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Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) Autor: Tulio Lages 29 de Dezembro de 2022 40181815826 - Flávio Ricardo Cirino Tulio Lages Aula 13 Índice ..............................................................................................................................................................................................1) O que é mais cobrado no assunto - Responsabilidade Civil do Estado - FGV - Nível Superior 3 ..............................................................................................................................................................................................2) Roteiro de Revisão - Responsabilidade Civil do Estado 4 ..............................................................................................................................................................................................3) Aposta Estratégica - Responsabilidade Civil do Estado - FGV - Nível Superior 9 ..............................................................................................................................................................................................4) Questões Estratégicas - Responsabilidade Civil do Estado - FGV 10 ..............................................................................................................................................................................................5) Questionário de Revisão - Responsabilidade Civil do Estado 21 ..............................................................................................................................................................................................6) Lista de Questões Estratégicas - Responsabilidade Civil do Estado - FGV 26 ..............................................................................................................................................................................................7) Referências Bibliográficas 31 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 2 32 O QUE É MAIS COBRADO DENTRO DO ASSUNTO? Considerando os tópicos que compõem o nosso assunto, possuímos a seguinte distribuição percentual: Tópico % de cobrança FGV Evolução - Teorias 10,0% Responsabilidade objetiva - risco administrativo prevista no art. 37, § 6º da CF/88 60,0% Responsabilidade - omissão 5,0% Caso fortuito e força maior 5,0% Danos decorrentes de obra pública 0,0% Responsabilidade por atos legislativos e jurisdicionais 10,0% Ações de reparação de dano e regressiva 5,0% Responsabilidade administrativa, civil e penal do agente público 5,0% Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 3 32 ROTEIRO DE REVISÃO E PONTOS DO ASSUNTO QUE MERECEM DESTAQUE A ideia desta seção é apresentar um roteiro para que você realize uma revisão completa do assunto e, ao mesmo tempo, destacar aspectos do conteúdo que merecem atenção. • Esferas de responsabilização: civil x administrativa x penal Responsabilidade civil = decorre de infrações a normas de direito civil, gerando a obrigação de reparar dano ou ressarcir prejuízo. Responsabilidade administrativa = decorre de infrações a normas administrativas. Responsabilidade penal = decorre de infrações a normas penais, configurando a prática de crimes ou contravenções penais. • Responsabilidade do Estado (pessoa jurídica) é sempre civil, mas a do agente público pode ser administrativa, penal e/ou civil. • Teorias da responsabilidade estatal a) Irresponsabilidade do Estado Como a própria denominação deixa claro, o Estado não pode ser responsabilizado por qualquer dano causado por seus agentes. b) Responsabilidade com culpa comum A responsabilidade estatal do tipo subjetiva e só alcança atos de gestão (não abrange atos de império), quando constatada culpa do agente público. c) Culpa administrativa A responsabilidade estatal seria do tipo subjetiva e ocorre quando constatada culpa do Estado (não do agente público!) nos casos de falta ou má qualidade do serviço. Essa teoria é utilizada como subsídio para responsabilização estatal em caso de omissão. d) Risco administrativo A responsabilidade estatal seria do tipo objetiva e ocorre quando há nexo de causalidade entre a ação do agente público e o dano, podendo ser afastada em determinadas situações (excludentes de responsabilidade). Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 4 32 Não há necessidade de que haja má prestação ou falta do serviço, mas apenas que haja serviço prestado – atuação estatal que provocou ou dano ou “fato do serviço”. O Estado pode demonstrar culpa do pretenso lesado e, assim, afastar-se (integral ou parcialmente) da responsabilização. e) Risco integral A responsabilidade estatal seria do tipo objetiva e ocorre quando há nexo de causalidade entre a ação do agente público e o dano, não podendo ser afastada em qualquer hipótese (não incidência de excludentes de responsabilidade). Essa teoria é aplicada na responsabilidade por danos ambientais (Lei 6.938/1981, art. 14, § 1º), bem como na indenização por danos decorrentes de ataques terroristas e atos de guerra a aeronaves brasileiras (Lei 10.744/2003). • Fundamento constitucional da responsabilidade civil do Estado: CF, art. 37, § 6º. Com base nesse dispositivo, é possível verificar que a responsabilidade civil do Estado: - Pressupõe a existência de 3 sujeitos: Estado, agente público e terceiro lesado. - É do tipo objetiva, na modalidade risco administrativo: não depende de dolo ou culpa, nem da existência de relação contratual, tampouco que o agente público cometa ato ilícito (contrário a lei) – basta que haja nexo causal entre o dano e a atuação (conduta comissiva) do agente público (veja que o dispositivo constitucional fala “responderão pelos danos... causados a terceiros”). No caso de omissão do Estado, sua responsabilidade civil é subjetiva. - Alcança a pessoas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviço público, inclusive os delegatários de serviço público. Perceba que, para o dispositivo constitucional mencionado, o que importa é que sejam pessoas jurídicas “prestadoras de serviços públicos”. Assim, as empresas estatais exploradoras de atividade econômica não estão abrangidas pela responsabilidade objetiva do art. 37, § 6º da CF – sua responsabilidade é subjetiva, na modalidade culpa comum. Os delegatários (concessionárias, permissionárias e autorizadas) estão alcançadas pela responsabilidade objetiva (porque prestam serviços públicos) relativamente a usuários e não- usuários do serviço1. 1 STF – RE 591.874/MS. Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 5 32 - Depende que o agente atue na condição de agente público (veja que o dispositivo fala “nessa qualidade”). - Não é afastada em caso de dolo ou culpa do responsável, mas, nesse caso, é assegurada à Administração o direito de regresso contra ele. - Na ação regressiva, cabe à Administração provar que o responsável agiu com dolo ou culpa (a responsabilidade do agente é subjetiva, na modalidade culpa comum). • Responsabilidade do Estado por omissão No caso de omissão do Estado, sua responsabilidade civil é subjetiva, na modalidade culpa administrativa, cabendo ao pretenso lesado provar culpa do Poder Público (não precisa ser de um agente público específico), em decorrênciada falta do serviço que deveria ter prestado e que, se o houvesse, teria evitado o dano (ou seja, o nexo causal entre o dano e a omissão estatal). A responsabilidade estatal por omissão, subjetiva, geralmente é utilizada em casos em que o dano foi causado por atos de terceiros (não agentes públicos, como delinquentes ou multidões) ou por fenômenos da natureza (ex: enchente). O Estado só será responsabilizado por omissão, em regra, quando o dano era evitável. Por outro lado, no caso de danos a pessoas sob a guarda/custódia do Poder Público (ex: presidiários), a responsabilidade do Estado é objetiva, ainda que o dano não tenha sido provocado por uma atuação direta de um agente público, ou ainda, mesmo em caso de omissão do Estado, em razão de seu dever de custódia (ex: detento assassinado por colega de cela dentro da penitenciária). • Excludentes de responsabilidade São situações que rompem o nexo causal e podem excluir a responsabilidade (tanto a objetiva quanto a subjetiva) do Estado: a) Culpa exclusiva ou concorrente da vítima Na culpa exclusiva da vítima, a responsabilidade do Estado é integralmente afastada e, na culpa concorrente da vítima, parcialmente afastada. b) Caso fortuito e força maior c) Fato exclusivo de terceiros • Ação de reparação do dano Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 6 32 - Deve ser movida pelo particular em desfavor da Administração (pessoa jurídica), e não do agente público que causou o dano, que, regra geral, sequer pode figurar como litisconsórcio passivo2 - inaplicabilidade da denunciação à lide do agente, como regra. - Está sujeita ao prazo de prescrição de 5 (cinco) anos, conforme art. 1º-C da Lei 9.494/1997. • Ação regressiva - Só pode ser intentada quando houver dolo ou culpa na atuação do agente - Não pode ser interposta antes do trânsito em julgado da decisão que reconhece a responsabilidade do Estado por dano causado ao particular. - Transmite-se aos herdeiros do agente causador do dano, até o limite do patrimônio transferido. - Via de regra, é imprescritível (art. 37, § 5º da CF), sem prejuízo dos seguintes entendimentos do STF: a) as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa (LIA) são imprescritíveis3 (em entendimento exarado antes do advento da Lei 14.230/2021, quando a LIA ainda previa a possibilidade de ato de improbidade decorrente de conduta culposa). b) "é prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil”4 (estão abrangidos, assim, os ilícitos que violem normas de direito privado, não alcançando, portanto, ilícitos decorrentes de infrações de direito público, como os de natureza penal e as ações de ressarcimento ao erário decorrentes de atos dolosos de improbidade administrativa, que, como já asseverado, são imprescritíveis, segundo o mesmo STF). • Responsabilidade por atos legislativos e atos judiciais Em regra, em decorrência de tais atos (praticados no exercício da função típica do Poder Legislativo ou do Judiciário), não cabe responsabilização civil do Estado. Exceções: - Atos legislativos: é possível a responsabilização do Estado em virtude de danos causados por lei de efeitos concretos ou de lei com inconstitucionalidade declarada pelo STF. 2 STF – Re 344.133/PE. 3 STF – RE 852.475. 4 STF – RE 669.069. Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 7 32 ==275324== - Atos judiciais: é possível a responsabilização do Estado na hipótese prevista na CF, art. 5º, LXXV – “o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença”. Destaca-se que o “erro judiciário” mencionado pelo dispositivo, restringe-se a erro na esfera penal. O código de processo civil (art. 143) estabelece, ainda, outra hipótese de responsabilização por atos judiciais: “O juiz responderá, civil e regressivamente, por perdas e danos quando: i) no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude; e ii) recusar, omitir ou retardar, sem justo motivo, providência que deva ordenar de ofício ou a requerimento da parte”. • Casos especiais de responsabilidade a) Danos decorrentes de obras públicas - Pelo só fato da obra: resp. objetiva – risco administrativo. - Pela má execução da obra: se for o Estado executando a obra, a resp. será objetiva. Se for um particular contratado, a resp. será subjetiva e o Estado responde de forma subsidiária (art. 70 da Lei 8.666/1993). b) Responsabilidade civil dos notários: resp. subjetiva do tabelião (art. 22 da Lei 13.286/2016). c) Responsabilidade por atentados terroristas - A União é autorizada, na forma e critérios estabelecidos pelo Poder Executivo, a assumir despesas de responsabilidades civis perante terceiros na hipótese da ocorrência de danos a bens e pessoas, passageiros ou não, provocados por atentados terroristas, atos de guerra ou eventos correlatos, ocorridos no Brasil ou no exterior, contra aeronaves de matrícula brasileira operadas por empresas brasileiras de transporte aéreo público, excluídas as empresas de táxi aéreo (art. 1º, caput, da Lei 10.744/2003). - A doutrina assevera que se trata da modalidade risco integral. d) Responsabilidade civil por danos nucleares: independe da existência de culpa (CF, art. 21, XXIII, “d”) sendo, para muitos autores, do tipo objetiva, na modalidade risco integral, embora haja certa controvérsia na doutrina. Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 8 32 APOSTA ESTRATÉGICA A ideia desta seção é apresentar os pontos do conteúdo que mais possuem chances de serem cobrados em prova, considerando o histórico de questões da banca em provas de nível semelhante à nossa, bem como as inovações no conteúdo, na legislação e nos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais1. Dentro do assunto “Responsabilidade Civil do Estado”, “Responsabilidade objetiva - risco administrativo prevista no art. 37, § 6º da CF/88” é/são o(s) ponto(s) que acreditamos que possui(em) mais chances de ser(em) cobrado(s) pela banca. Dessa forma, é importante memorizar as principais características da Teoria do Risco Administrativo e o disposto no art. 37, § 6º da CF/88. 