	
mundial,	 apresentando	maior	propensão	de	desenvolvimento	em	mulheres.	Apesar	de	
acometer	indivíduos	de	qualquer	idade,	a	maior	incidência	ocorre	na	faixa	entre	50	e	75	
anos	(RODBARD	et al.,	2019).
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As	manifestações	da	AR	ocorrem	principalmente	na	membrana	 sinovial.	Assim,	
todas	 as	 articulações	 que	 apresentam	membrana	 sinovial	 serão	 afetadas,	 de	modo	
que,	conforme	a	doença	progride,	é	possível	observar	um	gradativo	efeito	de	erosão	e	
deformidade	articular	(RODBARD	et al.,	2019).
Na	verdade,	as	manifestações	clínicas	não	se	limitam	apenas	às	articulações,	
pois,	além	desses	efeitos,	é	possível	o	estabelecimento	de	manifestações	em	órgãos	e	
sistemas,	classificados	como	manifestações	extra-articulares.	De	acordo	com	Moura	et 
al.	(2012),	são	exemplos	de	manifestações	extra-articulares:
Nódulos	 reumatoides,	 pericardite,	 derrame	 pericárdico,	 pleurite,	
derrame	pleural,	doença	pulmonar	 intersticial,	hipertensão	da	artéria	
pulmonar,	síndrome	de	Caplan,	síndrome	de	Felty,	anemia	de	doença	
crônica,	 trombocitose,	 neuropatia,	 esclerite,	 episclerite,	 síndrome	
Sicca,	escleromalácia	perforans,	glomerulonefrite,	úlceras	cutâneas,	
vasculites,	tenossinovite	de	De	Quervain,	amiloidose	e	Síndrome	de	
Sjögren	(MOURA	et al.,	2012,	p.	687).
A	artrite	reumatoide	é	uma	doença	de	origem	multifatorial.	Contudo,	sabe-se	que	
existem	fatores	passíveis	de	mudança,	como	o	tabagismo,	a	periodontite	e	o	microbioma,	
que	 têm	 em	 comum	 o	 estabelecimento	 de	 um	 evento	 inflamatório.	 Um	 ambiente	
inflamatório	estimula	a	citrulinização	dos	peptídeos,	que	consiste	na	conversão	de	uma	
arginina	 em	 citrulina.	 Sabe-se	 que	 as	 reações	 que	 levam	 à	 citrulinização	 estimulam	
a	produção	de	anticorpos	contra	as	proteínas	citrulinadas,	por	isso	esses	fatores	têm	
relação	com	o	estabelecimento	da	artrite	reumatoide	(CARVALHO et al.,	2014).
Os peptídeos são moléculas compostas por aminoácidos ligados entre 
si por ligações peptídicas.
ATENÇÃO
Além	 dos	 fatores	 de	 risco	 que	 podemos	 mudar,	 existem	 também	 fatores	
relacionados	à	hereditariedade,	ou	seja,	a	fatores	genéticos.	Na	artrite	reumatoide,	os	
genes	HLA	estão	associados	ao	estímulo	para	que	os	linfócitos	B	autorreativos	produzam	
anticorpos	 contra	 proteínas	 citrulinizadas.	 Os	 macrófagos	 também	 são	 um	 importante	
elemento	fisiopatológico	na	artrite	reumatoide,	uma	vez	que	secretam	fator	de	necrose	
tumoral α	 (TNF-α)	e	 interleucina	1	 (IL-1),	que	são	citocinas	estimuladoras	da	 inflamação,	
processo	envolvido	intimamente	na	patogenia	da	AR	(CARVALHO et al.,	2014).
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Nota
pesquisar mais sobre, afim d compreender melhor o assunto.
21
A IL-1 é uma citocina que atua como mediadora na resposta imunológica 
diante da invasão bacteriana, da inflamação, de infecções e de lesões.
Assim como a IL-1, o TNF-α também é uma citocina que atua promovendo 
a resposta imune e a inflamatória por meio do recrutamento de neutrófilos 
e monócitos na região da infecção, além de apresentar mecanismos com a 
capacidade de ativar essas células imunes.
IMPORTANTE
Conhecendo	os	elementos	gerais	que	compõem	o	quadro	de	artrite	reumatoide,	
é	necessário	compreender	como	esse	processo	interage	com	as	articulações.	Na	Figura	
8,	podemos	observar	as	estruturas	presentes	na	articulação	de	um	indivíduo	sadio	e	a	
de um indivíduo com artrite reumatoide. 
FIGURA 8 – COMPARAÇÃO ENTRE JOELHO NORMAL (A) E JOELHO COM ARTRITE (B)
FONTE: Montes (2014, p. 24)
espaço articular
cartilagem
sinoviócitos
Pannus
neutrófilo
osso
Hiperplasia sinovial
cápsula articular
membrana sinovial
osteoclasto 
fibroblasto 
macrófafo 
célula dendritica 
linfócito T 
célula B plasma 
linfócito B
angiogênese
mastócito
22
Na	 representação	 esquemática	 da	 figura,	 é	 possível	 observar	 que,	 na	 artrite	
reumatoide,	 o	 ataque	 à	 membrana	 sinovial	 desencadeia	 um	 processo	 inflamatório.	
A	 inflamação	 persistente	 propicia	 a	 formação	 de	 uma	 estrutura	 chamada	 pannus. 
De	 acordo	 com	 Carvalho	 et al.	 (2014,	 p.	 12):	 “Esse	 tecido,	 denominado	 pannus 
reumatoide,	apresenta	hiperplasia	e	hipertrofia	dos	sinoviócitos,	 infiltrado	inflamatório	
predominantemente	de	 linfócitos,	 plasmócitos	 e	macrófagos	e	 intensa	 angiogênese,	
tornando-se	densamente	vascularizado”.
É	 importante	ressaltar	que,	nessas	circunstâncias,	o	 líquido	sinovial	contém,	em	
sua	predominância,	neutrófilos.	Nesse	caso,	utilizamos	a	 representação	esquemática	
de	um	joelho	para	facilitar	a	compreensão.	Entretanto,	é	importante	lembrar	que	esse	
processo	pode	ocorrer	em	qualquer	articulação	do	tipo	sinovial	(GOELDNER	et al.,	2011).
	 Por	 conta	 disso,	 as	manifestações	 clínicas	 compreendem	 o	 estabelecimento	
de	poliartrite	crônica,	de	padrão	erosivo,	principalmente	nas	mãos	e	nos	punhos.	Além	
disso,	indivíduos	portadores	de	AR	apresentam	artralgia	de	padrão	inflamatório	(dor	nas	
articulações),	tendo	como	caraterística	manifestação	principalmente	ao	acordar,	com	
sensação	de	rigidez	que	apresenta	melhora	com	a	realização	de	esforço	físico.
	Ao	pesquisar	sobre	AR,	é	comum	surgirem	imagens	de	mãos	e	dedos	deformados,	
uma	 vez	 que	 uma	 das	 consequências	 de	 um	 processo	 inflamatório	 persistente	 é	 o	
dano	 tecidual	 com	 evolução	 para	 perda	 da	 função.	 Nessa	 doença,	 tais	 alterações	
são	 consequência	 do	 não	 tratamento,	 que	 evolui	 para	 deformidade	 e	 consequente	
prejuízo	funcional	das	articulações	acometidas.	Deformidades	em	formato	de	botoeira	
(deformação	de	boutonnière)	e	pescoço	de	ganso	(Figura	9)	são	exemplos	do	resultado	
da	progressão	da	artrite	reumatoide	(GOELDNER	et al.,	2011).
FIGURA 9 – DEFORMIDADES CARACTERÍSTICAS DA ARTRITE
FONTE: <https://msdmnls.co/3yf3ZAa>. Acesso em: 21 dez. 2020.
23
Como	visto	anteriormente,	as	manifestações	clínicas	extra-articulares	representam	
um	espectro	de	pior	prognóstico	dentro	da	artrite	reumatoide,	devido	a	sua	potencial	
gravidade.	 Um	 elemento	 importante	 das	 manifestações	 clínicas	 extra-articulares	 é	 a	
presença	do	fator	reumatoide,	um	tipo	de	anticorpo	importante	e	que	será	mais	bem	
abordado	nas	provas	laboratoriais	relacionadas	às	doenças	reumáticas.
5 FEBRE REUMÁTICA
A	febre	reumática	é	uma	doença	autoimune	que	acomete	pacientes	genetica-
mente	predispostos	(em	torno	de	1	a	2%	da	população),	quando	infectados	pela	bactéria	
Streptococcus pyogenes.	Via	de	regra,	trata-se	de	uma	doença	precedida	por	um	caso	
de	infecção	de	via	aérea	superior	(RACHID,	2003).Caro acadêmico, nesse momento, você pode se perguntar: mas 
se essa é uma doença originada por uma bactéria, por que a 
febre reumática integra o grupo de doenças reumáticas?
GIO
Os	 eventos	 característicos	 relacionados	 à	 febre	 reumática	 estão	 associados	 ao	
estabelecimento	de	um	quadro	inflamatório	que	acomete	diferentes	órgãos	e	estruturas,	
resultando	 em	 condições	 clínicas	 de	 maior	 complexidade,	 como	 valvulite,	 e	 coreia,	
além	de	artrite	reativa	pós-estreptocócica	(RACHID,	2003).	Esse	quadro	se	desenvolve	
quando	 o	mecanismo	fisiopatológico	 que	 justifica	 as	 condições	 clínicas	 citadas	 está	
associado	 a	 um	 fenômeno	 chamado	 mimetismo	 molecular.	 Desse	 modo,	 devido	 às	
semelhanças entre os componentes moleculares que constituem o Streptococcus e 
componentes	 presentes	 no	 corpo	 humano,	 o	 sistema	 imunológico	 se	 “confunde”	 e	
ataca	os	próprios	tecidos	do	 indivíduo,	ou	seja,	a	ativação	do	sistema	imune,	necessária	
para	 combater	 a	 infecção,	 resulta	na	produção	de	anticorpos	capazes	de	 reconhecer	 e	
atacar	as	estruturas	bacterianas	para	eliminar	o	agente	patogênico.	Entretanto,	além	de	
atacar	o	agente	infeccioso,	os	anticorpos	atacam	também	tecidos	que	contêm	em	sua	
estrutura	componentes	moleculares	similares	aos	da	bactéria	(RACHID,	2003).	
Assim,	 o	 mimetismo	 molecular	 do	 estreptococo	 gera	 uma	 reação	 cruzada,	
uma	 vez	 que	 células	 saudáveis	 do	 indivíduo	 passam	 a	 ser	 atacadas.	 Veja	 abaixo,	 o	
estabelecimento	das	condições	clínicas	resultantes	das	reações	cruzadas	que	ocorrem	
na	febre	reumática	(Figura	10):
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Nota
procurar para compreender melhor
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FIGURA 10 – ESTRUTURA DA BACTÉRIA S. PYOGENES E SUAS SIMILARIDADES COM OS TECI DOS DO 
CORPO HUMANO, QUE TAMBÉM SE TORNAM ALVOS DOS AUTOANTICORPOS
FONTE: Herdy (2000 apud Cruz, 2017, p. 5)
↓
TROPOMIOSINA
(Miocárdio)
Reações cruzadas com...
PAREDE 
CELULAR
STREPTOCOCCUS 
β Hemolítico do grupo A
CÁPSULA
PROTEÍNA (M.R.T.)
CARBO-HIDRATOS 
N-ACETIL GLICOSAM)
MUCOPETÍDEO
M. PROTOPLASMAT. 
(↓ag)
CITOPLASMA 
(Neuron. N. Caucato)
SARCOLEMA
(Miocárdio e vasos)
SINÓVIA 
(articulação)
GLICOPROTEÍNA 
(válvula) 
• Valvulite:	 anticorpos	 produzidos	 contra	 os	 polissacarídeos	 da	 parede	 celular	 do	
estreptococo	 atacam	 as	 glicoproteínas	 presentes	 nas	valvas	 cardíacas.	 Com	 isso,	
ocorre	um	processo	inflamatório	nas	valvas	cardíacas,	que	pode	resultar	em	prejuízo	
permanente	no	funcionamento	dessas	estruturas	(Figura	11).
• Vasculite:	 anticorpos	 produzidos	 contra	 antígenos	 presentes	 na	 membrana	
citoplasmática	bacteriana	atacam	o	sarcolema	dos	vasos.	Com	isso,	é	estabelecido	
um	processo	 inflamatório	que	altera	a	espessura	vascular,	prejudicando	o	fluxo	de	
sangue	para	órgãos	e	tecidos.
• Artrite:	 anticorpos	produzidos	contra	a	cápsula	de	ácido	hialurônico	presente	no	
Streptococcus	atacam	o	tecido	sinovial.	Com	isso,	cria-se	um	processo	inflamatório	
na membrana sinovial que progride para limitação de movimentos.
FIGURA 11 – VALVULITE CARACTERÍSTICA DE FEBRE REUMÁTICA
FONTE: <https://medifoco.com.br/febre-reumatica-o-que-e-quais-seus-sintomas/>. Acesso em: 5 fev. 2021.
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• Coreia:	 anticorpos	 produzidos	 contra	 antígenos	 presentes	 na	membrana	 plasmática	
estreptocócica	atacam	regiões	do	encéfalo.	Com	isso,	o	 indivíduo	passa	a	apresentar	
distúrbios	 relacionados	 à	 realização	 de	movimentos	 e	 hipotonia	 (PEREIRA;	 BELO;	
SILVA,	2015).
Em 2019, pesquisadores do Instituto do Coração, de São Paulo, 
desenvolveram uma vacina que pode evitar o desenvolvimento da 
febre reumática. Já existe uma versão pronta da vacina para testes 
em seres humanos que espera por autorização. 
Para saber mais sobre essa vacina, acesse: http://glo.bo/3NintYL.
INTERESSANTE
Como	 observado	 anteriormente,	 as	 doenças	 reumáticas,	 por	 intermédio	 de	
diferentes	vias,	têm	como	denominador	comum	o	processo	inflamatório.
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Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
•	 As	doenças	 reumáticas	têm	como	componente	comum	o	estabelecimento	de	um	
processo	inflamatório.
•	 A	 osteoartrite	 (artrose)	 é	 definida	 como	um	processo	degenerativo	nas	 estruturas	
cartilaginosas.	Com	isso,	os	ossos	perdem	esse	revestimento	cartilaginoso,	o	que	os	
expõe diretamente aos impactos gerados pelos diversos tipos de movimentos que 
realizamos.
•	 	 desgaste	 presente	 na	 osteoartrite	 gera	 alterações	 na	 estrutura	 óssea	 e	 leva	 à	
formação	de	um	processo	inflamatório	na	membrana	sinovial.
•	 Na	artrite	reumatoide,	a	membrana	sinovial	é	afetada	e,	conforme	progride,	é	possível	
observar um gradativo efeito de erosão e deformidade articular.
• O avanço da artrite reumatoide dá origem ao pannus,	caracterizado	por	hiperplasia	e	
hipertrofia	dos	sinoviócitos,	infiltrado	inflamatório	predominantemente	de	linfócitos,	
plasmócitos	e	macrófagos	e	intensa	angiogênese.
•	 A	febre	reumática	é	uma	doença	autoimune	decorrente	de	uma	 infecção	nas	vias	
aéreas	superiores	causada	por	Streptococcus pyogenes.
•	 Os	 eventos	 característicos	 relacionados	 à	 febre	 reumática	 estão	 associados	 ao	
estabelecimento	 de	 um	 quadro	 inflamatório	 que	 acomete	 diferentes	 órgãos,	
resultando	 em	 condições	 clínicas	 de	 maior	 complexidade,	 como	 valvulite,	 artrite	 
e coreia.
RESUMO DO TÓPICO 2
27
AUTOATIVIDADE
1	 Na	artrite	reumatoide,	ocorre	a	formação	de	um	processo	hiperplásico	e	hipertrófico	
estabelecido	 nas	 células	 sinoviais	 que	 contêm	 infiltrado	 inflamatório	 e	 intensa	
angiogênese,	o	que	o	torna	densamente	vascularizado.	Com	relação	ao	termo	que	
caracteriza	essa	descrição,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 Sinoviose	hiperplásica.
b)	 (			)	 Pannus. 
c)	 (			)	 Deformação	de	boutonnière.
d)	 (			)	 Valvulite.
2	 As	 doenças	 reumáticas	 possuem	 uma	 característica	 que	 permite	 a	 realização	 de	
exames	para	compor	diagnóstico	e	traçar	prognóstico	dessas	doenças.	Qual	é	essa	
característica?	Justifique.
3	 Os	 eventos	 característicos	 relacionados	 à	 febre	 reumática	 estão	 associados	 ao	
estabelecimento	 de	 um	 quadro	 inflamatório	 que	 acomete	 diferentes	 órgãos	 e	
estruturas,	 resultando	 em	 condições	 clínicas	 de	 maior	 complexidade.	 Explique	 o	
papel do mimetismo molecular na febre reumática.
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Texto digitado
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TÓPICO 3 — 
MARCADORES DE DOENÇAS REUMÁTICAS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Quando	se	trata	do	diagnóstico,	estamos	falando	em	evidências	que,	em	conjunto,	
apontam	o	estabelecimento	de	alguma	patologia.	Nesse	contexto,	estudaremos	um	dos	
mais	 importantes	elementos	que	estruturam	um	diagnóstico:	as	análises	 laboratoriais	–	
também	conhecidas	como	provas	ou	exames	laboratoriais.	Sabe-se	que,	atualmente,	os	
exames	laboratoriais	constituem	um	importante	elemento	balizador	de	mais	da	metade	
das	decisões	médicas.
Assim,	 conheceremos	 as	 características	 dos	 principais	 exames	 aplicados	 às	
patologias previamente discutidas.
2 PROTEÍNA C-REATIVA
A	proteína	C-reativa	 (PCR)	 foi	 descrita	pela	primeira	vez	na	década	de	 1930.	
A	 indicação	 “C-reativa”	 foi	 dada,	 inicialmente,	 por	 ter	 sido	 identificada	 a	 sua	 reação	
com	o	polissacarídeo	C	da	cápsula	da	bactéria	Streptococcus pneumoniae em casos 
de	 pacientes	 com	pneumonia	 pneumocócica.	Após	 essa	 descoberta,	 novos	 estudos	
identificaram	sua	presença	em	outras	condições	clínicas.	 Isso	fez	com	que	a	PCR	se	
tornasse	 um	 exame	 amplamente	 utilizado,	 em	 função	 da	variedade	 de	 doenças	 em	
que	sua	mensuração	aparece	alterada.	Por	isso,	a	PCR	é	classificada	como	inespecífica	
(CARVALHO	 et al.,	 2007).	 Dessa	 maneira,	 a	 detecção	 da	 PCR	 não	 é	 considerada	
patognomônica,	ou	seja,	não	é	própria	e	característica	de	nenhuma	doença	específica.
Acadêmico, a sigla PCR também pode surgir em textos com o 
significado de reação em cadeia da polimerase. Para diferenciá-
las, é necessário compreender que a proteína C-reativa é uma 
proteína de fase aguda inespecífica,visto que está presente em 
diversas patologias, enquanto a reação em cadeia da polimerase 
é uma técnica da biologia molecular que visa a amplificar o 
material genético – por isso, sugerimos que você revise o livro da 
disciplina de Biologia Molecular
IMPORTANTE
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A	PCR	é	uma	pentraxina	(Figura	12)	de	origem	hepática,	que	atua	 ligando-se	
a	potenciais	agressores,	células	em	apoptose	ou	com	alguma	 lesão,	causando	a	sua	
destruição	por	intermédio	da	ativação	de	fagócitos	e	do	sistema	complemento.
FIGURA 12 – ESTRUTURA MOLECULAR DA PROTEÍNA C-REATIVA
FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/creactive-protein-crp-human-molecule-
chemical-117136327>. Acesso em: 5 fev. 2021.
De	 acordo	 com	 Neto	 e	 Carvalho	 (2009,	 p.	 416),	 “A	 PCR	 e	 a	 via	 clássica	 do	
complemento	 atuam	 em	 sintonia,	 promovendo	 a	 limpeza	 de	 células	 apoptóticas	 sem	
ocasionar	 lise	 celular”.	 Dessa	 forma,	 os	mediadores	 pró	 inflamatórios	 dentro	 dessas	
células	não	são	liberados,	impedindo	a	intensificação	da	reação	inflamatória	presente.
Ao longo deste livro, alguns termos serão recorrentes, por isso, vamos relembrar as 
diferenças entre os seguintes conceitos:
• Análise qualitativa: indica se há ou não quantidade relevante do analito que está sendo 
investigado na amostra. O critério que estabelece se existe uma quantidade significativa 
do analito chama-se cut-off, que corresponde ao ponto de corte predeterminado. 
Nesse tipo de metodologia, não identificamos a concentração do analito.
• Análise semiquantitativa: atribui-se valores às escalas qualitativas estabelecidas de 
acordo com cada técnica. Contudo, não necessariamente o número atribuído a cada 
descrição representa com exatidão a concentração presente. A função desse tipo 
de análise objetiva produzir resultados mais detalhados do que aqueles obtidos em 
análise qualitativas e não sugerir valores absolutos, como em análises quantitativas.
IMPORTANTE
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• Análise quantitativa: mensura a concentração do analito na amostra 
utilizada.
• Down-regulation: é um termo que se refere ao processo de redução 
ou supressão de uma resposta a um determinado estímulo. Por 
exemplo: uma célula pode reduzir sua resposta a uma molécula 
devido à redução do número de receptores presentes na superfície 
dessa célula.
Com	relação	a	sua	influência	sobre	o	processo	inflamatório,	sabemos	que	a	PCR	
pode	atuar	tanto	como	mediador	pró-inflamatório	quanto	anti-inflamatório.	De	acordo	
com	Neto	e	Carvalho	(2009,	p.	416),	isso	ocorre	porque:
A	 interação	 entre	 PCR	 e	 porção	 Fc	 de	 imunoglobulinas	 dá-se,	 em	
fagócitos,	 por	 meio	 de	 receptores	 FcγRI	 (CD64)	 e	 FcγRIIa	 (CD32),	
levando	 à	 indução	 de	 fagocitose	 e	 à	 secreçzão	 de	 citocinas	 pró-
inflamatórias	como	interleucina	1	(IL-1)	e	fator	de	necrose	tumoral-α 
(TNF-α).	 Já	 em	 neutrófilos,	 a	 interação	 promove	 down-regulation 
da	 inflamação	 com	 inibição	 da	 resposta	 quimiotática,	 clivagem	de	
L-selectina	diminuindo	a	marginação	de	leucócitos	e	endocitose	de	
receptores	IL-6.
Acadêmico, você sabe o que é downregulation? É um termo em inglês que 
significa “desregulação” ou “dessensibilização”. Ao receber um estímulo de 
downregulation, a célula ou um tecido diminui a sua função ou a liberação de 
moléculas, como as citocinas, que são quimiotáticos no processo inflamatório.
IMPORTANTE
Por	se	tratar	de	uma	proteína	de	fase	aguda,	a	PCR	apresenta-se	elevada	na	
fase	 ativa	 de	 doenças	 relacionadas	 a	 processos	 inflamatórios	 –	 é	 importante	 notar	
que	a	presença	desse	componente	no	organismo	é	sempre	associada	a	um	processo	
inflamatório,	mas	não	é	possível	saber	o	que	desencadeou	essa	manifestação	apenas	
por causa disso. 
Isso	 significa	 que,	 em	doenças	 reumáticas,	 haverá	 a	 presença	 da	PCR,	 pois,	
conforme	discutido	anteriormente,	as	doenças	reumáticas	integram	o	grupo	de	doenças	
de	caráter	inflamatório.	Assim,	condições	como	artrite	reumatoide	e	vasculites	em	fase	
ativa	apresentarão	dosagens	aumentadas	de	PCR.	As	concentrações	da	PCR	tendem	a	
aumentar	entre	a	quarta	e	sexta	hora	após	o	início	do	processo	inflamatório,	podendo	
atingir	o	pico	de	concentração	na	circulação	sanguínea	em	até	50	horas.
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32
Quando	solicitada	com	o	objetivo	de	 investigar	doenças	 reumatológicas,	algumas	
condições	 podem	 elevar	 discretamente	 os	 valores	 da	 PCR,	 posto	 que	 apresentam	
quadros	 inflamatórios	 como,	 por	 exemplo:	 “Obesidade,	 tabagismo,	 diabetes,	 uremia,	
hipertensão	 arterial,	 inatividade	 física,	 uso	 de	 anticoncepcionais	 orais,	 distúrbios	 do	
sono,	 álcool,	 fadiga	 crônica,	 depressão,	 envelhecimento,	 doença	 periodontal,	 entre	
outras	situações”	(NETO;	CARVALHO,	2009,	p.	416).
Até o momento, vimos que a PCR foi apresentada como um importante marcador 
relacionado a doenças reumáticas. Contudo, existe uma grande variedade de 
condições em que ela é utilizada como marcador de diagnóstico e prognóstico, 
integrando um grupo de exames utilizados com frequência, em especial 
no ambiente hospitalar, para acompanhamento da evolução do paciente. 
Nesse contexto, sugerimos a leitura do artigo Aplicações Clínicas Atuais da 
Proteína C-reativa, escrito por Guilherme Birchal Collares e Urquiza Helena 
Meira Paulino, que destaca outras condições em que a PCR é um 
instrumento importante para as equipes médicas: http://rmmg.
org/exportar-pdf/579/v16n4a12.pdf.
INTERESSANTE
3 FATOR REUMATOIDE
O	fator	reumatoide	(FR)	é	um	autoanticorpo	descrito	inicialmente	na	década	de	
1940	por	Waller	Rose.	A	denominação	FR	se	deve	ao	fato	de	que	esses	autoanticorpos	
foram	 identificados	 pela	 primeira	 vez	 em	 pacientes	 com	 artrite	 reumatoide.	 Após	
essa	 descoberta,	 novos	 estudos	 identificaram	 sua	 presença	 em	 outras	 condições	
clínicas.	Assim,	embora	o	nome	remeta	à	artrite	reumatoide,	esse	não	é	um	marcador	
patognomônico	para	a	doença.	Apesar	de	não	se	tratar	de	um	exame	confirmatório	para	
artrite	 reumatoide,	ele	faz	parte	das	evidências	clínicas	que	compõem	o	diagnóstico	
diferencial dessa doença.
Em	termos	moleculares	(Figura	13):
O	fator	reumatoide	(FR)	é	um	auto-anticorpo	que	tem	como	alvo	a	
região	Fc	de	 IgGs,	ou	seja,	ele	se	 liga	em	outros	anticorpos	e	mais	
especificamente,	na	sua	porção	“Fc”	(parte	invariável	dos	anticorpos,	
que	 foi	 nomeada	 por	 se	 cristalizar	 em	 análises	 estruturais	 de	
anticorpos).	 A	 maioria	 dos	 FR	 são	 do	 isotipo	 IgM	 mas	 podem	 ser	
também	IgA	e	IgG	(MACEDO	et al.,	2016,	p.	2).
Lais
Realce
Lais
Realce
Lais
Realce
Lais
Realce
33
FIGURA 13 – ALGUNS TIPOS DE ISÓTOPOS DOS FATORES REUMATOIDES
FONTE: Macedo et al. (2016, p. 3)
Os fatores reumatóides são auto-anticorpos que apresentam estruturas 
diferentes e pertencem às classes IgM (mais comumente), IgG e IgA
Apesar	 da	 impossibilidade	 de	 utilização	 exclusiva	 desse	 marcador	 para	
confirmação	de	artrite	reumatoide,	a	avaliação	do	fator	reumatoide	tem	uma	importante	
função	prognóstica	(capacidade	de	uma	informação	indicar	a	evolução	mais	provável	de	
uma	condição	clínica).	De	acordo	com	Mota	et al.	(2011),	os	níveis	mais	elevados	de	fator	
reumatoide no soro de pacientes com artrite reumatoide estão associados a um estágio 
agressivo	da	doença	agressiva,	à	presença	de	nódulos	reumatoides	e	às	manifestações	
extra-articulares.
No	que	se	refere	a	outras	condições	clínicas	(Quadro	1),	Carvalho	et al.	(2014,	p.	
72)	indicam	que:
Imunoglobulinas	 com	 atividade	 de	 FR	 estão	 presentes	 em	 pequena	
quantidade	e	com	baixa	avidez	no	soro	da	maior	parte	dos	indivíduos;	
nesses	casos,	 a	pesquisa	do	FR	é	negativa	ou	 fracamente	 reagente.	
Em	 determinadas	 condições	 patológicas,	 a	 concentração	 de	
imunoglobulinas	pode	se	elevar	com	atividade	de	FR	de	alta	afinidade.	
As	duas	condições	em	que	o	FR	é	detectado	commaior	frequência	e	
em	maiores	títulos	são	a	artrite	 reumatoide	e	a	síndrome	de	Sjögren.	
Entretanto,	 uma	 vez	 que	 o	 FR	 é	 encontrado	 em	 frequência	 variável	
em	grande	número	de	outras	condições	mórbidas,	sua	especificidade	
e	seu	valor	preditivo	positivo	para	o	diagnóstico	de	artrite	reumatoide	 
não são elevados.
34
QUADRO 1 – ENFERMIDADES EM QUE É COMUM A PRESENÇA DE FATOR REUMATOIDE
Grupo de 
doenças
Enfermidades	específicas
Doenças	virais Hepatite	B	ou	C,	mononucleose,	Influenza,	AIDS,	pós-vacinação	
Doenças	
autoimunes
Artrite	reumatoide,	lúpus	eritematoso	sistêmico,	esclerose	sistêmica,	
polimiosite,	dermatomiosite,	síndrome	de	Sjögren,	crioglobulinemia	mista,	
cirrose	biliar	primária,	hepatite	autoimune,	fibrose	pulmonar	idiopática	
(Harman-Hirsch),	doença	mista	do	tecido	conjuntivo,	vasculites	
Neoplasias Principalmente	após	irradiação	ou	quimioterapia	
Infecções 
bacterianas
Tuberculose,	sífilis,	hanseníase,	salmonelose,	endocardite	bacteriana	
subaguda,	brucelose,	borreliose	
Doenças	
parasitárias
Malária,	calazar,	esquistossomose,	filariose,	tripanossomíase
FONTE: Carvalho et al. (2014, p. 72) 
Nesses	 termos,	 pode-se	 considerar	 que	 o	 FR	 é	 uma	 análise	 auxiliar	 para	
o	 fechamento	 do	 diagnóstico	 de	 artrite	 reumatoide.	 Entretanto,	 em	 pacientes	 já	
diagnosticados	com	essa	doença,	 é,	 sobretudo,	um	bom	 indicador	prognóstico,	haja	
vista que a presença de altas titulações desses anticorpos no soro de pacientes apontam 
um	agravamento	da	doença,	que	pode	indicar	manifestações	extra-articulares.
O fator reumatoide é um exame que integra a rotina da maior parte dos 
laboratórios, independentemente do porte. Contudo, existem exames mais 
específicos para investigação de AR e que são menos conhecidos, uma vez 
que o número de laboratórios que os realizam é bem menor. O peptídeo 
citrulinado cíclico é um desses marcadores. Assim, sugerimos a leitura 
da publicação feita pelo laboratório Fleury Autoanticorpos contra peptídeo 
citrulinado cíclico (CCP) apresentam alta especificidade e sensibilidade para o 
diagnóstico de artrite reumatoide, que aborda esse marcador: https://www.
fleury.com.br/medico/artigos-cientificos/autoanticorpos-contra-peptideo-
citrulinado-ciclico-ccp-apresentam-alta-especificidade-e-sensibilidade-
para-o-diagnostico-de-artrite-reumatoide.
INTERESSANTE
4 ANTIESTREPTOLISINA O
A	 estreptolisina	 O	 é	 uma	 exotoxina	 (proteínas	 que	 podem	 ser	 produzidas	
por	 bactérias,	 capazes	 de	 gerar	 prejuízo	 a	 uma	 célula	 hospedeira)	 produzida	 por	
Streptococcus pyogenes. Quando	ativada,	tem	ação	hemolítica,	ou	seja,	desencadeia	
a	lise	(quebra)	das	hemácias.	É	importante	esclarecer	que	o	que	leva	à	ativação	biológica	
dessa	toxina	bacteriana	é	a	ausência	de	oxigênio	(RACHID,	2003).
35
Como	 vimos,	 quando	 um	 patógeno	 invade	 o	 organismo,	 muitos	 eventos	
imunológicos	ocorrem	para	culminar	em	sua	eliminação,	entre	eles,	temos	a	ativação	
dos	 linfócitos	 B.	 Após	 a	 infecção	 por	S. pyogenes,	 anticorpos	 são	 produzidos	 pelos	
linfócitos	B	específicos	para	combater	essa	exotoxina,	uma	vez	que	essa	molécula	é	
imunogênica.	Esses	anticorpos	são	chamados	de	antiestreptolisina	O	 (ASO	ou	ASLO)	
(RACHID	2003).
Assim,	 análises	 que	 investigam	 a	 presença	 de	 ASO	 apontam	 a	 existência	
prévia	 de	 infecção	 estreptocócica.	 É	 comum	 que,	 em	 um	 primeiro	 momento,	 a	
dosagem	 sanguínea	 desse	 anticorpo	 esteja	 fortemente	 vinculada	 à	 investigação	 de	
febre	 reumática.	Contudo,	devemos	 lembrar	que	a	ASO	estará	presente	em	qualquer	
manifestação	clínica	vinculada	a	 infecções	pela	espécie	S. pyogenes	 (GEERTS	et al.,	
2011),	 como	 glomerulonefrite	 aguda,	 escarlatina,	 amigdalite,	 faringite	 (Figura	 14),	
erisipela e sepse puerperal.
FIGURA 14 – FARINGITE ESTREPTOCÓCICA
FONTE: <https://www.sanarmed.com/casos-clinicos-dor-de-garganta-ha-6-dias-ligas>. Acesso em: 5 fev. 2021.
É	 importante	 ressaltar	 que	 a	 presença	 de	ASO	pode	 permanecer	 na	 circulação	
sanguínea	por	semanas	após	o	evento	infeccioso.	No	Tópico	4,	compreenderemos	como	
esse	analito	pode	ser	dosado	no	laboratório.	
36
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
•	 São	as	interações	relacionadas	aos	componentes	do	sistema	imune	em	resposta	ao	
processo	 inflamatório	que	permitem	as	análises	 laboratoriais	e,	por	conseguinte,	a	
construção	de	diagnóstico	e	prognóstico	das	doenças	reumáticas.
•	 A	 proteína	 C-reativa	 é	 uma	 pentraxina	 produzida	 por	 células	 do	 fígado,	 que	 atua	
ligando-se	 a	 potenciais	 agressores,	 células	 em	 apoptose	 ou	 com	 alguma	 lesão,	
ativando	 sua	 destruição	 por	 intermédio	 da	 ativação	 de	 fagócitos	 e	 do	 sistema	
complemento.
 
•	 Por	 se	 tratar	 de	 uma	 proteína	 de	 fase	 aguda,	 a	 proteína	 C-reativa	 apresenta-se	
elevada	na	fase	ativa	de	doenças	relacionadas	a	processos	inflamatórios.
 
•	 O	fator	reumatoide	é	um	autoanticorpo,	geralmente	da	classe	IgM,	que	atua	contra	a	
fração	Fc	de	um	anticorpo	IgG.
 
•	 Diferentes	condições	clínicas	alteram	os	valores	de	fator	reumatoide,	o	que	o	torna	
um	marcador	inespecífico.
 
•	 A	estreptolisina	O	é	uma	exotoxina	produzida	por	Streptococcus pyogenes.
 
•	 A	ativação	da	estreptolisina	O	tem	ação	hemolítica,	diante	de	condições	de	ausência	
de	oxigênio.
 
•	 A	antiestreptolisina	O	é	o	anticorpo	produzido	para	neutralizar	essa	exotoxina
 
•	 A	antiestreptolisina	O	não	é	um	marcador	patognomônico	de	febre	reumática.
 
•	 A	antiestreptolisina	O	estará	presente	em	qualquer	manifestação	clínica	vinculada	
a	 infecções	 por	 estreptococos	 do	 grupo	 A,	 não	 se	 restringindo	 apenas	 à	 febre	
reumática.
RESUMO DO TÓPICO 3
37
AUTOATIVIDADE
1 Considere as lacunas apresentadas no texto a seguir:
A	febre	reumática	é	um	dos	possíveis	desfechos	relacionados	à	 infecção	bacteriana	por	
Streptococcus pyogenes.	 Essa	 bactéria	 produz	 uma	 ____________,	 chamada	
de	_________________.	Com	o	objetivo	de	neutralizar	os	prejuízos	resultantes	
dessa	infecção,	são	produzidos	anticorpos	chamados	de	_________________.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 Endotoxina;	estreptolisina	O;	antiestreptolisina	O.
b)	 (			)	 Exotoxina;	antiestreptolisina	O;	estreptolisina	O.
c)	 (			)	 Exotoxina;	estreptolisina	O;	antiestreptolisina	O.
d)	 (			)	 Estreptolisina	O;	endotoxina;	exotoxina.
2	 Atualmente,	 a	 proteína	 C-reativa	 tem	 recebido	maior	 destaque,	 devido	 às	 variadas	
aplicações atribuídas principalmente ao âmbito hospitalar. Explique por que ocorre o 
aumento	significativo	de	sua	utilização	com	base	nas	características	desse	marcador.
3	 O	 fator	 reumatoide	 não	 é	 um	 marcador	 patognomônico	 de	 artrite	 reumatoide.	
Justifique	essa	afirmação.
38
39
TÓPICO 4 — 
METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA 
INVESTIGAÇÃO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
UNIDADE 1
1 AGLUTINAÇÃO EM LÁTEX
A	técnica	de	 aglutinação	em	 látex	 é	baseada	nas	 reações	de	precipitação. 
Os	 imunoensaios,	 desenvolvidos	 pelo	 princípio	 das	 reações	 de	 precipitação,	 estão	
baseados	na	 interação	entre	antígeno	e	anticorpo	solúveis	que	produzem	complexos	
insolúveis	 visíveis.	 A	 formação	 desses	 complexos	 visíveis	 é	 realizada	 a	 partir	 da	
utilização	de	partículas	inertes	(que	não	reagem	quimicamente),	como	o	látex.	Em	casos	
de	técnicas	que	utilizam	a	aglutinação	em	látex,	é	possível	realizar	a	análise	qualitativa	e	
semiquantitativa	de	marcadores	imunológicos,	como	a	PCR,	o	fator	reumatoide	e	a	ASO.	
De	acordo	com	Voltarelli	(2009,	p.	78):
Partículas	 de	 látex	 são	 esferas	 de	 poliestireno	 utilizadas	 como	
suportes	na	adsorção	de	proteína	solúvel	e	antígenos	polissacarídicos,	
funcionando como sistema indicador da reação antígeno-anticorpo. 
O teste pode ser empregado na pesquisa de antígenos ou anticorpos. 
A	 aplicação	mais	 comum	 é	 na	 detecção	 de	 fator	 reumatoide	 IgM,	
dirigido	contra	isotipos	de	IgG,	IgA1,	IgM	ou	IgE.
Com	relação	à	possibilidade	de	esse	tipo	de	teste	ser	usado	tanto	para	pesquisa	
deantígenos	 quanto	 de	 anticorpos,	 fazemos	 referência	 a	 testes	 diretos	 (partículas	
de	 látex	 sensibilizadas	 com	 anticorpos	 –	 Figura	 15)	 ou	 indiretos	 (partículas	 de	 látex	
sensibilizadas	 com	 antígeno).	 Assim,	 quando	 existe	 na	 amostra	 uma	 concentração	
mínima	 do	marcador	 que	 está	 sob	 investigação,	 é	 possível	 observar	 a	 formação	 de	
pequenos	grumos	(imunocomplexos),	resultantes	da	aglutinação.
Caro acadêmico, lembre-se de que a concentração mínima que 
um ensaio é capaz de detectar é a sensibilidade desse teste. 
Portanto, quando as instruções do teste indicam um determinado 
valor de concentração do marcador como o valor da sensibilidade 
do teste, isso significa que aquela é a menor concentração que 
essa técnica é capaz de detectar.
