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DESENHO 
ARTÍSTICO
Juliana Wagner
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147
W133d Wagner, Juliana.
 Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes
 Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; 
 [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: 
 SAGAH, 2017.
 168 p. il. ; 22,5 cm
 ISBN 978-85-9502-241-6
 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea
 Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. 
 III.Título.
CDU 744.43
Revisão técnica:
Sabrina Assmann Lücke
Arquiteta e Urbanista 
Mestra em Ambiente e Desenvolvimento 
com ênfase em Planejamento Urbano
DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43
Luz e sombra
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer o uso de luz e sombra como elemento básico para pro-
duzir volumetria
 � Definir a fonte de luz e a luz refletida dos objetos
 � Aplicar as técnicas de sombra própria e sombra projetada
Introdução
Neste capítulo, você irá estudar o conceito e a aplicação de luz e sombra 
nos desenhos. Luz e sombra são os elementos básicos para gerar o efeito 
de volume nos objetos, sem eles não é possível representar a tridimen-
sionalidade nos desenhos. 
A descoberta da utilização de claro e escuro na história da arte mo-
dificou radicalmente os parâmetros de representação que se conheciam 
até então. Na arquitetura, a luz e a sombra são basicamente elementos 
que fazem parte de sua constituição. A correta representação desses 
elementos é essencial para compreensão e apresentação dos estudos 
arquitetônicos.
Conceito de luz e sombra
Para transformar um desenho linear, bidimensional, em um desenho tridimen-
sional, é imprescindível que você utilize os efeitos de luz e sombra. Assim como 
quando observamos elementos reais, nossos olhos só conseguem distinguir 
as dimensões de profundidade. 
Caso um objeto esteja sob luz intensa por todos os lados, ficará totalmente 
iluminado e sem contraste, caso não esteja sob nenhuma fonte de luz, ficará 
completamente escuro e também não será possível perceber sua volumetria.
Ao olhar para os objetos, o que você enxerga é a reflexão da luz sobre 
as superfícies. A reflexão pode variar conforme a fonte luminosa, o tipo de 
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material das superfícies e as interferências dos demais objetos no fluxo de luz. 
As sombras visíveis representam, na verdade, a ausência de luz.
A utilização dos efeitos de luz e sombra foi a base que modificou radical-
mente a arte na história. Na arte antiga, como a dos egípcios (veja a Figura 
1), os desenhos não possuíam esses elementos na sua composição, portanto, 
o resultado eram desenhos sem profundidade, em duas dimensões e com
aparência pouco realista.
Figura 1. Ilustração egípcia em que é possível perceber a ausência de profundidade e 
variação de tons sombreados na técnica utilizada.
Fonte: Vectomart/Shutterstock.com.
No Renascimento europeu, principalmente nas obras de Leonardo da 
Vinci, começam a ser valorizados os efeitos de luz e sombra nas artes. Nesta 
época, surge o termo chiaroscuro, que significa claro e escuro em italiano. 
Esta geração de artes renomadas ficou marcada pela utilização da luz em suas 
Luz e sombra96
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obras. Leonardo da Vinci desenvolveu uma técnica conhecida como sfumato, 
que significava o tratamento das sombras sem linhas ou fronteiras, em forma 
de degrade e esfumaçadas. Essa técnica gerava um efeito bem mais leve das 
sombras na pintura e foi muito importante principalmente para as tonalidades 
em rostos. Você pode observar isso na Figura 2.
Figura 2. Monalisa, de Leonardo da Vinci. Pintura com trabalho de sombreamento usando 
a técnica sfumato.
Fonte: Oleg Golovnev/Shutterstock.com. 
Após a consolidação da importância de luz e sombra como elementos bási-
cos na arte, no século XVI, alguns artistas levaram a experiência realista da luz 
para outro nível. Durante a época Barroca, os artistas passaram a utilizar esses 
efeitos para demonstrar as emoções das cenas. O uso do contraste extremo, 
com sombras bem escuras e os pontos claros muito iluminados, geraram cenas 
97Luz e sombra
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muito expressivas. Essa tendência foi chamada de “Tenebrismo”. Observe o 
uso de luz e sombra como expressão de sentimentos de forma dramática na 
Figura 3.
Figura 3. Madona de Loreto, arte de Caravaggio (1604).
Fonte: Renata Sedmakova/Shutterstock.com.
Assim como ocorreu ao longo da história da arte, o importante ao realizar 
um desenho é buscar o equilíbrio entre os contrastes, procurando atribuir a 
volumetria real dos objetos, mas sem pesar demais. 
Luz
O primeiro passo para iniciar o trabalho de iluminação no desenho é a defini-
ção da fonte de luz. Em termos gerais, podemos considerar como fonte a luz 
Luz e sombra98
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natural (sol) ou a luz artificial (luminárias). É possível também utilizar uma 
combinação dos dois tipos de fontes, vindas de direções variadas.
Conforme o tipo e a posição da fonte de luz, as áreas claras e as sombras 
ficarão adequadas para cada situação específica. No caso de optar pelo uso 
de iluminação natural, você deve atentar para gerar uma luz mais difusa no 
ambiente, pois o índice de reflexão será maior. Excetua-se dessa situação 
casos em que a luz natural esteja adentrando o ambiente por um orifício muito 
pequeno, o que deixará a luz focada internamente. Na Figura 4 você pode 
observar exemplos de luz forte e luz difusa.
Figura 4. Demonstração dos efeitos com luz forte e luz difusa sobre os objetos.
Fonte: Ching (2012, p. 52).
A luz natural vinda do alto cria sombras paralelas aos objetos; já a luz 
artificial, que ilumina de forma focada e limitada, cria sombras divergentes. 
A observação de objetos reais sob a incidência de diversas posições e tipos de 
luz é fundamental para a compreensão e melhor aplicação desses conceitos. 
Na Figura 5 são apresentados diferentes exemplos da incidência da luz sobre 
objetos.
99Luz e sombra
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Figura 5. Exemplos de direcionamento da fonte de luz sobre os objetos.
Fonte: Ching (2012, p. 53).
Em termos gráficos, a incidência de luz é a ausência de preenchimento, ou seja, é 
importante que, quanto maior for o contraste entre as faces adjacentes no desenho, 
mais iluminada seja a parte clara. 
Luz e sombra100
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Neste momento do desenho, a orientação é demarcar a posição da fonte de 
luz, o tipo de fonte que será utilizada e traçar suavemente no desenho a direção 
que ela fará sobre os objetos. Após este lançamento, é possível avaliar os trechos 
que deverão ficar sem preenchimento, nos quais a luz incidirá diretamente. 
Já devem ser avaliados, também, os locais onde o desenho ficará sombreado. 
Além da ausência de preenchimento, é indicado utilizar a borracha para 
valorizar ainda mais as áreas claras, gerando mais contraste. No desenho, a 
borracha é tão importante quanto o lápis. Observe a iluminação da Figura 6.
Figura 6. Desenho de cena interna com iluminação artificial. Observe os trechos mais 
claros próximos às luminárias, além do formato de sombreamento resultante deste tipo 
de iluminação.
Fonte: Doyle (2002, p. 122).
101Luz e sombra
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Quando um objeto está sobre uma superfície, deve-se analisar os efeitos de reflexão 
gerados por essa superfície de apoio. O trecho do objeto que estiver próximo à super-
fície terá uma área iluminada, mesmo que seja na zona de sombreamento, em razão 
da reflexão. No exemplo da Figura 7, você pode ver que a parte inferior da esfera está 
iluminada por um degrade feito com lápis.
Figura 7. Esfera sobre superfície. A fonte de luz está posicionada em um ponto superior 
e à esquerda do objeto. 
Fonte: Egle Lipeikaite/Shutterstock.com.
Sombras
As sombrassão a representação do efeito que a iluminação gera sobre os 
objetos. Elas são fundamentais pelo delineado das formas e a representação 
de profundidade.
Existem basicamente dois tipos de sombras: as sombras próprias e as 
sombras projetadas. As sombras próprias são aquelas geradas nas próprias 
faces do objeto, seja por ausência de luz ou por interferência de outros objetos. 
As sombras projetadas consistem naquelas que o objeto produz sobre outras 
faces, como superfícies de apoio ou objetos adjacentes.
Além desses dois tipos de sombra, temos também outros elementos, como 
reflexos, luz plena e meia sombra. Os reflexos são produzidos pela incidência 
de luz em objetos ou superfícies vizinhas e tornam a sombra da face que recebe 
a luz mais clara, portanto, devem ser considerados no desenho. 
Luz e sombra102
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Já as zonas de transição entre as áreas de sombra e a as áreas iluminadas 
são chamadas de meia sombra ou meio tom. No desenho a meia sombra, esta 
deve ser representada com menos intensidade, gerando um degrade entre a 
zona clara e a sombra própria do objeto.
A presença ou não destes elementos varia muito conforme o tipo de cena, 
os objetos existentes e o tipo de iluminação. Por isso, as sombras devem ser 
avaliadas e desenvolvidas em cada situação específica. Na Figura 8 você pode 
ver exemplos de luz e sombra.
Figura 8. Ilustração que demonstra os efeitos de luz e sombra no objeto (sugestão de 
desenho para reprodução).
Para iniciar o trabalho de sombreamento, a sugestão é lançar formas ge-
ométricas simples em um papel, preferencialmente mais espesso e poroso. 
Utilize um lápis macio, o grafite 4B, por exemplo, para facilitar a graficação 
das sombras.
103Luz e sombra
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Após desenhar as formas básicas e definir o posicionamento e a direção 
da fonte de luz, você deve estudar o formato que as sombras terão nos objetos 
e as sombras projetadas. A melhor forma de compreender o funcionamento 
das sombras é iniciando com desenhos de observação, no qual o desenho será 
uma reprodução da realidade. Pratique esse exercício com os mesmos objetos 
e a fonte de luz posicionada em locais diferentes, pois, assim, será possível 
analisar o impacto que a luz gera no conjunto de objetos.
As sombras podem ser lançadas com o uso da técnica de hachuras paralelas 
e cruzadas, nas quais o escurecimento é feito utilizando linhas. Podem também 
ser feitas com movimentos circulares contínuos. 
Outra técnica bastante utilizada é o sombreamento misto, no qual se aplicam 
rabiscos de grafite sobre o papel e, em seguida, os esfumaça, utilizando os 
dedos, um papel macio ou com o auxílio de esfuminho. A ideia de esfumar 
auxilia no desenvolvimento do degrade entre as tonalidades. Caso utilize 
algum método com tracejado de linhas, elas devem ser espaçadas ao longo 
da sombra, para suavizar até chegar ao ponto de claridade total.
Você precisa estar atento para não pesar demais nas sombras, deixando o 
desenho desequilibrado. O ideal é trabalhar lentamente, sobrepondo as man-
chas para escurecer aos poucos, evitando os excessos. As sombras próprias 
tendem a ser mais claras que as projetadas, porém isso não é uma regra e deve 
ser avaliada em cada caso. Observe, a seguir, os exemplos apresentados nas 
Figuras 9, 10 e 11.
Figura 9. Desenho de figuras geométricas. Observar os pontos de claridade, sombra 
própria e sombra projetada. As sombras, especialmente as projetadas, foram esfumadas 
para uma maior uniformidade. 
Fonte: Oana_Unciuleanu/Shuterstock.com.
Luz e sombra104
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Você pode perceber, na Figura 9, que os trechos imediatos onde os objetos 
encontram na superfície de apoio possuem uma linha bem intensa de sombra, 
pois é um local que praticamente não recebe incidência de luz.
Figura 10. Cubo cujo sombreamento próprio e projetado foi feito utilizando a técnica de 
hachuras.
Fonte: Risovanna/Shutterstock.com. 
Figura 11. Croqui feito com grande contraste entre claro e escuro, gerando um desenho 
bastante expressivo. 
Fonte: Rana Hasanova/Shutterstock.com.
105Luz e sombra
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A utilização de luz e sombra nos desenhos de arquitetura é indispensável, 
pois são fundamentais para a compreensão das volumetrias e profundidades, 
além da relação entre elementos das edificações. As técnicas citadas servem 
como exercícios iniciais para o treinamento da percepção das relações entre 
claro e escuro e para desenvolver os métodos de desenho que serão mais 
adequados para cada um.
Luz e sombra106
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CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.
DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisa-
gistas e designers de interiores. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002.
Leituras recomendadas
CORTOPASSI, L. Claro-escuro. [S.l.]: Tudo sobre Pintura, 2012. Disponível em: <http://
lucianocortopassipordentrodapintura.blogspot.com.br/2012/11/claro-escuro-luciano-
-cortopassi.html>. Acesso em: 11 nov. 2017.
PORTO, G. Tenebrismo. [S.l.]: InfoEscola, c2006-2017. Disponível em: <https://www.
infoescola.com/movimentos-artisticos/tenebrismo/>. Acesso em: 12 nov. 2017.
WIKIPÉDIA. Sfumato. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/
Sfumato>. Acesso em: 12 nov. 2017. 
Conteúdo:
DESENHO 
ARTÍSTICO
Diana Lemos
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147
W133d Wagner, Juliana.
 Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes
 Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; 
 [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: 
 SAGAH, 2017.
 168 p. il. ; 22,5 cm
 ISBN 978-85-9502-241-6
 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea
 Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. 
 III.Título.
CDU 744.43
Revisão técnica:
Sabrina Assmann Lücke
Arquiteta e Urbanista 
Mestra em Ambiente e Desenvolvimento 
com ênfase em Planejamento Urbano
DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43
Desenho de observação 
e de memória
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Descrever as técnicas de desenho de linhas a mão livre com grafite,
dos elementos da forma de objetos e da arquitetura.
 � Identificar as técnicas de proporções de desenho de observação e
a mão livre.
 � Listar as aplicações dos métodos de projeções cônica e paralela.
Introdução
O desenho a mão livre é uma ferramenta valiosa para os arquitetos ur-
banistas, pois permite expressar a maioria das suas ideias rapidamente 
e de forma eficaz. Algumas pessoas criativas possuem essa habilidade, 
outras, contudo, podem desenvolvê-la. O desenho de observação e de 
memória é uma forma extraordinária de expandir essa habilidade, pois 
fortalecer a capacidade de ver e de representar, como você irá perceber. 
Neste texto, você irá assimilar as técnicas de desenho de linhas, for-
matos e proporções e os métodos de projeção, para esboçar a figura 
humana e os elementos naturais e arquitetônicos.
Técnicas de desenho de linhas e de formatos
A vantagem do desenho a mão livre é que você vai precisar de poucos ins-
trumentos (papel, lápis grafite e borracha). Objetivos mais elaborados podem 
requerer de você outras técnicas, como a utilização do carvão vegetal e dos 
creions. Contudo, aprender a desenhar uma variedade de técnicas mecânicas 
e suas teorias não é uma tarefa simples. Portanto, para começar, neste tópico, 
você vai aprender a técnica do lápis grafite e os elementos da forma e do 
espaço, apresentados não como um fim em si mesmo, mas como significado 
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para trazer subsídios para o desenho da observação, conforme a estrutura de 
conhecimento a seguir:
1. Escolher o tipo de lápis, borracha e papel para atender aos seus objetivos.
2. Aprender a desenharlinhas a mão livre.
3. Identificar os elementos da forma.
Tipos de lápis, borracha e papel
“A efetividade geral de um desenho é determinada, acima de tudo, pela quali-
dade, variedade e sensibilidade dos traços que o compõem.” (CURTIS, 2015, 
p. 3). Esta qualidade está diretamente relacionada à escolha do lápis e do papel
e em como você aplica as técnicas de desenho de observação.
Os grafites de lápis e de lapiseiras são classificados como dura, média e 
macia e suas aplicações podem ser observadas na Tabela 1.
Fonte: Adaptada de Giesecke et al. (2002).
Classificação Grafite Quando aplicar
Dura 9H/8H/7H/6H/5H/4H/ Usar quando for necessária extrema 
precisão em desenhos técnicos, pois 
as linhas tendem a ser muito claras.
Média 3H/2H/H/F/HB/B/ Usar para esboços técnicos 
e letreiros. HB e B são usados 
para desenhos a mão livre, 
para desenhar linhas finas. 
Macia 2B/3B/4B/5B/6B/7B/ Usar, essencialmente, para 
desenhos a mão livre, trabalhos 
artísticos de vários tipos e para 
detalhes em tamanho natural 
do desenho arquitetônico. 
Tabela 1. Classificação dos grafites.
As lapiseiras automáticas são fabricadas para grafites de 0,3 mm, 0,5 mm, 
0,7 mm e 0,9 mm. A primeira é adequada ao desenho técnico fino; a segunda, 
para escrever e traçar linhas finas no desenho técnico e a mão livre; a terceira, 
para uso geral no desenho a mão livre; e a de 0,9 mm, para executar linhas 
Desenho de observação e de memória50
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grossas. Associado ao lápis, você vai precisar de uma borracha macia, que é 
a borracha plástica. Por deixar muitos resíduos, você poderá precisar de um 
bigode, espanador especial para desenho, para limpar a sua superfície.
Você vai encontrar uma grande variedade de tamanhos, pesos e superfícies 
de papel. O tamanho varia segundo os formatos técnicos (A4, A3, A2, A1 e 
A0), podendo ser folhas soltas ou blocos de desenho, inclusive quadriculados. 
Você pode até mesmo criar as folhas com moldes ou grades no AutoCad e 
colocar embaixo do seu desenho, para facilitar no processo de aprendizado. 
O peso do papel está relacionado a sua constituição, por exemplo, cartolina, 
papel duplex ou tríplex, entre outros. A sua superfície perpassa do liso ao 
extremamente áspero (mais granulado), abrangendo muitas variações. Você 
deve usar a superfície lisa para o lápis grafite e a mais granulada para técnicas 
que utilizem tinta, pastel e carvão vegetal. Uma visita à papelaria pode ser 
mais elucidativa do que qualquer outra fonte de conhecimento sobre assunto.
No desenho de observação, o ideal é investir em um cavalete de artista 
durável, ainda que nem sempre seja possível carregá-lo. A correta posição 
para o desenho de observação é 90º, com o observador em pé. 
Com uma simples alteração na sua posição em relação ao objeto, você pode renovar 
o seu olhar e descansar um pouco, mas é preciso retornar à posição original, ao voltar 
a desenhar.
Desenho de linhas a mão livre
Segundo Curtis (2015), uma linha pode variar entre grossa e fina, clara e escura, 
angular e orgânica, de contornos duros e suaves, gerando uma centelha de 
energia a um desenho realizado com sensibilidade. Assim, um desenho esbo-
çado a mão livre, além de expressar um sentimento, também deve demostrar 
preocupação com a clareza e a espessura correta das linhas. 
Para esboçar linhas longas, marque suas extremidades e desenhe a linha 
mantendo o olhar na direção da marca para a qual você está movendo o lá-
pis. Repita vários traços até encontrar a precisão da linha. Se a linha estiver 
ondulada demais, você pode estar empunhando de forma equivocada o lápis 
ou estar segurando-o com muita força. Contudo, são permitidas pequenas 
51Desenho de observação e de memória
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ondulações e eventuais intervalos, desde que a linha fique em um traçado reto, 
mas não precisamente reto como no AutoCAD. Desenhe sempre as linhas 
horizontais da esquerda da direita, com um movimento natural do pulso e do 
braço e nas linhas verticais, de cima para baixo com movimentos do dedo e 
do pulso (CURTIS, 2015). 
A variação da espessura da linha representa um assunto chave no desenho 
de observação. Dada à timidez do traçado no início do aprendizado, você pode 
se esquivar de variar mais a sua espessura, mas é muito importante desenhar 
com variedade e liberdade, conforme as orientações a seguir. 
Você deve utilizar linhas finas quando forem:
 � Linhas de construção: estas devem ser muito claras, de modo que
fiquem pouco visíveis.
 � Linhas de centro: estas devem ser nítidas.
 � Linhas de prolongamento de um objeto: estas devem ser nítidas e
escuras.
Você pode aumentar a espessura da linha, quando:
 � estiver comparativamente muito mais próxima do observador;
 � estiver embaixo do objeto, para indicar peso.
“Os contornos dominam a nossa percepção do mundo visual. [...] Algumas 
destas arestas são claras, outras se perdem no plano de fundo, conforme mudam 
de cor ou de tonalidade. [...] No processo de observação, a mente acentua estas 
arestas e as vê como contornos.” (CHING, 2012, p. 17).
Você vai tender a variar a espessura da linha do contorno, mas tente ter 
em mente que seu desenho com uma linha grossa deve ser utilizado no caso 
de incidência de sombra, ou quando representa a aresta de um objeto que se 
sobrepõe a outro ou quando as arestas do objeto, de fato, variam em espessura. 
Em geral, a linha do contorno deve variar de forma uniforme em relação a 
todo desenho. Definir de três a quatro variações de linha no desenho poderá 
ajudar você a manter o equilíbrio na intensidade de utilização das linhas.
Desenho de observação e de memória52
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No capítulo “A mecânica de desenhar”, do livro Desenho de Observação, de Curtis 
(2015), você pode aprender mais sobre as técnicas de empunhadura de desenho e 
de variação de traço.
Elementos da forma de objetos e da arquitetura
Os elementos da forma são o ponto, a linha, o plano e o volume. O ponto, o 
primeiro gerador da forma, indica uma posição no espaço, e você pode adotá-
-lo para estabilizar, dominar e organizar os elementos ao seu redor, quando 
este for o elemento central da composição. Quando localizado fora do centro, 
transmite agressividade e sugere um eixo para organizar formas construídas 
por meio do estabelecimento de dois pontos (CHING, 1979).
