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Curso completo de direito agrário - 11ed Capítulo 10

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ISBN	978-85-472-1659-7
Opitz,	Silvia	C.	B.
Curso	completo	de	direito	agrário	/	Silvia	C.	B.	Opitz,	Oswaldo	Opitz.	–	11.	ed.	rev.	e	atual.	–	São	Paulo	:	Saraiva,
2017.
1.	Direito	agrário	2.	Direito	agrário	-	Brasil	3.	Direito	agrário	-	Jurisprudência	-	Brasil	I.	Opitz,	Oswaldo.	II.	Título.
16-1314	CDU	347.243(81)
Índices	para	catálogo	sistemático:
1.	Brasil	:	Direito	agrário	347.243(81)
Presidente	Eduardo	Mufarej
Vice-presidente	Claudio	Lensing
Diretora	editorial	Flávia	Alves	Bravin
Conselho	editorial
Presidente	Carlos	Ragazzo
Gerente	de	aquisição	Roberta	Densa
Consultor	acadêmico	Murilo	Angeli
Gerente	de	concursos	Roberto	Navarro
Gerente	editorial	Thaís	de	Camargo	Rodrigues
Edição	Eveline	Gonçalves	Denardi	|	Verônica	Pivisan	Reis
Produção	editorial	Ana	Cristina	Garcia	(coord.)	|	Luciana	Cordeiro	Shirakawa
Clarissa	Boraschi	Maria	(coord.)	|	Kelli	Priscila	Pinto	|	Marília	Cordeiro	|	Mônica	Landi	|	Tatiana	dos	Santos	Romão	|
Tiago	Dela	Rosa
Diagramação	(Livro	Físico)	Markelângelo	Design	e	Projetos	Editoriais
Revisão	Markelângelo	Design	e	Projetos	Editoriais
Comunicação	e	MKT	Elaine	Cristina	da	Silva
Capa	Tiago	Dela	Rosa
Livro	digital	(E-pub)
Produção	do	e-pub	Guilherme	Henrique	Martins	Salvador
Serviços	editoriais	Surane	Vellenich
Capítulo	10
HISTÓRIA	DA	PROPRIEDADE	NO	BRASIL
1.	Formação	da	propriedade	rural	no	Brasil.	Caudilhismo	rural
A	formação	da	propriedade	 rural	no	Brasil	começou	com	a	colonização	portuguesa,	que	distribuiu	o
território	em	capitanias	hereditárias	que	tinham	extensões	enormes.	Com	isso	criou-se	uma	sociedade	de
latifundiários	que	somente	foi	tocada	com	a	Lei	das	Terras	de	1850,	mas	sem	ferir	o	direito	adquirido.	A
mentalidade	 que	 se	 formou	 foi	 nessa	 base	 territorial.	 Criou-se	 uma	 filosofia	 arraigada	 do	 homem	 ao
campo,	 que	 venceu	 o	 tempo	 e	 continua,	 apesar	 do	 surto	 industrialista	 que	 existe,	 predominando	 na
formação	democrática	da	​República.	O	homem	de	indústria	ainda	não	se	capacitou	de	sua	grande	função
socioeconômica	brasileira,	porque	em	grande	parte	os	capitães	de	indústria	saíram	das	elites	rurais	do
Norte,	Centro	e	Sul,	embora	não	se	possa	negar	a	contribuição	enorme	e	valiosa	do	elemento	alienígena.
Todos	esses	fatores	regionais	estruturaram	a	política	e	a	economia	​nacionais.
Apesar	do	esforço	que	se	vem	fazendo,	ainda	é	o	caudilhismo	rural	que	predomina,	principalmente,	nas
zonas	 Norte	 e	 Nordeste,	 no	 setor	 político.	 As	 representações	 políticas	 na	 Câmara,	 Congresso	 e
Assembleia	ainda	são	predominantemente	do	homem	do	campo	e	proprietário	latifundiário.	É	nesse	meio
que	se	 formam	os	 líderes	políticos.	No	Brasil,	conforme	se	 tem	destacado	por	meio	de	estudos	socio​-
lógicos,	 é	 evidente	 a	 sobrevivência	 da	 liderança	 rural.	 Disso	 decorre	 a	 dificuldade	 de	 uma	 reforma
agrária	 que	 satisfaça	 o	 homem	 do	 povo	 e	 da	 indústria,	 sendo	 que	 este	 (da	 indústria)	 contribui	 com	 a
maior	 parcela	 de	 impostos	 para	 a	 manutenção	 da	 vida	 administrativa	 do	 Estado.	 Acontece	 que,
numericamente,	é	muito	inferior	àquela	(do	homem	do	campo).	Até	quando	isso	perdurará	não	se	sabe,
mas	 se	 pode	 prognosticar	 uma	 solução	 a	 médio	 prazo	 pelas	 medidas	 tomadas	 legislativamente.	 O
primeiro	 passo	 foi	 dado	 com	 o	 ET	 e	 seus	 regulamentos.	A	 dificuldade	maior	 surgiu	 da	 inexperiência
legislativa	nesse	setor	da	vida	nacional,	tanto	que	o	ET	tem	uma	vastíssima	regulamentação,	sem	falar	nas
leis	 posteriores	 que	 o	 complementaram.	 Não	 é	 fácil	 ao	 homem	 comum	 do	 campo	 e	 até	 mesmo	 ao	 ​-
intelectual	rural	conhecer	e	entender	a	mecânica	dessa	 legislação.	Com	a	preocupação	de	ser	clara	(in
claro	cessat	interpretatio),	a	legislação	esqueceu	pontos	importantes	e	usou	artigos	sem	sentido	ou	com
sentido	difícil	de	entender.	Cogita-se,	por	intermédio	do	INCRA,	de	uma	consolidação	ou	código	agrário
para	amenizar	 essa	 selva	selvaggia	 das	 normas	 agrárias	 em	vigor,	mas	 pouco	 aplicadas	 (o	 INCRA	 já
publicou	toda	a	legislação	agrária).
