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Saúde do 
atleta
Prof.ª Daniel Vicentini de Oliveira
FiSioterapia na
Indaial – 2022
1a Edição
Impresso por:
Elaboração:
Prof.ª Daniel Vicentini de Oliveira
Copyright © UNIASSELVI 2022
 Revisão, Diagramação e Produção:
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI.
Núcleo de Educação a Distância. OLIVEIRA, DANIEL VICENTINI DE.
Fisioterapia na Saúde do Atleta. Prof. Daniel Vicentini de Oliveira. Indaial - SC: 
Arqué, 2022.
200p.
ISBN Digital 978-65-5466-174-4
“Graduação - EaD”.
1. Atleta 2. Fisioterapeuta 3. Articulação 
CDD 615.82
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679
Olá, acadêmico! Como vai? Seja bem-vindo à disciplina Fisioterapia na Saúde 
do Atleta.
Na Unidade 1, abordaremos os princípios básicos, fundamentos, subdivisões 
e áreas de atuação da biomecânica, além da aplicação da biomecânica nos esportes. 
Estudaremos alguns conceitos cinemáticos e cinéticos para análise do movimento, o 
histórico e os conceitos relacionados à cinética e cinemática, formas de movimento, 
terminologia padronizada de referência e do movimento articular, cargas mecânicas 
agindo sobre o corpo humano e os tipos de análise biomecânica. 
Abordaremos, também, os mecanismos e características do trauma neuro-
musculo-esquelético na prática esportiva, lesões ósseas, articulares, musculotendíneas 
e neurais, e as alterações cinético-funcionais nos membros superiores, inferiores e da 
coluna vertebral relacionadas à prática esportiva.
Em seguida, na Unidade 2, estudaremos a atuação do fisioterapeuta na área 
esportiva, a atividade física no contexto da saúde, do esporte e do lazer, e a relação 
entre exercício físico e condicionamento físico no processo de recuperação funcional 
para a prática esportiva. Estudaremos a prevenção de lesões no esporte por meio da 
alimentação e nutrição, sono e controle do estresse com foco na equipe interdisciplinar 
e a conduta fisioterapêutica na prevenção de lesões esportivas, como por meio do 
alongamento e aquecimento.
Por fim, na Unidade 3, aprenderemos algumas técnicas fisioterapêuticas para 
lesões esportivas da coluna vertebral, do quadril e dos membros superiores e inferiores. 
Bons estudos!
Prof. Daniel Vicentini de Oliveira.
APRESENTAÇÃO
GIO
Olá, eu sou a Gio!
No livro didático, você encontrará blocos com informações 
adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento 
acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender 
melhor o que são essas informações adicionais e por que você 
poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
e outras fontes de conhecimento que complementam o 
assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos 
os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. 
A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um 
novo visual – com um formato mais prático, que cabe na 
bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada 
também digital, em que você pode acompanhar os recursos 
adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo 
deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura 
interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no 
texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
também contribui para diminuir a extração de árvores para 
produção de folhas de papel, por exemplo.
Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, 
apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, 
acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com 
versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Preparamos também um novo layout. Diante disso, você 
verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses 
ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, 
para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os 
seus estudos com um material atualizado e de qualidade.
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – 
e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR 
Codes completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite 
que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para 
utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, 
é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
QR CODE
SUMÁRIO
UNIDADE 1 — BIOMECÂNICA DO ESPORTE ............................................................1
TÓPICO 1 — PRINCÍPIOS BÁSICOS DA BIOMECÂNICA .......................................... 3
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 3
2 FUNDAMENTOS E DIVISÕES DA BIOMECÂNICA ................................................4
2.1 BIOMECÂNICA X CINESIOLOGIA ........................................................................................6
3 ÁREAS DE ATUAÇÃO DA BIOMECÂNICA ............................................................ 7
3.1 ANATOMIA E ANATOMIA FUNCIONAL ...............................................................................9
4 BIOMECÂNICA E ESPORTES ............................................................................. 10
4.1 ANÁLISE DO DESEMPENHO ESPORTIVO .......................................................................11
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................... 13
AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 14
TÓPICO 2 — CONCEITOS CINEMÁTICOS E CINÉTICOS PARA ANÁLISE DO 
MOVIMENTO .......................................................................................17
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................17
2 HISTÓRICO E CONCEITOS RELACIONADOS A CINEMÁTICA ........................... 18
2.1 CONCEITOS...........................................................................................................................19
2.1.2 PONTO MATERIAL E SISTEMA DE REFERÊNCIA ................................................21
2.1.3 TRAJETÓRIA ...............................................................................................................21
2.1.4 DESLOCAMENTO E DISTÂNCIA PERCORRIDA .....................................................................21
2.1.5 VELOCIDADE MÉDIA E VELOCIDADE INSTANTÂNEA ....................................... 22
2.1.6 ACELERAÇÃO MÉDIA E ACELERAÇÃO INSTANTÂNEA .................................... 22
3 FORMAS DE MOVIMENTO ..................................................................................22
3.1 MOVIMENTO ANGULAR ....................................................................................................23
3.2 MOVIMENTO LINEAR ........................................................................................................ 24
3.3 MOVIMENTO GERAL ......................................................................................................... 25
3.4 SISTEMA DE REFERÊNCIA .............................................................................................. 25
3.5 ESTÁTICA E DINÂMICA ..................................................................................................... 26
4 TERMINOLOGIA PADRONIZADA DE REFERÊNCIA E DO MOVIMENTO 
ARTICULAR ........................................................................................................ 27
4.1 INÉRCIA E MASSA ...............................................................................................................27
4.2 FORÇA E CENTRO DE GRAVIDADE ...............................................................................28
4.3 PESO, PRESSÃO, VOLUME, DENSIDADE, TORQUE E IMPULSO .............................30
5 CARGAS MECÂNICAS AGINDO SOBRE O CORPO HUMANO ............................32
5.1 FORÇA DE COMPRESSÃO, TENSÃO E CISALHAMENTO ........................................... 32
5.2 CARGAS DE TORÇÃO, INCLINAÇÃO E COMBINADAS ...............................................34
5.3 ESTRESSE MECÂNICO .....................................................................................................34
5.4 EFEITOS DAS CARGAS .................................................................................................... 35
5.5 CARGAS REPETITIVAS VERSUS AGUDAS .................................................................. 36
6 TIPOS DE ANÁLISE BIOMECÂNICA ...................................................................36
6.1 ELETROMIOGRAFIA ........................................................................................................... 36
6.2 DINAMOMETRIA .................................................................................................................38
RESUMO DO TÓPICO 2 ......................................................................................... 40
AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 41
TÓPICO 3 — ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS EM LESÕES ESPORTIVAS .......43
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................43
2 MECANISMOS E CARACTERÍSTICAS DOS TRAUMAS NEURO-MUSCULO-
ESQUELÉTICO NA PRÁTICA ESPORTIVA ........................................................ 44
2.1 CINEMÁTICA DA LESÃO E DO TRAUMA ........................................................................44
3 LESÕES ÓSSEAS E ARTICULARES ...................................................................46
3.1 FRATURAS ...........................................................................................................................46
3.2 LUXAÇÕES ..........................................................................................................................48
3.3 ENTORSES .......................................................................................................................... 49
4 LESÕES MUSCULOTENDÍNEAS ........................................................................50
4.1 ESTIRAMENTOS E DISTENSÕES .....................................................................................50
4.2 CÂIMBRAS ...........................................................................................................................51
4.3 CONTRATURAS ...................................................................................................................51
4.4 CONTUSÕES ....................................................................................................................... 52
4.5 BURSITES ........................................................................................................................... 52
5 ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS NOS MEMBROS SUPERIORES E 
INFERIORES RELACIONADAS À PRÁTICA ESPORTIVA ...................................52
5.1 MEMBROS SUPERIORES .................................................................................................. 52
5.2 MEMBROS INFERIORES ................................................................................................... 55
6 ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS DA COLUNA VERTEBRAL 
RELACIONADAS À PRÁTICA ESPORTIVA .........................................................58
6.1 LOMBALGIA ......................................................................................................................... 59
6.2 HÉRNIA DE DISCO ............................................................................................................. 59
LEITURA COMPLEMENTAR .................................................................................. 61
RESUMO DO TÓPICO 3 ..........................................................................................66
AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 67
REFERÊNCIAS .......................................................................................................69
UNIDADE 2 — FISIOTERAPIA ESPORTIVA ............................................................71
TÓPICO 1 — INTRODUÇÃO À FISIOTERAPIA ESPORTIVA ................................... 73
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 73
2 ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NA ÁREA ESPORTIVA .................................. 73
2.1 ÓRGÃOS DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO ......................................................74
2.2 SOCIEDADE NACIONAL DE FISIOTERAPIA ESPORTIVA E DA ATIVIDADE 
FÍSICA (SONAFE) ................................................................................................................75
2.3 ATRIBUIÇÕES E MOMENTOS DE ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA ESPORTIVO ..76
3 ATIVIDADE FÍSICA NO CONTEXTO DA SAÚDE, DO ESPORTE E DO LAZER ....78
3.1 CONCEITUALIZAÇÃO DOS TERMOS: ATIVIDADE FÍSICA E EXERCÍCIO ..................79
3.2 FORMAS DE MANIFESTAÇÃO ESPORTIVA ..................................................................80
3.3 ENTENDENDO NOSSO OBJETO DE ESTUDO: O ATLETA ..........................................81
4 RELAÇÃO ENTRE EXERCÍCIO FÍSICO E CONDICIONAMENTO FÍSICO NO 
PROCESSO DE RECUPERAÇÃO FUNCIONAL À PRÁTICA ESPORTIVA ...........82
4.1 IMPORTÂNCIA DO CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA PRÁTICA ESPORTIVA ......83
4.2 RECUPERAÇÃO FUNCIONAL APÓS O EXERCÍCIO ....................................................83
4.3 TÉCNICAS DE RECUPERAÇÃO PÓS-EXERCÍCIO .......................................................85
RESUMO DO TÓPICO 1 ..........................................................................................89
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................90
TÓPICO 2 — PREVENÇÃO DE LESÕES NO ESPORTE...........................................93
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................93
2 EQUIPE INTERDISCIPLINAR NA PREVENÇÃO DE LESÕES NO ESPORTE ......94
2.1 IMPORTÂNCIA DA EQUIPE INTERDISCIPLINAR PARA PREVENIR LESÕES 
ESPORTIVAS........................................................................................................................ 95
2.2 NUTRICIONISTA ................................................................................................................. 96
2.2.1 Fontes de energia utilizadas para treinamento e competição ......................97
2.3 EDUCADOR FÍSICO ........................................................................................................... 99
2.4 PSICÓLOGO ........................................................................................................................ 99
2.5 MÉDICO ..............................................................................................................................100
3 ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO ........................................................................... 101
4 SONO E CONTROLE DO ESTRESSE .................................................................102
4.1 ASPECTOS RELACIONADOS AO SONO DO ATLETA ................................................. 103
4.2 CONTROLE DO ESTRESSE NO ATLETA ...................................................................... 106
4.3 RECUPERAÇÃO FISIOLÓGICA E MOTIVACIONAL......................................................107
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................109
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 110
TÓPICO 3 — CONDUTA FISIOTERAPÊUTICA NA PREVENÇÃO DE LESÕES 
ESPORTIVAS ................................................................................... 113
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 113
2 FISIOTERAPIA NA EQUIPE ESPORTIVA .......................................................... 114
2.1 PAPEL DA FISIOTERAPIA NO MANEJO DO ATLETA .................................................. 115
2.2 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS NA PREVENÇÃO DE LESÕES ................. 116
2.2.1 Estabilização central ................................................................................................117
2.2.2 Alongamento ............................................................................................................117
2.2.3 Aquecimento ........................................................................................................... 118
2.2.4 Bandagem funcional ............................................................................................. 118
2.2.5 Propriocepção ......................................................................................................... 119
2.2.6 Exercício excêntrico............................................................................................... 119
3 ALONGAMENTO E AQUECIMENTO NO ESPORTE ...........................................120
3.1 ALONGAMENTO NO ESPORTE ....................................................................................... 121
3.2 AQUECIMENTO NO ESPORTE ........................................................................................123
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 125
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................130
AUTOATIVIDADE ..................................................................................................131
REFERÊNCIAS .....................................................................................................133
UNIDADE 3 — FISIOTERAPIA NA REABILITAÇÃO DAS LESÕES ESPORTIVAS ....... 135
TÓPICO 1 — TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS 
DA COLUNA VERTEBRAL ................................................................ 137
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 137
2 ANATOMIA DA COLUNA VERTEBRAL .............................................................138
2.1 REGIÕES DA COLUNA .................................................................................................... 139
2.1.1 Biomecânica ............................................................................................................. 140
2.2 LESÕES DA COLUNA ...................................................................................................... 141
2.3 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS NAS LESÕES DE COLUNA ..................... 144
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................148
AUTOATIVIDADE .................................................................................................149
TÓPICO 2 — TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS 
DO QUADRIL .....................................................................................151
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................151
2 ANATOMIA DO QUADRIL ...................................................................................151
2.1 BIOMECÂNICA ....................................................................................................................152
2.2 LESÕES ESPORTIVAS NA REGIÃO DO QUADRIL ..................................................... 153
2.3 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS NAS LESÕES DE QUADRIL .................... 155
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................158
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 159
TÓPICO 3 — TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS 
DO MEMBRO SUPERIOR ..................................................................161
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................161
2 ANATOMIA DOS MEMBROS SUPERIORES ..................................................... 162
2.1 Biomecânica .................................................................................................................... 163
2.2 LESÕES EM MEMBROS SUPERIORES ........................................................................ 164
2.2.1 Intervenções fisioterapêuticas nas lesões de membros superiores ........ 166
RESUMO DO TÓPICO 3 .........................................................................................171
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 172
TÓPICO 4 — TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS 
DO MEMBRO INFERIOR .................................................................. 175
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 175
2 ANATOMIA DOS MEMBROS INFERIORES ....................................................... 176
2.1 BIOMECÂNICA .................................................................................................................... 177
2.2 LESÕES ESPORTIVAS EM MEMBROS INFERIORES .................................................179
2.3 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS NAS LESÕES DOS MEMBROS INFERIORES ....181
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 187
RESUMO DO TÓPICO 4 ........................................................................................194
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 195
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 197
1
UNIDADE 1 — 
BIOMECÂNICA DO 
ESPORTE
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender os princípios básicos da biomecânica;
• conhecer os conceitos cinemáticos e cinéticos para análise do movimento humano 
com foco nos esportes;
• estudar as cargas mecânicas que agem sobre o corpo humano;
• compreender os tipos de análise biomecânica;
• conhecer as alterações cinético-funcionais das lesões esportivas
 A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – PRINCÍPIOS BÁSICOS DA BIOMECÂNICA
TÓPICO 2 – CONCEITOS CINEMÁTICOS E CINÉTICOS PARA ANÁLISE DO MOVIMENTO
TÓPICO 3 – ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS EM LESÕES ESPORTIVAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
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3
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA BIOMECÂNICATÓPICO 1 — UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico, no Tópico 1, abordaremos os princípios básicos da biomecânica, 
muito importantes para o profissional do movimento humano, como o fisioterapeuta.
Primeiramente, você precisa entender a diferença entre cinesiologia e 
biomecânica. A cinesiologia é a ciência que tem como objetivo a análise dos movimentos, 
ou seja, estuda os movimentos do corpo humano. Já a biomecânica, ocupa-se da 
aplicação das leis da mecânica ao sistema locomotor do corpo humano. São ciências 
distintas, mas que se complementam. A biomecânica do movimento humano é uma das 
subdivisões da cinesiologia, que é o estudo do movimento humano. E qual a importância 
de ambas para a área da fisioterapia? Entenderemos nesta unidade.
Por meio da biomecânica, busca-se a compreensão de habilidades esportivas 
e a observação e análise de movimentos durante o esporte. No decorrer da execução dos 
movimentos, o atleta pode estar suscetível a lesões, sendo necessária uma possível 
reabilitação para a seu retorno aos treinos. Dessa forma, o fisioterapeuta deve ter o 
conhecimento de biomecânica para uma adequada reabilitação do atleta de acordo 
com suas necessidades. Além de reabilitar, ele se torna apto a fortalecer os grupos 
musculares envolvidos na realização de uma habilidade esportiva a fim de prevenir 
futuras lesões musculoesqueléticas.
Lembre-se: a biomecânica é a ciência que estuda o corpo em movimento. Na 
prática esportiva, os atletas precisam passar por análises biomecânicas para melhorar a 
performance dos movimentos e para prevenir lesões. Ela é reconhecida como uma área 
multidisciplinar e multiprofissional científica que inclui formas aplicadas de princípios 
mecânicos, considerando pesquisas sobre as estruturas e os aspectos funcionais dos 
organismos vivos.
Com base nas diversas vertentes dos profissionais que realizam pesquisas na área 
de biomecânica, além dos diferentes contextos, os estudos biomecânicos abordam vários 
problemas e/ou conflitos. Portanto, o conhecimento dos princípios da biomecânica é pré-
requisito fundamental para que o indivíduo tenha competência para atuar profissionalmente. 
Vamos lá?
4
2 FUNDAMENTOS E DIVISÕES DA BIOMECÂNICA
Caro acadêmico, a biomecânica do movimento humano é uma das subdivisões 
da cinesiologia, que é o estudo do movimento humano. E qual a importância de ambas 
para a área do treinamento físico e da reabilitação?
Por exemplo, na prescrição de exercícios, é importante saber quando e quais 
músculos serão utilizados em cada movimento/exercício. As mudanças no uso dos 
músculos que ocorrem de acordo com a intensidade ou a característica do exercício são 
dados que podem comprometer o trabalho do praticante.
FIGURA 1 - PRATICANTE DE EXERCÍCIO FÍSICO
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/dvMm>. Acesso em: 20 set. 2022.
Por isso, a biomecânica torna-se importante para o entendimento de como as 
articulações funcionam. Com esse conhecimento, os profissionais da área do movimento 
humano podem programar o treinamento e a reabilitação ou mesmo determinar a 
intensidade da atividade.
A biomecânica é reconhecida como uma área multidisciplinar e 
multiprofissional científica que inclui formas aplicadas de princípios 
mecânicos, considerando pesquisas sobre as estruturas e os aspectos 
funcionais dos organismos vivos.
IMPORTANTE
Por meio da biomecânica, no esporte, por exemplo, busca-se a compreensão 
de habilidades esportivas, a observação e análise de movimentos durante o esporte. No 
decorrer da execução dos movimentos, o atleta pode estar suscetível a lesões, sendo 
necessária uma possível reabilitação para a sua volta ao treino. O profissional deve ter 
5
o conhecimento dos principais métodos de análise biomecânica à adequada reabilitação do 
atleta de acordo com suas necessidades. Além de reabilitar, ele se torna apto a fortalecer 
os grupos musculares envolvidos na realização de uma habilidade esportiva, a fim de 
prevenir futuras lesões musculoesqueléticas (ALBUQUERQUE, 2020).
Para estudar a cinesiologia humana, é necessário entender de biomecânica e 
do funcionamento de músculos e articulações, fator primordial para se obter sucesso 
em planos de treinamento e reabilitação. Muitas vezes, não nos dedicamos a investigar 
o papel de cada músculo em determinados movimentos e podemos negligenciar 
algum grupo muscular importante (MOREIRA; RUSSO, 2018). Esse fator merece grande 
atenção, pois, em se tratando de estabilização e equilíbrio muscular em atletas de alta 
performance, por exemplo, é um ponto que pode evitar lesões e potencializar resultados.
Em uma análise da palavra Biomecânica, pode-se apresentar o em 
duas partes: o prefixo “bio-”, provindo de biológico, isto é, relativo 
aos seres vivos e de mecânica. Assim, a biomecânica é a aplicação 
dos princípios da mecânica aos seres vivos.
INTERESSANTE
A biomecânica é uma ciência que lança mão de instrumentos da mecânica para 
analisar sistemas biológicos, entre os quais, recebe destaque o corpo humano (assim 
como ocorre nos estudos cinesiológicos e na área de ciências do exercício físico). As 
forças estudadas em biomecânica são as tensões musculares, que representam as forças 
internas, e as forças que atuam sobre o corpo humano, representando as forças externas.
Os princípios aplicados às bases biomecânicas resultam de análises que 
visam à compreensão e/ou resolução de problemas referentes à área da saúde ou ao 
desempenho humano. Desse modo, conhecer a biomecânica, desde os seus conceitos 
até a sua forma aplicada é fundamental para a intervenção responsável de um profissional 
da área da saúde (ALBUQUERQUE, 2020), como o fisioterapeuta.
Existem dois campos de estudo na biomecânica: o estudo das forças internas 
e das forças externas, assim como as suas repercussões. Dessa forma, conseguimos 
diferenciar a existência da biomecânica interna e externa. A biomecânica interna objetiva 
determinar as forças internas, assim como as consequências que resultam dessas 
forças. Já a biomecânica externa, objetiva determinar, quantitativa ou qualitativamente, 
os parâmetros relacionados às mudanças de posição do corpo e lugar, ou seja, as 
características observáveis exteriormente na estrutura do movimento. 
Outra definição da biomecânica é o estudo da estrutura e da função dos sistemas 
biológicos, utilizando os métodos da mecânica. As áreas subsidiárias da biomecânica 
são: a anatomia, a fisiologia e a mecânica.
6
• Anatomia: ciência que estuda a constituição, as formas e as 
estruturas dos seres vivos. 
• Fisiologia: ciência que estuda o funcionamento de todas as partes 
do organismo vivo e do organismo como um todo.
• Mecânica: ciência que descreve e prediz as condições de repouso 
ou de movimento de corpos sob ação de forças (HALL, 2020).
NOTA
Em suma, a biomecânica é uma ciência interdisciplinar que descreve e analisa 
o movimento humano e de animais, utilizando-se de aplicações da área da mecânica, 
levando em consideração as propriedades do sistema biológico. Em outras palavras, 
estuda as forças internas e externas e seus impactos nas estruturas do corpo humano. O 
objetivo da biomecânica é analisar o movimento dos sistemas corporais, considerando 
suas particularidades fisiológicas e anatômicas.
2.1 BIOMECÂNICA X CINESIOLOGIA
Vimos que a cinesiologia e a biomecânica se relacionam. Mas, você sabe a diferença 
entre elas? A cinesiologia objetiva analisar os movimentos do corpo humano. Já a biomecânica 
estuda a aplicação das leis da mecânica ao sistema locomotor humano. 
Durante o início da década de 1970, a comunidade internacional começou a 
utilizar o termo biomecânica na descrição da ciência dedicada ao estudo dos sistemas 
biológicos por meio de uma perspectiva mecânica. Os profissionais dessa área utilizam 
os diversos instrumentos da mecânica no estudo dos aspectos anatômicos e funcionais 
do corpo humano. A cinemática e a cinética são subdivisões do estudo biomecânico 
(ALBUQUERQUE, 2020). 
Entre os autores que estudam o movimento humano,há divergências quanto 
ao uso dos termos “cinesiologia” e “biomecânica”. O primeiro deles pode ser empregado 
de duas formas. Uma delas compreende que a cinesiologia, quando utilizada como base 
científica de estudos sobre o movimento humano, descreve as avaliações psicológicas, 
anatômicas, fisiológicas e/ou a própria mecânica do movimento. Isso significa que vários 
componentes curriculares realizam essas descrições em contextos diversos. Outra 
maneira de se usar o termo é para se referir a uma avaliação específica do movimento 
humano a partir de suas características e sua origem. Uma aula que aborda temas 
da área de cinesiologia pode ter como base a anatomia funcional ou somente fatores 
biomecânicos.
7
Com o passar do tempo, o estudo da cinesiologia vem compondo as grades 
curriculares das universidades, sendo incluído nos planejamentos pedagógicos dos 
cursos de educação física, ciências do movimento humano e fisioterapia, por exemplo. 
De forma geral, esses cursos dão ênfase ao aparelho locomotor, analisando a eficácia 
dos movimentos propriamente ditos, simples ou complexos, e tendo como proposta 
identificar de forma fragmentada as ações musculares em cada fase dos movimentos 
articulares (MOREIRA; RUSSO, 2018). Por exemplo, o fisioterapeuta pode analisar, entre as 
inúmeras situações, o movimento de levantar-se de uma cadeira, identificando a extensão 
dos quadris, dos joelhos e a flexão plantar, e relacionar esses movimentos às ações dos 
músculos isquiotibiais, quadríceps femoral e tríceps sural, respectivamente. 
A maior parte das análises em cinesiologia apresenta um perfil 
qualitativo, tendo em vista as observações do movimento e a 
fragmentação, tanto das habilidades, quanto das descrições das 
ações musculares requeridas no movimento em análise.
IMPORTANTE
A maior parte das análises em cinesiologia apresenta um perfil qualitativo, tendo 
em vista as observações do movimento e a fragmentação, tanto das habilidades, quanto 
das descrições das ações musculares requeridas no movimento em análise.
3 ÁREAS DE ATUAÇÃO DA BIOMECÂNICA
Os objetivos da biomecânica são: otimizar o rendimento e reduzir a sobrecarga. 
Já as áreas de aplicação (atuação), envolvem, segundo Albuquerque (2020):
• Biomecânica do esporte: análise da técnica do movimento e a construção de 
equipamentos esportivos.
• Clínica e reabilitação.
• Movimento laboral.
• Movimento cotidiano.
• Instrumentação (instrumentos e métodos).
• Biomateriais.
Os estudos na área de biomecânica são considerados relativamente novos, 
principalmente no que se refere à evolução científica. Entre as áreas acadêmicas, em que 
a biomecânica se insere, estão a zoologia, ortopedia, cardiologia, medicina desportiva, 
engenharia biomédica ou biomecânica, fisioterapia, cinesiologia, anatomia funcional etc. 
Todas essas áreas têm como interesse comum os fatores biomecânicos estruturais e 
funcionais dos organismos vivos. 
8
A biomecânica do movimento humano é uma subdivisão da cinesiologia, 
e o movimento humano é o objeto de estudo de ambas (HALL, 2020).
IMPORTANTE
Cada componente curricular ou disciplina que tem como base de investigação 
o movimento humano – como a antropometria, anatomia funcional, neurofisiologia, 
fisiologia geral, bioquímica, psicologia esportiva, medicina desportiva, o ensino do 
movimento aplicado ao esporte, a sociologia, física, matemática e os processamentos de 
sinais eletrônicos, bem como a biomecânica – devem ser considerados em um contexto 
multidisciplinar e/ou multiprofissional, a fim de que seja possível compreender o movimento 
de forma mais ampla. O processo pedagógico, nesse caso, deve respeitar a realidade 
do público-alvo, de modo que sirva como conhecimento prévio para a assimilação do 
conhecimento novo.
Especificamente na biomecânica, observa-se um grande cuidado com a sua 
utilização como prática pedagógica, sobretudo, pelas suas formas de abordagem. A 
biomecânica não estuda somente o movimento em si, e, mesmo com foco em modalidades 
esportivas, por exemplo, ela se associa com outras áreas do conhecimento. 
As associações entre as diversas áreas do movimento e os princípios 
biomecânicos visam ao aprimoramento de gestos técnicos de cada 
movimento, etapa de treino, simulação do movimento, tecnologias 
instrumentais de hardware ou software, bem como adaptações 
ambientais. Em suma, tais associações objetivam tanto a realização 
de análises dos movimentos quanto a sua aplicação prática.
IMPORTANTE
A integração de conceitos e práticas determina a ação e a maneira como o 
trabalho é, ou deve ser proposto. Nessa perspectiva, é necessário compreender o que a 
metodologia tradicional e o treinamento propriamente dito se destacam no processo de 
ensino e aprendizagem. Enquanto a biomecânica favorece a compreensão da técnica e sua 
forma mais adequada de aplicação, as metodologias tradicionais buscam definir o que deve 
ser ensinado e como deve se dar esse ensino no processo educativo (ALBUQUERQUE, 2020).
Por meio de análises biomecânicas, pode-se melhorar o desempenho no 
esporte e as técnicas dos movimentos e os equipamentos esportivos utilizados, além 
de ser possível otimizar a prevenção de lesões e protocolos de reabilitação.
9
O conhecimento a respeito da biomecânica traz benefícios aos profissionais da 
área da saúde, esteja em formação ou em pleno exercício, seja no treinamento desportivo, 
seja na área de reabilitação ou tratamento. Dominar os princípios da biomecânica e 
as estratégias de análise e intervenção que envolvem o movimento humano direciona 
esses profissionais a ações com melhores resultados e/ou prognósticos.
Os estudiosos da área de biomecânica utilizam a mecânica como um mecanismo 
da física, a qual, por sua vez, engloba amplamente as análises das forças em ação. Trata-
se de um recurso viável para o estudo de fatores anatômicos e funcionais do corpo 
humano, por exemplo. 
Subdivisões importantes da mecânica são a estática e a dinâmica. A primeira 
delas tem como objeto de estudo corpos em repouso, ou seja, que estão em constante 
estado de movimento. Já a dinâmica, se ocupa do estudo de sistemas que apresentam 
aceleração.
Também são subdivisões do estudo em biomecânica a cinemática e a cinética, 
que estudaremos ainda nesta unidade. A cinemática do movimento indica o que é 
possível ver um corpo durante o seu movimento. Nesse tipo de análise, são observados o 
tamanho, a cadência e o tempo em que o movimento ocorre, sendo descartada a ação 
das forças. A cinética, por outro lado, leva em consideração as forças que agem sobre 
os corpos, sendo, no senso comum, conhecida como “técnica” ou “forma”. Portanto, a 
cinemática está relacionada com a descrição e estética do movimento, ao passo que, 
a cinética, centraliza a sua atenção nas forças que agem sobre ele – forças essas que 
podem tanto puxar como empurrar um corpo.
3.1 ANATOMIA E ANATOMIA FUNCIONAL
Para entender de biomecânica e suas aplicações na área esportiva, é fundamental 
o conhecimento sobre anatomia e anatomia funcional. 
A anatomia é a ciência que estuda aspectos estruturais e funcionais do corpo 
humano, seja em um nível macroscópico (no qual o objeto de estudo pode ser observado 
a olho nu), seja em um nível microscópico (quando são requeridos instrumentos para 
a ampliação do que se deseja observar). O estudo anatômico “[...] é a base da pirâmide 
a partir da qual se desenvolve a experiência sobre o movimento humano” (HAMILL; 
KNUTZEN; DERRICK, 2016, p. 5). É essencial conhecer a anatomia sob o ponto de vista 
topográfico, sendo necessário isolar as regiões para efetuar as devidas identificações 
morfofuncionais de ossos, articulações, músculos, vasos e nervos. Além disso, conhecer os 
aspectos anatômicos também favorece às avaliações de possíveis lesões.
10
Por exemplo, suponhamos que, na reabilitação, um atleta manifeste uma 
sensação dolorosa na região interna do cotovelo. Nessa região, podemos identificar, a 
partir do nosso conhecimento de anatomia, o epicôndilo medial do úmerocomo um 
acidente ósseo proeminente, além de músculos que possuem ação no carpo e nos 
dedos, permitindo que, tanto a mão quanto os dedos se direcionem para o antebraço 
em um movimento de flexão. Assim, o conhecimento de anatomia pode nos levar a 
diagnosticar uma epicondilite medial, cuja possível causa tenha sido a ampla utilização 
dos músculos flexores do carpo e dos dedos (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016).
Já a anatomia funcional diz respeito à área que se ocupa do estudo das 
estruturas corporais que são solicitadas durante a realização dos movimentos humanos. 
[...] a anatomia funcional, utilizada na análise de uma elevação 
lateral do braço com um haltere, identifica os músculos deltoide, 
trapézio, levantador da escápula, romboide e supraespinhal como 
contribuidores para a rotação para cima e elevação do cíngulo do 
membro superior e para a abdução do braço. (HAMILL; KNUTZEN; 
DERRICK, 2016, p. 6).
Portanto, conhecer a anatomia e suas correlações funcionais pode ser útil de 
várias formas e em contextos diversos, como em programas de treinamento, com ou 
sem uso de cargas e em avaliações de lesões no esporte. O foco de atenção da anatomia 
funcional está na ação muscular, e não necessariamente na sua localização (HAMILL; 
KNUTZEN; DERRICK, 2016).
4 BIOMECÂNICA E ESPORTES
O fisioterapeuta precisa avaliar o movimento humano durante as práticas 
esportivas. Para tal, é preciso conhecer a análise biomecânica da técnica do esporte, 
como a qualitativa ou subjetiva, e a quantitativa ou objetiva. Essas análises se referem a 
como as características de desempenho são observadas e examinadas por ele.
FIGURA 2 - FISIOTERAPEUTA
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/DvMm>. Acesso em: 20 set. 2022.
11
É importante que o profissional busque conhecimentos referentes à biomecânica 
do esporte, porque a compreensão das habilidades, a observação sistemática e a análise 
biomecânica do movimento permitem que ele proporcione uma assistência adequada 
à necessidade do paciente. Tendo em vista essas informações, o profissional tem a 
capacidade, não de só reabilitar os atletas, mas, de participar das análises realizadas 
em laboratórios de alta tecnologia, ajudando no desenvolvimento da habilidade para a 
prevenção de lesões decorrentes dos esportes.
Juntamente com outros componentes curriculares, a biomecânica representa um 
recurso essencial para embasar tanto um bom planejamento, quanto a aplicação de um 
programa de treino. No esporte, por exemplo, saltar mais alto ou correr por uma distância 
maior em menos tempo são feitos que podem resultar maior pontuação nas competições. 
E, para alcançar esses objetivos, é necessário investir em uma melhor performance de 
modo a superar limites, finalidades essas que estão em consonância com os princípios 
biomecânicos (ALBUQUERQUE, 2020).
Apesar de a melhora do rendimento no esporte estar associada a fatores genéticos 
e aspectos sociais e afetivos, é inquestionável que alcançar um alto rendimento esteja sob 
responsabilidade, em grande parte, do planejamento estratégico. Desse modo, é preciso 
elaborar programas que potencializem as capacidades requeridas por cada desporto, bem 
como utilizar ferramentas biomecânicas adequadas para as devidas investigações.
Outra grande contribuição da biomecânica é a possibilidade de se 
identificarem as características mecânicas dos gestos esportivos. 
A biomecânica pode estabelecer uma significativa contribuição 
para a avaliação da influência da técnica de movimento no 
desempenho esportivo.
IMPORTANTE
4.1 ANÁLISE DO DESEMPENHO ESPORTIVO
No esporte, uma questão essencial (e que, portanto, não deve ser negligenciada) é 
a capacidade do profissional responsável pelo treinamento de fazer análises adequadas 
em relação à técnica desportiva. Trata-se de um encaixe, em geral, entre análises 
quantitativas e qualitativas.
A análise qualitativa é uma forma de observação sistemática e subjetiva em torno 
das características do movimento humano. O seu objetivo é intervir apropriadamente na 
melhora do desempenho. O principal benefício dessa opção de análise é o fornecimento 
de um amplo conhecimento ao treinador, que o utiliza rapidamente para dar feedbacks 
ou instruções imediatas ao atleta. Apesar dessa possibilidade de uso rápido do 
12
conhecimento pelo fisioterapeuta, é preciso agir com cautela, de modo a não induzir os 
atletas ao erro por falta de atenção aos elementos-chave que definem o desempenho. 
Portanto, uma análise qualitativa deve ser estruturada e aplicada adequadamente 
(ALBUQUERQUE, 2020).
Além de experiência e conhecimento alicerçados em bases científicas, o 
fisioterapeuta ainda precisa conhecer e dominar as tecnologias que podem favorecer suas 
análises, cujos resultados serão intervenções eficientes ou não. Entre as tecnologias que 
podem auxiliar na mensuração de variáveis de desempenho, estão o cronômetro (figura 3) 
e o replay de vídeo, os quais possibilitam quantificar o tempo do desempenho humano, ou 
seja, permitem a realização de uma análise quantitativa.
FIGURA 3 - CRONÔMETRO
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/LvMm >. Acesso em: 20 set. 2022.
Conhecer os princípios da biomecânica, as áreas em que ela atua e os seus 
procedimentos, permite a otimização das intervenções profissionais e contribui na 
melhora do desempenho do atleta. O estudo da biomecânica também contribui para 
que se evitem lesões, sobretudo porque ela possibilita a definição de maneiras corretas, 
com técnicas bem desenvolvidas, para a execução dos movimentos e uma postura 
adequada do fisioterapeuta no que diz respeito às suas escolhas durante o planejamento 
e às instruções que fornece ao atleta.
13
Neste tópico, você aprendeu:
• A biomecânica é reconhecida como uma área multidisciplinar e multiprofissional científica, 
que inclui formas aplicadas de princípios mecânicos, considerando pesquisas sobre as 
estruturas e os aspectos funcionais dos organismos vivos.
• Com base nas origens diversas dos profissionais que realizam pesquisas na área de 
biomecânica, e em diferentes contextos, os estudos biomecânicos abordam vários 
problemas e/ou conflitos. 
• O conhecimento dos princípios da biomecânica é pré-requisito fundamental para que 
o indivíduo tenha competência para atuar profissionalmente. Compreender sobre a 
biomecânica é fundamental para o fisioterapeuta do esporte.
• É importante que o profissional busque conhecimentos referentes à biomecânica 
do esporte, porque a compreensão das habilidades, a observação sistemática e a 
análise biomecânica do movimento permitem que ele proporcione uma assistência 
adequada à necessidade do paciente.
RESUMO DO TÓPICO 1
14
1 Os objetivos da biomecânica incluem otimizar o rendimento e reduzir a sobrecarga. 
Já as áreas de aplicação, incluem a biomecânica do esporte, clínica e reabilitação, 
movimento laboral, movimento cotidiano, instrumentação e biomateriais. Os estudos na 
área de biomecânica são considerados relativamente novos, principalmente no que se 
refere à evolução científica. Sobre a atuação e objetivos da biomecânica, assinale a 
alternativa CORRETA:
a) ( ) A biomecânica estuda apenas áreas relacionadas ao movimento do ser humano. 
b) ( ) Todas as áreas da biomecânica têm como interesse comum os fatores biomecâ-
nicos estruturais e funcionais dos organismos vivos.
c) ( ) A biomecânica não representa um recurso para embasar tanto um planejamento 
quanto a aplicação de um programa de treino. 
d) ( ) A biomecânica relaciona-se com anatomia e fisiologia humana, apenas. A cine-
siologia é uma área distinta à biomecânica.
2 A cinesiologia objetiva analisar os movimentos do corpo humano. Já a biomecânica, 
estuda a aplicação das leis da mecânica ao sistema locomotor humano. São 
ciências distintas, mas que se complementam. Com base nas definições e estudo da 
biomecânica e cinesiologia, analise as seguintes afirmativas:
I– Profissionais da biomecânica utilizam os diversos instrumentos da mecânica no 
estudo dos aspectos anatômicose funcionais do corpo humano. 
I– A cinemática e a cinética são subdivisões do estudo da cinesiologia.
III– A cinesiologia, quando utilizada como base científica de estudos sobre o movimento 
humano, descreve as avaliações psicológicas, anatômicas, fisiológicas e/ou a própria 
mecânica do movimento. 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a afirmativa III está correta.
3 O estudo da cinesiologia e biomecânica vem compondo as grades curriculares das 
universidades, sendo incluído nos planejamentos pedagógicos dos cursos de educação 
física, ciências do movimento humano e fisioterapia. De acordo com o estudado em 
biomecânica e cinesiologia, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as 
falsas:
AUTOATIVIDADE
15
( ) Os cursos dão ênfase ao aparelho locomotor, analisando a eficácia dos movimentos 
propriamente ditos, simples ou complexos.
( ) Os cursos têm como proposta identificar, de forma fragmentada, as ações 
musculares em cada fase dos movimentos articulares. 
( ) A biomecânica e cinesiologia são áreas estudadas no esporte, mas não nas 
atividades de vida diária.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – V – F.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 A cinesiologia e a biomecânica são disciplinas e áreas distintas, mas que se complemen-
tam. A biomecânica do movimento humano é uma das subdivisões da cinesiologia. 
Diante do exposto, disserte sobre a diferença entre biomecânica e cinesiologia.
5 Os objetivos da biomecânica incluem a otimização do rendimento e redução da 
sobrecarga, não apenas no esporte. As possibilidades de atuação desta área são bem 
diversificadas. Neste contexto, disserte sobre as áreas de atuação da biomecânica.
16
17
CONCEITOS CINEMÁTICOS E CINÉTICOS 
PARA ANÁLISE DO MOVIMENTO
UNIDADE 1 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico, no Tópico 2, abordaremos os conceitos cinemáticos e cinéticos para 
análise do movimento. 
Como você explica um movimento? Existem ferramentas específicas que são 
utilizadas para descrever o movimento de um objeto. Ao explicar um movimento, seja ele 
linear ou angular, você começa explicando a posição do objeto, que sempre é descrita 
em relação a uma referência. Se quiser saber como esse objeto se desloca, você pode 
estimar a velocidade do movimento e a aceleração dele.
Parece complexo, mas não precisa ser. Realmente, para estudar movimentos 
complexos, é necessário utilizar equipamentos e cálculos mais sofisticados, mas existem 
coisas que você pode fazer apenas com papel e caneta. Por exemplo, você pode extrair 
muitas informações sobre o desempenho esportivo a partir do resultado das provas.
A cinemática é um importante descritor do movimento, seja ele linear ou angular, 
e parte fundamental da biomecânica dos esportes. É com as variáveis cinemáticas que 
são percebidos os detalhes na execução de um gesto esportivo e identificadas possíveis 
melhoras no desempenho, ou fatores que devem alterados para diminuir o risco de 
lesão. Já a cinética, estuda as forças que estão associadas ao movimento, como as 
forças internas e externas. O corpo humano tanto gera, como resiste às forças durante 
a realização dos movimentos. 
Com o estudo da cinética, é possível compreender como as forças musculares 
e articulares, que são as forças internas, atuam, pelo sistema de alavancas, para que o 
movimento ocorra e quais forças externas atuarão durante a realização do movimento, 
ou mesmo na posição estática. Dessa forma, você terá um olhar mais técnico sobre o 
movimento humano e as informações resultantes podem ser utilizadas para melhorar o 
desempenho do atleta.
Neste tópico, estudaremos o histórico e conceitos relacionados a cinemática, as 
formas de movimento, conceitos relacionados a cinética, cargas mecânicas agindo sobre o 
corpo humano, e finalizaremos com os tipos de análise biomecânica.
18
2 HISTÓRICO E CONCEITOS RELACIONADOS A CINEMÁTICA
Ptolomeu (FIGURA 1), no século II, foi um astrônomo que criou um livro e afirmava 
que “se a terra possuísse movimento de rotação diário para realizar o seu circuito, sua 
velocidade deveria ser muito grande e, por isso, os objetos sobre ela deveriam ser 
arremessados, a menos que fossem mantidos em ligação com o planeta por uma força 
muito grande.”
 