Segundo os conceitos de Ching (1979), enquanto o ponto é estático, a linha 
descreve o caminho de um ponto em movimento, expressando uma direção ou 
um crescimento. Permite unir, circundar ou descrever arestas. A linha vertical 
expressa um estado de equilíbrio, com a força da gravidade; a linha horizontal 
representa estabilidade, o horizonte ou um corpo que repousa; e linha oblíqua 
expressa dinamismo ou uma atividade visual, como um nascer do sol. 
Ainda que o espaço arquitetônico disponha de quatro dimensões, sua 
forma tridimensional e a experiência da arquitetura, segundo o conceito de 
Zevi (1996), a sua forma pode ser linear, quando acomoda um movimento 
de percurso, como nas pontes. Elementos verticais lineares, como colunas, 
obeliscos e torres vêm sendo utilizados em larga escala na história grega, 
romana e, mais recentemente, no neoclassicismo, para comemorar eventos, 
por exemplo. 
A sua percepção do plano é sempre distorcida pela perspectiva cônica. A 
definição dos limites e as fronteiras de um volume é função do plano, sendo 
este um elemento chave no vocabulário arquitetônico, pois seu tamanho, 
sua forma, sua cor, sua textura e a relação espacial entre eles determinam 
as propriedades visuais da forma e a qualidade do espaço que ele encerra. 
Um elemento de desenho pode ser neutro ou visualmente ativo, opaco ou 
transparente e fonte de luz e de observação. Portanto, a forma da edificação 
pode ser planar, pela diferenciação dos planos verticais e horizontais, como 
projetado na Casa da Cascata de Frank Lloyd Wright, ou com variações no 
material, na cor e na textura (CHING, 1979).53Desenho de observação e de memória
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Um plano estendido ou a adição de planos compreende um volume, ele-
mento tridimensional do vocabulário arquitetônico, cujas propriedades são 
comprimento, largura e profundidade. Os principais volumes do vocabulário 
arquitetônico são a esfera, o cilindro, o cone, a pirâmide e o cubo. 
A esfera representa uma forma centralizada, concentrada e estável. O 
cilindro pode ser facilmente estendido através do seu eixo e assume uma forma 
estável, se repousa sobre uma de suas faces circulares, mas pode, também, 
se tornar instável, quando seu eixo central é inclinado. O cone, assim como 
o cilindro, é estável se apoiado sobre sua face circular e instável quando seu
eixo é descolado. Pode indicar balanço, se apoiado sobre o seu eixo vertical. A
pirâmide possui propriedades de estabilidade e de balanço como a do cilindro,
porém é estável se apoiada sobre qualquer uma de suas faces. Por fim, o cubo
dispõe de seis faces quadradas iguais, representando uma forma estática sem
aparente direção (CHING, 1979).
Para compreender seu significado na prática, busque objetos reais forma-
dos por esses elementos, buscando perceber os significados de estabilidade, 
instabilidade e balanço enunciados por Ching (1979). 
Acessando o link ou o código a seguir, do site Ar-
chDaily (FRACALOSSI, 2012, você pode visualizar 
as imagens da Casa da Cascata, de Frank Lloyd 
Wright.
https://goo.gl/LtkNhV
Desenho de observação e de memória54
DA_U1_C03.indd 54 01/12/2017 16:51:47
https://goo.gl/LtkNhV
Veja na Figura 1 três exemplos da aplicação do volume em projetos e obras arquite-
tônicas com a utilização da esfera, do cilindro e do cone.
Figura 1. Utilização da esfera, do cilindro e do cone na arquitetura.
Fonte: Ching (1979, p. 60).
Técnicas de proporções
A proporção é a relação do tamanho relativo, utilizada para comparar as di-
mensões de largura e de altura. Observar as proporções dos objetos cotidianos 
é a melhor forma de começar a desenvolver a sensibilidade à proporção. “A 
regra mais importante no desenho de observação é manter as suas proporções.” 
(GIESECKE et al., 2002, p. 60). 
Você pode desenhar a mão livre circunferências, com base em técnicas 
de proporções, apresentadas na Figura 2. Os desenhos de arcos e de elipses 
são similares ao desenho de circunferências, e o uso de gabaritos facilita o 
desenho de circunferências, arcos e de elipses de tamanhos variados. 
Você deve usar, no desenho de observação, um objeto com arestas retas e 
paralelas (uma régua ou, ainda um lápis), também chamado de instrumento 
mondriano, para estabelecer uma unidade básica de medida e uma grade 
perceptual, aproximando-se do objeto para verificar as proporções, quando 
55Desenho de observação e de memória
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necessário. Uma vez estabelecida esta unidade, você pode girar o instrumento 
em 90°, mantendo-o perpendicular a sua linha de visão e exatamente na mesma 
distância dos olhos (CURTIS, 2015).
Se preferir, você pode utilizar o objeto mondriano como mira. A tendên-
cia de você alinhar a orientação dos objetos do campo de visão pelos eixos 
cartesianos (x e y) por meio da mira é tão forte, no desenho de observação, 
que você deve alinhar seu instrumento em frente a uma parede vazia, para 
não perder o prumo. Ao realinha-lo, você evita que as suas percepções diretas 
sejam influenciadas pelo conhecimento da sua mente (CURTIS, 2015).
Figura 2. Três técnicas para desenhar circunferências.
Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 60).
Enquanto as técnicas de proporção são estimadas pelo seu campo de visão, 
as técnicas do sistema de medição modular vêm evoluindo ao longo dos sé-
culos, até se tornarem o sistema de medida métrico com o módulo de 10 cm, 
utilizado hoje como o principal sistema de medição mundial. Esse sistema foi 
adotado pela maioria dos países, já no final do século XX.
Desenho de observação e de memória56
DA_U1_C03.indd 56 01/12/2017 16:51:50
O sistema de escala teve origem no dimensionamento modular grego e 
romano. As formas geométricas de Platão e Virtrúvio (o círculo, o triângulo e 
o quadrado) eram, em tempos remotos, um sistema de medição que auxiliava
medir outras formas poligonais. Apesar de terem tido pouca aplicação para
projeto e construção, a partir deles foi desenvolvida a dimensão do pentágono
ideal, que embasou a relação matemática “áurea”. Posteriormente, o arquiteto Le
Corbusier desenvolveu uma teoria das proporções do corpo humano baseado nas
dimensões estéticas da relação “áurea”. O raio, a corda e a altura do triângulo
compuseram, também, um sistema geométrico de medição utilizado para a
construção de edificações redondas no período romano (NEUFERT, 2004).
Um dos principais desafios que você vai enfrentar é o esboço da figura 
humana completa. Ao compreender as relações da teoria de Le Corbusier sobre 
as proporções do corpo humano, você poderá se beneficiar delas na elaboração 
de croquis. Você pode utilizar, também, o cânone grego de proporções que 
subdivide o corpo em oito cabeças.
No século XX, com a industrialização, os arquitetos desenvolveram estudos 
de coordenação modular para auxiliar na construção pré-fabricada. O módulo 
era um sistema de medição para reger as superfícies e os volumes. Em 1932, 
Walter Groupius projetou uma casa modular cuja planta podia crescer por adição 
de novos volumes. A França, a partir de 1942, passou a adotar o módulo-base 
de 10 cm, ao passo que a Inglaterra, por exemplo, passou a adotar o sistema 
de quatro polegadas, a partir de 1966 (SOUSA, 2011).
Ainda que técnicas de proporção e do sistema de escala estejam intrin-
sicamente relacionadas, é importante que você consiga, a partir desse breve 
histórico, isolar o sistema de escala no momento do desenho de observação. 
O arquiteto tende a usar o conhecimento disponível na memória para sua 
elaboração, mas é preciso lembrar que no desenho de observação, você precisa 
registrar a proporção que vê, e não a que sabe. O uso constante do instrumento 
ajuda a preservar a precisão das proporções percebidas, com base no sistema 
cartesiano.
As dimensões que você sabe de memória, pode aplicar em esboços de 
projeção paralela, conforme apresentado no próximo tópico, embora não 
representem a realidade observada.
Métodos de projeção cônica e paralela
O método de projeção envolve os olhos do observador ou o ponto de vista, o 
objeto, o plano de projeção e as projetantes, também chamadas de raios visuais 
57Desenho de observação e de memória
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ou linhas de visada. Existem dois métodos de projeção: a projeção cônica e a 
paralela, e suas respectivas perspectivas e vistas você pode observar na Tabela 2.
Fonte: adaptada de Giesecke et al. (2002).
Projeção Perspectiva
Cônica Linear
Com 1 ponto de fuga
Com 2 pontos de fuga
Com 3 pontos de fuga
Aérea
Paralela
Ortogonal
1) Axonométrica Isométrica: todos os eixos se reduzem igualmente
Dimétrica: dois eixos se reduzem igualmente
Trimétrica: todos os três eixos se reduzem diferentemente
2) Oblíqua Cavaleira
Cabinet
Tabela 2. Classificação das projeções.
Nas vistas ortográficas (Figura 3), os raios visuais são paralelos entre si 
e perpendiculares ao plano de projeção (GIESECKE et al., 2002). Você pode 
utilizá-las para desenhar fachadas em esboços arquitetônicos a mão livre. 
Na projeção axonométrica (Figura 3), os raios visuais também são paralelos 
entre si e perpendiculares ao plano de projeção. Quando uma superfície é 
inclinada, em relação ao plano de projeção, aparecendo reduzida nas vistas 
principais, a perspectiva é isométrica. Nessa perspectiva, você precisa manter 
todo o desenho em proporção, mas não precisa trazer as medidas de forma 
precisa para localizar cada elemento do desenho (GIESECKE et al., 2002).
Na projeção oblíqua (Figura 3), os raios visuais são paralelos entre si e 
oblíquos ao plano de projeção. Na perspectiva cavaleira, a vista frontal doDesenho de observação e de memória58
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objeto (largura e altura) é apresentada em verdadeira grandeza, porém as 
outras superfícies aparecem em tamanho reduzido, sendo fáceis para elaborar 
esboços de objetos e de arquitetura (GIESECKE et al., 2002). “Quando as 
linhas fugantes são desenhadas com metade do seu tamanho, a perspectiva 
cavaleira há a comumente conhecida como projeção cabinet (gabinete).” 
(GIESECKE et al., 2002, p. 168).
Figura 3. Quatro tipos de representação por projeção.
Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 157).
Você vai utilizar, no desenho de observação, a perspectiva cônica (Figura 
3), cujos raios visuais convergem para o observador. Porém, você pode adotar 
a estrutura da projeção paralela em esboços a mão livre da arquitetura para 
transmitir ideias ou para transmitir eventos específicos relacionados à ela, 
como detalhes de telhados, de escadas e de esquadrias, pois refletem de forma 
proporcional suas características. São muito utilizadas em relatórios técnicos, 
para transmitir desenhos de formatos, de danos, para apoiar relatórios fotográ-
ficos, entre outros. Como você vai utilizar as técnicas de observação na sua 
59Desenho de observação e de memória
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elaboração para diferenciar do desenho de observação conceitual, você deve 
chamar os esboços pelo seu nome técnico (por exemplo, fachada ou detalhe de 
esquadria) e deve acrescentar o tipo de projeção adotada (vista ortográfica ou 
perspectiva isométrica), para caracterizar de forma adequada o seu desenho.
No Capítulo 6 de Comunicação gráfica moderna, de Giesecke et al. (2002), você pode 
aprender mais sobre as técnicas de desenho das perspectivas isométricas, cabinet e 
cavaleira.
Perspectiva cônica
Os pontos de fuga das perspectivas cônicas dependem da posição do objeto 
em relação ao plano de projeção, segundo Giesecke et al. (2002, p. 173):
Se o objeto está com uma face paralela ao plano de projeção, é necessário 
somente um ponto de fuga. [...] Se o objeto está formando um ângulo 
com o plano da perspectiva, mas com arestas verticais paralelas ao plano 
da perspectiva, são necessários dois pontos de fuga [...]. Este é o tipo mais 
comum de perspectiva cônica. Se o objeto está colocado de forma que 
nenhum sistema de arestas paralelas seja paralelo ao plano do desenho, 
são necessários três pontos de fuga. 
A Figura 4 ilustra passo a passo como fazer uma perspectiva cônica com 
um ponto de fuga, e a Figura 5 demonstra como realizar uma perspectiva 
cônica com dois pontos de fuga. 
Desenho de observação e de memória60
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Figura 4. Passo a passo para a perspectiva cônica com um ponto de fuga.
Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 173).
Figura 5. Passo a passo para a perspectiva cônica com dois pontos de fuga.
Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 175).
61Desenho de observação e de memória
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Para aperfeiçoar seus conhecimentos sobre as perspectivas cônicas com um e dois 
pontos de fuga, leia o Capítulo 15 de Desenho de observação, de Curtis (2015).
1. Os elementos da forma – ponto, 
linha, plano e volume – constituem 
o alfabeto arquitetônico. 
Analogamente, precisam ser 
compreendidos, antes da palavra 
ser formada ou de um vocabulário 
desenvolvido. Seus significados 
contêm soluções para os problemas 
de função, de propósito e de 
contexto a serem resolvidos no 
partido arquitetônico. Assinale a 
alternativa que apresenta a definição 
e a expressão correta de cada um 
destes elementos. 
a) O “ponto” indica uma posição 
no espaço, podendo expressar 
estabilidade, domínio e 
papel de organizador dos 
elementos ao seu redor.
b) A definição de “linha” é um 
ponto estendido, a linha defini 
os limites e as fronteiras de 
um volume e expressa um 
estado de desequilíbrio.
c) A “linha” não representa um 
formato arquitetônico, porque 
a arquitetura é constituída 
de quatro dimensões, sua 
forma tridimensional (largura, 
altura, profundidade) e a 
experiência arquitetônica.
d) As propriedades do “plano” 
são o comprimento, a largura 
e a profundidade, e ele 
determina como os elementos 
visuais externos ou internos 
à edificação podem ser 
observados ou apreendidos.
e) O “volume” é constituído por um 
plano estendido ou pela adição 
de mais de um plano, consiste 
em um elemento bidimensional 
do vocabulário arquitetônico e 
expressa estabilidade quando 
está apoiado sobre uma de 
suas faces, não podendo 
expressar instabilidade.
2. Um desenho esboçado a mão livre 
deve mostrar preocupação com 
proporções, clareza e espessura 
correta das linhas. Assinale a 
alternativa apresenta o momento 
em que você deve aumentar a 
espessura e a intensidade da linha no 
desenho de observação. 
a) Quando representa uma 
linha de construção.
b) Quando uma linha é 
feita embaixo do objeto, 
para indicar peso.
c) Quando representa uma 
linha de centro do objeto.
d) Quando representa uma linha de 
prolongamento de um objeto.
e) Quando representa uma linha 
de contorno do objeto.
Desenho de observação e de memória62
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3. Os desenhos de observação e os 
esboços a mão livre elaborados com 
as técnicas de proporções ajudam a 
organizar pensamentos e a registrar 
ideias. Desde os gregos, o diâmetro 
era utilizado com unidade básica 
das dimensões. Assinale a alternativa 
na qual estão apresentadas as 
técnicas corretas de proporção e 
as técnicas do sistema de medição 
modular de um objeto. 
a) A proporção é baseada nas 
formas geométricas, o círculo, 
o triângulo e o quadrado e 
no sistema de medição, você 
pode comparar várias distâncias 
usando o lápis como mira.
b) A proporção é medida 
por raio, corda e altura do 
triângulo, e o sistema de 
medição modular é baseado 
no instrumento mondriano.
c) A proporção está baseada 
nas normas de coordenação 
modular de 4 polegadas, e 
a escala pode ser estimada 
pelo nosso campo de visão.
d) A proporção é o módulo 
base de 10 cm, e o sistema 
de medição por escala pode 
ser realizado por qualquer 
instrumento reto segurado.
e) A proporção está baseada na 
referência dos eixos cartesianos 
x/y, e o sistema de medição 
por escala está baseado no 
sistema de medida métrico, 
com o módulo de 10 cm.
4. Os desenhos de perspectiva 
podem ser criados usando tanto a 
projeção cônica como a paralela. 
Assinale a alternativa que apresenta 
o tipo de perspectiva adotada 
neste esboço arquitetônico.
a) Perspectiva cavaleira.
b) Perspectiva aérea.
c) Perspectiva isométrica.
d) Perspectiva cônica com 
um ponto de fuga.
e) Perspectiva cônica com 
dois pontos de fuga.
5. Desenhos com vistas ortográficas 
tornam possível representar objetos 
complexos com precisão. Desenhos
de perspectiva são usados para 
comunicar suas ideias, podendo ser 
usados em catálogos, publicações 
e em projetos de arquitetura. 
Assinale a alternativa que apresenta 
a definição correta de cada um 
destes métodos de projeção.
a) As vistas ortográficas são 
tipos de perspectivas, já que 
mostram vários lados dos 
objetos em uma única vista.
b) Na projeção axonométrica, os 
raios visuais são paralelos entre si 
e oblíquos ao plano de projeção.
c) Na perspectiva isométrica, as 
superfícies de um objeto tem 
um tamanho reduzido, porque 
as projeções são oblíquas.
d) Somente na projeção cônica as 
retas projetantes convergem 
para um ou mais pontos de fuga, 
já a vista ortográfica, a projeção 
axonométrica e a projeção 
oblíqua usam projeção paralela.
e) Na projeção oblíqua, os raios 
visuais convergem para um 
ou mais pontos de fuga, 
para gerar a visão oblíqua.
63Desenho de observação e de memória
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CHING, F. Architecture: form, space and order. New York: Van Nostrand Reinhold, 1979.
CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. 
CURTIS, B. Desenho de observação. 2. ed. Porto Alegre: McGraw-Hill, 2015.
FRACALOSSI, I. Clássicos da arquitetura:Casa da Cascata / Frank Lloyd Wright. Santiago: 
ArchDaily, 2012. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/01-53156/classicos-
-da-arquitetura-casa-da-cascata-frank-lloyd-wright>. Acesso em: 29 out. 2017.
GIESECKE, F. E. et al. Comunicação gráfica moderna. Porto Alegre: Bookman, 2002.
NEUFERT, E. Arte de projetar em arquitetura: princípios, normas, regulamentos sobre 
projeto, construção, forma, necessidades e relações espaciais, dimensões de edifícios, 
ambientes, mobiliário, objetos. 17. ed. Barcelona: Gustavo Gili, 2004.
SOUSA, V. H. B. de. Arquitectura, sustentabilidade e coordenação modular: desen-
volvimento de sistema construtivo modular. 2011. Dissertação (Mestrado em 
Engenharia Civil e Arquitetura)–Universidade da Beira Interior, Covilhã, 2011. Dis-
ponível em: <https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/2251/2/Vitor%20Sousa_
Disserta%C3%A7%C3%A3o.pdf>. Acesso em: 09 set. 2017.
ZEVI, B. Saber ver a arquitetura. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
Desenho de observação e de memória64
DA_U1_C03.indd 64 01/12/2017 16:52:00
http://www.archdaily.com.br/br/01-53156/classicos-
https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/2251/2/Vitor%20Sousa_
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Conteúdo:
DESENHO 
ARTÍSTICO
Juliana Wagner
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147
W133d Wagner, Juliana.
 Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes
 Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; 
 [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: 
 SAGAH, 2017.
 168 p. il. ; 22,5 cm
 ISBN 978-85-9502-241-6
 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea
 Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. 
 III.Título.
CDU 744.43
Revisão técnica:
Sabrina Assmann Lücke
Arquiteta e Urbanista 
Mestra em Ambiente e Desenvolvimento 
com ênfase em Planejamento Urbano
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Croquis – técnicas e 
materiais diversos
Introdução
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Aplicar proporções e componentes para as cenas.
 � Praticar a técnica de croqui em perspectivas com pontos de fuga.
 � Identificar os materiais mais adequados para a produção de croquis.
Introdução
Neste capítulo, você irá estudar sobre técnicas e materiais para a produção 
de croquis.
A palavra croqui, do francês croquis, significa esboço. Os croquis são 
uma forma de desenho muito utilizadas pelos arquitetos, pois tratam-se 
de formas rápidas de desenho para representar ideias gerais sobre algum 
conceito de projeto. São desenhos normalmente com bastante expressão 
e pouco refinamento, apesar de alguns serem extremamente detalhados.
O principal objetivo é utilizar-se da liberdade do desenho à mão 
para gerar formas que, futuramente, serão desenvolvidas de maneira 
mais técnica.
São muito úteis para expor propostas de conceito para aprovação do 
cliente, para posteriormente seguir aos detalhamentos. Nessas situações, 
são muito importantes em razão de sua característica visual e por ser de 
fácil entendimento para maioria das pessoas.
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Proporções e componentes
Os croquis são desenhos de expressão livre, que servem para representar 
ideias. Para a correta compreensão do desenho, é importante você considerar 
alguns elementos que compõem a cena. Além disso, existem pontos a avaliar 
na hora de produzir o desenho para que ele seja harmônico e equilibrado. 
Proporção
É imprescindível que o desenho tenha proporções adequadas, mesmo que a 
produção do croqui seja feita sem a utilização de uma escala e medidas exatas. 
Para isso, é importante estabelecer a proporção entre os volumes da cena, de 
forma a não prejudicar o entendimento do conjunto.