Não	se	pode	negar	que	se	está	criando	uma	mentalidade	nova	em	relação	ao	uso	da	propriedade	rural:
deve	 ser	 usada	 para	 a	 produção	 de	 mercado	 interno	 e	 externo.	 O	 fim	 da	 produção	 rural	 deve	 ser
agressivo	para	competir	no	mercado	internacional	em	grande	escala;	para	isso	não	faltam	meios	materiais
e	 humanos.	 A	 agricultura	 tradicional	 está	 se	 modificando	 economicamente,	 porque	 produz	 para	 o
mercado,	 ou	 seja,	 se	 dirige	 para	 um	 grande	 processo	 de	 comercialização	 envolvendo	 aspectos
industriais.	Aliás,	diga-se	de	passagem,	esta	deve	ser	a	nova	mentalidade	que	a	reforma	agrária	terá	de
incutir	 no	 espírito	 dos	 proprietários	 rurais,	 para	 que	 entrem	 no	 grande	 mercado	 com	 todas	 as	 suas
características	 peculiares.	O	 isolamento	deve	desaparecer:	 não	 estamos	mais	 dependendo	do	 carro	de
boi	ou	do	cavalo	para	o	transporte	da	pessoa	e	do	fruto	do	trabalho.	A	era	é	do	tráfego	rápido,	isto	é,	da
circulação	 da	 riqueza	 nacional	 por	 meios	 mecânicos,	 eficientes	 e	 velozes,	 de	 modo	 que	 o	 medo	 da
deterioração	desapareceu	até	mesmo	para	os	produtos	bovinos	que	já	são	levados	em	carros	frigoríficos
a	grandes	distâncias	sem	sofrer	qualquer	dano.	As	ótimas	estradas	permitem	que	o	produtor	se	desvincule
do	comerciante	mais	próximo	para	a	entrega	de	seu	produto.	O	produtor	pode	e	deve	atacar,	entrando	na
especulação	e	flutuação	dos	mercados	importantes	e	grandes	consumidores.	Deve	desenvolver	o	espírito
capitalista,	 para	 que	 se	 forme	 uma	 mentalidade	 nova,	 um	 patrimônio	 cultural	 que	 se	 alicerce	 numa
economia	de	mercado	e	na	liberdade	da	iniciativa	privada,	sem	o	paternalismo	estatal	exagerado	que	se
verifica	na	atualidade.	O	homem	de	empresa	rural	deve	ter	a	mesma	mentalidade	do	capitão	da	indústria
urbana,	dispensando	sempre	que	possível	a	 intervenção	estatal	que,	 infelizmente,	 se	verifica	por	culpa
dessas	mesmas	 lideranças	 que	 procuram	 obter	 do	 Estado	 o	máximo	 de	 vantagens.	 O	 Estado,	 por	 seu
turno,	não	devolve	à	comunidade	os	impostos	que	incidem	sobre	o	lucro	obtido.	Não	somente	os	prejuí​-
zos	devem	ser	 transferidos	ao	Estado,	mas,	quando	há	 lucro,	 este	 também	deve	 ser	 entregue	a	ele,	 em
parte,	 para	 que	 possa	 continuar	 com	 a	 liderança	 do	 processo	 de	 uma	 reforma	 agrária	 em	 moldes
capitalistas.
2.	Agricultura.	Sua	importância
A	agricultura	é,	e	será	ainda	por	alguns	anos,	o	campo	de	batalha	onde	se	decidirá	a	sorte	nacional	e
sua	 configuração	 jurídica	 e	 econômico-social.	 Portanto	 a	 reforma	 agrária	 não	 pode	 afastar-se	 dessa
trajetória,	se	quiser	alcançar	algum	êxito.	A	ordem	é	produzir	mais	e	mais.
Dentro	desse	esquema	geral,	a	reforma	agrária	não	pode	esquecer	que	sua	função	precípua	é	a	fixação
do	homem	do	campo	à	sua	propriedade,	em	caráter	profissional	e	com	o	objetivo	de	grande	produção
para	o	mercado.	Fica	assim	alcançado	o	objetivo	da	reforma	agrária	apontado	no	art.	1º,	§	1º,	do	ET.