IMPORTANTE
40
A	execução	da	 técnica	de	aglutinação	em	 látex	para	marcadores	de	doença	
reumatoide	 segue	 um	 procedimento	 comum.	 São	 utilizadas	 amostras	 de	 soro	 do	
paciente,	 que	 serão	 pipetadas	 conforme	 a	 qualidade	 indicada	 nas	 instruções	 do	 kit	
reagente	em	uma	placa	própria	para	essa	técnica	(Figura	16).	Em	seguida,	na	mesma	
placa,	a	quantidade	de	látex	sensibilizado	indicada	nas	instruções	do	teste	(dependendo	
do	marcador	em	investigação)	será	aplicada	na	amostra	e	homogeneizada	pelo	tempo	
indicado	 pelo	 fabricante	 do	 teste.	 Após	 essa	 etapa,	 o	 analista	 deverá	 observar	 a	
presença	ou	a	ausência	de	grumos	na	suspensão	(mistura	contendo	látex	sensibilizado	
e	 amostra).	 Suspensões	 que	 apresentarem	 grumos	 (Figura	 17)	 indicam	 que	 existe	
uma concentração igual ou superior ao cut-off	(ponto	de	corte)	estabelecido	no	kit	do	
reagente	(DOLES,	2018).
FIGURA 15 – PARTÍCULA DE LÁTEX SENSIBILIZADA COM O ANTICORPO ANTI-PCR
FONTE: Labtest (2010, p. 3)
Anticorpo (ligado a 
partícula de látex)
Precipitados
Antígeno 
protéico 
Sabemos que a execução correta de uma técnica depende, além da leitura 
do protocolo da técnica, da visualização de execução dos procedimentos. 
Para isso, sugerimos um vídeo que demonstra a técnica de aglutinação em 
látex para PCR: https://www.youtube.com/watch?v=pFQwrVO15wQ.
GIO
FIGURA 16 – EXECUÇÃO DA TÉCNICA DE AGLUTINAÇÃO EM PLACA
FONTE: Doles (2018, p. 2)
41
FIGURA 17 – AGLUTINAÇÃO EM LÁTEX APRESENTANDO FORMAÇÃO DE GRUMOS NA POSIÇÃO 2
FONTE: Veiga (2009, p. 153)
É	importante	ressaltar	que,	para	que	o	teste	apresente	resultados	adequados,	
a	correta	execução	do	procedimento	é	essencial.	Para	 isso,	deve-se	atentar	para	as	
instruções	de	uso	do	teste,	bom	como	os	possíveis	interferentes,	como:	
• Tempo de execução:	nas	instruções,	consta	o	tempo	que	a	reação	deve	ocorrer	e	
o	intervalo	que	o	analista	deve	avaliar	a	presença	ou	ausência	de	grumos.	Passado	
esse	tempo,	podem	ocorrer	aglutinações	inespecíficas,	resultando	falso-positivos.
• Condições da amostra: alguns	kits	utilizados	para	aglutinação	em	látex	podem	ter	
seu	desempenho	prejudicado	pela	presença	de	hemólise	 (rompimento	das	hemácias	
com	liberação	de	hemoglobina	no	soro)	e	lipemia	(presença	de	lipídeos	na	amostra	de	
soro),	 apresentando	 resultados	 falso-positivos	 pelo	 estabelecimento	 de	 aglutinações	
inespecíficas.
• Altas concentrações do marcador investigado:	 as	 instruções	 de	 uso	 dos	 kits	
indicam sempre os limites de concentração do marcador investigado que podem 
gerar	efeito	prozona	(LABTEST,	2018).
2 NEFELOMETRIA
A	 nefelometria	 é	 uma	 técnica	 quantitativa	 utilizada	 para	 mensurar	 a	
concentração	dos	marcadores	de	doenças	reumáticas.	Para	sua	execução,	é	utilizado	um	
nefelômetro,	equipamento	que	mede	a	dispersão	de	luz	gerada	em	soluções	contendo	
imunocomplexos.	O	nefelômetro	mensura	a	 luz	dispersa	pelos	 imunocomplexos,	pois	
possui,	em	sua	estrutura,	um	detector	posicionado	em	um	ângulo	de	70°	em	relação	à	
fonte	de	luz.	Segundo	Voltarelli	(2009,	p.	76):
Uma	 característica	 importante	 das	 soluções	 coloidais	 é	 a	 sua	
pronunciada	 dispersão	 da	 luz.	 Quando	 um	 feixe	 de	 luz	 incidente	
atravessa	 um	 meio	 contendo	 partículas,	 estas	 interferem	 com	
a	 passagem	 da	 luz,	 fazendo	 com	 que	 seja	 dispersa	 em	 todas	 as	
direções.	 Esse	 fenômeno,	 conhecido	 como	 efeito	 Tyndall,	 não	 altera	
o	comprimento	de	onda	da	 luz	 incidente	e	é	 independente	do	tipo	 
de partícula.
42
A	fonte	 luminosa	utilizada	em	ensaios	nefelométricos	é	de	alta	 intensidade	e	
incide	sob	uma	cubeta	(pequeno	tubo	que	pode	ser	feito	de	plástico,	vidro	ou	quartzo,	
muito	utilizado	em	ensaios	laboratoriais)	que	contém	a	solução	resultante	da	amostra	
com	o	reagente.	A	forma	e	o	tamanho	das	partículas,	resultantes	dos	imunocomplexos	
formados,	 serão	 fatores	 determinantes	 para	 quantidade	 e	 natureza	 da	 dispersão	 de	
luz	 captada	 e	 quantificada	 pelo	 nefelômetro	 (Figura	 17).	 A	medida	 de	 um	marcador	
utilizando	a	nefelometria	é	rápida,	apresenta	boa	precisão,	principalmente	quando	os	
nefelômetros	dispõem	de	dispositivos	que	subtraem	interferentes,	como	a	lipemia	e	a	
hemólise	(VOLTARELLI,	2009).
FIGURA 17 – ESQUEMA DO PRINCÍPIO FÍSICO DA NEFELOMETRIA E TURBIDIMETRIA
FONTE: Bender; von Mühlen (2009, p. 77)
3 TURBIDIMETRIA
O	princípio	do	método	turbidimétrico	quantitativo	para	análise	de	marcadores	
de	doenças	reumáticas	funciona,	assim	como	na	nefelometria,	a	partir	da	emissão	de	
feixe	de	luz	na	amostra	previamente	preparada	com	reagente.	Com	a	incidência	desse	
feixe	de	luz,	as	partículas	sólidas	existentes	no	líquido	refletem	os	raios	luminosos.	De	
acordo	com	Voltarelli	(2014,	p.	77):
Esse	 teste	 está	 sujeito	 às	mesmas	condições	dos	 sistemas	nefelo-
métricos.	 O	 sinal	 de	 detecção	 é	 a	 absorbância	 e	 não	 a	 intensidade	
de	 luz	dispersa.	Não	necessita	de	aparelhagem	especial.	As	reações	
podem	 ser	 medidas	 em	 espectrofotômetros	 simples	 utilizados	 em	
bioquímica.	Pode	ser	utilizada	para	medidas	quantitativas	de	drogas	 
ou	biomarcadores	no	soro,	plasma	ou	urina.
Dessa	 forma,	 enquanto	 o	 nefelômetro	 mede	 a	 luz	 dispersa,	 a	 turbidimetria	
mede	 a	 luz	 absorvida	 (não	 dispersada)	 pela	 turbidez	 gerada	 pelos	 imunocomplexos	
formados na combinação entre amostra e reagente. Para medir a absorbância presente 
na	reação	entre	amostra	e	reagente,	o	equipamento	utilizado	é	o	espectrofotômetro.	Na	
turbidimetria,	fatores	pré-analíticos	como	hemólise,	lipemia	e	concentrações	elevadas	
de bilirrubina podem interferir na medida de marcadores de doença reumática. É 
43
importante	 lembrar	que	existem	diferentes	kits	 reagentes	no	mercado	para	quantificação	
de	marcadores	 de	 doenças	 reumáticas	 por	 essa	metodologia.	 Portanto,	 outros	 possíveis	
interferentes relacionados a compostos que podem estar presentes na amostra de soro 
devem	ser	verificados	nas	instruções	de	uso	do	kit	utilizado.
Na leitura complementar, a seguir, veremos as provas laboratoriais 
que estão relacionadas ao diagnóstico dessas doenças, as principais 
metodologias utilizadas na rotina clínica e as possíveis interpretações 
dos resultados.
NOTA
44
LEITURA
COMPLEMENTAR
O USO DE PROVAS DE ATIVIDADE INFLAMATÓRIA EM REUMATOLOGIA
Nilton	Salles	Rosa	Neto 
Jozélio	Freire	de	Carvalho
INTRODUÇÃO
A	resposta	de	fase	aguda	é	um	mecanismo	fisiopatológico	de	defesa	associado	
a	estados	 inflamatórios	que,	apesar	do	nome	já	consagrado,	ocorre	tanto	na	 inflamação	
aguda	quanto	na	crônica.	Caracteriza-se	pelo	aumento	ou	diminuição	da	concentração	
sérica	 de	 determinadas	 proteínas	 em	 decorrência	 de	 algum	 estímulo	 que	 ocasione	
injúria	tecidual.	Atualmente,	opta-se	por	utilizar	o	termo	biomarcador	inflamatório	ao	se	
referir	às	proteínas	envolvidas	nessa	resposta.
Utiliza-se	a	análise	dos	biomarcadores	de	inflamação	em	doenças	reumatológicas	
para a monitoração de atividade de doença – correlacionando com outros dados clínicos 
e laboratoriais – e para a diferenciação entre doença ativa e presença de infecções. Este 
artigo	revisa	o	uso	de	provas	de	atividade	inflamatória	atualmente	disponíveis	no	âmbito	
assistencial.
HISTÓRICO
Em	 1930,pesquisadores	 descobriram	 uma	 proteína	 que	 reagia	 com	 o	
polissacarídeo C da cápsula de S. pneumoniae obtida do sangue de pacientes durante 
a	fase	aguda	de	pneumonia	pneumocócica.	A	ela,	deram	o	nome	de	proteína	C-reativa	
(PCR).	 A	 partir	 de	 então,	 estudaram-se	 as	 alterações	 das	 proteínas	 plasmáticas	 em	
soro	de	pacientes	agudamente	enfermos	devido	a	infecções.	As	proteínas	encontradas	
nessas	situações	foram	denominadas	proteínas	de	fase	aguda,	e	a	reação	inflamatória	
–	 ou	 resposta	 do	 organismo	 diante	 da	 lesão	 tecidual	 –,	 resposta	 de	 fase	 aguda.	
Posteriormente,	verificou-se	a	presença	dessas	proteínas	após	outros	eventos,	como	
trauma,	 isquemia,	 neoplasia	 e	 reações	 de	 hipersensibilidade.	 Suas	 concentrações	
também	se	encontravam	alteradas	em	estados	inflamatórios	crônicos.
RESPOSTA DE FASE AGUDA
A	 resposta	 de	 fase	 aguda	 caracteriza-se	 pela	 alteração	 na	 concentração	
sérica	de	certas	proteínas	após	a	injúria	tecidual,	algumas	respondendo	com	elevação	
(biomarcadores	 positivos)	 e	 outras	 com	 diminuição	 (biomarcadores	 negativos)	 de	
45
TABELA 1 – BIOMARCADORES INFLAMATÓRIOS POSITIVOS
Sistema de Coagulação/Fibrinólise
Fibrinogênio
Plasminogênio
Ativador	de	plasminogênio	tecidual
Uroquinase
Proteína	S
Vitronectina
Inibidor	do	ativador	de	plasminogênio	tecidual	1
Sistema Complemento
C3;	C4;	C9
Fator	B
Inibidor	C1	(C1	INH)
Proteína ligadora C4b
Lectina	ligadora	de	manose	(MBL)
Proteínas de Transporte
Ceruloplasmina
Haptoglobina
Hemopexina
Participantes	da	Resposta	Inflamatória
Fosfolipase	A2	secretória	(sPLA2-IIA)
Proteína	ligadora	de	lipopolissacarídeo	(LPS)
Antagonista	do	receptor	de	interleucina-1	(IL-1	RA)
Fator	estimulador	de	colônias	–	granulócitos	(G-CSF)
Antiproteases
α1-Antiprotease
α1-Antiquimiotripsina
Inibidor da tripsina pancreática
Inibidor da interalfatripsina
suas	concentrações.	Essas	proteínas	terão	funções	pró	e	anti-inflamatórias	e	podem	
estimular	ou	inibir	a	produção	umas	das	outras.	Apesar	da	importância	desse	trabalho	
em	conjunto,	na	prática	clínica	 somente	algumas	dessas	proteínas	 são	utilizadas	como	
marcadores,	quer	pela	disponibilidade	do	método,	quer	pelo	custo	de	sua	determinação.	
Podem	ser	encontradas	nas	Tabelas	1	e	2	algumas	das	proteínas	de	fase	aguda,	divididas	 
de	acordo	com	sua	função	biológica	original.
46
Adaptado para o português de Kushner e Gabay com permissão dos autores. 
Copyright © 1999 - Massachusetts Medical Society. Todos os direitos reservados.
Outros
Proteína	C-reativa	(PCR)
Proteína	sérica	amiloide	A	(SAA)
α1-glicoproteína	ácida	(AGP)
Fibronectina
Ferritina
Angiotensinogênio
Proteína	Ligadora	do	Retinol
TABELA 2 – BIOMARCADORES INFLAMATÓRIOS NEGATIVOS
Albumina
Transferrina
α2-HS	glicoproteína
Alfafetoproteína	(AFP)
Globulina	ligadora	de	tiroxina
Fator	de	crescimento	insulina-símile-1	(IGF-1)
Fator	XII
Adaptado para o português de Kushner e Gabay com permissão dos autores.
Copyright © 1999 - Massachusetts Medical Society. All rights reserved.
Mudanças	comportamentais	e	alterações	fisiológicas,	bioquímicas	e	nutricionais	
somam-se para completar a resposta de fase aguda.
Alterações neuroendócrinas
Uma	das	maiores	características	dessa	fase	é	a	presença	de	febre,	uma	resposta	
existente	para	promover	um	meio	ótimo	de	funcionamento	de	enzimas	e	a	estabilização	
de	 membranas	 celulares.	 Há	 indisposição	 e	 sonolência	 –	 medidas	 que	 reduzem	 o	
consumo	energético	do	organismo.	Modulando	a	resposta	inflamatória,	há	aumento	da	
secreção	de	hormônio	liberador	de	corticotrofinas	(CRH),	hormônio	adrenocorticotrófico	
(ACTH)	e	cortisol,	hormônio	antidiurético	(ADH)	e	catecolaminas;	e	diminuição	do	fator	
de	crescimento	similar	à	insulina	do	tipo	1	(IGF-1).
Alterações hematopoéticas
Em	decorrência	de	inflamação,	podemos	encontrar	leucocitose	e	trombocitose	
e,	nos	casos	mais	prolongados,	anemia	de	doença	crônica.
47
Alterações metabólicas
Incluem-se	 perda	 muscular	 e	 balanço	 nitrogenado	 negativo,	 levando,	 em	
casos	crônicos,	à	restrição	de	crescimento	em	crianças	e	à	caquexia	em	adultos.	Há	
diminuição	da	gliconeogênese	e	aceleração	de	osteoporose.	Verificam-se	aumento	da	
lipogênese	hepática	e	lipólise	de	tecido	adiposo,	assim	como	diminuição	da	atividade	
das	lipoproteínas	lipases	muscular	e	adiposa,	com	o	objetivo	de,	em	casos	de	infecção,	
haver	 aumento	 da	 concentração	 de	 lipoproteínas,	 promovendo	 maior	 ligação	 à	
lipopolissacarídeo	(LPS)	e	resultando	em	menor	efeito	tóxico	para	o	organismo.
Alterações hepáticas
O fígado participa da produção e da liberação de muitas das proteínas 
relacionadas	à	resposta	inflamatória.	Fisiologicamente,	há	aumento	de	metalotioneína,	
óxido	 nítrico	 sintase,	 heme	 oxigenase,	 superóxido	 dismutase,	 inibidor	 tecidual	 de	
metaloproteinase-1 e redução da atividade fosfoenolpiruvato carboxiquinase.
Alterações em outros constituintes do plasma
Como	controle	das	reações	em	andamento,	há	consumo	de	zinco,	ferro	e	cobre	 
e retinol plasmático e aumento de antioxidantes como glutationa.
CLASSIFICAÇÃO
Os	biomarcadores	da	inflamação	dividem-se	em	quatro	grupos:
• Proteínas de defesa do hospedeiro – participam do reconhecimento e eliminação 
de	patógenos:	proteína	C-reativa,	 lectina	 ligadora	de	manose,	proteína	 ligadora	de	
lipopolissacarídeo,	proteínas	do	complemento,	fibrinogênio;
• Inibidores de proteinases séricas – atuam	 na	 limitação	 do	 dano	 tecidual,	
neutralizando	 enzimas	 proteolíticas	 e	metabólitos	 de	 oxigênio:	α1-antiproteinase,	α1-
antiquimiotripsina,	α2-antiplasmina,	inibidor	do	C1;
• Proteínas de transporte com atividade antioxidante – responsáveis pela 
contenção	 da	 reação	 inflamatória	 e	 restauração	 da	 estrutura	 original	 lesada:	
ceruloplasmina,	hemopexina,	haptoglobina;
• Outras – proteína	 sérica	 amiloide	 A	 (SAA),	 antagonista	 do	 receptor	 de	 IL-1,	 α1-
glicoproteína	ácida,	fosfolipase	A2	secretória	grupo	IIA	(sPLA2-IIA).
Há	 diferenças	 significativas	 em	 termos	de	 cinética,	magnitude	 e	 duração	de	
resposta	entre	os	biomarcadores	inflamatórios.	A	PCR	e	a	SAA	são	detectadas	a	partir	
de	quatro	horas	do	insulto	e	têm	pico	de	24	a	72	horas,	podendo	chegar	a	mil	vezes	o	
valor	normal.	O	fibrinogênio	tem	pico	em	sete	a	dez	dias	e	eleva-se	duas	a	três	vezes	o	
normal	(Figura	1).
48
FIGURA 1. PADRÃO DE RESPOSTA DE BIOMARCADORES INFLAMATÓRIOS FRENTE À LESÃO TECIDUAL. 
Apenas	alguns	desses	marcadores	encontram-se	disponíveis	para	utilização	na	
rotina	do	reumatologista,	e	o	texto	trata,	inicialmente,	das	origens	e	funções	biológicas	
das	proteínas	envolvidas	e	dos	métodos	de	determinação	de	sua	atividade.	Em	seguida,	
detalhamos seus usos nas diversas doenças reumáticas.
PROTEÍNA C-REATIVA
É o biomarcador mais estudado. Promove a interação entre imunidades humoral 
e	celular.	É	produzida	no	fígado	e	classificada	como	pentraxina	–	um	pentâmero	com	
uma	 fenda	 ligadora	 de	 fosfatidilcolina	 (dependente	 de	 íons	 cálcio)	 e	 outras	 em	 face	
oposta	que	se	 ligam	ao	componente	do	sistema	complemento	C1q	e	à	porção	Fc	de	
imunoglobulinas	(Fcγ).
Sua	função	é	ligar-se	a	patógenos	e	células	lesadas	e/ou	apoptóticas	(fosfati-
dilcolina)	e	iniciar	sua	eliminação	por	meio	da	ativação	do	sistema	complemento	e	de	
fagócitos	(C1q	e	Fcγ).	Essas	ligações	e	atrações	celulares	permitem	considerá-la	uma	
opsonina.	Também	atua	regulando	a	extensão	e	a	intensidade	da	reação	inflamatória.
49
Apesar	de	sua	função	assemelhar-se	à	de	anticorpos	e	participar	da	imunidade	
inata,	não	há	descrição	de	estados	deficientes	de	proteína	C-reativa	 (PCR),	 o	que,	 a	
princípio,	deve	ser	incompatível	com	a	vida.
A	 ativação	 do	 complemento	 ocorre	 pela	 via	 clássica,	 por	 deposição	 dos	
fragmentos	de	C3	e	C4	na	PCR	e	no	 ligante,	 formação	da	C3	convertase	clivando	o	
C3	 em	 C3a,	 uma	 anafilatoxina	 que	 induz	 a	 liberação	 de	 histamina	 de	 basófilos	 e	
mastócitos,	e	C3b,	que	atua	como	opsonina,	atraindo	fagócitos	–	macrófagos	–	ao	local	
dainflamação.	A	ativação	não	converte	C5,	ou	seja,	não	há	amplificação	dos	efeitos	
pró-inflamatórios	ou	formação	do	complexo	de	ataque	à	membrana	(CAM)	diretamente	
pela	PCR.	A	PCR	e	a	via	clássica	do	complemento	atuam	em	sintonia,	promovendo	a	
limpeza	de	células	apoptóticas	sem	ocasionar	lise	celular,	minimizando	a	liberação	de	
mediadores	que	aumentariam	a	reação	inflamatória.5	É	sabido	que,	na	artrite	reumatoide	
(AR),	o	complemento	é	ativado	pela	PCR,	especialmente	naqueles	com	maior	atividade	
de	 doença,	 porém	 não	 está	 clara	 a	 participação	 da	 ativação	 do	 complemento	 na	
manutenção	da	reação	inflamatória	e	destruição	articular.
A	 interação	entre	PCR	e	porção	Fc	de	imunoglobulinas	dá-se,	em	fagócitos,	por	
meio	de	receptores	FcγRI	 (CD64)	e	FcγRIIa	 (CD32),	 levando	à	 indução	de	fagocitose	e	à	
secreção	 de	 citocinas	 pró-inflamatórias	 como	 interleucina	 (IL)-1	 e	 fator	 de	 necrose	
tumoral	(TNF)-α.	Já	em	neutrófilos,	a	 interação	promove	down-regulation	da	 inflamação	
com	inibição	da	resposta	quimiotática,	clivagem	de	L-selectina	diminuindo	a	marginação	
de	 leucócitos	 e	 endocitose	de	 receptores	 IL-6.	Verifica-se,	 portanto,	 que	 a	PCR	 tem	
funções	 pró	 e	 anti-inflamatórias.	A	 determinação	 da	PCR	 é	mais	 sensível,	 avaliando	
uma	resposta	rápida	por	uma	medida	direta.	Reflete,	também,	a	extensão	do	processo	
inflamatório	 ou	da	atividade	clínica,	 principalmente	em	 infecções	bacterianas	 (e	não	
virais),	reações	de	hipersensibilidade,	isquemia	e	necrose	tecidual.	Podem-se	encontrar	
valores	 discretamente	 elevados	 de	PCR	 em	obesidade,	 tabagismo,	 diabetes,	 uremia,	
hipertensão	 arterial,	 inatividade	 física,	 uso	 de	 anticoncepcionais	 orais,	 distúrbios	 do	
sono,	 álcool,	 fadiga	 crônica,	 depressão,	 envelhecimento,	 doença	 periodontal,	 entre	
outras	 situações.	 É	 também	 um	 marcador	 de	 aterosclerose,	 sendo	 um	 preditor	 de	
infarto	do	miocárdio,	morte	súbita	ou	acidente	vascular	encefálico	e	deve	ter	papel	na	
patogênese	da	aterogênese.
A	 metodologia	 amplamente	 utilizada	 é	 a	 imunonefelometria,	 que	 permite	 a	
liberação	de	resultados	quantitativos,	facilitando	a	interpretação	clínica	e	permitindo	o	
acompanhamento laboratorial de cada caso.
A	PCR	também	é	importante	como	marcador	de	ativação	endotelial	e	indutor	de	
lesão	vascular	 relacionada	à	 inflamação,	em	especial	em	placas	de	ateroma.	Pode	ser	
utilizada	como	preditor	de	coronariopatias	 (angina	e	 infarto	do	miocárdio),	por	acelerar	
o	processo	de	aterosclerose.	A	denominação	de	PCR	hipersensível,	ou	ultrassensível,	
diz	 respeito	 a	 métodos	 que	 possam	 detectar	 valores	 mais	 baixos	 (menor	 do	 que	 o	
percentil	97,5)	do	que	os	 limites	dos	métodos	usuais	(menor	do	que	percentil	90),	ou	
50
seja,	exames	mais	sensíveis,	que	já	identifiquem	alterações	inflamatórias	em	pacientes	
aparentemente saudáveis ou com fatores de risco conhecidos e permitam estimar 
o	 risco	cardiovascular.	 Em	pacientes	 com	AR	e	 lúpus	eritematoso	 sistêmico	 (LES),	 a	
inflamação	 persistente,	 demonstrada	 por	 dosagens	 sequenciais	 de	 PCR,	 implica	
morbidade e mortalidade cardiovascular precoce.
FONTE: Adaptado de ROSA NETO, N. S.; CARVALHO, J. F. O uso de provas de atividade inflamatória em 
reumatologia. Rev. Bras. Reumatol., v. 49, n. 4, p. 413-30, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/
pdf/rbr/v49n4/08.pdf. Acesso em: 18 dez. 2020.
51
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
•	 A	técnica	de	aglutinação	em	látex	é	baseada	nas	reações	de	precipitação,	os	quais	
refletem	a	interação	entre	antígeno	e	anticorpos	solúveis	que	produzem	complexos	
insolúveis visíveis.
•	 Técnicas	que	utilizam	a	 aglutinação	em	 látex	permitem	 realizar	 análise	qualitativa	
e	semiquantitativa	de	marcadores	imunológicos,	como	a	proteína	C-reativa,	o	fator	
reumatoide e a antiestreptolisina O.
•	 O	nefelômetro	mede	a	 luz	dispersa	pelos	 imunocomplexos	a	partir	de	um	detector	
posicionado	em	um	ângulo	de	70°	em	relação	à	fonte	de	luz.
•	 A	 nefelometria	 é	 uma	 metodologia	 rápida	 e	 precisa,	 principalmente	 quando	 os	
nefelômetros	dispõem	de	dispositivos	que	subtraem	interferentes.
•	 A	turbidimetria	é	uma	metodologia	que	ocorre	a	partir	da	emissão	de	feixe	de	 luz	
na	 amostra	 previamente	 preparada	 com	 reagente,	 que	 incide	 sob	 as	 partículas	
sólidas	existentes	no	líquido	e	reflete	os	raios	luminosos	e	o	turbidímetro	mede	a	luz	
absorvida.
RESUMO DO TÓPICO 4
52
AUTOATIVIDADE
1	 Existem	 alguns	 métodos	 quantitativos	 utilizados	 para	 mensurar	 marcadores	 de	
doenças reumáticas. Explique a diferença entre a nefelometria e a turbidimetria.
2	 O	fator	 reumatoide	é	um	marcador	utilizado	para	diagnóstico	e	prognóstico	de	artrite	
reumatoide,	entre	outras	doenças.	Para	execução	das	metodologias	de	aglutinação	
em	 látex	 e	 nefelometria,	 temos	 a	 formação	 de	 uma	 solução	 com	micropartículas	
capazes	de	dispersar	luz	e,	com	isso,	permitir	a	análise	desse	analito.	Sobre	o	tipo	de	
solução	utilizada	nessas	técnicas,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 Solução	coloidal.
b)	 (			)	 Solução	ácida.
c)	 (			)	 Solução	não	inerte.
d)	 (			)	 Solução	precipitadora.
3	 Alguns	 interferentes	 podem	 interferir	 nos	 resultados	 obtidos	 pela	 técnica	 de	
aglutinação em látex. Cite-os e explique por que eles podem ocorrer.
53
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infection. South Med J.,	v.	97,	p.	379-382,	2004.
SOHN,	D.	H.	et al.	Plasma	proteins	present	in	osteoarthritic	synovial	fluid	can	stimulate	
cytokine	production	via	Toll-like	receptor	4.	Arthritis Res Ther.,	v.	14,	n.	1,	R7,	2012.	
Disponível	em:		https://arthritis-research.biomedcentral.com/articles/10.1186/ar3555.	
Acesso	em:	1	abr.	2021.
SPECIAL	GLASS.	Turbidímetro	Valor. Special Glass.	Disponível	em:	http://www.
specialglass.com.br/turbidimetro-valor#:~:text=O%20turbid%C3%ADmetro%20
valor%20funciona%20emitindo,l%C3%ADquido%20est%C3%A1%20puro%20ou%20
n%C3%A3o.	Acesso	em:	20	dez.	2020.
VEIGA,	A.	P.	et	al.	Utilização	de	técnica	rápida	de	aglutinação	em	látex	para	
determinação	semiquantitativa	dos	níveis	séricos	de	proteína	C	reativa	em	cães.	
Acta Scientiae Veterinariae.	v.	37,	n.	2,	p.	151-155,	2009.	Disponível	em:	https://
www.researchgate.net/publication/332389909_Utilizacao_de_tecnica_rapida_de_
aglutinacao_em_latex_para_determinacao_semiquantitativa_dos_niveis_sericos_
de_proteina_C_reativa_em_caes/fulltext/5cb153e74585156cd794333f/Utilizacao-
de-tecnica-rapida-de-aglutinacao-em-latex-para-determinacao-semiquantitativa-
dos-niveis-sericos-de-proteina-C-reativa-em-caes.pdf.	Acesso	em:	26	abr.	2021
VIDA	BIOTECNOLOGIA.	Proteína	C-reativa.	Bula	de	Kit	Reagente.	Belo	Horizonte:	VIDA 
Biotecnologia,	2016.	Disponível	em:	https://www.vidabiotecnologia.com.br/novo_
site/content/uploads/2015/08/PCR-L%c3%81TEX.pdf.	Acesso	em:	16	dez.	2020.
VOLTARELLI,	J.	C.	Imunologia Clínica na Prática Médica.	7.	ed.	Rio	de	Janeiro:	
Atheneu,	2009.
57
APLICAÇÃO DA 
IMUNOLOGIA NO 
DIAGNÓSTICO E 
PROGNÓSTICO DO 
PRÉ-NATAL
UNIDADE 2 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender as demandas imunológicas e a importância do acompanhamento 
imunológico no período pré-natal;
•	 identificar	a	toxoplasmose,	doença	causada	por	um	protozoário	chamado	Toxoplasma 
gondii;
• entender as principais características do vírus da rubéola e do citomegalovírus;
•	 conhecer	as	metodologias	utilizadas	para	diagnóstico	e	prognóstico	do	pré-natal.
	 Esta	unidade	está	dividida	em	quatro	tópicos.	No	decorrer	dela,	você	encontrará	
autoatividades	com	o	objetivo	de	reforçar	o	conteúdo	apresentado.
TÓPICO	1	–	 DEMANDAS	IMUNOLÓGICAS	E	A	IMPORTÂNCIA	DO	ACOMPANHAMENTO	
IMUNOLÓGICO	NO	PERÍODO	PRÉ-NATAL
TÓPICO	2	–	TOXOPLASMOSE
TÓPICO	3	–	CITOMEGALOVÍRUS	E	RUBÉOLA
TÓPICO	4	–	METODOLOGIAS	UTILIZADAS	PARA	DIAGNÓSTICO	E	PROGNÓSTICO	DO	
PRÉ-NATAL
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
58
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
Acesse o 
QR Code abaixo:
59
TÓPICO 1 — 
DEMANDAS IMUNOLÓGICAS E A 
IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO 
IMUNOLÓGICO NO PERÍODO PRÉ-NATAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Sob	o	aspecto	imunológico,	a	gestação	é	semelhante	à	invasão	do	organismo	
por	um	patógeno,	pois,	ao	longo	de	9	meses,	o	feto	se	nutre	e	cresce	consideravelmente	
até	estar	apto	a	viver	fora	do	ambiente	que	propiciou	o	seu	desenvolvimento	–	afinal,	se	
existe	essa	semelhança	entre	a	gestação	e	um	processo	infeccioso,	por	que	o	sistema	
imune	da	gestante	não	ataca	o	feto?	Neste	tópico,	veremos	por	que	isso	não	ocorre.	
A	ideia	de	que	uma	mulher	tem	a	capacidade	de	gerar	uma	nova	vida	é	vista	como	
um milagre,	que	é	resultado	de	diversas	mudanças	no	corpo	da	gestante.	Adaptações	
fisiológicas,	 anatômicas	 e	 endócrinas	 permitem	 que	 o	 feto	 se	 desenvolva	 em	 sua	
completude.	 Entretanto,	 algo	 também	deveria	 acontecer	 no	 sistema	 imunológico	 da	
mãe,	uma	vez	que	as	características	genéticas	do	feto	diferem	das	genéticas	da	mãe.	
Assim,	ele	deveria	ser	reconhecido	pelo	sistema	imune	como	um	agente	agressor.
Sabemos	que,	 de	 alguma	forma,	 o	 feto	não	é	percebido	dessa	maneira	pelo	
sistema	imune.	Isso	acontece	porque	nós,	mamíferos	placentários,	possuímos	estruturas	
que	protegem	o	desenvolvimento	embrionário,	do	ponto	de	vistaimunológico,	como	a	
decídua.	Decídua	é	um	nome	que	deriva	do	termo	em	latim	deciduus,	traduzido	como	
“que	se	desprende”.	Trata-se	do	endométrio	do	tecido	gravídico,	que	possui	 funções	
relacionadas	 à	 composição	 estrutural	 e	 nutricional	 embrionária.	 No	 aspecto	 imunológico,	
Nancy	et al.	(2012)	descobriram	que	a	decídua	é	capaz	de	silenciar	a	expressão	de	genes	
responsáveis	pela	produção	citocinas	mediadoras	de	inflamação.	Essas	citocinas,	por	
sua	vez,	atuam	recrutando	 linfócitos	T.	Com	o	silenciamento	desses	genes,	os	 linfócitos	
não	 recebem	 sinalização	 na	 decídua,	 o	 que	 impede	 que	 eles	 se	 acumulem	 nesta	
estrutura	placentária.	Essa	descoberta	 indica	que	um	dos	mecanismos	associados	à	
imunotolerância	materno-fetal	permite	que	o	feto	se	desenvolva	sem	ser	atacado	pelo	
sistema	 imune	materno.	Mesmo	 sabendo	que	 a	 gestante	 é	 imunotolerante,	 e	 o	 feto	
não	é	visto	como	um	“inimigo”,	é	importante	tratarmos	de	outro	assunto	importante:	o	
acompanhamento	pré-natal.
60
Pré-natal	 é	 um	 termo	 que	 se	 refere	 ao	 acompanhamento	 recebido	 pelas	
gestantes	desde	a	confirmação	da	gravidez	ao	nascimento	do	bebê.	O	objetivo	do	pré-
natal	é	acompanhar	a	evolução	das	adaptações	fisiológicas	gestacionais	como	o	ganho	
de	peso,	a	alimentação,	a	pressão	arterial,	o	desenvolvimento	fetal	e	demais	ocorrências	
que	podem	gerar	algum	prejuízo	ao	longo	da	gestação	(BRASIL,	2016).
De	 acordo	 com	 o	 atual	 risco	 gestacional,	 existem	 dois	 tipos	 de	 abordagem	
pré-natal: o pré-natal de risco habitual (quando	a	gestante	não	possui	doenças	que	
possam	sofrer	agravo	ao	 longo	da	gestação),	e	o	pré-natal de alto risco (quando	a	
gestante	já	possui	fatores	de	risco	ou	doenças	que	podem	prejudicar	na	gestação,	o	que	
exige	um	acompanhamento	mais	próximo).
Ao	 acompanhar	 o	 período	 gestacional,	 o	 objetivo	 é	monitorar	 sinais	 vitais	 e	
parâmetros	que,	quando	alterados,	representam	forte	indício	de	risco	para	mãe	e	para	o	
bebê,	como	hipertensão,	diabetes	gestacional	e	infecções	(BRASIL,	2010).
Como	 é	 possível	 imaginar,	 a	 contar	 pelos	 exemplos	 de	 infecções	 e	 diabetes	
gestacional,	o	laboratório	clínico	é	um	elemento	essencial	para	um	pré-natal	de	sucesso.	
Nesse	contexto,	além	da	avaliação	realizada	pelas	equipes	médicas,	diferentes	exames	
são	solicitados	com	o	intuito	de	investigar	as	condições	de	saúde	da	gestante,	podendo-
se	destacar	os	ensaios	imunológicos	voltados	à	detecção	da	gestação	(como	a	dosagem	
de	gonadotrofina	coriônica	humana)	e	a	investigação	de	doenças	infecciosas,	como	a	
toxoplasmose,	o	citomegalovírus	e	a	rubéola.	A	seguir,	conheceremos	mais	sobre	esses	
marcadores	 imunológicos,	 sua	 importância	 e	metodologias	 utilizadas	 para	 execução	
desses	imunoensaios.	
Importância do pré-natal
Segundo o Ministério da Saúde, a realização do pré-natal representa papel fundamental na 
prevenção e/ou detecção precoce de patologias tanto maternas como fetais, permitindo 
um desenvolvimento saudável do bebê e reduzindo os riscos da gestante. 
Informações sobre as diferentes vivências devem ser trocadas entre as 
mulheres e os profissionais de saúde. Essa possibilidade de intercâmbio de 
experiências e conhecimentos é considerada a melhor forma de promover 
a compreensão do processo de gestação.
Para saber mais sobre o tema, sugerimos a leitura do texto Importância do 
pré-natal, do Ministério da Saúde, que aborda a relevância da realização do 
pré-natal para a saúde da gestante e do bebê, acesse: http://bvsms.saude.
gov.br/dicas-em-saude/2198-importancia-do-pre-natal.
INTERESSANTE
61
2 GONADOTROFINA CORIÔNICA HUMANA
A	gonadotrofina	coriônica	humana	(hCG)	é	um	hormônio	popularmente	conhecido	
para	 detectar	 uma	 gestação.	 Trata-se	 de	 um	 hormônio	 produzido,	 em	 condições	
fisiológicas,	durante	a	gestação.	 Inicialmente,	sua	produção	ocorre	via	sinciciotrofoblastos,	
e	 representa	 uma	 sinalização	 essencial	 para	 a	 manutenção	 da	 gestação.	 Ao	 longo	 do	
primeiro	mês	 e	meio	 de	gravidez,	 é	 o	 hCG	que	 sinaliza	 a	manutenção	do	 corpo	 lúteo.	O	
corpo	 lúteo,	 por	 sua	 vez,	 produz	 progesterona,	 um	 hormônio	 responsável	 por	 manter	 a	
gestação	 ao	 longo	 das	 primeiras	 semanas	 de	 gravidez.	 A	 progesterona	 tem	 esse	 papel	
devido	 a	 sua	 capacidade	 de	 espessamento	 do	 endométrio	 e	 inibição	 das	 contrações	
uterinas,	características	que	favorecem	a	implantação	e	a	manutenção	do	óvulo	fertilizado	
no	 útero	 (Figura	 1).	Além	 da	 produção	 de	 progesterona	 no	 estágio	 inicial	 da	 gestação,	 o	
hCG	 liga-se	 a	 receptores	 específicos	 que	 estimulam	 a	 angiogênese	 (criação	 de	 vasos	 
sanguíneos)	no	endotélio	uterino	(NWABUOBI	et al.,	2017).
Contudo,	 o	 corpo	 lúteo	 não	 permanece	viável	 ao	 longo	 de	 toda	 gestação,	 o	
que	 significa	 que, após algum tempo,	 será	 necessário	 que	 outra	 estrutura	mantenha	 a	
secreção	de	hormônios	da	gestação.	De	acordo	com	Silverthorn	(2017,	p.	829):	“A	menos	
que	o	 embrião	em	desenvolvimento	envie	um	sinal	 hormonal,	 o	 corpo	 lúteo	degenera-
se,	os	níveis	de	estrogênio	e	progesterona	caem	e	o	embrião	é	eliminado	do	corpo	junto	 
com	as	camadas	superficiais	do	endométrio	durante	a	menstruação”.
Assim,	a	partir	da	8ª	semana	de	desenvolvimento	fetal,	é	a	placenta	que	passa	a	
secretar	hormônios	que	impedirão	a	menstruação	ao	longo	da	gestação,	como	estrogênio,	
progesterona,	 hormônio	 lactogênio	 placentário	 humano	 e	 gonadotrofina	 coriônica	
humana.	 Durante	 esse	 período,	 as	 concentrações	 desses	 hormônios	 na	 corrente	
sanguínea	 sofrem	 grandes	 variações,	 a	 fim	 de	 permitir	 que	 ocorram	 as	 adaptações	
físicas	e	metabólicas	necessárias	para	a	boa	evolução	da	gestação	(SANARMED,	2019).
