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LEI DE CRIMES HEDIONDOS

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LEI DE CRIMES HEDIONDOS – LEI N° 8072/90 
 
1- CONCEITO. 
No dicionário, a palavra “hediondo” está descrita como algo sórdido, depravado, 
que provoca grande indignação moral, causando horror e repulsa. A expressão é 
utilizada para os crimes que ferem a dignidade humana, provocando grande 
comoção e reprovação da sociedade. 
 
A Lei n° 8.072/90 define quais os delitos que são considerados hediondos no 
ordenamento jurídico brasileiro. 
 
2- CONDUTAS ATINGIDAS PELA LEI n° 8.072/90. 
O crime hediondo é aquele que o legislador diz que é, tratando-se de um rol 
taxativo. Portanto, não há discricionariedade do juiz para identificar novos casos de 
hediondez. 
- Sistema legal. 
 
OBS.: O sistema legal é frequentemente confundido com o sistema judicial (o juiz possui 
liberdade para decidir sobre a hediondez do caso concreto) e com o sistema misto (o 
legislador fornece um conceito para que o juiz enquadre a conduta no caso concreto). 
 
OBS.: Os crimes previstos no Código Penal Militar com descrição formal idêntica às 
condutas previstas no Código Penal NÃO são classificados como hediondos, uma vez que 
não há previsão legal nesse sentido. A lei de crimes hediondos não indica os dispositivos. 
 
Art. 1°, Lei n° 8/072/90. São considerados hediondos os 
seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, 
de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou 
tentados: 
I- homicídio (art. 121), quando praticado em atividade 
típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um 
só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, incisos I, II, 
III, IV, V, VI, VII, VIII e IX); 
I-A– lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, 
§ 2o) e lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3o), 
quando praticadas contra autoridade ou agente descrito 
nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do 
sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, 
no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra 
seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até 
terceiro grau, em razão dessa condição; 
II- roubo: 
a) circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima (art. 
157, § 2º, inciso V); 
b) circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, 
§ 2º-A, inciso I) ou pelo emprego de arma de fogo de uso 
proibido ou restrito (art. 157, § 2º-B); 
c) qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou morte 
(art. 157, § 3º); 
III- extorsão qualificada pela restrição da liberdade da 
vítima, ocorrência de lesão corporal ou morte (art. 158, § 
3º); 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
IV- extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art. 
159, caput, e §§ lo, 2o e 3o); 
V- estupro (art. 213, caput e §§ 1o e 2o); 
VI- estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1o, 2o, 3o e 
4o); 
VII- epidemia com resultado morte (art. 267, § 1o). 
VII-B- falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de 
produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art. 
273, caput e § 1o, § 1o-A e § 1o-B, com a redação dada 
pela Lei no 9.677, de 2 de julho de 1998). 
VIII- favorecimento da prostituição ou de outra forma de 
exploração sexual de criança ou adolescente ou de 
vulnerável (art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º). 
IX- furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de 
artefato análogo que cause perigo comum (art. 155, § 4º-A). 
 
Parágrafo único. Consideram-se também hediondos, 
tentados ou consumados: 
I- o crime de genocídio, previsto nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei 
nº 2.889, de 1º de outubro de 1956; 
II- o crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso 
proibido, previsto no art. 16 da Lei nº 10.826, de 22 de 
dezembro de 2003; 
III- o crime de comércio ilegal de armas de fogo, previsto 
no art. 17 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003; 
IV- o crime de tráfico internacional de arma de fogo, 
acessório ou munição, previsto no art. 18 da Lei nº 10.826, 
de 22 de dezembro de 2003; 
V- o crime de organização criminosa, quando direcionado à 
prática de crime hediondo ou equiparado. 
 
3- ASPECTOS GERAIS. 
> Hediondez e Tentativa. 
O delito consumado e o delito tentado serão considerados hediondos, por previsão 
expressa. Não há diferença entre a forma tentada ou consumada do crime quando 
se trata do reconhecimento da hediondez. 
 
> Condutas equiparadas. 
É importante não confundir crime hediondo e crime equiparado a hediondo. 
 