Por meio dessa frase e da razão, Copérnico (FIGURA 2), Kepler e Galileu, criaram 
leis que descreviam a trajetória circular dos planetas ao redor do Sol e que harmonizavam 
os períodos de revolução desses planetas com suas distâncias do Sol.
FIGURA 1 - PTOLOMEU
FONTE: Disponível em: <http://twixar.me/4vMm >. Acesso em: 20 set. 2022.
FIGURA 2 - COPÉRNICO
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/bvMm >. Acesso em: 20 set. 2022.
Em 1687, Isaac Newton (FIGURA 3) propôs a existência de uma força de atração 
entre dois corpos quaisquer do universo: a  Lei da Gravidade. Logo, estava explicado 
a cinemática de Galileu e o movimento planetário de Kepler. A essa lei foi dada a fórmula: 
F=G.M.m/d2, onde “G” representa a constante de gravitação universal, cujo valor é 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cop%C3%A9rnico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Kepler
https://pt.wikipedia.org/wiki/Galileu
https://pt.wikipedia.org/wiki/Isaac_Newton
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_da_gravidade
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Cinem%C3%A1tica_de_Galileu&action=edit&redlink=1
19
6,67.10a-11, “M” e “m” são as massas dos corpos dados, e “d” é a distância dos corpos. 
Muitos perceberam a grandiosidade da obra de Newton, como Alexander Pope (FIGURA 
7), escritor inglês que escreveu: "A natureza e as leis da natureza ocultavam-se nas 
trevas. Deus disse: ‘Que Newton se faça’, e fez-se a luz" (ALBUQUERQUE, 2020).
Caro acadêmico, assista este vídeo sobre Cinemática. A partir dele você 
terá um conhecimento básico e inicial sobre o tema. 
Disponível em: <http://twixar.me/gvMm>.
DICA
FIGURA 3 - ISAAC NEWTON
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/wvMm >. Acesso em: 20 set. 2022.
2.1 CONCEITOS
A cinemática considera as particularidades do movimento e o analisa com base 
no espaço e no tempo, sem computar as forças que o causam ou que interferem nele. 
Mediante esse tipo de análise, é possível identificar e descrever a velocidade com que um 
objeto se move, qual altura ele atinge e em que distância acontece o seu deslocamento. 
Dessa forma, os pontos que são considerados em uma análise cinemática são a posição, 
a velocidade e a aceleração de um objeto (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016).
Ela é considerada uma subdivisão do estudo biomecânico e compreende tudo 
o que aquilo que é capaz de ser visualizado em um corpo que esteja em movimento. 
Ela engloba o estudo do sequenciamento, tamanho e cronologia do movimento, sem a 
necessidade de descrever as forças que o causam ou que dele resultam (HALL, 2020). 
Em suma,  é a área da mecânica responsável em descrever determinado movimento, 
posição, velocidade e aceleração de um corpo em cada instante. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_Pope
20
Fazem parte das variações cinemáticas para um determinado movimento: o local 
do movimento, o tipo de movimento que está ocorrendo, a direção do movimento e a 
magnitude do movimento (ALBUQUERQUE, 2020).
No dia a dia, costuma-se associar movimento a tudo que esteja em 
constante atividade, mudança, agitação, animação, desenvolvimento 
ou evolução. Na Física, porém, movimento significa, em função do 
tempo, a variação da posição de um corpo em relação a outro corpo 
que serve de referência.
IMPORTANTE
Como exemplo de uma análise cinemática linear, podemos pensar na descrição 
de um atleta realizando um salto em altura ou no exame de desempenho de nadadores 
de elite. Já a análise cinemática angular, pode ser exemplificada considerando-se uma 
sequência de movimentos articulares para um serviço de tênis e a cadência segmentar 
em um salto vertical(HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016).
A partir de análises cinemáticas de movimentos angulares e/ou lineares, é 
possível aprimorar o padrão das ações e, assim, conseguir progressos técnicos, além de 
entender melhor o movimento humano. Quando uma mesa é empurrada, por exemplo, 
ela pode ou não ser movida, dependendo da força aplicada sobre ela (HAMILL; KNUTZEN; 
DERRICK, 2016).
Embora restrito, conceituar movimento necessita de precisão. Para isso, é 
necessário compreender o entendimento sobre corpo, posição e corpo de referência. 
Esses conceitos, juntamente com os de deslocamento, distância percorrida, trajetória, 
velocidade, tempo, aceleração, e referencial, fazem parte do arcabouço conceitual que 
descreve a cinemática do movimento de corpos por meio de representações externas, 
proposições semânticas e modelos matemáticos.
O que vem a ser um modelo matemático? Nada do que um 
tipo de representação simbólica utilizando entes matemáticos, 
como os vetores e as funções. Na física, os modelos 
matemáticos representam sistemas dinâmicos, os quais são 
compreendidos como um conjunto de relações matemáticas 
entre as grandezas que descrevem o tempo e o sistema, 
considerado como uma variável independente.
IMPORTANTE
21
2.1.2 PONTO MATERIAL E SISTEMA DE REFERÊNCIA
Quando dizemos que um corpo está em movimento, é necessário explicitar 
em relação a qual outro corpo a posição se altera conforme o tempo passa. Veja um 
exemplo: imagine um táxi que se aproxima de um local onde dois passageiros aguardam 
sentados. Em relação a este local, o táxi está em movimento e, os passageiros, em 
repouso. Em relação ao táxi, tanto o local dos passageiros quanto os próprios passageiros 
estão em movimento. Dessa forma, perceba que o conceito de movimento é relativo 
(ALBUQUERQUE, 2020).
2.1.3 TRAJETÓRIA
A trajetória de um corpo pode ser compreendida como o caminho que ele 
percorreu durante instantes de tempo sucessivos ao longo de seu movimento. Um 
exemplo clássico é o de um paraquedista que salta de dentro de um avião. Do ponto 
de vista do piloto do avião, desprezando os efeitos de resistência do ar, enquanto o 
paraquedas não se abre, a trajetória do paraquedista é vertical e retilínea. Para uma 
pessoa que esteja em solo, a trajetória do paraquedista será parabólica. Dessa forma, 
os conceitos de repouso, movimento e trajetória irão depender do referencial adotado 
(ALBUQUERQUE, 2020).
FIGURA 4 - MOVIMENTO, REPOUSO E TRAJETÓRIA
FONTE: do Autor (2022).
2.1.4 DESLOCAMENTO E DISTÂNCIA PERCORRIDA
O deslocamento de um corpo é uma grandeza vetorial, ou seja, possui direção, 
módulo e sentido, sendo definido como a variação de posição de um corpo em um 
intervalo de tempo específico. Diante disso, o vetor deslocamento é obtido pela diferença 
entre as posições final e inicial. Vale lembrar que o deslocamento é independente da 
trajetória. O seu módulo representa a menor distância entre o ponto inicial e final de um 
corpo que esteja em movimento, podendo ser expresso na forma vetorial ou mesmo em 
módulo. Em outras palavras, determina-se o deslocamento de um corpo realizando, em 
linha reta, a medida de diferença entre o ponto de partida e o ponto de chegada. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Grandeza_vetorial
22
Já a distância percorrida por um corpo ao longo do seu movimento, é considerada 
a medida da linha de trajetória do corpo, ou seja, a medida obtida corresponde ao valor 
da distância percorrida pelo corpo (HALL, 2020).
2.1.5 VELOCIDADE MÉDIA E VELOCIDADE INSTANTÂNEA
Define-se velocidade média a partir do conceito de deslocamento. Informa a 
velocidade com que o corpo se desloca entre duas posições. Quer um exemplo? Imagine 
que você corra em linha reta por uma quadra com 60 metros de extensão, em um minuto. 
Em média, você terá sofrido um deslocamento de um metro a cada um segundo de corrida. 
Podemos dizer que sua velocidade média foi de 1 m/s. 
Velocidade instantânea, também chamada apenas de velocidade, é semelhante 
à velocidade média. Aqui, o intervalo de tempo irá se reduzir a um instante de tempo. 
Dessa forma, naquele instante, a velocidade média torna-se a velocidade instantânea.
2.1.6 ACELERAÇÃO MÉDIA E ACELERAÇÃO INSTANTÂNEA
O conceito de aceleração média pode ser definido pelo conceito de velocidade e 
está relacionado ao quanto a velocidade de um corpo pode variar em um intervalo de tempo 
correspondente. Veja um exemplo: suponha que um carro durante a arrancada possui uma 
aceleração média de 10 km/h/s. Essa aceleração indica que a velocidade instantânea (que é 
a mesma indicada pelo velocímetro do carro), em média, está variando 10 km/h a cada um 
segundo de movimento. Pensando assim, ao partir do repouso, o carro poderia chegar a uma 
velocidade de 10 km/h após um segundo, atingindo 20 km/h depois de dois segundos, 30 
km/h depois de três segundos e assim por diante (ALBUQUERQUE, 2020).
O conceito de aceleração instantânea, ou simplesmente aceleração, é definido 
similarmente à aceleração média. Aqui, a aceleração média torna-se a aceleração naquele 
instante.
3 FORMAS DE MOVIMENTO
A maioria dos movimentos humanos constituem-se de movimento geral, que 
é uma complexa combinação dos componentes dos movimentos angular e linear. 
Como os movimentos angular e linear são formas “puras” de movimento, é útil dividir 
os movimentos mais complexos em seus componentes angular e linear ao realizarmos 
uma análise. Vamos entender essas formas de movimento?
23
3.1 MOVIMENTO ANGULAR
O movimento angular é considerado a rotação de uma linha imaginária central 
(eixo de rotação), a qual é perpendicularmente orientada ao plano em que se processa a 
rotação. Por exemplo, quando um atleta de ginástica realiza um círculo na barra, todo 
o seu corpo irá rodar com o eixo de rotação passando por meio do centro da barra. Já 
quando um atleta de saltos ornamentais realiza uma cambalhota no ar, todo o corpo 
dele estará rodando novamente, mas, dessa vez, ao redor de um eixo imaginário de 
rotação que irá se movimentar junto com o corpo (ALBUQUERQUE, 2020).
FIGURA 5 - SALTO ORNAMENTAL
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/9vMm >. Acesso em: 20 set. 2022.
Em outras palavras, o movimento angular acontece em torno de um ponto, 
de modo que áreas diferentes de um segmento comum não se movem em distância 
e tempo iguais. Pode-se observar um movimento angular, por exemplo, em um giro 
que ocorre em torno de uma barra suspensa. Para concluir o giro, os pés precisam se 
deslocar por uma distância destacadamente maior do que a que será percorrida pelos 
membros superiores – isso porque os pés estão mais afastados do ponto em que 
acontece a rotação. 
Em biomecânica, é comum analisar uma ação primeiramente sob o ponto de vista 
linear para, em seguida, analisá-la sob o ponto de vista angular de forma mais específica. 
Considera-se que os movimentos angulares originam ou auxiliam os movimentos lineares e 
que, por essa razão, é positivo proceder a análise das duas formas.
Quase todos os nossos movimentos voluntários compreendem a rotação que 
passa por meio do centro da articulação à qual o segmento está ligado. Quando acontece 
um movimento angular, ou uma rotação, partes do corpo em movimento estarão 
constantemente se deslocando em relação a outras partes do corpo (COMPLETO; 
FONSECA, 2011).
24
3.2 MOVIMENTO LINEAR
O movimento linear puro, também chamado de movimento de translação, 
compreende um movimento uniforme do sistema considerado o de maior interesse, 
onde todas as partes do sistema se movimentarão na mesma direção e velocidade 
(ALBUQUERQUE, 2020).
Esse tipo de movimento acontece com uma projeção retilínea ou curvilínea, de 
modo que todas as interfaces do corpo que estão se deslocando percorram a mesma 
distância no mesmo tempo. São exemplos de movimentos lineares as trajetórias de um 
velocista, de uma bola de beisebol, de uma barra no supino ou de um pé, quando se 
desloca para chutar uma bola de futebol. 
FIGURA 6 - VELOCISTAS
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/JvMm>. Acesso em: 20 set. 2022.
A atenção central dessas ações está exatamente na definição da direção, do 
trajeto e/ou da velocidade em que o objeto se desloca ou é impulsionado a se deslocar. O 
centro de massa corporal, ou de um segmento do corpo, é uma área que também pode 
ser monitorada por análises lineares. Isso quer dizer que é possível identificar o ponto de 
concentração de massa de um corpo para se conhecer o efeito gravitacional exercido 
sobre ele. Assim, qualquer segmento de um corpo ou objeto pode ser individualizado 
para que seja realizada uma análise linear (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016).
Veja um exemplo: uma pessoa dormindo em uma viagem de avião está sendo 
transladada por meio do ar. Porém, se essa pessoa levanta o braço para apertar o botão e 
chamar um dos comissários, a translação pura deixará de ocorrer, afinal, modificou-se a 
posição do braço em relação ao corpo (NEUMANN, 2018). 
Em suma, o movimento linear de um corpo acontece quando qualquer ponto, 
que esteja localizado nesse corpo, move-se ao mesmo tempo, na mesma direção e 
percorrendo a mesma distância. Quando um corpo se restringe a se mover sobre um 
eixo fixo, descrevendo uma trajetória circular em que qualquer ponto contido nesse 
corpo terá o mesmo deslocamento angular, mas não o mesmo movimento linear, pois 
depende de quão distante ele estará do eixo de rotação. 
25
O movimento ao longo de uma linha também pode ser considerado um 
movimento linear. Se a linha for reta, consideramos o movimento como retilíneo, mas 
se a linha for curva, consideramos o movimento como curvilíneo. 
3.3. MOVIMENTO GERAL
Ao combinar translação e rotação, o movimento resultante é um movimento 
geral. Uma bola de futebol chutada de um ponto a outro realiza um movimento de 
translação pelo ar e, ao mesmo tempo, ela roda ao redor de um eixo central. Um corredor 
realiza uma translação ao longo do caminho em virtude dos movimentos angulares dos 
segmentos corporais do quadril, joelho e tornozelo. O movimento humano consiste, 
habitualmente, muito mais em movimento geral que em movimento linear ou angular 
puro (ALBUQUERQUE, 2020).
3.4 SISTEMA DE REFERÊNCIA
Caro acadêmico, para que seja possível realizar análise do movimento humano, 
seja ele qual for, precisamos de uma referência, o que chamamos de sistema de 
referência. O movimento será sempre relativo, sendo assim, é importante conhecer o 
sistema de referência a que se analisa. Geralmente, o movimento humano de um corpo é 
descrito com relação ao Sistema de Referência Global (SRG).
A análise em duas dimensões (2D) é a referência ao movimento 
em um único plano. Em múltiplos planos, o mais comum é o de 
três dimensões (3D). E para que um movimento seja descrito, é 
importante estabelecer a origem do sistema de referência. No 
2D, a origem terá duas coordenadas, e no 3D, três coordenadas.
INTERESSANTE
O SRG é útil na descrição de movimentos que ocorrem em um corpo como um 
todo em relação ao início do movimento. Porém, caso se tenha interesse na posição 
desse ponto no corpo, mas também na sua orientação, é necessário que outro sistema 
de referência se movimente junto com esse corpo. Esse é chamado de Sistema de 
Referência Local (SRL), ou, no caso do corpo humano, sistema de referência anatômico, 
no qual sua origem e eixos estão fixados no corpo em questão. A origem do SRL pode ser 
localizada no Centro de Massa (CM) desse corpo, que é o ponto no qual está localizada 
a média das massas de um corpo. Esse ponto de trata de onde as massas desse corpo 
são distribuídas igualmente em todas as direções. Já o Centro de Gravidade (CG) é 
considerado o ponto no qual a força da gravidade se concentra. 
26
Na posição anatômica em ortostatismo, o CM se localiza aproximadamente 
na região anterior à segunda vértebra sacral. Porém, vale lembrar que esse ponto pode 
mudar de posição conforme a pessoa move o seu corpo, ou parte dele, como durante o 
ato da marcha. Na figura abaixo, veja a localização do CG.
FIGURA 6 - CENTRO DE GRAVIDADE
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/SvMm >. Acesso em: 20 set. 2022.
Outro conceito biomecânico importante é o grau de liberdade, que são as formas 
independentes em que um corpo pode se mover no espaço, ou também o número de 
valores necessários para descrever a posição e a orientação relativas ao SR espacial 
adotado. 
3.5 ESTÁTICA E DINÂMICA
A estática examina sistemas imóveis ou que estejam se movimentando em 
velocidade constante. Trata-se de uma área da mecânica que considera que os sistemas 
estáticos estão em equilíbrio, isto é, em uma condição estável, na qual a aceleração está 
ausente devido à neutralização por forças opostas.
A seguir, veja como é possível examinar uma postura estática (HAMILL; 
KNUTZEN; DERRICK, 2016):
• Observe a postura de uma pessoa sentada em uma cadeira para trabalhar num 
computador.
• Considere que há forças sendo exercidas, apesar de não ser identificado nenhum 
movimento.
• As forças estão concentradas entre a região dorsal do tronco e a cadeira, bem como 
entre o chão e os pés.
• As forças musculares, por sua vez, neutralizam a ação da gravidade em relação à 
postura corporal geral, além de manterem a cabeça e o tronco eretos.
• Portanto, as forças identificadas em um cenário estático, como nessa situação 
descrita, são mantidas para estabilizar uma postura que não inclui movimentos. 
27
A dinâmica, por sua vez, propõe-se a examinar sistemas móveis – que estejam 
em aceleração – mediante uma abordagem cinemática ou cinética. Valendo-se da 
postura estática que acabamos de usar como exemplo, podemos dar início a uma 
análise dinâmica a partir do momento em que a pessoa se levanta da cadeira para deixar 
a mesa do computador, isto é, quando ela passa a se movimentar. Então, retomando a 
cinemática e a cinética, podemos analisar, nesse exemplo, as forças aplicadas no chão 
e nas articulações, bem como as forças que agem sobre o movimento da pessoa ao se 
levantar da cadeira e se afastar da mesa (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016).
4 TERMINOLOGIA PADRONIZADA DE REFERÊNCIA E DO 
MOVIMENTO ARTICULAR
Caro acadêmico, compreender os conceitos de inércia, massa, peso, pressão, 
volume, densidade, peso específico, torque e impulso lhe proporcionará um conhecimento 
útil para entender os efeitos das forças durante os diversos movimentos realizados pelos 
atletas nas mais variadas modalidades esportivas.
Agora, aprenderemos os conceitos relacionados à inércia.
4.1 INÉRCIA E MASSA
Inércia compreende a resistência à ação ou à mudança, é resistência à aceleração, 
à tendência de um corpo em manter seu estado atual de movimento, movimentando-se 
com velocidade constante ou parado. Por exemplo, uma barra de 30kg parada sobre o 
solo tende a permanecer parada, imóvel. Um patinador que desliza sobre o gelo tende a 
ficar deslizando em velocidade constante e seguindo uma linha reta (HALL, 2020).
FIGURA 7 - PATINAÇÃO NO GELO
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/tvMm >. Acesso em: 20 set. 2022.
28
E o que vem a ser a massa? É definida como a quantidade de matéria que 
compõem um corpo/objeto, sendo o seu símbolo convencional o m. A unidade de massa 
no sistema métrico é o quilograma (kg).
4.2 FORÇA E CENTRO DE GRAVIDADE
Podemos caracterizar a força como uma ação exercida por um corpo sobre outro, 
sendo um conceito utilizado na descrição daquelas encontradas no movimento humano. O 
símbolo convencional para força é o F. Mais comumente no sistema métrico, a unidade 
de força é o Newton (N), que é o produto de 1 kg de massa por 1 m/s² de aceleração. 
No sistema inglês, a unidade de força mais comum é a libra (lb). O conceito de “corpo” 
abrange qualquer objeto, corpo ou parte corporal que está sendo focalizado para análise 
(ALBUQUERQUE, 2020). 
Sobre os tipos de força, existem as externas e internas. As externas são aquelas 
que atuam no corpo ou em segmento corporal, originadas de fontes fora do corpo. A 
gravidade é um exemplo que constantemente age no nosso corpo. Já as forças internasneutralizam as forças externas, pois podem gerar danos à estabilidade ou integridade 
de uma articulação.
É importante você compreender que cada força se caracteriza por sua direção, 
magnitude e ponto de aplicação em determinado corpo. Por exemplo, atrito, peso corporal 
e resistência da água ou do ar são forças que atuam comumente sobre o corpo humano. 
Um atleta de natação está constantemente resistindo às forças externas da água para 
poder se locomover. Para que isso ocorra, ele aplica forças internas durante os nados. A 
ação de uma força acarreta aceleração da massa de um corpo (FLOYD, 2016).
A quantidade de inércia que um corpo possui é diretamente 
proporcional à sua massa, porém, a inércia não possui unidades de 
mensuração.
NOTA
29
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/8vMm >. Acesso em: 20 set. 2022.
FIGURA 8 - NATAÇÃO
Devemos levar em consideração que diversas forças atuam de forma 
simultânea na maioria das situações do dia a dia e nos esportes.
IMPORTANTE
A ação isolada de uma força é rara. Portanto, é importante reconhecer que o 
efeito global de muitas forças agindo sobre um corpo livre constitui uma função da força 
efetiva, que é considerada a soma de vetores de todas as forças presentes. Quando 
todas as forças presentes mutuamente se neutralizam, a força efetiva é zero, portanto, 
o corpo permanece em seu estado de movimento original, o qual poderá ser imóvel ou 
movimentando-se com velocidade constante. Quando existe uma força efetiva, o corpo se 
movimenta na direção dessa força e com aceleração proporcional à magnitude da força 
efetiva.
Com certeza você já ouviu falar em força da gravidade. Ela é a força de atração 
que a massa da Terra exerce sobre os corpos, sendo seu ponto de aplicação considerado 
como centro de gravidade do objeto. O centro de gravidade (CG), sobre o qual estudamos 
resumidamente no tópico anterior, e conhecido como centro de massa, é o ponto ao 
redor do qual a massa corporal está equilibrada igualmente (ALBUQUERQUE, 2020).
Em um objeto assimétrico, como o corpo humano, o centro de 
gravidade posiciona-se aproximadamente anteriormente à segunda 
vértebra sacral, dependendo das suas proporções e posicionamento. 
Já em um objeto simétrico, o centro de gravidade está localizado no 
centro. Para que o corpo esteja em equilíbrio, a linha de gravidade 
deve estar acima da base de suporte. Desta forma, os fatores que 
podem afetar a estabilidade do corpo são: a proximidade do centro 
de gravidade da base de suporte e o tamanho da base de suporte.
IMPORTANTE
30
4.3 PESO, PRESSÃO, VOLUME, DENSIDADE, TORQUE E IMPULSO
Podemos definir Peso como a quantidade de força gravitacional que é exercida 
sobre um corpo em específico. Essa definição é considerada a definição geral de força, 
porém modificada, com o peso (p) sendo igual à massa (m), multiplicada pela aceleração 
da gravidade (ag) (COMPLETO; FONSECA, 2011).
Entenda que, quando se aumenta a massa de um corpo, o seu peso também 
aumenta de forma proporcional. O peso também possui direção, magnitude e ponto de 
aplicação, afinal, é uma força. A direção para a qual o peso atuará será sempre o centro 
da Terra.
O ponto no qual o peso atua sobre um corpo constitui o centro de gravidade 
desse corpo, portanto, o centro de gravidade é o ponto onde o vetor de peso atua 
nos diagramas de corpo livre. Para que sejam corretos tecnicamente, os pesos são 
identificados em Newtons e as massas em quilogramas (ALBUQUERQUE, 2020).
A Pressão (P) é definida como força (F) distribuída por uma determinada área 
(A). As unidades de pressão são as unidades de força divididas pelas unidades de área. 
As unidades de pressão no sistema métrico são representadas por N, por centímetro 
quadrado, ou seja, N/cm² e Pascal (Pa). No sistema inglês, libra por polegada quadrada 
(psi ou lb/pol²) é a unidade de pressão mais comum.
A pressão que a sola de um tênis exerce sobre o piso debaixo dele 
(o chã), é o peso corporal apoiado sobre o tênis dividido pela área 
superficial entre a sola do tênis e o piso.
INTERESSANTE
A quantidade de espaço que um corpo ocupa é o volume. Considere o espaço 
possuindo três dimensões: profundidade, largura e altura. Uma unidade de comprimento 
multiplicada por uma unidade de comprimento é considerada uma unidade de volume. 
As unidades comuns de volume são centímetros cúbicos (cm³), metros cúbicos (m³) e 
litros (l), no sistema métrico (HALL, 2020). No sistema de medidas inglês, são polegadas 
cúbicas (pol³) e pés cúbicos (pé³). 
A Densidade é definida como massa por unidade de volume, ou seja, combina 
a massa de um corpo com seu volume. A letra minúscula grega rô (p) é o símbolo 
convencional para densidade. As unidades de densidade são unidades de massa 
divididas por unidades de volume. No sistema métrico, o quilograma por metro cúbico 
(kg/m³) é uma unidade comum de densidade (ALBUQUERQUE, 2020).
31
Peso específico é definido como peso por unidade. Sendo o peso proporcional à 
massa, o peso específico será proporcional à densidade. As unidades de peso específico 
são unidades de peso divididas por unidades de volume. A unidade métrica para peso 
específico é o Newton por metro cúbico (N/m³). No sistema inglês, é a libra por pé cúbico 
(lb/m³).
Veja um exemplo: a bola de futebol e a bola de vôlei ocupam aproximadamente o 
mesmo volume, porém, a de futebol possui maiores densidades e peso específico, afinal, 
ela possui mais massa e mais peso. Outro exemplo: uma pessoa magra com o mesmo 
volume corporal de uma pessoa acima do peso possui densidade corporal total mais alta, 
já que o músculo é mais denso que a gordura. Em outras palavras, o percentual de gordura 
corporal está relacionado inversamente à densidade.
Agora, vejamos sobre o torque, que também é chamado de momento da força, 
sendo considerado o efeito rotatório criado por uma força. O torque (força rotatória), 
o equivalente angular de força linear, é o produto da força (F) e da distância (d) 
perpendicular, indo da linha de ação da força ao seu eixo de rotação. Quanto maior for a 
quantidade de torque que atuará ao nível do eixo de rotação, maior será a tendência para 
a acontecer a rotação. São unidades de força multiplicadas por unidades de distância: 
Newton-metros (N-m) ou pé-libras (pé-lb).
O produto da força pelo tempo é conhecido como impulso. Quando se aplica 
uma força a um corpo, o movimento que resulta do corpo depende da magnitude da 
força aplicada e da duração de sua aplicação. 
Para ajudá-lo a estudar todas as unidades métricas das quantidades físicas 
usadas comumente na cinesiologia e biomecânica, veja o QUADRO 1.
QUADRO 1 - UNIDADES MÉTRICAS DAS QUANTIDADES FÍSICAS
FONTE: Hall (2020, p. 66).
32
5 CARGAS MECÂNICAS AGINDO SOBRE O CORPO HUMANO
Força da gravidade e forças musculares, assim como a força de ruptura de 
osso, são forças que encontramos em diversos momentos e ocasiões no dia a dia, 
como em acidentes que diretamente afetam o corpo humano. Durante a prática de um 
esporte, um gesto esportivo, um movimento na prática de exercício físico, ou ao realizar 
atividades físicas (deslocar, limpar a casa etc.), também encontramos essas forças, 
umas em maior, outras em menor grau. O efeito de uma determinada força irá depender 
de sua duração, direção e magnitude (ALBUQUERQUE, 2020).
Na Física, a mecânica desempenha um importante papel. É por meio dela que 
são estudados os movimentos de diversos corpos. Com leis que explicam como ocorre 
a interação entre forças, a mecânica tem aplicações práticas nas mais diversas áreas, 
como construção, esportes, entre outras. Dependendo do tipo de situação, um tipo 
diferente de força pode estar agindo sobre um corpo. Determinar a força resultante a 
partir das forças que podem estar interagindo em um objeto é muito importante para a 
solução de problemas.
Vamos compreender essas forças?
5.1 FORÇA DE COMPRESSÃO, TENSÃO E CISALHAMENTO
A força de compressão também é chamada de força compressiva ou de 
esmagamento. A compressão irá ocorrer quandoa força axial aplicada a um corpo atuar 
com o sentido dirigido para o interior deste corpo. Um exemplo é o peso do nosso corpo 
atuando como uma força compressiva sobre os ossos que os sustentam, como as 
vértebras da coluna vertebral. Quando o nosso tronco está ereto, todas as vértebras da 
coluna irão sustentar o peso da porção do corpo acima dela. Se pararmos para pensar, a 
coluna vertebral recebe esse tipo de força praticamente o tempo todo.
Tudo na vida é movimento. E é curioso que qualquer movimento 
pode ser descrito por leis físicas que o analisam, vetorialmente, 
diversos componentes que originam o deslocamento do corpo 
no ar, sobre superfícies etc. Essa análise é baseada no estudo de 
componentes de forças que atuam sobre o corpo.
IMPORTANTE
33
Força de tensão, o oposto da força compressiva, é também chamada de força 
tensiva ou de tração. Esse é um tipo de força que cria tensão no corpo sobre o qual está 
sendo aplicada. Por exemplo, quando estamos sentados em um balanço, o nosso peso 
cria tensão nas correntes de sustentação do balanço. Desta forma, nossos músculos 
são capazes de produzir força de tensão, exercendo tração sobre os ossos, os quais 
estes músculos estão inseridos (HALL, 2020).
Na Física, a mecânica desempenha um importante papel. É 
por meio dela que são estudados os movimentos de diversos 
corpos. Sobre as leis que explicam como ocorre a interação 
entre forças, a mecânica tem aplicações práticas nas mais 
diversas áreas, como construção, esportes, entre outras. 
Dependendo da situação, um tipo diferente de força pode 
estar agindo sobre o corpo. Determinar a força resultante 
a partir das forças que podem estar interagindo em um 
objeto é muito importante para a solução de problemas.
IMPORTANTE
Essas duas forças anteriores, de compressão e de tensão, são forças longitudinais. 
Agora, veremos sobre a força de cisalhamento, que também é chamada de força de 
deslizamento. Ela atua tangencialmente ou paralelamente a um corpo, tendendo a 
causar deslocamento, deslizamento ou cisalhamento de uma parte deste corpo em 
relação a outra. Por exemplo, durante a realização de um exercício de agachamento, o 
cisalhamento articular no nosso joelho é maior com a posição de pleno agachamento. 
Entenda que essa posição irá impor maior estresse aos tendões e ligamentos, que 
objetivam impedir o deslizamento do fêmur, assim como a sua separação do platô da 
tíbia (ALBUQUERQUE, 2020).
FIGURA 9 - AGACHAMENTO
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/BvMm >. Acesso em 20 set. 2022.
34
5.2 CARGAS DE TORÇÃO, INCLINAÇÃO E COMBINADAS
A carga de torção acontece quando uma estrutura corporal se enrosca ao redor 
de seu eixo longitudinal. Geralmente, isto ocorre quando uma de suas extremidades 
estiver fixa. Por exemplo, fraturas por torção da tíbia são bastante comuns no futebol, 
principalmente quando o pé do jogador se mantém numa posição fixa enquanto o 
restante do corpo sofre uma rotação. 
Há também a carga de inclinação. Quando uma força excêntrica ou não-
axial é aplicada a uma estrutura corporal, esta irá se inclinar, o que cria um estresse 
compressivo de um lado, e um estresse tensivo no lado oposto. Um exemplo inclui os 
movimentos de inclinação do tronco e da cabeça.
Carga combinada compreende a presença de mais de uma força. Como o nosso 
corpo é submetido a várias forças que atuam simultaneamente durante as atividades 
diárias e esportivas, podemos considerar este como o tipo mais comum de carga suportada 
pelo corpo humano (HALL, 2020).
5.3 ESTRESSE MECÂNICO
É importante compreendermos um outro fator que afeta o resultado da ação 
das forças sobre o nosso corpo, que é a maneira pala qual essas forças se distribuem. A 
pressão representa a distribuição da força externa a um corpo, já o estresse, representa 
a distribuição da força resultante dentro de um corpo quando há ação de uma força 
externa (ALBUQUERQUE, 2020).
Quantifica-se o estresse da mesma maneira que a pressão, ou seja, força por 
unidade de área sobre a qual atua. Caro acadêmico, entenda que uma força que age 
sobre uma superfície pequena, produz maior estresse que ela força agindo sobre uma 
superfície maior (LIPPERT, 2018).
Quando o nosso corpo sofre um impacto, a chance de lesão dos 
tecidos corporais relaciona-se à direção e magnitude do estresse 
criado por este impacto. O estresse compressivo, tensivo e de 
cisalhamento são termos que indicam a direção do estresse efetivo.
INTERESSANTE
35
Veja uma situação clássica: as vértebras lombares são capazes de sustentar 
maior peso corporal do que as vértebras torácicas, principalmente quando estamos 
na posição ereta (ortostática). Neste caso, o estresse compressivo na região lombar 
deveria ser maior. Mas não é isso que acontece. A quantidade de estresse não é 
diretamente proporcional à quantidade de peso suportado, afinal, os corpos vertebrais 
lombares (áreas de superfície responsáveis pela sustentação das cargas nas vértebras) 
são maiores que os das vértebras torácicas. Isso faz com que reduza a quantidade de 
estresse compressivo presente. 
5.4 EFEITOS DAS CARGAS
Quando uma força atua sobre um corpo, ocorrem dois potenciais efeitos: 
1º) aceleração; 2º) deformação (mudança no formato). Quando um atleta de saltos 
ornamentais aplica uma força na extremidade de um trampolim, este sofrerá tanto 
aceleração quanto deformação. O grau de deformação ocorre em resposta a uma 
determinada força e irá depender da rigidez do objeto sobre o qual atua, neste caso, o 
trampolim.
FIGURA 10 - SALTO ORNAMENTAL
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/RvMm >. Acesso em 20 set. 2022.
Vários fatores influenciam a ocorrência, ou não, de uma lesão 
quando uma força externa é aplicada ao corpo humano. Entre eles, 
posso citar a direção e a magnitude da força e a área sobre a qual 
a força se distribuirá. Porém, as propriedades materiais dos tecidos 
corporais que suportam as cargas também se fazem importantes.
IMPORTANTE
36
5.5 CARGAS REPETITIVAS VERSUS AGUDAS
As diferenças entre cargas repetitivas (crônicas) e traumáticas (agudas), 
também são importantes e você deve compreendê-las. Quando uma única carga 
interna, suficiente para causar lesão, atua sobre os tecidos biológicos, denominamos de 
lesão aguda e a força causal de macrotrauma (ALBUQUERQUE, 2020). A força produzida 
por uma queda, por exemplo, numa falta marcada no futebol, pode ser suficiente para 
fraturar um osso, não é mesmo?
Uma lesão pode também ser resultada da repetida ação de forças pequenas. 
Por exemplo, cada vez que o pé de um atleta toca o solo durante uma corrida, será 
sustentada uma força de duas a três vezes o peso corporal, aproximadamente. Mesmo 
que não seja provável que uma única força dessa magnitude resulte na fratura de um 
osso, muitas repetições dessa força podem causar essa fratura num osso igualmente 
sadio em algum local do membro inferior. 
Quando uma carga repetida ou crônica age durante um certo período e produz 
uma lesão, esta é denominada lesão crônica ou por estresse, e o mecanismo causal 
recebe o nome de microtrauma. 
6 TIPOS DE ANÁLISE BIOMECÂNICA
6.1 ELETROMIOGRAFIA
A avaliação fisioterapêutica por meio da eletromiografia ganha espaço nas 
pesquisas científicas e, com o tempo, será mais difundida na prática clínica. Essa avaliação 
permite a observação do sinal elétrico emitido pelo músculo que, muitas vezes, possui 
relação com a força muscular do indivíduo. Essa técnica, no entanto, não é própria para a 
avaliação de força muscular, mas para a observação do seu funcionamento. 
FIGURA 6 - ELETROMIOGRAFIA
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/YvMm >. Acesso em: 20 set. 2022.
37
A eletromiografia de superfície permite a avaliação da atividade elétrica de 
membranas excitáveis em um ponto ou região muscular. Essa atividade é medida em 
função do tempo ou de alguma tarefa a ser executada. O resultado que é observado 
durante e após uma coleta do sinal eletromiográfico corresponde à soma de todos os 
potenciais elétricos que ocorreramnas unidades motoras, onde se encontra o eletrodo de 
captação (ALBUQUERQUE, 2020).
O sinal é captado pelo eletrodo em contato com a pele, que possui uma camada 
de gel à base de água. A avaliação é indolor, visto que o aparelho não emite sinal algum, 
somente o capta. O aparelho converte o sinal captado pela pele de analógico para digital, 
para que possa ser exibido pelo software e visualizado em tempo real – esse fato é 
importante, pois é possível eliminar a chance de ruídos mesmo durante uma avaliação. No 
entanto, para que o sinal seja obtido, deve-se acertar os parâmetros do aparelho e criar 
um protocolo de coleta antes de iniciá-lo. São parâmetros a serem ajustados: a frequência 
de amostragem, eletrodo, amplificadores, filtro, conversor analógico/digital e o software 
em si. 
A frequência de amostragem é a frequência da leitura de um valor do sinal, ou 
seja, quanto menor ela for, menor serão as informações colhidas e vice-versa. O SENIAM 
(Surface EMG for the NonInvasive Assesment of Muscles) é o consórcio europeu que 
dita as normas para o uso de técnicas de mensuração de parâmetros musculares não 
invasivas, e propõe alguns protocolos, inclusive a colocação dos eletrodos para diversos 
músculos, facilitando que o fisioterapeuta monte seu protocolo.
Os eletrodos podem ter diversos designs (formatos e tamanhos), e são o meio 
de entrada do sinal para o sistema. Eles devem estar bem fixados à pele e possuir um 
sistema Ag-AgCL (material feito de prata) coberto por uma camada de gel à base d’água 
que permita a passagem do sinal elétrico. Esse sistema Ag-AgCL é recomendado pelo 
SENIAM, pois permite uma condução estável e com baixo ruído, sendo confiável para a 
mensuração. 
Cada cabo possui uma saída para dois eletrodos, que devem ter uma certa 
distância entre si para evitar interferências. Há aparelhos que fornecem a medida dessa 
distância fixa no cabo, em outros casos, o fisioterapeuta deve estipular essa distância. 
Normalmente, essa distância é demarcada por 20 mm do centro de um eletrodo ao centro 
do outro (ALBUQUERQUE, 2020).
O posicionamento do eletrodo pode ser feito de algumas formas, as quais 
dependem do objetivo da avaliação. Ele é fixado em relação ao ponto motor, normalmente 
entre o ponto motor e o tendão distal do músculo que será avaliado, de acordo com o 
SENIAM. Esse sinal coletado pode sofrer interferências de batimentos cardíacos quando 
colocado em regiões próximas ao coração, em músculos vizinhos, quando são colocados 
dois eletrodos próximos um do outro e se houver corrente elétrica ou aparelhos elétricos 
próximos. Portanto, deve-se tomar vários cuidados com o local de avaliação, como a 
acústica, a proximidade de aparelhos, entre outros.
38
A direção em que o eletrodo é coletado também pode transmitir sinais diferentes. 
Na intenção de que o sinal seja o mais fidedigno aos potenciais de ação para determinado 
músculo, os eletrodos deverão ser colocados no sentido paralelo ao das fibras musculares. 
Quando o objetivo for analisar a região, deve-se colocar no sentido contra a orientação 
das fibras, assim, coletará o máximo de fibras em um único ponto em cada uma delas 
(ALBUQUERQUE, 2020).
Os cabos possuem os eletrodos de coleta e um eletrodo de referência, que 
é o eletrodo que será colocado em cima de uma protuberância óssea, onde não haja 
a transmissão de sinal elétrico de potenciais de ação. Portanto, esse eletrodo servirá 
como referência para os que estiverem passando o sinal elétrico, normalmente, é inserido 
nos maléolos, na sétima vértebra cervical ou em outra superfície óssea.
Como o sinal eletromiográfico é de baixa amplitude, é necessário usar 
amplificadores para que o sinal seja visualizado e analisado com mais eficiência 
posteriormente. No entanto, um amplificador pode alterar as características da contração 
quando há ruídos externos juntamente com o sinal. No software, é possível selecionar 
um sinal para ser excluído, como o da energia elétrica, que não é comum ao da contração 
muscular - esse sinal pode ser colocado como taxa de rejeição e não aparecerá durante 
a coleta dos dados. O ganho é a quantidade de amplificação aplicada ao sinal, ou seja, o 
quanto ele foi aumentado na amplificação. Esses valores podem ser ajustados entre 400 
e 500 Hz.
O filtro é responsável por reduzir as variações específicas, separando e 
restaurando o sinal. Ele atua permitindo que algumas frequências passem, isto é, retira 
os ruídos e interferências e atenua alguma distorção de algum sinal. Há quatro tipos de filtros: 
passa-alta (reduz todas as frequências abaixo do valor selecionado), passa-baixa (retira 
todas as frequências acima do valor selecionado), rejeita-banda (rejeita os valores das 
passas alta e baixa) e passa-banda (atenua as frequências das passas altas e baixas) 
(ALBUQUERQUE, 2020).
O sinal analógico que é colhido através da pele é digitalizado em forma de bits 
por meio do software utilizado na coleta. As resoluções comuns são 8, 12 e 16 bits. O 
sinal aparece na janela do software em formato de ondas e oscila de acordo com a 
contração, ou seja, potenciais de ação.
6.2 DINAMOMETRIA
A força muscular pode ser mensurada por meio do teste de força manual, 
que é uma forma subjetiva e que deve ser realizado por um mesmo avaliador, a fim 
de evitar grandes divergências. Outro meio mais objetivo que permite essa avaliação é a 
dinamometria, que mensura a força na unidade de medida kgf.
39
Os primeiros aparelhos dinamométricos eram constituídos de uma célula de 
carga acoplada com formatos adaptados para mensuração de preensão palmar, força 
de adução escapular e força de tração lombar. Esses aparelhos mensuram as forças 
dos grupos musculares consideradas funcionais para o ser humano, como a força de 
preensão geral das mãos, a força interescapular e a força do complexo lombar. No 
entanto, esses aparelhos não permitem a mensuração das cadeias antagonistas. Assim, 
nos últimos anos, o dinamômetro isocinético ganhou espaço no mercado e na pesquisa 
científica devido à sua aplicabilidade e versatilidade (ALBUQUERQUE, 2020).
O aparelho é constituído por uma cadeira com braços e adaptações, além 
de um computador acoplado que mensura as forças de acordo com a região aplicada 
e o posicionamento dos braços e paciente. Assim, controla o movimento por meio da 
velocidade e permite observar as forças concêntrica, excêntrica e isométrica durante o 
movimento escolhido.
Para o teste com o dinamômetro hidráulico, é necessário atentar ao posicionamento 
citado na literatura. Na dinamometria palmar, o indivíduo pode ser posicionado de pé ou 
sentado, da forma que for mais confortável. De pé, segurará o aparelho perpendicular 
e em direção ao chão; na posição sentado, segurará o aparelho com ombro aduzido 
naturalmente, com flexão de 90º e de cotovelo e punho em neutro. Na dinamometria 
escapular, o paciente pode ser posicionado de pé ou sentado, sendo que o restante do 
posicionamento será o mesmo, ombros abduzidos a 90º, cotovelos fletidos e punhos em 
neutro segurando as alças do aparelho lateralmente. Na dinamometria lombar, o paciente 
se posiciona nos locais demarcados na plataforma do aparelho, flete quadril e joelhos, e 
segura as alças do aparelho com cotovelos em extensão (ALBUQUERQUE, 2020).
Os procedimentos para a realização são: 
• Explicação do teste e, se necessário, demonstração do movimento.
• Posicionamento do paciente.
• Posicionamento do avaliador à frente do marcador.
• Encorajamento do paciente a realizar a força máxima.
• Coleta do resultado do teste. 
Recomenda-se a repetição de três tentativas para gerar uma média fidedigna 
final, em caso de muita divergência entre os valores, pode-se repetir até que se encontre 
maior homogeneidade. É importante salientar que o teste gera desgaste e é necessário 
observar compensações ou adaptações errôneas ao teste.
Da mesma forma que no teste de força muscular, o dinamômetro isocinético 
(FIGURA 7) avalia grupos musculares de acordo com os movimentos exigidos. Essa 
avaliação,quando bilateral, permite a análise de assimetrias e limitações de origem 
muscular ou articular. Os fatores que podem influenciar no resultado da mensuração da 
força são: rigidez articular, flexibilidade dos antagonistas, tônus, temperatura do ambiente 
e período do dia relacionado a cansaço, fadiga, temperatura e aquecimento antes da 
realização do teste.
40
Neste tópico, você aprendeu:
• Copérnico, Kepler e Galileu criaram leis que descreviam a trajetória circular dos planetas 
ao redor do Sol, e que harmonizavam os períodos de revolução desses planetas com 
suas distâncias do Sol. Já Isaac Newton, propôs a existência de uma força de atração 
entre dois corpos quaisquer do universo: a lei da gravidade. 
• A cinemática é considerada uma subdivisão do estudo biomecânico e compreende 
tudo aquilo que é capaz de ser visualizado em um corpo que esteja em movimento. 
Ela engloba o estudo do sequenciamento, tamanho e cronologia do movimento, sem a 
necessidade de descrever as forças que os causam ou que dele resultam.
• A maioria dos movimentos humanos constitui-se de movimento geral, que é uma 
complexa combinação dos componentes dos movimentos angular e linear. Como 
os movimentos angular e linear são formas “puras” de movimento, é útil dividir os 
movimentos mais complexos em seus componentes angular e linear ao realizarmos 
uma análise.
• Inércia compreende a resistência à ação ou à mudança, é a resistência à aceleração e 
a tendência de um corpo em manter seu estado atual de movimento, movimentando-
se com velocidade constante ou parado. Massa é definida como a quantidade de 
matéria que compõem um corpo/objeto. A força é uma ação exercida por um corpo 
sobre outro, sendo um conceito utilizado na descrição daquelas encontradas no 
movimento humano. Peso é a quantidade de força gravitacional exercida sobre um 
corpo. 
• Forças musculares, força gravitacional e força de ruptura do osso, como a encontrada 
em acidentes, afetam diferentemente o corpo humano. O efeito de determinada 
força depende de sua direção e duração, bem como de sua magnitude combinada.
• A eletromiografia permite a observação do sinal elétrico emitido pelo músculo, que, 
muitas vezes, possui relação com a força muscular do indivíduo. Já a dinamometria 
mensura a força na unidade de medida kgf. Esses aparelhos mensuram as forças 
dos grupos musculares consideradas funcionais para o ser humano, como a força de 
preensão geral das mãos, a força interescapular e a força do complexo lombar.
RESUMO DO TÓPICO 2
41
1 A cinemática é uma subdivisão do estudo biomecânico, envolvendo tudo o que é 
capaz de ser visualizado em um corpo em movimento. Portanto, ela engloba o estudo 
do tamanho, sequenciamento e cronologia do movimento, sem descrever as forças 
que o causam ou que dele resultam. Sobre a cinemática, assinale a alternativa 
CORRETA:
a) ( ) É a parte da mecânica que descreve o movimento, determinando a posição, 
velocidade e aceleração de um corpo em cada instante. 
b) ( ) Suas variações para um determinado movimento incluem o tipo de movimento que 
está ocorrendo, o local do movimento e a magnitude do movimento, mas não a 
direção do movimento.
c) ( ) Está presente apenas em movimentos esportivos ou nos exercícios físicos. No 
dia a dia, os movimentos são estudados pela cinética.
d) ( ) Distância percorrida, deslocamento, velocidade, trajetória, aceleração, tempo e 
referencial constituem o arcabouço conceitual necessário para a descrição da 
cinética do movimento de corpos.
2 Os cientistas elaboraram vários tipos de plataformas e de sistemas portáteis para 
medir as forças e a pressão na superfície plantar. Esses sistemas foram utilizados, 
principalmente, na pesquisa da marcha, mas também para estudar fenômenos como 
partidas (saídas), impulsões, aterrisagens, balanceio no voleibol, e equilíbrio. Com 
base no estudo das avaliações em biomecânica, analise as seguintes afirmativas:
I– Os sistemas que tornam possível uma história temporal gráfica da força registrada, 
impedem que se faça o cálculo do impulso, como a área debaixo da curva de força-
tempo.
II– Plataforma de força e plataforma de pressão, existentes tanto no comércio quanto 
feitas em casa, são típicas e rigidamente embutidas em um assoalho rente com 
a superfície e conectadas a um computador que calcula a quantidade cinética de 
maior interesse. 
III– As plataformas de força são projetadas, habitualmente, de forma a transmitir as 
forças de reação do solo nas direções vertical, lateral e anteroposterior em relação à 
plataforma propriamente dita.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
c) ( ) As afirmativas II e III estão corretas.
d) ( ) Somente a afirmativa III está correta.
AUTOATIVIDADE
42
3 A técnica para registrar a atividade elétrica produzida pelo músculo, ou atividade 
mioelétrica, é conhecida atualmente como eletromiografia. Essa técnica é utilizada para 
o estudo da função neuromuscular. De acordo com o estudado sobre eletromiografia, 
classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Permite a identificação dos músculos que desenvolvem tensão durante um 
movimento e de movimentos exigem mais, ou menos tensão de determinados 
músculos ou grupo muscular. 
( ) É usada clinicamente para avaliar as velocidades de condução nervosa e a resposta 
dos músculos em combinação, mas impede o diagnóstico e o rastreamento de 
condições patológicas do sistema neuromuscular. 
( ) Pode ser utilizada para estudar como as unidades motoras individuais respondem aos 
comandos do sistema nervoso central.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 Durante os diversos movimentos e posturas corporais, o corpo humano, principalmente 
os ossos, recebem diferentes tipos de força. Essas, dependendo da intensidade, 
impactam em respostas do aparelho locomotor, como a remodelação óssea. Diante do 
exposto, diferencie os três tipos de força: de compressão, de tração e de cisalhamento.
5 Nos diferentes gestos esportivos e de movimentos das atividades de vida diária, o 
aparelho locomotor recebe cargas como o peso, densidade, força, gravidade, torque, 
dentre outros. Estes são importantes para que os movimentos ocorram da maneira 
correta. Neste contexto, disserte sobre a definição de torque.
43
TÓPICO 3 — 
ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS 
EM LESÕES ESPORTIVAS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico, no Tópico 3, abordaremos as principais alterações cinético-
funcionais em lesões esportivas. Como fisioterapeuta, estar presente em ambientes 
onde pessoas se exercitam, ou lidar com esse tipo de tarefa, fará parte do seu dia a dia. 
Sendo assim, iniciaremos estudando sobre os mecanismos e características do trauma 
neuro-musculo-esquelético na prática esportiva. Em seguida, abordaremos sobre 
as lesões ósseas, articulares, musculotendíneas e neurais. E, por fim, focaremos nas 
alterações cinético-funcionais nos membros superiores, inferiores e da coluna vertebral 
relacionadas à prática esportiva.
Sabemos que a realização de exercício físico é fundamental para o bom 
funcionamento do organismo. Contudo, é importante considerar que ela pode aumentar 
as chances de diversas lesões, principalmente causadas por acidentes. Lembre-se 
de que um acidente é uma situação inesperada e que todos estão suscetíveis a isso. 
Portanto, esteja preparado para os possíveis acidentes que possam ocorrer durante sua 
prática profissional, assim como suas diversas causas.
As lesões mais típicas durante a realização de exercício físico são as lesões 
osteomioarticulares, ou seja, que atingem o aparelho locomotor (ossos, músculos e 
articulação). Certamente você irá se deparar com algumas delas durante sua trajetória 
profissional. Por sorte, na maioria das vezes, essas lesões requerem apenas medidas 
paliativas, como a diminuição da dor. Ainda assim, são fundamentaiso aprendizado e 
o conhecimento dos procedimentos para lesões dessa natureza que exijam medidas 
emergenciais.
Na prática esportiva, a ocorrência e recorrência de lesões também são muito 
frequentes, tornando a prevenção e o tratamento adequado dessas lesões um desafio 
aos profissionais envolvidos. Nesse sentido, é fundamental que o fisioterapeuta, além de 
conhecer as disfunções cinético-funcionais mais comuns na prática esportiva, também 
entenda os mecanismos pelos quais elas ocorrem.
44
2 MECANISMOS E CARACTERÍSTICAS DOS TRAUMAS 
NEURO-MUSCULO-ESQUELÉTICO NA PRÁTICA ESPORTIVA
Em um episódio de acidente ou trauma no esporte, podemos constatar, 
basicamente, dois tipos de lesões: externas (visíveis e aparentes) e internas (ocultas e não 
aparentes). As lesões externas são facilmente identificáveis, pois seus sinais estão visíveis e 
manifestam o desarranjo da condição natural de algum tecido. Já as lesões internas são 
de detecção mais complexa e respeitam uma série de critérios, os quais devem ser de 
conhecimento do fisioterapeuta para que ele consiga reconhecê-los e adotar os devidos 
procedimentos (COHEN; ABDALLA, 2015).
Quando internas, as lesões podem envolver prejuízo em diferentes tecidos, 
como músculos, ligamentos, tendões, ossos, articulações e órgãos internos. Quando 
órgãos internos, como intestino, estômago ou fígado são acometidos, há uma resposta 
de hemorragia interna. Esse episódio consiste no extravasamento do sangue em uma 
cavidade pré-formada do organismo, como cavidade craniana, câmara dos olhos, pleura 
ou pericárdio. Dessas, focaremos nas lesões internas que mais ocorrem no esporte sem que 
haja hemorragias significativas, ok?
2.1 CINEMÁTICA DA LESÃO E DO TRAUMA
A análise biomecânica dos movimentos e das forças que podem influenciar, 
ou ter influenciado lesões em um indivíduo, faz parte da cinemática do trauma 
(ALBUQUERQUE, 2020). Na análise da cinemática do trauma, é importante que você 
compreenda alguns aspectos que estão relacionados às leis da física e que abordam 
energia, força e movimento. Veja só:
• Primeira lei de Newton: um corpo que estiver em movimento, ou mesmo em repouso, 
permanecerá nesse estado, a não ser que uma força externa atue sobre ele.
• Segunda lei de Newton: força é igual à massa do objeto, multiplicada por sua 
aceleração.
• Terceira lei de Newton: para toda ação há uma reação oposta e de igual intensidade.
• Lei da conservação da energia: a energia não pode ser criada nem destruída, 
porém, pode-se modificar a sua forma.
• Troca de energia: quando dois corpos estão em movimento em velocidades diferentes, 
essas velocidades tendem a se igualar quando interagem. 
• Energia cinética: é a energia do movimento, considerada igual à metade da massa e 
multiplicada pela velocidade elevada ao quadrado.
Você, futuro fisioterapeuta, responsável pela realização da análise da cinemática 
de um trauma, deverá analisar a direção e a velocidade da força aplicada no impacto 
que possivelmente causou o trauma no indivíduo. Deverá, também, analisar a massa 
do indivíduo, assim como os possíveis sinais de liberação de energia que resultaram do 
45
trauma. Dessa forma, será possível definir as lesões e acelerar o processo de prestação 
de socorro (caso necessário), assim como o atendimento da condição básica de saúde 
deste indivíduo (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022).
Imagine o seguinte exemplo: em uma partida de futebol, um atleta conduz a bola 
em uma determinada velocidade e abruptamente se choca com um de seus adversários 
que estava parado, fazendo com que os dois caiam. Aqui, temos a aplicação do conceito 
da Terceira Lei de Newton, afinal, para toda ação existe uma reação de igual magnitude e 
direção oposta. 
Pense bem, o atleta que provocou o choque foi atingido com a mesma proporção 
de força que seu adversário que estava parado, porém, as aplicações de força tiveram 
sentidos opostos para os dois jogadores. Essa força tem proporção à aceleração 
imposta pela potência do atleta e de sua massa corporal (a segunda lei de Newton) e as 
velocidades tendem a se igualar (lei da troca de energia) no momento da interação entre 
os dois jogadores. 
Ainda, podemos observar esta situação aplicando a primeira lei de Newton. O 
atleta conduzindo a bola teve seu movimento interrompido pela ação de força externa do 
seu adversário, afinal, ele estava parado e bloqueou a sua passagem. Lembre-se: um 
corpo tende a manter-se em movimento a menos que uma força externa atue sobre ele.
FIGURA 11 - FUTEBOL
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/MvMm >. Acesso em: 20 set. 2022.
No contexto esportivo, também ocorrem inúmeras lesões que se diferem em 
tipo principalmente pela natureza do esporte. O mecanismo das lesões normalmente 
é multifatorial, mas envolve questões como desaceleração de movimentos explosivos, 
troca brusca de direção, torções, choque entre praticantes e quedas, as quais podem 
ser influenciadas por desequilíbrio de força entre grupamentos musculares, imperícia 
técnica, fadiga, aquecimento insuficiente ou instabilidade dinâmica durante a execução 
do gesto (COHEN; ABDALLA, 2015).
Por exemplo, em um jogo de vôlei é muito comum a torção por inversão do 
tornozelo na aterrissagem após uma cortada, visto ser frequente o ato de pisar no pé do 
adversário que tenta realizar um bloqueio. 
46
3 LESÕES ÓSSEAS E ARTICULARES
O osso é o tecido rígido que constitui o corpo dos animais vertebrados, sendo 
constituído de fibras colágenas, proteoglicanos e cálcio. A junção de dois ou mais ossos 
é uma articulação, sendo que o conjunto de ossos e articulações compõe o esqueleto. 
Dentre as principais funções desempenhadas por essaas estruturas, podemos destacar a 
mobilidade (músculos movimentam os segmentos por meio dos eixos das articulações e da 
tração dos ossos), a sustentação e a proteção a órgãos vitais. As articulações, conforme 
supracitado, consistem na união de dois ou mais ossos, estabilizados por tecido conjuntivo, 
como a cápsula articular e os ligamentos (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022).
As articulações responsáveis pela realização da maior parte dos 
movimentos que tratamos na área da fisioterapia, como joelho e 
ombro, são classificadas como articulações sinoviais, com a função 
primordial de realizar movimentos nos diferentes planos e eixos.
IMPORTANTE
As fraturas ósseas são as lesões mais comuns dos ossos, enquanto as luxações 
e entorses são as lesões articulares mais corriqueiras. Normalmente, elas ocorrem por 
conta de um trauma em que a energia imposta supera a capacidade de deformação do 
tecido, ou gera movimento além da capacidade da estrutura (COHEN; ABDALLA, 2015). 
Veremos mais adiante sobre elas.
Fatores de risco ou indivíduos de grupos de risco, como em idade avançada 
(onde ocorre perda da densidade mineral óssea, fragilizando os ossos), em falta de 
atividade ou exercício físico (que também prejudica a densidade mineral óssea) e atletas 
de esportes de contato, impacto e troca de direções, têm maior propensão a sofrer 
fraturas ou luxações e entorses (BARBOSA; SILVA, 2021).
3.1 FRATURAS
As fraturas podem ser classificadas de acordo com o traço (completa ou 
incompleta), a exposição (aberta ou fechada), a presença de lesões associadas (complicada 
ou simples) ou o tipo de força causadora do trauma (direta, indireta ou torção) (BARBOSA; 
SILVA, 2021).
47
FIGURA 1 - FRATURA DE QUADRIL
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/QvMm >. Acesso em: 20 set. 2022.
Nas fraturas completas, há descontinuidade da estrutura óssea, ou seja, a 
fratura ocorreu de um lado ao outro do osso. Podem apresentar linha oblíqua, espiral 
ou transversa, sendo representada por fraturas com trituração óssea, segmentares e por 
avulsão (em que uma parte do osso é arrancada). Já nas fraturas incompletas, não 
há descontinuidade da estrutura óssea, ou seja, a fratura acometeu uma região parcial do 
osso. É o caso de “fraturas em galho verde”, em que um osso (normalmente jovem) é 
trincado de um lado, mantendo o lado opostoíntegro. Pode também apresentar uma 
linha oblíqua, espiral ou transversal (COHEN; ABDALLA, 2015).
FIGURA 2 - TIPOS DE FRATURA
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/xvMm >. Acesso em: 20 set. 2022.
A fratura aberta compreende uma condição em que o osso fraturado rompe 
os tecidos adjacentes e tem contato direto com o meio externo, ficando exposto. Gera 
hemorragia e risco de infecção local. Na fratura fechada, o osso fraturado não irrompe 
a pele, mantendo-se no segmento corporal afetado. Sendo assim, não há risco de 
hemorragias externas e infecção (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022).
48
Você pode encontrar também fraturas complicadas. Esse quadro consiste no 
acometimento de estruturas vizinhas ao osso fraturado, como vasos sanguíneos, nervos, 
músculos ou órgãos. São lesões de gravidade mais acentuada e que devem receber 
atendimento de urgência, pois expõe a risco a vida da vítima. Nas faturas simples, ocorre 
exatamente o contrário das fraturas complicadas, não há acometimento de tecidos e 
órgãos vizinhos. São fraturas de tratamento mais simplificado (BARBOSA; SILVA, 2021).
Nas fraturas diretas, o quadro é decorrente da aplicação direta de força no 
local acometido, podendo ocorrer pela aplicação de força muito intensa em um único 
episódio ou de força pouco intensa de forma repetitiva, como em fraturas por estresse. 
Nas fraturas indiretas, o tecido ósseo afetado não foi o ponto em que a força foi aplicada 
diretamente, ele sofreu influência indireta dessa aplicação de força. As fraturas por 
torção compreendem um episódio em que a fratura ocorre a partir da posição estática 
de determinado segmento do osso, enquanto um outro girou sobre o primeiro, como é 
o caso de fraturas espirais (COHEN; ABDALLA, 2015).
As fraturas estão entre as lesões mais comuns, seja em praticantes de 
esportes ou indivíduos sedentários. Essa lesão pode não ser uma das causas mais 
comuns de mortalidade no público em geral, entretanto, é uma causa importante de 
morbimortalidade em indivíduos idosos, em que a estrutura óssea está prejudicada e 
o risco de quedas é elevado devido à perda de funcionalidade e massa muscular. Esse 
público tem a sua saúde fragilizada, o que faz com que fraturas sejam uma lesão grave e 
que podem levar a óbito, inclusive sofrendo grande influência do uso de medicamentos 
que prejudicam ainda mais o organismo (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022).
3.2 LUXAÇÕES
Uma das possíveis lesões que podem acometer às articulações são as luxações, que 
são o quadro em que as extremidades conectadas de dois ou mais ossos se deslocam 
de sua posição natural, gerando um prejuízo à congruência harmônica da articulação. 
Isso afeta diretamente a funcionalidade da estrutura, dificultando, ou mesmo impedindo 
por completo o movimento dos segmentos envolvidos (BARBOSA; SILVA, 2021).
Esse tipo de lesão, normalmente, ocorre por conta de quedas sobre 
um membro com apoio inadequado, sendo que a incidência é maior 
em articulações com maior grau de liberdade ou menor estabilidade 
estrutural, como é o caso do ombro e das interfalangeanas das mãos.
IMPORTANTE
49
As luxações geram dor intensa e deformidade aparente do segmento, sendo 
fundamental acalmar a vítima e evitar movimentos da região afetada. É necessário 
recolocar a articulação na sua posição normal, entretanto, isso só deve ser realizado 
por um profissional capacitado e com conhecimento técnico e prático para tal, de forma 
que estruturas vizinhas não sejam comprometidas na tentativa de reposicionar a parte 
deslocada (BARBOSA; SILVA, 2021).
3.3. ENTORSES
Por sua vez, as entorses são ainda mais comuns do que as luxações, já que 
consistem no movimento além da capacidade móvel da articulação, gerando prejuízos 
aos tecidos moles. Contudo, não há prejuízo à estrutura de conexão entre os ossos, 
que se mantêm em sua posição normal. Os tecidos mais acometidos costumam ser os 
ligamentos, que sofrem estresse além de sua capacidade de deformação e determinado 
nível de ruptura. O nível de entorse pode ser classificado em: grau 1, grau 2 e grau 3:
• Grau 1: estiramento dos ligamentos, onde um percentual menor das fibras do tecido é 
afetado, sendo que a cicatrização é mais rápida e o retorno da função normal também.
• Grau 2: ruptura parcial dos ligamentos, onde um percentual moderado das fibras do 
tecido é afetado, sendo que o processo de cicatrização é mais lento e o retorno da 
função normal depende de processos de reabilitação.
• Grau 3: ruptura total dos ligamentos, ou seja, ocorre a descontinuidade das fibras 
desses tecidos, sendo normalmente recomendada a realização de cirurgias.
As articulações mais comumente acometidas por entorses são: o tornozelo, o 
joelho e o ombro. Os ligamentos cruzados anterior e colateral medial, além dos meniscos, 
são as principais estruturas acometidas no joelho; os ligamentos talofibular anterior 
e calcaneofibular são as principais no tornozelo; e os ligamentos acromioclavicular e 
glenoumeral, as principais estruturas acometidas no ombro (COHEN; ABDALLA, 2015).
FIGURA 3 - ENTORSE DE TORNOZELO
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/CvMm >. Acesso em: 20 set. 2022.
50
Os sinais de uma entorse são bem característicos e de fácil visualização por 
conta do processo inflamatório, envolvendo dor intensa na região, edema, aumento 
da temperatura local, vermelhidão da pele e dificuldade de movimentar o segmento. 
Esse tipo de lesão articular é extremamente comum em esportes de contato e troca de 
direção, como futebol, basquete e tênis (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). 
Dependendo do nível de prejuízo às estruturas que sofreram com 
o trauma da entorse, é necessário procedimento cirúrgico para o 
reestabelecimento da condição dos tecidos.
IMPORTANTE
4 LESÕES MUSCULOTENDÍNEAS
Todas as regiões do músculo ou da junção musculotendínea são passíveis de 
sofrerem lesões. Normalmente, gestos mais potentes, contrações excêntricas, músculos 
encurtados, histórico prévio de lesões, músculos biarticulares e falta de aquecimento, 
são fatores que podem influenciar na ocorrência de alguma lesão, sendo que, os 
isquiotibiais, se destacam como o grupo mais lesionado. Dentre as possíveis lesões no 
tecido muscular, podemos destacar: estiramentos, distensões, câimbras, contraturas e 
contusões (BARBOSA; SILVA, 2021).
4.1 ESTIRAMENTOS E DISTENSÕES
Os estiramentos e as distensões são semelhantes, diferindo-se um do outro 
somente pela região afetada. O primeiro trata de prejuízo à estrutura das fibras no ventre 
muscular, enquanto o segundo, trata de prejuízo à estrutura da junção musculotendínea. 
Nesses casos, é adotada uma classificação semelhante ao quadro de entorse, em que a 
lesão é ranqueada de 1 a 3. 
• Grau 1: representa ruptura de poucas fibras e forma um pequeno edema.
• Grau 2: representa ruptura moderada de fibras e edema considerável. 
• Grau 3: corre ruptura total da estrutura, com prejuízo severo da função muscular e do 
tendão.
Para estes casos, utiliza-se compressas de gelo para analgesia e para conter o 
processo inflamatório, elevação do membro afetado para auxiliar no retorno do sangue, 
imobilização e repouso para não agravar a lesão, assim como avaliação médica para 
diagnosticar o grupo afetado, o nível da lesão e a possibilidade de cirurgia em casos 
mais graves (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 
51
4.2 CÂIMBRAS
Cãibras consistem na contração involuntária de um músculo, ou grupo muscular, 
sendo extremamente dolorosas. Contudo, a incapacidade é temporária e o tecido tende 
a voltar ao seu funcionamento normal dentro de alguns minutos. É comum ocorrer em 
músculos do membro inferior, como o tríceps sural, sendo que esse quadro é um difícil 
objeto de estudo, afinal, é complexo reproduzir em laboratório o cenário em que ocorre 
(BARBOSA; SILVA, 2021).
Parece existir uma relação estreita com o estado de hidratação e o 
consequente balanço eletrolítico do sujeito, o que pode influenciar 
diretamente no processo de contração muscular.
INTERESSANTE
Nos casos de câimbras, indica-se alongamentointenso da musculatura afetada 
pela contração involuntária, sendo que, em casos de prática esportiva, muitas vezes, 
o aluno ou atleta terá que cessar a atividade por conta da recorrência. Nesses casos, 
também são importantes o repouso e a hidratação adequados (LIGGIERI; TEIXEIRA; 
YENG, 2022).
4.3 CONTRATURAS
As contraturas consistem em contrações de intensidade baixa ou moderada, 
sustentadas por longos períodos, o que acarreta a formação de nódulos conhecidos 
como pontos gatilho (trigger points). Gera dor moderada, geralmente em músculos 
tônico-posturais ou escapulares, como os paravertebrais e o trapézio, respectivamente 
(BARBOSA; SILVA, 2021).
Em condições agudas, indica-se aplicação de gelo para analgesia e melhora do 
processo inflamatório. Em casos crônicos, compressa de água quente para melhorar a 
vascularização (vasodilatação) local. Alongamento e massagem com pressão no local 
acometido também são indicados (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022).
52
4.4 CONTUSÕES
Outro tipo de lesão muscular são as contusões, que consistem em lesões por 
conta de traumas diretos no segmento corporal (comum em esportes de contato), 
gerando dor, rigidez, edema e prejuízo funcional, principalmente no quadríceps femoral 
e no tríceps sural. Indica-se aplicação local de gelo (anti-inflamatório e analgésico) e, 
após descartar qualquer possibilidade de estiramento ou distensão, a realização de 
alongamentos do grupo muscular afetado pela contusão (BARBOSA; SILVA, 2021).
4.5 BURSITES
As bolsas (ou bursas), são sacos cheios de líquido sinovial com a função de 
proteger os pontos em que os músculos ou tendões deslizam sobre os ossos. Em 
condições normais, elas criam uma superfície de deslizamento lisa, praticamente sem 
atrito, enquanto, na presença de bursite, o movimento na área afetada se torna doloroso 
e com movimentos adicionais. Esses fatores aumentam a inflamação e agravam o 
problema (COHEN; ABDALLA, 2015).
Dentre suas causas estão o uso excessivo e repetitivo, pequenos impactos na 
área e lesões agudas. Em todos os casos há um quadro inflamatório subsequente da 
bolsa circundante. Seu tratamento inicial é feito com repouso e aplicação de gelo local.
5 ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS NOS MEMBROS 
SUPERIORES E INFERIORES RELACIONADAS À PRÁTICA 
ESPORTIVA
5.1 MEMBROS SUPERIORES
Os membros superiores (MMSS) fazem parte do esqueleto apendicular e são 
conectados ao esqueleto axial por meio da cintura escapular, também chamada de 
cíngulo do membro superior. A função de todo o membro superior é fazer com que 
a mão seja capaz de executar múltiplas tarefas em diversas posições, aumentando, 
assim, a habilidade de alcançar e manipular objetos. Sua mecânica é determinada pela 
combinação de articulações e músculos que controlam e exercem essa mobilidade 
(BARBOSA; SILVA, 2021).
O ombro se destaca como uma das regiões dos MMSS mais afetadas. Doenças 
e lesões frequentemente afetam essa estrutura e podem limitar o movimento do ombro, 
reduzindo significativamente a funcionalidade de todo o membro superior. O ombro 
é suscetível tanto às lesões do tipo traumáticas quanto àquelas por uso excessivo, 
incluindo as lesões relacionadas a esportes (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022).
53
A articulação glenoumeral é a que mais sofre luxação no corpo. Sua estrutura 
frouxa lhe concede mobilidade extrema, porém, fornece pouca estabilidade e, assim, as 
luxações podem ocorrer nas diversas direções: anterior, posterior e inferior. Geralmente 
ocorrem quando o úmero é abduzido e girado lateralmente, sendo as luxações anteroin-
feriores as mais comuns (BARBOSA; SILVA, 2021).
O tamanho inadequado da cavidade glenoidal, sua inclinação anterior, a 
retroversão inadequada da cabeça do úmero e deficiências musculares predispõem 
as luxações. Infelizmente, quando ela é deslocada, os tecidos conectivos adjacentes 
são alongados além de seus limites elásticos e luxações podem se tornar recorrentes. 
Indivíduos com frouxidão capsular genética precisam fortalecer preventivamente 
a musculatura do ombro. Já a luxação da articulação acromioclavicular é comum 
no lacrosse, hóquei, rúgbi e futebol americano. Ocorre quando um braço estendido 
rigidamente recebe a força de uma queda de corpo inteiro (COHEN; ABDALLA, 2015). 
As lesões de manguito rotador são comuns em atletas que realizam movimentos 
forçados acima da cabeça. Elas geram perda progressiva da função e até mesmo 
invalidez e são causadas por pressão progressiva sobre os tendões do manguito, pelas 
estruturas ósseas e de tecido mole circunjacentes. Resulta em inflamação dos tendões 
e/ou bursas e, em casos graves, em ruptura de tendão. Seus sintomas incluem dor, 
aumento da sensibilidade e fraqueza do ombro, e são exacerbados por movimentos 
rotatórios do úmero (BARBOSA; SILVA, 2021).
O estiramento/ruptura do ligamento colateral da ulna por deslizamento na ulna 
em relação ao úmero, geralmente decorre de queda sobre a mão estirada ou golpe forte, 
em torção. Sua maior incidência é durante a prática esportiva e sob maior risco estão 
os adolescentes do sexo masculino. Gera prejuízo na estabilidade articular posterior, 
principalmente em casos de ruptura de tendão ou fratura umeral (LIGGIERI; TEIXEIRA; 
YENG, 2022).
Lesões por estresse ao tecido colagenoso são progressivas. Iniciam com inflamação 
e edema, seguidos por cicatrização dos tecidos moles, podendo chegar ao acúmulo de 
cálcio e ossificação do ligamento. Depois do joelho, é a articulação mais afetada por lesões 
por uso excessivo. Um exemplo é a epicondilite, que gera inflamação e até microrrotura dos 
tecidos colagenosos. Ocorre tanto na face lateral como na medial da extremidade distal do 
úmero, sendo chamadas de epicondilite lateral e medial, respectivamente, provavelmente 
ocasionadas por esforço excessivo (BARBOSA; SILVA, 2021).
A epicondilite lateral é comumente chamada de cotovelo de 
tenista, enquanto a medial é comum em atletas lançadores e 
praticantes de golfe (cotovelo de golfista).
IMPORTANTE
54
Em decorrência de as mãos serem utilizadas excessivamente nas atividades 
diárias e em muitos esportes, suas lesões são muito frequentes. A seguir, estudaremos 
algumas das lesões mais comuns nas estruturas do punho e da mão. 
Entorses e luxações são bastante comuns em decorrência do uso excessivo e 
necessário das mãos durante as atividades diárias e nas diversas práticas esportivas. 
Ocasionalmente, causam deslocamento de um osso carpal, ou da extremidade distal do 
rádio (BARBOSA; SILVA, 2021).
O dedo em gatilho (Tenossinovite estenosante) é uma alteração no mecanismo 
de deslizamento de um tendão sobre sua bainha sinovial. A presença de um nódulo/
protuberância na bainha de revestimento prejudica seu deslizamento (ele desliza durante a 
flexão, mas não se desloca na extensão). O dedo permanece imóvel (travado) (LIGGIERI; 
TEIXEIRA; YENG, 2022).
A Tenossinovite de De Quervain é uma tendinite do extensor curto do polegar e 
do abdutor longo do polegar, relacionada com impacto. Há inflamação e espessamento 
da bainha do extensor curto e do abdutor longo do polegar, além de dor na região lateral do 
punho (COHEN; ABDALLA, 2015).
FIGURA 4 - TENOSSINOVITE DE QUERVAIN
FONTE: Disponível em: < http://twixar.me/kvMm >. Acesso em: 20 set. 2022.
A síndrome do túnel do carpo possui causa normalmente desconhecida, porém, 
de alta incidência. Decorre de qualquer edema gerado por traumatismo agudo ou crônico 
na região do nervo mediano, no punho. Sintomas incluem dor e dormência ao longo do 
nervo mediano, fraqueza funcional dos dedos e, eventualmente, fraqueza e atrofia dos 
músculos inervados pelo nervo mediano. Atletas que realizam movimentos repetitivos 
são, particularmente, mais suscetíveis (PRETINCE, 2011).
55
5.2 MEMBROS INFERIORES
Os membros inferiores (MMII) fazem parte do esqueleto apendicular e são 
conectados ao esqueleto axial por meio de um cíngulo chamado de cintura pélvica. O 
membro inferior é formado pela coxa, perna e pé. A coxa contém o fêmur e a patela, 
a perna compreendea tíbia e a fíbula, e o pé tem sete ossos tarsais, cinco metatarsos 
e 14 falanges. A cintura pélvica é formada pelos ossos do quadril: ílio, ísquio e púbis, e 
articula-se com o sacro, formando a articulação sacroilíaca. Entretanto, é preciso lembrar 
que, apesar de sua íntima ligação anatômica, o sacro não faz parte da pelve (COHEN; 
ABDALLA, 2015).
Os músculos da face anterior da coxa estão sujeitos a receber altos índices de 
pancadas em esportes de contato. Uma complicação relativamente incomum, secundária 
às contusões da coxa e com séria gravidade, é a síndrome compartimental aguda 
Visto que a maioria das atividades diárias não exige flexão do quadril e extensão 
do joelho, os músculos isquiotibiais raramente são alongados (exceto quando o indivíduo 
realiza exercícios específicos para esse fim). Essa perda de extensibilidade faz com que 
eles estejam mais suscetíveis à distensão. Pode ser causada por sobrecarga muscular 
ou tentativa de movimento muito rápido, como as arrancadas, principalmente se o 
sujeito estiver fatigado e com sua coordenação neuromuscular prejudicada 
Acredita-se que as distensões dos músculos isquiotibiais (semitendíneo, 
semimembranáceo e bíceps femoral) ocorram nas últimas fases do apoio ou do balanço da 
marcha, resultado de uma contração excêntrica. Podem ocorrer em uma das inserções 
ou em qualquer ponto ao longo dos músculos. As distensões são comuns em velocistas e 
em praticantes de esportes que exigem picos de aceleração rápida ou velocidade, como 
futebol e algumas provas de atletismo. 
Distensões na região da virilha também ocorrem com bastante 
frequência nos atletas de esportes em que há movimentos forçados de 
abdução da coxa (quadril), pois podem estirar os músculos adutores 
(adutor magno, adutor curto, adutor longo, pectíneo e grácil).
IMPORTANTE
Outra lesão comum no membro inferior é a síndrome do trato iliotibial, que 
ocorre por uso excessivo, geralmente. É uma lesão que causa dor na região lateral do 
joelho, sendo bastante prevalente em ciclistas e corredores. Ela decorre do repetitivo 
atrito do deslizamento do trato iliotibial sobre o epicôndilo lateral do fêmur, podendo 
ser causada por desgaste do calçado, contratura muscular ou corridas em superfícies 
irregulares (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022).
56
A bursite trocantérica decorre de traumatismo agudo ou uso excessivo de 
músculos que se inserem no trocânter maior, e lesionam as bolsas que visam reduzir o 
atrito entre os músculos e o osso nesta região. Também é observada em corredores e 
ciclistas, porém pode acometer pessoas não atletas com diferença no comprimento dos 
MMII. O estresse repetitivo sobre o trocânter maior também pode levar à inflamação desta 
Bursa (BARBOSA; SILVA, 2021).
A síndrome do piriforme compreende dor associada à tensão ou espasmo do 
músculo piriforme. Ele exerce pressão sobre o nervo isquiático adjacente e desencadeia 
sintomas radiculares similares aos sinais de disfunção discal. A sintomatologia pode 
ser agravada por meio do estiramento ou da contração do piriforme, ou seja, ao girar 
medialmente o quadril de modo passivo ou ao conter a rotação lateral (COHEN; ABDALLA, 
2015).
As lesões do ligamento cruzado anterior (LCA) são comuns em esportes que 
envolvem giros e saltos. Cerca de 70% das lesões não são por contato, e a maioria ocorre 
quando o fêmur é rodado sobre a perna fixada ao solo e com o joelho perto da extensão 
completa. A combinação de valgo com rotação medial no joelho é o mecanismo que 
mais provoca distensão no LCA.
As mulheres são aproximadamente 3,5 vezes mais suscetíveis a 
lesões sem contato do que os homens, provavelmente devido 
a fatores anatômicos e neuromusculares. Acredita-se que suas 
superfícies articulares sejam menores e mais convexas no lado 
lateral da articulação tibiofemoral.
INTERESSANTE
Após uma ruptura de LCA não reparada, há redução da ADM de flexão e extensão 
do joelho durante a caminhada. Também, há deficiência do controle neuromuscular 
do quadríceps femoral. Embora alguns indivíduos consigam estabilizar seus joelhos, a 
maioria apresenta instabilidade, mudança na localização do centro de rotação e na área 
de contato tibiofemoral, além de início subsequente de osteoartrite (LIGGIERI; TEIXEIRA; 
YENG, 2022).
Os problemas decorrentes do traumatismo do joelho incluem 
fraqueza e perda importante de massa muscular dos extensores 
do joelho, diminuição da ADM e déficit proprioceptivo.
IMPORTANTE
57
As lesões de ligamento cruzado posterior (LCP), na maioria das vezes, resultam 
da prática esportiva ou de acidentes automobilísticos. Geralmente, quando esse ligamento 
se rompe isoladamente (sem danificar outras estruturas), a lesão ocorre com o joelho 
em hiperflexão e o pé em flexão plantar. Por outro lado, no impacto do indivíduo contra 
o painel de um carro, há uma força direta sobre a região anteroproximal da tíbia, que, 
normalmente, resulta em danos ligamentares combinados. Lesões isoladas do LCP são 
frequentemente tratadas de forma não cirúrgica (BARBOSA; SILVA, 2021).
Já as lesões do ligamento colateral medial (LCM), podem gerar estiramento ou, 
até mesmo, ruptura deste ligamento. Geralmente ocorrem por contusões (“pancadas”) 
de alta intensidade na lateral no joelho com o pé fixado ao solo. Vale lembrar que o LCM 
é o ligamento mais lesionado em esportes de contato.
As lesões do menisco podem ocorrer por consequência das lesões no LCM, sendo 
que o menisco medial é lesionado com maior frequência do que o lateral, afinal, o menisco 
medial é fixado com mais firmeza à tíbia e, portanto, é menos móvel 
Na ausência de reconstrução do LCA, há também aumento da incidência de 
rupturas dos meniscos mediais, embora a carga sobre eles retorne ao normal caso 
seja reconstruído. Um menisco roto é bastante problemático, afinal, o fragmento de 
cartilagem livre pode deslizar e impactar na mecânica articular. Os sintomas incluem dor 
e travamentos intermitentes da articulação.
A síndrome da dor patelofemoral compreende o deslizamento patelar inadequado, 
gerando movimento doloroso na articulação patelofemoral durante, e após a atividade 
física. De forma particular, a dor tende a ser maior nos exercícios com flexão repetitiva 
do joelho, como subir e descer escadas, corrida e agachamento. As possíveis causas 
incluem desequilíbrios musculares, desalinhamentos anatômicos, fraqueza dos músculos 
isquiotibiais e quadríceps, atividade excessiva e aumento da força de rotação lateral do 
quadril. É mais prevalente em mulheres do que em homens (COHEN; ABDALLA, 2015).
A condromalácia patelar pode ser causada pelo deslocamento anormal da patela 
em relação ao fêmur, gerando inflamação da cartilagem patelar, com consequente 
degeneração. O paciente relata dor na região anterior da patela e crepitações (BARBOSA; 
SILVA, 2021).
Caro estudante, devido aos papéis desempenhados pelo tornozelo e pelo pé, 
lesões nessas regiões podem limitar a mobilidade, interferir diretamente na rotina diária 
do indivíduo e, até mesmo, resultar em grande tempo de afastamento do treinamento 
em atletas (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022). Veja a seguir algumas das lesões que mais 
acometem os pés e o tornozelo.
58
As entorses por inversão são mais comuns do que por eversão, pois a cápsula 
articular e os ligamentos são mais fortes na face medial do tornozelo. O ligamento 
deltoide, por exemplo, é tão forte que é mais provável que a eversão excessiva cause 
uma fratura distal da fíbula do que ruptura deste ligamento. Entorses repetitivas podem 
causar instabilidade funcional, caracterizada por padrões de movimento alterados 
significativamente no tornozelo e no joelho. Dentre outros ligamentos que são lesionados, 
temos o talofibular anterior e posterior e ligamento calcaneofibular (PRETINCE, 2011).
A tendinite do tendão do calcâneo é uma inflamação dessa região e, geralmente, 
gera microrrupturas do tecido acompanhadas por edema. Um possível mecanismo de 
lesão envolve a tensão repetitiva que causa fadiga, redução da flexibilidademuscular 
e aumento da sobrecarga no tendão, mesmo com o músculo relaxado. Outra opção é 
que, por si só, a carga repetitiva leva a insuficiência ou à ruptura das fibras colágenas do 
tendão. Esta lesão está associada a atividades de corridas e saltos, sendo comum entre 
dançarinos. É o tendão do corpo humano que mais se rompe (COHEN; ABDALLA, 2015).
O repetitivo alongamento da fáscia plantar pode causar microrrupturas e 
inflamação próxima à sua inserção no osso calcâneo. Neste caso, o paciente apresentará 
dor no calcanhar e/ou no arco do pé. O pé plano, côncavo e rígido, além de tensão 
nos músculos posteriores do membro inferior, pode contribuir para o surgimento da 
lesão. É uma lesão comum em jogadores de basquete, corredores, dançarinos, tenistas 
e ginastas (BARBOSA; SILVA, 2021).
6 ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS DA COLUNA 
VERTEBRAL RELACIONADAS À PRÁTICA ESPORTIVA
A coluna vertebral está sujeita a diversas deformações, e agora, veremos o que 
essas deformações representam em termos estruturais, quais as principais estruturas 
afetadas, como identificá-las e como reabilitá-las, quando possível (PRETINCE, 2011).
A coluna vertebral é a estrutura central do esqueleto humano, com início na 
região subcranial e, juntamente com a caixa craniana, esterno e arcos costais, constitui 
o esqueleto axial. De uma forma simples, pode-se dizer que é uma haste óssea firme 
e flexível, com posicionamento longitudinal e mediano e de onde parte o esqueleto 
apendicular (BARBOSA; SILVA, 2021).
É constituída por diversos elementos individuais, sobrepostos e unidos entre si, 
os quais formam um eixo de conexão entre o sistema nervoso central (SNC) e o sistema 
nervoso periférico (SNP), por meio da medula espinal – contida no interior do canal 
vertebral da coluna vertebral. Apresenta papel fundamental na sustentação do peso 
corporal, conformação estrutural e postura, movimentos, locomoção e proteção do SNC 
(LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022).
59
A coluna vertebral é parte chave do sistema locomotor e sua 
mobilidade articular possibilita, além da estabilidade do tronco, a 
mobilidade das diferentes partes do corpo humano.
IMPORTANTE
6.1 LOMBALGIA
A dor lombar é atualmente a principal queixa relacionada ao sistema 
musculoesquelético no mundo. Estudos realizados em grandes centros de referência em 
pesquisas epidemiológicas de países desenvolvidos revelam que, aproximadamente 80% da 
população apresentará, pelo menos, um episódio de dor lombar ao longo da vida. Embora 
a grande maioria dos casos tenha uma boa evolução, as pesquisas mais recentes apontam 
para desfechos não tão favoráveis, com períodos de recuperação relativamente longos 
e uma alta taxa de recidiva. Além disso, ela representa a segunda causa de abstenção 
ocupacional e de incapacidade definitiva (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022).
Sabemos que lombalgia é o termo que se refere à dor localizada entre a última 
costela e a prega glútea e, algumas vezes, irradia-se para os quadris e MMII. Quando 
ela segue um trajeto radicular característico, acometendo o membro inferior até a 
região abaixo dos joelhos, é chamada de lombociatalgia. Tanto a lombalgia quanto a 
lombociatalgia são sintomas de diversas situações clínicas distintas. Porém, a lombalgia 
pode ser uma doença propriamente dita e, neste caso, o termo ideal é lombalgia 
mecânica comum.
Os casos agudos costumam apresentar resolução espontânea, mas os casos 
que se tornam crônicos chegam a ser um grande desafio clínico aos profissionais 
envolvidos. A lombalgia mecânica comum crônica é multifatorial e inclui tanto os fatores 
mecânicos e degenerativos quanto fatores de ordem psicológica, social ou ocupacional. 
E, muitas vezes, é complicado identificar a estrutura anatômica responsável pela dor 
nestes pacientes.
6.2 HÉRNIA DE DISCO
É a protrusão do núcleo pulposo por meio de soluções de continuidade das 
fibras do ânulo fibroso. A maioria delas acontece em torno dos 40 anos de idade, 
com incidência póstero lateral. Contudo, nem toda hérnia discal é sintomática. Sua 
sintomatologia depende das condições do canal medular, do grau de inflamação 
adjacente, do tamanho da hérnia e da existência de doenças concomitantes, como a 
espondiloartrose (DEFINO; PUDLES; ROCHA, 2019).
60
Quando presente na região cervical, a queixa principal é dor no braço e, às vezes, 
sem mesmo cervicalgia associada. Essa dor geralmente tem início na parte posterior 
do pescoço e caminha para o ombro, braço e antebraço até os dedos, sendo que sua 
distribuição segue o trajeto da raiz acometida. A sintomatologia geralmente é gradual e, 
com a evolução, pode acometer todo o membro superior e interferir na qualidade do sono, 
fazendo o sujeito despertar paciente durante a noite (LIGGIERI; TEIXEIRA; YENG, 2022).
Assim como na região lombar, a dor pode apresentar-se nos membros inferiores, 
descendo pela região glútea, ou da virilha, e em direção aos pés. Seu trajeto e intensidade 
dependem do local acometido.
Ao mesmo tempo em que o raio-x simples de um sujeito com hérnia de 
disco pode resultar totalmente normal, a proporção de indivíduos assintomáticos que 
apresentam evidências radiológicas de degeneração discal é imensa. Por isso, outros 
exames como a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética são mais 
indicados para a visualização das hérnias discais e tecidos paravertebrais.
Porém, devemos nos atentar ao fato que nem todas as alterações discais 
reveladas pelos exames de imagem são sintomáticas e, assim, reforçamos a importância 
da anamnese e do exame físico bem conduzidos para uma melhor interpretação e 
correlação com tais exames. 
61
LEITURA
COMPLEMENTAR
TREINAMENTO EXCÊNTRICO COMO PREVENÇÃO DE ENTORSE DE 
TORNOZELO EM CORREDORES DE RUA: UMA REVISÃO
Maria Eduarda Bueno Martins
Natanne Maria da Silva Vieira Borges
Ana Paula Felix Arantes
Renato Canevari Dutra da Silva
Lorraine Moura Gomes
A corrida está associada a humanidade desde o processo de civilização, onde 
correr significava sobrevivência, atualmente, através da corrida o indivíduo pode 
desenvolver capacidades como: competitividade, interação e evolução. Sabe-se que 
independente do esporte, os atletas estão expostos a lesões esportivas, onde destacam-
se as dos pés e tornozelos. Dentre todas as lesões esportivas, 25% referem-se a lesões 
de pés e tornozelos, sendo, 45% entorses laterais de tornozelo.
Ressalta-se que as entorses laterais de tornozelo ocorrem frequentemente após 
ocorrer o primeiro contato do retropé no solo, onde esse sofre uma supinação excessiva 
com a perna em rotação externa. O movimento de inversão exagerada e rotação interna 
do retropé vinculado a rotação externa da perna resultam na tensão dos ligamentos 
laterais. Acredita-se que a flexão plantar aumentada durante o primeiro contato podem 
aumentar a chances de levar a uma entorse de tornozelo.
O uso do treinamento excêntrico pode ser aplicado de forma benéfica, tanto a 
protocolos de reabilitações articulares como em treinamento de atletas de grande escala. 
Durante uma contração excêntrica, os músculos possuem a capacidade de 
resistir melhor à força, ou seja, os músculos trabalhados nesse protocolo apresentam 
maiores ganhos de força, comparado a uma contração concêntrica. Os treinos com 
exercícios excêntricos executados de forma rápida são capazes de aumentar a hipertrofia 
muscular assim como a força muscular, resultado da remodelagem das fibras proteicas. 
As lesões de tornozelo são as mais comuns entre os atletas, podemos citar as 
entorses laterais, distensões e rupturas ligamentares como as principais. Essas lesões 
na maioria das vezes possuem recuperação rápida, contudo, em alguns casos, elas 
podem tornar-se uma inflamação crônica gerando graves problemas para o atleta. 
62
Existem fatores que podem ser levados em consideração para a ocorrência de 
possíveis entorses de tornozelo como altura, gênero, peso, história prévia de lesão na 
articulação e fadiga. E cita, que a fadiga muscular dentre os fatores etiológicosé o que 
menos é compreendido dentre os aspectos fisiológicos e biomecânicos.
O tornozelo é alvo de lesões mais frequentemente por conta de uma inversão 
forçada do pé, que promove o rompimento total ou parcial dos ligamentos presentes 
nessa articulação, como o calcaneofibular e o ligamento talofibular. Se a inversão for 
muito grave, pode gerar também, uma fratura da fíbula, devido a um deslizamento do 
tálus contra o maléolo lateral.
Essas lesões trazem consequências graves como o aumento do risco de 
futuras entorses de tornozelo, podendo ocasionar a ruptura ligamentar da articulação, 
estabilidade articular e o afrouxamento da cápsula articular do tornozelo. 
As entorses em inversão são mais comuns, comparadas com a em eversão, 
e frequentemente ocasiona lesões nos ligamentos laterais. O ligamento talofibular 
anterior, dentre os três ligamentos laterais é o mais fraco, ele possui a função de impedir 
que aconteça uma subluxação anterior do tálus, e na posição de inversão, flexão plantar 
e rotação medial, ele é lesionado.
A ruptura do ligamento talofibular anterior, aumenta-se a rotação interna do 
retropé, ocasionando a instabilidade rotacional sobre os outros ligamentos dessa 
articulação, que na maioria das vezes durante a avaliação no tornozelo após a entorse 
não é diagnosticado.
Na grande maioria, a entorse de tornozelo acontece após ocorrer uma 
supinação exagerada da articulação subtalar, em cadeia cinética fechada promovendo 
uma inversão forçada e uma rotação interna do retropé, lesionando os ligamentos dessa 
região. Os atletas que possuem o pé supinado podem apresentar uma inversão do retropé, 
predispondo as entorses laterais de tornozelo.
A avaliação do grau dessa entorse depende se esses ligamentos foram distendidos 
ou sofreram rompimentos completos. Essas entorses levam a uma inflamação, com edema 
e dor na maioria dos casos.
Para determinar a severidade da entorse é preciso determinar a velocidade, 
o mecanismo da lesão, os fatores extrínsecos e intrínsecos, e o histórico prévio. As 
entorses de tornozelo são classificadas em três grau.
A fisioterapia desportiva trabalha com o objetivo de sempre buscar possibilidades 
para que as lesões desportivas se tornem cada vez mais escassas durante as atividades 
esportivas, principalmente para redução das lesões nos membros inferiores, como de 
joelho e tornozelo.
63
No treinamento desportivo, os exercícios excêntricos associados ao de superação 
do trabalho dos músculos, é bastante difundido para métodos de preparação de força.
O treinamento excêntrico para fortalecimento muscular, utiliza maior resistência 
comparado a força isométrica produzida pelo atleta. Portanto, quando a resistência é 
aplicada, o músculo é alongado. Por fim, o exercício excêntrico se mostra mais eficaz para 
melhorar a força muscular e o tamanho do músculo. Os exercícios excêntricos realizados 
com maior velocidade apresentam ganhos de força e hipertrofia maiores, pois estão 
associadas as rupturas que acontecem nas linhas Z do sarcômero, que representam um 
fenômeno, onde as proteínas que formam a fibra muscular passam por remodelagem.
A ação muscular excêntrica ocorre quando o músculo se alonga, com um torque 
externo maior, do que o torque normal. Os músculos antagonistas controlam a ação 
excêntrica, sendo essa ação considerada “negativa”, por agir a favor da gravidade ou por 
controlar o movimento.
Uma contração excêntrica utiliza menos unidades motoras para gerar força 
e menos oxigênio na realização da atividade, tornando-o mais resistente a fadiga, 
comparado as contrações concêntricas.
O fortalecimento muscular é maior quando os músculos realizam movimentos 
excêntricos, pois assim consegue movimentar cargas maiores contraindo-se excentri-
camente, tornando esses movimentos capazes de desenvolver as fibras musculares de 
contração rápida.
As contrações excêntricas possuem papel fundamental na reabilitação de 
lesões, pois atua na desaceleração dos movimentos realizados em ações rápidas, como 
nos esportes, se o músculo não estiver preparado para suportar a ação excêntrica, pode 
desencadear lesões desportivas.
As ações excêntricas retardam a ação da articulação ao final da sua amplitude de 
movimento, e apontam que o atleta que possui força excêntrica reduzida, está predisposto a 
desencadear uma lesão em um movimento que depende de uma desaceleração de alta 
velocidade. Deve-se levar em consideração a velocidade na realização da ação e o controle 
da carga que será utilizada na fase excêntrica, pois em alta velocidade ou com a carga 
elevada o indivíduo pode desenvolver dores musculares e até mesmo lesões.
Os exercícios no treinamento excêntrico devem ser realizados com cargas de 
10 a 40% de sua carga máxima, e para realizar essa ação, é necessário equipamento 
específico ou profissional especializado, para auxiliar o indivíduo a controlar o peso e 
retornar à posição inicial.
64
Durante a prescrição do treinamento de exercício excêntrico é importante 
analisar a síndrome da dor muscular tardia, a qual acontece frequentemente após 24 a 
72 horas ao treino, sendo preciso desenvolver estratégias de preparação, recuperação 
e análise das cargas durante o treinamento. As principais contraindicações para 
realização do treinamento, são as inflamações e a dor, pois se o exercício for realizado 
com a inflamação ativa, os traumatismos do tecido muscular podem se ampliar e piorar o 
edema e a dor do local.
A dor muscular de início tardio, pode ser controlada através de precauções, 
como: evitar a atividade excêntrica nas primeiras semanas do treinamento ou iniciar o 
exercício com baixa intensidade, e aumentar gradualmente de acordo com a capacidade 
do atleta. Dessa forma, a dor em alguns casos pode acontecer, contudo será bem mais 
suportada de acordo com que o atleta aumente sua força e sua habilidade com as 
atividades de alta intensidade.
O uso de exercícios excêntricos, e posteriormente a inclusão de exercícios 
isométricos e concêntricos, dentro de um treinamento, podem ser utilizados para obter 
um resultado benéfico de aumento de força e reabilitação de lesões musculares.
A frequência semanal do treinamento excêntrico, depende da intensidade e da 
durabilidade do exercício. Quando o treino é realizado em alta intensidade e com grande 
durabilidade, os músculos e estruturas locais, são sobrecarregados e precisam de tempo 
para se adaptar, recuperar e regenerar. No geral, os treinamentos de alta intensidade 
possuem intervalos de 48 horas.
E quanto aos exercícios excêntricos para prevenção de entorse de tornozelo em 
corredores? O músculo gastrocnêmico possui origem com suas cabeças mediais e laterais 
superiormente aos epicôndilos medial e lateral do fêmur. Suas principais funções são 
realizar flexão plantar e supinação quando a perna não está apoiada, como desencostar o 
pé do solo durante a corrida, e quando este, encosta novamente, auxilia na sustentação. 
O fortalecimento do gastrocnêmico e do sóleo, podem ser fortalecidos através 
da flexão plantar podendo utilizar como resistência halteres fixos e barras com anilhas, 
onde o fisioterapeuta pode posicionar o atleta sentado ou em pé, realizando a flexão 
plantar com a resistência.
 O músculo tibial anterior com origem nos dois terços superiores da superfície 
lateral da tíbia, possui ação de realizar a dorsiflexão do tornozelo e inversão do pé. O 
fortalecimento desse músculo responsável pela flexão dorsal do tornozelo, pode ser 
realizada através do atleta sentado, realizando uma dorsiflexão unilateral do tornozelo 
contra uma resistência, podendo utilizar como opção de resistência a força do próprio 
fisioterapeuta, tornozeleira ou faixas elásticas.
65
O músculo fibular longo realiza a eversão do pé e auxilia na flexão plantar do 
tornozelo, possui origem na região proximal lateral da fíbula e na membrana interóssea. Já 
o músculo fibular curto, origina-se nos dois terços da superfície lateral da fíbula, realizando 
as funções de eversã do pé e flexão plantardo tornozelo. Para realizar o fortalecimento 
do musculo fibular longo, o indivíduo irá realizar o movimento de eversão do pé, sentado, 
contra a resistência oferecida, podendo utilizar como resistência as tornozeleiras, faixas 
elásticas ou a força do próprio fisioterapeuta.
FONTE: Disponível em: <http://twixar.me/NvMm>. Acesso em: 06 set. 2022.
66
Neste tópico, você aprendeu:
• Lesões internas são de detecção mais complexa e respeitam uma série de critérios, os 
quais devem ser de conhecimento do fisioterapeuta para que ele consiga reconhecê-los 
e adotar os devidos procedimentos.
• A cinemática do trauma compreende a análise biomecânica dos movimentos e das 
forças que, de algum modo, podem influenciar ou ter influenciado lesões em um 
indivíduo. 
• As fraturas ósseas são as lesões mais comuns dos ossos, enquanto as luxações e 
entorses são as lesões articulares mais corriqueiras. Normalmente, elas ocorrem por 
conta de um trauma em que a energia imposta supera a capacidade de deformação do 
tecido ou gera movimento demasiado, além da capacidade da estrutura.
• Uma das possíveis lesões que podem acometer as articulações são as luxações, que 
são o quadro em que as extremidades conectadas de dois ou mais ossos se deslocam 
de sua posição natural, gerando um prejuízo à congruência harmônica da articulação. 
• Entorses são ainda mais comuns do que as luxações, já que consistem no movimento 
além da capacidade móvel da articulação, gerando prejuízos aos tecidos moles. Os 
tecidos mais acometidos costumam ser os ligamentos.
• Os estiramentos e as distensões são semelhantes, diferindo-se um do outro somente 
pela região afetada. O primeiro trata de prejuízo à estrutura das fibras no ventre muscular, 
enquanto o segundo, trata de prejuízo à estrutura da junção musculotendínea.
RESUMO DO TÓPICO 3
67
1 As entorses consistem no movimento além da capacidade móvel da articulação, 
gerando prejuízos aos tecidos moles. Contudo, não há prejuízo à estrutura de conexão 
entre os ossos, que se mantêm em sua posição normal. Sobre a entorse, assinale a 
alternativa CORRETA: 
a) ( ) Na entorse de grau 1, há estiramento dos ligamentos em que um percentual menor 
das fibras do tecido é afetado.
b) ( ) Ruptura parcial dos ligamentos, em que um percentual moderado das fibras do 
tecido é afetado, ocorre na entorse de grau 3.
c) ( ) Na entorse de grau 2, há ruptura total dos ligamentos, ocorrendo a descontinuidade 
das fibras desses tecidos.
d) ( ) Indica-se cirurgia já em casos de entorse de grau 1.
2 As fraturas podem ser classificadas de acordo com o traço (completa ou incompleta), 
a exposição (aberta ou fechada), a presença de lesões associadas (complicada ou 
simples) ou o tipo de força causadora do trauma (direta, indireta ou torção). Com base 
nas definições dos tipos de fraturas, analise as seguintes afirmativas:
I– Nas fraturas completas, há descontinuidade da estrutura óssea, ou seja, a fratura 
ocorreu de um lado ao outro do osso. 
II– As fraturas incompletas podem apresentar linha oblíqua, espiral ou transversa, 
sendo representada por fraturas com trituração óssea, segmentares e por avulsão. 
III– Nas fraturas completas, não há descontinuidade da estrutura óssea, ou seja, a fratura 
acometeu uma região parcial do osso. 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa I está correta.
c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a afirmativa III está correta.
3 Em decorrência de as mãos serem utilizadas excessivamente nas atividades diárias e 
em muitos esportes, suas lesões são muito frequentes. De acordo com o estudado, 
classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Entorses e luxações são bastante comuns em decorrência do uso excessivo, e 
necessário, das mãos durante as atividades diárias e nas diversas práticas esportivas. 
( ) O dedo em gatilho é uma alteração no mecanismo de deslizamento de um tendão 
sobre sua bainha sinovial. Não há presença de um nódulo/protuberância na bainha 
de revestimento.
AUTOATIVIDADE
68
( ) A Tenossinovite de De Quervain é uma tendinite do extensor curto do polegar e do 
abdutor longo do polegar, relacionada com impacto. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – V – F.
b) ( ) V – F – F.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 Os músculos estriados esqueléticos são formados, basicamente, por ventre e tendão. 
Porém, há a presença de alguns anexos, como a fáscia muscular e a bolsa sinovial. 
Essas estruturas podem ser lesionadas em casos de excesso de movimento, por 
exemplo. Diante do exposto, descreva a função a bolsa (bursa) sinovial e defina a 
bursite.
5 O joelho é uma região corporal do membro inferior e importante para mobilidade e 
locomoção. É composto por três ossos: fêmur, patela e fíbula, compreendendo uma 
articulação que realiza, funcionalmente, flexão e extensão da perna. Nesta articulação, 
há a presença de diversos ligamentos que podem ser lesionados, principalmente 
durante a prática esportiva. Neste contexto, disserte sobre as lesões de ligamento 
cruzado anterior e ligamento cruzado posterior.
69
ALBUQUERQUE, A.M. Biomecânica Prática no Exercício Físico. Curitiba: 
Intersaberes, 2020.
BARBOSA, R.I.; SILVA, M.F. Fisioterapia Traumato-Ortopédica. Porto Alegre: Artmed, 
2021.
CALAIS-GERMAIN, B. Anatomia para o movimento: Introdução À Análise Das 
Técnicas Corporais. São Paulo: Manole, 2010.
COHEN, M.; ABDALLA, R.J. Lesões nos Esportes: Diagnóstico, Prevenção e 
Tratamento. Rio de Janeiro: Revinter, 2015.
COMPLETO, A.; FONSECA, F. Fundamentos de Biomecânica Musculoesquelética e 
Ortopédica. São Paulo: Medicabook, 2011.
DEFINO, H.L.A.; PUDLES, E.; ROCHA, L.E.M. Coluna Vertebral: Lesões traumáticas. São 
Paulo: Artmed, 2019.
FLOYD, R.T. Manual de Cinesiologia Estrutural. São Paulo: Manole, 2016.
HALL, S.J. Biomecânica Básica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020.
HAMILL, J.; KNUTZEN, K.M.; DERRICK, T.R Bases biomecânicas do movimento 
humano. São Paulo: Manole, 2016.
KAPANDJI, A.I. O que é Biomecânica? São Paulo: Manole, 2013.
KISNER, C.; COLBY, L. A. Exercícios Terapêuticos: Fundamentos e Técnicas. São 
Paulo: Manole, 2021.
LIGGIERI, V.C.; TEIXEIRA, M.J.; YENG, L.T. Tratado de Dor, Reabilitação e Atividade 
Física. Conceitos e Prática Clínica. São Paulo: Editora dos Editores, 2022.
LIPPERT, L.S. Cinesiologia - Clínica e Anatomia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
2018.
MCGINNIS, P. M. Biomecânica do esporte e exercício. Porto Alegre: Artmed, 2015. 
MOORE, K.L.; DAILEY, A.F.; AGUR, A.M.R. Anatomia Orientada para a Clínica. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
REFERÊNCIAS
70
MOREIRA, D.; RUSSO, A. F. Cinesiologia Clínica e Funcional. São Paulo: Atheneu, 
2018.
NEUMANN D. A. Cinesiologia do Aparelho Musculoesquelético. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2018.
PRENTICE, W.E. Fisioterapia na Prática Esportiva: Uma Abordagem Baseada em 
Competências. Porto Alegre: Artmed, 2011.
71
FISIOTERAPIA ESPORTIVA
UNIDADE 2 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender a área de atuação da Fisioterapia Esportiva;
• estudar a prevenção de lesões no esporte;
•	 compreender	o	papel	do	fisioterapeuta	em	uma	equipe	esportiva.
 A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar	o	conteúdo	apresentado.
TÓPICO 1– INTRODUÇÃO À FISIOTERAPIA ESPORTIVA
TÓPICO 2– PREVENÇÃO DE LESÕES NO ESPORTE
TÓPICO 3– CONDUTA FISIOTERAPÊUTICA NA PREVENÇÃO DE LESÕES ESPORTIVAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
72
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
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73
TÓPICO 1 — 
INTRODUÇÃO À FISIOTERAPIA ESPORTIVA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico, no Tópico 1, serão abordados temas introdutórios no âmbito da 
FisioterapiaEsportiva,	incluindo:	informações	sobre	a	atuação	do	fisioterapeuta	na	área	
esportiva, bem como os objetivos e momentos de intervenção; atividade física no contexto 
da	saúde,	do	esporte	e	do	lazer,	que	irá	contextualizar	a	importância	do	acompanhamento	
fisioterapêutico	em	todos	esses	cenários;	e,	por	último,	a	relação	existente	entre	o	exercício	
físico e o condicionamento físico no âmbito do processo de recuperação funcional para 
a	prática	esportiva.
Inicialmente,	é	importante	destacar	que	a	crescente	importância	da	Fisioterapia	
nos	contextos	mais	diversificados	traz	consigo	constante	destaque	quanto	à	importância	de	
suas	especialidades.	É	proporcional	à	evolução	da	Fisioterapia	Esportiva	a	evolução	da	
prática	esportiva	notada	nas	últimas	décadas,	fato	que	exige	um	nível	de	desempenho	
e	aproveitamento	cada	vez	mais	aprimorado	por	parte	das	equipes	de	atletas.
Hoje,	essa	condição	é	possível	graças	a	um	respaldo	físico,	técnico	e	teórico	bem	
formulado	e	aplicado	no	atendimento	do	atleta,	já	que	ele	se	depara,	muitas	vezes,	com	
o	limite	fisiológico,	sendo	exposto	a	um	maior	risco	de	lesões	durante	treinos	e	jogos,	o	
que	pode	comprometer	seu	rendimento	esportivo	e	impactar	sua	saúde	com	diversas	
consequências	 negativas.	 Com	 isso,	 a	 Fisioterapia	 Esportiva	 tem	 sua	 importância	
destacada, compreendendo uma área cada vez maior e considerada para atletas com 
diferentes	níveis	de	condicionamento.
Assim,	 o	 conteúdo	 apresentado	 e	 que	 será	 explorado	 ao	 longo	 deste	 tópico	
é	 constituído	 por	 informações	 iniciais,	 que	 representam	 a	 base	 para	 os	 estudos	 e	
entendimento	da	Fisioterapia	Esportiva,	visto	que	engloba	fundamentos	responsáveis	por	
justificar	a	 importância	da	atuação	fisioterapêutica	no	manejo	do	exercício	 físico,	bem	
como	objetivos	e	pretensões	esperadas	por	meio	da	tal	atuação.	
2 ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NA ÁREA ESPORTIVA
Na prática, a necessidade da Fisioterapia Esportiva se mostra clara na sociedade 
desde	 sempre	 em	 contextos	 históricos	 diversos,	 caracterizados	 por	 demandas	
provenientes	da	prática	esportiva.	Tal	manejo	sempre	foi	realizado	historicamente,	ainda	
que	de	modo	pouco	sistematizado.	Contudo,	a	expansão	da	Fisioterapia	no	Brasil	e	no	
mundo	viabilizou	que,	pela	primeira	vez	no	Brasil,	fisioterapeutas	estivessem	em	campo	
com	atletas	apenas	a	partir	dos	anos	1990,	durante	os	Jogos	Olímpicos.	A	partir	de	então,	
o	fisioterapeuta	passou	a	estar	cada	vez	mais	presente	no	acompanhamento	de	atletas	
74
antes, durante e após competições das mais diferentes modalidades esportivas e tipos 
de	competições,	fato	que	resultou,	também,	em	uma	crescente	produção	de	 literatura	
sobre	o	tema,	que	é	fortemente	verificada	atualmente,	além	de,	eventualmente,	justificar	
a	necessidade	de	reconhecimento	dessa	especialidade	da	Fisioterapia,	ocorrida	no	ano	
de	2007.
2.1 ÓRGÃOS DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO
De	 acordo	 com	 o	 Conselho	 Regional	 de	 Fisioterapia	 e	 Terapia	 Ocupacional	
(COFFITO),	a	Fisioterapia	Esportiva	compreende	um	exercício	profissional	que	engloba	
desde	 a	 promoção	 da	 atenção	 básica	 prestada	 diretamente	 ao	 atleta	 no	 que	 diz	
respeito	a	sua	saúde,	por	meio	da	elaboração	de	um	diagnóstico	cinético	funcional,	até	
a	prescrição	de	intervenções	fisioterapêuticas	adequadas	aos	esportistas,	de	acordo	com	
momentos	específicos,	dentro	de	um	período	de	competições	(COFFITO,	2007).	Assim	
sendo, desde o ano de 2007 a Fisioterapia Esportiva é uma especialidade devidamente 
reconhecida	da	Fisioterapia.	
Com	isso,	ao	longo	do	tempo,	o	papel	da	Fisioterapia	Esportiva	tem	se	estabelecido	
fortemente na atuação da assistência funcional do atleta por meio de intervenções 
específicas	e	oportunas,	realizadas	com	o	intuito	de:	favorecer	a	recuperação	do	organismo	
ao	seu	estado	basal;	garantir	condicionamento	físico	a	partir	de	condições	cinesiológicas	
e	 biomecânicas	 favoráveis;	 prevenir	 ou	 tratar	 disfunções	 musculoesqueléticas	 para	
promover	 a	 saúde	do	atleta;	 e	 otimizar	 o	desempenho	atlético.	Além	disso,	 estima-se	
que	todas	as	condutas	fisioterapêuticas	realizadas	no	contexto	mencionado	se	atentam	
à	 implementação	pautada	na	cientificação	de	técnicas	milenares,	pautadas	numa	prática	
baseada	em	evidências	científicas,	conforme	Hamill	(2016).	
Por definição, a prática baseada em evidências representa 
metodologia indicada para prática clínica em saúde e é utilizada 
por todas as profissões. Representa a utilização de evidências 
científicas de qualidade, para respaldar a conduta clínica com base 
em conceitos e intervenções devidamente testadas por ensaios 
clínicos de alto rigor metodológico. Além disso, a prática baseada 
em evidências representa importante norte para tomada de 
decisão, de acordo com as necessidades de cada caso.
NOTA
75
Ademais,	 faz-se	 importante	 que	 o	 fisioterapeuta	 esportivo	 se	 respalde	 nos	
pilares	históricos	dos	agentes	da	saúde	em	campo,	que	incluem,	sobretudo:	promover	
boas condições de saúde por meio dos níveis de exercícios físicos praticados; favorecer 
condições	que	preparem	o	organismo	para	os	exercícios;	e	intervir	de	modo	a	minimizar	
fatores	 de	 risco	 responsáveis	 por	 danos	 causados	 pelo	 exercício.	 Nesse	 sentido,	 o	
COFFITO	estabelece	que	a	atuação	do	fisioterapeuta	esportivo	atende	à	competência	e	
às	habilidades	para	a	atuação	nos	seguintes	cenários:
• atividade física no contexto da saúde, do esporte e lazer;
• exercício físico e condicionamento físico dentro do processo da recuperação 
funcional,	seguindo	os	critérios	de	retorno	à	prática	esportiva;
• relação do esporte e atividade física no contexto da saúde coletiva e da prevenção 
das lesões;
•	 fisiologia	 do	 exercício,	 propriedades	 biomecânicas	 do	 tecido	 musculoesquelético	 e	
características biomecânicas das lesões esportivas; 
•	 fatores	 predisponentes	 (extrínsecos	 e	 intrínsecos)	 relacionados	 às	 modalidades	
esportivas;
•	 fatores	 epidemiológicos	 e	 predisponentes	 à	 ação	 da	 assistência	 fisioterapêutica	
especializada na área;
•	 contextualização	dos	diferentes	níveis	de	complexidade	de	atenção	à	saúde	e	das	
políticas	públicas	de	saúde,	com	enfoque	especial	para	a	Atenção	Básica,	garantindo	
a	promoção	da	saúde	de	atletas	profissionais,	praticantes	de	atividades	esportivas,	
incluindo	aqueles	com	deficiência	ou	necessidades	especiais,	bem	como	a	prevenção	
de	lesões	e	a	recuperação	funcional	em	casos	de	comprometimentos.
No	 que	 se	 refere	 aos	 órgãos	 regulamentadores	 da	 Fisioterapia	 Esportiva,	
assim	 como	 para	 as	 demais	 especialidades	 da	 Fisioterapia,	 tem-se	 que	 compete	 ao	
COFFITO	 e	 ao	 CREFITO	 (Conselho	 Regional	 de	 Fisioterapia	 e	 Terapia	 Ocupacional)	
regulamentar	 a	 profissão,	 ao	passo	que	o	 primeiro	 contempla	 autarquia	 federal	 com	
objetivos	constitucionais	de	normatizar	e	exercer	o	controle	ético,	científico	e	social	das	
profissões	de	Fisioterapeuta	e	de	Terapeuta	Ocupacional,	e	o	segundo	representa	uma	
autarquia	estadual	que	exerce	como	função	a	normatização	e	fiscalização	do	exercício	
das	atividades	de	Fisioterapia	e	Terapia	Ocupacional.
2.2 SOCIEDADE NACIONAL DE FISIOTERAPIA ESPORTIVA E 
DA ATIVIDADE FÍSICA (SONAFE)
Para	 a	 especialidade	 da	 Fisioterapia	 Esportiva	 no	 Brasil,	 temos	 a	 SONAFE	
(Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física), fundada no ano de 
2003,	antes	mesmo	da	Fisioterapia	Esportiva	ser	reconhecida	como	especialidade.	Ela	é	
um	órgão	sem	fins	 lucrativos,	políticos	ou	religiosos,	apresentando	caráter	científico-
cultural	 em	 âmbito	 nacional	 e	 abrangendo	 os	 mais	 diversos	 assuntos	 e	 temas	 de	
interesse	da	área.
76
Assim,	são	objetivos	da	SONAFE:	reunir,	científica	e	culturalmente,	fisioterapeutas	
(registrados	no	Conselhos	Regionais	 de	Fisioterapia	 e	Terapia	Ocupacional)	 dedicados	 à	
Fisioterapia	Esportiva;	promover	o	desenvolvimento	técnico-científico	dos	fisioterapeutas	
que	congrega,	visando	a	introduzir	a	qualidade	nos	procedimentos	e	rotinasoperacionais	
nas	 áreas	da	Fisioterapia	Esportiva;	 promover	 a	 divulgação	do	papel	 do	fisioterapeuta	do	
esporte, assim como de sua efetiva importância para a área de saúde; conceder aos 
seus associados o título de especialistas em Fisioterapia Esportiva, conforme critérios 
definidos	 pela	 Comissão	 de	 Concessão	 de	 Títulos;	 colaborar,	 no	 que	 for	 pertinente,	
com	o	COFFITO	(Conselho	Federal	de	Fisioterapia	e	Terapia	Ocupacional)	e	respectivos	
Conselhos	 Regionais;	 organizar	 e	 realizar	 Congressos	 Nacionais	 e	 Internacionais	 e	
Jornadas	Estaduais	de	cunho	técnico	ou	científico;	promover	intercâmbio,	parcerias	e	
convênios	com	profissionais,	entidades	congêneres	e	universitários	no	país	e	no	exterior	
de	acordo	com	o	interesse	para	a	prática	profissional	de	seus	associados;	coordenar	a	
publicação	de	 livros,	 revistas,	boletins	e	organizar	o	acervo	relacionado	à	Fisioterapia	
Esportiva;	coordenar	a	realização	de	cursos	de	atualização	e	capacitação	profissional	
nas modalidades presencial e a distância; fomentar discussões acerca da Fisioterapia 
Esportiva e da Atividade Física em nível acadêmico; e referendar e recomendar a seus 
associados	cursos	de	pós-graduação	a	nível	nacional	e	internacional.
Podem	associar-se	à	SONAFE	profissionais	acadêmicos,	profissionais	atuantes	
em	 consultórios	 e	 clínicas	 e	 profissionais	 atuantes	 no	 esporte	 profissional.	 Para	 ser	
sócio	 da	 SONAFE,	 é	 necessário	 possuir	 graduação	 em	 Fisioterapia	 e	 submeter-se	 a	
uma	avaliação	que	é	realizada	em	conjunto	com	o	COFFITO	e	compreende	prova	teórica	
e	 avaliação	 curricular.	 Após	 ser	 aprovado	 nessas	 etapas,	 o	 candidato	 será	 sócio	 da	
SONAFE	e	terá	um	certificado	que	o	credencia	a	solicitar	ao	COFFITO	o	reconhecimento	
de	especialista	em	Fisioterapia	Esportiva.
As	vantagens	 em	 ser	 sócio	 SONAFE	 incluem:	 estar	 credenciado	 oficialmente	
em	 uma	 associação	 de	 abrangência	 nacional	 e	 internacional;	 possuir	 maiores	
perspectivas	de	atualização	profissional;	ter	um	órgão	que	os	represente	e	dê	respaldo	
nas	reivindicações	para	a	classe;	entrar	no	rol	de	profissionais	indicados	e	listados	no	
portal	da	SONAFE	para	consulta	de	qualquer	 indivíduo	da	sociedade	brasileira;	obter	
facilidades	 e	 descontos	 na	 participação	 de	 congressos	 de	 Fisioterapia	 Esportiva	 no	
Brasil	e	no	exterior;	matricular-se	em	cursos	de	atualização	com	preços	diferenciados	e	
vantajosos;	e	ter	assinatura	da	Revista	JOSPT.
2.3 ATRIBUIÇÕES E MOMENTOS DE ATUAÇÃO DO 
FISIOTERAPEUTA ESPORTIVO
Quanto	 às	 atribuições	 do	 fisioterapeuta	 esportivo,	 estão:	 elaborar	 diagnóstico	
cinético-funcional	da	equipe,	 associando	histórico	e	possíveis	 fatores	de	 risco	sobre	
a incidência de lesões; desenvolver e aplicar ações de campo, incluindo protocolos de 
prevenção,	preparo	 físico	e	 recuperação	após	o	esforço;	diagnosticar	 lesões	quando	
presentes	e	tratá-las	oportunamente.
77
A	partir	disso,	estima-se	que	o	fisioterapeuta	esportivo	acompanhe	continuamente	
o	atleta,	incluindo	os	momentos	de	treinos	e	competições,	os	quais	representam	ótima	
oportunidade	 para	 avaliação	 dos	 gestos	 esportivos	 do	 atleta	 e	 para	 identificação	 de	
possíveis	comprometimentos	na	biomecânica	que	possam	 influenciar	na	execução	do	
movimento	e,	consequentemente,	no	rendimento	esportivo,	conforme	Hamill	(2016).
Assim,	o	trabalho	do	fisioterapeuta	em	campo	divide-se,	basicamente,	em	duas	
fases,	caracterizadas	do	seguinte	modo:
•	 Fase	1	–	Ocorre	 identificação	retrospectiva	do	histórico	de	 lesões	do	atleta	por	meio	
de	 inquéritos	 ou	 registos	 e	 realiza-se	 avaliações	 específicas	 para	 identificação	 de	
possíveis	desalinhamentos,	desequilíbrios	ou,	ainda,	fragilidades.
•	 Fase	2	–	São	 implementadas	análises	sobre	o	 risco	de	 lesões,	que	consideram	as	
características	atuais	com	as	características	passadas	dos	atletas,	a	fim	de	entender	os	
fatores	de	risco	sobre	a	incidência	de	novas	lesões.	A	partir	de	então,	são	prescritos	
protocolos	preventivos,	de	acordo	com	as	necessidades	verificadas	em	cada	caso.
Para	tanto,	estima-se	que	o	profissional	conheça	perfeitamente	o	esporte	com	o	
qual	vai	trabalhar,	incluindo	todas	as	suas	regras	e	execuções	de	movimentos	específicos	
em	campo,	o	que	é	fundamental	para	predizer	gestos	característicos	de	cada	modalidade	
e,	 ainda,	 a	 exposição	 ao	 risco	 de	 regiões	 corporais	 específicas,	 além	 do	 substrato	
biomecânico	e	fisiológico	da	modalidade	e	a	metodologia	de	treinamento	adotada.
Por	 exemplo,	 no	 futebol,	 são	 comuns	 as	 lesões	 ligamentares	 em	 joelho	 e	
estiramentos	musculares,	ao	passo	que,	na	natação,	são	comuns	casos	de	tendinopatias	
e	 entorses	 no	 ombro.	 Similarmente,	 outras	 modalidades	 esportivas	 irão	 demonstrar	
padrões	comuns	de	lesões	de	acordo	com	os	gestos	realizados	com	frequência,	sendo	
tais	 informações	 básicas	 ao	 fisioterapeuta	 esportivo.	 Portanto,	 estima-se	 que	 as	
estratégias	fisioterapêuticas	considerem	o	tipo	de	estresse	sofrido	e	a	condição	física	
atual	do	atleta	para	que	as	técnicas	sugeridas	atendam	a	tais	elementos.	
As lesões esportivas representam um problema na rotina de 
atletas e, por isso, devem ser adequadamente compreendidas, 
para que sugestões oportunas sejam propostas a fim de prevenir 
e tratar tais condições. A esse respeito, o Tópico 3 irá abordar 
com detalhes o papel do fisioterapeuta na prevenção de lesões 
musculoesqueléticas advindas da prática esportiva.
ESTUDOS FUTUROS
78
Quanto	aos	momentos	de	 inserção	do	fisioterapeuta	esportivo,	esses	podem	
ocorrer em diferentes tempos, incluindo a fase sincrônica, a fase primária e a fase 
secundária,	caracterizadas	do	seguinte	modo:
Fase sincrônica:
•	 Momento:	antes	e	durante	a	prática.
•	 Metas:	preparar	o	atleta	para	o	esforço	e	auxiliar	na	restauração	imediata	das	funções.
•	 Estratégia:	 auxiliar	no	aquecimento,	 aplicação	de	órteses,	uso	de	 técnicas	de	baixa	
intensidade	e	volume.
Fase primária:
•	 Momento:	até	duas	horas	após	a	prática.
• Metas: redução moderada do tônus muscular e auxílio na restauração imediata aos 
níveis	basais.
•	 Estratégia:	 uso	 de	 técnicas	metabólicas	 e	 estruturais	 de	moderada	 intensidade	 e	
volume.
Fase secundária:
•	 Momento:	período	referente	a	após	duas	horas	da	prática	esportiva.
•	 Metas:	eliminar	o	estado	de	hipertônus	muscular	e	preparar	o	atleta	para	o	próximo	
estímulo.
•	 Estratégia:	uso	de	técnicas	de	alta	intensidade	ou	volume.
Por	fim,	no	que	se	refere	às	áreas	de	trabalho,	o	fisioterapeuta	com	formação	
especializada	em	esportiva,	além	da	atuação	em	campo,	pode	atuar	nas	seguintes	áreas:	
clubes,	clínicas	de	reabilitação	esportiva,	docência	e	desenvolvimento	de	pesquisas.
3 ATIVIDADE FÍSICA NO CONTEXTO DA SAÚDE, DO 
ESPORTE E DO LAZER
O	 intuito	 deste	 subtópico	 é	 que,	 ao	 final	 da	 leitura,	 você	 compreenda	 com	
clareza	a	 importância	de	conceitos	relacionados	à	atividade	física	e	saúde,	esporte	e	
lazer,	de	modo	que	o	primeiro	representa	um	elemento	que	viabiliza	as	atividades	de	
lazer	e	esporte	da	mesma	maneira	que	viabiliza	a	prática	esportiva.
Assim,	 é	 interessante	 que	 você	 perceba	 imediatamente	 o	 quanto	 esses	
conceitos	 se	 relacionam	 entre	 si,	 sendo	 diretamente	 proporcionais,	 ou	 seja:	 quanto	
mais	 atividades	 físicas	 determinado	 sujeito	 desempenha	 no	 seu	 dia	 a	 dia,	 maiores	
as	chances	de	se	sentir	disposto	e	motivado	a	praticar	atividades	diversas	de	lazer	e	
esporte,	 além	de	demonstrar	maiores	chances	quanto	à	boa	qualidade	de	vida.	 Isso	
também	se	relaciona	à	saúde,	conforme	Kenney	(2013).
79
Portanto,	 a	 importância	 da	 atividade	 física	 para	 verificação	 de	 bons	 níveis	
de	saúde	relaciona-se	com	melhores	níveis	de	qualidade	de	vida,	o	que,	por	sua	vez,	
reduz	 significativamente	 as	 chances	 do	 desenvolvimento	 de	 doenças	 crônicas	 não	
transmissíveis,	pois	elas	associam-se	ao	sedentarismo	e	são	responsáveis	por	elevada	
taxa	de	mortalidade	no	mundo.	Além	disso,	a	atividade	física	também	tende	aminimizar	
problemas	relacionados	à	baixa	imunidade,	insatisfação	pessoal	com	o	corpo	e	aspectos	
de	ordem	psicossociais.	Com	isso,	é	notória	a	 importância	que	a	prática	da	atividade	
física	reflete	em	vários	aspectos	da	vida	do	sujeito.
3.1 CONCEITUALIZAÇÃO DOS TERMOS: ATIVIDADE FÍSICA E 
EXERCÍCIO
Por	 definição,	 o	 termo	 “atividade	 física”	 engloba	 quaisquer	 movimentos	
realizados com o corpo para execução de tarefas diversas do dia a dia, como afazeres 
domésticos, andar a pé até a padaria, subir e descer escadas, andar de bicicleta, 
dentre	outros.	Assim,	tudo	o	que	fazemos	diariamente	e	requer	movimentos	corporais	
representa	tipos	de	atividade	física.
Perceba,	então,	que	o	conceito	de	atividade	física	é	diferente	do	conceito	que	
define	o	exercício	físico,	de	modo	que	o	primeiro	em	cenário	algum	substitui	o	segundo.	
Isso	 porque	 o	 exercício	 físico	 representa	 a	 realização	 sistemática	 de	 movimentos	
com	ênfase	no	aumento	progressivo	da	aptidão	física	e,	por	 isso,	 respeita	princípios	
diversos	para	que	tais	objetivos	sejam	atingidos,	sendo	eles:	individualidade	biológica,	
sobrecarga,	adaptabilidade,	reversibilidade,	continuidade	e	interdependência	de	volume	
e	intensidade,	de	acordo	com	Kenney	(2013).	
Que tal aprofundar seus estudos sobre o tema? O livro Atividade 
física, lazer e saúde, do autor Paulo Heraldo Costa do Valle, 
apresenta quatro capítulos que incluem temas importantes 
relacionados à qualidade de vida e saúde, temas que são básicos 
e preliminares ao entendimento complexo do organismo do 
atleta. Sendo assim, a leitura irá contribuir e fundamentar a 
elaboração do seu raciocínio clínico. Encontra-se disponível neste 
link: http://twixar.me/04Mm.
DICA
Agora	que	são	conhecidos	os	princípios	do	treinamento,	outro	fator	importante	a	
ser	respeitado	no	manejo	do	atleta	se	refere	à	periodização	implementada	nas	rotinas	
de	treinamento.	Essa	implementação	se	faz	indispensável	para	resultar	em	adaptação	
positiva	 no	 que	 se	 refere	 aos	 ganhos	 de	 aptidão	 física,	 para	 evitar	 sobrecargas	 nos	
sistemas	corporais.
80
Nesse	 contexto,	 o	 conceito	 da	 periodização	 visa	 a	 organizar	 o	 modelo	 de	
treinamento	 adequadamente	 dividido	 em	 unidades	 de	 treinamento.	 Na	 prática,	 isso	
representa dividir um bloco de tempo disponível para o treinamento e variar os tipos de 
estímulos implementados aos músculos, intercalando semanas de treino intenso com 
semanas	de	treinos	 leves	e	moderados,	de	modo	que,	em	alguns	momentos,	o	foco	
estará	voltado	ao	ganho	de	hipertrofia	e,	em	outros,	treinos	de	explosão	e	resistência.
Tal	distribuição	é	 importante	para	garantir	períodos	de	 recuperação,	que	são	
fundamentais	aos	ganhos	notados	subsequentemente.	Talvez,	neste	momento,	você	
esteja	 se	perguntando	o	porquê	de	 a	periodização	 ser	 importante,	 não	 é	mesmo?	A	
resposta	a	essa	pergunta	é:	pelo	fato	de	o	corpo	se	adaptar	aos	estímulos	gerados.	Por	
exemplo,	se	você	agachar	todos	os	dias,	várias	vezes	ao	dia,	terá	pernas	fortes.	Da	mesma	
maneira,	se	“supinar”	com	frequência,	desenvolverá	peitorais	e	ombros	bem	definidos.	
Mas	o	ponto	é	que,	sem	a	implementação	dos	conceitos	de	princípios	do	treinamento,	
chega	um	ponto	em	que	a	adaptação	se	mostra	difícil,	e	os	ganhos	verificados	também,	
o	 que	 reitera	 a	 importância	 da	 periodização	 para	 viabilizar	 superação	 de	 diferentes	
platôs,	no	intuito	de	otimizar	os	ganhos	à	medida	que	o	tempo	passa.	
3.2 FORMAS DE MANIFESTAÇÃO ESPORTIVA
A partir do exposto, obviamente, a atividade física se faz fundamental na rotina 
de	 indivíduos	saudáveis,	visto	que	a	produção	de	movimentos	diversos	é	 responsável	
pela	 funcionalidade	 e	 execução	 das	 tarefas	 que	 realizamos	 ao	 longo	 de	 toda	 nossa	
vida.	 É	 exatamente	a	 execução	de	 tais	movimentos	que	nos	permite	 independência	
para	o	deslocamento	no	espaço,	sendo,	também,	importante	para	qualidade	de	vida	e	
satisfação	pessoal.
Por	isso,	é	clara	a	relação	existente	entre	a	atividade	física	desempenhada	com	
bons	níveis	de	saúde	e	a	prática	esportiva	em	atividades	de	 lazer,	visto	que,	quanto	
mais ativo um indivíduo for, tenderá a apresentar maior disposição para execução de 
atividades	esportivas	e	lazer.
Logo,	observa-se	existência	de	classificações	específicas	a	tipos	de	movimentos	
realizados,	o	que	também	ocorre	com	a	prática	esportiva,	que	é	classificada	de	acordo	
com	as	seguintes	formas	de	manifestação:	
•	 Esporte	por	lazer.	
•	 Esporte	por	saúde.	
•	 Esporte	competitivo.	
•	 Esporte	de	alto	rendimento.
81
A	este	respeito,	nota-se	que	a	motivação	responsável	por	fundamentar	o	início	da	
prática	esportiva	é	o	que	determina	a	forma	de	manifestação	esportiva	realizada.	A	principal	
diferença existente entre tais modelos contempla a intensidade e volume de treinamento 
implementados,	mas	é	fato	que,	 independentemente	do	nível,	um	acompanhamento	do	
fisioterapeuta	esportivo	se	faz	necessário,	visando	ajustar	demandas	fisiológicas	de	cada	
organismo	em	favor	das	exigências	requeridas	por	cada	modalidade	esportiva,	a	fim	de	
favorecer um ambiente saudável para a prática esportiva e, ainda, minimizar riscos de 
lesões.	Esse	cuidado	promoverá	um	usufruto	exclusivo	dos	benefícios	que	o	exercício	
físico	tende	a	proporcionar	sobre	a	saúde	do	organismo	como	um	todo.	
3.3 ENTENDENDO NOSSO OBJETO DE ESTUDO: O ATLETA
É	 importante	 basearmos	 nossos	 estudos	 acerca	 da	 Fisioterapia	 Esportiva,	
inicialmente, com foco voltado ao entendimento do objeto de estudo, neste caso, o atleta.	
Perceba	que	tratar	um	atleta	engloba	particularidades	não	observadas	em	outras	
especialidades	da	Fisioterapia.	A	primeira	delas	se	refere	ao	fato	de	que,	muitas	vezes,	
a	prática	esportiva	compreende	o	“ganha	pão”	do	atleta,	ou	seja,	é	por	meio	dos	seus	
rendimentos	e	conquistas	que	a	carreira	irá	progredir	de	modo	promissor,	resultando	em	
vitórias,	 reconhecimento	e	retorno	financeiro.	Especialmente	nesses	casos,	disfunções	
musculoesqueléticas	 de	 diferentes	 origens	 podem	 significar	 o	 fim	 de	 uma	 carreira,	
sobretudo	quando	o	suporte	e	a	reabilitação	adequados	não	são	realizados,	o	que	reitera	
a	importância	do	acompanhamento	fisioterapêutico	nesses	casos.
E,	mesmo	se	tratando	de	atletas	 recreacionais,	disfunções	musculoesqueléticas	
também	devem	ser	evitadas,	de	modo	que	conquistas	e	vitórias	representem	o	objetivo	
primário da prática esportiva e sempre constituirão fontes motivacionais importantes 
para	sua	manutenção.	Ao	contrário,	 lesões	e	dores	advindas	do	esporte	representam	
importante	 potencial	 de	 interrupção	 e	 afastamento,	 fato	 suficiente	 para	 justificar	 a	
necessidade	e	importância	do	acompanhamento	fisioterapêutico	inclusive	para	essas	
formas	 de	 manifestação	 esportiva,	 mesmo	 que	 em	 níveis	 não	 profissionais,	 pois	 o	
esporte,	por	si	só,	expõe	o	organismo	ao	risco	de	lesões.
Além	disso,	 sendo	o	atleta	nosso	objeto	de	estudo,	devemos	considerar	que	
ele	é	constituído	de	um	organismo	complexo,	constituído	por	diferentes	tipos	de	tecidos	
e	sistemas	corporais,	os	quais,	por	sua	vez,	reagem	de	modo	particular	em	resposta	a	
diferentes	estímulos,	que	podem	ser	advindos	de	origem	externa	ou	interna,	resultando	
em	respostas	que	podem	ser	normais	ou	anormais,	conforme	Prentice	(2012).
Em casos de respostas normais ao exercício, temos a condição de adaptação, 
e, em casos de respostas anormais ao exercício, temos a representação de lesões 
esportivas.	O	raciocínio	aqui	apresentado	é	ilustrado	no	esquema	abaixo.	Portanto,	se	faz	
fundamental	entendermos	esse	ciclo,	para	que	estejamos	bem	esclarecidos	quanto	ao	
papel	e	importância	da	nossa	atuação,	visando	a	favorecer	e	promover	condições	seguras	
para	a	prática	esportiva.	
82
FIGURA 1 – ENTENDENDO NOSSO OBJETO DE ESTUDO
FONTE: a autora
A partir do exposto, a apresentação dos conceitos e informações descritas 
constitui	 o	 conhecimento	básico	para	 o	 avanço	dos	nossos	 estudos,	 que	 envolvem,	
primariamente,	 o	 entendimento	 do	 atleta	 e	 suas	 relações	 coma	 prática	 esportiva.	
Sendo	 assim,	 seguiremos	 nossos	 estudos	 com	 aprofundamento	 sobre	 o	 entendimento	
do papel do exercício e condicionamento físico no processo da recuperação funcional, 
que	é	 indispensável	à	prática	esportiva	em	níveis	seguros	para	prevenção	de	 lesões	e	
progressão	da	aptidão	física.	
4 RELAÇÃO ENTRE EXERCÍCIO FÍSICO E 
CONDICIONAMENTO FÍSICO NO PROCESSO DE 
RECUPERAÇÃO FUNCIONAL À PRÁTICA ESPORTIVA
A	prática	do	exercício	físico	representa	a	ferramenta	básica	para	conquistar	o	
condicionamento	físico	esperado	e	necessário	à	prática	esportiva,	a	qual,	por	sua	vez,	
depende	de	níveis	adequados	de	aptidão	física	para	que	os	resultados	sejam	favoráveis	
no	âmbito	de	desempenho	e	prática	em	níveis	seguros,	em	via	de	minimizar	risco	de	
lesões	esportivas.
 