3.	Fim	da	reforma	agrária
Um	dos	fins	da	reforma	agrária	é	a	“melhor	distribuição	da	terra,	mediante	modificações	no	regime	de
sua	 posse	 e	 uso”.	 Não	 se	 deve	 esquecer	 aqui	 que	 a	 distribuição	 da	 terra	 no	 Brasil	 se	 formou	 por
intermédio	de	Portugal	e	que	este	influiu	muito	na	formação	do	nosso	homem	do	campo.	A	mentalidade
portuguesa	calou	fundo	na	colônia,	tanto	que	até	hoje	nosso	latifundiário	ainda	pensa	como	há	duzentos
anos.	Daí	a	necessidade	de	se	distribuir	melhor	a	terra	arável	do	País,	despertando	esses	homens	para	a
realidade	 presente,	 segundo	 a	 qual	 não	 é	mais	 a	 grande	 propriedade	 que	 lhes	 dá	 prestígio,	mas	 o	 seu
aproveitamento	 integral	 e	 técnico	 para	 atender	 aos	 princípios	 de	 justiça	 social	 e	 ao	 aumento	 da	 ​-
produtividade.
4.	Distribuição	da	terra.	Colonização.	Conceito.	Colonização	oficial	e	particular
A	 primeira	 medida,	 portanto,	 é	 a	 distribuição	 da	 terra	 àquele	 que	 tenha	 condições	 de	 explorá-la,
aumentandoa	 produção	 nacional	 para	 o	mercado	 interno	 e	 externo.	Daí	 surge	 a	 primeira	 norma	 legal
decorrente	 daquele	 objetivo	 (art.	 1º,	 §	 1º):	 colonização	 é	 toda	 atividade	 oficial	 ou	 particular	 que	 se
destine	a	promover	o	aproveitamento	econômico	da	 terra	pela	sua	divisão	em	propriedade	 familiar	ou
por	meio	de	cooperativas.
Colonização	é	a	forma	de	se	distribuir	a	terra,	na	sistemática	da	reforma	agrária	adotada	no	ET.	Pode
ser	 oficial	 ou	particular.	Trataremos	 agora	 de	 cada	uma	delas	 dentro	 do	 sistema	 estatutário	 em	exame
(ET).
A	distribuição	 da	 terra	 tem	 sido	 uma	 constante	 na	 vida	 dos	 povos,	 com	 altos	 e	 baixos	 violentos.	A
razão	 é	 lógica,	 porque	 a	 propriedade	 sempre	 esteve	 vinculada	 à	 família	 e	 foi	 sempre	 seu	 fundamento
social	e	político.	Não	se	deve	esquecer	que	a	distribuição	da	terra	repercute	na	economia	e	na	política	de
cada	 nação.	 “A	 ela	 se	 vinculam	 a	 produção,	 as	 indústrias,	 o	 equilíbrio	 entre	 a	 cidade	 e	 o	 campo,	 a
prosperidade	ou	o	bem-estar	dos	habitantes	e	até	seu	sistema	político”	(Horne,	Reformas	agrárias	em
América	e	Europa,	p.	9).	A	reforma	agrária	é	a	base	da	estabilidade	política.
Colonização	 oficial,	 portanto,	 é	 a	 entrega	 de	 terras	 do	 Estado	 (devolutas	 ou	 não),	 em	 forma	 de
propriedade	 familiar,	 àqueles	 que	 se	 dedicam	 à	 atividade	 rural.	 A	 quantidade	 não	 deve	 ser	 inferior
àquela	que	propicie	ao	cultivador	e	sua	família	meios	de	subsistência	e	o	processo	social	e	econômico
(art.	 4º,	 II,	 do	 ET).	 Portanto	 o	 conjunto	 familiar	 deve-se	 fixar	 na	 propriedade	 para	 dela	 tirar	 toda	 a
vantagem	possível	sem	deteriorá-la	(v.	PROTERRA,	Dec.-lei	n.	1.179/71).
5.	Distribuição	das	terras	públicas
As	terras	públicas	que	podem	ser	distribuídas	são	as	seguintes,	na	ordem	prioritária:
a)	as	de	propriedade	da	União,	que	não	tenham	outra	destinação	específica;
b)	 as	 reservadas	 pelo	 Poder	 Público	 para	 serviços	 ou	 obras	 de	 qualquer	 natureza,	 ressalvadas	 as
pertinentes	 à	 segurança	 nacional,	 desde	 que	 o	 órgão	 competente	 considere	 sua	 utilização	 econômica
compatível	com	a	atividade	principal	sob	a	forma	de	exploração	agrícola;
c)	as	devolutas	da	União,	dos	Estados	e	dos	Municípios.
A	 transferência	 da	 propriedade	 oficial	 pode-se	 fazer	 mediante	 doação,	 compra	 e	 venda	 ou
reconhecimento	de	posse	antiga	dessas	terras	ou	das	referidas	nas	letras	b	e	c	(v.	Lei	n.	4.947/66,	art.	6º,
e	CF	de	1988,	art.	188).
No	 tocante	 às	 terras	 devolutas,	 a	 lei	 adotou	 alguns	 critérios	 que	 precisam	 ser	 destacados,	 mesmo
porque	 a	 matéria	 já	 é	 muito	 antiga:	 ela	 nos	 vem	 da	 Lei	 das	 Terras	 de	 1850.	 Assim,	 o	 INCRA	 tem
competência	para	reconhecer	as	posses	legítimas	manifestadas	pela	cultura	efetiva	e	morada	habitual	(tal
qual	na	Lei	de	1850),	As	demais,	não	ocupadas,	 serão	distribuídas	por	meio	da	colonização	 racional,
visando	a	erradicar	os	males	do	minifúndio	e	do	latifúndio.