FIGURA 1 – VARIAÇÃO DOS NÍVEIS HORMONAIS DURANTE A GRAVIDEZ
FONTE: <https://bit.ly/3QWkf02>. Acesso em: 20 jan. 2021.
62
Atualmente,	 a	 detecção	 laboratorial	 de	 hCG	 qualitativa	 ou	 quantitativa	 é	 o	
principal	instrumento	no	diagnóstico	de	gestação.	O	hCG	é	uma	molécula	composta	por	
proteínas	em	70%	de	sua	estrutura	e	30%	de	ramificações	e	unidades	de	carboidratos.	
Essa	molécula	contém	2	subunidades,	a	alfa,	composta	por	aminoácidos	organizados	
de	 maneira	 semelhante	 à	 região	 alfa	 de	 outras	 glicoproteínas,	 como	 o	 hormônio	
luteinizante	 (LH)	 e	 o	 hormônio	 folículo-estimulante	 (FSH).	 Por	 outro	 lado,	 a	 outra	
subunidade,	que	recebe	o	nome	de	beta (BhCG)	não	apresenta	essa	similaridade	com	
outras	moléculas,	o	que	confere	a	característica	de	especificidade biológica.	Assim,	
quando	 as	metodologias	 apresentam	o	 nome	BhCG,	 sabemos	 que	 essa	 subunidade	
será	 utilizada	 no	 princípio	 do	 teste	 para	 reduzir	 potenciais	 interferentes	 na	 amostra	
(MEDEIROS;	NORMAN,	2006).
Para	a	detecção	do	BhCG,	podemos	realizar	ensaios	qualitativos	e	quantitativos.	
Um	exemplo	de	ensaio	qualitativo	são	os	testes	de	gravidez	vendidos	em	farmácias,	
nos	quais	a	amostra	utilizada	é	urina.	No	laboratório	clínico,	também	podemos	utilizar	
ensaios	quantitativos,	geralmente	realizados	com	soro	da	paciente.
Caro acadêmico, ao longo desta disciplina, alguns termos serão recorrentes, como a 
caracterização de técnicas como qualitativas ou quantitativas. A seguir, aproveitamos 
para relembrar esses conceitos: 
• Análise qualitativa: indica se há ou não quantidade relevante do analito 
que está sendo investigado na amostra em questão. O critério que 
estabelece se existe uma quantidade significativa do analito se chama 
cut-off, que corresponde ao ponto de corte predeterminado. Nesse tipo 
de metodologia, não identificamos a concentração do analito.
• Análise quantitativa: mensura a concentração do analito em questão 
na amostra utilizada.
IMPORTANTE
Nesse	momento,	pode	surgir	a	seguinte	dúvida:	se	podemos	utilizar	urina	para	
detectar	esse	hormônio,	por	que	coletar	sangue?	
Amostras	 de	 urina	 podem	 apresentar	 concentrações	 inferiores	 àquelas	 que	 são	
o	nível	mínimo	de	detecção	do	teste.	Pacientes	que	consomem	mais	líquidos	apresentam	 
urinadiluída,	 podendo	 gerar	 resultados	 falso-negativo,	 por	 exemplo.	 Por	 outro	 lado,	
a	utilização	de	amostras	de	soro	para	testes	quantitativos	não	apresenta	este	tipo	de	
interferência,	 o	 que	 reduz	 consideravelmente	 a	 possibilidade	 de	 resultados	 falso-
negativos.	A	detecção	de	BhCG	utilizando	amostras	de	soro	pode	ocorrer	a	partir	do	8º	a	
11º	dia	pós	concepção.	Em	geral,	testes	qualitativos	são	considerados	testes	de	triagem,	
que	permite	que	a	paciente	identifique	ou	não	uma	possível	gestação	(BRITO,	2018).
63
As	 metodologias	 quantitativas	 para	 dosagem	 do	 BhCG	 podem	 ser	 utilizadas	
para	detecção,	porém,	o	principal	motivo	de	solicitação	médica	é	como	instrumento	de	
auxílio	na	estimativa	do	tempo	de	gestação,	pois	é	possível	detectar	a	concentração	do	
hormônio	presente	no	sangue.	Abaixo,	apresentamos	um	fluxograma	que	indica	a	relação	 
entre	as	concentrações	desse	hormônio	e	período	gestacional	estimado	(Figura	2).
Podemos	 afirmar	 que,	 se	 este	 hormônio	 estiver	 presente	 em	 concentrações	
elevadas	em	amostras	de	soro	ou	urina	de	paciente,	sua	detecção	não	necessariamente	
indica	 gestação,	 pois,	 até	 o	 momento,	 vimos	 apenas	 as	 circunstâncias	 fisiológicas	
em	que	o	hCG	é	produzido.	Contudo,	existem	ainda	condições	patológicas	em	que	a	
dosagem	de	b-hCG	pode	estar	aumentada,	tanto	em	homens	quanto	mulheres.
FIGURA 2 – FLUXOGRAMA DE DIAGNÓSTICO GESTACIONAL
FONTE: <https://www.sanarmed.com/diagnostico-de-gravidez>. Acesso em: 16 mar. 2021.
1° trimestre: até 
150.000 mUI/ml
2° trimestre: 
3.500 a 20.000 
mUI/mL
3° trimestre: 
5.000 a 50.000 
mUI/mL
Positivo
Negativo
BETA-hCG
Sangue
Urina
Antigamente, os laboratórios clínicos utilizavam sapos para realizar 
testes de gravidez. Leia a reportagem, publicada no site Aventuras 
na História, que relata a evolução dos testes de gravidez ao longo 
do tempo. Acesse: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/
almanaque/sapo-o-primeiro-teste-de-gravidez.phtml.
INTERESSANTE
64
2.1 DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL
De	acordo	com	Lima	et al.	(2017,	p.	94):
Doença	 trofoblástica	 gestacional	 (DTG)	 compreende	 um	 grupo	 de	
tumores	derivados	do	tecido	placentário,	 incluindo	 lesões	benignas,	
representadas	pela	mola	hidatiforme	completa	(MHC)	e	parcial,	e	um	
grupo	de	 lesões	com	diferentes	graus	de	 invasão	de	disseminação,	
denominadas	neoplasia	 trofoblástica	gestacional	 (NTG):	mola	 inva-
sora,	coriocarcinoma,	tumor	trofoblástico	do	sítio	placentário	e	tumor	
trofoblástico	epitelioide.
A	 mola	 hidatiforme,	 ou	 gravidez	 molar	 é	 uma	 complicação	 gestacional	 que	
resulta	 no	 desenvolvimento	 de	 células	 anormais,	 que	 resulta	 em	 um	 agrupamento	
celular	desordenado,	semelhante	a	cachos	de	uva	(Figura	3).
FIGURA 3 – COMPARAÇÃO ENTRE ÚTERO NORMAL E ÚTERO COM GRAVIDEZ MOLAR
FONTE: <https://eigierdiagnosticos.com.br/blog/doencas/o-que-e-cromossomopatia-fetal/> 
Acesso em: 17 fev. 2021.
Apesar	do	nome	“gravidez”,	esta	não	é	uma	condição	capaz	de	gerar	um	feto	
normal.	 Ela	 pode	 ser	 o	 resultado	 de	 um	 espermatozoide	 que	 fertiliza	 um	 óvulo	 sem	
núcleo	de	DNA	(mola	hidatiforme	completa)	ou	pode	resultar	da	fertilização	de	um	óvulo	
normal	 por	 dois	 espermatozoides	 (mola	hidatiforme	 incompleta),	 sendo	este	último	 tipo	
com	 menor	 probabilidade	 de	 evolução	 para	 doença	 trofoblástica	 gestacional	 maligna.	 
Apesar	de	tratar-se	de	uma	condição	que	não	evoluirá	para	formação	de	um	feto	viável,	
a	mola	hidatiforme	apresenta	aumento	expressivo	nas	concentrações	de	BhCG.
Assim,	a	presença	de	concentrações	elevadas	de	BhCG,	discrepantes	do	período	
gestacional,	 em	 associação	 às	manifestações	 clínicas	 características	 como	 indicado	
por	Andrade	(2009,	p.	95):
65
Do	ponto	de	vista	clínico,	o	volume	uterino	aumentado	e	complicações	
como	 hiperemese,	 pré-eclâmpsia	 e	 cistos	 tecaluteínicos	 são	mais	
frequentes	 entre	 as	 portadoras	 de	 MHC.	 As	 pacientes	 com	 MHP	
geralmente apresentam sintomas consistentes com abortamento 
incompleto	ou	retido	e	por	isto	quase	sempre	o	diagnóstico	de	MHP	é	
obtido	após	avaliação	histológica	de	material	de	curetagem.
Esse	 conjunto	 de	 informações	 permite	 que	 o	médico	 identifique	 a	 doença	 e	
realize	o	manejo	adequado	(ANDRADE,	2009).
Além	da	mola	hidatiforme,	o	BhCG	pode	apresentar	concentrações	elevadas	na	
presença	de	coriocarcinomas.	O	coriocarcinoma	é	uma	doença	trofoblástica	gestacional	
com	características	cancerígenas.	Trata-se	de	uma	condição	majoritariamente	originada	
de	uma	gestação	prévia	ou	presença	de	gestação	molar.	Entretanto,	em	casos	raros,	o	
coriocarcinoma	pode	aparecer	em	outras	regiões	fora	do	útero,	acometendo	inclusive	
homens,	principalmente	nos	testículos	(AMERICAN	CANCER	SOCIETY,	2016).
Como visto, uma solicitação de exame de BhCG para homens está 
relacionada com a investigação da presença de coriocarcinoma. A 
detecção de BhCG pode ser realizada por metodologias diferentes, 
cada uma com vantagens e desvantagens relacionadas a sua espe-
cificidade e sensibilidade, assim como interferentes presentes na 
amostra, que podem prejudicar os resultados dos testes, reduzindo 
sua capacidade de indicar a condição dos pacientes.
DICA
66
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
•	 O	 hCG	 é	 um	 hormônio	 produzido	 durante	 a	 gestação,	 em	 condições	 fisiológicas,	
podendo	 também	 apresentar	 concentrações	 elevadas	 em	 condições	 patológicas,	
como	as	doenças	trofoblásticas	gestacionais.
•	 O	hCG	auxilia,	 inicialmente,	na	manutenção	do	corpo	lúteo,	para	que	ele	permaneça	
viável	e	produza	progesterona,	hormônio	que	auxiliará	no	sucesso	das	etapas	iniciais	
da	gestação.	Além	disso,	o	hCG	está	vinculado	à	angiogênese	no	endométrio.
•	 A	partir	da	8ª	semana	de	gestação,	a	placenta	passa	a	ser	quem	secreta	diversos	
hormônios,	entre	eles	o	hCG	e	a	progesterona.
•	 Durante	a	gestação	as	concentrações	de	hormônios	na	corrente	sanguínea	variam.	
Essas	oscilações	promovem	as	adaptações	físicas	e	metabólicas	
•	 Para	fins	diagnósticos,	a	subunidade	beta	do	hCG	é	a	mais	comumente	utilizada,	uma	
vez	que	apresenta	maior	especificidade	biológica,	reduzindo,	assim,	as	chances	de	
resultados	alterados	em	decorrência	de	interferentes	presentes	na	amostra.
•	 A	detecção	de	BhCG	utilizando	amostras	de	soro	pode	ocorrer	a	partir	do	8º	a	11º	dia	
pós-concepção.
•	 Testes	qualitativos	de	BhCG	são	considerados	testes	de	triagem,	que	permitem	que	
a	paciente	identifique	ou	não	a	gestação
•	 Metodologias	quantitativas	para	BhCG	são	instrumento	de	auxílio	na	estimativa	do	
tempo	de	gestação.
RESUMO DO TÓPICO 1
67
AUTOATIVIDADE
1	 O	hormônio	gonadotrofina	coriônica	humana	 (hCG)	é	encontrado	em	amostras	de	
sangue	ou	urina	de	mulheres	grávidas.	Assinale	a	alternativa	CORRETA:	
a)	 (			)	 Os	 testes	 rápidos,	 comercializados	 em	 farmácias,	 são	 utilizados	 como	 testes	
confirmatórios	de	gestação,	uma	vez	que	a	amostra	utilizada	é	a	urina.
b)	 (			)	 A	análise	quantitativa	não	é	capaz	de	estimar	o	tempo	de	gestação	da	paciente.
c)	 (			)	 Dosagem	de	BhCG	em	amostras	de	soro	permite	uma	detecção	mais	precoce	da	
gestação,	quando	comparada	a	dosagens	realizadas	em	amostras	de	urina.
d)	 (			)	 Testes	realizados	em	amostras	de	urina	permitem	detecção	de	gestação	em	até	
duas	semanas	após	a	fecundação.
2	 A	 gonadotrofina	 coriônica	 humana	 é	 um	 hormônio	 essencial	 para	 que	 o	 embrião	
permaneça	viável,	uma	vez	que	é	responsável	pela	manutenção	do	corpo	lúteo,	que,	
por	 sua	vez,	 produz	 progesterona,	 hormônio	 que	 auxiliará	 no	 sucesso	 das	 etapas	
iniciais	 da	 gestação.	 Apesar	 de	 sua	 semelhança	 a	 outros	 hormônios,	 como	 o	 LH	
e	o	FSH,	o	hCG	pode	ser	medido	em	amostras	de	soro	sem	que	esses	hormônios	
interfiram	na	dosagem.	Explique	como	é	possível	realizar	a	detecção	de	hCG	sem	a	
interferência	desses	hormônios.
3	 Cite	 uma	 vantagem	 e	 uma	 desvantagem	 da	 execução	 de	 testes	 de	 gravidez	 em	
amostras	de	urina.
4	 Considere	o	texto	a	seguir:O	hCG	é	um	hormônio	que	tem	importante	papel	como	marcador	sorológico	indicativo	
de	 ____________.	 Contudo,	 existem	 condições	 clínicas	 que	 também	 geram	
aumento	da	concentração	de	hCG	na	circulação	sanguínea	como	___________,	
por	exemplo.	Esta	condição	______________.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 Massa	tumoral	 –	mola	hidatiforme	–	corresponde	a	uma	doença	trofoblástica	
gestacional.
b)	 (			)	 Mola	 hidatiforme	 –	 gestação	 –	 corresponde	 a	 uma	 doença	 trofoblástica	
gestacional.
c)	 (			)	 Gestação	 –	 mola	 hidatiforme	 –	 corresponde	 a	 uma	 doença	 trofoblástica	
gestacional.
d)	 (			)	 Doença	trofoblástica	gestacional	–	gestação	–	mola	hidatiforme.
68
5	 O	teste	que	detecta,	seletivamente,	a	presença	do	hCG	e	é	usado	como	diagnóstico	de	
gravidez.	Reagentes	 imunológicos	secos	são	dispostos	em	uma	membrana	e	reagem	
à	medida	que	as	 amostras	migram.	Considerando	o	 resultado	válido	 indicativo	de	
ausência	de	gestação,	assinale	a	alternativa	CORRETA:	
a)	 (			)	 Linha	teste	ausente	e	linha	controle	presente.	
b)	 (			)	 Linha	teste	ausente	e	linha	controle	ausente.
c)	 (			)	 Linha	teste	presente	e	linha	controle	presente.	
d)	 (			)	 Linha	teste	presente	e	linha	controle	ausente.
69
TOXOPLASMOSE
UNIDADE 2 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO
A	toxoplasmose	 integra	um	grupo	de	doenças	 infecciosas	 investigadas	durante	o	
período	pré-natal.	Por	ser	uma	doença	que,	na	maioria	dos	infectados,	é	assintomática,	
pode	 trazer	 grandes	 prejuízos	 ao	 desenvolvimento	 fetal.	 É	 essencial	 identificar	 se	 a	
gestante	foi	infectada,	e	se	ela	está	no	estágio	agudo	ou	crônico	da	infecção.
Por	isso,	surgem	questões	como	quem	é	o	agente	infeccioso	por	trás	de	uma	
doença	que	pode	acarretar	prejuízos	ao	feto,	como	evitar	a	contaminação	por	esse	agente	
infeccioso,	como	os	imunoensaios	podem	auxiliar	o	corpo	clínico	na	identificação	dessa	
condição	e	qual	o	estado	imunológico	da	paciente.	A	seguir,	descobriremos	mais	sobre	
as	dinâmicas	relacionadas	à	toxoplasmose	e	sua	importância	no	contexto	gestacional.	
2 TOXOPLASMOSE
A	toxoplasmose	é	uma	doença	causada	por	um	protozoário	chamado Toxoplasma 
gondii,	que	infecta	a	maioria	das	espécies	endotérmicas,	incluindo	os	seres	humanos.	
Os	únicos	hospedeiros	definitivos	para	Toxoplasma gondii	são	os	membros	da	família	
Felidae (que	compreende	principalmente	os	gatos	domésticos).
• Animais endotérmicos: utilizam todo o calor que produzem internamente para 
manter a temperatura corporal estável. É importante lembrar que o corpo depende 
de uma série de reações químicas que dependem de uma temperatura ideal. Por 
termos a capacidade de manter a nossa temperatura estável, nossas reações podem 
ocorrer e a homeostase é mantida.
• Protozoário: microrganismos compostos por apenas uma célula, dotado 
de núcleo, e que precisam de outros seres vivos para obter nutrição.
• Hospedeiros definitivos: são seres em que o toxoplasma é capaz de se 
amadurecer e passar por reprodução sexuada.
• Hospedeiros intermediários: são seres em que o toxoplasma é capaz 
de se reproduzir apenas de forma assexuada.
• Ciclo heteróxeno: é um ciclo que necessita de um ou mais hospedeiros 
intermediários.
NOTA
70
2.1 CICLO BIOLÓGICO
O	 ciclo	 de	vida	 do	 parasita	 é	 heteroxeno,	 caracterizado	 por	 diversas	 etapas,	
sendo	que	o	T. gondii	estará	presente	de	diferentes	maneiras,	chamados	de	estágios 
evolutivos	(Figura	4):
• Taquizoítos:	 também	 chamados	 de	 trofozoítos,	 essa	 forma	 evolutiva	 ocorre	 na	
infecção	aguda.	Como	o	próprio	nome	 indica	 (taqui-	=	 “rápido”	 em	grego),	 é	uma	
forma	evolutiva	que	se	 reproduz	 rapidamente	dentro	de	diversos	tipos	celulares	e	
nas	 células	 epiteliais	 (exceto	 aquelas	 pertencentes	 ao	 trato	 gastrointestinal)	 do	
hospedeiro	 intermediário.	 Sua	 multiplicação	 acontece	 por	 endodiogenia,	 que	 é	
um	modo	especializado	de	multiplicação	assexuada,	no	qual	duas	células-filhas	são	
formadas	dentro	da	célula-mãe.	Ao	fim	da	reprodução,	a	membrana	plasmática	da	
célula	hospedeira	é	rompida,	o	que	permite	que	os	novos	parasitas	cheguem	ao	meio	
extracelular	e,	a	partir	daí,	passem	a	se	disseminar	pela	corrente	sanguínea	e	pelo	
sistema	linfático	para	outros	tecidos	(SOUZA	et al.,	2014).
• Oocistos:	 são	 as	 formas	 infectantes	 do	 T. gondii,	 resultado	 do	 ciclo	 sexuado	 do	
parasita	que	ocorre	no	epitélio	 gastrointestinal	 dos	 felinos.	 São	 liberados	no	meio	
externo	pelas	fezes.
• Bradizoítos:	 também	 conhecidos	 como	 merozoítos,	 são	 formas	 evolutivas	 de	
reprodução	lenta	(bradi-	=	lento,	em	grego),	que	aparecem	dentro	de cistos	teciduais.	
Os	 bradizoítos	 utilizam	 o	 cisto	 como	 um	 artifício	 de	 proteção	 contra	 a	 resposta	
imune.	De	acordo	com	Souza	e	Belfort	Jr.	(2014,	p.	35),	“embora	os	cistos	teciduais	se	
desenvolvam	em	diversos	órgãos	como	pulmões,	fígado	e	rins,	eles	são	prevalentes	
nos	tecidos	muscular	e	nervoso,	incluindo	o	cérebro,	olhos	e	músculos	esquelético	e	
cardíaco”.
Os cistos teciduais podem permanecer latentes por toda a vida do 
hospedeiro	 sem	causar	uma	 resposta	 inflamatória	 ou	 imunológica,	
evitando,	assim,	sua	destruição.	Durante	o	curso	da	infecção,	os	cistos	
teciduais	podem	romper-se,	e	com	a	diferenciação	de	bradizoítas	em	
taquizoítas	 (conversão),	 reinvadem	outras	células	hospedeiras	e	se	
rediferenciam	 em	 bradizoítas	 (interconversão),	 formando	 um	 novo	
cisto	tecidual	(SOUZA;	BELFORT	JR.,	2014,	p.	35). 
FIGURA 4 – FORMAS EVOLUTIVAS DO TOXOPLASMA GONDII: OOCISTO 1000X (1); 
TAQUIZOÍTOS LIVRES 1000X (2); E CISTO COM BRADIZOÍTOS 1000X (3)
FONTE: Hornink et al. (2013, p. 86)
A B C
71
Para	 facilitar	 a	 compreensão	 de	 cada	 etapa	 do	 ciclo	 de	 vida	 do	 T. gondii,	 o	
Quadro	1	descreve	o	significado	dos	números	apresentados	na	Figura	5	(CDC,	2020).
FIGURA 5 – CICLO DE VIDA DO TOXOPLASMA GONDII
FONTE: <https://www.nanocell.org.br/toxoplasmose-a-culpa-e-dos-gatos/>. Acesso em: 21 jan. 2021.
72
QUADRO 1 – ETAPAS DO CICLO DE VIDA DO TOXOPLASMA GONDII
FONTE: CDC (2020)
(1)	Apesar	da	eliminação	dos	oocistos	produzidos	ocorrer	somente	após	1	a	3	semanas,	um	grande	
número	deles	é	eliminado	nas	fezes	de	gatos.	No	ambiente,	os	oocistos	levam	de	1	a	5	dias	para	
esporular	e	se	tornar	infectantes.
(2)	Estágio	em	que	os	hospedeiros	intermediários	presentes	na	natureza	se	tornam	infectados	
após	ingerir	solo,	água	ou	plantas	contaminadas	com	esses	oocistos.
(3)	Após	a	 ingestão,	os	oocistos	originam	taquizoítos	nos	enterócitos	 (intestino).	Essa	forma	
evolutiva	localiza-se,	predominantemente,	no	tecido	nervoso	e	muscular,	e	forma	cistos	tissulares	
denominados	bradizoítos.
(4)	Os	gatos	se	tornam	infectados	após	consumir	hospedeiros	intermediários,	como	roedores	que	
contenham	bradizoítos.	Além	disso,	também	podem	ser	infectados	diretamente	pela	ingestão	
de	oocistos	esporulados.
(5)	Animais	criados	para	consumo	humano	também	podem	ser	 infectados	após	 ingestão	de	
oocistos	esporulados	no	ambiente.
(6)	Os	humanos	podem	ser	infectados	pela	ingestão	de	carnes	malcozidas	contendo	bradizoítos.
(7)	Os	humanos	podem	ser	infectados	pelo	consumo	de	alimentos	e/ou	água	contaminados	com	
fezes	de	gatos	ou	oriundos	de	solo	contaminado.
(8)	Os	humanos	podem	ser	infectados	via	transplante	de	órgãos	ou	transfusão	sanguínea	(mais	raro).
(9)	Os	humanos	podem	ser	infectados	via	transplacentária,	ou	seja,	a	infecção	presente	na	mãe	
passa	para	o	feto.
Com base nas etapas descritas sobre o ciclo de vida do T. gondii,	 é	possível	
compreender	como	podemos	prevenir	a	infecção	por	este	parasita.	Assim,	os	cuidados	
profiláticos	estão	 relacionados	a	evitar	beber	água	não	tratada,	usar	 luvas	ao	 realizar	
jardinagem	 ou	 qualquer	 tipo	 de	 contato	 com	 o	 solo	 ou	 areia,	 ensinar	 as	 crianças	 a	
importância	da	 lavagem	de	mãos	na	prevenção	de	 infecções,	manter	caixas	de	areia	
externas	cobertas	(uma	vez	que	gatos	podem	defecar	nelas),	alimentar	gatos	apenas	
com	 rações	 ou	 alimentos	 bem	 cozidos,	 não	 forneceralimentos	 crus	 ou	 com	 pouco	
cozimento	aos	gatos,	manter	a	liteira	(caixa	de	areia	do	gato)	higienizada	diariamente.
2.2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
A	toxoplasmose	na	maior	parte	dos	 infectados	pode	permanecer	assintomática	
ao	 longo	 de	 maior	 parte	 da	 vida.	 Contudo,	 pacientes	 infectados	 que	 apresentam	
manifestações	clínicas	podem	ter	características	diferentes.
Pacientes	saudáveis,	que	não	estão	em	período	gestacional,	estão	propensos	a	
não	apresentar	sintomas,	uma	vez	que	o	sistema	imune	impede	que	o	parasita	se	mul-
tiplique	e	gere	maiores	prejuízos	ao	organismo.	Caso	existam	sintomas,	eles	se	asseme-
lham	a	sintomas	gripais,	com	a	presença	de	 linfonodos	 inchados	e	dores	musculares.	
Esses	 sintomas	podem	durar	 de	 semanas	a	meses	e	desaparecer,	 o	que	ainda	não	é	
indicativo	de	cura,	mas,	sim,	de	que	o	parasita	está	em	estado	inativo.	A	reativação	da	 
doença	pode	ocorrer	quando	o	paciente	apresentar	quadro	de	imunodepressão.
73
É fundamental compreendermos a diferença entre pacientes imunodeprimidos e 
imunossuprimidos. Para isso, apresentaremos um trecho de um texto da Revista de 
Medicina Tropical, justamente sobre a diferença entre esses conceitos.
Os dois termos têm sido empregados indistintamente para caracterizar a deficiência 
do sistema imunitário. Embora tenham o mesmo fundamento semântico, como termos 
médicos não devem ser considerados sinônimos. Quando devemos empregar um ou 
outro?
Define-se imunodepressão como um estado de deficiência do sistema imunitário para, 
normalmente, responder aos agentes agressores. A imunodepressão pode ser primária e 
secundária ou adquirida. É primária quando dependente de fatores genéticos hereditários 
que afetam o processo de defesa imunológica, causando maior susceptibilidade às 
infecções, geralmente por germes de baixa patogenicidade, bem como às doenças 
autoimunes e às neoplasias. Na maioria das vezes, manifesta-se na infância. A forma 
adquirida, como o próprio nome indica, se deve a um fator externo que afeta o sistema 
imunológico e é exemplificada pela síndrome da imunodeficiência adquirida 
causada pelo vírus HIV-1; apresenta igualmente grande susceptibilidade 
às infecções por germes oportunistas e ao aparecimento de neoplasias. 
Imunossupressão é o ato de reduzir deliberadamente a atividade ou 
eficiência do sistema imunológico.
A imunossupressão é feita, usualmente, para coibir a rejeição 
em transplantes de órgãos ou para o tratamento de doenças 
autoimunes como lúpus, artrite reumatoide, esclerose sistêmica, 
doença inflamatória intestinal, entre outras. Para fazê-la, recorre-se, 
normalmente, a medicamentos, mas também podem ser utilizados outros 
métodos, como plasmaferese ou radiação. Com o sistema imunológico 
praticamente desativado, o indivíduo imunossuprimido fica vulnerável a 
infecções oportunistas.
FONTE: REZENDE, J. M. Imunodepressão, Imunossupressão. Revista de 
Patologia Tropical, v. 40, n. 2, p. 199-201, 2011.
IMPORTANTE
No	que	se	 refere	às	gestantes,	saber	o	período	em	que	a	 infecção	ocorreu	é	
importante	para	entender	os	possíveis	prejuízos	ao	feto.	De	modo	geral,	em	mulheres	
infectadas	antes	do	período	gestacional,	a	toxoplasmose	oferece	menores	riscos	ao	feto,	
uma	vez	que	a	gestante	já	desenvolveu	imunidade.	Por	outro	lado,	no	caso	de	mulheres	
infectadas	pouco	tempo	antes,	ou	mesmo	ao	longo	da	gestação,	existe	grande	risco	de	
infecção	congênita,	ou	seja,	da	doença	ser	transmitida	da	mãe	para	o	feto.
A	severidade	de	danos	ao	feto	é	maior	quão	mais	próximo	ao	início	da	gestação	
a	 infecção	 congênita	 tiver	 ocorrido.	 São	 consequências	 ao	 feto	 na	 toxoplasmose	
congênita	no	período	gestacional	(WALCHER;	COMPARSI;	PEDROSO,	2014):
• aborto;
• nascimento prematuro;
•	 redução	ou	aumento	da	cabeça	do	feto.
 
74
Além	 desses	 eventos,	 quando	 o	 recém-nascido	 não	 apresenta	 sintomas	 ao	
nascer,	 ainda	 assim	 ele	 pode	 desenvolver,	 posteriormente,	 condições	 clínicas	 como	
perda	de	visão,	deficiência	mental	e	convulsões.
2.3 LABORATÓRIO CLÍNICO NA TOXOPLASMOSE
A	 investigação	 laboratorial	 da	 toxoplasmose	 é	 fundamentada	 na	 pesquisa	
sorológica	de	anticorpos	produzidos	contra	o	T. gondii,	em	que	cada	tipo	de	anticorpo	
pode	fornecer	diferentes	informações	à	equipe	médica.	As	principais	imunoglobulinas	
(anticorpos)	 pesquisadas	 são	 das	 classes	 IgM	 e	 IgG,	 específicas	 para	 T. gondii.	 Sua	
aplicação	na	clínica	permite	identificar,	de	modo	genérico,	se	a	infecção	está	em	fase	
aguda	ou	crônica.	Além	dessas	 imunoglobulinas,	também	podem	ser	utilizadas	como	
instrumento	diagnóstico	as	das	classes	IgA	e	IgE	para	compreender	com	maior	clareza	
o	período	de	infecção.
No	período	gestacional,	a	investigação	de	anticorpos	IgM	e	IgG	para	toxoplasmose	
é	tão	 importante	que	 já	faz	parte	dos	exames	de	triagem	solicitados	por	serviços	de	
saúde,	tanto	públicos	quanto	privados,	que	realizam	acompanhamento	pré-natal.
A	determinação	desses	anticorpos	no	soro	da	paciente	auxilia	na	compreensão	
de	qual	é	sobre	o	estágio	da	toxoplasmose	pelo	qual	a	gestante	está	passando,	porque	
os	anticorpos	auxiliam	a	traçar	uma	espécie	de	“linha	do	tempo”	da	infecção	(Figura	6).	
Isso	porque	o	aumento	e	a	redução	das	concentrações	de	cada	anticorpo	variam	de	
acordo	com	a	evolução	da	doença	(Quadro	2).
QUADRO 2 – RELAÇÃO ENTRE AS DIFERENTES CLASSES DE ANTICORPOS 
ANTI-TOXOPLASMA GONDII E O PERÍODO DE INFECÇÃO
Anticorpo 
anti-Toxoplasma 
gondii
Período de detecção
IgM
Detectável	no	soro	da	paciente	em	até	duas	semanas	após	a	infecção,	
podendo	atingir	 seu	pico	de	concentração	em	até	um	mês	após	a	
infecção.
IgA
Detectável	em	mais	da	metade	dos	pacientes	após	15	dias	de	infecção,	
permanecendo	presente	na	corrente	sanguínea	de	3	a	6	meses.
IgE Detectável,	majoritariamente,	nos	4	primeiros	meses	após	a	infecção
IgG
Detectável	 entre	 a	 primeira	 e	 segunda	 semana	 pós-infecção,	
apresentando	pico	de	concentração	aproximadamente	2	meses	após	
a	infecção.	Nesse	período	inicial,	os	anticorpos	IgG	produzidos	possuem	
baixa	avidez,	ou	seja,	baixa força da ligação entre o anticorpo IgG 
anti-Toxoplasma gondii e o parasita.	A	partir	do	4°	mês	de	infecção,	
os	anticorpos	IgG	passam	a	apresentar	aumento	gradativo	de	sua	força	
de	interação	(avidez)	ao	T.	gondii.
FONTE: O autor
75
Para compreender com maior clareza o momento imunológico de uma paciente que 
apresenta anticorpos anti-Toxoplasma gondii, é importante não avaliar os anticorpos 
isoladamente, pois é a variação desse conjunto de anticorpos que confere ao médico 
clareza no entendimento do estágio evolutivo da toxoplasmose. A triagem básica solicitada 
pelos serviços de saúde compreende a solicitação de anticorpos IgM e IgG anti-Toxoplasma 
gondii. É a partir dos resultados obtidos nesses exames que o médico começa a entender 
a situação da paciente e, caso ainda exista alguma dúvida, ele pode solicitar a dosagem 
de outros anticorpos como IgA e IgE ou teste de avidez para IgG. A seguir, apresentamos 
um trecho de uma matéria do laboratório Pró Exame sobre o teste de avidez para IgG, 
uma prova imunológica muito importante para a compreensão do estágio imunológico da 
paciente:
Avaliando a avidez de anticorpos IgG
A avaliação da avidez da IgG assume grande relevância em situações de dilema 
diagnóstico, especialmente em gestantes, para avaliar o tempo de infecção em doenças 
como toxoplasmose, rubéola e citomegalovirose.
O conceito de “avidez” refere-se à força da ligação depois da formação dos complexos 
antígeno-anticorpo reversíveis. Resulta de interações múltiplas entre uma molécula de 
anticorpo e os epítopos de um antígeno complexo. Quanto mais sítios de ligação tiver um 
anticorpo, maior a avidez.
A propriedade de avidez do anticorpo se acentua no decorrer da resposta imunológica, 
notadamente para imunoglobulinas da classe IgG, cuja produção segue à das 
imunoglobulinas da classe IgM. Desse modo, a avidez é diretamente proporcional ao 
tempo de infecção. Esse conhecimento tem sido amplamente utilizado emtestes imunoenzimáticos que avaliam a avidez da IgG em resposta a agentes 
infecciosos e a relação com o tempo de infecção.
A utilidade do teste de avidez: a avaliação da avidez da IgG 
assume grande relevância em situações de dilema diagnóstico, 
especialmente em gestantes com presença de anticorpos IgM, 
para investigação de toxoplasmose, rubéola e citomegalovirose. Na 
primo-infecção, o tratamento precoce é essencial para reduzir o risco 
de transmissão ao feto ou reduzir as sequelas. Nessa fase, a resposta 
antigênica primária é baixa e a avidez dos anticorpos aumenta com o 
amadurecimento do sistema imunológico.
Para ler mais, acesse: http://www.proexame.com.br/painel/informativos/
images/MzY=/lab.com%20agosto%20%202015-%20Avidez%20de%20
anticorpos%20IgG.pdf.pdf.
IMPORTANTE
2.3.1 Infecção recente
Quando	a	paciente	apresenta	parasitemia	(presença	de	parasitas	na	corrente	
sanguínea)	 ao	 longo	 das	 primeiras	 semanas	 de	 infecção.	 Nesse	 período,	 a	 gestante	
pode apresentar no sangue anticorpos anti-Toxoplasma gondii do tipo IgM em maiores 
concentrações,	IgA,	IgE	e	IgG	de	baixa	avidez.
76
FIGURA 6 – DIAGNÓSTICO SOROLÓGICO DA TOXOPLASMOSE
FONTE: <http://www.proexame.com.br/painel/informativos/images/MzY=/lab.com%20agosto%20%20
2015-%20Avidez%20de%20anticorpos%20IgG.pdf.pdf>. Acesso em: 20 jan. 2021.
Dias Semanas Meses Infecção secundária ou 
reativação
Infecção 
Primária 
Início dos 
Sintomas
IgG Avidez
Estímulo 
'Antigênico
IgM IgG
2.3.2 Transição imunológica
Conforme	a	infecção	evolui,	o	sistema	imune	passa	a	criar	defesas	para	combater	
o T. gondii.	Assim,	é	possível	encontrar	no	sangue	do	paciente	anticorpos	específicos	IgM	
em	concentrações	reduzidas,	em	relação	ao	estágio	anterior,	e	concentrações	elevadas	
de	IgG	que,	nesse	momento,	apresentam	avidez	crescente.
2.3.3 Infecção latente ou crônica 
Trata-se	de	um	período	de	 evolução	 relativamente	 lento,	 em	que	o	principal	
marcador	sorológico	é	a	presença	de	anticorpos	IgG	de	alta	avidez	em	concentrações	
baixas,	permanecendo	dessa	forma	ao	longo	da	vida	da	paciente.	Esses	anticorpos	de	
alta	avidez	são	moléculas	que	apresentam	uma	resposta	de	defesa	mais	efetiva.	Essa	
eficácia	se	deve	à	capacidade	que	o	IgG	de	alta	avidez	possui	de	interagir	e	ligar-se	à	
diversos	epítopos	antigênicos,	resultando	em	maior	força	na	ligação	estabelecida	entre	
antígeno	e	anticorpo	(MITSUKA-BREGANÓ;	LOPES-MORI;	NAVARRO,	2010).
É	 importante	 lembrar	 que,	 toda	vez	que	um	 imunoensaio	detecta anticorpos 
relacionados	a	um	antígeno	específico	no	sangue,	estamos	utilizando	uma	metodologia 
indireta.	 Isso	 significa	 que	 precisamos	 que	 nosso	 sistema	 imune	 apresente	 uma 
resposta diante	 do	 antígeno	 para	 que	 possamos	 compreender	 se	 existiu	 ou	 não	
determinada	 infecção.	Assim,	 dependemos	do	 tempo	que	cada	 indivíduo,	 de	 acordo	
77
com	seu	estado	 imunológico,	consegue	reagir	aos	antígenos	com	os	quais	entra	em	
contato.	 Esse	 tipo	 de	metodologia	não dá uma resposta definitiva,	mas,	 sim,	 um	
panorama	das	dinâmicas	imunológicas	que	estão	acontecendo	naquele	momento	em	
que	a	amostra	do	paciente	é	coletada	(SOUZA;	BELFORT	JR.,	2014).
É	 importante	 conhecer	 as	 principais	 metodologias	 utilizadas	 para	 detectar	
os	 anticorpos	 da	 toxoplasmose,	 uma	 vez	 que	 cada	 uma	 delas	 contém	vantagens	 e	
desvantagens	relacionadas	a	sua	especificidade	e	sensibilidade,	bem	como	possíveis	
moléculas	 presentes	 na	 amostra,	 que	 podem	 interferir	 nos	 resultados	 dos	 testes,	
reduzindo	 sua	 capacidade	 de	 indicar	 as	 reais	 interações	 imunológicas	 do	 paciente.	
Nesse	 momento,	 os	 princípios	 das	 técnicas	 não	 serão	 abordados	 –	 o	 Tópico	 4	
abordará	os	aspectos	metodológicos	das	técnicas	aqui	 indicadas.	Por	ora,	citaremos	
as	 metodologias	 utilizadas	 e	 possíveis	 particularidades	 de	 cada	 uma	 apresenta	 na	
detecção	de	anticorpos	anti-Toxoplasma gondii.
Caro acadêmico, aproveite esse momento para revisar conceitos de sensibilidade e 
especificidade.
• Sensibilidade: menor concentração da ligação antígeno-anticorpo que 
o imunoensaio é capaz de detectar. Quanto maior a sensibilidade do 
teste, menores as concentrações que ele é capaz de quantificar. Assim, 
um teste com alta sensibilidade é um teste que irá quantificar melhor 
a proporção de indivíduos doentes. Portanto, um teste com alta 
sensibilidade é aquele com menor chance de apresentar resultados 
falso-negativos.
• Especificidade: indica a capacidade de um teste de identificar os 
indivíduos que não possuem a doença ou condição clínica investigada. 
Dessa forma, quanto maior for a especificidade de um teste, menor o 
número de pacientes com resultado falso-positivo.
IMPORTANTE
Uma	das	metodologias	mais	utilizadas	na	 rotina	 laboratorial	é	o	ELISA (sigla	do	
inglês	 enzyme linked immunosorbent assay),	 que	 é	 um	 ensaio	 imunoenzimático.	 Essa	
técnica	é	comumente	utilizada	para	detecção	de	anticorpos	 IgM	e	 IgG	anti-Toxoplasma 
gondii,	 embora	 seja	 importante	 ressaltar	 que	existe	 a	possibilidade	de	 resultados	 falso-
positivos	para	IgM,	porque	pacientes	com	fator	reumatoide	no	soro	podem	interagir	com	 
os	reagentes	utilizados.