83
Entretanto,	ainda	que	o	exercício	físico	seja	o	caminho	óbvio	ao	treinamento	
físico	 e	 modulação	 do	 atleta,	 é	 de	 suma	 importância	 que	 seja	 praticado	 em	 níveis	
prescritos,	que	estejam	pautados	em	diversos	pilares	já	mencionados,	como	princípios	
do	treinamento,	características	da	modalidade	praticada,	periodização,	dentre	outros.	
Assim,	um	ambiente	de	treinamento	favorável	e	que	respeite	esses	e	outros	princípios	
viabiliza uma recuperação funcional, favorável e esperada para prática esportiva, 
visto	que	é	exatamente	por	meio	de	tal	processo	de	recuperação	que	bons	níveis	de	
aptidão	são	conquistados	e	a	sobrecarga	de	impacto	aos	tecidos	é	evitada.	Sobre	isso,	
na	sequência,	entenderemos	com	mais	detalhes	de	que	modo	a	aplicabilidade	de	tais	
conceitos	ocorre	na	prática	do	fisioterapeuta	esportivo.	
4.1 IMPORTÂNCIA DO CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA 
PRÁTICA ESPORTIVA
Neste momento dos nossos estudos, a relação existente entre o treinamento 
físico	 e	 a	 Fisioterapia	 Esportiva	 já	 se	 demonstra	 cada	vez	mais	 clara.	 Com	 isso,	 alguns	
conceitos	precisam	ser	apresentados	para	que	tal	relação	esteja,	de	fato,	bem	pontuada	e	
esclarecida.	 Em	 relação	 ao	 treinamento,	 ele	 é	 representado	 por	 repetições	 sistemáticas,	
responsáveis	 por	 alterações	 na	 forma	 e	 função	 a	 longo	 prazo.	 Pode-se	 treinar	 as	
habilidades	físicas	treináveis,	que	são	força,	 resistência,	flexibilidade,	potência,	agilidade,	
velocidade	e	coordenação,	de	acordo	com	Prentice	(2012).
A partir de então, a adaptação física advinda do treinamento físico para 
qualquer	uma	das	habilidades	 físicas	 treináveis	 depende	de	um	treino	prescrito	que	
atenda	 a	 todos	 os	 princípios	 biológicos	 do	 treinamento	 apresentados	 anteriormente	
e,	além	disso,	 respeite	condições	fisiológicas	que	considerem	 intervalos	para	níveis	de	
recuperação	 desejáveis	 e	 importantes	 aos	 ganhos	 físicos	 pretendidos.	 Portanto,	 os	
objetivos	do	fisioterapeuta	sobre	o	treinamento	físico	incluem	informar	o	atleta	sobre	
potenciais	fatores	que	causam	as	 lesões,	preparar	o	atleta	para	a	prática	esportiva	e	
auxiliar	na	recuperação	após	o	esforço.	
4.2 RECUPERAÇÃO FUNCIONAL APÓS O EXERCÍCIO
A	 recuperação	 que	 ocorre	 em	 sequência	 à	 realização	 do	 exercício	 inclui	
variáveis	clínicas	(dor	e	sensação	de	recuperação),	metabólicas	(substratos	energéticos)	
e	 funcionais	 (força,	 resistência	 etc.).	 Nesse	 ponto,	 é	 importante	 salientar	 que	 a	
recuperação	de	todas	as	variáveis	mencionadas	se	faz	importante	antes	que	o	atleta	
seja	 novamente	 submetido	 a	 um	 novo	 estresse	 (exercício).	 Isso	 porque	 o	 conjunto	
dessas	variáveis	sinaliza	que	o	organismo	já	retornou	às	suas	condições	basais	(pré-
exercício)	e	encontra-se	preparado	para	novos	estímulos.
84
A	 partir	 do	 exposto,	 o	 tema	 “recuperação	 após	 o	 exercício”	 tem	 sido	
exaustivamente	 estudado	 cientificamente	 e,	 por	 isso,	 constitui	 importante	 área	 de	
concentração	 da	 Fisioterapia	 Esportiva.	 Nesse	 contexto,	 a	mencionada	 recuperação	
pós-exercício	contempla	a	restauração	dos	sistemas	corporais	à	sua	condição	basal,	
caracterizando	 a	 homeostase	 do	 organismo.	 Nota-se	 que	 o	 conceito	 apresentado	
é	 amplo	 e	 complexo,	 uma	 vez	 que	 envolve	 respostas	 fisiológicas,	 psicológicas	 e	
nutricionais.	O	conjunto	delas,	quando	em	equilíbrio,	tende	a	resultar	em	um	balanço	
satisfatório	à	prática	esportiva,	conforme	Lopes	et al. (2019).
 
