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DESENHO ARTÍSTICO Juliana Wagner Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147 W133d Wagner, Juliana. Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: SAGAH, 2017. 168 p. il. ; 22,5 cm ISBN 978-85-9502-241-6 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. III.Título. CDU 744.43 Revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke Arquiteta e Urbanista Mestra em Ambiente e Desenvolvimento com ênfase em Planejamento Urbano DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43 Luz e sombra Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer o uso de luz e sombra como elemento básico para pro- duzir volumetria � Definir a fonte de luz e a luz refletida dos objetos � Aplicar as técnicas de sombra própria e sombra projetada Introdução Neste capítulo, você irá estudar o conceito e a aplicação de luz e sombra nos desenhos. Luz e sombra são os elementos básicos para gerar o efeito de volume nos objetos, sem eles não é possível representar a tridimen- sionalidade nos desenhos. A descoberta da utilização de claro e escuro na história da arte mo- dificou radicalmente os parâmetros de representação que se conheciam até então. Na arquitetura, a luz e a sombra são basicamente elementos que fazem parte de sua constituição. A correta representação desses elementos é essencial para compreensão e apresentação dos estudos arquitetônicos. Conceito de luz e sombra Para transformar um desenho linear, bidimensional, em um desenho tridimen- sional, é imprescindível que você utilize os efeitos de luz e sombra. Assim como quando observamos elementos reais, nossos olhos só conseguem distinguir as dimensões de profundidade. Caso um objeto esteja sob luz intensa por todos os lados, ficará totalmente iluminado e sem contraste, caso não esteja sob nenhuma fonte de luz, ficará completamente escuro e também não será possível perceber sua volumetria. Ao olhar para os objetos, o que você enxerga é a reflexão da luz sobre as superfícies. A reflexão pode variar conforme a fonte luminosa, o tipo de DA_U2_C06.indd 95 01/12/2017 16:59:27 material das superfícies e as interferências dos demais objetos no fluxo de luz. As sombras visíveis representam, na verdade, a ausência de luz. A utilização dos efeitos de luz e sombra foi a base que modificou radical- mente a arte na história. Na arte antiga, como a dos egípcios (veja a Figura 1), os desenhos não possuíam esses elementos na sua composição, portanto, o resultado eram desenhos sem profundidade, em duas dimensões e com aparência pouco realista. Figura 1. Ilustração egípcia em que é possível perceber a ausência de profundidade e variação de tons sombreados na técnica utilizada. Fonte: Vectomart/Shutterstock.com. No Renascimento europeu, principalmente nas obras de Leonardo da Vinci, começam a ser valorizados os efeitos de luz e sombra nas artes. Nesta época, surge o termo chiaroscuro, que significa claro e escuro em italiano. Esta geração de artes renomadas ficou marcada pela utilização da luz em suas Luz e sombra96 DA_U2_C06.indd 96 01/12/2017 16:59:27 obras. Leonardo da Vinci desenvolveu uma técnica conhecida como sfumato, que significava o tratamento das sombras sem linhas ou fronteiras, em forma de degrade e esfumaçadas. Essa técnica gerava um efeito bem mais leve das sombras na pintura e foi muito importante principalmente para as tonalidades em rostos. Você pode observar isso na Figura 2. Figura 2. Monalisa, de Leonardo da Vinci. Pintura com trabalho de sombreamento usando a técnica sfumato. Fonte: Oleg Golovnev/Shutterstock.com. Após a consolidação da importância de luz e sombra como elementos bási- cos na arte, no século XVI, alguns artistas levaram a experiência realista da luz para outro nível. Durante a época Barroca, os artistas passaram a utilizar esses efeitos para demonstrar as emoções das cenas. O uso do contraste extremo, com sombras bem escuras e os pontos claros muito iluminados, geraram cenas 97Luz e sombra DA_U2_C06.indd 97 01/12/2017 16:59:28 muito expressivas. Essa tendência foi chamada de “Tenebrismo”. Observe o uso de luz e sombra como expressão de sentimentos de forma dramática na Figura 3. Figura 3. Madona de Loreto, arte de Caravaggio (1604). Fonte: Renata Sedmakova/Shutterstock.com. Assim como ocorreu ao longo da história da arte, o importante ao realizar um desenho é buscar o equilíbrio entre os contrastes, procurando atribuir a volumetria real dos objetos, mas sem pesar demais. Luz O primeiro passo para iniciar o trabalho de iluminação no desenho é a defini- ção da fonte de luz. Em termos gerais, podemos considerar como fonte a luz Luz e sombra98 DA_U2_C06.indd 98 01/12/2017 16:59:29 natural (sol) ou a luz artificial (luminárias). É possível também utilizar uma combinação dos dois tipos de fontes, vindas de direções variadas. Conforme o tipo e a posição da fonte de luz, as áreas claras e as sombras ficarão adequadas para cada situação específica. No caso de optar pelo uso de iluminação natural, você deve atentar para gerar uma luz mais difusa no ambiente, pois o índice de reflexão será maior. Excetua-se dessa situação casos em que a luz natural esteja adentrando o ambiente por um orifício muito pequeno, o que deixará a luz focada internamente. Na Figura 4 você pode observar exemplos de luz forte e luz difusa. Figura 4. Demonstração dos efeitos com luz forte e luz difusa sobre os objetos. Fonte: Ching (2012, p. 52). A luz natural vinda do alto cria sombras paralelas aos objetos; já a luz artificial, que ilumina de forma focada e limitada, cria sombras divergentes. A observação de objetos reais sob a incidência de diversas posições e tipos de luz é fundamental para a compreensão e melhor aplicação desses conceitos. Na Figura 5 são apresentados diferentes exemplos da incidência da luz sobre objetos. 99Luz e sombra DA_U2_C06.indd 99 01/12/2017 16:59:30 Figura 5. Exemplos de direcionamento da fonte de luz sobre os objetos. Fonte: Ching (2012, p. 53). Em termos gráficos, a incidência de luz é a ausência de preenchimento, ou seja, é importante que, quanto maior for o contraste entre as faces adjacentes no desenho, mais iluminada seja a parte clara. Luz e sombra100 DA_U2_C06.indd 100 01/12/2017 16:59:31 Neste momento do desenho, a orientação é demarcar a posição da fonte de luz, o tipo de fonte que será utilizada e traçar suavemente no desenho a direção que ela fará sobre os objetos. Após este lançamento, é possível avaliar os trechos que deverão ficar sem preenchimento, nos quais a luz incidirá diretamente. Já devem ser avaliados, também, os locais onde o desenho ficará sombreado. Além da ausência de preenchimento, é indicado utilizar a borracha para valorizar ainda mais as áreas claras, gerando mais contraste. No desenho, a borracha é tão importante quanto o lápis. Observe a iluminação da Figura 6. Figura 6. Desenho de cena interna com iluminação artificial. Observe os trechos mais claros próximos às luminárias, além do formato de sombreamento resultante deste tipo de iluminação. Fonte: Doyle (2002, p. 122). 101Luz e sombra DA_U2_C06.indd 101 01/12/2017 16:59:33 Quando um objeto está sobre uma superfície, deve-se analisar os efeitos de reflexão gerados por essa superfície de apoio. O trecho do objeto que estiver próximo à super- fície terá uma área iluminada, mesmo que seja na zona de sombreamento, em razão da reflexão. No exemplo da Figura 7, você pode ver que a parte inferior da esfera está iluminada por um degrade feito com lápis. Figura 7. Esfera sobre superfície. A fonte de luz está posicionada em um ponto superior e à esquerda do objeto. Fonte: Egle Lipeikaite/Shutterstock.com. Sombras As sombrassão a representação do efeito que a iluminação gera sobre os objetos. Elas são fundamentais pelo delineado das formas e a representação de profundidade. Existem basicamente dois tipos de sombras: as sombras próprias e as sombras projetadas. As sombras próprias são aquelas geradas nas próprias faces do objeto, seja por ausência de luz ou por interferência de outros objetos. As sombras projetadas consistem naquelas que o objeto produz sobre outras faces, como superfícies de apoio ou objetos adjacentes. Além desses dois tipos de sombra, temos também outros elementos, como reflexos, luz plena e meia sombra. Os reflexos são produzidos pela incidência de luz em objetos ou superfícies vizinhas e tornam a sombra da face que recebe a luz mais clara, portanto, devem ser considerados no desenho. Luz e sombra102 DA_U2_C06.indd 102 01/12/2017 16:59:35 Já as zonas de transição entre as áreas de sombra e a as áreas iluminadas são chamadas de meia sombra ou meio tom. No desenho a meia sombra, esta deve ser representada com menos intensidade, gerando um degrade entre a zona clara e a sombra própria do objeto. A presença ou não destes elementos varia muito conforme o tipo de cena, os objetos existentes e o tipo de iluminação. Por isso, as sombras devem ser avaliadas e desenvolvidas em cada situação específica. Na Figura 8 você pode ver exemplos de luz e sombra. Figura 8. Ilustração que demonstra os efeitos de luz e sombra no objeto (sugestão de desenho para reprodução). Para iniciar o trabalho de sombreamento, a sugestão é lançar formas ge- ométricas simples em um papel, preferencialmente mais espesso e poroso. Utilize um lápis macio, o grafite 4B, por exemplo, para facilitar a graficação das sombras. 103Luz e sombra DA_U2_C06.indd 103 01/12/2017 16:59:36 Após desenhar as formas básicas e definir o posicionamento e a direção da fonte de luz, você deve estudar o formato que as sombras terão nos objetos e as sombras projetadas. A melhor forma de compreender o funcionamento das sombras é iniciando com desenhos de observação, no qual o desenho será uma reprodução da realidade. Pratique esse exercício com os mesmos objetos e a fonte de luz posicionada em locais diferentes, pois, assim, será possível analisar o impacto que a luz gera no conjunto de objetos. As sombras podem ser lançadas com o uso da técnica de hachuras paralelas e cruzadas, nas quais o escurecimento é feito utilizando linhas. Podem também ser feitas com movimentos circulares contínuos. Outra técnica bastante utilizada é o sombreamento misto, no qual se aplicam rabiscos de grafite sobre o papel e, em seguida, os esfumaça, utilizando os dedos, um papel macio ou com o auxílio de esfuminho. A ideia de esfumar auxilia no desenvolvimento do degrade entre as tonalidades. Caso utilize algum método com tracejado de linhas, elas devem ser espaçadas ao longo da sombra, para suavizar até chegar ao ponto de claridade total. Você precisa estar atento para não pesar demais nas sombras, deixando o desenho desequilibrado. O ideal é trabalhar lentamente, sobrepondo as man- chas para escurecer aos poucos, evitando os excessos. As sombras próprias tendem a ser mais claras que as projetadas, porém isso não é uma regra e deve ser avaliada em cada caso. Observe, a seguir, os exemplos apresentados nas Figuras 9, 10 e 11. Figura 9. Desenho de figuras geométricas. Observar os pontos de claridade, sombra própria e sombra projetada. As sombras, especialmente as projetadas, foram esfumadas para uma maior uniformidade. Fonte: Oana_Unciuleanu/Shuterstock.com. Luz e sombra104 DA_U2_C06.indd 104 01/12/2017 16:59:37 Você pode perceber, na Figura 9, que os trechos imediatos onde os objetos encontram na superfície de apoio possuem uma linha bem intensa de sombra, pois é um local que praticamente não recebe incidência de luz. Figura 10. Cubo cujo sombreamento próprio e projetado foi feito utilizando a técnica de hachuras. Fonte: Risovanna/Shutterstock.com. Figura 11. Croqui feito com grande contraste entre claro e escuro, gerando um desenho bastante expressivo. Fonte: Rana Hasanova/Shutterstock.com. 105Luz e sombra DA_U2_C06.indd 105 01/12/2017 16:59:38 A utilização de luz e sombra nos desenhos de arquitetura é indispensável, pois são fundamentais para a compreensão das volumetrias e profundidades, além da relação entre elementos das edificações. As técnicas citadas servem como exercícios iniciais para o treinamento da percepção das relações entre claro e escuro e para desenvolver os métodos de desenho que serão mais adequados para cada um. Luz e sombra106 DA_U2_C06.indd 106 01/12/2017 16:59:38 CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisa- gistas e designers de interiores. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. Leituras recomendadas CORTOPASSI, L. Claro-escuro. [S.l.]: Tudo sobre Pintura, 2012. Disponível em: <http:// lucianocortopassipordentrodapintura.blogspot.com.br/2012/11/claro-escuro-luciano- -cortopassi.html>. Acesso em: 11 nov. 2017. PORTO, G. Tenebrismo. [S.l.]: InfoEscola, c2006-2017. Disponível em: <https://www. infoescola.com/movimentos-artisticos/tenebrismo/>. Acesso em: 12 nov. 2017. WIKIPÉDIA. Sfumato. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/ Sfumato>. Acesso em: 12 nov. 2017. Conteúdo: DESENHO ARTÍSTICO Diana Lemos Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147 W133d Wagner, Juliana. Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: SAGAH, 2017. 168 p. il. ; 22,5 cm ISBN 978-85-9502-241-6 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. III.Título. CDU 744.43 Revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke Arquiteta e Urbanista Mestra em Ambiente e Desenvolvimento com ênfase em Planejamento Urbano DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43 Desenho de observação e de memória Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Descrever as técnicas de desenho de linhas a mão livre com grafite, dos elementos da forma de objetos e da arquitetura. � Identificar as técnicas de proporções de desenho de observação e a mão livre. � Listar as aplicações dos métodos de projeções cônica e paralela. Introdução O desenho a mão livre é uma ferramenta valiosa para os arquitetos ur- banistas, pois permite expressar a maioria das suas ideias rapidamente e de forma eficaz. Algumas pessoas criativas possuem essa habilidade, outras, contudo, podem desenvolvê-la. O desenho de observação e de memória é uma forma extraordinária de expandir essa habilidade, pois fortalecer a capacidade de ver e de representar, como você irá perceber. Neste texto, você irá assimilar as técnicas de desenho de linhas, for- matos e proporções e os métodos de projeção, para esboçar a figura humana e os elementos naturais e arquitetônicos. Técnicas de desenho de linhas e de formatos A vantagem do desenho a mão livre é que você vai precisar de poucos ins- trumentos (papel, lápis grafite e borracha). Objetivos mais elaborados podem requerer de você outras técnicas, como a utilização do carvão vegetal e dos creions. Contudo, aprender a desenhar uma variedade de técnicas mecânicas e suas teorias não é uma tarefa simples. Portanto, para começar, neste tópico, você vai aprender a técnica do lápis grafite e os elementos da forma e do espaço, apresentados não como um fim em si mesmo, mas como significado DA_U1_C03.indd 49 01/12/2017 16:51:45 para trazer subsídios para o desenho da observação, conforme a estrutura de conhecimento a seguir: 1. Escolher o tipo de lápis, borracha e papel para atender aos seus objetivos. 2. Aprender a desenharlinhas a mão livre. 3. Identificar os elementos da forma. Tipos de lápis, borracha e papel “A efetividade geral de um desenho é determinada, acima de tudo, pela quali- dade, variedade e sensibilidade dos traços que o compõem.” (CURTIS, 2015, p. 3). Esta qualidade está diretamente relacionada à escolha do lápis e do papel e em como você aplica as técnicas de desenho de observação. Os grafites de lápis e de lapiseiras são classificados como dura, média e macia e suas aplicações podem ser observadas na Tabela 1. Fonte: Adaptada de Giesecke et al. (2002). Classificação Grafite Quando aplicar Dura 9H/8H/7H/6H/5H/4H/ Usar quando for necessária extrema precisão em desenhos técnicos, pois as linhas tendem a ser muito claras. Média 3H/2H/H/F/HB/B/ Usar para esboços técnicos e letreiros. HB e B são usados para desenhos a mão livre, para desenhar linhas finas. Macia 2B/3B/4B/5B/6B/7B/ Usar, essencialmente, para desenhos a mão livre, trabalhos artísticos de vários tipos e para detalhes em tamanho natural do desenho arquitetônico. Tabela 1. Classificação dos grafites. As lapiseiras automáticas são fabricadas para grafites de 0,3 mm, 0,5 mm, 0,7 mm e 0,9 mm. A primeira é adequada ao desenho técnico fino; a segunda, para escrever e traçar linhas finas no desenho técnico e a mão livre; a terceira, para uso geral no desenho a mão livre; e a de 0,9 mm, para executar linhas Desenho de observação e de memória50 DA_U1_C03.indd 50 01/12/2017 16:51:46 grossas. Associado ao lápis, você vai precisar de uma borracha macia, que é a borracha plástica. Por deixar muitos resíduos, você poderá precisar de um bigode, espanador especial para desenho, para limpar a sua superfície. Você vai encontrar uma grande variedade de tamanhos, pesos e superfícies de papel. O tamanho varia segundo os formatos técnicos (A4, A3, A2, A1 e A0), podendo ser folhas soltas ou blocos de desenho, inclusive quadriculados. Você pode até mesmo criar as folhas com moldes ou grades no AutoCad e colocar embaixo do seu desenho, para facilitar no processo de aprendizado. O peso do papel está relacionado a sua constituição, por exemplo, cartolina, papel duplex ou tríplex, entre outros. A sua superfície perpassa do liso ao extremamente áspero (mais granulado), abrangendo muitas variações. Você deve usar a superfície lisa para o lápis grafite e a mais granulada para técnicas que utilizem tinta, pastel e carvão vegetal. Uma visita à papelaria pode ser mais elucidativa do que qualquer outra fonte de conhecimento sobre assunto. No desenho de observação, o ideal é investir em um cavalete de artista durável, ainda que nem sempre seja possível carregá-lo. A correta posição para o desenho de observação é 90º, com o observador em pé. Com uma simples alteração na sua posição em relação ao objeto, você pode renovar o seu olhar e descansar um pouco, mas é preciso retornar à posição original, ao voltar a desenhar. Desenho de linhas a mão livre Segundo Curtis (2015), uma linha pode variar entre grossa e fina, clara e escura, angular e orgânica, de contornos duros e suaves, gerando uma centelha de energia a um desenho realizado com sensibilidade. Assim, um desenho esbo- çado a mão livre, além de expressar um sentimento, também deve demostrar preocupação com a clareza e a espessura correta das linhas. Para esboçar linhas longas, marque suas extremidades e desenhe a linha mantendo o olhar na direção da marca para a qual você está movendo o lá- pis. Repita vários traços até encontrar a precisão da linha. Se a linha estiver ondulada demais, você pode estar empunhando de forma equivocada o lápis ou estar segurando-o com muita força. Contudo, são permitidas pequenas 51Desenho de observação e de memória DA_U1_C03.indd 51 01/12/2017 16:51:46 ondulações e eventuais intervalos, desde que a linha fique em um traçado reto, mas não precisamente reto como no AutoCAD. Desenhe sempre as linhas horizontais da esquerda da direita, com um movimento natural do pulso e do braço e nas linhas verticais, de cima para baixo com movimentos do dedo e do pulso (CURTIS, 2015). A variação da espessura da linha representa um assunto chave no desenho de observação. Dada à timidez do traçado no início do aprendizado, você pode se esquivar de variar mais a sua espessura, mas é muito importante desenhar com variedade e liberdade, conforme as orientações a seguir. Você deve utilizar linhas finas quando forem: � Linhas de construção: estas devem ser muito claras, de modo que fiquem pouco visíveis. � Linhas de centro: estas devem ser nítidas. � Linhas de prolongamento de um objeto: estas devem ser nítidas e escuras. Você pode aumentar a espessura da linha, quando: � estiver comparativamente muito mais próxima do observador; � estiver embaixo do objeto, para indicar peso. “Os contornos dominam a nossa percepção do mundo visual. [...] Algumas destas arestas são claras, outras se perdem no plano de fundo, conforme mudam de cor ou de tonalidade. [...] No processo de observação, a mente acentua estas arestas e as vê como contornos.” (CHING, 2012, p. 17). Você vai tender a variar a espessura da linha do contorno, mas tente ter em mente que seu desenho com uma linha grossa deve ser utilizado no caso de incidência de sombra, ou quando representa a aresta de um objeto que se sobrepõe a outro ou quando as arestas do objeto, de fato, variam em espessura. Em geral, a linha do contorno deve variar de forma uniforme em relação a todo desenho. Definir de três a quatro variações de linha no desenho poderá ajudar você a manter o equilíbrio na intensidade de utilização