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Livro Didático Digital Estratégias de Gestão e Organização Empresarial Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria LUCILIANE RIBEIRO AUTORIA Luciliane Ribeiro Sou formada em Letras Inglês, pós-graduada em gerenciamento de projetos, gestão negócios internacionais e administração. Experiência intensiva em empresas de médio e grande porte com mais de 15 anos. Hoje, atuo em mapeamento de processos, controles internos em empresas. Possuo flexibilidade e habilidade facilitadora para transitar em diferentes segmentos e compartilhar minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Definindo o Negócio e Análise de Viabilidade ................................ 10 Definindo o Negócio .................................................................................................................... 10 O Plano de Negócios .................................................................................................................. 15 Explorando a Estrutura do Plano de Negócios Conforme o Segmento .......................................................................................................................... 18 Estruturando a Organização ...................................................................23 Buscando Financiamento e Assessoria para o Negócio ..................................23 Questões Legais de Criação da Organização ...........................................................28 Elaboração de Campanha para o Lançamento do Produto no Mercado .......................................................................................................... 35 Avaliação e Posição do Produto em Relação ao Mercado, Concorrência e Lucratividade ...............................................................48 Mercado ............................................................................................................................................... 48 Atratividade e Lucratividade ..................................................................................................53 Concorrência .................................................................................................................................... 56 7 UNIDADE 04 Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 8 INTRODUÇÃO Nesta unidade, iremos fazer um planejamento estratégico para a criação de um produto. Para tal, vamos utilizar todas as ferramentas, análises e técnicas de administração. A identificação de ameaças, oportunidades, pontos fracos e pontos fortes serão avaliadas para a definição dos rumos e ações. Vamos também criar um produto e lançar no mercado após o mapeamento das necessidades e também das infraestruturas necessárias. Vamos criar os departamentos e estruturar de acordo com a missão, visão e valores estabelecidos pela administração. Então, vamos lá? Ao final desta unidade letiva, você entenderá e estará apto a desenvolver estratégias de gestão dentro de uma organização. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Explicar como definir o produto e elaborar o Plano de Negócios. 2. Compreender como estruturar a organização. 3. Elaboração de campanha para lançamento do produto ao mercado. 4. Avaliação e posição do produto em relação do mercado, concorrência e lucratividade. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 10 Definindo o Negócio e Análise de Viabilidade OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como definir e analisar a viabilidade do negócio. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. As pessoas que tentaram seguir essas orientações, sem dúvida, alcançaram sucesso na administração de organizações. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. Definindo o Negócio Depois de processar um conjunto de dados e informações sobre a organização, a definição da missão consiste no primeiro esboço da definição do negócio (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Você sabe o que é missão no contexto organizacional? Vamos refletir sobre o conceito? Segundo Chiavenato e Sapiro (2020) a missão é a razão da existência de uma organização. Mostra a finalidade ou o motivo pelos quais a organização foi constituída. Ela deve responder três questionamentos básicos: • Quem são? • O que fazem? • Por que fazem? Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 11 Figura 1- Equipe diversificada de negócios empilhando as mãos Fonte: Freepik. Chiavenato e Sapiro (2020) a declaração da missão é importante, pois: • Ajuda a reunir esforços dos indivíduos para uma direção específica, ao mostrar os compromissos da organização. • Reduz os riscos na busca objetivos conflitantes, evitando desgastes e ausência de foco na execução do plano estratégico. • Fornece bases para a distribuição dos recursos. • Define uma atitude de responsabilidades para a operacionalização do plano estratégico. • Conecta as políticas à definição dos objetivos da organização. Em outras palavras, a missão evidencia a razão de ser da organização, o papel da organização na sociedade, a natureza do negócio, o valor criado para os stakeholders, os tipos de atividades, etc (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Ela permite comunicar de forma clara os objetivos, os valores e a estratégia da organização (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Vamos entender esses conceitos? Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 12 Primeiro você precisa compreender que valor é uma crença básica sobre o que é importante ou relevante para a organização, aquilo que ela espera que se deva ou não fazer (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Figura 2– Espiritualidade e religião Fonte: Freepik. Em relação aos objetivos organizacionais, objetivos e estratégias podemos afirmar que são conceitos reconhecidos por você, não é mesmo? Você recorda quais as características de cada conceito? Vamos explorar um pouco mais esses construtos? Figura 3 – Alvo no monitor do computador Fonte: Freepik. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 13 O objetivo é um resultado que se pretende alcançar em determinado período, correto? E, por sua vez, o objetivoorganizacional, como o próprio nome indica é um resultado no qual uma organização deseja alcançar. Está lembrado (a)? Explorando um pouco mais os objetivos organizacionais, você precisa entender que eles possuem diferentes funções, conforme descreve Chiavenato e Sapiro (2020), a seguir: • Orientações básicas - mostram um cenário futuro, uma orientação que a organização busca seguir e estabelece a atividade dos indivíduos. • Fonte de legitimidade - justificam as operações e a existência da organização. • Padrões de avaliação - servem como parâmetros usados para avaliar o êxito, a eficiência e o rendimento das pessoas. Figura 4 – Verificação Fonte: Pixabay. • Unidade de medida - comparam a produtividade da organização, de departamentos ou de seus integrantes. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 14 De acordo com Chiavenato e Sapiro (2020), os objetivos precisam atender de forma simultânea aos seguintes critérios: • Ser focalizados em um resultado. • Ser consistentes, isto é, estar amarrados a outros objetivos e metas organizacionais. • Ser específicos. • Ser mensuráveis. • Ser vinculados com determinado período. • Ser alcançáveis, isto é, possíveis de serem alcançados. Em relação à Estratégia organizacional, mostramos que, de forma genérica, ela indica o caminho ou curso de ação escolhido pela organização para alcançar os objetivos (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Outro conceito importante nesse processo diz respeito à visão organizacional, que proporciona o foco no futuro e oferece os fundamentos para a estabelecer objetivos organizacionais a serem atingidos (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Diz respeito a imagem que a organização tem a respeito de si e do seu futuro. No geral, ela é mais direcionada para aquilo que a organização almeja ser do que para aquilo que ela é fazer (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Figura 5 – Ilustração do conceito de visão de negócios Fonte: Freepik. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 15 Desse modo, podemos entender que a missão e a visão oferecem os elementos básicos para definir os objetivos e as estratégias da organização (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). E a compreensão desses elementos é essencial para definir o negócio. A literatura especializada aponta que a definição do negócio da organização inclui três componentes básicos, a saber: (a) necessidades do cliente, o que se está pretendendo satisfazer; (b) os grupos de pessoas a quem se está buscando satisfazer; e (c) como as atividades, tecnologias e as competências da organização entregam valor aos clientes e os satisfazem (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). O Plano de Negócios O plano de negócios é um documento desenvolvido para descrever um empreendimento e o modelo de negócio de uma organização. Sua criação inclui um processo de aprendizagem e autoconhecimento e ainda permite ao empreendedor situar-se no seu ambiente de negócios (DORNELAS, 2021). Segundo Dornelas (2021) uma organização precisa desenvolver um Plano de Negócios, pois ele possibilita: • Compreender e estabelecer diretrizes para a organização. • Gerenciar e decidir de forma mais eficaz. • Monitorar o dia a dia da organização e tomar ações corretivas. • Obter financiamentos e recursos junto a bancos, governo, incubadoras, investidores etc. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 16 Figura 6 – Finanças Fonte: Pixabay. • Encontrar oportunidades e transformá-las em vantagem competitiva. • Definir uma comunicação interna eficaz na organização e convencer diferentes parceiros (fornecedores, clientes, investidores, associações etc.). Para Dornelas (2021) Plano de Negócios busca atender os seguintes objetivos básicos: • Avaliar a viabilidade de um negócio. • Guiar o desenvolvimento de estratégias e operações. • Atrair recursos junto a diferentes parceiros. • Compartilhar credibilidade. • Desenvolver a equipe responsável pela gestão. De acordo com Dornelas (2021) o Plano de negócios é destinado a: • Mantenedores das incubadoras (Sebrae, Universidades, Governo, Associações, etc.) • Parceiros - para estabelecer estratégias e discutir o relacionamento entre as partes. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 17 • Bancos - para oferecer financiamentos para equipamentos, capital de giro, imóveis, etc. • Investidores - organizações de capital de risco, instituições de investimento, investidores-anjo, entre outros. • Fornecedores - para negociar a aquisição de mercadorias, materiais, etc. • Organização internamente - para comunicação de gestores com o Conselho de Administração e com outros colaboradores. Figura 7 – Grupo de executivos em reunião Fonte: Freepik. • Clientes - para comercialização de produto e/ou serviço e publicidade da organização. • Sócios - para convencer em participar da organização e da formalização do negócio. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 18 Agora vamos falar sobre estrutura do plano de negócios. Para começar, você precisa ter em mente que não há uma estrutura rígida para desenvolver um plano de negócios, uma vez que cada negócio possui particularidades e similaridades, sendo impossível estabelecer um modelo de plano de negócios universal e aplicável aos negócios de forma geral (DORNELAS, 2021). Recomenda-se introduzir tópicos que proporcionarão uma compreensão geral da organização, tais como objetivos, especificação de produtos e serviços, mercado, estratégia de marketing, etc (DORNELAS, 2021). O tamanho do plano de negócios é outro aspecto importante para ser definido. Você precisa ter em mente que não existe um tamanho ideal ou um número exato de páginas. O recomendado é desenvolvê-lo segundo as necessidades do público-alvo (DORNELAS, 2021). Explorando a Estrutura do Plano de Negócios Conforme o Segmento Embora não exista um tamanho padrão direcionado ao plano de negócios, (DORNELAS, 2021) destaca algumas recomendações da literatura: • Plano de negócios completo - é usado utilizado quando se trabalha um uma quantia de grande valor ou quando se faz necessário mostrar uma visão completa da organização. Varia de 15 a 40 páginas, com material anexo. • Plano de negócios resumido - é usado quando se necessita apresentar informações resumidas a um investidor. Deve incluir objetivos macros do negócio, investimentos, informações de mercado etc. • Plano de negócios operacional - é usado no ambiente interno pelos diretores, gestores e funcionários. É recomendado para conectar os esforços da organização em direção aos objetivos da organização. Seu tamanho é variável e depende das necessidades de cada organização. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 19 Por sua vez, você precisa entender quais são os elementos que devem compor o plano de negócios. Segundo Dornelas (2021) o plano de negócios explora os seguintes aspectos: i. Capa - essa parte é uma das mais importantes do plano de negócios, pois é a primeira parte observada. Ele deve ser enxuta, contendo informações necessárias. ii. Sumário - o sumário precisa conter o título das seções do plano de negócios e a página na qual se encontra, e os principais conteúdos associados em cada seção. Isso permite que o leitor identifique de forma rápida o que realmente interessa. Figura 8 – Infográfico de sumário plano Fonte: Freepik. iii. Sumario executivo - é a principal seção do plano de negócios, pois nela o leitor poderá decidir se continuará ou não a ler o documento. Ele deve resumir as principais informações do plano de negócios. Nele devem estar explícitos os objetivos em relação ao leitor, tais como: solicitação de financiamento junto a bancos, capital de risco, etc. Ele deve ser a última seção a ser desenvolvida, uma vez que depende de das outras seções que foram elaboradas. iv. Analise estratégica - mostra os rumos da organização, a exemplo visão e missão, situaçãoatual, as potencialidades e ameaças externas, Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 20 forças e fraquezas, objetivos e metas de negócio. Esta seção é a base para a criação e a execução das outras ações do plano. Figura 9 – Equipe de análise SWOT Fonte: Freepik. v. Descrição da empresa - inclui a descrição da organização, o histórico, a razão social, os impostos, a estrutura organizacional e jurídica, certificações de qualidade, entre outras. vi. Produtos e serviços - é direcionada aos produtos e serviços da organização, como informações sobre produção, recursos, o processo de pesquisa e desenvolvimento, etc. Figura 10 – Comércio eletrônico conjunto de ícones Fonte: Freepik. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 21 vii. Plano operacional - apresenta as ações executadas no sistema produtivo e no processo de produção, indicando o impacto das ações em suas avaliações de produção. viii. Plano de recursos humanos - mostra os planos de desenvolvimento e de treinamento de colaboradores. Considera informações diretamente associadas à capacidade de expansão da organização, principalmente quando ela atua em um mercado no qual a detenção de tecnologia é um fator estratégico de competitividade. Figura 11 – Treinamento e desenvolvimento de pessoal Fonte: Freepik. ix. Análise de mercado - esta seção deve mostrar de forma clara a compreensão do mercado consumidor de seu produto/serviço por meio de pesquisas de mercado. Elas normalmente evidenciam como o mercado está segmentado, as características do consumidor, a presença de sazonalidade, etc. x. Estratégia de marketing - evidencia como a empresa pretende comercializar os produtos ou os serviços, aumentar a demanda e fidelizar os clientes. Esta parte deve conter métodos de comercialização, política de preços, canais de distribuição, estratégias de promoção/comunicação e publicidade, bem como projeções de vendas. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 22 xi. Plano financeiro - esta seção mostra em números as ações planejadas para a organização. Inclui, por exemplo, demonstrativo de fluxo de caixa, balanço patrimonial, etc. xii. Anexos - contém informações adicionais, consideradas relevantes para viabilizar melhor compreensão do plano de negócios. Nessa parte é indispensável a relação dos currículo vitae dos sócios e gestores da organização. Podem ser introduzidos como anexos fotos de produtos, roteiros e resultados completos das pesquisas de mercado, folders, catálogos, estatutos, etc. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que os elementos básicos usados na definição de negócios, tais como: missão (razão da existência da organização), visão (foco no futuro), valores (identifica o que é importante para a organização), objetivos (resultado que se pretende alcançar), estratégias (curso de ação), etc. Também tratamos sobre Plano de Negócios que é um documento elaborador para descrever o modelo de negócio de uma organização. Mostramos que não existe um tamanho padrão para o plano de negócios, mas a literatura identifica basicamente três tipos: plano de negócios completo, o plano de negócios resumido e o plano de negócios operacional. Do mesmo modo, tratamos sobre os elementos básicos que integram o plano de negócios, a saber: capa, sumário, sumario executivo, analise estratégica, descrição da empresa, produtos e serviços, plano operacional, plano de recursos humanos, Análise de mercado, Estratégia de marketing, Plano financeiro, Anexos. Esse documento tem como objetivos: avaliar a viabilidade de um negócio, guiar o desenvolvimento Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 23 de estratégias e operações, etc. Ele é destinado a: Mantenedores das incubadoras, Bancos, Fornecedores e outros parceiros. Estruturando a Organização OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como estruturar uma empresa, desde a busca por consultoria e recursos à legalização de uma organização. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. Compreender esses aspectos é essencial para definir os passos iniciais relativos à constituição de uma organização. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. Buscando Financiamento e Assessoria para o Negócio No cenário brasileiro, diferentes fontes de financiamentos e recursos podem ser levadas em consideração pelas empresas. • Economia pessoal, família, amigos: corresponde ao tipo de financiamento mais comum, normalmente obtido em razão de fatores individuais e ambientais. A conceção do empréstimo não depende de fatores associados a rendimento do dinheiro, mas do auxílio de um conhecido. O financiamento pode ser expressado por meio de empréstimo ou equidade. Algumas alternativas de Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 24 recursos pessoais são: venda de imóvel (casa, sítio etc.), venda de automóvel, uso do cartão de crédito para financiar recursos no curto prazo. (DORNELAS, 2021). Figura 12 – Poupança Fonte: Pixabay. • Angel investor: O investidor-anjo possui dinheiro e busca opções para alcançar melhor rentabilidade para o dinheiro. Esse ator social, geralmente, aplica o seed money que é o dinheiro necessário para a criação de muitas organizações. (DORNELAS, 2021). Figura 13 – Conceito abstrato de investidor anjo Fonte: Freepik. • Fornecedores, parceiros estratégicos, clientes e funcionários: neste caso podemos considerar, por exemplo, uma boa negociação Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 25 com fornecedores, os clientes podem antecipar o pagamento de mercadores, entre outras iniciativas similares que podem ajudar os negócios em fase embrionárias. (DORNELAS, 2021). Figura 14 – Ilustração do conceito de parceria Fonte: Freepik. • Capital de risco: empresas que aplicam em capital de risco são grandes bancos de investimento, compostas por profissionais experientes no mercado financeiro, etc. A função dessas empresas é identificar negócios com alto potencial de desenvolvimento em curto prazo. (DORNELAS, 2021). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 26 Figura 15 – Recursos Fonte: Pixabay. • Aceleradoras ou incubadoras de empresas ponto.com (baseadas na Internet): proporcionam suporte de infraestrutura, auxilio na gestão, e apostam o capital necessário para iniciar o negócio. Em troca, o empreendimento precisa ceder uma parte das ações à aceleradora. • O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae): diz respeito a principal instituição que proporcionar suporte aos empreendedores no Brasil. Essa instituição é fruto de uma decisão política, que atende a interesses empresários e do Estado, que cooperam para criá-la e desenvolve-la. Entre os serviços ofertados pela instituição, destacam-se: • Consultorias básicas e pontuais; • Cursos sobre: fluxo de caixa, marketing, finanças, etc; • Rodas de negócios; • Outros. • Assessoria jurídica e contábil: os empreendedores precisam ser bem assessorados quanto às questões jurídicas e contábeis. Assim, devem consultar advogados e contadores que entendam Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 27 do assunto e que transmitem confiança, de forma que auxilie na gestão do empreendimento. Figura 16– Consultor de consultoria financeira contador Fonte: Freepik. • Universidades e institutos de pesquisa: são instituições que podem encontrar caminhos para solucionar problemas ou para promover inovação tecnológica. Figura 17 – Cientistas asiáticos trabalhando na criação de vacinas Fonte: Freepik. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 28 Questões Legais de Criação da Organização O CódigoCivil brasileiro possui diferentes definições e tipos de sociedades para a formação de empresas (DORNELAS, 2021). Para proporcionar melhor compreensão, essas alternativas serão descritas a seguir: • Sociedade simples - é a sociedade formada por indivíduos que de forma recíproca se obrigam a contribuir com bens ou serviços para a execução da atividade econômica e da partilha dos ganhos. Inclui pessoas que atuam em profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, mesmo se conte com colaboradores. Exemplos: advogados que criam um escritório de advocacia (DORNELAS, 2021). Figura 18 – Advogado Fonte: Pixabay. • Sociedade empresária - exerce profissionalmente uma atividade econômica organizada para a produção de bens ou de serviços, formando elemento de empresa. Essa sociedade também é considerada pessoa jurídica: pelos menos dois indivíduos que Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 29 foram uma empresa de comércio e prestação de serviços na área de tecnologia. (DORNELAS, 2021). Figura 19 – Desenvolvedor de software Fonte: Pixabay. • Sociedade limitada - a responsabilidade dos sócios é restrita ao valor de suas quotas, e todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. • Sociedade por ações - é o tipo de sociedade aplicada a grandes organizações. O capital social é compartilhado em ações, e os sócios ou acionistas se responsabilizam apenas pelo preço de emissão das ações que comprou. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 30 Figura 20 – Mercado de ações Fonte: Pixabay. • Sociedade estrangeira - é caracterizada quando organização está em. conformidade com a legislação do país de origem, no qual possui fixado a sede de administração. • Sociedades cooperativas - é definida por um número mínimo de sócios, sem limite de número máximo. • Associações - é uma entidade de direito privado, que possui personalidade jurídica e configura-se pelo agrupamento de indivíduos para a busca de objetivos comuns, sem objetivo econômica. • Fundações - em sua fundação, o instituidor precisa fazer uma dotação de bens livres, por escritura pública ou testamento, expressando a finalidade a que se destina e, caso queira, a forma de administrar. Deve servir a objetivos de utilidade pública, tais como: religiosos, culturais, assistências, etc. • Empreendedor individual - é o indivíduo que atua por conta própria e que se legaliza como pequeno empresário. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 31 • Marcas e patentes - uma forma de proteger uma ideia é depositar uma patente de seu invento e registrar a marca da organização ou produto. Patente diz respeito a um título de propriedade temporária a respeito de uma invenção ou modelo de utilidade, concedido pelo Estado a: inventores, autores, pessoas físicas ou jurídicas proprietário de direitos sobre a criação. Por sua vez, o inventor tem de revelar todo o conteúdo técnico da matéria protegida pela patente (DORNELAS, 2021). Segundo Dornelas (2021) para registrar uma patente são necessários os seguintes procedimentos: a. Busca prévia - sugere-se realizar uma pesquisa antes de realizar o depósito de um pedido de patente. b. Depósito e conteúdo do pedido de patente - a solicitação do pedido de patente pode ser realiza junto ao INPI, as delegacias e representações regionais, ou por meio de carta postal. c. Sigilo do pedido depositado - o pedido é mantido em sigilo até a publicação, realizada após 18 meses, contando da data do exame ou da prioridade mais antiga, podendo ser antecipada mediante a solicitação do depositante. No final do período, o pedido será publicado e notificado na RPI (Revista da Propriedade Industrial. d. Exame do pedido - se refere ao estudo realizado por um examinador de patentes. e. Carta-patente - caso o pedido seja deferido pelo INPI, existirá uma publicação na RPI, e precisa-se aguardar o prazo de 60 dias, contando do deferimento do pedido, para pagar a retribuição e respectiva comprovação, equivalente à expedição da carta- patente. f. Recurso/nulidade - existe a possibilidade de recorrer das decisões do INPI. • Caso a decisão seja pelo indeferimento do pedido, caberá a interposição de recurso em 60 dias. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 32 • Caso a patente seja concedida em desacordo com os dispositivos legais da Lei nº 9.279/97, poderá ser considerada nula. O objetivo do INPI, baseado na Lei nº 9.279/96 (Lei da Propriedade Industrial), é executar, no âmbito nacional, as normas sobre a propriedade industrial, tendo em vista sua função social, econômica, jurídica e técnica. É também sua atribuição pronunciar-se quanto à conveniência de assinatura, ratificação e denúncia de convenções, tratados, convênios e acordos sobre propriedade industrial (DORNELAS, 2021). Marca corresponde ao sinal distintivo e visualmente perceptível, capaz de identificar e distinguir produtos e serviços, e certificar a conformidade dos mesmos com normas ou especificações técnicas (DORNELAS, 2021). No que diz respeito à classificação da marca, quanto à origem, Dornelas (2021), aponta: • Brasileira - está regularmente depositada no Brasil, por cidadão que reside no país. • Estrangeira - está regularmente depositada no Brasil, por pessoa que não reside no país. Em relação ao uso, a marca pode ser classificada da seguinte forma, conforme descreve Dornelas (2021): • Produtos ou serviços - usadas para diferenciá-los de outros. • Coletivas - usadas para caracterizar produtos ou serviços vindos de pessoas de determinada organização. • Certificação - atestam a conformidade de um produto ou serviço com normas ou especificações técnicas, em relação à qualidade, natureza, material etc. Quanto à apresentação, a marca pode ser, conforme descreve Dornelas (2021): • Nominativa - possui uma ou mais palavras do alfabeto romano, incluindo neologismos e combinações de letras e/ou algarismos romanos e/ou arábicos. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 33 • Figurativa - formada por desenho, imagem, figura ou outras formas estilizadas de letra e número, etc. • Mista - combina elementos nominativos e elementos figurativos ou nominativos, cuja grafia seja apresentada de forma estilizada. • Tridimensional - inclui a forma plástica de produto ou de embalagem, que deve ter capacidade diferenciada em si e estar dissociada de efeitos técnicos. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 34 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido os passos iniciais para conduzir uma empresa ao funcionamento no mercado. Mostramos alternativas de financiamento e assessoria para os negócios, bem como aspectos importantes para a legalização de empresas. Começando pelas fontes de financiamentos e recursos, identificamos as seguintes alternativas: economia pessoal, família, amigos; investidor-anjo; fornecedores, parceiros estratégicos, clientes e funcionários; etc. Como alternativa para obter consultoria e compreender a respeito dos negócios, temos: as aceleradoras ou incubadoras de empresas, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae, as assessorias jurídicas e contábeis, as Universidades e institutos de pesquisa, etc. No que diz respeito às questões legais referentes a criação da organização, mostramos que o Código Civil brasileiro possui diferentes tipos de sociedades para a formar empresas: Sociedade simples, Sociedade empresária, Sociedade estrangeira, Sociedades cooperativas, etc. Também falamos sobre Marcas e Patentes e outros aspectos relevantes para a formação de uma organização. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 35Elaboração de Campanha para o Lançamento do Produto no Mercado OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como lançar um produto no mercado. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. As pessoas que desconsideraram essas instruções tiveram problemas para ofertar produtos e serviços no mercado. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! . Para tratarmos do lançamento do produto no mercado, precisamos falar sobre desenvolvimento do produto que inclui procedimentos necessários para avaliar se o produto projetado será viável. Segundo kotler e keller (2012) a tradução das exigências dos clientes em um protótipo exitoso está fundamentada em um conjunto de métodos denominados de desdobramento da função de qualidade (ou QFD, do inglês Quality Function Deployment). Essa metodologia consulta a lista dos desejados atributos do cliente identificadas por meio de pesquisa de mercado, e os converte em uma lista de atributos de engenharia. EXEMPLO Caso os clientes de um caminhão almejam determinada aceleração (um atributo do cliente), os engenheiros podem considerar essa informação em termos da potência exigida e de outros equivalentes de engenharia (atributos de engenharia). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 36 Figura 21– Caminhão Fonte: Pixabay. kotler e keller (2012) destacam que, diante desse contexto, o departamento de P&D é responsável por: • Desenvolver um protótipo que reúne os principais atributos descritos na declaração de conceito de produto, mostre um desempenho seguro em condições normais de uso e seja fabricado dentro dos custos orçados. • Decidir de que maneira os consumidores reagirão a diferentes cores, tamanhos e pesos. Depois de prontos, os protótipos precisam passar por testes funcionais e por testes com consumidores (KOTLER E KELLER, 2012). Segundo kotler e keller (2012) esses testes são chamados de: • Teste alfa - é o teste realizado na empresa, para avaliar como o produto se comporta em distintas aplicações. Depois do refinamento do protótipo, a produto passa para o teste beta. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 37 Figura 22– Cientistas da biologia pesquisando frutos Fonte: Freepik. • Teste beta - é o teste realizado com consumidores. Nesse teste, os consumidores podem ser conduzidos a laboratórios ou receber amostras do produto para utilizá-lo. Figura 23– Cérebro Fonte: Freepik. Caso os gestores estejam satisfeitos com os desempenhos funcional e psicológico do produto, ele estará pronto para: ganhar uma marca comercial e uma embalagem, bem como ser testado pelo mercado (KOTLER E KELLER, 2012). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 38 kotler e keller (2012) o teste de mercado pode fornecer valiosas informações sobre: • Compradores. • Vendedores. • Programas de marketing. • Potencial de mercado. kotler e keller (2012) os principais caminhos para testar produtos de consumo no mercado são: • Pesquisa de onda de vendas - consiste na oferta do produto de forma gratuita a consumidores e, em seguida, o produto de um concorrente também é oferecido por um preço mais baixo do que o comum. Depois algumas repetições dessa prática, faz necessário observar qual a preferência dos clientes, bem como seu nível de satisfação. Figura 24 – Pessoas assistindo à publicidade Fonte: Freepik. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 39 • Mercado-teste simulado - compradores qualificados são questionados a respeito da familiaridade com a marca, de suas preferências em determinada categoria de produtos, bem como avaliar a uma rápida exibição de comerciais familiares e novos. Entre essas propagandas, está a propaganda do novo item (não é destacado dos outros). Na sequência, os consumidores são convidados a ir a uma loja onde podem selecionar quaisquer produtos com uma quantia de dinheiro. Por sua vez, a organização observa os itens comprados pelos consumidores (nova marca ou marca concorrente?), em seguida, os consumidores têm de justificar o porquê adquiriram ou não os produtos. Figura 24- Carrinho Fonte: Freepik. IMPORTANTE: Os consumidores que não compraram a nova marca ganham uma amostra grátis. Dias depois, eles são entrevistados por telefone para que sejam compreendidas as opiniões em relação a produto, ao uso, a satisfação e a intenção de recompra (KOTLER E KELLER, 2012). • Mercado-teste controlado - após desenvolver o novo produto a organização deve estabelecer a quantidade de lojas e a localizações das lojas. Na sequência, o produto é enviado às lojas Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 40 e são controlados pelas empresas de pesquisas que também são responsáveis por sua posição na prateleira, pela definição de preço e pela quantidade de exibições, displays e promoções. Figura 25 – Mercado Fonte: Pixabay. • Mercados-teste padrão - a organização escolhe algumas cidades, realiza propagandas e promoções, tentando convencer o comércio local a estocar e vender o item. Ao optar por esse teste, os gestores precisam buscar responde as seguintes questões: a. Quantidade de cidades para realizar o teste - a maioria dos testes inclui de duas a seis cidades. b. Em quais cidades - entre os critérios de seleção destacam-se uma boa cobertura de mídia, a quantidade de lojas, bem como uma atividade competitiva mediana. c. Duração do teste - Os testes podem durar de meses até um ano. Quanto maior o período de recompra do produto, mais longa a duração do teste. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 41 d. Informações que precisam ser levantadas - podem ser considerados dados das remessas do depósito (indicam compra para estoque), auditorias de lojas (apontam vendas no varejo e as participações de mercado de concorrentes), painéis de consumidores (apontam quem são os indivíduos que adquirem à marca, o nível de fidelidade, etc.), entre outros. • Que atitudes tomar? Está relacionada à decisão que tem de ser realizada após os testes. Exemplo: caso os mercados-teste mostrem altas taxas de experimentação e de recompra, o produto deverá ser lançado em nível nacional. Figura 26 – Região Fonte: Pixabay. Comercialização kotler e keller (2012) a comercialização de produtos ou serviços está associada à realização de campanhas para promover novos produtos. Essas campanhas podem ser realizadas por diferentes instrumentos de comunicação de mercado: Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 42 a. Quando (Timing) - diz respeito a decisão do momento certo para comercializar o produto. Figura 27 – Calendário Fonte: Pixabay. b. Onde (Estratégia Geográfica) - diz respeito à seleção dos mercados de lançamento, onde são considerados critérios como: potencial de mercado, imagem local da organização, custo relacionados à comunicação, etc. c. Para Quem (Clientes Potenciais Nos Mercados-Alvo) - a organização precisa direcionar a distribuição e a promoção aos grupos com maior probabilidade de se tornarem clientes. Ela deve então classificar grupos potenciais e focar àquele que for considerado o melhor entre as opções. Figura 28 – Conceito abstrato de comportamento do consumidor Fonte: Freepik. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 43 d. Como (Estratégia De Lançamento No Mercado) - é relevante distribuir tempo e recursos suficientes enquanto o novo produto ganha força no mercado. Para conduzir as atividades relacionadas ao lançamento do produto, os gestores podem aplicar técnicas de planejamento de redes, a exemplo da programação da trajetória crítica (CPS, do inglês critical path scheduling). VOCÊ SABIA? A técnica CPS gera um gráfico exibindo as atividades de forma simultânea e a sequenciais a ser seguida. Além disso, estima o tempo necessário para cada atividade, inclusive o prazo para o términodo projeto. Qualquer atraso em atividades do caminho crítico (rota mais curta para a conclusão) pode gerar atrasos no projeto. Pesquisa de Mercado é o processo de identificação, coleta, análise, compartilhamento e uso da informação de forma sistemática e objetiva para apoiar a tomada de decisões vinculadas a identificação e a solução de problemas e oportunidades de marketing (MALHOTRA, 2012). Figura 29 – Análise de mercado Fonte: Freepik. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 44 Considerando esta definição, Malhotra (2012) destaca três conceitos principais, a saber: • Sistemática - considera métodos estruturados, registrados e planejados de forma lógica. • Objetiva - Inclui informações precisas e verdadeiras, que permitem uma leitura coerente da realidade. • Identificação de problemas - Proporcionar constatações, implicações e sugestões para serem utilizadas na tomada de decisão ou em ações diretas. Malhotra (2012) afirma que as organizações realizam pesquisa de mercado pelos seguintes motivos: • Identificação de problemas - busca problemas que provavelmente não aparecem na superfície, e que talvez irão surgir no futuro. • Solução de problemas - faz uso de resultados para solucionar um problema de mercado específico. Para Malhotra (2012) o processo de pesquisa de mercado inclui as seguintes etapas: • Definição do problema - inclui a especificação do problema, do objetivo, de informações necessárias e como serão utilizadas para apoiar as decisões. • Desenvolvimento de uma abordagem - se refere ao estabelecimento de estrutura teórica, modelo analítico, pergunta de pesquisa, construção de hipóteses e levantamento de informações. • Concepção da pesquisa - consiste na estruturação ou esquematização realizadas para executar a pesquisa. Detalha, por exemplo, os procedimentos necessários para conseguir as informações necessárias. • Coleta de dados - Levantamento dos dados. • Análise de dados - Tratamento e interpretação dos dados. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 45 • Relatório - é um resumo da pesquisa que pode ser usado para auxiliar a tomada de decisão. No que diz respeito às atividades de marketing, kotler e keller (2012) comentam que a literatura especializada aponta que McCarthy organizou as atividades em instrumentos de mix de marketing de quatro tipos, denominados quatro Ps do marketing: • Produto - inclui aspectos como variedade, qualidade, design, características, nome da marca, embalagem, tamanhos, serviços, garantias, devoluções, etc. • Preço - considera aspectos como preço de lista, descontos, bonificações, prazo de pagamento, condições de financiamento. Figura 30 – Cifrão Fonte: Freepik. • Promoção - abrange aspectos como promoção de vendas, propaganda, força de vendas, relações públicas, marketing direto • Praça - envolve aspectos como canais, cobertura, sortimentos, locais, estoque, transporte. Entretanto, kotler e keller (2012) destaca que em função da abrangência e complexidade do marketing, os quatro Ps não representam Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 46 mais o cenário. Nesse sentido, o marketing moderno é representado pelas seguintes dimensões: • Pessoas - considera que o público interno que é essencial para o êxito do marketing, bem como busca compreender os consumidores como indivíduos e entender seu contexto, não enxergando-os somente como compradores e consumidores de produtos ou serviços. Figura 31 – Pessoas Fonte: Pixabay. • Processos - inclui a criatividade, a disciplina e a estrutura consideradas na administração de marketing. • Programas - diz respeito às atividades da organização direcionadas aos consumidores. Inclusive, as atividades relacionadas aos 4Ps. • Performance - envolve a seleção de indicadores para avaliar resultados de implicações financeiras e não financeiras. Exemplo: lucro, responsabilidade social, ética, etc. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 47 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido qual o processo necessário para lançar um produto no mercado. Para começar, você deve entender que existe uma intima relação entre o desenvolvimento do produto e o lançamento do produto no mercado. No geral, as necessidades e desejos do consumidor são levantados por meio de pesquisa de mercado e, na sequência, esses atributos são utilizados pelo departamento de engenharia do produto. Frequentemente as organizações podem realizar os seguintes testes de protótipos com os consumidores: teste alfa (avaliar o comportamento do produto) e teste beta (realizado com consumidores). Quando os produtos atendem são aprovados quanto aos critérios funcional e psicológico, ele estará pronto para teste de mercado. Onde os principais caminhos para testar produtos de consumo no mercado são: pesquisa de onda de vendas, mercado-teste simulado, mercado-teste controlado, mercados-teste padrão. Por sua vez, a comercialização de produtos ou serviços está associada às campanhas para promoção de novos produtos. Essas campanhas podem usar os seguintes instrumentos de comunicação de mercado: quando (timing), onde (estratégia geográfica), quem (clientes potenciais nos mercados-alvo), como (estratégia de lançamento no mercado). E também reforçamos características relevantes sobre a Pesquisa de Mercado que se refere ao processo (identificação, coleta, análise, uso de informação, etc.) aplicado para auxiliar a tomada de decisões vinculadas a identificação e a solução de problemas de marketing. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 48 Avaliação e Posição do Produto em Relação ao Mercado, Concorrência e Lucratividade OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como funciona a avaliação da organização em relação ao mercado, a concorrência e a lucratividade. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. As pessoas que desconsideram essas instruções tiveram problemas ao acompanhar o desempenho da organização em diferentes áreas. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. Segundo Philip Kotler, posicionamento de mercado é “a ação de projetar o produto e a imagem da organização com o fim de ocupar uma posição diferenciada na escolha de seu público-alvo”. Em termos práticos, o posicionamento pode ser obtido a partir da fórmula: segmentação + diferenciação = posicionamento. Logo, a análise do posicionamento é indispensável para avaliar o destaque da imagem da empresa. Baseado nessa premissa, vamos explorar os principais tópicos que a gestão organizacional analisa para a definição de estratégias ou readequação do seu plano estratégico. Mercado A análise de mercado está fundamentada na análise do cliente e do concorrente (AAKER, 2012). Ela possui os seguintes objetivos principais: • Definir a atratividade de um mercado para os integrantes atuais e potenciais, bem como a capacidade de lucro do mercado mensurado pelo retorno sobre investimento de longo prazo obtido por seus integrantes, irá criar subsídios relevantes para a decisão de investimento em produto-mercado. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 49 • Compreender a dinâmica do mercado. Inclui a identificação de submercados emergentes, fatores determinantes de sucesso, tendências, ameaças, oportunidades e outros aspectos capazes de guiar a coleta e a análise de informações. Figura 32 - Crescimento Fonte: Pixabay. Para Aaker (2012), a natureza e o conteúdo de análise de mercado dependem do contexto, mas sempre contará com as seguintes dimensões: • Submercados emergentes - busca entender como os submercados estão definidos. Eles podem ser formados por pontosde preço mais baixo, criação de nichos, solução de sistemas, novas práticas, tendência de consumidores etc. • Tamanho e crescimento - busca identificar os submercados relevantes. Avalia aspectos como tamanho e crescimento de um mercado e submercados, fatores determinantes das tendências, etc. • Lucratividade - explora quão atraentes são os mercados e submercados, considerando o lucro, poder de barganha, etc. • Estrutura de custo - avalia os principais elementos de custo e de valor agregado para os diferentes tipos de concorrentes. • Sistemas de distribuição - identifica os canais alternativos de distribuição, bem como suas possíveis mudanças. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 50 Figura 33– Edifícios de loja Fonte: Freepik. • Tendências de mercado - busca identificar tendências no mercado. • Fatores-chave de sucesso - explora os fatores determinantes para que a empresa possa competir de forma exitosa, quais as influencias desses fatores em cursos futuros, etc. Segundo Kotler e Keller (2012) o brand equity corresponde ao valor agregado atribuído a produtos e serviços. Com isso, podemos considerar que uma marca possui: • Brand equity positivo com base no cliente quando os consumidores reagem de forma favorável a um produto e ao modo como ele é divulgado quando a marca é identificada, do que quando ela não é reconhecida. • Brand equity negativo com base no cliente quando os consumidores reagem de forma menos favorável à atividade de marketing da marca sob as mesmas circunstâncias. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 51 Figura 34 – Prós e constras Fonte:Freepik. IMPORTANTE: Para Kotler e Keller (2012) O brand equity é formado por três componentes principais: • Ele surge de diferenças na resposta do consumidor. Caso não exista diferenças, o nome de marca do item pode ser considerado como uma commodity. • As diferenças de respostas do consumidor são fruto do conhecimento que o consumidor tem da marca (sensações, experiências e crenças etc.). • O brand equity é refletido em percepções, preferências e comportamentos associados aos aspectos do marketing de uma marca. Segundo Kotler e Keller (2012) existe diferentes modelos de brand equity que oferecem diferentes visões sobre o mercado, entre eles temos Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 52 o modelo Modelo de BrandAsset® Valuator (BAV) que está apoiado em quatro pilares: • Diferenciação potencial - mensura o grau em que a marca é percebida de forma diferente das outras, ou seja, inclui a percepção de sua tendência de valorização e de liderança. • Relevância - mensura a adequação e a abrangência do apelo da marca. • Estima - mensurar a qualidade e a fidelidade à marca. Figura 35– Qualidade Fonte: Pixabay. • Conhecimento - que mede o quanto os consumidores conhecem e se sentem familiarizados com a marca. A diferenciação potencial e a relevância constituem a força da marca, consiste em um indicador que prevê seu crescimento futuro e valor. Por sua vez, a estima e o conhecimento constituem a reputação da marca, que pode ser entendida como uma espécie de “boletim” do Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 53 desempenho (KOTLER; KELLER, 2012). Essa interação pode ser observada na figura 36. Figura 36 - Modelo de BrandAsset® Valuator (BAV) Fonte: Kotler e Keller (2012, p.262). Baseado nesta análise, podemos considerar que os consumidores concentram sua interesse e poder de compra em um portfólio cada vez reduzido. Essas marcas se relacionam melhor com os consumidores, desenvolvendo fidelidade de uso e poder de definir preço e gerando maior valor para o acionista (KOTLER; KELLER, 2012). Atratividade e Lucratividade O economista Michael Porter identificou que a atratividade de um segmento ou mercado, mensurara pelo retorno de longo prazo sobre o investimento de uma organização, depende, em grande parte, dos fatores que influenciam a lucratividade (figura 37). • A intensidade da competição entre os concorrentes existentes. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 54 • A existência de potenciais competidores que entrarão se os lucros forem altos. • Produtos substitutos que atrairão clientes se os preços se tornarem altos. • O poder de barganha dos clientes. • O poder de barganha dos fornecedores. Figura 37 – Modelo das cinco forças que afetam a lucratividade no mercado Lucratividade do segmento Ameaças dos potenciais entrantes Concorrência entre empresas existentes Ameaça de produtos substitutos Poder de barganha dos clientes Poder de barganha dos fornecedores Fonte: Aaker (2012). Entender esses fatores ajuda a compreender o porquê algumas organizações são mais lucrativas que outras, bem como identificar os fatores-chave de sucesso são necessários administrar a competividade da organização (Aaker, 2012). Explorando o desempenho financeiro sob a perspectiva do ambiente interno, podemos entender que o procedimento básico inclui a análise das medidas de vendas e de lucratividade (AAKER, 2012). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 55 • Vendas e participação de mercado são medidas sensíveis da forma como clientes aceitam um produto ou serviço. Uma alteração no valor, pode afetar as vendas e a participação de mercado (AAKER, 2012). Figura 38 – Crescimento de receita Fonte: Freepik. • Níveis de venda podem ser importantes do ponto de vista estratégico. Por exemplo: mais vendas pode expressar que a base de clientes cresceu. Com uma base de clientes maior, podemos assumir como verdadeiro que novos clientes podem desenvolver lealdade, o que poderá acarretar em vendas e lucros futuros (AAKER, 2012). IMPORTANTE: Entre as limitações de usar as vendas como medida destaca-se a possibilidade de elas serem afetadas por ações de curto prazo, a exemplo de promoções de concorrentes (AAKER, 2012). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 56 Lucratividade No que diz respeito a lucratividade, podemos entender que esta é a medida final do potencial de uma organização prosperar e sobreviver (AAKER, 2012). Segundo Aaker (2012), diferentes medidas e indices podem refletir a lucratividade, adicionando margens, custos e lucros. Com base nisso, podemos chegar à medida retorno sobre ativos (RSA), decomposta com a seguinte fórmula: Desse modo, Aaker (2012) afirma que o retorno sobre ativos possui dois fatores causais: • Margem de lucro, que considera o preço de venda, bem como a estrutura de custo. • Rotatividade de ativos, que considera o controle de estoque e uso de ativos. Concorrência De acordo com Aaker (2012), a concorrência é influenciada pelos seguintes elementos: 1. Tamanho, crescimento e lucratividade - inclui o grau e o crescimento de vendas, bem como a participação de mercado que apontam a vitalidade de uma estratégia empresarial. 2. Estratégia de imagem e posicionamento - informações sobre a imagem e o posicionamento de um concorrente pode ser entendida pelo estudo de produtos, propaganda, site, práticas de uma organização, pesquisa com cliente, etc. 3. Objetivos e comprometimento - possibilita prever se o desempenho atual é satisfatório e se existe probabilidade de ocorrerem alterações estratégicas. Objetivos financeiros, por Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 57 exemplo, podem apontar a disposição do concorrente em investir na empresa. 4. Estratégias atuais e passadas dos concorrentes precisam ser revistas. Em especial, se faz necessário observar estratégias que falharam, tendo em vista que mostram experiências que podem alertar o concorrente quanto à utilização de estratégias similares. 5. Organização e cultura - considera informações sobre o histórico e experiência da alta administração do concorrente, bem como a respeito da cultura de uma organização (inclui estrutura,pessoas, etc.) 6. Estrutura de custo - inclui informações como quantidade de funcionários, divisão da mão de obra, números de fábricas, etc. 7. Barreiras de saída - considera indicadores como ativos especializados, custos fixos, relações com outras unidades de negócios, barreiras governamentais, etc. 8. Avaliando pontos fortes e pontos fracos - inclui a identificação dos ativos e competências importantes para o segmento, etc. Figura 39 – Concorrência Fonte: Pixabay. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 58 IMPORTANTE: Para proporcionar melhor compreensão, Aaker (2012) trazem algumas questões que precisam ser respondidas neste tipo de análise: • Com quem competimos? • Quem são os maiores concorrentes? • Qual o nível de comprometimento dos concorrentes? • Eles possuem vantagem ou desvantagem de custo? • Qual é a estratégia de posicionamento? • Quais são as empresas mais exitosas ao longo do tempo? • Quais são as empresas menos exitosos ao longo do tempo? • Quais os pontos fortes dos concorrentes ou grupos estratégicos? Quais os pontos fracos dos concorrentes ou grupos estratégicos?. Segundo Kotler e Keller (2012) os gestores de marketing definir e comunicar semelhanças e diferenças entre sua marca e a marca de seus concorrentes. Esse procedimento é chamando definição do posicionamento e é formado pelas seguintes questões: a. Definir a estrutura de referência, reconhecendo o mercado-alvo e o principal concorrente. b. Identificar os pontos de paridade e de diferença baseado na estrutura de referência. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 59 c. Desenvolver uma mantra para a marca, sintetizando o posicionamento e a essência da estrutura de referência competitiva. No que diz respeito a estrutura de referência competitiva, podemos entender que envolve a definição das marcas concorrentes. Por sua vez, as decisões sobre a estrutura de referência competitiva estão associadas às decisões a respeito do mercado-alvo. Escolher alcançar determinado segmento de consumidor pode formar a natureza da concorrência, pois: • As outras organizações já selecionaram do segmento como alvo. • Os consumidores do segmento consideram certos produtos ou marcas em suas decisões de compra. Depois de desenvolver a estrutura de referência competitiva, os gestores precisam identificar os pontos de diferença, bem como os pontos de similaridade (KOTLER; KELLER, 2012) Figura 40 – Comparação Fonte: Pixabay. Por sua vez, a mantra da marca é desenvolvida para direcionar ainda mais a intenção do posicionamento da marca (KOTLER; KELLER, 2012). Sobre a mantra da marca, considere os seguintes aspectos: • O objetivo da definir a mantra da marca é que todos os parceiros da organização, especialmente os parceiros externos de marketing compreendam o que ela representa. • Podem ser usadas para orientar o desenvolvimento de produtos, de propagandas etc. • Deve comunicar de forma econômica o que ela é, bem como o que ela não é. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 60 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido quais aspectos básicos podem ser considerados para avaliar o desempenho da organização em relação ao mercado, a concorrência e a lucratividade. A análise de mercado está fundamentada na análise do cliente e do concorrente. A natureza e o conteúdo de análise de mercado dependem do contexto, mas sempre contará com as seguintes dimensões: Submercados emergentes, Tamanho e crescimento, Lucratividade, Estrutura de custo, Sistemas de distribuição, Tendências de mercado, Fatores-chave de sucesso. Também exploramos o conceito “brand equity” que é o valor agregado atribuído a produtos e serviços, bem como um dos principais modelos usados para explorar o mercado: o Modelo de BrandAsset® Valuator (BAV) que está apoiado em quatro pilares: Diferenciação potencial, Relevância, Estima e Conhecimento. Também mostramos alternativas para mensurar a atratividade e lucratividade dos negócios, bem como reforçamos a importância do Modelo das cinco forças que impactam a lucratividade no mercado. Por fim, identificamos os elementos que influenciam na concorrência das organizações, a saber: tamanho, crescimento e lucratividade; estratégia de imagem e posicionamento; objetivos e comprometimento; organização e cultura; estrutura de custo, etc. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 61 REFERÊNCIAS AAKER, D. A. Administração estratégica de mercado. Porto Alegre: Bookman, 2012. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: realidade atual e desafios futuros. São Paulo: Atlas, 2014. GRAMMS, L.C.; LOTZ, E.G. Gestão da qualidade de vida no trabalho. São Paulo: Intersaberes, 2017. KOTLER, P; KELLER, K. L. Administração De Marketing. São Paulo: Pearson, 2012. MALHOTRA, N. K. Pesquisa de Marketing: uma orientação aplicada. Porto Alegre: Bookman, 2012. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial Estrutura Organizacional, Ferramentas e Sistemas Estratégias de Gestão e Organização Empresarial Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria LUCILIANE RIBEIRO AUTORIA Luciliane Ribeiro Sou formada em Letras Inglês, pós-graduada em gerenciamento de projetos, gestão negócios internacionais e administração. Experiência intensiva em empresas de médio e grande porte com mais de 15 anos. Hoje, atuo em mapeamento de processos, controles internos em empresas. Possuo flexibilidade e habilidade facilitadora para transitar em diferentes segmentos e compartilhar minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Departamentalização ................................................................................ 10 Considerações Iniciais ................................................................................................................ 10 Departamentalização por Funções ................................................................. 10 Departamentalização por Produtos ou Serviços ................................... 11 Departamentalização Geográfica ..................................................................... 13 Departamentalização por Clientela ................................................................ 14 Departamentalização por Processo ...............................................................14 Departamentalização por Projetos .................................................................. 16 Explorando a Segmentação por Clientes ..................................................................... 17 Critérios para Segmentação de Mercado .................................................................... 20 Principais Ferramentas e Sistemas para a Gestão nas Organizações ................................................................................................22 Gestão de Pessoas .......................................................................................................................22 Gestão Financeira ...........................................................................................................................23 Gestão de Projetos .........................................................................................................................25 Gestão de Processos ....................................................................................................................26 Gestão da Qualidade .................................................................................................................27 Gestão Comercial ......................................................................................................................... 30 Como Melhorar a Produtividade e a Qualidade nas Organizações ................................................................................................ 33 Produtividade ....................................................................................................................................34 Qualidade .......................................................................................................................................... 40 Estrutura das Áreas de Produção, Comercial, Recursos Humanos e Financeira ...................................................................................................46 Gestão de Pessoas ou Gestão de Recursos Humanos .......................................47 Gestão Financeira ........................................................................................................................ 50 Gestão de Produção .....................................................................................................................53 Gestão Comercial ............................................................................................................................55 7 UNIDADE 03 Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 8 INTRODUÇÃO Nesta unidade, iremos focar nas estruturas, no que é departamentalização e seus tipos e as principais ferramentas disponíveis no mercado para se fazer a gestão. O importante é começarmos a entender as competências e o relacionamento entre unidades/departamentos, bem como melhorar a produtividade e a qualidade em virtude do mercado e suas constantes variações. Por fim, vamos entender as principais áreas de uma organização (produção, comercial, recursos humanos e financeira). Então, vamos lá? Ao final desta unidade letiva, você entenderá como o planejamento deve ser conduzido e como a gestão deve orientar os seus administradores. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Explicar a departamentalização. 2. Reconhecer as principais ferramentas e sistemas para a gestão nas organizações. 3. Interpretar como melhorar a produtividade e a qualidade. 4. Explicar a estrutura das áreas de produção, comercial, recursos humanos e financeira. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 10 Departamentalização OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como uma organização é estruturada e quais são os tipos de departamentalização aplicados de acordo com o mercado, tamanho da empresa e condições socioeconômicas e políticas. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. Considerações Iniciais É uma forma ordenada de estruturação de uma empresa. Consiste em agrupar as atividades afins e correlatas e ordenar em departamentos, divisões, seções etc. O importante nessa estruturação é tornar a organização suficiente e ágil, de forma a atender ao mercado e consequentemente neutralizar a ação da concorrência. Segundo Chiavenato (2014) a departamentalização pode ser por: Funções, Produtos ou serviços, Localização geográfica, Clientes, Fases do processo (ou processamento) e Projetos. A partir de agora vamos explorar cada uma delas. Preparado(a)? Departamentalização por Funções Departamentalização por funções ou departamentalização funcional diz respeito ao agrupamento das atividades e tarefas segundo as funções principais executadas dentro da organização (CHIAVENATO, 2014). Um exemplo desse tipo de departamentalização é demonstrado na figura 1. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 11 Figura 1 - Departamentalização por funções Departamento de produção Departamento de vendas Departamento de finanças Diretoria Fonte: Chiavenato (2014, p.211). Departamentalização por Produtos ou Serviços Inclui diferenciação e agrupamento de atividades segundo o resultado da organização, ou seja, conforme o produto ou serviço gerado. As atividades necessárias para suprir um produto ou serviço precisam estar agrupadas no mesmo departamento. Por exemplo: Supomos que o propósito da empresa Delta é produzir quatro produtos, as atividades (A, B, C e D) exigidas para cada produto, precisam estar reunidas em cada departamento por produto (CHIAVENATO, 2014). Essa forma de departamentalização facilita a aplicação de tecnologia, máquinas, equipamentos, conhecimento, etc; possibilitando otimização de esforços e concentração que ampliam muito a eficiência da organização. Ela é usada principalmente quando existe grande quantidade de produção, com o objetivo de obter vantagens econômicas na produção (CHIAVENATO, 2014). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 12 Figura 2- Departamentalização por produtos ou serviços A1 A2 A3 A4 B1 B2 B3 B4 Diretor Produto 1 Produto 2 Fonte: Chiavenato (2014). Exemplo de departamentalização por serviços são os hospitais costumam organizar suas atividades por serviços, a exemplo de: cirurgia, radiologia, pediatria etc. Figura 3 – Cirurgia Fonte: Pixabay. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 13 Como exemplo da departamentalização por produtos, que divide a estrutura da organização em unidades na base de produtos, projetos ou programas executados pela organização que mostram um ciclo de vida longo, temos as indústrias automobilísticas. Figura 4 – Automóveis Fonte: Freepik. Departamentalização Geográfica Diz respeito ao tipo de departamentalização territorial, regional ou por localização geográfica. Exige diferenciação e agrupamento das atividades segundo a localização em que o trabalho será realizado ou uma área de mercado a ser atendida pela empresa (CHIAVENATO, 2014). Figura 5 - departamentalização territorial Agência Recife Agência Belém Agência São Paulo Divisão de operações Região Norte Região Sul Fonte: Chiavenato (2014). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 14 No geral, esse tipo de departamentalização é utilizada por organizações que atendem grandes áreas geográficas e cujos mercados são extensos. Ela é normalmente usada por empresas multinacionais e é recomendada para as áreas de produção e de vendas (CHIAVENATO, 2014). Departamentalização por Clientela A departamentalização por clientes inclui a diferenciação e o agrupamento das atividades conforme o tipo de pessoa ou pessoas para quem o organização atende. Consideraaspectos como idade, sexo, nível socioeconômico, etc. (CHIAVENATO, 2014). Figura 6- departamentalização por clientes Seção lingerie Roupas Brinquedos Divisão de vendas Departamento feminino Departamento infantil Roupas Fonte: Chiavenato (2014). Departamentalização por Processo Departamentalização por processo ou departamentalização por fases do processo (processamento ou por equipamento) é utilizada na base da estrutura organizacional das áreas produtivas ou de operações. Neste caso, a diferenciação e o agrupamento são realizados por meio de sequência do processo produtivo ou operacional (CHIAVENATO, 2014). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 15 Figura 7 - Departamentalização por processo Fonte: Freepik. DEFINIÇÃO: Processo é um conjunto de atividades organizadas e direcionadas a gerar um produto para determinado cliente ou mercado. Inclui a ordenação das atividades de trabalho no tempo e no espaço, com início e fim claramente identificadas (CHIAVENATO, 2014). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 16 Departamentalização por Projetos A departamentalização na base de projetos inclui a diferenciação e o agrupamento de atividades conforme saídas e os resultados associados a um ou a vários projetos da organização (CHIAVENATO, 2014). Figura 8 - departamentalização na base de projetos Gerente de projetos Engenheiro do projeto Contador do projeto Outros Fonte: Chiavenato (2014). Ela é recomendada para organizações de grande porte e que geram produtos que necessitam de grande concentração de recursos e prolongado tempo para sua produção, a exemplo de obras de construção civil (edifícios) (CHIAVENATO, 2014). Figura 9 – Construção civil Fonte: Pixabay. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 17 Esse tipo de agrupamento exige das organizações tecnologias sofisticadas, mão de obra qualificada, alocação de recursos diferentes ao longo do produto. (CHIAVENATO, 2014). Explorando a Segmentação por Clientes As organizações não podem atender a todos os clientes em mercados amplos. O recomendado é segmentar esses mercados em grupos de consumidores com diferentes necessidades e desejos. Isso é fundamental para a construção de melhores planos de marketing, sobretudo para a identificação e satisfação dos segmentos certos de mercado (KOTLER; KELLER, 2012). Kotler e Keller (2012) as principais variáveis da segmentação por clientes são: geográfica, demográfica, psicográfica e comportamental, descritas conforme segue: A segmentação geográfica tem como pressuposto a divisão do mercado em diferentes unidades geográficas, a exemplo de: nações, estados, regiões, cidades ou bairros. Ou seja, uma organização pode atuar em uma ou mais recortes geográficos (KOTLER; KELLER, 2012). Figura 10- segmentação geográfica Fonte: Freepik. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 18 Na segmentação demográfica, o mercado é segmentado por variáveis como idade, tamanho da família, ciclo de vida da família, sexo, renda, ocupação, grau de instrução, religião, raça, geração, nacionalidade e classe social (KOTLER; KELLER, 2012). Solomon (2016) descreve algumas variáveis demográficas básicas que podem ser consideradas para e compreender a igualdade ou a diferença entre pessoas: • Idade - entende-se que consumidores de diferentes idades possuem necessidades e desejos diferentes. Por exemplo: para lançar uma bebida energética, a organização Delta promoveu a bebida em bares, casas noturnas, academias e outros lugares frequentados principalmente pelo seu público alvo: jovens. • Gênero - considera a diferenciação por gênero. Exemplo: perfumes para homens e perfumes para mulheres. Figura 11 – Gênero Fonte: Pixabay. • Estrutura familiar - considera que o estado civil de uma pessoa possui efeito sobre as prioridades de gastos dos consumidores. Exemplo: os jovens solteiros ir a bares, shows, etc. • Classe social e renda - considera que pessoas da mesma classe social compartilham ideias e valores no que diz respeito à forma como devem viver. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 19 Figura 12 – mulheres fazendo compras Fonte: Freepik. • Raça e etnicidade - considera a necessidade de ofertar produtos e serviços especializados a grupos raciais e étnicos, etc. Figura 12 - Raça Fonte: Freepik. • Geografia - inclui a adaptação de ofertas para atrair consumidores que habitam em diferentes regiões. • Estilos de vida - está associado à forma como nos sentimos, as questões que valorizamos, o que gostamos de fazer, etc. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 20 IMPORTANTE: A ciência que usa a psicologia e a demografia para compreender melhor os consumidores é chamada de psicografia (SOLOMON, 2016). Critérios para Segmentação de Mercado Kotler para serem eficazes, o processo de segmentar o mercado precisa atender basicamente os seguintes critérios: • Mensuráveis - o porte, o poder de compra e os atributos dos segmentos precisam ser passíveis de mensuração. Figura 13 – Régua Fonte: Pixabay. • Substanciais - os segmentos precisam ser grandes e rentáveis para serem supridos. • Acessíveis - faz necessário atender o segmento de forma efetiva. • Diferenciáveis - é necessário compreender que os segmentos distintos e respondem de modo diferente a cada elemento e programa do mix de marketing. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 21 Figura 14 – Estudo de segmentação de mercado Fonte: Freepik. • Acionáveis - construir programas efetivos para atrair e atender aos segmentos deve ser possível. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que existem diferentes tipos de departamentalização aplicados de acordo com o mercado, tamanho da empresa e condições socioeconômicas e políticas. Mostramos que a departamentalização pode ser por funções, produtos ou serviços, localização geográfica, clientes, processos e projetos. Reconhecidas essas formas de segmentação, focamos na segmentação por clientes realizada para compreender necessidades e desejos de diferentes grupos de consumidores. Nesse sentido, foram apresentadas as seguintes variáveis da segmentação por clientes são: geográfica, demográfica, psicográfica e comportamental. Por fim, mostramos alguns critérios básicos que podem ser usados para uma segmentação de mercado eficaz, elas têm de ser: mensuráveis, substanciais, acessíveis, diferenciáveis e acionáveis. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 22 Principais Ferramentas e Sistemas para a Gestão nas Organizações OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender as principais ferramentas e sistemas para a gestão nas organizações. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. As pessoas que tentaram administrar organizações sem a devida instrução tiveram problemas para alcançar objetivos e metas. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Gestão de Pessoas Um dos principais patrimônios de uma organização são as pessoas, profissionais qualificados e treinados para executarem os processos e procedimentos para a criação de bens e serviços. Para tanto, a área de recursos humanos é quem realiza a gestão de recursos para que a empresa possa crescer e aumentar os lucros. A Gestão de Pessoas (GP) é um conjunto de atividades integradas no sentido de obter sinergia entre os integrantes das organizações para alcançar objetivos organizacionais e individuais (CHIAVENATO, 2014) Segundo Chiavenato (2014) as políticas e práticas de GP podem ser agregadas em seis processos: a. Agregar pessoas - aplicados para incluir novas pessoas na organização. Também podem ser chamados de processos de provisãoou de suprimento de pessoas. Envolve aspectos como: recrutamento e seleção de pessoas. b. Aplicar pessoas - aplicados para desenhar, orientar e acompanhar as atividades executadas pelas pessoas nas organizações. Envolve aspectos como: desenho de cargos, análise e descrição de cargos, orientação das pessoas, avaliação do desempenho, etc. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial https://www.xerpa.com.br/blog/gestao-de-talentos/ 23 c. Recompensar pessoas - aplicados para incentivar os colaboradores e satisfazer suas necessidades. Envolve aspectos como: recompensas, remuneração e benefícios, e serviços sociais. d. Desenvolver pessoas - aplicados para capacitar e incrementar o desenvolvimento das pessoas. Envolve aspectos como: treinamento e desenvolvimento das pessoas, aprendizagem corporativa, etc. e. Manter pessoas - aplicados para criar condições ambientais e psicológicas satisfatórias para o trabalho das pessoas. Envolve aspectos como: cultura organizacional, higiene, segurança e qualidade de vida, etc. f. Monitorar pessoas - aplicados para monitorar e controlar as atividades executadas pelas pessoas, bem como acompanhar seus resultados. Envolve aspectos como: banco de dados e sistemas de informações gerenciais. Esses processos estão relacionados entre si, de tal forma que se interpenetram e se influenciam reciprocamente. Dessa forma, cada processo tende favorece ou prejudica os demais, dependendo da forma pela qual está sendo administrada (CHIAVENATO, 2014). Gestão Financeira No que diz respeito aos Balanços e relatórios financeiros, Chiavenato e Sapiro (2020), as organizações utilizam o balanço contábil e os relatórios financeiros para controlar do desempenho: • Relatórios contábeis - são usados para relacionar os principais fatos da organização, a exemplo de: volume de vendas, de produção, de despesas em geral, custos, lucros, etc. • Balanço contábil - diz respeito a um dos relatórios financeiros, que evidencia como a organização está quanto ao desempenho financeiro (bem ou malsucedida). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 24 Em relação ao demonstrativo de lucros e perdas (L&P), entendemos que se refere ao resumo da posição de lucro ou perda da organização em determinado período de tempo (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Por meio da comparação dos demonstrativos de períodos anteriores, é possível analisar variações e detectar as áreas que precisam de maior atenção (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Além disso, é importante lembrar que a sobrevivência da organização depende da lucratividade. O lucro é uma importante medida do sucesso para a organização e para os departamentos (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Quanto à análise do Retorno sobre Investimento (ROI), entende- se que se trata de uma técnica de controle utilizada para mensurar o sucesso absoluto ou relativo da organização ou departamento em função dos ganhos associados ao investimento de capital. Essa perspectiva foi construída pela DuPont Company e fundamenta-se na ideia de que a melhor medida de desempenho de uma organização é a taxa de retorno sobre o investimento efetuado (Return On Investment - ROI). IMPORTANTE: O cálculo do investimento (ROI) reconhece que uma unidade com elevado giro de capital e baixo percentual de lucro sobre vendas pode ser mais lucrativo quanto ao retorno sobre o investimento do que outra unidade com elevado percentual de lucro sobre vendas, e com baixo giro de capital. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 25 Gestão de Projetos Dentre as alternativas disponíveis na literatura, a definição de “Projeto” mais conhecida é do Project Management Institute, que considera projeto como um esforço temporário aplicado para criar um produto ou serviço único (KEELING, 2012). Segundo Kerzner (2006) a gestão de projetos envolve o planejamento, a organização e o controle de um conjunto de atividades integradas para alcançar objetivos com eficácia. Segundo o autor, para alcançar êxito na gestão de projeto faz necessário lidar com os imperativos estratégicos: (i) imperativos internos, enfatiza a relevância de monitorar os processos com o intuito de apontar limitações e oportunidades para otimizar os resultados das organizações; (ii) imperativos externos, foca em fatores que forçam a organização a se transformar, adaptando produtos, processos e serviços. Para compreender e desenvolver um projeto em busca do objetivo final, os gestores podem utilizar representações visuais, a exemplo do Diagrama de Rede. Segundo Moreira (2008) o Diagrama de Redes possuem as seguintes características: a. Cada atividade tem início e fim. b. Casa atividade é simbolizada por uma seta e essa atividade é simbolizada por uma letra. c. Cada círculo ou “nó” simboliza um evento. d. Cada seta aponta para um círculo que expressa um evento final. A figura 15 apresenta um exemplo básico do Diagrama de Rede. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 26 Figura 15 – Diagrama de Rede 1 2 3 4 5 6 7 8 D HG F E B C A Atividade “No” Fonte: Moreira (2008). Gestão de Processos A gestão de produção usa recursos físicos e materiais da organização: máquinas, matérias-primas, prédios ou edifícios, entre outros recursos que podem ser integrados em uma atividade coordenada (CHIAVENATO, 2014). IMPORTANTE: Produção consiste na transformação de insumos em produtos ou serviços. É um conjunto de atividades que permitem a conversão de um bem tangível em um outro que tenha uma utilidade maior ou mais específica. Elas também têm o significado de usar recursos e competências para oferecer serviços de elevada qualidade (CHIAVENATO, 2014). Como forma de administrar os processos, as organizações podem adotar um processo as seguintes fases de planejamento e controle da produção (PCP), conforme descrito por CHIAVENATO, 2014): • Projeto de produção - consiste no processo de definição do sistema de produção, bem como das dimensões para definir os parâmetros do PCP Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 27 • Coleta de informações - inclui a coleta de informações necessárias para que o esquema do projeto de produção seja devidamente construído, quantificado e dinamizado. Pode ser considerado como o detalhamento da fase projeto de produção. • Planejamento da produção - tem como objetivo definir, com antecedência, o que a organização precisa produzir em um determinado período, considerando a sua capacidade de produção e a previsão de vendas que deve ser suprida. Nesta faze, busca-se alcançar os objetivos de vendas e o uso rentável dos recursos disponíveis. • Controle da produção - consiste no acompanhamento, monitoramento, avaliação e regulação das atividades vinculadas à produção para mantê-las conforme o planejado. Gestão da Qualidade As metodologias desenvolvidas para a gestão da qualidade são metodologias e técnicas utilizadas para identificação e priorização de problemas, elaboração e implementação de soluções e verificação de resultados. A partir da década de 1960, a indústria japonesa explorou os ensinamentos de dois gurus da qualidade: Deming e Juran. Ela desenvolveu uma série de inovações que ofereceram um enorme impulso e a introdução de novos mercados. Entre as principais contribuições japonesas podemos destacar as seguintes ferramentas: a. Kaizen - consiste em uma filosofia de trabalho que estimula uma cultura de excelência com foco na remoção de perdas e de erros. Envolve dois aspectos importantes: • Preocupação em alcançar o melhor. • Continuidade dos esforços expressados em ações permanentes de mudança. Mudar sempre. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 28 Ou seja, trata-se de um método que combina as especializações dos funcionários para trabalhar de forma a reduzir o desperdício e obter um desenvolvimento constante e aperfeiçoar os produtos. IMPORTANTE: SegundoChiavenato (2014), o aperfeiçoamento continuado inclui: • Avaliação crítica de cada atividade. • Considerar que tudo pode e deve ser aperfeiçoado. • Fazer melhorias sempre, de forma gradativa. • Identificar erros e distorções para corrigi-los imediatamente. • Diagnosticar o motivo e localizar as razões dos problemas. • Atuar em equipe. Kanban: se refere ao modelo de produção de materiais no sistema just-in-time (JIT). É um dispositivo usado para controlar a ordem das atividades. Esse sistema funciona da seguinte forma: a linha de montagem recebe o programa de trabalho, que tem de ser o mesmo todos os dias. Os demais operadores de máquinas e fornecedores recebem as ordens de fabricação por meio de cartões (postos de trabalho que procede). Quando a produção é interrompida por algum motivo, o posto parado não deve enviar cartão de kanban para o posto da sequência, e este também Just-in-time (JIT). Trata-se de um método racional de fabricação no qual são eliminados os itens desnecessários na produção, com o objetivo de reduzir custos. Neste sistema, a filosofia é “produzir o necessário, no tempo necessário e na quantidade necessária”. O JIT trabalha para a utilização de processos simples e redução de desperdícios. Dessa forma, ele integra a requisição de matéria-prima com a produção. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 29 O JIT busca agilizar a produção às demandas do cliente descartando o desperdício. • Seu objetivo é produzir o necessário para satisfazer a demanda atual. • O JIT requer alta coordenação da produção e saídas livres de defeitos em cada fase do processo para que sejam desenvolvidos pequenos inventários. • Todos gestores, colaboradores e fornecedores se comprometem com o sistema. Para obter resultados, o JIT exige o seguinte: • Plano mestre: desenvolvido em função da demanda. Envolve um horizonte de 1 a 3 meses para possibilitar que as unidades de trabalho e os fornecedores planejem suas atividades. • Tempos de preparação: para produzir os lotes ideais, faz necessário avaliar os custos de preparação das máquinas e minimizar os tempos de fabricação. • Trabalho em equipe: inclui a coordenação conjunta das atividades, onde cada colaborador precisar fazer a preparação, as alterações necessárias. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 30 Gestão Comercial O termo “vender” tem evoluído muito nos últimos anos com o aumento da concorrência. Não basta ter ótimos produtos e serviços, é preciso saber o que os consumidores estão necessitando e criar processos de produção que venham satisfazer as expectativas dos clientes. Segundo Kotler e Keller (2012) para aproveitar diferentes recursos e procedimentos, os profissionais de marketing costumam adotar um processo formal de pesquisa de marketing que inclui as seguintes etapas: • Definição do problema e dos objetivos da pesquisa. • Desenvolvimento do plano de pesquisa. • Coleta de informações. • Análise de informações. • Apresentação de resultados. • Tomada de decisão. No geral, os instrumentos de pesquisa usados para coletar dados primários são: • Questionários - se refere a um conjunto de questionamentos que devem ser realizados para as pessoas. Esses instrumentos precisam ser construídos, testados e melhorados antes de serem aplicados em larga escala. Podem conter, por exemplo: • Perguntas fechadas que especificam as possíveis respostas e que são fáceis de interpretar e tabular. • Perguntas abertas que permitem ao respondente revelar a sua opinião sobre o assunto com suas próprias palavras. • Pesquisa qualitativa - inclui métodos de mensuração não estruturados de forma relativa que possibilitam uma ampla gama de respostas possíveis. • Instrumentos mecânicos - mensuram o interesse ou as emoções expressadas pela exposição a determinada propaganda. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 31 Um instrumento comumente usado pelas organizações é a metodologia Net Promoter Score (NPS) aplicada para mensurar a satisfação dos consumidores. Esta metodologia possui o seguinte raciocínio: as pessoas recebem o convite para avaliar a probabilidade recomendarem (em uma escala de 0 a 10) o serviço ou produto. Baseado nos resultados, os profissionais classificam os consumidores da seguinte forma: Detratores (pessoas que deram notas de 0 a 6), neutros (pessoas que deram notas 7 ou 8), promotores (pessoas que deram notas 9 ou 10) para chegar ao nível de satisfação. Figura 16 – Net Promoter Score (NPS) Fonte: Pixabay. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 32 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido as principais ferramentas ou processos usados em diferentes áreas da gestão nas organizações. Na área de Gestão de Pessoas (GP) mostramos que as políticas e práticas de GP podem ser agregadas no seguintes processos: agregar pessoas, aplicar pessoas, recompensar pessoas, desenvolver pessoas, manter pessoas, monitorar pessoas. No campo financeiro, falamos sobre Balanços e relatórios financeiros, análise do Retorno sobre Investimento (ROI) etc. No campo da Gestão de projetos mostramos o Diagrama de Redes que é uma representação visual usada para compreender e desenvolver um projeto. Sobre a gestão de processos, mostramos a interação entre planejamento e controle e mostramos as etapas para realizar o planejamento e controle da produção (PCP): Projeto de produção, Coleta de informações, Planejamento da produção, Controle da produção. No campo da Gestão da qualidade mostramos as principais contribuições japonesas: Kaizen, Kanban, JIT (just-in-time) etc. Por sua vez, sobre a gestão comercial falamos sobre instrumentos usados para coleta de dados no campo da pesquisa de mercado, bem como sobre a metodologia Net Promoter Score (NPS) que mensura a satisfação dos consumidores. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 33 Como Melhorar a Produtividade e a Qualidade nas Organizações OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como melhorar a produtividade e a qualidade em uma organização. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. As pessoas que desconsideram essa instrução têm problemas ao administrar uma organização. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Quando um produto ou serviço é lançado no mercado, todas as estratégias e ações são implementadas com vistas a atender as expectativas dos clientes e ficar alinhadas com a concorrência e os fatores externos. Entretanto, à medida em que o tempo vai passando, é necessário rever os processos internos em virtude das mudanças que ocorrem, a fim de realinhar seus produtos e serviços ao mercado e sobretudo seu público-alvo já conquistado. Quando se constata que uma organização está perdendo mercado e os seus produtos e serviços já não despertam o mesmo interesse, é preciso uma revisão intensa de suas estratégias, de seus recursos humanos e até mesmo de sua infraestrutura. Como as mudanças estão cada vez mais rápidas no mercado, torna-se necessário implantar um processo de mudanças contínuas na organização, e essa atribuição é da gestão estratégica. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 34 IMPORTANTE: Antes de seguirmos em nossa análise, convém explicarmos que um processo de mudança nem sempre é bem aceito numa organização. Sempre haverá opositores, resistências e obstáculos por parte daqueles profissionais que se acomodaram em seus cargos/funções e que se sentem ameaçados, gerando conflitos internos. Concentrar ações para avanços na produtividade e qualidade é o objetivo primordial do processo de gestão, pois elas trarão ganhos internos e externos. Muitos autoresapresentam suas técnicas para readequação estratégica em organizações. Na sequência, veremos algumas ações necessárias para a melhoria dos processos internos, fluxos de trabalho, composição de custos operacionais e preços. Produtividade Em relação à produção, temos a necessidade de criar processos em todos os escalões da organização de forma que todos os envolvidos na realização da atividade tenham pleno conhecimento do que é feito, por quem é feito e para quem será enviado. Assim, será possível analisar os gargalos e alterações necessárias para a agilização e execução dos objetivos. Para obter êxito, Chiavenato (2014) destaca que a gestão de produção tem de sem planejada de forma a alcançar dois objetivos principais simultaneamente, as saber: • Eficiência - uso otimizado dos recursos organizacionais. Inclui diferentes meios (métodos, procedimentos, normas, etc.) permitem fazer coisas da melhor forma possível. Diante disso, produzir de forma eficiente significa usar métodos e procedimentos apropriados de trabalho, executar as atividades de forma adequada, bem como aplicar os recursos da empresa da melhor forma possível. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 35 Figura 17 – Eficiência Fonte: Freepik. • Eficácia - está relacionada aos objetivos que a organização pretende alcançar com suas atividades. Inclui fazer coisas que são relevantes para os resultados. Diante disso, produzir com eficácia equivale a executar as tarefas que são relevantes para o negócio. Figura 18 – Ilustração do alvo e da flecha Fonte: Freepik. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 36 Para melhor a eficiência, Chiavenato (2014) destaca dois conceitos importantes: • Racionalização - diz respeito a técnica que busca os métodos e processos mais adequados ao trabalho. Por desta, é possível desenhar um processo produtivo rápido e eficiente, custos de produção reduzidos, minimização de estoques, otimização de trabalho na produção etc. • Produtividade - se refere a relação ótima entre insumos e resultados, ou seja, busca avaliar o relacionamento entre custos e benefícios, considerando os recursos aplicados e o volume da produção. Por exemplo: um máquina pode ser considerada mais produtiva que outra na medida que consegue fabricar maior volume de peças no mesmo período. O mesmo ocorre com os colaboradores, onde um operário pode ser considerado mais produtivo que outro ao oferecer mais produção que outro em um mesmo período e usando os mesmos recursos. Figura 19 – Conceito de produtividade moderna Fonte: Freepik. Chiavenato (2014) levanta algumas dicas que permitem melhorar a eficiência e a eficácia nos processos produtivos. Em relação à eficiência, temos: • Introduzir de métodos racionais de produção. • Treinar do pessoal para a adoção de metodologias. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 37 Figura 20 – Treinador de negócios Fonte: Freepik. • Considerar a cultura de fazer bem desde o começo. • Colaboração em equipe. Figura 21 – Equipe de negócios Fonte: Freepik. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 38 • Eliminar estrangulamentos identificados na produção. • Realizar manutenção preventiva de máquinas e equipamentos. • Assegurar um local de trabalho agradável e seguro. Figura 22 – Saúde e segurança do trabalhador Fonte: Freepik. • Avaliar o desempenho e a retroação dos indivíduos. Quanto à eficácia, temos: • Estabelecer objetivos e metas. • Enfatizar indicadores e métricas nos resultados desejados. • Avaliar os resultados constantemente. • Comemorar o alcance de resultados. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 39 Figura 23 – Torcedores comemorando Fonte: Pixabay. • Introduzir uma cultura de produtividade e de excelência. Segundo Chiavenato (2014) as organizações que alcançam bons desempenhos normalmente possuem os seguintes atributos: • Liderança - liderança nos níveis estratégicos e táticos conduzindo todos os departamentos da organização. Figura 24 - líder Fonte: Freepik. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 40 • Desenho organizacional - considera uma estrutura organizacional simples, enxuta e adaptativa que expressa o foco da organização e se apoia em equipes que dispõem papéis e responsabilidades objetivas. • Talentos - a organização compartilha de forma eficaz e eficiente a estratégia do negócio com seus colaboradores, bem como realiza ações para atrair e reter indivíduos mais capacitados. • Gestão da mudança - a organização possui a habilidade de impulsionar e sustentar uma transformação em larga escala para antecipar-se a às mudanças ambientais encaradas. • Cultura e engajamento - a cultura corporativa é continuamente configurada para alcançar objetivos estratégicos e os colaboradores são motivados e impulsionados a perseguir objetivos corporativos. Qualidade A qualidade de um produto ou de um serviço é um conceito abstrato e de difícil definição. Basicamente ela pode ser classificada em duas categorias, a saber: • Qualidade intrínseca - é inerente ao produto/serviço, ou seja, diz respeito àquela que é objetiva e concreta, bem como pode ser avaliada e mensurada por meio de padrões e de especificações. Ela é estabelecida pelo produtor do produto/serviço e está associada à adequação e conformidade com especificações preestabelecidas. Figura 26 - avaliação Fonte: Freepik. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 41 • Qualidade extrínseca - é subjetivamente percebida ou imaginada pelos indivíduos. É formada por aspectos extrínsecos que o consumidor ou considera que o produto ou serviço possui Figura 27– Revisão positiva dos clientes Fonte: Freepik. Manter processo de verificação de aceitação do produto ou serviço desde a sua concepção até a sua comercialização. Assim, facilita a tomada de decisões no momento em que ocorrerem distorções. Nesse sentido, Chiavenato (2014) destaca que a qualidade pode possuir muitos significados: • Adequação às especificações do produto - inclui a conformidade com padrões estabelecidos dentro da organização como norma para produção. • Satisfação do consumidor - expressa o grau de satisfação do consumidor em relação ao produto ou serviço utilizado. • Inexistência de desvios ou falhas de produção: considera como base os padrões de qualidade. Ouvir todos os clientes internos (funcionários) e externos (clientes, fornecedores, parceiros etc.) para saber a opinião deles em relação ao produto ou serviço. Assim, a probabilidade de se incorrer em falhas ou erros em reestruturações ou novos produtos será menor. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 42 No que diz respeito aos principais padrões usados pelas empresas para assegurar a qualidade de produtos ou serviços, Chiavenato (2014) destaca que existem dois principais: tempo e custo. a. Padrões de tempo: • Tempo-padrão de produção - é o nível satisfatório de produção estabelecido para cada colaborador em um determinado período. Ele é obtido por meio do estudo do trabalho, normalmente executado pelo departamento de engenharia industrial. • O estudo do trabalho inclui o estudo do método (meios) e a medida de trabalho (fins ou resultados). • Estudo do método: inclui a análise dos métodos de execução e a busca de métodos mais eficientes e eficazes. • Medida de trabalho: avalia o tempo necessário para um colaborador executar um trabalho. Figura 28 – Produtividade Fonte: Freepik. • Padrões de rendimento - depois de determinar os tempos-padrão individuais, faz necessário definir os padrões de rendimento para todas as seções produtivas, que servem como base para o monitoramento da produção. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 43 b. Custos de produção: • Padrões de custo - as organizações costumam definir quais serão os custos de produção para definir os custosde seus produtos. O custo de produção envolve: • Custo diretos - inclui materiais usados na fabricação do produto, mão de obra direta, etc. • Custos indiretos - despesas gerais de produção, etc Figura 29- Contabilidade Fonte: Freepik. Manter pesquisas acerca dos produtos e serviços similares e compará-las aos seus em relação ao faturamento, abrangência no mercado, níveis de satisfação e evolução tecnológica. Segundo Chiavenato (2014) para identificar desvios, defeitos, erros ou falhas em um processo produtivo, o Controle de Qualidade precisa comparar o desempenho obtido com o padrão previamente estabelecido. Essa comparação pode ser realizada conforme segue: • CQ 100% - diz respeito ao controle total da qualidade. Significa que a totalidade dos itens precisa ser comparada com o padrão para avaliar se existe alguma variação. Dessa forma, toda matéria-prima e todo procedimento é avaliado. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 44 Figura 30 – Controle de qualidade Fonte: Pixabay. • CQ por amostragem - é realizado por lotes de amostras que são selecionados de forma aleatória para serem avaliados. Esse controle amostral pode substituir o controle total, pois não interfere no processo produtivo. Nesse caso, podemos nos deparar com as seguintes situações: • Amostra aprovada - todo o lote tem de ser aprovado. • Amostra rejeitada - todo o lote deve ser inspecionado. Figura 31 – Amostras de sangue Fonte: Pixabay. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 45 O controle de qualidade por amostragem é frequentemente utilizado por organizações dos segmentos: • Alimentício (laticínios, massas etc.). • Químico e petroquímico (petróleo, combustível, tintas etc.) • Outros. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que algumas estratégias que permitem melhorar a produtividade e a qualidade nas organizações. Começamos reforçando os principais objetivos da gestão da produção: Eficiência (foco nos meios) e Eficácia (foco nos fins). A eficiência de uma organização pode ser alcançada, sobretudo quando há: Racionalização (métodos e processos mais adequados) e Produtividade (relação ótima entre insumos e resultados). Mostramos que as organizações que alcançam bons desempenhos normalmente possuem as seguintes características: Liderança, Desenho organizacional, Talentos, Gestão da mudança, Cultura e engajamento. Compreendemos que a qualidade de um produto ou de um serviço é um conceito abstrato e de difícil definição, podendo ser dividida em duas categorias: Qualidade intrínseca (é inerente ao produto/serviço) e Qualidade extrínseca (subjetivamente percebida pelas pessoas). Os principais padrões usados pelas empresas para assegurar a qualidade de produtos ou serviços são tempo e custo. E para identificar desvios, defeitos, erros ou falhas em um processo produtivo, o Controle de Qualidade precisa comparar o desempenho obtido com o padrão previamente estabelecido. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 46 Estrutura das Áreas de Produção, Comercial, Recursos Humanos e Financeira OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender a estrutura das áreas de produção, comercial, recursos humanos e financeira. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. As pessoas que tentaram administrar organizações sem a devida instrução tiveram problemas para administrar esses departamentos. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. Na primeira unidade mostramos as áreas de gestão corporativa: finanças, processos, comercial, gestão de pessoas, qualidade, projetos. Você recorda? Nesta unidade, vamos abordar a estrutura das áreas que formam as organizações. Ou seja, vamos conhecer mais detalhes a respeito de cada área. Preparado(a)? No geral, as empresas estão organizadas em quatro áreas: finanças, marketing, produção e recursos humanos (CHIAVENATO, 2014). Você conhecerá um pouco mais destas a partir de agora. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 47 Gestão de Pessoas ou Gestão de Recursos Humanos De acordo com Chiavenato (2014), GP antiga Gestão de Pessoas era estruturada predominantemente como forma de departamentalização funcional. Essa estrutura privilegia a especialização de cada departamento e a cooperação entre eles, mas possui as seguintes limitações: • Subobjetivação - os objetivos dos departamentos se tornam mais relevantes que os objetivos organizacionais. Figura 32 – Setas diferentes Fonte: Freepik. • Dificuldade de cooperação interdepartamental - considera que os departamentos podem ser introverter e deixar de cooperar entre si, impedindo uma visão sistêmica e o alcance de sinergia entre os departamentos. Como você pode observar na figura 33, cada divisão inclui profissionais qualificados em várias funções específicas. Cada departamento funciona como uma entidade definitiva, permanente e separadamente das outras em uma rígida divisão do trabalho (CHIAVENATO, 2014). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 48 Figura 33– Antiga Gestão de Pessoas Gestão de talentos Recursos humanos Administração de salários e benefícios Treinamento e desenvolvimento Higiene e segurança do trabalho Administração de pessoal Fonte: Chiavenato (2014) Na atualidade, a Gestão de Pessoas está usando outros formatos organizacionais podem variar segundo as características das empresas. No geral, o papel de consultoria de GP (individual ou em grupo) atua em alguma área da organização prestando suporte aos executivos. Para isso, a equipe de Gestão de Pessoas precisa ser multifuncional e reunir as competências necessárias para atuar em vários processos (CHIAVENATO, 2014). Figura 34 – Gestão de Pessoas atual Equipe multifuncional A Equipe multifuncional B Equipe multifuncional C Gestão de talentos RH em equipes multifuncionais: descentralizado como consultoria interna Área A da empresa Área B da empresa Área C da empresa Fonte: Chiavenato (2014, p. 18). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 49 Segundo Chiavenato (2014), a GP está apoiada no seguinte princípio básico: • Administrar pessoas é uma responsabilidade de linha e uma função de staff. Diz respeito a uma responsabilidade indelegável de cada executivo dentro da organização. O executivo ou líder que tem a responsabilidade de lidar diretamente com os subordinados, decidir a respeito deles, bem como estabelecer seus objetivos individuais ou grupais e padrões de desempenho; precisam liderar, orientar e engajar os colaboradores na organização, bem como cuidar do desenvolvimento, remuneração, entre outros aspectos vidando oferecer aos subordinados as condições para que possam contribuir para o êxito da organização. Baseado nesse princípio, cada executivo é o único gestor dos seus subordinados. Para que estes assumam total autonomia nessa responsabilidade de administrar seu pessoal, eles precisam receber assessoria do órgão de GP, que tem de proporcionar os meios e os serviços de apoio, bem como as políticas e procedimentos usados pela organização (CHIAVENATO, 2014). A figura 35 oferece uma ideia condensada dessa tríade. Figura 35 - A tríade que integra a GP. Papel: Fixar objetivos Liderar pessoas ou equipes Papel Prestar serviço ou consultoria interna Pessoa ou equipe Executivo em qualquer nível da organização Papel: Executar a tarefa Alcançar objetivos Auto gerenciar a carreira Profissional de GP Autoridade de linha (decisão) Autoridade de staff (consultoria) Fonte: Chiavenato (2014, p. 20). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 50 Desse modo, podemos considerar que cada executivo é responsável pela gestão de pessoas,o departamento de GP é responsável pelo apoio aos executivos, e os subordinados são responsáveis por alcançar os objetivos e estabelecer o autogerenciamento da carreira (CHIAVENATO, 2014). Chiavenato (2014) também destaca os integrantes dos componentes básicos da tríade de Gestão de Pessoas: • Executivo como gestor de pessoas - presidente, diretor, supervisor, etc. • Especialista em GP - colaborador de RH que fornece consultoria interna aos executivos. • Pessoas - todos os integrantes da organização, sem exceção de nível hierárquico. Gestão Financeira Esta área administra os recursos financeiros de uma organização para que ela se mantenha ativa e estável no mercado. Sua importância é extrema para que os administradores possam traçar planos e metas, bem como investimentos a médio e longo prazo. Os caminhos que uma organização deve seguir são orientados pelos seus ativos investimentos e também pelos passivos. O equilíbrio desses fatores é o que determina o sucesso ou não no mercado. Por isso a área financeira merece todo o destaque nesta unidade. A estrutura da área financeira varia de organização, mas as atividades devem ser executadas em todos os empreendimentos. As funções mais relevantes estão descritas a seguir: • Orçamento - responsável pela preparação, acompanhamento e execução do orçamento financeiro. • Contabilidade - responsável pela gestão financeira; efetua todos os registros das transações e movimentações de recursos monetários, além de prestar contas ao administrador e aos órgãos reguladores. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 51 • Tesouraria - responsável pelos recursos que a organização possui; faz a administração do dinheiro interno (caixa) ou externo (bancos). • Faturamento - responsável pelo processamento e envio de contas. • Custos - responsável pelo controle dos custos que a organização possui. • Auditoria - responsável pela apuração dos registros contábeis e pelos procedimentos internos, bem como pelo cumprimento das legislações dos órgãos reguladores. • Administração do capital de giro - é a responsável pela administração dos recursos financeiros e sua utilização nas atividades (caixa, bancos, investimentos, compras e outros). • Análise de investimentos - responsável pela administração de investimentos internos e necessários ao cumprimento das tarefas (infraestrutura, máquinas e equipamentos, entre outros). • Controle de risco/compliance - responsável por manter o atendimento aos normativos dos órgãos reguladores de acordo com as atividades desenvolvidas, bem como dos regulamentos internos, principalmente aqueles inerentes ao seu controle interno. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 52 SAIBA MAIS: A área financeira é comanda por um diretor/gerente com as seguintes responsabilidades: • Tesouraria - é a responsável por administrar o caixa da empresa e por exercer atividades como contas a pagar e a receber, fluxo de caixa e análise de crédito. • Controladoria - é a responsável por executar o controle financeiro e tem sob a sua responsabilidade o planejamento, a contabilidade, o controle do orçamento e os custos da organização. • Fiscal - é o responsável por cumprir a legislação e controlar a emissão de notas fiscais. Os preceitos básicos que norteiam a área financeira e permitem uma boa gestão financeira são: • Não se deve gastar mais do que os próprios recursos. • Não manter as informações ou dados corretos pode fazer com que as decisões sejam feitas de forma precipitada ou errada. • Efetuar investimentos para crescer, mas os investimentos corretos. • Efetuar os registros de todos os dados financeiros e seus respectivos históricos. As principais decisões financeiras que conduzem uma organização para a realização dos objetivos são: • Para onde orientar a aplicação dos lucros líquidos. • Para onde investir. • Onde obter financiamentos. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial https://blog.fortestecnologia.com.br/7-dicas-de-como-fazer-o-controle-financeiro-com-eficacia/ 53 Gestão de Produção Chiavenato (2014) os componentes mais relevantes da Gestão da Produção: • Desenvolvimentos do produto (engenharia do produto) - responsável pelo planejamento e desenvolvimento do produto (especificações, embalagem, etc.). • Engenharia industrial - responsável pelo arranjo físico, processo produtivo, tempos e movimentos etc. • Planejamento e controle da produção - responsável pelo planejamento e controle da produção conforme a demanda e a capacidade produtiva da organização. • Produção - responsável pelos processos de transformação de matérias-primas em produtos acabados. No caso das empresas do ramo terciário, ela cuida das atividades que a organização presta ao mercado. • Administração de materiais - responsável pelo abastecimento das matérias-primas essenciais à produção dos bens ou serviços da organização. • Controle de qualidade - responsável pela inspeção dos produtos e serviços realizados, e dos processos produtivos para avaliar se estão conforme as especificações da engenharia de produto. • Manutenção - responsável pela conservação dos recursos físicos e materiais da organização (prédios, máquinas etc.). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 54 A figura 36 permite uma visualização simplificada dos componentes que formam uma estrutura convencional da GP. Figura 36 – Estrutura convencional da gestão da Produção Desenvolvimento de produtos Engenharia industrial Planejamento da produção Produção Administração de materiais Controle de qualidade Manutenção Gestão da produção Fonte: Chiavenato (2014). De acordo com Chiavenato (2014), para alcançar os objetivos de eficiente e eficaz, a GP conta com a interação de componentes internos e de componentes externos. No que diz respeito aos relacionamentos internos, temos: • Pesquisa e desenvolvimento - a Gestão da Produção recebe do departamento de P&D o projeto do produto com especificações, componentes e materiais e coopera para a retroação com o intuito de aperfeiçoá-lo. • Marketing - diz respeito a área mercadológica da organização. No geral, a produção busca atender à previsão de vendas que a área mercadológica define. Por outro lado, a produção é comercializada pela área mercadológica • Finanças - a gestão da produção está associada a área financeira da organização para definir os critérios de compras, o suprimento de matérias-primas, bem como custos e investimentos, etc. • Recursos humanos - a GP se relaciona com a área de recursos humanos da organização para agrega pessoas, treinar e desenvolver o pessoal, etc. No que se refere aos relacionamentos externos da gestão de produção, Chiavenato (2014) destaca os seguintes atores sociais: Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 55 • Fornecedores - o contato permanente com fornecedores (de matérias-primas, componentes, máquinas, logística e transporte externos, etc.) é essencial, pois a Gestão da Produção depende de insumos diferenciados. • Distribuidores - responsáveis pelas entregas de produtos acabados ou serviços produzidos pelas organizações. • Clientes e consumidores - compreender as expectativas e necessidades dos clientes é essencial para obter melhorias de produtos e serviços. Gestão Comercial A área comercial é responsável pela geração de novos negócios, demandas para a área de produção e relacionamento direto com os clientes. Divide-se em duas áreas: • Marketing - é a responsável pela análise externa (público, mercado e concorrência) e elaboração das estratégias de vendas para a colocação dos produtos e serviços no segmento identificado. Para tanto, se utiliza de pesquisas e informações e após o seu reconhecimento e perfil do mercado, efetua a criação da marca e gera demandas para a área comercial/vendas conquistar os clientes.Principais funções da área de marketing: • Planejamento da comunicação da empresa. • Gerenciamento de comunicação. • Traçar objetivos e metas de comunicação. • Desenvolver e gerenciar campanhas promocionais. • Definir canais e formas de atrair novos clientes. • Analisar e mensurar resultados de campanhas. • Gerenciar produção multimídia. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 56 • Comercial ou vendas - é a responsável por coordenar as atividades de venda dos produtos ou serviços da empresa, consequentemente, obter a organização os lucros e os recursos financeiros estimados. Compete a essa área a execução do que foi planejado. Para tanto, os profissionais terão metas e objetivos claros e tangíveis de vendas. Kotler e Keller (2012) os profissionais de marketing estão envolvidos na gestão da troca de várias categorias de produtos: bens, serviços, eventos, pessoas, experiências, propriedades, lugares, organizações, informações e ideias. • Bens - se refere aos produtos fabricados. Eles formam a maior parte do esforço de produção e marketing. • Serviços - diz respeito a prestação de serviços (hotéis, locadoras de automóveis, cabeleireiros, etc.). • Eventos - considera a necessidade de promover eventos periódicos, como feiras setoriais, espetáculos artísticos, comemorações de aniversários, etc. • Experiências - a organização é responsável por criar, apresentar e comercializar experiências. Exemplo: o Walt Disney World oferece aos clientes uma visita em um reino de conto de fadas, um navio pirata, etc. • Pessoas - inclui artistas, CEOs, médicos, advogados e outros profissionais que vêm buscando a ajuda de agências de marketing. • Lugares - regiões que competem frequentemente para atrair turistas, novos moradores, fábricas, etc. Nesses casos, atuam os especialistas em desenvolvimento econômico, agentes imobiliários, etc. • Propriedades - inclui os esforços empregados para comercializar bens imóveis e bens financeiros. Exemplo: empresas imobiliárias que trabalham para proprietários de imóveis ou para quem as pretende comprar e vender imóveis. • Organizações - envolve o trabalho sistemático empregado para a construção da imagem sólida e positiva de seu público-alvo. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 57 • Informações - inclui a produção, a embalagem e a distribuição de informações que formam relevantes setores da economia. • Ideias - diz respeito às ideias vendidas por meio das ações de marketing. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido quais os componentes que formam a estrutura das áreas de produção, comercial, recursos humanos e financeira, bem como as questões tratadas por esses departamentos. No geral, as empresas estão organizadas em quatro áreas: finanças, marketing, produção e recursos humanos. Mostramos que na atual Gestão de Pessoas cada executivo é o único gestor dos seus subordinados. Para que estes assumam total autonomia nessa responsabilidade de administrar seu pessoal, eles precisam receber assessoria do órgão de GP, que tem de proporcionar os meios e os serviços de apoio, bem como as políticas e procedimentos usados pela organização. Os integrantes da tríade de Gestão de Pessoas são: Executivo como gestor de pessoas (presidente, diretor, supervisor, etc.), Especialista em GP (colaborador de RH que fornece consultoria interna aos executivos) e Pessoas (todos os integrantes da organização). Mostramos os principais profissionais que atuam na área da Gestão Financeira, bem como destacamos instrumentos usados para monitorar o desempenho econômico-financeiro das empresas. Mostramos os componentes que formam a gestão da produção (Desenvolvimentos do produto, Engenharia industrial, Planejamento e controle da produção, etc.), bem como destacamos esse departamento contra com os relacionamentos de diferentes componentes internos e de componentes externos. Por sua vez, na área da gestão comercial destacamos atributos e relações dos profissionais de marketing que estão envolvidos no desenvolvimento, na comunicação e na gestão da troca de bens e serviços. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 58 REFERÊNCIAS CHIAVENATO, I. Teoria geral da administração. São Paulo: Atlas, 2014. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: realidade atual e desafios futuros. São Paulo: Atlas, 2014. GRAMMS, L.C.; LOTZ, E.G. Gestão da qualidade de vida no trabalho. São Paulo: Intersaberes, 2017. PIRAN, F.S.; LACERDA, D.P.; CAMARGO, L.F. Análise e gestão da eficiência: aplicação em sistemas produtivos de bens e serviços. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. ROCHA, M. Análise organizacional. Rio de Janeiro: Estácio, 2016. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial Formulação implementação da estratégia e seu reflexo no desempenho Apresentação Se uma organização quer mais do que sobreviver no mercado, ela precisa ter uma estratégia definida. Entretanto, não basta apenas ter uma estratégia, é preciso implementá-la, entendendo que poderá sofrer modificações ao longo do tempo. Formular e implementar uma estratégia, por menos audaciosa que esta seja, não é uma tarefa fácil, pois requer uma análise interna e externa do ambiente. Além disso, é preciso reflexão e definição sobre os rumos que a empresa quer tomar frente ao mundo dos negócios. Para isso, algumas perguntas podem orientar na tarefa como: qual legado a empresa deixará? Como ela quer ser conhecida e reconhecida? Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender como definir a formulação e a implementação da estratégia organizacional, identificar os atores da estratégia de uma empresa, além de reconhecer como ela influencia no desempenho e no comportamento organizacional. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir a formulação e implementação da estratégia de uma empresa. • Identificar os atores da estratégia de uma empresa.• Reconhecer como a estratégia influencia no desempenho ou comportamento organizacional. • Infográfico Para formular e implementar uma estratégia numa organização, é preciso, antes de tudo, de um planejamento estratégico. Você sabe o que é isso? É um conjunto de análises, decisões e ações que envolve diferentes atores. Acompanhe no Infográfico o esquema que mostra as etapas e os participantes que compõem o planejamento estratégico. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/c6d42ed3-516a-4ef5-813b-9a9ff18a368a/d245cce1-e008-42c8-817f-708b5eb438fd.jpg Conteúdo do livro Os autores Mintzberg e Quinn consideram a estratégia como uma forma de pensar no futuro integrada ao processo decisório, um procedimento formalizado e articualdor de resultados e um programa de trabalho. Uma estratégia precisa ser estruturada, isto é, formulada e, para isso, há elementos essenciais. Feito isso, parte-se para a implementação, etapa que também requer atenção às características específicas. No capítulo Formulação e implementação da estratégia e seu reflexo no desempenho organizacional, da obra Gestão do Desempenho Organizacional, você irá aprender como formular e implementar a estratégia organizacional, identificar quem atua na estratégia de uma empresa e reconhecer como a estratégia influencia no desempenho e no comportamento organizacional, itens essenciais para quem quer que a organização na qual atua faça mais do que meramente sobreviver no mercado nos dias de hoje. GESTÃO ORGANIZACIONAL DO DESEMPENHO Patricia Kinast De Camillis Formulação e implementação da estratégia e seu reflexo no desempenho organizacional Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentaros seguintes aprendizados: Definir a formulação e a implementação da estratégia de uma empresa. Identificar os atores que atuam na estratégia de uma empresa. Reconhecer como a estratégia influencia no desempenho ou com- portamento organizacional. Introdução Nos dias de hoje, se uma organização quer mais do que sobreviver no mercado, ela precisa ter uma estratégia definida. Entretanto, só isso não basta, sendo preciso implementá-la, entendendo que ela poderá sofrer modificações ao longo do tempo. Formular e implementar uma estratégia, por menos audaciosa que ela seja, não é uma tarefa fácil, pois requer uma análise interna e externa do ambiente, além da refle- xão e definição sobre os rumos que a empresa quer tomar frente ao mundo dos negócios. Qual legado a empresa deixará? Como ela quer ser conhecida e reconhecida? Neste capítulo, você vai aprender como definir a formulação e a imple- mentação da estratégia organizacional, identificar quais atores atuam na estratégia de uma empresa, além de saber reconhecer como a estratégia influencia no desempenho e no comportamento organizacional. C05_Formulacao_implementacao_estrategia.indd 1 03/04/2018 15:42:59 Formulação e implementação da estratégia de uma organização A administração estratégica passou a ser vista como uma disciplina bem defi nida para todas as organizações, a partir da década de 1960. É um pro- cesso que compreende o planejamento estratégico (incluindo a formulação da estratégia) e a sua implementação (MAXIMIANO, 2012). É sempre bom lembrar que “estratégia” é um termo militar que, adaptado ao mundo dos negócios, tem vários significados, dependendo do autor. Um dos mais citados é o de Mintzberg e Quinn (2001), que consideram a estratégia como uma forma de pensar no futuro, integrada no processo decisório, um procedimento formalizado e articulador de resultados e um programa de trabalho. Segundo Mintzberg (2004, p. 34), estratégia requer uma série de definições e é “uma dessas palavras que inevitavelmente definimos de uma forma, mas frequentemente usamos de outra. Estratégia é um padrão, isto é, a consistência em comportamento ao longo do tempo”. Formulação da estratégia Para a formulação da estratégia, o primeiro passo é defi nir o modelo de negó- cios, já que ela atuará neste modelo para melhorá-lo, adaptá-lo ou modifi cá-lo. Um modelo de negócios tem basicamente três elementos: negócio, clientes e mercados e vantagens competitivas. Negócio Para defi nição da estratégia, é preciso escolher uma área de atuação (produto ou serviço destinado a um mercado). A “missão” signifi ca a fi nalidade do negócio, algo que vai além da mera transação comercial. Assim, para defi nir a missão, fazem-se as seguintes perguntas (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2010): ■ A que necessidade a empresa atende? ■ Que benefícios a empresa oferece? ■ Qual problema a empresa resolve? ■ Que papel a empresa desempenha na sociedade? Formulação e implementação da estratégia e seu reflexo no desempenho organizacional2 C05_Formulacao_implementacao_estrategia.indd 2 03/04/2018 15:42:59 Clientes e mercados Tendo claro qual é o negócio, a defi nição de clientes e mercados é facilitada. Porém, a empresa precisa saber onde estão e chegar até eles para oferecer seu(s) produto(s) ou serviço(s). De acordo com Maximiano (2012), a empresa pode utilizar indicadores que envolvem clientes e mercados, para analisar o desempenho do seu modelo de negócios, ou seja, para saber se está chegando a eles ou não. Os indicadores que devem ser analisados historicamente são: Participação dos clientes no faturamento; Participação dos produtos no faturamento; Participação no mercado. Vantagens competitivas O que te diferencia em relação aos teus concorrentes? Quais os atributos da empresa e dos seus produtos ou serviços que infl uenciam as decisões dos clientes? Aqui, podem estar atributos como: qualidade, baixo custo de opera- ção, inovação, conveniência, disponibilidade de pós-venda, relações pessoais com clientes, prestígio da marca, preço baixo, exclusividade de produtos, etc. (MAXIMIANO, 2012). Segundo Almeida (2010), em uma empresa, o processo de planejamento estratégico consiste em estruturar e esclarecer a visão dos caminhos que ela deve ou pretende seguir e os objetivos que deve ou pretende alcançar. As seguintes questões devem ser investigadas e respondidas: Em que situação nós estamos? Quais as ameaças e oportunidade do ambiente no presente e no futuro? Quais são os nossos pontos fortes e fracos, internamente? Para onde devemos ir? O que devemos fazer para chegar lá? (Definição do plano estratégico) Uma vez tendo essas respostas, a empresa define sua estratégia genérica – qual é e para onde vai o modelo de negócios. A seguir, você conhecerá as estratégias mais comuns, porém não há uma classificação universal — as organizações podem usar diversas estratégias genéricas ao mesmo tempo ou em diferentes momentos, de acordo com a situação. 3Formulação e implementação da estratégia e seu reflexo no desempenho organizacional C05_Formulacao_implementacao_estrategia.indd 3 03/04/2018 15:42:59 Conforme Ansoff (2009), as estratégias seriam: Penetração no mercado — explora produtos tradicionais em mercados tradicionais. Desenvolvimento de mercado — explora um mercado novo, mas com produtos tradicionais. Desenvolvimento de produto — explora mercados tradicionais com produtos novos. Diversificação — explora um novo mercado com um novo produto. Já para Porter (2005), as estratégias seriam estas três: Diferenciação — projetar uma forte identidade própria que torne o produto/serviço distinto dos concorrentes. Liderança de custo — o objetivo desta estratégia é oferecer um produto ou serviço mais barato. Foco — também conhecida como estratégia da concentração ou do nicho, consiste em escolher um segmento de mercado e concentrar-se nele. Para Porter (2009), estratégia consiste em ser o melhor, tirano o melhor proveito de mercados ou produtos e serviços. Miles e Snow (1978) identificaram outra forma de classificar estratégia: a partir de padrões de adaptação das organizações. Comportamento defensivo — empresas que têm o foco muito estreito, são muito especializadas e não buscam oportunidades novas ou atuar em situações diferentes. Comportamento prospectivo — empresas que procuram novas oportu- nidades, geralmente criadoras de exemplos, incertezas e desafios para os concorrentes, focando em inovação. Comportamento analítico — empresas que atuam em dois mercados, um estável (atuam de maneira rotineira) e outro em mudança (acompanham e adotam inovações dos concorrentes). Comportamento de reação — empresas que atuam em ambiente de constante mudança, porém sem respostas eficazes, mudando somente por pressão do ambiente externo. Por fim, temos a estratégia definida por Certo e outros autores (2010), que definiram três genéricas: Formulação e implementação da estratégia e seu reflexo no desempenho organizacional4 C05_Formulacao_implementacao_estrategia.indd 4 03/04/2018 15:42:59 Estabilidade — ou comportamento defensivo — a empresa tem foco muito estreito, é especializada e não busca novas oportunidades, porém a estabilidade pode ser uma necessidade, dependo se o ramo do negócio não cresce ou não se modifica com frequência. Crescimento — comportamento prospectivo de empresas que buscam novas oportunidades e servem de exemplo, onde o crescimento pode se dar por meio da compra de concorrentes ou fornecedores e distri- buidores, do estabelecimento de parcerias, etc. Redução de despesas — é necessária quando a empresa está com sua eficiência comprometida e sua sobrevivência ameaçada, podendo haver eliminação de linhas de produtos, desinvestimento, venda de negócios para concorrentes, encerramento de operações, etc. Para selecionar a estratégia que será adotada, existem duas ferramentas bastante utilizadas, que são:ciclo de vida do produto e matriz BCG. O ciclo de vida do produto assume que todo produto passará por etapas definidas, de seu lançamento até sua descontinuação. Essas etapas são: intro- dução, crescimento, maturidade e declínio — e não têm duração determinada, variando de acordo com o produto. Assim, a empresa precisa identificar em qual estagio de vida está o produto para selecionar a melhor estratégia (Figura 1). Uma estratégia defensiva, ou de estabilidade, teria poucas chances de sucesso se o produto estiver em estágio de introdução (MAXIMIANO, 2012). Figura 1. Ciclo de vida do produto. Fonte: Adaptado de Maximiano (2012, p. 357). 5Formulação e implementação da estratégia e seu reflexo no desempenho organizacional C05_Formulacao_implementacao_estrategia.indd 5 03/04/2018 15:43:00 Já a matriz BCG (Figura 2) é uma análise de portfólio que permite classificar as unidades de negócio ou os produtos de acordo com a sua participação no mercado e a taxa de crescimento do mercado de atuação. Assim, a empresa pode posicionar os itens do seu portfólio e priorizar adequadamente os esforços (MAXIMIANO, 2012). Figura 2. Matriz BCG. Fonte: Maximiano (2012). Implementação da estratégia Para ser colocada em prática, a estratégia desdobra-se em: planejamento das áreas funcionais, políticas, planos operacionais, projetos e estrutura organi- zacional, atingindo os níveis estratégicos, táticos e operacionais da empresa. Veja, a seguir, como cada um deles se desdobra de maneira resumida. Estrutura organizacional: a estrutura segue a estratégia; desenho do organograma. Áreas funcionais: estratégias funcionais; estratégia de Marketing, tecnologia para transformar conhecimento em produto/serviço; sistema de fornecimento de produto/serviço, etc. Formulação e implementação da estratégia e seu reflexo no desempenho organizacional6 C05_Formulacao_implementacao_estrategia.indd 6 03/04/2018 15:43:00 Projetos: atividades temporárias; o resultado de um projeto pode ser um produto físico, uma fábrica, um conceito, um novo sistema, etc. Políticas e planos operacionais (políticas que orientam decisões) políticas de RH; políticas de promoção; políticas de relação com concorrentes; políticas de relação com clientes. Planos operacionais: cronogramas; orçamentos; normas e procedimentos. Na implementação, é importante ter um plano de ação, para definir as ati- vidades necessárias, no qual se explicita as prioridades e o tempo de execução. Nesta fase também se definem orçamentos, além de divulgar a estratégia e buscar o compromisso de todos colaboradores da empresa. Avaliação e correção das ações também fazem parte da implementação da estratégia. Atores que atuam na estratégia da organização A estratégia, embora de responsabilidade da administração central (proprie- tários, conselho de administração, CEO, presidência), não pode ser um plano rígido, mas deve ter fl exibilidade para considerar os ajustes que precisam ser feitos ao longo do caminho. Acima de tudo, trata-se de uma oportunidade de aprendizado para toda empresa, em todos os níveis. Afi nal, em tempos de bonança ou de crise, a empresa vencedora é aquela que se destaca pela sua capacidade de atuação coesa, forte e direcionada. A defi nição da estratégia é o ponto de partida para a empresa chegar à frente. Seus líderes, gestores e suas equipes devem estar mobilizados para caminharem na mesma direção, e os recursos devem trazer os melhores retornos para a empresa. 7Formulação e implementação da estratégia e seu reflexo no desempenho organizacional C05_Formulacao_implementacao_estrategia.indd 7 03/04/2018 15:43:00 As influências e atuações diretas na estratégia são geralmente consideradas quando a organização identifica os seus stakeholders — que são as “partes interessadas”. Eles são indivíduos, organizações, grupos ou entidades cujos interesses são afetados — ou podem afetar — pelo sucesso de um negócio ou projeto. E como a estratégia é algo pensado para levar a empresa ao sucesso de forma deliberada (e não inesperada), se algo influencia o sucesso, deve ser considerado nela. Diferentes atores atuam em níveis e momentos diferentes na estratégia. Entre os atores internos, destacam-se: o presidente, os gestores e líderes, que atuarão na análise da situação atual, sendo que a administração superior (presidente) é a grande responsável pela definição da estratégia. No entanto, a administração superior alimenta-se das informações dos gestores e líderes (MAXIMIANO, 2012). A análise dos ambientes, tanto interno quanto externo, geralmente fica a cargo de gestores e líderes. As informações coletadas e organizadas por essas pessoas interferirão na definição da estratégia, podendo, até mesmo, modificá-la de maneira mais profunda. Nesse momento, precisamos entender que existem, também, atores externos à organização, que terão influência na estratégia, tanto no processo de definição quanto no de implementação: o governo, com as diferentes legislações aplicadas ao setor de atuação da empresa; os fornecedores, com suas limitações ou seus diferenciais que podem ser um ponto importante na definição da estratégia; os clientes, com suas preferências; os concorrentes, com suas próprias estratégias em curso; os acionistas (que não participam da gestão), com seus interesses de retorno financeiro; as tendências tecnológicas e sociais, que indicarão os caminhos prósperos e os que tendem a desaparecer; além disso, a situação econômica do local e mundial também pode mudar uma estratégia. Embora esses atores não atuem diretamente na estratégia, não podemos negligenciar sua influência, mesmo que em diferentes graus. Na fase de definição dos objetivos e da estratégia, a gerência geral (pre- sidente ou administração geral) precisa tomar a frente e indicar “para onde vamos e como vamos chegar lá”, além de acompanhar tudo que será feito, Formulação e implementação da estratégia e seu reflexo no desempenho organizacional8 C05_Formulacao_implementacao_estrategia.indd 8 03/04/2018 15:43:01 visando ao futuro. Para as estratégias funcionais e operacionais acontecerem, entram em cena as gerências médias e o pessoal de níveis intermediário, tático e operacional, que também terão envolvimento na execução. A atuação mais direta e definidora, com relação à estratégia, é da admi- nistração superior da empresa. Porém, a partir da definição das estratégias funcionais e operacionais, da execução e da avaliação, outros atores internos passam a ter forte atuação na estratégia: são os colaboradores, em diferentes níveis hierárquicos, que serão os responsáveis por “colocar em prática!”. A administração superior, nesse momento de implementação da estratégia, recebe os relatórios gerencias feitos a partir dos indicadores de desempenho e pode supervisionar o processo, mas sem interferir nele (MAXIMIANO, 2012). É por isso que costumamos dividir a implementação da estratégia (depois de definida) em um momento tático e outro operacional. O planejamento tático tem um envolvimento mais limitado — a nível departamental —, sendo responsável por criar metas e condições, visando ao médio prazo, para que as ações estabelecidas no planejamento estratégico sejam atingidas. Por se tratar de um planejamento mais específico, as decisões podem ser tomadas por pessoas que ocupam os cargos entre a alta direção e o operacional, como executivos da diretoria e gerentes (ANSOFF, 2009). No nível operacional, os envolvidos são aqueles que executam as ações que são aplicadas em curto prazo. Aqui, os gestores estão envolvidos para acompanhar a rotina, garantindo que todas as tarefas e operações sejam exe- cutadas, de acordo com os procedimentos estabelecidos, preocupando-se em alcançar os resultados específicos. A avaliação pode iniciar a cargo dos gerentes do nível operacional na hierarquia até chegar novamente na administração central. A atuação dos níveis, iniciando no estratégicoe chegando até o operacional, considerou uma organização com uma estrutura mais hierarquizada, podendo existir outras estruturas e outros fluxos de responsabilidade, porém o que não pode ser diferente nas organizações que sistematizam de forma explícita a sua estratégia é o envolvimento de todos, mesmo que com graus diferentes de responsabilidade. É importante entender que um planejamento estratégico não vai sair do papel se os planos dos níveis tático e operacional não forem bem estabelecidos, pois é um processo integrado e interdependente. Todos os níveis são neces- sários: o estratégico para orientar a visão, o tático para desdobrar essa visão em planos de ação menores, e o operacional para levar os planos à execução (ANSOFF, 2009). 9Formulação e implementação da estratégia e seu reflexo no desempenho organizacional C05_Formulacao_implementacao_estrategia.indd 9 03/04/2018 15:43:01 Como a estratégia influencia no desempenho ou comportamento organizacional Os objetivos estratégicos, que são os resultados que a empresa pretende realizar, podem ser anunciados como alvos muito precisos, focalizando os indicadores de desempenho que servirão para medir os resultados da organização — por exemplo, participação no mercado, retorno sobre o investimento, satisfação do cliente, etc. (MAXIMIANO, 2012). De que serve formular uma estratégia, implementá-la, se não monitorar seu desempenho? Ou seja, não saber se o caminho certo está sendo percorrido para o sucesso da estratégia. Assim, o processo de formulação da estratégia inicia com três análises: da situação, do ambiente interno e do ambiente ex- terno. Isso influencia no comportamento organizacional de forma que todos os envolvidos (em especial, as gerencias) precisam refletir sobre as ações e os caminhos tomados até então. A estratégia é um direcionador de esforços e, por isso, deve ser conhecida por todos. Seus planos de ação prioritários precisam ser um desdobramento da estratégia, e seus indicadores de desempenho devem estar coesos e permitir o acompanhamento dos resultados. Empresas que definem e implementam estratégias, mesmo que mudem ao longo do tempo, estão assumindo uma postura de “mais do que sobreviver no mercado”, mas estão propondo-se a perpetuar no mercado, prolongando seu ciclo de vida. O comportamento organizacional, que é reflexo da cultura organizacional, pode ser definidor da estratégia, mas, também, a definição de uma estratégia pode exigir mudanças no comportamento organizacional. Por exemplo, culturas organizacionais que são orientadas para a certeza, isto é, possuem pouca tolerância à ambiguidade, fazem com as pessoas prefiram a acomodação, a rotina e as situações estruturadas — ou seja, não gostam de correr riscos (MAXIMIANO, 2012). Imagine, agora, se a direção geral define uma estratégia que envolve exploração de novos mercados ou desenvolvimento de novos produtos; caso o comportamento e a cultura não deem suporte para as ações e mudanças necessárias, a estratégia será um fracasso — você não concorda? Por isso, é recomendável que as empresas, depois de definirem a estratégia, promovam uma avaliação, com mudanças internas quando necessário, a fim de adequar comportamento e cultura para, só então, fazer a implementação da estratégia. Ou seja, pode-se definir uma estratégia que não seja imediatamente equivalente à cultura, mas isso requer mudanças consideráveis na mesma. O desempenho organizacional reflete a estratégia de uma empresa em termos de sua formulação e implementação, explicitando sua adequação frente Formulação e implementação da estratégia e seu reflexo no desempenho organizacional10 C05_Formulacao_implementacao_estrategia.indd 10 03/04/2018 15:43:01 às realidades externa e interna da organização. Assim, a estratégia influencia o desempenho na medida em que determina para qual direção ele deve caminhar. Realizando a gestão do desempenho organizacional, a empresa passa a acompanhar constantemente as ameaças e oportunidades do ambiente, além de seguir buscando a eliminação dos pontos fracos e o aproveitamento os fortes. A empresa pode passar a ter um processo contínuo de planejamento estratégico. Além disso, outro quesito que vem sendo considerado com mais atenção nos últimos anos, e que provoca mudanças no desempenho, é a recompensa pela realização da estratégia. Chen e Hsieh (2005) consideram que muitas empresas estão começando a valorizar os incentivos, como investimentos da empresa para o alcance dos resultados e não como custo adicional. Os incentivos devem estar alinhados à estratégia e também à cultura e aos processos da empresa. Por fim, Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2010, p. 274), no livro “Safári de Estratégia: um roteiro pela selva do planejamento estratégico”, lembram da complexidade da formação de uma estratégia, que resume bem a influência desta na organização: A formação de estratégia é um espaço complexo. [...] Mas o erro, caro Brutus, não está nem nas estrelas nem em nós, mas no processo em si. A formação de estratégia é um desígnio arbitrário, uma visão intuitiva e um aprendizado intuitivo; ela envolve transformação e também perpetuação; deve envolver cognição individual e interação social, cooperação e conflito; ela tem de incluir análise antes e programação depois, bem como negociação durante; e tudo isso precisa ser em resposta àquele que pode ser um ambiente exigente. Tente apenas deixar tudo isso de lado e veja o que acontece! ALMEIDA, M. I. R. Manual de planejamento estratégico. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010. ANSOFF, H. I. Implantando a administração estratégica. São Paulo: Atlas, 2009. CERTO, S. C. et al. Administração estratégica: planejamento e implantação de estratégias. 3. ed. São Paulo: Pearson, 2010. CHEN, H. M.; HSIEH, Y. H. Incentive reward with organizational life cycle from com- petitive advantage viewpoint. Human Systems Management, v. 24, p. 155-163, 2005. MAXIMIANO, A. C. A. Teoria geral da administração: da revolução urbana à revolução digital. São Paulo: Atlas, 2012. 11Formulação e implementação da estratégia e seu reflexo no desempenho organizacional C05_Formulacao_implementacao_estrategia.indd 11 03/04/2018 15:43:01 MILES, R. E.; SNOW, C. C. Organizational strategy, structure and process. New York Mc- Graw-Hill, 1978. MINTZBERG, H. Ascensão e queda do planejamento estratégico. Porto Alegre: Bookman, 2004. MINTZBERG, H; AHLSTRAND, B; LAMPEL, J. Safári de estratégia: um roteiro pela selva do planejamento estratégico. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2010. MINTZBERG, H; QUINN, J. B. O processo da estratégia. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Business model generation. Hoboken, NJ: Wiley, 2010. PORTER, M. E. Competição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. PORTER, M. E. Estratégia competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concor- rência. Rio de Janeiro: Campus, 2005. Leituras recomendadas MAXIMIANO, A. C. A. Introdução à teoria geral da administração. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2015. OLIVEIRA, D. P R. Estratégia empresarial: uma abordagem empreendedora. São Paulo: Atlas, 1991. Formulação e implementação da estratégia e seu reflexo no desempenho organizacional12 C05_Formulacao_implementacao_estrategia.indd 12 03/04/2018 15:43:01 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: Dica do professor A partir do momento que se tem uma ideia, até o resultado final, um caminho é percorrido, etapas são cumpridas e mudanças acontecem. Ao levar esse cenário para uma organização, conta-se com a estratégia empresarial para dar conta de colocar em prática as ideias concebidas. Na Dica do Professor, você irá ver o que é estratégia pretendida, deliberada, emergente, realizada e não realizada, tudo isso a partir de um exemplo real. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/50c627adf36af8c4bfa895af2f0692b3 Na prática A empresa Tecidos do Futuro, fundada em 1995, possui ampla linha de produtos, e o principal mercado de atuação da empresa são as confecções de vestuário, responsáveis por cerca de 60% da produção. A empresa comercializa seus produtos no Brasil e no exterior. Desde o início, a empresa vinha atuando com uma estratégia de baixo custo, mas após 10 anos de atuação, a Tecidos do Futuro, passou a não obter mais um desempenho adequado, pois ela não conseguia custos competitivos em relação aos concorrentes. Assim, considerando-se as condições do mercado e as características da empresa, surgiu a necessidade da mudança estratégica. A nova estratégia passou a ser de diferenciação e inovação têxteis, contemplando o desenvolvimento de produtos personalizados para as necessidades dos clientes. Veja na prática algumas das mudanças e os reflexos na empresa. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Gestão Estratégica de Competências Apresentação Nesta Unidade de Aprendizagem, estudaremos a Gestão Estratégica de Competências. Um tema moderno que pertence ao conjunto de estudos da gestão do conhecimento. Uma empresa precisa de profissionais qualificados em determinadas áreas para cumprir funções e maximizar o retorno. Ou seja, pessoas que tenham competência para atuar de acordo com a necessidade da organização. Baseado nessa premissa, a gestão por competência vem crescendo na área de recursos humanos. Organizar estrategicamente esse tipo de profissional qualificado é um dos desafios da gestão contemporânea. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Explicar o conceito de competência.• Identificar as principais técnicas para gerir competências nas empresas.• Refletir sobre os desafios da gestão por competências nas organizações.• Infográfico A Gestão Estratégica de Competências trata de um princípio taylorista revisitado: a pessoa certa no lugar certo. Revisitado porque as empresas são essencialmente diferentes e, por consequência, precisam de pessoas diferentes. A gestão da competência organizacional assume, portanto, caráter estratégico dentro das organizações. Afinal, a partir da competência instalada, forma-se a base para uma gestão mais eficaz de todo o conhecimento organizacional. Conteúdo do livro Os trechos selecionados do livro gestão contemporânea de pessoas: novas práticas, conceitos tradicionais tratam do conceito de competência e gestão por competências, bem como algumas reflexões e críticas sobre o tema. É importante lembrar que o tema não é recente, mas que o interesse por estratégias com este perfil vem ganhando espaço e destaque nos meios acadêmico e empresarial. Boa leitura! c l a u d i a b i t e n c o u r t e colaboradores gestão contemporânea de pessoas n o v a s p r á t i c a s , c o n c e i t o s t r a d i c i o n a i s 2 ª ed ição C A P ÍT U LO S E E STUDOS D E C A S O G393 Gestão contemporânea de pessoas [recurso eletrônico]: novas práticas, conceitos tradicionais / Claudia Bitencourt e colaboradores. – 2. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Bookman, 2010. Editado também como livro impresso em 2010. ISBN 978-85-7780-622-5 1. Organização do trabalho – Administração de recursos humanos. I. Bitencourt, Claudia. CDU 331.101.262 Catalogação na publicação: Renata de Souza Borges CRB-10/1922 10 GestÃo De competÊNciAs: ArticuLANDo iNDiVÍDuos, orGANiZAÇÕes e socieDADe Claudia Cristina Bitencourt Allan Claudius Queiroz Barbosa OOOObjetivos deaprendizagem compreender a noção de competência sob diferentes perspectivas. conhecer a lógica da gestão de competências reconhecendo sua importância. reconhecer as difi culdades de implementação e manutenção de um programa que visa a identifi car e desenvolver competências. refl etir sobre a gestão de competências em sua interface com aspectos de natureza social e organizacional. inTrOdUÇãO Este capítulo apresenta a discussão sobre o tema “competências” e procu- ra esclarecer seus principais conceitos e abordagens, permitindo uma reflexão crítica acerca da sua importância, aplicabilidade, dificuldades e necessidades no cotidiano do gestor contemporâneo. É importante lembrar que o tema não é recente, mas que o interesse por estratégias com este perfil vem ganhando espaço e destaque nos meios acadêmico e empresarial. Uma das explicações possíveis para esta relevância encontra respaldo na constatação de que o treinamento tradicional já não responde mais às neces- sidades de formação das pessoas, às expectativas das empresas em termos de novas habilidades e atitudes mais condizentes com a realidade organizacional e às exigências de um mercado mais competitivo. O que se observa nos dias de hoje é que as organizações contemporâneas têm sido levadas à modernização e/ou adequação ao novo contexto produtivo por diferentes caminhos. Seja pela via tecnológica, seja pela via gerencial, múltiplos mecanismos e/ou ferramentas são utilizados, em um esforço vol- tado à eficácia na utilização dos recursos produtivos visando, em última ins- tância, à melhor adequação das pessoas ao trabalho. Por meio da construção Ver mAteriAL No cD 176 parte iii – competências e liderança de modelos que reconhecem a definição de competências como possibilidade concreta de proporcionar ganhos organizacionais, é possível, dentro desta ló- gica, recompensar o esforço dos indivíduos. Nesse sentido, a gestão de competências visa aproximar os objetivos or- ganizacionais e pessoais (profissionais). Esta diferenciação facilita a compre- ensão dos principais tipos de competências: o organizacional e o pessoal. Uma outra ênfase para este “ganho” é a busca do autodesenvolvimento como estratégia de aprendizagem contínua baseada em um perfil proativo. Neste caso, a vantagem não é monetária, mas não deixa de envolver o reco- nhecimento. As core competences, ou competências essenciais da organização, são res- ponsáveis pela atuação da empresa no mercado, estimulando a construção de um diferencial competitivo baseado na(s) especialidade(s) e especificidade(s) de cada organização. As competências pessoais conduzem à necessidade cres- cente de formar e valorizar o profissional para oferecer respostas mais rápidas às demandas do mercado e da empresa por meio de uma postura aberta à inovação, baseada em um perfil criativo e flexível, e do preparo para trabalhar e estimular o desenvolvimento das pessoas com quem se trabalha. HiSTóriCO: SUrgiMEnTO E EVOLUÇãO dO dEBaTE SOBrE O COnCEiTO No fim da Idade Média, a expressão competência era associada basica- mente à linguagem jurídica. Dizia respeito à faculdade atribuída a alguém ou a uma instituição para apreciar e julgar certas questões. Conforme Isambert- Jamati (apud Brandão; Guimarães, 1999), [...] os juristas declaravam que determinada corte ou indivíduo era com- petente para um dado julgamento ou para realizar certo ato. Por exten- são, o termo veio a designar o reconhecimento social sobre a capacidade de alguém pronunciar-se a respeito de determinado assunto. Mais tarde, o conceito de competência passou a ser utilizado de forma mais genérica para qualificar o indivíduo capaz de realizar determinado trabalho. No contexto gerencial, o conceito de competência começou a ser construí- do com Richard Boyatizis. Segundo Wood e Payne (1998, p. 23), “Boyatizis foi a primeira pessoa a usar o termo competência. Seu livro The Competent Manager: a Model for Effective Performance iniciou o debate acerca do tema competências”. Entretanto, é a partir do entendimento das transformações de natureza produtiva e social que atingiram as economias industrializadas na década de 1980 que se pode compreender a relevância dos estudos sobre competências para as organizações. Em termos históricos, pensar o surgimento da lógica das competênciasencontra eco no que Rodrigues e Barbosa (2004) observam como resposta à redefinição nos parâmetros de competitividade, onde a esfera empresarial es- timulou o desenvolvimento, sendo recompensada com a oferta de concepções e modelos “inovadores” de gerenciamento. 177Gestão de competências O “discurso” das competências surgiu como uma prática gerencial de im- portância significativa e com diferentes perspectivas teóricas. Uma perspectiva de análise presente na argumentação de inúmeros teóricos (Chandler, 1987, 1997; Penrose, 1962; Selznick, 1962) trabalha a noção de competências em uma lógica que valoriza os recursos e as capacidades – considerando-os determi- nantes para o desenvolvimento organizacional. Essa discussão encontra respaldo nas obras de Andrews (2001), Barney (1991, 1997) e Wernerfelt (1997). Outra dimensão presente no campo das competências amplia a ideia de recurso por meio da incorporação da dinâmica dos processos de sua criação e utilização.1 A demonstração mais visível destas transformações pode ser observa- da no redimensionamento do Estado. Se o período pós-guerra demonstrou a força de políticas keynesianas e “um aparente ciclo virtuoso de crescimento inesgotável” (Drache, 1996, p. 47), o modelo de inspiração “thatcheriano” de fins dos anos 19702 trouxe consigo um formidável esforço de reconstrução e reaparelhamento do aparato público, conforme preconiza Barbosa (2000). Este autor observa que a inspiração na prestação de serviços com ênfase no cliente/cidadão levou ao questionamento da eficiência do Estado, de seu su- perdimensionamento e inserção em setores produtivos tidos como de interes- se privado. Isso fez com que, em meio a uma crescente onda de privatizações de empresas públicas e a um desenvolvimento tecnológico sem precedentes, o Estado também discutisse suas atribuições no âmbito da regulamentação e do monitoramento das relações de trabalho. Em meio a esta autêntica transformação, as organizações empresariais foram submetidas a uma pressão ambiental até então nunca vista. Se a marca que acompanhou o período posterior a 1945 foi o ambiente estável e a redu- zida necessidade de transformações de natureza estrutural e administrativa, a explosão contingencial3 nos anos 1970 evidenciou a necessidade de ajustes. Esses ajustes encontraram respaldo na reformulação das empresas frente ao novo arranjo produtivo e econômico, trazendo mudanças profundas: que- bra do modelo clássico de relacionamento, pela terceirização de atividades e downsizing gerencial; melhoria na qualidade e produtividade, por meio de abordagens de qualidade; ênfase em processos que privilegiam o cliente, via reengenharia; valorização do indivíduo e de sua capacidade, investindo em programas de remuneração variável e em mecanismos antecipatórios na ges- tão de recursos humanos. Em todas as dimensões mencionadas, a equação que balanceia redução de custos e busca de alternativas de receita passou a ser efe- tivamente ser o ponto central de qualquer ação e/ou prática organizacional. Este quadro de grandes transformações veio acompanhado de impactos significativos na manutenção de empregos formais. Soma-se a isso a redução de empregos intermediários devida aos avanços tecnológicos e a tendência de polarização dos postos de trabalho restantes, divididos entre empregos quali- ficados com alto grau de intelectualização e empregos precários e parciais. Nesse ponto insere-se a discussão sobre os efeitos da contemporaneidade sobre os indivíduos. Este aspecto pode ser observado, por exemplo, no discurso sobre empregabilidade4 e sua ligação à busca de capacitação que enfatiza o indiví- duo, principalmente pelo desenvolvimento de competências.5 Com o foco direcio- nado para o indivíduo, até mesmo a remuneração passa a ser tratada de maneira específica, isto é, em conformidade com os resultados alcançados por ele. 178 parte iii – competências e liderança Isso acaba por impor novas exigências de conhecimentos, ou seja, uma formação mais ampla, com mais conhecimento, alta capacidade de raciocínio e comunicação e reconhecidas habilidades para resolução de problemas. Mesmo que esta discussão possa trilhar a clássica dicotomia qualificação versus desqualificação6, é indiscutível que as atuais tendências forcem uma modificação em múltiplas direções, mas que mantêm uma forte interligação: de um lado, as exigências organizacionais, de maximização do resultado e aumento de sua capacidade competitiva; de outro, a pressão sobre o trabalho e, consequentemente, sobre o empregado, obrigado a buscar um reposiciona- mento acerca de seu papel. Por causa disso, a adoção do conceito de competência ganhou força e pode ser vista à luz de diferentes concepções e abordagens. Panorama conceitual sobre competências7 Le Boterf (2003) observa que a noção de competência, que se desenvol- veu em um contexto de alto desemprego e de busca crescente de competitivi- dade nos anos 1980, refere-se à capacidade de combinar recursos incorporados à pessoa (conhecimentos, habilidades, qualidade, experiências, capacidades cognitivas, recursos emocionais, etc.) e recursos presentes no meio (bancos de dados, redes de especialistas, redes documentares, etc.). Em uma linha mais preocupada com os resultados efetivos da competên- cia, Boyatizis (1982) afirma que as competências são características subjacen- tes ao indivíduo que o levam a resultados efetivos e/ou a uma performance superior no trabalho. O modelo de Boyatizis baseia-se na explicitação de 21 atributos que norteiam a construção de um perfil ideal de gestor. O Quadro 10.1 sintetiza esse construto. Boyatizis centralizou seu trabalho em “compor- tamentos observáveis”, baseados numa concepção behaviorista. Seu mode- lo prevê, ainda, aspectos psicológicos relacionados a três fatores: motivação; auto-imagem e papel social; e habilidades. Em outra abordagem, Sanchez (2001) afirma que competência é a ha- bilidade de uma organização de sustentar uma coordenação de recursos e ca- pacidades de forma a alcançar suas metas. O autor ressalta os três elementos essenciais desse conceito: A coordenação de recursos e capacidades. A intenção de direcionar recursos e capacidades para propósitos específi cos. o direcionamento da organização para o alcance das metas. Barbosa (2003), por sua vez, considera que o modelo de competência esta ria afeito à busca de respostas para problemas ligados à remuneração ten- do em vista sua aproximação com a gestão da produção. A noção de compe- tência surgiria da necessidade de reformulação do conceito de qualificação. Essa linha argumenta que as competências técnicas não seriam suficientes 179Gestão de competências para um novo desenho produtivo, resgatando a ideia de que seriam neces- sárias atitudes críticas e reflexivas voltadas para o trabalho em geral, e não, somente para uma única ocupação. É possível também observar as competências a partir do desenvolvimen- to de conceitos, habilidades e atitudes;8 como indicativo de capacitação, se- gundo apregoa Zarifian (2001); enquanto práticas de trabalho e capacidade de mobilizar recursos, desenvolvido também por Zarifian (2001); como busca de resultados, conforme apregoa Boyatizis (1982); e enquanto interação e/ ou relacionamento com outras pessoas, na linha argumentativa de Sandberg (1996). Esta construção inicial permite o surgimento de muitas abordagens. O quadro 10.2 apresenta uma breve sistematização dos diversos conceitos liga- dos à questão das competências e suas respectivas ênfases. É possível observar ainda, pelo trabalho de alguns autores, que a noção de competência surge como parte de um discurso empresarial, com ausência da ideia de relação social, sendo uma espécie de contraponto ao conceito de qualificação presente na sociologia do trabalho francesa, conforme preconiza- do por Hirata (1994). A competência ganha força no espaço educacional na medida em que surge a necessidade de reformulação do conceito de qualificação. De um modo geral,esta linha, mais próxima da formação profissional, argumenta QUadrO 10.1 aS 21 COMPETênCiaS dE BOYaTiziS 1. Metas e gestão pela ação 1. orientação eficiente 2. produtividade 3. Diagnóstico e uso de conceitos 4. preocupação com impactos (proativo) 2. Liderança 5. Autoconfiança 6. uso de apresentações orais 7. pensamento lógico 8. conceitualização 3. recursos Humanos 9. uso de poder socializado 10. otimismo 11. Gestão de grupo 12. Autoavaliação e senso crítico 4. direção de Subordinados 13. Desenvolvimento de outras pessoas 14. uso de poder unilateral 15. espontaneidade 5. Foco em outros clusters 16. Autocontrole 17. objetividade perceptual 18. Adaptabilidade 19. preocupação com relacionamentos próximos 6. Conhecimento especializado 20. memória 21. conhecimento especializado fonte: Adaptado de Wood e payne (1998). 180 parte iii – competências e liderança QUadrO 10.2 COnCEiTOS dE COMPETênCiaS autor Conceito ênfase* 1. Boyatizis “competências são aspectos verdadeiros ligados à natureza formação, (1982, p. 23) humana. são comportamentos observáveis que determinam, comportamento, em grande parte, o retorno da organização.” resultado. 2. Boog “competência é a qualidade de quem é capaz de apreciar e Aptidão, valores e (1991, p. 16) resolver certo assunto, fazer determinada coisa; significa formação. capacidade, habilidade, aptidão e idoneidade.” 3. spencer “A competência refere-se a características intrínsecas ao formação e Junior e spencer indivíduo que influencia e serve de referencial para seu resultado. (1993, p. 9) desempenho no ambiente de trabalho.” 4. sparrow “competências representam atitudes identificadas como estratégias, ação e e Bognanno relevantes para a obtenção de alto desempenho em um trabalho resultado. (1994, p. 3) específico, ao longo de uma carreira profissional ou no contexto de uma estratégia corporativa.” 5. moscovici “o desenvolvimento de competências compreende os aspectos Aptidão e ação. (1994, p. 26) intelectuais inatos e adquiridos, conhecimentos, capacidades, experiência, maturidade. uma pessoa competente executa ações adequadas e hábeis em seus afazeres, em sua área de atividade.” 6. cravino “As competências se definem mediante padrões de Ação e resultado. (1997, p. 161) comportamento observáveis. são as causas dos comportamentos, e estes, por sua vez, são a causa dos resultados. É um fator fundamental para o desempenho.” 7. parry “um agrupamento de conhecimentos, habilidades e atitudes resultado, (1996, p. 48) correlacionados que afeta parte considerável da atividade de formação. alguém, que se relaciona com o desempenho, que pode ser medido segundo padrões preestabelecidos e que pode ser melhorado por meio de treinamento e desenvolvimento.” 8. sandberg “A noção de competência é construída a partir do significado formação e (1996, p. 411) do trabalho. portanto, não implica exclusivamente a aquisição interação. de atributos.” 9. Bruce “competência é o resultado final da aprendizagem.” Aprendizagem (1996, p. 6) individual e autodesenvolvi- mento. 10. Boterf “competência é assumir responsabilidades frente a situações mobilização e ação. (1997a, p. 267) de trabalho complexas buscando lidar com eventos inéditos, surpreendentes, de natureza singular.” 11. magalhães e “conjunto de conhecimentos, habilidades e experiências que Aptidão e rocha (1997, p. 14) credenciam um profissional a exercer determinada função.” formação. 12. perrenoud “A noção de competência refere-se a práticas do quotidiano que formação e ação. (1998, p. 1) se mobilizam através do saber baseado no senso comum e do saber a partir de experiências.” 13. Durand “conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes formação e (1998, p. 3) interdependentes e necessárias à consecução de determinado resultado propósito.”** (Continua) 181Gestão de competências QUadrO 10.2 COnCEiTOS dE COMPETênCiaS (continuação) autor Conceito ênfase 14. Dutra e “capacidade da pessoa gerar resultados dentro dos objetivos Aptidão, resultado, silva (1998, estratégicos e organizacionais da empresa, traduzindo-se pelo formação. p. 3) mapeamento do resultado esperado (output) e do conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessários para o seu alcance (input).” 15. ruas “É a capacidade de mobilizar, integrar e colocar em ação Ação e resultado. (1999, p. 10) conhecimentos, habilidades e formas de atuar (recursos de competências) a fim de atingir/superar desempenhos configurados na missão da empresa e da área.” 16. fleury e “competência: um saber agir responsável e reconhecido, que Ação e resultado. fleury implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, (2000, p. 21) habilidades que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo.” 17. Hipólito “o conceito de competência sintetiza a mobilização, a integração e formação, (2000, p. 7) a transferência de conhecimentos e capacidades em estoque, deve resultado, adicionar valor ao negócio, estimular um contínuo questionamento perspectiva do trabalho e a aquisição de responsabilidades por parte dos dinâmica. profissionais e agregar valor em duas dimensões: valor econômico para a organização e valor social para o indivíduo.” 18. Davis “As competências descrevem de forma holística a aplicação de Ação e resultado. (2000, p. 1 e 15) habilidades, conhecimentos, habilidades de comunicação no ambiente de trabalho [...]. são essenciais para uma participação mais efetiva e para incrementar padrões competitivos. focaliza-se na capacitação e aplicação de conhecimentos e habilidades de forma integrada no ambiente de trabalho.” 19. Zarifian “A competência profissional é uma combinação de conhecimentos, Aptidão, ação, (2001, p. 66) de saber-fazer, de experiências e comportamentos que se exerce resultado. em um contexto preciso. ela é constatada quando de sua utilização em situação profissional a partir da qual é passível de avaliação. compete, então, à empresa identificá-la, avaliá-la, validá-la e fazê-la evoluir.” 20. Becker, “competências referem-se a conhecimentos individuais, formação e Huselid e ulrich habilidades ou características de personalidade que influenciam desempenho. (2001, p. 156) diretamente o desempenho das pessoas.” fonte: Bitencourt, 2001. * esta coluna foi elaborada visando a auxiliar a possibilidade de complementar os conceitos apresentados pelos diferentes autores. ** Durand teve como base o trabalho de pestalozzi, que considerava como chave para o aprendizado os “três Hs” – head, hand, heart (apud Brandão; Guimarães, 1999). que as competências técnicas não seriam suficientes para o novo contexto produtivo. Isso recupera a ideia de que seriam necessárias atitudes críticas e reflexi- vas, uma vez que a preparação deveria estar voltada para o trabalho em geral, e não, somente para uma única ocupação, ou seja, essa perspectiva procura 182 parte iii – competências e liderança integrar educação e trabalho. Isso significa dizer que há um desenvolvimento de competências gerais dos trabalhadores em detrimento de suas habilidades manuais.9 Por esta via, competência pode ser definida como “[...] capacidade pessoal de articular saberes com fazeres característicos de situações concretas de trabalho” (Barato, 1998, p. 13). Brandão e Aquino (2001) consideram que a gestão de competência pode ser visualizada como instrumento que faz parte de um mesmo movimento, quan- do a ênfase se recai sobre as pessoas como recursos determinantes do sucesso organizacional. Ela faz parte de um sistema maior de gestão organizacional que direciona recrutamento, seleção, treinamento, dentre outros, para capacitação e desenvolvimento das competências necessárias para atingir objetivos de uma organização. Ainda, deve ser vista como um processo circular e também deve estar em perfeita sintoniacom a estratégia organizacional. Gallart e Jacinto (1995) definem competências como o conjunto de sa- beres postos em jogo pelos trabalhadores para resolver situações concretas de trabalho, configurando uma não dissociação entre competência e ação, com uma exigência de determinado conhecimento que oriente esta ação. Leiba-O’Sullivan (1999) faz uma distinção entre cross-cultural competen- cies dinâmicas e estáveis, discutindo a questão em torno da taxonomia tridi- mensional de Black e Mendenhall (1990). Essa taxonomia distingue as dimen- sões de automanutenção, relacionamentos e perceptiva. Todas as dimensões são importantes para o ajuste intercultural. Experiências organizacionais, por sua vez, trabalham a ideia de compe- tência naturalmente, considerando suas particularidades. Baladi (1999), por exemplo, ao descrever um novo gerenciamento de conhecimento e competên- cia na iniciativa da Ericsson Business Consulting, afirma que gerenciamento de conhecimento significa crescimento sistemático individual e da organização, na perseguição de negócios importantes. Nessa empresa, foi criada uma pla- taforma global, com práticas globais de gerenciamento de capital intelec tual, mudança de cultura, liderança, processos comuns, gestão de competência e gestão do conhecimento. Almada (2000) aborda o tema de novos requisitos em matéria de formação profissional da mão de obra, que surge como resultado da inovação tecnológica e das novas formas de organização do trabalho. Observa que a transformação pro- dutiva coloca a necessidade de que os países da América Latina construam uma nova cultura trabalhista e empresarial de competitividade, por meio da formação e do desenvolvimento de recursos humanos. Ao analisar o caso mexicano, afirma que governo e sociedade deram impulso à formação e à capacitação dos recursos humanos baseado no enfoque de competência. Considera que se constitui uma via eficaz para apoiar a formação e o desenvolvimento dos indivíduos e a produ- tividade e a competitividade das empresas. Afirma, ainda, que este enfoque base- ado na competência permite a definição de programas de capacitação flexíveis e modulares, e não somente com carreira em especialidades ou disciplinas. Isto é, permite a integração de competências de distintas naturezas. Kubr e Abell (1998) trabalham o conceito de competências identificando inicialmente o tipo de competência e o nível requerido para cada uma delas. Barra (s.r.) afirma que o conceito de competências tem um parênteses antro- 183Gestão de competências pológico que explica o homem como um ser incompleto, e que por isto mesmo deve transformar a natureza em meio de vida. Pujol (1999), por sua vez, define competência como a capacidade de uma pessoa para realizar uma atividade, aplicando de maneira integral e per- tinente os conhecimentos, destrezas e atitudes requeridas em uma determina- da gama de funções, em situações e contextos definidos. Esse mesmo autor faz uma diferenciação entre competências laborais e sociais, sendo a de primeiro tipo aquelas que mais se aproximam do espaço organizacional. Uma análise de algumas das várias correntes de estudos expressas aqui (americana, latino-americana, francesa, australiana) sobre a questão de compe- tências permite relacionar o conceito de competência aos aspectos apresentados no Quadro 10.3. O OLHar daS diFErEnTES aBOrdagEnS O amplo leque de conceitos que procuram definir as competências per- mite sua abordagem e tratamento por diferentes perspectivas. Conforme Velde (1996), existem concepções diferenciadas, por vezes contraditórias, sobre a noção de competências. Nesse contexto, nota-se um esforço generalizado no QUadrO 10.3 autores aspectos Boyatizis Junior (1982), parry (1996), Boog (1991), Becker (2001), spencer e spencer (1993), magalhães e rocha (1997), Hipólito (2000), Dutra e silva (1998), sandberg (1996) moscovici (1994), magalhães e rocha (1997), Dutra e silva (1998), Zarifian (2001) sparrow e Bognanno (1994), Durand (1998), cravino (1997), ruas (1999), moscovici (1994), Le Boterf (1997), perrenoud (1998), fleury e fleury (2000), Davis (2000), Zarifian (2001) Le Boterf (1997b) Boyatizis (1982), sparrow e Bognanno (1994), parry (1996), Becker, Huselid e ulrich (2001), spencer Junior e spencer (1993), cravino (1997), ruas (1999), fleury e fleury (2000), Hipólito (2000), Dutra e silva (1998), Davis (2000), Zarifian (2001) Hipólito (2000) Bruce (1996) sandberg (1996). Desenvolvimento de conceitos, habilidades e atitudes (formação) capacitação (aptidão) práticas de trabalho, capacidade de mobilizar recursos, fato que a diferencia do conceito de potencial (ação) Articulação de recursos (mobilização) Busca de melhores desempenhos (resultados) Questionamento constante (perspectiva dinâmica) processo de aprendizagem individual cuja responsabilidade maior deve ser atribuída ao próprio indivíduo (autodesenvolvimento) relacionamento com outras pessoas (interação) 184 parte iii – competências e liderança que se refere à formação de competências a partir de treinamento e educação, por vezes estimulados pelo governo (competence-based training), como é o caso das empresas inglesas e australianas. Contudo, essas iniciativas vêm provocando um debate sobre a sua efeti- vidade e mesmo importância no contexto competitivo e educacional, ou seja, a base desse esforço centraliza-se em um treinamento behaviorista que pri- vilegia a formação de atributos genéricos de competência reconhecidos por alguns como “[...] atomização do conhecimento e habilidades” (Velde, 1996) e que não fazem sentido para as pessoas. Pouca atenção tem sido conferida a abordagens mais abrangentes, que privilegiam a formação integral baseada no significado do trabalho ou em situações específicas vivenciadas pelas orga- nizações. Assim, o esforço tem sido conferido à predefinição de competência, que serve para confirmar o modelo de competência do pesquisador em vez das competências dos trabalhadores. A crítica que se faz a esse tipo de abordagem behaviorista centraliza-se no fato de que ela mais inibe do que contribui para o processo de formação e desen volvimento das pessoas e da organização. Há tendência à ênfase na rotina, nos aspectos visíveis e mais facilmente mensuráveis do trabalho, na repetição de práticas que foram bem-sucedidas no passado. Essas situações tendem a “engessar” os processos organizacionais e a inibir a criatividade das pessoas e das empresas. Destaca-se, neste sentido, a importância da articulação entre a estratégia da empresa e a formação e capacitação dos gestores, permitindo, dessa forma, não apenas um melhor desempenho, mas também a geração de novas perspec- tivas para ambos. Conforme LeBoterf (1997a, p. 22), [...] o que de fato irá diferenciar a competência de uma empresa ou de uma unidade (divisão, departamento, serviço) não é a competência de seus membros. O diferencial não depende tanto de seus elementos, mas da qualidade da combinação ou articulação entre seus elementos. Quinn (1996) refere-se, ainda, à combinação dessas competências (orga- nizacional e gerencial) como o meio de promover the knowledge-based service activities, que é “o coração de uma empresa inteligente”, ou seja, as atividades não podem simplesmente ser duplicadas pelos competidores. Por essa razão, a real vantagem competitiva sustentável deriva-se, normalmente, de um con- junto de habilidades, fatores ligados à experiência da empresa, capacidade de inovação, know-how, compreensão do mercado, dados e informações distribu- ídas e acessíveis. No que se refere à gestão de competências (voltadas às pessoas), a di- ferença entre competence e competency parece ser relevante (Quadro 10.4). Esse esclarecimento identifica não somente a diferença entre terminologia e conceitos, mas também aborda noções e concepções específicas que orientam as práticas e os processos de trabalho. A diferença básica refere-se à ênfase na pessoa (processo intrínseco) ou nocargo (processo extrínseco). 185Gestão de competências Observa-se que as competências são entendidas e/ou construídas a partir de atributos (aplicação das competências). Assim, existem diversas classifica- ções, sendo que as mais divulgadas e conhecidas são as abordagens de Katz (1974), Parry (1996), Durand (1998) e Zarifian (1996). No primeiro caso, as competências são compreendidas tomando-se como base a análise de compe- tências técnicas, humanas e conceituais. Para Parry (1996) e Durand (1998), a análise dos conhecimentos, habilidades e atitudes apresenta-se como foco. Para Zarifian (1996), as competências são compreendidas fundando-se em competências sobre processos, competências técnicas, competências sobre a organização, competências de serviço e competências sociais. Moscovici (1994) e Swieringa e Wierdsma (1992) sugerem “[...] mode- los orientadores simplificados”. Assim, acredita-se que a noção de competên- cia deva ser uma construção individual das empresas baseada em alguns con- ceitos genéricos simplificados. A complexidade na elaboração de construtos voltados à gestão de competências pode dificultar a compreensão do processo e desviar o foco da atenção, isto é, o construto é uma abstração utilizada para estimular e estruturar a gestão de competências (meio), e não, o produto des- sa análise (fim). Conforme Moscovici (1994), a competência pode ser analisada sob o prisma da competência técnica e da competência interpessoal, ambas funda- mentais para o desenvolvimento do ser humano. Entretanto, destaca-se que, em relação à primeira, os conhecimentos e as técnicas não asseguram um desempenho adequado e de qualidade. As características pessoais determi- nam o comportamento humano dando-lhe cunho altamente diferenciado do funcionamento da máquina, por exemplo. Quanto ao segundo, refere-se à ha- bilidade de lidar eficazmente com relações interpessoais, de lidar com outras pessoas de forma adequada às necessidades de cada uma e às exigências da situação. QUadrO 10.4 COMParaÇãO EnTrE CompEtEnCy E CompEtEnCE Competency Competence origem estados unidos inglaterra Noção conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes resultados, produtos Abordagem Soft Hard propósito identificar desempenhos superiores identificar padrões mínimos (processo educacional) (desempenho no trabalho) foco A pessoa (características pessoais) o cargo (expectativas ligadas à função) Ênfase características pessoais (input, learning e tarefas e resultados (output, workplace development of competency) performance) público-alvo Gerentes Nível operacional fonte: Bitencourt, 2001. 186 parte iii – competências e liderança Neste contexto, dois componentes da competência interpessoal assumem importância capital: a percepção e a habilidade propriamente dita. A primeira refere-se a uma visão acurada da situação interpessoal, enquanto a segunda engloba várias habilidades, entre as quais, flexibilidade perceptiva e compor- tamental que “[...] significa procurar ver vários ângulos ou aspectos da mesma situação e atuar de forma diferenciada, não rotineira, experimentando no- vas condutas percebidas como alternativas de ação” (Moscovici, 1994, p. 37). Desenvolve-se, concomitantemente, a capacidade criativa para soluções ou propostas menos convencionais, com resultados duplamente compensadores: da resolução dos problemas e da autorrealização pelo próprio ato de criação, altamente gratificante para as necessidades do ego (estima) na hierarquia de Maslow. A competência interpessoal é, portanto, resultante de percepção acura- da realista de situações interpessoais e de habilidades específicas comporta- mentais (Moscovici, 1994). Referindo-se à questão do desenvolvimento de competências, Swieringa e Wierdsma (1992) contribuem para essa reflexão destacando as três dimensões principais que consideram o saber, saber fazer e o saber agir: a) O saber – Refere-se ao conhecimento. Implica questionamentos e esforços voltados à informação que possa agregar valor ao trabalho. O conhecimen- to é o que se deve saber para desenvolver com qualidade aquilo que lhe é atribuído (conhecimento acerca das ferramentas de qualidade, de sistemas de custos, de segmentação de mercados, de atendimento aos clientes, de sistematização e organização das informações, etc) (Ruas, 1998). b) O saber fazer – Refere-se a habilidades. Centraliza-se no desenvolvimento de práticas e na consciência da ação tomada. As habilidades são o que se deve saber para obter um bom desempenho (habilidade para motivar, orientar e liderar uma equipe em torno de metas e objetivos; habilidade para negociar com clientes, com fornecedores e clientes internos; habilida- de para planejar, para avaliar desempenhos, etc.). c) O saber agir – Refere-se a atitudes. Busca um comportamento mais condi- zente com a realidade desejada. Neste momento realiza-se a união entre discurso e ação. Deve-se saber agir para se poder empregar adequadamen- te os conhecimentos e habilidades (iniciativa e empreendedorismo, confia- bilidade, espírito inovador, flexibilidade para considerar opiniões diferen- tes das suas, flexibilidade para reconhecer erros, disposição para aprender, persistência, etc.) (Ruas, 1998). Na realidade, as dimensões saber, saber fazer e saber agir estão inter-rela- cionadas e por vezes se confundem. Trata-se de uma análise múltipla de dimen- sões que se referem ao indivíduo, ao grupo e à organização, uma vez que estes conceitos podem ser amplamente analisados sob os diferentes prismas citados. Um aspecto fundamental para o desenvolvimento de competências re- fere-se à apropriação do conhecimento (saber) em ações no trabalho (saber agir). Destaca-se que é neste momento que o desenvolvimento de competên- cias agrega valor às atividades e à organização, isto é, o conhecimento, se não 187Gestão de competências for incorporado às atitudes e manifestar-se por meio de ações ou práticas no trabalho, não trará benefícios à organização nem estimulará o desenvolvi- mento das pessoas. Esta ideia básica de relacionar o conhecimento às práticas organizacionais refere-se ao aprender a aprender.10 O trabalho apresentado por Sandberg (1996, p. 20) critica o conceito tra- dicional de competências enquanto um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes, ou seja, como aquisição de atributos (abordagem racionalista): Através da análise de competências, eu estou cada vez mais convencido de que os aspectos essenciais da competência humana não podem ser re- duzidos a uma lista externa de atributos relacionados ao trabalho. Para o autor, o desenvolvimento de competências deve ser compreendido com base nas práticas organizacionais, focalizando sua análise no enriquecimen- to de experiências e vivências (abordagem interpretativa). “Mais especificamen- te, nós destacamos que o desenvolvimento de competências envolve a mudança na estrutura e no significado das práticas de trabalho” (Sandberg; Dall’Alba, 1996, p. 411). A questão, então, refere-se não apenas a o que constitui compe- tências (what), mas também a como as competências são desenvolvidas (how). Em suma, Sandberg (2000) propõe a “[...] compreensão do significado do tra- balho” como a primeira fase para a definição de competências. Para o autor, [...] o desenvolvimento desse conjunto de conhecimentos e habilidades envolve a mudança na compreensão do trabalho. Então, para a definição da visão de competência parte-se da compreensão ou da forma como os gestores enxergam competências (way of seeing).11 Pode-se pensar em tratar a questão em nível de “visão compartilhada de competências” como uma etapa posterior de análise e construção, o que sugere um trabalho mais unificado. Nesse contexto, as competências se desen- volvem por meio da interação entre as pessoas no ambiente de trabalho. LeBoterf (1997a), por sua vez, situa a competência valendo-se de três eixos principais que consideram a formação pessoal (biografia, socialização), a formação educacional e a experiência profissional.Ressalta, ainda, os as- pectos referentes à responsabilidade e à legitimidade na construção da noção de competências. A responsabilidade implica o domínio do metier e o engaja- mento responsável na atividade, enquanto a legitimidade associa-se ao reco- nhecimento por parte de superiores, pares e subordinados em relação a sua capacidade de agir e de responder às situações que surgem (Ruas, 2000). Ruas (2000) trata a questão de competências em termos de recursos de competên- cias, destacando a importância da articulação. As propostas de Sandberg (1996) e de Boterf (1997a) resgatam aspectos importantes que contribuem para a reflexão do tema, que são destacados na Figura 10.1. Conforme a Figura 10.1, os aspectos voltados à interação entre as pes- soas, ao significado da competência e à experiência são o foco da abordagem apresentada por Sandberg (1996). Paralelamente, a ênfase atribuída por Le Boterf (1997) centraliza-se na questão da articulação, da legitimação e da for- mação. Assim sendo, as abordagens se complementam da seguinte forma: 188 parte iii – competências e liderança A interação entre as pessoas propicia uma melhor articulação referente às diretri- zes e aos níveis organizacionais. A identifi cação do signifi cado da competência permite a sua legitimação. A experiência relaciona-se diretamente à formação, no sentido de capacitação, o que implica visão pessoal, educacional e profi ssional. Portanto, a competência pode ser explicada com base em sua concepção, em redes de trabalho e em recursos de competência. CrÍTiCaS E rEFLExõES aCErCa da gESTãO dE COMPETênCiaS Alguns pontos observados pelos autores, seja por reflexões conceituais, seja pela aplicabilidade de modelos de competências nas empresas, evidenciam a necessidade de se observar com muito cuidado as práticas existentes. FigUra 10.1 análise de competências. fonte: elaborado a partir de sandberg (1996) e Boterf (1997a). 189Gestão de competências Uma primeira constatação é a dificuldade em articular de maneira con- sensual competências e escopo remuneratório. Some-se a isso a possibilidade de direcionamento dos modelos desenvolvidos aos quadros gerenciais e supe- riores das empresas. Este aspecto traz à tona reflexões acerca da lógica das competências: ora, se ela se volta ao indivíduo reconhecendo sua efetiva contribuição aos resultados organizacionais, como isto não se traduz em salários e/ou benefí- cios pecuniários? Por outro lado, se existe a contrapartida monetária, esta não poderia desviar o foco do desenvolvimento de competências para a questão da remuneração? (“visão mercenária”) Alguns aspectos considerados relevantes para a reflexão crítica e o de- bate do tema das competências gerenciais podem ser listados para balizar o que foi dito anteriormente. As principais críticas são apontadas por Beardwell e Holden (1994), Fletcher (1997), Jubb e Robotham (1997), Wood e Payne (1998), Kohn (1993), conforme a síntese a seguir: a) A maneira como as competências são definidas – o conceito de competência possui diferentes significados e contradições. Prevalece a ênfase na construção de atributos (visão estática) e falta a visão processual (perspectiva dinâmica). b) A tendência a “viver no passado” – o mapeamento de competências é ba- seado na necessidade do momento, não existindo uma preocupação com a construção de competências necessárias no futuro. c) A qualidade dos atributos de competências – os desenhos de competência são geralmente superficiais e pobres. Representam muitos atributos (quan- tidade) e não questionam a sua qualidade. d) A identificação da efetividade gerencial e a falta de atenção para as “quali- dades soft”– a finalidade dos construtos de competência volta-se para defi- nir atributos de comportamentos gerenciais que sejam efetivos. Mas o que é um padrão gerencial efetivo? Tendo em vista a dificuldade de aferir as- pectos ligados a atitudes, muitos modelos simplificam a questão ignorando essa dificuldade e privilegiando atributos que sejam menos significativos mas fáceis de mensurar. e) A natureza genérica das competências – o predomínio de listas de compe- tências genéricas ilustra essa questão. Essas listas são desprovidas de um contexto (context independent) e/ou não refletem a necessidade da diversi- dade no próprio contexto organizacional. f) Burocracia e custo – existe a predominância de formalismo voltado à con- firmação de competências, e não, ao seu desenvolvimento. g) Falta de orientação futura – retrata a falta de questionamento sobre a im- portância e a articulação de competências com a visão estratégica de RH, ou seja, a falta de uma visão integrada em que as competências relacionam-se aos processos de novos padrões de seleção, treinamento e desenvolvimen- to, planejamento e sucessão de carreira, recompensa e reconhecimento, acompanhamento e avaliação. h) O “sentir-se competente” – as pessoas buscam o sucesso, ou seja, precisam sentir-se competentes. A crítica refere-se à falta de espaço para a aprendi- zagem a partir do erro ou experiências de insucesso. 190 parte iii – competências e liderança i) A questão de fazer a diferença – refere-se à falta de sentido ou significado atribuído ao link entre competências e trabalho. Quando se percebe o sig- nificado do trabalho (meaningfully), desperta-se o sentimento intrínseco de motivação que faz com que as pessoas pensem no seu trabalho como algo único e que faz a diferença. j) “Cenário skinneriano” – representado pela equação estímulo/resposta, ou melhor, “faça isso e tenha aquilo”. Essa situação retrata a visão limitada de competências enquanto um processo manipulador e pouco construtivo, desprovido de características que promovam o desenvolvimento ge rencial. k) A questão do feedback – existe a tendência a se avaliar padrões pessoais, e não, as atividades propriamente ditas. “Não elogie as pessoas somente pelo que elas fazem. Faça elogios o mais específicos possíveis”, aconselha Kohn (1993, p. 108). Observa-se uma tendência em oferecer feedback positivo e poucas críticas construtivas. No intuito de minimizar ou evitar essas dificuldades, torna-se necessário uma revisão sobre o que é realmente importante para as pessoas e para as organizações no intuito de se (re)estabelecer um processo mais reflexivo e crí- tico em que se busca respostas para algumas questões cruciais (ver Questões para Reflexão). Considerando-se essas questões, destaca-se a importância de se estabele- cer um link entre estratégias, processos e desenvolvimento de pessoas quando se pensa em gestão de competências. Bitencourt (2000, p. 230), nesse sentido, destaca que a gestão de competências refere-se ao processo contínuo e articulado de formação e desenvolvimento de conheci- mentos, habilidades e atitudes onde o indivíduo é responsável pela constru- ção e consolidação de suas competências (autodesenvolvimento) a partir da interação com outras pessoas no ambiente de trabalho, familiar e/ou em outros grupos sociais (escopo ampliado), tendo em vista o aprimoramento de sua capacitação, podendo, dessa forma, adicionar valor às atividades da organização, da sociedade e a si próprio (autorrea lização). Assim, é possível acreditar que o gerenciamento de competências pode ser feito de uma forma mais autêntica e consciente, privilegiando-se uma vi- são mais dinâmica e estratégica voltada à qualidade de recursos e aos atribu- QUESTõES Para rEFLExãO 1 o que é competência? 2 Quais são os resultados esperados com o desenvolvimento de competências? 3 como esses resultados podem ser aferidos? 4 Quais são as práticas formais e informais que podem estimular o desenvolvimento de competências? essas práticas são restritas a treinamento e desenvolvimento? 5 como se articula a visão estratégica da organização (core competence) com a aplica- ção das competências gerenciais? Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra.Dica do professor A gestão estratégica de competências não é algo novo, mas ultimamente vem ganhando força nos debates sobre administração. Neste vídeo, daremos dicas sobre o conceito de competência e como fazer uma eficaz gestão das competências organizacionais. Além disso, trataremos dos novos desafios na área. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/47173e00cf3607b5efd4185d0172cfe5 Na prática A gestão estratégica por competências vem ganhando terreno nas organizações. Muitas, ainda que empiricamente, vem investindo nessa área do conhecimento para contar com profissionais cada vez mais qualificados e aptos para enfrentar os desafios da competitividade. Veja alguns exemplos que coadunam com essa ideia e nos fazem ter certeza que essa ferramenta chegou para ficar. Treinamentos e concessões por parte da empresa, de estímulos para o estudo e formação profissional. Valorização das pessoas, oportunidades de crescimento profissional. Gestão estratégica Apresentação Em um mercado complexo e em constante evolução, as organizações precisam que todos os setores estejam envolvidos na formulação e implementação de estratégias, para, assim, garantirem sua sobrevivência. A gestão estratégica surge para auxiliar nesse processo através da definição de objetivos, do estudo do ambiente competitivo e da própria empresa, da avaliação de estratégias, da implantação e do acompanhamento. Em busca de um maior monitoramento e controle, a empresa poderá, também, aliar a gestão estratégica à governança corporativa, a fim de obter melhores resultados. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar a gestão estratégica, analisando suas principais características. Ainda, você verá os benefícios proporcionados pela relação entre a gestão estratégica e a governança corporativa. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir gestão estratégica.• Identificar as principais características da gestão estratégica.• Relacionar gestão estratégica e governança corporativa.• Infográfico Você sabia que a gestão estratégica tem como objetivo garantir o crescimento, a continuidade e a sobrevivência da empresa, podendo ser ainda mais eficaz quando combinada com a governança corporativa? A governança corporativa contribui para que os investidores tenham acesso às informações e ao conhecimento da organização por meio de seus relatórios, rotinas e práticas, para que tomem suas decisões e invistam conscientemente nas empresas. No Infográfico a seguir, você vai conhecer os princípios básicos da governança corporativa que contribuem para uma gestão estratégica eficaz. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/6403a6d0-5918-411f-808b-2b7aed057d57/c787cff9-c932-4db9-90d0-4fef6f93bc6f.png Conteúdo do livro Você sabia que a gestão estratégica auxilia as organizações na busca pelo sucesso? Orientar a empresa por meio de uma gestão estratégica é uma das melhores ações táticas para conduzi-la a bons resultados. Diante das inúmeras opções que os consumidores têm diariamente, é necessário desenvolver um posicionamento estratégico para a criação de valor ao invés de centralizar-se somente em minimizar custos finais para os clientes. No capítulo Gestão estratégica, da obra Planejamento estratégico, você vai estudar a gestão estratégica, analisando suas características e relacionando-a à governança corporativa. Boa leitura. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Arianne Guazzelli Gestão estratégica Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir gestão estratégica. Identificar as principais características da gestão estratégica. Relacionar gestão estratégica e governança corporativa. Introdução O mercado está cada vez mais competitivo e dinâmico. Assim, a gestão estratégica é uma premissa para que as empresas consigam lidar com as adversidades do ambiente, uma vez que visa administrar os recursos no intuito de atingir os objetivos previamente definidos pela organização, traçando planos estratégicos que passam toda a estrutura organizacional. Outra maneira de sobreviver às adversidades do mercado e, além disso, al- cançar o sucesso é aliar a gestão estratégica à governança corporativa por meio de um sistema de controle que promova relacionamentos e com- promisso entre todos os interessados, incluindo líderes e colaboradores. Neste capítulo, estudaremos o conceito de gestão estratégica, apon- taremos as suas características fundamentais e, por fim, consideraremos a sua relação com a governança corporativa. Evolução histórica da gestão estratégica A gestão estratégica surgiu como disciplina infl uenciada pela economia e pela sociologia, sendo considerada uma evolução da Teoria das Organizações, de Max Weber (1864–1920). Conquistou notoriedade nos âmbitos empresarial e acadêmico a partir da década de 1950, embora o seu progresso tenha ocorrido somente nos anos seguintes, entre 1960 e 1970. O propósito central dessa ação tática que auxilia as organizações na busca pelo sucesso é integrar ambiente, empresa e estratégia de maneira sinérgica, ou seja, de forma que conversem entre si (BHALLA et al., 2009). A gestão estratégica é um modelo sistemático para a administração de mudanças e inclui: posicionamento da empresa por intermédio de planejamento e estratégias organizacionais; resposta estratégica rápida para administrar problemas; gestão sistemática da resistência durante a implementação da estratégia. Stead e Stead (2008) afirma que a gestão estratégica nasceu com a definição de políticas empresariais. Nesse contexto, a empresa era percebida como um sistema que empregava recursos econômicos com eficiência e governava as ações funcionais com o propósito de gerar lucro. Por outro lado, Porth (2011) defende que a gestão estratégica surgiu como um fragmento presente no pla- nejamento estratégico, atualmente conhecido como uma das suas principais ferramentas. Segundo o autor, o planejamento foi assimilado pela gestão, que unificou os dois procedimentos no mesmo processo. Na gestão estratégica, é necessário relacionar diversos aspectos em um planejamento estratégico adequado para não apenas minimizar os custos finais, mas também para criar valores e cumprir com os objetivos da organização. Por meio dela, desenvolve-se um posi- cionamento para a criação de valores em vez de focar-se somente em minimizar os custos finais para os clientes. Para que isso ocorra, uma série de aspectos devem ser analisados e relacionados com vistas a atingir os objetivos previamente definidos pela organização. Ainda, a gestão estratégica pode ser definida como um procedimento cruzado de elaboração, implementação e avaliação das deliberações quali- ficadoras das empresas cujo objetivo é determinar a missão da organização, atingi-la e, também, criar valor para os produtos ou serviços oferecidos aos clientes. Esse processo enfatiza diversas indagações indispensáveis sobre o caráter da empresa: Qual é o negócio da empresa? Em que a empresa deseja transformar-se? Qual é o público-alvo da empresa? O que cria valor para os seus clientes atuais e em potencial? Gestão estratégica2 Fundamentado nas respostas a essas questões, o processo de gestão estratégica auxilia a determinar a direção futura da organização com o intuito de gerar valor para os clientes e, por conseguinte, para a empresa como um todo (PORTH, 2011). Segundo Grant (2002), a gestão estratégica abrange um profundo relacionamento entre o intuito da empresa, os resul- tados que ela alcança e as demais variáveis relativas aos seus ambientes interno e externo. Assim, para realizar um bom desenvolvimento da gestão, é necessário identificaras relações entre sistema de gestão, estratégia ele- gida, estruturas do momento, capacidades e recursos disponíveis. Ademais, a gestão estratégica também poder ser entendida a partir do seu foco em assuntos que envolvem sustentabilidade nas vantagens competitivas ou a procura por essa espécie de vantagem (BOWMAN; SINGH; THOMAS, 2006). A gestão estratégica também pode ser conceituada como um processo contínuo que abrange os esforços dos líderes para harmonizar a totalidade da empresa em relação aos seus ambientes interno e externo a fim de criar vantagens competitivas. Tais vantagens oferecem à organização a oportu- nidade de usufruir das oportunidades que se apresentam e minimizar as ameaças já presentes no ambiente. Todavia, para a criação dessas vantagens competitivas, a gestão deve iniciar-se com base nas perspectivas sobre o que a organização é e o que ela pretende tornar-se, pois somente com o conhecimento das suas competências distintivas é que as estratégias, em todos os níveis, podem ser constituídas com vistas a cumprir com os objetivos corporativos em harmonia com o ambiente externo. Assim, a gestão estratégica exige a determinação da missão e dos propósitos da empresa nos âmbitos tanto do ambiente interno quanto do externo (STEAD; STEAD, 2008). Formada por análises, definições, atividades empreendidas para con- ceber e sustentar vantagens competitivas, Dess, Lumpkin e Eisner (2007) explicam que a gestão estratégica deve tornar-se um processo e a orien- tação para todas as atividades executadas pela empresa. De acordo com o entendimento desses autores, há dois princípios que residem no cerne dessa espécie de gestão: A execução contínua de três processos — análise, decisão e ação. A natureza de investigar por que algumas empresas possuem um me- lhor desempenho do que as demais, o que reporta às já comentadas vantagens competitivas. 3Gestão estratégica Além disso, os teóricos também indicam quatro atributos fundamentais para a gestão estratégica: desenvolver-se com vistas a atingir as metas globais da empresa; englobar diversos stakeholders no processo de tomada de decisão; incorporar concepções de longo e curto prazos; abranger o reconhecimento de trade-offs entre eficiência e efetividade. A gestão estratégica desenvolve as percepções de estratégia empresarial presentes no dia a dia das organizações, uma vez que incorpora as análises dos ambientes interno e externo para aumentar a utilização de recursos com o intuito de alcançar os objetivos definidos. Dessa maneira, a gestão estra- tégica proporciona um modelo de desenvolvimento de habilidades para que as empresas se precipitem às mudanças em vez se serem surpreendidas por imprevistos. Além disso, auxilia a desenvolver capacidades específicas para tratar incertezas futuras por meio da determinação de atividades para efetivar as metas da empresa (BRACKER, 1980). Fundamentados no que aprendemos até aqui, percebemos que há muitas definições possíveis para o conceito de gestão estratégica, visto que o planeja- mento estratégico é um campo de estudos em expansão, de modo que existem divergências e níveis relativamente baixos de produção acadêmica ainda hoje (BOYD; FINKELSTEIN; GOVE, 2005). Nos dias atuais, a gestão estratégica é uma das áreas mais ágeis no que tange a desenvolvimento teórico e prático, tendo em vista a criação de vários modelos de análise de mercado a partir da década de 1960, como o modelo SWOT (do inglês strengths, weaknesses, opportunities e threats), a matriz BCG, a curva de experiência e a análise de portfólio, além de relevantes conceitos, como os de análise de conduta, desem- penho, estrutura econômica, competências essenciais, distintivas e sistemas de planejamento estratégico (MINTZBERG; AHLSTRAND; LAMPEL, 2010). Dess, Lumpkin e Eisner (2007) corroboram ao afirmar que essa área é uma das mais relevantes atualmente, pois é capaz de criar um conjunto de atividades gerenciais que garantam aos líderes da organização conservá-la integrada ao seu meio e no caminho mais adequado para o seu progressivo desenvolvimento, proporcionando que os objetivos e a missão empresariais sejam alcançados. Gestão estratégica4 É importante recordarmos que gestão estratégica e planejamento estratégico não são sinônimos, isto é, não compartilham o mesmo conceito, já que são distintos um do outro. Entretanto, a gestão deve estar em total harmonia com o planejamento, pois é preciso pensar nele, que é o pilar de sustentação de toda e qualquer organização, antes de implantar-se o processo de gestão estratégica. Principais características da gestão estratégica De acordo com Hunger e Wheelen (2002), a gestão estratégica apresenta três elementos indispensáveis ao seu desenvolvimento: análise sistemática do ambiente, formulação e implementação da estratégia. Os líderes da empresa devem realizar um estudo sistemático do ambiente externo, examinando a existência de forças e fraquezas, com o objetivo de mapear oportunidades e ameaças que possam recair sobre o ambiente interno. Esses elementos, que correspondem às mencionadas forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, são analisados com o auxílio da matriz SWOT, sendo reconhecidos como fatores estratégicos, indispensáveis para o futuro da empresa. A gestão estratégica organiza os atributos que os vários setores têm a dar para a organização, de modo a guiar a integração dos esforços exprimidos pelos diversos especialistas distribuídos pela empresa. Essa gestão impossibilita o individualismo de cada setor, pois entende que os objetivos são de todos para todos. Contudo, ainda podemos constatar tal individualismo em certos setores quando simplesmente ignoram as necessidades e os interesses do coletivo, que inclui clientes, acionistas, fornecedores, entre outros, pois se preocupam apenas com o conjunto de interessados que lideram, denominados stakeholders. Além de integrar esforços para criar vantagens competitivas, a gestão estratégica possibilita uma visão temporal mais propícia à sobrevivência corporativa, tanto a curto quanto a longo prazo (MILLER; DESS, 2011). Em síntese, essa forma de gestão caracteriza-se por analisar o que foi pla- nejado pela organização e o que de fato é implementado para, assim, assegurar que os propósitos definidos sejam conquistados da maneira mais coerente possível. Para isso, é necessário que a organização realize a análise, a formu- lação e a implementação da estratégia. Posto isso, nos próximos parágrafos comentaremos com maiores detalhes cada uma dessas três etapas e os diversos níveis que integram o processo de formulação da estratégia. 5Gestão estratégica Análise estratégica Indispensável à criação de uma estratégia que esteja em concordância com todo o processo, a análise estratégica ocorre em três partes: objetivos estratégicos; ameaças e oportunidades; fraquezas e forças. Nesse contexto, o desenvolvimento da missão, da visão e dos valores guia os esforços dos líderes e colaboradores em uma mesma direção. Os objetivos estratégicos, por sua vez, possuem dois focos distintos nas empresas: o alvo a atingir e o elemento concentrador que permite que a empresa chegue a esse alvo. Lembremos que as finalidades sempre devem ser consideradas de acordo com as circunstâncias enfrentadas pela empresa no momento. O estudo das forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, que se concentra na matriz SWOT, é composto pela relação das forças e fraquezas internas em função das oportunidades e ameaças do ambiente externo. Dessa reflexão, resulta o sucesso da gestão estratégica. Por exemplo, novos clientes são recursos externos que podem colaborar com o crescimento da organização, motivo pelo qual são interpretados como oportunidades. Entretanto, esse mesmo ambiente que oferece oportunidades para a empresa pode apresentar ameaças, como no caso de concorrência. Assim, para desenvolver estratégias atrativas, os líderes precisam conhecer os limitese as capacidades da organização. Ademais, é durante a análise estratégica que nascem forças, como mão de obra extremamente qualificada, mas também fraquezas, como sistemas de informação ultrapassados (MILLER; DESS, 2011). Formulação da estratégia Uma análise estratégica apropriada serve como base para a formulação da estratégia, que acontece em quatro níveis: de negócios, funcional, empresarial e internacional. Esses níveis partem do pressuposto de que as organizações se compõem de negócios e os negócios, de funções. Na hipótese de uma empresa que possui negócios em dois países ou mais, desenvolve-se o nível internacional (MILLER; DESS, 2011). Gestão estratégica6 Nível de negócios É considerado o nível mais relevante, pois é o momento em que a organização intenta elevar a sua presença no mercado e ultrapassar as concorrentes. Uma organização com diversos itens no mercado deve estudar em qual setor de negócios cada um dos seus bens ou serviços se situará. Assim, se a estratégia abranger mais do que um dos itens ou mercados, esses bens ou serviços po- dem estar presentes nas mesmas unidades estratégicas de negócios (strategic business unit [SBU]). Caso ela não ampare, as ações sobre esses itens devem ser distribuídas em diferentes unidades estratégicas de negócios. O caso dos negócios individuais é um dos exemplos mais simples, pois esse tipo de negócio concentra a gestão estratégica em um só ponto (MILLER; DESS, 2011). Nível funcional As vantagens competitivas que tornam a ascensão do negócio ou da área de negócios provável dependem da imagem e do valor que a empresa entrega ao seu público-alvo. Esse valor precisará ser expandido em funções conhecidas como primárias. Já as secundárias, como a administração de sistemas de informação e recursos humanos, também geram valor aos consumidores, contudo de maneira indireta se comparadas às funções primárias (MILLER; DESS, 2011). Nível empresarial Uma organização cresce por meio da inserção de áreas de negócios, ou seja, em função da multiplicidade de negócios. Dessa forma, as estratégias mais atraentes com vistas a diversifi car os setores de atuação são aquelas nas quais a organização focaliza os seus conhecimentos nas áreas problemáticas ou restritas. Trata-se de setores onde o conhecimento está presente apenas em um pequeno grupo e geralmente não é transmitido, o que origina a denominação competências fechadas. Em uma organização cujas forças são competências fechadas, pode haver uma excelente oportunidade de diversifi cação de negócios. As estratégias presentes no nível empresarial, com apoio na diversificação, são desenvolvidas de forma mais adequada quando contam com a análise dos requisitos para sucesso a nível dos negócios, que se encontra na criação de valor para o consumidor no nível funcional. Assim, a formulação da estratégia deve conjugar-se de maneira restrita com os três níveis descritos para, desse modo, aumentar a própria eficácia (MILLER; DESS, 2011). 7Gestão estratégica Nível internacional No desenvolvimento da estratégia, as empresas mais complexas não apresentam desafi os apenas nos níveis de negócios, funcional e empresarial. Para atuar em outros países, cujas características socioculturais e político-econômicas são diferentes das do seu país de origem, as multinacionais encaram desafi os que ultrapassam o nível nacional. Nesse contexto, para alcançar certa fl exibilidade nos mercados locais, algumas organizações concedem autonomia completa às suas unidades de negócio espalhadas pelo mundo, estratégia conhecida como multinacional, segundo a qual cada unidade é a única incumbida pelo mercado que integra. Por outro lado, há a estratégia global, que objetiva aproveitar ao máximo as forças da organização por meio da centralização das operações. Ademais, existem também as estratégias híbridas, criadas com o intuito de aproveitar o melhor de ambas as estratégias, sejam elas globais ou multinacionais (MILLER; DESS, 2011). Implementação da estratégia A implementação da estratégia remete ao modo de converter as estratégias pretendidas em estratégias realizadas e é composta por integração, estrutura organizacional, controle e liderança. Para a concepção integral de uma estratégia, são indispensáveis diversas formas de integração, sendo que uma delas é a união dos elementos presentes no âmbito interno da empresa, ação indispensável à implementação da estratégia pretendida. Outra expressão de integração consiste em unir funções a negócios, negócios a organizações e operações internacionais a multinacionais. Entretanto, o mais difícil é unir as metas de curto prazo às de longo prazo, presentes na missão e na visão da empresa. Para a implementação de uma estratégia na organização, alguns pontos são fundamentais, tais como a delegação de responsabilidades e a presença de canais de comunicação, pois apoiam os líderes no desenvolvimento da estrutura organizativa. É necessário controlar esse processo por causa de dois motivos basilares: para conservar os esforços focados nas mesmas metas e para proceder com as modificações sempre que necessário, isto é, quando surgirem imprevistos. Os instrumentos utilizados pelos líderes para efetivar esse controle e estimular ou reprimir determinadas atitudes dos funcionários podem ser prêmios ou compensações, regras explícitas ou a própria cultura da empresa. Nesse contexto, os gestores são os arquitetos da estrutura organizativa e os engenheiros dos sistemas de controle da empresa são, em síntese, a principal força de implementação da estratégia. Gestão estratégica8 A cultura da organização é utilizada para transportar as visões e ajustar as ideias, de maneira a motivar os comportamentos e os pensamentos dentro da empresa. Assim, a ética é um elemento indispensável e cuja responsabili- dade recai sobre os líderes, já que é um dos elementos mais importantes da cultura da organização, sendo imprescindível à sua sobrevivência no mercado (MILLER; DESS, 2011). A gestão estratégica é bastante eficiente na conscientização dos colaboradores da organização no que tange às suas responsabilidades enquanto funcionários e pode interferir de modo positivo na elevação da produtividade e da competitividade do negócio. Além disso, a gestão é capaz de auxiliar os líderes na destinação correta de recursos, no aumento da rentabilidade e na minimização de desperdícios. Portanto, é na gestão estratégica que a empresa deve basear-se para melhorar de forma contínua o seu negócio e, assim, garantir sobrevivência no mercado, tanto a curto quanto a longo prazo. Gestão estratégica e governança corporativa Como já mencionamos, a gestão estratégica organiza as características presen- tes em inúmeras áreas da empresa a fi m de aproveitá-las para gerar vantagem competitiva, de modo a confi gurar-se como a base para a integração dos esforços desenvolvidos pelos diversos especialistas presentes na empresa. Mas, afi nal, o que é a governança corporativa? A governança corporativa é definida como o sistema pelo qual as empresas são dirigidas, monitoradas e incentivadas, abrangendo os relacionamentos entre donos, conselho de administração, diretoria e órgão de controle. Essas condutas fazem com que as informações perpassem a organização e transfor- mem as suas concepções, bem como as recomendações práticas e objetivas de acordo com os interesses de preservação e otimização do valor da empresa, o que colabora com a sua sustentabilidade e longevidade (INSTITUTO BRA- SILEIRO DE GOVERNANÇA CORPORATIVA, 2015). Silva (2006) afirma que a governança cuida dos interesses dos acionistas em conexão com os relacionamentos com a direção executiva e os conselhos de administração, mas também pode influenciar outras partes interessadas, seja elas externas, tais como fornecedores, clientes, governo, sociedade, ou internas, como no 9Gestão estratégica caso de colaboradores e terceirizados. Lameira (2007), por seu turno, tece a ressalvade que a governança corporativa gera uma maior dificuldade decisória, pois a pessoa ou o grupo enfrenta dificuldades na escolha de uma alternativa de ação ao defrontar-se com um motivo. Conforme o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (2015), a governança corporativa se forma com base nos seguintes atributos: Transparência — visa expor às partes interessadas as informações que sejam do seu proveito, não somente por determinação legal. Equidade — o apoio é constituído pelo tratamento pautado em princí- pios de justiça e isonomia por parte de todos os stakeholders, sejam eles sócios, diretores ou outros. Logo, é preciso atentar aos seus direitos, deveres, desejos e expectativas. Prestação de contas — aqueles que ocupam o lugar da governança cor- porativa (sócios, diretores, conselho de administração, etc.) necessitam efetivar a prestação de contas de forma clara, precisa, compreensível e apropriada. A importância dessa prática reside no fato de que, assim, a governança pode responder pelas suas ações ou omissões frente aos interessados, além de ser solicitada a agir com precaução, diligência, cautela e responsabilidade. Responsabilidade corporativa — os encarregados pela governança de- vem cuidar da efetividade, da exequibilidade e dos aspectos econômico- -financeiros da empresa com foco em reduzir externalidades negativas dos negócios e operações, além de aumentar as impressões positivas, atentando ao modelo de negócios, aos diversos capitais (financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, ambiental, reputacional, etc.) a curto, médio e longo prazo. Assim, a governança corporativa atua como ferramenta da gestão es- tratégica, tendo em vista que entre os seus principais atributos estão a transparência, a responsabilidade corporativa, a prestação de contas e a equidade, além de possuir a excelência como uma das suas diretrizes. A transparência possibilita que os acionistas conquistem mais confiabilidade nos relatórios exibidos pelos líderes no mercado. A prestação de contas, por sua vez, minimiza a propensão do uso incorreto de recursos e esti- mula a boa administração deles. Já a equidade assegura que os acionistas Gestão estratégica10 possuam direitos iguais. Por fim, a responsabilidade corporativa visa impedir a administração incorreta, posto que responsabiliza os líderes que procedem de má fé pelos seus atos administrativos. Fundamentada nesses atributos, a governança propõe-se a apresentar informações com qualidade e confiabilidade superiores. As organizações podem equiparar a governança corporativa à gestão es- tratégica e averiguar os resultados positivos no tangente à administração de recursos e na conquista de investidores. Por meio dessa forma de governança, é possível negociar com investidores, pois a organização compromete-se a prestar contas e a ser transparente, o que torna o negócio atrativo aos investidores. Contudo, a organização que introduz a governança corporativa assume os custos da sua implantação, embora possa procurar investidores que aceitem uma taxa de retorno de investimento mais baixo. Afinal, a empresa enfatiza as suas boas condutas e defende os acionistas publicamente. Com isso, obtém um rendimento maior, dada a economia no custo de captação de recursos e no endividamento menor, uma vez que o valor empreendido para procurar investidores no mercado é mais baixo do que a busca por financiamentos ou empréstimos em instituições financeiras. A gestão empresarial corresponde ao processo geral de tomada de decisões em uma organização, ao passo que a governança corporativa é o conjunto de regras e práticas que garantem que a organização cumpre, de fato, com os seus deveres frente aos stakeholders. Na negociação competitiva, tanto a empresa quanto o investidor pos- suem interesses: a organização no sentido de ter um acionista com custo menor e o investidor ao realizar um investimento de menor risco. Assim, o modelo de gestão que emprega a governança corporativa protege o direito dos acionistas, de forma que as organizações a utilizam como uma das suas estratégias para captar e manter investidores por um custo mais baixo (ROMANA, 2014). 11Gestão estratégica Uma organização que emprega a governança corporativa dispõe de mais credibilidade perante investidores. Para iniciar essa forma de governança, alguns dispositivos possíveis são a criação de diretorias temáticas (finanças, comercial, fiscal, etc.), a instauração de um conselho administrativo ou consultivo, entregas de relatórios periódicos, ferramentas de gestão, auditorias independentes, entre outros. Para saber mais sobre essas práticas, sugerimos a leitura de “3 práticas de governança corporativa essenciais às empresas”, da revista Exame, disponível no link a seguir. https://goo.gl/z7UjYW BHALLA, A. et al. Exploring alternative strategic management paradigms in high-growth ethnic and non-ethnic family firms. Small Business Economics, v. 32, n. 1, p. 77-79, 2009. Disponível em: <https://link.springer.com/article/10.1007/s11187-007-9064-z>. Acesso em: 16 out. 2018. BOWMAN, E. H.; SINGH, H.; THOMAS, H. The domain of strategic management: history and evolution. In: PETTIGREW, A.; THOMAS, H.; WHITTINGTON, R. (Org.). Handbook of strategy and management. Londres: Sage, 2006. BOYD, B. K.; FINKELSTEIN, S.; GOVE, S. How advanced is the strategy paradigm? The role of particularism and universalism in shaping research outcomes. Strategic Mana- gement Journal, v. 26, n. 9, 2005. Disponível em: <https://onlinelibrary.wiley.com/doi/ full/10.1002/smj.477>. Acesso em: 16 out. 2018. BRACKER, J. The historical development of the strategic management concept. The Academy of Management Review, v.5, n. 2, p. 219.224, 1980. Disponível em: <https://www. jstor.org/stable/257431?seq=1#page_scan_tab_contents>. Acesso em: 16 out. 2018. DESS, G. G.; LUMPKIN, G. T.; EISNER, A. B. Strategic management. 3. ed. New York: McGraw- -Hill, 2007. GRANT, R. M. Corporate strategy: managing scope and strategy content. In: PETTI- GREW, A.; THOMAS, H.; WHITTINGTON, R. (Org.). Handbook of strategy and management. Londres: Sage, 2002. HUNGER, J. D.; WHEELEN, T. L. Gestão estratégica: princípios e prática. 1. ed. Rio de Janeiro: Reichmann & Editores, 2002. Gestão estratégica12 INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA CORPORATIVA. Código das melhores práticas de governança corporativa. São Paulo, 2015. Disponível em: <http://www.ibgc.org.br/ userfiles/files/Publicacoes/Publicacao-IBGCCodigo-CodigodasMelhoresPraticasdeGC- -5aEdicao.pdf>. Acesso em: 16 out. 2018. LAMEIRA, V. J. Governança corporativa. Rio de Janeiro: Florense Universitária, 2007. MILLER, D.; DESS, G. Strategic management. New York: McGraw Hill, 2011. MINTZBERG, H.; AHLSTRAND, B.; LAMPEL, J. Safari da estratégia. Porto Alegre: Bookman, 2010. PORTH, S. J. Strategic management: a cross-functional approach. New Jersey: Prentice Hall, 2011. ROMANA, T. Gestão estratégica e Governança corporativa. Lopes Machado, Rio de Janeiro, 25 out. 2014. Disponível em: <http://lopesmachado.com/gestao-estrategica- -e-governanca-corporativa/>. Acesso em: 16 out. 2018. SILVA, A. L. C. Governança corporativa e sucesso empresarial: melhores práticas para aumentar o valor da firma. São Paulo: Saraiva, 2006. STEAD, J. G.; STEAD, W. E. Sustainable strategic management: an evolutionary perspective. International Journal of Sustainable Strategic Management, v. 1, n. 1, 2008. Disponível em: <https://www.inderscienceonline.com/doi/pdf/10.1504/IJSSM.2008.018127>. Acesso em: 16 out. 2018. Leituras recomendadas 3 PRÁTICAS de governança corporativa essenciais às empresas. Exame, 22 mai. 2015. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/pme/3-praticas-de-governanca-corporativa- -essenciais-as-empresas/>. Acesso em: 16 out. 2018. A DIFERENÇA entre governança corporativa e gestão empresarial. Sispro, 5 out. 2014. Disponível em: <http://www.sispro.com.br/blog/gestao-empresarial/a-diferenca-entre- -governanca-corporativa-e-gestao-empresarial/>.Acesso em: 16 out. 2018. MINTZBERG, H. O processo da estratégia. Porto Alegre: Bookman, 2006. THOMPSON JUNIOR, A. A.; STRICKLAND, A. J. Planejamento estratégico: elaboração, implementação e execução. São Paulo: Pioneira, 2000. WRIGHT, P.; KROLL, M. J.; PARNELL, J. A administração estratégica: conceitos. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2000. 13Gestão estratégica Conteúdo: Dica do professor Sabendo que a empresa poderá se basear na gestão estratégica para promover a melhoria contínua do negócio e garantir a sua sobrevivência no mercado a curto e a longo prazo, esta Dica do Professor mostrará a você algumas orientações para implantá-la. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/55f638673a14ec1fd05bc4393203e08c Na prática Como forma de apoiar as lideranças, uma das ferramentas que pode ser muito empregada é a análise estratégica oriunda da matriz SWOT. Ela permite explorar cenários hipotéticos, ou seja, facilita a simulação de situações antes que ocorram a fim de se elaborarem planos de ação mais assertivos. Confira a seguir estratégias utilizadas para determinadas leituras da matriz SWOT. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Você sabia que uma boa gestão estratégica é indispensável para a saúde de qualquer empresa? Independentemente do tamanho ou segmento da organização, todas precisam rever seus procedimentos, realizar ajustes, correções e mudanças em processos já consolidados. A gestão estratégica prepara a empresa para mudanças de cenário de mercado ou macroeconômico, gerando condições para que ela possa responder rapidamente às novas exigências; também, auxilia na análise do presente e na projeção da atuação futura, fazendo com que a organização pense além do tempo. Na Prática, você verá o caso de uma grande empresa que, por meio de sua gestão estratégica, obteve sucesso. https://grupoa-edtech.grupoa.education/object/dOWV_kJLSBK7y2fjkZl_Rw Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/33bd0008-52ce-46ba-9109-90361fdd854b/5103a6f2-0d16-4265-b2f9-59db60bd3ee2.png Treinamento e desenvolvimento: elementos chave para a aprendizagem organizacional Apresentação Nesta Unidade de Aprendizagem, veremos por que o treinamento e o desenvolvimento são importantes para a aprendizagem organizacional, contribuindo assim para a competitividade das empresas. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Discutir os aspectos envolvidos em uma organização que aprende.• Relacionar as características da aprendizagem organizacional.• Identificar como iniciativas estratégicas de treinamento e desenvolvimento geram aprendizagem organizacional. • Infográfico Conheça as iniciativas estratégicas de treinamento e desenvolvimento que podem ser implantadas em uma empresa. Conteúdo do livro Tradicionalmente, o treinamento e o desenvolvimento não eram vistos como atividades que pudessem ajudar as empresas a enfrentarem desafios competitivos. Hoje essa visão mudou. As empresas que utilizam práticas inovadoras de treinamento e desenvolvimento têm mais chances de apresentar melhor desempenho financeiro do que os seus concorrentes que não o fazem. O cenário econômico atual acarretou cortes nos orçamentos das áreas de treinamento e desenvolvimento. Contudo, diversas empresas reconhecem que a aprendizagem através de treinamento, desenvolvimento e gestão do conhecimento ajuda os funcionários a fortalecerem ou aumentarem as suas habilidades para aprimorar ou produzir novos produtos, gerar ideias inovadoras e oferecer serviços de alta qualidade ao consumidor. Além disso, as atividades de desenvolvimento e a gestão de carreira são necessárias à preparação dos funcionários para posições de gerência e liderança e para atrair, motivar e reter talentos em todos os níveis e cargos. Aprofunde seus conhecimentos com a leitura de um trecho do capítulo 2 do livro Treinamento e Desenvolvimento de Pessoas de NOE, Raymond A. Noe. O capítulo intitulado “Treinamento estratégico” discute como as práticas de treinamento e desenvolvimento apoiam as empresas a alcançar suas metas de negócio e geram aprendizagem organizacional. Inicie sua leitura no tópico "Introdução". Boa leitura. N763t Noe, Raymond A. Treinamento e desenvolvimento de pessoas : teoria e prática [recurso eletrônico] / Raymond A. Noe ; tradução: Amanda Alice Weber Schmitt ; revisão técnica: Ana Carolina de Aguiar Rodrigues. – 6. ed. – Porto Alegre : AMGH, 2015. e-PUB. ISBN 978-85-8055-485-4 Editado como livro impresso em 2015. 1. Administração – Desenvolvimento de pessoas. 2. Administração – Treinamento de pessoas. I. Título. CDU 005.963 Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 abertura_noe.indd 2 15/12/2014 10:57:12 56 Parte 1 ▪ Treinamento e desenvolvimento em contexto INTRODUÇÃO Como mostra a abertura deste capítulo, o treinamento e o desenvolvimento da Camp bell Soup Company apoiam a estratégia de negócio. Reconhecendose que o aprendi zado é de responsabilidade de todos os funcionários, tanto os gerentes como seus pares, juntamente dos profissionais de treinamento, precisam estar ativamente envol vidos em ajudar os outros funcionários a conquistarem novas habilidades e perspecti vas. Isso reforça o valor do aprendizado e a sua importância para o negócio. A Cam pbell reconhece que o aprendizado através de treinamento e desenvolvimento é vital para vencer no mercado. cap2_noe.indd 56 08/12/2014 17:44:46 Capítulo 2 ▪ Treinamento estratégico 57 Por que a ênfase no treinamento estratégico é tão importante? As empresas objetivam ganhar dinheiro, e todos os setores de um negócio estão sob pressão, devendo mostrar de que forma contribuem para o seu sucesso, para que não sofram cortes no orçamento ou até mesmo a terceirização. Para tanto, as atividades de treinamento devem ajudar a em presa a alcançar a sua estratégia de negócio, que é um plano que engloba metas, políticas e ações.1 A estratégia age na forma como a empresa utiliza os capitais físico (p. ex., fábri cas, tecnologia e equipamento), financeiro (p. ex., espólio e reserva de caixa) e humano (funcioná rios). A estratégia de negócio ajuda a direcionar as atividades da empresa (pro dução, finanças, marketing e recursos humanos) a atingir metas específicas, que se espe ra alcançar a médio e longo prazo. A maioria das metas de empresas incluem metas financei ras, como maximizar o retorno dos acionistas, mas existem também metas rela cionadas à satisfação do funcionário, posição na indústria e serviço à comunidade. Há relações diretas e indiretas entre o treinamento e a estratégia e metas de negócio. O treinamento que ajuda os funcionários a desenvolverem as habilidades necessárias à realização do trabalho afeta diretamente o negócio. Dar aos colaboradores oportunidades de aprendizado e desenvolvimento cria um ambiente de trabalho positivo, que apoia a estratégia de negócio atraindo novos talentos e motivando e retendo funcionários atuais. A IBM é uma empresa que se reinventou em 2002.2 Sua estratégia de negócio remo delou a força de trabalho para atender melhor às necessidades e expectativas dos clien tes à medida que se transformava de uma empresa de alta tecnologia da era industrial em uma empresa voltada à informação e ao conhecimento. Essa estratégia exigiu uma mudança enorme na cultura organizacional: os funcionários tiveram de acatar a estraté gia e fazêla funcionar. Para atender às necessidades do cliente, os funcionários devem ter capacidade de adaptação e de se ajustarem constantemente. Em consequência disso, o treinamento da IBM mudou para que os funcionários aprendessem através dotrabalho, no próprio local e tendo como base as necessidades do cliente, em vez de viajarem para outro lugar para receberem um treinamento (embora os treinamentos formais ainda sejam utilizados para orientar gerentes, executivos e vendedores em momentos críticos das suas carreiras so bre novas habilidades e linhas de produtos). O Aprendizado Sob Demanda (On-Demand Learning), como a IBM chamou esse tipo de aprendizado, exige que as equipes respon sáveis pela elaboração do programa entendam o trabalho específico que é desempenha do por funcionários em diferentes funções. Foram definidas mais de 500 funções espe cíficas na empresa e as especialidades exigidas para cada uma delas. Depois, a equipe de aprendizagem embutiu oportunidades de aprendizado no próprio trabalho, em um con ceito conhecido como “aprendizado integrado à empresa” (work-embedded learning). Os funcionários trabalham via computador ou acessam a intranet da empresa em seus telefones para se conectarem a especialistas, participarem de comunidades on-line sobre um determinado assunto ou realizar um módulo de aprendizado on-line. O tempo gasto em aprendizado e treinamento na IBM cresceu 32% com a expansão do aprendizado integrado à empresa. Já que a IBM acredita que as iniciativas de aprendizagem são vitais para atingir a sua estratégia de negócio, ela investiu nisso mais de $ 700 milhões. A estratégia de negócio tem um grande impacto no tipo e na quantidade de treina mento realizado e ao decidir se os recursos (dinheiro, tempo dos instrutores e desenvol vimento do programa) devem ser voltados para o treinamento. Além disso, a estratégia influi no tipo, nível e conjunto de habilidades necessárias à empresa determinando os seguintes fatores: cap2_noe.indd 57 08/12/2014 17:44:47 58 Parte 1 ▪ Treinamento e desenvolvimento em contexto 1. A quantidade de treinamento dedicado às habilidades de trabalho atuais ou futuras. 2. Até que ponto o treinamento é personalizado para as necessidades específicas de um funcionário ou desenvolvido com base nas necessidades de uma equipe, unidade ou divisão. 3. Se o treinamento é restrito a grupos específicos de funcionários (pessoas identifica das como detentoras de talento gerencial) ou aberto para todos. 4. Se o treinamento é planejado e administrado sistematicamente, oferecido somente quando surgem problemas ou desenvolvido como reação espontânea ao que os con correntes estão fazendo. 5. A importância que se dá ao treinamento, comparada às outras práticas de gestão de recursos humanos como seleção e compensação.3 Este capítulo inicia com uma discussão sobre como o treinamento está evoluindo. Tradicionalmente, ele era visto como um evento ou programa elaborado para desenvol ver conhecimento explícito e habilidades específicas, mas os gerentes, instrutores e pro fissionais de recursos humanos começaram a reconhecer a contribuição potencial do treinamento para as metas de conhecimento do negócio que são baseadas na experiên cia, algo impossível de ensinar em um treinamento. Assim, ampliouse o papel do trei namento para englobar o aprendizado e pensar em formas de criar e compartilhar co nhecimento. O capítulo segue tratando do processo de treinamento e desenvolvimento estratégicos, incluindo como identificar uma estratégia de negócio, escolher iniciativas que a apoiem, oferecer atividades que incentivam iniciativas estratégicas e definir e co letar indicadores que demonstrem o valor do treinamento. Depois, descrevemse os fato res organizacionais que influem na forma como o treinamento relacionase com a estra tégia de negócio. Entre estes fatores, estão o papel de funcionários e gerentes, o apoio da alta gerência ao treinamento, a integração de unidades de negócio, a estratégia de plane jamento de recursos humanos e de pessoal, os graus de sindicalização e o envolvimento de gerentes, instrutores e funcionários. O capítulo aborda tipos estratégicos específicos e as suas implicações nesse processo. Em seguida, destacase que para que o aprendiza do, treinamento e desenvolvimento estratégicos sejam adotados, aceitos e utilizados por gerentes e funcionários, é importante considerálos a partir de um modelo de mudança e de uma perspectiva de marketing. O capítulo termina com a descrição de várias formas diferentes de organizar o setor de treinamento, enfatizando que o modelo integrado ao negócio e o modelo de universidade corporativa vêm ganhando popularidade conforme as empresas alinham as atividades de treinamento às metas do negócio. Evolução do treinamento: mudando de evento para aprendizado À medida que mais empresas como a Campbell Soup Company reconhecem a impor tância do aprendizado para enfrentar os desafios do negócio e obter uma vantagem competitiva, o setor de treinamento nas empresas está passando por mudanças. Relembre o que foi falado no Capítulo 1, “Introdução ao treinamento e desenvolvi mento de funcionários”, sobre as diferentes formas em que o aprendizado em uma em presa pode ocorrer. E isso é possível através de treinamento, desenvolvimento, aprendi zado informal e gestão do conhecimento. Os programas de treinamento organizados e criados pela empresa, ou seja, programas formais, são uma das maneiras de garantir o aprendizado dos funcionários. Em abordagens menos estratégicas, o treinamento costu cap2_noe.indd 58 08/12/2014 17:44:47 Capítulo 2 ▪ Treinamento estratégico 59 ma envolver uma série de programas ou eventos nos quais os funcionários precisam comparecer. Após participar, eles são responsáveis por aplicar o que foi aprendido em seus trabalhos, sendo que qualquer tipo de apoio que possam receber tem como base os caprichos do gerente. Além disso, esse tipo de treinamento não oferece nenhuma infor mação que ajude o funcionário a entender a relação entre o conteúdo do treinamento e o desempenho do seu trabalho, os objetivos de desenvolvimento ou as metas de negócio. Esse formato de como um programa ou evento de treinamento, continuará existindo porque os funcionários sempre precisarão aprender conhecimentos ou habilidades espe cíficas. Essa abordagem supõe que as condições de negócio são previsíveis, que podem ser controladas pela empresa e que ela é capaz de determinar e prever o conhecimento e as habilidades que os funcionários precisarão no futuro. Essas suposições são válidas para algumas habilidades, como comunicação ou solução de conflitos. Entretanto, será preciso que esses eventos ou programas de treinamento estejam mais fortemente ligados à melhoria do desempenho e às necessidades do negócio para que recebam o apoio da alta gerência. O modelo de elaboração do treinamento (apresentado no Capítulo 1) e os diferentes aspectos do modelo (discutidos nos Capítulos 3 a 8) ajudarão a entender como elaborar programas de treinamento capazes de melhorar o desempenho dos funcioná rios e atender às necessidades do negócio. APRENDIZADO COMO FOCO ESTRATÉGICO Organização que aprende Ao perceberem a importância estratégica do aprendizado, muitas empresas têm se es forçado para se tornarem organizações que aprendem. Uma organização que aprende é aquela que possui uma capacidade aprimorada de aprendizado, adaptação e mudança,4 sendo que os processos de treinamento são examinados minuciosamente e alinhados às suas metas. Nela, o treinamento é visto como parte de um sistema projetado para criar capital humano. A King Arthur Flour Company, uma empresa do ramo alimentício es pecializada em farinhas, incentiva os seus 160 funcionários a aprenderem sobre culiná ria para motiválos a trabalhar e ajudar os clientes a conhecer melhor o produto.5 É preciso participar de mais ou menos 15 aulas anuais de Alimento para o Cérebro (Brain Food). Nelas, os seus pares ensinam desde como assar pães integrais até como interpre tar os demonstrativos financeiros da empresa e gerenciar as suas próprias finanças. Todos são incentivados a participar das aulas, que são voluntárias e oferecidas durante o horáriode trabalho. Também é possível assistir aulas oferecidas pela empresa para padeiros profissionais ou amadores. A Tabela 2.1 mostra as características essenciais de uma organização que aprende. Observe que é destacada a ocorrência de aprendizado não apenas no nível do funcio nário individual (como enxergamos o aprendizado tradicionalmente), mas também no nível do grupo e da organização. A organização que aprende enfatiza a gestão do conhecimento. Um dos aspectos mais importantes de uma organização que aprende é a capacidade de os funcionários compreenderem tanto a partir do fracasso quanto do sucesso. Ou seja, o aprendizado inclui o entendimento de por que as coisas acontecem e por que certas escolhas levam a certos resultados.6 Tanto o sucesso quanto o fracasso desenca deiam investigações, o que ajuda os funcionários a revisarem hipóteses, modelos e teo rias. O tablet Apple’s Newton, por exemplo, foi um fracasso quando lançado em 1990. cap2_noe.indd 59 08/12/2014 17:44:50 60 Parte 1 ▪ Treinamento e desenvolvimento em contexto Porém o ocorrido levou a Apple a reexaminar as suas teorias sobre o que faz um produ to de sucesso. Como resultado, a empresa reconheceu que um telefone de toque seria mais facilmente aceito pelos consumidores, visto que já existia um mercado de smart- phones. Posteriormente, o uso do que foi aprendido com o iPhone ajudou no desenvol vimento de um tablet mais bemsucedido: o iPad. A Pixar, que já criou diversos filmes de animação aclamados e bemsucedidos, ainda realiza análises do processo utilizado para fazer cada um dos seus filmes. A empresa pergunta aos funcionários quais são as cinco coisas que eles fariam e as que não fariam novamente. Isso é importante para adquirir um melhor entendimento das razões por trás do bom desempenho, para que este conhecimento possa ser compartilhado. Para aprender a partir do fracasso e do sucesso é preciso dar aos funcionários a oportunidade de fazer experiências com produ tos e serviços, semelhante ao que se faz em engenharia e pesquisa científica. Algumas das condições necessárias para experiências bemsucedidas são a existência de incerte za genuína, o custo pequeno e contido do fracasso, os riscos claros e eliminados se possível, o entendimento de que o fracasso também provê informações importantes, a definição do sucesso e o nível de significância da oportunidade. O treinamento na Walt Disney Company evoluiu nos últimos dez