Nesse âmbito, se faz importante considerar a relação existente entre níveis 
de	 recuperação	 e	 fadiga	 e	 como	 tais	 fatores	 impactam	 o	 desempenho	 esportivo	
subsequente.	 É	 exatamente	 a	 atração	 pelo	 entendimento	 de	 tal	 relação	 que	 tem	
motivado	 interesse	 nas	 Ciências	 do	 Esporte	 há	vários	 anos,	 visto	 que,	 na	 prática,	 é	
cada vez mais clara a importância de bons níveis de recuperação sobre a adaptação 
positiva	pretendida	no	âmbito	do	treinamento	físico,	fator	que	repercute	ainda	sobre	
melhores	níveis	 de	desempenho	esportivo	 e	menor	 exposição	 sobre	 a	 incidência	 de	
lesões	esportivas,	de	acordo	com	Prentice	 (2012).	Os	argumentos	 listados	 reiteram	a	
importância	dos	nossos	estudos	sobre	a	recuperação	funcional	no	manejo	do	atleta.
Portanto,	a	recuperação	pós	exercício	ocorre	com	o	repouso.	No	entanto,	nem	
sempre	o	atleta	consegue	realizar	o	tempo	de	descanso	necessário,	e	foi	exatamente	
neste	cenário	que	algumas	técnicas	foram	propostas	e	vêm	sendo	estudadas	quanto	
à	sua	eficácia,	com	o	intuito	de	acelerar	a	recuperação	após	o	exercício.	Tais	investigações	
são	realizadas	por	meio	da	condução	de	ensaios	clínicos	randomizados	e	meta-análises	
que	consideram	e	avaliam	os	efeitos	de	diferentes	tipos	de	técnicas	recuperativas	em	
diferentes	modalidades	esportivas	e	perfis	atléticos.	
 
No	que	se	refere	à	recuperação	funcional,	evidências	científicas	demonstram	
que	60	minutos	parece	ser	o	tempo	necessário	para	recuperação	das	funções	internas	
do	organismo	após	a	execução	de	um	exercício	intenso	(ou	seja,	em	níveis	máximos),	
de	acordo	com	Nahon,	Lopes	e	Magalhães	Neto	(2021).	A	respeito	dessa	informação,	é	
necessário	 que	 consideremos	cenários	de	modalidades	 esportivas	particulares,	visto	
que	 o	 intervalo	 entre	 cada	 uma	 delas	 é	 diferente.	 Por	 exemplo,	 no	 futebol,	 a	 pausa	
corresponde a 15 minutos entre as partidas; no voleibol, a pausa dura de 3 a 10 minutos; 
no	tênis,	dura	3	minutos;	no	basquete,	dura	de	2	a	15	minutos;	e,	nas	 lutas	de	MMA,	
dura	 1	minuto.	Desse	modo,	devemos	 refletir:	 será	que	o	 intervalo	sugerido	em	cada	
modalidade esportiva apresentada é realmente pertinente para a recuperação do 
organismo	a	níveis	adequados	para	a	continuação	da	prática	esportiva?	A	resposta	é	
não,	já	que,	em	todos	os	exemplos,	vemos	intervalos	de	curta	duração,	em	conformidade	
com Lopes et al.	(2019).
85
4.3 TÉCNICAS DE RECUPERAÇÃO PÓS-EXERCÍCIO
Tal	cenário	caracteriza	o	motivo	que	fundamenta	a	sugestão	para	aplicação	de	
técnicas	recuperativas	nesses	intervalos,	com	intuito	de	acelerar	a	recuperação	fisiológica	
e	deixar	o	atleta	mais	bem	preparado	para	a	continuação	da	prática	esportiva.
Desse modo, as técnicas utilizadas têm o intuito básico de potencializar e 
reduzir	 períodos	 de	 recuperação.	 Dentre	 as	 técnicas	 comumente	 utilizadas	 nesse	
âmbito,	 incluem-se	crioterapia,	 contraste,	massagem,	 recuperação	ativa	 e	 fototerapia,	
de	 acordo	 com	 Nahon,	 Lopes	 e	 Magalhães	 Neto	 (2021).	 Outras	 técnicas	 podem	 ser	
mencionadas,	 mas,	 até	 o	 momento,	 apenas	 as	 aqui	 citadas	 denotam	 evidências	
científicas	que	descrevem	efeitos	positivos	no	âmbito	da	recuperação	após	o	exercício.	
Protocolos	específicos	devem	respeitar	as	características	de	cada	modalidade	esportiva	e	
necessidades	individuais	dos	atletas.	
A escolha da melhor técnica, assim como do melhor protocolo, 
deverá ser respaldada pela modalidade esportiva praticada e 
nível de condicionamento do seu atleta. Isso porque, conforme 
verificado ao longo dos nossos estudos, diferentes esportes 
resultam em distintos níveis de exigências metabólicas e 
funcionais. Logo, estima-se que a intervenção selecionada 
seja adequada às suas necessidades, sendo fundamentala 
verificação de evidências científicas atuais compatíveis ao seu 
cenário de atuação, o que inclui o nível de condicionamento 
do atleta e a modalidade esportiva praticada.
IMPORTANTE
Neste intuito, protocolos apresentados na literatura sobre a recuperação ativa 
recomendam	que	seja	realizado	exercício	de	baixa	intensidade,	visando	a	metabolizar	
mais	 rápido	 o	 lactato	 excedente	 e,	 com	 isso,	 melhorar	 o	 desempenho.	 Exercícios	
responsáveis	 por	 melhorar	 a	 oxigenação	 tecidual	 auxiliam	 nesse	 processo,	 como:	
pedalar	sem	carga,	trote	leve,	fazer	alongamentos	dinâmicos,	deep-running (corrida na 
água)	e	exercícios	funcionais.	Os	exercícios	realizados	para	promoção	de	recuperação	
ativa	 podem	 ser	 enfatizados	 em	 grupos	musculares	 localizados	 (como	 é	 o	 caso	 de	
pedalar)	 ou	grupos	musculares	 sistêmicos	no	corpo	 todo	 (como	é	o	 caso	da	corrida	
na	água,	por	exemplo).	Cerca	de	4	minutos	de	recuperação	ativa	já	é	o	suficiente	para	
resultados	satisfatórios	em	diversas	variáveis	de	recuperação.	
86
FIGURA 2 – RECUPERAÇÃO ATIVA EM BICICLETA ERGOMÉTRICA APÓS O ESFORÇO
FONTE: a autora
A fototerapia	 é	 responsável	 por	diversos	efeitos	fisiológicos,	 que	 incluem	a	
formação	 de	mitocôndrias	 gigantes	 e	 o	 aumento	 da	 circulação	 local.	 Por	 isso,	 essa	
técnica	é	indicada	para	acelerar	a	recuperação	e	otimizar	níveis	de	performance.	Estudos	
diversos	investigaram	a	eficácia	dessa	técnica	no	cenário	apresentado,	de	modo	que	os	
resultados	são	favoráveis	à	sua	utilização	para	os	desfechos	mencionados.	No	que	se	
refere	ao	tempo,	os	protocolos	podem	variar	entre	quatro	até	15	minutos,	em	média,	de	
acordo	com	o	grupo	muscular	a	ser	tratado,	bem	como	tipo	de	equipamento	e	potência	
utilizados.
FIGURA 3 – APLICAÇÃO DE FOTOTERAPIA APÓS O ESFORÇO
FONTE: Tomazoni et al. (2019)
87
A massagem também pode ser útil, por aliviar a dor muscular tardia devido ao 
aumento	do	fluxo	sanguíneo	e	do	fluxo	linfático,	diminuindo	a	água	intramuscular	e	a	
sensação	de	dor.	Com	isso,	ela	acelera	a	remoção	de	catabólitos	e,	consequentemente,	
reduz	o	tempo	de	recuperação.	Além	disso,	a	massagem	pode	ser	realizada	imediatamente	
após o exercício (devendo ser, neste momento, mais leve) ou tardiamente ao exercício 
(devendo ser aplicada em intensidades moderadas ou intensas), a depender dos 
objetivos	pretendidos.	O	tempo	da	técnica	também	vai	depender	do	grupo	muscular	
a	 ser	 tratado,	 porque	 certos	 grupos	musculares	 requerem	menos	 tempo,	 conforme	
Nahon,	Lopes	e	Magalhães	Neto	(2021).
FIGURA 4 – APLICAÇÃO DE MASSAGEM PARA RECUPERAÇÃO APÓS O ESFORÇO
FONTE: a autora
A técnica de contraste consiste na alternância de exposição ao frio e 
calor,	de	modo	que	os	efeitos	fisiológicos	decorrentes	da	sua	aplicação	 resultam	em	
vasoconstrição	periférica	e	vasodilatação	reflexa.	Como	resultado,	verifica-se	que	essa	
técnica	é	capaz	de	acelerar	a	remoção	de	lactato	sanguíneo	em	homens	e	mulheres,	
além	de	melhorar	a	sensação	subjetiva	de	recuperação.
No	 entanto,	 é	 importante	 controlar	 devidamente	 a	 temperatura	 da	 água	 nos	
momentos	 de	 quente	 e	 frio,	 bem	 como	 o	 tempo	 de	 imersão	 em	 cada	 temperatura.	
Recomenda-se	3	minutos	em	cada	temperatura,	alternando	até	completar	15	minutos	
total	de	técnica.	Essa	técnica	é	mais	adequada	para	aplicação	em	extremidades	corporais,	
como	tornozelo,	pé,	punho	e	mão.
Por	fim,	a	crioterapia consiste em reduzir a temperatura corporal por meio do 
mecanismo	de	condução.	Existem	diferentes	métodos	para	realização	da	crioterapia,	
como	 a	 imersão	 em	 água	 fria,	 compressas,	 spray	 seco	 e	 varredura.	 Para	 a	 seleção	
do	melhor	protocolo,	devem	ser	avaliados	tipo	do	exercício,	objetivo	de	aplicação	da	
88
técnica,	 temperatura	 utilizada	 e	 grupo	muscular	 a	 ser	 tratado.	No	 que	 se	 refere	 aos	
efeitos,	a	crioterapia	é	capaz	de	 redirecionar	o	fluxo	sanguíneo	e,	com	 isso,	conter	o	
processo	 inflamatório	por	meio	da	vasoconstrição	gerada.	Além	disso,	a	diminuição	da	
transmissão	nervosa	gera	sensação	de	analgesia.	A	exemplo	da	técnica	de	imersão	em	
água	fria,	a	literatura	demonstra	que	a	temperatura	da	água	deve	estar	entre	11	e	15	°C,	e	
o	tempo	de	imersão	deve	ser	de	11	a	15	minutos.	
FIGURA 5 – APLICAÇÃO DE IMERSÃO EM ÁGUA FRIA (MODALIDADE DE CRIOTERAPIA) PARA 
RECUPERAÇÃO APÓS O ESFORÇO
FONTE: a autora
89
Neste tópico, você aprendeu:
•	 No	 Brasil,	 a	 Fisioterapia	 Esportiva	 começou	 a	 ter	 sua	 importância	 reconhecida	 a	
partir	dos	Jogos	Olímpicos	dos	anos	1990,	com	destaque	nacional	no	ano	de	2003	
e	 reconhecimento	 enquanto	 uma	 especialidade	 de	 Fisioterapia,	 de	 acordo	 com	 o	
COFFITO.	
•	 O	 fisioterapeuta	 esportivo	 possui	 diferentes	 áreas	 de	 atuação,	 incluindo	 clubes,	
campos,	clínicas	de	reabilitação	esportiva,	docência	e	desenvolvimento	de	pesquisas.
•	 O	 trabalho	 com	 o	 treinamento	 físico	 requer	 conhecimento	 sobre	 	 os	 princípios	
biológicos	do	treinamento,	a	partir	dos	quais	é	possível	treinar	as	habilidades	físicas	
treináveis	e,	com	isso,	ajustar,	no	atleta,	a	aptidão	física,	com	enfoque	nas	demandas	
exigidas	no	esporte	praticado	por	ele.
•	 A	 atuação	 fisioterapêutica	 pré-competição	 relaciona-se	 com	 a	 realização	 de	
diagnósticos	funcionais,	que	são	essenciais	para	nortear	ações	de	condicionamento	
físico, orientação, conscientização e prevenção, além de viabilizar a proposição de 
técnicas	de	recuperação	pós-exercício	mais	adequadas	e	reabilitar	lesões	existentes.
•	 A	 recuperação	 pós-exercício	 visa	 a	 recuperar	 no	 organismo	 as	 condições	 basais	
verificadas	anteriores	ao	esforço.	Nesse	cenário,	a	aplicação	de	técnicas	recuperativas	
denota	 intuito	 de	 acelerar	 a	 recuperação	metabólica,	 física,	 clínica	 e	 psicológica,	
por	 meio	 das	 seguintes	 estratégias:	 recuperação	 ativa,	 massagem,	 fototerapia,	
crioterapia	e	contraste.
RESUMO DO TÓPICO 1
90
1	 De	 acordo	 com	 o	 COFFITO,	 ao	 fisioterapeuta	 esportivo,	 são	 distribuídas	 diversas	
funções	que	tratam	de	otimizar	e	manter	a	saúde	do	atleta.	Nesse	sentido,	diversas	
ações	são	 implementadas	para	atender	ao	 intuito	pretendido.	A	exemplo,	a	execução	
de	uma	avaliação	cinético-funcional	implementada	no	momento	de	pré-competição,	
sempre	que	 realizada	de	modo	completo	 e	detalhado,	 pode	 ser	 capaz	de	 resultar	
informações	úteis	ao	fisioterapeuta	na	 realização	de	trabalhos	futuros	com	o	atleta.	
Considerando	que	a	avaliação	cinético-funcional	no	período	de	pré-competição	é	
importante	e	relevante	para	pautar	certas	intervenções,	sobre	quais	são	elas,	assinale	
a alternativa CORRETA:
a)	 (			)	 Avaliação	pré-cirúrgica.	
b)	 (			)	 Prevenção	de	lesões.
c)	 (			)	 Prescrição	de	dieta	adequada.
d)	 (			)	 Treinamento	específico	com	bola.
2	 Leia	atentamente	o	trecho	apresentado	a	seguir:
“A	SONAFE	Brasil	tem	o	compromisso	de	reunir,	científica	e	culturalmente,	fisioterapeutas	
registrados	e	dedicados	à	Fisioterapia	Esportiva,	além	de	promover	o	desenvolvimento	
técnico-científico	dos	fisioterapeutas	e	a	divulgar	o	papel	do	fisioterapeuta	do	esporte,	
assim	como	sua	efetiva	importância	para	a	área	de	saúde.”
Fonte: http://twixar.me/D4Mm. Acesso em: 4 out. 2022.
Com	base	nas	diretrizes	da	SONAFE,	analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 Participar	de	eventos	científicos	organizados	pela	SONAFE	viabiliza	que	acadêmicos	e	
profissionais	se	atualizem	por	meio	de	informações	atuais,	assim	como	enriquece	o	
seu	currículo.
II-	 Participar	 de	 eventos	 chancelados	 pela	 SONAFE	 agrega	 inúmeras	 vantagens	 aos	
participantes,	como	o	aumento	do	impacto	do	profissional	enquanto	pesquisador,	
elevando	o	número	de	citações	pela	exposição	gerada	em	ambientes	científicos.
III-	 A	Fisioterapia	Esportiva	é	uma	especialidade	da	Fisioterapia	recente	no	país,	mas	que	
conta	com	produção	de	evidências	científicas	robusta	e	completa	a	nível	mundial,	
importante por fundamentar a prática baseada em evidências e dispensando 
pesquisas	futuras	a	curto	prazo.	
IV-	 Uma	 das	 atribuições	 da	 SONAFE	 contemplaa	 necessidade	 de	 reconhecimento	
quanto	 à	 qualidade	 das	 disciplinas	 de	 Fisioterapia	 Esportiva	 ofertadas	 pelas	
instituições	de	ensino	superior	distribuídas	por	todo	país.	
AUTOATIVIDADE
91
Assinale a alternativa CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	I	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	II	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	IV	está	correta.
3	 Toda	atividade	necessita	de	regras	para	sua	organização	e,	na	execução	do	exercício	
físico,	não	é	diferente,	ainda	mais	quando	trabalhamos	de	forma	direcionada	e	com	
metas	pré-estabelecidas	para	melhorar	a	habilidade	física.	Para	tanto,	a	prescrição	
do	treinamento	deve	ser	pautada	nos	princípios	do	treinamento,	que	devem	nortear	
qualquer	 exercício	 prescrito,	 incluindo	 desde	 uma	 simples	 caminhada	 ou	 corrida	
até	um	treino	de	 futebol	 de	 alto	 rendimento,	 por	 exemplo.	 Sobre	 os	princípios	 do	
treinamento	físico,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
(			)	A	sobrecarga	explica	a	variabilidade	entre	elementos	da	mesma	espécie	e	considera	
apenas	o	genótipo	de	cada	indivíduo.
( ) Para se obter uma adaptação desejável (positiva), os estímulos devem ser de médios a 
fortes	e	devem	respeitar	períodos	intensos	e	ininterruptos	de	treinamentos.
(			)	De	maneira	geral,	quando	o	objetivo	do	treinamento	é	o	ganho	de	força,	deve-se	
aumentar	o	volume	de	treino	e	reduzir	a	intensidade.
(			)	A	 individualidade	 biológica	 está	 relacionada	 a	 uma	 sequência	 continuada	 de	
estímulos,	enquanto	a	reversibilidade	está	relacionada	ao	destreinamento.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 F	-	F	-	V	-	F.	
b)	 (			)	 V	-	V	-	F	-	V.
c)	 (			)	 F	-	F	-	V	-	F.
d)	 (			)	 V	-	F	-	V	-	F.
4	 A	periodização	consiste	em	oferecer,	dentro	de	um	sistema	de	organização,	estímulos	
diferentes	 em	microciclos	 e	mesociclos.	A	 este	 respeito,	 explique	 a	 relevância	 de	
modelos	de	periodização	em	rotinas	esportivas.	
5	 A	recuperação	pós-exercício	consiste	em	restaurar	os	sistemas	do	corpo	à	sua	condição	
basal,	proporcionando	equilíbrio	e	prevenindo	a	 instalação	de	 lesões.	Nesse	sentido,	
torna-se	aspecto	importante	de	todo	programa	de	condicionamento	físico	em	qualquer	
nível	 de	 desempenho,	 sobretudo	 nos	mais	 elevados.	 Neste	 cenário,	 estratégias	 de	
recuperação	pós	esforço	são	importantes,	a	fim	de	otimizar	o	rendimento	dos	atletas.	
Disserte	sobre	os	mecanismos	de	ação	da	crioterapia	ou	da	massagem,	justificando	os	
efeitos	fisiológicos	deles	no	contexto	da	recuperação	após	o	exercício.	
92
93
PREVENÇÃO DE LESÕES NO ESPORTE
UNIDADE 2 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO 
A	prática	esportiva	requer	a	execução	complexa	de	movimentos	repetitivos,	que	
são	possíveis	graças	a	uma	complexa	integração	entre	diversos	sistemas	corporais,	como	o	
sistema	nervoso	e	o	sistema	musculoesquelético.	Desses	sistemas,	alterações	cinético-
funcionais	resultam	em	comprometimentos	funcionais	que	são	proporcionais	à	extensão	
da	 alteração	 presente,	 de	modo	 que	 tais	 limitações	 na	 prática	 esportiva	 resultam	 em	
menor	desempenho	e	maior	exposição	quanto	à	incidência	de	lesões	esportivas.
Diversas são as razões responsáveis pela ocorrência de lesões no esporte, como 
disfunções	 estruturais,	 desequilíbrio	 muscular,	 alterações	 metabólicas,	 sobrepeso	
e	 características	 do	 próprio	 esporte.	 Diante	 desse	 quadro,	 o	 papel	 do	 fisioterapeuta	
esportivo na prevenção de lesões no esporte se dá, inicialmente, pelo entendimento de 
suas	causas,	que	deve	ser	seguido	pela	correção	delas	e,	então,	menor	exposição	do	
atleta	sobre	a	ocorrência	de	tais	episódios.
Para	que	tal	intervenção	seja	possível,	é	necessário	que	o	profissional	conheça	a	
fundo	as	características	de	lesões	esportivas	causadas	em	tecidos	corporais	específicos,	
visto	que	cada	tecido	possui	morfologia,	anatomia	e	fisiologia	particulares,	que	resultam	
em	 respostas	de	cicatrização	também	particulares.	A	partir	 de	tal	 conhecimento,	 estima-
se	que	condutas	fisioterapêuticas	apropriadas	sejam	prescritas	de	modo	a	favorecer	o	
processo de cicatrização natural dos tecidos, otimizando o processo de recuperação e 
retorno	ao	esporte.
A	 partir	 do	 exposto,	 no	 Tópico	 2,	 iremos	 conhecer	 aspectos	 básicos	 e	
características	particulares	da	atuação	da	equipe	interdisciplinar	na	prevenção	de	lesões	
no esporte e na importância e relação existente entre alimentação, nutrição, sono e 
estresse,	além	do	rendimento	esportivo	subsequente,	fato	que	justifica	a	relevância	do	
atendimento	multidisciplinar	prestado	ao	atleta	para	o	controle	de	ambiente	satisfatório	à	
prática	esportiva.	Acompanhe!
94
2 EQUIPE INTERDISCIPLINAR NA PREVENÇÃO DE 
LESÕES NO ESPORTE
A	saúde	do	atleta	constitui	pauta	de	interesse	por	parte	dos	atletas,	equipes	de	
treinadores	e	profissionais	da	saúde,	 incluindo	a	Fisioterapia,	que,	por	todas	as	ações	
desempenhadas,	 representa	 uma	 peça-chave	 ao	 atendimento	 do	 atleta	 por	 diversas	
razões.	A	preocupação	evidente	sobre	o	bem-estar	do	atleta	é	passível	de	diminuição	
a	 partir	 do	 cuidado	 complexo,	 capaz	 de	 abranger	 diversas	 áreas	 dos	 saberes,	 como	
Nutrição, Medicina, Educação Física e Fisioterapia, de modo a serem sanadas lacunas 
em	todas	as	respectivas	áreas,	viabilizando	a	prática	esportiva	em	níveis	seguros.	Assim,	
reitera-se	que	o	papel	do	fisioterapeuta	dentro	das	equipes	esportivas	 inclui	contribuir	
para	prevenção,	tratamento,	recuperação	e	otimização	do	rendimento	do	atleta.
Para	 que	 as	 atividades	 fisioterapêuticas	 sejam	 devidamente	 desempenhadas,	
o	 fisioterapeuta	 esportivo	 possui,	 a	 seu	 dispor,	 um	 conjunto	 de	 técnicas	 e	 recursos	
terapêuticos	respaldados	por	literatura	robusta	e	atual,	o	que	agrega	à	área	do	esporte	
uma	segurança	para	a	prática	que	é	baseada	em	evidências.	 Isso,	do	ponto	de	vista	
clínico,	representa	o	cenário	ideal	sobre	a	aplicação	de	qualquer	intervenção.	Assim,	o	
alto	volume	de	evidência	científica	sobre	a	temática	representa,	sem	dúvidas,	um	ponto	
positivo	sobre	a	atuação	da	Fisioterapia	Esportiva.
Dentre	 as	 estratégias	 terapêuticas	 utilizadas	 no	 esporte	 para	 execução	 dos	
objetivos	mencionados,	incluem-se	as	técnicas	diversas	de	cinesioterapia,	eletroterapia,	
fototerapia,	 termofoterapia,	 aquecimento,	 alongamento,	 mobilizações	 articulares	 e	
terapia	manual.
A aplicação de condutas oportunas, de acordo com as necessidades de campo 
evidenciadas,	 tende	 a	 contribuir	 para	maior	 longevidade	 da	 prática	 esportiva,	 assim	
como	bons	níveis	de	condicionamento.	A	partir	do	exposto,	é	nítida	a	 importância	da	
Fisioterapia	Esportiva	para	o	desempenho	atlético,	tanto	durante	o	treinamento	quanto	
durante	 competições.	 Para	 isso,	 é	 primordial	 que	 o	 profissional	 tenha	 bom	 respaldo	
teórico	e	prático,	que	são	 requisitos	básicos	para	promoção	e	manutenção	do	bem-
estar entre todos os pacientes e atendimentos, conforme Oliveira et al. (2013).	
As lesões esportivas possuem elevada incidência. Contudo, 
diversos prejuízos associam-se à presença de lesões, incluindo 
gastos financeiros com serviços de saúde, período de reabilitação 
e afastamento de treinos/competições, ansiedade, insegurança e 
dificuldade em retomar a rotina habitual. Tal cenário é ainda mais 
preocupante na realidade de atletas profissionais, que dependem 
do esporte como fonte de sobrevivência. Tais questões destacam a 
necessidade da atuação fisioterapêutica preventiva oportuna.
IMPORTANTE
95
Vale	relembrar	que	o	fisioterapeuta	é	um	profissional	de	nível	superior	da	área	
das	ciências	da	 saúde,	que	possui	 autonomia	 tanto	para	atuar	 isoladamente	quanto	
para	 atuar	 em	 equipe	 em	 todos	 os	 níveis	 de	 assistência	 à	 saúde	 (atenção	 primária,	
atenção	secundária	e	atenção	terciária).	Esse	é	um	profissional	de	primeiro	contato	que	
possui	habilidades	e	conhecimentos	sobre	recuperação	e	manutenção,	relacionadas	a	
tudo	que	envolve	a	produção	do	movimento.	ParaOliveira	et al. (2013), é este o seu foco 
principal:	a	saúde	cinética	funcional	do	organismo.
2.1 IMPORTÂNCIA DA EQUIPE INTERDISCIPLINAR PARA 
PREVENIR LESÕES ESPORTIVAS
Destacada	 a	 importância	 da	 Fisioterapia	 no	 manejo	 do	 atleta,	 é	 hora	 de	
destacar	 a	 relevância	 do	 trabalho	 em	 equipe	 realizado	 por	 todos	 os	 profissionais	
inseridos no cuidado multidisciplinar prestado ao atleta, pois fazem a diferença sobre os 
resultados	verificados	no	que	diz	respeito	à	prevenção	de	lesões	e,	consequentemente,	
otimização	do	rendimento	esportivo.	Com	isso,	é	notório	que	o	atendimento	ao	atleta,	
independentemente	do	nível	de	condicionamento	que	ele	possua,	denota	necessidade	
de	 conquista	 sobre	 a	 manutenção	 da	 funcionalidade,	 além	 de	 variáveis	 clínicas,	
metabólicas	e	psicológicas.
Entretanto,	é	necessário	destacar	que	a	prática	esportiva	demanda	altos	níveis	
de	 exigência	 física	 do	 organismo,	 incluindo	 variáveis	 como	 motivação,	 psicológico	 e	
comportamento.	Portanto,	o	anseio	de	atuar	sobre	essas	variáveis	gera	importância	sobre	
a	atuação	 interdisciplinar	e	precoce	para	diminuir	tanto	 lesões	como	 incapacidades	que	
sejam	decorrentes	de	tais	instabilidades.
Logo,	 a	 atuação	 no	 esporte	 de	 equipe	 interdisciplinar	 pauta-se	 na	 precisão	
continuada	sobre	otimizar	o	desempenho	atlético,	o	qual	é	 influenciado	por	diversos	
fatores extrínsecos e intrínsecos, como o tipo de treino executado, a intensidade do 
treino,	as	condições	de	treinamento,	os	níveis	hormonais	e	metabólicos,	o	emocional,	
sono,	 controle	 emocional,	 nível	 de	 estresse,	 dentre	 outros.	 Com	 isso,	 cada	 variável	
citada	contempla	a	competência	de	um	profissional	específico	da	saúde,	o	que	requer,	
necessariamente,	a	união	entre	as	diversas	áreas,	de	modo	a	garantir	atendimento	com	
visão	 holística,	 capaz	 de	 incluir	 as	 necessidades	 em	 todos	 os	 âmbitos	 descritos,	 de	
acordo	com	Inchauspe	et al.	(2020).
A	este	respeito,	reitera-se	que	cada	profissão	atua	de	modo	a	garantir	elementos	
básicos	a	prática	esportiva,	que	incluem,	especialmente:
1)	 Prescrição	de	dieta	voltada	ao	fornecimento	de	nutrição	suficiente	à	produção	de	
energia	e	bons	níveis	metabólicos.
2)	Verificação	sobre	um	sono	de	qualidade,	já	que	é	indispensável	à	regulação	hormonal	
e	recuperação	da	musculatura	esquelética.
96
3)	Controle	do	estresse,	visto	que	atletas	são	submetidos	constantemente	a	estresse	
físico	e	psicológico,	mas	devem	ser	devidamente	controlados,	a	fim	de	normalizar	os	
níveis	hormonais,	já	que,	uma	vez	alterados,	eles	têm	potencial	direto	de	comprometer	
os	níveis	de	desempenho.	
Porém,	 o	 controle	 das	 variáveis	 mencionadas	 não	 compete	 ao	 profissional	
fisioterapeuta,	 já	 que	 ele	 não	 possui	 habilidades	 e	 conhecimentos	 ao	 longo	 do	 seu	
processo	de	 formação	para	 atuar	diretamente	 sobre	 a	 resolução	de	 tais	 condições.	 Em	
contrapartida,	 considerando	que	todos	os	pontos	mencionados	têm	potencial	 elevado	
sobre	o	impacto	no	rendimento	e,	com	isso,	exposição	às	lesões,	compreende-se	que	
o	 equilíbrio	 e	 a	 harmonia	 de	 tais	 desfechos	 são	 fundamentais	 ao	viabilizar	 condições	
favoráveis	e	saudáveis	à	prática	esportiva,	o	que	irá,	então,	normalizar	funções	fisiológicas	
para	que	 funcionem	normalmente	 e	 sem	 riscos	 adicionais,	 conforme	 Inchauspe	et al. 
(2020).
Isso	 é	 possível	 por	 meio	 de	 trabalho	 interdisciplinar,	 já	 que	 cada	 profissão	
específica	irá	atuar	de	maneira	oportuna	para	manter	bons	níveis	de	saúde	do	atleta,	de	
acordo	com	habilidades	e	competências	de	cada	profissão.	A	seguir,	serão	mencionados	
os	papéis	de	cada	profissão	no	manejo	do	atleta,	a	fim	de	destacar	a	 importância	de	
cada	uma	delas.	
2.2 NUTRICIONISTA
O	 conceito	 de	 nutrição	 engloba	 a	 somatória	 de	 todos	 aqueles	 processos	
relacionados	ao	consumo,	bem	como	o	uso	de	alimentos	por	organismos	vivos,	incluindo,	
portanto,	os	mecanismos	de	ingestão,	digestão,	absorção	e	metabolismo.
Ao	 se	 considerar	 o	 processo	 de	 nutrição	 no	 esporte,	 verifica-se	 ser	 área	 de	
estudo	consideravelmente	nova,	que	inclui	a	utilização	de	conhecimentos	nutricionais	
para	 otimizar	 a	 aptidão	 física	 e	 desempenho	 esportivo	 subsequente.	 Tal	 manejo	
parece	pertinente,	visto	que	as	necessidades	nutricionais	dos	atletas	se	apresentam	
particulares, em razão do tipo de exercício praticado e da intensidade de treinamento 
executada,	fatos	que	irão	determinar	o	nível	de	energia	necessária	para	execução	da	
demanda	necessária.	Vale	 relembrar	que	a	energia	do	organismo	vem	dos	alimentos	
ingeridos,	fazendo	parte,	portanto,	do	processo	de	nutrição.
A partir do exposto, a importância do nutricionista no atendimento ao atleta se 
faz	clara	para	viabilizar	equilíbrio	de	nutrientes	necessários,	a	depender	das	necessidades	
individuais	 verificadas	 em	 cada	 atleta	 (lembre-se	 que,	 conforme	 mencionado,	 cada	
organismo	é	um,	e,	por	isso,	suas	necessidades	devem	ser	consideradas	de	modo	individual).
97
Para	 tanto,	 cabe	 ao	 profissional	 nutricionista	 elaborar	 um	 plano	 alimentar	
individual	 capaz	 de	 atender	 precisões	 energéticas	 recrutadas	 durante	 a	modalidade	
esportiva	praticada	por	cada	atleta	a	ser	considerado.	Adicionalmente,	o	nutricionista,	
uma vez especializado na área esportiva, também pode intervir favoravelmente na 
prevenção	de	lesões	esportivas,	isso	porque,	muitas	vezes,	elas	ocorrem	na	presença	
de	 dietas	 pobres	 em	 nutrição,	 que,	 quando	 associadas	 à	 baixa	 reposição	 hídrica,	
contemplam	necessário	prejudicial	no	âmbito	da	tolerância	ao	exercício,	visto	que	as	
fontes	 energéticas	 disponíveis	 estarão	 baixas,	 cenário	 que	 poderá	 resultar	 tanto	 em	
uma	simples	fadiga	até	em	morte,	em	casos	extenuantes,	conforme	Prentice	 (2012).	
O	quadro	apresentado	a	seguir	apresenta	algumas	informações	importantes	sobre	as	
características	de	substratos	energéticos	importantes	ao	organismo.	Observe:
QUADRO 1 – CARACTERÍSTICAS DOS PRINCIPAIS SUBSTRATOS ENERGÉTICOS
Tipo de substrato 
energético
Características
Lipídeo
•	 Importante	isolante	térmico.
•	 Utilizado	em	atividades	de	baixa	intensidade	e	curta	duração.
•	 Via	energética	que	só	é	ativada	após	certo	tempo	de	exercício.
Carboidrato
•	 Principal	via	energética	para	o	exercício.
•	 Via	recrutada	desde	o	início	do	exercício.
•	 É	mais	utilizado	em	exercícios	de	alta	intensidade	e	curta	duração.
•	 O	 consumo	 de	 quantidade	 insuficiente	 pode	 causar	 hipoglicemia	 e	
antecipação	da	fadiga	muscular.
Proteína
•	 Sua	principal	função	é	fornecer	aminoácidos	ao	organismo.
•	 É	utilizado	como	combustível	 em	atividades	de	 resistência,	de	 longa	
duração.
•	 Sua	associação	com	o	carboidrato	auxilia	na	recuperação	pós-esforço.
• Em caso de armazenamento em excesso, é utilizado como fonte de 
energia.
FONTE: a autora
2.2.1 Fontes de energia utilizadas para treinamento e 
competição
Compreende-se	 que,	 no	 músculo	 esquelético,	 há	 três	 vias	 metabólicas	
responsáveis	 pelo	 fornecimento	 de	 energia	 durante	 a	 realização	 do	 exercício	 físico.	
Então,	 o	 combustível	 básico	 à	 prática	 esportiva	 se	 dá	pelo	ATP,	 de	modo	que	 todas	
as	 três	 vias	 mencionadas,	 apesar	 de	 utilizarem	 mecanismos	 diferentes,	 trabalham	
com	intuito	de	fornecer	ATP	ao	músculo,	que	é	o	combustível	básico	para	produção	e	
manutenção do movimento, para Lopes et al.	(2018).
 