6.	Legítimos	possuidores	das	terras	federais.	Art.	3º	da	Lei	n.	4.947/66.	Portaria	n.	812/91
Quanto	aos	legítimos	possuidores	das	terras	federais,	observar-se-á	o	seguinte:
O	 INCRA	 promoverá	 a	 discriminação	 das	 áreas	 ocupadas	 por	 posseiros,	 para	 a	 progressiva
regularização	de	suas	condições	de	uso	e	posse	da	terra,	providenciando,	quando	for	o	caso,	a	emissão
dos	títulos	de	domínio.
Não	será	prejudicado	o	posseiro-trabalhador	rural	que	ocupar	terras	devolutas	da	União	por	um	ano,
porque	 se	 lhe	 dá	 preferência	 na	 aquisição	de	 um	módulo	 rural,	 conforme	 for	 fixado	para	 a	 região,	 de
acordo	com	as	prescrições	legais	(ET,	art.	97,	e	CF/88,	art.	188).
Para	tanto,	os	foreiros,	arrendatários,	possuidores,	ocupantes	e	quantos	se	julguem	com	direito	sobre
qualquer	 porção	 dos	 imóveis	 rurais	 pertencentes	 à	União	 ficam	 obrigados	 a	 apresentar	 ao	 INCRA	 os
títulos	ou	qualquer	prova	em	direito	permitida	em	que	fundamentem	as	suas	pretensões	(Lei	n.	4.947/66,
art.	3º).
A	Portaria	n.	812,	de	26	de	agosto	de	1991,	do	Presidente	do	INCRA,	estabele​ce	os	requisitos	para	a
alienação	 de	 terras	 públicas	 federais	 ocupadas	 e	 destinadas	 a	 atividade	 agropecuária:	 não	 ser
proprietário	rural,	em	qualquer	parte	do	​território	nacional;	explorar	diretamente,	por	mais	de	um	ano,	o
imóvel	rural	ocupado,	com	utilização	adequada	dos	recursos	naturais	e	preservação	do	meio	ambiente;
manter	residência	no	local	ou	em	local	próximo	a	ele,	de	modo	que	possibilite	a	sua	exploração;	ter	na
agropecuária	 a	 sua	 principal	 atividade	 (art.	 1º).	 A	 dimensão	 da	 área	 a	 ser	 alienada	 restringe-se	 ao
módulo	correspondente	ao	tipo	de	exploração	desenvolvida	no	imóvel,	ressalvadas	as	áreas	efetivamente
exploradas	 como	 situação	 jurídica	 constituída	 (art.	 5º),	 competente	 aos	 Superintendentes	Estaduais	 do
INCRA	para,	em	suas	áreas	de	jurisdição,	decidir	sobre	a	alienação	de	áreas	de	três	módulos	(art.	6º),
cabendo	ao	titular	da	Diretoria	de	Recursos	Fundiários	decidir	sobre	alienação	de	áreas	acima	de	três
módulos	 (art.	 16).	 A	 alienação	 faz-se	 por	 venda	 direta	 ao	 ocupante,	 mediante	 outorga	 do	 título	 de
Domínio,	inegociável	pelo	prazo	de	dez	anos	(art.	8º).
A	regra	comporta	exceção,	porque	o	direito	não	é	reconhecido	aos	foreiros	quando	as	terras	por	eles
ocupadas	se	tornem	necessárias	à	execução	dos	planos	da	colonização	e	de	serviço	ao	INCRA	atinentes.
Ainda	é	de	se	destacar	os	parágrafos	do	art.	188	da	Constituição	Federal,	que	permite	a	alienação	ou
concessão,	 a	 qualquer	 título,	 de	 terras	 públicas	 com	 área	 superior	 a	 dois	mil	 e	 quinhentos	 hectares	 a
pessoa	 física	 ou	 jurídica,	 mediante	 prévia	 aprovação	 do	 Congresso	 Nacional,	 salvo	 se	 destinada	 à
execução	de	planos	de	reforma	agrária.
7.	Colonização	oficial.	Como	se	faz
Vimos	o	meio	legal	de	transferência	da	terra	da	União,	quer	seja	devoluta	ou	não.	Vejamos	agora	como
se	faz	a	colonização	oficial,	em	relação	ao	elemento	humano,	ou	seja,	o	colono	que	ocupará	a	terra.
O	Poder	Público	tomará	a	iniciativa	de	recrutar	e	selecionar	as	pessoas	ou	famílias,	dentro	ou	fora	do
território	nacional,	para	colocação	e	 integração	nos	 respectivos	núcleos	 (ET,	art.	55).	 Isso	 somente	 se
fará	 em	 relação	 às	 terras	 incorporadas	 ao	 patrimônio	 público	 ou	 que	 venham	 a	 sê-lo.	 A	 ressalva	 se
impõe,	pois	os	direitos	dos	posseiros	etc.	foram	reconhecidos	para	efeito	da	reforma	agrária	das	terras
públicas.