anos para ter ofer ta flexível de aprendizado, experiências de aprendizado personalizadas e desenvolvi mento colaborativo com clientes de treinamento internos.7 A Disney passou de uma abordagem de treinamento dado por um instrutor para uma que utiliza o ensino presen cial (seja em sala de aula ou no trabalho) combinada ao ensino on-line (jogos de simu lação, e-learning). Isso combina com a estratégia de negócio da Disney, que sempre enfatizou encontrar a tecnologia e os métodos apropriados para o público, independen temente do público em questão ser um visitante ou um funcionário (membro do elenco). É provável que um evento ou programa de treinamento isolado não traga vantagem competitiva para a empresa porque o conhecimento explícito é bem disseminado e os programas projetados para ensinálo podem ser desenvolvidos e copiados com facilida de. O conhecimento tácito desenvolvido pela experiência e compartilhado através de interações entre funcionários, entretanto, é impossível de copiar e pode dar à empresa TAbElA 2.1 Características-chave de uma organização que aprende Ambiente de aprendizado que dá apoio ■ Os funcionários sentem-se seguros para expressar o que pensam sobre o trabalho, fazer perguntas, discordar dos gerentes e admitir erros. ■ Perspectivas funcionais e culturais diferentes são bem-vindas. ■ Os funcionários são incentivados a correrem riscos, inovarem e explorarem o desconhecido e o que não foi testado, como experimentar novos processos e desenvolver novos produtos e serviços. ■ Estimulam-se análises construtivas dos processos da empresa. Processos e práticas de aprendizado ■ Pratica-se criação, disseminação, compartilhamento e aplicação de conhecimento. ■ Os sistemas são desenvolvidos para criar, apreender e compartilhar conhecimento. Reforço do aprendizado pelos gerentes ■ Os gerentes escutam e questionam ativamente os funcionários, estimulando o diálogo e o debate. ■ Os gerentes estão abertos a pontos de vista diferentes. ■ Dedica-se tempo à identificação de problemas, processos e práticas de aprendizado e auditorias de desempenho. ■ O aprendizado é recompensado, promovido e apoiado. Fontes: F. Gino and G. Pisano, “Why Leaders Don’t Learn From Success,” Harvard Business Review (April 2011): 6874. Based on D. Garvin, A. Edmondson, and F. Gino, “Is Yours a Learning Organization?” Harvard Business Review (March 2008): 109116; M. Gephart, V. Marsick, M. Van Buren, and M Spiro, “Learning Organizations Come Alive,” Training and Development 50 (1996): 3445. cap2_noe.indd 60 08/12/2014 17:44:50 Capítulo 2 ▪ Treinamento estratégico 61 uma vantagem competitiva. O desenvolvimento de filmes de animação digital da Pixar, como WALL-E (uma história de amor de robôs que se passa em um mundo de lixo pós apocalíptico) e Ratatouille (sobre um ratinho francês que sonha em ser um chef de cozinha), exigiu a cooperação de uma equipe formada por diretores, roteiristas, produ tores e artistas tecnológicos talentosos que estavam em prédios diferentes, possuíam prioridades diferentes e falavam linguagens técnicas diferentes.8 A Pixar segue três princípios: (1) todos os funcionários devem ter liberdade de comunicação entre si, seja qual for a sua posição ou departamento; (2) todos devem sentirse seguros para dar ideias; e (3) a empresa deve estar ciente das inovações acontecendo na comunidade acadêmica. A Pixar University oferece uma variedade de cursos internos e treinamento cruzado de funcionários dentro de suas áreas de especialidade. Ela também oferece aulas opcionais que oportunizam o encontro e o aprendizado integrado entre funcioná rios de diferentes disciplinas. Roteirização, desenho e escultura estão diretamente rela cionados ao negócio, diferentemente de cursos de Pilates e Ioga. Os cursos são frequen tados por funcionários de todos os níveis (desde novatos até especialistas), o que reforça a ideia de que todos estão aprendendo e que isso é divertido. Implicações do aprendizado para o desenvolvimento do capital humano A ênfase no aprendizado possui diversas implicações. Em primeiro lugar, sabese que para ele ser eficaz é preciso estar relacionado à melhoria do desempenho do funcionário e ao alcance das metas de negócio da empresa. Essa conexão garante que os funcioná rios estejam motivados a saber mais e que os recursos limitados para o aprendizado (tempo e dinheiro) sejam focados em áreas que contribuirão diretamente para o sucesso do negócio. Em segundo lugar, continuará imperando a imprevisibilidade do ambiente de negócio em que as empresas operam. Visto que os problemas não podem ser previs tos com antecedência, o aprendizado precisa acontecer quando a necessidade surgir. As empresas devem ir além da sala de aula e usar experiências de trabalho, aprendizado on-line e aprendizado móvel para ajudar os funcionários a adquirirem conhecimento e habilidades ao mesmo tempo em que focam nas questões do negócio. Em terceiro lugar, sabendose que o conhecimento tácito dificilmente é adquirido pelos programas de trei namento, as empresas precisam apoiar o aprendizado informal através de mentoring, redes sociais e experiências de trabalho. Em quarto lugar, o aprendizado deve receber apoio não apenas de recursos físicos e técnicos, mas também psicológico. O ambiente de trabalho da empresa precisa apoiar o aprendizado, e os gerentes e colegas precisam incentiválo, ajudando o funcionário a encontrar maneiras de aprender no trabalho. Além disso, é fundamental que os gerentes entendam os interesses e asmetas profissio nais dos funcionários para ajudálos a encontrar atividades de desenvolvimento adequa das, que os preparem para assumirem outras posições dentro da empresa ou lidarem com a expansão de seus cargos atuais. O Capítulo 5, “Elaboração do programa”, fala sobre como criar um ambiente de trabalho que apoie o treinamento e o aprendizado. A criação e o compartilhamento de conhecimento abordam o desenvolvimento do capital humano da empresa. Como vimos no Capítulo 1, o capital humano engloba co nhecimento cognitivo (saber o quê), habilidades avançadas (saber como), entendimento do sistema e criatividade (saber por quê) e criatividade automotivada (importarse por quê).9 Tradicionalmente, o treinamento tem como foco as habilidades cognitivas e cap2_noe.indd 61 08/12/2014 17:44:50 62 Parte 1 ▪ Treinamento e desenvolvimento em contexto avançadas. Mas o maior valor para o negócio pode ser criado ao fazer os funcionários entenderem o processo de manufatura ou serviço e as interrelações entre os departa mentos e as divisões (compreensão do sistema), bem como motiválos a oferecer produ tos e serviços de alta qualidade (importarse por quê). Para criar e compartilhar conhe cimento, as empresas devem oferecer o espaço físico e a tecnologia (email, sites, redes sociais) para incentivar a colaboração dos funcionários e o compartilhamento do co nhecimento. A Ford Motor Company possui comunidades de prática organizadas por funções.10 Todos os pintores de todas as montadoras da Ford no mundo pertencem à mesma comunidade, por exemplo. Em cada fábrica um dos pintores serve de “ponto focal”. Se um pintor local descobre uma maneira de melhorar um dos 60 passos envol vidos no processo de pintura, a pessoa que atua como ponto focal preenche um modelo descrevendo a melhoria e os seus benefícios. Depois, o modelo é enviado em formato eletrônico para um especialista no assunto que se encontra na sede da Ford. Ele então analisa a prática e decide se é válido que ela seja compartilhada com outras montado ras. Se for o caso, a prática é aprovada e enviada para as outras montadoras. A partir de suas comunidades de prática, a Ford acumulou $ 1,3 bilhão em valor estimado para a empresa e já converteu mais de $ 800 milhões em valor real. À medida que as empresas reconhecem o valor do treinamento e do desenvolvimen to e os enxergam como parte de uma estratégia de aprendizado mais ampla, são neces sários sete itens, de acordo com uma pesquisa realizada pela Accenture Learning:11 1. Alinhamento de metas de aprendizado e metas de negócio. 2. Medição do impacto geral do aprendizado no negócio. 3. Movimento de aprendizado fora da empresa para incluir consumidores, vendedores e fornecedores. 4. Foco no desenvolvimento de competências para os cargos mais críticos. 5. Integração do aprendizado com outras funções de recursos humanos, como gestão do conhecimento, apoio ao desempenho e gestão de talentos. 6. Abordagens para a oferta que incluam treinamento em sala de aula e e-learning. 7. Elaboração e oferta de cursos de desenvolvimento de liderança. Estes itens são parte do processo estratégico de treinamento e desenvolvimento, que será discutido a seguir. PROCESSO ESTRATÉGICO DE TREINAMENTO E DESENvOlvIMENTO Agora que você entende como o treinamento empresarial está evoluindo e já foi apre sentado aos conceitos de estratégia de negócio e ao modo como o treinamento pode apoiar essa estratégia, você está preparado para estudar esse processo estratégico. A Figura 2.1 ilustra um modelo de processo com exemplos de iniciativas estratégicas, atividades de treinamento e indicadores. O modelo mostra que o processo inicia pela identificação da estratégia de negócio. Em seguida, escolhemse as iniciativas de treinamento e desenvolvimento que apoiam a estratégia. O próximo passo, é traduzir essas iniciativas em atividades concretas. A úl tima etapa, envolve a identificação de medições e indicadores, sendo estes utilizados para verificar se o treinamento contribuiu para as metas relacionadas à estratégia de negócio. As próximas seções detalham cada um dos passos do processo. cap2_noe.indd 62 08/12/2014 17:44:51 Capítulo 2 ▪ Treinamento estratégico 63 Elaboração e identificação da estratégia de negócio Existem cinco elementos principais no desenvolvimento de uma nova estratégia de ne gócio ou na alteração de uma estratégia já existente.12 A Figura 2.2 apresenta esses fato res. O primeiro elemento é a missão da empresa, que declara a razão pela qual ela existe. A missão varia, mas normalmente inclui informações sobre consumidores aten didos, o que ela faz, o valor recebido pelos clientes e a tecnologia utilizada. A declara ção da missão é frequentemente acompanhada de uma declaração da visão ou dos valo res da empresa. A visão é a imagem do que a empresa almeja alcançar no futuro, enquanto os valores são o que a empresa defende e em que acredita. O segundo elemen to são as metas da empresa, aquilo que ela deseja atingir a médio e longo prazo, e nor malmente refletem como a missão será realizada. O treinamento pode contribuir para várias metas de negócio diferentes, como mostra a Tabela 2.2. Tanto as organizações com fins lucrativos quanto as sem fins lucrativos costumam incluir metas relacionadas FIGURA 2.1 Processo estratégico de treinamento e desenvolvimento ▪ Diversi�car o portfólio de aprendizagem ▪ Melhorar o serviço ao consumidor ▪ Acelerar o ritmo de aprendizado dos funcionários ▪ Apreender e compartilhar conhecimento Estratégia de negócio Iniciativas estratégicas de treinamento e desenvolvimento Atividades de treinamento e desenvolvimento Indicadores que mostram o valor do treinamento ▪ Utilizar treinamento web ▪ Tornar compulsório o planejamento de desenvolvimento ▪ Desenvolver sites para o compartilhamento de conhecimento ▪ Aumentar a quantidade de treinamento em serviço ao consumidor ▪ Aprendizado ▪ Melhoria do desempenho ▪ Redução das reclamações dos clientes ▪ Redução da rotatividade ▪ Engajamento dos funcionários FIGURA 2.2 Como elaborar a estratégia de negócio Análise externa Oportunidades Ameaças Análise interna Forças Fraquezas Metas Objetivos da empresa Missão Por que a empresa existe? Escolha estratégica Como competiremos? cap2_noe.indd 63 08/12/2014 17:44:53 64 Parte 1 ▪ Treinamento e desenvolvimento em contexto à satisfação das partes interessadas. O termo partes interessadas (stakeholders) engloba acionistas (se a empresa é de capital aberto e com fins lucrativos), comunidade, consu midores, funcionários e todas as outras partes que têm algum interesse no sucesso da empresa. O terceiro e o quarto elementos, análise externa e interna, são combinados para formar o que chamamos de análise SWOT (ou análise FOFA: Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças), que abrange uma análise interna das forças e fraquezas e uma análise externa das oportunidades e ameaças que existem atualmente ou que são previs tas para a empresa. A análise externa envolve o estudo do ambiente para identificar oportunidades e ameaças. Como exemplos de oportunidades, podese citar consumido res e clientes globais que não estão sendo atendidos, tecnologias que podem ajudar a empresa e fontes potenciais de funcionários talentosos pouco ou nada utilizadas. Entre as ameaças, incluemse mudanças na economia, escassez de talentos ou de liderança, novos competidores e mudanças na legislação que possam afetar negativamente a em presa. A análise interna busca identificar as forças e fraquezas da própria empresa, tendo como foco examinar a quantidade e a qualidade do capital financeiro, físico e humano disponível. O último elemento é a escolha estratégica. Após realizar a análise SWOT, a empresa (normalmente os gerentes envolvidos com o planejamento estratégi co) possui todas as informações necessárias para pensar sobre como competir, criar várias estratégias de negócio alternativas e fazer uma escolhaestratégica. As decisões que precisam ser feitas sobre como competir estão na Tabela 2.3. As possíveis estraté gias alternativas têm como base de comparação a capacidade de atingir as metas da empresa. A escolha estratégica representa a estratégia que se acredita ser a melhor para alcançar as metas. Observe o papel da análise SWOT na CarMax, lojas de carros seminovos espalhada pelos Estados Unidos com preços baixos sem pechinchar, e na DPR Construction.13 TAbElA 2.2 Possíveis metas de negócio influenciadas pelo treinamento ■ Produtividade ■ Menos desperdício e retrabalho ■ Maior satisfação do consumidor ■ Menos riscos e acidentes operacionais por descaso de funcionários ■ Maior satisfação e retenção de funcionários ■ Mais bens produtores de tempo e de valor, como um aumento em horários faturáveis de projeto por hora ■ Melhores decisões de gestão ■ Maior desenvolvimento de capital humano ■ Necessidade de planejamento sucessório para vantagem competitiva e crescimento Fontes: Baseado em R. Rivera, “How to Demonstrate Value: Key Measures Every Learning Professional Should Know.” In WLP Scorecard: Why Learning Matters (pp. 1724). Alexandria: VA: ASTD Press. TAbElA 2.3 Decisões que precisam ser tomadas sobre como competir para alcançar as metas da empresa 1. Onde competir? Em quais mercados (indústrias, produtos etc.) competiremos? 2. Como competir? Em qual resultado ou característica diferencial competiremos? Custo? Qualidade? Confiabilidade? Oferta? Inovação? 3. Com o que competiremos? Que recursos possibilitarão superar a concorrência? Como os recursos para competir serão adquiridos, desenvolvidos e implantados? Fonte: “Strategy–Decisions About Competition.” In R. Noe, J. Hollenbeck, B. Gerhart, and P. Wright, Human Resource Management: Gaining a Competitive Advantage, 8th ed. (Burr Ridge, IL: Irwin/McGrawHill, 2011): 77. cap2_noe.indd 64 08/12/2014 17:44:54 Capítulo 2 ▪ Treinamento estratégico 65 Entender quais as habilidades necessárias aos funcionários para que tenham êxito é uma parte importante da estratégia de longo prazo da CarMax. A empresa reflete sobre ha bilidades de que eles precisam, tanto para apoiar o seu princípio de negócio fundamen tal, que é a integridade, quanto para o desempenho da empresa. Ela enfatiza a importân cia de competências que guiam o comportamento e influenciam no desempenho do funcionário. Os programas de treinamento da CarMax têm como base avaliações inter nas e externas. As avaliações internas compreendem as contribuições dos gerentes sobre necessidades e lacunas nas competências, bem como pesquisas com os funcionários que questionam o que eles precisam para melhorar o desempenho. A análise externa inclui o monitoramento de tendências e de novas práticas em gestão de talentos, recursos hu manos e sociedade em geral. O surgimento do uso de tecnologias de rede social, por exemplo, convenceu a CarMax a incorporálas em seus programas de treinamento. A missão geral de aprendizagem da DPR Construction é “Nós criamos e oferece mos oportunidades de aprendizado para aprimorar o potencial de nossos funcionários em apoio aos nossos objetivos de negócio”. Nas sessões de planejamento para o ano seguinte, que acontecem no outono, o grupo de aprendizagem global da DPR reúnese. Este grupo é formado por indivíduos de diferentes escritórios e funções que focam em iniciativas de treinamento, além de líderes da empresa. Nele, é falado sobre melhores práticas, dados de diagnóstico de necessidades e estratégia de negócio. Um resumo da reunião é apresentado ao Comitê Administrativo, responsável pelas operações em toda a DPR. Solicitase a ajuda de especialistas no assunto para colaborarem com a elabo ração e a oferta de novas iniciativas de treinamento para atender às necessidades diag nosticadas. O feedback dos funcionários também é levado em consideração ao se pen sar em novas iniciativas de treinamento. Quando a DPR se interessou sobre como as novas tecnologias (e-learning) podiam ser usadas em programas de treinamento, de senvolveu e aplicou uma pesquisa com os funcionários, na forma de uma lista de cur sos, pedindo que escolhessem quais prefeririam receber em sala de aula e quais através do e-learning. Ainda que essas decisões sejam igualmente importantes, é comum que as empresas deem menos atenção à questão “Com o que competiremos?”, resultando em insucesso no atingimento das metas. Faz parte dessa decisão descobrir como os capitais humano, físico e financeiro podem ser utilizados. A utilização do capital humano para obter uma vantagem competitiva exige uma ligação entre as práticas de recursos humanos (como treinamento e desenvolvimento) e a estratégia de negócio da empresa. Como identificar as iniciativas de treinamento e desenvolvimento que apoiam a estratégia As iniciativas estratégicas de treinamento e desenvolvimento são ações relacionadas ao aprendizado que uma empresa deve realizar para atingir a sua estratégia de negócio.14 Elas variam de uma empresa para outra, dependendo da indústria, metas, recursos e capacidade. As iniciativas baseiamse no ambiente de negócio, na compreensão das metas e recursos da empresa e perspicácia quanto às opções de treinamento e desenvol vimento potenciais. Elas criam um mapa para guiar atividades de treinamento específi cas. Além disso, mostram como o setor de treinamento ajudará a empresa a atingir suas metas (e, assim, mostram como o setor agregará valor). A tendência é existir uma separação entre a estratégia e a sua execução. Para evitar que isso ocorra, os profissionais de aprendizado devem buscar os gerentes para garantir cap2_noe.indd 65 08/12/2014 17:44:54 66 Parte 1 ▪ Treinamento e desenvolvimento em contexto que as iniciativas e as atividades estratégicas de treinamento estejam alinhadas à estra tégia de negócio e que os recursos e o suporte financeiro para a realização das ativida des sejam providenciados.15 Para contribuir para a estratégia de negócio, é importante que o setor de treinamento entenda e apoie a estratégia e agregue valor para os consumidores. Vincular os planos de treinamento aos de negócio é importante porque os planos do negócio descrevem as prioridades de uma empresa (planos ou iniciativas) e incluem descrições de quem estará envolvido, qual é o contexto e como isso pode afetar o plano, como ele será realizado (operações) e quais decisões precisam ser tomadas, incluindo as relacionadas ao treina mento e desenvolvimento, para aumentar as chances de sucesso do plano. Para garantir que as suas iniciativas apoiem a estratégia de negócio, a CA, uma empresa de software, constrói planos de treinamento e estabelece prioridades para planos de negócio separa dos por cargos (não gerencias, gerencias e executivos) durante o processo de planejamen to orçamentário a cada ano fiscal.16 Os planos de treinamento incluem as habilidades técnicas e interpessoais exigidas para cada grupo, e de que forma elas serão desenvolvi das. Para garantir que os planos de treinamento ajudem a atingir as necessidades do ne gócio, eles são atualizados trimestralmente. Também são feitas reuniões mensais com o pessoal de treinamento e os líderes do negócio, que revisam as necessidades e discutem planos futuros. O pessoal de treinamento tem foco na identificação de três a cinco inicia tivas consideradas as mais importantes para apoiar a estratégia de negócio. A Tabela 2.4 mostra iniciativas estratégicas de treinamento e desenvolvimento e as suas implicações para as práticas de treinamento. Diversificar o portfólio de aprendiza- do significa que a empresa pode oferecer outras oportunidades além dos programas de treinamento tradicionais. Estas oportunidades englobam o aprendizado informal que ocorre no trabalho por meio de interações com os pares, novas experiências de trabalho, oportunidades de aprendizado personalizadas usando mentores, coaches e feedbacks personalizados de acordo com as necessidades do funcionário, alémdo uso de tecnolo gia (como o treinamento web). Esse tipo de treinamento tem o ritmo ditado pela própria pessoa e está disponível fora do ambiente formal de sala de aula (isso será discutido nos Capítulos 7 e 8). A Reliance Industries Ltd., uma empresa indiana com negócios em energia e petro química e produtos de poliéster, utiliza uma ampla variedade de iniciativas de aprendi zado, com diferentes métodos.17 Para aumentar as oportunidades de treinamento em emergências e defeitos, por exemplo, a Reliance investiu em treinamentos de simulação com os funcionários das fábricas em mais de 185 instalações. Para apreender o conhe cimento especializado e disponibilizálo para todos os funcionários em qualquer traba lho dentro da empresa, utilizouse uma nova solução com base na tecnologia. Os espe cialistas podem compartilhar conhecimento e experiência através de palestras em vídeo, disponíveis aos outros funcionários pela intranet da empresa, a qualquer horário. Para ajudar a atender à sua demanda por engenheiros, a Reliance formou uma parceria com instituições de ensino para criar um currículo que seja adequado às atribuições especí ficas da empresa. A iniciativa de ampliar os grupos que recebem o treinamento referese ao reconhe cimento de que, como os funcionários muitas vezes são o primeiro ponto de contato entre a empresa e os consumidores, eles necessitam de treinamento igual ou maior ao que é realizado com os gerentes. A University Health System conta com um hospital e 17 clínicas espalhadas pelo Condado de Bexar, no Texas.18 Ela foi desafiada a oferecer cap2_noe.indd 66 08/12/2014 17:44:54 Capítulo 2 ▪ Treinamento estratégico 67 oportunidades de aprendizado e desenvolvimento de habilidades aos seus 1.500 funcio nários remotos. Para isso, o departamento de aprendizado ampliou as oportunidades, visitando as clínicas para desenvolver o currículo e implantar o treinamento. Salões de educação agora trazem até a empresa provedores de educação continuada para que os funcionários possam ver todas as oportunidades existentes de uma só vez, e um site possibilita que os funcionários acessem informações sobre faculdades, universidades, ajudas de custo e bolsas. O programa Escola no Trabalho (School at Work) ajuda funcio nários em cargos inicias a obterem as habilidades e o conhecimento necessários para ocuparem outras posições. São abordados tópicos como matemática, leitura e habilida des de comunicação necessários para atender aos requisitos do programa de diplomação e certificação. Os funcionários seguem o seu próprio ritmo para trabalhar no programa, usando DVDs e treinamento on-line. O departamento de aprendizado também criou a Academia de Profissionais Administrativos (Administrative Professionals Academy), projetada para equipar profissionais especializados de alto desempenho com conheci mento e habilidades para avançarem na carreira. TAbElA 2.4 Iniciativas estratégicas de treinamento e desenvolvimento e suas implicações Iniciativas estratégicas de treinamento e desenvolvimento Implicações Diversificar o portfólio de aprendizado ■ Usar tecnologias para o treinamento, como a Internet ■ Facilitar o aprendizado informal ■ Oferecer oportunidades de aprendizado mais personalizadas Ampliar os grupos que recebem treinamento ■ Treinar clientes, fornecedores e funcionários ■ Oferecer mais oportunidades de aprendizado para cargos não gerenciais Acelerar o ritmo do aprendizado do funcionário ■ Identificar rapidamente as necessidades e oferecer uma solução de aprendizado de alta qualidade ■ Reduzir o tempo de desenvolvimento de programas de treinamento ■ Facilitar o acesso aos recursos de aprendizado quando a necessidade surgir Melhorar o serviço ao consumidor ■ Garantir que os funcionários detenham conhecimento do produto e do serviço ■ Garantir que os funcionários possuam habilidades para interagirem com os clientes ■ Garantir que os funcionários compreendam suas funções e autoridade na tomada de decisões Promover oportunidades de desenvolvimento e comunicação com os empregados ■ Garantir que os funcionários tenham oportunidades de se desenvolverem ■ Garantir que os funcionários entendam oportunidades de crescimento profissional e pessoal ■ Garantir que o treinamento e o desenvolvimento tratem das necessidades dos funcionários no cargo atual bem como das oportunidades de crescimento Apreender e compartilhar o conhecimento ■ Apreender a perspicácia e as informações dos funcionários conhecedores do assunto ■ Organizar e armazenar logicamente as informações ■ Criar métodos para disponibilizar as informações (p. ex., guias de recursos, sites) Alinhar treinamento e desenvolvimento à direção da empresa ■ Identificar conhecimentos, habilidades, capacidades ou competências necessários ■ Garantir que os programas atuais apoiem as necessidades estratégicas da empresa Garantir que o ambiente de trabalho apoie o aprendizado e a sua transferência ■ Eliminar restrições ao treinamento, como falta de tempo, de recursos ou de equipamentos ■ Dedicar espaço físico para incentivar trabalho em equipe, colaboração, criatividade e compartilhamento de conhecimento ■ Garantir que os funcionários entendam a importância do aprendizado ■ Garantir que gerentes e pares apoiem treinamento, desenvolvimento e aprendizado Fonte: Baseado em S. Tannenbaum, “A Strategic View of Organizational Training and Learning.” In Creating, Implementing, and Managing Effective Training and Development, ed. K. Kraiger (San Francisco: JosseyBass, 2002): 1052. cap2_noe.indd 67 08/12/2014 17:44:54 68 Parte 1 ▪ Treinamento e desenvolvimento em contexto Além disso, para dar um melhor atendimento ao cliente, para fornecedores, vende dores e consumidores, as empresas precisam distribuir informações sobre como usar os produtos e serviços oferecidos. Por esse motivo, elas estão começando a treinar os for necedores para garantir que os componentes que eles fornecem atendem aos padrões de qualidade dos seus consumidores. Para serem bemsucedidas, é preciso que as empresas consigam lidar com mudanças em tecnologia, necessidades do cliente e mercados glo bais. As necessidades de treinamento precisam ser identificadas com rapidez e seguidas por um treinamento eficaz. Ou seja, é preciso que as empresas acelerem o ritmo do aprendizado do funcionário. Elas também estão dependendo de sistemas eletrônicos de suporte ao desempenho (electronic performance support systems, EPSSs) para oferecer acesso imediato a informações, aconselhamento e orientação (os EPSSs serão trabalha dos no Capítulo 5). O EPSS pode ser acessado através de computadores pessoais, tablets ou telefones celulares sempre que for necessário. Os funcionários precisam estar prepa rados para melhorar o serviço ao consumidor. Eles devem estar bem informados quan to ao produto ou serviço, ter habilidade no serviço ao consumidor e entender os tipos de decisão que podem tomar (p. ex., se estão autorizados a abrir uma exceção à política de não fazer reembolso em dinheiro). É importante proporcionar oportunidades de desenvolvimento e informar isso aos funcionários, para que eles acreditem que há possibilidade de crescimento e aprendiza do de novas habilidades. Essas oportunidades são essenciais para atrair e reter funcio nários talentosos. Apreender e compartilhar conhecimento é uma forma de assegurar que conhecimentos relevantes sobre clientes, produtos ou processos não se percam caso funcionários deixem a empresa. Além disso, dar aos funcionários acesso ao conheci mento de seus pares pode diminuir o tempo de resposta ao cliente e melhorar a qualida de do produto e do serviço. Em vez de “reinventar a roda”, o pessoal de serviço acessa um banco de dados que permite que se encontre problemas e soluções que outros repre sentantes de serviços já desenvolveram. A AT&T utiliza as redes sociais de três formas. O “Você faz a diferença” (You Matter) permite que funcionárioscompartilhem ideias e blogs sobre diversos assuntos, como gestão de finanças e bemestar.19 Através da “tSpace”, uma plataforma interna para blogs e wikis, podese criar um perfil pessoal e entrar em comunidades de prática organizadas por tópicos específicos, o que oportuniza compartilhar ideias e fazer perguntas. Com a “Otimização de talentos” (Talent Optimization, TOP), os gerentes procuram em toda a empresa por funcionários que tenham as habilidades que eles estão precisando, cor respondendo os talentos dos funcionários às vagas abertas. Alinhar o treinamento e o desenvolvimento à direção estratégica da empresa é im portante para garantir que o treinamento contribua para as necessidades do negócio. As empresas precisam identificar quais as aptidões (p. ex., conhecimento, habilidades) ne cessárias e julgar se os programas de treinamento e serviços estão contribuindo para aprimorálas. Por último, é preciso um ambiente de trabalho que dê apoio para que os funcionários sintamse motivados a participar das atividades, aplicar no trabalho o que foi aprendido e compartilhar o conhecimento com os outros. A parte tangível do apoio inclui tempo e verba para treinamento e desenvolvimento, além de áreas de trabalho que incentivem os funcionários a se encontrarem e trocarem ideias. Receber o apoio psico lógico da parte dos gerentes e pares também é importante. Os tipos de apoio tangível e psicológico serão discutidos no Capítulo 5. Como uma empresa pode se certificar de que as iniciativas de treinamento e desen volvimento estão vinculadas à estratégia de negócio? A Tabela 2.5 mostra as questões cap2_noe.indd 68 08/12/2014 17:44:55 Capítulo 2 ▪ Treinamento estratégico 69 que precisam ser respondidas pela empresa para identificar e desenvolver as iniciativas estratégicas. Para ajudar com estas perguntas, é preciso que os instrutores leiam os re latórios anuais, planejamentos estratégicos, demonstrativos de resultado e relatórios de analistas. Para entender a estratégia de negócio e as suas implicações para o treinamen to, pode ser útil convidar os gerentes para participarem das reuniões da equipe. Em empresas com várias divisões, é imprescindível entender como cada negócio mede a eficácia, monitora e relata o desempenho e quais os desafios que enfrenta, como gestão da cadeia de suprimentos, desenvolvimento de novos produtos, pressões da concorrên cia ou questões de garantia de serviço. Como oferecer atividades de treinamento e desenvolvimento ligadas às iniciativas estratégicas Após a escolha das iniciativas estratégicas de treinamento e desenvolvimento relaciona das à estratégia de negócio da empresa, o próximo passo é identificar atividades especí ficas que possibilitarão a realização das iniciativas. Isso inclui o desenvolvimento de iniciativas relacionadas ao uso de novas tecnologias em treinamentos, o aumento do acesso aos programas para determinados grupos de funcionários, a redução do tempo de desenvolvimento e a expansão ou elaboração de novos cursos. É preciso que os repre sentantes de serviço ao consumidor saibam falar sobre o conteúdo dos produtos finan ceiros e lidar com as transações desses produtos pelo telefone com clientes e especialis tas financeiros. Os representantes trabalham na indústria de mercado de valores mobiliários, que é altamente regulamentada nos Estados Unidos, e alguns precisam ter uma licença para que possam vendêlos. A ênfase da American Express no treinamento está relacionada não apenas às necessidades da empresa, mas também ao princípio bá sico de negócios de que custa menos servir bem os clientes e mantêlos do que substituí los por outros depois que se forem. Oferecer um bom serviço e preservar a lealdade do consumidor depende do bom atendimento dos representantes ao trabalhar ao telefone, tirar pedidos, oferecer assistência e desenvolver relações com os clientes. Quando novos funcionários chegam para trabalhar no setor de serviço ao consumi dor da American Express, eles iniciam um programa de treinamento de oito semanas projetado para ajudálos a construírem e solidificarem a clientela da empresa. Inicial mente, eles dividem os seus dias entre aprender sobre os produtos de investimento da American Express e praticar como trabalharão com os conselheiros financeiros e os clientes. Depois de concluir o treinamento inicial e começar a trabalhar ao telefone com clientes reais, ainda é preciso receber pelo menos mais duas semanas de treinamento por ano. O treinamento permanente é uma combinação entre sala de aula e treinamento web em tópicos como novos produtos financeiros e mudanças nas regulamentações de TAbElA 2.5 Perguntas a serem feitas para desenvolver iniciativas estratégicas de treinamento e desenvolvimento 1. Qual é a visão e a missão da empresa? Identificar os guias estratégicos do negócio. 2. Quais as capacidades que a empresa precisa obter como resultado da estratégia de negócio e dos desafios do ambiente do negócio? 3. Que tipos de treinamento e desenvolvimento atrairão, reterão e desenvolverão melhor o talento necessário para o sucesso? 4. Quais as competências vitais para o sucesso da empresa e estratégia de negócio? 5. A empresa tem um plano para a ligação entre o treinamento e a estratégia de negócio ser compreendida por executivos, gerentes e funcionários ou clientes? 6. A equipe de gestão sênior apoiará e patrocinará publicamente o treinamento e o desenvolvimento? 7. A empresa oferece oportunidades de treinamento para equipes e não apenas para indivíduos? Fonte: Baseado em R. Hughes and K. Beatty, “Five Steps to Leading Strategically,” T+D (December 2005): 4648. cap2_noe.indd 69 08/12/2014 17:44:55 70 Parte 1 ▪ Treinamento e desenvolvimento em contexto segurança. Os módulos de treinamento on-line são utilizados para ensinar habilidades no computador, do tipo como usar um novo software ou como reduzir o número de telas que um representante precisa olhar para encontrar determinada informação. Os funcio nários de serviço ao consumidor têm tempo para revisar o material, fazer perguntas e praticar nos sistemas de computador que utilizarão posteriormente. Como identificar e coletar indicadores para comprovar o sucesso do treinamento Como uma empresa determina se as atividades de treinamento e desenvolvimento con tribuem efetivamente para a estratégia e para as metas de um negócio? Esta determina ção envolve a identificação e a coleta de indicadores, que são resultados do negócio escolhido para medir o valor geral das iniciativas de treinamento e aprendizado. Os in dicadores podem ser a retenção de funcionários, o engajamento, o serviço ao consumi dor, a produtividade e a qualidade. É importante reconhecer a diferença entre os resul tados do programa de treinamento e os indicadores de negócio. Normalmente, a avaliação do programa de treinamento está relacionada à medição da satisfação do par ticipante com o programa, avaliando melhorias no conhecimento, habilidades e capaci dades, ou identificando se o programa influenciou resultados de negócio, como a produ tividade. A avaliação do treinamento, utilizada para determinar a eficácia dos cursos e programas, será discutida no Capítulo 6, “Avaliação do treinamento”. Comparados aos resultados de avaliação do treinamento, os indicadores focam mais nos resultados objetivos do que em outras consequências. São medições relacionadas ao negócio estratégico, isto é, não são ligadas a um curso ou programa e sim escolhidas para representar o valor esperado de várias iniciativas. Vejamos um exemplo: uma empresa de fast-food queria determinar o valor estratégico geral do treinamento. Isso quer dizer que o foco era o tempo e a verba investidos em treinamento em várias lojas de fast-food e não em um ou dois programas dentro de uma só loja. A empresa descobriu que o treinamento melhorou o serviço ao consumidor, a retenção de funcionários e os lucros.20 Os resultados relacionados ao negócio devem ser diretamente ligadosà estratégia e às metas do negócio, podendo avaliar o serviço ao consumidor, a satisfação ou engaja mento dos funcionários, a rotatividade de funcionários, o número de defeitos com os produtos, o tempo gasto em desenvolvimento de produtos, o número de patentes ou o tempo gasto para preencher posições gerenciais. Algumas empresas utilizam o balan- ced scorecard como forma de avaliar todos os aspectos de um negócio. O balanced scorecard é uma metodologia de medição de desempenho que permite que os gerentes olhem para o desempenho geral da empresa ou para o desempenho de departamentos ou setores (como o de treinamento) da perspectiva de clientes internos e externos, funcio nários e partes interessadas.21 Também considera quatro perspectivas diferentes: do cliente, interna, inovação e aprendizado e financeiro. A ênfase e o tipo de indicadores usados na medição de cada perspectiva são baseados na estratégia e metas de negócio da empresa. As quatro perspectivas e exemplos de indicadores para medilas são: ■ Cliente (tempo, qualidade, desempenho, serviço, preço). ■ Interno (processos que influem na satisfação do cliente). ■ Inovação e aprendizado (eficiência operacional, satisfação dos funcionários, melho ria contínua). ■ Financeiro (rentabilidade, crescimento, retorno acionário). cap2_noe.indd 70 08/12/2014 17:44:55 Capítulo 2 ▪ Treinamento estratégico 71 Os indicadores que podem ser usados para avaliar a contribuição do treinamento para o balanced scorecard incluem funcionários treinados (número de funcionários treinados dividido pelo total de funcionários), custos do treinamento (custo total do treinamento dividido pelo número de funcionários treinados) e custo do treinamento por hora (custo total do treinamento dividido pelo total de horas de treinamento). A EMC Corporation, uma empresa no ramo da tecnologia, utiliza o balanced scorecard para acompanhar e medir o aprendizado.22 É feito o acompanhamento trimestral do desem penho da empresa com indicadores medindo alinhamento do negócio, prontidão da for ça de trabalho, tempo de colocação do produto no mercado, globalização e eficácia. A empresa também implantou indicadores de desempenho que são diretamente relaciona dos às necessidades de negócio atuais e futuras. Os funcionários recebem planos de desenvolvimento individuais que têm como base uma análise de seus empregos. Já a Ingersoll Rand exige que as suas unidades apresentem argumentos de negócio convin centes para novos gastos.23 Seguindo este modelo, a Ingersoll Rand University (IRU) mostra que o aprendizado faz a diferença e contribui para a estratégia de negócio através de indicadores como benefícios esperados, custos únicos contra custos permanentes, prazo de validade dos produtos de aprendizado e taxas de participação dos funcionários nos programas. A cada ano, a IRU apresenta um relatório para comunicar feitos, dire ções estratégicas e eficácia operacional. São oferecidos workshops sobre melhoria de processos relacionados ao Lean Seis Sigma (uma iniciativa de qualidade), que é uma prioridade do negócio. A IRU conseguiu mostrar que esses workshops economizaram centenas de milhares de dólares para a empresa, com redução de 76% nos custos de entrega aos vendedores. O processo de identificação e coleta de indicadores está relacio nado à avaliação do treinamento, o último passo na Figura 1.2 no Capítulo 1. O Capítu lo 6 falará sobre os diferentes tipos de resultados utilizados para avaliar os indicadores de um programa de treinamento. É claro que mostrar que o treinamento está diretamen te relacionado ao “resultado final” (p. ex., aumento em serviços, vendas ou qualidade do produto) é a forma mais convincente de comprovar o valor que ele tem. Exemplos do processo estratégico de treinamento e desenvolvimento Veja o processo estratégico de treinamento e desenvolvimento de duas empresas bem diferentes: Barilla Group e Mike’s Carwash. O Barilla Group é o líder no ramo de mas sas em todo o mundo, no ramo de molho para massas na Europa continental, no ramo de panificadoras na Itália e no ramo de pão crocante na Escandinávia.24 A missão, a visão e os valores da Barilla estão na Tabela 2.6. A cultura com base no desempenho da empresa salienta a competitividade, o engajamento e a liderança. A Barilla conta com 15 mil funcionários em todo o mundo e 420 fábricas de massas em Ames, Iowa e Avon, Nova Iorque. Nas operações norteamericanas da Barilla, o crescimento nas duas fábricas está levando à expansão e à ênfase no aprendizado. A importância do treinamento e desen volvimento para o negócio é ressaltada pelas metas organizacionais, que incluem “for talecer a vantagem competitiva através do talento, do desempenho e da cultura”, bem como atingir metas financeiras e de vendas. A organização de aprendizado da divisão projeta, desenvolve e propicia a sessão de planejamento estratégico anual. As metas corporativas estratégicas influeciam nos planos estratégicos de recursos humanos da empresa, que por sua vez afetam as prioridades de aprendizado. O processo conta com entrevistas individuais entre o diretor de aprendizado e desenvolvimento de talentos e cap2_noe.indd 71 08/12/2014 17:44:55 72 Parte 1 ▪ Treinamento e desenvolvimento em contexto executivos que trabalham juntos para determinar os objetivos da sessão de planejamen to estratégico. Recentemente, a pauta da sessão de planejamento estratégico teve foco em como ampliar o negócio através da identificação de indicadoreschave para as equi pes, discussão do desempenho geral das equipes e alocação de pessoas, processos e tecnologias. Existem diversas iniciativas e atividades estratégicas de treinamento e desenvolvi mento nas operações das empresas norteamericanas. Primeiro, para acelerar o ritmo do aprendizado e desenvolvimento do funcionário os planos individuais são combinados a pontos fortes e paixões do funcionário, usando a opinião dos gerentes para saber se es tão alinhados. No nível da diretoria, cada membro da equipe de liderança contribui com opiniões para o plano de desenvolvimento. A organização que aprende desempenha um papel central na gestão de mudanças. Ela foi responsável pela implantação bemsucedi da do novo sistema de planejamento de recursos da empresa. Os membros de uma pe quena equipe de gestão de mudanças foram encarregados de se comunicarem direta mente com os funcionários, podendo assim observar o processo de conversão. Foram realizadas reuniões periódicas para pedir a opinião de funcionários afetados pela con versão e explicar detalhes da mudança. Uma linha do tempo apresentada mensalmente mostrava a transição para o novo sistema, bem como atualizações sobre o progresso e metas atingidas. Essa linha do tempo destacava as conexões entre a estratégia de negó cio e o trabalho diário, incluindo a mudança do processo e o desempenho da equipe desde os líderes e gerentes até funcionários da linha de produção. Para diversificar as oportunidades de aprendizado e garantir que o treinamento necessário estava sendo oferecido, a organização que aprende formou uma parceria com pares da sede italiana da empresa para conduzir um diagnóstico de necessidades. Isso ajudou a identificar as necessidades de desempenho e quais as habilidades a serem desenvolvidas em cada departamento, tendo como base as metas organizacionais, as metas do departamento e as lacunas em habilidades. Os dados do diagnóstico também foram usados para deter minar os métodos e prioridades de aprendizado da Barilla University. A Mike’s Carwash, de Indianapolis, é uma rede privada de lavagens de carros com 37 lojas e 650 funcionários em Indiana e Ohio.25 Aberta em 1948, a primeira Mike’s chamavase “Mike’s Minit Man Carwash”, uma referência ao tipo de equipamento usa do na época. A Figura 2.3 mostra como a Mike’s Carwash vincula a sua estratégia de negócio ao treinamento e ao desenvolvimento. TAbElA 2.6 Visão, missão e valores da Barilla visão “Ajudamos as pessoasa viverem melhor, levando o bem-estar e a alegria de comer para o seu dia a dia.” Missão ■ Desde 1877, a Barrila é a empresa da família italiana que acredita que a comida é uma experiência feliz de convívio, é sabor, é uma forma de compartilhar e demonstrar carinho. ■ A Barilla oferece produtos deliciosos e seguros a um ótimo preço. ■ A Barilla acredita no modelo nutricional italiano que reúne ingredientes de qualidade superior e receitas simples para criar experiências sensoriais únicas. ■ O sentimento de pertencimento, a coragem e a curiosidade intelectual inspiram nossos comportamentos e caracterizam o nosso pessoal. ■ A Barilla sempre teve o seu desenvolvimento ligado ao bem-estar das pessoas e às comunidades em que trabalha. valores Paixão, confiança, curiosidade intelectual, integridade e coragem. Fonte: www.barillaus.com, site oficial do Barilla Group. cap2_noe.indd 72 08/12/2014 17:44:55 Capítulo 2 ▪ Treinamento estratégico 73 A estratégia de negócio da Mike’s tem como base a reputação pela qual a empresa é conhecida: serviço consistente e rápido, clientes recorrentes e crescimento do negócio com quatro ou cinco novas localidades a cada ano. As lavagens da Mike’s Carwashes são automatizadas e contam com equipamentos, sistemas e tecnologias desenvolvidas por funcionários da Mike’s. A empresa atribui uma parcela do seu sucesso à perspicácia para negócios da família Dahm, mas acredita que a maior parte do sucesso vem dos seus fun cionários e das práticas de seleção e treinamento. Os fundadores da empresa, Joe e Ed Dahm, eram conhecidos por falar para seus funcionários que a empresa era na verda de um negócio que lidava com o público, só que por acaso lavava carros. A sua missão é oferecer um serviço rápido e amigável à chefia (ou seja, aos clientes) com um bom preço. A satisfação do cliente é muito importante, sendo que o foco é replicar o negócio, servindo os clientes para que eles desejem voltar novamente. O maior desafio enfrenta do pela Mike’s é oferecer uma experiência consistentemente agradável para o cliente. A empresa está sempre buscando melhorar a experiência do cliente através de novas ideias. Se uma ideia nova funcionar, ela será implantada em todas as localidades. A Mike’s acredita que não basta encontrar ótimos funcionários, é preciso treinálos e desenvolvê los. O site da empresa explica que ela tem “fama de seletiva” quando o assunto é con tratação: para cada 50 pessoas em processo de seleção, apenas uma é de fato contratada. A Mike’s utiliza treinamento e desenvolvimento para reter e engajar os seus funcioná rios. Cada um possui um plano de desenvolvimento e recebe avaliações de desempenho duas vezes ao ano. O treinamento dos novos funcionários engloba a familiarização com as boas práti cas e como ajudar clientes nas diferentes situações que encontrarão na lavagem. Antes de atender o seu primeiro cliente, o novato recebe dois dias de orientação e participa de workshops que focam em serviço ao