98
Assim,	a	utilização	das	vias	metabólicas	é	influenciada,	basicamente,	pelo	tipo	
de	exercício	realizado,	incluindo	sua	duração	e	a	intensidade.	Logo	que	o	exercício	se	
inicia,	a	primeira	via	a	ser	recrutada	é	o	ATP-CP,	que	dura,	em	média,	30	segundos.	Logo	
que	essa	via	se	esgota,	a	segunda	via	resultando	do	processo	de	glicólise	anaeróbica	é	
responsável	pelo	fornecimento	de	energia	ao	músculo	por	até,	em	média,	três	minutos.	
Essa	 via	 tem	 um	 produto	 final	 de	 ácido	 lático	 que,	 como	 sabemos,	 em	 excesso	 no	
músculo,	influencia	na	sensação	de	dor	muscular	tardia).
Logo	que	essa	reserva	energéticase	esgota,	a	via	de	oxidação	aeróbia	entra	em	
ação,	tendo	 início	a	partir	do	3°	minuto	e	fornecendo	energia	até	que	o	exercício	seja	
finalizado.	Essa	última	fonte	de	reserva	energética	é	derivada	de	carboidratos	e	lipídeos	
armazenados, conforme Lopes et al.	 (2018).	 No	 quadro	 a	 seguir,	 são	 apresentadas	
características	mais	completas	a	respeito	de	cada	uma	das	vias	metabólicas	mencionadas.	
Observe:
QUADRO 2 – CARACTERÍSTICAS DAS VIAS METABÓLICAS UTILIZADAS PARA O 
FORNECIMENTO DE ENERGIA DURANTE O EXERCÍCIO
Via 
metabólica
Duração do
fornecimento	de	energia
Características
Fosfato de 
alta	energia	
(curta 
duração)
Até	30	segundos
Durante a realização de exercícios de alta intensi-
dade	e	curta	duração,	os	fosfatos	de	alta	energia	no	
músculo	(ATP-CP)	e	a	glicólise	anaeróbica	são	as	
fontes	de	energia	predominantemente	utilizadas.	
Assim,	o	pico	de	ATP	é	atingido	dentro	de	1	a	5s,	e	
sua	depleção	ocorre	entre	5	e	10	s.	Em	seguida,	a	
depleção	de	CP	por	volta	de	30	s.
Glicólise 
anaeróbica 
(média 
duração)
Até 3 minutos
A	glicolise	anaeróbica,	ou	sistema	ácido	lático,	é	o	
outro	meio	que	o	organismo	utiliza	para	continuar	
compensando uma determinada atividade em alta 
intensidade.	A	energia	vem	do	sistema	lático.	Essa	
via	tem	depleção	por	volta	dos	3	minutos.
Aeróbica 
oxidativa 
(longa	
duração)
Após o 3º minuto
Durante a realização de exercício de intensidade 
leve	a	moderada	e	de	longa	duração,	é	necessária	
uma elevada produção de ATP para produção de 
energia.	Assim,	tal	trabalho	depende	do	metabolis-
mo aeróbio ou das reações oxidativas na presença 
do	oxigênio.	Portanto,	nesse	caso,	a	glicose	e	o	
ácido	graxo	livre	(lipídeo)	são	metabolizados	para	
produção	de	energia.
FONTE: a autora
A partir do exposto, é importante consideramos as características de cada 
esporte	para	identificar	o	tipo	de	via	metabólica	utilizada	com	maior	frequência.	Assim,	
cuidados	específicos	tanto	na	parte	nutricional	(pelo	nutricionista)	quanto	na	parte	do	
treinamento	físico	(pelo	treinador	e	fisioterapeuta)	serão	devidamente	considerados,	a	fim	
de	evitar	cenários	de	fadiga	e	sobrecarga	ao	atleta,	os	quais	podem,	a	longo	prazo,	resultar	
99
em	 dor	 muscular	 tardia,	 menor	 desempenho	 e	 lesões	 musculoesqueléticas.	 Sendo	
assim, a compreensão clara sobre os conceitos apresentados se faz fundamental para 
que	sejam	desenvolvidas	atividades	físicas	em	consonância	às	exigências	metabólicas	
corretas, de acordo com Lopes et al.	(2018).
2.3 EDUCADOR FÍSICO
Ao	profissional	de	Educação	Física,	é	atribuída	a	função	relacionada	ao	treinamento	
físico,	 o	 que	 inclui,	 basicamente,	 a	 elaboração	 de	 protocolos	 de	 treinos	 pautados	 em	
viabilizar	 intensidades	oportunas	aos	objetivos	pretendidos,	 como	ganhar	aptidão	física,	
visando	à	habilidade	que	se	pretende	treinar.	Assim,	a	prescrição	de	treinamento	a	cada	
tipo	de	habilidade	física	é	específica	e	 individual	para	poder	atender	a	todos	os	princípios	
biológicos	do	treinamento.
Cabe	ao	educador	físico	prescrever	o	treinamento	com	enfoque	em	conquistar	
as	habilidades	físicas	que	o	atleta	necessita	e	de	acordo	com	a	modalidade	esportiva	que	
pratica.	Além	disso,	esse	profissional	também	elabora	e	sugere	modelos	de	periodizações	
fundamentados	nas	especificidades	do	calendário	esportivo	do	atleta.	Por	fim,	a	importante	
tarefa	do	educador	físico	corresponde	à	correção	dos	movimentos	e	posturas	durante	a	
execução	do	exercício,	que	é	importante	para	realização	correta	do	treinamento,	conforme	
Kons	et al.	 (2022),	tanto	para	que	os	ganhos	pretendidos	sejam	verificados	quanto	para	
evitar	riscos	de	lesões	por	posturas	inadequadas	durante	o	exercício.
Adicionalmente,	 o	 papel	 desempenhado	 por	 esse	 profissional	 resulta	 em	bom	
condicionamento físico e aptidão, elementos indispensáveis para evitar a incidência de 
lesões	esportivas.	
2.4 PSICÓLOGO
Sabemos	 que,	 além	 do	 treinamento	 constante,	 bons	 resultados	 esportivos	
relacionam-se	ao	substrato	energético	próprio,	o	talento,	sendo	que,	quando	associado	
ao desenvolvimento de outras aptidões físicas (como nutrição, preparo físico e treino 
tático),	garante	ao	atleta	condições	favoráveis	para	obtenção	de	grande	parte	das	vitórias	e	
prêmios	pretendidos,	que	são	sinônimos	de	reconhecimento	na	carreira	esportiva.
No	entanto,	deve-se	considerar	que,	em	se	tratando	do	esporte	profissional,	os	
atletas	iniciam	treinos	ainda	na	adolescência	e,	em	geral,	o	pico	da	carreira	ocorre	quando	
são	 ainda	muito	 jovens	 e	 com	estrutura	 emocional	 frágil,	 a	 qual,	 quando	 associada	 a	
fatores	como	passar	tempo	longe	da	família	para	os	treinos,	viajar	diversas	vezes	por	ano	a	
trabalho	e	sofrer	pressão	constante	(do	público,	treinadores	e	impressa),	corrobora	para	
cenário	de	intensa	pressão	psicológica,	que	pode	expor	o	atleta	ao	risco	de	lesão.
100
Além	 do	 cenário	 exposto,	 acrescenta-se	 o	 fato	 de	 que	 a	 presença	 de	 lesão	
esportiva,	 por	 si	 só,	 contempla	um	problema	contundente	para	exacerbar	 e	 agravar	 a	
pressão	psicológica	já	existente	por	todos	os	motivos	listados.	E,	mesmo	após	a	recuperação	
da	 lesão,	o	 retorno	ao	esporte,	 em	geral,	 pode	ser	 implicado	por	obstáculos	 inerentes	
ao	 processo,	 que	 incluem:	medo	 de	 futuras	 lesões,	 aptidão	 física	 prejudicada	 para	 bom	
desempenho	esportivo	e	sentimento	de	insegurança	individual	sobre	a	recuperação	de	
desempenho	similar	ao	anterior	à	lesão.
Portanto,	 o	 acompanhamento	 psicológico	 ao	 atleta	 se	 faz	 imprescindível	
tanto	durante	períodos	de	 reabilitação	quanto	no	 cenário	 de	prevenção,	visto	 que	o	
conhecimento	e	o	auxílio	 sobre	a	 resolução	de	 lacunas	acerca	de	 inseguranças	podem	
representar	um	obstáculo	para	conquistas	e	desafios	futuros.	Assim	sendo,	compete	
ao	psicólogo	o	desempenho	de	estratégias	voltadas	ao	tratamento	e	manutenção	da	
saúde	mental	do	atleta,	claramente	importante	após	todos	os	argumentos	explanados	
e	que	se	faz	ainda	mais	 relevante	em	períodos	de	competição,	 já	que	são	marcados	
por	insegurança,	medo	e	ansiedade,	sentimentos	que,	quando	descontrolados,	podem	
ocasionar	 alterações	 na	modulação	 do	 sistema	 endócrino	 e	 comprometer	 consequentes	
respostas	relacionadas	ao	rendimento	esportivo.
Por	 fim,	 acredita-se	 que	 o	 acompanhamento	 psicológico	 ao	 atleta	 é	 capaz	
de	 interferir	diretamente	sobre	sentimentos	positivos	relacionadas	à	qualidade	de	vida,	
bem-estar	geral	e	boas	expectativas	sobre	a	eficácia	pessoal,	fatores	motivacionais	que	
tendem	a	 influir	 sobre	 o	 desejo	 de	 superação,	 rompimento	 de	 barreiras	 e	 conquista	
de	novos	recordes,	eventualmente	prejudicados	por	pouca	autoconfiança,	autoestima	
abalada	e	insegurança.	Logo,	conclui	se	que	o	psicólogo	é	um	profissional	fundamental	
para	saúde	do	atleta	e	tudo	o	que	dela	reflete.	
2.5 MÉDICO
Por	último,	mas	não	menos	importante,	o	médico	é	o	profissional	responsável	
por	diversas	ações	referentes	ao	atleta,	de	modo	que	cada	especialista	(cardiologista,	
ortopedista,	 endocrinologista	 etc.)	 é	 responsável	 por	 avaliar	 e	 cuidar	 dos	 sistemas	
corporais	 que	 lhe	 compete,	 sendo	 cada	 um	 igualmente	 importante	 ao	 desempenho	
esportivo	saudável.
Assim,	compete	ao	médico	cardiologista	avaliar	a	aptidão	e	saúde	do	sistema	
cardiovascular	do	atleta	por	meio	de	testes	e	exames	específicos,	como	teste	ergométrico,	
eletrocardiograma	 e	 ecocardiograma.	 Compete	 ao	 médico	 endocrinologista	 analisar	
o	equilíbrio	do	sistema	endócrino	e	 imunológico	por	meio	de	exames	sanguíneos,	os	
quais	 são	 indispensáveis	 por	 fornecer	 informações	 diagnósticas	 sobre	 os	 níveis	 de	
desempenho.	Ao	médico	ortopedista,	compete	 investigar	a	 integridade	dos	sistemas	
musculoesqueléticos	por	meio	de	avalições	clínicas	que	 incluem	testes	e	exames	de	
imagem.	A	integração	entre	tais	especialistas	mencionados	confere	a	verificação	sobre	
importantes	respostas	clínicas	relacionadas	ao	organismo	do	atleta.
101
Atualmente,	é	crescente	o	número	de	médicos	do	esporte.	Sãoesses	médicos	
que	dedicaram	tempo	para	se	especializar	no	atendimento	ao	atleta	e	que,	nesses	casos,	
conseguem	contemplar	todos	os	pontos	mencionados	em	suas	consultas,	conferindo	
um	atendimento	completo	de	acordo	com	as	necessidades	de	um	organismo	atleta.
Assim,	fica	 claro	que	o	 atendimento	 ao	 atleta	não	 se	 restringe	 a	preparação	
técnica	e	tática,	sendo	igualmente	necessária	complexa	estrutura	suficiente,	por	englobar	
todos	 os	 desfechos	mencionados.	Atletas	 devidamente	 assistidos	 por	 profissionais	 de	
diferentes	áreas	da	saúde	denotam	as	melhores	condições	sobre	o	desenvolvimento	
de capacidades adaptativas, fundamentais para otimização da performance, bem 
como	manejo	sobre	o	estresse	relacionado	às	questões	sociais,	psicológicas	e	físicas.	
Adicionalmente,	tal	manejo	tende	a	resultar	em	menor	quantidade	de	lesões	reportadas	
ao	longo	de	uma	temporada.	
3 ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
Conforme	mencionado,	 uma	 alimentação	 adequada	 contempla	 um	 dos	 pilares	
importantes	 a	 serem	 seguidos	 pelo	 atleta,	 visto	 que	 é	 por	 meio	 dela	 que	 se	 dá	 o	
processo	de	nutrição,	responsável	pelo	fornecimento	de	nutrientes	essenciais	e	básicos	à	
produção	de	energia.	É	por	meio	da	alimentação	que	o	atleta	consegue,	inicialmente,	
conquistar	energia	para	realização	de	suas	demandas	diárias,	sendo,	portanto,	crucial	
ao	 desempenho	 esportivo	 esperado,	 pois	 o	 exercício	 só	 é	 possível	 quando	 reservas	
energéticas	estão	disponíveis	para	manter	o	esforço	requerido.
Por	 outro	 lado,	 a	 ingestão	 inadequada	 ou	 mesmo	 insuficiente	 de	 diversos	
nutrientes pode resultar em diversos prejuízos ao atleta, como baixa disponibilidade de 
reserva	energética,	incapacidade	sobre	a	regulação	metabólica	para	o	exercício,	síntese	
reduzida	de	tecidos	e	enzimas,	comprometimento	dos	processos	fisiológicos	normais	e	
mudanças	corporais	indesejáveis.
Ao	considerar-se	que	a	energia	gasta	por	um	atleta	é	bem	diferente	de	indivíduos	
não	 atletas,	 fica	 fácil	 compreender	 que,	 no	 caso	 dos	 primeiros,	 a	 demanda	 é	 muito	
maior.	Portanto,	a	alimentação	deve	ser	direcionada	a	atender	de	modo	satisfatório	tais	
necessidades	particulares	e	justificadas	pelo	elevado	esforço	realizado.	Para	se	ter	ideia,	
atletas	que	realizam	exercício	físico	em	nível	intenso,	com	duração	de	duas	a	seis	horas	
diárias	e	frequência	de	até	seis	vezes	por	semana,	chegam	a	precisar	de	elevada	ingestão	
calórica	baseada,	principalmente	em	carboidratos	(boas	fontes	de	energia)	e	proteínas.
Assim, independentemente do cenário vivenciado pelo atleta, se ele pratica 
exercícios	 com	 frequência	 contínua,	 o	 consumo	 de	 quantidades	 apropriadas	 dos	
macronutrientes	 –	 como	 proteínas,	 carboidratos	 e	 gorduras	 –	 deve	 ser	 prescrito	 pelo	
profissional	 nutricionista	 de	 acordo	 com	 objetivos	 individuais,	 que	 devem	 levar	 em	
consideração	 as	 demandas	 energéticas	 do	 esporte	 praticado,	 bem	 como	 volume	 e	
intensidade	de	treinamento.
102
Ao	considerar-se	os	substratos	energéticos	utilizados	durante	a	realização	do	
exercício,	temos	que	o	principal	é	o	carboidrato,	de	modo	que	a	 ingestão	dele	antes,	
durante	e	depois	o	exercício	é	 importante	em	casos	de	demandas	 intensas,	a	fim	de	
manter	boa	disponibilidade	de	reserva	energética,	básica	à	prática	esportiva.
Já	 as	 proteínas	 são	 importantes	 por	 auxiliarem	 o	 processo	 de	 hipertrofia	
muscular	 (favorecendo	o	ganho	de	massa	magra)	e	a	composição	corporal	do	atleta	
(pois	a	ingestão	proteica,	em	doses	devidamente	recomendadas,	associada	ao	estímulo	
gerado	 pelo	 exercício	 físico,	 resulta	 em	maximização	 da	 síntese	muscular	 proteica).	
No	que	 se	 refere	às	gorduras,	 dados	 recomendam	que	 sua	 ingestão	deve	ocorrer	 em	
níveis	similares	àqueles	sugeridos	para	população	não	atleta,	ou	seja,	algo	entre	20	e	
35% do total de ingestão	energética	diária,	que	deve	priorizar	fontes	ricas	em	gorduras	
insaturadas	e,	também,	os	ácidos	graxos	essenciais,	conhecidos	popularmente	como	
“gordura	boa”.
Entretanto,	as	doses	sobre	a	ingestão	de	cada	substrato	mencionado	devem	ser	
supervisionadas,	visto	que	são	contraindicados	os	contextos	caracterizados	por	atletas	
definindo	 sua	 própria	 alimentação	 e	 suplementação,	 já	 que	 isso	 pode	 desencadear	
diversos efeitos colaterais nocivos, representados pelo consumo excessivo de alimentos 
ou	 suplementos,	 como	 sobrepeso,	 baixo	 peso,	 problemas	 renais	 e	 hepáticos,	 além	
de	eventual	 fadiga	ou	fontes	de	energia	provenientes	da	alimentação	 insuficiente.	O	
conjunto	dos	malefícios	listados	deixa	claros	alguns	dos	riscos	desnecessários	causados	
por	uma	alimentação	inapropriada.	
4 SONO E CONTROLE DO ESTRESSE
O	sono	de	qualidade	e	 controle	de	níveis	de	estresse	contemplam	 importantes	
aliados	em	relação	à	manutenção	da	saúde	do	atleta,	porque	o	primeiro	representa	um	
mecanismo	básico	para	diversas	reações	metabólicas	básicas,	ao	passo	que	o	segundo,	
auxilia	a	manutenção	de	diversos	hormônios,	os	quais,	em	níveis	controlados,	favorecem	o	
desempenho	esportivo.	Assim,	o	estudo	de	ambos	os	conceitos,	no	que	diz	respeito	à	
Fisioterapia	Esportiva,	é	importante	para	que	você	compreenda	o	mecanismo	por	meio	
do	qual	o	funcionamento	deles	 implica	em	bom	desempenho	e	menores	chances	de	
lesões.
No	que	se	refere	ao	conceito	do	sono,	ele	representa	a	condição	fisiológica	na	qual	
é	observada	uma	suspensão	temporária	da	atividade	cognitiva	e	perceptiva.	O	sono	é,	
também,	dividido	por	fases	e	estágios,	os	quais	passam	por	alternância	durante	o	período	
no	qual	nos	encontramos	dormindo.	Caso	ocorra	privação	do	sono,	é	desenvolvida	uma	
alteração	do	ritmo	circadiano,	a	qual	altera	todo	contexto	do	metabolismo	e	implica	em	
comprometimentos	sobre	a	síntese	hormonal	e	reparo	muscular,	razões	que	denotam	o	
sono	como	fator	diretamente	responsável	pelo	desempenho	esportivo	verificado.
103
Ao	considerarmos	o	estresse,	temos	um	conceito	amplo.	Ele	inclui,	basicamente,	
secreção	elevada	dos	hormônios	cortisol	e	catecolaminas	como	tentativa	do	organismo	de	
manter	boas	condições	de	equilíbrio	e	restaurar	a	homeostasia.	Em	consequência	de	tais	
alterações,	ocorre	uma	série	de	outras	reações,	que	incluem,	por	exemplo,	maior	demanda	
energética,	elevação	da	frequência	cardíaca,	elevação	da	frequência	respiratória,	inibição	
da	resposta	inflamatória	normal	e	alteração	do	comportamento	emocional,	marcado	por	
cenários	de	maior	irritabilidade,	impaciência,	nervosismo	e	ansiedade.
Desse	modo,	quando	presente	por	longos	períodos,	o	estresse	possui	potencial	
de	atrapalhar	diversas	ações	orgânicas	e	fisiológicas	do	organismo.	Em	contrapartida,	nota-
se	que,	constantemente,	atletas	estão	expostos	a	diversos	tipos	de	agentes	estressantes,	
entre	os	quais,	podemos	mencionar	o	próprio	treinamento,	a	pressão	sofrida	por	diversas	
fontes,	convivência	diária	com	pares,	problemas	na	vida	pessoal	e	exposição	pela	mídia.
Com	isso,	muitas	vezes,	a	mensuração	quantitativa	sobre	os	níveis	de	estresse	
pode	ser	interessante	para	viabilizar	cenário	diagnóstico,	e,	quando	presente,	sugestões	
de medidas de controle são uma ação fundamental para resolver um problema primário, 
evitando	 o	 comprometimento	 de	 níveis	 de	 desempenho,	 da	 saúde	 e	 incidências	 de	
lesão.	 A	 seguir,	 serão	 apresentados	 com	maiores	 detalhes	 aspectos	 relacionados	 à	
influência	exercida	pelo	sono	e	controle	do	estresse	do	atleta.
4.1 ASPECTOS RELACIONADOS AO SONO DO ATLETA
Inicialmente,	precisamos	relembrar	o	conceito	de	sono.	Ele	contempla	um	estado	
denotado por redução do nível de consciência, movimentos musculares e diminuição do 
metabolismo.	Além	disso,	o	sono	corresponde	ao	estado	fisiológico	e	cíclico	do	organismo	
em	que	as	reações	voluntárias	ficam	suspensas;	várias	fases	ou	estágios	característicos	e	
alternados	entre	si	são	verificados	durante	um	longo	período	de	sono.
Em	alguns	desses	estágios,	nota-se	parâmetros	similares	àqueles	verificados	
durante	 a	 vigília	 (período	 que	 passamos	 acordados,	 conscientese	 em	 alerta,	 como	
padrão	 respiratório,	 presença	 de	 movimentos	 oculares	 e	 até	 alguns	 movimentos	
corporais),	que	se	diferem	completamente	de	outros	estágios	do	sono,	nos	quais	são	
observados	completo	cenário	de	silêncio,	ondas	lentas	no	eletrocardiograma,	redução	
do	padrão	respiratório	e	imobilidade	corporal.
O sono é considerado um elemento fundamental para processar a recuperação 
da	fadiga	a	que	nos	expomos	durante	o	período	de	vigília.	Com	isso,	o	que	chamamos	
de	 ciclo	 vigília-sono	 nada	mais	 é	 do	 que	 o	 resultado	 entre	 a	 integração	 observada	
entre	toda	a	demanda	da	vigília	e	o	consequente	período	de	sono,	necessário	para	nos	
recuperarmos	de	todas	as	atividades	desempenhadas	durante	o	período	de	vigília.
104
Um	dos	principais	sinais	responsáveis	por	regular	o	ciclo	sono-vigília	é	a	luz	do	dia.	
Enquanto	há	claridade,	nosso	cérebro	entende	que	é	momento	de	estar	em	alerta	(vigília),	
ao	passo	que	o	escuro,	característico	da	noite,	envia	ao	nosso	cérebro	a	mensagem	de	que	
é	hora	de	aumentar	os	níveis	de	melatonina	(hormônio	responsável	pelo	sono)	e	reduzir	
a	intensidade	de	trabalho,	acalmando-nos	lentamente	e	preparando-nos	para	uma	noite	
tranquila	e	restauradora	de	sono.	Logo	pela	manhã,	após	uma	longa	noite	de	sono,	os	
níveis	de	cortisol	(hormônio	do	estresse)	aumentam,	fazendo-nos	despertar,	 levantar	e	
encarar	tudo	o	que	o	dia	tem	a	nos	oferecer,	iniciando	um	novo	ciclo	de	sono-vigília.
Os	hormônios	mencionados,	melatonina	e	 cortisol,	 responsáveis	pelo	 sono	e	
despertar,	 respectivamente,	 são	 importantes	 reguladores	que,	 associados	 à	 luz	 e	 ao	
escuro,	auxiliam	nosso	ciclo	circadiano	a	se	situar	sobre	os	momentos	adequados	para	
dormir	 e	 despertar.	 Além	 disso,	 quando	 bem	 regulados,	 os	mencionados	 hormônios	
justificam	por	que	temos	sono	durante	a	noite	e	energia	durante	o	dia.	A	produção	de	
melatonina	é	estimulada	pela	baixa	luminosidade,	ao	passo	que	a	produção	de	cortisol	
é	estimulada	pela	alta	luminosidade.
O	sono	também	possui	características	acumulativas,	ou	seja,	quanto	mais	tempo	
se passa acordado, mais tempo será necessário dormir para repor completamente 
as	necessidades	fisiológicas	do	organismo	processadas	durante	o	período	do	sono.	A	
exemplo,	é	comum	e	esperado	aos	profissionais	que	trabalham	durante	o	turno	da	noite	e	
dormem	durante	o	dia	que	possuam	elevados	níveis	de	estresse,	porque,	nesses	casos,	
alterações	severas	no	ciclo	circadiano	são	notadas,	alterando	todo	o	esquema	fisiológico	
natural	do	organismo.	A	longo	prazo,	esse	cenário	é	extremamente	desfavorável	e	pode	
resultar	em	diversos	tipos	de	doenças.	Por	isso,	recomenda-se	que	profissionais	tenham	
essa	rotina	pelo	mínimo	de	tempo	possível,	a	fim	de	preservar	sua	saúde.
Em	atletas	com	o	sono	noturno	comprometido,	o	cenário	pode	ser	igualmente	
prejudicial.	 Imagine	 que	 um	 atleta	 que	 irá	 treinar	 pela	manhã	 não	 conseguiu	 dormir	
muitas	 horas	 à	 noite.	 Provavelmente,	 pela	 manhã,	 ele	 não	 se	 encontrará	 em	 suas	
melhores	condições	ao	desempenho	esportivo,	pois	certamente	estará	comprometido.	
O	sono	normal	é	arquitetado,	então,	pela	alternância	verificada	entre	os	estágios	(i)	com	
ausência	de	movimentos	oculares	rápidos	e	(ii)	com	movimentos	oculares	rápidos.
Além	 disso,	 o	 sono	 intitulado	 aqui	 como	 (i)	 caracteriza-se	 pela	 presença	 de	
ondas	sincronizadas	que	podem	ser	subdivididas	nas	fases	1,	2	e	3,	sendo	que	a	fase	3	
é	representada	pelo	sono	de	ondas	lentas.	O	eletrocardiograma	do	sono	de	movimentos	
oculares	 rápidos	 caracteriza-se	 por	 ondas	 que	 se	 mostram	 com	 baixa	 amplitude	 e	
dessincronizadas,	com	duração	total	de,	em	média,	100	minutos.
Logo,	quando	pegamos	no	sono,	inicia-se	o	estágio	1	(sem	movimentos	oculares	
rápidos),	que	é	seguido	sequencialmente	até	chegar	ao	estágio	3	(correspondente	ao	sono	
profundo).	Na	sequência,	o	ciclo	passa	para	a	fase	3	 (movimentos	 rápidos	oculares),	
que	finaliza	o	primeiro	ciclo	do	sono.	Na	sequência,	todo	o	processo	de	fase/estágios	
começa	novamente,	até	o	momento	do	despertar.
105
No	 primeiro	 estágio	 (ausência	 de	 movimentos	 oculares),	 verifica-se	 o	
relaxamento	 muscular,	 com	 pouco	 tônus	 notado,	 acompanhado	 da	 redução	 dos	
movimentos	 corporais,	 bem	como	a	 respiração	 e	valores	 de	 frequência	 cardíaca	 em	
níveis	regulares,	como	aqueles	notados	durante	a	vigília.	Na	última	fase,	caracterizada	
pela	transição	entre	os	momentos	de	sono	e	vigília,	verifica-se	comumente	níveis	de	
sonolência	que	se	demonstram	mais	superficiais,	caracterizando	um	sono	mais	leve	e	
com	baixo	nível	de	consciência,	mas	é	quando	o	sujeito	pode	ser	despertado	com	maior	
facilidade.
Em	 cenários	 cotidianos,	 verificamos	 que	 a	 sociedade	 atual	 é,	 muitas	 vezes,	
marcada	 por	 trabalhos	 extenuantes	 e	 estressantes,	 adicionados	 ao	 excesso	 de	 tarefas	
realizadas	ao	longo	do	dia	e	que	influenciam	diretamente	a	qualidade	e	quantidade	de	
sono	verificada	na	média	da	sociedade.	Adicionalmente,	a	luz	elétrica	e	o	uso	intenso	
de dispositivos eletrônicos antes de dormir, como TV, celular e computador, expõem 
indivíduos	à	luz	artificial	no	momento	em	que	o	organismo	já	deveria	estar	privado	de	
luz	e	se	preparando	para	dormir.
Tais	hábitos	são	comuns	na	sociedade	atual,	que,	por	viver	com	diversas	tarefas	
simultâneas,	muitas	 vezes,	 precisa	 do	 tempo	 noturno	 em	 sua	 casa	 para	 finalizar	 as	
tarefas	que	não	foram	possíveis	de	serem	realizadas	durante	o	dia,	como	estudar,	cuidar	
da	casa,	ler,	trabalhar	ou,	mesmo,	passar	um	tempo	na	tela,	com	o	simples	objetivo	de	
entretenimento	após	um	longo	dia	de	trabalho.
O	 cenário	 mencionado	 também	 se	 replica	 entre	 atletas,	 que,	 em	 razão	 das	
elevadas	 exigências	 ao	 longo	 do	 dia,	 às	 vezes,	 precisam	 do	 tempo	 noturno	 para	 o	
cumprimento	de	tarefas	sociais	e	pessoais.	Resultando	em	extensão	do	dia	(quando	já	é	
noite),	inevitavelmente,	prejudicam	a	qualidade	do	sono,	alteram	o	ciclo	circadiano	e,	com	
ele,	todo	o	metabolismo	normal	do	organismo,	afetando,	sem	dúvidas,	o	desempenho	e	
exposição	às	lesões.
Nesses	 casos,	 o	 organismo	 do	 atleta,	 uma	 vez	 privado	 do	 sono,	 passa	 pelo	
processo	 de	 remoção	 ou,	 ainda,	 supressão	 parcial	 do	 sono	 no	 organismo.	 No	 âmbito	
do	esporte,	sempre	que	o	sono	de	qualidade	e	em	quantidades	ideias	não	é	priorizado,	
ocorre	prejuízo	na	 recuperação	dos	atletas	–	o	que	se	caracteriza,	na	prática,	como	a	
desaceleração	cognitiva,	o	comprometimento	da	memória,	a	redução	dos	níveis	de	vigília	e	
atenção mantida, bem como redução da capacidade sobre a execução de um esforço em 
níveis	máximos	e	submáximos.
Ainda	assim,	a	rotina	corrida	de	competições,	viagens,	ansiedade	e	acomodações	
desconfortáveis, muitas vezes, torna comuns os cenários de privação de sono entre 
atletas,	 o	 que,	 no	 entanto,	 deve	 ser	 considerado	 responsável	 pelos	 tantos	 efeitos	
deletérios	mencionados.	Uma	consequência	imediata	representa	o	sono	diurno	excessivo	e	
comprometimento	no	desempenho,	ao	passo	que	consequências	tardias	podem	incluir	
desequilíbrio	muscular,	dores	crônicas	e	lesões.
106
Assim,	muitos	são	os	estudos	que	comprovam	a	qualidade	de	sono	ruim	em	
diversas	populações	de	atletas,	o	que	reitera	a	importância	da	discussão	robusta	sobre	
o	tema,	bem	como	produção	de	investigações	suficientes,	por	descreverem	os	efeitos	
negativos	 que	 a	 privação	 de	 sono	 resulta	 no	 atleta,	 para	 que	 possam	 ser	 sugeridas	
estratégias	para	minimizar	e	evitar	o	referido	cenário.	
4.2 CONTROLE DO ESTRESSE NO ATLETA
A	 abordagem	 e	 o	 entendimento	 do	 estresse	 são	 frequentemente	 realizados	
por	diversos	estudos	que	o	relacionam	com	o	desenvolvimento	de	doenças	diversas	e	
comuns	na	sociedade	atual.	O	estresse	é	definido	como	quaisquer	cenários	responsáveis	
por	expor	o	atleta	à	tensão	aguda	ou	crônica,	e	resultarem	nele	alterações	relacionadas	
ao	 comportamento	 físico	 (desempenho	 esportivo)	 ou	 emocional	 (ansiedade,	 medo,	
insegurança).
Nesse	contexto,verifica-se	que	um	estímulo	estressante,	independentemente	
da	 sua	 origem,	 sujeita	 o	 organismo	 a	 desencadear	 reações	 de	 adaptação	 sobre	
determinado	 evento	 ou	 situação	 com	 denotada	 importância.	 Tais	 reações	 ocorrem	
sempre	que	o	contexto	é	sentido	pelo	atleta	com	níveis	acentuados	de	exigência	que	
ultrapassam recursos pessoais para o enfrentamento da situação, o expondo e, ainda, 
se	mostrando	como	“ameaça”	sobre	o	seu	bem-estar	natural.
Nas	 mencionadas	 situações	 de	 estresse,	 verifica-se	 que	 o	 organismo	 se	
encontra	em	estado	de	desequilíbrio	homeostático,	e,	por	isso,	as	mencionadas	reações	
ocorrem	com	 intuito	 de	 recuperar	 o	 equilíbrio.	 Para	 tanto,	 o	 gasto	 enérgico	 é	maior,	
gerando,	no	corpo	do	atleta,	além	das	reações,	um	importante	cansaço	físico	e	mental.	
Apesar	disso,	sempre	que	o	organismo	se	mostrar	apto	para	enfrentar	tais	cenários	de	
estresse,	a	homeostase	possui	boas	chances	de	recuperação.
O	tempo	e	a	energia	necessários	para	lidar	com	situações	de	estresse	dependem	
dos	 seguintes	 fatores:	 capacidade	 prévia	 quanto	 às	 estratégias	 de	 enfrentamento,	
influência	do	agente	estressor	sobre	o	organismo	e	capacidade	de	utilizar	adequadamente	
as	 técnicas	 de	 enfrentamento,	 conforme	 Andreoli,	 Oliveira	 e	 Fonteles.	 (2020).	 Ao	
contrário,	 quando	 tais	 recursos	 não	 são	 suficientes	 ao	 enfrentamento	 do	 estresse,	
temos	o	que	chamamos	de	“estresse	crônico”,	o	qual	se	mostra	 intenso	e	prejudicial	
pela	manutenção	das	tantas	reações	para	busca	da	homeostase,	que	não	é	atingida,	
ao	passo	que	as	tentativas	geram	alterações	 ruins	ao	organismo,	especialmente	por	
se	manterem	em	tempo	prolongado.	Em	casos	graves,	nos	quais	o	estresse	crônico	é	
presente,	ele	acarreta	incapacidade,	sendo	intitulado	“Síndrome	de	Burnout”.
No	 esporte,	 o	 estresse	 pode	 ser	 originado	 por	 fatores	 tanto	 resultantes	 da	
prática	esportiva	quanto	pessoais.	Em	cenário	esportivo,	as	diversas	reações	negativas	
desencadeadas	 incluem	 menor	 tempo	 de	 resistência	 até	 que	 ocorra	 fadiga,	 maior	
sensação	de	cansaço	percebido,	dores	crônicas,	sentimentos	de	angústia,	ansiedade,	
107
depressão	 e	medo,	 redução	 do	 desempenho	 cognitivo	 e	 intelectual,	 dificuldade	 quanto	
a	 orientação	 espaço-temporal,	 níveis	 de	 atenção	 comprometidos,	 dificuldade	 de	
relaxamento,	 estado	 de	 alerta	 comprometido	 e	maior	 tensão	muscular	 generalizada.	
Além disso, em esportes coletivos, a presença de estresse pode, ainda, comprometer 
bons	 níveis	 de	 comunicação	 em	 equipe,	 resultando,	 muitas	 vezes,	 na	 tomada	 de	
decisões	indesejadas,	conforme	Andreoli,	Oliveira	e	Fonteles	(2020).
O	 chamado	 “estresse	 pré-competitivo”	 é	 comum	 e	 caracteriza-se	 por	 uma	
antecipação	 de	 oportunidades,	 riscos	 e	 consequências	 que	 o	 referido	 jogo	 poderá	
resultar.	Nesse	sentido,	muitos	estudos	mencionam	a	importância	de	“certo	estresse”	em	
níveis	controlados,	 isso	porque,	como	comentamos,	o	estresse	aumenta	os	níveis	de	
cortisol,	que,	em	excesso,	são	prejudiciais,	mas,	em	níveis	controlados,	são	importantes	
por	manterem	 o	 atleta	 em	 estado	 consciente	 de	 alerta	 na	 prática	 esportiva.	 Assim,	
muitos	 são	 os	 estudos	 que	 afirmam	 ser	 positivo	 para	 o	 desempenho,	 estresse	 pré-
competitivo	em	níveis	controlados.
É	 graças	 ao	 acompanhamento	 psicológico	 oportuno	 que	 o	 atleta	 consegue	
desenvolver	habilidades	diversas	e	importantes	à	prática	esportiva,	como	concentração	
e	 foco,	 equilíbrio	 emocional,	 maior	 tolerância	 a	 frustrações,	 manutenção	 de	 bom	
desempenho	 mesmo	 sob	 pressão,	 autoconfiança	 elevada,	 bons	 níveis	 motivacionais,	
inteligência	 técnica	 e	 tática,	 respeito,	 disciplina,	 eficiente	 comunicação	 em	 equipe	 e	
espírito	 de	 luta.	 Todos	 esses	 são	 elementos	 essenciais	 no	 esporte	 e	 caracterizam	
controle	oportuno	de	estresse	no	atleta.
Por	 fim,	 além	 dos	 elementos	 citados	 como	 essenciais	 no	 âmbito	 esportivo,	
também	se	faz	necessário	que	uma	atenção	devida	seja	dada	a	possíveis	necessidades	
de	auxílio	relacionadas	à	vida	pessoal	do	atleta,	o	que,	eventualmente,	pode	comprometer	
seu	desempenho.	Portanto,	todas	as	demandas	no	esporte	variam	muito	de	acordo	com	
o	momento	e	a	dinâmica	atual,	o	que	exige	flexibilidade	para	identificação	e	atendimento	
quanto	a	tais	demandas,	de	acordo	com	Andreoli,	Oliveira	e	Fonteles	(2020).
4.3 RECUPERAÇÃO FISIOLÓGICA E MOTIVACIONAL
É	 visível	 o	 quanto	 a	 prática	 esportiva,	 sobretudo	 de	 alto	 rendimento,	
requer	 substrato	 energético	 aprimorado	 para	 viabilizar	 condições	 plenas	 sobre	 o	
desenvolvimento	de	todas	as	aptidões	físicas	necessárias	a	cada	modalidade.	Diversos	
fatores	contribuem	e	são	fundamentais	ao	desempenho	atlético,	como	talento,	nível	
de	 dedicação,	 nutrição	 adequada,	 preparo	 físico,	 hereditariedade,	 sono,	 condições	
psicossociais,	dentre	outros.
 
108
Com	 isso,	 verifica-se,	 por	 exemplo,	 que	 fatores	 intrínsecos	 e	 extrínsecos	
exercem	influência	direta	para	moldar	o	atleta	e,	consequentemente,	seu	desempenho.	
Exatamente	 por	 isso,	 estima-se	 que	 uma	 equipe	 multidisciplinar	 se	 faz	 importante	
no manejo de atleta, visando a condições plenas para prática esportiva em níveis 
seguros	e	maiores	oportunidades	quanto	às	conquistas	adquiridas	ao	longo	da	carreira,	
sobretudo,	em	se	tratando	de	atletas	profissionais,	que	dependem	de	tais	 resultados	
para se destacar na carreira, conforme Lopes et al.	(2019).
A	 exemplo	 do	 esporte	 de	 alto	 rendimento,	 a	 carreira	 profissional	 geralmente	
tem início ainda no começo da juventude, e, por isso, na maioria das vezes, os jovens 
demonstram	estrutura	emocional	frágil	para	suportar	e	 lidar	com	os	elevados	graus	de	
exigências	 do	 esporte,	 incluindo	 distância	 da	 família,	 limitações	 financeiras,	 pressão	
vinda	da	equipe	técnica	e	expectativa	do	público.	Todas	essas	tensões	já	ocorrem	em	
situações	 sem	 lesões.	 Agora,	 imagine	 você	 o	 quanto	 a	 presença	 de	 lesões	 tende	 a	
agravar	tudo	isso,	visto	que	resultam	em	dor,	 limitações	funcionais	e	afastamento	da	
prática	esportiva.
Mesmo	 após	 a	 recuperação	 das	 lesões,	 devemos	 nos	 lembrar	 de	 que	 as	
dificuldades	 do	 atleta	 podem	 ser	 agravadas	 pelo	medo	 de	 novas	 lesões,	 de	voltar	 à	
prática	e	não	conseguir	o	mesmo	desempenho	e	da	 impossibilidade	 individual	referente	
à	prática	em	si.	É	por	isso	que	nós,	fisioterapeutas,	durante	todo	o	processo,	também	
temos o importante papel de motivação diária no manejo da reabilitação do atleta, 
que	 tende	 a	 caracterizar	 uma	 importante	 influência	 positiva	 sobre	 os	 resultados	 da	
reabilitação.	Além	disso,	a	realização	de	acompanhamento	psicológico	é	fundamental	
para reforçar a ajuda neste momento tão delicado e indesejado, no intuito de favorecer o 
retorno	pleno	ao	esporte.	
109
Neste tópico, você aprendeu:
• A atuação interdisciplinar no esporte se fundamenta na necessidade contínua de 
otimizar	o	desempenho	e	garantir	condições	seguras	sobre	a	prática	esportiva	e	é	
influenciada	por	fatores	diversos,	como	recuperação,	tipo	de	treinamento,	estrutura	
emocional	e	condições	metabólicas	e	nutricionais.
•	 A	atuação	da	equipe	interdisciplinar	no	esporte	é	pautada	na	necessidade	contínua	
da	otimização	do	desempenho,	que	é	influenciado	por	variáveis	complexas,	de	caráter	
intrínseco	 e	 extrínseco,	 que	 incluem	 tempo	 de	 recuperação,	 tipo	 de	 treinamento,	
nível	de	estabilidade	emocional,	exames	sanguíneos	e	controle	nutricional,	tornando	
necessária	a	atuação	de	diversos	profissionais	da	saúde	no	manejo	do	atleta.
•	 Quando	inseridos	em	equipes	esportivas,	o	fisioterapeuta	deve	trabalhar	em	consonância	
à	 equipe	 interdisciplinar,	visto	 que	 o	 objetivo	 de	 todos	 os	 profissionais	 envolvidos	
no	manejo	do	atleta	converge	para	preocupação	central,	que	é	clara:	promoção	e	
manutenção	da	saúde	do	atleta.	
•	 Diferentes	 vias	 metabólicas	 são	 responsáveis	 pelo	 fornecimento	 de	 energia	
aos	 músculosdurante	 o	 exercício	 físico,	 devendo	 ser	 bem	 conhecidas,	 pois	 o	
recrutamento	varia	de	acordo	com	o	tempo	e	intensidade	do	exercício.	Além	disso,	tal	
conhecimento	pode	evitar	cenários	de	fadiga,	dor	muscular	tardia,	menor	rendimento	
e	lesões	musculoesqueléticas	em	atletas.	
•	 O	 sono	 de	 qualidade	 e	 o	 controle	 de	 níveis	 de	 estresse	 são	 importantes	 aliados	
em	se	 tratando	da	manutenção	da	 saúde	do	atleta,	 porque	o	primeiro	 representa	
o	mecanismo	 básico	 para	 diversas	 reações	metabólicas	 básicas,	 ao	 passo	 que	 o	
segundo	auxilia	a	manutenção	de	diversos	hormônios,	os	quais,	em	níveis	controlados,	
favorecem	o	desempenho	esportivo.
RESUMO DO TÓPICO 2
110
1 A atuação interdisciplinar no manejo do atleta se faz importante por viabilizar 
condições	plenas,	a	partir	de	uma	visão	holística	suficiente	para	resolução	de	lacunas	
complexas,	que,	uma	vez	comprometidas,	 tendem	a	comprometer	o	desempenho	
esportivo	e	expor	ao	risco	de	lesões	musculoesqueléticas.	Assim,	no	que	se	refere	ao	
papel	de	cada	profissão	na	equipe	esportiva,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a) ( ) O médico é responsável pela avaliação e tratamento de disfunções nos sistemas 
corporais	 fundamentais	 durante	 a	 prática	 esportiva.	 Portanto,	 por	 meio	 de	
diferentes	 abordagens	 e	 parâmetros,	 as	 funções	 cardíacas,	 ortopédicas	 e	
endócrinas	são	monitoradas	e	tratadas	sempre	que	necessário.	
b)	 (			)	 O	 educador	 físico	 é	 responsável	 por	 garantir	 bons	 níveis	 de	 condicionamento	
físico,	 que	 são	 possíveis	 por	meio	 de	 condutas	 que	 incluem	a	 elaboração	 de	
protocolos de treinos completos e prescrição de suplementação para auxiliar 
síntese	proteica.	
c)	 (			)	 O	 psicólogo	 é	 responsável	 pelo	 cuidado	da	 saúde	mental,	 que,	muitas	vezes,	
relaciona-se	 diretamente	 com	 o	 desempenho	 físico	 do	 atleta.	 Portanto,	
eventualmente,	 solicita-se	 exames	 de	 imagem	 para	 investigar	 condições	
cinético-funcionais.
d)	 (			)	 O	nutricionista	é	 responsável	pela	alimentação	e	 ingestão	de	nutrientes	do	atleta,	
sendo	tal	conduta	fundamental	à	disponibilização	energética	durante	o	exercício.	
Por	isso,	solicita	exames	de	ecocardiograma	periódicos	para	averiguar	a	resposta	
clínica	nutricional.
2	 A	expressão	“treino”,	ou	“treinamento”	se	refere	ao	processo	de	aquisição	de	movimentos	
relacionados	a	habilidades	específicas.	É	imprescindível	que	o	fisioterapeuta	esportivo	
compreenda conceitos básicos relacionados ao treinamento, bem como atue em 
consonância	com	preceitos	preconizados	por	todos	os	outros	profissionais	da	equipe	
multidisciplinar,	a	fim	de	oportunizar	plenas	condições	de	saúde	na	prática	esportiva.	
Sobre	o	atendimento	interdisciplinar	ao	atleta,	analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 A	 linguagem	 unificada	 entre	 profissionais	 da	 saúde	 e	 treinadores,	 com	 enfoque	
no	equilíbrio	do	organismo	sobre	diversos	aspectos,	se	faz	fundamental	à	prática	
esportiva.	
II-	 Estima-se	que	a	atuação	interdisciplinar	no	atleta	ocorra	não	apenas	com	objetivos	
terapêuticos,	como	também	com	objetivos	preventivos,	que	representam	cuidado	
indispensável	à	manutenção	da	homeostase	dos	sistemas	corporais.	
III-	 Em	 cenários	 de	 campo,	 a	 equipe	 interdisciplinar	 constitui-se	 basicamente	 por	
médico,	biomédico,	farmacêutico,	bombeiro	e	fisioterapeuta.		
IV-	 O	 psicólogo	 somente	 será	 necessário	 em	 períodos	 de	 competição	 nos	 quais	 o	
estresse	sobre	os	atletas	é	maior,	exceto	em	casos	de	atletas	que	estejam	passando	
por	problemas	pessoais.
AUTOATIVIDADE
111
Assinale a alternativa CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	II	e	III	estão	corretas.
b)	 (			)	 As	sentenças	I	e	IV	estão	corretas.
c)	 (			)	 As	sentenças	II	e	IV	estão	corretas.
d)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
3	 A	síntese	proteica	é	fundamental	ao	processo	de	hipertrofia,	sendo	foco	constante	
de	 investigações	 e	 estudos	 sobre	 protocolos	 de	 treinamento	 e	 suplementação	
mais	adequados	ao	favorecimento	do	processo	de	hipertrofia	identificado	no	tecido	
muscular.	Sobre	os	princípios	elencados,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	
e F para as falsas:
(			)	Exercícios	 de	 força	 isolados	 já	 são	 suficientes	 para	 síntese	 proteica	 e,	
consequentemente,	para	verificação	de	hipertrofia	em	níveis	máximos	no	 interior	do	
tecido	muscular.
(			)	 A	hidratação	e	ingestão	proteica	adequadas	no	momento	pós-exercício	favorecem	
balanço	proteico	básico	ao	crescimento	das	fibras	musculares.
(			)	 Recomenda-se	ingestão	diária	alta	de	lipídios	para	otimizar	o	processo	de	hipertrofia	
muscular,	que	se	faz	necessário	para	verificação	de	bons	níveis	de	desempenho	
esportivo.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	-	F	-	F.
b)	 (			)	 V	-	F	-	V.
c)	 (			)	 F	-	V	-	F.
d)	 (			)	 F	-	F	-	V.
4	 Um	 ambiente	 controlado	 que	 garanta	 boas	 condições	 de	 sono,	 controle	 do	
estresse, alimentação oportuna e treinamento supervisionado é fundamental para 
plenas	 condições	 de	 desenvolvimento	 do	 desempenho	 atlético.	 Ao	 considerar-se	
especificamente	 a	 nutrição,	 sabe-se	 que	 desempenha	 papel	 fundamental	 antes,	
durante	e	após	a	realização	do	exercício.	A	este	respeito,	disserte	sobre	qual	tipo	de	
substrato	deve	ser	ingerido	com	maior	ênfase	nos	momentos	mencionados	(antes,	
durante	e	após	o	exercício).
5	 As	 vias	 metabólicas	 são	 responsáveis	 pelo	 fornecimento	 de	 energia	 durante	
execução do exercício, compreendendo assunto básico e comumente estudado nas 
ciências	do	esporte.	O	ATP	constitui	 a	 fonte	de	energia	necessária	para	produção	
das	atividades	fisiológicas	do	organismo.	Entretanto,	além	do	ATP,	outros	compostos	
químicos	são	liberados	da	quebra	de	compostos	orgânicos,	como	é	o	caso	do	ácido	
lático.	Assim,	no	que	se	refere	ao	ácido	lático,	discurse	sobre	a	via	metabólica	que	
produz	esse	composto	ao	final	de	sua	reação	e,	após	isso,	exemplifique	esportes	que	
utilizam	predominantemente	essa	via.	
112
113
TÓPICO 3 — 
CONDUTA FISIOTERAPÊUTICA NA 
PREVENÇÃO DE LESÕES ESPORTIVAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO 
O	 termo	 “lesões	 esportivas”	 é	 comumente	 abordado	 e	 estudado	 quando	 se	
trata da Fisioterapia Esportiva, e não diferente, a prevenção de tais lesões também o 
é	em	contextos	científicos	e	de	campo.	Portanto,	uma	breve	contextualização	se	faz	
necessária	antes	de	adentrarmos	esse	tema.
Por	definição,	a	 lesão	esportiva	engloba	qualquer	queixa	musculoesquelética	
resultante	 de	 um	 período	 de	 treinamento	 e/ou	 competição	 e	 que	 necessite	 de	
atendimento	médico,	independentemente	da	necessidade	de	afastamento	dos	treinos.	A	
este	respeito,	reflita:	por	que	devemos	estudar	a	prevenção	de	lesões	esportivas?	Pois	
bem,	a	resposta	para	essa	indagação	é	importante	e	complexa.
Em	primeiro	 lugar,	sabe-se que	a	prática	esportiva	por	si	só	expõe	o	atleta	à	
incidência	de	lesões	esportivas.	Por	sua	vez,	é	notório	que	elas	causam	dor,	incapacitação	
e	 disfunções	 a	 curto	 prazo.	Ainda,	 quando	 não	 tratadas	 corretamente,	 caracterizam	
preditor	de	morbidade	e	mortalidade	a	longo	prazo,	acarretando	consequências	futuras,	
representadas	por	doenças	crônicas	e	degenerativas,	como	osteoartrite,	hérnia	de	disco	
e	síndrome	do	 impacto	no	ombro.	Logo,	ao	considerar	os	 impactos	negativos	de	tais	
lesões	referentes	ao	afastamento	do	esporte,	gastos	com	saúde	e	comprometimentos	
funcionais	que	impactam	em	aspectos	psicológicos	e	de	qualidade	de	vida,	o	estudo	do	
entendimento	de	condutas	preventivas	se	torna	totalmente	relevante	e	útil.
A partir do exposto, é notória a importância do aprofundamento teórico sobre o 
tema	“prevenção	de	lesões	no	esporte”,	e,	com	isso,	no	Tópico	3,	abordaremos	temáticas	
relacionadas	a	assuntos	relevantes	a	esse	tema,	incluindo	alongamento	e	aquecimento	
no	esporte,	a	Fisioterapia	na	equipe	esportiva	e	conduta	fisioterapêutica	na	prevenção	
de	lesões	esportivas.
Após	compreender	nosso	objeto	de	estudo	(atleta)	e	os	caminhos	necessários	
dentro	 da	 reabilitação	 fisioterapêutica,faz-se	 necessário	 que	 entendamos	 as	
características	 básicas	 das	 lesões	 esportivas.	 No	 que	 se	 refere	 às	 causas	 das	 lesões	
no	 esporte,	 verifica-se	 que	 elas	 ocorrem	 por	 métodos	 inadequados	 no	 treinamento,	
alterações	estruturais	que	sobrecarregam	estruturas	corporais,	desequilíbrio	muscular,	
nutrição	inadequada,	sono	ruim	e	problemas	emocionais,	por	exemplo.
114
Todos	os	fatores	mencionados	influenciam	o	surgimento	de	lesões	esportivas	
e,	 por	 isso,	 estima-se	 que	 sejam	 controlados.	Além	 disso,	muitas	 lesões	 no	 esporte	
ocorrem	por	 desgaste	 crônico	 e	por	 lacerações,	 os	quais	 decorrem	da	 realização	de	
movimentos	 repetitivos.	 Os	 fatores	 causais	 das	 lesões	 são	mais	 bem	detalhados	 no	
quadro	apresentado	a	seguir:
QUADRO 3 – ALGUNS FATORES QUE PREDISPÕEM MAIOR EXPOSIÇÃO 
ÀS ALTERAÇÕES CINÉTICO-FUNCIONAIS
Fatores Características
Métodos	inadequados	no	
treinamento
Em	geral,	caracteriza-se	por	atletas	que	não	permitem	recuperação	
corporal	adequada	após	realização	intensa	de	exercícios.	Outros	
exemplos incluem a utilização de superfícies, roupas e calçados 
inadequados.
Anormalidades estruturais
Alteram	a	biomecánica	corporal,	sobrecarregando	segmentos	
corporais	em	detrimento	de	segmentos	incapazes	de	realizarem	
sua	função.	Exemplos	incluem	membros	de	diferentes	tamanhos,	
escoliose,	joelho	valgo	ou	varo.	Nestes	casos,	problemas	estruturais	
comprometem a produção de movimento e aumentam o risco de 
lesões	esportivas.
Desequilíbrio	muscular
Músculos,	tendões,	ligamentos	e	até	mesmo	ossos	sofrem	
processo	de	laceração	(ruptura)	sempre	que	expostos	a	forças	
superiores	à	sua	capacidade	intrínseca,	por	isso,	o	preparo	físico	
prévio	é	fundamental	para	prevenir	o	surgimento	de	lesões.	Além	
disso,	a	fraqueza	generalizada	aumenta	o	impacto	articular,	
tornando	mais	prováveis	as	lesões	por	desgaste,	bem	como	os	
ossos	enfraquecidos	podem	fraturar	com	maior	facilidade.
FONTE: a autora
A	 partir	 da	 contextualização	 apresentada,	 uma	 lesão	 esportiva	 caracteriza-
se	 por	 lesão	 musculoesquelética	 adquirida	 durante	 a	 prática	 esportiva,	 possuindo	
ocorrência elevada pela falta de controle e respaldo, na maioria das vezes, de todos os 
fatores	e	circunstâncias	expostos.	As	lesões	mais	comuns	no	esporte	são	lesões	ósseas	
(fraturas), lesões articulares (artrose, osteoartrose), lesões musculotendíneas (contusão, 
distensão,	tendinite,	entorse)	e	lesões	neurais	(neuropatias).
2 FISIOTERAPIA NA EQUIPE ESPORTIVA
Ao	 considerar-se	 a	 equipe	 responsável	 pelo	 atendimento	 e	 treinamento	 do	
atleta,	 dados	 históricos	 demonstram	 que	 as	 primeiras	 atividades	 desempenhadas	
pela	Fisioterapia	ocorreram	no	futebol,	em	um	momento	no	qual	as	técnicas	aplicadas	
incluíam,	 inicialmente,	 apenas	a	massagem,	e,	 só	anos	depois,	 com	a	modernização	
tecnológica	 e	 sugestão	 de	 diversas	 outras	 técnicas,	 as	 opções	 terapêuticas	 foram	
ampliadas	para	esse	perfil	de	pacientes,	conforme	Kons	et al.	(2022).	
115
2.1 PAPEL DA FISIOTERAPIA NO MANEJO DO ATLETA
Ao	 longo	 de	 todo	 contexto	 histórico,	 desde	 o	 início	 da	 profissão,	 o	 papel	 da	
Fisioterapia	 dentro	 da	 equipe	 esportiva	 era	 baseado	 em	 reabilitar	 e	 prevenir	 lesões	
no	esporte.	Só	mais	tarde,	com	o	aperfeiçoamento	e	melhor	entendimento	do	papel	
do	 fisioterapeuta	 em	 toda	 a	 sua	 abrangência,	 é	 que	 condutas	voltadas	 a	 otimizar	 o	
rendimento,	avaliar	o	comportamento	cinético-funcional	e	acelerar	a	recuperação	após	
o	exercício	também	foram	implementadas	nas	rotinas	fisioterapêuticas	de	campo,	de	
acordo com Lopes et al.	(2019).
Tais	necessidades	ficaram	evidentes	a	partir	da	observação	da	rotina	de	atletas,	
principalmente os de alto rendimento, constituída basicamente por treinos excessivos, 
além	de	elevado	volume	de	jogos	e	competições,	muitas	vezes,	com	tempo	insuficiente	
de	 descanso	 entre	 partidas,	 o	 que	 tendeu	 a	 resultar	 em	 sobrecarga	 do	 sistema	
musculoesquelético	e	maior	predisposição	tanto	para	lesões	quanto	para	o	surgimento	
de	 outras	 doenças.	 Isso	 ocorre	 pela	 baixa	 imunidade,	 resultante	 de	 um	 estado	 de	
desequilíbrio	no	organismo,	no	qual	o	estresse	 imposto	é	muito	maior	do	que	aquele	
suportado	pelos	sistemas	corporais.
Por sua vez, as mencionadas lesões ocorrem a partir do desenvolvimento de 
diversas	condições	impactantes	ao	sistema	musculoesquelético,	como	fadiga	muscular,	
desequilíbrios	musculares,	 tempo	 de	 descanso	 insuficiente,	 excesso	 de	 treinamento	
em	alto	volume,	colisões,	quedas,	biomecânica	alterada	e	aptidão	física	insuficiente	da	
demandada pelo exercício executado, conforme Oliveira et al.	(2013).
Adicionalmente,	fatores	de	ordem	psicossociais	também	tendem	a	influenciar	
o	cenário	exposto,	fato	que	deve	ser	igualmente	considerado	pelo	fisioterapeuta,	visto	
que	 diferentes	 personalidades	 demandam	 posicionamento	 e	manejo	 personalizados	
por	 parte	 do	 terapeuta.	 Por	 exemplo,	 alguns	 atletas	 precisam	 de	 motivação	 verbal	
constante	para	um	bom	desempenho	no	treino,	ao	passo	que	outros	se	 incomodam	
com	essa	postura	e	não	gostam	de	ouvir	palavras	motivacionais,	já	que	se	consideram	
conscientes	e	focados	o	suficiente	para	executarem	tudo	o	que	for	necessário	dentro	da	
prática	esportiva.	Assim,	cabe	ao	fisioterapeuta	esportivo	sensibilidade	para	identificar	
diferentes	personalidades	e	agir	de	acordo	com	a	abordagem	que	melhor	se	enquadre	
a	cada	perfil.
No	que	 se	 refere	 às	 funções,	 já	vimos	que	o	fisioterapeuta	 esportivo,	 dentre	
outras	 coisas,	 é,	 também,	 responsável	 por	 realizar	 avaliação,	 seguida	do	diagnóstico	
cinético	 funcional	 do	 atleta,	 que	 deve	 apresentar	 informações	 relevantes	 referentes	
às	 necessidades	 específicas	 de	 cada	 atleta,	 a	 partir	 das	 quais,	 então,	 será	 possível	
um	manejo	voltado	 a	 prevenir	 lesões	 e	 otimizar	 o	 desempenho	 esportivo,	 utilizando	
de	 condutas	 suficientes	 para	 resolver	 desequilíbrios	 musculares	 e	 viabilizar	 ajustes	
biomecânicos.
 