78
Para facilitar a visualização e a compreensão da técnica de 
ELISA, assista a seguinte animação, desenvolvida pelo canal 
Open Michigan: https://youtu.be/RRbuz3VQ100.
GIO
	Além	do	ELISA,	também	é	possível	utilizar	a	técnica	chamada	MEIA	(sigla	para 
Microparticle Enzyme Immunoassay),	para	 realizar	a	determinação	quantitativa	 IgG	e	
IgM anti-Toxoplasma.	Nessa	técnica,	as	amostras	de	soro	ou	plasma	são	tratadas	com	
tampão	que	neutraliza	fator	 reumatoide	 (FR),	 removendo, assim,	a	possível	 interferência	
gerada	 por	 esse	 complexo	 antígeno-anticorpo,	 evitando	 resultados	 falso-positivos	 para	 
IgM	(COSTA,	2007).
Fator reumatoide (FR) é um autoanticorpo que interage com a 
região Fc de IgGs, ou seja, ele se liga em na sua porção “Fc”, que é 
uma porção que não se altera nos anticorpos.
IMPORTANTE
79
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
•	 A	 toxoplasmose	 é	 causada	 por	 um	 protozoário	 chamado	 Toxoplasma gondii,	 que	
utiliza	seres	humano	e	outros	animais	como	hospedeiro	intermediário,	tendo	felídeos	
como	hospedeiros	definitivos.
• O Toxoplasma gondii	tem	ciclo	de	vida	heteroxeno,	caracterizado	por	diversas	etapas,	
e	 que	 apresenta	 diferentes	 formas,	 chamadas	 de	 estágios	 evolutivos,	 em	 que	 o	
parasita	se	apresenta	como	oocisto,	bradizoíto	e	taquizoíto.
•	 A	maior	parte	dos	pacientes	apresenta	infecção	assintomática.	Contudo,	pacientes	
com	a	imunidade	fragilizada	podem	apresentar	manifestações	clínicas.
•	 Quanto	mais	próximo	do	primeiro	 trimestre	de	gestação	a	 infecção	ocorrer,	maior	
a	 probabilidade	 de	 severidade	 de	 danos	 ao	 feto.	 Aborto,	 nascimento	 prematuro	
e	 redução	 ou	 aumento	 da	 cabeça	 do	 feto	 são	 exemplos	 das	 consequências	 da	
toxoplasmose	congênita	no	período	gestacional.
•	 A	 investigação	 laboratorial	 da	 toxoplasmose	 é	 fundamentada	 na	 pesquisa	 de	
anticorpos contra o Toxoplasma gondii,	produzidos	pelo	sistema	imunológico,	quando	
em	contato	com	o	parasita.	Nessa	pesquisa,	cada	tipo	de	anticorpo	pode	fornecer	
diferentes	informações	sobre	a	evolução	da	doença.
•	 Os	 principais	 anticorpos	 pesquisados	 são	 IgM	 e	 IgG,	 porém,	 também	 podem	 ser	
pesquisados	IgA	e	IgE	todos	os	específicos	contra	o	T. gondii.
•	 A	combinação	da	interpretação	dos	anticorpos	pesquisados	pode	indicar	ao	médico	
se	a	gestante	está	passando	por	uma	infecção	recente,	uma	transição	imunológica	
ou	uma	infecção	latente.
•	 ELISA	e	MEIA	são	alguns	dos	principais	imunoensaios	utilizados	no	diagnóstico	e	no	
controle	da	toxoplasmose.
RESUMO DO TÓPICO 2
80
AUTOATIVIDADE
1	 A	toxoplasmose	é	uma	doença	causada	por	um	protozoário	chamado	de	Toxoplasma 
gondii,	que	infecta	a	maioria	das	espécies	endotérmicas,	incluindo	os	seres	humanos.	
Assinale	a	alternativa	INCORRETA:a)	 (			)	 É	causada	pela	bactéria	chamada	de	Toxoplasma gondii.
b)	 (			)	 Gera	mais	prejuízos	em	pacientes	imunodeprimidos.
c)	 (			)	 Em	imunocompetentes,	é	predominantemente	assintomática.
d)	 (			)	 Quando	adquirida	no	primeiro	trimestre	de	gestação,	pode	gerar	sérios	prejuízos	
no	desenvolvimento	do	feto.
2	 Sobre	 o	 Toxoplasma gondii	 e	 seu	 ciclo	 de	 vida,	 classifique	 V	 para	 as	 sentenças	
verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
(			)	O	Toxoplasma gondii	é	um	parasito	capaz	de	infectar	praticamente	qualquer	animal	
de	sangue	quente.
(			)	Os	 hospedeiros	 definitivos	 do	 Toxoplasma gondii	 são	 os	 cães	 e	 os	 roedores,	
ocorrendo	a	sua	reprodução	sexuada	no	intestino	desses	animais.
(			)	Os	taquizoítos	são	a	forma	infectante	na	fase	ativa	da	doença.
(			)	Após	cerca	de	10	dias	da	primeira	infecção,	o	hospedeiro	intermediário	elimina	nas	
fezes	milhões	de	oocistos	contendo	esquisoporozoítos.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	–	V	–	V	–	F.
b)	 (			)	 V	–	V	–	F	–	V.
c)	 (			)	 V	–	F	–	V	–	F.
d)	 (			)	 F	–	V	–	V	–	F.
3	 Cite	os	estágios	evolutivos	do	toxoplasma	e	explique	suas	características.
4		A	toxoplasmose	causada	pelo	Toxoplasma	gondii	adquire	especial	relevância	quando	
infecta	gestantes,	devido	ao	elevado	 risco	de	prejuízos	potenciais	ao	feto.	Assim,	o	
Ministério	 da	 Saúde	 indica	 que	 todas	 as	 gestantes	 passem	 por	 investigação	 de	
anticorpos	da	classe	IgG	e	IgM	desde	o	início	do	acompanhamento	pré-natal.	Sobre	
a	detecção	de	anticorpos	IgM	e	IgG,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
(			)	A	detecção	de	imunidade	vacinal	contra	toxoplasma	é	 identificada	pela	presença	de	
anticorpos	de	IgG	de	alta	avidez.
(			)	A	detecção	de	anticorpos	de	IgG	de	baixa	avidez	no	início	da	gestação	é	indicativo	
de	bom	prognóstico.
(			)	A	detecção	de	 IgG	 reagente	e	 IgM	reagente	é	confirmatório	de	 infecção	prévia	à	
gestação,	o	que	indica	proteção	fetal.
(			)	Resultados	sorológicos	que	não	especificam	se	a	infecção	é	aguda	têm	indicação	
de	realização	de	teste	de	avidez	de	IgG.
5	 Explique	qual	a	importância	dos	testes	de	avidez	IgG	para	toxoplasmose.
81
TÓPICO 3 — 
CITOMEGALOVÍRUS E RUBÉOLA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Além	da	toxoplasmose,	vimos	que	a	investigação	de	anticorpos	para	citomega-
lovírus	e	 rubéola	também	 integra	o	grupo	de	exames	solicitados	no	período	pré-natal.	
Esses	vírus	têm	especial	importância	pelo	potencial	prejuízo	que	podem	causar	ao	feto,	
uma	vez	que	as	mães	infectadas	que	podem	não	apresentar	quaisquer	sintomas,	como	
é	o	caso	do	citomegalovírus.	Nesse	sentido,	todos	os	esforços	diagnósticos	são	volta-
dos	principalmente	para	proteger	o	feto	e	permitir	que	ele	se	desenvolva	sem	qualquer	 
efeito	deletério.
Neste	 tópico,	 apresentaremos	 as	 características	 do	 vírus	 da	 rubéola	 e	 do	
citomegalovírus,	a	fim	de	conhecer	suas	características,	suas	possíveis	 interferências	
no	desenvolvimento	fetal	e	como	é	realizado	o	diagnóstico	laboratorial.
2 CITOMEGALOVÍRUS
O	citomegalovírus	(CMV)	é	um	vírus	que	pertence	à	família	herpesviridae,	sendo	
considerado	um	herpesvírus	humano.	De	acordo	com	Stephens	et al.	(2015,	p.	54),	“O	
nome da família vem de um verbo grego herpein,	 que	 significa	 ‘rastejamento’”,	 logo,	
refere-se	ao	fato	de	os	membros	da	família	causarem	infecções latentes recorrentes 
com	 progressão	 lenta.	 Por	 isso,	 também	 pode	 ser	 encontrado	 na	 literatura	 como	
herpesvírus	 humano	 tipo	 5	 (HHV-5).	 Os	 agentes	 virais	 pertencentes	 a	 esse	 grupo	
possuem	algumas	características	que	merecem	destaque,	como:
• Latência: quando	o	vírus	continua	no	organismo,	sem	que	o	hospedeiro	apresente	
sintomas	clínicos	relacionados	a	ele.
• Recorrência: quando	o	vírus	pode	gerar	manifestações	clínicas	novamente.
• Cronicidade: quando	a	 infecção	viral	é	passível	de	tratamento,	porém	sem	que	o	
paciente	se	cure.
Quando	o	CMV	 infecta	pacientes	 imunocompetentes,	 ou	 seja,	 pacientes	que	
estão	 com	 o	 sistema	 imune	 funcionando	 normalmente,	 na	 maioria	 dos	 casos,	 não	
ocorre	o	aparecimento	de	sintomas.	Existem	diferentes	vias	de	infecção,	mas	nenhuma	
delas	 envolve	 hospedeiro	 intermediário,	 pois	 o	 único	 hospedeiro	 é	 o	 ser	 humano.	A	
transmissão	do	CMV	pode	ocorrer	de	forma	(FERREIRA;	MORAES,	2013):
82
• Adquirida: infecção	 por	 transmissão	 horizontal,	 fora	 do	 período	 neonatal.	 Os	
principais	fluídos	transmissores	de	CMV	são	a	saliva	e	a	urina.	Assim,	em	locais	com	
condições	precárias	de	higiene,	a	infecção	por	CMV	é	mais	comum	e	ocorre	de	modo	
mais	precoce.	Além	disso,	é	possível	que	a	transmissão	do	CMV	ocorra	por	via	sexual.
• Perinatal: infecção	durante	o	parto	ou	pela	amamentação.	Tanto	as	secreções	com	
as	quais	o	recém-nascido	tem	contato	quanto	o	leite	podem	estar	contaminados	com	
CMV.	Trata-se	de	um	tipo	de	infecção	que	oferece	menos	riscos	ao	recém-nascido,	
uma	vez	que	a	maioria	dos	infectados	não	apresenta	sintomas.
• Congênita: das	transmissões	congênitas,	o	CMV	é	a	 infecção	mais	comum.	Além	
da	maior	ocorrência	em	grupos	em	condições	socioeconômicas	de	vulnerabilidade,	
outro	fator	que	favorece	essa	capacidade	de	contaminação	é	que,	mesmo	que	a	mãe	
tenha	sido	infectada	antes	de	engravidar,	ainda	assim	o	CMV	consegue	infectar	o	feto.	
Isso	se	dá	pela	capacidade	de	reativação	do	CMV	que	está	latente	na	mãe.	Apesar	
disso,	o	maior	risco	de	recém-nascidos	com	manifestações	clínicas	relacionadas	aos	
CMV	congênito	são	casos	em	que	a	mãe	foi	infectada	durante	o	período	gestacional.
No	 caso	 da	 infecção	 congênita,	 o	 recém-nascido	 pode	 apresentar	 como	
manifestações	clínicas	surdez	neurossensorial,	microcefalia,	hepatoesplenomegalia	e	
calcificações	que	resultam	em	retardo	no	desenvolvimento.
Acadêmico, ao longo dos conteúdos apresentados, podemos perceber que novos 
conceitos surgem. É importante que você saiba diferenciá-los com clareza. Por isso, 
precisamos relembrar das diferenças entre os conceitos de reinfecção e reativação: 
• Reinfecção: quando um paciente contrai a doença, se cura totalmente, 
entra em contato novamente com o patógeno e fica doente novamente.
• Reativação: quando o paciente trata a doença, mas o patógeno não 
desaparece do organismo (permanece incubado) e, frente a um quadro 
de imunossupressão ou imunodepressão, o patógeno gera novas mani-
festações clínicas.
IMPORTANTE
Além	disso,	é	primordial	conhecermos	como	esse	vírus	se	comporta	no	organismo	
de	seu	hospedeiro:	após	a	infecção	primária,	o	CMV	pode	ficar	em	um	intervalo	que	varia	 
de	1	a	3	meses	sem	que	o	indivíduo	apresente	sinais	e	sintomas.	Esse	intervalo	recebe	
o nome de período de incubação (MATTOS;	MEYER;	LIMA,	2011).	
Em	pacientes	com	o	sistema	imune	saudável,	o	CMV	é	destruído	por	células	T	
citotóxicas	direcionadas	para	atacar	esse	vírus,	além	da	produção	de	anticorpos	 IgM 
antiCMV e IgG antiCMV,	importantes	biomarcadores	sorológicos,	conforme	veremos	a	
83
seguir.	Dessa	forma,	a	infecção	é	contida	e	o	paciente	pode	apresentar	sintomas	leves	
ou	 até	mesmo	 nenhum	 sintoma.	Algumas	 das	 possíveis	manifestações	 clínicas	 são	
(MATTOS;	MEYER;	LIMA,	2011):
• febre prolongada;
• sudorese;
• hepatomegalia;
• dor muscular;
•	 fraqueza.
Em	 pacientes	 com	 sistema	 imunológico	 debilitado,	 a	 primo-infecção	 ou	
reativação	 do	 CMV	 está	 atrelada	 a	 manifestações	 clínicas	 mais	 graves,	 como	 a	
coriorretinite,	 pericardite	 e	 miocardite.	 A	 contar	 pela	 gravidade	 das	 manifestações	
clínicas,	tanto	em	recém-nascidos	quanto	em	pacientes	com	imunidade	prejudicada,	
é	possível	compreender	que	o	exame	 laboratorial	é	uma	ferramenta	muito	 relevante,	
tanto	para	obter	diagnóstico	inicial	de	CMV	quanto	para	acompanhamento	da	evolução	
e	tratamento	de	eventuais	reativações	do	CMV	(MATTOS;	MEYER;	LIMA,	2011).
2.1 LABORATÓRIO CLÍNICO APLICADO AO 
CITOMEGALOVÍRUS
Os	imunoensaios	aplicados	à	investigação	do	CMV	são	baseados	na	pesquisa	
sorológica	 de	 anticorpos	 específicos	 para	 CMV.	 Assim	 como	 na	 toxoplasmose,	 os	
anticorpos	utilizados,quando	avaliados	em	conjunto,	fornecem	elementos	a	 respeito	
da	 infecção.	Dada	à	característica	de	 reativação	do	CMV,	os	marcadores	sorológicos	
permitem	 também	 compreender	 se	 o	 paciente	 está	 passando	 por	 um	 episódio	 de	
reativação	 viral,	 como	 resultado	 de	 uma	 fase	 de	maior	 vulnerabilidade	 imunológica.	
Nesse	contexto,	a	detecção	de	anticorpos	 IgM	e	 IgG	antiCMV	corresponde	a	um	dos	
principais	instrumentos	diagnósticos	para	compreender	o	estágio	desta	infecção.	
Em	 pacientes	 com	 idade	 igual	 ou	 superior	 a	 um	 ano	 (quando	 os	 anticorpos	
maternos	 não	 estão	 mais	 presentes	 na	 circulação),	 a	 detecção	 de	 anticorpos	 IgG 
antiCMV	indica	que	houve	infecção	em	algum	momento	da	vida,	porém	não	determina	
quando	ocorreu	esta	infecção.
Os anticorpos IgM antiCMV podem ser detectados no soro da gestante a partir 
da	segunda	semana	de	infecção,	podendo	permanecer	detectável	no	sangue	por	até	
18	meses.	O	IgM	antiCMV	também	pode	ser	detectado	em	casos	de	reativação	do	vírus,	
o	que	também	enfraquece	a	 ideia	de	que	paciente	positivo	para	esse	anticorpo	está	
necessariamente	 passando	 pela	 fase	 aguda	 de	 uma	 primeira	 infecção.	 Nesse	 caso,	
pode-se	pensar	na	detecção	de	IgM	antiCMV	como	um	alerta	para	que	outros	exames	
sorológicos	sejam	solicitados	para	esclarecer	o	estágio	da	infecção.
84
Se	a	detecção	de	IgM	não	é	confirmatória	para	 infecção	recente	nem	a	IgG	pode	
confirmar	isso,	para	evidenciar	com	clareza	se	a	presença	de	IgM	antiCMV	corresponde	
a	 uma	 infecção	 primária,	 é	 indicado	 que	 sua	 interpretação	 seja	 combinada	 com	 a	
avaliação	da	avidez de IgG antiCMV.	Assim,	quando	uma	paciente	possui	anticorpos	
IgM	contra	o	CMV	e	anticorpos	IgG	com	baixa	avidez,	temos	resultados	confiáveis	que	
evidenciam	infecção	primária.
A	sorologia	para	IgG	e	IgM	é	comumente	realizada	pelo	ensaio	 imunoenzimático	
ELISA.	No	caso	desses	ensaios,	a	presença	de	fator	reumatoide	e	outros	herpesvírus	
pode	 gerar	 reações	 cruzadas	 e,	 com	 isso,	 resultados	 falso-positivos.	 Além	 disso,	 o	
aumento	da	sensibilidade	das	metodologias,	com	o	avanço	tecnológico,	permite	que	
IgM	antiCMV	sejam	detectados	por	meses	após	a	fase	inicial	em	que	sua	produção	foi	
estimulada,	o	que	pode	ser	um	eventual	fator	de	confusão	no	momento	da	interpretação	
desses	resultados.
3 RUBÉOLA
A	rubéola	é	uma	doença	causada	por	um	vírus	que	pertence	à	família	togaviridae,	
chamado	de	rubivírus.	Os	seres	humanos	são	os	únicos	hospedeiros	desse	vírus,	que	se	
dissemina	por	via	respiratória,	a	partir	de	secreções	nasofaríngeas	contaminadas.
De acordo com Costa et al.	(2013,	p.	48):
Seu	período	de	incubação	pode	variar	entre	14	e	21	dias	(média	de	17	
dias).	A	maior	 transmissibilidade	 é	 observada	 no	 período	 entre	 sete	
dias	antes	do	surgimento	do	exantema	característico	da	doença,	até	
o	sétimo	dia	após	o	seu	desaparecimento.	O	vírus	 invade	o	epitélio	
respiratório	 e	 se	 dissemina	 por	 viremia	 primária.	 Após	 replicação	
no	sistema	reticuloendotelial,	há	uma	viremia	secundária,	podendo	
então	ser	isolado	a	partir	de	monócitos	do	sangue	periférico.
Em	indivíduos	com	a	imunidade	preservada,	trata-se	de	uma	infecção	benigna	
e	autolimitada,	ou	seja,	evolui	apresentando	começo,	meio	e	fim,	e	pode	terminar	sem	
tratamento.	Quando	sintomática,	a	rubéola	pode	apresentar	(COSTA et al.,	2013):
•	 febre	baixa;
•	 nódulos	e	gânglios	linfáticos	inchados	na	nuca,	pescoço	e	atrás	das	orelhas;
• mal-estar;
• cefaleia;
•	 coriza;
•	 dores	músculo-articulares.
85
Nesse	momento,	pode	surgir	a	dúvida:	se	é	uma	doença	benigna	e	autolimitada,	
qual	sua	relevância	na	gestação?
A	 rubéola	 é	 uma	 doença	 infectocontagiosa	 muito	 importante	 associada	 ao	
período	 gestacional.	 Em	 gestantes,	 pode	 ocorrer	 a	 síndrome	 da	 rubéola	 congênita.	
Trata-se	de	uma	condição	desafiadora	para	a	equipe	médica,	uma	vez	que	não	possui	
tratamento	específico.	Por	não	possuir	tratamento,	o	acometimento	de	gestantes	pelo	
vírus	da	rubéola	pode	apresentar	sequelas	relevantes,	conforme	descrito	por	Costa	et 
al.	(2013,	p.	47):
Esse,	 um	 vírus	 do	 gênero	 Rubivírus,	 determina	 em	 geral	 infiltrado	
inflamatório	mononuclear	e	necrose	nas	porções	maternas	e	fetais	
da	placenta,	bem	como	esclerose	do	endotélio	vascular	placentário	
e	 do	 concepto	 em	 formação.	 Há	 especial	 tropismo	 pelos	 tecidos	
ricamente	vascularizados	além	dos	derivados	da	porção	ectodérmica	
do	 disco	 embrionário,	 como	 o	 Sistema	 Nervoso	 Central.	 Assim,	
quando	precoce,	a	infecção	(durante	o	primeiro	trimestre	de	gestação)	
resulta	em	anomalias	de	diversos	órgãos,	sendo	clássica,	porém	não	
patognomônica,	a	tríade	de	má	formação	cardíaca,	catarata	e	surdez.
A prevenção é um tópico sempre relevante. Para abordar esse assunto, apresentamos a 
matéria do laboratório Hermes Pardini Rubéola: como prevenir?
A vacinação é a melhor forma de se prevenir
Existem duas formas de se tornar imune à doença: por infecção natural ou por meio 
da vacinação, que dura por quase toda a vida. Além disso, a vacina contra a rubéola é 
o meio mais seguro e eficaz de prevenir a doença, sendo eficiente em quase 100% dos 
casos. Por fim, as pessoas que não tomaram a vacina ou o seu reforço na infância podem 
se imunizar durante qualquer fase da vida, com exceção do período da gravidez ocorre 
porque a vacina contra rubéola pode levar ao aborto ou malformações no bebê, como 
sinalizamos anteriormente.
LEMBRETE: Filhos de mães imunes geralmente permanecem protegidos por anticorpos 
maternos em torno de seis a nove meses após o nascimento.
Existem dois tipos de vacinas:
• Vacina tríplice viral: protege contra três doenças causadas por vírus (sarampo, 
caxumba e rubéola).
• Vacina tetra viral: protege contra quatro doenças causadas por vírus (sarampo, 
caxumba, rubéola e catapora).
Acima de tudo, a vacina tríplice-viral faz parte do calendário básico de vacinação da criança 
e é administrada em forma de injeção, a partir de vírus atenuados contra a rubéola.
IMPORTANTE
86
Então, quem deve se vacinar?
• Pessoas de 6 meses a 49 anos de idade.
• Pessoas de 12 meses a 29 anos precisam tomar a segunda dose após 30 dias de ter 
tomado a primeira dose.
Esquema vacinal
De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), o esquema 
de vacinação brasileiro envolve a administração de duas doses. Dessa 
forma, o recomendado é que a primeira dose seja administrada logo 
após a criança completar um ano de idade, então, o tempo máximo 
recomendado é de até 15 meses de vida, podendo ser aplicada a partir 
dos seis meses. Nesses casos, geralmente, é aplicada a vacina tríplice 
viral. Assim, o ideal é administrar a segunda dose entre 4 e 6 anos, apesar 
de não haver limite de idade para a aplicação desta dose.
Para continuar a sua leitura, acesse: http://hermespardini.com.br/
blog/?p=395.
É	importante	ressaltar	que,	a	gravidade	das	anomalias	resultantes	da	rubéola	
congênita	 é	maior	 quando	 a	 infecção	 ocorre	 nos	 estágios	 iniciais	 da	 gestação.	 Isso	
porque,	 nesse	 estágio,	 o	 feto	 fica	mais	 vulnerável	 por	 estar	 em	 estágios	 iniciais	 de	
formação	 de	 suas	 estruturas.	 Nesse	 contexto,	 é	 importante	 que	 a	 infecção	 seja	
investigada	e	o	status	imunológico	da	gestante,	perante	essa	infecção,	seja	detectado	
e	acompanhado.	Assim,	o	laboratório	clínico	é	um	importante	aliado	da	equipe	médica.
3.1 LABORATÓRIO CLÍNICO APLICADO À RUBÉOLA
A	 contar	 pela	 presença	 de	 sintomas	 leves	 e	 inespecíficos	 da	 rubéola,	 que	
podem	 ser	 facilmente	 confundidos	 com	 outras	 doenças,	 como	 sarampo,	 dengue,	
enteroviroses	e	rickettsioses,	o	laboratório	é	fundamental	para	confirmar	ou	descartar	
casos	de	 rubéola.	Assim,	o	principal	 instrumento	diagnóstico	para	 isso	é	a	detecção	 
de	anticorpos	IgM	e	IgG.	
A	 presença	 de	 anticorpos IgM específicos para o vírus da rubéola 
apresenta	seu	pico	de	concentração	sanguínea	poucos	dias	após	o	estabelecimento	da	
infecção,	com	redução	a	partir	da	6ª	semana	pós-infecção.	Apesarde	representar	um	
indicativo de infecção em estágio agudo,	é	importante	ressaltar	que	a	evolução	das	
metodologias	para	detecção	de	IgM	apresentou	aumento	na	sensibilidade	desse	teste,	o	
que	permite	que	este	anticorpo	seja	detectado	mesmo	após	a	fase	aguda,	porém	em	
baixas	concentrações,	o	que	pode	causar	dúvidas	na	interpretação	dos	resultados.
87
Além de fase aguda da primo-infecção,	 é	 possível	 encontrar	 anticorpos	 IgM	 em	
casos de reinfecção.	Em	casos	que	é	sabido	que	houve	 infecção	antes	do	período	
gestacional,	a	literatura	indica	que	o	feto	não	corre	o	risco	de	apresentar	síndrome	da	
rubéola	congênita,	não	representando	assim	um	problema	no	período	gestacional.	Caso	
não	haja	clareza	se	a	presença	de	 IgM	refere	a	uma	primo-infecção	ou	reinfecção,	é	
indicada	a	solicitação	do	teste de avidez para IgG para rubéola.	Assim,	testes	que	
indicam	alta	avidez	para	IgG	representam	que	a	infecção	pelo	vírus	da	rubéola	ocorreu	
há	mais	de	3	meses.
A	detecção	de	anticorpos IgG para rubéola é	possível	entre	o	10º	e	20º	dia	
da	infecção,	e	aumenta	rapidamente,	com	pico	de	concentração	em	até	10	semanas.	A	
partir	desse	período,	tende	a	reduzir	gradativamente,	sendo	detectável	ao	longo	de	toda	
vida	da	paciente	(BRITO	et al.,	2016).
	 Quanto	 às	 técnicas	 utilizadas	 para	 detecção	 de	 anticorpos	 para	 rubéola,	 o	
ELISA	constitui	a	principal	metodologia	para	 investigação	desses	anticorpos.	Os	ensaios	
imunoenzimáticos	 são	utilizados	devido	a	boa	 sensibilidade	que	apresentam.	Dentro	
dos	tipos	de	ELISA	utilizados,	destacamos	o	método	de	captura	para	IgM,	e	o	método	
indireto	para	IgG	uma	vez	que,	de	acordo	com	Ferreira	e	Moraes	(2013,	p.	151):
O	ELISA	para	a	detecção	de	IgM-antirrubéola	é	o	teste	mais	importante	
no	diagnóstico	da	 infecção	primária	materna	e	da	 rubéola	congênita.	
A	técnica	de	captura	de	 IgM	é	a	mais	empregada	por	não	apresentar	
reações	 falso-positivas	 ou	 falso-negativas,	 respectivamente,	 em	
amostras	 que	 apresentam	 o	 fator	 reumatoide	 e	 naquelas	 com	
excesso	 de	 IgG	 antirrubéola.	 No	 ELISA	 indireto,	 a	 presença	 do	
fator	reumatoide	da	classe	M	em	amostras	positivas	para	IgG	pode	
provocar resultado falso-positivo para IgM e constituir um problema 
importante,	 pois	 a	 prevalência	 desse	 fator	 é	 particularmente	mais	
alta	na	rubéola	congênita	do	que	as	infecções	congênitas	causadas	
por	outros	vírus.
88
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
•	 Citomegalovírus	 (CMV)	 é	 um	 vírus	 que	 pertence	 à	 família	 Herpesviridae,	 sendo	
considerado	um	herpesvírus	humano.
•	 A	 infecção	 por	 CMV	 desenvolve-se	 em	 três	 estágios:	 latência	 (vírus	 continua	 no	
organismo,	sem	que	o	hospedeiro	apresente	sintomas),	recorrência	(vírus	pode	gerar	
manifestações	 clínicas	 novamente)	 e	 cronicidade	 (vírus	 é	 passível	 de	 tratamento,	
porém	sem	que	haja	cura).
•	 Em	 indivíduos	 imunocompetentes,	 o	 CMV	 é	 destruído	 por	 células	 T	 citotóxicas	
direcionadas	para	atacar	este	vírus,	além	da	produção	de	anticorpos,	 IgM	antiCMV	
seguido	de	IgG	antiCMV.
•	 IgG	 antiCMV	 indica	 que	 houve	 infecção	 em	 algum	momento	 da	vida,	 porém,	 não	
determina	quando	ocorreu	esta	infecção.
•	 Quando	paciente	possui	anticorpos	IgM	antiCMV	e	anticorpos	IgG	antiCMV	com	baixa	
avidez,	temos	resultados	confiáveis	que	evidenciam	infecção	primária.
•	 Rubéola	 é	uma	doença	 causada	por	 um	vírus	que	pertence	 à	 família	Togaviridae,	
chamado	rubivírus.
•	 Os	seres	humanos	são	os	únicos	hospedeiros	do	vírus	da	rubéola,	que	se	dissemina	
por	via	respiratória,	a	partir	de	secreções	nasofaríngeas	contaminadas.
•	 Em	 indivíduos	com	a	 imunidade	preservada,	a	 rubéola	é	uma	doença	de	 infecção	
benigna	e	autolimitada.
•	 A	 presença	 de	 anticorpos	 IgM	 para	 rubéola	 apresenta	 seu	 pico	 de	 concentração	
poucos	dias	após	o	estabelecimento	da	infecção,	com	redução	a	partir	da	6ª	semana	
pós-infecção.
•	 Além	de	fase	aguda	da	primo-infecção,	é	possível	encontrar	anticorpos	IgM	em	casos	
de	reinfecção.	Para	confirmar	a	 reinfecção,	 recomenda-se	o	teste	de	avidez	 IgG	para	
rubéola,	que	confirma	esse	quadro	quando	apresenta	altas	titulações.
RESUMO DO TÓPICO 3
89
AUTOATIVIDADE
1	 Os	seres	humanos	são	os	únicos	hospedeiros	do	 rubivírus,	que	se	dissemina	por	via	
respiratória,	 a	partir	de	secreções	nasofaríngeas	contaminadas.	Assinale	a	alternativa	
CORRETA:
a)	 (			)	 O	Toxoplasma gondii	é	o	agente	etiológico	da	rubéola.
b)	 (			)	 A	 rubéola	é	uma	doença	que	exige	tratamento	medicamentoso	para	que	seja	
curada.
c)	 (			)	 A	rubéola	é	uma	doença	benigna	e	autolimitada.
d)	 (			)	 A	 primo-infecção	 por	 rubéola	 em	 gestantes	 no	 primeiro	 trimestre	 não	 causa	
nenhum	prejuízo	ao	desenvolvimento	fetal.
2	 Explique	qual	é	a	importância	do	teste	de	avidez	IgG	em	investigações	sorológicas.
3	 Descreva	os	três	estágios	presentes	na	infecção	por	citomegalovírus.
4	 Considerando	 investigações	 sorológicas	para	 rubéola,	 os	 ensaios	 imunoenzimáticos	
(ELISA)	 são	 uma	 das	 principais	 metodologias	 para	 detectar	 anticorpos	 lgM	 e	 lgG	
antirrubéola	e	os	testes	de	avidez	para	lgG.	Analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 A	presença	de	IgG	específica	antivírus	da	rubéola,	com	alta	avidez,	em	amostra	de	
soro	da	paciente	demonstra	imunidade	para	a	rubéola.
II-	 Exposição	prévia	ao	período	gestacional	de	rubéola	é	diagnosticada	pela	presença	
apenas	de	IgM	específica	antivírus	da	rubéola	numa	amostra	de	soro	da	paciente.
III-	 Títulos	 de	 anticorpos	 IgG	 específicos	 antivírus	 da	 rubéola,	 independentemente	 da	
avidez,	progressivamente	aumentados	nos	lactantes	indicam	proteção	à	infecção.
IV-	 A	 infecção	 aguda	 de	 rubéola	 é	 diagnosticada	 pelo	 aumento	 dos	 títulos	 de	 IgG	
específica	antivírus	da	rubéola,	com	baixa	avidez.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 As	sentenças	I	e	IV	estão	corretas.
c)	 (			)	 As	sentenças	I,	III	e	IV	estão	corretas.
d)	 (			)	 As	sentenças	II,	III	e	IV	estão	corretas.
90
5	 A	infecção	congênita	por	citomegalovírus	tem,	na	maioria	dos	casos,	recém-nascidos	
assintomáticos.	 Considerando	 a	 sequela	 tardia	 dessa	 infecção,	 que	 pode	 ser	
reduzida	com	o	diagnóstico	 laboratorial	 precoce	e	 terapia	medicamentosa,	 assinale	 
a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 A	calcificação	parenquimatosa	difusa.
b)	 (			)	 A	microcefalia.
c)	 (			)	 A	surdez.
d)	 (			)	 A	coriorretinite	multilateral.
91
TÓPICO 4 — 
METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA 
DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO 
PRÉ-NATAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Anteriormente,	 conhecemos	 as	 características	 relacionadas	 aos	 marcadores	
imunológicos	 investigados	durante	o	período	pré-natal,	 tanto	para	diagnóstico	quanto	
para	acompanhamento	das	pacientes.	
Para	 que	 esse	 acompanhamento	 ocorra,	 diferentes	 metodologias	 são	 utilizadas.	
Neste	 tópico,	 serão	 apresentadas	 as	 técnicas	 citadas	 ao	 longo	 desta	 unidade	 para	
compreendermos	suas	principais	características.	
2 IMUNOCROMATOGRAFIA
Um	teste	de	gravidez,	daqueles	de	farmácia,	é	capaz	de	 indicar	se	uma	mulher	
está	 grávida	 através	 da	 metodologia	 imunocromatografia,	 também	 conhecida	 como	
teste	rápido,	a	partir	de	uma	amostra	de	urina.	Entretanto,	além	dos	testes	de	farmácia,	a	
imunocromatografia	também	faz	parte	da	rotina	laboratorial.	Trata-se	de	uma	metodologia	
qualitativa,	utilizada	em	laboratório	como	triagem	para	identificar	os	mais	diferentes	tipos	
de substâncias,	como	o	próprio	hormônio	hCG,	e	para	detecção	de	agentes	patogênicos,	 
como	vírus	(HIV,	SARS-CoV2	e	hepatite)	e	bactérias	(Helicobacter pylori)	(BRASIL,	2018).
Essa	técnica	é	realizada	utilizando	uma	matriz,	que	é	o	local	onde	ocorrerá	a	
reação,	geralmente	feita	de	nitrocelulose	ou	nylon e coberta por uma tira de acetato 
transparente,	 que	 possibilita	 visualizar	 o	 resultado	 do	 teste.	 Nesse	 teste,	 podemos	
identificar	o	anticorpo produzido	no	organismo	ou o antígeno (BRASIL,	2018).
Quando o objetivo é detectar se, na amostra,há	a	presença	do	anticorpo de 
interesse,	 a	 matriz	 apresentará	 o	 antígeno	 específico	 para	 o	 anticorpo	 investigado.	
Além	disso,	a	matriz	possui	anti-imunoglobulina	associado	a	uma	substância	chamada	
marcador,	 que,	 na	 presença	 da	 formação	 do	 complexo	 antígeno-anticorpos,	
apresentará	uma	coloração	na	região	teste	(BRASIL,	2018).
Caso	o	objetivo	seja	a	detecção	da	presença	de	um	determinado	antígeno,	a	
matriz	do	teste	conterá	anticorpos	específicos	para	o	antígeno	que	está	sendo	pesquisado.	
Esse	anticorpo	apresenta	um	marcador	conjugado	a	ele,	com	coloração	na	região	teste,	
quando	houver	a	formação	de	complexo	antígeno-anticorpo	(BRASIL,	2018).
92
Existem	diferentes	apresentações	de	testes	 imunocromatográficos,	conforme	
veremos	a	seguir.
2.1 FLUXO LATERAL
O	fluxo	 lateral	apresenta	quatro	áreas	 (Figura	7),	nas	quais	temos	o	 local	em	
que	a	amostra	será	depositada,	chamado	de	área	ou cavidade da amostra,	a	zona	ou 
base de conjugado (que	contém	o	anticorpo	anti-imunoglobulina	conjugado	com	seu	
marcador),	a	área	ou banda de teste	(local	onde,	ocorrendo	a	reação	antígeno-anticorpo,	
será	possível	identificar	a	presença	de	uma	banda	colorida	indicando	positividade)	e	a	
área controle (local	em	que	temos	o	controle	da	reação,	o	que	permite	considerar	o	
resultado	da	banda	teste	válido).	Independentemente	do	resultado	da	banda	de	teste,	
a	aplicação	da	amostra	deve	sempre	corar	a	banda	da	área	controle.	Isso	porque	a	área	
controle	já	contém	o	marcador	pesquisado.	Assim,	mesmo	a	aplicação	de	uma	amostra	
que	não	contenha	o	marcador	investigado,	em	conjunto	com	o	diluente,	deverá	marcar	
esta	área.	A	área	controle	marcada	indica	que	os	líquidos	aplicados	na	tira	teste	estão	
fluindo	corretamente.
Quando a área controle não apresentar coloração após aplicação da 
amostra,	o	resultado	deve	ser	rejeitado,	uma	vez	que	isso	indica	presença	de	alguma	
falha	no	teste.	Essa	avaliação	da	banda	controle	se	aplica	a	todos	os	diferentes	tipos	de	
ensaios	imunocromatográficos	(BRASIL,	2018).
FIGURA 7 – ESTRUTURA DE TESTE RÁPIDO DE FLUXO LATERAL
FONTE: <https://repositorio.ufscar.br/bitstream/handle/ufscar/12046/Disserta%C3%A7%C3%A3o_JCL.
pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 28 jan. 2021.
93
2.2 DUPLA MIGRAÇÃO OU DUPLO PERCURSO (DPP)
A	dupla	migração	apresenta	três	áreas	visíveis,	nas	quais	teremos	o	local em 
que a amostra será depositada	 (área	 1),	 a	área em que o tampão é depositado 
(solução	 capaz	 de	 evitar	 grandes	 variações	 no	 pH	 do	 meio	 em	 que	 é	 adicionado),	
permitindo	o	deslocamento	do	conjugado	em	direção	à	área	de	teste	(área	2),	e	a	área	
3,	em	que	estão	as	bandas teste e controle	localizadas.	Assim,	o	tampão	desloca	o	
conjugado	na	direção	da	amostra.	Caso	a	amostra	contenha	o	anticorpo	ou	antígeno	
pesquisado,	a	banda	teste	apresentará	coloração.
FIGURA 8 – IMUNOCROMATOGRAFIA DE DUPLA MIGRAÇÃO OU PERCURSO
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22168/mod_resource/content/2/HIV%20-%20
Manual%20Aula%206%20%281%29.pdf> Acesso em: 28 jan. 2021.
2.3 IMUNOCONCENTRAÇÃO 
Nesse	teste,	 a	 amostra	é	depositada	 sobre	uma	membrana	de	nitrocelulose,	
que	a	absorve	(Figura	9).	Ao	entrar	em	contato	com	o	antígeno	ou	anticorpo	presente	
no	 dispositivo,	 ocorre	 a	 formação	 do	 complexo	 antígeno-anticorpo.	 Em	 seguida,	 o	
conjugado	com	marcador	de	cor	é	depositado	na	mesma	membrana	que,	se	houver	
formação	do	complexo	antígeno-anticorpo,	apresentará	um	ponto	colorido	visível	na	
área	teste	(T)	(Figura	10).
94
FIGURA 9 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE UM TESTE DE IMUNOCONCENTRAÇÃO
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22168/mod_resource/content/2/HIV%20-%20
Manual%20Aula%206%20%281%29.pdf>. Acesso em: 28 jan. 2021.