CRIMES EQUIPARADOS A HEDIONDOS. 
(3 T’s). 
Tortura 
Tráfico 
Terrorismo 
 
Os efeitos jurídicos do reconhecimento de um crime hediondo ou equiparado a 
hediondo são os mesmos. 
 
 
 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9677.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L2889.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L2889.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art16
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art16
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art17
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art18
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art18
> Impossibilidades relacionadas à hediondez. 
Conforme determina o art. 2° da Lei n° 8.072/90, os crimes hediondos e 
equiparados NÃO admitem anistia, graça, indulto ou fiança. 
 
Art. 2°, Lei n° 8.072/90. Os crimes hediondos, a prática da 
tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o 
terrorismo são insuscetíveis de: 
I- anistia, graça e indulto; 
II- fiança. 
 
Parágrafo 1°. A pena por crime previsto neste artigo será 
cumprida inicialmente em regime fechado. 
 
Parágrafo 2°. Revogado. 
 
Parágrafo 3°. Em caso de sentença condenatória, o juiz 
decidirá fundamentadamente se o réu poderá apelar em 
liberdade. 
 
Parágrafo 4°. A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei 
no 7.960, de 21 de dezembro de 1989, nos crimes previstos 
neste artigo, terá o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por 
igual período em caso de extrema e comprovada 
necessidade. 
 
OBS.: Apesar da previsão legal, o STF entende que é cabível a liberdade provisória SEM 
fiança nos casos de crimes hediondos e equiparados. 
 
4- CRIMES EM ESPÉCIE. 
 
4.1- HOMICÍDIO. 
Em regra, o homicídio simples não é crime hediondo, exceto se for praticado em 
atividade típica de grupo de extermínio (art. 1°, inciso I, 1° parte, Lei n° 8.072/90). 
O homicídio qualificado é sempre hediondo; e passou a integrar a lista de crimes 
hediondos em 1994 depois da grande repercussão provocada pelo assassinato da 
atriz Daniella Perez (1992). 
 
4.1.1- MEDIANTE PAGA OU PROMESSA DE RECOMPENSA OU OUTRO MOTIVO 
TORPE. 
 
> Mediante paga ou promessa de recompensa. 
O homicídio mercenário (mediante paga ou promessa de recompensa) é aquele em 
que o autor recebe alguma vantagem ou promessa de vantagem para praticar o 
crime. Esse crime é de concurso necessário, ou seja, deve existir dois indivíduos: 
aquele que paga ou promete e aquele que recebe o pagamento ou aceita a 
promessa e comete o crime. 
 
Quanto à natureza da recompensa, alguns doutrinadores (Rogério Sanches) 
entendem que é pacífica a posição de que a recompensa deve ter natureza 
econômica, porém, alguns doutrinadores divergem (Cleber Masson e Rogério 
Greco). 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7960.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7960.htm
OBS.: A doutrina chama esse crime de homicídio mercenário ou por mandato remunerado. 
O matador profissional geralmente é chamado de sicário. 
 
> Mercenário x Mandante. 
A qualificadora em questão é subjetiva (refere-se à motivação). O que torna esse 
tipo de homicídio mais reprovável é o motivo (matar por dinheiro, por 
recompensa). Quem manda matar, por sua vez, possui outro “motivo” para tanto e 
esse motivo também pode ser torpe, dependendo do caso. 
 
OBS.: Recomenda-se que os motivossejam avaliados separadamente. 
 
1° Corrente: A qualificadora NÃO se comunica automaticamente ao mandante e a 
motivação deste último deve ser avaliada separadamente. 
A qualificadora de o crime ter sido pratica mediante paga ou promessa de 
recompensa é circunstância de cárter pessoal e, por isso, incomunicável (art. 30 
CP). A motivação deve ser avaliada separadamente. O executor do crime responde 
sempre pela qualificadora, podendo o mandante responder ou não, dependendo da 
sua motivação pessoal. Ex.: O pai, após descobrir que a filha foi estuprada, manda 
matar o estuprador, por não ter coragem de praticar o homicídio. 
 
Nesse caso, aquele que recebeu o dinheiro para cometer o crime responde por 
homicídio qualificado mediante paga ou promessa de recompensa, enquanto o pai 
(mandante) responde por homicídio com a diminuição de pena relacionada ao 
motivo de relevante valor moral. 
 
