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PSICOLOGIA E SAÚDE PSI 8089 PROF.: Lusanir de Sousa Carvalho (lusanir.carvalho@uva.br) AULA 6 mailto:lusanir.carvalho@uva.br UNIDADE 4 – Políticas de Saúde no Brasil Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas 2 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil Do Acolhimento ao Cuidado AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil O que é Acolhimento • A palavra “acolher”, em seus vários sentidos, expressa “dar acolhida, admitir, aceitar, dar ouvidos, dar crédito a, agasalhar, receber, atender, admitir” (FERREIRA, 1975). • O acolhimento como ato ou efeito de acolher expressa uma ação de aproximação, um “estar com” e “perto de”, ou seja, uma atitude de inclusão, de estar em relação com algo ou alguém. 4 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil Acolhimento • O acolhimento é também um dispositivo de intervenção que possibilita analisar o processo de trabalho em saúde com foco nas relações e que pressupõe a mudança das relações profissional/usuário/rede social e profissional/ profissional por meio de parâmetros técnicos, éticos, humanitários e de solidariedade, reconhecendo o usuário como sujeito e como participante ativo no processo de produção da saúde. 5 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil Acolhimento NÃO é... • Uma sala em que um profissional (geralmente enfermeiro) atende a demanda espontânea e encaminha para o médico; • Restrita a um profissional de saúde; • Igual a atendimento clínico centrado na doença. • LEIA AS PALAVRAS EM VERMELHO E REFLITA SOBRE ESTA FRASE!! 6 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil Acolhimento Novo modelo ou um novo paradigma que possibilita a organização do serviço de saúde de forma a atender os usuários de maneira integral. Uma nova relação em que profissionais de saúde e usuário participam igualmente da construção do cuidado. AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil 8 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil O CENTRO DE REFERÊNCIA TÉCNICA EM PSICOLOGIA E POLÍTICAS PÚBLICAS (CREPOP) CREPOP • O Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) é um projeto permanente do Sistema Conselhos de Psicologia que, desde 2006. • O objetivo é promover a ampliação e a qualificação da atuação profissional de psicólogas(os) que atuam na esfera pública, oferecendo referências para atuação profissional nesse campo, identificando oportunidades estratégicas de participação da psicologia nas políticas públicas e promovendo sua interlocução com espaços de formulação, gestão e execução em políticas públicas. • Trata-se, portanto, de uma estratégia de consolidação da presença da profissão nas políticas sociais brasileiras. 9 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil CREPOP AULA 5 - A Complexidade do Fenômeno Saúde-Doença 10 Serviço de Proteção Social a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, Abuso e Exploração Sexual e suas Famílias: referências para a atuação do psicólogo [2009] Referências Técnicas para atuação do psicólogo em Varas de Família [2010] Referências Técnicas para a atuação de psicólogos no âmbito das Medidas Socioeducativas em Unidades de Internação [2010] Referências Técnicas para a Atuação de Psicólogas/os em Políticas Públicas de Álcool e Outras Drogas [2013] Referências Técnicas para a Atuação de Psicólogas(os) no CAPS – Centro de Atenção Psicossocial [2013] AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil CREPOP 11 Referências técnicas para a atuação do(a) psicólogo(a) nos Programas de DST e Aids [2008] Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) em Programas de Atenção à Mulher em situação de Violência [2013] Referências Técnicas sobre a Prática de Psicólogas (os) no Centro de Referência Especializado da Assistência Social – CREAS [2013] Referências técnicas para a atuação das(os) psicólogas(os) no Sistema Prisional [2012] Referência Técnica para Atuação de Psicólogas(os) em Programas de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto [2012] Referências Técnicas para atuação do(a) Psicólogo(a) no CRAS/SUAS [2007] AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil EM POLÍTICAS PÚBLICAS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS BRASÍLIA: CFP, 2013 Conselho Federal de Psicologia Referências Técnicas para a Atuação de Psicólogo(a)s 12 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil CREPOP – Álcool e outras drogas • A Redução de Danos (RD) – como defesa dos direitos: – A estratégia da RD afirma a autonomia, o diálogo e os direitos das pessoas que fazem uso de substâncias psicoativas, sem recorrer a julgamentos morais ou práticas criminalizadoras e punitivas. No contato dos agentes redutores de danos e agentes comunitários de saúde com os usuários de drogas é construído um espaço de co-responsabilização. As estratégias de RD consideram as pessoas que fazem uso de drogas (lícitas ou ilícitas) como sujeitos de direitos e buscam garantir seu acesso às políticas públicas (saúde, educação, cultura, trabalho, etc.) de modo integral. – Dessa forma, não é aceitável que a abstinência seja, ao mesmo tempo, a pré-condição e a meta a ser atingida pelos usuários de drogas para que seus direitos sejam garantidos. 