Uma maneira bastante simples de fazer isso é definindo uma medida 
base, logo no início do desenho, que será replicada em todo o restante. Por 
exemplo, marcar um ponto que você deseja que represente 1 metro de altura. 
Se o volume a ser representado tiver uma altura de 3 metros, você replicará 3 
vezes este mesmo trecho de marcação estipulado. Na largura, faça o mesmo 
procedimento, por exemplo, se a parede tiver 4 metros, replique 4 vezes a 
marcação. Veja um exemplo desse conceito de proporção na Figura 1.
A proporção no desenho é essencial para que seja o mais semelhante possível ao que 
será desenvolvido no projeto detalhado, mantendo assim uma coerência com entre 
o croqui e o projeto final.
Croquis – técnicas e materiais diversos66
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Figura 1. Exemplo de marcação simulada de medidas – 3 na altura e 4 na largura.
Componentes
Os componentes especiais da cena também são uma maneira de representar 
a proporção do conjunto. Esses componentes podem se tratar de mobiliários 
urbanos, pessoas, carros, árvores, etc. 
Esses elementos servem de referência para as dimensões das edificações 
representadas. Como croquis possuem pouco detalhamento, é importante 
inserir componentes de conhecimento comum.
Por exemplo, se temos um volume de um prédio graficado da mesma forma 
em dois desenhos distintos, a maneira mais simples de compreender o quanto 
esse prédio impacta no espaço urbano é utilizando a inserção de pessoas, 
árvores e carros, entre outros, conforme você pode observar na Figura 2.
67Croquis – técnicas e materiais diversos
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Figura 2. Exemplo de dois prédios desenhados de forma similar; o que difere a proporção 
entre eles são as árvores e a escala humana do croqui.
A escala humana no croqui auxilia em outras questões. Quando tratamos 
de desenho urbano, o posicionamento das pessoas na cena demonstra os 
locais de público e circulações, por exemplo, conforme apresentado na 
Figura 3.
Figura 3. Croqui com elementos de paisagismo e componentes, auxiliando na percepção 
do espaço.
Fonte: Leggitt (2004, p. 13).
Croquis – técnicas e materiais diversos68
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Ao incluir vegetação em seus croquis, tome cuidado para que as árvores não cubram 
as edificações (a não ser que seja esta sua intenção). Quando o objetivo é valorizar 
os prédios que estão por trás, o ideal é desenhar as árvores de modo que fiquem o 
mais “transparentes” possível. Uma maneira de fazer isso é desenhando a copa com 
folhagem rala, trabalhando mais o tronco e os galhos. Pode ser feito também somente 
o contorno da copa, deixando a parte central sem preenchimento. No caso de colorir, 
a sugestão é utilizar canetas hidrocor que fiquem translúcidas.
Perspectiva com pontos de fuga
Existem diversas técnicas para desenhar um croqui em perspectiva. Na técnica 
que utiliza pontos de fuga, é possível usar um, dois, três ou até mais pontos de 
fuga. Para iniciantes, entretanto, é recomendado começar pela utilização de 
apenas um ponto, até dominar bem a técnica. Você pode começar a praticar 
com base nos seguintes passos:
 � Definir a linha do horizonte: um dos primeiros passos é definir a li-
nha base do horizonte, conforme Figura 4. Esta linha será a base de 
referência do desenho.
Figura 4. Definição da linha do horizonte do desenho.
69Croquis – técnicas e materiais diversos
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 � Marcar a altura do observador e o ponto de fuga: a altura do observador 
se trata do alinhamento que será a visualização do desenho, a altura
que estamos enxergando a cena. Pode ficar sobre a linha do horizonte. 
 � O próximo passo é escolher o local do ponto de fuga. Esse ponto é
fundamental, pois será o local para onde todas as linhas da perspectiva 
irão convergir. Caso o ponto fique centralizado no desenho, ambos os 
lados da perspectiva terão a mesma visualização, observe a Figura 5. 
Caso você posicione mais para algum dos lados, a lateral mais próxima 
ao ponto de fuga ficará mais acumulada na perspectiva,e a outra terá 
melhor visualização. Esta escolha depende do que se deseja valorizar 
no croqui.
Figura 5. Definição da altura do observador e do ponto de fuga.
 � Traçar as linhas de perspectiva: uma maneira simples de iniciar o de-
senho é traçando as linhas bases da perspectiva, todas migrando para o 
ponto de fuga, conforme demonstrado na Figura 6. Conforme o número 
de elementos que tiver na cena, podem ser utilizadas inúmeras linhas 
de apoio.
Croquis – técnicas e materiais diversos70
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Figura 6. Traçado base das linhas iniciais de perspectiva.
 � Lançar as linhas do croqui: após o lançamento das linhas base, você
pode iniciar o traçado dos elementos do desenho. O importante é sem-
pre analisar se as faces serão paralelas ou perpendiculares à linha do 
horizonte. No caso das faces paralelas, elas devem ser desenhadas 
sempre horizontalmente ao papel, sem levar em direção ao ponto de 
fuga. Já as faces perpendiculares devem ser desenhadas com as linhas 
convergindo e encontrando o ponto de fuga.
Siga esta diretriz até completar as volumetrias do desenho. Após isso, 
finalize o desenho como desejar. Observe o exemplo nas Figuras 7 e 8.
71Croquis – técnicas e materiais diversos
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Figura 7. Traçado dos elementos a serem representados no croqui, observando as faces 
paralelas e perpendiculares à linha do horizonte.
Figura 8. Finalização do croqui.
Croquis – técnicas e materiais diversos72
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Materiais para croqui
Os croquis são desenhos livres e com expressão própria de cada arquiteto. A 
abstração necessária para desenvolver esse tipo de desenho também reflete 
na escolha de materiais. Conforme o tipo de impressão que o arquiteto deseja 
expor no trabalho, ele deve optar por determinado material que atenda a 
essas necessidades. O croqui pode ser feito tanto em um guardanapo como 
em um papel nobre. O que importa, na realidade, é que o desenho transmita 
a informação almejada.
Um material de graficação que é muito utilizado para fazer croquis é o 
lápis. Sua diversidade de graduações de grafite varia conforme a maciez. 
Outros materiais adequados para este uso são as canetas nanquim, de várias 
espessuras, e o carvão comprimido.
Em algumas situações, a intenção do arquiteto é fazer um lançamento 
inicial de volumetria, rápido, sem preocupações com detalhamentos. Neste 
caso, o recomendado é utilizar lápis mais macios, como 6B ou 8B, por exemplo, 
ou então os blocos de carvão comprimido. Observe um exemplo de croqui 
rápido na Figura 9.
Figura 9. Exemplo de croqui rápido para demonstrar volumetria da casa.
Fonte: Slavo Valigursky/Shutterstock.com. 
Neste tipo de desenho, que requer menos refinamento, a opção de papel 
a ser utilizado é muito ampla. Pode ser realizado em papel jornal, sulfite, 
73Croquis – técnicas e materiais diversos
DA_U2_C04.indd 73 01/12/2017 16:52:07
canson ou até mesmo papel manteiga. Sempre lembrando que os papéis finos 
são mais frágeis, rasgam com mais facilidade e o desenho fica com uma 
aparência mais simples.
Se você for colorir um desenho feito desta forma, deverá ter mais cuidado 
na escolha do papel. Normalmente, os arquitetos, neste tipo de croqui rápido, 
quando é o caso de colorir, optam por pincelar cores em apenas alguns pontos 
de realce do desenho. Para isso, podem ser utilizadas as canetas hidrocor, que 
dão um efeito translúcido se passadas levemente sobre o papel. Outra opção é 
trabalhar com focos de aquarela no croqui, que podem ser gerados utilizando 
lápis aquarelável. 
Nestes dois casos de desenho a cores, o mais indicado é utilizar um papel 
com maior capacidade de absorção de tinta, como o canson. Se o objetivo é um 
desenho em papel manteiga ou vegetal, a caneta hidrocor pode ser aplicada no 
verso da folha, gerando um efeito interessante ao desenho. Veja um exemplo 
de croqui colorido na Figura 10.
Figura 10. Exemplo de croqui com traços e coloração simplificada.
Fonte: Mike Demidov/Shutterstock.com. 
Croquis – técnicas e materiais diversos74
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Já em um croqui mais detalhado, o mais adequado é utilizar grafites um 
pouco menos macios ou então caneta nanquim, que são muito usadas nessas 
situações. A importância de ter uma ponta mais firme se deve à precisão neces-
sária para trabalhar nos detalhes, conforme você pode observar na Figura 11. 
Figura 11. Exemplo de croqui com bastante detalhamento.
Fonte: Doyle (2002, p. 44)
Neste tipo de desenho, quando colorido, o efeito também pode ser mais 
trabalhado. A utilização de lápis de cor sempre é uma boa opção, pois possui 
uma variedade muito grande de cores permite pintar elementos menores, como 
você pode ver na Figura 12. As canetas hidrocor também são adequadas, porém 
como muitas vezes possuem pontas mais largas, deve-se ter mais cuidado na 
hora de preencher o desenho.
Sobre o papel, o ideal é utilizar um material mais resistente, como um sulfite 
de maior gramatura ou papel canson. Existem também outras variações de 
papéis especiais para desenho e aquarela, de diversas composições e valores.
75Croquis – técnicas e materiais diversos
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Figura 12. Croqui à lápis com valorização da área a ser reformada da fachada.
Fonte: Doyle (2002, p. 44)
Confira mais informações sobre técnicas de desenho a cores no livro Desenho a Cores 
(DOYLE, 2002).
Os croquis são ferramentas essenciais para testar soluções de projeto e 
apresentar propostas aos clientes. Eles representam uma expressão muito 
particular do arquiteto, portanto, o resultado final varia muito de pessoa para 
pessoa. Os materiais a serem utilizados também dependem totalmente da 
impressão que o desenho pretende passar, além da afinidade que o arquiteto 
possui com os materiais escolhidos.
A dica é testar técnicas e materiais para encontrar o que funciona melhor 
para você, em cada situação. Pratique bastante!
Croquis – técnicas e materiais diversos76
DA_U2_C04.indd 76 01/12/2017 16:52:13
1. Os croquis representam:
a) a versão final do projeto, 
contendo bastante expressão 
e precisão métrica.
b) a escala humana a partir 
do qual formulamos toda 
proporção urbana.
c) o partido geral do projeto, 
em que o objetivo é gerar 
a representação inicial 
das ideias dentro das 
proporções adequadas.
d) um esboço feito em 
três dimensões, sem as 
proporções exatas, utilizando
softwares como Autocad.
e) a linha horizontal que simula 
todas as medidas a partir do 
qual o desenho é feito.
2. Podemos considerar que a proporção 
e os componentes juntos compõem:
a) os elementos básicos que 
queremos representar no croqui.
b) elementos inseridos 
exclusivamente por programas 
de projeção em três 
dimensões, inseridos somente 
na finalização do projeto.
c) a representação de tamanho 
das edificações em relação aos 
demais componentes urbanos.
d) as linhas base a partir do 
qual podemos fazer todos 
os elementos do croqui.
e) um conjunto opcional de 
objetos utilizados com o 
objetivo de adornar o croqui.
3. Sobre como os croquis são criados, 
assinale a alternativa correta. 
a) Com o auxílio de instrumentos 
de desenho técnico, que depois 
irá compor a edificação com 
elementos que representem 
as devidas dimensões 
da edificação criada.
b) Com objetivo único de esboçar o 
entorno a volta do qual a futura 
edificação será construída.
c) Quando é necessário fazer um 
levantamento dos modelos 
de edificação que teremos a 
volta do local onde a futura 
edificação será construída.
d) Quando o projeto ainda não 
está em fase de execução 
e queremos acompanhar a 
evolução da edificação.
e) À mão livre, quando é necessário 
representar as ideias iniciais 
dentro da proporcionalidade 
adequada da futura edificação 
em relação ao ambiente 
onde será alocada.
4. Complete a frase 
___________________ 
são considerados modos de 
________________. Assinale
a alternativa que apresenta 
a resposta correta.a) Crianças e árvores – auxiliar no 
entendimento da proporção 
das edificações em relação 
aos demais objetos presentes 
no espaço urbano.
b) Carros e nuvens – complementar 
os espaços livres do projeto.
c) Pessoas e animais – deixar a 
representação gráfica correta 
aos olhos dos profissionais 
da área de arquitetura.
d) Semáforos e animais – 
representar o impacto que 
77Croquis – técnicas e materiais diversos
DA_U2_C04.indd 77 01/12/2017 16:52:21
uma edificação tem no 
trânsito e na natureza.
e) Crianças e árvores – deixar a 
representação gráfica mais 
próxima dos parâmetros 
estéticos preconizados a partir 
da técnica de ornamentação.
5. Quando falamos em ponto de fuga 
em um croqui, é preciso lembrar que:
a) é importante que, no croqui, 
pelo menos um ponto de fuga 
seja inserido, pois desse modo 
é possível inserir o desenho 
na perspectiva correta.
b) é necessário inserir, no mínimo, 
três pontos de fuga para 
que o desenho apresente 
representação adequadas 
dos elementos criados.
c) deve ser sempre a primeira 
linha desenhada, pois é 
ela que delimita a 
visão horizontal.
d) é a representação final 
do vetor das oito linhas 
que sempre devem ser 
traçadas quando precisamos 
centralizar o desenho.
e) só é necessário inseri-la 
quando estamos 
representando edificações
de grande porte.
DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisa-
gistas e designers de interiores. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002.
LEGGITT, J. Desenho de arquitetura: técnicas e atalhos que usam tecnologia. Porto 
Alegre: Bookman, 2004.
Leituras recomendadas
GOUVEIA, A. P. S. O croqui do arquiteto e o ensino do desenho. 1998. Tese (Doutorado)–
Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.
PAIXÃO, L. 10 dicas para criar bons croquis. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https://
www.aarquiteta.com.br/blog/desenhos/10-dicas-para-criar-bons-croquis/>. Acesso 
em: 20 out 2017.
PEREIRA, A. P. M.; GOMES, M.; FONSECA, G. A. O croqui e suas técnicas. In: INTERNA-
TIONAL CONFERENCE ON GRAPHICS ENGINEERING FOR ARTS AND DESIGN, 6., 2005, 
Recife. Anais... Recife: ABEG, 2005. Disponível em: <http://www.lematec.net.br/CDS/
GRAPHICA05/artigos/pereiragomesfonseca.pdf>. Acesso em: 18 out. 2017. 
Croquis – técnicas e materiais diversos78
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http://www.aarquiteta.com.br/blog/desenhos/10-dicas-para-criar-bons-croquis/
http://www.lematec.net.br/CDS/
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Conteúdo:
DESENHO 
ARTÍSTICO
Juliana Wagner
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147
W133d Wagner, Juliana.
 Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes
 Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; 
 [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: 
 SAGAH, 2017.
 168 p. il. ; 22,5 cm
 ISBN 978-85-9502-241-6
 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea
 Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. 
 III.Título.
CDU 744.43
Revisão técnica:
Sabrina Assmann Lücke
Arquiteta e Urbanista 
Mestra em Ambiente e Desenvolvimento 
com ênfase em Planejamento Urbano
DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43
Texturas – hachuras, 
pontilhismo, manchas
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Aplicar hachuras para preenchimento de desenhos.
 � Praticar o pontilhismo como técnica de desenho.
 � Utilizar manchas para realçar volumes e formas.
Introdução
Neste capítulo, você irá estudar a utilização de técnicas de desenho 
chamadas de texturas. As texturas servem para trazer mais expressão ao 
desenho. Podem gerar efeitos de volumetria, sombreamento e acaba-
mentos variados no desenho. Ao traçarmos as linhas bases do desenho, 
gerarmos os contornos das formas, contudo, mesmo existindo técnicas 
que tornam o desenho mais interessante nos contornos, o preenchimento 
é muito importante para o efeito de percepção geral dos elementos. 
A variação de tonalidades comunica luz e sombra, além de realçar 
as formas. Portanto, você verá algumas das técnicas de combinação de 
traços que atribuem essa aparência tátil, que conhecemos como textura.
Hachuras
As hachuras são uma técnica de desenho utilizada para realçar volumes e 
sombras dos objetos, mas também podem ser usadas para criar diferentes 
tonalidades entre as faces. A aplicação é baseada em linhas paralelas ou 
cruzadas, que são desenhadas com distâncias, direções e espessuras variadas. 
Além disso, você pode trabalhar com hachuras de movimentos circulares.
O conceito da hachura é o de trabalhar na variação de espessura, quantidade 
e espaçamento das linhas que, dependendo de como forem lançadas, resultarão 
DA_U2_C05.indd 79 01/12/2017 16:59:14
em diferentes efeitos de tonalidade e sombras, enfatizando partes específicas 
das formas. As linhas devem seguir o formato do objeto para limitar a forma. 
Hachuras paralelas
As hachuras paralelas consistem em linhas traçadas em uma direção constante, 
buscando o paralelismo entre as linhas. Os traços podem ser muito variados, 
sendo curtos ou longos, mais espessos ou finos, feitos à mão ou com o auxílio 
de uma régua, conforme você pode observar na Figura 1. O desenho pode 
ser feito utilizando lápis ou canetas, como a nanquim por exemplo. Os papéis 
podem ser tanto os mais lisos (sulfite e manteiga) como os mais ásperos, 
gerando efeitos diferentes.
Figura 1. Exemplos de hachuras paralelas em diferentes direções, densidades e espessuras.
Fonte: stasia_ch/Shutterstock.com.
Durante o traçado, o ideal é tentar controlar a velocidade e o peso da mão 
para que as linhas fiquem com a mesma tonalidade, gerando uma hachura 
Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas80
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mais uniforme. Quanto mais peso se destinar à mão na hora de desenhar, mais 
fortes ficarão as linhas. Observe os exemplos da Figura 2.
Figura 2. Desenho de edificação com a técnica de hachura. Ao lado, exemplos de hachuras.
Fonte: Ching (2012, p. 43).
Quando a intenção for deixar as arestas bem marcadas, uma maneira de 
fazer isso é posicionando o lápis ou a caneta nesta aresta, fazendo uma leve 
pressão ao iniciar a linha e, depois, traçando rapidamente. Dessa forma, a linha 
ficará mais forte no início e irá suavizando em direção ao final.
81Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas
DA_U2_C05.indd 81 01/12/2017 16:59:16
Para ter mais informações a respeito dessas técnicas, consulte o livro Desenho para 
Arquitetos, de Francis D. K. Ching (2012).
Hachuras cruzadas
As hachuras cruzadas consistem na utilização de linhas em duas ou mais 
direções, sobrepostas, para criar variações de tonalidades. As linhas podem 
ser em direções diagonais ou ortogonais, conforme demostrado na Figura 3.
Figura 3. Exemplos de aplicação de hachuras cruzadas. Nos cubos, você pode ver que 
a hachura cruzada gerou tons bem mais escuros, demonstrando sombreamento. Nos 
estudos ao lado, é possível observar hachuras cruzadas em diagonal, ortogonais e com 
sobreposição de direções.
Fonte: Ching (2012, p. 44).
Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas82
DA_U2_C05.indd 82 01/12/2017 16:59:16
As hachuras são utilizadas também nos desenhos técnicos de arquitetura, aplicadas 
especialmente nos cortes das edificações para demonstrar paredes e seções que estão 
cortadas no desenho. Este uso facilita a compreensão dos materiais e a diferenciação 
dos elementos que estão sendo apresentados em vista ou em corte.
A principal diferença da hachura cruzada em relação à paralela é que esta 
permite uma variação bem maior de tonalidades, uma vez que podem ser 
feitas sobreposições em diversas direções e camadas, o que torna a variação 
de tonalidades infinita, como demonstrado na Figura 4.
Figura 4. Desenho de mobiliários com sombreamento em hachuras. 
Fonte:Katunina/Shutterstock.com.
83Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas
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Hachuras com movimentos circulares
As hachuras circulares seguem as mesmas premissas das técnicas de hachuras 
apresentadas anteriormente, porém, consistem em traços mais orgânicos e 
aleatórios. Os traços são feitos em ondas para preencher os espaços, gerando 
um desenho com mais movimento.
Assim como nos demais tipos de hachuras, você deve observar a pressão 
do lápis ou caneta no papel e a densidade das linhas, sempre cuidando para 
não pesar demais o desenho. Os locais com ondas mais próximas ficarão 
mais escuros, e ondas maiores e mais espaçadas apresentarão um efeito mais 
iluminado. Observe os exemplos da Figura 5.
Figura 5. Alguns tipos de hachuras com movimentos circulares.
Fonte: Ching (2012, p. 45).
Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas84
DA_U2_C05.indd 84 01/12/2017 16:59:18
Esta técnica pode ter inúmeras aplicações na arquitetura, conforme de-
monstrado na Figura 6. Nos desenhos de edificação, pode gerar um desenho 
bastante autoral, com variações próprias do arquiteto. Uma utilização interes-
sante é para o desenho de vegetação, pois as formas das árvores ficam bem 
representadas usando esses tipos de hachuras orgânicas.
Figura 6. Exemplos de aplicação de hachura com movimento circular na arquitetura e 
vegetação.
Fonte: Ching (2012, p. 45).
Pontilhismo
O pontilhismo é uma técnica que consiste na utilização de pequenos pontos ou 
manchas arredondadas que, aplicadas justapostas no papel, geram um efeito 
visual de preenchimento. Essa técnica ficou conhecida por meio dos pintores 
franceses Paul Signac e Georges Seurat, no século XIX.
