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1 Análise filme Estamira

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Questões resolvidas

Ao relacionar o documentário 'Estamira' com a Lei n°10.216 e com a declaração de Caracas, podemos dizer que a Lei nº 10.216 está alinhada com quais princípios?


a) Humanização do atendimento e respeito aos direitos das pessoas com transtornos mentais.
b) Promoção da reorientação dos sistemas de saúde para os cuidados de saúde mental comunitários.
c) Garantia de acesso aos cuidados de saúde necessários e defesa do direito de todas as pessoas à saúde mental e à assistência psiquiátrica.
d) Participação comunitária e respeito aos direitos humanos no cuidado com a saúde mental.

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Questões resolvidas

Ao relacionar o documentário 'Estamira' com a Lei n°10.216 e com a declaração de Caracas, podemos dizer que a Lei nº 10.216 está alinhada com quais princípios?


a) Humanização do atendimento e respeito aos direitos das pessoas com transtornos mentais.
b) Promoção da reorientação dos sistemas de saúde para os cuidados de saúde mental comunitários.
c) Garantia de acesso aos cuidados de saúde necessários e defesa do direito de todas as pessoas à saúde mental e à assistência psiquiátrica.
d) Participação comunitária e respeito aos direitos humanos no cuidado com a saúde mental.

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1. IDENTIFICAÇÃO
O filme documental intitulado de “Estamira” possui 1h55min de duração, com a direção de Marcos Prado, lançado em 2004 no Brasil. O filme está enquadrado no gênero documental. O documentário "Estamira", dirigido por Marcos Prado, retrata a vida de Estamira Gomes de Sousa, uma catadora de lixo que trabalhou por anos no Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. O filme apresenta a história de Estamira, abordando questões relacionadas à sua história de vida, saúde mental, sua relação com o lixo, além de suas reflexões sobre a vida e a sociedade. 
2. ARTICULAÇÃO TEÓRICA
O documentário "Estamira", dirigido por Marcos Prado, lançado em 2004, retrata a vida de Estamira Gomes de Sousa, uma catadora de lixo que trabalhou por anos no Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. O filme apresenta a história de Estamira, abordando questões relacionadas à sua história de vida, saúde mental, sua relação com o lixo, além de suas reflexões sobre a vida e a sociedade. A Protagonista possui um diagnóstico de “psicose”. Os surtos psicóticos fazem parte da série de sintomas que caracterizam a esquizofrenia, que de acordo com a teoria de Carl Jung, pode ser vista como uma manifestação de conflitos entre a psique consciente e inconsciente. Jung acreditava que a psicose poderia ser uma tentativa do indivíduo de lidar com conteúdos inconscientes que eram tão dolorosos ou ameaçadores que a mente consciente não conseguia processá-los. Alguns relatos da personagem reforçam a hipótese de um estabelecimento de um diagnóstico de esquizofrenia, já que existe a presença de conteúdos simbólicos e arquetípicos nos delírios e alucinações de alguns pacientes com esquizofrenia (Hopkins et al., 2016; Colangelo et al., 2019).
 "Estamira" é um documentário impactante que traz imagens inéditas e entrevistas com amigos, familiares e pessoas que conviveram com Estamira, criando um retrato emocionante e multifacetado de sua vida e personalidade. O documentário é dividido em capítulos que abordam diferentes aspectos da vida de Estamira. Vemos sua infância difícil, marcada pela violência doméstica e pelo abuso sexual, e como essas experiências traumáticas a influenciaram no decorrer da vida. Também acompanhamos sua trajetória como catadora de lixo e suas reflexões sobre o meio ambiente e a desigualdade social. Além disso, o filme mostra a luta de Estamira contra a esquizofrenia, doença mental que a acompanhou por grande parte da vida. 
O documentário nos apresenta uma mulher complexa, que enfrentou diversos desafios ao longo da vida e se recusou a se calar diante das injustiças que presenciava. O filme mostra as limitações e contradições da sociedade em que Estamira vivia. Vemos como a falta de acesso a tratamentos de saúde mental adequados e a ausência de políticas públicas para lidar com o lixo e a exclusão social contribuíram para a marginalização e sofrimento de muitas pessoas, como Estamira e os colegas catadores de lixo.
Em relação ao contexto que tange o diagnóstico de Estamira, temos A Lei nº 10.216 de 6 de abril de 2001, que se trata de uma lei brasileira que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais. Ela foi criada para promover a humanização do atendimento e o respeito aos direitos das pessoas com transtornos mentais, bem como para garantir que essas pessoas tenham acesso aos cuidados de saúde necessários. Temos também a Declaração de Caracas, que se trata de um documento produzido em 1990 pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que tem como objetivo promover a reorientação dos sistemas de saúde para os cuidados de saúde mental comunitários. A declaração defende o direito de todas as pessoas à saúde mental e à assistência psiquiátrica, destacando a importância da participação comunitária e do respeito aos direitos humanos no cuidado com a saúde mental.