13 Pág. 40 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil CREPOP – Álcool e outras drogas A RD deve funcionar no território de modo articulado com a rede de saúde pública e demais políticas intersetoriais, por isso as pessoas são atendidas próximas dos locais onde vivem por agentes redutores de danos, agentes comunitários de saúde e equipes multidisciplinares. 14 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil Pág. 42 NOS CAPS – CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL. BRASÍLIA: CFP, 2013 Conselho Federal de Psicologia Referências Técnicas para a Atuação de Psicólogo(a)s 15 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil CREPOP – Centro de Atenção Psicossocial • São instituições destinadas a acolher pessoas com sofrimento psíquico grave e persistente, estimulando sua integração social e familiar, apoiando-os em suas iniciativas de busca da autonomia. • Apresenta como característica principal a busca da integração dos usuários a um ambiente social e cultural concreto, designado como seu território, o espaço da cidade onde se desenvolve a vida cotidiana de usuários e familiares, promovendo sua reabilitação psicossocial. • Tem como preceito fundamental ajudar o usuário a recuperar os espaços não protegidos, mas socialmente passíveis à produção de sentidos novos, substituindo as relações tutelares pelas relações contratuais, especialmente em aspectos relativos à moradia, ao trabalho, à família e à criatividade. 16 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil CREPOP – Centro de Atenção Psicossocial A atual política prevê a implantação de diferentes tipos de CAPS: • CAPS I – Serviço de atenção à saúde mental em municípios com população de 20 mil até 70 mil habitantes. Oferece atendimento diário de 2ª a 6ª feira em pelo menos um período/dia. • CAPS II – Serviço de atenção à saúde mental em municípios com população de 70 mil a 200 mil habitantes. Oferece atendimento diário de 2ª a 6ª feira em dois períodos/dia. • CAPS III – Serviço de atenção à saúde mental em municípios com população acima de 200 mil habitantes. Oferece atendimento em período integral/24h. • CAPS ad – Serviço especializado para usuários de álcool e outras drogas em municípios de 70 mil a 200 mil habitantes. • CAPS ad III – Serviço especializado para usuários de álcool e outras drogas em municípios com população acima de 200 mil habitantes, por período integral/24h. • CAPSi - Serviço especializado para crianças, adolescentes e jovens (até 25 anos) em municípios com população acima de 200 mil habitantes. 17 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil 18 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil CREPOP – Centro de Atenção Psicossocial • Em Dezembro de 2011, o governo brasileiro estabelece entre suas prioridadesna saúde, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) pela Portaria GM/MS nº 3.088/2011. • Atendimento a pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas. • Essa portaria impacta diretamente a estrutura da Rede de atendimento da Saúde Mental. • A RAPS passam a serem formadas por sete componentes da Rede de Saúde, desde a Atenção Básica , passando pela Atenção Psicossocial Especializada, a Urgência e Emergêncian e a Atenção Residencial de Caráter Transitório. • As RAPS também são compostas pelos componentes da Atenção Hospitalar, Estratégias de Desinstitucionalização e a Reabilitação Psicossocial. 19 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil CREPOP – Centro de Atenção Psicossocial • Cabe ainda ao CAPS, a invenção, pretensão que contrariaria a lógica que o instituiu, contudo, é importante salientar que a clínica antimanicomial não é um fazer eclético, nem tampouco destituído de sentido. • A criação, a invenção desta nova prática de trato e relação com a loucura sustenta-se em princípios éticos claros e definidos. • O direito à liberdade, o consentimento com o tratamento, o respeito à cidadania e aos direitos humanos, a participação do usuário no serviço; articulam-se aos conceitos de território, desinstitucionalização, porta aberta, vínculo, trabalho em equipe e em rede. • Este conjunto formam os pontos de orientação que organizam e dão sentido ao cuidado nestes lugares. 20 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil Pág. 94 EM PROGRAMAS DE ATENÇÃO À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA BRASÍLIA: CFP, 2012 Conselho Federal de Psicologia Referências Técnicas para a Atuação de Psicólogo(a)s 21 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil CREPOP – Programas de Atenção à Mulher em situação de Violência • A violência contra a mulher é uma infração aos direitos fundamentais do ser humano, além de ser uma transgressão aos tratados internacionais. • Isso exige a atenção do profissional de Psicologia nas políticas públicas de atendimento. • Entre os marcos legais, a Lei 11.340 - 07/08/06 - Lei Maria da Penha, vem sendo apontada como uma das grandes conquistas nas lutas a favor da mulher no Brasil. 