das linhas. Desenho de observação e de memória52 DA_U1_C03.indd 52 01/12/2017 16:51:46 No capítulo “A mecânica de desenhar”, do livro Desenho de Observação, de Curtis (2015), você pode aprender mais sobre as técnicas de empunhadura de desenho e de variação de traço. Elementos da forma de objetos e da arquitetura Os elementos da forma são o ponto, a linha, o plano e o volume. O ponto, o primeiro gerador da forma, indica uma posição no espaço, e você pode adotá- -lo para estabilizar, dominar e organizar os elementos ao seu redor, quando este for o elemento central da composição. Quando localizado fora do centro, transmite agressividade e sugere um eixo para organizar formas construídas por meio do estabelecimento de dois pontos (CHING, 1979). Segundo os conceitos de Ching (1979), enquanto o ponto é estático, a linha descreve o caminho de um ponto em movimento, expressando uma direção ou um crescimento. Permite unir, circundar ou descrever arestas. A linha vertical expressa um estado de equilíbrio, com a força da gravidade; a linha horizontal representa estabilidade, o horizonte ou um corpo que repousa; e linha oblíqua expressa dinamismo ou uma atividade visual, como um nascer do sol. Ainda que o espaço arquitetônico disponha de quatro dimensões, sua forma tridimensional e a experiência da arquitetura, segundo o conceito de Zevi (1996), a sua forma pode ser linear, quando acomoda um movimento de percurso, como nas pontes. Elementos verticais lineares, como colunas, obeliscos e torres vêm sendo utilizados em larga escala na história grega, romana e, mais recentemente, no neoclassicismo, para comemorar eventos, por exemplo. A sua percepção do plano é sempre distorcida pela perspectiva cônica. A definição dos limites e as fronteiras de um volume é função do plano, sendo este um elemento chave no vocabulário arquitetônico, pois seu tamanho, sua forma, sua cor, sua textura e a relação espacial entre eles determinam as propriedades visuais da forma e a qualidade do espaço que ele encerra. Um elemento de desenho pode ser neutro ou visualmente ativo, opaco ou transparente e fonte de luz e de observação. Portanto, a forma da edificação pode ser planar, pela diferenciação dos planos verticais e horizontais, como projetado na Casa da Cascata de Frank Lloyd Wright, ou com variações no material, na cor e na textura (CHING, 1979).53Desenho de observação e de memória DA_U1_C03.indd 53 01/12/2017 16:51:46 Um plano estendido ou a adição de planos compreende um volume, ele- mento tridimensional do vocabulário arquitetônico, cujas propriedades são comprimento, largura e profundidade. Os principais volumes do vocabulário arquitetônico são a esfera, o cilindro, o cone, a pirâmide e o cubo. A esfera representa uma forma centralizada, concentrada e estável. O cilindro pode ser facilmente estendido através do seu eixo e assume uma forma estável, se repousa sobre uma de suas faces circulares, mas pode, também, se tornar instável, quando seu eixo central é inclinado. O cone, assim como o cilindro, é estável se apoiado sobre sua face circular e instável quando seu eixo é descolado. Pode indicar balanço, se apoiado sobre o seu eixo vertical. A pirâmide possui propriedades de estabilidade e de balanço como a do cilindro, porém é estável se apoiada sobre qualquer uma de suas faces. Por fim, o cubo dispõe de seis faces quadradas iguais, representando uma forma estática sem aparente direção (CHING, 1979). Para compreender seu significado na prática, busque objetos reais forma- dos por esses elementos, buscando perceber os significados de estabilidade, instabilidade e balanço enunciados por Ching (1979). Acessando o link ou o código a seguir, do site Ar- chDaily (FRACALOSSI, 2012, você pode visualizar as imagens da Casa da Cascata, de Frank Lloyd Wright. https://goo.gl/LtkNhV Desenho de observação e de memória54 DA_U1_C03.indd 54 01/12/2017 16:51:47 https://goo.gl/LtkNhV Veja na Figura 1 três exemplos da aplicação do volume em projetos e obras arquite- tônicas com a utilização da esfera, do cilindro e do cone. Figura 1. Utilização da esfera, do cilindro e do cone na arquitetura. Fonte: Ching (1979, p. 60). Técnicas de proporções A proporção é a relação do tamanho relativo, utilizada para comparar as di- mensões de largura e de altura. Observar as proporções dos objetos cotidianos é a melhor forma de começar a desenvolver a sensibilidade à proporção. “A regra mais importante no desenho de observação é manter as suas proporções.” (GIESECKE et al., 2002, p. 60). Você pode desenhar a mão livre circunferências, com base em técnicas de proporções, apresentadas na Figura 2. Os desenhos de arcos e de elipses são similares ao desenho de circunferências, e o uso de gabaritos facilita o desenho de circunferências, arcos e de elipses de tamanhos variados. Você deve usar, no desenho de observação, um objeto com arestas retas e paralelas (uma régua ou, ainda um lápis), também chamado de instrumento mondriano, para estabelecer uma unidade básica de medida e uma grade perceptual, aproximando-se do objeto para verificar as proporções, quando 55Desenho de observação e de memória DA_U1_C03.indd 55 01/12/2017 16:51:48 necessário. Uma vez estabelecida esta unidade, você pode girar o instrumento em 90°, mantendo-o perpendicular a sua linha de visão e exatamente na mesma distância dos olhos (CURTIS, 2015). Se preferir, você pode utilizar o objeto mondriano como mira. A tendên- cia de você alinhar a orientação dos objetos do campo de visão pelos eixos cartesianos (x e y) por meio da mira é tão forte, no desenho de observação, que você deve alinhar seu instrumento em frente a uma parede vazia, para não perder o prumo. Ao realinha-lo, você evita que as suas percepções diretas sejam influenciadas pelo conhecimento da sua mente (CURTIS, 2015). Figura 2. Três técnicas para desenhar circunferências. Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 60). Enquanto as técnicas de proporção são estimadas pelo seu campo de visão, as técnicas do sistema de medição modular vêm evoluindo ao longo dos sé- culos, até se tornarem o sistema de medida métrico com o módulo de 10 cm, utilizado hoje como o principal sistema de medição mundial. Esse sistema foi adotado pela maioria dos países, já no final do século XX. Desenho de observação e de memória56 DA_U1_C03.indd 56 01/12/2017 16:51:50 O sistema de escala teve origem no dimensionamento modular grego e romano. As formas geométricas de Platão e Virtrúvio (o círculo, o triângulo e o quadrado) eram, em tempos remotos, um sistema de medição que auxiliava medir outras formas poligonais. Apesar de terem tido pouca aplicação para projeto e construção, a partir deles foi desenvolvida a dimensão do pentágono ideal, que embasou a relação matemática “áurea”. Posteriormente, o arquiteto Le Corbusier desenvolveu uma teoria das proporções do corpo humano baseado nas dimensões estéticas da relação “áurea”. O raio, a corda e a altura do triângulo compuseram, também, um sistema geométrico de medição utilizado para a construção de edificações redondas no período romano (NEUFERT, 2004). Um dos principais desafios que você vai enfrentar é o esboço da figura humana completa. Ao compreender as relações da teoria de Le Corbusier sobre as proporções do corpo humano, você poderá se beneficiar delas na elaboração de croquis. Você pode utilizar, também, o cânone grego de proporções que subdivide o corpo em oito cabeças. No século XX, com a industrialização, os arquitetos desenvolveram estudos de coordenação modular para auxiliar na construção pré-fabricada. O módulo era um sistema de medição para reger as superfícies e os volumes. Em 1932, Walter Groupius projetou uma casa modular cuja planta podia crescer por adição de novos volumes. A França, a partir de 1942, passou a adotar o módulo-base de 10 cm, ao passo que a Inglaterra, por exemplo, passou a adotar o sistema de quatro polegadas, a partir de 1966 (SOUSA, 2011). Ainda que técnicas de proporção e do sistema de escala estejam intrin- sicamente relacionadas, é importante que você consiga, a partir desse breve histórico, isolar o sistema de escala no momento do desenho de observação. O arquiteto tende a usar o conhecimento disponível na memória para sua elaboração, mas é preciso lembrar que no desenho de observação, você precisa registrar a proporção que vê, e não a que sabe. O uso constante do instrumento ajuda a preservar a precisão das proporções percebidas, com base no sistema cartesiano. As dimensões que você sabe de memória, pode aplicar em esboços de projeção paralela, conforme apresentado no próximo tópico, embora não representem a realidade observada. Métodos de projeção cônica e paralela O método de projeção envolve os olhos do observador ou o ponto de vista, o objeto, o plano de projeção e as projetantes, também chamadas de raios visuais 57Desenho de observação e de memória DA_U1_C03.indd 57 01/12/2017 16:51:50 ou linhas de visada. Existem dois métodos de projeção: a projeção cônica e a paralela, e suas respectivas perspectivas e vistas você pode observar na Tabela 2. Fonte: adaptada de Giesecke et al. (2002). Projeção Perspectiva Cônica Linear Com 1 ponto de fuga Com 2 pontos de fuga Com 3 pontos de fuga Aérea Paralela Ortogonal 1) Axonométrica Isométrica: todos os eixos se reduzem igualmente Dimétrica: dois eixos se reduzem igualmente Trimétrica: todos os três eixos se reduzem diferentemente 2) Oblíqua Cavaleira Cabinet Tabela 2. Classificação das projeções. Nas vistas ortográficas (Figura 3), os raios visuais são paralelos entre si e perpendiculares ao plano de projeção (GIESECKE et al., 2002). Você pode utilizá-las para desenhar fachadas em esboços arquitetônicos a mão livre. Na projeção axonométrica (Figura 3), os raios visuais também são paralelos entre si e perpendiculares ao plano de projeção. Quando uma superfície é inclinada, em relação ao plano de projeção, aparecendo reduzida nas vistas principais, a perspectiva é isométrica. Nessa perspectiva, você precisa manter todo o desenho em proporção, mas não precisa trazer as medidas de forma precisa para localizar cada elemento do desenho (GIESECKE et al., 2002). Na projeção oblíqua (Figura 3), os raios visuais são paralelos entre si e oblíquos ao plano de projeção. Na perspectiva cavaleira, a vista frontal doDesenho de observação e de memória58 DA_U1_C03.indd 58 01/12/2017 16:51:50 objeto (largura e altura) é apresentada em verdadeira grandeza, porém as outras superfícies aparecem em tamanho reduzido, sendo fáceis para elaborar esboços de objetos e de arquitetura (GIESECKE et al., 2002). “Quando as linhas fugantes são desenhadas com metade do seu tamanho, a perspectiva cavaleira há a comumente conhecida como projeção cabinet (gabinete).” (GIESECKE et al., 2002, p. 168). Figura 3. Quatro tipos de representação por projeção. Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 157). Você vai utilizar, no desenho de observação, a perspectiva cônica (Figura 3), cujos raios visuais convergem para o observador. Porém, você pode adotar a estrutura da projeção paralela em esboços a mão livre da arquitetura para transmitir ideias ou para transmitir eventos específicos relacionados à ela, como detalhes de telhados, de escadas e de esquadrias, pois refletem de forma proporcional suas características. São muito utilizadas em relatórios técnicos, para transmitir desenhos de formatos, de danos, para apoiar relatórios fotográ- ficos, entre outros. Como você vai utilizar as técnicas de observação na sua 59Desenho de observação e de memória DA_U1_C03.indd 59 01/12/2017 16:51:51 elaboração para diferenciar do desenho de observação conceitual, você deve chamar os esboços pelo seu nome técnico (por exemplo, fachada ou detalhe de esquadria) e deve acrescentar o tipo de projeção adotada (vista ortográfica ou perspectiva isométrica), para caracterizar de forma adequada o seu desenho. No Capítulo 6 de Comunicação gráfica moderna, de Giesecke et al. (2002), você pode aprender mais sobre as técnicas de desenho das perspectivas isométricas, cabinet e cavaleira. Perspectiva cônica Os pontos de fuga das perspectivas cônicas dependem da posição do objeto em relação ao plano de projeção, segundo Giesecke et al. (2002, p. 173): Se o objeto está com uma face paralela ao plano de projeção, é necessário somente um ponto de fuga. [...] Se o objeto está formando um ângulo com o plano da perspectiva, mas com arestas verticais paralelas ao plano da perspectiva, são necessários dois pontos de fuga [...]. Este é o tipo mais comum de perspectiva cônica. Se o objeto está colocado de forma que nenhum sistema de arestas paralelas seja paralelo ao plano do desenho, são necessários três pontos de fuga. A Figura 4 ilustra passo a passo como fazer uma perspectiva cônica com um ponto de fuga, e a Figura 5 demonstra como realizar uma perspectiva cônica com dois pontos de fuga. Desenho de observação e de memória60 DA_U1_C03.indd 60 01/12/2017 16:51:51 Figura 4. Passo a passo para a perspectiva cônica com um ponto de fuga. Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 173). Figura 5. Passo a passo para a perspectiva cônica com dois pontos de fuga. Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 175). 61Desenho de observação e de memória DA_U1_C03.indd 61 01/12/2017 16:51:55 Para aperfeiçoar seus conhecimentos sobre as perspectivas cônicas com um e dois pontos de fuga, leia o Capítulo 15 de Desenho de observação, de Curtis (2015). 1. Os elementos da forma – ponto, linha, plano e volume – constituem o alfabeto arquitetônico. Analogamente, precisam ser compreendidos, antes da palavra ser formada ou de um vocabulário desenvolvido. Seus significados contêm soluções para os problemas de função, de propósito e de contexto a serem resolvidos no partido arquitetônico. Assinale a alternativa que apresenta a definição e a expressão correta de cada um destes elementos. a) O “ponto” indica uma posição no espaço, podendo expressar estabilidade, domínio e papel de organizador dos elementos ao seu redor. b) A definição de “linha” é um ponto estendido, a linha defini os limites e as fronteiras de um volume e expressa um estado de desequilíbrio. c) A “linha” não representa um formato arquitetônico, porque a arquitetura é constituída de quatro dimensões, sua forma tridimensional (largura, altura, profundidade) e a experiência arquitetônica. d) As propriedades do “plano” são o comprimento, a largura e a profundidade, e ele determina como os elementos visuais externos ou internos à edificação podem ser observados ou apreendidos. e) O “volume” é constituído por um plano estendido ou pela adição de mais de um plano, consiste em um elemento bidimensional do vocabulário arquitetônico e expressa estabilidade quando está apoiado sobre uma de suas faces, não podendo expressar instabilidade. 2. Um desenho esboçado a mão livre deve mostrar preocupação com proporções, clareza e espessura correta das linhas. Assinale a alternativa apresenta o momento em que você deve aumentar a espessura e a intensidade da linha no desenho de observação. a) Quando representa uma linha de construção. b) Quando uma linha é feita embaixo do objeto, para indicar peso. c) Quando representa uma linha de centro do objeto. d) Quando representa uma linha de prolongamento de um objeto. e) Quando representa uma linha de contorno do objeto. Desenho de observação e de memória62 DA_U1_C03.indd 62 01/12/2017 16:51:58 3. Os desenhos de observação e os esboços a mão livre elaborados com as técnicas de proporções ajudam a organizar pensamentos e a registrar ideias. Desde os gregos, o diâmetro era utilizado com unidade básica das dimensões. Assinale a alternativa na qual estão apresentadas as técnicas corretas de proporção e as técnicas do sistema de medição modular de um objeto. a) A proporção é baseada nas formas geométricas, o círculo, o triângulo e o quadrado e no sistema de medição, você pode comparar várias distâncias usando o lápis como mira. b) A proporção é medida por raio, corda e altura do triângulo, e o sistema de medição modular é baseado no instrumento mondriano. c) A proporção está baseada nas normas de coordenação modular de 4 polegadas, e a escala pode ser estimada pelo nosso campo de visão. d) A proporção é o módulo base de 10 cm, e o sistema de medição por escala pode ser realizado por qualquer instrumento reto segurado. e) A proporção está baseada na referência dos eixos cartesianos x/y, e o sistema de medição por escala está baseado no sistema de medida métrico, com o módulo de 10 cm. 4. Os desenhos de perspectiva podem ser criados usando tanto a projeção cônica como a paralela. Assinale a alternativa que apresenta o tipo de perspectiva adotada neste esboço arquitetônico. a) Perspectiva cavaleira. b) Perspectiva aérea. c) Perspectiva isométrica. d) Perspectiva cônica com um ponto de fuga. e) Perspectiva cônica com dois pontos de fuga. 5. Desenhos com vistas ortográficas tornam possível representar objetos complexos com precisão. Desenhos de perspectiva são usados para comunicar suas ideias, podendo ser usados em catálogos, publicações e em projetos de arquitetura. Assinale a alternativa que apresenta a definição correta de cada um destes métodos de projeção. a) As vistas ortográficas são tipos de perspectivas, já que mostram vários lados dos objetos em uma única vista. b) Na projeção axonométrica, os raios visuais são paralelos entre si e oblíquos ao plano de projeção. c) Na perspectiva isométrica, as superfícies de um objeto tem um tamanho reduzido, porque as projeções são oblíquas. d) Somente na projeção cônica as retas projetantes convergem para um ou mais pontos de fuga, já a vista ortográfica, a projeção axonométrica e a projeção oblíqua usam projeção paralela. e) Na projeção oblíqua, os raios visuais convergem para um ou mais pontos de fuga, para gerar a visão oblíqua. 63Desenho de observação e de memória DA_U1_C03.indd 63 01/12/2017 16:52:00 CHING, F. Architecture: form, space and order. New York: Van Nostrand Reinhold, 1979. CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. CURTIS, B. Desenho de observação. 2. ed. Porto Alegre: McGraw-Hill, 2015. FRACALOSSI, I. Clássicos da arquitetura:Casa da Cascata / Frank Lloyd Wright. Santiago: ArchDaily, 2012. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/01-53156/classicos- -da-arquitetura-casa-da-cascata-frank-lloyd-wright>. Acesso em: 29 out. 2017. GIESECKE, F. E. et al. Comunicação gráfica moderna. Porto Alegre: Bookman, 2002. NEUFERT, E. Arte de projetar em arquitetura: princípios, normas, regulamentos sobre projeto, construção, forma, necessidades e relações espaciais, dimensões de edifícios, ambientes, mobiliário, objetos. 17. ed. Barcelona: Gustavo Gili, 2004. SOUSA, V. H. B. de. Arquitectura, sustentabilidade e coordenação modular: desen- volvimento de sistema construtivo modular. 2011. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil e Arquitetura)–Universidade da Beira Interior, Covilhã, 2011. Dis- ponível em: <https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/2251/2/Vitor%20Sousa_ Disserta%C3%A7%C3%A3o.pdf>. Acesso em: 09 set. 2017. ZEVI, B. Saber ver a arquitetura. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996. Desenho de observação e de memória64 DA_U1_C03.indd 64 01/12/2017 16:52:00 http://www.archdaily.com.br/br/01-53156/classicos- https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/2251/2/Vitor%20Sousa_ Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: DESENHO ARTÍSTICO Juliana Wagner Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147 W133d Wagner, Juliana. Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: SAGAH, 2017. 