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Saúde do atleta Prof.ª Daniel Vicentini de Oliveira FiSioterapia na Indaial – 2022 1a Edição Impresso por: Elaboração: Prof.ª Daniel Vicentini de Oliveira Copyright © UNIASSELVI 2022 Revisão, Diagramação e Produção: Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI. Núcleo de Educação a Distância. OLIVEIRA, DANIEL VICENTINI DE. Fisioterapia na Saúde do Atleta. Prof. Daniel Vicentini de Oliveira. Indaial - SC: Arqué, 2022. 200p. ISBN Digital 978-65-5466-174-4 “Graduação - EaD”. 1. Atleta 2. Fisioterapeuta 3. Articulação CDD 615.82 Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 Olá, acadêmico! Como vai? Seja bem-vindo à disciplina Fisioterapia na Saúde do Atleta. Na Unidade 1, abordaremos os princípios básicos, fundamentos, subdivisões e áreas de atuação da biomecânica, além da aplicação da biomecânica nos esportes. Estudaremos alguns conceitos cinemáticos e cinéticos para análise do movimento, o histórico e os conceitos relacionados à cinética e cinemática, formas de movimento, terminologia padronizada de referência e do movimento articular, cargas mecânicas agindo sobre o corpo humano e os tipos de análise biomecânica. Abordaremos, também, os mecanismos e características do trauma neuro- musculo-esquelético na prática esportiva, lesões ósseas, articulares, musculotendíneas e neurais, e as alterações cinético-funcionais nos membros superiores, inferiores e da coluna vertebral relacionadas à prática esportiva. Em seguida, na Unidade 2, estudaremos a atuação do fisioterapeuta na área esportiva, a atividade física no contexto da saúde, do esporte e do lazer, e a relação entre exercício físico e condicionamento físico no processo de recuperação funcional para a prática esportiva. Estudaremos a prevenção de lesões no esporte por meio da alimentação e nutrição, sono e controle do estresse com foco na equipe interdisciplinar e a conduta fisioterapêutica na prevenção de lesões esportivas, como por meio do alongamento e aquecimento. Por fim, na Unidade 3, aprenderemos algumas técnicas fisioterapêuticas para lesões esportivas da coluna vertebral, do quadril e dos membros superiores e inferiores. Bons estudos! Prof. Daniel Vicentini de Oliveira. APRESENTAÇÃO GIO Olá, eu sou a Gio! No livro didático, você encontrará blocos com informações adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender melhor o que são essas informações adicionais e por que você poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto estudado em questão. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um novo visual – com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada também digital, em que você pode acompanhar os recursos adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Preparamos também um novo layout. 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QR CODE SUMÁRIO UNIDADE 1 — BIOMECÂNICA DO ESPORTE ............................................................1 TÓPICO 1 — PRINCÍPIOS BÁSICOS DA BIOMECÂNICA .......................................... 3 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 3 2 FUNDAMENTOS E DIVISÕES DA BIOMECÂNICA ................................................4 2.1 BIOMECÂNICA X CINESIOLOGIA ........................................................................................6 3 ÁREAS DE ATUAÇÃO DA BIOMECÂNICA ............................................................ 7 3.1 ANATOMIA E ANATOMIA FUNCIONAL ...............................................................................9 4 BIOMECÂNICA E ESPORTES ............................................................................. 10 4.1 ANÁLISE DO DESEMPENHO ESPORTIVO .......................................................................11 RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................... 13 AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 14 TÓPICO 2 — CONCEITOS CINEMÁTICOS E CINÉTICOS PARA ANÁLISE DO MOVIMENTO .......................................................................................17 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................17 2 HISTÓRICO E CONCEITOS RELACIONADOS A CINEMÁTICA ........................... 18 2.1 CONCEITOS...........................................................................................................................19 2.1.2 PONTO MATERIAL E SISTEMA DE REFERÊNCIA ................................................21 2.1.3 TRAJETÓRIA ...............................................................................................................21 2.1.4 DESLOCAMENTO E DISTÂNCIA PERCORRIDA .....................................................................21 2.1.5 VELOCIDADE MÉDIA E VELOCIDADE INSTANTÂNEA ....................................... 22 2.1.6 ACELERAÇÃO MÉDIA E ACELERAÇÃO INSTANTÂNEA .................................... 22 3 FORMAS DE MOVIMENTO ..................................................................................22 3.1 MOVIMENTO ANGULAR ....................................................................................................23 3.2 MOVIMENTO LINEAR ........................................................................................................ 24 3.3 MOVIMENTO GERAL ......................................................................................................... 25 3.4 SISTEMA DE REFERÊNCIA .............................................................................................. 25 3.5 ESTÁTICA E DINÂMICA ..................................................................................................... 26 4 TERMINOLOGIA PADRONIZADA DE REFERÊNCIA E DO MOVIMENTO ARTICULAR ........................................................................................................ 27 4.1 INÉRCIA E MASSA ...............................................................................................................27 4.2 FORÇA E CENTRO DE GRAVIDADE ...............................................................................28 4.3 PESO, PRESSÃO, VOLUME, DENSIDADE, TORQUE E IMPULSO .............................30 5 CARGAS MECÂNICAS AGINDO SOBRE O CORPO HUMANO ............................32 5.1 FORÇA DE COMPRESSÃO, TENSÃO E CISALHAMENTO ........................................... 32 5.2 CARGAS DE TORÇÃO, INCLINAÇÃO E COMBINADAS ...............................................34 5.3 ESTRESSE MECÂNICO .....................................................................................................34 5.4 EFEITOS DAS CARGAS .................................................................................................... 35 5.5 CARGAS REPETITIVAS VERSUS AGUDAS .................................................................. 36 6 TIPOS DE ANÁLISE BIOMECÂNICA ...................................................................36 6.1 ELETROMIOGRAFIA ........................................................................................................... 36 6.2 DINAMOMETRIA .................................................................................................................38 RESUMO DO TÓPICO 2 ......................................................................................... 40 AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 41 TÓPICO 3 — ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS EM LESÕES ESPORTIVAS .......43 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................43 2 MECANISMOS E CARACTERÍSTICAS DOS TRAUMAS NEURO-MUSCULO- ESQUELÉTICO NA PRÁTICA ESPORTIVA ........................................................ 44 2.1 CINEMÁTICA DA LESÃO E DO TRAUMA ........................................................................44 3 LESÕES ÓSSEAS E ARTICULARES ...................................................................46 3.1 FRATURAS ...........................................................................................................................46 3.2 LUXAÇÕES ..........................................................................................................................48 3.3 ENTORSES .......................................................................................................................... 49 4 LESÕES MUSCULOTENDÍNEAS ........................................................................50 4.1 ESTIRAMENTOS E DISTENSÕES .....................................................................................50 4.2 CÂIMBRAS ...........................................................................................................................51 4.3 CONTRATURAS ...................................................................................................................51 4.4 CONTUSÕES ....................................................................................................................... 52 4.5 BURSITES ........................................................................................................................... 52 5 ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS NOS MEMBROS SUPERIORES E INFERIORES RELACIONADAS À PRÁTICA ESPORTIVA ...................................52 5.1 MEMBROS SUPERIORES .................................................................................................. 52 5.2 MEMBROS INFERIORES ................................................................................................... 55 6 ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS DA COLUNA VERTEBRAL RELACIONADAS À PRÁTICA ESPORTIVA .........................................................58 6.1 LOMBALGIA ......................................................................................................................... 59 6.2 HÉRNIA DE DISCO ............................................................................................................. 59 LEITURA COMPLEMENTAR .................................................................................. 61 RESUMO DO TÓPICO 3 ..........................................................................................66 AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 67 REFERÊNCIAS .......................................................................................................69 UNIDADE 2 — FISIOTERAPIA ESPORTIVA ............................................................71 TÓPICO 1 — INTRODUÇÃO À FISIOTERAPIA ESPORTIVA ................................... 73 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 73 2 ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NA ÁREA ESPORTIVA .................................. 73 2.1 ÓRGÃOS DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO ......................................................74 2.2 SOCIEDADE NACIONAL DE FISIOTERAPIA ESPORTIVA E DA ATIVIDADE FÍSICA (SONAFE) ................................................................................................................75 2.3 ATRIBUIÇÕES E MOMENTOS DE ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA ESPORTIVO ..76 3 ATIVIDADE FÍSICA NO CONTEXTO DA SAÚDE, DO ESPORTE E DO LAZER ....78 3.1 CONCEITUALIZAÇÃO DOS TERMOS: ATIVIDADE FÍSICA E EXERCÍCIO ..................79 3.2 FORMAS DE MANIFESTAÇÃO ESPORTIVA ..................................................................80 3.3 ENTENDENDO NOSSO OBJETO DE ESTUDO: O ATLETA ..........................................81 4 RELAÇÃO ENTRE EXERCÍCIO FÍSICO E CONDICIONAMENTO FÍSICO NO PROCESSO DE RECUPERAÇÃO FUNCIONAL À PRÁTICA ESPORTIVA ...........82 4.1 IMPORTÂNCIA DO CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA PRÁTICA ESPORTIVA ......83 4.2 RECUPERAÇÃO FUNCIONAL APÓS O EXERCÍCIO ....................................................83 4.3 TÉCNICAS DE RECUPERAÇÃO PÓS-EXERCÍCIO .......................................................85 RESUMO DO TÓPICO 1 ..........................................................................................89 AUTOATIVIDADE ...................................................................................................90 TÓPICO 2 — PREVENÇÃO DE LESÕES NO ESPORTE...........................................93 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................93 2 EQUIPE INTERDISCIPLINAR NA PREVENÇÃO DE LESÕES NO ESPORTE ......94 2.1 IMPORTÂNCIA DA EQUIPE INTERDISCIPLINAR PARA PREVENIR LESÕES ESPORTIVAS........................................................................................................................ 95 2.2 NUTRICIONISTA ................................................................................................................. 96 2.2.1 Fontes de energia utilizadas para treinamento e competição ......................97 2.3 EDUCADOR FÍSICO ........................................................................................................... 99 2.4 PSICÓLOGO ........................................................................................................................ 99 2.5 MÉDICO ..............................................................................................................................100 3 ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO ........................................................................... 101 4 SONO E CONTROLE DO ESTRESSE .................................................................102 4.1 ASPECTOS RELACIONADOS AO SONO DO ATLETA ................................................. 103 4.2 CONTROLE DO ESTRESSE NO ATLETA ...................................................................... 106 4.3 RECUPERAÇÃO FISIOLÓGICA E MOTIVACIONAL......................................................107 RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................109 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 110 TÓPICO 3 — CONDUTA FISIOTERAPÊUTICA NA PREVENÇÃO DE LESÕES ESPORTIVAS ................................................................................... 113 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 113 2 FISIOTERAPIA NA EQUIPE ESPORTIVA .......................................................... 114 2.1 PAPEL DA FISIOTERAPIA NO MANEJO DO ATLETA .................................................. 115 2.2 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS NA PREVENÇÃO DE LESÕES ................. 116 2.2.1 Estabilização central ................................................................................................117 2.2.2 Alongamento ............................................................................................................117 2.2.3 Aquecimento ........................................................................................................... 118 2.2.4 Bandagem funcional ............................................................................................. 118 2.2.5 Propriocepção ......................................................................................................... 119 2.2.6 Exercício excêntrico............................................................................................... 119 3 ALONGAMENTO E AQUECIMENTO NO ESPORTE ...........................................120 3.1 ALONGAMENTO NO ESPORTE ....................................................................................... 121 3.2 AQUECIMENTO NO ESPORTE ........................................................................................123 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 125 RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................130 AUTOATIVIDADE ..................................................................................................131 REFERÊNCIAS .....................................................................................................133 UNIDADE 3 — FISIOTERAPIA NA REABILITAÇÃO DAS LESÕES ESPORTIVAS ....... 135 TÓPICO 1 — TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS DA COLUNA VERTEBRAL ................................................................ 137 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 137 2 ANATOMIA DA COLUNA VERTEBRAL .............................................................138 2.1 REGIÕES DA COLUNA .................................................................................................... 139 2.1.1 Biomecânica ............................................................................................................. 140 2.2 LESÕES DA COLUNA ...................................................................................................... 141 2.3 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS NAS LESÕES DE COLUNA ..................... 144 RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................148 AUTOATIVIDADE .................................................................................................149 TÓPICO 2 — TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS DO QUADRIL .....................................................................................151 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................151 2 ANATOMIA DO QUADRIL ...................................................................................151 2.1 BIOMECÂNICA ....................................................................................................................152 2.2 LESÕES ESPORTIVAS NA REGIÃO DO QUADRIL ..................................................... 153 2.3 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS NAS LESÕES DE QUADRIL .................... 155 RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................158 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 159 TÓPICO 3 — TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS DO MEMBRO SUPERIOR ..................................................................161 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................161 2 ANATOMIA DOS MEMBROS SUPERIORES ..................................................... 162 2.1 Biomecânica .................................................................................................................... 163 2.2 LESÕES EM MEMBROS SUPERIORES ........................................................................ 164 2.2.1 Intervenções fisioterapêuticas nas lesões de membros superiores ........ 166 RESUMO DO TÓPICO 3 .........................................................................................171 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 172 TÓPICO 4 — TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS DO MEMBRO INFERIOR .................................................................. 175 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 175 2 ANATOMIA DOS MEMBROS INFERIORES ....................................................... 176 2.1 BIOMECÂNICA .................................................................................................................... 177 2.2 LESÕES ESPORTIVAS EM MEMBROS INFERIORES .................................................179 2.3 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS NAS LESÕES DOS MEMBROS INFERIORES ....181 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 187 RESUMO DO TÓPICO 4 ........................................................................................194 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 195 REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 197 1 UNIDADE 1 — BIOMECÂNICA DO ESPORTE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender os princípios básicos da biomecânica; • conhecer os conceitos cinemáticos e cinéticos para análise do movimento humano com foco nos esportes; • estudar as cargas mecânicas que agem sobre o corpo humano; • compreender os tipos de análise biomecânica; • conhecer as alterações cinético-funcionais das lesões esportivas A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – PRINCÍPIOS BÁSICOS DA BIOMECÂNICA TÓPICO 2 – CONCEITOS CINEMÁTICOS E CINÉTICOS PARA ANÁLISE DO MOVIMENTO TÓPICO 3 – ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS EM LESÕES ESPORTIVAS Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 1! Acesse o QR Code abaixo: 3 PRINCÍPIOS BÁSICOS DA BIOMECÂNICATÓPICO 1 — UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1, abordaremos os princípios básicos da biomecânica, muito importantes para o profissional do movimento humano, como o fisioterapeuta. Primeiramente, você precisa entender a diferença entre cinesiologia e biomecânica. A cinesiologia é a ciência que tem como objetivo a análise dos movimentos, ou seja, estuda os movimentos do corpo humano. Já a biomecânica, ocupa-se da aplicação das leis da mecânica ao sistema locomotor do corpo humano. São ciências distintas, mas que se complementam. A biomecânica do movimento humano é uma das subdivisões da cinesiologia, que é o estudo do movimento humano. E qual a importância de ambas para a área da fisioterapia? Entenderemos nesta unidade. Por meio da biomecânica, busca-se a compreensão de habilidades esportivas e a observação e análise de movimentos durante o esporte. No decorrer da execução dos movimentos, o atleta pode estar suscetível a lesões, sendo necessária uma possível reabilitação para a seu retorno aos treinos. Dessa forma, o fisioterapeuta deve ter o conhecimento de biomecânica para uma adequada reabilitação do atleta de acordo com suas necessidades. Além de reabilitar, ele se torna apto a fortalecer os grupos musculares envolvidos na realização de uma habilidade esportiva a fim de prevenir futuras lesões musculoesqueléticas. Lembre-se: a biomecânica é a ciência que estuda o corpo em movimento. Na prática esportiva, os atletas precisam passar por análises biomecânicas para melhorar a performance dos movimentos e para prevenir lesões. Ela é reconhecida como uma área multidisciplinar e multiprofissional científica que inclui formas aplicadas de princípios mecânicos, considerando pesquisas sobre as estruturas e os aspectos funcionais dos organismos vivos. Com base nas diversas vertentes dos profissionais que realizam pesquisas na área de biomecânica, além dos diferentes contextos, os estudos biomecânicos abordam vários problemas e/ou conflitos. Portanto, o conhecimento dos princípios da biomecânica é pré- requisito fundamental para que o indivíduo tenha competência para atuar profissionalmente. Vamos lá? 4 2 FUNDAMENTOS E DIVISÕES DA BIOMECÂNICA Caro acadêmico, a biomecânica do movimento humano é uma das subdivisões da cinesiologia, que é o estudo do movimento humano. E qual a importância de ambas para a área do treinamento físico e da reabilitação? Por exemplo, na prescrição de exercícios, é importante saber quando e quais músculos serão utilizados em cada movimento/exercício. As mudanças no uso dos músculos que ocorrem de acordo com a intensidade ou a característica do exercício são dados que podem comprometer o trabalho do praticante. FIGURA 1 - PRATICANTE DE EXERCÍCIO FÍSICO FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/dvMm>. Acesso em: 20 set. 2022. Por isso, a biomecânica torna-se importante para o entendimento de como as articulações funcionam. Com esse conhecimento, os profissionais da área do movimento humano podem programar o treinamento e a reabilitação ou mesmo determinar a intensidade da atividade. A biomecânica é reconhecida como uma área multidisciplinar e multiprofissional científica que inclui formas aplicadas de princípios mecânicos, considerando pesquisas sobre as estruturas e os aspectos funcionais dos organismos vivos. IMPORTANTE Por meio da biomecânica, no esporte, por exemplo, busca-se a compreensão de habilidades esportivas, a observação e análise de movimentos durante o esporte. No decorrer da execução dos movimentos, o atleta pode estar suscetível a lesões, sendo necessária uma possível reabilitação para a sua volta ao treino. O profissional deve ter 5 o conhecimento dos principais métodos de análise biomecânica à adequada reabilitação do atleta de acordo com suas necessidades. Além de reabilitar, ele se torna apto a fortalecer os grupos musculares envolvidos na realização de uma habilidade esportiva, a fim de prevenir futuras lesões musculoesqueléticas (ALBUQUERQUE, 2020). Para estudar a cinesiologia humana, é necessário entender de biomecânica e do funcionamento de músculos e articulações, fator primordial para se obter sucesso em planos de treinamento e reabilitação. Muitas vezes, não nos dedicamos a investigar o papel de cada músculo em determinados movimentos e podemos negligenciar algum grupo muscular importante (MOREIRA; RUSSO, 2018). Esse fator merece grande atenção, pois, em se tratando de estabilização e equilíbrio muscular em atletas de alta performance, por exemplo, é um ponto que pode evitar lesões e potencializar resultados. Em uma análise da palavra Biomecânica, pode-se apresentar o em duas partes: o prefixo “bio-”, provindo de biológico, isto é, relativo aos seres vivos e de mecânica. Assim, a biomecânica é a aplicação dos princípios da mecânica aos seres vivos. INTERESSANTE A biomecânica é uma ciência que lança mão de instrumentos da mecânica para analisar sistemas biológicos, entre os quais, recebe destaque o corpo humano (assim como ocorre nos estudos cinesiológicos e na área de ciências do exercício físico). As forças estudadas em biomecânica são as tensões musculares, que representam as forças internas, e as forças que atuam sobre o corpo humano, representando as forças externas. Os princípios aplicados às bases biomecânicas resultam de análises que visam à compreensão e/ou resolução de problemas referentes à área da saúde ou ao desempenho humano. Desse modo, conhecer a biomecânica, desde os seus conceitos até a sua forma aplicada é fundamental para a intervenção responsável de um profissional da área da saúde (ALBUQUERQUE, 2020), como o fisioterapeuta. Existem dois campos de estudo na biomecânica: o estudo das forças internas e das forças externas, assim como as suas repercussões. Dessa forma, conseguimos diferenciar a existência da biomecânica interna e externa. A biomecânica interna objetiva determinar as forças internas, assim como as consequências que resultam dessas forças. Já a biomecânica externa, objetiva determinar, quantitativa ou qualitativamente, os parâmetros relacionados às mudanças de posição do corpo e lugar, ou seja, as características observáveis exteriormente na estrutura do movimento. Outra definição da biomecânica é o estudo da estrutura e da função dos sistemas biológicos, utilizando os métodos da mecânica. As áreas subsidiárias da biomecânica são: a anatomia, a fisiologia e a mecânica. 6 • Anatomia: ciência que estuda a constituição, as formas e as estruturas dos seres vivos. • Fisiologia: ciência que estuda o funcionamento de todas as partes do organismo vivo e do organismo como um todo. • Mecânica: ciência que descreve e prediz as condições de repouso ou de movimento de corpos sob ação de forças (HALL, 2020). NOTA Em suma, a biomecânica é uma ciência interdisciplinar que descreve e analisa o movimento humano e de animais, utilizando-se de aplicações da área da mecânica, levando em consideração as propriedades do sistema biológico. Em outras palavras, estuda as forças internas e externas e seus impactos nas estruturas do corpo humano. O objetivo da biomecânica é analisar o movimento dos sistemas corporais, considerando suas particularidades fisiológicas e anatômicas. 2.1 BIOMECÂNICA X CINESIOLOGIA Vimos que a cinesiologia e a biomecânica se relacionam. Mas, você sabe a diferença entre elas? A cinesiologia objetiva analisar os movimentos do corpo humano. Já a biomecânica estuda a aplicação das leis da mecânica ao sistema locomotor humano. Durante o início da década de 1970, a comunidade internacional começou a utilizar o termo biomecânica na descrição da ciência dedicada ao estudo dos sistemas biológicos por meio de uma perspectiva mecânica. Os profissionais dessa área utilizam os diversos instrumentos da mecânica no estudo dos aspectos anatômicos e funcionais do corpo humano. A cinemática e a cinética são subdivisões do estudo biomecânico (ALBUQUERQUE, 2020). Entre os autores que estudam o movimento humano,há divergências quanto ao uso dos termos “cinesiologia” e “biomecânica”. O primeiro deles pode ser empregado de duas formas. Uma delas compreende que a cinesiologia, quando utilizada como base científica de estudos sobre o movimento humano, descreve as avaliações psicológicas, anatômicas, fisiológicas e/ou a própria mecânica do movimento. Isso significa que vários componentes curriculares realizam essas descrições em contextos diversos. Outra maneira de se usar o termo é para se referir a uma avaliação específica do movimento humano a partir de suas características e sua origem. Uma aula que aborda temas da área de cinesiologia pode ter como base a anatomia funcional ou somente fatores biomecânicos. 7 Com o passar do tempo, o estudo da cinesiologia vem compondo as grades curriculares das universidades, sendo incluído nos planejamentos pedagógicos dos cursos de educação física, ciências do movimento humano e fisioterapia, por exemplo. De forma geral, esses cursos dão ênfase ao aparelho locomotor, analisando a eficácia dos movimentos propriamente ditos, simples ou complexos, e tendo como proposta identificar de forma fragmentada as ações musculares em cada fase dos movimentos articulares (MOREIRA; RUSSO, 2018). Por exemplo, o fisioterapeuta pode analisar, entre as inúmeras situações, o movimento de levantar-se de uma cadeira, identificando a extensão dos quadris, dos joelhos e a flexão plantar, e relacionar esses movimentos às ações dos músculos isquiotibiais, quadríceps femoral e tríceps sural, respectivamente. A maior parte das análises em cinesiologia apresenta um perfil qualitativo, tendo em vista as observações do movimento e a fragmentação, tanto das habilidades, quanto das descrições das ações musculares requeridas no movimento em análise. IMPORTANTE A maior parte das análises em cinesiologia apresenta um perfil qualitativo, tendo em vista as observações do movimento e a fragmentação, tanto das habilidades, quanto das descrições das ações musculares requeridas no movimento em análise. 3 ÁREAS DE ATUAÇÃO DA BIOMECÂNICA Os objetivos da biomecânica são: otimizar o rendimento e reduzir a sobrecarga. Já as áreas de aplicação (atuação), envolvem, segundo Albuquerque (2020): • Biomecânica do esporte: análise da técnica do movimento e a construção de equipamentos esportivos. • Clínica e reabilitação. • Movimento laboral. • Movimento cotidiano. • Instrumentação (instrumentos e métodos). • Biomateriais. Os estudos na área de biomecânica são considerados relativamente novos, principalmente no que se refere à evolução científica. Entre as áreas acadêmicas, em que a biomecânica se insere, estão a zoologia, ortopedia, cardiologia, medicina desportiva, engenharia biomédica ou biomecânica, fisioterapia, cinesiologia, anatomia funcional etc. Todas essas áreas têm como interesse comum os fatores biomecânicos estruturais e funcionais dos organismos vivos. 8 A biomecânica do movimento humano é uma subdivisão da cinesiologia, e o movimento humano é o objeto de estudo de ambas (HALL, 2020). IMPORTANTE Cada componente curricular ou disciplina que tem como base de investigação o movimento humano – como a antropometria, anatomia funcional, neurofisiologia, fisiologia geral, bioquímica, psicologia esportiva, medicina desportiva, o ensino do movimento aplicado ao esporte, a sociologia, física, matemática e os processamentos de sinais eletrônicos, bem como a biomecânica – devem ser considerados em um contexto multidisciplinar e/ou multiprofissional, a fim de que seja possível compreender o movimento de forma mais ampla. O processo pedagógico, nesse caso, deve respeitar a realidade do público-alvo, de modo que sirva como conhecimento prévio para a assimilação do conhecimento novo. Especificamente na biomecânica, observa-se um grande cuidado com a sua utilização como prática pedagógica, sobretudo, pelas suas formas de abordagem. A biomecânica não estuda somente o movimento em si, e, mesmo com foco em modalidades esportivas, por exemplo, ela se associa com outras áreas do conhecimento. As associações entre as diversas áreas do movimento e os princípios biomecânicos visam ao aprimoramento de gestos técnicos de cada movimento, etapa de treino, simulação do movimento, tecnologias instrumentais de hardware ou software, bem como adaptações ambientais. Em suma, tais associações objetivam tanto a realização de análises dos movimentos quanto a sua aplicação prática. IMPORTANTE A integração de conceitos e práticas determina a ação e a maneira como o trabalho é, ou deve ser proposto. Nessa perspectiva, é necessário compreender o que a metodologia tradicional e o treinamento propriamente dito se destacam no processo de ensino e aprendizagem. Enquanto a biomecânica favorece a compreensão da técnica e sua forma mais adequada de aplicação, as metodologias tradicionais buscam definir o que deve ser ensinado e como deve se dar esse ensino no processo educativo (ALBUQUERQUE, 2020). Por meio de análises biomecânicas, pode-se melhorar o desempenho no esporte e as técnicas dos movimentos e os equipamentos esportivos utilizados, além de ser possível otimizar a prevenção de lesões e protocolos de reabilitação. 9 O conhecimento a respeito da biomecânica traz benefícios aos profissionais da área da saúde, esteja em formação ou em pleno exercício, seja no treinamento desportivo, seja na área de reabilitação ou tratamento. Dominar os princípios da biomecânica e as estratégias de análise e intervenção que envolvem o movimento humano direciona esses profissionais a ações com melhores resultados e/ou prognósticos. Os estudiosos da área de biomecânica utilizam a mecânica como um mecanismo da física, a qual, por sua vez, engloba amplamente as análises das forças em ação. Trata- se de um recurso viável para o estudo de fatores anatômicos e funcionais do corpo humano, por exemplo. Subdivisões importantes da mecânica são a estática e a dinâmica. A primeira delas tem como objeto de estudo corpos em repouso, ou seja, que estão em constante estado de movimento. Já a dinâmica, se ocupa do estudo de sistemas que apresentam aceleração. Também são subdivisões do estudo em biomecânica a cinemática e a cinética, que estudaremos ainda nesta unidade. A cinemática do movimento indica o que é possível ver um corpo durante o seu movimento. Nesse tipo de análise, são observados o tamanho, a cadência e o tempo em que o movimento ocorre, sendo descartada a ação das forças. A cinética, por outro lado, leva em consideração as forças que agem sobre os corpos, sendo, no senso comum, conhecida como “técnica” ou “forma”. Portanto, a cinemática está relacionada com a descrição e estética do movimento, ao passo que, a cinética, centraliza a sua atenção nas forças que agem sobre ele – forças essas que podem tanto puxar como empurrar um corpo. 3.1 ANATOMIA E ANATOMIA FUNCIONAL Para entender de biomecânica e suas aplicações na área esportiva, é fundamental o conhecimento sobre anatomia e anatomia funcional. A anatomia é a ciência que estuda aspectos estruturais e funcionais do corpo humano, seja em um nível macroscópico (no qual o objeto de estudo pode ser observado a olho nu), seja em um nível microscópico (quando são requeridos instrumentos para a ampliação do que se deseja observar). O estudo anatômico “[...] é a base da pirâmide a partir da qual se desenvolve a experiência sobre o movimento humano” (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016, p. 5). É essencial conhecer a anatomia sob o ponto de vista topográfico, sendo necessário isolar as regiões para efetuar as devidas identificações morfofuncionais de ossos, articulações, músculos, vasos e nervos. Além disso, conhecer os aspectos anatômicos também favorece às avaliações de possíveis lesões. 10 Por exemplo, suponhamos que, na reabilitação, um atleta manifeste uma sensação dolorosa na região interna do cotovelo. Nessa região, podemos identificar, a partir do nosso conhecimento de anatomia, o epicôndilo medial do úmerocomo um acidente ósseo proeminente, além de músculos que possuem ação no carpo e nos dedos, permitindo que, tanto a mão quanto os dedos se direcionem para o antebraço em um movimento de flexão. Assim, o conhecimento de anatomia pode nos levar a diagnosticar uma epicondilite medial, cuja possível causa tenha sido a ampla utilização dos músculos flexores do carpo e dos dedos (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016). Já a anatomia funcional diz respeito à área que se ocupa do estudo das estruturas corporais que são solicitadas durante a realização dos movimentos humanos. [...] a anatomia funcional, utilizada na análise de uma elevação lateral do braço com um haltere, identifica os músculos deltoide, trapézio, levantador da escápula, romboide e supraespinhal como contribuidores para a rotação para cima e elevação do cíngulo do membro superior e para a abdução do braço. (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016, p. 6). Portanto, conhecer a anatomia e suas correlações funcionais pode ser útil de várias formas e em contextos diversos, como em programas de treinamento, com ou sem uso de cargas e em avaliações de lesões no esporte. O foco de atenção da anatomia funcional está na ação muscular, e não necessariamente na sua localização (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016). 4 BIOMECÂNICA E ESPORTES O fisioterapeuta precisa avaliar o movimento humano durante as práticas esportivas. Para tal, é preciso conhecer a análise biomecânica da técnica do esporte, como a qualitativa ou subjetiva, e a quantitativa ou objetiva. Essas análises se referem a como as características de desempenho são observadas e examinadas por ele. FIGURA 2 - FISIOTERAPEUTA FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/DvMm>. Acesso em: 20 set. 2022. 11 É importante que o profissional busque conhecimentos referentes à biomecânica do esporte, porque a compreensão das habilidades, a observação sistemática e a análise biomecânica do movimento permitem que ele proporcione uma assistência adequada à necessidade do paciente. Tendo em vista essas informações, o profissional tem a capacidade, não de só reabilitar os atletas, mas, de participar das análises realizadas em laboratórios de alta tecnologia, ajudando no desenvolvimento da habilidade para a prevenção de lesões decorrentes dos esportes. Juntamente com outros componentes curriculares, a biomecânica representa um recurso essencial para embasar tanto um bom planejamento, quanto a aplicação de um programa de treino. No esporte, por exemplo, saltar mais alto ou correr por uma distância maior em menos tempo são feitos que podem resultar maior pontuação nas competições. E, para alcançar esses objetivos, é necessário investir em uma melhor performance de modo a superar limites, finalidades essas que estão em consonância com os princípios biomecânicos (ALBUQUERQUE, 2020). Apesar de a melhora do rendimento no esporte estar associada a fatores genéticos e aspectos sociais e afetivos, é inquestionável que alcançar um alto rendimento esteja sob responsabilidade, em grande parte, do planejamento estratégico. Desse modo, é preciso elaborar programas que potencializem as capacidades requeridas por cada desporto, bem como utilizar ferramentas biomecânicas adequadas para as devidas investigações. Outra grande contribuição da biomecânica é a possibilidade de se identificarem as características mecânicas dos gestos esportivos. A biomecânica pode estabelecer uma significativa contribuição para a avaliação da influência da técnica de movimento no desempenho esportivo. IMPORTANTE 4.1 ANÁLISE DO DESEMPENHO ESPORTIVO No esporte, uma questão essencial (e que, portanto, não deve ser negligenciada) é a capacidade do profissional responsável pelo treinamento de fazer análises adequadas em relação à técnica desportiva. Trata-se de um encaixe, em geral, entre análises quantitativas e qualitativas. A análise qualitativa é uma forma de observação sistemática e subjetiva em torno das características do movimento humano. O seu objetivo é intervir apropriadamente na melhora do desempenho. O principal benefício dessa opção de análise é o fornecimento de um amplo conhecimento ao treinador, que o utiliza rapidamente para dar feedbacks ou instruções imediatas ao atleta. Apesar dessa possibilidade de uso rápido do 12 conhecimento pelo fisioterapeuta, é preciso agir com cautela, de modo a não induzir os atletas ao erro por falta de atenção aos elementos-chave que definem o desempenho. Portanto, uma análise qualitativa deve ser estruturada e aplicada adequadamente (ALBUQUERQUE, 2020). Além de experiência e conhecimento alicerçados em bases científicas, o fisioterapeuta ainda precisa conhecer e dominar as tecnologias que podem favorecer suas análises, cujos resultados serão intervenções eficientes ou não. Entre as tecnologias que podem auxiliar na mensuração de variáveis de desempenho, estão o cronômetro (figura 3) e o replay de vídeo, os quais possibilitam quantificar o tempo do desempenho humano, ou seja, permitem a realização de uma análise quantitativa. FIGURA 3 - CRONÔMETRO FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/LvMm >. Acesso em: 20 set. 2022. Conhecer os princípios da biomecânica, as áreas em que ela atua e os seus procedimentos, permite a otimização das intervenções profissionais e contribui na melhora do desempenho do atleta. O estudo da biomecânica também contribui para que se evitem lesões, sobretudo porque ela possibilita a definição de maneiras corretas, com técnicas bem desenvolvidas, para a execução dos movimentos e uma postura adequada do fisioterapeuta no que diz respeito às suas escolhas durante o planejamento e às instruções que fornece ao atleta. 13 Neste tópico, você aprendeu: • A biomecânica é reconhecida como uma área multidisciplinar e multiprofissional científica, que inclui formas aplicadas de princípios mecânicos, considerando pesquisas sobre as estruturas e os aspectos funcionais dos organismos vivos. • Com base nas origens diversas dos profissionais que realizam pesquisas na área de biomecânica, e em diferentes contextos, os estudos biomecânicos abordam vários problemas e/ou conflitos. • O conhecimento dos princípios da biomecânica é pré-requisito fundamental para que o indivíduo tenha competência para atuar profissionalmente. Compreender sobre a biomecânica é fundamental para o fisioterapeuta do esporte. • É importante que o profissional busque conhecimentos referentes à biomecânica do esporte, porque a compreensão das habilidades, a observação sistemática e a análise biomecânica do movimento permitem que ele proporcione uma assistência adequada à necessidade do paciente. RESUMO DO TÓPICO 1 14 1 Os objetivos da biomecânica incluem otimizar o rendimento e reduzir a sobrecarga. Já as áreas de aplicação, incluem a biomecânica do esporte, clínica e reabilitação, movimento laboral, movimento cotidiano, instrumentação e biomateriais. Os estudos na área de biomecânica são considerados relativamente novos, principalmente no que se refere à evolução científica. Sobre a atuação e objetivos da biomecânica, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A biomecânica estuda apenas áreas relacionadas ao movimento do ser humano. b) ( ) Todas as áreas da biomecânica têm como interesse comum os fatores biomecâ- nicos estruturais e funcionais dos organismos vivos. c) ( ) A biomecânica não representa um recurso para embasar tanto um planejamento quanto a aplicação de um programa de treino. d) ( ) A biomecânica relaciona-se com anatomia e fisiologia humana, apenas. A cine- siologia é uma área distinta à biomecânica. 2 A cinesiologia objetiva analisar os movimentos do corpo humano. Já a biomecânica, estuda a aplicação das leis da mecânica ao sistema locomotor humano. São ciências distintas, mas que se complementam. Com base nas definições e estudo da biomecânica e cinesiologia, analise as seguintes afirmativas: I– Profissionais da biomecânica utilizam os diversos instrumentos da mecânica no estudo dos aspectos anatômicose funcionais do corpo humano. I– A cinemática e a cinética são subdivisões do estudo da cinesiologia. III– A cinesiologia, quando utilizada como base científica de estudos sobre o movimento humano, descreve as avaliações psicológicas, anatômicas, fisiológicas e/ou a própria mecânica do movimento. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas. b) ( ) Somente a afirmativa II está correta. c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas. d) ( ) Somente a afirmativa III está correta. 3 O estudo da cinesiologia e biomecânica vem compondo as grades curriculares das universidades, sendo incluído nos planejamentos pedagógicos dos cursos de educação física, ciências do movimento humano e fisioterapia. De acordo com o estudado em biomecânica e cinesiologia, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 15 ( ) Os cursos dão ênfase ao aparelho locomotor, analisando a eficácia dos movimentos propriamente ditos, simples ou complexos. ( ) Os cursos têm como proposta identificar, de forma fragmentada, as ações musculares em cada fase dos movimentos articulares. ( ) A biomecânica e cinesiologia são áreas estudadas no esporte, mas não nas atividades de vida diária. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – V – F. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 A cinesiologia e a biomecânica são disciplinas e áreas distintas, mas que se complemen- tam. A biomecânica do movimento humano é uma das subdivisões da cinesiologia. Diante do exposto, disserte sobre a diferença entre biomecânica e cinesiologia. 5 Os objetivos da biomecânica incluem a otimização do rendimento e redução da sobrecarga, não apenas no esporte. As possibilidades de atuação desta área são bem diversificadas. Neste contexto, disserte sobre as áreas de atuação da biomecânica. 16 17 CONCEITOS CINEMÁTICOS E CINÉTICOS PARA ANÁLISE DO MOVIMENTO UNIDADE 1 TÓPICO 2 — 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 2, abordaremos os conceitos cinemáticos e cinéticos para análise do movimento. Como você explica um movimento? Existem ferramentas específicas que são utilizadas para descrever o movimento de um objeto. Ao explicar um movimento, seja ele linear ou angular, você começa explicando a posição do objeto, que sempre é descrita em relação a uma referência. Se quiser saber como esse objeto se desloca, você pode estimar a velocidade do movimento e a aceleração dele. Parece complexo, mas não precisa ser. Realmente, para estudar movimentos complexos, é necessário utilizar equipamentos e cálculos mais sofisticados, mas existem coisas que você pode fazer apenas com papel e caneta. Por exemplo, você pode extrair muitas informações sobre o desempenho esportivo a partir do resultado das provas. A cinemática é um importante descritor do movimento, seja ele linear ou angular, e parte fundamental da biomecânica dos esportes. É com as variáveis cinemáticas que são percebidos os detalhes na execução de um gesto esportivo e identificadas possíveis melhoras no desempenho, ou fatores que devem alterados para diminuir o risco de lesão. Já a cinética, estuda as forças que estão associadas ao movimento, como as forças internas e externas. O corpo humano tanto gera, como resiste às forças durante a realização dos movimentos. Com o estudo da cinética, é possível compreender como as forças musculares e articulares, que são as forças internas, atuam, pelo sistema de alavancas, para que o movimento ocorra e quais forças externas atuarão durante a realização do movimento, ou mesmo na posição estática. Dessa forma, você terá um olhar mais técnico sobre o movimento humano e as informações resultantes podem ser utilizadas para melhorar o desempenho do atleta. Neste tópico, estudaremos o histórico e conceitos relacionados a cinemática, as formas de movimento, conceitos relacionados a cinética, cargas mecânicas agindo sobre o corpo humano, e finalizaremos com os tipos de análise biomecânica. 