22 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil Pág. 37 CREPOP – Programas de Atenção à Mulher em situação de Violência • A violência contra a mulher exige da Psicologia repensar suas práticas e modelos de intervenção tradicionais, especialmente os modelos clínicos voltados para o interpsíquico, devendo agregar o desenvolvimento de novas práticas que incorporem a perspectiva social, a clínica ampliada, a clínica social ou ainda intervenções psicossociais articuladas com as práticas de outros profissionais e serviços. – O atendimento à mulher em situação de violência requer discussões a respeito das contextualizações das novas demandas sociais, que exigem da Psicologia uma ampliação de suas práticas e novos campos de atuação. • Para a efetivação de uma clínica ampliada, que visa o atendimento das demandas de maneira abrangente, são necessários arranjos e dispositivos de gestão que privilegiem uma comunicação transversal entre os membros da equipe e intraequipes de diferentes serviços da rede (BRASIL, 2010). 23 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil Pág. 49 SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL A CRIANÇAS E ADOLESCENTES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA, ABUSO E EXPLORAÇÃO SEXUAL E SUAS FAMÍLIAS BRASÍLIA: CFP, 2009 Conselho Federal de Psicologia Referências Técnicas para a Atuação de Psicólogo(a)s 24 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil CREPOP – Serviço de Proteção Social a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, Abuso e Exploração Sexual e suas Famílias • O atendimento psicossocial é um instrumento fundamental para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes, que tem como referência básica os princípios de prioridade absoluta, por ser sujeitos de direitos e em condição peculiar de desenvolvimento. Configura conjunto de atividades e ações psicossocioeducativas, de apoio e especializadas, desenvolvidas individualmente e em pequenos grupos (prioritariamente), de caráter disciplinar e interdisciplinar, de cunho terapêutico – não confundir com psicoterapêutico –, com níveis de verticalização e planejamento (início, meio e fim), de acordo com o plano de atendimento desenvolvido pela equipe. • Esse atendimento deve ser operacionalizado, prioritariamente, pelos grupos de apoio às crianças e aos adolescentes e pelo grupo de apoio às famílias e de oficinas socioeducativas. • Sugere-se que o atendimento individual seja utilizado apenas nas entrevistas iniciais, como forma de avaliação preliminar e preparação da criança e do adolescente para a entrada nos grupos, ou quando, a partir dessa avaliação, ficar constatado que o trabalho em grupo não é indicado. 25 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil Pág. 50 CREPOP – Serviço de Proteção Social a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, Abuso e Exploração Sexual e suas Famílias Alguns conceitos importantes Atendimento Ato ou efeito de atender; atenção sistemática prestada ao grupo familiar e/ou à criança e ao adolescente pela equipe do Serviço de Enfrentamento, por meio de atividades relacionadas à organização do processo de trabalho técnico de cada área do conhecimento envolvida; conjunto de atividades desenvolvidas pela equipe multiprofissional com o objetivo de prestar apoio psicossocial e jurídico; processo de intervenção do técnico na dinâmica da criança, do adolescente e de sua família. Encaminhamento Ato de encaminhar; conduzir e dirigir as pessoas que estão sendo atendidas no CREAS/Serviço de Enfrentamento para outras políticas setoriais e/ou serviços da Rede de Proteção Integral; procedimentos que visam ao acesso de famílias, seus membros e indivíduos aos serviços. Acompanhamento Monitorar os encaminhamentos realizados para outras políticas setoriais e serviços da Rede de Proteção Social; ato de acompanhar o atendimento que está sendo realizado, por outros serviços e ações definidos no Plano de Intervenção, para a superação da violação dos direitos. 26 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil Pág. 50 Referências Bibliográficas • Textos: 1) MANFROI, E. Cartografia da reinvenção de uma rede de acolhimento, cuidado e integralidade em saúde. Dissertação (mestrado) – Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Programa de pós-graduação em Psicologia. (Págs: 13-25). 2) Referências Técnicas para a Atuação de Psicólogas/os em Políticas Públicas de Álcool e Outras Drogas. Brasília: CFP, 2013. 3) Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) no CAPS – Centro de Atenção Psicossocial . Brasília: CFP, 2013. 4) Referências técnicas para atuação de psicólogas (os) em Programas de Atenção à Mulher em situação de Violência. Brasília: CFP, 2012. 5) Serviço de Proteção Social a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, Abuso e Exploração Sexual e suas Famílias: referências para a atuação do psicólogo. Brasília: CFP, 2009. •27 AULA 6 – Políticas de Saúde no Brasil