168 p. il. ; 22,5 cm ISBN 978-85-9502-241-6 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. III.Título. CDU 744.43 Revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke Arquiteta e Urbanista Mestra em Ambiente e Desenvolvimento com ênfase em Planejamento Urbano DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43 Croquis – técnicas e materiais diversos Introdução Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Aplicar proporções e componentes para as cenas. � Praticar a técnica de croqui em perspectivas com pontos de fuga. � Identificar os materiais mais adequados para a produção de croquis. Introdução Neste capítulo, você irá estudar sobre técnicas e materiais para a produção de croquis. A palavra croqui, do francês croquis, significa esboço. Os croquis são uma forma de desenho muito utilizadas pelos arquitetos, pois tratam-se de formas rápidas de desenho para representar ideias gerais sobre algum conceito de projeto. São desenhos normalmente com bastante expressão e pouco refinamento, apesar de alguns serem extremamente detalhados. O principal objetivo é utilizar-se da liberdade do desenho à mão para gerar formas que, futuramente, serão desenvolvidas de maneira mais técnica. São muito úteis para expor propostas de conceito para aprovação do cliente, para posteriormente seguir aos detalhamentos. Nessas situações, são muito importantes em razão de sua característica visual e por ser de fácil entendimento para maioria das pessoas. DA_U2_C04.indd 65 01/12/2017 16:51:57 Proporções e componentes Os croquis são desenhos de expressão livre, que servem para representar ideias. Para a correta compreensão do desenho, é importante você considerar alguns elementos que compõem a cena. Além disso, existem pontos a avaliar na hora de produzir o desenho para que ele seja harmônico e equilibrado. Proporção É imprescindível que o desenho tenha proporções adequadas, mesmo que a produção do croqui seja feita sem a utilização de uma escala e medidas exatas. Para isso, é importante estabelecer a proporção entre os volumes da cena, de forma a não prejudicar o entendimento do conjunto. Uma maneira bastante simples de fazer isso é definindo uma medida base, logo no início do desenho, que será replicada em todo o restante. Por exemplo, marcar um ponto que você deseja que represente 1 metro de altura. Se o volume a ser representado tiver uma altura de 3 metros, você replicará 3 vezes este mesmo trecho de marcação estipulado. Na largura, faça o mesmo procedimento, por exemplo, se a parede tiver 4 metros, replique 4 vezes a marcação. Veja um exemplo desse conceito de proporção na Figura 1. A proporção no desenho é essencial para que seja o mais semelhante possível ao que será desenvolvido no projeto detalhado, mantendo assim uma coerência com entre o croqui e o projeto final. Croquis – técnicas e materiais diversos66 DA_U2_C04.indd 66 01/12/2017 16:51:58 Figura 1. Exemplo de marcação simulada de medidas – 3 na altura e 4 na largura. Componentes Os componentes especiais da cena também são uma maneira de representar a proporção do conjunto. Esses componentes podem se tratar de mobiliários urbanos, pessoas, carros, árvores, etc. Esses elementos servem de referência para as dimensões das edificações representadas. Como croquis possuem pouco detalhamento, é importante inserir componentes de conhecimento comum. Por exemplo, se temos um volume de um prédio graficado da mesma forma em dois desenhos distintos, a maneira mais simples de compreender o quanto esse prédio impacta no espaço urbano é utilizando a inserção de pessoas, árvores e carros, entre outros, conforme você pode observar na Figura 2. 67Croquis – técnicas e materiais diversos DA_U2_C04.indd 67 01/12/2017 16:52:00 Figura 2. Exemplo de dois prédios desenhados de forma similar; o que difere a proporção entre eles são as árvores e a escala humana do croqui. A escala humana no croqui auxilia em outras questões. Quando tratamos de desenho urbano, o posicionamento das pessoas na cena demonstra os locais de público e circulações, por exemplo, conforme apresentado na Figura 3. Figura 3. Croqui com elementos de paisagismo e componentes, auxiliando na percepção do espaço. Fonte: Leggitt (2004, p. 13). Croquis – técnicas e materiais diversos68 DA_U2_C04.indd 68 01/12/2017 16:52:04 Ao incluir vegetação em seus croquis, tome cuidado para que as árvores não cubram as edificações (a não ser que seja esta sua intenção). Quando o objetivo é valorizar os prédios que estão por trás, o ideal é desenhar as árvores de modo que fiquem o mais “transparentes” possível. Uma maneira de fazer isso é desenhando a copa com folhagem rala, trabalhando mais o tronco e os galhos. Pode ser feito também somente o contorno da copa, deixando a parte central sem preenchimento. No caso de colorir, a sugestão é utilizar canetas hidrocor que fiquem translúcidas. Perspectiva com pontos de fuga Existem diversas técnicas para desenhar um croqui em perspectiva. Na técnica que utiliza pontos de fuga, é possível usar um, dois, três ou até mais pontos de fuga. Para iniciantes, entretanto, é recomendado começar pela utilização de apenas um ponto, até dominar bem a técnica. Você pode começar a praticar com base nos seguintes passos: � Definir a linha do horizonte: um dos primeiros passos é definir a li- nha base do horizonte, conforme Figura 4. Esta linha será a base de referência do desenho. Figura 4. Definição da linha do horizonte do desenho. 69Croquis – técnicas e materiais diversos DA_U2_C04.indd 69 01/12/2017 16:52:04 � Marcar a altura do observador e o ponto de fuga: a altura do observador se trata do alinhamento que será a visualização do desenho, a altura que estamos enxergando a cena. Pode ficar sobre a linha do horizonte. � O próximo passo é escolher o local do ponto de fuga. Esse ponto é fundamental, pois será o local para onde todas as linhas da perspectiva irão convergir. Caso o ponto fique centralizado no desenho, ambos os lados da perspectiva terão a mesma visualização, observe a Figura 5. Caso você posicione mais para algum dos lados, a lateral mais próxima ao ponto de fuga ficará mais acumulada na perspectiva,e a outra terá melhor visualização. Esta escolha depende do que se deseja valorizar no croqui. Figura 5. Definição da altura do observador e do ponto de fuga. � Traçar as linhas de perspectiva: uma maneira simples de iniciar o de- senho é traçando as linhas bases da perspectiva, todas migrando para o ponto de fuga, conforme demonstrado na Figura 6. Conforme o número de elementos que tiver na cena, podem ser utilizadas inúmeras linhas de apoio. Croquis – técnicas e materiais diversos70 DA_U2_C04.indd 70 01/12/2017 16:52:04 Figura 6. Traçado base das linhas iniciais de perspectiva. � Lançar as linhas do croqui: após o lançamento das linhas base, você pode iniciar o traçado dos elementos do desenho. O importante é sem- pre analisar se as faces serão paralelas ou perpendiculares à linha do horizonte. No caso das faces paralelas, elas devem ser desenhadas sempre horizontalmente ao papel, sem levar em direção ao ponto de fuga. Já as faces perpendiculares devem ser desenhadas com as linhas convergindo e encontrando o ponto de fuga. Siga esta diretriz até completar as volumetrias do desenho. Após isso, finalize o desenho como desejar. Observe o exemplo nas Figuras 7 e 8. 71Croquis – técnicas e materiais diversos DA_U2_C04.indd 71 01/12/2017 16:52:05 Figura 7. Traçado dos elementos a serem representados no croqui, observando as faces paralelas e perpendiculares à linha do horizonte. Figura 8. Finalização do croqui. Croquis – técnicas e materiais diversos72 DA_U2_C04.indd 72 01/12/2017 16:52:06 Materiais para croqui Os croquis são desenhos livres e com expressão própria de cada arquiteto. A abstração necessária para desenvolver esse tipo de desenho também reflete na escolha de materiais. Conforme o tipo de impressão que o arquiteto deseja expor no trabalho, ele deve optar por determinado material que atenda a essas necessidades. O croqui pode ser feito tanto em um guardanapo como em um papel nobre. O que importa, na realidade, é que o desenho transmita a informação almejada. Um material de graficação que é muito utilizado para fazer croquis é o lápis. Sua diversidade de graduações de grafite varia conforme a maciez. Outros materiais adequados para este uso são as canetas nanquim, de várias espessuras, e o carvão comprimido. Em algumas situações, a intenção do arquiteto é fazer um lançamento inicial de volumetria, rápido, sem preocupações com detalhamentos. Neste caso, o recomendado é utilizar lápis mais macios, como 6B ou 8B, por exemplo, ou então os blocos de carvão comprimido. Observe um exemplo de croqui rápido na Figura 9. Figura 9. Exemplo de croqui rápido para demonstrar volumetria da casa. Fonte: Slavo Valigursky/Shutterstock.com. Neste tipo de desenho, que requer menos refinamento, a opção de papel a ser utilizado é muito ampla. Pode ser realizado em papel jornal, sulfite, 73Croquis – técnicas e materiais diversos DA_U2_C04.indd 73 01/12/2017 16:52:07 canson ou até mesmo papel manteiga. Sempre lembrando que os papéis finos são mais frágeis, rasgam com mais facilidade e o desenho fica com uma aparência mais simples. Se você for colorir um desenho feito desta forma, deverá ter mais cuidado na escolha do papel. Normalmente, os arquitetos, neste tipo de croqui rápido, quando é o caso de colorir, optam por pincelar cores em apenas alguns pontos de realce do desenho. Para isso, podem ser utilizadas as canetas hidrocor, que dão um efeito translúcido se passadas levemente sobre o papel. Outra opção é trabalhar com focos de aquarela no croqui, que podem ser gerados utilizando lápis aquarelável. Nestes dois casos de desenho a cores, o mais indicado é utilizar um papel com maior capacidade de absorção de tinta, como o canson. Se o objetivo é um desenho em papel manteiga ou vegetal, a caneta hidrocor pode ser aplicada no verso da folha, gerando um efeito interessante ao desenho. Veja um exemplo de croqui colorido na Figura 10. Figura 10. Exemplo de croqui com traços e coloração simplificada. Fonte: Mike Demidov/Shutterstock.com. Croquis – técnicas e materiais diversos74 DA_U2_C04.indd 74 01/12/2017 16:52:09 Já em um croqui mais detalhado, o mais adequado é utilizar grafites um pouco menos macios ou então caneta nanquim, que são muito usadas nessas situações. A importância de ter uma ponta mais firme se deve à precisão neces- sária para trabalhar nos detalhes, conforme você pode observar na Figura 11. Figura 11. Exemplo de croqui com bastante detalhamento. Fonte: Doyle (2002, p. 44) Neste tipo de desenho, quando colorido, o efeito também pode ser mais trabalhado. A utilização de lápis de cor sempre é uma boa opção, pois possui uma variedade muito grande de cores permite pintar elementos menores, como você pode ver na Figura 12. As canetas hidrocor também são adequadas, porém como muitas vezes possuem pontas mais largas, deve-se ter mais cuidado na hora de preencher o desenho. Sobre o papel, o ideal é utilizar um material mais resistente, como um sulfite de maior gramatura ou papel canson. Existem também outras variações de papéis especiais para desenho e aquarela, de diversas composições e valores. 75Croquis – técnicas e materiais diversos DA_U2_C04.indd 75 01/12/2017 16:52:10 Figura 12. Croqui à lápis com valorização da área a ser reformada da fachada. Fonte: Doyle (2002, p. 44) Confira mais informações sobre técnicas de desenho a cores no livro Desenho a Cores (DOYLE, 2002). Os croquis são ferramentas essenciais para testar soluções de projeto e apresentar propostas aos clientes. Eles representam uma expressão muito particular do arquiteto, portanto, o resultado final varia muito de pessoa para pessoa. Os materiais a serem utilizados também dependem totalmente da impressão que o desenho pretende passar, além da afinidade que o arquiteto possui com os materiais escolhidos. A dica é testar técnicas e materiais para encontrar o que funciona melhor para você, em cada situação. Pratique bastante! Croquis – técnicas e materiais diversos76 DA_U2_C04.indd 76 01/12/2017 16:52:13 1. Os croquis representam: a) a versão final do projeto, contendo bastante expressão e precisão métrica. b) a escala humana a partir do qual formulamos toda proporção urbana. c) o partido geral do projeto, em que o objetivo é gerar a representação inicial das ideias dentro das proporções adequadas. d) um esboço feito em três dimensões, sem as proporções exatas, utilizando softwares como Autocad. e) a linha horizontal que simula todas as medidas a partir do qual o desenho é feito. 2. Podemos considerar que a proporção e os componentes juntos compõem: a) os elementos básicos que queremos representar no croqui. b) elementos inseridos exclusivamente por programas de projeção em três dimensões, inseridos somente na finalização do projeto. c) a representação de tamanho das edificações em relação aos demais componentes urbanos. d) as linhas base a partir do qual podemos fazer todos os elementos do croqui. e) um conjunto opcional de objetos utilizados com o objetivo de adornar o croqui. 3. Sobre como os croquis são criados, assinale a alternativa correta. a) Com o auxílio de instrumentos de desenho técnico, que depois irá compor a edificação com elementos que representem as devidas dimensões da edificação criada. b) Com objetivo único de esboçar o entorno a volta do qual a futura edificação será construída. c) Quando é necessário fazer um levantamento dos modelos de edificação que teremos a volta do local onde a futura edificação será construída. d) Quando o projeto ainda não está em fase de execução e queremos acompanhar a evolução da edificação. e) À mão livre, quando é necessário representar as ideias iniciais dentro da proporcionalidade adequada da futura edificação em relação ao ambiente onde será alocada. 4. Complete a frase ___________________ são considerados modos de ________________. Assinale a alternativa que apresenta a resposta correta.a) Crianças e árvores – auxiliar no entendimento da proporção das edificações em relação aos demais objetos presentes no espaço urbano. b) Carros e nuvens – complementar os espaços livres do projeto. c) Pessoas e animais – deixar a representação gráfica correta aos olhos dos profissionais da área de arquitetura. d) Semáforos e animais – representar o impacto que 77Croquis – técnicas e materiais diversos DA_U2_C04.indd 77 01/12/2017 16:52:21 uma edificação tem no trânsito e na natureza. e) Crianças e árvores – deixar a representação gráfica mais próxima dos parâmetros estéticos preconizados a partir da técnica de ornamentação. 5. Quando falamos em ponto de fuga em um croqui, é preciso lembrar que: a) é importante que, no croqui, pelo menos um ponto de fuga seja inserido, pois desse modo é possível inserir o desenho na perspectiva correta. b) é necessário inserir, no mínimo, três pontos de fuga para que o desenho apresente representação adequadas dos elementos criados. c) deve ser sempre a primeira linha desenhada, pois é ela que delimita a visão horizontal. d) é a representação final do vetor das oito linhas que sempre devem ser traçadas quando precisamos centralizar o desenho. e) só é necessário inseri-la quando estamos representando edificações de grande porte. DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisa- gistas e designers de interiores. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. LEGGITT, J. Desenho de arquitetura: técnicas e atalhos que usam tecnologia. Porto Alegre: Bookman, 2004. Leituras recomendadas GOUVEIA, A. P. S. O croqui do arquiteto e o ensino do desenho. 1998. Tese (Doutorado)– Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998. PAIXÃO, L. 10 dicas para criar bons croquis. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https:// www.aarquiteta.com.br/blog/desenhos/10-dicas-para-criar-bons-croquis/>. Acesso em: 20 out 2017. PEREIRA, A. P. M.; GOMES, M.; FONSECA, G. A. O croqui e suas técnicas. In: INTERNA- TIONAL CONFERENCE ON GRAPHICS ENGINEERING FOR ARTS AND DESIGN, 6., 2005, Recife. Anais... Recife: ABEG, 2005. Disponível em: <http://www.lematec.net.br/CDS/ GRAPHICA05/artigos/pereiragomesfonseca.pdf>. Acesso em: 18 out. 2017. Croquis – técnicas e materiais diversos78 DA_U2_C04.indd 78 01/12/2017 16:52:27 http://www.aarquiteta.com.br/blog/desenhos/10-dicas-para-criar-bons-croquis/ http://www.lematec.net.br/CDS/ Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: DESENHO ARTÍSTICO Juliana Wagner Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147 W133d Wagner, Juliana. Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: SAGAH, 2017. 168 p. il. ; 22,5 cm ISBN 978-85-9502-241-6 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. III.Título. CDU 744.43 Revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke Arquiteta e Urbanista Mestra em Ambiente e Desenvolvimento com ênfase em Planejamento Urbano DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43 Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Aplicar hachuras para preenchimento de desenhos. � Praticar o pontilhismo como técnica de desenho. � Utilizar manchas para realçar volumes e formas. Introdução Neste capítulo, você irá estudar a utilização de técnicas de desenho chamadas de texturas. As texturas servem para trazer mais expressão ao desenho. Podem gerar efeitos de volumetria, sombreamento e acaba- mentos variados no desenho. Ao traçarmos as linhas bases do desenho, gerarmos os contornos das formas, contudo, mesmo existindo técnicas que tornam o desenho mais interessante nos contornos, o preenchimento é muito importante para o efeito de percepção geral dos elementos. A variação de tonalidades comunica luz e sombra, além de realçar as formas. Portanto, você verá algumas das técnicas de combinação de traços que atribuem essa aparência tátil, que conhecemos como textura. Hachuras As hachuras são uma técnica de desenho utilizada para realçar volumes e sombras dos objetos, mas também podem ser usadas para criar diferentes tonalidades entre as faces. A aplicação é baseada em linhas paralelas ou cruzadas, que são desenhadas com distâncias, direções e espessuras variadas. Além disso, você pode trabalhar com hachuras de movimentos circulares. O conceito da hachura é o de trabalhar na variação de espessura, quantidade e espaçamento das linhas que, dependendo de como forem lançadas, resultarão DA_U2_C05.indd 79 01/12/2017 16:59:14 em diferentes efeitos de tonalidade e sombras, enfatizando partes específicas das formas. As linhas devem seguir o formato do objeto para limitar a forma. Hachuras paralelas As hachuras paralelas consistem em linhas traçadas em uma direção constante, buscando o paralelismo entre as linhas. Os traços podem ser muito variados, sendo curtos ou longos, mais espessos ou finos, feitos à mão ou com o auxílio de uma régua, conforme você pode observar na Figura 1. O desenho pode ser feito utilizando lápis ou canetas, como a nanquim por exemplo. Os papéis podem ser tanto os mais lisos (sulfite e manteiga) como os mais ásperos, gerando efeitos diferentes. Figura 1. Exemplos de hachuras paralelas em diferentes direções, densidades e espessuras. Fonte: stasia_ch/Shutterstock.com. Durante o traçado, o ideal é tentar controlar a velocidade e o peso da mão para que as linhas fiquem com a mesma tonalidade, gerando uma hachura Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas80 DA_U2_C05.indd 80 01/12/2017 16:59:15 mais uniforme. Quanto mais peso se destinar à mão na hora de desenhar, mais fortes ficarão as linhas. Observe os exemplos da Figura 2. Figura 2. Desenho de edificação com a técnica de hachura. Ao lado, exemplos de hachuras. Fonte: Ching (2012, p. 43). Quando a intenção for deixar as arestas bem marcadas, uma maneira de fazer isso é posicionando o lápis ou a caneta nesta aresta, fazendo uma leve pressão ao iniciar a linha e, depois, traçando rapidamente. Dessa forma, a linha ficará mais forte no início e irá suavizando em direção ao final. 81Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas DA_U2_C05.indd 81 01/12/2017 16:59:16 Para ter mais informações a respeito dessas técnicas, consulte o livro Desenho para Arquitetos, de Francis D. K. Ching (2012). Hachuras cruzadas As hachuras cruzadas consistem na utilização de linhas em duas ou mais direções, sobrepostas, para criar variações de tonalidades. As linhas podem ser em direções diagonais ou ortogonais, conforme demostrado na Figura 3. Figura 3. Exemplos de aplicação de hachuras cruzadas. Nos cubos, você pode ver que a hachura cruzada gerou tons bem mais escuros, demonstrando sombreamento. Nos estudos ao lado, é possível observar hachuras cruzadas em diagonal, ortogonais e com sobreposição de direções. Fonte: Ching (2012, p. 44). Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas82 DA_U2_C05.indd 82 01/12/2017 16:59:16 As hachuras são utilizadas também nos desenhos técnicos de arquitetura, aplicadas especialmente nos cortes das edificações para demonstrar paredes e seções que estão cortadas no desenho. Este uso facilita a compreensão dos materiais e a diferenciação dos elementos que estão sendo apresentados em vista ou em corte. A principal diferença da hachura cruzada em relação à paralela é que esta permite uma variação bem maior de tonalidades, uma vez que podem ser feitas sobreposições em diversas direções e camadas, o que torna a variação de tonalidades infinita, como demonstrado na Figura 4. Figura 4. Desenho de mobiliários com sombreamento em hachuras. Fonte:Katunina/Shutterstock.com. 83Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas DA_U2_C05.indd 83 01/12/2017 16:59:17 Hachuras com movimentos circulares As hachuras circulares seguem as mesmas premissas das técnicas de hachuras apresentadas anteriormente, porém, consistem em traços mais orgânicos e aleatórios. Os traços são feitos em ondas para preencher os espaços, gerando um desenho com mais movimento. Assim como nos demais tipos de hachuras, você deve observar a pressão do lápis ou caneta no papel e a densidade das linhas, sempre cuidando para não pesar demais o desenho. Os locais com ondas mais próximas ficarão mais escuros, e ondas maiores e mais espaçadas apresentarão um efeito mais iluminado. Observe os exemplos da Figura 5. Figura 5. Alguns tipos de hachuras com movimentos circulares. Fonte: Ching (2012, p. 45). Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas84 DA_U2_C05.indd 84 01/12/2017 16:59:18 Esta técnica pode ter inúmeras aplicações na arquitetura, conforme de- monstrado na Figura 6. Nos desenhos de edificação, pode gerar um desenho bastante autoral, com variações próprias do arquiteto. Uma utilização interes- sante é para o desenho de vegetação, pois as formas das árvores ficam bem representadas usando esses tipos de hachuras orgânicas. Figura 6. Exemplos de aplicação de hachura com movimento circular na arquitetura e vegetação. Fonte: Ching (2012, p. 45). Pontilhismo O pontilhismo é uma técnica que consiste na utilização de pequenos pontos ou manchas arredondadas que, aplicadas justapostas no papel, geram um efeito visual de preenchimento. Essa técnica ficou conhecida por meio dos pintores franceses Paul Signac e Georges Seurat, no século XIX. O efeito é uma espécie de ilusão, pois o olho humano tende a fundir os pontos isolados da figura, formando um desenho único. 85Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas DA_U2_C05.indd 85 01/12/2017 16:59:18 A variação do efeito é gerada pela mudança de espessura e espaçamento dos pontos. Quanto maior for a densidade, mais escuro e fechado ficará o desenho. Em uma densidade menor de pontos, teremos um efeito mais iluminado e mais difuso. Observe essas diferenças na Figura 7. Uma opção interessante, e a mais utilizada, que o pontilhismo gera é o desenvolvimento do desenho sem a utilização de linhas de contorno. As bordas das figuras ficam definidas pela configuração dos pontos nas extremidades, delimitando as formas. Figura 7. Exemplo de aplicações do pontilhismo com variações de densidade. Fonte: Artishok/Shutterstock.com. O pontilhismo pode ser aplicado utilizando graficação na cor preta, o que gera variações simulando tons de cinza. Outra forma de aplicar a técnica é por meio do uso de cores. Os pintores impressionistas utilizavam o recurso de aplicar duas cores diferentes justapostas nos pontos, gerando, em ilusão de ótica, uma terceira cor. Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas86 DA_U2_C05.indd 86 01/12/2017 16:59:19 Assim, o espectro de cor ampliava, infinitamente, sem depender apenas dos pigmentos disponíveis. Aplicação Para iniciar a aplicação de pontilhismo nos desenhos, você pode seguir um passo a passo básico, conforme os itens a seguir: � Desenhe sobre um papel, utilizando lápis, o contorno base do objeto para servir de linha guia. O objetivo de usar lápis é para que possa ser apagado no final. � Lance pontos sobre o contorno feito a lápis, espaçados e com distância regular. Os materiais mais adequados para fazer os pontos são canetas como nanquim ou hidrocor, pois o importante é que transfira facilmente a tinta para o papel, não tornando o processo mais trabalhoso. � Avalie quais os trechos do desenho que devem receber um maior som- breamento, já pensando onde seria a posição da fonte de luz. Dessa forma, você pode estudar os locais que, sombreados ou iluminados, reforçarão a ideia de volume dos objetos. Por exemplo, em um objeto posicionado sobre uma superfície, se considerarmos que temos uma fonte de luz superior, a parte do objeto que fica próxima à superfície de apoio deverá ficar mais sombreada. Nesse caso, esses locais sombreados devem receber uma densidade bem maior de pontos do que na parte superior do objeto. � Preencha os locais que foram definidos a serem sombreados com mais pontos, escurecendo essas zonas. Aumente a densidade de pontos aos poucos, gerando, assim, as zonas escurecidas. Isso trará volumetria ao desenho. � Apague as linhas de base feitas a lápis após a secagem da tinta. � Veja um exemplo do uso da técnica de pontilhismo na Figura 8. 87Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas DA_U2_C05.indd 87 01/12/2017 16:59:19 Figura 8. Representação de cubos em pontilhismo, em que é possível avaliar como a densidade de pontos gera efeitos muito variados nas faces dos cubos, trazendo a sensação de volumetria. Fonte: Login/Shutterstock.com. Esta técnica é utilizada para criar desenhos bastante expressivos, portanto o arquiteto pode utilizar este meio para apresentar propostas impactantes e lúdicas ao cliente, conforme exemplo da Figura 9. Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas88 DA_U2_C05.indd 88 01/12/2017 16:59:20 Figura 9. Colunas de edifício com iluminação representadas em pontilhismo. Nesta ilustração, a técnica gerou um efeito quase realista. Fonte: ESB Essentials/Shutterstock.com. O pontilhismo é uma técnica bastante utilizada para a ilustração científica na biologia. Como os desenhos de animais e plantas precisam ser bastante detalhados e precisos, o pontilhismo permite que a ilustração não fique tão carregada, com linhas duras, suavizando contornos e preenchimentos, con- forme apresentado na Figura 10. 89Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas DA_U2_C05.indd 89 01/12/2017 16:59:21 Figura 10. Desenho de um peixe com a utilização da técnica de pontilhismo. Fonte: arvitalyaa/Shutterstock.com. Manchas As manchas no desenho são utilizadas basicamente para desenvolver a volumetria dos objetos na imagem. Por meio do sombreamento, você pode definir as partes da figura que estão mais profundas, mais próximas, mais escuras, etc. O sombreamento faz o desenho feito com linhas se transformar de uma figura bidimensional para uma tridimensional. A técnica para utilização de manchas é bastante variada, e pode ser feita com a utilização de lápis, de preferência com grafites macios, canetas, além de outros instrumentos. O mais importante para a aplicação da técnica, assim como nas demais técnicas de texturas, é a compreensão das zonas dos objetos que devem ser escurecidas ou mantidas claras. Em uma cena com diversos objetos, a ten- dência é que os trechos mais escuros sejam percebidos como mais distantes, e os mais claros, como mais próximos. A diferença de tonalidade é utilizada também para estabelecer limites entre uma forma e outra, criando arestas visuais. Observe exemplos de manchas na Figura 11. Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas90 DA_U2_C05.indd 90 01/12/2017 16:59:23 Figura 11. Modelagem de formas básicas por meio de sombreamento. Fonte: Ching (2012, p. 48). As manchas podem ser aplicadas em diversas direções e com diversas técnicas. Podem ser lançadas de forma mais marcada, com linhas e riscos, ou ser mais difusas. Uma forma de aplicar manchas mais difusas é com o uso de grafites macios, esfumaçando levemente com os dedos ou com o auxílio de um esfuminho. Observe os exemplos das Figuras 12 e 13 para perceber a variedade de aplicações nos desenhos de formas e arquitetura. Figura 12. Croqui de cidade com a utilização da técnica de manchas para preenchimento dos desenhos. Fonte: Canicula/Shutterstock.com. 91Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas DA_U2_C05.indd 91 01/12/2017 16:59:24 As texturas são elementos altamente recomendáveis para os desenhos, pois representam de forma expressiva a volumetria dos objetos. O ideal é descobrir a técnica com a qual você tenha mais afinidade, lembrando que a aplicação requer paciência e atenção aodesenho. Figura 13. Exemplo de desenho de rosto com e sem aplicação de textura de manchas. Neste exemplo, fica bastante clara a diferença entre o desenho somente com o traçado de linhas e após o sombreamento. A face ganhou volumetria, ressaltando os pontos iluminados e escurecendo as partes mais profundas do rosto e do tecido. Fonte: Ching (2012, p. 48). Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas92 DA_U2_C05.indd 92 01/12/2017 16:59:25 1. Observe a figura a seguir e assinale a alternativa que apresenta o tipo de técnica de texturas para desenho utilizada. Fonte: fatbob/Shutterstock.com. a) Hachuras circulares. b) Pontilhismo. c) Hachuras paralelas. d) Hachuras cruzadas. e) Manchas. 2. Nas hachuras com movimentos circulares, os desenhos são feitos utilizando-se ondas para preencher o espaço. Qual o efeito obtido por meio dessa técnica? a) Profundidade. b) Movimento. c) Densidade. d) Ondulação. e) Detalhes. 3. O pontilhismo é uma técnica que pode ser usada em desenhos arquitetônicos com o intuito de impressionar o cliente com propostas impactantes e lúdicas. Para variar o efeito de preenchimento entre mais escuro e mais difuso nessa técnica, é necessário: a) mudar a cor do grafite utilizado nos pontos. b) intensificar a pressão aplicada sobre o lápis. c) variar o espaçamento entre os pontos. d) seguir à risca o contorno inicial. e) esfumar os traços com um instrumento chamado esfuminho. 4. Para representar, de forma expressiva, a volumetria dos objetos em desenhos arquitetônicos, ressaltando os pontos iluminados e escurecendo as partes mais profundas do objeto, qual das seguintes técnicas é recomenda? a) Pontilhismo. b) Manchas. c) Hachuras paralelas e cruzadas. d) Hachuras circulares. e) Impressionismo. 5. Com a técnica de pontilhismo, é possível criar desenhos sem utilizar as linhas de contorno. Entre os materiais citados a seguir, qual é o instrumento de desenho mais indicado para graficar os pontos nesta técnica? a) Régua. b) Esfuminho. c) Caneta. d) Borracha. e) Papel. 93Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas DA_U2_C05.indd 93 01/12/2017 16:59:26 CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. Leituras recomendadas ARQUITETURA E DESENHO. Aula 03: desenho de hachura e degradês - fundamentos do desenho para arquitetura e design. [S.l.]: YouTube, 2017. 1 vídeo. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=nmcMpaDjSSc>. Acesso em: 07 nov. 2017. DESENHEIROS. Hachura. [S.l.], 2013. Disponível em: <https://desenheirosofficial.wor- dpress.com/2013/07/04/hachura/>. Acesso em: 08 nov. 2017. DESIGN CULTURE. Pontilhismo: uma técnica de vários estilos. [S.l.], 2014. Disponível em: <https://designculture.com.br/pontilhismo-uma-tecnica-de-varios-estilos>. Acesso em: 10 nov. 2017. PORTAL SÃO FRANCISCO. Pontilhismo. [S.l.], c2017. Disponível em: <http://www.por- talsaofrancisco.com.br/arte/pontilhismo>. Acesso em: 10 nov. 2017. SOUSA, R. Um pouco sobre hachura. Campinas: Desenho Artístico & Arquitetura, 2014. Disponível em: <http://desenhoartisticoarquitetura.blogspot.com.br/2014/01/um- -pouco-sobre-hachura.html>. Acesso em: 06 nov. 2017. Referência Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas94 DA_U2_C05.indd 94 01/12/2017 16:59:26 https://www.youtube.com/watch?v=nmcMpaDjSSc https://desenheirosofficial.wor/ http://dpress.com/2013/07/04/hachura/ https://designculture.com.br/pontilhismo-uma-tecnica-de-varios-estilos http://www.por/ http://talsaofrancisco.com.br/arte/pontilhismo http://desenhoartisticoarquitetura.blogspot.com.br/2014/01/um- Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: DESENHO ARTÍSTICO Juliana Wagner Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147 W133d Wagner, Juliana. Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: SAGAH, 2017. 168 p. il. ; 22,5 cm ISBN 978-85-9502-241-6 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. III.Título. CDU 744.43 Revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke Arquiteta e Urbanista Mestra em Ambiente e Desenvolvimento com ênfase em Planejamento Urbano DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43 Luz e sombra Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer o uso de luz e sombra como elemento básico para pro- duzir volumetria � Definir a fonte de luz e a luz refletida dos objetos � Aplicar as técnicas de sombra própria e sombra projetada Introdução Neste capítulo, você irá estudar o conceito e a aplicação de luz e sombra nos desenhos. Luz e sombra são os elementos básicos para gerar o efeito de volume nos objetos, sem eles não é possível representar a tridimen- sionalidade nos desenhos. A descoberta da utilização de claro e escuro na história da arte mo- dificou radicalmente os parâmetros de representação que se conheciam até então. Na arquitetura, a luz e a sombra são basicamente elementos que fazem parte de sua constituição. A correta representação desses elementos é essencial para compreensão e apresentação dos estudos arquitetônicos. Conceito de luz e sombra Para transformar um desenho linear, bidimensional, em um desenho tridimen- sional, é imprescindível que você utilize os efeitos de luz e sombra. Assim como quando observamos elementos reais, nossos olhos só conseguem distinguir as dimensões de profundidade. Caso um objeto esteja sob luz intensa por todos os lados, ficará totalmente iluminado e sem contraste, caso não esteja sob nenhuma fonte de luz, ficará completamente escuro e também não será possível perceber sua volumetria. Ao olhar para os objetos, o que você enxerga é a reflexão da luz sobre as superfícies. A reflexão pode variar conforme a fonte luminosa, o tipo de DA_U2_C06.indd 95 01/12/2017 16:59:27 material das superfícies e as interferências dos demais objetos no fluxo de luz. As sombras visíveis representam, na verdade, a ausência de luz. A utilização dos efeitos de luz e sombra foi a base que modificou radical- mente a arte na história. Na arte antiga, como a dos egípcios (veja a Figura 1), os desenhos não possuíam esses elementos na sua composição, portanto, o resultado eram desenhos sem profundidade, em duas dimensões e com aparência pouco realista. Figura 1. Ilustração egípcia em que é possível perceber a ausência de profundidade e variação de tons sombreados na técnica utilizada. Fonte: Vectomart/Shutterstock.com. No Renascimento europeu, principalmente nas obras de Leonardo da Vinci, começam a ser valorizados os efeitos de luz e sombra nas artes. Nesta época, surge o termo chiaroscuro, que significa claro e escuro em italiano. Esta geração de artes renomadas ficou marcada pela utilização da luz em suas Luz e sombra96 DA_U2_C06.indd 96 01/12/2017 16:59:27 obras. Leonardo da Vinci desenvolveu uma técnica conhecida como sfumato, que significava o tratamento das sombras sem linhas ou fronteiras, em forma de degrade e esfumaçadas. Essa técnica gerava um efeito bem mais leve das sombras na pintura e foi muito importante principalmente para as tonalidades em rostos. Você pode observar isso na Figura 2. Figura 2. Monalisa, de Leonardo da Vinci. Pintura com trabalho de sombreamento usando a técnica sfumato. Fonte: Oleg Golovnev/Shutterstock.com. Após a consolidação da importância de luz e sombra como elementos bási- cos na arte, no século XVI, alguns artistas levaram a experiência realista da luz para outro nível. Durante a época Barroca, os artistas passaram a utilizar esses efeitos para demonstrar as emoções das cenas. O uso do contraste extremo, com sombras bem escuras e os pontos claros muito iluminados, geraramcenas 97Luz e sombra DA_U2_C06.indd 97 01/12/2017 16:59:28 muito expressivas. Essa tendência foi chamada de “Tenebrismo”. Observe o uso de luz e sombra como expressão de sentimentos de forma dramática na Figura 3. Figura 3. Madona de Loreto, arte de Caravaggio (1604). Fonte: Renata Sedmakova/Shutterstock.com. Assim como ocorreu ao longo da história da arte, o importante ao realizar um desenho é buscar o equilíbrio entre os contrastes, procurando atribuir a volumetria real dos objetos, mas sem pesar demais. Luz O primeiro passo para iniciar o trabalho de iluminação no desenho é a defini- ção da fonte de luz. Em termos gerais, podemos considerar como fonte a luz Luz e sombra98 DA_U2_C06.indd 98 01/12/2017 16:59:29 natural (sol) ou a luz artificial (luminárias). É possível também utilizar uma combinação dos dois tipos de fontes, vindas de direções variadas. Conforme o tipo e a posição da fonte de luz, as áreas claras e as sombras ficarão adequadas para cada situação específica. No caso de optar pelo uso de iluminação natural, você deve atentar para gerar uma luz mais difusa no ambiente, pois o índice de reflexão será maior. Excetua-se dessa situação casos em que a luz natural esteja adentrando o ambiente por um orifício muito pequeno, o que deixará a luz focada internamente. Na Figura 4 você pode observar exemplos de luz forte e luz difusa. Figura 4. Demonstração dos efeitos com luz forte e luz difusa sobre os objetos. Fonte: Ching (2012, p. 52). A luz natural vinda do alto cria sombras paralelas aos objetos; já a luz artificial, que ilumina de forma focada e limitada, cria sombras divergentes. A observação de objetos reais sob a incidência de diversas posições e tipos de luz é fundamental para a compreensão e melhor aplicação desses conceitos. Na Figura 5 são apresentados diferentes exemplos da incidência da luz sobre objetos. 99Luz e sombra DA_U2_C06.indd 99 01/12/2017 16:59:30 Figura 5. Exemplos de direcionamento da fonte de luz sobre os objetos. Fonte: Ching (2012, p. 53). Em termos gráficos, a incidência de luz é a ausência de preenchimento, ou seja, é importante que, quanto maior for o contraste entre as faces adjacentes no desenho, mais iluminada seja a parte clara. Luz e sombra100 DA_U2_C06.indd 100 01/12/2017 16:59:31 Neste momento do desenho, a orientação é demarcar a posição da fonte de luz, o tipo de fonte que será utilizada e traçar suavemente no desenho a direção que ela fará sobre os objetos. Após este lançamento, é possível avaliar os trechos que deverão ficar sem preenchimento, nos quais a luz incidirá diretamente. Já devem ser avaliados, também, os locais onde o desenho ficará sombreado. Além da ausência de preenchimento, é indicado utilizar a borracha para valorizar ainda mais as áreas claras, gerando mais contraste. No desenho, a borracha é tão importante quanto o lápis. Observe a iluminação da Figura 6. Figura 6. Desenho de cena interna com iluminação artificial. Observe os trechos mais claros próximos às luminárias, além do formato de sombreamento resultante deste tipo de iluminação. Fonte: Doyle (2002, p. 122). 101Luz e sombra DA_U2_C06.indd 101 01/12/2017 16:59:33 Quando um objeto está sobre uma superfície, deve-se analisar os efeitos de reflexão gerados por essa superfície de apoio. O trecho do objeto que estiver próximo à super- fície terá uma área iluminada, mesmo que seja na zona de sombreamento, em razão da reflexão. No exemplo da Figura 7, você pode ver que a parte inferior da esfera está iluminada por um degrade feito com lápis. Figura 7. Esfera sobre superfície. A fonte de luz está posicionada em um ponto superior e à esquerda do objeto. Fonte: Egle Lipeikaite/Shutterstock.com. Sombras As sombras são a representação do efeito que a iluminação gera sobre os objetos. Elas são fundamentais pelo delineado das formas e a representação de profundidade. Existem basicamente dois tipos de sombras: as sombras próprias e as sombras projetadas. As sombras próprias são aquelas geradas nas próprias faces do objeto, seja por ausência de luz ou por interferência de outros objetos. As sombras projetadas consistem naquelas que o objeto produz sobre outras faces, como superfícies de apoio ou objetos adjacentes. Além desses dois tipos de sombra, temos também outros elementos, como reflexos, luz plena e meia sombra. Os reflexos são produzidos pela incidência de luz em objetos ou superfícies vizinhas e tornam a sombra da face que recebe a luz mais clara, portanto, devem ser considerados no desenho. Luz e sombra102 DA_U2_C06.indd 102 01/12/2017 16:59:35 Já as zonas de transição entre as áreas de sombra e a as áreas iluminadas são chamadas de meia sombra ou meio tom. No desenho a meia sombra, esta deve ser representada com menos intensidade, gerando um degrade entre a zona clara e a sombra própria do objeto. A presença ou não destes elementos varia muito conforme o tipo de cena, os objetos existentes e o tipo de iluminação. Por isso, as sombras devem ser avaliadas e desenvolvidas em cada situação específica. Na Figura 8 você pode ver exemplos de luz e sombra. Figura 8. Ilustração que demonstra os efeitos de luz e sombra no objeto (sugestão de desenho para reprodução). Para iniciar o trabalho de sombreamento, a sugestão é lançar formas ge- ométricas simples em um papel, preferencialmente mais espesso e poroso. Utilize um lápis macio, o grafite 4B, por exemplo, para facilitar a graficação das sombras. 