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Disciplina: ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM SAÚDE DA MULHER Professora: Enfermeira Aryádna Caroline Lima Damasceno PRÉ-NATAL Fluxograma de pré-natal – página 55 Manobras de palpação Medida da altura uterina Entre outros Após confirmação da gravidez A partir desse momento, a gestante deverá receber as orientações necessárias referentes ao acompanhamento de pré-natal: sequência de consultas (mensalmente, se possível), visitas domiciliares e grupos educativos. Deverão ser fornecidos: -O Cartão da Gestante, com a identificação preenchida, o número do Cartão Nacional da Saúde, o hospital de referência para o parto e as orientações sobre este; -O calendário de vacinas e suas orientações; -A solicitação dos exames de rotina; As orientações sobre a participação nas atividades educativas (reuniões e visitas domiciliares). PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO A CLASSIFICAÇÃO DO PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO OCORRE MEDIANTE A PROBLEMAS DE SAÚDE PREEXISTENTES OU QUE SURGEM NO PERÍODO DA GESTAÇÃO OU GRAVIDEZ GEMELAR NÃO PODEMOS ESQUECER OS DEMAIS FATORES DE RISCO (IDADE, OCUPAÇÃO, ENTRE OUTROS) A GRAVIDEZ DE ALTO RISCO TEM POTENCIAIS RISCOS DE COMPLICAÇÕES PERDAS PRECOCES OU TARDIAS, MÁS FORMAÇÕES, TRABALHO DE PARTO PREMATURO HAS, DM, DOENÇAS REUMATOLÓGICAS, INFECÇÕES, IDADE INADEQUADA COMPLICAÇÃO NAS GESTAÇÕES ANTERIORES FATORES DE RISCO ATUALIZAÇÃO 2022 Idade: <15 e >40 Anemia grave: <7 ≥ 160x110 PRINCIPAIS INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS Internações por intercorrências gestacionais As intercorrências mais comuns na gravidez são: - Desvio quanto ao crescimento fetal intrauterino (macrossomia fetal e crescimento intrauterino restrito) - número de fetos - alterações do volume de líquido amniótico - amniorrexe prematura - Trabalho de Parto Prematuro (TPP) - gravidez prolongada - Pré-eclâmpsia Grave (PEG), - Eclâmpsia, - Diabetes Gestacional (DG), - hemorragias da gestação, - insuficiência istmocervical, - Aloimunização - óbito fetal. CRESCIMENTO INTRAUTERINO RESTRITO Ocorre quando o feto possui tamanho menor que o normal para sua idade gestacional; CRESCIMENTO INTRAUTERINO RESTRITO TAMBÉM PODE OCORRER EM GESTAÇÃO GEMELAR ONDE UM FETO IRÁ CRESCER MAIS RÁPIDO QUE O OUTRO Os conhecidos como gêmeos idênticos, são cientificamente chamados de monozigóticos. Isso por conta da fertilização de apenas um óvulo. Já os gêmeos não idênticos são os dizigóticos, resultantes da fertilização de dois óvulos, por dois espermatozóides diferentes. Além disso, gestações gemelares podem ser monocoriônicas ou dicoriônicas (em relação ao número de placentas), e monoamnióticas ou diamnióticas (em relação ao número de bolsas). Desvio quanto ao crescimento fetal intrauterino: CRESCIMENTO INTRAUTERINO RESTRITO Fatores que influenciam: Hereditariedade Déficit de suprimento sanguíneo adequado Mãe com +35 anos Mãe com -54 Kg no início do pré-natal Mãe que não consegue ganhar peso ao decorrer do pré-natal Intervalo menor que 2 anos entre duas gestações Álcool, Doença Renal Crônica, Pressão Alta, Pré-Eclâmpcia, DM antes de engravidar, anemia crônica, doenças cardíacas, infecção intrauterina, alterações da placenta MACROSSOMIA FETAL Macrossomia é definida como o peso ao nascimento maior que 4.000 g, independentemente da idade gestacional e de variáveis demográficas Desvio quanto ao crescimento fetal intrauterino: MACROSSOMIA FETAL - O RNM é sempre filho de mãe diabética? A presença de diabetes durante a gestação é um importante fator prognóstico para a macrossomia fetal. O excessivo ganho de peso durante a gestação também está associado à macrossomia fetal, mesmo na ausência de diabetes. É possível evitar o desenvolvimento da macrossomia fetal durante a gestação? A forma de evitar o nascimento de RNM se dá por meio do controle dos quadros de diabetes gestacional. O controle rigoroso dos níveis de glicemia em gestantes diabéticas até a trigésima segunda semana de gestação reduziu de 44% para 11% (p<0,05) a incidência de macrossomia fetal, em estudo de seguimento 21(B). Consequencias para o RN ... ALTERAÇÕES DO VOLUME DE LÍQUIDO AMNIÓTICO ALTERAÇÕES DO VOLUME DE LÍQUIDO AMNIÓTICO Oligoâmnio: se caracteriza pela redução de líquido amniótico. As principais causas de oligoâmnio são: hipertensão gestacional de difícil controle, problemas placentários, uso de determinadas medicações (por exemplo: anti-inflamatórios), desidratação materna, ruptura prematura das membranas ovulares (“ruptura da bolsa”) ou problemas nos rins do bebê. O oligoâmnio pode resultar em problemas no desenvolvimento do bebê, de suas funções musculares, pulmonares e circulatórias, promovendo um risco aumentado de sofrimento para o bebê. Muitas vezes, o médico obstetra pode optar por antecipar o nascimento para evitar potenciais riscos à saúde da criança. Polidrâmnio: se caracteriza pelo aumento do líquido amniótico. As principais causas de polidrâmnio são: diabetes gestacional descompensada, ingestão excessiva de líquidos durante a gravidez, infecção materna pelo parvovírus B19 ou pelo citomegalovírus ou problemas no trato digestivo do bebê (por exemplo: atresia de esôfago). https://bedmed.com.br/obstetricia/diabetes-gestacional ALTERAÇÕES DO VOLUME DE LÍQUIDO AMNIÓTICO Durante o período gestacional, o líquido amniótico aumenta seu volume, aproximadamente até a 36.ª ou 37.