Essa	colonização	oficial	far-se-á	de	preferência	nas	terras	ociosas	ou	de	aproveitamento	inadequado,
próximas	 a	 grandes	 centros	 urbanos	 e	 de	mercados	 de	 fácil	 acesso,	 tendo	 em	 vista	 os	 problemas	 de
abastecimento;	de	êxodo,	em	locais	de	fácil	acesso	e	comunicação	de	acordo	com	os	planos	nacionais	e
regionais	de	vias	de	transporte;	de	colonização	predominantemente	estrangeira,	tendo	em	mira	facilitar	o
processo	 de	 interculturação;	 de	 desbravamento	 ao	 longo	 dos	 eixos	 viários	 para	 ampliar	 a	 fronteira
econômica	do	País	(v.	g.,	na	Transamazônica).
A	finalidade	dessa	incorporação	do	homem	à	terra,	na	colonização	oficial,	não	é	puramente	material,
isto	 é,	 dar-lhe	 terra;	 visa	 também	 à	 sua	 integração	 e	 ao	 seu	 progresso	 social	 e	 econômico;	 ao
levantamento	do	nível	de	vida	do	trabalhador	rural;	à	conservação	dos	recursos	naturais	e	à	recuperação
social	 e	 econômica	 de	 determinadas	 áreas	 e	 ao	 aumento	 da	 produção	 e	 da	 produtividade	 no	 setor	 ​-
primário.
Outra	 norma	 importante	 no	 setor	 da	 colonização	 oficial	 é	 a	 seguinte:	 “Todos	 os	 imóveis	 rurais
pertencentes	à	União,	desde	que	destinados	às	atividades	agropecuárias,	somente	podem	ser	concedidos,
por	venda	ou	outra	forma	de	alienação,	aos	ocupantes	ou	pretendentes,	por	intermédio	do	INCRA”,	que
antes	submeterá	a	alienação	à	prévia	audiência:	a)	da	Comissão	Especial	da	Faixa	da	 ​Fronteira,	se	se
tratar	 de	 área	 na	 faixa	 sob	 sua	 jurisdição	 (Decreto-lei	 n.	 494,	 já	 referida,de	 10-03-1969;	 b)	 dos
Ministros	 da	 Guerra	 (de	 Exército),	 da	 Marinha	 e	 da	 Aeronáutica,	 se	 houver	 fortificações	 ou
estabelecimentos	 militares	 nas	 proximidades	 da	 área	 pretendida	 ou	 na	 faixa	 de	 100	 (cem)	metros	 ao
longo	da	costa	marítima;	c)	das	Prefeituras	Municipais,	quando	se	tratar	de	terreno	situado	em	zona	que
esteja	sendo	urbanizada	(v.	Lei	n.	4.947,	art.	7º).
8.	Colonização	particular
Trataremos	agora	da	colonização	particular,	que	é	outra	forma	de	distribuição	da	terra	rural,	prevista
no	ET	e	seus	Regulamentos	(com	as	alterações	posteriores).
Há	de	se	examinar	antes	uma	regra	de	superdireito	constante	na	CF,	de	grande	importância	no	estudo	da
colonização	particular.	É	o	princípio	da	 “função	 social	 da	propriedade”	destacado	no	art.	 170,	 III,	 da
Constituição	de	1988.	A	função	econômica	da	terra	não	é	mais	absoluta.	Seu	proprietário	não	pode	usar	e
abusar	 dela	 como	antes,	 porque	há	 um	princípio	 superior	 que	 lhe	 impede	 isso,	 dizendo	que	 seu	uso	 é
condicionado	ao	bem-estar	coletivo	previsto	na	CF	e	caracterizado	no	ET	(ET,	art.	12).	A	 terra	existe
para	ser	explorada	pelo	seu	dono	no	sentido	econômico-	-social,	é	destinada	à	produção;	se	isso	não	se
der,	o	Poder	Público	promoverá	a	gradativa	extinção	das	formas	de	ocupação	e	de	exploração	da	terra
que	contrariem	esse	princípio.
A	pessoa	natural	ou	 jurídica	proprietária	de	grandes	áreas	 rurais	pode	colonizá-las	dividindo-as	em
lotes	do	tamanho	do	módulo	rural,	conforme	a	região	em	que	se	situam,	de	modo	que,	“para	efeitos	do
Estatuto	da	Terra,	consideram-se	empresas	particulares	de	colonização	as	pessoas	físicas	e	jurídicas	de
direito	privado	que	tiverem	por	finalidade	executar	programas	de	valorização	de	áreas	ou	de	distribuição
de	terras”	(ET,	art.	60).	Essas	mesmas	empresas	colonizadoras	podem	adquirir	da	União	áreas,	mediante
alienação	ou	concessão,	para	execução	de	planos	de	reforma	agrária	(CF,	art.	188,	§	2º),	porque	é	dever
do	Estado	estimular	as	iniciativas	particulares	de	colonização.
Todo	aquele	que	adquirir	 lotes	de	 terras,	 tanto	da	colonização	oficial,	 como	particular,	denomina-se
“parceleiro”	(ET,	art.	4º,	VII).