103Luz e sombra DA_U2_C06.indd 103 01/12/2017 16:59:36 Após desenhar as formas básicas e definir o posicionamento e a direção da fonte de luz, você deve estudar o formato que as sombras terão nos objetos e as sombras projetadas. A melhor forma de compreender o funcionamento das sombras é iniciando com desenhos de observação, no qual o desenho será uma reprodução da realidade. Pratique esse exercício com os mesmos objetos e a fonte de luz posicionada em locais diferentes, pois, assim, será possível analisar o impacto que a luz gera no conjunto de objetos. As sombras podem ser lançadas com o uso da técnica de hachuras paralelas e cruzadas, nas quais o escurecimento é feito utilizando linhas. Podem também ser feitas com movimentos circulares contínuos. Outra técnica bastante utilizada é o sombreamento misto, no qual se aplicam rabiscos de grafite sobre o papel e, em seguida, os esfumaça, utilizando os dedos, um papel macio ou com o auxílio de esfuminho. A ideia de esfumar auxilia no desenvolvimento do degrade entre as tonalidades. Caso utilize algum método com tracejado de linhas, elas devem ser espaçadas ao longo da sombra, para suavizar até chegar ao ponto de claridade total. Você precisa estar atento para não pesar demais nas sombras, deixando o desenho desequilibrado. O ideal é trabalhar lentamente, sobrepondo as man- chas para escurecer aos poucos, evitando os excessos. As sombras próprias tendem a ser mais claras que as projetadas, porém isso não é uma regra e deve ser avaliada em cada caso. Observe, a seguir, os exemplos apresentados nas Figuras 9, 10 e 11. Figura 9. Desenho de figuras geométricas. Observar os pontos de claridade, sombra própria e sombra projetada. As sombras, especialmente as projetadas, foram esfumadas para uma maior uniformidade. Fonte: Oana_Unciuleanu/Shuterstock.com. Luz e sombra104 DA_U2_C06.indd 104 01/12/2017 16:59:37 Você pode perceber, na Figura 9, que os trechos imediatos onde os objetos encontram na superfície de apoio possuem uma linha bem intensa de sombra, pois é um local que praticamente não recebe incidência de luz. Figura 10. Cubo cujo sombreamento próprio e projetado foi feito utilizando a técnica de hachuras. Fonte: Risovanna/Shutterstock.com. Figura 11. Croqui feito com grande contraste entre claro e escuro, gerando um desenho bastante expressivo. Fonte: Rana Hasanova/Shutterstock.com. 105Luz e sombra DA_U2_C06.indd 105 01/12/2017 16:59:38 A utilização de luz e sombranos desenhos de arquitetura é indispensável, pois são fundamentais para a compreensão das volumetrias e profundidades, além da relação entre elementos das edificações. As técnicas citadas servem como exercícios iniciais para o treinamento da percepção das relações entre claro e escuro e para desenvolver os métodos de desenho que serão mais adequados para cada um. 1. Luz e sombra são elementos considerados técnicas: a) opcionais, inseridos conforme a necessidade estética da imagem a ser construída. b) estruturais, pois é a partir do seu uso que a ideia inicial do projeto é representada graficamente. c) essenciais, uma vez que é a partir de seu uso que é possível simular profundidade e compor as imagens de modo realista. d) ultrapassadas, pois não permitem que os objetos sejam dimensionados. e) opcionais, pois é a partir de seu uso que a ideia inicial do projeto é representada graficamente. 2. Ao iniciar a representação da luz em uma imagem, devemos iniciar pela: a) representação da claridade, utilizando a borracha para intensificar a clareza do foco de luz. b) definição dos pontos de origem da fonte de luz, possibilitando definir os ângulos de representação da luminosidade. c) representação das sombras entorno dos objetos. d) definição de intensidade e tonalidades escuras, que serão utilizadas na representação da luminosidade. e) escolha da escala de representação das sombras e definição do único foco de luz. 3. Preencha as lacunas da seguinte frase: A luminosidade natural é representada __________, enquanto a luminosidade artificial é _____________. Assinale a alternativa que apresenta as opções corretas. a) de modo difuso – representada também de modo difuso, porém com mais suavidade. b) de modo focado – de modo difuso. c) de modo predominantemente focado – de modo completamente focal. d) de modo focado – representada também de modo difuso, porém com maior intensidade. e) de modo predominantemente difuso – de modo focado. 4. Sobre o sombreamento, assinale a alternativa correta. a) É a técnica considerada padrão-ouro para representação fidedigna das dimensões do desenho. Luz e sombra106 DA_U2_C06.indd 106 01/12/2017 16:59:38 b) É o resultado da incidência da luz sobre os objetos, sendo representado pela luminosidade a partir do uso da cor branca. c) É a única técnica existente para representar volumetrias e dimensões em uma figura. d) É uma técnica que pode ser expressa tanto pela sombra projetada como pela sombra própria do objeto. e) É a região de transição do desenho, em que são utilizados os tons mais escuros. 5. A sombra pode ser representada por quais tipos de técnicas? a) Hachuras e esfumados. b) Uso da borracha nas zonas claras, destacando a luminosidade que se deseja representar. c) Pontilhismo hachurado. d) Sobreposição de manchas com uso de lápis coloridos aquareláveis. e) Pontilhamento paralelo. CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisa- gistas e designers de interiores. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. Leituras recomendadas CORTOPASSI, L. Claro-escuro. [S.l.]: Tudo sobre Pintura, 2012. Disponível em: <http:// lucianocortopassipordentrodapintura.blogspot.com.br/2012/11/claro-escuro-luciano- -cortopassi.html>. Acesso em: 11 nov. 2017. PORTO, G. Tenebrismo. [S.l.]: InfoEscola, c2006-2017. Disponível em: <https://www. infoescola.com/movimentos-artisticos/tenebrismo/>. Acesso em: 12 nov. 2017. WIKIPÉDIA. Sfumato. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/ Sfumato>. Acesso em: 12 nov. 2017. 107Luz e sombra DA_U2_C06.indd 107 01/12/2017 16:59:38 http://lucianocortopassipordentrodapintura.blogspot.com.br/2012/11/claro-escuro-luciano- http://infoescola.com/movimentos-artisticos/tenebrismo/ https://pt.wikipedia.org/wiki/ Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: DESENHO ARTÍSTICO Juliana Wagner Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147 W133d Wagner, Juliana. Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: SAGAH, 2017. 168 p. il. ; 22,5 cm ISBN 978-85-9502-241-6 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. III.Título. CDU 744.43 Revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke Arquiteta e Urbanista Mestra em Ambiente e Desenvolvimento com ênfase em Planejamento Urbano DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43 Manuseio dos instrumentos de desenho Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Diferenciar os tipos de materiais de graficação utilizados no desenho. � Identificar as variações de papéis e quais suas aplicações. � Listar os instrumentos auxiliares para desenho e suas funções. Introdução Não existe certo e errado quando se trata da escolha de instrumentos de desenho. O segredo é sempre experimentar para encontrar os melhores instrumentos, conforme o tipo de trabalho que se pretende executar. Materiais de graficação são os instrumentos que pigmentam ou apagam os desenhos, e devem ser escolhidos de acordo com o efeito a ser gerado, desde desenhos rápidos com traços marcados a desenhos mais técnicos com traços finos e detalhamentos. Além disso, você precisa saber também quais instrumentos auxiliares serão necessários e qual o melhor papel a ser utilizado (visto que existem diversos tipos, que variam em espessura, textura, transparência e capacidade de absorção). Neste capítulo, você irá estudar os variados tipos de instrumentos utilizados no desenho técnico, conhecendo suas características, funções e possíveis aplicações. Materiais de graficação Existem diversos tipos de materiais de graficação utilizados para desenhar que possuem aplicações distintas para cada situação de desenho. DA_U1_C01.indd 11 01/12/2017 16:50:59 Grafites Vamos falar inicialmente sobre as variações de grafites, que podem ser apre- sentadas em formato de lápis, lapiseiras ou avulsos. As minas de grafites são divididas nas seguintes graduações, por escala de dureza: � Traço fino, ideal para desenho técnico: 9H, 8H, 7H, 6H, 5H, 4H, 3H, 2H. � Traço médio, utilizado para escrita e desenho: H, F, HB. � Traço grosso, mais utilizado em desenho artístico e esboços: B, 2B, 3B, 4B, 5B, 6B, 7B, 8B, 9B. A letra H vem de hard (“duro”, em inglês). Trata-se de uma mina mais dura, portanto o resultado é um traçado mais claro. A letra B vem da palavra black (“preto”, em inglês). O grafite B é macio e, quanto maior for a numeração de B, mais macia será a mina e mais preta será a escrita. Já o HB (hard/black) é um grafite intermediário, comumente encontrado como lápis de escrita. Em desenhos técnicos, é mais usual utilizar grafites mais duros para poder trabalhar melhor os detalhes e ter maior controle das espessuras de linhas, que, no caso de desenho de arquitetura, exigem muita precisão. Croquis, esboços e desenhos artísticos pedem grafites mais macios, que geram desenhos mais soltos. Entretanto, conforme o tipo de acabamento a ser feito no desenho, como sombreamentos e acabamentos finos, por exemplo, a escolha da graduação pode variar para cada situação. Os grafites são constituídos de uma mistura entre carvão e argila. Quanto maior for a quantidade de carvão na mistura, mais macio será o grafite e mais preta a escrita. Se a quantidade de argila for maior, a mina será mais rija e a escrita, mais clara. Na Figura 1, você pode ver um exemplo de lápis com as suas graduações. Manuseio dos instrumentos de desenho12 DA_U1_C01.indd 12 01/12/2017 16:50:59Figura 1. Conjunto de lápis com a marcação das devidas graduações. Fonte: V J Matthew/Shutterstock.com As Figuras 2 e 3 apresentam exemplos de desenhos arquitetônicos com a utilização de diferentes tipos de grafites. Figura 2. Desenho arquitetônico sendo feito a lápis. Fonte: Roman Motizov/Shutterstock.com. 13Manuseio dos instrumentos de desenho DA_U1_C01.indd 13 01/12/2017 16:51:02 Figura 3. Desenho feito a lapiseira de grafite espesso. Fonte: Radu Bercan/Shutterstock.com. Carvão vegetal O carvão vegetal em barra é feito com o carbono seco que sobra após a queima da madeira. Segundo Brian Curtis (2015), é um material seco que pode tanto deixar marcas como ser apagado facilmente da maioria das superfícies. Por ter essa característica, é utilizado para esboços e desenhos de traços rápidos. Já o carvão comprimido, mesmo material encontrado nas minas de lápis, é aglutinado com argila e bem mais versátil. Pode ser encontrado também nos formatos de cilindros, como você pode ver na Figura 4, e em blocos comprimidos. Manuseio dos instrumentos de desenho14 DA_U1_C01.indd 14 01/12/2017 16:51:04 Figura 4. Modelos de lápis e cilindros de carvão comprimido. Fonte: Burhan Bunardi/Shutterstock.com Na Figura 5, você pode observar um desenho realizado com bloco de carvão comprimido. Figura 5. Desenho sendo produzido com bloco de carvão comprimido. Fonte: Africa Studio/Shutterstock.com 15Manuseio dos instrumentos de desenho DA_U1_C01.indd 15 01/12/2017 16:51:07 Para aprender mais sobre materiais de desenho e ver dicas para técnicas de desenho, consulte o livro Desenho de Observação (CURTIS, 2015). Caneta nanquim A caneta nanquim é o principal método de graficação utilizado na finalização do desenho técnico. Possui grande variedade de graduações, gerando diferentes espessuras de linhas. Muito utilizada sobre papel manteiga ou vegetal, é encon- trada também em versões coloridas. Possui utilização tanto no desenho técnico como em artístico e croquis. Devido à existência de canetas com espessuras muito finas, permite traçados em trechos ou desenhos bem detalhados. Veja os exemplos de caneta nanquim nas Figuras 6 e 7. Figura 6. (a) Ilustração de caneta nanquim ponta fina. (b) Exemplo de caneta em desenho arquitetônico. Fonte: (a) DesignPrax/Shutterstock.com / (b) sindlera/Shutterstock.com. Lápis de cor Velhos conhecidos da maioria das pessoas, os lápis de cor são quase indis- pensáveis quando se trata de desenho a cores. Podem ser encontrados desde modelos bem populares a marcas conceituadas de valores bastante elevados. A Manuseio dos instrumentos de desenho16 DA_U1_C01.indd 16 01/12/2017 16:51:09 diferença entre eles é basicamente a qualidade das minas – os de maior valor costumam ter mais intensidade de pigmento e facilidade de aplicação. Além disso, possuem uma infinidade de cores e tonalidades. Os lápis aquareláveis são muito utilizados no universo do desenho artístico, por permitirem a aplicação de pincel molhado sobre o pigmento, diluindo a cor e gerando o efeito de aquarela. Mesmo sem a utilização de água, este modelo de lápis é de uma maciez muito agradável ao uso. Caneta hidrográfica As canetas hidrográficas, também conhecidas como “canetinhas”, possuem versões mais profissionais para uso no desenho. São muito utilizadas as que possuem ponta chanfrada, que geram linhas mais largas e facilitam os preenchi- mentos das ilustrações. São encontradas em diversas tonalidades, que passam até mesmo por escalas de cinza e geram um efeito levemente translúcido. Essas canetas são grandes aliadas no desenho arquitetônico artístico, pois podem ser utilizadas tanto em perspectivas como para realçar plantas baixas. Esfuminho O esfuminho é um instrumento em rolo cilíndrico de papel, enrolado bem apertado. Possui formato cilíndrico e ponta aparada, como se fosse um lápis. Sua utilização principal é para esfumar trechos do desenho em que se deseja que o pigmento fique suavizado. Seu uso permite gerar efeitos de sombras, auxiliar em efeito degradê, suavizar contornos e gerar efeitos de desfoque, conforme você pode observar na Figura 7. 17Manuseio dos instrumentos de desenho DA_U1_C01.indd 17 01/12/2017 16:51:10 Figura 7. Esfuminho ao lado de borracha “limpa tipo”. Ao fundo, desenho com efeito esfumado. Fonte: Warren Price Photography/Shutterstock.com. Borrachas É impossível falarmos sobre materiais de graficação sem falarmos nos elemen- tos complementares opostos, que são as borrachas. Em diversas composições e modelos, possuem aplicações distintas para cada necessidade. A borracha comum, demonstrada na Figura 8, é o tipo mais encontrado nas livrarias e que conhecemos como borracha escolar. Boa para usos diários menos detalhados. Esfarela bastante e é necessário cuidado para não borrar. Figura 8. Borracha do tipo comum. Fonte: Mega Pixel/Shutterstock.com. Manuseio dos instrumentos de desenho18 DA_U1_C01.indd 18 01/12/2017 16:51:11 A borracha plástica, ilustrada na Figura 9, é muito utilizada no desenho técnico. Por ser de constituição mais firme, pode-se utilizar suas extremidades para apagar detalhes nos desenhos. Além disso, tem a característica de não borrar muito o papel. Figura 9. Exemplo de borracha plástica. Fonte: tnehala77/Shutterstock.com A borracha “limpa tipo”, ilustrada na Figura 10, tem esse nome porque era utilizada para apagar letras de máquinas de escrever. Essa borracha é essencial no desenho artístico; por ser muito maleável, permite que seja moldada no formato desejado, como uma massa de modelar. Ao formar pontas do formato necessário para o trecho a ser apagado, o resultado é uma alta precisão. A borracha é constituída de um material que absorve o pigmento do desenho e, por isso, ela não borra o papel. Por outro lado, isso faz com que ela fique mais escura ao longo do tempo, com o uso. Figura 10. Borracha “limpa tipo”. Fonte: ImagePixel/Shutterstock.com. 19Manuseio dos instrumentos de desenho DA_U1_C01.indd 19 01/12/2017 16:51:13 Tipos de papel O papel é um material utilizado há milhares de anos e possui uma grande importância na história do mundo. É um instrumento muito democrático, disponível em uma infinidade de texturas, formatos e espessuras. A gramatura do papel é a indicação do seu peso por metro quadrado, e é esta representação que utilizamos para diferenciar sua espessura. O pH do papel também é um fator importante, o papel neutro (pH = 7), por exemplo, garante uma maior durabilidade da obra. Não podemos classificar um papel como bom ou ruim, mas sim entender a aplicação de cada um deles para situações específicas. Além disso, o usuário define, por meio da experimentação, qual o papel mais adequado para seu trabalho, conforme o gosto e materiais de desenho que utiliza. É importante conhecer as dimensões dos papéis na hora de desenvolver um projeto arquitetônico. As dimensões das pranchas técnicas são regidas pela Norma Brasileira Regulamentadora (NBR) nº 10.068: Folha de Desenho – Leiaute e dimensões (ASSO- CIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1987). As principais dimensões de folhas, como você pode observar na Figura 11, são as seguintes: � A4 – 21,0 x 29,7 cm. � A3 – 29,7 x 42,0 cm. � A2 – 42,0 x 59,4 cm. � A1 – 59,4 x 84,1 cm. � A0 – 84,1 x 118,9 cm. Figura 11. Esquema internacional para dimensões de papéis. Fonte: iunewind/Shutterstock.com. Manuseio dos instrumentos de desenho20 DA_U1_C01.indd 20 01/12/2017 16:51:13 Sulfite É o tipo mais comum de papel, também chamado de off-set. É muito utilizado para impressões, escrita e em ambiente escolar. É indicado para esboços e treinos de traçados, porém não é um papel muito abrangente para uso no desenho, espe- cialmente por ser muito poroso. Pode ser encontrado em gramaturas de 50 g/m2 a 300 g/m2. A gramatura de 75 g/m2, mais comum, é indicada para lápis escolar HB ou 2B. As gramaturas maiores suportam grafites mais macios como 4B e 6B. Canson O nome provém de uma marca fabricantede papéis especiais desde 1557 que se popularizou devido à imensa cartela de opções de papéis existentes para a área do desenho, além da qualidade das folhas. É bastante indicado para desenhos, pois possui boa textura e variação de texturas. É um papel muito utilizado, pois é mais acessível que os papéis especiais de desenho, que em geral têm valores mais altos. Além disso, é adequado para a maioria dos materiais de graficação e coloração, como grafites, lápis, canetas, e suporta também tintas aguadas como aquarelas e tinta acrílica. Manteiga O papel manteiga é muito utilizado no meio arquitetônico. É um pouco mais fino que o papel vegetal, fosco e possui semitransparência. É indicado na utilização de grafites, de preferência mais duros, caneta nanquim e canetas hidrocor. Por ser muito fino, não aceita bem correções no nanquim e não permite a utilização de aquarelas. Esse tipo de papel é muito útil para sobrepor em outros esboços e desenhos, devido à sua propriedade translúcida. Vegetal É mais espesso que o papel manteiga e também semitranslúcido. É indicado para graficação em nanquim para as versões finais de projeto. Sua transparência permite que sejam “passados a limpo” desenhos de esboços anteriores para a versão final. A constituição mais espessa desse papel permite raspagens de nanquim. As folhas não devem ser dobradas, pois as dobras deixam marcas e o papel acaba rasgando. Permite a utilização de grafites, nanquim, hidrocor e lápis de cor. Não possui absorção para ser utilizado com materiais aguados como lápis aquareláveis. 21Manuseio dos instrumentos de desenho DA_U1_C01.indd 21 01/12/2017 16:51:13 Nas Figuras 12 e 13 você pode observar imagens com tipos diferentes de papéis. Figura 12. Projetos em papel sulfite abertos na mesa e rolos de projeto em papel vegetal. Fonte: Dimitar Sotirov/Shutterstock.com. Figura 13. Projetos arquitetônicos em papel vegetal. Fonte: Dimitar Sotirov/Shutterstock.com. Manuseio dos instrumentos de desenho22 DA_U1_C01.indd 22 01/12/2017 16:51:18 O ideal é sempre prender a folha utilizando fitas adesivas na mesa de trabalho. É muito importante que o papel se mantenha firme e não se movimente ou enrole durante a produção do desenho. Utilize materiais de fácil descolamento, como fita crepe. Instrumentos auxiliares de desenho Existe uma infinidade de instrumentos que podem nos auxiliar na produção dos desenhos, seja gerando precisão nas linhas, facilitando as medições, gerando conforto para quem está desenhando, entre outros. Agora, você vai conhecer alguns dos instrumentos mais utilizados. Esquadros São uma espécie de régua triangular cuja função principal é o traçado, espe- cialmente em desenho técnico, pois gera precisão nas linhas. São normalmente usados em duas unidades, dos seguintes tipos: � Com um ângulo de 30º e dois ângulos de 45º. � Com um ângulo reto, um ângulo de 30º e um de 60º. Os esquadros são indispensáveis no desenho técnico. Deve-se ter o cuidado de adquirir materiais de boa qualidade, pois serão a base de apoio para o traçado reto e inclinado das linhas e não podem ter reentrâncias ou saliências que prejudiquem o desenho. Transferidor É um instrumento curvo, com graduações numerais. Sua função é medir e transferir ângulos no desenho. Pode ser encontrado em formato de semicírculo, com graduação até 180º, ou círculo completo, graduado até 360º. Observe os materiais que foram descritos na Figura 14. 