ª semana chegando até 800 a 1.000 ml. Após o decorrer destas semanas, é normal que ele vá reduzindo lentamente até o momento do parto. Logo, com o passar das semanas é necessário que ele apresente os seguintes volumes: 16º semana – 250 ml; 28º semana – 800 ml; 34º semana – 1.000 ml; 40º semana – 800 ml. O aumento do líquido amniótico pode favorecer o aparecimento de algumas complicações durante a gravidez como crescimento e desenvolvimento fetal excessivo, descolamento da placenta, parto prematuro, trabalho de parto prolongado e dificuldade respiratória da mulher. ALTERAÇÕES DO VOLUME DE LÍQUIDO AMNIÓTICO Nas situações em que são identificadas doenças maternas, como no caso do oligoâmnio causado pela hipertensão, por exemplo, o tratamento é focado na patologia da gestante. É sugerido ainda que a gestante beba bastante água (mais de 2 litros por dia) e fique de repouso. Nos casos mais extremos, o médico poderá optar pela internação hospitalar para controle de infecção e vitalidade fetal ou, até mesmo, decidir por realizar o parto de maneira prematura. Nos casos de polidrâmnio, o médico poderá orientar a gestante a diminuir a ingestão de líquidos e prescrever medicações. Existe ainda o procedimento de punção do líquido amniótico, porém é feito apenas em casos extremos (casos em que o aumento do líquido amniótico cause extremo desconforto respiratório para a gestante). Por isso, o acompanhamento do pré-natal é extremamente fundamental para a saúde da mãe e do bebê! AMNIORREXE PREMATURA Amniorrexe prematura (RPM) é a rotura das membranas antes do início do trabalho de parto. Quando este evento ocorre antes de 37 semanas é denominada de amniorrexe prematura pré- termo (RPPT). A amniorrexe prematura a termo complica cerca de 8% das gestações. Nesta situação, 50 % evoluíram com início do trabalho de parto espontâneo e parto em 33 horas e 95% dos casos em 94 a 107 horas dependendo do uso de ocitocina e prostaglandina. Em amniorrexe prematura pré-termo, o período de latência após a rotura da membrana é inversamente correlacionada com a idade gestacional. Independente da conduta obstétrica, 50% dos nascimentos ocorrem uma semana após amniorrexe. Estima-se que um quarto a um terço dos casos de trabalho de parto prematuro (TPP) nos Estados Unidos esteja relacionado à RPPT As principais complicações da amniorrexe prematura pré-termo são: • Infecção intra-amniótica clinicamenteevidente (15 – 25%); • Infecção pós-parto (15 - 25%); • Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) (2 – 5%); • Complicações da prematuridade: desconforto respiratório, sepse, hemorragia intraventricular e enterocolite necrotizante; • Morte fetal por infecção ou acidente com cordão umbilical (1 – 2%) Pré Eclâmpsia A pré-eclâmpsia é um novo diagnóstico de hipertensão arterial ou da piora de hipertensão arterial preexistente, que é acompanhada de um excesso de proteína na urina e que surge após a 20ª semana de gravidez. Eclâmpsia Eclâmpsia é a ocorrência de convulsões generalizadas e inexplicadas em mulheres com pré-eclâmpsia. O diagnóstico é feito medindo-se a pressão arterial e proteínas urinárias e realizando-se testes para avaliar lesões em órgãos-alvo (p. ex., edema pulmonar, insuficiência hepática ou renal). SINTOMAS MAIS COMUNS: Convulsões associadas a HAS; Dor de cabeça intensa; Aumento de peso rápido devido à retenção de líquido; Inchaço das mãos e pés e Inchaço da face; Sangramento vaginal Perda de proteínas pela urina (urina espumosa); Zumbidos nos ouvidos; Dor de barriga intensa; Vômitos; Alterações de visão. Tratamento da Eclâmpsia A única forma de curar a eclâmpsia é o parto. Nos casos em que a doença tenha sido diagnosticada, o médico poderá antecipar o parto, dependendo da fase de gestação. O parto prematuro pode ocorrer entre 32 e 36 semanas de gravidez, se surgirem sintomas de risco de vida. No entanto, existem alguns tratamentos de pré- eclâmpsia que atuam apenas de forma preventiva, ou seja, para evitar o aparecimento da doença. Vale ressaltar que é fundamental realizar um acompanhamento pré- natal adequado para identificar qualquer complicação o mais cedo possível e iniciar o tratamento o quanto antes. INSUFICIÊNCIA ISTMOCERVICAL A insuficiência istmocervical (IIC) é patologia em que há deficiência funcional do esfíncter uterino, impossibilitando-o de manter-se convenientemente fechado até o final da gravidez, determinando perdas gestacionais recorrentes na forma de abortos tardios ou partos prematuros. ALOIMUNIZAÇÃO Aloimunização Materno-Fetal ou Aloimunização Rh é uma condição que ocorre quando uma gestante Rh negativo é exposta a células com sangue Rh positivo e desenvolve anticorpos anti-D. Chamamos isso de sensibilização materna. O fator Rh é um antígeno (proteína) que pode estar presente no sangue. SISTEMA ABO e SISTEMA RH Doença Hemolítica Perinatal O especialista destaca que em uma primeira gravidez de filho com sangue positivo, não há risco da doença. Isso porque o corpo da mulher vai produzir anticorpos do tipo IgM, que não alcança o bebê. “No entanto, em uma segunda gestação, o organismo já vai produzir anticorpos do tipo IgG, capaz de atravessar a placenta. Ao chegar no feto, esses anticorpos podem causar anemia e a criança pode ter icterícia devido ao acúmulo de bilirrubina (pigmento amarelo liberado na destruição das hemácias), além de diversas outras complicações, como aborto ou a morte do bebê” MINISTERIO DA SAUDE, 2023 A ERITROBLASTOSE PODE CAUSAR NO FETO: SURDEZ, DEFICIENCIA MENTAL, PARALISIA CERABRAL ATÉ 72H HORAS APÓS O PARTO HEMORRAGIAS DA GESTAÇÃO GRAVIDEZ ECTÓPICA De forma simples, gravidez ectópica é a gestação ocorrida fora do útero, sendo que a localização mais comum para tal situação são as Trompas de Falópio, comumente chamada ainda de gravidez na tuba uterina. GINECOLOGIA Especialidade médica que se dedica ao estudo da fisiologia e das patologias do corpo da mulher e de seu aparelho genital. OBSTETRÍCIA Ramo da medicina que se ocupa da gravidez, o parto e da evolução da saúde feminina no período subsequente a ele. Organização, estrutura e funcionamento das unidades de Ginecologia e Obstetrícia Organização, estrutura e funcionamento de uma unidade Ginecológica. O que é