O STJ também possui o posicionamento. No REsp 1209852/PR, entendeu-se que, 
se a motivação do mandante para encomendar a morte da vítima for torpe ou 
desprezível, ele também pode ser responsabilizado com a qualificadora. 
 
2° Corrente: A qualificadora é elementar do tipo qualificado e, por isso se comunica 
ao mandante. 
É de pouco aderência e, se for cobrada em prova, pode ensejar anulação de 
questão. 
 
> Motivo torpe. 
De acordo com a doutrina, motivo torpe é todo motivo que possa ser considerado 
repugnante, gerando nojo ou repulsa pela conduta do agente. O legislador 
considerou que matar mediante paga ou promessa de recompensa é um motivo 
torpe. Porém, existem outros motivos torpes e a não descrição deles ficou resolvida 
na segunda parte do inciso I com a expressão: “ou outro motivo torpe”. 
- Interpretação analógica. 
 
ANALOGIA INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA 
É uma forma de integração da lei 
penal. A lei é omissa em um ponto 
e faz-se uma análise por 
semelhança. Não pode ser utilizada 
para prejudicar o réu. 
O legislador deixa uma aberta na lei 
penal para uma interpretação mais 
ampla que, ao contrário da analogia, 
pode ser utilizada em prejuízo do réu. 
A previsão deve ser expressa. 
 
No dispositivo em estudo, o legislador deixou a norma em aberto, permitindo que o 
julgador analise o caso concreto com mais liberdade. 
 
OBS.: De acordo com a jurisprudência majoritária, o ciúme, por si só, não basta para 
constituir motivo torpe. 
 
OBS.: A vingança pode, dependendo das circunstâncias, ser considerada para configurar 
motivo torpe. 
 
4.1.2- MOTIVO FÚTIL. 
O motivo fútil é um motivo desproporcional. Ex.: o indivíduo mata uma pessoa pelo 
não pagamento de uma dívida de R$ 5,00. Nesse caso também está presente a 
interpretação analógica, cabendo ao julgador verificar se houve ou não um motivo 
fútil, de acordo com o caso concreto. 
 
Assim como no motivo torpe, não há consenso sobre a utilização do ciúme para 
configurar motivo fútil. 
 
OBS.: Para o STJ, o dolo eventual e o motivo fútil NÃO são incompatíveis. 
 
OBS.: Alguns julgados equiparam a ausência de motivo com motivo fútil, porque não é 
corrente de grande expressividade. 
 
ATENÇÃO! O entendimento predominante de que ou existe motivo torpe, ou existe motivo 
fútil (os dois não podem coexistir). 
 
4.1.3- COM EMPREGO DE VENENO, FOGO, EXPLOSIVO, ASFIXIA, TORTURA OU 
OUTRO MEIO INSIDIOSO OU CRUEL, OU DE QUE POSSA RESULTAR PERIGO COMUM. 
 
Meio insidioso: É meio que a vítima não toma conhecimento; é um meio desleal. 
Meio cruel: É meio que causa sofrimento excessivo. 
Perigo comum: Atinge um número incerto de pessoas. 
 
Mais uma vez, por meio do uso da interpretação analógica, o legislador apresenta 
um rol exemplificativo (veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura), mas deixa a 
qualificadora em aberto (“ou outro meio”) para que o julgador possa analisar o 
caso concreto e aplicar a norma que entender necessária. 
 
OBS.: O meio insidioso, para assim ser considerado, deve ser utilizado sem o conhecimento 
da vítima. Logo, se o indivíduo obrigar a vítima a beber veneno e a vítima souber o que 
está ingerindo, não se fala em meio insidioso. 
 
Por causar sofrimento intenso na maioria das vezes, o veneno ingerido (com a ciência da 
vítima) pode ser considerado meio cruel e isso permite novamente a aplicabilidade do 
inciso. 
 
De acordo com a doutrina e jurisprudência majoritárias, não basta a utilização de 
meio cruel, o agente deve buscar provocar sofrimento desnecessário à vítima. 
 