23Manuseio dos instrumentos de desenho DA_U1_C01.indd 23 01/12/2017 16:51:18 Figura 14. Régua junto a um conjunto de esquadros e transferidor. Fonte: Gearstd/Shutterstock.com. Gabaritos São placas de acrílico perfuradas com formas variadas que auxiliam o dese- nho. Sua função é servir de molde para traçar as formas. Podem ter formas de letras, números, formas geométricas, louças sanitárias, etc. Existem em diversas escalas para se adaptar à escala do desenho. Compasso Sua função é especialmente para traçar linhas curvas e círculos. Possui for- mato em “V” e é ajustável, como você pode ver na Figura 15. Uma de suas extremidades é pontiaguda e seca, servindo para apoiar e firmar o compasso ao papel. Além do uso para traçados curvos, pode também ser utilizado para transferir medidas de um trecho a outro do desenho. Manuseio dos instrumentos de desenho24 DA_U1_C01.indd 24 01/12/2017 16:51:24 Figura 15. Desenhos produzidos com o auxílio de compasso. Fonte: Kucher Serhii/Shutterstock.com. Escalímetro É uma régua com função de medir e transferir medidas em escalas variadas. Essa ferramenta auxilia na redução ou ampliação das medidas para outras escalas. Usualmente, é encontrada em formato triangular, como demonstrado na Figura 16, mas pode ser em outros formatos. Muitas vezes, suas laterais são marcadas em cores diferenciadas para agilizar a localização de cada escala. Não deve ser utilizada como suporte para riscar no papel. É um instrumento muito usual para os arquitetos, pois é aplicado para medir inclusive desenhos impressos gerados por computador. 25Manuseio dos instrumentos de desenho DA_U1_C01.indd 25 01/12/2017 16:51:25 Figura 16. Escalímetro sobre projetos arquitetônicos. Fonte: Ricardo Romero/Shutterstock.com. Mesa de desenho Sua função é ser a grande auxiliar na produção de desenhos, pois possui características específicas para gerar conforto a quem está desenhando. Mais comumente, a mesa é encontrada em estrutura de madeira ou metal e possui variedade de dimensões. Uma das características essenciais é o sistema de regulagens que permite a inclinação do tampo, conforme você pode ver na Figura 17, mantendo o papel em uma posição adequada para visualização e desenvolvimento do desenho. Normalmente, é encontrada na cor branca ou forrada com película verde, sendo o verde uma cor adequada pois não gera ofuscamento aos olhos. Figura 17. Modelo de mesa de desenho. Fonte: BimXD/Shutterstock.com. Manuseio dos instrumentos de desenho26 DA_U1_C01.indd 26 01/12/2017 16:51:30 Longas horas de trabalho em uma mesa de desenho podem gerar dores na coluna e pescoço. É importante escolher um assento confortável e manter a postura ereta para evitar desgaste físico. Régua paralela Trata-se do principal instrumento auxiliar da mesa de desenho. A régua é transparente, normalmente com suporte metálico para manuseio e é fixada na mesa horizontalmente ao plano de trabalho, conforme representação da Figura 18. Seu sistema de fixação permite que a régua seja movimentada ao longo da superfície da mesa, permitindo posicioná-la no local exato a serem traçadas as linhas. Sua função é auxiliar no traçado das linhas horizontais e também servir de apoio para os esquadros, para traçar linhas verticais e diagonais. Figura 18. Detalhe de régua paralela. Fonte: Paraksa/Shutterstock.com. Luminária De nada adianta termos todos os instrumentos para o desenho se não tivermos uma iluminação adequada no local de trabalho. É recomendado que se utilize uma luminária com fixação específica para a mesa de desenho, ou com possi- 27Manuseio dos instrumentos de desenho DA_U1_C01.indd 27 01/12/2017 16:51:31 bilidade de prender nesta. A luminária deve ficar posicionada na extremidade superior do tampo, direcionada para baixo. Sua função é iluminar o papel, sem que a pessoa que está desenhando gere sombra no desenho, de acordo com a representação da Figura 19. Deve ser observado também o cuidado em utilizar lâmpadas de boa qualidade, para não gerar distorção nas cores. Figura 19. Ilustração de mesa com posição adequada da iluminação. Fonte: Iconic Bestiary/Shutterstock.com. As lâmpadas possuem uma escala para medir a qualidade com a qual reproduzem a cor dos objetos que estão sob sua iluminância. Essa escala é denominada Índice de Reprodução de Cor (IRC). Quanto mais próximo de 100 for o índice, com mais fidelidade as cores serão reproduzidas. Recomenda-se utilizar lâmpadas com IRC acima de 80. Bigode Pincel com cerdas macias e volumosas,a função do bigode é a remoção do excesso de pó de grafite ou farelo de borracha. Esse pincel evita gerar bor- Manuseio dos instrumentos de desenho28 DA_U1_C01.indd 28 01/12/2017 16:51:37 rões no desenho, algo que pode facilmente ocorrer se essa limpeza for feita utilizando as mãos. Você pode perceber que cada material tem sua função própria e deve ser aplicado em situações específicas. Alguns podem variar conforme o efeito desejado no desenho, como é o caso dos materiais de graficação e coloração, ao passo que outros são instrumentos de apoio que facilitam e melhoram as condições de trabalho durante o desenho. O desenho à mão é uma expressão muito particular, e a escolha dos ma- teriais depende muito da intenção e afinidade da pessoa que fará o desenho. Entretanto, conhecer o universo de instrumentos de desenho é fundamental para a qualidade final do trabalho a ser realizado. 1. Um arquiteto vai desenvolver croquis com estudos de volumetria de um prédio. Esse desenho será feito com traços rápidos e densos, sem detalhamentos. Qual seria o método de graficação mais indicado para este desenho? a) Lápis de cor. b) Caneta nanquim ponta fina. c) Bloco de carvão comprimido. d) Caneta hidrográfica. e) Lápis com grafite 9H. 2. Para fazer um desenho, um artista está buscando um lápis ultramacio, que deixe as linhas bem escuras e marcadas. Assinale a alternativa que apresenta qual lápis este artista deve comprar. a) 8H. b) HB. c) 2B. d) 5H. e) 9B. 3. Ao desenvolver um trabalho de desenho artístico da faculdade, um aluno irá colorir com lápis aquarelável, diluindo o pigmento com pincel molhado. Com base nessas informações, qual é o papel mais adequado para este trabalho? a) Sulfite 75 g/m2. b) Manteiga. c) Canson. d) Sulfite 120 g/m2. e) Vegetal. 4. Existem diversos instrumentos que auxiliam na hora de traçar os desenhos. Assinale a alternativa que descreve o instrumento auxiliar representado no desenho a seguir. Fonte: hunthomas/Shutterstock.com 29Manuseio dos instrumentos de desenho DA_U1_C01.indd 29 01/12/2017 16:51:40 a) Régua paralela. b) Esquadro. c) Transferidor. d) Compasso. e) Bigode. 5. O instrumento da imagem a seguir é muito utilizado em desenhos arquitetônicos. Assinale a alternativa que representa a sua função. Fonte: Epps_Taniam/Shutterstock.com. a) Medir e transferir ângulos no desenho. b) Traçar desenhos circulares. c) Realizar desenhos em ângulos de 60º. d) Medir e transferir medidas em escalas variadas. e) Traçar linhas paralelas ao plano de trabalho. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10068: Folha de desenho – leiaute e dimensões – padronização. Rio de Janeiro: ABNT, 1987. CURTIS, B. Desenho de observação. 2. ed. Porto Alegre: McGraw-Hill, 2015. Leituras recomendadas DOMINGUES, F. Croquis e perspectivas. Porto Alegre: Masquatro, 2011. FARRELLY, L. Técnicas de representação. Porto Alegre: Bookman, 2011. (Coleção Fun- damentos de Arquitetura). MAIA, O. Materiais p/ desenho. [S.l.]: A expressão da Arte, [2010]. Disponível em: <ht- tps://dessiner.wordpress.com/passo-a-passo/materiais-para-desenho/>. Acesso em: 02 out. 2017. MONTENEGRO, G. Desenho arquitetônico. 3. ed. São Paulo: Blucher, 1997. NOGUEIRA, L. Desenho para iniciantes (introdução). [S.l.]: Desenhe Tudo, [2011]. Disponí- vel em: <http://desenhetudo.blogspot.com.br/p/desenho-para-iniciantes-introducao. html>. Acesso em: 03 out. 2017. Manuseio dos instrumentos de desenho30 DA_U1_C01.indd 30 01/12/2017 16:51:41 tps://dessiner.wordpress.com/passo-a-passo/materiais-para-desenho/ http://desenhetudo.blogspot.com.br/p/desenho-para-iniciantes-introducao. Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: DESENHO ARTÍSTICO Juliana Wagner Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147 W133d Wagner, Juliana. Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: SAGAH, 2017. 168 p. il. ; 22,5 cm ISBN 978-85-9502-241-6 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. III.Título. CDU 744.43 Revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke Arquiteta e Urbanista Mestra em Ambiente e Desenvolvimento com ênfase em Planejamento Urbano DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43 Forma e processos de síntese da forma Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar as características estruturais do espaço compositivo. � Reconhecer em composições bidimensionais as regras dos terços, a regra das três arestas e a regra dos ímpares. � Distinguir em composições os recursos de desenho profundidade, vazio e fechamento. Introdução Sabendo que os elementos compositivos formam todas as composições, e conhecendo como se relacionam entre eles e com o espaço, neste capítulo você irá estudar em que lugar do espaço bidimensional é pos- sível dispor os elementos visuais, a fim de tornar as composições mais equilibradas e agradáveis para o espectador. Compreendendo o espaço compositivo Qualquer espaço compositivo oculta uma estrutura, que pode evidenciar, ou não, as formas nele distribuídas. O esqueleto estrutural do espaço compositivo, combinado com o sentido de leitura visual, pode fornecer pistas sobre como dispor as formas no espaço bidimensional. Estrutura oculta do quadrado Suponha que nosso espaço de composição seja um quadrado. O quadrado oculta em si um esqueleto estrutural que faz nossa atenção ser atraída para determinados pontos. Segundo o autor Rudolf Arnheim (2011), o centro do quadrado tem forte poder de atração dos elementos compositivos, conforme DA_U3_C08.indd 125 01/12/2017 17:00:36 você pode observar na Figura 1, pois no centro os pesos visuais estão equili- brados, como apresentado na Figura 2. Figura 1. Elementos compositivos. Figura 2. Pesos visuais. Segundo o mesmo autor (ARNHEIM, 2011), as margens também possuem a capacidade de atrair para ela os elementos de composição, o que torna a com- posição visualmente mais confortável, como você pode observar na Figura 3. Forma e processos de síntese da forma126 DA_U3_C08.indd 126 01/12/2017 17:00:39 Figura 3. Atração das margens. Sentido da leitura Conforme o autor Brian Curtis (2015), o direcionamento da leitura interfere na assimilação dos elementos formais no espaço compositivo. Influenciado pelo padrão de escrita, os ocidentais tendem a mover seus olhos em torno das bordas do quadrado, começando pelo lado superior esquerdo, passando pelo centro e terminando no lado inferior direito, como exemplificado na Figura 4. Logo, os elementos compositivos localizados nesses espaços ganham destaque, como você pode observar na Figura 5. 127Forma e processos de síntese da forma DA_U3_C08.indd 127 01/12/2017 17:00:39 Figura 4. Observação conforme sentido da leitura. Figura 5. Disposições que ganham destaque na observação. Forma e processos de síntese da forma128 DA_U3_C08.indd 128 01/12/2017 17:00:41 Regras de composição A distribuição dos elementos visuais no espaço compositivo torna-se menos complicada depois que você compreende como ele funciona. Considerando os espaços mais estáveis e equilibrados – portanto mais confortáveis aos olhos – podemos orientar a proporção das formas no espaço bidimensional. Seja qual for a orientação de proporção escolhida, você pode guiar a com- posição por uma ou pela combinação de várias regras de composição. Regra dos terços A regra dos terços deriva da proporção áurea, uma razão de proporcionalidade muito comum na natureza, presente, por exemplo, nas conchas espirais de alguns moluscos. Ela consiste em traçar quatro linhas imaginárias no espaço compositivoe posicionar os elementos de composição na ou nas intersecções dessas linhas (veja a Figura 6) para obter um enquadramento mais harmonioso da cena, como você pode observar na Figura 7. Figura 6. Regra dos terços. 129Forma e processos de síntese da forma DA_U3_C08.indd 129 01/12/2017 17:00:41 Figura 7. Regra dos terços Regra das três arestas A regra das três arestas consiste em aproveitar a atração natural de três margens do espaço compositivo para a distribuição dos elementos visuais, conforme demonstrado na Figura 8. Figura 8. Regara das três arestas. Forma e processos de síntese da forma130 DA_U3_C08.indd 130 01/12/2017 17:00:42 Regra dos ímpares O aumento do interesse visual das composições condiz com a preferência geral por elementos visuais que se repetem em quantidades ímpares, e não pares, de agrupamentos. Assim, em uma distribuição orientada pela regra dos ímpares, os elementos compositivos são dispostos no espaço de acordo com seu peso visual, sempre em número ímpar. Observe um exemplo na Figura 9. Figura 9. Regra dos ímpares. Recursos compositivos extras Para a confecção de uma composição interessante visualmente, equilibrada e agradável aos olhos do espectador não é necessário se prender muito a regras específicas. Uma composição rica do ponto formal e de percepção é feita a partir dos conhecimentos dos elementos compositivos e suas relações formais e espaço-formais, bem como da interação desses elementos com o espaço compositivo. Ainda assim, destacaremos aqui algumas possibilidades para tornar suas composições mais elaboradas formalmente e envolventes do ponto de vista visual. 131Forma e processos de síntese da forma DA_U3_C08.indd 131 01/12/2017 17:00:43 Profundidade Segundo o autor Brian Curtis (2015), mesmo cientes de que vemos imagens chatas, estamos predispostos a atribuir uma grande importância visual às ilusões de profundidade, ainda que essa parte da imagem contenha pouca ou nenhuma informação adicional que atraia a atenção. O mecanismo específico que provoca essa reação não está bem definido, mas parece que reagimos intuitivamente ao volume cúbico do espaço vazio sugerido pela ilusão espacial. A ilusão de um objeto tridimensional no espaço bidimensional pode ser criada de várias maneiras, exemplificados na Figura 10. Figura 10. Ilusão tridimensional. a) Por meio da sobreposição dos elementos compositivos. b) Por meio de transparência. c) Utilizando o claro-escuro. d) Pela perspectiva cônica. Vazio Um dos métodos mais surpreendentes para criar impacto na composição é balancear formatos identificáveis com o espaço vazio. Para que esse contraste funcione, é preciso um volume suficiente de espaço vazio para compensar o peso visual das formas identificáveis. Observe um exemplo na Figura 11. Forma e processos de síntese da forma132 DA_U3_C08.indd 132 01/12/2017 17:00:44 Figura 11. Exemplo de vazio. Fechamento A Gestalt, também conhecida como psicologia da Gestalt ou psicologia da boa forma, é uma doutrina que estuda as formas no âmbito da percepção. Segundo o autor João Gomes Filho (2000), embora não exista uma tradução exata para o termo alemão Gestalt, a explicação mais próxima é “[...] forma, totalidade sensível ou jogo entre figura e fundo de um campo perceptivo.”. O que interessa na comunicação visual, vista pela Gestalt, é o valor perceptivo, ou seja, algo que atrai o espectador pelo arranjo de cores, formas ou ritmo. O fechamento é uma das leis básicas da Gestalt. Ele se expressa quando mesmo diante de uma figura não totalmente fechada, conseguimos ler sua forma como se estivesse fechada. 133Forma e processos de síntese da forma DA_U3_C08.indd 133 01/12/2017 17:00:44 Na Figura 12, embora as formas a e b não estejam fechadas pelo desenho, você consegue perceber um círculo em a e um triângulo em b. Figura 12. Exemplos de fechamento. 1. Assinale a alternativa cuja Figura representa, no espaço compositivo, o lugar onde as formas ganham mais destaque. a) b) Forma e processos de síntese da forma134 DA_U3_C08.indd 134 01/12/2017 17:00:46 c) d) e) 2. Assinale a alternativa na qual foi aplicada a regra dos terços para a divisão do espaço compositivo. a) b) c) d) e) 3. Assinale a alternativa que contempla a combinação de duas regras de composição, a das três arestas e dos ímpares. a) b) 135Forma e processos de síntese da forma DA_U3_C08.indd 135 01/12/2017 17:00:47 c) d) e) 4. Identifique a alternativa que apresenta o conceito de obtenção de ilusão de tridimensionalidade no espaço bidimensional. a) Perspectiva cônica. b) Regra dos terços. c) Sentido da leitura. d) Regra dos ímpares. e) Estrutura oculta dos sólidos geométricos. 5. Identifique a alternativa que demonstra a o conceito de Fechamento da Gestalt. a) b) c) d) e) Forma e processos de síntese da forma136 DA_U3_C08.indd 136 01/12/2017 17:00:48 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: DESENHO ARTÍSTICO Juliana Wagner Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147 W133d Wagner, Juliana. Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: SAGAH, 2017. 168 p. il. ; 22,5 cm ISBN 978-85-9502-241-6 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. III.Título. CDU 744.43 Revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke Arquiteta e Urbanista Mestra em Ambiente e Desenvolvimento com ênfase em Planejamento Urbano DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43 Colagens e técnicas diversas Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Distinguir as técnicas artísticas de colagem, monotipia e guache lavado. � Identificar os artistas plásticos que utilizam essas técnicas, ampliando seu universo artístico. � Diferenciar os efeitos pictóricos de cada técnica para possíveis apli- cações futuras. Introdução Neste capítulo, você irá estudar três técnicas artísticas: a colagem, a mo- notipia e o guache lavado. A monotipia, provavelmente de origem italiana, remonta ao século XVIII, mas reaparece no século XIX com o pintor francês Edgar Degas. A colagem inicia seu trajeto como técnica de arte no século XX, com a chegada da Arte Moderna, mais especificamente do movimento cubista de Georges Braque. Ambas as técnicas são empregadas na arte contem- porânea por artistas brasileiros como Carlos Vergara e Beatriz Milhazes. Já sobre a técnica de guache lavada, não se encontram muitas informações disponíveis, portanto, não se consegue traçar uma linha do tempo de sua existência no universo artístico, embora seja uma técnica ensinada em faculdades de arte e empregada por diversos artistas contemporâneos. Monotipia A monotipia é um tipo de gravura que se obtém por meio de desenho ou pintura sobre uma superfície lisa, por exemplo, uma placa de vidro ou acrílico. Depois de feito o desenho ou a pintura sobre a superfície, ele é transferido para uma DA_U4_C09.indd 139 01/12/2017 17:01:08 folha de papel utilizando uma técnica de pressão do papel sobre o desenho, manual ou mecanicamente. Monotipo é uma impressão única, devido à maior parte da tinta ser removida durante a prensagem inicial, daí o seu nome. Porém, uma segunda cópia pode ser obtida, por meio de uma segunda prensagem da mesma matriz. O processo de monotipia foi, provavelmente, criado no século XVII, por Giovanni Benedetto Castiglione (1609-1664), um pintor italiano, que também foi o primeiro artista a produzir esboços como obras acabadas em vez de estudos para trabalho. Figura 1. Cabeça de um Oriental Barbudo, monotipia com retoques emtinta e velatura (The Royal Collection, Londres) de Giovanni Benedetto Castiglione. Fonte: Wikipédia (2016). Regina Helena Shrimpton (2012), em sua dissertação de mestrado, descreve que, na época, a gravura Cabeça de um Oriental Barbudo não era vista como arte e não tinha qualquer valor estético. Seu valor como arte só veio a ocorrer no século XIX, depois da invenção dos processos litográficos e fotomecânicos. Poucos artistas usaram essa técnica até que o pintor impressionista Edgar Degas, dois séculos depois, resgatou a monotipia do anonimato ao qual tinha sido relegada desde a época de Castiglione. Colagens e técnicas diversas140 DA_U4_C09.indd 140 01/12/2017 17:01:08 A partir de 1874, data de sua primeira monotipia, A Lição de Dança, o Mestre de Balé, Degas realizou entre 300 e 500 monotipias (entre 1874 e 1893), representando paisagens, bailarinas, cenas de café, cafés-concertos e nus. Entre elas, aproximadamente 100 são monotipias puras, isto é, em preto e branco com variações de tom, feitas com tinta tipográfica. Outras 100 são monotipias retocadas com pastéis. As Figura 2 e 3 apresentam exemplos das monotipias de Degas. Figura 2. Ao Lado da Lareira, monotipia em tinta preta, 1876-77. Fonte: Wikimedia Commons (2017). 