1 Vale deixar claro que nem sempre será possível realizar uma aposta estratégica para um determinado assunto, considerando que às vezes não é viável identificar os pontos mais prováveis de serem cobrados a partir de critérios objetivos ou minimamente razoáveis. Re sp on sa bi lid ad e O bj et iv a -R is co A dm in is tr at iv o Art 37, § 6º "As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa." Responsabilidade Objetiva do Estado Requisitos: - dano; - conduta administrativa; - nexo causal. O Estado se exime se comprovar culpa exclusiva do particular A culpa concorretente atenua a reparação Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 9 32 ==275324== QUESTÕES ESTRATÉGICAS Nesta seção, apresentamos e comentamos uma amostra de questões objetivas selecionadas estrategicamente: são questões com nível de dificuldade semelhante ao que você deve esperar para a sua prova e que, em conjunto, abordam osprincipais pontos do assunto. A ideia, aqui, não é que você fixe o conteúdo por meio de uma bateria extensa de questões, mas que você faça uma boa revisão global do assunto a partir de, relativamente, poucas questões. Responsabilidade objetiva - risco administrativo previsto no art. 37, § 6º da CF/88 1. (FGV/2018/TJAL/Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador) Maria, ocupante do cargo efetivo de Oficial de Justiça Avaliador do Tribunal de Justiça de Alagoas, ao cumprir mandado judicial de citação no endereço da ré Joana, envolveu-se em discussão com ela, e acabou quebrando o portão de sua casa. Inconformada com a agressividade do agente público e com os danos que sofreu, Joana ajuizou ação indenizatória. Na hipótese narrada, aplica-se a responsabilidade civil: a) objetiva do poder público estadual, que prescinde da análise do elemento subjetivo por parte do agente público, cabendo ação de regresso em face do servidor, nos casos de culpa ou dolo; b) objetiva e direta do agente público, eis que os fatos não ocorreram nas dependências do fórum, sendo imprescindível a comprovação de ter agido o agente público com dolo ou culpa; c) subjetiva do poder público estadual, sendo imprescindível a comprovação de ter agido o agente público com dolo ou culpa, caso em que cabe ação de regresso visando ao ressarcimento ao erário; d) subjetiva e direta do agente público, eis que os fatos não ocorreram nas dependências do fórum, sendo prescindível a comprovação de ter agido o agente público com dolo ou culpa; Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 10 32 e) subjetiva e solidária do agente público e do poder público estadual, para maior proteção ao particular lesado, sendo imprescindível a comprovação de ter agido o agente público com dolo ou culpa. Comentários GABARITO: LETRA A. O nosso gabarito é a assertiva A, tendo em vista que a Administração Pública responde objetivamente pelos danos que seus agentes causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra os responsáveis, quando agirem com dolo ou culpa. Corroborando essa afirmação, vamos verificar o que nos ensina a CF/88: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Portanto, sem qualquer dúvida, a nossa assertiva correta é a letra A, estando as demais eliminadas, tendo em vista que a assertiva B atribui a responsabilidade objetiva ao servidor e as letras C, D e E afirmam que será aplicada a responsabilidade subjetiva, o que não procede, conforme explicamos acima. 2. (FGV/2018/TJAL/ Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador) João, apenado que cumpria pena privativa de liberdade decorrente de sentença penal condenatória com trânsito em julgado, foi morto no interior de unidade prisional estadual de Alagoas. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no caso em tela, aplica-se a responsabilidade civil: a) objetiva do Estado, e o valor arbitrado em relação aos danos morais decorrentes não pode, em qualquer hipótese, ser revisto em sede de recurso especial pela proibição de reexame de matéria fática; b) objetiva do Estado, e os danos morais decorrentes somente podem ser revistos em sede de recurso especial quando o valor arbitrado for exorbitante ou irrisório, afrontando os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 11 32 c) subjetiva do Estado, e o poder público estadual será condenado à indenização pelos danos morais aos familiares do apenado, caso se comprove que o homicídio foi praticado por algum agente penitenciário; d) subsidiária do Estado, e, para condenação do poder público estadual ao pagamento de indenização pelos danos morais aos familiares do apenado, será imprescindível a prévia tentativa de satisfação do crédito junto ao agente público que agiu com culpa ou dolo; e) subjetiva do Estado, e, para condenação do poder público estadual ao pagamento de indenização pelos danos morais aos familiares do apenado, será imprescindível a comprovação do ato ilícito e nexo causal, sendo desnecessária a demonstração do dolo ou culpa de um agente público. Comentários GABARITO: LETRA B. O STJ entende que a responsabilidade civil do Estado nos casos de morte de detentos em presídio é objetiva, vejamos: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. MORTE DE DETENTO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. PRECEDENTES. REVISÃO DO VALOR DA INDENIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7 DO STJ. 1. Inexiste violação do art. 1.022 do novo CPC, na medida em que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide, fundamentando seu proceder de acordo com os fatos apresentados e a interpretação dos regramentos legais que entendeu aplicáveis, demonstrando as razões de seu convencimento. 2. O Superior Tribunal de Justiça sedimentou o entendimento de que a responsabilidade civil do Estado pela morte de detento em delegacia, presídio ou cadeia pública é objetiva, pois deve o Estado prestar vigilância e segurança aos presos sob sua custódia. 3. Admite-se a revisão do valor da indenização quando este se mostrar irrisório ou exorbitante, o que não se verifica na espécie. A nova análise do posicionamento da instância ordinária nesse ponto implica o imprescindível reexame das provas constantes dos autos, o que é defeso em recurso especial, segundo preceitua a Súmula 7 do STJ. 4. Agravo interno a que se nega provimento. Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 12 32 Quanto às demais assertivas, podemos constatar que a letra A acerta ao afirmar que a responsabilidade é objetiva, porém peca ao dizer que o valor da indenização não pode ser revisto em sede de recurso especial, o que não procede, conforme verificamos no acórdão acima. As assertivas C, D e E já podem ser eliminadas preliminarmente, pois fama em responsabilidade subjetiva e subsidiária, o que está equivocado, pois já confirmamos que a responsabilidade do estado nesses casos é objetiva. 3. (FGV/2018/TJSC/Oficial de Justiça e Avaliador) João, Oficial de Justiça do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, no dia 01/06/2011, conduzia veículo oficial para realizar diligência citatória afeta às suas funções públicas, quando, culposamente, atropelou e matou Maria. No dia 01/06/2014, sobreveio o trânsito em julgado de sentença penal condenando João pelo delito de homicídio culposo na direção de veículo automotor. Em 01/06/2018, os filhos de Maria ajuizaram ação indenizatória em face do Estado de Santa Catarina, em razão de sua responsabilidade civil: a) objetiva, mas já se operou a prescrição quinquenal, cujo termo inicial é a data do acidente; b) objetiva, mas já se operou a prescrição trienal, cujo termo inicial é a data do óbito; c) objetiva, e ainda não se operou a prescrição quinquenal, cujo termo inicial é a data do trânsito em julgado da sentença penal condenatória; d) subjetiva, e aindanão se operou a prescrição trienal, cujo termo inicial é a data do trânsito em julgado da sentença penal condenatória; e) subjetiva, mas já se operou a prescrição quinquenal, cujo termo inicial é a data do acidente, independentemente da data do óbito ou da sentença penal condenatória irrecorrível. Comentários GABARITO: LETRA C. No caso em tela, a responsabilidade civil do estado será objetiva, conforme disposição constitucional a seguir: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 