 
4.1.4- À TRAIÇÃO, DE EMBOSCADA, OU MEDIANTE DISSIMULAÇÃO OU OUTRO 
RECURSO QUE DIFICULTE OU TORNE IMPOSSÍVEL A DEFESA DO OFENDIDO. 
É importante diferenciar meio insidioso (inciso III) e modo insidioso (inciso IV). 
 
MODOS INSIDIOSOS – HOMICÍDIO 
TRAIÇÃO É a agressão que viola uma relação de confiança entre o autor 
e a vítima. Ex.: marido que mata a esposa durante o sono. 
 
SURPRESA 
É a agressão inesperada, assim como a traição, mas não há a 
relação de confiança entre as partes. Ex.: indivíduo invade uma 
casa durante a noite e mata a vítima durante o sono. 
 
MEDIANTE 
DISSIMULAÇÃO 
São utilizados modos que escondem a intenção homicida do 
agente. É o exemplo do disfarce ou da demonstração de 
amizade ou consideração para que a vítima não mostre 
resistência. 
EMBOSCADA A defesa se torna mais difícil porque o agente vai esperar 
escondido para cometer o crime, surpreendendo a vítima. 
OU OUTRO 
RECURSO 
Há também a possibilidade de interpretação analógica para 
abranger outras hipóteses não previstas em lei, mas que 
também podem dificultar a defesa da vítima. 
 
OBS.: Para o STF, a qualificadora em questão é INCOMPATÍVEL com o dolo eventual. 
 
4.1.5- PARA ASSEGURAR A EXECUÇÃO, A OCULTAÇÃO, A IMPUNIDADE OU 
VANTAGEM DE OUTRO CRIME. 
- Conexão. 
O agente tem em mente um segundo crime e pratica o homicídio para garantir sua 
execução, ocultação, impunidade ou vantagem. 
 
> Prática de homicídio para assegurar o cometimento de crime impossível. 
Há a incidência do homicídio qualificado. Ex.: Com o objetivo de matar um político, 
o agente mata o segurança do hotel em que o alvo está hospedado, mas ao chegar 
em seu quarto, já o encontra morto, em decorrência de um infarto. 
 
> Prática de homicídio para assegurar a execução de contravenção penal. 
Não haverá a incidência da qualificadora porque não é permitida a analogia em 
prejuízo do réu quando se trata de direito penal. 
 
> Prática de homicídio para assegurar a prática de um segundo que, por qualquer 
motivo, não foi praticado. 
A qualificadora será aplicada, mesmo que o agente desista ou, por qualquer outro 
motivo, seja impedido de praticar o segundo crime pretendido. 
 
A conexão em estudo se subdivide em duas categorias: 
I- Quando o homicídio é praticado para assegurar a execução de outro crime (no 
futuro): conexão teleológica. 
 
II- Quando o homicídio pretende assegurar a ocultação, impunidade ou vantagem 
de outro crime (no passado, anterior à conduta): conexão consequencial. 
 
 
4.1.6- FEMINICÍDIO. 
- Lei n° 13.104/15. 
O feminicídio não é apenas o homicídio praticado contra mulher (femicídio). Para 
que fique configurado o femicídio, o homicídio deve ser praticado contra mulher 
EM RAZÃO da sua condição de mulher. 
 
Art. 121, §2°-A, CP. Considera-se que há razões de condição 
de sexo feminino quando o crime envolve: 
I– Violência doméstica e familiar; 
II– Menosprezo ou discriminação à condição de mulher. 
 
- Art. 5°, Lei n° 11.340/06. 
- Para a doutrina, a unidade doméstica prevista no inciso I inclui a empregada 
doméstica, diante da natureza do convívio que ocorre no núcleo familiar. 
- Os laços familiares podem ser naturais, por afinidade e por vontade expressa. 
- No âmbito das relações íntimas de afeto, a coabitação é desnecessária para a 
configuração do crime (Súmula n° 600 STJ). 
 
> Orientação sexual. 
 
Art. 5°, parágrafo único, Lei n° 11.340/06. As relações 
pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação 
sexual. 
 
De acordo com a previsão legal expressa, há feminicídio quando o crimeé 
praticado contra mulher homossexual, vitimada por conduta de sua parceira. 
 