18 2 HISTÓRICO E CONCEITOS RELACIONADOS A CINEMÁTICA Ptolomeu (FIGURA 1), no século II, foi um astrônomo que criou um livro e afirmava que “se a terra possuísse movimento de rotação diário para realizar o seu circuito, sua velocidade deveria ser muito grande e, por isso, os objetos sobre ela deveriam ser arremessados, a menos que fossem mantidos em ligação com o planeta por uma força muito grande.” Por meio dessa frase e da razão, Copérnico (FIGURA 2), Kepler e Galileu, criaram leis que descreviam a trajetória circular dos planetas ao redor do Sol e que harmonizavam os períodos de revolução desses planetas com suas distâncias do Sol. FIGURA 1 - PTOLOMEU FONTE: Disponível em: <http://twixar.me/4vMm >. Acesso em: 20 set. 2022. FIGURA 2 - COPÉRNICO FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/bvMm >. Acesso em: 20 set. 2022. Em 1687, Isaac Newton (FIGURA 3) propôs a existência de uma força de atração entre dois corpos quaisquer do universo: a Lei da Gravidade. Logo, estava explicado a cinemática de Galileu e o movimento planetário de Kepler. A essa lei foi dada a fórmula: F=G.M.m/d2, onde “G” representa a constante de gravitação universal, cujo valor é https://pt.wikipedia.org/wiki/Cop%C3%A9rnico https://pt.wikipedia.org/wiki/Kepler https://pt.wikipedia.org/wiki/Galileu https://pt.wikipedia.org/wiki/Isaac_Newton https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_da_gravidade https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Cinem%C3%A1tica_de_Galileu&action=edit&redlink=1 19 6,67.10a-11, “M” e “m” são as massas dos corpos dados, e “d” é a distância dos corpos. Muitos perceberam a grandiosidade da obra de Newton, como Alexander Pope (FIGURA 7), escritor inglês que escreveu: "A natureza e as leis da natureza ocultavam-se nas trevas. Deus disse: ‘Que Newton se faça’, e fez-se a luz" (ALBUQUERQUE, 2020). Caro acadêmico, assista este vídeo sobre Cinemática. A partir dele você terá um conhecimento básico e inicial sobre o tema. Disponível em: <http://twixar.me/gvMm>. DICA FIGURA 3 - ISAAC NEWTON FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/wvMm >. Acesso em: 20 set. 2022. 2.1 CONCEITOS A cinemática considera as particularidades do movimento e o analisa com base no espaço e no tempo, sem computar as forças que o causam ou que interferem nele. Mediante esse tipo de análise, é possível identificar e descrever a velocidade com que um objeto se move, qual altura ele atinge e em que distância acontece o seu deslocamento. Dessa forma, os pontos que são considerados em uma análise cinemática são a posição, a velocidade e a aceleração de um objeto (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016). Ela é considerada uma subdivisão do estudo biomecânico e compreende tudo o que aquilo que é capaz de ser visualizado em um corpo que esteja em movimento. Ela engloba o estudo do sequenciamento, tamanho e cronologia do movimento, sem a necessidade de descrever as forças que o causam ou que dele resultam (HALL, 2020). Em suma, é a área da mecânica responsável em descrever determinado movimento, posição, velocidade e aceleração de um corpo em cada instante. https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_Pope 20 Fazem parte das variações cinemáticas para um determinado movimento: o local do movimento, o tipo de movimento que está ocorrendo, a direção do movimento e a magnitude do movimento (ALBUQUERQUE, 2020). No dia a dia, costuma-se associar movimento a tudo que esteja em constante atividade, mudança, agitação, animação, desenvolvimento ou evolução. Na Física, porém, movimento significa, em função do tempo, a variação da posição de um corpo em relação a outro corpo que serve de referência. IMPORTANTE Como exemplo de uma análise cinemática linear, podemos pensar na descrição de um atleta realizando um salto em altura ou no exame de desempenho de nadadores de elite. Já a análise cinemática angular, pode ser exemplificada considerando-se uma sequência de movimentos articulares para um serviço de tênis e a cadência segmentar em um salto vertical(HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016). A partir de análises cinemáticas de movimentos angulares e/ou lineares, é possível aprimorar o padrão das ações e, assim, conseguir progressos técnicos, além de entender melhor o movimento humano. Quando uma mesa é empurrada, por exemplo, ela pode ou não ser movida, dependendo da força aplicada sobre ela (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016). Embora restrito, conceituar movimento necessita de precisão. Para isso, é necessário compreender o entendimento sobre corpo, posição e corpo de referência. Esses conceitos, juntamente com os de deslocamento, distância percorrida, trajetória, velocidade, tempo, aceleração, e referencial, fazem parte do arcabouço conceitual que descreve a cinemática do movimento de corpos por meio de representações externas, proposições semânticas e modelos matemáticos. O que vem a ser um modelo matemático? Nada do que um tipo de representação simbólica utilizando entes matemáticos, como os vetores e as funções. Na física, os modelos matemáticos representam sistemas dinâmicos, os quais são compreendidos como um conjunto de relações matemáticas entre as grandezas que descrevem o tempo e o sistema, considerado como uma variável independente. IMPORTANTE 21 2.1.2 PONTO MATERIAL E SISTEMA DE REFERÊNCIA Quando dizemos que um corpo está em movimento, é necessário explicitar em relação a qual outro corpo a posição se altera conforme o tempo passa. Veja um exemplo: imagine um táxi que se aproxima de um local onde dois passageiros aguardam sentados. Em relação a este local, o táxi está em movimento e, os passageiros, em repouso. Em relação ao táxi, tanto o local dos passageiros quanto os próprios passageiros estão em movimento. Dessa forma, perceba que o conceito de movimento é relativo (ALBUQUERQUE, 2020). 2.1.3 TRAJETÓRIA A trajetória de um corpo pode ser compreendida como o caminho que ele percorreu durante instantes de tempo sucessivos ao longo de seu movimento. Um exemplo clássico é o de um paraquedista que salta de dentro de um avião. Do ponto de vista do piloto do avião, desprezando os efeitos de resistência do ar, enquanto o paraquedas não se abre, a trajetória do paraquedista é vertical e retilínea. Para uma pessoa que esteja em solo, a trajetória do paraquedista será parabólica. Dessa forma, os conceitos de repouso, movimento e trajetória irão depender do referencial adotado (ALBUQUERQUE, 2020). FIGURA 4 - MOVIMENTO, REPOUSO E TRAJETÓRIA FONTE: do Autor (2022). 2.1.4 DESLOCAMENTO E DISTÂNCIA PERCORRIDA O deslocamento de um corpo é uma grandeza vetorial, ou seja, possui direção, módulo e sentido, sendo definido como a variação de posição de um corpo em um intervalo de tempo específico. Diante disso, o vetor deslocamento é obtido pela diferença entre as posições final e inicial. Vale lembrar que o deslocamento é independente da trajetória. O seu módulo representa a menor distância entre o ponto inicial e final de um corpo que esteja em movimento, podendo ser expresso na forma vetorial ou mesmo em módulo. Em outras palavras, determina-se o deslocamento de um corpo realizando, em linha reta, a medida de diferença entre o ponto de partida e o ponto de chegada. https://pt.wikipedia.org/wiki/Grandeza_vetorial 22 Já a distância percorrida por um corpo ao longo do seu movimento, é considerada a medida da linha de trajetória do corpo, ou seja, a medida obtida corresponde ao valor da distância percorrida pelo corpo (HALL, 2020). 2.1.5 VELOCIDADE MÉDIA E VELOCIDADE INSTANTÂNEA Define-se velocidade média a partir do conceito de deslocamento. Informa a velocidade com que o corpo se desloca entre duas posições. Quer um exemplo? Imagine que você corra em linha reta por uma quadra com 60 metros de extensão, em um minuto. Em média, você terá sofrido um deslocamento de um metro a cada um segundo de corrida. Podemos dizer que sua velocidade média foi de 1 m/s. Velocidade instantânea, também chamada apenas de velocidade, é semelhante à velocidade média. Aqui, o intervalo de tempo irá se reduzir a um instante de tempo. Dessa forma, naquele instante, a velocidade média torna-se a velocidade instantânea. 2.1.6 ACELERAÇÃO MÉDIA E ACELERAÇÃO INSTANTÂNEA O conceito de aceleração média pode ser definido pelo conceito de velocidade e está relacionado ao quanto a velocidade de um corpo pode variar em um intervalo de tempo correspondente. Veja um exemplo: suponha que um carro durante a arrancada possui uma aceleração média de 10 km/h/s. Essa aceleração indica que a velocidade instantânea (que é a mesma indicada pelo velocímetro do carro), em média, está variando 10 km/h a cada um segundo de movimento. Pensando assim, ao partir do repouso, o carro poderia chegar a uma velocidade de 10 km/h após um segundo, atingindo 20 km/h depois de dois segundos, 30 km/h depois de três segundos e assim por diante (ALBUQUERQUE, 2020). O conceito de aceleração instantânea, ou simplesmente aceleração, é definido similarmente à aceleração média. Aqui, a aceleração média torna-se a aceleração naquele instante. 3 FORMAS DE MOVIMENTO A maioria dos movimentos humanos constituem-se de movimento geral, que é uma complexa combinação dos componentes dos movimentos angular e linear. Como os movimentos angular e linear são formas “puras” de movimento, é útil dividir os movimentos mais complexos em seus componentes angular e linear ao realizarmos uma análise. Vamos entender essas formas de movimento? 23 3.1 MOVIMENTO ANGULAR O movimento angular é considerado a rotação de uma linha imaginária central (eixo de rotação), a qual é perpendicularmente orientada ao plano em que se processa a rotação. Por exemplo, quando um atleta de ginástica realiza um círculo na barra, todo o seu corpo irá rodar com o eixo de rotação passando por meio do centro da barra. Já quando um atleta de saltos ornamentais realiza uma cambalhota no ar, todo o corpo dele estará rodando novamente, mas, dessa vez, ao redor de um eixo imaginário de rotação que irá se movimentar junto com o corpo (ALBUQUERQUE, 2020). FIGURA 5 - SALTO ORNAMENTAL FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/9vMm >. Acesso em: 20 set. 2022. Em outras palavras, o movimento angular acontece em torno de um ponto, de modo que áreas diferentes de um segmento comum não se movem em distância e tempo iguais. Pode-se observar um movimento angular, por exemplo, em um giro que ocorre em torno de uma barra suspensa. Para concluir o giro, os pés precisam se deslocar por uma distância destacadamente maior do que a que será percorrida pelos membros superiores – isso porque os pés estão mais afastados do ponto em que acontece a rotação. Em biomecânica, é comum analisar uma ação primeiramente sob o ponto de vista linear para, em seguida, analisá-la sob o ponto de vista angular de forma mais específica. Considera-se que os movimentos angulares originam ou auxiliam os movimentos lineares e que, por essa razão, é positivo proceder a análise das duas formas. Quase todos os nossos movimentos voluntários compreendem a rotação que passa por meio do centro da articulação à qual o segmento está ligado. Quando acontece um movimento angular, ou uma rotação, partes do corpo em movimento estarão constantemente se deslocando em relação a outras partes do corpo (COMPLETO; FONSECA, 2011). 24 3.2 MOVIMENTO LINEAR O movimento linear puro, também chamado de movimento de translação, compreende um movimento uniforme do sistema considerado o de maior interesse, onde todas as partes do sistema se movimentarão na mesma direção e velocidade (ALBUQUERQUE, 2020). Esse tipo de movimento acontece com uma projeção retilínea ou curvilínea, de modo que todas as interfaces do corpo que estão se deslocando percorram a mesma distância no mesmo tempo. São exemplos de movimentos lineares as trajetórias de um velocista, de uma bola de beisebol, de uma barra no supino ou de um pé, quando se desloca para chutar uma bola de futebol. FIGURA 6 - VELOCISTAS FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/JvMm>. Acesso em: 20 set. 2022. A atenção central dessas ações está exatamente na definição da direção, do trajeto e/ou da velocidade em que o objeto se desloca ou é impulsionado a se deslocar. O centro de massa corporal, ou de um segmento do corpo, é uma área que também pode ser monitorada por análises lineares. Isso quer dizer que é possível identificar o ponto de concentração de massa de um corpo para se conhecer o efeito gravitacional exercido sobre ele. Assim, qualquer segmento de um corpo ou objeto pode ser individualizado para que seja realizada uma análise linear (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016). Veja um exemplo: uma pessoa dormindo em uma viagem de avião está sendo transladada por meio do ar. Porém, se essa pessoa levanta o braço para apertar o botão e chamar um dos comissários, a translação pura deixará de ocorrer, afinal, modificou-se a posição do braço em relação ao corpo (NEUMANN, 2018). Em suma, o movimento linear de um corpo acontece quando qualquer ponto, que esteja localizado nesse corpo, move-se ao mesmo tempo, na mesma direção e percorrendo a mesma distância. Quando um corpo se restringe a se mover sobre um eixo fixo, descrevendo uma trajetória circular em que qualquer ponto contido nesse corpo terá o mesmo deslocamento angular, mas não o mesmo movimento linear, pois depende de quão distante ele estará do eixo de rotação. 25 O movimento ao longo de uma linha também pode ser considerado um movimento linear. Se a linha for reta, consideramos o movimento como retilíneo, mas se a linha for curva, consideramos o movimento como curvilíneo. 3.3. MOVIMENTO GERAL Ao combinar translação e rotação, o movimento resultante é um movimento geral. Uma bola de futebol chutada de um ponto a outro realiza um movimento de translação pelo ar e, ao mesmo tempo, ela roda ao redor de um eixo central. Um corredor realiza uma translação ao longo do caminho em virtude dos movimentos angulares dos segmentos corporais do quadril, joelho e tornozelo. O movimento humano consiste, habitualmente, muito mais em movimento geral que em movimento linear ou angular puro (ALBUQUERQUE, 2020). 3.4 SISTEMA DE REFERÊNCIA Caro acadêmico, para que seja possível realizar análise do movimento humano, seja ele qual for, precisamos de uma referência, o que chamamos de sistema de referência. O movimento será sempre relativo, sendo assim, é importante conhecer o sistema de referência a que se analisa. Geralmente, o movimento humano de um corpo é descrito com relação ao Sistema de Referência Global (SRG). A análise em duas dimensões (2D) é a referência ao movimento em um único plano. Em múltiplos planos, o mais comum é o de três dimensões (3D). E para que um movimento seja descrito, é importante estabelecer a origem do sistema de referência. No 2D, a origem terá duas coordenadas, e no 3D, três coordenadas. INTERESSANTE O SRG é útil na descrição de movimentos que ocorrem em um corpo como um todo em relação ao início do movimento. Porém, caso se tenha interesse na posição desse ponto no corpo, mas também na sua orientação, é necessário que outro sistema de referência se movimente junto com esse corpo. Esse é chamado de Sistema de Referência Local (SRL), ou, no caso do corpo humano, sistema de referência anatômico, no qual sua origem e eixos estão fixados no corpo em questão. A origem do SRL pode ser localizada no Centro de Massa (CM) desse corpo, que é o ponto no qual está localizada a média das massas de um corpo. Esse ponto de trata de onde as massas desse corpo são distribuídas igualmente em todas as direções. Já o Centro de Gravidade (CG) é considerado o ponto no qual a força da gravidade se concentra. 26 Na posição anatômica em ortostatismo, o CM se localiza aproximadamente na região anterior à segunda vértebra sacral. Porém, vale lembrar que esse ponto pode mudar de posição conforme a pessoa move o seu corpo, ou parte dele, como durante o ato da marcha. Na figura abaixo, veja a localização do CG. FIGURA 6 - CENTRO DE GRAVIDADE FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/SvMm >. Acesso em: 20 set. 2022. Outro conceito biomecânico importante é o grau de liberdade, que são as formas independentes em que um corpo pode se mover no espaço, ou também o número de valores necessários para descrever a posição e a orientação relativas ao SR espacial adotado. 3.5 ESTÁTICA E DINÂMICA A estática examina sistemas imóveis ou que estejam se movimentando em velocidade constante. Trata-se de uma área da mecânica que considera que os sistemas estáticos estão em equilíbrio, isto é, em uma condição estável, na qual a aceleração está ausente devido à neutralização por forças opostas. A seguir, veja como é possível examinar uma postura estática (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016): • Observe a postura de uma pessoa sentada em uma cadeira para trabalhar num computador. • Considere que há forças sendo exercidas, apesar de não ser identificado nenhum movimento. • As forças estão concentradas entre a região dorsal do tronco e a cadeira, bem como entre o chão e os pés. • As forças musculares, por sua vez, neutralizam a ação da gravidade em relação à postura corporal geral, além de manterem a cabeça e o tronco eretos. • Portanto, as forças identificadas em um cenário estático, como nessa situação descrita, são mantidas para estabilizar uma postura que não inclui movimentos. 27 A dinâmica, por sua vez, propõe-se a examinar sistemas móveis – que estejam em aceleração – mediante uma abordagem cinemática ou cinética. Valendo-se da postura estática que acabamos de usar como exemplo, podemos dar início a uma análise dinâmica a partir do momento em que a pessoa se levanta da cadeira para deixar a mesa do computador, isto é, quando ela passa a se movimentar. Então, retomando a cinemática e a cinética, podemos analisar, nesse exemplo, as forças aplicadas no chão e nas articulações, bem como as forças que agem sobre o movimento da pessoa ao se levantar da cadeira e se afastar da mesa (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016). 4 TERMINOLOGIA PADRONIZADA DE REFERÊNCIA E DO MOVIMENTO ARTICULAR Caro acadêmico, compreender os conceitos de inércia, massa, peso, pressão, volume, densidade, peso específico, torque e impulso lhe proporcionará um conhecimento útil para entender os efeitos das forças durante os diversos movimentos realizados pelos atletas nas mais variadas modalidades esportivas. Agora, aprenderemos os conceitos relacionados à inércia. 4.1 INÉRCIA E MASSA Inércia compreende a resistência à ação ou à mudança, é resistência à aceleração, à tendência de um corpo em manter seu estado atual de movimento, movimentando-se com velocidade constante ou parado. Por exemplo, uma barra de 30kg parada sobre o solo tende a permanecer parada, imóvel. Um patinador que desliza sobre o gelo tende a ficar deslizando em velocidade constante e seguindo uma linha reta (HALL, 2020). FIGURA 7 - PATINAÇÃO NO GELO FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/tvMm >. Acesso em: 20 set. 2022. 28 E o que vem a ser a massa? É definida como a quantidade de matéria que compõem um corpo/objeto, sendo o seu símbolo convencional o m. A unidade de massa no sistema métrico é o quilograma (kg). 4.2 FORÇA E CENTRO DE GRAVIDADE Podemos caracterizar a força como uma ação exercida por um corpo sobre outro, sendo um conceito utilizado na descrição daquelas encontradas no movimento humano. O símbolo convencional para força é o F. Mais comumente no sistema métrico, a unidade de força é o Newton (N), que é o produto de 1 kg de massa por 1 m/s² de aceleração. No sistema inglês, a unidade de força mais comum é a libra (lb). O conceito de “corpo” abrange qualquer objeto, corpo ou parte corporal que está sendo focalizado para análise (ALBUQUERQUE, 2020). Sobre os tipos de força, existem as externas e internas. As externas são aquelas que atuam no corpo ou em segmento corporal, originadas de fontes fora do corpo. A gravidade é um exemplo que constantemente age no nosso corpo. Já as forças internasneutralizam as forças externas, pois podem gerar danos à estabilidade ou integridade de uma articulação. É importante você compreender que cada força se caracteriza por sua direção, magnitude e ponto de aplicação em determinado corpo. Por exemplo, atrito, peso corporal e resistência da água ou do ar são forças que atuam comumente sobre o corpo humano. Um atleta de natação está constantemente resistindo às forças externas da água para poder se locomover. Para que isso ocorra, ele aplica forças internas durante os nados. A ação de uma força acarreta aceleração da massa de um corpo (FLOYD, 2016). A quantidade de inércia que um corpo possui é diretamente proporcional à sua massa, porém, a inércia não possui unidades de mensuração. NOTA 29 FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/8vMm >. Acesso em: 20 set. 2022. FIGURA 8 - NATAÇÃO Devemos levar em consideração que diversas forças atuam de forma simultânea na maioria das situações do dia a dia e nos esportes. IMPORTANTE A ação isolada de uma força é rara. Portanto, é importante reconhecer que o efeito global de muitas forças agindo sobre um corpo livre constitui uma função da força efetiva, que é considerada a soma de vetores de todas as forças presentes. Quando todas as forças presentes mutuamente se neutralizam, a força efetiva é zero, portanto, o corpo permanece em seu estado de movimento original, o qual poderá ser imóvel ou movimentando-se com velocidade constante. Quando existe uma força efetiva, o corpo se movimenta na direção dessa força e com aceleração proporcional à magnitude da força efetiva. Com certeza você já ouviu falar em força da gravidade. Ela é a força de atração que a massa da Terra exerce sobre os corpos, sendo seu ponto de aplicação considerado como centro de gravidade do objeto. O centro de gravidade (CG), sobre o qual estudamos resumidamente no tópico anterior, e conhecido como centro de massa, é o ponto ao redor do qual a massa corporal está equilibrada igualmente (ALBUQUERQUE, 2020). Em um objeto assimétrico, como o corpo humano, o centro de gravidade posiciona-se aproximadamente anteriormente à segunda vértebra sacral, dependendo das suas proporções e posicionamento. Já em um objeto simétrico, o centro de gravidade está localizado no centro. Para que o corpo esteja em equilíbrio, a linha de gravidade deve estar acima da base de suporte. Desta forma, os fatores que podem afetar a estabilidade do corpo são: a proximidade do centro de gravidade da base de suporte e o tamanho da base de suporte. IMPORTANTE 30 4.3 PESO, PRESSÃO, VOLUME, DENSIDADE, TORQUE E IMPULSO Podemos definir Peso como a quantidade de força gravitacional que é exercida sobre um corpo em específico. Essa definição é considerada a definição geral de força, porém modificada, com o peso (p) sendo igual à massa (m), multiplicada pela aceleração da gravidade (ag) (COMPLETO; FONSECA, 2011). Entenda que, quando se aumenta a massa de um corpo, o seu peso também aumenta de forma proporcional. O peso também possui direção, magnitude e ponto de aplicação, afinal, é uma força. A direção para a qual o peso atuará será sempre o centro da Terra. O ponto no qual o peso atua sobre um corpo constitui o centro de gravidade desse corpo, portanto, o centro de gravidade é o ponto onde o vetor de peso atua nos diagramas de corpo livre. Para que sejam corretos tecnicamente, os pesos são identificados em Newtons e as massas em quilogramas (ALBUQUERQUE, 2020). A Pressão (P) é definida como força (F) distribuída por uma determinada área (A). As unidades de pressão são as unidades de força divididas pelas unidades de área. As unidades de pressão no sistema métrico são representadas por N, por centímetro quadrado, ou seja, N/cm² e Pascal (Pa). No sistema inglês, libra por polegada quadrada (psi ou lb/pol²) é a unidade de pressão mais comum. A pressão que a sola de um tênis exerce sobre o piso debaixo dele (o chã), é o peso corporal apoiado sobre o tênis dividido pela área superficial entre a sola do tênis e o piso. INTERESSANTE A quantidade de espaço que um corpo ocupa é o volume. Considere o espaço possuindo três dimensões: profundidade, largura e altura. Uma unidade de comprimento multiplicada por uma unidade de comprimento é considerada uma unidade de volume. As unidades comuns de volume são centímetros cúbicos (cm³), metros cúbicos (m³) e litros (l), no sistema métrico (HALL, 2020). No sistema de medidas inglês, são polegadas cúbicas (pol³) e pés cúbicos (pé³). A Densidade é definida como massa por unidade de volume, ou seja, combina a massa de um corpo com seu volume. A letra minúscula grega rô (p) é o símbolo convencional para densidade. As unidades de densidade são unidades de massa divididas por unidades de volume. No sistema métrico, o quilograma por metro cúbico (kg/m³) é uma unidade comum de densidade (ALBUQUERQUE, 2020). 31 Peso específico é definido como peso por unidade. Sendo o peso proporcional à massa, o peso específico será proporcional à densidade. As unidades de peso específico são unidades de peso divididas por unidades de volume. A unidade métrica para peso específico é o Newton por metro cúbico (N/m³). No sistema inglês, é a libra por pé cúbico (lb/m³). Veja um exemplo: a bola de futebol e a bola de vôlei ocupam aproximadamente o mesmo volume, porém, a de futebol possui maiores densidades e peso específico, afinal, ela possui mais massa e mais peso. Outro exemplo: uma pessoa magra com o mesmo volume corporal de uma pessoa acima do peso possui densidade corporal total mais alta, já que o músculo é mais denso que a gordura. Em outras palavras, o percentual de gordura corporal está relacionado inversamente à densidade. Agora, vejamos sobre o torque, que também é chamado de momento da força, sendo considerado o efeito rotatório criado por uma força. O torque (força rotatória), o equivalente angular de força linear, é o produto da força (F) e da distância (d) perpendicular, indo da linha de ação da força ao seu eixo de rotação. Quanto maior for a quantidade de torque que atuará ao nível do eixo de rotação, maior será a tendência para a acontecer a rotação. São unidades de força multiplicadas por unidades de distância: Newton-metros (N-m) ou pé-libras (pé-lb). O produto da força pelo tempo é conhecido como impulso. Quando se aplica uma força a um corpo, o movimento que resulta do corpo depende da magnitude da força aplicada e da duração de sua aplicação. Para ajudá-lo a estudar todas as unidades métricas das quantidades físicas usadas comumente na cinesiologia e biomecânica, veja o QUADRO 1. QUADRO 1 - UNIDADES MÉTRICAS DAS QUANTIDADES FÍSICAS FONTE: Hall (2020, p. 66). 32 5 CARGAS MECÂNICAS AGINDO SOBRE O CORPO HUMANO Força da gravidade e forças musculares, assim como a força de ruptura de osso, são forças que encontramos em diversos momentos e ocasiões no dia a dia, como em acidentes que diretamente afetam o corpo humano. Durante a prática de um esporte, um gesto esportivo, um movimento na prática de exercício físico, ou ao realizar atividades físicas (deslocar, limpar a casa etc.), também encontramos essas forças, umas em maior, outras em menor grau. O efeito de uma determinada força irá depender de sua duração, direção e magnitude (ALBUQUERQUE, 2020). Na Física, a mecânica desempenha um importante papel. É por meio dela que são estudados os movimentos de diversos corpos. Com leis que explicam como ocorre a interação entre forças, a mecânica tem aplicações práticas nas mais diversas áreas, como construção, esportes, entre outras. Dependendo do tipo de situação, um tipo diferente de força pode estar agindo sobre um corpo. Determinar a força resultante a partir das forças que podem estar interagindo em um objeto é muito importante para a solução de problemas. Vamos compreender essas forças? 5.1 FORÇA DE COMPRESSÃO, TENSÃO E CISALHAMENTO A força de compressão também é chamada de força compressiva ou de esmagamento. A compressão irá ocorrer quandoa força axial aplicada a um corpo atuar com o sentido dirigido para o interior deste corpo. Um exemplo é o peso do nosso corpo atuando como uma força compressiva sobre os ossos que os sustentam, como as vértebras da coluna vertebral. Quando o nosso tronco está ereto, todas as vértebras da coluna irão sustentar o peso da porção do corpo acima dela. Se pararmos para pensar, a coluna vertebral recebe esse tipo de força praticamente o tempo todo. Tudo na vida é movimento. E é curioso que qualquer movimento pode ser descrito por leis físicas que o analisam, vetorialmente, diversos componentes que originam o deslocamento do corpo no ar, sobre superfícies etc. Essa análise é baseada no estudo de componentes de forças que atuam sobre o corpo. IMPORTANTE 33 Força de tensão, o oposto da força compressiva, é também chamada de força tensiva ou de tração. Esse é um tipo de força que cria tensão no corpo sobre o qual está sendo aplicada. Por exemplo, quando estamos sentados em um balanço, o nosso peso cria tensão nas correntes de sustentação do balanço. Desta forma, nossos músculos são capazes de produzir força de tensão, exercendo tração sobre os ossos, os quais estes músculos estão inseridos (HALL, 2020). Na Física, a mecânica desempenha um importante papel. É por meio dela que são estudados os movimentos de diversos corpos. Sobre as leis que explicam como ocorre a interação entre forças, a mecânica tem aplicações práticas nas mais diversas áreas, como construção, esportes, entre outras. Dependendo da situação, um tipo diferente de força pode estar agindo sobre o corpo. Determinar a força resultante a partir das forças que podem estar interagindo em um objeto é muito importante para a solução de problemas. IMPORTANTE Essas duas forças anteriores, de compressão e de tensão, são forças longitudinais. Agora, veremos sobre a força de cisalhamento, que também é chamada de força de deslizamento. Ela atua tangencialmente ou paralelamente a um corpo, tendendo a causar deslocamento, deslizamento ou cisalhamento de uma parte deste corpo em relação a outra. Por exemplo, durante a realização de um exercício de agachamento, o cisalhamento articular no nosso joelho é maior com a posição de pleno agachamento. Entenda que essa posição irá impor maior estresse aos tendões e ligamentos, que objetivam impedir o deslizamento do fêmur, assim como a sua separação do platô da tíbia (ALBUQUERQUE, 2020). FIGURA 9 - AGACHAMENTO FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/BvMm >. Acesso em 20 set. 2022. 34 5.2 CARGAS DE TORÇÃO, INCLINAÇÃO E COMBINADAS A carga de torção acontece quando uma estrutura corporal se enrosca ao redor de seu eixo longitudinal. Geralmente, isto ocorre quando uma de suas extremidades estiver fixa. Por exemplo, fraturas por torção da tíbia são bastante comuns no futebol, principalmente quando o pé do jogador se mantém numa posição fixa enquanto o restante do corpo sofre uma rotação. Há também a carga de inclinação. Quando uma força excêntrica ou não- axial é aplicada a uma estrutura corporal, esta irá se inclinar, o que cria um estresse compressivo de um lado, e um estresse tensivo no lado oposto. Um exemplo inclui os movimentos de inclinação do tronco e da cabeça. Carga combinada compreende a presença de mais de uma força. Como o nosso corpo é submetido a várias forças que atuam simultaneamente durante as atividades diárias e esportivas, podemos considerar este como o tipo mais comum de carga suportada pelo corpo humano (HALL, 2020). 5.3 ESTRESSE MECÂNICO É importante compreendermos um outro fator que afeta o resultado da ação das forças sobre o nosso corpo, que é a maneira pala qual essas forças se distribuem. A pressão representa a distribuição da força externa a um corpo, já o estresse, representa a distribuição da força resultante dentro de um corpo quando há ação de uma força externa (ALBUQUERQUE, 2020). Quantifica-se o estresse da mesma maneira que a pressão, ou seja, força por unidade de área sobre a qual atua. Caro acadêmico, entenda que uma força que age sobre uma superfície pequena, produz maior estresse que ela força agindo sobre uma superfície maior (LIPPERT, 2018). Quando o nosso corpo sofre um impacto, a chance de lesão dos tecidos corporais relaciona-se à direção e magnitude do estresse criado por este impacto. O estresse compressivo, tensivo e de cisalhamento são termos que indicam a direção do estresse efetivo. INTERESSANTE 35 Veja uma situação clássica: as vértebras lombares são capazes de sustentar maior peso corporal do que as vértebras torácicas, principalmente quando estamos na posição ereta (ortostática). Neste caso, o estresse compressivo na região lombar deveria ser maior. Mas não é isso que acontece. A quantidade de estresse não é diretamente proporcional à quantidade de peso suportado, afinal, os corpos vertebrais lombares (áreas de superfície responsáveis pela sustentação das cargas nas vértebras) são maiores que os das vértebras torácicas. Isso faz com que reduza a quantidade de estresse compressivo presente. 5.4 EFEITOS DAS CARGAS Quando uma força atua sobre um corpo, ocorrem dois potenciais efeitos: 1º) aceleração; 2º) deformação (mudança no formato). Quando um atleta de saltos ornamentais aplica uma força na extremidade de um trampolim, este sofrerá tanto aceleração quanto deformação. O grau de deformação ocorre em resposta a uma determinada força e irá depender da rigidez do objeto sobre o qual atua, neste caso, o trampolim. FIGURA 10 - SALTO ORNAMENTAL FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/RvMm >. Acesso em 20 set. 2022. Vários fatores influenciam a ocorrência, ou não, de uma lesão quando uma força externa é aplicada ao corpo humano. Entre eles, posso citar a direção e a magnitude da força e a área sobre a qual a força se distribuirá. Porém, as propriedades materiais dos tecidos corporais que suportam as cargas também se fazem importantes. IMPORTANTE 36 5.5 CARGAS REPETITIVAS VERSUS AGUDAS As diferenças entre cargas repetitivas (crônicas) e traumáticas (agudas), também são importantes e você deve compreendê-las. Quando uma única carga interna, suficiente para causar lesão, atua sobre os tecidos biológicos, denominamos de lesão aguda e a força causal de macrotrauma (ALBUQUERQUE, 2020). A força produzida por uma queda, por exemplo, numa falta marcada no futebol, pode ser suficiente para fraturar um osso, não é mesmo? Uma lesão pode também ser resultada da repetida ação de forças pequenas. Por exemplo, cada vez que o pé de um atleta toca o solo durante uma corrida, será sustentada uma força de duas a três vezes o peso corporal, aproximadamente. Mesmo que não seja provável que uma única força dessa magnitude resulte na fratura de um osso, muitas repetições dessa força podem causar essa fratura num osso igualmente sadio em algum local do membro inferior. Quando uma carga repetida ou crônica age durante um certo período e produz uma lesão, esta é denominada lesão crônica ou por estresse, e o mecanismo causal recebe o nome de microtrauma. 6 TIPOS DE ANÁLISE BIOMECÂNICA 6.1 ELETROMIOGRAFIA A avaliação fisioterapêutica por meio da eletromiografia ganha espaço nas pesquisas científicas e, com o tempo, será mais difundida na prática clínica. Essa avaliação permite a observação do sinal elétrico emitido pelo músculo que, muitas vezes, possui relação com a força muscular do indivíduo. Essa técnica, no entanto, não é própria para a avaliação de força muscular, mas para a observação do seu funcionamento. FIGURA 6 - ELETROMIOGRAFIA FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/YvMm >. Acesso em: 20 set. 2022. 37 A eletromiografia de superfície permite a avaliação da atividade elétrica de membranas excitáveis em um ponto ou região muscular. Essa atividade é medida em função do tempo ou de alguma tarefa a ser executada. O resultado que é observado durante e após uma coleta do sinal eletromiográfico corresponde à soma de todos os potenciais elétricos que ocorreramnas unidades motoras, onde se encontra o eletrodo de captação (ALBUQUERQUE, 2020). O sinal é captado pelo eletrodo em contato com a pele, que possui uma camada de gel à base de água. A avaliação é indolor, visto que o aparelho não emite sinal algum, somente o capta. O aparelho converte o sinal captado pela pele de analógico para digital, para que possa ser exibido pelo software e visualizado em tempo real – esse fato é importante, pois é possível eliminar a chance de ruídos mesmo durante uma avaliação. No entanto, para que o sinal seja obtido, deve-se acertar os parâmetros do aparelho e criar um protocolo de coleta antes de iniciá-lo. São parâmetros a serem ajustados: a frequência de amostragem, eletrodo, amplificadores, filtro, conversor analógico/digital e o software em si. A frequência de amostragem é a frequência da leitura de um valor do sinal, ou seja, quanto menor ela for, menor serão as informações colhidas e vice-versa. O SENIAM (Surface EMG for the NonInvasive Assesment of Muscles) é o consórcio europeu que dita as normas para o uso de técnicas de mensuração de parâmetros musculares não invasivas, e propõe alguns protocolos, inclusive a colocação dos eletrodos para diversos músculos, facilitando que o fisioterapeuta monte seu protocolo. Os eletrodos podem ter diversos designs (formatos e tamanhos), e são o meio de entrada do sinal para o sistema. Eles devem estar bem fixados à pele e possuir um sistema Ag-AgCL (material feito de prata) coberto por uma camada de gel à base d’água que permita a passagem do sinal elétrico. Esse sistema Ag-AgCL é recomendado pelo SENIAM, pois permite uma condução estável e com baixo ruído, sendo confiável para a mensuração. Cada cabo possui uma saída para dois eletrodos, que devem ter uma certa distância entre si para evitar interferências. Há aparelhos que fornecem a medida dessa distância fixa no cabo, em outros casos, o fisioterapeuta deve estipular essa distância. Normalmente, essa distância é demarcada por 20 mm do centro de um eletrodo ao centro do outro (ALBUQUERQUE, 2020). O posicionamento do eletrodo pode ser feito de algumas formas, as quais dependem do objetivo da avaliação. Ele é fixado em relação ao ponto motor, normalmente entre o ponto motor e o tendão distal do músculo que será avaliado, de acordo com o SENIAM. Esse sinal coletado pode sofrer interferências de batimentos cardíacos quando colocado em regiões próximas ao coração, em músculos vizinhos, quando são colocados dois eletrodos próximos um do outro e se houver corrente elétrica ou aparelhos elétricos próximos. Portanto, deve-se tomar vários cuidados com o local de avaliação, como a acústica, a proximidade de aparelhos, entre outros. 38 A direção em que o eletrodo é coletado também pode transmitir sinais diferentes. Na intenção de que o sinal seja o mais fidedigno aos potenciais de ação para determinado músculo, os eletrodos deverão ser colocados no sentido paralelo ao das fibras musculares. Quando o objetivo for analisar a região, deve-se colocar no sentido contra a orientação das fibras, assim, coletará o máximo de fibras em um único ponto em cada uma delas (ALBUQUERQUE, 2020). Os cabos possuem os eletrodos de coleta e um eletrodo de referência, que é o eletrodo que será colocado em cima de uma protuberância óssea, onde não haja a transmissão de sinal elétrico de potenciais de ação. Portanto, esse eletrodo servirá como referência para os que estiverem passando o sinal elétrico, normalmente, é inserido nos maléolos, na sétima vértebra cervical ou em outra superfície óssea. Como o sinal eletromiográfico é de baixa amplitude, é necessário usar amplificadores para que o sinal seja visualizado e analisado com mais eficiência posteriormente. No entanto, um amplificador pode alterar as características da contração quando há ruídos externos juntamente com o sinal. No software, é possível selecionar um sinal para ser excluído, como o da energia elétrica, que não é comum ao da contração muscular - esse sinal pode ser colocado como taxa de rejeição e não aparecerá durante a coleta dos dados. O ganho é a quantidade de amplificação aplicada ao sinal, ou seja, o quanto ele foi aumentado na amplificação. Esses valores podem ser ajustados entre 400 e 500 Hz. O filtro é responsável por reduzir as variações específicas, separando e restaurando o sinal. Ele atua permitindo que algumas frequências passem, isto é, retira os ruídos e interferências e atenua alguma distorção de algum sinal. Há quatro tipos de filtros: passa-alta (reduz todas as frequências abaixo do valor selecionado), passa-baixa (retira todas as frequências acima do valor selecionado), rejeita-banda (rejeita os valores das passas alta e baixa) e passa-banda (atenua as frequências das passas altas e baixas) (ALBUQUERQUE, 2020). O sinal analógico que é colhido através da pele é digitalizado em forma de bits por meio do software utilizado na coleta. As resoluções comuns são 8, 12 e 16 bits. O sinal aparece na janela do software em formato de ondas e oscila de acordo com a contração, ou seja, potenciais de ação. 6.2 DINAMOMETRIA A força muscular pode ser mensurada por meio do teste de força manual, que é uma forma subjetiva e que deve ser realizado por um mesmo avaliador, a fim de evitar grandes divergências. Outro meio mais objetivo que permite essa avaliação é a dinamometria, que mensura a força na unidade de medida kgf. 39 Os primeiros aparelhos dinamométricos eram constituídos de uma célula de carga acoplada com formatos adaptados para mensuração de preensão palmar, força de adução escapular e força de tração lombar. Esses aparelhos mensuram as forças dos grupos musculares consideradas funcionais para o ser humano, como a força de preensão geral das mãos, a força interescapular e a força do complexo lombar. No entanto, esses aparelhos não permitem a mensuração das cadeias antagonistas. Assim, nos últimos anos, o dinamômetro isocinético ganhou espaço no mercado e na pesquisa científica devido à sua aplicabilidade e versatilidade (ALBUQUERQUE, 2020). O aparelho é constituído por uma cadeira com braços e adaptações, além de um computador acoplado que mensura as forças de acordo com a região aplicada e o posicionamento dos braços e paciente. Assim, controla o movimento por meio da velocidade e permite observar as forças concêntrica, excêntrica e isométrica durante o movimento escolhido. Para o teste com o dinamômetro hidráulico, é necessário atentar ao posicionamento citado na literatura. Na dinamometria palmar, o indivíduo pode ser posicionado de pé ou sentado, da forma que for mais confortável. De pé, segurará o aparelho perpendicular e em direção ao chão; na posição sentado, segurará o aparelho com ombro aduzido naturalmente, com flexão de 90º e de cotovelo e punho em neutro. Na dinamometria escapular, o paciente pode ser posicionado de pé ou sentado, sendo que o restante do posicionamento será o mesmo, ombros abduzidos a 90º, cotovelos fletidos e punhos em neutro segurando as alças do aparelho lateralmente. Na dinamometria lombar, o paciente se posiciona nos locais demarcados na plataforma do aparelho, flete quadril e joelhos, e segura as alças do aparelho com cotovelos em extensão (ALBUQUERQUE, 2020). Os procedimentos para a realização são: • Explicação do teste e, se necessário, demonstração do movimento. • Posicionamento do paciente. • Posicionamento do avaliador à frente do marcador. • Encorajamento do paciente a realizar a força máxima. • Coleta do resultado do teste. Recomenda-se a repetição de três tentativas para gerar uma média fidedigna final, em caso de muita divergência entre os valores, pode-se repetir até que se encontre maior homogeneidade. É importante salientar que o teste gera desgaste e é necessário observar compensações ou adaptações errôneas ao teste. Da mesma forma que no teste de força muscular, o dinamômetro isocinético (FIGURA 7) avalia grupos musculares de acordo com os movimentos exigidos. Essa avaliação,quando bilateral, permite a análise de assimetrias e limitações de origem muscular ou articular. Os fatores que podem influenciar no resultado da mensuração da força são: rigidez articular, flexibilidade dos antagonistas, tônus, temperatura do ambiente e período do dia relacionado a cansaço, fadiga, temperatura e aquecimento antes da realização do teste. 40 Neste tópico, você aprendeu: • Copérnico, Kepler e Galileu criaram leis que descreviam a trajetória circular dos planetas ao redor do Sol, e que harmonizavam os períodos de revolução desses planetas com suas distâncias do Sol. Já Isaac Newton, propôs a existência de uma força de atração entre dois corpos quaisquer do universo: a lei da gravidade. • A cinemática é considerada uma subdivisão do estudo biomecânico e compreende tudo aquilo que é capaz de ser visualizado em um corpo que esteja em movimento. Ela engloba o estudo do sequenciamento, tamanho e cronologia do movimento, sem a necessidade de descrever as forças que os causam ou que dele resultam. • A maioria dos movimentos humanos constitui-se de movimento geral, que é uma complexa combinação dos componentes dos movimentos angular e linear. Como os movimentos angular e linear são formas “puras” de movimento, é útil dividir os movimentos mais complexos em seus componentes angular e linear ao realizarmos uma análise. • Inércia compreende a resistência à ação ou à mudança, é a resistência à aceleração e a tendência de um corpo em manter seu estado atual de movimento, movimentando- se com velocidade constante ou parado. Massa é definida como a quantidade de matéria que compõem um corpo/objeto. A força é uma ação exercida por um corpo sobre outro, sendo um conceito utilizado na descrição daquelas encontradas no movimento humano. Peso é a quantidade de força gravitacional exercida sobre um corpo. • Forças musculares, força gravitacional e força de ruptura do osso, como a encontrada em acidentes, afetam diferentemente o corpo humano. O efeito de determinada força depende de sua direção e duração, bem como de sua magnitude combinada. • A eletromiografia permite a observação do sinal elétrico emitido pelo músculo, que, muitas vezes, possui relação com a força muscular do indivíduo. Já a dinamometria mensura a força na unidade de medida kgf. Esses aparelhos mensuram as forças dos grupos musculares consideradas funcionais para o ser humano, como a força de preensão geral das mãos, a força interescapular e a força do complexo lombar. RESUMO DO TÓPICO 2 41 1 A cinemática é uma subdivisão do estudo biomecânico, envolvendo tudo o que é capaz de ser visualizado em um corpo em movimento. Portanto, ela engloba o estudo do tamanho, sequenciamento e cronologia do movimento, sem descrever as forças que o causam ou que dele resultam. Sobre a cinemática, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) É a parte da mecânica que descreve o movimento, determinando a posição, velocidade e aceleração de um corpo em cada instante. b) ( ) Suas variações para um determinado movimento incluem o tipo de movimento que está ocorrendo, o local do movimento e a magnitude do movimento, mas não a direção do movimento. c) ( ) Está presente apenas em movimentos esportivos ou nos exercícios físicos. No dia a dia, os movimentos são estudados pela cinética. d) ( ) Distância percorrida, deslocamento, velocidade, trajetória, aceleração, tempo e referencial constituem o arcabouço conceitual necessário para a descrição da cinética do movimento de corpos. 2 Os cientistas elaboraram vários tipos de plataformas e de sistemas portáteis para medir as forças e a pressão na superfície plantar. Esses sistemas foram utilizados, principalmente, na pesquisa da marcha, mas também para estudar fenômenos como partidas (saídas), impulsões, aterrisagens, balanceio no voleibol, e equilíbrio. Com base no estudo das avaliações em biomecânica, analise as seguintes afirmativas: I– Os sistemas que tornam possível uma história temporal gráfica da força registrada, impedem que se faça o cálculo do impulso, como a área debaixo da curva de força- tempo. II– Plataforma de força e plataforma de pressão, existentes tanto no comércio quanto feitas em casa, são típicas e rigidamente embutidas em um assoalho rente com a superfície e conectadas a um computador que calcula a quantidade cinética de maior interesse. III– As plataformas de força são projetadas, habitualmente, de forma a transmitir as forças de reação do solo nas direções vertical, lateral e anteroposterior em relação à plataforma propriamente dita. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas. b) ( ) Somente a afirmativa II está correta. c) ( ) As afirmativas II e III estão corretas. d) ( ) Somente a afirmativa III está correta. AUTOATIVIDADE 42 3 A técnica para registrar a atividade elétrica produzida pelo músculo, ou atividade mioelétrica, é conhecida atualmente como eletromiografia. Essa técnica é utilizada para o estudo da função neuromuscular. De acordo com o estudado sobre eletromiografia, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Permite a identificação dos músculos que desenvolvem tensão durante um movimento e de movimentos exigem mais, ou menos tensão de determinados músculos ou grupo muscular. ( ) É usada clinicamente para avaliar as velocidades de condução nervosa e a resposta dos músculos em combinação, mas impede o diagnóstico e o rastreamento de condições patológicas do sistema neuromuscular. ( ) Pode ser utilizada para estudar como as unidades motoras individuais respondem aos comandos do sistema nervoso central. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Durante os diversos movimentos e posturas corporais, o corpo humano, principalmente os ossos, recebem diferentes tipos de força. Essas, dependendo da intensidade, impactam em respostas do aparelho locomotor, como a remodelação óssea. Diante do exposto, diferencie os três tipos de força: de compressão, de tração e de cisalhamento. 5 Nos diferentes gestos esportivos e de movimentos das atividades de vida diária, o aparelho locomotor recebe cargas como o peso, densidade, força, gravidade, torque, dentre outros. Estes são importantes para que os movimentos ocorram da maneira correta. Neste contexto, disserte sobre a definição de torque. 43 TÓPICO 3 — ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS EM LESÕES ESPORTIVAS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 3, abordaremos as principais alterações cinético- funcionais em lesões esportivas. Como fisioterapeuta, estar presente em ambientes onde pessoas se exercitam, ou lidar com esse tipo de tarefa, fará parte do seu dia a dia. Sendo assim, iniciaremos estudando sobre os mecanismos e características do trauma neuro-musculo-esquelético na prática esportiva. Em seguida, abordaremos sobre as lesões ósseas, articulares, musculotendíneas e neurais. E, por fim, focaremos nas alterações cinético-funcionais nos membros superiores, inferiores e da coluna vertebral relacionadas à prática esportiva. Sabemos que a realização de exercício físico é fundamental para o bom funcionamento do organismo. Contudo, é importante considerar que ela pode aumentar as chances de diversas lesões, principalmente causadas por acidentes. Lembre-se de que um acidente é uma situação inesperada e que todos estão suscetíveis a isso. Portanto, esteja preparado para os possíveis acidentes que possam ocorrer durante sua prática profissional, assim como suas diversas causas. As lesões mais típicas durante a realização de exercício físico são as lesões osteomioarticulares, ou seja, que atingem o aparelho locomotor (ossos, músculos e articulação). Certamente você irá se deparar com algumas delas durante sua trajetória profissional. Por sorte, na maioria das vezes, essas lesões requerem apenas medidas paliativas, como a diminuição da dor. Ainda assim, são fundamentaiso aprendizado e o conhecimento dos procedimentos para lesões dessa natureza que exijam medidas emergenciais. Na prática esportiva, a ocorrência e recorrência de lesões também são muito frequentes, tornando a prevenção e o tratamento adequado dessas lesões um desafio aos profissionais envolvidos. Nesse sentido, é fundamental que o fisioterapeuta, além de conhecer as disfunções cinético-funcionais mais comuns na prática esportiva, também entenda os mecanismos pelos quais elas ocorrem. 44 2 MECANISMOS E CARACTERÍSTICAS DOS TRAUMAS NEURO-MUSCULO-ESQUELÉTICO NA PRÁTICA ESPORTIVA Em um episódio de acidente ou trauma no esporte, podemos constatar, basicamente, dois tipos de lesões: externas (visíveis e aparentes) e internas (ocultas e não aparentes). As lesões externas são facilmente identificáveis, pois seus sinais estão visíveis e manifestam o desarranjo da condição natural de algum tecido. Já as lesões internas são de detecção mais complexa e respeitam uma série de critérios, os quais devem ser de conhecimento do fisioterapeuta para que ele consiga reconhecê-los e adotar os devidos procedimentos (COHEN; ABDALLA, 2015). Quando internas, as lesões podem envolver prejuízo em diferentes tecidos, como músculos, ligamentos, tendões, ossos, articulações e órgãos internos. Quando órgãos internos, como intestino, estômago ou fígado são acometidos, há uma resposta de hemorragia interna. Esse episódio consiste no extravasamento do sangue em uma cavidade pré-formada do organismo, como cavidade craniana, câmara dos olhos, pleura ou pericárdio. Dessas, focaremos nas lesões internas que mais ocorrem no esporte sem que haja hemorragias significativas, ok? 2.1 CINEMÁTICA DA LESÃO E DO TRAUMA A análise biomecânica dos movimentos e das forças que podem influenciar, ou ter influenciado lesões em um indivíduo, faz parte da cinemática do trauma (ALBUQUERQUE, 2020). Na análise da cinemática do trauma, é importante que você compreenda alguns aspectos que estão relacionados às leis da física e que abordam energia, força e movimento. Veja só: • Primeira lei de Newton: um corpo que estiver em movimento, ou mesmo em repouso, permanecerá nesse estado, a não ser que uma força externa atue sobre ele. • Segunda lei de Newton: força é igual à massa do objeto, multiplicada por sua aceleração. • Terceira lei de Newton: para toda ação há uma reação oposta e de igual intensidade. • Lei da conservação da energia: a energia não pode ser criada nem destruída, porém, pode-se modificar a sua forma. • Troca de energia: quando dois corpos estão em movimento em velocidades diferentes, essas velocidades tendem a se igualar quando interagem. • Energia cinética: é a energia do movimento, considerada igual à metade da massa e multiplicada pela velocidade elevada ao quadrado. Você, futuro fisioterapeuta, responsável pela realização da análise da cinemática de um trauma, deverá analisar a direção e a velocidade da força aplicada no impacto que possivelmente causou o trauma no indivíduo. Deverá, também, analisar a massa do indivíduo, assim como os possíveis sinais de liberação de energia que resultaram do 45 trauma. Dessa forma, será possível definir as lesões e acelerar o processo de prestação de socorro (caso necessário), assim como o atendimento da condição básica de saúde deste indivíduo (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). Imagine o seguinte exemplo: em uma partida de futebol, um atleta conduz a bola em uma determinada velocidade e abruptamente se choca com um de seus adversários que estava parado, fazendo com que os dois caiam. Aqui, temos a aplicação do conceito da Terceira Lei de Newton, afinal, para toda ação existe uma reação de igual magnitude e direção oposta. Pense bem, o atleta que provocou o choque foi atingido com a mesma proporção de força que seu adversário que estava parado, porém, as aplicações de força tiveram sentidos opostos para os dois jogadores. Essa força tem proporção à aceleração imposta pela potência do atleta e de sua massa corporal (a segunda lei de Newton) e as velocidades tendem a se igualar (lei da troca de energia) no momento da interação entre os dois jogadores. Ainda, podemos observar esta situação aplicando a primeira lei de Newton. O atleta conduzindo a bola teve seu movimento interrompido pela ação de força externa do seu adversário, afinal, ele estava parado e bloqueou a sua passagem. Lembre-se: um corpo tende a manter-se em movimento a menos que uma força externa atue sobre ele. FIGURA 11 - FUTEBOL FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/MvMm >. Acesso em: 20 set. 2022. No contexto esportivo, também ocorrem inúmeras lesões que se diferem em tipo principalmente pela natureza do esporte. O mecanismo das lesões normalmente é multifatorial, mas envolve questões como desaceleração de movimentos explosivos, troca brusca de direção, torções, choque entre praticantes e quedas, as quais podem ser influenciadas por desequilíbrio de força entre grupamentos musculares, imperícia técnica, fadiga, aquecimento insuficiente ou instabilidade dinâmica durante a execução do gesto (COHEN; ABDALLA, 2015). Por exemplo, em um jogo de vôlei é muito comum a torção por inversão do tornozelo na aterrissagem após uma cortada, visto ser frequente o ato de pisar no pé do adversário que tenta realizar um bloqueio. 46 3 LESÕES ÓSSEAS E ARTICULARES O osso é o tecido rígido que constitui o corpo dos animais vertebrados, sendo constituído de fibras colágenas, proteoglicanos e cálcio. A junção de dois ou mais ossos é uma articulação, sendo que o conjunto de ossos e articulações compõe o esqueleto. Dentre as principais funções desempenhadas por essaas estruturas, podemos destacar a mobilidade (músculos movimentam os segmentos por meio dos eixos das articulações e da tração dos ossos), a sustentação e a proteção a órgãos vitais. As articulações, conforme supracitado, consistem na união de dois ou mais ossos, estabilizados por tecido conjuntivo, como a cápsula articular e os ligamentos (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). As articulações responsáveis pela realização da maior parte dos movimentos que tratamos na área da fisioterapia, como joelho e ombro, são classificadas como articulações sinoviais, com a função primordial de realizar movimentos nos diferentes planos e eixos. IMPORTANTE As fraturas ósseas são as lesões mais comuns dos ossos, enquanto as luxações e entorses são as lesões articulares mais corriqueiras. Normalmente, elas ocorrem por conta de um trauma em que a energia imposta supera a capacidade de deformação do tecido, ou gera movimento além da capacidade da estrutura (COHEN; ABDALLA, 2015). Veremos mais adiante sobre elas. Fatores de risco ou indivíduos de grupos de risco, como em idade avançada (onde ocorre perda da densidade mineral óssea, fragilizando os ossos), em falta de atividade ou exercício físico (que também prejudica a densidade mineral óssea) e atletas de esportes de contato, impacto e troca de direções, têm maior propensão a sofrer fraturas ou luxações e entorses (BARBOSA; SILVA, 2021). 3.1 FRATURAS As fraturas podem ser classificadas de acordo com o traço (completa ou incompleta), a exposição (aberta ou fechada), a presença de lesões associadas (complicada ou simples) ou o tipo de força causadora do trauma (direta, indireta ou torção) (BARBOSA; SILVA, 2021). 47 FIGURA 1 - FRATURA DE QUADRIL FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/QvMm >. Acesso em: 20 set. 2022. Nas fraturas completas, há descontinuidade da estrutura óssea, ou seja, a fratura ocorreu de um lado ao outro do osso. Podem apresentar linha oblíqua, espiral ou transversa, sendo representada por fraturas com trituração óssea, segmentares e por avulsão (em que uma parte do osso é arrancada). Já nas fraturas incompletas, não há descontinuidade da estrutura óssea, ou seja, a fratura acometeu uma região parcial do osso. É o caso de “fraturas em galho verde”, em que um osso (normalmente jovem) é trincado de um lado, mantendo o lado opostoíntegro. Pode também apresentar uma linha oblíqua, espiral ou transversal (COHEN; ABDALLA, 2015). FIGURA 2 - TIPOS DE FRATURA FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/xvMm >. Acesso em: 20 set. 2022. A fratura aberta compreende uma condição em que o osso fraturado rompe os tecidos adjacentes e tem contato direto com o meio externo, ficando exposto. Gera hemorragia e risco de infecção local. Na fratura fechada, o osso fraturado não irrompe a pele, mantendo-se no segmento corporal afetado. Sendo assim, não há risco de hemorragias externas e infecção (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). 48 Você pode encontrar também fraturas complicadas. Esse quadro consiste no acometimento de estruturas vizinhas ao osso fraturado, como vasos sanguíneos, nervos, músculos ou órgãos. São lesões de gravidade mais acentuada e que devem receber atendimento de urgência, pois expõe a risco a vida da vítima. Nas faturas simples, ocorre exatamente o contrário das fraturas complicadas, não há acometimento de tecidos e órgãos vizinhos. São fraturas de tratamento mais simplificado (BARBOSA; SILVA, 2021). Nas fraturas diretas, o quadro é decorrente da aplicação direta de força no local acometido, podendo ocorrer pela aplicação de força muito intensa em um único episódio ou de força pouco intensa de forma repetitiva, como em fraturas por estresse. Nas fraturas indiretas, o tecido ósseo afetado não foi o ponto em que a força foi aplicada diretamente, ele sofreu influência indireta dessa aplicação de força. As fraturas por torção compreendem um episódio em que a fratura ocorre a partir da posição estática de determinado segmento do osso, enquanto um outro girou sobre o primeiro, como é o caso de fraturas espirais (COHEN; ABDALLA, 2015). As fraturas estão entre as lesões mais comuns, seja em praticantes de esportes ou indivíduos sedentários. Essa lesão pode não ser uma das causas mais comuns de mortalidade no público em geral, entretanto, é uma causa importante de morbimortalidade em indivíduos idosos, em que a estrutura óssea está prejudicada e o risco de quedas é elevado devido à perda de funcionalidade e massa muscular. Esse público tem a sua saúde fragilizada, o que faz com que fraturas sejam uma lesão grave e que podem levar a óbito, inclusive sofrendo grande influência do uso de medicamentos que prejudicam ainda mais o organismo (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). 3.2 LUXAÇÕES Uma das possíveis lesões que podem acometer às articulações são as luxações, que são o quadro em que as extremidades conectadas de dois ou mais ossos se deslocam de sua posição natural, gerando um prejuízo à congruência harmônica da articulação. Isso afeta diretamente a funcionalidade da estrutura, dificultando, ou mesmo impedindo por completo o movimento dos segmentos envolvidos (BARBOSA; SILVA, 2021). Esse tipo de lesão, normalmente, ocorre por conta de quedas sobre um membro com apoio inadequado, sendo que a incidência é maior em articulações com maior grau de liberdade ou menor estabilidade estrutural, como é o caso do ombro e das interfalangeanas das mãos. IMPORTANTE 49 As luxações geram dor intensa e deformidade aparente do segmento, sendo fundamental acalmar a vítima e evitar movimentos da região afetada. É necessário recolocar a articulação na sua posição normal, entretanto, isso só deve ser realizado por um profissional capacitado e com conhecimento técnico e prático para tal, de forma que estruturas vizinhas não sejam comprometidas na tentativa de reposicionar a parte deslocada (BARBOSA; SILVA, 2021). 3.3. ENTORSES Por sua vez, as entorses são ainda mais comuns do que as luxações, já que consistem no movimento além da capacidade móvel da articulação, gerando prejuízos aos tecidos moles. Contudo, não há prejuízo à estrutura de conexão entre os ossos, que se mantêm em sua posição normal. Os tecidos mais acometidos costumam ser os ligamentos, que sofrem estresse além de sua capacidade de deformação e determinado nível de ruptura. O nível de entorse pode ser classificado em: grau 1, grau 2 e grau 3: • Grau 1: estiramento dos ligamentos, onde um percentual menor das fibras do tecido é afetado, sendo que a cicatrização é mais rápida e o retorno da função normal também. • Grau 2: ruptura parcial dos ligamentos, onde um percentual moderado das fibras do tecido é afetado, sendo que o processo de cicatrização é mais lento e o retorno da função normal depende de processos de reabilitação. • Grau 3: ruptura total dos ligamentos, ou seja, ocorre a descontinuidade das fibras desses tecidos, sendo normalmente recomendada a realização de cirurgias. As articulações mais comumente acometidas por entorses são: o tornozelo, o joelho e o ombro. Os ligamentos cruzados anterior e colateral medial, além dos meniscos, são as principais estruturas acometidas no joelho; os ligamentos talofibular anterior e calcaneofibular são as principais no tornozelo; e os ligamentos acromioclavicular e glenoumeral, as principais estruturas acometidas no ombro (COHEN; ABDALLA, 2015). FIGURA 3 - ENTORSE DE TORNOZELO FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/CvMm >. Acesso em: 20 set. 2022. 50 Os sinais de uma entorse são bem característicos e de fácil visualização por conta do processo inflamatório, envolvendo dor intensa na região, edema, aumento da temperatura local, vermelhidão da pele e dificuldade de movimentar o segmento. Esse tipo de lesão articular é extremamente comum em esportes de contato e troca de direção, como futebol, basquete e tênis (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). Dependendo do nível de prejuízo às estruturas que sofreram com o trauma da entorse, é necessário procedimento cirúrgico para o reestabelecimento da condição dos tecidos. IMPORTANTE 4 LESÕES MUSCULOTENDÍNEAS Todas as regiões do músculo ou da junção musculotendínea são passíveis de sofrerem lesões. Normalmente, gestos mais potentes, contrações excêntricas, músculos encurtados, histórico prévio de lesões, músculos biarticulares e falta de aquecimento, são fatores que podem influenciar na ocorrência de alguma lesão, sendo que, os isquiotibiais, se destacam como o grupo mais lesionado. Dentre as possíveis lesões no tecido muscular, podemos destacar: estiramentos, distensões, câimbras, contraturas e contusões (BARBOSA; SILVA, 2021). 4.1 ESTIRAMENTOS E DISTENSÕES Os estiramentos e as distensões são semelhantes, diferindo-se um do outro somente pela região afetada. O primeiro trata de prejuízo à estrutura das fibras no ventre muscular, enquanto o segundo, trata de prejuízo à estrutura da junção musculotendínea. Nesses casos, é adotada uma classificação semelhante ao quadro de entorse, em que a lesão é ranqueada de 1 a 3. • Grau 1: representa ruptura de poucas fibras e forma um pequeno edema. • Grau 2: representa ruptura moderada de fibras e edema considerável. • Grau 3: corre ruptura total da estrutura, com prejuízo severo da função muscular e do tendão. Para estes casos, utiliza-se compressas de gelo para analgesia e para conter o processo inflamatório, elevação do membro afetado para auxiliar no retorno do sangue, imobilização e repouso para não agravar a lesão, assim como avaliação médica para diagnosticar o grupo afetado, o nível da lesão e a possibilidade de cirurgia em casos mais graves (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 51 4.2 CÂIMBRAS Cãibras consistem na contração involuntária de um músculo, ou grupo muscular, sendo extremamente dolorosas. Contudo, a incapacidade é temporária e o tecido tende a voltar ao seu funcionamento normal dentro de alguns minutos. É comum ocorrer em músculos do membro inferior, como o tríceps sural, sendo que esse quadro é um difícil objeto de estudo, afinal, é complexo reproduzir em laboratório o cenário em que ocorre (BARBOSA; SILVA, 2021). Parece existir uma relação estreita com o estado de hidratação e o consequente balanço eletrolítico do sujeito, o que pode influenciar diretamente no processo de contração muscular. INTERESSANTE Nos casos de câimbras, indica-se alongamentointenso da musculatura afetada pela contração involuntária, sendo que, em casos de prática esportiva, muitas vezes, o aluno ou atleta terá que cessar a atividade por conta da recorrência. Nesses casos, também são importantes o repouso e a hidratação adequados (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). 4.3 CONTRATURAS As contraturas consistem em contrações de intensidade baixa ou moderada, sustentadas por longos períodos, o que acarreta a formação de nódulos conhecidos como pontos gatilho (trigger points). Gera dor moderada, geralmente em músculos tônico-posturais ou escapulares, como os paravertebrais e o trapézio, respectivamente (BARBOSA; SILVA, 2021). Em condições agudas, indica-se aplicação de gelo para analgesia e melhora do processo inflamatório. Em casos crônicos, compressa de água quente para melhorar a vascularização (vasodilatação) local. Alongamento e massagem com pressão no local acometido também são indicados (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). 52 4.4 CONTUSÕES Outro tipo de lesão muscular são as contusões, que consistem em lesões por conta de traumas diretos no segmento corporal (comum em esportes de contato), gerando dor, rigidez, edema e prejuízo funcional, principalmente no quadríceps femoral e no tríceps sural. Indica-se aplicação local de gelo (anti-inflamatório e analgésico) e, após descartar qualquer possibilidade de estiramento ou distensão, a realização de alongamentos do grupo muscular afetado pela contusão (BARBOSA; SILVA, 2021). 4.5 BURSITES As bolsas (ou bursas), são sacos cheios de líquido sinovial com a função de proteger os pontos em que os músculos ou tendões deslizam sobre os ossos. Em condições normais, elas criam uma superfície de deslizamento lisa, praticamente sem atrito, enquanto, na presença de bursite, o movimento na área afetada se torna doloroso e com movimentos adicionais. Esses fatores aumentam a inflamação e agravam o problema (COHEN; ABDALLA, 2015). Dentre suas causas estão o uso excessivo e repetitivo, pequenos impactos na área e lesões agudas. Em todos os casos há um quadro inflamatório subsequente da bolsa circundante. Seu tratamento inicial é feito com repouso e aplicação de gelo local. 5 ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS NOS MEMBROS SUPERIORES E INFERIORES RELACIONADAS À PRÁTICA ESPORTIVA 5.1 MEMBROS SUPERIORES Os membros superiores (MMSS) fazem parte do esqueleto apendicular e são conectados ao esqueleto axial por meio da cintura escapular, também chamada de cíngulo do membro superior. A função de todo o membro superior é fazer com que a mão seja capaz de executar múltiplas tarefas em diversas posições, aumentando, assim, a habilidade de alcançar e manipular objetos. Sua mecânica é determinada pela combinação de articulações e músculos que controlam e exercem essa mobilidade (BARBOSA; SILVA, 2021). O ombro se destaca como uma das regiões dos MMSS mais afetadas. Doenças e lesões frequentemente afetam essa estrutura e podem limitar o movimento do ombro, reduzindo significativamente a funcionalidade de todo o membro superior. O ombro é suscetível tanto às lesões do tipo traumáticas quanto àquelas por uso excessivo, incluindo as lesões relacionadas a esportes (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). 53 A articulação glenoumeral é a que mais sofre luxação no corpo. Sua estrutura frouxa lhe concede mobilidade extrema, porém, fornece pouca estabilidade e, assim, as luxações podem ocorrer nas diversas direções: anterior, posterior e inferior. Geralmente ocorrem quando o úmero é abduzido e girado lateralmente, sendo as luxações anteroin- feriores as mais comuns (BARBOSA; SILVA, 2021). O tamanho inadequado da cavidade glenoidal, sua inclinação anterior, a retroversão inadequada da cabeça do úmero e deficiências musculares predispõem as luxações. Infelizmente, quando ela é deslocada, os tecidos conectivos adjacentes são alongados além de seus limites elásticos e luxações podem se tornar recorrentes. Indivíduos com frouxidão capsular genética precisam fortalecer preventivamente a musculatura do ombro. Já a luxação da articulação acromioclavicular é comum no lacrosse, hóquei, rúgbi e futebol americano. Ocorre quando um braço estendido rigidamente recebe a força de uma queda de corpo inteiro (COHEN; ABDALLA, 2015). As lesões de manguito rotador são comuns em atletas que realizam movimentos forçados acima da cabeça. Elas geram perda progressiva da função e até mesmo invalidez e são causadas por pressão progressiva sobre os tendões do manguito, pelas estruturas ósseas e de tecido mole circunjacentes. Resulta em inflamação dos tendões e/ou bursas e, em casos graves, em ruptura de tendão. Seus sintomas incluem dor, aumento da sensibilidade e fraqueza do ombro, e são exacerbados por movimentos rotatórios do úmero (BARBOSA; SILVA, 2021). O estiramento/ruptura do ligamento colateral da ulna por deslizamento na ulna em relação ao úmero, geralmente decorre de queda sobre a mão estirada ou golpe forte, em torção. Sua maior incidência é durante a prática esportiva e sob maior risco estão os adolescentes do sexo masculino. Gera prejuízo na estabilidade articular posterior, principalmente em casos de ruptura de tendão ou fratura umeral (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). Lesões por estresse ao tecido colagenoso são progressivas. Iniciam com inflamação e edema, seguidos por cicatrização dos tecidos moles, podendo chegar ao acúmulo de cálcio e ossificação do ligamento. Depois do joelho, é a articulação mais afetada por lesões por uso excessivo. Um exemplo é a epicondilite, que gera inflamação e até microrrotura dos tecidos colagenosos. Ocorre tanto na face lateral como na medial da extremidade distal do úmero, sendo chamadas de epicondilite lateral e medial, respectivamente, provavelmente ocasionadas por esforço excessivo (BARBOSA; SILVA, 2021). A epicondilite lateral é comumente chamada de cotovelo de tenista, enquanto a medial é comum em atletas lançadores e praticantes de golfe (cotovelo de golfista). IMPORTANTE 54 Em decorrência de as mãos serem utilizadas excessivamente nas atividades diárias e em muitos esportes, suas lesões são muito frequentes. A seguir, estudaremos algumas das lesões mais comuns nas estruturas do punho e da mão. Entorses e luxações são bastante comuns em decorrência do uso excessivo e necessário das mãos durante as atividades diárias e nas diversas práticas esportivas. Ocasionalmente, causam deslocamento de um osso carpal, ou da extremidade distal do rádio (BARBOSA; SILVA, 2021). O dedo em gatilho (Tenossinovite estenosante) é uma alteração no mecanismo de deslizamento de um tendão sobre sua bainha sinovial. A presença de um nódulo/ protuberância na bainha de revestimento prejudica seu deslizamento (ele desliza durante a flexão, mas não se desloca na extensão). O dedo permanece imóvel (travado) (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). A Tenossinovite de De Quervain é uma tendinite do extensor curto do polegar e do abdutor longo do polegar, relacionada com impacto. Há inflamação e espessamento da bainha do extensor curto e do abdutor longo do polegar, além de dor na região lateral do punho (COHEN; ABDALLA, 2015). FIGURA 4 - TENOSSINOVITE DE QUERVAIN FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/kvMm >. Acesso em: 20 set. 2022. A síndrome do túnel do carpo possui causa normalmente desconhecida, porém, de alta incidência. Decorre de qualquer edema gerado por traumatismo agudo ou crônico na região do nervo mediano, no punho. Sintomas incluem dor e dormência ao longo do nervo mediano, fraqueza funcional dos dedos e, eventualmente, fraqueza e atrofia dos músculos inervados pelo nervo mediano. Atletas que realizam movimentos repetitivos são, particularmente, mais suscetíveis (PRETINCE, 2011). 55 5.2 MEMBROS INFERIORES Os membros inferiores (MMII) fazem parte do esqueleto apendicular e são conectados ao esqueleto axial por meio de um cíngulo chamado de cintura pélvica. O membro inferior é formado pela coxa, perna e pé. A coxa contém o fêmur e a patela, a perna compreendea tíbia e a fíbula, e o pé tem sete ossos tarsais, cinco metatarsos e 14 falanges. A cintura pélvica é formada pelos ossos do quadril: ílio, ísquio e púbis, e articula-se com o sacro, formando a articulação sacroilíaca. Entretanto, é preciso lembrar que, apesar de sua íntima ligação anatômica, o sacro não faz parte da pelve (COHEN; ABDALLA, 2015). Os músculos da face anterior da coxa estão sujeitos a receber altos índices de pancadas em esportes de contato. Uma complicação relativamente incomum, secundária às contusões da coxa e com séria gravidade, é a síndrome compartimental aguda Visto que a maioria das atividades diárias não exige flexão do quadril e extensão do joelho, os músculos isquiotibiais raramente são alongados (exceto quando o indivíduo realiza exercícios específicos para esse fim). Essa perda de extensibilidade faz com que eles estejam mais suscetíveis à distensão. Pode ser causada por sobrecarga muscular ou tentativa de movimento muito rápido, como as arrancadas, principalmente se o sujeito estiver fatigado e com sua coordenação neuromuscular prejudicada Acredita-se que as distensões dos músculos isquiotibiais (semitendíneo, semimembranáceo e bíceps femoral) ocorram nas últimas fases do apoio ou do balanço da marcha, resultado de uma contração excêntrica. Podem ocorrer em uma das inserções ou em qualquer ponto ao longo dos músculos. As distensões são comuns em velocistas e em praticantes de esportes que exigem picos de aceleração rápida ou velocidade, como futebol e algumas provas de atletismo. Distensões na região da virilha também ocorrem com bastante frequência nos atletas de esportes em que há movimentos forçados de abdução da coxa (quadril), pois podem estirar os músculos adutores (adutor magno, adutor curto, adutor longo, pectíneo e grácil). IMPORTANTE Outra lesão comum no membro inferior é a síndrome do trato iliotibial, que ocorre por uso excessivo, geralmente. É uma lesão que causa dor na região lateral do joelho, sendo bastante prevalente em ciclistas e corredores. Ela decorre do repetitivo atrito do deslizamento do trato iliotibial sobre o epicôndilo lateral do fêmur, podendo ser causada por desgaste do calçado, contratura muscular ou corridas em superfícies irregulares (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). 56 A bursite trocantérica decorre de traumatismo agudo ou uso excessivo de músculos que se inserem no trocânter maior, e lesionam as bolsas que visam reduzir o atrito entre os músculos e o osso nesta região. Também é observada em corredores e ciclistas, porém pode acometer pessoas não atletas com diferença no comprimento dos MMII. O estresse repetitivo sobre o trocânter maior também pode levar à inflamação desta Bursa (BARBOSA; SILVA, 2021). A síndrome do piriforme compreende dor associada à tensão ou espasmo do músculo piriforme. Ele exerce pressão sobre o nervo isquiático adjacente e desencadeia sintomas radiculares similares aos sinais de disfunção discal. A sintomatologia pode ser agravada por meio do estiramento ou da contração do piriforme, ou seja, ao girar medialmente o quadril de modo passivo ou ao conter a rotação lateral (COHEN; ABDALLA, 2015). As lesões do ligamento cruzado anterior (LCA) são comuns em esportes que envolvem giros e saltos. Cerca de 70% das lesões não são por contato, e a maioria ocorre quando o fêmur é rodado sobre a perna fixada ao solo e com o joelho perto da extensão completa. A combinação de valgo com rotação medial no joelho é o mecanismo que mais provoca distensão no LCA. As mulheres são aproximadamente 3,5 vezes mais suscetíveis a lesões sem contato do que os homens, provavelmente devido a fatores anatômicos e neuromusculares. Acredita-se que suas superfícies articulares sejam menores e mais convexas no lado lateral da articulação tibiofemoral. INTERESSANTE Após uma ruptura de LCA não reparada, há redução da ADM de flexão e extensão do joelho durante a caminhada. Também, há deficiência do controle neuromuscular do quadríceps femoral. Embora alguns indivíduos consigam estabilizar seus joelhos, a maioria apresenta instabilidade, mudança na localização do centro de rotação e na área de contato tibiofemoral, além de início subsequente de osteoartrite (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). Os problemas decorrentes do traumatismo do joelho incluem fraqueza e perda importante de massa muscular dos extensores do joelho, diminuição da ADM e déficit proprioceptivo. IMPORTANTE 57 As lesões de ligamento cruzado posterior (LCP), na maioria das vezes, resultam da prática esportiva ou de acidentes automobilísticos. Geralmente, quando esse ligamento se rompe isoladamente (sem danificar outras estruturas), a lesão ocorre com o joelho em hiperflexão e o pé em flexão plantar. Por outro lado, no impacto do indivíduo contra o painel de um carro, há uma força direta sobre a região anteroproximal da tíbia, que, normalmente, resulta em danos ligamentares combinados. Lesões isoladas do LCP são frequentemente tratadas de forma não cirúrgica (BARBOSA; SILVA, 2021). Já as lesões do ligamento colateral medial (LCM), podem gerar estiramento ou, até mesmo, ruptura deste ligamento. Geralmente ocorrem por contusões (“pancadas”) de alta intensidade na lateral no joelho com o pé fixado ao solo. Vale lembrar que o LCM é o ligamento mais lesionado em esportes de contato. As lesões do menisco podem ocorrer por consequência das lesões no LCM, sendo que o menisco medial é lesionado com maior frequência do que o lateral, afinal, o menisco medial é fixado com mais firmeza à tíbia e, portanto, é menos móvel Na ausência de reconstrução do LCA, há também aumento da incidência de rupturas dos meniscos mediais, embora a carga sobre eles retorne ao normal caso seja reconstruído. Um menisco roto é bastante problemático, afinal, o fragmento de cartilagem livre pode deslizar e impactar na mecânica articular. Os sintomas incluem dor e travamentos intermitentes da articulação. A síndrome da dor patelofemoral compreende o deslizamento patelar inadequado, gerando movimento doloroso na articulação patelofemoral durante, e após a atividade física. De forma particular, a dor tende a ser maior nos exercícios com flexão repetitiva do joelho, como subir e descer escadas, corrida e agachamento. As possíveis causas incluem desequilíbrios musculares, desalinhamentos anatômicos, fraqueza dos músculos isquiotibiais e quadríceps, atividade excessiva e aumento da força de rotação lateral do quadril. É mais prevalente em mulheres do que em homens (COHEN; ABDALLA, 2015). A condromalácia patelar pode ser causada pelo deslocamento anormal da patela em relação ao fêmur, gerando inflamação da cartilagem patelar, com consequente degeneração. O paciente relata dor na região anterior da patela e crepitações (BARBOSA; SILVA, 2021). Caro estudante, devido aos papéis desempenhados pelo tornozelo e pelo pé, lesões nessas regiões podem limitar a mobilidade, interferir diretamente na rotina diária do indivíduo e, até mesmo, resultar em grande tempo de afastamento do treinamento em atletas (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). Veja a seguir algumas das lesões que mais acometem os pés e o tornozelo. 58 As entorses por inversão são mais comuns do que por eversão, pois a cápsula articular e os ligamentos são mais fortes na face medial do tornozelo. O ligamento deltoide, por exemplo, é tão forte que é mais provável que a eversão excessiva cause uma fratura distal da fíbula do que ruptura deste ligamento. Entorses repetitivas podem causar instabilidade funcional, caracterizada por padrões de movimento alterados significativamente no tornozelo e no joelho. Dentre outros ligamentos que são lesionados, temos o talofibular anterior e posterior e ligamento calcaneofibular (PRETINCE, 2011). A tendinite do tendão do calcâneo é uma inflamação dessa região e, geralmente, gera microrrupturas do tecido acompanhadas por edema. Um possível mecanismo de lesão envolve a tensão repetitiva que causa fadiga, redução da flexibilidademuscular e aumento da sobrecarga no tendão, mesmo com o músculo relaxado. Outra opção é que, por si só, a carga repetitiva leva a insuficiência ou à ruptura das fibras colágenas do tendão. Esta lesão está associada a atividades de corridas e saltos, sendo comum entre dançarinos. É o tendão do corpo humano que mais se rompe (COHEN; ABDALLA, 2015). O repetitivo alongamento da fáscia plantar pode causar microrrupturas e inflamação próxima à sua inserção no osso calcâneo. Neste caso, o paciente apresentará dor no calcanhar e/ou no arco do pé. O pé plano, côncavo e rígido, além de tensão nos músculos posteriores do membro inferior, pode contribuir para o surgimento da lesão. É uma lesão comum em jogadores de basquete, corredores, dançarinos, tenistas e ginastas (BARBOSA; SILVA, 2021). 6 ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS DA COLUNA VERTEBRAL RELACIONADAS À PRÁTICA ESPORTIVA A coluna vertebral está sujeita a diversas deformações, e agora, veremos o que essas deformações representam em termos estruturais, quais as principais estruturas afetadas, como identificá-las e como reabilitá-las, quando possível (PRETINCE, 2011). A coluna vertebral é a estrutura central do esqueleto humano, com início na região subcranial e, juntamente com a caixa craniana, esterno e arcos costais, constitui o esqueleto axial. De uma forma simples, pode-se dizer que é uma haste óssea firme e flexível, com posicionamento longitudinal e mediano e de onde parte o esqueleto apendicular (BARBOSA; SILVA, 2021). É constituída por diversos elementos individuais, sobrepostos e unidos entre si, os quais formam um eixo de conexão entre o sistema nervoso central (SNC) e o sistema nervoso periférico (SNP), por meio da medula espinal – contida no interior do canal vertebral da coluna vertebral. Apresenta papel fundamental na sustentação do peso corporal, conformação estrutural e postura, movimentos, locomoção e proteção do SNC (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). 59 A coluna vertebral é parte chave do sistema locomotor e sua mobilidade articular possibilita, além da estabilidade do tronco, a mobilidade das diferentes partes do corpo humano. IMPORTANTE 6.1 LOMBALGIA A dor lombar é atualmente a principal queixa relacionada ao sistema musculoesquelético no mundo. Estudos realizados em grandes centros de referência em pesquisas epidemiológicas de países desenvolvidos revelam que, aproximadamente 80% da população apresentará, pelo menos, um episódio de dor lombar ao longo da vida. Embora a grande maioria dos casos tenha uma boa evolução, as pesquisas mais recentes apontam para desfechos não tão favoráveis, com períodos de recuperação relativamente longos e uma alta taxa de recidiva. Além disso, ela representa a segunda causa de abstenção ocupacional e de incapacidade definitiva (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). Sabemos que lombalgia é o termo que se refere à dor localizada entre a última costela e a prega glútea e, algumas vezes, irradia-se para os quadris e MMII. Quando ela segue um trajeto radicular característico, acometendo o membro inferior até a região abaixo dos joelhos, é chamada de lombociatalgia. Tanto a lombalgia quanto a lombociatalgia são sintomas de diversas situações clínicas distintas. Porém, a lombalgia pode ser uma doença propriamente dita e, neste caso, o termo ideal é lombalgia mecânica comum. Os casos agudos costumam apresentar resolução espontânea, mas os casos que se tornam crônicos chegam a ser um grande desafio clínico aos profissionais envolvidos. A lombalgia mecânica comum crônica é multifatorial e inclui tanto os fatores mecânicos e degenerativos quanto fatores de ordem psicológica, social ou ocupacional. E, muitas vezes, é complicado identificar a estrutura anatômica responsável pela dor nestes pacientes. 6.2 HÉRNIA DE DISCO É a protrusão do núcleo pulposo por meio de soluções de continuidade das fibras do ânulo fibroso. A maioria delas acontece em torno dos 40 anos de idade, com incidência póstero lateral. Contudo, nem toda hérnia discal é sintomática. Sua sintomatologia depende das condições do canal medular, do grau de inflamação adjacente, do tamanho da hérnia e da existência de doenças concomitantes, como a espondiloartrose (DEFINO; PUDLES; ROCHA, 2019). 60 Quando presente na região cervical, a queixa principal é dor no braço e, às vezes, sem mesmo cervicalgia associada. Essa dor geralmente tem início na parte posterior do pescoço e caminha para o ombro, braço e antebraço até os dedos, sendo que sua distribuição segue o trajeto da raiz acometida. A sintomatologia geralmente é gradual e, com a evolução, pode acometer todo o membro superior e interferir na qualidade do sono, fazendo o sujeito despertar paciente durante a noite (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). Assim como na região lombar, a dor pode apresentar-se nos membros inferiores, descendo pela região glútea, ou da virilha, e em direção aos pés. Seu trajeto e intensidade dependem do local acometido. Ao mesmo tempo em que o raio-x simples de um sujeito com hérnia de disco pode resultar totalmente normal, a proporção de indivíduos assintomáticos que apresentam evidências radiológicas de degeneração discal é imensa. Por isso, outros exames como a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética são mais indicados para a visualização das hérnias discais e tecidos paravertebrais. Porém, devemos nos atentar ao fato que nem todas as alterações discais reveladas pelos exames de imagem são sintomáticas e, assim, reforçamos a importância da anamnese e do exame físico bem conduzidos para uma melhor interpretação e correlação com tais exames. 61 LEITURA COMPLEMENTAR TREINAMENTO EXCÊNTRICO COMO PREVENÇÃO DE ENTORSE DE TORNOZELO EM CORREDORES DE RUA: UMA REVISÃO Maria Eduarda Bueno Martins Natanne Maria da Silva Vieira Borges Ana Paula Felix Arantes Renato Canevari Dutra da Silva Lorraine Moura Gomes A corrida está associada a humanidade desde o processo de civilização, onde correr significava sobrevivência, atualmente, através da corrida o indivíduo pode desenvolver capacidades como: competitividade, interação e evolução. Sabe-se que independente do esporte, os atletas estão expostos a lesões esportivas, onde destacam- se as dos pés e tornozelos. Dentre todas as lesões esportivas, 25% referem-se a lesões de pés e tornozelos, sendo, 45% entorses laterais de tornozelo. Ressalta-se que as entorses laterais de tornozelo ocorrem frequentemente após ocorrer o primeiro contato do retropé no solo, onde esse sofre uma supinação excessiva com a perna em rotação externa. O movimento de inversão exagerada e rotação interna do retropé vinculado a rotação externa da perna resultam na tensão dos ligamentos laterais. Acredita-se que a flexão plantar aumentada durante o primeiro contato podem aumentar a chances de levar a uma entorse de tornozelo. O uso do treinamento excêntrico pode ser aplicado de forma benéfica, tanto a protocolos de reabilitações articulares como em treinamento de atletas de grande escala. Durante uma contração excêntrica, os músculos possuem a capacidade de resistir melhor à força, ou seja, os músculos trabalhados nesse protocolo apresentam maiores ganhos de força, comparado a uma contração concêntrica. Os treinos com exercícios excêntricos executados de forma rápida são capazes de aumentar a hipertrofia muscular assim como a força muscular, resultado da remodelagem das fibras proteicas. As lesões de tornozelo são as mais comuns entre os atletas, podemos citar as entorses laterais, distensões e rupturas ligamentares como as principais. Essas lesões na maioria das vezes possuem recuperação rápida, contudo, em alguns casos, elas podem tornar-se uma inflamação crônica gerando graves problemas para o atleta. 62 Existem fatores que podem ser levados em consideração para a ocorrência de possíveis entorses de tornozelo como altura, gênero, peso, história prévia de lesão na articulação e fadiga. E cita, que a fadiga muscular dentre os fatores etiológicosé o que menos é compreendido dentre os aspectos fisiológicos e biomecânicos. O tornozelo é alvo de lesões mais frequentemente por conta de uma inversão forçada do pé, que promove o rompimento total ou parcial dos ligamentos presentes nessa articulação, como o calcaneofibular e o ligamento talofibular. Se a inversão for muito grave, pode gerar também, uma fratura da fíbula, devido a um deslizamento do tálus contra o maléolo lateral. Essas lesões trazem consequências graves como o aumento do risco de futuras entorses de tornozelo, podendo ocasionar a ruptura ligamentar da articulação, estabilidade articular e o afrouxamento da cápsula articular do tornozelo. As entorses em inversão são mais comuns, comparadas com a em eversão, e frequentemente ocasiona lesões nos ligamentos laterais. O ligamento talofibular anterior, dentre os três ligamentos laterais é o mais fraco, ele possui a função de impedir que aconteça uma subluxação anterior do tálus, e na posição de inversão, flexão plantar e rotação medial, ele é lesionado. A ruptura do ligamento talofibular anterior, aumenta-se a rotação interna do retropé, ocasionando a instabilidade rotacional sobre os outros ligamentos dessa articulação, que na maioria das vezes durante a avaliação no tornozelo após a entorse não é diagnosticado. Na grande maioria, a entorse de tornozelo acontece após ocorrer uma supinação exagerada da articulação subtalar, em cadeia cinética fechada promovendo uma inversão forçada e uma rotação interna do retropé, lesionando os ligamentos dessa região. Os atletas que possuem o pé supinado podem apresentar uma inversão do retropé, predispondo as entorses laterais de tornozelo. A avaliação do grau dessa entorse depende se esses ligamentos foram distendidos ou sofreram rompimentos completos. Essas entorses levam a uma inflamação, com edema e dor na maioria dos casos. Para determinar a severidade da entorse é preciso determinar a velocidade, o mecanismo da lesão, os fatores extrínsecos e intrínsecos, e o histórico prévio. As entorses de tornozelo são classificadas em três grau. A fisioterapia desportiva trabalha com o objetivo de sempre buscar possibilidades para que as lesões desportivas se tornem cada vez mais escassas durante as atividades esportivas, principalmente para redução das lesões nos membros inferiores, como de joelho e tornozelo. 63 No treinamento desportivo, os exercícios excêntricos associados ao de superação do trabalho dos músculos, é bastante difundido para métodos de preparação de força. O treinamento excêntrico para fortalecimento muscular, utiliza maior resistência comparado a força isométrica produzida pelo atleta. Portanto, quando a resistência é aplicada, o músculo é alongado. Por fim, o exercício excêntrico se mostra mais eficaz para melhorar a força muscular e o tamanho do músculo. Os exercícios excêntricos realizados com maior velocidade apresentam ganhos de força e hipertrofia maiores, pois estão associadas as rupturas que acontecem nas linhas Z do sarcômero, que representam um fenômeno, onde as proteínas que formam a fibra muscular passam por remodelagem. A ação muscular excêntrica ocorre quando o músculo se alonga, com um torque externo maior, do que o torque normal. Os músculos antagonistas controlam a ação excêntrica, sendo essa ação considerada “negativa”, por agir a favor da gravidade ou por controlar o movimento. Uma contração excêntrica utiliza menos unidades motoras para gerar força e menos oxigênio na realização da atividade, tornando-o mais resistente a fadiga, comparado as contrações concêntricas. O fortalecimento muscular é maior quando os músculos realizam movimentos excêntricos, pois assim consegue movimentar cargas maiores contraindo-se excentri- camente, tornando esses movimentos capazes de desenvolver as fibras musculares de contração rápida. As contrações excêntricas possuem papel fundamental na reabilitação de lesões, pois atua na desaceleração dos movimentos realizados em ações rápidas, como nos esportes, se o músculo não estiver preparado para suportar a ação excêntrica, pode desencadear lesões desportivas. As ações excêntricas retardam a ação da articulação ao final da sua amplitude de movimento, e apontam que o atleta que possui força excêntrica reduzida, está predisposto a desencadear uma lesão em um movimento que depende de uma desaceleração de alta velocidade. Deve-se levar em consideração a velocidade na realização da ação e o controle da carga que será utilizada na fase excêntrica, pois em alta velocidade ou com a carga elevada o indivíduo pode desenvolver dores musculares e até mesmo lesões. Os exercícios no treinamento excêntrico devem ser realizados com cargas de 10 a 40% de sua carga máxima, e para realizar essa ação, é necessário equipamento específico ou profissional especializado, para auxiliar o indivíduo a controlar o peso e retornar à posição inicial. 