A	empresa	rural	(ET,	art.	4º,	VI),	tanto	pública	como	privada,	que	tiver	por	finalidade	a	colonização,
deverá	 permitir	 a	 livre	 participação	 em	 seu	 capital	 dos	 respectivos	 parceleiros.	 É	 uma	 aplicação	 do
princípio	consubstanciado	no	art.	3º,	parte	final,	do	ET,	reforçado	pela	regra	do	art.	14,	que	dispõe:	“O
Poder	 Público	 facilitará	 e	 prestigiará	 a	 criação	 e	 a	 expansão	 de	 associações	 de	 pessoas	 físicas	 e
jurídicas	 que	 tenham	 por	 finalidade	 o	 racional	 desenvolvimento	 extrativo	 agrícola,	 pecuário	 ou
agroindustrial,	 e	 promoverá	 a	 ampliação	 do	 sistema	 cooperativo	 bem	 como	 de	 outras	 modalidades
associativas	 e	 societárias	 que	 objetivem	 a	 democratiza​ção	 do	 capital”,	 isto	 é,	 possibilitem	 o	 maior
número	de	acionistas	ou	​sócios.
9.	Regras	obrigatórias	na	colonização	particular.	Projeto	de	colonização	e	suas	formalidades
Há	regras	obrigatórias	para	que	se	possa	colonizar	uma	determinada	área	particular.	Não	basta	querer
dividir	 em	 lotes	 a	 gleba	 para	 se	 ter	 uma	 colonização.	 É	 preciso	 disciplina,	 sob	 pena	 de	 se	 cair	 num
desordenado	fracionamento	sem	técnica	e	condições	de	aproveitamento	econômico	da	propriedade	rural.
Por	 isso,	os	projetos	de	colonização	particular	deverão	ser	previamente	examinados	pelo	INCRA,	que
inscreverá	 a	 entidade	 e	 o	 respectivo	 projeto	 em	 registro	 próprio.	 Tais	 projetos	 serão	 aprovados	 pelo
Ministério	da	Agricultura.	Sua	execução	também	será	vigiada	pelo	órgão	do	INCRA	que	coordenará	sua
execução	(ET,	art.	61).	Sem	que	se	satisfaça	isso,	nenhuma	parcela	poderá	ser	vendida	e,	se	o	for,	não
poderá	ser	registrada	no	Registro	de	Imóveis.
O	projeto	de	 colonização	particular,	 para	 ser	 aprovado,	 tem	que	preencher	 certas	 formalidades,	 tais
como:
a)	abertura	de	estradas	de	acesso	e	de	penetração	à	área	a	ser	colonizada;
b)	divisão	dos	lotes	e	respectivos	piqueteamentos,	obedecendo	à	divisão,	tanto	quanto	possível,	e	ao
critério	de	acompanhar	as	vertentes,	partindo	a	sua	orientação	no	sentido	do	espigão	para	as	águas,	de
modo	a	todos	os	lotes	possuírem	água	própria	ou	comum;
c)	manutenção	de	uma	reserva	florestal	nos	vértices	dos	espigões	e	nas	​nascentes	(v.	Código	Florestal
e	Código	de	Águas);
d)	prestação	de	assistência	médica	e	técnica	aos	adquirentes	de	lotes	e	aos	membros	de	suas	famílias;
e)	 fomento	 da	 produção	 de	 uma	 determinada	 cultura	 agrícola	 já	 predominante	 na	 região	 ou
ecologicamente	aconselhada	pelos	técnicos	do	INCRA	ou	do	Ministério	da	Agricultura;
f)	entrega	de	documentação	legalizada	e	em	ordem	aos	adquirentes	dos	lotes	(ET,	art.	61)	(v.	Dec.	n.
59.428,	de	27-10-1966,	art.	89).
Com	 isso	 se	 pretendem	melhores	 condições	 de	 fixação	 do	 homem	 à	 terra	 e	 seu	 progresso	 social	 e
econômico	(ET,	art.	63).	Não	se	deve	esquecer	que	é	o	homem	e	não	a	terra	que	deve	ser	o	fundamento
da	reforma	agrária,	porque	a	colonização	considera	o	colono	como	o	fim	e	ao	mesmo	tempo	seu	agente
principal.	“É	tarefa	profundamente	humana”,	por	isso	todos	aqueles	que	se	integram	nessa	tarefa	devem
agir	energicamente	para	que	se	cumpra	a	lei	e	se	consigam	seus	objetivos.	Isso	decorre	da	necessidade
de	se	constituir	uma	classe	média	rural,	“com	as	qualidades	necessárias	para	exercer	o	relevante	papel
histórico	 que	 lhe	 está	 reservado”,	 porque	 no	Brasil,	 principalmente,	 isto	 é	 fundamental,	 dado	 que	 sua
população	é	predominantemente	rural,	conforme	demonstram	os	censos.
10.	Usucapião.	Art.	1.238	do	CC/02.	Art.	191	da	CF/88
Outro	 ponto	 relevante	 da	 reforma	 agrária,	 no	 tocante	 à	 distribuição	 da	 terra,	 é	 o	 referente	 ao
usucapião,	uma	das	formas	de	se	adquirir	a	propriedade	em	geral.
O	 fundamento	 dessa	 aquisição	 é	 a	 posse	 legítima	 que	 se	 caracteriza	 pelo	 uso	 do	 imóvel	 sem
interrupção	nem	oposição,	como	se	seu	fosse,	independentemente	de	título	de	boa-fé	(que,	em	tal	caso,	se
presume),	desde	que	tenha	decorrido	o	prazo	de	15	anos.