Ao relacionar o documentário "Estamira", com a Lei n°10.216 e com a declaração de caracas, podemos dizer que a Lei nº 10.216 está alinhada com os princípios defendidos na Declaração de Caracas de 1990, ambas buscam promover um modelo de cuidado com a saúde mental mais humanizado e centrado no paciente, além de reconhecer a importância da participação da comunidade no cuidado com a saúde mental. 
Na realidade, porém, constatamos que no documentário "Estamira", observamos uma violação dos princípios básicos que norteiam a declaração de caracas não correspondem à realidade de Estamira, tendo em vista que a mesma não possui uma salvaguarda de sua dignidade pessoal e seus direitos humanos e civis não estão de acordo com o item 3.a da declaração, que prevê "(...) salvaguardar, invariavelmente, a dignidade pessoal e os direitos humanos e civis". 
Estamira se encontra em um estado gravíssimo de vulnerabilidade social, vivendo em uma realidade insalubre que pode impactar em um agravamento de seu quadro sintomático. Observa-se que o quadro de vulnerabilidade em que Estamira está inserida, manifesta uma não responsabilização do estado em relação a todas essas pessoas que compartilham a realidade onde ela se encontra.
Um fato a respeito de “Estamira” que precisa ser mencionado é a tentativa de uma internação da mesma e seus desfechos. De acordo com a lei 10.2016 Art. 4° a internação só será indicada como tratamento quando os outros tratamentos extra-hospitalares não se mostrarem suficientes. Além disso, o tratamento também deve ter como finalidade a reinserção social do indivíduo em seu meio.
 A Política Nacional de Saúde Mental, presente na nota técnica de 11/2019, nos esclarece que existe uma fiscalização como meio de garantia para os serviços prestados com objetivo promover a saúde mental da população, prevenir transtornos mentais e garantir o acesso a serviços de saúde mental de qualidade. As mudanças introduzidas pela portaria nº 3.588 incluem a ampliação do acesso aos serviços de saúde mental e o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). No artigo 5° da lei n°10.216, que fala sobre a reabilitação psicossocial assistida, nos traz a confirmação da negligência no cuidado com a situação da mesma, onde baseado nos relatos familiares presentes no documentário podemos concluir que a existência de uma realidade diferente da estabelecida na lei.
Diante disso, é importante analisar o ponto do documentário em que se retrata uma internação compulsória de Estamira organizada pelo seu filho religioso. Nesse caso, é importante questionar se todos os meios extra-hospitalares teriam sido utilizados, e se não foram, quais não foram e por quê não foram. Esse reflexão se faz importante tendo em vista a importante que a lei e a própria Estamira dá ao meio social em que ela está inserida e, nesse sentido, como é importante evitar as internações e ao mesmo tempo investir em tratamentos que visem e possibilitem a inserção social do indivíduo em seu meio. O documentário "Estamira", por sua vez, oferece um exemplo concreto de como a falta de acesso a cuidados de saúde mental pode afetar profundamente a vida de uma pessoa, e como a humanização do atendimento pode fazer a diferença na vida de quem sofre com transtornos mentais.
3. CONCLUSÃO
O documentário, portanto, é também um convite à reflexão sobre inúmeros temas importantes e sobre o papel que cada um de nós pode desempenhar para construir uma sociedade mais justa e solidária. No geral, "Estamira" é um filme que emociona, provoca e ensina. Com uma narrativa cuidadosa e sensível, ele nos mostra a vida de uma mulher notável e nos convida a olhar para além das aparências e estereótipos. É um trabalho importante e necessário, que contribui para ampliar o debate sobre questões sociais e humanas fundamentais. No documentário "Estamira", é possível observar como as experiências vividas pela personagem principal moldaram sua visão de mundo e influenciaram sua relação com o lixo e com as pessoas ao seu redor. Estamira revela, em diversos momentos do filme, suas reflexões sobre a vida e a sociedade, e como a experiência de trabalhar como catadora de lixo a fez perceber a importância do consumo conscientee do cuidado com o meio ambiente. Para o estudante de psicologia, a prática desta atividade é enriquecedora. Diante da atividade de relacionar os documentos apresentados com os relatos apresentados no documentário sobre a vida de Estamira, pudemos perceber que muitos são os desafios para que as leis e normas que visam o tratamento digno das pessoas sejam aplicadas na realidade. 
REFERÊNCIA:
BRASIL. Constituição. Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001. 
DECLARAÇÃO DE CARACAS. Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e Organização Mundial de Saúde, 1990.
Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 11/2019 - Orientações para a implantação de Núcleos de Atenção à Saúde Mental para Populações em Situação de Violência. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
HOPKINS, J., LOEWY, R., & BEARDEN, C. E.. Como as terapias psicológicas podem ser adaptadas para indivíduos com esquizofrenia? Uma ilustração da terapia metacognitiva. Jornal de Psicoterapia Contemporânea, 2016
PRADO, Marcos. Estamira. Brasil: Videofilmes, 2004

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