64 Durante a prescrição do treinamento de exercício excêntrico é importante analisar a síndrome da dor muscular tardia, a qual acontece frequentemente após 24 a 72 horas ao treino, sendo preciso desenvolver estratégias de preparação, recuperação e análise das cargas durante o treinamento. As principais contraindicações para realização do treinamento, são as inflamações e a dor, pois se o exercício for realizado com a inflamação ativa, os traumatismos do tecido muscular podem se ampliar e piorar o edema e a dor do local. A dor muscular de início tardio, pode ser controlada através de precauções, como: evitar a atividade excêntrica nas primeiras semanas do treinamento ou iniciar o exercício com baixa intensidade, e aumentar gradualmente de acordo com a capacidade do atleta. Dessa forma, a dor em alguns casos pode acontecer, contudo será bem mais suportada de acordo com que o atleta aumente sua força e sua habilidade com as atividades de alta intensidade. O uso de exercícios excêntricos, e posteriormente a inclusão de exercícios isométricos e concêntricos, dentro de um treinamento, podem ser utilizados para obter um resultado benéfico de aumento de força e reabilitação de lesões musculares. A frequência semanal do treinamento excêntrico, depende da intensidade e da durabilidade do exercício. Quando o treino é realizado em alta intensidade e com grande durabilidade, os músculos e estruturas locais, são sobrecarregados e precisam de tempo para se adaptar, recuperar e regenerar. No geral, os treinamentos de alta intensidade possuem intervalos de 48 horas. E quanto aos exercícios excêntricos para prevenção de entorse de tornozelo em corredores? O músculo gastrocnêmico possui origem com suas cabeças mediais e laterais superiormente aos epicôndilos medial e lateral do fêmur. Suas principais funções são realizar flexão plantar e supinação quando a perna não está apoiada, como desencostar o pé do solo durante a corrida, e quando este, encosta novamente, auxilia na sustentação. O fortalecimento do gastrocnêmico e do sóleo, podem ser fortalecidos através da flexão plantar podendo utilizar como resistência halteres fixos e barras com anilhas, onde o fisioterapeuta pode posicionar o atleta sentado ou em pé, realizando a flexão plantar com a resistência. O músculo tibial anterior com origem nos dois terços superiores da superfície lateral da tíbia, possui ação de realizar a dorsiflexão do tornozelo e inversão do pé. O fortalecimento desse músculo responsável pela flexão dorsal do tornozelo, pode ser realizada através do atleta sentado, realizando uma dorsiflexão unilateral do tornozelo contra uma resistência, podendo utilizar como opção de resistência a força do próprio fisioterapeuta, tornozeleira ou faixas elásticas. 65 O músculo fibular longo realiza a eversão do pé e auxilia na flexão plantar do tornozelo, possui origem na região proximal lateral da fíbula e na membrana interóssea. Já o músculo fibular curto, origina-se nos dois terços da superfície lateral da fíbula, realizando as funções de eversã do pé e flexão plantardo tornozelo. Para realizar o fortalecimento do musculo fibular longo, o indivíduo irá realizar o movimento de eversão do pé, sentado, contra a resistência oferecida, podendo utilizar como resistência as tornozeleiras, faixas elásticas ou a força do próprio fisioterapeuta. FONTE: Disponível em: <http://twixar.me/NvMm>. Acesso em: 06 set. 2022. 66 Neste tópico, você aprendeu: • Lesões internas são de detecção mais complexa e respeitam uma série de critérios, os quais devem ser de conhecimento do fisioterapeuta para que ele consiga reconhecê-los e adotar os devidos procedimentos. • A cinemática do trauma compreende a análise biomecânica dos movimentos e das forças que, de algum modo, podem influenciar ou ter influenciado lesões em um indivíduo. • As fraturas ósseas são as lesões mais comuns dos ossos, enquanto as luxações e entorses são as lesões articulares mais corriqueiras. Normalmente, elas ocorrem por conta de um trauma em que a energia imposta supera a capacidade de deformação do tecido ou gera movimento demasiado, além da capacidade da estrutura. • Uma das possíveis lesões que podem acometer as articulações são as luxações, que são o quadro em que as extremidades conectadas de dois ou mais ossos se deslocam de sua posição natural, gerando um prejuízo à congruência harmônica da articulação. • Entorses são ainda mais comuns do que as luxações, já que consistem no movimento além da capacidade móvel da articulação, gerando prejuízos aos tecidos moles. Os tecidos mais acometidos costumam ser os ligamentos. • Os estiramentos e as distensões são semelhantes, diferindo-se um do outro somente pela região afetada. O primeiro trata de prejuízo à estrutura das fibras no ventre muscular, enquanto o segundo, trata de prejuízo à estrutura da junção musculotendínea. RESUMO DO TÓPICO 3 67 1 As entorses consistem no movimento além da capacidade móvel da articulação, gerando prejuízos aos tecidos moles. Contudo, não há prejuízo à estrutura de conexão entre os ossos, que se mantêm em sua posição normal. Sobre a entorse, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Na entorse de grau 1, há estiramento dos ligamentos em que um percentual menor das fibras do tecido é afetado. b) ( ) Ruptura parcial dos ligamentos, em que um percentual moderado das fibras do tecido é afetado, ocorre na entorse de grau 3. c) ( ) Na entorse de grau 2, há ruptura total dos ligamentos, ocorrendo a descontinuidade das fibras desses tecidos. d) ( ) Indica-se cirurgia já em casos de entorse de grau 1. 2 As fraturas podem ser classificadas de acordo com o traço (completa ou incompleta), a exposição (aberta ou fechada), a presença de lesões associadas (complicada ou simples) ou o tipo de força causadora do trauma (direta, indireta ou torção). Com base nas definições dos tipos de fraturas, analise as seguintes afirmativas: I– Nas fraturas completas, há descontinuidade da estrutura óssea, ou seja, a fratura ocorreu de um lado ao outro do osso. II– As fraturas incompletas podem apresentar linha oblíqua, espiral ou transversa, sendo representada por fraturas com trituração óssea, segmentares e por avulsão. III– Nas fraturas completas, não há descontinuidade da estrutura óssea, ou seja, a fratura acometeu uma região parcial do osso. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas. b) ( ) Somente a afirmativa I está correta. c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas. d) ( ) Somente a afirmativa III está correta. 3 Em decorrência de as mãos serem utilizadas excessivamente nas atividades diárias e em muitos esportes, suas lesões são muito frequentes. De acordo com o estudado, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Entorses e luxações são bastante comuns em decorrência do uso excessivo, e necessário, das mãos durante as atividades diárias e nas diversas práticas esportivas. ( ) O dedo em gatilho é uma alteração no mecanismo de deslizamento de um tendão sobre sua bainha sinovial. Não há presença de um nódulo/protuberância na bainha de revestimento. AUTOATIVIDADE 68 ( ) A Tenossinovite de De Quervain é uma tendinite do extensor curto do polegar e do abdutor longo do polegar, relacionada com impacto. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – F. b) ( ) V – F – F. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Os músculos estriados esqueléticos são formados, basicamente, por ventre e tendão. Porém, há a presença de alguns anexos, como a fáscia muscular e a bolsa sinovial. Essas estruturas podem ser lesionadas em casos de excesso de movimento, por exemplo. Diante do exposto, descreva a função a bolsa (bursa) sinovial e defina a bursite. 5 O joelho é uma região corporal do membro inferior e importante para mobilidade e locomoção. É composto por três ossos: fêmur, patela e fíbula, compreendendo uma articulação que realiza, funcionalmente, flexão e extensão da perna. Nesta articulação, há a presença de diversos ligamentos que podem ser lesionados, principalmente durante a prática esportiva. Neste contexto, disserte sobre as lesões de ligamento cruzado anterior e ligamento cruzado posterior. 69 ALBUQUERQUE, A.M. Biomecânica Prática no Exercício Físico. Curitiba: Intersaberes, 2020. BARBOSA, R.I.; SILVA, M.F. Fisioterapia Traumato-Ortopédica. Porto Alegre: Artmed, 2021. CALAIS-GERMAIN, B. Anatomia para o movimento: Introdução À Análise Das Técnicas Corporais. São Paulo: Manole, 2010. COHEN, M.; ABDALLA, R.J. Lesões nos Esportes: Diagnóstico, Prevenção e Tratamento. Rio de Janeiro: Revinter, 2015. COMPLETO, A.; FONSECA, F. Fundamentos de Biomecânica Musculoesquelética e Ortopédica. São Paulo: Medicabook, 2011. DEFINO, H.L.A.; PUDLES, E.; ROCHA, L.E.M. Coluna Vertebral: Lesões traumáticas. São Paulo: Artmed, 2019. FLOYD, R.T. Manual de Cinesiologia Estrutural. São Paulo: Manole, 2016. HALL, S.J. Biomecânica Básica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. HAMILL, J.; KNUTZEN, K.M.; DERRICK, T.R Bases biomecânicas do movimento humano. São Paulo: Manole, 2016. KAPANDJI, A.I. O que é Biomecânica? São Paulo: Manole, 2013. KISNER, C.; COLBY, L. A. Exercícios Terapêuticos: Fundamentos e Técnicas. São Paulo: Manole, 2021. LIGGIERI, V.C.; TEIXEIRA, M.J.; YENG, L.T. Tratado de Dor, Reabilitação e Atividade Física. Conceitos e Prática Clínica. São Paulo: Editora dos Editores, 2022. LIPPERT, L.S. Cinesiologia - Clínica e Anatomia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. MCGINNIS, P. M. Biomecânica do esporte e exercício. Porto Alegre: Artmed, 2015. MOORE, K.L.; DAILEY, A.F.; AGUR, A.M.R. Anatomia Orientada para a Clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. REFERÊNCIAS 70 MOREIRA, D.; RUSSO, A. F. Cinesiologia Clínica e Funcional. São Paulo: Atheneu, 2018. NEUMANN D. A. Cinesiologia do Aparelho Musculoesquelético. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. PRENTICE, W.E. Fisioterapia na Prática Esportiva: Uma Abordagem Baseada em Competências. Porto Alegre: Artmed, 2011. 71 FISIOTERAPIA ESPORTIVA UNIDADE 2 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender a área de atuação da Fisioterapia Esportiva; • estudar a prevenção de lesões no esporte; • compreender o papel do fisioterapeuta em uma equipe esportiva. A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1– INTRODUÇÃO À FISIOTERAPIA ESPORTIVA TÓPICO 2– PREVENÇÃO DE LESÕES NO ESPORTE TÓPICO 3– CONDUTA FISIOTERAPÊUTICA NA PREVENÇÃO DE LESÕES ESPORTIVAS Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 72 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 2! Acesse o QR Code abaixo: 73 TÓPICO 1 — INTRODUÇÃO À FISIOTERAPIA ESPORTIVA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1, serão abordados temas introdutórios no âmbito da FisioterapiaEsportiva, incluindo: informações sobre a atuação do fisioterapeuta na área esportiva, bem como os objetivos e momentos de intervenção; atividade física no contexto da saúde, do esporte e do lazer, que irá contextualizar a importância do acompanhamento fisioterapêutico em todos esses cenários; e, por último, a relação existente entre o exercício físico e o condicionamento físico no âmbito do processo de recuperação funcional para a prática esportiva. Inicialmente, é importante destacar que a crescente importância da Fisioterapia nos contextos mais diversificados traz consigo constante destaque quanto à importância de suas especialidades. É proporcional à evolução da Fisioterapia Esportiva a evolução da prática esportiva notada nas últimas décadas, fato que exige um nível de desempenho e aproveitamento cada vez mais aprimorado por parte das equipes de atletas. Hoje, essa condição é possível graças a um respaldo físico, técnico e teórico bem formulado e aplicado no atendimento do atleta, já que ele se depara, muitas vezes, com o limite fisiológico, sendo exposto a um maior risco de lesões durante treinos e jogos, o que pode comprometer seu rendimento esportivo e impactar sua saúde com diversas consequências negativas. Com isso, a Fisioterapia Esportiva tem sua importância destacada, compreendendo uma área cada vez maior e considerada para atletas com diferentes níveis de condicionamento. Assim, o conteúdo apresentado e que será explorado ao longo deste tópico é constituído por informações iniciais, que representam a base para os estudos e entendimento da Fisioterapia Esportiva, visto que engloba fundamentos responsáveis por justificar a importância da atuação fisioterapêutica no manejo do exercício físico, bem como objetivos e pretensões esperadas por meio da tal atuação. 2 ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NA ÁREA ESPORTIVA Na prática, a necessidade da Fisioterapia Esportiva se mostra clara na sociedade desde sempre em contextos históricos diversos, caracterizados por demandas provenientes da prática esportiva. Tal manejo sempre foi realizado historicamente, ainda que de modo pouco sistematizado. Contudo, a expansão da Fisioterapia no Brasil e no mundo viabilizou que, pela primeira vez no Brasil, fisioterapeutas estivessem em campo com atletas apenas a partir dos anos 1990, durante os Jogos Olímpicos. A partir de então, o fisioterapeuta passou a estar cada vez mais presente no acompanhamento de atletas 74 antes, durante e após competições das mais diferentes modalidades esportivas e tipos de competições, fato que resultou, também, em uma crescente produção de literatura sobre o tema, que é fortemente verificada atualmente, além de, eventualmente, justificar a necessidade de reconhecimento dessa especialidade da Fisioterapia, ocorrida no ano de 2007. 2.1 ÓRGÃOS DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO De acordo com o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), a Fisioterapia Esportiva compreende um exercício profissional que engloba desde a promoção da atenção básica prestada diretamente ao atleta no que diz respeito a sua saúde, por meio da elaboração de um diagnóstico cinético funcional, até a prescrição de intervenções fisioterapêuticas adequadas aos esportistas, de acordo com momentos específicos, dentro de um período de competições (COFFITO, 2007). Assim sendo, desde o ano de 2007 a Fisioterapia Esportiva é uma especialidade devidamente reconhecida da Fisioterapia. Com isso, ao longo do tempo, o papel da Fisioterapia Esportiva tem se estabelecido fortemente na atuação da assistência funcional do atleta por meio de intervenções específicas e oportunas, realizadas com o intuito de: favorecer a recuperação do organismo ao seu estado basal; garantir condicionamento físico a partir de condições cinesiológicas e biomecânicas favoráveis; prevenir ou tratar disfunções musculoesqueléticas para promover a saúde do atleta; e otimizar o desempenho atlético. Além disso, estima-se que todas as condutas fisioterapêuticas realizadas no contexto mencionado se atentam à implementação pautada na cientificação de técnicas milenares, pautadas numa prática baseada em evidências científicas, conforme Hamill (2016). Por definição, a prática baseada em evidências representa metodologia indicada para prática clínica em saúde e é utilizada por todas as profissões. Representa a utilização de evidências científicas de qualidade, para respaldar a conduta clínica com base em conceitos e intervenções devidamente testadas por ensaios clínicos de alto rigor metodológico. Além disso, a prática baseada em evidências representa importante norte para tomada de decisão, de acordo com as necessidades de cada caso. NOTA 75 Ademais, faz-se importante que o fisioterapeuta esportivo se respalde nos pilares históricos dos agentes da saúde em campo, que incluem, sobretudo: promover boas condições de saúde por meio dos níveis de exercícios físicos praticados; favorecer condições que preparem o organismo para os exercícios; e intervir de modo a minimizar fatores de risco responsáveis por danos causados pelo exercício. Nesse sentido, o COFFITO estabelece que a atuação do fisioterapeuta esportivo atende à competência e às habilidades para a atuação nos seguintes cenários: • atividade física no contexto da saúde, do esporte e lazer; • exercício físico e condicionamento físico dentro do processo da recuperação funcional, seguindo os critérios de retorno à prática esportiva; • relação do esporte e atividade física no contexto da saúde coletiva e da prevenção das lesões; • fisiologia do exercício, propriedades biomecânicas do tecido musculoesquelético e características biomecânicas das lesões esportivas; • fatores predisponentes (extrínsecos e intrínsecos) relacionados às modalidades esportivas; • fatores epidemiológicos e predisponentes à ação da assistência fisioterapêutica especializada na área; • contextualização dos diferentes níveis de complexidade de atenção à saúde e das políticas públicas de saúde, com enfoque especial para a Atenção Básica, garantindo a promoção da saúde de atletas profissionais, praticantes de atividades esportivas, incluindo aqueles com deficiência ou necessidades especiais, bem como a prevenção de lesões e a recuperação funcional em casos de comprometimentos. No que se refere aos órgãos regulamentadores da Fisioterapia Esportiva, assim como para as demais especialidades da Fisioterapia, tem-se que compete ao COFFITO e ao CREFITO (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional) regulamentar a profissão, ao passo que o primeiro contempla autarquia federal com objetivos constitucionais de normatizar e exercer o controle ético, científico e social das profissões de Fisioterapeuta e de Terapeuta Ocupacional, e o segundo representa uma autarquia estadual que exerce como função a normatização e fiscalização do exercício das atividades de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. 2.2 SOCIEDADE NACIONAL DE FISIOTERAPIA ESPORTIVA E DA ATIVIDADE FÍSICA (SONAFE) Para a especialidade da Fisioterapia Esportiva no Brasil, temos a SONAFE (Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física), fundada no ano de 2003, antes mesmo da Fisioterapia Esportiva ser reconhecida como especialidade. Ela é um órgão sem fins lucrativos, políticos ou religiosos, apresentando caráter científico- cultural em âmbito nacional e abrangendo os mais diversos assuntos e temas de interesse da área. 76 Assim, são objetivos da SONAFE: reunir, científica e culturalmente, fisioterapeutas (registrados no Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional) dedicados à Fisioterapia Esportiva; promover o desenvolvimento técnico-científico dos fisioterapeutas que congrega, visando a introduzir a qualidade nos procedimentos e rotinasoperacionais nas áreas da Fisioterapia Esportiva; promover a divulgação do papel do fisioterapeuta do esporte, assim como de sua efetiva importância para a área de saúde; conceder aos seus associados o título de especialistas em Fisioterapia Esportiva, conforme critérios definidos pela Comissão de Concessão de Títulos; colaborar, no que for pertinente, com o COFFITO (Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional) e respectivos Conselhos Regionais; organizar e realizar Congressos Nacionais e Internacionais e Jornadas Estaduais de cunho técnico ou científico; promover intercâmbio, parcerias e convênios com profissionais, entidades congêneres e universitários no país e no exterior de acordo com o interesse para a prática profissional de seus associados; coordenar a publicação de livros, revistas, boletins e organizar o acervo relacionado à Fisioterapia Esportiva; coordenar a realização de cursos de atualização e capacitação profissional nas modalidades presencial e a distância; fomentar discussões acerca da Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física em nível acadêmico; e referendar e recomendar a seus associados cursos de pós-graduação a nível nacional e internacional. Podem associar-se à SONAFE profissionais acadêmicos, profissionais atuantes em consultórios e clínicas e profissionais atuantes no esporte profissional. Para ser sócio da SONAFE, é necessário possuir graduação em Fisioterapia e submeter-se a uma avaliação que é realizada em conjunto com o COFFITO e compreende prova teórica e avaliação curricular. Após ser aprovado nessas etapas, o candidato será sócio da SONAFE e terá um certificado que o credencia a solicitar ao COFFITO o reconhecimento de especialista em Fisioterapia Esportiva. As vantagens em ser sócio SONAFE incluem: estar credenciado oficialmente em uma associação de abrangência nacional e internacional; possuir maiores perspectivas de atualização profissional; ter um órgão que os represente e dê respaldo nas reivindicações para a classe; entrar no rol de profissionais indicados e listados no portal da SONAFE para consulta de qualquer indivíduo da sociedade brasileira; obter facilidades e descontos na participação de congressos de Fisioterapia Esportiva no Brasil e no exterior; matricular-se em cursos de atualização com preços diferenciados e vantajosos; e ter assinatura da Revista JOSPT. 2.3 ATRIBUIÇÕES E MOMENTOS DE ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA ESPORTIVO Quanto às atribuições do fisioterapeuta esportivo, estão: elaborar diagnóstico cinético-funcional da equipe, associando histórico e possíveis fatores de risco sobre a incidência de lesões; desenvolver e aplicar ações de campo, incluindo protocolos de prevenção, preparo físico e recuperação após o esforço; diagnosticar lesões quando presentes e tratá-las oportunamente. 77 A partir disso, estima-se que o fisioterapeuta esportivo acompanhe continuamente o atleta, incluindo os momentos de treinos e competições, os quais representam ótima oportunidade para avaliação dos gestos esportivos do atleta e para identificação de possíveis comprometimentos na biomecânica que possam influenciar na execução do movimento e, consequentemente, no rendimento esportivo, conforme Hamill (2016). Assim, o trabalho do fisioterapeuta em campo divide-se, basicamente, em duas fases, caracterizadas do seguinte modo: • Fase 1 – Ocorre identificação retrospectiva do histórico de lesões do atleta por meio de inquéritos ou registos e realiza-se avaliações específicas para identificação de possíveis desalinhamentos, desequilíbrios ou, ainda, fragilidades. • Fase 2 – São implementadas análises sobre o risco de lesões, que consideram as características atuais com as características passadas dos atletas, a fim de entender os fatores de risco sobre a incidência de novas lesões. A partir de então, são prescritos protocolos preventivos, de acordo com as necessidades verificadas em cada caso. Para tanto, estima-se que o profissional conheça perfeitamente o esporte com o qual vai trabalhar, incluindo todas as suas regras e execuções de movimentos específicos em campo, o que é fundamental para predizer gestos característicos de cada modalidade e, ainda, a exposição ao risco de regiões corporais específicas, além do substrato biomecânico e fisiológico da modalidade e a metodologia de treinamento adotada. Por exemplo, no futebol, são comuns as lesões ligamentares em joelho e estiramentos musculares, ao passo que, na natação, são comuns casos de tendinopatias e entorses no ombro. Similarmente, outras modalidades esportivas irão demonstrar padrões comuns de lesões de acordo com os gestos realizados com frequência, sendo tais informações básicas ao fisioterapeuta esportivo. Portanto, estima-se que as estratégias fisioterapêuticas considerem o tipo de estresse sofrido e a condição física atual do atleta para que as técnicas sugeridas atendam a tais elementos. As lesões esportivas representam um problema na rotina de atletas e, por isso, devem ser adequadamente compreendidas, para que sugestões oportunas sejam propostas a fim de prevenir e tratar tais condições. A esse respeito, o Tópico 3 irá abordar com detalhes o papel do fisioterapeuta na prevenção de lesões musculoesqueléticas advindas da prática esportiva. ESTUDOS FUTUROS 78 Quanto aos momentos de inserção do fisioterapeuta esportivo, esses podem ocorrer em diferentes tempos, incluindo a fase sincrônica, a fase primária e a fase secundária, caracterizadas do seguinte modo: Fase sincrônica: • Momento: antes e durante a prática. • Metas: preparar o atleta para o esforço e auxiliar na restauração imediata das funções. • Estratégia: auxiliar no aquecimento, aplicação de órteses, uso de técnicas de baixa intensidade e volume. Fase primária: • Momento: até duas horas após a prática. • Metas: redução moderada do tônus muscular e auxílio na restauração imediata aos níveis basais. • Estratégia: uso de técnicas metabólicas e estruturais de moderada intensidade e volume. Fase secundária: • Momento: período referente a após duas horas da prática esportiva. • Metas: eliminar o estado de hipertônus muscular e preparar o atleta para o próximo estímulo. • Estratégia: uso de técnicas de alta intensidade ou volume. Por fim, no que se refere às áreas de trabalho, o fisioterapeuta com formação especializada em esportiva, além da atuação em campo, pode atuar nas seguintes áreas: clubes, clínicas de reabilitação esportiva, docência e desenvolvimento de pesquisas. 3 ATIVIDADE FÍSICA NO CONTEXTO DA SAÚDE, DO ESPORTE E DO LAZER O intuito deste subtópico é que, ao final da leitura, você compreenda com clareza a importância de conceitos relacionados à atividade física e saúde, esporte e lazer, de modo que o primeiro representa um elemento que viabiliza as atividades de lazer e esporte da mesma maneira que viabiliza a prática esportiva. Assim, é interessante que você perceba imediatamente o quanto esses conceitos se relacionam entre si, sendo diretamente proporcionais, ou seja: quanto mais atividades físicas determinado sujeito desempenha no seu dia a dia, maiores as chances de se sentir disposto e motivado a praticar atividades diversas de lazer e esporte, além de demonstrar maiores chances quanto à boa qualidade de vida. Isso também se relaciona à saúde, conforme Kenney (2013). 79 Portanto, a importância da atividade física para verificação de bons níveis de saúde relaciona-se com melhores níveis de qualidade de vida, o que, por sua vez, reduz significativamente as chances do desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, pois elas associam-se ao sedentarismo e são responsáveis por elevada taxa de mortalidade no mundo. Além disso, a atividade física também tende aminimizar problemas relacionados à baixa imunidade, insatisfação pessoal com o corpo e aspectos de ordem psicossociais. Com isso, é notória a importância que a prática da atividade física reflete em vários aspectos da vida do sujeito. 3.1 CONCEITUALIZAÇÃO DOS TERMOS: ATIVIDADE FÍSICA E EXERCÍCIO Por definição, o termo “atividade física” engloba quaisquer movimentos realizados com o corpo para execução de tarefas diversas do dia a dia, como afazeres domésticos, andar a pé até a padaria, subir e descer escadas, andar de bicicleta, dentre outros. Assim, tudo o que fazemos diariamente e requer movimentos corporais representa tipos de atividade física. Perceba, então, que o conceito de atividade física é diferente do conceito que define o exercício físico, de modo que o primeiro em cenário algum substitui o segundo. Isso porque o exercício físico representa a realização sistemática de movimentos com ênfase no aumento progressivo da aptidão física e, por isso, respeita princípios diversos para que tais objetivos sejam atingidos, sendo eles: individualidade biológica, sobrecarga, adaptabilidade, reversibilidade, continuidade e interdependência de volume e intensidade, de acordo com Kenney (2013). Que tal aprofundar seus estudos sobre o tema? O livro Atividade física, lazer e saúde, do autor Paulo Heraldo Costa do Valle, apresenta quatro capítulos que incluem temas importantes relacionados à qualidade de vida e saúde, temas que são básicos e preliminares ao entendimento complexo do organismo do atleta. Sendo assim, a leitura irá contribuir e fundamentar a elaboração do seu raciocínio clínico. Encontra-se disponível neste link: http://twixar.me/04Mm. DICA Agora que são conhecidos os princípios do treinamento, outro fator importante a ser respeitado no manejo do atleta se refere à periodização implementada nas rotinas de treinamento. Essa implementação se faz indispensável para resultar em adaptação positiva no que se refere aos ganhos de aptidão física, para evitar sobrecargas nos sistemas corporais. 80 Nesse contexto, o conceito da periodização visa a organizar o modelo de treinamento adequadamente dividido em unidades de treinamento. Na prática, isso representa dividir um bloco de tempo disponível para o treinamento e variar os tipos de estímulos implementados aos músculos, intercalando semanas de treino intenso com semanas de treinos leves e moderados, de modo que, em alguns momentos, o foco estará voltado ao ganho de hipertrofia e, em outros, treinos de explosão e resistência. Tal distribuição é importante para garantir períodos de recuperação, que são fundamentais aos ganhos notados subsequentemente. Talvez, neste momento, você esteja se perguntando o porquê de a periodização ser importante, não é mesmo? A resposta a essa pergunta é: pelo fato de o corpo se adaptar aos estímulos gerados. Por exemplo, se você agachar todos os dias, várias vezes ao dia, terá pernas fortes. Da mesma maneira, se “supinar” com frequência, desenvolverá peitorais e ombros bem definidos. Mas o ponto é que, sem a implementação dos conceitos de princípios do treinamento, chega um ponto em que a adaptação se mostra difícil, e os ganhos verificados também, o que reitera a importância da periodização para viabilizar superação de diferentes platôs, no intuito de otimizar os ganhos à medida que o tempo passa. 3.2 FORMAS DE MANIFESTAÇÃO ESPORTIVA A partir do exposto, obviamente, a atividade física se faz fundamental na rotina de indivíduos saudáveis, visto que a produção de movimentos diversos é responsável pela funcionalidade e execução das tarefas que realizamos ao longo de toda nossa vida. É exatamente a execução de tais movimentos que nos permite independência para o deslocamento no espaço, sendo, também, importante para qualidade de vida e satisfação pessoal. Por isso, é clara a relação existente entre a atividade física desempenhada com bons níveis de saúde e a prática esportiva em atividades de lazer, visto que, quanto mais ativo um indivíduo for, tenderá a apresentar maior disposição para execução de atividades esportivas e lazer. Logo, observa-se existência de classificações específicas a tipos de movimentos realizados, o que também ocorre com a prática esportiva, que é classificada de acordo com as seguintes formas de manifestação: • Esporte por lazer. • Esporte por saúde. • Esporte competitivo. • Esporte de alto rendimento. 81 A este respeito, nota-se que a motivação responsável por fundamentar o início da prática esportiva é o que determina a forma de manifestação esportiva realizada. A principal diferença existente entre tais modelos contempla a intensidade e volume de treinamento implementados, mas é fato que, independentemente do nível, um acompanhamento do fisioterapeuta esportivo se faz necessário, visando ajustar demandas fisiológicas de cada organismo em favor das exigências requeridas por cada modalidade esportiva, a fim de favorecer um ambiente saudável para a prática esportiva e, ainda, minimizar riscos de lesões. Esse cuidado promoverá um usufruto exclusivo dos benefícios que o exercício físico tende a proporcionar sobre a saúde do organismo como um todo. 3.3 ENTENDENDO NOSSO OBJETO DE ESTUDO: O ATLETA É importante basearmos nossos estudos acerca da Fisioterapia Esportiva, inicialmente, com foco voltado ao entendimento do objeto de estudo, neste caso, o atleta. Perceba que tratar um atleta engloba particularidades não observadas em outras especialidades da Fisioterapia. A primeira delas se refere ao fato de que, muitas vezes, a prática esportiva compreende o “ganha pão” do atleta, ou seja, é por meio dos seus rendimentos e conquistas que a carreira irá progredir de modo promissor, resultando em vitórias, reconhecimento e retorno financeiro. Especialmente nesses casos, disfunções musculoesqueléticas de diferentes origens podem significar o fim de uma carreira, sobretudo quando o suporte e a reabilitação adequados não são realizados, o que reitera a importância do acompanhamento fisioterapêutico nesses casos. E, mesmo se tratando de atletas recreacionais, disfunções musculoesqueléticas também devem ser evitadas, de modo que conquistas e vitórias representem o objetivo primário da prática esportiva e sempre constituirão fontes motivacionais importantes para sua manutenção. Ao contrário, lesões e dores advindas do esporte representam importante potencial de interrupção e afastamento, fato suficiente para justificar a necessidade e importância do acompanhamento fisioterapêutico inclusive para essas formas de manifestação esportiva, mesmo que em níveis não profissionais, pois o esporte, por si só, expõe o organismo ao risco de lesões. Além disso, sendo o atleta nosso objeto de estudo, devemos considerar que ele é constituído de um organismo complexo, constituído por diferentes tipos de tecidos e sistemas corporais, os quais, por sua vez, reagem de modo particular em resposta a diferentes estímulos, que podem ser advindos de origem externa ou interna, resultando em respostas que podem ser normais ou anormais, conforme Prentice (2012). Em casos de respostas normais ao exercício, temos a condição de adaptação, e, em casos de respostas anormais ao exercício, temos a representação de lesões esportivas. O raciocínio aqui apresentado é ilustrado no esquema abaixo. Portanto, se faz fundamental entendermos esse ciclo, para que estejamos bem esclarecidos quanto ao papel e importância da nossa atuação, visando a favorecer e promover condições seguras para a prática esportiva. 82 FIGURA 1 – ENTENDENDO NOSSO OBJETO DE ESTUDO FONTE: a autora A partir do exposto, a apresentação dos conceitos e informações descritas constitui o conhecimento básico para o avanço dos nossos estudos, que envolvem, primariamente, o entendimento do atleta e suas relações coma prática esportiva. Sendo assim, seguiremos nossos estudos com aprofundamento sobre o entendimento do papel do exercício e condicionamento físico no processo da recuperação funcional, que é indispensável à prática esportiva em níveis seguros para prevenção de lesões e progressão da aptidão física. 4 RELAÇÃO ENTRE EXERCÍCIO FÍSICO E CONDICIONAMENTO FÍSICO NO PROCESSO DE RECUPERAÇÃO FUNCIONAL À PRÁTICA ESPORTIVA A prática do exercício físico representa a ferramenta básica para conquistar o condicionamento físico esperado e necessário à prática esportiva, a qual, por sua vez, depende de níveis adequados de aptidão física para que os resultados sejam favoráveis no âmbito de desempenho e prática em níveis seguros, em via de minimizar risco de lesões esportivas. 83 Entretanto, ainda que o exercício físico seja o caminho óbvio ao treinamento físico e modulação do atleta, é de suma importância que seja praticado em níveis prescritos, que estejam pautados em diversos pilares já mencionados, como princípios do treinamento, características da modalidade praticada, periodização, dentre outros. Assim, um ambiente de treinamento favorável e que respeite esses e outros princípios viabiliza uma recuperação funcional, favorável e esperada para prática esportiva, visto que é exatamente por meio de tal processo de recuperação que bons níveis de aptidão são conquistados e a sobrecarga de impacto aos tecidos é evitada. Sobre isso, na sequência, entenderemos com mais detalhes de que modo a aplicabilidade de tais conceitos ocorre na prática do fisioterapeuta esportivo. 4.1 IMPORTÂNCIA DO CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA PRÁTICA ESPORTIVA Neste momento dos nossos estudos, a relação existente entre o treinamento físico e a Fisioterapia Esportiva já se demonstra cada vez mais clara. Com isso, alguns conceitos precisam ser apresentados para que tal relação esteja, de fato, bem pontuada e esclarecida. Em relação ao treinamento, ele é representado por repetições sistemáticas, responsáveis por alterações na forma e função a longo prazo. Pode-se treinar as habilidades físicas treináveis, que são força, resistência, flexibilidade, potência, agilidade, velocidade e coordenação, de acordo com Prentice (2012). A partir de então, a adaptação física advinda do treinamento físico para qualquer uma das habilidades físicas treináveis depende de um treino prescrito que atenda a todos os princípios biológicos do treinamento apresentados anteriormente e, além disso, respeite condições fisiológicas que considerem intervalos para níveis de recuperação desejáveis e importantes aos ganhos físicos pretendidos. Portanto, os objetivos do fisioterapeuta sobre o treinamento físico incluem informar o atleta sobre potenciais fatores que causam as lesões, preparar o atleta para a prática esportiva e auxiliar na recuperação após o esforço. 4.2 RECUPERAÇÃO FUNCIONAL APÓS O EXERCÍCIO A recuperação que ocorre em sequência à realização do exercício inclui variáveis clínicas (dor e sensação de recuperação), metabólicas (substratos energéticos) e funcionais (força, resistência etc.). Nesse ponto, é importante salientar que a recuperação de todas as variáveis mencionadas se faz importante antes que o atleta seja novamente submetido a um novo estresse (exercício). Isso porque o conjunto dessas variáveis sinaliza que o organismo já retornou às suas condições basais (pré- exercício) e encontra-se preparado para novos estímulos. 84 A partir do exposto, o tema “recuperação após o exercício” tem sido exaustivamente estudado cientificamente e, por isso, constitui importante área de concentração da Fisioterapia Esportiva. Nesse contexto, a mencionada recuperação pós-exercício contempla a restauração dos sistemas corporais à sua condição basal, caracterizando a homeostase do organismo. Nota-se que o conceito apresentado é amplo e complexo, uma vez que envolve respostas fisiológicas, psicológicas e nutricionais. O conjunto delas, quando em equilíbrio, tende a resultar em um balanço satisfatório à prática esportiva, conforme Lopes et al. (2019). Nesse âmbito, se faz importante considerar a relação existente entre níveis de recuperação e fadiga e como tais fatores impactam o desempenho esportivo subsequente. É exatamente a atração pelo entendimento de tal relação que tem motivado interesse nas Ciências do Esporte há vários anos, visto que, na prática, é cada vez mais clara a importância de bons níveis de recuperação sobre a adaptação positiva pretendida no âmbito do treinamento físico, fator que repercute ainda sobre melhores níveis de desempenho esportivo e menor exposição sobre a incidência de lesões esportivas, de acordo com Prentice (2012). Os argumentos listados reiteram a importância dos nossos estudos sobre a recuperação funcional no manejo do atleta. Portanto, a recuperação pós exercício ocorre com o repouso. No entanto, nem sempre o atleta consegue realizar o tempo de descanso necessário, e foi exatamente neste cenário que algumas técnicas foram propostas e vêm sendo estudadas quanto à sua eficácia, com o intuito de acelerar a recuperação após o exercício. Tais investigações são realizadas por meio da condução de ensaios clínicos randomizados e meta-análises que consideram e avaliam os efeitos de diferentes tipos de técnicas recuperativas em diferentes modalidades esportivas e perfis atléticos. No que se refere à recuperação funcional, evidências científicas demonstram que 60 minutos parece ser o tempo necessário para recuperação das funções internas do organismo após a execução de um exercício intenso (ou seja, em níveis máximos), de acordo com Nahon, Lopes e Magalhães Neto (2021). A respeito dessa informação, é necessário que consideremos cenários de modalidades esportivas particulares, visto que o intervalo entre cada uma delas é diferente. Por exemplo, no futebol, a pausa corresponde a 15 minutos entre as partidas; no voleibol, a pausa dura de 3 a 10 minutos; no tênis, dura 3 minutos; no basquete, dura de 2 a 15 minutos; e, nas lutas de MMA, dura 1 minuto. Desse modo, devemos refletir: será que o intervalo sugerido em cada modalidade esportiva apresentada é realmente pertinente para a recuperação do organismo a níveis adequados para a continuação da prática esportiva? A resposta é não, já que, em todos os exemplos, vemos intervalos de curta duração, em conformidade com Lopes et al. (2019). 85 4.3 TÉCNICAS DE RECUPERAÇÃO PÓS-EXERCÍCIO Tal cenário caracteriza o motivo que fundamenta a sugestão para aplicação de técnicas recuperativas nesses intervalos, com intuito de acelerar a recuperação fisiológica e deixar o atleta mais bem preparado para a continuação da prática esportiva. Desse modo, as técnicas utilizadas têm o intuito básico de potencializar e reduzir períodos de recuperação. Dentre as técnicas comumente utilizadas nesse âmbito, incluem-se crioterapia, contraste, massagem, recuperação ativa e fototerapia, de acordo com Nahon, Lopes e Magalhães Neto (2021). Outras técnicas podem ser mencionadas, mas, até o momento, apenas as aqui citadas denotam evidências científicas que descrevem efeitos positivos no âmbito da recuperação após o exercício. Protocolos específicos devem respeitar as características de cada modalidade esportiva e necessidades individuais dos atletas. A escolha da melhor técnica, assim como do melhor protocolo, deverá ser respaldada pela modalidade esportiva praticada e nível de condicionamento do seu atleta. Isso porque, conforme verificado ao longo dos nossos estudos, diferentes esportes resultam em distintos níveis de exigências metabólicas e funcionais. Logo, estima-se que a intervenção selecionada seja adequada às suas necessidades, sendo fundamentala verificação de evidências científicas atuais compatíveis ao seu cenário de atuação, o que inclui o nível de condicionamento do atleta e a modalidade esportiva praticada. IMPORTANTE Neste intuito, protocolos apresentados na literatura sobre a recuperação ativa recomendam que seja realizado exercício de baixa intensidade, visando a metabolizar mais rápido o lactato excedente e, com isso, melhorar o desempenho. Exercícios responsáveis por melhorar a oxigenação tecidual auxiliam nesse processo, como: pedalar sem carga, trote leve, fazer alongamentos dinâmicos, deep-running (corrida na água) e exercícios funcionais. Os exercícios realizados para promoção de recuperação ativa podem ser enfatizados em grupos musculares localizados (como é o caso de pedalar) ou grupos musculares sistêmicos no corpo todo (como é o caso da corrida na água, por exemplo). Cerca de 4 minutos de recuperação ativa já é o suficiente para resultados satisfatórios em diversas variáveis de recuperação. 86 FIGURA 2 – RECUPERAÇÃO ATIVA EM BICICLETA ERGOMÉTRICA APÓS O ESFORÇO FONTE: a autora A fototerapia é responsável por diversos efeitos fisiológicos, que incluem a formação de mitocôndrias gigantes e o aumento da circulação local. Por isso, essa técnica é indicada para acelerar a recuperação e otimizar níveis de performance. Estudos diversos investigaram a eficácia dessa técnica no cenário apresentado, de modo que os resultados são favoráveis à sua utilização para os desfechos mencionados. No que se refere ao tempo, os protocolos podem variar entre quatro até 15 minutos, em média, de acordo com o grupo muscular a ser tratado, bem como tipo de equipamento e potência utilizados. FIGURA 3 – APLICAÇÃO DE FOTOTERAPIA APÓS O ESFORÇO FONTE: Tomazoni et al. (2019) 87 A massagem também pode ser útil, por aliviar a dor muscular tardia devido ao aumento do fluxo sanguíneo e do fluxo linfático, diminuindo a água intramuscular e a sensação de dor. Com isso, ela acelera a remoção de catabólitos e, consequentemente, reduz o tempo de recuperação. Além disso, a massagem pode ser realizada imediatamente após o exercício (devendo ser, neste momento, mais leve) ou tardiamente ao exercício (devendo ser aplicada em intensidades moderadas ou intensas), a depender dos objetivos pretendidos. O tempo da técnica também vai depender do grupo muscular a ser tratado, porque certos grupos musculares requerem menos tempo, conforme Nahon, Lopes e Magalhães Neto (2021). FIGURA 4 – APLICAÇÃO DE MASSAGEM PARA RECUPERAÇÃO APÓS O ESFORÇO FONTE: a autora A técnica de contraste consiste na alternância de exposição ao frio e calor, de modo que os efeitos fisiológicos decorrentes da sua aplicação resultam em vasoconstrição periférica e vasodilatação reflexa. Como resultado, verifica-se que essa técnica é capaz de acelerar a remoção de lactato sanguíneo em homens e mulheres, além de melhorar a sensação subjetiva de recuperação. No entanto, é importante controlar devidamente a temperatura da água nos momentos de quente e frio, bem como o tempo de imersão em cada temperatura. Recomenda-se 3 minutos em cada temperatura, alternando até completar 15 minutos total de técnica. Essa técnica é mais adequada para aplicação em extremidades corporais, como tornozelo, pé, punho e mão. Por fim, a crioterapia consiste em reduzir a temperatura corporal por meio do mecanismo de condução. Existem diferentes métodos para realização da crioterapia, como a imersão em água fria, compressas, spray seco e varredura. Para a seleção do melhor protocolo, devem ser avaliados tipo do exercício, objetivo de aplicação da 88 técnica, temperatura utilizada e grupo muscular a ser tratado. No que se refere aos efeitos, a crioterapia é capaz de redirecionar o fluxo sanguíneo e, com isso, conter o processo inflamatório por meio da vasoconstrição gerada. Além disso, a diminuição da transmissão nervosa gera sensação de analgesia. A exemplo da técnica de imersão em água fria, a literatura demonstra que a temperatura da água deve estar entre 11 e 15 °C, e o tempo de imersão deve ser de 11 a 15 minutos. FIGURA 5 – APLICAÇÃO DE IMERSÃO EM ÁGUA FRIA (MODALIDADE DE CRIOTERAPIA) PARA RECUPERAÇÃO APÓS O ESFORÇO FONTE: a autora 89 Neste tópico, você aprendeu: • No Brasil, a Fisioterapia Esportiva começou a ter sua importância reconhecida a partir dos Jogos Olímpicos dos anos 1990, com destaque nacional no ano de 2003 e reconhecimento enquanto uma especialidade de Fisioterapia, de acordo com o COFFITO. • O fisioterapeuta esportivo possui diferentes áreas de atuação, incluindo clubes, campos, clínicas de reabilitação esportiva, docência e desenvolvimento de pesquisas. • O trabalho com o treinamento físico requer conhecimento sobre os princípios biológicos do treinamento, a partir dos quais é possível treinar as habilidades físicas treináveis e, com isso, ajustar, no atleta, a aptidão física, com enfoque nas demandas exigidas no esporte praticado por ele. • A atuação fisioterapêutica pré-competição relaciona-se com a realização de diagnósticos funcionais, que são essenciais para nortear ações de condicionamento físico, orientação, conscientização e prevenção, além de viabilizar a proposição de técnicas de recuperação pós-exercício mais adequadas e reabilitar lesões existentes. • A recuperação pós-exercício visa a recuperar no organismo as condições basais verificadas anteriores ao esforço. Nesse cenário, a aplicação de técnicas recuperativas denota intuito de acelerar a recuperação metabólica, física, clínica e psicológica, por meio das seguintes estratégias: recuperação ativa, massagem, fototerapia, crioterapia e contraste. RESUMO DO TÓPICO 1 90 1 De acordo com o COFFITO, ao fisioterapeuta esportivo, são distribuídas diversas funções que tratam de otimizar e manter a saúde do atleta. Nesse sentido, diversas ações são implementadas para atender ao intuito pretendido. A exemplo, a execução de uma avaliação cinético-funcional implementada no momento de pré-competição, sempre que realizada de modo completo e detalhado, pode ser capaz de resultar informações úteis ao fisioterapeuta na realização de trabalhos futuros com o atleta. Considerando que a avaliação cinético-funcional no período de pré-competição é importante e relevante para pautar certas intervenções, sobre quais são elas, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Avaliação pré-cirúrgica. b) ( ) Prevenção de lesões. c) ( ) Prescrição de dieta adequada. d) ( ) Treinamento específico com bola. 2 Leia atentamente o trecho apresentado a seguir: “A SONAFE Brasil tem o compromisso de reunir, científica e culturalmente, fisioterapeutas registrados e dedicados à Fisioterapia Esportiva, além de promover o desenvolvimento técnico-científico dos fisioterapeutas e a divulgar o papel do fisioterapeuta do esporte, assim como sua efetiva importância para a área de saúde.” Fonte: http://twixar.me/D4Mm. Acesso em: 4 out. 2022. Com base nas diretrizes da SONAFE, analise as sentenças a seguir: I- Participar de eventos científicos organizados pela SONAFE viabiliza que acadêmicos e profissionais se atualizem por meio de informações atuais, assim como enriquece o seu currículo. II- Participar de eventos chancelados pela SONAFE agrega inúmeras vantagens aos participantes, como o aumento do impacto do profissional enquanto pesquisador, elevando o número de citações pela exposição gerada em ambientes científicos. III- A Fisioterapia Esportiva é uma especialidade da Fisioterapia recente no país, mas que conta com produção de evidências científicas robusta e completa a nível mundial, importante por fundamentar a prática baseada em evidências e dispensando pesquisas futuras a curto prazo. IV- Uma das atribuições da SONAFE contemplaa necessidade de reconhecimento quanto à qualidade das disciplinas de Fisioterapia Esportiva ofertadas pelas instituições de ensino superior distribuídas por todo país. AUTOATIVIDADE 91 Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença I está correta. c) ( ) As sentenças II e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença IV está correta. 