O	possuidor	rural	que	preencher	esses	requisitos	legais	(CC,	art.	1.238)	poderá	requerer	ao	juiz	que
declare	por	sentença	a	situação	do	seu	imóvel.	Reconhecida	a	posse	legítima	por	sentença	do	juiz,	esta
servirá	de	título	para	a	transcrição	no	Registro	de	Imóveis.
Tratando-se	de	usucapião	de	uma	propriedade	 familiar,	 exige-se	 ainda	que	o	possuidor	 a	ocupe	por
cinco	anos	ininterruptos,	sem	oposição	nem	reconhecimento	de	domínio	alheio,	tendo-a	tornado	produtiva
pelo	seu	trabalho	e,	ainda,	que	nela	tenha	sua	morada,	desde	que	não	ultrapasse	50	hectares	(CF,	art.	191,
e	CC,	art.	1.239).
11.	Usucapião	das	terras	públicas.	CF,	art.	191,	parágrafo	único
Trataremos	agora	das	terras	públicas	situadas	na	zona	rural	e	consideradas	imóveis	rurais	na	forma	do
art.	4º	do	ET,	para	esclarecer	o	velho	direito	de	usucapião	pro	labore	ou	constitucional	criado	pela	Lei
Maior	de	1934	e	repetido	pelas	Constituições	de	1937	e	1946	e	EC	n.	10,	de	9-11-1964.
As	terras	públicas	são:	I	—	as	de	propriedade	da	União	que	não	tenham	outra	destinação	específica;	II
—	 as	 reservadas	 pelo	 Poder	 Público	 para	 serviços	 ou	 obras	 de	 qualquer	 natureza,	 ressalvadas	 as
pertinentes	 à	 segurança	 nacional,	 desde	 que	 o	 órgão	 competente	 considere	 sua	 utilização	 econômica
compatível	com	a	atividade	principal,	sob	a	forma	de	exploração	agrícola;	III	—	as	devolutas	da	União,
dos	Estados	e	dos	Municípios	(ET,	art.	9º).	Desde	logo	deve-se	excluir	a	segunda	hipótese,	restando	as
demais.	 Até	 a	 Constituição	 de	 1934,	 as	 terras	 públicas	 dos	 itens	 I	 e	 III	 eram	 impedidas	 de	 serem
adquiridas	por	usucapião;	depois	ainda	se	discutiu	a	matéria,	sem	solução	definitiva	nos	tribunais	até	o
advento	do	Decreto-lei	n.	710,	de	17-9-1938,	que	admitia	a	aquisição	dessas	 terras	pelo	posseiro	que
durante	mais	 de	 dez	 anos	morassenelas	 e	 as	 tornasse	 produtivas	 por	 seu	 trabalho,	mediante	 sentença
declaratória	devidamente	 transcrita	 (Constituição	de	1934,	art.	148).	As	Constituições	de	1937	e	1946
ampliaram	o	 trato	 de	 terra	 cultivada.	A	EC	n.	 10	 elevou-o	 para	 cem	hectares.	Essa	 era	 a	 situação	 do
usucapião	pro	deserto	ou,	como	dizem	outros,	pro	labore	ou	“constitucional”.
A	 legitimação	de	posse	de	 terras	 públicas	 sempre	houve	 a	 partir	 da	Lei	 de	Terras	 de	1850,	mas	 se
negava	qualquer	direito	a	usucapião.	Este	nasceu	com	a	Constituição	de	1934	e	assim	mesmo	para	área
limitada.	Por	isso,	deve-se	fazer	a	distinção	entre	“legitimação	de	posses”	e	“usucapião	pro	deserto”.
O	 ET	 encontrou	 essa	 situação,	 de	 modo	 que	 seu	 art.	 98	 não	 alterou	 essas	 normas	 constitucionais,
embora	tenha	reproduzido	as	da	Lei	Maior.	Seu	art.	97,	quando	trata	das	terras	devolutas	federais,	não
quis	 nem	 podia	 alterar	 as	 normas	 constitucio​nais	 vigentes	 no	 que	 tange	 ao	 usucapião	pro	 deserto,	 de
modo	 que	 o	 INCRA	 somente	 podia	 legitimar,	 ou	melhor,	 regularizar	 as	 condições	 de	 uso	 e	 posse	 das
terras	 devolutas,	 providenciando	 a	 emissão	 dos	 títulos	 de	 domínio,	 desde	 que	 as	 áreas	 ocupadas	 por
posseiros	 não	 preenchessem	 as	 condições	 da	 norma	 constitucional	 vigente	 (Constituição	 de	 1946,
complementada	 pela	 EC	 n.	 10),	 casos	 em	 que	 o	 domínio	 se	 daria	 mediante	 sentença	 declaratória,
devidamente	 transcrita	 (Constituição	de	1946,	 art.	 156,	 §	 3º).	O	 art.	 3º	 da	Lei	 n.	 4.947,	 de	 6-4-1966,
completou	as	normas	do	art.	97	do	ET,	sem	ferir	o	direito	adquirido	dos	antigos	posseiros	que	já	haviam
preenchido	os	requisitos	do	art.	156,	§	3º,	da	Constituição	de	1946,	com	a	redação	que	lhe	deu	a	Emenda
n.	10.