13 32 ==275324== (...) § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Sabendo disso, já podemos eliminar as assertiva D e E. As assertivas A e B afirmam que já ocorreu a prescrição o que não procede, pois, segundo tese firmada pelo STJ: O termo inicial da prescrição para o ajuizamento de ações de responsabilidade civil em face do Estado por ilícitos praticados por seus agentes é a data do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. O prazo prescricional é quinquenal, conforme dispõe o Decreto 20.910/32: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Assim, como a data do trânsito em julgado foi no dia 01/06/2014 e a ação indenizatória foi ajuizada no dia 01/06/2018, sendo o prazo quinquenal, não se operou a prescrição, logo, a nossa assertiva correta é a letra C. 4. (FGV/2016/MPERJ/Analista do Ministério Público - Processual) Funcionários de sociedade empresária concessionária do serviço público municipal de coleta e tratamento de esgoto e fornecimento de água potável realizavam conserto em um bueiro localizado em via pública. Durante o reparo, um forte jato de água atingiu Fernanda, transeunte que caminhava pela calçada, ocasionando sua queda que resultou em fratura do fêmur. No caso em tela, a indenização devida a Fernanda deve ser suportada: a) pela sociedade empresária concessionária, que tem responsabilidade civil subjetiva, sendo imprescindível a comprovação da culpa ou dolo de seus funcionários; b) pela sociedade empresária concessionária, que tem responsabilidade civil objetiva, sendo prescindível a comprovação da culpa ou dolo de seus funcionários; c) pelo Município, diretamente, na qualidade de poder concedente, que tem responsabilidade civil subjetiva, sendo prescindível a comprovação da culpa ou dolo dos seus funcionários da concessionária; Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 14 32 d) pelo Município e pela sociedade empresária concessionária, de forma solidária, que têm responsabilidade civil objetiva, sendo imprescindível a comprovação da culpa ou dolo dos funcionários da concessionária; e) pelos funcionários responsáveis pelo dano, diretamente, que têm responsabilidade civil objetiva, sendo prescindível a comprovação de terem atuado com culpa ou dolo. Comentários GABARITO: LETRA B. Para responder corretamente a questão em comento, importante analisarmos o artigo 37 da nossa Carta Maior, observe: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Diante disso, podemos afirmar que a responsabilidade será da concessionária de forma objetiva, tendo em vista ser ela uma prestadora de serviços públicos. Afirmado isso, eliminamos as letras C, D e E. A assertiva A equivoca-se quando afirma que a responsabilidade civil da concessionária subjetiva, quando na verdade ela é objetiva, logo, nos resta a assertiva B, que é o nosso gabarito, devendo a indenização devida à Fernanda ser suportada pela sociedade empresária concessionária, que tem responsabilidade civil objetiva, sendo prescindível a comprovação da culpa ou dolo de seus funcionários. Importante destacar, que o fato de Fernanda ser considerada como terceiro não usuário do serviço público, faz com que o Estado responda objetivamente, da mesma forma como responderia se fosse em relação a um usuário. 5. (FGV/2018/TJ-SC/Analista Administrativo) João, Analista Administrativo do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, no exercício da função, causou danos morais a Joana, parte autora em determinado processo judicial, cujos autos foram extraviados por culpa de João. Em Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 15 32 razão de tais fatos, Joana obteve êxito em ação indenizatória aforada em face do Estado de Santa Catarina. Na hipótese narrada, o poder público estadual: a) pode acionar judicialmente João, mediante ação de regresso, tendo o ônus de comprovar que o agente público agiu com culpa; b) pode acionar judicialmente João, mediante ação de regresso, desde que cumpra o ônus de comprovar que o agente público agiu com dolo; c) pode acionar judicialmente João, mediante ação de regresso, independentemente de comprovar a culpa ou dolo do agente, em razão da responsabilidade civil objetiva; d) não pode acionar judicialmente João, eis que a responsabilidade civil objetiva aplica-se apenas em face do Estado, que não tem o direito de regresso contra o agente; e) não pode acionar judicialmente João, eis que o direito de regresso do Estado contra o agente somente surge quando demonstrada má fé, o que inocorreu no caso. Comentários GABARITO: LETRA A. Vejamos o que o texto constitucional fala sobre o tema: Art. 37 (...) § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Observe que a existência de dolo ou culpa na conduta praticada por João é irrelevante quanto à obrigação de indenizar por parte do Poder Pública. Esses só serão observados quando estivermos diante da ação de regresso. Nesse contexto, verificamos que a alternativa correta é a letra A. Vamos analisar cada uma das assertivas incorretas: Letra B – Incorreta. Como vimos, não é necessário que haja dolo, sendo a culpa suficiente para que haja responsabilização de João. Letra C – Incorreta. Conforme exposto, no âmbito da ação de regresso, é necessário que exista dolo ou culpa por parte do servidor. A responsabilidade objetiva existe em uma ação movida contra o Poder Público e não contra o servidor. Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - FlávioRicardo Cirino 16 32 Letra D e E – Incorreta. O Estado terá sim direito de regresso contra João, desde que ele tenha agido com dolo ou culpa. 6. (FGV/2015/TJ-SC/Analista Administrativo) Maria, deficiente visual, dirigiu-se ao posto de saúde municipal para consulta de urgência, com dor abdominal aguda. A paciente foi encaminhada para exame de raio X. Mesmo estando cientes da deficiência visual da cidadã, os funcionários da unidade de saúde não adotaram as medidas pertinentes consistentes em cuidados especiais com a locomoção e acomodação de Maria para evitar acidentes e, durante o exame, a paciente sofreu uma queda. O tombo ocasionou-lhe traumatismo crânio- encefálico, causa de sua morte, que ocorreu dois dias depois. No caso em tela, aplica-se a responsabilidade civil: a) exclusiva, direta e pessoal de todos os funcionários que agiram com culpa; b) subjetiva do Município, sendo imprescindível a comprovação da culpa de seus agentes; c) solidária entre o Município e os funcionários que agiram com culpa; d) subsidiária do Município, que somente responde pelos danos causados por seus agentes caso eles sejam insolventes; e) objetiva do Município, sendo desnecessário comprovar o elemento subjetivo de seus agentes. Comentários GABARITO: LETRA E. Vejamos o que diz a Constituição Federal sobre o tema: Art. 37 (...) § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Perceba que o texto constitucional exige elemento subjetivo, dolo ou culpa, apenas no âmbito da ação de regresso. Significa dizer que para que haja responsabilização do Poder Público não há necessidade de se demonstrar tais elementos. Por isso, dizemos que a responsabilidade estatal é objetiva. Nesse cenário, Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo Trazem importante diferenciação: Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 17 32 No âmbito do Direito Público, temos que a responsabilidade civil da Administração Pública evidencia-se na obrigação que tem o Estado de indenizar os danos patrimoniais ou morais que seus agentes, atuando em seu nome, ou seja, na qualidade de agentes públicos, causem à esfera juridicamente tutelada dos particulares. Traduz-se, pois, na obrigação de reparar economicamente danos patrimoniais, e com tal reparação se exaure. Não se confunde a responsabilidade civil com as responsabilidades administrativa e penal, sendo essas três esferas de responsabilização, em regra, independentes entre si, podendo as sanções correspondentes ser aplicadas separada ou cumulativamente conforme as circunstâncias de cada caso. A responsabilidade penal resulta da prática de crimes ou contravenções tipificados em lei prévia ao ato ou conduta. Já a responsabilidade administrativa decorre de infração, pelos agentes da Administração Pública – ou por particulares que com ela possuam vinculação jurídica específica, sujeitos, portanto, ao poder disciplinar –, das leis e regulamentos administrativos que regem seus atos e condutas (ALEXANDRINO, PAULO, 2010, p. 722). 7. (FGV/2015/FME Niterói/Contador) Fernando conduzia seu veículo na contramão da direção e colidiu com um ônibus de sociedade empresária concessionária do serviço público de transporte coletivo de passageiros. Inconformado com os danos materiais que sofreu, Fernando ajuizou ação pleiteando indenização, sendo certo que, no curso da instrução probatória, restou comprovada a sua culpa exclusiva. No caso em tela, o pedido feito por Fernando na ação deverá ser julgado: a) procedente, porque se trata, em tese, de responsabilidade civil objetiva, na qual não há necessidade de se demonstrar o nexo causal entre a conduta e o resultado danoso; b) procedente, porque se trata, em tese, de responsabilidade civil subjetiva, na qual não há necessidade de se demonstrar o elemento subjetivo do condutor do coletivo da concessionária; c) improcedente, porque se trata, em tese, de responsabilidade civil subjetiva e Fernando deveria ter comprovado o elemento subjetivo do condutor do coletivo da concessionária; d) improcedente, porque, apesar de se tratar, em tese, de responsabilidade civil subjetiva, Fernando não comprovou que o resultado danoso adveio de conduta ilícita do motorista do ônibus; e) improcedente, porque, apesar de se tratar, em tese, de responsabilidade civil objetiva, o nexo causal foi rompido em razão da culpa exclusiva da vítima, Fernando. Comentários Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 18 32 GABARITO: LETRA E No RE 291035/SP, o STF entendeu que os seguintes elementos compõem a estrutura e delineiam o perfil da responsabilidade civil objetiva do Poder Público: (a) a alteridade do dano, (b) a causalidade material entre o "eventus damni" e o comportamento positivo (ação) ou negativo (omissão) do agente público, (c) a oficialidade da atividade causal e lesiva imputável a agente do Poder Público, que, nessa condição funcional, tenha incidido em conduta comissiva ou omissiva, independentemente da licitude, ou não, do seu comportamento funcional, e (d) a ausência de causa excludente da responsabilidade estatal. Perceba que o primeiro item listado pelo STF já é suficiente para afastar a responsabilidade do Estado na situação envolvendo Fernando. Alteridade, segundo nos ensino o dicionário, consiste em um atributo daquilo que pertence ao outro. Logo, perceba que o dano deve partir de outro e não da própria vítima. Poderíamos ainda aplicar o item D da jurisprudência supracitada, uma vez que houve culpa exclusiva de Fernando, o que exclui a responsabilidade estatal. Poderíamos citar, como exemplo, a situação em que uma viatura trafega respeitando toda a sinalização de trânsito e um indivíduo, com intuito de cometer suicídio, se joga na frente da viatura. Apesar de ser uma situação em que a culpa exclusiva da vítima é mais do que evidente, tal exemplo é semelhante à situação descrita no enunciado. 8. (FGV/2015/TJ-BA/Analista Judiciário – Área Administrativa) Joana, enfermeira ocupante de cargo efetivo em um Hospital Estadual, durante seu horário de expediente, segurava uma seringa que tinha acabado de usar e, por descuido, acabou ferindo com a agulha Maria, parente de um paciente. Maria sofreu significativo rasgo em seu braço, tendo que receber imediato atendimento médico, sendo necessários vários pontos para suturar a lesão. No caso em tela, em tema de indenização em favor de Maria, aplica-se a responsabilidade civil: a) objetiva do Estado, segundo a qual é imprescindível a comprovação do elemento subjetivo da conduta de Joana; b) objetiva do Estado e não cabe ação regressiva do Estado contra Joana, pela teoria do risco administrativo; c) objetiva do Estado, segundo a qual não há necessidade de análise do dolo ou culpa de Joana; Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 19 32 d) subjetiva do Estado, segundo a qual é imprescindível a comprovação do dolo ou culpa de Joana; e) subjetiva do Estado e cabe ação regressiva do Estado contra Joana, pela teoria do risco administrativo. Comentários GABARITO: LETRA C. Vejamos o que o texto constitucional fala sobre o tema: Art. 37 (...) § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, asseguradoo direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Nessa situação, Joana agiu com culpa, ou seja, sua conduta foi revestida de imprudência, negligência ou imperícia. Contudo, o elemento subjetivo da conduta de Joana é irrelevante para a caracterização da responsabilidade estatal. Esse apenas seria analisado no âmbito da ação de regresso movida pelo Poder Público contra Joana. Por isso, falamos que a responsabilidade é objetiva. Em contrapartida, no âmbito da ação de regresso, falamos em responsabilidade subjetiva, uma vez que há análise da existência de elemento subjetivo. Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 20 32 . Túlio Lages Aula 00 QUESTIONÁRIO DE REVISÃO E APERFEIÇOAMENTO A ideia do questionário é elevar o nível da sua compreensão no assunto e, ao mesmo tempo, proporcionar uma outra forma de revisão de pontos importantes do conteúdo, a partir de perguntas que exigem respostas subjetivas. São questões um pouco mais desafiadoras, porque a redação de seu enunciado não ajuda na sua resolução, como ocorre nas clássicas questões objetivas. O objetivo é que você realize uma autoexplicação mental de alguns pontos do conteúdo, para consolidar melhor o que aprendeu ;) Além disso, as questões objetivas, em regra, abordam pontos isolados de um dado assunto. Assim, ao resolver várias questões objetivas, o candidato acaba memorizando pontos isolados do conteúdo, mas muitas vezes acaba não entendendo como esses pontos se conectam. Assim, no questionário, buscaremos trazer também situações que ajudem você a conectar melhor os diversos pontos do conteúdo, na medida do possível. É importante frisar que não estamos adentrando em um nível de profundidade maior que o exigido na sua prova, mas apenas permitindo que você compreenda melhor o assunto de modo a facilitar a resolução de questões objetivas típicas de concursos, ok? Nosso compromisso é proporcionar a você uma revisão de alto nível! Vamos ao nosso questionário: Perguntas 1. Suponha que uma agência reguladora tenha causado dano a terceiro em decorrência da prestação de serviço público por parte de um de seus agentes. Acionada pelo lesado perante o Poder Judiciário, em ação de reparação, os procuradores da agência, em defesa da entidade, alegaram que o agente público não tinha a intenção de causar o dano e, além disso, não havia, no caso, contrato celebrado entre a autarquia e o pretenso lesado e, assim, a autarquia não poderia ser civilmente responsabilizada. Diante do exposto, responda: as alegações dos procuradores da agência, caso sejam efetivamente demonstradas, merecem prosperar? O Estado pode ser civilmente responsabilizado? Explique. 