116
Ademais,	também	compete	ao	fisioterapeuta	esportivo	a	aplicação	de	técnicas	
de	recuperação	pós-exercício,	no	âmbito	de	acelerar	e	auxiliar	o	organismo	a	restaurar	
suas funções basais anteriores ao esforço e, com isso, tornar o atleta recuperado em 
menor	tempo	para	continuar	a	prática	esportiva.	Com	 isso,	vale	destacar	que	atletas	
de alto rendimento realizam, muitas vezes, demanda de treinamento acima de níveis 
considerados	saudáveis,	o	que	gera	elevado	padrão	de	estresse	metabólico	associado	
à	 realização	 de	movimentos	 que	 podem	 extrapolar	 as	 barreiras	 fisiológicas,	 gerando	
importantes	alterações	musculoesqueléticas,	que	devem	ser	devidamente	identificadas	
e	tratadas	pela	intervenção	fisioterapêutica,	conforme	Oliveira	et al.	(2013).
2.2 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS NA PREVENÇÃO 
DE LESÕES
Primariamente,	 o	 fisioterapeuta	 esportivo	 deve	 conhecer	 características	
aprofundadas	da	modalidade	esportiva	na	qual	trabalha	e,	dentre	tais,	é	 indispensável	
conhecimento	 sobre	 o	 perfil	 epidemiológico	 de	 lesões	 esportivas,	 ou	 seja,	 cabe	 ao	
fisioterapeuta	esportivo	compreender,	pela	literatura,	quais	são	os	tipos	de	lesões	mais	
comuns	 na	 modalidade	 esportiva	 em	 que	 atua.	 Em	 posse	 dessa	 informação,	 deve	
realizar	nova	pesquisa	literária	para	identificar	as	melhores	técnicas	preventivas	às	lesões	
verificadas,	às	quais	os	seus	atletas	estarão	mais	expostos,	conforme	Kons	et al.	(2022).	A	
exemplo,	o	quadro	a	seguir	apresenta	informações	relacionadas	a	tipos	de	lesões	mais	
comuns	em	algumas	modalidades	esportivas,	de	acordo	com	Prentice	(2012).	Acompanhe.
QUADRO 4 – EPIDEMIOLOGIA DE LESÕES ESPORTIVAS
Modalidade 
esportiva
Lesões esportivas comuns
Futebol
As	lesões	mais	frequentes	reportadas	são	do	tipo	de	lesão	muscular.	Em	re-
lação	ao	local	anatômico,	as	regiões	mais	acometidas	são:	isquiotibiais	(37%),	
adutores	(23%),	quadríceps	femoral	(19%),	tríceps	sural	(13%).
Voleibol O	tipo	de	lesão	mais	frequente	é	aentorse	de	tornozelo.
Basquete
Lesão	mais	frequente	é	a	distensão	ligamentar	nas	regiões	anatômicas	do	
tornozelo,	pé	e	joelho.
Atletismo
Em	provas	de	velocidade,	as	lesões	mais	frequentes	são	do	tipo	muscular,	sen-
do	a	maioria	localizada	na	região	da	coxa	posterior	e	anterior,	respectivamente.
Natação
O	tipo	de	lesão	mais	frequente	é	a	tendinopatia,	mais	comum	а	na	região	do	
ombro.
FONTE: a autora
Assim,	 devemos	 considerar	 que	 técnicas	 específicas	 serão	 mais	 adequadas	
para	prevenção	de	determinados	tipos	de	 lesões.	Em	geral,	cada	tipo	de	tecido	corporal	
responde	melhor	a	determinado	tipo	de	intervenção	no	âmbito	da	prevenção	de	lesões.	Na	
sequência,	serão	apresentadas	técnicas	preventivas	com	bons	níveis	de	evidências	para	
prevenir	determinados	tipos	de	lesões.	
117
2.2.1 Estabilização central
O	exercício	de	fortalecimento	dos	músculos	localizados	na	região	central	do	corpo	
humano	 recebe	 o	 nome	 de	 “estabilização	 central”,	 sendo	 responsável	 pela	 promoção	
da condição preventiva e terapêutica, pois o desenvolvimento do controle muscular é 
fundamental	 para	 a	manutenção	 da	 estabilidade	 necessária	 ao	 desempenho	 funcional,	
além	de	reduzir	a	incidência	de	lesões	e	desconfortos	na	região	do	complexo	lombo	pélvico.
Então,	 o	 treino	de	 estabilização	 central	 confere	 ao	 atleta	melhor	 capacidade	
quanto	ao	controle	de	seu	tronco	em	relação	aos	membros	inferiores	durante	momentos	
dinâmico	 e	 estático.	 Em	 contrapartida,	 sempre	 que	 a	 estabilização	 central	 do	 atleta	
se	 encontrar	 deficitária,	 ocorrerá	 disfunção	 lombar	 em	 razão	 do	 comprometimento	
biomecânico causado pela ausência de força necessária para estabilizar o movimento, 
por	causa	do	consequente	déficit	de	força	em	membros	inferiores	que	eventualmente	se	
encontraram	 em	 condição	 de	 desequilíbrio.	 Adicionalmente,	 a	 baixa	 ativação	 muscular	
resultante	no	segmento	mencionado	também	 irá	desencadear	disfunções	funcionais	
na	produção	de	movimentos	realizados	na	região	da	pelve.
Portanto, conforme se observa, o treino de estabilização central representa 
importante	medida	preventiva	sobre	o	desenvolvimento	de	lesões	esportivas	verificadas	na	
região	da	coluna	lombar,	pelve	e	membros	inferiores.	
2.2.2 Alongamento
Conceitualmente,	 o	 alongamento	 corresponde	 a	 um	 tipo	 de	 exercício	 físico	
realizado	 para	 o	 ganho	 e	 manutenção	 de	 flexibilidade	 dos	 músculos.	 Assim,	 essa	
técnica	 promove	 estiramento	 das	 fibras	 musculares	 envolvidas	 e,	 quando	 executado	
corretamente,	 respeitando	 os	 princípios	 do	 treinamento,	 pode	 resultar	 em	ganho	 da	
amplitude	 de	 movimento,	 melhorando	 a	 flexibilidade	 e,	 por	 isso,	 favorecendo	 boas	
condições	para	melhorar	a	performance	em	diferentes	tipos	de	atividades	físicas.
Assim,	 conforme	 mencionado,	 o	 alongamento	 visa	 a	 restaurar	 ou	 manter	 a	
amplitude	de	movimento	nas	articulações	de	forma	adequada	aos	níveis	de	performance	
pretendidos,	 já	 que	 aumenta	 a	 capacidade	 elástica	 muscular	 e,	 com	 isso,	 previne	
lesões	 por	 estiramento	 muscular.	 Por	 isso,	 devido	 ao	 fato	 de	 o	 alongamento	 atuar	
especificamente	sobre	o	tecido	muscular,	é	esperado	que	seus	efeitos	preventivos	sejam	
exatamente	sobre	esse	tecido,	minimizando	a	ocorrência	de	estiramento	muscular.
É	 recomendado	 que	 o	 alongamento,	 sempre	 que	 desenvolvido	 no	 cenário	
apresentado de prevenção, seja realizado nos músculos mais expostos de acordo com 
cada	modalidade	esportiva.	A	conduta	aplicada	deve	constituir-se	por	quatro	ou	cinco	
séries	de	alongamento,	mantidos	por	60	segundos	na	posição	de	estiramento	e	com	
intensidade	que	respeite	os	níveis	fisiológicos	do	tecido	e	tolerância	a	dor.	Existem	três	
tipos	de	alongamentos:	estático,	dinâmico;	e	contrair-relaxar.
118
2.2.3 Aquecimento
O	aquecimento	constitui	uma	técnica	geralmente	aplicada	instantes	antes	da	
prática	esportiva	ou	da	realização	de	exercícios	físicos	diversos.	O	intuito	do	aquecimento	é	
elevar	gradualmente	a	 intensidade	da	atividade	física	e	preparar	os	sistemas	corporais	
ao	 exercício	 mais	 intenso,	 realizado	 na	 sequência,	 gerando,	 inclusive,	 elevação	 da	
temperatura	corporal.
Logo,	 o	 aquecimento	 contempla	 o	 período	 de	 preparação	 para	 o	 treinamento	
ou	 competição,	 demonstrando	bons	 efeitos	 preventivos	 quando	 aplicado	no	 cenário	
descrito.	O	aquecimento	pode	ser	 realizado	de	um	dos	seguintes	modos	descritos	a	
seguir,	 a	depender	do	tipo	de	movimento	 recrutado	durante	a	prática	esportiva.	São	
tipos	de	aquecimento:
1)	 Exercício	aeróbio:	bicicleta,	trotes,	corrida	ou	caminhada,	realizados	para	aumentar	a	
temperatura	corporal	e	o	metabolismo	sistêmico.
2)	Alongamento	em	 regiões	 localizadas:	membros	 superiores,	membros	 inferiores	ou	
tronco,	quando	o	exercício	a	ser	realizado	é	também	localizado.
3) Gestos esportivos do esporte: são simulados em baixa intensidade os movimentos 
realizados	 no	 esporte,	 a	 fim	 de	 preparar	 especificamente	 o	 segmento	 utilizado	
durante	a	prática	esportiva.
A	 realização	 do	 aquecimento	 é	 especialmente	 relevante	 quando	 aplicado	
previamente	a	esportes	de	resistência.	
2.2.4 Bandagem funcional
A	bandagem	funcional	compreende	uma	fita,	que	pode	ser	elástica	(quando	tem	
o	objetivo	de	estabilizar,	mas	garantir	movimento)	ou	inelástica	(quando	o	objetivo	for	
estabilizar	e	restringir	o	movimento).	Representa	ferramenta	comumente	utilizada	para	
tratar	 lesões	esportivas,	bem	como	prevenir	 recidivas.	Além	disso,	conforme	mencionado,	
o principal objetivo é estabilizar a articulação, promovendo, assim, redução de dor na 
região	(caso	lesionada).
De	 fato,	 representa	 estratégia	 útil	 para	 atletas	 com	histórico	 de	 entorses	 de	
tornozelo	 e	 joelho,	 visto	 que	 a	 fita	 tende	 a	 auxiliar	 pelo	 desempenho	 de	 parcela	 da	
função	do	ligamento,	que	é	o	tecido	acometido	nesses	tipos	de	lesões.	
119
2.2.5 Propriocepção
A	propriocepção,	também	conhecida	como	cinestesia,	define-se	como	sendo	
a	informação	de	origem	postural	que	é	enviada	ao	sistema	nervoso	central	(SNC)	por	
milhares	de	receptores	localizados	nos	músculos,	tendões,	ligamentos,	articulações	ou,	
ainda,	tecido	tegumentar.
Dados	demonstram	que	atletas	com	boa	propriocepção	apresentam	melhores	
respostas reativas em momentos inesperados, e, com isso, as lesões do tipo entorse 
podem	ser	evitadas.	Ademais,	exercícios	capazes	de	estimular	a	resposta	neuro	articular	
são	úteis	na	prevenção	de	lesões	desse	tipo.
Portanto,	 estima-se	 que	 seja	 dado	 enfoque	 no	 treino	 proprioceptivo	voltado	
a	melhorar	 o	 controle	 neuromuscular	 das	 articulações	 do	 tornozelo,	 joelho	 e	 ombro.	
Exercícios	de	propriocepção	são	importantes	para	prevenção	de	lesões	ligamentares.	
2.2.6 Exercício excêntrico
O	exercício	excêntrico	contempla	o	alongamento	do	músculo	responsável	por	
afastar	origem	e	 inserção,	o	que	resulta	em	cenário	de	tensão	e	contração	muscular	
no	controle	no	movimento.	A	esse	respeito,	sabe-se	que	a	tensão	gerada	nesse	tipo	
de	 contração	 é	 consideravelmente	 maior	 do	 que	 aquela	 tensão	 gerada	 durante	 o	
encurtamento,	 que	 é	 verificado	 durante	 movimentos	 que	 resultam	 em	 contração	
concêntrica.
Também, de todos os tipos de contrações musculares, a modalidade de exercício 
excêntrico	é	responsável	por	maior	ganho	de	força,	o	que,	evidentemente,	resulta	em	
melhores	níveis	de	aptidão	física	e	equilíbrio	muscular	necessários	à	prática	esportiva,	
desde	que	treinado	adequadamente.	Portanto,	o	exercício	excêntrico	é	útil	para	prevenir	
novas	e	recidivas	de	lesões	nos	músculos	e	nos	tendões,	conforme	Santos	(2019).
 
Sobre	 as	 técnicas	 apresentadas,	 vale	 destacar	 que	 é	 de	 extrema	 importância	
respeitarmos	 doses	 e	 respostas	 adequadas	 das	 técnicas	 preventivas	 selecionadas.	
Assim,	devemos	considerar	que	 “mais”	nunca	será	 “melhor”;	ao	contrário,	quantidades	
demasiadamente elevadas podem resultar em efeito rebote e prejudicar em vez de 
prevenir.
120
As intervençõespreventivas sugeridas para esportes 
específicos aqui apresentadas representam apenas uma 
síntese geral de informações identificadas em literatura. Você 
pode se respaldar nelas quando for o caso; no entanto, em 
casos de modalidades esportivas ou técnicas não mencionadas, 
é importante que você busque informações disponíveis na 
literatura que abordem a temática que você precisa, a fim de 
se basear em informações e contextos que se enquadrem 
na sua realidade clínica momentânea. Além disso, lembre-se 
de que não existe receita de bolo em se tratando de saúde. 
Cada paciente é único e deve ser considerado tendo conduta 
prescrita individual, de acordo com as lacunas observadas.
IMPORTANTE
Dentre	as	principais	causas,	destacam-se:	esportes	de	maior	contato	e	intensidade	
(atletismo,	 futebol,	 handebol,	 tênis,	 boxe),	 alimentação	 ou	 hidratação	 deficientes,	
falta	de	preparo	 físico	e	 treino	adequados,	 repouso	 inadequado,	 excesso	de	 treino	ou	
sobrecarga	 (chamado	de overtraining),	 componente	emocional,	 idade,	 sexo,	 genética	 etc.	
As	consequências	deles	 incluem	afastamento	de	competições	e	treinamentos,	gastos	
financeiros	elevados	com	serviços	de	saúde	e	problemas	emocionais.
3 ALONGAMENTO E AQUECIMENTO NO ESPORTE
O	aquecimento	aplicado	em	Fisioterapia	Esportiva	contempla	práticas	aplicadas	
com	 intuito	 de	 preparar	 o	 organismo	do	 atleta	 à	 execução	de	 esforço	 subsequente,	
que	pode	ser	representado	por	treinamento	ou,	ainda,	competição.	Assim,	por	meio	do	
aquecimento,	pretende-se	preparar	o	sujeito	sobre	aspectos	físicos	e	psíquicos,	tanto	
para	melhor	desempenho	cinético	funcional	quanto	para	prevenir	lesões.	Para	muitos	
autores,	o	aquecimento	constitui	a	primeira	etapa	do	exercício	físico.
Por	 sua	vez,	 o	 alongamento	 representa	uma	manobra	 terapêutica	 usada	para	
elevar	a	flexibilidade	e,	com	isso,	o	grau	de	mobilidade	articular	dos	tecidos	moles.	Existem	
diferentes	tipos	de	alongamentos:
•	 Alongamento	estático.	
•	 Alongamento	balístico.
•	 Alongamento	por	facilitação	neuromuscular	proprioceptiva.	
Cada	um	deles	possui	características	e	objetivos	particulares,	que	se	tornam	
úteis	em	diferentes	contextos	do	atendimento	ao	atleta.
121
A	partir	do	exposto,	é	notória	a	 importância	que	as	práticas	de	aquecimento	
e	alongamento	desempenham	no	manejo	do	atleta,	visto	que	cada	uma	delas	denota	
objetivos	particulares	importantes	à	saúde	do	atleta	de	um	modo	geral.	Por	isso,	a	seguir,	
serão	detalhadas	características	da	relevância	de	tais	condutas	implementadas	à	rotina	
da	Fisioterapia	Esportiva.	Acompanhe!
3.1 ALONGAMENTO NO ESPORTE
Por	 definição,	 o	 termo	 “alongamento”	 se	 refere	 a	 um	 conjunto	 de	 exercícios	
físicos	realizados	para	o	ganho	de	flexibilidade	tecidual,	sendo,	 inclusive,	uma	habilidade	
física	treinável,	sobre	a	qual	ganhos	e	evoluções	são	verificadas	a	partir	de	treinamentos	
sistemáticos	que	 respeitem	a	todos	os	princípios	biológicos	do	treinamento.	O	foco	dos	
exercícios	 de	 alongamento	 são	 os	 tecidos	 moles,	 atingindo	 principalmente	 os	 tecidos	
tegumentar,	conjuntivo	e	muscular.
Por	sua	vez,	a	flexibilidade,	conforme	citado,	se	refere	a	uma	capacidade	física	
relacionada	à	realização	voluntária	de	determinado	movimento	em	sua	máxima	amplitude	
angular	 que,	 em	 algumas	 articulações,	 se	 mostra	 inclusive	 superior	 às	 amplitudes	
fisiológicas,	 ainda	 que	 dentre	 de	 limites	 morfológicos.	 Assim,	 treinos	 de	 flexibilidade	
submetem	o	músculo	a	elevadas	amplitudes	de	movimento,	o	que	deve	ser	supervisionado	
para	 evitar	 riscos	 de	 potenciais	 distensões	 musculares.	 Logo,	 compreende-se	 que	
exercícios	de	alongamentos	são	realizados	para	melhorar	níveis	de	flexibilidade.
Sobre	 o	 alongamento,	 algumas	 bases	 e	 condições	 fisiológicas	 devem	 ser	
conhecidas	 antes	 que	 você	 prescreva	 essa	 técnica	 aos	 seus	 atletas.	 Em	 cenários	
nos	 quais	 a	 fibra	 muscular	 é	 submetida	 a	 estiramento	 equivalente	 a	 170%	 do	 seu	
comprimento	 original,	 a	 sobreposição	 entre	 os	 filamentos	 de	 actina	 e	 miosina	 se	
encontram	interrompidos,	e,	nesse	caso,	há	possibilidade	do	desenvolvimento	de	um	
estado	de	distensão	muscular.
Similarmente,	caso	o	músculo	seja	submetido	a	alongamentos	superiores	ao	
seu	comprimento	de	 repouso,	a	quantidade	de	pontes	cruzadas	no	 local	sofre	 redução,	
já	que	a	sobreposição	de	fibras	sofre	redução	drástica.	Nesses	casos,	o	comprimento	
do	 sarcômero,	 ao	 longo	 de	 toda	 sua	 extensão,	 se	 demonstra	menor	 em	 relação	 ao	
comprimento	ideal	e,	por	isso,	tem	sua	capacidade	quanto	à	produção	de	tensão	máxima	
reduzida,	o	que	caracteriza	condição	clínica	intitulada	de	encurtamento	muscular.
Em síntese, toda força produzida a partir do processo de contração muscular 
relaciona-se	 ao	 número	 de	 pontes	 cruzadas	 observadas	 na	 região	 interna	 dos	
sarcômeros,	sendo	essas	representadas	pelos	filamentos	de	actina	e	miosina.
122
Quanto	 aos	 efeitos	 do	 alongamento,	 eles	 são	 divididos	 entre	 efeitos	 agudos	
e	 efeitos	 crônicos.	 Sobre	 os	 primeiros,	 também	 chamados	 de	 efeitos	 imediatos,	 os	
resultados	 são	 provenientes	 da	flexibilidade	 em	constituintes	 elásticos	 observados	 na	
unidade	musculotendínea.	Por	sua	vez,	os	segundos	contemplam	desfechos	oriundos	
de	remodelamento	de	adaptação	quanto	à	estrutura	muscular,	que	é	 justificado	pelo	
aumento	na	quantidade	de	sarcômeros	em	série,	implicando	maior	comprimento	da	fibra	
muscular.	Tais	efeitos	crônicos	se	mantêm	mesmo	após	algum	período	de	interrupção	
dos	exercícios	e,	por	isso,	recebem	tal	nome.
Aumentos	 significativos	 e	 mais	 permanentes	 dependem	 da	 força	 do	
alongamento	a	ser	aplicada,	de	modo	que	precisa	ser	mantida	por	maiores	períodos.	
Além	disso,	modalidades	que	incluem	exercícios	de	alongamento	estimulam	a	produção	
de	colágeno,	necessário	para	sustentação	e	manutenção	de	maior	estresse	ao	qual	o	
tecido	é	exposto.
Dentre	 os	 benefícios	 do	 alongamento,	 incluem-se:	 diminuição	 da	 tensão	
muscular	 ocorrida	 por	 meio	 das	 alterações	 viscoelásticas;	 e	 diminuição,	 ainda	 que	
indireta,	 de	 condições	 de	 inibição	 reflexa	 e	 alteração	 na	 viscoelasticidade	 tecidual,	
resultante	da	diminuição	das	pontes	cruzadas	no	interior	do	sarcômero.	A	mencionada	
redução da tensão muscular viabiliza um aumento oportuno e desejado da amplitude 
articular.
 
O	 arco	 reflexo,	 presente	 na	 musculatura	 esquelética,	 representa	 mecanismo	
fundamental	sobre	a	regulação	quanto	ao	nível	de	contração	muscular	a	ser	desempenhado,	
visto	que	esse	mantém	o	sistema	nervoso	 regularmente	 informado	quanto	às	condições	
de	estiramento	e	tensão	do	tecido	sobre	o	qual	os	receptores	periféricos	se	encontram	
envolvidos.	Tal	função	de	conectar	informações	é	realizada	pelos	fusos	musculares	(no	
caso	do	estiramento)	e	pelos	órgãos	tendinosos	de	Golgi	(no	caso	de	tensão).
Assim,	os	mencionados	fusos	musculares	se	constituem	por	fibras	 intrafusais,	
organizadas	lado	a	lado	no	ventre	muscular	com	as	fibras	extrafusais,	e	esse	conjunto	de	
estruturas	permite	que	um	alongamento	extremo	seja	identificado	pelas	vias	sensoriais,	
as	quais	enviarão	a	mensagem	ao	sistema	nervoso	central	por	meio	da	via	aferente.	
Quando	a	mensagem	chega	ao	sistema	nervoso	central,	ele	envia	uma	resposta	que	
leva	os	motoneurônios	alfa	a	começarem	o	processo	de	contração	muscular	agonista	
ao	movimento	que	está	sendo	realizado,	inibindo	o	músculo	antagonista	ao	movimento.	
Esse	mecanismo	de	ação	recebe	o	nome	de	reflexo	de	estiramento.
Já	os	órgãos	tendinosos	de	Golgi	denotam	fibras	organizadas	em	séries	com	
fibras	musculares	posicionadas	com	tendão.	Logo,	as	terminações	nervosas	sensoriais	
dessas	estruturas	se	unem	com	fibras	dos	tendões	para,	na	presença	de	um	aumento	de	
tensão	no	músculo,	serem	sensibilizadas	e	enviarem	tal	mensagem	ao	sistema	nervoso	
central,	também	por	via	aferente.
123
No	 entanto,	 nesse	 caso,	 a	 resposta	 enviada	 se	 contradiz	 àquela	verificada	 a	
partir da sensibilizaçãodo fuso, ocorrendo processo de inibição na contração muscular 
agonista	 ao	mesmo	 tempo	 em	 que	 é	 estimulada	 a	 contração	muscular	 antagonista	
do	movimento	produzido,	sempre	que	a	tensão	muscular	denotar	níveis	críticos.	Esse	
mecanismo	de	ação	recebe	o	nome	de	reflexo	tendinoso.
Por	 isso,	 é	 necessária	 cautela	 na	 prescrição	 de	 alongamento	 ao	 atleta,	 haja	
vista	que	níveis	muito	aumentados,	conforme	exposto,	submetem	o	tecido	muscular	ao	
risco	de	distensão	muscular,	lesão	que	representa	uma	das	principais	lesões	esportivas	
verificadas	na	prática	clínica.	Ao	contrário,	níveis	adequados	de	alongamento	parecem	
ser	 interessantes	para	prevenir	 lesões	por	estiramento,	pois	aumentam	a	flexibilidade	
que	é	necessária	à	execução	de	gestos	esportivos.	
3.2 AQUECIMENTO NO ESPORTE
Precisamos	 iniciar	mencionando	 conceitos	 básicos.	 Quando	 consideramos	 o	
aquecimento,	é	importante	entendermos	que	ele	pode	ser	do	tipo	ativo	ou	passivo	e,	
ainda,	geral	ou	específico.
O	aquecimento	ativo	é	 representado	pela	execução	de	movimentos	de	baixa	
intensidade	e	é	útil	no	aumento	da	temperatura	corporal,	que	promove	aquecimento	dos	
tecidos	e	 induz	a	algumas	alterações	fisiológicas,	 como	o	aumento	do	metabolismo,	
que	é	útil	como	preparo	ao	exercício.	Por	sua	vez,	o	aquecimento	passivo	caracteriza	
a utilização de fontes de calor para aumentar a temperatura corporal por meio de 
mecanismos	de	indução,	como	duchas	quentes,	massagem,	diatermias	e	fricção.
Nota-se	que	o	aquecimento	geral	(movimento	do	corpo	todo)	e	ativo	resultam	
em	efeitos	mais	dinâmicos	do	organismo,	visto	que	sua	execução	acarreta	a	mobilização	
de	grandes	grupos	musculares,	podendo	ser	realizada	por	meio	de	trotes	leves,	corrida	
leve,	 caminhada	 leve,	 dentre	 outras	 possibilidades.	 Autores	 afirmam	 que	 o	 principal	
objetivo	do	aquecimento	global	é	aumentar	a	temperatura	corporal	e	o	aporte	vascular	
da	musculatura,	visando	a	tornar	a	região	mais	bem	preparada,	bem	como	os	sistemas	
cardiovascular	 e	 pulmonar,	 fundamentais	 para	 atividades	 de	 resistência	 com	 longa	
duração.	 Já	 o	 aquecimento	 específico	 representa	 a	 realização	 de	movimentos	 com	
enfoque	em	grupos	musculares	específicos,	o	que	gera	redistribuição	sanguínea	para	
a	região	do	exercício.	Assim,	proporciona,	ao	 local,	aumento	de	temperatura	e	aporte	
vascular,	fundamentais	para	execução	do	movimento.
Como	se	percebe,	os	exercícios	de	aquecimento	são	de	extrema	importância	ao	
preparo	do	organismo	para	prática	esportiva,	 sobretudo	aquelas	vigorosas.	 Isso	porque,	
ao	 prepararem	 o	 organismo,	 tendem	 a	 influenciar	 o	 desempenho,	melhorando-o,	 além	
de	possibilitar	 a	diminuição	ao	 risco	de	 lesão	muscular.	Tamanha	 importância	e	eficácia	
se	mostra	no	fato	de	que	aquecimentos	ativos	e	passivos,	em	níveis	adequados,	podem	
melhorar	o	desempenho	muscular	em	até	7%.	Isso,	em	uma	prova	importante,	pode	significar	
a	vitória.
124
No	 entanto,	 alguns	 cuidados	 quanto	 à	 intensidade	 devem	 ser	 devidamente	
tomados	 para	 que	 os	 resultados	 reportados	 sejam,	 de	 fato,	 verificados.	 Assim,	
recomenda-se	 que	 o	 aquecimento	 geral	 seja	 ativo,	 porém	 leve,	 visto	 que	 níveis	
moderados	e	 intensos	irão	esgotar	as	reservas	energéticas	imediatas	e,	por	 isso,	fadigar	o	
sujeito	antes	mesmo	da	execução	do	exercício.
O	aquecimento	específico	ativo,	se	possível,	deve	ser	complementado	por	um	
aquecimento	global	ativo,	já	que	a	elevação	da	temperatura	corporal	não	necessariamente	
resulta	 em	aumento	 da	 temperatura	 dos	músculos.	Assim,	 durante	 o	 aquecimento,	 a	
temperatura	do	músculo	tende	a	aumentar	em	níveis	mais	lentos.
Na	sequência,	à	medida	que	a	temperatura	se	eleva	dentro	de	 limites	esperados,	
ocorre	maior	liberação	de	O2,	vindo	da	hemoglobina.	Além	disso,	nas	reações	que	ocorrem,	
o	aumento	da	temperatura	gera	calor,	que	é	resultado	de	reações	metabólicas	de	todas	
as	células.	O	calor	liberado	pelo	músculo	durante	a	contração	muscular	tende	a	viabilizar	
a	 liberação	 de	 O2,	 assim	 como	 a	 elevação	 do	 aporte	 sanguíneo	 sobre	 os	 músculos	
envolvidos	no	exercício.	Reitera-se	que	o	aquecimento	 implementado	deve	 respeitar	os	
níveis	progressivos	a	partir	de	 intensidades	suficientes	apenas	para	elevar	temperaturas	
musculares,	no	entanto,	sem	resultar	cenários	de	fadiga	por	redução	drástica	das	reservas	
energéticas.
No	que	se	refere	aos	benefícios	do	aquecimento,	observa-se:
•	 Aumento	da	temperatura	muscular.
•	 Aumento	do	metabolismo	energético.	
•	 Aumento	da	elasticidade	dos	tecidos	moles.	
•	 Aumento	da	produção	de	líquido	sinovial.
•	 Aumento	do	fluxo	sanguíneo	e	débito	cardíaco.
•	 Otimização	da	função	do	sistema	nervoso	central.	
•	 Maior	recrutamento	das	unidades	motoras	neuromusculares.	
Tais	alterações	resultam,	ainda,	em	melhor	fluidez	na	execução	do	gesto	esportivo	
e	previnem	complicações	articulares,	conforme	já	citado.
Ademais,	dados	demonstram	que	o	aquecimento	é	capaz	de	diminuir	a	atividade	
da	fibra	 gama,	 e,	 com	 isso,	 ocorre	 a	 elevação	da	 sensibilidade	dos	 órgãos	 tendinosos	
de	Golgi,	o	que	resulta	em	relaxamento	muscular.	Também	se	nota	que	a	velocidade	
sobre	a	qual	o	 impulso	nervoso	é	conduzido	aumenta,	o	que	gera	maior	velocidade	de	
reação,	bem	como	maior	capacidade	de	coordenar	os	movimentos.	Todos	os	benefícios	
descritos	são	importantes	à	prática	esportiva.
Para	ficar	ainda	mais	claro,	a	elevação	na	temperatura	compatível	a	2	°C	equivale	a	
elevações	próximas	a	20%	no	tempo	de	resposta	para	contração	muscular.	Além	disso,	as	
reações	bioquímicas	se	demonstram	mais	eficazes	quanto	à	velocidade	em	temperaturas	
aumentadas.	 Logo,	 podemos	 concluir	 que	 o	 aumento	 do	 metabolismo	 ocorre	 em	
temperaturas	mais	altas,	que	também	favorecem	a	atividade	celular	metabólica.
125
LEITURA
COMPLEMENTAR
O FORTALECIMENTO DA MUSCULATURA DO CORE NA PREVENÇÃO
DE LESÕES EM ATLETAS DE ALTO NÍVEL
Wendy	Jenniffer	Rodrigues	dos	Santos
Emmanuel	Henrique	Simões	Gosser
Bruno	de	Souza	Vespasiano
1 INTRODUÇÃO
O	 core	 é	 uma	 unidade	 integrada	 de	 músculos,	 constituído	 por	 29	 pares	 de	
músculos	–	dentre	os	quais	 se	encontram	os	músculos	abdominais,	glúteos,	cintura	
pélvica,	 multífido	 lombar,	 oblíquos	 e	 outros	 –	 os	 quais	 nos	 possibilitam	 manter	 a	
postura	e	gerar	força	para	membros	superiores	e	inferiores	(MCGILL,	2010).	As	lesões	
musculares	são	maléficas	para	atletas	amadores	e	de	alto	rendimento,	sendo	que,	ao	
longo	da	existência	dos	esportes	de	alto	nível,	diversos	profissionais	buscaram	práticas	
que	servissem	não	apenas	como	forma	de	aumento	de	desenvolvimento,	mas	também	
como	 prevenção	 e	 reabilitação	 de	 lesões	 que	 venham	 a	 surgir	 durante	 as	 práticas	
esportivas.	Embora	a	natureza	das	lesões	varie	de	acordo	com	o	esporte	praticado,	a	
grande	maioria	das	lesões	possui	causas	semelhantes,	as	quais	são	relacionadas	à	falta	
de	preparo	físico	ou	programa	de	treinamento	ineficaz	(FONSECA	et al.,	2007).
Neste sentido, o fortalecimento do core foi proposto como método preventivo 
de	danos	ao	corpo	do	atleta	por	meo	de	séries	de	exercícios	que	englobem	as	diversas	
funções musculares, tendo sido abordado em momento posterior a importância do 
fisioterapeuta	e	sua	atuação	no	setor	esportivo,	observando	programas	de	Fisioterapia	
–	como	aqueles	que	compreendem	o	conjunto	lombo-pelve-quadril,	para	redução	de	
perturbação e outros – utilizados para a reabilitação e prevenção de lesões através 
de	exercícios	que	possam	ser	 integrados	ao	programa	de	treinamento	 já	existente	e	
desenvolvido	para	o	esportista	(PAVIN;	GONÇALVES,	2010).
A	Fisioterapia	possui	papel	fundamental	e	deve	agir	rapidamente	e	de	maneira	
eficaz,	pois	o	atleta	necessita	executar	todas	as	funções	do	corpo	devidamente.	Deve	visar,	
em	primeiro	plano,	a	conduta	preventiva	e,	em	segundo	plano,	a	conduta	reabilitadora.	
O	fisioterapeuta	esportivo	é	responsável	pelo	processo	de	acompanhamento	físico	do	
atleta	em	pré-competição,	durante	a	temporada,	e	após	a	competição,	organizandoe	
realizando	os	levantamentos	necessários	para	efetuar	recomendações	à	equipe.	Além	
disso,	é	de	extrema	importância	que	o	profissional	conheça	os	movimentos	executados	e	
os	principais	músculos	empregados	na	ação	(SILVA,	2018).	A	prevenção	é	imprescindível,	
126
pois,	em	um	programa	bem	elaborado	e	em	conjunto	com	avaliações	de	força,	potência	e	
resistência	dos	músculos,	o	esportista	vai	apresentar	melhor	desempenho,	aumentando	
a	eficiência	muscular,	evidência	de	possíveis	fatores	de	risco	a	danos	e	diminui	índices	
de	lesões	e	recidiva	de	lesões.	Para	que	a	prevenção	ocorra,	é	necessário	destacar	as	
características	do	esporte,	evidenciando	as	lesões	mais	frequentes	na	modalidade	e	a	
individualidade	de	cada	atleta.
Assim,	o	presente	estudo	teve	como	objetivo	verificar	se	o	fortalecimento	da	
musculatura	do	core	previne	lesões	em	atletas	de	alto	nível.
2 MATERIAL E MÉTODOS
O	 estudo	 se	 refere	 a	 uma	 revisão	 de	 literatura	 narrativa,	 em	 que	 o	material	
referente	a	um	determinado	tema	que	irá	compor	a	revisão	não	é	recolhido	de	forma	
aleatória,	mas,	sim,	a	partir	de	seleções	por	critérios	definidos	e	pré-estabelecidos,	bem	
como processo de inclusões e de exclusões (VESPASIANO et al.,	 2017).	 O	 processo	
envolve	as	etapas:	1)	definição	da	pergunta	e/	ou	problema;	2)	definição	de	estratégias	
para	 critérios	 de	 exclusão;	 3)	 busca;	 4)	 separação	 das	 publicações	 mediante	 os	
critérios	preestabelecidos;	e	5)	observações	das	publicações	selecionados	na	revisão.	
A	busca	foi	realizada	de	julho	de	2017	a	novembro	de	2018	nas	bases	de	dados	como	
Google	Acadêmico,	Scielo,	PubMed	e	no	acervo	de	 livros	da	biblioteca	da	faculdade.	
Foi	 empregado	 o	 uso	 das	 palavras-chaves	 no	 idioma	 português:	 núcleo,	 prevenção,	
esporte,	 lesão,	 Fisioterapia	–	 e,	 respectivamente,	 na	 língua	 inglesa,	core, prevention, 
sport, lesion e physiotherapy.
Foram	 incluídas	publicações	em	português	e	 inglês,	 sem	restrições	de	tempo.	
Posteriormente,	deu-se	 início	ao	processo	de	aplicação	de	 inclusões	e	exclusões.	E,	a	
partir	dos	títulos	e	resumos,	buscou-se	identificar	as	publicações	que	se	aproximavam	e	
se	distanciavam	do	objetivo	do	estudo	–	sendo	que	aquelas	que	se	distanciaram	foram	
retiradas.	 Como	 principal	 critério	 de	 inclusão,	 foram	 consideradas	 as	 publicações	 que	
apontavam o fortalecimento do core na prevenção de lesões e todas as modalidades 
de	 esporte,	 sendo	 priorizadas	 as	 publicações	 que	 configuram	 artigos	 em	 periódicos	
científicos,	ou	seja,	artigos	originais	e	estudos	teóricos	e	de	 revisões.	Foram	excluídas	
todas	as	publicações	que	saíssem	do	objetivo	do	estudo	(VESPASIANO	et al.,	2017).
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os	 resultados	demonstraram	que	não	há	número	expressivo	de	publicações	que	
abordem o fortalecimento da musculatura do core como forma de prevenção de lesões 
em	atletas,	constatando,	assim,	que	há	necessidade	de	mais	investigações	referentes	ao	
tema	abordado.	Esse	estudo	de	revisão	mostra	que	o	fortalecimento	do	core	é	utilizado	
em	 várias	modalidades	 de	 esporte,	 mas	 há	 necessidade	 de	 ser	 preponderantemente	
empregado	como	programa	preventivo	de	lesões.
127
A	prática	 esportiva	 tem	ganhado	muitos	 adeptos,	 e,	 com	 isso,	 as	 incidências	 de	
lesões	também	se	apresenta	elevada.	As	causas	variam	entre	a	falta	de	preparo	físico	
e	 a	 falta	 de	 orientação	 no	 desenvolvimento	 do	 esporte.	 As	 lesões	 ocorrem	 de	 forma	
interligada	entre	 o	 atleta	 e	 o	 esporte	praticado.	Qualquer	 esporte	gera	 sobrecarga	num	
determinado	ponto	do	corpo	humano.	A	Fisioterapia	deve	desempenhar	um	papel	mais	
ágil	para	que	o	indivíduo	recobre	todas	as	funções	musculoesqueléticas	no	máximo	de	
potência	e	perfeita	execução	em	todos	os	movimentos.	Além	disso,	há	cobranças	por	
parte	da	equipe	técnica,	fornecedores	de	patrocínio,	diretoria	e,	principalmente,	do	atleta	
(HAUGEN et al.,	2016).
A	 Fisioterapia	 Esportiva	 é	 uma	 área	 relativamente	 nova.	 Ela	 não	 segue	 a	
vertente	restrita	apenas	ao	modo	curativo	e	reabilitador,	mas	está	inserida	em	equipes	
multidisciplinares	dos	atletas,	proporcionando	qualidade	de	vida,	promovendo	prevenção	
e	 tratando	 lesões	 consequentes	 do	 esporte.	 Na	 prática	 esportiva,	 o	 profissional	
fisioterapêutico	 apresenta	 uma	 grande	 importância	 no	 processo	 preventivo	 e	 de	
reabilitação	sendo	responsável	pelo	tratamento	de	indivíduos	com	quadros	patológicos,	
restabelecendo	 a	 funcionalidade	 que	 foi	 prejudicada	 devido	 a	 esse	 quadro	 (BREWER,	
2009).
A	atuação	do	fisioterapeuta	na	medicina	esportiva	é	necessária	principalmente	
pelo alto índice de lesões resultante da prática esportiva, principalmente em atletas de 
alto	rendimento.	Desempenha	um	papel	significativo	no	tratamento	de	lesões	esportivas	
e	apresenta	duas	funções	de	grande	importância:	1)	tratamento	de	etiologias	e	déficits	
funcionais	 bem	 definida;	 2)	 instruir	 os	 praticantes	 quanto	 à	 prevenção	 e	 mudanças	
comportamentais (SPRING et al.,	2001).	Para	Silva,	Vital	e	De	Mello	(2016),	o	fisioterapeuta	
deve	conhecer	o	esporte	de	atuação	e	os	métodos	utilizados	pelo	treinador,	pois	a	conduta	
baseia-se	nessa	metodologia,	compreendendo	o	organismo	de	cada	atleta	e	verificando	
qual	 a	 quantidade	 máxima	 de	 estímulos	 físicos	 que	 não	 ocasiona	 efeitos	 negativos.	
Deve-se	observar,	também,	a	parte	física,	sendo	ela	a	carga	fisiológica	e	a	adaptação.	
Todas	as	informações	coletadas	formam	o	conhecimento	do	substrato	biomecânico	que	
desencadeia	lesões	esportivas	e,	assim,	poderá	auxiliar	na	redução	de	incidência	dessas.
No cotidiano da prática esportiva, as formas de exercícios aplicados a atletas 
variam	conforme	 as	 necessidades	 estabelecidas,	 e	muitos	 atletas	 usam	o	programa	
de	estabilização	do	core	como	parte	de	seu	roteiro	de	treinamento.	Porém,	resultados	
contraditórios	quanto	a	sua	eficácia	vêm	sendo	apresentados	por	diferentes	estudos,	
citando a falta de um padrão ouro para medir a estabilidade do core, bem como as 
diferentes	 demandas	 da	 musculatura	 do	 core	 durante	 a	 atividade	 esportiva	 (carga	
alta,	movimentos	resistidos	e	dinâmicos),	o	que	dificulta	a	resposta	do	core	na	prática	
esportiva	(HIBBS	et al.,	2008).
128
A busca por prevenção e tratamento de lesões esportivas vem sendo a principal 
preocupação	dos	praticantes	de	esporte.	Estima-se	que	mais	de	10.000	indivíduos	por	
dia	 procuram	 assistência	 médica,	 alegando	 lesões	 posteriores	 à	 prática	 de	 esportes,	
recreações ou exercícios (SILFIES et al.,	2015).	Durante	a	prática	esportiva,	a	necessidade	
de	 ativações	musculares	de	 forma	 sinérgica	 é	necessária,	 com	o	objetivo	de	 controle	
e	 estabilização	 do	 corpo	 durante	 o	 desempenho	 esportivo.	 Os	 músculos	 centrais	
promovem	a	capacidade	de	o	atleta	ter	o	melhor	 rendimento	sem	promover	estresses	
durante	a	prática	que	levam	à	dor	(VAN	DEN	TILLAAR;	SAETERBAKKEN,	2018).	Segundo	
Zandi et al.	(2018),	o	programa	de	exercícios	do	core	se	tornou	parte	do	treinamento	e	
da	reabilitação	de	atletas.	Para	McGill	(2010),	esses	exercícios	foram	estabelecidos	como	
ferramenta	importante	para	melhorar	o	desempenho	e	ajudar	no	processo	de	reabilitação	
e	 prevenção	 de	 lesões	 musculoesquelética	 e	 possuem,	 como	 função	 primordial,	 a	
busca	por	estabilidade	(JOYCE;	KOTLER,	2017).	A	estabilidade	é	a	capacidade	de	limitar	
o	movimento	de	forma	a	manter	as	estruturas	 íntegras	 (PAVIN;	GONÇALVES,	2010).	É,	
também, a competência do corpo de permanecer em uma posição relativamente neutra 
durante	os	movimentos	estáticos	e	ativos,	evitando	lesões	em	estruturas	locais	(STUBER	et 
al.,	2014;	WANG et al.,	2012).
Elementos	ativos	e	passivos	contribuem	para	a	estabilidade	do	core,	sendo	que	o	
elemento	passivo	resulta	da	 interação	da	carga	mecânica	sobre	a	arquitetura	óssea	e	a	
complacência dos tecidos moles (WILLSON et al.,	2005).	Os	elementos	ativos	envolvem	
três mecanismos importantes para a estabilidade, sendo o primeiro o aumento da 
pressão	 intra-abdominal	–responsável	pela	firmeza	do	tronco	e	diminuição	da	carga	
compressiva	 da	 coluna	 durante	 atividades	 de	 esforço.	 A	 contração	 da	 musculatura	
abdominal	promove	aumento	da	pressão	intra-abdominal	e	consequente	manutenção	
do	 tronco.	 Além	 disso,	 essa	 pressão	 pode	 ser	 aumentada	 através	 da	 contração	
simultânea	do	diafragma	e	do	assoalho	pélvico	(PAVIN;	GONÇALVES,	2010;	SILFIES	et 
al., 2015; WILLSON et al.,	2005).
Já	o	segundo	mecanismo,	o	passivo,	são	as	forças	compressivas	espinais	pelo	
eixo	axial.	O	aumento	excessivo	de	carga	pode	contribuir	para	dores	na	região	lombar,	e	o	
terceiro	seria	a	resistência	dos	músculos	do	tronco	e	quadril.	O	aumento	da	resistência	
pela	ampliação	do	tempo	de	co-contração	pode	favorecer	riscos	de	dor	lombar	devido	à	
ineficiência	muscular	(PAVIN;	GONÇALVES,	2010;	SILFIES	et al., 2015; WILLSON et al.,	2005).	
Os exercícios da estabilidade do core são variados, em virtude das diferenças funcionais 
entre	músculos	globais	e	locais	(HODGES,	2003;	HODGES,	2008).	Três	fases	do	trabalho	de	
estabilização	do	core	são	importantes	para	o	entendimento	do	programa.	Essas	fases	são:	
cognitivo	(contração	de	forma	consciente	à	musculatura	do	core),	associativa	(realização	
dos movimentos de forma controlada em associação com a contração consciente do 
core) e automatismo (capacidade de realizar as atividades diária mantendo o core ativo) 
(FRANÇA et al.,	2008;	PEREIRA;	FERREIRA;	PEREIRA,	2010).
129
A aplicação dos exercícios do core devem ser realizadas em etapas 
(FREDERICSON;	MOORE,	2005).	Essas	etapas	vão	desde	a	aprendizagem	do	isolamento	
da contração muscular até a incorporação da contração muscular durante as atividades 
de vida diária (WILLSON et al.,	 2005).	 O	 modelo	 de	 exercícios	 de	 estabilização	 visa	
a necessidade da atividade muscular para promover controle e estabilidade, bem 
como,	 restringir	 movimentos	 que	 possa	 promover	 lesão.	 Além	 do	 mais,	 estudos	
apontam	que	falhas	desprovidas	de	músculo	podem	favorecer	a	cargas	compressiva	
e	 consequentemente	 risco	 a	 lesões	 na	 coluna	 e	 em	 membros	 (VAN	 DEN	 TILLAAR,	
SAETERBAKKEN,	 2018).	 Diante	 disso,	 as	 estratégias	 visam	 restaurar	 o	 controle	 dos	
músculos	do	tronco	e,	consequentemente,	melhorar	o	controle	da	coluna	vertebral	e	
pelve,	bem	como	restaurar	a	capacidade	quando	a	força	e	resistência	dos	músculos	do	
tronco	para	atender	às	demandas	de	controle	(HODGES,	2003).
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O fortalecimento da musculatura do core atua como forma de reabilitar e 
prevenir	 inúmeros	 distúrbios	musculoesqueléticos,	 como	 nos	 estudos	 expostos.	 Por	
exemplo,	a	fraqueza	do	core	em	corredores	de	elite	representa	tensão	e	movimentos	
compensatórios,	 que	 podem	 ocasionar	 lesões.	 Em	 atletas	 de	 cadeira	 de	 rodas,	 o	
fortalecimento	 dessa	 musculatura	 pode	 evitar	 lesões	 em	 ombro.	 Já	 em	 atletas	 de	
beisebol	e	em	remadores,	o	fortalecimento	dessa	não	representa	diferença	significativa.	
Todavia,	são	poucos	os	estudos	encontrados	que	 relacionassem	o	fortalecimento	do	
core	com	atletas	de	alto	nível,	principalmente,	evidenciando	as	lesões.
Conclui-se	 que,	 pelos	 estudos	 utilizados	 para	 realização	 desse	 trabalho,	 o	
fortalecimento da musculatura do core é utilizado em diversas modalidades de esporte 
como	 forma	 de	 prevenção	 de	 lesões.	 Porém,	 alguns	 autores	 colocam	 em	 dúvida	 a	
eficácia	 desse	método,	 sugerindo	que	 é	necessário	 utilizá-lo	 como	 forma	de	 terapia	
combinada,	 ou	 seja,	 o	 fortalecimento	da	musculatura	do	core	 associado	à	 terapia	 já	
utilizada	pelo	esportista.	Portanto,	são	necessários	mais	estudos	com	esse	objetivo	para	
comprovar	a	eficácia	dessa	conduta	preventiva.
FONTE: adaptada de http://ojs.toledo.br/index.php/saude/article/view/3300/558. Acesso em: 18 ago. 2022. 
130
Neste tópico, você aprendeu:
•	 Cabe	ao	profissional	fisioterapeuta	prestar	assistência	a	atletas	com	comprometimentos	
funcionais, proporcionando, assim, a promoção de saúde, bem como a sua recuperação, 
a	partir	de	reabilitação	oportuna	respaldada	em	conhecimentos	científicos	e	técnicos.	
•	 Sobre	as	funções	desempenhadas,	o	fisioterapeuta	esportivo,	dentre	outras	coisas,	é	
responsável	por	realizar	avaliação	seguida	do	diagnóstico	cinético	funcional	do	atleta,	
que	deve	apresentar	informações	relevantes	referentes	às	necessidades	específicas	
de	 cada	 atleta.	A	 partir	 de	 então,	 será	 possível	 o	manejo	voltado	 à	 prevenção	 de	
lesões	e	à	otimização	do	desempenho	esportivo	a	partir	de	condutas	suficientes,	por	
resolver	desequilíbrios	musculares	e	viabilizar	ajustes	biomecânicos.
• Técnicas preventivas são prescritas de acordo com as características de exposição 
do	atleta	no	esporte	 treinado.	Alguns	exemplos	de	técnicas	preventivas	utilizadas	
rotineiramente	 pelo	 fisioterapeuta	 esportivo	 incluem	 exercícios	 de	 propriocepção,	
exercício	excêntrico,	bandagem	funcional,	aquecimento,	alongamento	e	estabilização	
central.
RESUMO DO TÓPICO 3
131
1	 Durante	 a	 prática	 esportiva,	 segmentos	 articulares	 específicos	 são	 solicitados	 em	
extenuantes	ações	mecânicas.	A	dor	crônica	no	atleta,	muitas	vezes,	pode	ser	atribuída	à	
atividade	específica	do	esporte	e,	também,	a	alterações	na	força,	flexibilidade	e	postura,	
não	só	na	articulação	envolvida,	mas	em	outros	elos	da	cadeia	cinética.	Neste	cenário,	
intervenções	preventivas	são	importantes,	a	fim	de	reduzir	a	incidência	de	tais	lesões.	
Sobre exemplos de tais práticas, assinale a alternativa CORRETA:
a)	 (			)	 Estabilização	central;	kinesio	tape;	contraste;	tens;	propriocepção.
b)	 (			)	 Alongamento;	aquecimento;	propriocepção;	exercício	excêntrico;	estabilização	
central.
c)	 (			)	 Massagem;	crioterapia;	exercício	ativo;	fototerapia;	contraste.
d)	 (			)	 Ativação	muscular;	exercício	excêntrico;	propriocepção;	crioterapia;	contraste.
2	 Nota-se	que	a	prática	esportiva	demanda	segmentos	articulares	específicos,	que	são	
solicitados	em	extenuantes	ações	mecânicas.	Sobre	esse	tema,	analise	as	sentenças	
a	seguir:
I-	A	estabilização	central	se	relaciona	com	a	capacidade	de	reconhecer	a	 localização	
espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a 
posição	de	cada	parte	do	corpo	em	relação	às	demais.
II-	O	alongamento	é	um	tipo	de	exercício	físico	orientado	para	a	manutenção	ou	melhora	
da	flexibilidade.
III-	 O	 exercício	 excêntrico	 consiste	 em	 aumentar	 gradualmente	 a	 intensidade	 da	
atividade	física,	incrementando,	também,	a	temperatura	corporal.
Assinale a alternativa CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	I	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.	
3	 O	fisioterapeuta	esportivo,	quando	inserido	em	equipes	esportivas,	deve,	inicialmente,	
compreender todas as características do esporte praticado pelos atletas por ele 
assistidos.	 Assim,	 questões	 básicas	 sobre	 a	 biomecânica,	 bem	 como	 regras	 da	
modalidade, constituem importante base de informações para nortear a conduta 
fisioterapêutica	que	 incluirá,	 inicialmente	avaliação	cinético	 funcional	 e	prevenção	de	
lesões.	A	esse	respeito,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
AUTOATIVIDADE
132
(			)	Os	 gestos	 esportivos	 determinam,	 em	 sua	 maioria,	 a	 incidência	 de	 lesões	
musculoesqueléticas	específicas,	de	acordo	com	o	tipo	de	exigência	requerida	em	
cada	esporte.
( ) Em casos de lesões, o exercício contribui no processo de cicatrização por promover 
tensão	 no	 tecido,	 desde	 que	 a	mobilização	 seja	 realizada	 na	 amplitude	 articular	
máxima.
(			)	 O	atendimento	fisioterapêutico	se	torna	necessário	apenas	para	atletas	com	lesões	
ou	àqueles	que	pratiquem	esportes	intensos,	responsáveis	por	exigir	alta	demanda	
metabólica,	como	lutas	e	atletismo.	
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	-	F	-	F.
b)	 (			)	 V	-	F	-	V.
c)	 (			)	 F	-	V	-	F.
d)	 (			)	 F	-	F	-	V.
4Sabe-se	que	a	Fisioterapia	Esportiva	atua	constantemente	com	objetivo	de	prevenir	
e	 tratar	 lesões	musculoesqueléticas	 decorrentes	 da	 prática	 esportiva.	 Com	 relação	
à	 atuação	 fisioterapêutica	 em	 campo,	 ou	 seja,	 durante	 treinos	 e	 competições,	 os	
momentos	de	atuação	são	divididos	em	fases,	já	que,	em	cada	um,	são	preconizados	
objetivos	 particulares.	 A	 esse	 respeito,	 discorra	 outras	 funções	 da	 atuação	
fisioterapêutica	na	equipe	esportiva	diferentes	das	mencionadas.
5	 Em	geral,	quanto	mais	contato	existir	em	determinado	esporte,	maior	exposição	do	
atleta	 quanto	 à	 incidência	 de	 lesão	musculoesquelética.	 Por	 exemplo,	 no	 futebol,	
a	maioria	 das	 lesões	 causadas	 se	 deve	 ao	 excesso	 de	 treino,	 ou	 seja,	 quando	 os	
ligamentos,	tendões,	músculos	e	ossos	são	sujeitos	a	estresse	excessivo.	Imagine	um	
cenário	hipotético	no	qual	você	seja	fisioterapeuta	de	um	time	de	futebol	e	explique	
quais	 condutas	 aplicaria,	 a	 fim	 de	 prevenir	 lesões	 aos	 atletas	 dessa	 modalidade	
esportiva.	
133
ANDREOLI,	M.	A.;	OLIVEIRA,	T.	C.	de;	FONTELES,	D.	S.	R.	Um	panorama	das	
intervenções comportamentais para tratar estresse e ansiedade em atletas: revisão 
bibliográfica. Cad. Pós-Grad. Distúrb. Desenvolv.,	v.	20,	n.	1,	2020.
COFFITO	–	CONSELHO	FEDERAL	DE	FISIOTERAPIA	E	TERAPIA	OCUPACIONAL.	
Resolução n. 337, de 08 de novembro de 2007.	Curitiba,	PR:	COFFITO,	2007.	
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PRENTICE,	W.	E.	Técnicas em reabilitação musculoesquelética.	Porto	Alegre:	
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134
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functional,	muscle	damage,	inflammatory,	and	oxidative	stress	markers-a	randomized	
controlled	trial.	Oxidative Medicine and Cellular Longevity,	2019.
135
FISIOTERAPIA NA 
REABILITAÇÃO DAS LESÕES 
ESPORTIVAS
UNIDADE 3 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
•	 compreender	as	técnicas	fisioterapêuticas	para	lesões	esportivas	da	coluna	vertebral;
•	 conhecer	as	técnicas	fisioterapêuticas	para	lesões	esportivas	do	quadril;
•	 estudar	as	técnicas	fisioterapêuticas	para	lesões	esportivas	do	membro	superior;
•	 compreender	as	técnicas	fisioterapêuticas	para	lesões	esportivas	do	membro	inferior.
	 A	cada	tópico	desta	unidade	você	encontrará	autoatividades	com	o	objetivo	de	
reforçar	o	conteúdo	apresentado.
TÓPICO 1– TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS DA COLUNA 
VERTEBRAL
TÓPICO 2– TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS DO QUADRIL
TÓPICO 3– TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES ESPORTIVAS DO MEMBRO 
SUPERIOR
TÓPICO 4– TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA LESÕES DO MEMBRO INFERIOR
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
136
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
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137
TÓPICO 1 — 
TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS 
PARA LESÕES ESPORTIVAS 
DA COLUNA VERTEBRAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico,	no	Tópico	1,	abordaremos	as	estruturas	da	coluna	vertebral,	regiões	
da	cervical,	torácica	e	 lombar.	Entenderemos	a	 inervação	da	medula	e,	a	partir	disso,	
abordaremos	como	deve	ser	a	avaliação	da	coluna	em	relação	às	lesões	que	atingem	as	
regiões	da	cervical,	torácica	ou	lombar,	englobando	também	as	deformidades	presentes	
nesse	segmento.
O	exercício	é	muito	importante	para	o	condicionamento	físico,	pois	auxilia	tanto	
na	prevenção	quanto	na	recuperação	de	lesões	dos	atletas.	O	fisioterapeuta	que	atua	na	
área	desportiva	avalia	o	condicionamento	físico	do	atleta	e	trabalha	exercícios	objetivando	
minimizar	 a	 possibilidade	 de	 lesão	 e	 a	 melhoria	 de	 desempenho.	 Quando	 os	 atletas	
sofrem	algum	tipo	de	lesão,	são	submetidos	a	programas	de	reabilitação,	os	quais	ficam	
sob	a	responsabilidade	do	fisioterapeuta	desportivo.	Nesse	processo,	deve	ser	feita	uma	
avaliação	das	limitações	e	sugestões	de	mudanças	no	programa	de	condicionamento	ao	
preparador	físico	responsável,	além	de	determinação	das	formas	de	intervenção	para	a	
reabilitação	do	atleta	(PRENTICE,	2012).	
As	lesões	específicas	podem	acometer	as	várias	regiões	da	coluna,	apresentando	
diversas	etiologias	ou	trazendo	a	manifestação	de	sinais	e	sintomas	conforme	o	tipo	
e	a	altura	da	lesão.	Com	base	nisso	é	que	são	elaboradas	as	técnicas	de	tratamento,	
podendo	 ser	 distintas,	 como	uma	 lesão	 cervical	 quando	comparada	a	uma	 lesão	na	
região	 lombar.	 Por	 ser	 formada	 por	 uma	 grande	 quantidade	 de	 estruturas,	 tais	 como	
ossos,	 ligamentos	 e	 músculos,	 a	 coluna	 vertebral	 é	 uma	 região	 bastante	 complexa,	
especialmente	por	 sua	 relação	 com	a	medula	 espinhal	 e	 com	as	 raízes	 nervosas	 que	
emergem	da	região,	promovendo,	muitas	vezes,	risco	de	vida	quando	há	ocorrência	de	
lesões,	especialmente	na	região	cervical.	
138
2 ANATOMIA DA COLUNA VERTEBRAL
A	estrutura	da	coluna	vertebral	é	bastante	complexa,	sendo	composta	por	um	
conjunto	de	33	ossos,	as	conhecidas	vértebras,	que	se	dividem	em	três	regiões	distintas:	
a	coluna	cervical,	a	torácica	e	a	lombar.	Essas	regiões	se	conectam	na	parte	inferior,	a	
região	do	sacro,	e	terminam	em	um	osso	classificado	como	caudal,	o	cóccix.	A	coluna	
apresenta	 algumas	 curvaturas	 chamadas	 de	 fisiológicas,	 que	 servem	 para	 que	 possa	
suportar	cargas	e	como	uma	forma	de	proteção	contra	traumas	possivelmente	 impostos	
sobre	ela	(PRENTICE,	2012).	
Nessa	estrutura,	há	quatro	classificações	de	curvaturas:	a	torácica	e	a	sacral,	que	
são	côncavas	e	já	são	presentes	e	identificáveis	no	corpo	no	momento	do	nascimento,	e	
as	curvaturas	lombar	e	cervical,	que	se	caracterizam	por	concavidade	posterior	e	só	se	
desenvolvem	após	o	nascimento,	durante	o	processo	em	que	nos	colocamos	em	postura	
ereta,	sentamo-nos	ou	nos	levantamos.	As	primeiras	curvaturas	são	conhecidas	como	
primárias	e	as	segundas,	que	se	desenvolvem	após	o	nascimento,	como	secundárias.As	curvaturas	são	 influenciadas	pela	hereditariedade,	por	algumas	patologias	e	pelas	
forças	aplicadas	constantemente	sobre	a	coluna.	Elas	servem	para	proteger	a	coluna	de	
lesões,	reduzindo	o	impacto	sobre	ela,	o	que,	caso	ela	fosse	completamente	reta,	não	
seria	possível	(HALL,	2020).	
As vértebras da coluna se desenvolvem ainda no período embrionário, 
inicialmente, de forma cartilaginosa, depois são transformadas em 
ossos. Já ao nascimento, as últimas vértebras sacrais e as coccígeas 
ainda podem se apresentar inteiramente cartilaginosas, ossificando-
se na infância (NATOUR, 2004).
IMPORTANTE
A	coluna	pode	ser	vista	como	um	projeto	de	engenharia	perfeito,	em	que	várias	
estruturas	estão	empilhadas.	As	vértebras	estão	sobre	o	sacro	em	sua	região	superior	e	
trazem	um	ponto	de	equilíbrio	para	o	crânio,	sendo	totalmente	conectadas	por	meio	de	
ligamentos,	músculos	e	tendões.	As	áreas	com	maior	mobilidade	são	as	que	normalmente	
são	acometidas	por	lesões,	especialmente	as	articulações	acima	da	ligação	da	região	
torácica	com	as	costelas	e	a	união	da	região	lombar	com	a	região	sacral.	Uma	coluna	
fraca	afeta	a	postura	e	o	equilíbrio,	podendo	desenvolver	compensações,	influenciando,	
também,	na	mobilidade	dos	membros	(KEIL,	2014).	
Um	atleta,	de	acordo	com	a	modalidade	desportiva	que	pratica	e	seu	nível	de	
complexidade,	 impõe	sobre	o	corpo	exigências	 físicas	e	psicológicas	específicas,	 sendo	
que,	para	seu	desempenho	ideal,	precisa	que	seu	sistema	orgânico	esteja	funcionando	
de	forma	adequada.	Em	períodos	de	competições	e	treinamentos,	há	uma	sobrecarga,	
em	especial	ao	sistema	musculoesquelético,	ou	seja,	uma	grande	demanda	de	força	
139
muscular	e	maiores	amplitudes	de	movimento	articular,	exigindo	do	corpo	um	resultado	
acima	do	nível	 considerado	fisiológico.	 Para	 suportar	 as	 grandes	mudanças	que	 são	
impostas	ao	organismo,	o	atleta	precisa	estar	preparado	para	suportar	todas	as	forças	
impostas	(FRANCA;	FERNANDES;	CORTEZ,	2004).
2.1 REGIÕES DA COLUNA 
Os	corpos	vertebrais	da	região	cervical	são	pequenos	e	dispostos	na	região	do	
pescoço,	sendo	que,	nessa	região,	perpassam	artérias	vertebrais.	Algumas	das	vértebras	
dessa	região	são	bastante	diferenciadas,	como	é	o	caso	da	primeira,	segunda	e	sétima	
vértebra,	 que	 apresentam	 algumas	 estruturas	 bastante	 diferenciadas	 em	 relação	 às	
demais.	
Na	coluna	cervical,	os	discos	intervertebrais	compõem	a	altura	dela,	com	exceção	
do	atlas	e	do	áxis.	Essa	conformação	dos	discos	faz	com	que	a	 região	cervical	assuma	
uma	posição	lordótica.	Tal	região	possui	sete	vértebras,	mas	oito	raízes	nervosas	cervicais,	
visto	que	uma	delas	emerge	entre	a	região	occipital	e	a	primeira	vértebra	cervical	 (C1)	
(MAGEE,	2010).	
FIGURA 1 – VÉRTEBRAS ATLAS (A), AXIS (B) E VÉRTEBRA CERVICAL (C)
FONTE: Tortora e Derrickson (2017, p. 140)
140
	A	 coluna	 lombar	 é	 comumente	 acometida	 por	 dor,	 sendo	 uma	 das	maiores	
causas	de	incapacidade,	mas	não	sendo	caracterizada	como	doença	grave.	Em	geral,	
dores	 podem	 ser	 causadas	 por	 sobrecarga	 na	 região	 ou	 por	 distensões	 provocadas	 na	
realização	de	atividades	da	vida	diária,	especialmente	nas	posições	em	pé,	sentado	e	
deitado,	seja	no	trabalho	ou	em	exercícios	físicos.	Posturas	inadequadas	também	acabam	
por	produzir	o	quadro	de	lombalgia	(PRENTICE,	2012).	
Como	 as	 regiões	 da	 coluna	 apresentam	 morfologia	 diferente,	 as	 amplitudes	
de	 movimento	 de	 cada	 segmento	 também	 serão	 distintas,	 modificando,	 inclusive,	 a	
funcionalidade	nas	atividades	de	vida	diária.	A	coluna	funciona	como	um	eixo	no	corpo	
humano,	o	qual	se	liga	aos	membros	superiores	e	inferiores	por	meio	das	cinturas	pélvica	
e	 escapular.	 Além	 disso,	 ela	 possui	 uma	 importante	 função	 de	 conexão	 do	 sistema	
nervoso	 central	 ao	 periférico	 por	meio	 da	medula	 espinhal	 e	 das	 raízes	 nervosas	 nos	
forames	intervertebrais.	Compreende-se	que	a	estrutura	da	coluna	é	estável	pela	ação	
de	 elementos	 passivos	 e	 ativos,	 sendo	 os	 passivos	 compostos	 por	 ligamentos	 e	 pelo	
disco	 intervertebral,	 e	 os	 elementos	 ativos	 pelas	várias	 camadas	 de	músculos.	 Então,	
essa	proteção	faz	com	que	os	traumas	na	coluna	sejam	menos	comuns	que	nessa	região	
(BARBOSA;	SILVA,	2021).	
2.1.1 Biomecânica
As	 anormalidades	 biomecânicas	 –	 como	 alteração	 na	 flexibilidade	 do	 tronco,	
diminuição	de	amplitude	de	movimento,	diminuição	de	força	dos	músculos	da	região	da	
coluna,	extensores	de	coluna	e	redução	de	força	da	musculatura	abdominal	–	alteram	o	
alinhamento	postural	e,	como	consequência,	podem	surgir	dores	na	coluna,	em	especial	
na	região	lombar	(PRENTICE,	2012).	Algumas	considerações	biomecânicas,	como	o	ângulo	Q	
do	joelho,	a	posição	do	pé,	a	mecânica	ao	subir	e	descer	degraus,	hipermobilidade	articular	
e	postura	assumida	na	realização	das	atividades	de	vida	diária	devem	ser	verificadas	em	
uma	avaliação	minuciosa	da	coluna	cervical,	torácica	e	lombar	(KEIL,	2014).	
A	 amplitude	 de	 movimento	 da	 coluna	 vertebral	 é	 limitada	 por	 restrições	
anatômicas	as	quais	ela	é	submetida,	variando	entre	os	diferentes	segmentos	–	cervical,	
torácico	e	lombar,	sendo	os	movimentos	possíveis	de	flexão	e	extensão,	flexão	lateral	e	
rotação.	Além	disso,	a	coluna	é	composta	por	uma	grande	quantidade	de	músculos	nas	
regiões	anterior,	posterior	e	lateral,	o	que	permite	mobilidade	ao	longo	de	suas	estruturas,	
mas	também	auxilia	na	estabilidade	presente	nesse	segmento	corporal	(HALL,	2020).	
 