FIGURA 10 – DISPOSITIVOS DE IMUNOCONCENTRAÇÃO APRESENTANDO AMOSTRA REAGENTE 
(ESQUERDA) E NÃO REAGENTE (DIREITA)
FONTE: <https://www.completesafetysupplies.co.uk/images/products/medium/1444739842-07632800.jpg>. 
Acesso em: 28 jan. 2021.
Independentemente	 do	 modo	 de	 execução	 do	 teste	 imunocromatográfico,	
a	 interpretação	do	teste	é	 realizada	da	mesma	forma,	e	esses	 resultados	podem	ser	
visualizados	 na	 forma	 de	 ponto,	 linha	 ou	 banda	 colorida,	variando	 de	 acordo	 com	o	
fabricante	(Figura	11).
95
FIGURA 11 – INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DO TESTE DE IMUNOCROMATOGRAFIA
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22168/mod_resource/content/2/HIV%20-%20
Manual%20Aula%206%20%281%29.pdf> Acesso em: 28 jan. 2021
Reagente: 
Quando houver formação de duas linhas 
coloridas: uma na área de teste (T) e outra na 
área de controle (C).
Não reagente: 
Quando houver formação de uma linha 
colorida, somente na área de controle (C).
Inválido: 
Quando não houver linha colorida, na área de 
controle (C).
De	acordo	com	Brasil	(2018,	p.	9):
Algumas	das	 causas	 prováveis	 para	 a	 invalidação	 do	 teste	 podem	
ser	o	armazenamento	 inadequado	dos	kits,	um	volume	insuficiente	
de	 amostra,	 um	volume	 incorreto	 de	 solução	 diluente	 e	 a	 simples	
execução	incorreta.	Se	o	resultado	obtido	em	um	teste	for	inválido,	
leia	novamente	as	 instruções	do	fabricante	e	 repita	o	teste	com	a	
utilização	de	um	novo	dispositivo.	Se	o	problema	persistir,	não	utilize	
mais	nenhum	teste	desse	lote.
Em alguns casos, a formação de cor da banda ou ponto do teste 
pode aparecer mais fraca. Contudo, a presença de formação de 
ponto ou banda colorida, independentemente da intensidade de 
cor, deve ser considerada resultado reagente, quando a coloração 
da banda do teste for acompanhada da coloração da banda ou 
ponto que indica controle, conforme visto anteriormente.
IMPORTANTE
96
3 ENSAIO IMUNOENZIMÁTICO (ELISA)
O	ELISA	(do	inglês,	Enzyme Linked Immuno Sorbent Assay)	é	um	imunoensaio	
no	 qual	 a	 ligação	 antígeno-anticorpo	 é	 acompanhada	 por	mensuração	 de	 atividade	
enzimática	presente	na	reação.	O	reagente	de	cor	é	uma	enzima	que	gera	mudança	de	
coloração	se	o	teste	for	positivo,	e	a	mudança	na	coloração	é	medida	por	metodologia	
espectrofotométrica.	Trata-se	de	uma	metodologia	utilizada	para	diferentes	finalidades,	
como	a	detecção	viral,	a	medida	de	antígenos	ou	anticorpos	e	a	dosagem	hormonal.	De	
acordo	com	Voltarelli	(2009,	p.	83):
Trata-se	 de	 técnica	 imunoenzimática	 sensível,	 heterogênea	 (múl-
tiplas	 fases),	 para	 a	quantificação	de	antígenos	ou	anticorpos.	Um	
dos	reagentes	é	imobilizado	na	fase	sólida,	enquanto	outro	pode	ser	
ligado	a	uma	enzima,	com	preservação	tanto	da	atividade	enzimática	
como	da	imunológica	do	anticorpo.	A	fase	sólida	pode	ser	constitu-
ída	por	partículas	de	agarose,	poliacrilamida,	dextrano,	poliestireno	
etc.	Placas	plásticas	são	as	mais	difundidas	por	permitirem	múltiplos	 
ensaios	 e	 automação.	 O	 teste	 detecta	 quantidades	 extremamente	
pequenas	de	antígenos	ou	anticorpos,	podendo	ter	elevada	precisão	
se	os	reagentes	e	os	parâmetros	forem	bem	padronizados.
Existem	diferentes	métodos	de	ELISA,	que	são	(Figura	12):
• ELISA direto:	em	kits	que	pesquisam	antígenos,	os	anticorpos	são	fixados	em	uma	
placa	composta	por	material	rígido,	como	poliestireno.	Esse	anticorpo	fixado	reagirá	com	
antígenos	presentes	na	amostra.	Em	seguida,	é	adicionado	anticorpo	específico,	dessa	
vez,	marcado	com	enzima.	A	placa,	então,	é	incubada,	ou	seja,	tem	todas	suas	regiões	
mantidas	a	uma	mesma	temperatura,	para	que	a	reação	ocorra	em	todas	as	regiões 
da placa (também	conhecidas	como	poços)	de	modo	uniforme.	Por	fim,	um	substrato	
(molécula	que	reage	com	a	enzima	presente	no	kit	reagente)	é	adicionado.	Esse	substrato	
é	um	cromógeno,	ou	seja,	quando	reage	com	a	enzima	forma	um	produto	colorido.	A	
coloração	que	se	forma	é	medida	por	espectrofotômetro,	que,	a	partir	da	 intensidade	 
da	cor	presente,	mensura	a	quantidade	do	antígeno	presente	na	amostra.
• ELISA indireto:	mensura	a	concentração	de	anticorpos	na	amostra.	 Isso	acontece	
quando	a	amostra,	contendo	anticorpos,	reage	com	seu	antígeno	específico,	que	está	
presente	na	placa	de	ELISA	(fase	sólida).Essa	ligação	antígeno-anticorpo	é	revelada	
pela	ação	do	conjugado	enzimático	específico,	que	gera	coloração	ao	reagir	com	o	
substrato	cromogênico	(moléculas	em	que	a	enzima	se	liga	resultando	em	formação	
de	 cor).	 É	 um	 ensaio	 que	 inspira	 cuidados,	 uma	vez	 que	 a	medida	 de	 anticorpos	
IgM,	aplicada	a	doenças	infecciosas,	tem	como	interferente	a	presença	de	grandes	
quantidades	do	fator	reumatoide	na	amostra,	gerando	resultados	falso-positivos,	o	
que	prejudica	sua	especificidade.
• ELISA competitivo:	a	placa	contém	o	antígeno	ou	anticorpo	de	interesse,	e	o	an-
tígeno	ou	anticorpo	presente	na	amostra	compete	com	aqueles	presentes	na	placa	
pelo	local	ligação.	Em	consequência,	a	leitura	da	concentração	desse	teste	é	inver-
samente	proporcional,	uma	vez	que,	quanto	menor	a	concentração	da	substância	
97
FIGURA 12 – ESQUEMAS DOS TESTES ENZIMÁTICOS HETEROGÊNEOS DO TIPO DIRETO, 
INDIRETO E COMPETIÇÃO
FONTE: Adaptada de <https://bit.ly/3OxieGg>. Acesso em: 28 jan. 2021. 
ELISA DIRETO OU SANDUÍCHE
ELISA INDIRETO
ELISA COMPETIÇÃO
Para	 compreender	 com	 maior	 clareza	 as	 diversas	 etapas	 necessárias	 para	
execução	da	técnica	de	ELISA,	utilizaremos	o	ELISA indireto	(AFTER	et al.,	2000):
• Sensibilização da placa:	na	primeira	etapa,	o	antígeno	específico	será	diluído	em	uma	
solução	tampão.	A	solução tampão	 é	 importante	para	evitar	que	o	pH	da	solução	
varie,	o	que	pode	prejudicar	as	reações	a	seguir.	Essa	solução	contendo	antígenos	é	
aplicada	à	placa	de	poliestireno	(Figura	13),	onde	os	antígenos	deverão	ficar	aderidos.
investigada,	menos	elas	se	ligam	aos	sítios	disponíveis,	sendo	ocupados	pelas	subs-
tâncias	presentes	no	reagente.	Dessa	forma,	quanto	menor	a	coloração	gerada	pela	
reação,	mais	positivo	é	o	teste.
98
FIGURA 13 – PLACA DE POLIESTIRENO COM 96 POÇOS UTILIZADA PARA TÉCNICAS DE ELISA
FONTE: <https://www.lojanetlab.com.br/acessorios-para-laboratorios/microplacas-de-microtitulacao/
microplaca-para-elisa-96-pocos-fundo-chato-esteril-ref-k30-5096p-olen>. Acesso em: 16 mar. 2021.
• Lavagem da placa:	uma	vez	sensibilizada,	a	placa	que	recebeu	o	antígeno	passa	
por	alguns	ciclos	de	 lavagem	(Figura	14)	para	retirar	antígenos	que	não	se	fixaram	 
na	placa.
FIGURA 14 – EQUIPAMENTO PARA LAVAGEM AUTOMÁTICA DE MICROPLACA DE ELISA
FONTE: <https://www.medicalexpo.com/pt/prod/awareness-technology/product-67695-431705.html>. 
Acesso em: 16 mar. 2021.
• Bloqueio da placa: a placa é tratada com uma solução rica em proteínas (como	
leite	desnatado,	albumina,	caseína	ou	gelatina).	O	objetivo	dessa	etapa	é bloquear 
regiões	que	não	estão	 recobertas	por	antígeno	e,	 com	 isso,	 impedir	que	reações 
inespecíficas	ocorram.
• Lavagem de placa:	após	o	bloqueio,	novas	lavagens	são	executadas	para	retirada	
das	moléculas	passíveis	de	reações	inespecíficas.
99
• Adição de amostra:	as	amostras	dos	pacientes	são	pipetadas	na	placa	e	incubadas.	
A	incubação	é	a	manutenção	da	placa	sob	uma	temperatura	uniforme	durante	um	
mesmo	período	estabelecido	pelo	kit	reagente	utilizado.	Caso	as	amostras	contenham	
anticorpos	específicos	para	os	antígenos	fixados	na	placa,	ocorrerá	a	formação	de	
complexo	antígeno-anticorpo.
• Lavagem da placa: nova lavagem ocorre para retirada de anticorpos presentes na 
amostra	que	não	se	ligaram	aos	antígenos	presentes	na	placa.
• Adição do conjugado: o conjugado corresponde a um anticorpo anti-IgG 
(anticorpos	secundários) ligado a uma enzima peroxidase (enzima	mais	comumente	
utilizada	para	técnica	de	ELISA).	Esse	anticorpo	secundário	tem	como	função	ligar-
se	ao	anticorpo	primário,	quando	este	estiver	presente	na	amostra	(Figura	15).	A	placa	
passa	por	nova	incubação	e	novos	ciclos	de	lavagens	(remoção	de	anticorpos	soltos),	
antes	da	adição	do	substrato.
FIGURA 15 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DAS LIGAÇÕES PRESENTES NO ELISA INDIRETO
FONTE: <http://biomedicinabrasil.com.br/metodologia/teste-de-elisa/>. Acesso em: 18 mar. 2021.
• Adição do substrato: o	substrato	consiste	em	uma	substância	(no	caso	da	peroxidase,	
o	substrato	é	o	H2O2)	que	forma	um	complexo	com	a	enzima	e,	com	isso,	gera	novos	
produtos.	Nessa	técnica,	o	substrato	está	ligado	a	um	cromógeno	(substância	que	gera	
reação	 de	 cor).	 Caso	 ocorra	 reação	 enzimática,	 devido	 à	 presença	 de	 anticorpos	 na	
amostra,	o	substrato	é	oxidado	e,	com	essa	reação,	o	cromógeno	gera	cor	(Figura	16).
• Leitura: por	fim,	a	formação	de	cor	presente	na	placa	é	mensurada	por	espectrofo-
tometria	com	filtro	ajustado	para	leitura	do	marcador	de	interesse	(Figura	17).
100
FIGURA 16 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DAS ETAPAS DE ELISA INDIRETO
FONTE: <https://www.misodor.com.br/HIVAIDSPEDIATRIA.php> Acesso em: 16 mar. 2021.
Adiciona-se o soro do paciente;
o anticorpo complementar se liga 
ao antígeno.
 Anti-HISG conjugado a enzima é 
adicionado e se liga ao anticorpo 
ligado ao antígeno.
Adiciona-se o substrato da enzima ( ), e a 
reação produz/forma um produto que resulta 
em uma mudança visível de cor ( ). 
1
2
3
4
O antígeno é adsorvido ao poço.
(b) Um teste ELISA indireto positivo para detectar anticorpos.
101
FIGURA 17 – EQUIPAMENTO LEITOR DE PLACAS DE ELISA
FONTE: <https://static.biotek.com/images/products/800TS/800TS_right_open_door-apps.jpg>. 
Acesso em: 15 mar. 2021.
A espectrofotometria é uma metodologia importante e muito utilizada no 
laboratório clínico, sendo um conteúdo que consideramos importante ser 
revisitado. Leia o texto Introdução à Espectrofotometria, escrito por Paulo 
Valim, no site Ciência em Ação: https://cienciaemacao.com.br/introducao-
a-espectrofotometria/.
IMPORTANTE
4 ENSAIO IMUNOENZIMÁTICO DE MICROPARTÍCULAS
Assim	 como	 o	 ELISA,	 trata-se	 de	 uma	 técnica	 imunoenzimática,	 porém	 a	
diferença	é	que	a	porção	sólida	são	micropartículas	em	suspensão	líquida	e	não	uma	
placa	(VOLTARELLI,	2009).
Nessa	técnica,	a	fase	sólida	são	micropartículas	de	látex	contendo	os	antígenos	
que	se	 ligam	aos	anticorpos	presentes	na	amostra	estudada.	Essas	micropartículas	se	
ligarão	a	uma	matriz	de	fibra	de	vidro	de	maneira	 irreversível.	O	conjugado	contendo	
antígenos	 e	 fosfatase	 alcalina	 é	 adicionado	 a	 seguir,	 ligando-se	 aos	 anticorpos,	
formando	um	complexo	antígeno-anticorpo-antígeno.	A	reação	é	revelada	pela	adição	
de	um	substrato,	que	gera	um	produto	fluorescente	pela	sua	ligação	com	a	enzima.	A	
intensidade	da	fluorescência	é	medida,	sendo	considerada	reagente	quando	supera	o	
ponto	de	corte	da	técnica	(Figura	18).
102
FIGURA 18 – ENSAIO IMUNOENZIMÁTICO DE MICROPARTÍCULAS 
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22167/mod_resource/content/1/HIV%20-%20
Manual%20Aula%205.pdf> Acesso 28 jan. 2021
103
5 HEMAGLUTINAÇÃO
Nessa	metodologia,	são	utilizados	fragmentos	de	antígenos	 recobrindo	glóbulos	
vermelhos.	Essa	solução	contendo	hemácias	e	antígenos	específicos	para	o	marcador	
investigado	é	distribuída	em	poços	de	microplaca.	A	presença	de	anticorpos	específicos	
interage	com	o	antígeno	presente	na	solução	dispensada	na	placa,	recobrindo	o	poço	
como	uma	espécie	de	“tapete”	vermelho	(amostras	1	a	3	na	Figura	19);	caso	a	amostra	
de	soro	não	apresente	os	anticorpos	investigados,	as	hemácias	ficam	depositadas	no	
fundo	do	poço	formando	um	botão	vermelho	(amostras	4	a	7	da	Figura	19)	(FERREIRA;	
MORAES,	2013).
FIGURA 19 – REAÇÃO DE HEMAGLUTINAÇÃO
FONTE: <http://twixar.me/wttm>; <http://twixar.me/9ttm>. Acesso em: 16 mar. 2021.
104
LEITURA
COMPLEMENTAR
CUIDADOS COM A DOSAGEM DA GONADOTROFINA CORIÔNICA HUMANA NO 
SEGUIMENTO DE PACIENTES COM DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL
Elza	Uberti
José	Mauro	Madi
Antonio	Braga
Bruno	Grillo
Maurício	Viggiano
A principal vigilância hormonal no seguimento pós-molar consiste na dosagem 
periódica	 e	 sistemática	 da	 gonadotrofina	 coriônica	 humana	 (hCG).	 Sendo	 um	 produto	
das	células	da	placenta,	em	especial	do	sinciciotrofoblasto,	o	hCG	também	é	secretado	
em	 menores	 quantidades	 pelas	 células	 citotrofoblásticas.	 O	 hCG	 pertence	 ao	 grupo	
dos	 hormônios	 glicoproteicos,que	 também	 compreende	 o	 luteinizante	 (LH),	 o	 folículo-
estimulante	 (FSH)	 e	 o	 tireoestimulante	 (TSH).	 Todos	 esses	 possuem	 duas	 subunidades	
diferentes,	 a	 e	 b,	 que	 são	 unidas	 por	 ligações	 não	 covalentes	 e	 que	 precisam	 estar	
combinadas	para	 formar	o	hormônio	biologicamente	ativo.	A	 subunidade	α	 é	 produzida	
tanto	na	hipófise	como	na	placenta	e	tem	a	mesma	sequência	peptídica	das	subunidades	
a	de	outros	hormônios	(LH,	FSH,	TSH).	A	subunidade	β	é	peculiar	a	cada	hormônio	e	
determina	sua	especificidade.
O	hCG	é	produzido	pela	placenta	na	gestação	normal,	pela	doença	trofoblástica	
gestacional	 (DTG),	 em	mulheres	que	estão	ou	estiveram	grávidas,	nas	neoplasias	de	
origem	 germinativa,	 por	 tumores	 não	 trofoblásticos	 e	 também	 em	 tecidos	 normais,	
incluindo	testículo	e	hipófise	humana.	A	principal	função	do	hCG	é	promover	a	produção	
de	progesterona	pelo	corpo	lúteo	do	ovário.
No	 início	 da	 gestação	 normal,	 o	 trofoblasto	 se	 diferencia	 em	 células	
predominantemente	citotrofoblásticas,	enquanto	as	células	sinciciotrofoblásticas	são	
dominantes	ao	término	da	gravidez.	O	sinciciotrofoblasto	é	a	maior	fonte	secretora	de	
hCG	 intacto	 na	 circulação	materna	 e	 as	 células	menos	diferenciadas	 do	 citotrofoblasto	
secretam	além	do	hormônio	na	sua	forma	intacta,	as	subunidades	α e β.	À	semelhança	da	
placenta	normal,	as	células	anormais	do	trofoblasto	na	doença	trofoblástica	gestacional	
(DTG)	sintetizam	e	secretam	tanto	o	hCG	intacto	como	as	formas	livres	das	subunidades	 
α e β.
105
Figura 1 – Estrutura química da molécula intacta do hCG com as cadeias α e β; peso molecular: 37.500 daltons
Após	 1980,	 foram	 desenvolvidos	 imunoensaios	 tipo	 sanduíche,	 rápidos	 e	
automatizados,	usando	anticorpos	monoclonais	para	reconhecer	especificamente	o	hCG	 
e	suas	subunidades	livres.	Tais	ensaios,	que	são	tão	ou	mais	sensíveis	do	que	o	teste	do	
BhCG	por	radioimunoensaio,	não	utilizam	radioisótopos,	apresentam	menor	coeficiente	
de	variação	e	maior	durabilidade	dos	reagentes,	o	que	implica	um	menor	custo	final	na	
execução	do	exame.	As	diferentes	formas	degradadas	do	hCG	são	 reconhecidas	por	
um	grande	número	de	 anticorpos,	 o	 que	 resulta	 em	grande	variação	nos	 resultados	
inter-ensaios,	 especialmente	 se	 a	 determinação	 é	 na	 urina,	 trazendo	 confusão	 nos	
resultados	dos	testes	para	diagnóstico	de	gravidez.	Utilizam-se	amostras	séricas	para	
fins	de	monitorização	dos	níveis	de	hCG	durante	a	gravidez	(tratamento	conservador	e	
medicamentoso	da	gravidez	ectópica	e	na	fertilização	assistida)	e	na	monitorização	das	
neoplasias,	em	especial	a	neoplasia.
Trofoblástica Gestacional (NTG)
A	natureza	complexa	dos	produtos	de	degradação	do	hCG	intacto,	da	meia-vida	
dos	produtos	de	degradação	e	das	reações	cruzadas	dos	vários	produtos	de	degradação	
com	os	vários	anticorpos,	explica	a	discrepância	entre	os	 resultados	da	dosagem	de	
gonadotrofina	 coriônica	 feita	 nos	 diferentes	 laboratórios	 e,	 num	mesmo	 laboratório,	
com	o	mesmo	kit,	entre	as	diferentes	amostras	do	material.
Atualmente,	a	conduta	efetiva	dos	casos	de	DTG	é	altamente	dependente	da	
determinação	do	imunoensaio	sérico	para	dosagem	quantitativa	do	hCG,	que	deve	ser	
utilizado	em	todos	os	estágios	do	manejo	da	DTG,	incluindo	diagnóstico,	planejamento	
terapêutico,	 monitorização	 da	 resposta	 ao	 tratamento	 e	 detecção	 das	 eventuais	
recidivas.	Em	DTG,	é	recomendável	um	ensaio	que	dose	o	hCG	total	+	BhCG,	que	tem	a	
vantagem	de	reconhecer	também	o	hCG	clivado	e	o	BhCG-clivado,	o	que	proporcionará	
resultados	mais	precisos	e	condutas	clínicas	mais	acertadas.
O	 uso	 do	 hCG	 apenas	 na	 propedêutica	 da	 DTG	 é	 direcionado	 para	 cinco	
momentos:	 1)	 diagnóstico	 de	 DTG;	 2)	 Seguimento	 pós-esvaziamento	 molar;	 3)	
diagnóstico	 de	 neoplasia	 trofoblástica	 gestacional	 pós-molar	 4)	 Monitorização	 do	
tratamento	quimioterápico;	5)	diagnóstico	de	recidiva	da	NTG.
106
Para	os	fins	referidos,	é	indispensável	a	determinação	quantitativa	de	BhCG	(hCG	
intacto	+	BhCG),	exames	que	preferencialmente	devem	ser	realizados	em	um	mesmo	
laboratório,	para	se	ter	credibilidade	e	se	poder	comparar	o	 resultado	com	outros	da	
mesma	procedência.	É	importante	também	que	os	profissionais	do	laboratório	onde	o	
exame	é	realizado	tenham	conhecimento	que	lidam	com	um	marcador	tumoral	e	que	os	
resultados	se	destinam	à	monitorização	de	DTG,	e	não	apenas	ao	diagnóstico	de	gravidez,	
ou	seja,	ratificando	a	necessidade	de	o	resultado	ser	precisamente	quantificado.
hCG no diagnóstico de DTG
Em	condições	normais	da	gestação,	os	níveis	séricos	de	hCG	biologicamente	
ativo	aumentam	exponencialmente	no	1º	trimestre	da	gravidez,	duplicando	a	cada	dois	
dias,	atingindo	o	pico	em	torno	da	10ª	a	12ª	semana,	quando	podem	alcançar	valores	de	
100.000	mUI/mL.	A	partir	daí,	os	valores	decrescem	até	a	20ª	semana,	atingindo	cerca	
de	20%	dos	valores	de	pico	máximo	e	assim	permanecem	até	o	final	da	gestação.	Após	
o parto,	os	níveis	séricos	de	hCG	seguem	regredindo	e	os	resultados	dos	testes	atingem	
valores	normais	(<	5	mUI/mL)	em	torno	de	30	dias.
Após	a	interrupção	de	uma	gravidez	não	molar	na	1ª	metade	da	gestação,	os	
valores	de	hCG	atingem	resultado	normal	em	torno	de	2	a	3	semanas.	Essa	informação	
é	 importante	por	auxiliar	a	conduta	clínica	frente	à	paciente	que	tenha	apresentado	um	
abortamento	 espontâneo	 e	 completo,	 e/ou	 quando	 um	 exame	 anatomopatológico	 for	
inconclusivo	no	diagnóstico	de	mola	hidatiforme	(MH)	(quando,	por	exemplo,	evidenciar	
apenas	edema	de	vilos	sem	hiperplasia	de	trofoblasto),	situação	em	que	uma	dosagem	
de	hCG	feita	em	3	semanas	ajuda	a	elucidar	o	diagnóstico:	se, nesse tempo referido, a 
dosagem	sérica	do	hCG	for	<	5	mUI/mL	fica	afastada	uma	DTG	e	o	edema	de	vilos	deve	
refletir	outras	cromossomopatias.
Na	mulher	em	idade	fértil	e	sem	uso	de	contraceptivos,	diante	de	um	resultado	
positivo	de	hCG,	a	maior	probabilidade	é	se	tratar	de	uma	gravidez	normal.	Diante	de	um	
atraso	menstrual,	se	uma	paciente	com	hCG-positivo apresentar sangramento genital 
e	um	exame	de	ultrassonografia	 (US)	mostrando	conteúdo	uterino	sugestivo	de	MH,	
uma	dosagem	de	hCG	 sérico	quantitativo	 com	valores	 elevados	 confirma	a	 suspeita	
de	DTG.	Na	MH	parcial,	situação	na	qual	os	valores	séricos	quantitativos	do	hCG	são	
geralmente	menos	 elevados,	 o	 diagnóstico	 clínico	 e	 US	 inicialmente	 é	 de	 gestação	
interrompida;	para	um	diagnóstico	precoce	de	MH	parcial	destaca-se	a	importância	do	
exame	histológico	sistemático	de	todo	material	curetado,	com	alerta	ao	patologista	se	
houver	suspeita	diagnóstica	de	MH	parcial.
A	 realização	de	uma	dosagem	de	hCG	é	 também	 importante	no	diagnóstico	
diferencial	 de	 miomas	 uterinos	 intracavitários	 (submucosos)	 com	 degeneração:	 a	
imagem	ao	US	dessa	patologia,	por	vezes,	é	sugestiva	de	MH.	Se	a	dosagem	de	hCG	
for	 negativa	 é	 afastada	 uma	 gravidez	 e	 fica	 reforçada	 a	 suspeita	 inicial	 de	 mioma	
degenerado.
107
A	 dosagem	 de	 hCG	 também	 é	 essencial	 no	 rastreamento	 de	 causas	 de	
sangramento	 uterino	 disfuncional	 ou	 em	 mulheres	 que,	 no	 menacme,	 mesmo	
sem	 sangramento	 anormal,	 apresentem	 sintomas	 atípicos	 como	 hemoptise,	 dores	
abdominais,	 convulsões	 etc.;	 nesses	 casos,	 na	 ausência	 de	 gestação	 documentada	
há	mais	 de	 30	 dias,	 um	 hCG	 positivo	 levanta	 a	 hipótese	 de	 DTG	 e	 indica	 avaliação	
diagnóstica.
Para	diagnóstico	de	gestação	molar	basta	um	resultado	positivo	na	dosagem	de	
hCG	(≥	200	mUI/mL)	associado	à	 imagem	típica	ao	US.	A	quantificação	do	hCG	nessa	
etapa	diagnóstica	será	relevante,	entretanto,	para	identificação	da	MH	de	alto-risco	para	
desenvolvimento	de	NTG;	em	tais	pacientes	uma	dosagem	de	hCG	≥	100.000	mUI/mL	
é	sinal	de	alerta	para	rastreio	das	complicações	médicas	associadas	ao	hCG	elevado,	
tais	como	tamanho	uterino	maior	do	que	o	esperado	para	a	idade	gestacional,	presença	
de	 cistos	 ovarianos	 teca-luteínicos	 volumosos,	 pré-eclampsia,	 hipertireoidismoe	
embolização	trofoblástica.
Na	 quantificação	 do	 hCG, é importante também destacar a possibilidade de 
um	resultado	falsamente	mais	baixo	devido	ao	efeito	“hook”,	que	pode	estar	presente	
quando	 os	 níveis	 da	 gonadotrofina	 são	 extremamente	 elevados.	 O	 excesso	 de	 hCG	
progressivamente	satura	a	fase	sólida	e	a	detecção	de	anticorpos,	impedindo	que	haja	
formação	do	“sanduíche”	que	quantifica	o	hCG,	quando	se	utilizam	os	novos	ensaios	
com	anticorpos	monoclonais.	Esse	efeito	pode	ser	prevenido	pela	diluição	da	amostra	
a	 1/100	e	 1/10.000.	Diante	da	paciente	com	gestação	molar	e	úteros	volumosos,	um	
contato	da	equipe	médica	com	o	laboratório	torna-se	essencial,	antes	de	ser	iniciado	o	
processo	de	quantificação	do	hCG,	para	evitar	os	resultados	incorretos.
O	valor	do	BhCG	obtido	antes	ou	 logo	após	esvaziamento	da	MH	 representa	
o	ponto	 inicial	de	uma	curva	onde	serão	colocadas	sucessivamente	a	cada	7	dias	os	
outros	valores	numéricos,	configurando	a	curva	individual	de	regressão	do	BhCG,	que	
possibilita	 identificar	precocemente	a	evolução	da	DTG	para	remissão	espontânea	ou	
para	evolução	neoplásica.
hCG no acompanhamento pós-molar
 
	 Feito	 um	 diagnóstico	 clínico	 de	MH,	 o	 próximo	 passo	 é	 o	 esvaziamento	 da	
cavidade	 uterina,	 preferencialmente	 com	 o	 método	 de	 vácuo-aspiração	 elétrica	
ou	 manual,	 através	 do	 qual	 se	 consegue	 o	 material	 para	 ser	 enviado	 para	 exame	
histopatológico.	 Segue	 tal	 procedimento	 cirúrgico,	 um	 acompanhamento	 com	 consultas	
médicas	e	dosagens	quantitativas	de	hCG,	que	duram	em	média	6	a	8	meses,	conhecido	
como	 acompanhamento	 pós-molar.	 Esse	 acompanhamento	 que	 deve	 ser	 realizado	
preferencialmente	 em	Centros	 de	Referência	 (CR),	 onde	 uma	 equipe	multidisciplinar	
treinada	proporcione	o	atendimento	adequado	em	todas	as	fases	do	tratamento.	Nessa	
etapa,	o	BhCG,	que	precisa	sempre	ser	precisamente	quantificado,	tem	papel	relevante	
como	marcador	tumoral.
108
Recomenda-se	 que	 as	 pacientes	 façam	 consultas	 médicas	 acompanhadas	
da	dosagem	de	BhCG	até	serem	obtidos	três	resultados	semanais	consecutivos	com	
níveis	inferiores	a	5	mUI/mL	quando,	por	definição	clínica,	é	caracterizada	a	remissão	
da	doença.	Após	a	remissão,	o	controle	passa	a	ser	mensal,	durante	mais	cerca	de	6	
meses.	Durante	todo	o	seguimento	pós-molar,	as	pacientes	devem	fazer	anticoncepção	
rigorosa,	 de	 preferência	mediante	 o	 uso	 de	 anticoncepcional	 oral,	 uma	vez	 que	 não	
podem	engravidar	durante	o	período	de	acompanhamento.	A	anticoncepção	eficaz	é	
um dos pilares do controle pós-molar e,	como	tal,	o	uso	é	recomendado	e	garantido.	
A	maioria	das	pacientes	portadoras	de	MH	(80%)	permanece	assintomática	até	a	cura	
completa	da	doença.
A	 curva	 de	 regressão	 do	 BhCG	 de	 cada	 paciente	 realizada	 durante	 o	
acompanhamento pós-molar pode ser comparada com a curva semilogarítmica e 
exponencial	 de	 regressão	 normal	 do	 hCG,	 conforme	 proposto	 por	 Schlaerth	 et al. 
(Figura	 2)	 ou	 com	 outra	 proposta	 em	 nosso	 meio	 por	 Maestá.	 Se	 os	 valores	 forem	
progressivamente	 descendentes	 e	 paralelos	 à	 curva	 padrão	 de	 regressão,	 significa	 que	
a	paciente	 está	 evoluindo	para	 remissão	espontânea	da	doença,	 dispensando	qualquer	
tratamento	adicional.
Figura 2 – Curva semilogarítmica de regressão do hCG proposta por Schlaerth et al. (média ± 2 desvios 
padrões), adaptada para mostrar o valor considerado normal (inferior a 5 mUI/mL)
 
FONTE: Adaptado de <https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/414-cuidados-com-a-dosagem-da-
gonadotrofina-corionica-humana-no-seguimento-de-pacientes-com-doenca-trofoblastica-gestacional>. 
Acesso em: 2 fev. 2021.
109
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
•	 A	imunocromatografia	é	uma	metodologia	qualitativa,	utilizada	em	laboratório	como	
triagem	para	identificar	vírus,	hormônios	e	bactérias.
•	 Na	imunocromatografia,	utiliza-se	uma	matriz,	que	pode	estar	coberta	por	uma	tira	
de	acetato	transparente,	para	permitir	visualizar	o	 resultado	do	teste,	podendo-se	
identificar	o	anticorpo	ou o	antígeno	presente	na	amostra.
•	 Fluxo	lateral,	dupla	migração	e	imunoconcentração	são	as	possíveis	apresentações	
dos	testes	imunocromatográficos.
•	 Existem	tipos	diferentes	de	ELISA:	direto,	indireto	e	competitivo.
•	 No	ELISA	direto,	que	detecta	antígenos,	o	anticorpo	é	fixado	na	placa,	 ligando-se,	
posteriormente,	a	um	anticorpo	ligado	a	uma	enzima,	a	qual	se	liga	a	um	substrato	
que	irá	formar	a	cor	que	o	espectrofotômetro	quantifica.
•	 No	ELISA	indireto,	o	antígeno	é	fixado	na	placa,	ligando-se	a	um	anticorpo	não	marcado.	
Em	seguida,	é	adicionado	um	segundo	anticorpo	conjugado	a	uma	enzima	que,	ao	
reagir	com	o	substrato,	forma	a	cor	que	será	mensurada	por	espectrofotometria.
•	 No	 ELISA	 competitivo,	 a	 placa	 apresenta	 antígeno	 ou	 anticorpo	 de	 interesse,	 e	 o	
antígeno	ou	anticorpo	que	existe	na	amostra	compete	com	aqueles	presentes	na	
placa	pelo	local	ligação.
•	 Ensaio	imunoenzimático	de	micropartículas	é	uma	técnica	imunoenzimática	em	que	 
a	porção	sólida	é	composta	por	micropartículas	em	suspensão	líquida.
RESUMO DO TÓPICO 4
110
AUTOATIVIDADE
1	 A	imunocromatografia	é	uma	metodologia	qualitativa,	utilizada	em	laboratório	como	
triagem	 para	 identificar	 os	 mais	 diferentes	 tipos	 de	 substâncias,	 como	 o	 próprio	
hormônio	hCG,	e	para	detecção	de	agentes	patogênicos,	como	vírus	e	bactérias.	A	
respeito	do	método	imunocromatográfico,	observe	a	figura	a	seguir:
FONTE: <http://www.nano-macro.com/2015/09/a-magica-do-diagnostico-post-2.html>. 
Acesso em: 16 mar. 2021.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 Trata-se	de	um	teste	com	resultado	reagente.
b)	 (			)	 Trata-se	de	um	teste	inválido,	uma	vez	que	a	área	de	controle	não	apresentou	
marcação.
c)	 (			)	 Trata-se	de	um	teste	válido,	uma	vez	que	a	área	de	controle	não	apresentou	
marcação.
d)	 (			)	 Trata-se	de	um	resultado	não	reagente,	uma	vez	que	a	área	C	não	apresentou	
marcação.
2	 ELISA	é	uma	metodologia	utilizada	para	diferentes	finalidades,	como	a	detecção	viral,	
a	medida	de	 antígenos	ou	 anticorpos	 e	 a	dosagem	hormonal.	 Explique	por	 que	o	
ELISA	indireto	não	é	a	melhor	opção	para	detecção	de	IgM.	
3	 Existem	 tipos	 diferentes	 de	 ELISA:	 direto,	 indireto	 e	 competitivo.	 Explique	 o	
funcionamento	da	técnica	de	ELISA	competitivo.
4	 A	 técnica	 de	 ELISA,	 independentemente	 do	 tipo,	 apresenta	 diversas	 etapas	 que	
precedem	a	geração	de	 resultados	que	 indicarão	ou	não	a	presença	do	marcador	
investigado.	Com	relação	ao	teste	de	ELISA	indireto,	analise	a	ordem	dos	compostos	
utilizados:
I-	 Antígeno	de	interesse.
II-	 Substrato.
III-	 Soro	de	paciente.
IV-	 Anticorpo	secundário.
111
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 II	–	IV	–	I	–	III.	
b)	 (			)	 I	–	III	–	IV	–	II.	
c)	 (			)	 II	–	IV	–	I	–	III.
d)	 (			)	 III	–	I	–	IV	–	II.
5	 Sobre	a	hemaglutinação	passiva,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 Resultados	reagentes	são	identificados	pela	presença	de	um	botão	vermelho	no	
fundo	do	poço.
b)	 (			)	 São	utilizados	glóbulos	brancos	sensibilizados	com	fragmentos	do	antígeno	de	
interesse.
c)	 (			)	 Resultados	reagentes	são	identificados	pela	presença	de	um	tapete	vermelho	no	
fundo	do	poço.
d)	 (			)	 São	utilizados	glóbulos	brancos	sensibilizados	com	fragmentos	de	cromógeno	
associado	ao	antígeno	de	interesse.
112
113
REFERÊNCIAS
AFTER,	R.	A. et al.	Kuby Immunology. 4.	ed.	New	York:	WH	Freeman	&	Company;	
2000.
AMERICAN	CANCER	SOCIETY.	Sinais e sintomas da doença trofoblástica 
gestacional.	2016.	Disponível	em:	https://www.cancer.org/cancer/gestational-
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116
117
DOENÇAS 
INFECTOCONTAGIOSAS E 
AUTOIMUNES
UNIDADE 3 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender as principais doenças infecciosas e autoimunes; 
• compreender as principais características e os testes imunológicos mais utilizados no 
diagnóstico e no acompanhamento de sífilis, síndrome da imunodeficiência adquirida 
(SIDA ou AIDS), hepatites virais, coronavírus e lúpus eritematoso sistêmico.
 Esta unidade está dividida em cinco tópicos. No decorrer dela, você encontrará 
autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – SÍFILIS
TÓPICO 2 – SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (SIDA OU AIDS)
TÓPICO 3 – HEPATITES VIRAIS
TÓPICO 4 – CORONAVÍRUS
TÓPICO 5 – LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
118
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UNIDADE 3!
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119
TÓPICO 1 — 
SÍFILIS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Nesta unidade, apresentaremos as principais doenças infecciosas e autoimunes, 
abordando as características de cada uma e quais os testes imunológicos mais utilizados 
no diagnóstico e acompanhamento dessas doenças. Neste tópico, aprofundaremos 
nosso conhecimento a respeito da sífilis. 
2 SÍFILIS
A sífilis é uma doença sistêmica que tem como agente etiológico o Treponema 
pallidum. Esse microrganismo apresenta forma de espiroqueta e característica 
microaeróbia (que cresce sob baixa tensão de oxigênio), com parede celular semelhante 
às bactérias Gram-negativas. Apesar da semelhança, o T. pallidum não se cora na 
coloração de Gram. São os componentes estruturais da bactéria (Figura 1) (FERREIRA, 
2013):
• Filamento axial: tem como função promover a movimentação do Treponema. É 
composto por um feixe de fibrilas que formam uma espiral em torno do Treponema, 
semelhante ao formato de um saca-rolhas. 
• Membrana celular: estrutura composta por proteínas de ligação à penicilina, 
lipoproteínas, glicolipídeos e cardiolipina. A cardiolipina é o principal antígeno utilizado 
para investigações sorológicas não treponêmicas.
• Periplasma: composta por uma camada que, de acordo com Ferreira (2013, p. 
5), “uma membrana interna ou citoplasmática que rodeia o corpo celular e uma 
membrana externa protetora. Entre uma membrana e outra, encontra-se um espaço 
periplasmático com uma pequena camada de peptidoglicano”. É nessa região que 
o filamento axial fica aderido, o que confere o formato espiralado ao Treponema. 
É a partir desta estrutura que o movimento em hélice é possível, bem como sua 
capacidade de se deslocar em meios com maior viscosidade.
• Membrana externa: tem como função proteger o microrganismo do meio externo, 
por revestir a superfície treponêmica (FERREIRA, 2013).
A identificação da bactéria por microscopia óptica não faz parte das práticas 
laboratoriais de rotina, uma vez que é uma bactéria muito delgada, o que dificulta sua 
visualização no setor de microbiologia. “A pequena diferença de densidade entre o corpo 
e a parede do T. pallidum faz com que seja prejudicada sua visualização à luz direta no 
microscópio. Cora-se fracamente; daí o nome pálido, do latim pallidum” (AVELLEIRA; 
BOTTINO, 2006, p. 113).