> Natureza da qualificadora. 
Uma parte dos doutrinadores entende que o feminicídio se trata de qualificadora 
de natureza subjetiva (diante da sua relação com o crime). Porém, o STJ tem 
entendido que classificar a qualificadora como subjetiva é “desprestigiar o esforço 
do legislador” e que é necessário compatibilizar sua existência com as 
qualificadoras ‘motivo fútil’ e ‘motivo torpe’. 
 
Assim, para o STJ, atualmente prevalece o entendimento de que a natureza da 
qualificadora do feminicídio é objetiva. 
 
4.1.7- HOMICÍDIO FUNCIONAL. 
 
Art. 121, §2°, CP. Se o homicídio é cometido 
(...) 
VII- contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 
144 da Constituição Federal, integrantes do sistema 
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no 
exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu 
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro 
grau, em razão dessa condição. 
 
Art. 142 CF. Exército, Marinha e Aeronáutica. 
Art. 144 CF. PF, PRF, PFF, Polícias Civis, PM, CBM, Guardas municipais, 
Segurança viária, Polícias Penais. 
Outros. Sistema prisional, Força Nacional. 
 
OBS.: A EC n° 104/10 incluiu a Polícia Penal no rol art. 144 CF. 
 
Nesse caso também não basta que o homicídio seja praticado com um dos agentes 
dos órgãos listados. A qualificadora só incide em dois casos: 
 
Requisitos do homicídio funcional 
I- Agente no exercício da função. 
II- Crime praticado em decorrência da função. 
 
Ou seja, se um policial for morto em serviço, a qualificadora incide 
automaticamente. Porém, se o policial estiver de folga, a qualificadora somente 
incide se ele tiver sido morto em decorrência da função. 
 
Quanto aos familiares dos agentes de segurança pública, a qualificadora incide se o 
crime tiver sido praticado em razão da função do agente. 
 
PARENTES ATÉ TERCEIRO GRAU 
Ascendentes: pais, avós e bisavós. 
Descendentes: filhos, netos e bisnetos. 
Lateralmente: irmãos, tios e sobrinhos. 
 
ATENÇÃO! A lesão corporal gravíssima ou seguida de morte praticada contra estes 
indivíduos, no mesmo contexto fático (em razão da função) também é crime hediondo. 
 
> Outros integrantes do art. 144 CF. 
Quanto aos guardas municipais (§8°) e agentes de trânsitos (§10°) também se 
aplica a qualificadora em questão. A Lei n ° 13.142/15, que alterou o CP e incluiu o 
homicídio funcional, fala somente no art. 144 CF, de forma irrestrita. 
 
4.1.8- INCISO VIII, ART. 121, §2°, CP – EMPREGO DE ARMA DE FOGO DE USO 
RESTRITO OU PROIBIDO. 
A Lei n° 13.964/19, em seu texto original, havia incluído mais um inciso ao rol das 
qualificadoras do homicídio, tornando qualificada a conduta praticada por aquele 
que mata alguém com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido. 
Inicialmente, o Presidente da República vetou o inciso. Porém, o veto foi derrubado 
pelo Congresso Nacional. 
 
Portanto, o homicídio praticado com emprego de arma de fogo de uso restrito ou 
proibido é QUALIFICADO e, portanto, hediondo. 
 
4.1.9- OBSERVAÇÕES IMPORTANTES. 
- A Lei n 14.344/22 (Lei Henry Borel) teve como objetivo a criação de mecanismos 
para prevenir e enfrentar a violência doméstica e familiar contra a criança e o 
adolescente. Assim, passou a ser hediondo o crime de homicídio praticado contra 
pessoa menor de 14 anos. 
- O homicídio qualificado é considerado como hediondo em TODAS as suas 
hipóteses. 
- Em alguns casos, é possível a ocorrência de homicídio qualificado-privilegiado. 
Essa possibilidade depende da compatibilidade entre as classificações (a 
privilegiadora deve ser subjetiva e a qualificadora deve ser objetiva). Não é 
hediondo. 
 
 4.2- LESÕES CORPORAIS. 
 