um consultório ginecológico? É um estabelecimento dedicado à assistência médica voltada para a saúde da mulher. Além de consultas, suporta a realização de exames simples, a exemplo da coleta de amostra para o Papanicolau. Ou até mesmo exames radiológicos como mamografia e ultrassonografia. Em geral, os atendimentos contemplam temas como: Menstruação Mudanças da puberdade Alterações referentes ao climatério e menopausa Recomendações de cuidado e higienização íntima Prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (DST) Práticas contraceptivas Cuidados sexuais Orientações sobre gestação Rastreio preventivo do câncer de mama Solicitação e/ou realização de exames complementares https://telemedicinamorsch.com.br/blog/mamografia https://telemedicinamorsch.com.br/blog/exames-radiologicos-na-telerradiologia https://telemedicinamorsch.com.br/blog/como-envelhecer-de-forma-saudavel https://telemedicinamorsch.com.br/blog/calculadora-gestacional https://telemedicinamorsch.com.br/blog/a-telerradiologia-na-oncologia Organização, estrutura e funcionamento de uma unidade Ginecológica. Equipamentos especializados e de boa qualidade, tais como: Mesa ginecológica Banco giratório hospitalar Escada hospitalar. Armários Suporte Perneiras https://www.mobiloc.com.br/moveis-hospitalares/mesa-ginecologica/ Organização, estrutura e funcionamento de uma unidade Obstétrica. 3.1 Acolhimento: modo de operar os processos de trabalho em saúde, de forma a atender a todos que procuram os serviços de saúde, ouvindo seus pedidos e assumindo no serviço uma postura capaz de acolher, escutar e dar respostas mais adequadas aos usuários. 3.2 Ambiência: ambientes físico, social, profissional e de relações interpessoais que devem estar relacionados a um projeto de saúde voltado para a atenção acolhedora, resolutiva e humana. 3.3 Higienização das mãos: medida individual mais simples e menos dispendiosa para prevenir a propagação das infecções relacionadas à assistência. O termo engloba a higienização simples, a higienização anti-séptica, a fricção anti-séptica e a anti-sepsia cirúrgica das mãos. 3.4 Humanização da atenção e gestão da saúde: valorização da dimensão subjetiva e social, em todas as práticas de atenção e de gestão da saúde, fortalecendo o compromisso com os direitos do cidadão, destacando se o respeito às questões de gênero, etnia, raça, orientação sexual e às populações específicas, garantindo o acesso dos usuários às informações sobre saúde, inclusive sobre os profissionais que cuidam de sua saúde, respeitando o direito a acompanhamento de pessoas de sua rede social (de livre escolha), e a valorização do trabalho e dos trabalhadores. 3.5 Método Canguru: modelo de assistência perinatal voltado para o cuidado humanizado que reúne estratégias de intervenção biopsico social. Inclui o contato pele-a-pele precoce e crescente, pelo tempo que a mãe e o bebê entenderem ser prazeroso e suficiente, permitindo uma maior participação dos pais e da família nos cuidados neonatais. Organização, estrutura e funcionamento de uma unidade Obstétrica. 3.6 Quarto PPP: ambiente com capacidade para 01 (hum) leito e banheiro anexo, destinado à assistência à mulher durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato (primeira hora após a dequitação). 3.7 Quarto de alojamento conjunto: ambiente destinado a assistência a puérpera e seu recém nascido, após a primeira hora de dequitação, com capacidade para 01(hum) ou 02 (dois) leitos e berços, com banheiro anexo, 3.8 Enfermaria de alojamento conjunto: ambiente destinado a assistência a puérpera e seu recém nascido, após a primeira hora de dequitação, com capacidade de 03 (três) a 06 (seis) leitos e berços, com banheiro anexo. 3.9 Profissional legalmente habilitado: profissional com formação superior, inscrito no respectivo Conselho de Classe, com suas competências atribuídas por Lei. 3.10 Relatório de transferência: documento que deve acompanhar a paciente e o recém-nascidoem caso de remoção para outro serviço, contendo minimamente a identificação da paciente e do recém nascido, resumo clínico com dados que justifiquem a transferência e descrição ou cópia de laudos de exames realizados, quando existentes. 311 Responsável Técnico - RT: profissional legalmente habilitado, que assume perante a vigilância sanitária a responsabilidade técnica pelo serviço de saúde. 3.12 Usuário: compreende tanto a mulher e o recém-nascido, como seu acompanhante, seus familiares, visitantes (usuários externos), o trabalhador da instituição e o gestor do sistema (usuários internos). Organização, estrutura e funcionamento de uma unidade Obstétrica. CONDIÇÕES ORGANIZACIONAIS: 1/2 O Serviço de Atenção Obstétrica e Neonatal com CNPJ próprio deve possuir alvará de licenciamento atualizado, expedido pela vigilância sanitária local. Todo Serviço de Atenção Obstétrica e Neonatal com CNPJ próprio deve estar inscrito e manter seus dados atualizados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES O Serviço de Atenção Obstétrica e Neonatal deve contar com infra-estrutura física, recursos humanos, equipamentos e materiais necessários à operacionalização do serviço, de acordo com a demanda e modalidade de assistência prestada. O Serviço de Atenção Obstétrica e Neonatal deve implantar e manter em funcionamento comissões, comitês e programas definidos em normas pertinentes, em especial a comissão ou comitê de análise de óbitos maternos, fetais e neonatais. Organização, estrutura e funcionamento de uma unidade Obstétrica. CONDIÇÕES ORGANIZACIONAIS: 2/2 4.7.1 As ocorrências relacionadas à referência e contra-referência devem ser registradas no prontuário de origem. 4.7.2 Os procedimentos de referência e contra-referência devem ser acompanhados por relatório de transferência legível, com identificação e assinatura de profissional legalmente habilitado, que passará a integrar o prontuário no destino. 