120
É sempre importante rever alguns conceitos para absorvero conteúdo 
com maior clareza:
• Doença sistêmica: afetam diversos órgãos, não se restringindo 
ao prejuízo de um único determinado órgão ou sistema.
• Bactéria Gram-negativa: são bactérias constituídas de uma 
parede de peptidoglicano mais delgada, o que faz com que não 
retenham o cristal violeta ao longo da etapa de descoloração, o 
que resulta na cor vermelha ao final da coloração de Gram.
• Microaeróbia: microrganismos que se desenvolvem em baixas 
tensões de oxigênio.
IMPORTANTE
FIGURA 1 – COMPOSIÇÃO ESTRUTURAL DO TREPONEMA PALLIDUM
FONTE: <https://www.biomedicinapadrao.com.br/2011/09/espiroquetas.html>. Acesso em: 8 fev. 2021.
O T. pallidum é um patógeno que tem como hospedeiro apenas os seres humanos 
e a via de transmissão ocorre principalmente por contato sexual, porém também pode 
ser causado por transmissão vertical, ou seja, da gestante para o feto (quando não 
houver tratamento da gestante) (AVELLEIRA; BOTTINO, 2006). 
Ao ser transmitido, o T. pallidum penetra no organismo e atinge a corrente 
sanguínea, sendo distribuído por diversos tecidos. Com essa dispersão, uma resposta 
inflamatória e imunológica por parte do sistema imune é desencadeada culminando nas 
manifestações clínicas que podem ser divididas em 3 estágio:
121
•	 Sífilis	primária: nesse primeiro estágio as manifestações ocorrem de 10 a 90 dias 
após a infecção (período de incubação). Nessa etapa, o sinal clínico inicial é a presença 
de lesão no local onde a bactéria penetrou no organismo. Essa lesão, que contém 
muitas espiroquetas, recebe o nome de cancro duro (Figura 2), pois apresenta base 
endurecida e secreção, porém sem manifestação de dor. Essa lesão desaparece 
espontaneamente em cerca de 15 dias (BRASIL, 2010). 
•	 Sífilis	secundária: quando a sífilis não é detectada e tratada já no estágio primário as 
manifestações clínicas evoluem para o estágio secundário (Figura 3), em decorrência 
da dispersão da bactéria por todos os órgãos. A partir desse estágio, a presença de 
exantemas (roséolas	sifilíticas), que consistem em erupções cutâneas contendo 
treponemas, é a manifestação clínica característica (BRASIL, 2010).
•	 Sífilis	 latente: caso o paciente infectado siga sem detecção e tratamento da 
sífilis, as manifestações clínicas cessam, configurando o estágio latente, o qual 
é considerado recente durante o primeiro ano de infecção e, após esse período, é 
considerada latente tardia (BRASIL, 2010).
•	 Sífilis	terciária: o paciente apresenta um processo inflamatório acompanhado da 
destruição de tecido ósseo, estabelecimento da sífilis cardiovascular (manifestada pela 
aortite, uma inflamação na artéria aorta) e da neurossífilis (que pode se manifestar por 
prejuízos auditivos, motores, visuais, depressão, perda de memória e dor) (BRASIL, 
2010). É um estágio considerado grave que pode se manifestar de 10 a 30 anos após 
a infecção. 
A sífilis terciária se manifesta na forma de inflamação e destruição 
de tecidos e ossos. É caracterizada por formação de gomas sifilíticas, 
tumorações amolecidas vistas na pele e nas membranas mucosas, 
que também podem acometer qualquer parte do corpo, inclusive no 
esqueleto ósseo (BRASIL, 2010, p. 22). 
As manifestações clínicas estão presentes em três estágios, porém, a patologia 
em si apresenta quatro estágios, sendo um deles latente e com poucos ou nenhum 
sintoma ou sinal clínico. 
FIGURA 2 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE CANCRO DURO CARACTERÍSTICO DE SÍFILIS PRIMÁRIA
FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/syphilitic-ulcers-ulcus-durum-close-
view-465543644>. Acesso em: 8 fev. 2021.
122
Nos últimos anos, as solicitações de provas para diagnóstico de sífilis aumentaram 
consideravelmente. Isso se deveu ao aumento no número de casos apresentados no 
Brasil. Por isso, sugerimos a leitura da matéria Sífilis volta a ser uma epidemia no Brasil, 
apesar do tratamento rápido, de 2017, publicada na Globo News.
Uma doença que não escolhe idade, sexo nem classe social. É assim que especialistas 
descrevem a sífilis, transmitida pela bactéria treponema pallidum, principalmente por 
via sexual, mas também da mãe para o filho, durante a gravidez. A falta de tratamento 
pode causar cegueira, demência e más formações, no caso de fetos. Mas infectologistas 
destacam que o tratamento é rápido, assim como o diagnóstico, que pode ser feito com 
um teste rápido, com resultado pronto em dez minutos. No caso da sífilis primária, uma 
única dose de penicilina benzatina intramuscular já o suficiente para a cura. O aumento 
dos casos da doença preocupa especialistas. O Dr. Alexandre Chieppe, 
subsecretário Estadual de Vigilância em Saúde, afirma que, desde 2011, vem 
sendo observado um aumento de casos de sífilis congênita e do número de 
casos na população geral. Desde o início dos anos 2000, a comunidade 
médica internacional já vinha alertando para o aumento do número 
de casos da doença. No Brasil, especialmente nos grandes centros 
urbanos, a infecção dava sinais de avanço rápido e preocupava as 
autoridades. Tanto que, em meados de 2007, a ONG do Rio de Janeiro 
“Centro de Educação Sexual”, junto com outros parceiros, lançou uma 
campanha de prevenção, estrelada por artistas como Glória Pires e o 
marido Orlando Moraes. 
FONTE: <http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2017/04/sifilis-volta-ser-
uma-epidemia-no-brasil-apesar-do-tratamento-rapido.html>. Acesso em: 
20 fev. 2021.
INTERESSANTE
FIGURA 3 – ERUPÇÕES CUTÂNEAS CARACTERÍSTICAS DA SÍFILIS SECUNDÁRIA
FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/secondary-stage-syphilis-sores-lesions-
on-1024557601>. Acesso em: 5 fev. 2021.
123
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E 
ACOMPANHAMENTO DA SÍFILIS
Inicialmente, apresentaremos as características do T. pallidum e as manifesta-
ções clínicas de acordo com o estágio de evolução da doença. Contudo, se realizarmos 
provas imunológicas para detectar o treponema, qual a importância de conhecer todas 
estas características da doença? 
Conforme a doença evolui, cada fase tem um grupo de provas imunológicas 
próprias para diagnóstico da sífilis. De posse do conhecimento dessas diferenças, 
o médico avalia o paciente para, então, compreender quais testes são ideais para 
investigar a suspeita médica. 
As provas imunológicas utilizadas para detecção de sífilis dividem-se em dois 
tipos: ensaios treponêmicos e não treponêmicos. A seguir, veremos as diferenças 
entre essas provas e o significado clínico de cada uma.
3.1 TESTES NÃO TREPONÊMICOS
Como o próprio nome indica, nos ensaios não treponêmicos, os anticorpos 
detectados não	são	específicos para o T. pallidum. É possível encontrar na literatura 
esses testes classificados como anticardiolipínicos, ou seja, anticorpos produzidos 
contra moléculas chamadas cardiolipinas. As cardiolipinas são fosfolipídios que apre-
sentam carga negativa e, em mamíferos, estão presentes na membrana mitocondrial. 
Em condições patológicas, essas moléculas estão presentes em células apoptóticas, 
na ativação plaquetária e em complicações durante a gestação. Contudo, também são 
encontrados na sífilis (RAND; WOLGAST, 2018). 
Os testes não treponêmicos estão amplamente disponíveis nos laboratórios, 
são de baixo custo e possibilitam o monitoramento da resposta ao tratamento. Como 
desvantagens, possuem baixa sensibilidade na sífilis primária e também na sífilis latente 
e tardia, além de produzirem resultados falso-positivos, devido à ocorrência de outras 
enfermidades que causam degeneração celular (BRASIL, 2016, p. 23).
Assista ao seguinte vídeo, desenvolvido pelo Telelab, sobre testes não 
treponêmicos: https://www.youtube.com/watch?v=nAWWmxLM9vg. Trata-
se de um material importante que visa a facilitar a compreensão desses 
novos conhecimentos e revisa o conceito de efeito prozona, conhecimento 
essencial para evitar a obtenção de resultados falso-negativos.
IMPORTANTE
124
Assim, quando aplicamos testes não treponêmicos para investigação de 
sífilis, é importante ter em mente que resultados reagentes(positivos) indicam 
a presença de anticorpos anticardiolipínicos, que também podem ser encontrados 
em outras condições clínicas. Apesar de inespecíficos, são testes importantes para 
acompanhamento da eficácia do tratamento para sífilis, sendo de fácil realização e 
baixo custo. Isso ocorre pela observação, em casos de tratamentos efetivos, da redução 
na quantidade de anticorpos anticardiolipínicos no soro de pacientes. Os testes não 
treponêmicos podem ser de dois tipos: 
• Qualitativos: aplicados a triagem de amostras, indicando apenas se a amostra 
apresenta resultado reagente ou não.
• Quantitativos: testes que determinam a quantidade de anticorpos presentes em 
amostras e auxiliam principalmente no acompanhamento da evolução do paciente 
frente ao tratamento. 
Pelo resultado de um teste não treponêmico quantitativo, como o paciente está 
respondendo a um tratamento? Ocorre que, nestes tipos de testes, o médico tem acesso 
à titulação de anticorpos anticardiolipínicos da amostra do paciente. A titulação 
corresponde à maior diluição em que a amostra apresentou resultado reagente (NADAL; 
FRAMIL, 2007). 
A titulação descrita é realizada a partir de diluições seriadas, 
assunto abordado nas unidades anteriores.
IMPORTANTE
Assim, quanto maiores os títulos de anticorpos anticardiolipínicos que a amostra 
do paciente apresenta, maior a atividade da doença em casos em que o tratamento 
ainda não foi aplicado ao paciente; já em pacientes em tratamento, indica que a 
resposta ao tratamento não é suficiente para combater a bactéria. Por outro lado, baixas 
titulações em pacientes em tratamento indicam que o paciente está respondendo bem 
ao medicamento (BRASIL, 2010).
A seguir, abordaremos as principais metodologias de testes imunológicos não 
treponêmicos no que diz respeito à interpretação dos resultados. Os princípios das 
metodologias apresentadas aqui serão discutidos no Tópico 5.
125
3.1.1 Floculação: VDRL
O VDRL (sigla do inglês Venereal Disease Research Laboratory) é um dos 
principais testes não treponêmicos para diagnóstico e acompanhamento da sífilis, 
uma vez que é possível verificar a presença de anticorpos anticardiolipina presentes 
nas amostras de soro ou líquor antes e depois do tratamento. Trata-se de uma técnica 
de floculação em que, de acordo com o Grupo Wiener Laboratórios (2000, p. 4): “As 
‘reaginas’ que se encontram presentes em indivíduos infectados por T. pallidum, são 
detectadas no soro pela reação com um antígeno cardiolipínico purificado e estabilizado. 
Se a amostra contiver reagina, esta se unirá ao antígeno, produzindo uma floculação 
visível ao microscópio”.
Para que a reação de floculação ocorra, diferentes etapas devem ser seguidas. 
A Figura 4 apresenta os passos que devem ser executados para triagem inicial de 
amostras em que o soro do paciente é testado puro e na diluição ⅛, chamada de VDRL 
qualitativo. Caso a avaliação qualitativa da amostra analisada apresente resultado 
reagente pura e/ou diluída, a técnica de VDRL quantitativo deverá ser executada 
(Figura 5) com o objetivo de identificar a maior titulação de anticorpos anticardiolipínicos 
presentes na amostra analisada (BRASIL, 2016).
Após tratamentos bem-sucedidos, o VDRL pode se tornar não reagente, ou, 
após redução progressiva dos títulos (durante acompanhamento do tratamento), 
ainda apresentar, mesmo tempos depois do tratamento, baixas titulações. Contudo, as 
permanências dessas baixas titulações não necessariamente indicam que a infecção 
segue ativa ou que o tratamento não seja efetivo, mas, sim, que existe uma cicatriz 
sorológica. Assim, um tratamento é considerado eficaz quando um apresenta redução 
das titulações em comparação àquelas presentes antes do tratamento. Em geral, 
se após a conclusão do tratamento o paciente apresentar titulações de 1/2 e 1/4, 
acompanhados de testes treponêmicos não reagentes, trata-se de uma cicatriz 
sorológica (BRASIL, 2010). 
126
FIGURA 4 – ETAPAS DA TÉCNICA DE VDRL QUALITATIVA
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22193/mod_resource/content/1/
S%C3%ADfilis%20-%20Manual%20Aula%202.pdf>. Acesso em: 7 abr. 2021.
127
Em pacientes com a doença ativa, os resultados reagentes de VDRL apresentam 
titulações altas, a partir de 1/16, entre a 2ª e 4ª semana após o surgimento do cancro 
duro, sendo necessário o início do tratamento. Além disso, pacientes pós-tratamento 
que apresentam titulações de VDRL ainda maiores que as mencionadas anteriormente 
têm indicação para repetição de tratamento (BRASIL, 2010). 
Para ilustrar todas as etapas, assista ao vídeo VDRL – O que 
todo biomédico precisa saber, que mostra o passo a passo da 
técnica. Utilize esse material como instrumento facilitador para 
visualização e compreensão dos passos previamente descritos. 
Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=G_mcKz03LoA.
IMPORTANTE
FIGURA 5 – ETAPAS DA TÉCNICA DE VDRL QUANTITATIVA
128
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22193/mod_resource/content/1/
S%C3%ADfilis%20-%20Manual%20Aula%202.pdf>. Acesso em: 7 abr. 2021.
É importante lembrarmos que, por se tratar de um teste que não está detectando 
a bactéria em si, ele não é específico para sífilis. Assim, existem causas transitórias ou 
permanentes que podem gerar resultados falso-positivos, como mostra o Quadro 1. 
QUADRO 1 – SITUAÇÕES QUE PODEM GERAR RESULTADOS FALSO-POSITIVOS NOS 
TESTES NÃO TREPONÊMICOS
FONTE: Brasil (2016, p. 23)
Situações que podem gerar resultados 
falso positivos transitórios
Situações que podem gerar resultados 
falso-positivos permanentes
• Algumas infecções;
• Após vacinações;
• Uso concomitante de medicamentos;
• Após transfusões de hemoderivados;
• Gravidez;
• Em idosos.
• Portadores de lúpus eritematoso sistêmico; 
• Síndrome antifosfolipídica e outras 
 colagenoses;
• Hepatites virais crônica;
• Usuários de drogas ilícitas injetáveis; 
• Hanseníase; 
• Malária; 
• Em idosos.
Assim, para saber quando o resultado reagente realmente indica a doença, a 
Portaria nº 3.242, de 30 de dezembro de 2011, estabelece o fluxo de testes para 
sífilis que devem ser realizados e indica quais são necessários para compreender se o 
resultado reagente corresponde ou não a sífilis, entre outras recomendações.
129
Além dos casos de resultados falso-positivos, existe também a possibilidade 
de resultados falso-negativos – anteriormente, abordamos o fenômeno prozona, que 
pode gerar resultados falso-negativos diante de altas concentrações de anticorpos em 
amostras não diluídas. Desse modo:
Nos testes não treponêmicos, especialmente na sífilis secundária, 
quando há grande produção de anticorpos, podem ocorrer resultados 
falso-negativos em decorrência do fenômeno de prozona. Esse 
fenômeno consiste na ausência de reatividade aparente no teste 
realizado em uma amostra não diluída que, embora contenha 
anticorpos anticardiolipina, apresenta resultado não reagente quando 
é testada. Esse fenômeno decorre da relação desproporcional entre 
as quantidades de antígenos e anticorpos presentes na reação não 
treponêmica, gerando resultados falso-negativos (BRASIL, 2016, p. 20).
Por isso, quando realizamos a técnica de VDRL na rotina laboratorial, é 
indispensável que a amostra seja testada tanto pura quanto diluída 1/8, sendo 
a testagem em diluição necessária para evitar resultados falso-negativos pelo efeito 
prozona (BRASIL, 2016). 
3.1.2 Ensaio RPR
O ensaio RPR (sigla do inglês Rapid Test Reagin) é uma variação do VDRL, porém 
tem como diferencial não necessitar de microscópio para visualização do resultado 
reagente. Isso é possível porque o kit reagente contém partículas de carvão na sua 
composição, o que torna a floculação visível a olho nu (Figura 6). A interpretação dos 
resultados deste teste é semelhante à apresentada no VDRL (BRASIL, 2016).
FIGURA 6 – DEMONSTRAÇÃO DA VISUALIZAÇÃO DE RESULTADO NA TÉCNICA DE RPR
FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/stanbio-rpr-test-kit-add-serum-463825115> 
Acesso em: 26 abr.2021.
130
3.2 TESTES TREPONÊMICOS
Os testes treponêmicos são provas qualitativas que detectam anticorpos 
antitreponêmicos, ou seja, anticorpos produzidos especificamente contra o T. 
pallidum. Essa detecção ocorre pela presença de antígenos treponêmicos nas técnicas 
utilizadas. Por detectar anticorpos, resultados reagentes são indicativos de que, em 
dado momento, o paciente foi exposto ao T. pallidum, o que não necessariamente 
indica infecção ativa. São testes realizados em amostras que apresentaram resultados 
reagentes em testes não treponêmicos, conforme indicado no Manual Técnico para 
Diagnóstico da Sífilis (BRASIL, 2016).
3.2.1 Imunofluorescência indireta – FTA-Abs
O teste FTA-Abs (sigla do inglês, Fluorescent Treponemal Antibody Absorption 
Test) é uma metodologia considerada padrão-ouro para sífilis, ou seja, é a melhor opção 
de exame, aquela que apresenta menor probabilidade de erro. Trata-se de uma técnica 
de imunofluorescência indireta (Figura 7) que “utiliza T. pallidum (da cepa Nichols) fixado 
em áreas demarcadas de lâminas de vidro em que são feitas as reações” (BRASIL, 2016), 
composta por várias etapas:
A amostra de soro utilizada deve ser inativada, por 30 minutos, 
a 56ºC. As diluições são feitas em tubo. A amostra é diluída a 1/5, 
misturando-se 1 parte de soro e 4 partes de solução absorvente ou 
sorbent – extrato de cultura de treponema Reiter não patogênico. 
Essa diluição é feita para remover anticorpos treponêmicos comuns à 
maioria dos treponemas não patogênicos que podem estar presentes 
no soro. A amostra diluída é colocada sobre a demarcação da lâmina. 
Se a amostra contiver anticorpos antitreponema pallidum, estes 
vão se ligar aos treponemas fixados na lâmina.Após a incubação 
da reação e a lavagem da lâmina para remover anticorpos e outros 
componentes da amostra que não se ligaram à reação, é adicionado 
o conjugado fluorescente – soro antiimunoglobulina humana 
conjugado ao isotiocianato de fluoresceína). Se na amostra houver 
anticorpos ligados aos treponemas fixados na lâmina, o conjugado 
vai se ligar aos anticorpos, tornando os treponemas fluorescentes. 
Assim, estes poderão ser vistos, em microscopia de fluorescência, 
emitindo luz verde-maçã (BRASIL, 2016, p. 41).
Para ilustrar melhor a técnica de FTA-ABS, assista ao vídeo 
“Imunofluorescência Indireta no FTA-ABS”, no qual os recursos 
visuais facilitam a compreensão dos princípios da técnica. 
Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=yc_GEJBOIr0.
IMPORTANTE
131
Em pacientes com sífilis em estágio primário, é a primeira prova sorológica 
que apresenta resultado reagente. Além disso, é um teste utilizado em casos em que 
as manifestações clínicas são compatíveis com sífilis, porém apresenta resultado não 
reagente em provas não treponêmicas, situação possível em pacientes em estágio de 
sífilis primária, latente recente ou tardia (BRASIL, 2010).
FIGURA 7 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE UMA REAÇÃO DE 
IMUNOFLUORESCÊNCIA INDIRETA – FTA-ABS
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22197/mod_resource/content/1/
S%C3%ADfilis%20-%20Manual%20Aula%206.pdf>. Acesso em: 7 abr. 2021.
Essa técnica pode apresentar três tipos de resultados: reagente, não 
reagente e inconclusivo. No caso de resultados inconclusivos, é importante atentar 
para possíveis problemas relacionados à qualidade dos reagentes utilizados, bem 
como se a amostra que apresentou tal resultado foi acondicionada e manipulada 
corretamente. As particularidades relacionadas aos interferentes técnicos relacionados 
a essa metodologia, que culminam em resultados inconclusivos, serão discutidos no 
Tópico 5 (BRASIL, 2016). No caso de resultados reagentes, é importante ter em mente 
que se trata da investigação de anticorpos antitreponêmicos. Assim, se o paciente 
tiver sido infectado pelo Treponema, o organismo produzirá anticorpos para combatê-
lo, os quais continuam detectáveis mesmo após a sua cura. Dessa forma, uma vez 
que o paciente tenha resultado FTA-Abs reagente, novas testagens utilizando essa 
metodologia seguirão apresentando resultado reagente, uma vez que se trata de uma 
cicatriz imunológica (BRASIL, 2016).
Anticorpo 
treponêmico 
da amostra
Conjugado 
fluorescente
132
3.2.2 Teste treponêmico imunoenzimático – ELISA
Nesse tipo de teste, antígenos do Treponema estão fixados a uma fase sólida 
(placa de poliestireno) e ligam-se aos anticorpos antitreponêmicos presentes na 
amostra do paciente. Seguindo a mesma lógica do FTA-Abs, por ser um teste que 
detecta anticorpos específicos para Treponema, uma vez que o resultado seja reagente, 
o paciente seguirá apresentando esse mesmo resultado ao longo de sua vida. Dessa 
maneira, não é um teste aplicável para acompanhamento de tratamento ou diagnóstico 
de reinfecção (BRASIL, 2016). 
Deve-se observar que, ao tratar do teste imunoenzimático para 
Treponema, utilizamos a palavra reinfecção, ou seja, mesmo após 
a cura, o paciente ainda corre risco de novas infecções. Isso ocorre 
porque, apesar da produção de anticorpos antitreponêmicos na 
primeira infecção, essa bactéria tem mecanismos de evasão 
(mecanismos que tornam um patógeno menos detectável pelo 
sistema imune), como a baixa capacidade que as proteínas de 
superfície tem de gerar resposta imune (baixa imunogenicidade) 
e a variação de antígenos expressos pelas lipoproteínas (moléculas 
compostas por lipídios e proteínas) (BRAGA, 2018).
IMPORTANTE
De acordo com o Ministério da Saúde, o diagnóstico e acompanhamento aplicado 
à sífilis deve seguir fluxogramas de trabalho, a partir das metodologias previamente 
descritas:
•	 Triagem	 não	 treponêmica	 confirmada	 por	 teste	 treponêmico	 (Figura 8) 
– fluxograma no qual a amostra é, inicialmente, testada utilizando provas não 
treponêmicas, como o VDRL. Casos em que o teste inicial não treponêmico apresenta 
resultado não reagente, tanto amostra pura quanto diluída 1/8, o fluxograma se 
encerra nessa etapa. Caso o paciente apresente manifestações clínicas compatíveis 
com sífilis, nesse caso, a equipe médica deve solicitar novamente novo exame dentro 
de 30 dias após a data da primeira coleta, para excluir da hipótese diagnóstica a 
sífilis. Caso a amostra seja testada pura e diluída e apresente resultado reagente 
para o teste não treponêmico, esse resultado deverá ser confirmado por um teste 
treponêmico. Tanto o resultado do teste não treponêmico quanto o teste treponêmico 
devem constar em laudo (BRASIL, 2016).
133
FIGURA 8 – FLUXOGRAMA DE TESTES DE TRIAGEM NÃO TREPONÊMICO CONFIRMADO 
POR TESTE TREPONÊMICO
FONTE: Brasil (2016, p. 34)
Resultado 
Reagente?
Resultado 
Reagente?
Amostra 
Não Reagente
para Sífilis
Amostra 
Não Reagente
para Sífilis
Amostra 
Reagente
para Sífilis
Amostra
Realizar Teste
não 
Treponêmico
Realizar Teste
Treponêmico
simsim
simsim
nãonão
nãonão
•	 Diagnóstico	 laboratorial	 reverso	de	sífilis	baseado	em	testes	 imunológicos	
automatizados: nesse fluxo de trabalho (Figura 9), a amostra é processada primeiro 
por testes automatizados treponêmicos, em que o resultado inicial determina 
as próximas etapas. Se o primeiro teste apresentar resultado não reagente, não é 
necessária mais nenhuma etapa. Caso apresente resultado reagente, ele deve ser 
seguido de um teste não treponêmico para confirmação diagnóstica (CASTEJON et 
al., 2019).
134
FIGURA 9 – FLUXOGRAMA DE DIAGNÓSTICO LABORATORIAL REVERSO DE SÍFILIS BASEADO EM TESTES 
IMUNOLÓGICOS AUTOMATIZADOS
FONTE: Brasil (2016, p. 36)
A combinação dos resultados de testes não treponêmicos e treponêmicos 
obtidos nos fluxos de trabalho previamente descritos têm diferentes interpretações para 
equipes médicas. O Quadro 2 indica as combinações e os significados clínicos possíveis 
com base nos resultados obtidos pelos exames imunológicos.
Amostra
Resultado 
Reagente?
Amostra 
Não Reagente
para Sífilis
Realizar Teste
Treponêmico
nãonão
simsim
Resultado 
Reagente?
Realizar Teste
não 
Treponêmico
nãonão
Resultado 
Reagente?
Amostra 
Não Reagentepara Sífilis
Realizar Teste
Treponêmico*
nãonão
Amostra 
Reagente
para Sífilis
simsim
Amostra 
Reagente
para Sífilis
simsim
135
QUADRO 2 – INTERPRETAÇÃO DE PROVAS SOROLÓGICAS PARA SÍFILIS
FONTE: Adaptado de <https://www.drakeillafreitas.com.br/como-fazer-o-diagnostico-da-sifilis/>. 
Acesso em: 12 fev. 2021.
VDRL FTA-Abs Interpretação
Titulação 1/16 Reagente
Doença ativa, exceto quando o resultado de paciente em 
tratamento apresentar redução em relação às titulações 
anteriores
Titulação 1/1, 
1/2, 1/4
Reagente Cicatriz imunológica ou doença terciária ou latência tardia
Reagente Não Reagente Falso-positivo
Não reagente Reagente
Cicatriz imunológica, independente se após tratamento ou 
cura espontânea
136
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Sífilis é uma doença sistêmica que tem como agente etiológico o Treponema pallidum, 
uma bactéria com parede celular semelhante às Gram-negativas que apresenta 
forma de espiroqueta microaeróbia. Os seres humanos são os únicos hospedeiros 
dessa bactéria.
• A estrutura do Treponema pallidum é composta por: filamento axial (promove a 
movimentação do Treponema), membrana celular (composta por lipoproteínas, 
glicolipídios e cardiolipina, sendo este o principal antígeno investigado em testes 
não treponêmicos), periplasma (dá o formato espiralado ao Treponema) e membrana 
externa (protege o microrganismo).
• O Treponema é transmitido por contato sexual, mas também pode ser transmitido por 
transmissão vertical e contato com secreções.
• As manifestações clínicas podem ser divididas em três estágios: sífilis primária 
(manifestação clínica é a presença de lesão no local em que a bactéria invade) sífilis 
secundária (dispersão do Treponema pallidum por todos os órgãos com formação de 
exantemas), sífilis latente (manifestações clínicas cessam) e sífilis terciária (processo 
inflamatório acompanhado de prejuízo no tecido ósseo, cardiovascular e do sistema 
nervoso)
• A detecção de sífilis é feita por provas imunológicas de dois tipos: treponêmicos 
(provas qualitativas que detectam anticorpos antitreponêmicos, ou seja, anticorpos 
específicos para o Treponema) e não treponêmicos (não são específicos para o 
Treponema, investiga a presença de anticorpos anticardiolipínicos). 
• FTA-Abs é a metodologia treponêmica considerada padrão-ouro para sífilis pois 
apresenta menor probabilidade de erro.
• Teste treponêmico imunoenzimático ELISA utiliza antígenos do Treponema fixados a 
uma fase sólida que se ligam aos anticorpos antitreponêmicos presentes na amostra 
do paciente. 
• Os fluxos diagnósticos para sífilis compreendem principalmente: triagem não 
treponêmica confirmada por teste treponêmico e diagnóstico laboratorial reverso de 
sífilis baseado em testes imunológicos automatizados.
RESUMO DO TÓPICO 1
137
AUTOATIVIDADE
1 Sobre o Treponema pallidum, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) Trata-se de uma bactéria Gram-negativa em formato de espiroqueta e 
microaerófila.
b) ( ) Indivíduos infectados pelo Treponema pallidum apresentam como sintoma inicial 
uma ferida no local em que ocorreu a infecção.
c) ( ) A bactéria apresenta mecanismos de evasão de alta imunogenicidade, que 
permitem novas infecções em indivíduos já curados.
d) ( ) Com a evolução do quadro infeccioso sem tratamento, o Treponema pode gerar 
prejuízos neurológicos.
2 Na técnica de VDRL, é indispensável a realização de testes com a amostra pura e com 
a amostra diluída na proporção 1/8. Justifique esta afirmação. 
3 A respeito dos testes treponêmicos, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) São testes comumente utilizados para acompanhamento do tratamento para 
sífilis.
b) ( ) São testes confirmatórios, que pesquisam anticorpos específicos para Treponema 
pallidum.
c) ( ) São testes de triagem inespecíficos para Treponema pallidum.
d) ( ) São os testes mais indicados para investigar reinfecções.
4 Por que são utilizados testes não treponêmicos para sífilis, apesar de sua 
inespecificidade? Justifique sua resposta.
5 A sífilis é uma doença infecciosa que apresenta diferentes estágios, caracterizados 
por diferentes manifestações clínicas. Sobre os estágios dessa doença, assinale a 
alternativa INCORRETA:
a) ( ) Os dois primeiros estágios da doença são considerados os de maior chance de 
contágio. 
b) ( ) O terceiro estágio pode ser assintomático.
c) ( ) Na sífilis secundária, a pele é acometida pelo surgimento de manchas.
d) ( ) Na sífilis terciária, é possível observar a formação do cancro duro, correspondente 
a uma ferida indolor que surge no local da inoculação da bactéria.
138
139
SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA 
ADQUIRIDA (SIDA OU AIDS)
UNIDADE 3 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO
No início da década de 1980, um dos primeiros registros do que, ao final do 
mesmo ano, seria definido pelo Center for Disease Control (CDC) como a síndrome da 
imunodeficiência	adquirida	(Sida ou, do inglês, Aids), resultante da infecção pelo 
vírus	da	imunodeficiência	humana	(HIV), foi:
Recentemente, tratamos vários homossexuais jovens, previamente 
sadios, com múltiplos episódios de pneumonia por Pneumocystis 
carinii, candidíase extensa de mucosa e infecções virais graves. As 
manifestações clínicas e os estudos da imunidade celular indicaram 
um grave defeito da função das células T. Esta síndrome representa 
uma deficiência imunológica potencialmente transmissível (GOTTLIEB 
et al., 1981, p. 444).
 Como podemos perceber, inicialmente, foi relatada como uma condição 
clínica restrita a indivíduos homossexuais do sexo masculino. Essa conclusão inicial 
estigmatizou a AIDS como uma doença relacionada a indivíduos homossexuais do sexo 
masculino e transmitida via contato sexual nos anos 1980 (CDC, 2020). 
Contudo, com a evolução dos conhecimentos adquiridos sobre a AIDS, essa 
informação inicial foi desmistificada. Isso porque foi observado que mulheres, recém-
nascidos filhos de gestantes com HIV e indivíduos que, independentemente da 
orientação sexual, compartilhavam agulhas para uso de drogas de abuso ou receberam 
doação de sangue contaminado também poderiam ser infectados pelo vírus HIV. Assim, 
foi possível compreender que, diferentemente das conclusões iniciais sobre a doença, 
além da via sexual a transmissão do HIV (Figura 10), poderia ocorrer por via vertical 
(mãe para filho) e via sanguínea (CDC, 2020).
140
FIGURA 10 – VIAS DE TRANSMISSÃO DO VÍRUS HIV
FONTE: <https://www.vihda.pt/saber-sobre-o-hiv/como-se-transmite/>. Acesso em: 20 fev. 2021.
O HIV é um vírus que infecta o sistema imunológico dos seres humanos. 
Quando essa infecção não é devidamente tratada, ela passa a expressar um quadro 
conhecido como AIDS. Até o momento, trata-se de uma condição para a qual não existe 
cura, assim, uma vez infectado, o paciente permanece com o vírus por toda sua vida. 
Contudo, com os avanços no desenvolvimento de estratégias terapêuticas, pacientes 
infectados podem viver de modo saudável e com maior qualidade de vida atualmente 
(FIOCRUZ; HOAGLAND, 2013).
A seguir, compreenderemos os mecanismos de infecção desse vírus, e como 
ele desencadeia a AIDS. Ao longo deste tópico, abordaremos também as metodologias 
utilizadas para detecção e acompanhamento dos pacientes que vivem com HIV. 
2 VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV)
O HIV foi originado de um vírus presente em chimpanzés da África Central, 
chamado de vírus da imunodeficiência símia (SIV), e é provável que tenha sido transmitido 
aos humanos pelo contato com a carne de caça desses animais, bem como com o 
seu sangue infectado. O HIV é um retrovírus (vírus que armazena suas informações em 
formato de ácido ribonucleico-RNA e possui a enzima transcriptase reversa) pertencente 
à família Lentiviridae. Esta subfamília de vírus tem como características um longo 
período de incubação antes do estabelecimento de sinais e sintomas relacionados à 
doença, supressão imunológica e infecção de células sanguíneas e do sistema nervoso 
(FIOCRUZ; HOAGLAND, 2013).141
Ao infectar um indivíduo, o HIV liga-se ao receptor CD4+, que está presente 
na membrana plasmática dos linfócitos T auxiliares (também conhecidos como linfócitos 
T-CD4+). A partir daí, ele utiliza a célula infectada para se reproduzir. A replicação do 
HIV tem início com a liberação do RNA viral dentro da célula infectada. Esse RNA é 
transcrito por uma enzima chamada transcriptase reversa, responsável por 
transcrever o RNA viral em DNA pró-viral. Uma vez sintetizado, o DNA pró-viral entra 
no núcleo da célula infectada e se integra ao DNA celular com o auxílio da enzima viral 
integrase. Posteriormente, a célula passa a produzir o RNA e as proteínas do HIV, 
que são importantes para a formação de novos virions (partícula viral completa que 
está estruturalmente intacta e é infecciosa) ainda imaturos. Os virions imaturos são 
convertidos em vírus HIV maduros, por ação das enzimas virais proteases, rompem 
a célula ao qual se originaram e invadem outra célula do hospedeiro, e, assim, o ciclo 
se reinicia (Figura 11). Ao utilizar os componentes celulares para sua replicação, o 
HIV destrói progressivamente os linfócitos. Os linfócitos atuam na defesa contra 
microrganismos patogênicos e células cancerígenas, por isso, com a redução 
dos linfócitos, o indivíduo infectado passa a ficar vulnerável a infecções oportunistas 
(infecções por microrganismos que, diante da vulnerabilidade imunológica do paciente, 
conseguem causar infecções generalizadas) (BRASIL, 2013). 
Muitas vezes, é desafiador compreender alguns processos biológicos, 
e um exemplo é o processo de replicação do HIV. Assim, assista à 
animação a seguir, que pode auxiliar no entendimento das etapas da 
replicação do HIV: https://www.youtube.com/watch?v=ZQ9amIhyZ48.
IMPORTANTE
É importante ressaltarmos que existem dois tipos de HIV: o HIV 
tipo 1 e o HIV tipo 2. O primeiro é um retrovírus mais disperso por 
todo o mundo, enquanto o segundo é o principal causador de 
infecções por HIV na região central da África.
IMPORTANTE
142
FIGURA 11 – CICLO DE REPLICAÇÃO DO HIV
FONTE: <http://twixar.me/TBtm>. Acesso em: 21 fev. 2021.
Quando a infecção progride de tal forma que a quantidade de linfócitos fica 
muito baixa, diferentes manifestações clínicas passam a surgir configurando a AIDS. 
Esta progressão que ocorre entre a infecção e o estabelecimento da AIDS pode ser 
dividida em fases, conforme descrito abaixo:
• Infecção aguda: trata-se da fase de incubação, que corresponde ao período entre 
o contágio e a manifestação de sinais e sintomas. Esta fase dura de 3 a 6 semanas, 
e por apresentar sintomas leves e similares ao de uma gripe, não recebem a devida 
atenção por parte do paciente.
• Fase assintomática (ou latência clínica): o vírus se replica intensamente, porém 
o sistema imune por ainda apresentar número considerável de glóbulos brancos, 
consegue controlar a replicação viral, de modo que o paciente não manifesta 
sintomas. Essa fase pode perdurar por até 10 anos, e o indivíduo infectado pode 
transmitir o vírus para outras pessoas. Próximo do fim desse período, a carga viral 
(quantidade de cópias do vírus presente em determinado fluido corporal) passa a 
aumentar, enquanto os linfócitos T CD4 apresentam redução em sua quantidade. 
143
• Fase sintomática inicial: por conta da redução das células CD4+, o paciente 
infectado se torna imunologicamente vulnerável, o que favorece o aparecimento de 
outras doenças, quando os linfócitos T-CD4+ apresentam concentrações abaixo de 
500 células/mm3 (em condições normais, os indivíduos apresentam entre 500 e 1200 
células/mm3 de linfócitos T-CD4+). Entre as manifestações clínicas possíveis, temos: 
tuberculose pulmonar, herpes-zoster, candidíase genital de repetição e dermatoses.
• AIDS: um paciente é enquadrado nessa fase quando a contagem de linfócitos T-CD4+ 
é inferior a 200 células/mm3. Nessa etapa, a redução drástica das células de defesa 
favorece o aparecimento de doenças oportunistas como sarcoma de kaposi (Figura 
12), caquexia, neurocriptococose, neurotoxoplasmose, candidíase, tuberculose 
extrapulmonar, diarreia crônica, entre outras (FURRER; FUX, 2002). 
FIGURA 12 – PACIENTES COM CANDIDÍASE (A) E SARCOMA DE KAPOSI (B)
FONTE: <https://www.mdsaude.com/doencas-infecciosas/dst/sarcoma-kaposi/>. Acesso em: 20 fev. 2021.
Síndrome é um termo que tem origem do grego “syndromé”, que 
significa reunião. Assim, ao se deparar com o termo síndrome 
na área da saúde, isso significa que o paciente apresenta um 
conjunto de sinais e sintomas inespecíficos, mas que, em conjunto, 
configuram uma determinada síndrome.
INTERESSANTE
144
É importante ter clareza quanto à diferença de alguns termos relacionados a este 
tópico: uma pessoa que vive com HIV não é uma pessoa que necessariamente está 
com AIDS. Em especial, pessoas que vivem com HIV e fazem uso de terapia antiretroviral 
(medicamentos responsáveis por inibir a replicação do HIV e, por conseguinte, reduzir o 
prejuízo ao sistema imunológico), e realizam o acompanhamento médico corretamente, 
apresentam melhora na qualidade de vida, uma vez que apresentam melhora na 
disposição, energia e apetite e menores chances do desenvolvimento de doenças 
oportunistas (UNAIDS, 2017).
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E 
ACOMPANHAMENTO DO HIV/AIDS
Nesse momento, compreenderemos como é realizado o diagnóstico da infecção 
por HIV e o acompanhamento de pacientes que vivem com o vírus a partir das provas 
sorológicas presentes no laboratório clínico, bem como a interpretação dos resultados 
de cada metodologia e sua aplicação clínica. 
Os aspectos técnicos das metodologias ainda não discutidas nesta 
disciplina serão abordados no Tópico 5.