Então,	uma	postura	corporal	 é	determinada	por	um	estado	de	equilíbrio	 entre	
a	parte	esquelética	e	a	parte	muscular,	para	que	seja	possível	uma	proteção	adequada	
das	partes	nobres	nas	várias	posições	em	que	o	corpo	possivelmente	se	encontre:	em	
pé,	 sentado	ou	em	algum	decúbito.	Quando	há	um	quadro	de	desequilíbrio	muscular,	
o	 organismo,	 diante	 da	 necessidade	 de	 se	 readequar,	 acaba	 promovendo	 alterações	
posturais	 como	 forma	 de	 compensação,	 o	 que,	 no	 esporte,	 torna-se	 um	 problema	
inclusive	ao	limitar	a	atividade	esportiva	(VEIGA;	DAHER;	MORAIS,	2011).	
141
A	coluna	vertebral	conecta,	de	forma	mecânica,	os	membros	superiores	e	inferiores,	
permitindo	o	movimento	nos	três	planos	e,	ainda,	possui	uma	importante	função	de	proteger	
uma	estrutura	nobre	de	nosso	organismo,	a	medula	espinhal.	A	medula	é	sustentada	por	
diversos	 ligamentos,	 o	 que	 proporciona	 estabilidade	 aos	 segmentos	móveis,	 sendo	 um	
dos	mais	 importantes	o	 ligamento	amarelo	que	conecta	as	 lâminas	das	vértebras.	Esse	
ligamento	permanece	tensionado	quando	a	coluna	está	em	posição	anatômica,	permitindo	
uma	maior	estabilidade,	porém,	gera	uma	compressão	discreta	nos	discos	intervertebrais,	
provocando	um	quadro	chamado	pré-estresse	(HALL,	2020).	
No	caso	de	atividades	físicas	de	alta	intensidade,	o	corpo	de	um	atleta	sofrerá	
as	 consequências,	 pois	 haverá	 adaptações	 anatômicas	 e	 biomecânicas	 conforme	 a	
modalidade	esportiva	praticada,	e	um	atleta	ainda	em	processo	de	desenvolvimento	
pode	ter	a	maturação	do	sistema	musculoesquelético	afetada	(NETO	JÚNIOR;	PASTRE;	
MONTEIRO,	2004).	
A fisiologia do exercício estuda as adaptações que o organismo 
sofre de forma aguda e crônica, quando submetido ao exercício 
físico, e avalia como o organismo se adapta em relação ao sistema 
cardiovascular e musculoesquelético.
INTERESSANTE
A	prática	constante	de	esporte,	nos	variados	níveis	de	intensidade	e	performance,	é	
uma	condição	que	induz	ao	risco	de	lesão.	Por	exemplo,	a	natação	traz	riscos	ao	sistema	
musculoesquelético,	pois	mesmo	que	traga	benefícios	ao	sistema	cardiorrespiratório	e	
musculoesquelético,	em	outros	casos	pode	levar	a	lesões	(AGUIAR	et al.,	2010).
2.2 LESÕES DA COLUNA 
A	 coluna	 se	 apresenta	 de	 forma	 diferenciada	 quando	 comparada	 à	 parte	
anterior,	em	que	estão	dispostos	os	corpos	vertebrais	e	os	discos	intervertebrais,	onde	
são	 sustentados	 os	 tipos	 de	 pesos	 exercidos	 e	 os	 choques	 sofridos	 pela	 coluna	 são	
absorvidos.	A	mobilidade	é	regulada	pelo	tamanho	dodisco	intervertebral,	que	é	a	parte	
posterior,	na	qual	estão	localizados	os	processos	articulares	e	as	facetas.	É	nesse	ponto	
que	ocorrerá	o	mecanismo	de	deslizamento,	permitindo	o	movimento.	Nessa	região,	estão	
presentes	várias	 alavancas	ósseas,	 o	processo	espinhoso	e	os	processos	 transversos,	
funcionando	como	local	de	inserção	muscular	e	permitindo	estabilidade	e	movimento	à	
coluna	vertebral	(VASCONCELOS	et al.,	2021).	
142
Existem	diversas	forças	que	atuam	sobre	a	região	da	coluna	vertebral,	como	o	
peso	corporal,	a	tensão	imposta	aos	ligamentos	vertebrais,	o	aumento	da	pressão	intra-
abdominal	e	cargas	externas	que	podem	ser	impostas	sobre	ela.	Na	posição	ereta,	o	peso	
corporal	impõe	uma	carga	axial	sobre	a	coluna,	e	se	a	pessoa	ainda	estiver	com	algum	
peso	sobre	as	mãos,	existe	uma	tensão	sobre	os	músculos	e	ligamentos,	o	que	aumenta	
a	compressão	vertebral.	O	centro	de	gravidade	é	posicionado	anteriormente	à	coluna,	
fazendo	com	que	ela	tenha	um	momento	de	curvatura	para	frente,	o	que	é	balanceado	pelo	
torque	de	contração	dos	músculos	extensores	da	coluna	(HALL,	2020).	
Os	atletas	de	alto	rendimento	estão	mais	suscetíveis	a	lesões	desportivas	e,	de	
acordo	com	a	magnitude	da	lesão,	ocorrem	diferentes	consequências,	desde	inatividade,	
em	especial	nos	treinamentos,	a	alterações	a	nível	psicológico,	por	medo	de	não	voltarem	à	
prática	do	esporte.	As	sobrecargas	sobre	o	corpo	promovem	diversas	lesões	desportivas,	
podendo	ser	leves,	em	que	o	afastamento	do	atleta	ocorre	por	volta	de	um	a	sete	dias,	e	
grave,	quando	ultrapassa	o	período	de	vinte	e	oito	dias	(KRIST	et al.,	2013).	
As lesões mais comuns que atingem atletas são as entorses e as 
lesões musculares. No Brasil, estudos apontam para as entorses de 
joelho e tornozelo, lombalgia e lesões musculares, tudo dependendo 
do esporte praticado e do nível de exigência da competição (ARENA; 
CARAZZATO, 2007).
IMPORTANTE
	Dentre	as	lesões	que	acometem	a	coluna	vertebral	de	atletas,	são	mais	comuns	
as	instabilidades	de	coluna	cervical,	problemas	de	tetraparesia	transitória,	apofisite	na	
região	entre	coluna	torácica	e	 lombar,	espondilólise	traumática	e,	especialmente,	 fraturas,	
sendo	as	mais	comuns	as	do	arco	vertebral.	As	 lesões	geralmente	são	causadas	por	
movimentos	bruscos	de	flexão,	extensão,	torção,	cisalhamento	ou	pequenos	traumas	
que	acometem	a	coluna	de	forma	repetitiva,	podendo	essas	forças	serem	combinadas	e	
causarem	lesão	associada	com	lesões	de	partes	moles	(JUNIOR	et al.,	1999).	
A	espondilólise	é	considerada	um	defeito	que	pode	ocorrer	de	forma	unilateral	
ou	bilateral	na	região	do	 istmo	da	vértebra,	atingindo	cerca	de	3	a	6%	da	população,	
geralmente	 atletas	 e	 mais	 frequentemente	 homens.	 Ela	 é	 provocada	 por	 trauma	
repetitivo	em	hiperextensão	da	coluna	ou	combinação	dos	movimentos	de	extensão	e	
rotação,	aplicando	uma	carga	mecânica	repetitiva	entre	as	vértebras	superior	e	inferior,	
o	que	acaba	por	gerar	uma	fratura	por	estresse.	
Normalmente,	é	assintomática,	mas,	em	alguns	casos,	o	atleta	apresenta	dor	
com	início	repentino	e	durante	práticas	de	atividade	física	extenuantes.	O	quadro	piora	
especialmente	quando	realizado	o	movimento	de	extensão	ou	rotação	lombar,	e	a	dor,	
143
em	alguns	casos,	apresenta	 irradiação	para	outras	partes.	Geralmente,	o	paciente	que	
apresenta	hiperlordose	pode	ter	o	diagnóstico	da	condição	confirmado	pelo	exame	de	
ressonância	magnética	ou	com	tomografia	computadorizada	(BARBOSA;	SILVA,	2021).	
Os	esportes	mais	frequentes	da	ocorrência	da	espondilólise	são	a	ginástica	e	os	
que	exigem	levantamento	de	peso,	como	o	fisiculturismo,	e	a	vértebra	mais	acometida,	
em	 geral,	 é	 a	 quinta	 vértebra	 lombar.	 O	 quadro	 apresenta	 um	 deslizamento	 entre	 as	
vértebras,	podendo	derivar	predisposição	genética,	estresse	mecânico	por	uso	excessivo	
e	por	movimentos	de	flexão,	rotação	e	hiperextensão	da	coluna	lombar.	Os	adolescentes	
podem	ser	acometidos	pelo	quadro	nas	fases	de	crescimento	rápido,	durante	os	chamados	
estirões	 de	 crescimento.	 Na	 ocorrência	 dessa	 lesão	 surge	 dor,	 espasmos	musculares	
e	 encurtamento	 muscular,	 inclusive	 da	 musculatura	 posterior	 de	 membros	 inferiores	
(isquiotibiais),	levando	a	problemas	posturais	(WALKER,	2011).	
A	 repetição	 de	 movimentos	 em	 determinadas	 posições,	 juntamente	 com	 a	
sobrecarga	provocada	pelo	treinamento,	faz	com	que	o	corpo	se	adapte,	porém	traz	
efeitos	 prejudiciais	 em	 relação	 à	 musculatura,	 levando	 ao	 desequilíbrio	 muscular	 e	
surgimento	de	lesões.	A	soma	de	fatores,	como	tipo	de	esporte,	nível	de	competição,	
equipamentos	utilizados	e	condicionamento	físico	do	atleta	determina	a	suscetibilidade	
dele	de	sofrer	lesões	(JÚNIOR	NETO;	PASTRS;	MONTEIRO,	2004).	
Por	exemplo,	no	voleibol,	a	coluna	é	responsável	por	cerca	de	14%	do	total	de	
afastamentos	 dos	 atletas	 do	 treino,	 sendo	 as	 contusões	 muito	 presentes,	 inclusive	
podendo	 interromper	 a	 carreira	 do	 atleta	 quando	 mais	 graves	 e	 crônicas.	 A	 hérnia	
de	disco	é	umas	das	complicações	mais	frequentes.	A	dor	nas	costas	é	um	sintoma	
também	muito	presente,	geralmente	causada	por	falta	de	fortalecimento	dos	músculos	
do	troco,	cintura	escapular	e	abdome.	Por	essa	e	outras	razões,	é	muito	importante	dar	
atenção	aos	exercícios	de	estabilização	com	contrações	isométricas	e	com	aplicação	de	
resistência	(ALBARELLO	et al.,	2014).	
 
A	coluna	ainda	pode	ser	acometida	pelo	quadro	de	distensão	muscular	quando	
ocorre	um	alongamento	ou	ruptura	dos	músculos	ou	tendões.	Isso	ocorre	frequentemente	
em	esportes	nos	quais	é	comum	o	levantamento	de	peso,	movimentos	abruptos,	quedas	
ou	colisões	entre	atletas	e	atividades	que	exigem	contração	dos	músculos	do	dorso.	O	
local	mais	frequentemente	atingido	é	a	região	lombar,	trazendo	como	sinais	e	sintomas	a	
algia	à	movimentação	e,	em	casos	mais	graves,	a	perda	de	movimentos	da	coluna,	rigidez	
no	dorso,	formigamento	e	alteração	de	sensibilidade	(WALKER,	2011).	
 
As	lesões	na	coluna	vertebral	podem	não	ser	compatíveis	com	a	vida,	princi-
palmente	quando	acometem	a	região	cervical	e	se	a	lesão	envolver	a	região	da	medula	
espinal.	Por	esse	motivo,	a	fisioterapia	esportiva	é	muito	 importante	como	prevenção	de	
lesões	em	potencial.	
144
2.3 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS NAS LESÕES DE 
COLUNA
Na	 avaliação	 do	 paciente,	 é	 importante	 verificar	 dados	 que	 determinem	 seu	
prognóstico	para	que	haja	uma	hipótese	de	diagnóstico	e	seja	elencado	o	tratamento.	
A	história	da	doença	atual	permite	identificar	quando	a	dor	do	paciente	começou,	qual	foi	o	
mecanismo	de	lesão.	Para	isso,	pode	ser	usado	um	mapa	corporal	(body	chart)	que	pode	
ser	feito	pelo	fisioterapeuta	ou	pelo	paciente,	em	que	são	marcadas	as	partes	do	corpo	
que	apresentam	o	quadro	de	dor,	 isso	demonstrará	se	a	dor	tem	um	local	específico,	
se	 é	 irradiada	 ou	 generalizada,	 permitindo	verificar	 não	 apenas	 o	 tipo	 de	 dor,	mas	 a	
intensidade,	 profundidade,	 frequência	 e	 se	 existem	 sinais	 de	 parestesia	 (BARBOSA;	
SILVA,	2021).	
 
Exercitar-se	é	muito	importante,	pois	permite	o	condicionamento	físico,	o	que	
levará	à	prevenção	da	ocorrência	de	lesões	e	ao	auxílio	na	recuperação	quando	e	se	elas	
ocorrerem.	Um	condicionamento	inadequado	promove	maior	risco	de	lesões,	por	isso	a	
fisioterapia	pode	contribuir	 com	a	prescrição	de	exercícios	de	condicionamento	para	
melhorar	o	desempenho	do	atleta	e	prevenir	essas	possíveis	 lesões.	O	fisioterapeuta	
da	 área	 esportiva	 trabalha	 com	 a	melhoria	 das	 condições	 cardiorrespiratórias,	 força	
e	 resistência	muscular,	além	de	trabalhar	com	a	flexibilidade	do	atleta	no	sentido	de	
condicionar	ou	até	recondicionar	um	atleta	com	lesão	(PRENTICE,	2012).	
 
A	ocorrência	de	lesões	é	e	sempre	será	indesejável	para	atletas	ou	para	aqueles	
que	praticam	algum	tipo	de	modalidade	física,	 já	que	trazem	dor,	desconforto	e,	em	
muitos	casos,	podem	levar	à	 incapacidade	de	continuar	o	treinamento.	A	 lesão	tem	as	
características	da	modalidade	esportiva	praticadae,	em	geral,	é	causada	por	diversos	
fatores	 intrínsecos	e	extrínsecos.	Os	extrínsecos	são	conectados,	pois	dependem	da	
preparação,	erros	no	planejamento	e	forma	de	execução	do	treinamento,	da	duração,	
força	 e	 condicionamento	 físico	 para	 o	 treino.	 Já	 as	 causas	 intrínsecas	 são	 aqueles	
ligadas	 ao	 organismo,	 como	problemas	na	 biomecânica,	flexibilidade,	 lesões	 prévias,	
densidade	 óssea,	 condicionamento	 cardiovascular	 e	 composição	 corporal	 (XAVIER;	
LOPES,	2017).	
 
É	importante	compreender	que,	quando	o	corpo	é	atingido	por	uma	lesão,	ele	
a	cicatriza	em	determinado	ritmo,	então,	a	fisioterapia	pode	auxiliar	nesse	processo	por	
meio	de	 recursos	térmicos,	elétricos,	mecânicos	ou	 luminosos,	 tentando	fornecer	ao	
corpo	um	ambiente	ideal	para	que	essa	cicatrização	ocorra.	As	condições	ao	processo	
cicatricial	precisam	ser	compostas	de	proteção	da	área	contra	perturbações	adicionais	
e	de	 restauração	da	função	tecidual	da	forma	mais	precoce	possível.	A	aplicação	de	
recursos	terapêuticos	deve	ser	adequada	para	que	não	obstrua	ou	retroceda	o	processo	
de	cicatrização	(STARKEY,	2017).	
 
145
A	 fisioterapia	 desportiva	 possui	 um	 trabalho	 distinto,	 pois,	 normalmente,	
necessita	trabalhar	com	atleta	de	forma	mais	rápida	e	com	intervenções	efetivas	diante	
da	necessidade	de	um	retorno	o	mais	precocemente	possível	do	atleta	às	suas	funções,	
exigindo	do	corpo,	músculos,	ossos	e	articulações	o	máximo	de	eficiência	em	relação	
à	amplitude	de	movimento	e	à	potência	na	 realização	de	todos	os	gestos	esportivos	
(RODRIGUES,	1996).	
A	 terapia	 manual	 também	 pode	 ser	 usada	 por	 meio	 de	 mobilizações	 e	
manipulações	ou,	ainda,	trabalho	nos	tecidos	moles,	a	qual	pode	ser	realizada	de	forma	
passiva,	 com	 baixa	 velocidade	 e	 pequena	 amplitude	 de	 movimento,	 ou	 com	 grande	
amplitude	 de	movimento,	 dependendo	 da	 condição	 do	 paciente	 e	 como	 está	 o	 seu	
controle.	A	manipulação	de	uma	técnica	de	alta	velocidade	e	baixa	amplitude	no	final	
da	amplitude	de	movimento	é	indicada	a	alguns	casos	específicos.	As	duas	formas	de	
intervenção	têm	o	objetivo	de	redução	de	dor	e	melhora	da	capacidade	dos	pacientes	
que	apresentam	alguma	alteração	em	coluna	(BARBOSA;	SILVA,	2021).	
A	 avaliação	 da	 mobilidade	 segmentar	 é	 muito	 importante	 e,	 para	 tanto,	 são	
aplicadas	mobilizações	articulares	passivas,	como	 intervertebrais,	para	verificar	a	 resposta	
do	paciente	a	esses	movimentos.	Os	sintomas	apresentados	pelo	paciente	podem	dar	
alguma	informação	se	há,	ou	não,	envolvimento	da	região	mobilizada,	podendo	auxiliar	
na	determinação	do	tratamento	a	ser	realizado	com	o	atleta.	É	possível	que,	nas	intervenções	
fisioterapêuticas,	 seja	elaborado	uma	combinação	de	exercícios	com	terapia	manual	e	
educação	do	atleta	de	acordo	com	as	 indicações	e	contraindicações	apresentadas	na	
avaliação	(BARBOSA;	SILVA,	2021).	
A especialidade de Fisioterapia Desportiva é reconhecida pela 
Resolução nº 337, de 08 de novembro de 2007, pelo Conselho 
Federal e Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITTO).
NOTA
O	fisioterapeuta	da	área	esportiva	atua	desde	a	prevenção	até	a	 reabilitação	
de	 atletas.	 A	 recuperação	 é	 para	 casos	 de	 lesões	 causadas	 pelo	 esporte,	 mas	 a	
amplitude	do	trabalho	é	tanto	visando	à	recuperação	das	lesões	esportivas	quanto	para	
prevenir	que	elas	ocorram.	Para	isso,	o	profissional	necessita	de	um	conhecimento	das	
características	 específicas	 de	 cada	 esporte	 e	 seus	 atletas,	 e	 precisa	 avaliar	 a	 forma	
física	de	cada	atleta,	assim	como	aqueles	atletas	em	que	as	características	apresentadas	
na	avaliação	demonstram	que	são	mais	suscetíveis	a	lesões	(ROCHA,	2018).
 
O	paciente	deve	ser	observado	desde	o	momento	em	que	chega	ao	consultório	
fisioterapêutico,	tanto	na	realização	de	movimentos	espontâneos	quanto	no	padrão	de	
movimento	apresentado.	Deve	ser	avaliada	a	postura	da	cabeça	e	do	pescoço,	nível	
146
dos	ombros,	presença	de	qualquer	espasmo	muscular	ou	de	assimetrias,	expressões	
faciais	feitas	pelo	paciente,	verificação	de	tecidos	moles	e	contornos	ósseos,	presença	de	
alguma	área	com	isquemia	e	avaliação	da	postura	em	diversas	posições,	sentado,	em	
pé	e	durante	o	movimento	(MAGGE,	2010).	
A	 coluna	 deve	 ser	 cuidadosamente	 avaliada	 para	 verificar	 qualquer	 sintoma	
presente	na	área,	a	fim	de	verificar	se	a	causa	da	 lesão	é	central,	ou	seja,	 relacionada	
à	própria	coluna,	ou	proveniente	do	entorno	dela,	vindo	de	causas	periféricas,	no	caso,	
dos	outros	membros.	Problemas	que	estão	na	região	cervical,	torácica	ou	lombar	podem	
promover	 sintomas	nas	 regiões	dos	membros	 superiores	ou	 inferiores,	nesse	caso,	 as	
principais	manifestações	 são:	 sensação	de	 fraqueza,	 dormência,	 formigamento,	 dor	 e,	
ainda,	 a	parestesia	nas	 regiões	correspondentes	às	 raízes	nervosas	acometidas	 (KEIL,	
2014).
Alguns	aspectos	são	importantes	na	avaliação	da	coluna,	dentre	eles	a	idade	do	
paciente,	a	magnitude	dos	sintomas,	o	mecanismo	da	lesão,	as	atividades	e	os	passatempos	
do	paciente,	se	houve	choque	contra	algo	ou	se	o	paciente	perdeu	a	consciência,	se	os	
sintomas	surgiram	imediatamente,	quais	os	 locais	e	 limites	de	dor,	se	a	dor	é	 irradiada	
ou	não,	se	existem	sintomas	em	membros	inferiores,	se	há	dificuldade	na	marcha	ou	no	
equilíbrio.	É	importante	o	paciente	relatar	atividades	que	melhoram	ou	pioram	o	problema	e	
se	existe	restrição	na	realização	de	algum	movimento	(MAGEE,	2010).
 
Como	forma	de	prevenção	das	 lesões	de	coluna	que	acometem	os	atletas,	é	
muito	 importante	que	 seja	 feito	um	fortalecimento	muscular,	 em	especial	 da	 coluna	
cervical,	como	forma	de	proteção	e	 resistência	às	forças	externas	que	são	aplicadas	
sobre	 suas	 estruturas,	 como	 a	 hiperflexão,	 hiperextensão	 ou	 rotação.	 Os	 exercícios	
podem	ser	trabalhados	de	forma	isotônica,	isométrica	ou	isocinética	e,	ainda,	pode	ser	
oferecida	uma	resistência	manual.	Além	disso,	deve	haver	uma	amplitude	de	movimento	
fisiológica	 por	 meio	 do	 trabalho	 de	 flexibilidade,	 alongamento	 e	 fortalecimento.	 Os	
exercícios	devem	ser	prescritos	conforme	a	modalidade	esportiva	que	o	atleta	pratica,	
visto	que	esportes	de	contato	tendem	a	lesionar	a	região	cervical	(PRENTICE,	2012).
No	 tratamento,	 podem	 ser	 usadas	 as	 bandagens	 posturais,	 que	 auxiliam	 na	
redução	de	quadros	álgicos	da	coluna	e	do	pescoço,	auxiliando	nos	casos	em	que	estão	
presentes	 alterações	 posturais,	 fraqueza	muscular	 e	 outros	 problemas	 relacionados	 a	
disfunções	articulares	ou	modificações	biomecânicas,	por	exemplo.	A	bandagem	auxilia	
na	percepção	cinestésica	da	postura,	corrigindo	as	posturas	inadequadas	e	promovendo	
um	 relaxamento	muscular,	 como	no	caso	do	músculo	 trapézio	 superior.	 Ela	 também	
permite	a	correção	de	movimentos	vertebrais	anormais,	promove	suporte	às	costelas,	
especialmente	quando	há	dor	ou	até	fratura,	além	de	poder	ser	aplicada	com	o	intuito	de	
limitar	movimentos	exagerados	da	coluna,	como	é	o	caso	da	hiperextensão	lombar,	e	
possibilita	a	diminuição	de	carga	sobre	alguma	região	da	coluna	(KEIL,	2014).	
147
A	 facilitação	 neuromuscular	 proprioceptiva	 pode	 ser	 usada	 como	 forma	 de	
alongamento,	com	o	objetivo	de	melhorar	a	flexibilidade,	usando	as	diversas	formas	de	
aplicação	da	técnica,	como	manter-relaxar,	contrair-relaxar	ou	um	combinado	de	formas	
de	 contração	muscular	 e	 relaxamento	 aplicadas	 de	 forma	 alternada	 entre	 a	musculatura	
agonista	e	antagonista,	sempre	com	objetivo	de	aumentar	a	amplitude	de	movimento	
com	o	auxílio	da	orientação	do	fisioterapeuta	(PRENTICE,	2012).	
No	corpo,	alguns	músculos	–	como	os	abdominais,	glúteos,	músculos	da	cintura	
pélvica,	multífido	lombar,	oblíquos	e	outros	–	auxiliam	na	manutenção	da	postura	e	são	
conhecidos	como	parte	de	uma	região	corporal	denominada	core,	a	qual	é	uma	unidade	
integrada	de	músculos	que	ajudam	na	postura	e	a	gerar	força	em	membros	superiores	
e	inferiores	(MCGILL,	2010).	
Exercícios	 de	 condicionamento,	 terapêuticos	 ou	 de	 reabilitaçãodevem	 ser	
trabalhados	 com	 o	 objetivo	 de	 recuperar	 a	 funcionalidade	 corporal,	 especialmente	
após	uma	lesão,	e	esse	atendimento	pode	ser	realizado	em	clínicas	ou	hospitais	com	
objetivo	de	reabilitar	ou	recondicionar	o	atleta	lesionado	(PRENTICE,	2012).	Nos	casos	
de	 distensão	muscular	 da	 coluna,	 pode	 ser	 usado	 o	 gelo	 para	 redução	 do	 processo	
inflamatório.	A	termoterapia	auxilia	na	redução	das	dores	e	desconfortos	causados	pelo	
quadro	e,	assim	que	a	cicatrização	estiver	completa,	deve-se	 iniciar	o	fortalecimento	da	
musculatura	da	região	dorsal	e	a	recuperação	da	amplitude	de	movimento	para	evitar	a	
ocorrência	de	recidiva	(WALKER,	2011).	
O	 tratamento	 fisioterapêutico	 varia	 de	 acordo	 com	 a	 avaliação	 feita	 do	 atleta,	
podendo	ser	composto	por	exercícios	aquáticos	ou	em	solo	e	com	diferentes	objetivos,	
como	 reforço	 muscular,	 resistência,	 mobilidade	 ou	 melhora	 do	 condicionamento	
cardiovascular.	 Podem	ser	 trabalhados	 alguns	 conceitos,	 como	Mckenzie,	 Pilates	 ou,	
ainda,	cinesioterapia	de	maneira	geral.	As	intervenções	serão	determinadas	de	acordo	
com	os	achados	da	avaliação	fisioterapêutica,	sendo	a	escolha	feita	pelo	profissional	em	
conjunto	com	a	preferência	do	atleta	(BARBOSA;	SILVA,	2021).	
Nas	 intervenções	 fisioterapêuticas,	 podem	 ser	 trabalhados	 os	 exercícios	
funcionais	 compostos	 por	 atividades	 específicas	 à	 reabilitação,	 trabalhando	 com	
atividades	multiplanares	e	 levando	a	tensões	e	exigências	maiores	que	os	exercícios	
de	força,	podendo	ser	exercícios	específicos	precursores	aos	específicos	da	atividade	
esportiva,	 como	 caminhar	 antes	 de	 correr,	 ou	 arremesso	 por	 baixo	 antes	 de	 um	
lançamento.	Esses	exercícios	preparam	o	atleta	para	habilidades	avançadas	as	quais	
ele	terá	de	suportar	posteriormente.	Já	os	exercícios	específicos	à	atividade	 incluem	
circuitos	parecidos	com	a	atividade	esportiva,	sendo	específicos	para	desempenho	no	
esporte	e	trabalhados	na	fase	final	de	reabilitação	do	atleta	para	realizar	a	simulação	das	
tensões	e	exigências	que	o	esporte	fará	no	retorno	às	competições	(HOUGLUM,	2015).	
148
Neste tópico, você aprendeu:
•	 Conceitos	sobre	a	anatomia	da	coluna	vertebral,	regiões	da	cervical,	torácica,	lombar	e	
suas	principais	características,	como	disparidades	nos	tamanhos	das	vértebras	que	
caracterizam	as	diferenças	de	mobilidade	nos	segmentos	da	coluna	espinhal.
•	 Biomecânica	da	coluna	vertebral	e	sua	relação	com	a	mobilidade	desse	segmento,	o	
que	pode	indicar	o	risco	de	lesão,	as	diferentes	amplitudes	de	movimento	da	coluna	
de	acordo	com	suas	diferenças	de	tamanho	das	vértebras	e	conformações	de	discos	
vertebrais,	músculos	e	ligamentos.
•	 Principais	lesões	esportivas	que	acometem	a	coluna	vertebral,	tais	como	instabilidade	
da	 coluna	 e	 quadro	 de	 espondilólise,	 as	 quais	 são	 causadas	 por	 movimentos	
repetitivos,	alterações	posturais	ou	existentes	na	biomecânica	da	coluna	espinal,	que	
levam	à	maior	incidência	de	lesões	de	coluna.
•	 Intervenções	fisioterapêuticas	feitas	nas	 lesões	da	coluna	vertebral,	como	bandagens	
terapêuticas,	 eletroterapia,	 dentre	 outras,	 assim	 como	 a	 importância	 de	 uma	
anamnese	completa	para	verificar	 as	melhores	 formas	de	 intervenção	 terapêutica	
em	cada	caso	de	atletas	com	lesões	na	coluna	vertebral.
RESUMO DO TÓPICO 1
149
1	 Com	 base	 no	 estudo	 da	 anatomia	 da	 coluna	 vertebral	 e	 das	 características	
apresentadas	pelas	regiões	cervical,	torácica	e	lombar,	é	possível	verificar	um	grande	
risco	de	que,	durante	a	prática	de	uma	atividade	esportiva,	ocorra	uma	lesão	nesse	
segmento	corporal,	como	um	escorregamento	da	vértebra	sobre	a	adjacente,	com	
maior	 incidência	 na	 região	 lombar,	 especificamente	 em	 L5.	 Assinale	 a	 alternativa	
CORRETA	que	contém	o	nome	dessa	condição	descrita:
a)	 (			)	 Espondilolistese.
b)	 (			)	 Espondilite.
c)	 (			)	 Espondilólise.
d)	 (			)	 Espondiloma.
2	 Considera-se	como	modalidade	de	tratamento	na	fisioterapia	desportiva	várias	formas	
de	 intervenções	 fisioterapêuticas,	 como	 cinesioterapia,	 terapia	 manual,	 recursos	
eletrotermoterápicos	e	mobilização	ativa	ou	passiva,	as	quais	atendem	ao	atleta	tanto	
como	forma	de	prevenção	ao	surgimento	de	lesões	quanto	na	recuperação,	reabilitação	
e	 retorno	dele	às	atividades	esportivas.	Com	base	nas	definições	dos	enfoques	das	
modalidades	fisioterapêuticas	no	esporte,	analise	as	afirmativas	a	seguir:
I-	 A	bandagem	terapêutica	é	usada	para	diminuição	do	quadro	álgico	e	correção	de	
alterações	posturais	que	podem	estar	presentes	no	atleta.	
II-	 Exercícios	de	condicionamento	físico	devem	ser	trabalhados	somente	após	o	atleta	
sofrer	alguma	lesão	esportiva	com	objetivo	exclusivo	de	reabilitação.
III-	 As	modalidades	de	fisioterapia	auxiliam	os	pacientes	na	prevenção	da	lesão	esportiva	
de	coluna	por	meio	de	fortalecimento	da	musculatura	envolvida	no	gesto	esportivo.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 A	Fisioterapia	Esportiva	foi	 reconhecida	como	especialidade	pelo	COFFITO	no	ano	de	
2007	e	permite	ao	fisioterapeuta	o	trabalho	com	atletas	desde	a	fase	pré-competição,	
como	durante	a	atividade	esportiva	e	pós-competição,	além	de	um	acompanhamento	
junto	com	a	equipe	multiprofissional	e	o	atendimento	àqueles	que	sofrem	algum	tipo	
de	 lesão	nos	treinos	ou	durante	a	competição.	O	atleta	deve	ser	visto	quanto	ao	seu	
principal	gesto	esportivo,	presença	de	desvios	posturais,	encurtamentos,	força	muscular,	
dentre	outros	fatores	que	possam	predispor	às	lesões.	De	acordo	com	os	princípios	da	
fisioterapia	esportiva,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
AUTOATIVIDADE
150
(			)	A	facilitação	neuromuscular	proprioceptiva	pode	ser	usada	para	alongar	o	atleta,	
melhorando	sua	flexibilidade	e	prevenindo	lesões.	
(			)	O	 fortalecimento	muscular	 do	 atleta	 é	 importante	 somente	 para	melhorar	 o	 seu	
desempenho	na	competição,	não	prevenindo	que	ele	se	lesione.
(			)	No	atendimento	ao	atleta,	é	importante	a	avaliação	desde	o	momento	que	ele	chega	
ao	consultório	para	averiguar,	por	exemplo,	a	presença	de	desvios	posturais.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	-	F	-	F.
b)	 (			)	 V	-	F	-	V.
c)	 (			)	 F	-	V	-	F.
d)	 (			)	 F	-	F	-	V.
4	 A	fisioterapia	desportiva	se	faz	muito	importante	no	tratamento	às	lesões	de	coluna	
porque	prepara	o	 atleta	desde	a	 fase	de	pré-competição	até	o	 acompanhamento	
de	 sua	 recuperação	 após	 lesões.	Cada	 atividade	 esportiva	 tem	um	gesto	 esportivo	
predominante	 que	 acaba	 por	 sobrecarregar	 estruturas	 específicas,	 sendo	 muito	
importante	 ao	 fisioterapeuta	 conhecer	 os	 gestos	 para	 que	 possa	 trabalhar	 na	
prevenção	dos	acometimentos	que	podem	atingir	o	sistema	musculoesquelético	do	
atleta.	Disserte	sobre	essa	área	de	atuação	do	fisioterapeuta	esportivo	na	prevenção	
das	lesões	de	coluna.
5	 Existem	 muitas	 possibilidades	 terapêuticas	 na	 fisioterapia	 para	 o	 atendimento	
do	atleta	que	sofreu	algum	tipo	de	 lesão.	Quando	falamos	em	 lesões	de	coluna,	a	
intervenção	deve	ser	feita	com	o	objetivo	de	recuperação	do	atleta	após	uma	lesão	
que	ocorreu	no	esporte,	mas	é	uma	forma	de,	após	a	recuperação,	prevenir	quadros	
de	recidiva.	Nesse	contexto,	disserte	sobre	os	efeitos	da	bandagem	terapêutica	no	
tratamento	de	lesões	de	coluna	em	atletas.
151
TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA 
LESÕES ESPORTIVAS DO QUADRIL
UNIDADE 3 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO
		Acadêmico,	no	Tópico	2,	abordaremos	as	lesões	esportivas	que	acometem	o	
quadril	de	atletas.	As	regiões	de	quadril	e	pelve	são	sujeitas	a	alguns	tipos	de	traumas	
relacionados	 a	 algumas	 atividades	 esportivas,	 mas	 com	 menor	 incidência	 quando	
comparado	a	outras	regiões,	como	joelho,	tornozelo	e	punho.	As	lesões	que	acometem	
o	quadril	podem	ter	diversas	causas,	como	traumasdiretos	sobre	a	 região,	 impactos	
em	 membros	 inferiores	 que	 possam	 gerar	 uma	 força	 sobre	 a	 estrutura	 do	 quadril,	
dentre	outras,	além	dos	sinais	e	sintomas	sofrerem	variação	conforme	a	localização	e	a	
gravidade	da	lesão.	
O	quadril	é	caracterizado	por	ter	uma	grande	estabilidade,	visto	que,	na	região,	
perpassam	muitos	ligamentos,	músculos	e	cápsulas	que	conferem	à	região	uma	grande	
resistência,	apesar	da	grande	mobilidade	necessária	à	deambulação,	às	atividades	de	
vida	diária	e	da	grande	descarga	de	peso	que	é	imposta	aos	membros	inferiores.	
Apesar	de	ser	uma	estrutura	bastante	rígida	e	composta	por	ossos,	músculos	e	
ligamentos	que	precisam	suportar	o	peso	corporal,	o	quadril	do	atleta	pode	sofrer	lesões	
que,	muitas	vezes,	o	afastará	das	competições	de	forma	definitiva,	por	serem	 lesões	
incapacitantes.
A	 fisioterapia	 se	 faz	 importante	 para	 a	 análise	 dos	 comprometimentos	
estruturais	e	biomecânicos	que	podem	estar	presentes	na	região	e	que	podem	predispor	
o	 atleta	 às	 lesões	 esportivas,	 sendo	 importante	um	alinhamento	 corporal	 adequado,	
fortalecimento	muscular,	trabalho	de	amplitude	de	movimento,	propriocepção,	dentre	
outras	intervenções,	a	fim	de	prevenir	o	surgimento	das	lesões	nesse	segmento	corporal.	
2 ANATOMIA DO QUADRIL
A	articulação	do	quadril	é	considerada	uma	das	mais	estáveis	do	corpo	devido	
à	 presença	 de	 ligamentos	 importantes	 na	 região.	 Além	 da	 cápsula	 articular	 e	 uma	
musculatura	importante,	a	região	possui	uma	grande	mobilidade,	o	que	a	torna	muito	
suscetível	a	lesões,	especialmente	em	momentos	de	contração	dinâmica	que	produzem	
uma	grande	potência	no	local.	
152
Atividades	 como	 salto	 e	 corrida	 utilizam	muito	 a	 musculatura	 dessa	 região,	
promovendo	 um	 trabalho	 conjunto	 entre	 a	 pelve,	 o	 quadril,	 ligamentos	 e	 cápsula	
articular,	 para	 que	 haja	 estabilidade	 aos	 membros	 inferiores.	 Devido	 ao	 fato	 de	 a	
produção	de	 força	dinâmica	 e	 estabilização	aplicarem	uma	 sobrecarga	nos	músculos,	
articulações	e	ligamentos	da	região	do	quadril,	essa	área	fica	mais	suscetível	a	sofrer	
lesões	(PRENTICE,	2012).	
Quando ocorrem alterações a nível do quadril, em geral, a mobilidade 
do atleta também fica alterada. É muito importante a avaliação da 
mobilidade articular por meio da goniometria, identificando os 
movimentos de flexão e extensão, adução e abdução e rotações 
interna e externa.
IMPORTANTE
A	articulação	sacroilíaca	une	o	arco	ósseo	da	pelve	 juntamente	com	a	sínfise	
púbica,	 oferecendo,	 em	 conjunto,	 uma	 elasticidade	 ao	 anel	 pélvico.	 A	 união	 das	 três	
articulações	presentes	na	pelve	promove	um	amortecimento	das	forças	e	impactos	que	
incidem	sobre	a	coluna	vertebral	 e	a	parte	 superior	do	corpo	todas	as	vezes	que	os	
membros	inferiores	entram	em	contato	com	o	solo	(MAGEE,	2010).	
O	quadril	possui	uma	cápsula	articular	fibrosa	forte	que	recobre	toda	a	articulação,	a	
qual	é	reforçada	por	três	ligamentos.	O	mais	importante	deles	é	o	iliofemoral,	que	reforça	a	
parte	anterior	da	cápsula.	Os	três	ligamentos	se	fixam	na	margem	do	acetábulo	e	cruzam	
a	articulação	do	quadril	em	espiral,	fixando-se	no	colo	do	fêmur.	Essa	conformação	limita	
o	movimento	de	hiperextensão	do	quadril,	permitindo	o	movimento	completo	de	flexão	
no	 sentido	 oposto,	 portanto,	 os	 ligamentos	 se	 tensionam	na	hiperextensão	 e	 relaxam	
na	flexão.	Essas	conformações	permitem	que	fiquemos	na	posição	ortostática	sem	usar	
qualquer	músculo,	sendo	sustentados,	basicamente,	pelos	ligamentos	iliofemorais	direito	e	
esquerdo	(LIPPERT,	2018).	
2.1 BIOMECÂNICA
O	quadril	e	a	pelve	transmitem	cargas	dos	pés	para	a	coluna	e	da	coluna	aos	
pés,	sendo	a	pelve	constituída	por	um	anel	ósseo	dividido	em	lados	direito	e	esquerdo	
(íleo,	 ísquio	e	púbis),	 ligados	aos	ossos	do	sacro	e	do	cóccix.	A	pelve	fornece	suporte	
à	coluna	e	ao	tronco	distribuindo	o	peso	aos	membros	 inferiores	e	 ligando	o	tronco	à	
musculatura	da	coxa.	Ela	possui	articulações	 ligadas	entre	si	por	fortes	 ligamentos	e	
uma	cápsula	articular	que	é	composta	por	uma	estrutura	fibrosa.	Ainda,	na	região	estão	
presentes	 os	 grupos	musculares	 anterior	 e	 posterior,	 sendo	 a	 articulação	 do	 quadril	
estável	intrinsecamente	pelo	formato	bola	e	soquete	da	articulação	(PRENTICE,	2012).
153
FIGURA 2 – OSSOS DO QUADRIL
FONTE: Tank e Gest (2009, p. 274)
	O	quadril	possui	uma	posição	aberta	quando	está	em	trinta	graus	de	flexão,	
trinta	graus	de	abdução	e	discreta	rotação	lateral,	sendo	que,	quando	se	encontra	dessa	
forma,	é	possível	um	movimento	máximo	da	superfície	articular.	Essa	articulação	tem	
formato	côncavo-convexo,	 em	que	a	cabeça	do	fêmur	desliza	no	sentido	oposto	da	
extremidade	distal	do	osso.	A	articulação	do	quadril	é	composta	pelo	osso	do	quadril	e	
pelo	osso	fêmur,	nesse	contexto,	o	do	quadril	possui	um	formato	irregular	promovido	
pela	fusão	de	três	ossos	que	ocorre	na	vida	adulta	(LIPPERT,	2018).
2.2 LESÕES ESPORTIVAS NA REGIÃO DO QUADRIL
Os	processos	de	lesão	se	dividem	em	fases:	lesão	primária	e	secundária.	Uma	
lesão	primária	promove	a	destruição	de	tecido,	o	que	ocorre	por	uma	força	traumática.	Já	
uma	lesão	secundária	é	composta	por	morte	celular,	causada,	em	geral,	por	um	bloqueio	
no	suprimento	de	oxigênio	para	a	área	 lesionada,	quadro	conhecido	como	 isquemia,	
levando	 a	 um	dano	 enzimático	 e	 alterações	 nas	 funções	mitocondriais.	 O	 dano	 que	
ocorre	no	estágio	primário	é	irreversível,	por	isso,	o	tratamento	é	feito	com	objetivo	de	
tentar	limitar	a	extensão	da	lesão	secundária	(STARKEY,	2017).	
154
As	estruturas	da	região	do	quadril	e	pelve	mais	acometidas	por	lesões	no	esporte	
são	os	músculos	e	os	tendões,	 responsáveis	pela	 realização	dos	movimentos	na	região,	
visto	que	a	maioria	dos	músculos	têm	sua	origem	localizada	na	região	da	pelve	ou	do	
fêmur,	ou	servem	de	inserção	para	outros	músculos,	como	os	abdominais,	glúteos,	dentre	
outros.	As	inserções	musculares	em	uma	pequena	área	fazem	com	que,	em	caso	de	lesão,	
ocorra	uma	incapacidade	considerável	ao	atleta,	dificultando,	inclusive,	o	seu	diagnóstico	
(PRENTICE,	2012).	
As	 articulações	 sacroilíacas	 e	 sacrococcígea,	 apesar	 de	 limitadas	 em	 seus	
movimentos,	são	muito	importantes	e	são	alvos	de	lesão,	podendo	se	tornar	hipomóveis	
ou	hipermóveis,	levando	o	atleta	a	apresentar	dor	e	disfunção,	pois	as	articulações	do	
quadril	são	protegidas	por	fortes	ligamentos	e	reforçadas	por	músculos,	dessa	maneira,	
um	movimento	na	articulação	sacroilíaca	afeta	a	região	da	sínfise	púbica	e	vice-versa	
(HOUGLUM;	BERTOTI,	2014).	
Quando	 ocorre	 lesão	 a	 nível	 articular,	 o	 equilíbrio	 é	 prejudicado	 e	 as	 reações	
proprioceptivas	são	prejudicadas,	o	que	especialmente	ocorre	quando	há	distensão	em	
componentes	 presentes	 na	 articulação,	 como	 ligamentos,	 tendões,	 cápsula	 e,	 ainda,	
os	mecanorreceptores	periféricos,	prejudicando	suas	funções.	São	 lesões	comuns	que	
ocorrem	nas	atividades	esportivas,	frequentemente	por	choque	com	adversários	ou	objetos	
e	podem,	inclusive,	incapacitar	o	atleta	a	retornar	ao	esporte	(ROSSATO	et al.,	2013).	
A propriocepção, juntamente com um funcionamento muscular 
adequado, auxilia na estabilidade articular, especialmente no 
movimento. As lesões ortopédicas podem prejudicar esse 
mecanismo. Dessa forma, é importante a fisioterapia trabalhar a 
propriocepção e o equilíbrio do atleta na reabilitação.
ATENÇÃO
As	 lesões	 podem	 ser	 provocadas	 tanto	 por	 fatores	 externos	 quanto	 internos.	 Os	
externos	podem	ser	um	treinamento	sem	respeito	à	intensidade,	frequência	e	duração	
adequadas,	 local	 de	 treino	 inadequado	 –	 como	 areia,	 asfalto,	 grama,	 com	 terreno	
irregular	–	ou,	ainda,	por	uma	alimentação	desequilibrada	do	atleta	sem	fornecimento	
energético	adequado	e	prática	de	mais	de	uma	atividade	física	ao	mesmo	tempo.	Já	
os	 fatores	 internos	 estão	 relacionados	 a	 alterações	 anatômicas	 ou	 na	 biomecânica	
corporal,	à	flexibilidade,	a	 lesões	anteriores,	ao	condicionamento	físico	do	atleta,	comopeso,	 altura	 e	 índice	 de	massa	 corporal,	 e	 até	 à	 qualidade	do	 tecido	 ósseo,	 ou	 seja,	
densidade	óssea,	além	do	condicionamento	cardiovascular	(PILEGGI	et al.,	2010).	
155
A	atividade	esportiva	pode	causar	uma	lesão	em	nível	de	crista	ilíaca,	sendo	que	
a	contusão	pode	acometer	concomitantemente	a	musculatura	que	está	sobre	a	crista.	
Geralmente,	o	mecanismo	lesivo	ocorre	por	golpe	direto,	como	em	esportes	de	contato.	
Casos	mais	graves	podem	provocar	uma	grande	lesão	óssea,	fissuras	ou	fratura	no	local,	
podendo	envolver	a	musculatura	flexora	de	quadril,	bem	como	a	musculatura	de	região	
abdominal.	Pode,	também,	ser	afetada	a	musculatura	rotadora	do	quadril,	causando	dor	
em	qualquer	movimento,	inclusive	na	sustentação	de	peso	(WALKER,	2011).	
Outra	patologia	comum	de	surgir	nas	atividades	esportivas	é	a	pubalgia,	que	
corresponde	a	um	processo	 inflamatório	na	 região	do	quadril	 denominada	de	 sínfise	
púbica,	geralmente	causada	por	desequilíbrio	entre	a	musculatura	anterior	do	tronco	
(abdominal)	e	a	musculatura	adutora	do	quadril.	Esforços	repetitivos	impostos	durante	o	
esporte,	especialmente	aqueles	que	exigem	correr	ou	chutar	ou,	ainda,	os	que	exigem	
movimentos	 bruscos	por	 parte	 do	 atleta,	 promovem	o	desequilíbrio	 na	musculatura	 e	
levam	a	região	pélvica	a	uma	instabilidade.	O	desequilíbrio	muscular	exerce	uma	força	
de	 cisalhamento	 sobre	 a	 região	 da	 sínfise	 púbica,	 já	 que	 são	 antagonistas	 na	 força	
exercida	sobre	a	região,	o	que	promove	vários	microtraumas	de	forma	acumulada	na	
região,	trazendo	problemas	de	pubalgia.	Os	sintomas	são,	especialmente,	a	dor	no	local	
de	inserção	do	músculo	abdominal	e	na	origem	dos	músculos	adutores,	principalmente	
em	atividades	que	exigem	mais	movimentos	da	pelve	ou,	por	exemplo,	ao	caminhar.	
Além	disso,	 a	dor	é	exacerbada	quando	o	atleta	 faz	alongamento,	 fortalecimento	da	
região	abdominal	ou	quando	aumenta	a	pressão	intra-abdominal	(ANGOULES,	2015).
No	 quadril,	 é	muito	 comum	 ocorrer	 uma	 distensão	 dos	músculos	 flexores	 do	
quadril,	especialmente	em	esportes	como	ciclismo	e	corridas,	que	exigem	chutes	e	saltos,	
visto	que	nesses	casos	há	uma	imposição	de	carga	aos	músculos	de	forma	repetitiva	e	
sem	dar	tempo	de	repouso,	ocorrendo,	então,	o	estiramento	e	podendo	ocorrer	laceração	
dos	músculos	envolvidos	nos	esportes.	Esse	tipo	de	lesão	pode	ocorrer	devido	à	falta	de	
alongamento	ou	aquecimento	adequados	e	à	prática	inadequada	da	atividade	física,	por	
exemplo,	hiperextensão	vigorosa	da	região	do	quadril	(WALKER,	2011).	
2.3 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS NAS LESÕES DE 
QUADRIL
Qualquer	intervenção	na	fisioterapia	deve	iniciar	com	uma	avaliação	detalhada	
das	estruturas	envolvidas.	A	região	do	quadril	e	da	pelve	são	extremamente	importantes,	
visto	que	são	consideradas	o	centro	do	corpo,	tendo	o	centro	de	gravidade	localizado	
em	 sua	 porção	 anterior.	As	 lesões	 nessa	 região	 podem	 levar	 a	 incapacitações	 tanto	
da	região	dos	membros	inferiores	como	do	tronco	ou,	ainda,	podem	estar	associadas.	
É	 importante	 a	 verificação	 de	 presença	 de	 assimetrias	 na	 postura	 ou	 de	 qualquer	
assimetria	 na	 descarga	 de	 peso	 em	 membros	 inferiores	 durante	 a	 deambulação.	
A	palpação	e	 a	 realização	de	 testes	 especiais	 permitem	o	diagnóstico	de	 alterações	
funcionais,	musculares	e	articulares	nessa	região	(PRENTICE,	2012).	
156
A	 termografia	 é	 um	 recurso	 não	 invasivo	 e	 pode	 ser	 usada	 na	 avaliação	 em	
fisioterapia	esportiva,	pois	demonstra,	por	meio	de	imagens	térmicas	infravermelhas,	a	
vascularização	tecidual	por	meio	da	temperatura	apresentada	na	pele.	Isso	pode	auxiliar	
na	 detecção	 de	 alterações	 de	 temperatura	 pós-treino	 ou	 competições.	 Ela	 também	
mostra	áreas	que	apresentam	um	processo	inflamatório	agudo	e	que	possam	influenciar	
no	desempenho	do	atleta	(JUNIORI,	2021).	
Na	 anamnese,	 é	muito	 importante	 que	 o	 fisioterapeuta	 questione	 qual	 foi	 o	
mecanismo	da	lesão,	qual	o	local	em	que	a	dor	se	localiza,	se	há	momentos	em	que	a	
dor	é	mais	aguda,	se	existe	alguma	posição	que	agrava	o	quadro	álgico	e	que	seja	levada	
em	consideração	a	idade	do	paciente.	Devem	ser	avaliados	a	coluna	lombar	e	os	quadris	
porque,	 muitas	 vezes,	 essas	 regiões	 causam	 dor	 referida	 na	 região	 da	 articulação	
sacroilíaca	e	alterações	na	posição	do	sacro	em	 relação	ao	 ílio	alteram	a	posição	da	
sínfise	púbica,	levando	a	problemas	na	região	da	pelve	e	do	quadril	(MAGEE,	2010).	
Pode	também	ser	realizada	a	medida	do	desfecho	que	é	referida	pelo	paciente,	
conhecida	 como	 PROMs,	 originada	 da	 nomenclatura	 em	 inglês	 Patient Reported 
Outcome Measures.	 Essa	 medida	 permite	 avaliar	 os	 sintomas,	 estado	 funcional	 e	
fatores	psicossociais	que	o	paciente	relatar	em	relação	à	sua	saúde	e	pode	ser	usada	
para	 gerenciamento	 clínico	 do	 paciente.	 No	 esporte,	 o	 fisioterapeuta	 usa	 os	 PROMs	
como	forma	de	monitorar	diariamente	o	atleta,	podendo	identificar	fatores	que	alterem	o	
seu	desempenho	nas	competições	e	dando	oportunidade	ao	atleta	de	participar	da	sua	
recuperação	ao	longo	do	processo	terapêutico	(JUNIORI,	2021).	
No	tratamento	das	lesões	na	região	do	quadril,	pode	ser	realizado	um	treinamento	
proprioceptivo	 para	 que	 haja	 um	 estímulo	 aos	 mecanorreceptores	 presentes	 em	
articulações,	músculos	e	tendões,	para	que	seja	possível,	ao	sistema	nervoso,	reconhecer	
condições	dinâmicas	e	estáticas,	de	equilíbrio	ou	desequilíbrio,	biomecânicas,	do	tônus	e	
alterações	em	coordenação	motora	ou	de	percepção	do	local	acometido.	A	propriocepção	
é	 importante	 para	 a	 marcha,	 podendo	 influenciar,	 inclusive,	 na	 força	 muscular	 e	 no	
equilíbrio	do	atleta	(ROSSATO	et al.,	2013).	
No	caso	de	contusão	provocada	por	 impacto	direto	na	 região	da	crista	 ilíaca	
causada	por	esportes	de	contato,	é	 importante	o	tratamento	 imediato	com	aplicação	
de	gelo	e,	posteriormente,	devem	ser	fortalecidos	os	músculos	que	ficam	ao	redor	do	
quadril.	O	repouso	deve	ser	mantido	até	que	não	haja	mais	dor.	Então,	após	esse	período,	
o	atleta	deve	ser	reinserido	de	forma	gradual	na	atividade	esportiva	(WALKER,	2011).	
Nos	atletas	que	apresentam	o	quadro	de	pubalgia,	a	fisioterapia	pode	atuar	com	
técnicas	 eletroterápicas	para	 alívio	da	dor	 ou,	 ainda,	 a	 crioterapia,	 além	de	 trabalhar	
os	músculos	estabilizadores	da	região	pélvica,	melhorando	sua	flexibilidade,	equilibrar	
a	 força	muscular	 da	 região	 e	 fazer	mobilização	 da	 região,	 trabalhando,	 em	 especial,	
na	região	da	articulação	sacroilíaca.	Ao	retornar	ao	esporte,	é	 importante	um	calçado	
adequado	que	diminua	o	impacto	e	uma	propriocepção	adequada	(QUEIROZ	et al.,	2014).	
157
Nos	 casos	 em	que	 há	 distensão	 de	flexores	 do	 quadril,	 é	muito	 importante	 a	
interrupção	 de	 atividades	 que	 agravem	 o	 quadro	 de	 distensão	 dos	músculos	 e	 pode	
ser	aplicado	gelo	de	48	a	72	horas.	Também	podem	ser	usadas	técnicas	com	ação	anti-
inflamatória	 e	 técnicas	 de	 aquecimento	 e	 massoterapia	 para	 melhorar	 a	 cicatrização	
e	 o	fluxo	 sanguíneo	no	 local.	Após	 esse	período,	 é	muito	 importante	 o	 condicionamento	
como	forma	de	reabilitação	para	que	não	ocorra	novas	distensões	da	musculatura.	Para	
isso,	deve	ser	 trabalhado	alongamento	da	musculatura	flexora	do	quadril,	 abdominais,	
quadríceps,	dentre	outros,	para	que	seja	diminuído	o	estresse	sobre	o	local,	ou	quando	forças	
inesperadas	são	impostas	sobre	o	local,	para	que	não	ocorra	recidiva	(WALKER,	2011).	
Os	 atletas	 ainda	 podem	 ser	 reabilitados	 por	meio	 da	 terapia	 denominada	 de	
gamificação,	que	consiste	no	uso	de	jogos	para	que	o	atleta	realize	exercícios	físicos	
ou	atividades	de	reabilitação,	afetando	o	comportamento	e	a	motivação	do	atleta	de	
realizar	 os	 exercícios	 por	meio	 de	 estímulos	visuais	 proporcionados	 pela	 técnica.	No	
caso	de	atletas,	é	promovido	o	seu	envolvimento	no	processo	de	reabilitação,	sendo	
possível	ao	fisioterapeuta	avaliar	os	efeitos	emocionais,	cognitivos	e	sociais	do	paciente	
duranteo	processo.	A	técnica	permite	avaliar	o	progresso	da	reabilitação	do	atleta	ou	
até	comparar	resultados	entre	os	membros	da	equipe	esportiva.	Existem	alguns	aplicativos,	
como	Strava	e	NikeRun,	que	demonstram	a	atividade	física	e	oferecem	um	feedback	ao	
atleta	durante	a	recuperação	(JUNIORI,	2021).	
O	fisioterapeuta	deve	educar	o	atleta	quanto	às	formas	de	proteger	a	articulação	
do	 quadril,	 evitando	 as	 condições	 que	 levem	 ao	 surgimento	 dos	 sintomas.	Algumas	
orientações,	nesse	caso,	 incluem	não	permanecer	muito	tempo	sentado,	não	utilizar	
cadeiras	 ou	 sofás	muito	 baixos,	 não	 realizar	 agachamentos	 profundos,	 evitar	 cruzar	
as	 pernas,	 não	 praticar	 a	 atividade	 esportiva	 caso	 ela	 cause	 dor.	 Em	 alguns	 casos,	
quando	a	lesão	do	quadril	altera	o	padrão	de	movimento	durante	a	deambulação,	pode	
ser	 indicado	 o	 uso	 de	 dispositivos	 auxiliares	 para	 a	marcha,	 como	 andador,	muletas	
ou	 bengala,	 para	 que	haja	 uma	 redução	 da	 carga	 imposta	 na	 articulação	 do	 quadril	
(BARBOSA;	SILVA,	2021).	
158
Neste tópico, você aprendeu:
•	 Conceitos	anatômicos	da	região	do	quadril	e	pelve	e	suas	principais	características,	
além	 da	 presença	 de	 estruturas	 ósseas	 importantes	 que,	 juntamente	 com	 as	
estruturas	musculares,	ligamentares	e	cápsulas	dão	à	região	uma	grande	estabilidade	
e	resistência.
•	 Biomecânica	 da	 região	 do	 quadril	 e	 pelve	 e	 sua	 relação	 com	 a	mobilidade	 desse	
segmento,	o	que	pode	indicar	risco	à	lesão,	sendo	que	os	atletas	estão	predispostos	
a	mecanismos	de	lesão	por	descarga	de	peso	na	região	de	forma	mais	considerável,	
além	de	alterações	na	biomecânica	que	podem	provocar	as	lesões	nessa	região.
•	 Principais	lesões	esportivas	que	acometem	o	quadril,	tais	como	pubalgia	e	distensões	
musculares,	quais	mecanismos	levam	ao	surgimento	dessas	lesões	e	como	deve	ser	
a	avaliação	da	fisioterapia	desde	o	pré-atendimento	por	meio	do	gesto	esportivo	do	
atleta.
•	 Intervenções	fisioterapêuticas	nas	lesões	de	quadril,	desde	treinos	de	propriocepção,	
alongamentos,	 fortalecimento	 muscular,	 terapia	 manual,	 sempre	 de	 acordo	 com	
uma	anamnese	detalhada	para	delineamento	do	quadro	e	a	escolha	da	terapia	mais	
plausível	em	cada	caso.
RESUMO DO TÓPICO 2
159
1	 Com	base	no	estudo	da	anatomia	do	quadril,	compreende-se	que	pode	ocorrer	um	
quadro	inflamatório	causado	por	desequilíbrio	entre	a	musculatura	anterior	do	tronco	e	
adutora	do	quadril.	Além	disso,	em	atividades	esportivas	em	que	ocorre	sobrecarga	
de	movimentos	 repetitivos	 sobre	 a	 região	 do	 quadril,	 pode	 ser	 desenvolvida	 uma	
força	de	cisalhamento	na	região,	gerando	um	quadro	de	desequilíbrio	e	instabilidade	
local.	Assim,	assinale	a	alternativa	CORRETA	que	apresenta	o	nome	dessa	condição:
a)	 (			)	 Distensão	muscular.
b)	 (			)	 Artrite.
c)	 (			)	 Pubalgia.
d)	 (			)	 Artrose.
2	 No	atendimento	às	lesões	de	quadril	em	atletas,	é	muito	importante	que	a	fisioterapia	
inicie	com	uma	avaliação	detalhada,	 já	que	essa	região	é	considerada	o	centro	do	
corpo	e	onde	se	 localiza	o	centro	de	gravidade	em	sua	porção	anterior.	Quando	o	
quadril	está	lesionado,	pode	ocorrer	um	quadro	de	incapacidade,	especialmente	nos	
membros	 inferiores	ou	na	região	do	tronco.	Com	relação	às	 lesões	que	acometem	
essa	região	e	à	sua	avaliação,	analise	as	afirmativas	a	seguir:
I-	 É	muito	importante	a	verificação	de	assimetrias	na	descarga	de	peso	na	deambulação.	
II-	 É	muito	importante	a	palpação	da	região	do	quadril	para	verificar	alterações	articulares	
ou	musculares.
III-	 É	muito	importante	a	realização	de	testes	especiais	para	diagnósticos	de	disfunções	
musculares	ou	articulares.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I,	II	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 A	fisioterapia	esportiva	atua	nos	quadros	de	lesões	esportivas	do	quadril,	podendo	ser	
citados	a	pubalgia,	a	distensão	muscular,	o	quadro	de	dores	musculares	causados	
por	esforço	 repetitivo	da	musculatura	envolvida	no	equilíbrio	pélvico	e	a	verificação	
de	 alterações	 posturais	 que	 possam	 levar	 ao	 risco	 de	 lesão	 durante	 a	 prática	 de	
atividade	esportiva.	Com	relação	às	lesões	de	quadril	que	acometem	os	atletas	nas	
competições,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
AUTOATIVIDADE
160
(			)	 Quando	ocorre	distensão	dos	músculos	flexores	de	quadril,	as	atividades	devem	ser	
interrompidas.	
(			)	Quando	ocorre	a	distensão	dos	músculos	flexores	de	quadril,	pode	ser	aplicado	gelo	
de	48	a	72	horas.
(			)	 Quando	ocorre	a	distensão	dos	músculos	flexores	do	quadril,	pode	ser	associado	ao	
tratamento	o	uso	de	técnicas	anti-inflamatórias.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	-	F	-	F.
b)	 (			)	 V	-	F	-	V.
c)	 (			)	 F	-	V	-	F.
d)	 (			)	 V	-	V	-	V.
4	 A	fisioterapia	esportiva	dispõe	de	uma	gama	de	recursos	para	o	atendimento	do	atleta,	
promovendo	 desde	 a	 prevenção	 até	 a	 reabilitação	 do	 atleta.	Após	 um	 quadro	 de	
lesão,	por	exemplo,	no	caso	de	lesão	da	região	do	quadril,	existem	recursos	manuais,	
recursos	eletrotermoterápicos	e	recursos	eletrônicos	que	auxiliam	na	recuperação	do	
atleta.	Disserte	sobre	a	técnica	de	gamificação	na	reabilitação	do	atleta	e	na	atuação	
do	fisioterapeuta	esportivo.
5	 O	tratamento	de	 lesões	esportivas	que	afetam	o	quadril	demanda	várias	formas	de	
intervenção,	desde	fortalecimento	da	musculatura	flexora	e	rotadora	de	quadril	ao	
trabalho	na	flexibilidade	articular,	alongamento	e	fortalecimento	muscular.	É	muito	
importante	que	esse	trabalho	seja	feito	na	pré-competição	e,	no	caso	de	 lesão,	a	
reabilitação	deve	visar	ao	retorno	funcional	do	atleta	à	competição.	Além	disso,	é	muito	
importante	o	trabalho	proprioceptivo.	Disserte	sobre	a	importância	da	propriocepção	
na	recuperação	pós-lesão	de	atletas.
161
TÓPICO 3 — 
TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS 
PARA LESÕES ESPORTIVAS DO 
MEMBRO SUPERIOR
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico,	 no	Tópico	 3	 abordaremos	 as	 lesões	 esportivas	 que	 acometem	 os	
membros	superiores,	como	luxações	e	epicondilites,	em	geral	causadas	por	movimentos	
repetitivos	ou	excesso	de	força	aplicada	sobre	a	articulação	envolvida.	O	ombro,	devido	
à	grande	amplitude	de	movimento	que	existe	na	região,	acaba	sendo	uma	região	mais	
suscetível	a	lesões.	
As	lesões	de	membro	superior	podem	ser	causadas	por	movimentos	repetitivos,	
como	é	o	caso	das	epicondilites,	mais	conhecidas	como	cotovelo	de	tenista	e	cotovelo	
de	golfista.	Além	disso,	movimentos	bruscos	ou	impactos	de	grande	magnitude	sobre	
as	articulações	do	membro	superior	podem	levar	a	lesões	graves.	
As	 estruturas	 dos	 membros	 superiores	 realizam	 uma	 frequência	 grande	 de	
movimentos	nos	gestos	esportivos,	especialmente	nos	esportes	que	envolvem	arremessos	
ou	mobilidade	do	membro	superior	acima	da	cabeça,	o	que	promove	um	grande	risco	de	
lesão	a	nível	dessas	articulações,	a	saber:	o	ombro,	o	cotovelo,	o	punho	e	as	articulações	
da	mão.
A	 fisioterapia	 pode	 atuar	 nos	 momentos	 pré-competição,	 realizando	 uma	
avaliação	detalhada	dos	principais	gestos	esportivos	do	atleta	que	predispõem	lesões	
em	 membros	 superiores	 e,	 de	 acordo	 com	 os	 achados	 da	 avaliação	 fisioterápica,	
elaborar	 um	 protocolo	 terapêutico	 para	 prevenir	 as	 lesões	 ou	 para	 a	 reabilitação	 do	
paciente	quando	elas	ocorrem.	O	membro	superior	é	utilizado	com	muita	frequência	nas	
atividades	de	vida	diária,	principalmente	nos	gestos	esportivos	que	exigem	arremesso	
ou	 movimentos	 acima	 da	 cabeça,	 sendo	 importante	 o	 fortalecimento	 e	 ganho	 de	
amplitude	de	movimento,	dentre	outras	intervenções,	na	prevenção	e	reabilitação	das	
lesões	esportivas	de	membros	superiores.
162
2 ANATOMIA DOS MEMBROS SUPERIORES 
O	ombro	é	composto	por	vinte	músculos,	três	articulações	ósseas	e	superfícies	
móveis	de	tecidos	moles.	Ele	permite	à	mão	se	posicionar	em,	aproximadamente,	dezesseismil	posições	diferentes	para	a	realização	das	funções	do	dia	a	dia.	Além	disso,	o	ombro	
permite	uma	estabilização	do	membro	superior	para	que	a	mão	possa	puxar	ou	levantar	
objetos.	Para	tanto,	é	necessária	uma	estabilidade	estrutural,	sendo	que	a	única	fixação	
óssea	do	membro	superior	no	tronco	é	a	esternoclavicular	(HOUGLUM;	BERTOTI,	2014).	
	O	complexo	do	ombro	possui	uma	grande	mobilidade,	o	que	causa	uma	grande	
instabilidade	nessa	articulação,	deixando	a	região	muito	suscetível	a	lesões.	São	comuns	
lesões	 ligadas	 ao	 esforço	 repetitivo,	 em	que	 os	 ossos	 localizados	 no	 ombro	 se	 ligam,	
estruturando	uma	articulação	que	forma	um	complexo	entre	clavícula,	esterno,	escápula	e	
úmero.	 Essa	 região	 tem	 quatro	 grandes	 articulações:	 esternoclavicular,	 acromioclavicular,	
glenoumeral	 e	 escapulotorácica.	 A	 instabilidade	 do	 ombro	 acaba	 causando	 lesões	
especialmente	nas	atividades	esportivas	que	envolvem	movimentos	acima	da	cabeça,	
como	vôlei,	lançamento	de	dardo,	basquete,	dentre	outras,	sendo	a	estabilidade	dinâmica	
promovida	pela	musculatura	do	manguito	 rotador	 juntamente	com	a	cápsula	 articular	
(PRENTICE,	2012).	
FIGURA 3 – CÍNGULO DO MEMBRO SUPERIOR
FONTE: Martini, Timmons e Tallitsch (2009, p. 210)
163
O	braço	articula-se	com	o	 tronco	por	uma	estrutura	denominada	cíngulo	do	
membro	superior	ou,	ainda,	cintura	escapular.	Os	movimentos	que	ocorrem	na	clavícula	
e	na	escápula	permitem	ao	braço	um	apoio	para	que	o	ombro	possa	se	movimentar.	
Dessa	forma,	percebe-se	que	a	escápula	e	a	clavícula	são	locais	importantes	de	inserção	
muscular	do	complexo	do	membro	superior	(MARTINI;	TIMMONS;	TALLITSCH,	2009).	
O	 cotovelo	 é	 composto	 por	 um	 conjunto	 de	 articulações	 complexas	 do	 tipo	
sinovial	 compostas.	 Então,	 se	 houver	 lesão	 em	 uma	 parte,	 as	 demais	 também	 serão	
afetadas,	 são	elas:	 a	úmero-ulnar	 e	ulmerorradial.	 Essas	 articulações	 são	 sustentadas	
especialmente	pelos	ligamentos	colateral	ulnar	e	colateral	radial.	O	cotovelo	é	que	permite	
um	posicionamento	adequado	da	mão	para	que	desempenhe	sua	função,	além	de	ajustes	
de	altura	e	comprimento	para	a	adequada	posição	da	mão.	Os	tratamentos	do	cotovelo,	
em	geral,	são	direcionados	à	condição	patológica	apresentada	(MAGEE,	2010).	
2.1 BIOMECÂNICA 
Os	músculos	dos	membros	superiores	têm	sua	origem	no	úmero	ou	na	escápula	
e	possuem	função	de	estender	ou	flexionar	o	cotovelo,	proporcionando	a	estabilidade	ao	
punho	e	mão	em	movimentação	nas	mais	diversas	direções	(MANOCCHIA,	2009).	
O	membro	superior	tem	como	principal	função	o	movimento	de	preensão,	que	
tem	início	na	articulação	do	ombro,	sendo	que	o	complexo	do	ombro	tem	grande	mobili-
dade	(DUFOUR;	PILLU;	2016).	O	ombro	pode	ser	definido	como	uma	articulação	suspensa,	
composto	de	um	grupo	de	cinco	articulações:	ombro,	escapulotorácica,	esternoclavicular,	
acromioclavicular	e	uma	funcional,	a	subdeltoidea,	que	pode	ser	determinada	de	fal-
sa	articulação.	Funcionalmente	e	anatomicamente,	essas	estruturas	articulares	são	
conectadas,	sendo	bastante	expostas	e	superficiais.	
O	ombro	é	composto	de	tendões	de	quatro	músculos	que	se	unem	com	a	cápsula	
articular,	 conhecidos	 como	 manguito	 rotador.	 São	 eles:	 os	 músculos	 supraespinal,	
infraespinal,	redondo	menor	e	subescapular.	Essa	estrutura	recobre	o	ombro	em	suas	
faces	 anterior,	 posterior	 e	 superior	 e	 a	 contração	 desses	 músculos	 faz	 com	 que	 a	
cabeça	do	úmero	seja	movimentada	em	direção	à	cavidade	glenoide,	o	que	permite	uma	
estabilidade	à	essa	articulação	(HALL,	2020).
O excesso de contração da musculatura flexora ou extensora aplica 
tensão nas regiões medial ou lateral do cotovelo por movimentos 
repetitivos, o que pode desenvolver a epicondilite lateral ou medial, 
também denominado cotovelo de tenista ou golfista.
IMPORTANTE
164
O	 cotovelo	 é	 quem	 faz	 os	 movimentos	 de	 flexão	 e	 extensão,	 pronação	 e	
supinação,	e	suporta	constantemente	as	cargas	nas	atividades	diárias,	como	vestir-se	
e	comer,	chegando	a	aproximadamente	300	N.	Essas	cargas	são	ainda	maiores	no	caso	
de	práticas	esportivas,	por	exemplo,	em	um	arremesso	de	beisebol,	o	cotovelo	sofre	uma	
força	em	valgo	de	aproximadamente	64	N-m	força	de	1.000	N	para	que	não	ocorra	luxação.	
Além	disso,	em	muitas	atividades	esportivas,	o	cotovelo	funciona	como	articulação	de	
sustentação	de	carga	(HALL,	2020).	
Além	da	congruência	óssea,	são	vários	os	músculos	que	atravessam	a	articulação	
do	cotovelo,	dando	a	ele	uma	estabilidade	e	uma	mobilidade	funcional.	São	eles:	cinco	
principais,	dois	extensores	e	três	flexores.	Já	os	movimentos	que	ocorrem	na	articulação	
entre	rádio	e	ulna	são	originados	da	mobilidade	de	quatro	músculos	principais:	um	par	
de	supinadores	e	um	par	de	pronadores.	Além	dos	músculos,	os	ligamentos	presentes	
na	articulação	do	cotovelo	auxiliam	na	estabilidade.	Estão	presentes	dentro	da	cápsula	
da	 articulação	 do	 cotovelo	 as	 três	 articulações	 do	 cotovelo,	 a	 saber,	 a	 umeroulnar,	
umerorradial	e	a	radioulnar	proximal	(HOGLUM;	BERTOTI,	2014).	
Na	 região	 do	 cotovelo,	 também	 está	 presente	 uma	 membrana	 sinovial	 que	
o	envolve	 juntamente	com	as	articulações	 radioulnares	 superiores,	 tendo	a	principal	
função	de	lubrificar	as	estruturas	profundas	dessas	articulações.	Uma	cápsula	envolve	
todo	o	cotovelo	e	também	estão	presentes	as	bolsas	bicipital	e	olecraniana.	A	bicipital	
acolchoa	 o	 tendão	 bicipital	 na	 posição	 do	 antebraço	 em	 pronação	 em	 relação	 à	
tuberosidade	do	rádio,	e	a	bolsa	do	olécrano	fica	entre	ele	e	a	pele	(PRENTICE,	2012).	
 