4.8 O Serviço de Atenção Obstétrica e Neonatal deve dispor de normas, protocolos e rotinas técnicas escritas e atualizadas, de fácil acesso a toda a equipe de saúde. 4.9 O Serviço de Atenção Obstétrica e Neonatal deve cumprir as normas pertinentes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). 4.10 O Serviço de Atenção Obstétrica e Neonatal que realiza partos cirúrgicos deve possuir estrutura e condições técnicas para realização de partos normais sem distócia, conforme descrito neste Regulamento. Organização, estrutura e funcionamento de uma unidade Obstétrica. 5. INFRA-ESTRUTURA FÍSICA 5.1 O Serviço de Atenção Obstétrica e Neonatal deve dispor de infra-estrutura física baseada na proposta assistencial, atribuições, atividades, complexidade, porte, grau de risco, com ambientes e instalações necessários à assistência e à realização dos procedimentos com segurança e qualidade. 5.2 A infra-estrutura física do Serviço de Atenção Obstétrica e Neonatal deve atender aos requisitos constantes no Anexo II desta Resolução, que alteram os itens referentes à atenção obstétrica e neonatal da RDC/Anvisa n. 50, de 21 de fevereiro de 2002. PARTOS REVISANDO DIREITOS DA PARTURIENTE DIREITO AO ACOMPANHANTE MINIMIZA O TEMPO DE TRABALHO DE PARTO MENORES CASOS DE USO DE ANALGESIA MINIMIZA O Nº DE CASOS DE CESÁREAS DIREITO À INFORMAÇÃO A MULHER DEVE SER INFORMADA SOBRE OS PROCEDIMENTOS QUE PODEM SE TORNAR NECESSÁRIOS NO MOMENTO DO PARTO. ELA DEVE OPTAR POR QUERER OU NÃO FAZER. DIREITO A PRIVACIDADE “A mulher estava lá, sem acompanhante, com as pernas amarradas nas perneiras, uma médica gritando mandando ela fazer força e um monte de gente ali assistindo, olhando prá vagina dela esperando nascer... o maqueiro, a moça da limpeza, o rapaz da recepção... todo mundo aqui já viu um parto. “ Isabel, Serra (ES). (KONDO et al., 2014b, p. 6). DIREITO À LIBERDADE DE MOVIMENTAÇÃO E A FICAR NA POSIÇÃO MAIS CONFORTÁVEL DIREITO AO ATENDIMENTO RESPEITOSO -”CALA A BOCA E FAZ FORÇA DIREITO. VOCE QUER MATAR O SEU FILHO?” -”NA HORA DE FAZER É BOM, NÉ” DIREITO AO ATENDIMENTO BASEADO EM EVIDÊNCIAS OCITOCINA USADA SEM DEVIDA INDICAÇÃO CLÍNICA E DE FORMA INSEGURA É PREJUDICIAL O USO DO “SORINHO”(OCITOCINA SINTÉNTICA) PARA ACELERAR O PARTO TORNA AS CONTRAÇÕES MAIS DOLOROSAS E INTENSAS, O QUE AUMENTA AS CHANCES DE SOFRIMENTO FETAL, RUPTURA UTERINA E HEMORRAGIAS PÓS PARTO. ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM NO TRABALHO DE PARTO ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM NO TRABALHO DE PARTO Assistência focada nas necessidades da mulher como um todo e não apenas em procedimentos, normas e rotinas predeterminadas Inserção da família como unidade do cuidado Valorização da individualidade: subjetividade Respeito à cultura: crenças, valores, costumes Seguir as normas das Boas Práticas para o Parto Normal, baseadas em evidências: evitar intervenções desnecessárias e medicalizadas ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM NO TRABALHO DE PARTO Acolher e apoiar a paciente em todo o trabalho de parto. Monitorar os sinais e sintomas da evolução do parto. Orientar e oferecer os métodos não farmacológicos de alívio da dor. Prestar um atendimento humanizado a paciente e seu acompanhante. ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM NO TRABALHO DE PARTO Estabelecer uma relação com a parturiente seus familiares. Informar a parturiente e seus familiares a progressão do trabalho de parto. Fornecer líquidos leves conforme prescrição médica. Explicar todos os procedimentos durante o trabalho de parto. ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM NO TRABALHO DE PARTO Estimular as técnicas de conforto. Ajudar a parturiente a mudar de posição. Orientar a paciente a caminhar, agachar, ficar semi-sentada, manter- se em decúbito lateral, auxiliar no banho de aspersão, Auxiliar na analgesia, quando indicado. AÇÕES PARA UM PARTO HUMANIZADO COMUNICAÇÃO TERAPÊUTICA COMBATER A VIOLENCIA A MULHER ESTIMULAR NA MULHER SUA FORÇA ESTIMULAR O PARTO VERTICALIZADO E PERMITIR QUE A MULHER ASSUMA A POSIÇÃO DESEJADA ESTIMULAR A DEAMBULAÇÃO TORNAR-SE AJUDANTE, A MULHER DEVE SER ATIVA OFERECER DIETA BRANDA E RESTRITA OUTRAS ALTERNATIVAS: BOLA SUIÇA OUTRAS ALTERNATIVAS: POSIÇÃO VERTICAL AUMENTA OXIGENCIO PARA MÃE E FETO AMPLICA A DILATAÇÃO PERINEAL AUMENTA A PASSAGEM DO SACRO CERCA DE 2CM CONTA COM A AJUDA DA GRAVIDADE TORNA A MULHER MAIS ATIVA OUTRAS ALTERNATIVAS: PARTO EM BANHEIRA OUTRAS ALTERNATIVAS: PARTO COM A FAMÍLIA PARTO FELIZ PARTO FELIZ DOR NO PARTO INÍCIO DO TRABALHO DE PARTO DOR NÃO PATOLÓGICA DOR VISCERAL: METROSSÍSTOLE (CONTRAÇÃO DO ÚTERO) DOR SOMÁTICA: APRESENTAÇÃO Durante a dilatação cervical, a dor visceral caracteriza-se por ser mal localizada, difusa e gera desconforto, enquanto na fase de descida fetal, segundo estágio do trabalho de parto, a dor somática é intensa, nítida, contínua e superficial SOBRE AS DORES: VARIA EM: INTENSIDADE, LOCALIZAÇÃO É SUBJETIVA “... é uma dor que vem pelas costas, vai descendo nas costas, que puxa assim para baixo, e se a gente não segura sai é tudo...” (D2) “... a dor é horrível, mas é a melhor coisa, é a realização do sonho de qualquer mulher ter um filho com dor, cesárea eu não recomendo ...” “... pra mim a dor de parto não existe, porque já é minha segunda gravidez, e na primeira eu não tive dor, agora está sendo da mesma forma. A dor de parto para mim é só o início de uma vida ...” DOR NO PARTO No início, as contrações parecem cólicas menstruais ou uma dor nas costas que vai e vem em intervalos de 20 a 30 minutos. Aos poucos, a dor se torna mais forte e dura mais tempo. As contrações também se tornam mais frequentes, até que elas vêm em intervalos de três a cinco minutos. Assistência deenfermagem no PRÉ- NATAL