NOTA
As metodologias e fluxos de trabalho aplicados ao diagnóstico do HIV foram 
implantados na rotina laboratorial com base nas orientações técnicas disponibilizadas 
pelo Ministério da Saúde, a partir do Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção 
pelo HIV, aprovado pela Portaria SVS/MS n° 29, de 17 de dezembro de 2013. Essa 
portaria deve ser seguida pelos profissionais envolvidos no diagnóstico de HIV tanto nos 
setores públicos quanto privados.
A construção deste manual foi pensada considerando cenários de maior 
e menor disponibilidade de recursos técnicos. Desse modo, existem seis fluxos de 
trabalho possíveis preconizados pelo manual (apresentados na forma de fluxogramas), 
com o objetivo de contemplar as diferentes condições de trabalho dos laboratórios 
brasileiros. Assim, quando um laboratório objetiva implantar uma rotina para diagnóstico 
de HIV, esse manual deve ser consultado e, dentro dos recursos disponíveis, um dos 
fluxogramas disponíveis deve ser selecionado para nortear os fluxos de trabalho.
145
O Ministério da Saúde consegue delinear esses fluxogramas propostos a partir 
da Classificação de Fiebig et al. (2003), uma vez que, conforme descrito por Souza 
(2017, p. 42):
Estudos de Fiebig et al. apontam o período de reatividade de cada 
metodologia de testagem após o evento de infecção, servindo 
como base para a construção dos fluxogramas. O sistema proposto 
estabelece seis estágios na infecção recente pelo HIV, de acordo 
com o padrão de reatividade a marcadores específicos (RNA viral, 
antígeno, p.24, ELISA e Western Blot), que surgirão nos ensaios de 
detecção ao longo da progressão da infecção viral. Tal sistema é a 
base para a tomada de decisão sobre quais metodologias são mais 
adequadas em contextos distintos da infecção pela sintomatologia e 
histórico do paciente.
Os testes utilizados para detecção do HIV são divididos em gerações. Quanto 
maior a geração do ensaio, maior a capacidade de detecção do vírus em infecções 
recentes por HIV (BRASIL, 2018):
• Primeira geração: são imunoensaios de formato indireto, que detectam a presença 
de IgG para HIV, e que apresenta janela de soroconversão (surgimento do anticorpo 
no soro) de 35 a 45 dias. Por detectar IgG, é considerado um teste pouco específico e 
menos sensível em comparação com as geraçõesseguintes, o que fez com que esta 
geração de testes entrasse em desuso nos laboratórios clínicos.
• Segunda geração: também um imunoensaio indireto (metodologia já apresentada na 
Unidade 2), porém sua vantagem consiste no uso de fragmentos de proteínas do HIV. 
A opção por este antígeno está relacionada à presença de epítopos imunodominantes 
(regiões antigênicas presente em certas proteínas do HIV pelo qual a resposta 
humoral tem maior afinidade). Assim, quanto mais epítopos imunodominantes, maior 
a sensibilidade do ensaio.
• Terceira geração: são ensaios do tipo imunométricos, também conhecidos como 
sanduíche, que permitem a detecção de anticorpos anti-HIV IgM e anti-HIV anti-
IgG simultaneamente. A capacidade de detecção de IgM deste tipo de teste confere 
maior sensibilidade em relação à primeira e segunda geração. Nestes testes, a janela 
de soroconversão é de 20 a 30 dias.
• Quarta geração: testes que detectam tanto o antígeno p24 presente no vírus e 
ainda detectam os anticorpos específicos para HIV. Nestes testes o tempo médio de 
janela sorológica é de 15 dias. 
Dada a importância das metodologias de quarta geração, assista 
ao vídeo a seguir, que aborda esses testes, demonstrando como 
este tipo de ELISA é realizado, bem como outras características 
importantes: https://www.youtube.com/watch?v=cE6IL4H8HJE.
IMPORTANTE
146
Assim, os imunoensaios mais comumente utilizados nas rotinas para HIV são 
os ensaios imunoenzimáticos (ELISA). De modo geral, o princípio de ensaios sorológicos 
para HIV não está voltado para detectar o vírus, mas, sim, detectar a presença de 
anticorpos	 específicos	 para	 HIV. Um lembrete importante é que a produção de 
anticorpos específicos precede a presença do patógeno investigado. Dessa forma, 
somente pacientes infectados pelo vírus HIV, por exemplo, poderão apresentar 
anticorpos para esse vírus. 
Antígeno p24 é uma proteína que compõe a cápsula protetora que guarda os genes e 
enzima viral, chamada de capsídeo, na zona central do vírus.
ANTÍGENO P24
FONTE: <http://docplayer.com.br/11719439-Francisco-andre-marques-
de-oliveira-cariri.html>. Acesso em: 27 fev. 2021.
NOTA
147
Os Fluxogramas 1, 2 e 3 são os preferenciais por combinarem os testes 
que permitem agilizar o diagnóstico da infecção, sendo também os 
que apresentam maior resolutividade e, por esses motivos, o DIAHV 
os indica como sendo os de primeira escolha nas situações nas quais 
está recomendada sua aplicação (BRASIL, 2018, p. 66).
Conforme citado anteriormente, a execução das provas sorológicas aplicadas 
ao diagnóstico de HIV deve seguir os fluxos de trabalho indicados pelo Ministério da 
Saúde. Os principais fluxos e seu respectivo funcionamento são:
• Dois testes rápidos realizados em sequência com amostras de sangue: fluxo 
de trabalho que utiliza dois testes rápidos (Figura 13), que devem detectar antígenos 
diferentes, em amostras de sangue de punção digital (gotas de sangue extraídas da 
ponta dos dedos) ou punção venosa. Contudo, um resultado só é válido em testes 
rápidos quando a faixa controle é marcada. Assim, quando aparece “Válido?” ao 
longo do fluxograma, estamos tratando de um possível problema no teste de teste. 
Testes que apresentarem resultado que não é válido tem indicação de nova coleta 
por punção venosa e processamento de acordo com fluxogramas que incluem 
outras metodologias. Por outro lado, casos em que o teste apresentar resultado 
válido não reagente, o fluxograma de trabalho se encerra nessa etapa. Entretanto, 
pacientes que apresentam resultado válido reagente para HIV devem ser testados 
com um segundo teste rápido. Se o resultado neste segundo teste rápido apresentar 
resultado reagente e a amostra utilizada por originada de punção digital, devemos 
solicitar coleta de segunda amostra para repetir e com isso confirmar o resultado. 
Já em casos em que o segundo teste apresenta resultado não reagente, também é 
necessária realização de coleta de nova amostra para comparação com o primeiro 
teste rápido utilizado (BRASIL, 2018). 
148
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149
•	 Um	teste	rápido	utilizando	fluido	oral	seguido	por	um	teste	rápido	utilizando	
sangue: neste fluxo de trabalho, também são utilizados 2 testes rápidos diferentes, 
em que um deles utilizamos amostra de fluido oral enquanto o segundo é realizado 
com amostra de sangue (Figura 14). Sua aplicação é indicada principalmente em ações 
e campanhas de testagem que ocorrem fora dos estabelecimentos de saúde. Este 
fluxograma é semelhante ao anterior, com a diferença de que um teste é realizado 
com fluído oral (BRASIL, 2018).
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150
•	 Aplicação	 de	 um	 imunoensaio	 de	 quarta	 geração	 confirmado	 por	 teste	
molecular como metodologia complementar: nesse fluxo de trabalho, é utilizada 
metodologia de imunoensaio (ELISA) de 4ª geração que, frente a resultados não 
reagentes, o resultado já pode ser liberado (Figura 15). Contudo, amostras que 
apresentam resultado reagente devem ser confirmadas utilizando teste molecular 
para contagem de carga viral. Quando a carga viral presente apresentar resultado 
igual ou superior a 5.000 cópias do vírus/mL de sangue a amostra é considerada 
reagente para HIV. Caso a avaliação da carga viral apresente resultado inferior a 
5.000 cópias do vírus/mL, a amostra deverá ser testada por metodologia de Western 
Blot, que ao apresentar resultado reagente, confirma que a amostra é reagente para 
HIV e, caso apresente resultado não reagente, deverá ser laudada como resultado 
inconclusivo, com indicação para nova coleta de amostra 1 mês da data da primeira 
coleta (BRASIL, 2018).
FIGURA 15 – ENSAIOS DE QUARTA GERAÇÃO UTILIZANDO TESTE MOLECULAR 
COMO METODOLOGIA COMPLEMENTAR
FONTE: Brasil (2018, p. 80)
Resultado 
≥ 5.000
cópias/ml?
Amostra 
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(soro ou
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Resultado 
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Molecular
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Amostra Reagente
para HIV2
Realizar Teste
WB ou IB ou IBR
(T3)
nãonão
nãonão
simsim
simsim
151
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• O vírusda imunodeficiência adquirida (HIV) ataca o sistema imunológico. Quando 
essa infecção não é tratada, passa a expressar um quadro conhecido como síndrome 
da imunodeficiência adquirida (SIDA ou AIDS).
• HIV é um retrovírus (vírus que armazena suas informações em formato de ácido 
ribonucleico) pertencente à família Lentiviridae. Esta subfamília de vírus tem como 
características um longo período de incubação antes do estabelecimento de sintomas 
relacionados à doença, à supressão imunológica e à infecção de células sanguíneas e 
nervosas.
• A progressão da infecção ocorre de tal forma que a quantidade de leucócitos fica muito 
baixa. A partir daí, diferentes manifestações clínicas passam a surgir configurando a 
síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS).
• O princípio de ensaios sorológicos para HIV é voltado para detectar a presença de 
anticorpos específicos para o HIV.
• As metodologias e fluxos de trabalho aplicados ao diagnóstico do HIV são implantados 
na rotina laboratorial seguindo orientações técnicas disponibilizadas pelo Ministério 
da Saúde, a partir do Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV, 
aprovado pela Portaria SVS/MS n° 29/2013. 
• Entre os principais fluxos de trabalho para diagnóstico de HIV, podemos destacar: 
dois testes rápidos realizados em sequência com amostras de sangue; um teste 
rápido utilizando fluido oral seguido por um teste rápido utilizando sangue; e a 
aplicação de um imunoensaio de quarta geração confirmado por teste molecular 
como metodologia complementar.
RESUMO DO TÓPICO 2
152
AUTOATIVIDADE
1 Explique a diferença entre HIV e AIDS.
2 Sobre o vírus HIV, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Trata-se de uma doença que culmina com o estabelecimento de prejuízo hepá-
tico crônico.
b) ( ) É sinônimo da síndrome da imunodeficiência adquirida.
c) ( ) É responsável pelo estabelecimento da AIDS.
d) ( ) É transmitida exclusivamente por via sexual.
3 A detecção de HIV é realizada por provas sorológicas classificadas em gerações. A 
respeito das gerações dessas provas sorológicas, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Ensaios de primeira geração são do tipo imunométrico e detectam anticorpos 
anti-HIV IgM e anti-HIV anti-IgG simultaneamente.
b) ( ) Ensaios de segunda geração são do tipo sanduíche direto, sendo considerados 
pouco específicos e menos sensíveis em comparação com as gerações seguintes.
c) ( ) Ensaios de terceira geração apresentam 15 dias de janela de soroconversão.
d) ( ) Ensaios de quarta geração detectam o antígeno p24 e os anticorpos específicos 
para HIV.
4 Sobre a evolução clínica que caracteriza o estabelecimento da AIDS, assinale a 
alternativa CORRETA:
a) ( ) O aumento progressivo de cópias dos linfócitos T-CD4+ precede o aparecimento 
de sintomas.
b) ( ) O aumento progressivo da carga viral é o evento que precede o aparecimento de 
sintomas.
c) ( ) A redução progressiva da carga viral é o evento que precede o aparecimento de 
sintomas.
d) ( ) A manifestação de sintomas precede as alterações nos marcadores de carga 
viral.
5 Explique a importância do antígeno p24 relacionado ao HIV.
153
TÓPICO 3 — 
HEPATITES VIRAIS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
“Em todo o mundo, 290 milhões de pessoas vivem com hepatite viral e 
desconhecem que estão contaminadas”, esta afirmação é do Ministério da Saúde 
e destaca a importância de diagnosticar pessoas que vivem com hepatite viral e 
desconhecem esse fato. A seguir, conheceremos mais sobre as hepatites virais, bem 
como as metodologias utilizadas para diagnóstico e o significado clínico dos resultados 
obtidos. 
2 HEPATITES VIRAIS
Hepatite é um termo que vem da palavra grega Hepar, que significa fígado. 
Associada ao sufixo “ite”, que refere a inflamação, indica que se trata de um processo 
inflamatório localizado no fígado. Este quadro inflamatório hepático pode ter diferentes 
causas, como:
• doenças metabólicas; 
• doenças autoimunes;
• uso excessivo de álcool; 
• substâncias tóxicas;
• medicamentos;
• infecção viral.
 
Nesse primeiro momento, abordaremos hepatites originadas por infecções 
virais. Trata-se de uma doença crônica causada por vírus	hepatotrópicos, ou seja, 
vírus que tem maior afinidade pelos hepatócitos, células que formam o tecido hepático. 
Dividem-se em cinco tipos, nomeados de acordo com as cinco primeiras letras do 
alfabeto:
•	 Vírus	da	hepatite	A	(HAV): vírus de RNA com capsídeos formados pelo antígenos 
HAVAg (Figura 16). É encontrado no sangue e nas fezes de indivíduos contaminados 
e tem como meio de transmissão a via oral-fecal. Assim, dissemina-se com facilidade 
quando um indivíduo ingere alimentos contaminados ou por contato próximo com 
pessoas contaminadas. Os sintomas da hepatite A incluem náusea, icterícia, dor 
estomacal e fadiga, e podem durar por até 2 meses. A vacinação é a melhor forma de 
prevenir a contaminação por HAV (BRASIL, 2015).
154
FIGURA 16 – VÍRUS DA HEPATITE A
FONTE: <https://bit.ly/3ab5iHh>. Acesso em: 11 fev. 2021.
•	 Vírus	 da	 hepatite	 B	 (HBV): vírus de DNA que é revestido com duas camadas, 
compostas por diferentes antígenos (Figura 17). A camada interna composto por 
HBcAg, que representa o antígeno core (do inglês, núcleo) e o antígeno HBeAg, 
conhecido como antígeno “e”, que é um produto do gene do cerne viral. Já a camada 
externa (envelope) é composta por HBsAg, que corresponde ao antígeno de superfície 
desse vírus. É transmitido por contato com fluídos corporais contaminados. Indivíduos 
com infecção recente por HBV nem sempre apresentam sintomas. Contudo, quando 
existem sintomas nessa fase, o indivíduo pode manifestar fadiga, icterícia, dor estomacal, 
náusea e redução do apetite. A evolução do processo inflamatório desencadeado 
por esse vírus pode ocorrer de duas formas: como uma doença de curto prazo ou 
como uma infecção crônica com complicações clínicas como câncer de fígado ou 
cirrose (lesão hepática crônica que formam tecido cicatricial gerando insuficiência 
hepática). A vacinação é a principal via de prevenção desta infecção (BRASIL, 2015).
FIGURA 17 – VÍRUS DA HEPATITE B
FONTE: <https://bit.ly/3ab5iHh>. Acesso em: 11 fev. 2021.
155
•	 Vírus	da	hepatite	C	 (HCV): vírus de RNA com capsídeo e um envoltório externo, 
composto por lipoproteínas (Figura 18). É disseminado por via sanguínea, sexual e 
instrumentos de manicure não esterilizados. A maior parte dos indivíduos infectados 
não apresenta sintomas por longos períodos após a infecção. Contudo, quando se dá 
a manifestação de sintomas, frequentemente é indicativo de problemas hepáticos 
em estágio avançado, apresentando complicações como cirrose e câncer de fígado. 
Não existe vacina própria para esse vírus. Dessa forma, evitar o compartilhamento de 
agulhas, instrumentos de manicure e atividade e usar preservativo são hábitos que 
previnem a contaminação por este vírus (BRASIL, 2015).
FIGURA 18 – VÍRUS DA HEPATITE C
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22180/mod_resource/content/3/Hepatites-
Manual-Aula-1.pdf>. Acesso em: 11 fev. 2021.
•	 Vírus	 da	 hepatite	 D	 (HDV): vírus responsável pela hepatite delta, que possui 
envoltório composto por HBsAg, que é o mesmo antígeno de superfície presente no 
HBV (Figura 19). O HDV depende deste antígeno para completar seu ciclo biológico e 
sua capacidade de invadir a célula e se replicar (FONSECA, 2002). Assim, a infecção 
por HDV depende de coinfecção (infecção simultânea) ou superinfecção, que é 
quando ocorre a infecção por HDV após o indivíduo ter sido contaminado por HBV. 
A transmissão acontece quando sangue ou fluidos corporais contaminados entram 
em contato com o indivíduo. A contar pela relação de dependência que o HDV tem 
com o HBV, a vacinação para HBV é uma via de prevenção de infecção por HDV 
(FONSECA, 2002).
156
FIGURA 19 – VÍRUS DA HEPATITE D
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22180/mod_resource/content/3/Hepatites-
Manual-Aula-1.pdf>. Acesso em: 11 fev. 2021
•	 Vírus	 da	 hepatiteE	 (HEV): vírus de RNA com capsídeo formado pelo antígeno 
HEVAg, que pode ser encontrado nas fezes de indivíduos infectados (Figura 20). 
Assim, a infecção se dá pelo consumo de alimentos e água contaminados. Pode 
ocorrer de modo assintomático, mas em casos sintomáticos, as manifestações 
clínicas são semelhantes àquelas presentes em infecções por HAV. Manifestações 
clínicas de perfil crônico por HEV são raras e ocorrem em pacientes com sistema 
imune comprometido (CDC, 2020).
FIGURA 20 – VÍRUS DA HEPATITE E
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22180/mod_resource/content/3/Hepatites-
Manual-Aula-1.pdf>. Acesso em: 11 fev. 2021.
157
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E 
ACOMPANHAMENTO DAS HEPATITES VIRAIS
Inicialmente, apresentaremos as características de cada um dos tipos de vírus da 
hepatite, pois cada vírus tem seus antígenos. É a partir das particularidades antigênicas 
de cada um deles que o laboratório clínico se pauta para investigar infecções causadas 
por esses vírus. 
A seguir, conheceremos os marcadores sorológicos aplicados ao diagnóstico 
das hepatites virais, sendo importante compreender que a confirmação das hipóteses 
clínicas relacionadas a esses vírus depende da combinação desses marcadores.
O diagnóstico das hepatites virais é baseado na detecção dos 
marcadores presentes no sangue, soro, plasma ou fluido oral da 
pessoa infectada, por meio de imunoensaios, e/ou na detecção do 
ácido nucleico viral, empregando técnicas de biologia molecular. O 
constante avanço tecnológico na área de diagnóstico permitiu o 
desenvolvimento de técnicas avançadas de imunoensaios, incluindo 
o de fluxo lateral, que são atualmente empregadas na fabricação 
de testes rápidos (TR). Os TR são de fácil execução, não exigem 
infraestrutura laboratorial para a sua realização e podem gerar 
resultados em até 30 minutos, permitindo ampliar o acesso ao 
diagnóstico (BRASIL, 2015, p. 13).
Nas hepatites virais, os fluxos de análise da amostra são diferentes frentes, 
resultados de triagem não reagentes e reagentes (BRASIL, 2015):
•	 Testes	rápidos	de	triagem	com	resultado	não	reagente	para	hepatite: resultado 
liberado com base nesse único teste aplicado. A repetição dessa análise é sugerida 
apenas em casos em que o paciente apresenta manifestações clínicas que reforçam 
a suspeita de hepatite, após 30 dias da primeira análise realizada. A recomendação de 
repetição após 1 mês da primeira análise tem como objetivo eliminar a possibilidade de 
o paciente estar passando pelo período de janela diagnóstica, que corresponde ao 
tempo entre a infecção e o período de detecção do marcador infeccioso investigado.
•	 Testes	de	 triagem	com	 resultado	 reagente	para	hepatite: testes de triagem 
reagente para hepatite devem ser acompanhados de outro teste confirmatório. 
A aplicação deste segundo teste é realizada com o objetivo de aumentar o valor 
preditivo positivo (VPP), que corresponde à probabilidade de o indivíduo avaliado 
de fato estar doente (BRASIL, 2015).
158
3.1 HEPATITE A
Causada pelo vírus HAV, sua detecção ocorre por sorologia IgM e IgG para HAV. 
De 5 a 10 dias após infecção, o IgM anti-HAV passa a ser detectável, permanecendo 
assim por até meio ano após o momento da infecção. Após o término da fase aguda, 
é possível que este marcador se torne indetectável. No caso dos anticorpos IgG, uma 
vez reagente, este anticorpo permanecerá detectável ao longo de toda vida do paciente. 
Sua aplicabilidade está associada principalmente ao acompanhamento epidemiológico 
da doença (BRASIL, 2015).
3.2 HEPATITE B
O antígeno e os anticorpos utilizados para diagnóstico de hepatite B permitem 
compreender qual o estágio da infecção. Inicialmente, a triagem é realizada pelos 
seguintes marcadores (BRASIL, 2015):
• HbsAg: trata-se do antígeno de superfície presente no HBV, detectável na corrente 
sanguínea após o 1º mês de infecção. É um antígeno presente tanto na infecção 
aguda quanto na infecção crônica, também conhecido como antígeno Austrália. 
• Anti-Hbc: trata-se do anticorpo da classe IgG contra o antígeno presente no capsídeo 
ou core do vírus da hepatite B. Este anticorpo é passível de detecção por toda vida.
Além dos marcadores utilizados para triagem, existem ainda outros marcadores 
utilizados no diagnóstico da hepatite B (BRASIL, 2015):
•	 Anti-HBc: trata-se de um anticorpo da classe IgM produzido contra o antígeno do 
capsídeo ou core do HVB, presente na fase aguda (recente) da infecção.
•	 Anti-HBs: classe de anticorpos produzidos em resposta ao antígeno de superfície do 
HVB, presente em pacientes que foram imunizados contra este vírus por vacinação.
•	 HBeAg: presente após o primeiro mês de infecção, trata-se de um marcador que 
indica que o paciente apresenta alta infectividade devido à presença de replicação 
viral intensa. Quando presente em estágios crônicos da hepatite indica que a doença 
está em atividade.
•	 Anti-HBe: trata-se de anticorpo produzido contra o antígeno “e” presente no HVB. De 
modo geral, é indicador de bom desfecho para o paciente, uma vez que sinaliza, em 
hepatites agudas, resolução da infecção ou menor chance de evolução da hepatite 
para cirrose, pela atividade reduzida da doença, em pacientes crônicos.
Muitas vezes, a investigação sorológica para hepatite B inclui a maior parte 
dos marcadores discutidos anteriormente. Para facilitar o entendimento do significado 
clínico das combinações possíveis de resultados, o Quadro 2 apresenta as interpretações 
possíveis para os achados sorológicos.
159
QUADRO 3 – INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS SOROLÓGICOS PARA HEPATITE B
Hepatite	B:	Interpretação	dos	resultados	sorológicos
Interpretação HBsAg	 HBeAg	
Anti-
HBc	IgM	
Anti-
HBc	IgG	
Anti-
HBe	
Anti-
HBs
Incubação + - - - - -
Fase aguda + + + + - -
Fase aguda final ou 
hepatite crônica
+ + - + - -
+ - - + + -
+ - - + - -
Início da fase 
convalescente
- - + + - -
Imunidade, 
infecção passada recente
- - - + + +
Imunidade, 
infecção passada
- - - + - + ou -
Imunidade, 
resposta vacinal
- - - - - +
FONTE: <https://www.biomedicinapadrao.com.br/2013/11/marcadores-sorologicos-da-hepatite-b.html>. 
Acesso em: 15 fev. 2021.
3.3 HEPATITE C
O diagnóstico da hepatite C é realizado pela investigação de anticorpos anti-
HCV como metodologia de triagem. A presença de resultado reagente indica que, em 
algum momento, o paciente teve contato com o vírus. Esse marcador, contudo, não é 
capaz de especificar em qual fase (aguda ou crônica) da infecção o paciente se encontra 
(BRASIL, 2015).
3.4 HEPATITE D
 A investigação de infecção por HVD é realizada pela dosagem de anticorpos 
totais anti-HVD (IgM e IgG juntos). É importante lembrar que, nesse caso, trata-se de um 
vírus que depende	da	presença	do	HVB para se reproduzir, seja via superinfecção ou 
coinfecção (BRASIL, 2015). A interpretação dos marcadores para hepatite B, em conjunto 
com os resultados da dosagem de anticorpos totais para HVD, permite diferenciar se o 
quadro do paciente é resultado de superinfecção ou coinfecção, conforme mostram os 
Quadros 3 e 4.
160
QUADRO 4 – RESULTADOS COMPATÍVEIS COM SUPERINFECÇÃO
FONTE: A autora
QUADRO 5 – RESULTADOS COMPATÍVEIS COM COINFECÇÃO
FONTE: A autora
Marcador Resultado
HbsAg Reagente
anti-HBc Reagente
anti-HBc IgM Não reagente
anti-HDV Reagente
antiHBs Não reagente
Marcador Resultado
HbsAg Reagente
anti-HBc Reagente
anti-HBc IgM Reagente
anti-HDV Reagente
antiHBs Não reagente
3.5 HEPATITE E
A infecção pelo HVE é possível pela pesquisa de anticorpos anti-HVE IgM e 
anticorpos anti-HVE totais no soro do paciente, cuja presença de anticorpos IgM indica 
infecção recente e a presença de anticorpos totais indica exposição prévia ao HVE 
(BRASIL, 2015).
161
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Hepatites virais são um processo inflamatório localizado no fígado causada por 
infecções virais.
• Hepatites virais são causadas por vírus hepatotrópicos (que têm maior afinidade com 
o tecidohepático) que se dividem em cinco tipos: A, B, C, D e E.
• Cada um dos tipos virais apresenta antígenos diferentes, que, no laboratório clínico, 
são utilizados para detecção em amostras de sangue, soro, plasma ou fluido oral do 
indivíduo infectada
• A detecção de hepatite A ocorre por sorologia IgM e IgG para HAV. 
• A detecção de hepatite B ocorre por marcadores de triagem como HbsAg e anti-Hbc 
e marcadores diagnósticos como anti-Hbc, anti-Hbs, HBeAg, anti-HBe
• A detecção de hepatite C é realizado pela investigação de anticorpos anti-HCV como 
metodologia de triagem, que indica contato com o vírus em dado momento
• A detecção da hepatite D deve ser avaliada juntamente com marcadores de hepatite 
B, uma vez que permite discernir se existe uma coinfecção ou superinfecção.
• A infecção pelo HVE é possível pela pesquisa de anticorpos anti-HVE IgM (infecção 
recente) e anticorpos anti-HVE totais (exposição prévia ao HVE).
RESUMO DO TÓPICO 3
162
AUTOATIVIDADE
1 Com relação ao marcador indicativo de imunidade vacinal para hepatite B, assinale a 
alternativa CORRETA:
a) ( ) Anti-Hbs.
b) ( ) Anti-Hbc.
c) ( ) Anti-HVA.
d) ( ) Anti-HVB.
 
2 Explique quais componentes permitem a detecção dos diferentes tipos de hepatites.
3 Explique a relação entre hepatite B e a hepatite D.
4 Considerando os marcadores de hepatite B aguda com a interpretação de cada 
marcador, associe os itens, utilizando o código a seguir:
I- HBsAg.
II- Anti-HBc IgM.
III- Anti-HBc total.
IV- HBeAg.
V- Anti-HBe.
VI- Anti-HBs.
( ) Marcador de infecção recente, presente no soro até 8 meses após a infecção.
( ) Anticorpo que indica imunidade ao HBV.
( ) Sua presença indica estágio de alta infecciosidade.
( ) Representa contato prévio com o vírus. Está presente nas infecções agudas indicado 
pela presença de IgM e crônicas pela presença de IgG.
( ) Presente após desaparecimento do HBeAg, indica que a fase replicativa foi encerrada.
( ) Primeiro marcador a aparecer no curso da infecção pelo HBV. 
Assinale a alternativa que corresponde a sequência CORRETA:
a) ( ) I – V – VI – IV – II – III.
b) ( ) III – II – VI – V – IV.
c) ( ) II – VI – IV – III – V – I.
d) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
163
5 Paciente do sexo feminino, 36 anos de idade, procura banco de sangue para fazer 
doação de sangue. Os exames de triagem utilizados para avaliar se a paciente está 
apta a doação de sangue indicam alterações na sorologia para hepatite B. Com relação 
ao padrão de resultados em que o sangue doado poderá ser utilizado sem oferecer 
riscos para o paciente que receberá a transfusão sanguínea, assinale a alternativa 
CORRETA:
a) ( ) Anti-HBc total (-); HBsAg (-); Anti-HBs (+).
b) ( ) Anti-HBc total (-); HBsAg (+); Anti-HBs (-).
c) ( ) Anti-HBc total (-); HBsAg (-); Anti-HBs (-).
d) ( ) Anti-HBc total (+); HBsAg (-); Anti-HBs (+).
164
165
TÓPICO 4 — 
CORONAVÍRUS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
No final de 2019, a China foi marcada pela presença de uma pneumonia 
de origem desconhecida. Assim, em 31 de dezembro, as festividades de ano novo 
vieram acompanhadas da emissão de um alerta para Organização Mundial da Saúde 
(OMS) sobre essa situação. A partir daí, teve início uma investigação para descobrir o 
agente causador dessa pneumonia que, em poucos dias, apontou ser um novo tipo de 
coronavírus. Esse relato sucinto é apenas uma fração do que, em 11 de março de 2020, 
seria declarado pelo Dr. Tedros Adhanom, diretor geral da OMS, como uma pandemia 
causada pelo novo coronavírus. 
A seguir, compreenderemos as características desses vírus e como o laboratório 
clínico pode auxiliar no diagnóstico desses agentes causadores de doenças. 
2 CORONAVÍRUS
Coronavírus (COVs) é um termo que se refere à vasta família de vírus 
Coronaviridae, que compreende os gêneros Alpha coronavírus, Beta coronavírus, Gama 
coronavírus e Delta coronavírus (MCBRIDE; VAN ZYL; FIELDING, 2014). Esses vírus estão 
presentes no mundo todo e são comuns também em diferentes espécies animais, entre 
eles, os seres humanos. Nos seres humanos, esses vírus acometem principalmente 
o trato respiratório superior, resultando em manifestações de diferentes gravidades, 
como resfriados (em casos brandos) até infecções pulmonares graves, conhecidas 
como síndrome respiratória aguda grave. Ainda sobre as características da família 
Coronaviridae, Gruber (2020, p. 1) aponta que:
As partículas virais são esféricas, com cerca de 125 nm de diâmetro 
e revestidas por um envelope fosfolipídico. O genoma de RNA de fita 
simples e senso positivo contém entre 26 e 32 quilobases e está 
associado a proteínas, formando o nucleocapsídeo. As partículas 
apresentam projeções que emanam do envelope em forma de 
espículas, formadas por trímeros da proteína S (spike protein). 
Essas projeções geram um aspecto de coroa, daí a denominação 
coronavírus. A proteína S é responsável pela adesão do vírus nas 
células do hospedeiro e participa do processo de interiorização, no 
qual ocorre a fusão entre as membranas viral e da célula e a entrada 
do vírus no citoplasma.
166
Em se tratando de material genômico que tem senso (sentido) 
positivo, estamos falando de um vírus que apresenta muita 
agilidade na geração de novas cópias, uma vez que o material 
genômico se presta diretamente a realização da síntese proteica.
IMPORTANTE
O mecanismo de infecção (Figura 21) pelo coronavírus tem início com a forte 
ligação da proteína Spike (glicoproteína em formato de espícula) ao receptor da 
enzima conversora de angiotensina 2 (ECA2), presente nas células. Com a entrada 
do vírus na célula humana, as informações presentes no material genético viral passam 
a ser traduzidas, resultando na formação de proteínas capazes de replicar o material 
genético do vírus, como a RNA polimerase (SANAR, 2020). 
Como resultado da ação da RNA polimerase, são produzidas fitas de RNA que 
constituirão, após ligação com proteínas virais, as partículas virais. A conclusão do 
processo de montagem viral ocorrerá no complexo de Golgi e no retículo endoplasmático 
da célula infectada. Uma vez terminada a montagem, as partículas virais deixam a célula e 
passam a infectar novas células e repetir as etapas previamente descritas (SANAR, 2020).
Entre os coronavírus citados anteriormente, os Betacoronavírus serão nosso 
principal objeto de estudos, dado o potencial letal de espécies como SARS-CoV-1 e 
SARS-CoV-2, que serão discutidos a seguir. 
A enzima conversora de angiotensina 2 é uma enzima que integra 
o sistema renina-angiotensina e está presente em pneumócitos 
(células epiteliais dos pulmões).
IMPORTANTE
167
FIGURA 21 – MECANISMO DE REPLICAÇÃO VIRAL DO CORONAVÍRUS
FONTE: <http://cienciaviva.org.br/index.php/2021/01/01/corridavacinascov2/>. Acesso em: 25 fev. 2021.
2.1 SARS-COV-1
Desde o início dos anos 2000, os coronavírus têm apresentado novas cepas 
infectantes tanto em populações humanas quanto animais. Em 2003, uma destas 
cepas de coronavírus foi identificada como causadora da epidemia de Síndrome 
Respiratória Aguda Grave, comumente identificada pela sigla SARS-CoV-1 (do 
inglês, acute respiratory syndrome coronavirus), responsável pela morte de 10 a 50% 
das pessoas infectadas, com porcentagem variando conforme a faixa etária (GRAHAM; 
DONALDSON; BARIC, 2013).
Acredita-se que a origem deste vírus sejam morcegos, uma vez que se trata de 
um animal que é reservatório para diversos vírus filogeneticamente semelhantes àqueles 
coronavírus que já sabemos serem patogênicos em seres humanos. Esta característica 
faz com que exista alta probabilidade destes vírus infectarem seres humanos resultando 
em emergências de saúde pública de escala internacional, como a que teve início no 
final de 2019 (GRAHAM; DONALDSON; BARIC, 2013).
168
O estabelecimento da SARS é bastante complexo, com diferentes fatores que 
resultam em lesões graves nos pulmões e disseminação viral em outros órgãos. A 
afinidade do SARS-CoV-1 com pneumócitos, em decorrência da presençados receptores 
ECA2, já citados anteriormente, resulta em dano alveolar difuso (GU; KORTEWEG, 2007).
O desenvolvimento da SARS é caracterizado pela perda sequencial 
da integridade da membrana capilar alveolar, acúmulo de líquido 
no espaço extravascular e perda de volume de troca gasosa 
pulmonar, mais proeminente nas áreas dependentes dos pulmões. 
As anormalidades resultantes de áreas com baixa relação ventilação/
perfusão e atelectasia ou consolidação franca conduzem a 
manifestações clínicas de insuficiência respiratória – hipoxemia 
arterial e insuficiência mecânica do pulmão (BORGES, 2018, p. 17)
O SARS-CoV-1 apresenta um período de incubação de 2 a 10 dias, a partir do 
qual iniciam as manifestações clínicas mais frequentes, como:
• mal-estar;
• tosse seca;
• febre persistente;
• calafrio;
• dor muscular;
• dor de cabeça;
• dispneia (dificuldade de respirar).
Além destes sintomas, alguns pacientes podem apresentar, com menor 
frequência, coriza, dor de garganta, náuseas, taquipneia (aumento da frequência de 
ciclos respiratórios), taquicardia (aumento da frequência cardíaca), diarreia e vômito 
(HUI; WONG; WANG, 2003).
É importante ressaltar que, apesar do nome referir a uma síndrome respiratória, 
outros sistemas do nosso corpo podem ser significativamente prejudicados. Dessa 
forma, podemos pensar que deve existir algo em comum entre diferentes órgãos que 
faça com que eles sejam afetados. E, de fato, existe!
Ocorre que células tubulares renais, células miocárdicas, neurônios, células 
do sistema imune e células da mucosa intestinal, por exemplo, também possuem o 
receptor ECA2, que seria a “porta de entrada” do SARS-CoV-1 nas células. Assim, 
todas as células que apresentam este receptor acabam se tornam alvos primários 
deste agente infeccioso. Um dos efeitos observados nesta ligação foi a significativa 
elevação na concentração de citocinas	 pró-inflamatórias, que são proteínas 
produzidas pelas células infectadas que promovem o estabelecimento de um processo 
inflamatório. Sendo assim, é possível compreender que este ambiente pró-inflamatório, 
desencadeado inicialmente para combater a infecção por SARS-CoV-1, também acaba 
por prejudicar o tecido infectado (HE et al., 2006). 
169
Nesse contexto, a presença de citocinas, como fator de necrose tumoral alfa 
(TNF-α), por exemplo, pode induzir à apoptose pneumócitos, e mediar a formação de 
fibrose no tecido pulmonar. Com a presença deste vírus na corrente sanguínea, ocorre 
infecção deste vírus em outros órgãos que contém receptores ECA2, o que intensifica 
rapidamente o processo inflamatório, gerando disfunção em diferentes órgãos (HE et 
al., 2006).
2.2 SARS-CoV-2
Segundo o fragmento da matéria da BBC News Brasil, que apresenta uma 
resumida linha do tempo de uma pandemia que chegou ao Brasil em fevereiro de 
2020, o agente infeccioso dessa doença é o SARS-CoV-2, conhecido como o novo 
coronavírus (CEVIK et al., 2020). 
As primeiras notícias sobre uma “pneumonia misteriosa” que estava 
afetando algumas partes da China começaram a surgir na mídia 
internacional no final de dezembro de 2019. A informação de que a 
doença era causada por um novo tipo de coronavírus foi transmitida 
por cientistas chineses e divulgada a partir do dia 8 de janeiro de 2020. 
Rapidamente, a cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, foi 
identificada como epicentro da crise sanitária e teve seus aeroportos, 
portos, ferrovias e rodovias bloqueadas, numa tentativa de conter a 
disseminação do agente infeccioso. Mas já era tarde demais: logo 
apareceram casos em outras partes da China e o agente infeccioso 
foi identificado em países próximos, como Japão e Tailândia. Os 
episódios de covid-19 se espalharam rapidamente para outros 
continentes e foram detectados na Europa e na América do Norte. 
Portanto, havia a certeza quase absoluta que o vírus chegaria em 
algum momento ao Brasil ainda no primeiro trimestre de 2020(BBC 
NEWS BRASIL, 2021).
Apesar de pertencer à mesma família do SARS-Cov-1, apresentar similaridades 
genéticas, e a preferência de ambos por interagir com o receptor ECA2 para invadir 
as células, existem diferenças que permitiram que a pandemia causada pelo SARS-
CoV-2 perdurasse e resultasse em um maior número de mortes. Inicialmente, podemos 
destacar o número efetivo de reprodução (R) maior que o identificado no SARS-Cov-1, o 
que explica sua maior eficiência para se disseminar (WÖLFEL et al., 2020).
170
O número efetivo de Reprodução (R) corresponde à capacidade de propagação 
viral. Este número é expresso como um índice que aponta o número médio de pessoas 
contagiadas a cada indivíduo infectado nas condições existentes em um dado momento. 
A interpretação deste índice ocorre da seguinte forma:
• R superior a 1: indica que cada pessoa infectada transmite a doença 
para, no mínimo, mais um pessoa, disseminando o vírus.
• R inferior a 1: indica que a transmissão da infecção está menor e o 
número de contágios está diminuindo. 
Este índice é utilizado para estimar a demanda hospitalar e, com 
isso, adequar a infraestrutura para dar conta da demanda e também 
auxiliar os governantes no entendimento das medidas necessárias para 
proteção da população.
IMPORTANTE
Ainda sobre as diferenças do SARS-CoV-2, sabemos que, apesar de se ligar 
ao mesmo receptor ECA 2 que o SARS-CoV-1, o SARS-CoV-2 apresenta diferenças em 
suas proteínas de superfície que permite uma maior ligação com o receptor ECA2 e, com 
isso, maior eficiência na invasão das células hospedeiras. Além disso, SARS-CoV-2 tem 
maior afinidade com o trato respiratório superior (nariz externo, cavidade nasal, faringe, 
laringe e porção superior da traqueia), o que permite facilidade da infecção das células 
nestas regiões e facilidade para se disseminar com maior facilidade pelas vias aéreas. 