141Colagens e técnicas diversas DA_U4_C09.indd 141 01/12/2017 17:01:09 Figura 3. Balé - A Estrela, 1876-77, pastel sobre monotipia. Fonte: Wikimedia Commons (2009). Na atualidade, o gaúcho Carlos Vergara (1941-) utiliza matérias-primas naturais, como terra e pigmentos, para encapsular, por meio da técnica de monotipia, coisas que foram feitas em um lugar específico, mas que podem ir para outro lugar, por exemplo, um museu, e adquirir uma outra instância, conforme relatado no trabalho de mestrado de Regina Helena Shrimpton (2012). Nas Figuras 4 e 5 você pode observar trabalhos de Vergara. Colagens e técnicas diversas142 DA_U4_C09.indd 142 01/12/2017 17:01:09 Figura 4. Monotipia, década de 1990. Fonte: Wikipédia (2017). Figura 5. Imagem da exposição “Sudários”, 2014. Fonte: Wikipédia (2014b). A monotipia, como você pode observar, tem características pictóricas bem marcantes, comumente executada com tinta preta, que faz a figura se sobressai no branco do papel. A composição fica carimbada pelo gesto do artista quando faz o desenho, utilizando uma ponta seca ou uma bucha de 143Colagens e técnicas diversas DA_U4_C09.indd 143 01/12/2017 17:01:10 papel, e pela pressão colocada na transferência da superfície para o suporte. O acaso, o gesto espontâneo e a imprecisão do desenho obtido são efeitos que conferem riqueza e beleza a essa técnica. Colagem Colagem é uma composição elaborada com diversos materiais (papel, madeira, metal e formas), superfícies, volumes, cores e texturas coladas sobrepostas ou lado a lado, a fim de formar uma imagem figurativa ou abstrata. Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras (2017), a colagem é um procedimento técnico antigo, porém, apenas a partir do movimento de arte moderna Cubismo, no século XX, ela passa a ser empregada como técnica artística. Você pode observar um exemplo de obra do Cubismo na Figura 6. Figura 6. Fruteira e Copo (1912), de Georges Braque (1882-1963). Esta obra é considerada uma das primeiras colagens da arte moderna. Fonte: The Metropolitan Museum of Art (c2017). Na Figura 7, você pode observar a obra de Amadeo Souza Cardozo, con- feccionada com a técnica de colagem. Colagens e técnicas diversas144 DA_U4_C09.indd 144 01/12/2017 17:01:10 Figura 7. Obra cubista Cozinha da Casa de Manhufe (1913), óleo sobre madeira. Fonte: Wikimedia Commons (c2017a). O uso de papéis colados levou as pesquisas cubistas para novas direções, e a utilização, cada vez mais livre de materiais heterogêneos, não só papel, deu origem a objetos tridimensionais e relevos. Nessa direção, Juan Gris (1887-1927), outro grande nome do cubismo, trabalhou exaustivamente com colagens e definiu a pintura como uma “[...] espécie de arquitetura plana com cor.” Observe uma obra de Gris na Figura 8. Figura 8. Obra cubista do espanhol Juan Gris, Bodegón con botella de Burdeos (1919). Fonte: Wikipédia (2002). Os princípios de composição inaugurados pelas colagens encontraram seguidores em todo o mundo, e com interpretações distintas de um mesmo 145Colagens e técnicas diversas DA_U4_C09.indd 145 01/12/2017 17:01:11 procedimento. Na Rússia, as colagens aderiram às tendências construtivas da época e ganharam destaque nos princípios de composição propriamente ditos e no poder expressivo dos materiais, conforme exemplo da Figura 9. Figura 9. Técnica mista com colagem, Composição com Mona Lisa, do russo Kazimir Malevich (1878-1935). Fonte: Wikimedia Commons (2016). No movimento moderno Surrealismo, você pode notar uma articulação imprevista dos elementos da colagem com o irracional, que leva ao limite a ideia de associação de elementos díspares e de construção de uma “realidade irreal”, conforme demonstrado na Figura 10. Colagens e técnicas diversas146 DA_U4_C09.indd 146 01/12/2017 17:01:13 Figura 10. Obra surrealista de Salvador Dalí, Rosto de Mae West Podendo Ser Utilizado como Apar- tamento Surrealista, de 1934-35, que utiliza guache, grafite e colagem sobre página de revista. Fonte: VÍRUS DA ARTE & CIA., 2014 Nas artes plásticas brasileiras, as colagens foram testadas por diferentes artistas, por exemplo, Carlos Scliar (1920-2001), Piza (1928), Guignard (1896- 1962), Jorge de Lima (1893-1953) e Athos Bulcão (1918-2008). Atualmente, a colagem contempla os trabalhos da artista plástica brasileira Beatriz Milhazes, que você pode observar na Figura 11. Pintora, gravadora e ilustradora, a carioca destaca-se em mostras internacionais e integra acervos de museus como o Museum of Modern Art (MoMa), Solomon R. Guggenheim Museum, The Metropolitan Musem of Art (Met), em Nova York, e o Museo Reina Sofia, em Madrid. 147Colagens e técnicas diversas DA_U4_C09.indd 147 01/12/2017 17:01:14 Figura 11. Painel Samambaia (2009), de Beatriz Milhazes, confeccionado para a Fundação Cartier, em Paris. Fonte: Dalbéra (2009). A colagem é uma técnica com bastante controle na sua execução. Em geral, você consegue obter resultados pictóricos precisos, com elementos composi- tivos bem-definidos pelas bordas e cores. A colagem é uma técnica rica, pois aceita diversos materiais com a possibilidade de tridimensionalização da obra, além de permitir que se trabalhe com exatidão os elementos compositivos, suas relações formais e espaço-formais. Guache lavado A técnica de guache lavado consiste em utilizar tinta guache e tinta nanquim em duas etapas, no mesmo suporte, que pode ser o papel. Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa “[...] o nanquim é um material corante preto originário da China e é preparada com negro-de-fumo, substância oriunda do carvão.” (PRIBERAM DICIONÁRIO, c2013b). Já o guache “[...] é uma preparação feita com substâncias corantes, goma arábica e mel, diluídas em água.” (PRIBERAM DICIONÁRIO, c2013a). No guache lavado, o desenho é feito sobre o suporte de papel, preferencial- mente adaptado para técnicas a úmido; depois, é passado sobre o desenho a tinta guache, comumente branca. Após breve secagem, o papel é todo coberto Colagens e técnicas diversas148 DA_U4_C09.indd 148 01/12/2017 17:01:14 com nanquim, geralmente preto. Então, o suporte é “lavado” em água corrente, daí o nome da técnica. Depois de lavado, as partes do desenho que foram cobertas com guache aparecem normalmente descobrindo o papel e revelando sua cor. Aquelas partes do suporte que não receberam guache permanecem com a cor do nanquim usado. Veja exemplos da técnica guache lavado nas Figura 12 e 13. Figura 12. Folheto para divulgação de casa noturna usando a técnica de guache lavado, criado pelo aluno Deimerson Motta do curso de Design Gráfico. Fonte: Imagem cedida por Deimerson Motta 149Colagens e técnicas diversasDA_U4_C09.indd 149 01/12/2017 17:01:15 Figura 13. Trabalho desenvolvido durante o curso de Desenho e Plástica, utilizando a técnica de guache lavado sobre papelão, de Carla Allegretti (1998), 45x65 cm. Conforme a Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras (2017), o artista baiano Raimundo de Oliveira, gravador, escultor e desenhista, utilizou a técnica de guache lavado na primeira fase de sua produção artística. A obra de Raimundo de Oliveira se desenrolou no universo religioso, com santos, imagens e cenas bíblicas. Nas décadas de 1950 e 1960 predominaram as composições com cores sombrias e caráter expressionista. Suas figuras são marcadas por traços dolorosos e dramáticos, definidas com nanquim e contornos negros, como Cabeça de Cristo, 1957, Crucificado, s.d., e Moisés, 1960. O guache lavado é uma técnica de efeitos pictóricos inconfundíveis. O preto quase sempre presente em função do uso do nanquim, a mescla da cor do papel com o residual do guache branco, as bordas pouco delimitadas e a marca deixada do sentido que a água escorre, são características únicas. O guache Colagens e técnicas diversas150 DA_U4_C09.indd 150 01/12/2017 17:01:18 lavado tem um processo de maior controle que a monotipia, por exemplo, mas sua riqueza ainda é maior com as imprecisões e os felizes acasos da técnica. 1. Qual das alternativas a seguir apresenta um exemplo de artista plástico que trabalha com a técnica de colagem? a) Beatriz Milhazes. b) Juan Gris. c) Pablo Picasso. d) Salvador Dali. e) Tarsila do Amaral. 2. É um tipo de gravura que se obtém por meio do desenho ou pintura sobre uma superfície lisa e transferido para uma folha de papel com o uso da pressão do papel sobre o desenho, manual ou mecanicamente. Esta definição se refere a qual técnica? a) Monotipia. b) Guache lavado. c) Colagem. d) Desenho de observação. e) Pintura. 3. Quem é considerado o inventor da monotipia? a) O italiano Giovanni Benedetto Castiglione. b) O francês Edgar Degas. c) O brasileiro Carlos Vergara. d) O espanhol Juan Gris. e) O russo Kazimir Malevich. 4. Pelas características pictóricas de mistura entre desenho e pintura com resultados imprecisos e gestuais, manchas negras e figura em branco, a imagem correspondente a uma monotipia está em qual das seguintes alternativas? a) Fonte: Wikimedia Commons (c2017b). b) Fonte: Imagem cedida por Vinícius Müller Becker c) 151Colagens e técnicas diversas DA_U4_C09.indd 151 01/12/2017 17:01:18 d) Fonte: Wikipédia (2014a). e) Fonte: Yury Shchipakin/Shutterstock.com. 5. É característica marcante da técnica de colagem: a) a definição dos elementos compositivos. b) a imprecisão técnica. c) o gestual marcado. d) a cor preto de fundo ou figura. e) a possibilidade de revelar a cor do suporte. DALBÉRA, J.-P. Beatriz Milhazes (Fondation Cartier). [S.l.]: Flickr, 2009. Disponível em: <https://www.flickr.com/photos/dalbera/3625301979>. Acesso em: 13 nov. 2017. ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL DE ARTE E CULTURA BRASILEIRAS. Colagem. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Verbete. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/ termo369/colagem>. Acesso em: 30 out. 2017. PRIBERAM DICIONÁRIO. Guache. [S.l.]: Priberam Informática, c2013a. Disponível em: <https://www.priberam.pt/dlpo/guache>. Acesso em: 30 out. 2017. PRIBERAM DICIONÁRIO. Nan.quim. [S.l.]: Priberam Informática, c2013b. Disponível em: <https://www.priberam.pt/dlpo/nanquim>. Acesso em: 30 out. 2017. SHRIMPTON, R. H. Monotipia: uma investigação técnica e artística. 2012. 116 f. Disserta- ção (Mestrado em Comunicação, Cultura e Artes)–Universidade do Algarve, Faro, 2012. Disponível em: <https://sapientia.ualg.pt/bitstream/10400.1/3522/1/Monotipia170513. pdf>. Acesso em: 30 out. 2017. THE METROPOLITAN MUSEUM OF ART. Fruit dish and glass. New York: ARS, c2017. 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Acesso em: 13 nov. 2017. WIKIPÉDIA. Monotipia de Carlos Vergara. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https:// pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Monotipia_de_carlos_vergara.jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017. WIKIPÉDIA. Monotipo (gravura). [S.l.: s.n.], 2016. Disponível em: <https://pt.wikipedia. org/wiki/Monotipo_(gravura)>. Acesso em: 13 nov. 2017. WIKIPÉDIA. Stilleben mit Bordeuauxflasche (Bodegón con botella de Burdeos), 1919, Wer- ner, Berlín. [S.l.: s.n.], 2002. Disponível em: <https://es.wikipedia.org/wiki/Juan_Gris#/ media/File:Juan_Gris_002.jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017. WIKIPÉDIA. Vista da exposição de Carlos Vergara. [S.l.: s.n.], 2014b. Disponível em: <ht- tps://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Sud%C3%A1rios_-_vista_da_exposicao.jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017. Leituras recomendadas INSTITUTO MOREIRA SALLES. Por dentro dos acervos: glossário de técnicas e proces- sos gráficos e fotográficos do século XIX. Rio de Janeiro: IMS, 2014. Disponível em: <https://ims.com.br/por-dentro-acervos/glossario-de-tecnicas-e-processos-graficos- -e-fotograficos-do-seculo-xix/>. Acesso em: 13 nov. 2017. MACIEL, N. D. G. O universo poético-mítico de Raimundo de Oliveira. 2009. Dissertação (Pós-Graduação em Artes Visuais)–Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009. Disponível em: <https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/9845/1/Macielparte1.pdf>. Acesso em: 30 out. 2017. 153Colagens e técnicas diversas DA_U4_C09.indd 153 01/12/2017 17:01:20 https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/91/Amadeo_de_Souza-Car- https://commons.wikimedia.org/wiki/File http://wikimedia.org/wikipedia/commons/3/39/Edgar_Degas_-_Profil_perdu_%C3%A0_ https://commons.wikimedia.org/wiki/File http://wikimedia.org/wiki/File http://pt.wikipedia.org/wiki/Pintura_do_Renascimento#/media/File http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro https://pt.wikipedia/ https://es.wikipedia.org/wiki/Juan_Gris#/ tps://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro https://ims.com.br/por-dentro-acervos/glossario-de-tecnicas-e-processos-graficos- https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/9845/1/Macielparte1.pdf MARTINS, L. R. Colagem: investigações em torno de uma técnicamoderna. ARS, São Paulo, v. 5, n. 10, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ar ttext&pid=S1678-53202007000200006>. Acesso em: 13 nov. 2017. MOSMANN, R.; SILVA, C. B.; BLAUTH, L. Xilogravura e monotipia como forma de expressão: marcas e memórias. Revista Conhecimento Online, Novo Hamburgo, ano 6, v. 1, abr. 2014. Disponível em: <periodicos.feevale.br/seer/index.php/revistaconhe- cimentoonline/article/view/214/191>. Acesso em: 30 out. 2017. WEISS, L. Monotipias: algumas considerações. Cadernos de [Gravura], Campinas, n. 2, nov. 2003. Disponível em: <http://www.iar.unicamp.br/cpgravura/cadernosdegravura/ downloads/p2_GRAVURA_2_nov_2003.pdf>. Acesso em: 13 nov. 2017. Colagens e técnicas diversas154 DA_U4_C09.indd 154 01/12/2017 17:01:20 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ar http://periodicos.feevale.br/seer/index.php/revistaconhe- http://www.iar.unicamp.br/cpgravura/cadernosdegravura/ Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: DESENHO ARTÍSTICO Juliana Wagner Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147 W133d Wagner, Juliana. Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: SAGAH, 2017. 168 p. il. ; 22,5 cm ISBN 978-85-9502-241-6 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. III.Título. CDU 744.43 Revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke Arquiteta e Urbanista Mestra em Ambiente e Desenvolvimento com ênfase em Planejamento Urbano DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43 Desenho de objetos tridimensionais Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Diferenciar os materiais básicos, instrumentos e superfícies de desenho. � Escolher a posição mais adequada para desenhar e empunhar o lápis. � Identificar as habilidades para elaboração de desenhos e os elementos de sua composição. Introdução Desenhar é a capacidade de observar e compreender as relações entre os elementos da composição. Contudo, antes de começar a desenhar, é preciso escolher o material adequado de desenho. Neste capítulo você irá conhecer os materiais básicos para desenhar, além de aprender sobre como a posição do desenhista e a pega do lápis podem interferir no resultado da composição. Ainda, verá a técnica mais utilizada no desenho artístico, o desenho de observação, bem como as cinco habilidades básicas para desenhar. Materiais e superfícies de desenho A escolha do material adequado certamente contribui para a confecção de um bom desenho. Os materiais para desenho podem ser classificados em três categorias: profissional, universitário e escolar. Os materiais escolares são especialmente produzidos para serem atóxicos, e a diferença de manejo entre os materiais profissionais e universitários é pequena, embora as linhas profissionais sejam mais extensas e duráveis. DA_U4_C10.indd 155 01/12/2017 17:08:02 Materiais Grafite O grafite não era muito usado como instrumento de desenho até 1795, quando passou a ser fabricado na forma de lápis com corpo de madeira pelo francês Nicholas Conté. Além da forma de lápis, apresentada na Figura 1, o grafite também está disponível na forma de bastões retangulares maciços e sem re- vestimento, conforme você pode observar na Figura 2, lápis cilíndricos “sem madeira” e em pó, podendo ser aplicada diretamente à superfície do desenho. Os grafites são classificados pela sua dureza, do mais macio, que resulta na cor preta e é classificado como B, ao mais duro, que resulta em um acinzentado e é classificado como H. Escala do grafite mais duro ao mais macio é: 9H > 8H > 7H > 6H > 5H > 4H > 3H > 2H > H > HB > B > 2B > 3B > 4B > 5B > 6B > 7B > 8B > 9B Para rafes, desenhos e projetos a mão livre, recomenda-se o uso de lápis macio do tipo B. Figura 1. Lápis. Fonte: Xiuxia Huang/Shutterstock.com. Desenho de objetos tridimensionais156 DA_U4_C10.indd 156 01/12/2017 17:08:03 Figura 2. Grafite em barra. Fonte: Shoptime (c2017). Carvão vegetal O carvão é considerado o mais antigo instrumento de desenho e é, atualmente, comercializado em duas formas: carvão vegetal e carvão comprimido. O carvão vegetal em barra, veja exemplo na Figura 3, é feito com o car- bono seco que sobra após a queima da madeira. A barra de carvão vegetal de melhor qualidade é o carvão de videira, um material seco e farelento que borra facilmente e necessita de fixador para aderir ao papel. Já o carvão comprimido, em forma de lápis, também apresentado na Figura 3, é um instrumento de desenho mais versátil, feito de carvão vegetal em pó misturado com aglutinante. O aglutinante ajuda na aderência do pigmento à superfície do papel e enriquece a cor preta. Figura 3. Carvão vegetal e carvão comprimido. Fonte: Burhan Bunardi/Shutterstock.com. 157Desenho de objetos tridimensionais DA_U4_C10.indd 157 01/12/2017 17:08:04 Superfícies O sistema moderno de formatos de papel International Organization for Stan- dardization (ISO) se baseia em uma observação feita pelo professor de física alemão Georg Christoph Lichtenberg que, em 1786, percebeu as vantagens de os tamanhos de papel terem uma razão entre altura e largura, ou seja, um papel com a razão de Lichtenberg mantém sua proporção quando é cortado pela metade. No sistema ISO os formatos vão de A4 até A0. Tamanho O tamanho padrão dos papéis varia de A0 a A8, veja os diferentes tamanhos de papéis conforme sua classificação: A0 – 84,0 × 118,8 cm A1 – 59,4 × 84,0 cm A2 – 42,0 × 59,4 cm A3 – 29,7 × 42,0 cm A4 – 21,0 × 29,7 cm A Figura 4 apresenta um modelo para que você tenha ideia de proporção entre os diferentes tamanhos de papel. Figura 4. Tamanhos de papel. Desenho de objetos tridimensionais158 DA_U4_C10.indd 158 01/12/2017 17:08:05 Além da série de tamanhos A, existem tamanhos intermediários, da série B e C, que são utilizados para envelopes. O Canadá e os Estados Unidos são os únicos países industrializados que não utilizam o sistema ISO. Você pode saber mais sobre as séries, formatos e usos dos variados tamanhos de papel no livro Fundamentos de Design Criativo (AMBROSE; HARRIS, 2012). Fibra Os papéis mais comuns são fabricados com fibras de madeira, já os mais nobres com fibras de algodão puro. Papéis de fibras de algodão são duráveis e permanentes, ou seja, mantém suas propriedades originais após muitos anos. Os papéis de fibras de madeira, por sua vez, precisam ser tratados quimica- mente para obter um PH neutro e evitar o amarelamento e a deterioração. Gramatura Refere-se à espessura do papel e é expressa em gramas, portanto, quanto maior for a gramatura do papel maior será a sua grossura. As gramaturas variam comumente entre 90, 120, 180, 210, 240, 320 g/m2, mas existem outras gramaturas disponíveis, dependendo da aplicação do papel. Indicação de uso Veja as indicações de uso para os diferentes tipos de papel: � Papel sulfite: papel liso, conforme apresentado na Figura 5, utilizado para esboços. � Papel para técnicas secas: papel liso ou texturizado, ilustrado na Figura 6, usado para desenhos com grafite, carvão, nanquim, pastel seco e oleoso. � Papel para técnicas úmidas: papel texturizado ou liso, indicado para técnicas úmidas como aquarela e tinta acrílica. � Papel para marcador: papel de alta-alvura, especialmente desenvolvido para marcadores. 