para alívio da dor no parto ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO PRÉ-NATAL PARA ALÍVIO DA DOR NO PARTO ACOLHIMENTO À GESTANTE E AO SEU COMPANHEIRO APOIO PSICOLÓGICO ESCLARECIMENTO SOBRE O TRABALHO DE PARTO E O PARTO ESCLARECIMENTO SOBRE O LOCAL DE PARTO: VISITA À MATERNIDADE Métodos de relaxamento para o alívio da dor no parto MEDO -> TENSÃO MENTAL E TENSÃO MUSCULAR -> INDO AFETAR O COLO DO UTERO QUE NÃO IRÁ DILATAR Assistência de enfermagem no pré-natal para alívio da dor no parto Método de Dick-Read Este método afirma que ao tratar o medo e a tensão a dor é amenizada. Desta forma, manter a gestante informada e orientada sobre as condutas médicas de um parto, ensiná-la sobre técnicas respiratórias é importante. ESSA TÉCNICA APONTA A TRÍADE MEDO - TENSÃO - DOR, COMO A RESPONSÁVEL PELO DESCONFORTO E PELA DOR NO PARTO. MEDO DOR TENSÃO Assistência de enfermagem no pré-natal para alívio da dor no parto Método de Bradley Reafirma o parto como um processo natural. 1. A mulher é estimulada a se movimentar livremente. 2. Ao deitar, é orientada a adotar a posição de Sims. 3. Durante cada contração, a mulher deve fechar os olhos, relaxar todos os músculos do corpo e respirar lenta e profundamente. Assistência de enfermagem no pré-natal para alívio da dor no parto Método de Lamaze -A mulher pode ser ensinada a substituir suas reações à dor, ao medo e à perda de controle, por um comportamento mais positivo. -São combinados os relaxamentos musculares controlados e as técnicas de respiração. Assistência de enfermagem no pré-natal para alívio da dor no parto TÉCNICA DE RESPIRAÇÃO A respiração adequada durante o trabalho de parto auxilia muito a diminuir a dor e o estresse. Também auxilia na ventilação da mãe e do bebê e no relaxamento físico e mental. É muito fisiológico ocorrer uma hiperventilação no pulmão materno e isso acaba tensionando alguns músculos respiratórios causando fadiga e cansaço na mãe. *Técnica Lenta e profunda (5 tempos) *Técnica diafragmática *Vocalização prolongada em tom único Técnica Lenta e profunda (5 tempos) Técnica diafragmática É uma respiração direcionada ao bebê Vocalização prolongada em tom único Métodos não farmacológicos no alívio da dor no parto PRESENÇA DO ACOMPANHANTE BANHO DE IMERSÃO Redução na intensidade da dor. Apresenta mais benefícios quando utilizado a partir dos 3cm de dilatação cervical, principalmente quando controlados, conjuntamente, o tempo de ruptura das membranas e a permanência na água. Menor taxa de cesariana. Necessidade de reestruturação das maternidades. BANHO DE CHUVEIRO A utilização do chuveiro, deixando a água cair sobre as costas da gestante alivia a dor lombar que é queixa presente em um terço das pacientes. O banho morno pode ser o tradicional banho de chuveiro ou o banho de imersão conhecido como banho de banheira, pode ser associado a outras técnicas como a massagem, bola, exercícios respiratórios e exercícios para a pélvis. Durante o trabalho de parto a água morna reduz a sensibilidade dolorosa, relaxa e acelera o trabalho de parto. MASSAGEM A massagem, realizada principalmente na região lombar, é uma método simples, de baixo custo e seguro para aliviar a dor do parto. É importante que a pessoa que vá realizar a massagem, seja uma doula ou o parceiro da gestante, tenha sido instruído sobre as melhores formas de massagear no trabalho de parto. Isso porque o tipo ideal de massagem varia de acordo com o momento do trabalho de parto. Além disso, a gestante deve estar numa posição confortável para receber a massagem. Nem todas as mulheres vão querer massagem durante o parto, por isso é importante ter um feedback da mulher no momento da massagem para saber se o método está tendo alguma eficácia para ela. Cavalinho e deambulação A cadeira de balanço ou “cavalinho” é um método usado no trabalho de parto que auxilia a gestante na manutenção de uma posição vertical (sentada).Consiste em assento com apoio para os braços, o que favorece uma postura sentada com as costas inclinadas para frente e promove balanço pélvico e alongamento da coluna lombar. Pode ser associado com a utilização do TENS, massagens, infravermelho e exercícios respiratórios. Aromaterapia Aromas ajudam a relaxar e aliviar a dor do pré-parto Musicoterapia Estudos apontam que a música diminui o nível de ansiedade das gestantes, colabora para o estabelecimento precoce do vínculo mãe-bebê, entre outros efeitos. O musicoterapeuta é o profissional que mais se destaca no uso da música com as grávidas e a audição é o método mais utilizado nas intervenções. ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM NO PUERPÉRIO O puerpério compreende até aproximadamente 45 dias após a saída da placenta e termina com a primeira ovulação e o retorno da menstruação. ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM NO PÓS PARTO VERIFICAR SSVV(sinais vitais) TEMPERATURA ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM NO PÓS PARTO -MONITORIZAR A PUÉRPERA -TODAS AS PACIENTES NO PÓS-PARTO DEVEM RECEBER OCITOCINA PROFILÁTICA (ESSA É A PRINCIPAL ESTRATÉGIA PARA SE EVITAR O QUADRO HEMORRÁGICO NO PUERPÉRIO. UTILIZANDO-SE 10U DE OCITOCINA INTRAMUSCULAR NO PÓS-PARTO, PODE-SE REDUZIR EM 50% O NÚMERO DE HEMORRAGIAS PÓS-PARTO (ESPECIALMENTE ÀQUELAS RELACIONADAS À ATONIA UTERINA) -DURANTE A ADMISSÃO NA MATERNIDADE, TAMBÉM, É IMPORTANTE ESTRATIFICAR A GESTANTE EM ALTO, MÉDIO E BAIXO RISCO. NORMALMENTE OS SANGRAMENTOS MAIS GRAVES OCORREM NAS PACIENTES DE MAIOR RISCO, COMO POR EXEMPLO, PACIENTES COM ACRETISMO PLACENTÁRIO. CONTUDO, A MAIORIA DOS CASOS OCORRE EM PACIENTES SEM FATORES DE RISCO EVIDENTES. PARA O GRUPO DE ALTO RISCO É PRECISO ESTAR PREPARADOS PARA QUADROS DE SANGRAMENTOS IMPORTANTES E, OBVIAMENTE, AUMENTAR A MONITORIZAÇÃO NESTE GRUPO DE PACIENTES. ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM NO PÓS PARTO -Ocitocina pós-parto, (que deve ser utilizada após todos os partos, como profilaxia medicamentosa). -Atração controlada do cordão umbilical e o clampeamento oportuno do cordão compõe o manejo ativo clássico. -monitoramento do tônus uterino nas duas primeiras horas após o parto (que consiste na verificação do tônus uterino a cada 15 minutos, com massagem uterina gentil, no pós-parto). *Ressalta-se que a falta de monitoramento no pós-parto é um dos grandes problemas relacionados à morbimortalidade da hemorragia pós-parto. Hemorragia Pós Parto A hemorragia pós-parto é uma das principais causas de mortalidade e morbidade materna no mundo. No Brasil ela ocupa a segunda causa de morte materna, perdendo apenas para os distúrbios hipertensivos. No mundo, ocorrem 14 milhões de casos de hemorragia pós-parto todos os anos. Desse grupo, 140 mil mulheres morrem por causa da hemorragia obstétrica, o que representa uma morte a cada 4 minutos. Dessa forma, todo profissional de saúde, que trabalha com obstetrícia, terá contato, em algum momento da sua vida profissional, com casos de hemorragia pós-parto. Daí a necessidade de estarem preparados para abordar tal quadro. A hemorragia pós-parto pode ser definida como a perda sanguínea maior que 500 ml no pós-parto vaginal ou maior que 1000 ml na cesariana. Contudo, o mais importante é considerar que qualquer perda sanguínea capaz de causar instabilidade hemodinâmica deve ser considerada como um caso de hemorragia pós-parto importante. PRINCIPAIS CAUSAS DE HEMORRAGIAS PÓS PARTO: ATONIA UTERNIA, RETENÇÃO DE RESTOS PLACENTÁRIOS, LACERAÇÕES CERVICAIS E VAGINAIS Se durante este período a involução uterina não se mantém e reaparecer a perda de sangue deve- se massagear o útero quantas vezes for necessário • AMAMENTAÇÃO PRECOSE ESTIMULA A LIBERAÇÃO DE OCITOCINA, O QUE PROMOVE A INVOLUÇÃO UTERINA,REDUZINDO O SANGRAMENTO VAGINAL. • Além de quanto mais precoce for a primeira mamada do bebê, melhor para ele e para a criação do vínculo com a mãe. • “Embora, nos primeiros dias, a produção seja de colostro, não de leite propriamente dito, a amamentação é totalmente indicada nesse período” • A “descida” do leite costuma acontecer dois ou três dias após o parto, o que normalmente coincide com a alta hospitalar. Neste momento, muitas mães ficam aflitas pelo aumento excessivo de volume das mamas, o que pode até dificultar para o bebê continuar mamando. “Nestes casos, o indicado é massagear as mamas, de preferência durante o banho, e retirar um pouco do leite, para proporcionar maior maleabilidade da pele e facilitar a pega para o bebê” Para a estimativa da perda volêmica no pós-parto existem diversas metodologias. Todas com pontos positivos e negativos. O critério de escolha no seu serviço dependerá da sua realidade e treinamento: Estimativa visual: estimar quanto uma gaze/compressa encharcada pode significar de perda sanguínea. Essa é uma técnica boa, mas tende a subestimar os grandes sangramentos, independente da experiência profissional; AVALIAÇÃO VISUAL CORRESPONDENTE EM VOLUME Poça de 50 cm de diâmetro 500ml Poça de 75 cm de diâmetro 1.000ml Poça de 100 cm de diâmetro 1.500ml Cama com poça de sangue sobre o lenço Provavelmente menos de 1.000ml Hemorragia vaginal com sangue fluindo para o chão Provavelmente excede 1.000ml Pesagem de compressas sujas de sangue: pesa-se o material utilizado durante o parto, como campo cirúrgico, compressas etc. É importante lembrar que 1 ml de sangue equivale à aproximadamente 1grama de peso. Esse é um método mais objetivo que a estimativa visual, mas exige que a equipe esteja bem treinada; Dispositivos coletores: podem ser colocados no pós-parto imediato e identificam a quantidade de sangue está sendo perdido. Ainda é uma técnica pouco utilizada no Brasil, apesar de não ser uma tecnologia cara; Métodos clínicos: realizado através da detecção dos dados vitais. Eles são importantes metodologias de estimativa da perda volêmica, mas vale lembrar que as grávidas vão apresentar alterações de dados vitais somente quando já ocorreu uma grande perda sanguínea. Esse marcador é um pouco mais tardio, mas ainda assim extremamente útil para a equipe. Dentro desse grupo, tem-se uma tabela de dados vitais (Classificação de Baskett). Também se pode utilizar o Índice de Choque. Para obter o valor do Índice de Choque basta dividir a frequência cardíaca materna (FC) pela pressão arterial sistólica (PAS). Se o resultado for igual ou maior que 0, 9 (ou ≥1) indica risco de possível transfusão sanguínea. Transformando isso de uma forma mais prática, toda vez em que se observar uma frequência cardíaca maior que uma pressão sistólica em uma paciente com quadro de hemorragia, provavelmente estamos diante de um quadro importante de hemorragia, que pode necessitar de transfusão. É necessário ser extremamente agressivo no tratamento desta paciente. Para tratar a hemorragia pós parto é importante lembrar-se das causas da hemorragia pós-parto, através do mnemônico dos 4T´s: 1-Tônus 2-Trauma 3-Tecido 4-Trombina 1- Em uma paciente com atonia uterina, a primeira manobra é a compressão bimanual do útero. Não é uma massagem, mas sim uma compressão. Ela deve ser mantida enquanto a equipe vai preparando os medicamentos (Ocitocina). 2- é necessário verificar se há laceração de trajeto e se há necessidade de suturar. Normalmente as lacerações de primeiro grau não precisam ser suturadas, mas as de segundo grau, diante de um quadro de hemorragia, merecem uma hemostasia rigorosa. 3- Normalmente aguarda-se 30 minutos para que a placenta desprenda-se do útero. Caso a placenta não saia após esse período, considera-se retenção placentária, e pode-se tentar a extração manual da placenta. Deve-se, durante esse procedimento, verificar se existe plano de clivagem entre a parede uterina e a placenta. Caso não exista, não devemos insistir na sua extração, pois se pode estar diante de um quadro de acretismo placentário. 