Outro importante diferencial entre SARS-Cov-1 e SARS-Cov-2 são as dinâmicas das 
cargas virais de cada um. O SARS-CoV-1 atinge o pico de carga viral em média 15 dias 
após o início das manifestações clínicas. Esta característica permite que a infecção já 
tenha sido determinada e o paciente isolado precocemente, o que reduz a capacidade 
de transmissão deste vírus (CEVIK et al., 2020). 
Em contraste, o SARS-Cov-2 tem seu pico de carga viral no trato respiratório, 
observado no início da manifestação dos sintomas ou durante a primeira semana da 
doença, o que denota maior potencial infectante imediatamente antes ou durante 
os primeiros dias do início dos sintomas. Sabendo dessa característica, é possível 
compreender a importância do distanciamento social, mesmo com indivíduos que não 
apresentam sintomas, uma vez que este pode estar infectado sem ainda ter apresentado 
sintomas (WÖLFEL et al., 2020).
Carga viral é termo que refere a quantidade de vírus presente na 
corrente sanguínea do indivíduo infectado.
IMPORTANTE
171
No que diz respeito ao potencial patogênico do SARS-Cov-2, Vaduganathan 
et al. (2020) apontam o impacto da infecção por SARS-Cov-2 no sistema renina-
angiotensina. Assim como previamente descrito no SARS-CoV-1, a entrada do SARS-
CoV-2 ocorre pela ligação da proteína S, presente na superfície do vírus, com o receptor 
ECA2 presente nos pneumócitos tipo II. Com a entrada do vírus na célula, ocorre 
downregulation da expressão do receptor ECA2, por duas vias: pela destruição da célula 
que invadiu ou por estar ocupando o receptor ao ligar-se a ele. Com isso, a angiotensina 
II passa a ficar acumulada, e isso intensifica o agravamento da Covid-19, nome dado às 
manifestações clínicas que caracterizam a infecção por SARS-Cov-2 (Figura 22). Como 
resultado da interação do SARS-CoV-2 com as células-alvo, tem-se início a replicação 
ativa das partículas virais seguida das manifestações clínicas, como (CEVIK, 2020):
• febre;
• dor no corpo;
• cefaleia;
• fadiga;
• dificuldades respiratórias;
• disfunção olfatória (perda temporária do olfato e do paladar);
• diarreia;
• infarto do miocárdio.
FIGURA 22 – INTERAÇÃO ENTRE O SARS-COV-2 E O SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA-ALDOSTERONAFONTE: <https://pt.slideshare.net/flaviasmatos/doencas-pulmonares-difusas>. Acesso em: 26 fev. 2021.
172
IMPORTANTE
Considerando a importante relação do receptor ECA2 na patogênese resultante 
da infecção por SARS-CoV-2, apresentamos um trecho do texto O sistema renina-
angiotensina-aldosterona (SRAA) versus a infecção pelo coronavírus 2019, que explora 
as funções do sistema renina-angiotensina-aldosterona, do qual os receptores 
ECA2 fazem parte. Aproveite essa leitura para relembrar a importância do SRAA e 
compreender sua relação com a Covid-19. 
O sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) versus 
a infecção pelo coronavírus 2019
O sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) regula funções essenciais do 
organismo, como a manutenção da pressão arterial, balanço hídrico e de sódio. A 
lógica fundamental que preside o funcionamento do sistema é responder a uma 
instabilidade hemodinâmica e evitar a redução na perfusão tecidual sistêmica. 
Atua de modo a reverter a tendência à hipotensão arterial através da indução de 
vasoconstricção arteriolar periférica e aumento na volemia por meio de retenção 
renal de sódio (através da aldosterona) e água (através da liberação de ADH-
vasopressina). A renina é liberada pelos rins, enquanto a enzima conversora de 
angiotensina (ECA) é encontrada no endotélio vascular em vários órgãos. Uma vez 
ativada a cascata, surgem a angiotensina I (AI) e a angiotensina II (AII), que circulam 
pelo sangue e se ligam em receptores específicos ATI e ATII, regulando funções 
em órgãos-alvos. Receptores de ATII estão presentes universalmente na árvore 
arterial e produzem acentuada contração em segmentos isolados de todos os leitos 
arteriais. Além do efeito vasoconstritor extensivamente demonstrado in vitro e in 
vivo, ATII exerce importantes efeitos tróficos sobre a parede arterial. A participação 
desse sistema no fenômeno de redução luminal da hipertensão essencial instalada 
tem sido demonstrado pela inibição farmacológica da enzima conversora ou do 
antagonismo dos receptores AT1. Todos os componentes do SRAA estão presentes 
no endotélio e na parede arterial e a formação de Ang II, no vaso, está solidamente 
documentada.
Está claro que a hiperatividade desse sistema, contribuiu expressivamente na 
fisiopatologia da hipertensão arterial e em outras patologias cardiovasculares. Os 
fármacos conhecidos como inibidores da ECA – o Dr. Sérgio Henrique Ferreira de 
Ribeirão Preto, SP, foi pioneiro ao descrever o Fator Potencializador da Bradicinina, 
sendo assim, o precursor deste grupo de drogas – realizam bloqueio reversível 
da enzima conversora de angiotensina, reduzindo a formação de 
AII. Sabe-se que a AII é um potente peptídeo vasoconstritor e 
estimulante da secreção adrenal de aldosterona. O bloqueio da 
ECA promove, diretamente, um efeito hipotensor causado pela 
inibição dos efeitos vasoconstritores e estimulantes da secreção 
de aldosterona e, indiretamente, previnem doença isquêmica 
cardíaca, doença aterosclerótica, nefropatia diabética e 
hipertrofia ventricular esquerda. Por outro lado, o receptor 
AT2 tem efeito antiproliferativo, vasodilatador e de apoptose. 
Ele também ativa a produção de óxido nítrico. Assim como, a 
produção de AT1-7 pela ECA2 traduz em efeitos benéficos 
como antiproliferativo e anti-hipertensivo.
FONTE: <https://pebmed.com.br/o-sistema-renina-
angiotensina-aldosterona-versus-a-infeccao-pelo-
coronavirus-2019/>. Acesso em: 26 abr. 2021.
173
Por tratar-se de um vírus recentemente descoberto, muito sobre os mecanismos 
patogênicos do SARS-CoV-2 ainda não foram esclarecidos. Contudo, a urgência em 
detectar esse vírus e isolar pacientes para reduzir a disseminação do SARS-CoV-2 
intensificou esforços para desenvolver metodologias para diagnóstico do vírus. A seguir, 
conheceremos as metodologias utilizadas para diagnóstico e acompanhamento de 
pacientes com Covid-19.
Assista ao vídeo, produzido pelo Instituto Butantã, que fala sobre 
as características que temos conhecimento do SARS-CoV-2 até o 
momento: https://www.youtube.com/watch?v=wC3r4Lcm1Sw.
DICA
3 O LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E 
ACOMPANHAMENTO DE SARS-COV-1 E SARS-COV-2
O diagnóstico de Covid-19 é um importante instrumento no combate à 
disseminação dos vírus, porque permite que as equipes médicas identifiquem os 
pacientes infectados, isolando-os dos demais indivíduos não infectados, a fim de 
impedir o contágio. 
Existem diferentes metodologias utilizadas para detecção de SARS-CoV-1 
e SARS-CoV-2, tanto por detecção do vírus quanto pela presença de anticorpos 
produzidos contra esse vírus. A principal metodologia para detecção direta é realizada 
por RT-PCR, que pertence ao setor de Biologia Molecular.
Apesar de abordarmos apenas testes sorológicos, é importante saber que existem 
também testes moleculares muito utilizados para detecção de coronavírus. Por 
isso, apresentamos, a seguir, um trecho do texto RT-PCR ou sorológico? Entenda as 
diferenças entre os testes, publicado pela Universidade Federal de Minas Gerais, que 
resume o princípio da técnica de RT-PCR e suas características. 
O que é o RT-PCR?
Considerado o “padrão-ouro” ou “padrão de referência”, o RT-PCR é o exame que 
identifica o vírus e confirma a Covid-19. Para isso, o teste busca detectar o RNA do 
vírus através da amplificação do ácido nucleico pela reação em cadeia da polimerase. 
De acordo com a professora Glaucia, esse teste deve ser realizado no início da doença, 
especialmente na primeira semana, quando o indivíduo possui grande quantidade do 
vírus SARS-CoV-2.
IMPORTANTE
174
As amostras são coletadas através de swabs (cotonetes) de nasofaringe 
(nariz) e orofaringe (garganta). A abordagem do exame, no momento, 
é do profissional de saúde que está atendendo o paciente no hospital, 
ambulatório ou consultório. Isso porque é preciso saber a fase da doença 
para a coleta da amostra.
FONTE: <https://www.medicina.ufmg.br/rt-pcr-ou-sorologico-entenda-as-
diferencas-entre-os-testes-para-a-covid-19/>. Acesso em: 25 fev. 2021.
Com relação às metodologias sorológicas para detecção de SARS-CoV, as prin-
cipais metodologias utilizadas são os testes imunocromatográficos, que podem realizar 
a detecção de antígeno ou de anticorpos IgM e IgG, ELISA e imunofluorescência (IFA).
Nesse momento, é importante lembrarmos que todas as metodologias 
apresentam limitações que podem prejudicar os resultados das provas sorológicas. 
No caso de metodologias aplicadas à detecção do SARS-CoV, não é diferente. Um dos 
principais elementos que se tem conhecimento que interfere na detecção de anticorpos 
e antígenos por ELISA e imunocromatografia, as principais metodologias utilizadas, está 
relacionado ao tempo de evolução clínica dos pacientes (Figura 23). 
3.1 DETECÇÃO DE ANTÍGENO PARA SARS-COV – 
IMUNOCROMATOGRAFIA DE FLUXO 
Por se tratar de um método de detecção direto qualitativo, ou seja, que identifica 
presença do antígeno na amostra de secreção nasofaríngea, trata-se da opção que 
apresenta capacidade de detecção mais precoce, sendo a melhor metodologia 
sorológica indicada para a detecção entre o 2º e o 10º após o início dos sintomas. 
Nessa metodologia, a tira de membrana é pré-revestida com anticorpo anti-
SARS-CoV-2, imobilizado na linha de teste. Assim, amostras de secreção nasofaríngea 
contendo antígenos de SARS-CoV-2, passam pela membrana e reagem com o anticorpo 
anti-SARS-CoV-2, formando um conjugado Ag-Ac. Como resultado é possível observar 
a formação de tira colorida na região teste. 
Caro acadêmico, lembre-se de que a metodologia de 
imunocromatografia de fluxo lateral já foi abordada na 
Unidade 2. Sugerimos que você revisite esse tema para 
reforçar seus conhecimentos.
DICA
175
FIGURA 23 – EVOLUÇÃO CLÍNICA E DETECÇÃO LABORATORIAL DA COVID-19
FONTE: <https://www.febrasgo.org.br/es/covid19/item/977-como-utilizar-os-testes-de-covid-19-ag-fia-e-
igg-igm>. Acesso em: 26 fev. 2021.
176
A amostra utilizada é raspado nasofaríngeo, coletado por swab, uma hasteflexível 
semelhante a um cotonete, todas as etapas da técnica estão apresentadas na Figura 24. 
Além da execução do teste dentro do período correto, outro elemento que pode prejudicar 
os resultados desta técnica por gerar resultados falso-negativos são erros de coleta de 
swab nasofaríngeo. Por tratar-se de um procedimento bastante desconfortável para 
o paciente, que pode atrapalhar a correta execução da coleta é importante considerar 
que o resultado pode ter sido comprometido pela raspagem nasofaríngea incorreta 
ou insuficiente. A interpretação do resultado obedece às orientações apresentadas na 
metodologia de imunocromatografia, discutidas na Unidade 2.
A coleta de secreção nasofaríngea é uma etapa crucial na detecção 
de antígenos de SARS-CoV-2 por imunocromatografia e também 
para realização de RT-PCR para detecção de SARS-CoV-2. Por 
isso, sugerimos um vídeo que demonstra como o procedimento 
de coleta deve ser realizado, acesse: https://www.youtube.com/
watch?v=owYKzDi6F6Q
IMPORTANTE
FIGURA 24 – PROCEDIMENTO DO TESTE DE ANTÍGENO PARA SARS-COV
177
FONTE: <https://www.centerlab.com/teste-rapido-covid-19-ag-eco.html>. Acesso em: 9 abr. 2021.
Essa metodologia qualitativa é utilizada principalmente para triagem de 
pacientes, devido a sua rapidez e praticidade. Os kits comerciais disponíveis possuem 
diferentes apresentações, como:
178
• Testes rápidos que diferenciam IgM e IgG: são aqueles que apresentam três 
bandas (faixas) – controle, IgM e IgG –, permitindo discernir qual anticorpo está ou 
não reagente. Ressalta-se que resultados que não apresentarem a banda controle 
serão sempre considerados testes inválidos (Figura 25). 
FIGURA 25 – IMUNOCROMATOGRAFIA COM BANDAS SEPARADAS PARA IGM E IGG
FONTE: <http://twixar.me/67tm>. Acesso em: 25 fev. 2021.
 Negativo IgM+ IgM+ IgG+ Inválido Inválido Inválido
 IgM+
• Testes rápidos que não diferenciam anticorpos são aqueles que apresentam 
duas bandas (faixas): controle e teste, permitindo apenas determinar a presença de 
anticorpos, sem diferenciá-los. Ressalta-se que resultados que não apresentarem a 
banda controle serão sempre considerados testes inválidos (Figura 26).
FIGURA 26 – TESTE IMUNOCROMATOGRÁFICO PARA DETECÇÃO DE ANTICORPOS PARA COVID-19
FONTE: <https://guiadafarmacia.com.br/wp-content/uploads/2020/04/PROTOCOLO-ABRAFARMA-
TESTES-RAPIDOS-COVID19-V-1.1-30ABR2020.pdf>. Acesso em: 25 fev. 2021. a
179
Após conhecermos as provas sorológicas mais utilizadas para detecção de 
Covid-19, é importante compreendermos que esses resultados apresentam diferentes 
interpretações quando avaliados em conjunto. Para facilitar a compreensão, a Figura 27 
apresenta uma interpretação de resultados de sorologia para Covid-19, os quais devem 
sempre ser interpretados em conjunto com os sinais e os sintomas manifestados pelo 
paciente. 
FIGURA 27 – INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS DE SOROLOGIA PARA COVID-19
FONTE: <https://cerpe.com.br/saude/exame-sorologia-covid-19>. Acesso em: 25 fev. 2021.
3.2 DETECÇÃO DE ANTICORPOS PARA SARS-COV – ELISA
Conforme discutido na Unidade 2, trata-se de uma metodologia que detecta 
anticorpos específicos para diferentes doenças. No caso da SARS-CoV-2 não é 
diferente, uma vez que o ELISA é aplicado ao diagnóstico clínico de SARS-CoV pela 
detecção quantitativa de anticorpos produzidos em resposta à infecção por esse vírus. 
Os principais anticorpos investigados são IgM e IgG. No entanto, para que os resultados 
sejam fidedignos às condições imunológicas do paciente no momento da coleta, é 
importante atentar para o tempo decorrido entre o início dos sintomas e a coleta. O 
período para coleta, a partir do qual seria possível a detecção de anticorpos para SARS-
CoV-2, seria entre o 7º e o 10º dia após início dos sintomas. Assim, não é uma técnica útil 
para detecção de anticorpos nos estágios iniciais da infecção. De modo geral, o IgM é 
detectável mais cedo que o IgG (BRASIL, 2020). 
180
Contudo, a presença de IgM e IgG simultaneamente na amostra não são 
confirmatórios para determinar que se trata de uma infecção recente, dado que os 
avanços tecnológicos permitiram a formulação de kits comerciais para esta técnica com 
maior sensibilidade (TAN et al., 2003; BRASIL, 2020).
Quando a finalidade do teste for identificar a exposição anterior ao 
SARS-CoV-2, podem ser usados testes sorológicos para detecção de 
IgG ou IgM (para determinar se um indivíduo foi previamente infectado), 
do tipo imunocromatográfico ou ELISA, que poderá ser quantitativo, 
caso o título do anticorpo seja necessário. Caso os achados clínicos 
permitam, o indivíduo testado não exigiria quarentena e poderia se 
associar a indivíduos não infectados ou infectados com risco mínimo 
de transmissão ou nova infecção (BRASIL, 2020, p. 5).
181
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Coronavírus pertencem a família de vírus Coronaviridae que compreende os gêneros 
Alpha coronavírus, Beta coronavírus, Gama coronavírus e Delta coronavírus. 
• Estes vírus estão presentes no mundo todo e são comuns também em diferentes 
espécies animais, entre eles os seres humanos. 
• Nos seres humanos, o trato respiratório superior é o principal sistema acometido, 
podendo resultar em manifestações de diferentes gravidades, como resfriados até 
síndrome respiratória aguda grave. 
• O mecanismo de infecção dos coronavírus tem início com a forte ligação da proteína 
Spike ao receptor da ECA2 presente em alguns tipos celulares. 
• Betacoronavírus apresentam potencial letal por incluir espécies como SARS-CoV-1 
e SARS-CoV-2, que têm afinidade com pneumócitos.
• SARS-CoV-1 foi causador epidemia global de síndrome respiratória aguda grave em 
2003.
• Um dos efeitos observados nesta ligação entre SARS-CoV e o receptor ECA2 é o aumento 
na concentração de citocinas pró-inflamatórias, que são proteínas produzidas pelas 
células infectadas que promovem o estabelecimento de um processo inflamatório.
• SARS-CoV-2 foi causador da pandemia global de Covid-19 em 2020. Assim, como 
SARS-CoV-1, sua entrada nas células ocorre pelo receptor ECA2.
• A escala de contágio do SARS-Cov-2 é maior em relação ao SARS-Cov-1, dado o 
maior número efetivo de reprodução (R), o que justifica sua maior eficiência para se 
disseminar.
• O SARS-Cov-1 tem seu pico de carga viral na segunda semana após o início dos 
sintomas, o que permite que a infecção já tenha sido determinada e o paciente 
isolado, reduzindo assim sua capacidade de contágio, enquanto o SARS-Cov-2 tem 
seu pico de carga viral no trato respiratório é observado no início da manifestação 
dos sintomas ou durante a primeira semana da doença, o que denota maior potencial 
infectante imediatamente antes ou durante os primeiros dias do início dos sintomas.
RESUMO DO TÓPICO 4
182
• A compreensão do tempo de evolução clínica do paciente permite que as provas 
sorológicas sejam realizadas dentro dos períodos passíveis detecção de anticorpos 
IgM e IgG.
• A detecção de antígeno deve ser realizada nos primeiros dias após o início dos 
sintomas.
183
AUTOATIVIDADE
1 Explique a função da proteína Spike na infecção por SAR-Cov-2.
2 Sobre a relação entre o receptor ECA2 e o coronavírus, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Este receptor pertence ao sistema-renina-angiotensina-aldosterona e está 
presente em diferentes órgãos vitais como pulmão, rins e coração. 
b) ( ) Trata-se de um receptor de baixa especificidade e capacidade de ligação para o 
SARS-Cov-2 em especial.
c) ( ) O ECA2 é o marcador sorológico da Covid-19.
d) ( ) O SARS-Cov-1 teve uma evolução mais branda pois os receptores ECA 2 estavam 
em número reduzido nas populações acometidas por esse vírus.
3 A detecção de infecção por SARS-Cov-2 pode ser realizada por diferentes metodologias 
sorológicas. Cite quais são as principais metodologias utilizadas e quando o uso de 
cadauma delas é indicado.
184
185
LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
UNIDADE 3 TÓPICO 5 — 
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, conheceremos a doença autoimune lúpus. Doenças autoimunes 
ocorrem quando nosso sistema imune ataca as células do próprio corpo, como se elas 
fossem patógenos (como vírus e bactérias). Dessa forma, condições autoimunes são 
aquelas em que o sistema imune não é capaz de discernir entre células saudáveis do 
próprio corpo e organismos estranhos.
A seguir, conheceremos mais sobre esta doença e como seu diagnóstico é 
realizado. 
2 LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
O lúpus é uma doença autoimune que afeta diferentes tecidos no corpo 
humano. Por ser uma doença que acomete principalmente o tecido conjuntivo, é 
classificada como uma condição clínica pertencente ao grupo das colagenoses. 
Assim, o lúpus apresenta um processo inflamatório crônico e multissistêmico em que 
a presença de autoanticorpos resulta em prejuízo tecidual. As manifestações clínicas 
presentes na doença são comumente confundidas com sintomas de outras doenças. 
Neste contexto, se torna, por vezes, uma doença de difícil diagnóstico. 
O tipo mais comum é o lúpus eritematoso sistêmico (LES), responsável por 
afetar vários órgãos e é uma doença mais frequente em mulheres. Apesar da grande 
variedade de sintomas presentes (Figura 28), o paciente não apresenta necessariamente 
todas as manifestações clínicas. Algumas das principais manifestações clínicas 
presentes são descritas a seguir (BRASIL, 2016):
• Anemia (redução do número de hemácias), leucopenia (redução no número de 
glóbulos brancos), linfopenia (redução do número de linfócitos) e plaquetopenia 
(redução do número de plaquetas).
• Inflamação renal, pleural e pericárdica.
• Inchaço e dores articulares.
• Lesões cutâneas (lesão em forma de borboleta no rosto é a mais comum).
• Vasculite (processo inflamatório nos pequenos vasos), que resulta em lesões 
avermelhadas e dolorosas.
• Perda de peso e sensação de fraqueza.
• Convulsões, psicose e prejuízo de nervos periféricos.
• Aumento do volume hepático, ganglionar e do baço (na doença em exacerbação).
186
Pacientes com lúpus alternam períodos em que expressam sinais e sintomas 
(exacerbações) a períodos assintomáticos (remissões). Os mecanismos específicos 
associados ao estabelecimento desta doença ainda não foram completamente 
esclarecidos. Contudo, sabe-se que é uma doença multifatorial, que depende de 
características genéticas, hormonais e ambientais que favoreçam seu estabelecimento. 
Dada a predominância do acometimento de pacientes do sexo feminino em idade fértil, 
acredita-se que o fator hormonal esteja relacionado ao estrogênio, uma vez que este 
hormônio está vinculado a redução da apoptose (morte programada) e atividade dos 
linfócitos B, o que resulta na produção contínua de autoanticorpos. 
Quanto aos fatores ambientais, a exposição solar tem grande influência 
na exacerbação do lúpus, uma vez que está associada a geração de uma resposta 
inflamatória, o que favorece a produção de interleucinas e fator de necrose tumoral. Com 
isso, linfócitos B autorreativos são estimulados a produzir anticorpos. Em se tratando de 
fatores genéticos, de acordo com SANARMED (2019, p. 1):
Existe prevalência aumentada em parentes de primeiro grau e em gêmeos 
monozigóticos, 17 vezes e 29 vezes maior que população geral, respectivamente. A 
deficiência de componentes da via clássica do complemento como C1q (principal) e C4 
conferem alta chance de desenvolver a doença. Também existe associação com HLA 
DR2 e DR3, além de outros polimorfismos genéticos (PTPN22, TREX 1, STAT 4, IFR5, 
TLR7, entre outros).
FIGURA 28 – SINTOMAS PRESENTES NO LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
FONTE: <http://portaldonic.com.br/jornalismo/2019/11/25/lúpus -nao-tem-cura-mas-e-possivel-conviver-
com-ela/>. Acesso em: 27 fev. 2021.
187
Com a interação dos fatores citados anteriormente, há o estabelecimento 
da perda da autotolerância (incapacidade de identificar os próprios anticorpos) e 
consequente aparecimento das manifestações clínicas. 
Caro acadêmico, considerando a influência da exposição solar em pacientes com lúpus, 
apresentamos um trecho de uma reportagem extraída do site do Dr. Drauzio Varella: 
Pacientes de lúpus devem evitar exposição solar. Esse texto apresenta recomendações 
importantes que objetivam prevenir agravamento dessa doença por conta da exposição 
solar. 
Pacientes de lúpus devem evitar exposição solar
Lúpus e exposição solar definitivamente não combinam. Basta notar que quando o paciente 
fica exposto à luz solar por horas seguidas e sem proteção, sua pele fica avermelhada 
(no rosto, são visíveis lesões com o formato de asa de borboleta). Isso ocorre porque 
o sol promove uma reação imunológica no organismo que desencadeia os sintomas. 
“Orientamos que os pacientes com a doença sempre utilizem bloqueadores 
solares de fator no mínimo 30 quando saírem às ruas. Mesmo se o dia 
estiver nublado, é preciso usar o produto. O importante é impedir que surja 
o processo inflamatório. Quando a pele já está avermelhada e com certo 
prurido, é sinal de que a inflamação já começou”, destaca Eduardo 
Borba, professor doutor de reumatologia da USP.
Mas atenção: a exposição solar desencadeia uma reação 
inflamatória que pode afetar não apenas a pele, mas estruturas como 
articulações, cérebro e rins. Dessa maneira, a exposição à luz do sol pode 
comprometer todos os órgãos envolvidos na doença. Quando a crise se 
instala, geralmente é necessário entrar com medicação, que na maioria das 
vezes é à base de corticoides. Como o uso dessa classe de medicamentos 
deve ser moderado, o ideal é prevenir.
O paciente com lúpus pode frequentar a praia, mas é necessário cuidado 
redobrado com o corpo. Veja as orientações do dr. Eduardo:
• Sempre utilize bloqueadores solares com fator mínimo de proteção número 30. 
Reaplique a cada duas ou três horas, com antecedência de 15 a 30 minutos antes da 
exposição ao sol. Lembre-se de que os raios UV são mais intensos entre 10 e 15 horas.
• A dica é passar o equivalente a uma colher de chá de protetor no rosto e pescoço; uma 
colher de chá na parte da frente do tronco e a mesma medida na parte de trás; uma 
colher de chá em cada braço; uma colher de chá na parte da frente das coxas e pernas 
e a mesma medida na parte de trás.
• O uso de óculos escuros, com 99% a 100% de proteção, ajuda a prevenir problemas na 
região dos olhos que podem afetar os portadores de lúpus. Não se esqueça de utilizar 
chapéus e roupas leves sempre que possível.
• A prática de atividade física é muito importante para controlar e estabilizar a doença, 
além de fornecer resistência aos portadores. Se você for adepto de caminhada ou 
corrida, saia cedo de casa. Evite exposição solar depois das dez da manhã. 
FONTE: <https://drauziovarella.uol.com.br/reumatologia/pacientes-de-lúpus -devem-evitar-
exposicao-solar/#:~:text=A%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20solar%20desencadeia%20
uma,de%20forma%20lenta%20e%20progressiva>. Acesso em: 27 fev. 2021.
IMPORTANTE
188
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO DO LÚPUS
O laboratório clínico aplicado ao diagnóstico de lúpus compreende, além 
das investigações sorológicas apresentadas a seguir, a investigação de parâmetros 
bioquímicos e hematológicos, que não contemplam esta disciplina. Assim, abordaremos 
a pesquisa de autoanticorpos como principal prova sorológica utilizada no diagnóstico 
e acompanhamento do lúpus. 
Em pacientes com suspeita de LES, os exames laboratoriais devem 
ser realizados para detectar a presença dos autoanticorpos, que são 
os principais marcadores da doença. Anticorpos antinucleares são 
encontrados em mais de 90% dos pacientes de LES, embora a sua 
presença não seja específica para esta doença, podendo aparecer em 
outras doenças autoimunes, infecciosas ou mesmo em indivíduos 
normais (ÁLVARO APOIO, 2018, p. 1).
3.1 ANTICORPOS ANTINUCLEARES (ANA/FAN)
A detecção de anticorpos antinucleares, também conhecida como fator 
antinuclear (FAN) é um métodoque utiliza como princípio a imunofluorescência	
indireta (abordada anteriormente) utilizado na investigação de lúpus por estar presente 
na corrente sanguínea de pacientes com doenças autoimunes sistêmicas associadas 
ao tecido conjuntivo (LARA; NEVES, 2004).
Conforme indicado acima, o método mais empregado para a detecção de 
anticorpos antinucleares (ANA) ou FAN é a imunofluorescência indireta. Para investigação 
de anticorpos ANA ou do FAN, esta metodologia utiliza como substrato células da 
linhagem HEp-2, derivadas de tumor de células epiteliais humanas. A utilização destas 
células ocorre pois elas expressam maior parte dos antígenos de importância clínica 
para este tipo de investigação. 
Para ilustrar todas as etapas necessárias para execução da técnica de 
FAN, assista ao vídeo Técnica de FAN – Imunofluorescência Indireta, que 
pode auxiliar na visualização e compreensão de cada etapa. Acesse: 
https://www.youtube.com/watch?v=fblyi4r-N7w.
DICA
189
Apesar de integrar parte dos 11 critérios diagnósticos paro lúpus, não se trata de 
um exame patognomônico paro lúpus, uma vez que outras doenças autoimunes, como 
síndrome de Sjögren, artrite reumatoide e tireoidite de Hashimoto, também apresentam 
esses autoanticorpos (LARA; NEVES, 2004).
Contudo, a detecção desses anticorpos nem sempre indica a presença de 
doença autoimune. De acordo com Lara e Neves (2004, p. 284):
Um problema muito expressivo no dia a dia do laboratório é a 
positividade do teste sem que haja correlação clínica. Em soro puro 
ou em baixas diluições, virtualmente toda a população apresenta 
reatividade na pesquisa de FAN; daí a necessidade de um valor 
de corte adequado. Mudanças na distribuição dos títulos dos 
auto-anticorpos na população são idade e sexo dependente. Para 
minimizar essa situação, vários laboratórios adotam um valor de corte 
de 1:80. Ainda assim, até 13,3% da população sadia pode ter um teste 
positivo. Geralmente, quanto mais alto o título, mais significativo o 
resultado do exame, especialmente em pacientes jovens. 
Como podemos perceber, o resultado apresentando titulação reagente para FAN 
não necessariamente indica presença de doença autoimune. Além do resultado reagente 
apresentando titulação, existem antígenos-alvo que formam padrões nucleares. Esses 
padrões são utilizados pelas equipes médicas para reforçar ou descartar a suspeita 
clínica de lúpus. A Figura 29 apresenta um resumo dos padrões possíveis para FAN 
reagente e suas possíveis interpretações clínicas (DELLAVANCE; ANDRADE, 2007).
FIGURA 29 – RELAÇÃO ENTRE A PRESENÇA DE ANTÍGENOS ALVO E POSSÍVEIS PATOLOGIAS
Antigênico/
Padrão FAN
Patologia
Anti-DNA de cadeia 
dupla (ds-DNA, DNA 
nativo) 
Padrão:	Homogêneo
Encontrados primariamente no LES	numa frequência de 70 a 80% dos 
casos concentração de antígenos (título) correlaciona se bem com a 
atividade da doença: Presença de anticorpos anti-DNA correlaciona-se 
particularmente com a atividade da nefrite lúpica.
Anti-histona	
Padrão:	Homogêneo
Estão presentes em 96% dos pacientes com lúpus induzido por 
medicamentos e em 30% do LES.
Hidralazina, procainamida e anticonvulsivantes. 
Ocorre em 15 a 20% dos pacientes com AR.
Anti-snRNP 
Padrão:	Pontilhado	
(grosso)
Altos títulos de RNP, na ausência de anti-Sm, são fortemente 
sugestivos de doença mista do tecido conjuntivo (DMTC), que 
se manifesta clinicamente por acometimento cutâneo do tipo 
esclerodérmico, miosite e sinovite tipo reumatoide, que aparece em 
100% dos casos; surge em baixos títulos em LES, lúpus discoide, artrite 
reumatoide, síndrome de Sjögren e lúpus induzido por medicamentos.
Anti-Sm (Smith, 
nome do primeiro 
paciente em que foi 
reconhecido) Padrão 
pontilhado	(grosso)
Possui alta	especificidade	para	o	LES, porém sua sensibilidade 
nesses pacientes é de apenas 25 a 30%, geralmente durante a fase 
aguda da doença; raramente aparece em outras desordens; alguns 
estudos associam a sua presença com nefrite branda de surto benigno, 
outros ao envolvimento do SNC, quando manifestação única do LES.
190
Anti-SSa/Ro 
Padrão	pontilhado	
(fino)
Ro é uma proteína citoplasmática pequena ligada ao RNA, cuja função 
é desconhecida; esse anticorpo está presente em cerca de 70% dos 
pacientes com síndrome de Sjögren primária. 
Já na síndrome Sjögren associada à artrite reumatoide está presente 
em 40% dos casos, também ocorre em 30% dos pacientes com LES, 
marcando as formas de lúpus neonatal e lúpus subagudo cutâneo, e 
na síndrome do anticorpo antifosfolipídio.
Anti-SSb/La 
Padrão	pontilhado	
(fino)
São contrapartículas proteicas do RNA que parecem participar como 
um cofator para a RNA polimerase; o anti-La geralmente acompanha 
o anti-Ro; a presença de ambos no LES é geralmente associada a uma 
doença mais leve do que quando o Ro está presente isoladamente.
O SSb/La ocorre em mais da metade dos pacientes com síndrome de 
Sjögren e no LES em 15%.
Anti-centromero 
Padrão	pontilhado	
centromérico
Esclerose sistêmica forma CREST	(C – calcinose; R – Raynaud; E – 
dismotilidade esofagiana; S – esclerodermia; T – telangectasia).
Anti-Scl-70 
Padrão nucleolar
Proteína 70 KDa que foi recentemente identificada como uma 
topoisomerase, encontrada em 75% de pacientes com esclerose 
sistêmica difusa.
Anti PCNA 
Padrão	pontilhado	
pleomórfico
PCNA
Específico para LES (5 a 10% dos casos), não sendo encontrado 
em outras patologias. Geralmente, pacientes com PCNA-positivo 
apresentam maior incidência de glomerulonefrite difusa.
FIGURA 30 – REATIVIDADE DOS ANTICORPOS ANTI-DSDNA POR IMUNOFLUORESCÊNCIA
FONTE: <https://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/2496/exames_laboratoriais_%E2%80%93_
autoanticorpos.htm>. Acesso em: 9 abr. 2021.
191
LEITURA
COMPLEMENTAR
VACINAS ANTICOVID: UM	OLHAR	DA	SAÚDE	COLETIVA
Reinaldo Guimarães
A abordagem de temas complexos
Doenças de massa costumam ser complexas. No caso da pandemia pelo 
SARS-CoV-2, a complexidade foi agravada, em seu início, pelo desconhecimento quase 
completo das características do patógeno que a causava e das consequências disso. 
Na dimensão de sua biologia, as pistas existentes remetiam ao conhecimento de outros 
coronavírus já identificados que, ao fim e ao cabo, pouco ajudaram no manejo do novo 
organismo. Em sua fisiopatologia, o que se pensava ser uma enfermidade respiratória 
revelou-se uma condição sistêmica. No plano da abordagem clínica, mais surpresas 
com uma evolução heterodoxa na qual sintomas prodrômicos transformavam-se 
rapidamente em doença grave, sem que o bom estado geral dos pacientes fosse 
condizente com a gravidade de sua real função respiratória medida pelo oxímetro. No 
terreno epidemiológico, o acompanhamento do estado imunitário da população também 
surpreendeu pela pouca presença de portadores de anticorpos quando comparada com 
a experiência de outras epidemias virais e isso levanta atualmente intenso debate sobre 
os mecanismos imunológicos envolvidos na doença. No plano dos serviços de saúde, 
porque a velocidade do adoecimento e a gravidade de parte dos pacientes revelou-
se maior e mais intensa do que a organização ordinária deles estava preparada para 
suportar. Além dos serviços, a vida em sociedade, no campo do trabalho, do afeto, do 
lazer etc., foi também inesperadamente desorganizada, assim como a economia dos 
países, já bastante fragilizada antes mesmo da pandemia. Apesar de intensa, como 
veremos a seguir, os resultados da busca por medicamentos eficazes foram frustrantes 
até o momento. E agora temos uma corrida por uma ou mais boas vacinas.
Uma lição deve ser tirada a partir da descrição feita acima. Não haverá apenas 
uma medida ou mesmo o ataque a uma das dimensões descritas acima que seja 
capaz de resolver, per se, o problema em seu conjunto. O seu enfrentamento deve ser 
organizado a partir de ações articuladas nas múltiplas dimensões apontadas. O corolário 
dessa assertiva é que uma ou mais boas vacinas serão importantíssimas para contribuir 
para enfrentar a COVID 19, mas é muito pouco provávelque possam sozinhas resolver o 
problema em sua totalidade. Por outro lado, para que uma ou mais boas vacinas cumpram 
seu importante papel, serão necessárias várias etapas e vários aspectos intrínsecos e 
extrínsecos às mesmas que deverão ser estabelecidos antes que elas possam cumprir a 
sua missão. Este texto tem o objetivo de discutir a complexidade no campo das vacinas.
FONTE: Adaptado de GUIMARÃES, R. Vacinas Anticovid: um Olhar da Saúde Coletiva. Ciênc. Saúde 
Coletiva, Rio de Janeiro, v. 25, n. 9, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S1413-81232020000903579&tlng=pt. Acesso em: 26 abr. 2021.
192
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Doenças autoimunes ocorrem quando o sistema imune ataca as células do próprio 
corpo, como se elas fossem patógenos.
• O lúpus é uma doença autoimune que afeta diferentes tecidos no corpo humano. 
Por ser uma doença que acomete principalmente o tecido conjuntivo, o lúpus é 
classificado como uma condição clínica pertencente ao grupo das colagenoses. 
• O lúpus apresenta um processo inflamatório crônico e multissistêmico em que a 
presença de autoanticorpos resulta em prejuízo tecidual. 
• O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é o tipo mais comum de lúpus e é uma doença 
mais frequente em mulheres. 
• Entre as manifestações clínicas presente no lúpus podemos destacar: anemia, 
inflamação renal, pleural e pericárdica, inchaço e dores articulares, lesões cutâneas, 
vasculite, perda de peso, sensação de fraqueza, convulsões, psicose e prejuízo de 
nervos periféricos, aumento do volume hepático, ganglionar e do baço (na doença 
em exacerbação).
• Pacientes com lúpus alternam períodos em que expressam sinais e sintomas 
(exacerbações) a períodos assintomáticos (remissões).
• O lúpus é uma doença multifatorial, que depende de características genéticas, 
hormonais e ambientais que favorecem seu estabelecimento.
• A detecção de anticorpos antinucleares é um método que utiliza como princípio a 
imunofluorescência indireta na investigação de lúpus por estar presente na corrente 
sanguínea de pacientes com doenças autoimunes sistêmicas associadas ao tecido 
conjuntivo.
• A pesquisa de autoanticorpos não se trata de um exame patognomônico paro 
lúpus, uma vez que outras doenças autoimunes como síndrome de Sjögren, artrite 
reumatoide e tireoidite de Hashimoto também apresentam estes autoanticorpos.
RESUMO DO TÓPICO 5
193
AUTOATIVIDADE
1 Sobre doenças autoimunes, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Doenças autoimunes são aquelas em que anticorpos são produzidos contra 
patógenos específicos.
b) ( ) São todas as doenças em que os autoanticorpos estão ausentes.
c) ( ) Nesse tipo de doença, o corpo perde a capacidade de diferenciar células 
saudáveis de células patogênicas.
d) ( ) São doenças causadas estritamente por anticorpos lúpicos.
2 A exposição solar é um fator importante na exacerbação do lúpus. Justifique esta 
afirmação.
3 Sobre o lúpus eritematoso sistêmico, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) A confirmação do diagnóstico de lúpus se dá apenas quando o paciente apresenta 
todos as manifestações clínicas descritas para estas doenças.
b) ( ) Trata-se de um tipo de colagenose.
c) ( ) Não existe cura paro lúpus, contudo a constância de cuidados previne novas 
exacerbações. 
d) ( ) O eritema malar é um dos sinais clássicos da doença.
4 Com relação ao lúpus eritematoso sistêmico, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) Trata-se de uma doença que ocorre com maior frequência em pacientes do sexo 
feminino. 
b) ( ) Períodos em que a doença está ativa são caracterizados pela ausência de 
sintomas, como inflamação renal, anemia, lesões cutâneas e dores articulares.
c) ( ) É uma doença classificada como colagenose.
d) ( ) É uma doença multissistêmica, autoimune e crônica, que alterna períodos 
sintomáticos com períodos assintomáticos.
5 Lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune do tipo colagenose. Explique 
como ocorre o mecanismo imunológico que caracteriza o lúpus.
194
195
REFERÊNCIAS
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