159Desenho de objetos tridimensionais DA_U4_C10.indd 159 01/12/2017 17:08:05 � Papel vegetal: papel liso e translúcido para grafite, marcadores, nan- quim, etc. Mecânica do desenho A posição para desenhar interfere no resultado final do desenho, portanto, o desenhista deve estar afastado do objeto desenhadocerca de 60 cm – mais ou menos um braço seu de distância – para obter uma visualização clara do objeto desenhado. O desenhista também deve se manter em uma posição fixa, para não perder o ponto de observação. A posição da mesa, prancheta ou suporte de desenho deve formar um ângulo de 90° em relação à linha de visão para que o desenho não se deforme, conforme você pode observar na Figura 5. Figura 5. Desenho de observação. Fonte: Curtis (2015, p. 20). Além da posição correta para desenhar, a pega do lápis pode permitir ou não uma maior movimentação do instrumento de desenho sobre a superfície do papel Desenho de objetos tridimensionais160 DA_U4_C10.indd 160 01/12/2017 17:08:06 e, desse modo, possibilitar uma maior fluidez e expressão do traçado. Tente uma empunhadura alternativa, conforme ilustrado na Figura 6, que proporcione um controle maior sobre a pressão da ponta do instrumento sobre o papel. Figura 6. Desenho de observação. Fonte: Curtis (2015, p. 21). Desenho de observação O desenho de observação consiste na observação real do objeto tridimensional. Na técnica de observação in loco, apreendemos do objeto aquilo que é mais relevante, captamos a sua essência. Nesse processo, contamos com a ajuda dos posicionamentos corretos do papel e do desenhista e das habilidades de percepção necessárias para desenhar: percepção das bordas, dos espaços, dos relacionamentos, de luz e sombra e do todo. O desenho de observação, além de propiciar o desenvolvimento de seu próprio traçado, produz um resultado personalizado, bem gestual e muito expressivo em todos os seus elementos, como as linhas, os preenchimentos, a luz e a sombra. Cinco habilidades básicas para desenhar Segundo a autora Betty Edwards (2000), as cinco habilidades básicas para desenhar são: 1. Percepção das bordas: os contornos dos objetos. 161Desenho de objetos tridimensionais DA_U4_C10.indd 161 01/12/2017 17:08:06 2. Percepção dos espaços: as partes que preenchem os contornos e também as que ficam fora dele. 3. Percepção dos relacionamentos: as relações entre as partes do mesmo objeto, entre os objetos da cena ou, ainda, entre as figuras e o fundo, por exemplo, quando percebemos que a alça da xícara fica centralizada no seu bojo e que um dos alhos está na frente dos outros três. 4. Percepção de luz e sombra: é a percepção do claro – a parte que fica mais “para fora” dos objetos, e do escuro – a parte que fica mais “para dentro” dos objetos. 5. Percepção do todo: é a composição total da cena. Observe, na Figura 7, essas habilidades básicas em um modelo de desenho. Figura 7. Habilidades básicas de desenho. Fonte: KUCO/Shutterstock.com. Saiba mais sobre técnicas de preenchimento – tonalidade localizada, luz e sombra, hachura e textura – nos livros Desenho para Arquitetos, de Francis Ching (2012), e Desenho de Observação, de Brian Curtis (2015). Desenho de objetos tridimensionais162 DA_U4_C10.indd 162 01/12/2017 17:08:06 Evidenciando o elemento compositivo A partir da técnica de observar, qualquer desenho pode ser construído com a utilização de linhas, superfícies e volumes, evidenciando mais ou menos o elemento compositivo, conforme você pode observar nas Figuras 8, 9 e 10. Figura 8. Desenho de Rembrandt, Pedro ao Leito de Morte de Tabitha (Kupferstichkabinett, Dresden) evidenciando linhas. Fonte: Curtis (2015, p. 44). Figura 9. Georges Seurat, Espetáculo Secundário do Circo (1887-1888, Museu Metropolitano de Arte de Nova York), evidenciando as superfícies do desenho. Fonte: Curtis (2015, p. 288). 163Desenho de objetos tridimensionais DA_U4_C10.indd 163 01/12/2017 17:08:07 Figura 10. William Hogarth, Absurdos de Perspectiva, 1754, gravura evidenciando volumes. Fonte: Curtis (2015, p. 287). A artista plástica e crítica de arte Fayga Ostrower (2013) em seu livro Universos da Arte apresenta vários exemplos de arte, arquitetura e design de trabalhos elaborados utilizando linhas, superfícies e volumes. Certamente, a escolha do material de desenho adequado, um bom grafite e um papel de qualidade, influenciam de forma positiva no resultado de uma composição. Porém, um desenho simples, elaborado somente tendo linhas como seu elemento primário, pode ser muito interessante e valoroso se for executado em um gesto livre, com um traço próprio e original. Um traçado personalizado pode ser adquirido com o exercício diário do desenho, experimentando técnicas e testando materiais. Desenho de objetos tridimensionais164 DA_U4_C10.indd 164 01/12/2017 17:08:08 1. Avalie o desenho de observação de uma cafeteira a seguir e, depois assinale a alternativa que apresenta o que devemos observar quando avaliamos um desenho de observação? a) Observar se as formas elementares do objeto foram representadas no desenho. b) Observar se a reprodução do objeto desenhado é fidedigna. c) Observar se o acabamento do desenho final está perfeito. d) Observar o fator estético. e) Observar se as medidas condizentes com a realidade. 2. Observe o desenho de observação de uma cafeteira do tipo italiana, a seguir. Sobre as cinco habilidades básicas para desenhar relacionadas a esse desenho, é correto afirmar que: Fonte: Imagem cedida por Daniela Duarte Alves. a) a percepção do todo está relacionada com a percepção das bordas, dos espaços, dos relacionamentos e da luz e sombra, além da proporção do objeto desenhado. b) as bordas do desenho não interferem na proporção do objeto. c) a proporção do objeto independe da percepção do todo. d) a observância dos relacionamentos é irrelevante na percepção do todo. e) a percepção espaços não alteram a proporção do objeto. 165Desenho de objetos tridimensionais DA_U4_C10.indd 165 01/12/2017 17:08:08 3. O desenho de observação a seguir evidencia qual elemento compositivo? Fonte: Nuh Ugur Karsli/Shutterstock.com. a) A Linha. b) A superfície. c) O volume. d) O Ritmo. e) A assimetria. 4. Sobre as cinco habilidades básicas para desenhar relacionadas aos desenhos de observação a seguir, assinale a alternativa que demostra corretamente a percepção das bordas, espaços, relacionamentos, luz e sombra que o desenho apresenta. Fonte: adaptada de psynovec/Shutterstock.com a) b) c) d) Desenho de objetos tridimensionais166 DA_U4_C10.indd 166 01/12/2017 17:08:35 e) 5. O desenho de observação a seguir evidencia, além do elemento compositivo, um recurso compositivo que o torna interessante visualmente. Que elemento compositivo e que recurso são esses? Fonte: babayuka/Shutterstock.com. a) Linha e profundidade. b) Superfície e vazio. c) Volume e profundidade. d) Linha e vazio. e) Superfície e profundidade. AMBROSE, G.; HARRIS, P. Fundamentos de design criativo: uma introdução abrangente aos princípios do design criativo, apresentados por meio de explicações detalhadas e ilustrados com exemplos do design contemporâneo. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. CURTIS, B. Desenho de observação. 2. ed. Porto Alegre: McGraw-Hill, 2015. EDWARDS, B. Desenhando com o lado direito do cérebro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000. OSTROWER, F. Universos da arte. Campinas: Unicamp, 2013. SHOPTIME. Grafite em barra Caran D’ache Grafcube 015 mm 6b 0782.256. Rio de Janeiro, c2017. Disponível em: <https://goo.gl/ACcczb>. Acesso em: 22 nov. 2017 Leitura recomendada OCVIRK, O. G. et al. Fundamentos de arte. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. 167Desenho de objetos tridimensionais DA_U4_C10.indd 167 01/12/2017 17:08:41 https://goo.gl/ACcczb Gabaritos168 Para ver as respostas de todos os exercícios deste livro, acesse o link abaixo ou utilize o código QR ao lado. https://goo.gl/3EzCQx Gabaritos DA_Gabaritos.indd 168 01/12/2017 17:08:44 https://goo.gl/3EzCQx Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo:DESENHO ARTÍSTICO Juliana Wagner Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147 W133d Wagner, Juliana. Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: SAGAH, 2017. 168 p. il. ; 22,5 cm ISBN 978-85-9502-241-6 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. III.Título. CDU 744.43 Revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke Arquiteta e Urbanista Mestra em Ambiente e Desenvolvimento com ênfase em Planejamento Urbano DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43 Composição: noções básicas e conceitos fundamentais Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Interpretar uma composição por meio dos elementos compositivos linha, superfície e volume. � Diferenciar as relações formais ao analisar uma composição. � Identificar as relações espaço-formais na leitura de composições. Introdução Os elementos compositivos visuais e formais, ou simplesmente formas, estão presentes em composições de qualquer natureza, seja arquitetônica, artística ou de design. A escolha dos elementos visuais e sua ordenação no espaço compositivo qualificam uma boa composição do ponto de vista formal. Neste capítulo, você irá estudar o que é uma composição e seus aspectos construtivos, por meio dos elementos compositivos da lin- guagem visual. Composição e elementos compositivos Você sabe o que é uma composição? Composição, segundo o dicionário Pri- beram, é o todo, proveniente da reunião de partes ou o modo de reunir partes para formar um todo (PRIBERAM DICIONÁRIO, c2013). A Figura 1 ilustrando uma paisagem nevada, com um chalé e árvores, é uma composição, é o todo. Esse todo é composto pelo chão nevado, pelo céu, pelas árvores e pelo chalé. O chão, o céu, as árvores e o chalé são os elementos que compõe o todo da paisagem. DA_U3_C07.indd 109 01/12/2017 16:59:56 Figura 1. Paisagem nevada. Fonte: Dmitry Savin/Shutterstock.com. Ao transcrever elementos que compõe a paisagem para elementos de uma composição artística, cada parte que compõe o todo é chamada de ele- mento compositivo ou forma ou, ainda, elemento visual. Na Figura 2, você pode observar a tradução das partes que formam a paisagem em elementos compositivos. Figura 2. Elementos compositivos da paisagem. Composição: noções básicas e conceitos fundamentais110 DA_U3_C07.indd 110 01/12/2017 17:00:03 O tronco das árvores são as linhas, o chalé é um volume e as paredes e o telhado do chalé são as superfícies. Na verdade, pode-se dizer que os elementos compositivos compõem todas as coisas e, se observarmos bem, eles podem ser percebidos em tudo aquilo que nos rodeia! Linha, superfície e volume Segundo a autora Fayga Ostrower (2003) os elementos compositivos da lin- guagem visual (veja a Figura 3) são cinco: � linha; � superfície; � volume; � luz; � cor. Figura 3. Elementos compositivos. Você vai conhecer, a seguir, três desses elementos: a linha, a superfície e o volume. Linha Conforme Ostrower (2003), a linha é um elemento unidirecional, ou seja, possui uma só dimensão: o comprimento. Observe o exemplo da Figura 4. 111Composição: noções básicas e conceitos fundamentais DA_U3_C07.indd 111 01/12/2017 17:00:04 Figura 4. Linha. De acordo com o autor Wucius Wong (2010), as formas enquanto linhas podem ser classificadas em: geométricas, orgânicas, retilíneas, irregulares e outras: � Geométricas: construídas matematicamente. � Orgânicas: com curvas livres e fluidas. � Retilíneas: linhas retas que não se relacionam matematicamente. � Irregulares: associação de linhas retas e curvas que não se relacionam matematicamente. Observe os modelos de classificação das linhas na Figura 5. Figura 5. Tipos de linhas. Composição: noções básicas e conceitos fundamentais112 DA_U3_C07.indd 112 01/12/2017 17:00:05 Superfície Conforme Ostrower (2003), a superfície é um elemento determinado pela junção de diferentes linhas ou pela mudança de direção de uma linha reta ou curva, conforme apresentado na Figura 6. A superfície possui duas dimensões, a altura e o comprimento. Figura 6. Superfície. Segundo Wong (2010), as formas enquanto superfícies também podem ser classificadas em geométricas, orgânicas, retilíneas e irregulares, entre outras, como você pode ver na Figura 7. Figura 7. Tipos de superfície. 113Composição: noções básicas e conceitos fundamentais DA_U3_C07.indd 113 01/12/2017 17:00:07 Ostrower (2003), por sua vez, classifica as superfícies de acordo com o as- pecto de suas margens em fechadas ou abertas, como representado na Figura 8. Figura 8. Classificação das superfícies de acordo com as margens. Volume O volume é um elemento formado pelo agrupamento das superfícies, de acordo com o autor Christian Leborg (2015), e caracteriza-se por três dimensões: largura, altura e profundidade. Observe o exemplo na Figura 9. Figura 9. Volume. Composição: noções básicas e conceitos fundamentais114 DA_U3_C07.indd 114 01/12/2017 17:00:08 Segundo Wong (2010), as formas enquanto volumes também podem ser classificadas em geométricas, orgânicas, retilíneas, irregulares e outras, como demonstrado na Figura 10. Figura 10. Classificação do volume. Relações formais As relações formais descrevem as características dos elementos compositivos presentes, dispostos e combinados na composição: quantos são, quais são, são grandes ou pequenos, e assim por diante. Semelhanças e diferenças Ostrower (2003) observa a relação entre os elementos de composição por meio de semelhanças e diferenças de forma, tamanho, proporção, orientação e posição, como representado na Figura 11. Algumas diferenças são mais facilmente identificadas, como as de forma e tamanho. 115Composição: noções básicas e conceitos fundamentais DA_U3_C07.indd 115 01/12/2017 17:00:08 Figura 11. Relações formais. Ritmo e contraste Ostrower (2003) também indica que as semelhanças entre os elementos com- positivos podem originar os ritmos, e as diferenças, os contrastes. Os ritmos são constituídos por semelhanças repetidas e organizadas. Já os contrastes se encontram em grandes diferenças, conforme você pode observar na Figura 12. Figura 12. Ritmo e contraste. Composição: noções básicas e conceitos fundamentais116 DA_U3_C07.indd 116 01/12/2017 17:00:09 Para haver ritmo em uma composição você precisa se imaginar “dançando” ela. Em um ritmo de repetição você dançaria um passo para a direita e outro para a esquerda, conforme representação da Figura 13. Figura 13. Exemplo de ritmo de repetição. Em um ritmo alternado, você poderia dançar um passo atrás e dois para frente, como exemplificado na Figura 14. Figura 14. Exemplo de ritmo alternado. Em um ritmo decrescente, você pode se imaginar dançando cada vez mais len- tamente, até a música acabar, como representado na Figura 15. No ritmo crescente, acontece o contrário. Figura 15. Exemplo de ritmo decrescente. Já para haver contraste em uma composição, ela deve ter o efeito “uau” no espec- tador, como se ele levasse um susto. Uma pequena diferença não impacta, mas uma grande, sim (veja a Figura 16). (a) (b) Figura 16. (a) Pequena diferença. (b) Contraste. Fonte: Eric Isselee/Shutterstock.com. 117Composição: noções básicas e conceitos fundamentais DA_U3_C07.indd 117 01/12/2017 17:00:12 Relações espaço-formais São as relações entre os elementos compositivos e o espaço de composição em que estão inseridos. Orientação espacial A orientação espacial refere-se ao peso visual dos elementos de composição no espaço. Ostrower (2003) entende que linhas pesam menos que superfícies, superfícies pesam menos que volumes, assim como formas orgânicas pesam menos que formas geométricas. Segundo o autor Rudolph Arnheim (2000), a parteinferior do espaço de composição recebe melhor os elementos compositivos mais pesados, assim como a lateral esquerda. Por isso, o peso visual dos elementos compositivos define a orientação espacial. Observe a ilustração da Figura 17. Figura 17. Relação espaço-formais. Equilíbrio de simetria Conforme Ostrower (2003), a simetria ocorre quando em um eixo imaginário horizontal, vertical ou diagonal pode-se observar o efeito de espelhamento entre os elementos da composição. No equilíbrio de simetria, a orientação espacial também é definida pelo peso visual dos elementos compositivos. Veja a exemplificação disso na Figura 18. Composição: noções básicas e conceitos fundamentais118 DA_U3_C07.indd 118 01/12/2017 17:00:14 Figura 18. Equilíbrio de simetria. A simetria perfeita, continua a autora, acontece quando nos três eixos imaginários (horizontal, vertical e diagonal) pode-se observar o efeito de espelhamento entre os elementos de composição. Na simetria perfeita, quando os elementos compositivos estão centralizados no espaço, pode-se usar qualquer orientação espacial, como você pode ver na Figura 19. Figura 19. Simetria perfeita. 119Composição: noções básicas e conceitos fundamentais DA_U3_C07.indd 119 01/12/2017 17:00:15 Equilíbrio de assimetria A assimetria ocorre quando em nenhum dos eixos imaginários (horizontal, vertical e diagonal) é possível observar o efeito de espelhamento entre os elementos de composição. No equilíbrio de assimetria, a orientação espacial sempre é definida pelo peso visual dos elementos compositivos. Veja o exemplo da Figura 20. Figura 20. Equilíbrio de assimetria. Movimento visual Movimento visual, de acordo com a definição de Ostrower (2003), é a capa- cidade que os elementos visuais obtêm, pela sua ordenação, de fazer com que os olhos do espectador percorram uma grande parte do espaço compositivo. Observe um exemplo na Figura 21. Composição: noções básicas e conceitos fundamentais120 DA_U3_C07.indd 120 01/12/2017 17:00:16 Figura 21. Movimento visual. Os elementos compositivos, suas relações formais e espaço-formais nos dão uma compreensão racional e material de composição. Eles tornam o espaço compositivo organizado, formalmente rico e atraente aos olhos, prendendo a atenção do espectador. A monografia de conclusão de curso disponível no link a seguir (ZATTERA, 2016) trata da identificação dos elementos formais e suas relações em uma imagem bidimensional de capa de livro. https://goo.gl/hVJ9Ph 121Composição: noções básicas e conceitos fundamentais DA_U3_C07.indd 121 01/12/2017 17:00:16 https://goo.gl/hVJ9Ph 1. Observe a imagem a seguir, identificando os elementos visuais da composição. Em seguida, assinale a alternativa correta. Fonte: Panupong Boonsuebchart / Shutterstock.com. a) A composição é formada pelo equilíbrio de linhas e superfícies orgânicas e por volumes e superfícies geométricas. b) A composição é formada apenas por volumes geométricos. c) A composição é formada por superfícies e volumes geométricos. d) A composição não apresenta nenhum elemento visual. e) A composição contempla somente formas orgânicas. 2. Identifique a alternativa que conceitua a relação formal de ritmo corretamente. a) Ritmo é constituído pela repetição ordenada de elementos compositivos semelhantes ou iguais. b) Qualquer composição com elementos semelhantes constitui uma composição de ritmo. c) Ritmo é o mesmo que semelhança. d) A ordenação é dispensável na composição do ritmo. e) O ritmo pode ser constituído de elementos compositivos diferentes. 3. Identifique a alternativa que apresenta a relação formal de ritmo. a) b) c) d) e) Composição: noções básicas e conceitos fundamentais122 DA_U3_C07.indd 122 01/12/2017 17:00:28 4. Assinale a alternativa que apresenta uma orientação espacial adequada. a) b) c) d) e) Nenhuma das opções de orientação espacial é adequada, visto que os pesos visuais não são equilibrados. 5. Indique a opção em que a composição apresenta a relação espaço-formal movimento visual. a) b) c) d) e) 123Composição: noções básicas e conceitos fundamentais DA_U3_C07.indd 123 01/12/2017 17:00:34 ARNHEIM, R. Arte e percepção visual. 13. ed. São Paulo: Pioneira, 2000. LEBORG, C. Gramática visual. São Paulo: GG BRASIL, 2015. OSTROWER, F. Universos da arte. 32. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003. PRIBERAM DICIONÁRIO. Com.po.si.ção. [S.l.]: Priberam Informática, c2013. Disponível em: <https://www.priberam.pt/dlpo/composi%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 28 nov. 2017. WONG, W. Princípios de forma e desenho. 2. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010. ZATTERA, I. G. Comunicação visual e ilustração: análise da imagem na capa de livro de literatura de fantasia. 2016. Monografia (Bacharelado)–Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul, 2016. Leituras recomendadas CHING, F. Arquitetura: forma, espaço e ordem. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013. CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. CHING, F.; ECKLER, J. F. Introdução à arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2013. Composição: noções básicas e conceitos fundamentais124 DA_U3_C07.indd 124 01/12/2017 17:00:36 https://www.priberam.pt/dlpo/composi%C3%A7%C3%A3o Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: d67beaed-2cdd-443e-ad0a-017f70f624d8.pdf DA_U1_C03 d6fe86ad-02e9-4f9f-85b8-22102722f61f.pdf DA_U2_C04 3c84ad8e-2d91-40d5-a8d2-b7d9c9c26110.pdf DA_U2_C05 84553edc-f4db-4c1c-8cb6-88d37c2bf020.pdf DA_U2_C06 8e978c7e-8f0d-4e3f-adb3-f30c1a3a736f.pdf DA_U1_C01 4b0f0534-8c5b-4017-b092-baa19cd29c1b.pdf DA_U3_C08 25c00ca3-f2ac-47b8-95c0-2a0f563ac1a6.pdf DA_U4_C09 84483f96-f9b2-4f80-9f3a-d371e1d7c38e.pdf DA_U4_C10 DA_Gabaritos 7f09deba-5897-4fbc-8a67-ea95f6e54abf.pdf DA_U3_C07