4-Trombina – Coagulopatias É fundamental ter atenção às pacientes com coagulopatia (Ou àquelas em uso de medicações tais como ácido acetilsalicílico (AAS), heparina ou que tenham Síndrome HELLP na pré-eclâmpsia). É necessário tratar essas pacientes de forma específica. Controles maternos pela enfermagem verificação diária do estado físico geral da puérpera quanto a: sinais vitais: pulso, P.A, temperatura, estado das mucosas, hidratação; Ligeiro aumento da temperatura axilar(36,8º - 37,9º) e calafrios nas primeiras 24 horas sem necessariamente ser um processo infeccioso, mas exige atenção A temperatura deve manter-se abaixo de 38. Quando há turgência mamária ou proliferação de germes na vagina a temperatura eleva-se Observar e anotar eliminações de urina e fezes Hemorroidas podem estar agravadas devido ao esforço causando desconforto e impedindo bons esvaziamento intestinal Podem ocorrer traumas na uretra ocasionando desconforto na micção e retenção urinária Em cesárias soma-se o íleo paralítico pela manipulação da cavidade abdominal Membros inferiores pesquisar sinais de trombose venosa profunda, relato de Dores em MMII e edema súbito. Identificar o aparecimento de sinais e logísticos Lóquios são denominados as perdas de sangue, muco e tecidos do interior do útero durante o período puerperal. Cedo no puerpério, a descamação da decídua e o sangramento resultam em corrimento vaginal de quantidade variável, chamado de lóquio. DECLARAÇÃO DE NASCIDO VIVO PODE SER FEITA PELO TÉCNICO A atenção à mulher e ao recém-nascido (RN) no pós-parto imediato e nas primeiras semanas após o parto é fundamental para a saúde materna e neonatal. Recomenda-se uma visita domiciliar na primeira semana após a alta do bebê. Caso o RN tenha sido classificado como de risco, essa visita deverá acontecer nos primeiros 3 dias após a alta. O retorno da mulher e do recém-nascido ao serviço de saúde, de 7 a 10 dias após o parto, deve ser incentivado desde o pré-natal, na maternidade e pelos agentes comunitários de saúde na visita domiciliar. QUAL A IMPORTÂNCIA DA ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM/MÉDICA NO PUERPÉRIO? Uma vez que boa parte das situações de morbidade e mortalidade materna e neonatal acontecem na primeira semana após o parto, o retorno da mulher e do recém-nascido ao serviço de saúde deve acontecer logo nesse período. Os profissionais e os serviços devem estar atentos e preparados para aproveitar a oportunidade de contato com a mulher e o recém- nascido na primeira semana após o parto para instituir todo o cuidado previsto para a “Primeira Semana de Saúde Integral”. Objetivos: • Avaliar o estado de saúde da mulher e do recém-nascido; • Orientar e apoiar a família para a amamentação; • Orientar os cuidados básicos com o recém-nascido; • Avaliar interação da mãe com o recém-nascido; • Identificar situações de risco ou intercorrências e conduzi-las; • Orientar o planejamento familiar AÇÕES EM RELAÇÃO À PUÉRPERA Anamnese Verificar o cartão da gestante ou perguntar à mulher sobre: • Condições da gestação; • Condições do atendimento ao parto e ao recém-nascido; • Dados do parto (data; tipo de parto; se cesárea, qual a indicação); • Avaliar estado emocional • Se houve alguma intercorrência na gestação, no parto ou no pós-parto (febre, hemorragia, hipertensão, diabetes, convulsões, sensibilização Rh); • Se recebeu aconselhamento e realizou testagem para sífilis ou HIV durante a gestação e/ou parto; • Uso de medicamentos (ferro, ácido fólico, vitamina A, outros). AÇÕES EM RELAÇÃO À PUÉRPERA Perguntar como se sente e indagar sobre: • Aleitamento (freqüência das mamadas – dia e noite – , dificuldades na amamentação,satisfação do RN com as mamadas, condições das mamas); • Alimentação, sono, atividades; • Dor, fluxo vaginal, sangramento, queixas urinárias, febre; • Planejamento familiar (desejo de ter mais filhos, desejo de usar método contraceptivo, métodos já utilizados, método de preferência); • Condições psicoemocionais (estado de humor, preocupações, desânimo, fadiga, outros); • Condições sociais (pessoas de apoio, enxoval do bebê, condições para atendimento de necessidades básicas). AÇÕES EM RELAÇÃO À PUÉRPERA Avaliação clínico-ginecológica: • Verificar dados vitais; • Avaliar o estado psíquico da mulher; • Observar estado geral: pele, mucosas, presença de edema, cicatriz (parto normal com episiotomia ou laceração/cesárea) e membros inferiores; • Examinar mamas, verificando a presença de ingurgitamento, sinais inflamatórios, infecciosos ou cicatrizes que dificultem a amamentação; • Examinar abdômen, verificando a condição do útero e se há dor à palpação; • Examinar períneo e genitais externos (verificar sinais de infecção, presença e características de lóquios); • Verificar possíveis intercorrências: alterações emocionais, hipertensão, febre, dor em baixo-ventre ou nas mamas, presença de corrimento com odor fétido, sangramentos intensos. No caso de detecção de alguma dessas alterações, solicitar avaliação médica imediata, caso o atendimento esteja sendo feito por outro profissional da equipe; • Observar formação do vínculo entre mãe e filho; • Observar e avaliar a mamada para garantia do adequado posicionamento e pega da aréola. O posicionamento errado do bebê, além de dificultar a sucção, comprometendo a quantidade de leite ingerido, é uma das causas mais freqüentes de problemas nos mamilos. Em caso de ingurgitamento mamário, mais comum entre o terceiro e o quinto dia pós-parto, orientar quanto à ordenha manual, armazenamento e doação do leite excedente a um Banco de Leite Humano (caso haja na região); • Identificar problemas/necessidades da mulher e do recém-nascido, com base na avaliação