consumidor, qual o tratamento que deve ser dado aos clientes, como recuperarse de erros e falhas no serviço e como lidar com clientes difíceis. Também é oferecido treinamento para ajudar os funcionários a crescerem den tro da empresa. O percurso da carreira é bem definido, partindo de trabalhador por hora, passando por supervisor e gerente de turno até chegar a gerente adjunto. É possível alterar o plano de carreira através de bom desempenho e realização de certificações internas que incluem até 12 semanas de treinamento e três exames que exigem aprova ção com aproveitamento superior a 80%. O engajamento e a satisfação dos funcionários FIGURA 2.3 Como a Mike’s Carwash vincula treinamento e desenvolvimento à estratégia de negócio Atividades de treinamento e desenvolvimento Indicadores que mostram o valor do treinamento Estratégia de negócio Iniciativas estratégicas de treinamento e desenvolvimento ▪ Encantar o cliente ▪ Repetir os negócios ▪ Oferecer serviço consistente ▪ Crescer ▪ Diversi�car o portfólio de aprendizagem ▪ Ampliar os grupos que recebem treinamento ▪ Melhorar o serviço ao consumidor ▪ Oferecer oportunidades de desenvolvimento ▪ Orientação ▪ Plano de desenvolvimento ▪ Certi�cação interna ▪ Treinamento on-line ▪ Gerentes responsáveis pelo treinamento e oferta de coaching para melhorar outras habilidades ▪ Clientes recorrentes ▪ Receitas ▪ Satisfação do cliente ▪ Informações de clientes ocultos ▪ Garantia de ambientes de trabalho que apoiem a limpeza e a transferência cap2_noe.indd 73 08/12/2014 17:44:57 74 Parte 1 ▪ Treinamento e desenvolvimento em contexto são medidos através de pesquisas semestrais, além da coleta de informações fornecidas por colaboradores que estão deixando a empresa. Os funcionários têm um papel impor tante na escolha e elaboração de atividades de treinamento e desenvolvimento. Uma equipe de 15 a 20 membros indicados pelos gerentes das lojas trabalham pelo período de um ano como especialistas no assunto para ajudar no desenvolvimento de novos programas de treinamento e na modificação de programas existentes. Os membros da equipe também são os primeiros participantes a integrar os novos programas e oferecer feedback sobre mudanças necessárias e sobre a eficácia do programa. Além dos programas de treinamento habituais para novos funcionários e programas de certificação para avançar na empresa, a Mike’s também desenvolveu programas para atender às necessidades de negócio que estão surgindo. Assim, a empresa percebeu uma necessidade de aumentar o gasto dos seus clientes, certificandose de que os funcioná rios falassem sobre serviços agregadores de valor, como lavagem do veículo por baixo, tratamentos de pneus e aplicação de verniz. Para isso, desenvolveuse um módulo de treinamento on-line, orientando os gerentes a incentivar os funcionários a realizar o treinamento e a praticar suas táticas de venda nas reuniões mensais de equipe. A Mike’s reconhece que os gerentes têm o importante papel de ajudar os funcioná rios a aprender, portanto eles devem apoiar e ajudar ativamente na oferta de treinamen to. Neste programa, os gerentes eram ensinados a identificar as fraquezas das técnicas de serviço recomendadas pelos funcionários e a utilizarem sessões de coaching para aprimorálas. Eles também eram orientados a observar e registrar as recomendações de serviços ao consumidor feitas pelos funcionários, oferecendo um feedback depois. Os resultados foram positivos: os dados de receita geral, receita por cliente, satisfação do cliente e cliente oculto melhoraram. CARACTERÍSTICAS ORGANIZACIONAIS QUE INFlUENCIAM O TREINAMENTO A quantidade e o tipo de treinamento, bem como a organização do setor de treinamento de uma empresa, sofrem a influência de fatores como: papel de funcionários e gerentes, apoio da alta gestão ao treinamento, grau de integração das unidades do negócio, presença glo bal, condições de negócio, outras práticas de gestão de recursos humanos (incluindo estra tégias de pessoal e planejamento de recursos humanos), nível de sindicalização da empre sa e nível de envolvimento de gerentes, funcionários e equipe de recursos humanos.26 Papel de funcionários e gerentes O papel de funcionários e gerentes em uma empresa influi no foco das atividades de treinamento, desenvolvimento e aprendizado. Tradicionalmente, o papel dos funcioná rios era realizar o trabalho seguindo as orientações dos gerentes, sem estarem envolvi dos na melhoria da qualidade de produtos ou serviços. Porém, com a ênfase na criação de capital intelectual e o movimento em direção a sistemas de trabalho de alto desem penho que utilizem equipes, os funcionários dos dias de hoje desempenham vários pa péis que costumavam ser exclusivos da gerência (p. ex., seleção, organização de horários de trabalho e interação com consumidores, vendedores e fornecedores).27 Tendo em vista que as empresas estão utilizando equipes para produzir bens eprover serviços, os membros destas equipes precisam de treinamento em solução de problemas interpes soais e habilidades de trabalho em equipe (p. ex., como resolver conflitos e oferecer feed back). Se os funcionários são responsáveis pela qualidade de produtos e serviços, é cap2_noe.indd 74 08/12/2014 17:44:58 Capítulo 2 ▪ Treinamento estratégico 75 preciso que sejam treinados no uso de dados para a tomada de decisões, o que envolve treinamento em técnicas de controle estatístico de processos. Como foi visto no Capítulo 1, os membros da equipe também podem receber treinamento nas habilidades necessá rias para outras funções existentes na equipe (treinamento cruzado) e não apenas para o cargo específico que estão ocupando. Para incentivar o treinamento cruzado, as empre sas adotam sistemas de pagamento com base em habilidades, nos quais os honorários dos funcionários incluem competência e não apenas habilidades em seus trabalhos atuais. As pesquisas sugerem que é esperado que os gerentes dos dias de hoje sejam capazes de:28 ■ Gerenciar o desempenho individual e da equipe. Motivar funcionários a mudar o desempenho, oferecer feedback de desempenho e monitorar atividades de treina mento; esclarecer as metas individuais e coletivas e garantir o alinhamento com as metas da empresa. ■ Desenvolver os funcionários e incentivar o aprendizado contínuo. Explicar atribui ções e oferecer a especialidade técnica necessária; criar um ambiente que estimule o aprendizado. ■ Planejar e alocar recursos. Traduzir planejamentos estratégicos em atribuições e estabelecer prazos para os projetos. ■ Coordenar atividades e equipes interdependentes. Convencer outras unidades a ofe recer ao grupo de trabalho os produtos ou recursos de que precisam, e entender as metas e planos das outras unidades; certificarse de que a equipe está atendendo às necessidades de clientes internos e externos. ■ Gerenciar o desempenho do grupo. Delimitar áreas de responsabilidade; reunirse com outros gerentes para discutir os efeitos de mudanças na unidade de trabalho em seus grupos; facilitar mudanças; implantar a estratégia de negócio. ■ Facilitar o processo de tomada de decisões. Facilitar a tomada de decisões indivi duais e coletivas; estimular o uso de processos eficazes de tomada de decisões (ge renciar conflitos, controle estatístico de processos). ■ Criar e preservar a confiança. Garantir que cada membro da equipe seja responsá vel pela sua carga de trabalho e clientes; tratar todos os membros da equipe com respeito; escutar e responder as ideias da equipe honestamente. ■ Representar a unidade de trabalho. Desenvolver relações com os outros gerentes, comunicar as necessidades do grupo de trabalho para as outras unidades e oferecer informações sobre a situação do grupo de trabalho para outros grupos. Seja qual for o seu nível dentro da empresa (p. ex., gerência sênior), é esperado que todos os gerentes atuem como portavozes para outras unidades de trabalho, gerentes e vendedores (ou seja, representem a unidade de trabalho). É claro que o tempo que os gerentes dedicam a algumas destas funções depende do nível em que estão. Os gerentes de linha gastam mais tempo com a gestão de desempenho individual e desenvolvimento de funcionários do que os gerentes de nível intermediário ou os executivos. As funções mais importantes para gerentes de nível intermediário e executivos são: planejamento e alocação de recursos, coordenação de grupos interdependentes e gestão do desempenho do grupo (especialmente a gestão de mudanças). Os executivos também gastam algum tempo com o monitoramento do ambiente de negócio, analisando tendências de merca do, desenvolvendo relacionamentos com os clientes e supervisionando as atividades de vendas e marketing. cap2_noe.indd 75 08/12/2014 17:44:58 76 Parte 1 ▪ Treinamento e desenvolvimento em contexto Para ser bemsucedido no gerenciamento de um ambiente com grupos, os gerentes pre cisam ser treinados em “habilidades para lidar com pessoas”, como negociação, sensibilida de, coaching, resolução de conflitos e habilidades comunicativas. A falta destas habilidades mostrou estar relacionada ao insucesso de gerentes em avançar nas suas carreiras.29 Apoio da alta gerência O CEO, que é o cargo de gerência mais alto dentro de uma organização, desempenha um papel fundamental na importância que o treinamento e o desenvolvimento têm na empresa. Ele é responsável por:30 ■ Estabelecer uma direção clara para o aprendizado (visão). ■ Oferecer incentivo, recursos e comprometimento com o aprendizado estratégico (patrocinador). ■ Assumir um papel ativo na administração do aprendizado, incluindo revisar metas, e objetivos e oferecer ideias sobre como medir a eficácia do treinamento (gestor). ■ Desenvolver novos programas de aprendizado para a empresa (especialista no assunto). ■ Lecionar nos programas e oferecer recursos on-line (corpo docente). ■ Servir como modelo de aprendizado para toda a empresa e demonstrar vontade de aprender constantemente (aprendiz). ■ Promover o comprometimento da empresa com o aprendizado, posicionandose ao seu favor em discursos, relatórios anuais, entrevistas e outras ferramentas de rela ções públicas (agente de marketing). James Hackett, CEO da Steelcase, empresa que atua na indústria de móveis para escritório, declarou publicamente que o aprendizado é o núcleo da estratégia da empre sa. O pontochave, disse Hackett, é que a Steelcase estude o espaço e ajude as empresas a utilizaremno de maneira eficaz e eficiente.31 Por sua vez, para garantir que a alta ge rência entendesse e apoiasse o programa de treinamento e desenvolvimento, a Ingersoll Rand criou um modelo conhecido como “escada de engajamento”.32 A alta gerência está envolvida de várias formas, incluindo oferecer contribuições para o desenvolvimento de programas de aprendizado, trabalhar como instrutores e coinstrutores, visitar os cursos como palestrantes executivos ou trabalhar como membros do conselho da universidade corporativa da Ingersoll Rand. Integração das unidades de negócio O nível de integração das unidades ou negócios de uma empresa afeta o tipo de treina mento que acontece. Em negócios altamente integrados os funcionários precisam enten der as outras unidades, serviços e produtos da empresa. Nestes casos, é provável que o treinamento inclua a rotação de funcionários por cargos em negócios diferentes para que obtenham um entendimento abrangente do negócio. Presença global Como observamos no Capítulo 1, o desenvolvimento de mercados globais de produtos e serviços é um grande desafio para empresas norteamericanas. Como os funcionários estão geograficamente fora dos Estados Unidos, as empresas precisam decidir se o trei namento será conduzido e coordenado a partir de uma central norteamericana ou de instalaçõessatélite próximas. cap2_noe.indd 76 08/12/2014 17:44:58 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Dica do professor No vídeo a seguir apresenta-se uma contextualização das mudanças ocorridas nas organizações no cenário atual, as características de uma organização que possui uma capacidade aprimorada de aprendizado e adaptação à mudança e quais iniciativas estratégicas de treinamento e desenvolvimento uma empresa deve realizar para atingir a sua estratégia de negócio. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/a536c6c2c1b69e3f895d8206ef603086 Na prática A ênfase da American Express no treinamento está relacionada não apenas às necessidades da empresa, mas também ao princípio básico de negócios de que custa menos servir bem os clientes e mantê-los do que substituí-los por outros depois que se forem. Oferecer um bom serviço e preservar alealdade do consumidor depende do bom atendimento dos representantes ao trabalhar ao telefone, tirar pedidos, oferecer assistência e desenvolver relações com os clientes. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: RH estratégico: o que é, como implantar e qual é a sua missão Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Empreendedorismo Corporativo: a inovação da gestão de pessoas Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.gupy.io/blog/rh-estrategico http://abrhmg.org.br/biblioteca/artigo-empreendedorismo-corporativo/ A Corporação Sob uma Visão Estratégica Estratégias de Gestão e Organização Empresarial Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria LUCILIANE RIBEIRO AUTORIA Luciliane Ribeiro Sou formada em Letras Inglês, pós-graduada em gerenciamento de projetos, gestão negócios internacionais e administração. Experiência intensiva em empresas de médio e grande porte com mais de 15 anos. Hoje, atuo em mapeamento de processos, controles internos em empresas. Possuo flexibilidade e habilidade facilitadora para transitar em diferentes segmentos e compartilhar minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO O que é uma Organização ....................................................................... 10 Organizações Segundo Morgan .......................................................................................... 11 Organização Como Entidade Social ............................................................................... 15 Como é Constituída uma Organização? ............................................23 O que é Gestão? ......................................................................................... 35 Como se Norteia a Gestão Corporativa ........................................... 47 7 UNIDADE 01 Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 8 INTRODUÇÃO O que mudou na postura dos executivos em relação aos dos séculos anteriores? Se pesquisarmos na história empresarial, veremos que a preocupação continua sendo a de um desejo de modelo empresarial flexível que se adapte às condições socioeconômicas e políticas. As empresas estão cada vez mais enxutas e terceirizando a mão de obra. Para tanto, os conceitos e ações estratégicas estão cada vez mais em evidência. O que veremos neste curso, além dos conceitos, serão os tipos de organizações e como elas adotam os modelos e técnicas de administração e gestão voltadas para os resultados e crescimento das organizações. A gestão corporativa é fundamental para que se alimente o plano estratégico e a adoção de novas ações, sejam elas de ordem tática ou operacional. Então, vamos lá? Ao final desta unidade letiva, você entenderá como as empresas necessitam estar alinhadas internamente e ter visibilidade no mercado global. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo é auxiliar você no atingimento dos seguintes objetivos de aprendizagem até término desta etapa de estudos: 1. Definir organização, entendendo suas peculiaridades e tipos. 2. Entender como é constituída uma organização. 3. Definir gestão no contexto organizacional. 4. Entender como é norteada a gestão corporativa. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 10 O que é uma Organização OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender o que é uma organização. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. As pessoas que desconsideram essa instrução têm problemas ao administrar o gerenciar uma organização. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. Para iniciar, você precisa compreender que a palavra organização pode ter dois significados diferentes, conforme descreve Chiavenato (2014): • Organização como uma entidade social: neste tipo de organização, as pessoas interagem entre si para atingir objetivos específicos. Assim, a organização significa um empreendimento humano conduzido intencionalmente para alcançar determinados objetivos. Podemos afirmar que as empresas são um exemplo de organização social. A figura 1 reforça a característica das organizações enquanto entidade social. Figura 1 – Redes sociais Fonte: Pixabay Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 11 • Organização como função administrativa: fundamenta-se no processo administrativo, assim, está relacionado à organização, estruturação e alocação de recursos, definição dos órgãos incumbidos de sua administração e estabelecimento das atribuições e relações entre eles. Neste capítulo vamos focar na organização como uma entidade social. Baseado nessa perspectiva, a organização pode possuir diferentes significados, a exemplo da descrição de organização realizada por Morgan, como será introduzido no próximo tópico. Está preparado(a)? Vamos lá. Organizações Segundo Morgan Na obra “Imagens das Organizações”, Gareth Morgan postula que todas os indivíduos possuem imagens mentais das organizações em que trabalham. Ou seja, uma organização pode ser entendida de forma diferente por várias pessoas. Uma pessoa também pode vê-la de diferentes maneiras. Identificar essas imagens mentais possibilita entender e administrar de forma eficaz e eficientes as organizações. Com base nessa obra, uma organização pode ser vista como: máquina, organismo vivo, cérebro, cultura, sistema político, prisão psíquica, sistema em fluxo e transformação, bem como instrumentos e dominação (MAXIMIANO, 2018). Para proporcionar melhor compreensão, essas imagens serão descritas a seguir, conforme mostrado em Maximiano (2018): • Máquina - a organização entendida como máquina enfatiza a organização e a hierarquia, deixando bem claro quais as responsabilidades e relações de autoridade. O ponto forte desse tipo de organização é o funcionamento regular e o ponto fraco é a desumanização do trabalho. Exemplo: Redes de fast-food, etc. A figura 2 reforça uma das características dessas metáfora que é a padronização. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 12 Figura 2 -Equipe Fonte: Freepik • Organismo vivo - é a metáfora biológica das organizações. Sua ênfase está voltada para a capacidade de adaptação e nãono arranjo ordenado das coisas. Esses sistemas enfatizam o desenvolvimento das competências humanas, mas não são indefinidamente adaptativos em função da possibilidade de conflito interno que é característico destes sistemas e que pode levá-los à obsolescência e à extinção. Exemplo: Departamentos de criação das agências de propaganda. • Cérebro - essa metáfora aplica-se às organizações em que a inteligência e o conhecimento estão distribuídos em todos os lugares, Qualquer parte da organização pode reproduzir o papel do todo, muito embora o cérebro pode ser feito de partes que não aprendem com as outras ou não conseguem questionar seu modo de operar. Exemplo: Instituições de pesquisa e nas universidades. A figura 3 mostra um holograma, que é uma das comparações mais usadas para ilustra essa metáfora. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 13 Figura 3 – Holograma Fonte: Freepik • Cultura - os indivíduos compartilham uma cultura interpretam situações e eventos da mesma maneira. Exemplo: organizações religiosas, etc. Ela também possibilita enxergar outros aspectos além dos formais e racionais, evidenciando as possibilidades de mudança. Exemplo: uma empresa de transportes que enxerga seus passageiros como clientes, e não como carga, essa nova perspectiva possui impacto positivo sobre a estratégia e a competitividade. • Sistema político - entende-se que a organização reúne interesses de vários tipos: departamentais, grupais, individuais, etc. Além disso, pode ser democrática ou autocrática, ou ficar em algum ponto no meio desses dois extremos. Nesse sentido, é essencial para a administração das organizações reconhecer sua natureza política. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 14 • Prisão psíquica - essa metáfora se refere ao poder que as organizações têm sobre as pessoas. Nessa abordagem, os indivíduos ficam confinadas a seus papéis limitados e tornam- se incapazes de pensar de forma distinta da que acreditam ser a desejada pela organização. Diante disso, os gestores precisam derrubar as barreiras mentais e compreender de forma diferente suas tarefas e a organização. A figura 4 ilustra a hierarquia em grupo que é uma maneira de demonstrar os tipos de poder de uma organização. Figura 4 – Hierarquia Fonte: Pixabay • Sistema em fluxo e transformação: essa metáfora enxerga a necessidade de adaptação para a sobreviver, em que existe uma influência reciproca entre a organização e o ambiente. Quando uma organização é incapaz de mudar, ela pode ser considerada ineficaz e pode ser conduzida à extinção. • Instrumento de dominação: nessa abordagem, as organizações têm poder e o utilizam para se beneficiar, muitas vezes causando danos ao ambiente em sua volta. Exemplo: a construção da Muralha da China, é uma demonstração do triunfo da técnica e da habilidade, bem como do sacrifício de muitos para a glória de poucos. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 15 Reconhecido que as organizações podem ser interpretadas de diferentes formas pelos indivíduos, a partir de agora vamos explorar conceitos basilares associados ao tema. Está preparado(a)? Vamos continuar! Organização Como Entidade Social Segundo Maximiano (2018) organização consiste na união de esforços individuais que tem por objetivo alcançar propósitos coletivos. Por meio de uma organização torna-se possível buscar e alcançar objetivos que seriam inatingíveis para uma pessoa de forma individual. Em outras palavras, uma organização é um agrupamento de profissionais com formações diversas e trabalhando para produzir bens de consumo e comercializar no mercado global. EXPLICANDO MELHOR: O que são bens de consumo? A Teoria Econômica diz que um bem é tudo aquilo que tem uma utilidade e pode satisfazer uma necessidade. “Bem” é um produto ou serviço que uma organização produz e comercializa no mercado. Esses produtos ou serviços podem ser classificados como: • Duráveis – são bens que duram muitos anos, como os automóveis. • Semiduráveis – são bens que vão se desgastando com a sua utilização, como roupas e calçados. • Não duráveis – são bens que devem ser consumidos imediatamente, como alimenta Segundo Coutinho (2020) para produzir bens e serviços são necessários recursos. Eles se dividem em: • Recursos materiais – é todo o ativo imobilizado da organização, tais como espaço físico, prédios e terrenos. Também é classificado como um recurso material o processo de produção e a tecnologia utilizada. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 16 • Recursos financeiros – são os investimentos, capital, fluxo de caixa, aplicações, empréstimos e financiamentos que a organização possui. • Recursos humanos – são as pessoas/profissionais que compõem as organizações independentes em todos os níveis hierárquicos. • Recursos mercadológicos – são os instrumentos utilizados para promover a análise do mercado e elaborar as estratégias para colocação de os produtos e serviços aos consumidores, bem como a sua divulgação. • Recursos administrativos – são os recursos de gestão (planejamento, organização, controle e direção). Importante destacar que, segundo Chiavenato (2014) as interações relacionamentos estabelecidos entre as pessoas estão condicionados a duas tipologias de organização, a saber: Formal (ou racional) e Informal (ou natural), descritas a seguir: • A organização informal é o agrupamento de profissionais com objetivos, ideias e costumes em comum que são compartilhados no ambiente de trabalho. EXPLICANDO MELHOR: A organização formal é uma empresa constituída de órgãos, cargos, relações funcionais, níveis hierárquicos etc. que são demonstradas através de organogramas. Já a organização formal é o agrupamento de profissionais numa estrutura organizada e formal, com áreas de decisão, no qual as atividades, responsabilidades e canais de comunicação são definidos. Segundo Chiavenato (2014) uma organização informal possui as seguintes características: • Relação de coesão ou de antagonismo - se refere à possibilidade de os indivíduos podem criar relações pessoais de identificação ou de antipatia. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 17 • Status - ao interagir em grupos, os indivíduos adquirem certa posição social ou status em função do seu papel e integração grupo. • Colaboração espontânea - a organização informal é um produto da colaboração espontânea de indivíduos. • Possibilidade de oposição da organização informal - a organização informal pode se desenvolver em oposição à organização formal quando a gestão não propiciar um clima adequado de bons relacionamentos. • Padrões de relações e atitudes - os indivíduos desenvolvem, de forma espontânea, padrões de relações e atitudes para traduzir os interesses do grupo. • Mudanças de níveis e alterações dos grupos informais - os indivíduos participam de vários grupos informais em função dos relacionamentos funcionais que sustentam em outros níveis e setores da organização. • Organização informal transcende a organização formal - a organização informal é formada por interações e relações espontâneas, cuja duração e natureza transcendem as relações formais. • Padrões de desempenho - os padrões de desempenho definidos pelo grupo informal nem sempre equivalem aos padrões definidos pela administração. Nesse sentido, podem ser maiores ou menores, estar em harmonia ou em oposição, conforme o grau de motivação do grupo em relação aos objetivos da organização. Nesse tipo de organização, o indivíduo está preocupado com a aprovação social do grupo ao qual está associado. No que diz respeito à organização formal, Chiavenato (2014) destaca que a principal característica deste tipo de organização é o racionalismo. Baseado nessa abordagem, podemos compreender que a organização é um conjunto de cargos funcionaise hierárquicos a cujas prescrições e normas de comportamento os seus integrantes precisam se sujeitar. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 18 No que diz respeito à organização linear, podemos dizer que existem linhas diretas e únicas de autoridade e de responsabilidade entre gestores e subordinados. Ela possui formato piramidal. É o modo de organização típica de pequenas empresas ou de organizações em seus estágios iniciais (CHIAVENATO, 2014). Esse tipo de organização possui as seguintes características: • Autoridade linear -a autoridade linear está apoiada no nível hierárquico e se limita aos subordinados. Cada subordinado reporta-se e recebe ordem somente de seu superior. • Linhas formais de comunicação - as comunicações são lineares e formais, limitadas exclusivamente às relações formais do organograma. Todo órgão ou cargo possui dois terminais de comunicação: • Orientado para cima e que o liga somente ao órgão ou cargo superior. • Orientado para baixo e que o liga apenas aos órgãos ou cargos diretamente subordinados. • Centralização das decisões - a autoridade linear que coordena toda a organização está centralizada no topo do organograma, e os canais de responsabilidade são orientados por meio dos níveis hierárquicos. • Aspecto piramidal - devido a centralização da autoridade no topo da organização e da autoridade linear de cada superior quanto aos subordinados, a organização linear apresenta um formato piramidal. À medida que se sobe na escala hierárquica, o número de cargos ou de órgãos diminui. Para proporcionar melhor compreensão, a figura 5 mostra a estrutura da organização linear. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 19 Figura 5– Organização linear Gerência Gerência Execução Execução Diretor Fonte: Chiavenato (2014, p. 203) No tipo de organização funcional é o tipo de estrutura organizacional que aplica o princípio funcional ou princípio da especialização das funções. O princípio funcional separa, distingue e especializa. As características da organização funcional são: • Autoridade funcional - esse tipo de autoridade é relativo e apoiada na especialização. Não possui nada tem de linear, hierárquica ou de comando. Os subordinados reportam-se a muitos superiores, mas somente nos assuntos de sua especialidade. Os superiores possuem uma autoridade parcial e relativa relacionada à sua especialidade. • Linhas diretas de comunicação: as comunicações entre os órgãos ou cargos são realizadas de forma direta e não há necessidade de intermediação. • Descentralização das decisões - corresponde ao deslocamento e à distribuição das decisões para os órgãos ou cargos apropriados. • Ênfase na especialização - cada órgão ou cargo contribui para a organização conforme sua especialidade. Para proporcionar melhor compreensão, a figura 6 mostra a estrutura da organização funcional. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 20 Figura 6 – Organização funcional Gerência Gerência Execução Execução Diretor Fonte: Chiavenato (2014, p.203). Por sua vez, a organização linha-staff é o produto da combinação dos tipos de organização linear e funcional. Nesse tipo de organização coexistem órgãos de linha (órgãos de execução) e de assessoria (órgãos de apoio e de consultoria), sustentando relações entre si. As características desse tipo de organização são: • A organização linha-staff possui características mais complexas, pois existem características lineares e funcionais, simultaneamente. • Cada órgão se reporta apenas a um órgão superior e cada órgão recebe assessoria e serviços especializados de diversos órgãos de staff. • Coexistência entre as linhas formais de comunicação com as linhas diretas de comunicação. Ou seja: existem linhas formais de comunicação entre superiores e subordinados que expressam a hierarquia, bem como há linhas diretas de comunicação que conectam os órgãos e o staff e formam a oferta de assessoria e serviços especializados. • Separação entre órgãos operacionais e órgãos de apoio e suporte. Os membros do staff focam em atividades que requerem estudo e pesquisa, bem como em no planejamento e na solução de problemas da organização. Por sua vez, os chefes de linha focam Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 21 na execução do trabalho e nos regulamentos formulados pelo staff. • Hierarquia versus especialização: apesar da conexão entre organizações lineares e organizações funcionais, existe uma predominância dos aspectos lineares na organização linha- staff. Por exemplo, a organização linha-staff sustenta o princípio da hierarquia, mas sem abrir mão da especialização. Ou seja, a hierarquia (linha) mantém o comando e a disciplina, enquanto a especialização (staff) oferece serviços de consultoria e assessoria. Para proporcionar melhor compreensão, a figura 7 mostra a estrutura da organização linha-staff. Figura 7 – Organização linha-staff Staff Gerência Assessoria Execução Diretor Fonte: Chiavenato (2014, p. 203). RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a palavra organização pode ser compreendida como: (i) entidade social, na qual os indivíduos interagem entre si para alcançar objetivos; (ii) função administrativa, que trata sobre Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 22 o processo administrativo. Somado a esses aspectos, você deve ter conhecimento da abordagem dos conceitos centrais trabalhados na obra “Imagens das Organizações”, de Gareth Morgan que mostra diferentes pontos de vista de uma organização: máquina, organismo vivo, cérebro, cultura, sistema político, prisão psíquica, sistema em fluxo e transformação, bem como instrumentos e dominação. Além disso, você aprendeu que os constituídos entre as pessoas estão condicionados a duas tipologias de organização: Formal e Informal. As principais características de uma organização informal são: relação de coesão ou de antagonismo, status, colaboração espontânea, possibilidade de oposição da organização informal, padrões de relações e atitudes, mudanças de níveis e alterações dos grupos informais, organização informal transcende a organização formal, bem como padrões de desempenho nos grupos informais. Quanto à organização formal, compreendemos que diz respeito a um conjunto de cargos funcionais e hierárquicos, assim, foram explorados os três tipos de organizações formais: a organização linear, a organização funcional e a organização linha-staff. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 23 Como é Constituída uma Organização? OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como é constituída uma organização. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão, pois uma organização pode envolver múltiplos recursos, bem como pode influenciar e receber influências de diferentes formas. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! A sociedade atual possui problemas de natureza complexas, provocados pela relação de diferentes fatores. Vários problemas constituem a complexidade da situação contemporânea para os gestores das organizações públicas e privadas. Muitas delas não estão empenhadas em enfrentá-los, e esses problemas, em maior ou menor grau, interferem nos desempenhos e ampliam a quantidade número de variáveis que os administradores precisam considerar em suas decisões. São exemplos desses problemas: a crise econômica, o esgotamento de recursos naturais, etc. (MAXIMIANO, 2018). Para proporcionalizar melhor compreensão, a figura 8 traz um exemplo de um problema complexo que pode ser provocado por diferentes fatores. Figura 8 – Incêndio florestal Fonte: PixabayEstratégias de Gestão e Organização Empresarial 24 Segundo Maximiano (2018) o instrumento que lida com a complexidade é o pensamento sistêmico, que possibilita: • Visualizar a relação de componentes que se unem em totalidades ou conjuntos complexos. • Compreender a multiplicidade e a interdependência das causas e variáveis dos problemas complexos. • Planejar soluções para problemas complexos. Segundo Chiavenato (2014) sistema é um todo complexo ou organizado, inclui um conjunto de partes (elementos) que constituem um todo unitário. Seus componentes são: • Físicos/ concretos/ materiais, como - equipamentos, máquinas, instalações, etc. Exemplos de componentes físicos são mostrados na figura 9. Figura 9 – Ambiente de trabalho Fonte: Pixabay • Conceituais/ abstratos, como - conceitos, ideias, emocional, regras, etc. A figura 10 ilustra uma pessoa tendo uma ideia, para reforçar essa característica dos componentes abstratos. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 25 Figura 10 – Homem amigável tendo ideia Fonte: Freepik Baseado em Chiavenato (2014) os elementos básicos de um sistema são: • Entradas/ Inputs - recursos físicos e abstratos de que compõem o sistema. Inclui todas as influências e os recursos recebidos do meio ambiente. • Processo - todo sistema é dinâmico e possui processos que conectam os componentes e convertem os elementos de entrada em resultados. • Saídas/ resultados - são os produtos do sistema, os objetivos que o sistema pretende alcançar ou atinge. Segundo Silva (2008) as organizações são sistemas abertos, os quais tomam entradas do ambiente e por meio de uma série de processos, convertem essas entradas em saídas para atingir algum propósito, como exemplificado na figura 11. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 26 Figura 11- Organização como sistema aberto Matérias-primas. Informações. Recursos. Entrada Subsistemas inter-relacionados. Saída Processo Produtos Serviços Saída Fonte: Silva (2008, p. 44) De acordo com Silva (2008) qualquer tipo de organização possui a conversão de entradas em saídas. Dentro desse contexto, a organização é considerada como um sistema e suas atividades de transformação são compreendidas como um subsistema isolado, com seus processos de entradas saídas e de interação com outros subsistemas. No geral, as pessoas utilizam como exemplo a indústria para ilustrar essa abordagem, uma vez que elas recebem materiais e outros recursos, processam esses itens e entregam como forma de produtos. Selecionamos a figura 12 para fixar essa ilustração. Figura 12 – Entrada e saída Fonte: Freepik Compreender a perspectiva sistêmica ou enfoque sistêmico é um aspecto fundamental para explorar a estrutura das organizações. Você já Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 27 parou para pensar o que, de fato, constitui uma organização? Quais são os elementos básicos de sua estrutura? Esta é uma oportunidade para reflexão. Ao explorar as organizações sob a perspectiva da estrutura departamental (subsistemas), Silva (2008) afirma que diversos subsistemas podem ser determinados na organização, como setores de produção, de manutenção, de administração, entre outros. Além disso, o autor destaca alguns modelos compreendidos como referências na literatura, descritos a seguir: a. Modelo de Paul Hersey e Ken Blanchard que, segundo Silva (2008) identifica quatro subsistemas principais para as organizações: • Humano - foca nas necessidades e motivações dos indivíduos da organização, bem como seus estilos de liderança. • Administrativo - trata sobre a autoridade, a responsabilidade e estrutura dentro da organização. • Informacional - foca as decisões-chave e as necessidades de informação para assegurar a organização operacional. A figura 13 ilustra diferentes recursos que podem ser usados na troca de informações. Figura 13 – Comunicação de pessoas Fonte: Freepik Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 28 • Tecnológico - foca centrado no trabalho executado e na relação custo-benefício de metas para as organizações. b. Modelo de F Kast e J. Rosenzweig, que observam a organização como um sistema sociotécnico aberto, constituído pelos seguintes subsistemas, conforme descreve Silva (2008): • Metas e valores - inclui o alcance de metas estabelecidas pelo ambiente externo e a conformidade com as questões sociais. • Técnicos - abrange o conhecimento necessário para executar tarefas, técnicas e tecnologias. • Psicossociais - envolve as interações dos indivíduos e grupos, considerando seus comportamentos na organização. • Estruturais - inclui a divisão e a coordenação de tarefas e a relação formal entre os departamentos técnicos e psicossociais. • Administrativos - inclui práticas de planejamento, organização, direção e controle do desempenho da organização como um todo, bem como a gestão de sua relação com o ambiente. c. Modelo de Harold J. Leavitt que, baseado em Silva (2008), considera que a organização é fruto da interação entre quatro elementos: • Tarefa - inclui a solução de problemas e a melhoria do desempenho da organização. A figura 14 ilustra de forma simplificada um processo de resolução de problemas. Figura 14- Problema Fonte: Pixabay Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 29 • Estrutura - está vinculado aos padrões de organização, autoridade, responsabilidade e comunicações. • Informação e controle - inclui técnicas para controle da informação, a exemplo dos instrumentos de contabilidade. • Pessoas - considera as atitudes e relacionamentos interpessoais. d. Modelo de Laurie Mullins’ que, baseado em Silva (2008), exploram subsistemas que asseguram as atividades das organizações conduzidas para o alcance das metas e dos objetivos: • Tarefa - inclui metas e objetivos da organização, bem como as atividades executadas no processo de transformação. A figura 15 traz um ícone para representar objetivos e metas. Figura 15– Metas com dardos alvo no dartboard Fonte: Freepik • Tecnologia - considera a forma pela qual as tarefas da organização são executadas e a natureza do trabalho. • Estrutura - envolve os padrões de organização, autoridade, relacionamentos formais e canais de comunicação que ligam os indivíduos. • Pessoas - inclui a natureza dos indivíduos que executam as atividades, a exemplo de atitudes, habilidades, necessidade, estilos de liderança, etc. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 30 • Administração - a gestão de tarefas, tecnologia, estrutura e pessoas, bem como as políticas e processo de trabalho, etc. Muitos fatores podem interferir no desempenho das organizações, essas forças normalmente resultam dos ambientes das organizações: o ambiente geral, o ambiente das tarefas e o ambiente interno (SILVA,2008) Segundo Chiavenato (2014) o ambiente geral é constituído por um conjunto de condições comuns para todos os tipos de organizações: a. Condições tecnológicas - o progresso de outras organizações influencia as organizações, especialmente quando se trata de tecnologia sujeita a inovações. Nesse sentido, as organizações precisam adaptar-se e introduzir tecnologia que provém do ambiente geral para não perderem em termos de competitividade. b. Condições legais - abrange a legislação que afeta as organizações, auxiliando-as ou impondo-lhes restrições às suas atividades, a exemplo de caráter comercial, trabalhista, fiscal, civil, etc. Para proporcionar melhor compreensão, a figura 16 mostra ícones relacionados à justiça e a legislação. Figura 16– Lei e conceito de justiça Fonte: Freepik Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 31 c. Condições políticas - são as decisões e políticas estabelecidas nos níveis federal, estadual e municipal que influenciam as organizações, bem como conduzem suas condições econômicas. d. Condições econômicas - condiçõesque determinam o desenvolvimento econômico ou a retração econômica, interferindo fortemente as organizações. Exemplos: a inflação, a distribuição da renda interna, etc. Para reforçar essas condições, selecionamos a figura 17 que trata sobre economia. Figura 17 – Economia Fonte: Pixabay e. Condições demográficas - inclui aspectos como raça, religião, gênero, idade, etc. f. Condições ecológicas - existem condições associadas ao quadro demográfico que inclui a organização. Diante disso, o ecossistema pode ser entendido como o sistema de intercâmbio entre os seres vivos e seu ambiente. Para as organizações, existe uma ecologia social: as organizações influenciam e são influenciadas por aspectos como clima, comunicações, etc. g. Condições culturais - a cultura de uma sociedade penetra as organizações por meio das expectativas de seus integrantes e dos consumidores. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 32 O ambiente de tarefa corresponde ao ambiente mais próximo e imediato de uma organização (CHIAVENATO, 2014). Ele é constituído pelos seguintes elementos: a. Fornecedores de entradas - inclui os provedores de todos os tipos de recursos (materiais, financeiros, humanos, etc.) usados em uma organização. A figura 18 traz representação da logística colaborativa que inclui fornecedores de diferentes segmentos. Figura 18 – Logística colaborativa Fonte: Freepik b. Clientes ou usuários - são os consumidores das saídas de uma organização. c. Concorrentes - corresponde a disputa entre organizações pelos recursos de entradas e pelos consumidores de suas saídas. A figura 19 foi selecionada para ilustra uma competição nos negócios. Figura 19 – Líder em competição de negócios Fonte: Freepik Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 33 d. Entidades reguladoras - inclui os atores que regulam ou fiscalizam as atividades das organizações, a exemplo de sindicatos, associações de classe, órgãos regulamentadores do governo, etc No que diz respeito ao ambiente interno, Silva (2008) afirma que a organização é formada pelos seguintes elementos: • Proprietários - indivíduos ou grupos de pessoas que possuem direitos legais de propriedade da organização. • Empregados - inclui as pessoas que movem a organização. Um exemplo de profissional que executa atividades no nível operacional da empresa pode ser consultado na figura 20. Figura 20 – Construtor profissional Fonte: Freepik • Administradores - diz respeitos aos gestores escolhidos pelos acionistas da organização ou pelo proprietário para conduzir a administração geral da empresa. • Ambiente físico - diz respeito às instalações das organizações e ao trabalho que os indivíduos executam. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 34 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que uma organização pode ser constituída de diferentes elementos, conforme a perspectiva e o ambiente considerado. De forma específica você deve entender o enfoque sistêmico direcionado às organizações. Reconhecendo a organização como um sistema aberto, você deve saber que seus componentes são: físicos ou conceituais. Ao explorar as organizações sob a perspectiva da estrutura departamental, com ênfase nos subsistemas, exploramos os elementos de alguns modelos em destaque na literatura, como: O modelo de Paul Hersey e Ken Blanchard ( Humano, Administrativo, Informacional e Tecnológico), o modelo de F Kast e J. Rosenzweig ( Metas e valores, Técnicos, Psicossociais, Estruturais, Administrativos), o modelo de Harold J. Leavitt ( Tarefa, Estrutura, Informação e controle, Pessoas), o modelo de Laurie Mullins’ (Tarefa, Tecnologia, Estrutura, Pessoas, Administração). Além dos componentes abordados em cada modelo, você também foi orientado quanto aos fatores que podem interferir no desempenho das organizações, essas forças normalmente resultam dos ambientes das organizações: o ambiente geral(tecnologias, legislação, políticas, condições econômicas, condições demográficas: condições ecológicas condições culturais, etc.), o ambiente das tarefas (fornecedores, clientes ou usuários, concorrentes, entidades reguladoras) e o ambiente interno ( Proprietários, Empregados, Administradores, Ambiente físico). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 35 O que é Gestão? OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender o que é gestão. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. Vamos avançar nas definições e explicar como a gestão corporativa é importante para as organizações em crescimento, pois à medida em que se aumenta a penetração no mercado, aumenta o fluxo de atividades, expansões, logísticas e recursos humanos. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Para começar, você precisa entender que gestão é um conceito amplo, tratado na literatura especializada como Administração. Existem vários conceitos de administração e obras sobre o assunto, mas a maioria das definições encontradas compartilham a seguinte ideia central: a administração está associada com o alcance de objetivos por meio dos esforços de outros indivíduos (SILVA, 2008). A figura 21 foi selecionada para reforçar a relação entre objetivos e pessoas no contexto de gestão. Figura 21 – Gestão de pessoal Fonte: Freepik Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 36 Segundo Silva (2008) essas definições de administração podem ser classificadas em cinco categorias, a saber: • Escola funcional - inclui as visões de McFarland, Henri Fayol e George Terry, os quais consideram a administração como sendo um processo diferente, que envolve planejamento, organização, atuação e controle para definir e alcançar os objetivos da organização por meio de pessoas e diferentes recursos. A figura 22 traz alguns recursos que podem ser usados nessas etapas de administração. Figura 22 – Encontro de pessoas de negócios Fonte: Freepik • Escola das relações humanas - entende que a administração é um processo social, pois as ações administrativas são inerentes aos relacionamentos entre pessoas. A figura 23 foi escolhida para simbolizar o foco dessa abordagem: pessoas. Figura 23 – Equipe Fonte: Pixabay Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 37 • Escola da tomada de decisão - está baseado na visão de Peter Drucker e Stanley Vance. Neste caso, a Administração é o processo de tomada de decisão e o controle sobre as ações das pessoas, para as metas e objetivos predefinidos. A figura 24 ilustra uma pessoa em um processo de decisão que envolve três alternativas de caminho. Figura 24 – Decisão Fonte: Pixabay • Escola de sistemas - compreende as organizações como sistemas orgânicos e abertos, formadas pela interação e interdependência de diferentes partes. A figura 25 foi selecionada para ilustrar a relação de interdependência entre diferentes partes. Figura 25 – Rede global Fonte: Freepik Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 38 • Escola contingencial - a administração é situacional, não há uma” receita de bolo” para administrar as organizações, assim, os gestores têm de planejar conforme as condições ambientais prevalecentes. A figura 26 reforça as ideias dessa abordagem. Figura 26 – Mudança Fonte: Pixabay IMPORTANTE: Em sua essência, o termo administração vem do latim ad (direção, tendência para) e minister (subordinação ou obediência) e significa aquele que executa uma função sob o comando de outrem (CHIAVENTADO, 2014). Trazendo para o contexto das organizações, Chiavenato (2015) destaca que a Administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar a utilização de recursos com o objetivode atingir objetivos organizacionais. Baseado neste autor, as funções administrativas são: • Planejamento - função administrativa que determina antecipadamente os objetivos a alcançar e o que deve ser feito para alcançá-los. Modernamente, substitui a previsão no processo administrativo. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 39 Figura 27 – Plano Fonte: Pixabay • Organização - do ponto de vista de função administrativa, é aquela que constitui o duplo organismo material e social da empresa. Figura 28 – Organizar Fonte: Pixabay • Direção - função administrativa que interpreta os objetivos e os planos para alcançá-los, conduz e orienta as pessoas rumo a eles. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 40 Figura 29 – Seta de direção no chão Fonte: Freepik • Controle - função administrativa que cuida para que tudo ocorra de acordo com as regras estabelecidas e as ordens dadas. Figura 30 – Lista de controle Fonte: Pixabay Reconhecido que a gestão diz respeito ao ato de administrar, podemos dizer que a gestão ou administração é essencial para todo tipo de organização. Vamos refletir um pouco sobre esse assunto? Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 41 Segundo Silva (2008) a administração é essencial quando as pessoas atuam juntas em uma organização. Nesse sentido, suas funções gerenciais precisam ser exercidas por qualquer indivíduo responsável por algum tipo de atividade organizada; suas principais características são: • A administração é propositada - inclui a complementação de atividades com outros indivíduos usando de forma adequada os recursos. Figura 31 – Flecha de dardo vermelha acertando no centro do alvo de dardos Fonte: Freepik • A administração envolve ideias, coisas e pessoas - inclui orientação de metas e foco na ação para obter resultados administrativos/ gerenciais. • A administração é um processo social - considera que as ações administrativas são inerentes às relações entre pessoas. • A administração é uma força coordenada - inclui a coordenação esforços de pessoas, considerando os diferentes valores e aspirações. • A administração envolve esforços de equipe - o alcance de objetivos se torna mais fácil somando esforços de uma equipe. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 42 Figura 32 – Parceiros segurando peças de quebra-cabeça Fonte: Freepik • A administração é uma atividade - necessita distinguir conhecimentos e habilidades requeridas para seu desempenho. • A administração é um processo formado pelas funções planejamento, organização, direção e controle. • A administração atua como força criativa e revigorante na organização: em algumas situações o resultado obtido é superior a soma total dos esforços de um grupo, envolve sinergia que traz vida para a organização. • A administração é uma disciplina dinâmica - as funções administrativas são orientadas para o avanço da organização, que pode incluir um comportamento ajustável e adaptável. • A administração é intangível - consiste em uma força invisível, cuja presença é mostrada pelos resultados de seus esforços, por exemplo: ordenação, satisfação dos funcionários, entre outras. Segundo Maximiano (2018) a maioria das organizações possuem três níveis principais de administração: • Alta administração - a constituição da alta administração está intimamente relacionada ao tamanho, à complexidade e ao nível de profissionalização da organização. Em empresas de grande porte, por exemplo, a alta administração inclui o executivo principal (presidente, diretor-geral ou Chief Executive Officer - CEO), bem como os diretores. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 43 • Gerência intermediária - esses profissionais estão entre os executivos e os supervisores de primeira linha. Eles gerenciam as funções especializadas, como: operações, marketing e vendas, finanças, entre outras. • Supervisores de primeira linha - esses profissionais ocupam o primeiro degrau da administração, considerando a escada de baixo para cima. Eles estão na base da pirâmide de diferentes tipos de organização, gerenciando especialistas, técnicos ou operadores, bem como os indivíduos que desempenham o trabalho operacional (pessoas que fabricam peças, que prestam serviços, atendem clientes, etc.). Na atualidade, o papel do supervisor é caracterizado pelas práticas de liderança e de orientação. Para proporcionar melhor compreensão, esses níveis de administração são ilustrados na figura 33. Figura 33– Níveis de Administração Gerência intermediária Alta administração Supervisores de primeira linha Fonte: Elaborado pela autora com base em Maximiano (2018) IMPORTANTE: Os primeiros capítulos exploramos a organização (entidade social) e neste capítulo estamos tratando sobre gestão. Certo? Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 44 Existe um aspecto a respeito desse assunto que você precisa conhecer, que são os conceitos de: Teoria das Organizações (TO) e Teoria Geral da Administração (TGA), descritas por Chiavenato(2014), conforme segue: • Teoria das Organizações (TO): é o campo do conhecimento humano que se ocupa do estudo das organizações em geral. • Teoria Geral da Administração (TGA): é o campo do conhecimento que se ocupa do estudo da administração das organizações. O conteúdo do estudo da administração varia conforme a teoria ou a escola considerada, e cada autor aborda as variáveis típicas da orientação teórica de sua escola ou teoria. Cada teoria administrativa enfatiza uma ou mais das seguintes variáveis: tarefas, estrutura, pessoas, ambiente, tecnologia e competitividade (CHIAVENATO, 2014). Embora o foco da disciplina não esteja voltado para o estudo de cada uma dessas variáveis, a título de informação as principais teorias da administração são indicadas no Quadro 1. Quadro 1 – Teorias administrativas Variável Teorias Administrativas Tarefa Administração Científica Estrutura Teoria Clássica Teoria Neoclássica Teoria da Burocracia Teoria Estruturalista Pessoas Teoria das Relações humanas Teoria do Comportamento organizacional Teoria do Desenvolvimento organizacional Ambiente Teoria Estruturalista Teoria da Contingência Tecnologia Teoria da Contingência Competitividade Novas abordagens na Administração Fonte: Chiavenato (2014) Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 45 Como outras áreas do conhecimento, os paradigmas da administração mudam de forma constante. VOCÊ SABIA? Segundo Maximiano (2018) a Revolução Industrial provocou grandes transformações sociedade, a exemplo das formas de produção e consumo, urbanização, divisão dos cidadãos em classes, profissões, entre outras. E grande parte das teorias e técnicas da administração nasceu dessas mudanças. O Quadro 2 resume as principais mudanças de paradigmas que ocorreram na passagem para o terceiro milênio. Quadro 2 – Paradigmas tradicionais e paradigmas atuais Conceitos tradicionais Novos paradigmas Revolução industrial -substituição do trabalho do homem pelo trabalho das máquinas. Revolução digital -substituição de atividades de decisão por sistemas de informação. Empregados. Empregadores. Inclui trabalhadores especializados, chefia. Inclui operadores ecléticos, grupos autogeridos. Possui grandes hierarquias. Possuo estruturas enxutas. Foco na eficiência. Foco na competitividade Foco no interesse dos acionistas. Foco na ética, responsabilidade social, governança corporativa, ecoeficiência. Fonte: Maximiano (2018) Diante do exposto, considerando que a administração é essencial para qualquer tipo de organização, bem como sua compreensão pode ser modificada conforme a abordagem; e reconhecendo a evolução de paradigmas dos últimos anos, no próximo capítulo vamos explorar um pouco mais sobre as abordagens atuais no campo da gestão empresarial. Espero que esteja motivado (a) paraa conclusão desta unidade. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 46 Baseado no exposto, Chiavenato (2014) a administração, pela sua complexidade, é considerada simultaneamente ciência, tecnologia e arte: • Como ciência - a administração está apoiada em fundamentos científicos, bem como metodologias e teorias sobre fatos e evidências analisadas, experimentadas e testadas. • Como tecnologia - a administração utiliza técnicas, modelos, práticas e instrumentos conceituais apoiados em teorias científicas que simplificam a vida do administrador. • Como arte - a administração exige do administrador a compreensão de cada situação em uma visão global, com intuição e abordagem criativa e inovadora para solucionar problemas, criar, mudar, inovar e transformar organizações. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a gestão ou administração tem como ideia central o alcance de objetivos por meio dos esforços de outras pessoas. A literatura registra várias definições para descreve esse construo e essas podem ser classificadas em nas seguintes categorias: escola funcional, escola das relações humanas, escola da tomada de decisão, escola de sistemas, e escola contingencial. Você também deve ter compreendido que as funções administrativas são: planejar, organizar, dirigir e controlar. As principais características da Administração são: a administração é concernente com idéias, coisas e pessoas; processo social; força coordenadas, etc. A maioria das organizações possuem três níveis principais de administração: alta administração, supervisores de linhas, bem como gerência intermediária. Também diferenciamos Organizações (TO) e Teoria Geral da Administração (TGA). Por fim, resumimos algumas características dos paradigmas tradicionais e do paradigmas atuais relacionados à Administração, entre os atuais destacam-se: revolução digital, estruturas enxutas, competitividades, etc.). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 47 Como se Norteia a Gestão Corporativa OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como se norteia a gestão corporativa. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. As organizações que consideraram essas orientações, certamente alcançaram maiores resultados em termos de sustentabilidade. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. Nesta unidade não vamos explorar a estratégia empresarial. Esse assunto será tratado nas próximas unidades. Mas você precisa compreender neste momento o que é estratégia e que ela é responsável por nortear a organização para uma posição de destaque em relação às demais (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Você já ouviu falar sobre estratégia? Esta é uma oportunidade para reflexão. Para facilitar, acompanhe nosso raciocínio e entenda os seguintes conceitos: Primeiro você precisa saber que o objetivo organizacional é uma situação desejada que a organização queira alcançar (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Figura 34 – Grupo Alvo Fonte: Pixabay Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 48 • Objetivo é um resultado desejado que se pretende alcançar em determinado período. (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Figura 35 – Conceito abstrato de foco Fonte: Freepik • Estratégia organizacional: representa o caminho selecionado pela organização para enfrentar as turbulências externas e utilizar os recursos e competências da melhor forma. (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Figura 36 – O negócio Fonte: Freepik Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 49 Provavelmente o papel essencial da estratégia é criar a individualidade da organização e dotá-la de personalidade. Para isso, ela precisa contar com governança corporativa adequada (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Diante disso, o foco deste capítulo está voltado para a governança corporativa. Você já ouviu falar desse conceito? Esta é uma oportunidade de reflexão e de aprendizado. Vamos lá? Segundo Di Miceli da Silveira (2021) a governança corporativa consiste no conjunto de princípios, práticas, regras que conduzem os relacionamentos entre os parceiros das organizações (acionistas, conselheiros, executivos e colaboradores, etc.), bem como definem propósitos, valores, cultura, estratégias, operações e estilos de liderança da organização. Figura 37 – Ética empresarial Fonte: Freepik Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 50 Sobre esse modo de gestão, Di Miceli da Silveira (2021) faz as seguintes considerações: • No ambiente interno à organização, a governança tem como objetivo: criar um ambiente no qual gestores e colaboradores desejem cumprir as regras, agir eticamente e tomar decisões alinhadas ao propósito da organização de forma voluntária. • No ambiente externo à organização, a governança tem como objetivo: assegurar o exercício pleno dos direitos dos acionistas, fazendo com que as organizações sejam transparentes, justas, responsáveis para com seus parceiros, etc. Em outras palavras, o conceito de governança corporativa está associado a um conjunto de regras a respeito de como as organizações precisam ser administradas e controladas. Ele é produto de normas, tradições e padrões de comportamento de cada organização. Esse construto surgiu a partir da separação entre a propriedade e a gestão da empresa. Seu foco é definir uma estrutura de gestão que maximize a relação entre o retorno dos acionistas e os benefícios recebidos pelos executivos (CHIAVENATO; SAPIRO, 2020). Para Di Miceli da Silveira (2021) A gestão corporativa pode ser dividida em diversas áreas, de acordo com as suas funções e grau de especialização. Entre elas podemos citar: • Gestão de pessoas ou gestão de recursos humanos – responsável pela adoção de estratégias para o aprimoramento dos planos de carreira nas diversas funções. • Gestão financeira – é a metodologia de análise, controle e planejamento de todas as atividades financeiras de uma organização. • Gestão de projetos – engloba o planejamento, execução e controle dos projetos de uma organização. • Gestão de processos - mantém o nível de desempenho e os resultados previstos utilizando ferramentas tais como: manuais de Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 51 procedimentos, relatórios de aferição dos resultados, sistemas de controle etc. • Gestão comercial – responsável pela colocação de um produto ou serviço no mercado de forma rentável e por garantir novas demandas para a continuidade da prestação de serviços nas organizações. • Gestão de qualidade – monitora os produtos e serviços das organizações para garantir a qualidade e satisfação dos clientes, bem como atentar para a melhoria constante dos processos internos, a fim de superar as expectativas de mercado. Figura 38 – Funcionários do armazém trabalhando juntos na contagem de produtos e verificação do estoque Fonte: Freepik Gestão de tecnologia da informação – responsável pela instalação e gerenciamento dos sistemas informatizados nas organizações, de forma a melhorar o desempenho dos seus setores. Define os parâmetros de utilização dos usuários para garantir a segurança dos sistemas. Gestão de estoque - organiza e controla os produtos que uma organização produz. Além disso, apresenta as demandas por produto e alimenta o setor de compras/produção sobre a necessidade de Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 52 reposições, bem como aqueles produtos que não possuem procura/ solicitações. A funcionalidade da governança corporativa pode ser avaliada baseado em nos seguintes elementos: (a) estrutura de propriedade; (b) princípios; (c) propósitos; (d) papéis; (e) poder; (f) práticas; (g) pessoas; e (h) perpetuidade. Esses elementossão capazes de resumir o ambiente, o sistema, os pontos fortes, as fragilidades e outras situações observadas nas organizações no que diz respeitos boas práticas de governança (GODOI, 2020). Diante do exposto, ficou curioso(a) para conhecer cada um desses elementos, não é mesmo? Está preparado(a) para compreendê- los? Eles serão explorados a partir de agora. • Estrutura de propriedade: o desenvolvimento da governança corporativa está relacionado à estrutura da propriedade da organização. Por exemplo, em empresas de sociedades anônimas de capital aberto, onde os proprietários não possuem visibilidade e alteram a cada dia em razão do cenário econômico, com a finalidade de reduzir os conflitos e custos de agência entre gestores e acionistas. Em organizações de capital fechado, a governança ajuda a promover a coesão societária e a transparência, mediante o monitoramento de conselhos e de outros órgãos corporativos. • Princípios: se referem aos elementos que constituem a estrutura ética da governança. Alguns princípios éticos são considerados inegociáveis e estão presentes, explícita ou implicitamente, no estabelecimento dos propósitos, nos processos e práticas do dia a dia, entre outros. Figura 39 – Ilustração de ética empresarial Fonte: Freepik Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 53 • Propósitos: o principal objetivo da governança corporativa é contribuir para o máximo retorno de longo prazo dos parceiros. Aos investidores interessam que demandas de diferentes partes sejam administradas de forma estratégica, considerando que a validação e a reputação da empresa ocorrem em função de posturas apoiadas no conceito do triple bottom line, o qual busca o a relação equilibrada entre os elementos econômicos, sociais e ambientais. IMPORTANTE: Triple Bottom Line (TBL) ou Tripé da Sustentabilidade foi criado por John Elkington. Ele propõe a busca por um padrão de desenvolvimento baseado no equilíbrio entre três pilares, a saber: econômico, o qual inclui o valor financeiro e a sua contribuição da organização para a economia local; social, que inclui a adoção de práticas benéficas para a sociedade; e ambiental, que inclui o uso otimizado de recursos naturais para não comprometer as gerações atuais e futuras (ELKINGTON, 1997). • Papéis: os agentes envolvidos no processo de governança dispõem de papéis distintos nas organizações. Por exemplo: (i) os proprietários são responsáveis pelas atribuições privativas, a exemplo da definição de estrutura e da escolha dos administradores; (ii) os conselheiros, são responsáveis pela proteção e pela valorização do patrimônio da organização, inclusive pela otimização do retorno do investimento e a avaliação dos gestores; (iii) os gestores são responsáveis pela gestão executiva da organização. • Poder: a compreensão da estrutura de poder nas organizações é dada baseado nas relações entre os órgãos de governança. Entende-se que a estrutura de poder legitimamente pelos proprietários define a separação de funções e de responsabilidades dos conselhos corporativos e da direção executiva na organização. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 54 • Pessoas: um sistema de governança eficaz está baseado na construção de relações bem definidas entre os indivíduos que participam das organizações. Isso inclui considerar crenças e costumes, papéis e modelos de relacionamentos entre diferentes atores. • Perpetuidade: no geral, as organizações objetivam a perpetuidade de suas atividades, assegurando sua atuação e participação crescente em seus setores. A permanência das atividades de uma organização está intimamente relacionada às práticas de boa governança que buscam definir estratégias consistentes para as organizações, focam na gestão eficaz de riscos, bem como criam valor para os parceiros. a. No que diz respeito à composição da Governança Corporativa, Chiavenato e Sapiro (2020), destacam os seguintes envolvidos: • Conselho de administração - constituído por um presidente do conselho de administração, bem como conselheiros de administração representando acionistas ou proprietários. • Presidente executivo e a diretoria - se refere aos profissionais responsáveis por executar as decisões do Conselho de Administração. • Conselho fiscal - responsável por controlar as decisões do Conselho de Administração, bem como cuidar da gestão de riscos do negócio. • Auditoria externa - consiste na auditoria definida de forma independente para analisar, monitorar e controlar o desempenho da organização e avaliar os balanços contábeis. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) é uma entidade referência que lista quatro preceitos basilares em seu Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, a saber: transparência, prestação de contas, equidade e responsabilidade corporativa (DI MICELI DA SILVEIRA, 2021). Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 55 Além dessa referência, Di Miceli da Silveira (2021) destaca que os gestores podem contar com os documentos internacionais desenvolvidos sobre governança. A propósito, eles foram usados para definir 10 grandes princípios de boa governança aplicáveis a qualquer tipo de organização. Para proporcionar melhor compreensão, eles são descritos conforme segue: 1. Transparência - Manter uma gestão transparente com as partes facilita o fluxo de informações e ações de todos os envolvidos no processo. 2. Equidade - Preservar os direitos, deveres, expectativas, necessidades e interesses dos integrantes de uma organização. 3. Prestação de contas - Prestar contas de modo compreensível e tempestivo e assumir integralmente as consequências de seus atos. 4. Atitude e comportamento ético das lideranças -inclui o compromisso dos conselheiros e executivos em atuar de forma integra, evidenciando elevados padrões éticos nas atitudes, decisões e comportamentos. 5. Sustentabilidade e perspectiva de longo prazo na administração da organização - Inclui considerar de um horizonte de longo prazo nas decisões com o objetivo de desenvolver relacionamentos benéficos com todos os parceiros. 6. Avaliação de desempenho, remuneração justa e meritocracia -considera a necessidade de monitorar o desempenho de todos os gestores e órgãos de governança de forma regular, definindo a remuneração adequado, alinhada ao desempenho, aos riscos e aos valores da organização. 7. Contrapesos independentes no processo decisório - considera a necessidade de incentivar a manifestação de diferentes pontos de vista, bem como assegurar debates construtivos para melhorar a tomada de decisão. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 56 8. Respeito às regras, controles e supervisão independentes - envolve a necessidade de definir regras a serem cumpridas. 9. Cooperação entre os trabalhadores e promoção do interesse coletivo - Desenvolvimento de uma cultura organizacional saudável que incentiva a cooperação entre os membros da organização. 10. Diversidade, inclusão e direitos humanos - inclui a necessidade de desenvolver políticas para ampliar a diversidade nos órgãos de governança e dos cargos de liderança. Nesse sentindo, a pluralidade deve ser trabalhada em diferentes dimensões: gênero, idade, raça, etc. Segundo Chiavenato e Sapiro (2020) apud Andrade e Rossetti, destacam que a Governança Corporativa está apoiada em um sistema de valores constituído pelos seguintes elementos: • Fairness - abrange o senso de justiça, bem como a equidade no tratamento dos acionistas. • Disclosure - inclui a transparência das informações, principalmente aquelas que impactam os negócios e que incluem riscos. • Accountability - envolve a prestação responsável de contas, fundamentada em boas práticas contábeis e de auditoria. • Compliance - inclui a conformidade no cumprimento de normas expressas em estatutossociais, regimentos internos e na legislação nacional. Di Miceli da Silveira (2021) um sistema de governança efetivo pode melhorar as decisões das organizações e a aumentar a possibilidade de cumprimento das regras internas e externas à organização. Entre os benefícios internos da governança corporativa, destacam-se: • Melhor funcionamento da alta gestão - inclui a melhoria dos papéis dos órgãos de governança e das interfaces entre eles, bem como a necessidade de clareza no processo decisório. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 57 Figura 40 – Corporativo Fonte: Pixabay • Relações mais estruturado entre acionistas, conselheiros e executivos, o que faz com que a organização seja menos dependente de determinadas pessoas. • Melhoria das práticas de seleção, de avaliação do desempenho e do sistema de incentivos dos executivos - inclui um ambiente de confiança, transparência, etc. • Redução da possibilidade de surpresas negativas, resultante de uma melhor cultura ética, gestão de riscos etc. Segundo Di Miceli da Silveira (2021) boas práticas de governança nas empresas podem proporcionar os seguintes benefícios considerando uma perspectiva macroeconômica, tais como: • Crescimento das fontes externas de capital disponíveis para as organizações, viabilizando maior investimento e crescimento econômico. • Redução do custo de capital das organizações, com aumento de seu valor de mercado. • Melhoria do desempenho das organizações, como produto do aperfeiçoamento de seu processo decisório na alta gestão. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 58 • Redução dos riscos vinculados à fraudes em grandes empresas e de crises financeiras. • Melhoria de relacionamento com os stakeholders, gerando impactos positivos em questões éticas, tributárias, ambientais, etc. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que uma organização é conduzida por sua estratégia (curso de ação). A governança possui vários significados, mas de forma geral podemos entender que a governança corporativa como um conjunto de princípios, práticas, regras que conduzem os relacionamentos entre os parceiros das organizações (conselheiros, executivos, colaboradores, etc.). A governança corporativa pode ser avaliada baseado nos seguintes elementos: estrutura de propriedade, princípios, propósitos, papéis, poder, práticas, pessoas e perpetuidade. A Governança Corporativa é composta por: Conselho de administração, Presidente executivo e a diretoria, Conselho fiscal, Auditoria externa, Dependendo do caso. Em relação aos princípios de boa governança aplicáveis a qualquer tipo de organização, podemos destacar: Transparência; Equidade; Prestação de contatos; Atitude e comportamento ético das lideranças; Sustentabilidade e perspectiva de longo prazo na gestão da organização; Avaliação de desempenho, remuneração justa e meritocracia; Contrapesos independentes no processo decisório; Respeito às regras, controles e supervisão independentes; Cooperação entre os colaboradores e promoção do interesse coletivo da organização; Diversidade, inclusão e direitos humanos. A GC está assentada em um sistema de valores: Fairness, Disclosure, Accountability, Compliance. Por sua vez, também destacamos benefícios proporcionados pela GC, a exemplo de maior transparência, melhor comunicação e credibilidade no mercado, etc. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial 59 REFERÊNCIAS AAKER, D. A. Administração estratégica de mercado. Porto Alegre: Bookman, 2012. CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração. Barueri: Manole, 2014. KOTLER, P; KELLER, K. L. Administração De Marketing. São Paulo: Pearson, 2012. MAXIMIANO, A.C.A. Teoria geral da administração: da revolução urbana à revolução digital. São Paulo: Atlas, 2018. Estratégias de Gestão e Organização Empresarial A gestão do conhecimento organizacional Apresentação Nesta Unidade de Aprendizagem, conheceremos a gestão do conhecimento organizacional. Imagine-se em uma empresa que oferece oportunidades aos seus colaboradores para se mostrarem ativamente produtivos. Agora pense em um cenário de liberdade, entusiasmo e interesse genuíno pelo trabalho. Seria algo surreal para você? Talvez não mais. O contexto corporativo agora deve ser (e em muitos casos já é) outro. Portanto, descobriremos o porquê da importância do conhecimento para as organizações da atualidade e a importância de seu controle e estímulo pelos gestores departamentais. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Defender a importância da gestão do conhecimento organizacional.• Diferenciar dado, informação e conhecimento.• Classificar conhecimento tácito e conhecimento explícito.• Infográfico O infográfico a seguir representa, de forma esquemática, os aspectos fundamentais para a implantação da gestão do conhecimento organizacional. Conteúdo do livro Atualmente, diante das inúmeras mudanças que o cenário oferece, compreender que a organização é um sistema vivo que interage constantemente com o meio em que se insere, mostra-se uma estratégia bastante conveniente para a busca de vantagem competitiva. A organização que possui o conhecimento como referência é aquela que reconhece, promove e utiliza-o como fonte de vantagem competitiva. As inúmeras possibilidades existentes (dados, informações e conhecimento) implicam que haja a adoção da gestão do conhecimento como um caminho para um alinhamento mais condizente com o que a empresa deseja para seu futuro, pois não é mais possível ficar esperando, é necessária ação. Neste capítulo A gestão do conhecimento organizacional da obra Gestão de pessoas, você vai identificar como e porque a gestão do conhecimento é importante para o alcance de vantagem competitiva, identificando as diferenças entre conhecimento tácito e explícito diante da diferenciação entre dados, informação e conhecimento. Boa leitura. GESTÃO DE PESSOAS Fabiane Padilha da Silva Gestão do conhecimento organizacional Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Explicar por que a gestão do conhecimento organizacional é impor- tante para o alcance de vantagem competitiva. Diferenciar dado, informação e conhecimento. Distinguir conhecimento tácito de conhecimento explícito. Introdução Atualmente, diante das inúmeras mudanças que o cenário oferece, compreender que a organização é um sistema vivo que interage cons- tantemente com o meio em que se insere é uma estratégia bastante conveniente para a busca de vantagem competitiva. A organização que possui o conhecimento como referência é aquela que reconhece, promove e utiliza-o como fonte de vantagem competitiva. As inúmeras possibilidades existentes (dados, informações e conhecimento) implicam que haja a adoção da gestão do conhecimento como um caminho para um alinhamento mais condizente com o que a empresa deseja para seu futuro, pois não é mais possível ficar esperando, é necessário agir. Neste capítulo, você vai identificar como e por que a gestão do co- nhecimento é importante para o alcance de vantagem competitiva, identificando as diferenças entre conhecimento tácito e explícito diante da diferenciação entre dados, informação e conhecimento. Gestão do conhecimento organizacional: importância para a vantagem competitiva É inquestionável que a contemporaneidade diferencia-se de outros momen- tos históricos, por exemplo, pela inserção da tecnologia em nossas vidas. A chamada era do conhecimento trouxe consigo o uso disseminado da tecnologia da informação e comunicação (TIC) e democratizou a utilização das mídias sociais. Assim, as organizações,da mesma forma que as pessoas, estão em constante adaptação diante das transformações que acontecem permanentemente, e o conhecimento passa a ser um dos insumos mais relevantes nesse cenário. A gestão do conhecimento oferece às instituições muitas possibilidades de se destacar no cenário competitivo. O conhecimento, atualmente, é visto como um dos principais ativos estratégicos das organizações. Portanto, cada vez mais, cabe à empresa administrá-lo, de forma a alavancar os resultados pretendidos (CAVALCANTI, 2011). Na esfera econômica, a competitividade pode ser estudada quando a estru- tura em que a organização se estabelece (por exemplo: monopólio, oligopólio ou concorrência perfeita) faz com que ela assuma determinada conduta, o que resultará em um desempenho proveniente das decisões tomadas pelos gesto- res. Isso significa que a interação entre concorrentes promoverá impactos na performance dos players desse mercado, fazendo com que a competitividade assuma um papel central nas relações que se estabelecem (LOPES, 2016). Deriva do panorama econômico, portanto, a competitividade, pois a forma como se apresentam organizadas as empresas, define as estratégias utilizadas, o que resultará em um determinado desempenho (LOPES, 2016). Entretanto, é na área da gestão que a competitividade, com mais destaque, revela-se como um fator decisivo para o sucesso das organizações. Porter (2004), a partir do Modelo das Cinco Forças, enfatiza que na relação com os concorrentes (diretos e indiretos) atuam cinco forças, sendo elas: ameaça à entrada de novos concorrentes; poder de barganha dos fornecedores; poder de barganha dos compradores; produtos substitutos; e intensidade da rivalidade entre os concorrentes. Essas forças refletem ameaças que são encontradas no ambiente no qual a empresa está inserida. É de Porter (2004), também, a ideia de que uma organização deve buscar liderança em custos, diferenciação ou enfoque — as chamadas estratégias competitivas. Assim, a competitividade resulta da formulação de estratégias coerentes com o ambiente em que a empresa se encontra, e, consequentemente, a escolha da estratégia definirá o caminho que a empresa decidirá tomar. Gestão do conhecimento organizacional2 A vantagem competitiva de uma empresa se dá quando ela “[...] implanta uma estratégia que os concorrentes não conseguem copiar ou consideram custosa demais para imitar” (HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2011, p. 72). Para Possolli (2012, p. 96), a gestão do conhecimento é “[...] um conjunto de ações que sistematizam uma base de saberes, em operação por iniciativa de aprendizagem organizacional”. Pode-se abstrair, diante dessas duas afirma- ções, que as decisões dos gestores devem ter como base o conhecimento, e é essa sustentação que fará com que a empresa se mantenha em vantagem competitiva frente aos concorrentes. O conhecimento deriva do indivíduo, passando para o grupo e para a organização como um todo e tornando ativo esse processo, que é cíclico, pois o grupo também poderá gerar conhecimento para o indivíduo, da mesma forma que a empresa poderá ser a origem do conhecimento de um indivíduo. Pode-se concluir, dessa forma, que a gestão do conhecimento, dada como esse conjunto de saberes, afetará de forma direta a competitividade da organiza- ção, como aponta Bitencourt (2010, p. 57): “[...] a gestão sistematizada deste conhecimento como uma alternativa estratégica é que se apresenta como uma nova alternativa”. As transformações advindas do uso intensivo de tecnologias digitais fazem com que as empresas tenham que se adaptar e readaptar constan- temente. Não é mais possível que uma organização que queira manter-se competitiva fique parada diante de tantas e frequentes mudanças no meio que a rodeia. As mudanças dos últimos anos têm obrigado as instituições a buscar formas inovar constantemente e, nesse sentido, o conhecimento mostra-se como um ativo intangível gerador de vantagem competitiva e performance sustentável. Imagine um espaço onde há um videogame e uma mesa de ping-pong. No passado, provavelmente, essa seria uma área restrita ao lazer em, talvez, um condomínio ou um hotel para passar as férias. Hoje em dia, não se vê isso dessa maneira: muitas empresas estão entendendo que os colaboradores podem ser mais produtivos quando estão em um meio onde podem relaxar. Tempos atuais requerem medidas diferentes na busca de novas ideias e, assim, as organizações devem rever seus modelos, buscando conhecimento em locais nunca antes esperados. Não é apenas frente ao computador que se tem boas ideias: sair da caixa é uma forma de ver a caixa de maneira diferente. 3Gestão do conhecimento organizacional A vantagem competitiva é, portanto, fruto do conhecimento, que, con- temporaneamente falando, não é estático, pelo contrário, é dinâmico, muda a todo o momento e está em todos os lugares. A empresa que não entender isso estará parada no tempo, esperando que algo de extraordinário lhe aconteça sem ter feito nada para merecer. A origem do conhecimento em épocas de internet e mídias sociais é muito — e cada vez mais —, líquida, permeando, assim, diversos e diferentes espaços e meios. Desse modo, a sistematização desse conhecimento mostrará que ainda há muito que se percorrer no sentido de aproveitar todo esse ativo intangível que é o conhecimento. O que se pode perceber, quando se trata de alinhar a gestão do conhecimento à vantagem competitiva, é que existem diversos caminhos a serem percorridos. Carvalho (2012) cita alguns deles: comprometimento com uma trajetória; fecundi- dade; especificação do estilo; foco na reestruturação do sistema de conhecimento, foco na reestruturação do sistema de tarefas; comunicação de valores externos e comprometimento com o desenvolvimento da competitividade. O ideal é que se tenha uma interação entre esses elementos, de forma que se construa uma vantagem competitiva sustentável para a organização, conforme mostra a Figura 1. Figura 1. Finalidade estratégica da visão do conhecimento. Fonte: Adaptada de Carvalho (2012). Defender o conhecimento e a importância da gestão do conhecimento organizacional para o alcance de vantagem competitiva é permitir que a organização se mantenha no páreo com os concorrentes. Em tempos de era Gestão do conhecimento organizacional4 do conhecimento, é aceitar que as transformações pelas quais a sociedade passa são condicionadas ao meio organizacional da mesma maneira. É, além disso, elevar o nível de cada colaborador como o detentor de insumo para o sucesso da empresa, mostrando o quanto ele é imprescindível nesse processo. Diferenças entre dado, informação e conhecimento A sociedade vem passando por transformações que exigem das empresas a adoção de novas posturas e novos modelos de gestão como uma alternativa viável frente aos acontecimentos provocados pelo avanço na utilização de tecnologias da informação e comunicação (TICs) e mídias sociais. Ao longo dos anos, a humanidade passou por diferentes momentos, que trouxeram elementos que desencadearam novos arranjos tanto no cenário individual quanto no social e profi ssional. Esses acontecimentos marcaram mudanças de hábitos e trouxeram elementos que, hoje, podem ser considerados corriqueiros (por estarem tão introjetados no cotidiano das pessoas) ou mesmo obsoletos (por não mais apresentarem o desempenho esperado). Analisando essas transformações pelas quais a humanidade passou, Tofler (1980) sustenta que existem três ondas que refletem o desenvolvimento da humanidade: a primeira onda iniciou-se há 10 mil anos e era da terra, da força braçal e de recursos renováveis que a riqueza vinha. Na segunda onda, que teve início há 300 anos, a era agrícola é substituída pela era industrial, em que as fábricas dominam o contexto e promovem a riqueza, com a padronização de processos e o surgimento do carvão, petróleo e eletricidade como novas alternativas para fonte de energia. Por fim, a terceiraonda — iniciada em torno de 1955 — vem denominada como a era da informação e do conhecimento, momento em que as mudanças nas TICs marcam sobremaneira a sociedade, fazendo com que as empresas se adaptem ou morram, pois novos modelos de gestão baseiam-se, agora, no valor agregado obtido por ativos intangíveis, como o conhecimento. Nessa era, a gestão que se faz possibilita às empresas a adoção de diversos processos que venham a permitir a criação e aquisição, a organização e a arma- zenagem, a distribuição e a aplicação do conhecimento (BITENCOURT, 2010). Portanto, sistematizar o conhecimento é, além de criar, explorá-lo para trazer resultados sustentáveis à organização. E, para que haja essa sistematização, é 5Gestão do conhecimento organizacional necessário que se tenha claro que dado é diferente de informação, informação é diferente de conhecimento e, por fim, dado não é sinônimo de conhecimento. O conhecimento é derivado da informação e, por sua vez, a informa- ção se origina em dados. Essa hierarquia (BITENCOURT, 2010) aponta que a combinação entre dados, informações e conhecimento leva à sabedoria organizacional, a qual se baseia na identificação do que leva a empresa a potencializar e utilizar o conhecimento em prol de atingir uma estratégia. Assim, não basta tornar evidente o conhecimento, é necessário sua aplicação efetiva, que será apresentada por meio de produtos e serviços inovadores. A Figura 2, a seguir, mostra essa relação. Figura 2. Relação entre dados, informação e conhecimento. Fonte: Bitencourt (2010, p. 59). Nessa escala, os dados são eventos que, isoladamente, não apresentam significado, o que eles têm apenas a partir do momento em que há uma inter- pretação sobre eles. Portanto, são imprescindíveis para que haja a informação, pois esta deriva dos dados. Atualmente, com o uso massivo de tecnologia nas empresas, os bancos de dados passaram a ser elementos estratégicos, pois, ao serem trabalhados de forma correta, podem gerar informações valiosas às organizações. Gestão do conhecimento organizacional6 A área de recursos humanos se utiliza muito dos bancos de dados, pois eles podem gerar informação de grande valor para a organização, melhorando a tomada de decisão, possibilitando um melhor planejamento da área e também fornecendo insumos estratégicos para uma gestão mais assertiva. Um exemplo de dado pode ser o nível escolar de um colaborador, que pode ser usado para descobrir quantos colaboradores possuem ensino superior. Com base nessa informação, a empresa pode optar por oferecer aos colaboradores um subsídio para aqueles que se dispuserem a cursar o ensino superior, já que se sabe que as empresas com colaboradores que apresentam maiores níveis de escolaridade apresentam melhores resultados. Dessa forma, o dado é um fato relativo a eventos sem significado, a infor- mação é um dado organizado para descrever uma situação e o conhecimento é a forma como o ser humano interpreta esses dados e informações e os repassa aos demais. O dado tem sentido quando o ser humano o interpreta, transforma em informação e o aplica (conhecimento) na tentativa de alcançar os objetivos da organização. Veja, no Quadro 1, um comparativo sobre os conceitos de dado, informação e conhecimento. Fonte: Adaptado de Possolli (2012). Conceito Definição Características Exemplo Dado Engloba simples observações sobre o estado do mundo. Facilmente estruturado, obtido por máquinas, transferível. É frequen- temente quantificável. Número de pessoas acima do peso na instituição. Informação Dado dotado de relevância e propósito. Exige consenso em relação ao significado, a medição humana. Requer unidade de análise. Gráfico contendo a função e o peso de cada colaborador. Conhecimento Informação valiosa da mente humana. Engloba reflexão, síntese e contexto. Dificilmente estru- turado, obtido por máquinas, transferível. É frequentemente tácito. Ações de reeduca- ção alimentar com a contratação de uma nutricionista. Quadro 1. Conceito, definição, características e exemplos de dados, informação e co- nhecimento 7Gestão do conhecimento organizacional Nonaka e Takeuchi (1997) afirmam que o conhecimento trata de crenças e compromissos, sendo, assim, a função de uma atitude, perspectiva ou in- tenção específica. O conhecimento está relacionado à ação e a um contexto relacional, mostrando que ele é sustentado pela informação, mas não é o mesmo que ela. O que se pode observar com as palavras anteriores é que a informação distingue-se do conhecimento por diversas características, mas o mais importante é compreender que não há conhecimento sem informação. A humanidade vivencia uma época em que é quase imperceptível a dife- rença entre virtual e real; dessa forma, onde dados e participantes se movem continuamente, existe uma busca contínua, que é a de reunir esses dados a fim de transformá-los em informação e, o mais importante, essa informação em conhecimento. São inúmeras as possibilidades de buscar dados e infor- mações, mas ainda cabe ao ser humano a tomada de decisão sobre a forma como eles serão usados, e essa é a característica principal do conhecimento, sua utilização com uma finalidade. Foram muitos os adventos históricos até a data de hoje, entretanto, vive-se uma era em que as informações são abundantes — em função da evolução tecnológica e das comunicações —, mas o uso que se faz delas, muitas vezes, fica aquém do desejado. Quando, antigamente, precisava-se de uma infor- mação específica, demorava-se horas e até dias para encontrá-la. Hoje, em segundos, conseguimos basicamente qualquer dado ou informação por meio dos buscadores. Vive-se em uma época sem precedentes, mas cabe a nós fazer bom uso dessa quantidade enorme de informações em prol de algo útil. Isso também deve acontecer dentro das instituições, pois de nada adianta termos um mundo de oportunidades sem que saibamos aproveitar as benesses que elas podem trazer. O colaborador é o detentor supremo do conhecimento — seja ele tácito ou explícito, como veremos adiante —, e as empresas devem buscar aproveitar isso da melhor maneira possível em busca de seus objetivos. Distinção entre conhecimento tácito e explícito O conhecimento, como já foi visto, parte da utilização de dados e informações. Ele é direcionado a algo, intencional e é próprio do ser humano. Foram os autores Nonaka e Takeuchi, no livro Criação do Conhecimento (primeira edição de 1935), que troxeram a ideia da criação do conhecimento organizacional por meio da dinâmica entre o conhecimento tácito e explícito. Para Nonaka e Takeuchi (1997), o conhecimento possui sua origem no indi- víduo, mas expande-se para o meio organizacional e interorganizacional. Assim, Gestão do conhecimento organizacional8 é o indivíduo o principal agente do conhecimento que vem a ser tangibilizado na organização e que pode vir a extrapolar os muros da mesma. Essa dinâmica configura-se por meio de uma espiral, que é a espiral do conhecimento, conforme mostra a Figura 3. Figura 3. Espiral do conhecimento. Fonte: Carvalho (2012, p. 22). Conforme essa espiral, uma das dimensões mais amplas é representada pelo conhecimento interoganizacional, que deriva da troca entre as organizações. Ele é iniciado pelo indivíduo e por meio da interação entre os conhecimentos tácito e explícito desse indivíduo, dos grupos e das organizações, assumindo um nível mais completo, profundo e significativo. Dessa maneira, as relações entre as organizações estabelecem-se com base no conhecimento único de um colaborador, que vai se ressignificando pelas contribuições de outros parceiros, mas sustentado pela mesma base. O conhecimento individual é imprescindível para o conhecimento or- ganizacional. Entretanto, esse conhecimento, mais amplo, deriva de outros recursos (tecnológicos, rotinas, ambiente), que, mobilizados, constroem a cultura da organização, denominada por Nelson e Winter (2005, p. 153) rotina: “O conhecimento