2. Suponha que, por disputa de comércio de tráfico, um traficante de drogas tenha ingressado em um hospital público e disparado arma de fogo contra a perna de um desafeto que ali estava internado. Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 21 32 . Túlio Lages Aula 00 O ferido, após certo tempo, acionou o Estado perante a Justiça para buscar o reparo dos danos sofridos. Os advogados públicos alegaram que o Estado não poderia ser responsabilizado, porque o ferido não demonstrou dolo ou culpa da atuação do agente público que deveria ter impedido os disparos, além do fato de o dano ter sido causado por conduta ilícita do meliante, o que seria uma excludente de responsabilidade. As alegações dos advogados públicos, caso sejam efetivamente demonstradas, merecem prosperar? O Estado pode ser civilmente responsabilizado? Explique. 3. Suponha que uma empresa permissionária de serviço público tenha sido acionada, mediante ação de reparo, por um particular não usuário pretensamente lesado por empregado daquela empresa em decorrência da prestação de serviços delegados. Em sua defesa, o advogado da empresa alegou que o particular foi o único responsável pelo evento danoso e que, independentemente desse fato, o pretenso lesado deveria ter acionado o Estado, não a empresa, razão pela qual nenhuma responsabilidade poderia ser atribuída à permissionária. Além disso, o advogado sustentou que o pretenso lesado não era usuário do serviço público, afastando, assim, a responsabilidade civil do Estado. As alegações do advogado da empresa, caso sejam efetivamente demonstradas, merecem prosperar? Explique. 4. Considere que um empregado de uma concessionária de serviço público tenha causado danos a terceiros em razão da prestação de serviços delegados. Após ter sido condenada em ação de reparação, a concessionária acionou o empregado, mediante ação regressiva, para obter a reparação dos prejuízos incorridos por ter que indenizar o particular. Em sua defesa, o advogado do empregado alegou que a concessionária não demonstrou dolo ou culpa na atuação de seu cliente e, assim, não poderia ser responsabilizado. A alegação do advogado do empregado, caso seja efetivamente demonstrada, merece prosperar? Explique. 5. Considere que, em razão de ventos fortes, uma árvore acabe caindo sobre um carro regularmente estacionado ao seu lado. O proprietário do automóvel acionou o Estado na Justiça com vistas a obter ressarcimento de seu prejuízo, alegando que o poder público foi omisso em sua atribuição de podar adequadamente a árvore, que se encontrava em terreno público. A alegação do proprietário do automóvel, caso seja efetivamente demonstrada, merece prosperar? Explique. Perguntas com respostas 1. Suponha que uma agência reguladora tenha causado dano a terceiro em decorrência da prestação de serviço público por parte de um de seus agentes. Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 22 32 ==275324== . Túlio Lages Aula 00 Acionada pelo lesado perante o Poder Judiciário, em ação de reparação, os procuradores da agência, em defesa da entidade, alegaram que o agente público não tinha a intenção de causar o dano e, além disso, não havia, no caso, contrato celebrado entre a autarquia e o pretenso lesado e, assim, a autarquia não poderia ser civilmente responsabilizada. Diante do exposto, responda: as alegações dos procuradores da agência, caso sejam efetivamente demonstradas, merecem prosperar? O Estado pode ser civilmente responsabilizado? Explique. Não merecem prosperar, porque a responsabilidade civil da agência, no caso, é objetiva, que independe de dolo ou culpa, sendo necessário, somente, que seja demonstrado o nexo causal do dano e da atuação do agente. Assim, para a responsabilização objetiva, não importa se o agente possuía a intenção de causar o dano ou se havia contrato celebrado entre a Administração e o particular lesado: se há nexo causal entre o dano e a atuação do agente, o Estado pode ser civilmente responsabilizado. A comprovação de dolo ou culpa do agente público só se faz necessária caso a Administração, sendo condenada a indenizar o particular lesado, impetre ação regressiva em desfavor do agente estatal, porque a responsabilidade deste é subjetiva. Diante do exposto, no caso narrado, o Estado pode ser civilmente responsabilizado. 2. Suponha que, por disputa de comércio de tráfico, um traficante de drogas tenha ingressado em um hospital público e disparado arma de fogo contra a perna de um desafeto que ali estava internado. O ferido, após certo tempo, acionou o Estado perante a Justiça para buscar o reparo dos danos sofridos. Os advogados públicos alegaram que o Estado não poderia ser responsabilizado, porque o ferido não demonstrou dolo ou culpa da atuação do agentepúblico que deveria ter impedido os disparos, além do fato de o dano ter sido causado por conduta ilícita do meliante, o que seria uma excludente de responsabilidade. As alegações dos advogados públicos, caso sejam efetivamente demonstradas, merecem prosperar? O Estado pode ser civilmente responsabilizado? Explique. Não merecem prosperar. Em regra, a responsabilidade do Estado por omissão é do tipo subjetiva. Porém, caso o dano ocorra sobre coisa ou pessoa sob a custódia do poder público, a responsabilidade estatal é objetiva, que independe de dolo ou culpa, sendo necessário, somente, que seja demonstrado o nexo causal do dano e da atuação do agente. Logo, não importa se o causador do dano praticou ato ilícito (que, com efeito, não é uma excludente de responsabilidade), ou se não houve comprovação de dolo ou culpa do agente público que deveria ter evitado o dano, porque a responsabilidade do Estado, no caso narrado, é do tipo objetiva. Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 23 32 . Túlio Lages Aula 00 Diante do exposto, no caso narrado, o Estado pode ser civilmente responsabilizado. 