3 Toda atividade necessita de regras para sua organização e, na execução do exercício físico, não é diferente, ainda mais quando trabalhamos de forma direcionada e com metas pré-estabelecidas para melhorar a habilidade física. Para tanto, a prescrição do treinamento deve ser pautada nos princípios do treinamento, que devem nortear qualquer exercício prescrito, incluindo desde uma simples caminhada ou corrida até um treino de futebol de alto rendimento, por exemplo. Sobre os princípios do treinamento físico, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) A sobrecarga explica a variabilidade entre elementos da mesma espécie e considera apenas o genótipo de cada indivíduo. ( ) Para se obter uma adaptação desejável (positiva), os estímulos devem ser de médios a fortes e devem respeitar períodos intensos e ininterruptos de treinamentos. ( ) De maneira geral, quando o objetivo do treinamento é o ganho de força, deve-se aumentar o volume de treino e reduzir a intensidade. ( ) A individualidade biológica está relacionada a uma sequência continuada de estímulos, enquanto a reversibilidade está relacionada ao destreinamento. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F - F - V - F. b) ( ) V - V - F - V. c) ( ) F - F - V - F. d) ( ) V - F - V - F. 4 A periodização consiste em oferecer, dentro de um sistema de organização, estímulos diferentes em microciclos e mesociclos. A este respeito, explique a relevância de modelos de periodização em rotinas esportivas. 5 A recuperação pós-exercício consiste em restaurar os sistemas do corpo à sua condição basal, proporcionando equilíbrio e prevenindo a instalação de lesões. Nesse sentido, torna-se aspecto importante de todo programa de condicionamento físico em qualquer nível de desempenho, sobretudo nos mais elevados. Neste cenário, estratégias de recuperação pós esforço são importantes, a fim de otimizar o rendimento dos atletas. Disserte sobre os mecanismos de ação da crioterapia ou da massagem, justificando os efeitos fisiológicos deles no contexto da recuperação após o exercício. 92 93 PREVENÇÃO DE LESÕES NO ESPORTE UNIDADE 2 TÓPICO 2 — 1 INTRODUÇÃO A prática esportiva requer a execução complexa de movimentos repetitivos, que são possíveis graças a uma complexa integração entre diversos sistemas corporais, como o sistema nervoso e o sistema musculoesquelético. Desses sistemas, alterações cinético- funcionais resultam em comprometimentos funcionais que são proporcionais à extensão da alteração presente, de modo que tais limitações na prática esportiva resultam em menor desempenho e maior exposição quanto à incidência de lesões esportivas. Diversas são as razões responsáveis pela ocorrência de lesões no esporte, como disfunções estruturais, desequilíbrio muscular, alterações metabólicas, sobrepeso e características do próprio esporte. Diante desse quadro, o papel do fisioterapeuta esportivo na prevenção de lesões no esporte se dá, inicialmente, pelo entendimento de suas causas, que deve ser seguido pela correção delas e, então, menor exposição do atleta sobre a ocorrência de tais episódios. Para que tal intervenção seja possível, é necessário que o profissional conheça a fundo as características de lesões esportivas causadas em tecidos corporais específicos, visto que cada tecido possui morfologia, anatomia e fisiologia particulares, que resultam em respostas de cicatrização também particulares. A partir de tal conhecimento, estima- se que condutas fisioterapêuticas apropriadas sejam prescritas de modo a favorecer o processo de cicatrização natural dos tecidos, otimizando o processo de recuperação e retorno ao esporte. A partir do exposto, no Tópico 2, iremos conhecer aspectos básicos e características particulares da atuação da equipe interdisciplinar na prevenção de lesões no esporte e na importância e relação existente entre alimentação, nutrição, sono e estresse, além do rendimento esportivo subsequente, fato que justifica a relevância do atendimento multidisciplinar prestado ao atleta para o controle de ambiente satisfatório à prática esportiva. Acompanhe! 94 2 EQUIPE INTERDISCIPLINAR NA PREVENÇÃO DE LESÕES NO ESPORTE A saúde do atleta constitui pauta de interesse por parte dos atletas, equipes de treinadores e profissionais da saúde, incluindo a Fisioterapia, que, por todas as ações desempenhadas, representa uma peça-chave ao atendimento do atleta por diversas razões. A preocupação evidente sobre o bem-estar do atleta é passível de diminuição a partir do cuidado complexo, capaz de abranger diversas áreas dos saberes, como Nutrição, Medicina, Educação Física e Fisioterapia, de modo a serem sanadas lacunas em todas as respectivas áreas, viabilizando a prática esportiva em níveis seguros. Assim, reitera-se que o papel do fisioterapeuta dentro das equipes esportivas inclui contribuir para prevenção, tratamento, recuperação e otimização do rendimento do atleta. Para que as atividades fisioterapêuticas sejam devidamente desempenhadas, o fisioterapeuta esportivo possui, a seu dispor, um conjunto de técnicas e recursos terapêuticos respaldados por literatura robusta e atual, o que agrega à área do esporte uma segurança para a prática que é baseada em evidências. Isso, do ponto de vista clínico, representa o cenário ideal sobre a aplicação de qualquer intervenção. Assim, o alto volume de evidência científica sobre a temática representa, sem dúvidas, um ponto positivo sobre a atuação da Fisioterapia Esportiva. Dentre as estratégias terapêuticas utilizadas no esporte para execução dos objetivos mencionados, incluem-se as técnicas diversas de cinesioterapia, eletroterapia, fototerapia, termofoterapia, aquecimento, alongamento, mobilizações articulares e terapia manual. A aplicação de condutas oportunas, de acordo com as necessidades de campo evidenciadas, tende a contribuir para maior longevidade da prática esportiva, assim como bons níveis de condicionamento. A partir do exposto, é nítida a importância da Fisioterapia Esportiva para o desempenho atlético, tanto durante o treinamento quanto durante competições. Para isso, é primordial que o profissional tenha bom respaldo teórico e prático, que são requisitos básicos para promoção e manutenção do bem- estar entre todos os pacientes e atendimentos, conforme Oliveira et al. (2013). As lesões esportivas possuem elevada incidência. Contudo, diversos prejuízos associam-se à presença de lesões, incluindo gastos financeiros com serviços de saúde, período de reabilitação e afastamento de treinos/competições, ansiedade, insegurança e dificuldade em retomar a rotina habitual. Tal cenário é ainda mais preocupante na realidade de atletas profissionais, que dependem do esporte como fonte de sobrevivência. Tais questões destacam a necessidade da atuação fisioterapêutica preventiva oportuna. IMPORTANTE 95 Vale relembrar que o fisioterapeuta é um profissional de nível superior da área das ciências da saúde, que possui autonomia tanto para atuar isoladamente quanto para atuar em equipe em todos os níveis de assistência à saúde (atenção primária, atenção secundária e atenção terciária). Esse é um profissional de primeiro contato que possui habilidades e conhecimentos sobre recuperação e manutenção, relacionadas a tudo que envolve a produção do movimento. ParaOliveira et al. (2013), é este o seu foco principal: a saúde cinética funcional do organismo. 2.1 IMPORTÂNCIA DA EQUIPE INTERDISCIPLINAR PARA PREVENIR LESÕES ESPORTIVAS Destacada a importância da Fisioterapia no manejo do atleta, é hora de destacar a relevância do trabalho em equipe realizado por todos os profissionais inseridos no cuidado multidisciplinar prestado ao atleta, pois fazem a diferença sobre os resultados verificados no que diz respeito à prevenção de lesões e, consequentemente, otimização do rendimento esportivo. Com isso, é notório que o atendimento ao atleta, independentemente do nível de condicionamento que ele possua, denota necessidade de conquista sobre a manutenção da funcionalidade, além de variáveis clínicas, metabólicas e psicológicas. Entretanto, é necessário destacar que a prática esportiva demanda altos níveis de exigência física do organismo, incluindo variáveis como motivação, psicológico e comportamento. Portanto, o anseio de atuar sobre essas variáveis gera importância sobre a atuação interdisciplinar e precoce para diminuir tanto lesões como incapacidades que sejam decorrentes de tais instabilidades. Logo, a atuação no esporte de equipe interdisciplinar pauta-se na precisão continuada sobre otimizar o desempenho atlético, o qual é influenciado por diversos fatores extrínsecos e intrínsecos, como o tipo de treino executado, a intensidade do treino, as condições de treinamento, os níveis hormonais e metabólicos, o emocional, sono, controle emocional, nível de estresse, dentre outros. Com isso, cada variável citada contempla a competência de um profissional específico da saúde, o que requer, necessariamente, a união entre as diversas áreas, de modo a garantir atendimento com visão holística, capaz de incluir as necessidades em todos os âmbitos descritos, de acordo com Inchauspe et al. (2020). A este respeito, reitera-se que cada profissão atua de modo a garantir elementos básicos a prática esportiva, que incluem, especialmente: 1) Prescrição de dieta voltada ao fornecimento de nutrição suficiente à produção de energia e bons níveis metabólicos. 2) Verificação sobre um sono de qualidade, já que é indispensável à regulação hormonal e recuperação da musculatura esquelética. 96 3) Controle do estresse, visto que atletas são submetidos constantemente a estresse físico e psicológico, mas devem ser devidamente controlados, a fim de normalizar os níveis hormonais, já que, uma vez alterados, eles têm potencial direto de comprometer os níveis de desempenho. Porém, o controle das variáveis mencionadas não compete ao profissional fisioterapeuta, já que ele não possui habilidades e conhecimentos ao longo do seu processo de formação para atuar diretamente sobre a resolução de tais condições. Em contrapartida, considerando que todos os pontos mencionados têm potencial elevado sobre o impacto no rendimento e, com isso, exposição às lesões, compreende-se que o equilíbrio e a harmonia de tais desfechos são fundamentais ao viabilizar condições favoráveis e saudáveis à prática esportiva, o que irá, então, normalizar funções fisiológicas para que funcionem normalmente e sem riscos adicionais, conforme Inchauspe et al. (2020). Isso é possível por meio de trabalho interdisciplinar, já que cada profissão específica irá atuar de maneira oportuna para manter bons níveis de saúde do atleta, de acordo com habilidades e competências de cada profissão. A seguir, serão mencionados os papéis de cada profissão no manejo do atleta, a fim de destacar a importância de cada uma delas. 2.2 NUTRICIONISTA O conceito de nutrição engloba a somatória de todos aqueles processos relacionados ao consumo, bem como o uso de alimentos por organismos vivos, incluindo, portanto, os mecanismos de ingestão, digestão, absorção e metabolismo. Ao se considerar o processo de nutrição no esporte, verifica-se ser área de estudo consideravelmente nova, que inclui a utilização de conhecimentos nutricionais para otimizar a aptidão física e desempenho esportivo subsequente. Tal manejo parece pertinente, visto que as necessidades nutricionais dos atletas se apresentam particulares, em razão do tipo de exercício praticado e da intensidade de treinamento executada, fatos que irão determinar o nível de energia necessária para execução da demanda necessária. Vale relembrar que a energia do organismo vem dos alimentos ingeridos, fazendo parte, portanto, do processo de nutrição. A partir do exposto, a importância do nutricionista no atendimento ao atleta se faz clara para viabilizar equilíbrio de nutrientes necessários, a depender das necessidades individuais verificadas em cada atleta (lembre-se que, conforme mencionado, cada organismo é um, e, por isso, suas necessidades devem ser consideradas de modo individual). 97 Para tanto, cabe ao profissional nutricionista elaborar um plano alimentar individual capaz de atender precisões energéticas recrutadas durante a modalidade esportiva praticada por cada atleta a ser considerado. Adicionalmente, o nutricionista, uma vez especializado na área esportiva, também pode intervir favoravelmente na prevenção de lesões esportivas, isso porque, muitas vezes, elas ocorrem na presença de dietas pobres em nutrição, que, quando associadas à baixa reposição hídrica, contemplam necessário prejudicial no âmbito da tolerância ao exercício, visto que as fontes energéticas disponíveis estarão baixas, cenário que poderá resultar tanto em uma simples fadiga até em morte, em casos extenuantes, conforme Prentice (2012). O quadro apresentado a seguir apresenta algumas informações importantes sobre as características de substratos energéticos importantes ao organismo. Observe: QUADRO 1 – CARACTERÍSTICAS DOS PRINCIPAIS SUBSTRATOS ENERGÉTICOS Tipo de substrato energético Características Lipídeo • Importante isolante térmico. • Utilizado em atividades de baixa intensidade e curta duração. • Via energética que só é ativada após certo tempo de exercício. Carboidrato • Principal via energética para o exercício. • Via recrutada desde o início do exercício. • É mais utilizado em exercícios de alta intensidade e curta duração. • O consumo de quantidade insuficiente pode causar hipoglicemia e antecipação da fadiga muscular. Proteína • Sua principal função é fornecer aminoácidos ao organismo. • É utilizado como combustível em atividades de resistência, de longa duração. • Sua associação com o carboidrato auxilia na recuperação pós-esforço. • Em caso de armazenamento em excesso, é utilizado como fonte de energia. FONTE: a autora 2.2.1 Fontes de energia utilizadas para treinamento e competição Compreende-se que, no músculo esquelético, há três vias metabólicas responsáveis pelo fornecimento de energia durante a realização do exercício físico. Então, o combustível básico à prática esportiva se dá pelo ATP, de modo que todas as três vias mencionadas, apesar de utilizarem mecanismos diferentes, trabalham com intuito de fornecer ATP ao músculo, que é o combustível básico para produção e manutenção do movimento, para Lopes et al. (2018). 98 Assim, a utilização das vias metabólicas é influenciada, basicamente, pelo tipo de exercício realizado, incluindo sua duração e a intensidade. Logo que o exercício se inicia, a primeira via a ser recrutada é o ATP-CP, que dura, em média, 30 segundos. Logo que essa via se esgota, a segunda via resultando do processo de glicólise anaeróbica é responsável pelo fornecimento de energia ao músculo por até, em média, três minutos. Essa via tem um produto final de ácido lático que, como sabemos, em excesso no músculo, influencia na sensação de dor muscular tardia). Logo que essa reserva energéticase esgota, a via de oxidação aeróbia entra em ação, tendo início a partir do 3° minuto e fornecendo energia até que o exercício seja finalizado. Essa última fonte de reserva energética é derivada de carboidratos e lipídeos armazenados, conforme Lopes et al. (2018). No quadro a seguir, são apresentadas características mais completas a respeito de cada uma das vias metabólicas mencionadas. Observe: QUADRO 2 – CARACTERÍSTICAS DAS VIAS METABÓLICAS UTILIZADAS PARA O FORNECIMENTO DE ENERGIA DURANTE O EXERCÍCIO Via metabólica Duração do fornecimento de energia Características Fosfato de alta energia (curta duração) Até 30 segundos Durante a realização de exercícios de alta intensi- dade e curta duração, os fosfatos de alta energia no músculo (ATP-CP) e a glicólise anaeróbica são as fontes de energia predominantemente utilizadas. Assim, o pico de ATP é atingido dentro de 1 a 5s, e sua depleção ocorre entre 5 e 10 s. Em seguida, a depleção de CP por volta de 30 s. Glicólise anaeróbica (média duração) Até 3 minutos A glicolise anaeróbica, ou sistema ácido lático, é o outro meio que o organismo utiliza para continuar compensando uma determinada atividade em alta intensidade. A energia vem do sistema lático. Essa via tem depleção por volta dos 3 minutos. Aeróbica oxidativa (longa duração) Após o 3º minuto Durante a realização de exercício de intensidade leve a moderada e de longa duração, é necessária uma elevada produção de ATP para produção de energia. Assim, tal trabalho depende do metabolis- mo aeróbio ou das reações oxidativas na presença do oxigênio. Portanto, nesse caso, a glicose e o ácido graxo livre (lipídeo) são metabolizados para produção de energia. FONTE: a autora A partir do exposto, é importante consideramos as características de cada esporte para identificar o tipo de via metabólica utilizada com maior frequência. Assim, cuidados específicos tanto na parte nutricional (pelo nutricionista) quanto na parte do treinamento físico (pelo treinador e fisioterapeuta) serão devidamente considerados, a fim de evitar cenários de fadiga e sobrecarga ao atleta, os quais podem, a longo prazo, resultar 99 em dor muscular tardia, menor desempenho e lesões musculoesqueléticas. Sendo assim, a compreensão clara sobre os conceitos apresentados se faz fundamental para que sejam desenvolvidas atividades físicas em consonância às exigências metabólicas corretas, de acordo com Lopes et al. (2018). 2.3 EDUCADOR FÍSICO Ao profissional de Educação Física, é atribuída a função relacionada ao treinamento físico, o que inclui, basicamente, a elaboração de protocolos de treinos pautados em viabilizar intensidades oportunas aos objetivos pretendidos, como ganhar aptidão física, visando à habilidade que se pretende treinar. Assim, a prescrição de treinamento a cada tipo de habilidade física é específica e individual para poder atender a todos os princípios biológicos do treinamento. Cabe ao educador físico prescrever o treinamento com enfoque em conquistar as habilidades físicas que o atleta necessita e de acordo com a modalidade esportiva que pratica. Além disso, esse profissional também elabora e sugere modelos de periodizações fundamentados nas especificidades do calendário esportivo do atleta. Por fim, a importante tarefa do educador físico corresponde à correção dos movimentos e posturas durante a execução do exercício, que é importante para realização correta do treinamento, conforme Kons et al. (2022), tanto para que os ganhos pretendidos sejam verificados quanto para evitar riscos de lesões por posturas inadequadas durante o exercício. Adicionalmente, o papel desempenhado por esse profissional resulta em bom condicionamento físico e aptidão, elementos indispensáveis para evitar a incidência de lesões esportivas. 2.4 PSICÓLOGO Sabemos que, além do treinamento constante, bons resultados esportivos relacionam-se ao substrato energético próprio, o talento, sendo que, quando associado ao desenvolvimento de outras aptidões físicas (como nutrição, preparo físico e treino tático), garante ao atleta condições favoráveis para obtenção de grande parte das vitórias e prêmios pretendidos, que são sinônimos de reconhecimento na carreira esportiva. No entanto, deve-se considerar que, em se tratando do esporte profissional, os atletas iniciam treinos ainda na adolescência e, em geral, o pico da carreira ocorre quando são ainda muito jovens e com estrutura emocional frágil, a qual, quando associada a fatores como passar tempo longe da família para os treinos, viajar diversas vezes por ano a trabalho e sofrer pressão constante (do público, treinadores e impressa), corrobora para cenário de intensa pressão psicológica, que pode expor o atleta ao risco de lesão. 100 Além do cenário exposto, acrescenta-se o fato de que a presença de lesão esportiva, por si só, contempla um problema contundente para exacerbar e agravar a pressão psicológica já existente por todos os motivos listados. E, mesmo após a recuperação da lesão, o retorno ao esporte, em geral, pode ser implicado por obstáculos inerentes ao processo, que incluem: medo de futuras lesões, aptidão física prejudicada para bom desempenho esportivo e sentimento de insegurança individual sobre a recuperação de desempenho similar ao anterior à lesão. Portanto, o acompanhamento psicológico ao atleta se faz imprescindível tanto durante períodos de reabilitação quanto no cenário de prevenção, visto que o conhecimento e o auxílio sobre a resolução de lacunas acerca de inseguranças podem representar um obstáculo para conquistas e desafios futuros. Assim sendo, compete ao psicólogo o desempenho de estratégias voltadas ao tratamento e manutenção da saúde mental do atleta, claramente importante após todos os argumentos explanados e que se faz ainda mais relevante em períodos de competição, já que são marcados por insegurança, medo e ansiedade, sentimentos que, quando descontrolados, podem ocasionar alterações na modulação do sistema endócrino e comprometer consequentes respostas relacionadas ao rendimento esportivo. Por fim, acredita-se que o acompanhamento psicológico ao atleta é capaz de interferir diretamente sobre sentimentos positivos relacionadas à qualidade de vida, bem-estar geral e boas expectativas sobre a eficácia pessoal, fatores motivacionais que tendem a influir sobre o desejo de superação, rompimento de barreiras e conquista de novos recordes, eventualmente prejudicados por pouca autoconfiança, autoestima abalada e insegurança. Logo, conclui se que o psicólogo é um profissional fundamental para saúde do atleta e tudo o que dela reflete. 2.5 MÉDICO Por último, mas não menos importante, o médico é o profissional responsável por diversas ações referentes ao atleta, de modo que cada especialista (cardiologista, ortopedista, endocrinologista etc.) é responsável por avaliar e cuidar dos sistemas corporais que lhe compete, sendo cada um igualmente importante ao desempenho esportivo saudável. Assim, compete ao médico cardiologista avaliar a aptidão e saúde do sistema cardiovascular do atleta por meio de testes e exames específicos, como teste ergométrico, eletrocardiograma e ecocardiograma. Compete ao médico endocrinologista analisar o equilíbrio do sistema endócrino e imunológico por meio de exames sanguíneos, os quais são indispensáveis por fornecer informações diagnósticas sobre os níveis de desempenho. Ao médico ortopedista, compete investigar a integridade dos sistemas musculoesqueléticos por meio de avalições clínicas que incluem testes e exames de imagem. A integração entre tais especialistas mencionados confere a verificação sobre importantes respostas clínicas relacionadas ao organismo do atleta. 101 Atualmente, é crescente o número de médicos do esporte. Sãoesses médicos que dedicaram tempo para se especializar no atendimento ao atleta e que, nesses casos, conseguem contemplar todos os pontos mencionados em suas consultas, conferindo um atendimento completo de acordo com as necessidades de um organismo atleta. Assim, fica claro que o atendimento ao atleta não se restringe a preparação técnica e tática, sendo igualmente necessária complexa estrutura suficiente, por englobar todos os desfechos mencionados. Atletas devidamente assistidos por profissionais de diferentes áreas da saúde denotam as melhores condições sobre o desenvolvimento de capacidades adaptativas, fundamentais para otimização da performance, bem como manejo sobre o estresse relacionado às questões sociais, psicológicas e físicas. Adicionalmente, tal manejo tende a resultar em menor quantidade de lesões reportadas ao longo de uma temporada. 3 ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO Conforme mencionado, uma alimentação adequada contempla um dos pilares importantes a serem seguidos pelo atleta, visto que é por meio dela que se dá o processo de nutrição, responsável pelo fornecimento de nutrientes essenciais e básicos à produção de energia. É por meio da alimentação que o atleta consegue, inicialmente, conquistar energia para realização de suas demandas diárias, sendo, portanto, crucial ao desempenho esportivo esperado, pois o exercício só é possível quando reservas energéticas estão disponíveis para manter o esforço requerido. Por outro lado, a ingestão inadequada ou mesmo insuficiente de diversos nutrientes pode resultar em diversos prejuízos ao atleta, como baixa disponibilidade de reserva energética, incapacidade sobre a regulação metabólica para o exercício, síntese reduzida de tecidos e enzimas, comprometimento dos processos fisiológicos normais e mudanças corporais indesejáveis. Ao considerar-se que a energia gasta por um atleta é bem diferente de indivíduos não atletas, fica fácil compreender que, no caso dos primeiros, a demanda é muito maior. Portanto, a alimentação deve ser direcionada a atender de modo satisfatório tais necessidades particulares e justificadas pelo elevado esforço realizado. Para se ter ideia, atletas que realizam exercício físico em nível intenso, com duração de duas a seis horas diárias e frequência de até seis vezes por semana, chegam a precisar de elevada ingestão calórica baseada, principalmente em carboidratos (boas fontes de energia) e proteínas. Assim, independentemente do cenário vivenciado pelo atleta, se ele pratica exercícios com frequência contínua, o consumo de quantidades apropriadas dos macronutrientes – como proteínas, carboidratos e gorduras – deve ser prescrito pelo profissional nutricionista de acordo com objetivos individuais, que devem levar em consideração as demandas energéticas do esporte praticado, bem como volume e intensidade de treinamento. 102 Ao considerar-se os substratos energéticos utilizados durante a realização do exercício, temos que o principal é o carboidrato, de modo que a ingestão dele antes, durante e depois o exercício é importante em casos de demandas intensas, a fim de manter boa disponibilidade de reserva energética, básica à prática esportiva. Já as proteínas são importantes por auxiliarem o processo de hipertrofia muscular (favorecendo o ganho de massa magra) e a composição corporal do atleta (pois a ingestão proteica, em doses devidamente recomendadas, associada ao estímulo gerado pelo exercício físico, resulta em maximização da síntese muscular proteica). No que se refere às gorduras, dados recomendam que sua ingestão deve ocorrer em níveis similares àqueles sugeridos para população não atleta, ou seja, algo entre 20 e 35% do total de ingestão energética diária, que deve priorizar fontes ricas em gorduras insaturadas e, também, os ácidos graxos essenciais, conhecidos popularmente como “gordura boa”. Entretanto, as doses sobre a ingestão de cada substrato mencionado devem ser supervisionadas, visto que são contraindicados os contextos caracterizados por atletas definindo sua própria alimentação e suplementação, já que isso pode desencadear diversos efeitos colaterais nocivos, representados pelo consumo excessivo de alimentos ou suplementos, como sobrepeso, baixo peso, problemas renais e hepáticos, além de eventual fadiga ou fontes de energia provenientes da alimentação insuficiente. O conjunto dos malefícios listados deixa claros alguns dos riscos desnecessários causados por uma alimentação inapropriada. 4 SONO E CONTROLE DO ESTRESSE O sono de qualidade e controle de níveis de estresse contemplam importantes aliados em relação à manutenção da saúde do atleta, porque o primeiro representa um mecanismo básico para diversas reações metabólicas básicas, ao passo que o segundo, auxilia a manutenção de diversos hormônios, os quais, em níveis controlados, favorecem o desempenho esportivo. Assim, o estudo de ambos os conceitos, no que diz respeito à Fisioterapia Esportiva, é importante para que você compreenda o mecanismo por meio do qual o funcionamento deles implica em bom desempenho e menores chances de lesões. No que se refere ao conceito do sono, ele representa a condição fisiológica na qual é observada uma suspensão temporária da atividade cognitiva e perceptiva. O sono é, também, dividido por fases e estágios, os quais passam por alternância durante o período no qual nos encontramos dormindo. Caso ocorra privação do sono, é desenvolvida uma alteração do ritmo circadiano, a qual altera todo contexto do metabolismo e implica em comprometimentos sobre a síntese hormonal e reparo muscular, razões que denotam o sono como fator diretamente responsável pelo desempenho esportivo verificado. 103 Ao considerarmos o estresse, temos um conceito amplo. Ele inclui, basicamente, secreção elevada dos hormônios cortisol e catecolaminas como tentativa do organismo de manter boas condições de equilíbrio e restaurar a homeostasia. Em consequência de tais alterações, ocorre uma série de outras reações, que incluem, por exemplo, maior demanda energética, elevação da frequência cardíaca, elevação da frequência respiratória, inibição da resposta inflamatória normal e alteração do comportamento emocional, marcado por cenários de maior irritabilidade, impaciência, nervosismo e ansiedade. Desse modo, quando presente por longos períodos, o estresse possui potencial de atrapalhar diversas ações orgânicas e fisiológicas do organismo. Em contrapartida, nota- se que, constantemente, atletas estão expostos a diversos tipos de agentes estressantes, entre os quais, podemos mencionar o próprio treinamento, a pressão sofrida por diversas fontes, convivência diária com pares, problemas na vida pessoal e exposição pela mídia. Com isso, muitas vezes, a mensuração quantitativa sobre os níveis de estresse pode ser interessante para viabilizar cenário diagnóstico, e, quando presente, sugestões de medidas de controle são uma ação fundamental para resolver um problema primário, evitando o comprometimento de níveis de desempenho, da saúde e incidências de lesão. A seguir, serão apresentados com maiores detalhes aspectos relacionados à influência exercida pelo sono e controle do estresse do atleta. 4.1 ASPECTOS RELACIONADOS AO SONO DO ATLETA Inicialmente, precisamos relembrar o conceito de sono. Ele contempla um estado denotado por redução do nível de consciência, movimentos musculares e diminuição do metabolismo. Além disso, o sono corresponde ao estado fisiológico e cíclico do organismo em que as reações voluntárias ficam suspensas; várias fases ou estágios característicos e alternados entre si são verificados durante um longo período de sono. Em alguns desses estágios, nota-se parâmetros similares àqueles verificados durante a vigília (período que passamos acordados, conscientese em alerta, como padrão respiratório, presença de movimentos oculares e até alguns movimentos corporais), que se diferem completamente de outros estágios do sono, nos quais são observados completo cenário de silêncio, ondas lentas no eletrocardiograma, redução do padrão respiratório e imobilidade corporal. O sono é considerado um elemento fundamental para processar a recuperação da fadiga a que nos expomos durante o período de vigília. Com isso, o que chamamos de ciclo vigília-sono nada mais é do que o resultado entre a integração observada entre toda a demanda da vigília e o consequente período de sono, necessário para nos recuperarmos de todas as atividades desempenhadas durante o período de vigília. 104 Um dos principais sinais responsáveis por regular o ciclo sono-vigília é a luz do dia. Enquanto há claridade, nosso cérebro entende que é momento de estar em alerta (vigília), ao passo que o escuro, característico da noite, envia ao nosso cérebro a mensagem de que é hora de aumentar os níveis de melatonina (hormônio responsável pelo sono) e reduzir a intensidade de trabalho, acalmando-nos lentamente e preparando-nos para uma noite tranquila e restauradora de sono. Logo pela manhã, após uma longa noite de sono, os níveis de cortisol (hormônio do estresse) aumentam, fazendo-nos despertar, levantar e encarar tudo o que o dia tem a nos oferecer, iniciando um novo ciclo de sono-vigília. Os hormônios mencionados, melatonina e cortisol, responsáveis pelo sono e despertar, respectivamente, são importantes reguladores que, associados à luz e ao escuro, auxiliam nosso ciclo circadiano a se situar sobre os momentos adequados para dormir e despertar. Além disso, quando bem regulados, os mencionados hormônios justificam por que temos sono durante a noite e energia durante o dia. A produção de melatonina é estimulada pela baixa luminosidade, ao passo que a produção de cortisol é estimulada pela alta luminosidade. O sono também possui características acumulativas, ou seja, quanto mais tempo se passa acordado, mais tempo será necessário dormir para repor completamente as necessidades fisiológicas do organismo processadas durante o período do sono. A exemplo, é comum e esperado aos profissionais que trabalham durante o turno da noite e dormem durante o dia que possuam elevados níveis de estresse, porque, nesses casos, alterações severas no ciclo circadiano são notadas, alterando todo o esquema fisiológico natural do organismo. A longo prazo, esse cenário é extremamente desfavorável e pode resultar em diversos tipos de doenças. Por isso, recomenda-se que profissionais tenham essa rotina pelo mínimo de tempo possível, a fim de preservar sua saúde. Em atletas com o sono noturno comprometido, o cenário pode ser igualmente prejudicial. Imagine que um atleta que irá treinar pela manhã não conseguiu dormir muitas horas à noite. Provavelmente, pela manhã, ele não se encontrará em suas melhores condições ao desempenho esportivo, pois certamente estará comprometido. O sono normal é arquitetado, então, pela alternância verificada entre os estágios (i) com ausência de movimentos oculares rápidos e (ii) com movimentos oculares rápidos. Além disso, o sono intitulado aqui como (i) caracteriza-se pela presença de ondas sincronizadas que podem ser subdivididas nas fases 1, 2 e 3, sendo que a fase 3 é representada pelo sono de ondas lentas. O eletrocardiograma do sono de movimentos oculares rápidos caracteriza-se por ondas que se mostram com baixa amplitude e dessincronizadas, com duração total de, em média, 100 minutos. Logo, quando pegamos no sono, inicia-se o estágio 1 (sem movimentos oculares rápidos), que é seguido sequencialmente até chegar ao estágio 3 (correspondente ao sono profundo). Na sequência, o ciclo passa para a fase 3 (movimentos rápidos oculares), que finaliza o primeiro ciclo do sono. Na sequência, todo o processo de fase/estágios começa novamente, até o momento do despertar. 105 No primeiro estágio (ausência de movimentos oculares), verifica-se o relaxamento muscular, com pouco tônus notado, acompanhado da redução dos movimentos corporais, bem como a respiração e valores de frequência cardíaca em níveis regulares, como aqueles notados durante a vigília. Na última fase, caracterizada pela transição entre os momentos de sono e vigília, verifica-se comumente níveis de sonolência que se demonstram mais superficiais, caracterizando um sono mais leve e com baixo nível de consciência, mas é quando o sujeito pode ser despertado com maior facilidade. Em cenários cotidianos, verificamos que a sociedade atual é, muitas vezes, marcada por trabalhos extenuantes e estressantes, adicionados ao excesso de tarefas realizadas ao longo do dia e que influenciam diretamente a qualidade e quantidade de sono verificada na média da sociedade. Adicionalmente, a luz elétrica e o uso intenso de dispositivos eletrônicos antes de dormir, como TV, celular e computador, expõem indivíduos à luz artificial no momento em que o organismo já deveria estar privado de luz e se preparando para dormir. Tais hábitos são comuns na sociedade atual, que, por viver com diversas tarefas simultâneas, muitas vezes, precisa do tempo noturno em sua casa para finalizar as tarefas que não foram possíveis de serem realizadas durante o dia, como estudar, cuidar da casa, ler, trabalhar ou, mesmo, passar um tempo na tela, com o simples objetivo de entretenimento após um longo dia de trabalho. O cenário mencionado também se replica entre atletas, que, em razão das elevadas exigências ao longo do dia, às vezes, precisam do tempo noturno para o cumprimento de tarefas sociais e pessoais. Resultando em extensão do dia (quando já é noite), inevitavelmente, prejudicam a qualidade do sono, alteram o ciclo circadiano e, com ele, todo o metabolismo normal do organismo, afetando, sem dúvidas, o desempenho e exposição às lesões. Nesses casos, o organismo do atleta, uma vez privado do sono, passa pelo processo de remoção ou, ainda, supressão parcial do sono no organismo. No âmbito do esporte, sempre que o sono de qualidade e em quantidades ideias não é priorizado, ocorre prejuízo na recuperação dos atletas – o que se caracteriza, na prática, como a desaceleração cognitiva, o comprometimento da memória, a redução dos níveis de vigília e atenção mantida, bem como redução da capacidade sobre a execução de um esforço em níveis máximos e submáximos. Ainda assim, a rotina corrida de competições, viagens, ansiedade e acomodações desconfortáveis, muitas vezes, torna comuns os cenários de privação de sono entre atletas, o que, no entanto, deve ser considerado responsável pelos tantos efeitos deletérios mencionados. Uma consequência imediata representa o sono diurno excessivo e comprometimento no desempenho, ao passo que consequências tardias podem incluir desequilíbrio muscular, dores crônicas e lesões. 106 Assim, muitos são os estudos que comprovam a qualidade de sono ruim em diversas populações de atletas, o que reitera a importância da discussão robusta sobre o tema, bem como produção de investigações suficientes, por descreverem os efeitos negativos que a privação de sono resulta no atleta, para que possam ser sugeridas estratégias para minimizar e evitar o referido cenário. 4.2 CONTROLE DO ESTRESSE NO ATLETA A abordagem e o entendimento do estresse são frequentemente realizados por diversos estudos que o relacionam com o desenvolvimento de doenças diversas e comuns na sociedade atual. O estresse é definido como quaisquer cenários responsáveis por expor o atleta à tensão aguda ou crônica, e resultarem nele alterações relacionadas ao comportamento físico (desempenho esportivo) ou emocional (ansiedade, medo, insegurança). Nesse contexto,verifica-se que um estímulo estressante, independentemente da sua origem, sujeita o organismo a desencadear reações de adaptação sobre determinado evento ou situação com denotada importância. Tais reações ocorrem sempre que o contexto é sentido pelo atleta com níveis acentuados de exigência que ultrapassam recursos pessoais para o enfrentamento da situação, o expondo e, ainda, se mostrando como “ameaça” sobre o seu bem-estar natural. Nas mencionadas situações de estresse, verifica-se que o organismo se encontra em estado de desequilíbrio homeostático, e, por isso, as mencionadas reações ocorrem com intuito de recuperar o equilíbrio. Para tanto, o gasto enérgico é maior, gerando, no corpo do atleta, além das reações, um importante cansaço físico e mental. Apesar disso, sempre que o organismo se mostrar apto para enfrentar tais cenários de estresse, a homeostase possui boas chances de recuperação. O tempo e a energia necessários para lidar com situações de estresse dependem dos seguintes fatores: capacidade prévia quanto às estratégias de enfrentamento, influência do agente estressor sobre o organismo e capacidade de utilizar adequadamente as técnicas de enfrentamento, conforme Andreoli, Oliveira e Fonteles. (2020). Ao contrário, quando tais recursos não são suficientes ao enfrentamento do estresse, temos o que chamamos de “estresse crônico”, o qual se mostra intenso e prejudicial pela manutenção das tantas reações para busca da homeostase, que não é atingida, ao passo que as tentativas geram alterações ruins ao organismo, especialmente por se manterem em tempo prolongado. Em casos graves, nos quais o estresse crônico é presente, ele acarreta incapacidade, sendo intitulado “Síndrome de Burnout”. No esporte, o estresse pode ser originado por fatores tanto resultantes da prática esportiva quanto pessoais. Em cenário esportivo, as diversas reações negativas desencadeadas incluem menor tempo de resistência até que ocorra fadiga, maior sensação de cansaço percebido, dores crônicas, sentimentos de angústia, ansiedade, 107 depressão e medo, redução do desempenho cognitivo e intelectual, dificuldade quanto a orientação espaço-temporal, níveis de atenção comprometidos, dificuldade de relaxamento, estado de alerta comprometido e maior tensão muscular generalizada. Além disso, em esportes coletivos, a presença de estresse pode, ainda, comprometer bons níveis de comunicação em equipe, resultando, muitas vezes, na tomada de decisões indesejadas, conforme Andreoli, Oliveira e Fonteles (2020). O chamado “estresse pré-competitivo” é comum e caracteriza-se por uma antecipação de oportunidades, riscos e consequências que o referido jogo poderá resultar. Nesse sentido, muitos estudos mencionam a importância de “certo estresse” em níveis controlados, isso porque, como comentamos, o estresse aumenta os níveis de cortisol, que, em excesso, são prejudiciais, mas, em níveis controlados, são importantes por manterem o atleta em estado consciente de alerta na prática esportiva. Assim, muitos são os estudos que afirmam ser positivo para o desempenho, estresse pré- competitivo em níveis controlados. É graças ao acompanhamento psicológico oportuno que o atleta consegue desenvolver habilidades diversas e importantes à prática esportiva, como concentração e foco, equilíbrio emocional, maior tolerância a frustrações, manutenção de bom desempenho mesmo sob pressão, autoconfiança elevada, bons níveis motivacionais, inteligência técnica e tática, respeito, disciplina, eficiente comunicação em equipe e espírito de luta. Todos esses são elementos essenciais no esporte e caracterizam controle oportuno de estresse no atleta. Por fim, além dos elementos citados como essenciais no âmbito esportivo, também se faz necessário que uma atenção devida seja dada a possíveis necessidades de auxílio relacionadas à vida pessoal do atleta, o que, eventualmente, pode comprometer seu desempenho. Portanto, todas as demandas no esporte variam muito de acordo com o momento e a dinâmica atual, o que exige flexibilidade para identificação e atendimento quanto a tais demandas, de acordo com Andreoli, Oliveira e Fonteles (2020). 4.3 RECUPERAÇÃO FISIOLÓGICA E MOTIVACIONAL É visível o quanto a prática esportiva, sobretudo de alto rendimento, requer substrato energético aprimorado para viabilizar condições plenas sobre o desenvolvimento de todas as aptidões físicas necessárias a cada modalidade. Diversos fatores contribuem e são fundamentais ao desempenho atlético, como talento, nível de dedicação, nutrição adequada, preparo físico, hereditariedade, sono, condições psicossociais, dentre outros. 108 Com isso, verifica-se, por exemplo, que fatores intrínsecos e extrínsecos exercem influência direta para moldar o atleta e, consequentemente, seu desempenho. Exatamente por isso, estima-se que uma equipe multidisciplinar se faz importante no manejo de atleta, visando a condições plenas para prática esportiva em níveis seguros e maiores oportunidades quanto às conquistas adquiridas ao longo da carreira, sobretudo, em se tratando de atletas profissionais, que dependem de tais resultados para se destacar na carreira, conforme Lopes et al. (2019). A exemplo do esporte de alto rendimento, a carreira profissional geralmente tem início ainda no começo da juventude, e, por isso, na maioria das vezes, os jovens demonstram estrutura emocional frágil para suportar e lidar com os elevados graus de exigências do esporte, incluindo distância da família, limitações financeiras, pressão vinda da equipe técnica e expectativa do público. Todas essas tensões já ocorrem em situações sem lesões. Agora, imagine você o quanto a presença de lesões tende a agravar tudo isso, visto que resultam em dor, limitações funcionais e afastamento da prática esportiva. Mesmo após a recuperação das lesões, devemos nos lembrar de que as dificuldades do atleta podem ser agravadas pelo medo de novas lesões, de voltar à prática e não conseguir o mesmo desempenho e da impossibilidade individual referente à prática em si. É por isso que nós, fisioterapeutas, durante todo o processo, também temos o importante papel de motivação diária no manejo da reabilitação do atleta, que tende a caracterizar uma importante influência positiva sobre os resultados da reabilitação. Além disso, a realização de acompanhamento psicológico é fundamental para reforçar a ajuda neste momento tão delicado e indesejado, no intuito de favorecer o retorno pleno ao esporte. 109 Neste tópico, você aprendeu: • A atuação interdisciplinar no esporte se fundamenta na necessidade contínua de otimizar o desempenho e garantir condições seguras sobre a prática esportiva e é influenciada por fatores diversos, como recuperação, tipo de treinamento, estrutura emocional e condições metabólicas e nutricionais. • A atuação da equipe interdisciplinar no esporte é pautada na necessidade contínua da otimização do desempenho, que é influenciado por variáveis complexas, de caráter intrínseco e extrínseco, que incluem tempo de recuperação, tipo de treinamento, nível de estabilidade emocional, exames sanguíneos e controle nutricional, tornando necessária a atuação de diversos profissionais da saúde no manejo do atleta. • Quando inseridos em equipes esportivas, o fisioterapeuta deve trabalhar em consonância à equipe interdisciplinar, visto que o objetivo de todos os profissionais envolvidos no manejo do atleta converge para preocupação central, que é clara: promoção e manutenção da saúde do atleta. • Diferentes vias metabólicas são responsáveis pelo fornecimento de energia aos músculosdurante o exercício físico, devendo ser bem conhecidas, pois o recrutamento varia de acordo com o tempo e intensidade do exercício. Além disso, tal conhecimento pode evitar cenários de fadiga, dor muscular tardia, menor rendimento e lesões musculoesqueléticas em atletas. • O sono de qualidade e o controle de níveis de estresse são importantes aliados em se tratando da manutenção da saúde do atleta, porque o primeiro representa o mecanismo básico para diversas reações metabólicas básicas, ao passo que o segundo auxilia a manutenção de diversos hormônios, os quais, em níveis controlados, favorecem o desempenho esportivo. RESUMO DO TÓPICO 2 110 1 A atuação interdisciplinar no manejo do atleta se faz importante por viabilizar condições plenas, a partir de uma visão holística suficiente para resolução de lacunas complexas, que, uma vez comprometidas, tendem a comprometer o desempenho esportivo e expor ao risco de lesões musculoesqueléticas. Assim, no que se refere ao papel de cada profissão na equipe esportiva, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) O médico é responsável pela avaliação e tratamento de disfunções nos sistemas corporais fundamentais durante a prática esportiva. Portanto, por meio de diferentes abordagens e parâmetros, as funções cardíacas, ortopédicas e endócrinas são monitoradas e tratadas sempre que necessário. b) ( ) O educador físico é responsável por garantir bons níveis de condicionamento físico, que são possíveis por meio de condutas que incluem a elaboração de protocolos de treinos completos e prescrição de suplementação para auxiliar síntese proteica. c) ( ) O psicólogo é responsável pelo cuidado da saúde mental, que, muitas vezes, relaciona-se diretamente com o desempenho físico do atleta. Portanto, eventualmente, solicita-se exames de imagem para investigar condições cinético-funcionais. d) ( ) O nutricionista é responsável pela alimentação e ingestão de nutrientes do atleta, sendo tal conduta fundamental à disponibilização energética durante o exercício. Por isso, solicita exames de ecocardiograma periódicos para averiguar a resposta clínica nutricional. 