realizada. AÇÕES EM RELAÇÃO À PUÉRPERACondutas • Orientar sobre: – higiene, alimentação, atividades físicas; – atividade sexual, informando sobre prevenção de DST/Aids; – cuidado com as mamas, reforçando a orientação sobre o aleitamento (considerando a situação das mulheres que não puderem amamentar); – cuidados com o recém-nascido; – direitos da mulher (direitos reprodutivos, sociais e trabalhistas). • Orientar sobre planejamento familiar e ativação de método contraceptivo, se for o caso: – informação geral sobre os métodos que podem ser utilizados no pósparto; – explicação de como funciona o método da LAM (amenorréia da lactação); – se a mulher não deseja, ou não pode, usar a LAM, ajudar na escolha de outro método; – disponibilização do método escolhido pela mulher com instruções para o uso, o que deve ser feito se este apresentar efeitos adversos e instruções para o seguimento. • Aplicar vacinas, dupla tipo adulto e tríplice viral, se necessário; • Oferecer teste anti-HIV e VDRL, com aconselhamento pré e pós-teste, para as puérperas não aconselhadas e testadas durante a gravidez e o parto; • Prescrever suplementação de ferro: 40 mg/dia de ferro elementar, até três meses após o parto, para mulheres sem anemia diagnosticada; • Tratar possíveis intercorrências; • Registrar informações em prontuário; • Agendar consulta de puerpério até 42 dias após o parto. AÇÕES EM RELAÇÃO AO RECÉM-NASCIDO AÇÕES EM RELAÇÃO AO RECÉM-NASCIDO Na primeira consulta: • Verificar a existência da Caderneta de Saúde da Criança e, caso não haja, providenciar abertura imediata; • Verificar se a Caderneta de Saúde da Criança está preenchida com os dados da maternidade. Caso não esteja, procurar verificar se há alguma informação sobre o peso, comprimento, apgar, idade gestacional e condições de vitalidade; • Verificar as condições de alta da mulher e do RN; AÇÕES EM RELAÇÃO AO RECÉM-NASCIDO • Observar e orientar a mamada reforçando as orientações dadas durante o prénatal e na maternidade, destacando a necessidade de aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida do bebê, não havendo necessidade de oferecer água, chá, ou qualquer outro alimento; • Observar e avaliar a mamada para garantia de adequado posicionamento e pega da aréola; • Observar a criança no geral: peso, postura, atividade espontânea, padrão respiratório, estado de hidratação, eliminações e aleitamento materno, ectoscopia, características da pele (presença de palidez, icterícia e cianose), crânio, orelhas, olhos, nariz, boca, pescoço, tórax, abdômen (condições do coto umbilical), genitália, extremidades e coluna vertebral. Caso seja detectada alguma alteração, solicitar avaliação médica imediatamente; AÇÕES EM RELAÇÃO AO RECÉM-NASCIDONa primeira consulta: • Identificar o RN de risco ao nascer Critérios principais: – Baixo peso ao nascer (menor que 2.500 g) – Recém-nascidos que tenham ficado internados por intercorrências após o nascimento – História de morte de criança < 5 anos na família – RN de mãe HIV positivo Critérios associados: Dois ou mais dos critérios abaixo: – Família residente em área de risco – RN de mãe adolescente – RN de mãe analfabeta – RN de mãe portadora de deficiência ou distúrbio psiquiátrico ou drogadição que impeça o cuidado da criança – RN de família sem fonte de renda – RN manifestamente indesejado Obs.: caso sejam identificados alguns desses critérios, solicitar avaliação médica imediatamente. • Realizar o teste do pezinho e registrar o resultado na caderneta da criança; • Verificar se foram aplicadas, na maternidade, as vacinas BCG e de hepatite B. Caso não tenham sido, aplicá-las na unidade e registrá-las no prontuário e na Caderneta de Saúde da Criança. • Agendar as próximas consultas de acordo com o calendário previsto para seguimento da criança: 2º; 4º; 6º; 9º; 12; 18 e 24º mês de vida. DIFICULDADES COM O ALEITAMENTO NO PERÍODO PUERPERAL Nas conversas com as gestantes, é recomendável orientar sobre a prevenção de situações de dificuldade somente se esses assuntos forem citados por elas. 1. Pega incorreta do mamilo: A pega incorreta da região mamilo-areolar faz com que a criança não consiga retirar leite suficiente, levando a agitação e choro. A pega errada, só no mamilo, provoca dor e fissuras e faz com que a mãe fique tensa, ansiosa e perca a autoconfiança, acreditando que o seu leite seja insuficiente e/ou fraco. 2. Fissuras (rachaduras): Habitualmente, as fissuras ocorrem quando a amamentação é praticada com o bebê posicionado errado ou quando a pega está incorreta. Manter as mamas secas, não usar sabonetes, cremes ou pomadas, também ajuda na prevenção. Recomenda-se tratar as fissuras com o leite materno do fim das mamadas, banho de sol e correção da posição e da pega. 3. Mamas ingurgitadas: Acontecem, habitualmente, na maioria das mulheres, do terceiro ao quinto dia após o parto. As mamas ingurgitadas são dolorosas, edemaciadas (pele brilhante), às vezes, avermelhadas e a mulher pode ter febre. Para evitar ingurgitamento, a pega e a posição para amamentação devem estar adequadas e, quando houver produção de leite superior à demanda, as mamas devem ser ordenhadas manualmente. Sempre que a mama estiver ingurgitada, a expressão manual do leite deve ser realizada para facilitar a pega e evitar fissuras. O ingurgitamento mamário é transitório e desaparece entre 24 e 48 horas. 1. Mastite: É um processo inflamatório ou infeccioso que pode ocorrer na mama lactante, habitualmente a partir da segunda semana após o parto. Geralmente, é unilateral e pode ser conseqüente a um ingurgitamento indevidamente tratado. Essa situação exige avaliação médica para o estabelecimento do tratamento medicamentoso apropriado. A amamentação na mama afetada deve ser mantida, sempre que possível e, quando necessário, a pega e a posição devemser corrigidas.