3. Suponha que uma empresa permissionária de serviço público tenha sido acionada, mediante ação de reparo, por um particular não usuário pretensamente lesado por empregado daquela empresa em decorrência da prestação de serviços delegados. Em sua defesa, o advogado da empresa alegou que o particular foi o único responsável pelo evento danoso e que, independentemente desse fato, o pretenso lesado deveria ter acionado o Estado, não a empresa, razão pela qual nenhuma responsabilidade poderia ser atribuída à permissionária. Além disso, o advogado sustentou que o pretenso lesado não era usuário do serviço público, afastando, assim, a responsabilidade civil do Estado. As alegações do advogado da empresa, caso sejam efetivamente demonstradas, merecem prosperar? Explique. Parcialmente. De fato, se o pretenso lesado foi o único responsável pelo evento danoso, há a exclusão da responsabilidade civil do Estado. Por outro lado, as demais alegações do advogado não merecem prosperar. A responsabilidade objetiva alcança os delegatários de serviço público, inclusive quanto aos danos causados a terceiros não usuários do serviço. 4. Considere que um empregado de uma concessionária de serviço público tenha causado danos a terceiros em razão da prestação de serviços delegados. Após ter sido condenada em ação de reparação, a concessionária acionou o empregado, mediante ação regressiva, para obter a reparação dos prejuízos incorridos por ter que indenizar o particular. Em sua defesa, o advogado do empregado alegou que a concessionária não demonstrou dolo ou culpa na atuação de seu cliente e, assim, não poderia ser responsabilizado. A alegação do advogado do empregado, caso seja efetivamente demonstrada, merece prosperar? Explique. Sim, porque a responsabilidade do agente (no caso, o empregado) é subjetiva, sendo necessário comprovar que houve dolo ou culpa em sua conduta. 5. Considere que, em razão de ventos fortes, uma árvore acabe caindo sobre um carro regularmente estacionado ao seu lado. O proprietário do automóvel acionou o Estado na Justiça com vistas a obter ressarcimento de seu prejuízo, alegando que o poder público foi omisso em sua atribuição de podar adequadamente a árvore, que se encontrava em terreno público. A alegação do proprietário do automóvel, caso seja efetivamente demonstrada, merece prosperar? Explique. Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 24 32 . Túlio Lages Aula 00 Sim, caso o proprietário do automóvel efetivamente demonstre que houve dolo ou culpa da Administração em omitir-se no zelo de seu patrimônio (no caso, a árvore que não estava devidamente podada) e que tal omissão causou dano ao particular, o Estado pode ser responsabilizado. Isso porque, regra geral, a responsabilidade civil do Estado, em caso de omissão, é do tipo subjetiva, sendo necessária a comprovação de dolo ou culpa da Administração por parte do pretenso lesado. Aplica-se, aqui, a modalidade culpa administrativa. ... Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 25 32 LISTA DE QUESTÕES ESTRATÉGICAS 1. (FGV/2018/TJAL/Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador) Maria, ocupante do cargo efetivo de Oficial de Justiça Avaliador do Tribunal de Justiça de Alagoas, ao cumprir mandado judicial de citação no endereço da ré Joana, envolveu-se em discussão com ela, e acabou quebrando o portão de sua casa. Inconformada com a agressividade do agente público e com os danos que sofreu, Joana ajuizou ação indenizatória. Na hipótese narrada, aplica-se a responsabilidade civil: a) objetiva do poder público estadual, que prescinde da análise do elemento subjetivo por parte do agente público, cabendo ação de regresso em face do servidor, nos casos de culpa ou dolo; b) objetiva e direta do agente público, eis que os fatos não ocorreram nas dependências do fórum, sendo imprescindível a comprovação de ter agido o agente público com dolo ou culpa; c) subjetiva do poder público estadual, sendo imprescindível a comprovação de ter agido o agente público com dolo ou culpa, caso em que cabe ação de regresso visando ao ressarcimento ao erário; d) subjetiva e direta do agente público, eis que os fatos não ocorreram nas dependências do fórum, sendo prescindível a comprovação de ter agido o agente público com dolo ou culpa; e) subjetiva e solidária do agente público e do poder público estadual, para maior proteção ao particular lesado, sendo imprescindível a comprovação de ter agido o agente público com dolo ou culpa. 2. (FGV/2018/TJAL/ Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador) João, apenado que cumpria pena privativa de liberdade decorrente de sentença penal condenatória com trânsito em julgado, foi morto no interior de unidade prisional estadual de Alagoas. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no caso em tela, aplica-se a responsabilidade civil: a) objetiva do Estado, e o valor arbitrado em relação aos danos morais decorrentes não pode, em qualquer hipótese, ser revisto em sede de recurso especial pela proibição de reexame de matéria fática; b) objetiva do Estado, e os danos morais decorrentes somente podem ser revistos em sede de recurso especial quando o valor arbitrado for exorbitante ou irrisório, afrontando os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 26 32 c) subjetiva do Estado, e o poder público estadual será condenado à indenização pelos danos morais aos familiares do apenado, caso se comprove que o homicídio foi praticado por algum agente penitenciário; d) subsidiária do Estado, e, para condenação do poder público estadual ao pagamento de indenização pelos danos morais aos familiares do apenado, será imprescindível a prévia tentativa de satisfação do crédito junto ao agente público que agiu com culpa ou dolo; e) subjetiva do Estado, e, para condenação do poder público estadual ao pagamento de indenização pelos danos morais aos familiares do apenado, será imprescindível a comprovação do ato ilícito e nexo causal, sendo desnecessária a demonstração do dolo ou culpa de um agente público. 3. (FGV/2018/TJSC/Oficial de Justiça e Avaliador) João, Oficial de Justiça do Tribunal de Justiçade Santa Catarina, no dia 01/06/2011, conduzia veículo oficial para realizar diligência citatória afeta às suas funções públicas, quando, culposamente, atropelou e matou Maria. No dia 01/06/2014, sobreveio o trânsito em julgado de sentença penal condenando João pelo delito de homicídio culposo na direção de veículo automotor. Em 01/06/2018, os filhos de Maria ajuizaram ação indenizatória em face do Estado de Santa Catarina, em razão de sua responsabilidade civil: a) objetiva, mas já se operou a prescrição quinquenal, cujo termo inicial é a data do acidente; b) objetiva, mas já se operou a prescrição trienal, cujo termo inicial é a data do óbito; c) objetiva, e ainda não se operou a prescrição quinquenal, cujo termo inicial é a data do trânsito em julgado da sentença penal condenatória; d) subjetiva, e ainda não se operou a prescrição trienal, cujo termo inicial é a data do trânsito em julgado da sentença penal condenatória; e) subjetiva, mas já se operou a prescrição quinquenal, cujo termo inicial é a data do acidente, independentemente da data do óbito ou da sentença penal condenatória irrecorrível. 