O efeito é uma espécie de ilusão, pois o olho humano tende a fundir os 
pontos isolados da figura, formando um desenho único.
85Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas
DA_U2_C05.indd 85 01/12/2017 16:59:18
A variação do efeito é gerada pela mudança de espessura e espaçamento dos 
pontos. Quanto maior for a densidade, mais escuro e fechado ficará o desenho. 
Em uma densidade menor de pontos, teremos um efeito mais iluminado e mais 
difuso. Observe essas diferenças na Figura 7.
Uma opção interessante, e a mais utilizada, que o pontilhismo gera é o 
desenvolvimento do desenho sem a utilização de linhas de contorno. As bordas 
das figuras ficam definidas pela configuração dos pontos nas extremidades, 
delimitando as formas.
Figura 7. Exemplo de aplicações do pontilhismo com variações de densidade.
Fonte: Artishok/Shutterstock.com.
O pontilhismo pode ser aplicado utilizando graficação na cor preta, o que 
gera variações simulando tons de cinza. Outra forma de aplicar a técnica é 
por meio do uso de cores. Os pintores impressionistas utilizavam o recurso 
de aplicar duas cores diferentes justapostas nos pontos, gerando, em ilusão 
de ótica, uma terceira cor. 
Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas86
DA_U2_C05.indd 86 01/12/2017 16:59:19
Assim, o espectro de cor ampliava, infinitamente, sem depender apenas 
dos pigmentos disponíveis.
Aplicação
Para iniciar a aplicação de pontilhismo nos desenhos, você pode seguir um 
passo a passo básico, conforme os itens a seguir:
 � Desenhe sobre um papel, utilizando lápis, o contorno base do objeto
para servir de linha guia. O objetivo de usar lápis é para que possa ser
apagado no final.
 � Lance pontos sobre o contorno feito a lápis, espaçados e com distância
regular. Os materiais mais adequados para fazer os pontos são canetas
como nanquim ou hidrocor, pois o importante é que transfira facilmente 
a tinta para o papel, não tornando o processo mais trabalhoso.
 � Avalie quais os trechos do desenho que devem receber um maior som-
breamento, já pensando onde seria a posição da fonte de luz. Dessa
forma, você pode estudar os locais que, sombreados ou iluminados, 
reforçarão a ideia de volume dos objetos. Por exemplo, em um objeto 
posicionado sobre uma superfície, se considerarmos que temos uma 
fonte de luz superior, a parte do objeto que fica próxima à superfície de 
apoio deverá ficar mais sombreada. Nesse caso, esses locais sombreados 
devem receber uma densidade bem maior de pontos do que na parte 
superior do objeto.
 � Preencha os locais que foram definidos a serem sombreados com mais
pontos, escurecendo essas zonas. Aumente a densidade de pontos aos
poucos, gerando, assim, as zonas escurecidas. Isso trará volumetria 
ao desenho. 
 � Apague as linhas de base feitas a lápis após a secagem da tinta.
 � Veja um exemplo do uso da técnica de pontilhismo na Figura 8.
87Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas
DA_U2_C05.indd 87 01/12/2017 16:59:19
Figura 8. Representação de cubos em pontilhismo, em que é possível avaliar como a 
densidade de pontos gera efeitos muito variados nas faces dos cubos, trazendo a sensação 
de volumetria.
Fonte: Login/Shutterstock.com.
Esta técnica é utilizada para criar desenhos bastante expressivos, portanto 
o arquiteto pode utilizar este meio para apresentar propostas impactantes e 
lúdicas ao cliente, conforme exemplo da Figura 9.
Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas88
DA_U2_C05.indd 88 01/12/2017 16:59:20
Figura 9. Colunas de edifício com iluminação representadas em pontilhismo. Nesta ilustração, 
a técnica gerou um efeito quase realista.
Fonte: ESB Essentials/Shutterstock.com.
O pontilhismo é uma técnica bastante utilizada para a ilustração científica 
na biologia. Como os desenhos de animais e plantas precisam ser bastante 
detalhados e precisos, o pontilhismo permite que a ilustração não fique tão 
carregada, com linhas duras, suavizando contornos e preenchimentos, con-
forme apresentado na Figura 10.
89Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas
DA_U2_C05.indd 89 01/12/2017 16:59:21
Figura 10. Desenho de um peixe com a utilização da técnica de pontilhismo.
Fonte: arvitalyaa/Shutterstock.com. 
Manchas
As manchas no desenho são utilizadas basicamente para desenvolver a 
volumetria dos objetos na imagem. Por meio do sombreamento, você pode 
definir as partes da figura que estão mais profundas, mais próximas, mais 
escuras, etc.
O sombreamento faz o desenho feito com linhas se transformar de uma 
figura bidimensional para uma tridimensional. A técnica para utilização de 
manchas é bastante variada, e pode ser feita com a utilização de lápis, de 
preferência com grafites macios, canetas, além de outros instrumentos. 
O mais importante para a aplicação da técnica, assim como nas demais 
técnicas de texturas, é a compreensão das zonas dos objetos que devem ser 
escurecidas ou mantidas claras. Em uma cena com diversos objetos, a ten-
dência é que os trechos mais escuros sejam percebidos como mais distantes, 
e os mais claros, como mais próximos. A diferença de tonalidade é utilizada 
também para estabelecer limites entre uma forma e outra, criando arestas 
visuais. Observe exemplos de manchas na Figura 11.
Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas90
DA_U2_C05.indd 90 01/12/2017 16:59:23
Figura 11. Modelagem de formas básicas por meio de sombreamento.
Fonte: Ching (2012, p. 48).
As manchas podem ser aplicadas em diversas direções e com diversas 
técnicas. Podem ser lançadas de forma mais marcada, com linhas e riscos, 
ou ser mais difusas. Uma forma de aplicar manchas mais difusas é com o uso 
de grafites macios, esfumaçando levemente com os dedos ou com o auxílio 
de um esfuminho. 
Observe os exemplos das Figuras 12 e 13 para perceber a variedade de 
aplicações nos desenhos de formas e arquitetura. 
Figura 12. Croqui de cidade com a utilização da técnica de manchas para preenchimento 
dos desenhos.
Fonte: Canicula/Shutterstock.com. 
91Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas
DA_U2_C05.indd 91 01/12/2017 16:59:24
As texturas são elementos altamente recomendáveis para os desenhos, pois 
representam de forma expressiva a volumetria dos objetos. O ideal é descobrir 
a técnica com a qual você tenha mais afinidade, lembrando que a aplicação 
requer paciência e atenção aodesenho. 
Figura 13. Exemplo de desenho de rosto com e sem aplicação de textura de manchas. 
Neste exemplo, fica bastante clara a diferença entre o desenho somente com o traçado de 
linhas e após o sombreamento. A face ganhou volumetria, ressaltando os pontos iluminados 
e escurecendo as partes mais profundas do rosto e do tecido.
Fonte: Ching (2012, p. 48).
Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas92
DA_U2_C05.indd 92 01/12/2017 16:59:25
1. Observe a figura a seguir e assinale 
a alternativa que apresenta 
o tipo de técnica de texturas 
para desenho utilizada.
Fonte: fatbob/Shutterstock.com.
a) Hachuras circulares.
b) Pontilhismo.
c) Hachuras paralelas.
d) Hachuras cruzadas.
e) Manchas.
2. Nas hachuras com movimentos 
circulares, os desenhos são feitos 
utilizando-se ondas para preencher 
o espaço. Qual o efeito obtido por 
meio dessa técnica? 
a) Profundidade.
b) Movimento.
c) Densidade.
d) Ondulação.
e) Detalhes.
3. O pontilhismo é uma técnica que 
pode ser usada em desenhos 
arquitetônicos com o intuito 
de impressionar o cliente 
com propostas impactantes 
e lúdicas. Para variar o efeito 
de preenchimento entre mais 
escuro e mais difuso nessa 
técnica, é necessário:
a) mudar a cor do grafite 
utilizado nos pontos.
b) intensificar a pressão 
aplicada sobre o lápis.
c) variar o espaçamento 
entre os pontos. 
d) seguir à risca o contorno 
inicial.
e) esfumar os traços 
com um instrumento 
chamado esfuminho.
4. Para representar, de forma 
expressiva, a volumetria 
dos objetos em desenhos 
arquitetônicos, ressaltando os 
pontos iluminados e escurecendo 
as partes mais profundas do 
objeto, qual das seguintes 
técnicas é recomenda? 
a) Pontilhismo.
b) Manchas.
c) Hachuras paralelas e 
cruzadas.
d) Hachuras circulares.
e) Impressionismo.
5. Com a técnica de pontilhismo, 
é possível criar desenhos sem 
utilizar as linhas de contorno. 
Entre os materiais citados a 
seguir, qual é o instrumento 
de desenho mais indicado para 
graficar os pontos nesta 
técnica?
a) Régua.
b) Esfuminho.
c) Caneta.
d) Borracha.
e) Papel.
93Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas
DA_U2_C05.indd 93 01/12/2017 16:59:26
CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.
Leituras recomendadas
ARQUITETURA E DESENHO. Aula 03: desenho de hachura e degradês - fundamentos 
do desenho para arquitetura e design. [S.l.]: YouTube, 2017. 1 vídeo. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=nmcMpaDjSSc>. Acesso em: 07 nov. 2017.
DESENHEIROS. Hachura. [S.l.], 2013. Disponível em: <https://desenheirosofficial.wor-
dpress.com/2013/07/04/hachura/>. Acesso em: 08 nov. 2017.
DESIGN CULTURE. Pontilhismo: uma técnica de vários estilos. [S.l.], 2014. Disponível 
em: <https://designculture.com.br/pontilhismo-uma-tecnica-de-varios-estilos>. 
Acesso em: 10 nov. 2017.
PORTAL SÃO FRANCISCO. Pontilhismo. [S.l.], c2017. Disponível em: <http://www.por-
talsaofrancisco.com.br/arte/pontilhismo>. Acesso em: 10 nov. 2017.
SOUSA, R. Um pouco sobre hachura. Campinas: Desenho Artístico & Arquitetura, 2014. 
Disponível em: <http://desenhoartisticoarquitetura.blogspot.com.br/2014/01/um-
-pouco-sobre-hachura.html>. Acesso em: 06 nov. 2017.
Referência
Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas94
DA_U2_C05.indd 94 01/12/2017 16:59:26
https://www.youtube.com/watch?v=nmcMpaDjSSc
https://desenheirosofficial.wor/
http://dpress.com/2013/07/04/hachura/
https://designculture.com.br/pontilhismo-uma-tecnica-de-varios-estilos
http://www.por/
http://talsaofrancisco.com.br/arte/pontilhismo
http://desenhoartisticoarquitetura.blogspot.com.br/2014/01/um-
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esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Conteúdo:
DESENHO 
ARTÍSTICO
Juliana Wagner
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147
W133d Wagner, Juliana.
 Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes
 Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; 
 [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: 
 SAGAH, 2017.
 168 p. il. ; 22,5 cm
 ISBN 978-85-9502-241-6
 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea
 Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. 
 III.Título.
CDU 744.43
Revisão técnica:
Sabrina Assmann Lücke
Arquiteta e Urbanista 
Mestra em Ambiente e Desenvolvimento 
com ênfase em Planejamento Urbano
DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43
Luz e sombra
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer o uso de luz e sombra como elemento básico para pro-
duzir volumetria
 � Definir a fonte de luz e a luz refletida dos objetos
 � Aplicar as técnicas de sombra própria e sombra projetada
Introdução
Neste capítulo, você irá estudar o conceito e a aplicação de luz e sombra 
nos desenhos. Luz e sombra são os elementos básicos para gerar o efeito 
de volume nos objetos, sem eles não é possível representar a tridimen-
sionalidade nos desenhos. 
A descoberta da utilização de claro e escuro na história da arte mo-
dificou radicalmente os parâmetros de representação que se conheciam 
até então. Na arquitetura, a luz e a sombra são basicamente elementos 
que fazem parte de sua constituição. A correta representação desses 
elementos é essencial para compreensão e apresentação dos estudos 
arquitetônicos.
Conceito de luz e sombra
Para transformar um desenho linear, bidimensional, em um desenho tridimen-
sional, é imprescindível que você utilize os efeitos de luz e sombra. Assim como 
quando observamos elementos reais, nossos olhos só conseguem distinguir 
as dimensões de profundidade. 
Caso um objeto esteja sob luz intensa por todos os lados, ficará totalmente 
iluminado e sem contraste, caso não esteja sob nenhuma fonte de luz, ficará 
completamente escuro e também não será possível perceber sua volumetria.
Ao olhar para os objetos, o que você enxerga é a reflexão da luz sobre 
as superfícies. A reflexão pode variar conforme a fonte luminosa, o tipo de 
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material das superfícies e as interferências dos demais objetos no fluxo de luz. 
As sombras visíveis representam, na verdade, a ausência de luz.
A utilização dos efeitos de luz e sombra foi a base que modificou radical-
mente a arte na história. Na arte antiga, como a dos egípcios (veja a Figura 
1), os desenhos não possuíam esses elementos na sua composição, portanto, 
o resultado eram desenhos sem profundidade, em duas dimensões e com
aparência pouco realista.
Figura 1. Ilustração egípcia em que é possível perceber a ausência de profundidade e 
variação de tons sombreados na técnica utilizada.
Fonte: Vectomart/Shutterstock.com.
No Renascimento europeu, principalmente nas obras de Leonardo da 
Vinci, começam a ser valorizados os efeitos de luz e sombra nas artes. Nesta 
época, surge o termo chiaroscuro, que significa claro e escuro em italiano. 
Esta geração de artes renomadas ficou marcada pela utilização da luz em suas 
Luz e sombra96
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obras. Leonardo da Vinci desenvolveu uma técnica conhecida como sfumato, 
que significava o tratamento das sombras sem linhas ou fronteiras, em forma 
de degrade e esfumaçadas. Essa técnica gerava um efeito bem mais leve das 
sombras na pintura e foi muito importante principalmente para as tonalidades 
em rostos. Você pode observar isso na Figura 2.
Figura 2. Monalisa, de Leonardo da Vinci. Pintura com trabalho de sombreamento usando 
a técnica sfumato.
Fonte: Oleg Golovnev/Shutterstock.com. 
Após a consolidação da importância de luz e sombra como elementos bási-
cos na arte, no século XVI, alguns artistas levaram a experiência realista da luz 
para outro nível. Durante a época Barroca, os artistas passaram a utilizar esses 
efeitos para demonstrar as emoções das cenas. O uso do contraste extremo, 
com sombras bem escuras e os pontos claros muito iluminados, geraramcenas 
97Luz e sombra
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muito expressivas. Essa tendência foi chamada de “Tenebrismo”. Observe o 
uso de luz e sombra como expressão de sentimentos de forma dramática na 
Figura 3.
Figura 3. Madona de Loreto, arte de Caravaggio (1604).
Fonte: Renata Sedmakova/Shutterstock.com.
Assim como ocorreu ao longo da história da arte, o importante ao realizar 
um desenho é buscar o equilíbrio entre os contrastes, procurando atribuir a 
volumetria real dos objetos, mas sem pesar demais. 
Luz
O primeiro passo para iniciar o trabalho de iluminação no desenho é a defini-
ção da fonte de luz. Em termos gerais, podemos considerar como fonte a luz 
Luz e sombra98
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natural (sol) ou a luz artificial (luminárias). É possível também utilizar uma 
combinação dos dois tipos de fontes, vindas de direções variadas.
Conforme o tipo e a posição da fonte de luz, as áreas claras e as sombras 
ficarão adequadas para cada situação específica. No caso de optar pelo uso 
de iluminação natural, você deve atentar para gerar uma luz mais difusa no 
ambiente, pois o índice de reflexão será maior. Excetua-se dessa situação 
casos em que a luz natural esteja adentrando o ambiente por um orifício muito 
pequeno, o que deixará a luz focada internamente. Na Figura 4 você pode 
observar exemplos de luz forte e luz difusa.
Figura 4. Demonstração dos efeitos com luz forte e luz difusa sobre os objetos.
Fonte: Ching (2012, p. 52).
A luz natural vinda do alto cria sombras paralelas aos objetos; já a luz 
artificial, que ilumina de forma focada e limitada, cria sombras divergentes. 
A observação de objetos reais sob a incidência de diversas posições e tipos de 
luz é fundamental para a compreensão e melhor aplicação desses conceitos. 
Na Figura 5 são apresentados diferentes exemplos da incidência da luz sobre 
objetos.
99Luz e sombra
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Figura 5. Exemplos de direcionamento da fonte de luz sobre os objetos.
Fonte: Ching (2012, p. 53).
Em termos gráficos, a incidência de luz é a ausência de preenchimento, ou seja, é 
importante que, quanto maior for o contraste entre as faces adjacentes no desenho, 
mais iluminada seja a parte clara. 
Luz e sombra100
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Neste momento do desenho, a orientação é demarcar a posição da fonte de 
luz, o tipo de fonte que será utilizada e traçar suavemente no desenho a direção 
que ela fará sobre os objetos. Após este lançamento, é possível avaliar os trechos 
que deverão ficar sem preenchimento, nos quais a luz incidirá diretamente. 
Já devem ser avaliados, também, os locais onde o desenho ficará sombreado. 
Além da ausência de preenchimento, é indicado utilizar a borracha para 
valorizar ainda mais as áreas claras, gerando mais contraste. No desenho, a 
borracha é tão importante quanto o lápis. Observe a iluminação da Figura 6.
Figura 6. Desenho de cena interna com iluminação artificial. Observe os trechos mais 
claros próximos às luminárias, além do formato de sombreamento resultante deste tipo 
de iluminação.
Fonte: Doyle (2002, p. 122).
101Luz e sombra
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Quando um objeto está sobre uma superfície, deve-se analisar os efeitos de reflexão 
gerados por essa superfície de apoio. O trecho do objeto que estiver próximo à super-
fície terá uma área iluminada, mesmo que seja na zona de sombreamento, em razão 
da reflexão. No exemplo da Figura 7, você pode ver que a parte inferior da esfera está 
iluminada por um degrade feito com lápis.
Figura 7. Esfera sobre superfície. A fonte de luz está posicionada em um ponto superior 
e à esquerda do objeto. 
Fonte: Egle Lipeikaite/Shutterstock.com.
Sombras
As sombras são a representação do efeito que a iluminação gera sobre os 
objetos. Elas são fundamentais pelo delineado das formas e a representação 
de profundidade.
Existem basicamente dois tipos de sombras: as sombras próprias e as 
sombras projetadas. As sombras próprias são aquelas geradas nas próprias 
faces do objeto, seja por ausência de luz ou por interferência de outros objetos. 
As sombras projetadas consistem naquelas que o objeto produz sobre outras 
faces, como superfícies de apoio ou objetos adjacentes.
Além desses dois tipos de sombra, temos também outros elementos, como 
reflexos, luz plena e meia sombra. Os reflexos são produzidos pela incidência 
de luz em objetos ou superfícies vizinhas e tornam a sombra da face que recebe 
a luz mais clara, portanto, devem ser considerados no desenho. 
Luz e sombra102
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Já as zonas de transição entre as áreas de sombra e a as áreas iluminadas 
são chamadas de meia sombra ou meio tom. No desenho a meia sombra, esta 
deve ser representada com menos intensidade, gerando um degrade entre a 
zona clara e a sombra própria do objeto.
A presença ou não destes elementos varia muito conforme o tipo de cena, 
os objetos existentes e o tipo de iluminação. Por isso, as sombras devem ser 
avaliadas e desenvolvidas em cada situação específica. Na Figura 8 você pode 
ver exemplos de luz e sombra.
Figura 8. Ilustração que demonstra os efeitos de luz e sombra no objeto (sugestão de 
desenho para reprodução).
Para iniciar o trabalho de sombreamento, a sugestão é lançar formas ge-
ométricas simples em um papel, preferencialmente mais espesso e poroso. 
Utilize um lápis macio, o grafite 4B, por exemplo, para facilitar a graficação 
das sombras.
103Luz e sombra
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Após desenhar as formas básicas e definir o posicionamento e a direção 
da fonte de luz, você deve estudar o formato que as sombras terão nos objetos 
e as sombras projetadas. A melhor forma de compreender o funcionamento 
das sombras é iniciando com desenhos de observação, no qual o desenho será 
uma reprodução da realidade. Pratique esse exercício com os mesmos objetos 
e a fonte de luz posicionada em locais diferentes, pois, assim, será possível 
analisar o impacto que a luz gera no conjunto de objetos.
As sombras podem ser lançadas com o uso da técnica de hachuras paralelas 
e cruzadas, nas quais o escurecimento é feito utilizando linhas. Podem também 
ser feitas com movimentos circulares contínuos. 
Outra técnica bastante utilizada é o sombreamento misto, no qual se aplicam 
rabiscos de grafite sobre o papel e, em seguida, os esfumaça, utilizando os 
dedos, um papel macio ou com o auxílio de esfuminho. A ideia de esfumar 
auxilia no desenvolvimento do degrade entre as tonalidades. Caso utilize 
algum método com tracejado de linhas, elas devem ser espaçadas ao longo 
da sombra, para suavizar até chegar ao ponto de claridade total.
Você precisa estar atento para não pesar demais nas sombras, deixando o 
desenho desequilibrado. O ideal é trabalhar lentamente, sobrepondo as man-
chas para escurecer aos poucos, evitando os excessos. As sombras próprias 
tendem a ser mais claras que as projetadas, porém isso não é uma regra e deve 
ser avaliada em cada caso. Observe, a seguir, os exemplos apresentados nas 
Figuras 9, 10 e 11.