A	 norma	 do	 art.	 98,	 portanto,	 continuou	 a	 reger	 o	 usucapião	 das	 terras	 públicas	 e	 privadas	 até	 o
advento	da	Constituição	de	1967,	sendo	que	em	relação	àquelas	torna-se	inóqua,	pois	o	posseiro	já	tinha
garantido	 seu	 direito	 ao	 domínio	 pelo	 usucapião	 reconhecido	 por	 sentença	 declaratória	 devidamente
transcrita.
O	art.	164	da	Constituição	de	1967,	reproduzido	pela	Emenda	n.	1,	de	​outubro	de	1969,	acabou	com	o
usucapião	pro	 deserto,	 ou	 constitucional,	 ressalvados	 os	 direitos	 daqueles	 que	 tenham	 preenchido	 os
requisitos	do	art.	156,	§	3º,	da	Consti​tuição	de	1946,	com	a	redação	que	lhe	deu	a	EC	n.	10	(art.	171	da
Constituição	de	1967,	com	a	redação	que	lhe	deu	a	EC	n.	1,	de	1969).	Conclusão:	o	art.	98	do	ET	não
abrange	mais	as	terras	públicas	para	efeito	de	aquisição	pela	ação	de	usucapião,	ressalvado,	repetimos,	o
direito	anterior	ou	adquirido.
Os	 posseiros	 de	 terras	 públicas	 que	 até	 a	 vigência	 da	 Constituição	 de	 1967	 (março)	 não	 tivessem
atingido	 o	 decênio	 exigido	 pelos	 arts.	 156,	 §	 3º,	 da	 Constituição	 de	 1946,	 e	 98	 do	 ET,	 não	 podiam
pleitear	usucapião	pro	deserto,	mesmo	que	faltassem	alguns	dias	ou	meses,	porque	a	norma	da	Lei	Maior
é	de	aplicação	imediata;	mas	nada	impedia	que	conseguissem	a	legitimação	de	suas	posses	pelo	INCRA,
que	 promovia	 a	 progressiva	 regularização	 de	 suas	 condições	 de	 uso	 e	 posse	 da	 terra	 para	 efeito	 da
emissão	dos	títulos	de	domínio,	visto	que	o	art.	164	da	Constituição	de	1967,	reproduzido	pelo	art.	171
da	Emenda	n.	1,	não	estabelecia	prazo	de	ocupação.
A	atual	Constituição	Federal	proíbe	usucapião	de	terras	públicas	no	parágrafo	único	de	seu	artigo	191,
mas	 possibilita	 sua	 alienação	 e	 concessão	 (CF,	 art.	 188),	 como	 já	 vimos	 antes.	 Em	 razão	 desse
dispositivo,	a	aquisição	de	 terras	devolutas	por	usucapião	 ficou	 impossibilitada.	Paulo	Tormin	Borges
sugere	 uma	 lei	 complementar,	 “sob	 o	 pálio	 de	 que	 o	 texto	 constitucional	 é	 confuso”,	 diz	 ele,
acrescentando:	“Até	lá	seria	temerário	caminhar	para	o	usucapião	agrário	de	terras	devolutas”	(Institutos
Básicos	do	Direito	Agrário,	10ª	ed.,	1996,	p.	147-148).
12.	Desapropriação	por	interesse	social
Vimos	as	duas	maneiras	legais	de	distribuição	de	terras	nacionais:	a	colonização	oficial	e	a	particular.
Vimos	mais,	 ainda,	 que	 a	 reforma	 agrária	 visa	 estabelecer	 um	 sistema	 de	 relações	 entre	 o	 homem,	 a
propriedade	 rural	 e	 o	 uso	 da	 terra,	 capaz	 de	 promover	 a	 justiça	 social,	 o	 progresso,	 o	 bem-estar	 do
trabalhador	 rural	e	o	desenvolvimento	econômico	do	País,	 com	a	gradual	extinção	do	minifúndio	e	do
latifúndio	(ET,	art.	16).	A	extinção	do	minifúndio	e	do	latifúndio	das	terras	públicas	se	faz	na	forma	de
concessão,	se	devolutas,	e	na	forma	de	doação	ou	compra	e	venda,	se	dominicais	(ET,	art.	9º).	Mas,	em
relação	aos	minifúndios	e	latifúndios	do	domínio	ou	posse	particulares,	a	regra	não	pode	ser	a	mesma.
Por	isso,	deu-se	ao	Estado	uma	medida	legal	de	superdireito	que	pudesse	habilitá-lo	a	realizar	a	reforma
agrária	nessas	propriedades,	sem	ferir	o	direito	adquirido	de	seus	proprietários.	Para	chegar	a	 isso	—
tornar	possível	o	acesso	do	trabalhador	rural	à	terra	improdutiva	—	a	CF	de	1988	em	seu	art.	5º,	XXIV,
permite	 a	 desapropriação	 por	 interesse	 social,	 mediante	 prévia	 e	 justa	 indenização	 em	 dinheiro,
ressalvado	o	disposto	no	art.	184.	O	direito	de	desapropriação	decorre	do	princípio	da	função	​social	da
propriedade,	consubstanciado	no	art.	170,	III,	da	mesma	Carta	Magna.

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