As	articulações	da	cintura	escapular	agem	de	forma	conjunta	no	carregamento	
de	cargas	e	absorção	de	impactos.	No	caso	do	ombro,	a	articulação	glenoumeral	é	a	que	
mais	oferece	suporte	mecânico	ao	membro	superior,	sendo	exposta	a	cargas	muitos	
maiores	que	as	outras	articulações	do	ombro	(HALL,	2020).	
 
A	 mão	 é	 formada	 por	 diversos	 ossos,	 articulações,	 tendões,	 nervos	 e	 vasos	
sanguíneos,	sendo	uma	estrutura	corporal	muito	importante	em	suas	várias	funções.	Ela	se	
adapta	muito	bem	às	demandas	impostas	em	seus	comandos	e	é	considerada	um	órgão	
complexo	e	com	várias	funções.	Sua	estrutura	permite	tanto	a	manipulação	de	objetos	
grandes	quanto	a	realização	de	tarefas	delicadas	que	demandam	movimentos	mais	finos.	
Além	disso,	a	mão	pode	ser	considerada	um	órgão	do	tato,	por	 isso,	é	um	 importante	
órgão	de	comunicação	e	expressões	não	verbais	(HOUGLUM;	BERTOTI,	2014).	
2.2 LESÕES EM MEMBROS SUPERIORES
A	 maioria	 dos	 esportes	 fazem	 com	 que	 o	 atleta	 execute	 movimentos	 na	
extremidade	 superior	 acima	 da	 cabeça,	 como	 arremessos,	 batidas	 ou	 movimentos	
repetitivos	dos	membros	superiores,	o	que	expõe	o	atleta	a	maiores	riscos	de	 lesões	pelo	
fato	de	que	as	articulações	das	extremidades	superiores	têm	uma	grande	instabilidade,	
165
especialmente	na	região	do	ombro,	podendo	ser	acometida	por	 lesões	por	excesso	de	
uso.	As	 lesões,	 em	geral,	 ocorrem	por	 impacto,	 sobrecarga	dinâmica,	 excesso	de	uso,	
vulnerabilidade	 das	 estruturas,	 flexibilidade	 diminuída	 e	 desequilíbrio	 na	 musculatura	
(ZATSIORSKY,	2003).	
O	ombro	tem	um	papel	muito	importante	nas	atividades	de	vida	diária,	atuando	em	
uma	cadeia	cinética	aberta	e,	algumas	vezes,	em	uma	cadeia	cinética	fechada.	Limitações	
funcionais	 constantemente	 acometem	 pacientes	 limitando	movimentos,	 como	 colocar	 a	
mão	atrás	da	cabeça,	e	uma	limitação	na	amplitude	de	movimento	altera	as	atividades	
funcionais	de	vida	diária.	A	avaliação	funcional	é,	de	acordo	com	essas	atividades	de	vida	
diária,	laborativas,	recreacionais	ou	pode	ser	feita	com	tabelas	de	pontuação,	de	acordo	
com	medidas	 clínicas	 e	 funcionais,	 tendo	 algumas	 escalas	 específicas	 para	 atletas	 e	
lesões	específicas	(MAGEE,	2010).	
O	ombro	de	um	atleta	pode	ser	acometido	por	fraturas,	como	de	úmero	e	clavícula,	
geralmente	causadas	por	impacto	sobre	a	região	em	esportes	de	contato	ou,	em	alguns	
casos,	pela	queda	sobre	o	braço	estendido,	colisãoentre	dois	atletas	e	trauma	direto	sobre	
a	clavícula.	Nesses	casos,	normalmente	o	atleta	apresenta	dor,	desenvolve-se	um	edema	
na	região	e	o	atleta	não	consegue	elevar	o	braço.	Raramente	pode	ocorrer	pneumotórax,	
hemotórax	ou	lesão	no	plexo	braquial	(WALKER,	2011).	
FIGURA 4 – FRATURA DE CLAVÍCULA
FONTE: Vasconcelos et al. (2021, p. 111)
166
O	ombro	ainda	pode	sofrer	luxação	quando	o	atleta	cai	com	a	mão	estendida	ou	
em	casos	de	abdução	e	rotação	externa	do	ombro.	Geralmente	isso	ocorre	devido	ao	
contato	extremo	com	outro	atleta	ou	com	algum	objeto	mais	sólido.	Quando	esse	quadro	
se	faz	presente,	há	uma	dor	muito	forte	no	ombro	e	os	músculos	deltoides	podem	se	
apresentar	com	contorno	irregular	(WALKER,	2011).	
Podem	 ocorrer	 lesões	 no	 ombro	 por	 sobrecarga	 em	 movimentos	 repetitivos,	
promovendo	desgaste	na	junção	miotendínea,	levando	à	dor	e	fraqueza	muscular.	Como	
consequência,	há	uma	redução	da	amplitude	de	movimento.	Outra	patologia	que	acomete	
o	ombro	são	as	compressivas,	que	podem	sobrevir	de	traumas,	fraturas,	cirurgias,	doenças	
sistêmicas	e,	em	alguns	casos,	são	bilaterais.	O	ombro	também	pode	ser	acometido	pela	
síndrome	do	impacto	(VASCONCELOS	et al.,	2021),	podendo	ser	o	glenoumeral,	que	ocorre	
especialmente	no	movimento	de	abdução	do	ombro.	
As	lesões	em	ombro	acabam	por	afetar	não	somente	a	articulação	glenoumeral,	
mas	a	mobilidade	do	cotovelo	e	do	punho,	visto	que	os	movimentos	são	multiarticulares.	
Um	atleta	também	pode	sofrer	lesões	na	articulação	do	cotovelo,	sendo	mais	comum	
a	epicondilite,	que	provém	do	excesso	de	uso,	levando	a	microtraumas	e	afetando	a	parte	
medial	ou	a	parte	lateral	do	cotovelo,	os	conhecidos	cotovelo	de	tenista	e	cotovelo	de	
golfista	(ZATSIORSKY,	2003).	
O	cotovelo	pode	ser	acometido	por	uma	tendinite	do	músculo	tríceps,	o	qual	se	
apresentaria	com	dor	no	movimento	de	extensão	de	cotovelo	quando	imposta	alguma	
resistência,	presença	de	algia	no	 local	de	 inserção	do	tríceps.	Ainda,	no	 raio	X	podem	
estar	presentes	esporões	do	olécrano,	atingindo	mais	o	sexo	masculino,	especialmente	
esportes	de	alta	intensidade	ou	trabalho	manual	pesado.	A	lesão	ocorre	por	tração	sobre	
o	tendão	em	sua	inserção	na	região	do	olécrano	(MCMAHON,	2008).	
2.2.1 Intervenções fisioterapêuticas nas lesões de membros 
superiores 
Os	atletas	que	exigem	muita	mobilidade	de	membro	superior	apresentam	uma	
incidência	maior	de	risco	de	lesões	no	ombro.	Nesse	ponto,	é	muito	importante	o	trabalho	
de	condicionamento	físico	de	forma	preventiva,	devendo	ser	trabalhado	um	fortalecimento	
excessivo	da	região	quando	a	atividade	esportiva	exige	esforço	excessivo	do	braço	e	do	
ombro.	Os	músculos	da	 região	do	ombro	devem	ser	 fortalecidos,	especialmente	os	que	
levam	a	sua	movimentação	em	toda	a	amplitude	de	movimento	(PRENTICE,	2012).	
167
A força dispensada pelo braço ao realizar um arremesso ou uma 
“cortada” no vôlei, por exemplo, leva ao risco de lesões, sendo 
necessária a avaliação da alavanca de movimento do membro para 
otimizar esse desempenho e minimizar risco de lesão.
INTERESSANTE
É	 importante	que	sejam	conhecidos	todos	os	 sinais	e	os	 sintomas	apresentados	
pelo	paciente	com	algum	problema	no	ombro	para	que	as	técnicas	terapêuticas	mais	
adequadas	sejam	prescritas,	visto	que	a	dor	no	ombro	pode	ser	proveniente	de	um	problema	
preexistente	nas	articulações,	de	doenças	que	afetam	as	regiões	próximas	à	articulação	ou	
até	de	problemas	nas	articulações	da	coluna	cervical,	do	tórax	e	das	vísceras	(MAGEE,	2010).	
Na	avaliação,	é	muito	importante	que	o	fisioterapeuta	verifique	quais	são	as	principais	
queixas	do	paciente,	como	foi	o	trauma	no	local,	se	há	presença	de	dor,	crepitação,	fadiga,	
diferença	de	temperatura	ou	fraqueza	presentes.	Devem	ser	avaliados	quais	movimentos	
agravam	a	dor	e	se	o	atleta	já	passou	por	alguma	intervenção	terapêutica	anteriormente.	
O	paciente	deve	ser	observado	durante	a	deambulação	e	na	posição	ortostática	para	que	
sejam	 detectadas	 assimetrias	 entre	 os	 ombros,	 problemas	 na	 postura,	 deformidades	
ósseas	ou	qualquer	alteração	no	tônus	muscular,	dentre	outros	aspectos	(PRENTICE,	2012).
A	observação	deve	permitir	a	análise	dos	contornos	ósseos	e	a	avaliação	dos	
tecidos	moles	bilateralmente	para	verificar	se	estão	simétricos	ou	assimétricos.	Devem	
ser	avaliados	a	coluna	cervical,	o	tórax,	o	membro	superior,	a	presença	de	mudanças	
vasomotoras	que	podem	 levar	à	alteração	de	coloração	nas	mãos	ou	a	presença	de	
acúmulo	de	líquido	no	meio	intersticial	e	edema,	ou	o	surgimento	de	atrofia	muscular	
(MAGEE,	2010).
As	 lesões	traumáticas	de	ombro	podem	ser	tratadas	de	forma	conservadora	se	
não	forem	muito	graves,	mas	o	fisioterapeuta	deve	trabalhar	para	devolver	ao	paciente	a	
sua	funcionalidade	normal,	ainda	que	dentro	de	suas	limitações	pós-lesão.	Para	isso,	as	
primeiras	condutas	são	a	analgesia,	o	posicionamento	adequado	do	membro	acometido	
e	as	orientações	em	relação	à	imobilização.	O	tratamento	inicia	com	exercícios	passivos	
dentro	de	um	ângulo	de	segurança	e,	após	um	período	médio	de	dezesseis	semanas,	
inicia-se	o	treino	muscular.	
A	fisioterapia,	em	casos	cirúrgicos,	deve	iniciar	no	pós-operatório	imediatamente,	
bolsas	de	água	fria	e	outras	técnicas	de	termoterapia	auxiliam	na	redução	do	quadro	
álgico	e	melhoram	a	qualidade	de	vida	do	paciente.	A	eletroterapia	pode	ser	usada,	como	
o	ultrassom,	que	auxilia	no	processo	de	 regeneração	tecidual,	mas	deve	 ser	 evitado	
sobre	próteses	metálicas.	Após	a	fase	de	recuperação	aguda,	iniciam-se	os	exercícios	
de	ganho	de	amplitude	de	movimento	de	forma	ativa,	ativa	assistida	ou	passiva,	em	que	
o	alongamento	também	é	importante	para	melhorar	a	contratilidade	do	músculo.	
168
A	força	muscular	no	processo	de	 recuperação	pode	ser	 trabalhada	de	forma	
isométrica,	 concêntrica	 ou	 excêntrica,	 sendo	 a	 isométrica	 a	 melhor	 opção	 quando	
ainda	não	for	permitida	uma	amplitude	de	movimento	maior.	Também	pode	ser	usada	a	
terapia	manual	para	relaxar	a	musculatura,	o	que	melhora	o	posicionamento	das	faces	
articulares	e	promove	a	tração,	melhorando	a	dor	de	forma	temporária	e	facilitando	a	
mobilização	local	(VASCONCELOS	et al.,	2021).	
São	 necessários	 testes	 especiais	 durante	 o	 processo	 para	 a	 confirmação	 de	
diagnóstico	das	lesões	do	ombro,	sendo	alguns	deles	obrigatórios.	A	dor	em	região	anterior	
do	ombro	ocorre	frequentemente	em	pacientes	jovens	e	adultos.	Em	pacientes	mais	idosos,	
pode	ocorrer	degeneração	dos	músculos	do	manguito	 rotador	ou,	ainda,	o	formato	do	
acrômio	pode	levar	ao	surgimento	de	lesões	na	região	do	ombro.	Nesse	caso,	deve	ser	
feito	teste	para	desvio	do	ombro	e	risco	de	luxação	(MAGEE,	2010).	
Como	exemplo	dessa	etapa,	pode	ser	citado	o	teste	de	esforço	de	Norwood,	
em	que	o	fisioterapeuta	palpa	a	cabeça	do	úmero	e	movimenta	o	braço	do	paciente,	
testando	a	mobilidade	do	braço	e	riscos	de	luxação.	O	teste	resultará	positivo	quando	
a	cabeça	do	úmero	se	deslocar	posteriormente	no	quadro	de	subluxação.	As	técnicas	
fisioterapêuticas	são	diversas,	podendo	ser	usado:	terapia	miofascial,	ultrassom	pulsado,	
exercícios	 resistidos	com	o	elástico	terapêutico,	dentre	outras	 (VASCONCELOS	et al.,	
2021).	
Ao avaliar a funcionalidade do membro superior, existem testes bem 
específicos, como o teste de queda da bola, que avalia a resistência 
do complexo do ombro, sua capacidade de se mover rapidamente e 
a estabilidade sua dinâmica (STOCCO, 2021).
INTERESSANTE
Também	 podem	 ser	 usados	 testes	 funcionais,	 como	 o	 arremesso	 de	 bola	
pesada	na	posição	sentada,	que	permite	avaliar	os	membros	superiores	e	pode	ser	feito	
na	posição	sentada	ou	de	pé,	avaliando,	também,	as	funções	do	tronco	e	dos	membros	
inferiores,	promovendo	uma	avaliação	funcional	mais	completa	e	global	(STOCCO,	2021).	
169
FIGURA 5 – TESTE DE ARREMESSO DA BOLA NA POSIÇÃO SENTADA
FONTE: Stocco (2021, p. 23)
		A	dor	apresentada	pelo	atleta	pode	ser	avaliada	de	diversas	formas,	como	pela	
escala	visual	analógica,	que	é	composta	de	uma	linha	horizontalou	vertical.	Ao	longo	
da	escala,	são	colocados	descritores	como:	 “sem	dor”	e	“pior	dor	 imaginável”.	Nela,	o	
paciente	avaliado	coloca	uma	marca	no	local	que	indica	a	dor	que	está	experimentando.	
Existem	variações	dela	para	a	avaliação	da	dor,	como	a	escala	estimativa	numérica	e	a	
escala	faces.	A	maioria	das	escalas	usa	um	sistema	de	11	pontos	de	0	a	10,	sendo	que	a	
escala	faces	usa	desenhos	com	expressões,	parecidos	com	emoticons,	para	comunicar	a	
sensação	de	dor	(STARKEY,	2017).	
No	caso	de	fraturas	de	clavícula	ou	úmero,	no	primeiro	momento	o	tratamento	
consiste	na	aplicação	de	gelo,	alívio	da	dor	e	imobilização	do	membro	superior	lesionado.	
Depois,	é	muito	 importante	a	reabilitação	para	que	haja	um	alinhamento	adequado	para	
a	 consolidação	 da	 fratura.	 Quando	 estiver	 consolidada,	 deve-se	 iniciar	 exercícios	 de	
ganho	de	amplitude	de	movimento	e	fortalecimento	muscular	para	que	seja	recuperada	a	
capacidade	funcional	do	membro	superior	do	atleta	(WALKER,	2011).	
A	 bandagem	 funcional	 possui	 uma	 boa	 aplicabilidade	 no	 ombro,	 visto	 que	
a	 articulação	 acromioclavicular	 é	 superficial,	 o	 que	 facilita	 a	 correção	 de	 postura	
inadequada	com	uso	da	bandagem	auxiliando	nos	tratamentos	das	patologias	do	ombro	
de	atletas.	Patologias	em	que	houve	impacto,	separação,	crepitação,	tendinite,	bursite,	
encurtamentos,	dentre	outras,	são	bem	tratadas	com	o	auxílio	das	bandagens	terapêuticas.	
Mudar	um	ou	dois	componentes	na	postura,	seja	na	coluna	ou	pescoço,	auxilia	em	muitos	
casos	de	alterações	na	amplitude	de	movimento	do	ombro.	As	bandagens	podem	ser	
usadas	para	corrigir	a	posição	da	escápula,	como	corrigir	um	escapuloumeral	inadequado	
(KEIL,	2014).	
No	caso	do	atleta	que	apresenta	epicondilite	lateral	do	cotovelo,	é	importante	
a	prevenção	por	meio	de	orientações	ao	esportista	para	que,	ao	golpear	uma	bola,	por	
exemplo,	a	técnica	seja	perfeita	e	com	empunhadura	correta.	Nos	esportes	que	usam	
raquete,	que	ela	seja	de	tamanho	e	peso	adequados	e	que	a	duração	de	um	jogo	não	
170
exceda	duas	horas,	além	de	as	superfícies	do	solo	onde	acontece	o	jogo	sejam	macias.	
O	tratamento	visa	aliviar	a	dor,	reduzir	o	quadro	inflamatório	e	fortalecer	a	musculatura	
extensora.	Deve	haver	afastamento	da	atividade	esportiva	que	está	desencadeando	o	
quadro	e,	ainda,	pode	ser	indicada	uma	órtese	para	distribuir	as	forças	sobre	as	massas	dos	
músculos	extensores.	A	epicondilite	medial	é	tratada	com	repouso,	gelo,	órteses	e,	em	
alguns	casos,	é	possível	o	trabalho	com	eletroestimulação	(MCMAHON,	2008).	
O	 retorno	 do	 atleta	 às	 atividades	 esportivas	 está	 condicionado	 a	 não	 haver	
presença	de	dor,	porque	havendo,	pode	sinalizar	uma	lesão	tecidual,	além	de	não	poder	
haver	sinais	inflamatórios,	como	edema,	vermelhidão	ou	alteração	de	temperatura	local.	
Isso	pode	demonstrar	que	a	lesão	ainda	não	está	totalmente	reparada,	o	que	não	permite	o	
retorno	do	atleta	às	competições.	
O	 tempo	 em	 que	 ocorreu	 a	 lesão	 também	 é	muito	 importante	 para	 que	 seja	
respeitado	 o	 tempo	 total	 de	 reparo	 tecidual,	 dessa	 forma,	 o	 atleta	 só	 deve	 voltar	 às	
competições	 quando	 a	 amplitude	 de	 movimento	 estiver	 recuperada	 ou	 próxima	 do	
fisiológico.	 A	 força,	 a	 potência	 e	 a	 resistência	 muscular	 devem	 estar	 recuperadas,	 o	
controle	 neuromuscular	 deve	 estar	 restabelecido	 e	 o	 sistema	 cardiorrespiratório	 deve	
estar	condicionado	para	um	retorno	satisfatório	às	exigências	impostas	pelos	treinos	e	
pelas	competições	esportivas,	além	de	outros	fatores	(STOCCO,	2021).	
Na	 reabilitação	dos	atletas,	são	empregados	exercícios	específicos	do	esporte.	
Junto	a	isso,	ao	longo	da	reabilitação	é	feita	uma	avaliação	de	desempenho	que	prediz	
a	capacidade	do	atleta	de	 realizar	um	exercício	ou	circuito	específico	com	segurança.	
A	 avaliação	 de	 desempenho	 final	 é	 aquela	 realizada	 antes	 que	 o	 atleta	 volte	 à	 plena	
participação	de	suas	atividades,	a	qual	deve	demonstrar	valores	de	flexibilidade,	força,	
resistência	e	coordenação	ideais,	com	capacidade	funcional	plena	e	velocidade,	potência	
e	agilidade	adequadas	para	que	o	atleta	volte	ao	seu	desempenho	completo	de	forma	
segura	(HOUGLUM,	2015).	
A	partir	do	momento	em	que	o	membro	superior	 lesionado	atingir	 a	 força	e	a	
amplitude	de	movimento	e	controle	adequados,	o	paciente	poderá	iniciar	os	exercícios	
específicos	 da	 atividade	 esportiva.	 Então,	 os	 programas	 progressivos	 funcionais	
e	 específicos	 à	 atividade	 serão	 compostos	 por	 movimentos	 semelhantes	 aos	 que	
são	 executados	 na	 atividade	 esportiva.	 Ao	 final,	 são	 realizados	 testes	 para	 verificar	
a	 recuperação	dos	membros	 superiores.	As	metas	da	 reabilitação	 são	 feitas	de	 forma	
individual	aos	atletas	de	acordo	com	esporte	e	com	o	desempenho	pré-lesão	do	atleta.	Ao	
concluir	o	programa	de	exercícios	terapêuticos,	em	geral,	o	atleta	é	liberado	para	o	retorno	
às	competições	(HOUGLUM,	2015).	
171
Neste tópico, você aprendeu:
•	 Conceitos	anatômicos	da	região	do	membro	superior	e	suas	principais	características	
relacionadas	 às	 articulações	 presentes	 no	 cíngulo	 do	 membro	 superior	 e	 suas	
relações	com	as	principais	lesões	esportivas	que	envolvem	os	membros	superiores.
•	 Biomecânica	 da	 região	 do	 ombro	 e	 cotovelo,	 sua	 relação	 com	 a	mobilidade	 desse	
segmento	e	riscos	de	lesão,	além	da	importância	da	avaliação	de	alterações	estruturais	e	
de	mobilidade	que	fazem	com	que	o	atleta	fique	mais	exposto	a	lesões	nas	articulações	
dessas	estruturas	do	esqueleto	apendicular.
•	 Principais	 lesões	 esportivas	 que	 acometem	 o	 membro	 superior,	 como	 luxação	 e	
epicondilite	lateral,	epicondilite	medial,	as	conhecidas	cotovelo	de	tenista	e	cotovelo	
de	 golfista	 e	 a	 possibilidade	 de	 tendinites,	 como	 do	 tríceps,	 relacionadas	 com	
movimentos	repetitivos	nos	gestos	esportivos.
•	 Intervenções	fisioterapêuticas	nas	 lesões	de	membro	superior	 compostas	de	uma	
gama	de	exercícios	de	cinesioterapia,	 além	do	trabalho	para	ganhar	amplitude	de	
movimento	e	força	em	membros	superiores,	sempre	de	acordo	com	os	achados	na	
avaliação	fisioterapêutica.
RESUMO DO TÓPICO 3
172
1	 O	atleta	pode	ser	acometido	por	diversas	patologias	em	membros	superiores	devido	à	
mobilidade	exagerada	que	existe	na	articulação	do	ombro	e	o	predispõe	à	luxação,	
podendo	ocorrer	lesões	por	sobrecarga	excessiva	sobre	a	musculatura	ou	sobre	as	
articulações.	Em	muitos	casos,	pode	surgir	um	processo	inflamatório	por	movimentos	
repetitivos,	causando	uma	epicondilite	 lateral.	Assinale	a	alternativa	CORRETA	que	
apresenta	o	nome	dessa	condição:
a)	 (			)	 Miosite.
b)	 (			)	 Artrite.
c)	 (			)	 Cotovelo	golfista.
d)	 (			)	 Cotovelo	tenista.
2	 A	fisioterapia	atua	na	 recuperação	de	atletas	após	 lesões	de	membros	superiores,	
como	ombro,	cotovelo	ou	punho,	e	a	maioria	dos	casos	é	encaminhado	ao	tratamento	
conservador,	podendo	o	paciente,	com	o	tempo,	retornar	à	atividade	esportiva.	São	
muitas	as	opções	terapêuticas	que	podem	ser	usadas	na	reabilitação	pós-trauma	do	
atleta.	Sobre	o	atendimento	prestado	ao	paciente	com	lesão	em	membro	superior,	
analise	as	afirmativas	a	seguir:
I-	 O	tratamento	da	fisioterapia	deve	iniciar	com	analgesia	para	que	sejam	possíveis	as	
outras	intervenções.
II-	 O	tratamento	da	fisioterapia	deve	ser	feito,	 inicialmente,	com	exercícios	resistidos	
no	ângulo	de	segurança.
III-	 O	 tratamento	 da	 fisioterapia	 para	 fortalecimento	muscular	 inicia-se	 em	 torno	 de	
dezesseis	semanas	após	a	lesão.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I,	II	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 As	lesões	de	ombro	são	relativamente	comuns	entre	os	atletas	de	esportes	que	exigem	
uma	grande	mobilidade	de	membro	superior,	especialmente	os	movimentos	que	são	
realizados	acima	da	cabeça,	como	arremessos	e	os	movimentos	do	voleibol.	Muitas	
vezes,	para	confirmaro	diagnóstico,	o	fisioterapeuta	precisa	fazer	alguns	testes,	sendo	
alguns	deles	obrigatórios	para	a	confirmação	do	quadro.	Sobre	esses	testes,	classifique	V	
para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
AUTOATIVIDADE
173
(			)	Pode	ser	usado	o	teste	de	esforço	de	Norwood	para	verificar	a	mobilidade	do	ombro	
e	risco	de	luxação.	
(			)	 Pacientes	com	mais	idade	podem	apresentar	uma	degeneração	na	região	denominada	
manguito	rotador	do	ombro.
(			)	As	 técnicas	 fisioterapêuticas	 são	 diversas	 no	 tratamento,	 podendo	 ser	 usado	 o	
ultrassom	exclusivamente	na	forma	contínua.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	-	F	-	F.
b)	 (			)	 V	-	V	-	F.
c)	 (			)	 F	-	V	-	F.
d)	 (			)	 V	-	V	-	V.
4	 Os	 atletas	 são	 expostos	 a	 esforços	 extremos	 e	 repetitivos,	 o	 que	 faz	 com	 que	
desenvolvam	quadros	de	lesão	muscular,	problemas	articulares	e,	em	alguns	casos	
de	 uso	 extremo	dos	membros	 superiores,	 leva	 o	 atleta	 a	 ser	 acometido	 por	 lesões	
nas	estruturas	dos	membros	superiores.	Sobre	as	lesões	de	ombro,	disserte	sobre	a	
importância	de	uma	avaliação	detalhada	da	região	no	diagnóstico	fisioterapêutico.	
5	 O	 atleta	 que	 apresenta	 alguma	 lesão	 em	membro	 superior	 que	 não	 necessite	 de	
tratamento	cirúrgico	é	encaminhado	ao	tratamento	conservador,	em	que	a	fisioterapia	
atua	tanto	de	forma	a	reabilitar	quanto	na	prevenção	de	novas	lesões.	Nesse	sentido,	
dentre	 os	 diversos	 recursos	 que	 estão	 disponíveis	 aos	 profissionais,	 existem	 os	
eletroterápicos,	a	cinesioterapia	e	as	bandagens	funcionais.	Disserte	sobre	a	ação	da	
bandagem	funcional	no	tratamento	de	lesão	de	membro	superior	em	atletas.
174
175
TÓPICO 4 — 
TÉCNICAS FISIOTERAPÊUTICAS PARA 
LESÕES ESPORTIVAS DO MEMBRO 
INFERIOR
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico,	 no	Tópico	4	 abordaremos	 os	 conceitos	 das	 lesões	 esportivas	 que	
acometem	 os	membros	 inferiores,	 como	 síndrome	 compartimental,	 fratura	 de	 fêmur	 e	
entorses	 de	 tornozelo.	 Os	membros	 inferiores	 sofrem	 um	 grande	 impacto	 sobre	 suas	
estruturas,	visto	que	 suportam	o	peso	corporal	 sobre	eles	durante	a	deambulação	ou	
na	posição	ortostática.	Alguns	esportes,	como	corrida,	ou	aqueles	que	são	compostos	
de	salto	e	aterrissagem	predispõem	o	atleta	a	um	maior	risco	de	lesões	a	nível	de	joelho,	
tornozelo	e	pé,	pelo	grande	impacto	causado	na	região	e	pelos	gestos	esportivos	desses	
atletas.
Os	traumas	mais	comuns	são	as	fraturas,	especialmente	do	fêmur,	as	 lesões	
nas	estruturas	do	joelho,	como	ligamentos	cruzados,	colaterais	e	meniscos,	e	as	lesões	
a	nível	de	tornozelo,	especialmente	as	entorses	de	tornozelo	em	 inversão	e	eversão.	As	
entorses	de	tornozelo	são	umas	das	lesões	mais	comuns	no	meio	esportivo,	ocorrendo	
especialmente	quando	o	atleta	aterrissa	ao	solo	com	o	pé	em	uma	posição	incorreta,	
levando	à	distensão	e	até	ruptura	ligamentar	em	alguns	casos.
As	intervenções	fisioterápicas	serão	de	acordo	com	a	avaliação	feita	do	atleta,	
visando	quais	estruturas	foram	comprometidas	e	quais	os	resultados	esperados	com	
a	 terapia,	 podendo	 ser	utilizadas	bandagens,	 terapia	manual,	 dentre	outros	 recursos	
escolhidos	de	forma	individual	conforme	a	anamnese	e	o	exame	físico	do	atleta	pós-
lesão.	Sempre	deve-se	levar	em	consideração	se	o	atleta	está	afastado,	ou	não,	de	suas	
atividades	 para	 a	 realização	 de	 uma	 reabilitação	 adequada	 das	 lesões	 em	membros	
inferiores,	devido	ao	grande	risco	de	lesões	recidivas.	Os	atletas	devem	ser	preparados	
para	o	 retorno	às	suas	atividades	assim	que	possível	de	acordo	com	o	esporte	o	qual	
participam.
176
2 ANATOMIA DOS MEMBROS INFERIORES
O	membro	 inferior	possui	uma	região	chamada	de	cíngulo	do	membro	 inferior,	
que	possui	a	função	importante	de	sustentar	o	peso	em	posição	ortostática	e	proteger	as	
vísceras	que	estão	localizadas	na	pelve,	possuindo	nessa	região	ossos	maciços	devido	à	
pressão	que	sofrem	durante	a	deambulação.	Cada	membro	inferior	faz	parte	do	esqueleto	
apendicular	e	é	composto	dos	ossos	fêmur,	patela,	tíbia	e	fíbula,	todos	ligados	ao	pé.	O	
membro	inferior	transfere	o	peso	do	corpo	ao	solo,	sendo	que	o	fêmur	é	o	maior	osso	do	
corpo	humano	em	comprimento	e	peso	(MARTINI;	TIMMONS;	TALLISCH,	2009).
As	 regiões	 do	 tornozelo	 e	 do	 pé	 apresentam	 flexibilidade	 e	 estabilidade	 por	
serem	compostas	de	uma	grande	quantidade	de	ossos	 e	 suas	fixações.	A	 região	da	
perna,	o	tornozelo	e	o	pé	dão	suporte	à	descarga	de	peso	e	propulsão	na	marcha,	sendo,	
nesse	momento,	uma	alavanca	flexível	e,	ao	darem	suporte,	tornam-se	uma	estrutura	
rígida	para	poder	suportar	o	peso	do	corpo	inteiro	(MAGEE,	2010).	
FIGURA 6 – ESTRUTURAS DOS PÉS
FONTE: Tank e Gest (2009, p. 145)
177
Existem	 várias	 articulações	 presentes	 nos	 membros	 inferiores,	 como	 as	
tibiofibulares	superiores	e	inferiores,	a	articulação	talocrural	e	a	articulação	subtalar,	a	qual	
é	muito	 importante	nos	movimentos	 realizados	pelo	tornozelo,	a	 saber,	a	 inversão,	a	
eversão,	a	pronação	e	a	supinação.	O	membro	inferior	é	composto	de	vários	ligamentos	
com	função	de	estabilização,	são	eles:	os	tibiofibulares,	em	que	há	uma	forte	membrana	
interóssea	unindo	os	ossos	da	tíbia	e	da	fíbula,	e	os	ligamentos	do	tornozelo,	ligamentos	
laterais	e	ligamentos	mediais	(PRENTICE,	2012).	
O	 fêmur	 tem	 algumas	 características	 interessantes,	 como	 as	 angulações	
biomecânicas	que	ocorrem	no	plano	frontal	e	no	plano	transverso,	permitindo	que	ele	
tenha	uma	eficiência	mecânica.	Quando	essas	angulações	estão	alteradas,	há	os	casos	
de	 lesões	de	coxa	valga,	que	provocam	 instabilidade	no	quadril	com	predisposição	à	
subluxação	ou,	ainda,	o	ângulo	de	torção,	que	é	uma	rotação	medial	natural	do	fêmur	
(HOUGLUM;	BERTOTI,	2014).	
Estruturas	importantes	e	localizadas	nos	joelhos	são	os	meniscos,	bolsas,	pregas	
sinoviais	e	corpos	adiposos.	A	articulação	do	 joelho	é	mais	propensa	a	 lesões	quando	
são	 realizados	 movimentos	 com	 giros,	 quando	 ocorrem	 traumas	 laterais	 ou	 mediais	
e	em	movimentos	de	hiperextensão,	especialmente	quando	o	pé	está	fixo	no	chão.	O	
pé,	quando	não	está	em	uma	posição	anatômica	adequada,	pode	tirar	o	 joelho	de	sua	
posição	neutra,	o	que	predispõe	aos	traumas.	O	geno	valgo,	ou	varo,	e	a	rotação	da	tíbia	
promovem	aos	atletas	 lesões	mais	facilmente,	principalmente	se	o	componente	muscular	
está	desequilibrado	nas	articulações	do	joelho,	quadril	e	região	lombo-pélvica	(KEIL,	2014).	
As	lesões	de	pé,	tornozelo	e	pernas	estão	ligadas	em	uma	cadeia	cinética,	pois	
o	movimento	de	um	deles	tem	ação	sobre	os	demais,	proximais	e	distais,	sendo	muito	
importante	a	análise	da	biomecânica	da	marcha,	pois	as	lesões	podem	estar	ligadas	a	
fatores	biomecânicos.	Os	membros	inferiores	na	marcha	passam	por	duas	fases:	a	de	
apoio,	com	o	contato	inicial	do	calcanhar	no	chão,	e	terminando	quando	esse	pé	entra	
em	contato	novamente	com	o	solo.	Nessas	descargas	de	peso,	um	pé	com	deformidades	
estruturais	que	o	leva	à	posição	de	pronação	ou	de	supinação,	antepé	varo	e	retropé	
varo,	altera	a	descarga	de	peso	em	membros	inferiores,	o	que	pode	predispor	a	lesões	
(PRENTICE,	2012).	
2. 1 BIOMECÂNICA
Nas	 atividades	 esportivas,	 quando	 há	 exigência	 de	 atividades	 de	 aterrissagem,	
como	após	os	saltos	do	balé,	ou	em	corrida	com	obstáculos,	ocorrem	forças	sobre	os	
músculos	e	tendões	e	uma	reação	quando	há	o	toque	no	solo,	que	age	sobre	as	estruturas	
musculoesqueléticas	 presentes	 no	membro	 inferior.	 As	 estruturas	musculoesqueléticas	
precisam	responder	a	esse	estresse	produzido	pela	carga	para	que	não	haja	lesão,	pois,	
se	não	houve	estresse,	ocorre	uma	atrofia	muscular	e	a	carga	excessiva	produz	lesão	
(ZATSIORSKY,	2003).	
178
Enquanto	o	membro	superior	é	capaz	de	realizar	atividades	que	requerem	uma	
grande	 amplitude	de	movimento,	 o	 inferior	 é	 uma	estrutura	 preparada	para	 sustentar	
peso	e	se	movimentar.	Além	disso,	ele	é	capaz	de	realizar	atividades	mais	especializadas,	
como	chutar	bola	ao	gol,	fazer	um	salto	em	distância

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