Figura 9. Desenho de figuras geométricas. Observar os pontos de claridade, sombra 
própria e sombra projetada. As sombras, especialmente as projetadas, foram esfumadas 
para uma maior uniformidade. 
Fonte: Oana_Unciuleanu/Shuterstock.com.
Luz e sombra104
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Você pode perceber, na Figura 9, que os trechos imediatos onde os objetos 
encontram na superfície de apoio possuem uma linha bem intensa de sombra, 
pois é um local que praticamente não recebe incidência de luz.
Figura 10. Cubo cujo sombreamento próprio e projetado foi feito utilizando a técnica de 
hachuras.
Fonte: Risovanna/Shutterstock.com. 
Figura 11. Croqui feito com grande contraste entre claro e escuro, gerando um desenho 
bastante expressivo. 
Fonte: Rana Hasanova/Shutterstock.com.
105Luz e sombra
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A utilização de luz e sombranos desenhos de arquitetura é indispensável, 
pois são fundamentais para a compreensão das volumetrias e profundidades, 
além da relação entre elementos das edificações. As técnicas citadas servem 
como exercícios iniciais para o treinamento da percepção das relações entre 
claro e escuro e para desenvolver os métodos de desenho que serão mais 
adequados para cada um.
1. Luz e sombra são elementos 
considerados técnicas: 
a) opcionais, inseridos conforme 
a necessidade estética da 
imagem a ser construída.
b) estruturais, pois é a partir do seu 
uso que a ideia inicial do projeto 
é representada graficamente.
c) essenciais, uma vez que é a 
partir de seu uso que é possível 
simular profundidade e compor 
as imagens de modo realista. 
d) ultrapassadas, pois não 
permitem que os objetos 
sejam dimensionados.
e) opcionais, pois é a partir de seu 
uso que a ideia inicial do projeto 
é representada graficamente.
2. Ao iniciar a representação 
da luz em uma imagem, 
devemos iniciar pela: 
a) representação da claridade, 
utilizando a borracha para 
intensificar a clareza do foco de luz.
b) definição dos pontos de origem
da fonte de luz, possibilitando 
definir os ângulos de 
representação da luminosidade.
c) representação das sombras
entorno dos objetos.
d) definição de intensidade e 
tonalidades escuras, que serão 
utilizadas na representação 
da luminosidade.
e) escolha da escala de 
representação das sombras e 
definição do único foco de luz.
3. Preencha as lacunas da seguinte 
frase: A luminosidade natural 
é representada __________, 
enquanto a luminosidade 
artificial é _____________. 
Assinale a alternativa que apresenta 
as opções corretas. 
a) de modo difuso – representada 
também de modo difuso, 
porém com mais suavidade.
b) de modo focado – de 
modo difuso.
c) de modo predominantemente 
focado – de modo 
completamente focal.
d) de modo focado – 
representada também de 
modo difuso, porém com 
maior intensidade.
e) de modo predominantemente 
difuso – de modo focado.
4. Sobre o sombreamento, assinale a 
alternativa correta. 
a) É a técnica considerada 
padrão-ouro para 
representação fidedigna das 
dimensões do desenho.
Luz e sombra106
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b) É o resultado da incidência da 
luz sobre os objetos, sendo 
representado pela luminosidade 
a partir do uso da cor branca.
c) É a única técnica existente 
para representar volumetrias 
e dimensões em uma figura.
d) É uma técnica que pode 
ser expressa tanto pela 
sombra projetada como pela 
sombra própria do objeto.
e) É a região de transição do 
desenho, em que são 
utilizados os tons mais 
escuros.
5. A sombra pode ser representada por 
quais tipos de técnicas? 
a) Hachuras e esfumados.
b) Uso da borracha nas zonas claras, 
destacando a luminosidade 
que se deseja representar.
c) Pontilhismo hachurado.
d) Sobreposição de manchas 
com uso de lápis coloridos 
aquareláveis.
e) Pontilhamento paralelo.
CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.
DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisa-
gistas e designers de interiores. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002.
Leituras recomendadas
CORTOPASSI, L. Claro-escuro. [S.l.]: Tudo sobre Pintura, 2012. Disponível em: <http://
lucianocortopassipordentrodapintura.blogspot.com.br/2012/11/claro-escuro-luciano-
-cortopassi.html>. Acesso em: 11 nov. 2017.
PORTO, G. Tenebrismo. [S.l.]: InfoEscola, c2006-2017. Disponível em: <https://www.
infoescola.com/movimentos-artisticos/tenebrismo/>. Acesso em: 12 nov. 2017.
WIKIPÉDIA. Sfumato. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/
Sfumato>. Acesso em: 12 nov. 2017. 
107Luz e sombra
DA_U2_C06.indd 107 01/12/2017 16:59:38
http://lucianocortopassipordentrodapintura.blogspot.com.br/2012/11/claro-escuro-luciano-
http://infoescola.com/movimentos-artisticos/tenebrismo/
https://pt.wikipedia.org/wiki/
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
 
Conteúdo:
DESENHO 
ARTÍSTICO
Juliana Wagner
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147
W133d Wagner, Juliana.
 Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes
 Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; 
 [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: 
 SAGAH, 2017.
 168 p. il. ; 22,5 cm
 ISBN 978-85-9502-241-6
 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea
 Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. 
 III.Título.
CDU 744.43
Revisão técnica:
Sabrina Assmann Lücke
Arquiteta e Urbanista 
Mestra em Ambiente e Desenvolvimento 
com ênfase em Planejamento Urbano
DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43
Manuseio dos instrumentos 
de desenho
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Diferenciar os tipos de materiais de graficação utilizados no desenho.
 � Identificar as variações de papéis e quais suas aplicações.
 � Listar os instrumentos auxiliares para desenho e suas funções.
Introdução
Não existe certo e errado quando se trata da escolha de instrumentos de 
desenho. O segredo é sempre experimentar para encontrar os melhores 
instrumentos, conforme o tipo de trabalho que se pretende executar. 
Materiais de graficação são os instrumentos que pigmentam ou apagam 
os desenhos, e devem ser escolhidos de acordo com o efeito a ser gerado, 
desde desenhos rápidos com traços marcados a desenhos mais técnicos 
com traços finos e detalhamentos. Além disso, você precisa saber também 
quais instrumentos auxiliares serão necessários e qual o melhor papel a 
ser utilizado (visto que existem diversos tipos, que variam em espessura, 
textura, transparência e capacidade de absorção).
Neste capítulo, você irá estudar os variados tipos de instrumentos 
utilizados no desenho técnico, conhecendo suas características, funções 
e possíveis aplicações.
Materiais de graficação
Existem diversos tipos de materiais de graficação utilizados para desenhar 
que possuem aplicações distintas para cada situação de desenho.
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Grafites
Vamos falar inicialmente sobre as variações de grafites, que podem ser apre-
sentadas em formato de lápis, lapiseiras ou avulsos. 
As minas de grafites são divididas nas seguintes graduações, por escala 
de dureza:
 � Traço fino, ideal para desenho técnico: 9H, 8H, 7H, 6H, 5H, 4H, 
3H, 2H.
 � Traço médio, utilizado para escrita e desenho: H, F, HB.
 � Traço grosso, mais utilizado em desenho artístico e esboços: B, 2B, 
3B, 4B, 5B, 6B, 7B, 8B, 9B.
A letra H vem de hard (“duro”, em inglês). Trata-se de uma mina mais dura, 
portanto o resultado é um traçado mais claro. A letra B vem da palavra black 
(“preto”, em inglês). O grafite B é macio e, quanto maior for a numeração de 
B, mais macia será a mina e mais preta será a escrita. Já o HB (hard/black) 
é um grafite intermediário, comumente encontrado como lápis de escrita.
Em desenhos técnicos, é mais usual utilizar grafites mais duros para poder 
trabalhar melhor os detalhes e ter maior controle das espessuras de linhas, que, 
no caso de desenho de arquitetura, exigem muita precisão. Croquis, esboços 
e desenhos artísticos pedem grafites mais macios, que geram desenhos mais 
soltos. Entretanto, conforme o tipo de acabamento a ser feito no desenho, como 
sombreamentos e acabamentos finos, por exemplo, a escolha da graduação 
pode variar para cada situação.
Os grafites são constituídos de uma mistura entre carvão e argila. Quanto 
maior for a quantidade de carvão na mistura, mais macio será o grafite e mais 
preta a escrita. Se a quantidade de argila for maior, a mina será mais rija e a 
escrita, mais clara. Na Figura 1, você pode ver um exemplo de lápis com as 
suas graduações.
Manuseio dos instrumentos de desenho12
DA_U1_C01.indd 12 01/12/2017 16:50:59Figura 1. Conjunto de lápis com a marcação das devidas graduações.
Fonte: V J Matthew/Shutterstock.com
As Figuras 2 e 3 apresentam exemplos de desenhos arquitetônicos com a 
utilização de diferentes tipos de grafites.
Figura 2. Desenho arquitetônico sendo feito a lápis.
Fonte: Roman Motizov/Shutterstock.com.
13Manuseio dos instrumentos de desenho
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Figura 3. Desenho feito a lapiseira de grafite espesso.
Fonte: Radu Bercan/Shutterstock.com.
Carvão vegetal
O carvão vegetal em barra é feito com o carbono seco que sobra após a queima 
da madeira. Segundo Brian Curtis (2015), é um material seco que pode tanto 
deixar marcas como ser apagado facilmente da maioria das superfícies. Por 
ter essa característica, é utilizado para esboços e desenhos de traços rápidos. 
Já o carvão comprimido, mesmo material encontrado nas minas de lápis, 
é aglutinado com argila e bem mais versátil. Pode ser encontrado também 
nos formatos de cilindros, como você pode ver na Figura 4, e em blocos 
comprimidos.
Manuseio dos instrumentos de desenho14
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Figura 4. Modelos de lápis e cilindros de carvão comprimido.
Fonte: Burhan Bunardi/Shutterstock.com
Na Figura 5, você pode observar um desenho realizado com bloco de 
carvão comprimido.
Figura 5. Desenho sendo produzido com bloco de carvão comprimido.
Fonte: Africa Studio/Shutterstock.com
15Manuseio dos instrumentos de desenho
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Para aprender mais sobre materiais de desenho e ver dicas para técnicas de desenho, 
consulte o livro Desenho de Observação (CURTIS, 2015).
Caneta nanquim
A caneta nanquim é o principal método de graficação utilizado na finalização 
do desenho técnico. Possui grande variedade de graduações, gerando diferentes 
espessuras de linhas. Muito utilizada sobre papel manteiga ou vegetal, é encon-
trada também em versões coloridas. Possui utilização tanto no desenho técnico 
como em artístico e croquis. Devido à existência de canetas com espessuras 
muito finas, permite traçados em trechos ou desenhos bem detalhados. Veja 
os exemplos de caneta nanquim nas Figuras 6 e 7.
Figura 6. (a) Ilustração de caneta nanquim ponta fina. (b) Exemplo de caneta em desenho 
arquitetônico.
Fonte: (a) DesignPrax/Shutterstock.com / (b) sindlera/Shutterstock.com.
Lápis de cor
Velhos conhecidos da maioria das pessoas, os lápis de cor são quase indis-
pensáveis quando se trata de desenho a cores. Podem ser encontrados desde 
modelos bem populares a marcas conceituadas de valores bastante elevados. A 
Manuseio dos instrumentos de desenho16
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diferença entre eles é basicamente a qualidade das minas – os de maior valor 
costumam ter mais intensidade de pigmento e facilidade de aplicação. Além 
disso, possuem uma infinidade de cores e tonalidades. 
Os lápis aquareláveis são muito utilizados no universo do desenho artístico, 
por permitirem a aplicação de pincel molhado sobre o pigmento, diluindo a cor 
e gerando o efeito de aquarela. Mesmo sem a utilização de água, este modelo 
de lápis é de uma maciez muito agradável ao uso.
Caneta hidrográfica
As canetas hidrográficas, também conhecidas como “canetinhas”, possuem 
versões mais profissionais para uso no desenho. São muito utilizadas as que 
possuem ponta chanfrada, que geram linhas mais largas e facilitam os preenchi-
mentos das ilustrações. São encontradas em diversas tonalidades, que passam 
até mesmo por escalas de cinza e geram um efeito levemente translúcido. 
Essas canetas são grandes aliadas no desenho arquitetônico artístico, pois 
podem ser utilizadas tanto em perspectivas como para realçar plantas baixas. 
Esfuminho
O esfuminho é um instrumento em rolo cilíndrico de papel, enrolado bem 
apertado. Possui formato cilíndrico e ponta aparada, como se fosse um lápis. 
Sua utilização principal é para esfumar trechos do desenho em que se deseja 
que o pigmento fique suavizado. Seu uso permite gerar efeitos de sombras, 
auxiliar em efeito degradê, suavizar contornos e gerar efeitos de desfoque, 
conforme você pode observar na Figura 7.
17Manuseio dos instrumentos de desenho
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Figura 7. Esfuminho ao lado de borracha “limpa tipo”. Ao fundo, desenho com efeito 
esfumado.
Fonte: Warren Price Photography/Shutterstock.com.
Borrachas
É impossível falarmos sobre materiais de graficação sem falarmos nos elemen-
tos complementares opostos, que são as borrachas. Em diversas composições 
e modelos, possuem aplicações distintas para cada necessidade.
A borracha comum, demonstrada na Figura 8, é o tipo mais encontrado 
nas livrarias e que conhecemos como borracha escolar. Boa para usos diários 
menos detalhados. Esfarela bastante e é necessário cuidado para não borrar.
Figura 8. Borracha do tipo comum.
Fonte: Mega Pixel/Shutterstock.com.
Manuseio dos instrumentos de desenho18
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A borracha plástica, ilustrada na Figura 9, é muito utilizada no desenho 
técnico. Por ser de constituição mais firme, pode-se utilizar suas extremidades 
para apagar detalhes nos desenhos. Além disso, tem a característica de não 
borrar muito o papel.
Figura 9. Exemplo de borracha plástica.
Fonte: tnehala77/Shutterstock.com
A borracha “limpa tipo”, ilustrada na Figura 10, tem esse nome porque era 
utilizada para apagar letras de máquinas de escrever. Essa borracha é essencial 
no desenho artístico; por ser muito maleável, permite que seja moldada no 
formato desejado, como uma massa de modelar. Ao formar pontas do formato 
necessário para o trecho a ser apagado, o resultado é uma alta precisão. A 
borracha é constituída de um material que absorve o pigmento do desenho 
e, por isso, ela não borra o papel. Por outro lado, isso faz com que ela fique 
mais escura ao longo do tempo, com o uso.
Figura 10. Borracha “limpa tipo”. 
Fonte: ImagePixel/Shutterstock.com.
19Manuseio dos instrumentos de desenho
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Tipos de papel
O papel é um material utilizado há milhares de anos e possui uma grande 
importância na história do mundo. É um instrumento muito democrático, 
disponível em uma infinidade de texturas, formatos e espessuras.
A gramatura do papel é a indicação do seu peso por metro quadrado, e é 
esta representação que utilizamos para diferenciar sua espessura. O pH do papel 
também é um fator importante, o papel neutro (pH = 7), por exemplo, garante 
uma maior durabilidade da obra. Não podemos classificar um papel como bom ou 
ruim, mas sim entender a aplicação de cada um deles para situações específicas. 
Além disso, o usuário define, por meio da experimentação, qual o papel mais 
adequado para seu trabalho, conforme o gosto e materiais de desenho que utiliza.
É importante conhecer as dimensões dos papéis na hora de desenvolver um projeto 
arquitetônico. As dimensões das pranchas técnicas são regidas pela Norma Brasileira 
Regulamentadora (NBR) nº 10.068: Folha de Desenho – Leiaute e dimensões (ASSO-
CIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1987). As principais dimensões de folhas, 
como você pode observar na Figura 11, são as seguintes:
 � A4 – 21,0 x 29,7 cm.
 � A3 – 29,7 x 42,0 cm.
 � A2 – 42,0 x 59,4 cm.
 � A1 – 59,4 x 84,1 cm.
 � A0 – 84,1 x 118,9 cm.
Figura 11. Esquema internacional para dimensões de papéis.
Fonte: iunewind/Shutterstock.com.
Manuseio dos instrumentos de desenho20
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Sulfite
É o tipo mais comum de papel, também chamado de off-set. É muito utilizado 
para impressões, escrita e em ambiente escolar. É indicado para esboços e treinos 
de traçados, porém não é um papel muito abrangente para uso no desenho, espe-
cialmente por ser muito poroso. Pode ser encontrado em gramaturas de 50 g/m2 
a 300 g/m2. A gramatura de 75 g/m2, mais comum, é indicada para lápis escolar 
HB ou 2B. As gramaturas maiores suportam grafites mais macios como 4B e 6B.
Canson
O nome provém de uma marca fabricantede papéis especiais desde 1557 que 
se popularizou devido à imensa cartela de opções de papéis existentes para 
a área do desenho, além da qualidade das folhas. É bastante indicado para 
desenhos, pois possui boa textura e variação de texturas. É um papel muito 
utilizado, pois é mais acessível que os papéis especiais de desenho, que em 
geral têm valores mais altos. Além disso, é adequado para a maioria dos 
materiais de graficação e coloração, como grafites, lápis, canetas, e suporta 
também tintas aguadas como aquarelas e tinta acrílica. 
Manteiga
O papel manteiga é muito utilizado no meio arquitetônico. É um pouco mais 
fino que o papel vegetal, fosco e possui semitransparência. É indicado na 
utilização de grafites, de preferência mais duros, caneta nanquim e canetas 
hidrocor. Por ser muito fino, não aceita bem correções no nanquim e não 
permite a utilização de aquarelas. Esse tipo de papel é muito útil para sobrepor 
em outros esboços e desenhos, devido à sua propriedade translúcida.
Vegetal
É mais espesso que o papel manteiga e também semitranslúcido. É indicado 
para graficação em nanquim para as versões finais de projeto. Sua transparência 
permite que sejam “passados a limpo” desenhos de esboços anteriores para 
a versão final. A constituição mais espessa desse papel permite raspagens de 
nanquim. As folhas não devem ser dobradas, pois as dobras deixam marcas 
e o papel acaba rasgando. Permite a utilização de grafites, nanquim, hidrocor 
e lápis de cor. Não possui absorção para ser utilizado com materiais aguados 
como lápis aquareláveis.
21Manuseio dos instrumentos de desenho
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Nas Figuras 12 e 13 você pode observar imagens com tipos diferentes de 
papéis. 
Figura 12. Projetos em papel sulfite abertos na mesa e rolos de projeto em papel vegetal.
Fonte: Dimitar Sotirov/Shutterstock.com.
Figura 13. Projetos arquitetônicos em papel vegetal.
Fonte: Dimitar Sotirov/Shutterstock.com.
Manuseio dos instrumentos de desenho22
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O ideal é sempre prender a folha utilizando fitas adesivas na mesa de trabalho. É muito 
importante que o papel se mantenha firme e não se movimente ou enrole durante 
a produção do desenho. Utilize materiais de fácil descolamento, como fita crepe.
Instrumentos auxiliares de desenho
Existe uma infinidade de instrumentos que podem nos auxiliar na produção dos 
desenhos, seja gerando precisão nas linhas, facilitando as medições, gerando 
conforto para quem está desenhando, entre outros. Agora, você vai conhecer 
alguns dos instrumentos mais utilizados.
Esquadros
São uma espécie de régua triangular cuja função principal é o traçado, espe-
cialmente em desenho técnico, pois gera precisão nas linhas. São normalmente 
usados em duas unidades, dos seguintes tipos:
 � Com um ângulo de 30º e dois ângulos de 45º.
 � Com um ângulo reto, um ângulo de 30º e um de 60º.
Os esquadros são indispensáveis no desenho técnico. Deve-se ter o cuidado 
de adquirir materiais de boa qualidade, pois serão a base de apoio para o 
traçado reto e inclinado das linhas e não podem ter reentrâncias ou saliências 
que prejudiquem o desenho.
Transferidor
É um instrumento curvo, com graduações numerais. Sua função é medir e 
transferir ângulos no desenho. Pode ser encontrado em formato de semicírculo, 
com graduação até 180º, ou círculo completo, graduado até 360º. 
Observe os materiais que foram descritos na Figura 14. 
23Manuseio dos instrumentos de desenho
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Figura 14. Régua junto a um conjunto de esquadros e transferidor.
Fonte: Gearstd/Shutterstock.com.
Gabaritos
São placas de acrílico perfuradas com formas variadas que auxiliam o dese-
nho. Sua função é servir de molde para traçar as formas. Podem ter formas 
de letras, números, formas geométricas, louças sanitárias, etc. Existem em 
diversas escalas para se adaptar à escala do desenho.
Compasso
Sua função é especialmente para traçar linhas curvas e círculos. Possui for-
mato em “V” e é ajustável, como você pode ver na Figura 15. Uma de suas 
extremidades é pontiaguda e seca, servindo para apoiar e firmar o compasso 
ao papel. Além do uso para traçados curvos, pode também ser utilizado para 
transferir medidas de um trecho a outro do desenho.
Manuseio dos instrumentos de desenho24
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Figura 15. Desenhos produzidos com o auxílio de compasso.
Fonte: Kucher Serhii/Shutterstock.com.
Escalímetro
É uma régua com função de medir e transferir medidas em escalas variadas. 