Art. 1°, I-A, Lei n° 8.072/90. lesão corporal dolosa de 
natureza gravíssima (art. 129, § 2o) e lesão corporal seguida 
de morte (art. 129, § 3o), quando praticadas contra 
autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da 
Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da 
Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função 
ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro 
ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa 
condição; 
 
Aplicam-se as mesmas disposições do homicídio funcional nos casos de lesão 
corporal gravíssima e seguida de morte. 
 
Mas é importante relembrar que não é qualquer lesão corporal dolosa gravíssima 
ou seguida de morte que enseja a hediondez, mas somente aquela praticada contra 
as referidas autoridades e seus familiares, em decorrência da função. 
 
4.3- ROUBO. 
 
Art. 1°, II, Lei n° 8.072/90. roubo: 
a) circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima (art. 
157, § 2º, inciso V); 
b) circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, 
§ 2º-A, inciso I) ou pelo emprego de arma de fogo de uso 
proibido ou restrito (art. 157, § 2º-B); 
c) qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou morte 
(art. 157, § 3º); 
 
ROUBO – HEDIONDO 
Roubo circunstanciado pela restrição da liberdade da vítima. 
Roubo circunstanciado pelo emprego de arma de fogo. 
Roubo circunstanciado pelo emprego de arama de fogo de uso 
proibido ou restrito. 
Roubo qualificado pela lesão corporal grave ou pela morte 
(latrocínio). 
 
4.4.- EXTORSÃO. 
 
Art. 1°, Lei n° 8.072/90. São considerados hediondos os 
seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, 
de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou 
tentados: 
(...) 
III- extorsão qualificada pela restrição da liberdade da 
vítima, ocorrência de lesão corporal ou morte (art. 158, § 
3º); 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm
IV- extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art. 
159, caput, e §§ 1o, 2o e 3o); 
 
> Art. 158, caput, CP. 
- Forma simples de extorsão. 
- Não exige resultado mais gravoso (lesão corporal ou morte) e não integra o rol de 
crimes hediondos. 
 
> Art. 158, §2°, CP. 
- Extorsão qualificada pela morte da vítima. 
- Não é mais crime hediondo após a edição da Lei n° 13.964/19. 
 
> Art. 158, §3°, CP. 
- É o “sequestro-relâmpago”. 
- É crime hediondo em todas as suas modalidades (extorsão qualificada pela 
restrição de liberdade da vítima; extorsão qualificada pela restrição de liberdade 
da vítima com ocorrência de lesão corporal; extorsão qualificada pela restrição de 
liberdade da vítima com ocorrência de morte). 
 
> Art. 159, CP. 
- Extorsão mediante sequestro. 
- É o sequestro “tradicional” com pedido de resgate para a liberação da vítima. 
- Também é hediondo em todas as modalidades. 
 
4.5- FURTO. 
 
Art. 1°, IX, Lei n° 8.072/90. furto qualificado pelo emprego 
de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo 
comum (art. 155, § 4º-A). 
 
Diante da quantidade de explosões de caixas eletrônicos em 2018, o legislador 
decidiu endurecer o combate a este crime, incluindo como hediondo o furto 
qualificado pelo emprego de explosivo ou artefato análogo que cause perigo 
comum. 
 
OBS.: Apesar de existir a previsão do crime de roubo com emprego de explosivos no Código 
Penal, tal modalidade NÃO integra o rol de crimes hediondos, por ausência de previsão 
legal. 
 
4.6- POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PROIBIDO (INCISO II, 
PARÁGRAFO ÚNICO, ART. 1°, LEI N° 8.072/90). 
 
Art. 1°, parágrafo único, II, Lei n° 8.072/90. o crime de posse 
ou porte ilegal de arma de fogo de uso proibido, previsto 
no art. 16 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003; 
 
Antes, as armas de fogo de uso restrito ou proibido recebiam tratamento idêntico. 
Atualmente, o porte ilegal de arma de fogo de uso proibido recebeu um parágrafo 
diferente da arma de fogo de uso restrito (art. 16, §2°, Lei n° 10.826/03).https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art16
5- TRÁFICO DE DROGAS E HEDIONDEZ. 
- TTT. 
É importante destacar que NÃO são todas as condutas previstas na Lei n° 
11.343/06 que são consideradas como crime hediondo. De acordo com o STF 
somente os dispositivos: art. 33; art. 33, §1°, art. 34 e art. 36 da Lei de Drogas são 
considerados equiparados a crimes hediondos. 
 