2 A expressão “treino”, ou “treinamento” se refere ao processo de aquisição de movimentos relacionados a habilidades específicas. É imprescindível que o fisioterapeuta esportivo compreenda conceitos básicos relacionados ao treinamento, bem como atue em consonância com preceitos preconizados por todos os outros profissionais da equipe multidisciplinar, a fim de oportunizar plenas condições de saúde na prática esportiva. Sobre o atendimento interdisciplinar ao atleta, analise as sentenças a seguir: I- A linguagem unificada entre profissionais da saúde e treinadores, com enfoque no equilíbrio do organismo sobre diversos aspectos, se faz fundamental à prática esportiva. II- Estima-se que a atuação interdisciplinar no atleta ocorra não apenas com objetivos terapêuticos, como também com objetivos preventivos, que representam cuidado indispensável à manutenção da homeostase dos sistemas corporais. III- Em cenários de campo, a equipe interdisciplinar constitui-se basicamente por médico, biomédico, farmacêutico, bombeiro e fisioterapeuta. IV- O psicólogo somente será necessário em períodos de competição nos quais o estresse sobre os atletas é maior, exceto em casos de atletas que estejam passando por problemas pessoais. AUTOATIVIDADE 111 Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças II e III estão corretas. b) ( ) As sentenças I e IV estão corretas. c) ( ) As sentenças II e IV estão corretas. d) ( ) As sentenças I e II estão corretas. 3 A síntese proteica é fundamental ao processo de hipertrofia, sendo foco constante de investigações e estudos sobre protocolos de treinamento e suplementação mais adequados ao favorecimento do processo de hipertrofia identificado no tecido muscular. Sobre os princípios elencados, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Exercícios de força isolados já são suficientes para síntese proteica e, consequentemente, para verificação de hipertrofia em níveis máximos no interior do tecido muscular. ( ) A hidratação e ingestão proteica adequadas no momento pós-exercício favorecem balanço proteico básico ao crescimento das fibras musculares. ( ) Recomenda-se ingestão diária alta de lipídios para otimizar o processo de hipertrofia muscular, que se faz necessário para verificação de bons níveis de desempenho esportivo. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V - F - F. b) ( ) V - F - V. c) ( ) F - V - F. d) ( ) F - F - V. 4 Um ambiente controlado que garanta boas condições de sono, controle do estresse, alimentação oportuna e treinamento supervisionado é fundamental para plenas condições de desenvolvimento do desempenho atlético. Ao considerar-se especificamente a nutrição, sabe-se que desempenha papel fundamental antes, durante e após a realização do exercício. A este respeito, disserte sobre qual tipo de substrato deve ser ingerido com maior ênfase nos momentos mencionados (antes, durante e após o exercício). 5 As vias metabólicas são responsáveis pelo fornecimento de energia durante execução do exercício, compreendendo assunto básico e comumente estudado nas ciências do esporte. O ATP constitui a fonte de energia necessária para produção das atividades fisiológicas do organismo. Entretanto, além do ATP, outros compostos químicos são liberados da quebra de compostos orgânicos, como é o caso do ácido lático. Assim, no que se refere ao ácido lático, discurse sobre a via metabólica que produz esse composto ao final de sua reação e, após isso, exemplifique esportes que utilizam predominantemente essa via. 112 113 TÓPICO 3 — CONDUTA FISIOTERAPÊUTICA NA PREVENÇÃO DE LESÕES ESPORTIVAS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO O termo “lesões esportivas” é comumente abordado e estudado quando se trata da Fisioterapia Esportiva, e não diferente, a prevenção de tais lesões também o é em contextos científicos e de campo. Portanto, uma breve contextualização se faz necessária antes de adentrarmos esse tema. Por definição, a lesão esportiva engloba qualquer queixa musculoesquelética resultante de um período de treinamento e/ou competição e que necessite de atendimento médico, independentemente da necessidade de afastamento dos treinos. A este respeito, reflita: por que devemos estudar a prevenção de lesões esportivas? Pois bem, a resposta para essa indagação é importante e complexa. Em primeiro lugar, sabe-se que a prática esportiva por si só expõe o atleta à incidência de lesões esportivas. Por sua vez, é notório que elas causam dor, incapacitação e disfunções a curto prazo. Ainda, quando não tratadas corretamente, caracterizam preditor de morbidade e mortalidade a longo prazo, acarretando consequências futuras, representadas por doenças crônicas e degenerativas, como osteoartrite, hérnia de disco e síndrome do impacto no ombro. Logo, ao considerar os impactos negativos de tais lesões referentes ao afastamento do esporte, gastos com saúde e comprometimentos funcionais que impactam em aspectos psicológicos e de qualidade de vida, o estudo do entendimento de condutas preventivas se torna totalmente relevante e útil. A partir do exposto, é notória a importância do aprofundamento teórico sobre o tema “prevenção de lesões no esporte”, e, com isso, no Tópico 3, abordaremos temáticas relacionadas a assuntos relevantes a esse tema, incluindo alongamento e aquecimento no esporte, a Fisioterapia na equipe esportiva e conduta fisioterapêutica na prevenção de lesões esportivas. Após compreender nosso objeto de estudo (atleta) e os caminhos necessários dentro da reabilitação fisioterapêutica,faz-se necessário que entendamos as características básicas das lesões esportivas. No que se refere às causas das lesões no esporte, verifica-se que elas ocorrem por métodos inadequados no treinamento, alterações estruturais que sobrecarregam estruturas corporais, desequilíbrio muscular, nutrição inadequada, sono ruim e problemas emocionais, por exemplo. 114 Todos os fatores mencionados influenciam o surgimento de lesões esportivas e, por isso, estima-se que sejam controlados. Além disso, muitas lesões no esporte ocorrem por desgaste crônico e por lacerações, os quais decorrem da realização de movimentos repetitivos. Os fatores causais das lesões são mais bem detalhados no quadro apresentado a seguir: QUADRO 3 – ALGUNS FATORES QUE PREDISPÕEM MAIOR EXPOSIÇÃO ÀS ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS Fatores Características Métodos inadequados no treinamento Em geral, caracteriza-se por atletas que não permitem recuperação corporal adequada após realização intensa de exercícios. Outros exemplos incluem a utilização de superfícies, roupas e calçados inadequados. Anormalidades estruturais Alteram a biomecánica corporal, sobrecarregando segmentos corporais em detrimento de segmentos incapazes de realizarem sua função. Exemplos incluem membros de diferentes tamanhos, escoliose, joelho valgo ou varo. Nestes casos, problemas estruturais comprometem a produção de movimento e aumentam o risco de lesões esportivas. Desequilíbrio muscular Músculos, tendões, ligamentos e até mesmo ossos sofrem processo de laceração (ruptura) sempre que expostos a forças superiores à sua capacidade intrínseca, por isso, o preparo físico prévio é fundamental para prevenir o surgimento de lesões. Além disso, a fraqueza generalizada aumenta o impacto articular, tornando mais prováveis as lesões por desgaste, bem como os ossos enfraquecidos podem fraturar com maior facilidade. FONTE: a autora A partir da contextualização apresentada, uma lesão esportiva caracteriza- se por lesão musculoesquelética adquirida durante a prática esportiva, possuindo ocorrência elevada pela falta de controle e respaldo, na maioria das vezes, de todos os fatores e circunstâncias expostos. As lesões mais comuns no esporte são lesões ósseas (fraturas), lesões articulares (artrose, osteoartrose), lesões musculotendíneas (contusão, distensão, tendinite, entorse) e lesões neurais (neuropatias). 2 FISIOTERAPIA NA EQUIPE ESPORTIVA Ao considerar-se a equipe responsável pelo atendimento e treinamento do atleta, dados históricos demonstram que as primeiras atividades desempenhadas pela Fisioterapia ocorreram no futebol, em um momento no qual as técnicas aplicadas incluíam, inicialmente, apenas a massagem, e, só anos depois, com a modernização tecnológica e sugestão de diversas outras técnicas, as opções terapêuticas foram ampliadas para esse perfil de pacientes, conforme Kons et al. (2022). 115 2.1 PAPEL DA FISIOTERAPIA NO MANEJO DO ATLETA Ao longo de todo contexto histórico, desde o início da profissão, o papel da Fisioterapia dentro da equipe esportiva era baseado em reabilitar e prevenir lesões no esporte. Só mais tarde, com o aperfeiçoamento e melhor entendimento do papel do fisioterapeuta em toda a sua abrangência, é que condutas voltadas a otimizar o rendimento, avaliar o comportamento cinético-funcional e acelerar a recuperação após o exercício também foram implementadas nas rotinas fisioterapêuticas de campo, de acordo com Lopes et al. (2019). Tais necessidades ficaram evidentes a partir da observação da rotina de atletas, principalmente os de alto rendimento, constituída basicamente por treinos excessivos, além de elevado volume de jogos e competições, muitas vezes, com tempo insuficiente de descanso entre partidas, o que tendeu a resultar em sobrecarga do sistema musculoesquelético e maior predisposição tanto para lesões quanto para o surgimento de outras doenças. Isso ocorre pela baixa imunidade, resultante de um estado de desequilíbrio no organismo, no qual o estresse imposto é muito maior do que aquele suportado pelos sistemas corporais. Por sua vez, as mencionadas lesões ocorrem a partir do desenvolvimento de diversas condições impactantes ao sistema musculoesquelético, como fadiga muscular, desequilíbrios musculares, tempo de descanso insuficiente, excesso de treinamento em alto volume, colisões, quedas, biomecânica alterada e aptidão física insuficiente da demandada pelo exercício executado, conforme Oliveira et al. (2013). Adicionalmente, fatores de ordem psicossociais também tendem a influenciar o cenário exposto, fato que deve ser igualmente considerado pelo fisioterapeuta, visto que diferentes personalidades demandam posicionamento e manejo personalizados por parte do terapeuta. Por exemplo, alguns atletas precisam de motivação verbal constante para um bom desempenho no treino, ao passo que outros se incomodam com essa postura e não gostam de ouvir palavras motivacionais, já que se consideram conscientes e focados o suficiente para executarem tudo o que for necessário dentro da prática esportiva. Assim, cabe ao fisioterapeuta esportivo sensibilidade para identificar diferentes personalidades e agir de acordo com a abordagem que melhor se enquadre a cada perfil. No que se refere às funções, já vimos que o fisioterapeuta esportivo, dentre outras coisas, é, também, responsável por realizar avaliação, seguida do diagnóstico cinético funcional do atleta, que deve apresentar informações relevantes referentes às necessidades específicas de cada atleta, a partir das quais, então, será possível um manejo voltado a prevenir lesões e otimizar o desempenho esportivo, utilizando de condutas suficientes para resolver desequilíbrios musculares e viabilizar ajustes biomecânicos. 116 Ademais, também compete ao fisioterapeuta esportivo a aplicação de técnicas de recuperação pós-exercício, no âmbito de acelerar e auxiliar o organismo a restaurar suas funções basais anteriores ao esforço e, com isso, tornar o atleta recuperado em menor tempo para continuar a prática esportiva. Com isso, vale destacar que atletas de alto rendimento realizam, muitas vezes, demanda de treinamento acima de níveis considerados saudáveis, o que gera elevado padrão de estresse metabólico associado à realização de movimentos que podem extrapolar as barreiras fisiológicas, gerando importantes alterações musculoesqueléticas, que devem ser devidamente identificadas e tratadas pela intervenção fisioterapêutica, conforme Oliveira et al. (2013). 2.2 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS NA PREVENÇÃO DE LESÕES Primariamente, o fisioterapeuta esportivo deve conhecer características aprofundadas da modalidade esportiva na qual trabalha e, dentre tais, é indispensável conhecimento sobre o perfil epidemiológico de lesões esportivas, ou seja, cabe ao fisioterapeuta esportivo compreender, pela literatura, quais são os tipos de lesões mais comuns na modalidade esportiva em que atua. Em posse dessa informação, deve realizar nova pesquisa literária para identificar as melhores técnicas preventivas às lesões verificadas, às quais os seus atletas estarão mais expostos, conforme Kons et al. (2022). A exemplo, o quadro a seguir apresenta informações relacionadas a tipos de lesões mais comuns em algumas modalidades esportivas, de acordo com Prentice (2012). Acompanhe. QUADRO 4 – EPIDEMIOLOGIA DE LESÕES ESPORTIVAS Modalidade esportiva Lesões esportivas comuns Futebol As lesões mais frequentes reportadas são do tipo de lesão muscular. Em re- lação ao local anatômico, as regiões mais acometidas são: isquiotibiais (37%), adutores (23%), quadríceps femoral (19%), tríceps sural (13%). Voleibol O tipo de lesão mais frequente é aentorse de tornozelo. Basquete Lesão mais frequente é a distensão ligamentar nas regiões anatômicas do tornozelo, pé e joelho. Atletismo Em provas de velocidade, as lesões mais frequentes são do tipo muscular, sen- do a maioria localizada na região da coxa posterior e anterior, respectivamente. Natação O tipo de lesão mais frequente é a tendinopatia, mais comum а na região do ombro. FONTE: a autora Assim, devemos considerar que técnicas específicas serão mais adequadas para prevenção de determinados tipos de lesões. Em geral, cada tipo de tecido corporal responde melhor a determinado tipo de intervenção no âmbito da prevenção de lesões. Na sequência, serão apresentadas técnicas preventivas com bons níveis de evidências para prevenir determinados tipos de lesões. 117 2.2.1 Estabilização central O exercício de fortalecimento dos músculos localizados na região central do corpo humano recebe o nome de “estabilização central”, sendo responsável pela promoção da condição preventiva e terapêutica, pois o desenvolvimento do controle muscular é fundamental para a manutenção da estabilidade necessária ao desempenho funcional, além de reduzir a incidência de lesões e desconfortos na região do complexo lombo pélvico. Então, o treino de estabilização central confere ao atleta melhor capacidade quanto ao controle de seu tronco em relação aos membros inferiores durante momentos dinâmico e estático. Em contrapartida, sempre que a estabilização central do atleta se encontrar deficitária, ocorrerá disfunção lombar em razão do comprometimento biomecânico causado pela ausência de força necessária para estabilizar o movimento, por causa do consequente déficit de força em membros inferiores que eventualmente se encontraram em condição de desequilíbrio. Adicionalmente, a baixa ativação muscular resultante no segmento mencionado também irá desencadear disfunções funcionais na produção de movimentos realizados na região da pelve. Portanto, conforme se observa, o treino de estabilização central representa importante medida preventiva sobre o desenvolvimento de lesões esportivas verificadas na região da coluna lombar, pelve e membros inferiores. 2.2.2 Alongamento Conceitualmente, o alongamento corresponde a um tipo de exercício físico realizado para o ganho e manutenção de flexibilidade dos músculos. Assim, essa técnica promove estiramento das fibras musculares envolvidas e, quando executado corretamente, respeitando os princípios do treinamento, pode resultar em ganho da amplitude de movimento, melhorando a flexibilidade e, por isso, favorecendo boas condições para melhorar a performance em diferentes tipos de atividades físicas. Assim, conforme mencionado, o alongamento visa a restaurar ou manter a amplitude de movimento nas articulações de forma adequada aos níveis de performance pretendidos, já que aumenta a capacidade elástica muscular e, com isso, previne lesões por estiramento muscular. Por isso, devido ao fato de o alongamento atuar especificamente sobre o tecido muscular, é esperado que seus efeitos preventivos sejam exatamente sobre esse tecido, minimizando a ocorrência de estiramento muscular. É recomendado que o alongamento, sempre que desenvolvido no cenário apresentado de prevenção, seja realizado nos músculos mais expostos de acordo com cada modalidade esportiva. A conduta aplicada deve constituir-se por quatro ou cinco séries de alongamento, mantidos por 60 segundos na posição de estiramento e com intensidade que respeite os níveis fisiológicos do tecido e tolerância a dor. Existem três tipos de alongamentos: estático, dinâmico; e contrair-relaxar. 118 2.2.3 Aquecimento O aquecimento constitui uma técnica geralmente aplicada instantes antes da prática esportiva ou da realização de exercícios físicos diversos. O intuito do aquecimento é elevar gradualmente a intensidade da atividade física e preparar os sistemas corporais ao exercício mais intenso, realizado na sequência, gerando, inclusive, elevação da temperatura corporal. Logo, o aquecimento contempla o período de preparação para o treinamento ou competição, demonstrando bons efeitos preventivos quando aplicado no cenário descrito. O aquecimento pode ser realizado de um dos seguintes modos descritos a seguir, a depender do tipo de movimento recrutado durante a prática esportiva. São tipos de aquecimento: 1) Exercício aeróbio: bicicleta, trotes, corrida ou caminhada, realizados para aumentar a temperatura corporal e o metabolismo sistêmico. 2) Alongamento em regiões localizadas: membros superiores, membros inferiores ou tronco, quando o exercício a ser realizado é também localizado. 3) Gestos esportivos do esporte: são simulados em baixa intensidade os movimentos realizados no esporte, a fim de preparar especificamente o segmento utilizado durante a prática esportiva. A realização do aquecimento é especialmente relevante quando aplicado previamente a esportes de resistência. 2.2.4 Bandagem funcional A bandagem funcional compreende uma fita, que pode ser elástica (quando tem o objetivo de estabilizar, mas garantir movimento) ou inelástica (quando o objetivo for estabilizar e restringir o movimento). Representa ferramenta comumente utilizada para tratar lesões esportivas, bem como prevenir recidivas. Além disso, conforme mencionado, o principal objetivo é estabilizar a articulação, promovendo, assim, redução de dor na região (caso lesionada). De fato, representa estratégia útil para atletas com histórico de entorses de tornozelo e joelho, visto que a fita tende a auxiliar pelo desempenho de parcela da função do ligamento, que é o tecido acometido nesses tipos de lesões. 119 2.2.5 Propriocepção A propriocepção, também conhecida como cinestesia, define-se como sendo a informação de origem postural que é enviada ao sistema nervoso central (SNC) por milhares de receptores localizados nos músculos, tendões, ligamentos, articulações ou, ainda, tecido tegumentar. Dados demonstram que atletas com boa propriocepção apresentam melhores respostas reativas em momentos inesperados, e, com isso, as lesões do tipo entorse podem ser evitadas. Ademais, exercícios capazes de estimular a resposta neuro articular são úteis na prevenção de lesões desse tipo. Portanto, estima-se que seja dado enfoque no treino proprioceptivo voltado a melhorar o controle neuromuscular das articulações do tornozelo, joelho e ombro. Exercícios de propriocepção são importantes para prevenção de lesões ligamentares. 2.2.6 Exercício excêntrico O exercício excêntrico contempla o alongamento do músculo responsável por afastar origem e inserção, o que resulta em cenário de tensão e contração muscular no controle no movimento. A esse respeito, sabe-se que a tensão gerada nesse tipo de contração é consideravelmente maior do que aquela tensão gerada durante o encurtamento, que é verificado durante movimentos que resultam em contração concêntrica. Também, de todos os tipos de contrações musculares, a modalidade de exercício excêntrico é responsável por maior ganho de força, o que, evidentemente, resulta em melhores níveis de aptidão física e equilíbrio muscular necessários à prática esportiva, desde que treinado adequadamente. Portanto, o exercício excêntrico é útil para prevenir novas e recidivas de lesões nos músculos e nos tendões, conforme Santos (2019). Sobre as técnicas apresentadas, vale destacar que é de extrema importância respeitarmos doses e respostas adequadas das técnicas preventivas selecionadas. Assim, devemos considerar que “mais” nunca será “melhor”; ao contrário, quantidades demasiadamente elevadas podem resultar em efeito rebote e prejudicar em vez de prevenir. 120 As intervençõespreventivas sugeridas para esportes específicos aqui apresentadas representam apenas uma síntese geral de informações identificadas em literatura. Você pode se respaldar nelas quando for o caso; no entanto, em casos de modalidades esportivas ou técnicas não mencionadas, é importante que você busque informações disponíveis na literatura que abordem a temática que você precisa, a fim de se basear em informações e contextos que se enquadrem na sua realidade clínica momentânea. Além disso, lembre-se de que não existe receita de bolo em se tratando de saúde. Cada paciente é único e deve ser considerado tendo conduta prescrita individual, de acordo com as lacunas observadas. IMPORTANTE Dentre as principais causas, destacam-se: esportes de maior contato e intensidade (atletismo, futebol, handebol, tênis, boxe), alimentação ou hidratação deficientes, falta de preparo físico e treino adequados, repouso inadequado, excesso de treino ou sobrecarga (chamado de overtraining), componente emocional, idade, sexo, genética etc. As consequências deles incluem afastamento de competições e treinamentos, gastos financeiros elevados com serviços de saúde e problemas emocionais. 3 ALONGAMENTO E AQUECIMENTO NO ESPORTE O aquecimento aplicado em Fisioterapia Esportiva contempla práticas aplicadas com intuito de preparar o organismo do atleta à execução de esforço subsequente, que pode ser representado por treinamento ou, ainda, competição. Assim, por meio do aquecimento, pretende-se preparar o sujeito sobre aspectos físicos e psíquicos, tanto para melhor desempenho cinético funcional quanto para prevenir lesões. Para muitos autores, o aquecimento constitui a primeira etapa do exercício físico. Por sua vez, o alongamento representa uma manobra terapêutica usada para elevar a flexibilidade e, com isso, o grau de mobilidade articular dos tecidos moles. Existem diferentes tipos de alongamentos: • Alongamento estático. • Alongamento balístico. • Alongamento por facilitação neuromuscular proprioceptiva. Cada um deles possui características e objetivos particulares, que se tornam úteis em diferentes contextos do atendimento ao atleta. 121 A partir do exposto, é notória a importância que as práticas de aquecimento e alongamento desempenham no manejo do atleta, visto que cada uma delas denota objetivos particulares importantes à saúde do atleta de um modo geral. Por isso, a seguir, serão detalhadas características da relevância de tais condutas implementadas à rotina da Fisioterapia Esportiva. Acompanhe! 3.1 ALONGAMENTO NO ESPORTE Por definição, o termo “alongamento” se refere a um conjunto de exercícios físicos realizados para o ganho de flexibilidade tecidual, sendo, inclusive, uma habilidade física treinável, sobre a qual ganhos e evoluções são verificadas a partir de treinamentos sistemáticos que respeitem a todos os princípios biológicos do treinamento. O foco dos exercícios de alongamento são os tecidos moles, atingindo principalmente os tecidos tegumentar, conjuntivo e muscular. Por sua vez, a flexibilidade, conforme citado, se refere a uma capacidade física relacionada à realização voluntária de determinado movimento em sua máxima amplitude angular que, em algumas articulações, se mostra inclusive superior às amplitudes fisiológicas, ainda que dentre de limites morfológicos. Assim, treinos de flexibilidade submetem o músculo a elevadas amplitudes de movimento, o que deve ser supervisionado para evitar riscos de potenciais distensões musculares. Logo, compreende-se que exercícios de alongamentos são realizados para melhorar níveis de flexibilidade. Sobre o alongamento, algumas bases e condições fisiológicas devem ser conhecidas antes que você prescreva essa técnica aos seus atletas. Em cenários nos quais a fibra muscular é submetida a estiramento equivalente a 170% do seu comprimento original, a sobreposição entre os filamentos de actina e miosina se encontram interrompidos, e, nesse caso, há possibilidade do desenvolvimento de um estado de distensão muscular. Similarmente, caso o músculo seja submetido a alongamentos superiores ao seu comprimento de repouso, a quantidade de pontes cruzadas no local sofre redução, já que a sobreposição de fibras sofre redução drástica. Nesses casos, o comprimento do sarcômero, ao longo de toda sua extensão, se demonstra menor em relação ao comprimento ideal e, por isso, tem sua capacidade quanto à produção de tensão máxima reduzida, o que caracteriza condição clínica intitulada de encurtamento muscular. Em síntese, toda força produzida a partir do processo de contração muscular relaciona-se ao número de pontes cruzadas observadas na região interna dos sarcômeros, sendo essas representadas pelos filamentos de actina e miosina. 122 Quanto aos efeitos do alongamento, eles são divididos entre efeitos agudos e efeitos crônicos. Sobre os primeiros, também chamados de efeitos imediatos, os resultados são provenientes da flexibilidade em constituintes elásticos observados na unidade musculotendínea. Por sua vez, os segundos contemplam desfechos oriundos de remodelamento de adaptação quanto à estrutura muscular, que é justificado pelo aumento na quantidade de sarcômeros em série, implicando maior comprimento da fibra muscular. Tais efeitos crônicos se mantêm mesmo após algum período de interrupção dos exercícios e, por isso, recebem tal nome. Aumentos significativos e mais permanentes dependem da força do alongamento a ser aplicada, de modo que precisa ser mantida por maiores períodos. Além disso, modalidades que incluem exercícios de alongamento estimulam a produção de colágeno, necessário para sustentação e manutenção de maior estresse ao qual o tecido é exposto. Dentre os benefícios do alongamento, incluem-se: diminuição da tensão muscular ocorrida por meio das alterações viscoelásticas; e diminuição, ainda que indireta, de condições de inibição reflexa e alteração na viscoelasticidade tecidual, resultante da diminuição das pontes cruzadas no interior do sarcômero. A mencionada redução da tensão muscular viabiliza um aumento oportuno e desejado da amplitude articular. O arco reflexo, presente na musculatura esquelética, representa mecanismo fundamental sobre a regulação quanto ao nível de contração muscular a ser desempenhado, visto que esse mantém o sistema nervoso regularmente informado quanto às condições de estiramento e tensão do tecido sobre o qual os receptores periféricos se encontram envolvidos. Tal função de conectar informações é realizada pelos fusos musculares (no caso do estiramento) e pelos órgãos tendinosos de Golgi (no caso de tensão). Assim, os mencionados fusos musculares se constituem por fibras intrafusais, organizadas lado a lado no ventre muscular com as fibras extrafusais, e esse conjunto de estruturas permite que um alongamento extremo seja identificado pelas vias sensoriais, as quais enviarão a mensagem ao sistema nervoso central por meio da via aferente. Quando a mensagem chega ao sistema nervoso central, ele envia uma resposta que leva os motoneurônios alfa a começarem o processo de contração muscular agonista ao movimento que está sendo realizado, inibindo o músculo antagonista ao movimento. Esse mecanismo de ação recebe o nome de reflexo de estiramento. Já os órgãos tendinosos de Golgi denotam fibras organizadas em séries com fibras musculares posicionadas com tendão. Logo, as terminações nervosas sensoriais dessas estruturas se unem com fibras dos tendões para, na presença de um aumento de tensão no músculo, serem sensibilizadas e enviarem tal mensagem ao sistema nervoso central, também por via aferente. 123 No entanto, nesse caso, a resposta enviada se contradiz àquela verificada a partir da sensibilizaçãodo fuso, ocorrendo processo de inibição na contração muscular agonista ao mesmo tempo em que é estimulada a contração muscular antagonista do movimento produzido, sempre que a tensão muscular denotar níveis críticos. Esse mecanismo de ação recebe o nome de reflexo tendinoso. Por isso, é necessária cautela na prescrição de alongamento ao atleta, haja vista que níveis muito aumentados, conforme exposto, submetem o tecido muscular ao risco de distensão muscular, lesão que representa uma das principais lesões esportivas verificadas na prática clínica. Ao contrário, níveis adequados de alongamento parecem ser interessantes para prevenir lesões por estiramento, pois aumentam a flexibilidade que é necessária à execução de gestos esportivos. 3.2 AQUECIMENTO NO ESPORTE Precisamos iniciar mencionando conceitos básicos. Quando consideramos o aquecimento, é importante entendermos que ele pode ser do tipo ativo ou passivo e, ainda, geral ou específico. O aquecimento ativo é representado pela execução de movimentos de baixa intensidade e é útil no aumento da temperatura corporal, que promove aquecimento dos tecidos e induz a algumas alterações fisiológicas, como o aumento do metabolismo, que é útil como preparo ao exercício. Por sua vez, o aquecimento passivo caracteriza a utilização de fontes de calor para aumentar a temperatura corporal por meio de mecanismos de indução, como duchas quentes, massagem, diatermias e fricção. Nota-se que o aquecimento geral (movimento do corpo todo) e ativo resultam em efeitos mais dinâmicos do organismo, visto que sua execução acarreta a mobilização de grandes grupos musculares, podendo ser realizada por meio de trotes leves, corrida leve, caminhada leve, dentre outras possibilidades. Autores afirmam que o principal objetivo do aquecimento global é aumentar a temperatura corporal e o aporte vascular da musculatura, visando a tornar a região mais bem preparada, bem como os sistemas cardiovascular e pulmonar, fundamentais para atividades de resistência com longa duração. Já o aquecimento específico representa a realização de movimentos com enfoque em grupos musculares específicos, o que gera redistribuição sanguínea para a região do exercício. Assim, proporciona, ao local, aumento de temperatura e aporte vascular, fundamentais para execução do movimento. Como se percebe, os exercícios de aquecimento são de extrema importância ao preparo do organismo para prática esportiva, sobretudo aquelas vigorosas. Isso porque, ao prepararem o organismo, tendem a influenciar o desempenho, melhorando-o, além de possibilitar a diminuição ao risco de lesão muscular. Tamanha importância e eficácia se mostra no fato de que aquecimentos ativos e passivos, em níveis adequados, podem melhorar o desempenho muscular em até 7%. Isso, em uma prova importante, pode significar a vitória. 124 No entanto, alguns cuidados quanto à intensidade devem ser devidamente tomados para que os resultados reportados sejam, de fato, verificados. Assim, recomenda-se que o aquecimento geral seja ativo, porém leve, visto que níveis moderados e intensos irão esgotar as reservas energéticas imediatas e, por isso, fadigar o sujeito antes mesmo da execução do exercício. O aquecimento específico ativo, se possível, deve ser complementado por um aquecimento global ativo, já que a elevação da temperatura corporal não necessariamente resulta em aumento da temperatura dos músculos. Assim, durante o aquecimento, a temperatura do músculo tende a aumentar em níveis mais lentos. Na sequência, à medida que a temperatura se eleva dentro de limites esperados, ocorre maior liberação de O2, vindo da hemoglobina. Além disso, nas reações que ocorrem, o aumento da temperatura gera calor, que é resultado de reações metabólicas de todas as células. O calor liberado pelo músculo durante a contração muscular tende a viabilizar a liberação de O2, assim como a elevação do aporte sanguíneo sobre os músculos envolvidos no exercício. Reitera-se que o aquecimento implementado deve respeitar os níveis progressivos a partir de intensidades suficientes apenas para elevar temperaturas musculares, no entanto, sem resultar cenários de fadiga por redução drástica das reservas energéticas. No que se refere aos benefícios do aquecimento, observa-se: • Aumento da temperatura muscular. • Aumento do metabolismo energético. • Aumento da elasticidade dos tecidos moles. • Aumento da produção de líquido sinovial. • Aumento do fluxo sanguíneo e débito cardíaco. • Otimização da função do sistema nervoso central. • Maior recrutamento das unidades motoras neuromusculares. Tais alterações resultam, ainda, em melhor fluidez na execução do gesto esportivo e previnem complicações articulares, conforme já citado. Ademais, dados demonstram que o aquecimento é capaz de diminuir a atividade da fibra gama, e, com isso, ocorre a elevação da sensibilidade dos órgãos tendinosos de Golgi, o que resulta em relaxamento muscular. Também se nota que a velocidade sobre a qual o impulso nervoso é conduzido aumenta, o que gera maior velocidade de reação, bem como maior capacidade de coordenar os movimentos. Todos os benefícios descritos são importantes à prática esportiva. Para ficar ainda mais claro, a elevação na temperatura compatível a 2 °C equivale a elevações próximas a 20% no tempo de resposta para contração muscular. Além disso, as reações bioquímicas se demonstram mais eficazes quanto à velocidade em temperaturas aumentadas. Logo, podemos concluir que o aumento do metabolismo ocorre em temperaturas mais altas, que também favorecem a atividade celular metabólica. 125 LEITURA COMPLEMENTAR O FORTALECIMENTO DA MUSCULATURA DO CORE NA PREVENÇÃO DE LESÕES EM ATLETAS DE ALTO NÍVEL Wendy Jenniffer Rodrigues dos Santos Emmanuel Henrique Simões Gosser Bruno de Souza Vespasiano 1 INTRODUÇÃO O core é uma unidade integrada de músculos, constituído por 29 pares de músculos – dentre os quais se encontram os músculos abdominais, glúteos, cintura pélvica, multífido lombar, oblíquos e outros – os quais nos possibilitam manter a postura e gerar força para membros superiores e inferiores (MCGILL, 2010). As lesões musculares são maléficas para atletas amadores e de alto rendimento, sendo que, ao longo da existência dos esportes de alto nível, diversos profissionais buscaram práticas que servissem não apenas como forma de aumento de desenvolvimento, mas também como prevenção e reabilitação de lesões que venham a surgir durante as práticas esportivas. Embora a natureza das lesões varie de acordo com o esporte praticado, a grande maioria das lesões possui causas semelhantes, as quais são relacionadas à falta de preparo físico ou programa de treinamento ineficaz (FONSECA et al., 2007). Neste sentido, o fortalecimento do core foi proposto como método preventivo de danos ao corpo do atleta por meo de séries de exercícios que englobem as diversas funções musculares, tendo sido abordado em momento posterior a importância do fisioterapeuta e sua atuação no setor esportivo, observando programas de Fisioterapia – como aqueles que compreendem o conjunto lombo-pelve-quadril, para redução de perturbação e outros – utilizados para a reabilitação e prevenção de lesões através de exercícios que possam ser integrados ao programa de treinamento já existente e desenvolvido para o esportista (PAVIN; GONÇALVES, 2010). A Fisioterapia possui papel fundamental e deve agir rapidamente e de maneira eficaz, pois o atleta necessita executar todas as funções do corpo devidamente. Deve visar, em primeiro plano, a conduta preventiva e, em segundo plano, a conduta reabilitadora. O fisioterapeuta esportivo é responsável pelo processo de acompanhamento físico do atleta em pré-competição, durante a temporada, e após a competição, organizandoe realizando os levantamentos necessários para efetuar recomendações à equipe. Além disso, é de extrema importância que o profissional conheça os movimentos executados e os principais músculos empregados na ação (SILVA, 2018). A prevenção é imprescindível, 126 pois, em um programa bem elaborado e em conjunto com avaliações de força, potência e resistência dos músculos, o esportista vai apresentar melhor desempenho, aumentando a eficiência muscular, evidência de possíveis fatores de risco a danos e diminui índices de lesões e recidiva de lesões. Para que a prevenção ocorra, é necessário destacar as características do esporte, evidenciando as lesões mais frequentes na modalidade e a individualidade de cada atleta. Assim, o presente estudo teve como objetivo verificar se o fortalecimento da musculatura do core previne lesões em atletas de alto nível. 2 MATERIAL E MÉTODOS O estudo se refere a uma revisão de literatura narrativa, em que o material referente a um determinado tema que irá compor a revisão não é recolhido de forma aleatória, mas, sim, a partir de seleções por critérios definidos e pré-estabelecidos, bem como processo de inclusões e de exclusões (VESPASIANO et al., 2017). O processo envolve as etapas: 1) definição da pergunta e/ ou problema; 2) definição de estratégias para critérios de exclusão; 3) busca; 4) separação das publicações mediante os critérios preestabelecidos; e 5) observações das publicações selecionados na revisão. A busca foi realizada de julho de 2017 a novembro de 2018 nas bases de dados como Google Acadêmico, Scielo, PubMed e no acervo de livros da biblioteca da faculdade. Foi empregado o uso das palavras-chaves no idioma português: núcleo, prevenção, esporte, lesão, Fisioterapia – e, respectivamente, na língua inglesa, core, prevention, sport, lesion e physiotherapy. Foram incluídas publicações em português e inglês, sem restrições de tempo. Posteriormente, deu-se início ao processo de aplicação de inclusões e exclusões. E, a partir dos títulos e resumos, buscou-se identificar as publicações que se aproximavam e se distanciavam do objetivo do estudo – sendo que aquelas que se distanciaram foram retiradas. Como principal critério de inclusão, foram consideradas as publicações que apontavam o fortalecimento do core na prevenção de lesões e todas as modalidades de esporte, sendo priorizadas as publicações que configuram artigos em periódicos científicos, ou seja, artigos originais e estudos teóricos e de revisões. Foram excluídas todas as publicações que saíssem do objetivo do estudo (VESPASIANO et al., 2017). 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados demonstraram que não há número expressivo de publicações que abordem o fortalecimento da musculatura do core como forma de prevenção de lesões em atletas, constatando, assim, que há necessidade de mais investigações referentes ao tema abordado. Esse estudo de revisão mostra que o fortalecimento do core é utilizado em várias modalidades de esporte, mas há necessidade de ser preponderantemente empregado como programa preventivo de lesões. 127 A prática esportiva tem ganhado muitos adeptos, e, com isso, as incidências de lesões também se apresenta elevada. As causas variam entre a falta de preparo físico e a falta de orientação no desenvolvimento do esporte. As lesões ocorrem de forma interligada entre o atleta e o esporte praticado. Qualquer esporte gera sobrecarga num determinado ponto do corpo humano. A Fisioterapia deve desempenhar um papel mais ágil para que o indivíduo recobre todas as funções musculoesqueléticas no máximo de potência e perfeita execução em todos os movimentos. Além disso, há cobranças por parte da equipe técnica, fornecedores de patrocínio, diretoria e, principalmente, do atleta (HAUGEN et al., 2016). A Fisioterapia Esportiva é uma área relativamente nova. Ela não segue a vertente restrita apenas ao modo curativo e reabilitador, mas está inserida em equipes multidisciplinares dos atletas, proporcionando qualidade de vida, promovendo prevenção e tratando lesões consequentes do esporte. Na prática esportiva, o profissional fisioterapêutico apresenta uma grande importância no processo preventivo e de reabilitação sendo responsável pelo tratamento de indivíduos com quadros patológicos, restabelecendo a funcionalidade que foi prejudicada devido a esse quadro (BREWER, 2009). A atuação do fisioterapeuta na medicina esportiva é necessária principalmente pelo alto índice de lesões resultante da prática esportiva, principalmente em atletas de alto rendimento. Desempenha um papel significativo no tratamento de lesões esportivas e apresenta duas funções de grande importância: 1) tratamento de etiologias e déficits funcionais bem definida; 2) instruir os praticantes quanto à prevenção e mudanças comportamentais (SPRING et al., 2001). Para Silva, Vital e De Mello (2016), o fisioterapeuta deve conhecer o esporte de atuação e os métodos utilizados pelo treinador, pois a conduta baseia-se nessa metodologia, compreendendo o organismo de cada atleta e verificando qual a quantidade máxima de estímulos físicos que não ocasiona efeitos negativos. Deve-se observar, também, a parte física, sendo ela a carga fisiológica e a adaptação. Todas as informações coletadas formam o conhecimento do substrato biomecânico que desencadeia lesões esportivas e, assim, poderá auxiliar na redução de incidência dessas. No cotidiano da prática esportiva, as formas de exercícios aplicados a atletas variam conforme as necessidades estabelecidas, e muitos atletas usam o programa de estabilização do core como parte de seu roteiro de treinamento. Porém, resultados contraditórios quanto a sua eficácia vêm sendo apresentados por diferentes estudos, citando a falta de um padrão ouro para medir a estabilidade do core, bem como as diferentes demandas da musculatura do core durante a atividade esportiva (carga alta, movimentos resistidos e dinâmicos), o que dificulta a resposta do core na prática esportiva (HIBBS et al., 2008). 128 A busca por prevenção e tratamento de lesões esportivas vem sendo a principal preocupação dos praticantes de esporte. Estima-se que mais de 10.000 indivíduos por dia procuram assistência médica, alegando lesões posteriores à prática de esportes, recreações ou exercícios (SILFIES et al., 2015). Durante a prática esportiva, a necessidade de ativações musculares de forma sinérgica é necessária, com o objetivo de controle e estabilização do corpo durante o desempenho esportivo. Os músculos centrais promovem a capacidade de o atleta ter o melhor rendimento sem promover estresses durante a prática que levam à dor (VAN DEN TILLAAR; SAETERBAKKEN, 2018). Segundo Zandi et al. (2018), o programa de exercícios do core se tornou parte do treinamento e da reabilitação de atletas. Para McGill (2010), esses exercícios foram estabelecidos como ferramenta importante para melhorar o desempenho e ajudar no processo de reabilitação e prevenção de lesões musculoesquelética e possuem, como função primordial, a busca por estabilidade (JOYCE; KOTLER, 2017). A estabilidade é a capacidade de limitar o movimento de forma a manter as estruturas íntegras (PAVIN; GONÇALVES, 2010). É, também, a competência do corpo de permanecer em uma posição relativamente neutra durante os movimentos estáticos e ativos, evitando lesões em estruturas locais (STUBER et al., 2014; WANG et al., 2012). Elementos ativos e passivos contribuem para a estabilidade do core, sendo que o elemento passivo resulta da interação da carga mecânica sobre a arquitetura óssea e a complacência dos tecidos moles (WILLSON et al., 2005). Os elementos ativos envolvem três mecanismos importantes para a estabilidade, sendo o primeiro o aumento da pressão intra-abdominal –responsável pela firmeza do tronco e diminuição da carga compressiva da coluna durante atividades de esforço. A contração da musculatura abdominal promove aumento da pressão intra-abdominal e consequente manutenção do tronco. Além disso, essa pressão pode ser aumentada através da contração simultânea do diafragma e do assoalho pélvico (PAVIN; GONÇALVES, 2010; SILFIES et al., 2015; WILLSON et al., 2005). Já o segundo mecanismo, o passivo, são as forças compressivas espinais pelo eixo axial. O aumento excessivo de carga pode contribuir para dores na região lombar, e o terceiro seria a resistência dos músculos do tronco e quadril. O aumento da resistência pela ampliação do tempo de co-contração pode favorecer riscos de dor lombar devido à ineficiência muscular (PAVIN; GONÇALVES, 2010; SILFIES et al., 2015; WILLSON et al., 2005). Os exercícios da estabilidade do core são variados, em virtude das diferenças funcionais entre músculos globais e locais (HODGES, 2003; HODGES, 2008). Três fases do trabalho de estabilização do core são importantes para o entendimento do programa. Essas fases são: cognitivo (contração de forma consciente à musculatura do core), associativa (realização dos movimentos de forma controlada em associação com a contração consciente do core) e automatismo (capacidade de realizar as atividades diária mantendo o core ativo) (FRANÇA et al., 2008; PEREIRA; FERREIRA; PEREIRA, 2010). 129 A aplicação dos exercícios do core devem ser realizadas em etapas (FREDERICSON; MOORE, 2005). Essas etapas vão desde a aprendizagem do isolamento da contração muscular até a incorporação da contração muscular durante as atividades de vida diária (WILLSON et al., 2005). O modelo de exercícios de estabilização visa a necessidade da atividade muscular para promover controle e estabilidade, bem como, restringir movimentos que possa promover lesão. Além do mais, estudos apontam que falhas desprovidas de músculo podem favorecer a cargas compressiva e consequentemente risco a lesões na coluna e em membros (VAN DEN TILLAAR, SAETERBAKKEN, 2018). Diante disso, as estratégias visam restaurar o controle dos músculos do tronco e, consequentemente, melhorar o controle da coluna vertebral e pelve, bem como restaurar a capacidade quando a força e resistência dos músculos do tronco para atender às demandas de controle (HODGES, 2003). 