Essa ferramenta auxilia na redução ou ampliação das medidas para outras 
escalas. Usualmente, é encontrada em formato triangular, como demonstrado 
na Figura 16, mas pode ser em outros formatos. Muitas vezes, suas laterais são 
marcadas em cores diferenciadas para agilizar a localização de cada escala. 
Não deve ser utilizada como suporte para riscar no papel. É um instrumento 
muito usual para os arquitetos, pois é aplicado para medir inclusive desenhos 
impressos gerados por computador.
25Manuseio dos instrumentos de desenho
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Figura 16. Escalímetro sobre projetos arquitetônicos.
Fonte: Ricardo Romero/Shutterstock.com.
Mesa de desenho
Sua função é ser a grande auxiliar na produção de desenhos, pois possui 
características específicas para gerar conforto a quem está desenhando. Mais 
comumente, a mesa é encontrada em estrutura de madeira ou metal e possui 
variedade de dimensões. Uma das características essenciais é o sistema de 
regulagens que permite a inclinação do tampo, conforme você pode ver na 
Figura 17, mantendo o papel em uma posição adequada para visualização e 
desenvolvimento do desenho. Normalmente, é encontrada na cor branca ou 
forrada com película verde, sendo o verde uma cor adequada pois não gera 
ofuscamento aos olhos.
Figura 17. Modelo de mesa de desenho.
Fonte: BimXD/Shutterstock.com.
Manuseio dos instrumentos de desenho26
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Longas horas de trabalho em uma mesa de desenho podem gerar dores na coluna 
e pescoço. É importante escolher um assento confortável e manter a postura ereta 
para evitar desgaste físico.
Régua paralela
Trata-se do principal instrumento auxiliar da mesa de desenho. A régua é 
transparente, normalmente com suporte metálico para manuseio e é fixada na 
mesa horizontalmente ao plano de trabalho, conforme representação da Figura 
18. Seu sistema de fixação permite que a régua seja movimentada ao longo da
superfície da mesa, permitindo posicioná-la no local exato a serem traçadas
as linhas. Sua função é auxiliar no traçado das linhas horizontais e também
servir de apoio para os esquadros, para traçar linhas verticais e diagonais.
Figura 18. Detalhe de régua paralela.
Fonte: Paraksa/Shutterstock.com.
Luminária
De nada adianta termos todos os instrumentos para o desenho se não tivermos 
uma iluminação adequada no local de trabalho. É recomendado que se utilize 
uma luminária com fixação específica para a mesa de desenho, ou com possi-
27Manuseio dos instrumentos de desenho
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bilidade de prender nesta. A luminária deve ficar posicionada na extremidade 
superior do tampo, direcionada para baixo. Sua função é iluminar o papel, 
sem que a pessoa que está desenhando gere sombra no desenho, de acordo 
com a representação da Figura 19. Deve ser observado também o cuidado 
em utilizar lâmpadas de boa qualidade, para não gerar distorção nas cores.
Figura 19. Ilustração de mesa com posição adequada da iluminação.
Fonte: Iconic Bestiary/Shutterstock.com.
As lâmpadas possuem uma escala para medir a qualidade com a qual reproduzem a 
cor dos objetos que estão sob sua iluminância. Essa escala é denominada Índice de 
Reprodução de Cor (IRC). Quanto mais próximo de 100 for o índice, com mais fidelidade 
as cores serão reproduzidas. Recomenda-se utilizar lâmpadas com IRC acima de 80.
Bigode
Pincel com cerdas macias e volumosas,a função do bigode é a remoção do 
excesso de pó de grafite ou farelo de borracha. Esse pincel evita gerar bor-
Manuseio dos instrumentos de desenho28
DA_U1_C01.indd 28 01/12/2017 16:51:37
rões no desenho, algo que pode facilmente ocorrer se essa limpeza for feita 
utilizando as mãos.
Você pode perceber que cada material tem sua função própria e deve ser 
aplicado em situações específicas. Alguns podem variar conforme o efeito 
desejado no desenho, como é o caso dos materiais de graficação e coloração, 
ao passo que outros são instrumentos de apoio que facilitam e melhoram as 
condições de trabalho durante o desenho. 
O desenho à mão é uma expressão muito particular, e a escolha dos ma-
teriais depende muito da intenção e afinidade da pessoa que fará o desenho. 
Entretanto, conhecer o universo de instrumentos de desenho é fundamental 
para a qualidade final do trabalho a ser realizado.
1. Um arquiteto vai desenvolver 
croquis com estudos de volumetria 
de um prédio. Esse desenho será 
feito com traços rápidos e densos, 
sem detalhamentos. Qual seria 
o método de graficação mais 
indicado para este desenho?
a) Lápis de cor.
b) Caneta nanquim ponta fina.
c) Bloco de carvão comprimido.
d) Caneta hidrográfica.
e) Lápis com grafite 9H.
2. Para fazer um desenho, um 
artista está buscando um lápis 
ultramacio, que deixe as linhas 
bem escuras e marcadas. Assinale 
a alternativa que apresenta qual 
lápis este artista deve comprar.
a) 8H.
b) HB.
c) 2B.
d) 5H.
e) 9B.
3. Ao desenvolver um trabalho de 
desenho artístico da faculdade, 
um aluno irá colorir com lápis 
aquarelável, diluindo o pigmento 
com pincel molhado. Com base 
nessas informações, qual é o papel 
mais adequado para este trabalho?
a) Sulfite 75 g/m2.
b) Manteiga.
c) Canson.
d) Sulfite 120 g/m2.
e) Vegetal.
4. Existem diversos instrumentos 
que auxiliam na hora de traçar os 
desenhos. Assinale a alternativa 
que descreve o instrumento auxiliar 
representado no desenho a seguir.
Fonte: hunthomas/Shutterstock.com
29Manuseio dos instrumentos de desenho
DA_U1_C01.indd 29 01/12/2017 16:51:40
a) Régua paralela.
b) Esquadro.
c) Transferidor.
d) Compasso.
e) Bigode.
5. O instrumento da imagem a seguir 
é muito utilizado em desenhos 
arquitetônicos. Assinale a alternativa 
que representa a sua função.
Fonte: Epps_Taniam/Shutterstock.com.
a) Medir e transferir ângulos 
no desenho.
b) Traçar desenhos circulares.
c) Realizar desenhos em 
ângulos de 60º.
d) Medir e transferir medidas 
em escalas variadas.
e) Traçar linhas paralelas ao 
plano de trabalho.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10068: Folha de desenho – 
leiaute e dimensões – padronização. Rio de Janeiro: ABNT, 1987. 
CURTIS, B. Desenho de observação. 2. ed. Porto Alegre: McGraw-Hill, 2015.
Leituras recomendadas
DOMINGUES, F. Croquis e perspectivas. Porto Alegre: Masquatro, 2011. 
FARRELLY, L. Técnicas de representação. Porto Alegre: Bookman, 2011. (Coleção Fun-
damentos de Arquitetura).
MAIA, O. Materiais p/ desenho. [S.l.]: A expressão da Arte, [2010]. Disponível em: <ht-
tps://dessiner.wordpress.com/passo-a-passo/materiais-para-desenho/>. Acesso em: 
02 out. 2017.
MONTENEGRO, G. Desenho arquitetônico. 3. ed. São Paulo: Blucher, 1997. 
NOGUEIRA, L. Desenho para iniciantes (introdução). [S.l.]: Desenhe Tudo, [2011]. Disponí-
vel em: <http://desenhetudo.blogspot.com.br/p/desenho-para-iniciantes-introducao.
html>. Acesso em: 03 out. 2017.
Manuseio dos instrumentos de desenho30
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tps://dessiner.wordpress.com/passo-a-passo/materiais-para-desenho/
http://desenhetudo.blogspot.com.br/p/desenho-para-iniciantes-introducao.
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Conteúdo:
DESENHO 
ARTÍSTICO
Juliana Wagner
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147
W133d Wagner, Juliana.
 Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes
 Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; 
 [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: 
 SAGAH, 2017.
 168 p. il. ; 22,5 cm
 ISBN 978-85-9502-241-6
 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea
 Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. 
 III.Título.
CDU 744.43
Revisão técnica:
Sabrina Assmann Lücke
Arquiteta e Urbanista 
Mestra em Ambiente e Desenvolvimento 
com ênfase em Planejamento Urbano
DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43
Forma e processos de 
síntese da forma
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar as características estruturais do espaço compositivo.
 � Reconhecer em composições bidimensionais as regras dos terços, a
regra das três arestas e a regra dos ímpares.
 � Distinguir em composições os recursos de desenho profundidade,
vazio e fechamento.
Introdução
Sabendo que os elementos compositivos formam todas as composições, 
e conhecendo como se relacionam entre eles e com o espaço, neste 
capítulo você irá estudar em que lugar do espaço bidimensional é pos-
sível dispor os elementos visuais, a fim de tornar as composições mais 
equilibradas e agradáveis para o espectador.
Compreendendo o espaço compositivo
Qualquer espaço compositivo oculta uma estrutura, que pode evidenciar, ou 
não, as formas nele distribuídas. O esqueleto estrutural do espaço compositivo, 
combinado com o sentido de leitura visual, pode fornecer pistas sobre como 
dispor as formas no espaço bidimensional.
Estrutura oculta do quadrado
Suponha que nosso espaço de composição seja um quadrado. O quadrado 
oculta em si um esqueleto estrutural que faz nossa atenção ser atraída para 
determinados pontos. Segundo o autor Rudolf Arnheim (2011), o centro do 
quadrado tem forte poder de atração dos elementos compositivos, conforme 
DA_U3_C08.indd 125 01/12/2017 17:00:36
você pode observar na Figura 1, pois no centro os pesos visuais estão equili-
brados, como apresentado na Figura 2.
Figura 1. Elementos compositivos.
Figura 2. Pesos visuais.
Segundo o mesmo autor (ARNHEIM, 2011), as margens também possuem 
a capacidade de atrair para ela os elementos de composição, o que torna a com-
posição visualmente mais confortável, como você pode observar na Figura 3.
Forma e processos de síntese da forma126
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Figura 3. Atração das margens.
Sentido da leitura
Conforme o autor Brian Curtis (2015), o direcionamento da leitura interfere 
na assimilação dos elementos formais no espaço compositivo. Influenciado 
pelo padrão de escrita, os ocidentais tendem a mover seus olhos em torno das 
bordas do quadrado, começando pelo lado superior esquerdo, passando pelo 
centro e terminando no lado inferior direito, como exemplificado na Figura 4. 
Logo, os elementos compositivos localizados nesses espaços ganham destaque, 
como você pode observar na Figura 5.
127Forma e processos de síntese da forma
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Figura 4. Observação conforme sentido da leitura.
Figura 5. Disposições que ganham destaque na observação.
Forma e processos de síntese da forma128
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Regras de composição
A distribuição dos elementos visuais no espaço compositivo torna-se menos 
complicada depois que você compreende como ele funciona. Considerando 
os espaços mais estáveis e equilibrados – portanto mais confortáveis aos 
olhos – podemos orientar a proporção das formas no espaço bidimensional. 
Seja qual for a orientação de proporção escolhida, você pode guiar a com-
posição por uma ou pela combinação de várias regras de composição.
Regra dos terços
A regra dos terços deriva da proporção áurea, uma razão de proporcionalidade 
muito comum na natureza, presente, por exemplo, nas conchas espirais de 
alguns moluscos. Ela consiste em traçar quatro linhas imaginárias no espaço 
compositivoe posicionar os elementos de composição na ou nas intersecções 
dessas linhas (veja a Figura 6) para obter um enquadramento mais harmonioso 
da cena, como você pode observar na Figura 7.
Figura 6. Regra dos terços.
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Figura 7. Regra dos terços
Regra das três arestas
A regra das três arestas consiste em aproveitar a atração natural de três margens 
do espaço compositivo para a distribuição dos elementos visuais, conforme 
demonstrado na Figura 8.
Figura 8. Regara das três arestas.
Forma e processos de síntese da forma130
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Regra dos ímpares
O aumento do interesse visual das composições condiz com a preferência 
geral por elementos visuais que se repetem em quantidades ímpares, e 
não pares, de agrupamentos. Assim, em uma distribuição orientada pela 
regra dos ímpares, os elementos compositivos são dispostos no espaço 
de acordo com seu peso visual, sempre em número ímpar. Observe um 
exemplo na Figura 9.
Figura 9. Regra dos ímpares.
Recursos compositivos extras 
Para a confecção de uma composição interessante visualmente, equilibrada 
e agradável aos olhos do espectador não é necessário se prender muito a 
regras específicas. Uma composição rica do ponto formal e de percepção é 
feita a partir dos conhecimentos dos elementos compositivos e suas relações 
formais e espaço-formais, bem como da interação desses elementos com o 
espaço compositivo.
Ainda assim, destacaremos aqui algumas possibilidades para tornar suas 
composições mais elaboradas formalmente e envolventes do ponto de vista 
visual.
131Forma e processos de síntese da forma
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Profundidade
Segundo o autor Brian Curtis (2015), mesmo cientes de que vemos imagens 
chatas, estamos predispostos a atribuir uma grande importância visual às 
ilusões de profundidade, ainda que essa parte da imagem contenha pouca ou 
nenhuma informação adicional que atraia a atenção. O mecanismo específico 
que provoca essa reação não está bem definido, mas parece que reagimos 
intuitivamente ao volume cúbico do espaço vazio sugerido pela ilusão espacial.
A ilusão de um objeto tridimensional no espaço bidimensional pode ser 
criada de várias maneiras, exemplificados na Figura 10. 
Figura 10. Ilusão tridimensional. a) Por meio da sobreposição dos elementos compositivos. 
b) Por meio de transparência. c) Utilizando o claro-escuro. d) Pela perspectiva cônica. 
Vazio
Um dos métodos mais surpreendentes para criar impacto na composição é 
balancear formatos identificáveis com o espaço vazio. Para que esse contraste 
funcione, é preciso um volume suficiente de espaço vazio para compensar 
o peso visual das formas identificáveis. Observe um exemplo na Figura 11.
Forma e processos de síntese da forma132
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Figura 11. Exemplo de vazio.
Fechamento
A Gestalt, também conhecida como psicologia da Gestalt ou psicologia da 
boa forma, é uma doutrina que estuda as formas no âmbito da percepção.
Segundo o autor João Gomes Filho (2000), embora não exista uma tradução exata 
para o termo alemão Gestalt, a explicação mais próxima é “[...] forma, totalidade 
sensível ou jogo entre figura e fundo de um campo perceptivo.”. O que interessa na 
comunicação visual, vista pela Gestalt, é o valor perceptivo, ou seja, algo que atrai o 
espectador pelo arranjo de cores, formas ou ritmo. 
O fechamento é uma das leis básicas da Gestalt. Ele se expressa quando 
mesmo diante de uma figura não totalmente fechada, conseguimos ler sua 
forma como se estivesse fechada.
133Forma e processos de síntese da forma
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Na Figura 12, embora as formas a e b não estejam fechadas pelo desenho, 
você consegue perceber um círculo em a e um triângulo em b.
Figura 12. Exemplos de fechamento.
1. Assinale a alternativa cuja 
Figura representa, no espaço 
compositivo, o lugar onde as formas 
ganham mais destaque. 
a) b) 
Forma e processos de síntese da forma134
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c) 
d) 
e) 
2. Assinale a alternativa na qual foi 
aplicada a regra dos terços para a 
divisão do espaço compositivo.
a) 
b) 
c) 
d) 
e) 
3. Assinale a alternativa que 
contempla a combinação de duas 
regras de composição, a das três 
arestas e dos ímpares. 
a) 
b) 
135Forma e processos de síntese da forma
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c) 
d) 
e) 
4. Identifique a alternativa que 
apresenta o conceito de obtenção 
de ilusão de tridimensionalidade no 
espaço bidimensional. 
a) Perspectiva cônica. 
b) Regra dos terços.
c) Sentido da leitura.
d) Regra dos ímpares.
e) Estrutura oculta dos 
sólidos geométricos.
5. Identifique a alternativa que 
demonstra a o conceito de 
Fechamento da Gestalt.
a) 
b) 
c) 
d) 
e) 
Forma e processos de síntese da forma136
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Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
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da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Conteúdo:
DESENHO 
ARTÍSTICO
Juliana Wagner
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147
W133d Wagner, Juliana.
 Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes
 Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; 
 [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: 
 SAGAH, 2017.
 168 p. il. ; 22,5 cm
 ISBN 978-85-9502-241-6
 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea
 Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. 
 III.Título.
CDU 744.43
Revisão técnica:
Sabrina Assmann Lücke
Arquiteta e Urbanista 
Mestra em Ambiente e Desenvolvimento 
com ênfase em Planejamento Urbano
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Colagens e técnicas diversas
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Distinguir as técnicas artísticas de colagem, monotipia e guache lavado.
 � Identificar os artistas plásticos que utilizam essas técnicas, ampliando 
seu universo artístico.
 � Diferenciar os efeitos pictóricos de cada técnica para possíveis apli-
cações futuras.
Introdução
Neste capítulo, você irá estudar três técnicas artísticas: a colagem, a mo-
notipia e o guache lavado. 
A monotipia, provavelmente de origem italiana, remonta ao século 
XVIII, mas reaparece no século XIX com o pintor francês Edgar Degas. 
A colagem inicia seu trajeto como técnica de arte no século XX, com a 
chegada da Arte Moderna, mais especificamente do movimento cubista 
de Georges Braque. Ambas as técnicas são empregadas na arte contem-
porânea por artistas brasileiros como Carlos Vergara e Beatriz Milhazes. Já 
sobre a técnica de guache lavada, não se encontram muitas informações 
disponíveis, portanto, não se consegue traçar uma linha do tempo de sua 
existência no universo artístico, embora seja uma técnica ensinada em 
faculdades de arte e empregada por diversos artistas contemporâneos. 
Monotipia
A monotipia é um tipo de gravura que se obtém por meio de desenho ou pintura 
sobre uma superfície lisa, por exemplo, uma placa de vidro ou acrílico. Depois 
de feito o desenho ou a pintura sobre a superfície, ele é transferido para uma 
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folha de papel utilizando uma técnica de pressão do papel sobre o desenho, 
manual ou mecanicamente.
Monotipo é uma impressão única, devido à maior parte da tinta ser removida 
durante a prensagem inicial, daí o seu nome. Porém, uma segunda cópia pode 
ser obtida, por meio de uma segunda prensagem da mesma matriz.
O processo de monotipia foi, provavelmente, criado no século XVII, por Giovanni 
Benedetto Castiglione (1609-1664), um pintor italiano, que também foi o primeiro 
artista a produzir esboços como obras acabadas em vez de estudos para trabalho.
Figura 1. Cabeça de um Oriental Barbudo, monotipia com retoques emtinta e velatura (The 
Royal Collection, Londres) de Giovanni Benedetto Castiglione.
Fonte: Wikipédia (2016). 
Regina Helena Shrimpton (2012), em sua dissertação de mestrado, descreve 
que, na época, a gravura Cabeça de um Oriental Barbudo não era vista como 
arte e não tinha qualquer valor estético. Seu valor como arte só veio a ocorrer 
no século XIX, depois da invenção dos processos litográficos e fotomecânicos. 
Poucos artistas usaram essa técnica até que o pintor impressionista Edgar 
Degas, dois séculos depois, resgatou a monotipia do anonimato ao qual tinha 
sido relegada desde a época de Castiglione.
Colagens e técnicas diversas140
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A partir de 1874, data de sua primeira monotipia, A Lição de Dança, o 
Mestre de Balé, Degas realizou entre 300 e 500 monotipias (entre 1874 e 
1893), representando paisagens, bailarinas, cenas de café, cafés-concertos e 
nus. Entre elas, aproximadamente 100 são monotipias puras, isto é, em preto 
e branco com variações de tom, feitas com tinta tipográfica. Outras 100 são 
monotipias retocadas com pastéis. As Figura 2 e 3 apresentam exemplos das 
monotipias de Degas.
Figura 2. Ao Lado da Lareira, monotipia em tinta preta, 1876-77.
Fonte: Wikimedia Commons (2017). 
141Colagens e técnicas diversas
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Figura 3. Balé - A Estrela, 1876-77, pastel sobre monotipia.
Fonte: Wikimedia Commons (2009). 
Na atualidade, o gaúcho Carlos Vergara (1941-) utiliza matérias-primas 
naturais, como terra e pigmentos, para encapsular, por meio da técnica de 
monotipia, coisas que foram feitas em um lugar específico, mas que podem 
ir para outro lugar, por exemplo, um museu, e adquirir uma outra instância, 
conforme relatado no trabalho de mestrado de Regina Helena Shrimpton (2012). 
Nas Figuras 4 e 5 você pode observar trabalhos de Vergara.
Colagens e técnicas diversas142
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Figura 4. Monotipia, década de 1990.
Fonte: Wikipédia (2017).
Figura 5. Imagem da exposição “Sudários”, 2014.
Fonte: Wikipédia (2014b). 
A monotipia, como você pode observar, tem características pictóricas 
bem marcantes, comumente executada com tinta preta, que faz a figura se 
sobressai no branco do papel. A composição fica carimbada pelo gesto do 
artista quando faz o desenho, utilizando uma ponta seca ou uma bucha de 
143Colagens e técnicas diversas
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papel, e pela pressão colocada na transferência da superfície para o suporte. 
O acaso, o gesto espontâneo e a imprecisão do desenho obtido são efeitos que 
conferem riqueza e beleza a essa técnica.