6- PROGRESSÃO DE REGIME. 
Anteriormente, as regras para progressão de regime quanto a crimes hediondos 
eram previstas na própria Lei n° 8.072/90 (as disposições sobre o tema foram 
revogadas pela Lei n° 13.964/19). 
 
Se o réu era primário: A progressão de regime ocorria após o cumprimento de 2/5 da pena. 
Se o réu era reincidente: A progressão de regime ocorrida após o cumprimento de 3/5 da 
pena. 
 
Após o início da vigência do pacote anticrime que revogou o §2° do art. 2° da Lei de 
Crimes Hediondos, a progressão de regime passou a ser regulada pela Lei de 
Execuções Penais. 
 
Art. 112 LEP. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva 
com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, 
quando o preso tiver cumprido ao menos: 
I- 16% (dezesseis por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime tiver 
sido cometido sem violência à pessoa ou grave ameaça; 
II- 20% (vinte por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido 
sem violência à pessoa ou grave ameaça; 
III- 25% (vinte e cinco por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime 
tiver sido cometido com violência à pessoa ou grave ameaça; 
IV- 30% (trinta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime 
cometido com violência à pessoa ou grave ameaça; 
V- 40% (quarenta por cento) da pena, se o apenado for condenado pela prática de 
crime hediondo ou equiparado, se for primário; 
VI- 50% (cinquenta por cento) da pena, se o apenado for: 
a) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte, 
se for primário, vedado o livramento condicional; 
b) condenado por exercer o comando, individual ou coletivo, de organização 
criminosa estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado; ou 
c) condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada; 
VII- 60% (sessenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente na prática de 
crime hediondo ou equiparado; 
VIII- 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime 
hediondo ou equiparado com resultado morte, vedado o livramento condicional. 
 
7- PRISÃO TEMPORÁRIA. 
Os prazos de prisão temporária para crimes hediondos não seguem o padrão da lei 
de prisão temporária (05 dias + 05 dias). 
 
Prisão temporária no caso de crime hediondo: 30 dias, prorrogável por mais 30 dias, 
em caso de extrema e comprovada necessidade. 
 
8- LIVRAMENTO CONDICIONAL. 
Apesar da previsão inicial trazida na Lei n° 8.072/90 sobre a impossibilidade de 
concessão de livramento condicional em caso de crimes hediondos, a Lei n° 
11.464/07 mudou a redação do texto legal e passou a ser POSSÍVEL a concessão de 
livramento condicional em caso de crime hediondo. 
 
Porém, nos crimes hediondos, a concessão de livramento condicional só pode 
ocorrer após o cumprimento de 2/3 da pena e só pode ocorrer se o beneficiado não 
for reincidente específico em crimes hediondos. 
 
LIVRAMENTO CONDICIONAL 
REGRA GERAL (DEMAIS CRIMES) CRIMES HEDIONDOS 
Réu primário: o livramento pode ocorrer após o 
cumprimento de 1/3 da pena. 
Réu reincidente em crime doloso: o livramento 
condicional pode ocorrer após o cumprimento de 1/2 
da pena. 
Exige-se o cumprimento de 2/3 
da pena e o réu NÃO pode ser 
reincidente específico. 
 
9- ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA. 
A pena do crime do art. 288 CP (associação criminosa) varia se a associação for 
destinada à prática de crimes hediondos ou equiparados. 
 
Associação criminosa – Regra geral: Pena de 01 a 03 anos. 
 
Associação criminosa – Crimes hediondos: Pena de 03 a 06 anos. 
 
10- OBSERVAÇÕES IMPORTANTES. 
 
Reincidência influencia em: 
- Comutação (redução de pena em determinados casos previstos no Código Penal). 
 
Hediondez influencia em: 
- Indulto (crimes hediondos não são passíveis de concessão de indulto). 
- Progressão de regime (prazo maior). 
- Livramento condicional (limitações). 
 
Assim sendo, a concessão de perdão, graça, indulto, bem como a progressão de 
regime e o livramento condicional são direitos que sofrem limitações diante da 
prática de crimes hediondos.

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