4. (FGV/2016/MPERJ/Analista do Ministério Público - Processual) Funcionários de sociedade empresária concessionária do serviço público municipal de coleta e tratamento de esgoto e fornecimento de água potável realizavam conserto em um bueiro localizado em via pública. Durante o reparo, um forte jato de água atingiu Fernanda, transeunte que caminhava pela calçada, ocasionando sua queda que resultou em fratura do fêmur. No caso em tela, a indenização devida a Fernanda deve ser suportada: Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 27 32 a) pela sociedade empresária concessionária, que tem responsabilidade civil subjetiva, sendo imprescindível a comprovação da culpa ou dolo de seus funcionários; b) pela sociedade empresária concessionária, que tem responsabilidade civil objetiva, sendo prescindível a comprovação da culpa ou dolo de seus funcionários; c) pelo Município, diretamente, na qualidade de poder concedente, que tem responsabilidade civil subjetiva, sendo prescindível a comprovação da culpa ou dolo dos seus funcionários da concessionária; d) pelo Município e pela sociedade empresária concessionária, de forma solidária, que têm responsabilidade civil objetiva, sendo imprescindível a comprovação da culpa ou dolo dos funcionários da concessionária; e) pelos funcionários responsáveis pelo dano, diretamente, que têm responsabilidade civil objetiva, sendo prescindível a comprovação de terem atuado com culpa ou dolo. 5. (FGV/2018/TJ-SC/Analista Administrativo) João, Analista Administrativo do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, no exercício da função, causou danos morais a Joana, parte autora em determinado processo judicial, cujos autos foram extraviados por culpa de João. Em razão de tais fatos, Joana obteve êxito em ação indenizatória aforada em face do Estado de Santa Catarina. Na hipótese narrada, o poder público estadual: a) pode acionar judicialmente João, mediante ação de regresso, tendo o ônus de comprovar que o agente público agiu com culpa; b) pode acionar judicialmente João, mediante ação de regresso, desde que cumpra o ônus de comprovar que o agente público agiu com dolo; c) pode acionar judicialmente João, mediante ação de regresso, independentemente de comprovar a culpa ou dolo do agente, em razão da responsabilidade civil objetiva; d) não pode acionar judicialmente João, eis que a responsabilidade civil objetiva aplica-se apenas em face do Estado, que não tem o direito de regresso contra o agente; e) não pode acionar judicialmente João, eis que o direito de regresso do Estado contra o agente somente surge quando demonstrada má fé, o que inocorreu no caso. 6. (FGV/2015/TJ-SC/Analista Administrativo) Maria, deficiente visual, dirigiu-se ao posto de saúde municipal para consulta de urgência, com dor abdominal aguda. A paciente foi encaminhada para exame de raio X. Mesmo estando cientes da deficiência visual da cidadã, Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 28 32 ==275324== os funcionários da unidade de saúde não adotaram as medidas pertinentes consistentes em cuidados especiais com a locomoção e acomodação de Maria para evitar acidentes e, durante o exame, a paciente sofreu uma queda. O tombo ocasionou-lhe traumatismo crânio- encefálico, causa de sua morte, que ocorreu dois dias depois. No caso em tela, aplica-se a responsabilidade civil: a) exclusiva, direta e pessoal de todos os funcionários que agiram com culpa; b) subjetiva do Município, sendo imprescindível a comprovação da culpa de seus agentes; c) solidária entre o Município e os funcionários que agiram com culpa; d) subsidiária do Município, que somente responde pelos danos causados por seus agentes caso eles sejam insolventes; e) objetiva do Município, sendo desnecessário comprovar o elemento subjetivo de seus agentes. 7. (FGV/2015/FME Niterói/Contador) Fernando conduzia seu veículo na contramão da direção e colidiu com um ônibus de sociedade empresária concessionária do serviço público de transporte coletivo de passageiros. Inconformado com os danos materiais que sofreu, Fernando ajuizou ação pleiteando indenização, sendo certo que, no curso da instrução probatória, restou comprovada a sua culpa exclusiva. No caso em tela, o pedido feito por Fernando na ação deverá ser julgado: a) procedente, porque se trata, em tese, de responsabilidade civil objetiva, na qual não há necessidade de se demonstrar o nexo causal entre a conduta e o resultado danoso; b) procedente, porque se trata, em tese, de responsabilidade civil subjetiva, na qual não há necessidade de se demonstrar o elemento subjetivo do condutor do coletivo da concessionária; c) improcedente, porque se trata, em tese, de responsabilidade civil subjetiva e Fernando deveria ter comprovado o elemento subjetivo do condutor do coletivo da concessionária; d) improcedente, porque, apesar de se tratar, em tese, de responsabilidade civil subjetiva, Fernando não comprovou que o resultado danoso adveio de conduta ilícita do motorista do ônibus; e) improcedente, porque, apesar de se tratar, em tese, de responsabilidade civil objetiva, o nexo causal foi rompido em razão da culpa exclusiva da vítima, Fernando. 8. (FGV/2015/TJ-BA/Analista Judiciário – Área Administrativa) Joana, enfermeira ocupante de cargo efetivo em um Hospital Estadual, durante seu horário de expediente, segurava uma seringa que tinha acabado de usar e, por descuido, acabou ferindo com a agulha Maria, Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 29 32 parente de um paciente. Maria sofreu significativo rasgo em seu braço, tendo que receber imediato atendimento médico, sendo necessários vários pontos para suturar a lesão. No caso em tela, em tema de indenização em favor de Maria, aplica-se a responsabilidade civil: a) objetiva do Estado, segundo a qual é imprescindível a comprovação do elemento subjetivo da conduta de Joana; b) objetiva do Estado e não cabe ação regressiva do Estado contra Joana, pela teoria do risco administrativo; c) objetiva do Estado, segundo a qual não há necessidade de análise do dolo ou culpa de Joana; d) subjetiva do Estado, segundo a qual é imprescindível a comprovação do dolo ou culpa de Joana; e) subjetiva do Estado e cabe ação regressiva do Estado contra Joana, pela teoria do risco administrativo. Gabarito 1. A 2. B 3. C 4. B 5. A 6. E 7. E 8. C Tulio Lages Aula13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 30 32 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALEXANDRINO, Marcelo. DIAS, Frederico. PAULO, Vicente. Aulas de direito constitucional para concursos. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2013. BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). A Constituição e o Supremo. 5. ed. Brasília: STF, Secretaria de Documentação, 2016. CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 30. ed. São Paulo: Atlas, 2016. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 29. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016. FURTADO, Lucas Rocha. Curso de direito administrativo. 5. ed. Belo Horizonte: Fórum, 2016. JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de direito administrativo. 10. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014. LIMA, Gustavo Augusto F. de. Agências reguladoras e o poder normativo. 1. ed. São Paulo: Baraúna, 2013. LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 40. ed. São Paulo: Malheiros, 2014. Tulio Lages Aula 13 Receita Federal (Analista Tributário) Passo Estratégico de Direito Administrativo - 2022 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 257718840181815826 - Flávio Ricardo Cirino 31 32