Colagem
Colagem é uma composição elaborada com diversos materiais (papel, madeira, 
metal e formas), superfícies, volumes, cores e texturas coladas sobrepostas ou 
lado a lado, a fim de formar uma imagem figurativa ou abstrata.
Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras (2017), a 
colagem é um procedimento técnico antigo, porém, apenas a partir do movimento 
de arte moderna Cubismo, no século XX, ela passa a ser empregada como técnica 
artística. Você pode observar um exemplo de obra do Cubismo na Figura 6.
Figura 6. Fruteira e Copo (1912), de Georges Braque (1882-1963). Esta obra é considerada 
uma das primeiras colagens da arte moderna.
Fonte: The Metropolitan Museum of Art (c2017).
Na Figura 7, você pode observar a obra de Amadeo Souza Cardozo, con-
feccionada com a técnica de colagem.
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Figura 7. Obra cubista Cozinha da Casa de Manhufe (1913), óleo sobre madeira.
Fonte: Wikimedia Commons (c2017a).
O uso de papéis colados levou as pesquisas cubistas para novas direções, 
e a utilização, cada vez mais livre de materiais heterogêneos, não só papel, 
deu origem a objetos tridimensionais e relevos. Nessa direção, Juan Gris 
(1887-1927), outro grande nome do cubismo, trabalhou exaustivamente com 
colagens e definiu a pintura como uma “[...] espécie de arquitetura plana com 
cor.” Observe uma obra de Gris na Figura 8.
Figura 8. Obra cubista do espanhol Juan Gris, Bodegón con botella de Burdeos (1919).
Fonte: Wikipédia (2002).
Os princípios de composição inaugurados pelas colagens encontraram 
seguidores em todo o mundo, e com interpretações distintas de um mesmo 
145Colagens e técnicas diversas
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procedimento. Na Rússia, as colagens aderiram às tendências construtivas da 
época e ganharam destaque nos princípios de composição propriamente ditos 
e no poder expressivo dos materiais, conforme exemplo da Figura 9.
Figura 9. Técnica mista com colagem, Composição com Mona Lisa, do russo Kazimir Malevich 
(1878-1935). 
Fonte: Wikimedia Commons (2016).
No movimento moderno Surrealismo, você pode notar uma articulação 
imprevista dos elementos da colagem com o irracional, que leva ao limite a 
ideia de associação de elementos díspares e de construção de uma “realidade 
irreal”, conforme demonstrado na Figura 10.
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Figura 10. Obra surrealista de Salvador Dalí, Rosto de Mae West Podendo Ser Utilizado como Apar-
tamento Surrealista, de 1934-35, que utiliza guache, grafite e colagem sobre página de revista.
Fonte: VÍRUS DA ARTE & CIA., 2014
Nas artes plásticas brasileiras, as colagens foram testadas por diferentes 
artistas, por exemplo, Carlos Scliar (1920-2001), Piza (1928), Guignard (1896-
1962), Jorge de Lima (1893-1953) e Athos Bulcão (1918-2008).
Atualmente, a colagem contempla os trabalhos da artista plástica brasileira 
Beatriz Milhazes, que você pode observar na Figura 11. Pintora, gravadora e 
ilustradora, a carioca destaca-se em mostras internacionais e integra acervos 
de museus como o Museum of Modern Art (MoMa), Solomon R. Guggenheim 
Museum, The Metropolitan Musem of Art (Met), em Nova York, e o Museo 
Reina Sofia, em Madrid.
147Colagens e técnicas diversas
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Figura 11. Painel Samambaia (2009), de Beatriz Milhazes, confeccionado para a Fundação 
Cartier, em Paris.
Fonte: Dalbéra (2009).
A colagem é uma técnica com bastante controle na sua execução. Em geral, 
você consegue obter resultados pictóricos precisos, com elementos composi-
tivos bem-definidos pelas bordas e cores. A colagem é uma técnica rica, pois 
aceita diversos materiais com a possibilidade de tridimensionalização da obra, 
além de permitir que se trabalhe com exatidão os elementos compositivos, 
suas relações formais e espaço-formais.
Guache lavado
A técnica de guache lavado consiste em utilizar tinta guache e tinta nanquim 
em duas etapas, no mesmo suporte, que pode ser o papel. Segundo o dicionário 
Priberam da Língua Portuguesa “[...] o nanquim é um material corante preto 
originário da China e é preparada com negro-de-fumo, substância oriunda 
do carvão.” (PRIBERAM DICIONÁRIO, c2013b). Já o guache “[...] é uma 
preparação feita com substâncias corantes, goma arábica e mel, diluídas em 
água.” (PRIBERAM DICIONÁRIO, c2013a).
No guache lavado, o desenho é feito sobre o suporte de papel, preferencial-
mente adaptado para técnicas a úmido; depois, é passado sobre o desenho a 
tinta guache, comumente branca. Após breve secagem, o papel é todo coberto 
Colagens e técnicas diversas148
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com nanquim, geralmente preto. Então, o suporte é “lavado” em água corrente, 
daí o nome da técnica. 
Depois de lavado, as partes do desenho que foram cobertas com guache 
aparecem normalmente descobrindo o papel e revelando sua cor. Aquelas 
partes do suporte que não receberam guache permanecem com a cor do 
nanquim usado. Veja exemplos da técnica guache lavado nas Figura 12 e 13.
Figura 12. Folheto para divulgação de casa noturna usando a técnica de guache lavado, 
criado pelo aluno Deimerson Motta do curso de Design Gráfico.
Fonte: Imagem cedida por Deimerson Motta
149Colagens e técnicas diversasDA_U4_C09.indd 149 01/12/2017 17:01:15
Figura 13. Trabalho desenvolvido durante o curso de Desenho e Plástica, utilizando a técnica 
de guache lavado sobre papelão, de Carla Allegretti (1998), 45x65 cm.
Conforme a Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras (2017), 
o artista baiano Raimundo de Oliveira, gravador, escultor e desenhista, utilizou 
a técnica de guache lavado na primeira fase de sua produção artística. A obra de 
Raimundo de Oliveira se desenrolou no universo religioso, com santos, imagens 
e cenas bíblicas. Nas décadas de 1950 e 1960 predominaram as composições 
com cores sombrias e caráter expressionista. Suas figuras são marcadas por 
traços dolorosos e dramáticos, definidas com nanquim e contornos negros, 
como Cabeça de Cristo, 1957, Crucificado, s.d., e Moisés, 1960.
O guache lavado é uma técnica de efeitos pictóricos inconfundíveis. O 
preto quase sempre presente em função do uso do nanquim, a mescla da cor do 
papel com o residual do guache branco, as bordas pouco delimitadas e a marca 
deixada do sentido que a água escorre, são características únicas. O guache 
Colagens e técnicas diversas150
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lavado tem um processo de maior controle que a monotipia, por exemplo, mas 
sua riqueza ainda é maior com as imprecisões e os felizes acasos da técnica.
1. Qual das alternativas a seguir 
apresenta um exemplo de artista 
plástico que trabalha com a 
técnica de colagem? 
a) Beatriz Milhazes. 
b) Juan Gris. 
c) Pablo Picasso. 
d) Salvador Dali. 
e) Tarsila do Amaral. 
2. É um tipo de gravura que se 
obtém por meio do desenho ou 
pintura sobre uma superfície lisa 
e transferido para uma folha de 
papel com o uso da pressão do 
papel sobre o desenho, manual ou 
mecanicamente. Esta definição se 
refere a qual técnica? 
a) Monotipia. 
b) Guache lavado. 
c) Colagem.
d) Desenho de observação.
e) Pintura. 
3. Quem é considerado o 
inventor da monotipia?
a) O italiano Giovanni 
Benedetto Castiglione. 
b) O francês Edgar Degas.
c) O brasileiro Carlos Vergara. 
d) O espanhol Juan Gris. 
e) O russo Kazimir Malevich. 
4. Pelas características pictóricas de 
mistura entre desenho e pintura com 
resultados imprecisos e gestuais, 
manchas negras e figura em 
branco, a imagem correspondente 
a uma monotipia está em qual 
das seguintes alternativas?
a) 
Fonte: Wikimedia Commons (c2017b). 
b) 
Fonte: Imagem cedida por Vinícius Müller Becker
c) 
151Colagens e técnicas diversas
DA_U4_C09.indd 151 01/12/2017 17:01:18
d) 
Fonte: Wikipédia (2014a). 
e) 
Fonte: Yury Shchipakin/Shutterstock.com. 
5. É característica marcante 
da técnica de colagem:
a) a definição dos elementos 
compositivos. 
b) a imprecisão técnica.
c) o gestual marcado. 
d) a cor preto de fundo ou figura. 
e) a possibilidade de revelar 
a cor do suporte. 
DALBÉRA, J.-P. Beatriz Milhazes (Fondation Cartier). [S.l.]: Flickr, 2009. Disponível em: 
<https://www.flickr.com/photos/dalbera/3625301979>. Acesso em: 13 nov. 2017.
ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL DE ARTE E CULTURA BRASILEIRAS. Colagem. São Paulo: 
Itaú Cultural, 2017. Verbete. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/
termo369/colagem>. Acesso em: 30 out. 2017.
PRIBERAM DICIONÁRIO. Guache. [S.l.]: Priberam Informática, c2013a. Disponível em: 
<https://www.priberam.pt/dlpo/guache>. Acesso em: 30 out. 2017.
PRIBERAM DICIONÁRIO. Nan.quim. [S.l.]: Priberam Informática, c2013b. Disponível em: 
<https://www.priberam.pt/dlpo/nanquim>. Acesso em: 30 out. 2017.
SHRIMPTON, R. H. Monotipia: uma investigação técnica e artística. 2012. 116 f. Disserta-
ção (Mestrado em Comunicação, Cultura e Artes)–Universidade do Algarve, Faro, 2012. 
Disponível em: <https://sapientia.ualg.pt/bitstream/10400.1/3522/1/Monotipia170513.
pdf>. Acesso em: 30 out. 2017.
THE METROPOLITAN MUSEUM OF ART. Fruit dish and glass. New York: ARS, c2017. Dis-
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VÍRUS DA ARTE & CIA. Rosto de Mae West Podendo Ser Utilizado como Apartamento 
Surrealista. [S.l.: s.n.], 2014. Disponível em: <http://virusdaarte.net/dali-rosto-de-mae-
-west/>. Acesso em: 21 nov. 2017.
Colagens e técnicas diversas152
DA_U4_C09.indd 152 01/12/2017 17:01:20
https://www.flickr.com/photos/dalbera/3625301979
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/
https://www.priberam.pt/dlpo/guache
https://www.priberam.pt/dlpo/nanquim
https://sapientia.ualg.pt/bitstream/10400.1/3522/1/Monotipia170513.
https://www.metmuseum.org/exhibitions/view?oid=490612
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WIKIMEDIA COMMONS. Amadeo de Souza Cardoso. [S.l.: s.n.], c2017a. Disponível em: 
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WIKIMEDIA COMMONS. Composition with the Mona Lisa (inscribed ‘partial eclipse’). [S.l.: 
s.n.], 2016. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Kazimir_Male-
vich,_1914,_Composition_with_the_Mona_Lisa,_oil,_collage_and_graphite_on_
canvas,_62.5_%C3%97_49.3_cm,_Russian_Museum.jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017.
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la_boucle_d%27oreille.jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017.
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wikimedia.org/wiki/File:The_Fireside_MET_DT11921.jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017.
WIKIPÉDIA. La Piccola Madonna, Rafael. [S.l.: s.n.], 2014a. Disponível em: <https://
pt.wikipedia.org/wiki/Pintura_do_Renascimento#/media/File:Raffaello_Madonna_
Cowper.jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017.
WIKIPÉDIA. Monotipia de Carlos Vergara. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https://
pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Monotipia_de_carlos_vergara.jpg>. Acesso em: 13 
nov. 2017.
WIKIPÉDIA. Monotipo (gravura). [S.l.: s.n.], 2016. Disponível em: <https://pt.wikipedia.
org/wiki/Monotipo_(gravura)>. Acesso em: 13 nov. 2017.
WIKIPÉDIA. Stilleben mit Bordeuauxflasche (Bodegón con botella de Burdeos), 1919, Wer-
ner, Berlín. [S.l.: s.n.], 2002. Disponível em: <https://es.wikipedia.org/wiki/Juan_Gris#/
media/File:Juan_Gris_002.jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017.
WIKIPÉDIA. Vista da exposição de Carlos Vergara. [S.l.: s.n.], 2014b. Disponível em: <ht-
tps://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Sud%C3%A1rios_-_vista_da_exposicao.jpg>. 
Acesso em: 13 nov. 2017.
Leituras recomendadas
INSTITUTO MOREIRA SALLES. Por dentro dos acervos: glossário de técnicas e proces-
sos gráficos e fotográficos do século XIX. Rio de Janeiro: IMS, 2014. Disponível em: 
<https://ims.com.br/por-dentro-acervos/glossario-de-tecnicas-e-processos-graficos-
-e-fotograficos-do-seculo-xix/>. Acesso em: 13 nov. 2017.
MACIEL, N. D. G. O universo poético-mítico de Raimundo de Oliveira. 2009. Dissertação 
(Pós-Graduação em Artes Visuais)–Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009. 
Disponível em: <https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/9845/1/Macielparte1.pdf>. 
Acesso em: 30 out. 2017.
153Colagens e técnicas diversas
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https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/91/Amadeo_de_Souza-Car-
https://commons.wikimedia.org/wiki/File
http://wikimedia.org/wikipedia/commons/3/39/Edgar_Degas_-_Profil_perdu_%C3%A0_
https://commons.wikimedia.org/wiki/File
http://wikimedia.org/wiki/File
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pintura_do_Renascimento#/media/File
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro
https://pt.wikipedia/
https://es.wikipedia.org/wiki/Juan_Gris#/
tps://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro
https://ims.com.br/por-dentro-acervos/glossario-de-tecnicas-e-processos-graficos-
https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/9845/1/Macielparte1.pdf
MARTINS, L. R. Colagem: investigações em torno de uma técnicamoderna. ARS, São 
Paulo, v. 5, n. 10, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ar
ttext&pid=S1678-53202007000200006>. Acesso em: 13 nov. 2017.
MOSMANN, R.; SILVA, C. B.; BLAUTH, L. Xilogravura e monotipia como forma de 
expressão: marcas e memórias. Revista Conhecimento Online, Novo Hamburgo, ano 
6, v. 1, abr. 2014. Disponível em: <periodicos.feevale.br/seer/index.php/revistaconhe-
cimentoonline/article/view/214/191>. Acesso em: 30 out. 2017.
WEISS, L. Monotipias: algumas considerações. Cadernos de [Gravura], Campinas, n. 2, 
nov. 2003. Disponível em: <http://www.iar.unicamp.br/cpgravura/cadernosdegravura/
downloads/p2_GRAVURA_2_nov_2003.pdf>. Acesso em: 13 nov. 2017.
Colagens e técnicas diversas154
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http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ar
http://periodicos.feevale.br/seer/index.php/revistaconhe-
http://www.iar.unicamp.br/cpgravura/cadernosdegravura/
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Conteúdo:
DESENHO 
ARTÍSTICO
Juliana Wagner
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147
W133d Wagner, Juliana.
 Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes
 Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; 
 [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: 
 SAGAH, 2017.
 168 p. il. ; 22,5 cm
 ISBN 978-85-9502-241-6
 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea
 Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. 
 III.Título.
CDU 744.43
Revisão técnica:
Sabrina Assmann Lücke
Arquiteta e Urbanista 
Mestra em Ambiente e Desenvolvimento 
com ênfase em Planejamento Urbano
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Desenho de objetos 
tridimensionais
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Diferenciar os materiais básicos, instrumentos e superfícies de desenho.
 � Escolher a posição mais adequada para desenhar e empunhar o lápis.
 � Identificar as habilidades para elaboração de desenhos e os elementos 
de sua composição.
Introdução
Desenhar é a capacidade de observar e compreender as relações entre 
os elementos da composição. Contudo, antes de começar a desenhar, é 
preciso escolher o material adequado de desenho.
Neste capítulo você irá conhecer os materiais básicos para desenhar, 
além de aprender sobre como a posição do desenhista e a pega do lápis 
podem interferir no resultado da composição. Ainda, verá a técnica mais 
utilizada no desenho artístico, o desenho de observação, bem como as 
cinco habilidades básicas para desenhar.
Materiais e superfícies de desenho
A escolha do material adequado certamente contribui para a confecção de 
um bom desenho. Os materiais para desenho podem ser classificados em três 
categorias: profissional, universitário e escolar. 
Os materiais escolares são especialmente produzidos para serem atóxicos, 
e a diferença de manejo entre os materiais profissionais e universitários é 
pequena, embora as linhas profissionais sejam mais extensas e duráveis.
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Materiais
Grafite
O grafite não era muito usado como instrumento de desenho até 1795, quando 
passou a ser fabricado na forma de lápis com corpo de madeira pelo francês 
Nicholas Conté. Além da forma de lápis, apresentada na Figura 1, o grafite 
também está disponível na forma de bastões retangulares maciços e sem re-
vestimento, conforme você pode observar na Figura 2, lápis cilíndricos “sem 
madeira” e em pó, podendo ser aplicada diretamente à superfície do desenho.
Os grafites são classificados pela sua dureza, do mais macio, que resulta na 
cor preta e é classificado como B, ao mais duro, que resulta em um acinzentado 
e é classificado como H.
Escala do grafite mais duro ao mais macio é:
9H > 8H > 7H > 6H > 5H > 4H > 3H > 2H > H > HB > B > 
2B > 3B > 4B > 5B > 6B > 7B > 8B > 9B
Para rafes, desenhos e projetos a mão livre, recomenda-se o uso de lápis 
macio do tipo B. 
Figura 1. Lápis.
Fonte: Xiuxia Huang/Shutterstock.com.
Desenho de objetos tridimensionais156
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Figura 2. Grafite em barra.
Fonte: Shoptime (c2017).
Carvão vegetal
O carvão é considerado o mais antigo instrumento de desenho e é, atualmente, 
comercializado em duas formas: carvão vegetal e carvão comprimido.
O carvão vegetal em barra, veja exemplo na Figura 3, é feito com o car-
bono seco que sobra após a queima da madeira. A barra de carvão vegetal 
de melhor qualidade é o carvão de videira, um material seco e farelento que 
borra facilmente e necessita de fixador para aderir ao papel. 
Já o carvão comprimido, em forma de lápis, também apresentado na Figura 
3, é um instrumento de desenho mais versátil, feito de carvão vegetal em pó 
misturado com aglutinante. O aglutinante ajuda na aderência do pigmento à 
superfície do papel e enriquece a cor preta.
Figura 3. Carvão vegetal e carvão comprimido.
Fonte: Burhan Bunardi/Shutterstock.com.
157Desenho de objetos tridimensionais
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Superfícies
O sistema moderno de formatos de papel International Organization for Stan-
dardization (ISO) se baseia em uma observação feita pelo professor de física 
alemão Georg Christoph Lichtenberg que, em 1786, percebeu as vantagens 
de os tamanhos de papel terem uma razão entre altura e largura, ou seja, um 
papel com a razão de Lichtenberg mantém sua proporção quando é cortado 
pela metade. No sistema ISO os formatos vão de A4 até A0.
Tamanho
O tamanho padrão dos papéis varia de A0 a A8, veja os diferentes tamanhos 
de papéis conforme sua classificação:
A0 – 84,0 × 118,8 cm
A1 – 59,4 × 84,0 cm
A2 – 42,0 × 59,4 cm
A3 – 29,7 × 42,0 cm
A4 – 21,0 × 29,7 cm
A Figura 4 apresenta um modelo para que você tenha ideia de proporção 
entre os diferentes tamanhos de papel.
Figura 4. Tamanhos de papel.
Desenho de objetos tridimensionais158
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Além da série de tamanhos A, existem tamanhos intermediários, da série 
B e C, que são utilizados para envelopes. O Canadá e os Estados Unidos são 
os únicos países industrializados que não utilizam o sistema ISO. 
Você pode saber mais sobre as séries, formatos e usos dos variados tamanhos de papel 
no livro Fundamentos de Design Criativo (AMBROSE; HARRIS, 2012).
Fibra
Os papéis mais comuns são fabricados com fibras de madeira, já os mais 
nobres com fibras de algodão puro. Papéis de fibras de algodão são duráveis e 
permanentes, ou seja, mantém suas propriedades originais após muitos anos. 
Os papéis de fibras de madeira, por sua vez, precisam ser tratados quimica-
mente para obter um PH neutro e evitar o amarelamento e a deterioração.
Gramatura
Refere-se à espessura do papel e é expressa em gramas, portanto, quanto 
maior for a gramatura do papel maior será a sua grossura. As gramaturas 
variam comumente entre 90, 120, 180, 210, 240, 320 g/m2, mas existem outras 
gramaturas disponíveis, dependendo da aplicação do papel.
Indicação de uso
Veja as indicações de uso para os diferentes tipos de papel:
 � Papel sulfite: papel liso, conforme apresentado na Figura 5, utilizado
para esboços.
 � Papel para técnicas secas: papel liso ou texturizado, ilustrado na Figura 6, 
usado para desenhos com grafite, carvão, nanquim, pastel seco e oleoso.
 � Papel para técnicas úmidas: papel texturizado ou liso, indicado para
técnicas úmidas como aquarela e tinta acrílica.
 � Papel para marcador: papel de alta-alvura, especialmente desenvolvido
para marcadores.