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS O fortalecimento da musculatura do core atua como forma de reabilitar e prevenir inúmeros distúrbios musculoesqueléticos, como nos estudos expostos. Por exemplo, a fraqueza do core em corredores de elite representa tensão e movimentos compensatórios, que podem ocasionar lesões. Em atletas de cadeira de rodas, o fortalecimento dessa musculatura pode evitar lesões em ombro. Já em atletas de beisebol e em remadores, o fortalecimento dessa não representa diferença significativa. Todavia, são poucos os estudos encontrados que relacionassem o fortalecimento do core com atletas de alto nível, principalmente, evidenciando as lesões. Conclui-se que, pelos estudos utilizados para realização desse trabalho, o fortalecimento da musculatura do core é utilizado em diversas modalidades de esporte como forma de prevenção de lesões. Porém, alguns autores colocam em dúvida a eficácia desse método, sugerindo que é necessário utilizá-lo como forma de terapia combinada, ou seja, o fortalecimento da musculatura do core associado à terapia já utilizada pelo esportista. Portanto, são necessários mais estudos com esse objetivo para comprovar a eficácia dessa conduta preventiva. FONTE: adaptada de http://ojs.toledo.br/index.php/saude/article/view/3300/558. Acesso em: 18 ago. 2022. 130 Neste tópico, você aprendeu: • Cabe ao profissional fisioterapeuta prestar assistência a atletas com comprometimentos funcionais, proporcionando, assim, a promoção de saúde, bem como a sua recuperação, a partir de reabilitação oportuna respaldada em conhecimentos científicos e técnicos. • Sobre as funções desempenhadas, o fisioterapeuta esportivo, dentre outras coisas, é responsável por realizar avaliação seguida do diagnóstico cinético funcional do atleta, que deve apresentar informações relevantes referentes às necessidades específicas de cada atleta. A partir de então, será possível o manejo voltado à prevenção de lesões e à otimização do desempenho esportivo a partir de condutas suficientes, por resolver desequilíbrios musculares e viabilizar ajustes biomecânicos. • Técnicas preventivas são prescritas de acordo com as características de exposição do atleta no esporte treinado. Alguns exemplos de técnicas preventivas utilizadas rotineiramente pelo fisioterapeuta esportivo incluem exercícios de propriocepção, exercício excêntrico, bandagem funcional, aquecimento, alongamento e estabilização central. RESUMO DO TÓPICO 3 131 1 Durante a prática esportiva, segmentos articulares específicos são solicitados em extenuantes ações mecânicas. A dor crônica no atleta, muitas vezes, pode ser atribuída à atividade específica do esporte e, também, a alterações na força, flexibilidade e postura, não só na articulação envolvida, mas em outros elos da cadeia cinética. Neste cenário, intervenções preventivas são importantes, a fim de reduzir a incidência de tais lesões. Sobre exemplos de tais práticas, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Estabilização central; kinesio tape; contraste; tens; propriocepção. b) ( ) Alongamento; aquecimento; propriocepção; exercício excêntrico; estabilização central. c) ( ) Massagem; crioterapia; exercício ativo; fototerapia; contraste. d) ( ) Ativação muscular; exercício excêntrico; propriocepção; crioterapia; contraste. 2 Nota-se que a prática esportiva demanda segmentos articulares específicos, que são solicitados em extenuantes ações mecânicas. Sobre esse tema, analise as sentenças a seguir: I- A estabilização central se relaciona com a capacidade de reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais. II- O alongamento é um tipo de exercício físico orientado para a manutenção ou melhora da flexibilidade. III- O exercício excêntrico consiste em aumentar gradualmente a intensidade da atividade física, incrementando, também, a temperatura corporal. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença I está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença II está correta. 3 O fisioterapeuta esportivo, quando inserido em equipes esportivas, deve, inicialmente, compreender todas as características do esporte praticado pelos atletas por ele assistidos. Assim, questões básicas sobre a biomecânica, bem como regras da modalidade, constituem importante base de informações para nortear a conduta fisioterapêutica que incluirá, inicialmente avaliação cinético funcional e prevenção de lesões. A esse respeito, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 132 ( ) Os gestos esportivos determinam, em sua maioria, a incidência de lesões musculoesqueléticas específicas, de acordo com o tipo de exigência requerida em cada esporte. ( ) Em casos de lesões, o exercício contribui no processo de cicatrização por promover tensão no tecido, desde que a mobilização seja realizada na amplitude articular máxima. ( ) O atendimento fisioterapêutico se torna necessário apenas para atletas com lesões ou àqueles que pratiquem esportes intensos, responsáveis por exigir alta demanda metabólica, como lutas e atletismo. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V - F - F. b) ( ) V - F - V. c) ( ) F - V - F. d) ( ) F - F - V. 4Sabe-se que a Fisioterapia Esportiva atua constantemente com objetivo de prevenir e tratar lesões musculoesqueléticas decorrentes da prática esportiva. Com relação à atuação fisioterapêutica em campo, ou seja, durante treinos e competições, os momentos de atuação são divididos em fases, já que, em cada um, são preconizados objetivos particulares. A esse respeito, discorra outras funções da atuação fisioterapêutica na equipe esportiva diferentes das mencionadas. 5 Em geral, quanto mais contato existir em determinado esporte, maior exposição do atleta quanto à incidência de lesão musculoesquelética. Por exemplo, no futebol, a maioria das lesões causadas se deve ao excesso de treino, ou seja, quando os ligamentos, tendões, músculos e ossos são sujeitos a estresse excessivo. Imagine um cenário hipotético no qual você seja fisioterapeuta de um time de futebol e explique quais condutas aplicaria, a fim de prevenir lesões aos atletas dessa modalidade esportiva. 133 ANDREOLI, M. A.; OLIVEIRA, T. C. de; FONTELES, D. S. R. Um panorama das intervenções comportamentais para tratar estresse e ansiedade em atletas: revisão bibliográfica. Cad. Pós-Grad. Distúrb. Desenvolv., v. 20, n. 1, 2020. COFFITO – CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL. Resolução n. 337, de 08 de novembro de 2007. Curitiba, PR: COFFITO, 2007. HAMILL, J. Bases biomecânicas do movimento humano. 4. ed. Barueri: Manole, 2016. INCHAUSPE, R. M. et al. A equipe multidisciplinar no esporte: uma revisão narrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 12, n. 1, p. 1760, 2020. KENNEY, W. L. Fisiologia do esporte e do exercício. 5. ed. Barueri: Manole, 2013. KONS, R. L. et al. Injuries in judo athletes with disabilities: prevalence, magnitude, and sport-related mechanisms. J Sport Rehabil. v.31, n.7, p.904-910, 2022. LOPES, J. S. S. al. Test-retest reliability of knee extensors endurance test with elastic resistance. PLoS One., v. 13, n. 8, p.e0203259, 2018. LOPES, J. S. S. et al. Kinetics of muscle damage biomarkers at moments subsequent to a fight in brazilian jiu-jitsu practice by disabled athletes. Front Physiol., v. 10, p. 1055, 2019. NAHON, R. 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Monografia (Graduação em Licenciatura em Educação Física) – Faculdade de Educação e Meio Ambiente, Ariquemes, 2018. SONAFE - SOCIEDADE NACIONAL DE FISIOTERAPIA ESPORTIVA. SONAFE Brasil, 2022. Disponível em: https://www.sonafe.org.br/. Acesso em: 28 ago. 2022. TOMAZONI, S. S. et al. Infrared low-level laser therapy (photobiomodulation therapy) before intense progressive running test of high-level soccer players: effects on functional, muscle damage, inflammatory, and oxidative stress markers-a randomized controlled trial. Oxidative Medicine and Cellular Longevity, 2019. 135 FISIOTERAPIA NA REABILITAÇÃO DAS LESÕES ESPORTIVAS UNIDADE 3 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender as técnicas fisioterapêuticas para lesões esportivas da coluna vertebral; • conhecer as técnicas fisioterapêuticas para lesões esportivas do quadril; • estudar as técnicas fisioterapêuticas para lesões esportivas do membro superior; • compreender as técnicas fisioterapêuticas para lesões esportivas do membro inferior. A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1– TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS DA COLUNA VERTEBRAL TÓPICO 2– TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS DO QUADRIL TÓPICO 3– TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS DO MEMBRO SUPERIOR TÓPICO 4– TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES DO MEMBRO INFERIOR Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 136 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 3! Acesse o QR Code abaixo: 137 TÓPICO 1 — TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS DA COLUNA VERTEBRAL UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1, abordaremos as estruturas da coluna vertebral, regiões da cervical, torácica e lombar. Entenderemos a inervação da medula e, a partir disso, abordaremos como deve ser a avaliação da coluna em relação às lesões que atingem as regiões da cervical, torácica ou lombar, englobando também as deformidades presentes nesse segmento. O exercício é muito importante para o condicionamento físico, pois auxilia tanto na prevenção quanto na recuperação de lesões dos atletas. O fisioterapeuta que atua na área desportiva avalia o condicionamento físico do atleta e trabalha exercícios objetivando minimizar a possibilidade de lesão e a melhoria de desempenho. Quando os atletas sofrem algum tipo de lesão, são submetidos a programas de reabilitação, os quais ficam sob a responsabilidade do fisioterapeuta desportivo. Nesse processo, deve ser feita uma avaliação das limitações e sugestões de mudanças no programa de condicionamento ao preparador físico responsável, além de determinação das formas de intervenção para a reabilitação do atleta (PRENTICE, 2012). As lesões específicas podem acometer as várias regiões da coluna, apresentando diversas etiologias ou trazendo a manifestação de sinais e sintomas conforme o tipo e a altura da lesão. Com base nisso é que são elaboradas as técnicas de tratamento, podendo ser distintas, como uma lesão cervical quando comparada a uma lesão na região lombar. Por ser formada por uma grande quantidade de estruturas, tais como ossos, ligamentos e músculos, a coluna vertebral é uma região bastante complexa, especialmente por sua relação com a medula espinhal e com as raízes nervosas que emergem da região, promovendo, muitas vezes, risco de vida quando há ocorrência de lesões, especialmente na região cervical. 138 2 ANATOMIA DA COLUNA VERTEBRAL A estrutura da coluna vertebral é bastante complexa, sendo composta por um conjunto de 33 ossos, as conhecidas vértebras, que se dividem em três regiões distintas: a coluna cervical, a torácica e a lombar. Essas regiões se conectam na parte inferior, a região do sacro, e terminam em um osso classificado como caudal, o cóccix. A coluna apresenta algumas curvaturas chamadas de fisiológicas, que servem para que possa suportar cargas e como uma forma de proteção contra traumas possivelmente impostos sobre ela (PRENTICE, 2012). Nessa estrutura, há quatro classificações de curvaturas: a torácica e a sacral, que são côncavas e já são presentes e identificáveis no corpo no momento do nascimento, e as curvaturas lombar e cervical, que se caracterizam por concavidade posterior e só se desenvolvem após o nascimento, durante o processo em que nos colocamos em postura ereta, sentamo-nos ou nos levantamos. As primeiras curvaturas são conhecidas como primárias e as segundas, que se desenvolvem após o nascimento, como secundárias.As curvaturas são influenciadas pela hereditariedade, por algumas patologias e pelas forças aplicadas constantemente sobre a coluna. Elas servem para proteger a coluna de lesões, reduzindo o impacto sobre ela, o que, caso ela fosse completamente reta, não seria possível (HALL, 2020). As vértebras da coluna se desenvolvem ainda no período embrionário, inicialmente, de forma cartilaginosa, depois são transformadas em ossos. Já ao nascimento, as últimas vértebras sacrais e as coccígeas ainda podem se apresentar inteiramente cartilaginosas, ossificando- se na infância (NATOUR, 2004). IMPORTANTE A coluna pode ser vista como um projeto de engenharia perfeito, em que várias estruturas estão empilhadas. As vértebras estão sobre o sacro em sua região superior e trazem um ponto de equilíbrio para o crânio, sendo totalmente conectadas por meio de ligamentos, músculos e tendões. As áreas com maior mobilidade são as que normalmente são acometidas por lesões, especialmente as articulações acima da ligação da região torácica com as costelas e a união da região lombar com a região sacral. Uma coluna fraca afeta a postura e o equilíbrio, podendo desenvolver compensações, influenciando, também, na mobilidade dos membros (KEIL, 2014). Um atleta, de acordo com a modalidade desportiva que pratica e seu nível de complexidade, impõe sobre o corpo exigências físicas e psicológicas específicas, sendo que, para seu desempenho ideal, precisa que seu sistema orgânico esteja funcionando de forma adequada. Em períodos de competições e treinamentos, há uma sobrecarga, em especial ao sistema musculoesquelético, ou seja, uma grande demanda de força 139 muscular e maiores amplitudes de movimento articular, exigindo do corpo um resultado acima do nível considerado fisiológico. Para suportar as grandes mudanças que são impostas ao organismo, o atleta precisa estar preparado para suportar todas as forças impostas (FRANCA; FERNANDES; CORTEZ, 2004). 2.1 REGIÕES DA COLUNA Os corpos vertebrais da região cervical são pequenos e dispostos na região do pescoço, sendo que, nessa região, perpassam artérias vertebrais. Algumas das vértebras dessa região são bastante diferenciadas, como é o caso da primeira, segunda e sétima vértebra, que apresentam algumas estruturas bastante diferenciadas em relação às demais. Na coluna cervical, os discos intervertebrais compõem a altura dela, com exceção do atlas e do áxis. Essa conformação dos discos faz com que a região cervical assuma uma posição lordótica. Tal região possui sete vértebras, mas oito raízes nervosas cervicais, visto que uma delas emerge entre a região occipital e a primeira vértebra cervical (C1) (MAGEE, 2010). FIGURA 1 – VÉRTEBRAS ATLAS (A), AXIS (B) E VÉRTEBRA CERVICAL (C) FONTE: Tortora e Derrickson (2017, p. 140) 140 A coluna lombar é comumente acometida por dor, sendo uma das maiores causas de incapacidade, mas não sendo caracterizada como doença grave. Em geral, dores podem ser causadas por sobrecarga na região ou por distensões provocadas na realização de atividades da vida diária, especialmente nas posições em pé, sentado e deitado, seja no trabalho ou em exercícios físicos. Posturas inadequadas também acabam por produzir o quadro de lombalgia (PRENTICE, 2012). Como as regiões da coluna apresentam morfologia diferente, as amplitudes de movimento de cada segmento também serão distintas, modificando, inclusive, a funcionalidade nas atividades de vida diária. A coluna funciona como um eixo no corpo humano, o qual se liga aos membros superiores e inferiores por meio das cinturas pélvica e escapular. Além disso, ela possui uma importante função de conexão do sistema nervoso central ao periférico por meio da medula espinhal e das raízes nervosas nos forames intervertebrais. Compreende-se que a estrutura da coluna é estável pela ação de elementos passivos e ativos, sendo os passivos compostos por ligamentos e pelo disco intervertebral, e os elementos ativos pelas várias camadas de músculos. Então, essa proteção faz com que os traumas na coluna sejam menos comuns que nessa região (BARBOSA; SILVA, 2021). 2.1.1 Biomecânica As anormalidades biomecânicas – como alteração na flexibilidade do tronco, diminuição de amplitude de movimento, diminuição de força dos músculos da região da coluna, extensores de coluna e redução de força da musculatura abdominal – alteram o alinhamento postural e, como consequência, podem surgir dores na coluna, em especial na região lombar (PRENTICE, 2012). Algumas considerações biomecânicas, como o ângulo Q do joelho, a posição do pé, a mecânica ao subir e descer degraus, hipermobilidade articular e postura assumida na realização das atividades de vida diária devem ser verificadas em uma avaliação minuciosa da coluna cervical, torácica e lombar (KEIL, 2014). A amplitude de movimento da coluna vertebral é limitada por restrições anatômicas as quais ela é submetida, variando entre os diferentes segmentos – cervical, torácico e lombar, sendo os movimentos possíveis de flexão e extensão, flexão lateral e rotação. Além disso, a coluna é composta por uma grande quantidade de músculos nas regiões anterior, posterior e lateral, o que permite mobilidade ao longo de suas estruturas, mas também auxilia na estabilidade presente nesse segmento corporal (HALL, 2020). Então, uma postura corporal é determinada por um estado de equilíbrio entre a parte esquelética e a parte muscular, para que seja possível uma proteção adequada das partes nobres nas várias posições em que o corpo possivelmente se encontre: em pé, sentado ou em algum decúbito. Quando há um quadro de desequilíbrio muscular, o organismo, diante da necessidade de se readequar, acaba promovendo alterações posturais como forma de compensação, o que, no esporte, torna-se um problema inclusive ao limitar a atividade esportiva (VEIGA; DAHER; MORAIS, 2011). 141 A coluna vertebral conecta, de forma mecânica, os membros superiores e inferiores, permitindo o movimento nos três planos e, ainda, possui uma importante função de proteger uma estrutura nobre de nosso organismo, a medula espinhal. A medula é sustentada por diversos ligamentos, o que proporciona estabilidade aos segmentos móveis, sendo um dos mais importantes o ligamento amarelo que conecta as lâminas das vértebras. Esse ligamento permanece tensionado quando a coluna está em posição anatômica, permitindo uma maior estabilidade, porém, gera uma compressão discreta nos discos intervertebrais, provocando um quadro chamado pré-estresse (HALL, 2020). No caso de atividades físicas de alta intensidade, o corpo de um atleta sofrerá as consequências, pois haverá adaptações anatômicas e biomecânicas conforme a modalidade esportiva praticada, e um atleta ainda em processo de desenvolvimento pode ter a maturação do sistema musculoesquelético afetada (NETO JÚNIOR; PASTRE; MONTEIRO, 2004). A fisiologia do exercício estuda as adaptações que o organismo sofre de forma aguda e crônica, quando submetido ao exercício físico, e avalia como o organismo se adapta em relação ao sistema cardiovascular e musculoesquelético. INTERESSANTE A prática constante de esporte, nos variados níveis de intensidade e performance, é uma condição que induz ao risco de lesão. Por exemplo, a natação traz riscos ao sistema musculoesquelético, pois mesmo que traga benefícios ao sistema cardiorrespiratório e musculoesquelético, em outros casos pode levar a lesões (AGUIAR et al., 2010). 2.2 LESÕES DA COLUNA A coluna se apresenta de forma diferenciada quando comparada à parte anterior, em que estão dispostos os corpos vertebrais e os discos intervertebrais, onde são sustentados os tipos de pesos exercidos e os choques sofridos pela coluna são absorvidos. A mobilidade é regulada pelo tamanho dodisco intervertebral, que é a parte posterior, na qual estão localizados os processos articulares e as facetas. É nesse ponto que ocorrerá o mecanismo de deslizamento, permitindo o movimento. Nessa região, estão presentes várias alavancas ósseas, o processo espinhoso e os processos transversos, funcionando como local de inserção muscular e permitindo estabilidade e movimento à coluna vertebral (VASCONCELOS et al., 2021). 142 Existem diversas forças que atuam sobre a região da coluna vertebral, como o peso corporal, a tensão imposta aos ligamentos vertebrais, o aumento da pressão intra- abdominal e cargas externas que podem ser impostas sobre ela. Na posição ereta, o peso corporal impõe uma carga axial sobre a coluna, e se a pessoa ainda estiver com algum peso sobre as mãos, existe uma tensão sobre os músculos e ligamentos, o que aumenta a compressão vertebral. O centro de gravidade é posicionado anteriormente à coluna, fazendo com que ela tenha um momento de curvatura para frente, o que é balanceado pelo torque de contração dos músculos extensores da coluna (HALL, 2020). Os atletas de alto rendimento estão mais suscetíveis a lesões desportivas e, de acordo com a magnitude da lesão, ocorrem diferentes consequências, desde inatividade, em especial nos treinamentos, a alterações a nível psicológico, por medo de não voltarem à prática do esporte. As sobrecargas sobre o corpo promovem diversas lesões desportivas, podendo ser leves, em que o afastamento do atleta ocorre por volta de um a sete dias, e grave, quando ultrapassa o período de vinte e oito dias (KRIST et al., 2013). As lesões mais comuns que atingem atletas são as entorses e as lesões musculares. No Brasil, estudos apontam para as entorses de joelho e tornozelo, lombalgia e lesões musculares, tudo dependendo do esporte praticado e do nível de exigência da competição (ARENA; CARAZZATO, 2007). IMPORTANTE Dentre as lesões que acometem a coluna vertebral de atletas, são mais comuns as instabilidades de coluna cervical, problemas de tetraparesia transitória, apofisite na região entre coluna torácica e lombar, espondilólise traumática e, especialmente, fraturas, sendo as mais comuns as do arco vertebral. As lesões geralmente são causadas por movimentos bruscos de flexão, extensão, torção, cisalhamento ou pequenos traumas que acometem a coluna de forma repetitiva, podendo essas forças serem combinadas e causarem lesão associada com lesões de partes moles (JUNIOR et al., 1999). A espondilólise é considerada um defeito que pode ocorrer de forma unilateral ou bilateral na região do istmo da vértebra, atingindo cerca de 3 a 6% da população, geralmente atletas e mais frequentemente homens. Ela é provocada por trauma repetitivo em hiperextensão da coluna ou combinação dos movimentos de extensão e rotação, aplicando uma carga mecânica repetitiva entre as vértebras superior e inferior, o que acaba por gerar uma fratura por estresse. Normalmente, é assintomática, mas, em alguns casos, o atleta apresenta dor com início repentino e durante práticas de atividade física extenuantes. O quadro piora especialmente quando realizado o movimento de extensão ou rotação lombar, e a dor, 143 em alguns casos, apresenta irradiação para outras partes. Geralmente, o paciente que apresenta hiperlordose pode ter o diagnóstico da condição confirmado pelo exame de ressonância magnética ou com tomografia computadorizada (BARBOSA; SILVA, 2021). Os esportes mais frequentes da ocorrência da espondilólise são a ginástica e os que exigem levantamento de peso, como o fisiculturismo, e a vértebra mais acometida, em geral, é a quinta vértebra lombar. O quadro apresenta um deslizamento entre as vértebras, podendo derivar predisposição genética, estresse mecânico por uso excessivo e por movimentos de flexão, rotação e hiperextensão da coluna lombar. Os adolescentes podem ser acometidos pelo quadro nas fases de crescimento rápido, durante os chamados estirões de crescimento. Na ocorrência dessa lesão surge dor, espasmos musculares e encurtamento muscular, inclusive da musculatura posterior de membros inferiores (isquiotibiais), levando a problemas posturais (WALKER, 2011). A repetição de movimentos em determinadas posições, juntamente com a sobrecarga provocada pelo treinamento, faz com que o corpo se adapte, porém traz efeitos prejudiciais em relação à musculatura, levando ao desequilíbrio muscular e surgimento de lesões. A soma de fatores, como tipo de esporte, nível de competição, equipamentos utilizados e condicionamento físico do atleta determina a suscetibilidade dele de sofrer lesões (JÚNIOR NETO; PASTRS; MONTEIRO, 2004). Por exemplo, no voleibol, a coluna é responsável por cerca de 14% do total de afastamentos dos atletas do treino, sendo as contusões muito presentes, inclusive podendo interromper a carreira do atleta quando mais graves e crônicas. A hérnia de disco é umas das complicações mais frequentes. A dor nas costas é um sintoma também muito presente, geralmente causada por falta de fortalecimento dos músculos do troco, cintura escapular e abdome. Por essa e outras razões, é muito importante dar atenção aos exercícios de estabilização com contrações isométricas e com aplicação de resistência (ALBARELLO et al., 2014). A coluna ainda pode ser acometida pelo quadro de distensão muscular quando ocorre um alongamento ou ruptura dos músculos ou tendões. Isso ocorre frequentemente em esportes nos quais é comum o levantamento de peso, movimentos abruptos, quedas ou colisões entre atletas e atividades que exigem contração dos músculos do dorso. O local mais frequentemente atingido é a região lombar, trazendo como sinais e sintomas a algia à movimentação e, em casos mais graves, a perda de movimentos da coluna, rigidez no dorso, formigamento e alteração de sensibilidade (WALKER, 2011). As lesões na coluna vertebral podem não ser compatíveis com a vida, princi- palmente quando acometem a região cervical e se a lesão envolver a região da medula espinal. Por esse motivo, a fisioterapia esportiva é muito importante como prevenção de lesões em potencial. 144 2.3 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS NAS LESÕES DE COLUNA Na avaliação do paciente, é importante verificar dados que determinem seu prognóstico para que haja uma hipótese de diagnóstico e seja elencado o tratamento. A história da doença atual permite identificar quando a dor do paciente começou, qual foi o mecanismo de lesão. Para isso, pode ser usado um mapa corporal (body chart) que pode ser feito pelo fisioterapeuta ou pelo paciente, em que são marcadas as partes do corpo que apresentam o quadro de dor, isso demonstrará se a dor tem um local específico, se é irradiada ou generalizada, permitindo verificar não apenas o tipo de dor, mas a intensidade, profundidade, frequência e se existem sinais de parestesia (BARBOSA; SILVA, 2021). Exercitar-se é muito importante, pois permite o condicionamento físico, o que levará à prevenção da ocorrência de lesões e ao auxílio na recuperação quando e se elas ocorrerem. Um condicionamento inadequado promove maior risco de lesões, por isso a fisioterapia pode contribuir com a prescrição de exercícios de condicionamento para melhorar o desempenho do atleta e prevenir essas possíveis lesões. O fisioterapeuta da área esportiva trabalha com a melhoria das condições cardiorrespiratórias, força e resistência muscular, além de trabalhar com a flexibilidade do atleta no sentido de condicionar ou até recondicionar um atleta com lesão (PRENTICE, 2012). A ocorrência de lesões é e sempre será indesejável para atletas ou para aqueles que praticam algum tipo de modalidade física, já que trazem dor, desconforto e, em muitos casos, podem levar à incapacidade de continuar o treinamento. A lesão tem as características da modalidade esportiva praticadae, em geral, é causada por diversos fatores intrínsecos e extrínsecos. Os extrínsecos são conectados, pois dependem da preparação, erros no planejamento e forma de execução do treinamento, da duração, força e condicionamento físico para o treino. Já as causas intrínsecas são aqueles ligadas ao organismo, como problemas na biomecânica, flexibilidade, lesões prévias, densidade óssea, condicionamento cardiovascular e composição corporal (XAVIER; LOPES, 2017). É importante compreender que, quando o corpo é atingido por uma lesão, ele a cicatriza em determinado ritmo, então, a fisioterapia pode auxiliar nesse processo por meio de recursos térmicos, elétricos, mecânicos ou luminosos, tentando fornecer ao corpo um ambiente ideal para que essa cicatrização ocorra. As condições ao processo cicatricial precisam ser compostas de proteção da área contra perturbações adicionais e de restauração da função tecidual da forma mais precoce possível. A aplicação de recursos terapêuticos deve ser adequada para que não obstrua ou retroceda o processo de cicatrização (STARKEY, 2017). 145 A fisioterapia desportiva possui um trabalho distinto, pois, normalmente, necessita trabalhar com atleta de forma mais rápida e com intervenções efetivas diante da necessidade de um retorno o mais precocemente possível do atleta às suas funções, exigindo do corpo, músculos, ossos e articulações o máximo de eficiência em relação à amplitude de movimento e à potência na realização de todos os gestos esportivos (RODRIGUES, 1996). A terapia manual também pode ser usada por meio de mobilizações e manipulações ou, ainda, trabalho nos tecidos moles, a qual pode ser realizada de forma passiva, com baixa velocidade e pequena amplitude de movimento, ou com grande amplitude de movimento, dependendo da condição do paciente e como está o seu controle. A manipulação de uma técnica de alta velocidade e baixa amplitude no final da amplitude de movimento é indicada a alguns casos específicos. As duas formas de intervenção têm o objetivo de redução de dor e melhora da capacidade dos pacientes que apresentam alguma alteração em coluna (BARBOSA; SILVA, 2021). A avaliação da mobilidade segmentar é muito importante e, para tanto, são aplicadas mobilizações articulares passivas, como intervertebrais, para verificar a resposta do paciente a esses movimentos. Os sintomas apresentados pelo paciente podem dar alguma informação se há, ou não, envolvimento da região mobilizada, podendo auxiliar na determinação do tratamento a ser realizado com o atleta. É possível que, nas intervenções fisioterapêuticas, seja elaborado uma combinação de exercícios com terapia manual e educação do atleta de acordo com as indicações e contraindicações apresentadas na avaliação (BARBOSA; SILVA, 2021). A especialidade de Fisioterapia Desportiva é reconhecida pela Resolução nº 337, de 08 de novembro de 2007, pelo Conselho Federal e Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITTO). NOTA O fisioterapeuta da área esportiva atua desde a prevenção até a reabilitação de atletas. A recuperação é para casos de lesões causadas pelo esporte, mas a amplitude do trabalho é tanto visando à recuperação das lesões esportivas quanto para prevenir que elas ocorram. Para isso, o profissional necessita de um conhecimento das características específicas de cada esporte e seus atletas, e precisa avaliar a forma física de cada atleta, assim como aqueles atletas em que as características apresentadas na avaliação demonstram que são mais suscetíveis a lesões (ROCHA, 2018). O paciente deve ser observado desde o momento em que chega ao consultório fisioterapêutico, tanto na realização de movimentos espontâneos quanto no padrão de movimento apresentado. Deve ser avaliada a postura da cabeça e do pescoço, nível 146 dos ombros, presença de qualquer espasmo muscular ou de assimetrias, expressões faciais feitas pelo paciente, verificação de tecidos moles e contornos ósseos, presença de alguma área com isquemia e avaliação da postura em diversas posições, sentado, em pé e durante o movimento (MAGGE, 2010). A coluna deve ser cuidadosamente avaliada para verificar qualquer sintoma presente na área, a fim de verificar se a causa da lesão é central, ou seja, relacionada à própria coluna, ou proveniente do entorno dela, vindo de causas periféricas, no caso, dos outros membros. Problemas que estão na região cervical, torácica ou lombar podem promover sintomas nas regiões dos membros superiores ou inferiores, nesse caso, as principais manifestações são: sensação de fraqueza, dormência, formigamento, dor e, ainda, a parestesia nas regiões correspondentes às raízes nervosas acometidas (KEIL, 2014). Alguns aspectos são importantes na avaliação da coluna, dentre eles a idade do paciente, a magnitude dos sintomas, o mecanismo da lesão, as atividades e os passatempos do paciente, se houve choque contra algo ou se o paciente perdeu a consciência, se os sintomas surgiram imediatamente, quais os locais e limites de dor, se a dor é irradiada ou não, se existem sintomas em membros inferiores, se há dificuldade na marcha ou no equilíbrio. É importante o paciente relatar atividades que melhoram ou pioram o problema e se existe restrição na realização de algum movimento (MAGEE, 2010). Como forma de prevenção das lesões de coluna que acometem os atletas, é muito importante que seja feito um fortalecimento muscular, em especial da coluna cervical, como forma de proteção e resistência às forças externas que são aplicadas sobre suas estruturas, como a hiperflexão, hiperextensão ou rotação. Os exercícios podem ser trabalhados de forma isotônica, isométrica ou isocinética e, ainda, pode ser oferecida uma resistência manual. Além disso, deve haver uma amplitude de movimento fisiológica por meio do trabalho de flexibilidade, alongamento e fortalecimento. Os exercícios devem ser prescritos conforme a modalidade esportiva que o atleta pratica, visto que esportes de contato tendem a lesionar a região cervical (PRENTICE, 2012). No tratamento, podem ser usadas as bandagens posturais, que auxiliam na redução de quadros álgicos da coluna e do pescoço, auxiliando nos casos em que estão presentes alterações posturais, fraqueza muscular e outros problemas relacionados a disfunções articulares ou modificações biomecânicas, por exemplo. A bandagem auxilia na percepção cinestésica da postura, corrigindo as posturas inadequadas e promovendo um relaxamento muscular, como no caso do músculo trapézio superior. Ela também permite a correção de movimentos vertebrais anormais, promove suporte às costelas, especialmente quando há dor ou até fratura, além de poder ser aplicada com o intuito de limitar movimentos exagerados da coluna, como é o caso da hiperextensão lombar, e possibilita a diminuição de carga sobre alguma região da coluna (KEIL, 2014). 147 A facilitação neuromuscular proprioceptiva pode ser usada como forma de alongamento, com o objetivo de melhorar a flexibilidade, usando as diversas formas de aplicação da técnica, como manter-relaxar, contrair-relaxar ou um combinado de formas de contração muscular e relaxamento aplicadas de forma alternada entre a musculatura agonista e antagonista, sempre com objetivo de aumentar a amplitude de movimento com o auxílio da orientação do fisioterapeuta (PRENTICE, 2012). No corpo, alguns músculos – como os abdominais, glúteos, músculos da cintura pélvica, multífido lombar, oblíquos e outros – auxiliam na manutenção da postura e são conhecidos como parte de uma região corporal denominada core, a qual é uma unidade integrada de músculos que ajudam na postura e a gerar força em membros superiores e inferiores (MCGILL, 2010). Exercícios de condicionamento, terapêuticos ou de reabilitaçãodevem ser trabalhados com o objetivo de recuperar a funcionalidade corporal, especialmente após uma lesão, e esse atendimento pode ser realizado em clínicas ou hospitais com objetivo de reabilitar ou recondicionar o atleta lesionado (PRENTICE, 2012). Nos casos de distensão muscular da coluna, pode ser usado o gelo para redução do processo inflamatório. A termoterapia auxilia na redução das dores e desconfortos causados pelo quadro e, assim que a cicatrização estiver completa, deve-se iniciar o fortalecimento da musculatura da região dorsal e a recuperação da amplitude de movimento para evitar a ocorrência de recidiva (WALKER, 2011). O tratamento fisioterapêutico varia de acordo com a avaliação feita do atleta, podendo ser composto por exercícios aquáticos ou em solo e com diferentes objetivos, como reforço muscular, resistência, mobilidade ou melhora do condicionamento cardiovascular. Podem ser trabalhados alguns conceitos, como Mckenzie, Pilates ou, ainda, cinesioterapia de maneira geral. As intervenções serão determinadas de acordo com os achados da avaliação fisioterapêutica, sendo a escolha feita pelo profissional em conjunto com a preferência do atleta (BARBOSA; SILVA, 2021). Nas intervenções fisioterapêuticas, podem ser trabalhados os exercícios funcionais compostos por atividades específicas à reabilitação, trabalhando com atividades multiplanares e levando a tensões e exigências maiores que os exercícios de força, podendo ser exercícios específicos precursores aos específicos da atividade esportiva, como caminhar antes de correr, ou arremesso por baixo antes de um lançamento. Esses exercícios preparam o atleta para habilidades avançadas as quais ele terá de suportar posteriormente. Já os exercícios específicos à atividade incluem circuitos parecidos com a atividade esportiva, sendo específicos para desempenho no esporte e trabalhados na fase final de reabilitação do atleta para realizar a simulação das tensões e exigências que o esporte fará no retorno às competições (HOUGLUM, 2015). 148 Neste tópico, você aprendeu: • Conceitos sobre a anatomia da coluna vertebral, regiões da cervical, torácica, lombar e suas principais características, como disparidades nos tamanhos das vértebras que caracterizam as diferenças de mobilidade nos segmentos da coluna espinhal. • Biomecânica da coluna vertebral e sua relação com a mobilidade desse segmento, o que pode indicar o risco de lesão, as diferentes amplitudes de movimento da coluna de acordo com suas diferenças de tamanho das vértebras e conformações de discos vertebrais, músculos e ligamentos. • Principais lesões esportivas que acometem a coluna vertebral, tais como instabilidade da coluna e quadro de espondilólise, as quais são causadas por movimentos repetitivos, alterações posturais ou existentes na biomecânica da coluna espinal, que levam à maior incidência de lesões de coluna. • Intervenções fisioterapêuticas feitas nas lesões da coluna vertebral, como bandagens terapêuticas, eletroterapia, dentre outras, assim como a importância de uma anamnese completa para verificar as melhores formas de intervenção terapêutica em cada caso de atletas com lesões na coluna vertebral. RESUMO DO TÓPICO 1 149 1 Com base no estudo da anatomia da coluna vertebral e das características apresentadas pelas regiões cervical, torácica e lombar, é possível verificar um grande risco de que, durante a prática de uma atividade esportiva, ocorra uma lesão nesse segmento corporal, como um escorregamento da vértebra sobre a adjacente, com maior incidência na região lombar, especificamente em L5. Assinale a alternativa CORRETA que contém o nome dessa condição descrita: a) ( ) Espondilolistese. b) ( ) Espondilite. c) ( ) Espondilólise. d) ( ) Espondiloma. 2 Considera-se como modalidade de tratamento na fisioterapia desportiva várias formas de intervenções fisioterapêuticas, como cinesioterapia, terapia manual, recursos eletrotermoterápicos e mobilização ativa ou passiva, as quais atendem ao atleta tanto como forma de prevenção ao surgimento de lesões quanto na recuperação, reabilitação e retorno dele às atividades esportivas. Com base nas definições dos enfoques das modalidades fisioterapêuticas no esporte, analise as afirmativas a seguir: I- A bandagem terapêutica é usada para diminuição do quadro álgico e correção de alterações posturais que podem estar presentes no atleta. II- Exercícios de condicionamento físico devem ser trabalhados somente após o atleta sofrer alguma lesão esportiva com objetivo exclusivo de reabilitação. III- As modalidades de fisioterapia auxiliam os pacientes na prevenção da lesão esportiva de coluna por meio de fortalecimento da musculatura envolvida no gesto esportivo. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 A Fisioterapia Esportiva foi reconhecida como especialidade pelo COFFITO no ano de 2007 e permite ao fisioterapeuta o trabalho com atletas desde a fase pré-competição, como durante a atividade esportiva e pós-competição, além de um acompanhamento junto com a equipe multiprofissional e o atendimento àqueles que sofrem algum tipo de lesão nos treinos ou durante a competição. O atleta deve ser visto quanto ao seu principal gesto esportivo, presença de desvios posturais, encurtamentos, força muscular, dentre outros fatores que possam predispor às lesões. De acordo com os princípios da fisioterapia esportiva, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 150 ( ) A facilitação neuromuscular proprioceptiva pode ser usada para alongar o atleta, melhorando sua flexibilidade e prevenindo lesões. ( ) O fortalecimento muscular do atleta é importante somente para melhorar o seu desempenho na competição, não prevenindo que ele se lesione. ( ) No atendimento ao atleta, é importante a avaliação desde o momento que ele chega ao consultório para averiguar, por exemplo, a presença de desvios posturais. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V - F - F. b) ( ) V - F - V. c) ( ) F - V - F. d) ( ) F - F - V. 4 A fisioterapia desportiva se faz muito importante no tratamento às lesões de coluna porque prepara o atleta desde a fase de pré-competição até o acompanhamento de sua recuperação após lesões. Cada atividade esportiva tem um gesto esportivo predominante que acaba por sobrecarregar estruturas específicas, sendo muito importante ao fisioterapeuta conhecer os gestos para que possa trabalhar na prevenção dos acometimentos que podem atingir o sistema musculoesquelético do atleta. Disserte sobre essa área de atuação do fisioterapeuta esportivo na prevenção das lesões de coluna. 5 Existem muitas possibilidades terapêuticas na fisioterapia para o atendimento do atleta que sofreu algum tipo de lesão. Quando falamos em lesões de coluna, a intervenção deve ser feita com o objetivo de recuperação do atleta após uma lesão que ocorreu no esporte, mas é uma forma de, após a recuperação, prevenir quadros de recidiva. Nesse contexto, disserte sobre os efeitos da bandagem terapêutica no tratamento de lesões de coluna em atletas. 151 TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS DO QUADRIL UNIDADE 3 TÓPICO 2 — 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 2, abordaremos as lesões esportivas que acometem o quadril de atletas. As regiões de quadril e pelve são sujeitas a alguns tipos de traumas relacionados a algumas atividades esportivas, mas com menor incidência quando comparado a outras regiões, como joelho, tornozelo e punho. As lesões que acometem o quadril podem ter diversas causas, como traumasdiretos sobre a região, impactos em membros inferiores que possam gerar uma força sobre a estrutura do quadril, dentre outras, além dos sinais e sintomas sofrerem variação conforme a localização e a gravidade da lesão. O quadril é caracterizado por ter uma grande estabilidade, visto que, na região, perpassam muitos ligamentos, músculos e cápsulas que conferem à região uma grande resistência, apesar da grande mobilidade necessária à deambulação, às atividades de vida diária e da grande descarga de peso que é imposta aos membros inferiores. Apesar de ser uma estrutura bastante rígida e composta por ossos, músculos e ligamentos que precisam suportar o peso corporal, o quadril do atleta pode sofrer lesões que, muitas vezes, o afastará das competições de forma definitiva, por serem lesões incapacitantes. A fisioterapia se faz importante para a análise dos comprometimentos estruturais e biomecânicos que podem estar presentes na região e que podem predispor o atleta às lesões esportivas, sendo importante um alinhamento corporal adequado, fortalecimento muscular, trabalho de amplitude de movimento, propriocepção, dentre outras intervenções, a fim de prevenir o surgimento das lesões nesse segmento corporal. 2 ANATOMIA DO QUADRIL A articulação do quadril é considerada uma das mais estáveis do corpo devido à presença de ligamentos importantes na região. Além da cápsula articular e uma musculatura importante, a região possui uma grande mobilidade, o que a torna muito suscetível a lesões, especialmente em momentos de contração dinâmica que produzem uma grande potência no local. 152 Atividades como salto e corrida utilizam muito a musculatura dessa região, promovendo um trabalho conjunto entre a pelve, o quadril, ligamentos e cápsula articular, para que haja estabilidade aos membros inferiores. Devido ao fato de a produção de força dinâmica e estabilização aplicarem uma sobrecarga nos músculos, articulações e ligamentos da região do quadril, essa área fica mais suscetível a sofrer lesões (PRENTICE, 2012). Quando ocorrem alterações a nível do quadril, em geral, a mobilidade do atleta também fica alterada. É muito importante a avaliação da mobilidade articular por meio da goniometria, identificando os movimentos de flexão e extensão, adução e abdução e rotações interna e externa. IMPORTANTE A articulação sacroilíaca une o arco ósseo da pelve juntamente com a sínfise púbica, oferecendo, em conjunto, uma elasticidade ao anel pélvico. A união das três articulações presentes na pelve promove um amortecimento das forças e impactos que incidem sobre a coluna vertebral e a parte superior do corpo todas as vezes que os membros inferiores entram em contato com o solo (MAGEE, 2010). O quadril possui uma cápsula articular fibrosa forte que recobre toda a articulação, a qual é reforçada por três ligamentos. O mais importante deles é o iliofemoral, que reforça a parte anterior da cápsula. Os três ligamentos se fixam na margem do acetábulo e cruzam a articulação do quadril em espiral, fixando-se no colo do fêmur. Essa conformação limita o movimento de hiperextensão do quadril, permitindo o movimento completo de flexão no sentido oposto, portanto, os ligamentos se tensionam na hiperextensão e relaxam na flexão. Essas conformações permitem que fiquemos na posição ortostática sem usar qualquer músculo, sendo sustentados, basicamente, pelos ligamentos iliofemorais direito e esquerdo (LIPPERT, 2018). 2.1 BIOMECÂNICA O quadril e a pelve transmitem cargas dos pés para a coluna e da coluna aos pés, sendo a pelve constituída por um anel ósseo dividido em lados direito e esquerdo (íleo, ísquio e púbis), ligados aos ossos do sacro e do cóccix. A pelve fornece suporte à coluna e ao tronco distribuindo o peso aos membros inferiores e ligando o tronco à musculatura da coxa. Ela possui articulações ligadas entre si por fortes ligamentos e uma cápsula articular que é composta por uma estrutura fibrosa. Ainda, na região estão presentes os grupos musculares anterior e posterior, sendo a articulação do quadril estável intrinsecamente pelo formato bola e soquete da articulação (PRENTICE, 2012). 153 FIGURA 2 – OSSOS DO QUADRIL FONTE: Tank e Gest (2009, p. 274) O quadril possui uma posição aberta quando está em trinta graus de flexão, trinta graus de abdução e discreta rotação lateral, sendo que, quando se encontra dessa forma, é possível um movimento máximo da superfície articular. Essa articulação tem formato côncavo-convexo, em que a cabeça do fêmur desliza no sentido oposto da extremidade distal do osso. A articulação do quadril é composta pelo osso do quadril e pelo osso fêmur, nesse contexto, o do quadril possui um formato irregular promovido pela fusão de três ossos que ocorre na vida adulta (LIPPERT, 2018). 2.2 LESÕES ESPORTIVAS NA REGIÃO DO QUADRIL Os processos de lesão se dividem em fases: lesão primária e secundária. Uma lesão primária promove a destruição de tecido, o que ocorre por uma força traumática. Já uma lesão secundária é composta por morte celular, causada, em geral, por um bloqueio no suprimento de oxigênio para a área lesionada, quadro conhecido como isquemia, levando a um dano enzimático e alterações nas funções mitocondriais. O dano que ocorre no estágio primário é irreversível, por isso, o tratamento é feito com objetivo de tentar limitar a extensão da lesão secundária (STARKEY, 2017). 