159Desenho de objetos tridimensionais
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 � Papel vegetal: papel liso e translúcido para grafite, marcadores, nan-
quim, etc.
Mecânica do desenho
A posição para desenhar interfere no resultado final do desenho, portanto, o 
desenhista deve estar afastado do objeto desenhadocerca de 60 cm – mais 
ou menos um braço seu de distância – para obter uma visualização clara do 
objeto desenhado.
O desenhista também deve se manter em uma posição fixa, para não perder 
o ponto de observação. A posição da mesa, prancheta ou suporte de desenho 
deve formar um ângulo de 90° em relação à linha de visão para que o desenho 
não se deforme, conforme você pode observar na Figura 5.
Figura 5. Desenho de observação.
Fonte: Curtis (2015, p. 20).
Além da posição correta para desenhar, a pega do lápis pode permitir ou não 
uma maior movimentação do instrumento de desenho sobre a superfície do papel 
Desenho de objetos tridimensionais160
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e, desse modo, possibilitar uma maior fluidez e expressão do traçado. Tente uma 
empunhadura alternativa, conforme ilustrado na Figura 6, que proporcione um 
controle maior sobre a pressão da ponta do instrumento sobre o papel.
Figura 6. Desenho de observação. 
Fonte: Curtis (2015, p. 21).
Desenho de observação
O desenho de observação consiste na observação real do objeto tridimensional. 
Na técnica de observação in loco, apreendemos do objeto aquilo que é mais 
relevante, captamos a sua essência. Nesse processo, contamos com a ajuda 
dos posicionamentos corretos do papel e do desenhista e das habilidades de 
percepção necessárias para desenhar: percepção das bordas, dos espaços, dos 
relacionamentos, de luz e sombra e do todo.
O desenho de observação, além de propiciar o desenvolvimento de seu próprio 
traçado, produz um resultado personalizado, bem gestual e muito expressivo em 
todos os seus elementos, como as linhas, os preenchimentos, a luz e a sombra. 
Cinco habilidades básicas para desenhar
Segundo a autora Betty Edwards (2000), as cinco habilidades básicas para 
desenhar são: 
1. Percepção das bordas: os contornos dos objetos.
161Desenho de objetos tridimensionais
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2. Percepção dos espaços: as partes que preenchem os contornos e também 
as que ficam fora dele.
3. Percepção dos relacionamentos: as relações entre as partes do mesmo 
objeto, entre os objetos da cena ou, ainda, entre as figuras e o fundo, 
por exemplo, quando percebemos que a alça da xícara fica centralizada 
no seu bojo e que um dos alhos está na frente dos outros três.
4. Percepção de luz e sombra: é a percepção do claro – a parte que fica 
mais “para fora” dos objetos, e do escuro – a parte que fica mais “para 
dentro” dos objetos.
5. Percepção do todo: é a composição total da cena.
Observe, na Figura 7, essas habilidades básicas em um modelo de desenho.
Figura 7. Habilidades básicas de desenho.
Fonte: KUCO/Shutterstock.com.
Saiba mais sobre técnicas de preenchimento – tonalidade localizada, luz e sombra, 
hachura e textura – nos livros Desenho para Arquitetos, de Francis Ching (2012), e Desenho 
de Observação, de Brian Curtis (2015). 
Desenho de objetos tridimensionais162
DA_U4_C10.indd 162 01/12/2017 17:08:06
Evidenciando o elemento compositivo
A partir da técnica de observar, qualquer desenho pode ser construído com 
a utilização de linhas, superfícies e volumes, evidenciando mais ou menos o 
elemento compositivo, conforme você pode observar nas Figuras 8, 9 e 10. 
Figura 8. Desenho de Rembrandt, Pedro ao Leito de Morte de Tabitha (Kupferstichkabinett, 
Dresden) evidenciando linhas.
Fonte: Curtis (2015, p. 44).
Figura 9. Georges Seurat, Espetáculo Secundário do Circo (1887-1888, Museu Metropolitano 
de Arte de Nova York), evidenciando as superfícies do desenho.
Fonte: Curtis (2015, p. 288).
163Desenho de objetos tridimensionais
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Figura 10. William Hogarth, Absurdos de Perspectiva, 1754, gravura evidenciando volumes.
Fonte: Curtis (2015, p. 287).
A artista plástica e crítica de arte Fayga Ostrower (2013) em seu livro Universos da Arte 
apresenta vários exemplos de arte, arquitetura e design de trabalhos elaborados 
utilizando linhas, superfícies e volumes. Certamente, a escolha do material de desenho 
adequado, um bom grafite e um papel de qualidade, influenciam de forma positiva 
no resultado de uma composição. Porém, um desenho simples, elaborado somente 
tendo linhas como seu elemento primário, pode ser muito interessante e valoroso 
se for executado em um gesto livre, com um traço próprio e original. Um traçado 
personalizado pode ser adquirido com o exercício diário do desenho, experimentando 
técnicas e testando materiais.
Desenho de objetos tridimensionais164
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1. Avalie o desenho de observação de uma cafeteira a seguir e, depois assinale a
alternativa que apresenta o que devemos observar quando avaliamos um desenho 
de observação?
a) Observar se as formas elementares do objeto 
foram representadas no desenho. 
b) Observar se a reprodução do objeto desenhado é fidedigna. 
c) Observar se o acabamento do desenho final está perfeito. 
d) Observar o fator estético. 
e) Observar se as medidas condizentes com a realidade. 
2. Observe o desenho de observação de uma cafeteira do tipo italiana, a seguir.
Sobre as cinco habilidades básicas para desenhar relacionadas a esse desenho, é
correto afirmar que:
Fonte: Imagem cedida por Daniela Duarte Alves.
a) a percepção do todo está relacionada com a percepção das bordas, dos espaços, 
dos relacionamentos e da luz e sombra, além da proporção do objeto desenhado.
b) as bordas do desenho não interferem na proporção do objeto. 
c) a proporção do objeto independe da percepção do todo.
d) a observância dos relacionamentos é irrelevante na percepção do todo. 
e) a percepção espaços não alteram a proporção do objeto.
165Desenho de objetos tridimensionais
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3. O desenho de observação a seguir evidencia qual elemento compositivo?
Fonte: Nuh Ugur Karsli/Shutterstock.com.
a) A Linha. 
b) A superfície. 
c) O volume. 
d) O Ritmo.
e) A assimetria.
4. Sobre as cinco habilidades básicas para desenhar relacionadas aos desenhos de
observação a seguir, assinale a alternativa que demostra corretamente a percepção 
das bordas, espaços, relacionamentos, luz e sombra que o desenho apresenta.
Fonte: adaptada de psynovec/Shutterstock.com
a) 
b) 
c) 
d) 
Desenho de objetos tridimensionais166
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e) 
5. O desenho de observação a seguir evidencia, além do elemento compositivo,
um recurso compositivo que o torna interessante visualmente. Que elemento
compositivo e que recurso são esses?
Fonte: babayuka/Shutterstock.com. 
a) Linha e profundidade. 
b) Superfície e vazio. 
c) Volume e profundidade. 
d) Linha e vazio. 
e) Superfície e profundidade. 
AMBROSE, G.; HARRIS, P. Fundamentos de design criativo: uma introdução abrangente 
aos princípios do design criativo, apresentados por meio de explicações detalhadas 
e ilustrados com exemplos do design contemporâneo. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 
2012.
CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.
CURTIS, B. Desenho de observação. 2. ed. Porto Alegre: McGraw-Hill, 2015.
EDWARDS, B. Desenhando com o lado direito do cérebro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.
OSTROWER, F. Universos da arte. Campinas: Unicamp, 2013.
SHOPTIME. Grafite em barra Caran D’ache Grafcube 015 mm 6b 0782.256. Rio de Janeiro, 
c2017. Disponível em: <https://goo.gl/ACcczb>. Acesso em: 22 nov. 2017
Leitura recomendada
OCVIRK, O. G. et al. Fundamentos de arte. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.
167Desenho de objetos tridimensionais
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https://goo.gl/ACcczb
Gabaritos168
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livro, acesse o link abaixo ou utilize o código QR 
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Gabaritos
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da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Conteúdo:DESENHO 
ARTÍSTICO
Juliana Wagner
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147
W133d Wagner, Juliana.
 Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes
 Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; 
 [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: 
 SAGAH, 2017.
 168 p. il. ; 22,5 cm
 ISBN 978-85-9502-241-6
 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea
 Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. 
 III.Título.
CDU 744.43
Revisão técnica:
Sabrina Assmann Lücke
Arquiteta e Urbanista 
Mestra em Ambiente e Desenvolvimento 
com ênfase em Planejamento Urbano
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Composição: noções básicas 
e conceitos fundamentais
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Interpretar uma composição por meio dos elementos compositivos
linha, superfície e volume.
 � Diferenciar as relações formais ao analisar uma composição.
 � Identificar as relações espaço-formais na leitura de composições.
Introdução
Os elementos compositivos visuais e formais, ou simplesmente formas, estão 
presentes em composições de qualquer natureza, seja arquitetônica, artística 
ou de design. A escolha dos elementos visuais e sua ordenação no espaço 
compositivo qualificam uma boa composição do ponto de vista formal. 
Neste capítulo, você irá estudar o que é uma composição e seus 
aspectos construtivos, por meio dos elementos compositivos da lin-
guagem visual.
Composição e elementos compositivos
Você sabe o que é uma composição? Composição, segundo o dicionário Pri-
beram, é o todo, proveniente da reunião de partes ou o modo de reunir partes 
para formar um todo (PRIBERAM DICIONÁRIO, c2013). 
A Figura 1 ilustrando uma paisagem nevada, com um chalé e árvores, é 
uma composição, é o todo. Esse todo é composto pelo chão nevado, pelo céu, 
pelas árvores e pelo chalé. O chão, o céu, as árvores e o chalé são os elementos 
que compõe o todo da paisagem.
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Figura 1. Paisagem nevada.
Fonte: Dmitry Savin/Shutterstock.com.
Ao transcrever elementos que compõe a paisagem para elementos de 
uma composição artística, cada parte que compõe o todo é chamada de ele-
mento compositivo ou forma ou, ainda, elemento visual. Na Figura 2, você 
pode observar a tradução das partes que formam a paisagem em elementos 
compositivos.
Figura 2. Elementos compositivos da paisagem.
Composição: noções básicas e conceitos fundamentais110
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O tronco das árvores são as linhas, o chalé é um volume e as paredes e o 
telhado do chalé são as superfícies. Na verdade, pode-se dizer que os elementos 
compositivos compõem todas as coisas e, se observarmos bem, eles podem 
ser percebidos em tudo aquilo que nos rodeia!
Linha, superfície e volume
Segundo a autora Fayga Ostrower (2003) os elementos compositivos da lin-
guagem visual (veja a Figura 3) são cinco:
 � linha;
 � superfície;
 � volume;
 � luz;
 � cor.
Figura 3. Elementos compositivos.
Você vai conhecer, a seguir, três desses elementos: a linha, a superfície 
e o volume.
Linha
Conforme Ostrower (2003), a linha é um elemento unidirecional, ou seja, 
possui uma só dimensão: o comprimento. Observe o exemplo da Figura 4.
111Composição: noções básicas e conceitos fundamentais
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Figura 4. Linha. 
De acordo com o autor Wucius Wong (2010), as formas enquanto linhas podem 
ser classificadas em: geométricas, orgânicas, retilíneas, irregulares e outras:
 � Geométricas: construídas matematicamente.
 � Orgânicas: com curvas livres e fluidas.
 � Retilíneas: linhas retas que não se relacionam matematicamente.
 � Irregulares: associação de linhas retas e curvas que não se relacionam 
matematicamente.
Observe os modelos de classificação das linhas na Figura 5.
Figura 5. Tipos de linhas.
Composição: noções básicas e conceitos fundamentais112
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Superfície
Conforme Ostrower (2003), a superfície é um elemento determinado pela 
junção de diferentes linhas ou pela mudança de direção de uma linha reta ou 
curva, conforme apresentado na Figura 6. A superfície possui duas dimensões, 
a altura e o comprimento.
Figura 6. Superfície.
Segundo Wong (2010), as formas enquanto superfícies também podem ser 
classificadas em geométricas, orgânicas, retilíneas e irregulares, entre outras, 
como você pode ver na Figura 7.
Figura 7. Tipos de superfície.
113Composição: noções básicas e conceitos fundamentais
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Ostrower (2003), por sua vez, classifica as superfícies de acordo com o as-
pecto de suas margens em fechadas ou abertas, como representado na Figura 8.
Figura 8. Classificação das superfícies de acordo com as margens.
Volume
O volume é um elemento formado pelo agrupamento das superfícies, de acordo 
com o autor Christian Leborg (2015), e caracteriza-se por três dimensões: 
largura, altura e profundidade. Observe o exemplo na Figura 9.
Figura 9. Volume. 
Composição: noções básicas e conceitos fundamentais114
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Segundo Wong (2010), as formas enquanto volumes também podem ser 
classificadas em geométricas, orgânicas, retilíneas, irregulares e outras, como 
demonstrado na Figura 10.
Figura 10. Classificação do volume. 
Relações formais
As relações formais descrevem as características dos elementos compositivos 
presentes, dispostos e combinados na composição: quantos são, quais são, são 
grandes ou pequenos, e assim por diante.
Semelhanças e diferenças
Ostrower (2003) observa a relação entre os elementos de composição por 
meio de semelhanças e diferenças de forma, tamanho, proporção, orientação 
e posição, como representado na Figura 11. Algumas diferenças são mais 
facilmente identificadas, como as de forma e tamanho.
115Composição: noções básicas e conceitos fundamentais
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Figura 11. Relações formais.
Ritmo e contraste
Ostrower (2003) também indica que as semelhanças entre os elementos com-
positivos podem originar os ritmos, e as diferenças, os contrastes.
Os ritmos são constituídos por semelhanças repetidas e organizadas. Já os 
contrastes se encontram em grandes diferenças, conforme você pode observar 
na Figura 12.
Figura 12. Ritmo e contraste.
Composição: noções básicas e conceitos fundamentais116
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Para haver ritmo em uma composição você precisa se imaginar “dançando” ela. Em 
um ritmo de repetição você dançaria um passo para a direita e outro para a esquerda, 
conforme representação da Figura 13.
Figura 13. Exemplo de ritmo de repetição.
Em um ritmo alternado, você poderia dançar um passo atrás e dois para frente, 
como exemplificado na Figura 14.
Figura 14. Exemplo de ritmo alternado.
Em um ritmo decrescente, você pode se imaginar dançando cada vez mais len-
tamente, até a música acabar, como representado na Figura 15. No ritmo crescente, 
acontece o contrário.
Figura 15. Exemplo de ritmo decrescente.
Já para haver contraste em uma composição, ela deve ter o efeito “uau” no espec-
tador, como se ele levasse um susto. Uma pequena diferença não impacta, mas uma 
grande, sim (veja a Figura 16).
(a) (b) 
Figura 16. (a) Pequena diferença. (b) Contraste.
Fonte: Eric Isselee/Shutterstock.com.
117Composição: noções básicas e conceitos fundamentais
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Relações espaço-formais
São as relações entre os elementos compositivos e o espaço de composição 
em que estão inseridos.
Orientação espacial
A orientação espacial refere-se ao peso visual dos elementos de composição 
no espaço. Ostrower (2003) entende que linhas pesam menos que superfícies, 
superfícies pesam menos que volumes, assim como formas orgânicas pesam 
menos que formas geométricas. 
Segundo o autor Rudolph Arnheim (2000), a parteinferior do espaço de 
composição recebe melhor os elementos compositivos mais pesados, assim 
como a lateral esquerda. Por isso, o peso visual dos elementos compositivos 
define a orientação espacial. Observe a ilustração da Figura 17.
Figura 17. Relação espaço-formais. 
Equilíbrio de simetria
Conforme Ostrower (2003), a simetria ocorre quando em um eixo imaginário 
horizontal, vertical ou diagonal pode-se observar o efeito de espelhamento 
entre os elementos da composição. No equilíbrio de simetria, a orientação 
espacial também é definida pelo peso visual dos elementos compositivos. Veja 
a exemplificação disso na Figura 18.
Composição: noções básicas e conceitos fundamentais118
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Figura 18. Equilíbrio de simetria.
A simetria perfeita, continua a autora, acontece quando nos três eixos 
imaginários (horizontal, vertical e diagonal) pode-se observar o efeito de 
espelhamento entre os elementos de composição. Na simetria perfeita, quando 
os elementos compositivos estão centralizados no espaço, pode-se usar qualquer 
orientação espacial, como você pode ver na Figura 19.
Figura 19. Simetria perfeita.
119Composição: noções básicas e conceitos fundamentais
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Equilíbrio de assimetria
A assimetria ocorre quando em nenhum dos eixos imaginários (horizontal, 
vertical e diagonal) é possível observar o efeito de espelhamento entre os 
elementos de composição. No equilíbrio de assimetria, a orientação espacial 
sempre é definida pelo peso visual dos elementos compositivos. Veja o exemplo 
da Figura 20.
Figura 20. Equilíbrio de assimetria. 
Movimento visual
Movimento visual, de acordo com a definição de Ostrower (2003), é a capa-
cidade que os elementos visuais obtêm, pela sua ordenação, de fazer com que 
os olhos do espectador percorram uma grande parte do espaço compositivo. 
Observe um exemplo na Figura 21.
Composição: noções básicas e conceitos fundamentais120
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Figura 21. Movimento visual.
Os elementos compositivos, suas relações formais e espaço-formais nos dão 
uma compreensão racional e material de composição. Eles tornam o espaço 
compositivo organizado, formalmente rico e atraente aos olhos, prendendo a 
atenção do espectador.
A monografia de conclusão de curso disponível no link a seguir (ZATTERA, 2016) trata 
da identificação dos elementos formais e suas relações em uma imagem bidimensional 
de capa de livro. 
https://goo.gl/hVJ9Ph
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https://goo.gl/hVJ9Ph
1. Observe a imagem a seguir, identificando os elementos visuais 
da composição. Em seguida, assinale a alternativa correta.
Fonte: Panupong Boonsuebchart / Shutterstock.com.
a) A composição é formada pelo equilíbrio de linhas e superfícies 
orgânicas e por volumes e superfícies geométricas. 
b) A composição é formada apenas por volumes geométricos. 
c) A composição é formada por superfícies e volumes geométricos. 
d) A composição não apresenta nenhum elemento visual. 
e) A composição contempla somente formas orgânicas. 
2. Identifique a alternativa que conceitua a relação formal de ritmo corretamente.
a) Ritmo é constituído pela repetição ordenada de 
elementos compositivos semelhantes ou iguais. 
b) Qualquer composição com elementos semelhantes 
constitui uma composição de ritmo. 
c) Ritmo é o mesmo que semelhança. 
d) A ordenação é dispensável na composição do ritmo. 
e) O ritmo pode ser constituído de elementos compositivos diferentes. 
3. Identifique a alternativa que apresenta a relação formal de ritmo.
a) 
b) 
c) 
d) 
e) 
Composição: noções básicas e conceitos fundamentais122
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4. Assinale a alternativa que apresenta uma orientação espacial adequada.
a) 
b) 
c) 
d) 
e) Nenhuma das opções de 
orientação espacial é adequada, 
visto que os pesos visuais 
não são equilibrados. 
5. Indique a opção em que a composição apresenta a relação espaço-formal
movimento visual.
a) 
b) 
c) 
d) 
e) 
123Composição: noções básicas e conceitos fundamentais
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ARNHEIM, R. Arte e percepção visual. 13. ed. São Paulo: Pioneira, 2000.
LEBORG, C. Gramática visual. São Paulo: GG BRASIL, 2015.
OSTROWER, F. Universos da arte. 32. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003.
PRIBERAM DICIONÁRIO. Com.po.si.ção. [S.l.]: Priberam Informática, c2013. Disponível 
em: <https://www.priberam.pt/dlpo/composi%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 28 
nov. 2017. 
WONG, W. Princípios de forma e desenho. 2. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.
ZATTERA, I. G. Comunicação visual e ilustração: análise da imagem na capa de livro 
de literatura de fantasia. 2016. Monografia (Bacharelado)–Universidade de Caxias do 
Sul, Caxias do Sul, 2016.
Leituras recomendadas
CHING, F. Arquitetura: forma, espaço e ordem. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.
CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.
CHING, F.; ECKLER, J. F. Introdução à arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2013.
Composição: noções básicas e conceitos fundamentais124
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https://www.priberam.pt/dlpo/composi%C3%A7%C3%A3o
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Conteúdo:
	d67beaed-2cdd-443e-ad0a-017f70f624d8.pdf
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	d6fe86ad-02e9-4f9f-85b8-22102722f61f.pdf
	DA_U2_C04
	3c84ad8e-2d91-40d5-a8d2-b7d9c9c26110.pdf
	DA_U2_C05
	84553edc-f4db-4c1c-8cb6-88d37c2bf020.pdf
	DA_U2_C06
	8e978c7e-8f0d-4e3f-adb3-f30c1a3a736f.pdf
	DA_U1_C01
	4b0f0534-8c5b-4017-b092-baa19cd29c1b.pdf
	DA_U3_C08
	25c00ca3-f2ac-47b8-95c0-2a0f563ac1a6.pdf
	DA_U4_C09
	84483f96-f9b2-4f80-9f3a-d371e1d7c38e.pdf
	DA_U4_C10
	DA_Gabaritos
	7f09deba-5897-4fbc-8a67-ea95f6e54abf.pdf
	DA_U3_C07

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