154 As estruturas da região do quadril e pelve mais acometidas por lesões no esporte são os músculos e os tendões, responsáveis pela realização dos movimentos na região, visto que a maioria dos músculos têm sua origem localizada na região da pelve ou do fêmur, ou servem de inserção para outros músculos, como os abdominais, glúteos, dentre outros. As inserções musculares em uma pequena área fazem com que, em caso de lesão, ocorra uma incapacidade considerável ao atleta, dificultando, inclusive, o seu diagnóstico (PRENTICE, 2012). As articulações sacroilíacas e sacrococcígea, apesar de limitadas em seus movimentos, são muito importantes e são alvos de lesão, podendo se tornar hipomóveis ou hipermóveis, levando o atleta a apresentar dor e disfunção, pois as articulações do quadril são protegidas por fortes ligamentos e reforçadas por músculos, dessa maneira, um movimento na articulação sacroilíaca afeta a região da sínfise púbica e vice-versa (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). Quando ocorre lesão a nível articular, o equilíbrio é prejudicado e as reações proprioceptivas são prejudicadas, o que especialmente ocorre quando há distensão em componentes presentes na articulação, como ligamentos, tendões, cápsula e, ainda, os mecanorreceptores periféricos, prejudicando suas funções. São lesões comuns que ocorrem nas atividades esportivas, frequentemente por choque com adversários ou objetos e podem, inclusive, incapacitar o atleta a retornar ao esporte (ROSSATO et al., 2013). A propriocepção, juntamente com um funcionamento muscular adequado, auxilia na estabilidade articular, especialmente no movimento. As lesões ortopédicas podem prejudicar esse mecanismo. Dessa forma, é importante a fisioterapia trabalhar a propriocepção e o equilíbrio do atleta na reabilitação. ATENÇÃO As lesões podem ser provocadas tanto por fatores externos quanto internos. Os externos podem ser um treinamento sem respeito à intensidade, frequência e duração adequadas, local de treino inadequado – como areia, asfalto, grama, com terreno irregular – ou, ainda, por uma alimentação desequilibrada do atleta sem fornecimento energético adequado e prática de mais de uma atividade física ao mesmo tempo. Já os fatores internos estão relacionados a alterações anatômicas ou na biomecânica corporal, à flexibilidade, a lesões anteriores, ao condicionamento físico do atleta, comopeso, altura e índice de massa corporal, e até à qualidade do tecido ósseo, ou seja, densidade óssea, além do condicionamento cardiovascular (PILEGGI et al., 2010). 155 A atividade esportiva pode causar uma lesão em nível de crista ilíaca, sendo que a contusão pode acometer concomitantemente a musculatura que está sobre a crista. Geralmente, o mecanismo lesivo ocorre por golpe direto, como em esportes de contato. Casos mais graves podem provocar uma grande lesão óssea, fissuras ou fratura no local, podendo envolver a musculatura flexora de quadril, bem como a musculatura de região abdominal. Pode, também, ser afetada a musculatura rotadora do quadril, causando dor em qualquer movimento, inclusive na sustentação de peso (WALKER, 2011). Outra patologia comum de surgir nas atividades esportivas é a pubalgia, que corresponde a um processo inflamatório na região do quadril denominada de sínfise púbica, geralmente causada por desequilíbrio entre a musculatura anterior do tronco (abdominal) e a musculatura adutora do quadril. Esforços repetitivos impostos durante o esporte, especialmente aqueles que exigem correr ou chutar ou, ainda, os que exigem movimentos bruscos por parte do atleta, promovem o desequilíbrio na musculatura e levam a região pélvica a uma instabilidade. O desequilíbrio muscular exerce uma força de cisalhamento sobre a região da sínfise púbica, já que são antagonistas na força exercida sobre a região, o que promove vários microtraumas de forma acumulada na região, trazendo problemas de pubalgia. Os sintomas são, especialmente, a dor no local de inserção do músculo abdominal e na origem dos músculos adutores, principalmente em atividades que exigem mais movimentos da pelve ou, por exemplo, ao caminhar. Além disso, a dor é exacerbada quando o atleta faz alongamento, fortalecimento da região abdominal ou quando aumenta a pressão intra-abdominal (ANGOULES, 2015). No quadril, é muito comum ocorrer uma distensão dos músculos flexores do quadril, especialmente em esportes como ciclismo e corridas, que exigem chutes e saltos, visto que nesses casos há uma imposição de carga aos músculos de forma repetitiva e sem dar tempo de repouso, ocorrendo, então, o estiramento e podendo ocorrer laceração dos músculos envolvidos nos esportes. Esse tipo de lesão pode ocorrer devido à falta de alongamento ou aquecimento adequados e à prática inadequada da atividade física, por exemplo, hiperextensão vigorosa da região do quadril (WALKER, 2011). 2.3 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS NAS LESÕES DE QUADRIL Qualquer intervenção na fisioterapia deve iniciar com uma avaliação detalhada das estruturas envolvidas. A região do quadril e da pelve são extremamente importantes, visto que são consideradas o centro do corpo, tendo o centro de gravidade localizado em sua porção anterior. As lesões nessa região podem levar a incapacitações tanto da região dos membros inferiores como do tronco ou, ainda, podem estar associadas. É importante a verificação de presença de assimetrias na postura ou de qualquer assimetria na descarga de peso em membros inferiores durante a deambulação. A palpação e a realização de testes especiais permitem o diagnóstico de alterações funcionais, musculares e articulares nessa região (PRENTICE, 2012). 156 A termografia é um recurso não invasivo e pode ser usada na avaliação em fisioterapia esportiva, pois demonstra, por meio de imagens térmicas infravermelhas, a vascularização tecidual por meio da temperatura apresentada na pele. Isso pode auxiliar na detecção de alterações de temperatura pós-treino ou competições. Ela também mostra áreas que apresentam um processo inflamatório agudo e que possam influenciar no desempenho do atleta (JUNIORI, 2021). Na anamnese, é muito importante que o fisioterapeuta questione qual foi o mecanismo da lesão, qual o local em que a dor se localiza, se há momentos em que a dor é mais aguda, se existe alguma posição que agrava o quadro álgico e que seja levada em consideração a idade do paciente. Devem ser avaliados a coluna lombar e os quadris porque, muitas vezes, essas regiões causam dor referida na região da articulação sacroilíaca e alterações na posição do sacro em relação ao ílio alteram a posição da sínfise púbica, levando a problemas na região da pelve e do quadril (MAGEE, 2010). Pode também ser realizada a medida do desfecho que é referida pelo paciente, conhecida como PROMs, originada da nomenclatura em inglês Patient Reported Outcome Measures. Essa medida permite avaliar os sintomas, estado funcional e fatores psicossociais que o paciente relatar em relação à sua saúde e pode ser usada para gerenciamento clínico do paciente. No esporte, o fisioterapeuta usa os PROMs como forma de monitorar diariamente o atleta, podendo identificar fatores que alterem o seu desempenho nas competições e dando oportunidade ao atleta de participar da sua recuperação ao longo do processo terapêutico (JUNIORI, 2021). No tratamento das lesões na região do quadril, pode ser realizado um treinamento proprioceptivo para que haja um estímulo aos mecanorreceptores presentes em articulações, músculos e tendões, para que seja possível, ao sistema nervoso, reconhecer condições dinâmicas e estáticas, de equilíbrio ou desequilíbrio, biomecânicas, do tônus e alterações em coordenação motora ou de percepção do local acometido. A propriocepção é importante para a marcha, podendo influenciar, inclusive, na força muscular e no equilíbrio do atleta (ROSSATO et al., 2013). No caso de contusão provocada por impacto direto na região da crista ilíaca causada por esportes de contato, é importante o tratamento imediato com aplicação de gelo e, posteriormente, devem ser fortalecidos os músculos que ficam ao redor do quadril. O repouso deve ser mantido até que não haja mais dor. Então, após esse período, o atleta deve ser reinserido de forma gradual na atividade esportiva (WALKER, 2011). Nos atletas que apresentam o quadro de pubalgia, a fisioterapia pode atuar com técnicas eletroterápicas para alívio da dor ou, ainda, a crioterapia, além de trabalhar os músculos estabilizadores da região pélvica, melhorando sua flexibilidade, equilibrar a força muscular da região e fazer mobilização da região, trabalhando, em especial, na região da articulação sacroilíaca. Ao retornar ao esporte, é importante um calçado adequado que diminua o impacto e uma propriocepção adequada (QUEIROZ et al., 2014). 157 Nos casos em que há distensão de flexores do quadril, é muito importante a interrupção de atividades que agravem o quadro de distensão dos músculos e pode ser aplicado gelo de 48 a 72 horas. Também podem ser usadas técnicas com ação anti- inflamatória e técnicas de aquecimento e massoterapia para melhorar a cicatrização e o fluxo sanguíneo no local. Após esse período, é muito importante o condicionamento como forma de reabilitação para que não ocorra novas distensões da musculatura. Para isso, deve ser trabalhado alongamento da musculatura flexora do quadril, abdominais, quadríceps, dentre outros, para que seja diminuído o estresse sobre o local, ou quando forças inesperadas são impostas sobre o local, para que não ocorra recidiva (WALKER, 2011). Os atletas ainda podem ser reabilitados por meio da terapia denominada de gamificação, que consiste no uso de jogos para que o atleta realize exercícios físicos ou atividades de reabilitação, afetando o comportamento e a motivação do atleta de realizar os exercícios por meio de estímulos visuais proporcionados pela técnica. No caso de atletas, é promovido o seu envolvimento no processo de reabilitação, sendo possível ao fisioterapeuta avaliar os efeitos emocionais, cognitivos e sociais do paciente duranteo processo. A técnica permite avaliar o progresso da reabilitação do atleta ou até comparar resultados entre os membros da equipe esportiva. Existem alguns aplicativos, como Strava e NikeRun, que demonstram a atividade física e oferecem um feedback ao atleta durante a recuperação (JUNIORI, 2021). O fisioterapeuta deve educar o atleta quanto às formas de proteger a articulação do quadril, evitando as condições que levem ao surgimento dos sintomas. Algumas orientações, nesse caso, incluem não permanecer muito tempo sentado, não utilizar cadeiras ou sofás muito baixos, não realizar agachamentos profundos, evitar cruzar as pernas, não praticar a atividade esportiva caso ela cause dor. Em alguns casos, quando a lesão do quadril altera o padrão de movimento durante a deambulação, pode ser indicado o uso de dispositivos auxiliares para a marcha, como andador, muletas ou bengala, para que haja uma redução da carga imposta na articulação do quadril (BARBOSA; SILVA, 2021). 158 Neste tópico, você aprendeu: • Conceitos anatômicos da região do quadril e pelve e suas principais características, além da presença de estruturas ósseas importantes que, juntamente com as estruturas musculares, ligamentares e cápsulas dão à região uma grande estabilidade e resistência. • Biomecânica da região do quadril e pelve e sua relação com a mobilidade desse segmento, o que pode indicar risco à lesão, sendo que os atletas estão predispostos a mecanismos de lesão por descarga de peso na região de forma mais considerável, além de alterações na biomecânica que podem provocar as lesões nessa região. • Principais lesões esportivas que acometem o quadril, tais como pubalgia e distensões musculares, quais mecanismos levam ao surgimento dessas lesões e como deve ser a avaliação da fisioterapia desde o pré-atendimento por meio do gesto esportivo do atleta. • Intervenções fisioterapêuticas nas lesões de quadril, desde treinos de propriocepção, alongamentos, fortalecimento muscular, terapia manual, sempre de acordo com uma anamnese detalhada para delineamento do quadro e a escolha da terapia mais plausível em cada caso. RESUMO DO TÓPICO 2 159 1 Com base no estudo da anatomia do quadril, compreende-se que pode ocorrer um quadro inflamatório causado por desequilíbrio entre a musculatura anterior do tronco e adutora do quadril. Além disso, em atividades esportivas em que ocorre sobrecarga de movimentos repetitivos sobre a região do quadril, pode ser desenvolvida uma força de cisalhamento na região, gerando um quadro de desequilíbrio e instabilidade local. Assim, assinale a alternativa CORRETA que apresenta o nome dessa condição: a) ( ) Distensão muscular. b) ( ) Artrite. c) ( ) Pubalgia. d) ( ) Artrose. 2 No atendimento às lesões de quadril em atletas, é muito importante que a fisioterapia inicie com uma avaliação detalhada, já que essa região é considerada o centro do corpo e onde se localiza o centro de gravidade em sua porção anterior. Quando o quadril está lesionado, pode ocorrer um quadro de incapacidade, especialmente nos membros inferiores ou na região do tronco. Com relação às lesões que acometem essa região e à sua avaliação, analise as afirmativas a seguir: I- É muito importante a verificação de assimetrias na descarga de peso na deambulação. II- É muito importante a palpação da região do quadril para verificar alterações articulares ou musculares. III- É muito importante a realização de testes especiais para diagnósticos de disfunções musculares ou articulares. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 A fisioterapia esportiva atua nos quadros de lesões esportivas do quadril, podendo ser citados a pubalgia, a distensão muscular, o quadro de dores musculares causados por esforço repetitivo da musculatura envolvida no equilíbrio pélvico e a verificação de alterações posturais que possam levar ao risco de lesão durante a prática de atividade esportiva. Com relação às lesões de quadril que acometem os atletas nas competições, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 160 ( ) Quando ocorre distensão dos músculos flexores de quadril, as atividades devem ser interrompidas. ( ) Quando ocorre a distensão dos músculos flexores de quadril, pode ser aplicado gelo de 48 a 72 horas. ( ) Quando ocorre a distensão dos músculos flexores do quadril, pode ser associado ao tratamento o uso de técnicas anti-inflamatórias. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V - F - F. b) ( ) V - F - V. c) ( ) F - V - F. d) ( ) V - V - V. 4 A fisioterapia esportiva dispõe de uma gama de recursos para o atendimento do atleta, promovendo desde a prevenção até a reabilitação do atleta. Após um quadro de lesão, por exemplo, no caso de lesão da região do quadril, existem recursos manuais, recursos eletrotermoterápicos e recursos eletrônicos que auxiliam na recuperação do atleta. Disserte sobre a técnica de gamificação na reabilitação do atleta e na atuação do fisioterapeuta esportivo. 5 O tratamento de lesões esportivas que afetam o quadril demanda várias formas de intervenção, desde fortalecimento da musculatura flexora e rotadora de quadril ao trabalho na flexibilidade articular, alongamento e fortalecimento muscular. É muito importante que esse trabalho seja feito na pré-competição e, no caso de lesão, a reabilitação deve visar ao retorno funcional do atleta à competição. Além disso, é muito importante o trabalho proprioceptivo. Disserte sobre a importância da propriocepção na recuperação pós-lesão de atletas. 161 TÓPICO 3 — TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS DO MEMBRO SUPERIOR UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 3 abordaremos as lesões esportivas que acometem os membros superiores, como luxações e epicondilites, em geral causadas por movimentos repetitivos ou excesso de força aplicada sobre a articulação envolvida. O ombro, devido à grande amplitude de movimento que existe na região, acaba sendo uma região mais suscetível a lesões. As lesões de membro superior podem ser causadas por movimentos repetitivos, como é o caso das epicondilites, mais conhecidas como cotovelo de tenista e cotovelo de golfista. Além disso, movimentos bruscos ou impactos de grande magnitude sobre as articulações do membro superior podem levar a lesões graves. As estruturas dos membros superiores realizam uma frequência grande de movimentos nos gestos esportivos, especialmente nos esportes que envolvem arremessos ou mobilidade do membro superior acima da cabeça, o que promove um grande risco de lesão a nível dessas articulações, a saber: o ombro, o cotovelo, o punho e as articulações da mão. A fisioterapia pode atuar nos momentos pré-competição, realizando uma avaliação detalhada dos principais gestos esportivos do atleta que predispõem lesões em membros superiores e, de acordo com os achados da avaliação fisioterápica, elaborar um protocolo terapêutico para prevenir as lesões ou para a reabilitação do paciente quando elas ocorrem. O membro superior é utilizado com muita frequência nas atividades de vida diária, principalmente nos gestos esportivos que exigem arremesso ou movimentos acima da cabeça, sendo importante o fortalecimento e ganho de amplitude de movimento, dentre outras intervenções, na prevenção e reabilitação das lesões esportivas de membros superiores. 162 2 ANATOMIA DOS MEMBROS SUPERIORES O ombro é composto por vinte músculos, três articulações ósseas e superfícies móveis de tecidos moles. Ele permite à mão se posicionar em, aproximadamente, dezesseismil posições diferentes para a realização das funções do dia a dia. Além disso, o ombro permite uma estabilização do membro superior para que a mão possa puxar ou levantar objetos. Para tanto, é necessária uma estabilidade estrutural, sendo que a única fixação óssea do membro superior no tronco é a esternoclavicular (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). O complexo do ombro possui uma grande mobilidade, o que causa uma grande instabilidade nessa articulação, deixando a região muito suscetível a lesões. São comuns lesões ligadas ao esforço repetitivo, em que os ossos localizados no ombro se ligam, estruturando uma articulação que forma um complexo entre clavícula, esterno, escápula e úmero. Essa região tem quatro grandes articulações: esternoclavicular, acromioclavicular, glenoumeral e escapulotorácica. A instabilidade do ombro acaba causando lesões especialmente nas atividades esportivas que envolvem movimentos acima da cabeça, como vôlei, lançamento de dardo, basquete, dentre outras, sendo a estabilidade dinâmica promovida pela musculatura do manguito rotador juntamente com a cápsula articular (PRENTICE, 2012). FIGURA 3 – CÍNGULO DO MEMBRO SUPERIOR FONTE: Martini, Timmons e Tallitsch (2009, p. 210) 163 O braço articula-se com o tronco por uma estrutura denominada cíngulo do membro superior ou, ainda, cintura escapular. Os movimentos que ocorrem na clavícula e na escápula permitem ao braço um apoio para que o ombro possa se movimentar. Dessa forma, percebe-se que a escápula e a clavícula são locais importantes de inserção muscular do complexo do membro superior (MARTINI; TIMMONS; TALLITSCH, 2009). O cotovelo é composto por um conjunto de articulações complexas do tipo sinovial compostas. Então, se houver lesão em uma parte, as demais também serão afetadas, são elas: a úmero-ulnar e ulmerorradial. Essas articulações são sustentadas especialmente pelos ligamentos colateral ulnar e colateral radial. O cotovelo é que permite um posicionamento adequado da mão para que desempenhe sua função, além de ajustes de altura e comprimento para a adequada posição da mão. Os tratamentos do cotovelo, em geral, são direcionados à condição patológica apresentada (MAGEE, 2010). 2.1 BIOMECÂNICA Os músculos dos membros superiores têm sua origem no úmero ou na escápula e possuem função de estender ou flexionar o cotovelo, proporcionando a estabilidade ao punho e mão em movimentação nas mais diversas direções (MANOCCHIA, 2009). O membro superior tem como principal função o movimento de preensão, que tem início na articulação do ombro, sendo que o complexo do ombro tem grande mobili- dade (DUFOUR; PILLU; 2016). O ombro pode ser definido como uma articulação suspensa, composto de um grupo de cinco articulações: ombro, escapulotorácica, esternoclavicular, acromioclavicular e uma funcional, a subdeltoidea, que pode ser determinada de fal- sa articulação. Funcionalmente e anatomicamente, essas estruturas articulares são conectadas, sendo bastante expostas e superficiais. O ombro é composto de tendões de quatro músculos que se unem com a cápsula articular, conhecidos como manguito rotador. São eles: os músculos supraespinal, infraespinal, redondo menor e subescapular. Essa estrutura recobre o ombro em suas faces anterior, posterior e superior e a contração desses músculos faz com que a cabeça do úmero seja movimentada em direção à cavidade glenoide, o que permite uma estabilidade à essa articulação (HALL, 2020). O excesso de contração da musculatura flexora ou extensora aplica tensão nas regiões medial ou lateral do cotovelo por movimentos repetitivos, o que pode desenvolver a epicondilite lateral ou medial, também denominado cotovelo de tenista ou golfista. IMPORTANTE 164 O cotovelo é quem faz os movimentos de flexão e extensão, pronação e supinação, e suporta constantemente as cargas nas atividades diárias, como vestir-se e comer, chegando a aproximadamente 300 N. Essas cargas são ainda maiores no caso de práticas esportivas, por exemplo, em um arremesso de beisebol, o cotovelo sofre uma força em valgo de aproximadamente 64 N-m força de 1.000 N para que não ocorra luxação. Além disso, em muitas atividades esportivas, o cotovelo funciona como articulação de sustentação de carga (HALL, 2020). Além da congruência óssea, são vários os músculos que atravessam a articulação do cotovelo, dando a ele uma estabilidade e uma mobilidade funcional. São eles: cinco principais, dois extensores e três flexores. Já os movimentos que ocorrem na articulação entre rádio e ulna são originados da mobilidade de quatro músculos principais: um par de supinadores e um par de pronadores. Além dos músculos, os ligamentos presentes na articulação do cotovelo auxiliam na estabilidade. Estão presentes dentro da cápsula da articulação do cotovelo as três articulações do cotovelo, a saber, a umeroulnar, umerorradial e a radioulnar proximal (HOGLUM; BERTOTI, 2014). Na região do cotovelo, também está presente uma membrana sinovial que o envolve juntamente com as articulações radioulnares superiores, tendo a principal função de lubrificar as estruturas profundas dessas articulações. Uma cápsula envolve todo o cotovelo e também estão presentes as bolsas bicipital e olecraniana. A bicipital acolchoa o tendão bicipital na posição do antebraço em pronação em relação à tuberosidade do rádio, e a bolsa do olécrano fica entre ele e a pele (PRENTICE, 2012). As articulações da cintura escapular agem de forma conjunta no carregamento de cargas e absorção de impactos. No caso do ombro, a articulação glenoumeral é a que mais oferece suporte mecânico ao membro superior, sendo exposta a cargas muitos maiores que as outras articulações do ombro (HALL, 2020). A mão é formada por diversos ossos, articulações, tendões, nervos e vasos sanguíneos, sendo uma estrutura corporal muito importante em suas várias funções. Ela se adapta muito bem às demandas impostas em seus comandos e é considerada um órgão complexo e com várias funções. Sua estrutura permite tanto a manipulação de objetos grandes quanto a realização de tarefas delicadas que demandam movimentos mais finos. Além disso, a mão pode ser considerada um órgão do tato, por isso, é um importante órgão de comunicação e expressões não verbais (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). 2.2 LESÕES EM MEMBROS SUPERIORES A maioria dos esportes fazem com que o atleta execute movimentos na extremidade superior acima da cabeça, como arremessos, batidas ou movimentos repetitivos dos membros superiores, o que expõe o atleta a maiores riscos de lesões pelo fato de que as articulações das extremidades superiores têm uma grande instabilidade, 165 especialmente na região do ombro, podendo ser acometida por lesões por excesso de uso. As lesões, em geral, ocorrem por impacto, sobrecarga dinâmica, excesso de uso, vulnerabilidade das estruturas, flexibilidade diminuída e desequilíbrio na musculatura (ZATSIORSKY, 2003). O ombro tem um papel muito importante nas atividades de vida diária, atuando em uma cadeia cinética aberta e, algumas vezes, em uma cadeia cinética fechada. Limitações funcionais constantemente acometem pacientes limitando movimentos, como colocar a mão atrás da cabeça, e uma limitação na amplitude de movimento altera as atividades funcionais de vida diária. A avaliação funcional é, de acordo com essas atividades de vida diária, laborativas, recreacionais ou pode ser feita com tabelas de pontuação, de acordo com medidas clínicas e funcionais, tendo algumas escalas específicas para atletas e lesões específicas (MAGEE, 2010). O ombro de um atleta pode ser acometido por fraturas, como de úmero e clavícula, geralmente causadas por impacto sobre a região em esportes de contato ou, em alguns casos, pela queda sobre o braço estendido, colisãoentre dois atletas e trauma direto sobre a clavícula. Nesses casos, normalmente o atleta apresenta dor, desenvolve-se um edema na região e o atleta não consegue elevar o braço. Raramente pode ocorrer pneumotórax, hemotórax ou lesão no plexo braquial (WALKER, 2011). FIGURA 4 – FRATURA DE CLAVÍCULA FONTE: Vasconcelos et al. (2021, p. 111) 166 O ombro ainda pode sofrer luxação quando o atleta cai com a mão estendida ou em casos de abdução e rotação externa do ombro. Geralmente isso ocorre devido ao contato extremo com outro atleta ou com algum objeto mais sólido. Quando esse quadro se faz presente, há uma dor muito forte no ombro e os músculos deltoides podem se apresentar com contorno irregular (WALKER, 2011). Podem ocorrer lesões no ombro por sobrecarga em movimentos repetitivos, promovendo desgaste na junção miotendínea, levando à dor e fraqueza muscular. Como consequência, há uma redução da amplitude de movimento. Outra patologia que acomete o ombro são as compressivas, que podem sobrevir de traumas, fraturas, cirurgias, doenças sistêmicas e, em alguns casos, são bilaterais. O ombro também pode ser acometido pela síndrome do impacto (VASCONCELOS et al., 2021), podendo ser o glenoumeral, que ocorre especialmente no movimento de abdução do ombro. As lesões em ombro acabam por afetar não somente a articulação glenoumeral, mas a mobilidade do cotovelo e do punho, visto que os movimentos são multiarticulares. Um atleta também pode sofrer lesões na articulação do cotovelo, sendo mais comum a epicondilite, que provém do excesso de uso, levando a microtraumas e afetando a parte medial ou a parte lateral do cotovelo, os conhecidos cotovelo de tenista e cotovelo de golfista (ZATSIORSKY, 2003). O cotovelo pode ser acometido por uma tendinite do músculo tríceps, o qual se apresentaria com dor no movimento de extensão de cotovelo quando imposta alguma resistência, presença de algia no local de inserção do tríceps. Ainda, no raio X podem estar presentes esporões do olécrano, atingindo mais o sexo masculino, especialmente esportes de alta intensidade ou trabalho manual pesado. A lesão ocorre por tração sobre o tendão em sua inserção na região do olécrano (MCMAHON, 2008). 2.2.1 Intervenções fisioterapêuticas nas lesões de membros superiores Os atletas que exigem muita mobilidade de membro superior apresentam uma incidência maior de risco de lesões no ombro. Nesse ponto, é muito importante o trabalho de condicionamento físico de forma preventiva, devendo ser trabalhado um fortalecimento excessivo da região quando a atividade esportiva exige esforço excessivo do braço e do ombro. Os músculos da região do ombro devem ser fortalecidos, especialmente os que levam a sua movimentação em toda a amplitude de movimento (PRENTICE, 2012). 167 A força dispensada pelo braço ao realizar um arremesso ou uma “cortada” no vôlei, por exemplo, leva ao risco de lesões, sendo necessária a avaliação da alavanca de movimento do membro para otimizar esse desempenho e minimizar risco de lesão. INTERESSANTE É importante que sejam conhecidos todos os sinais e os sintomas apresentados pelo paciente com algum problema no ombro para que as técnicas terapêuticas mais adequadas sejam prescritas, visto que a dor no ombro pode ser proveniente de um problema preexistente nas articulações, de doenças que afetam as regiões próximas à articulação ou até de problemas nas articulações da coluna cervical, do tórax e das vísceras (MAGEE, 2010). Na avaliação, é muito importante que o fisioterapeuta verifique quais são as principais queixas do paciente, como foi o trauma no local, se há presença de dor, crepitação, fadiga, diferença de temperatura ou fraqueza presentes. Devem ser avaliados quais movimentos agravam a dor e se o atleta já passou por alguma intervenção terapêutica anteriormente. O paciente deve ser observado durante a deambulação e na posição ortostática para que sejam detectadas assimetrias entre os ombros, problemas na postura, deformidades ósseas ou qualquer alteração no tônus muscular, dentre outros aspectos (PRENTICE, 2012). A observação deve permitir a análise dos contornos ósseos e a avaliação dos tecidos moles bilateralmente para verificar se estão simétricos ou assimétricos. Devem ser avaliados a coluna cervical, o tórax, o membro superior, a presença de mudanças vasomotoras que podem levar à alteração de coloração nas mãos ou a presença de acúmulo de líquido no meio intersticial e edema, ou o surgimento de atrofia muscular (MAGEE, 2010). As lesões traumáticas de ombro podem ser tratadas de forma conservadora se não forem muito graves, mas o fisioterapeuta deve trabalhar para devolver ao paciente a sua funcionalidade normal, ainda que dentro de suas limitações pós-lesão. Para isso, as primeiras condutas são a analgesia, o posicionamento adequado do membro acometido e as orientações em relação à imobilização. O tratamento inicia com exercícios passivos dentro de um ângulo de segurança e, após um período médio de dezesseis semanas, inicia-se o treino muscular. A fisioterapia, em casos cirúrgicos, deve iniciar no pós-operatório imediatamente, bolsas de água fria e outras técnicas de termoterapia auxiliam na redução do quadro álgico e melhoram a qualidade de vida do paciente. A eletroterapia pode ser usada, como o ultrassom, que auxilia no processo de regeneração tecidual, mas deve ser evitado sobre próteses metálicas. Após a fase de recuperação aguda, iniciam-se os exercícios de ganho de amplitude de movimento de forma ativa, ativa assistida ou passiva, em que o alongamento também é importante para melhorar a contratilidade do músculo. 168 A força muscular no processo de recuperação pode ser trabalhada de forma isométrica, concêntrica ou excêntrica, sendo a isométrica a melhor opção quando ainda não for permitida uma amplitude de movimento maior. Também pode ser usada a terapia manual para relaxar a musculatura, o que melhora o posicionamento das faces articulares e promove a tração, melhorando a dor de forma temporária e facilitando a mobilização local (VASCONCELOS et al., 2021). São necessários testes especiais durante o processo para a confirmação de diagnóstico das lesões do ombro, sendo alguns deles obrigatórios. A dor em região anterior do ombro ocorre frequentemente em pacientes jovens e adultos. Em pacientes mais idosos, pode ocorrer degeneração dos músculos do manguito rotador ou, ainda, o formato do acrômio pode levar ao surgimento de lesões na região do ombro. Nesse caso, deve ser feito teste para desvio do ombro e risco de luxação (MAGEE, 2010). Como exemplo dessa etapa, pode ser citado o teste de esforço de Norwood, em que o fisioterapeuta palpa a cabeça do úmero e movimenta o braço do paciente, testando a mobilidade do braço e riscos de luxação. O teste resultará positivo quando a cabeça do úmero se deslocar posteriormente no quadro de subluxação. As técnicas fisioterapêuticas são diversas, podendo ser usado: terapia miofascial, ultrassom pulsado, exercícios resistidos com o elástico terapêutico, dentre outras (VASCONCELOS et al., 2021). Ao avaliar a funcionalidade do membro superior, existem testes bem específicos, como o teste de queda da bola, que avalia a resistência do complexo do ombro, sua capacidade de se mover rapidamente e a estabilidade sua dinâmica (STOCCO, 2021). INTERESSANTE Também podem ser usados testes funcionais, como o arremesso de bola pesada na posição sentada, que permite avaliar os membros superiores e pode ser feito na posição sentada ou de pé, avaliando, também, as funções do tronco e dos membros inferiores, promovendo uma avaliação funcional mais completa e global (STOCCO, 2021). 169 FIGURA 5 – TESTE DE ARREMESSO DA BOLA NA POSIÇÃO SENTADA FONTE: Stocco (2021, p. 23) A dor apresentada pelo atleta pode ser avaliada de diversas formas, como pela escala visual analógica, que é composta de uma linha horizontalou vertical. Ao longo da escala, são colocados descritores como: “sem dor” e “pior dor imaginável”. Nela, o paciente avaliado coloca uma marca no local que indica a dor que está experimentando. Existem variações dela para a avaliação da dor, como a escala estimativa numérica e a escala faces. A maioria das escalas usa um sistema de 11 pontos de 0 a 10, sendo que a escala faces usa desenhos com expressões, parecidos com emoticons, para comunicar a sensação de dor (STARKEY, 2017). No caso de fraturas de clavícula ou úmero, no primeiro momento o tratamento consiste na aplicação de gelo, alívio da dor e imobilização do membro superior lesionado. Depois, é muito importante a reabilitação para que haja um alinhamento adequado para a consolidação da fratura. Quando estiver consolidada, deve-se iniciar exercícios de ganho de amplitude de movimento e fortalecimento muscular para que seja recuperada a capacidade funcional do membro superior do atleta (WALKER, 2011). A bandagem funcional possui uma boa aplicabilidade no ombro, visto que a articulação acromioclavicular é superficial, o que facilita a correção de postura inadequada com uso da bandagem auxiliando nos tratamentos das patologias do ombro de atletas. Patologias em que houve impacto, separação, crepitação, tendinite, bursite, encurtamentos, dentre outras, são bem tratadas com o auxílio das bandagens terapêuticas. Mudar um ou dois componentes na postura, seja na coluna ou pescoço, auxilia em muitos casos de alterações na amplitude de movimento do ombro. As bandagens podem ser usadas para corrigir a posição da escápula, como corrigir um escapuloumeral inadequado (KEIL, 2014). No caso do atleta que apresenta epicondilite lateral do cotovelo, é importante a prevenção por meio de orientações ao esportista para que, ao golpear uma bola, por exemplo, a técnica seja perfeita e com empunhadura correta. Nos esportes que usam raquete, que ela seja de tamanho e peso adequados e que a duração de um jogo não 170 exceda duas horas, além de as superfícies do solo onde acontece o jogo sejam macias. O tratamento visa aliviar a dor, reduzir o quadro inflamatório e fortalecer a musculatura extensora. Deve haver afastamento da atividade esportiva que está desencadeando o quadro e, ainda, pode ser indicada uma órtese para distribuir as forças sobre as massas dos músculos extensores. A epicondilite medial é tratada com repouso, gelo, órteses e, em alguns casos, é possível o trabalho com eletroestimulação (MCMAHON, 2008). O retorno do atleta às atividades esportivas está condicionado a não haver presença de dor, porque havendo, pode sinalizar uma lesão tecidual, além de não poder haver sinais inflamatórios, como edema, vermelhidão ou alteração de temperatura local. Isso pode demonstrar que a lesão ainda não está totalmente reparada, o que não permite o retorno do atleta às competições. O tempo em que ocorreu a lesão também é muito importante para que seja respeitado o tempo total de reparo tecidual, dessa forma, o atleta só deve voltar às competições quando a amplitude de movimento estiver recuperada ou próxima do fisiológico. A força, a potência e a resistência muscular devem estar recuperadas, o controle neuromuscular deve estar restabelecido e o sistema cardiorrespiratório deve estar condicionado para um retorno satisfatório às exigências impostas pelos treinos e pelas competições esportivas, além de outros fatores (STOCCO, 2021). Na reabilitação dos atletas, são empregados exercícios específicos do esporte. Junto a isso, ao longo da reabilitação é feita uma avaliação de desempenho que prediz a capacidade do atleta de realizar um exercício ou circuito específico com segurança. A avaliação de desempenho final é aquela realizada antes que o atleta volte à plena participação de suas atividades, a qual deve demonstrar valores de flexibilidade, força, resistência e coordenação ideais, com capacidade funcional plena e velocidade, potência e agilidade adequadas para que o atleta volte ao seu desempenho completo de forma segura (HOUGLUM, 2015). A partir do momento em que o membro superior lesionado atingir a força e a amplitude de movimento e controle adequados, o paciente poderá iniciar os exercícios específicos da atividade esportiva. Então, os programas progressivos funcionais e específicos à atividade serão compostos por movimentos semelhantes aos que são executados na atividade esportiva. Ao final, são realizados testes para verificar a recuperação dos membros superiores. As metas da reabilitação são feitas de forma individual aos atletas de acordo com esporte e com o desempenho pré-lesão do atleta. Ao concluir o programa de exercícios terapêuticos, em geral, o atleta é liberado para o retorno às competições (HOUGLUM, 2015). 171 Neste tópico, você aprendeu: • Conceitos anatômicos da região do membro superior e suas principais características relacionadas às articulações presentes no cíngulo do membro superior e suas relações com as principais lesões esportivas que envolvem os membros superiores. • Biomecânica da região do ombro e cotovelo, sua relação com a mobilidade desse segmento e riscos de lesão, além da importância da avaliação de alterações estruturais e de mobilidade que fazem com que o atleta fique mais exposto a lesões nas articulações dessas estruturas do esqueleto apendicular. • Principais lesões esportivas que acometem o membro superior, como luxação e epicondilite lateral, epicondilite medial, as conhecidas cotovelo de tenista e cotovelo de golfista e a possibilidade de tendinites, como do tríceps, relacionadas com movimentos repetitivos nos gestos esportivos. • Intervenções fisioterapêuticas nas lesões de membro superior compostas de uma gama de exercícios de cinesioterapia, além do trabalho para ganhar amplitude de movimento e força em membros superiores, sempre de acordo com os achados na avaliação fisioterapêutica. RESUMO DO TÓPICO 3 172 1 O atleta pode ser acometido por diversas patologias em membros superiores devido à mobilidade exagerada que existe na articulação do ombro e o predispõe à luxação, podendo ocorrer lesões por sobrecarga excessiva sobre a musculatura ou sobre as articulações. Em muitos casos, pode surgir um processo inflamatório por movimentos repetitivos, causando uma epicondilite lateral. Assinale a alternativa CORRETA que apresenta o nome dessa condição: a) ( ) Miosite. b) ( ) Artrite. c) ( ) Cotovelo golfista. d) ( ) Cotovelo tenista. 2 A fisioterapia atua na recuperação de atletas após lesões de membros superiores, como ombro, cotovelo ou punho, e a maioria dos casos é encaminhado ao tratamento conservador, podendo o paciente, com o tempo, retornar à atividade esportiva. São muitas as opções terapêuticas que podem ser usadas na reabilitação pós-trauma do atleta. Sobre o atendimento prestado ao paciente com lesão em membro superior, analise as afirmativas a seguir: I- O tratamento da fisioterapia deve iniciar com analgesia para que sejam possíveis as outras intervenções. II- O tratamento da fisioterapia deve ser feito, inicialmente, com exercícios resistidos no ângulo de segurança. III- O tratamento da fisioterapia para fortalecimento muscular inicia-se em torno de dezesseis semanas após a lesão. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e III estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 As lesões de ombro são relativamente comuns entre os atletas de esportes que exigem uma grande mobilidade de membro superior, especialmente os movimentos que são realizados acima da cabeça, como arremessos e os movimentos do voleibol. Muitas vezes, para confirmaro diagnóstico, o fisioterapeuta precisa fazer alguns testes, sendo alguns deles obrigatórios para a confirmação do quadro. Sobre esses testes, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 173 ( ) Pode ser usado o teste de esforço de Norwood para verificar a mobilidade do ombro e risco de luxação. ( ) Pacientes com mais idade podem apresentar uma degeneração na região denominada manguito rotador do ombro. ( ) As técnicas fisioterapêuticas são diversas no tratamento, podendo ser usado o ultrassom exclusivamente na forma contínua. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V - F - F. b) ( ) V - V - F. c) ( ) F - V - F. d) ( ) V - V - V. 4 Os atletas são expostos a esforços extremos e repetitivos, o que faz com que desenvolvam quadros de lesão muscular, problemas articulares e, em alguns casos de uso extremo dos membros superiores, leva o atleta a ser acometido por lesões nas estruturas dos membros superiores. Sobre as lesões de ombro, disserte sobre a importância de uma avaliação detalhada da região no diagnóstico fisioterapêutico. 5 O atleta que apresenta alguma lesão em membro superior que não necessite de tratamento cirúrgico é encaminhado ao tratamento conservador, em que a fisioterapia atua tanto de forma a reabilitar quanto na prevenção de novas lesões. Nesse sentido, dentre os diversos recursos que estão disponíveis aos profissionais, existem os eletroterápicos, a cinesioterapia e as bandagens funcionais. Disserte sobre a ação da bandagem funcional no tratamento de lesão de membro superior em atletas. 174 175 TÓPICO 4 — TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS DO MEMBRO INFERIOR UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 4 abordaremos os conceitos das lesões esportivas que acometem os membros inferiores, como síndrome compartimental, fratura de fêmur e entorses de tornozelo. Os membros inferiores sofrem um grande impacto sobre suas estruturas, visto que suportam o peso corporal sobre eles durante a deambulação ou na posição ortostática. Alguns esportes, como corrida, ou aqueles que são compostos de salto e aterrissagem predispõem o atleta a um maior risco de lesões a nível de joelho, tornozelo e pé, pelo grande impacto causado na região e pelos gestos esportivos desses atletas. Os traumas mais comuns são as fraturas, especialmente do fêmur, as lesões nas estruturas do joelho, como ligamentos cruzados, colaterais e meniscos, e as lesões a nível de tornozelo, especialmente as entorses de tornozelo em inversão e eversão. As entorses de tornozelo são umas das lesões mais comuns no meio esportivo, ocorrendo especialmente quando o atleta aterrissa ao solo com o pé em uma posição incorreta, levando à distensão e até ruptura ligamentar em alguns casos. As intervenções fisioterápicas serão de acordo com a avaliação feita do atleta, visando quais estruturas foram comprometidas e quais os resultados esperados com a terapia, podendo ser utilizadas bandagens, terapia manual, dentre outros recursos escolhidos de forma individual conforme a anamnese e o exame físico do atleta pós- lesão. Sempre deve-se levar em consideração se o atleta está afastado, ou não, de suas atividades para a realização de uma reabilitação adequada das lesões em membros inferiores, devido ao grande risco de lesões recidivas. Os atletas devem ser preparados para o retorno às suas atividades assim que possível de acordo com o esporte o qual participam. 176 2 ANATOMIA DOS MEMBROS INFERIORES O membro inferior possui uma região chamada de cíngulo do membro inferior, que possui a função importante de sustentar o peso em posição ortostática e proteger as vísceras que estão localizadas na pelve, possuindo nessa região ossos maciços devido à pressão que sofrem durante a deambulação. Cada membro inferior faz parte do esqueleto apendicular e é composto dos ossos fêmur, patela, tíbia e fíbula, todos ligados ao pé. O membro inferior transfere o peso do corpo ao solo, sendo que o fêmur é o maior osso do corpo humano em comprimento e peso (MARTINI; TIMMONS; TALLISCH, 2009). As regiões do tornozelo e do pé apresentam flexibilidade e estabilidade por serem compostas de uma grande quantidade de ossos e suas fixações. A região da perna, o tornozelo e o pé dão suporte à descarga de peso e propulsão na marcha, sendo, nesse momento, uma alavanca flexível e, ao darem suporte, tornam-se uma estrutura rígida para poder suportar o peso do corpo inteiro (MAGEE, 2010). FIGURA 6 – ESTRUTURAS DOS PÉS FONTE: Tank e Gest (2009, p. 145) 177 Existem várias articulações presentes nos membros inferiores, como as tibiofibulares superiores e inferiores, a articulação talocrural e a articulação subtalar, a qual é muito importante nos movimentos realizados pelo tornozelo, a saber, a inversão, a eversão, a pronação e a supinação. O membro inferior é composto de vários ligamentos com função de estabilização, são eles: os tibiofibulares, em que há uma forte membrana interóssea unindo os ossos da tíbia e da fíbula, e os ligamentos do tornozelo, ligamentos laterais e ligamentos mediais (PRENTICE, 2012). O fêmur tem algumas características interessantes, como as angulações biomecânicas que ocorrem no plano frontal e no plano transverso, permitindo que ele tenha uma eficiência mecânica. Quando essas angulações estão alteradas, há os casos de lesões de coxa valga, que provocam instabilidade no quadril com predisposição à subluxação ou, ainda, o ângulo de torção, que é uma rotação medial natural do fêmur (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). Estruturas importantes e localizadas nos joelhos são os meniscos, bolsas, pregas sinoviais e corpos adiposos. A articulação do joelho é mais propensa a lesões quando são realizados movimentos com giros, quando ocorrem traumas laterais ou mediais e em movimentos de hiperextensão, especialmente quando o pé está fixo no chão. O pé, quando não está em uma posição anatômica adequada, pode tirar o joelho de sua posição neutra, o que predispõe aos traumas. O geno valgo, ou varo, e a rotação da tíbia promovem aos atletas lesões mais facilmente, principalmente se o componente muscular está desequilibrado nas articulações do joelho, quadril e região lombo-pélvica (KEIL, 2014). As lesões de pé, tornozelo e pernas estão ligadas em uma cadeia cinética, pois o movimento de um deles tem ação sobre os demais, proximais e distais, sendo muito importante a análise da biomecânica da marcha, pois as lesões podem estar ligadas a fatores biomecânicos. Os membros inferiores na marcha passam por duas fases: a de apoio, com o contato inicial do calcanhar no chão, e terminando quando esse pé entra em contato novamente com o solo. Nessas descargas de peso, um pé com deformidades estruturais que o leva à posição de pronação ou de supinação, antepé varo e retropé varo, altera a descarga de peso em membros inferiores, o que pode predispor a lesões (PRENTICE, 2012). 2. 1 BIOMECÂNICA Nas atividades esportivas, quando há exigência de atividades de aterrissagem, como após os saltos do balé, ou em corrida com obstáculos, ocorrem forças sobre os músculos e tendões e uma reação quando há o toque no solo, que age sobre as estruturas musculoesqueléticas presentes no membro inferior. As estruturas musculoesqueléticas precisam responder a esse estresse produzido pela carga para que não haja lesão, pois, se não houve estresse, ocorre uma atrofia muscular e a carga excessiva produz lesão (ZATSIORSKY, 2003). 178 Enquanto o membro superior é capaz de realizar atividades que requerem uma grande amplitude de movimento, o inferior é uma estrutura preparada para sustentar peso e se movimentar. Além disso, ele é capaz de realizar atividades mais especializadas, como chutar bola ao gol, fazer um salto em distância